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Direito Constitucional - Examinadora: Fabiola de Oliveira Alves

1. O que entende pelo princípio da separação dos poderes?


R. O princípio da separação dos Poderes encontra previsão no art. 2º da CF, ao dispor
que “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário”. O que resulta, com relação aos Poderes Legislativo,
Executivo e Judiciário, na ausência de qualquer relação de subordinação ou
dependência no que se refere ao exercício de suas funções e, ao mesmo tempo, no
estabelecimento de um mecanismo de controle mútuo entre os aludidos três Poderes
(a já referida fórmula do checks and balances).
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário.

2. Poderia explicar o que seriam as atividades típicas e atípicas dos poderes?


R. CF estabelece que cada Poder do Estado instituído terá uma função típica, de
competência precípua, mas esta será exclusiva, o que em certos casos poderá ser
exercida também por outro poder.

3. A CF/88 proíbe o trabalho noturno?


R. Em regra não, somente é proibido para os menores de 18 anos.
Art. 7. XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de
dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de
aprendiz, a partir de quatorze anos;

4. Dê exemplos de direitos sociais.


R. conforme o artigo 6º da CF, podemos citar como exemplo de direitos sociais: a
educação, saúde, lazer, moradia, o trabalho, a segurança, a alimentação, entre outros.
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia,
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

5. Segurança no emprego é um direito social?


R. Sim Excelência, está previsto no caput do artigo 6 da CF.
6. O que entende pelo princípio da legalidade?
R. o princípio da legalidade é a base do Estado Democrático de Direito, limita de certa
forma o Poder do Estado em impor, exigir comportamento e regras, sendo que o
indivíduo somente estará obrigado a fazer ou deixar de fazer algo se houver previsão
legal.

7. De que outros princípios o senhor se lembra?


R. Separação dos poderes, ampla defesa, contraditório.

8. O princípio da publicidade pode ser absoluto?


R. Não. A regra é que haja a publicidade dos atos. A CF somente restringe a
publicidade em casos excepcionais, relacionados à segurança nacional e privacidade
das pessoas.

9. O habeas corpus pode ser utilizado para questionar a imposição de pena


pecuniária? Por quê?
R. Não é cabível o HC, pois não mais é possível a conversão da pena de multa em
prisão (art. 51 do CP). Nesse sentido a Súmula 693 do STF.
STF SÚMULA Nº 693 NÃO CABE "HABEAS CORPUS" CONTRA DECISÃO
CONDENATÓRIA A PENA DE MULTA, OU RELATIVO A PROCESSO EM
CURSO POR INFRAÇÃO PENAL A QUE A PENA PECUNIÁRIA SEJA A
ÚNICA COMINADA.

10. Quando a pena privativa de liberdade estiver extinta, será cabível?


R. Segundo STF o "habeas corpus visa a proteger a liberdade de locomoção -
liberdade de ir, vir e ficar - por ilegalidade ou abuso de poder, não podendo ser
utilizado para proteção de direitos outros..." Por isso mesmo é que também não se
admite o habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade .
STF 695: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade

11. No impedimento do presidente qual a ordem de sucessão?


R. A CF estabelece que o vice-presidente sucede definitivamente o presidente quando
este morre, renuncia ou é removido do cargo. Depois dele, também fazem parte da
linha sucessória os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do
Supremo Tribunal Federal. Entretanto, estes três últimos apenas substituem
temporariamente o presidente, não cabendo-lhes a sucessão em definitivo.
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga,
o Vice-Presidente.
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe
forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
convocado para missões especiais.

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância


dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência
o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal
Federal.

12. Quais os órgãos auxiliares da presidência da república?


R. Os órgãos auxiliares do presidente são os Conselhos da República e da Defesa
Nacional.
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da
República, e dele participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo
dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois
eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a
recondução.

Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da


República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado
democrático, e dele participam como membros natos:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - o Ministro da Justiça;
V - o Ministro de Estado da Defesa;
VI - o Ministro das Relações Exteriores;
VII - o Ministro do Planejamento.
VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

13. Quais os requisitos para o cargo de presidente da república?


R. Além de ser brasileiro nato, são condições de elegibilidade, na forma da lei:I - a
nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento
eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a
idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República
e Senador;

14. Brasileiro naturalizado não pode?


Não, pois é um dos cargos que só podem ser ocupados por brasileiros natos, conforme
art.12 da CF.

15. No que consiste estado de sítio?


R. Estado de sítio é um estado de exceção, instaurado como uma medida provisória
de proteção do Estado, quando este está sob uma determinada ameaça, como uma
guerra ou uma calamidade pública.

16. O presidente decreta o estado de sítio. E o estado de defesa?


R. Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro
de vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso
Nacional, que decidirá por maioria absoluta.
§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado,
extraordinariamente, no prazo de cinco dias.

17. Quem compõe as forças armadas?


R. É composta pelo exército, marinha e aeronáutica.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com
base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da
República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e,
por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

18. Quem as chefia?


Presidente da República.

19. O que é nacionalidade?


R. Nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao Estado,
fazendo dele um componente do povo.

20. O que significa esse vínculo político?


R. O vínculo político se revela na ligação que o indivíduo e o estado no qual faz parte,
sendo obrigado a respeitar as garantias e obrigações impostas.
21. A polícia científica pode ser considerada órgão de segurança pública?
R.: Sim, a Polícia Científica de São Paulo, especificamente, é um orgão do sistema
de segurança pública, ao qual compete a realização das perícias médico-legais e
criminalísticas do Estado de São Paulo, bem como desenvolver estudos e pesquisas
em sua área de atuação.

22. Quem exerce o Poder Legislativo Federal?


R.: O Poder Legislativo Federal é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Art. 44 da CF/1988.

23. Fale sobre o direito de reunião?


R.: O direito de reunião é a liberdade ou direito que as pessoas têm de se reunir em
grupos, encontros, clubes, manifestações, desfiles, comícios ou qualquer outra
organização que desejem. É considerado um direito fundamental, previsto no inciso
XVI do artigo 5 da CF/88. “Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em
locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido
prévio aviso à autoridade competente”.
24. Que autoridade deve ser comunicada?
R.: Aquelas responsáveis pela ordem pública e preservação dos locais a serem
utilizados pelos que querem se reunir e manifestar-se.

25. Qual a diferença entre direito de reunião e direito de associação?


R.: A liberdade de reunião é um instrumento de livre manifestação de pensamento,
tratando-se de um direito à liberdade de expressão exercido de forma coletiva. Já a
liberdade de associação ocorre quando pessoas coligam-se entre si, em caráter
estável, sob uma direção comum, para fins lícitos.

26. Qual o instrumento legal que permite a transformação de um território em


Estado?
R.: É a Lei Complementar, conforme par. 02º, artigo 18 da CF/88.

27. Na data da promulgação da CF/88, quantos territórios existiam? Quais?


R.: Três, Territórios Federais de Fernando de Noronha, que com a promulgação da
CF, tornou-se distrito estadual de Pernambuco, Amapá e Roraima que ganharam o
status de Estados da Federação.

28. O Distrito Federal pode ser dividido em Municípios? Por quê?


R.: Não, devido sua condição peculiar de Capital Federal e a CF em seu artigo 32,
caput, expressamente vedar a divisão do Distrito federal em municípios.

29. Qual o efeito da decisão em ADIN?


R.: A decisão no controle concentrado produzirá efeitos contra todos (erga omnes), e
também efeito retroativo, ex tunc, salvo quando por razões de segurança jurídica ou
de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria qualificada de 2/3 de seus
membros, restringir os efeitos daquela decisão ou decidir que ela só tenha eficácia a
partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, ou seja
poderá dar efeito “ex nunc”.
Artigo 102, inc. III, par. 2º da CF e art. 27 da Lei 9.868/99.

30. O que significa “erga omnes”?


R.: Efeitos contra todos
31. Qual a finalidade da ADIN?
R.: Declarar que uma lei ou ato normativo é inconstitucional, ou seja, contrario a
Constituição Federal.
32. O que significa o princípio da moralidade?
R.: É um dos princípios pelos quais se rege o Direito Administrativo brasileiro. Esse
princípio evita que a Administração Pública se distancie da moral e obriga que a
atividade administrativa seja pautada não só pela lei, mas também pela boa-fé,
lealdade e probidade.

33. Dê um exemplo de ato legal, mas imoral.


R.: Um vereador nomear a esposa para exercer um cargo de confiança em comissão.
Basta que o ato da nomeação siga todas as formalidades previstas em lei. Mas, por
razões óbvias, esse mesmo ato, embora legal, é absolutamente imoral.

34. Como podem ser sancionados os atos de improbidade?


R.: Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil, proibição de contratar
com o Poder Público ou receber incentivos fiscais ou creditícios e ressarcimento
integral do dano.
Lei 8429/1992, art. 12.

35. O princípio da publicidade é absoluto?


R.: Não, poderá ser restringida, quando imprescindível à segurança da sociedade ou
do estado.
Artigo XXXIII da CF/88.

36. O nepotismo é uma prática aceita no Brasil?


R.: Não, nesse sentido há a sumula vinculante n. 13, que prescreve que “A nomeação
de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa
jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de
cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração
pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.

37. É possível acumulação remunerada de cargos públicos?


R: Em regra não, exceto, quando houver compatibilidade de horários e forem o cargos
de dois de professor, um cargo de professor com outro técnico ou científico e a
de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde , com profissões
regulamentadas.
CF/88, artigo 37, inciso XVI.

38. Qual a diferença entre impedimento e vacância? Exemplifique.


R.: A vacância do implica a impossibilidade definitiva para assunção do cargo, seja
por cassação, renúncia ou mesmo morte. Neste caso, o Vice-Presidente assume até o
fim do mandato como Presidente interino.
Já o impedimento tem caráter temporário, como, por exemplo, no caso de doença ou
férias. Nesta hipótese, o Vice-Presidente assume a chefia do Executivo apenas
enquanto durar o impedimento.

39. O que caracteriza um regime político totalitário?


R.: Totalitarismo (ou regime totalitário) é um sistema político no qual o Estado,
normalmente sob o controle de uma única pessoa, político, facção ou classe social,
não reconhece limites à sua autoridade e se esforça para regulamentar todos os
aspectos da vida pública e privada, sempre que possível.

40. Qual o conceito de direito à honra?


R.: A honra é o conjunto de qualidades que caracterizam a dignidade da pessoa, o
respeito dos concidadãos, o bom nome, a reputação”.

41 O que significa uma democracia individual ou representativa? (Acho que quis


dizer indireta, pois não achei o conceito de democracia individual)
R: Democracia indireta (representativa) é a escolha de representantes políticos pelo
povo por meio do sufrágio de forma periódica. Democracia direta, consiste no
exercício do poder pelo povo, sem intermediários. O Brasil adota a democracia
semidireta em que há a preservação da representação política, aliada a meios de
participação direta do povo.

42 Quais as fontes do Direito Constitucional?


R: A) fonte originária ou suprema (Constituição Escrita); B) fontes derivadas, podem
ser delegadas, competência atribuída pelo constituinte para que outros órgãos editem
normas regulamentadoras (leis e jurisprudência); ou reconhecidas: normas anteriores
recepcionadas pela CF (costumes).

43 Já ouviu o termo constituição cesarista? O que significa?


R: Consiste nas Constituições outorgadas ou impostas submetidas a plebiscito ou
referendo na tentativa de aparentarem legitimidade, cabendo ao povo apenas a
ratificação.

44 Cite dois bens da União?


R: V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os
potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI -
as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Art 20 da CF.

45 O que são normas de eficácia limitada?


R: São normas constitucionais que dependem de regulamentação para produzirem
todos os seus efeitos, como o direito de greve do servidor público, art. 37, VIII, da
CF: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites de lei específica)

46 O que entende por direitos positivos negativos?


R: Conforme Jellinek, a teoria do Status se divide em 1- Status positivo, é aquele em
que o indivíduo tem direito de exigir do Estado determinadas prestações positivas,
como o direito à medicamento; 2 – status negativo é aquele em que o indivíduo goza
de um espaço de liberdade diante das possíveis ingerências do Estado, como o direito
à livre associação .

47 Qual o conceito político de poder constituinte?


R: Segundo Carl Schimitt, o conceito político de Poder Constituinte é de que o sujeito
do poder constituinte, supremo e originário, pode fixar livremente o modo e a forma
da existência estatal a ser consagrada na Constituição.

48 Existe crime inafiançável imprescritível?


R: Sim, são imprescritíveis e inafiançáveis o crime de racismo e a ação de grupos
armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático,
conforme a CF, no artigo 5, incisos XLII e XLIV.

49 O que significa a teoria da soberania nacional?


R: A soberania estatal enquanto atributo caracterizador do Estado, é responsável pela
afirmação da coexistência de Estados independentes.

50 Quais as funções do Poder Judiciário?


R: A função típica do poder judiciário é o exercício da jurisdição, atividade pela qual
o Estado substitui as partes em conflito para dizer quem tem o direito (caráter
substitutivo). Já as funções atípicas, o poder judiciário exerce a função legislativa
(portarias) e administrativa (organização das secretarias).

Direito Constitucional - Examinador: Fabiano Genofre

51 O que é terreno de Marinha?


R: São bens da União (CF, art. 20, VII). Conforme o DecLei n. 9760, são terrenos de
marinha, em uma profundidade de 33 (trinta e três) metros medidos horizontalmente,
para a parte da terra, da posição da linha do preamar-médio de 1831: a) – os situados
no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagos, até onde se faça
sentir a influência das marés; b) – os que contornam as ilhas situadas em zona se faça
sentir a influência das marés..

52 Saberia elencar cinco bens da União?


R: V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os
potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI -
as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. (Art 20, da CF)

53 O que entende por efetividade das normas constitucionais?


R: É o cumprimento objetivo da norma. É a produção concreta de efeitos. Uma norma
é efetiva quando cumpre sua finalidade, a função social para a qual foi criada.

54 O que entende por efetividade social das normas constitucionais?


R: É a concretização do comando normativo, sua realização no mundo dos fatos.
Alguns entendem que não se situa na aplicação da norma, mas no cumprimento
efetivo pelos seus destinatários, a sociedade.

55 O que é uma norma constitucional programática?


R: São normas constitucionais de eficácia limitada, que estabelecem programas a
serem estabelecidos pelo legislador infraconstitucional, como no disposto do artigo
196, da CF, que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

56 O que entende por direito prestacional?


R: São direitos dos indivíduos que possibilitam exigirem do Estado prestações
materiais e jurídicas, conferem ao indivíduo um status positivo, na constituição
representam basicamente os direitos sociais.

57 O que é seguridade social?


R: Uma técnica de proteção social, custeada solidariamente por toda a sociedade
segundo o potencial de cada um, propiciando universalmente a todos o bem-estar das
ações de saúde e dos serviços assistenciários em nível mutável, conforme a realidade
socioeconômica, e o das prestações previdenciárias. (art. 194, da CF).

58 Quais os objetivos da seguridade social?


R: Os objetivos são: I - universalidade da cobertura e do atendimento; II -
uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; IV -
irredutibilidade do valor dos benefícios; V - equidade na forma de participação no
custeio; VI - diversidade da base de financiamento; VII - caráter democrático e
descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação
dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados. Art. 194, Par único, da CF.

59 A CF/88 fala em seletividade. O que é?


R: É um dos objetivos da seguridade social, visa a garantir a concessão de benefícios
e serviços aos mais necessitados de acordo com sua condição-econômico financeira.
Art. 194, parag único, III.

60 Não há uma aparente contradição entre a universalidade e a seletividade?


R: Não, ambos os objetivos se complementam, tendo em vista que os riscos a serem
protegidos são escolhidos pelo legislador, conforme a capacidade econômica do
Estado, devendo ser observado o princípio da proporcionalidade, sobretudo em seu
aspecto negativo (proibição de insuficiência).

61. O que é devido processo legal?


R: Chama-se devido processo legal o princípio que garante a todos o direito a um
processo com todas as etapas previstas em lei, dotado de todas as garantias
constitucionais. Caso não haja respeito por esse princípio, o processo se torna nulo.
Considerado um dos mais importantes dos princípios constitucionais, é deste que
derivam todos os demais. Tal princípio encontra-se na Carta Política Brasileira de
1988, Art. 5º, LIV: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal”.

62. Que tipo de processo a CF/88 se refere quando fala em devido processo legal?
R: A Constituição refere-se a processos judiciais e administrativos assim como se
refere expressamente no tocante ao direito ao contraditório e ampla defesa em seu
inciso LV do artigo 5º.

63. Cabe ao inquérito policial?


R: A maioria da doutrina entende que o inquérito policial não é um processo
administrativo, mas sim um procedimento administrativo inquisitorial, tendo em vista
seu caráter preparatório para formar a justa causa para a propositura da ação penal.
Dessa forma, o devido processo legal é assegurado na etapa posterior ao inquérito,
qual seja, no processo penal.

64. Mas ele não é um processo administrativo?


R: Maioria da doutrina e jurisprudência considera o inquérito um procedimento
administrativo inquisitorial.

65. Qual o objetivo do inquérito policial?


R: O objetivo do inquérito policial é efetuar um conjunto de diligências (atos
investigatórios) realizadas pela polícia judiciária (polícias civil e federal), com o
objetivo de investigar as infrações penais e colher elementos necessários para que
possa ser proposta a ação penal. Sua finalidade terá por fim a apuração das infrações
penais da sua autoria, consoante art. 4º do CPP.

66. Faça um breve comentário do inquérito policial enquanto procedimento


administrativo.
R: No IP não há contraditório e ampla defesa, ou seja, não são aplicados os princípios
constitucionais. Posição sustentada pelo STF, pois no IP ainda não existe acusação
formal. O IP é mera colheita de provas. Assim, é possível se concluir que a real
finalidade do inquérito policial é reunir elementos suficientes que possibilite a
convicção do membro do" parquet ", para que ofereça a denúncia ou o ofendido
ofereça a queixa-crime. Os elementos de convicção são: materialidade do fato e
indícios de autoria, possibilitando que o titular da ação penal ingresse em juízo.
Portanto, conclui-se que por ser um procedimento inquisitorial, não podemos chamar
o inquérito de processo.

67. É possível um processo inquisitivo?


R: O princípio do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa estampados
na Constituição expurgam qualquer possibilidade ocorrer um processo inquisitivo.

68. De que maneira a CF/88 tutela a família?


R: Tutela no sentido de considerar a família como base da sociedade e com especial
proteção do Estado. Prevê o casamento e a união estável. Protege o planejamento
familiar de intromissões do Estado. Assegura a proteção à violência doméstica e a
proteção à criança e ao adolescente.

69. De que maneira a CF/88 tutela a educação?


R: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições
públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei,
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006)
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar
pública, nos termos de lei federal.

70. De que maneira a CF/88 tutela o ensino superior?


R: Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa
e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas
estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e
tecnológica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)
71. O que é princípio da legalidade?
R: Em apertada síntese, reza o referido princípio que por meio de lei é possível criar
deveres, direitos e impedimentos, estando os indivíduos dependentes da lei. Nesse
princípio, aqueles que estão dentro dele devem respeitar e obedecer à lei. Pode-se
ainda dizer que esse princípio representa uma garantia para todos os cidadãos, prevista
pela Constituição, pois por meio dele, os indivíduos estarão protegidos pelos atos
cometidos pelo Estado e por outros indivíduos. A partir dele, há uma limitação no
poder estatal em interferir nas liberdades e garantias individuais do cidadão. Assim,
de modo geral, é permitido a todos realizarem qualquer tipo de atividade, desde que
esta não seja proibida ou esteja na lei.

72. O que é o direito à cidadania?


R: Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais
estabelecidos na Constituição de um país, por parte dos seus respectivos cidadãos
(indivíduos que compõem determinada nação). Cidadão é aquele que exerce
influencia na escolha de seus governantes, sendo, portanto, aquele que tem capacidade
eleitoral ativa.

73. O que entende por direitos políticos negativos?


R: Os direitos políticos denominados de negativos se constituem nas regras jurídicas
que cuidam dos impedimentos ou restrições de participação do indivíduo na vida
política do país, o que inclui a perda e suspensão desses direitos e as inelegibilidades
políticas. Assim, refere-se à capacidade de o indivíduo ser votado.

74. O que é inelegibilidade absoluta?


R: A inelegibilidade absoluta está relacionada a características pessoais, atingindo
todos os cargos eletivos e não podendo ser afastada por meio da
desincompatibilização. Por seu caráter excepcional, apenas a própria Constituição
pode rever tais hipóteses, como o faz em relação aos inalistáveis (estrangeiros e
conscritos) e aos analfabetos, de acordo com o artigo 14, 4º, ex vi : CF/88, Art. 14, 4º
- São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

75. Existe Tribunal do Júri da esfera federal?


R: Sim. A competência do Tribunal do Júri no âmbito da Justiça Federal envolve: o
processo e julgamento de crime doloso contra a vida praticado contra funcionário
público federal no exercício da função ou em virtude dela; o processo e julgamento
de funcionário público federal que comete crime doloso contra a vida no exercício da
função ou em razão dela; o processo e julgamento de crime doloso contra a vida
ocorrido a bordo de navio ou aeronave, ressalvada a competência da Justiça Militar;
e o processo e julgamento de crime doloso contra a vida envolvendo a disputa sobre
direitos indígenas.

76. O que é competência?


R: Competência é a capacidade conferida pela CF ou pela lei para que determinado
órgão/ entidade possa agir em determinado tema que lhe foi conferido.

77. O que é inconstitucionalidade formal?


R: Inconstitucionalidade formal se configura quando algum dos requisitos
procedimentais da elaboração normativa é desrespeitado, seja a competência para
disciplinar a matéria, seja um quórum específico ou mesmo um pressuposto objetivo
para editar o ato normativo. Um exemplo é o pressuposto de relevância e urgência da
Medida Provisória, constantemente desrespeitado.

78. O que é ADIN?


R: É uma ação constitucional de controle de constitucionalidade abstrato. Os
legitimados estão em rol taxativo no artigo 103 da CF.

79. Quais as características extrínsecas dos direitos fundamentais?


R: São características referentes à mutabilidade dos direitos fundamentais. Tais
direitos só podem ser modificados em alguns casos por emenda ou nem mesmo podem
ser modificados. Refere-se também a característica de que todas as normas
infraconstitucionais devem ser compatíveis com os dispositivos constitucionais que
tratam da matéria, sob pena de serem declaradas inconstitucionais. (NÃO TENHO
CERTEZA)

80. Poderia exemplificar?


R: Com relação à mutabilidade têm-se as cláusulas pétreas e sua extensão que é
aplicável aos direitos fundamentais previstos na CF. No que toca a compatibilidade
pode-se citar o respeito de uma lei penal ao devido processo legal estampado na CF.
(NÃO TENHO CERTEZA)

81.O que é inviolabilidade de domicílio?


R.: É a impossibilidade, garantida pela CF, de se adentrar sem permissão do morador
em sua casa (em sentido amplo). As exceções são: flagrante delito, desastre ou prestar
socorro em qualquer horário ou durante o dia por determinação judicial.

82.Quais são os elementos dessa inviolabilidade?


R.: A casa (em sentindo amplo), a permissão do morador, determinação judicial
anterior, flagrante delito com base em fatos concretos.

83.O que diz a construção jurisprudencial sobre o horário?


R.: A posição do STF, STJ e da doutrina majoritária é a de que o termo "dia" segue o
critério físico-astronômico, compreendendo o interregno que vai da aurora ao
crepúsculo (e não, pois, intervalo fixo entre 6h e 18h, como defendido por alguns).

84.O que são disposições constitucionais transitórias?


R.: São normas que estabelecem regras de transição entre o antigo ordenamento
jurídico e o novo, instituído pela manifestação do poder constituinte originário,
providenciando a acomodação e a transição do antigo e do novo direito edificado.

85.O que é o princípio do juiz natural?


R.: É um garantia constitucional (artigo 5º, incisos XXXVII e LIII) que preleciona a
utilização de regras objetivas de competência jurisdicional para garantir
independência e a imparcialidade do órgão julgador. Trata-se, portanto, de um juiz
previamente encarregado, na forma da lei, como competente para o julgamento de
determinada lide, o que impede, entre outras coisas, o abuso de poder. Como
consequência, não se admite a escolha específica nem a exclusão de um magistrado
de determinado caso ou a criação de Tribunais de Exceção.

86.O que são garantias institucionais?


R.: Se dividem em garantias de autonomia orgânico-administrativa (art. 96 CF) e de
autonomia financeira (art. 99 CF). Garantem independência aos órgãos, que poderão
decidir livremente, sem se abalar com qualquer tipo de pressão que venha de outros
poderes.

87.Os membros do MP têm?


R.: Sim, conforme artigo 127, parágrafos 1, 2 e 3 da CF.

88.E dos Tribunais de Contas?


R.: Sim, a Constituição Federal, art. 73, parágrafo 3, equiparou os que julgam contas
e responsáveis por recursos públicos aos membros da magistratura.

89.A quem pertence o Tribunal de Contas?


R.: A doutrina dominante afirma que o Tribunal de Contas, por exercer o controle
técnico sobre os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), não pertence a
nenhum deles. Para outra parte, ele pertence ao Poder Legislativo nos termos do art.
72 da CF.

90.Quais os elementos constitutivos do Estado?


R.: Território, povo, soberania e finalidade.

91.O que são normas?


R.: São preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo, ou seja,
reconhecem, por um lado, a pessoas ou a entidades a faculdade de realizar certos
interesses por ato próprio ou exigindo ação ou abstenção de outrem, e, por outro lado,
vinculam pessoas ou entidades à obrigação de submeter-se às exigências de realizar
uma prestação, ação ou abstenção em favor de outrem.

92.Quais as diferenças entre normas e princípios?


R.: Os princípios fazem parte das normas que se dividem também em regras. São
normas de aplicação imediata. De maneira formal se parecem muito com as regras,
mas em seu conteúdo material se distinguem vez que são mais vagos e abertos.

93.Qual a diferença entre a advocacia e a defensoria?


R.: A defensoria é cargo público, órgão do estado. A advocacia é profissão privada,
regulamentada pela OAB.

94.O advogado não pode atuar no interesse do hipossuficiente?


R.: Pode sim. A OAB pode firmar convênios com o Estado para advocacia dativa,
suprindo as necessidades deixadas pela defensoria.

95.O advogado não pode pleitear justiça gratuita?


R.: Pode sim, nos termos da lei 1060 de 1950.

96.E se não houver convênio e o advogado quer advogar de graça?


R.: Ele poderá, vez que não há qualquer impedimento para tal ato.

97.O que é um estado unitário?


R.: É formado por um único Estado, existindo uma unidade do poder político interno,
cujo exercício ocorre de forma centralizada; qualquer grau de descentralização
depende da concordância do poder central - ex.: Brasil-Império, Itália, França e
Portugal. Divide-se em puro, descentralizado administrativamente e descentralizado
administrativa e politicamente.

98.O que é um Estado Federado?


R.: É um Estado composto por diversas entidades territoriais autônomas dotadas de
governo próprio. Como regra geral, os estados ("estados federados") que se unem para
constituir a federação (o "Estado federal") são autônomos, isto é, possuem um
conjunto de competências ou prerrogativas garantidas pela constituição que não
podem ser abolidas ou alteradas de modo unilateral pelo governo central. Entretanto,
apenas o Estado federal é considerado soberano, inclusive para fins de direito
internacional.

99.Quais os requisitos do Estado Federado?


R.: Descentralização política, repartição de competência, constituição rígida como
base jurídica, inexistência de direito de secessão, soberania do Estado Federal,
intervenção, auto-organização dos Estados membros, órgão representativo dos
Estados membros, guardião da Constituição e repartição de receitas.
100.Quais as hipóteses de intervenção da União nos Estados?
R.: Manter a integridade nacional, repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da
Federação em outra, pôr termo a grave comprometimento da ordem pública, garantir
o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação, reorganizar as
finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada
por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; b) deixar de entregar
aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição dentro dos prazos
estabelecidos em lei, prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial,
assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma
republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa
humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública,
direta e indireta; e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos
estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.

101. O que é grave comprometimento da ordem pública? Exemplifique.


Grave comprometimento da ordem pública é considerado como uma das hipóteses em
que a CF/88 autoriza a intervenção da União nos estados ou em seus municípios por
meio da espécie de intervenção denominada espontânea, a qual independe de
provocação, ou mediante Decreto de estado de defesa. Trata-se de situação de quebra
de normalidade que evidencia a excepcionalidade do uso dos instrumentos que lhe
põe termo. Um dos exemplos que contemporaneamente é vivenciado no território
nacional é a intervenção federal no Estado Rio de Janeiro, motivada pelo grave
comprometimento da ordem pública.

102. Qual o instrumento para restabelecer a ordem pública?


Em regra, cabe às instituições militares tanto a preservação da ordem pública, no que
se refere às Polícias Militares, quanto a garantida da lei e da ordem, conforme
dispositivos relativos às forças armadas, todavia, não sendo possível garantir a ordem
pública pelo uso ordinário destes órgãos, a CF/88 dispõe instrumentos que podem ser
utilizados para reestabelecer a ordem pública, tais como Estado de Defesa e
Intervenção Federal.
(Complemento da resposta: Em um primeiro momento, pode se citar o Estado de
Defesa, art. 136, decretado pelo Presidente da República, no caso de a ordem pública
esta ameaçada por grave e iminente instabilidade institucional ou calamidades de
grandes proporções da natureza.
Em que pese a autonomia dos Estados seja um pressuposto da forma de Federativa de
Estado, adotado pelo Brasil, tendo como regra a não intervenção, há situações
excepcionais em que a própria CF/88 dispõe acerca da possibilidade de a autonomia
dos Estados ficar mitigada dada a ocorrência de situações previstas taxativamente no
art. 34. Sendo Tais hipóteses acarretam a Intervenção Federal, tendo a o grave
comprometimento da ordem pública como uma das hipóteses em que este instrumento
é.)

103. O que entende por separação de poderes?


Separação dos poderes é um dos conteúdos essenciais que devem conter nas
constituições materiais, sendo, ainda, uma das características dos Estados que
possuem a República como forma de governo. No Brasil, a separação de poderes é
um dos princípios fundamentais da República, tendo origem na ideia de pesos e
contrapesos, pois, além de independentes, os poderes da república devem ser
harmônicos entre si.

104. Há possibilidade de controle da Constitucionalidade repressivo pelo Poder


Legislativo? Em que hipótese? De que maneira?
Embora a doutrina informe que a regra geral para o controle repressivo seja o sistema
de controle judicial, no Brasil judicial misto, pois é realizado de forma concentrada
ou difusa, excepcionalmente, o poder legislativo pode exercer o controle repressivo
nas hipóteses em que o poder executivo exorbite o poder regulamentar ou o limite da
delegação legislativa, art. 84,IV, por meio de decreto legislativo, nas hipóteses em
que o executivo edita uma medida provisória de conteúdo inconstitucional, art. 62 da
CF/88, não convertendo a medida provisória em lei, e há, ainda, conforme alguns
autores, a revogação formal de lei considerada inconstitucional, por meio de outra lei.

105. O que são regiões metropolitanas nos termos da CF/88?


A doutrina conceitua regiões metropolitanas como uma descentralização
administrativa dos Estados membros com o fim de integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum de municípios
limítrofes que possuem integração econômica e social.
Complemento da resposta: Em respeito ao Princípio Federativo, a criação de regiões
metropolitanas e demais aglomerados urbanos devem observar a autonomia
municipal, de modo que parte da doutrina sustenta a impossibilidade de se criar um
órgão gestor metropolitano para decidir acerca das funções públicas de interesse
comum aos municípios envolvidos, em que pese haja doutrina que aponte ofensa ao
princípio federativo e ao princípio constitucional sensível da autonomia municipal.
(para aprofundamento no assunto sugiro:
http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista/tes1.htm)

106. Como é formada a organização política do Estado?


O Estado brasileiro se organiza politicamente sob a forma de federação, posto que a
Carta da República dispõe que a República Federativa é formada pela união
indissolúvel dos Estados-membros, dos municípios e do Distrito Federal, adotando,
neste sentido, o Federalismo de 2º grau, que inclui os municípios como entes dotados
de autonomia política.
Complemento da resposta: há outra forma de organização política de Estado
conceituada como Estado unitário, marcado pela centralização política. Destaca-se
que autonomia não se confunde com soberania, esta, própria do Estado seja unitário
ou federado.

107. Qual a intenção de prever as regiões metropolitanas?


O intuito do constituinte ao criar as regiões metropolitanas foi facilitar o
planejamento, a execução e as demais funções estatais e serviços públicos de caráter
urbano-regional, a fim de fomentar o desenvolvimento material das condições de vida
social e econômica de determinada região formada por municípios integrados entre
si.

108. O que é intervenção?


Em regra, a intervenção é vedada pela Constituição Federal, todavia, a doutrina
conceitua intervenção como instrumento excepcional, previsto na constituição, que
mitiga o pacto federativo ante uma instabilidade institucional, situação de calamidade
pública ou grave comprometimento da ordem pública com vistas a alcançar o
reestabelecimento da normalidade, em situações taxativamente previstas no Texto
Constitucional.
Complemento da resposta: A intervenção pode se dar em âmbito estadual, em relação
aos municípios, ou federal, com vistas aos Estados membros e municípios situados
em território federal, esta podendo ser classificada como espontânea, em que o
Presidente age de ofício, ou provocada, mediante solicitação ou requisição, ou ainda
mediante ADI interventiva.

109. Qual a hipótese constitucional de perda de mandato pelo Governados do Estado?


A CF/88 dispõe que caso o Governador assuma outro cargo ou função na
administração pública direta ou indireta ele perderá o mandato eletivo. Todavia, há
uma ressalva no próprio dispositivo constitucional em relação à posse em virtude de
concurso público.

110. Qual o procedimento adotado?


A perda do mandato de Governador, em âmbito do Estado de São Paulo, é declarada
pela Assembleia Legislativa, no âmbito de sua competência exclusiva (CESP/89, art.
20, XVII)

111. Como é formado o Ministério Público Eleitoral?


O Ministério Público Eleitoral não tem estrutura própria, sendo composto por
membros do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual. Neste
sentido, o PGR exerce as funções de procurador-geral eleitoral, perante o TSE, com
a indicação de membros para atuarem neste tribunal e nos Tribunais Regionais
Eleitorais. Os promotores estaduais são promotores de justiça que exercem funções
sob delegação do MPF.

112. Como é a composição da Justiça Eleitoral?


A composição da Justiça Eleitoral está expressamente prevista no texto
constitucional, composta pelo Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais Regionais
Eleitorais, Juízes Eleitorais e juntas Eleitorais.
Complemento de resposta: O TSE e os Tribunais Regionais Eleitorais possuem sua
organização disposta no Texto Constitucional, sendo aquele composto por Ministros
do STF e do STJ e este composto por desembargadores e juízes, mediante eleição, de
um Juiz do TRF com sede na capital do Estado e por dois advogados de notável saber
jurídico e idoneidade moral, indicados pelo TJ. Em relação ás juntas eleitorais e juízes
eleitorais, sua organização e competências é objeto de lei complementar (código
eleitoral).

113. Quanto aos Tribunais Superiores, o que é o quinto constitucional?


Dentre os tribunais superiores, o único tribunal superior que deve obediência à regra
do quinto constitucional é o Tribunal Superior de Trabalho, incluído após a Emenda
Constitucional nº45 que ficou conhecida como a reforma do judiciário.

114. Quais Tribunais têm o quinto constitucional em sua composição?


A CF/88 dispõe que devem atender à regra do quinto constitucional os tribunais de
justiça, Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal
Superior do Trabalho.

115. Como é a composição do STJ?


A constituição dispõe que o Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo,
33 ministros, nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de
trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, notável saber jurídico e reputação
ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo
que sua composição deve contar com 1/3 de juízes dos Tribunais Regionais Federais,
1/3 de desembargadores dos Tribunais de Justiça, 1/3 dentre advogados e membros
do MPF, MPE e MPDFT, em partes iguais e alternativamente.

116. Quais as vedações constitucionais aplicadas ao magistrado?


Conforme dispositivo constitucional, aos juízes é vedado exercer outro cargo ou
função, ainda que em disponibilidade, exceto um de magistério, receber, a qualquer
título ou pretexto, custas ou participação em processo, dedicar-se à atividade político-
partidária, receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições, exceto as
previstas em lei e exercer advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de
decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

117. Um juiz pode ser reitor de uma universidade?


Conforme entendimento dos tribunais superiores e posicionamento do CNJ as únicas
hipóteses permitidas aos magistrados para exercício de atividades estranhas à
magistratura, salvo o magistério, é a direção de associação de classe ou direção de
escola de magistratura. Nesse sentido, é vedado ao magistrado exercer as funções de
reitor de universidade, seja ela pública ou privada.
(http://www.cnj.jus.br/InfojurisI2/Jurisprudencia.seam;jsessionid=5B548643721156
596682881C3E8E3FC5?jurisprudenciaIdJuris=44889&indiceListaJurisprudencia=2
2&firstResult=1525&tipoPesquisa=BANCO)

118. O que são partidos políticos?


A doutrina conceitua partidos políticos como grupos políticos formados sob
influência de convicções comuns voltadas para certos fins políticos que buscam
realizar. Há, ainda, o conceito legal de partido político sendo entendido como pessoa
jurídica de direito privado cuja destinação é assegurar, no interesse do regime
democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defesa dos direitos
fundamentais definidos na Constituição Federal (art. 1º da lei 9.069/1995).

119. É livre a criação de partidos políticos?


Informa o dispositivo constitucional que é livre a criação de partidos políticos,
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os
direitos fundamentais da pessoa humana e a observância dos preceitos do caráter
nacional dos partidos, proibição de receber recursos financeiros de entidades ou
governos estrangeiros, prestação de contas à Justiça Eleitoral e funcionamento
parlamentar de acordo com a lei.

120. Quais os requisitos para essa criação?


Os partidos políticos devem adquirir personalidade jurídica na forma da lei civil.
Nesse sentido, é suficiente que um grupo de pessoas estabeleça seus atos constitutivos
e os registrem no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, devendo, contudo,
registrar seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral
121. O que são normas constitucionais institutivas?
R: São aquelas pelas quais o legislador constituinte traça esquemas gerais de
estruturação e atribuições de órgãos, entidades ou institutos, para que, em um
momento posterior, sejam estruturados em definitivo, mediante lei.
122. Quais os métodos utilizados para a interpretação da Constituição Federal?
R: Jurídico, tópico-problemático, hermenêutico-concretizador, científico-espiritual,
normativo-estruturante e o da comparação constitucional.

123. O que é método hermenêutico concretizador?


R: É o método de interpretação que parte da Constituição para o caso concreto, no
qual o interprete vale-se de suas pré-compreensões sobre o tema para obter o sentido
da norma.

124. Qual a natureza jurídica das leis orgânicas dos Municípios?


R: É a lei maior do município, instrumento normativo primário destinado a regular de
modo subordinante o ordenamento jurídico do Município.

125. O que são leis orgânicas?


R: São as leis mais importantes que regem os municípios e o DF.

126. O que é neoconstitucionalismo?


R: É uma nova perspectiva em relação ao constitucionalismo, no qual se busca não
mais apenas atrelar o constitucionalismo à ideia de limitação do poder político, mas,
acima de tudo, busca a eficácia da Constituição, especialmente diante da expectativa
de concretização dos direitos fundamentais.

127. Quais os tipos de constituição que o senhor conhece?


R: Outorgadas, democráticas, cesaristas, escritas, não escritas, dogmáticas, históricas,
imutáveis, rígidas, flexíveis, semirrígidas, normativas, nominativas, semânticas,
analíticas, sintéticas, dirigente, constituição-garantia, constituição-balanço.
128. O que entende por liberdade de profissão?
R: Entende-se a que é plena a capacidade do indivíduo para a escolha de qualquer
profissão, desde que não exista restrição estabelecida por norma infraconstitucional.

129. Apresentador de televisão, a Xuxa, por exemplo, é profissão?


R: Sim. Não havendo necessidade de intervenção do Estado para o seu regular
exercício.
130. O que é direito de locomoção?
R: É o direito de livre movimentação pelo território brasileiro em tempos de paz,
sendo assegurado a qualquer pessoa, nos termos da lei, entrar, permanecer ou sair do
país com os seus bens.

131. Há possibilidade de limitação ao direito de ir e vir do indivíduo?


R: Sim. Pode ocorrer, por exemplo, durante a vigência do estado de sítio, quando
houver a obrigação de permanência em localidade determinada.

132. Posso passar numa propriedade particular alegando direito de locomoção?


R: Não, pois tal liberdade pode ser relativizada quando em conflito com outros
direitos igualmente relevantes sob a perspectiva constitucional, como o direito de
propriedade.

133. O direito de propriedade privada pode limitar o direito de locomoção?


R: Sim, pois os direitos fundamentais não gozam de um valor absoluto, sendo possível
uma ponderação e limitação de direitos quando cotejados com outros direitos também
fundamentais.

134. O que é revisão constitucional?


R: É a manifestação do poder constituinte derivado, no qual ocorre uma revisão para
atualizar e adequar a Constituição às realidades que a sociedade apontasse como
necessárias, por meio de procedimento simplificado de alteração do texto
constitucional.

135. O que é supremacia da norma constitucional?


R: É a superioridade das normas constitucionais em relação às demais normas
jurídicas. Desse postulado resulta o da compatibilidade vertical das normas do
ordenamento jurídico, no sentido de que as normas de grau inferior somente valerão
se forem compatíveis com as normas de grau superior, que são as normas
constitucionais.

136. É possível a exploração privada de atividade nuclear?


R: Sim, sob regime de permissão, conforme art. 21, XXIII, “b” e “c”, da CF.

Examinador: MAURICIO CORREALI

137. O que é plebiscito?


R: Consiste em uma consulta prévia feita ao cidadão para que se manifeste em relação
a um determinado assunto contido em um ato administrativo ou legislativo. A
população decidiu através de plebiscito, a forma (república ou monarquia) e o sistema
de governo (parlamentarismo ou presidencialismo). O plebiscito está previsto no art.
14, I, da CF/88.

138. E do que se trata referendo?


R: É uma consulta popular realizada posteriormente à edição do ato legislativo ou
administrativo, que serve como parâmetro de controle dessa atividade, na medida em
que a população poderá ratificá-lo ou não. Ocorreu no país, em 2005, o referendo
sobre o desarmamento. O instituto do referendo está previsto no art. 14, II, da CF.

139. O que é democracia indireta?


R: De inspiração grega, é quando o próprio povo, sem intermediários, sem
representantes, impõe os contornos do processo político em um Estado.

140. A assembleia nacional constituinte relaciona-se a qual poder constituinte?


R: Poder constituinte originário.

141. Artigo 5° - Inciso XXXVII CF dispõe que não haverá juízo ou tribunal de
exceção. Nesse contexto, o que significa tribunal de exceção?
R: Excelência, a expressão “Tribunal de Exceção” nos remete a ideia de um Tribunal
instituído ad hoc, ou seja, para o julgamento de um caso específico, e ex post facto,
isto é, criado depois do caso que será julgado.

142. Qual o princípio que se pode inferir dessa cláusula?


R: Excelência, o princípio que se pode inferir dessa cláusula é o do juízo natural. O
referido princípio reza que: "ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente" (Art. 5º, LIII, CF). Esse princípio assegura ao indivíduo a
atuação imparcial do Poder Judiciário na apreciação das questões postas em juízo.
Obsta que, por arbitrariedade ou casuísmo, seja estabelecido tribunal ou juízo
excepcional.

143. O que é sanção de uma lei?


R: Excelência, sanção é o ato pelo qual o Chefe do Poder Executivo concorda com o
projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.

144. O que é veto de uma lei?


R: Excelência, veto é o ato pelo qual o Chefe do Poder Executivo manifesta
discordância com o projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.

145. Explique o que é veto jurídico.


R: Excelência, veto jurídico é aquele que resulta de um juízo de reprovação
concernente à compatibilidade entre a lei e a Constituição (entendimento de que há
inconstitucionalidade formal ou material da lei).
Art. 66. § 1º, CF.

146. O que é estado de defesa?


R: Excelência, o estado de defesa é uma das medidas que podem ser utilizadas quando
constatada uma situação de crise constitucional. Visa fazer frente à normalidade
manifestada e reestabelecer a ordem. Durante sua execução o poder de repressão do
Estado é ampliado, mediante a autorização para que sejam impostas aos indivíduos
restrições e suspensões de certas garantias fundamentais, em locais específicos e por
prazo certo, sempre no intuito de restabelecer a normalidade constitucional.
Art. 136, CF.

147. Qual a diferença de estado de defesa e estado de sítio?


R: Excelência, em síntese, os institutos diferem-se no que tange às hipóteses de
cabimento para a decretação e forma de decretação. No que tange às hipóteses de
cabimento, no estado de defesa, a medida pode ser empregada por conta de grave e
iminente instabilidade institucional ou calamidade de grandes proporções da natureza.
No estado de sítio, por comoção grave de repercussão nacional ou ineficácia das
medidas do estado de defesa, bem como quando houver sido declarada guerra e
também em resposta a agressão armada estrangeira. No que se refere à forma de
decretação, o Presidente da República decreta o estado de defesa, encaminhando em
24 horas ao Congresso Nacional que por maioria absoluta vai decidir em 10 dias sobre
a decretação. Já no estado de sítio, o Presidente da República solicita autorização do
Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta. Diferem-se ainda no que
tange às medidas restritivas e o tempo de duração das mesmas.
Art. 136 a 141, CF.

148. Qual ministro que tem assento nos dois conselhos, de segurança e da
república?
R: Excelência, o ministro que tem assento nos dois conselhos é o Ministro da Justiça.
Art. 89, VI e Art. 91, IV, CF.

149. O que é direito de ir e vir?


R: Excelência, o direito de ir e vir diz respeito à liberdade de locomoção no território
nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,
permanecer ou dele sair com seus bens.
Art. 5º, XV, CF.

150. O que é pacto republicano?


R: Excelência, o Pacto Republicano consiste em um compromisso firmado entre os
chefes dos três Poderes da República Federativa do Brasil para a implementação de
modificações no ordenamento jurídico e de outras medidas, objetivando o
aperfeiçoamento do aparelho estatal.

151. Qual a idade para se candidatar a presidente da república?


R: Excelência, o art. 14, §3º, VI, ‘a’, CF dispõe que uma das condições de
elegibilidade ao cargo de Presidente da República é o cidadão ter idade mínima de 35
(trinta e cinco) anos.

152. E para ser vice?


R: Excelência, para ser Vice Presidente da República exige-se a mesma idade, ou seja,
35 anos, também nos termos do art. 14, §3º, VI, ‘a’, CF;

153. Conceitue direito público.


R: A divisão entre direito público e privado é polêmica, não possui consenso entre os
estudiosos, uma vez que não há critério satisfatório para essa distinção. Os critérios
de classificação mais aceitos são o critério referente ao sujeito e o critério referente
ao interesse. Com relação ao sujeito é considerado que o Estado faz parte da relação
jurídica no direito público, e os particulares são regidos pelo direito privado. O critério
do interesse considera o interesse em questão, se o interesse for público faz parte do
direito público, da mesma forma que os interesses particulares são regulados pelo
direito privado.

154. Cite um princípio constitucional.


R: Princípio do devido processo legal. O referido princípio está fundamentado no
artigo 5º, LIV da Constituição Federal. É o princípio que assegura a todos o direito a
um processo justo, com todas as etapas previstas na lei, incluindo obrigações e
garantias.

155. Explique o que significa o princípio da ampla defesa.


R: Excelência, o princípio da ampla defesa significa a plena e completa possibilidade
de o réu produzir provas contrastantes às da acusação, com ciência prévia e integral
do conteúdo da acusação, comparecendo participativamente nos atos processuais,
representado por defensor técnico.
Art. 5º, LV, CF.

156. Cite dois fundamentos da República Federativa do Brasil e explique-os.


R: Soberania (é a capacidade de um Estado de se organizar em todos os aspectos
(políticos, jurídicos, econômicos, etc) sem se submeter a outra forma de poder. No
cenário internacional, a soberania é a ausência de subordinação de um Estado para
outro) e Cidadania (é a capacidade que os indivíduos possuem de participar da
organização política do país, seja de forma direta ou indireta).
Art. 1º, CF.
157. Em que consiste a dupla tipicidade para fins de extradição?
R: Excelência, a "dupla tipicidade" significa que somente haverá extradição se a
conduta atribuída ao extraditando revestir-se de tipicidade penal e for punida tanto no
Brasil quanto no Estado requerente.

158. Qual a função principal do poder judiciário?


R: Excelência, a função principal do poder judiciário é a jurisdicional, ou seja, a de
dizer o direito no caso concreto, julgar.

159. O que é pacto republicano?


R: Excelência, o Pacto Republicano consiste em um compromisso firmado entre os
chefes dos três Poderes da República Federativa do Brasil para a implementação de
modificações no ordenamento jurídico e de outras medidas, objetivando o
aperfeiçoamento do aparelho estatal.

160. Por que se diz que o poder legislativo em âmbito federal é bicameral?
R: Excelência, diz-se que o poder legislativo em âmbito federal é bicameral pelo fato
de ser formado por duas casas legislativas, quais sejam: Câmara dos Deputados e
Senado Federal.

Obs  a 150 e 159 são iguais

161. O que é um estado-membro?


R.: A expressão “Estado-membro” qualifica as entidades regionais de um Estado do
tipo federal, sendo assim, os estados-membros são os entes típicos do estado Federal;
são eles que dão a estrutura conceitual da forma de Estado Federado.

162. O que é soberania?


R.: A soberania pode ser vista como um atributo pertencente a uma entidade que não
conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna, ou seja, a soberania
é o poder absoluto e perpétuo de um Estado-Nação. Deve-se ressaltar que somente o
Estado é soberano e não os entes federados, separadamente considerados.

163. Quais os elementos clássicos do Estado?


R.: Tradicionalmente os elementos clássicos do Estado são: a soberania, o povo e o
território. Os estudiosos da Teoria do Estado acrescentaram, ulteriormente a
finalidade, ou seja, a organização deve ser orientada ao atingimento de um conjunto
de finalidades.

164. O que é constitucionalismo


R.: Movimento político, jurídico e ideológico que concebeu ou aperfeiçoou a ideia de
estruturação racional do Estado e de limitação do exercício de seu poder, concretizada
pela elaboração de um documento escrito destinado a representar sua lei fundamental
e suprema.

165. Qual a diferença entre princípios e normas?


R.: Apesar da existência da teoria restritiva que entende que princípios não são
normas , mas instrumentos retóricos ou indiretos de produção de normas jurídicas, o
que vem prevalecendo atualmente é que os princípios juntos com as regras se
qualificam como espécies do gênero normas, sendo os princípios normas com uma
formulação mais abstrata, enquanto as normas-regras possui uma formulação mais
restrita.

166. Um brasileiro pode ser extraditado ?


R.: Sim. A constituição em seu art. 5, LI, estabelece que, via de regra, o brasileiro não
poderá ser extraditado, exceto no caso do naturalizado que venha a praticar crime
comum antes da naturalização ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, nesse último caso em qualquer tempo.

167. Em que hipóteses?


R.: No caso do naturalizado que venha a praticar crime comum antes da naturalização
ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
nesse último caso em qualquer tempo.

168. Um brasileiro nato pode perder a nacionalidade?


R.: Pode; caso ele venha a adquirir outra nacionalidade, como determina a constituição
no art. 12, § 4, II.
169. Um brasileiro pode abrir mão de sua nacionalidade e adquirir outra ?
R.: Pode. Via de regra, um brasileiro não pode ter mais de duas nacionalidades, exceto
no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira ou de
imposição de naturalização, pela lei estrangeira, como condição para a sua
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

170. Dê as características do poder constituinte derivado.


R.: O poder constituinte derivado possui como características ser um poder jurídico,
derivado, limitado (ou subordinado) e condicionado.

171. Qual a finalidade de se estabelecer uma constituição no Estado?


R.: A finalidade que se busca ao implementar uma constituição no Estado pode ser
vista, como a necessidade de se ter um conjunto de regras e princípios postos de modo
consciente, a voltados a organizar o Estado segundo uma estrutura que estabelece
limitações ao poder político além de estabelecer direitos e garantias fundamentais em
favor dos membros da comunidade.

172. Quais os elementos orgânicos de uma constituição?


R.: Os elementos orgânicos está presente nas normas que regulam a estrutura do
Estado e do poder, que se concentram, predominantemente, nos Títulos III (Da
organização do Estado), IV ( Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo),
Capítulos II e III do Título V ( Das Forças Armadas e da Segurança Pública) e VI (
Da Tributação e do Orçamento).

173. Em que consistes Estatuto da Igualdade?


R.: O Estatuto da Igualdade é um acordo assinado entre Brasil e Portugal em Porto
Seguro, em 21 de Abril de 2000, na época da comemoração dos 500 anos da
descoberta do Brasil.[1]O Estatuto garante que entre os dois países as duas
nacionalidades possuem equivalência de direitos. Assim, um brasileiro pode viajar
para Portugal sem precisar de visto (e vice-versa), e um português pode prestar
concurso público (e seguir carreira política) no Brasil(e vice-versa).

174.Cite duas constituições brasileiras que foram promulgadas.


R.: A constituição de 1891 que foi a primeira constituição republicana e a constituição
de 1988.

175. Cite um direito social e um civil.


R.: Direito social é classificado pela doutrina como um direito de segunda geração em
que exigi uma atuação positiva do Estado, dessa forma, podemos citar o direito a
saúde como um exemplo de um direito social e o direito a propriedade como um
direito civil, já que este último é caracterizado por uma atuação negativa do Estado,
sendo enquadrado como um direito de 1º geração.

176. Qual a diferença de constituição sintética e constituição analítica?


R.: A constituição analítica é aquela de conteúdo extenso, que versa sobre matérias
outras que não a organização básica do Estado, isto é, sobre assuntos alheios ao
Direito Constitucional propriamente dito; já a constituição sintética é aquela que
possui conteúdo abreviado e que versa, tão somente, sobre princípios gerais ou
enuncia regras básicas de organização e funcionamento do Estado.

Direito Constitucional - Examinadora: Bertha Fernanda Paschoalick

177. As normas de eficácia contida são auto executáveis?


R.: Sim. As normas de eficácia contida são aquelas em que o legislador constituinte
regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria, mas deixou
margem à atuação restritiva por parte da competência discricionária do Poder Público.

178. Poderá ser restritiva por lei?


R.: Poderá. Já que são normas constitucionais dotadas de aplicabilidade direta,
imediata, mas não integral, por que sujeitas a restrições que limitem sua eficácia e
aplicabilidade.

179. Poderia da um exemplo prático?


R.: A doutrina estabelece como exemplo clássico de norma de eficácia contida do art.
5, XIII que prever ser livre o exercício de qualquer trabalho, oficio ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Foi com base nesse
artigo que o STF entendeu pela constitucionalidade do Exame da Ordem dos
Advogados do Brasil.

180.Podem ser ampliadas?


R.: Não. Já que as normas constitucionais de eficácia contida já são plenas, desde sua
entrada em vigor.

181. Quanto à extensão, como são classificadas as Constituições?


R.: As Constituições são classificadas em sintéticas ou analíticas.

182. Diferencie a Constituição sintética da analítica.


R.: As Constituições sintéticas veiculam apenas os princípios fundamentais e
estruturais do Estado. Já as analíticas abordam todos os assuntos que os representantes
do povo entenderem fundamentais, descendo a minúcias.

183. Exemplifique.
R.: Exemplo da primeira é a Constituição dos EUA, em vigor há mais de 200 anos.
Exemplo de analítica é a CF/88, que em seu Art. 242, §2º dispõe que “o Colégio Pedro
II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal.”

184. Quais as prerrogativas dos Municípios pela CF/88?


R.: Capacidade de auto-organização, mediante a elaboração de lei orgânica própria;
Capacidade de autogoverno, pela eletividade do Prefeito e dos Vereadores;
Capacidade normativa própria/autolegislação.

185. O Município tem alguma atribuição exclusiva?


R.: Em matéria administrativa, ordenar sua Administração. Em matéria financeira,
organizar suas finanças, elaborar sua lei de diretrizes orçamentárias, lei orçamentária
anual e lei do plano plurianual. Em matéria tributária, instituir os tributos de sua
competência.

186. O que são medidas provisórias?


R.: São atos tomadas exclusivamente pelo Presidente da República, com força de lei,
que devem obedecer critérios formais (relevância e urgência), materiais (tratar de
matéria não vedada) e procedimentais do Art. 62, além de sujeitas a uma condição
resolutiva, ou seja, passível de perder sua qualificação legal no prazo de 120 das.

187. Quais os limites que encontram?


R.: Os limites estão fixadas no Art. 62, §1, CF: quando tratar de matérias relativas a
nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos, direito eleitoral, penal,
processual penal, processual civil, organização, carreira e garantias do Poder
Judiciário e MP; Planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos
adicionais e suplementares (exceto o previsto no Art. 167, §3); que vise a detenção ou
sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; reservada
a lei complementar e as já disciplinadas em projeto de lei aprovado pelo CN e
pendente de sanção ou veto do PR. Além desses, acrescenta-se as matérias que não
podem ser objeto de delegação legislativa (Art. 68, §1), as reservadas às resoluções e
decretos legislativos e a regulamentação da exploração ou concessão de serviços
locais de gás canalizado pelos Estados (Art. 25, §2).

188. Sobre o que podem versar?


R.: Sobre as matérias não vedadas, inclusive sobre instituição e majoração de tributos
(Art. 62, §2, CF)
OBS.: tenho dúvida em relação a essa resposta.

189. Qual o conceito de Direito Constitucional?


R.: Ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e
normas fundamentais do Estado.

190. Qual o objeto do Direito Constitucional?


R.: São as normas fundamentais da organização do Estado, relativas à estrutura do
Estado forma de governo, modo de aquisição e exercício do poder, estabelecimento
de seus órgãos, limites de sua atuação, direitos fundamentais do homem e respectivas
garantias e regras básicas da ordem econômica e social.

191. O que é o mandado de injunção?


R.: Remédio ou ação constitucional que tem a finalidade de conferir imediata
aplicabilidade à norma constitucional portadora de direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania, inerte em virtude de ausência de regulamentação.

192. O que é o mandado de injunção coletivo?


R.: Remédio constitucional que tem a finalidade de conferir imediata aplicabilidade à
norma constitucional portadora direitos de caráter difuso e coletivo, pertencentes,
indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por
grupo, classe ou categoria (Art. 12, parágrafo único, Lei do Mandado de Injunção –
nº 13.300/16)

193. Está previsto na CF/88?


R.: Não expressamente. Entretanto, mesmo antes da Lei do MI, a doutrina
constitucionalista (José Afonso da Silva) já entendia que podia ser impetrado por
sindicatos, no interesse de direitos de categorias de trabalhadores quando a falta de
norma regulamentadora desses direitos inviabilize seu exercício, com base no art. 8°,
III, CF.

194. Quem teria legitimidade?


R.: Conforme o art. 12, caput, da Lei do Mandado de Injunção (Lei nº 13.300/16),
possui legitimidade o MP, a DP (Defensoria Pública), o partido político com
representação no congresso nacional, a organização sindical, a entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano.

195. Quem tem legitimidade para propor Ação Civil Pública?


R.: De acordo com o art. 5º, caput, da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85),
são legitimados ativos o MP, a Defensoria Pública, a União, os Estados, o DF e os
Municípios, a autarquia, a empresa pública, a fundação ou a sociedade de economia
mista e a associação constituída há pelo menos 1 ano e que tenha entre suas finalidades
institucionais um dos objetos da ACP.

196. Para que serve?


R.: Tem o intuito de proteger aos interesses da coletividade, responsabilizando o
infrator por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem urbanística, a
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, a qualquer
outro interesse, bem como a direito difuso ou coletivo.

197. É possível ao cidadão comum ingressar com ação civil pública?


R.: O rol de legitimados é taxativo, sendo vedado ao cidadão ingressar com ACP.
Entretanto, poderá ajuizar Ação Popular.

198. O que motiva o estado de defesa?


R.: A existência de grave e iminente instabilidade institucional que ameace a ordem
pública ou a paz social ou a manifestação de calamidade de grandes proporções na
natureza que atinja a mesma ordem pública ou a paz social.

199. Fale sobre o estado de sítio.


R.: O estado de sítio, considerado estado de exceção constitucional, é um mecanismo
que visa à estabilização e à defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito
diante de situações de crise que coloquem em risco a normalidade constitucional. Tem
como características a excepcionalidade, a taxatividade, a temporariedade, a
determinação geográfica, a sujeição a controles, a publicidade, o regramento
constitucional e a proporcionalidade. As hipóteses do estado de sítio estão previstas
de forma taxativa no art. 137, caput, CF/88, sendo elas: a comoção grave de
repercussão nacional, a ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida
tomada durante o estado de defesa (pressupondo, portanto, uma maior gravidade) e a
declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.

200. A CF/88 prevê que não haverá juízo ou tribunal de exceção. O que quer
dizer?
R.: O Art. 5º, XXXVII, CF veda a designação ou criação, por deliberação legislativa
ou outra, de tribunal para julgar, através de processo, determinado caso, já ocorrido
ou não, independentemente da já existência do tribunal. Consagra, assim, o princípio
do juiz natural, pré-constituído, pelo qual é vedada a constituição de juiz ad hoc para
o julgamento de determinada causa.

201. Conceitue Direito Constitucional.


R: Pode-se conceituar o Direito Constitucional como ramo do Direito Público
fundamental, cujo objeto de estudo são as normas (regras e princípios) relativas à
organização do Estado e limitação do exercício do poder político.

202. Existem decretos autônomos?


R: Sim, segundo previsto no art. 84, inciso VI, da CF, existem matérias que podem
ser disciplinadas diretamente pelo Chefe do Poder Executivo, tendo como
fundamento de validade o próprio Texto Constitucional, sendo verdadeiros atos
normativos primários, conhecidos como Decretos Autônomos. Previsão semelhante
pode constar nas Constituições Estaduais.

203. A lei ordinária pode revogar lei complementar?


R: Em regra não é possível a revogação de lei complementar por lei ordinária, uma
vez que aquela disciplina matérias reservadas, de forma taxativa, a tal espécie de ato
normativo.

204. E se a lei complementar legisla sobre a mesma matéria da lei ordinária?


R: Excepcionalmente, no caso de uma lei formalmente complementar, mas
materialmente ordinária, esta, não obstante se tratar da espécie normativa lei
complementar, em virtude do seu conteúdo, poderá ser revogada por uma lei
ordinária.

205. No Brasil, há inconstitucionalidade superveniente?


R: Via de regra, conforme a jurisprudência do STF, no Brasil, não é aceita a
inconstitucionalidade superveniente, já que prevalece o princípio da
contemporaneidade, segundo o qual a compatibilidade é analisada conforme o
parâmetro invocado na data da edição da norma. Excepcionalmente, tal
inconstitucionalidade superveniente é aceita nos casos de mutação constitucional e
inconstitucionalidade progressiva.

206. No caso de um ato tornar o outro insubsistente, há revogação?


R: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta.
Examinador: FABÍOLA DE OLIVEIRA ALVES
207. Qual o conceito de direito constitucional?
R: Pode-se conceituar o Direito Constitucional como ramo do Direito Público
fundamental, cujo objeto de estudo são as normas (regras e princípios) relativas à
organização do Estado e limitação do exercício do poder político.

208. Quais as espécies de poder constituinte?


R: O Poder Constituinte se divide em originário, responsável por inaugurar uma nova
ordem jurídica, e derivado, o qual, por sua vez, se ramifica em reformador, revisor e
decorrente, os dois primeiros aptos a alterar o Texto Constitucional dentro dos limites
pré-estabelecidos, já o último refere-se à aptidão dos Estados membros de elaborar
suas próprias Constituições.

209. Como são chamados os membros das forças armadas?


R: De acordo com o capítulo da Constituição que rege as Forças Armadas, os seus
membros são chamados de militares (art. 142, §3º, CF).

210. Quem os chefia?


R: Por expressa previsão no Texto Constitucional, o chefe supremo das Forças
Armadas é o Presidente da República, Chefe do Poder Executivo Federal (art. 142,
caput, CF).

211. Quais os requisitos para se candidatar aos cargos de presidente da república


e vice?
R: De acordo com expressa previsão na CF/88, são condições de elegibilidade a
nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento
eleitoral, domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e, especificamente
para os cargos de Presidente da República e seu Vice, a idade mínima de trinta e cinco
anos (art. 14, CF).

212. Brasileiro naturalizado pode ser candidato?


R: Não. Em que pese a Constituição Federal vedar a distinção entre brasileiros natos
e naturalizados (art. 12, § 2º), excepciona as ressalvas presentes no Texto
Constitucional, o qual determina serem cargos privativos de brasileiros natos (art. 12,
§3º), dentre outros, o de Presidente e Vice-presidente da República.

213. Quais são os órgãos auxiliares da presidência da república?


R: São órgãos auxiliares do Presidente da República os Ministros de Estado, o
Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.

214. Em que consiste o estado de sítio?


R: Trata-se de medida de defesa do Estado e das Instituições Democráticas,
consistente na suspensão temporária e localizada de garantias constitucionais. No
estado de sítio o Presidente da República deve obrigatoriamente solicitar autorização
do Congresso Nacional (art. 137, CF).

215. Existem limites ao poder de reforma da constituição?


R: Sim, tem-se no artigo 60 o rol de limitações ao processo de reforma da
Constituição. Dentre eles temos: limitações procedimentais, já que as emendas ao
Texto Constitucional se submetem a um procedimento mais rigoroso; limitações
circunstanciais, pois o texto não poderá ser alterado nas hipóteses de estado de sítio,
intervenção federal e estado de defesa; bem como limitações materiais, relativas a
temas elencados pelo legislador constituinte originário como de impossível supressão
(cláusulas pétreas).

216. Existem limites que não estão expressos na CF?


R: Sim, no tocante às limitações materiais, a doutrina e a jurisprudência admitem,
como limitações à reforma da Constituição, as cláusulas pétreas implícitas. Dentre
elas, tem-se o próprio artigo que disciplina o processo legislativo de aprovação das
emendas à Constituição.

217. Na hipótese de impedimento do presidente da república, qual a ordem de


substituição?
R: No caso de impedimento do Presidente da República, este será sucedido pelo Vice.
Caso ambos estejam impedidos, serão substituídos, na seguinte ordem, pelo
Presidente da Câmara dos Deputados, pelo Presidente do Senado Federal e pelo
Presidente do Supremo Tribunal Federal (art. 80, CF).
218. O que se entende por constitucionalismo?
R: De acordo com a doutrina, a expressão “constitucionalismo” pode ser empregada
em quatro diferentes sentidos. No primeiro, o constitucionalismo é visto como um
movimento político-social cujo objetivo é a limitação do poder estatal. No segundo,
como a imposição de que os Estados adotem cartas constitucionais escritas. Na
terceira acepção, o constitucionalismo serve para indicar a função e a posição das
constituições nas diversas sociedades. Por último, o termo ‘designa a evolução
histórico-constitucional de um determinado Estado.

219. Toda constituição costumeira é flexível?


R: Constituições costumeiras ou históricas são do tipo não escritas, criadas lentamente
com as tradições, sendo uma síntese dos valores históricos consolidados pela
sociedade. De acordo com a doutrina, tais constituições são juridicamente flexíveis,
por sofrem modificação mediante processo não dificultoso, podendo ser modificadas
pelo legislador ordinário. Não obstante, são política e socialmente rígidas, por serem
produto do lento evoluir dos valores da sociedade.

220. Existe estado sem constituição?


R: Não. Considerando o conceito material de Constituição, segundo o qual a mesma
se revela como o conjunto de normas essenciais à organização do Estado, não é
possível reconhecer a existência de um Estado sem Constituição, ou que não seja
constitucional, visto que toda sociedade politicamente organizada contém uma
estrutura mínima.

221. Qual a diferença entre constituição promulgada e outorgada?


R: Excelência, a Constituição promulgada é elaborada por representantes do povo,
democraticamente eleitos para compor uma Assembleia Nacional Constituinte. Por
outro lado, Constituição outorgada é aquela feita sem participação popular, típica de
regimes ditatoriais.

222. A polícia científica pode ser considerada um órgão da segurança pública?


R: Excelência, não, tendo em vista que o rol de órgãos integrantes da segurança
pública previsto no artigo 144 da Constituição Federal é um rol taxativo, nele não
constando previsão da polícia científica.

223. O que são direitos políticos?


R: Excelência, representam a máxima expressão da cidadania, do sufrágio e do regime
democrático, possibilitando a participação popular na escolha de seus governantes. É
a aptidão para votar e ser votado.

224. A quem pertence o mandato em caso de fidelidade partidária?


R: Excelência, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, nos mandatos fruto de
eleição proporcional, pertence à coligação. Em outro sentido, caso de mandato eletivo
majoritário, será do próprio candidato.

225. Qual a função típica do poder judiciário?


R: Excelência, a função típica do poder judiciário é o exercício da jurisdição, ou seja,
colocar-se como terceiro desinteressado e, de modo equidistante, conferir o direito a
quem faz jus.

