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issn 0874 - 7431 revista da secção regional do norte da ordem dos médicos · janeiro - março 2016 · ano 18 – n.

n.º 1 | € 5.00

66 trimestr al

em destaque

II Congresso
SNS: Património de Todos
Lançamento do livro “Porto Saúde - Momento e
Movimento” foi um dos pontos altos do evento

Dignidade no fim da vida


SRNOM promoveu a discussão de temas
polémicos entre a classe médica

prémio
banco carregosa / srnom
Investigação clínica tem um novo galardão

6.º ciclo de jazz


O melhor do jazz nacional na Casa do Médico

«porto revisitado»
Visitas guiadas para desvendar segredos
de Matosinhos, Gaia e Porto
SECÇÃO REGIONAL DO NORTE DA ORDEM DOS MÉDICOS

eventos à medida
No centro da cidade do Porto encontra um de formação, jantares ou espetáculos. Para as
espaço privilegiado para organizar o seu evento. diferentes valências dispõe de um auditório
A Ordem dos Médicos – Secção Regional do com capacidade para 300 lugares, de um vasto
Norte tem à sua disposição um moderno Centro conjunto de pequenos auditórios e salas de
de Cultura e Congressos, composto por espaços reunião, de uma galeria polivalente, de um bar
CENTRO
multifuncionais, equipamentos de última e área lounge e de um complexo residencial. DE CULTURA E
CONGRESSOS
geração e serviços premium diversificados, que No exterior, além dos belíssimos espaços
garantem total cobertura das suas necessidades. verdes, piscina e dois campos de ténis, dispõe
Rodeado por uma atmosfera bucólica e singular, de parque de estacionamento, zonas de lazer e
o Centro de Cultura e Congressos garante um bar/restaurante no edifício sede.
uma rara tranquilidade e privacidade a quem o Mais do que um espaço físico de excelência, o
visita. Situada junto ao Jardim d’Arca de Água, Centro de Cultura e Congressos distingue-se
a infraestrutura reúne óptimas condições para como um equipamento multifacetado e apto a
acolher os mais variados tipos de eventos: acolher o seu evento.
congressos, conferências, exposições, acções Venha conhecê-lo.

Ordem Dos Médicos


secção regional do norte
Centro de Cultura e Congressos
Rua Delfim Maia, 405 tel. 22 507 01 00 email: centroculturacongessos@nortemedico.pt
4200-256 PORTO fax 22 507 01 99 www.nortemedico.pt
nortemédico 66 | revista da secção regional do norte da ordem dos médicos · janeiro - março 2016 · ano 18 – n.º 1

nm 66| sumário:

www.miguelguimaraes.eu www.nortemedico.pt
74
Porto Revisitado
O sucesso das visitas guiadas

46
realizadas em 2015 motivou a
continuação desta iniciativa,
que mensalmente leva dezenas
de pessoas, conduzidas

6
pela historiador Joel Cleto, à
descoberta da história, lendas
Prémio Banco e recantos do Porto e áreas
limítrofes. pág. 74
Carregosa / SRNOM
Com a finalidade de apoiar
e incentivar a investigação
científica na área clínica em
Portugal, a Secção Regional do
Norte da Ordem dos Médicos

23
associou-se ao Banco Carregosa,
II Congresso “SNS: uma prestigiada instituição
financeira sedeada no Porto,
Património de Todos” para a criação de uma nova
A Fundação para a Saúde – Serviço distinção. O Prémio Banco
Nacional de Saúde promoveu, no Carregosa / SRNOM tem o
“Dignidade no valor global de 25 mil euros e

88
Porto, nos dias 18 e 19 de Março, o
destina-se a reconhecer o mérito
II Congresso “SNS: Património de fim da vida” e galardoar pessoas singulares
Todos”. “Europa e Saúde”, “Capital
Humano e SNS” e “Cidadania e Atenta à discussão pública ou colectivas pelo trabalho
Saúde” foram alguns dos temas desencadeada pelo “Manifesto realizado em investigação
desenvolvidos, num evento onde em Defesa da Despenalização clínica. pág. 46
também foram homenageados da Morte Assistida”, promovido
Paulo Mendo e Maria do Céu Costa pelo movimento cívico “Direito 6.º Ciclo de Jazz
Leite, e apresentado o livro “Porto a Morrer com Dignidade” e
O Jazz regressou à SRNOM
Saúde – Momento e Movimento”. que foi subscrito por mais de
com nomes sonantes da cena
A SRNOM acolheu, no dia 17, uma cem personalidades de vários
jazzística nacional. O novo ciclo
sessão pré-Congresso intitulada quadrantes da sociedade
abriu em Fevereiro e prolonga-se
“Reforma do SNS – Situação portuguesa, a SRNOM suscitou
até Maio, com várias sessões a
actual”, cujas conclusões foram o debate entre a classe médica.
não perder. pág. 88
depois apresentadas no Congresso “Dignidade no fim da vida” foi o
pelo presidente do CRNOM, tema geral da sessão realizada
Miguel Guimarães. pág. 6 na SRNOM, onde questões como
eutanásia, distanásia e suicídio
medicamente assistido estiveram
em discussão. pág. 23
2
04 Editorial NOTÍCIAS
Miguel Guimarães,
Presidente do CRNOM

Destaque
06 II Congresso “SNS:
Património de Todos”
Reforma do SNS, Europa e Saúde,
Capital Humano e SNS e Cidadania 42 Tratamento cirúrgico urgente
e Saúde foram os principais temas
do Acidente Vascular Cerebral
tratados. O evento ficou marcado
pela apresentação do livro “Porto Conferência-debate resultou de uma

66
Saúde – Momento e Movimento” parceria da SRNOM com a APEGSAÚDE

23 «Dignidade no fim da vida»


SRNOM promoveu um debate
para discussão de temas como
eutanásia, distanásia e suicídio
medicamente assistido

Revista da TRIBUNA DO CRN


Secção Regional do Norte 44 14.º Congresso Nacional
da Ordem dos Médicos de Bioética
janeiro - março 2016 Evento marcado pela reflexão em torno
ano 18 - nº 1 dos cuidados paliativos pediátricos

director
Miguel Guimarães
editores 29 Formação pós-graduada de
Daniel Serrão qualidade é um pilar fulcral para
Joana Neto a sustentabilidade do SNS
José Pedro Moreira da Silva
Nota do Presidente do CRNOM
conselho editorial 46 Prémio Banco Carregosa / SRNOM
Alberto Pinto Hespanhol 30 «Falta de médicos: mito Protocolo que dá origem a
Álvaro Pratas Balhau ou realidade?» uma nova distinção nacional
Anabela Correia Artigo de opinião do Presidente na área da investigação clínica
André Santos Luís do CRNOM no jornal Expresso
António Araújo
foi assinado em fevereiro
António Nelson Rodrigues 31 Numerus clausus nos
António Sarmento Cursos de Medicina
Avelino Fraga Miguel Guimarães comenta a
Caldas Afonso
entrevista ao Expresso do Ministro da
Carlos Mota Cardoso
Dalila Veiga
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Lurdes Gandra 32 Caso Bial
Marcelino Marques da Silva
Nota de Imprensa do CRNOM dá
Margarida Faria
conta da preocupação com eventuais 49 Reunião com a Organización
Martins Soares
Rui Capucho repercussões negativas para a Médica Colegial de España
investigação clínica em Portugal Ordem dos Médicos à procura de
secretariado
estreitar laços de colaboração e
Conceição Silva 33 Declarações da Bastonária
Susana Borges acertar posições comuns com a
da Ordem dos Enfermeiros congénere espanhola. A unificação da
propriedade e administração sobre Eutanásia no SNS representação da classe médica a nível
Secção Regional do Norte da Comunicado do Conselho Nacional
Ordem dos Médicos europeu esteve em cima da mesa.
Executivo da Ordem dos Médicos
Rua Delfim Maia, 405
4200-256 Porto 34 Procedimento de controlo de bens
Telefone 225070100
no IPO do Porto
Telefax 225502547
Presidente do CRNOM elogia a
registo decisão do Ministério da Saúde e do
Inst. da Comunicação Social, n.º 123481 Tribunal Administrativo do Porto
depósito-legal n.º
36 “Acto Médico Esporádico”
145698/08
Informação aos médicos 52 Curso de recepção aos internos
periodicidade
do 1.º ano da formação
Trimestral 37 Orçamento Geral do Estado 2016
Normas relevantes para os médicos
específica em Cirurgia Geral
contribuinte número Iniciativa juntou o Colégio da
500984492 38 Presença da SRNOM na Especialidade de Cirurgia Geral da
tiragem Comunicação Social Ordem dos Médicos à Sociedade
13.500 exemplares Destaque de intervenções sobre Portuguesa de Cirurgia
redacção e design gráfico temas da actualidade, desde a quebra
MEDESIGN – Edições e Design de do sigilo médico para denúncia de
Comunicação, Lda maus tratos, às listas de espera para
Rua Gonçalo Cristóvão, 347 - s/217 consultas de especialidade ou cirurgia
4000-270 Porto
Telefone 222001479 Artigos
medesign@medesign.pt
www.medesign.pt 41 Virtude do Médico
Designer: Nuno Almeida Por Antonieta Dias
impressão
Lidergraf - Artes Gráficas, S.A.
3
86 Exposição de pintura e
escultura de Maria André
Autora deu a conhecer o seu
trabalho na SRNOM


54 Simpósio “Aquém e 70 XXII Curso pós-graduado de
Além do Cérebro” Endocrinologia, Diabetes
Evento promovido pela Fundação e Metabolismo
Bial centrou-se nos efeitos de Iniciativa do CHSJ serviu também
placebo, curas e meditação para homenagear José Luís Medina 87 Exposição MedMotard
72 Jornadas de Actualização Clube médico assinalou o aniversário
Cardiológica do Norte para MGF na SRNOM com uma diversidade
“A Medicina Geral e Familiar é de inciativas: jantar comemorativo,
absolutanente essencial para o SNS”, lançamento de um livro, exposição de
defendeu Miguel Guimarães fotografias e de motos, e até a gravação
de um especial do conhecido programa
73 51.º Convívio Científico CMEP da TSF “Pensamento Cruzado”
Colóquio realizado na SRNOM incidiu
56 Recepção aos Internos de Vila Real sobre a “Medicina da Hipóxia”
Distrito médico deu as boas-vindas
aos Internos do Ano Comum e CULTURA
Internos de especialidade


88 6.º Ciclo de «Jazz na Ordem»
O melhor do jazz nacional na SRNOM.
Projecto MAP e Manuel Beleza Jazz
Terceto estiveram nos primeiros
74 «Porto Revisitado»
58 Recepção aos Internos Da praia ao santuário de Matosinhos», concertos deste novo ciclo
de Viana do Castelo «O castelo de Gaia e a lenda do rei 90 Serões de piano
Internos do Alto Minho foram acolhidos Ramiro» e «Da Torre de Pedro Cem à Anunciam-se para Maio dois recitais
na sede do Conselho Distrital Torre da Marca» foram os primeiros que prometem emoções fortes:
percursos do ano, guiados por Joel Cleto com o português Nuno Cernadas
e a brasileira Silvia Molan
92 Museu do Centro
Hospitalar do Porto
Inaugurado em 2013, este espaço
museológico reúne um espólio que
ilustra os progressos da Medicina e
60 Assembleia Regional da Farmácia nos séculos XIX e XX
Ordinária da SRNOM 78 Serão de Cinema 96 3 discos, 3 livros
Relatório e Contas de 2015 e Fernando Reis Lima foi o convidado As escolhas de Mario Barbosa,
Orçamento para 2016 foram da terceira sessão desta iniciativa director do I3S - Instituto de
aprovados com distinção 79 «Histórias e Factos na Investigação e Inovação em Saúde
vida de um Clínico» da Universidade do Porto
Novo livro de Tavares Fortuna reúne
LEGISLAÇãO
episódios marcantes da vida do autor
80 «Pensamentos e Modos de Dizer»
Dos pensamentos eruditos aos ditados
populares, na nova obra de Licínio Poças

81 «Viagem ao Centro dos Sonhos»
64 Reunião Nacional da AMCP Livro de Maria Manuela Praça foi
Erro Médico foi o tema escrito a pensar nos filhos e netos
central do evento
98 Diplomas mais relevantes
publicados no primeiro
trimestre de 2016
Informação Institucional
101 Actividades no Distrito Médico
de Viana do Castelo

82 «Sinopse»
66 I Congresso da Associação Exposição foi fruto de três workshops 102 Agenda do Centro de
Portuguesa de Ciências Forenses de fotografia no terreno Cultura e Congressos
e IV Congresso sobre Abuso 104 Benefícios Sociais
84 Exposição pintura de José Moreira
e Negligência de Crianças Artista deu a conhecer mais de 60
Pares prestaram homenagem obras e as várias técnicas que domina
a Duarte Nuno Vieira
85 «Braga e os seus Ecos»
68 Código de Ética para Exposição de Miguel Louro assinalou
Estudantes de Medicina os 30 anos de clínica, 40 de
ANEM promove revisão do documento fotografia e 60 de vida do autor
4

Os desafios da Carreira Médica


As carreiras profissionais na Saúde têm sido, desde Carreira Médica na qualidade da formação médica
que foram implementadas, o principal suporte da especializada e na capacidade de resposta assisten-
evolução e nível de qualidade do Serviço Nacional cial. No entanto, apesar da evolução positiva veri-
de Saúde (SNS). ficada nos últimos anos ao nível da investigação e
O Relatório das Carreiras Médicas, aprovado em formação médica contínua, ainda existe um caminho
Assembleia Geral da Ordem dos Médicos em 17 de considerável a percorrer.
Junho de 1961, constituiu um documento essencial A aplicação prática da Carreira Médica, com respeito
que permitiu desenvolver as bases do serviço público pelos seus princípios fundadores, constitui a salva-
de saúde e garantir cuidados de saúde organizados e guarda da estabilidade profissional e dos direitos e
Miguel Guimarães
qualificados a todos os cidadãos, deveres dos médicos. É um pa-
Presidente do CRNOM independentemente do seu nível trimónio do nosso sistema de
económico ou social. O seu re- A Carreira Médica, alicerçada Saúde que deve ser preservado
lator, João Pedro Miller Guerra, e acarinhado.
na existência de concursos
fará sempre parte da nossa me- Mas, desde há vários anos que a
mória como o líder de um grupo públicos, tem sido essencial Carreira Médica tem sido adul-
de médicos visionários que defi- no desenvolvimento técnico terada por incumprimento, com
niram a missão mais nobre para e científico dos médicos particular incidência nos anos
a Saúde no nosso país. mais recentes.
Desde 1982, as Carreiras Médi- que trabalham no SNS, e As consequências resultantes da
cas, negociadas com o Ministério constitui um requisito e contenção da despesa no sector
da Saúde e os Sindicatos Médi- estímulo para um percurso da Saúde estão bem documen-
cos, permitiram plasmar na le- tadas nos relatórios de alguns
de diferenciação profissional,
gislação um conjunto de regras estudos e inquéritos realizados
e princípios que se revelaram marcado por etapas durante 2015.
estruturantes para o sucesso do exigentes, com avaliação Todos apontam, com maior ou
SNS, com implicações positivas interpares e reconhecimento menor gravidade, para uma de-
para a organização dos cuidados gradação significativa das condi-
institucional. Permitiu o
de saúde e para a defesa da dig- ções de trabalho, associada a vá-
nidade e dos direitos dos doen- desenvolvimento de um rias insuficiências e deficiências
tes e dos médicos. sistema de especialização no SNS, com reflexos negativos
A Carreira Médica, alicerçada na e formação pós-graduada na prática médica, na formação
existência de concursos públi- e na qualidade dos cuidados de
cos, tem sido essencial no desen- de sucessivas gerações de saúde. As consequências directas
volvimento técnico e científico médicos, com repercussões para os profissionais de Saúde e
dos médicos que trabalham no comprovadas na qualidade para os doentes ainda estão a ser
SNS, e constitui um requisito e detalhadamente avaliadas, como
dos cuidados de saúde
estímulo para um percurso de é o caso da elevada incidência de
diferenciação profissional, mar- síndrome de exaustão.
cado por etapas exigentes, com avaliação interpares O estudo da socióloga Marianela Ferreira, envol-
e reconhecimento institucional. Permitiu o desenvol- vendo médicos entre os 55 e os 65 anos de idade, de-
vimento de um sistema de especialização e formação monstrou que 99,1% admitia continuar a trabalhar
pós-graduada de sucessivas gerações de médicos, pelo apreço do exercício da actividade e que 78,1%
editorial

com repercussões comprovadas na qualidade dos manifestava vontade de prolongar a sua atividade
cuidados de saúde e refletidos em vários indicadores profissional. Um sinal de esperança.
de saúde populacionais, como tem sido evidenciado Mas, a verdade dos factos é preocupante e deixa al-
pelos relatórios anuais da OCDE. gumas pistas para os desafios que temos de enfrentar.
É amplamente reconhecido o valor insubstituível da Desde 2011, milhares de médicos optaram pela apo-
5

sentação antecipada. Centenas optaram por emigrar. em todas as etapas existentes, com observância das
Outros tantos optaram por trabalhar apenas no sec- posições remuneratórias nas categorias.
tor privado. Em que os graus de qualificação sejam equivalentes
Dados publicados em 2011 pela Federação Europeia em número às categorias profissionais. A progressão
de Médicos Assalariados (FEMS) mostraram que Por- na Carreira não deve estar apenas dependente da
tugal é um dos países da Europa em que os médicos existência de vagas (acesso a categorias) mas da qua-
têm salários mais baixos. E a despesa pública com a lidade do currículo demonstrada em provas públicas.
Saúde (orçamento de Estado) representou, em 2015, Em que as condições de trabalho sejam especifica-
apenas 5,9% do PIB. mente salvaguardadas e consagradas,
O que mudou então para de acordo com a legislação existente
que, desde 2011, tantos mé- ou a produzir.
dicos tenham decidido traba- Hoje os desafios principais Em que seja possível optar por um
lhar fora do SNS? regime de dedicação permanente ou
centram-se no investimento
A desqualificação e a forma exclusiva, devidamente remunerado.
como muitos médicos foram na Saúde e nas pessoas. Em que os conflitos de interesse se-
e são tratados pela tutela, a Nesta medida, a valorização jam eliminados e as incompatibilida-
constante degradação das plena da Carreira Médica des objectivamente determinadas.
condições de trabalho, o au- Em que o mérito e a transparência
mento da pressão na relação pode, mais uma vez, sejam devidamente consagrados
médico-doente, os sucessi- constituir o motor da para acesso a cargos de direcção.
vos cortes salariais, a imposi- mudança necessária. Em que seja objectivamente possí-
ção de sistemas informáticos vel garantir a humanização da Me-
Uma Carreira que sirva os
disfuncionais, o aumento dicina, a formação médica nas suas
dos casos de violência con- interesses dos doentes e diferentes facetas, o ensino médico,
tra profissionais de saúde, as dos médicos. Que contribua a investigação e o desenvolvimento
constantes transformações para diminuir o erro em profissional contínuo.
legislativas no que respeita Em que exista equidade na aplica-
Saúde, nos sectores público
ao acesso à aposentação e o ção das regras definidas e em que as
incumprimento na aplica- e privado. Centrada na dúvidas que possam subsistir sejam
ção prática e transparente da qualidade e no mérito, sem esclarecidas de forma clara.
Carreira Médica, ajudam a excluir a capacidade de O futuro do SNS depende do re-
explicar a maioria daquelas
decisões. liderança e de gestão. forço e vitalidade da Carreira Mé-
dica. Uma causa que todos nós não
Hoje os desafios principais
podemos ignorar.
centram-se no investimento
na Saúde e nas pessoas. Miguel Guimarães n
Nesta medida, a valorização plena da Carreira Mé-
dica pode, mais uma vez, constituir o motor da mu-
dança necessária.
Uma Carreira que sirva os interesses dos doentes e
dos médicos. Que contribua para diminuir o erro em
Saúde, nos sectores público e privado. Centrada na
qualidade e no mérito, sem excluir a capacidade de
liderança e de gestão.
Em que a prestação de provas públicas (concursos)
seja regular, atempada e transparente, permitindo a
progressão profissional sem atrasos nem atropelos,
6 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

O
Porto foi a cidade
escolhida para acolher
o II Congresso “SNS:
Património de Todos”, uma
organização da Fundação para a
Saúde – SNS e que contou com a
colaboração da Secção Regional
do Norte da Ordem dos Médicos
(SRNOM). Precisamente na
SRNOM, teve lugar a 17 de Março o
primeiro momento desta grande
jornada de reflexão, com um
debate pré-Congresso sobre a
reforma do sistema nacional de
saúde, que recolheu contributos
de várias personalidades com
intervenção reconhecida no sector.
Nos dias 18 e 19, já no Teatro Rivoli,
o programa do Congresso tocou em
vários pontos estruturantes para
o SNS: a Europa e as implicações
decorrentes do projecto de
integração; o Capital Humano
e os recursos indispensáveis

II Congresso
ao funcionamento do sistema;
e, finalmente, a Cidadania e a

SNS:
responsabilidade individual dos
cidadãos em relação à sua Saúde.
Este II Congresso ficou ainda

Património
marcado pela apresentação do
livro “Porto Saúde – Momento
e Movimento”, uma original

de todos
compilação de testemunhos
Texto Inês Ferreira / Nelson Soares › Fotografia Digireport

sobre a vida na cidade e que


contou com a participação de
Miguel Guimarães, presidente
do Conselho Regional do Norte
da Ordem dos Médicos, e pela
homenagem ao médico Paulo
Mendo e à enfermeira Maria do
Céu Costa Leite.
Secção Regional do Norte
ORDEM DOS MÉDICOS
7

Debate
pré-congresso
Reforma
do SNS –
Situação
actual
Parceira na organização
do II Congresso “SNS:
Património de Todos”, a
Secção Regional do Norte
da Ordem dos Médicos
(SRNOM) acolheu, no dia
17 de Março, uma sessão
prévia dedicada à reforma
do Serviço Nacional
de Saúde – Situação
actual. O debate ficou
marcado pela intenção
do Governo de introduzir
o princípio da liberdade
de escolha no SNS, mas
tocou noutros aspectos
como o financiamento e a
política do medicamento.
A reforma dos cuidados
de saúde primários foi
apresentada como o melhor
exemplo de reforma que
o sector público conheceu
nos últimos anos.

Liberdade de escolha e as
equações difíceis do SNS

Liberdade de escolha. Foi por aqui


que começou a sessão preliminar
do II Congresso “SNS: Património
de Todos”, realizada no auditório da
SRNOM e que contou com a participa-
ção de vários protagonistas do sector
da política de saúde em Portugal: Ber-
nardo Vilas Boas, Eurico Castro Alves, Humberto
Martins, João Paulo Carvalho, Manuel Pizarro, Mi-
guel Guimarães e Silvério Cordeiro.
Sobre o tema de abertura, coube a Eurico Castro
Alves a primeira intervenção da noite, tendo-se
mostrado claramente favorável a uma introdução
8 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

adaptar e ‘pedalar’ um pouco mais para se tornarem


mais competitivos”.
Desafiado a comentar a liberdade de escolha, Ber-
nardo Vilas Boas puxou a brasa à sua sardinha, con-
siderando que, também nesta matéria, a prioridade
do sistema deve passar por “dar poder aos cuidados
de saúde primários”, para “evitar que as pessoas
cheguem ao hospital”. Admitindo “vantagens e ris-
cos” no modelo da livre escolha, o ex-presidente
da Associação Nacional das USF acrescentou que
uma reforma a este nível
deve ser acompanhada de
“um maior investimento”
e de “uma referenciação
responsável”.
Já Manuel Pizarro – actual
vereador da Câmara Muni-
cipal do Porto e ex-secretá-
rio de Estado Adjunto e da
Saúde – mostrou-se céptico
relativamente a um modelo
aberto e de livre concorrên-
cia. Para o autarca, “não se
pode partir da ideia que a
Saúde é um mercado como
outro qualquer”, recor-
dando o “risco de indução
da procura” que economis-
tas como Michael Porter há
muito identificaram no sec-
tor. “A absoluta liberdade de
escolha pode dar satisfação
progressiva de um princípio que, comentou, ao doente, mas daí a me-
decorre de uma “lei geral da Economia”: “o lhorar o nível de saúde da
utilizador poder escolher o prestador do população vai uma grande
serviço”. Apologista da livre escolha “desde distância”, acrescentou. De
os bancos da faculdade”, o ex-presidente resto, Manuel Pizarro disse
do Infarmed apontou, no entanto, para o entender que a intenção do
facto de se tratar de um modelo que exige actual Ministério da Saúde
“uma grande responsabilização” de todos não passa por colocar hos-
os intervenientes, incluindo os doentes. pitais a concorrer entre si,
Presidente da Secção Regional do Norte da mas sim em permitir que os
Ordem dos Enfermeiros, João Paulo Carva- utentes não sejam discrimi-
lho não respondeu directamente à questão nados por um determinado
colocada pela moderadora, mas mostrou-se hospital, apenas por não ser
“expectante”, não apenas em relação ao re- o da sua área de residência.
cente compromisso de dar opção de escolha “Foi o que a lei portuguesa
aos doentes do SNS, como em relação ao sempre defendeu: que o
trabalho geral do novo Governo: “As coisas doente se desloque ao sítio
estão a ser feitas com um intuito positivo que lhe é mais cómodo. Só
e vamos aguardar, com calma, pelos primeiros re- recentemente é que vimos hospitais rejeitarem do-
sultados”. Já o presidente do Conselho Regional do entes que não sejam da sua zona de referenciação”,
Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), Miguel sentenciou.
Guimarães, não discordando de “dar poder ao ci-
dadão para decidir”, considerou que este modelo só Política do medicamento
pode ser consequente se houver informação clínica Moderado por Paula Rebelo, conhecida jornalista
relevante para suportar a escolha. “Os hospitais da RTP na área da Saúde, o debate focou outros
têm que publicar os resultados em termos de eficá- temas relevantes para o SNS, como a política do me-
cia e complicações, permitindo que o doente tome dicamento e o acesso à inovação terapêutica. Hum-
uma decisão informada”, observou, considerando berto Martins, dirigente da Associação Nacional
que “se a concorrência dentro do SNS funcionar, de Farmácias, fez um balanço negativo dos últimos
os serviços que estiverem menos bem terão que se anos no sector, recordando que este “contribuiu
9

com 60% de toda a factura indispensável para manutenção dos equipamentos”,


do ajustamento” levado a sugeriu Silvério Cordeiro.
cabo pelo anterior Governo. O financiamento do SNS esteve também na mira do
Face a este emagrecimento, presidente do CRNOM. Miguel Guimarães conside-
o especialista admite não rou “impossível” resolver os problemas estruturais
ser “expectável haver muitos do sistema sem haver maior investimento público,
mais recursos” num futuro recordando que “existe margem” para o efeito, uma
próximo, o que vai obrigar a vez que “gastamos apenas cerca de 6% do PIB” no
indústria a reposicionar-se: serviço público. “Infelizmente não é o que parece
“Vai melhorar a inovação estar a acontecer com o novo Ministério, porque o
técnica, a eficiência e racio- orçamento deste ano é mais ou menos semelhante
nalidade no investimento re- ao último orçamento de Paulo Macedo, se descon-
alizado”. “É uma equação di- tarmos o valor das reposições salariais”, observou.
fícil, mas é um desafio com O dirigente chamou também a atenção para “o claro
o qual vamos ter de lidar”, défice de capital humano” que existe no SNS, não
concluiu. apenas de médicos, mas também de enfermeiros,
Sobre o acesso a terapêuticas assistentes operacionais e assistentes técnicos, o que
inovadoras, Eurico Castro acentua a necessidade de reforçar o financiamento.
Alves, que presidiu ao Infar-
med entre 2012 e 2015, as- Cuidados primários: modelo a seguir
sumiu ter aprendido muito Remetendo para o título do debate – a ‘Reforma do
com as negociações para a SNS’ – Miguel Guimarães considerou que há “muito
compra do medicamento da a aprender com o trabalho feito nos cuidados de
Hepatite C e garantiu que saúde primários”, tomando como exemplo o mo-
“há outros casos” semelhan- delo de contratualização realizado nas USF. “Não
tes, de fármacos com grande conheço outros serviços a nível hospitalar em que
eficácia, mas com um preço o director negoceie objectivos com os seus profis-
difícil de comportar para o sionais”, enunciou o presidente do CRNOM, numa
Estado. “Os governos vão afirmação mais tarde secundada por Bernardo Vilas
ter de discutir quanto é que Boas: “Quem discute e define as metas a atingir
as pessoas estão dispostas a pelas equipas é o Conselho Geral, onde estão re-
pagar para obter diferentes presentados todos os profissionais de saúde. Onde
tratamentos”, sublinhou o é que isto existe nos hospitais?”. De resto, o ex-pre-
antigo responsável pela au- sidente da USF-AN fez várias referências aos resul-
toridade do medicamento, tados obtidos com a reforma dos cuidados de saúde
confidenciando que exis- primários, recordando, por exemplo, que em 2001 o
tem soluções à espera de nível de satisfação dos utentes dos centros de saúde
autorização para entrar no estava nos 49,1% e, em 2015, já no novo modelo, o
mercado “verdadeiramente valor subiu para os 79,5%. “Trouxemos mudança e
disruptivas”. Por outro lado, satisfação ao utente, melhorando o SNS. Esta parte
Castro Alves referiu que há áreas que vão “depen- da reforma já está feita”, destacou o representante.
dendo muito da nossa criatividade” e que “nem Na conclusão do debate, Constantino Sakellarides
tudo se resolve apenas investindo dinheiro público usou precisamente o “bom exemplo” das USF como
no sistema”. metodologia a adoptar em todo o sistema público de
saúde: “interpretar resultados, partilhar e aprender
Subfinanciamento com eles”. Para o presidente da Fundação para a
Em matéria de administração hospitalar, Silvério Saúde, e mentor deste Congresso, a “única opção”
Cordeiro identificou dificuldades de financiamento, para que o SNS evolua – e contrarie “o problema
com redução constante das dotações orçamentais muito sério” que constitui o subfinanciamento – é
desde 2010. “Os custos não suportados pelas recei- “fazer melhor com os recursos disponíveis”.
tas, compaginado com a insustentabilidade técnica
de muitos dos equipamentos, torna as coisas muito
difíceis”, acentuou o presidente do Conselho de SNS: Património de todos
Administração do Centro Hospitalar de Vila Nova
de Gaia/Espinho. Perante estes constrangimentos, o
administrador entende que o Governo e as Comis-
sões de Coordenação Regional deveriam ponderar
Porto Canal [17/03/2016]
uma reprogramação dos fundos estruturais previs- O presidente do CRNOM,
tos no Portugal 2020, que neste momento, frisou, Miguel Guimarães, esteve presente no programa
“têm apenas 1% do seu montante dedicado ao sector “Mundo Local” do Porto Canal onde fez a antevisão de
alguns dos principais temas que estiveram em aná-
da Saúde”. “Uma linha de financiamento autónomo lise no II Congresso “SNS: Património de Todos”.
para os hospitais poderia cobrir o investimento https://vimeo.com/159369201
10 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

No segundo dia de trabalhos que a Saúde não é um “mercado”, no


do II Congresso SNS: sentido comum do termo. Isto é, pela sua
especificidade, não pode ser considerado
Património de Todos, coube como um sector de livre concorrência,
ao presidente do Conselho devido ao risco associado da indução da
Regional do Norte da procura. No limite, a liberdade de escolha
II Congresso Ordem dos Médicos, Miguel pode representar uma maior satisfação do
utente, mas não uma melhoria do nível geral
SNS: Guimarães, apresentar de saúde da população. Nesse sentido, parece
Património as conclusões do debate prudente e razoável circunscrever o conceito
“Reforma do SNS - Situação ao SNS com regras e indicadores que
de Todos actual”, realizado na véspera, permitam regular e auditar o sistema.

na SRNOM. n Foi elogiada a postura mais aberta e


dialogante do actual Ministério da Saúde,
que contribui para recuperar a confiança dos
cidadãos no SNS e devolver aos profissionais
de saúde a esperança num futuro melhor.
Conclusões do debate Não obstante, o investimento previsto pelo
Orçamento de Estado para a Saúde em 2016
Reforma do SNS – – descontadas as verbas para reposições
salariais – não difere substancialmente do
Situação actual que foi apresentado nos últimos anos, e
particularmente em 2015 (cerca de 6% do
PIB).

n As administrações hospitalares recordam


que existe um subfinanciamento da
n Na introdução ao debate, foi sublinhado o actividade desde 2010, com uma redução
largo consenso que prevalece na sociedade
gradual dos valores estabelecidos em
portuguesa sobre a necessidade da existência
contrato-programa. Esta restrição nas
de um serviço público de saúde que respeite
dotações orçamentais é agravada com uma
o código genético do nosso SNS e seja
preocupante insustentabilidade técnica
Património de todos. “Mais à esquerda ou
dos equipamentos. A falta de manutenção
mais à direita, todos os participantes estiveram
e substituição destes está a gerar graves
de acordo com as grandes linhas defendidas
problemas operacionais aos hospitais
para o SNS”.
públicos. Uma sugestão que saiu deste
n A introdução gradual do princípio da debate, no sentido de minimizar esta
liberdade de escolha nos hospitais do Serviço realidade, é a reprogramação dos fundos
Nacional de Saúde – já previsto no Orçamento previstos no programa operacional Portugal
de Estado para 2016 – foi o tema que marcou 2020, direcionando-os para a manutenção
o início do debate. Houve uma concordância do equipamento técnico hospitalar. Neste
explícita com este princípio, pelo facto de momento, apenas 1% de todos os fundos
favorecer a concorrência entre serviços e uma operacionais deste programa estão alocados
maior responsabilização das unidades de ao sector da Saúde.
saúde e seus profissionais, ao mesmo tempo
que se frisou a necessidade de apetrechar as n A criação dos centros de referência/
excelência – sendo uma medida, à partida,
unidades de saúde para que possam dar uma
positiva – parece difícil de se operacionalizar
resposta adequada aos utentes.
e está a levantar dúvidas aos próprios
n A liberdade de escolha deve administradores hospitalares. Há vários
obrigatoriamente envolver um processo de serviços que não foram homologados e os
decisão informada por parte do doente. Ou critérios apresentados parecem não ser
seja, tem de lhe ser fornecida informação consensuais. Apesar de haver compromisso
credível, com resultados concretos sobre no sentido de assegurar um financiamento
os procedimentos, as taxas de sucesso e de autónomo aos centros de referência/
complicações. Dados que devem ser objecto excelência, o modelo ainda não tem uma
de transparência de processos e auditoria aplicação clara. As regras devem ser mais
regular. A ideia da competição transparente claras e servir para oferecer melhores
e saudável poderá favorecer a qualidade do cuidados de saúde aos doentes.
sistema: os serviços com desempenho menos
positivo vão querer acompanhar os melhores. n Os cuidados de saúde primários foram
objecto de grande reflexão neste debate. A
É uma opção que introduz novos estímulos
reforma que conduziu à criação do modelo
às equipas, sobretudo se for acompanhada de
de Unidade de Saúde Familiar (USF) foi
incentivos e um novo modo de financiamento
apresentada como um modo exemplar de
(mantendo-se o modelo de financiamento
renovação do SNS a partir de dentro e com
base actual para o SNS).
envolvência directa dos seus profissionais.
n Apesar da simpatia generalizada pelo Foi uma reforma inovadora, que promoveu
princípio da liberdade de escolha, foi recordado o grau de satisfação dos profissionais e dos
11

cidadãos. De acordo com os dados disponíveis, na capacidade dos sistemas informáticos para
A reforma que em 2015 o nível global de satisfação dos utentes acabar com as disfunções conhecidas de todos.
conduziu à criação nas Unidades de Saúde Familiar situava-se nos
79,5%. Em 2001, no modelo anterior, o mesmo n Foi também consensual a existência de
do modelo de Unidade problemas sérios de organização e estruturais
indicador registava 49,1%.
de Saúde Familiar (USF) no SNS. Continua a existir uma margem muito
n Foi também reafirmado que temos muito a significativa de desperdício que urge combater.
foi apresentada como aprender com os Cuidados de Saúde Primários,
um modo exemplar designadamente ao nível da contratualização
n Foi salientada a importância de investir
nas pessoas, devolvendo a dignidade
e da definição de objectivos em equipa. O
de renovação do SNS a modelo é visto como um verdadeiro exemplo de
aos doentes e aos profissionais de saúde,
permitindo recuperar a humanização da
partir de dentro e com “reforma do Estado” e pode inspirar mudanças
relação médico-doente e remunerando os
profundas na gestão dos serviços hospitalares.
envolvência directa dos profissionais de saúde de acordo com o nível de
responsabilidade que têm na sociedade civil.
seus profissionais. n Na política do medicamento (sector
farmacêutico), os profissionais recordaram que Um exemplo apresentado foi o das listas de
60% da factura do ajustamento na Saúde foi utentes para médicos de família que rondam
realizada através da política do medicamento. os 1900. É um número excessivo que pode estar
A margem para cortar é escassa ou inexistente e a comprometer a qualidade da assistência. Foi
a expectativa é que, no futuro, também não haja sugerido que este número baixe gradualmente
Foi também muito mais recursos disponíveis. Nesse sentido, até aos 1500. Há trabalho a fazer nesta matéria
os especialistas presentes entenderam que a e que pode resultar numa aposta maior na
consensual a aposta deve passar, cada vez mais, pela inovação promoção da saúde e prevenção da doença,
existência de problemas técnica e por uma maior racionalidade no contribuindo para melhor gestão da doença
investimento realizado pela indústria. crónica e diminuir a carga de doença nos
sérios de organização e doentes mais idosos.
estruturais no SNS. n O caso da negociação para o tratamento
da Hepatite C foi apresentado como um n Foi também afirmado que temos um
bom exemplo: racionalizar o investimento, bom SNS, mas não é o melhor do mundo.
procurar gerar economias de escala, partilha É excelente, se atendermos à relação custo/
de risco, favorecer a verdadeira inovação benefício e à realidade económica do país e
terapêutica. Há outros medicamentos que da Europa que condiciona o orçamento de
estão a chegar ao mercado e que representam Estado e o poder de compra. Existem áreas de
Temos um bom soluções terapêuticas revolucionárias, tornando grande diferenciação e bem desenvolvidas,
necessário o debate sobre os limites da mas, por exemplo, no domínio da prevenção
SNS, mas não é há um longo caminho a percorrer. Uma taxa
inovação terapêutica e o papel dos Estados na
o melhor do mundo. É investigação. de diabetes que ronda os 13% da população,
pouca qualidade de vida acima dos 65 anos
excelente, se atendermos n Relativamente à política de recursos (sobretudo quando comparada com os
à relação custo/benefício humanos, foi consensual a existência de uma parceiros europeus), problemas resultantes
preocupante carência de profissionais no SNS. de comportamentos menos saudáveis como
e à realidade económica No que respeita aos médicos, verifica-se uma as doenças cardiovasculares. Existem muitos
do país e da Europa que crescente transição para o sector privado, e planos no papel, boas intenções, boas ideias,
uma elevada taxa de emigração e aposentação mas, da planificação à prática, ainda existe
condiciona o orçamento antecipada. O sector público está claramente uma grande distância a percorrer no nosso
de Estado e o poder de deficitário de médicos especialistas, com o país. Temos que ser consequentes e dar passos
compra. Existem áreas Algarve a servir de exemplo paradigmático firmes na direcção correcta.
(de resto, confirmado pelo testemunho do ex-
de grande diferenciação presidente do Conselho de Administração do
Conclusões:

e bem desenvolvidas, Centro Hospitalar do Algarve). No que respeita n Face à escassez de recursos – e sem haver
aos enfermeiros, a realidade é crítica, com perspectivas optimistas nesta matéria – a
mas, por exemplo, no um cenário agravado pela forte emigração solução que foi apontada por alguns: fazer
domínio da prevenção e precariedade laboral. Verificam-se ainda melhor com o que temos disponível. Foi
carências muito significativas ao nível dos referido no debate que “nem tudo se resolve
há um longo caminho a assistentes operacionais, administrativos e atirando dinheiro para cima dos problemas” e a
percorrer. técnicos. realidade é que existem aspectos a resolver, que
não são financeiros. Há possibilidade de gerar
n As tecnologias da informação são um factor ganhos de eficiência e de organização no SNS.
decisivo para tornar o sistema mais inteligente e
Mas não se conseguem resolver as deficiências
eficaz. Mas existem problemas estruturais nessa
marcadas do SNS com neutralidade orçamental.
área, que resultam de constantes mudanças
estratégicas feitas em função dos ciclos n É necessário que o SNS seja capaz de
políticos. É um factor a corrigir. As alterações compilar resultados, trabalhando a partir daí.
dos sistemas informáticos têm de resistir para Auditar a informação, avaliá-la, partilhá-la e
além do horizonte de uma legislatura. Sem aprender com ela. Uma vez mais, os resultados
prejuízo desta melhoria, hoje o SNS dispõe já obtidos com a reforma dos Cuidados de Saúde
de um sistema de informação integrado que, Primários parecem um excelente exemplo de
por exemplo, permite que a taxa de penetração metodologia a replicar por todo o sistema. Um
das receitas electrónicas atinja os 96%. Foi exemplo de quem soube interpretar resultados
reforçada a necessidade imperiosa de investir e crescer a partir destes.
12 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

conferência

Europa e
Saúde
A integração europeia e as suas impli-
cações na prestação dos cuidados de
II Congresso saúde foi o tema que abriu o II Con-
SNS: gresso “SNS: Património de Todos”,
Património no dia 18 de Março. Silva Peneda fez

de Todos
uma longa introdução ao tema, recor-
dando que os tratados comunitários
prevêem uma intervenção limitada da
União Europeia (UE) nesta matéria:
Depois do debate pré-Congresso “Legislar sobre as ameaças sanitárias
realizado na SRNOM, nos dias 18 transfronteiriças, sobre os direitos dos
e 19 o Teatro Rivoli, no Porto, foi o pacientes a serem tratados noutros es-
tados-membro e sobre a segurança dos
palco escolhido para a realização órgãos, tecidos e células usadas na Me-
do II Congresso “SNS: Património dicina e nos produtos farmacêuticos”.
de Todos”. Neste quadro, esclareceu o actual con-
selheiro do presidente da Comissão
Durante os dois dias, várias Europeia (CE), “a maior parte dos pro-
figuras de relevo dos sectores da blemas da saúde – em especial a sua
Política e da Saúde contribuíram, organização, gestão e financiamento
– é, de facto, competência exclusiva
com painéis de debate e dos governos nacionais”.
conferências, para a reflexão Silva Peneda deu vários exemplos desta
em torno de três temáticas da intervenção indirecta da UE nas maté-
rias de saúde pública. Desde a possibi-
maior relevância: “Europa e lidade que um cidadão europeu dispõe
Saúde”, “Capital Humano e SNS” e de deslocar-se a outro estado-membro
“Cidadania e Saúde”. para receber cuidados médicos – os
chamados cuidados transfronteiriços –
à harmonização de regras para os pro-
dutos farmacêuticos e ensaios clínicos,
a UE intervém, de acordo com Silva
Peneda, ou em “medidas de proteção
dos cidadãos”, ou em “situações que
nenhum estado-membro pode actuar
sozinho e exigem uma reposta alar-
gada”. Além das matérias legislativas,
o antigo ministro assinalou também o empenho da
CE nas campanhas de prevenção em áreas como o
tabagismo, a diabetes ou as doenças cardiovascu-
lares, e o apoio às doenças raras através da criação
de redes europeias de referenciação. Finalmente, o
conselheiro recordou o “maior instrumento” que a
CE disponibiliza na área da saúde: o terceiro pro-
grama de apoio, com um envelope de 450 milhões
de euros e que se prolonga até 2020.
Fora do âmbito estrito da Saúde, mas ainda no
domínio da UE, Silva Peneda aproveitou a opor-
tunidade para falar ao Congresso do que consi-
derou serem as principais ameaças ao projecto de
integração. Na sua opinião, “pode estar em causa
a liberdade de circulação de pessoas, a segurança
interna e a sobrevivência do euro”, bem como o “au-
mento das desigualdades” e mesmo uma eventual
“desintegração do processo europeu”, com a parti-
cularidade de serem “riscos sistémicos”, aos quais
13

de saúde nacionais através de uma leitura


“estrita” dos tratados. Para a eurodeputada
do Bloco de Esquerda, “todas as políticas
estão interligadas” e existe tanto uma in-
tervenção directa como indirecta da Co-
munidade em matérias como a regulação
dos mercados, a indústria farmacêutica e a
prestação de cuidados de saúde. Nos dois
primeiros casos, a candidata às últimas
eleições presidenciais deu como exemplo
o Pharma Package, que reunia três directi-
vas: uma de combate a medicamentos fal-
sificados, outra relativa à farmacovigilân-
cia e outra ainda relativa à informação aos
pacientes. Crítica deste pacote legislativo,
Marisa Matias disse mesmo que “não se
percebia se estávamos a falar de melhorar
a informação aos utentes, ou de melho-
rar a forma da indústria publicitar os seus
produtos”.
Mas onde a eurodeputada foi mais corro-
siva foi na directiva dos cuidados trans-
fronteiriços. Para Marisa Matias, o modelo
de livre transição de doentes entre estados-
-membros “configura um enorme risco”:
“Sobrecarregar serviços que já se encon-
tram subfinanciados, mas onde a saúde é
mais barata”. Referindo-se implicitamente
ao caso português, a convidada conside-
rou que esta directiva se configura “mais
como um esquema comum de turismo de
saúde do que um benefício para melhorar
o funcionamento dos serviços”.

