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Caderno Judiciário do Tribunal Superior do Trabalho

DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA DO TRABALHO


PODER JUDICIÁRIO REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Nº2477/2018 Data da disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018. DEJT Nacional

Tribunal Superior do Trabalho


REQUERENTE: BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE
Ministro João Batista Brito Pereira
COURO LTDA
Presidente

Ministro Renato de Lacerda Paiva Advogado: MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA GARCIA

Vice-Presidente
REQUERIDO: DESEMBARGADOR ROBERTO NORRIS
Ministro Lelio Bentes Corrêa
Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho
TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS

TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS, LUVAS,


Setor de Administração Federal Sul (SAFS) Quadra 8 - Lote 1
Zona Cívico-Administrativa BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E MATERIAL DE
Brasília/DF SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO RIO DE
CEP: 70070943 JANEIRO

CGJT/LBC/vfh/fbe/L
Telefone(s) : (61) 3043-4300

Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho


DECISÃO
Decisão Monocrática
Decisão Monocrática
Processo Nº CorPar-1000300-90.2018.5.00.0000
Relator LELIO BENTES CORREA
REQUERENTE BRASILCRAFT COMERCIO DE
ARTEFATOS DE COURO LTDA Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por
ADVOGADO MARCOS AURELIO DE OLIVEIRA
GARCIA(OAB: 110915/RJ) BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA
REQUERIDO DESEMBARGADOR ROBERTO em face da decisão monocrática proferida nos autos do Mandado
NORRIS
TERCEIRO SINDICATO DOS TRABALHADORES de Segurança n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o
INTERESSADO NAS INDUSTRIAS DE CALCADOS
Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do

Intimado(s)/Citado(s): Trabalho da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação


- BRASILCRAFT COMERCIO DE ARTEFATOS DE COURO mandamental, deixando de examinar o pedido de medida liminar
LTDA
nela veiculado, cujo objetivo era a suspensão da antecipação da

tutela concedida nos autos da Ação Civil Pública nº 0100216-

28.2018.5.01.0052, em trâmite perante a 52ª Vara do Trabalho do


PODER JUDICIÁRIO Rio de Janeiro.
JUSTIÇA DO TRABALHO

Esclarece a Requerente que o Sindicato dos Trabalhadores nas

Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de Resguardo e

Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio de Janeiro

ajuizou a Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052

objetivando o recolhimento da contribuição sindical. A tutela de


CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)
urgência foi deferida para determinar à ora Requerente que
Nº 1000300-90.2018.5.00.0000

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efetuasse o "desconto da contribuição sindical em valor equivalente com o artigo 300 do Código de Processo Civil de 2015, porquanto

a um dia de salário de todos os seus empregados, recolhendo o não restaram demonstrados os requisitos legais concernentes à

valor descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do demonstração da probabilidade do direito, na medida em que paira

Trabalho, sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00". profunda controvérsia acerca da natureza tributária da contribuição

sindical. Salienta, ainda, não evidenciado o risco de dano

Afirma a Requerente que impetrou Mandado de Segurança perante irreversível, uma vez que a contribuição sindical não constitui a

o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região buscando, em caráter única fonte de custeio do Sindicato. Ressalta, por fim, que é indene

liminar, a suspensão da ordem emanada do MM. Juízo de primeira de dúvidas a irreversibilidade dos efeitos da determinação judicial

instância, que concedera a tutela de urgência. ora atacada, visto que praticamente impossível eventual restituição

dos valores recolhidos a título de contribuição sindical.

Contudo, a petição inicial do Mandado de Segurança foi

liminarmente indeferida, sob o fundamento de que a Impetrante Acrescenta que a Ação Civil Pública ajuizada pelo Sindicato é

deixara de indicar o terceiro interessado, e também não apresentara incabível, pois, nos termos do artigo 1º da Lei n.º 7.347/85, é

sua qualificação. Afirma que não houve abertura de prazo para o expressamente vedada a utilização desse meio processual para

saneamento do suposto vício, conforme determina o parágrafo discussão de tema relacionado a tributos. Ressalta que toda a

único do artigo 115 do CPC de 2015 - providência que se fazia argumentação deduzida pelo autor da ação principal está

necessária antes da extinção do processo. fundamentada na suposta natureza tributária das contribuições

sindicais.

Sustenta a Requerente que a Lei n.º 12.016/09, que regulamenta o

processamento do Mandado de Segurança, não exige que o Requer, assim, a concessão da medida liminar para, "diante do

impetrante indique o terceiro interessado na petição inicial. quadro nitidamente excepcional do caso, receber o aditamento da

inicial, incluindo como terceiro interessado o Sindicato dos

Informa, ainda, que, antes de interpor Agravo Regimental à referida Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de

decisão, peticionou requerendo o aditamento da inicial, indicando o Resguardo e Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas, de Janeiro", bem como "determinar a imediata suspensão da ordem

Bolsas e Peles de Resguardo e Material de Segurança e Proteção de desconto/repasse da contribuição sindical, proferida nos autos

ao Trabalho do Rio de Janeiro como Terceiro Interessado, bem da Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite

assim procedeu à sua correta qualificação. perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro-RJ".

Assevera que a decisão proferida nos autos do referido Mandado de Subsidiariamente, requer "seja atribuído efeito suspensivo ao

Segurança subverte a boa ordem processual e viola o devido Agravo Regimental protocolizado no dia 08/05/2018 nos autos do

processo legal, além de gerar lesão de difícil reparação, porquanto, Mandado de Segurança nº n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, até

uma vez cumprida a determinação judicial de recolhimento da apreciação do respectivo Colegiado".

contribuição sindical, será impossível o seu desfazimento.

Ao exame.

Destaca, outrossim, que a questão em debate nos autos da Ação

Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052 diz com a alteração Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a

promovida pela Lei n.º 13.467/17 no tocante à contribuição sindical, decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança

disciplinada pelos artigos 545, 578, 579, 582, 583 e 602 da CLT. n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o Exmo.

Registra, ainda, que o Supremo Tribunal Federal não se manifestou Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do Trabalho

acerca da constitucionalidade dos mencionados dispositivos até o da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação mandamental e

momento, a despeito da existência de várias ações sobre o tema, denegou a segurança.

atualmente tramitando na Corte Suprema.

A decisão objeto da presente Reclamação Correicional está assim

Sustenta que a decisão monocrática que deferiu a tutela de fundamentada (grifos no original):

urgência requerida na Ação Civil Pública está em descompasso

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segurança, com base na norma inserta no art. 6º, § 5º, da Lei nº

12.016/09.

Trata-se de mandado de segurança impetrado por BRASILCRAFT

COMERCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA insurgindo-se

diante de ato, do MM. Juízo da 52ª Vara do Trabalho do Rio de

Janeiro, nos autos de processo Ação Civil Pública n.º 0100216- Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

28.2018.5.01.0052, que teria declarado, incidentalmente, a Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

inconstitucionalidade das alterações havidas nos artigos 545, 578, ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

579, 582, 583, 587 e 602 da CLT e determinado que a impetrante processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

efetuasse o desconto da contribuição sindical de todos os seus processual específico".

empregados, recolhendo o valor descontado na CEF, sob pena de

multa diária de R$500,00, sob o seguinte argumento: O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

"... Ressalvando-se qualquer discussão sobre o sistema brasileiro medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

de custeio das entidades sindicais, o fato é, que a contribuição assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

sindical tem natureza tributária, conforme já decidido pelo STF (RE que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

556.162) e, como tal, sujeita-se às normas e regras próprias do competente".

direito tributário, dentre as quais a necessidade de edição de lei

complementar para promover eventuais alterações na definição de Na presente hipótese, verifica-se que a petição inicial do Mandado

tributos, bem como quanto a obrigação, lançamento e crédito de Segurança impetrado pela Requerente foi indeferida ao

tributários - Constituição da República, artigo 146, III e caput do fundamento de que "a impetrante não indicou o terceiro interessado,

artigo 149..." bem como os seus dados, o que inviabiliza o prosseguimento do

mandamus por não preenchidos, os requisitos legais previstos no

Alega, a impetrante, que o Sindicato não teria legitimidade para artigo 196 do Regimento Interno deste TRT e o artigo 6º da Lei nº

propor a referida ação civil pública, uma vez que a sua legitimidade 12.016/09".

limita-se à "defesa dos direitos coletivos e individuais da categoria",

nos termos do artigo 8º, III da CRFB/88. Argumenta que a decisão O artigo 6º da Lei nº 12.016/09, que regulamenta o mandado de

impetrada violaria os princípios do contraditório e da ampla defesa, segurança, assim dispõe:

bem como que estaria em dissonância com a jurisprudência do

Supremo Tribunal Federal, que, segundo a impetrante, entenderia

que a contribuição sindical não exige lei complementar para a sua

instituição, redução, majoração ou revogação. Art. 6o A petição inicial, que deverá preencher os requisitos

estabelecidos pela lei processual, será apresentada em 2 (duas)

Ocorre que, revendo o meu posicionamento anterior, e examinando vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na

a petição inicial do presente processo, verifica-se que a impetrante segunda e indicará, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica

não indicou o terceiro interessado, bem com os seus dados, o que que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce

inviabiliza o prosseguimento do mandamus por não preenchidos, os atribuições.

requisitos legais previstos no artigo 196 do Regimento Interno deste

TRT e o artigo 6º da Lei nº 12.016/09. (...)

Isto porque, considerando-se a natureza jurídica do Mandado de § 5o Denega-se o mandado de segurança nos casos previstos pelo

Segurança, é inaplicável o disposto no art. 321 do CPC de 2015 art. 267 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973.

(art. 284 do CPC de 1973), nos termos da Súmula nº 415 do C.

TST.

Pelo exposto, INDEFIRO a petição inicial e DENEGO a De outro lado, os requisitos da petição inicial estão hoje inseridos

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nos artigos 319 e 320 do Código de Processo Civil de 2015, de difícil reversibilidade, na medida em que a decisão que ensejou o

havendo, ainda, previsão expressa, no artigo 321, da obrigatória ajuizamento do mandado de segurança havia deferido "a tutela de

concessão de prazo para regularização da petição inicial que não urgência requerida,declarando incidentalmente a

atender aos requisitos erigidos nos dispositivos anteriores. Eis o inconstitucionalidadedas alterações dos artigos 545, 578, 579, 582,

teor do artigo 321 do Código de Processo Civil em vigor: 583, 587 e 602 da CLT e determinando à ré que proceda ao

desconto da contribuição sindical em valor equivalente a um dia de

salário de todos os seus empregados, recolhendo o valor

descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do Trabalho,

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00".

requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e

irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, Constata-se, assim, que a decisão liminar proferida pelo juízo de

determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou origem determinou, antecipadamente, a satisfação do próprio mérito

a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou da Ação Civil Pública, antes mesmo da audiência de instrução e

completado. julgamento, sob o fundamento de que o dispositivo legal que

ampara a Requerente no que tange à necessidade de autorização

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá prévia e expressa dos seus empregados para o recolhimento da

a petição inicial. contribuição sindical, seria contrário à Constituição da República.

Ademais, cominou-se multa pecuniária para a hipótese de não

cumprimento da obrigação imposta judicialmente, calcada

Nesse contexto, verifica-se que o Tribunal Regional, ao indeferir a unicamente na suposta inconstitucionalidade do dispositivo legal,

petição inicial do Mandado de Segurança por não ter a ora revelando-se patente o risco de a Requerente vir a sofrer dano de

Requerente indicado o terceiro interessado, deixando de fixar prazo difícil reparação.

para o saneamento do suposto vício, deixou de observar

procedimento expressamente previsto em lei. Reforça tal conclusão o fato de a decisão antecipatória de tutela não

haver estabelecido qualquer garantia para a hipótese de, ao final do

Ressalte-se que não se cuida, na hipótese, de petição inicial processo, após cognição exauriente, vir a ser julgada improcedente

desacompanhada dos documentos indispensáveis à propositura do a pretensão deduzida na Ação Civil Pública. Nessa hipótese,

Mandado de Segurança. Com efeito, em se tratando de ação resultaria manifesto o prejuízo à Requerente, que poderia vir a ser

calcada em prova pré-constituída, não tem aplicabilidade à juntada responsabilizada pelo desconto indevido da contribuição sindical de

de documentos essenciais o disposto no artigo 321 do Código de seus empregados.

Processo Civil, conforme entendimento consagrado na Súmula n.º

415 desta Corte Superior. Ao revés, cuida-se, no caso sob exame, Nesse contexto, extrai-se que a referida decisão antecipatória de

da ausência de intimação do terceiro interessado para compor a tutela - frise-se, de natureza eminentemente satisfativa, de difícil

lide. Ora, o artigo 115, parágrafo único, do Código de Processo Civil reversibilidade, calcada unicamente na suposta

de 2015 determina que "nos casos de litisconsórcio passivo inconstitucionalidade do dispositivo legal, e proferida após juízo

necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de superficial, não exauriente - impôs genericamente à ora Requerente

todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, a obrigação de proceder ao recolhimento da contribuição sindical de

sob pena de extinção do processo" (os grifos foram acrescidos). todos os seus empregados, independentemente da categoria a que

vinculados, estando, ainda, acompanhada da cominação de multa

Importante ressaltar que, no caso concreto, o Desembargador pelo descumprimento da obrigação imposta judicialmente.

Relator não assinou prazo para que a Impetrante requeresse ou

promovesse a citação do litisconsorte, impondo a imediata extinção Tais circunstâncias, como descritas, caracterizam o ato contrário à

do feito, em conduta contrária à lei processual. boa ordem processual, a atrair a atuação acautelatória da

Corregedoria-Geral, a fim de impedir lesão de difícil reparação, com

De outro lado, a decisão ora impugnada acabou por gerar situação vistas a assegurar eventual resultado útil do processo, até que

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Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

REQUERENTE BRASILCRAFT COMERCIO DE


ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional colegiado ARTEFATOS DE COURO LTDA
ADVOGADO MARCOS AURELIO DE OLIVEIRA
competente. GARCIA(OAB: 110915/RJ)
REQUERIDO DESEMBARGADOR ROBERTO
NORRIS
Por fim, frise-se que o permissivo contido no artigo 13 do RICGJT TERCEIRO SINDICATO DOS TRABALHADORES
INTERESSADO NAS INDUSTRIAS DE CALCADOS
reveste-se de natureza eminentemente acautelatória, e sua

aplicação não enseja manifestação conclusiva sobre a pretensão Intimado(s)/Citado(s):


formulada no Mandado de Segurança ou na Ação Coletiva, mas - DESEMBARGADOR ROBERTO NORRIS
simples juízo de prevenção, similar àquele típico das tutelas

provisórias de urgência.

PODER JUDICIÁRIO
Ante o exposto, com fundamento nos artigos 13 e 20, II do RICGJT,
JUSTIÇA DO TRABALHO
DEFIRO parcialmente a liminar requerida, para suspender os

efeitos da decisão que antecipou os efeitos da tutela nos autos da

Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite

perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ, e

determinou o recolhimento da contribuição sindical de todos os

empregados da Requerente, até o julgamento do Agravo CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)

Regimental interposto nos autos do referido Mandado de Segurança Nº 1000300-90.2018.5.00.0000

n.º 0100732-10.2018.5.01.0000.
REQUERENTE: BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE

Dê-se ciência do inteiro teor da liminar ora deferida, por ofício e com COURO LTDA

urgência, na forma do art. 21, parágrafo único, do RICGJT, à

Requerente, ao Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Advogado: MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA GARCIA

Regional do Trabalho da 1ª Região, ao juízo da 52ª Vara do

Trabalho do Rio de Janeiro/RJ e ao terceiro interessado REQUERIDO: DESEMBARGADOR ROBERTO NORRIS

(SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE

CALÇADOS, LUVAS, BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS

MATERIAL DE SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS, LUVAS,

RIO DE JANEIRO). BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E MATERIAL DE

SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO RIO DE

Publique-se. JANEIRO

CGJT/LBC/vfh/fbe/L

Brasília, 17 de maio de 2018.

DECISÃO

Ministro LELIO BENTES CORRÊA

Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho


Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por

BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA

em face da decisão monocrática proferida nos autos do Mandado

de Segurança n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o

Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do

Decisão Monocrática Trabalho da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação


Processo Nº CorPar-1000300-90.2018.5.00.0000
mandamental, deixando de examinar o pedido de medida liminar
Relator LELIO BENTES CORREA

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Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

nela veiculado, cujo objetivo era a suspensão da antecipação da Destaca, outrossim, que a questão em debate nos autos da Ação

tutela concedida nos autos da Ação Civil Pública nº 0100216- Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052 diz com a alteração

28.2018.5.01.0052, em trâmite perante a 52ª Vara do Trabalho do promovida pela Lei n.º 13.467/17 no tocante à contribuição sindical,

Rio de Janeiro. disciplinada pelos artigos 545, 578, 579, 582, 583 e 602 da CLT.

Registra, ainda, que o Supremo Tribunal Federal não se manifestou

Esclarece a Requerente que o Sindicato dos Trabalhadores nas acerca da constitucionalidade dos mencionados dispositivos até o

Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de Resguardo e momento, a despeito da existência de várias ações sobre o tema,

Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio de Janeiro atualmente tramitando na Corte Suprema.

ajuizou a Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052

objetivando o recolhimento da contribuição sindical. A tutela de Sustenta que a decisão monocrática que deferiu a tutela de

urgência foi deferida para determinar à ora Requerente que urgência requerida na Ação Civil Pública está em descompasso

efetuasse o "desconto da contribuição sindical em valor equivalente com o artigo 300 do Código de Processo Civil de 2015, porquanto

a um dia de salário de todos os seus empregados, recolhendo o não restaram demonstrados os requisitos legais concernentes à

valor descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do demonstração da probabilidade do direito, na medida em que paira

Trabalho, sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00". profunda controvérsia acerca da natureza tributária da contribuição

sindical. Salienta, ainda, não evidenciado o risco de dano

Afirma a Requerente que impetrou Mandado de Segurança perante irreversível, uma vez que a contribuição sindical não constitui a

o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região buscando, em caráter única fonte de custeio do Sindicato. Ressalta, por fim, que é indene

liminar, a suspensão da ordem emanada do MM. Juízo de primeira de dúvidas a irreversibilidade dos efeitos da determinação judicial

instância, que concedera a tutela de urgência. ora atacada, visto que praticamente impossível eventual restituição

dos valores recolhidos a título de contribuição sindical.

Contudo, a petição inicial do Mandado de Segurança foi

liminarmente indeferida, sob o fundamento de que a Impetrante Acrescenta que a Ação Civil Pública ajuizada pelo Sindicato é

deixara de indicar o terceiro interessado, e também não apresentara incabível, pois, nos termos do artigo 1º da Lei n.º 7.347/85, é

sua qualificação. Afirma que não houve abertura de prazo para o expressamente vedada a utilização desse meio processual para

saneamento do suposto vício, conforme determina o parágrafo discussão de tema relacionado a tributos. Ressalta que toda a

único do artigo 115 do CPC de 2015 - providência que se fazia argumentação deduzida pelo autor da ação principal está

necessária antes da extinção do processo. fundamentada na suposta natureza tributária das contribuições

sindicais.

Sustenta a Requerente que a Lei n.º 12.016/09, que regulamenta o

processamento do Mandado de Segurança, não exige que o Requer, assim, a concessão da medida liminar para, "diante do

impetrante indique o terceiro interessado na petição inicial. quadro nitidamente excepcional do caso, receber o aditamento da

inicial, incluindo como terceiro interessado o Sindicato dos

Informa, ainda, que, antes de interpor Agravo Regimental à referida Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de

decisão, peticionou requerendo o aditamento da inicial, indicando o Resguardo e Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas, de Janeiro", bem como "determinar a imediata suspensão da ordem

Bolsas e Peles de Resguardo e Material de Segurança e Proteção de desconto/repasse da contribuição sindical, proferida nos autos

ao Trabalho do Rio de Janeiro como Terceiro Interessado, bem da Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite

assim procedeu à sua correta qualificação. perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro-RJ".

Assevera que a decisão proferida nos autos do referido Mandado de Subsidiariamente, requer "seja atribuído efeito suspensivo ao

Segurança subverte a boa ordem processual e viola o devido Agravo Regimental protocolizado no dia 08/05/2018 nos autos do

processo legal, além de gerar lesão de difícil reparação, porquanto, Mandado de Segurança nº n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, até

uma vez cumprida a determinação judicial de recolhimento da apreciação do respectivo Colegiado".

contribuição sindical, será impossível o seu desfazimento.

Ao exame.

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Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

não indicou o terceiro interessado, bem com os seus dados, o que

Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a inviabiliza o prosseguimento do mandamus por não preenchidos, os

decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança requisitos legais previstos no artigo 196 do Regimento Interno deste

n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o Exmo. TRT e o artigo 6º da Lei nº 12.016/09.

Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do Trabalho

da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação mandamental e Isto porque, considerando-se a natureza jurídica do Mandado de

denegou a segurança. Segurança, é inaplicável o disposto no art. 321 do CPC de 2015

(art. 284 do CPC de 1973), nos termos da Súmula nº 415 do C.