226. E a função atípica?


R: Excelência, teríamos as funções de administrar e legislar.

227. Quais as atribuições da polícia civil segundo a CF?


R: Excelência, nos termos da Constituição Federal, à Polícia Civil incumbe o
exercício da função de polícia investigativa, através de inquérito policial, e de polícia
judiciária, com o cumprimento de mandados judiciais.

228. O MP tem atribuição para realizar investigação?


R: Excelência, sim. Nos termos de julgamento do Supremo Tribunal Federal, o
Ministério Público pode, por atribuição própria, presidir investigações criminais,
desde que observados os direitos fundamentais do acusado, acesso dos autos por
advogado, razoável duração do processo e reserva de jurisdição.

229. O que é nacionalidade?


R: Excelência, nacionalidade é o vínculo jurídico que une uma pessoa com um Estado.

230. Quais as funções atípicas do poder legislativo?


R: Excelência, a função de administrar seus bens, serviços e quadro de servidores,
bem como a de julgar, excepcionalmente, determinadas autoridades em crimes de
responsabilidade.

231. O poder legislativo pode julgar o presidente da república?


R: Excelência, é possível que o poder legislativo julgue o presidente da república por
crimes de responsabilidade, uma vez aceita a denúncia por 2/3 dos membros da
Câmara dos Deputados e havendo condenação por 2/3 dos votos dos senadores.

232. Quem exerce o poder legislativo federal?


R: Excelência, o poder legislativo federal é exercido pelo Congresso Nacional,
composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

233. Qual o período legislativo do senado federal?


R: Excelência, o período legislativo do senado federal é de 8 anos.

Direito Constitucional - Examinadora: Bertha Fernanda Paschoalick

234. O que entende por funções essenciais da justiça?


R: Excelência, são aquelas compreendidas pela Constituição Federal como
fundamentais à defesa da ordem jurídica.

235. Qual a função precípua da Defensoria Pública?


R: Excelência, a Defensoria Pública tem como função precípua a defesa das pessoas
economicamente hipossuficientes, da ordem jurídica e das minorias.

236. Advocacia Geral da União e Defensoria Pública são a mesma coisa?


R: Excelência, a resposta é negativa. São dois órgãos distintos.

237. Qual a diferença?


R: A Advocacia Geral da União se destina ao assessoramento de causas judiciais e
extrajudiciais da União e suas autarquias, enquanto que a Defensoria Pública assiste
aos economicamente vulneráveis. Ademais, esta última é dotada de autonomia em
relação ao Poder Executivo.

238. Fale sobre as fontes de Direito Constitucional.


R: As fontes do Direito Constitucional são a existência de um Estado soberano, de um
território e de um povo.

239. Princípio é interpretação ou fonte?


R: Podem manifestar-se de ambas as formas.

240. E os instrumentos internacionais?


R: Os instrumentos internacionais, notadamente os acordos e tratados internacionais,
a depender do conteúdo e forma de inserção no ordenamento jurídico, podem
funcionar como fontes do direito.

Direito Constitucional - Examinador: Carlos Afonso Gonçalves da Silva

241. Qual o desejo do legislador constituinte quando criou o STJ?


R.: Criado pela Constituição Federal de 1988, uma reforma do poder judiciário que
propunha a revisão da competência do Supremo, destacando seu papel constitucional,
e a criação de um novo tribunal (STJ), nacional, com jurisdição sobre matéria sem
natureza constitucional, última instância das leis infraconstitucionais tanto no âmbito
da justiça federal como no da estadual.

242. O que o legislador conseguiu com isso, com essa separação?


R.: O Supremo, que antes cuidava da interpretação das leis federais, assumiu a
condição de tribunal predominantemente constitucional, reservando ao STJ as causas
de natureza infraconstitucional e uniformização da interpretação das leis federais em
todo o Brasil

243. É uma Corte Constitucional?


R.: Corte Constitucional se refere a um órgão cuja função é julgar a
constitucionalidade de leis. Nem mesmo o STF é considerado genuinamente uma
Corte Constitucional, por ter a função de Suprema Corte, se comparado aos moldes
dos países Europeus (Sistema de Controle Concentrado). Assim, o STJ não é uma
Corte Constitucional.

244. Qual a definição do processo objeto?


R.: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta. Não sei se a questão quis
falar em “Processo Constitucional Objetivo” - aquele sem partes (sem pretensões
subjetivas), ou de forma concentrada em uma ação de constitucionalidade.

245. Como o STF atua no controle da constitucionalidade?


R.: O STF atua de forma híbrida no controle de constitucionalidade, nos moldes
europeu de “Corte Constitucional” (controle concentrado) por meio das ações de
constitucionalidade, e nos moldes Norte Americano de “Suprema Corte” (Controle
difuso) por meio de recursos.

246. Atua no controle difuso?


R.: Sim, conforme resposta anterior, o STF também atua nos moldes Norte Americano
de “Suprema Corte” (Controle difuso) nos processo constitucional subjetivo, pleiteia
direitos subjetivos das partes.

247. E no preventivo de constitucionalidade?


R.: O controle preventivo é exercido precipuamente pelo legislativo. Por meio da CCJ,
votação do plenário e nas avaliações das lei delegadas ao Presidente da República sob
condição de votação, é o que se chama delegação atípica. O Judiciário por meio de
Mandado de Segurança, como direito subjetivo líquido e certo do parlamentar.

248. O Supremo pode analisar o mérito do projeto de lei?


R.: O Supremo só analisa Projeto de Lei quando um parlamentar impetra Mandado
de Segurança, mas apenas para avaliar inobservância do devido processo
constitucional.

249. No rol do artigo 103 da CF/88, constam os partidos políticos?


R.: Sim, Partido político com representação no congresso nacional (Legitimado para
propor ADI e ADC)

250. Quando o partido político pode ingressar com ADIN?


R.: Partido político é legitimado universal, a constituição elenca apenas a condição de
representação no congresso nacional. Sendo partido político se presume ter adquirido
a Personalidade Jurídica e realizado inscrição no TSE em conformidade com a Lei
dos Partidos Políticos

251. Conceitue direitos, garantias e remédios.


R.: Direitos são bens e vantagens prescritos na norma declaratória constitucional.
Manoel Gonçalves Ferreira Filho observa que garantias de direitos fundamentais são
limitações, vedações impostas pelo poder constituinte aos Poderes Públicos. Os
remédios constitucionais são os meios colocados à disposição dos indivíduos pela
constituição para a proteção de seus direitos fundamentais (ex: habeas corpus, habeas
data, etc.).

252. Os termos direitos e garantias são termos tecnicamente utilizados no artigo


5º, X, CF/88?
R.: Sim, inclusive presente no cabeçalho do TITULO II da CF.

253. Diferencie intimidade e privacidade.


R.: Questão controvertida na doutrina. Existe a Teoria das Esferas, que diferencia
quanto ao acesso de outras pessoas. Entendendo que a privacidade é mais ampla do
que a intimidade da pessoa. A privacidade é composta de informações em que
somente a pessoa pode escolher se as divulga ou não. Já a intimidade diz respeito ao
modo de ser da pessoa e à sua identidade, com acesso mais ou menos restrito a
determinadas pessoas. Última esfera é a secreta, o sigilo.

254. Mandado de prisão. 18:32h. Sabe que o agente está na casa e você está na
porta. Cumpre o mandado?
R.: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta. Existe diversos
entendimentos. José Afonso: das 6 hrs as 18 hrs. Nucci: do alvorecer ao anoitecer.
Responderia afirmando a divergência e que se deveria observar os costumes da
localidade.

255. Cidadão se aposenta e muda para Miami. Se nacionaliza americano. Perde


a nacionalidade brasileira?
R.: Sim, 1º turma STF, brasileiro nato que por livre e espontânea vontade adquire a
nacionalidade estadunidense renuncia automaticamente à nacionalidade originária,
cuja perda deve ser declarada, de ofício, pelo Ministro da Justiça. Salvo se: a) de
reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; b) de imposição de
naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro,
como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos
civis.

256. O que é Medida Provisória?


R.: É um instrumento com força de lei, adotado pelo presidente da República, em
casos de relevância e urgência. Produz efeitos imediatos, mas depende de aprovação
do Congresso Nacional para transformação definitiva em lei. Seu prazo de vigência é
de sessenta dias, prorrogáveis uma vez por igual período.

257. Quais as espécies de Poder Constituinte?


R.: Poder Constituinte é gênero, que contém as espécies Poder Constituinte Originário
e poder Constituinte Derivado, este por sua vez manifesta-se sob a forma de poder
constituinte reformador, decorrente e revisor

258. Ouviu falar em Poder Constituinte Permanente?


R.: Não achei a resposta exata para essa pergunta. Encontrei duas respostas. 1 – O
STF realizando ativismo judicial e realizando contornos na interpretação da CF. 2 –
Se verifica na Inglaterra, país de Constituição Inorgânica ou Consuetudinária, onde o
Parlamento edita normas de direito constitucional pelos mesmos trâmites das normas
de direito ordinário.

259. Mutação constitucional é tipologia de julgamento do Supremo ou Poder


Constituinte?
R.: É tipologia de julgamento do STF, sendo alteração informal porque não são
cumpridos os requisitos formais necessários à modificação do seu conteúdo textual.
Portanto, não decorre do exercício do poder constituinte reformador

260. Interpretação sem supressão de texto é Poder Constituinte?


R.: Não, conforme resposta anterior. É alteração informal, porque não são cumpridos
os requisitos formais necessários à modificação do seu conteúdo textual. Portanto,
não decorre do exercício do poder constituinte.

261- Art. 22 da CF/88- Competência privativa da União. É possível ao estado


legislar sobre matéria processual?
R: Sim, desde que haja lei complementar autorizando o estado a legislar sobre
questões processuais de interesse específico dos estados, nos termos do parágrafo
único do artigo 22 da CF/88.

262- Qual a diferença entre competência privativa e competência exclusiva?


R: As competências exclusivas da União, previstas no artigo 21 da CF/88, cabem
unicamente à União, sem exceção. Já as competências privativas da União, previstas
no artigo 22 da CF/88, podem ser adotadas pelos estados, se satisfeitos os requisitos
de seu parágrafo único.

Direito Constitucional - Examinadora: Bertha Fernanda Paschoalick

263- Em que consiste a outorga de uma constituição?


R: Consiste na imposição de uma constituição por um governo autoritário, ditador,
sem passar pelo crivo dos representantes eleitos pelo povo, ou seja, sem o filtro do
legislativo.

264- Qual seria o oposto de uma constituição outorgado?


R:Constituição promulgada, também chamada "de origem popular".

265- Durante o Estado Novo tivemos Constituição outorgada?


R: Em 10 de novembro de 1937, no mesmo dia em que implantou a ditadura,
Getúlio Vargas outorgou a constituição federal conhecida como "polaca".
266- Há diferenças entre emenda constitucional e revisão constitucional?
Qual seria?
R: Emenda constitucional tem previsão no artigo 60 da CF/88. Pode ser elaborada
a qualquer tempo. Depende de aprovação, em cada Casa do Congresso Nacional, em
dois turnos, por 3/5 de seus membros. Sua promulgação é feita por ambas as Casas
legislativas, separadamente.
Já a Emenda de Revisão, uma vez utilizada, tem sua eficácia exaurida. Sua
previsão se encontra no artigo 3 do ADCT, que previu um prazo mínimo de 5 anos
após a promulgação da CF/88 para sua realização. Sua aprovação depende de maioria
absoluta dos membros de ambas as Casas, em sessão unicameral. Sua promulgação é
feita pela mesa do Congresso Nacional.

267- Quais as atribuições da Polícia Civil?


R: Nos termos do parágrafo 4, artigo 144 da CF/88, são atribuições da Polícia
Civil as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as
militares.

268- Há alguma palavra que diferencia a Polícia Civil da Polícia Federal no


artigo 144 da CF/88?
R: a CF/88 refere-se à Polícia Federal como "órgão permanente", expressão não
utilizada para referir-se às Polícias Civis.

269- Privativamente e exclusivamente são sinônimos?


R: OBS- Pergunta repetida. Por isso, reportamo-nos à reposta de igual teor
constante da questão 262.

270. Qual a diferença entre os termos? (Privativamente e exclusivamente


são sinônimos? - Pergunta anterior)

R.: A competência privativa é aquela específica de um ente, mas admite a delegação


para outro ente ou ainda o exercício a possibilidade de exercício de competência
suplementar (para outro ente).
Já a competência exclusiva é aquela exercida com exclusão dos demais, Significa
dizer que ao ente que for atribuída esta competência somente por ele esta poderá ser
exercida. É indelegável, irrenunciável.

271. O que entende por funções essenciais da justiça?


R.: O Estado Democrático de Direito, pautado no reconhecimento da Ordem
Constitucional e nos Direitos Fundamentais, trouxeram a necessidade de criação de
novas instituições, inexistentes na concepção clássica de Estado. Nesse desiderato,
exsurge os órgãos tidos como essenciais ao exercício da Justiça.
Elencadas na CF como: Ministério Público, defensoria Pública, advocacia pública e
advocacia privada.

272. Qual a função precípua da Defensoria Pública?


R.: É uma instituição pública cuja função é oferecer serviços jurídicos gratuitos aos
cidadãos que não possuem recursos financeiros para contratar advogados, atuando em
diversas áreas.

273. Advocacia Geral da União e Defensoria Pública são a mesma coisa?


R.: Não.

274. Qual a diferença?


R.: A advocacia geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão
vinculado, representa a União, judicial ou extrajudicialmente, e atividades de
consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
Enquanto a defensoria pública é uma entidade pública responsável por prestar
assistência jurídica a quem precisa e não tem condição de pagar advogado. Não
podendo o Estado deixar que essas pessoas fiquem desamparadas.

275. Fale sobre as fontes de Direito Constitucional.


R.: Dividem-se em fontes mediatas e imediatas, as Imediatas é a constituição e a leis
de conteúdo constitucional. As mediatas são a história, costume e a jurisprudência.
Normas constitucionais, princípios e tratados internacionais, chamado de bloco de
constitucionalidade.
276. Princípio é interpretação ou fonte?
R.: É fonte, pois tanto a lei quanto os princípios são normas constitucionais, pois
segundo Canotilho a Constituição Brasileira é um sistema normativo aberto de regras
e princípios. Ambos não guardam, entre si, hierarquia, especialmente diante da ideia
da unidade da Constituição.

277. E os instrumentos internacionais?


R.: Compõe o Bloco de Constitucionalidade, segundo a doutrina, desde que verse
sobre Direitos Humanos, caso aprovado de maneira qualificada (por 3/5 da câmara e
do senado por dois turnos de votação) terá equivalência formal e material de norma
constitucional. Caso não ocorra a votação qualificada será apenas materialmente
constitucional. Em ambos os casos pode ser paradigma para o controle de
Convencionalidade.

278. Em que consiste a outorga de uma Constituição?


R.: Uma Constituição Outorgada é aquela imposta de forma autoritária por quem
detém o poder daquele País, é tipicamente ditatorial, ao contrário da promulgada que
é a constituição democrática elaborada por representantes do povo.

279. Qual seria o oposto de uma Constituição outorgada?


R: O oposto de uma Constituição outorgada que é criada sem nenhuma participação,
mesmo indireta, do povo e imposta à nação, é uma Constituição Promulgada que é
elaborada pelos representantes do povo, e votada. É o caso da nossa constituição atual,
a de 1988.

280. Durante o Estado Novo, tivemos Constituições outorgadas?


R: Sim, a Constituição Brasileira de 1937, outorgada pelo presidente Getúlio Vargas
em 10 de Novembro de 1937, mesmo dia em que foi implanta a ditadura do Estado
Novo, é a quarta Constituição do Brasil e a terceira da república. Ficou conhecida
como Polaca, por ter sido baseada na Constituição dominadora da Polônia.

281. Há diferença entre EC e revisão constitucional? Qual seria?


R: Sim, muito embora ambos sejam espécies do gênero reforma Constitucional,
oriundas do poder Constituinte derivado, a emenda é atualmente a única forma de
alteração formal da Constituição, prevista no artigo 60 da CF, uma vez que a revisão
Constitucional, prevista no artigo 3º do ADCT já foi realizada em 1993. Na realidade
revisão foi uma espécie de reforma Constitucional prevista e realizada com um rito
mais simplificado que a EC.

282. Quais as atribuições da Polícia Civil?


R: Segundo o artigo 144, § 4º da CF: Às polícias civis, dirigidas por delegados de
polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de
polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.

283. Há alguma palavra que diferencia a Polícia Civil da Polícia Federal, no artigo
144, CF/88?
R: A palavra contida no artigo 144 da CF que diferencia a Polícia Civil da Polícia
Federal é a COMPETÊNCIA, eis que incumbe a Polícia Federal a função de polícia
judiciária nos assuntos de competência da União.

284. Privativamente e exclusivamente são sinônimos?


R: Não são sinônimos.

285. Qual a diferença entre os termos?


R: Em matéria Constitucional, uma das diferenças é que, em termos de competência
exclusiva (art. 21) esta não pode ser delegada (indelegável), ou seja, o termo
exclusivo nos remete a singularidade, já a competência privativa, ao contrário,
poderá ser delegada, por exemplo, para os Estados, quando estes poderão elaborar lei
específica sobre matérias que seriam de competência única da União.

Direito Constitucional - Examinador: Carlos Afonso Gonçalves da Silva

286. Quais as espécies de Poder Constituinte?


R: Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte Derivado e parte da doutrina
entende que o Poder Constituinte Difuso também faz parte do rol.
287. Ouviu falar em Poder Constituinte Permanente?
R: O tema já foi ventilado pelo Min. Alexandre de Moraes que entende como sendo
o poder constituinte originário de natureza permanente, visto que ''não desaparece
com a realização de sua obra, ou seja, com a elaboração de uma nova constituição",
ou seja, o poder constituinte não esgota sua titularidade, que permanece latente,
manifestando-se novamente mediante uma nova assembléia nacional constituinte ou
um ato revolucionário.

288. Mutação constitucional é tipologia de julgamento do Supremo ou Poder


Constituinte?
R: Na realidade, mutação constitucional é um processo informal de modificação da
Constituição, ou seja, trata-se de tipologia de julgamento do STF que altera a
interpretação do texto Constitucional sem modificá-lo formalmente.

289. Interpretação sem supressão de texto é Poder Constituinte?


R.: Sim, a interpretação sem supressão do texto constitucional pode ser considerada
Poder Constituinte, chamado, nesse caso, de Poder Constituinte Difuso. Mecanismo
informal sem previsão expressa na Constituição Federal, mas aceita tanto na doutrina
quanto na jurisprudência.

290. Artigo 22, CF/88 → Temas de competência privativa da União. É possível


ao estado legislar sobre matéria processual?
R.: Sim, é possível os Estados legislarem sobre matéria processual, tendo em vista
que o parágrafo único do art. 22 da Constituição Federal diz Lei Complementar
poderá autorizar os Estados a legislar sobre matérias mencionadas no referido artigo.

291. Qual a diferença entre competência privativa e competência exclusiva?


R.: A diferença entre competência privativa e competência exclusiva é que esta não
pode ser delegada, ou seja, outro Ente não pode exercer tal competência. Já a
competência privativa é aquela que pode ser exercida por outro Ente da federação,
por exemplo, o art. 22 da Constituição Federal que atribui competência privativa à
União para legislar sobre determinados assuntos.

292. Conceitue direitos, garantias e remédios.


R.: Os direitos são bens e vantagens descritos na norma constitucional, já as garantias
são os instrumentos por meio dos quais se assegura o exercício de tais direitos. E, por
fim, os remédios constitucionais são espécie do gênero garantias, ou seja, asseguram
também o pleno exercício dos direitos.

293. Os termos direitos e garantias são termos tecnicamente utilizados no artigo


5º, X, CF/88?
R.: Observação – Não achei resposta para essa pergunta.

294. Diferencie intimidade e privacidade.


R.: A privacidade é mais ampla do que a intimidade. Sendo a privacidade o gênero e
a intimidade espécie. A vida privada contem informações que cabe somente a pessoa
escolher se as divulga ou não. Já a intimidade se relaciona ao modo de ser da pessoa,
à sua identidade. Portanto, conclui-se que a intimidade está dentro da privacidade
(vida privada).

295. Mandado de prisão. 18:32h. Sabe que o agente está na casa e você está na
porta. Cumpre o mandado?
R.: Sim, dou cumprimento ao mandado caso ainda não tenha anoitecido. O assunto é
controvertido na doutrina, parcela dos doutrinadores dizem compreender o conceito
de dia o período entre as 6 e as 18 horas. Porém, outra parte, como Guilherme de
Souza Nucci, prefere conceituar o termo sendo “o período que medeia o alvorecer e
o anoitecer.”

296. Cidadão se aposenta e muda para Miami. Se nacionaliza americano. Perde


a nacionalidade brasileira?
R.: Sim. A cidadania brasileira não é absoluta e o cidadão pode perdê-la. Caso o
cidadão brasileiro opte por outra nacionalidade voluntariamente perderá a
nacionalidade brasileiro, exceto nos casos de reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira ou imposição de naturalização, como condição de
permanência em seu território ou para exercício de direitos civis. Previsão legal: Art.
12, §4º, da Constituição Federal.

297. O que é Medida Provisória?


R.: Medida provisória é uma espécie normativa editada monocraticamente pelo
Presidente da República, a priori sem participação do Legislativo, chamado a discuti-
la somente em momento posterior, que possui força de lei produzindo seus efeitos
jurídicos desde a edição pelo Executivo.

298. Qual o desejo do legislador constituinte quando criou o STJ?


R.: O legislador constituinte de 1988 ao criar o STJ tinha o desejo de desafogar o STF
de tantas competências, transformando-o em corte predominantemente
constitucional, deixando para o novo sodalício as causas de direito
infraconstitucional.

299. O que o legislador conseguiu com isso, com essa separação?


R.: Essa separação além de viabilizar humanamente os trabalhos dos Ministros da
Suprema Corte tornando o STF um tribunal de questões constitucionais –
predominantemente – permitiu a existência de um tribunal uniformizador das
questões infraconstitucionais da Justiça Estadual e da Justiça Federal.

300. É uma Corte Constitucional?


R.: É de responsabilidade do STJ julgar, em última instância, todas as matérias
infraconstitucionais não especializadas, que escapem à Justiça do Trabalho, Eleitoral
e Militar, e não tratadas na Constituição Federal. Logo, o STJ é uma corte que discute
questões de ordem infraconstitucional.

301. Qual a definição do processo objetivo?


R.: No processo objetivo não há partes, o que se tem é um requerente que postula a
proteção da ordem jurídica objetiva, não há direitos subjetivos individuais postulados,
tanto que os legitimados do art. 103 da Constituição não alegam interesse próprios ou
alheios, atuam como representantes do interesse público.

302. Como o STF atua no controle da constitucionalidade?


R.: O STF pode atuar preventivamente julgando Mandados de Segurança impetrados
por parlamentares que presenciem algum vício no devido processo legislativo. Atua
também no controle repressivo, através do julgamento das ações de controle
concentrado ou mediante as vias de exceção, controle difuso.
303. Atua no controle difuso?
R.: O controle difuso pode ser realizado por qualquer juízo ou tribunal do Poder
Judiciário, não existindo óbice para o STF realiza-lo uma vez respeitado a cláusula de
reserva de plenário materializada no art. 97 da CF/88.

304. E no preventivo de constitucionalidade?


R.: É majoritário o entendimento que o STF através do julgamento de Mandados de
Segurança impetrados por parlamentares quando desrespeitado o devido processo
legislativo, realiza o controle preventivo de constitucionalidade.

305. O Supremo pode analisar o mérito do projeto de lei?


R.: O STF não pode analisar o mérito de um projeto de lei, pois a conveniência e
oportunidade de editá-la nos limites de sua competência legal estão intimamente
ligadas às atribuições típicas do Legislativo, o que afrontaria diretamente o princípio
da separação dos poderes, salvo quando presente algum vício no devido processo
legislativo ou afronta a alguma cláusula pétrea.

306. No rol do artigo 103 da CF/88, constam os partidos políticos?


R.: Não todos os partidos políticos, pois nos termos do inciso VIII do art.103 da
CF/88, possuem legitimidade para propor as ações de controle concentrado de
constitucionalidade do caput do 103, tão somente os que possuem representação no
Congresso Nacional.

307 - Quando o partido político pode ingressar com ADIN?


OBS.: Aqui acho que o cerne é a pertinência temática.
R.: O partido político com representação no Congresso Nacional é um dos legitimados
a ingressar com ADIN (art. 103, VIII, da CF). Segundo o STF, essa representação
pode ser de apenas um parlamentar em qualquer das casas legislativas e é aferida no
momento da propositura da ação. Ademais, possui legitimação ativa universal, pois
não precisa demonstrar pertinência temática. Ainda segundo o STF, deve ser
representado por advogado com poderes específicos para atacar a norma impugnada,
indicando-a.
308 - Qual a diferença entre liberdade de expressão e liberdade de pensamento?
R.: Liberdade de expressão é a garantia constitucional de manifestar o pensamento,
vedando-se o anonimato (art. 5º, IV). É a exteriorização do pensamento. A liberdade
de pensamento, sem essa exteriorização/manifestação, é absoluta. Ao contrário do
direito à respectiva manifestação, que como qualquer outro direito, não é absoluto. A
liberdade interna de pensamento é o que se convencionou chamar de “direito à
perversão”: as pessoas, ao menos em seus pensamentos, podem ser más e perversas.

309 - Diferencie imagem retrato e imagem atributo.


R.: Imagem-retrato é a reprodução corpórea da imagem, representada pela fisionomia
de alguém. Imagem-atributo é a soma de qualificações de alguém ou repercussão
social da imagem.

310 - São sinônimos de honra objetiva e honra subjetiva?


R.: Não necessariamente. A honra objetiva é relacionada com a reputação e boa fama
que o indivíduo desfruta no meio social em que vive, e pode ter relação com a
imagem-atributo quando pertinentes às qualificações de alguém ou repercussão social
da imagem, mormente se ofendidas. Honra subjetiva é relacionada com a dignidade e
o decoro pessoal, é o juízo que cada indivíduo tem de si (estima própria). Não tem
relação direta com imagem-retrato ou imagem-atributo.

311 - A CF/88 foi emendada em 2004, que modificou a forma de incorporação


dos tratados ao ordenamento jurídico. Como ficaram os tratados anteriores à
EC?
OBS.: Aqui presumo que se fala de tratados de direitos humanos.
R.: Segundo o STF, os tratados de direitos humanos anteriores foram recepcionados
com status de supralegalidade. Significa que são hierarquicamente superiores à
legislação ordinária e inferiores à Constituição. Assim como os tratados de direitos
humanos posteriores e que não se submetam ao procedimento do §3º do art. 5º da CF.
É a teoria do duplo estatuto. Se incorporados na forma do §3º do art. 5º equivalem a
emendas constitucionais, caso contrário são supralegais.

312 - Tem diferença na prática?


R.: Na prática diferem quanto à possibilidade de serem parâmetros no controle de
constitucionalidade. Somente os tratados de direitos humanos incorporados na forma
do §3º do art. 5º podem servir como parâmetro no controle de constitucionalidade.

313 - Que diferença faz num plantão, se o tratado foi incorporado como norma
infra ou supraconstitucional?
OBS.: Aqui acho que o candidato errou as questões anteriores ao falar que o tratado
era “supraconstitucional”, teoria que não é adotada. Daí presumo que o examinador
elaborou a questão em cima desse erro. Vou responder obedecendo à teoria do duplo
estatuto: constitucional ou supralegal (e infraconstitucional)
R.: Num plantão, diante de um ato/fato que eventualmente contrarie um tratado de
direitos humanos supralegal, a principal fonte do Delegado para apreciação do caso
seria a Constituição Federal, pois esta é superior hierarquicamente. E se atentar que
esse tratado é superior hierarquicamente à legislação ordinária infraconstitucional. Se
for um tratado de direitos humanos incorporado na forma do §3º do art. 5º, deve
utilizá-lo como verdadeira norma constitucional diante daquele ato/fato.
OBS.: Nessas questões de tratados de direitos humanos, a legislação ordinária
engloba as leis complementares. O termo “ordinária” é genérico e equivale a
legislação infraconstitucional, usado para diferencial da supralegalidade, que
também é infraconstitucional.

314 - Saberia definir direitos de arena?


R.: O Direito de Arena consiste na prerrogativa exclusiva das entidades de prática
desportiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a
transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou
processo, de espetáculo desportivo de que participem. Está positivado no art. 42 da
Lei n. 9.615/98, conhecida como Lei Pelé.
Art. 42. Pertence às entidades de prática desportiva o direito de arena, consistente na
prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a
emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer
meio ou processo, de espetáculo desportivo de que participem.

315 - Se aplica ao direito desportivo?


OBS.: Aqui acho que pergunta resultou de eventual limitação ou equívoca da resposta
anterior do candidato.
R.: Sim. É inerente ao direito desportivo, conforme disposto na Lei Pelé (9.615/98),
que instituiu normas gerais sobre desporto.

316. A questão da menoridade penal é cláusula pétrea?


R. Os doutrinadores divergem, existindo duas correntes.
A primeira assegura que o artigo 228 CRFB é cláusula pétrea, não podendo ser
alterada sequer por uma E.C. A redução se daria somente com uma nova constituição.
Já, para a segunda corrente, é possível, por meio de uma E.C., a modificação do artigo
228 da CRFB, uma vez que a inimputabilidade não é um direito fundamental.
MASSON, Cleber. Direito Penal Esquematizado – parte geral

317. Qual o seu entendimento? Por quê


R: Posição pessoal do candidato.
É clausula pétrea: a) Existem Direitos fundamentais fora do art. 5º, sendo o art. 228
um direito fundamental material, e não meramente formal; b) A CF garante a
maioridade penal como direito individual e fundamental no art. 228 CF, devendo se
enquadrar no rol do artigo 60, §4º, CF. c) Vedação ao retrocesso social. (Alexandre
de Morais, Paulo Rangel)
Não é Clausula pétrea: a) O direito fundamental em questão não seria extinto, uma
vez que os menores de 16 anos permanecem inimputáveis; b) O art. 228 não é direito
fundamental, não havendo vedação à alteração.; c) A idade de 18 anos foi estabelecida
nos moldes das condições sociais da época, o que não condiz com os avanços sociais
atuais. d) A idade tem mero caráter indicativo, não influenciando na compreensão do
caráter ilícito da conduta.(Grecco, Nucci, Lenza)

318. E garantia porque está na CF/88 ou por conta de influência de tratados


internacionais?
R: Para quem adotou a teoria de que é clausula pétrea.
A redução da maioridade penal, viola os princípios contidos na CRFB, no ECA e nos
tratados internacionais assinados pelo País. Qualquer modificação irá contra os
acordos e convenções dos quais o Brasil é signatário.
A Convenção Internacional Sobre os Direitos da Criança, (D. 99.710/90) dispõe que
considera-se como criança todo ser humano com menos de 18 anos de idade, a não
ser que, em conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade seja alcançada
antes.

319. Além da criança, temos a figura do jovem. Quem seria?


R: Jovem é a pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade,
nos termos do art. 1º, § 1º da lei 12.852/13 (Estatuto da Juventude)

320. Para a função do Delegado tem relevância?


Sim, pois caso o jovem seja menor de 18 anos, será inimputável, devendo ser
aplicadas as disposições do ECA referentes às medidas sócio-educativas aos
adolescentes (art. 112 ECA). Se maior de 18 anos, devem ser aplicadas as disposições
do Código Penal.

321. Qual a origem da democracia?


A origem da democracia remonta à Grécia Antiga (demo = povo e kracia = governo),
em especial, Atenas. Anteriormente, a cidade-estado era controlada por uma elite
aristocrática oligárquica denominada de “eupátridas” ou “bem nascidos”, os quais
detinham o poder político e econômico na polis grega.
Com o surgimento de outras classes sociais, as quais pretendiam participar da vida
política, a aristocracia resolve rever a organização política das cidades-estados, o que
mais tarde resultou na implementação da “Democracia”.

322. Qual o regime da polis gregas?


As polis gregas eram as cidades estados da Grécia Antiga, com destaque para Atenas.
Em Atenas adotou-se o regime Democrático. Neste regime, os cidadãos tinham uma
participação direta na aprovação das leis e nos órgãos políticos da polis, porém
Mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões políticas
da cidade. Portanto, esta forma antiga de democracia era bem limitada.

323. O Brasil é um Estado Democrático, Estado de Direito ou Estado


Democrático de Direito?
R: O Brasil é um estado democrático de direito. O termo democrático não faz alusão
à democracia representativa, mas sim à garantia pelo Estado de direitos sociais aos
cidadãos.
Dessa forma, o Estado de Direito, com origem na Europa após a revolução francesa,
surgiu com o intuito de combater o absolutismo de forma que o direito passa a
controlar o exercício do poder, calcado no liberalismo, sem a ação Estatal na garantia
de direitos fundamentais sociais e embevecido na inflexível escrituração normativa.
O Estado Democrático de Direito se dá com o início da intervenção estatal para a
garantia de direitos fundamentais sociais aos cidadãos.

324. Dê exemplo de um Estado Democrático e de um Estado de Direito.


R: A Grécia antiga é um exemplo de Estado Democrático. A França pós revolução
francesa é um exemplo de Estado de Direito e o Brasil pós CF/88 é um exemplo de
Estado Democrático de Direito.

325. Qual a linha de sucessão do Presidente da República?


R.: 1º: Vice-Presidente; 2º: Presidente da Câmara dos Deputados; 3º: Presidente do
Senado Federal; 4º: Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Artigos 79 e 80 da CF/88.

326. Há previsão de eleição indireta para Presidente?


R.: Sim, acaso a vacância dos cargos de Presidente e Vice- Presidente ocorra nos
últimos 2 anos do período presidencial, caso em que a eleição será feita pelo
Congresso Nacional, na forma da lei.
Artigo 81, § 1, CF/88.

327. Quando terá nova eleição?


R.: Em 30 dias a contar da última vacância em caso de eleição indireta. E em 90 dias
depois de aberta a última vaga em caso de eleição direta (quando a vacância se dá nos
2 primeiros anos do período presidencial).
Artigo 81, caput e § 1º da CF/88.

328. O Ministro do STF pode sofrer impeachment?


R.: Sim, é possível impeachment de ministro do Supremo, com consequente perda do
cargo e inabilitação para o exercício de qualquer função pública por até 5 anos, em
virtude da prática de crime de responsabilidade. Compete ao Senado Federal o
processo e julgamento de tais casos.
Artigos 2º, 39 e 39-A da Lei 1.079/50 e artigo 52, II, CF/88.

329. O que é direito de opinião?


R.: O direito de opinião ou de liberdade de expressão é direito da personalidade,
constitucionalmente assegurado e que consiste no direito de manifestar, sob qualquer
forma e sem interferências, idéias e informações de qualquer natureza. Este direito
inclui, ainda, a liberdade de procurar, receber e transmitir informações e idéias por
qualquer meio e independentemente de censura ou licença.
Artigo 5º, IV e IX, CF/88 e artigo 19, DUDH.

330. Quando faz, o faz sob que fundamento: na liberdade de pensamento ou de


manifestação de pensamento?
R.: A opinião, ao ser emitida, exterioriza a reflexão interna livre daquele que está se
manifestando, sendo seu exercício livre, portanto, resultado da liberdade de
manifestar o pensamento, que, por sua vez, é consequência do próprio direito à
liberdade de pensamento.

331. Obrigatoriamente?
R.: Sim.

332. Quando a propriedade urbana atinge a sua função social?


R.: A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
Artigo 182, § 2º da CF/88.

333. E uma propriedade rural?


R.: A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente,
aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização
adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III -
observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que
favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Artigo 186 da CF/88.

334. Quantos poderes temos na CF/88?


R: Em que pese o poder do Estado ser uno e indivisível, a CF prevê em seu texto a
existência de três poderes, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário (art. 2º da CF).

335. O que diferencia o poder de um órgão, que não o tem?


R: O poder é um atributo do Estado que emana do povo; os órgãos são, em
consequência, os instrumentos de que se vale o Estado para exercitas as funções,
descritas na Constituição, cuja eficácia é assegurada pelo Poder que a embasa.

336. Quais as características desse poder?


R: O poder é uno, indivisível e indelegável.

337. Uma universidade pública seria um quarto poder, uma vez que tem todas
as características que citou?
R: Não achei resposta para essa pergunta.

338. Seria uma unidade de qual todo?


R: Não achei resposta para essa pergunta.

339. Montesquieu fala da separação de poderes ou da separação de funções?


R: A separação de funções foi lançada por Aristóteles, que vislumbrava a existência
das três funções distintas exercidas pelo Poder Soberano, a de editar normas gerais,
de aplicá-las ao caso concreto e a função de julgamento. Já Montesquieu aprimorou
com a teoria dos três poderes, entendendo que tais funções estariam intimamente
conectadas a três órgãos distintos, autônomos e independentes entre si, de acordo com
essa teoria, cada Poder exercia uma função típica, inerente à sua natureza.

340. A CF/88 prevê três poderes ou três funções?


R: Uma vez que o poder do Estado é uno e indivisível, o correto seria falar sobre a
previsão de três funções.
341. Quando um poder está exercendo função atípica, deve seguir as mesmas
regras do Poder que a exerce tipicamente ou tem flexibilidade?
R: Quando do exercício de uma função atípica, o poder deve seguir as regras
estipuladas na Constituição Federal.
Obs.: tenho dúvida com relação à essa resposta

342. O JEC integra a Justiça Comum?


R: Os Juizados Especiais integram a justiça comum, pois não são especializados.

343. Supremo Tribunal Federal → Integra a Justiça Federal?


R: Não, o STF não faz parte da Justiça Federal. De acordo com a doutrina, o STJ e o
STF são órgãos de superposição, ou seja, não pertencem a qualquer Justiça e suas
decisões se sobrepõem às decisões proferidas pelos órgãos inferiores das Justiças
comum e especial. Já a justiça federal comum, compõe-se de acordo com art.106 da
Constituição Federal dos Tribunais Regionais Federais e dos Juízes Federais.

344. Está correta essa nomenclatura?


R: Observação - Dúvida quanto à pergunta. Acredito que se refira a alguma
nomenclatura dita pelo candidato.

345. O papel do Supremo, como STJ, ficou limitado a questões constitucionais?


R: Acredito que a pergunta correta é: O papel do Supremo, com o STJ, ficou limitado
a questões constitucionais? A função precípua do STF é a guarda da Constituição que
é realizada através de uma série de mecanismos. Um deles é o controle concentrado
de constitucionalidade, reservado com exclusividade a Suprema Corte, papel
tradicionalmente exercido por Cortes Constitucionais. No entanto, a CF de 1988
ampliou as funções do STF e este hoje possui vastas tarefas, dentre elas a recursal.
Assim, de acordo com art.102, da CF/88, o STF possui competências originárias e
recursais, não se limitando, portanto, apenas a questões constitucionais.

346. É uma Corte Constitucional?


R: Uma corte constitucional é, por definição, um órgão do judiciário ou diverso, cuja
principal função é julgar a constitucionalidade de leis, emitindo pareceres sobre elas
e decretos dos poderes Executivo e Legislativo, em consonância com correta
aplicação da Constituição. Já uma suprema corte tem caráter de última instância, de
corte de apelação. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal – STF – não é autêntica
corte constitucional, pois acumula funções de corte constitucional e suprema corte.

347. O que é processo objeto?


R: Dúvida quanto à pergunta. Acredito que seja sobre processo objetivo.
Ao processo que não visa à defesa de um direito subjetivo, mas que tem por fim
assegurar a compatibilidade do sistema infraconstitucional com a Constituição, dá-se
o nome Processo Objetivo. No processo objetivo o que se tem é um requerente que
postula a proteção da ordem jurídica objetiva, não há direitos subjetivos individuais
postulados, tanto que os legitimados para desencadear este processo estão arrolados
em numerus clausus no art. 103 da Constituição, e estes não alegam interesse próprios
ou alheios, atuam como representantes do interesse público. É típico do controle
abstrato de inconstitucionalidade.

348. Quem é réu numa ADIn?


R: Não há réus em uma ADI, pois está se diante de um processo objetivo que tem
como uma das características a ausência de partes propriamente ditas, pois os
eventuais requerentes não são considerados partes no sentindo material (não estão
defendendo um interesse próprio), mas tão somente figurantes processuais. É um
processo sem sujeitos, destinado, pura e simplesmente, à defesa da Constituição.

349. E na Ação Direta de Constitucionalidade?


Assim como na ADI, na ADC não há réus, ambas integram o controle de
constitucionalidade abstrato, traduzindo-se em um processo constitucional objetivo.

350. Quem são as figuras nos crimes de responsabilidade?


Os crimes de responsabilidade são infrações político-administrativas, ou seja, crimes
de natureza política. Podem praticar um crime de responsabilidade o Presidente e o
Vice-Presidente da República (art.52,I); Ministros de Estados (art.52,I); Comandantes
da Marinha, do Exército e da Aeronáutica (art.52,I); Ministros do STF (art.52, II);
Membros do CNJ e do CNMP (art.52, II); o Procurador-Geral da República
(art.52,II); o Advogado-Geral da União (art.52, II); Deputados Federais e Senadores
(art.55, §2º); Membros dos Tribunais Superiores, do TCU e chefes de missões
diplomáticas de caráter permanente (art.102, I, “c”); Membros do TCE, TRF, TRE,
TRT e Desembargadores dos Tribunais de Justiça e Membros do Ministério Público
da União que oficiem em tribunais superiores (art.105, I, “a”); Juízes Federais e
membros do MPU (art. 108,I, “a”); Governadores de Estados e Prefeitos (art.31).

351. O que são direitos políticos positivos e direitos políticos negativos?


R: Os direitos políticos positivos são as normas que asseguram a liberdade do cidadão
em participar ativamente da vida pública estatal, incluindo-se, aqui, o direito de votar
e ser votado. Por outro lado, direitos políticos negativos são as normas impeditivas de
participação do indivíduo no processo político e incluem as regras de inelegibilidade
e também a perda e suspensão dos direitos políticos.

352. Uma pessoa pode se candidatar a cargo público sem estar vinculado a um
partido?
R: Nos termos do artigo 14, §3º, inciso V, da Constituição Federal, a filiação partidária
é condição de elegibilidade, sendo obrigatória. Não são admitidas, portanto, as
chamadas “candidaturas avulsas”. É também o que dispõe o artigo 87, do Código
Eleitoral (Lei 4337/1965) e o artigo 11, §14, da Lei Geral das Eleições (Lei n.
9504/97). Importa salientar, no entanto, segundo a doutrina de Nathalia Masson
(Manual de Direito Constitucional, pgs. 448-449), que: a. tramita, no STF, o ARE
1.054.490, no qual é debatido a viabilidade das candidaturas avulsas tendo como
substrato legislativo a suposta não exigência de filiação que o Pacto de São José da
Costa Rica consagra no item 5 do artigo 23; e b. em se tratando dos militares de
carreira, o TSE, a fim de compatibilizar as variadas determinações constitucionais
(artigo 14, §§ 3º e 8º e artigo 142, §3º, inciso V, todos da CF), firmou o entendimento
de que para os militares a obrigação constitucional da filiação será suprida pelo pedido
de registro de candidatura após a prévia escolha da convenção partidária.

353. E se após eleito pedir a desfiliação?


R: Mesmo não havendo uma norma expressa na lei ou na CF/88 dizendo isso, o
TSE e o STF, em 2007, decidiram que a infidelidade partidária era causa de
perda do mandato eletivo. Firmou-se a tese de que, se o titular do mandato eletivo,
sem justa causa, sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo
que ocupa. Vale lembrar que a perda do mandato em razão de mudança de
partido somente se aplica para os cargos eletivos proporcionais (essa sanção não
vale para candidatos eleitos pelo sistema majoritário – prefeito, governador, senador
e Presidente). Em 2015, o Congresso Nacional editou a Lei n. 13165/2015, que
alterou a Lei n. 9.096/95 (que dispõe sobre partidos políticos, regulamenta os arts.
17 e 14, § 3º, inciso V, da Constituição Federal) tendo sido acrescentando o artigo 22-
A prevendo que “perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar,
sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. Parágrafo único. Consideram-
se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses: I
- mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; II - grave
discriminação política pessoal; e III - mudança de partido efetuada durante o
período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para
concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato
vigente” (Fonte: FUC Ciclos R3).

Examinador: JORGE C. CARRASCO

354. Quais os princípios constitucionais da administração pública?


R: Nos termos do artigo 37, da Constituição Federal, “a administração pública direta
e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência...”. Cumpre salientar, no entanto, que os referidos princípios
são considerados expressos, existindo, ainda, os princípios implícitos da
Administração Pública, quais seja, a razoabilidade e a proporcionalidade, derivados
do princípio do devido processo legal em sua acepção substantiva (Direito
Constitucional Descomplicado, Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino – pg. 356-363).

355. Qual a diferença no direito fundamental entre o direito propriamente dito


e as garantias?
R: Na obra Direito Constitucional Descomplicado (pg. 95-96), Vicente Paulo e
Marcelo Alexandrino, esclarecem que a doutrina diferencia direito e garantias
fundamentais. De acordo com os referidos doutrinadores, “os direitos fundamentais
são os bens em si mesmo considerados, declarados como tais nos textos
constitucionais… são bens jurídicos em si mesmos considerados, conferidos às
pessoas pelo texto constitucional”. Já as “garantias constitucionais são estabelecidas
pelo texto constitucional como instrumento de proteção aos direitos fundamentais…
possibilitam que os indivíduos façam valer, frente ao Estado, seus direitos
fundamentais”. Enquanto os direitos fundamentais asseguram direitos, as garantias
fundamentais conferem proteção a esses direitos.

356. No que consiste direito constitucional comparado?


R: O direito constitucional comparado é o estudo das normas jurídicas vigentes, de
vários Estados, procurando destacar suas singularidades, similitudes e contrastes. No
fundo, tem como objetivo confrontar as normas constitucionais de alguns diferentes
ordenamentos jurídicos positivos, por intermédio de critérios espaciais e temporais.
Segundo Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, em seu Direito Constitucional
Descomplicado (pg. 69), “por meio dessa comparação, é possível estabelecer uma
comunicação entre várias Constituições e descobrir os critérios aplicáveis na busca
da melhor solução para determinados problemas concretos”.

357. A segurança pública em nível estadual é atribuída a quem?


R: Segundo Nathalia Masson, em seu Manual de Direito Constitucional (pg. 1443),
“em âmbito estadual, a segurança pública é subordinada ao Governador do Estado-
membro e é de atribuição: das polícias civis; das polícias militares; e dos corpos de
bombeiros”. As polícias civis estão incumbidas das funções de polícia judiciária e a
apuração de infrações penais, exceto as militares e das de competência da União. Às
polícias militares cabe a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública, sendo,
ainda, forças auxiliares e reserva do Exército. Os corpos de bombeiros miliares
possuem as atribuições previstas em lei, dentre elas, a prevenção e extinção de
incêndios; salvamento de vidas humanas; socorro em caso de afogamentos; etc.

358. Conceitue o DF como unidade federada.


R: Distrito Federal, segundo Nathalia Masson, é um ente federativo autônomo,
possuidor de atribuições legislativas, administrativas e judiciárias, consubstanciadas
pela tríplice capacidade que envolve a auto-organização, o autogoverno e a
autoadministração (Manual de Direito Constitucional, pg. 619). É um território
neutro, ou seja, não faz parte de nenhum Estado da federação. Foi criado para ser
sede do Governo Federal. No que se refere a sua natureza, decidiu o Supremo
Tribunal Federal, que o Distrito Federal não é estado e nem Município, mas sim
uma unidade federada com competência parcialmente tutelada pela União. É
um “quarto tipo”.

359. Ainda existe território no Brasil?


R: Atualmente não existem Territórios Federais no Brasil e, ainda que novos sejam
criados (essa possibilidade é factível, nos termos do artigo 18, §3º, da CF), não serão
entes federados, em conformidade com o que dispõe o texto constitucional. Integrarão
a União enquanto meras descentralizações administrativo-territoriais e não possuirão
quaisquer resquícios de autonomia política (serão entidades autárquicas e seu regime
jurídico há de ser definido por lei federal infraconstitucional).

360. Quais os momentos do controle constitucional?


R: O controle de constitucionalidade pode ser preventivo e repressivo.
O controle de constitucionalidade será preventivo quando a fiscalização do controle
da norma incidir sobre o projeto, antes de a norma estar pronta e acabada. No Brasil,
exemplos de controle preventivo de constitucionalidade são as atividades de controle
dos projetos e proposições exercidas pela CCJ das casas do Congresso Nacional e o
veto do Chefe do Poder Executivo, fundamentada na inconstitucionalidade do projeto
de lei (veto jurídico). Há, também, hipóteses de controle preventivo realizado pelo
Poder Judiciário, no caso de Mandado de Segurança impetrado por parlamentar com
o fim de sustar a tramitação de proposições legislativas ofensivas ao rito legislativo
constitucionalmente previsto, bem como de proposta de EC tendente a abolir cláusula
pétrea.
Ocorre o controle de constitucionalidade repressivo quando a fiscalização da validade
incide sobre norma pronta e acabada, já inserida no ordenamento jurídico. É o caso,
em regra, do controle de constitucionalidade judicial do nosso país, que pressupõe a
existência norma já elaborada, pronta e acabada, inserida no ordenamento jurídico.
Como se vê por meio do controle de constitucionalidade preventivo não se declara a
inconstitucionalidade da norma (que na realidade ainda existe), mas, sim, evitada a
criação de uma norma inconstitucional. Por sua vez o controle de constitucionalidade
repressivo tem por fim declarar a inconstitucionalidade de uma norma já existente,
visando a sua retirada do ordenamento jurídico.

361. Quais são os controles prévios e preventivos?


R = são: a) controle JUDICIAL-preventivo (é excepcional, exercido por meio de
Mandado de Segurança, para garantir direito líquido e certo de parlamentar, de
participar de processo legislativo hígido e de acordo com as disposições
constitucionais); b) controle POLÍTICO-preventivo, que se divide: b.1) NO PODER
LEGISLATIVO (com o trabalho de análise da constitucionalidade dos projetos de leis
e emendas à constituição, realizado pelas Comissões de Constituição e Justiça); b.2)
NO PODER EXECUTIVO (com o veto jurídico do Presidente da República, ao
manifestar discordância com o projeto de lei - Art. 66, §1º da CF).

362. Como é denominado o poder constituinte derivado?


R = É denominado poder de segundo grau, instituído, constituído ou ainda, poder
remanescente, já que deriva do poder constituinte originário, com fundamento na
constituição, dela retirando sua existência, validade e limitações.

363. Como se classificam o gênero “direitos e garantias fundamentais”?


R = O gênero “direitos e garantias fundamentais” se classifica, estruturalmente, nas
seguintes espécies: 1) dos direitos e deveres individuais e coletivos (Cap. I, Art. 5º da
CF); 2) dos direitos sociais (Cap. II, Arts. 6º ao 11 da CF); 3) da nacionalidade (Cap.
III, Arts. 12 e 13 da CF); 4) dos direitos políticos (Cap. IV, Arts. 14 a 16 da CF); e,
4) dos partidos políticos (Cap. V, Art. 17 da CF).

364. Como pode ser analisada a estrutura do estado sob três aspectos?
R= A organização e estrutura do Estado podem ser analisadas sob três aspectos: 1)
Forma de Governo (República ou Monarquia); 2) Sistema de
Governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo) e, 3) Forma de Estado (Estado
unitário ou Federação), sendo que o Brasil adotou a forma republicana de governo,
o sistema presidencialista de governo e a forma federativa de Estado.

365. Quais os direitos sociais da CF/88?


R= São: o direito à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao
transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à
infância e por fim, a assistência aos desamparados (Art. 6º, CF).

366. O que é poder constituinte?


R = É a energia ou a força política que se funda em si mesma, expressão da vontade
de um povo, em estabelecer e disciplinar as bases organizacionais da comunidade
política. É o poder responsável pela elaboração da constituição, a partir da criação de
um novo Estado (sob o aspecto jurídico), e apresentação de um novo documento
constitucional.

367. Na doutrina moderna, a quem pertence a titularidade do poder


constituinte?
R = Ao povo.

368. Como podem ser classificadas as constituições?


R = Quanto à origem: Promulgada, Dualista ou Pactuada, Cesarista ou ainda
Outorgada; Quanto à estabilidade: Rígida, Semi-rígida, Imutável, Transitoriamente
Imutável, Fixa, Flexível ou ainda, Transitoriamente Flexível; Quanto à forma: Escrita
e Não escrita; Quanto ao modo de elaboração: Dogmática ou Histórica; Quanto à
extensão: Analítica ou Concisa; Quanto ao Conteúdo: Formal ou Material; Quanto à
finalidade: Dirigente, Garantia e Balanço; Quanto à interpretação: Semântica ou
Nominalista; Quanto à correspondência com a realidade: Nominativa, Normativa ou
Semântica; Quanto à ideologia: Eclética ou Ortodóxica; Quanto à unidade
documental: Orgânica ou Inorgânica; Quanto ao sistema: Principiológica ou
Preceitual; Quanto ao local de decretação: Autoconstituição ou Heteroconstituição;
outras: Plástica, Suave, Expansiva ou ainda, Em Branco.

369. Como é eleito o corregedor geral do MP?


R = através do voto secreto (presencial ou pela rede mundial de computadores), sendo
elegíveis os membros do Colégio de Procuradores de Justiça. O mais votado é
nomeado pelo Procurador-Geral de Justiça.
(OBS – assunto FORA DO EDITAL. A resposta da pergunta está no ATO
NORMATIVO Nº 1.104/2018-PGJ, DE 05 DE SETEMBRO DE 2018 da
SUBPROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA JURÍDICA. O assunto é regulado
pela CF em âmbito federal (Art. 130-A, §3º) e NÃO é regulado pela Constituição do
Estado de São Paulo – ao menos - na seção que se refere ao Ministério Público).

370. O que é vedado aos defensores públicos?


R.: A Constituição Federal veda expressamente o exercício da advocacia fora das
atribuições institucionais (artigo 134, § 1º, da Constituição Federal).

371. Quem decreta o estado de defesa?


R.: O estado de defesa é decretado pelo Presidente da República, ouvidos o Conselho
da República e o Conselho de Defesa Nacional (Artigo 136).

372. Qual a diferença entre estado de defesa e estado de sítio?


R.: Em ambos há a consulta prévia ao Conselho da República e ao Conselho da Defesa
Nacional. Entretanto, no estado de defesa o Presidente o decreta e o submete, no prazo
de 24 horas, ao Congresso Nacional, que terá 10 dias para decidir sobre sua
manutenção ou suspensão. No estado de sítio, por sua vez, o Presidente deve solicitar
autorização prévia do Congresso Nacional para decretá-lo.
Outrossim, o estado de defesa visa preservar ou prontamente restabelecer, em locais
restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e
iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes
proporções na natureza. O prazo será de 30 dias, podendo ser prorrogado uma vez
(artigo 136). O estado de sítio, por sua vez, será decretado em caso de grave
repercussão nacional, ineficiência do estado de defesa, declaração de guerra e resposta
à agressão armada. No caso de guerra ou agressão armada ele durará enquanto ela
perdurar. Nas demais hipóteses, não poderá ser decretado por mais de 30 dias, nem
prorrogado por prazo superior (artigo 137).

373. Quais as forças que compõem o ministério de defesa?


R.: O Ministério da Defesa é incumbido de exercer a direção superior das Forças
Armadas, que é constituída pela Marinha, Exército e Aeronáutica.

374. Como pode ser classificada a constituição?


R.: A Constituição brasileira pode ser classificada como formal (além de possuir
matéria constitucional trata de assuntos diversos), escrita (é um documento solene),
dogmática (fruto de um trabalho legislativo específico), promulgada (feita por
representantes do povo), analítica (trata de temas que poderiam estar em legislação
ordinária), dirigente (além de prever direitos fundamentais, fixa metas estatais), rígida
(possui procedimento mais rigoroso de alteração) e eclética (permite a coexistência
de ideologia diversas).

375. O que é seguridade social?


R.: A seguridade social consiste num conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde,
à previdência e à assistência social.
Artigo 194.

376. Com relação à organização política administrativa do estado brasileiro, como


ele se processa?
R.: A República Federativa do Brasil é composta pela União, Estados, Distrito Federal
e Município, todos autônomos, conforme artigo 18 da Constituição Federal. Eles
possuem autogoverno, auto-organização, autoadministração e auto legislação.

377. Quais os objetivos fundamentais da CF?


R.: Os objetivos são: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o
desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Artigo 3º.

378. A quem cabe promulgar uma EC?


R.: A emenda será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, com o respectivo número de ordem, conforme artigo 60, § 3º, da Constituição
Federal.

379. Qual é o crime inafiançável e imprescritível previsto na CF/88?


R.: Crime de racismo; Ação de grupo armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático de Direito. Art. 5, XLII e XLIV CF.

380. Por que deve ser instituído o direito de estado de defesa?


R.: A instauração desse estado de legalidade extraordinária depende,
alternativamente, da existência de grave e iminente instabilidade institucional ou de
calamidade de grande proporção na natureza. Compreende medidas temporárias
destinadas a preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e
determinados, a ordem pública ou a paz social. Art. 136 da CF.

381. O que compete ao conselho superior do ministério público decidir? LC


734/93
R.: Art. 36. VIII. Decidir sobre vitaliciamento do membro do MP; X. Aprovar quadro
geral de antiguidade do MP e decidir sobre reclamações formuladas a esse respeito.

382. Em que hipóteses poderá ser decretado o estado de sítio?


R.: 1. comoção grave de repercussão social ou ocorrência de fatos que comprovem a
ineficácia da medida durante o estado de sítio; 2. Declaração do estado de guerra e
resposta a agressão armada estrangeira – art. 137 da CF.

383. A prestação do serviço jurídico pela defensoria destina-se a quem?


R.: Aos que comprovem insuficiência de recursos Art. 134 e art 5 LXXIV da CF.

384. O que é norma constitucional de eficácia limitada?


R.: São aquelas que por si só, não são capazes de produzir todos os seus efeitos. Para
isso, necessitam de uma lei infraconstitucional integrativa ou ainda uma emenda
constitucional. Apesar disso, essas normas possuem desde a promulgação uma
eficácia jurídica imediata, direta e vinculante, uma vez que estabelece um dever para
o legislador infraconstitucional.
José Afonso da silva subdivide as normas de eficácia limitada em dois tipos: normas
de princípio institutivo (estruturação de órgãos e entidades públicas) e normas de
princípio programático (programas de finalidade social a serem implementados pelo
Estado).

385. Como se denomina a norma que abrange os poderes harmônicos e


independentes entre si do legislativo, executivo e judiciário?
R.: Segundo José Afonso da Silva a “harmonia entre os poderes´ verifica-se
primeiramente pelas normas de cortesia no trato recíproco e no respeito `as
prerrogativas e faculdades a que mutuamente todos têm direito. De outro lado, cabe
assinalar que nem a divisão de funções entre os órgãos do poder nem sua
independência são absolutas. Há interferências que visam ao estabelecimento de um
sistema de freios e contrapesos, à busca do equilíbrio necessário à realização do bem
da coletividade” – art. 2 CF.

386. O estado não intervirá em seus municípios, exceto quando? Art. 35 CF


R.: I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a
dívida fundada; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; III - não tiver
sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; IV - o Tribunal
de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios
indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de
decisão judicial.

387. O que é direito constitucional quanto a sua natureza e conceito?


R.: José Afonso da Silva defende que o Direito Constitucional é o ramo do direito
público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e as normas fundamentais do
Estado. Para Konrad Hesse, o Direito Constitucional é um direito público atípico
porque é diferenciado em relação aos demais ramos do direito público (penal,
administrativo, processual) e possui uma hierarquia diferente em relação aos outros
ramos do direito, à classe das normas constitucionais e à sua força normativa (impõe-
se perante a realidade social).

388. Qual o objetivo do direito constitucional?


R.: O Direito Constitucional tem por objetivo o estudo das normas constitucionais,
seja por meio da análise do texto da Constituição, do estudo comparado ou do estudo
da teoria geral do direito constitucional e sua hermenêutica.

389. Ao consagrar o pluralismo político, a CF consagrou o quê?


R.: O pluralismo político é elencado como fundamento da República Federativa do
Brasil, compreendendo em seu conceito uma sociedade plural, em que se consagra a
pluralidade de ideias, o respeito à pessoa humana e sua liberdade.

390. Quais os direitos sociais contemplados na CF/88?


R.: A CF/88, em seu artigo 6º, afirma como direitos sociais a educação, a saúde, a
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.

391. Quem tem direito à educação?


R.: A CF/88, em seu artigo 205, dispõe que a educação é direito de todos.

392. Como se pode classificar as constituições?


R.: As constituições podem ser classificadas quanto à origem, à forma, à extensão, ao
conteúdo, ao modo de elaboração, à alterabilidade, à sistemática (critério sistemático),
à dogmática (ortodoxa x eclética, à correspondência com a realidade (critério
ontológico — essência), bem como quanto ao sistema (principiológica x preceitual),
à função (provisória x definitiva), à origem de sua decretação (heterônomas x
autônomas), sem prejuízo de outros critérios adotados por doutrinadores.

393. No âmbito estadual, a quem cabe a apuração de infrações penais?


R.: Nos termos do artigo 144, 4º da CF/88, incumbem às polícias civis a apuração de
infrações penais, exceto as militares.

394. Quais os momentos do controle constitucional?


R.: O controle de constitucionalidade inicia-se ainda durante o processo legislativo de
formação do ato normativo, desde o momento de sua apresentação, sendo exercido
pelos parlamentares e pela CCJ. Nesta fase, também poderá ser realizado pelo
Judiciário em decorrência de MS impetrado por parlamentar. O Executivo também
aprecia a constitucionalidade no momento da sanção ou do veto. Posteriormente, será
possível o controle repressivo de constitucionalidade, que será realizado, em regra,
pelo Poder Judiciário.

395. Em que momentos podemos classificar os controles?


R.: O controle de constitucionalidade pode ocorrer antes de o projeto de lei virar lei
(controle prévio ou preventivo), impedindo a inserção no sistema normativo de
normas que padeçam de vícios, ou já sobre a lei ou ato de caráter normativo, geradores
de efeitos potenciais ou efetivos (controle posterior ou repressivo).
396. Ainda existem territórios no Brasil?
R.: Atualmente, não existem territórios no Brasil.

397. Como ficaram Roraima, Rondônia e Fernando de Noronha?


R: A Constituição Federal de 1988 aboliu todos os três territórios então
existentes: Fernando de Noronha tornou-se um distrito estadual do Estado
de Pernambuco; o Território Federal do Amapá e o Território Federal de
Roraima ganharam o status integral de Estados da Federação. Vale lembrar que o
atual Estado de Rondônia foi território somente até 1982.

398. Quais as formas de expressão do poder constituinte originário?


R: Bernardo Gonçalves, citando Álvaro Ricardo Souza Cruz (Fernandes,
Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional - 9. ed. Salvador. JusPOOIVM,
2017. Pag. 122) afirma que:
“Nesses termos, é comum, afirma Álvaro Ricardo Souza Cruz, encontrar na
doutrina brasileira a diferenciação entre um Poder Constituinte material e em um
Poder Constituinte formal. O primeiro termo é utilizado para designar a força política
geradora da mudança na ordem jurídica do Estado; sendo assim, representa um
antecedente lógico do Poder Constituinte formal, de modo que é responsável por fixar
o conteúdo das normas constitucionais. Já o Poder Constituinte formal é o termo
utilizado para designação da entidade (grupo constituinte) que formaliza as normas
constitucionais, conferindo ao conjunto uma estabilidade. Dado o enfoque positivista
- e acrítico – a doutrina constitucional se preocupou mais em sistematizar as suas
manifestações que em analisar a legitimidade de seus atos, identificando as seguintes
formas de expressão: ato unilateral singular (por exemplo, a outorga); ato unilateral
plural (ato de representação mas conectado ao ato de manifestação direta); ato
constituinte bilateral (combina institutos representativos e democracia direta ou
semidireta); e ato constituinte plurilateral (com a participação de instâncias distintas
do poder representativo). CARVALHO, Kildare Gonçalves, Direito constlrucional,
p.178; SOUZA CRUZ, Álvaro Ricardo de, Poder constituinte e patriotismo
constitucional.”
Já o site conteúdo jurídico (http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,poder-
constituinte,25389.html) afirma que são duas as formas de expressão do poder
constituinte originário. Segundo o texto:
“São duas as formas de expressão do Poder Constituinte Originário: outorga;
assembleia nacional constituinte ou convenção. Outorga → Trata-se da declaração
unilateral do agente revolucionário. Ex: Constituições de 1824, 1937,1967
etc. Assembleia nacional constituinte ou convenção → Deliberação da
representação popular. Ex: Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988”.

399. Como é a estrutura do poder legislativo federal?


R: Conforme preceitua Bernardo Gonçalves (Fernandes, Bernardo Gonçalves.
Curso de Direito Constitucional- 9. ed. Salvador. JusPOOIVM, 2017. Pag. 937):
“O Poder Legislativo é eminentemente bicameral, sendo o Congresso Nacional
composto por deputados federais (representantes do povo) e senadores
(representantes dos Estados-membros e Distrito Federal). Porém, é bom lembrarmos
que, diferentemente do Poder Legislativo nacional, no âmago dos Estados, Distrito
Federal e Municípios, o legislativo é unicameral, sendo composto respectivamente
pelas Assembleias Legislativas Estaduais, Câmara Legislativa Distrital e Câmara dos
Vereadores Municipais”

400. Comissões Parlamentares de Inquéritos – Quais os poderes e como podem ser


criadas?
R: A resposta pode ser extraída diretamente do texto constitucional. Segundo o
art. 58, §3, temos que:
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação
próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das
respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado
Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de
seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas
conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

401. Na perda de nacionalidade as hipóteses são taxativas, quais são?


R: As hipóteses de perda da nacionalidade são taxativas segundo Bernaro
Gonçalves (Fernandes, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional- 9. ed.
Salvador. JusPOOIVM, 2017. Pag. 749) e encontram-se no art. 12, §4, I e II, de nossa
carta magna. Segundo o texto:
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade
nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em
estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o
exercício de direitos civis;

402. Como pode ser caracterizado o poder constituinte difuso?


R: Pode ser caracterizado como um poder de fato e se manifesta por meio das
mutações constitucionais. Informal, espontâneo, poder de fato, devendo respeitar
o texto formal e os princípios estruturantes da constituição.

403. Como se processa a teoria da recepção?


R: Esta teoria trata da relação entre uma constituição nova e as normas
infraconstitucionais anteriores. Surgindo uma nova constituição as leis
infraconstitucionais, serão: a) Recepcionadas, desde que materialmente compatíveis;
b) Não recepcionadas (revogadas para alguns), desde que sejam materialmente
incompatíveis.
Complemento - A incompatibilidade formal superveniente, em regra, não impede
a recepção, mas faz com que o ato adquira uma nova roupagem, um novo status, a
exemplo do que ocorreu com o CTN (foi recepcionado como Lei Complementar,
mesmo sendo Lei Ordinária em sua gênese), sua alteração só poderá ser feita por lei
complementar.

Direito Constitucional - Examinador: Márcio José Alves

404. Quanto à forma, como se apresenta uma Constituição não escrita?


R: Segundo Bernardos Gonçalves, a Constituição não escrita é aquela elaborada
e produzida com documentos esparsos (de modo esparso) no decorrer do tempo,
paulatinamente desenvolvidos, de forma histórica, fruto de um longo e contínuo
processo de sedimentação e consolidação constitucional.

405. Ela tem um texto escrito? Algo em que eu possa fazer uma consulta?
R: Apesar de não ser elaborada de forma escrita e sistemática em um documento
único como as Constituições escritas, ela possui documentos esparsos e escritos, que
podem ser consultados.

406. Em relação à estabilidade, qual Constituição é mais estável: a rígida ou a


imutável?
R.: Trata-se da Constituição imutável, haja vista não admitir alteração em seu texto.

OBS.: ACHEI ESSE TEXTO NO MATERIAL DO ESTRATÉGIA E ACHEI


INTERESSANTE TRAZÊ-LO: É importante salientar que a maior ou menor
rigidez da Constituição não lhe assegura estabilidade. Sabe-se hoje que esta se
relaciona mais com o amadurecimento da sociedade e das instituições estatais do que
com o processo legislativo de modificação do texto constitucional. Não seria correta,
portanto, uma questão que afirmasse que uma Constituição rígida é mais estável. Veja
o caso da CF/88, que já sofreu dezenas de emendas.

407. Diante de um estado de clamor do povo, diante das manifestações, qual


permanecerá? A rígida ou a imutável?
R.: Não sei se entendi bem a pergunta, mas responderia que: A imutável permaneceria
mesmo diante de um clamor do povo no sentindo da sua derrubada, pois se trata de
um documento constitucional que ignora, em absoluto, os influxos sociais e políticos.

