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Técnico/a de Multimédia

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Uma nova ordem económica
mundial

*
Agito – Formação & Serviços, L.da
Marta Bessa

Entidade Promotora / Formadora:


Agito – Formação e Serviços, Lda.

2016
Técnico/a de Multimédia
Domínio de formação: Direito
UFCD: Uma nova ordem económica mundial

Índice

Enquadramento -------------------------------------------------------------------------------------------------------- pág.3

Um olhar sobre o mundo na viragem do século e do milénio ---------------------------------------------- pág.4

Interdependência económica e globalização ------------------------------------------------------------------- pág.5

Mundos, regiões e países divididos ------------------------------------------------------------------------------ pág.6

Desenvolvimento do capitalismo -------------------------------------------------------------------------------- pág.18

O fim da guerra fria e o mundo unipolar ----------------------------------------------------------------------- pág.19

A nova ordem económica mundial ------------------------------------------------------------------------------ pág.23

A Europa dos cidadãos -------------------------------------------------------------------------------------------- pág.24

Anexos ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- pág.29

Bibliografia ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ pág.32

Formadora: Marta Bessa

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Domínio de formação: Direito
UFCD: Uma nova ordem económica mundial

Enquadramento

Área:
- Direito

Designação da Acão de Formação:


- Uma nova ordem económica mundial
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 6668 – Uma nova ordem económica mundial, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.

Formadora:
Marta Bessa

Publico alvo:
- Jovens com idade inferior a 25 anos e com o 9º ano de escolaridade completo

Pré-requisitos:
Não aplicável

Duração da UFCD:
- 25 Horas

Regime de frequência:
- Horário laboral
- Formação presencial

Objetivos gerais:
Pretende-se aperfeiçoar os desempenhos individuais proporcionando conhecimentos (saberes),
melhorar a eficácia no desempenho das suas funções, promover as competências dos formandos e
consequentemente motivá-los.
 No final da formação, os formandos devem ter uma consciência analítica e crítica, com base
em acontecimentos e/ou problemas do Mundo atual existentes na sociedade.

Objetivos específicos:
Competências a adquirir:
Pretende-se que cada formando/a, após esta formação esteja apto/a a:
- Conhecer, globalmente, as interdependências que no mundo contemporâneo conferem caráter
mundial às relações económicas;
- Identificar grandes assimetrias ao nível do mundo, das regiões e dos países;
- Identificar as causas económicas e políticas subjacentes à situação internacional no final do século
e do milénio;
- Reconhecer os efeitos económicos e sociais da globalização;
- Identificar os princípios sociais, de cidadania, de subsidiariedade e de coesão defendidos pela
Comunidade Europeia.

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UFCD: Uma nova ordem económica mundial

Um olhar sobre o mundo na viragem do século e do milénio


Com o fim da oposição entre o capitalismo e o socialismo, o mundo defrontou-se com uma
realidade marcada pela existência de um único sistema político-económico: o capitalismo. O
capitalismo é o sistema mundial desde o início da década de 90.
Exceto por Cuba, China e Coreia do Norte, que ainda apresentam as suas economias
fundamentadas no socialismo.
À fragmentação do socialismo somaram-se as profundas transformações que já vinham afetar as
principais economias capitalistas desde a segunda metade do séc. XX, resultando na chamada nova
ordem mundial.
As origens dessa nova ordem estão no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial,
no momento em que os Estados Unidos assumiram a supremacia do sistema capitalista. A
supremacia dos EUA fundamentava-se no segredo da arma nuclear, no uso do dólar como padrão
monetário internacional, na capacidade de financiar a reconstrução dos países destruídos com a
guerra e na ampliação dos investimentos das empresas transnacionais nos países
subdesenvolvidos.
Durante a Segunda Guerra, os EUA atravessaram um período de crescimento económico acelerado.
Assim, quando o conflito terminou, a sua economia estava dinamizada, e esse país assumia o papel
de maior credor do mundo capitalista.

» Aceleração económica e tecnológica

A tecnologia desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial estabeleceu um novo padrão


de desenvolvimento tecnológico, que levou à modernização e à posterior automatização da indústria.
Com a automatização industrial, aceleraram-se os processos de fabricação, o que permitiu grande
aumento e diversificação da produção.
O acelerado desenvolvimento tecnológico tornou o espaço cada vez mais artificializado,
principalmente naqueles países onde a ligação da ciência à técnica era maior. A retração do meio
natural e a expansão do meio técnico-científico mostraram-se como uma faceta do processo em
curso, na medida que tal expansão foi assumida como modelo de desenvolvimento em praticamente
todos os países.
Favorecidas pelo desenvolvimento tecnológico, particularmente a automatização da indústria, a
informatização dos escritórios e a rapidez nos transportes e comunicações, as relações económicas
também se aceleraram, de modo que o capitalismo ingressou numa fase de grande
desenvolvimento. A competição por mercados consumidores, por sua vez, estimulou ainda mais o
avanço da tecnologia e o aumento da produção industrial, principalmente nos Estados Unidos, no
Japão, nos países da União Europeia e nos novos países industrializados originários do "mundo
subdesenvolvido" da Ásia.

» A internacionalização do capital

Produzir para o mercado com o objetivo de obter o lucro e, consequentemente, a


acumulação da riqueza, o capitalismo sempre tendeu à internacionalização, ou seja, à incorporação
do maior número possível de povos ou nações a um espaço sob o seu domínio.
Para escapar dos pesados encargos sociais e do pagamento dos altos salários conquistados pelos
trabalhadores de seus países, as grandes empresas industriais dos países desenvolvidos optaram
pela estratégia de, em vez de apenas continuarem a exportar os seus produtos, também produzi-los,

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pois até então eram importadores dos produtos industrializados que consumiam. Dessa maneira,
diminuindo os custos, com a mão-de-obra mais barata, com menos encargos sociais, incentivos
fiscais etc., e, assim, conseguiram manter, ou até aumentar os lucros.

Interdependência económica e a globalização

Nos anos 80, a maior parte da riqueza mundial pertencia às grandes corporações
internacionais.
Com os avanços tecnológicos, particularmente nos transportes e comunicações, permitiu-se que as
grandes empresas adotassem um novo procedimento - a estratégia global de fabricação - que
consiste em decompor o processo produtivo e dispersar suas etapas à escala mundial, com o
objetivo de ter menores custos operacionais.
A produção deixa de ser local para ser mundial, o que também ocorre com o consumo, uma
vez que os mesmos produtos são oferecidos à venda nos mais diversos recantos do planeta. Os
fluxos económicos intensificam-se sobretudo promovidos pelas grandes empresas, agora chamadas
de transnacionais. A divisão internacional do trabalho fica subvertida, pois torna-se difícil identificar o
lugar em que determinado artigo industrial foi produzido.
Após a derrocada do socialismo, a internacionalização do capitalismo atinge praticamente
todo o planeta e intensifica-se a tal ponto que merece uma denominação especial - globalização -,
marcada basicamente pela mundialização da produção, da circulação e do consumo, vale dizer, de
todo o ciclo de reprodução do capital. Nessas condições, a eliminação de barreiras entre as nações
torna-se uma necessidade, a fim de que o capital possa fluir sem obstáculos. Daí o enfraquecimento
do Estado, que perde poder face às grandes empresas.
O "motor" da globalização é a competitividade. Visando à obtenção de produtos competitivos
no mercado, as grandes empresas financiam ou promovem a pesquisa, que resulta num acelerado
avanço tecnológico. Esse avanço implica informatização de atividades e automatização da indústria,
incluindo até a robotização das fábricas. Em consequência, o desemprego torna-se o maior
problema da atual fase do capitalismo.
Embora a globalização seja mais intensa na economia, ela também ocorre na informação,
na cultura, na ciência, na política e no espaço. Não se pode pensar, contudo, que a globalização
tende a homogeneizar o espaço mundial. Ao contrário, ela é seletiva. Assim, enquanto muitos
lugares e grupos de pessoas se globalizam, outros, ficam excluídos do processo. Por esse motivo, a
globalização tende a tornar o espaço mundial cada vez mais heterogêneo. Além disso, ela tem
provocado uma imensa concentração de riqueza, aumentando as diferenças entre países e, no
interior de cada um deles, entre classes e segmentos sociais.

De qualquer modo, para se entender as profundas alterações causadas pela globalização, é


preciso ter reter alguns conceitos essenciais:

- FÁBRICA GLOBAL - A expressão indica que a produção e o consumo se mundializaram de tal


forma que cada etapa do processo produtivo é desenvolvida em um país diferente, de acordo com
as vantagens e as possibilidades de lucro que oferece.

- ALDEIA GLOBAL - Essa expressão reflete a existência de uma comunidade mundial integrada
pela grande possibilidade de comunicação e informação. Com os diferentes sistemas de
comunicação, uma pessoa pode acompanhar os acontecimentos de qualquer parte do mundo no
exato momento em que ocorrem. Uma só imagem é transmitida para o mundo todo… O avanço

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possibilitou a criação de uma opinião pública mundial. Nesse contexto de massificação da


informação é que surgiu a IINTERNET, uma rede mundial de comunicação por computador que liga
a quase totalidade dos países. Este sistema permite a troca de informações, com a transferência de
arquivos de som, imagem e texto. É possível conversar por escrito ou de viva voz, mandar fotos e
até fazer compras em qualquer país conectado.

