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Armando Rezende Neto

Coordenador do Curso de Psicologia


Universidade Paulistana – UniPaulistana
Formulação de Caso
A Formulação de Caso

 É uma teoria sobre o paciente.

 Ajuda o terapeuta a criar um plano de tratamento.

 Busca relacionar as dificuldades que ele apresenta


no momento de forma clara e significativa.
 Procura compreender como o indivíduo
desenvolveu e mantém tais dificuldades,

 Especifica quais os eventos da vida ativaram


crenças para produzir os sintomas e

 Especifica os problemas que o paciente está


experimentando.
A Formulação de Caso
 Tenta fazer uma previsão de como ele
provavelmente se comportará no futuro diante de
determinadas condições.

 Finalmente permite, através de uma visão ampla


do funcionamento do cliente, planejar
intervenções que possibilitem as mudanças
necessárias e desejadas.
 A formulação permite o estabelecimento de
uma relação terapêutica positiva e uma
maior adesão dele ao tratamento.

 Sem a formulação a terapia torna-se vaga e


imprecisa, sem saber exatamente para que e
para onde se direcionar.
Por que a formulação é fundamental?

 Quando há uma boa compreensão do


fenômeno que está sendo apresentado,
torna-se muito mais fácil o planejamento de
estratégias para atingir determinados
objetivos.
 Somente através de uma boa formulação ou
problemas trazidos para terapia, é que se
podem planejar procedimentos efetivos para
alcançar as mudanças desejadas, e
consequentemente ficará mais fácil escolher
as técnicas ou intervenções.
Por que a formulação é fundamental?

Uma boa compreensão dos fatores que


causam e/ou mantêm distúrbios
psicológicos, depende do planejamento de
intervenções clínicas efetivas e
individualizadas para cada sujeito.
Como desenvolver uma formulação
cognitivo-comportamental

Nas entrevistas iniciais o terapeuta deve


buscar responder as seguintes perguntas:

 Quais são os problemas atuais?

 Como eles se desenvolveram? Como eles são


mantidos?
 Que pensamentos e crenças disfuncionais
estão associadas a essas situações?

 Quais são as emoções e comportamentos


relacionados a estes pensamentos?
Como desenvolver uma formulação
cognitivo-comportamental

 Que experiências passadas contribuem para


este problema atual?

 Que regras e suposições são subjacentes ao


pensamento?
 Que estratégias cognitivas, afetivas e
comportamentais tem sido utilizadas para
lidar com as crenças?

 Que eventos estressores contribuíram para


o surgimento do problema?
Diagrama de Conceituação Cognitiva
(Beck, 1997)

 É uma forma resumida de formulação.

 Mapa Cognitivo da psicopatologia do paciente.

 De fácil compreensão para o terapeuta e paciente.


 Ajuda a organizar o aglomerado de dados
coletados;

 Retrata entre outras coisas, a relação entre as


crenças centrais, intermediárias e os
pensamentos automáticos atuais.
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Paciente:_____________________________________________Data__/__/__
Diagnóstico: Eixo I:______________________________Eixo II:____________________

Dados Relevantes da Infância


Que experiências contribuiriam para o desenvolvimento e manutenção
da crença central?

Crença Central
Qual é a crença mais central sobre si mesmo?

Crenças Intermediárias: Atitudes /Regras / Suposições Condicionais


Qual a atitude que ajudou a lidar com essa crença?
Quais as regras que você adquiriu a partir dessa crença?
Que suposição positiva a ajudou a lidar com essa crença central?
Qual a suposição negativa a ajudou a lidar com essa crença central?

Estratégias Compensatórias
Que comportamentos o ajudam a lidar com essa crença?
Situação
Qual foi a situação problemática?

Pensamento Automático
O que passou por sua cabeça?

Emoção
Que emoção esteve associada ao pensamento automático?

Comportamento
O que o paciente fez então?
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Paciente:_____________________________________________Data__/__/__
Diagnóstico: Eixo I: Depressão Maior Eixo II:____________________

Dados Relevantes da Infância


Mãe o comparava com o irmão mais velho
Mãe crítica, Pai ausente

Crença Central
Eu sou incapaz

Crenças Intermediárias: Atitudes / Regras /Suposições Condicionais


É terrível ser incapaz
Tenho que acertar sempre
(positiva) Quando eu trabalho muito arduamente, eu posso fazer as coisas bem.
(negativa) Se eu não sou perfeito, então é por que falhei.