408. O que se entende por constituição dirigente?


R.: Seria aquela que estabeleceria um plano para dirigir uma evolução política. A
Constituição dirigente se caracterizaria em consequência de normas programáticas
(que para não caírem no vazio reclamariam a chamada inconstitucionalidade por
omissão).

409. O que se entende por controle constitucional difuso?


R.: Controle difuso é o exercido por qualquer órgão do poder judiciário. Não se
confunde com controle concreto, no qual o judiciário é motivado em virtude de caso
concreto. Se trata de processo constitucional SUBJETIVO, pois o pedido da ação é
um direito subjetivo. A inconstitucionalidade está na causa de pedir. Logo, a
inconstitucionalidade é decidida na fundamentação da sentença (questão incidental,
incidenter tantum), uma vez que no dispositivo será decidida apenas a procedência ou
não do pedido (direito subjetivo).

410. Quando se encerra o Poder Constituinte Originário, ele se dissolve?


R.: Entende-se que a Assembleia Constituinte – agente do poder constituinte
originário – tem a missão exclusiva de elaborar a Constituição, dissolvendo-se após
a conclusão dos trabalhos.

OBS.: Fiquei na dúvida se o examinador quis perguntar com relação à característica


da “permanência” do Poder Constituinte Originário, caso tenha sido, responderia que:
Não, dado o seu caráter permanente, já que o poder constituinte originário não se
esgota com a edição da nova Constituição. Isso não significa que o poder constituinte
originário permanente e “adormecido” sairá desse estado de “hibernação” e de
“latência” a todo e qualquer momento, até porque instauraria indesejada insegurança
jurídica. Para tanto, deve haver o “momento constituinte”, uma situação tal que
justifique e requeira a quebra abrupta da ordem jurídica.

411. Quais os atributos do Poder Constituinte Originário?


R.: O poder constituinte originário é inicial, autônomo, ilimitado juridicamente,
incondicionado, soberano na tomada de suas decisões, um poder de fato e político,
permanente.

412. O que é considerado Poder Constituinte Supranacional?


R.: 􀶰A partir dos ideais de cidadania universal, pluralismo, integração e soberania
remodelada, que surge o (ainda incipiente) conceito de poder constituinte
supranacional, destinado a equacionar uma Constituição supranacional legítima, com
aptidão para vincular toda a comunidade de Estados sujeita à sua ação normatizadora.

413. A União tem poder para intervir nos Municípios?


R.: A União pode intervir nos Estados, DF e somente nos municípios localizados em
territórios. Art. 34, CF.

414. E nos Estados?


R.: A União pode intervir nos Estados, DF e somente nos municípios localizados em
territórios. Art. 34, CF.

415 - A Lei Orgânica Municipal pode ser reconhecida como fruto do Poder
Constituinte Originário?
R: Não. A Lei Orgânica de determinado Município deve respeito ao conteúdo tanto
em relação à Constituição Estadual, quanto em relação à Constituição Federal. O
Poder Constituinte Originário é aquele no qual se inicia uma nova ordem jurídica, de
forma incondicionada, ilimitada e, portanto, originária, sendo seu produto a
Constituição Federal. No que toca ao Poder Constituinte Derivado Decorrente, este
deve ser de segundo grau, isto é, deve encontrar sua fonte de legitimidade direta na
Constituição Federal. No caso dos Municípios, se descortina um poder de terceiro
grau, observando necessariamente dois graus de imposição legislativa. Assim,
conclui-se que o Poder Derivado decorrente não foi estendido aos Municípios.

416 - O que entende por sentença aditiva ou sentença manipulativa de efeito


aditivo, editada pela corte constitucional?
R: As sentenças aditivas são utilizadas pelo Poder Judiciário para evitar a declaração
de inconstitucionalidade ou a omissão legislativa, suprindo a lacuna legal das normas
sob análise, garantindo sua aplicação, de forma a evitar a procrastinação da
aplicabilidade das leis. Assim, ao invés de declarar a inconstitucionalidade de uma
norma, o judiciário declara somente sua parte omissa e adiciona a esta parte, o
conteúdo normativo suficiente para sanar sua falha, alterando o seu significado de
maneira a corrigi-lo, tanto em casos de omissão parcial, como em casos de omissão
total. O ativismo judicial e as sentenças aditivas sobressaem como soluções
obrigatórias, sob o fundamento de tornar efetiva a proteção judicial, ao invés de
simplesmente declarar o erro do legislador. As sentenças aditivas não são uma técnica
decisória expressa e aceita perante todos os ministros do STF, embora na prática elas
venham sendo aplicadas.
417- O que entende por teoria dos poderes implícitos?
R: Conforme a teoria dos poderes implícitos, uma vez estabelecidas expressamente as
competências e atribuições de um órgão estatal, este está implicitamente autorizado a
utilizar os meios necessários para poder exercer essas competências. Esses meios, por
óbvio, não podem extrapolar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. O
STF já firmou o entendimento de que esta Teoria é compatível com a nossa
Constituição. Inclusive, ela já foi utilizada pela Corte, destacando-se o julgamento
constitucional da competência dos Tribunais de Justiça dos Estados para
julgarem reclamações com o intuito de preservar suas competências e a autoridade de
suas decisões; e o julgamento que entendeu que o Ministério Público, de forma a
exercer suas competências, está autorizado a promover investigações penais,
inclusive oferecendo denúncia embasada apenas nessas investigações.

418 - Como a doutrina coloca a solução de conflitos entre direitos fundamentais?


R: Deve-se primeiramente verificar se o conflito em questão se dá entre regras, entre
regras e princípios ou entre princípios. No caso de conflitos de regras, onde duas
regras juridicamente válidas levam a caminhos contraditórios, a resolução se dá no
plano da validade, ou seja, em caso de antinomia há critérios clássicos para
averiguação de qual regra aplicar. São eles: critério cronológico, onde a lei posterior
derroga a anterior; critério hierárquico, onde a lei superior derroga a inferior e o
critério da especialidade, onde a lei especial derroga a lei geral. Dessa forma,
aplicando um dos três critérios na forma do tudo ou nada e assim poderá obter-se a
regra válida. Quando há conflito entre regras e princípios, também já é pacífica a
prevalência dos princípios, uma vez que estes são normas de caráter geral e
fundamental e as aquelas não têm esse caráter generalista. Contudo, cabe salientar que
em alguns casos muito específicos, as regas devem ser aplicadas em detrimento dos
princípios justamente pela sua especificidade. Quanto à colisão de princípios, se torna
mais complicada a resolução, pois não se trata de simplesmente afastar um deles para
a aplicação de outro, tampouco a regra da antinomia pode ser aplicada. A doutrina
desenvolveu dois modelos de soluções para essa colisão. O primeiro é o da
concordância prática, criado por Hesse e o segundo é o modelo de Dworkin, que
analisa a dimensão de peso e importância. Pelo modelo da concordância prática ou da
harmonização, os princípios deverão ser harmonizados no caso concreto, por meio da
ponderação, com intuito de preservar o máximo os direitos envolvidos, sem afastar
sua aplicabilidade concreta em outros casos. Pelo outro critério, os princípios possuem
uma dimensão de peso e importância. Dessa forma ao se deparar com princípios
antagônicos, o aplicador do Direito deverá levar em consideração o peso que cada
qual apresenta. Para Dworkin, que concebeu esse modelo, ao dimensionar o peso e a
importância dos princípios, apenas uma resposta correta apareceria.

419- O direito fundamental mais importante anula o outro?


R: Como dito acima, os conflitos entre as normas constitucionais são meramente
aparentes. Utilizados os critérios estabelecidos, diante de eventual conflito, aplicar-
se-á o direito mais adequado ao caso concreto analisado, não implicando, em outra
via, a anulação daquele que foi especificamente afastado.

420- De que forma a soberania popular se manifesta além do voto?


R: Conforme art. 14, da Constituição Federal, a soberania popular será exercida pelo
sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, mediante:
I- plebiscito; II – referendo e III – iniciativa popular.

421- Há diferença entre os termos Constituição e Carta?


R: Para alguns, constituição e carta constitucional são expressões que designam
conteúdo distinto. “Constituição” significaria o complexo normativo que dispõe
acerca da organização do Estado, da origem e do exercício do poder, das
discriminações das competências estatais e da proclamação das liberdades públicas.
O termo associar-se-ia ao ideário democrático, porque o ato de criação constitucional
é precedido de livre discussão, votação e promulgação por intermédio de uma
Assembléia Constituinte, escolhida pelo povo. Noutro prisma, o termo “Carta
constitucional” designaria o produto de um ato arbitrário e autoritário, traduzindo uma
outorga. Dentro desse enfoque, seriam constituições os textos brasileiros de 1891,
1934, 1946 e 1988. Cartas constitucionais consignariam os Diplomas de 1824, 1937,
1967 e 1967 com a reforma empreendida pela Emenda Constitucional n. 1/69.

422- O Poder Constituinte Originário pode desrespeitar tratados e convenções


anteriormente firmados?
R: O pensamento majoritário brasileiro é atribuir ao poder constituinte originário a
característica de ilimitado. Atualmente o pensamento jusnaturalista não mais
influencia significativamente o pensamento jurídico moderno, sendo estudado mais
em um sentido histórico, representando assim uma corrente minoritária. Todavia,
alguns constitucionalistas fazem a ressalva de que o poder constituinte originário deve
ser visto como ilimitado e incondicionado somente no âmbito do ordenamento
jurídico pátrio, porque, no plano externo, não estaria legitimado a violar regras
mínimas de convivência com outros Estados soberanos, estabelecidas no Direito
Internacional. O Direito Internacional funcionaria, pois, como uma limitação ao poder
constituinte originário, visto que seria juridicamente inaceitável,
contemporaneamente, por exemplo, a elaboração de uma Constituição que contivesse
normas frontalmente contrárias às regras internacionais de proteção aos direitos
humanos, inclusive aquelas anteriormente firmadas.

423- O que se entende por revisão constitucional?


R: O procedimento de revisão constitucional está previsto no art. 3º do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Na revisão constitucional, o
procedimento de alteração da Constituição é mais simples. As emendas
constitucionais de revisão são aprovadas em turno único de votação, por maioria
absoluta dos membros do Congresso Nacional. Além disso, para realizar a revisão
constitucional, o Congresso Nacional reúne-se em sessão unicameral. O
procedimento de revisão constitucional é único. A Carta Magna autorizou a realização
de apenas um procedimento de revisão constitucional, 5 anos após a sua promulgação.
Considerando-se que o prazo já está encerrado, qualquer mudança formal da
Constituição pode ser dada apenas por meio de emenda constitucional. O
procedimento de revisão constitucional se submete a limites impostos pela Carta
Magna ao poder de reforma. Portanto, a revisão constitucional se submete aos
mesmos limites que o procedimento de emenda constitucional. Por fim, o
procedimento de revisão constitucional é inaplicável aos Estados-membros. Nesse
sentido, entende o STF que “ao Poder Legislativo estadual não está aberta a via de
introdução, no cenário jurídico, do instituto da revisão constitucional”.

424. Existia algum tipo de limitação a essa revisão?


R: O poder constituinte derivado revisor está limitado às balizas impostas pelo poder
constituinte originário. O limite material é aquele estabelecido nas cláusulas pétreas
(art. 60, §4º, CF) e compreende a proibição de emendas tendentes a abolir a forma
federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos
Poderes; os direitos e garantias individuais. Ainda a Resolução 1-RCF (que
disciplinou o procedimento de revisão no Congresso) estabeleceu mais limitações,
vedando-se propostas revisionais que substituam integralmente a Constituição; digam
respeito a mais de um dispositivo, a não ser que se trate de modificações correlatas; e
contrariem a forma republicana de Estado e o sistema presidencialista de governo. O
limite formal dispõe que a revisão será realizada em sessão unicameral e aprovado
por maioria absoluta. Por fim, o limite temporal é o prazo de 05 anos, da promulgação
da CF.
Fonte: Pedro Lenza, p. 221-222, 22ª Ed., 2018.

425. Direitos e garantias são sinônimos?


R: direitos são disposições meramente declaratórios, que imprimem existência legal
aos direitos reconhecidos (são bens e vantagens prescritos na norma constitucional).
Garantias são disposições assecuratórias (instrumentos), as quais, em defesa dos
direitos, limitam o poder, assegurando-os.
Fonte: Pedro Lenza, p. 1177, 22ª Ed., 2018.

426. Uma EC que venha a criar um novo direito fundamental será cláusula pétrea?
R: Quanto às cláusulas pétreas, há quatro correntes: são apenas aquelas do rol do art.
5º; são somente os direitos de liberdade (1ª geração); são todos os direitos
fundamentais; são os direitos de 1ª, 2ª e 3ª geração, os quais dizem respeito ao mínimo
existencial, à luz da dignidade da pessoa humana (corrente majoritária, adotada por
Barroso, Daniel Sarmento e STF). Assim, conforme corrente 4, independentemente
da posição no ordenamento, um direito fundamental criado por PEC teria
características de cláusula pétrea.
427.Qual a diferença entre princípio e norma?
R: Antes, as normas eram tidas como dotadas de relevância jurídica, dotados de
obrigatoriedade na apreciação das decisões, ao passo que os princípios eram meras
diretrizes teóricas. Hoje essa dicotomia acabou, pois princípio (e tbm a regra) passou
a ser espécie do gênero norma. Norma é o conteúdo de sentido resultante da
interpretação da disposição normativa (enunciado linguístico). Já princípios, para
Alexy, são normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida possível
dentro das possibilidades jurídicas. São mandamentos de orimização, caracterizados
por poderem ser satisfeitos em graus variados, dentro das possibilidades fáticas e
jurídicas.
Obs: acredito que o examinador tenha perguntado a diferença entre princípios e
regras, pois, na gênese, n há diferença entre princípio e norma, pois princípio é norma
(e tbm pode ser regra).

428. Os chamados remédios constitucionais são tidos como que tipo de norma?
Os remédios constitucionais (writs) possuem natureza de garantias, pois servem de
instrumento de proteção não só dos direitos fundamentais em si, como também das
próprias garantias fundamentais gerais.
Obs: pesquisei em três doutrinas e ninguém qualificou os writs como norma-regra ou
norma-princípio, mas defenderam a natureza de garantia.

429. O que são normas constitucionais de integração?


R: Trata-se de classificação de Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres Britto. Normas
de integração são aquelas integradas pelo legislador infraconstitucional. São
vocacionadas à atuação do legislador. Podem ser restringíveis, onde o legislador atua
para conter o âmbito de eficácia (lógica de eficácia contida), e podem ser
complementáveis, onde o legislador atua para aumentar o âmbito de eficácia (lógica
de eficácia limitada).
Fontes: Pedro Lenza, p. 244, 2018. Anotações de aulas do Bernardo Gonçalves
Fernandes. E link http://blog.logga.com.br/voce-sabe-o-que-sao-normas-
constitucionais-bastantes-em-si/

430. O que significa eficácia irradiante dos direitos fundamentais?


R: Trata-se de consequência da dimensão objetiva dos direitos fundamentais e diz
respeito à capacidade que eles têm de alcançar os poderes públicos no exercício de
suas atividades principais, seja para o Legislativo ao elaborar a lei, seja para a
Administração Pública ao governar, seja para o Judiciário ao resolver eventuais
conflitos
Fonte: Pedro Lenza, p. 1183, 2018 e anotações de aulas do Bernardo Gonçalves
Fernandes.

431.O que entende por soberania e como ela se expressa?


R: A soberania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Expressa-
se como um poder político supremo (não se limita a nenhum outro na ordem interna)
e independente (igualdade no plano internacional). Pode ocorrer em dois âmbitos
distintos: externa (referência à representação dos Estados, um para com o outro) e
interna (supremacia estatal perante os cidadãos – atualmente relativizada, já que o
povo é o soberano).
Fonte: Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional, p. 360, 2014.

432. O que entende por descriminação positiva prevista na CF/88?


Define-se discriminação positiva o instituto jurídico que busca, através de adequada
tipificação, trazer equilíbrio social ao estabelecer garantias a determinados segmentos
sociais que, por razões históricas e/ou sociológicas, foram mantidos à periferia da
contemplação de direitos constitucionais básicos, onde, por vezes, ocorreu mitigação
do pleno exercício da cidadania oriunda de tal negligência. Possui alicerce no art. 3º,
da CF, e tbm no art. 5º, referente ao princípio da igualdade.
Fonte: https://geiselramos.jusbrasil.com.br/artigos/146770275/o-instituto-da-
discriminacao-positiva-como-manifestacao-do-principio-constitucional-da-
igualdade

433. Existe previsto na CF/88 o estado de legitimação extraordinária? (acredito


que foi anotada errada a pergunta, o correto é “estado de legalidade
extraordinária”)
R.: Sim. O Estado de legalidade extraordinária verifica-se no sistema constitucional
de crises (estado de defesa e estado de sítio), e tem previsão no título V da CF – Defesa
do Estado e das instituições democráticas (arts. 136 e ss.).

434. Por que a existência dessas situações no ordenamento pátrio?


R.: Existem para que seja possível superar momentos de crise, ocasionados por fatos
como calamidades da natureza, invasão estrangeira, etc., situações excepcionais em
que a CF autoriza a restrição de certos direitos fundamentais, de modo que não o
poderiam ter sido em condições normais. Ex: um furacão destrói boa parte da cidade,
faz-se necessária a ocupação de prédios para abrigar os desabrigados (art. 136, II da
CF).
Como complemento tem-se as lições de Novelino:
O sistema constitucional de crises deve ser informado por dois critérios básicos: a
necessidade e a temporariedade. A necessidade pressupõe a ocorrência de situações
de extrema gravidade a demandarem a adoção de medidas excepcionais para
manter a estabilidade das instituições democráticas ou restabelecer a ordem
constitucional. A temporariedade impõe a limitação temporal do estado de
legalidade extraordinária ao período em que a situação emergencial perdurar.

435. A obrigatoriedade do voto é cláusula pétrea?


R.: Não. O inciso II, do § 4º do art. 60 da CF estabelece como cláusula pétrea o voto
(I) direto, (II) secreto, (III) universal e (IV) periódico, não faz menção à
obrigatoriedade do voto, podendo esta disposição ser abolida.
Nesse sentido Novelino: O voto obrigatório para os que têm entre dezoito e setenta
anos, com exceção dos analfabetos (CF, art. 14, § 1º), não é considerado cláusula
pétrea.

436. O que se entende por delegação legislativa?


R.: Observação - tenho dúvida com relação a essa resposta.
1 – Delegação Legislativa: É a delegação feita pelo Congresso Nacional ao
Presidente da república de parte de sua atribuição para elaborar leis, ditas “leis
delegadas”. Trata-se de uma exceção ao princípio da indelegabilidade de atribuições.
Está prevista no art. 68 da CF – As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente
da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
2 – Delegação de competência legislativa: é a delegação pela União, por meio de lei
complementar, de uma de suas competências legislativas privativas aos Estados-
membros, está prevista no art. 22, parágrafo único da CF - Lei complementar poderá
autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas
neste artigo.

437. O que se entende por Poder Constituinte Decorrente?


R.: Em síntese, trata-se de espécie de poder constituinte derivado. Consiste no poder
de os Estados-membros se organizarem e criarem suas constituições estaduais, como
manifestação de sua autonomia, nos termos do art. 25 da CF, c/c art. 11 do ADCT.
Subdivide-se em O Poder Constituinte Decorrente Inicial ou instituidor (poder de se
criar constituições estaduais) e Poder Constituinte Decorrente Reformador, de
Revisão Estadual ou de segundo
grau (poder de reforma-las).

438. O que vem a ser competência concorrente?


É a competência legislativa prevista no art. 24 da CF, em que a competência
legislativa é concorrente (dividida) entre a União e os Estados-membros e o DF, de
modo que a União legislará de forma geral (traçará diretrizes) sobre determinado tema
e os demais entes complementarão com suas especificidades regionais (competência
suplementar complementar) ou, excepcionalmente, em caso de omissão legislativa da
União, exercerão a competência legislativa plena (competência suplementar
supletiva).
Como complemento – Sobre o tema Novelino:
Na repartição da competência Legislativa concorrente, o Legislador constituinte
optou pela consagração de competências não cumulativas, cabendo à União
estabelecer as normas gerais (CF, art. 24, § 1º) e aos Estados e Distrito Federal a
criação de normas específicas, por meio do exercício de competência suplementar
(CF, art. 24, § 2º). A legislação suplementar deve preencher os vazios deixados pela
legislação federal, tratando de questões específicas com a devida observância das
diretrizes gerais fixadas. A inexistência de lei federal (ou lei nacional) estabelecendo
as normas gerais autoriza o exercício da competência legislativa plena pelos Estados
(CF, art. 24, § 3. º) até que sobrevenha lei federal suspendendo a eficácia da Lei
estadual no que lhe for contrário (CF, art. 24, § 4º)

439. O que vem a ser competência complementar superveniente?


R.: Observação - tenho dúvida com relação a essa resposta.
Acredito que a pergunta versa sobre superveniência de lei federal, quando exercida a
competência legislativa plena pelo Estado-membro, dada a omissão da União em
editar normas gerais sobre o tema (§ 3º, do art. 24 da CF). Neste caso, a superveniência
da norma geral federal suspende a eficácia da lei estadual no que lhe for contrário,
conforme o § 4º do mesmo artigo.

440. É possível intervenção federal em Estado membro?


R.: Sim. Nos termos do art. 34 da CF.
441. Existe circunstância específica?
R.: Sim. As circunstâncias deflagradoras de intervenção federal estão previstas no art.
34 da CF. Subdividem-se em:
Intervenção Federal espontânea: Será decretada de ofício nos casos de:
 Manter a integridade nacional;
 Repelir invasão (estrangeira ou de um ente em outro);
 Pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
 Reorganizar as finanças da unidade da federação que
 Suspender o pagamento de dívida fundada;
 Não repassar as receitas tributárias aos municípios no prazo.

Intervenção Federal Provocada:


 Garantir o livre exercício dos poderes (provocada pelo Poder Coacto)
 Descumprimento de ordem judicial (provocada pelo STF, STJ e TSE)
 Inexecução de lei federal (provocada pelo PGR – Ação executória de Lei federal);
 Inobservância dos princípios sensíveis (provocada pelo PGR – ADI Interventiva)

442. Qual a diferença entre intimidade e vida privada?


R: A Constituição protege ambas, assegurando direito à indenização por danos
materiais/morais decorrentes de sua violação. A vida privada é composta de
informações que somente a pessoa pode escolher se as divulga ou não, sendo esta
mais ampla que a intimidade. Já a intimidade diz respeito ao modo de ser do indivíduo,
sua identidade, ou seja, a face mais intrínseca do ser humano.

443. Delegado. Ocorrência. Sigilo das comunicações. É possível fazer busca no


celular, pesquisa no celular do indiciado no inquérito policial?
R: Sem prévia autorização judicial ou do investigado, é possível acessar informações
estanques, como ligações feitas/recebidas e contatos, conforme entendimento do STJ.
Já para acesso a mensagens e dados em transmissão (SMS, whatsapp etc) faz-se
necessário autorização judicial ou do investigado, sob pena de nulidade da prova, em
virtude de sua ilicitude por violação da garantia da inviolabilidade da intimidade e da
vida privada.
444. O que pode ser objeto de uma ADIN?
R: Podem ser objeto de controle de constitucionalidade as espécies normativas do art.
59 da CR/88, ou seja, as leis e os atos normativos lato sensu: emendas à Constituição,
leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos
legislativos e resoluções, federais e estaduais, bem como os tratados internacionais
internalizados, em ofensa à Constituição Federal.

445. O que se entende pela expressão mutação constitucional?


R: Diferentemente da modificação formal do texto constitucional, que se dá através
da reforma e da revisão, a mutação constitucional é uma forma de alteração informal
da Constituição, ou seja, a partir de uma (re)interpretação evolutiva da norma, dá-se
a ela um novo sentido, sem que haja uma modificação formal do texto constitucional.

446. É admitida em nossa Constituição?


R: Embora não haja previsão legal, a mutação constitucional é uma contrução
doutrinária e jurisprudencial, como meio de se evitar a “fossilização” da Constituição.

447. Lembra-se de algum exemplo?


R: Tem-se como exemplo o conceito de “casa”, que anteriormente limitava-se à
residência/domicílio e atualmente ampliou-se a interpretação para abarcar o local de
trabalho, trailer, quarto de hotel, escritório de advocacia, gabinete de delegado etc,
conforme julgados do STF.

448. De quem pode ser a iniciativa de uma EC?


R: Os legitimados encontram-se previstos no art. 60 da CR/88, sendo: 1/3 dos
membros da Câmara dos Deputados ou do Senado; o Presidente da República; e mais
da metade das Assembléias Legislativas, manifestando-se cada uma delas pela
maioria relativa de seus membros.

449. Como é o seu tramitar?


R: A PEC é discutida e votada em cada casa do Congresso nacional, em 2 turnos de
votação cada, sendo aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos parlamentares,
respectivamente. A Emenda, então, é promulgada pela Mesa da Câmara e do Senado,
não havendo que se falar em veto ou sanção presidencial.
450. Conceitue estado unitário:
R: O chamado Estado unitário é caracterizado pela centralização de um poder,
existindo apenas uma unidade governamental, atuando de forma centralizada.
Diferencia-se, portanto, da federação.

451 - Qual a diferença entre federalismo simétrico para assimétrico?


R.: O federalismo simétrico visa uma repartição de competência e receitas de forma
unitária, isonômica e homogenia entre os entes da federação. Em outras palavras, a
simetria é a concordância na relação entre os Estados-Membros dentro do sistema
federal. O federalismo assimétrico, parte do pressuposto que existe uma desigualdade
regional. Diante disso, busca reverter esse quadro com a realização de programas com
distribuições diferenciadas, buscando um equilíbrio e redução dessas disparidades.

452 - Quais os elementos integrantes ou constitutivos do Estado?


R.: O Estado possui três elementos constitutivos, sendo que a falta de qualquer
elemento descaracteriza a formação do Estado. Para o reconhecimento do
Estado perfeito se faz necessário a presença do povo, território e soberania.

453 - O que se entende por princípio da representação no Direito Constitucional?


R.: A lei nacional é aplicável aos crimes cometidos no estrangeiro em aeronaves e
embarcações privadas, desde que não julgados no local do crime

(Dúvida sobre essa questão! - coloquei o conceito do princípio da representação para


o Direito Penal. Não encontrei referências sobre esse princípio do Direito
Constitucional).

454 - O que é a teoria da recepção no Direito Constitucional?


R.: Segundo a teoria da recepção, as normas infraconstitucionais anteriores à nova
constituição são consideradas recepcionadas desde que materialmente compatíveis
com a nova ordem constitucional, desprezando-se eventuais alterações formais. Após
a alteração constitucional, a norma infraconstitucional passa a retirar a sua validade
da nova constituição.
455 - Quais as características dos direitos fundamentais?
R.: As principais características dos direitos fundamentais são:
a- Historicidade: os direitos são criados em um contexto histórico, e quando colocados
na Constituição se tornam Direitos Fundamentais; b- Imprescritibilidade: os Direitos
Fundamentais não prescrevem, ou seja, não se perdem com o decurso do tempo. São
permanentes; c- Irrenunciabilidade: os Direitos Fundamentais não podem ser
renunciados de maneira alguma; d- Inviolabilidade: os direitos de outrem não podem
ser desrespeitados por nenhuma autoridade ou lei infraconstitucional, sob pena de
responsabilização civil, penal ou administrativa; e- Universalidade: os Direitos
Fundamentais são dirigidos a todo ser humano em geral sem restrições, independente
de sua raça, credo, nacionalidade ou convicção política; f- Concorrência: podem ser
exercidos vários Direitos Fundamentais ao mesmo tempo; g- Efetividade: o Poder
Público deve atuar para garantis a efetivação dos Direitos e Garantias Fundamentais,
usando quando necessário meios coercitivos; h- Interdependência: não pode se chocar
com os Direitos Fundamentais, as previsões constitucionais e infraconstitucionais,
devendo se relacionarem para atingir seus objetivos; i- Complementaridade: os
Direitos Fundamentais devem ser interpretados de forma conjunta, com o objetivo de
sua realização absoluta.

456 - O que se entende por eficácia horizontal dos direitos fundamentais?


R.: Trata-se da aplicação dos princípios constitucionais que protegem a pessoa
humana nas relações entre particulares. Seu fundamento está no art. 5º, § 1º, da
Constituição Federal de 1988, segundo o qual as normas que definem direitos
fundamentais têm aplicação imediata.

457 - O que são ações afirmativas?


R.: Ações afirmativas são atos ou medidas especiais e temporárias, tomadas ou
determinadas pelo estado, espontânea ou compulsoriamente, com os objetivos de
eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantir a igualdade de
oportunidades e tratamento, compensar perdas provocadas pela discriminação e
marginalização decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros.
Em suma, ações afirmativas visam combater os efeitos acumulados em virtude das
discriminações ocorridas no passado.
458 - Qual a diferença entre norma e princípio?

R.: As normas podem ser divididas em normas-regras e normas-princípios. A norma-


princípio não precisa estar escrita para que seja vigente. Basta o seu reconhecimento.
Insta salientar que os princípios jamais serão contraditórios, mas sim contrapostos,
isto é, diante de um conflito entre princípios, com base no princípio da
proporcionalidade, aquele que for sobrelevado, não estará inutilizando a incidência
do outro princípio, uma vez que este poderá incidir em outros casos concretos. Assim
o princípio com peso maior não prevalecerá neste caso específico, contudo,
permanece válido e vigente a fim de que possa incidir nos demais casos. Já a norma-
regra será encontrada em qualquer dispositivo legal ou constitucional. Quando duas
normas-regra forem contraditórias, somente uma deve ser levada em consideração,
pois a aplicabilidade de uma das regras importa em revogação da outra. Em suma as
normas podem ser princípios ou regras. Em outras palavras, norma é o gênero, da qual
podem ser extraídas espécies normativas, quais sejam, regras ou princípios. As regras
não precisam e nem podem ser objeto de ponderação porque ou elas existem ou não
existem. Já os princípios precisam e devem ser ponderados e isso não implica em
exclusão de um deles do ordenamento jurídico, uma vez que, especificamente naquele
caso concreto, um teve peso maior e acabou prevalecendo

459 - Quanto à eficácia das normas constitucionais, o que se entende por norma
de eficácia limitada.
R.: Norma de eficácia limitada é aquela que dependem de uma legislação posterior
para adquirirem eficácia, dividindo-se em normas de principio institutivo (artigo 18,
parágrafo 3º, da Constituição Federal) e normas programáticas ( artigo 205 da
Constituição Federal).

460. Dê exemplo.
*OBS Questão é continuação da 459. Pede exemplo de norma de eficácia limitada.
R.: As normas constitucionais de eficácia limitada são aquelas que dependem de uma
regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. Como
exemplo, podemos citar o artigo 37, VII que dispõe sobre o direito de greve no âmbito
da administração pública, nos termos da lei.
Examinador: MAURICIO CORREALI

461. Cite dois direitos sociais previstos na CF.


R.: Nos termos do artigo 6º da Constituição Federal, podemos citar como Direitos
Sociais: I) Direito a Educação; II) Direito ao Trabalho.

462. O que se entende por polícia comunitária?


R.: Polícia Comunitária é uma filosofia e uma estratégia que promove uma nova
parceria entre o povo e a sua polícia. Baseia-se na premissa de que tanto a polícia
como a comunidade, precisam trabalhar juntas, como parceiras iguais, para
identificar, priorizar, e resolver problemas contemporâneos como crime, drogas,
sensação de insegurança, desordens sociais e físicas e enfrentar a decadência dos
bairros, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na comunidade.

463. Uma UPP atende às finalidades da polícia comunitária?


R.: Uma das grandes críticas em relação a implementação da UPP, se dá em relação
a falta de diálogo com a sociedade, o que culminou em diversos conflitos de ordem
social, de modo que apenas a implementação da UPP sem a parceria com a
comunidade não atende as finalidades da polícia comunitária. Para tentar se aproximar
das finalidades de polícia comunitária, as UPPs estão implementando a UPP Social,
que busca exatamente manter o diálogo com a comunidade e alcançar os fins de
polícia comunitária.

464. Diferencie serviço militar obrigatório de serviço militar facultativo.


R: O serviço militar obrigatório, regulamentado pela lei no4.375, que estabelece que
o serviço militar é obrigatório a todos os brasileiros que deverão se apresentar no ano
em que completarem 18 anos, sendo as mulheres isentas em tempo de paz. Já o
serviço militar facultativo prescreve que tanto homens quanto mulheres poderão fazer
parte do serviço militar apenas se assim desejarem, tornando as forças armadas mais
eficazes e justas sem que nenhum homem ou mulher possa ser obrigado a se alistar.

465. Do que se trata a escusa de consciência?


R.: Escusa de Consciência prevista no Art. 5º, VIII, ocorre quando alguém invoca a
sua convicção pessoal para não cumprir uma obrigação imposta a todos, devendo
então cumprir uma prestação alternativa, fixada em lei.

466. A sociedade brasileira é pluralista ou monista?


R.: Pela leitura do preâmbulo da CF/88, observa-se que o constituinte originário
concebeu a sociedade brasileira como pluralista. Embora o preâmbulo não possua
força normativa ele direciona os valores da sociedade, criando as bases e os
fundamentos não só do ordenamento jurídico brasileiro, mas de toda a ordem social.

467. Quanto tempo dura uma legislatura?


R.: Nos termos do parágrafo único do artigo 44 da Constituição Federal, Cada
legislatura terá a duração de quatro anos.

468. No que consiste o princípio da imparcialidade?


R.: O princípio da imparcialidade do juiz decorre da CF/88, que veda o juízo ou
tribunal de exceção, na forma do artigo 5º, XXXVII. Assim, o princípio da
imparcialidade do juiz é pressuposto de validade do processo, devendo o juiz colocar-
se entre as partes e acima delas, sendo esta a primeira condição para que possa o
magistrado exercer sua função jurisdicional.

469. O que é uma constituição flexível?


R.: Flexíveis são aquelas Constituições que não possuem um processo legislativo de
alteração mais dificultoso do que o processo legislativo de alteração das normas
infraconstitucionais. Vale dizer, a dificuldade em alterar a Constituição é a mesma
encontrada para alterar uma lei que não é constitucional.

470. O que é uma constituição promulgada?


R.: Promulgada, também chamada de democrática, votada ou popular, é aquela
Constituição fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita
diretamente pelo povo, para, em nome dele, atuar, nascendo, portanto, da deliberação
da representação legítima popular.

471. Dê dois exemplos de textos constitucionais que foram outorgados.


R.: No Brasil, as Constituições outorgadas foram as de 1824 (Império), 1937
(inspirada em modelo fascista, extremamente autoritária— Getúlio Vargas), 1967
(ditadura militar), sendo que alguns chegam inclusive a mencionar como exemplo de
outorga a EC n. 1/69 (apesar de tecnicamente impreciso).

472. Qual a duração do mandato de um senador?


R.: O mandato de cada Senador é de 8 anos, portanto, duas legislaturas;

473. O Senado Federal representa quem?


R.: O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito
Federal.

474. O que significa o termo telecomunicações previsto no artigo 22 da CF/88?


R.: Nos termos do art. 4.º do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT - Lei n.
4.117/62, constituem serviços de telecomunicações a transmissão, emissão ou
recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de
qualquer natureza, por fio, rádio, eletricidade, meios óticos ou qualquer outro
processo eletromagnético.

475. Existe prefeito no DF?


R.: O Distrito Federal tem uma estrutura política diferente das demais unidades
federativas do país, há um governador e uma Câmara Legislativa com 24 deputados
distritais, mas não há prefeito. Apesar da natureza híbrida, a Constituição Federal de
1988 em seu artigo 32, que trata da organização política e administrativa do Distrito
Federal, proibiu sua divisão em Municípios.

476. O que é processo legislativo?


R.: José Afonso da Silva define o processo legislativo como “um conjunto de atos
preordenados visando à criação de normas de direito”. Esses atos são: a) iniciativa
legislativa; b) emendas; c) votação; d) sanção e veto; e) promulgação e publicação.

477. Cite três espécies normativas decorrentes do processo legislativo previsto na


CF/88.
R.: O art. 59 da CF/88 estabelece que o processo legislativo envolverá a elaboração
das seguintes espécies normativas: emendas à Constituição; leis complementares; leis
ordinárias; leis delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos; resoluções.

478.O Brasil é um estado leigo?


R: Vide resposta seguinte.

479.O Brasil é um estado laico?


R: Sim, também chamado secular ou não confessional, conf. Art. 19, I, CF/88.
Todavia, não é avesso à religiosidade, de forma que a própria Constituição tem ponto
de contato entre estado e religião, como exemplo, o casamento religioso com efeitos
civis, cf. Art. 226, §2º.

480.Explique o poder constituinte e o poder constituído.


R: O Poder constituinte é o poder de elaborar ou, até mesmo, em hipótese remota, de
recriar ou reformar uma constituição. Já o Poder constituído, consolidado nos Poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, é estruturado, criado na vertente da regra
constitucional pelo Poder Constituinte.

481. Por que na decretação do estado de defesa e estado de sítio a


manifestação do Conselho de Segurança Nacional e do Conselho da República
não é vinculativa, apenas consultiva?
R: Ambas as decretações fazem parte do sistema constitucional de crises, e como tal,
possuem previsão constitucional expressa, de modo que embora seja exigido do
Presidente da República que ouça os ditos órgãos, definindo sobre a medida, sujeitos
a controle do Congresso Nacional.

482.O que se entende pelo critério do quinto constitucional?


R: é o mecanismo que confere vinte por cento dos assentos existentes em
determinados tribunais aos advogados e promotores; portanto, uma de cada cinco
vagas nas Cortes é reservada para profissionais que não se submetem a concurso
público de provas e títulos, sendo escolhidos a partir de lista elaborada pelas
respectivas instituições.
483.Há quinto constitucional para o cargo de Ministro do STF?
R: Não. Os ministros do STF são brasileiros natos, indicados pelo Presidente da
República e submetidos à sabatina perante a CCJ do Senado, entre cidadãos com mais
de 35 e menos de 65 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 101, CF)

484.Atualmente, o STF tem quantos ministros?


R: Onze ministros, art. 101, CF.

485.O que é uma emenda constitucional?


R: Modificação imposta ao texto da Constituição Federal após sua promulgação. Sua
aprovação é feito em sessão bicameral (2 turnos, 3/5 dos membros de cada casa),
devendo respeitar os limites constitucionais ao poder de reforma e promulgadas pelas
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

486.O FGTS é um direito social?


R: O fundo de garantia do tempo de serviço é um direito social, tipificado texto
Constitucional especificamente como um dos direitos dos trabalhadores urbanos e
rurais, destinado à melhoria da condição social (Art. 7º, III, CF/88).
487. O que se entende por sigilo da fonte mencionado no Artigo 5°, inciso
XIV da CF/88?
R.: A prerrogativa concernente ao sigilo da fonte, longe de qualificar-se como mero
privilégio de ordem pessoal ou estamental, configura, na realidade, meio essencial de
plena concretização do direito constitucional de informar, revelando-se oponível, em
consequência, a quaisquer órgãos ou autoridades do Poder Público, não importando a
esfera em que se situe a atuação institucional dos agentes estatais
interessados. A proteção constitucional que confere ao jornalista o direito de não
revelar a pessoa de seu informante desautoriza qualquer medida tendente a pressionar
ou a constranger o profissional de imprensas a indicar a origem das informações a que
teve acesso. O vocábulo fonte, nesse capítulo da Constituição Federal, tem então o
sentido de origem, procedência. É assegurado o sigilo sobre a procedência das
informações, para que fluam livremente e que todos tenham acesso a elas.

488. Há algum período em que a CF não pode ser emendada?


R.: Nos termos do art. 60, § 1º, da CF, a Constituição não poderá ser emendada na
vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

489. O que são disposições constitucionais declaratórias e assecuratórias?


R.: Normas declaratórias são aquelas que estabelecem direitos e as normas
assecuratórias são as que ditam o trâmite procedimental para a garantia
desses direitos. Exemplo: O art. 5º, XV, da CF (direito à liberdade – norma
declaratória) e art. 5º, LXVIII, da CF (habeas corpus – norma assecuratória).

490. Conceitue cidadania.


R.: A cidadania é o conjunto de direitos e deveres civis, políticos e sociais que cada
cidadão deve exercer. Cidadão é o indivíduo que vive em sociedade e participa das
decisões políticas desta. Exercer a cidadania significa conscientizar-se de seus
direitos e deveres para lutar para que a justiça possa participar das decisões políticas
do território onde reside. Foi na Grécia antiga que surgiu o conceito de cidadania, que
designava os direitos das pessoas que viviam nas cidades e que tinham participação
nas decisões políticas. Só poderia ter cidadania quem fosse cidadão.

491. O programa Minha Casa Minha Vida relaciona-se à qual direito?


R.: Tal programa foi criado com a finalidade de reduzir o déficit habitacional existente
no país, já que facilita o acesso das famílias de baixa renda à casa própria. Assim, o
programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” é instrumento para a efetivação do
direito social fundamental à moradia.

492. Defina constituição dirigente.


R.: A constituição programática (diretiva ou dirigente) se caracteriza por conter
normas definidoras de tarefas e programas de ação a serem concretizados pelos
poderes públicos. As constituições dirigentes têm como traço comum a tendência,
em maior ou menor medida, a serem uma constituição total.

493. O que é extradição?


R.: A extradição está prevista na Constituição Federal, artigo 5º, inciso LI, e
consiste em um ato de cooperação internacional que consiste na entrega de uma
pessoa, investigada, processada ou condenada por um ou mais crimes, ao país que a
reclama.
A extradição poderá ser solicitada tanto para fins de instrução de investigação ou
processo penal a que responde a pessoa reclamada (extradição instrutória), quanto
para cumprimento de pena já imposta (extradição executória).
É cabível somente ao brasileiro naturalizado, nunca ao brasileiro nato, possível em
duas situações: se praticar crime comum antes da naturalização ou em caso de tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, no caso de comprovado envolvimento, não
importando o momento da prática do crime. Vale lembrar que o estrangeiro não
poderá ser extraditado em caso de crime político ou de opinião (art. 5º,
inc. LII, CF).

494. Qual a diferença entre extradição e deportação?


R.: A deportação é meio de devolução do estrangeiro ao exterior, em caso de entrada
ou estada irregular no estrangeiro, caso este não se retire voluntariamente do
território nacional no prazo fixado, para o país de origem ou outro que consinta seu
recebimento. Esta não se procederá caso haja periculosidade para o estrangeiro. Já
a extradição é a entrega de um indivíduo de um Estado a outro, a pedido deste, para
responder a processo penal ou cumprir pena. Nesse caso, envolve o Poder Judiciário.
Normalmente, a extradição tem por fundamento um tratado entre os países
envolvidos ou o princípio de reciprocidade. É cabível somente ao brasileiro
naturalizado, nunca ao brasileiro nato, possível em duas situações: se praticar crime
comum antes da naturalização ou em caso de tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, no caso de comprovado envolvimento, não importando o momento da prática
do crime. Vale lembrar que o estrangeiro não poderá ser extraditado em caso de
crime político ou de opinião.

495. O preâmbulo da constituição federal tem caráter vinculativo/obrigatório?


R.: No Brasil, a controvérsia a respeito do valor jurídico do Preâmbulo segue
mobilizando a doutrina, embora na esfera jurisprudencial o STF tenha refutado a
relevância jurídica do Preâmbulo, no sentido de que suas disposições não têm caráter
normativo e força normativa própria. Segundo o Supremo Tribunal Federal, ele não é
norma constitucional. Portanto, não serve de parâmetro para a declaração de
inconstitucionalidade e não estabelece limites para o Poder Constituinte Derivado,
seja ele Reformador ou Decorrente. Por isso, o STF entende que suas disposições não
são de reprodução obrigatória pelas Constituições Estaduais. Segundo o STF, o
Preâmbulo não dispõe de força normativa, não tendo caráter vinculante. Assim, a
orientação majoritária na doutrina e atualmente em vigor no STF admite que o
Preâmbulo tenha eficácia normativa indireta e não autônoma, como parâmetro
auxiliar para a interpretação e aplicação do direito e argumento adicional para a
fundamentação de decisões judiciais.

496. Um membro do MP pode se tornar um desembargador do TJ?


R: Sim, Exª. Um membro do MP pode se tornar desembargador do TJ pela regra do
quinto constitucional, consoante art. 94 da CR/88. Um quinto dos lugares dos TRF’s
e dos TJ’s serão ocupados por membros do MP com mais de 10 anos de carreira e por
advogados com notório saber jurídico e de reputação ilibada, indicados mediante lista
sêxtupla por seus órgãos de representação de classes.
Art 94, CR/88.

497. Conceitue constituição escrita.


R: Exª., constituição escrita ou instrumental é aquela formada por um conjunto de
regras sistematizadas e organizadas em um único documento, o qual estabelece as
normas fundamentais de um Estado. Como exemplo, podemos citar a atual CF/88.

498. O que é advocacia pública?


R: Exª., a advocacia pública é órgão de representação judicial e extrajudicial da
entidade estatal, cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico
do Poder Executivo e também das autarquias e fundações. Envolve a advocacia
pública da União, dos Estados, do DF e dos Municípios.
Art. 131-132, CR/88.

499. O que se entende por hierarquia das normas?


R: Exª., entende-se por hierarquia das normas a forma de interpretação das normas do
ordenamento jurídico pátrio, escalonado de forma piramidal, que possui no seu vértice
as normas constitucionais, seguidas das normas supralegais (tratados de direitos
humanos não aprovados na forma do art. 5º, §3º, da CF), e demais normas
infraconstitucionais.
500. É possível se falar que nosso sistema jurídico é piramidal?
R: Sim, Exª., é possível falar que nosso sistema jurídico é piramidal, tendo em vista
que possui como vértice as normas constitucionais, seguidas das normas supralegais,
e logo abaixo, as normas infraconstitucionais, cuja observância na atividade de
interpretação é fulcral.

501. O que se entende por constitucionalização?


R: Exª., a constitucionalização refere-se ao lugar de destaque dado à Constituição no
ordenamento jurídico. Nesses termos, engloba a consagração de normas de outros
ramos do direito na Constituição, perpassa pela filtragem constitucional de todos os
demais ramos do direito, e, também, a eficácia horizontal dos direitos fundamentais.

502. O Artigo 37, Inciso VII da CF – Direito de Greve – Classifique tal


norma sob o princípio da eficácia.
R: Exª., o direito de greve dos servidores públicos, previsto no art. 37, VII da CR/88,
é classificado como norma constitucional de eficácia limitada, visto que depende de
regulamentação futura para produzir todos os seus efeitos.

503. Explique o significado de eficácia exaurida, segundo a CF.


R: Exª., trata-se de classificação doutrinária proposta por Uadi Lammêgo Bulos.
Seriam as normas constitucionais do ADCT que já cumpriram sua função no
Ordenamento Jurídico, no que tange à perspectiva de regulação jurídico-temporal.

504. O que são poderes constituídos?


R: Exª, Poderes constituídos são os poderes estabelecidos pela Constituição,
diferentemente do Poder Constituinte, que seria aquele que cria a Constituição. A teor
do art. 2º, da CF/88, são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

505. E o que são os poderes constituintes?


R.: Em síntese, são os poderes de criar e a competência para reformar a Constituição.
De acordo com Pedro Lenza: “O poder constituinte pode ser conceituado como o
poder de elaborar (e neste caso será originário) ou atualizar uma Constituição,
mediante supressão, modificação ou acréscimo de normas constitucionais (sendo
nesta última situação derivado do originário)”.

506. O que é apátrida? Há alguma outra denominação doutrinária?


R.: Apátrida é o indivíduo destituído de qualquer nacionalidade, ou seja, não é
considerado nacional de qualquer Estado. A doutrina cita como sinônimo de apátrida:
heimatlo ou sem pátria.

507. É possível relacionar as manifestações atualmente com algum direito


fundamental?
R.: Sim. As manifestações populares estão diretamente relacionadas com os direitos
fundamentais de reunião (art. 5º, XVI, CF) e de livre manifestação do pensamento
(art. 5º, IV, VIII e IX, CF).

508. Cite os elementos que compõem o direito de reunião.


R.: O direito fundamental de reunião esta previsto especificamente no art. 5º, XVI, da
CF/88 e, para ser exercido, necessário que estejam presentes os seguintes elementos:
a reunião deve ser pacífica e sem armas, em locais abertos ao público (pode ser em
local fechado, desde que a entrada seja livre); a reunião não pode frustrar outra
anteriormente convocada para o mesmo local; e é exigido prévio aviso à autoridade
competente (não é necessária autorização).

509. Qual a diferença entre direito de reunião e direito associação?


R.: Embora a liberdade de reunião e a liberdade de associação possuam grandes
semelhanças, tal como o fim livre para sua criação, desde que lícitos, distinguem-se
principalmente em relação a critérios de tempo e de espaço, visto que uma reunião
possui curta duração de tempo e acontece em local determinado, enquanto que uma
associação cria vínculos de longa duração e o local é irrelevante.

510. O que é uma lei delegada? Qual sua forma de expressão?


R.: Lei Delegada é um ato normativo primário elaborado pelo Presidente da
República, após delegação externa corporis do Congresso Nacional. A delegação ao
Presidente da República terá a forma de Resolução do Congresso Nacional, que
especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício (art. 68, § 2º, CF/88). Obs.:
Considerei que a segunda pergunta queria saber a forma de expressão da delegação.

511. O que é poder constituinte reformador?


R.: É o poder de alterar uma Constituição já existente, possibilitando o
acompanhamento das mudanças sociais. Tem natureza jurídica, e não política como
o originário. Ressalta-se que o poder reformador tem por características ser
secundário, condicionado e limitado.

512. No ambiente municipal, qual o nome que se dá ao poder constituinte?


R.: O tema é polêmico. No entanto, prevalece que, no âmbito municipal, com a
ressalva do Distrito Federal, não existe manifestação do Poder Constituinte Derivado
Decorrente. O fundamento para tanto reside no fato de que a Lei Orgânica Municipal
é subordinada à Constituição do respectivo Estado, isto é, não deriva diretamente da
Constituição Federal. Destaca-se, por fim, que há doutrinadores que chamam a lei
orgânica municipal de constituição municipal.

513. Quem promulga uma constituição?


R.: A constituição é promulgada pela própria Assembleia Constituinte, conforme
ocorreu com a CF/88, nos termos do Preâmbulo.

514. Qual a capital da República?


R.: Brasília é a capital da República, conforme estabelece a Constituição Federal (art.
18, §1º).

515. Qual a diferença entre Brasília e o DF?


R.: O Distrito Federal é uma unidade da federação autônoma, dotado de capacidade
de auto-organização e normatização própria, autogoverno e autoadministração.
Brasília, por sua vez, além de ser a capital da República e sede do governo federal, é,
também, sede do governo do Distrito Federal. Além disso, impende frisar que Brasília
não se encaixa no conceito geral de “cidade”, pois não é sede de município.
(artigos 18, 32 e 24, CF e artigo 6º da Lei Orgânica do DF)
516. Direito constitucional é o nome de direito público ou privado? Por
quê?
R.: O Direito Constitucional constitui um dos ramos do direito público, que surgiu
com ideais liberais, atentando-se, a princípio, para a organização estrutural do Estado,
o exercício e transmissão do poder e enumeração de direitos e garantias fundamentais
dos indivíduos. Atualmente, preocupa-se não somente com a limitação do poder
estatal na esfera particular, mas também com a finalidade das ações estatais e a ordem
social, democrática e política.

517. O que é uma norma constitucional de eficácia contida?


R.: Segundo a classificação das normas constitucionais elaborada por José Afonso da
Silva, as normas de eficácia contida são aquelas que, embora aptas a produzir seus
plenos efeitos desde a promulgação da Constituição, podem sofrer redução no âmbito
de sua eficácia e aplicabilidade. Vale dizer, o direito nelas previsto é imediatamente
exercitável, com a simples promulgação da Constituição, mas tal exercício poderá ser
restringido.

518. Quantos suplentes são eleitos com o senador da república?


R.: De acordo com a Constituição Federal, cada Senador é eleito com dois Suplentes,
sendo que sua eleição implica a dos substitutos (chapa única).
(art. 46, §3º, CF).

519. O que é uma constituição popular ou democrática?


R.: As Constituições populares ou democráticas são aquelas produzidas com a
participação popular, em regime de democracia direta (plebiscito ou referendo) ou de
democracia representativa (representantes eleitos).

520. É correto dizer que constituição popular é o mesmo que constituição


promulgada?
R.: A doutrina preleciona que a Constituição popular também pode ser denominada
de Constituição promulgada ou votada, pois constitui fruto de uma assembléia
constituinte, eleita diretamente pelo povo, para, em nome dele, atuar na elaboração da
Constituição. Nasce, portanto, da deliberação da representação legítima do povo.
521. O Federalismo no Brasil se inicia em que constituição?
R.: Inicialmente, adotou-se no país a forma unitária de Estado, a qual foi substituída
pelo modelo federativo com a Constituição de 1891.
(Decreto nº 1 de 1889, artigo 1º e artigo 60, §4º, I, CF)

522. O que é o princípio da publicidade?


R.: A publicidade, prevista na Constituição Federal como um dos princípios
norteadores da atuação da Administração Pública, compreende dupla acepção, a
saber: a) exigência de publicação em órgão oficial dos atos administrativos, como
requisito de eficácia; b) exigência de transparência da atuação administrativa.

523.A existência do sigilo conflita com o princípio da publicidade?


R: O princípio da publicidade foi inserido no rol de direitos fundamentais (art. 5º,
XXXIII e LX) e a Administração Pública ficou vinculada a sua observância (art. 37).
É com fundamento nele que o Estado tem o dever de assegurar a transparência das
atividades administrativas. Os incisos XXXIII, e XXXIV, do art. 5º, da Constituição
Federal asseguram o direito de informação, de petição e de obtenção de certidão.
A existência do sigilo não conflita com o princípio da publicidade, já que tal princípio
não é absoluto, porquanto a própria CF ressalva que devem ser resguardadas a
segurança nacional e o relevante interesse coletivo, o que poderá, de forma
fundamentada, excepcionalizar o princípio da publicidade.

524.Diferencie estado de direito e estado democrático de direito.


R: Embora existam semelhanças entre as duas definições é importante saber que
Estado democrático de direito e Estado de direito não se tratam exatamente do mesmo
conceito.
De maneira simplificada a ideia de Estado de direito é relacionada com o fato de que
o funcionamento do Estado deve ser baseado no que é determinado pela lei, ou seja,
o poder de decisão estatal é limitado pelo que a lei permite. Essa ideia também é
presente no Estado democrático de direito.
O Estado de direito surgiu depois do período absolutista, em que os governantes
tinham um poder ilimitado de decisão, não devendo obediência às leis. Depois
do surgimento do Estado de direito o governante continuou a ter poder de decisão,
mas ele ficou limitado ao que a lei permitia.
A principal diferença entre os conceitos é que no Estado de direito não existe a
preocupação com a garantia dos direitos fundamentais e sociais dos cidadãos por parte
do Estado.
Já no Estado democrático de direito, além do poder de decisão continuar a ser limitado
pela lei, ele também deve levar em consideração os valores sociais e os princípios
fundamentais da Constituição.

525.A que órgãos se vinculam a polícia marítima, de fronteira e aeroportuária?


R: A polícia marítima, de fronteira e aeroportuária são funções exercidas pela polícia
federal, que está vinculada ao órgão do Ministério da Justiça.

526.O que é plebiscito?


R: Plebiscito é uma manifestação popular expressa através de voto, que ocorre
quando há algum assunto de interesse político ou social. No regime democrático,
através do plebiscito o povo é convocado para emitir a sua opinião escolhendo "sim"
ou "não" à execução de determinada decisão governamental. Esse instrumento é
utilizado numa fase anterior à elaboração de qualquer lei acerca da proposta do
governo. Caso a maioria escolha "Sim", então é dada continuidade ao processo de
elaboração de toda a legislação. O referendo é um dos meios que possibilitam a
democracia direta.

527.A que se refere a câmara alta e a câmara baixa?


R: Refere-se ao Bicameralismo, que é o regime em que o Poder Legislativo é
exercido por duas Câmaras, a Câmara baixa e a Câmara alta. No Brasil representadas
pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, respectivamente. Sob a influência
dos Estados Unidos firmou-se o paradigma de que o Senado Federal representa
os Estados da Federação (Art. 46 da Constituição Federal de 1988), ao passo que a
Câmara dos Deputados representa o povo.
O fundamento para a existência de duas câmaras não está somente no
princípio federativo, mas também em outras funções típicas do Congresso. Assim,
ambas as câmaras contribuem ao sistema de pesos e contrapesos, evitando uma
maioria escassa e/ou circunstancial na outra câmara, o que poderia violar direitos de
uma minoria no Processo legislativo; por fim, ainda confere estabilidade à produção
normativa e induz a existência de um mútuo controle de qualidade, o que resulta no
aperfeiçoamento da legislação.

528.Em que consiste cidadania ativa?


R.: Observação – Não achei a resposta para essa pergunta

529.O que é democracia direta?


R: Uma democracia direta é qualquer forma de organização na qual todos
os cidadãos podem participar diretamente no processo de tomada de decisões.
Em um sistema de democracia indireta (ou democracia representativa), os cidadãos
elegem representantes, os quais serão responsáveis pela tomada de decisões em seu
nome. Este é o processo mais comum de tomada de decisão nos governos
democráticos, e por isto é também chamado de mandato político.
Já em regime de democracia direta, os cidadãos não delegam o seu poder de decisão.
As decisões são tomadas através de assembleias gerais. Se por acaso precisam de um
representante, este só recebe os poderes que a assembleia quiser dar-lhe, os quais
podem ser revogados a qualquer momento.
Entretanto, o termo democracia direta também é usado para descrever sistemas
mistos, onde democracia direta e indireta coexistem; seu nome mais correto
seria democracia semidireta.[2] Nesses sistemas de democracia semidireta, além da
existência de representantes eleitos que tomam a maior parte das decisões em nome
dos cidadãos, estes também têm a oportunidade de influenciá-las através de iniciativas
populares, plebiscitos e referendos (ratificação de decisões de representantes).

530. No mínimo, quantos ministros compõem o STJ?


R: O STF é composto por 11 Ministros. A investidura de seus membros ocorre
mediante a escolha e indicação do nome pelo Presidente da República, submetendo-
o à apreciação do Senado Federal (art. 101, parágrafo único, da CF/88).

531.Qual é a competência do STF e do STJ?


R: competências do STF: a) originária (art. 102, I, “a” a “r”);53 b) recursal ordinária
(art. 102, II); e c) recursal extraordinária (art. 102, III).
Competência do STJ: a) originária (art. 105, I, “a” até “i”); b) recursal ordinária (art.
105, II); e c) recursal especial (art. 105, III).

532. o que se entende por ampla defesa?


R.: consiste no direito de a parte se utilizar de todos os meios ao seu dispor para provar
sua verdade, seja através de provas, seja através de recursos.
Art. 5º, LV CF/88

533. quais as formas de governo mais comum?


R.: as duas formais mais comuns são a república e a monarquia. A república tem as
seguintes características, responsabilidade política do governante, eletividade e
temporariedade. Já a monarquia possui como características a irresponsabilidade
política do monárquica, hereditariedade e vitaliciedade. (Tentei ser o mais objetivo
possível)

534. o que se entende por ordem social?


R.: É o sistema na qual são garantidos direitos de 2ª dimensão, por exemplo, direito a
educação, saúde, trabalho, previdência e outros, visando atingir a justiça social.

535. um município com mais de um milhão de habitantes pode ter no máximo


quantos vereadores?
R.: a CF/88 no seu art. 29, inciso IV, alínea “k”, dispõe que pode ter 29 vereadores
em um município 900.000 (novecentos mil) habitantes, se passar disso até 1.050.00
(um milhão e cinquenta mil) poderá ter 31 vereadores.

536. porque se diz que o congresso é bicameral?


R.: é bicameral pois possui duas casas legislativas, a câmara e o senado, diferente dos
outros entes da federação que só possuem uma casa legislativa, por exemplo, as
assembleias legislativas dos estados, cada um possui a sua assembleia.

Direito Constitucional - Examinadora: Bertha Fernanda Paschoalick

537. como a administração trata a acumulação de cargos públicos?


R.: em regra é proibida a acumulação de cargos públicos.
538. há exceções aceitas pela administração para a ocupação de cargos públicos
sem concurso?
R.: sim, a CF/88 traz a possibilidade de ocupação de cargos em comissão e até mesmo
contratação por tempo determinado para atender necessidade temporária, entre outras
hipóteses de ocupação sem concurso, por exemplo, a ocupação das vagas do cargo de
desembargador dos estados que deverão ser eleitos nos termos da CF/88, sistema
conhecido como quinto constitucional.

539. a contratação com prazo determinados seria uma exceção prevista na


CF/88?
R.: sim, em regra os servidores da administração deverão ser concursados, entretanto
a CF/88 traz a possibilidade de ocorrer a contratação temporária para atender
necessidade de excepcional interesse público.
Art. 37, inciso IX, CF/88

540. defina direito de reunião?


R.: é o direito que o indivíduo tem de se reunir pacificamente e sem armas, sem
necessidade de outorga do poder público, somente com um prévio aviso.
Art. 5º, inciso XVI, CF/88

541. E se frustrar outra reunião?


R. Os que atentarem contra o direito fundamental à reunião, por ação ou omissão, se
sujeitam a responsabilização, inclusive por abuso de autoridade, se for o caso.

542. Qual a diferença entre direito de reunião e direito de associação?


R: A liberdade de reunião é um instrumento para livre manifestação de pensamento,
como direito à liberdade de expressão, exercido de forma coletiva.

Já a liberdade de associação ocorre quando pessoas coligam-se entre si, em caráter


estável, sob uma direção comum, para fins lícitos.
A principal distinção é em relação aos critérios de tempo e de espaço:
Preceitua MENDES e BRANCO que na liberdade de reunião a união de pessoas é
transitória e o encontro físico dos indivíduos num mesmo local é indispensável. Na
associação, as pessoas se unem de modo estável e o elemento espacial é irrelevante.

543. É necessária autorização para exercer o direito de associação?


O direito de associação é pleno, desde que para fins lícitos vedado o caráter militar.
A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de
autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; (Art. 5º,
XVII e XVIII, CF)

544. Em que casos o direito de reunião é vedado?


O direito de reunião é vedado: a) se violenta e não pacífica; b) se houver o uso de
armas; c) se a reunião visar frustrar outra anteriormente convocada para o mesmo
local; d) Reunião sem a prévia comunicação às autoridades, sendo desnecessária a
autorização. Art. 5º XVI CF

545. Uma decisão judicial pode proibir?


O exercício dos direito de reunião consagrado no art. 5° da CF deve ser assegurado,
mas desde que exercido de forma a não inviabilizar de forma desarrazoada o exercício
de outros direitos também constitucionais. Em havendo abuso no exercício do direito
o Poder Judiciário pode intervir para a garantia da proporcionalidade quando da
colisão.

546. No que consiste a outorga de uma Constituição?


Outorga de uma Constituição é a imposição de uma carta à população de forma
autoritária, sem a participação do povo. Se contrapõe à promulgação que é quando a
Constituição é elaborada pelos representantes eleitos do povo.

547. Poderia citar uma Constituição outorgada?


A Constituição de 1824 foi a primeira constituição brasileira e foi outorgada por Dom
Pedro I.

548. Diferencie Emenda Constitucional de revisão constitucional?


Emenda Constitucional é o procedimento expresso no art. 60, CF/88 para sua
alteração. A PEC é discutida e votada em cada Casa do CN, considerando-se aprovada
se obtiver, 3/5 dos votos dos respectivos membros; É de reprodução obrigatória nas
C. Estaduais.
A revisão constitucional (art. 3º ADCT) prevista pelo Poder Constituinte Originário,
ocorreu 5 anos após a promulgação, ou seja, em 1993, com a realização de plebiscito
destinado a escolher a forma de governo e o sistema de governo a ser adotado pelo
Brasil. A CF autorizou apenas UMA revisão. Não é norma de reprodução obrigatória
nas C.Estaduais e o procedimento prevê turno único de votação, por maioria absoluta
dos membros do CN

549. Como se dá a proteção não judicial dos direitos fundamentais?


A CF/88 concebe inúmeros mecanismos de proteção:
(1) contra o Poder Legislativo, (1.1) veda a abolição, via reforma constitucional,
dos direitos e garantias individuais (art. 60, § 4º, IV), (1.2) veda a edição de atos
normativos infraconstitucionais que afrontem os direitos fundamentais, sem prejuízo
de restrições pontuais e proporcionais, (1.3) autoriza a realização de referendos,
visando obstar iniciativas de violação aos direitos fundamentais (arts. 1º, parágrafo
único e 14, II) e (1.4) condiciona a desconsideração de certos direitos fundamentais,
pelas CPI's, à autorização judicial, que é exigida para a busca domiciliar (art. 5º, XI),
a interceptação telefônica (art. 5º, XII) e a decretação de prisão (art. 5º, LXI) ;
C'ontra o Poder Executivo, estabelece a sua vinculação à lei, o que importa na
observância dos balizamentos democraticamente estabelecidos pelo Legislativo, quer
na execução direta (arts. 1º, caput e 37, caput), quer na edição de atos regulamentares
ou de leis delegadas (arts. 84, IV e 49, V).

550.Quais são os órgãos incumbidos?


R.: Os órgãos incumbidos da proteção não judicial dos direitos fundamentais, a
exemplo do direito de resistência, desobediência civil é o próprio poder público,
através de petição (art.5º,XXXIV, “a” da CF/88).

551. Sociedade civil é órgão do Estado?


R.: Não. A sociedade Civil é uma expressão que indica o conjunto de organizações
e instituições cívicas voluntárias que constituem os alicerces de uma sociedade em
funcionamento, em oposição com estruturas que são ajudadas pelo Estado.
552. Como se diferencia a atuação da polícia federal da polícia civil?
R.: Se diferencia pelo objeto da investigação. Em regra, a Polícia Federal destina-se
a apurar infrações penais listadas no art.144,§1º, CF/88 e na Lei n.º10.446/02. Já a
Polícia Civil destina-se a investigar os ilícitos que não são listados como de atribuição
da Polícia Federal.

553. O artigo 144, da CF/88 coloca uma palavra para a polícia federal que não coloca
para a polícia civil. Qual seria?
R.: O art.144, §1º, CF/88 colocou a expressão “instituída por lei como órgão
permanente” para a Polícia Federal, e não colocou a mesma expressão para a Polícia
Civil. Além disso, o art.144, §1º, CF listou algumas atribuições da Polícia Federal,
não o fazendo para a Polícia Civil.

554. Exclusivamente e privativamente são sinônimos ou há distinção?


R.: Não são sinônimos. Exclusividade é a atribuição/competência que não cabe
delegação. Ao contrário, privativamente diz respeito à matéria que pode ser delegada
pelo titular.

555. Os órgãos enumerados no artigo são exemplificativos ou taxativos?


R.: São taxativos. Conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial, o rol de
órgãos listados no art.144, CF/88 é taxativo, sendo vedada a criação de outros órgãos
de segurança pública.

556. Qualquer outra polícia ou órgão de segurança pública que não estiver no rol e
que exerce função é inconstitucional?
R.: Sim, posto que o rol do art.114, CF/88 é taxativo. Todavia, vale destacar que a
“Força Nacional”, embora não esteja no referido rol, possui legitimidade em especial
após a edição da Lei nº 11.473/2007, que passou a atender a exigência do
art.241,CF/88: lei em sentido estrito que prevê a existência do convênio de
cooperação federativa.

557. Fale sobre o Poder Constituinte Derivado?


R.: O poder constituinte derivado também conhecido por instituído, constituído,
secundário ou de segundo grau é o poder de modificar a Constituição Federal e,
também de elaborar as constituições estaduais.

558. Dê algumas características desse poder?


R.: Esse poder é jurídico porque integra o direito; derivado porque é instituído pelo
poder constituinte originário, para modificar e complementar sua obra; limitado ou
subordinado, visto que encontra limites constitucionais expressos e implícitos;
condicionado posto que deve observar fielmente as regras predeterminadas na
constituição.

559. Quais as limitações do Poder Constituinte Derivado?


R.: Formal (procedimento), material (cláusulas pétreas), circunstancial (estado de
defesa, estado de sítio e intervenção federal) e temporal (constituição do império
estabeleceu período de imutabilidade e houve limitação temporal ao exercício da
revisão constitucional). Lenza arrola implícita (alterar as expressas ou titular do
poder).

560. Circunstancialmente, quais seriam as limitações?


OBS: Aparentemente a pergunta decorre da resposta dada pelo candidato ao
questionamento anterior.

561. Como define a Constituição flexível?


R.: Constituição que possui processo de alteração equivalente ao das normas
infraconstitucionais. Inexiste hierarquia formal entre a norma constitucional e a
legislação infraconstitucional.