A decisão objeto da presente Reclamação Correicional está assim TST.

fundamentada (grifos no original):

Pelo exposto, INDEFIRO a petição inicial e DENEGO a

segurança, com base na norma inserta no art. 6º, § 5º, da Lei nº

12.016/09.

Trata-se de mandado de segurança impetrado por BRASILCRAFT

COMERCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA insurgindo-se

diante de ato, do MM. Juízo da 52ª Vara do Trabalho do Rio de

Janeiro, nos autos de processo Ação Civil Pública n.º 0100216- Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

28.2018.5.01.0052, que teria declarado, incidentalmente, a Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

inconstitucionalidade das alterações havidas nos artigos 545, 578, ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

579, 582, 583, 587 e 602 da CLT e determinado que a impetrante processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

efetuasse o desconto da contribuição sindical de todos os seus processual específico".

empregados, recolhendo o valor descontado na CEF, sob pena de

multa diária de R$500,00, sob o seguinte argumento: O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

"... Ressalvando-se qualquer discussão sobre o sistema brasileiro medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

de custeio das entidades sindicais, o fato é, que a contribuição assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

sindical tem natureza tributária, conforme já decidido pelo STF (RE que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

556.162) e, como tal, sujeita-se às normas e regras próprias do competente".

direito tributário, dentre as quais a necessidade de edição de lei

complementar para promover eventuais alterações na definição de Na presente hipótese, verifica-se que a petição inicial do Mandado

tributos, bem como quanto a obrigação, lançamento e crédito de Segurança impetrado pela Requerente foi indeferida ao

tributários - Constituição da República, artigo 146, III e caput do fundamento de que "a impetrante não indicou o terceiro interessado,

artigo 149..." bem como os seus dados, o que inviabiliza o prosseguimento do

mandamus por não preenchidos, os requisitos legais previstos no

Alega, a impetrante, que o Sindicato não teria legitimidade para artigo 196 do Regimento Interno deste TRT e o artigo 6º da Lei nº

propor a referida ação civil pública, uma vez que a sua legitimidade 12.016/09".

limita-se à "defesa dos direitos coletivos e individuais da categoria",

nos termos do artigo 8º, III da CRFB/88. Argumenta que a decisão O artigo 6º da Lei nº 12.016/09, que regulamenta o mandado de

impetrada violaria os princípios do contraditório e da ampla defesa, segurança, assim dispõe:

bem como que estaria em dissonância com a jurisprudência do

Supremo Tribunal Federal, que, segundo a impetrante, entenderia

que a contribuição sindical não exige lei complementar para a sua

instituição, redução, majoração ou revogação. Art. 6o A petição inicial, que deverá preencher os requisitos

estabelecidos pela lei processual, será apresentada em 2 (duas)

Ocorre que, revendo o meu posicionamento anterior, e examinando vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na

a petição inicial do presente processo, verifica-se que a impetrante segunda e indicará, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 8
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce de 2015 determina que "nos casos de litisconsórcio passivo

atribuições. necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de

todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar,

(...) sob pena de extinção do processo" (os grifos foram acrescidos).

§ 5o Denega-se o mandado de segurança nos casos previstos pelo Importante ressaltar que, no caso concreto, o Desembargador

art. 267 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Relator não assinou prazo para que a Impetrante requeresse ou

promovesse a citação do litisconsorte, impondo a imediata extinção

do feito, em conduta contrária à lei processual.

De outro lado, os requisitos da petição inicial estão hoje inseridos De outro lado, a decisão ora impugnada acabou por gerar situação

nos artigos 319 e 320 do Código de Processo Civil de 2015, de difícil reversibilidade, na medida em que a decisão que ensejou o

havendo, ainda, previsão expressa, no artigo 321, da obrigatória ajuizamento do mandado de segurança havia deferido "a tutela de

concessão de prazo para regularização da petição inicial que não urgência requerida,declarando incidentalmente a

atender aos requisitos erigidos nos dispositivos anteriores. Eis o inconstitucionalidadedas alterações dos artigos 545, 578, 579, 582,

teor do artigo 321 do Código de Processo Civil em vigor: 583, 587 e 602 da CLT e determinando à ré que proceda ao

desconto da contribuição sindical em valor equivalente a um dia de

salário de todos os seus empregados, recolhendo o valor

descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do Trabalho,

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00".

requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e

irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, Constata-se, assim, que a decisão liminar proferida pelo juízo de

determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou origem determinou, antecipadamente, a satisfação do próprio mérito

a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou da Ação Civil Pública, antes mesmo da audiência de instrução e

completado. julgamento, sob o fundamento de que o dispositivo legal que

ampara a Requerente no que tange à necessidade de autorização

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá prévia e expressa dos seus empregados para o recolhimento da

a petição inicial. contribuição sindical, seria contrário à Constituição da República.

Ademais, cominou-se multa pecuniária para a hipótese de não

cumprimento da obrigação imposta judicialmente, calcada

Nesse contexto, verifica-se que o Tribunal Regional, ao indeferir a unicamente na suposta inconstitucionalidade do dispositivo legal,

petição inicial do Mandado de Segurança por não ter a ora revelando-se patente o risco de a Requerente vir a sofrer dano de

Requerente indicado o terceiro interessado, deixando de fixar prazo difícil reparação.

para o saneamento do suposto vício, deixou de observar

procedimento expressamente previsto em lei. Reforça tal conclusão o fato de a decisão antecipatória de tutela não

haver estabelecido qualquer garantia para a hipótese de, ao final do

Ressalte-se que não se cuida, na hipótese, de petição inicial processo, após cognição exauriente, vir a ser julgada improcedente

desacompanhada dos documentos indispensáveis à propositura do a pretensão deduzida na Ação Civil Pública. Nessa hipótese,

Mandado de Segurança. Com efeito, em se tratando de ação resultaria manifesto o prejuízo à Requerente, que poderia vir a ser

calcada em prova pré-constituída, não tem aplicabilidade à juntada responsabilizada pelo desconto indevido da contribuição sindical de

de documentos essenciais o disposto no artigo 321 do Código de seus empregados.

Processo Civil, conforme entendimento consagrado na Súmula n.º

415 desta Corte Superior. Ao revés, cuida-se, no caso sob exame, Nesse contexto, extrai-se que a referida decisão antecipatória de

da ausência de intimação do terceiro interessado para compor a tutela - frise-se, de natureza eminentemente satisfativa, de difícil

lide. Ora, o artigo 115, parágrafo único, do Código de Processo Civil reversibilidade, calcada unicamente na suposta

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 9
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

inconstitucionalidade do dispositivo legal, e proferida após juízo

superficial, não exauriente - impôs genericamente à ora Requerente Ministro LELIO BENTES CORRÊA

a obrigação de proceder ao recolhimento da contribuição sindical de

todos os seus empregados, independentemente da categoria a que Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

vinculados, estando, ainda, acompanhada da cominação de multa

pelo descumprimento da obrigação imposta judicialmente.

Tais circunstâncias, como descritas, caracterizam o ato contrário à

boa ordem processual, a atrair a atuação acautelatória da

Corregedoria-Geral, a fim de impedir lesão de difícil reparação, com Decisão Monocrática


Processo Nº CorPar-1000300-90.2018.5.00.0000
vistas a assegurar eventual resultado útil do processo, até que Relator LELIO BENTES CORREA
ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional colegiado REQUERENTE BRASILCRAFT COMERCIO DE
ARTEFATOS DE COURO LTDA
competente. ADVOGADO MARCOS AURELIO DE OLIVEIRA
GARCIA(OAB: 110915/RJ)
REQUERIDO DESEMBARGADOR ROBERTO
Por fim, frise-se que o permissivo contido no artigo 13 do RICGJT NORRIS
TERCEIRO SINDICATO DOS TRABALHADORES
reveste-se de natureza eminentemente acautelatória, e sua INTERESSADO NAS INDUSTRIAS DE CALCADOS
aplicação não enseja manifestação conclusiva sobre a pretensão
Intimado(s)/Citado(s):
formulada no Mandado de Segurança ou na Ação Coletiva, mas
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDUSTRIAS DE
simples juízo de prevenção, similar àquele típico das tutelas CALCADOS

provisórias de urgência.

Ante o exposto, com fundamento nos artigos 13 e 20, II do RICGJT,


PODER JUDICIÁRIO
DEFIRO parcialmente a liminar requerida, para suspender os
JUSTIÇA DO TRABALHO
efeitos da decisão que antecipou os efeitos da tutela nos autos da

Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite

perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ, e

determinou o recolhimento da contribuição sindical de todos os

empregados da Requerente, até o julgamento do Agravo

Regimental interposto nos autos do referido Mandado de Segurança CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)

n.º 0100732-10.2018.5.01.0000. Nº 1000300-90.2018.5.00.0000

Dê-se ciência do inteiro teor da liminar ora deferida, por ofício e com REQUERENTE: BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE

urgência, na forma do art. 21, parágrafo único, do RICGJT, à COURO LTDA

Requerente, ao Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal

Regional do Trabalho da 1ª Região, ao juízo da 52ª Vara do Advogado: MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA GARCIA

Trabalho do Rio de Janeiro/RJ e ao terceiro interessado

(SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE REQUERIDO: DESEMBARGADOR ROBERTO NORRIS

CALÇADOS, LUVAS, BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E

MATERIAL DE SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS

RIO DE JANEIRO). TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS, LUVAS,

BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E MATERIAL DE

Publique-se. SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO RIO DE

JANEIRO

Brasília, 17 de maio de 2018. CGJT/LBC/vfh/fbe/L

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 10
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

decisão, peticionou requerendo o aditamento da inicial, indicando o

DECISÃO Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas,

Bolsas e Peles de Resguardo e Material de Segurança e Proteção

ao Trabalho do Rio de Janeiro como Terceiro Interessado, bem

assim procedeu à sua correta qualificação.

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por

BRASILCRAFT COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA Assevera que a decisão proferida nos autos do referido Mandado de

em face da decisão monocrática proferida nos autos do Mandado Segurança subverte a boa ordem processual e viola o devido

de Segurança n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o processo legal, além de gerar lesão de difícil reparação, porquanto,

Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do uma vez cumprida a determinação judicial de recolhimento da

Trabalho da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação contribuição sindical, será impossível o seu desfazimento.

mandamental, deixando de examinar o pedido de medida liminar

nela veiculado, cujo objetivo era a suspensão da antecipação da Destaca, outrossim, que a questão em debate nos autos da Ação

tutela concedida nos autos da Ação Civil Pública nº 0100216- Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052 diz com a alteração

28.2018.5.01.0052, em trâmite perante a 52ª Vara do Trabalho do promovida pela Lei n.º 13.467/17 no tocante à contribuição sindical,

Rio de Janeiro. disciplinada pelos artigos 545, 578, 579, 582, 583 e 602 da CLT.

Registra, ainda, que o Supremo Tribunal Federal não se manifestou

Esclarece a Requerente que o Sindicato dos Trabalhadores nas acerca da constitucionalidade dos mencionados dispositivos até o

Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de Resguardo e momento, a despeito da existência de várias ações sobre o tema,

Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio de Janeiro atualmente tramitando na Corte Suprema.

ajuizou a Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052

objetivando o recolhimento da contribuição sindical. A tutela de Sustenta que a decisão monocrática que deferiu a tutela de

urgência foi deferida para determinar à ora Requerente que urgência requerida na Ação Civil Pública está em descompasso

efetuasse o "desconto da contribuição sindical em valor equivalente com o artigo 300 do Código de Processo Civil de 2015, porquanto

a um dia de salário de todos os seus empregados, recolhendo o não restaram demonstrados os requisitos legais concernentes à

valor descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do demonstração da probabilidade do direito, na medida em que paira

Trabalho, sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00". profunda controvérsia acerca da natureza tributária da contribuição

sindical. Salienta, ainda, não evidenciado o risco de dano

Afirma a Requerente que impetrou Mandado de Segurança perante irreversível, uma vez que a contribuição sindical não constitui a

o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região buscando, em caráter única fonte de custeio do Sindicato. Ressalta, por fim, que é indene

liminar, a suspensão da ordem emanada do MM. Juízo de primeira de dúvidas a irreversibilidade dos efeitos da determinação judicial

instância, que concedera a tutela de urgência. ora atacada, visto que praticamente impossível eventual restituição

dos valores recolhidos a título de contribuição sindical.

Contudo, a petição inicial do Mandado de Segurança foi

liminarmente indeferida, sob o fundamento de que a Impetrante Acrescenta que a Ação Civil Pública ajuizada pelo Sindicato é

deixara de indicar o terceiro interessado, e também não apresentara incabível, pois, nos termos do artigo 1º da Lei n.º 7.347/85, é

sua qualificação. Afirma que não houve abertura de prazo para o expressamente vedada a utilização desse meio processual para

saneamento do suposto vício, conforme determina o parágrafo discussão de tema relacionado a tributos. Ressalta que toda a

único do artigo 115 do CPC de 2015 - providência que se fazia argumentação deduzida pelo autor da ação principal está

necessária antes da extinção do processo. fundamentada na suposta natureza tributária das contribuições

sindicais.

Sustenta a Requerente que a Lei n.º 12.016/09, que regulamenta o

processamento do Mandado de Segurança, não exige que o Requer, assim, a concessão da medida liminar para, "diante do

impetrante indique o terceiro interessado na petição inicial. quadro nitidamente excepcional do caso, receber o aditamento da

inicial, incluindo como terceiro interessado o Sindicato dos

Informa, ainda, que, antes de interpor Agravo Regimental à referida Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, Luvas, Botas e Peles de

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 11
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Resguardo e Material de Segurança e Proteção ao Trabalho do Rio Alega, a impetrante, que o Sindicato não teria legitimidade para

de Janeiro", bem como "determinar a imediata suspensão da ordem propor a referida ação civil pública, uma vez que a sua legitimidade

de desconto/repasse da contribuição sindical, proferida nos autos limita-se à "defesa dos direitos coletivos e individuais da categoria",

da Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite nos termos do artigo 8º, III da CRFB/88. Argumenta que a decisão

perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro-RJ". impetrada violaria os princípios do contraditório e da ampla defesa,

bem como que estaria em dissonância com a jurisprudência do

Subsidiariamente, requer "seja atribuído efeito suspensivo ao Supremo Tribunal Federal, que, segundo a impetrante, entenderia

Agravo Regimental protocolizado no dia 08/05/2018 nos autos do que a contribuição sindical não exige lei complementar para a sua

Mandado de Segurança nº n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, até instituição, redução, majoração ou revogação.

apreciação do respectivo Colegiado".

Ocorre que, revendo o meu posicionamento anterior, e examinando

Ao exame. a petição inicial do presente processo, verifica-se que a impetrante

não indicou o terceiro interessado, bem com os seus dados, o que

Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a inviabiliza o prosseguimento do mandamus por não preenchidos, os

decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança requisitos legais previstos no artigo 196 do Regimento Interno deste

n.º 0100732-10.2018.5.01.0000, mediante a qual o Exmo. TRT e o artigo 6º da Lei nº 12.016/09.

Desembargador Roberto Norris, do Tribunal Regional do Trabalho

da 1ª Região, indeferiu a petição inicial da ação mandamental e Isto porque, considerando-se a natureza jurídica do Mandado de

denegou a segurança. Segurança, é inaplicável o disposto no art. 321 do CPC de 2015

(art. 284 do CPC de 1973), nos termos da Súmula nº 415 do C.

A decisão objeto da presente Reclamação Correicional está assim TST.

fundamentada (grifos no original):

Pelo exposto, INDEFIRO a petição inicial e DENEGO a

segurança, com base na norma inserta no art. 6º, § 5º, da Lei nº

12.016/09.

Trata-se de mandado de segurança impetrado por BRASILCRAFT

COMERCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA insurgindo-se

diante de ato, do MM. Juízo da 52ª Vara do Trabalho do Rio de

Janeiro, nos autos de processo Ação Civil Pública n.º 0100216- Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

28.2018.5.01.0052, que teria declarado, incidentalmente, a Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

inconstitucionalidade das alterações havidas nos artigos 545, 578, ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

579, 582, 583, 587 e 602 da CLT e determinado que a impetrante processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

efetuasse o desconto da contribuição sindical de todos os seus processual específico".

empregados, recolhendo o valor descontado na CEF, sob pena de

multa diária de R$500,00, sob o seguinte argumento: O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

"... Ressalvando-se qualquer discussão sobre o sistema brasileiro medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

de custeio das entidades sindicais, o fato é, que a contribuição assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

sindical tem natureza tributária, conforme já decidido pelo STF (RE que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

556.162) e, como tal, sujeita-se às normas e regras próprias do competente".

direito tributário, dentre as quais a necessidade de edição de lei

complementar para promover eventuais alterações na definição de Na presente hipótese, verifica-se que a petição inicial do Mandado

tributos, bem como quanto a obrigação, lançamento e crédito de Segurança impetrado pela Requerente foi indeferida ao

tributários - Constituição da República, artigo 146, III e caput do fundamento de que "a impetrante não indicou o terceiro interessado,

artigo 149..." bem como os seus dados, o que inviabiliza o prosseguimento do

mandamus por não preenchidos, os requisitos legais previstos no

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 12
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

artigo 196 do Regimento Interno deste TRT e o artigo 6º da Lei nº para o saneamento do suposto vício, deixou de observar

12.016/09". procedimento expressamente previsto em lei.

O artigo 6º da Lei nº 12.016/09, que regulamenta o mandado de Ressalte-se que não se cuida, na hipótese, de petição inicial

segurança, assim dispõe: desacompanhada dos documentos indispensáveis à propositura do

Mandado de Segurança. Com efeito, em se tratando de ação

calcada em prova pré-constituída, não tem aplicabilidade à juntada

de documentos essenciais o disposto no artigo 321 do Código de

Art. 6o A petição inicial, que deverá preencher os requisitos Processo Civil, conforme entendimento consagrado na Súmula n.º

estabelecidos pela lei processual, será apresentada em 2 (duas) 415 desta Corte Superior. Ao revés, cuida-se, no caso sob exame,

vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na da ausência de intimação do terceiro interessado para compor a

segunda e indicará, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica lide. Ora, o artigo 115, parágrafo único, do Código de Processo Civil

que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce de 2015 determina que "nos casos de litisconsórcio passivo

atribuições. necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de

todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar,

(...) sob pena de extinção do processo" (os grifos foram acrescidos).

§ 5o Denega-se o mandado de segurança nos casos previstos pelo Importante ressaltar que, no caso concreto, o Desembargador

art. 267 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Relator não assinou prazo para que a Impetrante requeresse ou

promovesse a citação do litisconsorte, impondo a imediata extinção

do feito, em conduta contrária à lei processual.

De outro lado, os requisitos da petição inicial estão hoje inseridos De outro lado, a decisão ora impugnada acabou por gerar situação

nos artigos 319 e 320 do Código de Processo Civil de 2015, de difícil reversibilidade, na medida em que a decisão que ensejou o

havendo, ainda, previsão expressa, no artigo 321, da obrigatória ajuizamento do mandado de segurança havia deferido "a tutela de

concessão de prazo para regularização da petição inicial que não urgência requerida,declarando incidentalmente a

atender aos requisitos erigidos nos dispositivos anteriores. Eis o inconstitucionalidadedas alterações dos artigos 545, 578, 579, 582,

teor do artigo 321 do Código de Processo Civil em vigor: 583, 587 e 602 da CLT e determinando à ré que proceda ao

desconto da contribuição sindical em valor equivalente a um dia de

salário de todos os seus empregados, recolhendo o valor

descontado na CEF, conforme instruções do Ministério do Trabalho,

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00".

requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e

irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, Constata-se, assim, que a decisão liminar proferida pelo juízo de

determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou origem determinou, antecipadamente, a satisfação do próprio mérito

a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou da Ação Civil Pública, antes mesmo da audiência de instrução e

completado. julgamento, sob o fundamento de que o dispositivo legal que

ampara a Requerente no que tange à necessidade de autorização

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá prévia e expressa dos seus empregados para o recolhimento da

a petição inicial. contribuição sindical, seria contrário à Constituição da República.

Ademais, cominou-se multa pecuniária para a hipótese de não

cumprimento da obrigação imposta judicialmente, calcada

Nesse contexto, verifica-se que o Tribunal Regional, ao indeferir a unicamente na suposta inconstitucionalidade do dispositivo legal,

petição inicial do Mandado de Segurança por não ter a ora revelando-se patente o risco de a Requerente vir a sofrer dano de

Requerente indicado o terceiro interessado, deixando de fixar prazo difícil reparação.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 13
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Regional do Trabalho da 1ª Região, ao juízo da 52ª Vara do

Reforça tal conclusão o fato de a decisão antecipatória de tutela não Trabalho do Rio de Janeiro/RJ e ao terceiro interessado

haver estabelecido qualquer garantia para a hipótese de, ao final do (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE

processo, após cognição exauriente, vir a ser julgada improcedente CALÇADOS, LUVAS, BOLSAS E PELES DE RESGUARDO E

a pretensão deduzida na Ação Civil Pública. Nessa hipótese, MATERIAL DE SEGURANÇA E PROTEÇÃO AO TRABALHO DO

resultaria manifesto o prejuízo à Requerente, que poderia vir a ser RIO DE JANEIRO).

responsabilizada pelo desconto indevido da contribuição sindical de

seus empregados. Publique-se.