- ECONOMIA MUNDO - Ao se difundir mundialmente, as empresas transnacionais romperam as


fronteiras nacionais e estabeleceram uma relação de interdependência económica com raízes muito
profundas, inaugurando a chamada economia mundo.

--- No sistema globalizado, os conceitos de conceitos descritos anteriormente envolvem a


interdependência. Os países são dependentes uns dos outros, pois os governos nacionais não
conseguem resolver individualmente seus principais problemas econômicos, sociais ou ambientais.
As novas questões relacionadas com a economia globalizada fazem parte de um contexto mundial,
refletem os grandes problemas internacionais, e as soluções dependem de medidas que devem ser
tomadas por um grande conjunto de países.

- PAÍSES EMERGENTES - Alguns países, mesmo que subdesenvolvidos, são industrializados ou


estão em fase de industrialização; por isso, oferecem boas oportunidades para investimentos
internacionais. Entre os países emergentes destacam-se a China, a Rússia e o Brasil. Para os
grandes investidores, esse grupo representa um atraente mercado consumidor, devido ao volume de
sua população. Apesar disso, são países que oferecem grandes riscos, se for considerada sua
instabilidade económica ou política.
Os países emergentes tentam adequar-se aos padrões da economia global, através,
exemplarmente, dos seguintes critérios:
• Cultura compatível com o desenvolvimento capitalista;
• Governo que sabe controlar e administrar os seus gastos;
• Disponibilidade de recursos para crescer sem inflação e sem depender excessivamente de
recursos externos;
• Estímulo às empresas nacionais para aprimorarem a sua produção;
• Custo da mão-de-obra adequado à competição internacional;
• Existência de investimentos para educar a população e reciclar os trabalhadores.

Mundos, Regiões e Países divididos

Aos agentes da globalização – as grandes empresas internacionais – interessa a eliminação


das fronteiras nacionais, mais precisamente a remoção de qualquer entrave à livre circulação do
capital.
Por outro lado, ao Estado interessa defender a nacionalidade. Por isso, embora
enfraquecidos diante do poder do grande capital privado, os Estados resistem à ideia de perda do
poder político sobre o seu território.
Os resultados desse jogo de interesses face à acirrada competição internacional é a
formação de blocos, cada qual reunindo um conjunto de países, em geral, vizinhos ou próximos
territorialmente. Os blocos ou alianças, constituídos por acordos ou tratados, representam pois uma
forma conciliatória de atender aos interesses tanto dos países quanto da economia mundo.
A formação de blocos económicos significa uma forma de regionalização do espaço mundial.

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»Integração Económica e Assimetrias Regionais: Causas e Correções

A partir da 2ª Guerra Mundial verificaram-se uma série de transformações, nomeadamente


de estruturas económicas, infraestruturas e povoamento urbano. Refletiram os problemas espaciais
e regionais que vão dar origem a dificuldades. Neste contexto surgem as regiões subdesenvolvidas -
que por motivos estruturais estão inferiorizadas relativamente a outras.

Notam-se igualmente regiões em declínio - regiões que não tiveram um grande


desenvolvimento na 1ª revolução industrial e que se especializaram em indústrias como o carvão e o
aço, indústrias essas que entraram em declínio, o facto de entrarem em declínio fez com que nessas
regiões aumentasse o desemprego.

Detetam-se também regiões congestionadas - fenómeno urbano, pautado por um crescimento


urbano desenfreado, que oneram indevidamente um determinado local, estes locais são por si só
geradores de desemprego.

Estes três tipos de regiões fez com que se despertasse para os problemas de ordem
regional.

Existem igualmente causas indiretas para compreender porque a análise espacial e regional
começou-se a desenvolver como consequência indireta de toda a actividade de planeamento que se
desenvolveu no Pós II guerra mundial.
Assim, à medida que foram surgindo problemas que tinham a sua expressão numa forma espacial
acentuada, foi preciso equacionar soluções de origem económica para os resolver.

» AS ASSIMETRIAS REGIONAIS

As assimetrias regionais normalmente representam desigualdades na taxa de crescimento


da atividade económica e estão ligadas a diferentes níveis de prosperidade económica e
consequentemente a diferentes níveis de desenvolvimento entre regiões de um mesmo país ou
entre países, como é o caso dos vários níveis de desenvolvimento económico que atingiram os
diversos Estados da União Europeia.
As assimetrias regionais refletem-se nos diferentes níveis de rendimento, nas várias taxas de
crescimento do produto interno e nas diversas taxas de desemprego das várias regiões ou países.
Assim, podemos identificar regiões mais e outras menos desenvolvidas portadoras de
características tais como:

- as mais desenvolvidas são os centros que demonstram uma maior concentração populacional, de
quadros técnicos, com maior nível de formação e educação, uma concentração industrial, das
instituições financeiras e entidades governamentais;

- as regiões menos desenvolvidas ao contrário são periféricas e demonstram um declínio


populacional, um declínio da atividade industrial (fenómeno de desindustrialização), falta de
infraestruturas, falta de mão-de-obra qualificada, e a que existe em média tem menor formação e
educação que a das regiões desenvolvidas, estas regiões geralmente mostram caraterísticas típicas
de subdesenvolvimento.

»As disparidades no interior da Comunidade Europeia

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É bem conhecida a existência de disparidades consideráveis entre as regiões da


Comunidade no que respeita ao rendimento per capita, produtividade, tendências de emprego e
taxas de desemprego. O rendimento per capita nas dez regiões mais desenvolvidas era em 1988,
mais do triplo do das dez regiões menos desenvolvidas. Além disso, a comparação internacional
indica que as disparidades na Comunidade têm uma amplitude pelo menos duas vezes maior do que
nos EUA. A redução ao longo do tempo destas disparidades permanece enquanto elemento
integrante para a criação duma comunidade mais coesa.
O nível das disparidades em relação à produtividade desenvolveu-se, de um modo geral, de
forma semelhante ao dos rendimentos per capita. Em 1984 teve início uma ligeira tendência para
uma redução das disparidades entre os Estados-membros, em virtude de um aumento da
produtividade em Portugal e na Irlanda. Esta tendência não continuou, para além de 1987, aquando
aos aumentos da taxa de crescimento económico se associaram aumentos significativos no
desemprego. A Grécia não participou neste crescimento positivo da produtividade e, para além de
ter o PIB per capita mais baixo, possui também o mais baixo PIB por pessoa empregada da
comunidade. Este facto é consequência de resultados macroeconómicos relativamente medíocres,
que se seguem a um declínio da taxa de investimento durante os anos 80, apesar dos esforços
substanciais e cada vez maiores da Comunidade para apoiar este Estado-membro, desde a sua
adesão.

--- Em resumo, dados recentes indicam uma estabilização da tendência anterior para uma
divergência crescente entre regiões e, no caso de alguns Estados-membros e regiões, para uma
leve tendência de convergência para a média comunitária. As disparidades absolutas são de tal
ordem que, mesmo nos casos em que os progressos são percetíveis e partindo do princípio que
haverá uma continuação das recentes linhas de evolução positivas, a convergência dos Estados-
membros mais fracos e das regiões menos prósperas para uma média comunitária será um
processo a muito longo prazo.
Quanto às tendências de emprego de região para região, verifica-se desde 1984 que o
emprego no conjunto da comunidade tem aumentado e o crescimento de cerca de 1,15% ao ano
entre aquela data e 1990 teve como consequência um aumento líquido de quase 9,5 milhões de
postos de trabalho. Este facto compensou largamente a perda líquida de cerca de 3,5 milhões de
postos de trabalho, que se verificou após a recessão do início dos anos 80.
A tendência favorável do emprego ao nível da Comunidade, sobretudo durante a segunda
metade dos anos 80, tendeu a ser largamente partilhada. Assim, todos os Estados-membros
registaram um crescimento do emprego positivo entre 1985 e 1990, embora as taxas de crescimento
variem consideravelmente. No cômputo da década, só na Irlanda a recuperação em matéria de
emprego foi insuficiente para compensar as perdas sofridas nos princípios dos anos 80.
Durante estes últimos anos têm sido particularmente encorajador o crescimento sólido do
emprego em certas zonas menos desenvolvidas do Sul da Comunidade, como é o caso de Portugal.
No Norte, o crescimento do emprego, durante o mesmo período, foi relativamente forte no Reino
Unido, onde as regiões tradicionalmente industriais haviam sido gravemente afetadas pela perda de
empregos no início dos anos 80.
Em termos sectoriais, os anos 80 podem ser descritos em termos de uma deslocação
contínua do emprego da indústria para os serviços.
Quanto às disparidades na taxa de desemprego nos vários estados-membros, pode
considerar-se a suspensão de uma tendência anterior. Assim, os relatórios periódicos anteriores
realçaram a tendência ascendente geral e as disparidades regionais cada vez maiores no que toca
ao desemprego na comunidade nos anos 70 e na primeira metade dos anos 80. Durante este