Estratégias Compensatórias
Desenvolver padrões altos/ Procurar falhas e corrigi-las
Trabalhar muito arduamente
Evitar pedir ajuda/ Preparar-se bem

Situação
Pensando sobre as exigências do curso

Pensamento Automático
“Eu não serei capaz de fazer a pesquisa”

Emoção
Tristeza

Comportamento
Chorei
DIAGRAMA DE CONCEITUAÇÃO COGNITIVA
Diagnóstico: Eixo I: Fobia Social Dados relevantes da infância
Mãe rígida, 11 irmãos (5 deles são tímidos), não tinha contato com outras crianças, humilhação por ser negro,
abandono da escola na 5ª série.

Crença Central
“As pessoas são preconceituosas” / “O mundo é injusto” / “Eu sou incapaz” “Eu sou inadequado”

Suposições Condicionais / Crenças / Regras


“É horrível viver num mundo injusto” “Tenho que ficar alerta pois as pessoas me acusaram de algo ruim”
“Se eu falo em público, posso passar uma vergonha” / “Se eu não falo, evito passar uma vergonha”

Estratégia Compensatória
Hipervigilância; Evita olhar nos olhos das pessoas, Evita falar em público; Evita locais mais sofisticados,
dependência da esposa.

Numa palestra em SSA, tendo que Fui barrado na portaria do Na rua, todo mundo foi convidado p
representar a pastoral clube quando era aniversário de 15 anos, menos eu
pequeno
Pensamento Automático1: Pensamento Automático 2: Pensamento Automático 3:
“Todo mundo está olhando p mim” “Eu sou um lixo” “ela não me convidou por que sou
“ vou errar” negro”
Emoção 1: Emoção 2: Emoção 3:
Ansiedade (100%) Tristeza (90%) Tristeza (90%)

Comportamento 1: Comportamento 2: Comportamento 3:


Comecei a gaguejar e não consegui Voltou chorando para casa Ficava constrangido ao encontrá-la
concluir a fala
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Diagnóstico: Eixo I: Pânico Dados Relevantes da Infância
Conflitos com irmãos / Pai, irmãos e tios dependentes do álcool / Irmã com doença mental (medo intenso) /
Casamento aos 15 anos / Abandono do marido quando estava grávida / Casamento com homem alcoolista / 7
filhos aos 30 anos.
Crença Central
“Os homens são perigosos” / “O mundo é muito perigoso” / “Eu sou incapaz”
Suposições Condicionais / Crenças / Regras
“É terrível viver num mundo perigoso ” / “Tenho que ficar alerta para não ter uma nova crise”
“Se eu bebo, então o meu medo diminui” / “Se eu bebo, então eu consigo dormir”
“Se eu não tivesse viajado, minha mãe estava viva”
Estratégia Compensatória
Hipervigilância; Evitação de velórios e enterros; Evita a televisão quando passa cenas de morte.
Situação 1: Situação 2: Situação 3:
Em casa sozinha começa a sentir Limpando a estante, se sente Lavando a roupa no tanque, começa
falta de ar tonta a suar

Pensamento Automático1: Pensamento Automático 2: Pensamento Automático 3:

Vou morrer aqui e ninguém vai Vou desmaiar (100%) Vou morrer (100%)
achar o meu corpo

Emoção 1: Emoção 2: Emoção 3:


Ansiedade (100%) Ansiedade (90%) Ansiedade (90%)
(Tontura, hiperventilação) Asfixia e tontura (Tontura e Sudorese)
Comportamento 1: Comportamento 2: Comportamento 3:
Sai correndo para a rua e senta na Senta no chão para não cair Sai correndo e chama as filhas pra
calçada perto
MODELO PERSONS
Possui cinco componentes:

1. Lista de problemas

2. Diagnóstico

3. Hipótese de trabalho
4. Pontos fortes e recursos

5. Plano de tratamento.
CONSIDERAÇÕES
 Uma vez estruturada a formulação, é importante
ressaltar que ela não é fechada.

 Ela será vista e revista ao longo da terapia.

 O paciente é convidado a comentar, avaliar,


confirmar ou refutar os aspectos da formulação.
 Ela é uma hipótese sobre o paciente e não a
verdade absoluta.

 O terapeuta deve preferencialmente discutir


suas hipóteses sempre com o paciente,
tentando validá-las ou não.
REFERÊNCIAS

 Araújo, C.F.; Shinohara, H. Avaliação e Diagnóstico em Terapia


Cognitivo-Comportamental. Interação em Psicologia, 2002. v.6.
n.1 p.37-43 Disponível
em:<http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/vie
wFile/3191/2554> Acesso em: 08 Jul 2009.

 Beck, J. Terapia Cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre:


Artmed, 1997.

 DSM IV – TR. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos


Mentais (4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
arezendeneto@gmail.com