562. O cidadão português pode se inscrever como eleitor?


R.: Apesar da vedação constitucional ao voto do estrangeiro (art. 14, § 2°) é possível
desde que o cidadão português possua residência permanente no Brasil e haja
reciprocidade de direitos ao brasileiro em Portugal (art. 12, § 1°). STF denominou o
instituto de “quase nacionalidade” (Ext 890). Ver Decreto 3.927/2001.
563. A CF/88 tem algum dispositivo que fale a respeito ou somente quanto à
reciprocidade?
OBS: Aparentemente a pergunta decorre da resposta dada pelo candidato ao
questionamento anterior.

564. Qual a idade mínima para os cargos de Presidente, Governador, Prefeito,


Senador, Deputado e Vereador?
R.: Presidente e Senador 35, Governador 30, Prefeito e Deputado (assim como juiz
de paz) 21 e Vereador 18 (engloba vices). (art. 14, § 3°, VI, incisos).

565. Cite três cargos privativos de brasileiro nato.


R.: Presidente e vice, Presidente da Câmara dos Deputados e do Senado Federal,
Ministro do STF, Ministro de Estado da Defesa, Oficial das Forças Armadas e
Carreira Diplomática (MP3.COM – Art. 12, §3°). Lembrar do art. 222 da CF (jornal
e radiodifusão ao nato ou naturalizado há mais de 10 anos).

566. Qual a função típica e atípica do Poder Judiciário?


R.: Tipicamente o Poder Judiciário exerce jurisdição e é guardião da constituição.
Atipicamente exerce funções de natureza executivo-administrativa e legislativa
(regimento interno).

567. Quanto ao modo de elaboração, como as Constituições podem ser


classificadas?
R.: Quanto ao modo de elaboração as constituições podem ser históricas (lento e
contínuo processo de formação) ou dogmáticas (parte de teoria preconcebidas e são
elaboradas “de um só jato”).

568. Ouviu falar em Constituição Dogmática?


R.: Dogmática: é aquela que é fruto de um trabalho legislativo específico. Tem esse
nome por refletir os dogmas de um momento da história (Por outro lado a
Constituição histórica resulta de um longo processo de evolução dos valores de um
povo, em determinada sociedade, resultando em regras escritas e não escritas. As
regras escritas serão leis e as não escritas usos e costumes.).
569. Constituição escrita e não escrita refere-se a que?
R.: Escrita: é um documento solene (normas legislativas positivadas); não escrita:
(observação de usos e costumes, também chamada de constituição costumeira, é
fruto dos costumes da sociedade, tal como a constituição da Inglaterra).

570. E quanto à origem?


R.: quanto à sua origem: Promulgada (É aquela que conta com a participação
popular seja para elaborá-la, seja para escolher seus representantes para a feitura da
Lei Maior. Outorgadas (São fruto de um ato unilateral de poder. Nascem em regimes
ditatoriais, sem a participação do povo). Cesaristas (São elaboradas unilateralmente,
mas submetem-se à ratificação por meio de referendo). Pactuada (Surge de um
acordo pacto - entre uma realeza decadente, de um lado, e uma burguesia em
ascensão, de outro).

571. Cite duas competências privativas da União no âmbito legislativo?


R.: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas
normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União
(Súmula Vinculante 46); bem como legislar sobre direito penal e direito processual
penal.

572. O Direito Penal pode ser delegado?


R.: No âmbito da competência legislativa privativa da União, o parágrafo único do
art. 22 da CF/88 fixa que “Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar
sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo”.

573. Cite dois bens pertencentes à União.


R.: os recursos minerais, inclusive os do subsolo, bem como rios que banhem mais
de um Estado ou sirvam de limites com outros países.

574. Qual o objetivo do Direito Constitucional?


R.: O direito constitucional visa a estabelecer um estudo acerca da constituição, das
suas normas e princípios.

575. O que são Estados Federados?


R.: São unidades autônomas (autogoverno, autolegislação e autoarrecadação)
dotadas de governo próprio e constituição e que, com outros estados, formam
uma federação.

576. Por que não se admite a criação de um Senado Estadual?


R.: Pois, nos termos do art. 46 da CF/88, o Senado Federal compõe-se de
representantes dos Estados e do Distrito Federal, sendo então incompatível com a
criação de um senado estadual, diferente das câmaras de deputados, as quais se
compõem de representantes do povo.

577 Não se faz necessária ou não é permitida?


R: No Brasil, nosso Legislativo federal é bicameral – é composto de duas casas:
Câmara e Senado – enquanto nossos Legislativos estaduais e municipais são
unicamerais: são compostos apenas de uma casa (assembléias estaduais, nas esfera
estadual; e Câmaras de vereadores na esfera municipal). Não há previsão
Constitucional para criação de Senado Estadual, pois a função do Senado hoje é de
abrigar representantes dos Estados.

578 Há matérias reservadas exclusivamente ao estado no que tange à


legislação?
R: Não, os Estados somente possuem competência legislativa concorrente ou residual.
Ressalte-se, contudo, que a União poderá autorizar, via Lei Complementar, os Estados
a legislarem sobre questões específicas.

579 E no tocante à competência concorrente?


R: Sim, nos termos do artigo 24 da CR há competência concorrente entre União,
Estados e DF.

580 O Direito Penal é uma competência concorrente?


R: Não, trata-se de competência privativa da União. No entanto, a União poderá
autorizar, via Lei Complementar, o Estado a legislar sobre questão específica de
Direito Penal.

581 Conferiria maior autonomia ao estado para legislar?


R: Somente poderia legislar sobre questões peculiares atinentes à região do Estado.
Exemplo: Amazonas legislou sobre criminalização da planta vitória régia (existente
somente naquela localidade).
582 Falando em espécies normativas, existem decretos autônomos?
R: Com o advento da EC 32/01 passou-se a admitir a existência de decretos
autônomos emanados pelo Presidente da República, nos termos do artigo 84, VI da
CR. A regra é que os decretos sejam regulamentares, ou seja, que não inovem no
mundo jurídico. A exceção fica por conta da emenda supracitada.

583 Lei ordinária pode revogar lei complementar?


R: Existem matérias que somente podem ser tratadas por LC, dessa forma não seria
possível LO revogar uma LC. Lei Complementar somente pode ser revogada por outra
LC.

584 Nem se essa lei legislar sobre tema de lei ordinária?


R: Caso exista alguma matéria que antes da CR de 1988 era tratada por LC e agora é
tratada como matéria de LO, parte da doutrina entende que é possível que uma LO
revogue LC. Corrente diversa justifica a impossibilidade com base na segurança
jurídica.

585 Como devem ser interpretadas as normas constitucionais?


R: Além dos métodos de interpretação clássicos (gramatical, teleológico e histórico)
a CR possui princípios específicos de interpretação, como: Supremacia da
Constituição, Força Normativa, Unidade da CR, Concordância Prática, Máxima
Efetividade, Correção Funcional, Interpretação Intrínseca e Proporcionalidade.

586. Existe no Brasil, inconstitucionalidade superveniente?


R: Inconstitucionalidade que surge em momento posterior à edição do ato; a partir de
alteração superveniente dos padrões normativos que lhe servem de parâmetro de
controle de constitucionalidade. Teoricamente, esse tipo de inconstitucionalidade
pode manifestar-se em razão de: (a) nova constituição; (b) reforma constitucional; e
(c) mutação constitucional. O STF não aceita por entender que toda antinomia entre
normas constitucionais posteriores e normas infraconstitucionais anteriores é questão
de direito intertemporal, a ser resolvida pelo critério cronológico, o que leva ao
reconhecimento da simples revogação do ato infraconstitucional mais antigo.

587. Fale sobre a relevância dos princípios constitucionais.


R: Os princípios são linhas mestras, os grandes nortes, as diretrizes magnas do
sistema jurídico, Apontam os rumos a serem seguidos por toda a sociedade e
obrigatoriamente a perseguidos pelos órgãos do governo (poderes constituídos). Eles
expressam a substância última do querer popular, seus objetivos e desígnios, as
linhas mestras da legislação da administração e da jurisdição.

588. Conhece o princípio da razoabilidade?


R: A razoabilidade é um conceito jurídico indeterminado, elástico e variável no tempo
e no espaço. Consiste em agir com bom senso, prudência, moderação, tomar atitudes
adequadas e coerentes, levando-se em conta a relação de proporcionalidade entre os
meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que
envolvem a pratica do ato.

589. Está implícito ou explícito na CF/88?


R: O princípio da razoabilidade não se encontra expressamente previsto na
Constituição de 1988. Isto, contudo, não permite se infira estar este princípio afastado
do sistema constitucional pátrio, posto se pode auferi-lo implicitamente de alguns
dispositivos, bem como do histórico de sua elaboração

590. Como se dá a proteção judicial dos direitos fundamentais?


R.: Remédios de direito constitucional são os meios colocados a disposição dos
indivíduos pela constituição para a proteção de seus direitos fundamentais. Esses
meios são utilizados quando o simples enunciado de direitos fundamentais não é
suficiente para assegurar o respeito a eles. Esses remédios, quando visam provocar a
atividade jurisdicional do Estado, são denominados “ações constitucionais”, previstas
na própria constituição, por exemplo, habeas corpus, habeas data, mandado de
segurança, mandado de injunção e ação popular.
591. Quem tem legitimidade para impetrara mandado de segurança
coletivo?
R: São legitimados para impetrar o mandado de segurança Coletivo, segundo o artigo
21 da Lei 12.016/09, os partido político com representação no Congresso Nacional,
na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade
partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos
líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma
dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto,
autorização especial.

592. Quais as penas vedadas pela CF/88?


R: As penas vedadas estão no artigo 5º, XLVII da Carta Magna de 1988, são elas: a
de morte, salvo em caso de guerra declarada; de caráter perpétuo; de trabalhos
forçados; de banimento; cruéis.

593. Trabalhos forçados é um tipo de pena?


R: a Carta Magna Brasileira na alínea c do art. 5º, XLVII, é bem transparente em
vedar o Trabalho Forçado - escravidão, servidão, serviço exigido sob a ameaça de
sanção e para o qual não se tenha oferecido espontaneamente ao detento. De
nenhuma maneira a CF/88 admiti que o indivíduo seja apenado com: a privação de
liberdade + a obrigatoriedade do trabalho forçado (bid in idem), o que seria excesso
de pena

594. Qual a diferença entre pena de banimento e extradição?


R: A extradição está prevista na Constituição Federal, artigo 5º, inciso LI. É cabível
somente ao brasileiro naturalizado, nunca ao brasileiro nato, possível em duas
situações: se praticar crime comum antes da naturalização ou em caso de tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, no caso de comprovado envolvimento, não
importando o momento da prática do crime. Vale lembrar que o estrangeiro não
poderá ser extraditado em caso de crime político ou de opinião (art. 5º, inc. LII, CF).
Quanto ao banimento, este não é admitido pelo ordenamento jurídico, artigo 5º,
inciso XLVIII, d, da Constituição Federal, uma vez que consiste no envio
compulsório do brasileiro ao estrangeiro
595. No que consiste as Forças Armadas?
R. Nos termos do art. 142 da CF/88, as Forças Armadas, constituídas pela Marinha,
pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares,
organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do
Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

596. Vê similitude entre o exército e a PM?


R. Embora tenham atribuições diferentes, visto que enquanto o exército exerce a
defesa da pátria, garantia dos poderes constitucionais e em alguns casos garantia da
lei e da ordem, e a policia militar exerce precipuamente o policiamento preventivo,
guardam similitudes, tendo em vista que a polícia militar também é instituição
permanente pautada na hierarquia r disciplina, seguindo regimentos que em muito se
assemelham com exercito, inclusive nas suas graduações e postos (ex. Soldado,
tenente, coronel).

597. Há gradação entre estado de defesa e estado de sítio?


R. A decretação do estado de sitio ocorre para situações mais severas do que as que
ensejam decretação do estado de defesa. Uma das suas hipóteses é justamente quando
da ineficácia do estado de defesa. Portanto, é possível falar em gradação entre estado
de defesa apenas nesta hipótese.

598. Um é decretado e outro e solicitado: qual é qual?


R. O estado de defesa é decretado pelo presidente da república e submetido em 24
horas ao congresso nacional que decidirá por maioria absoluta. Já o estado de sitio os
presidente da República irá solicitar ao congresso nacional a sua decretação.

599. Quais liberdades podem ser suspensas?


R. No estado de defesa podem ser suspensas as seguintes liberdades: liberdade de
reunião, ainda que exercida no seio das associações; sigilo de correspondência; sigilo
de comunicação telegráfica e telefônica. Além disso é possível a ocupação e uso
temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública,
respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. Já no estado de sitio é bem
mais restritivo a direitos: obrigação de permanência em localidade determinada;
detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns;
restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações,
à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na
forma da lei (não incluído pronunciamento parlamentar); suspensão da liberdade de
reunião; busca e apreensão em domicílio; intervenção nas empresas de serviços
públicos; requisição de bens.

600. Há tempo limitado para o estado de sitio?


R. Quanto ao estado de sitio e o prazo de sua duração existe diferença no caso do
inciso I e II do art. 137. No caso do inciso I, in fine, ou seja, ineficácia da medida de
estado de defesa o prazo inicial é de 30 dias permitidas sucessivas prorrogações
enquanto a situação excepcional não for resolvida. Quanto a calamidade pública,
guerra e resposta a ameaça armada estrangeira, o prazo é enquanto durar tal
excepcionalidade.

601. Constituição Estadual: faz referência expressa aos Delegados de


Polícia?
R. A constituição estadual de Sao Paulo faz referência expressa aos delegados de
Polícia afirmando sua competência para dirigir a policia civil, no seu art. 140

602. E à polícia civil? Em que termos?


R. A constituição do Estado de São Paulo assim prevê: Artigo 140 - À Polícia Civil,
órgão permanente, dirigida por delegados de polícia de carreira, bacharéis em Direito,
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a
apuração de infrações penais, exceto as militares.

603. Qual a diferença entre polícia negativa e polícia positiva?


R. Nunca ouvi falar. Pesquisei bastante mas só encontrei esta nomenclatura referente
a policia administrativa. No Direito Administrativo, o poder de polícia pode ser
positivo ou negativo, ou seja, regula a prática de ato (poder de polícia positivo) ou
abstenção de fato (poder de polícia negativo).

604. O indivíduo pode ser impedido de votar por sentença?


R. Não, inexiste possibilidade de que a sentença impeça o direito constitucional ao
voto. O que é possível é a perda ou suspensão dos direitos políticos, como efeito da
sentença, o que acarreta, pela via indireta, em inviabilizar o voto ante a perda ou
suspensão, mas não é possível restringir, tão somente o direito ao voto.

605. Quais são as causas de perda do direito político?


R. Quando cancelada a naturalização, mediante ação para cancelamento da
naturalização - art. 12, 4º CF , sendo cabível em caso de atividade nociva ao interesse
nacional, bem como ante a aquisição voluntária de outra nacionalidade, via de regra,
quem se naturaliza perde a nacionalidade originária.

Examinador: MARCIO JOSÉ ALVES

606. Qual o conceito de poder constituinte originário?


R. É aquele que constitui o Estado, este poder pode fazer a primeira constituição
dentro do Estado (1824) ou pode fazer uma nova constituição (1988, por exemplo).
Não importa a rotulação que é dada ao ato constituinte, o que importará é sua natureza.
Se este ato rompe com a ordem jurídica anterior, intencionalmente, de forma a
invalidar a ordem preexistente, haverá um novo Estado.

607. Quais as características desse poder?


R. Para a concepção jusnaturalista ele seria: Incondicionado juridicamente,
permanente e inalienável. Para a concepção positivista: Inicial ou primário, autônomo
e incondicionado.

608. Tratando-se de emenda constitucional, o que se entende por limitações


materiais?
R. Limitações materiais são aquelas que restringem o poder de reforma
constitucional, sobre o enfoque do seu conteúdo jurídico e não quanto à forma ou
circunstância, tais conteúdos estão elencados no artigo 60, §4º da CF (forma
federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos
poderes e direitos e garantias individuais)
609. Qual a natureza jurídica do ADCT?
R. Tem natureza de norma constitucional, contendo regras para assegurar a harmonia
da transição do regime constitucional anterior (1969) para o novo regime (1988), além
de estabelecer regras de caráter meramente transitório, relacionadas com essa
mudança, cuja eficácia jurídica é exaurida assim que ocorre a situação para qual é
prevista

610. Qual a finalidade do estado de defesa?


R. Estado de Defesa consiste numa medida constitucional que suspende,
temporariamente, alguns direitos individuais dos cidadãos. Esta ação tem como
objetivo a preservação ou restauração da paz social e ordem pública, principalmente
em locais que sofrem com instabilidades institucionais, grandes calamidades ou
situações de guerra, por exemplo, nos termos do art.136 da CF

611. O que se entende por mutação constitucional?


R. Também denominada de Poder Constituinte Difuso, pode ser caracterizado como
um poder de fato, cujas características é a de ser informal, espontâneo, poder de fato,
devendo respeitar o texto formal e os princípios estruturantes da constituição.
Consiste em alterar o sentido da norma constitucional, sem alteração do texto.

612. O que se entende por direitos fundamentais de quarta geração?


R. Poucos autores discorrem sobre a existência da quarta dimensão, também chamada
de dimensão, dos direitos fundamentais, dentre eles destacam-se Paulo Bonavides,
Norberto Bobbio, Ana Cláudia Silva Scalquette, dentre outros. Paulo Bonavides, ao
lecionar sobre o tema, afirma:“São direitos de quarta geração o direito à democracia,
o direito à informação e o direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da
sociedade aberta para o futuro, em sua dimensão de máxima universalidade, para a
qual parece o mundo inclinar-se no plano de todas as relações de convivência”.
Compreendem o direito à informação, democracia, pluralismo, entre outros.

613. E os direitos fundamentais de terceira geração, em que consistem?


R.: Na teoria de Karel Vazak, os direitos fundamentais de terceira geração estão
ligados ao valor de fraternidade ou solidariedade, são os relacionados ao
desenvolvimento ou progresso, ao meio ambiente, à paz, à autodeterminação dos
povos, bem como ao direito de propriedade sobre o patrimônio comum da
humanidade e ao direito de comunicação.

614. O que se entende por eficácia irradiante de tais direitos?


R.: A eficácia irradiante dos direitos fundamentais significa que os valores que dão
suporte a estes direitos penetram por todo o ordenamento jurídico, condicionando a
interpretação dos dispositivos legais e atuando como diretrizes para o legislador,
administrador e juiz.

615. Com relação aos municípios, eles estão autorizados a criar guardas
municipais? Com qual finalidade?
R.: Os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de
seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei, nos termos do art. 144 §8º,
da C.F.

616. A criação incumbe ao poder executivo apenas?


R.: Prevê o artigo 6º da Lei 13.022/2014, conhecida como Estatuto da Guarda
Municipal, que sua instituição será feita por lei específica de cada Município.
Destarte, a criação depende de iniciativa do Poder Público Municipal.

617. Em que consiste o poder de polícia dessas guardas?


R.: As Guardas Municipais atuam com o poder de polícia administrativo no
patrulhamento preventivo, entendendo o STF que é constitucional a atribuição às
guardas municipais do exercício de poder de polícia de trânsito, inclusive para
imposição de sanções administrativas legalmente previstas.

618. Quais as características do poder constituinte derivado?


R.: É um poder limitado, subordinado e condicionado aos parâmetros impostos pelo
poder constituinte originário.
619. No que consiste a competência concorrente e superveniente dos estados
membros?
R.: A competência concorrente compreende a possibilidade de a União, os Estados e
o Distrito Federal legislar sobre determinadas matérias, cabendo à União legislar
sobre normas gerais e aos Estados e ao Distrito Federal legislar sobre normas
específicas, nos termos do art. 24 da CF.
Observação: Quanto a competência superveniente, não seria competência
suplementar?

620. Qual a diferença entre estado de sítio e estado de defesa?


R.: A primeira diferença entre os Estados diz respeito à forma de decretação, a
segunda diferença, contempla o tempo de duração de cada regime e a terceira
diferença diz respeito às medidas que podem ser tomadas no Estado de Defesa e no
Estado de Sítio.

621. Por que o texto constitucional prevê tais institutos?


R.: São medidas tomadas em situações excepcionais, visando à defesa do Estado e
das instituições democráticas para manter ou restabelecer a ordem nos momentos de
anormalidade, assim, ocorrendo qualquer violação da normalidade constitucional,
surge o denominado sistema constitucional das crises.

622. A obrigatoriedade de voto é considerada cláusula pétrea?


R: Não. É considerada cláusula pétrea o voto DIRETO, SECRETO, UNIVERSAL E
PERIÓDICO, conforme artigo 60, §4º da Constituição Federal. Assim, a
obrigatoriedade do voto não é considerada cláusula pétrea, podendo ser objeto de
proposta de emenda constitucional para tornar o voto facultativo.

CF - Art. 14. (...)


§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
623. O que se entende por fidelidade partidária?
R: O termo fidelidade partidária trata da obrigação de que um detentor de um cargo
eletivo deve ter para com seu partido, tendo por base a tese de que se no Brasil todos
os candidatos a cargos eletivos precisam de partidos políticos para se eleger, eles não
podem se desvincular do partido para o qual foram eleitos, sob pena de perderem o
mandato.
Vale destacar que o STF decidiu, no julgamento da ADI 5081, de relatoria do ministro
Luís Roberto Barroso, em 27 de maio de 2015, que a perda de mandato por
infidelidade partidária não se aplica aos cargos do sistema majoritário de eleição.
Nesse sentido, foi editada em 2016 a Súmula 67 do TSE.

Súmula 67 – TSE - A perda do mandato em razão da desfiliação partidária não se


aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário.
624. Quais as consequências em caso de desrespeito?
R: O detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual
foi eleito, perderá o mandato (artigo 22-A da Lei 9.096/95). Ademais, perde
automaticamente a função ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legislativa, em
virtude de proporção partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda
tenha sido eleito (artigo 26 da Lei 9.096/95).

CF – Artigo 17
“§1º É assegurada aos partidos políticos autonomia política para definir sua estrutura
interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime
de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas
em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos
estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária.”

625. Quais os elementos integrantes do conceito de estado?


R: Não há, na doutrina, consenso quanto aos elementos integrantes do conceito de
Estado. Alguns sustentam uma teoria de três elementos, outros defendem uma teoria
de quatro componentes, ainda outros sustentam uma teoria de cinco elementos, etc.
Doutrina majoritária leciona que os elementos integrantes do conceito de Estado são
três: Povo, território e governo. Neste sentido, Paulo Bonavides define “Estado
como a corporação de um povo, assentada num determinado território e dotada de um
poder originário de mando.
José Francisco Rezek, também defende estes três elementos, e explica: “O Estado
ostenta três elementos conjugados: uma base territorial, uma comunidade humana
estabelecida sobre essa área e uma forma de governo não subordinado a qualquer
autoridade exterior”.
Já Hans Kelsen defende uma teoria de quatro elementos formadores do Estado: (1)
território; (2) povo; (3) poder; e (4) tempo ou período de existência: “A doutrina
tradicional distingue três ‘elementos’ do Estado: seu território, seu povo e
seu poder (...) É característico da teoria tradicional considerar o espaço – território -,
mas não o tempo, como um “elemento” do Estado. No entanto, um Estado existe não
apenas no espaço, mas também no tempo, e, se consideramos o território como um
elemento do Estado, então, temos que considerar também o período
de sua existência como um elemento do Estado.” (KELSEN, 1998, pp. 299 e 314).
Por fim, importante mencionar que Dalmo de Abreu Dallarmi sustenta que são quatro
os elementos integrantes do conceito de Estado: ordem jurídica, finalidade, povo e
território, e sintetiza: “Estado é a ordem jurídica soberana que tem por fim o bem
comum de um povo situado em determinado território.

626. O que se entende por inconstitucionalidade superveniente?


R: A doutrina conceitua a inconstitucionalidade superveniente como o fenômeno em
que uma lei que era constitucional ao tempo de sua edição, já que compatível com
a Constituição vigente à época, passa a ser inconstitucional em virtude de uma
modificação no parâmetro constitucional (alteração da Constituição ou da
interpretação de uma norma constitucional), tornando-a incompatível com
a Constituição vigente.
Importante destacar que não há, no caso de inconstitucionalidade superveniente,
uma sucessão de Constituições. Neste caso, estaria-se tratando de não recepção. Na
inconstitucionalidade superveniente a lei era harmônica com a atual Constituição
e, com o tempo, torna-se incompatível com o mesmo texto constitucional. É
admitida no Brasil.
627. Qual o conceito de constituição dirigente?
R: A Constituição Dirigente se caracteriza por conter normas definidoras de tarefas e
programas de ação a serem concretizados pelos poderes públicos, com vistas à
objetivos políticos, sociais e econômicos. É a Constituição que anuncia um ideal a ser
concretizado, por meio das normas constitucionais programáticas. A Carta Magna de
1988 é um exemplo de Constituição dirigente, pois consagra inúmeras normas
programáticas, como, por exemplo, as que estabelecem os objetivos fundamentais
da República Federativa do Brasil previstos no artigo 3º, in verbis:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.

Aprofundamento do Tema:
A Teoria da Constituição Dirigente foi desenvolvida por Canotilho, que publicou uma
obra sobre o tema em 1982, intitulada “Constituição Dirigente e Vinculação do
Legislador”. Consoante o pensamento de Canotilho, a compreensão de Constituição
Dirigente está relacionada a um programa de ação para a mudança social, no sentido
de se conferir força jurídica para a alteração da sociedade. Nesta linha, segundo
Canotilho, as normas constitucionais programáticas possuem o condão de vincular o
legislador, impondo a obrigação de emanar leis fixadoras de prestações positivas,
assim como determinando ao Poder Executivo disponibilizar os serviços e atividades
necessárias à concretização das normas constitucionais.

628. Qual a diferença entre direitos e garantias constitucionais?


R: Direitos e garantias constitucionais não são expressões sinônimas. Direitos
constitucionais são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, possuindo
conteúdo declaratório. Por outro lado, as garantias são os instrumentos através dos
quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente
os repara, quando violados.
629. Qual a diferença entre garantias e remédios constitucionais?
R: Os remédios constitucionais são espécies do gênero “garantias” que, pelo seu
caráter específico e por sua função saneadora, recebem o nome de remédios, e
remédios constitucionais, porque consignados na Constituição. Uma vez consagrado
o direito, a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente
como remédios constitucionais (exemplo: habeas corpus, habeas data, etc). Em
determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o
direito.

630. Em que consiste federalismo simétrico/assimétrico?


R: O federalismo simétrico visa uma repartição de competência e receitas de forma
unitária, isonômica e homogênea entre os entes da federação. Em outras palavras, a
simetria é a concordância na relação entre os Estados-Membros dentro do sistema
federal.
Nesse panorama, o papel da Constituição Federal no sistema simétrico é a repartição
de competências, servindo como base para o ordenamento jurídico central (Estado
Federal) e para os ordenamentos jurídicos parciais, ou seja, para União e os Estados-
membros.
No federalismo assimétrico, por sua vez, a característica central é a "desigualdade
jurídica e de competências entre os entes federados, mesmo que do mesmo nível".
Contrapõe-se ao federalismo homogêneo do Estado Federal simétrico, com o escopo
do funcionamento do sistema federal.
O federalismo assimétrico parte do pressuposto que existem exacerbadas
desigualdades regionais (socioeconômicas, políticas, culturais). Diante disso, busca
reverter esse quadro com a realização de programas com distribuições diferenciadas,
buscando um equilíbrio e redução dessas disparidades.
Facilmente é encontrado o federalismo assimétrico na hodierna Constituição Federal.
O próprio objetivo previsto na Carta Magna deixa claro que o Brasil busca erradicar
as desigualdades sociais e regionais (art. 3º, CF/88), para isso deverá favorecer alguns
entes federais para encontrar o equilíbrio social.

631. O que é federalismo orgânico?


R.: Federalismo é uma forma de Estado, que pode ser concebida por agregação ou
desagregação, ou seja, pode haver um movimento centrípeto ou centrífugo,
respectivamente. Cumpre salientar no caso da república federativa do Brasil ocorreu
um movimento centrífugo, houve dação de autonomia para cada estado membro, já
nos EUA ocorreu um movimento centrípeto, vários Estaod soberanos abdicaram de
sua soberania e formaram um só Estado. Daí a explicação de haver mts legislações
estaduais divergentes, como por exemplo sobre o cabimento da pena de morte. Já no
federalismo orgânico o Estado federal é considerado um organismo, buscando uma
concentração do todo em detrimento das partes.

632. Quais os itens que compõem o chamado bloco de constitucionalidade?


R.: Na visão do STF, adotando uma corrente restrita, é bloco de constitucionalidade
a CF e o ADTC. Todavia, há uma visão em sentido amplo que considera além das
normas materialmente e formalmente constitucionais, as normas apenas
materialmente constitucionais e os costumes constitucionais. Bloco de
constitucionalidade corresponde àquilo, pela visão do STF, que ser de parâmetro no
controle de constitucionalidade, sem adentrar no mérito do controle de
convencionalidade.

633. Os direitos fundamentais são considerados cláusulas pétreas?


R.: De acordo com o texto constitucional, são considerados cláusulas pétreas os
direitos individuais. Todavia, ressalta-se que não há uniformidade na CF sobre a
nomenclatura usada, ou seja, uma hora usa direitos humanos, outra direitos
individuais, outra direitos fundamentais. Nesse viés, certo é que os direitos
fundamentais são considerados pela doutrina cláusulas pétreas, que são divididos
entre os direitos do art. 5, os sociais, da nacionalidade, políticos e coletivos. Ademais,
para o STF a certas normas tributárias também são consideradas direitos
fundamentais.

634. Qual a diferença entre intimidade e vida privada?


R.: A vida privada é gênero e a intimidade é espécie. Assim, a vida privada é o direito
de ter uma vida social, laboral, livre de importunação de terceiros, ao passo que a
intimidade seria um aspecto da privacidade, mais especificamente, nos
relacionamentos afetivos e familiares que a pessoa possui na sua vida privada.
635. Nas hipóteses de prisão em flagrante, o delegado pode averiguar as
ligações recebidas e efetuadas pelo celular que tal preso porta?

R.: Há entendimentos recentes dos tribunais superiores no sentido de que não haveria
desrespeito a privacidade do investigado, vez que o que é protegido pela constituição
não é os dados em si, ligações recebidas e efetuadas e as mensagens, vídeos, fotos,
aplicativos como zapzat, instagram, face book, tinder.

636. Qual a diferença entre vício formal e vício material no tocante ao


processo legislativo?
R.: A diferença é que o vício formal diz respeito ao procedimento, forma de
elaboração, ao passo que o vício material ofende a própria matéria constitucional,
embora perfeito em sua iniciativa, deliberação, sanção e promulgação e publicação.

637. O poder constituinte originário deve respeitar tratados internacionais?


R.: O poder constituinte originário tem para a maioria da doutrina natureza jurídica
de um poder de Fato, que não está condicionada a qualquer norma anterior, portanto,
por essa característica hão haveria necessidade de observar os limites postos pelo
próprio direito natural. Entretanto, essa característica vem sendo relativizada pela
doutrina, que entende que o poder desconstitutivo constitutivo deve respeitar direitos
como a vida a liberdade estabelecidos pelo direito internacional.

638. Após realizar sua atividade o poder constituinte se dissolve? O que


ocorre após a promulgação da CF?
R.: O Poder constituinte originário tem a característica de ser latente, ou seja, ele não
se dissolve após a promulgação, podendo a qualquer momento ser novamente
utilizado, o que se dissolve é a comissão que elaborou a nova CF. APÓS promulgação
da nova CF as normas que sejam compatíveis materialmente com a CF vigentes serão
revogadas, e as que forem materialmente compatíveis serão recepcionadas.

639. No que consistem as limitações circunstanciais?


R.: São períodos em que a CF não pode ser emendada. Assim, durante intervenção
federal, estado de sitio ou estado de defesa a CF não poderá ser emendada, é o que a
doutrina chama de limitação circunstancial.

640. Como fica a identificação criminal diante dos direitos fundamentais?


R.: O inciso LVIII do artigo 5º da CRFB/88 prevê que o civilmente identificado não
será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Nessa
esteira, foi aprovada a Lei n. 12.037/09, que regulamentou tal inciso constitucional.
Tal lei regulamentou as situações em que o referido tipo de identificação seria
admitido, sendo as hipóteses, notadamente, casos em que houve dúvida ou prejuízo
para identificação civil do indivíduo. A lei garante, ainda, entre outras disposições,
que a autoridade deverá tomar as providências cabíveis para evitar o constrangimento
do identificado, bem como que será garantido a este, quando ordenado o
arquivamento do inquérito policial ou transitada em julgado a sentença penal, o direito
de pleitear a retirada da identificação fotográfica dos autos, desde que apresente
provas de sua identificação civil. Por meio dos referidos dispositivos, o ordenamento
jurídico garante a identificação criminal nos casos extremamente necessários,
resguardando o direito à imagem e à intimidade dos identificados, preservando seus
direitos fundamentais, de maneira proporcional.

641. É possível a intervenção federal, nos Estados-membros, na hipótese de


desobediência a ordem judicial?
R.: Sim. Com base no que prevê o artigo 34, inciso VI, da CRFB/88, a União intervirá,
excepcionalmente apenas, nos Estados-membros, para garantir a execução de lei
federal, ordem ou decisão judicial.

642. Indique alguns dos direitos sociais previstos na CF/88.


R.: Consagra o artigo 6º da CRFB/88 os direitos sociais, sendo estes, nomeadamente,
a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência
aos desamparados. (Citei todos para auxiliar nos estudos).

643. Quanto à flexibilidade, qual a constituição mais estável? A rígida ou a


mutável?
R.: A constituição mutável é tida como menos estável, na medida em que o processo
exigido para sua alteração é mais simples – normalmente aquele exigido para
alteração das leis em sentido estrito –, de forma que os mais singelos motivos
poderiam ser invocados – e obteriam êxito – em alterar seu texto, o que ocasionaria,
certamente, instabilidade e insegurança jurídica. Lado outro, a constituição rígida, em
razão das maiores exigências para alteração de seu texto, exigindo processo
legislativo especial para tanto, tende ser mais estável, pois menos propensa a ceder a
pressões sociais pontuais e momentâneas, garantindo, assim, a segurança jurídica.
(Obs.: A constituição rígida não seria, também, mutável? Acredito que a pergunta se
refira à constituição flexível.)

644. Qual a diferença entre constituição promulgada e outorgada?


R.: Promulgada é a constituição democrática, ou seja, feita pelos representantes do
povo. Por isso, a Constituição de 1988 também é conhecida como Constituição
Cidadã. No Brasil, tivemos as seguintes Constituições promulgadas: de 1891 (de Ruy
Barbosa), de 1934, de 1946 e a de 1988. E ainda, as seguintes Constituições
outorgadas: de 1824, de 1937 (Getúlio Vargas) e a de 1967 (Ditadura Militar).
Outorgada é a constituição imposta ao povo pelo governante, sendo típica dos regimes
autoritários, totalitários e ditatoriais. (fonte:
https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1970797/o-que-se-entende-por-classificacao-
das-constituicoes-marcel-gonzalez).

645. Quais as constituições outorgadas?


R.: As Constituições Brasileiras de 1824, 1937, 1967 e 1969 são classificadas pela
doutrina como outorgadas. (Creio que a pergunta se referia às constituições
brasileiras).

646. As outorgadas recebem outra denominação?


R.: Segundo a doutrina, as constituições outorgadas também recebem a denominação
de impostas.

647. O que significa a expressão “eficácia horizontal dos direitos fundamentais”?


R.: Trata-se da aplicação dos princípios constitucionais que protegem a pessoa
humana nas relações entre particulares. Seu fundamento está no art. 5º, § 1º, da
Constituição Federal de 1988, segundo o qual as normas que definem direitos
fundamentais têm aplicação imediata. (fonte:
https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/artigos/121820129/o-que-e-eficacia-horizontal-
dos-direitos-fundamentais ).

648. A delação anônima permite a abertura de IP?


R.: A jurisprudência amplamente majoritária dos Tribunais Superiores é no sentido
de que a delatio criminis inqualificada, ou seja, a delação anônima, não é suficiente,
por si só, para a instauração de inquérito policial. Dessa forma, diante da notícia
anônima acerca de possível prática de infração penal, deverá a autoridade policial
proceder à verificação da procedência das informações, conhecida no meio policial
pela sigla VPI, através da qual deverá buscar a obtenção de indícios mínimos que
corroborem o noticiado e sirvam, estes, como fundamento para a instauração do
procedimento investigativo. Dessa forma, apesar de não viabilizar, por si só, a
instauração de inquérito policial, a delação anônima não deve ser ignorada pela
autoridade policial. (fontes:
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121926230/denuncia-anonima-
instauracao-de-inquerito-e-possivel; https://www.conjur.com.br/2018-fev-
10/denuncia-anonima-permite-apuracao-preliminar-decide-supremo), (RHC STF
132.115), (HC STJ 104.005/RJ).

649. Em que consiste o Poder Constituinte Difuso?


R.: O poder constituinte difuso dá fundamento ao fenômeno denominado de mutação
constitucional, detalhado neste artigo aqui.
Por meio da mutação constitucional, são dadas novas interpretações aos dispositivos
da Constituição, mas sem alterações na literalidade de seus textos, que permanecem
inalterados. Constituem, portanto, alterações informais, decorrentes de fatos e
transformações políticas, econômicas e sociais.
O poder constituinte difuso é um poder de fato, exercido de forma indireta por
representantes do povo reunidos em órgãos constituídos, como os Tribunais. Porém,
não é um poder ilimitado, pois lhe é vedado ferir determinados direitos e princípios
estruturantes.

650. O que é o Poder Constituinte Supranacional?


R.: Poder Constituinte Supranacional é o poder que cria uma Constituição, na qual
cada Estado-Soberano cede uma parcela de sua soberania para que uma Constituição
Comunitáriaseja criada.
O titular deste Poder não é o povo, mas o cidadão universal.
Ex: União Europeia.

651. O que significa Desconstitucionalização?


R.: O fenômeno chamado de desconstitucionalização faz com que as normas da antiga
constituição, desde que compatíveis com a nova, sejam recepcionados pela nova
ordem constitucional como se fossem normas infraconstitucionais.
No Brasil a vigência de uma nova constituição faz a constituição anterior perca
totalmente a sua vigência, nada é recepcionado, em relação à matéria constitucional
(ab-rogação ou revogação total).

652.Explique o que é nacionalidade primária e nacionalidade secundária?


R.: A nacionalidade originária, primária ou involuntária dá-se de forma unilateral,
ou seja, independente da vontade do indivíduo. Assim, se um indivíduo nascer na
República Federativa do Brasil o Estado lhe imporá a condição de brasileiro nato,
como disposto no artigo 12, I, CFRB/88.
A nacionalidade derivada, secundária ou voluntária ocorre depois do nascimento e
ela só se perfaz mediante a manifestação de vontade do indivíduo seja ele estrangeiro
ou heimatlos (apátridas). Neste caso, o indivíduo será considerado brasileiro
naturalizado, na forma do artigo 12, II, CFRB/88.

653. Explique o que se entende por vício de iniciativa no que tange ao processo
legislativo?
R.: Primeiramente, é necessário esclarecer que somente se fala em vício de iniciativa
quando houver previsão constitucional para iniciativa reservada de lei a determinada
autoridade ou Poder, como os casos de iniciativa reservada ou privativa do Presidente
da República (art. 61 , § 1º , CF) e do Poder Judiciário (art. 96 , CF).
Nesses casos, ocorrendo usurpação da competência, haverá vício formal de
constitucionalidade, em razão da competência.
Aliás, caso ocorro um vício de iniciativa de projeto de lei que possua o Chefe do Poder
Executivo como legitimado e, ao final do processo legislativo, esta autoridade
sancione a lei com vício de iniciativa. Tal sanção não irar sanar o vício de iniciativa,
haja vista que a sanção é ato de natureza política, diversa do ato de iniciativa de lei,
não podendo convalidar vício constitucional absoluto, de ordem pública, insanável.

654. Qual a diferença entre sessão bicameral e sessão conjunta?


R.: No sistema bicameral existente no Brasil desde a Constituição de 1824, têm-se
três “entidades legislativas” com competências específicas: a Câmara dos Deputados,
o Senado Federal e o Congresso Nacional. A própria CF/88 estabelece em separado
as respectivas atribuições institucionais (artigos 49, 51 e 52).
Há apenas duas formas de reunião do Congresso Nacional: a sessão conjunta (artigo
57, § 3º, da CF/88) e a sessão unicameral (artigo 3º do ADCT)
Tanto na sessão conjuntaquanto na sessão unicameral, a reunião dos deputados e
senadores ocorre em um mesmo instante. A diferença é que na sessão conjunta a
votação, em que pese ser simultaneamente, é realizada por casa e os votos são
computados separadamente (maioria absoluta da Câmara = 257 deputados, e maioria
absoluta do Senado = 41 senadores - Ex: art. 66, 4º, CF), e na sessão unicamerala
votação é conjunta, ou seja, os votos de senadores e deputados são contados de forma
igual, a atuação é como uma só casa (513 deputados + 81 senadores = 594
parlamentares, sendo a maioria absoluta 298 congressistas - Ex: art. 3º, ADCT).

Sessão Conjunta Os deputados e Senadores deliberam juntos, mas votam em


separado. (Art. 57, §3º, CF).
Sessão Unicameral É o CN se reunindo como se fosse apenas uma Casa,
deliberando e votando junto.
No tocante à sessão bicameral, acho que o examinador está se referindo ao sistema
bicameral. Assim, o sistema legislativo vigente é o bicameral, pois os projetos de lei,
obrigatoriamente, têm de ser aprovados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

655. Na hipótese de uma emenda constitucional criar novo direito individual, esse novo
direito é uma cláusula pétrea?
R.: Sim, pois a Constituição Federal,noart. 60, § 4º apenas veda a aprovação de
Emenda cuja tendência seja a de abolir cláusula pétrea já existente, o que nos faz
concluir que não há óbices à edição de Emenda que vise ampliar esse núcleo
imodificável constitucional.
Ex: Art. 5º, LXXVIII,CF.

656.Como é tratado pela doutrina eventual conflito de direitos fundamentais?


R.: O intérprete deverá utilizar-se do principio da harmonização, de forma a coordenar
e combinar os bens jurídicos em conflito, evitando o sacrifício total de uns em relação
aos outros.

657. O que são ações afirmativas?


R.: Ações Afirmativas são as políticas públicas especiais e temporárias realizadas pelo
Estado e pela sociedade com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente
acumuladas, garantir a igualdade de oportunidades e tratamento, compensar perdas
provocadas pela discriminação e marginalização decorrentes de motivos raciais,
étnicos, religiosos, de gênero e outros. Em suma, ações afirmativas visam combater
os efeitos acumulados em virtude das discriminações ocorridas no passado.

658. Como se dá a tomada de contas do presidente da república?


R: De acordo com a Constituição Federal, compete privativamente ao Presidente da
República prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após
a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior. Se caso não
apresentado, compete à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do
Presidente da República.

659. O que acontece quando não é apresentada a conta no prazo previsto?


R: Se caso não apresentado, compete à Câmara dos Deputados proceder à tomada de
contas do Presidente da República (art. 51, CF), além de incorrer em crime de
responsabilidade segundo a lei 1079/50: “Art. 9º São crimes de responsabilidade
contra a probidade na administração: (...) 2 - não prestar ao Congresso Nacional
dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas relativas ao
exercício anterior;”

660. O que é o conselho da república?


R: O Conselho da República está previsto na Constituição de 1988 e é um órgão de
consulta, ou seja, não tem poder deliberativo. Ele pode ser convocado pelo presidente
da República em caso de: I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; II
- as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

661. As deliberações do conselho tem caráter vinculativo?


R: Não. São apenas de caráter consultivo.

Direito Constitucional - Examinador: Fabiano Genofre

662. Fale sobre o direito de reunião.


R: Trata-se, portanto, de direito fundamental, impondo-se a todos, agentes públicos e
cidadãos em geral, o dever de respeitar, assegurar, não impedir, não embaraçar, não
frustrar o regular exercício desse direito. Os que atentarem contra ele, por ação ou
omissão, é que se sujeitam a responsabilização, inclusive por abuso de autoridade, se
for o caso. A liberdade de reunião prescrita no art. 5°, inciso XVI da Constituição de
República pode ser exercitada desde que: a) seja pacifica b) a reunião ou manifestação
não pode frustrar outra anteriormente convocada para o mesmo local; c) deve haver
prévio aviso à autoridade ou autoridades competentes.

663. Quais são os sete elementos que compõem o direito de reunião?


R: Excelência, tem algum sinônimo para elementos? (Banca: Sim, requisitos.) Ok. Os
requisitos que compõe o exercício do direito de reunião são: 1- caráter pacífico; 2-
sem armas; 3- local aberto ao público; 4- livre escolha do local; 5-prévia comunicação
à autoridade competente; 6- não frustre outra reunião anteriormente marcada.

664. Qual o objetivo da prévia autorização da autoridade competente?


R: O direito de reunião não está condicionado a qualquer autorização ou licença,
bastando o mero aviso prévio às autoridades competentes. Essa comunicação é
necessária para que o poder público assegure meios indispensáveis para o exercício
do direito, como, por exemplo, a organização do trânsito no local, o reforço policial e
a garantia da ordem.

665. Qual a diferença entre o direito de associação e o direito de reunião?


R: Em que pese ambos serem direitos fundamentais que se assemelham no tocante à
reunião de pessoas, diferem-se no que toca a permanência. Na associação a reunião
de pessoas ocorre com a finalidade de permanência para atingir um fim em comum
de interesse dos associados. Já na reunião o caráter é provisório, o vínculo entre as
pessoas não se consolida juridicamente com base unicamente no direito de reunião.

666. Poder Legislativo. Qual o critério de composição do Congresso


Nacional?
R: O Congresso Nacional é bicameral, ou seja, é composto pela câmara dos deputados
e pelo senado federal. Aquela é composta por representantes do povo de maneira
proporcional à população, esta é composta de representantes dos estados de maneira
igualitária.

667. Como é a composição da Câmara dos Deputados?


R.: A câmara dos deputados é composta de 513 deputados eleitos pelo sistema
proporcional, em numero proporcional a população de cada estado, dentro dos limites
de 8 a 70 por unidade da federação, para mandado de 4 anos.

668. No que consiste o sistema de proporcionalidade de composição?


R.: Significa que o número de deputados de cada Estado guarda relação de
proporcionalidade com a população do respectivo Estado, com base nos dados
fornecidos pelo IBGE no ano anterior ao pleito.

669. Qual a quantidade de deputados por territórios?


R.: Cada território tem direito a eleger 4 deputados federais (Lei Complementar nº 78,
de 1993).

670. O que é direito de imagem?


R.: Consiste em um direito da personalidade, que tutela o direito da imagem retrato,
imagem voz e imagem atributo, segundo o qual não é permitido o uso da imagem de
outrem sem sua permissão, sob pena de obrigação de reparar o dano, nos termos da
Lei Civil.

671. O que é imagem atributo?


R.: A imagem atributo está ligada a honra da pessoa, ou seja, refere-se a forma que a
pessoa é vista na sociedade.
672. O que entende por controle preventivo de constitucionalidade?
R.: Consiste no controle anterior a promulgação da lei, que em regra é feito pelo
próprio poder legislativo durante a tramitação do projeto de lei e pelo executivo
quando da sanção. Excepcionalmente o judiciário poderá atuar nesta etapa mediante
provocação.

673. O Poder Legislativo pode exercer o controle repressivo da


constitucionalidade?
R.: Sim, nos casos de Medida Provisória ou nos casos de decreto autônomo.

674. É possível ajuizar ADIN contra Súmula?


R.: não, pois não é lei ou ato normativo e não tem efeito vinculante contra todos.

675. Qual o regime de administração dos territórios?


R.: O território tem natureza jurídica de autarquia e seu governador é nomeado
diretamente pelo Presidente da República, após aprovação do Senado Federal. A
organização administrativa dos territórios é competência legislativa privativa da
União.

676. O que é a pena de banimento?


R.: O banimento consiste no envio compulsório de nacional ao estrangeiro, sendo
vedado expressamente pela Constituição Federal em seu artigo 5º, XLVII.

677. O que é identificação civil?


R.: A identificação civil consiste em um conjunto de caracteres próprios para
individualizar uma pessoa e a identificar. Os órgãos de segurança público necessitam
desses dados para caracterizar os cidadãos e distingui-los entre si. Ainda, segundo
artigo 2º, da Lei nº 12037/09: “A identificação civil é atestada por qualquer dos
seguintes documentos: I – carteira de identidade; II – carteira de trabalho; III –
carteira profissional; IV – passaporte; V – carteira de identificação funcional; VI –
outro documento público que permita a identificação do indiciado”.

678. O que é identificação criminal?


R.: A identificação criminal significa o registro, guarda e recuperação de todos os
dados e informações necessários para estabelecer a identidade do acusado. Nos termos
da Lei nº 12037/09, a identificação criminal é realizada por meio de boletim de vida
pregressa, identificação fotográfica de frente e de perfil e identificação datiloscópica
para fins criminais.

679. A identificação civil não é feita por fotografia?


R.: A identificação civil pode ser feita por qualquer documento que permita
identificar o indivíduo, inclusive fotográfico. Segundo artigo 2º, da Lei nº 12037/09:
“A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes documentos: I – carteira
de identidade; II – carteira de trabalho; III – carteira profissional; IV – passaporte;
V – carteira de identificação funcional; VI – outro documento público que permita a
identificação do indiciado”.

680. A identificação civil não é feita por datiloscopia?


R.: A identificação civil pode ser feita por qualquer documento que permita
identificar o indivíduo. Segundo artigo 2º, da Lei nº 12037/09: “A identificação civil
é atestada por qualquer dos seguintes documentos: I – carteira de identidade; II –
carteira de trabalho; III – carteira profissional; IV – passaporte; V – carteira de
identificação funcional; VI – outro documento público que permita a identificação do
indiciado”. Esses documentos que permitem a prova da identificação civil incluem a
identificação datiloscópica.

681. Por que segundo a nossa Constituição, a identificação criminal é


constrangedora?
R.: Segundo a Constituição Federal, o civilmente identificado não pode ser
identificado criminalmente, pois existe uma garantia constitucional fundamental que
veda o abuso estatal em face da preservação da dignidade humana. Dispõe o artigo
5.º, inciso LVIII da CRBF/1988 que: “o civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. Antes da CF/88,
contudo, a súmula 568 do STF previa que “A IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL NÃO
CONSTITUI CONSTRANGIMENTO ILEGAL, AINDA QUE O INDICIADO JÁ
TENHA SIDO IDENTIFICADO CIVILMENTE”, sendo que esta súmula foi cancelada
a partir do advento da Constituição Federal, a qual busca evitar abusos estatais e
valorizar os direitos fundamentais.

682. Qual o conceito de Administração Pública?


R.: Di Pietro (2012:50) admite que a expressão Administração Pública pode ser
compreendida em sentido subjetivo, formal ou orgânico e em sentido objetivo,
material ou funcional: “a) em sentido subjetivo, formal ou orgânico, ela designa os
entes que exercem a atividade administrativa; compreende pessoas jurídicas, órgãos
e agentes públicos incumbidos de exercer uma das funções em que se triparte a
atividade estatal: a função administrativa; b) em sentido objetivo, material ou
funcional, ela designa a natureza da atividade exercida pelos referidos entes; nesse
sentido, a Administração Pública é a própria função administrativa que incumbe,
predominantemente, ao Poder Executivo”. Segundo a doutrinadora citada (2012:50),
a Administração Pública também pode ser compreendia em sentido amplo ou em
sentido restrito: “a) em sentido amplo, a Administração Pública, subjetivamente
considerada, compreende tanto os órgãos governamentais, supremos,
constitucionais (Governo), aos quais incumbe traçar os planos de ação, dirigir,
comandar, como também os órgãos administrativos, subordinados, dependentes
(Administração Pública, em sentido estrito), aos quais incumbe executar os planos
governamentais; ainda em sentido amplo, porém objetivamente considerada, a
Administração Pública compreende a função política, que traça as diretrizes
governamentais e a função administrativa, que as executa; b) em sentido estrito, a
Administração Pública compreende, sob o aspecto subjetivo, apenas os órgãos
administrativos e, sob o aspecto objetivo, apenas a função administrativa, excluídos,
no primeiro caso, os órgãos governamentais e, no segundo, a função política”.

683. O que é princípio da boa conduta?


R.: O princípio da boa conduta, também denominado princípio da boa-fé objetiva,
tem a função de estabelecer um padrão ético de conduta para as partes nas relações
obrigacionais.

684. Quais os princípios implícitos?


R.: Os princípios implícitos são aqueles que não foram necessariamente escritos
de forma literal na Constituição Federal, em contraposição aos princípios explícitos,
que são aqueles previstos no artigo 37 da CF. Entre os princípios implícitos, pode-se
citar alguns disciplinados no artigo 2ª da lei dos Processos Administrativos Federais
- “A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,
finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência” - como finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório, segurança
jurídica e interesse público; bem como princípio da continuidade, presunção de
legitimidade ou veracidade, hierarquia, autotutela, controle jurisdicional, entre outros
considerados pela doutrina.

685. De quem é a legitimação para propor Ação Popular?


R. Nos termos do art. 1º da Lei da Ação Popular: “qualquer cidadão será parte
legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao
patrimônio da União ...”.
Parágrafo 3º - A prova da cidadania, para ingresso em juízo, será feita com o título
eleitoral, ou com documento que a ele corresponda.

686. O que é devido processo legal?


R. O devido processo legal é um princípio legal proveniente do direito anglo-saxão,
no qual algum ato foi praticado por autoridade, para ser considerado válido, eficaz e
completo, deve seguir todas as etapas previstas na lei. É um princípio originado na
primeira constituição, a Magna Carta, de 1215.
O devido processo legal formal ou processual exige respeito a um conjunto de
garantias processuais mínimas, como o contraditório, o juiz natural, a razoável
duração do processo.
O devido processo legal substancial ou material, por outro lado, é uma forma de
controle de conteúdo das decisões. Se o processo tem seu trâmite garantido por
impulso oficial até o provimento final com uma sentença ou acórdão, daí é de se
concluir que há devido processo legal se esta decisão é devida, adequada, leia-se:
proporcional e razoável.
Tal princípio encontra previsão expressa na CF, artigo 5º, inciso LIV.

687. O processo administrativo estaria submetido a esse princípio?


R. Sim. O Devido Processo Legal é o princípio-matriz e a sua aplicação tem por fim
coibir a arbitrariedade que resulta na violação de garantias fundamentais e ainda, é
garantia constitucional que ilumina todas as funções estatais, isto é, a função
jurisdicional, legislativa, administrativa.
O princípio do devido processo legal tem o objetivo de elencar um mínimo razoável
de condições para o desenvolvimento das fases do processo. A instrumentalidade do
processo não deve ser dissociada do princípio do devido processo legal, diante do caso
concreto o referido princípio tem aplicação cogente para a concretização da justiça. O
processo é concomitantemente o instrumento para assegurar o direito material ao
jurisdicionado e o instrumento que o Estado utiliza para realizar a sua função
jurisdicional e, nesse sentido, não pode se afastar dos seus escopos.

688. O dispositivo que prevê a possibilidade de se intentar ação penal privada se não
proposta ação penal pública no prazo é norma de eficácia plena?
R. Não encontrei a resposta

689. O que o CPP poderá prever subsidiariamente a este dispositivo? (pergunta feita
porque o candidato respondeu que a norma era de eficácia limitada)
R. Não encontrei a resposta

690. Qual o prazo para intentar a ação penal pública?


R. O artigo 46 do Código de Processo Penal fixa o prazo em que o Ministério Público
deve oferecer denúncia:
+ 05 dias após receber o inquérito policial, se o réu estiver preso;
+ 15 dias após receber o inquérito policial, se o réu estiver em liberdade
Especial atenção deve ser dispensada à legislação especial, que contém dispositivos
específicos quanto ao prazo para o oferecimento da peça acusatória:
a) De acordo com a lei de drogas (art. 54), o MP tem o prazo de 10 dias para oferecer a
denúncia. Como o legislador nada disse acerca da situação do acusado, entende-se
que tal prazo é aplicável tanto para o acusado preso quanto para o acusado solto;
b) Nos termos do art. 79 do CPPM, a denúncia deve ser oferecida dentro do prazo de 5
dias, se o acusado estiver preso, contados da data do recebimento dos autos para
aquele fim; e, dentro do prazo de 15 dias, se o acusado estiver solto. O prazo para o
oferecimento da denúncia poderá por despacho do juiz, ser prorrogado ao dobro; ou
ao triplo, em caso excepcional e se o acusado não estiver preso.
c) No caso de crimes contra a economia popular, diz o art. 10, p. 2º, da Lei 1521 que o
prazo para oferecimento da denúncia será de 2 dias, esteja ou não o acusado preso.
d) Nas hipóteses de abuso de autoridade, art. 13, caput, da Lei 4898, a denúncia deverá
ser oferecida no prazo de 48 horas, esteja o acusado preso ou em liberdade.
e) O Código Eleitoral prevê o prazo de 10 dias para o oferecimento da denúncia, esteja
o acusado preso ou em liberdade.

691. A CF/88 autoriza a vinculação de receita?


R. A CF ao tratar do tema em seu artigo 167, inciso IV, dispõe que: “são vedados: a
vinculação de receita de IMPOSTOS a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a
repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os artigos 158 e
159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para
manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividade da
administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos artigos 198,
parágrafo 2º, 212 e 37, inciso, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito
por antecipação de receita, previstas no artigo 165, p. 8º, bem como o disposto no p.
4º deste artigo.

692. Investimento na educação seria uma exceção (União: 18% e Municípios: 25%)?
R. Sim. não se trata de princípio absoluto, posto que comporta exceções. Em
consonância com a doutrina, é possível destacar pelo menos três ressalvas: a)
repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os
artigos 158 e 159 da CF ; b) a destinação de recursos para as ações e serviços
públicos de saúde, para a manutenção do ensino (artigo 198 , § 2º e
artigo 212 da CF); c) a prestação de garantias às operações de por antecipação da
receita (artigo 165 , § 8º , CF).

693. Essa receita do Governo pode ser destinada à instituição privada de ensino?
R. Sim, desde que observe o disposto no art. 213 da CF:
Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a
escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em
educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica
ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo
para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem
insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede
pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a
investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação
realizadas por universidades e/ou por instituições de educação profissional e
tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder Público. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

694. O que é seguridade social?


R: O conceito é trazido pelo artigo 193, caput, da CF “A seguridade social
compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, destinada a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social.”

695. Conceitue direito à honra.


R: Direito à honra consiste no direito de abstenção de terceiros em não ofender a honra
subjetiva de pessoa, consistente no apreço pessoal que possui de si, bem como da
honra objetiva, consistente no apreço e imagem que possui perante à sociedade. Trata-
se de direito fundamental previsto no art. 5º, X.

696. O que é inviolabilidade de domicílio?


R: Trata-se de direito fundamental previsto no art. 5º, XI e confere um direito
imunidade para que terceiros não violem o domicílio residencial ou profissional não
aberto ao público de indivíduo.

697. Qual o conceito de casa?


R: Para fins do artigo 5º, XI, a casa deve abarcar conceito amplo, consistente não
apenas no local de morada do indivíduo, mas também o local que exerce atividade
profissional, bem como casas de veraneio.

698. Quais os requisitos para a eleição dos Governadores do Estado?


R: Observação – A pergunta me parece mal colocada.
Acredito que o examinador queira requisitos de elegibilidade exclusivamente
aplicáveis aos governadores, como possuir idade de 30 anos (art. 14, 3º, VI, b); bem
como possuir domicílio eleitoral no Estado da federação 6 meses antes do pleito (art.
9º da lei 9.504/97).

699. O que é reeleição?


R: Reeleição para cargos do executivo é instituto trazido pela emenda nº 16/97 e
permite o exercício de mandato eletivo por mais de uma vez, consecutivamente.
Reeleição para cargos do legislativo é livre. Portanto, reeleição é instituto que permite
a renovação do mandato.

700. Quais as hipóteses de perda de mandado do cargo de Governador


previstas na CF/88?
O governador poderá perder o mandato em caso de procedência do pedido de
impugnação por abuso do poder econômico, corrupção ou fraude (Art. 14, §11);
incapacidade civil absoluta, condenação criminal transitada em julgado, improbidade
administrativa (art. 15). Também perderá o mandato o governador que assumir outro
cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em
virtude de concurso público (art. 28, §1º.).

701. Independe de processo?


R: Toda a perda de mandato decorrerá de processo a ser julgado pelo Judiciário ou
pelo Legislativo.

702. O que é direito de expressão? Explique.


R: Observação – Não localizei o termo “direito de expressão”.
O art. 5º, IX prevê o direito fundamental à liberdade de expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de comunicação independentemente de censura ou
licença. Trata-se de um direito imunidade, não absoluto e consiste na liberdade de
expressar opiniões e juízos de valor, desde que harmônicos aos demais preceitos
constitucionais.

703. O que é norma constitucional de eficácia limitada?


R: São aquelas que dependem da edição de uma lei para produzir efeitos. Assim, a
norma constitucional de eficácia limitada tem a sua aplicabilidade indireta, mediata e
diferida, pois somente a partir de uma norma posterior poderá produzir eficácia. São
divididas em normas de princípio organizativo e normas de princípio programático.

704. A doutrina traça seis efeitos das normas constitucionais de eficácia limitada.
Saberia elenca-los?
R: São efeitos produzidos pela norma constitucional de eficácia limitada: revogar as
normas infraconstitucionais anteriores com elas incompatíveis (efeito paralisante);
constituir parâmetro para a declaração da inconstitucionalidade por ação e por
omissão; fornecer conteúdo material para a interpretação das demais normas que
compõem o sistema constitucional; Estabelecem dever ou faculdade ao legislador
infraconstitucional para dar corpo à institutos jurídicos e aos órgãos ou entidades do
Estado previstos na Constituição; estabelecem programas, metas, objetivos a serem
desenvolvidos pelo Estado, impondo um objetivo de resultado ao Estado.

705. Quais os princípios que norteiam a interpretação das normas constitucionais?


R: O Princípio da Unidade da Constituição; Princípio do Efeito Integrador; Princípio
da Máxima Efetividade; Princípio da Justeza ou da Conformidade Funcional;
Princípio da Concordância Prática ou da Harmonização; Princípio da Força
Normativa; Princípio da Interpretação Conforme a Constituição; Princípio da
Presunção da Constitucionalidade das Leis; Princípio da Proporcionalidade ou da
Razoabilidade; Princípio da Supremacia da Constituição; Princípio da Incidência
Recíproca.

706. Recorda-se do princípio da coloquialidade?


R: Este princípio aduz que as normas constitucionais são elaboradas para serem
entendidas por todos os integrantes da sociedade, assim, devem ser interpretadas de
acordo com o seu significado idiomático e coloquial, sem tecnicidade ou
cientificismos desnecessários.

707. E da proporcionalidade? O que seria?


R: Por meio da aplicação do princípio da proporcionalidade, coíbem-se excessos que
afrontem os direitos fundamentais e exigem-se mecanismos que os efetivem. Assim,
deve-se proibir o excesso, bem como a proteção insuficiente dos direitos
fundamentais.

708. O que seria o princípio da incidência recíproca?


R: Uma norma constitucional que trata sobre direitos fundamentais não entra em
conflito com outra norma constitucional que trate do mesmo assunto, não havendo a
sucumbência total de uma norma diante da outra. Há colisão entre normas
constitucionais de direitos fundamentais, de forma que ambas incidem
reciprocamente, em maior ou menor grau, mas sempre se preservando o seu núcleo
essencial. Os direitos envolvidos devem ser preservados ao máximo, adotando-se uma
solução que provoque a menor constrição possível do direito ou direitos superados.
709.Dispositivo que prevê que o policial civil, no respectivo quadro permanente, que
quiser mudar de carreira, fica dispensado da prova de capacitação física.
Padeceria de alguma inconstitucionalidade este dispositivo?
R: Prevê a Súmula Vinculante n. 43 que É inconstitucional toda modalidade de
provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso
público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual
anteriormente investido.
Assim, para que o policial civil mude de carreira, deve se submeter à todas as regras
do concurso público para a nova carreira almejada, sem privilégios sobre os demais
concorrentes, sob pena de afronta ao princípio da isonomia.

710. Artigo 144, §4º, CF/88 → Qual a diferença entre polícia judiciária e apuração
de infrações penais?
R: Por polícia judiciária, entende-se as atividades de auxílio ao Poder Judiciário, que
se materializa no cumprimento de suas ordens relativas à execução de mandados de
busca e apreensão, mandados de prisão, condução de testemunhas. Já as apurações de
infrações penais, funções da polícia investigativa, entendem-se às ações diretamente
ligadas à colheita de provas e elementos de informação quanto à autoria e
materialidade criminosa.

711. O que é terreno de Marinha? Estamos falando de bens da União.


R: Decreto-Lei 3.438:
Art. 1º São terrenos de marinha, em uma profundidade de 33 metros, medidos para a
parte de terra, do ponto em que se passava a linha do preamar médio de 1831:
a) os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas,
até onde se faça sentir a influência das marés;
b) os que contornam as ilhas situadas em zona onde se faça sentir a influência
das marés.
Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, a influência das, marés é
caracterizada pela oscilação de cinco centímetros, pelo menos, do nível das águas que
ocorra em qualquer época do ano.
Art. 2º São terrenos acrescidos de marinha os que se tiverem formado, natural ou
artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas, em seguimento nos terrenos
de marinha.
Regime de ocupação – Nesses casos, os terrenos são de posse desdobrada. Ou seja, a
União é proprietária da área, como um todo, e ainda pode reivindicar o direito de uso
do terreno quando quiser.
Regime de aforamento – São terrenos em que o morador do imóvel passa a ter um
domínio útil sobre o terreno de marinha. Em linhas gerais, a área fica “repartida” entre
União e morador.

712. É possível a exploração privada de atividade nuclear?

R.: Conforme art. 21, inciso XXIII da Constituição, compete à União explorar os
serviços e instalações nucleares, já nas alíneas “b” e “c” há a possibilidade, mediante
regime de permissão, que a comercialização e produção de radioisótopos nas áreas
médicas, agrícolas e industriais seja concedida a particulares.

713. A quem compete a exploração de jazidas minerais?


R.: Conforme art. 176 da Constituição, as jazidas minerais pertencem à União, e
podem ser exploradas, direta ou mediante concessão, nos termos específicos da
legislação pertinente. Assim, a regra é a União, porem poderá particulares realizarem
tal atividdade.

714. Poderia citar três ou quatro atribuições comuns entre União, Estados e
Municípios?
R.: Preservar as florestas, fauna e floras; zelar pela guarda da constituição, das leis e
instituições democráticas e cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
garantia das pessoas portadoras de deficiência

715. Existe classificação de Direitos Fundamentais?

R.: Existe a classificação em gerações ou dimensões, quais sejam: 1ª geração seria o


direito à liberdade, 2ª geração seria direito à igualdade e por fim uma 3ª geração que
seria direito à Fraternidade.

716. O que é direito à intimidade?

R.: O direito à intimidade pressupõe uma proteção ao individuo quanto à sua vida
privada, na sua esfera subjetiva, na qual o conceito se relativiza conforme pessoa pra
pessoa. Como imagem e etc.

717. A determinação judicial de interceptação telefônica permite que se passe por


cima do direito a intimidade?

R.: Dentro desta colisão de direitos, pelo princípio da ponderação é possível que a
medida judicial de interceptação telefônica passe por cima do direito à intimidade,
pelo objetivo buscado por tal medida beneficiar uma coletividade, em detrimento de
uma pessoa.
718. Como delegado, há possibilidade de compatibilizar a interceptação telefônica
com direito a intimidade?

R.: Pode-se compatibilizar a medida judicial com o direito à intimidade ao garantir


proteção aos dados e informações colhidas durante a medida.

719. De que maneira materializaria isso?

R.: Exatamente no sentido de não divulgar os dados e informações obtidas durante a


interceptação telefônica, garantido o sigilo na investigação ou dentro do Inquérito
Policial

720. Há possibilidade de transcrever somente o trecho da gravação pertinente à


investigação?

R.: Sim, inclusive a entendimento dos tribunais superiores é no sentido da


desnecessidade de transcrição total das gravações. Podendo transcrever apenas a parte
pertinente, desde que seja disponibilizada toda gravação às partes.

721. Quais os quatros elementos conceituais básicos do mandado de segurança?


R.: O mandado de segurança tem alguns pressupostos constitucionais para que seja o
instituto jurídico adequado a ser utilizado para tutelar direitos e garantias. Necessário
faz—se que haja: a) direito líquido e certo; b) não amparado por habeas corpus ou
habeas data; c) que o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder seja autoridade
pública ou; d) agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público.
Todas as condições vêm descritas no próprio art. 5º, LXIX, da CF/88.

722. O que é habeas data?


R.: Trata-se de uma ação cível, de natureza constitucional, prevista no art. 5º, LXXII
regulamentada pela lei 9507/97, que tem o objetivo de assegurar o conhecimento de
informação relativa à pessoa do impetrante, constante de registro ou banco de dados
de entidades governamentais ou de caráter público, e também visa a retificação de
dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
723. Documento tem que está sob tutela ou sob administração pública?
R.: Não há essa exigência. De modo que há hipóteses em que o documento esteja em
poder de uma pessoa jurídica de direito privado e, mesmo, nesta situação será possível
o manejo da ação de habeas data, a exemplo de acesso aos bancos de dados referentes
ao consumidor. Art. 43, CDC.