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período, a taxa de desemprego na comunidade aumentou de 2% em 1970 para mais de 6% em


1980, apesar das taxas de crescimento económico subirem regularmente na primeira metade da
década, até atingirem quase 11% em 1985 e 1986. Desde 1986 que a taxa de desemprego na
Comunidade baixou gradualmente até atingir 8.3% em 1990. Esta reação algo do desemprego e
recuperação foi essencialmente um reflexo da pressão ascendente de fatores demográficos na
oferta de trabalho, juntamente com a subida cíclica e geral das taxas de atividade, apoiadas pelo
aumento contínuo das taxas de actividade feminina.
As disparidades entre as regiões da Comunidade consideradas no seu conjunto atingiram
em 1986 um nível que se estabilizou até começar a baixar em 1989 e 1990.
A interrupção da tendência ascendente que prevaleceu durante mais de 15 anos é o resultado
líquido de um padrão de alterações um tanto complexo no que diz respeito às disparidades ao longo
do tempo, tanto entre Estados-membros como no seu interior. As diferenças regionais nas taxas de
desemprego permanecem, apesar disso, substanciais, com regiões centrais com taxas inferiores a
3%, por um lado, e regiões em que a taxa excede os 15% por outro.
Um fator essencial para a estabilização e o posterior declínio da tendência das disparidades
de desemprego foi a queda gradual das taxas de desemprego nalguns países da Comunidade,
sobretudo no caso do Reino Unido.

» CAUSAS DAS DISPARIDADES REGIONAIS

As causas das disparidades regionais estão ligadas à localização geográfica das regiões,
mas essencialmente com problemas estruturais económicos que enfrentam algumas regiões.
As regiões periféricas são dotadas de fracos recursos naturais, fracos recursos humanos, técnicos e
científicos, deficientes infraestruturas e estão localizadas distantes dos centros produtivos e dos
centros de consumo. Os motivos económicos que explicam as disparidades regionais centram-se
nas diferentes estruturas produtivas e de procura. Nos diferentes níveis de industrialização e de
especialização, o distinto progresso tecnológico que motiva a produtividade e competitividade leva à
distinção entre as regiões.
O agravamento dos desequilíbrios regionais pode também ser encarado como um resultado
da localização da indústria no litoral em detrimento do interior e da migração de pessoas do interior
para o litoral, em países como Portugal, dado aí existirem melhores condições climáticas e
infraestruturas.

»» As diferenças em dotações de infraestruturas e capital humano como causa de disparidades


regionais

É geralmente aceite que as diferenças em infraestruturas e capital humano contribuem de


forma significativa para as variações na competitividade regional.
As regiões economicamente mais fortes e mais prósperas são em geral, mais bem dotadas em
ambos, ao passo que as regiões menos desenvolvidas têm graves deficiências nestes fatores.
A criação de uma maior igualdade de oportunidades para todos os cidadãos e empresas, onde quer
que se situem, exige uma evolução no sentido da redução do desnível na dotação de infraestruturas
e capital humano.
Quanto às diferenças regionais em infraestruturas como causa de assimetrias regionais, é
de referir que estas infraestruturas compõem-se de quatro elementos principais:

- Redes de transportes;

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- Redes de energia;

- Ligações de telecomunicações e

- Redes de equipamentos no domínio do ambiente (por exemplo, tratamento de resíduos e


abastecimento de água).

O alargamento e melhoria das redes energéticas, bem como a melhoria do acesso, nas
regiões mais fracas, são essenciais para o incentivo de atividades produtivas. O fornecimento de
eletricidade ou gás natural de alta qualidade permite que as empresas de todos os setores da
economia regional otimizem a sua escolha de equipamento. A diversificação energética ajuda a
melhorar a competitividade.
Assim, as causas da diferente competitividade entre regiões e consequentemente as
disparidades regionais depende não só, entre outros fatores da dotação inicial de recursos naturais e
infraestruturas materiais, mas cada vez mais dos recursos humanos.
Sistemas educativos e de formação eficazes podem, por esse motivo, ter importância no reforço das
vantagens relativas.
A adaptação dos sistemas educativos e de formação às profundas alterações estruturais é
uma prioridade para reduzir as disparidades regionais.

»» O papel da investigação e do desenvolvimento tecnológico nas regiões

Muitas das causas das disparidades no desenvolvimento económico podem ser atribuídas a
disparidades na produtividade e competitividade. Embora não sejam os únicos fatores, a
investigação e o desenvolvimento tecnológico e, especificamente, a capacidade de inovar e
valorizar, especialmente em produtos e processos, são componentes vitais da competitividade
regional. Isto pode levar, em contrapartida, a um aumento da produção regional através de um
aumento do comércio inter-regional e internacional. Produtos e processos novos ou aperfeiçoados,
custos inferiores, maior flexibilidade de produção, maior qualidade e resposta mais rápida do
mercado, são tudo formas em que a investigação e o desenvolvimento tecnológico podem conferir
uma vantagem relativa a determinadas regiões.

» Causas das disparidades regionais e integração

As desigualdades na repartição dos benefícios da Integração entre os vários territórios pode,


em certa medida, ser uma causa da não convergência regional. Assim, o principal inconveniente que
se pode apontar aos planos de integração de territórios com graus de desenvolvimento económico
diferentes é o da desigual repartição dos benefícios desses planos entre os vários territórios
abrangidos. É possível sustentar, com base em experiências históricas e em argumentos teóricos,
que em tais casos a integração económica poderá beneficiar essencialmente os territórios já
evoluídos, acentuando a superioridade do seu nível de desenvolvimento económico sobre os
territórios mais atrasados, apontam para isto problemas, tais como economias externas em que os
países mais desenvolvidos estão em vantagem, dificuldades competitivas dos países menos
desenvolvidos e tendências de aglomeração que se manifestam nos níveis de mão-de-obra e de
capital.
Assim, nenhum país, isoladamente pode ser considerado como tendo uma economia bem
integrada enquanto persistirem disparidades entre os níveis de vida e de desenvolvimento das
regiões que o constituem.

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Esta afirmação mostra o duplo problema que muitas regiões menos evoluídas se deparam:
rendimentos mais baixos e taxas de crescimento da produtividade inadequadas à diminuição das
disparidades regionais.
Os rendimentos mais baixos, só por si, não dariam origem a preocupações se uma taxa de
crescimento mais alta existisse de forma a reduzir as disparidades regionais. Do mesmo modo,
taxas de crescimento mais baixas que a média não seriam consideradas indesejáveis se a região
tivesse rendimentos per capita mais altos que a média.
No que respeita às disparidades inter-regionais dos níveis de rendimento, dois fatores
determinantes deverão ser distinguidos:

- a baixa produtividade per capita em todas as indústrias da região e

- a percentagem elevada na região de indústrias com baixa produtividade.

A importância do primeiro fator é realçada pelo facto de o verdadeiro problema não ser a
agricultura como tal, ou a ausência de indústrias, mas sim a pobreza, o atraso ou uma agricultura
pobre e uma atividade transformadora pobre.
O segundo fator é salientado na análise das disparidades regionais e pode significar que
uma elevada percentagem nas variações dos rendimentos per capita podem ser explicados pelas
diferenças na distribuição da população ativa por atividades.
As regiões com problemas de desenvolvimento podem ser caracterizadas de uma forma
geral pela atuação de dois fatores.

- Por um lado, predominam em tais regiões indústrias com baixa produtividade;

-Por outro podem ser geralmente encontradas, em regiões atrasadas, indústrias estagnadas
ou ciclicamente instáveis com um potencial de desenvolvimento baixo.

De acordo com este raciocínio as disparidades nos níveis de rendimento não podiam
persistir se as regiões de baixo rendimento tivessem taxas de crescimento da produtividade
superiores à média.
No que respeita ao desemprego como causa de disparidades regionais, e que se encontram
extremamente ligadas as questões da desigualdade, as migrações, mesmo o nível baixo da
produção agrícola para não citar outros aspetos sociais e até políticos.
Outras causas que determinam as disparidades regionais são os diferentes níveis de
inflação e défices da balança de pagamentos, verificados nos diversos países.

» TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Podemos tentar arrumar as teorias que de um modo ou de outro abordam a problemática


regional conforme os temas:

1) Saber qual a natureza que essas teorias veiculam em termos de desenvolvimento


regional.
Podem distinguir-se duas possibilidades:

- Desenvolvimento funcional (resposta clássica);

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- Desenvolvimento territorial (resposta crítica).

2) Podemos ainda dividir as teorias no que toca à desigualdade de desenvolvimento no


espaço entre:

- As que afirmam que o processo de desenvolvimento regional tende a ser convergente;

- As que afirmam que ele tende a ser divergente.

