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Letras Vernáculas . Módulo 3 .

Volume 5

SEMINÁRIO TEMÁTICO INTERDISCIPLINAR III


DISCURSO E ENSINO
Sylvia Maria Campos Teixeira

Ilhéus . 2012
Universidade Estadual de
Santa Cruz

Reitora
Profª. Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro

Vice-reitor
Prof. Evandro Sena Freire

Pró-reitor de Graduação
Prof. Elias Lins Guimarães

Diretor do Departamento de Letras e Artes


Prof. Samuel Leandro Oliveira de Mattos

Ministério da
Educação
Letras Vernáculas | Módulo 3 | Volume 5 - Seminário Temático Interdisciplinar III - discurso e ensino

1ª edição | Março de 2012 | 462 exemplares


Copyright by EAD-UAB/UESC

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Obra desenvolvida para os cursos de Educação a
Distância da Universidade Estadual de Santa Cruz -
UESC (Ilhéus-BA)

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Projeto Gráfico e Diagramação


Jamile Azevedo de Mattos Chagouri Ocké
João Luiz Cardeal Craveiro

Capa
Sheylla Tomás Silva

Impressão e acabamento
JM Gráfica e Editora

Ficha Catalográfica

T266 Teixeira, Sylvia Maria Campos.


Seminário temático interdisciplinar III: discurso e ensino
/ Sylvia Maria Campos Teixeira. – Ilhéus, BA: Editus, 2012.
32p. : il. (Letras Vernáculas – módulo 3 - volume 5 – EAD)

ISBN: 978-85-7455-272-9

1. Análise do discurso. 2. Leitura. I. Título.


II. Série.

CDD 401.41
EAD . UAB|UESC
Coordenação UAB – UESC
Profª. Drª. Maridalva de Souza Penteado

Coordenação Adjunta UAB – UESC


Prof. Dr. Paulo Eduardo Ambrósio

Coordenação do Curso de Letras Vernáculas (EAD)


Profª. Msc. Eliuse Sousa Silva

Elaboração de Conteúdo
Profª. Msc. Sylvia Maria Campos Teixeira

Instrucional Design
Profª. Msc. Marileide dos Santos de Oliveira
Profª. Msc. Cibele Cristina Barbosa Costa
Profª. Msc. Cláudia Celeste Lima Costa Menezes

Revisão
Prof. Msc. Roberto Santos de Carvalho

Coordenação Fluxo Editorial


Msc. Saul Edgardo Mendez Sanchez Filho
PARA ORIENTAR SEUS ESTUDOS

SAIBA MAIS
Aqui você terá acesso a informações que complementam seus
estudos a respeito do tema abordado. São apresentados
trechos de textos ou indicações que contribuem para o apro-
fundamento de seus estudos.

PARA CONHECER

Aqui você será apresentado a autores e fontes de pesquisa


a fim de melhor conhecê-los.

ATENÇÃO

Nos boxes em que há pedido de atenção são apresentadas


questões ou conceitos importantes para a elaboração de sua
aprendizagem e continuidade dos estudos.
DISCIPLINA

SEMINÁRIO TEMÁTICO
INTERDISCIPLINAR III
discurso e ensino
Profª. Msc Sylvia Maria Campos Teixeira

EMENTA
Os discursos em circulação socialmente e a prática escolar
de ensino-aprendizagem de língua materna.

Carga horária: 15 horas

SEMINÁRIO: A ANÁLISE DO DISCURSO


E O TEXTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

OBJETIVOS
Neste Seminário, o aluno deverá ser capaz de:
a) compreender o valor de uma mensagem e sua
dependência com um determinado contexto;
b) desenvolver habilidades de leitura além da localização
de informações no texto e da extrapolação.
A AUTORA

Profª. Msc Sylvia Maria Campos Teixeira

Graduada em Direito pela Universidade Federal


Fluminense. Bacharel e Licenciada em Letras (Português-
Francês) pela Universidade Federal Fluminense.
Especialista em Literatura Brasileira pela Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC - MG).
Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG - 2000). Desenvolve projeto de
pesquisa, com o apoio da FAPESB. Atua nas seguintes
áreas: Análise do Discurso, Literatura, Estudos Culturais e
de Gêneros, Língua e Literatura Francesa.