724. Qual o conceito, para fins de habeas data, de caráter público?


R.: Verifica-se na hipótese em que o documento esteja em poder de uma pessoa
jurídica de direito privado, cujo banco de dado tenha relevância social, haja interesse
coletivo na preservação e ou correção da verdade e legitimidade desses dados,
assumindo, assim, caráter público, a exemplo de acesso aos bancos de dados
referentes ao consumidor. Art. 43, CDC. Essa qualificação de caráter público pode
ser conferida pela lei, ou pelo Poder Judiciário, quando estiver diante de um pedido
de HD.

725. Cadastro positivo de pagadores. Tem caráter público?


R.: O art. 43, § 4º, do CDC, dispõe que: Os bancos de dados e cadastros relativos a
consumidores, os serviços de proteção ao crédito e congêneres são considerados
entidades de caráter público. Por outro, lado a Súmula 550-STJ: diz que a utilização
de escore de crédito, método estatístico de avaliação de risco que não constitui banco
de dados, dispensa o consentimento do consumidor, que terá o direito de solicitar
esclarecimentos sobre as informações pessoais valoradas e as fontes dos dados
considerados no respectivo cálculo. Desta forma, quando o cadastro positivo não
disser respeito a consumidores, o banco de dados terá caráter público, apto a ensejar
o ajuizamento do habeas data a fim de se ter acesso ao seu conteúdo.

726. O que é propriedade intelectual?


R.: A Propriedade Intelectual é a área do Direito que, por meio de leis, garante a
inventores ou responsáveis por qualquer produção do intelecto - seja BENS
IMATERIAIS ou INCORPÓREOS nos domínios industrial, científico, literário ou
artístico - o direito de obter, por um determinado período de tempo, recompensa
resultante pela “criação” – manifestação intelectual do ser humano.

727. De que maneira a CF/88 a tutela?


R.: A Constituição Federal brasileira de 1988 consagra, nos incisos XXVII, XXVIII
e XXIX do art. 5o, a propriedade intelectual entre o rol das garantias fundamentais do
homem, no contexto da inviolabilidade da propriedade, como cláusula imodificável.
Pelo contexto constitucional brasileiro, os direitos intelectuais de conteúdo
essencialmente industrial são objetos de tutela própria e não se confundem com a
regulação patrimonial de cunho econômico do direito do autor

728. Poderia exemplificar?


R.: XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações
individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive
nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico
das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às
respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para
sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas,
aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social
e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;

729. De que maneira a CF/88 tutela a família?


R.: A constituição assegura proteção à família, e, para isso, declara ser ela, família, a
base da sociedade, conforme art. 226, CF/88. Para isso, a CF reconhece as mais
diversas formas de constituições familiares. Traz expressamente a proteção à criança,
ao idoso e à mulher, trata da instituição do casamento, da união estável e do direito à
herança, reconhece a existência da família natural, extensa, monoparental e avuncular,
bem como a validade do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

730 – O que entende por princípio do acesso unilateral e igualitário com relação
ao direito a saúde?
R – O direito a saúde está positivado na Constituição como um direito de todos e
dever do Estado, que deve ser garantido por meio de políticas sociais e econômicas
que objetivem a redução do risco da doença, bem como proporcionem acesso
universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação.
Portanto, o acesso ao direito a saúde deve ser garantido a todos de modo igualitário,
sem distinções relativas a classe social, ou até mesmo a custeio do Sistema Único de
Saúde.

731 – O que se entende por preceito fundamental para fins de alegação de


descumprimento de preceito fundamental?
R – De acordo com a doutrina, preceito fundamental pode se conceituado como um
preceito imprescindível, basilar ou inafastável as bases do Estado Democrático de
direito. Cita-se como exemplo de violação a preceito fundamental qualquer ato que
viole os direitos e garantias fundamentais, os fundamentos da república federativa do
Brasil e a dignidade da pessoa humana, dentre outros. Insta salientar que o STF, ao
analisar o tema, definiu que compete privativamente aquela Corte definir o que seria
Preceito fundamental para fins de ajuizamento de ADPF.

Examinador: MAURICIO CORREALI

732 – O que é uma constituição costumeira?


R – Trata-se da Constituição não escrita, que é fruto dos costumes de uma sociedade.
A maioria da doutrina aponta a constituição da Inglaterra como exemplo de
Constituição costumeira.

733 – Cite um princípio constitucional.


R – Podemos citar vários princípios de natureza constitucional, como, por exemplo, a
dignidade da pessoa humana.

734 – O Voto é obrigatório no Brasil? Para quem?


R – Atualmente, nos termos do art. 14 da CF88 afirma que o alistamento eleitoral e o
voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos, e facultativos para os analfabetos,
maiores de setenta anos e maores de dezesseis e menores de 18 anos. Ressalta-se que
segundo doutrina majoritária a obrigatoriedade do voto não é uma cláusula pétrea,
podendo ser modificada pelo poder constituinte derivado reformador.

735 – Qual ministro de Estado tem assento tanto no Conselho de Defesa como no
Conselho da República?
R – Segundo os art. 89 e 90 da CF/88, o ministro de estado que possui assento em
ambos os conselhos supracitados é o ministro da justiça

736 – Para o Presidente da República se ausentar do país por mais de 15 dias


precisa de autorização?
R – Sim, para que o Presidente da República se ausente por mais de 15 dias do país é
necessária a autorização do Congresso Nacional, nos termos do inc. III do art. 49 da
CF/88, sob pena de perdimento do cargo. Insta salientar que tal competência é
privativa do Congresso Nacional.

737 – E se o fizer sem autorização, gera alguma consequência?


R – Sim. Caso o Presidente da República se ausente do país por mais de 15 dias,
haverá a perda do cargo.

738 – O que é um principal constitucional?


R – Segundo lições de José Afonso da Silva, os princípios constitucionais são
ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas. Informa ainda o citado
autor que tais princípios podem estar positivadamente incorporados, por ser a base de
normas jurídicas', o que os transformaria em normas-princípios constituindo, dessa
forma, os preceitos básicos das organizações constitucionais.

739. Diferencie princípio constitucional e norma constitucional?


R.: Norma constitucional é gênero, cujas espécies são regras e princípios. Em razão
do princípio da unidade da constituição, não há hierarquia entre as normas
constitucionais (regras e princípios).
Fonte: Pedro Lenza – Direito Constitucional esquematizado. 19 ed. 2015.

740. Um município tem soberania?


R.: Não! Os municípios detêm autonomia. Consoante o art. 18, da CF: a organização
político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição.
Complemento: A Autonomia municipal subdivide-se em: auto-organização
(capacidade de elaborarem suas leis orgânicas – art. 29 caput da CF);
autoadministração (autonomia para exercerem suas atribuições administrativas,
tributária e orçamentária) e autogoverno (autonomia para elegerem seus governantes
sem interferência dos outros entes). Art. 29 e ss. da CF.

741. O que é um princípio constitucional?


R.: Denominados mandados de otimização, princípios constitucionais são normas
com alto grau de abstração. Os princípios jurídicos em geral têm dupla função, servem
como ¹fonte direta de direitos e deveres (ex: do conteúdo da dignidade da pessoa
humana se extrai a vedação à tortura); ²fonte de interpretação, (I) no sentido de
informar o sentido e o alcance dos direitos constitucionais e (II) nos casos envolvendo
lacunas podem servir como uma bússola (meio termo) na busca da melhor solução.
Eventual conflito entre princípios se resolve pelo exercício da ponderação ou
harmonização (diferente das regras, cujos conflitos se resolvem pela regra do tuto ou
nada).
Fonte: Pedro Lenza – Direito Constitucional esquematizado. 19 ed. 2015.

742. Qual a diferença entre princípio constitucional e norma constitucional?


R.: Norma constitucional é gênero, cujas espécies são regras e princípios. Em razão
do princípio da unidade da constituição, não há hierarquia entre as normas
constitucionais (regras e princípios).
Fonte: Pedro Lenza – Direito Constitucional esquematizado. 19 ed. 2015.

743. O município tem soberania?


R.: Não! Os municípios detêm autonomia. Consoante o art. 18, da CF: a organização
político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição.
Complemento: A Autonomia municipal subdivide-se em: auto-organização
(capacidade de elaborarem suas leis orgânicas – art. 29 caput da CF);
autoadministração (autonomia para exercerem suas atribuições administrativas,
tributária e orçamentária) e autogoverno (autonomia para elegerem seus governantes
sem interferência dos outros entes). Art. 29 e ss. da CF.

744. A Venezuela tem soberania? Por que?


R.: Sim. Trata-se de um Estado soberano. Inclusive o respeito à autodeterminação
dos povos é um dos princípios que regem a república federativa do Brasil em suas
relações internacionais (art. 4º, III da CF)

745. O que são direitos individuais?


R.: Direitos individuais: são direitos oponíveis ao Estado e a outros particulares,
visando à proteção de valores como a vida, a liberdade, a igualdade e a propriedade.
Na visão clássica exigia-se apenas uma abstenção Estatal, na visão moderna: o
estado deve atuar positivamente para garantir seu exercício, ex: proteger os locais de
culto.
Fonte: Marcelo Novelino – Curso de Direito Constitucional. 11 ed. 2016

746. O que é liberdade de crença?


R.: “A liberdade de crença e religião é faceta da liberdade de consciência, consistindo
no direito de
adotar qualquer crença religiosa ou abandoná-la livremente, bem como praticar seus
ritos, cultos e
manifestar sua fé, sem interferências abusivas.”
Fonte: André Ramos de Carvalho – Curso de Direitos Humanos. 4 ed. 2016
Complemento: A CF garante além da liberdade de crença, a proteção aos locais de
culto (art. 5º, VI); assistência religiosa nas entidades de internação coletiva (inciso
VII); a escusa de consciência, quando impõe que ninguém será privado de direitos
por motivo de crença religiosa (...) (inciso VIII) e a laicidade do Estado (art. 19, I da
CF)

747. O significa a expressão “Estado de polícia”


R.: O termo Estado de polícia ou jus politiae refere-se à Idade Média, época das
monarquias absolutistas, baseadas na máxima the king can do no wrong (o rei não
erra), compreendendo poderes amplos, uma direito ilimitado para administrar, de que
dispunha o príncipe, de ingerência na vida privada dos cidadãos, incluindo sua vida
religiosa e espiritual, sempre sob o pretexto de alcançar a segurança e o bem-estar
coletivo.
O rei não podia ser submetido aos Tribunais, pois os seus atos se colocavam acima de
qualquer ordenamento jurídico. Com base nessa ideia é que se formulou a teoria da
irresponsabilidade do Estado, que, em alguns sistemas, continuou a ter aplicação
mesmo após as conquistas do Estado Moderno em benefício dos direitos individuais.
Fonte: Direito Administrativo – Maria Sylvia di Pietro. 31 ed. 2018.

748. O que é um Ministro de Estado?


R.: Assim se diz do mais alto funcionário público ou delegado da administração
pública, posto à direção de um conjunto de departamentos administrativos, que se
denomina de ministério. Tem por atribuições principais exercer a orientação,
coordenação, supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de
sua competência; referendar os atos e decretos do Presidente da República; expedir
instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; apresentar relatório
anual ao PR; praticar outros atos de outorga ou delegação do PR. (De Plácido e Silva
– Vocabulário Jurídico Conciso)

749. O que é o principio da presunção de inocência?


R.: Previsto no inciso LVII, do art. 5º da CF: “ninguém será considerado culpado até
o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Nenhuma pessoa deverá ser considerada culpada, senão após o trânsito em julgado
da sentença penal condenatória. Não se veda a prisão cautelar, que deve, entretanto,
ser excepcional e, por óbvio, fundamentada. Ademais, conforme determina este
princípio, o ônus da prova incumbe à acusação, sendo que eventual dúvida do juiz
deve ser resolvida em favor do réu (in dubio pro reo).
O STF já afirmou ser possível a prisão após a condenação em segunda instância.
Seria uma relativização do princípio em tela (HC n.º 126.292/SP).

750. O Delegado de polícia aplica o princípio da presunção de inocência?


R.: É possível aplicação. É coerente com uma persecução penal democrática que,
desde a fase inicial, o sujeito passivo da investigação preliminar tenha a possibilidade
de presumir sua inocência pelo delegado de polícia, tendo em vista que bens jurídicos
da envergadura da liberdade estão em jogo.

751. O que vem a ser a liberdade de consciência?


R.: É a faculdade do indivíduo de formular juízos, ideias e opiniões sobre si mesmo
ou sobre o mundo que o rodeia. Ainda, é possível afirmar que respresenta uma
determinação constitucional para que o Estado não interfira na esfera do pensamento
do indivíduo esfera do pensamento do indivíduo, impondo-lhe concepções de
qualquer ordem, seja filosóficas, religiosas ou sociológicas (Bernardo Gonçalves).

752. Um brasileiro naturalizado é considerado cidadão? Por que?


R.: Sim, é considerado cidadão brasileiro os originários (naturais) ou adotivos
(naturalizados), podendo ser cidadãos simples (quando não gozam de direitos
políticos, v.g., menor de 16 anos) ou cidadãos ativos (quando possuem direitos
políticos).
Assim, quando o Estado naturaliza um indivíduo, está reconhecendo-lhe direitos,
dentre esses, está o direito político, ou seja, a cidadania brasileira.

753. Qual a diferença entre nacionalidade e cidadania?


R.: A nacionalidade é o meio de reconhecer certos direitos que um país só garante a
uma pessoa que tenha nascido no seu território ou que seja filha de pessoa que já tenha
esses direitos reconhecidos.
Já a cidadania indica a situação jurídica de uma pessoa em relação a determinado
Estado. Aquele que pertence ao povo brasileiro é cidadão brasileiro e quem pertencer
ao povo de outro Estado será cidadão desse outro Estado.
Assim, a nacionalidade reconhece direitos, enquanto a cidadania é vínculo jurídico
do indivíduo ao Estado. (Dalmo de Abreu Dallari).

754. O que se entende por “interpretação conforme a constituição”?


R.: É um princípio de interpretação constitucional, que tem por objetivo conservar as
leis válidas. Não declara a inconstitucionalidade quando for possível obter
interpretação conforme a Constituição. As normas plurissignificativas deverão dar
preferência à interpretação que lhes compatibilize o sentido com o conteúdo da
Constituição. A interpretação contrária à Constituição será excluída.
Limites para sua utilização: a) não poderá contrariar o texto literal para obter
concordância com a Constituição; b) só é admitida quando há espaço de interpretação
(várias propostas); c) se interpretar uma lei claramente em contradição com a
Constituição será declarada inconstitucionalidade da norma; e d) prevalece a vontade
do legislador em detrimento da interpretação conforme a Constituição.
755. Por que há a necessidade de ser exercido um controle de
constitucionalidade?
R.: A CF/88 é rígida. Em consequência é a lei suprema do Estado brasileiro. O
princípio da supremacia requer que todas as situações jurídicas se conforme com as
normas da CF. Do princípio da supremacia resulta o princípio da compatibilidade
vertical das normas da ordenação jurídica, assim as normas de grau inferior só valerão
se compatível com as normas de grau superior. Caso incompatível, serão inválidas,
pois a incompatibilidade vertical resolve-se em favor das normas de grau mais
elevado, que funcionam como fundamento de validade das normas inferiores.
Assim, é necessário exercer um controle de constitucionalidade, haja vista que a
incompatibilidade com a CF não pode perdurar, pois contrasta com o princípio da
coerência e harmonia das normas do ordenamento jurídico, entendido como reunião
de normas vinculadas entre si por uma fundamentação unitária. (José Afonso da Silva)

756. O que é inconstitucionalidade?


R.: É a incompatibilidade vertical das leis ou dos atos administrativos que contrariam
as normas e princípios da CF/88. Manifesta-se sob 2 (dois) aspectos: 1) formalmente:
autoridade é incompetente para produzir atos legislativo ou administrativo, ou em
desacordo com a formalidade ou procedimento estabelecido pela Constituição; 2)
materialmente: conteúdo contraria preceito ou princípio da Constituição.

757. No que consiste o princípio da segurança jurídica?


R.: Trata-se de princípio geral do direito, base do Estado de Direito que garante aos
cidadãos não serem surpreendidos por alterações repentinas na ordem jurídica posta.
Configura corolário do direito como norma de pacificação social. Assim, sendo, via
de regra, as modificações supervenientes de normas jurídicas não devem retroagir
para atingir situações pretéritas, sob pena de tornar instável o sistema de regras
imposto pelo Poder Público, causando instabilidade social.

758. O que é um brasileiro nato?


R.: É o brasileiro que nasce na República Federativa do Brasil, ainda que de pais
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país (critério do ius solis);
o nascido no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles
esteja a serviço da República Federativa do Brasil (critério do ius sanguinis); o
nascido no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam
registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade,
pela nacionalidade brasileira (critério do ius sangunis). Assim, para definição do que
seja brasileiro “nato”, nosso constituinte de 1988 adotou o critério misto.
Ref.: Art. 12, I, da CF/88.

759. Cite os símbolos nacionais.


R.: A bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
Ref.: Art. 13, § 1º, da CF/88: São símbolos da República Federativa do Brasil a
bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
PARA APROFUNDAMENTO: Ver Lei nº 5.700, de 1971.

760. O que são direitos coletivos?


R.: Todo indivíduo é titular de direitos. Mas existem direitos que ultrapassam o âmbito
estritamente individual. Em sentido amplo, esses direitos são chamados de direitos
coletivos. Os direitos coletivos são conquistas sociais reconhecidas em lei, como o
direito à saúde, o direito a um governo honesto e eficiente, o direito ao meio ambiente
equilibrado e os direitos trabalhistas. Ademais, a definição legal do que sejam direitos
coletivos encontra-se insculpida no Código de Defesa do Consumidor, in verbis: “(...)
os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou
classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica
base”.
Ref.: Definição doutrinária retirada do site do CNMP:
http://www.cnmp.gov.br/direitoscoletivos/; e definição legal retirada do Art. 81,
parágrafo único, inc. II, do CDC.

761. O que é controle concentrado de constitucionalidade?


R.: O controle concentrado de constitucionalidade de lei ou ato normativo recebe tal
denominação pelo fato de “concentrar-se” em um único tribunal. No Brasil, em regra,
tal modalidade de controle é exercida pelo Supremo Tribunal Federal, não obstante,
os Tribunais de Justiça o exerçam em relação à Constituição Estadual dos estados-
membros.
Ref.: LENZA (2018, p. 331)

762. Conceitue direito à liberdade.


R.: Inserto na primeira dimensão dos direitos fundamentais, com previsão expressa
no Art. 5º da Constituição Federal de 1988, Liberdade significa o direito de agir
segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não
prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Trata-
se de conceito plurívoco. Na nossa Constituição, encontramos diversas manifestações
de tal direito, por exemplo, a liberdade de expressão (sendo vedado o anonimato), a
liberdade de consciência e de crença; a liberdade de exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, entre tantas outras “liberdades” espalhadas em nosso
ordenamento.

763. O DF é considerado estado federado?


R.: Com a Constituição de 1988, de acordo com o Art. 18, § 1º, a Capital Federal
passa a ser Brasília, situada no território do Distrito Federal, que, no novo modelo,
ainda localizado no Planalto Central do Brasil, deixa de ser mera autarquia territorial,
tornando-se ente federativo, conforme se depreende do Art. 18, caput, da Carta
Magna, dotada, portanto, de capacidade de auto-organização, autogoverno,
autoadministração e autolegislação.
Ref: Arts. 18, caput, e § 1º, 32, caput, e §§ 2º e 3º, todos da CF/88.

764. Um policial civil pode se filiar a sindicatos?


R.: Sim. Muito embora o STF, no ARE 654.432, tenha fixado a tese de que “o
exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de
segurança pública”, restou, nesse próprio julgado, a possibilidade de sindicalização,
tanto que o Min. Roberto Barroso deixou consignada a possibilidade de os sindicatos
acionarem o Poder Judiciário para a realização de mediação, na forma do art. 165, do
CPC/2015. Não há de se confundir da vedação expressa de sindicalização por parte
dos militares prevista no Art. 142, § 3º, IV, da Carta Magna.
Ref.: STF, ARE 654.432, Pleno, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 05.04.2017;
CF/88, Art. 142, § 3º, IV.
765. O que são elementos limitativos de uma constituição?
R.: Manifestam-se nas normas que compõem o elenco dos direitos e garantias
fundamentais (direitos individuais e suas garantias, direitos de nacionalidade e
direitos políticos e democráticos), limitando a atuação dos poderes estatais. Exemplo:
Título II (Dos direitos e Garantias Fundamentais), excetuando o Capítulo II (Dos
Direitos e Garantias Fundamentais), excetuando o Capítulo II do referido Título II
(Dos Direitos Sociais), estes últimos definidos como elementos socioideológicos.

766. O que é uma cláusula pétrea?


R.: É o núcleo imodificável da Constituição Federal. Consiste, pois, na vedação
material estabelecida pelo poder constituinte originário, prevista no art. 60, § 4º, da
CF/88.

767. Com relação ao elemento temporal, qual a diferença entre direito de reunião
e direito de associação?
R.: O direito de reunião é caracterizado como direito-meio para o exercício de outras
liberdades e esta previsto no art. 5º, XVI, da CF/88. Caracteriza-se pela possibilidade
de reunir-se pacificamente, sem armas, exigindo-se o mero aviso à autoridade
competente. O direito de associação, previsto no art. 5º, XVII a XXI, da CF/ 88, é a
liberdade de reunião de pessoas para fins lícitos. A diferença, pois, considerando o
elemento temporal, consiste no caráter permanente da associação não presente no
direito de reunião, que, em tese, é exercido de modo transitório.

768. Uma terra devoluta pode ser bem de um estado-membro? Em que


hipóteses?
R.: Sim. Na forma no art. 26, IV, da CF/88, pertencem aos estados-membros as terras
devolutas não compreendidas entre as da União (indispensáveis à defesa das
fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação
e à preservação ambiental, definidas em lei – art. 20, II, CF/88).

769. Conceitue município.


R.: Município é, nas palavras de José Afonso da Silva, uma entidade estatal integrante
da Federação, como entidade político-administrativa, dotada de autonomia política,
administrativa e financeira (art. 1º c/c art. 18, ambos da CF88).
770. O que são direitos difusos?
R.: Caracterizados como direitos transindividuais, ou seja, que não pertencem a um
único indivíduo, os direitos difusos atendem a um grupo de pessoas ou a coletividade
afetada por determinada situação. O art. 81, parágrafo único, I, do CDC, assevera que
interesses ou direitos difusos são os transindividuais, de natureza indivisível, de que
sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato.

771. Qual ministro de estado tem assento tanto no Conselho da República e


também do Conselho de Defesa Nacional?
R.: O Ministro da Justiça, consoante previsão no art. 89, VI e 91, IV, ambos da CF/88.

772. Quais as principais atuações do ministro da defesa?


R.: Com fulcro no art. 84, da CF/88, cabe aos Ministros de Estado o auxílio ao
Presidente da República na direção superior da administração federal.
Uma das principais atribuições do Ministro de Defesa, ligado ao setor militar,
conforme dispõe a Lei 10.683/2003, é o estabelecimento de políticas ligadas à defesa
e à segurança do país, além da implementação da Estratégia Nacional de Defesa
(END), lançada em 2008 e atualizada em 2012. Também compete ao Ministro da
Defesa a atuação no Serviço Militar, no orçamento de defesa, as operações militares
e a cooperação internacional em defesa, além de outras previstas no art. 87, parágrafo
único, da CF/88.

773. O que é sigilo de correspondência?


R.: Trata-se de direito individual, previsto na CF/88. O professor José Afonso da Silva
o coloca como espécie do gênero direito à privacidade, o qual abarca todas as
manifestações da esfera íntima, privada e da personalidade. Alcança, ainda, os direitos
de expressão e de comunicação. O sigilo à correspondência, portanto, é a proteção
dos segredos pessoais, que dizem respeito tão somente aos correspondentes. Por fim,
é direito que pode ser restrito excepcionalmente nos estados de defesa e de sítio (art.
136 e 139, ambos da CF/88).

774. A previdência social é um direito social? Por quê?


R.: É um direito social, pois foi incluída pelo poder constituinte originário no rol do
art. 6º, da CF/88, sendo um conjunto de direitos relativos à seguridade social. É assim
considerada, ademais, pois disciplina situações subjetivas pessoais ou grupais de
caráter concreto. Cuida-se, em verdade, de direito de segunda dimensão,
apresentando-se como prestações positivas a serem implementadas pelo Estado Social
de Direito tendente a concretizar a perspectiva de uma isonomia substancial e social.

775. O que é direito de petição?


R: Esse direito, que é uma verdadeira garantia prevista no art. 5°, XXXIV, busca
cobrar dos Poderes Públicos providências necessárias visando a proteção de direitos
ou mesmo a correção de ilegalidade ou abusos de poder. Assim sendo, são
assegurados a todos independentemente do pagamento de taxas: o direito de
petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder.

776. Artigo 5° - Inciso XI – Casa de asilo inviolável – O que se entende pelo


previsto nesse inciso?
R: Que a casa de uma pessoa não pode sofrer ingerências de particulares nem do
próprio Estado. Assim, tanto particulares quanto agentes do Estado não podem entrar
na casa de uma pessoa, salvo nos casos de consentimento do morador, flagrante delito
ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.

777. O que significa dizer que não há direito absoluto?


R: Significa que todos os direitos podem ser relativizados numa situação de conflito
de direitos, devendo ser analisado, no caso concreto, qual deles deve prevalecer e com
qual intensidade. Parte da doutrina considera que a proibição da tortura é um direito
absoluto.

778. O que são precatórios?


R: Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de
municípios, estados ou da União, assim como de autarquias e fundações, o pagamento
de valores devidos após condenação judicial definitiva.

779. Um cidadão pode ser aceito no Conselho Nacional de Justiça?


R: Sim. Na composição do CNJ constam dois cidadãos de notável saber jurídico e
reputação ilibada.

780. Quantos membros tem o CNJ?


R: O CNJ possui 15 membros.

781. Departamento de polícia federal pertence a qual ministério?


R: Pertence ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

782. Para que serve a --- da verdade?


R: A Comissão da Verdade, foi a comissão instituída pelo governo do Brasil que
investigou as graves violações de direitos humanos cometidas entre 18 de setembro
de 1946 e 5 de outubro de 1988. As violações aconteceram no Brasil e no exterior,
praticadas por "agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do
Estado brasileiro”.

783. O que se entende por ordem social?


R: Não sei se está correta a resposta. É o conjunto de normas, instituições e costumes
que regulam a vida dos indivíduos em suas relações de ordem jurídica, social e moral
de uns para com os outros e entre eles e o governo, em qualquer momento de uma
sociedade politicamente organizada e policiada.

784.Qual sua base?


R.: Conforme preceitua o art. 193, caput, da CRFB a ordem social tem por base o
primado do trabalho. Ao alçar o primado do trabalho como base da ordem social, o
constituinte o coloca acima de outros aspectos econômicos, como decorrência de sua
imprescindibilidade à promoção da dignidade da pessoa humana.

785.Nacionalidade secundária – O que é?


R.: Também conhecida como nacionalidade adquirida, derivada ou de eleição refere-
se à nacionalidade decorrente de ato de vontade do indivíduo que opta por
determinada nacionalidade. Essa manifestação de vontade pode ser expressa ou tácita.

786.O que é naturalização?


R.: É o ato pelo qual um indivíduo adquire voluntariamente uma nacionalidade
diferente da sua origem.

787.O que é interpretação conforme a constituição com redução de texto?


R.: Interpretação conforme a constituição é a possibilidade de salvar uma norma
fazendo com que a mesma permaneça no ordenamento jurídico. Atualmente, ela deve
ser entendida como técnica de decisão de controle de constitucionalidade, e não
apenas como um método ou técnica de interpretação. Ou seja, é a possibilidade de o
STF declarar a constitucionalidade de uma interpretação de norma jurídica, em
virtude de a mesma estar em consonância ou estar compatível com a Constituição.
Nesses termos, o STF afasta as demais interpretações, mas mantém a norma no
ordenamento jurídico. Este instituto pode ser utilizado com ou sem redução de texto
de uma norma. Ocorrerá a interpretação conforme com redução de texto quando for
declarada a constitucionalidade de uma norma, desde que tenha determinada
interpretação e parte de seu texto seja suprimida.

788.Qual a necessidade de se interpretar uma norma penal?


R.: Interpretação é a tarefa mental que procura estabelecer a vontade da lei, ou seja, o
seu conteúdo e significado. A interpretação sempre é necessária, ainda que a lei se
mostre, inicialmente, inteiramente clara, pois podem surgir dúvidas quanto ao seu
efetivo alcance. No âmbito penal a interpretação se revela necessária notadamente em
razão da natureza cogente e eficácia retroativa da interpretação autentica, para aferir
a natureza doutrinária da exposição de motivos do Código Penal.
A interpretação da lei penal pode ser classificada quanto ao sujeito, quanto aos meios
e quanto ao resultado.

789.Qual a diferença entre direito de petição e direito de ação?


R.: Direito de petição é a garantia constitucional assegurada a qualquer pessoa de
apresentar requerimento ou representar aos Poderes Públicos em defesa de direitos e
contra abusos de autoridade (CRFB, art. 5º, XXXIV, alínea a).
Direito de ação, por sua vez, é o direito de pedir a tutela jurisdicional, de solicitar ao
Estado-Juiz o exercício do poder jurisdicional.

790.Qual o poder constituinte que autoriza a constituição de estado membro?


R.: Conforme classificação doutrinária a elaboração das constituições estaduais
decorre da manifestação do poder constituinte derivado decorrente.

791.Qual o cargo privativo do brasileiro nato?


R.: Conforme preconiza o art. 12, § 3º, da CRFB são privativos de brasileiros natos
os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Presidente da Câmara dos
Deputados, Presidente do Senado Federal, Ministro do Supremo Tribunal Federal, da
Carreira Diplomática, de Oficial de Forças Armadas e de Ministro de Estado da
Defesa.

792.Mandado de injunção – O que é?


R.: Consiste em garantia constitucional (CRFB, art. 5º, LXXI) autoaplicável a ser
utilizada quando a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos
direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
soberania e à cidadania. Trata-se de ação de controle incidental de
constitucionalidade, na qual a pretensão é deduzida e, juízo por meio de processo
constitucional subjetivo destinado a assegurar o exercício de direitos subjetivos.
Atualmente poderá ser exercida de forma individual e coletiva, conforme disciplina a
Lei 13.300/16.

793. O servidor público estável pode perder o cargo em razão de uma medida
judicial liminar?
R: Não, pois conforme a Constituição Federal é preciso de sentença judicial transitada
em julgado para que haja a perda do cargo de servidor público estável.
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de
lei complementar, assegurada ampla defesa.

794. O que é direito de reunião?


R: É o direito que as pessoas têm de se reunir em grupos, encontros, clubes,
manifestações, desfiles, comícios ou qualquer outra organização que desejem. É
considerado um direito fundamental previsto no art. 5º, XVI da CF. Ao dispor sobre
esse direito o texto Constitucional exige que a reunião seja pacífica, sem armas e
comunicado ao Poder Público antes de ocorrer o evento.
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao
público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;

795. Dê exemplo de como o delegado pode atender ao princípio da eficiência.


R: Uma vez colhidas provas suficientes sobre a prática de determinado crime, não há
justificativa para que a autoridade policial aguarde por meses a conclusão de
determinado exame pericial que apenas iria corroborar tais provas para, só então,
relatar o inquérito, atrasando, dessa forma, a propositura da ação penal. Neste caso,
conquanto haja a determinação da realização do exame pericial, poderá o mesmo ser
concluído após o término do inquérito policial, remetendo-se o laudo, posteriormente,
ao Juízo respectivo. O delegado estará atendendo o princípio da eficiência nesse caso.

796. O que é um estrangeiro?


R: Estrangeiro é uma pessoa que não possui a nacionalidade do país em que se
encontra em determinado momento. Nos termos de Nathalia Masson (2016, p.348):
“Estrangeiro é o indivíduo que possui vínculo jurídico-político com Estado Nacional
diverso da República Federativa do Brasil. Se mantém nesta condição jurídica por não
preencher as regras estatais necessárias à obtenção da condição de nacional ou, se as
preenche, porque voluntariamente opta por não adquirir referido status”.

797. O que é nacionalidade primária?


R: É a nacionalidade resultante de um fato natural, qual seja, o nascimento, podendo
ser estabelecida por meio de critérios sanguíneos (nacionalidade dos pais), territoriais
(local do nascimento) ou mistos (conjugação dos dois anteriores). Por decorrer do
nascimento, diz-se que é um meio involuntário de aquisição de nacionalidade.
798. O que gera a nacionalidade primária?
R: O nascimento do indivíduo, independentemente da vontade deste. (Questão 797
complementa).

799. O que é hermenêutica constitucional?


R: A hermenêutica constitucional é o estudo e a sistematização dos processos
aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das normas constitucionais. Outra
forma de definir é o ramo da hermenêutica que se ocupa da interpretação das normas
constitucionais, estabelecendo métodos para a compreensão do texto constitucional.

800. O que é nação?


R: “Nação é um conjunto de pessoas nascidas em um território, ladeadas pela mesma
língua, cultura, tradições, adquirindo uma mesma identidade sociocultural. São os
nacionais, distintos dos estrangeiros. São os brasileiros natos ou naturalizados”.
(Pedro Lenza)
“Nação designa um agrupamento humano homogêneo cujos membros, localizados
em território específico, são possuidores das mesmas tradições, costumes e ideais
coletivos. Vinculados (objetivamente) no aspecto histórico, cultural, econômico e
linguístico, estes indivíduos partilham, também, laços invisíveis, tais como a
consciência coletiva e o sentimento de comunidade”. (Nathalia Masson)

801. Artigo 5° - Inciso XXXV – Qual a diferença entre lesão e ameaça de direito?
R: .: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta

Tanto a lesão quanto a ameaça de direito consagram o princípio da inafastabilidade


do controle jurisdicional. A lesão trata de algo que já ocorreu efetivamente e a ameaça
de direito algo que pode acontecer, que ainda não aconteceu, englobando aí a tutela
preventiva.

802. Um brasileiro nato pode ser extraditado?


R: O art. 5°, LI da CF veda a extradição de brasileiro nato, excepcionando apenas
quanto ao naturalizado. Todavia, recentemente o STF decidiu ser possível a
extradição de brasileira nata, portadora de greencard que havia adquirido a cidadania
americana – e, consequentemente, perdeu a brasileira -, permitindo a extradição.

803. Um brasileiro nato pode perder sua nacionalidade?


R: De acordo com o art. 12, parágrafo 4° da CF, será declarada a perda da
nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) de
reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; b) de imposição de
naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro,
como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos
civis.

Direito Constitucional - Examinador: Carlos Afonso Gonçalves da Silva

804. Direitos, garantias, liberdades públicas e remédios constitucionais são termos


sinônimos? O que significam?
R: Direitos são normas que declaram a existência de interesse, portanto, são normas
declaratórias. Garantias são normas que asseguram o exercício do interesse, portanto,
são normas assecuratórias.
Ressalte-se que garantias não podem ser confundidas com remédio constitucional,
pois esse é instrumento processual que tem por objetivo assegurar o exercício de um
direito. Logo, todo remédio constitucional é uma garantia, mas nem toda garantia é
um remédio constitucional.

805. Citou quatro remédios constitucionais. Tem mais?


R: A) Habeas corpus (art. 5º, LXVIII). B) Habeas data (art. 5º, LXXII). C) Mandado
de segurança individual (art. 5º, LXIX). D) Mandado de segurança coletivo (art. 5º,
LXX). E) Direito de petição (art. 5º, XXXIV, a). F) Direito à certidão (art. 5º, XXXIV,
b). G) Mandado de injunção (art. 5º, LXXI). H) Ação popular (art. 5º, LXXIII). I)
Ação civil pública (art. 129, III).

806. O direito de petição é um remédio constitucional? Qual o seu entendimento?


R: Excelência, prevalece que o direito de petição (art. 5°, XXXIV, CF) é sim espécie
de remédio constitucional.
807. Recebendo uma petição, como Delegado, entende que não poderia analisá-la,
poderia deferi-la ou não?
R: Excelência, o Delegado de Polícia é dotado de discricionariedade e autonomia
funcional, devendo ter sua análise técnico-jurídica do fato respeitada. No caso, não
tendo autonomia para a análise, seria possível o encaminhamento à autoridade
responsável.

808. A Constituição Estadual fixa um prazo para que os documentos sejam


analisados, entre eles a petição. Qual seria esse prazo?
R: De acordo com o art. 97, III da CE, o prazo é de 30 dias.

809. Dentro da comunicação social, o que vem a ser o direito de antena?


R: O direito de antena compreende o direito de captar e transmitir ondas
eletromagnéticas. No Brasil, o direito de antena encontra-se vinculado a quem
transmite e a quem capta a transmissão, encontrando seu fundamento na Lei 6938/81
(Lei da Política Nacional do Meio Ambiente).

810. Direito do desporto → O que é direito de arena?


R: É a prerrogativa do esportista de impedir que terceiros, sem sua autorização,
divulguem sua imagem através de transmissões televisivas ou outros meios, ao
participar de competições ou jogos em locais aos quais o acesso público não é gratuito.
No Brasil, o direito de arena está previsto na Lei 9.615 de 1998, conhecida como Lei
Pelé.

811. Fale sobre o Poder Legislativo.


R.: Trata-se de um dos três poderes que tem como funções típicas a atividade
legislativa, inovando no ordenamento jurídico, bem como a fiscalizatória político-
administrativa e econômico-orçamentária. Já dentre suas funções atípicas, temos
atividades administrativas, como aquelas descritas nos artigos 51, IV e 52, XIII, da
CF, bem como as judiciais, nos termos do artigo 52, I e II, da CF, por exemplo.
Importante ainda destacar que o Poder Legislativo no âmbito federal é exercido pelo
Congresso Nacional, que possui estrutura bicameral (composto pelo Senado Federal
e pela Câmara dos Deputados, sem que haja predominância substancial de uma casa
sobre a outra). Já no âmbito estadual e municipal, será unicameral. Por fim, cabe
ressaltar que o quórum para deliberações no Congresso Nacional exige, em regra,
maioria simples, estando presentes a maioria absoluta de seus integrantes.

812. Quais as espécies normativas que o Congresso Nacional pode editar?


R.: Nos termos do artigo 59 da CF, o Congresso Nacional possui iniciativa para a
edição de Leis Ordinárias, Leis Complementares, Decretos Legislativos e Resoluções.
Importante destacar que se considerarmos separadamente as casas que o compõem,
ainda será cabível a propositura de Projeto de Emenda Constitucional.

813. Qual dessas normas é derivada do Poder Executivo?


R.: Nos termos do artigo 59 da CF, o Poder Executivo possui iniciativa para a
propositura de Leis Ordinárias, Leis Complementares, Medidas Provisórias e
Emendas Constitucionais. Ao chefe do Poder Executivo ainda será possível a
solicitação de autorização ao Congresso Nacional para a edição de Leis Delegadas
que, nos termos do artigo 68 da Magna Carta, poderá ser concedida por meio de
Resolução.

814. O que é uma Emenda Constitucional?


R.: É uma espécie normativa fruto do poder constituinte derivado reformador que
exige quórum e procedimento especial para sua aprovação. Se aprovada, será
agregada ao texto constitucional, tornando-se norma constitucional tanto quanto
aquelas previstas originariamente na CF, diferenciando-se apenas pela possibilidade
de serem objeto de controle de constitucionalidade.

815. O que é uma Medida Provisória?


R.: É uma espécie normativa primária com força de lei elaborada pelo chefe do Poder
Executivo, sob o fundamento de relevância e urgência, que demanda apreciação do
Poder Legislativo no prazo de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, automaticamente.
Ela possui eficácia imediata desde sua expedição.

816. É lei?
R.: Não, é um ato normativo provisório elaborado pelo chefe do Poder Executivo que
está previsto pela Constituição Federal como espécie normativa primária. Inclusive,
mister salientar a existência de doutrinadores que criticam o fato de sua previsão
constitucional estar inserida dentre as espécies normativas primárias, justificando que
isso ocorre em virtude do processo legislativo para sua conversão em Lei Ordinária.

817. Por que a Constituição Federal fala que a Medida Provisória tem força de
lei?
R.: Porque no momento de sua edição temos somente um ato normativo provisório e
não uma lei propriamente dita, o que só ocorre quando da aprovação pelo Congresso
Nacional, sendo que nesta oportunidade a Medida Provisória é convertida em Lei
Ordinária. Contudo, possui força de lei pelo fato de produzir efeitos desde sua edição
pelo chefe do Poder Executivo.

818. Quem é composto o Congresso Nacional?


R.: O Congresso Nacional é bicameral, sendo integrado pelo Senado Federal
(composto por representantes dos Estados/DF), bem como pela Câmara dos
Deputados (composta por representantes do povo), não havendo predominância
substancial de uma casa sobre a outra. Importante relembrar que no âmbito estadual
e municipal, o Poder Legislativo é unicameral.

819. Quando as duas Casas se juntam, como é composta mesa?


R.: Nas sessões conjuntas do Congresso Nacional, haverá um presidente da mesa (que
será o Presidente do SF), um vice-presidente (alternando entre um membro da CD e
do SF) e quatro secretários (com a mesma alternância).

820. O que é uma CPI?


R.: CPI é uma comissão parlamentar de inquérito dotada de poderes das autoridades
judiciais, formada mediante requerimento de 1/3 do Senado e da Câmara, em conjunto
ou separadamente, com o intuito de apurar fato determinado e por prazo certo. (Art.
58, §3º, CF)

821. Tem diferença entre uma CPI e uma CPMI?


R.: a CPMI é a comissão parlamentar mista de inquérito, ou seja, formada por
deputados e senadores. Formalmente esta é a única diferença, porquanto as atribuições
são as mesmas, mas na prática, vê-se que a CPMI é convocada em casos de maior
repercussão nacional, de forma a evitar confrontos entre as casas.
822. Qual ao critério de nacionalidade adotado no Brasil?
R.: O Brasil adota dois critérios para definir o brasileiro nato: o ius solis, que confere
a nacionalidade brasileira para aqueles que nascem em território nacional, com
exceção dos filhos de estrangeiros a serviço de seu país, e o ius sanguinis, cujo critério
é ser filho de pai ou mãe brasileira, desde que um deles esteja no exterior a serviço do
Brasil ou a criança seja registrada em repartição brasileira ou venha residir no Brasil
e opte pela nacionalidade brasileira. (Art. 12, I, da CF)

823. Cidadão se aposenta, vai para os estados Unidos, compra uma casa e vive
da aposentadoria. Pode perder a nacionalidade?
R.: O brasileiro nato pode perder a nacionalidade brasileira nessa hipótese apenas se,
mesmo não havendo qualquer empecilho para sua vida nos EUA, bem como não
sendo o caso de reconhecimento de nacionalidade originária, opte por nacionalizar-se
americano. (STF. 1ª Turma Ext 1462/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
28/3/2017 (Info 859))

824. Quais os entes políticos da Federação?


R.: União, estados-membros, distrito federal e municípios. (Art. 18, CF)

825. Quais deles têm Poder Executivo?


R.: Todos.

826. Quem os representa?


R. A União representada pelo Presidente da república, os estados e o DF pelo
Governador e os Municípios pelo Prefeito.

827. Impeachment do Presidente e do Vice-Presidente → Haveria momento em


que nova eleição seria realizada?
R.: se a vacância se der nos dois primeiros anos da legislatura, ocorrerão eleições
diretas no prazo de 90 dias da abertura da vaga, se ocorrer, contudo, nos dois últimos
anos, a vaga será preenchida por eleição indireta realizada pelo Congresso Nacional,
no prazo de 30 dias. (Art. 81, CF)
828. Quem são os substitutos legais do Presidente da República?
R.: Pela ordem sucessória: vice-presidente, presidente da Câmara, presidente do
Senado e presidente do STF (Art.80, CF)

829. Qual o papel do Conselho da República e Conselho da Defesa?


R.: Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República e
o seu papel é de se pronunciar sobre a intervenção federal, o estado de defesa e o
estado de sítio, bem como sobre questões relevantes para a estabilidade das
instituições democráticas. O Conselho de Defesa Nacional também é órgão de
consulta e está relacionado a assuntos que dizem respeito à soberania nacional e a
defesa do estado democrático, opinam sobre as hipóteses de declaração de guerra e
de celebração da paz dentre outros.

830. O parecer deles é vinculativo?


R.: Não, suas manifestações não terão, em hipótese alguma, caráter vinculatório aos
atos a serem tomados pelo Presidente da República (art. 89, caput).

831. O que caracteriza um poder como poder?


R.: Por ter na constituição, criada pelo poder constituinte originário (povo) as suas
atribuições, competências e o exercício de controle sobre os outros poderes,
caracteriza um poder da república que, no sendo técnico da palavra, não se trata de
um poder, e sim uma função, pois todo poder emana do povo, e este é uno, indivisível
e indelegável. (Direito constitucional esquematizado pedro lenza 2016- 20 ed. Pg.
597)

832. O que caracteriza uma estrutura de poder perante órgãos que não são?
R.: A hierarquia e divisão de competências internas. (obs. não tenho certeza, mas
diante dos conceitos de concentração e desconcentração do direito administrativo,
chego a essa conclusão).

833. Por que o Poder Judiciário é um poder e uma agência reguladora não?
R.: Porque o poder judiciário foi criado pelo poder constituinte originário como uma
das funções de Estado, juntamente com o legislativo e executivo, com atribuições,
competências e o exercício de controle sobre esses outros poderes; já a agência
reguladora não passa de uma autarquia especial, criada por lei, pelo instrumento da
descentralização administrativa, cuja finalidade é regular e/ou fiscalizar a atividade
de determinado setor da economia.

834. Nós temos somente três poderes?


R.: Sim, Segundo o art. 2º da cf. Art. 2º São Poderes da União, independentes e
harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

835. Uma universidade pública é um centro de poder?


R.: Não, as universidades públicas possuem natureza jurídica de autarquia com
autonomia administrativa e financeira, patrimônio próprio e atribuições específicas,
como o desenvolvimento do ensino, ciência e tecnologia. Possui capacidade de auto-
administração, mas sua autonomia é relativa.

836. É questão territorial ou de competência?


R.: É uma questão de competência, uma vez que a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) traça suas atribuições que dizem respeito ao oferecimento
de ensino superior e gratuito à população, além de realizar também pesquisas e
projetos de extensão.

837. Montesquieu falava de separação de poderes ou de funções?


R.: Falava em separação de funções, seriam elas a legislativa, executiva e judiciária.
Ensinava ele que poder só existia um, o povo, e era uno, indivisível e indelegável,
manifestando-se através de seus órgãos dando condução as três funções.

838. O que é função típica e atípica?


R.: A teoria da “tripartição de Poderes”, exposta por Montesquieu, foi adotada por
grande parte dos Estados modernos, só que de maneira abrandada. Isso porque, diante
das realidades sociais e históricas, passou-se a permitir uma maior interpenetração
entre os Poderes (sistema de freios e contrapesos), atenuando a teoria que pregava a
separação pura e absoluta deles. Assim, além do exercício de funções típicas
(predominantes), inerentes e ínsitas à sua natureza, cada órgão exerce, também, outras
duas funções atípicas (de natureza típica dos outros dois órgãos). Ex.: Poder
Legislativo  função típica = (i) legislar; (ii) fiscalização contábil, financeira,
orçamentária e patrimonial do Executivo / função atípica = (i) natureza executiva: ao
dispor sobre sua organização, provendo cargos, concedendo férias, licenças a
servidores etc.; (ii) natureza jurisdicional: o Senado julga o Presidente da República
nos crimes de responsabilidade (CF, art. 52, I).

839. Quando um poder atua em função atípica, precisa seguir as normas


constitucionais acerca daquela função que está exercendo? Por exemplo: as
decisões do Poder Judiciário devem ser fundamentadas. As decisões
administrativas também?
R.: Sim. Um órgão (Poder) só poderá exercer atribuições de outro, ou da natureza
típica de outro, quando houver expressa previsão (e aí surgem as funções atípicas) e,
diretamente, quando houver delegação por parte do poder constituinte originário,
como ocorre, por exemplo, com as leis delegadas do art. 68, cuja atribuição é delegada
pelo Legislativo ao Executivo. No exemplo da questão em exame, as decisões
administrativas tomadas pelo Judiciário, no exercício atípico de suas funções, também
deverão ser fundamentadas. Vide CF, art. 96, I, verbis: “Art. 96. Compete
privativamente: I – aos tribunais: (...) f – conceder licença, férias, e outros
afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente
vinculados;” Ora, se um servidor tiver seu direito a férias, no período por ele desejado,
negado pelo tribunal, essa decisão precisa ser fundamentada, sob pena de nulidade.

840. Há diferença entre o processo administrativo e o processo judiciário?


R.: Sim, há diferenças entre o processo administrativo e o processo judiciário. O
processo judicial se instaura sempre mediante provocação de uma das partes (o autor)
que, por ser titular de um interesse conflitante com o de outra parte (o réu), necessita
da intervenção de terceira pessoa (o juiz), o qual, atuando com imparcialidade, aplica
a lei ao caso concreto, compondo a lide. A relação jurídica é trilateral: as partes (autor
e réu) e o juiz. O processo administrativo, que pode ser instaurado mediante
provocação do interessado ou por iniciativa da própria Administração, estabelece uma
relação bilateral, “inter partes”, ou seja, de um lado, o administrado, que deduz uma
pretensão e, de outro, a Administração que, quando decide, não age como
terceiro, estranho à controvérsia, mas como parte que atua no próprio interesse e nos
limites que lhe são impostos por lei. Provocada ou não pelo particular, a
Administração atua no interesse da própria Administração e para atender a fins que
lhe são específicos. Justamente por isso alguns autores preferem falar em
“interessados” e não em “partes”; no entanto, partindo-se do conceito de “parte” como
aquele que propõe ou contra quem se propõe uma pretensão, é possível falar em
“parte” nos processos administrativos em que se estabelecem controvérsias entre
Administração e administrado. Dessa posição da Administração como parte
interessada decorre a gratuidade do processo administrativo, em oposição à
onerosidade do processo judicial. Neste, o Estado atua como terceiro, a pedido dos
interessados; movimenta-se toda a máquina do Poder Judiciário para resolver um
conflito de interesse particular. Naquele, o Estado atua, ainda quando provocado pelo
particular, no interesse da própria Administração. Daí não caber no processo
administrativo o princípio da sucumbência. Pela mesma razão, não pode a
Administração proferir decisões com força de coisa julgada, pois ninguém pode ser
juiz e parte ao mesmo tempo ou ninguém pode ser juiz em causa própria. Aliás, é essa
precisamente a distinção fundamental entre a função administrativa e a função
jurisdicional.

841. A análise pelo Poder Judiciário pode abarcar o mérito de uma decisão
administrativa?
R.: Com relação aos atos vinculados não existe restrição, pois, sendo todos os
elementos definidos em lei, caberá ao Judiciário examinar, em todos os seus aspectos,
a conformidade do ato com a lei, para decretar a sua nulidade se reconhecer que essa
conformidade inexistiu. Com relação aos atos discricionários, o controle judicial é
possível, mas terá que respeitar a discricionariedade administrativa nos limites em que
ela é assegurada à Administração Pública pela lei. Isto ocorre precisamente pelo fato
de ser a discricionariedade um poder delimitado previamente pelo legislador; este, ao
definir determinado ato, intencionalmente deixa um espaço para livre decisão da
Administração Pública, legitimando previamente a sua opção; qualquer delas será
legal. Daí por que não pode o Judiciário invadir esse espaço reservado, pela lei, ao
administrador, pois, caso contrário, estaria substituindo, por seus próprios critérios de
escolha, a opção legítima feita pela autoridade competente com base em razões de
oportunidade e conveniência que ela, melhor do que ninguém, pode decidir diante de
cada caso concreto. A rigor, pode-se dizer que, com relação ao ato discricionário, o
Judiciário pode apreciar os aspectos da legalidade e verificar se a Administração não
ultrapassou os limites da discricionariedade; neste caso, pode o Judiciário invalidar o
ato, porque a autoridade ultrapassou o espaço livre deixado pela lei e invadiu o campo
da legalidade.

842. Como é classificada a Constituição?


R.: A CF/88 singulariza-se por ser: promulgada, escrita, analítica, formal, dogmática,
rígida, reduzida, eclética, normativa (doutrina majoritária), principiológica, defnitiva
(ou de duração indefinida para o futuro), autônoma (autoconstituição ou
“homoconstituição”), garantia, dirigente, social e expansiva.

843. Guarda semelhança com alguma ideologia política?


R.: Pelo fato de a CF/88 ser eclética, pode-se dizer que seria formada por ideologias
conciliatórias. Nessa linha, alguns autores aproximam a eclética da compromissória.
De fato, parece possível dizer que a CF/88 é compromissória. Segundo Canotilho,
“numa sociedade plural e complexa, a Constituição é sempre um produto do ‘pacto’
entre forças políticas e sociais. Através de ‘barganha’ e de ‘argumentação’, de
‘convergência’ e ‘diferenças’, de cooperação na deliberação mesmo em caso de
desacordos persistentes, foi possível chegar, no procedimento constituinte, a um
compromisso constitucional ou, se preferirmos, a vários ‘compromissos
constitucionais’”.

844. Por que ela é rígida?


R.: A CF/88 é tida como rígida, visto que existe um processo de alteração mais árduo,
mais solene e mais dificultoso que o processo de alteração das demais espécies
normativas, daí a rigidez constitucional.

845. Que rito é esse?


R.: Trata-se do rito previsto no art. 60, § 2º, da CF/88, que preconiza acerca da emenda
à Constituição: “Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
(...) § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional,
em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos
votos dos respectivos membros.”

846. Quem é o titular do Poder Constituinte Originário?


R.: A titularidade do poder constituinte originário, como aponta a doutrina moderna,
pertence ao povo. Apesar disso, vale frisar que seu grande teórico, o abade de
Chartres, Emmanuel Joseph Sieyès, por meio do panfleto denominado “Que é o
terceiro Estado?”, apontava como titular a nação. Portanto, seguindo a tendência
moderna, o parágrafo único do art. 1º da CF/88 estabelece que todo poder emana do
povo.

ATENÇÃO: QUESTÕES 847 A 873 POSSUEM DUAS RESPOSTAS CADA


UMA POIS UM DOS COLEGAS SE EQUIVOCOU E RESPONDEU ÀS
PERGUNTAS DE MAIS DE UMA SEQUÊNCIA; RESOLVI MANTER AS
DUAS POIS SÓ TEMOS A GANHAR COM A DIVERSIDADE DE
RESPOSTAS

847.O artigo 22 da CF/88 prevê algumas competências privativas da União, dentre


eles o Direito Penal. O Estado de São Paulo está com um projeto para legislar a
esse respeito. É possível?
R.: Sim é possível. Em que pese a previsão do art. 22 , I, da CF, a qual dispõe que
compete privativamente à União legislar sobre Direito Penal, o parágrafo único do
mesmo artigo prevê uma exceção. Lei complementar federal pode autorizar os
Estados-membros a legislar sobre Direito Penal, porém, somente em questões
específicas de interesse local (§único, do art. 22 da CRFB/88). Sublinhe-se: questões
específicas; que pode ser: uma regra penal sobre trânsito em uma determinada
localidade, sobre meio ambiente em uma região. Logo, nenhum Estado está
autorizado a legislar sobre temas fundamentais do Direito Penal, os quais são de
incumbência da União.

R.: Depende. Se a matéria realmente é de Direito Penal somente será possível


mediante delegação da competência legislativa pela União ao Estado.

848. Como se opera o controle repressivo e preventivo da constitucionalidade?


R.: O controle preventivo é aquele que ocorre antes do aperfeiçoamento do ato
normativo, ou seja, no iter do processo legislativo. Tal controle pode ser realizado no
âmbito dos três Poderes: no Legislativo por meio das Comissões de Constituição e
Justiça; no Executivo por meio do veto presidencial (veto jurídico); e no Judiciário no
julgamento do mandado de segurança impetrado por parlamentar.

R.: O preventivo ocorre antes do nascimento jurídico da lei ou ato normativo, ou seja,
legitima mecanismos hábeis ao sujeito para impedir que o objeto maculado contamine
o ordenamento jurídico, por conta de não observar parâmetros constitucionais. O
repressivo é posterior a promulgação da lei ou ato normativo. Dispõe como norte o
objetivo de expulsar do ordenamento jurídico a norma acabada, incompatível com as
disposições previstas na Carta Maior.

849. Quais os poderes envolvidos?


R.: No Brasil a regra geral é a adoção do sistema de controle judicial repressivo.
Porém, há exceções, quase sejam: a) controle político preventivo: Legislativo por
meio das Comissões de Constituição e Justiça; no Executivo por meio do veto
presidencial (veto jurídico); b) controle político repressivo: Legislativo: quando o
Congresso susta os atos normativos do Executivo que exorbitem os limites da
delegação legislativa ou quando rejeita uma Medida Provisória; pelo Executivo
quando deixa de aplicar uma lei por entender que a mesma é inconstitucional.

R.: O Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

850. O Poder Judiciário pode fazer o controle preventivo?


R.: Sim, de forma excepcional. O controle judicial preventivo é um controle exercido
no iter do processo legislativo. Envolve um vício no processo legislativo, sendo que
esse vício será levado à análise do Judiciário via Mandado de Segurança. O órgão do
PJ competente para analisar o writ será o STF. Entretanto, tal controle de
constitucionalidade será caracterizado como in concreto e efetivado de modo
incidental. A legitimidade é somente dos parlamentares federais.

R.: Sim. O STF tem jurisprudência sedimentada no sentido de permitir ao membro do


Congresso nacional impetrar mandado de segurança contra projeto de lei que
desrespeite o processo legislativo ou contra projeto de emenda constitucional tendente
a abolir cláusula pétrea.
851. A senhora mencionou que o Poder Legislativo faz o controle via voto. No
plenário ou na atuação das comissões?
R.: O Poder Legislativo exerce o controle político preventivo por meio da Comissão
de Constituição e Justiça – CCJ, existente tanto na Câmara quanto no Senado.

R.: Em ambas as situações. Nas comissões, em especial na CCJ, o controle de


constitucionalidade é o foco principal. No plenário o parlamentar vota de acordo com
sua consciência ou de acordo com o determinado pelo partido, seja com o viés
político, técnico ou constitucional.

852. Os legitimados são os mesmos para a ADI e na ADCO?


R.: Sim. A partir da EC 45/04 a legitimidade para a ADC passou a ser a mesma da
ADI. Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação
declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do
Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da
Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito
Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso
Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
Quanto à ADO, a legitimidade também é a mesma, estando prevista na Lei 12.063/09.

R.: Sim. Conforme art. 103 e incisos da CF.

853. O que é um preceito fundamental?


R.: A definição não decorre de lei, trata-se de definição doutrinária e jurisprudencial.
Os preceitos fundamentais são entendidos como aquelas normas materialmente
constitucionais que fazem parte da Constituição formal. Ou seja, devem ser
compreendidos como o núcleo ideológico constitutivo do Estado e da sociedade
presente na Constituição formal. Em síntese, definimos eles como sendo as matérias
típicas fundantes do Estado e da sociedade alocadas na Constituição. Não há um rol
taxativo acerca de quais sejam as normas consideradas como preceitos fundamentais.
Para o STF configura um rol aberto e meramente exemplificativo, tais como : artigos
1 a 4, 5, 6, 14, 18, 34, inciso VII, 60, §4º, 170, 196, 205, 220, 222, 225, 226, 227, da
CF.

R.: A CF é omissa quanto ao conceito exato, mas majoritariamente entende-se serem


os direitos fundamentais (notadamente art. 5o da CF), as cláusulas pétreas (art. 60, §4o
da CF) e os princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII, da CF).

854. Pode ser alterado por EC?


R.: Os preceitos fundamentais são mais abrangentes que as cláusulas pétreas, não
sendo todos aqueles considerados cláusulas pétreas. Assim como possível a alteração
(não supressão) via emenda constitucional de cláusulas pétreas, também cabível a
modificação de preceitos fundamentais. Prevalece a posição que entende que as
matérias constantes o artigo 60, §4º, da CF podem ser modificadas (alteradas) desde
que sejam para sofisticá-las, sem ocorrer sua supressão, descaracterizando o núcleo
essencial desenvolvido pelo Poder Constituinte Originário.

R.: Sim. Deve-se atentar ao princípio da proteção ao retrocesso social, bem como a
vedação do art. 60, §4, da CF, mas o que se proíbe é a abolição desses preceitos.
Permitida, portanto, a mera alteração dessas normas.

855. O que é uma reclamação constitucional? É uma ação?


R.: A Reclamação é um instrumento jurídico com status constitucional que visa
preservar a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) e garantir a autoridade
de suas decisões. Prevista no artigo 102, inciso I, alínea “i”, da Constituição Federal.
reclamação, analisada à luz da norma processual que expressamente regulamenta o
seu procedimento, não é, recurso ou sucedâneo recursal. Tem a natureza de ação
originária autônoma. A Constituição Federal prevê a reclamação apenas no âmbito
da competência originária do STF e do STJ.

R.: A reclamação, analisada à luz da norma processual que expressamente


regulamenta o seu procedimento, não é, recurso ou sucedâneo recursal. Tem a
natureza de ação originária proposta no tribunal e distribuída ao relator que proferiu
a decisão ou acórdão cuja tese jurídica não é aplicada ou respeitada em ato
administrativo, outra ação ou mesmo em outro recurso ainda pendente de julgamento.
Salienta-se que a reclamação constitucional possui previsão na CF/88, na Lei
11.417/06 e no Novo CPC, com as respectivas hipóteses de cabimento.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe:
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de
suas decisões;
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação,
mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre
matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa
oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem
como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou
que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que,
julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial
reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso.
Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três
Ministros.
f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de
suas decisões;
Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros,
escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e
cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente
da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo:
§ 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente,
a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas
decisões.
Lei 11.417/2006 (art. 70):
Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula
vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao
Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de
impugnação. Ver tópico (5314 documentos)
§ 1o Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será
admitido após esgotamento das vias administrativas. Ver tópico (232 documentos)
§ 2o Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato
administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja
proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso.
O Novo CPC, além de repetir essas três hipóteses acima elencadas (art. 988, I, II e III
do NCPC), cria novas hipóteses no inciso IV, vejamos:
Garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução
de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência.

856. O que é Poder Constituinte Decorrente?


R.: É o poder investidos aos Estados Membros para elaborar sua própria constituição,
sendo assim possível a estes estabelecer sua auto-organização.

R.: É a descentralização de competências legislativas constitucionais, onde o ente


federado elabora sua própria constituição e a promulga, sem que seja possível ou
necessária uma intervenção ou a aprovação desta Constituição por outra esfera de
poder federal.

857. Como funcionou na CF/88?


R.: No caso da Constituição de 1988, esta estabelece limites materiais expressos e
obviamente implícitos, deixando para o poder constituinte decorrente, que é
temporário (assim como o originário), prever o seu funcionamento, e o funcionamento
do seu próprio poder de reforma e seus limites formais, materiais, circunstanciais e
temporais.

R.: A repartição de competências no nosso Estado federal ocorre da seguinte forma:


os Estados membros detém competência legislativas ordinárias, jurisdicionais,
administrativas e o poder constituinte decorrente, de elaborar suas próprias
constituições, além é claro, do poder de reforma de suas constituições; o Distrito
Federal também se tornou ente federado a partir de 1988 mas com características
diferenciadas. O D.F. detém competências legislativas ordinárias e administrativas,
que podem ser organizadas pelo seu poder constituinte decorrente (competência
legislativa constitucional própria), e possui o seu próprio Judiciário e Ministério
Público, que, entretanto não poderão ser organizados por sua constituinte, mas serão
organizados pela União para o Distrito Federal, por razão de segurança nacional.
Detém, também, é claro, o poder de reformar sua Constituição (chamada de Lei
Orgânica, o que não muda a sua natureza de poder constituinte decorrente, portanto
de Constituição). Majoritariamente, entende-se que os Municípios não detêm poder
constituinte decorrente.

858. O que aconteceu com a nossa Federação em relação aos demais países que
de federação passaram a ser autônomos? - tenho dúvida com relação à essa
resposta.
R.: No Brasil a federação se deu de forma centrífuga, de dentro para fora, a partir de
um Estado unitário que se descentralizou. Nos Estados Unidos cada Estado cedeu
parte de sua soberania a um órgão central, responsável pela unificação, não sendo
mais admitido o direito de secessão (ou retirada). Neste momento, formaram-se, por
meio de um pacto federativo, os Estados Unidos da América, todos autônomos entre
si, consistindo na federação centrípeta, ou por aglutinação.

R.: Não sei se entendi bem a pergunta. Mas em alguns países, em que pese não serem
uma federação, há concessão de autonomia a determinada ou determinadas regiões do
país, como no caso de Barcelona na Espanha. No Brasil, o poder central, a União, tem
sua limitação expressa na CF e deve respeitar a autonomia dos entes federados em
todo o território nacional. A exceção seria a criação de território federal.

859. A autonomia se confunde com a soberania?


R.: Soberania e autonomia são dois conceitos diferentes, a autonomia é o exercício do
poder dentro do território nacional, ou seja, a União, os Estados, o Distrito Federal e
Municípios são todos autônomos e possuem poder dentro de seu território, não
podendo invadir o do outro, pois há um limite estipulado pela Constituição. A
soberania é a autoridade suprema, o exercício do poder sem limites. Ocorre entre
estados e países independentes, então cada um faz o que quer e vai até o limite de suas
forças. A República Federativa do Brasil, de acordo com o art. 1º da Constituição é
soberana.
R.: Não. Autônomos são entes ou órgãos com poderes de auto-organização e
autotutela, mas sempre subordinados, de alguma forma, ao poder Estatal Soberano.
Soberania somente um Estado-Nação possui, poder esse de certa forma ilimitado e
protegido pelo princípio da não intervenção dos povos.

860. Quais são as características do federalismo brasileiro?


R.: 1- Autonomia: É a principal característica do federalismo. São três as capacidades
possuidas pelos entes do estado federal: Autolegislação, Autogoverno e
Autoadministração. 2 – Participação na vontade geral: Uma forma de os Estados
membros participarem da vontade Geral é através da eleição dos Senadores Federais,
bem como a possibilidade de propor emenda constitucional (art.60, 3, C.F). Os
municípios não exercem significativa participação no poder geral. 3 – Princípio da
indissolubilidade: Que impede cada um dos entes da Federação de romper com a
União. 4 – Constituição Rígida: Que preveja um núcleo imodificável, as cláusulas
pétreas, que institui como imutável o Federalismo (art. 60. C.F). 5 – Controle de
Constitucionalidade: irá assegurar que tanto a União quanto os Estados membros
exerçam suas funções autonomamente sem intervenção de um em outro.

R.: 1 – Autonomia: É a principal característica do federalismo, são três as capacidades


possuídas pelos entes do estado federal que demonstram a autonomia que igualmente
possuem: Autolegislação; Autogoverno; Autoadministração. 2 – Participação na
vontade geral: uma forma de os Estados membros participarem da vontade Geral é
através da eleição dos Senadores, bem como a possibilidade de propor emenda
constitucional . 3 – Princípio da indissolubilidade: que impede cada um dos entes da
Federação de romper com a União. 4 – Constituição Rígida: que prevê um núcleo
imodificável, as cláusulas pétreas, que institui como imutável o Federalismo. 5 –
Controle de Constitucionalidade: que irá assegurar que tanto a União quanto os
Estados membros exerçam suas funções autonomamente sem intervenção de um em
outro.

861. Uma EC à Constituição Estadual poderia criar um Poder Judiciário nos


Municípios?
R.: não seria possível a criação de um Poder Judiciário municipal através de EC à
Constituição Estadual, tendo em vista que tal assunto não è de competência dos
Estados-membros.

R.: Entendo que sim, pois não haveria afronta a forma federativa de Estado e nem a
nenhuma outra cláusula pétrea.

862. Qual o princípio aplicado?


R.: ocorreria violação ao princípio da separação de poderes (art. 2° da CF), bem como
violação a competência privativa da União, tendo em vista que o art. 22, XVII, da CF
afirma ser competência privativa da União legislar sobre organização judiciária.

R.: Talvez o princípio da isonomia, vez que majoritariamente entende-se o Município


como ente federativo.

863. A Defensoria Pública consta da CF/88 desde a sua origem?


R.: A Defensoria Pública encontra previsão constitucional desde a origem da
Constituição Federal de 1988, constando no rol das Funções Essenciais da Justiça,
contudo, tal instituição ganhou maior notoriedade e força após algumas Emendas
Constitucionais, a exemplo da EC 45/04 e 80/14.