» A natureza do processo de desenvolvimento regional

» Desenvolvimento funcional - resposta clássica

Parte-se do princípio de que o espaço é uma superfície mais ou menos neutra, caraterizável
por um determinado coeficiente de fricção. Parte-se do pressuposto de que os agentes têm um
comportamento de maximização do seu próprio interesse e fazendo jogar o mercado através de
outra hipótese - a perfeita mobilidade dos fatores, cada subespaço (região) vai tender a especializar-
se naquelas produções em que tenha algumas vantagens comparativas - não importa que as
especializações sejam diferentes. Basta mostrar que as forças de ajustamento acabam por implicar
uma igualização dos níveis de produção marginal. Isto é, vai-se chegar a uma divisão espacial do
trabalho que tem como fim a procura da eficiência máxima global. Este grau ótimo (máxima
eficiência) é obtido espontaneamente e permite, em dinâmica, um desenvolvimento mais rápido.
Esta perspetiva tem guiado as opções políticas e económicas dos países menos desenvolvidos que
queiram atingir os níveis de bem-estar das regiões mais ricas, as soluções práticas passam por duas
coisas:

- transferência tecnológica das regiões ricas para as pobres dada a perfeita mobilidade de fatores e

- adoção dos esquemas de produção e organização que caracterizam os países mais ricos (procura
de eficiência máxima).

Este modelo de desenvolvimento – que consiste em ver o desenvolvimento como um


conjunto de mutações quantitativas pressupõe vários aspetos:

-grande consumo de energia;

-elevados custos de transporte;

-grandes unidades de produção;

- dependência cada vez maior em relação ao exterior.

Este modelo de importação pura de tecnologia veio a sofrer uma grande contestação
recentemente, mesmo pelos resultados que revelou: constata-se frequentemente que nas regiões e
países dependentes em relação às economias dominantes que pretendiam um desenvolvimento
através da importação de tecnologia, esta não resultava numa contribuição para o aumento do bem-
estar das populações, mas aumentava os desequilíbrios externos.

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Nesta conceção tradicional de desenvolvimento, a planificação era apenas um apoio ao capital e


recaía sobre uma integração acrescida das regiões, isto é, a perda da sua especificidade. As zonas
periféricas, tanto regiões como estados, não eram mais do que quadros funcionais de ações das
empresas.
Todas estas dúvidas sobre os benefícios para o crescimento levaram os analistas a pensar
que talvez não fosse a melhor maneira de abordar o desenvolvimento local em termos da adoção
pura e simples de um esquema deste tipo. Surge então, outra forma de desenvolvimento com
características diferentes, que falaremos de seguida.

» O desenvolvimento territorial - resposta crítica

Nesta abordagem o desenvolvimento é encarado como sendo autocentrado ou endógeno, e


o seu ponto de partida deixa de ser a procura da maximização, em termos absolutos, das grandezas
e passa a ser a noção física da base geográfica que estamos a considerar - o território. É um padrão
local, pondo o valor nos recursos locais e com a participação da população, deste modo, o
desenvolvimento pode realmente responder às necessidades da população. Isto implica que, à
partida, se definam os objetivos para este território. Por exemplo, as importações do território só
fazem sentido quando adaptadas aos esquemas de produção que nele vigorem.
Podemos ainda falar no próprio processo de desenvolvimento noutra perspetiva, no qual se
distinguem duas correntes:

- o processo de desenvolvimento regional tende a ser convergente ou

- o processo de desenvolvimento regional tende a ser divergente?

» Processo convergente

A ideia do processo convergente é apanágio da escola neoclássica: os desequilíbrios entre


as regiões são transitórios; mesmo que exista qualquer perturbação, a situação tende sempre para o
equilíbrio - deixando atuar completamente os mecanismos de mercado, todo o espaço nacional
tende para o equilíbrio. Para esta abordagem não existe o problema designado por disparidades
regionais, é sempre uma questão de curto prazo que se resolve rapidamente.
Como exemplo, considerando duas regiões em que os fatores de produção são
remunerados de acordo com a sua produtividade marginal: numa, a remuneração do capital é maior,
noutra os salários são mais elevados. A tendência seria a deslocação de capital e trabalho até se
atingir o equilíbrio.
A hipótese de mobilidade de fatores, a nível regional, joga um papel fundamental nesta
teoria e fará com que haja em pouco tempo uma convergência das dinâmicas regionais. Não há
custos nem prazos de mobilização - o espaço reduz-se a um ponto, a localização é indiferente do
ponto de vista económico.
Segundo este grupo de opiniões protagonizada pela Escola Neoclássica, a situação normal no
espaço é uma situação de equilíbrio e, nesta perspetiva, os desequilíbrios regionais são meros
acidentes que tendem a desaparecer rapidamente se e só se não houver nenhum impedimento ao
livre jogo das forças de mercado, ou seja, não haver nenhum obstáculo à mobilidade dos fatores.
O exemplo habitual é o da existência de uma região rica (com salários mais elevados e uma
remuneração do fator capital mais baixa) e de uma região pobre (salários mais baixos, devido ao
excesso de oferta de mão-de-obra e com uma remuneração do fator capital mais elevada). Se o livre
jogo do mercado atuar, haverá uma mobilidade dos fatores de produção e os trabalhadores da

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região pobre irão para a região rica (o que baixará os salários da região rica) e o capital acumulado
na região rica vai tender a aplicar-se na região mais pobre (já que. esta remunera melhor o fator
capital).
De acordo com esta corrente as assimetrias regionais apenas existem no curto prazo, e são
temporárias e ultrapassáveis. As forças de mercado garantem a convergência regional no longo
prazo com a eliminação das disparidades regionais. A convergência regional será o resultado da
concorrência livre e da perfeita mobilidade dos fatores de produção. A livre circulação do capital e
trabalho garante a equiparação das suas remunerações - taxas de juro e salários, entre regiões e
assim a eliminação das assimetrias regionais.
A longo prazo, irá haver uma transferência dos recursos produtivos dos centros para a
periferia até que as remunerações se equiparem, garantindo assim uma tendência para a
convergência regional.
Contudo, esta corrente sofre de algumas limitações, visto existirem outros fatores que determinam a
mobilidade dos fatores de produção - capital e trabalho, e não só as respetivas remunerações.
Fatores entre outros, como a distância, os custos de transporte, o nível de infraestruturas, fatores
pessoais e familiares, as deficiências da procura, que podem obstar à mobilidade perfeita dos
fatores de produção. Esta teoria não explica contudo, quais são as forças da procura que provocam
o retorno dos fatores de produção dos centros para a periferia.
Os factos empíricos demonstram convergência apenas entre regiões ou países mais
desenvolvidos, e mesmo assim verifica-se que a convergência é lenta e pouco significativa. As
forças de convergência demonstram ser fracas e incapazes de eliminarem as assimetrias regionais
entre regiões ou países menos e mais desenvolvidos.

» Processo divergente

Neste tipo de análise, ao contrário dos neoclássicos, pensa-se que as disparidades


regionais não são tão temporárias nem tão efémeras. Supõe-se que os desequilíbrios espaciais
tendem, pelo menos a manter-se e, em certos casos, a agravar-se. A mobilidade de fatores segundo
esta análise faz-se muito deficientemente e nem sempre provocando os efeitos que a teoria
neoclássica nos diz.
De acordo com esta abordagem as disparidades regionais são interpretadas como sendo a
consequência de vários fatores, os quais fazem com que as disparidades tenham um caráter estável
e difícil de ultrapassar.
Estas teorias pensam que o espaço é estruturado consoante o processo de produção e as relações
sociais que através dele se processam. A estrutura do espaço não é modificável. O espaço é a
manifestação última das relações económicas e sociais que nele se manifestam.
Os fatores que estão subjacentes ao funcionamento da economia são:

- as diferenças existentes a nível espacial das técnicas de produção;

- as diferenças existentes a nível espacial das economias de escala.

Só modificando o modelo de produção e organização se pode modificar o espaço porque ele


é expressão disso.
Para este grupo de autores Keynesianos, os desequilíbrios regionais tendem a manter-se e
mesmo a agravar-se. Segundo esta corrente de opiniões, as disparidades regionais não são fruto do
mero acaso, mas sim resultado do próprio funcionamento da economia.