E-mail: sylviamariateixeira@gmail.com
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Caro(a) Aluno(a),

Você já teve contato com as teorias da Análise do Discurso (AD)


em um módulo anterior. Apropriou-se de conceitos e concepções da
AD e, sem dúvida, pode provocar mudanças em sua prática em sala
de aula, para ampliar em seu aluno as habilidades de compreensão
dos diversos textos que circulam no ambiente escolar.
Neste Módulo, a partir da análise de algumas atividades
apresentadas em Livros Didáticos (LDs) do Ensino Fundamental II,
procuro mostrar as possibilidades de se trabalhar com os diversos
textos, contemplando as condições de produção de discurso. Não há
a intenção de criticar os LDs, isto já é feito em outras instâncias.
São apenas quinze horas, mas, nelas, tentaremos juntos dar
conta de novas perspectivas do ensino-aprendizagem da Língua
Portuguesa; problematizando a relação do leitor com o texto,
explicitando os processos de significação que, nele, estão configurados
e os mecanismos de produção de sentidos que estão funcionando.

Bom trabalho!

Sylvia Maria C. Teixeira


SUMÁRIO

SEMINÁRIO: A ANÁLISE DO DISCURSO E O TEXTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

AS CONDIÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO DO DISCURSO E ANÁLISE


DISCURSIVA DE TEXTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS

1 INTRODUÇÃO..................................................................................... 15
2 AS CONDIÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO DO DISCURSO..................... 15
2.1 Uma perspectiva discursiva de leitura..................................... 17
2.2 Análise discursiva de textos didático-pedagógicos.................. 18
3 CONCLUSÕES..................................................................................... 30

ATIVIDADE............................................................................................... 30
RESUMINDO............................................................................................. 30
REFERÊNCIAS .......................................................................................... 31
SEÇÃO ÚNICA
AS CONDIÇÕES SOCIAIS DE
PRODUÇÃO DO DISCURSO
E ANÁLISE DISCURSIVA
DE TEXTOS DIDÁTICO-
PEDAGÓGICOS
As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

1 INTRODUÇÃO

Inicialmente, vamos rever as concepções sobre


condições sociais de produção do discurso. Em seguida, ler
e compreender alguns textos, o que permitirá uma prática
mais proficiente com a linguagem em sala de aula.

2 AS CONDIÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO DO


DISCURSO

As teorias sobre leitura estão centradas em diversas


perspectivas: processo de decodificação, processo interativo
e processo discursivo. Para Kato (1985) e Kleiman (1989;
2004), o bom leitor é quem compreende o texto a partir
das pegadas deixadas pelo autor, colocando em destaque a
importância do conhecimento prévio, armazenado em forma
de scripts e esquemas. Assim, dentro desta perspectiva, o
leitor não é apenas um receptor, ele tem um papel ativo, uma
vez que para construir o sentido do texto tem de interligar
as pegadas deixadas pelo autor ao seu conhecimento prévio.
Portanto a leitura é um processo interativo, pois advém da
interação do leitor e do autor, mediatizada pelo texto.
A leitura aqui proposta leva em conta o processo
discursivo. Esta leitura nos oferece a possibilidade de
construção das posições dos leitores e a produção de sentido
a partir dessas posições. Lembro de que, mesmo ocupando
posições diferentes no discurso pedagógico, professor e
aluno são interpretantes. E é disto que se nutre a aula de
Língua Portuguesa: em um contínuo processo de construção
e reconstrução dos sentidos.

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Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