Nesse contexto, extrai-se que a referida decisão antecipatória de Brasília, 17 de maio de 2018.

tutela - frise-se, de natureza eminentemente satisfativa, de difícil

reversibilidade, calcada unicamente na suposta

inconstitucionalidade do dispositivo legal, e proferida após juízo

superficial, não exauriente - impôs genericamente à ora Requerente Ministro LELIO BENTES CORRÊA

a obrigação de proceder ao recolhimento da contribuição sindical de

todos os seus empregados, independentemente da categoria a que Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

vinculados, estando, ainda, acompanhada da cominação de multa

pelo descumprimento da obrigação imposta judicialmente.

Tais circunstâncias, como descritas, caracterizam o ato contrário à

boa ordem processual, a atrair a atuação acautelatória da

Corregedoria-Geral, a fim de impedir lesão de difícil reparação, com Decisão Monocrática


Processo Nº CorPar-1000322-51.2018.5.00.0000
vistas a assegurar eventual resultado útil do processo, até que Relator LELIO BENTES CORREA
ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional colegiado REQUERENTE BUNGE ALIMENTOS S/A
ADVOGADO ALEXANDRE LAURIA DUTRA(OAB:
competente. 157840/SP)
REQUERIDO TARCIO JOSÉ VIDOTTI
TERCEIRO SINDICATO DOS TRAB NAS INDS DE
Por fim, frise-se que o permissivo contido no artigo 13 do RICGJT INTERESSADO ALIMENT E AFINS DE ATA
reveste-se de natureza eminentemente acautelatória, e sua
Intimado(s)/Citado(s):
aplicação não enseja manifestação conclusiva sobre a pretensão
- BUNGE ALIMENTOS S/A
formulada no Mandado de Segurança ou na Ação Coletiva, mas

simples juízo de prevenção, similar àquele típico das tutelas

provisórias de urgência.
PODER JUDICIÁRIO

Ante o exposto, com fundamento nos artigos 13 e 20, II do RICGJT, JUSTIÇA DO TRABALHO

DEFIRO parcialmente a liminar requerida, para suspender os

efeitos da decisão que antecipou os efeitos da tutela nos autos da

Ação Civil Pública n.º 0100216-28.2018.5.01.0052, em trâmite

perante a MM. 52ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro/RJ, e

determinou o recolhimento da contribuição sindical de todos os


CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)
empregados da Requerente, até o julgamento do Agravo
Nº 1000322-51.2018.5.00.0000
Regimental interposto nos autos do referido Mandado de Segurança

n.º 0100732-10.2018.5.01.0000.
REQUERENTE: BUNGE ALIMENTOS S/A

Dê-se ciência do inteiro teor da liminar ora deferida, por ofício e com
Advogado: ALEXANDRE LAURIA DUTRA
urgência, na forma do art. 21, parágrafo único, do RICGJT, à

Requerente, ao Exmo. Desembargador Roberto Norris, do Tribunal


REQUERIDO: JUIZ CONVOCADO TÁRCIO JOSÉ VIDOTTI

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 14
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Regimental e, via de consequência, a suspensão dos efeitos

TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS decorrentes da decisão proferida nos autos do Mandado de

TRABALHADORES NAS INDUSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E Segurança (0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na

AFINS DE ARAÇATUBA obrigatoriedade de a Requerente descontar em folha de pagamento

e repassar valores a título de contribuição Sindical. Deferido o

CGJT/LBC/rvs/fbe/L pedido liminar, a Corrigente pugna seja determinada em definitivo a

suspensão da decisão monocrática proferida pelo Tribunal a quo até

a ocorrência do trânsito em julgado da ação, ou ainda,

sucessivamente, até o julgamento do Agravo Regimental interposto

DECISÃO pela Requerente face a decisão que deferiu liminarmente o pedido

do terceiro interessado no Mandado de Segurança de nº 0005971-

94.2018.5.15.0000, impetrado contra a decisão exarada nos autos

da Ação Civil Pública n° 0010198-41.2018.5.15.0061".

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por

BUNGE ALIMENTOS S/A em face da decisão monocrática proferida Ao exame.

nos autos do Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, mediante a qual o MM. Juiz TÁrcio José Vidotti, O MM. Juiz TÁrcio José Vidotti, convocado para atuar perante o

convocado para atuar perante o Tribunal Regional do Trabalho da Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, recebeu no efeito

15ª Região, deferiu o pedido de medida liminar para determinar o meramente devolutivo o Agravo Regimental interposto à decisão

recolhimento das contribuições sindicais, independentemente de mediante a qual se deferiu a medida liminar nos autos do Mandado

autorização prévia e expressa, referentes ao mês de março de de Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000. Aduziu, na ocasião

2018, de todos os empregados da ora Requerente. os seguintes fundamentos:

Afirma a Requerente que interpôs Agravo Regimental à referida

decisão monocrática, mediante a qual se deferiu o pedido de

liminar. Alega, contudo, que "a medida foi acolhida com efeito Tempestivo e firmado por procurador regularmente constituído,

meramente devolutivo, mantendo-se incólume a r. decisão em sede recebo o Agravo Interno no efeito devolutivo.

de mandado de segurança que deferiu o pedido liminar do sindicato.

Trata-se de ato francamente contrário à boa ordem processual, mas Notifique-se o agravado para se manifestar na forma do art. 278, §

insuscetível de recurso, fazendo incidir o art. 13, do RICGJT". 2º do Regimento Interno do E. TRIBUNAL REGIONAL DO

TRABALHO DA 15ª REGIÃO.

Assevera que apresentou, em sede de Agravo Regimental, diversos

argumentos que justificam a impossibilidade de manutenção da Após, voltem-me conclusos.

liminar deferida no Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, dentre os quais: a)a irreversibilidade da medida,

ante a ausência de determinação de qualquer garantia; b) a

ausência de probabilidade do direito, eis que altamente controverso Frise-se, inicialmente, que a Correição Parcial não é meio idôneo

o debate acerca do tema, bem como do perigo de dano, porquanto para emprestar efeito suspensivo a Agravo Regimental ou a

eventual cognição exauriente poderia conferir razão aos qualquer outro recurso. Referida medida se destina à correção de

fundamentos da entidade sindical; c) a presunção de "erros, abusos e atos contrários à boa ordem processual e que

constitucionalidade da Lei nº 13.467/2017. importem em atentado a fórmulas legais de processo", conforme

dispõe a cabeça do artigo 13 do RICGJT.

Requer, assim, a concessão da medida liminar para "suspender a

decisão que atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº Constata-se, ademais, que, do despacho antes transcrito, não

0005971-94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com resultou alteração ou acréscimo ao conteúdo da decisão

consequente concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo proferida em sede de liminar no Mandado de Segurança, afigurando

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 15
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

-se inafastável a conclusão de que a presente Correição Parcial (segunda-feira), quando já escoado o prazo de cinco dias a que

busca, em verdade, a suspensão dos efeitos da referida liminar - alude o artigo 17 do RICGJT, resulta inafastável o reconhecimento

primeiro ato que efetivamente contrariou o interesse da Requerente. da intempestividade da presente medida correicional.

Com efeito, da decisão que deferiu o pedido de liminar deduzido em Ante o exposto, com espeque nos artigos 17 e 20, I, do RICGJT,

sede de Mandado de Segurança é que resultou a determinação de INDEFIRO A PETIÇÃO INICIAL da Correição Parcial, porquanto

que a Requerente procedesse ao desconto do valor equivalente a intempestiva.

um dia de salário de todos os seus empregados, tendo por base a

folha de pagamento de março/2018, independentemente de Dê-se ciência do inteiro teor desta decisão ao MM. Juiz convocado

autorização individual, assim como seja feito também para os TÁrcio José Vidotti, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª

trabalhadores admitidos após o mês de março, com emissão das Região, à Requerente e ao terceiro interessado.

respectivas guias de recolhimento, nos prazos dos artigos 583 e

545 da CLT. Publique-se.

Nessa ocasião surgiu o gravame, que a ora Requerente pretende Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.

ver afastado, mediante a presente Correição Parcial.

Brasília, 17 de maio de 2018.

Reforça tal conclusão o pedido formulado pela empresa, no sentido

de que seja concedida liminar para "suspender a decisão que

atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº 0005971-

94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com consequente

concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo Regimental

e, via de consequência, a suspensão dos efeitos decorrentes Ministro LELIO BENTES CORRÊA

da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança

(0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na obrigatoriedade de Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

a Requerente descontar em folha de pagamento e repassar

valores a título de contribuição Sindical" (os grifos não são do

original).

Resulta imperioso, daí, reconhecer a data em que o Relator deferiu Decisão Monocrática
Processo Nº CorPar-1000322-51.2018.5.00.0000
o pedido de medida liminar, em sede de Mandado de Segurança, Relator LELIO BENTES CORREA
como marco inicial para a contagem do prazo para ajuizamento da REQUERENTE BUNGE ALIMENTOS S/A
ADVOGADO ALEXANDRE LAURIA DUTRA(OAB:
presente Correição Parcial, previsto no artigo 17 do RICGJT. 157840/SP)
REQUERIDO TARCIO JOSÉ VIDOTTI
TERCEIRO SINDICATO DOS TRAB NAS INDS DE
Tem aplicabilidade à hipótese a ratio que informa o entendimento INTERESSADO ALIMENT E AFINS DE ATA
cristalizado na Orientação Jurisprudencial n.º 127 da SBDI-II do
Intimado(s)/Citado(s):
Tribunal Superior do Trabalho, segundo a qual "[n]a contagem do
- TARCIO JOSÉ VIDOTTI
prazo decadencial para ajuizamento de mandado de segurança, o

efetivo ato coator é o primeiro em que se firmou a tese hostilizada e

não aquele que a ratificou" (os grifos não são do original).


PODER JUDICIÁRIO

Nesse contexto, tendo em vista que a ora Requerente foi notificada JUSTIÇA DO TRABALHO

da decisão que deferiu a medida liminar nos autos do Mandado de

Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000 em 19/4/2018 (quinta-

feira), conforme consta da certidão de intimação (ID.d08ff03), e a

presente Correição Parcial somente foi ajuizada em 14/5/2018

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 16
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88) eventual cognição exauriente poderia conferir razão aos

Nº 1000322-51.2018.5.00.0000 fundamentos da entidade sindical; c) a presunção de

constitucionalidade da Lei nº 13.467/2017.

REQUERENTE: BUNGE ALIMENTOS S/A

Requer, assim, a concessão da medida liminar para "suspender a

Advogado: ALEXANDRE LAURIA DUTRA decisão que atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº

0005971-94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com

REQUERIDO: JUIZ CONVOCADO TÁRCIO JOSÉ VIDOTTI consequente concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo

Regimental e, via de consequência, a suspensão dos efeitos

TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS decorrentes da decisão proferida nos autos do Mandado de

TRABALHADORES NAS INDUSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E Segurança (0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na

AFINS DE ARAÇATUBA obrigatoriedade de a Requerente descontar em folha de pagamento

e repassar valores a título de contribuição Sindical. Deferido o

CGJT/LBC/rvs/fbe/L pedido liminar, a Corrigente pugna seja determinada em definitivo a

suspensão da decisão monocrática proferida pelo Tribunal a quo até

a ocorrência do trânsito em julgado da ação, ou ainda,

sucessivamente, até o julgamento do Agravo Regimental interposto

DECISÃO pela Requerente face a decisão que deferiu liminarmente o pedido

do terceiro interessado no Mandado de Segurança de nº 0005971-

94.2018.5.15.0000, impetrado contra a decisão exarada nos autos

da Ação Civil Pública n° 0010198-41.2018.5.15.0061".

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por

BUNGE ALIMENTOS S/A em face da decisão monocrática proferida Ao exame.

nos autos do Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, mediante a qual o MM. Juiz TÁrcio José Vidotti, O MM. Juiz TÁrcio José Vidotti, convocado para atuar perante o

convocado para atuar perante o Tribunal Regional do Trabalho da Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, recebeu no efeito

15ª Região, deferiu o pedido de medida liminar para determinar o meramente devolutivo o Agravo Regimental interposto à decisão

recolhimento das contribuições sindicais, independentemente de mediante a qual se deferiu a medida liminar nos autos do Mandado

autorização prévia e expressa, referentes ao mês de março de de Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000. Aduziu, na ocasião

2018, de todos os empregados da ora Requerente. os seguintes fundamentos:

Afirma a Requerente que interpôs Agravo Regimental à referida

decisão monocrática, mediante a qual se deferiu o pedido de

liminar. Alega, contudo, que "a medida foi acolhida com efeito Tempestivo e firmado por procurador regularmente constituído,

meramente devolutivo, mantendo-se incólume a r. decisão em sede recebo o Agravo Interno no efeito devolutivo.

de mandado de segurança que deferiu o pedido liminar do sindicato.

Trata-se de ato francamente contrário à boa ordem processual, mas Notifique-se o agravado para se manifestar na forma do art. 278, §

insuscetível de recurso, fazendo incidir o art. 13, do RICGJT". 2º do Regimento Interno do E. TRIBUNAL REGIONAL DO

TRABALHO DA 15ª REGIÃO.

Assevera que apresentou, em sede de Agravo Regimental, diversos

argumentos que justificam a impossibilidade de manutenção da Após, voltem-me conclusos.

liminar deferida no Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, dentre os quais: a)a irreversibilidade da medida,

ante a ausência de determinação de qualquer garantia; b) a

ausência de probabilidade do direito, eis que altamente controverso Frise-se, inicialmente, que a Correição Parcial não é meio idôneo

o debate acerca do tema, bem como do perigo de dano, porquanto para emprestar efeito suspensivo a Agravo Regimental ou a

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 17
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

qualquer outro recurso. Referida medida se destina à correção de efetivo ato coator é o primeiro em que se firmou a tese hostilizada e

"erros, abusos e atos contrários à boa ordem processual e que não aquele que a ratificou" (os grifos não são do original).

importem em atentado a fórmulas legais de processo", conforme

dispõe a cabeça do artigo 13 do RICGJT. Nesse contexto, tendo em vista que a ora Requerente foi notificada

da decisão que deferiu a medida liminar nos autos do Mandado de

Constata-se, ademais, que, do despacho antes transcrito, não Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000 em 19/4/2018 (quinta-

resultou alteração ou acréscimo ao conteúdo da decisão feira), conforme consta da certidão de intimação (ID.d08ff03), e a

proferida em sede de liminar no Mandado de Segurança, afigurando presente Correição Parcial somente foi ajuizada em 14/5/2018

-se inafastável a conclusão de que a presente Correição Parcial (segunda-feira), quando já escoado o prazo de cinco dias a que

busca, em verdade, a suspensão dos efeitos da referida liminar - alude o artigo 17 do RICGJT, resulta inafastável o reconhecimento

primeiro ato que efetivamente contrariou o interesse da Requerente. da intempestividade da presente medida correicional.

Com efeito, da decisão que deferiu o pedido de liminar deduzido em Ante o exposto, com espeque nos artigos 17 e 20, I, do RICGJT,

sede de Mandado de Segurança é que resultou a determinação de INDEFIRO A PETIÇÃO INICIAL da Correição Parcial, porquanto

que a Requerente procedesse ao desconto do valor equivalente a intempestiva.

um dia de salário de todos os seus empregados, tendo por base a

folha de pagamento de março/2018, independentemente de Dê-se ciência do inteiro teor desta decisão ao MM. Juiz convocado

autorização individual, assim como seja feito também para os TÁrcio José Vidotti, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª

trabalhadores admitidos após o mês de março, com emissão das Região, à Requerente e ao terceiro interessado.

respectivas guias de recolhimento, nos prazos dos artigos 583 e

545 da CLT. Publique-se.

Nessa ocasião surgiu o gravame, que a ora Requerente pretende Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.

ver afastado, mediante a presente Correição Parcial.

Brasília, 17 de maio de 2018.

Reforça tal conclusão o pedido formulado pela empresa, no sentido

de que seja concedida liminar para "suspender a decisão que

atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº 0005971-

94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com consequente

concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo Regimental

e, via de consequência, a suspensão dos efeitos decorrentes Ministro LELIO BENTES CORRÊA

da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança

(0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na obrigatoriedade de Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

a Requerente descontar em folha de pagamento e repassar

valores a título de contribuição Sindical" (os grifos não são do

original).

Resulta imperioso, daí, reconhecer a data em que o Relator deferiu Decisão Monocrática
Processo Nº CorPar-1000322-51.2018.5.00.0000
o pedido de medida liminar, em sede de Mandado de Segurança, Relator LELIO BENTES CORREA
como marco inicial para a contagem do prazo para ajuizamento da REQUERENTE BUNGE ALIMENTOS S/A
ADVOGADO ALEXANDRE LAURIA DUTRA(OAB:
presente Correição Parcial, previsto no artigo 17 do RICGJT. 157840/SP)
REQUERIDO TARCIO JOSÉ VIDOTTI
TERCEIRO SINDICATO DOS TRAB NAS INDS DE
Tem aplicabilidade à hipótese a ratio que informa o entendimento INTERESSADO ALIMENT E AFINS DE ATA
cristalizado na Orientação Jurisprudencial n.º 127 da SBDI-II do
Intimado(s)/Citado(s):
Tribunal Superior do Trabalho, segundo a qual "[n]a contagem do
- SINDICATO DOS TRAB NAS INDS DE ALIMENT E AFINS DE
prazo decadencial para ajuizamento de mandado de segurança, o ATA

Código para aferir autenticidade deste caderno: 119270


2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 18
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

insuscetível de recurso, fazendo incidir o art. 13, do RICGJT".

PODER JUDICIÁRIO Assevera que apresentou, em sede de Agravo Regimental, diversos

JUSTIÇA DO TRABALHO argumentos que justificam a impossibilidade de manutenção da

liminar deferida no Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, dentre os quais: a)a irreversibilidade da medida,

ante a ausência de determinação de qualquer garantia; b) a

ausência de probabilidade do direito, eis que altamente controverso

o debate acerca do tema, bem como do perigo de dano, porquanto


CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)
eventual cognição exauriente poderia conferir razão aos
Nº 1000322-51.2018.5.00.0000
fundamentos da entidade sindical; c) a presunção de

constitucionalidade da Lei nº 13.467/2017.


REQUERENTE: BUNGE ALIMENTOS S/A

Requer, assim, a concessão da medida liminar para "suspender a


Advogado: ALEXANDRE LAURIA DUTRA
decisão que atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº

0005971-94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com


REQUERIDO: JUIZ CONVOCADO TÁRCIO JOSÉ VIDOTTI
consequente concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo

Regimental e, via de consequência, a suspensão dos efeitos


TERCEIRO INTERESSADO: SINDICATO DOS
decorrentes da decisão proferida nos autos do Mandado de
TRABALHADORES NAS INDUSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E
Segurança (0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na
AFINS DE ARAÇATUBA
obrigatoriedade de a Requerente descontar em folha de pagamento

e repassar valores a título de contribuição Sindical. Deferido o


CGJT/LBC/rvs/fbe/L
pedido liminar, a Corrigente pugna seja determinada em definitivo a

suspensão da decisão monocrática proferida pelo Tribunal a quo até

a ocorrência do trânsito em julgado da ação, ou ainda,

sucessivamente, até o julgamento do Agravo Regimental interposto


DECISÃO
pela Requerente face a decisão que deferiu liminarmente o pedido

do terceiro interessado no Mandado de Segurança de nº 0005971-

94.2018.5.15.0000, impetrado contra a decisão exarada nos autos

da Ação Civil Pública n° 0010198-41.2018.5.15.0061".


Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por

BUNGE ALIMENTOS S/A em face da decisão monocrática proferida


Ao exame.
nos autos do Mandado de Segurança n.º 0005971-

94.2018.5.15.0000, mediante a qual o MM. Juiz TÁrcio José Vidotti,


O MM. Juiz TÁrcio José Vidotti, convocado para atuar perante o
convocado para atuar perante o Tribunal Regional do Trabalho da
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, recebeu no efeito
15ª Região, deferiu o pedido de medida liminar para determinar o
meramente devolutivo o Agravo Regimental interposto à decisão
recolhimento das contribuições sindicais, independentemente de
mediante a qual se deferiu a medida liminar nos autos do Mandado
autorização prévia e expressa, referentes ao mês de março de
de Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000. Aduziu, na ocasião
2018, de todos os empregados da ora Requerente.
os seguintes fundamentos:

Afirma a Requerente que interpôs Agravo Regimental à referida

decisão monocrática, mediante a qual se deferiu o pedido de

liminar. Alega, contudo, que "a medida foi acolhida com efeito
Tempestivo e firmado por procurador regularmente constituído,
meramente devolutivo, mantendo-se incólume a r. decisão em sede
recebo o Agravo Interno no efeito devolutivo.
de mandado de segurança que deferiu o pedido liminar do sindicato.