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O espaço não é apenas uma superfície neutra, uma vez que nele se materializam as relações de
produção. Não se pode esperar que se dê um processo de crescimento económico, só por se ter
exercido uma política de crescimento, isto é, não atendendo a que o espaço não é todo igual. A
descontinuidade do espaço é uma consequência das relações económicas que nele se materializam
e que podem levar a um crescimento económico.
Portanto não é possível mudar as disparidades regionais sem mudar as relações
económicas existentes (não é o espaço que precisa ser mudado, são as relações económicas).
A Teoria Keynesiana, confiante nas forças da procura, considera que os pressupostos
neoclássicos de livre concorrência e plena mobilidade dos fatores de produção são pouco realistas.
Não há mobilidade perfeita dos fatores capital e trabalho ou há pouca mobilidade, o que não permite
a equiparação das remunerações, condição necessária dos neoclássicos para um desenvolvimento
regional equilibrado.
Desta forma os desequilíbrios regionais permanecem e não são temporários, por isso a tendência,
segundo esta corrente é a divergência regional e não a convergência económica entre as regiões.
As diferenças nas técnicas de produção, as diferenças nas economias de escala e nos níveis de
produtividade e os obstáculos no funcionamento dos mercados que obstam à concorrência perfeita,
são alguns dos fatores cruciais que justificam a divergência regional.
De acordo com estes autores o processo de desenvolvimento favorece certas regiões
através de um processo cumulativo explicado por Kaldor. Segundo este autor regiões com uma
estrutura prévia na indústria, no comércio e nas infraestruturas atraem novas atividades e ainda
regiões com ganhos de produtividade superiores e vantagens comparativas num determinado tipo
de especialização, mantêm as suas características no longo prazo e torna-se difícil para outras
regiões competirem nas mesmas atividades económicas. Desta forma regiões mais desenvolvidas
continuam a crescer mais enquanto as regiões deprimidas continuam em declínio. O crescimento
regional cria assim polos de desenvolvimento que possibilita o crescimento de algumas regiões em
detrimento de outras através da transferência de recursos produtivos das zonas menos
desenvolvidas para as mais prósperas, originando assim assimetrias regionais, sendo deste modo
os problemas regionais a causa e o efeito de um crescimento regional desequilibrado.
Coube a Kaldor no entanto, apresentar uma versão mais desenvolvida da teoria chamando a
atenção para o facto de o aumento dos recursos ser fundamentalmente autogerido, e determinado
pela taxa em que o progresso técnico estiver incorporado nos bens capitais, a qual por sua vez é
essencialmente determinada pela taxa de crescimento do produto. Dependendo o crescimento do
produto a longo prazo da taxa de crescimento da procura autónoma, sendo num contexto regional o
principal fator da procura autónoma a procura de exportações, o que induz novo investimento na
região.
Por sua vez o comportamento das exportações e da produção de uma região depende de
dois fatores:

- taxa de crescimento da procura mundial de produtos da região;

- movimento de salários e eficiência na região relativamente a outras regiões produtivas.

» Algumas razões teóricas invocadas acerca do possível desenvolvimento de desigualdades


regionais

Para melhor se compreenderem os motivos da tendência para a formação de desequilíbrios


económicos regionais, importa apresentar algumas indicações acerca do conceito de círculos
viciosos do desenvolvimento.

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A melhor maneira de explicar o que são círculos viciosos do desenvolvimento consiste em


apresentar de forma sumária alguns exemplos concretos.

a) para que haja progresso económico numa região é necessário que nela se realizem
investimentos, por sua vez os investimentos só podem ser feitos à custa de poupanças (a menos
que se consiga capital do exterior). Para se conseguir um nível razoável de poupança é preciso que
o nível de rendimento seja alto, pois quando uma região é muito pobre o rendimento mal chega para
satisfazer as necessidades essenciais do consumo. Desta forma uma região pobre terá enormes
dificuldades em conseguir um crescimento rápido, a menos que consiga auxílio do exterior, pois o
nível de rendimento não permitirá a formação de poupança necessária para grandes investimentos;

b) o desenvolvimento económico exige o emprego de grande número de especialistas


(cientistas, técnicos, etc.) e a existência de uma mão-de-obra qualificada e bem treinada. Deste
modo a realização de grandes despesas com a educação e qualificação da mão-de-obra é uma das
exigências fundamentais de um processo de desenvolvimento económico regional. Numa região rica
pode conseguir-se sem dificuldades um nível de educação satisfatório e à mão-de-obra não faltarão
oportunidades de se especializar. Mas numa região pobre escasseiam as verbas para financiar um
sistema educacional avançado e a mão-de-obra não terá facilidade em se empregar em unidades
produtivas bem organizadas, onde possa adquirir um certo grau de especialização profissional;

c) o tamanho do mercado é, como sabemos, uma condição importante para que certos
empreendimentos possam funcionar com custos razoáveis. O baixo nível de rendimento dos
territórios pouco desenvolvidos implica que o respetivo mercado tenha fracas dimensões. Assim,
muitas produções que poderiam contribuir para erguer o nível de bem-estar económico não são a
princípio possíveis, e a melhoria desse bem-estar torna-se mais difícil;
d) as regiões menos evoluídas oferecem poucas facilidades à instalação de novas indústrias, por
serem muito pobres em economias externas.

As disparidades regionais na União Europeia: Políticas corretivas

Quanto aos instrumentos da Comunidade de apoio às regiões-problema, são de destacar


entre outros os seguintes fundos:

- Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER)

- Fundo Social Europeu (FSE)

- Fundo Europeu de Orientação e de Garantia Agrícola (FEOGA)

Estes Fundos foram submetidos em 1988, a uma reforma destinada a torná-los mais
operacionais e a dotá-los de meios financeiros acrescidos. Esta reforma e o aumento da dotação
dos fundos visavam uma maior eficácia na aplicação das medidas, com vista ao mercado interno de
1993, previsto pelo Ato Único, e ao reforço da coesão económica e social da Comunidade Europeia,
ou seja, à diminuição das disparidades entre as regiões e os grupos sociais desenvolvidos e aqueles
que são desfavorecidos. O Conselho Europeu, no fim de 1992, e uma revisão da regulamentação,
efetuada em 1993, precisaram e reforçaram, com vista à realização da União Económica e
Monetária, as ações desenvolvidas por estes instrumentos comunitários de desenvolvimento

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estrutural, que desempenham, como complemento das políticas nacionais e regionais, um


importante papel na coesão económica e social da União. Além disso, o mesmo Conselho Europeu
criou um Fundo de Coesão a favor de alguns Estados-Membros economicamente desfavorecidos:
Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal.
Este instrumento, criado em 1993 e definitivamente estabelecido em 1994, ajudou os Estados-
Membros mais desfavorecidos a efetuarem com êxito a sua transição para a UEM, permitindo-lhes,
simultaneamente melhorar as infraestruturas de transporte e a proteção ambiental e,
consequentemente conseguirem mais rapidamente uma maior convergência real.
Em 1993, foi também criado, no âmbito dos fundos estruturais, um Instrumento Financeiro
de Orientação da Pesca (IFOP), destinado a conjugar todos os recursos financeiros afetados às
ações estruturais no domínio da pesca e da aquicultura.
Os fundos estruturais da Comunidade apoiam-se em alguns princípios complementares e
indissociáveis, e comportam alguns objetivos de política regional que cabe destacar:

- desenvolvimento e ajustamento estrutural das regiões menos desenvolvidas; - reconversão das


regiões ou partes de regiões (incluindo as bacias de emprego e as aglomerações urbanas)
gravemente afetadas pelo declínio industrial;

- desenvolvimento das zonas rurais e, desde início de 1995, a concentração das intervenções a
favor das regiões nórdicas nos novos Estados-Membros (Finlândia e Suécia).

Concluindo…

Depois de identificar as principais disparidades entre regiões do mesmo país ou entre


países, procedeu-se a uma abordagem de uma forma relativamente exaustiva das razões que estão
na sua origem. Analisaram-se de seguida as principais teorias nesta matéria e propôs-se soluções
para a possível correção das assimetrias regionais, sendo certo que nenhuma teoria que aborda a
problemática do desenvolvimento regional, por si só consegue dar resposta e propor soluções para a
correção dos desequilíbrios regionais, havendo que encontrar uma solução que contemple propostas
das várias teorias, que serão aplicadas consoante a região em estudo, duma forma concertada, para
desta forma haver maior hipótese de êxito da política de desenvolvimento regional quer entre países
quer entre regiões do mesmo país.
A acrescentar a isto, está o facto de estudos recentes da Comunidade atestarem que as
assimetrias regionais aumentam com a recessão económica e diminuem em períodos de expansão
económica, havendo assim que dar prioridade a políticas de crescimento económico, por forma a
atenuar essas assimetrias.
No que se refere às disparidades entre países, é de referir que os Governos dos vários
estados têm mais políticas para as corrigir, como seja a política cambial e monetária, exceto os que
integram a União Económica e Monetária, com a moeda única, o que não acontece entre regiões do
mesmo estado, dado possuírem a mesma moeda.
O fenómeno do congestionamento regional é a prova de que as forças de mercado são
incapazes de efetuarem uma distribuição eficaz e eficiente dos fatores produtivos, no aspeto da
otimização, capaz de resolver as assimetrias regionais, havendo assim que recorrer a políticas
regionais adequadas, que dependerão entre outros fatores do grau de integração do país ou região
em causa.
No caso concreto da União Europeia, a execução de uma política regional comunitária exige
alguns pontos de partida, tais como:

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- acordo quanto aos objetivos;

- acordo quanto aos critérios ou aos indicadores que qualificam a região como adequada para a
atribuição de ajudas;

- escolha dos instrumentos e a obtenção de recursos financeiros para levar a efeito essa política
regional.

Não deve contudo, ignorar-se que os princípios básicos da Comunidade são à partida
dificilmente conciliáveis com os objetivos da política regional, princípios esses que passam por:

- Comércio livre

- Livre concorrência

- Mobilidade sem limitações.