Quando Pêcheux (1995) mudou o


para conhecer
questionamento, em vez de procurar saber o que
um texto queria dizer, perguntou: como esse
texto funciona? Com essa indagação deslocou o
funcionamento do texto do integralmente linguístico
e estabeleceu a teoria do discurso como um modo em
que se dá a historicidade dos processos semânticos.
Ora, nessa perspectiva, o objeto da AD ultrapassa
os limites da frase, do texto e da enunciação,
Figura 1.1 - Michel Pêcheux. Fonte:
Laboratório de Estudos Urbanos
<http://www.labeurb.unicamp. localizando-se na instância do discurso, espaço de
br/portal/pages/home/lerArtigo.
lab?id=48&cedu=1>. onde emergem as significações. Concebendo, assim,
o discurso como efeito de sentidos entre locutores
Michel Pêcheux - (1938-
1983): é considerado uma (energeia), Pêcheux o situa no campo das relações
das figuras mais impor-
entre a linguagem, a história e a ideologia, buscando
tantes da Análise do Dis-
curso Francesa. Através compreender os processos de construção de sentido
do confronto do político
com o simbólico, a Análise de sujeitos marcados social e historicamente.
de Discurso, que ele pro- Assim, dentro da perspectiva discursiva,
põe, coloca questões para
a Linguística interrogando- leitura e escrita não são processos independentes de
a pela historicidade que
esta exclui, assim como
suas condições de produção, elas estão intimamente
ela questiona as Ciências ligadas, isto é, os sentidos têm sua história e o texto
Sociais pela transparência
da linguagem sobre a qual tem relação com outros textos, pois como afirma
elas se constroem. Elabo-
rou uma teoria não subje-
Orlandi:
tiva de sujeito e sustenta a
análise na relação do real
Na escola, a colocação das leituras
da língua e no real da his-
tória. previstas (possíveis e/ou razoáveis)
por um texto escamoteiam (sic), em
geral, o fato de que se dá uma leitu-
ra prevista para ele, como se o tex-
to, por si, a suscitasse inteiramente.
Exclui-se, dessa forma, qualquer
relação do texto, e do leitor, com o
contexto histórico-social, cultural,
ideológico (1996, p.44).

Cabe a nós, professores, buscarmos caminhos


para podermos atuar numa sociedade de múltiplas
linguagens – oralidade, escrita, música, cinema,
televisão, computador, anúncios publicitários,

16 Letras Vernáculas EAD


As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

hipertexto etc. –, formando cidadãos propositivos,


capazes de selecionar, articular informações e construir
conhecimento, não apenas para reconhecer criticamente a
realidade, mas propor soluções para os velhos problemas.
Assim, através da leitura de diversos textos,
procuraremos problematizar a relação do leitor com o
texto, explicitar os processos de significação que, nele, estão
configurados e os mecanismos de produção de sentidos que
estão funcionando. Pois

A contribuição do professor, em rela-


ção às leituras previstas para um texto, é
modificar as condições de produção de
leituras do aluno, dando oportunidade a
que ele construa sua história de leituras e
estabelecendo, quando necessário, as re-
lações intertextuais, resgatando a histó-
ria dos sentidos do texto, sem obstruir o
curso da história (futura) desses sentidos
(ORLANDI, 1996, p. 88).

2.1 Uma perspectiva discursiva de leitura

Pêcheux (1997) elaborou um quadro representativo,


fundado na teoria materialista da discursividade, que
permite compreender as condições históricas de produção
e circulação do discurso e os transbordamentos ideológicos
dos sentidos; e, nele, reconheceu não a presença física de
seres humanos, mas sim, a representação deles em lugares
determinados no âmbito da formação discursiva.
Aqui, apresentamos o quadro de forma resumida:

 Um locutor: aquele que diz, tem uma posição sócio-


histórica (posição de pai, de professor, de amigo, de
sacerdote etc.).
 Um alocutário: aquele para quem se diz o que se
tem a dizer, tem uma posição sócio-histórica.

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Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

 Um referente: o que dizer, sempre determinado pelos


sistemas semânticos de coerência e de restrições.
 Uma forma de dizer: é preciso que se escolham as
estratégias para se dizer.
 Um contexto em sentido estrito: as circunstâncias
imediatas – o aqui e o agora do ato de discurso.
 Um contexto em sentido lato: as determinações
sócio-históricas, ideológicas, o quadro das
instituições em que o discurso é produzido – a
família, a escola, a igreja, o sindicato, a política, a
informação etc.

Escolhi três textos – um conto infantil, uma


propaganda e uma tira de quadrinhos – que, para uma
leitura discursiva, eu e você vamos nos inscrever num campo
teórico que trabalha com a linguagem ligada à produção de
sentidos e à história, dos sujeitos e do dizer.