R.: Sim, consta do texto originário, por exemplo, o art. 24, XIII, da CF.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente
sobre:
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;

864. Qual a diferença entre direitos, garantias e remédios constitucionais?


R.: Direitos são normas que declaram a existência de interesse, portanto, são normas
declaratórias. Garantias são normas que asseguram o exercício do interesse, portanto,
são normas assecuratórias. Ressalte-se que garantias não podem ser confundidas com
remédio constitucional, pois esse é instrumento processual que tem por objetivo
assegurar o exercício de um direito. Logo, todo remédio constitucional é uma garantia,
mas nem toda garantia é um remédio constitucional.

R.: Os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, enquanto as


garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos
direitos (preventivamente) ou prontamente os repara, caso violados. Os remédios
constitucionais são espécies do gênero garantias. São as garantias expressamente
previstas no texto constitucional (ex: habeas corpus, habeas data, MS...).

865.Entende que há uma imprecisão técnica na CF/88 quanto à definição de


direitos e garantias?
R: NÃO SEI SE RESPONDI CERTO
Não há imprecisão. Os direitos seriam bens e vantagens prescritos na norma
constitucional, enquanto as garantias são instrumentos através dos quais se assegura
o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara em caso
de violação.

R.: Sim. O Texto não os diferencia.

866. Há confusão no texto da CF/88?


R: vide resposta anterior
R.: Sim.

867. Dê um exemplo?
R.: Art. 5º é inviolável a liberdade de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos ( direito) , garantindo-se na forma da lei a proteção dos locais de
cultos e suas liturgias (garantia).

R.: O direito ao salário mínimo, tratado como garantia no art. 7o, VII.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem
remuneração variável;

868. Defina imagem retrato e imagem atributo.


R: A Imagem-retrato envolve o direito à reprodução gráfica da figura humana. A
exemplo de uma fotografia utilizada sem autorização expressa da titular, seria uma
violação a esse direito. Já a Imagem-atributo consiste no conjunto de atributos
cultivados pelo próprio indivíduo e socialmente reconhecidos. A exemplo da honra
objetiva (sociedade perante o indivíduo) e honra subjetiva (indivíduo perante a si
mesmo).

R.: A imagem-retrato decorre da própria identidade física da pessoa (art. 5o, X, CF).
Seria uma cláusula geral de tutela e promoção da dignidade humana. A imagem-
atributo corresponde ao conjunto de características apresentadas socialmente pela
pessoa física ou jurídica (art. 5o, V, CF), também merecedora de tutela constitucional,
com características próprias.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização
por dano material, moral ou à imagem;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;

869. É constitucional uma empresa exigir exame toxicológico para admissão de


um funcionário? Qual a sua posição?
R: Até o momento do STF não se manifestou sobre o assunto , entretanto , há decisões
de tribunais admitindo a realização do exame toxicológico nos casos em que a função
a ser exercida exija e se revele adequado ao fim a que se destina. Podemos citar o
exemplo dos motoristas profissionais em que o referido exame irá contribuir para
aumentar a segurança da coletividade usuária das estradas brasileiras .
Entendo que a depender do caso , a exigência será constitucional . Desde que não
viole a dignidade da pessoa humana , seja proporcional e se revele adequado ao fim a
que se destina. Importante mencionar que no âmbito do provimento de cargos
públicos na área de segurança pública , a exigência de exame admissional é
perfeitamente possível em razão da natureza do cargo a ser exercido.

R.: Deve-se ponderar os princípios constitucionais afetos ao tema, como a intimidade,


liberdade, segurança pública, e verificar, com base no postulado da proporcionalidade
(adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito) se tal exame deve
prevalecer. A minha posição é no sentido de entender que a depender do tipo de
empresa tal exigência pode ser considerada constitucional ou inconstitucional.

870. Política de cotas em universidades → Do que se trata? Para que serve?


R: São ações afirmativas em que a partir de uma realidade histórica de marginalização
social ou de hipossuficiência decorrente de outros fatores, cuidou-se de estabelecer
medidas de compensação , buscando concretizar , ao menos , em parte , uma igualdade
de oportunidades com os demais indivíduos que não sofreram as mesmas espécies de
restrições . Nesse sentido, o STF declarou constitucional um percentual de reserva de
vagas para negros nas universidades públicas.

R.: Se trata de ação afirmativa. Política social para conceder a isonomia material aos
que nascem desiguais perante a sociedade. Serve para garantir um acesso ao ensino
superior em igualdade de condições a todas as pessoas.

871. Quem define se uma pessoa é ou não afrodescendente?


R: Será utilizado a autodeclaração , de critérios subsidiários de heteroidentificação,
desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantido o direito a ampla
defesa.

R.: Esse é um tema polêmico, principalmente num país miscigenado como o nosso.
Normalmente as normas dão preponderância ao fenótipo das pessoas.

872. O Brasil é um Estado Democrático, um Estado de Direito ou um Estado


Democrático de Direito?
R: De acordo com a constituição, “ A República Federativa do Brasil constitui-se em
um regime jurídico de Estado Democrático, este princípio alicerçado na soberania
popular foi marcado no texto de 1988 pela cláusula do parágrafo único do artigo 1º,
ao se estabelecer que todo o poder emana do povo e é exercido por meio de
representantes eleitos ou diretamente. “Estamos diante da democracia semidireta ou
participativa, um ‘sistema híbrido’, uma democracia representativa, com
peculiaridades e atributos da democracia direta”.
R.: Conforme o art. 1o da CF, o Brasil é um Estado Democrático de Direito, vez que
existe o cuidado pelos direitos humanos e pelas e garantias fundamentais.
Diferentemente de um país meramente democrático ou de Direito, em que tais
preocupações não são necessárias.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

873. Qual a diferença entre o Estado de Direito e o Estado Democrático?


R: O Estado de direito é aquele em que vigora o império das leis e foi adotado para
em oposição aos Estados absolutistas em que tudo era decidindo e imposto pela
vontade ilimitada de seus governantes. Com o estabelecimento do Estado de Direito
em que vigorava o princípio da legalidade formal verificou-se uma superação dos
estados absolutistas, entretanto, ao longo do tempo surgiram distorções sociais pela
carência de legalidade material, e consequentemente esta falta de sentimento social
foi solapando a legitimidade da norma tornando-a pervertida. Este fator foi
determinante para a transformação do Estado de Direito para o novo Estado
Democrático de direito, onde neste as normas são reconhecidas pelos valores sociais.

R.: O Estado Democrático é alicerçado na soberania popular, principalmente na


escolha do seu governante, mas se o Estado não for de Direito esse governante pode
vir a se tornar um déspota. No Estado de Direito, mesmo o governante não tendo sido
eleito pelo povo, deve respeito às leis.

874. Historicamente falando, qual a origem da democracia?


R.: O enriquecimento dos comerciantes os levaram a pressionar para conseguirem
uma maior participação política, já que o poder estava nas mãos dos aristocratas, os
proprietários de terras. Havia também uma insatisfação dos pequenos proprietários,
que pediam que as terras fossem redistribuídas e que se acabasse a escravidão por
dívidas. Assim, dois grupos, os comerciantes e pequenos proprietários, passaram a
pressionar os aristocratas por uma fatia maior de poder na organização política.

875. Quando teve origem e em que país?


R.: A democracia constituiu durante um período (510 a.C. a 404 a.C.) a forma de
organização política dos cidadãos atenienses. Foi na cidade-Estado de Atenas que pela
primeira vez na História uma forma de governo democrática existiu.

876. Qual a diferença entre os direitos sociais e os direitos individuais?


R.: Direito individual (de 1a dimensão) é o que você tem como indivíduo: a vida, a
propriedade e a inviabilidade da casa e a se defender perante a justiça. Os direitos
sociais (2a geração), são os que você tem como ser social: educação, saúde, transporte,
moradia e etc. O direito individual, em regra, obstam o Estado de interferir na vida
privada do indivíduo. Enquanto o social, como regra, demanda uma atuação estatal
para proteger o cidadão e promover uma igualdade material.

877. Uma EC pode retirar um dos direitos previstos no artigo 6º da CF/88?


R.: Não. Em que pese o art. 60, §4, IV da CF fazer referência a “direitos individuais”,
majoritariamente, tendo como referência o princípio do não retrocesso social, da
unidade da Constituição, fazendo interpretação autêntica, sistemática, histórica, tal
expressão deve ser lida como “direitos fundamentais”.

878. O artigo 60, §4º, da CF/88 é uma cláusula pétrea?


R.: Sim. Majoritariamente na doutrina e sendo a posição do STF, inviável permitir a
dupla reforma constitucional. Entende-se que permitir modificação de tal norma
afrontaria a real intenção do legislador originário, que foi tornar imutável o núcleo
sensível do Estado Democrático de Direito.

879. Que direito garante?


R.: Se entendi a pergunta, O artigo 60, §4º, da CF/88 garante o direito ao Estado
Democrático de Direito, os direitos fundamentais, os direitos humanos, a primazia da
Constituição.
880. Lembra-se da minoridade penal na CF/88?
R.: Não sei se está se referindo à polêmica da redução de menoridade penal. Alguns
sustentam que seria inconstitucional por ferir cláusula pétrea ligada a direitos
individuais quanto a inimputabilidade.

881. É cláusula pétrea?


R.: Entendo que a inimputabilidade penal é cláusula pétrea, direito fundamental da
pessoa em desenvolvimento. Porém, se seria possível reduzir a menoridade é tema
complexo que demanda amplo debate e análise.

882. As cláusulas pétreas quanto a direitos fundamentais constam somente no


artigo 5º e 6º da CF/88?
R.: Não. Constam ao longo do texto constitucional e até fora dele, como na Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Decreto Nº 6.949/09.

Examinador: FABIOLA DE OLIVEIRA ALVES

883. Em que consiste a tríplice autonomia dos municípios?


R.: Os Municípios alçados à categoria de entes federados autônomos pela CF/88,
possuem como autonomia: a auto-organização, vez que possuem normatização
própria – lei orgânica municipal e leis municipais (conforme art. 29 da CF);
autogoverno com Poder Executivo (prefeito) e Poder Legislativo (Câmara de
Vereadores) próprios; e, por fim, autoadministrativa, vez que possui exercício de
competências administrativas, legislativas, financeiras/ tributárias (conforme as
próprias normas constitucionais que estabelecem repartição de competências entre os
entes federados) para dar praticidade à sua auto-organização e seu autogoverno.

884. Como são votadas as leis orgânicas municipais?


R.: As leis orgânicas municipais representam verdadeira manifestação da auto-
organização do ente municipal. Trata-se de verdadeira norma de regência dos
Municípios, servindo de verdadeiro parâmetro de verticalização hierárquica a todo
plexo normativo produzido pela edilidade (leis, atos normativos e atos administrativos
municipais).
O art. 29, caput, da CF/88 estabelece que a lei orgânica será votada em dois turnos,
com o interstício mínimo de dez dias entre cada votação, e, ainda, deverá ser aprovada
por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que, após, a promulgará.

885. O que se entende por direito constitucional?


R.: Excelência, para Pontes de Miranda: “é a parte do Direito Público que fixa os
fundamentos estruturais do Estado”. Para Meirelles Teixeira: “é o conjunto de
princípios e normas que regulam a própria existência do Estado moderno, na sua
estrutura e no seu funcionamento, o modo de exercício e os limites de sua soberania,
seus fins e interesses fundamentais, e do Estado brasileiro, em particular”. Para José
Afonso da Silva: “é ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os
princípios e normas fundamentais. O Direito Constitucional é a ciência positiva das
constituições”. Para Uadi Lammêgo Bulos: “ciência encarregada de estudar a teoria
das constituições e o ordenamento positivo dos Estados”; “é a parcela da ordem
jurídica que compreende a ordenação sistemática e racional de um conjunto de normas
supremas encarregadas de organizar a estrutura do Estado e delimitar as relações de
poder.” Para Luís Roberto Barroso: “como ciência do direito, ordena elementos e
saberes diversos, relacionados a aspectos normativos do poder político e dos direitos
fundamentais; como direito constitucional positivo, é o conjunto de normas jurídicas
em vigor com status de norma constitucional; como direito subjetivo, expressa a
possibilidade do beneficiário de uma norma de fazê-a atuar em seu favor."

886. Em que consiste o estado de sítio?


R.: Excelência, o estado de sítio é uma medida excepcional, integrante do sistema
constitucional de crises. Trata-se de medida mais gravosa que o Estado de Defesa,
pois estamos diante de situações que acarretam grave comoção nacional, conflito
armado envolvendo um Estado estrangeiro, ou em situações em que o Estado de
Defesa já fora decretado e mesmo assim se mostrou controle ineficiente ou
inadequado à solução da crise. Contudo, deve-se ressaltar que, por vezes, a crise se
demonstra de gravidade tão profunda que pode se decretar o estado de sítio sem ao
menos, antes, tentar a correção pelo estado de defesa.

887. Quem decreta?


R.: O Presidente da República, após ouvir o Conselho da República e o Conselho de
Defesa Nacional, que emitirão posição, apenas em caráter consultivo, enviará
fundamentação das razões de estado de sítio ao Congresso Nacional (que deverá
autorizar ou não a decretação por deliberação de maioria absoluta de seus membros),
conforme dispõe o art. 137 da CF/88. Somente, após a deliberação e aceitação do
Congresso Nacional é que o Presidente da República poderá decretar o estado de sítio,
nos moldes constitucionais.

888. O que ocorre se o congresso não aceitar a decretação?


R.: A autorização do decretação do estado de sítio pelo Congresso Nacional representa
verdadeiro controle político prévio sobre esta medida de controle de crise
constitucional. A decretação do estado de sítio trata-se de espécie de ato
administrativo composto (entre as autoridades da Presidência da República e do
Congresso Nacional), sendo que sem a aprovação do Congresso Nacional o ato não
se aperfeiçoa, não produzindo nenhum efeito jurídico.

889. Quais as hipóteses de determinação (leia-se, intervenção) federal nos estados


e no DF?
Obs.: Conforme conversa com os colegas no grupo - ante a peculiaridade do
termo “determinação” e, também, por ser uma questão que vem na sequência de
outras questões que versam sobre sistema de controle de crises constitucionais,
tomei a liberdade de trocar o termo “determinação” (aparentemente equívoco),
pelo termo “intervenção”.
R.: O instituto da intervenção possui natureza jurídica de ato político, e constitui-se
na incursão da entidade interventora nos negócios da entidade que a suporta.
Tal instituto é a antítese da autonomia dos entes federados, uma vez que, quando
aplicado o instituto da intervenção, se afasta momentaneamente a atuação autônoma
dos Estados, Distrito Federal ou Município que a tenha sofrido.
Importante notar que a Constituição Federal Brasileira de 1988 assegura como regra
o princípio da não intervenção, ou seja, garante-se aos entes federados sua autonomia,
sendo a intervenção uma medida excepcional, somente ocorrendo nos casos
taxativamente estabelecidos e indicados nos artigos 34 e 35 da Constituição Federal.
As hipóteses que autorizam a União nos Estados e no DF (uma vez que a União
somente poderá intervir em Municípios de Territórios Federais, se houver a divisão
Municipal nestes) estão previstas no art. 34 da CF/88, quais sejam: manter a
integridade nacional; repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em
outra; pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; garantir o livre
exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação e prover a execução de
lei federal, ordem ou decisão judicial.
O mencionado dispositivo prevê ainda a possibilidade de intervenção da União nos
Estados e no DF para reorganizar as finanças da unidade da Federação que: suspender
o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de
força maior; e, deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta
Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei.
Por último, a constituição permite e intervenção federal para a proteção dos chamados
princípios constitucionais sensíveis, quais sejam: forma republicana, sistema
representativo e regime democrático; direitos da pessoa humana; autonomia
municipal; prestação de contas da administração pública, direta e indireta; e, aplicação
do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas
ações e serviços públicos de saúde.
Outrossim, vale ressaltar que atualmente encontramos como exemplo do instituto, a
intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, estabelecida pelo decreto nº
9.288/18, possuindo o objetivo de colocar termo ao grave comprometimento da ordem
pública. Tal intervenção possui prazo de encerramento previsto para o dia 31 de
dezembro de 2018. Tal intervenção está sendo questionada no Supremo Tribuna
Federal na ADI 5915.

890. Ministério público e poder de investigação – Qual a posição do candidato?


Obs.: Como minha opinião de pouco vale para construirmos o melhor
conhecimento aqui (que é a proposta do grupo), formarei dois quadros abaixo:
um com posições favoráveis aos poderes de investigação do MP (posição inclusive
da jurisprudência do STF) e outro quadro contrário ao poder de investigação do
MP (posição boa para adotarmos neste concurso).

POSIÇÃO FAVORÁVEL – POSICÃO DO STF NO RE 593.7271

1
https://www.dizerodireito.com.br/2015/05/plenario-do-stf-decide-que-ministerio_15.html
Embora a CF/88 não mencione expressamente que o MP tem poder para
investigar crimes, adota-se aqui a teoria dos poderes implícitos.
Segundo essa doutrina, nascida nos EUA (Mc CulloCh vs. Maryland – 1819),
se a Constituição outorga determinada atividade-fim a um órgão, significa
dizer que também concede todos os meios necessários para a realização dessa
atribuição.
A CF/88 confere ao MP as funções de promover a ação penal pública (art. 129,
I). Logo, ela atribui ao Parquet também todos os meios necessários para o
exercício da denúncia, dentre eles a possibilidade de reunir provas para que
fundamentem a acusação.
Ademais, a CF/88 não conferiu à Polícia o monopólio da atribuição de
investigar crimes. Em outras palavras, a colheita de provas não é atividade
exclusiva da Polícia.
Desse modo, não é inconstitucional a investigação realizada diretamente pelo
MP.
Esse é o entendimento do STF e do STJ.
Além da doutrina dos poderes implícitos, podemos citar como fundamento
constitucional que autoriza, de forma implícita, o poder de investigação do MP,
o art. 129 da CF em seus incisos: I, VI, VII, VIII e IX; assim como do art. 8º,
I, V e VII da LC 75/93.

Decisão do Plenário do STF – RE 593.727:


O STJ e a 2ª Turma do STF possuíam diversos precedentes reconhecendo o
poder de investigação do Ministério Público.
Contudo, no dia 14/05/2015 esse entendimento foi reafirmado agora pelo
Plenário do STF no julgamento do RE 593727, submetido a repercussão geral.
No julgamento, o Plenário do STF reconheceu a legitimidade do Ministério
Público para promover, por autoridade própria, investigações de natureza
penal, mas ressaltou que essa investigação deverá respeitar alguns parâmetros
(requisitos).
Parâmetros que devem ser respeitados para que a investigação conduzida
diretamente pelo MP seja legítima
1) Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos
investigados;
2) Os atos investigatórios devem ser necessariamente documentados e
praticados por membros do MP;
3) Devem ser observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição,
ou seja, determinadas diligências somente podem ser autorizadas pelo Poder
Judiciário nos casos em que a CF/88 assim exigir (ex: interceptação telefônica,
quebra de sigilo bancário etc);
4) Devem ser respeitadas as prerrogativas profissionais asseguradas por lei aos
advogados;
5) Deve ser assegurada a garantia prevista na Súmula vinculante 14 do STF
(“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa”);
6) A investigação deve ser realizada dentro de prazo razoável;
7) Os atos de investigação conduzidos pelo MP estão sujeitos ao permanente
controle do Poder Judiciário.

POSIÇÃO CONTRÁRIA – BOM POSICIONAMENTO PARA SE


DEFENDER NO NOSSO CONCURSO2 - são 9 contra-argumentos que
rebatem os argumentos mais recorrentes pelo MP.
1º. Parcialidade no polo ativo e quebra da igualdade das partes:
O ordenamento jurídico processual brasileiro está fincado na concepção de que
as investigações preliminares, que constituem a fase preparatória da persecutio
criminis, devem ser realizadas pelas autoridades policiais, ainda que sob o
controle do Ministério Público. Esta concepção tem em conta a necessidade de
garantir-se a equitatividade do processo penal, em cujo curso se deve assegurar
às partes a igualdade de armas. Assim, entre nós, nos crimes de competência
da Justiça Federal, a Polícia Federal é o órgão encarregado de presidir as
investigações, que serão, a seguir, encaminhadas ao Ministério Público

2
http://www.guilhermenucci.com.br/sem-categoria/ministerio-publico-e-investigacao-criminal-
verdades-e-mitos
Federal, que é o titular do direito de ação penal pública. Se estes papéis forem
respeitados, como tem sucedido com preocupante frequência, tem-se clara
violação do preceito constitucional referente ao devido processo legal (…). O
grave inconveniente que se cria com este desrespeito às funções de cada
instituição (Polícia, Ministério Público, Magistratura) reside na parcialidade
que se estabelece. Se o Procurador da República se traveste de policial, pode
ele adotar, desde logo, no início das investigações, um determinado ponto de
vista, que tenderá a manter ao longo de todo o procedimento, tornando-se
indiferente a qualquer outra alternativa probatória3.
2º. A investigação criminal é atribuição exclusiva da polícia judiciária:
O nosso ordenamento constitucional e infraconstitucional veda completamente
que o Ministério Público exerça as funções de polícia judiciária. Nos termos
da Constituição Federal, a polícia judiciária da União é exercida, com
exclusividade, pela Polícia Federal. É o que estabelece o art. 144, em seu § 1o:
(…). Em matéria penal, todavia, a Constituição Federal determina tão somente
que o Parquet pode ‘requisitar diligências investigatórias e a instauração de
inquérito policial’ (cf. Inciso VIII, do art. 129).
O artigo 144, § 1º, I a IV, e § 4º, CF, atribui de forma expressa às Polícias
Federal e Civil a apuração de infrações penais. Ao Ministério Público, a CF
atribui a função de exercer o controle externo da atividade policial e não a de
substituí-la (artigo 129, VII). A CF não permite a figura de promotor
investigador. O escopo do inciso VI do art. 129 da CF/88 (que atribui ao
Ministério Público poderes para expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos
para instruí-los) está restrito aos inquéritos civis públicos e outros também de
natureza administrativa, como os preparatórios de ação de
inconstitucionalidade ou de representação por intervenção. O inquérito
criminal é disciplinado em inciso diverso (VIII) e quanto a ele a atuação do
Parquet se limita à requisição de instauração do próprio inquérito e de
diligências investigatórias.

3
José Carlos Fragoso expõe (São ilegais os procedimentos investigatórios realizados pelo Ministério
Público, http://www.fragoso.com.br/ptbr/arq_pdf/artigos/arquivo60.pdf.
3º. As normas constitucionais e infraconstitucionais não autorizam a
investigação criminal:
Quanto aos poderes atribuídos ao Ministério Público, na Constituição Federal,
tais como requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquéritos
policiais, indicando os fundamentos jurídicos de suas manifestações
processuais, que configuram os limites investigatórios dos membros do
Ministério Público, que não podem mais do que requisitar diligências
investigatórias e a instauração de inquérito policial. Requisitar a que órgãos?
Àqueles que a Constituição deu competência para a apuração de infrações
penais, que são a Polícia Federal e a Polícia Civil (art. 144, §§ 1º, I e IV, e 4º).
As requisições têm de estar devidamente respaldadas por fundamentos
jurídicos de suas manifestações processuais. Nisso se resume a função
investigativa do Ministério Público. Apesar disso, o Ministério Público, por
atos normativos internos, vem dando-se o poder de investigação criminal
direta. Isso vai para além de sua competência, porque a função investigativa –
ou seja, as funções de polícia judiciária e de apuração de infrações penais – foi
atribuída à Polícia Civil (art. 144, §§ 1º e 4º). Não se tem aqui um modelo de
Ministério Público correspondente ao italiano, onde a Polícia Judiciária
funciona sob dependência e direção da autoridade judiciária por serviços de
polícia judiciária previstos em lei e pelas seções de polícia judiciária instituídas
junto a alguma Procuradoria da República, subordinados, pois, ao respectivo
procurador da República (Ministério Público).
Desta forma, não há autorização normativa para a investigação criminal, a ser
conduzida pelo Ministério Público. O texto constitucional vigente e o da Lei
Orgânica que o regulamentou parecem claros, adotando-se um critério
diferenciado em matéria de investigações preparatórias: no campo civil, cabe
ao Ministério Público instaurar o inquérito civil ou outros procedimentos
administrativos pertinentes, ao curso dos quais se permite que realize
diretamente diligências, inclusive a colheita de depoimentos; já em sede penal,
é-lhe facultado meramente requisitar diligências ou a abertura de inquéritos,
podendo acompanhá-los. Aliás, é atribuição do Procurador-Geral de Justiça
designar membros do Ministério Público para “acompanhar inquérito policial
ou diligência investigatória”(art. 10, IX, e , da Lei 8.625/93).
4º. Resoluções editadas pelo Ministério Público sobre investigação
criminal extrapolam a sua atribuição:
Luiz Flávio Gomes (Fonte: http://jus.com.br/revista/texto/22131/investigacao-
e-atividade-de-policia) argumenta que “a maior prova da nebulosidade nesse
campo reside no seguinte: por falta de expressa disposição legal, que é
exigência do Estado de Direito, primordialmente quando em jogo estão direitos
fundamentais dos investigados, todo procedimento dessa natureza do
Ministério Público está regulamentado por Resoluções ou Atos Normativos
dos Procuradores Gerais. Esses atos, no entanto, não possuem o status de lei”.
Em virtude do “déficit de legalidade”, o autor alerta para a ausência de
uniformidade das investigações e identidade nos procedimentos, sem um
“controle judicial periódico”. Não há como o Ministério Público assumir, neste
momento, de forma independente, a atividade investigatória. Por maior boa
intenção que exista, “ninguém pode dar passos maiores que as penas”.
5º. O controle externo da polícia judiciária pelo Ministério Público indica
a inviabilidade da investigação criminal autônoma por esta instituição.
O controle externo da atividade policial pelo Ministério Público é uma das
formas de assegurar o sistema acusatório, na medida em que desvincula, por
inteiro, o magistrado dos atos de investigação. Nesse sentido, o promotor atua
como futuro órgão acusador quando acompanha e requisita diligências
investigativas. Por outro lado, atua como custos legis quando garante que,
durante a fase pré-processual, o acusado terá seus direitos constitucionalmente
assegurados. Dessa forma, com esse tipo de atuação externa, não parcial, e sim
controladora da legalidade, o Parquet afastaria, como regra, a presença do juiz
no inquérito, não ficando este contaminado com a investigação policial. Logo,
tendo um órgão encarregado de controlar a legalidade da investigação, o juiz
não precisará fiscalizar o andamento do inquérito, não comprometendo sua
imparcialidade. O controle externo exercido pelo Parquet não se aplica aos atos
internos da Polícia, pois, se assim fosse, tornar-se-ia uma espécie de
corregedoria. Esse controle se dá sobre a principal atividade da polícia, qual
seja, a investigação, através de acompanhamento e requisição de diligências,
dentre outras funções. Assim sendo, com a investigação direta a cargo do
Ministério Público, essa atividade ficaria sem controle externo algum,
comprometendo o sistema de check and balances, e consequentemente,
gerando nítido prejuízo ao indiciado e à sociedade, eis que a mesma não teria
um órgão que fiscalizasse a correta atividade investigativa.
6º Investigação criminal seletiva e desvirtuada:
Fernando da Costa Tourinho (Processo penal, 33a ed., p. 344) mostra-se
contrário à investigação criminal conduzida pelo Ministério Público,
apontando a seletividade dos casos escolhidos para tanto; noutros termos, os
membros da instituição elegem somente os casos de repercussão, produzindo
apenas as provas que lhes interessam. Ademais, trata-se de investigação de
gabinete, que não se conduz ao local do crime. Em suma, em matéria de
investigação, cabe-lhe somente o inquérito civil público.
7º Outros países também optam pela inviabilidade da investigação
criminal conduzida pelo Ministério Público:
Não necessariamente, pois diversos países adotam o sistema inglês em que há
separação obrigatória entre os órgãos estatais de investigação e polícia
judiciária dos órgãos de acusação no processo penal.
8º. Quem pode o mais, pode o menos: afirmação inadequada ao contexto
da investigação promovida pelo Ministério Público.
José Afonso da Silva (Em face da Constituição Federal de 1988, o Ministério
Público pode realizar e/ou presidir investigação criminal, diretamente? Revista
Brasileira de Ciências Criminais, n.49, v. 12, 2004, páginas 368-388), quanto
à teoria de quem pode o mais, pode o menos afirma não ter nenhum valor no
campo do direito público, particularmente no direito constitucional. Prossegue:
“O que é mais e o que é menos no campo da distribuição das competências
constitucionais? Como se efetua essa medição, como fazer uma tal
ponderação? Como quantificá-las? Não há sistema que o confirme. As
competências são outorgadas expressamente aos diversos poderes, instituições
e órgãos constitucionais. Nenhuma é mais, nenhuma é menos. (…) As regras
enumeradas, explicitadas, sobre investigação na esfera penal conferem esta à
Polícia Judiciária, e são regras de eficácia plena, como costumam ser as regras
técnicas.”
E continua o autor, dizendo ser a investigação um procedimento de instrução
criminal em busca da verdade e da formação dos meios de prová-la em juízo.
A ação é um ato pelo qual se invoca a jurisdição penal. Procedimento da
instrução penal preliminar, como qualquer procedimento, é uma sucessão de
atos concatenados que se registram e se documentam no inquérito policial, que
vai servir de base para a propositura da ação penal. O resultado positivo da
investigação do crime é que constituirá pressuposto da ação penal viável. Sem
a investigação prévia da verdade e dos meios de prova-la em juízo, é
impossível a ação penal. Dessa forma, como é possível estabelecer uma relação
de mais e de menos entre esses elementos?!
9. A teoria dos poderes implícitos é inaplicável quando as normas
constitucionais são expressas acerca da competência constitucional de
órgão estatais.
Sobre a doutrina dos poderes implícitos, José Afonso da Silva (Em face da
Constituição Federal de 1988, o Ministério Público pode realizar e/ou presidir
investigação criminal, diretamente? Revista Brasileira de Ciências Criminais,
n.49, v. 12, 2004, páginas 368-388) afirma ser inaplicável ao caso, pois inexiste
uma relação entre meio e fim no tocante a investigação criminal e ação penal.
O fim da investigação penal não é a ação penal, mas a apuração da autoria do
delito, de suas causas, de suas circunstâncias. O resultado dessa apuração
constituirá a instrução documental – o inquérito (tecnicamente, instrução penal
preliminar) – para fundamentar a ação penal e serve de base para a instrução
definitiva.
Os poderes implícitos só existem no silêncio da Constituição, ou seja, quando
ela não tenha conferido os meios expressamente em favor do titular ou em
favor de outra autoridade, órgão ou instituição. Se ela outorgou expressamente
a quem quer que seja o que se tem como meio para atingir o fim previsto, não
há falar em poderes explícitos. “Como falar em poder implícito onde ele foi
explicitado, expressamente estabelecido, ainda que em favor de outra
instituição?” Não cabe a determinado órgão a competência que está prevista
para outro.

891. Quem é o titular no poder constituinte?


R.: Majoritariamente, defende-se que o povo soberano é o titular do poder
constituinte.
Porém, há doutrina no sentido de que uma elite, uma facção ou uma elite dirigente
também poderiam ser titulares. Nesta concepção, a análise do povo desloca-se da
titularidade para a legitimidade do poder constituinte.
Vale lembrar que a titularidade não se confunde com o mero exercício. Por exemplo,
a Constituição Brasileira de 1988 tem como titularidade do Poder Constituinte o povo,
muito embora a atuação de Constituinte Originário fora exercido pelo Congresso
Nacional da época.
Segundo a doutrina, povo é um conceito político, ou seja, significa o conjunto de
cidadãos. Nação é um conceito sociológico, ou seja, significa o conjunto de pessoas
com as mesmas tradições, costumes, religião e idioma. Salienta o autor que a
diferença é meramente teórica, inexistindo grande importância prática.
Já no tocante ao exercício do Poder Constituinte: para ser subjetivamente legítimo, o
poder constituinte deve ser exercido por representantes do povo (titular) eleitos
especificamente para este fim (Assembleia Nacional Constituinte) e nos limites da
delegação.
Noutro passo, para ser objetivamente legítimo, o poder constituinte deve abraçar na
Constituição um conteúdo valorativo correspondente aos anseios de seu titular.
Canotilho anota que o ato constituinte deve espelhar o ideal de justiça e os valores
radicados por uma determinada comunidade em um determinado momento histórico.

901. Quais os requisitos para candidatura a presidente da república e vice?


R: são 6 requisitos: (i) Nacionalidade brasileira: para Presidente e Vice, apenas
brasileiros natos; (ii) Pleno exercício dos direitos políticos: não pode ter restrição em
sua cidadania ativa e passiva; (iii) Alistamento eleitoral: para ser votado, o cidadão
deve votar; (iv) Domicílio eleitoral na circunscrição: nas eleições presidenciais, a
circunscrição é o País (art.86, CE); (v) Filiação partidária; (vi) Idade mínima: 35 anos,
comprovados na data da posse.

902. É necessário filiação partidária?


R: Sim, pois, no Brasil, não existe candidatura avulsa, independente. Com relação aos
militares, aqueles que têm menos de 10 anos de serviço, devem afastar-se da
atividade. Se contar com mais de 10 anos, será agregado à autoridade superior e
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
903. Quem exerce o poder executivo na esfera federal?
R: O presidente da República é o chefe do Poder Executivo federal e a autoridade
suprema do país. A Presidência da República é integrada pelo Presidente do Brasil,
seu escritório, a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional, a Advocacia-Geral
e a Imprensa Nacional.

904. Órgãos auxiliares do presidente da república, quais são?


R: No governo, o Presidente da República é auxiliado pelo vice-presidente, pelos
Ministérios, pelo Conselho da República e pelo Conselho de Defesa Nacional.

905. O que se entende por democracia?


R: Democracia no sentido formal é a vontade/o governo da maioria. Já no sentido
substancial, o conceito de democracia abrange a vontade da maioria, mas também
engloba o respeito aos direitos de todos (inclusive das minorias).

906. Democracia representativa – Em que consiste?


R: Democracia representativa é o exercício do poder político pela população eleitoral
feito de maneira indireta (ao contrário da democracia direta), ou seja, é o exercício do
poder através de representantes, com mandato para atuar em nome do povo.

907. Quais os tipos de regime político?


R: Há basicamente três tipos de regimes políticos: a monarquia (poder de um só), a
oligarquia (poder de alguns poucos) e a democracia (poder de todos).

908. Defina direitos políticos.


R: Direitos políticos são instrumentos de atuação do povo no poder, em decorrência
da soberania popular. São direitos fundamentais, cuja cassação é vedada pelo art. 15
da CF, admitindo-se a suspensão e a perda nas hipóteses elencadas.

909. Fidelidade partidária. A quem pertencem os mandatos?


R: É relevante destacar que a infidelidade partidária é hipótese de perda de filiação.
Entende atualmente o STF que não há perda de mandato por infidelidade quando se
trata de cargo majoritário. Assim, quando o cargo é majoritário, poder-se-ia dizer que
o mandato é do cidadão eleito, mas, quando o cargo for proporcional, o mandato é do
partido político.

910 - Direito político negativo – Em que consiste?


R: São determinações constitucionais restritivas e impeditivas das atividades político-
partidárias, privando o cidadão do exercício dos seus direitos políticos, impedindo-o
de eleger um candidato (capacidade eleitoral ativa) ou de ser eleito (capacidade
eleitoral passiva).

911 - Quais as formas de manifestação nas normas jurídicas constitucionais


(fontes)?
R: As fontes do direito constitucional são as maneiras ou formas, pelas quais se fixam
o criam os preceitos constitucionais.
Dividem-se em: i) imediatas: que é a Constituição e leis de conteúdo constitucional;
ii) mediatas: que é a história, os costumes, doutrina e a jurisprudência.

912 - Há alguma fonte de direito constitucional não escrita?


R: Sim, os costumes, que se forma com a prática repetida de certos atos, os quais
acabam determinando uma certa convicção de que estes são necessários ou
indispensáveis.

913 - O que se entende por constitucionalista?


R: É um movimento social, político e jurídico cujo principal objetivo é limitar o poder
do Estado, por meio de uma Constituição.
OBS: acredito que o correto seria “constitucionalismo”

914 - A polícia científica é um órgão da segurança pública? É autônoma?


R: A polícia científica não é um órgão da Segurança Pública, sendo um órgão
integrante da estrutura da Polícia Civil, nos termos da Constituição Estadual.
- artigo 139 e 140, Constituição Estadual
OBS: “Celso Perioli” (perito criminal e coordenador da SPTC) afirma que a
Superintendência da Polícia Técnico Científica (SPTC), também chamada de Polícia
Científica de São Paulo, é um órgão do sistema de segurança pública. Atualmente a
SPTC tem relativa independência da Polícia Civil, uma vez que possui apenas
autonomia financeira e orçamentária.
https://folhadirigida.com.br/noticias/concurso/policia-civil-sp/entenda-as-
atribuicoes-da-policia-tecnico-cientifica

915 - Diferencie estado de sítio e estado de defesa.


R: quanto à forma de decretação o estado de defesa será decretado pelo PR, ao passo
que o estado de sítio será solicitado pelo PR ao CN autorização para sua decretação;
quanto à duração: ED possui duração máxima de 30 dias, prorrogável, uma vez por
igual período, já o ES pode durar até que cesse o motivo pelo qual foi decretado.

916 - Quais os entes da Federação Brasileira?


R: A União, os Estados, Distrito Federal e Municípios – art. 18, CF

917 - Inclui os territórios?


R: Não, pois não se encontra dentre os entes enumerados no artigo 18, CF.

918 - Quais os princípios aplicáveis ao MP previsto na CF?


R: São os princípios da unidade, indivisibilidade e independência funcional.

919. O que significa o princípio do promotor natural?


R.: Trata-se da garantia constitucional conferida ao acusado de ser processado por um
órgão independente do Estado, vedando-se, por consequência, a designação arbitrária
de promotores ad hoc ou por encomenda por meio do chefe da instituição (artigo 129,
inciso I, c.c. §2º, CF). Essa garantia também se destina ao próprio membro do
Ministério Público, na medida em que lhe assegura o exercício pleno e independente
do seu ofício.
Observação: STF aceitou a ideia do princípio do promotor natural no HC 67.759.

920. Qual a finalidade da defensoria pública?


R.: De acordo com o artigo 134, da CF, pode-se afirmar que a finalidade da Defensoria
Pública é a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos
os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral
e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV, do artigo 5º, da CF.
921. Quem representa a União Judicial e extrajudicialmente?
R.: De acordo com o artigo 131, da CF, pode-se afirmar que é a Advocacia-Geral da
União a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a
União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e
assessoramento jurídico do Poder Executivo.

922. Quem nomeia o advogado geral da União?


R.: De acordo com o artigo 131, §1º, da CF, pode-se afirmar que é o Presidente da
República, quem nomeia de forma livre, entre cidadãos maiores de trinta e cinco anos,
de notável saber jurídico e reputação ilibada.

923. Quais as atribuições da polícia civil?


R.: De acordo com o artigo 144, §4º, da CF, as atribuições da polícia civil são de
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. A
Lei Complementar 207/79, que trata da Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de
São Paulo, em seu artigo 3º, inciso I, afirma também ser atribuição básica da Polícia
Civil o exercício da Policia Judiciária, administrativa e preventiva especializada.

924. A polícia cientifica é um órgão da Secretaria de Segurança Pública?


R.: A polícia científica não é um órgão da Segurança Pública, sendo integrante tão
somente da Polícia Civil do Estado de São Paulo, nos termos do artigo 139 e 140, §8º,
da Constituição Estadual do Estado de São Paulo.
Observação: Dúvida sobre a veracidade desta resposta – há mais comentários desta
na questão 914.

925. A expressão “a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou


ameaça de lesão” representa uma garantia geral. E garantias especiais, do que
se trata? Cite exemplo.
R.: As garantias são os instrumentos pelos quais se asseguram o exercício dos direitos
previstos na Constituição Federal. As garantias, por certo, dividem-se em gerais e
especiais. As garantias constitucionais gerais são as próprias técnicas da organização
dos poderes públicos, que segundo Luigim Palma: “a verdadeira garantia
constitucional está na organização política e administrativa, a saber, na própria
organização dos poderes públicos, gizada de tal sorte, pela Constituição e pelas leis,
que cada um deles encontre na sua ação freios capazes de detê-los, de constrangê-
los a permanecer na ordem jurídica, segundo os casos, de moderá-los, de eliminá-
los, de proteger o cidadão contra os arbítrios, as precipitações, os abusos, e reparar-
lhes os agravos sofridos”. Paulino Jacques, por sua vez, traz a classificação das
garantias constitucionais especiais, a saber: “a) as garantias criminais preventivas,
que são a legalidade da prisão, a afiançabilidade do delito, a comunicabilidade da
prisão, o habeas corpus, a plenitude da defesa, a inexistência de foro privilegiado e
de tribunais de exceção, a legalidade do processo e da sentença, o júri; b) as
garantias criminais repressivas, que abrangem a individualização, a personalização
e a humanização da pena, a inexistência de prisão civil por dívida, multa ou custas,
e a inexistência de extradição de brasileiro e de estrangeiro por crime político ou de
opinião; c) as garantias tributárias, que abarcam a legalidade do tributo e a de sua
cobrança; d) as garantias civis, abrangendo o mandado de segurança, a assistência
jurídiciária gratuita, o rápido andamento dos processos nas repartições públicas, a
ciência dos despachos e informações respectivas, a expedição de certidões, o direito
de representação e a ação popular”. Entre essas garantias estão ainda a
irretroatividade da lei e do controle judiciário das leis, amparando as liberdades
privadas do cidadão”.

926. Quais os princípios constitucionais da administração pública?


R.: Os princípios constitucionais da administração pública, previstos no artigo 37,
caput, da Constituição Federal, são os da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência. A doutrina ainda identifica outros no Texto Constitucional,
como o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, a finalidade, a
razoabilidade, a proporcionalidade e a responsabilidade do Estado (artigo 37, §6º,
CF).

927. Em que consiste o princípio a moralidade?


R.: De acordo com este princípio, a Administração Pública deve agir com boa-fé,
sinceridade, probidade, lealdade e ética possuindo conteúdo jurídico, de forma que
qualquer ato atentatório pode servir de fundamento para invalidação do ato
administrativo.
928.O desrespeito ao princípio da moralidade gera alguma consequência?
R.: O princípio da moralidade administrativa torna jurídica a exigência de atuação
ética dos agentes públicos e possibilita a invalidação dos atos administrativos.
Imoralidade pode configurar improbidade administrativa, mas somente se a conduta
for praticada na forma dolosa, pois atenta contra os princípios da Administração
Pública. Nos termos do art. 85, V, CF, atentar contra a probidade na administração é
hipótese prevista como crime de responsabilidade do Presidente da República, fato
que enseja sua destituição do cargo. De resto, os atos de improbidade administrativa
dos servidores públicos imporão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade de bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível (☺art. 37, §4º, CR). Por fim, de
se dizer ainda que o princípio da moralidade administrativa acha-se também
eficientemente protegido no art. 5º, LXXIII, CF, que prevê o cabimento de ação
popular para anulação de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o
Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente, etc.

929.Do que se trata o princípio da impessoalidade?


R.: O Princípio da Impessoalidade há de ser visto por dois enfoques:
- em relação aos administrados: O Estado atua da mesma forma independente da
pessoa que o ato vai atingir. O administrador não pode buscar interesses pessoais,
próprios (ou de amigos, de familiares, etc.), ele tem que agir com ausência de
subjetividade.
- em relação à ótica do agente público: quando o agente público atua não é a pessoa
do agente que está praticando esse ato. Na verdade quem pratica o ato é o Estado por
meio desse agente. A responsabilidade dos atos administrativos praticados não deve
ser imputada ao agente e sim à pessoa jurídica – Administração Pública direta ou
indireta.

930.O que se entende por constituição material?


R.: A Constituição - quanto ao seu conteúdo - pode ser formal ou material.
As Constituições materiais ou normas materialmente constitucionais dizem respeito
às normas constitucionais que tratam da organização do Estado, limitação do poder
político e direitos e garantias do cidadão.
931.O que se entende por Estado?
R.: É pessoa jurídica que goza de personalidade jurídica e que, portanto, tem aptidão
para ser sujeito de direitos e obrigações. Sendo assim, se o Estado é sujeito de
obrigações e causa dano a alguém, tem que pagar indenização. O Estado é composto
de três elementos originários e indissociáveis: o povo (que representa o componente
humano), o território (que é a sua base física), e o governo soberano (que é o
elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder absoluto de
autodeterminação e auto-organização, emanado do povo – independência na ordem
internacional e supremacia na ordem interna).

932.Existe Estado sem constituição?


R.: Não. Ao se tomar por base o conceito material de Constituição, segundo o qual a
mesma se revela como o conjunto de normas essenciais à organização do Estado
(organização dos seus Poderes, distribuição das competências, forma de governo,
direitos da pessoa humana, etc.) não é possível reconhecer a existência de um Estado,
sem Constituição.

933.Toda constituição costumeira é flexível?


R.: Toda Constituição costumeira é, ao menos conceitualmente, flexível. A
constituição costumeira é aquela na qual os costumes foram adquirindo juridicidade
ao longo do tempo e incorporados à ordem jurídica constitucional. É o caso típico da
constituição inglesa.
A constituição flexível, por sua vez, é aquela que não requer procedimentos especiais
para sua modificação. O costume, por sua própria natureza, pode ser modificado ao
longo do tempo, e depende apenas da prática reiterada e da convicção da sua
juridicidade. Assim, a constituição costumeira também pode ser classificada como
flexível.

934.Qual o significado do termo constituição cesarista?


R.: A Constituição intitulada cesarista tem seu texto elaborado sem a participação do
povo. No entanto, para entrar em vigor dependerá de aprovação popular que a
ratifique depois de pronta.
935.Cite dois exemplos de bens da União.
R.: As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e o mar territorial.

936.A CF proíbe o trabalho noturno?


R.: Como regra não há proibição. No entanto, a CF proíbe o trabalho noturno,
perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de
dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.

937. O que se entende pelo princípio da separação dos poderes?


R.: A separação dos poderes é um dos princípios fundamentais da República
Federativa do Brasil, previsto no artigo 2º da CF/1988. Significa que, quanto ao seu
exercício, o poder do Estado é dividido entre os órgãos do Legislativo, do Executivo
e do Judiciário, independentes e harmônicos entre si. Trata-se de divisão funcional,
de matriz iluminista (Montesquieu), pensada como forma de limitação ao exercício
arbitrário do poder absolutista. Com a influência do sistema de freios e contrapesos,
entende-se hoje que os três referidos poderes coexistem em constante interpenetração,
exercendo funções típicas de modo preponderante (e não exclusivo) e atípicas em
certos casos especificados na própria Constituição. Portanto, não prospera a ideia de
separação rígida dos poderes.

938. Quais as duas medidas previstas na CF para restauração da ordem pública?


R.: As duas medidas previstas na CF para restauração da ordem pública são o estado
de defesa (art. 136) e o estado de sítio (art. 137).
*Obs.: a pergunta foi bem fechada, pedindo para nomear duas medidas. Se tivesse
sido mais genérica ("quais medidas"), penso que também seria conveniente citar a
intervenção federal, que tem como uma de suas possíveis hipóteses justamente a
finalidade de "pôr termo a grave comprometimento da ordem pública" (art. 34, III).

939. Durante a aplicação de tais medidas é possível a restrição de algum direito?


R.: Sim, é possível a restrição de certos direitos. Na vigência do estado de defesa,
pode-se determinar como medida coercitiva a restrição dos direitos de reunião, sigilo
de correspondência e sigilo de comunicação telegráfica e telefônica (art. 136, §1º, I,
"a", "b" e "c"). Durante o estado de sítio, além dessas mencionadas anteriormente,
outras medidas ainda mais graves podem ser adotadas, implicando restrições ao
direito de ir e vir, à liberdade imprensa, radiodifusão e televisão, à liberdade de
reunião e à inviolabilidade do domicílio (artigo 139, caput e incisos).

940. Direito de 5ª geração, o que vem a ser?


R.: Para parte da doutrina, direitos fundamentais de 5ª geração seriam os chamados
"direitos virtuais", os quais decorrem da tecnologia da informação, do ciberespaço e
da realidade virtual. Engloba tudo o que hoje está relacionado a direitos da tecnologia
da informação como, por exemplo, a inteligência artificial. Para Paulo Bonavides,
contudo, direito de 5ª geração se trata do direito à paz, em seu caráter global, em sua
feição agregativa de solidariedade, em seu plano harmonizador de todas as etnias, de
todas as culturas, de todos os sistemas, de todas as crenças.

941. Qual a forma de organização do poder legislativo federal?


R.: O poder legislativo federal é exercido pelo Congresso Nacional, que se organiza
de forma bicameral. São duas, portanto, as Casas que compõem o Parlamento
brasileiro: a Câmara dos Deputados, formada por representantes do povo eleitos pelo
sistema proporcional, e o Senado Federal, composto por representantes dos Estados e
do Distrito Federal eleitos segundo o princípio majoritário (arts. 44 a 46).

942. Um brasileiro pode ser extraditado?


R.: Não se admite a extradição de brasileiros natos. Entretanto, o brasileiro
naturalizado pode ser extraditado quando tiver praticado crime comum antes da
naturalização ou quando restar comprovado seu envolvimento em tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins (art. 5º, inciso LI, CF).

943. Qual o período de validade de uma Medida Provisória?


R.: Uma medida provisória vale inicialmente por 60 dias, podendo se estender para
120 dias em caso de prorrogação. Compreende, assim, o prazo inicial de 60 dias para
ser convertida em lei, contado a partir de sua publicação, prorrogável uma única vez
por igual período. Logo, o prazo máximo de validade pode alcançar 120 dias (art. 62,
§§ 3º e 7º da CF).

944. Qual o órgão competente para editar o decreto legislativo?


R.: Apenas o Congresso Nacional é competente para editar decretos legislativos,
diferentemente das resoluções, as quais podem ser editadas também pelo Senado
Federal e pela Câmara dos Deputados.

945. Quais os entes da Federação Brasileira?


R.: São eles a União, os Estados, o Distrito Federal e Municípios, todos autônomos
(art. 18, caput, CF). Os territórios federais integram a União (art. 18, §2º, CF).

946. Inclui os territórios?


R.: Territórios Federais não são entes da federação, logo não fazem parte da
organização político-administrativa, não dispõem de autonomia política e não
integram o Estado Federal. São meras descentralizações administrativo-territoriais
pertencentes à União.

947. Quais os princípios aplicáveis ao MP previsto na CF?


R.: Estão previstos no artigo 127, 1º, da Constituição Federal seus princípios
institucionais que são: a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional.

948. O que significa o princípio do promotor natural?


R.: "ninguém será processado nem sentenciado senão por autoridade competente"
(art. 5º, LIII, da CF). No devido processo legal, a fixação do Promotor com
atribuições para atuar num processo deve ser anterior ao fato.

949. Qual a finalidade da defensoria pública?


R.: O direito fundamental à assistência jurídica integral e gratuita, previsto no artigo
5º, LXXIV da Constituição Federal, é exercido pela Defensoria Pública, instituição
essencial à função jurisdicional do Estado, incumbida da missão de prestar orientação
jurídica e a defesa dos necessitados.

950. Quem representa a União Judicial e extrajudicialmente?


R.: A Advocacia-Geral da União (AGU) é a instituição que representa a União e
exerce a Advocacia Pública em âmbito federal, o que lhe atribui a representação de
todos os poderes da União na esfera judicial ou extrajudicial,
951. Quem nomeia o advogado geral da União?
R.: O cargo é nomeado pelo Presidente da República, goza do status de Ministro de
Estado e o ocupante deve ser maior de 35 anos de idade com notável saber jurídico e
reputação ilibada.

952. Quais as atribuições da polícia civil?


R.: Conforme o Art. 144, § 4º da CF/88: Às polícias civis, dirigidas por delegados de
polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de
polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.

953. A polícia cientifica é um órgão da Secretaria de Segurança Pública?


R.: A Polícia Científica de São Paulo é um órgão do sistema de segurança pública ao
qual compete a realização das perícias médico-legais e criminalística, bem como
desenvolver estudos e pesquisas em sua área de atuação.

954. A expressão “a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou


ameaça de lesão” representa uma garantia geral. E garantias especiais, do que
se trata? Cite exemplo.
R.: São prescrições constitucionais estatuindo mecanismos que, limitando a atuação
dos órgãos ou de particulares, protegem a eficácia, a aplicabilidade e a inviolabilidade
dos direitos fundamentais, assim, elas não são um fim em si mesmas, mas
instrumentos para a tutela de um direito principal a exemplo do HC.

955. Quais os princípios constitucionais da administração pública?


R.: Entre os expressamente estabelecidos, temos aqueles do art. 37, quais sejam,
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Já entre os
implicitamente retirados do texto maior, podemos citar a supremacia do interesse
público, a finalidade, a motivação, a boa-fé ou confiança legítima e a
razoabilidade/proporcionalidade.

956. Em que consiste o princípio da moralidade?


R.: Esse princípio evita que a Administração Pública se distancie da moral e obriga
que a atividade administrativa seja pautada não só pela lei, mas também pela boa-fé,
lealdade e probidade.

957. O desrespeito ao princípio da moralidade gera alguma consequência?


R.: O desrespeito grave à moralidade é também um desrespeito à legalidade, uma vez
que princípios são, hodiernamente, normas jurídicas. As consequências variam de
acordo com o grau de violação, possibilitando, em tese, a responsabilização nas
esferas civil, penal e administrativa.

958. Do que se trata o princípio da impessoalidade?


R.: É o comando que proíbe que o administrador público se valha das prerrogativas
públicas de que é investido para perseguição de interesses particulares, isto é, que aja
com desvio ou excesso de poder.

959. O que se entende por constituição material?


R.: São aquelas que possuem apenas matérias essencialmente constitucionais, ou seja,
normas que estruturam e organizam o Estado, firmando direitos e garantias
fundamentais que servem de limites aos poderes ali estabelecidos.

960. O que se entende por Estado?


R.: Estado é uma instituição organizada política, social e juridicamente ocupando
um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita -
que estabelece as diretrizes e relações entre o poder e seu povo.

961. Existe Estado sem constituição?


R.: Não, pois o elemento essencial de um Estado é o poder e, por mais rudimentar que
uma sociedade seja, esta possui um mínimo de organização. Portanto, ainda que não
haja uma constituição escrita, há, de fato, uma soma real de poderes vigentes que
traduzem a ideia de constituição.

962. Toda constituição costumeira é flexível?


R.: Sim, uma vez que não há imposição de um meio solene para sua alteração.
963. Qual o significado do termo constituição cesarista?
R.: É a constituição em que a participação popular restringe-se a ratificar a vontade
do detentor do poder. Ou seja, são outorgadas e posteriormente submetidas a
apreciação popular, de modo a conferir-lhe maior legitimidade.

964. Cite 2 exemplos de bens da União.


R.: Os bens pertencentes a União estão previstos no art. 20 da CF. Entre eles estão as
terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras e os terrenos da marinha e seus
acrescidos.

965. A CF proíbe o trabalho noturno?


R.: Não. Segundo art. 7, IX, da CF, a remuneração do trabalho noturno será, inclusive,
superior ao diurno. Entretanto o inciso XXXII do mesmo artigo proíbe o trabalho
noturno aos menores de 18 anos.

966. O que se entende pelo princípio da separação dos poderes.


R.: Pode ser entendido como um modelo político proposto pelo filósofo Montesquieu
que visa melhorar a governança de um Estado pela distribuição de seu poder em entes
distintos, harmônicos e independentes. Tem previsão expressa no art. 2 da CF e está
no rol das cláusulas pétreas, previsto no art. 60, § 4, III, da CF.

967. Quais as duas medidas previstas na CF para a restauração da ordem


pública?
O estado de defesa, com previsão no art. 136, da CF, em que o Presidente decreta para
preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem
pública e a paz social, ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou
atingidas por calamidade de grandes proporções da natureza. O estado de sítio, com
previsão no art. 137, da CF, em que o Presidente da República solicita ao Congresso
Nacional a autorização para decretação, nos casos de comoção grave de repercussão
nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada
durante o estado de defesa, ou no caso de declaração do estado de guerra ou resposta
a agressão armada estrangeira.

968. Durante a aplicação de tais medidas é possível a restrição de algum direito?


R.: No caso do estado de defesa poderá acarretar a restrição aos direitos de: reunião,
ainda que exercida no seio das associações; sigilo de correspondência; sigilo de
comunicação telegráfica e telefônica; ocupação e uso temporário de bens e serviços
públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos danos e
custos decorrentes.
Já no caso de estado de sítio poderá acarretar a restrição aos direitos de: obrigação de
permanência em localidade determinada; detenção em edifício não destinado a
acusados ou condenados por crimes comuns; restrições relativas à inviolabilidade da
correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à
liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei, nesse caso não se
inclui a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas Casas
Legislativas, desde que liberada pela respectiva Mesa; suspensão da liberdade de
reunião; busca e apreensão em domicílio; intervenção nas empresas de serviços
públicos; requisição de bens.

969. Direito de 5ª geração, o que vem a ser?


R.: Paulo Bonavides defende a existência da 5 geração dos direitos humanos, que são
direitos preocupados com a paz mundial.

970. Qual a forma de organização do poder legislativo federal?


R.: A forma de organização do poder legislativo federal estrutura-se pela forma
bicameral, sendo composto por duas casas: Câmara dos Deputados e Senado Federal.
A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos pelo sistema
proporcional. Já o Senado Federal compõe-se de representantes do Estado, eleitos
pelo sistema majoritário.

971. Um brasileiro pode ser extraditado?


R.: Segundo o art. 5, LI, da CF, o brasileiro nato não poderá ser extraditado, salvo o
natutalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de
envolvimento de tráfico ilícito de entorpecentes praticado antes ou depois da
naturalização.
Entretanto, segundo o STF, Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green
card decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá perder a nacionalidade
brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção
prevista na alínea “b” do inciso II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele
já tinha o green card, não havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-
americana como condição para permanência ou para o exercício de direitos civis.
Assim, perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao
brasileiro nato. Dessa forma, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil,
poderá ser extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88.

972. Qual o período de validade de uma medida provisória?


R.: Segundo o § 3º, do art. 62, da CF, terão o prazo de 60 dias para serem convertidas
em lei, podendo esse tempo ser prorrogado por mais 60 dias, contados da sua
publicação, se não tiver a sua votação sido encerrada no Congresso Nacional.

973. Qual o órgão competente para editar o decreto legislativo?


R: O Decreto Legislativo é um ato normativo expedido pelo Poder Legislativo.
Artigos: 49, 59 e 62, §3º, da CF.

974. Quais os entes da Federação Brasileira?


R: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Artigo: 18 da CF.

975. Inclui os territórios?


R: Não, os Territórios integram a União, constituindo descentralizações
administrativas desse Entre Federativo, similar a uma Autarquia.

976. Quais os princípios aplicáveis ao MP previsto na CF?


R: São princípios institucionais do Ministério Público: Unidade, Indivisibilidade e
Independência Funcional.
Artigo: 127, §1º, CF.

977. O que significa o princípio do promotor natural?


R: Significa que ninguém será processado senão pela autoridade competente.
Artigo: 5º, LIII, CF.

978. Qual a finalidade da defensoria pública?


R: A Defensoria Pública tem por função a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa dos direitos dos necessitados.
Artigo: 134 da CF.

979. Quem representa a União Judicial e extrajudicialmente?


R: A Advocacia-Geral da União.
Artigo: 131 da CF.

980. Quem nomeia o advogado geral da União?


R: O Presidente da República.
Artigo: 84, XVI, CF.

981. Quais as atribuições da polícia civil?


R: A Polícia Civil tem função de Polícia Judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.
Artigo: 144, §4º, CF.

982. A polícia cientifica é um órgão da Secretaria de Segurança Pública?


R.: Sim.

983. A expressão “a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou


ameaça de lesão” representa uma garantia geral. E garantias especiais, do que
se trata? Cite exemplo.
R.: Garantias especiais são espécies do gênero garantia, referem-se aos remédios
constitucionais. Estes são instrumentos destinados a evitar ou reparar a violação de
um direito assegurado, quando a limitação ou vedação expressa no texto
constitucional não for suficiente para assegurá-lo. Ex. habeas corpus.

984. Quais os princípios constitucionais da administração pública?


R.: Os princípios constitucionais expressos na constituição são: legalidade,
impessoalidade, moralidade e eficiência.

985. Em que consiste o princípio a moralidade?


R.: Consiste na atuação em consonância com a ética, o decoro e a boa-fé.
986. O desrespeito ao princípio da moralidade gera alguma consequência?
R.: Sim, acarreta a invalidade do ato que pode ser decretada pela própria
administração ou pelo poder judiciário.

987. Do que se trata o princípio da impessoalidade?


R.: Refere-se ao fato de que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar
ou beneficiar pessoas determinadas. Além disso, é vedada a promoção pessoal
daquele que age em nome da administração.

988. O que se entende por constituição material?


R.: No sentido material, uma norma tem caráter constitucional de acordo com o seu
conteúdo, independente da forma como foi introduzida no ordenamento jurídico, ou
seja, basta que trate de regras estruturais e fundamentais do Estado.

989. O que se entende por Estado?


R.: Estado é pessoa jurídica de direito público interno, tendo como elementos o povo,
território, soberania e finalidade.

990. Existe Estado sem constituição?


R.: Não. Todo Estado possui uma constituição, ao menos em sentido material.

991. Toda constituição costumeira é flexível?


R.: Sim, visto que a formalidade da constituição é pressuposto para a rigidez
constitucional.

992. O que se entende por constituição Cesarista?


R.: São constituições outorgadas submetidas a plebiscito ou referendo. Constituição
outorgada, por sua vez, decorre de um ato unilateral da vontade política soberana do
governante, isto é, o governante cede uma parcela de suas prerrogativas em proveito
do povo.

993. Cite dois exemplos de bens da União.


R.: Mar territorial e terreno de marinha e seus acrescidos (art. 20, VI e VII, CF).
994. A CF proíbe o trabalho noturno?
R.: A CF não proíbe o trabalho noturno, mas condiciona seu exercício a uma
remuneração superior ao trabalho diurno, conforme art. 7º, IX, CF.

995. O que se entende por princípio da separação de poderes?


R.: O princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Carta Magna, significa
que cada órgão tem o dever não apenas de cumprir sua função, mas também de
impedir que outro abuse de sua competência. A ideia é evitar a concentração e o
exercício despótico do poder.

996. Quais as duas medidas previstas na CF para restauração da ordem


pública?
R.: Estado de defesa e Estado de Sítio.

997. Durante a aplicação de tais medidas é possível a restrição de algum


direito?
R.: Sim, conforme o art. 136, §1º, CF, durante o Estado há restrição ao direito de
reunião (ainda que exercido no seio das associações), ao sigilo da correspondência,
ao sigilo da comunicação telegráfica e telefônica, e pode haver ocupação e uso
temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública.
No Estado de Sítio, por sua vez, fala-se em restrição da liberdade de locomoção, tendo
em vista que pode haver obrigação de permanecer em locais determinados ou até
mesmo detenção em edifício não destinados a acusados ou condenados por crimes
comuns; restrição ao direito de inviolabilidade domiciliar, pios pode haver busca e
apreensão em domicílio, ainda que sem mandado judicial, entre outros.

998. Direito de 5ª geração, o que vem a ser?


R.: Formulada por Paulo Bonavides, o direito de 5ª geração se refere ao direito à paz,
por ser indispensável a convivência humana.

999. Qual a forma de organização do poder legislativo federal?


R.: Na esfera federal, a forma de organização do poder legislativo é o bicameralismo
federativo, no qual o Congresso Nacional é composto por duas casas: a de
representantes do povo (Câmara dos deputados) e a de representantes dos Estados e
DF (Senado).

1000. Um brasileiro pode ser extraditado?


R.: Em regra, somente o naturalizado, em caso de crime comum praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico de drogas (Art. 5º, LI, CF).
Entretanto, o brasileiro nato pode perder a nacionalidade, hipótese em que também
poderá ser extraditado, quando adquirir outra nacionalidade, salvo se a lei estrangeira
a reconhecer como originaria ou de imposição da naturalização ao brasileiro residente
no estrangeiro, como condição para permanência naquele território ou para o
exercício de direitos civis (Art. 12, § 4º, II, CF).

1001. Qual o período de validade de uma Medida Provisória?


R.: A medida provisória deverá ser convertida em lei no prazo de 60 dias, prorrogado
uma única vez por igual período, sob pena de perda da eficácia (Art. 62, §§ 3º e 7º,
CF).

1002. Qual o órgão competente para editar o decreto legislativo?


R.: O Congresso Nacional deverá disciplinar, por meio de decreto legislativo, as
relações jurídicas decorrentes das MP’s (Art. 62, § 3º, CF). Caso não editado em até
60 dias após a rejeição ou perda da eficácia da MP, as relações jurídicas constituídas
e decorrentes de atos praticados na sua vigência conservar-se-ão por ela regidas (Art.
62, § 11, CF).

Examinador: Fabiano Genofre

1003. Sob o aspecto jurídico, qual o conceito de Constituição?


R.: Hans Kelsen concebe dois planos à Constituição em sentido jurídico: Lógico-
jurídico, como a norma fundamental hipotética que serve de fundamento lógico da
validade da constituição em sentido Jurídico-positivo. Este entende a Constituição
numa ótica estritamente formal, consistindo na norma fundamental de um Estado,
paradigma de validade de todo o ordenamento e instituidora da estrutura primacial do
Estado. Surge, assim, a verticalidade hierárquica de normas (“pirâmide Kelsiana”).
1004. Cite três exemplos de direitos fundamentais dispersos no texto
constitucional.
R.: Garantia do Devido Processo Legal (Art. 5º, LIV); Garantia da Anterioridade
Tributária (Art. 150, III); Garantia de proteção à criança e ao adolescente (Art. 227).

1005. Quais elementos constitutivos do Estado?


R.: O Estado é constituído por um povo situado em determinado território e sujeito a
um Governo.

1006. O que é soberania?


R.: A soberania refere-se ao atributo estatal de não conhecer entidade superior na
ordem externa, nem igual na ordem interna.

1007. De que maneira o Estado impõe sua vontade aos administrados?


R.: O Estado impõe sua vontade aos administrados de forma unilateral, independente
da vontade desses. Trata-se do atributo da imperatividade (ou coercibilidade) que está
presente na maioria dos atos administrativos. Esse atributo deriva do Super Princípio
da Supremacia do interesse público sobre o privado, lembrando que o interesse
público deve ser entendido como o verdadeiro interesse da coletividade. Lembrando
que a atuação do Estado se dá somente quando houver lei que autorize ou determine
a sua atuação.

1008. Como a sua soberania se expressa?


R.: A soberania se expressa de diversas formas, notadamente nas relações do Estado
com outros Estados, quando, por exemplo, para que haja o cumprimento de uma
ordem judicial alienígena, é necessário que o STJ homologue a sentença estrangeira
ou conceda o exequatur para o cumprimento de cartas rogatórias, bem como garante
que o brasileiro não será extraditado (salvo as exceções da questão nº 1000).
1009. Qual o papel fundamental do MP?
R: O papel fundamental do MP, instituição essencial à função jurisdicional do Estado,
é a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis (art. 127, caput, CF).
1010. Existe exceção à propositura da ação penal pelo MP, sob o aspecto
penal?
R: Trata-se da ação penal de iniciativa privada, propriamente dita – quando a própria
lei estabelece que o crime se procede mediante queixa – ou subsidiária da pública –
diante da inércia do órgão ministerial.

1011. Qual é a função jurídica da Advocacia? E a do MP?


R: A Advocacia, indispensável à administração da justiça, possui como função
jurídica a defesa dos interesses das partes em juízo ou fora dele, bem como prestação
de assessoria e consultoria. Já o MP possui como função jurídica, dentre inúmeras
outras, promover, privativamente, a ação penal pública, promover o inquérito civil e
a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente
e de outros interesses difusos e coletivos, promover a ação de inconstitucionalidade
ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos
nesta Constituição e defender judicialmente os direitos e interesses das populações
indígenas.

1012. Possuem a mesma natureza?


R: Não, pois a função jurídica da Advocacia possui natureza privada (defesa de
interesses particulares), enquanto a do MP a natureza é pública (defesa da ordem
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis).

1013. O que é direito de opinião?


R: O direito de opinião é decorrente da liberdade de manifestação do pensamento (art.
5º, IV, CF), que garante o direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões,
ideias e pensamentos pessoais sem qualquer tipo de censura.

1014. O que é escusa de consciência?


R: A escusa de consciência (art. 5º, VIII, CF) ocorre quando alguém invoca a sua
convicção pessoal para não cumprir uma obrigação imposta a todos, devendo então
cumprir uma prestação alternativa, fixada em lei. Ou seja, traduz a forma máxima de
respeito à intimidade e à consciência do indivíduo. O Estado abre mão do princípio
de que a maioria democrática impõe as normas para todos, em troca de não sacrificar
a integridade íntima do indivíduo.
1015. Quais as funções atípicas do Poder Legislativo?
R: De forma atípica, o Poder Legislativo poder exercer função de natureza executiva,
ao dispor sobre a organização de seus próprios órgãos, como através do provimento
de cargos, concessão de férias, dentre outros, bem como pode exercer função de
natureza jurisdicional, através, por exemplo, do julgamento, pelo Senado, do
Presidente da República nos crimes de responsabilidade (art. 52, I, CF).