» Assimetria entre ricos (Norte) e pobres (sul) na era da globalização (1970 – à


atualidade)

Se, por um lado, vivemos hoje num mundo mais pequeno, onde é mais fácil e rápido viajar,
comunicar e aceder ao conhecimento, por outro lado, não temos todos o mesmo acesso a estas
vantagens e incorremos numa dualidade crescente e perigosa entre Norte/Sul, Centro/Periferia,
Incluídos/Excluídos, numa lógica de dominação económica, social, política e cultural por parte dos
mais fortes e mais desenvolvidos. O desenvolvimento mais assimétrico entre países é uma das
características mais visíveis da globalização.

“A riqueza, o rendimento, os recursos e o consumo concentram-se nas sociedades desenvolvidas,


enquanto grande parte do mundo em vias de desenvolvimento debate-se com a pobreza, a fome, as
doenças e a dívida externa” (Giddens, 2004).

Desenvolvimento do Capitalismo
A integração de economias regionais obtém-se pela aproximação das políticas económicas
e da pertinente legislação dos países que fazem parte de uma aliança.
Vejamos cada etapa do processo:

» Primeira etapa: zona de livre comércio – criação de uma zona em que as


mercadorias provenientes dos países membros podem circular livremente. Nessa zona, as
tarifas alfandegárias são eliminadas e há flexibilidade nos padrões de produção, controle
sanitário e de fronteiras.

» Segunda etapa: união aduaneira – além da zona de livre comércio, essa etapa
envolve a negociação de tarifas alfandegárias comuns para o comércio realizado com outros
países.

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» Terceira etapa: mercado comum – engloba as duas fases anteriores e acrescenta


a livre circulação de pessoas, serviços e capitais.

» Quarta etapa: união monetária – essa fase pressupõe a existência de um mercado


comum em pleno funcionamento. Consiste na coordenação das políticas económicas dos
países membros e na criação de um único banco central para emitir a moeda que será
utilizada por todos.

» Quinta etapa: união política – a união política engloba todas as anteriores e


envolve também a unificação das políticas de relações internacionais, defesa, segurança
interna e externa.

NOTA:

Os polos de poder na economia globalizada

Na nova ordem mundial, a bipolaridade representada por Estados Unidos e União Soviética
foram substituídas pela multipolaridade. Os polos de poder econômico são União Europeia, Nafta e
Apec; os de importância secundária, Mercosul e Asean.
Apesar de a economia globalizada ser definida como multipolar, os principais dados referentes ao
desempenho económico internacional demonstram que existem três grandes polos que lideram a
economia do mundo: o bloco americano, o asiático e o europeu, que controlam mais de 80% dos
investimentos mundiais.
O bloco americano, liderado pelos Estados Unidos, realiza grande parte de seus negócios na
América Latina, sua tradicional área de influência: o bloco asiático, liderado pelo Japão, faz mais de
50% de seus investimentos no leste e no sudeste da Ásia: e a União europeia concentra dois terços
de sua atuação económica nos países do leste europeu.
Pode-se observar, portanto, que a economia globalizada é, na verdade, tripolar. A influência
econômica está nas mãos dos países que representam as sete maiores economias do mundo:
Estados unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá. Por sua vez, no interior
desses países são principalmente as grandes empresas transnacionais que têm condições de liderar
o mercado internacional

O fim da Guerra Fria e o mundo Unipolar


Após 1945, a oposição entre socialismo e capitalismo foi levada ao extremo, numa
bipolarização política, ideológica e militar.

Etapas históricas:

Para combater o comunismo e a influência soviética, oficializando a Guerra Fria, o secretário


de Estado, George Marshall lançou o Plano Marshall - um programa de investimentos e de
recuperação econômica para os países europeus em crise após a guerra.

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Trecho do Documento do Plano Marshall.

“Para promover a paz mundial e o bem-estar geral, as nações interessadas, e a política externa dos
Estados Unidos, econômica, financeira e outras, farão os esforços necessários à manutenção no
estrangeiro de condições nas quais instituições livres podem sobreviver e com consistência a
manutenção da força e estabilidade dos Estados Unidos.”

Em 1948, com o revigoramento da Alemanha Ocidental, a União Soviética impõe um


bloqueio terrestre à cidade de Berlim. Em 1949, eram instituídas as duas Alemanhas: a ocidental,
República Federal da Alemanha, e a oriental, República Democrática Alemã.
Em 1961 foi construído o Muro de Berlin, separando a cidade e tornando-se símbolo da Guerra Fria.

Parte do Muro de Berlim nos anos 1980.

Em 1949, foi criado a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança
político-militar dos países ocidentais, composta inicialmente pelos Estados Unidos e os países da
Europa ocidental, opondo Ocidente à União Soviética.

Em 1955, a União Soviética cria o Pacto de Varsóvia, que unia as forças do bloco
comunista, principalmente dos países da Europa oriental (Albânia, Bulgária, Checoslováquia,
Alemanha Oriental, Polônia, etc.).

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O fim da Guerra Fria deu-se diante da queda do Muro de Berlim em 1989, e com o fim oficial
da própria União Soviética, em 1991, pondo fim ao bloco socialista.

» A Nova ordem económica internacional

Com o fim do bloco socialista, instaurou-se uma nova ordem mundial com a completa
hegemonia da ordem capitalista. Esta passou a uma nova etapa económica e produtiva liderada por
grandes conglomerados empresariais, possuidores de enormes volumes de capitais.
Passou-se à globalização do mercado, com a irradiação dos negócios mundiais,
estimulando a formação de blocos económicos, associações de livre mercado que derrubaram
antigas barreiras protecionistas, principalmente a partir da década de 1990.
À frente dessas organizações está a NAFTA (North American Free Trade Agreement –
Acordo Norte-americano de Livre Comércio), sob a liderança dos Estados Unidos e envolvendo o
Canadá e o México, a UE (União Europeia), tendo a economia alemã a mais forte, o bloco do
Pacífico, a APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation, traduzido, Cooperação Econômica da Ásia e
do Pacífico), sob comando do Japão e o Mercosul (Mercado Comum do Sul), formado em 1991 por
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Logotipo do NAFTA

Países que compõem o NAFTA

União Europeia

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Logotipo do Bloco do Pacífico

Logotipo do Mercosul.

A principal força do capitalismo coube ao G7 (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino


Unido, França, Itália e Japão), grupo dos países ricos.
Acrescentou-se a limitação dos gastos governamentais, com a prevalência da economia de
mercado. A busca de um “Estado mínimo” para a não intervenção na economia ocasionou a
diminuição dos gastos públicos com saúde, educação e outras políticas sociais. Com a nova lógica
capitalista ganhou força as privatizações, com a venda das empresas estatais de diversos países.
Em meio à globalização económica, a nova ordem mundial passou a gerar mais
desigualdades socioeconômicas. De um lado, os países capitalistas desenvolvidos dos três
principais blocos económicos (NAFTA, União Europeia e bloco do Pacífico). Do outro, os países
subdesenvolvidos, na sua maioria situados no hemisfério sul, com graves crises socioeconómicas.

NOTA:

Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos


indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da
Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991), um conflito de ordem
política, militar, tecnológica, económica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de
influência. É chamada "fria" porque não houve uma guerra direta entre as duas superpotências,
dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de
um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da Guerra
Fria, estabilizando-se na década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980
com o projeto do presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan chamado de "Guerra nas Estrelas".

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» Fim da Guerra Fria e consequências

A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por
acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas
Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética
Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas
económicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi-se enfraquecendo. Era o fim
de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria
sendo implantado nos países socialistas.

A Nova Ordem Economica Mundial


O termo Nova Ordem Mundial tem sido empregado em vários momentos da história para
indicar um rompimento radical na forma e conteúdo como estão organizadas as relações
internacionais entre as nações, com destaque para o equilíbrio de poder entre as potências
mundiais, ou seja, a paz e a coordenação entre os países mais desenvolvidos militar e
economicamente, exercendo em conjunto diretrizes que estabelecerão o caminho seguido pelas
outras sociedades menos desenvolvidas.
A nova ordem mundial existente, pois, houve outras "novas ordens mundiais" anteriores)
caracteriza-se pela unipolaridade, o controle dos destinos do mundo por uma única superpotência,
sobrevivente da Guerra Fria, os Estados Unidos, sendo este apoiado por potências menores porém
ainda influentes (Europa e Japão).
Acredita-se que o fenómeno da Globalizaçao e da nova ordem mundial são
intercomunicáveis, cada um como causa e consequência do outro, pois está-se a configurar um
domínio do império norte-americano sobre a economia de mercado ajudado pelo fenômeno
chamado de "balcanização", que consiste na fragmentação de vários antigos estados soberanos
onde predominava a convivência de várias etnias e culturas diferentes.
Tal fenómeno ajudaria na manutenção do predomínio económico e político norte-americano, pois a
soberania dos outros estados estariam a ser cada vez mais limitadas, condicionadas, enfim, inibidas.
Com isso, assume-se que nesta nova ordem mundial, o estado nacional como conhecíamos até
algumas décadas atrás entra definitivamente em decadência.
Há também que se destacar não só a decadência da grande maioria dos estados nacionais
mas também das organizações internacionais. Tal afirmação ficou evidente na decisão unilateral dos
EUA em invadir o Iraque, sem considerar antes o parecer da Organização das Nações Unidas,
literalmente passando por cima desta organização que deveria primar pelo equilíbrio e respeito à
soberania de todos os seus membros, e além disso, primordialmente, preservar a paz e encontrar
soluções pacíficas como resolução de todo e qualquer conflito.
Mas, a pior face da nova ordem liga-se mesmo à falência do estado nacional, que, sob um
manto de respeito à cidadania e aos direitos fundamentais do cidadão, cada vez mais torna a política
interna dos países inócua, afastando o povo dos assuntos políticos (basta ver no mundo todo a
abstenção cada vez maior em eleições nacionais, na maioria das democracias). Assim, uma ditadura
de discurso inócuo, liberal domina os países democráticos, e submetem-nos à política de livre
economia de mercado orientada aos interesses da superpotência remanescente, os Estados Unidos.