2.2 Análise discursiva de textos didático-


pedagógicos

Na análise, temos de levar em conta o caráter


multifacetado, dinâmico e interativo da linguagem. Como é
feito nos LDs, não podemos nos limitar a propor questões
de localização de informações e de gramática. Devemos
enfatizar atividades que levem o aluno a raciocinar, a inferir,
isto é, a construir o sentido global do texto; descobrindo
os efeitos de sentido produzidos pelos parceiros (locutor /
alocutário) em uma determinada situação de comunicação.
Também temos de considerar os elementos não verbais como
cores, imagens, os balões das Histórias em Quadrinhos etc.
Primeiro, é preciso verificar o suporte em que foi
publicado o texto:

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As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

• jornal ou revista de informação (Folha de São


Paulo, A Tarde, Veja, Época, IstoÉ, Piauí etc.);
• jornal televisivo (telejornais: JN, SBT, Jornal
Hoje etc.);
• revistas femininas (Corpo, Marie-Claire,
Caras, Manequim, Cláudia etc.);
• Internet (linguagem de sites, linguagem de
correio eletrônico, chats etc.);
• publicidade (de rua – cartazes, painéis; de
revista; de campanha eleitoral; de jornal...);
• rádio;
• livro;
• romance etc.

Depois, questionar o perfil do público-alvo, ou seja,


buscar responder as seguintes perguntas:

• Qual seria o perfil do público-alvo do projeto


de comunicação analisado?
• Público feminino ou masculino? Adultos,
crianças ou adolescentes?
• Consumidor de produto, de informação ou
de diversão?
• Qual o perfil social: classes média, pobre ou
alta?
• Público muito escolarizado? Pouco
escolarizado? Ou formação escolar é
indiferente?
• É possível identificar preferências, gostos e
posicionamentos (ideologias) do público-
alvo que a instância de produção do produto
ou da informação ou do serviço estaria
satisfazendo?

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Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

TEXTO 1

Figura 1.2 – Publicidade Sandálias Melissa “Contos de Melissa”. Fonte: <http://sandaliamelissa.


net/tag/campanha-melissa/>.

O mais intrigante da notícia é a chamada; o título da notícia, no


caso dela ser impressa ou a chamada principal, no caso dela ser
no rádio ou televisão é o que determina praticamente o interesse
do expectador ou leitor.
Na internet rola todo tipo de e-mail e este em especial, que me foi
enviado pelo agente de viagens Magno Esteves, de Belo Horizonte,
no meu ver, é um dos melhores. Vejam as diversas formas de
noticiar a história da Chapeuzinho Vermelho na imprensa brasileira:

Chapeuzinho Vermelho e a imprensa do Brasil


Se a história da Chapeuzinho Vermelho fosse verdade, como ela
seria contada na imprensa no Brasil? Veja as diferentes maneiras
de contar a mesma história.
 
Jornal Nacional
(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada
por um lobo na noite de ontem… ’
 
(Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou a
tragédia.’

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As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

 
Programa da Hebe
‘…que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina
linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo
queridinha? Depois eu quero um selinho, tá bom amor?’

Cidade Alerta
(Datena): ‘… onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades?
Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé!
Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi
devorada viva… um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo!
Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo
de lobo, não! Alô Presidente Lula! Pelo Amor de Deus, Presidente!
Vamos tomar uma providência!
[...]

Discovery Channel
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e
sobreviver.
 
Revista Veja
 Lula sabia das intenções do Lobo.
 
Revista Cláudia
Como chegar à casa da vovozinha usando GPS sem se deixar
enganar pelos lobos no caminho.
[...]
 
Revista Superinteressante
 Lobo Mau: mito ou verdade?
[...]

Folha de São Paulo


Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu
salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos

UESC Módulo 3 I Volume 5 21


Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como


Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
 
O Estado de São Paulo
Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.

O Globo
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um
lobo para salvar menor de idade carente e Fome Zero vai doar
cestas básicas para as alcatéias.
 
O Dia
Lenhador desempregado tem dia de herói.

Extra (RJ) e Aqui (Belo Horizonte)


Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa
vermelha igual a da Chapeuzinho!
[...]
 
O Povo
Sangue e tragédia na casa da vovó.
 
www.irregular.com.br
O lobo é um homicida duplamente qualificado e só não teve seu
julgamento apreciado pela Justiça porque o lenhador matou-lhe a
tempo. Sorte a dele de não cair nas imundas masmorras brasileiras.
 
E assim são algumas das notícias mais interessantes que
veiculam na imprensa do Brasil!.
 .