Trata-se de ato francamente contrário à boa ordem processual, mas


Notifique-se o agravado para se manifestar na forma do art. 278, §

Código para aferir autenticidade deste caderno: 119270


2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 19
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

2º do Regimento Interno do E. TRIBUNAL REGIONAL DO Resulta imperioso, daí, reconhecer a data em que o Relator deferiu

TRABALHO DA 15ª REGIÃO. o pedido de medida liminar, em sede de Mandado de Segurança,

como marco inicial para a contagem do prazo para ajuizamento da

Após, voltem-me conclusos. presente Correição Parcial, previsto no artigo 17 do RICGJT.

Tem aplicabilidade à hipótese a ratio que informa o entendimento

cristalizado na Orientação Jurisprudencial n.º 127 da SBDI-II do

Frise-se, inicialmente, que a Correição Parcial não é meio idôneo Tribunal Superior do Trabalho, segundo a qual "[n]a contagem do

para emprestar efeito suspensivo a Agravo Regimental ou a prazo decadencial para ajuizamento de mandado de segurança, o

qualquer outro recurso. Referida medida se destina à correção de efetivo ato coator é o primeiro em que se firmou a tese hostilizada e

"erros, abusos e atos contrários à boa ordem processual e que não aquele que a ratificou" (os grifos não são do original).

importem em atentado a fórmulas legais de processo", conforme

dispõe a cabeça do artigo 13 do RICGJT. Nesse contexto, tendo em vista que a ora Requerente foi notificada

da decisão que deferiu a medida liminar nos autos do Mandado de

Constata-se, ademais, que, do despacho antes transcrito, não Segurança n.º 0005971-94.2018.5.15.0000 em 19/4/2018 (quinta-

resultou alteração ou acréscimo ao conteúdo da decisão feira), conforme consta da certidão de intimação (ID.d08ff03), e a

proferida em sede de liminar no Mandado de Segurança, afigurando presente Correição Parcial somente foi ajuizada em 14/5/2018

-se inafastável a conclusão de que a presente Correição Parcial (segunda-feira), quando já escoado o prazo de cinco dias a que

busca, em verdade, a suspensão dos efeitos da referida liminar - alude o artigo 17 do RICGJT, resulta inafastável o reconhecimento

primeiro ato que efetivamente contrariou o interesse da Requerente. da intempestividade da presente medida correicional.

Com efeito, da decisão que deferiu o pedido de liminar deduzido em Ante o exposto, com espeque nos artigos 17 e 20, I, do RICGJT,

sede de Mandado de Segurança é que resultou a determinação de INDEFIRO A PETIÇÃO INICIAL da Correição Parcial, porquanto

que a Requerente procedesse ao desconto do valor equivalente a intempestiva.

um dia de salário de todos os seus empregados, tendo por base a

folha de pagamento de março/2018, independentemente de Dê-se ciência do inteiro teor desta decisão ao MM. Juiz convocado

autorização individual, assim como seja feito também para os TÁrcio José Vidotti, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª

trabalhadores admitidos após o mês de março, com emissão das Região, à Requerente e ao terceiro interessado.

respectivas guias de recolhimento, nos prazos dos artigos 583 e

545 da CLT. Publique-se.

Nessa ocasião surgiu o gravame, que a ora Requerente pretende Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.

ver afastado, mediante a presente Correição Parcial.

Brasília, 17 de maio de 2018.

Reforça tal conclusão o pedido formulado pela empresa, no sentido

de que seja concedida liminar para "suspender a decisão que

atribuiu ao Agravo Regimental interposto nos autos nº 0005971-

94.2018.5.15.0000 efeito meramente devolutivo, com consequente

concessão de efeito suspensivo ao referido Agravo Regimental

e, via de consequência, a suspensão dos efeitos decorrentes Ministro LELIO BENTES CORRÊA

da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança

(0005971-94.2018.5.15.0000), culminante na obrigatoriedade de Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

a Requerente descontar em folha de pagamento e repassar

valores a título de contribuição Sindical" (os grifos não são do

original).

Código para aferir autenticidade deste caderno: 119270


2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 20
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Decisão Monocrática 12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em juízo dos


Processo Nº CorPar-1000323-36.2018.5.00.0000
Relator LELIO BENTES CORREA valores devidos a título de contribuição sindical. Manteve, por
REQUERENTE RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA conseguinte, a decisão por meio da qual a MM. Juíza da 1ª Vara do
ADVOGADO RODRIGO SEIZO TAKANO(OAB:
162343/SP) Trabalho de Franca/SP antecipara os efeitos da tutela, nos autos da
REQUERIDO FRANCISCO ALBERTO DA MOTTA Tutela Cautelar Antecedente n.º 0010473-31.2018.5.15.0015,
PEIXOTO GIORDANI
TERCEIRO SINDICATO DOS CONDUTORES DE ajuizada pelo SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS
INTERESSADO VEICULOS RODOV DE FRANCA
RODOVIÁRIOS DE FRANCA E REGIÃO, para determinar "o

Intimado(s)/Citado(s): desconto da remuneração de seus empregados, vinculados a

- RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA estabelecimentos existentes na base territorial do requerente, da

quantia correspondente à contribuição sindical, em valor equivalente

a um dia de trabalho, efetuando-se o respectivo repasse ao

sindicato autor, observados os porcentuais estabelecidos no artigo


PODER JUDICIÁRIO
589 da CLT", sob pena de multa de R$100.000,00 (cem mil reais), a
JUSTIÇA DO TRABALHO
ser revertida em prol do Sindicato.

Alega o Requerente que não obstante tenha interposto Agravo

Regimental à decisão monocrática proferida nos autos do Mandado

de Segurança, tal recurso não tem o condão de imprimir efeito


CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88) suspensivo à decisão que determinou os descontos da contribuição
Nº 1000323-36.2018.5.00.0000 sindical, razão por que cabível a presente medida correicional.

REQUERENTE: RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA. Assevera que o recolhimento da contribuição sindical, sem prévia

autorização dos empregados, viola o disposto no artigo 582 da


Advogado: RODRIGO SEIZO TAKANO Consolidação das Leis do Trabalho, com redação dada pela Lei n.º

13.467/2017, e o artigo 5º, II da Constituição da República.


REQUERIDO: DESEMBARGADOR FRANCISCO ALBERTO DA Acrescenta que a decisão ora impugnada "determinou obrigação em
MOTTA PEIXOTO GIORDANI afronta direta a dispositivo legal".

CGJT/LBC/rvs/fbe Afirma que não restou demonstrado o perigo de dano, porquanto

imprópria a alegação de que o não recolhimento da referida

contribuição inviabilizaria a manutenção das entidades sindicais.


DECISÃO

Sustenta que a suspensão da decisão ora atacada se justifica por

restarem configurados o perigo do dano, eis que os valores a serem

recolhidos possuem natureza alimentar, logo impossível seu


Reautue-se o feito, a fim de fazer constar o SINDICATO DOS "bloqueio judicial", bem como a probabilidade do direito, ante a
CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS DE FRANCA E constitucionalidade do dispositivo legal que faculta ao empregado o
REGIÃO como Terceiro Interessado. recolhimento da contribuição sindical.

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por Argumenta, por fim, que não há se falar em matéria pacificada, uma
RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA. - atual denominação social vez que existem inúmeras Ações Diretas de Inconstitucionalidade
da Companhia de Bebidas Ipiranga - contra decisão monocrática tramitando no Supremo Tribunal Federal acerca do tema, razão por
proferida pelo Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta que revela-se contrária à boa ordem processual, em afronta ao
Peixoto Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, princípio da segurança jurídica, a decisão que declara a
mediante a qual deferiu parcialmente o pedido de medida liminar inconstitucionalidade de norma legal em sede de liminar.
nos autos do Mandado de Segurança n.º 0006455-

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Requer a "suspensão da ordem de desconto/repasse da econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas

contribuição sindical, ainda que em garantia em juízo, até que seja áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem

proferida a decisão final pelo E. STF na Ação Direta de prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições

Inconstitucionalidade sobre o tema, ou, sucessivamente, até que a que alude o dispositivo".

seja proferida decisão nos autos da Ação ajuizada pelo sindicato em

face desta Corrigente (nº 0010473-31.2018.5.15.0015)". Assim, são três tipos de contribuições que podem ser instituídas

exclusivamente pela União: contribuições sociais, contribuições de

Ao exame. intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das

categorias profissionais ou econômicas.

Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a

decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança A propósito, o referido art. 146, III, estabelece: "Cabe à lei

n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, mediante a qual o Exmo. complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de

Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, do legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e

Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, deferiu parcialmente de suas espécies, bem como, em relação aos impostos

o pedido de medida liminar nos autos do Mandado de Segurança n.º discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos

0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação,

juízo dos valores devidos a título de contribuição sindical. lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c)

adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas

Com efeito, a decisão monocrática que deferiu parcialmente o sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e

pedido liminar, objeto da presente Reclamação Correicional, está favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno

assim fundamentada (grifos no original): porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do

imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art.

195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239.

(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)"

(...)

Noutra vertente, o art. 3º da Lei n. 5.172/1966 / CTN - diploma legal

No presente caso, o ato coator é aquele que, reconhecendo a que tem eficácia de lei complementar - sem sofismar prevê que

inconstitucionalidade da norma mencionada, deferiu o pedido de tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo

tutela provisória do terceiro interessado e/ou litisconsorte, para valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,

impelir a ora impetrante ao recolhimento da contribuição sindical, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa

vulgo "imposto sindical", indispensável ao funcionamento da plenamente vinculada.

agremiação sindical.

E dúvida não há que a contribuição sindical em questão, antigo

Análise da matéria levaria à aparente conclusão de que inexiste "imposto sindical" - contribuição "de interesse das categorias

direito líquido e certo a ser amparado, haja vista o claramente profissionais ou econômicas" (art. 149, CF) -, tem referida natureza -

disposto no art. 545, "caput" da CLT, com a recente redação dada compulsória -, sendo aliás parte dela destinada aos cofres da União

pela Lei n. 13.467/2017, adiante: "Art. 545. Os empregadores ficam e revertida ao Fundo de Amparo do Trabalhador - FAT, que custeia

obrigados a descontar da folha de pagamento dos seus programas de seguro-desemprego, abono salarial, financiamento de

empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as ações para o desenvolvimento econômico e geração de trabalho,

contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados". emprego e renda.

Ocorre que sobredita norma é de evidente inconstitucionalidade. Bom consignar o disposto no art. 217 do CTN:

Segundo dita o art. 149 da CF/1988: "Compete exclusivamente à ............................

União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio

econômico e de interesse das categorias profissionais ou Definida tal contribuição, tendo feição de tributo, inafastável a

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 22
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

conclusão de que tem caráter obrigatório ou compulsório, por outras interesse de categorias profissional ou econômica por suas

palavras, não facultativo. particularidades e finalidades, que distinguem-nas das demais,

como é o caso da contribuição sindical, antigo "imposto sindical",

Aqui, de ceder o passo aos eminentes Francisco Meton Marques de possa ter o seu caráter tributário - antes reconhecido por norma de

Lima e Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, que eficácia de lei complementar -, modificado por lei hierarquicamente

superiormente asseveram: "Em virtude de sua previsão inferior - lei ordinária -.

constitucional, entendemos que não pode ser {a contribuição

sindical} removida por lei. Nem tornada facultativa, pois é um tributo, No mesmo sentido os ensinamentos de MAURÍCIO GODINHO

e não há tributo facultativo. Assim, a lei ocorre em flagrante DELGADO e GABRIELA NEVES DELGADO:

inconstitucionalidade". (Francisco Meton Marques de Lima e

Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, "Reforma ............................

Trabalhista - entenda ponto por ponto", LTr, 2017, página 90).

À essa altura, não custa lembrar o quórum diferenciado para

A natureza tributária e/ou a compulsoriedade do denominado aprovação da lei ordinária, que requer maioria simples - art. 47 da

imposto sindical há muito foi reconhecida pelo Excelso STF: CF/88 e da lei complementar, que demanda maioria absoluta - art.

69 da CF/88.

............................

De fato, a CF/1988 restringe à lei complementar o estabelecimento

No mesmo sentido o entendimento do Min. CELSO DE MELLO - de normas gerais em matéria de legislação tributária e, portanto,

www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoTexto.asp?id=2986078&t definição em tema tributário, caso da obrigatoriedade e/ou

ipoApp=RTF - : facultatividade do denominado "imposto sindical", sob pena de

inconstitucionalidade formal, ainda que a compreensão possa ser

............................ diversa no que diz com outras espécies, não há como sê-lo, na de

que aqui se cuida, atento, como já referido, às suas particularidades

Com efeito, em respeito à hierarquia das normas e/ou à boa e finalidades, pois uma interpretação sistêmica do Texto Maior, não

técnica legislativa, a validade da modificação efetuada pelo a permitiria.

legislador, de caráter geral, e que levou à extinção da natureza

tributária da contribuição e/ou "imposto sindical", somente se Acaso se pense de maneira diversa, de realçar que absolutamente

viabiliza por lei complementar, sendo inadmissível o emprego necessário ter atenção para o fato de que, em se cuidando de

de uma lei ordinária para tal finalidade, como é o caso da Lei n. contribuição sindical, o raciocínio não pode ser o mesmo que, muita

13.467/2017, que, aliás, não tem força para extinguir o tributo vez, se faz quando o foco é o da instituição de algum tributo, pois

em questão, sequer modificá-lo na intensidade verificada, que aqui se trata do contrário, sua extinção (dissimulada pelo

tornando facultativa, o que, por definição, deve ser eufemismo "ser facultativa"), o que, a se entender possa ser feito

compulsória, como acima demonstrado. tão sem-cerimônia como foi, tornaria (rectius: torna) fácil esvaziar as

relevantes atribuições constitucionalmente conferidas aos

Repiso: a modificação e/ou extinção de um tributo notadamente a sindicatos, e que têm a ver não com um sindicato em si e por si,

alteração da sua natureza - de compulsória, para facultativa - é mas com o quão podem ser (rectius: são) necessários para tentar

matéria reservada à lei complementar. um mínimo de equilíbrio nas relações de trabalho, tão assimétricas

por natureza e mais ainda nos dias que correm, e portanto, com a

Decerto, o Exc. STF no julgamento do RE 635.682 decidiu pela centralidade do trabalho, da dignidade da pessoa humana que vive-

desnecessidade de lei complementar para instituição de do-seu-trabalho e da valorização social do trabalho, valores com

contribuição de intervenção no domínio econômico: vigor abraçados pela Carta Política e que lhe norteiam e a

interpretação que dela se faça, bem como de toda legislação

............................ infraconstitucional, aqui a essência e a indeclinável razão da

exigência de lei complementar para que alguma modificação seja

Mas destes julgados supra não se infere que contribuição de possível, é dizer, não se está defendendo a manutenção da

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contribuição sindical por ela própria, de maneira singela e mesmo sentido, o art. 592 da CLT compele o Sindicato a aplicar os valores

não se desconhece a existência, praticamente, de um consenso arrecadados na subvenção de relevantes serviços prestados à

nacional de que deva ser extinta, mas ela, não os sindicatos, nem categoria como assistência jurídica, médica, odontológica,

os trabalhadores, quanto a estes de, por meio de seus sindicatos, prevenção de acidentes do trabalho, educação e formação

promoverem ações para tentar melhorar suas condições de vida e profissional, sem as quais a associação sindical perde inteiramente

trabalho, atento aos valores apontados nas linhas transatas, o que o seu significado.

torna perversa e insustentável a alteração promovida, ainda por

cima de maneira abrupta e sem qualquer período e/ou condições E conquanto a Lei 13.467/2017 tenha pretendido tornar facultativa a

transitórias que preparassem a retirada de sua obrigatoriedade; e contribuição sindical, antigo "imposto sindical", não modificou o

assim também há de ser para que não se acuse a CF/88, conhecida caráter obrigatório de qualquer das funções que a legislação impõe

como a "Constituição Cidadã" de prometer o que não dá, acusação às associações sindicais, o que representa insuperável contradição!

já feita ao direito em geral, mas que pode ser evitado, respeitando-

se seu comando e sua essência, o que faria/fará com que não lhe Bem é de ver que, se a visão e a análise forem seriamente feitas,

servissem/sirvam as observações de Carlos María Cárcova, no não podem ser aceitos argumentos - balofos - de que, com a mera

sentido de que "O direito se desenvolve como discurso ideológico, substituição da obrigatoriedade pela autorização, não restaria

enquanto promete, com a finalidade de organizar o consenso, o que afrontada a Lei Maior, porquanto não teria sido a contribuição

não dá: igualdade, liberdade, proteção, garantias. Mas, como toda sindical extirpada do ordenamento , mas apenas recebido novo e

ideologia, desconhece e reconhece ao mesmo tempo; quando ilude, mais moderno fato, esse sim, a melhor vesti-la, já que, como se não

alude. Assim, nos priva da igualdade, mas nos reconhece como desconhece, e é válido insistir, não é lícito obstar, por meios

iguais" (Carlos María Cárcova, "A Opacidade do Direito", LTr, 1998, especiosos, o que a lei diretamente estatui.

página 167), é dizer, os trabalhadores teriam/têm os sindicatos para

defendê-los, mas se tira desses mesmos sindicatos condições A inovação introduzida pela Lei 13.467/2017 na prática contraria os

mínimas para fazê-lo, sem qualquer período de transição, para que preceitos e princípios que vedam conduta antissindical, como

pudessem/possam obter novas fontes de custeio. assinalado alhures e, de fato, constitui um risco à efetividade do

princípio da proteção, eis que a redução da fonte de custeio

Vale acrescentar, nesse passo que menciono o artigo 8º, III e VI, da logicamente implica em franca ameaça de exaurimento econômico

Lei Maior que, por conta mesmo do que prescrevem esses incisos e dos sindicatos - cuja atuação não se restringe à defesa dos

também do inciso XXVI, do artigo 7º, da Carta Política, e a associados, compreendendo, também, os não-associados -,

importância que a CF/88 atribui aos sindicatos para o redunda, aliás, na fragilização do direito de organização e/ou

reconhecimento e atuação dos direitos fundamentais dos limitação de atuação das entidades de classe, quiçá, ameaça a

trabalhadores, numa visão sistêmica da Constituição Brasileira, que própria existência dessas associações sindicais, sobretudo, as que

tanta preocupação, cuidado e proeminência tem e confere à agregam os trabalhadores, já desprovidos de poder de negociação

dignidade da pessoa humana em geral e da que vive-do-seu- perceptível, ou seja, acentua o desequilíbrio entre capital e trabalho,

trabalho em especial, fica acrescida a importância e o fundamento em prejuízo deste, de forma imediata, mas também para a

para que a alteração feita só pudesse/possa sê-lo por meio de Lei sociedade como um todo e em seu todo.

Complementar, pois aqui, também e muito significativamente, pelos

motivos expostos, não se justificaria pudesse ser feita por simples Outrossim, cabe salientar que no Direito do Trabalho os princípios e

Lei Ordinária, atento a que, deixados à deriva os sindicatos, na normas regulam tanto o direito individual, quanto o direito coletivo

procela que está presente nas relações de trabalho hodiernamente, do trabalho, abrangendo este último, além da greve e negociação

os barcos que virarão serão dos trabalhadores, afogando-os então! coletiva, também a organização sindical.

Enfatizo, a própria Constituição estabelece no seu art. 8º, III e VI, Vale rememorar que princípio, por definição, constitui um

que "ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos mandamento nuclear de determinado sistema, que se irradia sobre

ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou as normas adjacentes.

administrativas", inclusive a obrigatoriedade da "participação dos

sindicatos nas negociações coletivas de trabalho". No mesmo A esse respeito a doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello:

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 24
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"Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, respeito à modificação do caráter das contribuições sindicais, o

verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia atentado à lei de responsabilidade fiscal e, noutra vertente não se

sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de vislumbra a irreversibilidade do provimento.

critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por

definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe Descabe falar de inadequação da via eleita, haja vista que a

confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos declaração de inconstitucionalidade requerida e deferida, como

princípios que preside a intelecção das diferentes partes exposto, tem caráter meramente incidental. Igualmente, não se fale

componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico de repristinação, porquanto, como assinalado já, a alteração

positivo" - "in" Elementos De Direito Administrativo, São Paulo: legislativa não revogou o direito à contribuição sindical - antigo

Revista dos Tribunais, 1981, p. 230." imposto sindical -, apenas, pretendeu torná-lo facultativo, sendo que

as normas do CTN, que qualificam as contribuições como tributo, e

O Min. Orlando Teixeira da Costa, discorrendo ainda sobre o ainda por compulsório todo e qualquer tributo, permanecem em

mesmo tema, elucidou: vigor. Por derradeiro, não vislumbro a irreversibilidade aventada

pelo impetrante, tampouco a probabilidade do direito e o perigo da

......... demora que anuncia; ao contrário, está com o terceiro

interessado/Sindicato a probabilidade do direito e o perigo da

Para dissolver qualquer dúvida que se possa aventar acerca da demora, visto que provado da sua fonte histórica de receita.

incidência do princípio da proteção no Direito Coletivo do Trabalho,

me socorro dos apontamentos do jurista Min. Wagner Pimenta, Confirmo a r. decisão atacada em todos os seus termos, exceto em

adiante: relação à forma de cumprimento da obrigação, cujo depósito, por

cautela, será liberado somente após solução da controvérsia.