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Os interesses das nações em si são assim preteridos, e o desemprego e o fim da livre iniciativa no
campo económico atingem patamares assustadores.
O cidadão contemporâneo cada vez mais é pressionado pelo mercado e tem vindo a perder,
no mundo atual, os seus direitos à educação, saúde, emprego, saneamento básico, enfim, serviços
públicos de qualidade, para poder desfrutar dos mesmos só quando os pode pagar devidamente.

» Na teoria das relações internacionais, o termo "Nova Ordem Mundial" (NOM) tem sido
utilizado para se referir a um novo período no pensamento político e no equilíbrio mundial de poder,
além de uma maior centralização deste poder. Apesar das diversas interpretações deste termo, ele é
principalmente associado com o conceito de governança global.

A Europa dos cidadãos

A Europa dos cidadãos engloba vários aspetos e tem vindo a ser construída de forma
progressiva. Atualmente consagrada nos tratados, a cidadania europeia complementa a cidadania
nacional, sem a substituir. A Carta dos Direitos Fundamentais, que com a entrada em vigor do
Tratado de Lisboa se tornou juridicamente vinculativa, reúne, num mesmo texto, todos os direitos
das pessoas em torno alguns princípios orientadores: dignidade humana, liberdades fundamentais,
igualdade entre as pessoas, solidariedade, cidadania e justiça.

Princípios sociais:

- Cidadania

Inspirada na liberdade de circulação de pessoas prevista nos Tratados, a ideia de instituir


uma cidadania europeia dotada de direitos e deveres bem definidos remonta à década de 1960. Na
sequência dos trabalhos preparatórios iniciados em meados da década de 1970, o Tratado da União
Europeia, adotado em Maastricht em 1992, atribui como objetivo à União «o reforço da defesa dos
direitos e dos interesses dos nacionais dos seus Estados-Membros, mediante a instituição de uma
cidadania da União».
Por analogia com a cidadania nacional, a cidadania da União Europeia designa uma relação
entre o cidadão e a União caracterizada por direitos, por deveres e pela participação na vida política.
Tal relação deve permitir eliminar a discrepância existente devido ao facto de os cidadãos da União
serem cada vez mais afetados por medidas comunitárias, ao passo que o exercício dos direitos e o
cumprimento das obrigações, bem como a participação nos processos democráticos, se processam
quase exclusivamente a nível nacional.
Paralelamente há que reforçar a proteção dos direitos e dos interesses dos nacionais dos Estados-
Membros / cidadãos da UE nas relações entre a União e o resto do mundo.

»Definição:

Nos termos do disposto no artigo 9.º do TUE e no artigo 20.º do TFUE, é cidadão da União
qualquer pessoa que tenha a nacionalidade de um Estado-Membro, sendo esta última definida com
base na legislação nacional desse Estado-Membro. A cidadania da União acresce à cidadania
nacional, mas não a substitui, e comporta um conjunto de direitos e deveres que vêm associar-se
aos que decorrem da qualidade de cidadão de um Estado-Membro.

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O estatuto de cidadão da União implica para todos os cidadãos da União:

— O direito à livre circulação e o direito à permanência no território dos Estados-Membros;

— O direito de eleger e ser eleito nas eleições para o Parlamento Europeu e nas eleições municipais
do Estado-Membro de residência, nas mesmas condições que os nacionais desse Estado;

— O direito de, nos territórios de países terceiros (não membros da União Europeia) em que o
Estado-Membro de que são nacionais não se encontre representado, beneficiar da proteção das
autoridades diplomáticas e consulares de outro Estado-Membro, nas condições aplicáveis aos
nacionais desse Estado;

— O direito de petição ao Parlamento Europeu e o direito de recorrer ao Provedor de Justiça


instituído pelo Parlamento Europeu a fim de conhecer os casos de má administração na atuação das
instituições e dos órgãos comunitários;

— O direito de se dirigir por escrito a qualquer das instituições ou órgãos da União numa das línguas
dos Estados-Membros e de obter uma resposta redigida na mesma língua;

— O direito de acesso aos documentos do Parlamento Europeu, do Conselho e da Comissão, em


determinadas condições.

- Subsidiariedade

O princípio da subsidiariedade é fundamental para o funcionamento da União Europeia (UE)


e, mais precisamente, para a tomada de decisão a nível europeu. Permite, nomeadamente,
determinar quando a UE é competente para legislar e contribui para que as decisões sejam tomadas
o mais perto possível dos cidadãos.
O princípio da subsidiariedade está consagrado no artigo 5.o do Tratado sobre o
Funcionamento da UE. É apresentado juntamente com dois outros princípios considerados
essenciais para a tomada de decisão a nível europeu: os princípios da atribuição e da
proporcionalidade.

» Definição:

O princípio da subsidiariedade visa determinar o nível de intervenção mais pertinente nos


domínios de competências partilhadas entre a UE e os países da UE. Pode ser uma ação a nível
europeu, nacional ou local. Em todo o caso, a UE só pode intervir se estiver em condições de agir de
forma mais eficaz do que os países da UE nos seus respetivos níveis nacional ou local.
Relativo à aplicação dos princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade existem três critérios
que visam confirmar ou não a oportunidade de uma intervenção a nível da UE:

• a ação contém aspetos transnacionais que não podem ser solucionados pelos países da EU
(internamente)?

• uma ação nacional ou a ausência de ação seriam contrárias às exigências do Tratado


(comportamentos divergentes)?

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• a ação a nível UE traduz-se em benefícios óbvios (vantagem para os nacionais de um


estado)?

O princípio da subsidiariedade visa igualmente aproximar a UE dos seus cidadãos, assegurando


que uma ação seja executada a nível europeu quando necessário.

» Princípio da Atribuição e Principio da Proporcionalidade:

Segundo o princípio da atribuição a UE apenas dispõe das competências que lhe são atribuídas
nos Tratados Europeus não tendo discricionariedade total.
A subsidiariedade e a proporcionalidade são princípios corolários do princípio da atribuição.
Determinam em que medida a UE pode exercer as competências que lhe são conferidas pelos
Tratados. Em virtude do princípio da proporcionalidade, os meios aplicados pela UE não podem
exceder o necessário para concretizar os objetivos fixados nos Tratados.

Por conseguinte, a UE só poderá intervir num domínio político se:

• essa ação fizer parte das competências atribuídas à UE pelos Tratados (princípio da
atribuição);

• no âmbito das competências partilhadas com os países da UE, o nível da UE for o mais
pertinente para alcançar os objetivos fixados nos Tratados (princípio da subsidiariedade);

• o conteúdo e a forma da ação não excederem o necessário para alcançar os objetivos


fixados nos Tratados (princípio da proporcionalidade).

» Controlo do Princípio da Subsidiariedade:

Os mecanismos de controlo do princípio da subsidiariedade são organizados por um Protocolo


(introduzido pelo Tratado de Amesterdão) relativo à aplicação dos princípios da subsidiariedade e da
proporcionalidade.
Antes de mais prevê a observância de determinadas obrigações durante a própria elaboração
dos projetos legislativos. Assim, antes de propor um ato legislativo, a Comissão Europeia deve
elaborar um Livro Verde. Os Livros Verdes consistem em consultas amplas e permitem à Comissão
recolher o parecer das instituições nacionais e locais e da sociedade civil sobre a oportunidade de
uma proposta legislativa, nomeadamente no que se refere ao princípio da subsidiariedade.
O protocolo acrescenta ainda a obrigação da Comissão fazer acompanhar os projetos dos atos
legislativos de uma ficha que demonstre a observância dos princípios da subsidiariedade e da
proporcionalidade.
O Tratado de Lisboa inova ao associar plenamente os parlamentos nacionais ao controlo do
princípio da subsidiariedade. Com efeito, os parlamentos nacionais exercem um duplo controlo:

• têm um direito de oposição aquando da elaboração dos projetos legislativos. Podem, assim,
devolver uma proposta legislativa à Comissão se considerarem que o princípio da
subsidiariedade não foi observado;

Formadora: Marta Bessa

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• através do respetivo país da UE podem contestar um ato legislativo perante o Tribunal de


Justiça da UE quando considerarem que o princípio da subsidiariedade não foi observado.