Sessão de abertura

nenhum estado-membro pode


Ministro
responder “de forma isolada”. aponta cuidados
Convidada a comentar a con-
ferência de Silva Peneda, Elisa
primários como
Ferreira subscreveu a ideia de “única prioridade”
que, em matéria de saúde, a
“política europeia é muito A presença do ministro da Saúde, Adal-
mais de complementaridade” berto Campos Fernandes, marcou a aber-
do que de “substituição das tura formal dos trabalhos neste II Con-
políticas nacionais”. No en- gresso “SNS: Património de Todos”. Numa
tanto, segundo a eurodeputada, a UE acaba por re- nota introdutória, o mentor deste evento e presi-
duzir a margem de manobra aos estados-membros dente da Fundação para a Saúde – SNS, Constantino
“de formas bastante mais subtis”, designadamente Sakellarides, começou por agradecer ao presidente
através das restrições financeiras. “Este enquadra- do CRNOM o “inestimável apoio” na organização
mento financeiro e económico acaba por ser um do evento e por enquadrar o papel desempenhado
colete-de-forças”, caracterizou a antiga ministra so- pela Fundação: “Promover por todos os meios o
cialista, que exemplificou com os cortes de finan- desenvolvimento e a modernização do SNS para
ciamento que foram impostos ao sistema de saúde benefício dos seus verdadeiros proprietários”.
português. “Reforma estrutural não é cortar 20% no Para o especialista em Saúde Pública, é inequívoco
funcionamento de um sistema. Isso é como ter um o subfinanciamento do serviço público de Saúde,
carro e não poder usá-lo, porque não se pode pagar sobretudo quando “acumula a erosão dos orçamen-
o combustível”, referiu. tos baixos dos últimos cinco anos”. Nesse sentido,
No mesmo sentido, Marisa Matias defendeu que Constantino Sakellarides assinalou a necessidade
não se pode medir o impacto da UE nos sistemas de “fazer melhor com o orçamento que temos” e “de
14 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

doentes”. Outra das feridas também apontadas por


Miguel Guimarães foi a prevenção em saúde, ma-
téria na qual, lembrou, “há um grande caminho
a percorrer”. Francisco George, director-geral da
Saúde, assinalou, por sua vez, a importância de
medir resultados no sector, designadamente “o im-
pacto das medidas económicas para a saúde e para
as famílias”, reconhecendo a necessidade de “afinar
indicadores” e substituir “aqueles que já não são
suficientes”.
A sessão inaugural do evento contou também com
a presença especial do presidente da Câmara Mu-
nicipal do Porto, Rui Moreira. O autarca focou o
contributo do SNS para a “coesão social do país” e
não deixou de pedir ao ministro “atenção reforçada
para a equidade regional no financiamento dos sis-
temas de saúde”, recordando que, “também nestas
matérias, as gentes do Norte têm fundadas razões
de queixa”.
Adalberto Campos Fernandes registou as palavras
dos seus antecessores e disse estar também “pre-
ocupado com a escassez de recursos”. Todavia, o
governante fez questão de afirmar que o trabalho do
seu ministério vai começar pela base: “Fazer bem
pelas pessoas, recuperar a confiança dos profissio-
nais, apostando no capital humano e nas políticas
públicas orientadas pela proximidade”.
Neste contexto, o ministro assinalou, como “única
prioridade” do seu programa de governo para o
sector, a determinação em “deslocar o epicentro
das prioridades do hospital para os cuidados de
proximidade”.

conferência

Capital
Humano e SNS
fazer de uma forma mais inovadora”, trabalhando
“Não há Saúde sem
“com base em resultados”. “Precisamos não de um profissionais de Saúde”
estado maior ou de um estado mais pequeno, mas
de um estado mais inteligente”, assegurou. “Capital Humano e SNS” foi a temática abordada
O presidente do CRNOM, Miguel Guimarães, pelo enfermeiro Manuel Oliveira na sua conferên-
agradeceu e retribuiu os elogios ao organizador do cia, onde desenvolveu aspectos relacionados com
congresso, assinalando a “dimensão intelectual, o contexto actual, pressupostos para a mudança e
cultural e humana” de Constantino Sakellarides. desafios para o futuro. Relativamente ao contexto
Reiterando críticas à dotação orçamental para o actual, identificou a universalidade, equidade, so-
sector, o dirigente questionou se será possível “ci- lidariedade e acesso a cuidados de saúde de quali-
catrizar algumas das feridas do SNS” sem dispor de dade como características essenciais de um sistema
financiamento “capaz”, ou mesmo com “neutrali- de saúde equilibrado. Sublinhou, no entanto, que
dade orçamental”. “Com aumento dos níveis de or- “não há Saúde sem profissionais de Saúde”, e que “o
ganização e financiamento é possível fazer melhor, cidadão também é capital humano do SNS”. Equa-
mas não será suficiente”, garantiu Miguel Guima- cionando pressupostos para a mudança, apontou
rães, lembrando que “as necessidades em termos de como constrangimentos a emigração (que recor-
capital humano implicam necessariamente inves- dou não ser “exclusiva dos jovens”), saída do sec-
timento”. Por outro lado, acrescentou, “é essencial tor público, desmotivação, insatisfação, degradação
dar tempo à relação médico-doente”, dando como da qualidade dos cuidados, redução do preço do
exemplo concreto a Medicina Geral e Familiar: “os trabalho, crescente desregulação laboral, entre ou-
médicos de família têm de ver reduzida a sua lista tros. Ainda neste âmbito, o palestrante lembrou
de utentes. Não é possível acompanhar bem 1900 que, segundo um estudo do Instituto Superior de
15

Psicologia Aplicada, “dois terços empregador em Saúde do sistema de Saúde portu-


dos médicos e enfermeiros apre- guês”. “Os nossos profissionais precisam acima de
sentam sinais de burnout”, salien- tudo de respeito”, referiu, acrescentando que “se
tando o perigo que tal representa. queremos cuidar dos outros temos de cuidar me-
A seu ver, a disponibilidade, aces- lhor de quem cuida dos outros”.
sibilidade, aceitabilidade e quali- A interdisciplinaridade e formação pré-graduada
dade são princípios fundamentais foram focadas por Júlio Machado de Vaz, que defen-
para garantir o direito à Saúde e à deu que “a Medicina se aprende melhor a partir dos
protecção social, pelo que defende doentes”, que “os estágios clínicos devem começar
uma “visão articulada de recursos cedo” e que os alunos devem saber articular as dife-
humanos para o alcance da cober- rentes valências. Como se de uma aula se tratasse, o
tura universal em Saúde, nacional professor de antropologia médica falou ainda sobre
e mundial”. Manuel Oliveira con- Arquitectura e Saúde e a tendência para homoge-
siderou elementar a mudança de neizar as estruturas, principalmente nos hospitais.
paradigma da organização e pres-
tação de cuidados de Saúde, de
um modelo “hospitalocêntrico” A importância de
(centrado na gestão da doença e investir nos profissionais
de doentes) para um modelo “sa-
lutogénico” (com enfoque na gestão de Saúde
do projecto de Saúde de cada ci-
dadão, família e comunidade e na Num painel moderado por Victor Ramos, João Ro-
promoção da saúde e prevenção da drigues, presidente da USF-AN, defendeu que “é
doença). Abordou ainda o acto em preciso criar condições organizacionais” para que
Saúde, afirmando que a multidisci- os profissionais se sintam satisfeitos com a gestão
plinaridade do mesmo “acrescenta da empresa onde trabalham. A seu ver, uma “orga-
valor” e se traduz em “melhores nização saudável”, “positiva”, exige que se conciliem
resultados”. Os conceitos de “skill dois objectivos pessoais: desempenho e bem-estar
mix” e “task shifting” mereceram individual. Esta abordagem positiva, presente nas
ainda destaque, argumentando que USF, passa pela constituição de verdadeiras equi-
a evidência confirma que “é possí- pas (multiprofissionais com autonomia funcional
vel obter ganhos combinando me- e técnica) com uma visão apelativa e mobilizadora,
lhor as competências presentes na que disponham de estruturas capacitadoras, rece-
equipa de Saúde”. Defendeu ainda a bendo coaching e actuando em contextos organiza-
“promoção da cultura do elogio no cionais facilitadores e apoiantes. Esta é, na opinião
SNS” e indicou a mudança cultural do dirigente da USF-AN, a forma de gerar resul-
como desafio futuro, referindo-se à tados valiosos ao nível dos profissionais, utentes e
utilização de novas competências comunidade.
como a autonomia e gestão proces- Já José Carlos Santos, professor na Escola Superior
sual, responsabilização e partilha de Enfermagem de Coimbra e membro do Conse-
de uma cultura comum. Numa lho de Administração da Fundação para a Saúde,
nota conclusiva, elegeu “evidenciar falou sobre o porquê de investir nos profissionais
o valor, cuidar das pessoas e pro- de Saúde, a formação e perfil que devem ter, apre-
mover a felicidade no SNS” como sentando ainda algumas propostas. “A aposta nos
desafios maiores que são enfrenta- recursos humanos não é uma despesa mas um in-
dos neste sector. vestimento”, afirmou, sustentando-se em estudos
“É nosso dever preservar e Em seguida, Marta Temido, pre- da Organização Mundial de Saúde, que referem
desenvolver o SNS” sidente do Conselho Directivo da ainda que “o crescimento ou estabilidade dos re-
Manuel Oliveira Administração Central do Sistema cursos contribui para a resiliência das economias
de Saúde (ACSS), e Júlio Machado nacionais”. No que diz respeito a pressupostos de
“Os nossos profissionais de Vaz, médico psiquiatra, expu- futuro, o especialista em Enfermagem de Saude
precisam acima de tudo de seram os seus pontos de vista nesta Mental e Psiquiátrica destacou o “skill mix” e práti-
respeito” matéria. A dirigente da ACSS re- cas colaborativas, assim como a literacia em Saúde.
Marta Temido forçou também a ideia de que “não Helena Peixoto, consultora com experiência neste
há sistema de Saúde sem pessoas”, sector, centrou-se na questão do planeamento de
atribuindo aos recursos humanos recursos humanos em Saúde, considerando que
uma “natureza estruturante”. Relevou que são o o desafio é “determinar o número adequado de
principal ordenador de despesa, mas também o profissionais de Saúde nas suas diversas catego-
“maior investimento”, tendo em conta o “tempo de rias profissionais e especializações no momento e
formação e impacto decisivo da sua actuação”. Na local certos”. Enumerou ainda algumas determi-
sua óptica, o SNS tem ainda um “longo caminho nantes “interdependentes”, como a evolução de-
a percorrer” e é indispensável torná-lo “no melhor mográfica e epidemiológica e a universalidade e
16 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

conferência

Cidadania
e Saúde
Desafios da ética e da
cidadania
Cidadania e Saúde foi o tema que moti-
vou a participação de Rui Nunes neste
II Congresso “SNS: Património de To-
dos”. O especialista em bioética e pre-
sidente da Associação Portuguesa de
Bioética recordou a génese do modelo
social europeu, o princípio da igualdade
de oportunidades e, nesta sequência, a
protecção da saúde “como um direito bá-
sico e como uma responsabilidade indi-
vidual e colectiva”. Matérias que “não são
um fetiche” ou “uma moda”, assinalou
o convidado, recordando que se consti-
tuem, neste momento, como prioridades
da administração americana liderada
por Barack Obama. Todavia, Rui Nunes
identifica um conjunto de “desafios” que
“A aposta nos se colocam à sociedade europeia e portu-
recursos humanos
guesa, no sentido não só de manter este
não é uma
despesa mas um padrão social como de o reformar.
investimento” O primeiro desafio colocado pelo tam-
José Carlos Santos bém professor catedrático da FMUP é
a Ciência e a Tecnologia. Por um lado,
“O planeamento enunciou, devido à “ausência de uma es-
de recursos trutura de pensamento ético que possa
humanos constitui moderar os avanços” neste sector, de-
um elemento de signadamente em questões como a sus-
geometria variável
pensão criogénica de humanos, colheita
exigindo constantes
adaptações e de células estaminais ou o uso da medi-
reajustamentos” cina regenerativa. “São dos temas mais
Helena Peixoto fracturantes da sociedade actual, mas
que provavelmente, no futuro, serão o
gold standard da prática médica”. Por
grau de cobertura dos sistemas de Saúde. Ofereceu outro lado, acrescentou Rui Nunes, o problema dos
também algumas pistas de resposta à questão “Te- “custos da tecnologia”, que coloca países como Por-
mos médicos e enfermeiros a mais ou a menos?”, tugal perante uma fragilidade: “Como vamos ter
explicando que no caso dos médicos “estamos a for- capacidade negocial face às grandes multinacionais
mar diplomados em excesso relativamente à actual tecnológicas?”.
capacidade formativa pós-graduada, embora haja O problema demográfico foi o segundo desafio
um défice de clínicos de MGF no SNS”. Quanto aos apontado pelo bioeticista. Na sua opinião, “deve-
enfermeiros, referiu que a “questão da empregabili- mos orgulhar-nos da demografia que temos e da
dade se relaciona com a retracção das admissões no demografia que se antecipa”, no entanto, “não vale
SNS e com um défice de atractividade da oferta la- a pena darmos apenas as condições para as pes-
boral existente”. Para ambos defende a monitoriza- soas envelhecerem”. É necessário, também, “dar
ção da formação, da emigração e das necessidades as condições para as pessoas envelhecerem com
do mercado de trabalho. qualidade”, acrescentou Rui Nunes, questionando
Antes de abrir o debate à assistência, teve ainda a “quais os passos que estão a ser dados em Portugal”
palavra o psicólogo Horácio Covita, que começou para que isso seja conseguido.
por abordar o absentismo e outras disfunções orga- O terceiro e último desafio colocado pelo presidente
nizacionais que desencadeiam disfunções músculo- da Associação Portuguesa de Bioética foi a globa-
-esqueléticas e burnout. Por fim, sublinhou a rele- lização. Percebendo que a “Europa e Portugal não
vância da liderança, exercício ético e reflexão sobre são o centro do mundo”, Rui Nunes entende que
questões relacionadas com a reforma. o nosso espaço comum “tem todas as condições”
17

bioeticista, o centro deste debate deixou


de ser a vida humana, para se centrar na
“dignidade da pessoa”, e é nesse contexto
– enquanto “defensor da democracia di-
recta” – que propõe um “referendo nacional
à eutanásia”. “Se acreditamos nas pessoas,
devemos dar-lhes o poder de decidir ques-
tões tão fracturantes como esta”, concluiu.

Diálogo, escuta e
informação são a
chave para a Cidadania
em Saúde
Para debater e desenvolver a questão da
“Cidadania e Saúde”, Lúcia Gonçalves mo-
derou as intervenções do painel de convi-
dados: Ana Escoval, Ana Paula Gato, José
Vítor Malheiros, Manuel Campos e Maria
João Freitas.
Começando por definir a cidadania como
“participação do cidadão na vida da socie-
dade”, José Vítor Malheiros afirmou que
“participar nas decisões” exige tempo e
“A preocupação com a
gestão dos recursos é disponibilidade. Tal, a seu ver, reúne con-
imperiosa” senso generalizado, mas é “difícil de ope-
José Vítor Malheiros racionalizar”, destacando a pressão exis-
tente para “fazer o máximo com o mínimo
“A Medicina baseada o mais rápido possível”. Defendeu assim
na afectividade e que “se queremos aumentar a cidadania em
no humanismo é Saúde temos de ter disponibilidade mental
fundamental” e tempo para admitir alguma perturbação”.
Manuel Campos Maria João Freitas, da Raríssimas - Asso-
ciação Nacional de Deficiências Mentais e
“Vivemos um momento
de escassez de recursos
Raras, sublinhou a necessidade de trans-
mas temos as pessoas” mitir “informação de forma inteligível”,
Ana Escoval promovendo o diálogo e cooperação, tra-
balhando transversalmente com vista à
equidade. A interlocutora identificou ainda
algumas dificuldades como o tempo que
medeia a constatação de que algo não está
para se manter como um exemplo de desenvolvi- bem e a resposta adequada.
mento social e económico, mas deve “prever al- Ana Escoval, presidente do conselho de adminis-
guns desafios”. Um exemplo? O acordo de Parceria tração do Centro Hospitalar Lisboa Central, abriu
Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, a sua intervenção referindo que “não estamos con-
na designação internacional). “Vai ser um desafio denados a ser aquilo que sempre fomos” e que as
tremendo”, apontou, denunciado a ausência de um pessoas que se importam fazem a diferença, dando
debate nacional sobre esta questão que vai ter “gran- como exemplo uma notícia de que uma escola da
des implicações na Saúde, e em particular para os vila mais pobre da Madeira é uma das melhores
seus profissionais”. do país. “Nem tudo se faz com dinheiro”, “vivemos
um momento de escassez de recursos mas temos as
Referendo sobre a eutanásia pessoas”, afirmou. A dirigente do CHLC reforçou
No plano do exercício da cidadania aplicada ao sec- também a importância da partilha e comunicação,
tor da Saúde, Rui Nunes defendeu a necessidade de assim como a “transparência da informação e fazê-
“ir mais longe” na definição do “quadro axiológico -la chegar de facto às pessoas”.
em que vivemos”, implicando valores como a “tole- Ana Paula Gato, enfermeira comunitária, frisou
rância”, o “respeito pela diferença de opiniões” e o acreditar “na bondade e ética da maior parte dos
estabelecimento de um “consenso possível sobre o profissionais de Saúde” e na “cultura de serviço e
enquadramento ético da nossa sociedade em geral, não de poder”, que vai ao encontro das necessida-
e das profissões da saúde em particular”. Para o des das pessoas e compreende as suas necessidades
18 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

reais, realçando igualmente a importância de “es-


cutar o outro”, aspecto que “falta desenvolver no
SNS”. “A cidadania constrói-se a partir de cada um
de nós”, concretizou. Declaração do Porto
Também o médico Manuel Campos interveio no de-
bate, recordando o nascimento do SNS, a que assis-
Cidadania e Serviço
tiu, a sua “implementação gloriosa”, a “amplificação Nacional de Saúde
do projecto” e “crises pontuais”. No seu entender é
Contributo para promover a cidadania em saúde
imperativo defendê-lo, mas também “abrir mais os
hospitais à sociedade civil”: “Os cidadãos têm que
intervir mais”, argumentou, exem- TENDO PRESENTE QUE:
plificando com a Liga dos Amigos • A cidadania em saúde “é um direito e um dever das
do Hospital de Santo António. “O populações em participar individual e coletivamente
no planeamento e na prestação dos cuidados de saú-
voluntariado em Saúde é muito de” (OMS e UNICEF - Alma Ata, 1978).
importante”, acrescentou, dando
• A cidadania em saúde ajuda a gerar bem-estar e saú-
conta de que já existe voluntariado de em todas as idades e em todas as circunstâncias.
online, “uma peça moderníssima • É necessário criar sinergias para promover a cida-
da nossa estrutura hospitalar”. dania ativa e defender a identidade e a “marca SNS”,
“A Medicina baseada na afectivi- assim como defender o SNS enquanto pilar central da
garantia constitucional de acesso à saúde e de reforço
dade e no humanismo é fundamen- da coesão social.
tal”, continuou, enumerando tam-
• Investir no SNS é investir no desenvolvimento e na
bém os desafios que se colocam na economia do país. O crescimento económico só é pos-
actualidade. sível num país saudável.
• A cidadania ativa em saúde é também uma resposta
necessária e adequada para conseguir mais ganhos
de eficiência no SNS e melhor execução local do Plano
DECLARAÇÃO DO PORTO Nacional de Saúde.

Cidadania • O SNS representa um imenso capital em conheci-


mento, experiência técnico-científica, afetividade e

e Serviço humanidade. Deve, ainda, evoluir e melhorar.


• A sociedade civil informada e capacitada tem um

Nacional de papel fundamental na proteção e promoção da saúde,


incluindo a exigência de melhores serviços de saúde

Saúde
para melhores respostas às suas necessidades.
• Os cidadãos devem assumir maior responsabilidade
pela promoção da sua saúde e maior participação nas
Contributo para decisões relacionadas com a sua saúde pessoal, fami-
liar e comunitária.
promover a A Fundação para a Saúde – Serviço Nacional de Saúde,

Cidadania no cumprimento da sua missão, convida instituições e


cidadãos a subscrever a presente Declaração e a acei-
em Saúde tar e integrar uma rede com vista a:
n Colaborar no aperfeiçoamento e divulgação da Car-
ta dos Direitos e Deveres do Cidadão, no que respeita
Com o objectivo de dinamizar uma à saúde, adaptável ao local e ao contexto da prestação
rede de organizações da sociedade dos serviços;
civil que estimule a promoção da n Exigir transparência e rigor na informação sobre a
cidadania ativa para a melhoria oferta e funcionamento dos serviços das organizações
de saúde do SNS;
contínua do SNS, foi apresentada
n Exigir a revisão e adequação dos dispositivos legais
no último dia do congresso a “De- de participação formal dos cidadãos nas organizações
claração do Porto – Cidadania e do SNS, que garanta poder efetivo da comunidade
Serviço Nacional de Saúde”. A Fun- (empoderamento) nas decisões que a possam afetar;
dação para a Saúde acredita que a n Promover a participação mais ativa dos cidadãos
cidadania é a chave para um SNS na avaliação dos serviços, nomeadamente através dos
gabinetes do cidadão das instituições do SNS;
saudável a caminhar para uma me-
n Promover a formação de parcerias na gestão da do-
lhoria contínua. Na “Declaração ença crónica;
do Porto”, apresentada por Celeste
n Exigir que as decisões políticas e as atividades dos
Gonçalves, reafirma a sua posição e convida ins- diversos setores com impacto na saúde contribuam
tituições e cidadãos a subscrever a Declaração e a para proteger e promover a saúde dos cidadãos e das
aceitar e integrar uma rede com vista a, nomeada- comunidades e reduzam o mais possível as ameaças e
os riscos que nelas têm origem;
mente, “exigir a revisão e adequação dos dispositi-
n Incrementar estilos de vida saudáveis.
vos legais de participação formal dos cidadãos nas
organizações do SNS, que garanta poder efetivo da Porto, 19 de Março 2016
comunidade (empoderamento) nas decisões que a
possam afectar” (ver texto integral na caixa ao lado).
19

apresentação do livro

“Porto Saúde – Momento


e Movimento”
O passado, presente e futuro da
Saúde no Porto em livro
“ Percorrer este livro
é percorrer a história
Durante o II Congresso “SNS: Património da Saúde na cidade do
de Todos” foi lançado o livro “Porto Saúde Porto”
– Momento e Movimento”, promovido pela Miguel Guimarães
Fundação para a Saúde – SNS em colabo-
ração com a SRNOM. Trata-se de uma obra “O livro não é só texto,
inédita construída com o contributo de mas também os aspectos
cerca de sessenta pessoas, entre elas per- que o envolvem e que vão
sonalidades conhecidas como Rui Moreira, dando o sabor da cidade
do Porto”
Manuel Pizarro, Joel Cleto, Manuel Sobri-
Constantino Sakellarides.
nho Simões ou Sebastião Azevedo Feyo, e
que traça o passado, presente e futuro da
Saúde no Porto, homenageando grandes
vultos da cidade que marcaram a sua histó-
ria, nomeadamente Albino Aroso, Abel Sa-
lazar, Ricardo Jorge e Corino de Andrade.
Na sessão de apresentação, o presidente do
CRNOM – também ele um dos autores da
obra – descreveu-a como “um livro da ci-
dade mas também das pessoas”, que só foi
possível graças à “capacidade de liderança
do Prof. Constantino Sakellarides”, que
“conseguiu motivar todos para que a obra
fosse uma realidade”. Miguel Guimarães
fez também referência aos “quatro homens
multidimensionais que à sua maneira con-
seguiram aplicar os seus projectos” (Al-
bino Aroso, Abel Salazar, Ricardo Jorge e
Corino de Andrade), retratados no livro,
assim como ao facto de a organização dos
cuidados de saúde primários ter “crescido
no Porto”, os seus Centros Hospitalares se
destacarem ao nível da gestão e esta ser
uma das cidades com maior equilíbrio no
que respeita ao capital humano em Saúde.
Para Eduardo Jorge Madureira Lopes,
a riqueza da obra está nos “olhares par-
ticulares” que oferece, enfatizando que a
“cooperação, integração e inovação que se
verificou no Porto” conduziu a um “avanço
muito significativo e importante para o
resto do país”. Evidenciou igualmente a “impres- fez” foi com o “espírito da Renascença, de uma Re-
sionante quantidade de facetas” dos quatro grandes pública de Letras”. “A ideia de futuro está presente
protagonista destacados na obra, afirmando que em Abel Salazar”, concretizou.
“vale apenas descobri-los” melhor neste livro. Também Renato Roque, fotógrafo cujas imagens
A historiadora Maria do Carmo Séren, que contri- ilustram o “Porto Saúde – Momento e Movimento”,
buiu para esta obra colectiva com uma “peça muito teve a palavra, agradecendo a “possibilidade de par-
saborosa”, como referiu o presidente da Fundação ticipar nesta viagem”, “feita com o Prof. Sakellarides
para a Saúde – SNS, onde traz Abel Salazar aos dias como guia”. Nas suas palavras, “liga a história da
de hoje, iniciou a sua alocução com a contextualiza- cidade do Porto às instituições de Saúde”, tendo
ção do período em que o médico viveu. “Não seria salientado, entre outros aspectos, “o grande peso
hoje um empirista lógico mas muito perfeccionista”, do século XIX no livro” e o combate contra a peste
“não seria pragmático anglo-saxónico nem neoli- bubónica, em que Ricardo Jorge teve um papel
beral”, afirmou, defendendo que “a divulgação que fundamental.
20 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

Para terminar, o presidente do Conselho de Admi- Bio. Adalberto Paulo


nistração da Fundação para a Saúde falou também Mendo nasceu em
1932. Frequentou o Li-
sobre o livro, que implicou a colaboração de um ceu Alexandre Hercu-
“conjunto vasto de pessoas”, mas que no seu todo lano e a Faculdade de
“faz sentido”. “Até há um ano conhecia pouco a Medicina da Universi-
Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos dade do Porto, tendo-
-se licenciado em
e encontrei uma instituição de carácter muito inte- Medicina em 1958.
ressante”, “profundamente enraizada no Porto e no Especialista em Neurologia por concurso
Norte”, referiu Constantino Sakellarides, eviden- à Ordem dos Médicos em 1968. Fundador
ciando as capacidades humanas e de liderança de e primeiro Director do Serviço de Neuror-
radiologia do Hospital de Santo António
Miguel Guimarães e a importância da SRNOM na
(primeiro serviço desta especialidade em
sua elaboração. Após percorrer um pouco os assun- Portugal). De Julho de 1976 a Junho de
tos retratados, recordou que “o livro não é só texto, 1977, foi secretário de Estado da Saúde, no
mas também os aspectos que primeiro Governo Constitucional. De Ja-
o envolvem e que vão dando neiro de 1981 a Julho de 1983, Secretário de
Estado da Saúde dos Governos da Aliança
o sabor da cidade do Porto”, Democrática presididos pelo Dr. Pinto Bal-
referindo-se às fotografias de semão. Professor Agregado Convidado da
Renato Roque e às ilustrações Universidade do Porto, desde 1980. Presi-
de Alberto Péssimo. Concluiu dente do Conselho Directivo do Instituto
de Ciências Biomédicas Abel Salazar (IC-
dizendo que obviamente este
BAS), da Universidade do Porto, de 1984
trabalho implicou grande selec- a 1988. Director do Hospital de Santo An-
ção e que no futuro “pode vir tónio de 1986 a 1993. Ministro da Saúde,
a ser revisto e ampliado” para de Dezembro de 1993 a Outubro de 1995.
uma nova edição. Deputado à Assembleia da República, do
Grupo Parlamentar do PSD (1995-1999).
Sócio Honorário da Sociedade Europeia de
Neurorradiologia desde 1997. Académico
HOMENAGEM de número da Academia de Medicina Por-

Personalidades tuguesa. Auditor dos Cursos de Defesa


Nacional, que frequentou em 1993. Refor-
da Medicina e mado como Chefe de Serviço da carreira
médica hospitalar do SNS, desde 2001.
Enfermagem
Bio. Maria do Céu
homenageadas Costa Leite nasceu
em 1940. Ingressou
no primeiro ano do
Paulo Mendo, na área da Medi-
curso de Enferma-
cina, Maria do Céu Costa Leite, gem na Escola de En-
na Enfermagem. Estas foram fermagem do Hospi-
“Eu sou um as ilustres figuras do sector da tal de São João (HSJ)
militante, desde Saúde a que a Fundação pres- em 1958. Dois anos
que me formei, dos mais tarde passou a integrar o corpo do-
tou tributo no decorrer deste cente da mesma instituição como Auxiliar
serviços públicos e congresso. Romeu Cruz, “dis-
em especial do SNS” de Monitora em destacamento do HSJ.
cípulo” do médico homenage- Leccionou Enfermagem Cirúrgica no 2º
Paulo Mendo ano do Curso Geral de Enfermagem, con-
ado, fez uma breve introdução
cluindo o Curso Complementar de Enfer-
do percurso do célebre clínico
magem: Ensino e Administração em 1962.
que fundou a Neurorradiolo- Em 1965 tomou posse como sub-chefe no
gia em Portugal, salientando a HSJ, no serviço de Traumatologia I, exer-
sua “vontade de intervir publi- cendo funções de Enfermeira Chefe. Em
camente”. Já a exposição bio- 1977 passa a pertencer ao Conselho de
Gerência do HSJ, sendo que nos anos se-
gráfica de Maria do Céu Costa guintes realizou visitas de estudo a insti-
Leite coube à enfermeira Maria tuições de Saúde estrangeiras de forma a
do Céu Barbieri, que não hesi- implementar inovações no HSJ. Maria do
tou em defender que a colega Céu Costa Leite participou em várias co-
missões técnicas do Ministério da Saúde
“pertence a uma geração que fez
e em 1988 passou a ser Directora de Enfer-
a diferença”. Após receber uma magem dos Serviços de Saúde de Macau.
lembrança simbólica (uma peça
de cristal da Atlantis, da colec-
ção Voo) pela mão de Dalila Veiga, Paulo Mendo Sousa, ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros,
mostrou-se “honrado” por esta distinção e subli- agradeceu a homenagem, que a “apanhou de sur-
nhou: “Eu sou um militante, desde que me formei, presa”, uma vez que, a seu ver, “apenas cumpriu
dos serviços públicos e em especial do SNS.” o seu dever”. A sessão solene culminou com uma
Também Maria do Céu Costa Leite, depois de re- apresentação de violoncelo por Fátima Neto, que no
ceber a lembrança, entregue por Maria Augusta final fez levantar o Teatro Rivoli em aplausos.
21

“Hoje é o fim de uma grande caminhada”, afirmou


Maria de Belém Roseira, presidente do Conselho
Geral da fundação, explicando que houve bastante
trabalho envolvido na preparação do congresso e
“deste livro, de excepcional qualidade”, que me-
rece divulgação. Na sua perspectiva, o SNS é uma
“obra colectiva” fulcral no “combate às desigual-
dades em Saúde”, pelo que é
necessário “conciliar tradição
e modernidade”, numa “aposta
no crescimento da qualidade”
e “afectividade”.
Para Maria Guilhermina Rego,
vice-presidente da Câmara
Municipal do Porto, importa
investir no “conhecimento,
educação e ciência”, mas tam-
bém reformar profundamente
o sector da Saúde. Assumindo
que as “necessidades dos cida-
dãos são superiores aos recur-
sos”, reafirmou a importância
de definir prioridades.
Para encerrar a sessão e este
II Congresso “SNS: Patrimó-
nio de Todos”, usou da pala-
vra Fernando Araújo, secre-
tário de Estado Adjunto e da
Saúde. “Se queremos que o
SNS seja actualizado, esteja na
vanguarda, tenha qualidade
e seja sustentável, tem de ser
continuamente reformado”,
defendeu. Fernando Araújo
passou então a explicar al-
gumas linhas estratégicas do
Ministério da Saúde relativa-
SESSÃO DE ENCERRAMENTO Se queremos mente ao SNS. Ao nível dos
que o SNS seja
Um SNS actualizado, esteja
Cuidados de Saúde Primários
(CSP), explicou que os esforços
na vanguarda na vanguarda, vão no sentido de os tornar “a
tenha qualidade base efectiva para os cidadãos”
e seja sustentável,
Na sessão de encerramento do congresso, e que para isso “é preciso re-
tem de ser
José Aranda da Silva, vogal do Conselho de continuamente cursos humanos de qualidade
Administração da Fundação para a Saúde, reformado” e motivados”, destacando a im-
realçou as “intervenções de grande nível e Fernando Araújo portância de os “cativar para
participação notável” nos debates durante que permaneçam no SNS”.
os vários dias de congresso, assim como a Dando enfâse à importância
importância do livro lançado e da Decla- da equipa de saúde familiar,
ração do Porto. Porque, como referiu, “não avançou que é pretensão do
há desenvolvimento económico sem pessoas saudá- Ministério trazer novas competências para os CSP,
veis”, sublinhou a importância de o “SNS tratar bem exemplificando com a saúde visual. O secretário de
os profissionais”. Estado Adjunto e da Saúde referiu ainda outro tipo
Dalila Veiga, membro do CRNOM e vogal do Con- de respostas em vista, nomeadamente ao nível dos
selho de Administração da Fundação para a Saúde, sistemas informáticos, mas também da organiza-
classificou o Serviço Nacional de Saúde como “uma ção, tendo sublinhado a importância das USF na
das maiores heranças democráticas de coesão” e os reforma. Também os cuidados de saúde integrados
jovens como “futuros edificadores da sociedade”, estão na mira da sua actuação, sendo seu objectivo
destacando a “resiliência” destas gerações. No seu alterar o paradigma, valorizando os cuidados domi-
discurso focou-se na importância do envolvimento ciliários. n
dos jovens no SNS, que considerou ser “uma das
maiores conquistas sociais da nossa democracia”.
22 destaque: II Congresso SNS: Património de Todos

II Congresso do SICAD debate formas


de combate às toxicodependências

Fernanda Jacinto
UM JORNAL MÉDICO PARA LER, GUARDAR E DEBATER
Director: Dr. José M. Antunes N.º 1589 • Segunda-feira, 18 de Abril de 2016 • Ano XXXI • Periodicidade Quinzenal • Preço: €0,05

Alargamento do Plano Nacional de Saúde Mental até 2020 em estudo página 6 Centro Académico Clínico de Coimbra página 8 Governo quer debater
modelo para a ADSE em Junho página 12 O que é que a ADSE tem — Opinião de Cipriano Justo página 14 «Stop Infeção Hospitalar» página 16
Que modelo? Pág. 10
Luís Ribeiro

Ministro na Comissão Parlamentar de Saúde anuncia «um sistema integrado de gestão do acesso»

Fusão do SIGIC
e CTH em breve
Ministro anunciou
aos deputados que a integração
das funções de acesso
— que incluirá consultas,
internamentos, meios
complementares de diagnóstico
(MCDT) — será a solução
encontrada para que, assim
que estejam assinados
os contratos-programa com todos
os hospitais, cada médico
de família possa «finalmente
decidir quais os hospitais dentro
de cada região que têm melhores
condições para responder
a consultas e a cirurgias» Pág. 2

Miguel Guimarães no Congresso «SNS: Património para Todos»

DR
«Médicos de família não podem ter
1

1900 doentes inscritos» nas suas listas Pág. 4

18 de Abril de 2016 • Tempo Medicina

Tempo Medicina
[18 de abril 2016]
Repercussão na Comunicação Social

«Dar condições aos médicos consulta inaceitáveis» e que, por isso,


de família para terem tempo para «os médicos de família não podem
ver os doentes» foi a promessa ter 1900 doentes inscritos» nas suas
deixada no Porto pelo ministro listas. Ainda assim, o presidente do
da Saúde, em declarações aos CRN não poupou elogios à equipa
jornalistas à margem da sessão ministerial, considerando que as
de abertura do Congresso SNS: medidas já tomadas «são um sinal
Património de Todos, que decorreu positivo», e fazendo alusão ainda
no Teatro Rivoli por iniciativa da às «mensagens positivas que têm
Fundação para a Saúde. sido transmitidas às pessoas».
[…] Embora duvidando que o orçamento
«Um sinal positivo», diz a Ordem atribuído ao setor «chegue para
dos Médicos curar todas as feridas», Miguel
Esta é de resto uma velha ambição Guimarães acredita que o nosso
dos médicos de família, da Ordem SNS tem qualidade, mas «tem
dos Médicos (OM) e agora da ainda muito caminho importante RTP
coordenação para a Reforma do a percorrer». «A nossa qualidade de [18/03/2016]
SNS na área dos CSP, que se batem vida a partir dos 65 anos ainda tem “Racionalidade, sublinha a tutela,
pela redução das listas de utentes, um caminho longo a trilhar», diria também quanto à lista de utentes por
alegando falta de tempo para ver ainda o presidente do CRN, pedindo médico de família. Os clínicos dizem
os doentes. Aliás, pouco antes do ao ministro mais investimento na que 1900 por médico é inaceitável. O
anúncio do ministro, o presidente do formação médica, na literacia das Ministro concorda, mas há obstácu-
Conselho Regional do Norte (CRN) da pessoas e nas condições de trabalho, los. ‘O ponto de partida não é muito
OM, Miguel Guimarães admitia, na embora, como disse, «já tenham sido bom. Infelizmente temos uma grande
sessão de abertura do congresso, que dados passos para centrar o SNS no carência de médicos de família no país.
Esperamos este ano, conjugadamente
«não é possível manter tempos de terreno, com mais informação».
com a entrada de jovens que terminam
a especialidade e com a possibilidade
dos aposentados, a partir de abril,
poderem regressar, a pouco e pouco ir
melhorando’.”
http://bit.ly/1SJRCkv
destaque: dignidade no fim da vida 23

dignidade
nofim
davida O
movimento cívico “Direito a
Morrer com Dignidade” nas-
ceu em novembro de 2015
pela mão da antiga professora uni-
Despenalização versitária Laura Ferreira dos Santos e

da morte
do médico nefrologista João Ribeiro
Santos, e luta pela despenalização da
assistida de morte assistida. A 6 de fevereiro de
volta à agenda 2016 foi apresentado, juntamente com
uma extensa lista de apoiantes, onde
se incluem numerosas figuras públi-
cas, um manifesto a favor da eutanásia
e do suicídio medicamente assistido.
O “Manifesto em Defesa De certa forma assunto tabu em Portu-
da Despenalização gal, a morte assistida por médicos é le-
gal em países como a Holanda, Bélgica
da Morte Assistida”
e Luxemburgo. Em 2009, num debate
publicado pelo promovido na Ordem dos Médicos,
movimento cívico em Lisboa, Francisco Louçã, na altura
«Direito a Morrer com à frente do Bloco de Esquerda, de-
Dignidade» despoletou monstrou-se publicamente a favor da
“legalização da morte assistida”, no en-
uma onda de debate e
tanto não houve nenhum seguimento
tomadas de posição em a nível legislativo. O que este mani-
torno desta matéria. festo veio fazer foi ressuscitar o debate
O Conselho Regional em torno desta temática sensível, que
do Norte da Ordem divide opiniões entre profissionais de
Saúde e na própria sociedade, e coloca importan-
dos Médicos (CRNOM)
tes desafios éticos. A 21 de fevereiro, o movimento
acompanhou os lançou uma petição pública, dirigida ao presidente
acontecimentos de da Assembleia da República, Eduardo Ferro Ro-
perto e impulsionou a drigues, também com vista à despenalização da
discussão nesta área morte assistida, recorrendo ao mesmo texto do
manifesto. Em menos de dois dias foram reunidas
cinzenta, que levanta
as quatro mil assinaturas necessárias para levar
questões controversas, a discussão ao parlamento. Ao dia 1 de abril de
relacionadas com o fim 2016, 7856 pessoas tinham já subscrito a petição
da vida. online.
Em 23 de Fevereiro, Com esta matéria de novo na agenda, os organis-
mos da área da Saúde reagiram com a promoção
o CRNOM promoveu
de debates internos, como foi o caso da Ordem dos
um debate intitulado Médicos, não excluindo futuros debates alargados
“Dignidade no fim à sociedade civil. “A Ordem dos Médicos não pode
da vida”, onde foram nem deve ficar indiferente ao debate sobre todas as
confrontadas opiniões questões relacionadas com a dignidade no fim de
vida”, justificou Miguel Guimarães, presidente do
e de onde saiu uma
CRNOM.
mensagem de alerta para
a necessidade de reforçar
a rede de cuidados Consulte aqui o
“Manifesto em Defesa da
paliativos. Despenalização da Morte
Assistida”
http://morteassistida.com
24 destaque: dignidade no fim da vida

dignidade
nofim
davida

Debate na
srnom

“Eutanásia”
divide classe
médica
A 23 de Fevereiro, a SRNOM aco-
lheu então um debate sobre “Dig-
nidade no fim da vida”. Mais de
300 pessoas responderam à cha-
mada para reflectir sobre temas
como a eutanásia, suicídio assis-
tido, distanásia ou acesso a cui-
dados paliativos, numa discussão
pública suscitada pela apresenta-
ção do manifesto “Direito a Morrer
com Dignidade”. A notável afluên-
cia reflectiu o interesse da classe
médica em torno de matéria tão
sensível e complexa, que divide
opiniões e coloca desafios à ética e
deontologia da profissão.
Com a moderação da jornalista
Paula Rebelo, o debate confrontou
as diferentes posições das perso-
nalidades convidadas – José Ma-
nuel Silva, Jaime Teixeira Mendes,
Edna Gonçalves, Isabel Ruivo, An-
tónio Sarmento e Rui Nunes – e também de muitos
dos presentes na assistência. O presidente da Sec-
ção Regional do Sul, Jaime Teixeira Mendes, abriu
a discussão a considerar que, por consequência das
novas tecnologias, “a sociedade evoluiu de tal ma-
neira que hoje os doentes discutem a terapêutica” e
estão mais informados e por isso mais aptos a tomar
decisões. No entender do dirigente, que subscreveu
o manifesto pela despenalização da morte assistida,
trata-se da “autonomia do cidadão” e de “devol-
ver ao doente o poder de decidir sobre a sua vida”.
Apoiado nos exemplos dos países europeus onde
esta prática foi regulamentada (Bélgica, Holanda e
Luxemburgo), Jaime Teixeira Mendes defendeu a
criação de comissões médicas de acompanhamento
dos cidadãos, opondo-se à atribuição desse poder a
“um médico só”. Sublinhou, todavia, que a legali-
zação da eutanásia “não obriga ninguém a fazê-la”.
25