............................

A empresa impetrante deverá, assim, descontar e depositar, em

Noutra vertente, enfatizo a Convenção n. 98 da OIT, aprovada pelo juízo, as contribuições sindicais - "imposto sindical" - de todos os

Decreto Legislativo n. 49, de 27.8.52, que assegurou a aplicação seus empregados, cuja representação seja comprovadamente

dos princípios do direito de organização e de negociação coletiva, exercida pela associação sindical - terceiro interessado -,

se inferindo de seu art. 4º que o Estado não deverá causar equivalente ao desconto de um dia de trabalho, sobre a próxima

embaraço à atividade sindical, ao contrário: folha de pagamento, procedendo da mesma forma quanto aos

novos admitidos, nas mesmas condições, ou seja, os que estiverem

............................ vinculados à representação da agremiação sindical, em qualquer

caso, independente da autorização exigida pela atual redação dos

São esclarecedoras as seguintes observações do Ilustre artigos 545 e 602 da CLT, dada pela Lei 13.467/2017

Desembargador JOÃO BATISTA MARTINS CÉSAR :

............................

Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

A controvérsia tem marcante caráter coletivo, com fortes Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

implicações na continuidade do exercício da representação dos ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

trabalhadores pela associação sindical, cuja própria existência está processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

flagrantemente ameaçada. processual específico".

Diversamente do que sustenta a impetrante, tem-se por presente a O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

competência da Justiça do Trabalho, a legitimidade ativa e passiva, extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

a possibilidade jurídica do pedido ou possibilidade de declaração de medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

inconstitucionalidade em caráter incidental e através da via eleita, a assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

própria inconstitucionalidade da Lei n. 13.467/2017 na parte que diz que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

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competente". do RICGJT.

No presente caso, impugna-se decisão por meio da qual se deferiu Ante o exposto, com fundamento no artigo 20, III, do RICGJT,

parcialmente o pedido de medida liminar, nos autos do Mandado de JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na presente

Segurança n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar Correição Parcial.

o depósito em juízo dos valores devidos a título de contribuição

sindical. Manteve-se, por conseguinte, a decisão por meio da qual Dê-se ciência desta decisão, mediante ofício, à Requerente, ao

se antecipara os efeitos da tutela para determinar o desconto e o Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto

recolhimento dos valores devidos a título de contribuição sindical, Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, ao juízo

de todos os empregados da ora Requerente. da 1ª Vara do Trabalho de Franca/SP e ao terceiro interessado

(SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS

Conforme se extrai do excerto antes transcrito, a decisão objeto da DE FRANCA E REGIÃO).

presente Reclamação Correicional confirmou a liminar

anteriormente deferida, exceto em relação à forma de cumprimento Publique-se.

da obrigação, registrando que o "depósito, por cautela, será liberado

somente após solução da controvérsia". Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.

Restou observada, portanto, a preocupação com a configuração do Brasília, 17 de maio de 2018.

dano de difícil reparação, tendo em vista que houve determinação

expressa de que o depósito das contribuições sindicais fosse

efetuado em conta vinculada ao juízo.

Não se vislumbra, na hipótese dos autos, erro, abuso ou ato

contrário à boa ordem processual de que trata a cabeça do artigo 13 Ministro LELIO BENTES CORRÊA

do RICGJT, a justificar o deferimento da medida correicional

requerida. A atuação do Exmo. Desembargador Relator ateve-se Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

aos limites da sua competência jurisdicional em sede de ação

mandamental.

Tampouco se identifica, na situação que emerge dos autos, a

propalada situação extrema ou excepcional a justificar a intervenção

desta Corregedoria-Geral.

Com efeito, não resta caracterizada, na presente hipótese, a Decisão Monocrática


Processo Nº CorPar-1000323-36.2018.5.00.0000
impossibilidade de reversão do provimento deferido em caráter Relator LELIO BENTES CORREA
antecipatório e mantido pelo Tribunal Regional, pois, se ao final REQUERENTE RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA
ADVOGADO RODRIGO SEIZO TAKANO(OAB:
prosperarem os argumentos da Requerente, o órgão jurisdicional 162343/SP)
competente poderá determinar a devolução dos valores recolhidos a REQUERIDO FRANCISCO ALBERTO DA MOTTA
PEIXOTO GIORDANI
título de contribuição sindical e depositados em conta vinculada ao TERCEIRO SINDICATO DOS CONDUTORES DE
INTERESSADO VEICULOS RODOV DE FRANCA
juízo.

Intimado(s)/Citado(s):
Constata-se, assim, que a decisão ora impugnada foi proferida nos - FRANCISCO ALBERTO DA MOTTA PEIXOTO GIORDANI

estritos limites da atuação jurisdicional do seu prolator, não sendo

possível, a partir dos elementos presentes nos autos, configurar a

situação de dano irreparável, a justificar a intervenção excepcional

desta Corregedoria, com base no artigo 13 e seu parágrafo único,

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sindicato autor, observados os porcentuais estabelecidos no artigo


PODER JUDICIÁRIO
589 da CLT", sob pena de multa de R$100.000,00 (cem mil reais), a
JUSTIÇA DO TRABALHO
ser revertida em prol do Sindicato.

Alega o Requerente que não obstante tenha interposto Agravo

Regimental à decisão monocrática proferida nos autos do Mandado

de Segurança, tal recurso não tem o condão de imprimir efeito


CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88) suspensivo à decisão que determinou os descontos da contribuição
Nº 1000323-36.2018.5.00.0000 sindical, razão por que cabível a presente medida correicional.

REQUERENTE: RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA. Assevera que o recolhimento da contribuição sindical, sem prévia

autorização dos empregados, viola o disposto no artigo 582 da


Advogado: RODRIGO SEIZO TAKANO Consolidação das Leis do Trabalho, com redação dada pela Lei n.º

13.467/2017, e o artigo 5º, II da Constituição da República.


REQUERIDO: DESEMBARGADOR FRANCISCO ALBERTO DA Acrescenta que a decisão ora impugnada "determinou obrigação em
MOTTA PEIXOTO GIORDANI afronta direta a dispositivo legal".

CGJT/LBC/rvs/fbe Afirma que não restou demonstrado o perigo de dano, porquanto

imprópria a alegação de que o não recolhimento da referida

contribuição inviabilizaria a manutenção das entidades sindicais.


DECISÃO

Sustenta que a suspensão da decisão ora atacada se justifica por

restarem configurados o perigo do dano, eis que os valores a serem

recolhidos possuem natureza alimentar, logo impossível seu


Reautue-se o feito, a fim de fazer constar o SINDICATO DOS "bloqueio judicial", bem como a probabilidade do direito, ante a
CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS DE FRANCA E constitucionalidade do dispositivo legal que faculta ao empregado o
REGIÃO como Terceiro Interessado. recolhimento da contribuição sindical.

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por Argumenta, por fim, que não há se falar em matéria pacificada, uma
RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA. - atual denominação social vez que existem inúmeras Ações Diretas de Inconstitucionalidade
da Companhia de Bebidas Ipiranga - contra decisão monocrática tramitando no Supremo Tribunal Federal acerca do tema, razão por
proferida pelo Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta que revela-se contrária à boa ordem processual, em afronta ao
Peixoto Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, princípio da segurança jurídica, a decisão que declara a
mediante a qual deferiu parcialmente o pedido de medida liminar inconstitucionalidade de norma legal em sede de liminar.
nos autos do Mandado de Segurança n.º 0006455-

12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em juízo dos Requer a "suspensão da ordem de desconto/repasse da
valores devidos a título de contribuição sindical. Manteve, por contribuição sindical, ainda que em garantia em juízo, até que seja
conseguinte, a decisão por meio da qual a MM. Juíza da 1ª Vara do proferida a decisão final pelo E. STF na Ação Direta de
Trabalho de Franca/SP antecipara os efeitos da tutela, nos autos da Inconstitucionalidade sobre o tema, ou, sucessivamente, até que
Tutela Cautelar Antecedente n.º 0010473-31.2018.5.15.0015, seja proferida decisão nos autos da Ação ajuizada pelo sindicato em
ajuizada pelo SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS face desta Corrigente (nº 0010473-31.2018.5.15.0015)".
RODOVIÁRIOS DE FRANCA E REGIÃO, para determinar "o

desconto da remuneração de seus empregados, vinculados a Ao exame.


estabelecimentos existentes na base territorial do requerente, da

quantia correspondente à contribuição sindical, em valor equivalente Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a
a um dia de trabalho, efetuando-se o respectivo repasse ao decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 27
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, mediante a qual o Exmo. complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de

Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, do legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e

Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, deferiu parcialmente de suas espécies, bem como, em relação aos impostos

o pedido de medida liminar nos autos do Mandado de Segurança n.º discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos

0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação,

juízo dos valores devidos a título de contribuição sindical. lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c)

adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas

Com efeito, a decisão monocrática que deferiu parcialmente o sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e

pedido liminar, objeto da presente Reclamação Correicional, está favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno

assim fundamentada (grifos no original): porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do

imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art.

195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239.

(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)"

(...)

Noutra vertente, o art. 3º da Lei n. 5.172/1966 / CTN - diploma legal

No presente caso, o ato coator é aquele que, reconhecendo a que tem eficácia de lei complementar - sem sofismar prevê que

inconstitucionalidade da norma mencionada, deferiu o pedido de tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo

tutela provisória do terceiro interessado e/ou litisconsorte, para valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,

impelir a ora impetrante ao recolhimento da contribuição sindical, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa

vulgo "imposto sindical", indispensável ao funcionamento da plenamente vinculada.

agremiação sindical.

E dúvida não há que a contribuição sindical em questão, antigo

Análise da matéria levaria à aparente conclusão de que inexiste "imposto sindical" - contribuição "de interesse das categorias

direito líquido e certo a ser amparado, haja vista o claramente profissionais ou econômicas" (art. 149, CF) -, tem referida natureza -

disposto no art. 545, "caput" da CLT, com a recente redação dada compulsória -, sendo aliás parte dela destinada aos cofres da União

pela Lei n. 13.467/2017, adiante: "Art. 545. Os empregadores ficam e revertida ao Fundo de Amparo do Trabalhador - FAT, que custeia

obrigados a descontar da folha de pagamento dos seus programas de seguro-desemprego, abono salarial, financiamento de

empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as ações para o desenvolvimento econômico e geração de trabalho,

contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados". emprego e renda.

Ocorre que sobredita norma é de evidente inconstitucionalidade. Bom consignar o disposto no art. 217 do CTN:

Segundo dita o art. 149 da CF/1988: "Compete exclusivamente à ............................

União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio

econômico e de interesse das categorias profissionais ou Definida tal contribuição, tendo feição de tributo, inafastável a

econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas conclusão de que tem caráter obrigatório ou compulsório, por outras

áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem palavras, não facultativo.

prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições

a que alude o dispositivo". Aqui, de ceder o passo aos eminentes Francisco Meton Marques de

Lima e Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, que

Assim, são três tipos de contribuições que podem ser instituídas superiormente asseveram: "Em virtude de sua previsão

exclusivamente pela União: contribuições sociais, contribuições de constitucional, entendemos que não pode ser {a contribuição

intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das sindical} removida por lei. Nem tornada facultativa, pois é um tributo,

categorias profissionais ou econômicas. e não há tributo facultativo. Assim, a lei ocorre em flagrante

inconstitucionalidade". (Francisco Meton Marques de Lima e

A propósito, o referido art. 146, III, estabelece: "Cabe à lei Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, "Reforma

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Trabalhista - entenda ponto por ponto", LTr, 2017, página 90).

À essa altura, não custa lembrar o quórum diferenciado para

A natureza tributária e/ou a compulsoriedade do denominado aprovação da lei ordinária, que requer maioria simples - art. 47 da

imposto sindical há muito foi reconhecida pelo Excelso STF: CF/88 e da lei complementar, que demanda maioria absoluta - art.

69 da CF/88.

............................

De fato, a CF/1988 restringe à lei complementar o estabelecimento

No mesmo sentido o entendimento do Min. CELSO DE MELLO - de normas gerais em matéria de legislação tributária e, portanto,

www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoTexto.asp?id=2986078&t definição em tema tributário, caso da obrigatoriedade e/ou

ipoApp=RTF - : facultatividade do denominado "imposto sindical", sob pena de

inconstitucionalidade formal, ainda que a compreensão possa ser

............................ diversa no que diz com outras espécies, não há como sê-lo, na de

que aqui se cuida, atento, como já referido, às suas particularidades

Com efeito, em respeito à hierarquia das normas e/ou à boa e finalidades, pois uma interpretação sistêmica do Texto Maior, não

técnica legislativa, a validade da modificação efetuada pelo a permitiria.

legislador, de caráter geral, e que levou à extinção da natureza

tributária da contribuição e/ou "imposto sindical", somente se Acaso se pense de maneira diversa, de realçar que absolutamente

viabiliza por lei complementar, sendo inadmissível o emprego necessário ter atenção para o fato de que, em se cuidando de

de uma lei ordinária para tal finalidade, como é o caso da Lei n. contribuição sindical, o raciocínio não pode ser o mesmo que, muita

13.467/2017, que, aliás, não tem força para extinguir o tributo vez, se faz quando o foco é o da instituição de algum tributo, pois

em questão, sequer modificá-lo na intensidade verificada, que aqui se trata do contrário, sua extinção (dissimulada pelo

tornando facultativa, o que, por definição, deve ser eufemismo "ser facultativa"), o que, a se entender possa ser feito

compulsória, como acima demonstrado. tão sem-cerimônia como foi, tornaria (rectius: torna) fácil esvaziar as

relevantes atribuições constitucionalmente conferidas aos

Repiso: a modificação e/ou extinção de um tributo notadamente a sindicatos, e que têm a ver não com um sindicato em si e por si,

alteração da sua natureza - de compulsória, para facultativa - é mas com o quão podem ser (rectius: são) necessários para tentar

matéria reservada à lei complementar. um mínimo de equilíbrio nas relações de trabalho, tão assimétricas

por natureza e mais ainda nos dias que correm, e portanto, com a

Decerto, o Exc. STF no julgamento do RE 635.682 decidiu pela centralidade do trabalho, da dignidade da pessoa humana que vive-

desnecessidade de lei complementar para instituição de do-seu-trabalho e da valorização social do trabalho, valores com

contribuição de intervenção no domínio econômico: vigor abraçados pela Carta Política e que lhe norteiam e a

interpretação que dela se faça, bem como de toda legislação

............................ infraconstitucional, aqui a essência e a indeclinável razão da

exigência de lei complementar para que alguma modificação seja

Mas destes julgados supra não se infere que contribuição de possível, é dizer, não se está defendendo a manutenção da

interesse de categorias profissional ou econômica por suas contribuição sindical por ela própria, de maneira singela e mesmo

particularidades e finalidades, que distinguem-nas das demais, não se desconhece a existência, praticamente, de um consenso

como é o caso da contribuição sindical, antigo "imposto sindical", nacional de que deva ser extinta, mas ela, não os sindicatos, nem

possa ter o seu caráter tributário - antes reconhecido por norma de os trabalhadores, quanto a estes de, por meio de seus sindicatos,

eficácia de lei complementar -, modificado por lei hierarquicamente promoverem ações para tentar melhorar suas condições de vida e

inferior - lei ordinária -. trabalho, atento aos valores apontados nas linhas transatas, o que

torna perversa e insustentável a alteração promovida, ainda por

No mesmo sentido os ensinamentos de MAURÍCIO GODINHO cima de maneira abrupta e sem qualquer período e/ou condições

DELGADO e GABRIELA NEVES DELGADO: transitórias que preparassem a retirada de sua obrigatoriedade; e

assim também há de ser para que não se acuse a CF/88, conhecida

............................ como a "Constituição Cidadã" de prometer o que não dá, acusação

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já feita ao direito em geral, mas que pode ser evitado, respeitando-

se seu comando e sua essência, o que faria/fará com que não lhe Bem é de ver que, se a visão e a análise forem seriamente feitas,

servissem/sirvam as observações de Carlos María Cárcova, no não podem ser aceitos argumentos - balofos - de que, com a mera

sentido de que "O direito se desenvolve como discurso ideológico, substituição da obrigatoriedade pela autorização, não restaria

enquanto promete, com a finalidade de organizar o consenso, o que afrontada a Lei Maior, porquanto não teria sido a contribuição

não dá: igualdade, liberdade, proteção, garantias. Mas, como toda sindical extirpada do ordenamento , mas apenas recebido novo e

ideologia, desconhece e reconhece ao mesmo tempo; quando ilude, mais moderno fato, esse sim, a melhor vesti-la, já que, como se não

alude. Assim, nos priva da igualdade, mas nos reconhece como desconhece, e é válido insistir, não é lícito obstar, por meios

iguais" (Carlos María Cárcova, "A Opacidade do Direito", LTr, 1998, especiosos, o que a lei diretamente estatui.

página 167), é dizer, os trabalhadores teriam/têm os sindicatos para

defendê-los, mas se tira desses mesmos sindicatos condições A inovação introduzida pela Lei 13.467/2017 na prática contraria os

mínimas para fazê-lo, sem qualquer período de transição, para que preceitos e princípios que vedam conduta antissindical, como

pudessem/possam obter novas fontes de custeio. assinalado alhures e, de fato, constitui um risco à efetividade do

princípio da proteção, eis que a redução da fonte de custeio

Vale acrescentar, nesse passo que menciono o artigo 8º, III e VI, da logicamente implica em franca ameaça de exaurimento econômico

Lei Maior que, por conta mesmo do que prescrevem esses incisos e dos sindicatos - cuja atuação não se restringe à defesa dos

também do inciso XXVI, do artigo 7º, da Carta Política, e a associados, compreendendo, também, os não-associados -,

importância que a CF/88 atribui aos sindicatos para o redunda, aliás, na fragilização do direito de organização e/ou

reconhecimento e atuação dos direitos fundamentais dos limitação de atuação das entidades de classe, quiçá, ameaça a

trabalhadores, numa visão sistêmica da Constituição Brasileira, que própria existência dessas associações sindicais, sobretudo, as que

tanta preocupação, cuidado e proeminência tem e confere à agregam os trabalhadores, já desprovidos de poder de negociação

dignidade da pessoa humana em geral e da que vive-do-seu- perceptível, ou seja, acentua o desequilíbrio entre capital e trabalho,

trabalho em especial, fica acrescida a importância e o fundamento em prejuízo deste, de forma imediata, mas também para a

para que a alteração feita só pudesse/possa sê-lo por meio de Lei sociedade como um todo e em seu todo.

Complementar, pois aqui, também e muito significativamente, pelos

motivos expostos, não se justificaria pudesse ser feita por simples Outrossim, cabe salientar que no Direito do Trabalho os princípios e

Lei Ordinária, atento a que, deixados à deriva os sindicatos, na normas regulam tanto o direito individual, quanto o direito coletivo

procela que está presente nas relações de trabalho hodiernamente, do trabalho, abrangendo este último, além da greve e negociação

os barcos que virarão serão dos trabalhadores, afogando-os então! coletiva, também a organização sindical.

Enfatizo, a própria Constituição estabelece no seu art. 8º, III e VI, Vale rememorar que princípio, por definição, constitui um

que "ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos mandamento nuclear de determinado sistema, que se irradia sobre

ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou as normas adjacentes.

administrativas", inclusive a obrigatoriedade da "participação dos

sindicatos nas negociações coletivas de trabalho". No mesmo A esse respeito a doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello:

sentido, o art. 592 da CLT compele o Sindicato a aplicar os valores "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema,

arrecadados na subvenção de relevantes serviços prestados à verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia

categoria como assistência jurídica, médica, odontológica, sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de

prevenção de acidentes do trabalho, educação e formação critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por

profissional, sem as quais a associação sindical perde inteiramente definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe

o seu significado. confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos

princípios que preside a intelecção das diferentes partes

E conquanto a Lei 13.467/2017 tenha pretendido tornar facultativa a componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico

contribuição sindical, antigo "imposto sindical", não modificou o positivo" - "in" Elementos De Direito Administrativo, São Paulo:

caráter obrigatório de qualquer das funções que a legislação impõe Revista dos Tribunais, 1981, p. 230."

às associações sindicais, o que representa insuperável contradição!

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O Min. Orlando Teixeira da Costa, discorrendo ainda sobre o ainda por compulsório todo e qualquer tributo, permanecem em

mesmo tema, elucidou: vigor. Por derradeiro, não vislumbro a irreversibilidade aventada

pelo impetrante, tampouco a probabilidade do direito e o perigo da

......... demora que anuncia; ao contrário, está com o terceiro

interessado/Sindicato a probabilidade do direito e o perigo da

Para dissolver qualquer dúvida que se possa aventar acerca da demora, visto que provado da sua fonte histórica de receita.

incidência do princípio da proteção no Direito Coletivo do Trabalho,

me socorro dos apontamentos do jurista Min. Wagner Pimenta, Confirmo a r. decisão atacada em todos os seus termos, exceto em

adiante: relação à forma de cumprimento da obrigação, cujo depósito, por

cautela, será liberado somente após solução da controvérsia.