1016. Julgar o presidente – qual a natureza jurídica desta função?


R: Trata-se de função jurisdicional atípica exercida pelo Poder Legislativo.

1017. O que é delegação legislativa?


R: A delegação legislativa ocorre quando o Poder Legislativo delega ao Poder
Executivo a atribuição para elaboração de leis. Tratam-se das chamadas “leis
delegadas” (art. 59, IV e 68, ambos da CF). Esse tipo de delegação é chamada de
externa corporis, já que ocorre em relação a um ente fora do legislativo.
1018. A delegação legislativa é função atípica do Poder Legislativo?
R.: Sim, tendo em vista que a funão típica do Poder Legislativo é legislar. A delegação
legislativa por parte do Poder Legislativo é uma excessão, expressamente prevista na
CF.

1019. Como se dá função fiscalizadora do Poder Legislativo?


R.: Pode se realizar por meio de CPI’s e, também, pelo Tribunal de Contas.

1020. Qual a natureza fiscalizatória realizada pelo Tribunal de Contas?


R.: O Tribunal de Contas é um Tribunal administrativo, e tem como objetivo auxiliar
o Poder Legislativo no controle externo de sua função fiscalizatória.

1021. O que são direitos sociais?


R.: Os direitos sociais, assim como os individuais, são direitos fundamentais
assegurados pela Constituição Brasileira de 1988. Conforme o art.6º da CF, “São
direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte,
o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a
assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”
1022. Direito de moradia é um direito social?
R.: Sim, com previsão no art. 6º, da CF.

1023. Como o Estado garante o direito de moradia?


R.: Através da implementação de políticas públicas sociais, como por exemplo o
“Programa Minha Casa Minha Vida”, que facilita a aquisição de imóveis a várias
famílias carentes.

1024. Existe remédio para a garantia desses direitos não colocados em


disposição pelo Estado?
R.: Muito embora a CF, em ser art. 6º, tenha conferido o direito à moradia como um
direito social, ela não criou nenhum remédio constitucional que possibilitasse a
garantia desse direito.

1025. A Ação Civil Pública seria um instrumento adequado para garantir


direito à moradia?
R. (matéria estranha ao nosso edital).

1026. O que é direito de greve?


R. É um direito social assegurado no art. 9º, da CF, e que consiste na cessação
voluntária e coletiva do trabalho, decidida por assalariados para obtenção de
benefícios materiais e/ou sociais, ou para garantir as conquistas adquiridas e
ameaçadas de supressão.
1027 - O policial pode exercer direito de greve?
R.: Conforme a jurisprudência do STF não é possível a polícia civil bem como os
demais órgãos de segurança pública tendo em vista a especial relevância dos serviços
públicos prestados, a despeito do art. 37, inc. V, tenha assegurado o direito de greve
na forma da lei.

1028 - Qual a decisão do STF neste aspecto?


R.: O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de
segurança pública. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info
860).

1029 - Se pelo seu raciocínio, o médico também não pode fazer greve?
R.: A atividade policial diferencia-se, contudo, de outras atividades essenciais, como
educação e saúde, porque ela não pode ser exercida por particulares. A segurança
pública é, portanto, atividade privativa do Estado. Portanto, é possível que médicos e
professores possam fazer greve, porém os integrantes das carreiras policiais não sob
pena de colocar em risco a segurança pública, a ordem a paz social.

1030 - O Poder Judiciário pode fazer greve?


R.: Sim. É possível, porém deve haver um mínimo contingencial, a fim de assegurar
o princípio da continuidade dos serviços públicos.

1031 - Direito de crença → O que significa?


R.: Consiste na faculdade de crer em conceitos sobrenaturais propostos por alguma
religião ou revelação (teísmo), de acreditar na existência de Deus, mas rejeitar
qualquer espécie de revelação divina (deísmo) ou, ainda, de não ter crença em Deus
algum (ateísmo). [Marcelo Novelino].

1032 - De que maneira o Estado pode limitar o direito de crença religiosa?


R.: A intervenção no âmbito de proteção da liberdade religiosa só será considerada
legítima se houver justificativa constitucional, por exemplo, medidas que estabeleçam
restrições à liberdade de culto em razão do barulho excessivo ou da prática de
crueldade com animais. [Marcelo Novelino].

1033 - Qual critério para decidir qual direito fundamental deve prevalecer?
R.: O critério para justificar a restrição é norteado através do princípio da
Concordância prática ou harmonização entre direitos fundamentais.

1034 - Direito de repouso noturno e o de um terreiro de candomblé de funcionar


a noite toda. Como solucionar? Qual a dose de proporcionalidade?
R.: A dose da proporcionalidade se dá de modo que a liberdade de culto não autoriza
a poluição sonora pela entidade religiosa, que prejudica o sossego público bem como
a saúde daquela comunidade que tem seu direito ao repouso noturno preservado.

1035 - O que é regime político?


R.: Regime político, na ciência política, é o nome que se dá ao conjunto de instituições
políticas por meio das quais um Estado se organiza de maneira a exercer o seu poder
sobre a sociedade. Cabe notar que esta definição é válida mesmo que o governo seja
considerado ilegítimo.
1036. Quais as espécies de regimes políticos?
R: Regime político democrático é aquele em que toda a sociedade tem a possibilidade
de participar das decisões. Regime político autoritário é aquele em que as principais
decisões são tomadas apenas por uma pessoa ou grupo de pessoas, sem a participação
maior da sociedade. Regime político totalitário é aquele em que o controle dos
governantes sobre a sociedade é absoluto.

1037. Quais as funções do Vice-Presidente da República?


R: O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem
conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
convocado para missões especiais (Art. 79, § único, CF/88).

1038. Qual a diferença entre impedimento e vacância?


R: Vacância nos da ideia de impossibilidade definitiva para assunção do cargo
(cassação, renúncia ou morte). Ocorre a sucessão no caso de vaga. Impedimento tem
caráter temporário (doença, viagem, férias, etc.) e ocorre a substituição. Assim, tanto
na vacância como no impedimento, o Vice-Presidente assumirá o cargo, na primeira
hipótese, até o fim do mandato e, no caso de impedimento, enquanto este durar. (Art.
79, CF/88).

1039. Inviolabilidade de domicílio: qual conceito de casa para a


inviolabilidade?
R: O art. 5º, XI, CF/88 conceitua casa como o asilo inviolável do individuo, , ninguém
nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante
delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial. O art. 150, §4º, CP também conceitua casa para fins penais.

1040. Há possibilidade de interpretação extensiva no conceito de casa? Dê


exemplos.
R: Sim. É possível interpretação extensiva no conceito de casa. O conceito de casa é
amplo e abrange: a) a casa, incluindo toda a sua estrutura, como o quintal, a garagem,
o porão, a quadra etc.; b) os compartimentos de natureza profissional, desde que
fechado o acesso ao público em geral, como escritórios, gabinetes, consultórios etc.;
c) os aposentos de habitação coletiva, ainda que de ocupação temporária, como
quartos de hotel, motel, pensão, pousada etc.

1041. Qual a possibilidade de interpretação extensiva?


R: O STJ aplicou a interpretação extensiva entendendo que o gabinete do Delegado
de Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos, pode ser
considerada “casa” para fins penais (STJ. 5ª Turma. HC 298763-SC, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 7/10/2014 (Info 549).

1042. Veículo é considerado casa?


R: Em regra, o veículo não é considerado casa conforme entendimento doutrinário e
jurisprudencial. Entretanto, tal entendimento comporta exceções.

1043. Poderia dar exemplos?


R: O veículo é considerado casa quando é utilizado para a habitação do indivíduo,
como ocorre com trailers, cabines de caminhão, barcos etc.

1044. Repartição pública pode ser considerada casa?


R. resposta deixada em branco

1045. O que são direitos políticos negativos?


R.: Os direitos políticos negativos são as normas jurídicas que impedem ou restringem
o exercício da atividade político-partidária pelo cidadão. Eles compreendem as
inelegibilidades (absolutas ou relativas) e as hipóteses de suspensão e perda dos
direitos políticos.
1046. O que é inelegibilidade absoluta?
R.: Inelegibilidades são impedimentos ao direito de ser votado (capacidade política
passiva), constituindo verdadeiros direitos políticos negativos. As inelegibilidades
absolutas são impedimentos totais para qualquer cargo eletivo. É o caso dos
inalistáveis, dos analfabetos e daqueles que perderam, definitivamente, os direitos
políticos.

1047. Qual a estrutura da Justiça Eleitoral?


R.: A Justiça Eleitoral integra o Poder Judiciário Federal e tem como maior
peculiaridade, na sua organização, a inexistência de quadro próprio de magistrados.
Sua estrutura é composta pelos seguintes órgãos : TSE, TREs, juízes eleitorais e juntas
eleitorais.
Art. 118 da CF/88.

1048. Quem exerce de fato a Justiça Eleitoral no âmbito das Comarcas?


R.: O exercício de fato da Justiça Eleitoral no âmbito das Comarcas é desempenhado
por Juízes de Direito Estaduais, que acumularão às suas funções próprias as funções
de juiz eleitoral. Vale destacar que, na zona eleitoral onde houver mais de uma vara
da Justiça Comum Estadual, o TRE designará aquela que será responsável pelo
serviço eleitoral.
Arts. 1º e 3º da Resolução n. 21.009 do TSE.

1049. Dê exemplo de juiz não togado que exerce a função de juiz na Justiça
Eleitoral.
R.: São juízes não togados que exercem a função de juiz na Justiça Eleitoral: dois
advogados integrantes do TSE; dois advogados integrantes dos TREs; e dois ou
quatro cidadãos integrantes das juntas eleitorais.

1050. Existe Tribunal do Júri no âmbito federal?


R.: Sim, existe. Todavia, as hipóteses são restritas. Dentre elas, cita-se o crime doloso
contra a vida cometido contra funcionário público federal no exercício da função ou
em razão dela.
Art. 5º, XXXVIII, e art. 109, ambos da CF/88.
Súmula n. 147 do STJ. Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes
praticados contra funcionário público federal, quando relacionados com o exercício
da função.

1051. O que são direitos políticos positivos?


R.: Os direitos políticos positivos são o conjunto de normas jurídicas que asseguram
a participação do cidadão no processo político eleitoral e nos órgãos governamentais.
Eles compreendem a capacidade política ativa (direito de votar), a capacidade política
passiva (direito de ser votado), a disciplina dos sistemas eleitorais (majoritário e
proporcional) e o procedimento eleitoral.

1052. Defina Direito à honra objetiva.


R.: A honra objetiva (ou exterior) consiste na reputação do indivíduo (ou pessoa
jurídica) perante o meio social em que vive (ou atua), enquanto que a honra subjetiva
(ou interior) consiste na estimação que o indivíduo possui de si próprio. O direito à
honra objetiva é tutelado pelo direito civil (indenização por dano material ou moral),
bem como pelo direito penal (crimes de calúnia e difamação).
Art. 5º, X, da CF/88.

1053. Há possibilidade de sua limitação?


R.: Observação – tenho dúvida com relação à resposta. Partindo-se do pressuposto de
que não há direito absoluto, bem como em razão do art. 20 do Código Civil, a tutela
ao direito à honra objetiva encontra limite na autorização do próprio titular ou quando
necessário à administração da Justiça ou à manutenção da ordem pública (ex.:
divulgação por jornal de fato desabonador à reputação de alguém, porém verdadeiro
e de interesse geral).

1054. O que é mandado de segurança?


R: Trata-se de uma ação constitucional que busca a garantia do exercício de um direito
líquido e certo de seu proponente.

1055. O que é direito líquido e certo?


R: O direito líquido e certo é aquele que pode ser demonstrado de plano mediante
prova pré-constituída, sem a necessidade de dilação probatória.
1056. O que é mandado de injunção?
R: O mandado de injunção é o instrumento que permite às pessoas físicas e
jurídicas cobrarem do poder público a edição de normas que coloquem em
prática os direitos e as garantias previstas na Constituição. Também pode ser
usado quando há ausência ou insuficiência de normas necessárias ao exercício
das prerrogativas ligadas à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

1057. O que é habeas data?


R: Trata-se de ação para a garantia do direito que assiste a todas as pessoas de
ter acesso às informações a seu respeito que constem de registros ou banco de
dados de entidades governamentais ou de caráter público, bem como para
retificar os dados inexatos ou obsoletos ou que impliquem discriminação.

1058. O habeas data tutela qualquer tipo de informação?


R: Não. Caberá habeas data para conhecer ou retificar dados pessoais constantes
de bancos de dados das entidades governamentais e bancos de dados de caráter
público gerido por pessoas privadas.

1059. Quais são os princípios implícitos da Administração Pública?


R: Princípios da finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica e interesse público.

1060. O que é princípio da responsabilidade do Estado?


R: É o princípio que assegura que o Estado será responsabilizado pelos seus atos.

1061. O que é direito de antena?


R: Direito de antena consiste no direito dos partidos políticos de terem acesso gratuito
aos meios de comunicação. Encontra-se previsto constitucionalmente no § 3º do art.
17 da CF/88.

1062. O que é direito à informação jornalística?


R: É um direito coletivo à informação correta e imparcial que se exterioriza através
da difusão de notícias, comentários e opiniões por qualquer veículo de comunicação
social.
1063. É o mesmo que liberdade de imprensa?
R.: Não, mas faz parte dela. Ele é assegurado pelo artigo XIV da CF e garante o acesso
à informação, enquanto a liberdade de imprensa é a garantia de passar a informação.

1064. Direito de resposta integra o direito de informação jornalística?


R.: Sim, vez que permite se defender de informações incorretas.

1065. Qual o instrumento jurídico que garante o direito de resposta?


R.: A Constituição em seu artigo 5 inciso V.

1066. O que preciso ajuizar para obter?


R.: Conforme a lei 13188 de 2015 em seu artigo 3º deve ser enviada correspondência
com AR diretamente ao veículo de comunicação. Caso não atendido poderá ser
proposta ação judicial nos termos do artigo 5º da mesma lei.

1067. O que são direitos positivos?


R.: Direito positivo consiste no conjunto de todas as regras e leis que regem a vida
social e as instituições de determinado local e durante certo período de tempo. A
Constituição Federal é um exemplo de direito positivo, pois assim como as outras leis
e códigos escritos, serve como disciplina para o ordenamento de uma sociedade.

1068. O que é vitaliciedade?


R.: É a garantia que a constituição federal dá aos juízes e membros do Ministério
Público de, no primeiro grau após dois anos de exercício, e nos demais casos, de que
a perda do cargo só se de através de sentença judicial com trânsito em julgado.

1069. Os ministros do STF possuem vitaliciedade?


R.: Sim, porém não está expressa na Constituição.

1070. Como um ministro do STF perde o seu cargo?


R.: Por decisão judicial do próprio STF ou por resolução do Senado Federal nos
crimes de responsabilidade (art. 52, II, CF).

1071. O sigilo bancário e fiscal é tutelado expressamente na CF?


R.: Não. Apenas genericamente no artigo 5, X, CF.
1072. Indique, então, em qual inciso do artigo 5º ele se encontra.
R.: Não está escrito de forma expressa na Constituição. Aplica-se o art.5 inciso X –
“são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação; e o inciso XII-é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações
telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por
ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação
criminal ou instrução processual penal.

1073. De que maneira a Constituição Federal tutela a família?


R.: Como a base da sociedade merecendo especial proteção do Estado. Assegura o
casamento civil gratuito, a união estável, o divórcio, o planejamento familiar como
livre decisão do casal, a igualdade de deveres e direitos entre o homem e a mulher na
sociedade conjugal e a assistência a família criando mecanismo para coibir a violência
doméstica.

1074. O que é preceito fundamental?


R.: São princípios e regras constitucionais considerados essenciais à ordem jurídica
constitucional. Por exemplo: os princípios constitucionais sensíveis, os direitos
sociais, estado democrático de direito , à soberania nacional, à cidadania ,à dignidade
da pessoa humana , os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, ao pluralismo
político, aos direitos e garantias fundamentais, à forma federativa do estado brasileiro
,à separação e independência dos poderes, o voto universal, secreto, direto e periódico
entre outros.

1075. Defina seguridade social.


R.: É um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, destinados a assegurar os direitos relativos a saúde, assistência social e
previdência.
1076. O que é regime geral da previdência?
R.: É um regime de caráter contributivo e filiação obrigatória que visa assegurar a
proteção a maternidade (licença maternidade), pensão por morte do segurado ao
conjugue ou companheiro e dependentes, o salário família, auxílio reclusão, a
aposentadoria, o auxílio doença, entre outros.

1077. Defina direito de antena.


R.: Compreende o direito de captar e transmitir ondas eletromagnéticas. Se encontra
pautado tanto na transmissão da comunicação como na captação desta por meio de
ondas que se propagam no espectro eletromagnético.

1078. No que consiste a inviolabilidade das comunicações?


R.: É uma garantia constitucional de que as conversas feitas pelo uso do telefone ou
pela internet em e-mail privada não serão violadas, senão por ordem judicial
imprescindível para persecução penal conforme previsão na lei.

1079. A autorização para quebra de sigilo das telecomunicações autoriza a


quebra de sigilo em smartphones?
R.: Sim, conforme tem decido os tribunais superiores autoriza a quebra das conversas
telefônicas no whatsap ou mensagens de texto mediante autorização judicial.

1080. O que é método jurídico de interpretação da Constituição Federal?


R.: É o método usado paras interpretar a Constituição Federal que leva em conta os
mesmos métodos usados para interpretar as leis em geral. São eles: gramatical, lógico,
sistemático, jurídico.
1081. O que são normas constitucionais programáticas?
R. São aquelas em que o legislador constitucional traçou princípios e objetivos a
serem alcançados com o objetivo de realizar os fins sociais do Estado. Ex: ar. 3º, CF;
ou seja, dependem de providências institucionais para a sua realização.

1082. O que são normas constitucionais de integração?


R. São normas que podem ser complementadas pela vontade legislativa ordinária,
sendo elas restringíveis ou complementáveis. Naquelas, a complementação
infraconstitucional deve restringir sua amplitude (ex.: art. 5º, XIII - liberdade
profissional); já estas necessitam de um aditamento (ex. art. 37, VII – dir. greve do
servidor público).

1083. Quais as principais limitações do direito de locomoção?


R. Como todo direito fundamental, este não é absoluto e pode ser restringido em
determinados casos, tais como no flagrante delito; no Estado de sítio; nos casos de
estrangeiros que ao ingressarem no Brasil podem ser impedidos de nele adentrar
quando não preencher os requisitos legais (art. 45 Lei Migração).

1084. Quais os elementos da liberdade física?


R. O primeiro elemento constitutivo da liberdade é a noção de diversidade; a
possibilidade é pois, o segundo elemento constitutivo da liberdade. O terceiro
elemento é a independência significando a imunidade diante de qualquer tipo de
coerção ou constrangimento.
Obs. Não achei resposta para esta pergunta, apenas a classificação acima retirada de
um artigo de filosofia.

1085. Faça críticas às normas programáticas.


R. Tratam-se de normas que têm por conteúdo princípios abstratos e na maioria
implícitos; enunciam programas políticos não vinculantes e estampam regras
genéricas, vagas e abstratas que acabam por escapar de uma aplicação positiva.

1086. Cite bens pertencentes à União.


R. Nos termos do art. 20 da CF, são bens da União, as terras devolutas; os lagos, rios
e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de
um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território
estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a
sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade
ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; os recursos naturais da plataforma
continental e da zona econômica exclusiva; o mar territorial; os terrenos de marinha
e seus acrescidos; os potenciais de energia hidráulica; os recursos minerais, inclusive
os do subsolo; as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-
históricos; as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

1087. O subsolo pertence à União?


R. Não. A CF/88 em seu art. 20, IX, determina que os recursos minerais constituem
bens da União, independente de estarem no solo ou no subsolo. Já o art. 176, prevê
que as jazidas “constituem propriedade distinta da do solo...”. Logo, vê-se que é
tecnicamente errôneo dizer que o subsolo está no domínio da União, pois a esta
pertencem apenas os recursos minerais.

Examinador: WAGNER BERTOLI

1088. Quando pode ocorrer a expulsão?


R. Nos termos do art. 54 da lei de migração, a expulsão consiste em medida
administrativa de retirada compulsória de migrante ou visitante do território nacional,
conjugada com o impedimento de reingresso por prazo determinado. Nos termos do
§ 1o poderá dar causa à expulsão a condenação com sentença transitada em julgado
relativa à prática de: I - crime de genocídio, crime contra a humanidade, crime de
guerra ou crime de agressão; ou II - crime comum doloso passível de pena privativa
de liberdade, consideradas a gravidade e as possibilidades de ressocialização em
território nacional.

1089. Qual a diferença da extradição?


R. A extradição é um ato de soberania estatal que consiste na entrega de uma pessoa,
acusada ou condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. A extradição
pode ser solicitada tanto para fins de instrução de processo penal a que responde a
pessoa reclamada (instrutória), quanto para cumprimento de pena já imposta
(executória).

1090. Qual o papel do Congresso Nacional quando é decretado o estado de defesa


e o de sítio?
R.: O estado de defesa é decretado pelo Presidente da República, o qual, dentro de 24
horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que
decidirá por maioria absoluta (artigo 136).
Já no estado de defesa, o Presidente da República solicita autorização ao Congresso
Nacional para decretá-lo, e o Congresso decide por maioria absoluta (artigo 137).
A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designará Comissão
composta de cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das
medidas referentes ao estado de defesa e ao estado de sítio (artigo 140).

1091. Como é feito o controle político da decretação?


R.: É feita convocação extraordinária do Congresso Nacional, pelo Presidente do
Senado Federal, em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal,
de pedido de autorização para a decretação de estado de sítio (artigo 57, p. 6º, da CF)

1092. Como se dá a criação dos municípios?


R.: A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios são feitos
por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e
publicados na forma da lei (artigo 18, §4º, da CF). V. também artigo 96 do ADCT.

1093. Quem faz a fiscalização dos municípios?


R.: A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal,
mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo
Municipal, na forma da Lei (artigo 31 da CF). O Controle externo da Câmara
Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do
Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.

1094. Qual a função do poder legislativo municipal?


R.: Legislar sobre assuntos de interesse local e fiscalizar o Município, mediante
controle externo, com o auxílio do Tribunal de Contas dos Estados ou do Município
ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.
1095. Votação da maioria (leia-se, maioridade) penal, essa matéria é cláusula
pétrea?
R.: Para parte da doutrina (Pedro Lenza) é perfeitamente possível a redução da
maioridade penal de 18 para 16 anos, já que o texto apenas não admite a proposta de
emenda que tenda a abolir o direito e garantia individual. Isso não significa que a
matéria não possa ser modificada. Reduzindo de 18 para 16 anos o direito à
inimputabilidade, visto como garantia fundamental, ele não deixará de existir.
Em sentido contrário, há quem defenda tratar-se de cláusula pétrea, pelo princípio da
vedação do retrocesso, de modo que a redução da maioridade penal somente poderia
se dar com o advento de uma nova Constituição, fruto do Poder Constituinte
originário.

1096. Quem pode propor emenda constitucional?


R.: Nos termos do artigo 60, caput, da CF, a Constituição poderá ser emendada
mediante proposta:
I – de 1/3, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II – do Presidente da República;
III – de mais da metade das Assembleias Legislativas das Unidades da Federação,
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

1097. Como se chega ao número de deputados em uma Assembleia Legislativa?


R.: O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da
representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze
(artigo 27 da CF).

1098. E com relação aos deputados federais?


R.: O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo
Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à
população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para
que nenhuma daquelas Unidades da Federação tenha menos de 8 ou mais de 70
Deputados (artigo 45, §1º, da CF).

1099. Quantos senadores temos por unidade federativa?


R.: 3 (três) senadores, com mandato de oito anos.
Art. 46, §1º, CF.

1100. Todas as unidades possuem senadores?


R.: Cada Estado e o Distrito Federal terão Senadores.
Art. 46, §1º, CF.

1101. O art. 18 da CF fala que a união é indissolúvel, e se o estado quiser sair da


federação?
R.: Trata-se de grave violação ao pacto federativo, ensejando, em tese, a possibilidade
de intervenção federal (“A União não intervirá nos Estados nem no DF, exceto para
manter a integridade nacional”). Além disso, a tentativa de desmembrar parte do
território nacional para constituir país independente é criminalizada pela lei dos
crimes contra a segurança nacional.
Art. 11, lei 7.170/83 (reclusão 4 a 12 anos) e Art. 34, I, CF (intervenção federal).

1102. Escuta ambiental em escritório de advocacia é legal?


R.: Há precedente do STF (Inq.2.424/RJ) considerando lícita a instalação, durante a
madrugada, de equipamento de captação acústica no escritório, local utilizado para
consumação de crimes. Além disso, por ser investigado por organização criminosa,
havia previsão legal de escuta ambiental (atual art. 3º, II, lei 12.850/13), “não sendo
admissível que a inviolabilidade transforme o escritório no único reduto inexpugnável
de criminalidade”, nas palavras Min. Cezar Peluso.

1103. Qual a diferença entre direito de reunião e direito de associação?


R.: Ambos consubstanciam a ideia de aglomeração de algumas ou muitas pessoas.
Entretanto, não se confundem, porque o direito de reunião é formação grupal
passageira, enquanto a associação é organização permanente de base contratual
(fundada no acordo de vontade entre os aderentes).

1104. O delegado assume uma delegacia no interior do estado e em sua primeira


portaria designa os locais em que podem ser realizados comícios na cidade. Isso
é constitucional? (Exemplo idêntico ao livro do professor José Afonso da Silva!!!)
R.: A lei 1.207/50 determinava que a autoridade policial designasse os locais
destinados a comícios (reunião de caráter público e que se realiza em locais abertos a
público). A CF não mais condiciona o exercício de reunião a essa delimitação, sendo
tal medida inconstitucional.
Art. 5º, XVI, CF.

1105. Como se dá a competência legislativa na CF/88?


R.: A competência legislativa na CF/88 é divida em (a) exclusiva, com a distribuição
horizontal competências entre União (art. 22), Estados (art. 25, §1º) e Municípios (art.
30) e (b) concorrente, na qual a União estabelece as normas gerais (art. 24, CF),
cabendo ao Estados e DF suplementá-las.

1106. O estado tem competência legislativa suplementar?


R.: Sim, o Estado tem competência legislativa suplementar no caso de competência
concorrente. Divide-se em suplementar complementar (quando já existe lei federal,
devendo o Estado observar os princípios estabelecidos pela lei federal) ou
suplementar plena (inexiste lei federal, competência estadual será plena).
Art. 24, §§ 1º a 4º, CF.

1107. Como poderá o presidente da República perder o cargo?


R.: No caso de crime de responsabilidade (arts. 85 e 86, CF), processo de
impeachment, julgado pelo Senado Federal (art. 52, I, CF).
No caso de o Presidente e o Vice se ausentarem do País por período superior a 15
(quinze) dias, sem licença do Congresso Nacional, sob pena de perda do cargo (art.
83, CF)

1108. Como se dá a eleição do Presidente em eventual vacância, quem assume?


R: De acordo com o art. 80 da Constituição Federal, em caso de impedimento
do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão
sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos
Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal. A eleição para o
novo presidente, nesses casos, será feita noventa dias após aberta a última vaga.
1109. Nos dois últimos anos, quem assume?
R: Determina o art. 81, da CF/88 que, em caso de vacância nos últimos dois
anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias
depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. Em suma, há eleição
presidencial indireta.

1110. O ensino religioso nas escolas, o sacrifício de animais por


religiões afro-brasileiras e a retirada de crucifixos das escolas fere norma
constitucional?
R: O ensino religioso nas escolas possui natureza constitucional e não viola a
liberdade religiosa, tendo o STF se manifestado favoravelmente, inclusive, ao ensino
religioso de natureza confessional nas escolas públicas (Info 879).
No que tange ao sacrifício de animais por religiões afro-brasileiras, em que
pese haver divergência doutrinária sobre o tema, tem prevalecido as posições
favoráveis a liberdade religiosa, desde que haja uma harmonização com os princípios
de proteção ambiental, de modo que seja afastado qualquer tipo de maus-tratos e que
a carne do animal abatido seja direcionada para consumo. A matéria, porém, está
pendente de julgamento perante o STF (RE 494601).
Por fim, acerca da retirada de crucifixos de escolas, não sem embargos de parte
divergente da doutrina, prevaleceu no ordenamento jurídico brasileiro que a presença
de crucifixo em prédios públicos não fere a laicidade do estado, havendo decisão do
CNJ nesse sentido.

1111. Explique a auto organização dos estados.


R: Os estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios da Constituição Federal (art. 25, CF/88). Isso
significa que os estados membros possuem normas constitucionais locais, bem como
autonomia legislativa, administrativa e financeira, desde simetricamente alinhadas ao
modelo estabelecido pela Constituição Federal.

1112. Como se dá a fusão dos estados?


R: A Constituição Federal estabelece, em relação aos Estados-membros, três
possibilidades de alteração da divisão geopolítica interna: a incorporação, a
subdivisão e o desmembramento (art. 18, §3º, CF/88). Na incorporação, ocorre a fusão
entre dois ou mais Estados, originando a formação de novo Estado ou Território
Federal. Como corolário, os Estados originários deixam de existir e o Estado ou
Território formado irá adquirir nova personalidade jurídica. Esse procedimento
somente pode ocorrer mediante aprovação da população diretamente interessada,
através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

1113. Quais as formas de nacionalidade?


R: De acordo com a Constituição Federal a nacionalidade pode ser originária,
de acordo com o critério do local de nascimento ou de filiação do indivíduo (art. 12,
I, CF/88); ou adquirida por um ato de vontade do indivíduo que opta por determinada
nacionalidade (art. 12, II, CF/88).

1114. Como se adquire a naturalização, é judicial ou administrativa?


R: A naturalização adquire-se de acordo com as regras estabelecidas no art.
12, II, da CF/88, podendo ser ordinária, hipótese em que a concessão da naturalização
é discricionária, ou extraordinária, espécie em que preenchidos os requisitos
constitucionais há direito público subjetivo à obtenção da nacionalidade brasileira.
Nessa lume, a naturalização ocorre, em regra, na via administrativa, porém pode ser
obtida judicialmente, em razão do princípio da inafastabilidade da jurisdição, nos
casos em que houver negativa de naturalização extraordinária quando preenchidos os
requisitos legais.

1115. Quais as formas legislativas previstas?


R: De acordo com o art. 59, da CF/88, o processo legislativo compreende a
elaboração de: emendas à constituição; leis complementares; leis ordinárias; leis
delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos e; resoluções.

1116. Qual pressuposto da medida provisória?


R: São pressupostos da medida provisória, conforme art. 62, caput, da CF/88,
a relevância da matéria, ou seja, deve ser de grande importância para a ordem social
ou econômica; e a urgência, de modo que a não edição da medida levará a um dano
irreparável ou de difícil reparação, não podendo ser adiada.

1117. Como funciona a competência legislativa dos municípios?


R.: No modelo federativo criado pela CF/88, atribuiu-se aos municípios a
competência de legislar sobre assuntos de interesse local e, quando couber,
suplementar as legislações estaduais e federais.

1118. Qual o fundamento da ordem social?


R.: É o primado do trabalho.

1119. As cláusulas pétreas são só as descritas no art. 60, §4º da CF?


R.: Constituindo limitação material ao poder constituído derivado reformador as
cláusulas pétreas não se exaurem nas descritas pelo dispositivo em comento, sendo
também consideradas desta natureza: a titularidade do poder constituinte originário e
do poder de reforma, a impossibilidade de supressão dos fundamentos da República,
a forma republicana de governo (há dissidência, todavia, quanto sistema
presidencialista), o próprio art. 60, CF e a garantia do mínimo existencial (havendo
aqui ampla dissidência doutrinária sobre o limite da expressão “direitos e garantias
individuais” em relação aos direitos sociais, coletivos e difusos).

1120. Intervenção do estado nos municípios, quando ocorre?


R.: Pode ocorrer por: deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos
consecutivos, a dívida fundada; não serem prestadas contas devidas, na forma da lei;
não se aplicar aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; ou no caso de o
Tribunal de Justiça prover representação para assegurar a observância de princípios
indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de
decisão judicial.

1121. Quando é feita a solicitação de intervenção, o executivo é obrigado a intervir?


R.: A “solicitação” de intervenção é aquela feita pelo Executivo ou Legislativo
estadual ao Presidente da República, que pode ou não ser acatada (diversamente da
“requisição”, que se refere ao poder judiciário) – ou seja, a apreciação presidencial é
discricionária, sendo a decretação da intervenção facultativa.

1122. Quando pode ocorrer a deportação?


R.: Após o regular procedimento administrativo (respeitados o contraditório e a ampla
defesa) que decida pela aplicação da medida à pessoa que se encontre em situação
irregular no Brasil – e desde que a deportação não configure extradição não admitida
pela legislação brasileira.

1123. O que é constituição no sentido sociológico?


R.: É o produto da soma dos fatores reais de poder que regem a sociedade – trata-se
de concepção atribuída a Ferdinand Lassale, em sua obra “A essência da
Constituição”, na qual afirma-se que a constituição jurídica (a escrita) é “mero pedaço
de papel”, sem força diante da constituição real, caso exista incongruência entre o
texto escrito e a realidade fática.

1124. Estado de defesa e estado de sítio, logo que cessam os seus efeitos o que deve
fazer o presidente da República?
R.: Deve remeter mensagem ao Congresso Nacional, com especificação e justificação
das providências adotadas e contendo a relação nominal dos atingidos e indicação das
restrições aplicadas.

1125. Qual a principal diferença entre estado de defesa e estado de sítio?


R.: Reside na gravidade das medidas que podem ser impostas num e noutro caso – o
estado de defesa pode implicar menos restrições aos direitos que o estado de sítio –
especialmente porque, no caso de estado de sítio decretado em razão de declaração de
estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira, sequer há enumeração
constitucional das medidas restritivas de direitos que possam ser tomadas.

1126. Quando pode ocorrer o estado de sítio?


R: Nos termos do art. 137, I e II da CF/88, o requerimento do Presidente ao Congresso,
no caso de estado de sítio poderá ocorrer quando: a) comoção grave de repercussão
nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada
durante o estado de defesa; e b) declaração de estado de guerra ou resposta a agressão
armada estrangeira.

1127. Diferencie asilo e refúgio.


R: O pedido asilo político, de acordo com a maioria da doutrina, se dá por questões
de perseguição política e a sua concessão é discricionária. Se divide em territorial,
quando o requerente está no território onde se busca a proteção, ou diplomático,
quando a pessoa se encontra em estado estrangeiro, fora do território, requerendo a
proteção na embaixada, por exemplo. De forma diversa, o pedido de refúgio se dá por
outros motivos, como por exemplo raça, religião, nacionalidade etc. Diferentemente
do asilo, o refúgio, preenchidos os requisitos, a sua concessão é obrigatória.

1128. A pessoa jurídica é titular de direitos fundamentais?


R: Muito embora haja discussão na doutrina e jurisprudência, prevalece o
entendimento de que as pessoas jurídicas são titulares de alguns direitos
fundamentais, como por exemplo a propriedade e a inviolabilidade.

1129. Quais os limites dos direitos fundamentais?


R: Duas teorias dissertam acerca das restrições aos direitos fundamentais. A teoria
interna expõe que os limites são fixados através de um processo interno, imanentes
ao próprio direito. Dessa forma, o legislador, quando regulamenta o direito, não está
estabelecendo limites, assim como não há que se falar em ponderação. Por outro lado,
a teoria externa parte do principio que há direitos com e sem limitações. Com relação
aos direitos com limitações, estas se farão fora dele, seja por outras disposições
constitucionais, seja por legislação infranconstitucional. Nesse aspecto, abrem-se
brechas para a interpretação com base na ponderação de direitos. Há doutrina também
que fala em uma teoria dos limites dos “limites”. Para esse entendimento, os limites
dos direitos fundamentais esbarrariam nos princípios da proporcionalidade, igualdade
e proteção do núcleo essencial do direito, assim como em limites formais (ex.
exigência de lei formal etc.).

1130. Dê exemplo de dois deveres constitucionais.


R: Como exemplo de deveres constitucionais, temos o dever de aviso prévio à
autoridade competente quando do exercício do direito de reunião pacífica (art. 5º, XVI
da CF/88), e o dever da dar função social da propriedade (art. 5º, XXIII c/c art. 182 a
191 da CF/88).

1131. Art. 77 da LOP, cassação de aposentadoria. É constitucional?


R: Realizando uma interpretação à luz da CF/88, o art. 77 da LOP, que dispõe sobre
as hipóteses de cassação de aposentadoria, temos que o dispositivo continua
constitucional.

1132. Controle de constitucionalidade preventivo, quais os seus momentos?


R: O controle preventivo poderá ocorrer em três momentos. Pelo legislativo através
das CCJ, quando da análise de projetos de lei ou PEC e os reconhecerem como
inconstitucionais. Pelo executivo, quando da realização do veto jurídico presidencial
por inconstitucionalidade. E, por fim, pelo judiciário, através de mandado de
segurança impetrado por parlamentar contra projeto de lei ou PEC por inobservância
do devido processo legislativo ou por PEC que viole cláusula pétrea. (INF 711 STF).

1133. O que é poder constituinte?


R: É o poder ao qual incumbe elaborar (criar), reformar ou complementar uma
Constituição. Se divide em originário e derivado. Este último, por sua vez, se divide
em revisional, decorrente, reformador e difuso. (Bernardo Gonçalves Fernandes).

1134. O que são princípios políticos constitucionalmente conformadores?


R: São os princípios constitucionais que explicam as valorações políticas
fundamentais do legislador constituinte. Neles condensam as opções políticas
nucleares e se reflete a ideologia inspiradora da constituição. Os princípios políticos
constitucionais são o cerne político de uma constituição política. […] situam-se aí, os
princípios definidores da forma de Estado. […] os princípios políticos
constitucionalmente conformadores são princípios normativos e operantes, que todos
os órgãos encarregados da aplicação do direito devem ter em conta, seja em atividades
interpretativas, seja em atos inequivocadamente conformadores. (CANOTILLO)

1135. Quais os princípios da administração pública?


R: Consoante o disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal os princípios da
administração pública são: Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência.

1136. Como se dá a proteção dos direitos fundamentais?


R: Os direitos fundamentais não proibições de intervenção (Eingriffsverbote).
Entretanto, também um postulado de proteção (Schutzgebote) – mandado de
criminalização. Os remédios constitucionais previstos no art. 5 da CF servem de
garantia ao exercício deste direito.

1137. Diferencie controle de constitucionalidade por omissão e mandado de


injunção.
R: Controle de constitucionalidade por omissão é feito pela ADI por omissão para
implementação de norma em abstrato. É utilizado de forma objetiva, na via
concentrada, através da interpolação judicial pelos legitimados do art. 103 da CF. O
mandado de injunção, por sua vez, é o remédio constitucional a ser utilizado concreto,
quanto a ausência de norma gere violação aos direitos de soberania, cidadania ou
nacionalidade.

Examinador: Fabiano Genofre

1138. O que entende por revisão constitucional?


R: Revisão constitucional é uma forma de reforma do texto constitucional prevista no
art. 3 do ADCT, exercício do poder constituinte derivado.

1139. Em que momento e como se dá a revisão constitucional?


R: O art. 3 do ADCT prevê que a revisão constitucional será realizada após cinco
anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos
membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.

1140. Por que não mais ocorre?


R: O procedimento foi efetivado em 5 de outubro de 1993 no Brasil, tendo cumprido
o mandamento constitucional.

1141. Qual o período de revisão?


R: Conforme dispõe o referido art., cinco anos, contados da promulgação da
Constituição.
1142. Em que lugar do corpo da Constituição se encontra?
R: ADCT.

1143. O que é incidente de deslocamento de foro?


R: É o incidente de deslocamento de competência que ocorre quando o estado mostra-
se incapaz de resolver celeuma grave violadora de direitos humanos. Encontra-se
previsto na Constituição Federal, art. 109, § 5º, da CF.
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da
República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes
de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá
suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou
processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
1144.Referente ao Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) enxerga a
possibilidade de entrar em choque aparente com outro dispositivo
constitucional?
R.: A emenda constitucional que inseriu o IDC no texto constitucional já foi alvo de
ADIN’s, que argumentavam, em síntese, que a previsão do IDC não possui auto
aplicabilidade, sendo contrário a determinados princípios constitucionais, além de
ferir as garantias constitucionais do juiz natural, do devido processo legal e do pacto
federativo. Postulavam que ao invés de desprestigiar o MP e a Justiça Estadual,
bastava aumentar, taxativamente, a competência da Justiça Federal. No entanto, não
pairam dúvidas de que o fim almejado encontra abrigo em uma sociedade que preza
pelo princípio da dignidade da pessoa humana como um de seus fundamentos e na
prevalência dos direitos humanos. Outrossim, o referido instrumento preserva a
entidade federativa, salvaguardando a noção de devido processo legal, garantindo a
adequação da federalização. Pedro Lenza (2011) ressalta que a previsão estabelecida
no artigo 109, V-A e no §5º do mesmo artigo da Constituição Federal fora muito bem
vindo e acertado no sentido de adequar o funcionamento do Judiciário brasileiro ao
sistema de proteção internacional dos direitos humanos, destacando ainda que a União
é que será responsabilizada em nome do Estado brasileiro, por aquilo que fora
acordado em tratados internacionais. Outrossim, havendo descumprimento ou afronta
a direitos resguardados pelos referidos tratados, a União não poderá invocar a cláusula
federativa para se eximir das responsabilidades assumidas perante os órgãos
internacionais. https://jus.com.br/artigos/51254/da-aplicabilidade-do-incidente-de-
deslocamento-de-competencia/4

1145.Quando fixa as normas de competência das cotas, traz uma garantia ao cidadão.
Que garantia é essa?
R.: Constituição Federal de 1988, em seu artigo 3º, reconhece a existência de
desigualdades sociais e inclui, dentre os objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil, a redução das mesmas, constituindo, assim, as políticas públicas
tendentes a minimizar essas diferenças uma verdadeira concretização do mandamento
constitucional referido. Combate-se, pois, com o sistema de cotas, dois problemas que
se retroalimentam: a desigual condição de acesso a uma educação de qualidade e a
marginalização de certos grupos em relação ao desenvolvimento econômico, social e
intelectual. As cotas, portanto, cumprem o salutar papel de tratar desigualmente
indivíduos que não tiveram iguais oportunidades, materializando, assim, o nobre
princípio da igualdade. É o que Ronald Dworkin, um dos mais prestigiados filósofos
da atualidade, em seu Levando os direitos a sério, chama de “discriminação positiva
ou compensatória”. https://jus.com.br/artigos/22632/lei-de-cotas-nas-universidades-
constitucionalidade-e-necessidade

1146.Qual a diferença entre estado de defesa e estado de sítio?


Ambos fazem parte do denominado “sistema constitucional de crises” e possuem
previsão no título V – Da defesa do Estado e das Instituições Democráticas, da CF/88.
Vejamos somente as diferenças;
ESTADO DE DEFESA ESTADO DE SÍTIO
(ART. 136, CF) (ART. 137, CF)
Decretado pelo Presidente, posterior O Presidente solicita ao Congresso
aprovação do congresso. Nacional autorização para decretar.
Nos casos de grave e iminente Nos casos de comoção grave de
instabilidade institucional ou repercussão nacional; ou ocorrência de
calamidade de grandes proporções na fatos que comprovem a ineficácia de
natureza. medida tomada durante o estado de
defesa; ou declaração de estado de
guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira.
Prazo: 30 dias + 30 dias Prazo: Se ineficaz o Estado de Defesa
– 30 dias prorrogáveis por quantas
vezes forem necessárias. No caso de
Guerra ou agressão armada, por
quanto perdurar a situação.
Especificação das áreas abrangidas e As especificações da amplitude do
indicação das medidas coercitivas estado de sítio podem ser feitas
devem estar no decreto. posteriormente à decretação.
As medidas coercitivas são diferente; Medidas coercitivas mais drásticas

1147.Existe a possibilidade de usarmos o estado de defesa em nosso contexto histórico


atual?
Sem dúvida, excelência! Desde que preenchidos os requisitos e observados os
princípios da excepcionalidade, necessidade, temporalidade, obediência estrita à CF
e controle político/judicial que norteiam a temática, não haveria óbice para sua
decretação.

1148.Para que isso ocorresse eventualmente, quais seriam os requisitos?


Que o Presidente da República ouça os Conselhos da República e o de Defesa
Nacional (parecer não vinculante), e após, que o decreto estabeleça o tempo de
duração, as áreas abrangidas e as medidas coercitivas implementadas, desde que
tenha a finalidade de preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e
determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente
instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções
na natureza. Ressalta-se, por fim, a necessidade do decreto ou a sua prorrogação ser
encaminhada, dentro de 24 horas, o ato com a respectiva justificação ao Congresso
Nacional, que decidirá por maioria absoluta.

1149.O que entende por supremacia normativa da Constituição?


(Aparentemente, a pergunta misturou dois princípios “força normativa da
constituição” com “supremacia da constituição” – responderei as duas
respectivamente).
Força normativa: Conforme Konrad Hesse “Quanto mais o conteúdo de uma
Constituição lograr corresponder à natureza singular do presente, tanto mais seguro
há de ser o desenvolvimento de sua força normativa.” Trata-se da acepção de que a
Lei Maior não deve ser apenas teórica e utópica, mas possível de ser colocada em
prática, sempre tendo como principal finalidade atender os anseios e necessidades
sociais do Estado. Destarte, para que a Constituição possua força normativa efetiva,
necessário à sua interpretação de maneira a se buscar a sua plena eficácia dentro da
realidade social. A força normativa constitucional é revelada pelos preceitos e
princípios estabelecidos pelo legislador constituinte. Trata-se, conforme as palavras
do ilustre professor e ministro Gilmar Mendes da vontade da Constituição. Essa
vontade deve ser interpretada pelo Supremo Tribunal Federal de forma a não haver
contradição entre as consequências das decisões emanadas pela mais alta estância e
os preceitos e princípios esculpidos na Carta Magna.
Supremacia da Constituição: As diferenças, sob o ponto de vista prático, são várias,
apesar das inúmeras semelhanças que o princípio da supremacia encontra com o
princípio da força normativa, anteriormente exposto. A chamada hierarquia formal
entre as normas constitucionais e infraconstitucionais só acontece em relação às
Constituições escritas rígidas: para uma norma ter validade, há que ser produzida em
concordância com os ditames ou prescrições da Constituição. Essa relação de
superioridade entre as normas não existe nas Constituições flexíveis (por exemplo,
Inglaterra), pois estão no mesmo nível hierárquico. Logo, em relação a estas últimas,
não há se falar em supremacia do texto constitucional em face das demais normas.

1150.Quais as espécies de controle de constitucionalidade?


São 3 grandes matrizes (sistemas) de Controle de Constitucionalidade, o Brasil adotou
as duas primeiras:
A. Matriz norte-americana (controle difuso). Originária do caso Marbury x Madison
(1803) postula um controle de constitucionalidade feito pelo poder judiciário (por
qualquer juiz ou tribunal) diante de um caso concreto, de modo incidental (pois a
análise da constitucionalidade não é o mérito do caso) e gerando efeitos interpartes e
extunc (via de regra).
B. Matriz austríaca (controle concentrado): Desenvolvida por Hans Kelsen, após a 2ª
Guerra Mundial, tem como marco a constituição da Austríaca de 1920, postula um
controle de constitucionalidade feito pelo poder judiciário, não por qualquer juiz ou
tribunal, mas sim por uma corte constitucional (concentrado em um único órgão), não
ocorre de forma incidental, mas sim via principal (pois o mérito da ação é a própria
análise da constitucionalidade, sem um caso concreto [lide]), seus efeitos são “erga
omnes” e “ex nunc” (pro futuro – via de regra).
C. Matriz Francesa: desenvolvida a partir da Constituição da 5ª República da França
de 1958, esse sistema, basicamente, não tem poder Judiciário como órgão de controle,
mas um órgão de cunho político, com composição eminentemente política, intitulado
de Conselho Constitucional, composto por 09 membros indicados para um mandato
de 09 anos.
Posto isso, nosso controle de constitucionalidade é eminentemente judicial, no
entanto, misto, posto que congrega os controles norte-americano e austríacos (difuso
e concentrado).

1151.Que tipos de Constituição conhece?


1152. O que entende por neoconstitucionalismo? Desde já peço desculpas aos colegas
pelo tamanho da resposta, mas a questão é importante e exige atenção. Portanto, fiz
um resumo caprichado.
É um movimento da segunda metade do século XX (pós segunda guerra mundial) que
tem como objetivo desenvolver um novo modo de compreender, interpretar e aplicar
o direito constitucional e as constituições.
São 3 grandes marcos (vetores) que o orientam:
a. Marco Histórico: É o estado constitucional de direito do pós 2ª guerra (constituição
alemã de 1949, constituição italiana de 1948, constituição portuguesa de 1976 (no
Brasil a constituição de 1988 é o seu marco);
b. Marco Filosófico: É o pós-positivismo (movimento que busca superar a dicotomia
positivismo X jusnaturalismo, pois vai além da legalidade estrita e não desconsidera
o direito posto). Advoga uma reaproximação do direito e da ética, direito e moral,
direito e justiça.
c. Marco Teórico: Conjunto de teorias que dizem respeito a força normativa da
constituição, a expansão da jurisdição constitucional e novos métodos de
interpretação (nova hermenêutica – ponderação, tópica, teorias da argumentação,
metódica estruturante e etc).
Quais são suas principais características: Constituição como centro do
ordenamento, força normativa da constituição, concretização de direitos fundamentais
(dignidade humana como norma de eficácia irradiante), judicialização da política e
das relações sociais, novas teorias da norma, das fontes e da interpretação

1153. As leis orgânicas municipais podem ser consideradas Constituições


Municipais. É correta essa afirmação?
R: Não. Tendo em vista que a lei orgânica municipal se subordina tanto à
CRFB quanto à Constituição Estadual, não se pode falar em manifestação do Poder
Derivado Decorrente nos Municípios, mas somente em relação aos Estados-membros.
Ademais, numa interpretação literal, a CRFB/88 não dispôs literalmente sobre uma
Constituição para o Município. Obs.: Pedro Lenza utiliza o termo “Constituição
Municipal”; José Afonso da Silva diz que a lei orgânica é uma espécie de constituição
municipal; Bernardo Gonçalves entende que as “leis orgânicas são verdadeiras
Constituições no âmbito dos municípios”, mas sinaliza que a corrente majoritária é a
exposta acima (ele diz que a posição majoritária é seguida inclusive pelo TJSP, mas
não coloca o número do julgado).
Art. 29, CRFB/88;
Art. 11, parágrafo único, ADCT;
Art. 144, CESP/89.

1154. Se não tem essa natureza, qual seria a natureza jurídica da lei
orgânica?
R: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta. Acredito que o
candidato tenha respondido não à pergunta anterior (1153), por isso a pergunta sobre
a natureza jurídica. O problema é que os autores que entendem que a lei orgânica não
se trata de uma Constituição Municipal, não explicam sua natureza jurídica. Caso se
adote essa posição, pode-se dizer que a lei orgânica é uma lei sui generis, pois, apesar
de não ser uma Constituição em sentido estrito, tem conteúdo de natureza
constitucional.

1155. Qual a natureza jurídica das normas constitucionais?


R: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta .As normas
constitucionais são o fundamento de validade do ordenamento jurídico, uma vez que,
situadas no topo da pirâmide jurídica, geram a invalidade dos atos que a contrariam e
condicionam o conteúdo das normas inferiores. As normas constitucionais são
dotadas da mesma hierarquia. Gilmar Mendes chama as normas constitucionais de
“normas de normas”.

1156. O que entende por desconstitucionalização?


R: Pela teoria da desconstitucionalização, com a promulgação de uma nova
Constituição, os dispositivos incompatíveis seriam revogados e os compatíveis
(apenas os formalmente constitucionais) recepcionados com status de normas
infraconstitucionais. Assim, não haveria necessidade de revogação inteira da
Constituição anterior.
Obs.: normas materialmente constitucionais não poderiam ser recepcionadas
com status inferior justamente por tratarem de temas afetos ao Direito Constitucional
como direitos fundamentais, organização do Estado, separação dos Poderes etc.
1157. O que impede a desconstitucionalização no Brasil?
R: Falta de previsão expressa no texto constitucional. Por questão de
segurança jurídica, só o Poder Constituinte Originário poderia prever a
desconstitucionalização.
Obs.: No âmbito estadual, o Poder Constituinte Decorrente Inicial (Instituidor
ou Institucionalizador) pode prever a desconstitucionalização, como já ocorreu com a
Constituição de SP de 1967 (art. 147).

1158. Existe algum dispositivo que veda a desconstitucionalização?


R: Não. Embora não haja dispositivo vetando, deve-se entender que há um
veto implícito, na medida em que a desconstitucionalização só poderia ser prevista
pelo poder responsável por inaugurar a Constituição.

1159. O que entende por discriminação positiva na Constituição?


R: A discriminação positiva é um instrumento promocional da igualdade e eliminação
da discriminação injusta. Assim, além de proibir - o que ainda é insuficiente- a
discriminação indevida, o Estado adota políticas visando a inclusão do segmento
social submetido a determinada situação inferiorizante, objetivando uma igualdade de
fato (material).
Art. 3 º, III e IV, CRFB/88;
Art. 232, CESP/89;
Item II, 1.1, Dec. 42.209/97

1160. Há raiz psicológica ou fundamento social?


R: Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta. A discriminação positiva
se pauta na "justiça distributiva", que permite a superação das desigualdades no
mundo dos fatos, por meio de intervenção estatal.

1161. Fixação de cotas é discriminação positiva?


R: Sim, pois tem o objetivo de promover a inclusão social de certos grupos
excluídos, garantindo-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos direitos
do homem e das liberdades fundamentais.

1162. Por que tenho que fixar cotas?


R: Entende-se por cotas um modelo de política de ações afirmativas a fim de garantir
menores desigualdades socioeconômicas e educacionais entre os membros
pertencentes a uma sociedade, principalmente no que se refere ao ingresso em
instituições de ensino superior públicas e empregos públicos.
Em suma, o objetivo das cotas é tentar corrigir o que é considerado como “injustiça
histórica”, herdada do período escravista e que resultou em um menor acesso ao
ensino superior e, consequentemente, a menores oportunidades no mercado de
trabalho para negros e índios.
Assim, a fixação de cotas visa consolidar a igualdade material no âmbito das minorias
(deficientes e negros).

1163. Por qual critério adoto?


R: É possível a adoção de vários critérios como:
-reserva de uma parcela das vagas para aqueles candidatos que estudaram no ensino
médio da rede pública de ensino;
- critérios raciais e sociais;
-proteção de grupos vulneráveis;
-critérios econômicos (baixa renda);
-proteção da igualdade de gênero, entre outros.
Essas medidas de ações afirmativas são importantes para mostrar que há uma
preocupação sobre a intensa desigualdade no país e visam a consolidar a igualdade
de oportunidades, que é um dos grandes pilares do Estado Constitucional de Direito.
Assim, deve se adotar o critério que melhor consolide a isonomia entre os membros
da sociedade.

1164. Qual a natureza jurídica da proteção ao meio ambiente?


R: Pode-se dizer que o acesso a um meio ambiente ecologicamente equilibrado não é
só um direito, mas também um dever de todos, sendo que todos tem obrigação de
defender o ambiente não só o Estado. Assim, trata-se de um direito difuso que
pertence a toda coletividade.

1165. A segurança pública é para garantir a tutela do meio ambiente?


R: A segurança pública é o estado de normalidade que permite o usufruto de direitos
e o cumprimento de deveres, constituindo sua alteração ilegítima uma violação de
direitos básicos, geralmente acompanhada de violência, que produz eventos de
insegurança e criminalidade.
A segurança pública não pode ser tratada apenas como medidas
de vigilância e repressiva, mas como um sistema integrado e otimizado envolvendo
instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O
processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano,
no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito. Assim, a
segurança pública também serve para garantir a tutela do meio ambiente.

OBS: NÃO SEI SE O EXAMINADOR QUERIA QUE ABORDASSE ISSO OU O


PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURIDICA

1166. O que é meio ambiente artificial?


R: Meio ambiente artificial é o construído ou alterado pelo ser humano, sendo
constituído pelos edifícios urbanos e pelos equipamentos comunitários. Assim, nota-
se que o enfoque do meio ambiente artificial são as cidades.

1167. A falta de segurança pública é um problema das grandes cidades. O que é


auto-organização dos Estados?
R: Os Estados do tipo federativo são Estados que não se limitam a descentralizar
competências administrativas (o que existe em qualquer modelo de Estado, em maior
ou menor grau), promovendo autêntica descentralização política, o que, como bem
sublinha Machado Horta, implica, necessariamente, em poder normativo. Ou seja, no
Estado federal não há um único centro emissor de normas jurídicas e sim vários,
correspondendo aos governos das entidades federadas. Assim, os Estados-membros
de uma Federação gozam de autonomia para sua auto-organização (a soberania é
atributo exclusivo da União), ou seja, estão aptos a estabelecer as normas básicas de
sua estrutura governativa, o que implica na existência de um Poder Constituinte
estadual.
Nos termos do artigo 25 da CF os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição.(auto-
organização).
1168. Qual a finalidade dessa auto-organização?
R: O poder de auto-organização dos Estados-membros dá ensejo à elaboração de
Constituições Estaduais, atos normativos que fixam as bases da governança regional.
Ao contrário da Constituição da República, manifestação do poder soberano que se
reconhece, com exclusividade, no âmbito interno, ao Estado Federal, as Constituições
Estaduais refletem a autonomia política das unidades federadas, estando sujeitas às
restrições impostas pela Lei Maior desde o seu nascedouro.
Assim, a auto-organização possibilita a edição de normas para atender os interesses
do âmbito regional.

1169. A quem pertence a titularidade do Poder Constituinte?


R: O político francês Emmanuel Joseph Sieyès foi quem vislumbrou a existência
desse poder, escrevendo sobre ele em sua consagrada obra “O que é o Terceiro
Estado?”. Sieyès apontou a nação como o titular desse poder. No entanto,
modernamente, a doutrina considera que a essa titularidade pertence ao povo.
A Constituição de 1988, em consonância com a doutrina moderna, estabelece no
parágrafo único do seu artigo 1º que todo poder emana do povo, que o exerce por
meio dos representantes eleitos. Esse povo pode ser entendido como os brasileiros
natos e naturalizados, definidos nos termos do artigo 12 também da Constituição de
1988.

1170. Em que medida?


R: Considerando-se que o poder constituinte se subdivide
em originário e derivado (ou decorrente), bem como que incumbe ao Poder
Constituinte Originário a tarefa de elaborar uma Constituição, ao passo que incumbe
ao Poder Constituinte Derivado a tarefa de reformar uma Constituição já existente,
podemos fizer que o Poder Constituinte se manifesta dessas duas formas, sendo que
a Assembleia Constituinte no exercício deste Poder Constituinte representa o povo.

1171.Se eu sou monarca e decido editar uma nova Constituição, ainda assim, o Poder
Constituinte é de titularidade do povo?
R: A titularidade do poder constituinte, como aponta a doutrina moderna, pertence ao
povo. Para isso, a constituição deve ser promulgada (seja em um regime monárquico
ou presidencialista), ou seja, é aquela constituição fruto do trabalho de uma
Assembleia Constituinte, eleita diretamente pelo povo. Se a constituição for editada
diretamente pelo monarca ela é do tipo outorgada, ou seja, não recebeu do povo a
legitimidade para em nome dele atuar.

1172. Em que tipo de sociedade o Poder Constituinte é do povo?


R: Nas sociedades democráticas, ou seja, onde há um estado democrático de direito.

1173.Quais as características extrínsecas dos direitos fundamentais?


R: Os direitos fundamentais tem as seguintes características: historicidade,
universalidade, limitabilidade, concorrência, irrenunciabilidade.
Jose Afonso da Silva ainda aponta as seguintes características: inalienabilidade e
imprescritibilidade.

1174. O que são territórios?


R: Apesar de ter personalidade, o território não é dotado de autonomia politica. Trata-
se de mera descentralização administrativo-territorial da União, qual seja, uma
autarquia que, consoante expressamente previsto no art 18, paragrafo 2, integra a
União.

1175. O Brasil tem territórios?


R: Não. Até o advento da CF/88 havia três territórios: Roraima, Amapá e Fernando
de Noronha.

1176. O que é Ação Declaratória de Constitucionalidade?


R: A ADC foi introduzida no ordenamento jurídico pela pela EC-03/93. Busca-se por
meio dessa ação declarar a constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. O
objetivo da ADC é transformar uma presunção relativa de constitucionalidade em
absoluta. Segundo Pedro Lenza, a ADC busca afastar o nefasto quadro de insegurança
jurídica ou incerteza sobre a validade ou aplicação de lei ou ato normativo federal,
preservando a ordem jurídica constitucional.

1177. Qual é o conceito de constituição em sentido formal?


R: Por esse sentido, não importa o conteúdo da norma, mas sim a forma como foi
introduzida no ordenamento jurídico. Nesse sentido, as normas serão aquelas
introduzidas pelo poder soberano, por meio de um processo legislativo mais
dificultoso, diferenciado e mais solene que o processo legislativo de formação das
demais normas do ordenamento.

1178. Diferencie principio da legalidade da estrita legalidade?


R: Segundo o autor Nucci, A primeira é uma “norma dirigida aos juízes, aos quais
prescreve a aplicação das leis tais como são formuladas”; a segunda designa “a reserva
absoluta de lei, que é uma norma dirigida ao legislador, a quem prescreve a
taxatividade e a precisão empírica das formulações legais” (LUIGI FERRAJOLI, Direito
e razão, p. 31)

1179. O que se entende por direito de cidadania?


R: Cidadania tem por pressuposto a nacionalidade (que é mais ampla que a
cidadania), caracterizando-se como a titularidade de direitos políticos de votar e ser
votado. O cidadão, portanto, nada mais é que o nacional que goza de direitos políticos.

1180) O que entende por quinto constitucional?


R.: É a regra que reserva um quinto das vagas nos TRFs e TJs (artigo 94 da C.F), nos
TST (artigo 111, A, I da C.F), nos TRTs (artigo 115, I, da C.F), aos membros do M.P.
com mais de dez anos de carreira e aos advogados, indicados em lista sêxtupla, com
notório saber jurídico, reputação ilibada e mais de dez anos de efetiva atividade
profissional.

1181) Qual a paridade estabelecida para o critério de preenchimento dos


tribunais?
R.: Um quinto das vagas dos tribunais é destinado aos membros do Ministério Público
e aos advogados. De acordo com o entendimento do CNJ e do Supremo Tribunal
Federal, manifestado no Mandado de Segurança 20.597/DF, havendo número ímpar
de vagas, sempre que vagar qualquer uma das cadeiras destinadas ao quinto
constitucional, ela deverá ser preenchida por representante da classe (OAB ou MP)
que, até aquele momento, se encontrava em minoria na Corte. A interpretação afasta
a tese da existência de vagas cativas e de vaga volante, de modo a evitar a perpetuação
da superioridade numérica de quaisquer das classes.

1182) Qual membro do MP pode ser convocado para o TRF?


R.: Membros do Ministério Público Federal com mais de 10 anos de carreira, nos
termos do artigo 107, I, da C.F.

1183) Quais as características do Poder Constituinte Originário?


R.: O Poder Constituinte Originária tem por objetivo romper com a ordem jurídica
anterior criando um novo estado, sendo, portanto, um poder inicial, incondicionado,
ilimitado e autônomo. Cabe ressaltar que a doutrina Jusnaturalista discorda dessas
características, por entender que o Poder Constituinte Originária sofre limitações e
condicionantes de normas metajurídicas, dessa forma, ele encontra limites imanentes,
heterônomos e transcendentes.

1184) Elenque direitos sociais coletivos.


R.: São direitos sociais coletivos os constantes do artigo 6º da C.F., tais quais: a
educação, a saúde, o trabalho, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social,
a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.

1185) No que consiste o princípio da separação dos poderes?


R.: O princípio da separação dos poderes consiste na divisão das funções do Estado
(legislativo, judiciário e executivo) de forma harmônica e independente, para que
assim, nenhum órgão ultrapasse os limites de suas competências estabelecidas na
constituição. Trata-se de um verdadeiro sistema de freios e contrapesos, objetivando
que o poder não se concentre na mão de único órgão, evitando-se assim abusos (artigo
2 da C.F.).

1186) Acredita que há equilíbrio na tripartição dos poderes?


R.: A rígida separação dos poderes preconizada por Montesquieu mostrou-se
inadequada, uma vez que a ampliação das atividades estatais impôs novas formas de
inter-relações entre os poderes. Assim, o equilíbrio entre os poderes não estará
caracterizado pela rigorosa separação de funções, que não é absoluta, mas pelo
cumprimento de suas funções e prerrogativas conforme os ditames constitucionais,
com a realização de interferências na medida necessária para evitar o arbítrio de um
poder em detrimento do outro e visando à busca do equilíbrio necessário à realização
do bem coletivo.

1187) Um dos poderes é responsável pela arrecadação. O Poder Judiciário é


independente suficiente para se autogerir?

R.: Regra geral, o Poder Executivo arrecada os tributos, sendo que parte dessa
arrecadação será repassada para o Poder Judiciário, nos termos do artigo 99,
parágrafo 1º a 5º, da C.F, porém, tal fato não interfere na autonomia administrativa
e financeira do Poder Judiciário, que organizará seus serviços, promoverá seus
cargos, bem como organizará suas finanças sem qualquer interferência do
Legislativo ou do Executivo (artigo 99 C.F.).

1188) Qual o mecanismo de equilíbrio na arrecadação do Poder Legislativo e o


Poder Judiciário?
R.: Como mecanismo de equilíbrio na arrecadação, o artigo 168 da C.F previu que os
recursos correspondentes às dotações orçamentárias, incluídos créditos suplementares
e especiais, destinados aos Poderes Legislativos e Judiciário serão a eles entregues até
o dia 20 de cada mês. Também como reforço, o artigo 98, parágrafo 2º, da C.F, fixou
que as custas e emolumentos serão destinados ao custeio dos serviços afetos ao
Judiciário. (NÃO TENHO CERTEZA DA RESPOSTA)

1189. O que vem a ser a autogeneratividade do Distrito Federal?


R: Não encontrado. Se for autogovernabilidade seria o fato de realizar eleição de
Governador e Vice-Governador e Deputados Distritais.

1190. Qual o conceito de Constituição em seu sentido político?


R: Constituição no sentido político, conforme JAF, seria a decisão política
fundamental (estrutura e órgãos de Estado, direitos individuais, vida democrática,
etc..); as leis constitucionais seriam os demais dispositivos inseridos no texto do
documento constitucional, mas não contêm matéria de decisão política fundamental.
Seria a decisão política do titular do poder constituinte. Definição de Carl Schmidt.
1191. Saberia elencar direitos fundamentais dispersos na CF/88?
R: Sim, o direito ao meio ambiente no artigo 225 e o princípio da anterioridade
tributária previsto no artigo 150, III, B, proteção a família artigo 226.

1192. Eles existem?


R: Sim, o art. 5º, § 2º, CF, permite concluir pela existência de um sistema aberto de
direitos fundamentais, não circunscrito ao rol previsto no Título II, da Constituição.
Essa conclusão é respaldada pelo Supremo Tribunal Federal em inúmeros julgados.

1193. Poderia dar exemplo?


R: O rol de direitos fundamentais do título II da CF/88 não é exaustivo, ou seja, não
limita-se aos artigos e incisos ali mencionados. Há outros direitos fundamentais
dispersos no texto da constituição, como o direito ao meio ambiente no artigo 225 e
o princípio da anterioridade tributária previsto no artigo 150, III, b.

1194. Qualquer indivíduo que cometa uma infração penal tem direito a ser
investigado por autoridade competente?
R: A Constituição não faz menção expressa ao Delegado Natural, apenas ao princípio
do Promotor Natural e do Princípio do Juiz Natural. Entretanto, o art. 2º, §4º, da Lei
n. 12.830/2013 expressa que a investigação policial somente poderá ser avocada ou
redistribuída ao superior hierárquico por despacho fundamentando consubstanciando
o motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos
previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação.
Nos termos da idéia geral do princípio da autoridade natural (como ocorre com o juiz,
o promotor e o defensor), o ordenamento jurídico brasileiro positivou a noção de
delegado natural como autoridade pública presidente do inquérito policial.

1195. Qual o ponto de convergência entre as atividades do MP, do Delegado


de Polícia e do advogado?
R: Respeito às leis processuais e aos princípios constitucionais relacionados ao direito
penal e processual penal. - Observação - tenho dúvida com relação à essa resposta.