Secção Regional do Norte


Gabinete de Comunicação
comunicação@nortemedico.pt
Nota de Imprensa 22/02/2016
Mostrando estarmos de
facto perante um tema fra- Dignidade no fim da vida
turante, o bastonário da
Ordem dos Médicos, José Ordem dos Médicos do
Manuel Silva, assumiu uma Norte acolhe debate sobre a
posição de reprovação, sus- “dignidade no fim de vida”
tentando-se no Juramento
de Hipócrates para ques- “A Ordem dos Médicos não pode nem deve ficar
tionar se se justifica alterar indiferente ao debate que está a acontecer na so-
ciedade civil sobre todas as questões relacionadas
“uma cultura médica mile-
com a dignidade no fim de vida”. É deste modo que
nar que visa tratar os doen- o presidente do Conselho Regional do Norte da
tes”. “Os médicos estão for- Ordem dos Médicos (CRNOM) justifica a realiza-
matados para salvar vidas, ção de um debate na próxima terça-feira, dia 23 de
não para matar”, referiu. Na Fevereiro pelas 21 horas, no Salão Nobre do Centro
óptica de José Manuel Silva, de Cultura e Congressos da Secção Regional do
a eutanásia é evitável, num Norte da Ordem dos Médicos.
país onde há uma “boa O debate “Dignidade no fim da vida” será mode-
rado pela jornalista Paula Rebelo, e tem já confir-
morte” nos hospitais. “As
madas as presenças do Bastonário da Ordem dos
dores são tratáveis e caso Médicos, do Dr. Jaime Teixeira Mendes, da Dra.
exista falta de autonomia Edna Gonçalves, da Dra. Isabel Ruivo, do Prof. Antó-
é uma falha da sociedade”, nio Sarmento e do Prof. Rui Nunes.
afirmou, fazendo ainda um “Desde sempre, o ser humano conviveu regular-
parêntesis sobre o seu re- mente com a morte, vivendo a seu lado momen-
ceio de “confusão de con- tos intensos. Como médicos, e como cidadãos,
é nosso dever participar neste debate e discutir
ceitos” no seio da sociedade
ideias em torno de uma matéria tão delicada e
civil.
complexa, que se relaciona com a dignidade das
Esta visão foi partilhada por pessoas perante a morte”,
António Sarmento, director frisa Miguel Guimarães. “A discussão
do Serviço de Doenças In- Para o presidente do CR- de temas
fecciosas do Centro Hospi- NOM “os médicos, tal como complexos e
talar de São João (CHSJ) e os restantes profissionais fracturantes
professor na Faculdade de de Saúde, não se podem como a morte
excluir deste debate”. E vai assistida,
Medicina da Universidade
mais longe afirmando que reforçam a
do Porto (FMUP), que as- “a discussão de temas com-
sumiu ter um pensamento necessidade
plexos e fracturantes como
“absolutamente contrário à imperiosa
a morte assistida, reforçam
de equidade
legalização da eutanásia”. a necessidade imperiosa
no acesso
O especialista deixou claro de equidade no acesso a
cuidados paliativos de qua-
a cuidados
que esta é uma “área cin- paliativos de
lidade”. “É essencial centrar
zenta”, de grande comple-
o debate da Saúde nas suas
qualidade”
xidade, onde a obrigação
ineficiências e necessidades Miguel Guimarães
“Esta é uma do médico é “de preservar para que em vida possa-
discussão a vida mas também de não mos ter acesso a cuidados de saúde de qualidade”,
precoce, (…) ainda prolongar a morte”. Expla- salienta.
nando as diferenças entre Para o presidente da Ordem dos Médicos do Norte,
há muito a fazer,
eutanásia, distanásia e não “qualquer debate sobre a dignidade no fim de vida
nomeadamente deve incluir o combate à distanásia e a exigência
obstinação terapêutica,
nos cuidados de uma rede de cuidados paliativos altamente di-
mostrou-se preocupado
paliativos” ferenciados, que permitam uma morte digna e
Miguel Guimarães
não com quem defende a serena”.
posição oposta “com boa “Para isso, reforça a ideia da necessidade de apos-
intenção” mas com a socie- tar na qualidade da formação dos profissionais
dade que olha para os nú- de saúde e nas condições de trabalho em rede ao
meros e que pode ver na eutanásia a solução para nível dos recursos humanos e materiais”, sustenta
“dar menos trabalho e sair mais barato”. Miguel Guimarães.
Edna Gonçalves, directora do Serviço de Cuidados Temas como a morte assistida (eutanásia e sui-
cídio assistido), a distanásia ou a necessidade de
Paliativos do CHSJ, mostrou-se relutante sobre a
acesso a cuidados paliativos de qualidade, irão
pertinência da discussão da eutanásia numa al- certamente constituir motivo de intenso debate
tura em que em Portugal, de acordo com dados entre os participantes.
26 destaque: dignidade no fim da vida

“Os médicos estão ainda o papel formador


formatados para do médico e lamentou
salvar vidas, não que “nenhuma das oito
para matar” escolas médicas do país”
José Manuel Silva tenha “uma disciplina
dignidade obrigatória” sobre cuida-
nofim “Os cuidados dos paliativos.
davida paliativos não são O presidente da Asso-
uma alternativa ciação Portuguesa de
à eutanásia Bioética, Rui Nunes,
ou suicídio concordou com esta po-
medicamente sição e aproveitou para
assistido, são anunciar um programa
um direito que de Doutoramento em
assiste a todos os Cuidados Paliativos na
portugueses, mas FMUP. Rui Nunes des-
aos quais a maioria tacou o significativo in-
infelizmente não teresse que as questões
tem acesso” do fim de vida têm sus-
Edna Gonçalves citado e referiu que de-
monstra “a necessidade
“É devolver ao de debate e a impossi-
doente o poder de bilidade lógica de uma
decidir sobre a sua precipitação legislativa
vida” que alguns querem”.
Jaime Teixeira Mendes O que se pretende, nas
suas palavras, “é criar
“Há dois planos de um novo direito fun-
discussão: da ética damental que não está
social, legislação e na Constituição da Re-
despenalização, e pública”, que “diz que a
da ética médica e vida humana é inviolá-
o que os médicos vel”. Assim, argumenta
entendem ou que é imperativo, em
não decidir nesta primeiro lugar, “um de-
bate plural alargado a
matéria”
Rui Nunes toda a população”, que
“no fim da linha deve
decidir se quer ou não
mudar o paradigma que
está na Constituição”,
da Associação Portuguesa pela via referendária, por exemplo. A seu ver este
de Cuidados Paliativos, é apenas um plano de discussão, o da ética social,
apenas cinco mil doentes de legislação e despenalização; o outro diz respeito
têm acesso a estes cuida- à ética médica e aí, na sua óptica, é indispensável
dos por ano, num uni- um “debate interno na classe médica”. “A sociedade
verso de 60 mil a 70 mil pode evoluir se for democraticamente, de acordo
doentes terminais com com a vontade soberana de cada pessoa”, mas “isso
necessidade de acompa- não implica necessariamente” que a Medicina tenha
nhamento. A especialista de alterar os “valores éticos inerentes e estruturais
destacou que “os cuida- à profissão médica”, e proclamados no Juramento
dos paliativos não são de Hipócrates, onde se reafirma uma posição de
uma alternativa à eutanásia ou suicídio medica- serviço aos doentes e à sociedade.
mente assistido, são um direito que assiste a todos Isabel Ruivo, médica pediatra e proponente da pe-
os portugueses, mas aos quais a maioria infeliz- tição, acredita que se subestima a “capacidade de
mente não tem acesso”. Defende por isso que “é compreensão” do “povo português de hoje”, que
fundamental que se desenvolva muito mais” esta “não é o de há trinta anos”, “teve imenso contacto
rede, pois apesar de existirem equipas com muita com mundos lá fora e tem mais informação”, e que
qualidade, elas estão “sobrecarregadas” e é preciso está atento a esta discussão e a reflectir sobre os
constituir outras novas, “porque o sofrimento por mesmos aspectos. Também esta oradora convidada
doença avançada e progressiva acontece a todas as relacionou a questão em debate com a “autonomia
horas do dia e da noite”. Edna Gonçalves destacou do doente” e sublinhou que “nunca se trata de ser
27

alguém exterior ao próprio a Repercussão na Comunicação Social


decidir”. “Fomos para Medi-
cina por valores humanistas
de compaixão”, afirmou, ar-
gumentando que o “médico
deve acompanhar” as situa-
RTP [07/02/2016]
ções de fim de vida do do- “A despenalização da
ente, não rejeitando todavia morte assistida é um dos temas mais fraturantes
a presença de uma equipa entre os próprios clínicos”.
https://vimeo.com/154569981
multidisciplinar. “Não acre-
dito que os médicos devam
retirar-se dessa função”,
concretizou. Reagindo à
evocação de casos de outros
RTP [08/02/2016]
países relacionados com a “Era importante que
prática da eutanásia em me- os nossos governantes pensassem em colocar em
nores, defendeu que “ainda prática a rede de cuidados paliativos que, de certa
forma, já dignificam também a morte”, considerou o
estamos a falar de princípios presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem
gerais e não de leis específi- dos Médicos.
cas”. A médica fez também https://vimeo.com/154617886

referência aos “ténues” “li-


mites da obstinação tera-
pêutica” e considerou que
“tudo isto exige um debate
urgente”. Porto Canal
Numa posição similar à de [10/02/2016]
“A definição do que são esses direitos fundamentais
Edna Gonçalves, o presi- compete não a meia dúzia de deputados mas ao povo
dente do CRNOM, Miguel português na sua totalidade”, defendeu Rui Nunes
Guimarães, considerou, que em declarações ao Porto Canal.
https://vimeo.com/155010089
esta é “uma discussão pre-
coce” porque “no que diz
respeito a morrermos com
dignidade, ainda há muito
a fazer, nomeadamente nos
RTP [19/02/2016]
cuidados paliativos”. Neste
“Assistir bem a vida pres-
debate, realizado no Salão supõe não prolongar a vida desnecessariamente (…)
Nobre do Centro de Cultura Acabar com a vida das pessoas é muito fácil, qual-
e Congressos da SRNOM a quer um o pode fazer. Cuidar deles até ao fim da me-
lhor maneira é que é complicado e além disso custa
questão dos cuidados palia- dinheiro”, considerou o presidente da Ordem dos Mé-
tivos foi bastante focada. A dicos de Espanha, Juan José Rodríguez Sendín.
https://vimeo.com/155975083
necessidade de continuar a
debater o assunto interna-
mente foi reconhecida por
todos os intervenientes, mas
também de alargá-la a toda
sociedade, tendo o presi- RTP [24/02/2016]
Discussão sobre “Dig-
dente da SRNOM destacado nidade no fim da vida” encheu plateia de médicos.
a importância de informar O bastonário da Ordem dos Médicos sustentou
devidamente os cidadãos. A que a eutanásia não tem de ser praticada por um
clínico. Pode ser executada por outros profissionais
possibilidade de realizar um de saúde.
referendo sobre a eutanásia, https://vimeo.com/156549983

à semelhança do que se rea-


lizou com a Interrupção Voluntária da Gravidez, foi
defendida por vários interlocutores, inclusive por
José Manuel Silva, que deixou a promessa de novos
debates promovidos pela Ordem dos Médicos. n SIC [29/02/2016]
O Prof. António Araújo,
vice-presidente do CRNOM foi o convidado do pro-
grama “Opinião Pública” onde se debateu a polémica
sobre a prática de eutanásia no Serviço Nacional de
Saúde.
https://vimeo.com/157211941
29

Formação pós-graduada de
qualidade é um pilar fulcral para a
sustentabilidade do SNS

Nota do Presidente do CRNOM aos jovens médicos, através das redes sociais
[04 janeiro 2016]

O actual momento Estimados colegas, sem adequar os potenciais candidatos às capaci-


complexo que se dades formativas das escolas médicas e das unida-

M
ais de 3600 jovens médicos ini-
vive ao nível da formação des de saúde para formar especialistas. Que actu-
ciam hoje a sua formação pós- almente, e desde há alguns anos, se situam entre
médica especializada tem
-graduada, uns no Internato do os 1500 e 1600 especialistas por ano. Um número
as suas raízes na falta Ano Comum, outros na Formação Especia- que ultrapassa largamente as necessidades médi-
endémica de planeamento lizada. Este é um momento determinante cas do país, que se situam entre os 1200 a 1300.
e organização, que na vossa Carreira, que vos permitirá adqui- Aos médicos que agora vão iniciar o seu Internato
resultou nos últimos anos rir competências específicas numa deter- do Ano Comum e o seu Internato de Formação
num excessivo numerus minada área da Medicina. É com enorme Específica deixo alguns desafios: Sejam exigentes
clausus, o qual, somado satisfação e orgulho que o Conselho Regio- na defesa da qualidade da formação médica e pro-
ao elevado número de nal do Norte da Ordem dos Médicos (CR- curem adquirir o máximo de conhecimentos e com-
jovens que regressam a NOM) vos acolhe e saúda no início desta petências técnicas durante a formação. Um médico
Portugal para realizar o nova etapa profissional. com boa formação académica e especializada tem
internato médico, não É reconhecido internacionalmente que emprego em qualquer parte do mundo. Sejam exi-
Portugal forma médicos de elevada qua-
garante a universalidade gentes e responsáveis na aplicação prática da ética e
lidade, graças a uma formação exigente e deontologia. Sejam exigentes na defesa e aplicação
da formação médica
continuada. Não é por acaso que muitos das boas práticas e das regras da arte e não hesitem
especializada em países da Europa e do resto do mundo pro- em denunciar às instituições competentes as insu-
Portugal. curam contratar médicos no nosso país. ficiências ou deficiências, que condicionem negati-
O actual momento complexo que se vive vamente a prática médica. Sejam intransigentes na
«Jovens Médicos» ao nível da formação médica especializada defesa e promoção da relação médico-doente e da
tem as suas raízes na falta endémica de dignidade e humanização do acto médico. Sejam fir-
planeamento e organização, que resultou mes na defesa das carreiras médicas e dos princípios
nos últimos anos num excessivo numerus fundadores do SNS. Não esqueçam, nunca, o vosso
clausus, o qual, somado ao elevado número papel como pessoas e cidadãos, e defendam sempre
de jovens que regressam a Portugal para uma sociedade mais justa e plural e um mundo sem
realizar o internato médico, não garante a medo. O vosso papel na sociedade civil vai muito
RTP [23/01/2016] universalidade da formação médica espe-
“Ter centenas de médicos para além de ser médico pelo que é crucial que
sem formação especializada cializada em Portugal. Mais de 1800 jo- não deixem que sejam outros a decidir por vocês.
a exercer medicina, a serem vens inscrevem-se anualmente nos cursos A qualidade e evolução permanente da Medicina
utilizados para serviços tão de Medicina no nosso país. Um numerus
importantes como os serviços portuguesa necessita do contributo activo dos jo-
de urgência hospitalar e em clausus muito acima dos valores que vá- vens médicos, do vosso contributo.
que muitos destes médicos rios estudos universitários apontam como O Conselho Regional do Norte, a que tenho a honra
são contratados através adequado a uma formação pré-graduada
de empresas(…), quando de presidir, não deixará nunca de defender a qua-
nas urgências hospitalares de qualidade. Um número que torna mais lidade da formação médica e, no limite das suas
deviam estar, de facto, difícil o cumprimento daquela que deve próprias competências, honrando o compromisso
médicos com diferenciação, ser a missão primordial das Universidades:
é potenciar o risco.” afirmou da qualidade da Medicina, continuará a defender,
o presidente do CRNOM em transmitir conhecimento envolvido num em cada ano, a abertura de todas as capacidades for-
declarações à RTP. manto de qualidade inquestionável. mativas para as diferentes especialidades. Só assim,
https://vimeo.com/152955184
Todos nós conhecemos histórias de enfer- estaremos a defender os doentes e a qualidade da
marias a rebentar pelas costuras ou de con- Saúde em Portugal.
sultas que os estudantes de Medicina não podem O CRNOM estará sempre disponível para vos
acompanhar. É impraticável que todos possam trei- apoiar e ajudar a defender a qualidade no presente e
nar histórias clínicas com doentes ou acompanhar futuro da Medicina. O vosso futuro, que é o futuro
de perto procedimentos cirúrgicos. Desde há vários de todos nós.
anos que a Ordem dos Médicos alerta o poder polí-
tico e a sociedade civil para os riscos do exagerado Miguel Guimarães
numerus clausus. Não é possível manter uma ele- Presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem
vada qualidade na formação pré e pós-graduada dos Médicos n
30 Tribuna do crn

«Falta de médicos:
mito ou realidade?»

Artigo de opinião do Presidente do CRNOM, Miguel Guimarães, no semanário «Expresso»


[09 janeiro 2016]

C
om frequência é noticiado nos as variáveis conhecidas, são precisos formar cerca
órgãos de comunicação social de 1200 a 1300 especialistas por ano. A nossa ca-
que faltam médicos de várias pacidade formativa situa-se actualmente nos 1500
especialidades no Serviço Nacional de a 1600 médicos especialistas por ano, o que é clara-
Saúde (SNS). Quem não se recorda do mente superior às necessidades previstas.
milhão de portugueses sem médico de Quarto, o numerus clausus para acesso ao curso
família. E a percepção dos portugueses de medicina entre 1995 e 2014 aumentou 396%,
aponta no mesmo sentido. situando-se desde 2010 acima de 1800 estudantes
Por outro lado, no seu último relatório de medicina por ano. Número muito superior à
de 2015 a OCDE diz que Portugal tem capacidade formativa das escolas médicas e à ca-
4.3 médicos por mil habitantes (46739 pacidade das várias unidades de saúde para formar
médicos), sendo o 4.º país com maior nú- especialistas, o que pode resultar num número ele-
mero relativo de médicos. Número muito superior à vado de médicos indiferenciados.
média de 3.3 dos países da OCDE. Quinto, nos últimos quatro anos, e de forma in-
Falta ou excesso de médicos? Vamos aos factos. vulgar, emigraram centenas de médicos e milhares
Primeiro, o número da OCDE refere-se a todos os aposentaram-se de forma antecipada.
médicos habilitados para a prática médica, inde- Finalmente, a resposta à questão enunciada como
pendentemente de exercerem medicina, estarem já todos entendemos é muito simples. Faltam mé-
aposentados (desde que inscritos na Ordem dos dicos no SNS. E o país tem no geral mais médicos
Médicos) ou trabalharem no sector público, social que os necessários, embora exista desequilíbrio
ou privado. por falta de planeamento e organização do traba-
Segundo, quando se fala em falta de mé- lho em algumas especialidades
dicos, estamos sempre a referir o SNS. e regiões. E faltam condições
Nunca o sector social ou privado. E Quando se dignas de trabalho e respeito
quantos médicos trabalham no SNS? De fala em falta por quem todos os dias dá o seu
acordo com os dados mais recentes publi- de médicos, estamos melhor pela saúde e na defesa
cados pela ACSS (Administração Central sempre a referir o dos doentes. Haja vontade e
do Sistema de Saúde) trabalham no SNS SNS. Nunca o sector bom senso e o SNS pode ter os
26960 médicos (isto é, 2.6 médicos por social ou privado. médicos de que necessita. Eles
mil habitantes). E este número inclui mais E quantos médicos existem.
de 8000 médicos que neste momento se trabalham no SNS? Miguel Guimarães
encontram a realizar o internato médico De acordo com os
e, como tal, não são especialistas, com to- Presidente do Conselho Regio-
dados mais recentes nal do Norte da Ordem dos Mé-
das as limitações práticas daí decorren-
publicados pela ACSS dicos n
tes. Com 2.6 médicos por mil habitantes,
Portugal estaria na cauda da Europa e dos (Administração
países da OCDE. Central do Sistema de
Terceiro, os estudos universitários de evo- Saúde) trabalham no
lução prospectiva de médicos no nosso SNS 26960 médicos
sistema de saúde, indicam que, para as (isto é, 2.6 médicos por
necessidades previsíveis de acordo com mil habitantes).
31

numerus clausus nos cursos de Medicina


Miguel Guimarães comenta a entrevista do
Ministro da Ciência ao Expresso

Nota do Presidente do CRNOM, publicada nas redes sociais


[27 MARÇo 2016]

Secção Regional do Norte


Gabinete de Comunicação
comunicação@nortemedico.pt

O
presidente da Ordem dos Médicos outros tantos optaram por trabalhar apenas no sec-
do Norte, Dr. Miguel Guimarães, tor privado e muitas centenas emigraram;
reagiu em nota publicada no seu 6. E porquê? Porque procuram melhores condições
Facebook, à entrevista do Ministro da Ciên- de trabalho;
cia, Tecnologia e Ensino Superior ao Expresso
7. Todos os estudos universitários realizados até ao
e onde aborda a questão da redução do nume-
momento são unânimes em afirmar que Portugal
rus clausus no acesso aos cursos de Medicina
forma médicos em número claramente superior às
em Portugal.
necessidades do País;
Transcrevemos a seguir a referida publicação: 8. Mas então, Senhor Ministro, quanto custa aos
portugueses formar um único médico especialista?
“O Ministro da Ciência, Tecnologia e En- Será que tem ideia dos muitos milhares de euros
sino Superior, Manuel Heitor, dá a enten- envolvidos na formação pré e pós-graduada de um
der ao Jornal Expresso, que o Estado e único médico especialista? E será uma boa polí-
as Universidades não têm que garantir tica formar médicos para os exportar a custo zero
emprego a ninguém. E que a formação não pode para fora do país? E não se preocupa (ainda que
depender da capacidade de absorção da economia minimamente…) com a qualidade da formação clí-
num dado momento. Acrescenta que em Portugal nica dos estudantes de medicina? Se tiver interesse,
há falta de médicos e não vai cortar visite um Hospital Escola e
vagas nos cursos de Medicina.” converse com os estudantes
Mas então,
Senhor Ministro, permita-me as se- e com os médicos para enten-
Senhor Ministro,
guintes sugestões: der o que realmente se passa.
quanto custa aos
1. As Universidades não têm de ga- As suas afirmações no jornal
portugueses formar
rantir emprego a ninguém, mas têm Expresso, no que à Medicina
um único médico
de garantir conhecimento e qualidade e Saúde dizem respeito, são
especialista? Será populistas e não contribuem
na formação pré-graduada, o que
neste momento já não é inteiramente
que tem ideia dos para melhorar a confiança e
verdade nos cursos de medicina; muitos milhares de esperança dos profissionais
euros envolvidos na de saúde e dos doentes num
2. Portugal tem mais médicos do que
os necessários (basta analisar os da- formação pré e pós- futuro melhor.
dos da OCDE – 4.3 médicos/1000 graduada de um único Não é assim que se resolvem
habitantes – ou verificar quantos mé- médico especialista? E as insuficiência e deficiências
dicos estão inscritos na Ordem dos será uma boa política do SNS.
Médicos); formar médicos para os Respeitem e dignifiquem
3. O SNS tem falta de médicos e de exportar a custo zero os doentes e o trabalho dos
organização e planeamento (basta ve- para fora do país? profissionais de saúde, me-
rificar os registos da ACSS – cerca de lhorem as condições de tra-
27.000 médicos (dos quais cerca de balho e centrem a Saúde nos
9000 são médicos em formação espe- doentes.
cífica – internos da especialidade), ou seja cerca de Parece fácil, mas não é fácil de entender...
2.6 médicos/1000 habitantes); Miguel Guimarães
4. Isto significa Senhor Ministro que uma parte sig- Presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem
nificativa de médicos opta por não ficar no SNS ou o dos Médicos” n
SNS não os contrata;
5. De resto, é sabido que milhares de médicos se
aposentaram de forma antecipada nos últimos anos,
32 Tribuna do crn

caso bial
CRNOM preocupado com eventuais repercussões
negativas na investigação clínica
Nota de imprensa do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos
[20 janeiro 2016]

Secção Regional do Norte


Gabinete de Comunicação
comunicação@nortemedico.pt

Investigação clínica é “Paralelamente, este ensaio estava a ser conduzido


fundamental para a evolução na Biotrial, uma empresa de prestígio internacional
da Saúde e da Medicina em que faz ensaios clínicos com elevada qualidade”,
acrescenta Miguel Guimarães. Que recorda tam-
Portugal bém que “a Bial é o principal laboratório nacional

O
na área da indústria farmacêutica e tem dado um
presidente do Conselho Regional do contributo extraordinariamente importante para a
Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM) investigação e desenvolvimento da Medicina”.
mostrou-se preocupado com as repercus- Por tudo isto, e embora lamente toda a situação
sões negativas que podem afectar a investigação ocorrida em França, Miguel Guimarães reitera
clínica decorrentes do ensaio clínico que estava a toda a confiança no laboratório Bial e na respectiva
ser levado a cabo em França. equipa de investigadores, e aguarda que “a inves-
“A investigação é fundamental para a evolução da tigação em curso levada a cabo pelas autoridades
Saúde e da Medicina, não só em Portugal como francesas e pela própria Bial possam ajudar a escla-
em qualquer parte do mundo”, frisou Miguel Gui- recer o que realmente aconteceu”. n
marães, defendendo que “tem sido a procura de
novos medicamentos que tem permitido que hoje
seja possível controlar ou mesmo curar doenças an-
tes incontroláveis ou incuráveis, como por exemplo
Repercussão na Comunicação Social
algumas doenças do foro oncológico ou infeccioso”.
O presidente da Ordem dos Médicos do Norte sa-
lienta também que “toda a investigação original
comporta riscos, normalmente pequenos”. “Um es-
tudo publicado pelo British Medical Journal refere TVI [17/01/2016]
que, por norma, estes ensaios Morreu o voluntário que es-
A Bial é o tava em morte cerebral, depois de ter sido submetido
clínicos com novas moléculas a um ensaio clínico da Bial. Ele estava hospitalizado
principal comportam riscos de eventos onde decorreram os testes com a molécula experi-
laboratório nacional adversos significativos para mental da farmacêutica portuguesa.
na área da indústria
https://vimeo.com/152138051
os voluntários na ordem dos
farmacêutica e tem 0,3%”, frisa Miguel Guimarães.
dado um contributo Para este responsável do
extraordinariamente CRNOM “toda esta situação,
TVI [18/01/2016]
importante para que envolveu a perda de uma
A Bial garante que está
a investigação e vida humana é de lamentar a trabalhar incansavel-
desenvolvimento da profundamente”. “Mas temos mente para apurar qual foi a causa das complicações
conhecimento que, tal como neurológicas que mataram um dos voluntários do
Medicina. ensaio clínico. A farmacêutica portuguesa tem cola-
sucede em todos os ensaios boradores em França e em Portugal a investigar o que
clínicos, todas as regras in- aconteceu.
ternacionais de boas práticas https://vimeo.com/152182795

clínicas, incluindo a Declara-


ção de Helsínquia e a legislação aplicável, foram
escrupulosamente cumpridas, tendo o estudo sido
devidamente aprovado pelas Autoridades Regula- SIC [20/01/2016]
mentares Francesas e pela Comissão Nacional de “É preciso perceber o que
Ética Francesa”, sustenta. De resto, o estudo estava aconteceu, podem ter ha-
vido alguns factores externos que possam ter tido
a ser desenvolvido em França, “um país com um uma influência negativa”, considerou o presidente do
historial relevante na investigação clínica, que faz CRNOM.
https://vimeo.com/152544099
parte dos países que lideram nesta matéria”.
33

Declarações da Bastonária da Ordem


dos Enfermeiros sobre Eutanásia no SNS
Comunicado do Conselho Nacional Executivo da Ordem Repercussão na Comunicação Social

dos Médicos
[28 Fevereiro 2016]

RTP1 [28/02/2016]
Declarações polémi-

A
afirmaram. Ou viram ou cas da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros
Ordem dos Médicos A Ordem sobre eutanásia.
foi surpreendida dos Médicos não viram, ou praticaram https://vimeo.com/157146920

por declarações da […] desconhece ou não praticaram, ou co-


Bastonária da Ordem dos nhecem casos concretos
concretamente
Enfermeiros que, num pro- ou não conhecem,
qualquer caso
grama radiofónico, afirmou d.) Não denunciar um
taxativa e assumidamente de “eutanásia” crime, se presenciado ou RTP3 [29/02/2016]
Miguel Guimarães,
que a “eutanásia” já é pra- explícita ou de conhecimento con- presidente do CRNOM, comentou a decisão do
ticada nos hospitais por- encapotada nos creto, é cometer um crime, Executivo de avançar com um pedido urgente
de esclarecimentos considerando que “está a
tugueses e que terá visto Hospitais do e.) As palavras assumi-
fazer o que deve ser feito”.
médicos sugerirem a admi- SNS ou noutras damente proferidas pela https://vimeo.com/157124608

nistração de insulina a do- instituições de Senhora Bastonária da


entes em situação terminal Saúde, pelo que Ordem dos Enfermei-
para lhes causar o coma e considera que ros podem enquadrar-
provocar a morte, mesmo os portugueses -se numa violação muito
SIC Notícias
sem ‘pedido’ do doente! grave do Estatuto e Có-
devem manter a [29/02/2016]
Independentemente das digo Deontológico da Or- Miguel Guimarães esteve presente no Jornal
total confiança nos das 12 da SIC Notícias onde esclareceu a posi-
posições individuais rela- dem dos Enfermeiros,
profissionais de ção da Ordem dos Médicos sobre a questão da
tivamente à legalização da eutanásia.
“eutanásia”, o teor destas de- saúde.
A Ordem dos Médicos
https://vimeo.com/157147578
vem informar que:
clarações é extraordinaria-
1.) Desconhece concreta-
mente grave, pois envolve
mente qualquer caso de
médicos e enfermeiros na
“eutanásia” explícita ou encapotada nos
alegada prática encapotada de crimes
Hospitais do SNS ou noutras institui- SIC Notícias
de homicídio em hospitais do SNS. [29/02/2016]
ções de Saúde, pelo que considera que
“O Presidente da Secção Regional do Norte da
Assim, considerando que: os portugueses devem manter a total Ordem dos Médicos considera que as declara-
a.) Se a Ordem dos Médicos não se pro- confiança nos profissionais de saúde. ções da Bastonária dos Enfermeiros ofendem a
nunciasse sobre estas declarações esta- 2.) Irá enviar as declarações da Senhora dignidade de todos os profissionais de saúde”.
https://vimeo.com/157148252
ria a legitimá-las implicitamente, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros
b.) A forma como as declarações são para a IGAS, para o Ministério Pú-
proferidas transmite a ideia de que a blico e para aos órgãos disciplinares
eutanásia possa ser uma prática relati- competentes da Ordem dos Enfermei-
vamente comum e tacitamente aceite ros, para os procedimentos tidos por RTP3 [29/02/2016]
e praticada por médicos e enfermeiros, convenientes. “O Ministério Público
vai investigar os alegados casos de Eutanásia
o que certamente irá prejudicar grave- 3.) Considera que o debate sobre a “eu- no Serviço Nacional de Saúde. A suspeita
mente a confiança dos doentes e dos tanásia” deve continuar para um cor- foi lançada pela Bastonária da Ordem dos
seus familiares nos profissionais de recto esclarecimentos das pessoas, até Enfermeiros. Já a Ordem dos Médicos fala em
difamação irresponsável”.
saúde do SNS, porque continua a verificar-se uma https://vimeo.com/157262496
https://vimeo.com/157261685
c.) Estas declarações não podem passar grande confusão de conceitos, nomea-
em claro com a ligeireza com que foram damente entre eutanásia e distanásia.
proferidas, pois são difamatórias e aten-
Ordem dos Médicos,
tam contra a dignidade de médicos e
28 de Fevereiro de 2016 n
enfermeiros, pelo que devem ser prova- porto canal
das ou inequívoca e formalmente des- [29/02/2016]
“Depois da polémica, a bastonária dos Enfer-
mentidas. Não é tolerável que alguns meiros garante agora que não disse que há
comecem a dizer que já se pratica “eu- casos de eutanásia no Serviço Nacional de
tanásia” nos hospitais porque ‘outros’ o Saúde”.
https://vimeo.com/157298164
34 Tribuna do crn

“Procedimento de controlo de bens”


no IPO do Porto

No final de 2015, o IPO do Nota de imprensa do Conselho Regional do


Porto aprovou uma norma Norte da OM
intitulada “Procedimento
[03 MARÇo 2016]
de controlo de bens do IPO
Secção Regional do Norte
do Porto”, o qual previa Gabinete de Comunicação

operações de controlo
comunicação@nortemedico.pt

frequentes, incluindo a
revista de malas, sacos e até
carros de doentes, utentes e
funcionários. Ministério da Saúde “O Conselho de Administração do IPO do Porto
O CRNOM e os Sindicatos considera ilegais encontra-se subordinado à lei pelo que o hospital
Médicos reagiram de revistas no IPO do que administra tem de cumprir as determinações
do Ministério da Saúde “, refere Miguel Guimarães,
imediato contra esta Porto acrescentando que este é apenas um dos exemplos
medida. Posteriormente

O
de como alguns normativos da tutela são ignorados
o Ministério da Saúde presidente da Ordem dos por esta administração.
veio considerar ilegal Médicos do Norte elogia O presidente da Ordem dos Médicos do Norte lem-
a decisão do Ministério da
o procedimento, o que bra, entre outros, “a polémica relacionada com o
Saúde que considera ilegal o procedi-
mereceu o elogio do incumprimento dos descansos compensatórios
mento para controlo de bens em vigor
presidente do CRNOM, no Instituto de Oncologia (IPO) do
obrigatórios com prejuízo de médicos e doentes”.
conforme Nota de Imprensa Miguel Guimarães deixa ainda a garantia de que “a
Porto. “Esta decisão reflecte as preo- Ordem dos Médicos vai
de 03 de Março. cupações manifestadas pelo Conselho O recurso continuar atenta e, no
Regional do Norte (CRNOM) e pelos a revistas âmbito das suas atribui-
Sindicatos Médicos, e que motiva- pessoais a ções, agirá sempre em
ram a apresentação de uma exposi- trabalhadores, conformidade na defesa
ção junto do Procurador da República doentes, visitantes e dos direitos dos doen-
adjunto do Tribunal Administrativo
demais utilizadores tes e das boas práticas
e Fiscal do Porto”, sentencia Miguel
dos serviços e médicas”. “De resto, es-
Guimarães.
Segundo o responsável do CRNOM, “em resposta organismos do tão neste momento em
ministério só pode investigação situações
ao grupo parlamentar do PCP, o Ministro da Saúde que consideramos ina-
considerou que o recurso a revistas pessoais a tra- ser efectuado nos
ceitáveis envolvendo
balhadores, doentes, visitantes e demais utilizado- termos e condições
interferência externa na
res dos serviços e organismos do ministério só pode estabelecidas na lei relação médico-doente”.
ser efectuado nos termos e condições estabelecidas [art. 174.º do Código Junto com esta nota
na lei [art. 174.º do Código do Processo Penal]”. do Processo Penal]” anexamos ainda as res-
“O que a lei define é que estas revistas só podem ser postas do gabinete do
feitas mediante despacho de autoridade judiciária Ministro da Saúde ao
competente ou efectuadas por órgão de polícia cri- grupo parlamentar do
minal, nos casos em que os visados as consintam ou PCP, bem como a Circu-
aquando de detenção em flagrante por crime a que lar Informativa N.º 02/2016/DSGIRPA da Secreta-
corresponda pena de prisão”, acrescenta. ria-geral do Ministério da Saúde.
Face a esta decisão, a Secretaria-Geral do Minis- Como sempre, o presidente do Conselho Regional
tério da Saúde emitiu uma Circular-Informativa a do Norte, dr. Miguel Guimarães, está disponível
divulgar por todos os serviços e organismos que para qualquer esclarecimento que entendam como
integram o Serviço Nacional de Saúde com vista à necessários.
reposição da legalidade, salientando que tal prática
é ilegal e colide com os direitos, liberdades e garan-
tias dos cidadãos.
35

controlo de bens no ipo-porto

Resposta do gabinete do Ministro da Saúde ao


grupo parlamentar do PCP
[25 Fevereiro 2016]

O recurso a revistas pessoais aos trabalhadores,


doentes, visitantes e demais utilizadores dos TVI [20/01/2016]
serviços e organismos do Ministério da Saúde devem ser “É absolutamente lamentável que o IPO tenha
efetuadas nos termos e condições estabelecidas no artigo avançado com este regulamento e vamos pedir no
Tribunal Administrativo a declaração de ilegalidade
174.° do Código de Processo Penal, mediante despacho desta medida”.
da autoridade judiciária competente ou efetuadas por https://vimeo.com/152425462
órgão de polícia criminal, nos casos em que os visados
as consintam ou aquando de detenção em flagrante por
crime a que corresponda pena de prisão.
Em caso contrário, estas práticas são ilegais e colidem com
os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos (vide artigo
26.° da Constituição da República Portuguesa).
SIC [20/01/2016]
“Vai colocar em causa a intimidade das pessoas
que trabalham no IPO mas também dos próprios
Circular Informativa N.º 02/2016/DSGIRPA da doentes”, afirmou Miguel Guimarães à SIC.
Secretaria-Geral do Ministério da Saúde https://vimeo.com/152437422

[29 Fevereiro 2016]

(…) o recurso a revistas pessoais aos trabalhadores,


doentes visitantes e demais utilizadores dos
serviços e organismos do Ministério da Saúde são ilegais
e colidem com os direitos, liberdades e garantias daqueles
(…) RTP [25/01/2016]
“É uma medida que é mais um disparate do Conselho
O vigilante tem por função “Vigiar e proteger pessoas de Administração do IPO”, criticou o presidente do
e bens em locais de acesso vedado ou condicionado ao CRNOM.
público, bem como prevenir a prática de crimes”, só https://vimeo.com/152958027
https://vimeo.com/153240316
podendo efetuar revistas pessoais nos casos e situações
expressamente estabelecidos na lei (…) (“Realizar revistas
pessoais de prevenção e segurança, quando autorizadas
expressamente por despacho do membro do Governo
responsável pela área da administração interna, em locais
de acesso vedado ou condicionado ao público, sujeitos a
medidas de segurança reforçada”) (…)
Porto Canal [03/03/2016]
Nestes termos, as revistas que redundam numa restrição
“A Ordem dos Médicos do Norte tinha chamado a
dos direitos dos trabalhadores, doentes, visitantes atenção para a ilegalidade do processo e, de resto,
e demais utilizadores de uma qualquer instalação, fizemos uma queixa à Procuradoria Geral da
nomeadamente dos direitos, liberdades e garantias República no sentido de avaliar a legalidade deste
consagrados nos artigos 26.º e 27.º da Constituição da procedimento”, referiu o presidente do CRNOM
República Portuguesa são ilegais.” depois de conhecida a decisão do Minstério da Saúde.
https://vimeo.com/157604406

Auto do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto


[08 ABRIL 2016]

(…) do ponto de vista do princípio da legalidade e RTP [07/03/2016]


de acordo com o critério de objectividade, em face O Ministério da Saúde proibiu o IPO do Porto de
da revogação voluntária do Regulamento denominado realizar revistas pessoais a doentes, familiares
Procedimento para controlo de bens do IPO Porto por ou profissionais de saúde. “Todos os hospitais que
parte do próprio Conselho de Administração do IPO Porto, tenham regulamentos semelhantes ao que o IPO-
verifica-se que foi atingido o fim último dos presentes Porto tinha têm de ser suspensos”, defendeu Miguel
autos. n Guimarães.
https://vimeo.com/158025050
https://vimeo.com/158154581
36 Tribuna do crn

“ACTO MÉDICO ESPORÁDICO”


Informação aos médicos

Nota do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos

Qualquer

O
Conselho Regional do Norte
Do Estatuto da
médico (…) que recorda a todos os Médicos
Ordem dos Médicos:
aceite o convite para, que, nos termos do Estatuto
em Portugal, prestar da Ordem dos Médicos, a prática de Artigo 98º
qualquer acto médico em território na-
serviço ou participar […]
cional implica a sua inscrição na Ordem
em palestra, congresso 5 — Ao exercício de forma ocasional e
dos Médicos. esporádica em território nacional da atividade
ou acção de formação No entanto, e ainda de acordo com o Es- médica, em regime de livre prestação de
que implique a prática tatuto da Ordem dos Médicos, qualquer serviços, por profissionais nacionais de
de actos médicos espo- médico que esteja legalmente estabele- Estados membros da União Europeia e
rádicos poderá fazê-lo cido noutro Estado membro da União do Espaço Económico Europeu, cujas
qualificações tenham sido obtidas fora de
(…) Fundamental é Europeia ou do Espaço Económico Eu-
Portugal aplica-se o disposto no artigo 115.º
que a sua prestação ropeu, que aí desenvolva a sua profissão
de serviços revista de médico e que aceite o convite para, Artigo 115.º
natureza temporária e em Portugal, prestar serviço ou partici- Livre prestação de serviços
ocasional. par em palestra, congresso ou acção de 1 — Os profissionais legalmente estabelecidos
formação que implique a prática de ac- noutro Estado membro da União Europeia
tos médicos esporádicos poderá fazê-lo ou do Espaço Económico Europeu e que
sem que, para isso, necessite de proce- aí desenvolvam atividades comparáveis à
der à sua inscrição na Ordem dos Médi- atividade profissional de médico regulada pelo
presente Estatuto, podem exercê-las, de forma
cos. Fundamental é que a sua prestação de serviços
ocasional e esporádica, em território nacional,
revista natureza temporária e ocasional, isto é, seja
em regime de livre prestação de serviços, nos
esporádica, considerando-se como tal as prestações termos da Lei n.º 9/2009, de 4 de março,
de serviços com duração inferior a 4 semanas*. alterada pelas Leis n.os 41/2012, de 28 de
Neste caso, o médico deverá comunicar à Secção agosto, e 25/2014, de 2 de maio.
Regional territorialmente competente a sua pre- 2 — Os profissionais referidos no número
sença no território português, devendo proceder anterior podem fazer uso do título profissional
à entrega da seguinte documentação: declaração de médico e são equiparados a médico, para
indicando o tempo, o lugar e as circunstâncias da todos os efeitos legais, exceto quando o
contrário resulte das disposições em causa.
prestação do serviço; documento comprovativo do
3 — O profissional que preste serviços,
título de formação; certificado de inscrição num
de forma subordinada ou autónoma ou na
congénere europeu; certificado de idoneidade pro- qualidade de sócio ou que atue como gerente
fissional; certificado de registo criminal; prova de ou administrador no Estado membro de
nacionalidade. Apesar destes médicos não ficarem origem, no âmbito de organização associativa
inscritos na Ordem dos Médicos, ficam, no entanto, de profissionais e pretenda exercer a sua
sujeitos às regras e princípios éticos e deontológicos atividade profissional em território nacional
aplicáveis aos profissionais inscritos na Ordem dos nessa qualidade, em regime de livre prestação
Médicos. de serviços, deve identificar perante a Ordem
a organização associativa, por conta da qual
Salientando que é um dever deontológico de qual-
presta serviços, na declaração referida no
quer médico inscrito na Ordem dos Médicos não
artigo 5.º da Lei n.º 9/2009, de 4 de março,
contribuir, nem encobrir o exercício ilegal da profis- alterada pelas Leis n.os 41/2012, de 28 de
são, o Conselho Regional do Norte apela a todos os agosto, e 25/2014, de 2 de maio. n
Médicos para que, no âmbito das suas actividades,
divulguem e façam cumprir as presentes regras.
* Conforme deliberação do CNE de 01.09.2009
37