............................

A empresa impetrante deverá, assim, descontar e depositar, em

Noutra vertente, enfatizo a Convenção n. 98 da OIT, aprovada pelo juízo, as contribuições sindicais - "imposto sindical" - de todos os

Decreto Legislativo n. 49, de 27.8.52, que assegurou a aplicação seus empregados, cuja representação seja comprovadamente

dos princípios do direito de organização e de negociação coletiva, exercida pela associação sindical - terceiro interessado -,

se inferindo de seu art. 4º que o Estado não deverá causar equivalente ao desconto de um dia de trabalho, sobre a próxima

embaraço à atividade sindical, ao contrário: folha de pagamento, procedendo da mesma forma quanto aos

novos admitidos, nas mesmas condições, ou seja, os que estiverem

............................ vinculados à representação da agremiação sindical, em qualquer

caso, independente da autorização exigida pela atual redação dos

São esclarecedoras as seguintes observações do Ilustre artigos 545 e 602 da CLT, dada pela Lei 13.467/2017

Desembargador JOÃO BATISTA MARTINS CÉSAR :

............................

Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

A controvérsia tem marcante caráter coletivo, com fortes Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

implicações na continuidade do exercício da representação dos ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

trabalhadores pela associação sindical, cuja própria existência está processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

flagrantemente ameaçada. processual específico".

Diversamente do que sustenta a impetrante, tem-se por presente a O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

competência da Justiça do Trabalho, a legitimidade ativa e passiva, extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

a possibilidade jurídica do pedido ou possibilidade de declaração de medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

inconstitucionalidade em caráter incidental e através da via eleita, a assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

própria inconstitucionalidade da Lei n. 13.467/2017 na parte que diz que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

respeito à modificação do caráter das contribuições sindicais, o competente".

atentado à lei de responsabilidade fiscal e, noutra vertente não se

vislumbra a irreversibilidade do provimento. No presente caso, impugna-se decisão por meio da qual se deferiu

parcialmente o pedido de medida liminar, nos autos do Mandado de

Descabe falar de inadequação da via eleita, haja vista que a Segurança n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar

declaração de inconstitucionalidade requerida e deferida, como o depósito em juízo dos valores devidos a título de contribuição

exposto, tem caráter meramente incidental. Igualmente, não se fale sindical. Manteve-se, por conseguinte, a decisão por meio da qual

de repristinação, porquanto, como assinalado já, a alteração se antecipara os efeitos da tutela para determinar o desconto e o

legislativa não revogou o direito à contribuição sindical - antigo recolhimento dos valores devidos a título de contribuição sindical,

imposto sindical -, apenas, pretendeu torná-lo facultativo, sendo que de todos os empregados da ora Requerente.

as normas do CTN, que qualificam as contribuições como tributo, e

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 31
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Conforme se extrai do excerto antes transcrito, a decisão objeto da DE FRANCA E REGIÃO).

presente Reclamação Correicional confirmou a liminar

anteriormente deferida, exceto em relação à forma de cumprimento Publique-se.

da obrigação, registrando que o "depósito, por cautela, será liberado

somente após solução da controvérsia". Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.

Restou observada, portanto, a preocupação com a configuração do Brasília, 17 de maio de 2018.

dano de difícil reparação, tendo em vista que houve determinação

expressa de que o depósito das contribuições sindicais fosse

efetuado em conta vinculada ao juízo.

Não se vislumbra, na hipótese dos autos, erro, abuso ou ato

contrário à boa ordem processual de que trata a cabeça do artigo 13 Ministro LELIO BENTES CORRÊA

do RICGJT, a justificar o deferimento da medida correicional

requerida. A atuação do Exmo. Desembargador Relator ateve-se Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

aos limites da sua competência jurisdicional em sede de ação

mandamental.

Tampouco se identifica, na situação que emerge dos autos, a

propalada situação extrema ou excepcional a justificar a intervenção

desta Corregedoria-Geral.

Com efeito, não resta caracterizada, na presente hipótese, a Decisão Monocrática


Processo Nº CorPar-1000323-36.2018.5.00.0000
impossibilidade de reversão do provimento deferido em caráter Relator LELIO BENTES CORREA
antecipatório e mantido pelo Tribunal Regional, pois, se ao final REQUERENTE RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA
ADVOGADO RODRIGO SEIZO TAKANO(OAB:
prosperarem os argumentos da Requerente, o órgão jurisdicional 162343/SP)
competente poderá determinar a devolução dos valores recolhidos a REQUERIDO FRANCISCO ALBERTO DA MOTTA
PEIXOTO GIORDANI
título de contribuição sindical e depositados em conta vinculada ao TERCEIRO SINDICATO DOS CONDUTORES DE
INTERESSADO VEICULOS RODOV DE FRANCA
juízo.

Intimado(s)/Citado(s):
Constata-se, assim, que a decisão ora impugnada foi proferida nos - SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEICULOS RODOV DE
FRANCA
estritos limites da atuação jurisdicional do seu prolator, não sendo

possível, a partir dos elementos presentes nos autos, configurar a

situação de dano irreparável, a justificar a intervenção excepcional

desta Corregedoria, com base no artigo 13 e seu parágrafo único, PODER JUDICIÁRIO

do RICGJT. JUSTIÇA DO TRABALHO

Ante o exposto, com fundamento no artigo 20, III, do RICGJT,

JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na presente

Correição Parcial.

CORREIÇÃO PARCIAL OU RECLAMAÇÃO CORREICIONAL (88)


Dê-se ciência desta decisão, mediante ofício, à Requerente, ao
Nº 1000323-36.2018.5.00.0000
Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto

Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, ao juízo


REQUERENTE: RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA.
da 1ª Vara do Trabalho de Franca/SP e ao terceiro interessado

(SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS


Advogado: RODRIGO SEIZO TAKANO

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13.467/2017, e o artigo 5º, II da Constituição da República.

REQUERIDO: DESEMBARGADOR FRANCISCO ALBERTO DA Acrescenta que a decisão ora impugnada "determinou obrigação em

MOTTA PEIXOTO GIORDANI afronta direta a dispositivo legal".

CGJT/LBC/rvs/fbe Afirma que não restou demonstrado o perigo de dano, porquanto

imprópria a alegação de que o não recolhimento da referida

contribuição inviabilizaria a manutenção das entidades sindicais.

DECISÃO

Sustenta que a suspensão da decisão ora atacada se justifica por

restarem configurados o perigo do dano, eis que os valores a serem

recolhidos possuem natureza alimentar, logo impossível seu

Reautue-se o feito, a fim de fazer constar o SINDICATO DOS "bloqueio judicial", bem como a probabilidade do direito, ante a

CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS DE FRANCA E constitucionalidade do dispositivo legal que faculta ao empregado o

REGIÃO como Terceiro Interessado. recolhimento da contribuição sindical.

Trata-se de Correição Parcial, com pedido de liminar, proposta por Argumenta, por fim, que não há se falar em matéria pacificada, uma

RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA. - atual denominação social vez que existem inúmeras Ações Diretas de Inconstitucionalidade

da Companhia de Bebidas Ipiranga - contra decisão monocrática tramitando no Supremo Tribunal Federal acerca do tema, razão por

proferida pelo Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta que revela-se contrária à boa ordem processual, em afronta ao

Peixoto Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, princípio da segurança jurídica, a decisão que declara a

mediante a qual deferiu parcialmente o pedido de medida liminar inconstitucionalidade de norma legal em sede de liminar.

nos autos do Mandado de Segurança n.º 0006455-

12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em juízo dos Requer a "suspensão da ordem de desconto/repasse da

valores devidos a título de contribuição sindical. Manteve, por contribuição sindical, ainda que em garantia em juízo, até que seja

conseguinte, a decisão por meio da qual a MM. Juíza da 1ª Vara do proferida a decisão final pelo E. STF na Ação Direta de

Trabalho de Franca/SP antecipara os efeitos da tutela, nos autos da Inconstitucionalidade sobre o tema, ou, sucessivamente, até que

Tutela Cautelar Antecedente n.º 0010473-31.2018.5.15.0015, seja proferida decisão nos autos da Ação ajuizada pelo sindicato em

ajuizada pelo SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS face desta Corrigente (nº 0010473-31.2018.5.15.0015)".

RODOVIÁRIOS DE FRANCA E REGIÃO, para determinar "o

desconto da remuneração de seus empregados, vinculados a Ao exame.

estabelecimentos existentes na base territorial do requerente, da

quantia correspondente à contribuição sindical, em valor equivalente Na presente Correição Parcial, a Requerente se insurge contra a

a um dia de trabalho, efetuando-se o respectivo repasse ao decisão monocrática proferida nos autos do Mandado de Segurança

sindicato autor, observados os porcentuais estabelecidos no artigo n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, mediante a qual o Exmo.

589 da CLT", sob pena de multa de R$100.000,00 (cem mil reais), a Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, do

ser revertida em prol do Sindicato. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, deferiu parcialmente

o pedido de medida liminar nos autos do Mandado de Segurança n.º

Alega o Requerente que não obstante tenha interposto Agravo 0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar o depósito em

Regimental à decisão monocrática proferida nos autos do Mandado juízo dos valores devidos a título de contribuição sindical.

de Segurança, tal recurso não tem o condão de imprimir efeito

suspensivo à decisão que determinou os descontos da contribuição Com efeito, a decisão monocrática que deferiu parcialmente o

sindical, razão por que cabível a presente medida correicional. pedido liminar, objeto da presente Reclamação Correicional, está

assim fundamentada (grifos no original):

Assevera que o recolhimento da contribuição sindical, sem prévia

autorização dos empregados, viola o disposto no artigo 582 da

Consolidação das Leis do Trabalho, com redação dada pela Lei n.º

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 33
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(...)

Noutra vertente, o art. 3º da Lei n. 5.172/1966 / CTN - diploma legal

No presente caso, o ato coator é aquele que, reconhecendo a que tem eficácia de lei complementar - sem sofismar prevê que

inconstitucionalidade da norma mencionada, deferiu o pedido de tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo

tutela provisória do terceiro interessado e/ou litisconsorte, para valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,

impelir a ora impetrante ao recolhimento da contribuição sindical, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa

vulgo "imposto sindical", indispensável ao funcionamento da plenamente vinculada.

agremiação sindical.

E dúvida não há que a contribuição sindical em questão, antigo

Análise da matéria levaria à aparente conclusão de que inexiste "imposto sindical" - contribuição "de interesse das categorias

direito líquido e certo a ser amparado, haja vista o claramente profissionais ou econômicas" (art. 149, CF) -, tem referida natureza -

disposto no art. 545, "caput" da CLT, com a recente redação dada compulsória -, sendo aliás parte dela destinada aos cofres da União

pela Lei n. 13.467/2017, adiante: "Art. 545. Os empregadores ficam e revertida ao Fundo de Amparo do Trabalhador - FAT, que custeia

obrigados a descontar da folha de pagamento dos seus programas de seguro-desemprego, abono salarial, financiamento de

empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as ações para o desenvolvimento econômico e geração de trabalho,

contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados". emprego e renda.

Ocorre que sobredita norma é de evidente inconstitucionalidade. Bom consignar o disposto no art. 217 do CTN:

Segundo dita o art. 149 da CF/1988: "Compete exclusivamente à ............................

União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio

econômico e de interesse das categorias profissionais ou Definida tal contribuição, tendo feição de tributo, inafastável a

econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas conclusão de que tem caráter obrigatório ou compulsório, por outras

áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem palavras, não facultativo.

prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições

a que alude o dispositivo". Aqui, de ceder o passo aos eminentes Francisco Meton Marques de

Lima e Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, que

Assim, são três tipos de contribuições que podem ser instituídas superiormente asseveram: "Em virtude de sua previsão

exclusivamente pela União: contribuições sociais, contribuições de constitucional, entendemos que não pode ser {a contribuição

intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das sindical} removida por lei. Nem tornada facultativa, pois é um tributo,

categorias profissionais ou econômicas. e não há tributo facultativo. Assim, a lei ocorre em flagrante

inconstitucionalidade". (Francisco Meton Marques de Lima e

A propósito, o referido art. 146, III, estabelece: "Cabe à lei Francisco Péricles Rodrigues Marques de Lima, "Reforma

complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de Trabalhista - entenda ponto por ponto", LTr, 2017, página 90).

legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e

de suas espécies, bem como, em relação aos impostos A natureza tributária e/ou a compulsoriedade do denominado

discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos imposto sindical há muito foi reconhecida pelo Excelso STF:

geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação,

lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) ............................

adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas

sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e No mesmo sentido o entendimento do Min. CELSO DE MELLO -

favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoTexto.asp?id=2986078&t

porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do ipoApp=RTF - :

imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art.

195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. ............................

(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)"

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Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Com efeito, em respeito à hierarquia das normas e/ou à boa e finalidades, pois uma interpretação sistêmica do Texto Maior, não

técnica legislativa, a validade da modificação efetuada pelo a permitiria.

legislador, de caráter geral, e que levou à extinção da natureza

tributária da contribuição e/ou "imposto sindical", somente se Acaso se pense de maneira diversa, de realçar que absolutamente

viabiliza por lei complementar, sendo inadmissível o emprego necessário ter atenção para o fato de que, em se cuidando de

de uma lei ordinária para tal finalidade, como é o caso da Lei n. contribuição sindical, o raciocínio não pode ser o mesmo que, muita

13.467/2017, que, aliás, não tem força para extinguir o tributo vez, se faz quando o foco é o da instituição de algum tributo, pois

em questão, sequer modificá-lo na intensidade verificada, que aqui se trata do contrário, sua extinção (dissimulada pelo

tornando facultativa, o que, por definição, deve ser eufemismo "ser facultativa"), o que, a se entender possa ser feito

compulsória, como acima demonstrado. tão sem-cerimônia como foi, tornaria (rectius: torna) fácil esvaziar as

relevantes atribuições constitucionalmente conferidas aos

Repiso: a modificação e/ou extinção de um tributo notadamente a sindicatos, e que têm a ver não com um sindicato em si e por si,

alteração da sua natureza - de compulsória, para facultativa - é mas com o quão podem ser (rectius: são) necessários para tentar

matéria reservada à lei complementar. um mínimo de equilíbrio nas relações de trabalho, tão assimétricas

por natureza e mais ainda nos dias que correm, e portanto, com a

Decerto, o Exc. STF no julgamento do RE 635.682 decidiu pela centralidade do trabalho, da dignidade da pessoa humana que vive-

desnecessidade de lei complementar para instituição de do-seu-trabalho e da valorização social do trabalho, valores com

contribuição de intervenção no domínio econômico: vigor abraçados pela Carta Política e que lhe norteiam e a

interpretação que dela se faça, bem como de toda legislação

............................ infraconstitucional, aqui a essência e a indeclinável razão da

exigência de lei complementar para que alguma modificação seja

Mas destes julgados supra não se infere que contribuição de possível, é dizer, não se está defendendo a manutenção da

interesse de categorias profissional ou econômica por suas contribuição sindical por ela própria, de maneira singela e mesmo

particularidades e finalidades, que distinguem-nas das demais, não se desconhece a existência, praticamente, de um consenso

como é o caso da contribuição sindical, antigo "imposto sindical", nacional de que deva ser extinta, mas ela, não os sindicatos, nem

possa ter o seu caráter tributário - antes reconhecido por norma de os trabalhadores, quanto a estes de, por meio de seus sindicatos,

eficácia de lei complementar -, modificado por lei hierarquicamente promoverem ações para tentar melhorar suas condições de vida e

inferior - lei ordinária -. trabalho, atento aos valores apontados nas linhas transatas, o que

torna perversa e insustentável a alteração promovida, ainda por

No mesmo sentido os ensinamentos de MAURÍCIO GODINHO cima de maneira abrupta e sem qualquer período e/ou condições

DELGADO e GABRIELA NEVES DELGADO: transitórias que preparassem a retirada de sua obrigatoriedade; e

assim também há de ser para que não se acuse a CF/88, conhecida

............................ como a "Constituição Cidadã" de prometer o que não dá, acusação

já feita ao direito em geral, mas que pode ser evitado, respeitando-

À essa altura, não custa lembrar o quórum diferenciado para se seu comando e sua essência, o que faria/fará com que não lhe

aprovação da lei ordinária, que requer maioria simples - art. 47 da servissem/sirvam as observações de Carlos María Cárcova, no

CF/88 e da lei complementar, que demanda maioria absoluta - art. sentido de que "O direito se desenvolve como discurso ideológico,

69 da CF/88. enquanto promete, com a finalidade de organizar o consenso, o que

não dá: igualdade, liberdade, proteção, garantias. Mas, como toda

De fato, a CF/1988 restringe à lei complementar o estabelecimento ideologia, desconhece e reconhece ao mesmo tempo; quando ilude,

de normas gerais em matéria de legislação tributária e, portanto, alude. Assim, nos priva da igualdade, mas nos reconhece como

definição em tema tributário, caso da obrigatoriedade e/ou iguais" (Carlos María Cárcova, "A Opacidade do Direito", LTr, 1998,

facultatividade do denominado "imposto sindical", sob pena de página 167), é dizer, os trabalhadores teriam/têm os sindicatos para

inconstitucionalidade formal, ainda que a compreensão possa ser defendê-los, mas se tira desses mesmos sindicatos condições

diversa no que diz com outras espécies, não há como sê-lo, na de mínimas para fazê-lo, sem qualquer período de transição, para que

que aqui se cuida, atento, como já referido, às suas particularidades pudessem/possam obter novas fontes de custeio.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 35
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

princípio da proteção, eis que a redução da fonte de custeio

Vale acrescentar, nesse passo que menciono o artigo 8º, III e VI, da logicamente implica em franca ameaça de exaurimento econômico

Lei Maior que, por conta mesmo do que prescrevem esses incisos e dos sindicatos - cuja atuação não se restringe à defesa dos

também do inciso XXVI, do artigo 7º, da Carta Política, e a associados, compreendendo, também, os não-associados -,

importância que a CF/88 atribui aos sindicatos para o redunda, aliás, na fragilização do direito de organização e/ou

reconhecimento e atuação dos direitos fundamentais dos limitação de atuação das entidades de classe, quiçá, ameaça a

trabalhadores, numa visão sistêmica da Constituição Brasileira, que própria existência dessas associações sindicais, sobretudo, as que

tanta preocupação, cuidado e proeminência tem e confere à agregam os trabalhadores, já desprovidos de poder de negociação

dignidade da pessoa humana em geral e da que vive-do-seu- perceptível, ou seja, acentua o desequilíbrio entre capital e trabalho,

trabalho em especial, fica acrescida a importância e o fundamento em prejuízo deste, de forma imediata, mas também para a

para que a alteração feita só pudesse/possa sê-lo por meio de Lei sociedade como um todo e em seu todo.

Complementar, pois aqui, também e muito significativamente, pelos

motivos expostos, não se justificaria pudesse ser feita por simples Outrossim, cabe salientar que no Direito do Trabalho os princípios e

Lei Ordinária, atento a que, deixados à deriva os sindicatos, na normas regulam tanto o direito individual, quanto o direito coletivo

procela que está presente nas relações de trabalho hodiernamente, do trabalho, abrangendo este último, além da greve e negociação

os barcos que virarão serão dos trabalhadores, afogando-os então! coletiva, também a organização sindical.

Enfatizo, a própria Constituição estabelece no seu art. 8º, III e VI, Vale rememorar que princípio, por definição, constitui um

que "ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos mandamento nuclear de determinado sistema, que se irradia sobre

ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou as normas adjacentes.

administrativas", inclusive a obrigatoriedade da "participação dos

sindicatos nas negociações coletivas de trabalho". No mesmo A esse respeito a doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello:

sentido, o art. 592 da CLT compele o Sindicato a aplicar os valores "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema,

arrecadados na subvenção de relevantes serviços prestados à verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia

categoria como assistência jurídica, médica, odontológica, sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de

prevenção de acidentes do trabalho, educação e formação critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por

profissional, sem as quais a associação sindical perde inteiramente definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe

o seu significado. confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos

princípios que preside a intelecção das diferentes partes

E conquanto a Lei 13.467/2017 tenha pretendido tornar facultativa a componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico

contribuição sindical, antigo "imposto sindical", não modificou o positivo" - "in" Elementos De Direito Administrativo, São Paulo:

caráter obrigatório de qualquer das funções que a legislação impõe Revista dos Tribunais, 1981, p. 230."

às associações sindicais, o que representa insuperável contradição!