Fonte: Carlos Henrique Mascarenhas Pires. Disponível em: http://


jornalismoantenado.blogspot.com/2009/11/historia-da-chapeuzinho-
vermelho.html . Acesso em: 07 mar. 2012.
Imperador Dom Henrique I
Publicado no Recanto das Letras em 28/05/2009..
Código do texto: T1619617.

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As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

O texto 1 foi publicado em um site da Internet


você sabia?
– Recanto das Letras -, onde qualquer um publica sua
produção, podendo ser poesia, crônica, pensamento, trova As variações de horário
entre os diversos tele-
etc. Não se discute a qualidade dos textos! jornais indicam os públi-
cos-alvos perseguidos.
O locutor se esconde por trás de um pseudônimo Os da manhã pretendem
“Imperador Dom Henrique I”, cujo título nos faz pensar tomar o breakfast com
quem não tem que che-
em alguém que se sente numa escala superior aos outros gar muito cedo ao tra-
balho. Costumam tentar
sujeitos. Além de se esconder sob um pseudônimo, não produzir um clima infor-
assume o discurso, pois afirma que “me foi enviado pelo mal - mantendo as for-
malidades habituais - de
agente de viagens Magno Esteves, de Belo Horizonte”. uma conversa pessoal e,
ao mesmo tempo, fami-
O público-alvo é indiferente: os alocutários são os
liar com o tele-audiente.
internautas, e não importa o sexo, a idade ou o grau de Os do início da tarde pa-
recem revistas de varie-
escolaridade. dades, comentando al-
O relato é sobre o conhecido conto de fadas sobre guns assuntos nacionais
e internacionais pau-
Chapeuzinho Vermelho. Em quase todas as versões do tados para o dia, mas
centrando em comentá-
conto, a atitude de Chapeuzinho é de ingenuidade e a do rios leves e no noticiá-
lobo de maldade e de astúcia. Entretanto, neste texto, a rio cultural e esportivo,
visando o público jovem
descaracterização desta dicotomia ocorre desde a imagem e as donas de casa. Os
do horário nobre são os
1: Chapeuzinho veste um short e está sorrindo na garupa mais universais, vistos
da moto do lobo. É uma Chapeuzinho muito diferente! pela maioria, e têm o
formato mais acabado
Continuando a leitura do texto, esta remete não dos telejornais que aju-
dam a construir os mo-
para o conto em si, mas para discussão de como seria
dos de ver o Brasil e o
elaborada a notícia do fato pela mídia impressa e televisiva. mundo. Veiculam o que
é compartilhado pela
De forma irônica! maioria dos brasileiros
Preste atenção na primeira notícia... Ela é dada ou o que se deseja que
a população acredite. Os
pela TV Globo, no Jornal Nacional, pelo tão conhecido que passam próximo à
meia-noite destinam-se
casal de apresentadores. Há a simulação do diálogo dos a um público de elite que
apresentadores, como se fosse uma conversa sóbria no pode ficar acordado até
tarde, devido à nature-
seio familiar, não é feito nenhum alarde. A notícia tem za de suas ocupações, e
que está interessado em
credibilidade, pois a instância de produção a adquiriu no uma imprensa mais opi-
decorrer dos anos; e os apresentadores criam uma empatia nativa e em comentários
de maior profundidade.
tão grande com os telespectadores que, segundo a grande FONTE: LOPES, Luís
Carlos. Disponível em:
maioria, há uma resposta ao “boa noite” dado por eles
<http://www.ucm.es/
(CHARAUDEAU, 2006). info/especulo/nume-
ro31/telejorn.html>.
Faça agora uma análise das outras notícias. Garanto-

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Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

lhe que é muito prazeroso e seus alunos gostarão. Inclusive


você pode sugerir que eles escrevam como a notícia seria
dada por outros meios midiáticos, que eles conheçam ou
tenham acesso.

para recordar

O sujeito de um enunciado é um lugar determinado e vazio que


pode ser ocupado por indivíduos diferentes. Uma mesma fra-
se pronunciada por duas pessoas diferentes (mesma FD) pode
constituir um mesmo enunciado. Isso quer dizer que um mes-
mo enunciado suporta enunciações diferentes.
Para Foucault (1995), o sujeito do discurso é sempre a rede
dispersa e descontínua de locais distintos de ação; jamais é o
conhecedor transcendental e controlador. Essa subjetividade é
caracterizada pela dispersão do sujeito, isto é, das possíveis po-
sições de serem assumidas pelo sujeito no discurso. Em última
análise, de acordo com Henry, “o sujeito de Foucault é o sujeito
da ‘ordem do discurso’” (1993, p. 33).