Orçamento Geral do Estado 2016


informação relevante para os médicos

Nota do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos


[30 MARÇo 2016]

semana, é considerada a respectiva média no


período de referência de um mês.
4. O presente regime aplica-se às situações em
curso, mediante declaração do interessado, e
produz efeitos a partir do dia 1 do mês seguinte
ao da entrada em vigor da presente lei.
1. Os médicos que à data de entrada em vigor
da presente lei se encontrem na situação de
aposentado com recurso a mecanismos legais de
antecipação ficam abrangidos pelo disposto no
presente regime.
2. A lista de utentes a atribuir aos médicos apo-
Foi publicada a Lei 7-A/2016, de 30 sentados de medicina geral e familiar ao abrigo
de março que aprova o Orçamento do Decreto -Lei n.º 89/2010, de 21 de julho,
Geral do Estado para 2016. alterado pelo Decreto- Lei n.º 53/2015, de 15
Para além de outras disposições, de abril, é proporcional ao período de trabalho
a lei contém dois preceitos com semanal contratado, sendo aplicado, com as
necessárias adaptações, o disposto, nomeada-
grande relevância para os médicos
mente, nos Decretos- Leis n.ºs 298/2007, de
e que aqui se publicitam.
22 de agosto, 28/2008, de 22 fevereiro, e 266
-D/2012, de 31 de dezembro.
3. A aplicação do disposto no presente regime
Assim, nos termos do disposto no artigo 113.º, e pressupõe a ocupação de vaga, sendo que a
quanto à contratação de médicos aposentados, a lista de utentes atribuída é considerada para
lei prevê que: efeitos dos mapas de vagas para os concur-
sos de novos especialistas em medicina geral
1. Em 2016, os médicos aposentados sem recurso
e familiar.
a mecanismos legais de antecipação que, nos
termos e para os efeitos do Decreto- Lei n.º
Quanto aos contratos dos médicos internos que
89/2010, de 21 de julho, alterado pelo Decreto-
não obtiveram colocação na especialidade, o ar-
Lei n.º 53/2015, de 15 de abril, exerçam fun-
tigo 114.º determina que:
ções em quaisquer serviços da administração
central, regional e autárquica, pessoas coletivas 1. Os médicos internos que tenham celebrado
públicas ou empresas públicas, mantêm a res- os contratos de trabalho a termo resolutivo in-
pectiva pensão de aposentação, acrescida de 75 certo com que iniciaram o respetivo internato
% da remuneração correspondente à categoria médico em 1 de janeiro de 2015 e que, por
e, consoante o caso, escalão ou posição remu- falta de capacidades formativas, não tiveram
neratória, bem como o regime de trabalho, de- a possibilidade de prosseguir para a forma-
tidos à data da aposentação. ção especializada, podem, a título excecional,
2. Sem prejuízo do disposto no número anterior, manter-se em exercício de funções.
nos casos em que a actividade contratada pres- 2. Os termos e as condições em que os médicos
suponha uma carga horária inferior à que, nos internos referidos no número anterior exercem
termos legalmente estabelecidos, corresponda funções são definidos por despacho dos mem-
ao regime de trabalho detido à data da apo- bros do Governo responsáveis pelas áreas da
sentação, o médico aposentado é remunerado saúde e das finanças.
na proporção do respetivo período normal de
O disposto no presente artigo produz efeitos a 1 de
trabalho semanal.
janeiro de 2016.
3. Para efeitos do número anterior, se o período
normal de trabalho não for igual em cada Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos n
38 Tribuna do crn

Presença da SRNOM na Comunicação Social


Destaques de outras intervenções sobre temas da
actualidade

Violência doméstica ERRO E Negligência Hospital de Santo


médica Tirso

RTP [14/01/2016]
“Em situações extremas RTP [18/01/2016]
(...) o médico poderá fazer Estima-se que mais de 3 mil
a denúncia da situação”, doentes morram todos os anos
explicou o presidente do CRNOM. por erro, negligência médica
ou hospitalar. Queixosos e advogados
https://vimeo.com/151921248

queixam-se da morosidade da justiça Jornal de notícias


e pela maioria dos casos acabar em [13/01/2016]
arquivamento. A Ordem dos Médicos “O processo de
admite que nunca abriu tantas acções transferência dos
disciplinares como nos últimos anos. hospitais para as misericórdias,
https://vimeo.com/152137835
anteontem anulado pelo Ministério
da Saúde, está a prejudicar o
SIC [14/01/2016] funcionamento do Hospital de Santo
Os médicos vão ficar livres Tirso. No início deste ano, foram
para denunciarem casos transferidos nove médicos de Santo
de violência doméstica. A Tirso para Famalicão por decisão
Ordem dos Médicos emitiu um Parecer da Direcção do Centro Hospitalar
em que incentiva os clínicos a não do Médio Ave (CHMA), denunciou
respeitarem o sigilo profissional nestes o presidente da Secção Regional
casos específicos. “Nestas situações em RTP3 [18/01/2016] do Norte da Ordem dos Médicos
particular, tem o dever de denunciar e “É curioso que o número (SRNOM), Miguel Guimarães. […]
está protegido em termos deontológicos de inquéritos disciplinares Para o dirigente, “não chega dizer
daquilo que é o seu dever de sigilo que passaram na Ordem dos que o hospital não vai passar para a
profissional”, afirmou o presidente do Médicos foi muito superior nos últimos Misericórdia. É preciso devolver-lhe
CRNOM. anos, sobretudo 2013 e 2014, e isto tem os meios humanos necessários para
https://vimeo.com/151922986 a ver, obviamente, com os tempos de que funcione”.
crise, como aliás tem sido relatado
em situações dramáticas que são do
domínio público”, afirmou o presidente
do CRNOM.
https://vimeo.com/152182347

TVI [14/01/2016] SIC [16/01/2016]


“Têm sido muitas as pessoas A Ordem dos Médicos e o
que têm morrido em Sindicato dos Enfermeiros
consequência de violência dizem que a assistência
doméstica e acho que nós todos temos o no Hospital de Santo Tirso pode estar
dever de parar esta situação”, defendeu o Sic [11/02/2016] em risco. O problema estará na falta
presidente do CRNOM. A Ordem dos Médicos de profissionais e de equipamentos,
https://vimeo.com/151921790
arquivou a maior parte das supostamente por causa da
queixas por presumíveis erros passagem do hospital para a gestão
na prática clínica. da Misericórdia. (Essa passagem da
“A maior parte dos casos não têm matéria gestão foi entretanto anulada pelo
suficiente para se concluir que existe erro Governo).
médico ou mau comportamento médico”, (…) Desde o início do ano que o
explicou o presidente do CRNOM. Serviço de Medicina Interna funciona
https://vimeo.com/155008881 com menos quatro especialistas.
Porto Canal [14/01/2016] “Esta especialidade, que é nuclear no
“Eu acho que qualquer apoio ao serviço de urgência, no apoio
um de nós perante uma a todo o internamento do hospital e
situação de que tenhamos no apoio sobretudo àquilo que são os
conhecimento, de que uma pessoa está cuidados de saúde que a população
a ser alvo de maus tratos, de violência de Santo Tirso e arredores necessita,
(...) deveríamos denunciar isso às ficou seriamente colocada em
autoridades competentes”, afirmou questão”, criticou Miguel Guimarães.
Miguel Guimarães. https://vimeo.com/152144659
https://vimeo.com/151923261
39

Experiências de Falta de radiologistas Orçamento para a Saúde


nascimento

RTP [14/02/2016] TVI 24 [17/03/2016]


Porto Canal [28/01/2016] “O Ministério da Saúde O presidente da Secção
“Três mil mães dificilmente pode fazer aquilo que Regional do Norte da
traduzem a opinião de 300 mil, outros países fazem que é Ordem dos Médicos,
sobretudo quando o estudo tentar contratar radiologistas fora do Miguel Guimarães, considera que este
é feito através da Internet e de forma país ou oferecer melhores condições Orçamento de Estado vai ficar aquém do
aleatória”, defendeu o presidente do CRNOM de trabalho aos radiologistas, que era esperado na área da saúde.
relativamente a um estudo sobre as nomeadamente àqueles que estão https://vimeo.com/159328105
https://vimeo.com/159328340
experiências de nascimento em Portugal que apenas no sector privado, que ainda
concluiu que quase metade das mulheres é uma fatia muito significativa”,
inquiridas não teve o parto desejado. defendeu o presidente do CRNOM. entrevista a Miguel
https://vimeo.com/153533929
https://vimeo.com/155362834
Guimarães
Listas de espera nos Fiscalização a médicos
hospitais

RTP3 [16/03/2016]
O presidente do CRNOM
RTP [15/02/2016] esteve no programa
Vai aumentar a fiscalização noticioso 18/20 da RTP3 para
SIC [11/02/2016] de médicos que trabalham comentar a reforma do SNS e outros
“Neste momento há vários no sector público e no temas da actualidade em saúde como as
indicadores que começam privado. A Inspeção-Geral de Saúde diz infecções hospitalares, o Orçamento de
a descer, há serviços que que os hospitais e centros de saúde têm Estado e o II Congresso “SNS: Património
começam a falhar (…) e é obvio que não de reforçar o controlo dos horários. O de Todos” que teve lugar no Porto.
podemos ter um Serviço Nacional de Saúde número de queixas está a aumentar. https://vimeo.com/159329055
com a qualidade que tínhamos com um https://vimeo.com/155390769
investimento tão pequeno”, comentou o https://vimeo.com/155504062

presidente do CRNOM no programa Opinião Reabilitação “a conta


Pública da SIC Notícias. gotas”
“É fundamental que os nossos responsáveis
políticos, nomeadamente o Sr. Ministro da
Saúde, olhe para esta situação e veja que
temos tempos de espera inaceitáveis para
consultas (...) e para cirurgia”, “e perceba
o que está por detrás disto”, defendeu o
RTP [22/02/2016]
presidente do CRNOM.
https://vimeo.com/155011398
“É positivo que a Inspeção
Geral das Actividades em
Saúde faça um combate RTP1 [20/03/2016]
sério à fraude e corrupção mas também Há famílias que acusam os
que promova junto das autoridades centros de reabilitação de
competentes a prevenção deste tipo interromper o tratamento
de situações”, referiu o presidente do dos doentes, independentemente dos
CRNOM. resultados […] o Ministério da Saúde já
https://vimeo.com/156244982 pediu esclarecimentos.
“Na realidade têm havido deficiências
Porto Canal [23/02/2016] nos cuidados de saúde nesta área,
É preciso avaliar os recursos nomeadamente atrasos grandes que
que estão disponíveis nos põem em risco a recuperação funcional
hospitais (...) e a partir daí dos doentes”, denunciou o presidente do
publicar resultados e então implementar CRNOM.
um programa em que seja premiado quem https://vimeo.com/159769391
cumpre com determinado tipo de metas
e indicadores e que não seja premiado, ou
seja eventualmente penalizado, quem não
consegue cumprir”, defendeu o presidente
do CRNOM.
https://vimeo.com/156550848
Taça Corrida dos
da Ordem Campeões
14 · 15 · 21 · 22 Março 23 Maio – 16 Agosto

ORDEM DOS MÉDICOS


Secção Regional do Norte www.nortemedico.pt
Artigo 41

Virtude
do médico
O
Antonieta Dias
Especialista em Medicina Geral e Familiar, Medicina Legal e Medicina Desportiva · Médica no Hospital CUF

médico permanece em silêncio, interior, a liberdade, a beleza espiritual e mo-


observa, descobre, reflecte, vive, ral cujo pilar exprime o eixo do mundo, nos
aprende, traça o seu caminho, re- vários níveis do Universo e do Ser.
comenda a extinção dos vícios, A Virtude é o amor ao próximo, é a conjuga-
fortalece, seleciona a Virtude e a Justiça ção do Saber, da Força e da Beleza.
numa união que determina o percurso des- Estes três pilares tem uma “estrela”, que liga
tinado à obtenção da perfeição no cuidar do o eixo do Mundo e o transforma.
paciente. São as Virtudes que regulam os actos, que or-
“Virtude (do latim: virtus) traduz uma qua- denam as paixões, que iluminam a conduta
lidade focalizada na prática do bem, não é humana de acordo com a Fé, a Razão e as Pai-
uma mera caraterística ou uma aptidão mé- xões purificadas pela Graça Divina.
dica, em que a ciência orienta para a cura, é Para obter a perfeição é necessário inteligên-
também a chama que simboliza a alma, ilu- cia e vontade para ordenar a conduta que as-
mina a vida e enriquece o amor espiritual sociada à Paixão, à Razão, à Fé e à Prudência
que conduz à purificação, determina a evolu- construirão a pirâmide da justiça, do saber da
ção, frutifica e enriquece o saber do médico. ciência e da fortaleza humana.
Segundo Aristóteles, a “Virtude é uma dispo- São os actos moralmente bons que nos aju-
sição adquirida de fazer o bem e se aperfei- dam a agir com cautela, usando a razão para
çoa com o hábito.” nos fazer discernir em todas as circunstân-
É um atributo que se encontra cias o verdadeiro valor da justiça, da liberda-
em conformidade com aquilo de e da arte de bem cuidar.
que se considera correcto ou Ser justo é atribuir aos outros o que lhe per-
O
esperado, o que está de acordo tence, é fortalecer a força do árduo caminho
comportamento com a Moral, Religião e Ética. do percurso do médico, é proporcionar o
do médico A Virtude tem a ver com a equilíbrio espiritual, com a ciência afastar os
conduta, com a dignidade, prazeres do mundo e dominar os instintos,
não se baseia com o modo de vida regrado assegurar a firmeza, ultrapassar as dificulda-
apenas e só na e austero, com o orgulho, que des, afastar os pecados capitais e organizar
desperta para a ciência, apaga as sete virtudes: castidade, generosidade,
ciência, tem que a ignorância e conduz ao uni- temperança, diligência, paciência, caridade e
encontrar o verso do saber. humildade.
É o conhecimento, o condão Exige a preservação da vida e moderação, o
equilíbrio entre “olho que tudo vê”, faculdade treino mental, a concentração meditativa, o
o saber, o ser, e e dom que reflecte a luz do domínio de si mesmo, a compaixão e a Sabe-
Sol e do Espirito que traduz doria. Assim conseguimos modelar e trans-
o cuidar com sempre a prática do bem as- formar adultos inteligentes
humanidade sociado à medicina baseada Em que o “certo” deve ser copiado e o “errado”
na evidência em beneficio do evitado.
doente. Em suma, o comportamento do médico não
A Virtude da profissão médica se baseia apenas e só na ciência, tem que
implica a concretização dos encontrar o equilíbrio entre o Saber, o Ser e o
objectivos, a liberdade, a focalização eficaz da Cuidar com Humanidade. n
ciência associada à humanidade e ao mérito
de cuidar o paciente.
William Shakespeare: “Alguns elevam-se
pelo pecado, outros caem pela virtude.”
Com base na doutrina da Igreja Católica, e
segundo Gregório de Nissa, a Virtude é “uma
disposição habitual e firme para fazer o bem”,
sendo o fim de uma vida virtuosa tornar-se
semelhante a Deus.
A Fé, a Esperança e a Verdade são virtudes
que conduzem à felicidade porque nos apro-
ximam da vida eterna, “vínculo da perfeição”,
simbolizam a dependência da consciência
42 Notícias

A
APEGSAUDE, em parceria com a SR-
NOM, promoveu no dia 21 de janeiro
uma conferência-debate sobre Trata-
mento Cirúrgico Urgente do Acidente
Vascular Cerebral. O evento, realizado no Centro
de Cultura e Congressos da Casa do Médico, jun-
tou cerca de 100 pessoas
e contou com um painel
Numa iniciativa da
de quinze convidados das
Associação Portuguesa de áreas da Neurocirurgia e
Engenharia e Gestão da Neurorradiologia de Inter-
venção da região Norte, bem
Saúde (APEGSAUDE) e da
como de Coimbra e Lisboa,
Secção Regional do Norte e ainda profissionais do sec-
da Ordem dos Médicos tor do transporte (INEM/
CODU) e Unidades de AVC/
(SRNOM) discutiram-se,
Via Verde do AVC. A mo-
num debate interativo que deração ficou a cargo de
contou com a presença Carlos Tomás, presidente da
APEGSAUDE, e de Miguel
de especialistas de várias
Guimarães, presidente do
áreas, os actuais desafios CRNOM, que lançou o de-
no tratamento cirúrgico bate com a seguinte questão:
“Qual o principal desafio, a
urgente do AVC, como a
questão mais sensível, que
organização e transporte, neste momento enfrenta-
e preconizaram-se mos no tratamento cirúr-
gico urgente do AVC?”. A
soluções.
organização foi, no geral, a
palavra-chave da primeira
ronda de intervenções, tanto
ao nível da interconexão entre serviços, como da
gestão de recursos e até, a um nível supra-hospitalar,
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

de articulação das estruturas, como defendeu Elsa


Azevedo, especialista em Neurologia. António Mar-
ques Baptista, director do Serviço de Neurocirurgia
do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho
(CHVNG/E), António Vilarinho, neurocirurgião no
Centro Hospitalar de São João (CHSJ) e vice-presi-
dente da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia,
Maria Luís Silva, directora do Serviço de Neurorra-
diologia do CHSJ – que destacou a organização entre
serviços “e a logística, desde a entrada do doente
no Serviço de Urgência”– e João Xavier, director de
Neurorradiologia do Centro Hospitalar do Porto

em debate (CHP), foram alguns dos intervenientes a alertar

Futuro do
para a necessidade de trabalhar neste sentido, tendo
este último também identificado o transporte entre
hospitais como “ponto muito importante a melho-

tratamento
rar”. “É frequente recebermos dos hospitais da Área
Metropolitana do Porto, para tratamento do enfarte
cerebral agudo, doentes com uma demora de duas

cirúrgico urgente
horas, o que é intolerável”, denunciou. Outros in-
terventores alertaram também para este problema,
como Manuel Ribeiro, neurorradiologista de inter-

do AVC
venção do CHVNG/E, que considerou “um grande
desafio” saber para onde transportar o doente, para
o “hospital certo”. Representando este sector, esti-
veram presentes António Rui Barbosa, da VMER de
Barcelos, e António Taboas, da delegação do Norte
do INEM. “É importante definir os níveis de refe-
renciação”, pois é muito “diferente levar um doente
43

definido para uma Via Verde de AVC, para mais de 65 anos. “Portugal é o sexto país da Europa
o Hospital de Vale do Sousa ou para o Hos- que mais gasta com o AVC em termos absolutos” e “o
pital de São João, Vila Nova de Gaia ou segundo com gastos per capita mais elevados, cerca
Santo António”, referiu António Taboas, de 240 euros”, concretizou. Alberto Antón focou-
alertando para a importância de não per- -se de seguida nas “questões e gastos associados à
der tempo devido a desorganização pré- inovação”, frisando que a Medtronic trabalha neste
-hospitalar e levar logo o paciente para um sentido “para poder ajudar”.
hospital com as condições adequadas. O presidente do CRNOM recordou que, de acordo
Num debate em que, como previsto, nem com dados da OCDE do final de 2015, somos o sé-
todas as posições foram consensuais, timo país, entre 34, com maior taxa de mortalidade
Egídio Machado, responsável da Neuro- nestes casos. “Nós estamos no topo no tratamento
-Angiografia e Neurorradiologia de Inter- do enfarte do miocárdio mas estamos menos bem
venção do Centro Hospitalar e Univer- no tratamento do AVC”, referiu, voltando a reflexão
sitário de Coimbra (CHUC), defendeu a para o que deve ser feito e para a sugestão de pro-
uniformização da “actuação das diferentes postas para melhorar os enumerados pontos fracos.
equipas de intervenção e diferentes cen- De forma a evitar confusões nesta matéria, vários
tros”, fundamentando que “os centros de oradores, como Maria Luís Silva, Jaime Rocha, res-
referência têm que se organizar para dar ponsável da Neurorradiologia do Hospital de Braga,
respostas uniformes”. e José Caldeira Miguens, director do serviço de
Já Rui Vaz, director do Serviço de Neuroci- Neurocirurgia do Centro Hospitalar Lisboa Norte
rurgia do CHSJ e presidente do colégio de (CHLN), sentiram necessidade de diferenciar o
especialidade, deu como exemplo a Ale- AVC isquémico da ruptura de um aneurisma. “São
manha e a Finlândia para argumentar que completamente distintos”, destacou José Caldeira
“não temos de funcionar todos do mesmo Miguens. “O AVC isquémico representa muito mais
modo desde que demos a resposta que é casos em absoluto e é mais exigente em termos de
esperada [assistência] e cumpramos as re- timming, mas menos exigente tecnicamente”, acres-
gras de funcionamento nesta patologia”. centou, fazendo notar que
“Há realidades diferentes em cada área”, enquanto que o AVC isqué-
“não temos de criar um modelo único”, “É frequente mico “raramente carece
mas “criar condições dentro de cada ARS, recebermos dos de tratamento cirúrgico”,
dentro de cada zona”, adaptadas às especi- hospitais da Área sendo actualmente “um
ficidades locais, defendeu. Rui Vaz garan- Metropolitana problema eminentemente
tiu, com base em dados factuais, que “não do Porto, para radiológico”, no caso dos
houve êxodo nos quadros profissionais” tratamento do aneurismas a abordagem
entre 2013 e 2015, instigando a reflexão enfarte cerebral se divide entre a Neuro-
sobre a razão pela qual têm existido per- agudo, doentes com cirurgia e a Neurorradio-
turbações no funcionamento da rede, que uma demora de logia de Intervenção. “São
duas horas, o que é procedimentos que dificil-
no seu entender resultam de uma organi-
intolerável”
zação deficitária. mente se fazem de modo
joão xavier
Para Carla Ferreira, da Unidade de AVC adequado a meio da noite,
do Hospital de Braga, é necessário “estu- “Nós estamos no por exemplo”, com o espe-
dar o país, estudar a epidemiologia dos topo no tratamento cialista “sem estar descan-
AVC e a distribuição dos médicos das di- do enfarte do sado, sem ter as melhores
versas especialidades e planear o futuro”, miocárdio mas condições”, argumentou.
defendendo igualmente soluções susten- estamos menos “É também muito exigente
tadas nas realidades regionais. Também bem no tratamento no pós-operatório, porque
da Unidade de AVC do Hospital de Braga, do AVC” a cirurgia é só uma parte,
João Diogo afirmou que se devem lançar miguel guimarães e a taxa de complicações,
os “princípios científicos médicos para a principalmente no pós-
organização da rede que têm de ser res- -operatório, é enorme”,
peitados, tendo em atenção a população, a concluiu. Opinião parti-
incidência do AVC, o número de tratamentos trom- lhada pela directora do Serviço de Neurorradiologia
bolíticos que se fazem nos hospitais e os doentes que do CHSJ, que frisou ser preferível, “para bem do do-
teriam indicação para isso”. ente”. “A única situação em que efetivamente o minuto
Convidado desta iniciativa, Alberto Antón, respon- conta, e conta mesmo, é na trombectomia”, continuou
sável ibérico pela área neurovascular da Medtronic, Maria Luís Silva.
destacou o “papel diferente” dos outros intervenien- Por fim, houve espaço para intervenções da assistên-
tes, representando o sector da Indústria. Com base cia, tendo, por exemplo, Celeste Dias, responsável
numa notícia de 2013, explicou, sustentado no re- pela unidade de cuidados neurocríticos do CHSJ,
latório do Grupo de Trabalho para a Prevenção do sublinhado que importava “pensar não só na fase
AVC, que os acidentes vasculares cerebrais são a pri- hiperaguda mas também sensibilizar a sociedade
meira causa de morte em Portugal em pessoas com civil” para os sintomas do AVC. n
44 Notícias

14.º Congresso
Nacional de
Bioética
7.º Fórum
Luso-Brasileiro
de Bioética

Cuidados
paliativos
na criança:
um caminho
a percorrer
A Secção Regional do Norte da
Ordem dos Médicos (SRNOM)
acolheu, nos dias 12 e 13 de
Fevereiro, o 14.º Congresso
Nacional de Bioética e o 7.º
Fórum Luso-Brasileiro de
Bioética. Dedicado à reflexão
sobre os “cuidados paliativos

A
SRNOM voltou a acolher tem tido em “antecipar os problemas e em debatê-
na criança”, o evento contou a reunião nacional dos -los quando chegam mais tarde à cena pública”,
com a presença do Secretário especialistas em bioética, remetendo para o exemplo recente da morte me-
numa edição que abordou um dicamente assistida. Finalmente, o especialista
de Estado Adjunto e da Saúde tema “muito específico e segmen- em bioética dirigiu uma palavra especial a Miguel
e constituiu oportunidade tado” como é o caso dos cuidados Guimarães, presidente do Conselho Regional do
para a atribuição do Prémio paliativos em idade pediátrica, mas Norte da Ordem dos Médicos e também presidente
também “muito importante” – nas honorário deste Congresso, pela qualidade do seu
Nacional de Bioética a Rui palavras de Rui Nunes, presidente trabalho na liderança da instituição: “Vemos com
Nunes, professor catedrático da Associação Nacional de Bioé- muito gosto a sua capacidade em dinamizar, não
da Faculdade de Medicina tica – “pela sua natureza”, “pela apenas os princípios da ética médica, mas também
vulnerabilidade das pessoas que esta nova visão de que a Medicina tem um papel
da Universidade do Porto estão em causa” e “pelas carências central na sociedade portuguesa, não para servir os
(FMUP). enormíssimas” que existem neste médicos, mas, sobretudo, para servir a sociedade e
domínio, “tanto em Portugal como as pessoas”.
no Brasil”. Na sessão de abertura Parceira na organização do evento, a FMUP esteve
Texto Nelson Soares › Fotografia Digireport

do evento, o também professor representada pela sua directora na sessão inaugural.


catedrático da FMUP considerou Maria Amélia Ferreira valorizou a possibilidade que
que, nesta matéria, existe a “necessidade de formu- a instituição teve neste congresso de “integrar-se
larmos políticas públicas adequadas e consentâneas na discussão” de um tema de “grande actualidade”,
com os valores mais representativos das sociedades “numa área muito específica, mas de enorme inte-
portuguesa e brasileira”. resse social”. A responsável aproveitou a oportu-
Na qualidade de anfitrião, Rui Nunes deixou vá- nidade para anunciar a aprovação pelo senado da
rios agradecimentos às entidades parceiras do Universidade do Porto de um programa de douto-
Congresso Nacional de Bioética e do Fórum Luso- ramento em cuidados paliativos na sua faculdade,
-Brasileiro, dando nota da capacidade que o evento que se encontra em tramitação na Agência Nacional
45

desafios que se colocam a esta disciplina,


como determinar as “ações que convergem
no ético desempenho da Medicina” e “o
exercício da cidadania em tempo integral”.
Agradecendo a Rui Nunes o convite para
ser presidente honorário do Congresso,
Miguel Guimarães elogiou a capacidade
que o organizador tem tido em “discu-
tir assuntos de relevância ética e que têm
sido fraturantes na sociedade portuguesa”,
como foi o caso do Testamento Vital. So-
bre o tema do encontro, o presidente do
CRNOM sublinhou a sua pertinência e
considerou que há ainda um longo cami-
nho a percorrer no país para se optimizar
a resposta a nível dos cuidados paliativos.
“Temos uma legislação muito interessante,
mas que ainda não tem a aplicação prática
que deveria ter. O facto de os cuidados
paliativos estarem associados aos cuida-
dos continuados – sendo áreas diferentes
– impede a existência de uma rede espe-
cializada e acessível a todos”.
Presença especial nesta sessão de aber-
tura, o Secretário de Estado Adjunto e da
Saúde fez um profundo enquadramento
das necessidades actualmente existentes
no país ao nível dos cuidados paliativos
nas crianças. Fernando Araújo enfatizou
a necessidade de “promover a formação
e treino adequado dos profissionais”, in-
tegrados em “equipas multidisciplinares
capazes de dar resposta às novas necessi-
dades dos utentes do SNS”. “A capacitação
dos profissionais de saúde é o único ga-
rante da resiliência do sistema face a mu-
tações pontuais”, aprofundou, sugerindo
que a aquisição de competências “não
pode restringir-se aos aspectos clínicos”,
antes deve também “abarcar as áreas da
bioética, comunicação e apoio no adulto”.
Fernando Araújo recordou as estimativas
que apontam para cerca de 6 mil crianças,
em Portugal, com necessidades de cui-
dados paliativos, das quais 200 morrem
anualmente e quase todas nos hospitais.
de Acreditação (A3ES). “Esta Na perspectiva do governante, esse facto
área cruza com a Medicina resulta do “foco excessivo na interven-
integrativa e social, que é algo ção médica”, que provoca fragmentação
que também queremos desen- e descoordenação, bem como da falta de
volver. Este cruzamento é de apoio domiciliário. “A criança tem, neces-
tal forma importante que depende de todo o sec- sariamente, de ser o elemento transversal a todas as
tor e não só das instituições de ensino superior”, valências do SNS”, concluiu o Secretário de Estado.
acrescentou. A cerimónia de abertura deste 4.º Congresso Na-
Representando a ponte com o Brasil, o presidente cional ficou concluída com a atribuição do Prémio
do Conselho Federal de Medicina considerou que Nacional de Bioética – Prof. Luís Archer 2015. Num
este encontro é a “confrontação de uma bioética júri composto por Guilhermina Rego, Stella Barbas
lusófona” que contribui para “a manutenção das e Amado Martins, a distinção foi votada unanime-
nossas raízes morais e éticas dentro de um padrão mente e atribuída a Rui Nunes, presidente da Asso-
mundial”. Carlos Vital considerou o tema dos cui- ciação Portuguesa de Bioética, director do Departa-
dados paliativos como tendo uma “relevância es- mento de Ciências Sociais e da Saúde da FMUP e
pecial dentro das questões bioéticas” e falou dos professor catedrático desta instituição. n
46 Notícias

PRÉMIO
BANCO CARREGOSA/
SRNOM
investigação clínica

Conselho
Regional
cumpre
objectivo
de premiar
investigação
clínica
É a mais recente distinção nacional na
área das Ciências da Saúde e cumpre com
um objectivo, assumido pela direcção do
Texto Nelson Soares › Fotografia Nuno Almeida

Conselho Regional do Norte da Ordem


dos Médicos (CRNOM), de valorizar a
importância da investigação clínica para
a Medicina. O Prémio Banco Carregosa /
SRNOM, que resulta de uma parceria com
a conhecida entidade financeira do Porto,
teve o seu primeiro acto formal a 5 de
Fevereiro e será entregue no dia em que se
comemora o Serviço Nacional de Saúde.

A
Secção Regional do Norte da Ordem um “significado especial”, uma vez que “cumpre
dos Médicos e o Banco Carregosa for- com uma das determinações dos estatutos da Or-
malizaram, a 5 de Fevereiro, o anúncio dem dos Médicos, que é contribuir para promover
de um novo prémio nacional na área a investigação no nosso país”. Por outro lado, recor-
das Ciências da Saúde: o Prémio Banco Carregosa/ dou o presidente do CRNOM, “criar um prémio de
SRNOM. O galardão visa distinguir projectos de in- investigação que estimulasse os médicos a investi-
vestigação clínica nacionais, em curso ou realizados rem mais” neste domínio constituía um “objectivo
há menos de um ano, atribuindo um prémio global traçado no programa eleitoral”. O presidente do
de 25 mil euros. CRNOM considerou também que a investigação
A iniciativa, descreveu Miguel Guimarães na ceri- clínica é um sector com “excelentes condições em
mónia protocolar de instituição do prémio, assume Portugal” e com potencial de crescimento futuro,
47

em “continuar a patrocinar um
prémio desta natureza por mui-
tos anos”, foram os “valores em
comum com a Ordem dos Mé-
dicos” que levaram o banco a
apadrinhar o prémio.
Coordenador desta parceria por
parte da Ordem dos Médicos,
Alexandre Figueiredo agrade-
deixando finalmente um O Prémio Banco ceu o apoio do Banco Carregosa
agradecimento às duas per- Carregosa/SRNOM tem “num momento de tantas difi-
sonalidades que construí- o valor de 25 mil euros culdades que estamos a atraves-
ram este projecto comum: e será atribuído em sar e num momento particular-
Alexandre Figueiredo, por cerimónia a realizar mente difícil para quem está no
parte da Ordem dos Médi- terreno”. O dirigente do Con-
a 15 de Setembro de selho Distrital do Porto recor-
cos, e Pedro Duarte, CEO
2016, no âmbito das dou que a investigação “é muito
do Banco Carregosa.
“Com muito gosto” a abra- comemorações do Dia do pouco ajudada em Portugal”,
çar este projecto, a pre- Serviço Nacional de Saúde. sobretudo na sua vertente clí-
sidente do Conselho de A recepção das nica, e é também de difícil arti-
Administração do Banco candidaturas decorre até culação com o exercício clínico.
Carregosa, Maria Cândida ao dia 15 de Junho. “Para quem trabalha todos os
Rocha e Silva, considerou dias torna-se muito difícil con-
que o apoio a iniciativas so- seguir ter disponibilidade para
cialmente relevantes é uma realizar este trabalho”, fez notar
responsabilidade da sua o responsável, reconhecendo
instituição bancária. “Entendemos que que esta aposta “é muito importante para a evolução
o banco deve devolver à sociedade – que da Medicina e, como tal, é um desígnio importante
é quem lhe dá a possibilidade de obter para a Ordem dos Médicos”.
resultados – condições que possam con- O Prémio Banco Carregosa/SRNOM encontra-se
tribuir para a sua melhoria. Neste caso, em fase de recepção das candidaturas, que se pro-
colocarmo-nos como suporte da investi- longa até ao dia 15 de Junho próximo. A selecção
gação é um gosto, e também uma obrigação”, subli- dos projectos vencedores será feita por um júri,
nhou a responsável, justificando esta aproximação constituído pela administradora do banco Maria
inédita à área da Saúde. Cândida Rocha e Silva, por Alexandre Figueiredo,
Pedro Duarte subscreveu o “imenso orgulho” da representando a direcção da SRNOM, e por Manuel
instituição bancária portuense em participar deste Sobrinho Simões e António Sarmento, estando pre-
projecto de uma forma, sublinhou, “absolutamente vista ainda a inclusão de mais três membros nome-
independente e sem qualquer outro interesse que ados. A atribuição será feita em cerimónia pública,
não seja a promoção médica, científica e de inves- a 15 de Setembro, dia em que se assinala o aniver-
tigação”. Para o CEO, que manifestou esperança sário da criação do Serviço Nacional de Saúde. n
48 Notícias

PRÉMIO 2. Serão considerados trabalhos ele- a constituição de direitos de autor

BANCO CARREGOSA/ gíveis aqueles que se encontrem em


curso e os concluídos, desde que há
ou de propriedade industrial, nos ter-
mos da Lei em vigor.
SRNOM menos de um ano relativamente à
data da sua proposta.
4. Os prémios serão atribuídos às
três candidaturas que recolherem a
3. Será condição de elegibilidade a maioria dos votos na reunião do júri
publicação e divulgação dos traba- para tomada de decisão, a qual será
lhos ou dos resultados, em uma ou devidamente fundamentada.
mais revistas das especialidades em 5. Da reunião do júri, referida no nú-
Ordem dos Médicos causa, indexadas e com índice de mero anterior, será elaborada uma
Secção Regional do Norte
impacto. acta.
Artigo 3.º – Propostas 6. A lista dos premiados será afixada
REGULAMENTO PARA A na Secção Regional do Norte da Or-
1. O Prémio Banco Carregosa / SR-
ATRIBUIÇÃO DO PRÉMIO dem dos Médicos, podendo os pro-
NOM será divulgado através de
BANCO CARREGOSA / SECÇÃO ponentes não selecionados apresen-
anúncio a publicar no site oficial da
REGIONAL DO NORTE DA tar reclamação da decisão, no prazo
SRNOM – www.nortemedico.pt,
máximo de 5 dias.
ORDEM DOS MÉDICOS onde constará a referência expressa
ao prazo limite para a apresentação 7. Findo este prazo, o júri apreciará
entre: e deliberará sobre as reclamações
das candidaturas.
Secção Regional do Norte da apresentadas, no prazo máximo de 5
Ordem dos Médicos e 2. As propostas de candidatura ao
dias, fundamentando a decisão.
Banco L. J. Carregosa, SA Prémio Banco Carregosa / SRNOM
deverão ser entregues em impresso Artigo 5.º – Atribuição dos Pré-
próprio na Secção Regional do Norte mios
da Ordem dos Médicos, devida-
Artigo 1.º – Objecto 1. O Prémio Banco Carregosa / SR-
mente instruídas com toda a do-
1. O presente Regulamento tem NOM será atribuído em cerimónia,
cumentação necessária à demons-
por objecto disciplinar as regras de a realizar em 15 de Setembro de 2016,
tração e comprovação do trabalho
funcionamento e atribuição do Pré- nas comemorações do Dia do Ser-
desenvolvido e dos resultados alcan-
mio Banco Carregosa / SRNOM nos viço Nacional de Saúde.
çados.
termos do disposto no Protocolo de 2. O Prémio Banco Carregosa / SR-
3. Após a apresentação das candi-
Colaboração celebrado entre estas NOM terá uma periodicidade anual,
daturas, o júri poderá solicitar aos
duas Instituições em 5 de Fevereiro devendo o Banco Carregosa e a SR-
candidatos documentos e/ou escla-
de 2016. NOM decidir, até 15 de Janeiro de
recimentos adicionais, bem como
2. O Prémio Banco Carregosa / SR- cada ano civil, da sua atribuição, da
requerer aos candidatos a sua pre-
NOM é uma distinção que foi institu- sua finalidade e do montante pecu-
sença em reunião de avaliação.
ída pela Secção Regional do Norte da niário.
Ordem dos Médicos, nos termos da Artigo 4.º – Júri
Artigo 6.º – Disposições Diversas
deliberação do Conselho Regional do 1. A atribuição do Prémio Banco Car-
Norte de 21 de Setembro de 2015, com 1. A coordenação do processo de
regosa / SRNOM é decidida por um
a finalidade de apoiar e incentivar a apresentação de candidaturas, de
Júri de Seleção e Atribuição constitu-
investigação científica na área clínica funcionamento do Júri de Selecção e
ído por um número ímpar de mem-
em Portugal, à qual se associou o de atribuição do Prémio Banco Carre-
bros.
Banco Carregosa a fim de contribuir gosa / SRNOM será da competência
2. O Júri será integrado por um mí- da SRNOM.
para o desenvolvimento da medicina
nimo de três elementos de reco-
portuguesa. 2. A alteração das regras previstas no
nhecido mérito científico e clínico
3. O Prémio Banco Carregosa / SR- presente regulamento são da com-
designados por acordo entre o
NOM tem o valor de 25.000 euros, petência do Banco Carregosa e da
Banco Carregosa e a Secção Regio-
concedido pelo Banco Carregosa. SRNOM.
nal do Norte da Ordem dos Médicos
4. A importância acima referida será e ainda por um representante do 3. Em qualquer caso omisso, a res-
distribuída num prémio no valor de Banco Carregosa, a designar por esta pectiva decisão será da competência
20.000 euros e em duas menções instituição e por um representante exclusiva do Júri.
honrosas, de 2.500 euros cada uma. da Secção Regional do Norte da Or-
Porto, 5 de Fevereiro de 2016
dem dos Médicos, a nomear pelo seu
Artigo 2.º – Elegibilidade presidente. A Secção Regional do Norte da
Ordem dos Médicos
1. O Prémio Banco Carregosa / SRNOM 3. Os critérios de seleção dos traba-
destina-se a reconhecer o mérito e lhos a premiar serão definidos pelos O Banco Carregosa
a galardoar pessoas singulares ou membros constituintes do Júri de
coletivas pelo trabalho desenvolvido Seleção e Atribuição, sendo tido em (Regulamento também disponível em
e alcançado em investigação clínica. conta, como critério de desempate, www.nortemédico.pt)
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Reunião entre
a Organización
Médica Colegial de
Espanha e a Ordem
dos Médicos

Unificar a
representação
profissional da
classe médica a
nível europeu
A Secção Regional do Norte da
Ordem dos Médicos acolheu, no
passado dia 19 de Fevereiro, um
encontro entre as associações
profissionais de médicos
espanhola e portuguesa. Foi a
terceira de uma série de reuniões
em que a Ordem dos Médicos
Texto Nelson Soares › Fotografia Nuno Almeida

(OM) e a Organización Médica


Colegial (OMC) de Espanha
procuram alinhar posições
comuns, sejam no domínio
da ética e deontologia ou das
políticas de saúde. Um dos
principais temas abordados
nesta “cimeira ibérica” foi
mesmo a apresentação de uma
proposta conjunta no sentido de
unificar a representação
Secção Regional do Norte
profissional da classe
médica a nível europeu.
ORDEM DOS MÉDICOS

Sobre esta e outras


questões registamos as
palavras do presidente
do Conselho Geral
da OMC, Juan José
Rodríguez Sendín, e do
bastonário da OM, José
Manuel Silva.
50 Notícias

prosseguir com o trabalho e a metodolo-


gia em busca de um código deontológico
comum. Os nossos códigos têm muitís-
simas semelhanças e parece-nos opor-
tuno que possamos construir um futuro
deontológico comum. Chegamos a um
consenso de o tentar fazer em conjunto,
podendo criar um grupo de trabalho
que cruze os dois códigos deontológicos.
Uma das matérias abordadas foi a pro-
posta e fusão das organizações mé-
dicas europeias. Quer-nos explicar
melhor?
“A estrutura das organizações médicas
na Europa procedem de uma época
que já está ultrapassada. A Europa ti-
nha múltiplas nações e necessitávamos
de várias associações. Hoje temos um
parlamento comum, que toma decisões
importantes de âmbito sanitário e que
exigem uma resposta integrada. Mas
isso não é possível quando temos 11
organizações médicas diferentes e que
actuam de forma diversa.
Não existe uma voz única...
Sim. Falta-nos um parlamento médico,
por assim dizer. O que está a acontecer
na Europa em termos de saúde – e tam-
bém por causa do tratado de livre comér-
cio – é extraordinariamente importante
e vai condicionar de forma determinante
o futuro. Vai sobrar pouco para decidir
em cada um dos países, isoladamente.
Juan José Rodríguez Sendín O que decidimos foi apresentar – numa
Presidente da Organización Médica Colegial reunião que vai acontecer em Viena –
uma proposta concreta para unificar as
“O ataque sobre a Saúde, não organizações em duas grandes associa-
é de Portugal ou de Espanha, ções (n.d.r.: a “Union Européenne des
Médecins Spécialistes”, de cariz técnico-
é global” -científico; e o “Comité Permanent des
Médecins Européens”, para as questões
ético-deontológicas).
(nortemédico) – O que motivou este en-
contro entre a OMC e a OM no Porto? Acha que essa proposta vai ser bem acolhida
José Sendín – É parte de um acordo de pelos parceiros? Acha possível que se concretize?
colaboração conjunta e permanente en- “Mais do que possível, vai ser quase obrigatória,
tre ambas as organizações. Não é um se querem influenciar algo. Se [os médicos] não
acto isolado. É já a terceira ou quarta participam, se não têm uma posição concreta e bem
reunião, nas quais discutimos situações definida, vão estar em clara desvantagem em rela-
de interesse comum – e que acabam por ção a outras profissões de saúde que já o fazem – en-
ser a grande maioria. fermeiros e farmacêuticos – ou a própria indústria
farmacêutica.
Que situações, em concreto?
Desde logo, definir o programa da próxima reunião Os últimos anos representaram, em Portugal,
que vamos fazer em Coimbra com todas organiza- recuo do investimento público para o sector da
ções médicas ibero-americanas. Falamos também Saúde, com implicações na actividade médica.
das consequências para a saúde dos tratados de Em Espanha passou-se algo de semelhante. Com
livre comércio, que neste momento se estão a ne- que desafios estão os médicos espanhóis con-
gociar entre a Europa e os Estados Unidos. É uma frontados neste momento?
questão que nos coloca grandes preocupações, Eu vou dizer que o ataque – porque se trata de uma
com implicação em ambos os países e nos respec- guerra económica – feito pelos interesses comer-
tivos serviços de saúde. Falamos também de como ciais sobre o sector da Saúde, não é de Portugal ou
51

de Espanha, é global. Uma das consequências do Medicina. É fácil o entendimento nestas matérias,
tratado de livre comércio, que falei há pouco, é essa: que são transversais entre os médicos de todo o
queremos emular o modelo dos Estados Unidos, mundo. Claro que há depois interesses que se en-
onde uma boa parte da população não tem direitos trecruzam e que têm a ver com as organizações
garantidos. Ou seja, a ideia de que as pessoas têm dos sistemas de saúde que conduzem a algumas
acesso à Saúde em função dos rendimentos de que diferenças. Mas aqui não há nenhuma divergência,
dispõem. Isso é terrível, tremendo! Contraria toda porque tudo tem a ver com os princípios huma-
a história e cultura recente da Europa. As pessoas nistas do exercício, da organização e prestação dos
não morrerem por falta de dinheiro foi algo que os cuidados médicos.
europeus conquistaram, de uma forma ou de outra,
Relativamente aos objectivos desta sessão, acre-
nos últimos 100 anos.
dita na possibilidade de uma integração das
Essa cultura está ameaçada? estruturas europeias representativas da classe
Os ataques são permanentes! É a ânsia do lucro, médica?
dos mercados, usando a Saúde para obter renta- Há total sintonia nesta matéria entre Espanha e Por-
bilidade. Veja o que ocorreu com o ‘Sovaldi’ – o tugal. Aliás, já tínhamos apresentado uma proposta
medicamento para a Hepatite C. O mercado não numa reunião em Praga para que este princípio
tem compaixão de nada, fosse incorporado nas conclusões finais, mas foi
é um monstro insaciável algo que não foi concretizado. Pretendemos agora
– e nós sabêmo-lo – pelo elaborar uma proposta concreta, que vamos apre-
que o que têm de fazer os sentar na reunião em Viena, que estabeleça um ob-
governos e os médicos é jectivo real, para os próximos dois anos, de unifica-
tentar limitar as preten- ção das organizações europeias. Elas têm andado
sões dos mercados. O demasiado dispersas e isso tem enfraquecido e fra-
mercado quer ganhar di- gilizado as posições médicas na Europa.
nheiro, quer lá saber se as
Estamos, de facto, perante um contexto amea-
pessoas morrem de fome
çador para a classe médica?
ou não têm sítio para
Como referiu o Dr. Juan Sendín, há um ataque ao
viver! E o que vai acon-
princípio da solidariedade na prestação de cuidados
tecer com os tratados de
de saúde. À perspectiva social da vida na Europa.
livre comércio é que vão
Isso é extremamente preocupante e exige que os
deixar sem poder – sem
médicos estejam unidos em defesa dos doentes.
boa parte do poder que
Para isso temos de ter uma voz forte a nível euro-
têm – os Estados e os
peu, defendendo o direito de acesso dos cidadãos
Governos. Os mercados
europeus a cuidados de saúde de qualidade, a um
vão desregular as capaci-
preço acessível. Isso colide com várias questões.
dades de reposta que os
Designadamente esta do Tratado Transatlântico,
Estados têm e, para mim,
que pretende eliminar fronteiras ao comércio sem
isso é um atentado demo-
haver um governo global do planeta, ou seja, desre-
crático sério e que tem
gulando esse monstro insaciável do mercado. Se o
consequências directas
mercado deixar de ter fronteiras – e é isso que está
na saúde.
previsto nas regras do tratado – há o risco de que as
regras comerciais se sobreponham à própria auto-
nomia e regulação dos países. Isso é absolutamente
inaceitável e traria uma desregulação nos cuidados
José Manuel Silva de saúde, tornando-a ainda mais desigual para os
Bastonário da Ordem dos Médicos
cidadãos portugueses, espanhóis e europeus. n