O Min. Orlando Teixeira da Costa, discorrendo ainda sobre o

Bem é de ver que, se a visão e a análise forem seriamente feitas, mesmo tema, elucidou:

não podem ser aceitos argumentos - balofos - de que, com a mera

substituição da obrigatoriedade pela autorização, não restaria .........

afrontada a Lei Maior, porquanto não teria sido a contribuição

sindical extirpada do ordenamento , mas apenas recebido novo e Para dissolver qualquer dúvida que se possa aventar acerca da

mais moderno fato, esse sim, a melhor vesti-la, já que, como se não incidência do princípio da proteção no Direito Coletivo do Trabalho,

desconhece, e é válido insistir, não é lícito obstar, por meios me socorro dos apontamentos do jurista Min. Wagner Pimenta,

especiosos, o que a lei diretamente estatui. adiante:

A inovação introduzida pela Lei 13.467/2017 na prática contraria os ............................

preceitos e princípios que vedam conduta antissindical, como

assinalado alhures e, de fato, constitui um risco à efetividade do Noutra vertente, enfatizo a Convenção n. 98 da OIT, aprovada pelo

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 36
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Decreto Legislativo n. 49, de 27.8.52, que assegurou a aplicação seus empregados, cuja representação seja comprovadamente

dos princípios do direito de organização e de negociação coletiva, exercida pela associação sindical - terceiro interessado -,

se inferindo de seu art. 4º que o Estado não deverá causar equivalente ao desconto de um dia de trabalho, sobre a próxima

embaraço à atividade sindical, ao contrário: folha de pagamento, procedendo da mesma forma quanto aos

novos admitidos, nas mesmas condições, ou seja, os que estiverem

............................ vinculados à representação da agremiação sindical, em qualquer

caso, independente da autorização exigida pela atual redação dos

São esclarecedoras as seguintes observações do Ilustre artigos 545 e 602 da CLT, dada pela Lei 13.467/2017

Desembargador JOÃO BATISTA MARTINS CÉSAR :

............................

Consoante disposto no artigo 13, cabeça, do RICGJT, "a Correição

A controvérsia tem marcante caráter coletivo, com fortes Parcial é cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa

implicações na continuidade do exercício da representação dos ordem processual e que importem em atentado a fórmulas legais de

trabalhadores pela associação sindical, cuja própria existência está processo, quando para o caso não haja recurso ou outro meio

flagrantemente ameaçada. processual específico".

Diversamente do que sustenta a impetrante, tem-se por presente a O parágrafo único do referido dispositivo dispõe que "em situação

competência da Justiça do Trabalho, a legitimidade ativa e passiva, extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as

a possibilidade jurídica do pedido ou possibilidade de declaração de medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação,

inconstitucionalidade em caráter incidental e através da via eleita, a assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do processo, até

própria inconstitucionalidade da Lei n. 13.467/2017 na parte que diz que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional

respeito à modificação do caráter das contribuições sindicais, o competente".

atentado à lei de responsabilidade fiscal e, noutra vertente não se

vislumbra a irreversibilidade do provimento. No presente caso, impugna-se decisão por meio da qual se deferiu

parcialmente o pedido de medida liminar, nos autos do Mandado de

Descabe falar de inadequação da via eleita, haja vista que a Segurança n.º 0006455-12.2018.5.15.0000, apenas para determinar

declaração de inconstitucionalidade requerida e deferida, como o depósito em juízo dos valores devidos a título de contribuição

exposto, tem caráter meramente incidental. Igualmente, não se fale sindical. Manteve-se, por conseguinte, a decisão por meio da qual

de repristinação, porquanto, como assinalado já, a alteração se antecipara os efeitos da tutela para determinar o desconto e o

legislativa não revogou o direito à contribuição sindical - antigo recolhimento dos valores devidos a título de contribuição sindical,

imposto sindical -, apenas, pretendeu torná-lo facultativo, sendo que de todos os empregados da ora Requerente.

as normas do CTN, que qualificam as contribuições como tributo, e

ainda por compulsório todo e qualquer tributo, permanecem em Conforme se extrai do excerto antes transcrito, a decisão objeto da

vigor. Por derradeiro, não vislumbro a irreversibilidade aventada presente Reclamação Correicional confirmou a liminar

pelo impetrante, tampouco a probabilidade do direito e o perigo da anteriormente deferida, exceto em relação à forma de cumprimento

demora que anuncia; ao contrário, está com o terceiro da obrigação, registrando que o "depósito, por cautela, será liberado

interessado/Sindicato a probabilidade do direito e o perigo da somente após solução da controvérsia".

demora, visto que provado da sua fonte histórica de receita.

Restou observada, portanto, a preocupação com a configuração do

Confirmo a r. decisão atacada em todos os seus termos, exceto em dano de difícil reparação, tendo em vista que houve determinação

relação à forma de cumprimento da obrigação, cujo depósito, por expressa de que o depósito das contribuições sindicais fosse

cautela, será liberado somente após solução da controvérsia. efetuado em conta vinculada ao juízo.

A empresa impetrante deverá, assim, descontar e depositar, em Não se vislumbra, na hipótese dos autos, erro, abuso ou ato

juízo, as contribuições sindicais - "imposto sindical" - de todos os contrário à boa ordem processual de que trata a cabeça do artigo 13

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 37
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

do RICGJT, a justificar o deferimento da medida correicional

requerida. A atuação do Exmo. Desembargador Relator ateve-se Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

aos limites da sua competência jurisdicional em sede de ação

mandamental.

Tampouco se identifica, na situação que emerge dos autos, a

propalada situação extrema ou excepcional a justificar a intervenção

desta Corregedoria-Geral.

Com efeito, não resta caracterizada, na presente hipótese, a

impossibilidade de reversão do provimento deferido em caráter Secretaria-Geral Judiciária


antecipatório e mantido pelo Tribunal Regional, pois, se ao final Despacho
prosperarem os argumentos da Requerente, o órgão jurisdicional
PETIÇÃO TST-PET-129738/2018-3
competente poderá determinar a devolução dos valores recolhidos a
Requerente: JOHN DEERE BRASIL LTDA.
título de contribuição sindical e depositados em conta vinculada ao Advogado: Dr. Rafael Bicca Machado (44096/RS)
juízo.
(Ref. Processo RR - 20402-74.2014.5.04.0261 )
Recorrido(s): PAULO RICARDO MACHADO
Constata-se, assim, que a decisão ora impugnada foi proferida nos Advogado: Dr. Daniel Coral(78176/RS)
estritos limites da atuação jurisdicional do seu prolator, não sendo Recorrente(s): JOHN DEERE BRASIL LTDA.
Advogado: Dr. Rafael Bicca Machado(44096/RS-A)
possível, a partir dos elementos presentes nos autos, configurar a

situação de dano irreparável, a justificar a intervenção excepcional

desta Corregedoria, com base no artigo 13 e seu parágrafo único,

do RICGJT.

O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho.


Ante o exposto, com fundamento no artigo 20, III, do RICGJT,
Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato
JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na presente
90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da
Correição Parcial. presente petição.

Publique-se.
Dê-se ciência desta decisão, mediante ofício, à Requerente, ao

Exmo. Desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto

Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, ao juízo Brasília, 18 de maio de 2018.

da 1ª Vara do Trabalho de Franca/SP e ao terceiro interessado


Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)
(SINDICATO DOS CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS

DE FRANCA E REGIÃO). VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO


Secretário-Geral Judiciário

Publique-se.
No uso da atribuição conferida pelo art. 1º, X, “a”, do Ato

90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento das


Transcorrido o prazo regimental, arquive-se.
petições a seguir relacionadas, tendo em vista que os processos

aos quais se reportam não tramitam no Tribunal Superior do


Brasília, 17 de maio de 2018.
Trabalho:

PETIÇÃO N.º 106652/2018-1

Requerente: JOSÉ CARLOS FERNANDES DA COSTA

Advogado: Antônio Cândido Osório Neto 14764/DF

Ref. Processo AIRR - 251-30.2014.5.04.0571


Ministro LELIO BENTES CORRÊA

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 38
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

PETIÇÃO N.º 114146/2018-9 Requerente: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS

Requerente: EDSON DINIZ RODRIGUES Advogado: Dirceu Marcelo Hoffmann 16538/GO

Advogado: Luiz Fernando Lopes Abrantes 183575/SP Ref. Processo AIRR - 1385-83.2016.5.05.0122

PETIÇÃO N.º 117236/2018-9 PETIÇÃO N.º 117966/2018-0

Requerente: BANCO BRADESCO S.A. Requerente: JOSÉ FERNANDES PACHECO

Advogado: Vidal Ribeiro Ponçano 91473/SP Advogada: Maria Cristina Patau Blandy 132742/SP

PETIÇÃO N.º 114610/2018-0 PETIÇÃO N.º 117969/2018-1

Requerente: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS Requerente: SONDA PROCWORK INFORMÁTICA LTDA.

Advogado: Dirceu Marcelo Hoffmann 16538/GO Advogado: Dennis Olimpio Silva 182162/SP

Ref. Processo AIRR - 674-59.2013.5.02.0254

PETIÇÃO N.º 118158/2018-6

PETIÇÃO N.º 116183/2018-9 Requerente: BUNDY REFRIGERAÇÃO BRASIL INDÚSTRIA E

Requerente: ARLENE SILVA LEITE COMÉRCIO LTDA.

Advogado: Mario Jorge Oliveira de Paula Filho 2908/AM Advogado: Roberta Aline Oliveira Visotto 290665/SP

Ref. Processo AIRR - 2683-69.2016.5.11.0017 Ref. Processo AgR-E-AIRR - 648-38.2012.5.15.0059

PETIÇÃO N.º 116033/2018-0 PETIÇÃO N.º 117584/2018-0

Requerente: GETNET ADQUIRÊNCIA E SERVIÇOS PARA MEIOS Requerente: SAN MARINO ÔNIBUS E IMPLEMENTOS LTDA.

DE PAGAMENTO S.A. Advogado: Cláudio Dias de Castro 32361/RS

Advogado: Marcelo Vieira Papaleo 62546/RS Ref. Processo AIRR - 567-04.2010.5.04.0403

Ref. Processo AIRR - 950-76.2014.5.03.0109

PETIÇÃO N.º 117554/2018-7

PETIÇÃO N.º 120927/2018-9 Requerente: SAN MARINO ÔNIBUS E IMPLEMENTOS LTDA.

Requerente: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS Advogado: Cláudio Dias de Castro 32361/RS

Advogado: Dirceu Marcelo Hoffmann 16538/GO Ref. Processo RR - 1394-40.2013.5.12.0030

Ref. Processo AIRR - 876-50.2016.5.21.0012

PETIÇÃO N.º 119224/2018-0

PETIÇÃO N.º 119284/2018-7 Requerente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 20ª

Requerente: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS REGIÃO

Advogado: Dirceu Marcelo Hoffmann 16538/GO Subprocurador-Geral do Trabalho: Eneas Bazzo Torres

Ref. Processo AIRR - 16600-39.2012.5.21.0011 Ref. Processo ED-AIRR - 849-74.2014.5.20.0009

PETIÇÃO N.º 120477/2018-4 PETIÇÃO N.º 117191/2018-2

Requerente: MARCOPOLO S.A. Requerente: CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO

Advogado: Cláudio Dias de Castro 32361/RS BANCO DO BRASIL - PREVI

Ref. Processo AIRR - 21694-62.2014.5.04.0401 Advogado: Jorge André Ritzmann de Oliveira 11985/SC

Ref. Processo E-RR - 148500-54.2007.5.09.0303

PETIÇÃO N.º 120492/2018-5

Requerente: CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO PETIÇÃO N.º 117746/2018-0

BANCO DO BRASIL - PREVI Requerente: LOJAS LE BISCUIT S.A.

Advogado: Jorge André Ritzmann de Oliveira 11985/SC Advogada: Mylena Villa Costa 14443/BA

Ref. Processo AIRR - 1625-57.2012.5.09.0007

PETIÇÃO N.º 117122/2018-4

PETIÇÃO N.º 120941/2018-6 Requerente: CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 39
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

BANCO DO BRASIL - PREVI


Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato
Advogado: Jorge André Ritzmann de Oliveira 11985/SC 90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da
Ref. Processo Ag-AIRR - 50200-88.2005.5.09.0089 presente petição.

Publique-se.
PETIÇÃO N.º 112558/2018-0

Requerente: ERMÍNIO BATISTA DOS SANTOS


Brasília, 18 de maio de 2018.
Advogada: Luciana Maria de Ornelas 168929/SP

Ref. Processo AIRR - 252-30.2012.5.02.0445 Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)

VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO


PETIÇÃO N.º 108546/2018-9
Secretário-Geral Judiciário
Requerente: VALE S.A.

Advogado: Nilton da Silva Correia 1291/DF PETIÇÃO TST-PET-126677/2018-3


Ref. Processo RR - 3113-42.2014.5.17.0011 Requerente: MARCOPOLO S.A.
Advogado: Dr. Cláudio Dias de Castro (32361/RS)

(Ref. Processo AIRR - 20082-80.2014.5.04.0404 )


Publique-se. Agravante(s): MARCOPOLO S.A.
Advogado: Dr. Volmir André Paza(45534/RS)
Brasília, 17 de maio de 2018.
Agravado(s): LUIZ ANCELMO VENDRUSCOLO
Advogado: Dr. Giorgio Massignani Toledo(44516/RS)

VALÉRIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO

Secretário-Geral Judiciário do TST


O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho.

Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato


PETIÇÃO TST-PET-128152/2018-1 90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da
Requerente: DASA DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA S.A. presente petição.
Advogada: Dra. Tatiane de Cicco Nascimbem (201296/SP)

Publique-se.

O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho. Brasília, 18 de maio de 2018.

Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)
90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da
presente petição. VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO
Secretário-Geral Judiciário
Publique-se.

PETIÇÃO TST-PET-127018/2018-3
Requerente: TELEFÔNICA BRASIL S.A.
Brasília, 18 de maio de 2018.
Advogada: Dra. Viviane Castro Neves Pascoal Maldonado Dal Mas
(136069/SP)
Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)

(Ref. Processo AIRR - 162000-27.2003.5.02.0012 )


VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO
Agravado(s): JUSCIÊ LEÃO LIMA
Secretário-Geral Judiciário
Advogado: Dr. Márcio Loureiro(178050/SP)
Agravante(s): TELEFÔNICA BRASIL S.A.
PETIÇÃO TST-PET-128056/2018-0 Advogado: Dr. Carlos Roberto Siqueira Castro(169709/SP-A)
Requerente: ALCATEL - LUCENT BRASIL S.A. Advogado: Dr. José Alberto Couto Maciel(513/DF-A)
Advogado: Dr. João Paulo Fogaça de Almeida Fagundes
(154384/SP)

O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 40
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Recorrente(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES


O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho. NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS,
MECÂNICAS E DE MATERIAL
ELÉTRICO E ELETRÔNICO E DE
Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato FIBRAS ÓPTICAS DE CAMPINAS,
90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da INDAIATUBA, AMERICANA, MONTE
MOR, VALINHOS, NOVA ODESSA,
presente petição. PAULÍNEA, SUMARÉ E
HORTOLÂNDIA
Publique-se. Advogado Dr. Marcos Ferreira da Silva(OAB:
120976/SP)
Recorrido(s) ROBERT BOSCH LTDA.
Advogado Dr. Mozart Victor Russomano
Brasília, 18 de maio de 2018. Neto(OAB: 29340/DF)

Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006) Intimado(s)/Citado(s):


- ROBERT BOSCH LTDA.
VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
Secretário-Geral Judiciário METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E
ELETRÔNICO E DE FIBRAS ÓPTICAS DE CAMPINAS,
INDAIATUBA, AMERICANA, MONTE MOR, VALINHOS, NOVA
PETIÇÃO TST-PET-126943/2018-1 ODESSA, PAULÍNEA, SUMARÉ E HORTOLÂNDIA
Requerente: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS
Advogado: Dr. Dirceu Marcelo Hoffmann (16538/GO) ACÓRDÃO

SDC
(Ref. Processo AIRR - 660-04.2016.5.11.0001 )
Agravado(s): RAIMUNDO FELINTO DE ARAÚJO FILHO GMACV/mp
Advogado: Dr. Luiz Eduardo Lustosa de Oliveira(833/AM)
Advogado: Dr. Peterson Gustavo Germano Motta(7051/AM)
PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE CONDIÇÕES DA AÇÃO
Agravado(s): PETROBRAS TRANSPORTE S.A. - TRANSPETRO
Advogado: Dr. Sylvio Garcez Júnior(7510/BA) ARGUIDA EM CONTRARRAZÕES PELA EMPRESA
Agravante(s): PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS SUSCITADA. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA JURÍDICA.
Advogado: Dr. Nelson Wilians Fratoni Rodrigues(598/AM-A)
DISPENSA COLETIVA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. O Pleno
Agravado(s): M BRAS CONSTRUÇÕES, CONSULTORIA E
TECNOLOGIA LTDA. do Tribunal Superior do Trabalho sedimentou o entendimento de
Advogada: Dra. que a discussão acerca da configuração de dispensa em massa ou

coletiva é típica de dissídio individual do trabalho, ainda que

plúrimo, não sendo admitido o ajuizamento de dissídio coletivo de

natureza jurídica para análise do pleito. Isso porque o objeto do

dissídio coletivo de natureza jurídica é a interpretação de normas


O processo indicado não tramita no Tribunal Superior do Trabalho.
coletivas pré-existentes ou de disposição legal particular à
Assim, no uso da atribuição conferida pelo art. 1º, VII, do Ato determinada categoria profissional ou econômica. O presente
90/SEGJUD.GP, de 27/02/18, determino o arquivamento da
dissídio coletivo busca a anulação da dispensa coletiva, com
presente petição.
reintegração dos trabalhadores, tendo nítido viés desconstitutivo e
Publique-se. condenatório, não se enquadrando, portanto, na definição de

dissídio coletivo de natureza jurídica. Não evoca, como se infere,

Brasília, 18 de maio de 2018. interpretação de norma pré-existente, nem de comando de

dispositivo de lei, porque, anteriormente à Lei nº 13.467/2017,


Firmado por assinatura digital (Lei 11.419/2006)
situação dos autos, não havia regramento acerca da dispensa

VALERIO AUGUSTO FREITAS DO CARMO coletiva, como agora se dá com o art. 477-A. Trata-se, portanto, de
Secretário-Geral Judiciário tutela de interesses concretos e individuais de trabalhadores,

incompatível com a via eleita do dissídio coletivo, notadamente o


Secretaria do Tribunal Pleno, do Órgão Especial e dissídio de natureza jurídica. Preliminar de contrarrazões que se
da Seção Especializada em Dissídios Coletivos acolhe quanto à inadequação da via eleita, para extinguir o feito
Acórdão sem julgamento do mérito, nos termos do art. 485, VI, do CPC,

ficando prejudicada a apreciação do recurso ordinário.


Processo Nº RO-0000069-73.2012.5.15.0000
Complemento Processo Eletrônico
Relator Min. Aloysio Corrêa da Veiga
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°

TST-RO-69-73.2012.5.15.0000, em que é Recorrente SINDICATO

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 41
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, dias 16 e 17/01/2012 foram cerca de 40 (quarenta): demissões, sem

MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO E DE que houvesse negociação prévia com o Sindicato suscitante ou

FIBRAS ÓPTICAS DE CAMPINAS, INDAIATUBA, AMERICANA, informações acerca das demissões, existindo violação aos

MONTE MOR, VALINHOS, NOVA ODESSA, PAULÍNEA, Princípios e Normas Constitucionais protetivas dos direitos dos

SUMARÉ E HORTOLÂNDIA e Recorrido ROBERT BOSCH LTDA.. trabalhadores (direito à informação - art. 5º, XIV, da CF, princípio da

boa-fé - art. 422 do CC, princípio da proteção contra a demissão

O eg. TRT julgou totalmente improcedente o dissídio coletivo de sem justa causa - art. 7º, I, da CF, princípio da democracia e a

natureza jurídica, por entender não caracterizada a dispensa participação obrigatória do Sindicato nas questões coletivas - art. 7º,

coletiva. XXVI, da CF).

O sindicato autor interpõe recurso ordinário, buscando a reforma Afirma, o Suscitante, que a ausência de negociação prévia se deu

dessa decisão. Alega, em síntese, caracterizada a dispensa em por culpa do Suscitado e, por imperativo constitucional, de acordo

massa sem que a suscitada houvesse procedido à necessária com o art. 8º, VI, da CF, é indispensável a sua participação por

negociação coletiva. Pugna pela reforma da decisão recorrida para entender tratar-se de demissão em massa ou coletiva.

que sejam declaradas nulas as dispensas, reintegrados os Nesse sentido, formula as seguintes pretensões:

trabalhadores dispensados e condenada a empresa ao pagamento

dos salários devidos desde o período da dispensa até a a) deferimento da tutela antecipada a fim de suspender as

reintegração e proibida a ré de proceder a novas dispensas demissões e reintegrar os demitidos, bem como efetuar o

coletivas sem que proceda à negociação coletiva. pagamento dos salários desde a demissão até a efetiva

O recurso foi admitido, no efeito devolutivo. reintegração e, finalmente, o restabelecimento de todos os

Foram apresentadas contrarrazões, com preliminar de ausência de benefícios e direitos dos trabalhadores;

condições da ação (impossibilidade jurídica do pedido e b) seja instaurada negociação com o Suscitado;

inadequação da via eleita), requerendo-se, no mérito, a manutenção c) frustrada a negociação, sejam julgados procedentes os pedidos

da decisão recorrida. do Dissídio de natureza jurídica, bem como, declarado que a

Não há parecer do Ministério Público do Trabalho. negociação coletiva é imprescindível para a dispensa em massa de

É o relatório. trabalhadores;

d) que se declarem nulas as demissões ocorridas a partir de

VOTO novembro de 2011, bem como, que se condene o Suscitado a

reintegrar os trabalhadores com pagamento de salários e direitos

PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE CONDIÇÕES DA AÇÃO desde a demissão até a efetiva reintegração;

ARGUIDA EM CONTRARRAZÕES PELA EMPRESA e) que os Suscitados sejam obstados em demitir outros

SUSCITADA. DISSÍDIO COLETIVO NATUREZA JURÍDICA. empregados sem que exista prévia negociação com o Suscitante;

DISPENSA COLETIVA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. f) honorários advocatícios, no importe de 15% sobre o valor da

As contrarrazões foram apresentadas tempestivamente e têm causa, e;

regular representação, sendo certo que o recurso de maneira que g) benefícios da Justiça Gratuita.

delas conheço.