O Tratado de Lisboa associa igualmente o Comité das Regiões ao controlo do princípio da


subsidiariedade. Á semelhança dos parlamentos nacionais, o Comité também pode contestar
perante o Tribunal de Justiça da UE um ato legislativo que não observe o princípio da
subsidiariedade.

- Coesão

Na atual União Europeia existe, e desde sempre, grandes disparidades territoriais e


demográficas, que constituem potenciais entraves à integração e ao desenvolvimento na Europa.
Este princípio concretiza-se na necessidade de a União Europeia promover um desenvolvimento
harmonioso procedendo ao fortalecimento da sua coesão económica, social e territorial. A UE
pretende, nomeadamente, reduzir as disparidades entre os níveis de desenvolvimento das diversas
regiões. Entre as regiões em causa, é consagrada especial atenção às zonas rurais, às zonas
afetadas pela transição industrial e às regiões com limitações naturais ou demográficas graves e
permanentes, tais como as regiões com menor densidade populacional e as regiões insulares,
transfronteiriças e de montanha.

Existem três vertentes da coesão:

- económica

- social

- territorial

Um dos principais objetivos da UE consiste no reforço da sua coesão económica, social e


territorial. Uma parte considerável das suas atividades e do seu orçamento é consagrada à redução
das disparidades entre as regiões, nomeadamente as zonas rurais, as zonas afetadas pela transição
industrial e as regiões com limitações naturais ou demográficas graves e permanentes.

A UE apoia a consecução destes objetivos através do seguinte:

• da coordenação das políticas económicas;

• da implementação das políticas da EU;

• da utilização dos Fundos Estruturais (FEOGA (Fundo Europeu de Orientação e de Garantia


Agrícola); FSE (Fundo Social Europeu); FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional), do Banco Europeu de Investimento e de outros Instrumentos Financeiros atuais
(por exemplo, o Fundo de Coesão).

A fim de garantir uma utilização eficiente dos fundos estruturais, devem ser respeitados os
seguintes princípios:

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• organização dos fundos por objetivos e por regiões;

• parceria entre a Comissão, os Estados-Membros e as autoridades regionais no contexto da


planificação, da implementação e do acompanhamento da sua utilização;

• programação das intervenções;

• adicionalidade das contribuições da UE e nacionais.

A dotação de recursos financeiros da União destinada à política de coesão centra-se em dois


objetivos fundamentais:

• o investimento no crescimento e no emprego, com vista a consolidar o mercado laboral e as


economias regionais;

• a cooperação territorial europeia, para apoiar a coesão da UE através da cooperação ao


nível transfronteiriço, transnacional e inter-regional.

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ANEXO

Guerra Fria
História da Guerra Fria, corrida armamentista, definição, OTAN e Pacto de Varsóvia, guerras,
corrida espacial, Plano Marshall, Queda do Muro de Berlim, "Cortina de Ferro",
características, conflitos, causas e consequências

Introdução - o que foi e definição

A Guerra Fria tem início logo após a Segunda Guerra Mundial, pois os Estados Unidos e a
União Soviética vão disputar a hegemonia política, económica e militar no mundo.

A União Soviética possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido


único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados unidos, a outra
potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado,
sistema democrático e propriedade privada. Na segunda metade da década de 1940 até 1989, estas
duas potências tentaram implantar noutros países os seus sistemas políticos e económicos.

A definição para a expressão guerra fria é de um conflito que aconteceu apenas no campo
ideológico, não ocorrendo um embate militar declarado e direto entre Estados Unidos e URSS. Até
mesmo porque, estes dois países estavam armados com centenas de mísseis nucleares. Um
conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no planeta Terra.
Porém ambos acabaram alimentando conflitos em outros países como, por exemplo, na Coreia e no
Vietnã.

Paz Armada

Na verdade, uma expressão explica muito bem este período: a existência da Paz Armada.
As duas potências envolveram-se numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armamentos
em seus territórios e nos países aliados. Enquanto houvesse um equilíbrio bélico entre as duas
potências, a paz estaria garantida, pois haveria o medo do ataque inimigo.

Nesta época, formaram-se dois blocos militares, cujo objetivo era defender os interesses militares
dos países membros. A OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (surgiu em abril de 1949)
era liderada pelos Estados Unidos e tinha suas bases nos países membros, principalmente na
Europa Ocidental. O Pacto de Varsóvia era comandado pela União Soviética e defendia militarmente
os países socialistas.
Alguns países membros da OTAN: Estados Unidos, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental,
França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria e Grécia.

Alguns países membros do Pacto de Varsóvia: URSS, Cuba, China, Coreia do Norte, Romênia,
Alemanha Oriental, Albânia, Checoslováquia e Polônia.

Corrida Espacial

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EUA e URSS travaram uma disputa muito grande no que se refere aos avanços espaciais.
Ambos corriam para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Isso ocorria, pois havia uma
certa disputa entre as potências, com o objetivo de mostrar ao mundo qual era o sistema mais
avançado. No ano de 1957, a URSS lança o foguete Sputnik com um cão dentro, o primeiro ser vivo
a ir para o espaço. Doze anos depois, em 1969, o mundo todo conseguiu acompanhar pela televisão
a chegada do homem à lua, com a missão espacial norte-americana.

Caça às Bruxas

Os EUA lideraram uma forte política de combate ao comunismo em seu território e no


mundo. Usando o cinema, a televisão, os jornais, as propagandas e até mesmo as histórias em
quadrinhos, divulgou uma campanha valorizando o "american way of life". Vários cidadãos
americanos foram presos ou marginalizados por defenderem ideias próximas ao socialismo. O
Macartismo, comandado pelo senador republicano Joseph McCarthy, perseguiu muitas pessoas nos
EUA. Essa ideologia também chegava aos países aliados dos EUA, como uma forma de identificar o
socialismo com tudo que havia de ruim no planeta.

Na URSS não foi diferente, já que o Partido Comunista e seus integrantes perseguiam,
prendiam e até matavam todos aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo. Sair
destes países, por exemplo, era praticamente impossível. Um sistema de investigação e
espionagem foi muito usado de ambos os lados. Enquanto a espionagem norte-americana cabia aos
integrantes da CIA, os funcionários do KGB faziam os serviços secretos soviéticos.

A divisão da Alemanha

Após a Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida em duas áreas de ocupação entre os
países vencedores. A República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, ficou sendo
zona de influência soviética e, portanto, socialista. A República Federal da Alemanha, com capital
em Bonn (parte capitalista), ficou sob a influência dos países capitalistas. A cidade de Berlim foi
dividida entre as quatro forças que venceram a guerra: URSS, EUA, França e Inglaterra. Em 1961 foi
levantado o Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista.

"Cortina de Ferro"

Em 1946, Winston Churchill (primeiro ministro britânico) fez um famoso discurso nos
Estados Unidos, usando a expressão "Cortina de Ferro" para se referir à influência da União
Soviética sobre os países socialistas do leste europeu. Churchill defendia a ideia de que, após a
Segunda Guerra Mundial, a URSS tinha-se tornado a grande inimiga dos valores ocidentais
(democracia e liberdade, principalmente).

Plano Marshall e COMECON

As duas potências desenvolveram planos para desenvolver economicamente os países


membros. No final da década de 1940, os EUA colocaram em prática o Plano Marshall, oferecendo
ajuda económica, principalmente através de empréstimos, para reconstruir os países capitalistas
afetados pela Segunda Guerra Mundial. Já o COMECON foi criado pela URSS em 1949 com o
objetivo de garantir auxílio mútuo entre os países socialistas.

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» Envolvimentos Indiretos

Guerra da Coreia: Entre os anos de 1951 e 1953 a Coreia foi palco de um conflito armado
de grandes proporções. Após a Revolução Maoista ocorrida na China, a Coreia sofre pressões para
adotar o sistema socialista em todo seu território. A região sul da Coreia resiste e, com o apoio
militar dos Estados Unidos, defende seus interesses. A guerra dura dois anos e termina, em 1953,
com a divisão da Coreia no paralelo 38. A Coreia do Norte ficou sob influência soviética e com um
sistema socialista, enquanto a Coreia do Sul manteve o sistema capitalista.

Guerra do Vietnã: Este conflito ocorreu entre 1959 e 1975 e contou com a intervenção direta dos
EUA e URSS. Os soldados norte-americanos, apesar de todo aparato tecnológico, tiveram
dificuldades em enfrentar os soldados vietcongues (apoiados pelos soviéticos) nas florestas tropicais
do país. Milhares de pessoas, entre civis e militares morreram nos combates. Os EUA saíram
derrotados e tiveram que abandonar o território vietnamita de forma vergonhosa em 1975. O Vietnã
passou a ser socialista.

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Bibliografia
- Ferreira, Eduardo de Sousa; Integração Económica, 1983, Edições 70.

- Lopes, J. Silva; Introdução à Teoria da Integração Económica, Instituto Superior de C. Sociais e


Política Ultramarina, 1964.

- Lopes, A. Simões; Desenvolvimento Regional, 1987, Fundação Calouste Gulbenkian.

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