“As organizações
médicas europeias (nortemédico) – Regis-
tando as palavras do
têm andado presidente da OMC, po-
demasiado dispersas” demos concluir que as
preocupações dos mé-
dicos espanhóis são as
mesmas dos médicos portugueses?
José Manuel Silva – Podemos dizer que sim. Não
tem havido, de facto, nenhuma divergência entre a
Ordem dos Médicos espanhola e portuguesa. Isso
tem a ver com natureza da profissão médica e com
a sensibilidade humana e social do exercício da
52 Notícias

Recepção aos favorecer um contacto inicial com temas muito re-


levantes para a formação dos internos, palestrados
Internos do 1.º por colegas de prestígio nacional e internacional.
Ano da Formação Na abertura do evento, dia 21, estiveram repre-
sentados o CRNOM, na pessoa do seu presidente,
Específica em Miguel Guimarães, o Colégio de Cirurgia Geral
Cirurgia Geral da OM, pelo presidente do conselho diretivo, a
Sociedade Portuguesa de Cirurgia, pelo seu presi-
dente, Jorge Maciel, e ainda a Comissão Nacional

Texto Inês Ferreira › Fotografia Medesign


do Médico Interno, também pelo respetivo pre-
sidente, Edson Oliveira. Pedro Coito defendeu
uma “formação estruturada desde o início para
os internos de cirurgia”, considerando que este
evento reflecte o “notável interesse” dos jovens
médicos, “vontade de aprender” e “entrosamento
da especialidade”. A afluência de interessados le-
vou o presidente do Colégio de Cirurgia Geral a
afirmar que “é provável
que o curso passe a ro-
dar pelas três secções
“Virámos regionais”, abrangendo
mais pessoas.
uma página
O presidente do CR-
naquilo que NOM dest acou que
eram as não “este programa pode-
relações entre ria ser transversal a

Uma formação
estas duas todas as especialida-
entidades, des cirúrgicas”. Depois

estruturada
dirigiu-se aos internos,
agora
justificando desde logo
culminamos
para os Internos
“o alerta para aspectos
com a extraordinar iamente
realização
de Cirurgia
importantes” do seu
deste curso futuro como médicos,
conjunto”
Geral
no exercício da Medi-
Pedro Coito
cina. “Basta pensar na
comunicação, no erro
médico, nas boas práti-
cas, no atuar de acordo
com os princípios éticos

O
Numa abordagem pioneira, o Colégio da Espe- e deontológicos que devem nortear sempre a vossa
cialidade de Ci- conduta”, enumerou.
Colégio de Cirurgia Geral da OM e a
rurgia Geral da Congratulando-se com esta nova iniciativa, “de
Sociedade Portuguesa de Cirurgia Ordem dos Médicos pro- saudar”, e felicitando os responsáveis pela sua
organizaram, em janeiro, um Curso moveu, em conjunto com organização, Miguel Guimarães apelou à inter-
a Sociedade Portuguesa de venção dos futuros especialistas não apenas na
de Recepção aos Internos do 1.º Ano
Cirurgia (SPC), um Curso área médica mas também cívica. “Antes de serem
da Formação Específica em Cirurgia de Recepção aos Internos cirurgiões são médicos, e é fundamental que se-
Geral. O presidente do CRNOM do 1.º Ano da Formação jam os primeiros a exigir qualidade na forma-
Específica em Cirurgia ção. Ao Colégio, à Sociedade e à Ordem”, referiu.
esteve presente na Sessão de
Geral, que se realizou nos “Lamentamos que nem todos tenham tido vaga”,
Abertura, onde saudou a iniciativa dias 21 e 23 de janeiro no acrescentou, justificando a necessidade de asse-
e deixou alguns conselhos ao jovens Centro de Cultura e Con- gurar qualidade na formação pós-graduada face
gressos da SRNOM. “Virá- ao elevado número de candidatos e realçando que
médicos.
mos uma página naquilo aos médicos formados em Portugal acresciam os
que eram as não relações que se formaram no estrangeiro mas pretendem
entre estas duas entidades, tirar a especialidade em Portugal. “Comuniquem
agora culminamos com a realização deste curso irregularidades à Ordem”, continuou, explicando
conjunto que já vinha sendo pensado e falado de há que só assim ela pode intervir nessa matéria. Para
dois ou três anos”, afirmou o presidente do Colégio finalizar reiterou o pedido para que os internos se-
de Cirurgia da Ordem dos Médicos, Pedro Coito, na jam “mais interventivos na sociedade civil” e “não
sessão inaugural. Esta iniciativa pioneira pretende deixem o seu raio de ação limitado à Medicina”. n
2O16

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54 Notícias

Efeitos de placebo,
curas e meditação:
tema controverso que
merece divulgação

O Centro de Cultura e
Congressos da SRNOM voltou

Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport


a ser palco para o Simpósio
da Fundação Bial “Aquém e
Além do Cérebro”, que nesta
11.ª edição convidou a reflectir
sobre “Efeitos de placebo, curas
e meditação”.
Na sessão inaugural, José
Manuel Silva, bastonário da
Ordem dos Médicos, reconheceu
que “a medicina clássica
desprezou erradamente o
efeito placebo” e que este
tópico merece investigação e
divulgação.

11.º Simpósio da
Fundação Bial
“Aquém e Além
do Cérebro”
55

“Os assuntos, O bastonário da Ordem dos Mé-


polémicos ou não, dicos usou também da palavra,
referindo que “sem dúvida a Bial
devem ser tratados
e a Fundação Bial são duas insti-
com honestidade tuições de grandes desafios e de

A
Casa do Médico acolheu, e transparência, grandes êxitos”, e congratulando
entre os dias 30 de março e procurando-se as a organização por se “atrever a
2 de abril, o 11.º Simpósio soluções que mais abordar este tema fascinante”. José
“Aquém e Além do Cérebro”, pro-
e melhor possam Manuel Silva sustentou que “a Me-
movido pela Fundação Bial, que dicina clássica desprezou errada-
nesta edição se centrou no estudo beneficiar as pessoas”
Luís Portela
mente o efeito placebo e o campo
dos efeitos de placebo e, de uma tem sido ocupado pelas Terapêu-
forma geral, nos processos de cura
“A Medicina clássica ticas Não Convencionais”. “Deve
e meditação.
Na sessão de abertura, com o Salão desprezou erradamente ser cada vez mais objeto de inves-
tigação e integração no exercício
Nobre da SRNOM praticamente o efeito placebo e
diário da medicina, na medida em
lotado e uma mesa composta por o campo tem sido que é ciência e consegue efeitos
ilustres personalidades das áreas ocupado pelas semelhantes aos de tantos medi-
da Saúde e da Educação, Luís Por- Terapêuticas Não camentos”, defendeu, concluindo
tela, presidente da Fundação Bial,
Convencionais” que temas interessantes como este
deu as boas-vindas e recuou à cria- José Manuel Silva “merecem divulgação na comuni-
ção da fundação, em 1994, pelos dade médica portuguesa”.
Laboratórios Bial em conjunto com “O nome Bial é uma Também o Conselho de Reitores
o Conselho de Reitores das Univer- referência” das Universidades Portuguesas
sidade Portuguesas, evocando per- António Cunha esteve representado nesta mesa,
sonalidades como Nuno Grande e na pessoa do seu presidente, An-
Maria de Sousa que desde então tónio Cunha, que não hesitou em
têm marcado esta instituição sem afirmar que “o nome Bial é uma
fins lucrativos que pretende “in- referência” e um “imaginário de
centivar o estudo científico do ser excelência que aprendemos a res-
humano saudável, tanto do ponto de vista físico peitar”, salientando que tem o “conhecimento como
como do ponto de vista espiritual”. Luís Portela base da sua actividade económica” e que “as univer-
saudou o tema escolhido pela comissão organi- sidades têm beneficiado muito e a ciência também”.
zadora, presidida por Fernando Lopes da Silva, Para encerrar a sessão de abertura, a que se seguiu
considerando que “os assuntos, polémicos ou não, uma conferência inaugural por Irving Kirsch com
devem ser tratados com honestidade e transparên- o título “The emperor’s new drugs: medication and
cia, procurando-se as soluções que mais e melhor placebo in the treatment of depression”, subiu ao
possam beneficiar as pessoas”. Apesar de sublinhar púlpito Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado
a indubitável importância da indústria farmacêu- da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Enquanto
tica no aumento da esperança média de vida e na historiadora não pôde deixar de sublinhar que a
sua qualidade, defendeu que há ainda um “grande Bial surgiu, em 1924, “como algo disruptivo no te-
percurso” a fazer “na área das terapêuticas alterna- cido nacional”, antes sem indústria e com um claro
tivas”, depositando esperança neste simpósio e na “atraso no tecido económico e social produtivo”, as-
sua capacidade de “dar um bom contributo nesse sumindo-se como uma “referência”. Destacou tam-
sentido”. “Que nestes três dias saibamos criar con- bém o facto de ser uma “empresa familiar” que já vai
dições para um melhor conhecimento da vida, quer na quarta geração, um “recorde” que só foi possível,
do ponto de vista físico, quer na sua dimensão es- no seu entender, pela “persistência”, “responsabili-
piritual”, concretizou. No final da sua intervenção dade social e científica” e investimento que faz em
foram oferecidos ramos de flores a Maria de Sousa, projectos, nas “pessoas e na sua formação”. Des-
Dick Bierman e Ingrid Dhanis. crevendo este simpósio como um “encontro virtu-
Para o presidente da comissão organizadora, que oso”, terminou demonstrando certeza de que con-
após uma década no desempenho desta função tinuarão a “pontuar na fronteira do conhecimento,
transitará para o Conselho Científico da fundação, rasgando-a com coragem e com a curiosidade que a
este é um evento ainda mais especial por também ciência incentiva a ter”. “Estimular estas iniciativas
marcar a “passagem de testemunho” para o colega é importante também para o acompanhamento de
Axel Cleeremans. Na sua exposição argumentou políticas públicas”, rematou.
que esta temática “controversa” e “audaciosa” de- Toda esta temática foi aprofundada durante os três
monstra a “imparcialidade da fundação”. Fernando dias do Simpósio, em várias sessões palestradas
Lopes da Silva aproveitou assim para a agradecer por especialistas nacionais e estrangeiros, de países
a “liberdade” que sempre tiveram “de exercer esta como Itália, Escócia, Austrália, Estados Unidos e
função” de acordo com a sua “consciência, convic- Alemanha, bem como três workshops. n
ções e integridade científica”.
56 Notícias

Recepção aos
Internos de
vila real

O Distrito Médico de
Vila Real deu as boas-
vindas aos internos do
Ano Comum e primeiro
ano de Formação
Específica na sede do
Conselho Distrital.
O evento de boas-
vindas e apresentação
ficou marcado por
uma sessão final de
esclarecimentos bastante
participada, onde foi
notada a preocupação Esta é uma casa
dos jovens médicos que está à vossa
disposição”, assim deu
face aos problemas que
Margarida Faria, presi-
envolveram os últimos dente do Conselho
concursos. Distrital de Vila Real,
as boas-vindas às deze-
nas de jovens colegas
presentes, a 26 de ja-
neiro, na já habitual
recepção aos internos

«O exercício da
do Ano Comum e da
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

especialidade de Medi-
cina Geral e Familiar que vão prosseguir a sua for-

Medicina hoje mação naquela região. A dirigente incentivou os jo-


vens médicos à utilização do espaço da sede não só

só é possível
para “realizar reuniões, sessões ou actividades lúdi-
cas” mas também como local a que recorrem para

se formos
“resolver problemas”, nomeadamente assuntos rela-
cionados com a Ordem dos Médicos. “Contamos

especialistas»
ser-vos úteis também nesses aspectos”, acrescentou.
Rui Capucho, dirigente do Conselho Regional do
Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), apresen-
tou depois uma comunicação sobre a actividade da
Ordem e o internato médico. O dirigente, que tra-
balha na área da Saúde Pública em Chaves, enume-
rou alguns factores de conflitualidade que podem
surgir durante o internato e os passos a seguir caso
se verifique esse tipo de situações. Rui Capucho
reiterou que a “função primordial é a aprendiza-
gem” e que “a actividade deve ser supervisionada”,
57

sendo que mesmo no caso da forma-


ção especializada “a autonomia se ga-
nha progressivamente”.
Fernando Salvador, especialista em
Medicina Interna, fez uma breve
apresentação sobre o Centro Hospi-
talar de Trás-os-Montes e Alto Douro
(CHTMAD) e as suas particularida-
des, dando conta de que é constitu-
ído por quatro unidades hospitalares
– Hospital de S. Pedro, em Vila Real,
Hospital D. Luiz I, em Peso da Ré-
gua, Hospital Distrital de Chaves e o
Hospital de Proximidade de Lamego.
Numa intervenção complementar,
Bela Alice Costa, in-
terna de Medicina
Geral e Familiar,
aprofundou a rede de
Cuidados de Saúde
Primários abarcada
pelo distrito médico.
O momento mais
participado da sessão
seguiu-se à palestra
de Inês Folhadela,
consultora jurídica
da SRNOM, que re-
Sejam os
cordou os aspectos
mais importantes
primeiros a da lei do internato
exigir à Ordem médico. A jurista
dos Médicos
lembrou as responsa-
bilidades que acom-
qualidade na panham o exercício
formação” da Medicina – deon-
Miguel Guimarães
tológica, civil, penal
e administrativa – e
salientou que durante de que “temos que investir
o internato médico mais no SNS” e de que “é
não há autonomia: preciso contratar pessoas”. O
“A actividade médica tem limites, a dirigente recordou ainda que
competência técnica”, e estes “não o estudo da FEMS (Fédération
devem ser ultrapassados”. Para Inês Européenne des Médecins Sa-
Folhadela a “comunicação médico- lariés) colocou Portugal nos
-doente é essencial e muito negligen- países onde os médicos são
ciada”, considerando que “alicerça pior remunerados.
confiança” e “reduz o número de Miguel Guimarães defendeu
queixas” e o “conflito”. A consultora ainda que o “exercício da Me-
jurídica debruçou-se também sobre dicina hoje só é possível se
questões como o consentimento informado e sigilo formos especialistas” e que a existência de “médicos
profissional e abriu a sessão a esclarecimentos, mui- indiferenciados” não é favorável a ninguém, médi-
tos deles relacionados com a relação laboral que os cos e doentes. Por esta razão, sublinhou a impor-
internos mantêm com o Estado. tância de os internos serem “os primeiros a exigir
O presidente do CRNOM, que também marcou à Ordem dos Médicos qualidade na formação”. O
presença, iniciou a sua intervenção a tranquilizar presidente do CRNOM apelou à participação asso-
os jovens médicos, afirmando que o novo ministro ciativa dos jovens médicos, na Ordem, sindicatos
“já deu sinais de que vai mudar algumas coisas, ou sociedades científicas: “Vocês são médicos mas
uma delas os concursos, que vão mudar de forma também cidadãos”, “sejam vocês a decidir aquilo
positiva”. “Vai ser melhor para todos”, reiterou, apre- que querem para vocês e para o vosso país”, afir-
sentando no entanto receio quanto ao princípio de mou. “Sem a juventude a capacidade de inovação e
“neutralidade orçamental” e reafirmando a posição progressão é muito menor”, concluiu. n
58 Notícias

Recepção aos
internos
de viana do
castelo

No dia 22 de Fevereiro, o
Distrito Médico de Viana
do Castelo promoveu a
sua já habitual recepção
aos internos. As dezenas
de jovens médicos
presentes na sessão
registaram palavras
de incentivo por parte
de Nelson Rodrigues,
presidente do Conselho
Distrital, mas ouviram
também um apelo ao

D
foco formativo que deve ezenas de jo-
prevalecer no internato, vens médicos
responderam
em detrimento da
à chamada do Conselho
obtenção precoce de Distrital de Viana do
autonomia. Miguel Castelo da Ordem dos
Guimarães sublinhou, Médicos para a habi-
tual cerimónia de aco-
ao encerrar a sessão,
lhimento aos internos
que o SNS precisa dos que iniciaram, este ano,
novos colegas, perante o funções naquela região.

Jovens
êxodo de médicos para a Nelson Rodrigues, pre-
Texto Nelson Soares › Fotografia Digireport

sidente do Distrito Mé-


aposentação e emigração.
dico, recebeu os novos

médicos: colegas manifestando a


esperança de esta “ser a

autónomos
primeira de muitas vi-
sitas” à sede vianense

e necessários
e lançando “um repto
para que utilizem o espaço” e desenvolvam aí “as

ao SNS
actividades que quiserem”. O dirigente deixou tam-
bém uma palavra de confiança aos internos nesta
nova fase da sua vida: “Vão encontrar algumas di-
ficuldades, mas tenho a convicção de que quem
chegou a esta fase está perfeitamente capacitado
para ultrapassar os desafios. Espero que mostrem
resiliência face a todas as adversidades que vão en-
contrar”. Finalmente, Nelson Rodrigues apelou a
que os jovens sejam “médicos realizados e felizes”.
A cerimónia prosseguiu com o habitual levanta-
mento das condições de saúde da população do
59

Alto Minho, feito pela especialista em Saúde Pú-


blica Lígia Sá. A médica de Viana do Castelo re-
cordou os níveis preocupantes de envelhecimento
na região, com 54% dos idosos acima dos 75 anos
e uma “reposição geracional que não existe”, fruto
de um índice de fertilidade inferior a um filho por
casal. Aos factores demográficos somam-se deter-
minantes de saúde como o excesso de peso ou o
consumo de bebidas alcoólicas, e determinantes
sociais como a o isolamento e o desemprego.
O vogal do Conselho Regional do Norte da Or-
dem dos Médicos (CRNOM) Rui Capucho fez
uma exposição aprofundada sobre a actualidade
do internato médico, com especial enfoque no
facto de 2016 ser “o primeiro ano em que os inter-
nos do Ano Comum têm au-
tonomia para o exercício da
Medicina. Nesse sentido, o
dirigente apelou aos jovens
colegas para “conseguirem
balancear bem” os seus
compromissos assisten-
ciais e o intuito formativo
do internato, ressalvando
que “a primeira função” do
período pós-graduado é
precisamente a formação.
“A vossa autonomia deve
ser vista sempre como uma
autonomia progressiva”, e ao consentimento infor-
sublinhou. mado dos doentes. “Vale a
Rui Capucho não deixou pena perder tempo com estas
de abordar outra novidade questões”, sublinhou.
em matéria de internato O presidente do CRNOM
médico: a falta de vagas que concluiu as intervenções
levou à exclusão de mais desta sessão, começando
de uma centena de candi- por reforçar o apelo feito por
datos. O vogal do CRNOM Nelson Rodrigues para que
disse entender as “opiniões os jovens médicos “aprovei-
que atribuem culpa à Or- tem as instalações da Ordem”
dem dos Médicos”, mas, para desenvolver as suas ac-
recordou, “a função da Or- tividades. Miguel Guimarães
dem não é garantir vagas aproveitou o tema da respon-
para todos, é garantir que sabilização dos médicos para
todas as vagas abertas têm abordar a “pressão cada vez
qualidade”. O dirigente su- maior” que existe sobre os in-
blinhou que esta situação ternos, o que levou a Ordem
já era do conhecimento pú- a “apresentar uma norma –
blico: “Há oito anos que a que respeita a lei vigente – e
Ordem está a alertar para o que diz que não se pode tra-
carácter excessivo do numerus clausus”. balhar mais de 12 horas consecutivas”. Admitindo
A autonomia esteve também no centro da exposi- a controvérsia da medida no seio da classe, o diri-
ção feita aos internos pela consultora jurídica da gente assumiu, no entanto, tratar-se de uma me-
SRNOM, Inês Folhadela. A jurista salientou a im- dida de “prevenção”. Finalmente, o presidente do
portância de manter o foco formativo no internato, CRNOM aproveitou o facto de estar na companhia
na “aquisição de conhecimentos” e na capacidade de jovens colegas para uma referência à demografia
“gradual” para “a prática de actos médicos autóno- médica e à “falta de recursos humanos no serviço
mos”, numa altura em que os profissionais de saúde, público de saúde”. “O SNS precisa do vosso contri-
e em especial os médicos, estão “cada vez mais sob buto e de criar condições para que se mantenham
o fogo cruzado da responsabilidade”. No mesmo no sistema. É aberrante a situação que se verifica
sentido, Inês Folhadela apelou aos internos para da- em termos de aposentação e emigração na classe”,
rem atenção aos seguros de protecção profissional concluiu. n
60 Notícias

A
14 de março, na Sala de Conferências da
SRNOM, reuniu a Assembleia Regional
com o intuito de aprovar a Acta da reunião
de 2015, discutir e votar o Relatório e Contas do
Conselho Regional respeitante ao ano anterior e de-
bater e proceder à votação do Orçamento para 2016.
José Pedro Moreira da Silva, presidente da mesa da
Assembleia Regional, abriu a sessão e, após a sua
leitura, viu aprovada a Acta da Assembleia Regional
Ordinária realizada em março de 2015.

Mais receitas,
menos despesa
Num a i nter venç ão
Na reunião ordinária de síntese, António
Araújo, vice-presidente
da Assembleia do CRNOM, referiu-se
Regional realizada a ao Relatório e Contas
14 de março, foram a do ano transacto, des-
tacando que se procu-
votação e aprovados rou “incrementar as
a Acta da assembleia actividades culturais e
do ano transacto, o de lazer”, e aumentar a
“capacidade de inter-
Relatório e Contas de venção” e de “aconse-
2015 e o Orçamento para lhamento aos colegas”.
2016. As conclusões são Detalhando as linhas
gerais de actuação, afir-
positivas: mais receitas mou: “Potenciámos a
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

e actividades e menos rentabilização dos es-


despesa em 2015, com paços, não só de reu-
nião como também os
idênticas projecções apartamentos”. “Conse-
para 2016. guimos uma percenta-
gem histórica, na casa
dos 90%”, destacou. Sa-
lientou ainda o elevado
número de actividades
culturais realizadas,
REunião DA “sempre financiadas de forma externa”, não repre-
Assembleia sentando uma despesa. Fez ainda referência à con-
clusão da regularização do Centro de Cultura e
Regional Congressos e salientou que o fim deste processo
é motivo de grande satisfação para a direcção da

Rigor marca
SRNOM. Por outro lado, realçou que já haviam co-
meçado a implementar o funcionamento do Centro
de Convívio da SRNOM – Casa Luz Soriano, “que

saúde financeira
teve alguns contratempos a nível de construção
e, depois, de rentabilização do espaço”. “Isto aca-
bou por se reflectir num relatório de contas em que

da SRNOM
poupámos cerca de 65 mil euros” e, por outro lado,
“angariámos cerca de 220 mil”, ou seja, “ganhámos
mais na receita e gastámos menos na despesa”, con-
tinuou. António Araújo concluiu então que a SR-
NOM tem “um património imóvel e financeiro” que
deixa os seus dirigentes “relativamente sossegados
61

“Temos um
património
imóvel e
financeiro
que nos deixa
relativamente Apostas para 2016
sossegados Num terceiro momento
quanto ao futuro” da reunião ordinária da
António Araújo Assembleia Regional,
foi colocado à discussão
e votação o Orçamento
“Implementamos para 2016, tendo tido
o rigor porque a palavra novamente
acreditamos António Araújo. De
acordo com o vice-pre-
que ao gerir
sidente do CRNOM,
bens de todos é pode esperar-se para
quanto ao futuro”, frisando que absolutamente este ano a continuação
tentaram cumprir o que prome- necessário que o da aposta no mesmo
teram, tendo ao mesmo tempo haja” caminho que acredi-
sido “muito criteriosos na re- António Araújo tam ser o “correcto”,
alização de despesa”. António com o rigor a continuar
Araújo destacou ainda o reforço a nortear o mandato:
do Fundo de Solidariedade, com “O planeamento, “Implementamos o ri-
a implementação de uma “di- execução e gor porque acreditamos
rectiva do Conselho Nacional
avaliação que ao gerir bens de
Executivo para cativar 2% das todos é absolutamente
quotas dos colegas para o fundo”. apontam para necessário que o haja”,
Facto igualmente salientado por enorme esforço, afirmou. Sempre com
José Martins Soares, vogal do qualidade e rigor isto em mente, acredita
CRNOM, lembrando que muitos no exercício do que tudo aponta para o
colegas não estão cientes desta
programa” crescimento “de acções
medida. de formação, activida-
Edgar Lopes
Após a leitura do relatório do des culturais e inter-
Conselho Fiscal Regional pelo venções públicas”, bem
presidente da mesa da Assembleia, como no que diz respeito ao “apoio aos colegas,
Edgar Lopes, membro deste órgão, não só em termos de aconselhamento jurídico, mas
considerou “muito gratificante” as- também apoio real, financeiro, de solidariedade aos
sistir ao trabalho da SRNOM durante médicos e suas famílias que realmente necessitem”.
os últimos anos, afirmando que “o Numa nota final, Alberto Pinto Hespanhol, tesou-
planeamento, execução e avalia- reiro da SRNOM, recordou a importância de os
ção apontam para enorme esforço, médicos começarem a frequentar o Centro de Con-
qualidade e rigor no exercício do vívio - Casa Luz Soriano que, como referiu o presi-
programa”. Acautelou, todavia, que dente da mesa da Assembleia Regional, já começou
“é preciso que continue a ser assim a ganhar vida com a entrada em funcionamento
no futuro” para que se mantenha de uma biblioteca, onde se pode consultar todo o
a “muito boa saúde financeira”. De arquivo bibliográfico da SRNOM, e o ginásio. Para
acordo com Rui Cabral, consultor breve estão, como explicou Dalila Veiga, dirigente
na CCL-Contabilidade, Fiscalidade da SRNOM, os gabinetes médicos, ainda em fase de
e Gestão, empresa de contabilidade pré-divulgação e reunião de apoios e voluntários,
que trabalha com a SRNOM, é no- que personificam a solidariedade entre pares ao
tável a sua “transparência das con- dispor de consultas gratuitas de diversas especiali-
tas, rigor e profissionalismo”, sublinhando “o activo dades clínicas. O Orçamento para 2016 foi também
de 12 milhões de valor de aquisição e 3 milhões aprovado por unanimidade, e ficou a promessa de
de fluxo em caixa”. Perante os elogios e resultados continuação de crescimento, sempre com a consci-
comprovados, José Pedro Moreira da Silva propôs ência de que se está a gerir um património colectivo
um “voto de louvor à forma como a SRNOM progra- e que este deve contribuir para o bem-estar de todos
mou e constituiu este relatório”, o qual foi aprovado os membros da SRNOM. n
por unanimidade.
62 Notícias

O estado de saúde da SRNOM


Comentários do O Relatório e Contas de 2015 da Foram implementadas medidas que permitem o re-
Presidente e do Secção Regional do Norte da Or- forço atual e futuro do Fundo de Solidariedade, atra-
dem dos Médicos (SRNOM) reflete vés da retenção de 2% do valor das quotas (a partir
Tesoureiro da SRNOM
o produtivo espírito de equipa que de 2016), a que se continua a adicionar o patrocí-
ao Relatório e Contas existe entre os dirigentes da Ordem nio da seguradora AXA. O Fundo de Solidariedade
de 2015 dos Médicos do Norte e os seus dispõe em 31-12-2015 de 7.464.052,26 euros para
colaboradores internos e externos. apoiar médicos necessitados, de acordo com o regu-
Só uma organização coesa, lamento em vigor.
responsável e com bom senso, A análise financeira do balanço
centrada na transparência de
Só uma da SRNOM a 31-12-2015
processos e procedimentos, organização estabelece um total dos fun-
pode atingir níveis elevados de coesa, responsável dos patrimoniais e passivo de
eficácia e eficiência na gestão e com bom senso, 12.815.342,89 euros, o maior
de uma “Casa” com a dimen- centrada na valor de sempre. De resto,
são da SRNOM. transparência se porventura o património
De resto, os resultados apre- de processos e da SRNOM fosse objecto de
sentados não deixam margem procedimentos, venda por necessidade, o valor
para dúvidas. referido anteriormente pode-
pode atingir
As opções estratégicas gerais e ria aumentar cerca de 5 vezes,
níveis elevados
específicas podem sempre ser em função dos interesses do
alvo de diferentes opiniões, de eficácia e mercado e da disponibilidade
discussão e debate. E foi no eficiência na do espaço para outro tipo de
cruzamento do debate partici- gestão de uma construções. Não restam dú-
pado que nasceram as opções “Casa” com a vidas sobre o valor do nosso
consideradas mais válidas para dimensão da património que reflete a valo-
criar e dinamizar o plano de SRNOM rização das quotas dos médi-
ação da SRNOM, em cumpri- cos (que não são aumentadas
mento do Estatuto da Ordem há 7 anos).
dos Médicos e demais normas, re- O total da caixa e depósitos bancários em 31-12-
gras e regulamentos em vigor. 2015 era de 2.831.986,18 euros, o valor mais ele-
A motivação principal que nos indi- vado de sempre.
cou o caminho trilhado teve como Os resultados líquidos obtidos em 2015 ascenderam
lema “Defender a medicina em que a 498.285,76 euros, o que representa o melhor re-
acreditamos quando decidimos ser sultado líquido da última década da SRNOM. Este
médicos”, e como base a defesa dos resultado foi alcançado em condições económico-
doentes, dos médicos e do SNS. -financeiras muito adversas, bem patente na difi-
Miguel Guimarães Alberto Pinto Hespanol
Foram inúmeras as atividades de- culdade dos médicos no pagamento atempado das
Presidente da SRNOM Tesoureiro da SRNOM senvolvidas pela SRNOM durante suas quotas, o que enaltece o esforço encetado na
o ano de 2015, e que podem ser execução e controlo orçamental, cujos custos foram
escrutinadas no relatório de ativida- inferiores ao orçamentado e, inversamente, os rendi-
des apresentado e divulgado. mentos foram substancialmente superiores. De facto,
Permitam-nos que sejam realçados alguns pontos o valor das quotas em 31-12-2015 em mora há mais
do relatório e contas de 2015. de 2 anos era de 819.160,74 euros (o valor mais ele-
Foi potenciada a rentabilização dos espaços de reu- vado dos últimos anos), a que acresce a diminuição
niões da SRNOM, quer nas cedências gratuitas (em dos juros obtidos em depósitos bancários. E, desde
face da dificuldade crescente que os médicos têm junho de 2012, a inscrição nos Colégios de Especiali-
em obter apoios de patrocinadores) quer nos alu- dade por titulação única passou de 265 para 70.
gueres, tendo a taxa média de ocupação dos apar- A execução orçamental em 2015 teve um desvio de
tamentos em 2015 sido de cerca de 90% (um valor -2%, sem recurso a engenharia financeira, um valor
histórico em face dos resultados anteriores). que faria corar de inveja qualquer Ministro das Fi-
As atividades sociais e culturais continuaram a nanças.
ser integralmente financiadas de forma externa, e Terminamos, expressando o nosso sentido agrade-
maioritariamente pela seguradora AXA. cimento a todos os nossos colaboradores internos e
Foi concluído o processo de legalização do Centro externos sem exceção, com particular enfâse para as
de Cultura e Congressos e implementado o fun- pessoas mais diretamente envolvidas na tesouraria e
cionamento da Casa Luz Soriano, de forma a con- contabilidade. n
cretizar em pleno o projeto inicial que presidiu ao
nascimento da Casa do Médico.
NorteMédico
aplicação móvel

Agora já pode aceder às revistas e newsletters da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos
(SRNOM) no seu smartphone ou tablet de forma simples e intuitiva. Basta descarregar a aplicação
«NorteMédico» no Google Play ou Apple Store.
64 Notícias

Erro
Médico
Formação e
humanização
são a chave da
prevenção
Erro Médico foi o tema da Reunião
Nacional da Associação dos Médicos
Católicos Portugueses, onde o
presidente do CRNOM participou
num painel sobre “Prevenir o erro”,
enquadrando o papel da Ordem dos
Médicos na sua prevenção e deixando
pistas sobre o que entende ser essencial
para diminuir o número de queixas.
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

C
erca de uma centena de pessoas respondeu
ao convite da Associação de Médicos Cató-
licos Portugueses (AMCP) para debater o
“Erro Médico” na sua Reunião Nacional, realizada a
12 de março no Centro de Cultura e Congressos da
SRNOM. O Conselho Regional do Norte da Ordem
dos Médicos esteve representado na pessoa do seu
presidente, Miguel Guimarães, que integrou um
painel moderado por Paulo Maia so-
bre “Prevenir o erro”, juntamente com o
engenheiro António Adão da Fonseca,
Ana Azevedo, epidemiologista do Insti-
tuto de Saúde Pública da Universidade
do Porto e docente na Faculdade de Me-
dicina, e João Sarmento Pimentel, vogal
da AMCP.
Ana Azevedo teve a palavra para a pri-
meira intervenção e centrou-se “no
ensino pré-graduado”, ainda que com
directrizes extensíveis “às várias eta-
pas da formação”. Para tal apoiou-se no
65

O presidente da SRNOM considerou


que a colega de mesa “lançou pistas in-
teressantes”, considerando a formação
“absolutamente fundamental” neste
aspecto. Passou então a desenvolver
a questão do “erro em Saúde” e res-
ponsabilidade do médico, salientando
que nos dias que correm o contexto é
desfavorável, com “turnos excessivos
e enorme pressão”. Também o tempo
estipulado está, a seu ver, “a causar
uma perturbação muito grande na re-
lação médico-doente”, defendendo que
“uma boa comunicação com o doente
elimina à partida” muitas das eventuais
queixas. “Temos de fazer tudo para mi-
nimizar estes erros”, enfatizou. Acerca
do “papel da Ordem dos Médicos na
prevenção do erro”, sublinhou que esta
deve proporcionar aos seus associados
toda a informação necessária para que
estejam cientes do “estado da arte” e
“actuem de acordo com as boas prá-
ticas”. Alertou, no entanto, que “as
pessoas não estão a notificar os erros”
“Muitas intervenções
no Sistema Nacional de Notificação de
têm potenciais efeitos
Incidentes e Eventos Adversos e que a
não pretendidos”
“Ordem está a desenvolver um meca-
Ana Azevedo
nismo semelhante”. O presidente do
CRNOM elucidou também que este
“O erro em Saúde tem é um tema frequentemente em cima
custos muito elevados” da mesa porque “o erro em Saúde tem
miguel guimarães custos muito elevados” para o SNS,
doente, famílias, etc., recordando a
importância de a Ordem apostar mais
na formação médica contínua, dando
“um passo em frente nessa área”. Para
finalizar lembrou que “a maior parte
dos erros são evitáveis”, relevando o
imperativo de humanizar a Medicina e
a importância do papel educativo nesta
área.
João Sarmento Pimentel introduziu o
último palestrante, António Adão da
Fonseca, que equiparou a Medicina à
Engenharia de Estruturas, afirmando
pensamento de David Sackett para afirmar que o que “prevenir erros é identificá-los e ser idealista”,
erro médico é a “incapacidade de estabelecer um dissecando este mote na sua exposição. Na sua óp-
bom plano para o doente” e depois “implementá-lo tica, “identificar é fundamental”, assim como “acei-
adequadamente”, frisando que, no entanto, “muitas tar que existem erros”. “Planear é antecipar”, defen-
intervenções têm potenciais efeitos não pretendi- deu, referindo ainda, antes de abrir a discussão à
dos” e que a qualidade é determinante nestas situa- assistência, que “Deus não comete erros porque é
ções. Argumentou assim que a chave para prevenir idealista e perfeccionista”. n
o erro é “prepararmos bons médicos” e implemen-
tar “uma cultura de segurança” que monitorize
indicadores.
66 Notícias

I Congresso
da Associação Duarte
Portuguesa Nuno Vieira
de Ciências homenageado
Forenses
O
A Associação Portuguesa Centro de Investiga-
de Ciências Forenses ção Médica da Facul-

IV Congresso
dade de Medicina da
realizou no Porto o seu
Universidade do Porto (CIM-
sobre o Abuso e primeiro congresso, num
evento associado ao IV
-FMUP) acolheu nos dias 12 e
13 de fevereiro o I Congresso
Negligência de Congresso sobre o Abuso e
da Associação Portuguesa de

Crianças Negligência de Crianças. A


Ciências Forenses e IV Con-
gresso sobre o Abuso e Negli-
ocasião serviu para prestar gência de Crianças, presididos
por Ricardo Dinis e Teresa
homenagem a Duarte
Magalhães, do Departamento
Nuno Vieira, professor de Medicina Legal e Ciências
catedrático e director da Forenses da FMUP.
A SRNOM esteve representada
Faculdade de Medicina da
nas pessoas do presidente do
Universidade de Coimbra Conselho Regional, Miguel
(FMUC), enquanto notável Guimarães, e do presidente da
Mesa da Assembleia Regional,
personalidade das Ciências
José Pedro Moreira da Silva.
Forenses a nível nacional e Os dirigentes participaram,
internacional. respectivamente, na sessão de
abertura e debate “Que medi-
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

das estratégicas para Portu-


gal para avaliar (e prevenir) o
risco para a Saúde associado
à vivência de maus tratos na
infância?”. Com a moderação
de João Marques Teixeira, da
Faculdade de Psicologia e Ci-
ências da Educação da Univer-
sidade do Porto (FPCEUP), in-
tervieram no debate ao lado de
José Pedro Moreira da Silva e
Agostinho Marques, da FMUP
e Centro Hospitalar de São
João (CHSJ), Vasco Prazeres,
“ Hoje é indiscutivelmente em representação da Direcção-
para mim um desses dias -Geral da Saúde, Rosa Saavedra, da Associação Por-
bons, pelas emoções que tuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e Rui do Carmo,
este gesto e a vossa presença da Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra. O pre-
em mim despertaram” sidente da Mesa da Assembleia Regional destacou
Duarte Nuno Vieira que “melhoramos substancialmente de há 30 anos
para cá”, mas que “a prevenção é importantíssima”,
“Mais que uma figura das
assim como o tratamento: “depois de detectados
Ciências Forenses, [Duarte
Nuno Vieira] é um homem os casos, é preciso fazer alguma coisa” e “tratar da
que tem defendido de forma mais eficaz”, afirmou.
forma inabalável os direitos Na sessão de abertura dos congressos juntaram-se
das pessoas” ao presidente do CRNOM Fernando Remião, Pró-
Miguel Guimarães -Reitor da Universidade do Porto, Vasco Prazeres,
67

em representação do Secretário de Santiago de Compostela, Carlos Farinha, director


Estado Adjunto e da Saúde, Teresa do Laboratório de Polícia Científica, Alvarez Quin-
Magalhães, da Sociedade Portu- tero, administrador da Fidelidade Companhia de
guesa para o Estudo da Criança Seguros, e da procuradora-geral da República.
Abusada e Negligenciada (SPE- Alvarez Quintero, elogiou a “competência técnica,
CAN), Filipa Carvalho, da FMUP, capacidade organizativa, visão de futuro, habilidade
Joana Marques Vidal, procura- para encontrar consensos e ultrapassar divergên-
dora-geral da República, Jorge Pro- cias” do homenageado, recordando que é membro
ença, do Instituto Universitário de de “mais de 20 instituições científicas e académicas
Ciências da Saúde (IUCS-CESPU) das mais diversas geografias” e autor de “mais de
e Ricardo Dinis-Oliveira, da As- duas mil apresentações em congressos e publica-
sociação Portuguesa de Ciências ções”. “Duarte Nuno Vieira tem virtudes difíceis
Forenses (APCF). Miguel Gui- de encontrar, ainda mais juntas”, afirmou. O ad-
marães elogiou o facto de Teresa ministrador da Fidelidade Companhia de Seguros
Magalhães ter “preocupações so- fez menção ao contacto que manteve com actual
ciais muito marcadas” e não hesi- director da FMUC, sublinhando a sua influência na
tou em afirmar que “tem dado um alteração da peritagem médica em casos de aciden-
contributo absolutamente notável tes de viação, contrabalançando de forma adequada
para as Ciências Forenses” em ge- a descrição dos danos pessoais em relação aos mate-
ral “mas sobretudo na questão do riais. Também Carlos Farinha enalteceu as qualida-
abuso e negligência das crianças”. des do homenageado: “Reconheço-lhe imensa com-
Nas suas palavras, esta reunião petência”, “capacidade de comunicação, inovação,
suscita uma discussão muito im- liderança e coragem, mundivivência, sentido de
portante, “consequente a outros humor e frontalidade”, mas também a “capacidade
tipos de debate relacionados com de afecto e motivação”. Para José Ignacio Muñoz
a violência doméstica” tendo de- Barús, “há um antes e depois do professor Duarte
positado esperança na assistência Nuno Vieira na Medicina Legal em geral”, tendo
para “fazer passar a mensagem”. presidido múltiplas associações. E a “magnitude da
“Há muitas pessoas que ainda mudança” deve-se também, a seu ver, ao trabalho
não perceberam a obrigação que de Teresa Magalhães, Jorge Costa Santos e Francisco
têm de denunciar estes casos”. “É Corte-Real, que “ajudaram a colocar Portugal no
fundamental que destas duas reu- mapa da Medicina Legal, o que não é fácil”. A presi-
niões saia uma mensagem clara”, dir à cerimónia, Joana Marques Vidal, procuradora-
rematou. -geral da República, reconheceu a “profundidade
O dirigente do CRNOM lembrou dos seus conhecimentos científicos” e referiu que
ainda que os congressos cons- “muito ensinou aos magistrados portugueses” e a si
tituem uma “homenagem a uma própria. “Fascinava-me a excelente capacidade de
das maiores figuras, se não a maior comunicação”, conseguindo “transmitir de forma
figura, da área das Ciências Fo- aparentemente leve conceitos cientificamente rigo-
renses” em Portugal, e “também rosos e muito correctos”, referiu.
figura reconhecida a nível inter- Pela mão da colega e presidente dos congressos,
nacional”, nomeadamente com a Teresa Magalhães, foi entregue a lembrança come-
James Douglas Gold Medal, o mais morativa, agradecida mais tarde por Duarte Nuno
prestigiado prémio mundial nesta Vieira, antes da comunicação “Retalhos da Vida” de
área. “Mais que uma figura das Ci- um médico forense. Quero “agradecer aos organi-
ências Forenses, é um homem que zadores o facto de me terem dedicado esta atenção
tem defendido de forma inabalável tão especial no decursos deste congresso conjunto
os direitos das pessoas, que tem de duas associações que se têm destacado no pa-
defendido a dignidade do ser hu- norama nacional e que se vão destacar certamente
mano e que tem lutado muito por todos vocês que mais no futuro”, afirmou. O professor catedrático
estão aí sentados, para que tenham acesso à for- relembrou os seus mestres, “professor Oliveira Sá
mação clínica e possam actuar segundo os vossos e professor Concheiro Carro”, e os que o “acompa-
princípios e valores”, concretizou. nharam ao longo dos anos e continuam a acompa-
Após, no dia 12, se ter realizado também um jantar nhar”, “sobretudo aos que estiveram presentes não
de homenagem a Duarte Nuno Vieira na Fundação apenas nos momentos de vitórias e alegria mas que
Dr. António Cupertino de Miranda (com interven- permaneceram nos momentos de desilusão e der-
ção de Manuel Simas Santos, Juiz Conselheiro ju- rota, que também os houve e haverá sempre”. Após
bilado, do Instituto Universitário da Maia, e Jorge deixar ainda uma palavra à sua família por todo o
Costa Santos, do Instituto Superior de Ciências da apoio, afirmou guardar aquele momento “para sem-
Saúde Egas Moniz), no dia 13 ocorreu a cerimónia pre na memória”. “Foi indiscutivelmente para mim
solene com discursos de José Ignacio Muñoz Ba- um dos dias bons, pelas emoções que este gesto e a
rús, da Faculdade de Medicina da Universidade de vossa presença em mim despertaram”, finalizou. n
68 Notícias