lembrete

• Esses sistemas de representações, de normas, de regras e


preceitos, que procuram não só explicar a realidade como
regular o comportamento dos homens, são as formações
ideológicas.
• As formações ideológicas são sistemas sociais, susten-
tam-se graças às instituições, como escola, família, religião,
e graças aos meios de comunicação de massa.
• As formações ideológicas são sistemas, internalizados
como verdades universais e não como crenças criadas pelo
homem, representam interesses políticos e econômicos do-
minantes em uma época.

24 Letras Vernáculas EAD


As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

TEXTO 2

Figura 1.3 - Propaganda Sabão em Pó Ariel. Fonte: <http://mundocriativolanny.blogspot.com/2011/06/propaganda-inusitada-do-sabao-em-po.html>.

A propaganda nos bombardeia por todos os lugares:


na televisão, nas revistas, nos outdoors, na Internet, na rua.
Por que não trabalhar uma peça publicitária em sala de aula?
Não apenas para exercícios gramaticais... Mas mostrar como
ela seduz esteticamente, apoiada em três elementos: palavra,
imagem e som, que se imbricam ou participam isoladamente
ou em combinações singulares. Segundo Casa Nova (1996,
p. 70),

A relação entre ser e parecer é questão radi-


cal para a venda (êxito) do produto anun-
ciado. Aquele que faz o anúncio deseja que
seus leitores acreditem que ele diz a ver-
dade e que está ligado a uma determinada
realidade social em que vive o leitor.

Ora, para tornar a persuasão verossímil, as agências


de publicidade pesquisam hábitos, lazer, alimentação, rituais

UESC Módulo 3 I Volume 5 25


Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

sociais e/ou religiosos, expectativas sociais e pessoais,


autoimagem etc. Fale com seus alunos sobre métodos de
sedução da propaganda que variam conforme o produto e
conforme a idade, o sexo e a classe social, levando também
em conta o universo de crenças de determinada comunidade.
O texto 2 refere-se à propaganda do sabão em pó
ARIEL. O tema é a superioridade, em matéria de lavagem/
limpeza, do sabão ARIEL sobre os outros da mesma linha.
Numa situação em que é possível o consumidor se utilizar
das “magias” de outra marca qualquer, é essencial que o
anunciante lhe ofereça excelentes razões para que venha a
comprar o sabão anunciado.
A composição do anúncio integra o jogo das variáveis
visuais da imagem (forma, cor). O anúncio é montado em
cores suaves, em um supermercado, onde duas donas de
casa comuns fazem suas compras. São mulheres na faixa
dos trinta anos, com roupas do dia a dia, não há o mínimo
traço de sensualidade. Nas prateleiras, entre frutas, verduras
e legumes, veem-se camisas masculinas, também em tons
suaves, limpas e bem passadas.
Explique aos alunos a sutileza da publicidade: o nome
do sabão aparece em etiquetas no plástico das camisas e no
quadro central.
Desperta interesse, porque lembra as obrigações de
toda dona de casa e fixa a imagem/discurso das representações
ideológicas e estereotipadas sobre o lugar da mulher e sua
construção identitária. Esse anúncio reflete fielmente o fato
de que as mulheres, mesmo sendo recebidas no mercado
de trabalho, nem por isso deixam de ser consideradas
responsáveis pelo grosso dos afazeres domésticos. Assim,
corrobora, reafirma e reproduz o discurso secular sobre a
subordinação da mulher, “pregado pela Igreja, ensinado por
médicos e juristas, legitimado pelo Estado e divulgado pela
imprensa.” (MALUF; MOTT, 1998, p.374).
Através deste exercício, você estará ensinando a seu
aluno não a decodificação da língua, mas a descobrir os

26 Letras Vernáculas EAD


As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

efeitos de sentido, a partir das escolhas imagéticas de um


locutor com objetivos definidos, dentro de um contrato de
comunicação em determinado contexto histórico-social.

CONTRATO DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA

Figura 1.4. Fonte: Soulages, 1996, p. 146.