1196. Qual a finalidade da previsão de autodeterminação dos Estados?


R: Possibilitar a autonomia dos Estados e decorre da capacidade de auto-organização,
autogoverno, autoadministração e autolegislação.

1197. Quais as características do Poder Constituinte Derivado?


R: Derivado, Condicionado, Limitado e Condicionado.

1198. O que são garantias institucionais?


R.: São garantias conferidas a determinadas instituições a fim de que possam atingir
sua finalidade. Como, por exemplo, cita-se o Judiciário que é um poder harmônico e
independente, de forma que devem ser concedidas a este garantias para que não seja
violado nem desrespeitado pelos outros dois poderes (Executivo e Legislativo).

1199.A garantia de irredutibilidade de salários é a expressão de qual garantia


maior?
R.: A garantia da irredutibilidade de salários é expressão da proteção ao direito
adquirido.
 “Irredutibilidade de vencimentos: garantia constitucional que é modalidade
qualificada da proteção ao direito adquirido, na medida em que a sua incidência
pressupõe a licitude da aquisição do direito a determinada remuneração.
Irredutibilidade de vencimentos: violação por lei cuja aplicação implicaria reduzir
vencimentos já reajustados conforme a legislação anterior incidente na data a partir
da qual se prescreveu a aplicabilidade retroativa da lei nova.” [RE 298.694, rel.
min. Sepúlveda Pertence, P, j. 6-8-2003, DJ de 23-4-2004.]

1200.Há diferenças no tratamento de estrangeiros e brasileiros natos?


R.: Sim. Em que pese serem garantidos aos imigrantes alguns direitos fundamentais,
em condições de igualdade com os brasileiros, como, por exemplo, a vida, a liberdade
e a segurança, há algumas distinções tratadas na própria Constituição Federal, dentre
as quais pode-se citar algumas referentes a cargos, funções, extradição, propriedade
de empresa jornalística e de radiodifusão sonora de sons e imagens, direitos políticos.
 Cargos (art. 12, p. 3º da CF); função (art. 89, VII, da CF); extradição (art. 5º, LI,
da CF); propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora de sons e
imagens (art. 222 da CF); direitos políticos (art. 14, p. 2º, da CF).
1201.O que é imunidade material de parlamentar?
R.: Imunidade material de parlamentar é a inviolabilidade, por opiniões, palavras e
votos que abrange os parlamentares federais, os deputados estaduais e, nos limites da
circunscrição de seu Município, os vereadores – sempre no exercício do mandato.
 Parlamentares federais (art. 53, CF 88); deputados estaduais (art. 27, § 1º, CF
88); vereadores (art. 29, VIII, CF 88).

1202.Quem o investe desta imunidade? Qual o termo inicial?


R.: A Constituição Federal investe os deputados e senadores desta imunidade. O
termo inicial da imunidade é a diplomação.
 Art. 53, p. 2º e 3º da CF.

1203.Quem diploma o parlamentar?


R.: Diplomação é o ato pelo qual a Justiça Eleitoral atesta que o candidato foi
efetivamente eleito pelo povo e, por isso, está apto a tomar posse no cargo. Nessa
ocasião, ocorre a entrega dos diplomas, que são assinados, conforme o caso, pelo
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Tribunal Regional Eleitoral
(TRE) ou da junta eleitoral.
 Arts. 215 a 218 do Código Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral - TSE é o
órgão competente para diplomar a Presidente e o Vice-Presidente eleitos e os
Tribunais Regionais Eleitorais - TREs responsáveis pela diplomação dos
respectivos Governador e Vice-Governador, Senador e suplentes, Deputados
Federais e Estaduais também com seus suplentes. Em eleições municipais as Juntas
Eleitorais são responsáveis pela diplomação.

1204.O que é Estado de Direito Social?


R.: O Estado de Direito Social é o resultado de uma longa transformação por que
passou o Estado Liberal clássico e, consequentemente, é parte do curso histórico
Estado de Direito, quando incorpora os direitos sociais para além dos direitos civis.
Assim, o estado social pretende garantir as liberdades individuais e, ao mesmo tempo,
visa a intervir para que o conjunto da população tenha acesso a uma série de serviços
sociais.
1205.Diferencie os princípios constitucionais dos princípios fundadores da
Constituição.
R.: Os princípios fundadores da Constituição são aqueles elencados nos artigos 1º ao
4º (princípios fundamentais), uma vez que regem os fundamentos e objetivos da
Constituição e da República Federativa do Brasil. Já os princípios constitucionais são
todos os princípios encontrados no texto constitucional, inclusive os princípios
fundamentais.

1206.Defina: soberania, cidadania e dignidade da pessoa humana?


R.: A soberania é a característica do Estado não ser subordinado senão ao poder
político de sua ordem interna, portanto, pode não aceitar imposições de qualquer outro
Estado. A cidadania, em um conceito amplo, pode significar um conjunto de direitos
e obrigações que os cidadãos possuem na vida cotidiana para permitir uma
convivência pacífica, ordenada e harmoniosa entre todos. Entende-se por dignidade
da pessoa humana o respeito ao ser humano nos seus direitos mais importantes e
fundamentais.

1207. O que entende por interpretação teleológica?


R.: Método Teleológico de interpretação é aquele que busca identificar a finalidade
da norma.

1208. Quem é o intérprete final da Constituição?


R.: A interpretação constitucional foi vista, durante um bom tempo, como algo restrito
aos juízes. Tratava-se, portanto, de atividade exclusiva de um pequeno grupo, uma
verdadeira “sociedade fechada”. Peter Häberle propôs um novo modelo para a
interpretação constitucional. Segundo ele, são intérpretes da Constituição todos
aqueles que a vivenciam: os cidadãos, os órgãos públicos, a opinião pública e demais
grupos sociais. A teoria desenvolvida por Häberle é conhecida como a “SOCIEDADE
ABERTA DOS INTÉRPRETES”, que nos mostra que a interpretação constitucional
é tarefa de todos (e não apenas dos juízes).

1209. O que é poder constituinte decorrente?


R.: Poder constituinte decorrente é o poder incumbido aos estados-membros de auto-
organização. Poder constituinte decorrente é o responsável por elaborar a Constituição
dos Estados-membros.

1210. O que é o princípio da isonomia?


Igualdade FORMAL Igualdade MATERIAL
Igualdade formal consiste no A igualdade material exige atuações
tratamento isonômico conferido a positivas do Estado a fim de promover
todos os seres que se encontrem em a igualização de desiguais por meio da
uma mesma categoria essencial. concessão de direitos sociais
substanciais.

1211. Sob qual fundamento a expressão isonomia salarial foi retirada do texto
constitucional original?
R.: Por meio do inciso XXX do artigo 7º, transpõe-se, para as relações de trabalho, a
norma constitucional de isonomia, contida no artigo 5º,caput, segundo a qual todos
são iguais perante a lei. O salário mínimo assegurado pelo art. 7, inciso IV protege o
empregado em geral, enquanto o piso salarial, garantido no inciso V, tutela, favorece
apenas os que exercem certas profissões ou atividades. O princípio, respeitado pelo
dispositivo em exame, é o da isonomia, que tem, ao lado de sua faceta mais
reconhecida, de tratamento igual aos iguais, imposição idêntica para que sejam
tratados desigualmente os desiguais.

1212. Foi retirada em decorrência de que outro princípio constitucional?


R.: Ao legislador cabe, observadas as exigências de proporcionalidade e
razoabilidade, essenciais ao regular exercício do poder de legislar, definir tanto o
valor do piso como o trabalho a que será ele aplicável.

1213. O que é democracia?


R.: A República, a democracia, a federação e a dignidade da pessoa humana
constituem princípios fundamentais expressos na CF. Atualmente, democracia não é
vista apenas no seu aspecto formal (vontade da maioria). Hoje, ela deve ser vista no
seu aspecto substancial, material. Em seu aspecto substancial, a democracia abrange
a vontade da maioria, mas também a proteção de direitos fundamentais, inclusive das
minorias. De acordo com a CF, a soberania popular no Brasil é exercida por meio de
um modelo de democracia semidireta ou participativa.

1214. Quais as autoridades passíveis de impeachment?


R.: Além do Presidente da República (art. 52, I), também poderão ser
responsabilizados politicamente e destituídos de seus cargos através do processo de
impeachment: o Vice-Presidente da República (art. 52, I); os Ministros de Estado, nos
crimes conexos com aqueles praticados pelo Presidente da República (art. 52, I); os
Ministros do STF (art. 52, II); os membros do Conselho Nacional de Justiça e do
Conselho Nacional do Ministério Público (art. 52, II, nos termos da EC n. 45/2004);
o Procurador-Geral da República (art. 52, II) e o Advogado-Geral da União (art. 52,
II), bem como Governadores e Prefeitos (art. 31 - Câmara dos Vereadores).

1215. Qual a natureza jurídica do processo de impeachment?


R.: Os detentores de altos cargos públicos poderão praticar, além dos crimes comuns,
os crimes de responsabilidade, vale dizer, infrações político-administrativas (crimes,
portanto, de natureza política), submetendo-se ao processo de impeachment. Nos
crimes de responsabilidade, o Presidente da República é processado e julgado pelo
Senado Federal, após juízo de admissibilidade político da Câmara dos Deputados. A
sentença condenatória em processo de IMPEACHMENT é materializada por meio de
RESOLUÇÃO editada pelo Senado Federal.

1216. O Procurador Geral da República pode sofrer impeachment?


Sim, caso incorra em crime de responsabilidade (Lei 1.079/50), sendo o julgamento
da competência do Senado Federal, nos termos do art. 52, II.

1217. Como se destitui um Ministro do STF?


O único meio de se destituir um Ministro do STF é por impeachment em caso de crime
de responsabilidade.

Examinador: MAURICIO CORREALI

1218. Como se classificam as constituições quanto à eficácia?


Observação: tenho dúvida quanto a essa resposta.
Karl Lowenstein divide a classificação constitucional consoante à correspondência
com a realidade em:
Normativas: são aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado
que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do
seu conteúdo e do seu controle procedimental.
Nominalistas (nominativa ou nominais): contêm disposições de limitação e controle
de dominação política, sem ressonância na sistemática de processo real de poder, e
com insuficiente concretização constitucional.
Semânticas: são simples reflexos da realidade política, servindo como mero
instrumento dos donos do poder e das elites políticas, sem limitação do seu conteúdo.

1219. Qual a função de um princípio constitucional?


R. Os princípios constitucionais têm por função primordial dar diretrizes a todo
ordenamento jurídico, estabelecendo as bases e vetores legislativos, interpretativos e
judiciais. São dotados de alta abstração e de conteúdo extremamente aberto, devendo
ser vistos através da ideia de Unidade da Constituição.

1220. O que se entende por princípio democrático?


O princípio democrático dispõe que todo poder emana do povo, ou seja, o poder do
Estado é estabelecido pelo povo. Há, portanto a participação dos cidadãos na tomada
das decisões políticas e governamentais dentro de um Estado soberano. Ademais, é a
base para a autodeterminação dos povos, ou seja, a possibilidade de que cada povo
faça suas próprias escolhas. Cumpre salientar que, no Brasil, adotamos a democracia
semidireta, ou seja, aquela em que há meios de participação popular diretamente na
tomada de decisão (referendo, plebiscito e iniciativa popular) e que há também o
governo representativo.

1221. O que se entende por constituição material?


Constituição material é o conjunto de normas, escritas ou não, que tem por objetivo
regular a organização estatal, formas de ingresso e perda do poder, direitos e garantias
fundamentais, repartição de competências, definir os critérios de nacionalidade, os
titulares de direitos políticos e a separação dos poderes.
1222. O que se entende por normas materialmente constitucionais?
R. Normas materialmente constitucionais são aquelas que fazem parte de uma
constituição, escrita ou não, como os direitos e garantias fundamentais e a
estruturação do Estado, ou seja, são pertinentes à matéria constitucional.

1223. A CF/88 é rígida? Por quê?


R. Sim, a Constituição Federal de 1988 pode ser classificada como rígida, tendo em
vista que para a alteração da Constituição, adota-se um procedimento diferenciado em
relação às alterações legislativas. A Emenda Constitucional tem que ser aprovada por
3/5 dos membros de cada casa do Congresso Nacional em 2 turnos de votação.

1224. Por que as normas constitucionais têm o caráter da supralegalidade?


R. Hans Kelsen defendia que o ordenamento jurídico tem uma forma piramidal, sendo
que, no ápice desta pirâmide, estaria a Constituição, sendo que todas as demais
normas seriam inferiores a ela. Assim, pode-se afirmar que as normas constitucionais
têm o caráter da supralegalidade por estarem acima de todas as outras normas do
ordenamento jurídico.

1225 Qual a finalidade do preâmbulo da constituição federal?


R.: O STF ao apreciar a ADI 2.076 estabeleceu que o preâmbulo não se situa no
âmbito do Direito, mas no domínio da política, refletindo posição ideológica do
constituinte. Portanto para a Corte o preâmbulo não possui relevância jurídica, não é
norma de reprodução obrigatória na Constituição dos estados membros da federação
e não pode servir de parâmetro para controle de constitucionalidade

1226-O que é extradição ativa?


R.: Ocorre quando o Estado brasileiro requer a Estado estrangeiro a entrega de
pessoa sobre quem recaia condenação criminal definitiva ou para fins de instrução de
processo penal em curso. O requerimento será feito por via diplomática ou pelas
autoridades centrais designadas para esse fim.

1227-Quando o Brasil recebe pedido de extradição, qual o caráter desse pedido,


trata-se se de que tipo de extradição?
R.: Esse pedido é do tipo extradição passiva. Pode possuir caráter instrutório (deve
existir ordem de prisão emanada de autoridade competente do Estado requerente,
mesmo que fundamentada apenas na mera existência de procedimento persecutório
insataurado no exterior) ou executório (o pedido de extradição pressupõe a existência
de sentença penal condenatória).

1228-Qual a principal função de um ministro de estado?


R.: Compete aos ministros de estado, principalmente, o que está previsto no PU
do artigo 87 da CF.
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte
e um anos e no exercício dos direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições
estabelecidas nesta Constituição e na lei:
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da
administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos
assinados pelo Presidente da República;
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III - apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no
Ministério;
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas
pelo Presidente da República.

1229-O que é um ministro de estado?


R.: Um ministro de estado é um auxiliar do presidente da república no exercício
do Poder Executivo e na administração superior da administração federal. Os
ministros são escolhidos pelo presidente da república e podem ser exonerados a
qualquer tempo (ad nutum), pois não possuem estabilidade.

1230-O que é um chefe de estado?


R.: É a pessoa que representa o seu país nas relações internacionais e internamente.
No Brasil essa é atribuição do presidente da República, o qual acumula a função de
chefe de estado e chefe de governo (sistema presidencialista), conforme prevê o artigo
84 da CF.
1231-O Brasil já teve experiência parlamentarista?
R.: Sim. Durante a vigência da Constituição de 1824, a partir da abdicação do
trono por D. Pedro I em 1931 inaugurou a fase da Regência (período de 9 anos,
durante a menoridade de D. Pedro II) e em seguida, a maioridade de D. Pedro II
contribuíram para a paulatina instituição do parlamentarismo monárquico no Brasil
durante o segundo reinado. O parlamentarismo se consolidou com a criação do cargo
de Presidente do Conselho de Ministros por decreto de D. Pedro II. Esse Presidente
escolhia os ministros que deveria ter confiança dos Deputados e do Imperador.

1232-O Brasil já foi um estado unitário?


R.: Sim. A constituição política do Império do Brasil foi outorgada em 1824, o
governo era monárquico, hereditário, constitucional e representativo, tratava-se de
forma unitária de Estado, com nítida centralização político-administrativa.

1233-O que é interpretação de uma norma constitucional?


R.: É um conjunto de métodos, desenvolvidos pela doutrina e pela jurisprudência
com base em critérios ou premissas (filosóficas, metodológicas, epistemológicas)
diferentes, mas, em geral, reciprocamente complementares. (Canotilho). O
hermeneuta deve levar em consideração a história, as ideologias, a realidade social,
econômica e política do Estado para alcançar o verdadeiro significado do texto
constitucional.

1234. Classifique doutrinariamente a CF/88.


R.: A Constituição brasileira pode ser classificada como: promulgada, escrita
codificada, democrática, dogmática eclética, rígida, formal, analítica, dirigente,
normativa, principiológica, social e expansiva.

1235. O que é sufrágio?


R.: O sufrágio representa a essência dos direitos políticos, e se traduz no direito
de votar e ser votado. O direito ao sufrágio deve ser observado, pois, sob dois
aspectos: capacidade eleitoral ativa (capacidade de alistar-se e direito de votar), e
capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado).

1236. Qual a diferença entre Estado de polícia e Estado de direito?


R.: O Estado de polícia pode ser conceituado como o Estado em que o soberano
atuava de forma a controlar seus súditos através da máquina estatal. Foi concebido
com uma conotação positiva, pois o Estado prometia a busca do interesse público
assumindo um papel patriarcal. Entretanto, só havia restrições aos cidadãos, sendo
que o soberano não podia ser responsabilizado. O Estado de direito, por sua vez,
sucedeu ao Estado de Polícia, e, além de trazer direitos aos cidadãos, obriga, também,
quem promulga a Lei.

1237. O que é uma constituição dogmática?


R.: As Constituições possuem diversas classificações, sendo que, quanto ao modo
de elaboração, podem ser classificadas como dogmáticas ou históricas. Dogmáticas,
portanto, são as constituições escritas, que são concebidas com base em dogmas
fundamentais da sociedade, através de uma assembleia constituinte. Podem, ainda, ser
dogmáticas ortodoxas (que seguem uma única ideologia), ou dogmáticas ecléticas
(formada pela síntese de diversas ideologias).

1238. Cite um objetivo fundamental da República Federativa do Brasil.


R.: O artigo 3.º da Constituição da República Federativa do Brasil elenca os
objetivos da República, sendo que o inciso IV traz como objetivo “promover o bem
de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
de discriminação”.

1239. Em que consiste o princípio da isonomia?


R.: Isonomia significa igualdade de todos perante a lei. Refere-se à igualdade
formal e material, prevista no art. 5º, "caput", da Constituição Federal, segundo o
qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

1240. Dê exemplo de igualdade material.


R.: Igualdade material significa tratar os iguais de maneira igual, e os desiguais
de maneira desigual, na medida de sua desigualdade. Como exemplo pode-se as cotas
sociais existentes em universidades públicas.

1241. O que é promulgação de uma lei?


R.: Promulgação é o instrumento democrático que declara a existência de uma
Lei, e ordena sua execução. Neste caso a Lei é promulgada por representantes do
povo. Se contrapõe à outorga, que é a imposição de uma Lei pelo soberano, sem a
participação popular.

1242. O que é publicação de uma lei?


R.: A publicação de uma Lei é o instrumento pelo qual o povo é informado de
sua existência. Após publicada a Lei, ninguém pode alegar seu desconhecimento. A
publicação é um ato posterior à promulgação, e a Lei passa a viger, em regra, após 45
dias de sua publicação, caso não haja disposição em contrário.

1243. Há alguma espécie normativa que não admite a promulgação? *


* Não encontrei a resposta. Em alguns arquivos encontrei que Leis delegadas não
tinham promulgação. Porém, no livro do Bernardo Gonçalves fala da fase de
promulgação em todas as espécies normativas.

1244. Uma lei delegada pode ser passiva de veto?


R: Não, tendo em vista que se trata de uma espécie normativa elaborada pelo
próprio Presidente da República, que, para tanto, deverá solicitar a delegação ao
Congresso Nacional, sendo manifestamente dispensável o veto ou sanção
presidencial, vez que mesmo na delegação atípica não há a apresentação de emendas.
(Art. 68, CF).

1245. O que é uma constituição formal?


R: A Constituição formal é o conjunto de normas escritas, hierarquicamente superior
ao conjunto de leis comuns, dotada de supralegalidade, independentemente de qual
seja o seu conteúdo, isto é, estando na Constituição é formalmente constitucional, pois
tem a forma de Constituição (ex: art. 242, §2º da CF/88).

1246. A constituição formal é escrita ou não escrita?


R: A constituição formal é escrita, embora nem toda constituição escrita seja formal,
vez que pode ser, por exemplo, escrita e flexível, não exigindo processo mais
dificultoso para a sua modificação, exigência esta das constituições formais.
1247. O que é asilo político?
R: O Asilo Político é o acolhimento de estrangeiro por parte de um Estado que não é
o seu sob o fundamento de perseguição sofrida pelo mesmo e praticada em seu próprio
país ou em um terceiro país. Sem dúvida, os motivos da perseguição que vão ensejar
o asilo político envolvem a liberdade de manifestação de pensamento ou de expressão,
a dissidência política ou mesmo crimes de cunho político que não configuram delitos
do direito penal comum.
Entre nós, a Constituição brasileira de 1988 consagrou-a como princípio basilar nas
relações internacionais do País (art. 4º, X).
O asilo político é, por definição, um asilo territorial, e poderá ser concedido àquele
que, cruzando fronteira, coloca -se sob a soberania de outro Estado.
(Fonte: Bernardo Gonçalves)

Características do asilo político:


 Norma de cunho político.
 Entidade jurídica regional.
 É provocado pela perseguição por crimes políticos de caráter individual.
 A perseguição deve ser efetiva e provada.
 A proteção pode ser efetuada no País de origem (caracterizado como asilo territorial)
ou na embaixada do País em que se solicitou asilo (caracterizado como asilo
diplomático).
 Não há cláusulas de cessação, exclusão ou perda.
 De caráter constitutivo.
 É um ato soberano do Estado cuja decisão política não depende de nenhum organismo
internacional.
(Fonte: https://examedaoab.jusbrasil.com.br/noticias/381889314/asilo-politico)

1248. A quem compete conceder o asilo político?


R: A competência para concessão do asilo é do PRESIDENTE DA REPÚBLICA e,
uma vez concedido, o Ministério da Justiça lavrará termo no qual serão fixados o
prazo de estada do asilado no Brasil e os deveres que lhe imponham o direito
internacional e a legislação interna vigente.
1249. Do que se trata a sanção tácita de uma lei?
R: Ocorrerá sanção expressa quando, recebido o projeto de lei aprovado pelo
Legislativo, apuser o Presidente da República sua assinatura; ocorrerá sanção tácita
quando, recebido o projeto de lei, não for assinado durante os 15 dias úteis
subsequentes ao recebimento (art. 66, §3º da CF/88).

1250. Quantos senadores há no Brasil?


R: 81 (oitenta e um), vez que, segundo o art. 46, §1º da CF/88, cada Estado e o Distrito
Federal elegerão três Senadores.

1251. Qual a finalidade da cooperação internacional?


R: A cooperação jurídica internacional pode ser entendida como um modo formal de
solicitar a outro país alguma medida judicial, investigativa ou administrativa
necessária para um caso concreto em andamento. Trata-se de uma maior assistência
entre os Estados para assegurar o pleno funcionamento da Justiça, quer para a
execução de atos processuais, quer para a colheita de provas ou simples troca de
informações.
A efetividade da justiça, dentro de um cenário de intensificação das relações entre as
nações e seus povos, seja no âmbito comercial, migratório ou informacional, demanda
cada vez mais um Estado proativo e colaborativo. As relações jurídicas não se
processam mais unicamente dentro de um só Estado Soberano, pelo contrário, é
necessário cooperar e pedir a cooperação de outros Estados para que se satisfaçam as
pretensões por justiça do indivíduo e da sociedade.
Exemplos de cooperação: judiciária, administrativa, processual, técnica, financeira,
técnico-científica, humanitária, cultural, econômica, dentre outras.

1252. Para a discussão de direitos em juízo, é necessário que se esgotem as vias


administrativas?
R.: Não é necessário, pois o Brasil adotou o sistema de jurisdição única ou sistema
inglês, ou seja, todos os atos da Administração podem ser apreciados e julgados pelo
Poder Judiciário, de forma definitiva, independente de esgotamento da via
administrativa. Há, no entanto, situações previstas em nossa legislação que
configuram verdadeiras exceções à referida regra, sendo necessário o esgotamento da
via administrativa, como por exemplo: justiça desportiva (Art. 217, §1º, da CF), ações
contra o INSS para benefícios previdenciários, HD, MS, Reclamação de
descumprimento de SV etc)

1253. De que forma está previsto na CF/88 o princípio do juiz natural?


R.: Trata-se de direito fundamental previsto no Art. 5º, LIII, o qual dispõem que
“Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”.

1254. Qual a atribuição constitucional da defensoria pública?


R.: A atribuição da Defensoria Pública está prevista no Art. 134 da CF. Cabe à
Defensoria Pública, instituição permanente e essencial à função jurisdicional do
Estado, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos
os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral
e gratuita, aos necessitados, ou seja, aos que comprovarem insuficiência de recursos
(Art. 5º, LXXIV).

1255. O que se entende por estado moderno?


R.: Houve dúvida se o examinador gostaria de saber sobre o histórico estado moderno
ou a respeito do constitucionalismo moderno, uma vez que este possui mais
pertinência com a pergunta seguinte. Sendo assim, a resposta contempla os dois fatos
históricos.
O modelo que ficou conhecido como Estado Moderno surge a partir da crise no
Feudalismo. No modelo feudal, não havia estados nacionais centralizados. Os
senhores feudais é quem controlavam os poderes políticos sobre as terras e exerciam
uma força diluída, sem núcleo. A partir dos séculos XIV e a primeira metade do XV
passa a ocorrer a crise do sistema feudal em consequência das revoltas sociais dos
camponeses e da evolução do comércio na Europa. A burguesia passa a exigir
elementos que garantam a sua evolução política, econômica e social. Desta maneira,
urge a existência de um governo estável e com a centralização dos serviços à
população. O Estado Moderno é caracterizado por um só poder, um só exército,
autoridade soberana do rei para todo o território, administração unificada e criação do
sistema burocrático.
Constitucionalismo moderno, por sua vez, diz respeito a um movimento deflagrado
no Iluminismo e concretizado como uma contraposição ao absolutismo reinante, por
meio do qual se elegeu o povo como titular legítimo do poder. Predominam neste
período as constituições escritas, são marcos histórico a Constituição norte-americana
de 1787 e a francesa de 1791. Há neste período a limitação do poder com fins
garantistas. Em um primeiro momento, surge o constitucionalismo liberal, marcado
pelo individualismo, absteísmo estatal, valorização da propriedade privada e proteção
do indivíduo – primeira geração (ou dimensões) de direitos. A concepção liberal,
entretanto, gerará concentração de renda e exclusão social, fazendo com que o Estado
passe a ser chamado para evitar abusos e limitar o poder econômico. Inaugura-se,
assim, a segunda geração (ou dimensão) de direitos, tendo como documento principal
a Constituição do México de 1917 e de Weimar de 1919.

Examinadora: BERTA FERNANDA PACHOALICK

1256. Fale sobre constitucionalismo


R.: Para André Ramos Tavares o termo “constitucionalismo” possui quatro acepções.
Em um primeiro sentido, constitucionalismo refere-se ao movimento político-social
com origens históricas remotas que pretende, em especial, limitar o poder arbitrário.
Num segundo sentido, é identificado com a imposição de que haja cartas
constitucionais escritas. Em terceiro, usa-se para indicar propósitos mais latentes e
atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Por fim,
emprega-se o termo de forma mais restrita, reduzindo constitucionalismo à evolução
histórico-constitucional de um determinado Estado.
A evolução histórica do constitucionalismo pode ser dividida em quatro eras: Idade
Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea.
Na idade Antiga, os Hebreus trouxeram a primeira noção de limitação de poder
político, pois acreditavam que o soberano era limitado pelas leis do senhor. A lei do
senhor era superior às leis dos homens. Os gregos, por seu turno, implementaram
sofisticados mecanismos de democracia direta, de participação popular, promovendo
a identidade entre governantes e governados. Por fim, os Romanos trouxeram a fase
embrionária da separação dos poderes, foram estes distribuídos entre os cônsules, o
senado e o povo.
Na Idade Média houve expressiva regressão de valores. Ausência de participação do
povo e limites ao poder do monarca, que podia tudo. Entretanto, é no final deste
período que o Constitucionalismo ressurge com os primeiros documentos escritos
(Carta Magna de 1215).
O constitucionalismo moderno, marcado pela Constituição norte-americana de 1787
e a francesa de 1791, tem como premissa a Constituição escrita. É um movimento
deflagrado para fins de contraposição ao absolutismo reinante, por meio do qual se
elegeu o povo como titular legítimo do poder. Há neste período a limitação do poder
com fins garantistas. Em um primeiro momento, surge o constitucionalismo liberal,
marcado pelo individualismo, absteísmo estatal, valorização da propriedade privada
e proteção do indivíduo – primeira geração (ou dimensões) de direitos. A concepção
liberal, entretanto, gerará concentração de renda e exclusão social, fazendo com que
o Estado passe a ser chamado para evitar abusos e limitar o poder econômico.
Inaugura-se, assim, a segunda geração (ou dimensão) de direitos, tendo como
documento principal a Constituição do México de 1917 e de Weimar de 1919.
Por fim, o Constitucionalismo contemporâneo (ou Neoconstitucionalismo) diz
respeito a fase atual do aludido movimento. No início do século XX surgiu o
Constitucionalismo Social com o estado de bem-estar social, mas predominava no
direito a visão do positivismo jurídico. A Segunda Guerra mundial e as atrocidades
de Hitler foram praticadas utilizando-se o como fundamento o ordenamento jurídico
vigente, motivo pelo qual se fazia necessária a mudança de paradigma da norma pela
norma, para valores supralegais. A dignidade da pessoa humana passa a ser o valor
de destaque e fundamento de todo o ordenamento. É uma resposta ao positivismo
puro, à legalidade restrita, quando estes destoarem da dignidade da pessoa humana.
Inaugura-se o Estado Constitucional de direito, atribui-se conteúdo axiológico à CF,
valoriza-se os princípios. Com isso, há a queda do estado legiscêntrico, passando a
ocupar o espaço central a jurisdição constitucional.

1257. Quem são os destinatários dos direitos individuais e coletivos?


R.: Há dois destinatários expressos pelo texto constitucional (Art. 5º): brasileiros e
estrangeiros residentes no país. Vale mencionar que todos os brasileiros estão
abarcados pela norma, os natos e naturalizados. A CF é clara ao dizer que a lei não
poderá fazer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos
previstos na própria CF, ou seja, apenas a Carta Magna poderá fazer diferenciação em
determinados casos. É o que ocorre, por exemplo, no Art. 12, §3º, cargos privativos
de brasileiros natos.

1258. Os direitos do art. 5º alcançam inclusive estrangeiros não residentes no


Brasil?
R.: A doutrina majoritária entende que a interpretação do Art. 5º não pode ser
restritiva, abarcando também os estrangeiros não residentes no país. A condição do
estrangeiro não possuir domicílio no Brasil não legitima a adoção de tratamento
arbitrário ou discriminatório. Um estrangeiro turista poderá perfeitamente impetrar
um HC, por exemplo, desde que em português. Não obstante, parcela da doutrina,
como José Afonso da Silva, acredita que a norma diz respeito apenas aos estrangeiros
residentes. Os não residentes não ficam desprotegidos, pois ficariam sujeitos a outras
normas de cunho internacional e infraconstitucional.

1259. Qual a posição do STF?


R.: O STF entende, como a doutrina majoritária, que a interpretação do Art. 5º não
pode ser restritiva, abarcando também os estrangeiros não residentes no país.

1260. Qual a idade mínima e os requisitos para se candidatar a presidente?


R.: Para ser eleito, o cidadão deve preencher as condições de elegibilidade e não
incidir em nenhum impedimento constitucional previsto – direitos políticos negativos.
Segundo o Art 14, §3º, da CF, são condições de elegibilidade: nacionalidade
brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio
eleitoral na circunscrição, filiação partidária e idade mínima de acordo com o cargo,
que no caso é de 35 (trinta e cinco) anos.

1.261. O conceito de povo é o mesmo de população?


R. Não, são conceitos distintos. População é mera expressão numérica, demográfica
ou econômica, ou seja, um conjunto de pessoas que vivem no território de um Estado
ou mesmo que se achem nele temporariamente. Já o povo é o conjunto formado por
indivíduos que, através de um momento jurídico, se unem para constituir o Estado,
estabelecendo com este um vínculo jurídico permanente, participando da vontade do
Estado e do exercício do poder soberano. Portanto, a distinção mais marcante reside
na existência ou não de um vínculo jurídico permanente os indivíduos e o Estado.

1.262. Conceito de nação equivale ao de estado?


R. Não, são conceitos distintos. Nação é uma comunhão formada por laços históricos
e culturais e assentada sobre um sistema de relações de ordem objetiva. Enquanto o
Estado, mormente haja divergências, é um ente político formado pelo povo, território
e soberania, exigindo-se um vínculo jurídico especial.

1.263. É possível haver estado com mais de uma nação? Dê exemplo.


R. Sim, inclusive, a regra se tornou o plurinacionalismo, ou seja, em cada Estado há
indivíduos pertencentes a várias Nações. Dessa forma, há dentro de um mesmo
Estado, grupos sociais claramente distintos por sua cultura e por seus costumes.

1.264. Defina apátrida. Dê exemplo


R. Também chamado de “heimatlo” ou sem pátria é o indivíduo destituído de qualquer
nacionalidade, ou seja, é uma pessoa não titular de nacionalidade e, por isso, não é
considerada nacional de qualquer Estado. Temos como exemplo os indivíduos de
países que foram extintos após a segunda guerra mundial, inclusive houve grande
esforço da ONU com a edição da Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas em 1954.

1.265. Estrangeiro não residente no país é considerado cidadão perante a Lei


Brasileira? Justifique.
R. Em regra não, uma vez que não podem exercer direitos políticos, já que são
inalistáveis como eleitores, por força do § 2º, art. 14, CRFB. No entanto, há ressalva
quanto ao português equiparado com residência permanente no Brasil, uma vez que
lhe serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro naturalizado, desde que haja
reciprocidade em favor dos brasileiros, conforme o § 1º, art. 12, CF.

1.266. Em que consiste a soberania dos estados federados?


R. Na verdade, os estados federados não possuem soberania, somente autonomia.
Quem possui soberania é o Estado Federal. A autonomia dos estados federados
consiste nos poderes políticos de auto-organização, autolegislação, auto-
administração e, por fim, autogoverno.

1.267. Qual a diferença entre estado federal e união federal?


R. Estado federal é a República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público
externo, incumbida de representar o Brasil nas relações internacionais e detentora de
soberania. União federal, pessoa jurídica de direito público interno, é ente político
administrativo do Estado Brasileiro (art. 18, “caput”, CF), responsável pela
administração pública federal.

1.268. Fale sobre as fontes do direito constitucional.


R. São o nascedouro do direito constitucional, de onde deriva todo o Ordenamento
Jurídico Pátrio e irradia por todo o sistema jurídico. São divididas em fontes imediatas
e mediatas. São exemplos da primeira a própria Constituição e os costumes. É fonte
mediata a jurisprudência constitucional.

1.269. Como se classificam as constituições quanto ao processo de reforma?


R. Tal classificação também é denominada de classificação quanto à estabilidade.
Nesse diapasão, as Constituições podem ser: rígidas, semirrígidas, super-rígidas,
flexíveis e, finalmente, imutáveis.

1.270. Dê exemplo de constituição semi-rígida.


R. A Constituição Federal de 1824. Tal classificação também pode ser chamada de
semiflexível, onde algumas regras poderão ser alteradas pelo processo legislativo
ordinário, enquanto outras somente por um processo legislativo especial e mais
dificultoso.

1271. Diferencie Constituição material e Constitucional formal.


R.: A Constituição material é aquela composta por normas que versam sobre
organização do Estado, limitações do poder político e direitos fundamentais. Por sua
vez, a Constituição formal é o documento elaborado pelo poder constituinte originário
que possui procedimento especial para a sua modificação, sendo que suas normas
podem versar sobre qualquer conteúdo.

1272. Todos podem apresentar a forma escrita? [Todas as Constituições


apresentam forma escrita?]
R.: No tocante à forma, as Constituições podem ser escritas ou não escritas. Nas
Constituições escritas há um documento solene em que as normas são codificadas.
Nas Constituições não escritas não existe documento formal e solene, sendo que as
normas constitucionais se sedimentam ao lado dos usos e costumes, leis comuns, das
praxes e até da reiteração a jurisprudência (ex: Constituição inglesa, formada por parte
escrita e outra não escrita).

1273. Fale sobre a constituição-garantia.


R.: É aquela que visa assegurar as liberdades públicas contra a arbitrariedade do
Estado. Corresponde ao primeiro período de surgimento dos direitos humanos.
Exemplo: a Constituição Norte Americana de 1787.

1274. Constituição-garantia e dirigente são sinônimas?


R.: A Constituição dirigente ou compromissária (Canotilho) é aquela que traça
diretrizes que devem nortear a ação estatal, prevendo, para isso, as chamadas normas
programáticas. Exemplo: Constituição de 1988. Já a Constituição-garantia é aquela
que assegura apenas liberdades públicas contra as arbitrariedades do Estado. Portanto,
a Constituição-garantia e a dirigente não são sinônimas.

1275. Classifique nossa Constituição segundo os critérios aqui mencionados.


R.: É democrática quanto à origem, pois é manifestação do poder popular; é eclética
quanto à ideologia, pois contempla diversas correntes ideológicas; é nominal em
relação à essência, visto que o processo político ainda não está completamente sujeito
à normatividade constitucional; é rígida em relação ao processo de mudança, pois suas
alterações dependem de um rito mais complexo; é analítica em relação à extensão; é
escrita em relação à forma.

1276. Quais são os tipos de regime político no Brasil?


R.: A doutrina distingue três espécies de regimes políticos: o democrático, o
autoritário e o totalitário. O Brasil já teve regime autoritário e atualmente adota o
regime democrático.

1277. O que distingue o regime democrático do totalitário?


R.: A principal distinção entre os regimes democráticos e totalitário é o tratamento
dado às diferenças. Na democracia a pluralidade é enaltecida e as minorias devem ser
protegida contra as maiorias políticas. No totalitarismo as diferenças são vistas com
hostilidade e devem ser eliminadas para formação de uma sociedade homogênea.
1278. Há diferença entre regime autocrático e regime autocrático
totalizador?
R.: Há diferenças entre os regimes. A autocracia é a forma de governo na qual há um
único detentor do poder político-estatal, isto é, o poder está concentrado em um único
governante, podendo ser este um líder, um comitê, um partido, uma assembleia, etc.
Por sua vez, o totalitarismo é um regime político baseado na extensão do poder do
Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade ("Estado Total", "Estado Máximo").
Portanto, nem todo regime autocrático é totalizador.

1279. Quais são os tipos de democracia? Cite as diferenças.


R.: A democracia pode ser direta, semi-direta ou indireta. Na democracia direta todos
os cidadãos têm o direito de participar e votar nas decisões políticas fundamentais
quando reunidos em assembleia. Na democracia indireta, os cidadãos elegem
representantes, os quais participam das decisões políticas no lugar dos cidadãos. Por
fim, a democracia semidireta também adota o sistema de representação, mas institui
mecanismo de participação direta, como plebiscito, referendo e iniciativa legislativa
popular.

1280. Qual o tipo de democracia em nosso país?


R.: O Brasil adotou o sistema semidireto de democracia, pois há a eleição de
representantes, mas também existem mecanismos de participação popular direta no
âmbito político (plebiscito, referendo e iniciativa legislativa popular).

1281 - Qual a diferença entre plebiscito e referendo?


R.: São formas de exercício da soberania popular e de participação popular nos
negócios do Estado. Plebiscito é uma consulta prévia que se faz aos cidadãos sobre
determinada matéria a ser, posteriormente, discutida pelo Congresso, e o referendo
consiste em uma consulta posterior sobre determinado ato governamental para
ratificá-lo, ou no sentido de conceder-lhe eficácia (condição suspensiva), ou, ainda,
para retirar-lhe a eficácia (condição resolutiva). Por se tratar de exercício da
soberania, somente àqueles que detiverem capacidade eleitoral ativa será permitido
participar de ambas as consultas.
1282 - Como se demonstra a autonomia dos estados federados? Possuem
capacidade de auto-organização?
R.: A autonomia dos Estados-membros caracteriza-se pela denominada tríplice
capacidade de auto-organização e normatização própria, autogoverno e
autoadministração. Os Estados-membros se auto-organizam por meio do exercício de
seu poder constituinte derivado-decorrente, consubstanciando-se na edição das
respectivas Constituições Estaduais e, posteriormente, através de sua própria
legislação (CF, art. 25, caput).

1283 - O poder legislativo é unicameral ou bicameral?


R.: O Poder Legislativo Federal é bicameral e exercido pelo Congresso Nacional, que
se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, diferentemente dos
estaduais, distritais e municipais, onde é consagrado o unicameralismo (CF, arts. 27,
29 e 32).

1284 - Quais os limites da autonomia dos Estados?


R.: Os limites da autonomia dos Estados encontram-se na própria CF/88. Nesse
sentido, devem respeito aos princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII),
princípios federais extensíveis (normas centrais comuns à União, Estados, Distrito
Federal e municípios) e princípios constitucionais estabelecidos (além de
organizarem a própria federação, estabelecem preceitos centrais de observância
obrigatória aos Estados-membros em sua auto-organização).

1285 - É possível a edição de Medida Provisória no âmbito estadual?


R.: O Supremo Tribunal Federal considera as regras básicas de processo legislativo
previstas na Constituição Federal como modelos obrigatórios às Constituições
Estaduais. Tal entendimento, que igualmente se aplica às Leis Orgânicas dos
Municípios, acaba por permitir que no âmbito estadual e municipal haja previsão de
medidas provisórias a serem editadas, respectivamente, pelo Governador do Estado
ou Prefeito Municipal e analisadas pelo Poder Legislativo local, desde que, no
primeiro caso, exista previsão expressa na Constituição Estadual e no segundo,
previsão nessa e na respectiva Lei Orgânica do Município. Além disto, será
obrigatória a observância do modelo básico da Constituição Federal.
1286 - Cite dois direitos coletivos que reputa mais relevante.
R. Direitos coletivos são os cujos titulares são indeterminados, mas determináveis.
São exemplos: a qualidade oferecida pelas instituições de educação e a segurança do
serviço de transporte público.

1287 - Concorda com a divisão dos direitos humanos em gerações?


R.: Em que pese haver críticas à classificação dos direitos humanos em gerações, que
questionam a indivisibilidade desses direitos, a ideia de substituição de uma geração
por outra, entre outras críticas; com o devido cuidado, não se nega a sua importância
didática e simbólica, pois facilita a compreensão do processo evolutivo dos direitos
humanos, sendo fundamental que se busque sempre o reconhecimento de novos
direitos, bem como que se tenha a consciência de que os direitos humanos não são
valores imutáveis

1288 - Qual a diferença entre princípio e norma?


R.: Com base nos estudos de Dworkin, a teoria normativa-material de Alexy defende
que toda norma é gênero da qual são espécies regra e princípio, sendo que a diferença
entre essas duas é unicamente qualitativa (normativa), fundada no modo de resolução
de conflitos.
O princípio é norma ordenadora “de que algo se realize na maior medida possível,
dentro das possibilidades jurídicas e reais existentes” (ALEXY, p. 86-87, Apud
CUNHA JÚNIOR, 2012, p. 155).

1289 - Em que consiste o poder constituinte originário?


R. O Poder Constituinte originário estabelece a Constituição de um novo Estado,
organizando-o e criando os poderes destinados a reger os interesses de uma
comunidade. Tanto haverá Poder Constituinte no surgimento de uma primeira
Constituição, quanto na elaboração de qualquer Constituição posterior.
São duas as formas básicas de expressão do Poder Constituinte: outorga e assembleia
nacional constituinte/convenção.
Caracteriza-se por ser inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado.

1290 - Fale sobre o poder constituinte derivado.


R.: O Poder Constituinte derivado está inserido na própria Constituição, pois deriva
do poder constituinte originário, sendo utilizado nas alterações do texto constitucional
ou na sua reforma. Apresenta as características de derivado, subordinado e
condicionado. Divide-se em Reformador, Revisor e Decorrente.

1291.Quais as suas características? (Pode constituinte derivado)


R.: O Poder Constituinte tem as seguintes características:
a) Derivado - deriva de outro poder que o instituiu, retirando sua força do poder
Constituinte originário;
b) Jurídico – Regulado pela Constituição;
c) Limitado/Subordinado - está subordinado a regras materiais; encontra limitações no
texto constitucional. Ex. cláusula pétrea
d) Condicionado – seu exercício deve seguir as regras previamente estabelecidas no
texto da CF; é condicionado a regras formais do procedimento legislativo

1292.Quais os princípios constitucionais que norteiam a administração pública?


R.: Os princípios básicos da administração pública estão consubstancialmente em
doze regras de observância permanente e obrigatória para o bom
administrador: legalidade, moralidade, impessoalidade ou finalidade, publicidade,
eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica, motivação e supremacia do interesse público. Os cinco primeiros estão
expressamente previstos no art. 37, caput, da CF de 1988; e os demais, embora não
mencionados, decorrem do nosso regime político, tanto que, ao daqueles, foram
textualmente enumerados pelo art. 2º da Lei federal 9.784, de 29/01/1999.

1293.Qual a função das Forças Armadas?


R.: De acordo com o artigo 142 da CF/88, as Forças Armadas (Marinha, Exército e
Aeronáutica) destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e,
por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

1294.PM e Forças Armadas – Qual o ponto em comum?


R.: Não sei a resposta.
1295.O que se entende por “funções essenciais à justiça”?
R.: São funções em que a CF/88 entende ser indispensáveis para se garantir o acesso
à justiça. Por exemplo, para a garantia dos direitos fundamentais, como o direito à
educação, é necessário que todas as pessoas tenham a oportunidade de exigi-los. Por
isso, a Constituição Federal prevê o direito de acesso à justiça, como um os direitos
fundamentais do cidadão.
A garantia dos direitos constitucionais não teria consequências práticas se não
houvesse mecanismos que permitissem acionar o Poder Judiciário no caso de
violações.

1296.A advocacia pública e defensoria pública tem a mesma significação?


R.: Não, a Advocacia Pública representa a União, judicial e extrajudicialmente, bem
como presta as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder
Executivo (artigo 131, CF/88). Já a Defensoria Pública incumbe a orientação jurídica
e a defesa, em todos os graus e gratuitamente dos necessitados, impossibilitados de
pagar honorários advocatícios (artigo 134, CF/88).

1297.Quais os órgãos responsáveis pela segurança pública segundo a constituição


federal?
R.: De acordo com artigo 144 da CF/88, os órgãos responsáveis pela segurança
pública são: polícia federal; polícia rodoviária federal; polícia ferroviária federal;
polícias civis; polícias militares e corpos de bombeiros militares.

1298.O corpo de bombeiros está incluso?


R.: Sim, o corpo de bombeiros também está entre órgãos responsáveis pela segurança
pública (artigo 144, inciso V).

1299.O rol é taxativo ou exemplificativo?


R.: De acordo com o STF o rol do art. 144 da CF é taxativo (numerus clausus).

1300.É possível a criação de novo órgão?


R.: Não, por ser um rol taxativo não existe a possibilidade de incluir outros órgãos
entre os órgãos de segurança pública relacionados no art. 144 da CF.
1301.Qual a função das guardas municipais?
O artigo 144 § 8º da CF estabelece que “Os Municípios poderão constituir guardas
municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme
dispuser a lei”, ou seja, a própria constituição delimita qual é a atribuição da Guarda
Municipal: zelar pelos bens, serviços e instalações do município.

1302.Na prática, qual a importância dos princípios constitucionais?


Os princípios constitucionais são normas, explícitas ou implícitas, que determinam as
diretrizes fundamentais da Lei Fundamental, bem como influenciam em toda a sua
interpretação e aplicação. Distinguem-se, basicamente, em princípios positivos
(explícitos) e implícitos (inexpressos).

1303.Podem ser utilizados por meios jurisdicionais?


Sim, serve o princípio como limite de atuação do jurista. Explica-se: no mesmo passo
em que funciona como vetor de interpretação, o princípio tem como função limitar a
vontade subjetiva do aplicador do direito, vale dizer, os princípios estabelecem
balizamentos dentro dos quais o jurista exercitará sua criatividade, seu senso do
razoável e sua capacidade de fazer a justiça do caso concreto

1304.É necessário exaurir a via administrativo para se socorrer ao judiciário?


Em regra, não. Nosso ordenamento jurídico adotou o sistema inglês, de jurisdição
una, de forma que os atos administrativos sempre podem ser analisados pelo Poder
Judiciário, que é o único que finalizará os conflitos, estabilizando-os com a
definitividade própria da coisa julgada. Há exceções em que se exigem o
exaurimento da via administrativa como: habeas data, justiça desportiva e ato
administrativo que contrarie súmula vinculante do STF.

1305.Quando ocorre a inconstitucionalidade por ação?


Inconstitucionalidade por ação se dá quando foi feita uma lei ou um ato normativo
contrário à Constituição. Existe a inconstitucionalidade por ação formal e por ação
material.
Ocorre a inconstitucionalidade por ação formal quando for violado um procedimento
legislativo previsto na Constituição. A inconstitucionalidade material quando uma lei
ou um ato normativo viola um direito previsto na CF.

1306.Quais os sistemas usados para exercer o controle de constitucionalidade?


Depende, quanto ao órgão existem os controles político, controle jurisdicional e
controle misto. Em relação à forma, há os sistemas difuso e concentrado. Por fim,
quanto ao momento pode ser preventivo ou repressivo.

1307.O que é o controle de constitucionalidade político?


O controle político, também denominado de controle francês, é justamente a espécie
de controle realizada por um órgão político e não jurisdicional. São exemplos desta
espécie o controle realizado pelas Casas Legislativas, comissões de Constituição e
Justiça, assim como o veto oposto pelo Poder Executivo, com base na alegada
inconstitucionalidade da proposta legislativa.

1308.E jurisdicional?
Quando o controle dos atos normativos é realizado pelo Poder Judiciário, tanto através
de um único órgão (controle concentrado) como por qualquer juiz ou tribunal
(controle difuso).

1309.No que consiste o controle de constitucionalidade misto?


Também chamado de híbrido, algumas normas são levadas a controle perante um
órgão distinto dos três poderes (controle político), enquanto outras são apreciadas pelo
Poder Judiciário (controle jurisdicional).

1310.Qual o sistema de controle de constitucionalidade adotado pelo Brasil?


Em regra, no Brasil, o controle posterior é exercido pelo Poder Judiciário, tanto de
forma concentrada quanto difusamente. Exceções: art. 49, V e art. 62 da CF. Por outro
lado, o controle preventivo é exercido pelos três Poderes (Executivo, Legislativo e
Judiciário).

1311. Em que consiste Medida Provisória?


R.: A medida provisória consiste em um ato normativo primário unipessoal do
Presidente da República, que visa legislar sobre matéria relevante e urgente. Possui
natureza provisória e força de lei, devendo ser submetida, de imediato, ao Congresso
Nacional para conversão em lei no prazo de 60 dias, prorrogável uma única vez por
igual período (art. 62 da CRFB).

1312. Qual o trâmite de uma MP?


R.: Adotada pelo Presidente da República, a MP será submetida, de imediato, ao
Congresso Nacional (art. 62, caput da CRFB). Caberá a uma comissão mista de
Deputados e Senadores examiná-la e emitir um parecer (art. 62, §9º da CRFB).
Posteriormente, a MP passará à apreciação, em sessão separada, do plenário de cada
uma das Casas do Congresso Nacional (tendo início na Câmara dos Deputados, sendo
o Senado Federal a Casa revisora – art. 62, § 8º).

1313. Um aumento de salário para delegado federal poderia ser concedido por
uma MP?
R.: É possível que, por meio de uma medida provisória, seja determinado o aumento
salarial para os delegados federais. No entanto, os pagamentos dos aumentos
remuneratórios serão condicionados à existência de dotação orçamentária e
autorização específica na Lei de Diretrizes Orçamentárias, sob a pena de violação ao
art. 62, §1º, I, d da CRFB.

1314. Em que se distingue, com relação ao trâmite, as Medidas Provisórias de


outros atos normativos?
R.: A tramitação das medidas provisórias segue um procedimento legislativo
específico. O rito inicia-se com a criação de uma comissão mista, que deverá elaborar
um parecer. Após, a MP será examinada na Câmara dos Deputados e, se aprovada,
será enviada ao Senado Federal. O prazo para o exame final da MP pelos
parlamentares é de 45 dias, caso não seja respeitado, a matéria entrará em regime de
urgência, sobrestando as demais deliberações das duas casas (art. 62 da CRFB).

Examinador: MARCIO JOSÉ ALVES

1315. Em que consiste e como se dá a revisão constitucional?


R.: A revisão constitucional consiste em um processo de reforma global do texto
constitucional, realizado por meio do voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Nacional. Conforme a previsão do art. 3º do ADCT, a constituição, após
05 anos de sua promulgação, deveria ser integralmente revista para que fosse
atualizada e adequada às realidades que a sociedade apontasse como necessárias
(revisão única).

1316. Há alguma limitação de revisão?


R.: A revisão, por ser uma manifestação do poder constituinte derivado, é limitada.
Neste sentido, prevalece em nosso ordenamento jurídico o entendimento de que o
processo de revisão constitucional segue as mesmas limitações previstas para o
processo de emenda constitucional. Por conseguinte, a revisão está sujeita aos limites
estabelecidos no art. 60, §4º da CRFB, sendo passível de controle judicial.

1317. Como se dá a proteção aos direitos fundamentais na CF?


R.: Para a proteção dos direitos fundamentais, a Constituição Federal prevê garantias
instrumentais, conhecidas como remédios constitucionais, quais sejam: habeas
corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção e ação popular. São
instrumentos que estão à disposição das pessoas para que reclamem, em juízo, pela
proteção de seus direitos.

1318. Negativa de financiamento em razão de inserção indevida nos órgãos de


restrição ao débito. Qual o instrumento adequado para sanar tal incorreção?
R.: Com o fim de sanar determinada inserção indevida nos órgãos de restrição ao
débito, é possível a apresentação da ação constitucional de Habeas Data. Isto porque,
entre as hipóteses de cabimento do habeas data, está a possibilidade de retificação de
dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo
(art. 5º, LXXII, b da CRFB).

1319. De quem poderá ser a iniciativa para propor uma emenda constitucional?
R.: A CRFB somente poderá ser emendada mediante a proposta: (i) de 1/3, no
mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; (ii) do
Presidente da República; ou (iii) de mais da metade das assembleias Legislativas das
unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de
seus membros (art. 60, incisos I, II e III da CRFB).

1320. Qual o rito de processamento da emenda constitucional junto às casas


legislativas?
R.: A proposta de emenda constitucional será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional em 02 turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos,
3/5 dos votos dos respetivos membros (art. 60, §2º da CRFB). A promulgação da
emenda deve ser realizada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, com o seu respectivo número de ordem, inexistindo sanção ou veto
presidencial (art. 60, §3º).

1321. Em que consistem as limitações materiais em relação á EC?


R.: Os limites materiais podem ser explícitos e implícitos segundo a doutrina
majoritária constitucional. Os limites materiais das Emendas Constitucionais estão
previstas no art. 60, § 4º: (i) a forma federativa de Estado; (ii) o voto direto, secreto,
universal e periódico; (iii) separação de poderes; (iv) os direitos e garantias
individuais.

1322. O que significa “vício de iniciativa”?


R.: Ocorre quando houver previsão constitucional para iniciativa reservada de lei a
determinada autoridade ou Poder, como os casos de iniciativa reservada ou privativa
do Presidente da República (art. 61, § 1º, CF) e do Poder Judiciário (art. 96, CF), o
vício de iniciativa pode ser dividido formal (vicio no processo de formação da lei) e
material (relacionado ao conteúdo do ato normativo).

1323. E sanção?
R.: A sanção é a adesão do Chefe do Poder Executivo ao projeto de lei aprovado pelo
Congresso Nacional. A sanção pode ser expressa, se ocorre a subscrição do projeto,
ou tácita, se não ocorre o seu veto no prazo de 15 dias (CF, art. 66, § 3º).

1324. Qual o conceito de poder constituinte supranacional?


R.: Poder Constituinte Supranacional é o poder que cria uma Constituição, na qual
cada Estado cede uma parcela de sua soberania para que uma Constituição
comunitária seja criada. O titular deste Poder não é o povo, mas o cidadão universal.

1325. O que vem a ser inconstitucionalidade superveniente?


R.: Fenômeno em que uma lei que era constitucional ao tempo de sua edição, já que
compatível com a Constituição vigente à época, passa a ser inconstitucional em
virtude de uma modificação no parâmetro constitucional (alteração da Constituição
ou da interpretação de uma norma constitucional), tornando-a incompatível com a
Constituição vigente.

1326. Qual o conceito de organização do estado?


R.: A organização de um Estado guarda relação com a ‘forma de Estado’, que consiste
na existência, ou não, de uma divisão territorial do poder ou, em outras palavras, de
como é a organização política e a administrativa de um Estado.

1327. O que se entende por seguridade social?


R.: Seguridade social consiste num conjunto de ações e políticas sociais que visam
promover o estabelecimento de uma sociedade mais igualitária e justa, auxiliando os
cidadãos e suas famílias em determinadas situações, como a velhice, o desemprego e
a doença, assegurando às pessoas alguns direitos básicos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social

1328. Em que consiste normas constitucionais pragmáticas?


R.: A Constituição Federal contém normas completas que dispensam a edição de lei
infraconstitucional para sua completude; é pragmática, de eficácia imediata, posto seu
caráter autoaplicável, geradora de deveres para o Estado e direitos para o cidadão.

1329. Em que consiste estado de legitimidade extraordinário?


R.: A legitimidade extraordinária é também denominada substituição, já que ocorre
em casos excepcionais, que decorrem de lei expressa ou do sistema jurídico, em que
admite-se que alguém vá a juízo, em nome próprio, para defender interesses alheios.
Assim, substituto processual é aquele que atua como parte, postulando e defendendo
direito de outrem.
1330. Qual a diferença entre estado de sítio e estado de defesa?
R.: No Estado de defesa há grave e iminente instabilidade institucional ou
calamidades de grandes proporções na natureza. Sua decretação se dá pelo Presidente
com encaminhamento posterior ao Congresso Nacional, com prazo de duração até 30
dias prorrogáveis por igual período. Podem existir restrições por ex. ao direito de
reunião e sigilo de correspondência. Já para decretação do Estado de sítio exige-se
uma comoção grave de repercussão nacional ou ineficácia das medidas do Estado de
Defesa, tendo então prazo de duração de 30 dias prorrogáveis, e podem existir
medidas restritivas de direitos, como busca e apreensão domiciliar; também pode ser
decretado quando houver declaração de guerra ou agressão armada estrangeira, sendo
que neste caso, sua duração perdura enquanto houver a situação determinante, e a
Constituição não prevê medidas restritivas neste caso.

1331. O que são “elementos de estabilização constitucional”?


R.: São normas constitucionais voltadas à defesa da Constituição, do Estado e de suas
instituições, bem como à solução de conflitos constitucionais, com vistas a garantir a
paz social. Ex: a) art. 10 2, I, “a” (ação de inconstitucionalidade); b) arts. 34 a 36 (Da
intervenção nos Estados e Municípios); c) arts. 59, I e 60 (Processos de emendas à
Constituição); d) arts. 102 e 103 (Jurisdição constitucional); e) Título V (Da Defesa
do Estado e das Instituições Democráticas, especialmente o Capítulo I, que trata do
estado de defesa e do estado de sítio).

1332. Os direitos e garantias constituem uma forma de estabilização?


R.: Não, em realidade os direitos e garantias fundamentais constituem uma forma de
limitação.

1333. O que se entende por aditiva ou sentença manipulativa de efeito aditivo?


R.: Sentença manipulativa é aquela em que o Tribunal Constitucional manipula o
conteúdo do ordenamento jurídico, modificando ou aditando a lei a fim de que ela se
torne compatível com o texto constitucional. Nesse sentido, a sentença aditiva é
aquela em que o Tribunal declara inconstitucional certo dispositivo legal não pelo que
expressa, mas pelo que omite, alargando o texto da lei ou seu âmbito de incidência.
Ex. em razão da não observância do princípio da isonomia, notadamente nas situações
em que a lei concede certo benefício ou tratamento a determinadas pessoas, mas
exclui outras que se enquadrariam na mesma situação. A Corte então, ao decidir, 'cria
uma norma autônoma'', estendendo aos excluídos o benefício

1334. Os municípios estão autorizados a criar algum tipo de força pública?


R.: Sim, de acordo com o art. 144 da CF, os municípios poderão constituir guardas
municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme
dispuser a lei.

1335. No que consiste a identificação criminal conforme o Artigo 5°, inciso LVIII
da CF?
R.: Consiste na identificação do investigado, utilizando-se para tanto o processo
datiloscópico e o fotográfico. Quando a identificação criminal for essencial às
investigações policiais, também poderá incluir a coleta de material biológico.

1336. A união federal tem poderes para intervir nos municípios?


R.: Não. A Constituição Federal não prevê intervenção da União nos Municípios, nos
quais a intervenção somente pode ocorrer por parte dos Estados-Membros.

1337. Dê as características dos direitos fundamentais.


R.: São as seguintes as principais: Historicidade; Imprescritibilidade;
Irrenunciabilidade; Inviolabilidade; Universalidade; Concorrência; Efetividade;
Interdependência; Complementaridade.

1338. O que significa a expressão “eficácia irradiante dos direitos fundamentais”?


R.: A eficácia irradiante significa a ‘humanização’ da ordem jurídica, ao exigir que
todas as suas normas sejam, no momento de aplicação, reexaminadas pelo aplicador
do direito com novas lentes, que terão as cores da dignidade humana, da igualdade
substantiva e da justiça social, impressas no tecido constitucional.

1339. Há diferença entre constituição e carta?


R: Para alguns doutrinadores, a diferença situa-se quanto a sua origem ou processo de
positivação, onde o termo “constituição” é empregado quando o ato de criação
constitucional é precedido de livre discussão, votação e promulgação por intermédio
de uma Assembleia Constituinte, escolhida pelo povo. Já o termo “Carta
constitucional” designaria o produto de um ato arbitrário e autoritário, traduzindo uma
outorga.

1340. Qual a diferença entre os termos “princípios” e “normas”?


R: Norma é gênero que tem com espécies as regras e os princípios, sendo esse último
um mandado de otimização que pode ser cumprido em menor ou em maior grau,
pela ponderação entre a possibilidade jurídica e a possibilidade real de adequação
do fato à norma, ou seja, define diretrizes para que se alcance a máxima
concretização da norma.

1341. O que são normas constitucionais de integração?


R: Doutrina lecionada por Carlos Ayres Britto, normas constitucionais de integração
são aquelas que podem ser complementadas pela legislação infraconstitucional.
Podem ser restringíveis ou complementáveis. Nas normas restringíveis são aquelas
passíveis de redução de sua abrangência pelo legislação infraconstitucional, já as
complementáveis exigem legislação integrativa para completa produção de seus
efeitos.

1342. O que se entende por mutação constitucional?


R: É uma forma do poder constituinte difuso, que modifica determinada norma da
Constituição sem que haja qualquer alteração formal no seu texto, ou seja, é um
processo informal de mudança das constituições, dando-se nova interpretação e
aplicação das normas constitucionais, atribuindo novos sentidos ao seus significados
e conteúdos antes não contemplados.

1343. Qual o conceito da expressão “organização do estado”?


R: Refere-se a um conjunto de dispositivos constitucionais destinados a determinar a
organização político-administrativa de um Estado Soberano, delimitando as
atribuições e competências dos entes que o compõe, entre outras matérias.
1344. Qual o conceito de “estado unitário”?
R: É aquele formado por um único Estado, existindo uma unidade do poder político
interno, cujo exercício ocorre de forma centralizada, em que qualquer grau de
descentralização depende da concordância do poder central.

1345. Os direitos fundamentais são cláusulas pétreas?


R: Entende a doutrina majoritária que a interpretação do art. 60, § 4º, IV da CF, deve
ser realizada compreendendo todos os direitos fundamentais do ser humano, e não
apenas restringindo-a a uma única espécie, os direitos individuais. Defende-se que a
cláusula pétrea abranja todos os direitos fundamentais, aí incluídos os previstos no
art. 5º da CF, bem como os direitos sociais, dos direitos políticos, os direitos de
nacionalidade e os direitos coletivos.

1346. Caso seja criado um novo direito ou garantia fundamental por emenda
constitucional também será considerado cláusula pétrea?
R: Poderá uma emenda constitucional ampliar direitos e garantias fundamentais, a
exemplo das EC n.º 26/00 (direito social à moradia, que foi acrescentado ao art. 6º)
e EC n.º 45/04 (garantia da razoável duração do processo, que foi inserida, como
inciso LXXVIII, ao art. 5º), estando esses novos direitos e garantias blindados pela
cláusula pétrea do art. 60, § 4º, IV da CF.

1347. O mandado de segurança assegura apenas os direitos constitucionalmente


previstos?
R: O mandado de segurança assegura não apenas os direitos constitucionais, mas sim,
todos os direitos líquidos e certos, que não sejam os protegidos
por habeas corpus e habeas data. (Art. 5º, LXIX da CF e Lei 12.016/09)

1348. Qual a diferença entre federalismo simétrico e federalismo


assimétrico?
R. O federalismo simétrico é caracterizado pelo equilíbrio (ou homogeneidade) na
repartição das competências aos entes federados. Já no federalismo assimétrico,
estabelece-se constitucionalmente um tratamento diferenciado aos entes federados,
em determinadas matérias, tendo por fim a manutenção do equilíbrio e a redução das
desigualdades regionais.
1349. Quanto à forma das constituições, como se apresenta uma constituição
não escrita?
R. A Constituição não escrita (também chamada de Constituição costumeira ou
consuetudinária) é aquela formada por “textos” esparsos, reconhecidos pela sociedade
como fundamentais e baseia-se nos usos, costumes, jurisprudência e convenções.
Tem-se como exemplo de Constituição não escrita a Constituição da Inglaterra.

1350. Com relação à estabilidade, qual o tipo de constituição mais estável?


A rígida, semirrígida, flexível ou imutável?
R. Em relação à estabilidade, a Constituição imutável é a mais estável, pois não admite
nenhuma reforma. Quanto à estabilidade, a CF/88 é considerada uma Constituição
rígida.

1351. O que se entende por constituições dirigentes?


R. Segundo Canotilho, Constituição dirigente (também chamada de programática) é
aquela que define finalidades e programas com o intuito de ordenar as ações futuras
da política estatal. Ou seja, estabelece um projeto de Estado para o futuro. Ex. CF/88.

1352. O que se entende por controle constitucional difuso?


R. Quanto à competência para realizar o controle de constitucionalidade, tal controle
pode ser concentrado/centralizado (realizado somente por órgão ou tribunal especial)
ou difuso/descentralizado (quando todo e qualquer juiz ou tribunal podem realizar o
controle de constitucionalidade). Portanto, o sistema difuso de controle de
constitucionalidade significa a possibilidade de qualquer juiz ou tribunal, observadas
as regras de competência, realizar o controle de constitucionalidade.

1353. Qual a finalidade e objeto de uma ação de inconstitucionalidade?


R. Inconstitucionalidade é a relação de desconformidade verificada entre determinado
objeto e o respectivo parâmetro. A finalidade de uma ação de inconstitucionalidade é
de impedir a permanência de uma norma violadora da Constituição no ordenamento
jurídico, sendo verdadeira atividade legislativa negativa. O objeto de uma ação de
inconstitucionalidade é a lei ou ato normativo que padece de inconstitucionalidade.
1354. Em que consiste o poder constituinte derivado? Quais suas
características?
R. Poder constituinte é a manifestação soberana da vontade política de um povo. O
poder constituinte se divide em originário e derivado.
O poder constituinte derivado é assim chamado porque deriva do poder constituinte
originário, sendo juridicamente limitado e condicionado (são essas suas
características). O poder constituinte derivado pode ser reformador (promove
mudanças formais no texto da Constituição Federal) ou decorrente (responsável por
elaborar e reformar o texto das Constituições estaduais).

1355. Em que consiste competência concorrente e competência


superveniente?
R. A competência legislativa concorrente está prevista no art. 24 da CF, sendo a
possibilidade de que certo assunto seja tratado por mais de um ente federado (União,
Estados e Distrito Federal). Na competência concorrente, um ente federado tem a
competência geral (para editar normas gerais) e as demais entidades possuem
competência para suplementar essas normas gerais.
No caso de inexistir lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Porém, havendo a
superveniência de lei federal (competência superveniente) sobre normas gerais,
suspende-se a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.

1356. Qual a diferença entre nacionalidade primária e secundária?


R. Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que torna a pessoa componente de
determinado Estado. Nacional é o brasileiro nato ou naturalizado.
A nacionalidade primária (ou originária) é a resultante de certas circunstâncias de fato
natural (nascimento, filiação), independente da vontade da pessoa. Quem possui
nacionalidade primária é chamado de brasileiro nato.
Já a nacionalidade secundária (ou derivada) é a decorrente de fato voluntário, por um
processo de naturalização. Quem possui nacionalidade secundária é chamado de
brasileiro naturalizado.