Código de
ética para
estudantes
de Medicina
continua a ser
melhorado

A Associação Nacional de

C
om o objectivo de
Estudantes de Medicina “uniformizar os
(ANEM) promoveu uma códigos de ética” e
construir “um documento
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

reunião de revisão do Código nacional”, como referiu


de Ética para Estudantes José Chen, coordenador do
de Medicina, apresentado Departamento de Direitos
Humanos e Paz da ANEM,
em 2015, inserido no foi apresentado em 2015,
projecto +humanos do no âmbito do projecto
Departamento de Direitos +humanos, o Código de
Ética para Estudantes de
Humanos e Paz. Medicina. Tendo em conta
a complexidade do docu-
mento, a 15 de fevereiro
reuniram-se no Auditório do Centro de Investiga-
ção Médica da Faculdade de Medicina da Univer-
sidade do Porto (CIM-FMUP) mais de quarenta
pessoas com o intuito de discutir o documento e
propor alterações.
Para o bastonário da Ordem dos Médicos esta é
uma “iniciativa extremamente pertinente”. “Não
é por acaso que a Ética se ensina nas Faculdades
de Medicina”, afirmou, salientando a relevância do
debate em torno da mesma. No entanto, a seu ver é
extemporânea a inclusão da questão dos direitos do
Aceda ao vídeo da sessão em: estudante, já que faz o Código parecer “uma carta
https://youtu.be/U0ZoZZrJlPs dos direitos e deveres dos estudantes”. José Manuel
69

também bem preparada


“Os nossos e capacitada sobre a im-
esforços portância da ética e da
valeram a pena deontologia médica”.
porque hoje os “Como professor de
bioética e ética médica”,
estudantes têm
“quero dizer que é um
uma perceção dos momentos de maior
diferente dos orgulho da minha vida
problemas do profissional”, “porque
que eu tinha chego à conclusão de
que os nossos esforços
quando era valeram a pena”, “hoje
estudante do 4º os estudantes têm uma
ano de Medicina” percepção diferente
Rui Nunes dos problemas da que
eu tinha quando era
“Pretende-se estudante do 4.º ano
de Medicina”, concre-
uniformizar tizou. Notou que, no
um conjunto entanto, como acontece
de princípios com qualquer código,
básicos, de também este “pode ser
comportamentos melhorado”, sobretudo
quanto a princípios éti-
e boas práticas cos que se alteram “de
dentro da acordo com o sentir da
aprendizagem classe médica” e da re-
médica” lação com a própria so-
André Fernandes ciedade. À semelhança
do bastonário da OM,
o presidente da APB fez
menção à presença da
delegação do Conselho
Silva terminou defendendo Federal de Medicina do Brasil e do seu bastonário,
que se deve “continuar a Carlos Vital: “É o sinal vivo da importância desta
promover a discussão”, para matéria para o nosso país irmão”, afirmou.
que depois se possa “proce- Para Diogo Silva, jovem médico, “é um orgulho ver
der à adopção”. Também o que uma coisa tão importante partiu dos estudan-
presidente do Conselho Re- tes”. No seu entender, é agora “essencial o apoio das
gional do Norte da Ordem escolas médicas” para que o Código possa ser “im-
dos Médicos (CRNOM), Mi- plementado a nível nacional” e “garantir que chega a
guel Guimarães, integrou todos os estudantes”. Numa palavra final, o recém-
o painel desta sessão, con- -eleito presidente da ANEM, André Fernandes, su-
cordando com a posição do blinhou que este código “não pretende sobrepor-se
bastonário, mas explicando que percebe a razão aos que existam a nível local”, mas “uniformizar um
pela qual foram incluídos os “direitos” dos estu- conjunto de princípios básicos, de comportamentos
dantes. A seu ver, “de forma inteligente colocaram e boas práticas dentro da aprendizagem médica”,
‘ter acesso a um ensino e estágios clínicos de qua- tendo enfatizado que os estudantes começam a li-
lidade’”, porque “estão a sentir que a formação não dar mais cedo com os doentes. Não rejeitando a
está a ter a qualidade que desejam” e exigem assim necessidade de o mesmo ir sendo sucessivamente
“qualidade na formação pré-graduada para exercer melhorado e actualizado, demonstrou-se “contente”
medicina com qualidade”. O dirigente da SRNOM pelo projecto e pela discussão que suscitou.
sugeriu ainda integrar essa ideia na introdução do Terminadas as exposições iniciou-se a sessão de
próprio documento, em vez de constituir um tópico revisão propriamente dita, com convidados e as-
individualizado. sistência a comentarem as alterações propostas, em
Dada a palavra ao presidente da Associação Por- grande parte questões de semântica e redacção, e
tuguesa de Bioética (APB), Rui Nunes descreveu sugerindo mudanças. O documento final será tra-
este momento como uma “enorme satisfação, com duzido para inglês de forma a ser acessível também
uma pitada de dever cumprido e passagem de tes- a estudantes de intercâmbio. n
temunho a uma nova geração que está seguramente
mais bem preparada do ponto de vista técnico mas
70 Notícias

XXII Curso
pós-graduado de
Endocrinologia, José Luís Medina
Diabetes e Metabolismo
homenageou “Cumpri a
José Luís Medina minha missão”

O Serviço de Endocrinologia,
Diabetes e Metabolismo do Centro
Hospitalar de São João (CHSJ)
prestou, no passado dia 10 de Março,
uma justa homenagem a uma das
suas figuras mais carismáticas:
José Luís Medina, director daquela
unidade entre 1988 e 2010. O
médico e professor da Faculdade
de Medicina da Universidade do
Porto registou o gesto com emoção
e mostrou-se satisfeito por ter
cumprido a sua missão.
Texto Nelson Soares › Fotografia Digireport

O
Curso Pós-Graduado de En-
docrinologia, Diabetes e Meta-
bolismo já faz parte, há muitos
anos, do mapa formativo da classe médica
nacional. De tal forma que o evento as-
sinalou, em 2016, a sua 32.ª edição. Para
este evento, no entanto, o Serviço de En-
docrinologia, Diabetes e Metabolismo do
CHSJ preparou uma acção especial, home-
nageando José Luís Medina, o médico que
dirigiu o serviço durante 22 anos.
Foi o actual director de serviço, Davide Carvalho, a
dar o mote nesta sessão organizada no Hotel Porto
Palácio, recordando a capacidade que o “profes-
sor Medina” teve em transformar aquela unidade
do São João “na melhor escola de Endocrinologia
do país”. Não obstante a qualidade técnica e pro-
fissional, o que Davide Carvalho recordou como
marca mais forte de José Luís Medina foi a sua qua-
lidade humana. “O melhor legado que nos deixa é
a amizade. Aquele espírito que se vivia no serviço,
permanece”, sublinhou o responsável e principal
organizador do evento.
71

sobrevivem enquanto tiverem


memória” e que esta invoca-
ção é, em si mesma, “um acto
importante de memória”. O
responsável confessou ter-se
“deslumbrado” com “a capaci-
dade de liderança do professor”
e ter-se “enriquecido imenso
como pessoa” com o contacto
que mantiveram. “O São João
está profundamente grato por
tudo o que fez pela instituição”,
concluiu Oliveira e Silva. Já por
parte da Faculdade de Medi-
cina da Universidade do Porto,
Amélia Ferreira disse ser um
“prazer muito especial” partici-
par desta sessão. “Luís Medina
foi meu professor e estas ocasi-
ões levam-nos a andar para trás
e a recordar”, assinalou a direc-
tora da FMUP, acrescentando
que para a faculdade importa
“o seu legado”, representativo
de “um modelo muito impor-
tante de identidade profissional
e pessoal”.
O presidente do Conselho
Regional do Norte da Ordem
dos Médicos também marcou
presença nesta sessão, caracte-
rizando o homenageado como
“um líder natural” e agrade-
cendo “o muito que fez pela
Medicina e pela própria Ordem
Outro endocrinologista do CHSJ, Ce- dos Médicos”. Neste sentido, Miguel Guimarães
lestino Neves, tomou a palavra para confidenciou à plateia a proposta que vai dirigir no
confessar a “honra e privilégio” que sentido de José Luís Medina receber a medalha de
representou o convívio com José Luís mérito da Ordem dos Médicos no próximo Con-
Medina. “É uma figura de topo da En- gresso Nacional de Medicina. “O senhor representa
docrinologia portuguesa, reconhecido aquela Medicina em que nós acreditámos quando
pelos seus pares. Mas também uma pes- decidimos ser médicos”, justificou o dirigente.
soa que atravessa a vida com jovialidade “Agradecido e emocionado”, José Luis Medina res-
e que se entregou a todos”, acrescentou pondeu à homenagem com a bonomia que o carac-
o médico, que de seguida surpreendeu teriza: “Se não fossem tantas pessoas a dizerem bem
o homenageado com um vídeo, no qual diversas de mim, eu até duvidava”. “Cumpri a minha missão,
figuras, da medicina e de outras áreas, deram um e acho que, nesse aspecto, fiz o que muitos outros
testemunho sobre o seu convívio e amizade com fizeram”, acrescentou o endocrinologista, que re-
José Luis Medina. José Manuel Silva, bastonário cordou a formação obtida com Manuel Hargreaves
da Ordem dos Médicos, Manuel Sobrinho Simões, e a ideia que foi construindo de que “os hospitais
Francisco George, Fernando Araújo ou Jorge Nuno são mais para os doentes do que propriamente para
Pinto da Costa foram algumas das personalidades os seus profissionais”. “Aprendi que a humanização
que o fizeram. é determinante e que o médico é mais para ouvir
A sessão prosseguiu com o depoimento dos res- do que para falar”, aprofundou o homenageado,
ponsáveis máximos das duas instituições centrais que concluiu reconhecendo ter “construindo mais
na vida profissional do homenageado. António Oli- alguma coisa com o que me foi dado”. n
veira e Silva, novo presidente do Conselho de Admi-
nistração do CHSJ, considerou que “as instituições
72 Notícias

exercer Medicina de acordo com as boas práticas


médicas, no respeito pela ética e deontologia” que
devem acompanhar o exercício da profissão, o que,
no seu entender, se reflecte na “qualidade dos cuida-
dos prestados”. Miguel Guimarães depositou espe-
rança na equipa do Ministério da Saúde deste novo
Governo, que recentemente manifestou intenções
de fazer uma “forte aposta na Medicina Geral e Fa-
miliar”. O dirigente da SRNOM recordou aos cole-
gas que têm de denunciar “situações irregulares”,
salientando que é “importante que a Ordem tome
conhecimento para poder actuar e fazer com que
as coisas possam melhorar”. Numa palavra final,
apelou a que tenham um “papel forte na sociedade
civil”: “Não deixem que sejam os ou-
tros a decidir por vocês. Só assim Por-
tugal poderá dar um passo em frente”,
afirmou.
Também o bastonário da OM, José
Manuel Silva, se pronunciou sobre a
qualidade da formação em MGF no
nosso país, lembrando que os pro-
fissionais são reconhecidos no es-
Os tópicos mais recentes trangeiro, exemplificando com a
na área da Cardiologia Dinamarca. Numa nota sobre esta
Jornadas estiveram em análise e “especialidade extraordinariamente
eclética”, enfatizou que é a única
de Actualização discussão no Porto, com “que contacta com todas as outras e
Cardiológica do Norte o intuito de promover a acompanha a pessoa humana desde
actualização dos clínicos de que nasce até que morre”. A “inope-
para MGF rância do antigo Governo” foi, na sua
Medicina Geral e Familiar. opinião, a razão pela qual nem todos

Um futuro
A Ordem dos Médicos esteve os portugueses têm acesso a um mé-
representada ao mais alto dico de família. Assim, à semelhança

melhor para a nível, com José Manuel Silva,


do presidente do CRNOM, vê “com
bons olhos” as intenções políticas do
MGF e para os bastonário da OM, e Miguel actual Ministério da Saúde que, nas
suas palavras, tem “consciência das
doentes
Guimarães, presidente
necessidades” e irá “tratar dignamente
do CRNOM, a intervirem a MGF”, “com respeito pelos doentes
na sessão de abertura e a e profissionais de Saúde”. Mostrou-se
destacarem a qualidade assim, em nome da Ordem e todos os
seus organismos, disponível para cola-
da formação em MGF e a
Texto Inês Ferreira › Fotografia Nuno Almeida

borar neste sentido.

E
relevância de eventos como
ntre os dias 20 e José Manuel Silva sublinhou a notabi-
22 de janeiro, o lidade deste congresso a nível nacio-
este no panorama nacional.
Sheraton Porto nal, o “maior congresso do Norte”, que
Hotel & Spa recebeu atrai cada vez mais gente e constitui
as XXVII Jornadas de Actualização Cardiológica um “fórum importante de discussão técnico-cien-
do Norte para Medicina Geral e Familiar (MGF), tífica”, “algo que naturalmente a Ordem privilegia
presididas por Carlos Ramalhão, director da Clínica e acarinha”. O bastonário da Ordem dos Médicos
do Coração, e Júlia Maciel, directora do Serviço de aproveitou também para abordar o processo da
Cardiologia do Centro Hospitalar de São João. recertificação, que espera ver “conjugado com o
Na sessão de abertura, o presidente do CRNOM sistema de carreiras”. Sistema este que tem sido o
defendeu que a MGF é uma “especialidade abso- garante “da qualidade da formação médica e do
lutamente essencial para o nosso Serviço Nacional SNS” e que, frisou, “não está em causa”, uma vez
de Saúde (SNS)” e que “quanto melhor aquela for que a recertificação servirá os profissionais que não
melhor é o SNS”. Recordando que a formação em estão no sistema, para que haja uma atestação da
Portugal, de quatro anos, “é das melhores a nível formação contínua e permanente actualização e,
europeu”, afirmou que “temos médicos de família desta forma, “reduzir o risco de errar perante os
de elevada qualidade mas é preciso que o Governo doentes”. n
lhes dê as condições necessárias para que possam
73

O director clínico daquela unidade – que


dispõe de uma sala de treino em hipóxia –
explicou aprofundadamente este conceito
inovador que “simula a exposição dos atle-
tas à altitude” e que, por evitar deslocações
às regiões montanhosas, permite “obter
mais resultados num mais curto espaço de
tempo”, investindo “maior exigência e mais
esforço, mas com menor carga de treino”.
A “grande variabilidade de métodos” utili-
zados para o treino em altitude, acrescen-
tou o especialista em Medicina Desportiva,
permite-lhe afirmar que “os protocolos estão
em branco” e “há um mundo todo para des-
cobrir” nesta área.
Numa altura em que decorria o Dakar 2016,
Jaime Milheiro recordou o treino que o pi-
loto português, Paulo Gonçalves, fez na sala
de hipóxia da CMEP e que simulou uma
altitude de três mil metros – a mesma que
iria encontrar na competição sul-americana.
“Esta é uma questão fundamental e actual
no treino desportivo”, acentuou o especia-
lista, recordando o projecto que a Federação
Francesa de Ténis empreendeu em Roland-
-Garros, construindo um pavilhão inteiro
51.º Convívio
Texto Nelson Soares › Fotografia Digireport

para os tenistas treinarem em hipóxia.


Científico dA CMEP Apresentado por Jaime Milheiro
como o “maior especialista por-

Hipóxia e tuguês em treino de altitude”,


João Beckert foi o segundo pales-
Desporto: “um trante deste Convívio Científico.
O director da Unidade de Medi-
mundo por cina Desportiva e de Controlo

descobrir”
de Treino (UMDCT), no Centro
Desportivo Nacional (CDN) do
Jamor, sublinhou que a procura
pela melhoria do desempenho
A Medicina da Hipóxia – ou os be- desportivo “está à frente do que
se faz na actividade clínica”, re-
nefícios do treino em altitude para
cordando experiências neste
o alto rendimento desportivo – foi o campo realizadas em altitude
tema escolhido por Jaime Milheiro, pela Federação de Triatlo. Na
sua aprofundada exposição, o
no 51.º Convívio Científico da Clínica
especialista em Medicina Des-
Médica do Exercício do Porto (CMEP). portiva apresentou as conclu-
O especialista em Medicina Despor- sões de dois estudos realizados
a partir de treinos específicos na
tiva juntou colegas de profissão e

É
um fenómeno UMDCT, assinalando no final que é importante
atletas de alta competição para dis- recente no usar os dados para “em vez de olhar para o instru-
cutir um método de treino que todos treino para alto- mento” passar a “olhar a orquestra”.
-rendimento, mas parte Num convívio com trouxe à SRNOM cerca de 150
os participantes consideraram ter
de um princípio há pessoas, foi possível ouvir dos próprios atletas de
muito por explorar. muito aceite como bené- alto rendimento o relato das experiências vividas
fico na prática despor- em altitude. Carlos Sá, conhecido ultramaratonista,
tiva: o treino com baixo recordou a preparação numa tenda de hipóxia para
nível de oxigénio – a “hipóxia”. Em cenário real uma prova no monte Aconcágua, mas confessou a
ou simulado, a hipóxia está a ser usada como um sua preferência pelo “processo de aclimatação na-
“catalisador de performance” um pouco por todo o tural”. Luís Vaz, nadador de alta competição, Rui
mundo, sublinhou Jaime Milheiro, e foi objecto de Sousa, ciclista profissional, e a dupla de remadores
um debate alargado no 51.º Convívio Científico da Pedro Fraga e Nuno Mendes foram outros atletas
CMEP, realizado na SRNOM a 9 de Janeiro. que partilharam os seus testemunhos no evento. n
74 Cultura

O “Porto Revisitado”
regressou em força.
Matosinhos, Gaia e
Porto foram os locais
percorridos nas três
primeiras visitas a pé
do segundo ciclo desta
iniciativa, que procura
levar mensalmente
para a rua dezenas de
pessoas, conduzidas pelo
historiador Joel Cleto.
“Da praia ao santuário
Texto Inês Ferreira / Nelson Soares › Fotografia Digireport
de Matosinhos”, “O

Ruas de castelo de Gaia e a lenda

Matosinhos,
do rei Ramiro” e “Da
Torre de Pedro Cem à

Gaia e Porto nos Torre da Marca” foram


os percursos deste
percursos de primeiro trimestre de

novo ciclo
2016.

A imagem
de Cristo
e a fama
milagrosa de
Matosinhos
Na primeira visita de 2016
do “Porto Revisitado”, Joel
Cleto guiou dezenas de pes-
soas à redescoberta de Ma-
tosinhos. O passeio arran-
cou pelas 10h do dia 23 de
janeiro junto à Praia, com a
lenda de Cayo Carpo, inti-
mamente associada à concha
da vieira enquanto símbolo
do Caminho de Santiago de
Compostela. De acordo com
a lenda, como narrou o histo-
riador, no ano de 44 o romano pagão casou-se com
uma gaiense, e estavam a celebrar na praia quando
se avistou uma embarcação em alto mar e o seu
cavalo, como que desnorteado, começou a correr na
sua direcção. Ao se aproximar da nau, Cayo Carpo
apercebe-se que está diante do corpo do apóstolo
75

“Esta é a mais antiga imagem de


Cristo na Cruz em tamanho natural
em Portugal”
Joel Cleto

lenda, retomada no final do passeio, e


explicou que anteriormente à constru-
ção do Porto de Leixões (no século XIX),
este monumento sinalizava a existência
de uma fonte de água doce associada a
uma outra história de sabor popular. Em
1726, “uma senhora que sofria de mal
de pele”, e que “já se tinha socorrido de
tudo”, veio a esta praia milagrosa e “ajoe-
lhada a olhar para o mar”, “quando acaba
de rezar, no meio da areia, acabava de
surgir água doce”. Quando levou a água
a cara viu-se “de imediato curada”.

Sala de jantar do Porto


Perto da lota, o historiador esclareceu
que foi no século XX que se assistiu ao
crescimento da “grande comunidade
piscatória de Matosinhos”, que se viria
a tornar “a maior do país”, associada à
construção do Porto de Leixões, “o maior
porto pesqueiro do país e maior porto
sardinheiro do mundo”. Por volta de
1889 começou a desenvolver-se a indús-
tria conserveira, tornando a região ainda
mais atractiva a pescadores de todo o
país, dada a garantia de escoamento.
Com o cheiro a peixe próprio da zona no
ar, Joel Cleto explicou que as condições
da classe eram precárias e que na década
de 80 muitos deles utilizaram os subsí-
dios atribuídos para abrir restaurantes,
tornando Matosinhos na “sala de jantar
do Porto”. Ainda neste domínio, o Mer-
cado de Matosinhos foi uma paragem
obrigatória, onde sob os olhares curiosos
das vendedoras Cleto contou a história e
evolução deste local, que já foi ao ar livre.
Antes de chegarem ao ponto de continu-
ação da lenda do Bom Jesus de Bouças,
a Igreja do Senhor de Matosinhos, pro-
Tiago, em viagem para a Galiza, onde viria a ser en- jectada por Nicolau Nasoni no século XVIII, houve
terrado. Convertido ao cristianismo nesse instante, mais duas paragens, uma junto às ruínas da antiga
regressa à praia e por milagre, quando saem do mar, Capela de Santo Amaro, esquecida com a constru-
estão todos cobertos de conchas (“matizados de ção do Porto de Leixões, e outra junto ao busto do
vieiras”). Fenómeno que conduziu à cristianização Dr. Rodrigues de Sousa, pediatra conhecido como
da população local e que deixou a praia a ser co- “médico dos pobres” e “figura muito acarinhada
nhecida como Matizado, mais tarde Matizadinho, em Matosinhos”. “Junto da comunidade piscatória,
até evoluir para Matosinhos. Ali bem perto, junto o Dr. Sousinha, como era conhecido, era quase um
ao Zimbório do Senhor do Padrão, Monumento santo”, afirmou, acrescentando que muitas vezes
Nacional construído no século XVIII, foi tempo de lhes pagava os medicamentos.
escutar uma outra lenda, relativa a “uma imagem Chegados à Igreja do Senhor de Matosinhos, foi
de Cristo crucificado que deu à costa neste areal a 3 tempo de retomar a lenda da imagem de cristo cru-
de maio de 124”, posteriormente chamada de Bom cificado junto ao altar (trabalhado em talha dou-
Jesus de Bouças, uma vez que foi transportada para rada) onde a mesma se encontra. De acordo com a
o Mosteiro de Bouças. Joel Cleto fez uma pausa na lenda, como recordou o guia, Nicodemos e José de
76 Cultura

Bíblia referentes ao calvário de Cristo. Nesta


segunda edição, os passeios continuam a en-
corajar os participantes a “desvendar alguns
pormenores desconhecidos” da cidade, como
nos contou Ana Paula Tavares, para quem estas
visitas servem “também para compreender me-
lhor a nossa história em termos de país”.

O Castelo de Gaia e
a lenda do Rei Ramiro
No dia 5 de março, Joel Cleto convidou os mé-
dicos a atravessar o Douro e a conhecer as raízes
de Gaia, na segunda jornada da segunda série
do “Porto Revisitado”. A visita teve início no Con-
vento Corpus Christi, na zona histórica de Gaia,
um espaço originalmente construído no século
XIV, que pertenceu à Ordem de São Domingos
e que, no século XVII, devido a fortes cheias
do rio, teve de ser integralmente reconstruído.
Erradamente, sublinhou Joel Cleto, é atribuída
a autoria do projecto de renovação do Convento
a Nicolau Nasoni, sendo, no entanto, rigoroso
dizer-se que a fachada tem uma forte inspiração
na obra do desenhador italiano. A visita incluiu
um acesso à capela interior do edifício – hoje
propriedade municipal – e ao belíssimo Coro-
-Alto, onde os participantes puderam apreciar
o lustroso revestimento em talha dourada e
as pinturas evocativas dos episódios bíblicos.
O trajecto prosseguiu pela zona ribeirinha, com
Cleto a iniciar o relato da lenda do Rei Ramiro,
cujo desfecho veio a dar origem à designação
de Vila Nova de Gaia. Subindo pela rua com
o nome do antigo monarca das Astúrias – que
liga a baixa da cidade à zona do Candal e da
Arrábida – os visitantes tiveram oportunidade
de conhecer os arruamentos do morro que deu
origem ao primeiro povoado, e onde existiria
também um castelo. Na verdade, segundo Joel
Cleto, tratar-se-ia de um castro, onde talvez
existisse uma área muralhada que os populares
designavam como castelo. Os médicos tiveram
oportunidade de subir ao cimo da colina, onde
se encontram ainda resquícios de escavações
arqueológicas, e apreciar a magnífica vista so-
Erradamente, é Arimateia retiraram Cristo da cruz e Nicodemos, bre a cidade do Porto. Na descida, a comitiva passou
atribuída a autoria que “trabalhava muito bem a madeira”, tirou inspi- pela Capela de Nossa Senhora da Bonança e desceu
do projecto de ração de Cristo no Santo Sudário para fazer várias a escadaria até ao rio, concluindo o percurso junto
renovação do imagens, as mais fidedignas pela proximidade tem- ao estaleiro dos barcos rabelos.
Convento [Corpus poral do acontecimento. Estas obras viriam a ser Na segunda vez em que participou nesta iniciativa,
Christi] a Nicolau lançadas ao mar por medo de ser acusado de cristão Luís Matos, cirurgião geral, não deu o tempo por
Nasoni” quando perseguido por romanos e judeus. Embora mal empregue. De tal forma que, assumiu, já se
Joel Cleto se trate apenas de uma lenda, Joel Cleto explica que inscreveu em todas as datas deste segundo “Porto
é, no entanto, a “mais antiga imagem de Cristo na Revisitado”. “É óptimo, adorei! Sou natural de Gaia,
Cruz em tamanho natural” presente em Portugal, andei muitas vezes nesta zona, mas nunca me aven-
existindo pormenores que atestam a sua antigui- turei no meio destas ruelas. De facto, não tinha esta
dade, como os pés estarem pregados separadamente perspectiva, nem o mínimo conhecimento em rela-
e a serenidade transmitida no seu rosto. Nos jardins ção ao morro e à sua história”, confessa, acrescen-
da igreja foi ainda possível ver as várias pequenas tando que “este tipo de visitas é muito importante
capelas que no seu interior ilustram passagens da para lembrar os nossos antecedentes”.
77

Da Torre de o viu, até que, anos mais tarde, surge


Pedro Cem um velho deambulante pedindo “um

à Torre da
tostão para Pedro Cem, que tudo teve
e agora nada tem”.
Marca Joel Cleto alertou que esta torre é er-
roneamente confundida com a Torre
O mistério envolveu da Marca, aguçando a vontade de
o terceiro percurso de procurar esta última. Já nos magnífi-
2016 do “Porto Revisi- cos jardins do Palácio de Cristal, an-
tado”. O passeio partiu a teriormente conhecidos como campo
13 de março do largo da da Torre da Marca, o guia aproveitou
Maternidade, onde o his- para sublinhar que o palácio foi de-
toriador pediu aos par- molido em 1951, tendo-se erguido no
ticipantes para estarem seu lugar o Pavilhão dos Desportos,
atentos e tentarem deci- projectado pelo arquitecto José Car-
frar onde se encontram los Loureiro e pelo engenheiro Antó-
os vestígios da Torre da nio dos Santos Soares, rebatizado em
Marca, anterior ao Palá- 1991, em homenagem à maratonista
cio de Cristal, construído e campeã olímpica portuense Rosa
em 1865, que mais tarde Mota. Desvendadas outras curiosi-
“começou a dar nome à dades deste magnífico espaço – onde
zona envolvente”. Antes as cores da natureza e animais, como
de entrarem nos jardins, os pavões, sobressaem diante do sol,
a Torre de Pedro Cem assim como a vista para o rio – foi
mereceu paragem obri- tempo de finalmente se ficar a saber
gatória, tendo Joel Cleto onde residem os vestígios da Torre da
dado conta de que “esta Marca, assim chamada por outrora
é uma das torres mais ter servido de “marca importante à
antigas da cidade do navegabilidade” dos pilotos Douro.
Porto”, tendo sido cons- Tendo sido construída no século XVI
truída nos séculos XIII e para substituir um pinheiro que ser-
XIV, como uma “impo- via para o mesmo efeito, esta Torre
nente torre-residência”. foi, todavia, destruída durante o
Passou então a explicar Cerco do Porto pelo exército abso-
que “o palácio anexo é lutista de D. Miguel, pois os liberais
muito posterior” e que tinham ali instalada uma bateria.
funcionaram como Paço Sobraram apenas ruínas que foram
Episcopal, e recordar a reaproveitadas na Capela de Carlos
lenda que lhe está asso- Alberto, a poucos metros do local ori-
ciada. Pedro Cem era um ginal da Torre, mandada construir
“rico burguês mercador anteriormente ao Palácio de Cristal,
do Porto dos inícios do em 1860, pela irmã do rei, em sua ho-
século XVI” que “estava menagem, uma vez que morreu aqui
envolvido na rota da Ín- e ainda conheceu a torre em ruínas. A
dia” e “tinha cem naus”, capela foi templo dos ortodoxos, mas
mas os seus negócios não o crescimento da comunidade levou
ficavam por aqui: “em- a que procurassem um local maior,
“Toda esta prestava dinheiro a juros elevadíssimos” e “nunca passando a albergar os luteranos. Esta história par-
paisagem está perdoava nada”. “Tinha tudo menos sangue azul”, ticular da Torre da Marca surpreendeu Ângela Ma-
repleta de marcas explicou Cleto, adiantando que teve uma possibili- galhães, que confessou não ter “ideia absolutamente
importantes para a dade, e “por uma única vez esteve disponível para nenhuma” destes factos. A participante reconhece
navegabilidade” perdoar uma dívida, a um nobre com vício do jogo,” mérito ao historiador que vê “na televisão”, não
Joel Cleto em troca da mão da sua filha. Entusiasmado, deu tendo dúvidas de que “conhece muito bem o Porto”.
uma festa enorme, e chegada a manhã do seu casa- “Tenho a noção de que conheço mal a cidade e de
mento, subiu ao alto da torre e avistou os seus cem que há muitas coisas interessantes para ver, mas
barcos a chegar da Índia carregados. Empolgado só com alguém que saiba bem contar as histórias,
afirmou: “Agora, nem Deus querendo, eu vou deixar como Joel Cleto, é que consigo ficar a par”, concre-
de ser o homem mais poderoso”. E de imediato, tizou. n
conta a história, “rebenta uma tempestade, ondas
na barra do Douro” e “os barcos começam a nau-
fragar, com as especiarias”. E “um raio incendeia a
Torre”, deixando-o sem nada. Nunca mais ninguém
78 Cultura

Cinema de
difíceis que enfrentavam”. Isto
porque, para além de ter esco-

volta à SRNOM
lhido uma obra para aqui trazer,
o convidado trouxe também uma
curta-metragem da sua autoria,
que remonta ao início da década
de 60 em Angola. Assim, num
“As primeiro momento do serão, foi
circunstâncias
projectada a película que “retrata
da guerra
são muito a experiência particular de um jo-
diferentes das vem médico no meio da guerra”,
da vida civil” como expôs o dirigente da Comis-
fernando reis lima são de Actividades Culturais e de
Lazer da SRNOM. Perante uma
interessada assistência, Reis Lima
narrou as imagens, começando

Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport


pelos registos fotográficos da
componente militar, como o em-
barque em Niassa ou a patrulha
a Balacende e Bom Jesus, salien-
tando a “vida miserável que leva-
vam”. A segunda parte, esta já em
filme, incidia somente na activi-
dade médica, ilustrando “uma ce-
sariana feita com anestesia local”
no Hospital de Vila Luso, no Sul
de Angola. “Reparem no primiti-
vismo da sala”, chamou à atenção,
sublinhando no entanto o facto
de a filmagem incluir elementos
não habituais no quotidiano da

“Um serão
altura, como a presença de dois
enfermeiros, e não apenas um, e a

com Fernando
parturiente no final ser transpor-
tada numa maca, ao invés de se

Reis Lima”
“levantar pelo próprio pé e carre-
gar o bebé”: “A senhora fazia tudo
sozinha”, afirmou. Após recordar
particularidades como as janelas
estarem abertas e ainda assim não
Apaixonado pelo cinema, Fernando serem comuns infecções, prova
da “resistência humana”, mostrou
Reis Lima trouxe à SRNOM uma curta- ainda a ambulância Volkswagen
-metragem da sua autoria que nos trans- abandonada pela Cruz Vermelha
porta para Angola, 1961-1963, para as cir- que servia de sua viatura particu-
lar: “As circunstâncias da guerra
cunstâncias da guerra e do exercício da são muito diferentes das da vida
Medicina neste cenário, e um filme da civil”, salientou.
sua eleição: o musical “Mrs Henderson Mrs Henderson Presents
Presents”, também este passado num con- O segundo momento da noite foi
texto de conflito armado. preenchido com a projecção do
musical de 2005 “Mrs Henderson

F
ernando Reis Lima foi o convidado da ter- Presents”, de Stephen Frears, onde
ceira sessão, realizada a 10 de março, da contracenam actores como Judi
iniciativa cinéfila da SRNOM que desafia Dench e Bob Hoskins. Como salientou Reis Lima,
personalidades a trazerem ao Centro de Cultura e havia uma certa ligação à obra anterior, já que tam-
Congressos um filme da sua eleição. António Vieira bém se passava durante a guerra, em 1939. “Uma
Lopes, impulsionador dos serões de cinema, come- viúva rica que resolve ocupar o seu tempo no teatro,
çou por referir que o cirurgião aposentado “repre- onde se passam cenas muito engraçadas, ao mesmo
senta uma geração de médicos do tempo em que tempo dramáticas, há bombardeamentos no meio,
tínhamos um Império”, salientando as “condições por causa da guerra”..., introduziu para “aguçar o
apetite dos presentes”. n
79

“Histórias e adianta que tem “alegrias, tristezas, ressentimentos


e agressões”, “que deixaram cicatrizes”.
Factos na vida de Numa introdução inicial, António Vieira Lopes,
dirigente da SRNOM, deu as boas-vindas e fez
um Clínico” referência à sala cheia, com mais de 70 pessoas
presentes. A apresentação da obra ficou a cargo
de Agostinho Almeida Santos, reputado gineco-
logista, professor na FMUP e presidente hono-
rário da Sociedade Europeia de Ginecologia,
e de Maria Teresa Osório, distinta ginecologista
que iniciou a sua aprendizagem com José Tava-
res Fortuna, recentemente condecorada como co-
mendadora da Ordem do Mérito. Todos eles, como
referiu o autor – que trabalhou “23 anos em ter-
ras de África, primeiro na Guiné e depois em Mo-
çambique” – à sua semelhança “africanistas”.
“Um amigo que sempre respeitei, como mé-
dico, como colega, como cidadão e também
como lutador destemido por causas”, assim
descreveu Agostinho Almeida Santos o autor.
Felicitou-o ainda por todos os dotes da sua per-
sonalidade, “cantor de Fado de Coimbra,actor
teatral, músico, escritor” e evidenciou a sua
“memória prodigiosa”, que lhe faculta “a possi-
bilidade de voltar aos tempos da sua meninice
e de estudante”. Recordou ainda que “foi cata-
pultado para o curso de Medicina por causa de
um projecto de engenharia” e avançou na obra
aos tempos na Guiné em que “aconteceram
episódios espantosos, bem ao jeito do imperia-
lismo colonial mas também das dificuldades
Livro de José da época”. Na visão do médico que assina o
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

prefácio, José Tavares Fortuna “deixou obra”


Tavares Fortuna por onde passou e materializou-a em livros e
apresentado com gravações de Fado de Coimbra.
Também Teresa Osório não poupou elogios
Fado de Coimbra à ao seu “mestre”, sublinhando o “respeito, ad-
mistura miração, gratidão e apreço” que nutre por ele.
“Homem simples, genuíno, de uma generosi-
dade invulgar, manifestada permanentemente
na solidariedade e humanização da assistên-
O Salão Nobre da SRNOM acolheu cia que prestava ao sofrimento da mulher afri-
cana”, descreveu. “Mestre na transmissão de
o lançamento do 11.º livro assinado conhecimentos, no ultrapassar de adversida-
por José Tavares Fortuna, num des, na comunicação fácil e frontal com os superio-

H
serão que culminou com a actuação istórias e Factos res hierárquicos, a quem tantas vezes acompanhei
na Vida de um na rejeição de atitudes menos corretas”, continuou.
do Grupo de Fados de Coimbra da Clínico” é um li- Depois referiu ainda reviver “com enorme saudade
Associação dos Antigos Orfeonistas vro, como o próprio título os momentos difíceis” que ambos testemunharam
da Universidade do Porto, uma indica, que reúne episódios “ao reformular e modernizar a maternidade e ser-
marcantes da vida profis- viço de Ginecologia do Hospital Miguel Bombarda,
vertente musical bem presente na sional do autor, José Tavares de Lourenço Marques”.
vida do autor e, consequentemente, Fortuna. No lançamento A concluir a apresentação, José Tavares Fortuna
nesta segunda edição de “Histórias e da sua segunda edição, garantiu que “embora octogenário avançado” quer
apresentada a 4 de março “cultivar os jardins que a vida ainda pode oferecer”
Factos na Vida de um Clínico”. no Centro de Cultura e e salientou que o lucro desta edição reverterá para o
Congressos da SRNOM, o Fundo de Solidariedade da OM. Terminou apresen-
médico aposentado afirmou ter sido “revista, au- tando o momento musical da noite, protagonizado
mentada e ilustrada”, e não escondeu o valor espe- pelo Grupo de Fados de Coimbra da Associação dos
cial que a obra tem para si, por estampar muito da Antigos Orfeonistas da Universidade do Porto, pois
sua “vida de obstetra e ginecologista durante mais já não tem a “voz canora” de outrora que lhe permi-
de meio século”. “Além de peripécias humoradas”, tia interpretar a balada coimbrã. n
80 Cultura

Livro de ilustram “o que a humanidade pode fazer, se o qui-


ser fazer”), foi dada a palavra a Adriano Carlos, que
Licínio Poças recuou aos clássicos. O docente descreveu Licínio

pensamentos
Poças como “um médico que é ao mesmo tempo
um homem de letras” e socorreu-se do pensamento

e modos de dizer
de Voltaire para afirmar que “todos os livros de-
viam ser reduzidos ao essencial”, estabelecendo
uma metáfora com a

Do pensamento erudito Medicina, ao conside-


rar que a selecção “tem
aos ditados populares algo de cirúrgico” e re-
quer “transplantes de
texto”. “Não há ciência
sem intertextualidade”,
referiu, sublinhando o
trabalho de incisão e
excisão que lhe é ine-
rente. Como “o próprio
título e capa indicam”,
a obra conta com uma
“parte erudita”, ligada
ao pensamento, e ou-
tra mais vulgar ou po-
pular, dos “modos de
dizer”. A retórica tradi-
cional, com bagagem
aforística e sentenciosa,
recorre exactamente à
economia defendida
por Adriano Carlos,
“de fazer o máximo
sentido com o mínimo possível”. Apesar de mais po-
pular, trata também conceitos filosóficos referentes
a diversos temas, como o amor, destino, Deus, espe-
rança, arte, lazer, doença e cultura.
Já Eugénio dos Santos presenteou a audiência com
uma leitura diferente da obra. O professor de Histó-
ria destacou o facto de os conteúdos estarem “orga-
nizados por temática”, permitindo utilizá-los como
ponto de partida para uma alocução, isto é, como

M “Este livro
ais de cin- “mote para um pensamento”. “Este livro é de uma
quenta pes- utilidade enorme”, reiterou, referindo-se à primeira
soas atende- é de uma parte do livro, com citações. Já a segunda parte
ram, a 6 de fevereiro, utilidade (“modos de dizer”), descreveu-a como um “manan-
sábado, ao lançamento
do livro “Pensamentos
enorme” cial para os interessados”, sendo que “condensam
a nossa cultura”, sabedoria e sensibilidades e são,
Eugénio dos Santos
e Modos de Dizer” da em simultâneo, “fruto dela”. Eugénio dos Santos
autoria do médico reu- escolheu alguns modos de dizer incluídos no livro,
matologista Licínio Po- desenvolvendo-os a partir dos fundamentos histó-
ças no Salão Nobre da ricos. “Fino como o Alho” e “Armar uma Bernarda”
SRNOM. Porque, como referiu o próprio, “o autor foram alguns deles, sendo que o primeiro se refere
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nada deve dizer” na apresentação de um livro seu, ao mercador portuense do século XIV Afonso Mar-
esta coube a dois professores universitários da Fa- tins Alho, que agilizou um inteligente acordo com
culdade de Letras, Eugénio dos Santos e Adriano Inglaterra, e o segundo à tentativa de revolta em
Carlos. “Os vossos juízos críticos não me auguram Braga em 1862/1863 pelo pagamento excessivo de
nada de bom”, afirmou, brincando ao dizer que se impostos, em que Maria Bernarda atraiu o regi-
colocou “na boca do lobo”. As exposições dos orado- mento de cavalaria.
res convidados foram, no entanto, muito elogiosas. A parte final da sessão foi aberta à plateia, tendo
Depois de reproduzido o poema cantado “Os pesca- Maria José, amiga do autor, descrito a tarde como
dores da barca bela”, gravado pelo Grupo Folclórico “muito bem passada”. Os lucros da venda de “Pensa-
dos Açores, acompanhado da projecção de imagens mentos e Modos de Dizer” revertem a favor da Liga
de célebres edificações, como a Torre de Belém (que dos Amigos do Centro Hospitalar de São João. n
81

F
oi o fémur partido e o descanso indispen-
sável para a recuperação que levaram Maria
Manuela Praça a “ganhar coragem” e em-
barcar na aventura de escrever um livro. “Viagem
ao Centro dos Sonhos” foi o título que deu a esta
primeira obra, que espelha o seu percurso e pre-
tende ser uma forma de se dar

Livro de
a conhecer mais tarde aos seus
netos. Aquando do lançamento

Maria do livro, dia 17 de março na Sala


Braga da SRNOM, não faltaram,

Manuela entre as cerca de 60 pessoas pre-


sentes, esses pequenos “juízes do

Praça é uma futuro”.