TEXTO 3

Figura 1.5. Fonte: <http://www.saberebomdemais.com/humor-tirinha-do-garfield-2/>.

Quem não conhece Garfield? Preguiçoso, rabugento,


malandro, enfim, várias palavras podem descrever o felino,
que sempre foi muito bem visto por pessoas em todas
as faixas etárias. Dotado de um humor irônico e planos
engenhosos para literalmente não fazer nada.
Suas tirinhas estão presentes em todos os LDs.
Contudo, em geral, elas são aproveitadas para explicações

UESC Módulo 3 I Volume 5 27


Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

lembrete semânticas, sintáticas, sem que se leve em conta as possíveis


Enunciação – toda vez interpretações que delas decorrem.
que um conjunto de
O texto 3 é um discurso e pode ser analisado como
signos é emitido – cada
uma dessas emissões junção de dois planos: o do conteúdo e o da expressão.
tem sua individualidade
Assim, temos:
espaço-temporal. Duas
pessoas podem dizer, • Conteúdo “ vozes em diálogo.
ao mesmo tempo, a
• Expressão “ integração do verbal e do visual numa única
mesma coisa, porém,
já que são duas, ha- enunciação.
verá duas enunciações
distintas. Um único e
mesmo sujeito pode Na tira, há a preguiça de Garfield diante da provocação
repetir várias vezes a
do rato, correndo de um lado para o outro, a sua frente.
mesma coisa, haverá
um número distinto de Igualmente se vê a indiferença do gato diante da pergunta
enunciações no tempo
do homem: “Você não teria mais chances de pegar o rato se
e no espaço. A enuncia-
ção é um acontecimen- você fosse correr atrás dele?”
to que não se repete,
A absoluta imobilidade do gato nos três quadros é
tem uma singularidade
situada e datada que negada pela rápida resposta “pensada” por ele, firmando
não se pode reduzir
a imagem de Garfield como um sujeito esperto, dotado
(FOUCAULT, 1995).
de inteligência tão célere e tão rápida, que lhe dá o direito
de poder e saber debochar do homem. O gato é, então, o
destinatário que não partilha com o locutor os valores
da importância do trabalho, da necessidade do exercício
físico, da obrigação de se sentir útil etc. A resposta do gato
desconstrói a ordem prevista, isto é, a ideologia de que a
preguiça é algo desprezível.
Também entra em conflito com formações ideológicas
que preconizam sobre a necessidade do trabalho como uma
imposição divina:

No suor de teu rosto comerás o teu pão,


até que te tornes à terra [...] (Ge, 1, 19).

Garfield assume sua preguiça tranquilamente e vence


o embate conversacional com o homem.
Sugiro que leve seus alunos a uma produção
textual no gênero história em quadrinhos, o que eles farão
criativamente. Explique a eles os diversos tipos de balões.

28 Letras Vernáculas EAD


As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

Você encontrará em muitos sites exemplos de balões, que


poderá estudar com seus alunos, mostrando as diversas
significações deles.

sites

<http://www.divertudo.com.br/quadrinhos/quadrinhos-txt.html>;

<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=6799>;

<http://wiki.laptop.org/go/Atividade:_Hist%C3%B3ria_em_
Quadrinhos>;

<http://jornale.com.br/esquadrinhando/2009/04/22/
caracteristicas-dos-quadrinhos-baloes-parte-2/>.

Há muitos outros sites... Pesquise!

leitura recomendada

GLOSSÁRIO DE TERMOS DA ANÁLISE DO DISCURSO. Disponível


em: <http://www.discurso.ufrgs.br/glossario.html>.

FERREIRA, Maria Cristina Leandro. O quadro atual da Análise


de Discurso no Brasil. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/re-
vistaletras/artigos_r27/revista27_3.pdf>.

MAINGUENEAU, Dominique. Novas Tendências em Análise do


Discurso. 2. ed. Tradução de Freda Indursky. Campinas: Pon-
tes; UNICAMP, 1993.

MAINGUENEAU, Dominique. Análise de Textos de Comunica-


ção. Tradução de Cecília P. de Souza-e-Silva; Décio Rocha. São
Paulo: Cortez, 2001.