Manuel Bartilotti Matos, colega
herança de curso da autora, foi um dos
convidados a apresentar o livro,
familiar que considerou estar “escrito
com alma”. “Em tudo o que ela
diz, revejo-me”, afirmou. Elo-
giou-lhe a “escrita fluída” que uti-
“Viagem ao Centro dos Sonhos”, liza para narrar as histórias que
a primeira obra publicada por vivenciaram enquanto “filhos da
ditadura”, sublinhando, embora,
Maria Manuela Praça, foi es- que foi também “uma época fa-
crita a pensar nos seus descen- bulosa”, aludindo ao rock pro-
dentes. Ao remontar o trajecto duzido na altura. Salientou, no
entanto, que os seus trajectos
da autora, conturbado por seguintes diferem no respei-
marcantes momentos de con- tante à intervenção política. “Há
testação política, serve de me- uma altura em que divergimos
e aí a Manuela ganha-me”, refe-
mória viva para as próximas riu, explicando que a autora foi
gerações. bastante activa a este nível e que
chegou, inclusive, a ser suspensa
das aulas e mesmo presa.
Vasco Praça, um dos filhos de
Maria Manuela que a acompa-
nhou durante todo o processo,
relevou que escrever um livro
representa sempre “um desa-
fio à imaginação”, ainda mais
quando “não se percebe nada
de informática”. Tendo impul-
sionado e assistido à gestação da
obra, garante que o “entusiasmo
foi crescendo” e “foi nascendo
a qualidade do texto”. “O livro
“Foi para os meus netos é realmente muito bonito” e
que escrevi este livro” “transmite as suas várias facetas”,
Maria Manuela Praça
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concretizou. Finalmente, Maria


“É uma boa herança para Manuela revelou-se “ansiosa” e
os filhos, netos, amigos e agradeceu à “família e amigos
por ajudarem a compor a história
todos os que a leiam”
Vasco Praça
que escreveu”, à mãe, colegas de
especialidade, amigos de infân-
cia, camaradas partidários, ao
irmão José Luís, que escreveu o prefácio “com toda
a sua sensibilidade”, e por fim aos netos, os “olhi-
nhos” escondidos no livro, a quem se dirige esta
“avó louca”. n
82 Cultura

Do terreno
para a galeria
Workshops de
fotografia no terreno
deram origem a
exposição

A
exposição “Sinopse”, De três workshops de
que esteve patente na fotografia no terreno,
Casa do Médico entre
os dias 5 e 17 de fevereiro, é realizados no final de
o resultado de três workshops 2014 e em 2015 no Douro,
de fotografia no terreno pro- Castelo Rodrigo e linha
movidos pela Comissão de Ac-
do rio Tua, brotou a
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tividades Culturais e de Lazer


da SRNOM. Como explicou exposição “Sinopse”,
José Ramada, coordenador produto final que reflecte
da iniciativa, esta “pretende
ser uma mostra colectiva dos o estímulo incutido
sentires e dos olhares dos au- aos participantes de
tores sobre recantos cuja ex- se interligarem com a
pressão máxima desabrocha
apenas em momentos únicos paisagem e procurarem
do tempo”. Os workshops que registar as histórias dos
deram origem a esta exposição locais por onde passaram.
tiveram sempre lotação esgo-
tada, com 17 participantes, e
realizaram-se em novembro
de 2014 (no Douro), em março
de 2015 – onde de Castelo Rodrigo se pôde apreciar a
beleza das flores das amendoeiras a colorir de branco
e rosa a paisagem –, e o último em maio de 2015 –
com uma caminhada de oito quilómetros pela linha
do rio Tua.
João Alves, um dos participantes presente na inau-
guração da exposição, não escondeu o sorriso ao
recordar a iniciativa, que lhe possibilitou explorar
esta área que lhe desperta curiosidade. “Permitiu-
-me ir a sítios a que não teria condições de ir nor-
malmente sozinho”, afirmou, destacando também
a “orientação muito boa”, sendo que os workshops
contaram com o apoio do fotógrafo profissional
José Maria Barroso no exercício da técnica fotográ-
fica. Para João Alves, a linha do Tua foi o percurso
mais exigente, devido a ter-se realizado “num dia de
muito calor”, com “42 ºC de temperatura”, ainda as-
sim uma experiência “bastante positiva”, descreveu.
Também a colega Isabel Aguiar se mostrou muito
satisfeita: “Não levei uma máquina muito boa, mas
83

Penso que iniciativas


como esta deverão ser
estimuladas, pois nós
médicos acabamos
frequentemente
muito virados para
o nosso trabalho
e para o mundo
científico, acabando
por comunicar muito
pouco entre nós sobre
outras artes que a
vida nos põe à frente e
para as quais sempre
dizemos não ter tempo
José Ramada

e para o mundo científico,


acabando por comunicar
muito pouco entre nós
sobre outras artes que
a vida nos põe à frente e
para as quais sempre di-
zemos não ter tempo”,
concluiu José Ramada.
Os restantes participantes
subscreveram esta óptica,
considerando também ser
este “um excelente modo
de ocupar o tempo”, so-
bretudo no caso de quem
se vai afastando da ac-
as fotografias ficaram bem, e isso é um entusiasmo”, tividade profissional, como destacou Domingos
afirmou. “Fico contente por as ver aqui expostas, e Azevedo. “Com a minha idade começo a ter algum
há aqui obras muito bonitas”, acrescentou. A opi- tempo livre e acho que a fotografia é boa para nos
nião é partilhada: para Domingos Azevedo “as fo- manter interessados e ocupados”, afirmou.
tografias ainda ficam mais bonitas” nas paredes do Face ao “saldo extraordinariamente positivo e soli-
hall e galeria do Centro de Cultura e Congressos. damente alicerçado” destes workshops, como des-
Na percepção do coordenador e mentor do pro- tacou o organizador, estão em preparação outros
jecto, os workshops foram “um enorme sucesso projectos arrojados, como o I Curso de Fotogra-
não só a nível fotográfico mas também ao nível das fia, que se iniciará em outubro do corrente ano e
relações humanas, fomen- já tem alguns potenciais
tando o estabelecimento de interessados, como Isabel
amizades e um delicioso con- Aguiar: “Agora aguardo
vívio entre os participantes, pelo curso para continuar
originando um grupo muito a minha aprendizagem”,
homogéneo e interactivo, com afirmou. n
uma enorme vontade de pros-
seguir”. “Penso que iniciativas
como esta deverão ser estimu-
ladas, pois nós médicos aca-
bamos frequentemente muito
virados para o nosso trabalho
84 Cultura

Exposição de José Moreira pinta desde os dez anos, sendo que nos
últimos vinte se dedicou à pintura por inteiro. “A
pintura pintura faz parte integral da minha vida, é o meu
único trabalho, faço exposições na Europa inteira,
e desenvolvo o meu trabalho através de várias téc-
nicas”, explicou. Para as mostras que faz tenta de-
monstrar componentes completamente diferentes:
“Cada exposição minha parece de três ou quatro ar-

Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport


tistas, domino umas seis ou sete técnicas de pintura
(...) e arrisco”. Por ser “um homem muito viajado”
e conhecer o mundo inteiro, efectuando paragens
em ateliers de vários artistas, considera que com
“a aprendizagem dos outros também nós vamos
aprendendo e desenvolvendo novas técnicas”. Para
esta exposição na SRNOM trouxe 67 obras, pois
geralmente só faz ”exposições em grande”, que lhe
permitam “mostrar um bocadinho de todo o traba-
lho e das várias técnicas” que utiliza. Aqui incluem-
-se “quadros pintados em latão”
com uma “laca especial” que im-
porta. “Funciono muito na base
dos óleos, de esmalte e com textu-
ras, que vão desde a fibra de vidro
e acrílicos até aos mais diversos
materiais”, acrescentou.
Também os formatos são díspa-
res e subordinados ao estado de
alma do pintor, sejam rectangu-
lares, quadrados, circulares, ou

O abstraccionismo
até mesmo candeeiros e cadeiras.
O que é constante é o estilo que

e textura na
segue: o abstraccionismo. “Eu só
pinto em termos abstractos. Te-

obra de
nho um ou dois quadros figura-
tivos” nesta exposição, “mas têm

José Moreira
sempre uma parte de abstracto,
não é o figurativo normal, como
alguns pintores utilizam”, expôs.
O pintor também recebe no seu
O pintor com curriculum nacional e atelier, na Quinta dos Caniços, em
internacional estreou-se na SRNOM, Tires, outros artistas e dá a conhe-
cer os seus métodos de trabalho:
com mais de sessenta obras expostas
“Não me importo nada de mostrar
no bar e corredores do Centro de aquilo que faço e como faço, nunca
Cultura e Congressos. Uma exposição ninguém é nada se não tiver, no
seu íntimo, vontade e criativi-
“em grande”, como é seu hábito, onde
dade”, defendeu. No mesmo local,
deu a conhecer as várias técnicas e onde também vive, tem ainda a
materiais que domina. sua galeria privada, onde recebe os
clientes, que têm forte implicação
nos preços que pratica. “A minha
O começo de um bom ano de 2016” foi como clientela é que me foi dando o feedback para fazer as
José Carlos Salgado Moreira descreveu a sua minhas cotações”, esclareceu. “Hoje em dia os pre-
exposição de pintura na SRNOM, aquando da sua ços são compatíveis com o valor de mercado, com
inauguração, no dia 8 de janeiro. O pintor, sede- cotações” que são “dadas geralmente pelos leilões”,
ado na zona de Cascais e cujas obras se encontram aprofundou. No entanto, revelou José Moreira, e
presentes em diversas coleções particulares e ins- também devido à crise, muitas obras passaram a ser
titucionais, estreou-se na Casa do Médico, embora vendidas abaixo do valor de mercado, com nefastas
já tenha exposto várias vezes no Porto, e em mui- implicações: “Neste momento há leilões a começar
tas outras cidades, um pouco por todo o país e até em um euro por uma obra de arte. Pode-se correr o
mesmo no estrangeiro, como é o caso da Jacob Ja- risco de a vender por um euro, que nem sequer paga
vits Convention e Artexpo, em Nova Iorque. um pincel do artista”, concretizou. n
85

“Braga e os seus Ecos”


Platinotipias de Miguel Louro em
exposição na SRNOM
Os ecos de Braga vive em Aveiro, que neste momento só im-
invadiram o Centro de prime para os Estados Unidos e para a Eu-
ropa”, contou-nos Miguel Louro na sessão
Cultura e Congressos da
inauguração, a 15 de janeiro. As fotografias
Secção Regional do Norte escolhidas para esta exposição fazem parte
da Ordem dos Médicos. de um trabalho desenvolvido pelo autor
A exposição temporária que esteve exposto no Museu Soares dos
trouxe verdadeiras Reis juntamente com outras obras de “um
grupo de antigos fotógrafos do Porto”, uma
raridades da autoria de
exposição colectiva a que se chamou ‘Ecos
Miguel Louro, médico e de uma Geração’, e para a qual contribuiu
fotógrafo que comemora com os “Ecos de Braga”.
a sua actividade artística, A fotografia surgiu na vida de Miguel Louro
clínica e civil com o por altura do 25 de abril, devido à revolu-
ção não pôde “ir para a faculdade” e es-
Projecto “30…40…60”.
teve “um ano parado”. Por sugestão de um
professor, Nuno Barreto, que lhe reconhe-
ceu o talento, pegou “na máquina de um
amigo” e tirou “as melhores fotografias do
grupo”. “Cursei nesse ano na Gulbenkian,
em Braga. Tinha uma escola de fotografia”,
recorda. “Passei de aluno a professor nos
anos seguintes”, acrescentou. Daí veio para
o Porto, onde se formou e iniciou o seu per-
curso na área da Medicina, mas sem nunca
abandonar a fotografia artística.
“Nas suas séries fotográficas, Miguel Louro

A
exposição de fo- combina os factos históricos com a actua-
tografia (platino- lidade, tratando a toma da imagem entre
tipias) “Braga e os a paisagem e a arquitectura monumental,
seus Ecos”, da autoria de e visualizando as suas próprias imagens
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

Miguel Louro, esteve pa- numa fusão de realidade e ficção, docu-


tente na SRNOM durante mentário e narrativa”, refere Adriana Hen-
os meses de janeiro e fe- riques, curadora da exposição. “As imagens
vereiro. Esta exposição, das várias séries fotográficas parecem foto-
dedicada à sua cidade natal, insere-se no Projecto grafias de clássicos do cinema, entre as quais parece
“30...40...60”, que assinala os 30 anos de clínica, desenvolver-se uma história”, defendeu a artista
40 de fotografia e 60 de vida do autor. Como nos plástica e professora. “Nestas platinotipias de ‘Braga
definiu o médico especialista em Medicina Geral e os eus Ecos’, de composição notavelmente sofis-
e Familiar e Medicina do Trabalho, as platinotipias ticada, o elemento principal é sempre um espaço,
“são o expoente máximo da impressão das foto- cuja relação com os outros se mantém enigmática”,
grafias a preto e branco no mundo”, pois são “feitas continuou. “A história mantém-se fragmentária,
em platina e algodão puro compactado”. Notar que mas ao mesmo tempo são estas imagens emocional-
a platina “é o menos degradável possível” e que mente enfáticas que combinam a realidade e a fic-
os primeiros exemplares produzidos com esta téc- ção numa abordagem visual notável”, concretizou.
nica foram feitos há duzentos anos, sendo que estas Este projecto comemorativo abarca várias exposi-
“no mínimo se vão conservar por esse período de ções pelo país e, inclusive, o lançamento do livro
tempo”. “Isto pouca gente vê em Portugal, explorei “Miguel Louro, 40 anos de fotografia, uma Leica
esta técnica com Manuel Teixeira, um rapaz que pendurada ao pescoço”. n
86 Cultura

Exposição de apresentações a título de individual, a artista não


escondeu a ansiedade antes de chegarem os convi-
pintura e escultura dados à inauguração da exposição, a 5 de fevereiro.

A versatilidade
Natural de Valongo, onde tem o seu atelier, Maria
André descreve-se como “muito versátil” e assume

“De ontem e de hoje”


ter preferência por trabalhar em grandes dimensões
e ao ar livre: “Trabalho muito ao ar livre, é onde

de Maria André
mais gosto de trabalhar”, admitiu.
Despertou para a actividade artística em 1973,
quando começou a ter aulas em casa com Laura
Costa, professora de Belas Artes, “que dava aulas no
colégio do Rosário e também aulas particulares” e
que foi, na sua altura, uma das primeiras raparigas a
frequentar o curso. Desde que Maria André desco-
briu esta vocação, já com vinte e nove anos, nunca
mais parou e só se sacia “a trabalhar, quatro, cinco,
seis, sete, oito horas seguidas”.
A pintora começou primeiro por explorar os óleos
e, só ao fim de oito anos, quando o seu pai faleceu e
passou a estar mais disponível, se dedicou à agua-
rela. “A aguarela exige muito mais concentração,
“Só me sacio a não se pode parar a qualquer momento, ou fica bem
trabalhar, quatro, ou não fica. O óleo já é diferente, eu posso estar a
cinco, seis, sete, oito trabalhar e o pincel ficar de lado e passado um bo-
horas seguidas ” cado continuar a trabalhar”, explicou.
Maria André Quando a professora adoeceu, aconselhou-a ir até
à Cooperativa de Ensino Polivalente Artístico - Ár-
vore, onde viria a frequentar o
curso de Tecnologia, Desenho
e Pintura. Apesar de ter tido ou-
tros professores, Maria André
não tem dúvidas sobre a influ-
ência maior no seu percurso: “A
Laura Costa foi a minha grande
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

mestre” e “uma primeira agua-


rela que fiz com ela dizem que
é das minhas melhores”, referiu.
As técnicas foram-se, cada vez
mais, aperfeiçoando, o óleo, as
aguarelas, a tinta da china, e o
estilo evoluindo, como a própria
narra: “O meu estilo começou
por ser figurativo, naturalismo”,
explicou, demonstrando espe-
cial gosto por “pintar campos de
flores”. Passou pelo impressio-
A exposição “De ontem e de hoje” trouxe ao nismo, e rendeu-se ao abstraccionismo quando, em
Centro de Cultura e Congressos da SRNOM 2008, foi convidada pela PT para fazer uma expo-
mais de cinquenta obras da artista plástica sição em dois pisos. “Quero fazer uma bruta expo-
sição de abstractos”, decidiu. “Nunca tinha exposto
Maria André, numa mostra que traduz a abstractos” e “realizou-me imenso, acho que foi um
versatilidade da artista na pintura, com êxito”, concretizou.
destaque para os óleos e aguarelas, e na A escultura surgiu a par com a disponibilidade,
apesar de sempre ter tido “muita vontade”, “o tempo
escultura. nem sempre dava para tudo”. As peças aqui ex-
postas, reflectem o seu gosto por “tudo o que é
antigo”, exemplificando com os “ferros mais que

A
galeria da SRNOM acolheu durante o centenários” que integram uma das sete esculturas
mês de fevereiro a exposição “De ontem ali patentes.
e de hoje”, composta por 49 pinturas e Em simultâneo com esta exposição, Maria André
sete esculturas da autoria de Maria André. Apesar teve mais de vinte trabalhos expostos nas Galerias
de ter mais de quarenta anos de carreira e várias em Miguel Bombarda. n
87

O
Clube Médico de Mototurismo (Med-
Motard) surgiu em fevereiro de 2013 por
iniciativa dos médicos Rui Rodrigues e
Susana Reis. Para sua surpresa, o primeiro pas-
seio juntou quase vinte motas. Três anos depois e
muitos quilómetros percorridos, o clube inaugu-
rou uma exposição no Centro de Cultura e Con-
gressos da SRNOM, com motos de alguns mem-

Uma
bros, das clássicas às modernas, e
fotografias que ilustram as aventuras

“família” de
deste “verdadeiro grupo de amigos”,
como referiu Rui Rodrigues, e que
já conta com 110 sócios “de quase

médicos todo o país”. Na sessão de abertura, a


20 de fevereiro, onde marcaram pre-

motociclistas
sença cerca de 50 pessoas, foi tam-
bém apresentado o primeiro livro
MedMotard, “Diários de viagem”:
“Lançamos um livro em que faze-
As duas rodas invadiram o mos uma retrospectiva”, explicou o
sócio fundador, acrescentando que
Centro de Cultura e Congressos exploram as regiões mais recônditas
da SRNOM. A completar três anos de Portugal e que já vão para o nono
em fevereiro, o Clube Médico de passeio de mototurismo. Rui Rodri-
gues acrescentou ainda ter particu-
Mototurismo escolheu partilhar lar orgulho neste projecto por não
o seu percurso e actividades com ter conhecimento de mais nenhum
a restante comunidade médica, e grupo de mototurismo composto
por médicos na Europa.
até as próprias máquinas. A estas
comemorações acresceram um PENSAMENTO CRUZADO
jantar, exposição de fotografia, Neste “dia de grande felicidade para
todos”, o Salão Nobre acolheu ainda
lançamento do livro “Diários de a gravação do programa da TSF Pen-
viagem” e a gravação de um es- samento Cruzado, com Mésicles
pecial do programa Pensamento Helin, Vítor Cotovio e Margarida
Cordo. A reflexão centrou-se no nas
Cruzado, numa parceria com a paixões e sentimentos gerados no
rádio TSF. motociclista durante a vida, como
introduziu Mésicles Helin.
Na opinião de Margarida Cordo, “já
não há a associação” do motard a
uma “pessoa desgrenhada, suja”: “Esse estigma está
cada vez mais esbatido, vamos percebendo que as
pessoas andam de mota por paixão”, “sem limite
geracional, social ou cultural”, afirmou. De acordo
com as impressões que a convidada tirou de amigos
motociclistas, a “adrenalina”, “liberdade”, o “sentir a
natureza” e “o vento de frente” são factores determi-
nantes na paixão pelo motociclismo. Vítor Cotovio,
recordou a altura em que o pai, no seu sétimo ano,
lhe ofereceu uma Zündapp para ganhar autonomia
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

de transporte. A seu ver, no entanto, colmatar a


necessidade de locomoção não é o que motiva as
pessoas a andar de moto: “Os motociclistas tiram
prazer da própria actividade”, “a motivação intrín-
seca”, explicou. n

Pode rever o programa especial


no podcast da rádio TSF em
http://www.tsf.pt/programa/
pensamento-cruzado/emissao/a-
felicidade-vai-a-pendura-5050204.html
88 Cultura

O melhor
do jazz
nacional na
SRNOM
O Jazz voltou à Ordem e com ele
dezenas de pessoas que tornam
este sexto ciclo, à semelhança
dos anteriores, um sucesso
crescente. Projecto MAP e Ma-
nuel Beleza Jazz Terceto foram
os primeiros artistas convi-

O
dados, e surpreenderam pela s Ciclos de Jazz
positiva. promovidos pela
C om i s s ão de
Actividades Culturais e
de Lazer da SRNOM che-
garam à sua sexta edição
com “o que de melhor se faz no jazz nacional”. A
Texto Inês Ferreira › Fotografia Digireport

garantia é de Rui Rodrigues, promotor desta inicia-


tiva, que não tem dúvidas de que “tem melhorado a
cada ano que passa”. Antes de inaugurar o ciclo, a
26 de fevereiro, e apresentar o quarteto da noite, o
dirigente deixou um agradecimento especial ao pre-
sidente do CRNOM, um “apaixonado pelo jazz” que
“permitiu que se reunisse este painel de músicos ex-
celente”. Projecto MAP é um quarteto composto por
músicos do Norte do país: Acácio Saleiro na bateria,
“um homem com um palmarés musical tremendo”,
como descreveu Rui Rodrigues, Paulo Gomes no
piano, Miguel Moreira nas guitarras, e Miguel Ân-
gelo no contrabaixo. Nas palavras do coordenador
do evento, “jazz é entretenimento”, “uma forma
de estar na vida”, e por isso chamou ao palco o
grupo da noite, que brindou a audiência com a sua
música original, tão elogiada em 2015 pela crítica,
89

Actividades Culturais e de Lazer, foi uma das deze-


nas de pessoas que rumaram ao Centro de Cultura
e Congressos a 18 de março para ouvir o Manuel
Beleza Jazz terceto. José Ferraz de Oliveira não tem
dúvidas de que este evento ilustra bem a “mais-
-valia que esta Secção Regional tem”, sendo que é
“claramente superior às secções congéneres” e “as
próprias o reconheceram”. “Também é verdade que
temos condições especiais”,
ressalvou, “mas também
preocupações adicionais de
desenvolver estas activida-
des”, continuou. “O que nos
interessa é o cruzar do saber
e das artes, entendemos isso
numa óptica da formação
global que o médico deve
ter e que deveria fazer parte
da sua vida quotidiana, com
todas as vantagens que isso
depois tem para o contacto
com o doente”, explicou.
“Quanto mais culto o indi-
víduo for, maior facilidade
tem em contactar e até em
se emparelhar ao nível da
linguagem com as pessoas”,
concretizou.
“O ciclo tem Prontos a enriquecer musi-
melhorado a cada calmente a plateia de médi-
ano que passa” cos, subiu ao palco o “terceto
Rui Rodrigues
muito interessante”, recor-
“O Jazz é uma forma rendo às palavras do orga-
de estar na vida”, nizador, para um concerto
Rui Rodrigues com uma fórmula invulgar:
órgão Hammond, saxofone
“O que nos interessa e bateria. A sonoridade do
é o cruzar do trio liderado por Manuel
saber e das artes, Beleza no órgão Hammond,
entendemos isso com Mário Santos nos sa-
numa óptica da
xofones e Marcos Cavaleiro
formação global que
o médico deve ter” na bateria, é inovadora e re-
José Ferraz de Oliveira flecte a influência da poesia
na vida e criação de Manuel
Beleza, autodidacta no ins-
aquando do lança- trumento. “Em Portugal não temos muitos organis-
mento do segundo tas deste nível”, referiu Rui Rodrigues. “Para além
disco, “Circo Voador”, de mim…” é o nome do álbum apresentado pelo
considerando-o um grupo, que foi classificado com quatro estrelas e
dos melhores CD’s do considerado por Raul Vaz Bernardo, crítico do jor-
ano dentro deste estilo nal Expresso, “uma joia do Jazz”.
musical. Margarida Na próxima Nortemédico trazemos-lhe a reporta-
Neves, a estrear-se na gem dos três últimos concertos deste 6.º Ciclo de
assistência do Jazz na Jazz na Ordem, com protagonistas como Marcel
Ordem, partilha a opi- Pascual Quartet (15 de abril), Combos da Escola de
nião e confessou-nos estar “positivamente surpre- Jazz do Porto (22 de abril) e João Hasselberg e Luís
endida com a qualidade dos temas apresentados”, Figueiredo (6 de maio). n
não hesitando quando questionada se voltaria:
“Claro, é sem dúvida um serão bem passado”.
Com “muito boas referências”, José Ferraz de
Oliveira, também membro da Comissão de
90 Cultura

Nos próximos dias 20 e 21 de


maio, a Secção Regional do
Norte da Ordem dos Médicos
vai proporcionar duas noites
de fruição musical com o
piano como actor principal.
A Nortemédico falou com os
artistas convidados, Nuno

Serões de Cernadas e Silvia Molan, que


nos dão todas as razões para

piano não perder os seus recitais,


entre elas o reportório de
excelência.
Dois recitais
em maio que
prometem fortes
emoções Nuno Cernadas
com programa
“especial”

S
eis anos depois, Nuno Cer-
nadas está de regresso à
SRNOM para um concerto
de piano que promete reflectir “uma
maior maturidade artística e me-
lhor capacidade de expressão atra-
vés do instrumento”. O pianista,
que em 2009 foi galardoado com
o 1.º lugar no Concurso Internacio-
nal de Piano “Pro-Piano” em Buca-
reste, na Roménia, irá interpretar
a 21 de Maio obras de Scriabin e
Chopin, dois compositores que
“Tento pensar nas sempre tocou “com regularidade” e
emoções do público como cuja música o “move de uma forma
uma consequência da especial”. Nuno Cernadas admite
pureza da interpretação” “uma especial proximidade” pela
Nuno Cernadas obra de Scriabin, tendo elaborado
a sua “tese de mestrado sobre a evo-
lução da sua estética nas obras de
piano”. “Sempre achei fascinante a
integração de aspectos filosóficos, místicos e até
de sugestões visuais (já que Scriabin era sinesteta)
que o compositor faz na sua música”, contou. Os 24
Prelúdios op.28 são os temas escolhidos de Chopin,
Texto Inês Ferreira

uma obra que encara “como um absoluto auge do


reportório pianístico”, não pela “maior dificuldade
técnica, mas talvez por ser uma das obras que mais
exige emocionalmente do intérprete (e até do pú-
blico), já que se trata de 24 pequenas pérolas, cada
uma com uma atmosfera musical e emocional com-
pletamente distinta e com dificuldades pianísticas
91

Silvia Molan
em estreia em
Portugal
Dia 20 de maio Silvia Molan,
promessa do piano brasileiro,
realizará na SRNOM o seu
primeiro recital em Portugal. À
semelhança de Nuno Cernadas,
a jovem pianista paulista
prossegue actualmente os
estudos na Hochschule für
Musik Karlsruhe, com o Prof.
Michael Uhde.

Silvia Carvalho Molan, figura de destaque


que se transformam “Para mim o que mais na nova geração de pianistas brasileiros, irá
a cada peça que se se destaca num artista estrear-se em Portugal no Centro de Cultura
inicia”. “Sempre foi é a sua capacidade de e Congressos da SRNOM. O recital arran-
um sonho meu tocar comunicação” cará com as “Drei Klavierstücke”, três peças
esta obra e fico feliz Silvia Molan para piano de Franz Schubert, seguidas da
que isso possa acon- Suíte Floral do compositor brasileiro Villa-
tecer na SRNOM”, -Lobos, à qual dedicou o seu trabalho de
concretizou. conclusão do bacharelado em Piano na Uni-
O artista, proveniente de uma família intimamente versidade de São Paulo. “Sempre gostei muito de
ligada à Medicina, destaca como momentos mar- tocar as três peças da Suíte, que a meu ver são muito
cantes da sua carreira as apresentações como solista especiais dentro da obra do compositor. Elas ron-
com a Orquestra do Norte, a Orquestra do Festi- dam a atmosfera do impressionismo europeu, e ao
val Harmos e a Orquestra da Academia de Verão mesmo tempo revelam a riqueza do ambiente ru-
do Remix Ensemble, e confessa sentir-se “em casa ral brasileiro”, explicou. Silvia Molan, que assume
quando atua na SRNOM: “Foi uma instituição que como um dos momentos mais marcantes da sua
sempre acompanhou a minha formação (a primeira vida profissional o período em que participou, e
vez que lá toquei era ainda aluno do Conservatório venceu, o “concurso para jovens solistas ‘Prelúdio’,
do Porto, e fi-lo depois várias vezes como aluno da em 2010, cuja prova final (transmitida para todo
Escola Superior de Música do Porto) e à qual me o Brasil pelo canal público TV Cultura) foi dispu-
sinto muito agradecido pelo apoio que sempre me tada numa das salas mais prestigiadas do mundo,
concedeu. Porém, tocar em ‘casa’ não significa que a Sala São Paulo, encerrará o concerto no Porto
seja mais confortável e fácil, e eu encaro todos os com chave de ouro. Depois da interpretação do
recitais, mas este em especial, com um grande sen- Nocturno Op.27 n.2, “um dos mais bonitos Noc-
tido de responsabilidade”, afirmou. turnos de Chopin”, finalizará com Veneza e Napoli
Nuno Cernadas, que gravou diversas vezes para a de Franz Liszt. “Composta nos anos de peregrina-
RTP (na sua vertente radiofónica) e para a Euroclas- ção do compositor em Itália, mostra muito lirismo
sical, explicou-nos ainda que procura “interpretar dentro de muito virtuosismo. É para mim uma das
cada obra com o maior respeito pelo compositor, suas obras mais bonitas”, justificou. A pianista pre-
ir sempre muito a fundo na procura das soluções miada múltiplas vezes elege a capacidade de co-
pianísticas e na definição das emoções que mo- municação como característica fulcral num artista,
tivaram o compositor a criar determinada peça”. assim como a “honestidade na mensagem musical
“Só posso em seguida esperar, através de horas de e a profundidade nas suas performances”, algo que
estudo, que essa interpretação honesta, séria e pura encara como “único e especial” nos músicos que
na sua motivação possa servir como um meio entre admira. “A meu ver, a reacção da plateia à música
aquela que é a mensagem do compositor (como eu depende de muitos factores: não somente do artista,
a entendo) e o público. O meu objectivo é portanto nem somente da acústica da sala e do instrumento,
que o público saia dessa experiência ‘transformado’, mas também da disposição emocional de cada um
seja de que forma for, sem que tenha havido um naquele momento. Espero que nos dois recitais da
esforço intencional da minha parte para que isso SRNOM todos estes factores sejam favoráveis para
aconteça”, concluiu. fortes emoções!”, rematou. n
92 Cultura

Museu do
Texto Inês Ferreira › Fotografia Nuno Almeida

Centro Hospitalar
do Porto
Onde a história da
Medicina e Farmácia
se funde com a da
cidade do Porto
93

N
Inaugurou há menos de três a fachada neoclás- culturais do Centro de Genética Médica Doutor
anos e desde então já guiou mi- sica do edifício do Jacinto Magalhães.
Hospital de Santo Em outubro de 2013, quando abriu ao público, o
lhares de pessoas numa autên- A ntónio, actual- Museu surpreendeu com a extensa requalificação
tica viagem aos séculos XIX e mente classificado como Monu- de dois notáveis espaços: a Botica oitocentista do
XX e às técnicas e progressos nas mento Nacional, encontramos Hospital Real de Santo António (musealizada in
a porta que dá acesso ao Museu situ) e a recriação da Farmácia de Oficina do Hos-
áreas da Farmácia e da Medicina do Centro Hospitalar do Porto pital Joaquim Urbano. Para além destas alas prin-
verificadas neste período. Para (MCHP), que inaugurou em 2013 cipais, várias vitrines distribuídas pelas distintas
além da recriação da Botica do e desde então já deu a conhecer áreas hospitalares complementam o rico espólio do
o seu espólio a mais de dez mil MCHP, recuperando elementos históricos relativos
Hospital Real de Santo António visitantes. Tal como as infraes- ao exercício da Medicina. Neste intervalo temporal,
e da Farmácia de Oficina do Hos- truturas, que remontam a 1799, o o museu já recebeu visitantes de 62 países, com
pital Joaquim Urbano, o Museu seu conteúdo é histórico, propor- destaque para França, Espanha, Inglaterra, Alema-
cionando uma viagem no tempo nha e Brasil, “assumindo-se como um espaço de
do Centro Hospitalar do Porto é pelas práticas e técnicas de inter- aprendizagem, que visa mobilizar competências em
complementado por vitrines de- venção das Ciências da Saúde de torno dos temas da Saúde e promover uma perspec-
dicadas às diferentes especiali- âmbito médico e farmacêutico, tiva museológica inserida na comunidade profis-
nos séculos XIX e XX. Como nos sional, académica e população em geral, enquanto
dades médicas, espalhadas pelos explicou a museóloga, Sónia Fa- factor de promoção de uma cidadania activa”. Inte-
diferentes pisos do hospital. Caso ria, o MCHP “tem como vocação grando-se no Departamento de Ensino, Formação e
não tenha tido já a oportunidade celebrar e promover as origens e Investigação (DEFI), reflecte temáticas pedagógicas
raízes das suas unidades hospita- específicas tais como ‘Museus para uma sociedade
de visitar este espaço, ainda vai lares, bem como preservar e valo- sustentável’ e ‘Doenças infecciosas: exemplos an-
a tempo. São muitos os motivos rizar o seu património cultural”. tigos, complicações futuras’. “Desenvolvemos uma
para o fazer. “Abrangendo milhares de artefac- programação de atividades educativas, científicas
tos, o seu acervo é constituído em e culturais que visam assegurar a acessibilidade às
grande parte por instrumentos de coleções, desde visitas orientadas, oficinas de mul-
caráter Médico-Cirúrgico, Labo- timédia e pintura, como «O Mundo dos Micróbios»
ratorial, de Imagem e de Farmá- e «O Aprendiz de Boticário», e exibição de docu-
cia, incluindo diversos utensílios mentários”, explicou a museóloga.
de apoio hospitalar”, referiu a
responsável, acrescentando que Botica do Hospital Real
“contempla ainda colecções de de Santo António
Pintura, Mobiliário, Escultura e Com mais de 150 anos, este espaço, também co-
Fotografia”. Na óptica de Sónia nhecido como “Sala de Público”, mantém a traça
Faria, quem passa pelo museu oitocentista reconstruindo as terapêuticas deste pe-
“percepciona um património ríodo. Um raro conjunto de armários de botica aloja
global, e não só de um hospital”, elementos próprios da época, como as balanças,
mergulhando na “herança cultu- seringas, almofarizes e potes de farmácia, onde se
ral da Cidade do Porto”. O museu guardavam os electuários, os unguentos e as poma-
“contextualiza o legado das do- das. A cor dos frascos variava com a sensibilidade
enças por épocas, das patologias dos ingredientes à luz, estando os azuis destinados
curáveis às epidemias próprias do aos sumos medicinais e tinturas, por exemplo. Re-
tecido urbano onde o Museu se fletindo as correntes terapêuticas da época, diversos
insere”, concretizou. preparados e produtos medicinais eram usados pe-
las suas propriedades digestivas, desintoxicantes,
A origem deste projecto remonta diuréticas, cicatrizantes, expetorantes, vermífugas,
a janeiro de 2007, “altura em que antissépticas, entre outras. Aqui podem conhecer-
foi feito um levantamento exaus- -se outros recursos interessantes como as laminá-
tivo do património cultural e científico existente rias, algas marítimas utilizadas para auxiliar na
no Hospital de Santo António”. Em setembro do dilatação do cérvix das grávidas.
mesmo ano, o acervo foi reforçado pelas colecções Recorde-se que no século XIX o Hospital de Santo
do Hospital Maria Pia e da Maternidade Júlio Di- António contava com um horto medicinal (no jar-
nis, em março de 2011 pelo espólio do Hospital dim), de onde se colhiam muitas plantas para secar,
Joaquim Urbano, e em maio de 2013 pelos bens triturar e prensar, retirando-lhes os óleos. Era neste
94 Cultura

local que funcionava a Botica e se fa-


bricavam os remédios, não só para
os pacientes do hospital, mas tam-
bém para o público em geral, fun-
cionando até à década de 70 como
Farmácia da Cidade, altura em que
passou a Farmácia de Ambulatório.
O imponente gradeamento em ferro
trabalhado da Fundição do Bolhão,
uma peça única no Norte, evidencia
“Quem disfruta
esse papel que desempenhava, ser-
do Museu do CHP
vindo para separar os boticários, que percepciona um
ficavam nos balcões atrás da grade, património global,
do público, sendo um elemento e não só de um
de destaque neste museu pela sua hospital, transporta-
dimensão. nos para herança
Neste primeiro espaço, encontramos cultural da Cidade do
também várias publicações, como Porto”
a primeira “Pharmacopeia” oficial Sónia Faria

portuguesa, decretada pela rainha


D. Maria I em 1794. Até ao século
XIX, a transmissão dos saberes far-
macêuticos era realizada através da
aprendizagem nas boticas, havendo
muitos relatos de doentes que “não
morriam da doença mas da cura”.
Este livro vinha assim regularizar e
uniformizar as composições e pre-
parações dos remédios para o reino e
domínios de Portugal, pretendendo contornar esta
realidade.
Na “Sala de Público” encontramos ainda, no topo
dos armários, bustos de personalidades relevantes
na área da Saúde, como Broussais, Carl von Linné e
Esculápio. Em 1875, a Botica do Hospital Real de
Santo António foi enaltecida pelo militar e historia-
dor português Pinho Leal como uma das primeiras
boticas de Portugal.

Farmácia do Hospital
Joaquim Urbano
Na segunda ala do museu deparamo-nos com uma
reconstituição da Farmácia de Oficina do Hospital
Joaquim Urbano, um espaço que, como explanou
Sónia Faria, serve de “apelo à consciência social
para os flagelos dos tempos, proporcionando uma
aproximação aos objectos com efeitos educativos
intangíveis”. O Hospital Joaquim Urbano foi esta- “O Museu do CHP
belecido em 1884 como hospital provisório para assume-se assim
coléricos no lugar de “Guelas de Pau”. Na farmácia como um Museu
de História das
deste hospital, especializado no tratamento e inves-
Ciências da Saúde
tigação das doenças infecciosas, eram “manipula- e de Memória
das múltiplas drogas com produção de diferentes Institucional que
formas farmacêuticas, destinadas especialmente ao tem como vocação
tratamento de sucessivas catástrofes epidémicas”. celebrar e promover
Aqui pode observar-se uma fase mais evoluída da as origens e raízes
produção farmacêutica, o início da industrializa- das suas unidades
ção nesta área, com a presença de uma máquina hospitalares, bem
que comprimia pó granulado transformando-o em como preservar
comprimidos, moldes de supositório, um esmaga- e valorizar o seu
dor de rolhas e ampolas de vidro soprado. Destaca- património cultural”
Sónia Faria
-se também nesta divisão o número de curiosas
95

substâncias com potencial terapêutico conserva- em aço niquelado do século XX. Noutros departa-
das em frascos, muitos com o conteúdo original, mentos, como o de Medicina, deslumbramo-nos
tais como raspas de ponta de veado (destinadas com aparelhos como a máquina de filmar Beaulieu,
a infusões desparasitantes), cantáridas (besouros um endoscópio de gastrenterologia, um pacemaker
com poder afrodisíaco e diurético), opiáceos (como e programador (de cardiologia) ou com o oftalmos-
folha de coca) e cafeína (sob a forma original de pó cópio de Welch Allyn. Nesta visita incluem-se ainda
branco). Neste espaço é ainda possível visualizar outras vitrines onde se podem contemplar elemen-
um pequeno documentário sobre a sua história, tos de outras especialidades, como a agulha de J.
desvendando curiosidades como a denominação Reverdin, um estojo com cânulas metálicas de ci-
“Guelas de Pau”, dados biográficos da figura que rurgia, ou até mesmo o famoso martelo de Corino
deu nome ao hospital e importância da sua inter- de Andrade, médico cujo ímpeto foi fundamental
venção, e o facto de a sua base térrea ser em madeira na criação do Serviço de Neurologia do Hospital de
e elevada em relação ao chão (sustentada por pe- Santo António do Porto.
dra), tornando os espaços arejados e as construções
isoladas e independentes, de forma a dificultar a sua Um projecto em crescimento
destruição pelo fogo. O Museu insere-se num “plano mais vasto que tem
a sua base na preservação, investigação, informa-
Vitrines complementares tização e divulgação de todo o acervo do Centro
A oferta do Museu é Hospitalar do Porto”. Neste sentido, de acordo com
complementada por a museóloga, “para além do desenvolvimento, sal-
vitrines localizadas em vaguarda e conservação das suas colecções, cons-
distintas áreas hospi- tituem-se como eixos de acção dar continuidade à
talares, repletas de fer- cooperação e articulação com a Direcção-Geral do
ramentas históricas re- Património Cultural e a Divisão Municipal de Mu-
lativas ao exercício da seus e Património Cultural da Câmara Municipal
Medicina. Nas palavras do Porto, aderindo a iniciativas culturais como o
da museóloga, “a apre- Dia Nacional dos Centros Históricos, Noite Euro-
sentação de áreas e uten- peia e Dia Internacional dos Museus e Jornadas Eu-
sílios que descendem da ropeias do Património”. É ainda objectivo “accionar
primeira Escola Médica e manter parcerias criativas e protocolos institucio-
do Porto promove um nais com estabelecimentos
novo entendimento de de ensino e culturais, ao
modernidade, do que se nível de estágios e acções
considerava curativo à de sensibilização e desen-
época”. Nos pisos mais volvimento de acções de di-
elevados do complexo namização cultural activas e
hospitalar, podemos diversificadas, assegurando
observar (para além da mensalmente quatro visitas
“A nossa riqueza de vista privilegiada sobre temáticas e colocando em
património merece a cidade) verdadeiros destaque uma peça do vasto
ser partilhada objectos históricos. No acervo institucional”.
pois reflecte o espaço dedicado ao De- Prevê-se ainda que o Mu-
valor material e o partamento de Doenças seu – pertencendo a um dos
valor imaterial da do Sistema Nervoso e maiores centros hospitala-
Medicina portuense
Órgãos dos Sentidos, res e universitários portu-
e nacional”
Luísa Lobato
constam instrumentos gueses – continue a evoluir
como o espéculo auri- para uma “ampliação da
cular, de otorrinolarin- área expositiva e criação
gologia, ou o broqueiro de núcleos temáticos nas
de dentária, de estoma- distintas unidades hospita-
tologia e cirurgia maxilo-facial. Já na vitrine do lares”. “A nossa riqueza de
Departamento da Mulher e da Criança, ficamos a património, a invocar a har-
conhecer elementos como o estetoscópio de Pinard monia do CHP, merece ser
e Pelvímetro de Collin, de obstetrícia, ou o aspecto partilhada pois reflecte o va-
ultrapassado de um ventilador, que outrora inte- lor material e o valor imate-
grou o Serviço de Cuidados Intensivos Neonatais rial da Medicina portuense
e Pediátricos. No espaço musealizado do Depar- e nacional”, elucidou Luísa
tamento de Anestesiologia, Cuidados Intensivos e Lobato, diretora do Departa-
Emergência sobressaem, por exemplo, a rudimentar mento de Ensino, Formação
Máscara de Esmarch, um artefacto em aço e fibra e Investigação (DEFI).
do século XIX, sendo possível observar a evolução Mais informação em www.
para a máscara de clorofórmio de Schimmelbusch, museu.chporto.pt/n
96 3 discos 3 livros

As escolhas de Mário Barbosa


Director do I3S
Foi director do Instituto Nacional de Engenha- Mário Barbosa nasceu em Vila do Conde a 4 de
ria Biomédica (INEB) e da Junta Nacional de In- outubro de 1950. Licenciou-se em Engenharia
vestigação Científica e Tecnológica (JNICT), que de Materiais na Faculdade de Engenharia da
antecedeu a Fundação para a Ciência e Tecno- Universidade do Porto (FEUP) e doutorou-se
logia (FCT). Actualmente, Mário Barbosa dirige depois na Universidade de Leeds.
o I3S (Instituto de Investigação e Inovação em
Saúde da Universidade do Porto), que resultou Texto Rui Martins

da fusão de três dos mais reconhecidos institu-


tos de investigação do país: o Instituto de Bio-
logia Molecular e Celular, o Instituto Nacional
de Engenharia Biomédica e o Instituto de Pato-
logia e Imunologia Molecular da Universidade
do Porto.

O Perfume Morte de um apicultor Casa de Papel


Patrick Suskind Lars Gustafsson Carlos María Dominguez

História diferente, per- Este romance, original- Um livro muito misterioso


turbadora, emocionante mente publicado em 1978, procedente do Uruguai,
(às vezes arrepiante), um conta a história de um com vestígios de cimento,
surpreendente best-seller professor na reforma, di- pode estar relacionado
da década de 80. Imagine vorciado, que vive sozinho com a súbita morte de
um indivíduo sobreviver numa casa de campo, al- uma professora da Uni-
num dos meios mais nau- gures na Suécia. versidade de Cambridge,
seabundos e decaden- Lars Lennart Westin tem Bluma Lennon. Intrigado,
tes dos sec. XVIII. Mas um cancro incurável mas o seu sucessor, um profes-
esse indivíduo, Jean Baptiste de seu nome, recusa-se a abrir a carta com os resultados da sor argentino que vive em Inglaterra, resolve
tinha uma particularidade: um olfacto apu- biópsia, queimando-a na lareira. Este gesto viajar até Montevideu para investigar a proce-
radíssimo, quase sobrenatural. Além disso, o parece dar-lhe uma réstia de esperança e dência e autoria de tão enigmática obra. Ali
corpo dele não exalava qualquer odor, o que o uma certa margem para continuar a viver. encontra um surpreendente mundo de biblio-
tornava ainda mais especial. Dedica-se à produção e venda de mel das suas tecas secretas, habitadas por um homem que
As características invulgares do misterioso colmeias, deixando-nos três cadernos com enlouqueceu... por causa dos livros.
Baptiste tornaram-no capaz de obter todo o apontamentos de histórias e curtas reflexões “A Casa de Papel” é um pequeno volume, de
tipo de perfumes, até mesmo o da pele dos sobre a sua vida. leitura fácil, mas cuidado: depois de devorar o
seres humanos. Mas, para encontrar o odor Os episódios relatados são momentos singu- primeiro parágrafo vai ser difícil parar.
perfeito, absoluto, misturou a arte e o talento lares e dispersos, descritos com uma invulgar Este romance constitui uma reflexão sobre o
com o crime: matou dezenas de mulheres, profundidade e lucidez, comovendo e diver- amor aos livros, às bibliotecas e à literatura,
retirando-lhes o odor das maneiras mais tindo, sem entrar no sentimentalismo banal com toda a influência que isso tem na vida
horrendas. de uma situação deste género. das pessoas, principalmente em colecciona-
O livro é fácil de ler e é daqueles que cria Lars Westin não quer compartilhar a sua dor dores compulsivos. Neste caso, a paixão des-
tensão de página para página. É difícil pa- com a sociedade e os escritos reflectem o não mesurada e obsessiva leva a que se confunda
rar a meio de um capítulo, tão envolvente é conformismo relativamente à doença. Tenta, a realidade com a ficção, ao ponto de a casa
a história. pelo contrário, viver um dia de cada vez, do fervoroso leitor ser constituída por paredes
“O Perfume”, de 1985, foi o primeiro livro de nunca se rendendo, apenas recomeçando. e muros de livros, numa autêntica biblioteca
Patrick Suskind. Segundo a crítica interna- Lars Gustafsson é um dos mais reconheci- compilada, que alicerça toda a sua vida.
cional é um dos romances mais marcantes do dos escritores contemporâneos, sendo muito Carlos Maria Dominguez obteve diversos pré-
séc. XX. Em 2006, o realizador Tom Tykwer elogiado pela crítica. Tem várias dezenas de mios com esta obra de apenas 77 páginas,
adaptou-o ao cinema, com interpelações de prémios literários e já contou com uma nome- óptima leitura para tardes de primavera ou
Ben Wishhaw e Dustin Hoffman. ação para o Prémio Nobel da Literatura. verão, numa esplanada.
3 LIVROS · 3 discos
97

The Wall The Ultimate Collection Best of José Afonso


Pink Floyd Compay Segundo José Afonso

A história deste du- Nasceu com o nome Referência da música


plo álbum está em de Máximo Fran- portuguesa dos úl-
grande parte rela- cisco Repilado timos 50 anos, Zeca
cionada com um Muñoz mas ficou Afonso deixou-nos
incidente no Está- internacionalmente uma obra que con-
dio Olímpico de c on he c ido c omo tinua a influenciar
Montreal em 1977, Compay Segundo. as novas gerações.
quando um con- Considerado uma Movido por causas
certo dos Pink Floyd terminou com Roger lenda da música cubana, integrou vários e ideais que lhe pareciam justos, foi ainda
Waters a perder a cabeça com um grupo de projectos musicais, como Los Compadres e destacado protagonista nas principais mu-
fans, sempre muito barulhento e perturbador, Buena Vista Social Club. danças culturais, políticas e sociológicas que
acabando por cuspir na cara de um deles, que Segundo ficou também ligado à invenção do ocorreram em Portugal a partir do 25 de abril
entretanto tentava subir ao palco. “armónico”, um instrumento de sete cordas de 1974.
Waters detestava tocar em estádios, ao ponto que consiste numa espécie de fusão entre a Compositor multifacetado, percorrendo di-
de desenvolver uma psicose. Por isso, imagi- guitarra e o cubaníssimo “tres” (instrumento versas áreas musicais, desde as baladas de
nou-se a construir um muro entre o palco e o parecido com uma guitarra, de apenas três Coimbra à música tradicional portuguesa,
público, daí nascendo este álbum conceptual, cordas duplas). Zeca Afonso faz parte do património cultural
muito direccionado para temas como o isola- Morreu em 2003 com 96 anos. Dizia que nacional.
mento pessoal e o abandono. acendeu charutos para a sua avó desde os “Grândola Vila Morena”, “Vejam Bem”, “Can-
O disco foi lançado no final de 1979 e vendeu, cinco e manteve o hábito de fumar desde que ção de Embalar”, “Traz Outro Amigo Tam-
no ano seguinte, mais de 11,5 milhões de có- aprendeu o ofício de enrolador de charutos. bém”, “Venham Mais Cinco”, “Verdes São os
pias, só nos Estados Unidos. A revista Rolling Deixou-nos alguns temas considerados imor- Campos” ou “Cantigas de Maio” são alguns
Stone colocou-o na 87.ª posição da lista dos tais, como “Chan Chan” (o mais popular de exemplos do seu legado.
500 melhores de sempre. todos, que lhe valeu uma série de prémios), A voz, os poemas, a interpretação, as mensa-
“The Wall” foi adaptado ao cinema em 1982, “Macusa” (da época de “Los Compadres”, gens e a musicalidade de Zeca Afonso vão de
com realização de Alan Parker e com Bob Gel- sendo Lorenzo Hierrezuelo o primeiro com- encontro às raízes da música popular portu-
dof no papel principal. O álbum está ainda padre e Compay... o segundo), “Para Vigo me guesa, com um bom aproveitamento dos ver-
bem vivo, até porque se prepara nesta altura Voy”, “El Camisón de Pepa”, “Guantanamera”, sos simples e curtos, os estribilhos e refrões,
uma ópera designada “Another Brick in The “Bilongo”, “Sabroso”, “Lágrimas Negras”, “Sa- características das canções de roda e embalar,
Wall”. A estreia está prevista para março de randonga” ou “Se Secó El Arroyito”. das melodias de trabalho, etc. n
2017, em Monreal.
98 Legislação

■■DESPACHO N.º 115/2016 dos Ministérios das


Finanças e da Saúde
Determina o montante disponível para progra-

Publicada no Diário da República entre 01.01.2016 e 31.03.2016


mas de apoio na área da infeção VIH/Sida para
2016.
[DR n.º 3/2016, Série II de 2016-01-06]

■■PORTARIA N.º 1/2016 dos Ministérios das Fi-


nanças e da Saúde
Autoriza a Direção-Geral da Saúde a abrir pro-
cedimento, em 2015, para celebração de con-
tratos para atribuição de apoios financeiros a
instituições sem fins lucrativos, no valor de EUR
2.000.000, no âmbito do Programa Nacional
para a Infeção VIH/SIDA, para ser realizado em
2016.
[DR n.º 3/2016, Série II de 2016-01-06]

■■PORTARIA N.º 2/2016 dos Ministérios das Fi-

Legislação relevante
nanças e da Saúde
Autoriza a Direção-Geral da Saúde a assumir um
encargo plurianual até ao montante máximo
de EUR 2.337.000,00, a que acresce o IVA à taxa
legal em vigor, referente ao Programa de Troca
de Seringas «Diz não a uma seringa em segunda
mão».
[DR n.º 3/2016, Série II de 2016-01-06]

■■DESPACHO N.º 199/2016 do Secretário de Es-


tado Adjunto e da Saúde
Nomeia o Coordenador Nacional para a Reforma
do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuida-
dos de Saúde Hospitalares, doutorado António
Ferreira, bem como a Equipa de Apoio, e define
genericamente as suas funções.
[DR n.º 4/2016, Série II de 2016-01-07]

■■DELIBERAÇÃO N.º 18/2016 da Administração


Regional de Saúde do Norte, I. P.
Deliberação do Conselho Diretivo que designa
o Presidente do Conselho Clínico e de Saúde do
ACES Grande Porto II – Gondomar [Fernando
José Santos Almeida]
[DR n.º 6/2016, Série II de 2016-01-11]

■■DELIBERAÇÃO N.º 19/2016 da Administração


Regional de Saúde do Norte, I. P.
Deliberação do Conselho Diretivo que designa os
vogais do Conselho Clínico e de Saúde do ACES
Cávado II - Gerês/Cabreira [Helena Maria Paulo
Saraiva Ferreira Silva Nascimento, da carreira Es-
pecial Médica de Saúde Pública; Maria Manuela
Azevedo Silva, da carreira Especial de Enferma-
gem; Carlos Deus Silva Gomes, da carreira Téc-
nica de Diagnóstico e Terapêutica].
[DR n.º 6/2016, Série II de 2016-01-11]

■■DESPACHO N.º 414/2016 da Administração


Regional de Saúde do Norte, I. P.
Despacho do Vogal do Conselho Diretivo que de-
signa os vogais do Conselho Clínico e de Saúde
do ACES Entre o Douro e Vouga I - Feira/Arouca
[Ana Carolina Alheira Ribeirinho Baptista de
Oliveira, da carreira Especial Médica de Saúde
Pública; Vitor Manuel Henriques dos Santos, da
carreira Especial de Enfermagem; Carlos Manuel
Monteiro Nujo, da carreira Técnica de Diagnós-
tico e Terapêutica].
[DR n.º 6/2016, Série II de 2016-01-11]
99

■■RESOLUÇÃO N.º 1-B/2016 da Presidência do ■■DESPACHO N.º 987/2016 do Ministro da ■■DESPACHO N.º 1656-A/2016 do Ministro da
Conselho de Ministros Saúde Saúde
Nomeia os membros do conselho diretivo do Estabelece disposições sobre a disponibilização Designa, em regime de substituição, para exer-
INFARMED - Autoridade Nacional do Medica- pública de informação completa e atualizada cer o cargo de Presidente do Conselho Diretivo
mento e Produtos de Saúde, I. P. sobre o cumprimento dos tempos máximos de da Administração Regional de Saúde do Norte,
resposta garantidos (TMRG), incluindo os tem- I. P., o licenciado António José da Silva Pimenta
pos de resposta dos serviços de urgência, nos Marinho.
estabelecimentos hospitalares do Serviço Nacio- [DR n.º 22/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-02-02]
nal de Saúde (SNS).
[DR n.º 9/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-01-14] [DR n.º 13/2016, Série II de 2016-01-20] ■■RESOLUÇÃO N.º 5-A/2016 do Conselho de
Ministros
■■RESOLUÇÃO N.º 1-C/2016 da Presidência do ■■RESOLUÇÃO N.º 2/2016 do Conselho de Mi- Revoga a decisão de contratar no âmbito do
Conselho de Ministros nistros procedimento de contratação autorizado pela
Nomeia a presidente do conselho diretivo da Nomeia a vogal executiva (diretora clínica) do Resolução do Conselho de Ministros n.º 67/2015,
Administração Central do Sistema de Saúde, I. conselho de administração do Centro Hospitalar de 9 de setembro, e autoriza a contratação de
P. [Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Al- de Vila Nova de Gaia/Espinho, E. P. E. [Ana Clara serviços relativa ao Centro de Atendimento do
meida Simões]. Nogueira da Silva Vieira Coelho]. Serviço Nacional de Saúde.
[DR n.º 9/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-01-14] [DR n.º 14/2016, Série II de 2016-01-21] [DR n.º 25/2016, 1º Suplemento, Série I de 2016-02-05]

■■DESPACHO N.º 642/2016 do Secretário de Es- ■■RESOLUÇÃO N.º 10/2016 da Assembleia da ■■DESPACHO N.º 1858/2016 do Secretário de
tado da Saúde República Estado Adjunto e da Saúde
Cria a Comissão Nacional para o desenvolvi- Eleição de um membro para o Conselho Nacio- Determina o subsídio mensal fixo a atribuir
mento do novo modelo de Prova Nacional de nal de Procriação Medicamente Assistida [Carla pelo INEM, I. P., por cada meio VMER integrado.
Avaliação e Seriação (PNAS) para acesso ao in- Maria de Pinho Rodrigues]. [DR n.º 25/2016, Série II de 2016-02-05]

ternato médico. [DR n.º 14/2016, Série I de 2016-01-21]


■■PORTARIA N.º 18/2016 do Ministério da
■■RESOLUÇÃO N.º 3/2016 do Conselho de Mi- Saúde
nistros Procede à alteração do Regulamento das Tabe-
Nomeia o vogal executivo (diretor clínico) do las de Preços a Praticar para a Produção Adicio-
conselho de administração da Unidade Local de nal Realizada no Âmbito do Sistema Integrado
Saúde de Matosinhos, E. P. E. [António Taveira de Gestão de Inscritos para Cirurgia aprovado
Gomes]. como anexo I à Portaria n.º 271/2012, de 4 de se-
[DR n.º 14/2016, Série II de 2016-01-21] tembro.
[DR n.º 26/2016, Série I de 2016-02-08]
■■REGULAMENTO N.º 86/2016 da Entidade Re-
guladora da Saúde ■■DESPACHO N.º 1947/2016 do Secretário de
Regulamento do Procedimento de Licencia- Estado Adjunto e da Saúde
[DR n.º 9/2016, Série II de 2016-01-14] mento de Estabelecimentos Prestadores de Nomeia os membros e define as competências
Nota: a alínea d) deste número 3 do Despacho n.º 642/2016, Cuidados de Saúde: O presente regulamento da Comissão Nacional de Trauma.
de 18 de dezembro, foi posteriormente retificada para: “d) Um
perito de cada uma das áreas médicas constantes do relatório
estabelece as regras que visam complementar
do Grupo de Trabalho, a saber: Medicina Interna, Cirurgia Geral, e operacionalizar as normas aplicáveis à trami-
Ginecologia/Obstetrícia, Psiquiatria, Pediatria e Medicina Geral tação dos procedimentos de licenciamento de
e Familiar”. [Declaração de Retificação n.º 24-A/2016 - DR n.º
estabelecimentos prestadores de cuidados de
10/2016, 1º Supl., Série II de 2016-01-15]
saúde, assim como as regras sobre o certificado
■■DESPACHO N.º 898/2016 do Ministro da de cumprimento de requisitos de licenciamento,
Saúde emitido por empresa ou entidade externa re-
Cria o Grupo de Prevenção e Luta contra a conhecida pela ERS, previsto na alínea d) do n.º
Fraude no Serviço Nacional de Saúde. 3 do artigo 5.º e no artigo 6.º do Decreto-lei n.º
127/2014, de 22 de agosto.
[DR n.º 18/2016, Série II de 2016-01-27]
[DR n.º 26/2016, Série II de 2016-02-08]
[Nota: através do Despacho n.º 2979/2016 - DR n.º 40/2016, Sé-
■■DESPACHO N.º 1421/2016 da Inspeção-Geral
rie II de 2016-02-26, foi alterada a composição desta Comissão
das Atividades em Saúde [aditada uma alínea h) a este n.º 3 do Despacho n.º 1947/2016:
Criação de uma equipa multidisciplinar com a h) António José Táboas Lages Amorim, do Instituto Nacional de
seguinte denominação: Equipa Multidisciplinar Emergência Médica].

3 - Controlo dos Procedimentos de Contratação


■■PORTARIA N.º 22/2016 do Ministério da
Pública (EM3-CP).
]DR n.º 20/2016, Série II de 2016-01-29]
Saúde
Primeira alteração à Portaria n.º 248/2013, de 5
■■DESPACHO N.º 1571-B/2016 do Secretário de de agosto, que aprova o Regulamento de Notifi-
Estado da Saúde cação Obrigatória de Doenças Transmissíveis e
Determina que é obrigatória a centralização da Outros Riscos em Saúde Pública.
aquisição de bens e serviços específicos da área [DR n.º 28/2016, Série I de 2016-02-10]

da saúde, para todos os serviços e instituições


■■RESOLUÇÃO N.º 28/2016 da Assembleia da
do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e órgãos e
República
serviços do Ministério da Saúde, sendo esta as-
Recomenda ao Governo a identificação das con-
segurada pela SPMS - Serviços Partilhados do
sequências dos cortes orçamentais no Serviço
Ministério da Saúde, E. P. E.
[DR n.º 21/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-02-01]
Nacional de Saúde.
[DR n.º 29/2016, Série I de 2016-02-11]

[DR n.º 12/2016, Série II de 2016-01-19]


100 Legislação

■■RESOLUÇÃO N.º 29/2016 da Assembleia da ■■DESPACHO N.º 2830/2016 do Secretário de ■■DESPACHO N.º 3177-A/2016 do Ministro da
República Estado da Saúde Saúde
Levantamento de necessidades no Serviço Na- Estabelece disposições no âmbito dos Servi- Cria, na dependência do Secretário de Estado da
cional de Saúde (SNS) e intervenção urgente em ços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E. Saúde, a Comissão de Reforma do modelo de
serviços com falhas graves ou em situação de (SPMS, E. P. E.), referente aos Contratos Públicos Assistência na Doença aos Servidores do Estado
potencial rutura. de Aprovisionamento (CPA), que determinam (ADSE).
[DR n.º 29/2016, Série I de 2016-02-11] as condições de fornecimento de Antisséticos,
Desinfetantes e Outros.
■■RESOLUÇÃO N.º 4-F/2016 do Conselho de [DR n.º 38/2016, Série II de 2016-02-24]
Ministros
Nomeia os membros do conselho de adminis- ■■DESPACHO N.º 2887/2016 do Secretário de
tração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes Estado Adjunto e da Saúde
e Alto Douro, E. P. E. Altera a composição da Comissão de Acompa-
nhamento do processo de devolução dos hospi-
tais das misericórdias.
[DR n.º 39/2016, Série II de 2016-02-25]

■■DESPACHO N.º 2935-B/2016 do Secretário de


Estado da Saúde
[DR n.º 31/2016, 3º Suplemento, Série II de 2016-02-15]
Estabelece disposições com vista a impulsionar
a generalização da receita eletrónica desmate-
■■RESOLUÇÃO N.º 4-H/2016 do Conselho de
rializada (Receita Sem Papel), no Serviço Na-
Ministros
cional de Saúde, criando metas concretas para
Nomeia os membros do conselho de adminis-
a sua efetivação.
tração do Centro Hospitalar de São João, E. P. E.

[DR n.º 42/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-03-01]

■■PORTARIA N.º 35/2016 do Ministério da Saúde


[DR n.º 31/2016, 3º Suplemento, Série II de 2016-02-15] Estabelece o regime de comparticipação do Es-
[DR n.º 39/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-02-25] tado no preço máximo dos reagentes (tiras-teste)
■■DESPACHO N.º 2310/2016 do Secretário de para determinação de glicemia, cetonemia e
Estado da Saúde ■■DESPACHO N.º 2978/2016 do Secretário de cetonúria e das agulhas, seringas, lancetas e de
Estabelece disposições sobre a celebração de Estado Adjunto e da Saúde outros dispositivos médicos para a finalidade de
contratos públicos de aprovisionamento (CPA) Altera o Coordenador Nacional para a Reforma automonitorização de pessoas com diabetes, a
com vista ao fornecimento de medicamentos do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuida- beneficiários do Serviço Nacional de Saúde e re-
diversos, no âmbito de concurso público lan- dos de Saúde Hospitalares e os elementos que voga a Portaria n.º 222/2014, de 4 de novembro.
çado pela Serviços Partilhados do Ministério da constituem a sua Equipa de Apoio [João Álvaro [DR n.º 42/2016, Série I de 2016-03-01]
Saúde, E. P. E. (CP 2015/61). Leonardo Correia da Cunha].
[DR n.º 32/2016, Série II de 2016-02-16] [DR n.º 40/2016, Série II de 2016-02-26] ■■DESPACHO N.º 3206/2016 do Secretário de
Estado Adjunto e da Saúde
■■DESPACHO N.º 2504/2016 do Secretário de ■■DESPACHO N.º 3066/2016 do Ministro da Estabelece disposições sobre o processo de re-
Estado da Saúde Saúde ferenciação das pessoas com testes reativos ou
Estabelece disposições sobre a celebração de Constitui o Grupo de Trabalho para o Centro de infetadas pelos vírus das hepatites B e C, ou por-
contratos públicos de aprovisionamento (CPA) Contactos do Serviço Nacional de Saúde. tadoras de outras infeções sexualmente trans-
com vista ao fornecimento de Reagentes - Tes- missíveis, procedentes de serviços e estabeleci-
tes Rápidos, no âmbito de concurso público lan- mentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou de
çado pela Serviços Partilhados do Ministério da entidades que com este celebraram acordos para
Saúde, EPE (CP 2015/73). realização de prestações de saúde.
[DR n.º 34/2016, Série II de 2016-02-18] [DR n.º 43/2016, Série II de 2016-03-02]

■■DECRETO-LEI N.º 6/2016 do Ministério da ■■DESPACHO N.º 3207/2016 do Secretário de Es-


Saúde tado da Saúde
Estabelece o regime jurídico das advertências de Nomeia os peritos da Comissão da Farmacopeia
saúde combinadas para produtos de tabaco de Portuguesa.
enrolar comercializado em bolsas, que transpõe [DR n.º 43/2016, Série II de 2016-03-02]
a Decisão de Execução (UE) 2015/1735 da Comis-
são, de 24 de setembro de 2015, e a Decisão de [DR n.º 41/2016, Série II de 2016-02-29]
■■DESPACHO N.º 3339/2016 dos Secretários de
Execução (UE) 2015/1842 da Comissão, de 9 de Estado da Administração Interna e da Saúde
outubro de 2015. ■■DESPACHO N.º 3155/2016 do Secretário de Estabelece que, para efeitos estatísticos de si-
[DR n.º 36/2016, Série I de 2016-02-22] Estado da Saúde nistralidade rodoviária, os dados relativos aos
Cria, a funcionar junto do Ministério da Saúde, a feridos graves devem ter como fonte a base de
■■DESPACHO N.º 2832/2016 do Instituto Nacio- dados dos Grupos de Diagnóstico Homogéneo
Comissão de Fiscalização Externa dos Serviços
nal de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P. (GDH).
Partilhados do Ministério da Saúde.
Nomeação da Comissão de Ética. [DR n.º 42/2016, Série II de 2016-03-01] [DR n.º 45/2016, Série II de 2016-03-04]
[DR n.º 38/2016, Série II de 2016-02-24]
■■PORTARIA N.º 37/2016 do Ministério da Saúde
Fixa as normas regulamentares necessárias à
repartição dos resultados líquidos da explora-
ção dos jogos sociais atribuídos ao Ministério da
Saúde.
[DR n.º 45/2016, Série I de 2016-03-04]
101

■■DESPACHO N.º 3426/2016 do Secretário de estratégica para a prevenção e gestão da do-


Estado Adjunto e da Saúde ença crónica.
Enquadra a relação entre as unidades de tera-
pêutica da dor e as equipas intra-hospitalares
de suporte em cuidados paliativos (EIHCSP)
e reforça a divulgação de informação no que
respeita às EIHCSP constituídas.
[DR n.º 46/2016, Série II de 2016-03-07]

■■DESPACHO N.º 3586/2016 do Secretário de


Estado da Saúde
Estabelece disposições para a contratação de [DR n.º 55/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-03-18]
serviços de saúde através da modalidade de

Actividades
prestação de serviços, pelas instituições do Ser- ■■PORTARIA N.º 48/2016 do Ministro da
viço Nacional de Saúde do setor público empre- Saúde
sarial (SNS/SPE).

Distrito
Determina que os medicamentos destinados
[DR n.º 49/2016, Série II de 2016-03-10] ao tratamento de doentes com artrite reuma-
toide, espondilite anquilosante, artrite psori-

Médico de
■■DESPACHO N.º 3618-A/2016 do Secretário
ática, artrite idiopática juvenil poliarticular e
de Estado Adjunto e da Saúde
psoríase em placas beneficiem de um regime
Determina a criação do Programa Nacional de

Viana do
excecional de comparticipação.
Educação para a Saúde, Literacia e Autocui- [DR n.º 57/2016, Série I de 2016-03-22]
dados.

Castelo
■■RESOLUÇÃO N.º 18/2016 do Conselho de
Ministros
Autoriza a realização da despesa com a adjudi-
cação da gestão do Centro de Controlo e Moni-
torização do Serviço Nacional de Saúde para os
anos de 2017 a 2019.
[DR n.º 58/2016, Série I de 2016-03-23]

■■RESOLUÇÃO N.º 8/2016 do Conselho de Mi-


nistros
[DR n.º 49/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-03-10] Nomeia os membros do conselho de adminis-
tração do Centro Hospitalar do Médio Ave, E.P.E.
■■DESPACHO N.º 3653/2016 do Ministro da
Saúde
Reconhece os Centros de Referência para as
áreas da Cardiologia de Intervenção Estrutural;
Cardiopatias Congénitas; Doenças Hereditárias
do Metabolismo; Epilepsia Refratária; Oncolo-
gia de Adultos - Cancro do Esófago; Oncologia [DR n.º 61/2016, Série II de 2016-03-29]

de Adultos - Cancro do Testículo; Oncologia


de Adultos - Sarcomas das Partes Moles e Ós- ■■RESOLUÇÃO N.º 9/2016 do Conselho de Mi-
seos; Oncologia de Adultos - Cancro do Reto; nistros
Nomeia os membros do conselho de adminis- ■ 11 MAR
Oncologia de Adultos - Cancro Hepatobilio-
-Pancreático; Oncologia Pediátrica; Transplan- tração do Hospital de Santa Maria Maior - Bar- Curso de Formação
tação Renal Pediátrica; Transplante de Coração celos, E. P. E.
«Reumatologia – Dor
e Transplante Rim - Adulto.
[DR n.º 50/2016, Série II de 2016-03-11] Músculo- Esquelética/
■■DESPACHO N.º 3823/2016 do Secretário de
Osteoporose»
Estado Adjunto e da Saúde No dia 11 de março decorreu na sede do Distrito
[DR n.º 61/2016, Série II de 2016-03-29]
Estabelece disposições para o processo de con- Médico de Viana do Castelo a “3.ª Formação
tratualização nos cuidados de saúde primários ■■PORTARIA N.º 64-C/2016 dos Ministérios Avançada de Internos 2016”, subordinada ao
para 2016. das Finanças e Saúde tema “Reumatologia – Dor Músculo-Esque-
[DR n.º 52/2016, Série II de 2016-03-15]
Segunda alteração à Portaria n.º 306-A/2011, lética/Osteoporose”. O evento, com a orga-
de 20 de dezembro, que aprova os valores das nização do Serviço de Medicina 1 da ULSAM
■■DESPACHO N.º 3844-A/2016 do Secretário e Direção do Internato de Medicina Geral e
taxas moderadoras previstas no artigo 2.º do
de Estado Adjunto e da Saúde Familiar, contou ainda com o apoio da MSD.
Decreto-Lei n.º 113/2011, de 29 de novembro,
Determina a criação de um grupo de trabalho Participaram na formação a  Dra. Maria
bem como as respetivas regras de apuramen-
interinstitucional, que integra a Direção-Geral Carmo Afonso, Dra. Filipa Teixeira (Reumato-
to e cobrança.
da Saúde, o Instituto Ricardo Jorge, o Infarmed logistas do Hospital Conde Bertiandos) e Dra.
[DR n.º 63/2016, 3º Suplemento, Série I de 2016-03-31]
e a Administração Central do Sistema de Saúde, Carmélia Rodrigues (Internista do Hospital
no âmbito do Programa de Prevenção e Con- de Sta. Luzia). 
trolo de Infeções e de Resistência aos Antimi- Os destinatários preferenciais foram os In-
crobianos. ternos de Formação Específica em Medicina
[DR n.º 52/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-03-15] Interna e Medicina Geral e Familiar. Esta
formação teve uma excelente adesão, real-
■■DESPACHO N.º 4027-A/2016 do Secretário çando os participantes a  importância destas
de Estado Adjunto e da Saúde sessões  para a sua formação e actualização
Determina a constituição de uma coordenação clínica.
102 Agenda

Centro de Cultura e Congressos


ACONTECEU
REUNIÕES 04 e 05 Fev 3.ªs Jornadas de 02 Mar Sessão de formação 21 Mar Reunião do
Patologia Pulmonar Crónica pela Sociedade Portuguesa Projecto de Burnout
07 Jan Reunião do Colégio
de Medicina Desportiva
da subespecialidade de 04 Fev Reunião do 23 Mar Reunião da Comissão
Medicina Intensiva Grupo Balint Porto 2 04 Mar Reunião da Direcção Organizadora do I Greenting
da Competência de Peritagem
09 Jan 51.º Convívio Científico 05 Fev Reunião da Comissão 28 Mar Reunião de
Médica e Segurança Social
da Clínica Médica do Exercício Organizadora do 23.º Congresso preparação das 3.ªs Jornadas
do Porto para debate do tema Nacional de Medicina Interna 04 Mar Curso de Medicina Médicas Maia-Valongo
“Medicina da Hipóxia” em Viagem
05 Fev Reunião do Núcleo 30 Mar Reunião da
09 Jan Curso de Formação de Estudos da Doença 04 Mar Reunião do Colégio Comissão de MGF/TEM
“Novas terapêuticas no Vascular Cerebral da da Especialidade de Cirurgia
30 Mar Assembleia Nacional
Combate à Obesidade e Sociedade Portuguesa Cardiotorácica
da Associação Portuguesa
Patologias Associadas” de Medicina Interna
04 Mar Reunião “Diálogos de Osteoporose
09 Jan Reunião do Colégio da 10 Fev Reunião do em Oncologia”
30 Mar a 02 Abr 11.º
Especialidade de Cirurgia Geral Grupo Balint Porto 1
07 Mar Reunião de preparação das Simpósio da Fundação BIAL
13 Jan Reunião do Grupo 10 Fev Reunião do Colégio 3.ªs Jornadas Médicas Maia-Valongo “Aquém e Além Cérebro”
Balint Porto 1 da subespecialidade de
09 Mar Reunião da Comissão da
Medicina Intensiva ACTIVIDADES DE CULTURA E LAZER
14 Jan Reunião do Grupo Competência em Emergência Médica
Balint Porto 2 12 e 13 Fev 14.º Congresso Exposições:
09 Mar Reunião do
Nacional de Bioética
14 Jan Reunião da Direcção Grupo Balint Porto 1
08 a 22 Jan Exposição de
da Associação de Internos 15 Fev Reunião de preparação pintura de José Carlos Moreira
10 Mar Reunião do Grupo
de MGF da zona Norte das 3.ªs Jornadas Médicas
Balint Porto 2
Maia-Valongo 15 a 29 Jan Exposição de
15 Jan Reunião do Colégio da fotografia de Miguel Louro
10 a 12 Mar Curso Euract
Especialidade de Ortopedia 17 Fev Reunião da
(European Academy of Teachers
Comissão de Actividades 05 a 17 Fev Exposição de
15 Jan Reunião Inter- hospitalar in General Practice) – Nível 1
Fotografia “Sínopse – Workshops
Culturais e de Lazer
de Pediatria – Discussão no terreno”, pela Comissão
11 Mar Reunião Inter-hospitalar
de casos clínicos 18 Fev Reunião da Direcção de Actividades Culturais
de Pediatria – Discussão
da Associação de Internos e de Lazer da SRNOM
16 Jan Recepção aos novos de casos clínicos
de MGF da zona Norte
Internos de Medicina Interna 05 a 19 Fev Exposição de pintura
12 Mar Reunião Nacional dos
19 Fev Reunião Inter- de Maria da Glória André
16 Jan Reunião Anual do grupo Médicos Católicos subordinada
hospitalar de Pediatria –
de trabalho de Ecografia ao tema “O Erro Médico”
Discussão de casos clínicos 20 Fev a 11 Mar Exposição
18 Jan Reunião de preparação 16 Mar Reunião da Comissão do Clube Médico de
19 Fev Reunião do Colégio Mototurismo – MedMotard
das 3.ªs Jornadas Médicas Organizadora do Fórum Sino-Luso
da especialidade de
Maia-Valongo Concertos / Cinema:
Medicina Geral e Familiar 16 Mar Reunião de trabalho para a
19 Jan Reunião da Comissão de organização das Jornadas de Internos
26 Fev 6.º Ciclo de Jazz:
19 Fev Reunião entre a
Actividades Culturais e de Lazer de Medicina Geral e Familiar
Ordem dos Médicos e o Projecto MAP
21 Jan Conferência Debate Conselho Geral de Colégios 17 Mar Debate “Reforma do
18 Mar 6.º Ciclo de Jazz:
sobre o Tratamento Cirúrgico Médicos de Espanha SNS – Situação actual”, evento
Manuel Beleza Jazz Terceto
do Acidente Vascular Cerebral que antecede o II Congresso
20 Fev Curso de Formação
SNS: Património de Todos 10 Mar Serão de Cinema,
21 a 23 Jan Formação do “Novas terapêuticas no
com Dr. Fernando Reis Lima:
Internato de Formação Combate à Obesidade e 17 Mar Reunião da Direcção
“Guerra. Angola 1961-1963”, uma
Específica em Cirurgia Geral Patologias Associadas” da Associação de Internos
curta-metragem da sua autoria,
de MGF da zona Norte
22 Jan Reunião do Colégio da 21 Fev Reunião do Colégio da e o filme “Mrs. Henderson
Especialidade de Anestesiologia Especialidade de Oftalmologia 17 Mar Reunião Plenária do Presents” de Stephen Frears
Conselho Nacional de Procriação
22 Jan Reunião do Colégio da 23 Fev Debate “Dignidade Outros Eventos:
Medicamente Assistida
especialidade de Cirurgia Geral no Fim da Vida”
18 Mar Curso de Medicina 08 Jan a 20 Fev VI Curso Pós
22 Jan Reunião da Direcção da 26 Fev Curso de Medicina Graduação em Antimicrobianos
em Viagem
Sociedade Portuguesa de Cirurgia em Viagem (6.ªs e sábados)
18 Mar Reunião do Colégio da
26 Jan Reunião de 26 Fev Reunião da Comissão Lançamento de Livros:
especialidade de Anestesiologia
apresentação do programa Organizadora do 23.º Congresso
“Excelência em Saúde” Nacional de Medicina Interna 18 Mar Reunião do Colégio 06 Fev Lançamento do livro
da especialidade de Medicina “Pensamentos e Modos de Dizer”
30 Jan Reunião da Comissão de 26 Fev Reunião do da autoria de Licínio Poças
Geral e Familiar
Internos de MGF da zona Norte Colégio da Especialidade
de Anestesiologia 18 Mar Curso de Formação 04 Mar Lançamento do livro
30 Jan Reunião do Colégio “Histórias e Factos na Vida
“Novas terapêuticas no Combate à
da Especialidade de 26 e 27 Fev Reunião Anual de um Clínico” da autoria
Obesidade e Patologias Associadas”
Ginecologia e Obstetrícia do Grupo de Trabalho de José Tavares Fortuna
de Doença Inflamatória 18 Mar Reunião da Comissão
03 Fev Reunião da Direcção do 17 Mar Lançamento do
Intestinal da ESPGHAN Organizadora do 23.º Congresso
Colégio da subespecialidade livro “Viagem ao Centro
Nacional de Medicina Interna
de Oncologia Pediátrica 27 Fev Palestra sobre o dos Sonhos” da autoria de
tema “Educação e Saúde 18 e 19 Mar “Clinical Research Maria Manuela Praça
03 Fev Reunião do Grupo de
– Caminhos Cruzados” Bootcamp” – Fórum de aprendizagem
Trabalho do Internato Médico
em Investigação Clínica
103

VAI ACONTECER
REUNIÕES 05 MAI Sessão de formação ACTIVIDADES DE CULTURA E LAZER 06 MAI 6.º Ciclo de Jazz: SongBird, Vol
pela Sociedade Portuguesa I (João Hasselberg e Luís Figueiredo)
01 Abr 52.º Convívio Científico Exposições:
de Medicina Desportiva
da Clínica Médica do Exercício 15 MAI Recital de Canto e Piano por
do Porto para debate do tema 06 MAI Reunião da Comissão 08 a 30 Abr “Realismo e Joana Valente e Nuno Caçote
“Os Novos Paradigmas da Organizadora do 23.º Congresso Figuração” – 20 pintores
contemporâneos espanhóis 20 e 21 MAI Recitais de Piano por
Medicina Moderna” Nacional de Medicina Interna
Nuno Cernadas e Silvia Molan
05 Abr Reunião da Direcção 06 MAI Reunião do 05 a 25 Mai XIV Arte Médica
– Inauguração no dia 05 e Sessão 27 MAI Recital de Piano por
do Conselho Nacional Colégio da Especialidade
de Encerramento no dia 25 Luiz Moura de Castro
do Médico Interno de Medicina Interna
19 MaI VIII Workshop 30 JUN Serão de Cinema
06 Abr Reunião do Colégio da 07 MAI Reunião do Colégio da
Especialidade de Imunoalergologia Especialidade de Ortopedia de Fotografia
Outros eventos:
06 Abr Reunião de trabalho 07 MAI Sessão sobre o teste pré- 03 a 21 Jun VIII Arte Fotográfica
18 JUN Dia do Médico, com
para a organização das natal “Tomorrow”: metodologia, – Inauguração no dia 03 e
homenagem aos médicos com
Jornadas de Internos de importância e aplicações clínicas Sessão de Encerramento no dia
25 e 50 anos de inscrição na
Medicina Geral e Familiar 21 com “conversa informal”
09, 10 e 11 MAI MostrEm Ordem dos Médicos e atribuição
sobre o tema “Ritual do Ver”
07 Abr Reunião do Grupo 2016 (Mostra das do Prémio Daniel Serrão
Balint Porto 2 especialidades médicas) Concertos / Cinema: 23 JUN Festa de S. João
08 Abr Curso de Medicina 11 MAI Reunião do Grupo 14 Abr Serão de Cinema,
Lançamento de Livros:
em Viagem Balint Porto 1 com Belmiro Ferreira:
“Smultronstallet” (Morangos 29 Abr Lançamento do livro
08 Abr Reunião da Comissão 14 MAI Reunião do Colégio da Silvestres) de Ingmar Bergman “ Mulher Tudo” da autoria de
Organizadora do 23.º Congresso Especialidade de Ortopedia António Pinto de Oliveira
Nacional de Medicina Interna 15 Abr 6.º Ciclo de Jazz:
19 MAI Reunião do Marcel Pascual quartet 19 MAI Lançamento do livro
08 Abr Reunião do Departamento Grupo Balint Porto 2 “Jorge Marçal da Silva. Mais cem
da Qualidade da Direcção Geral de 22 Abr 6.º Ciclo de Jazz:
20 MAI Plenário dos fotografias de Portugal há cem anos”
Saúde sobre o Plano de Auditorias Combos da Escola de Jazz do Porto
Conselhos Regionais da autoria de Manuel Mendes Silva
08 e 09 Abr “Clinical 12 MAI Serão de Cinema

PUB
20 MAI Reunião Inter-
Research Bootcamp” –
hospitalar de Pediatria –
Fórum de aprendizagem
Discussão de casos clínicos
em Investigação Clínica
20 MAI Reunião do Colégio da
12 Abr Reunião da Delegação
Especialidade de Anestesiologia
Regional do Norte da USF-AN
21 MAI Reunião da Direcção
12 Abr Reunião da Direcção
da Associação de Internos
da Associação de Internos
de MGF da zona Norte
de MGF da zona Norte
21 MAI Reunião do grupo
13 Abr Reunião do Grupo
de estudos dos tumores da
Balint Porto 1
supra-renal da Sociedade
15 Abr Curso de Medicina Portuguesa de Endocrinologia
em Viagem
02 JUN Reunião do
15 Abr Reunião Inter- hospitalar Grupo Balint Porto 2
de Pediatria – Discussão
03 JUN Reunião da Comissão
de casos clínicos
Organizadora do 23.º Congresso
15 e 16 Abr “Clinical Nacional de Medicina Interna
Research Bootcamp” –
03 e 04 JUN Exames à Ordem
Fórum de aprendizagem
do Colégio de Especialidade
em Investigação Clínica
de Medicina do Trabalho
16 Abr Reunião da Direcção
04 JUN 1.º Encontro da
do Colégio da Especialidade
Associação Portuguesa de
de Reumatologia
Terapia do Comportamento
18 Abr Reunião de trabalho
08 JUN Reunião do
do 8º Encontro Nacional das
Grupo Balint Porto 1
USF - Revisitar os ACeS
10 e 11 JUN UEMO Spring General
22 Abr Curso de Medicina
Assembly – Porto 2016
em Viagem
14 a 16 JUN European Health
22 Abr Reunião do Colégio da
Management Association
Especialidade de Pediatria
(EHMA) Annual Conference 2016
29 Abr Curso de Medicina
17 JUN Reunião do Colégio da
em Viagem
Especialidade de Anestesiologia
30 ABR “Clinical Research
29 Jun a 02 JUL Curso Euract
Bootcamp” – Fórum
(European Academy of Teachers
de aprendizagem em
in General Practice) - Nível 1
Investigação Clínica
104 Benefícios Sociais

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e colaboradores (+ respectivos agregados grau da linha recta e devem estar
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médicos) e no alojamento na Casa do
Médico.
* Sobre os preços de tabela.
CENTRO DE CONVÍVIO DA SRNOM CASA LUZ SORIANO

Aulas de
Exercício Funcional
O treino funcional é um método de treino que visa o
equilíbrio das estruturas musculares, a prevenção de lesões
e melhora a performance dos atletas. Neste tipo de exercício
o trabalho muscular é realizado de uma forma global. Assim,
toda a cadeia muscular é fortalecida, gerando mais força,
potência, estabilidade, equilíbrio e coordenação motora.
Os programas de exercícios são desenvolvidos com
base numa consulta inicial, na qual é feito um relatório
pormenorizado do histórico de saúde e actividade física, bem
como indicações/restrições para o trabalho a desenvolver.

Personal trainning
A modalidade de personal training no Ginásio da SRNOM está
mais bem preparada para responder às suas necessidades.
A nova oferta inclui mais possibilidades de treino – de uma a
três vezes por semana –, preços de tabela revistos e horários
flexíveis, podendo ajustar o programa de acordo com os seus
critérios e disponibilidade.
Na opção Plano Um+, se partilhar o seu treino com um
acompanhante, irá beneficiar de uma redução significativa
no preço das sessões.
Saiba mais em www.nortemédico.pt.

INSCRIÇÕES
Preencha a ficha de inscrição disponibilizada
em www.nortemédico.pt e envie para
centroculturacongressos@nortemedico.pt.
Se preferir poderá contactar directamente o Centro de
Cultura e Congressos através do telefone 22 507 01 00.
PRÉMIO BANCO CARREGOSA/SRNOM
investigação clínica

A investigação clínica constitui uma das maiores oportunidades de desenvolvimento na área das ciências e
tecnologias da saúde em Portugal. Consciente da necessidade de reconhecer e valorizar este potencial, a Secção
Regional do Norte da Ordem dos Médicos e o Banco Carregosa unem-se para atribuir o Prémio Banco Carregosa/
SRNOM, um prémio de âmbito nacional destinado a pessoas singulares ou colectivas com projectos relevantes na
área da investigação clínica. O Prémio Banco Carregosa/SRNOM tem o valor de 25 mil euros e será atribuído em
cerimónia a realizar a 15 de Setembro de 2016, no âmbito das comemorações do Dia do Serviço Nacional de Saúde.
Consulte o regulamento em www.nortemedico.pt.

Ordem dos Médicos


Secção Regional do Norte