MAINGUENEAU, Dominique. Análise do Discurso: uma entrevista


com Dominique Maingueneau. Revista Virtual de Estudos da
Linguagem -ReVEL. Vol. 4, n. 6, março de 2006. Tradução de
Gabriel de Ávila Othero. Disponível em: <www.revel.inf.br>.

ORLANDI, Eni. Análise de discurso: Princípios e Procedimen-


tos. Campinas: Pontes, 1999.

<http://letrasuspdownload.wordpress.com/category/domini-
que-maingueneau/>

<http://www.cpelin.org/estudosdalinguagem/n1jun2005/arti-
gos/orlandi.pdf>

UESC Módulo 3 I Volume 5 29


Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

3 CONCLUSÕES

Fiz apenas algumas análises e tentei mostrar como os


diversos gêneros do discurso, se levados para a sala de aula,
tornarão as aulas de Língua Portuguesa mais próximas da
realidade do aluno, no que diz respeito à leitura de mundo e
de produção textual. Procure discutir com seus alunos sobre
as atitudes dos personagens, levando-os a refletir sobre os
sentidos do texto em seu posicionamento dentro de uma
formação ideológica, isto é, considerando os contextos
histórico-sociais em que foram produzidos os diversos
textos, e suas finalidades comunicativas.

ATIVIDADE
ATIVIDADE

Organize uma aula e/ou oficina para uma turma do


Ensino Fundamental II. Explore os níveis de compreensão,
o desenvolvimento de estratégias de leitura e a produção
de sentidos e os elementos não verbais como imagens,
diferentes estilos das fontes.
Em seguida, discuta com o(a) tutor(a) e seus colegas
os pontos que você abordou e quais outros poderiam ter
sido estudados.

RESUMINDO
RESUMINDO

Neste Seminário, você estudou novas possibilidades


de análise de textos, utilizando a Análise do Discurso, de
orientação francesa.

30 Letras Vernáculas EAD


As condições sociais de produção do discurso e análise discursiva de textos didático-pedagógicos

REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS
CASA NOVA, Vera. Lições de Almanaque: um estudo
semiótico. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996.

CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Mídias. Tradução


de Angela M. S. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2006.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução


de Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 1995.

HENRY, Paul. Os fundamentos teóricos da ‘Análise do


discurso’ de Michel Pêcheux (1969). In: GADET, Françoise
e HAK, Tony (Orgs.). Por uma análise automática do
discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. 2. ed.
Trad. Bethania S. Mariani et al. Campinas: UNICAMP, 1990.
p. 13-38.

KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins


Fontes, 1985.

KLEIMAN, Ângela. Texto-leitor: aspectos cognitivos da


leitura. São Paulo: Pontes, 1989.

KLEIMAN, Ângela. Abordagens da Leitura. SCRIPTA,


Belo Horizonte, v. 7, n. 14, p. 13-22, 1º sem 2004.
Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/16644930/
KLEIMANABAbordagensdaleitura>.

MALUF, Marina; MOTT, Maria Lúcia. Recônditos do Mundo


Feminino. In: SEVCENKO, Nicolau (Org.). História da
Vida Privada no Brasil – República: da Belle époque à Era do
Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. Vol. 3.

UESC Módulo 3 I Volume 5 31


Seminário temático interdisciplinar III - discurso e ensino

ORLANDI, Eni. Discurso e Leitura. 3. ed. São Paulo:


Cortez; Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso: uma crítica à


afirmação do óbvio. 2 ed. Campinas: Editora da Unicamp,
1995.

PÊCHEUX, Michel. Análise Automática do Discurso


(AAD-69). Tradução de E. P. Orlandi. In: GADET, F.;
HAK, T. Por uma Análise Automática do Discurso: uma
introdução à obra de M. Pêcheux. Campinas: Editora da
Unicamp, 1993, p. 61-105.

PÊCHEUX, Michel. A Análise do Discurso: três épocas.


Tradução de J. de A. Romualdo. In: GADET, F.; HAK. T.
Por uma Análise Automática do Discurso: uma introdução
à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Editora da Unicamp,
1997, p. 311-320.

SOULAGES, Jean-Claude. Discurso e Mensagens


Publicitárias. In: CARNEIRO, Agostinho Dias (Org.). O
discurso da mídia. Tradução de Maria Luiza Ramiarina; Laís
Vilanova. Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 1996. p. 142-
154.

32 Letras Vernáculas EAD


Suas anotações

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