A Empresa Suscitada alega que o dissídio coletivo não atende às Designada Audiência para o dia 30/01/2012, compareceram as

condições da ação, seja porque o pedido é juridicamente partes (fls. 70/71). Pelo Suscitante foi dito que consideraria

impossível, seja porque a via eleita seria inadequada. demissão em massa quando envolvesse 30 ou mais trabalhadores

O eg. TRT julgou improcedente o pedido, porque não caracterizada por mês. Pelo Suscitado foi dito que considera demissão em massa

a dispensa coletiva: aquela que atingisse 30% ou mais do total dos empregados, de

fôrma definitiva. Pela Presidência foram indeferidos os pedidos de

Trata-se de Dissídio Coletivo de natureza jurídica com pedido de tutela antecipada, que serão apreciados pelo Relator

liminar, proposto pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES... em oportunamente e formulada proposta no sentido de que as

face do suscitado ROBERT BOSCH LTDA. demissões de mais de 50 empregados, por mês, seria considerada

O Suscitante alega que o Suscitado... entre 16/11/2011 até demissão em massa, ensejando a necessidade de negociações

18/01/2012 já demitiu em torno de 210 funcionários, sendo que nos entre as partes.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 42
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

O Suscitado apresentou defesa, às fls. 72/91, requerendo, informação/caracterizando assim o abuso do direito (art. 187 do

preliminarmente, a declaração de inépcia da petição inicial, em CC). Alega que a preocupação trazida pelo Suscitante revela sua

razão da ausência de causa de pedir; ausência da condição da pertinência, especialmente para os meses futuros, tendo em vista

ação, em razão da impossibilidade jurídica do pedido e inadequação que o quadro apresentado pelo Suscitado à fl, 84, denominado

jurídica da ação, por impossibilidade jurídica de efeitos cominatórios "fluxo de mão-de-obra ano 2011, na coluna "variação (Admissões-

ou condenatórios via dissídio coletivo de natureza jurídica. No Desligamentos)" apresenta um saldo negativo a partir de outubro de

mérito, pugna pela improcedência dos pedidos, sustentando que as 2011, ou seja, as demissões foram superiores ao número de

alegações apresentadas pelo Suscitante foram fantasiosas e que empregados admitidos (média de 60/70 trabalhadores) e, em janeiro

não retrataram a realidade dos fatos porque não houve dispensas de 2012, tal número duplicou para 138 trabalhadores (item 4 - fl.

em massa; pelo contrário, houve aumento do número total de 85). Finalmente, indevidos os honorários advocatícios, pois o

trabalhadores no ano de 2011, conforme demonstração, à fl. 84, nos Sindicato atua como representante de sua categoria (art. 513, a, da

dados da CAGED - fluxo de mão-de-obra (Ano 2011). Ressalta que CLT). Assim, merece acolhimento parcial os pedidos lançado sob as

o judiciário não pode proferir determinação que viole ou restrinja o letras "a" e "b", "in verbis":

Princípio da Legalidade (art. 5°, II, da CF); o Direito à Propriedade

(art. 5o, XXII, da CF) e os poderes de direção conferidos ao Letra "a": seja instaurada negociação entre as partes;

empregador (art. 2o, da CLT), por se tratar, a demissão em Letra "b": "sendo frustrada a negociação, seja julgado procedente o

massa/coletiva, matéria sem regulamentação e ausente qualquer dissídio coletivo de natureza jurídica para declarar que a

abuso de direito. Pugna pela extinção quanto aos honorários negociação coletiva referida na premissa - a negociação coletiva é

advocatícios, sem julgamento de mérito, por não estarem imprescindível par a dispensa em massa de trabalhadores -, que foi

preenchidos os requisitos legais da Súmula n. 219, do TST. Por fim, fixada pelos Ministros do TST nos autos do Recurso Ordinário em

por se tratar de pessoa jurídica, atuando em nome próprio, na Dissídio Coletivo TST-RODC-309/2009-000-15-00-4, deve ser

defesa do interesse de terceiros, o Sindicato não faz jus ao prévia, diretamente com a entidade estatal, que deverá ampla,

benefício da justiça gratuita. Juntou documentos às fls. 92/142. transparente, democrática, cooperativa e assentada na boa-fé".

Manifestação à defesa, pelo Suscitante, às fls. 145/160. Juntou (grifado no original).

documentos novos às fls. 161/168.

Parecer da D. Procuradoria às fls. 171/176, opinando pelo PRELIMINARES

conhecimento do dissídio interposto e, em relação às preliminares, INÉPCIA DA INICIAL.

pela extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267, IV, (...)

do CPC), quanto aos pedidos de letras "c" e "d", cuja natureza é

eminentemente declaratória e não condenatória (obrigação de fazer AUSÊNCIA DA CONDIÇÃO DA AÇÃO E SUA ADEQUAÇÃO

e não fazer). JURÍDICA (...)

Letra "c":"... que declare a nulidade das demissões coletivas ou em MÉRITO

massa levadas a efeito pela suscitada a partir de novembro de 2011 DISPENSA EM MASSA DE TRABALHADORES - NECESSIDADE

e a condene a reintegrar os demitidos e a pagar-lhes regularmente DE NEGOCIAÇÃO PRÉVIA COM O SINDICATO

os salários devidos do período trabalhado da demissão até a REPRESENTATIVO DA CATEGORIA - PRIORIDADE DE

reintegração, bem como restabelecer todos os benefícios e direitos RECONTRATAÇÃO DOS DEMITIDOS.

que os trabalhadores vinham recebendo"; Ab initio, cumpre ressaltar que inexiste, no ordenamento jurídico

Letra "d": "... proíba a suscitada de levar a cabo novas demissões pátrio, qualquer vedação à despedida coletiva arbitrária de

em massa, sem que , antes proceda à negociação coletiva prévia trabalhadores.

direta com o Sindicato da Categoria, que deverá ser ampla, A demissão individual é regrada pelo direito individual do trabalho

transparente, democrática, cooperativa e assentada na boa-fé". que atualmente permite à empresa não motivar nem justificar o ato,

sendo suficiente a homologação da rescisão no órgão competente e

No mérito, afirma que a dispensa coletiva praticada sem a o devido pagamento das verbas rescisórias.

participação prévia do sindicato viola a boa-fé objetiva (artigos 5o, Todavia, no caso de demissão coletiva que atinge um grande

da LICC e 422, da CC) e os princípios da confiança e da número de trabalhadores, em razão do impacto que causam na vida

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 43
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de inúmeros trabalhadores com repercussão na coletividade, erigiu- concretas, mas a um grupo de trabalhadores identificáveis apenas

se como regra e princípio de direito coletivo do trabalho, a por traços não-pessoais, como a lotação em certa seção ou

necessária e prévia negociação coletiva com o sindicato da departamento da empresa, a qualificação profissional, ou o tempo

categoria profissional. de serviço. A causa da dispensa é comum a todos, não se

Tal se deu após a emblemática e paradigmática decisão proferida prendendo ao comportamento de nenhum deles, mas a uma

por este Egrégio Tribunal no caso da EMBRAER, tendo como necessidade da empresa", (ob.cit.575).

relator o ilustre Desembargador José Antônio Pancotti (Proc.00309-

2009-000-15-00-4). E prossegue renomado autor:

O Colendo TST, ao apreciar o recurso interposto da decisão

proferida firmou entendimento para casos futuros de que: "a "A finalidade do empregador ao cometer a dispensa coletiva não é

negociação coletiva é imprescindível para a dispensa em massa de abrir vagas ou diminuir, por certo tempo, o número dos empregados

trabalhadores". (grifo nosso). Seu desígnio é, ao contrário, reduzir definitivamente o

Há inúmeros princípios e regramentos jurídicos que embasam tal quadro do pessoal. Os empregados dispensados não são

entendimento, notadamente os princípios previstos na Constituição substituídos, ou porque se tornaram desnecessários, ou porque não

Federal quanto à dignidade da pessoa humana, ao valor social do tem a empresa condições de conservá-los."

trabalho e a função social da empresa, todos previstos nos artigos (...)

1º, inciso III e IV e art. 170 caput e III da Constituição Federal. Outro "Não se deve, portanto, entravar com medidas jurídicas o

princípio que embasa a participação do sindicato quando necessária crescimento e o progresso das empresas, nem permitir, do mesmo

demissão em massa de trabalhadores se fundamenta na passo, que, para se fortalecerem, se desapartem de numerosos

democracia que deve existir na relação capital/trabalho e na prévia empregados privando-os da fonte de sua subsistência e tornando-

negociação coletiva para solução dos conflitos coletivos, previstos os as vítimas preferidas do desenvolvimento. Tanto não devem ser

nos artigos 7º, inciso, XXVI, art. 8°, III e V e artigos 10 e 11 da admitidas dificuldades à reorganização das empresas como não se

Constituição Federal. No âmbito internacional, temos as pode imolar a esse impulso progressista o direito ao emprego, a

Convenções e Recomendações Internacionais da OIT, notadamente mais positiva expressão da liberdade de trabalho.

as Recomendações, números 98, 135 e 154 e ainda o princípio do Por outro lado, sendo a redução de quadro do pessoal um problema

direito à informação previsto na Recomendação 163 da OIT também que, em certa dimensão, interessa ao segmento da sociedade onde

previsto no artigo 5°, inciso XIV da Constituição Federal, Toda atua a empresa que a efetiva por motivos técnicos, a ele não deve

demissão em massa deve, assim, ser precedida da negociação ficar alheia", (ob.cit.pág.575 e 576).

coletiva, precedente já firmado no âmbito do TST.

Necessária, assim, a definição do que se entende por demissão em Colhe-se, assim, do conceito erigido por Orlando Gomes que a

massa de trabalhadores. definição coletiva de trabalhadores caracteriza-se por uma única e

Tal definição è dada por Orlando Gomes em artigo publicado Sob o exclusiva causa determinante. Também caracteriza-se pela não

título "Dispensa Coletiva na Reestruturação da Empresa", publicado substituição de empregados demitidos. E finalmente tenderia a

pela Revista LTr nº38, páginas 575/579, janeiro de 1974: empresa a reduzir definitivamente o quadro de pessoal e não como

uma medida temporária.

"Dispensa coletiva é a rescisão simultânea, por motivo único, de Não há, no caso concreto, qualquer indicação de qual seria a causa

uma pluralidade de contratos de trabalho numa empresa, sem da suposta demissão em massa de trabalhadores afirmada pela

substituição dos empregados dispensados, (grifo nosso). suscitante.

Dois traços caracterizam a dispensa coletiva, permitindo distingui-la A informação que se colhe na inicial é de que "segue um forte

nitidamente dá dispensa plúrima. São: a) a peculiaridade da causa; comentário dentro da empresa de que a meta total de demissões

b) a redução definitiva do quadro de pessoal". Na dispensa coletiva seja de 1.000 trabalhadores"; "a empresa de forma dissimulada está

é única e exclusiva a causa determinante. O empregador, aplicando demissões em massa, deixando sem qualquer

compelido a dispensar certo número de empregados, não se propõe perspectiva o trabalhador demitido. Afinal, não é normal uma

a despedir determinados trabalhadores, senão aqueles que não multinacional do porte da Bosch demitir em um único dia mais de 40

podem continuar no emprego. Tomando a medida de dispensar trabalhadores" - fls.04.

uma pluralidade de empregados não visa o empregador a pessoas A suscitada, ao contestar o feito, refuta taxativamente a demissão

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 44
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coletiva de trabalhadores, lembrando que em seu parque fabril caracterizar ou não, a demissão em massa de trabalhadores, além

laboram cerca de 6.000 empregados. de formas de minimizar o impacto que a demissão em massa

Sustenta que as alegações apresentadas pelo Suscitante foram produz na sociedade.

fantasiosas e que não retrataram a realidade dos fatos porque não E, principalmente," como salienta o Ministro Maurício Godinho

houve dispensas em massa; pelo contrário, houve aumento do Delgado na obra "Direito Coletivo do Trabalho" (LTr, 2010,

número total de trabalhadores no ano de 2011, conforme pag.126): "É evidente que, embora existam no plano do Direito

demonstrado, à fls. 84, nos dados da CAGED - fluxo dê mão-de- Coletivo outros mecanismos de pacificação de conflitos, desponta,

obra (Ano 2011). sem dúvida, a negociação coletiva, na qualidade de instrumento de

Traz os seguintes números mês a mês do CAGED - Cadastro Geral autocomposição, como o mais relevante desses instrumentos

de Empregados e Desempregados (documentos de fls. 120 a 131, pacificatórios. A negociação coletiva trabalhista cumpre também

NÃO IMPUGNADOS) para comprovar suas alegações e que função social e política de grande importância. Ao lado e em

demonstram que no ano de 2011 foram admitidos 919 novos harmonia com os demais institutos juscoletivos, ela se torna um dos

empregados e demitidos 665 empregados. mais relevantes instrumentos de democratização de poder, no

Tais números comprovam indubitavelmente que a empresa âmbito social, existente nas modernas sociedades democráticas -

suscitada durante todo o ano de 2011: desde que estruturada de modo também democrático", (grifo

nosso).

- manteve índice estável de desligamentos próximo a 1%; Buscar a tutela jurisdicional sem o esgotamento das possibilidades

- o total de desligamentos no ano é inferior as contratações de autocomposição certamente não se insere na busca democrática

realizadas no mesmo período; de soluções para o conflito laboral por parte do suscitante.

- no transcorrer do ano de 2011 houve aumento do!;número total de Tal atitude está expressa na inicial quando o sindicato suscitante

trabalhadores na empresa em 254 postos de trabalho (o que afirma que: "em reunião com a empresa questionou a respeito das

corresponde a 4,61% do total de empregados). demissões sendo que esta negou que as mesmas existam, negou

ainda a possibilidade de ser grande o número de trabalhadores, o

Assim, não há como se entender, diante das provas dos autos, que na prática não vem se configurando. Assim, entendemos que

notadamente do número de demitidos e admitidos, que a suscitada implicitamente houve a recusa da empresa em comunicar as

vem promovendo demissões em massa de seus trabalhadores. Os demissões e sequer abrir algum tipo de negociação para que as

números desmentem a afirmação. Na verdade, o suscitante parte mesmas não ocorram." - fls.5 da inicial.

de um "boato" surgido na empresa para judicializar um conflito Ora, não afirma ou demonstra a suscitante que notificou a empresa

sequer existente. suscitada oficialmente de sua preocupação com o número de

Ora, já é hora de o sindicato, como legítimo e exclusivo demissões. Sequer postulou junto ao Ministério do Trabalho uma

representante dos trabalhadores, assumir o papel de protagonista mesa redonda de negociações. Ou ainda, não verifico tenha

nos conflitos inerentes a relação capital/trabalho e não tentado, junto ao Ministério Público do Trabalho, um Termo de

simplesmente bater às portas dos tribunais buscando a negociação Ajustamento de Conduta. Negou-se, portanto, a busca da

coletiva que não são capazes de entabular, pois não é com a autocomposição de conflitos, ainda que por meio de mediação.

atitude de confronto, de raro diálogo com as empresas que os Preferiu, porque fácil, bater às portas do Judiciário. Busca o

sindicatos conseguirão levar a bom termo qualquer negociação sindicato suscitante, assim, a democracia na empresa, democracia

coletiva que se proponham a realizar. esta que não oferece em troca, preferindo a forma heterônoma de

Em outras palavras, não basta que a Justiça do Trabalho estipule e solução do conflito, aquela que revela a presença do Estado: a

reafirme a necessidade de negociação coletiva para as questões tutela estatal.

que envolvam direitos coletivos do trabalhadores. É necessário que Como bem salientou o Desembargador Pancotti em seu brilhante

tal sentimento parta das próprias entidades envolvidas no conflito voto no caso da EMBRAER:

coletivo, pois a negociação coletiva e o seu produto, a convenção

coletiva de trabalho, tem como primordial função justamente "Com tal espírito, porém, fica difícil implantar no País uma cultura de

estabelecer cláusulas obrigacionais dirigidas especificadamente aos negociação direta e produtiva nas relações de trabalho. Felizmente,

sujeitos envolvidos. E para cada setor estabelecer, por exemplo, o panorama geral que se apresenta em outros setores empresariais

qual o percentual de demissões aceitável e suficiente para é de espírito de negociação direta com os representantes sindicais,

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 45
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viabilizando soluções sem a intervenção do Estado. É o que se A Orientação Jurisprudencial 7 da SDC e o art. 241, II, do RITST

observa das inúmeras convenções e acordos, coletivos de trabalho delimitam o cabimento do dissídio coletivo de natureza jurídica:

que encartam os processos examinamos no dia-a-dia no Tribunal. O

que se vê são Programas de Incentivo à Demissão Voluntária e de 07. DISSÍDIO COLETIVO. NATUREZA JURÍDICA.

outras formas de rescisões contratuais coletivas ou em massa, que INTERPRETAÇÃO DE NORMA DE CARÁTER GENÉRICO.

revelam o mais elevado respeito à dignidade da pessoa humana, do INVIABILIDADE. (inserida em 27.03.1998)

cidadão trabalhador." Não se presta o dissídio coletivo de natureza jurídica à interpretação

de normas de caráter genérico, a teor do disposto no art. 313, II, do

Ora, as relações entre capital e trabalho são muito dinâmicas e não RITST.

podem ficar a espera da manifestação judicial. A Constituição

Federal de 1988 aboliu a mediação obrigatória do Ministério do Art. 241. Os dissídios coletivos podem ser:

Trabalho antes da instauração do dissídio coletivo. O que não (...)

implica dizer que as partes não possam voluntariamente dela se II - de natureza jurídica, para interpretação de cláusulas de

servir. Também o Ministério Público do Trabalho tem importante sentenças normativas, de instrumentos de negociação coletiva,

papel a cumprir na mediação dos conflitos coletivos. E assim, não acordos e convenções coletivas, de disposições legais particulares

será necessário que o Judiciário Trabalhista precise a toda hora se de categoria profissional ou econômica e de atos normativos; (...).

manifestar, apenas para lembrar às partes a necessidade da

negociação coletiva, em atitude que, no caso dos autos, beira a má- Conclui-se que o dissídio individual é o meio adequado para buscar

fé do sindicato suscitante. a desconstituição de situações contratuais e reparação de lesões.

Além disso, entendo que não cabe à Justiça estipular critérios No caso, o pedido é alusivo à anulação de dispensa coletiva, com

percentuais para a caracterização de demissão em massa, já que reintegração dos trabalhadores, de nítido viés desconstitutivo e

cada setor apresenta rotatividade própria de trabalhadores, sendo condenatório, não se enquadrando em nenhuma das espécies de

matéria afeta somente à negociação coletiva. dissídio coletivo. Não evoca interpretação de norma pré-existente,

Assim, entendo que não restou caracterizada a demissão em massa nem de comando de dispositivo de lei, porque, anteriormente à Lei

de trabalhadores, restando IMPROCEDENTE o presente Dissídio nº 13.467/2017, situação dos autos, não havia regramento acerca

Coletivo. da dispensa coletiva, como agora se dá com o art. 477-A.

Trata-se, portanto, de tutela de interesses concretos e individuais de

No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante busca a decretação de trabalhadores, incompatível com a via eleita do dissídio coletivo,

nulidade das dispensas de cerca de 210 trabalhadores ocorridas no notadamente o dissídio de natureza jurídica.

período de novembro de 2011 a janeiro de 2012, com a Nesse sentido, ante a via escolhida, não se perfaz o interesse

reintegração deles e o restabelecimento de todos os benefícios, processual, como desponta da lição de Nelson Nery Júnior:

diante da ausência de prévia negociação coletiva com a entidade

sindical, e que a recorrida se abstenha de realizar novas demissões Movendo a ação errada ou utilizando-se de procedimento incorreto,

em massa sem a prévia negociação com o sindicato da categoria o provimento jurisdicional não lhe será útil, razão pela qual a

profissional. inadequação procedimental acarreta a inexistência de interesse

Ocorre que o pedido do Suscitante não pode ser processado pela processual. (NERY JÚNIOR, Nelson. Condições da Ação. Revista

via do dissídio coletivo, conforme o entendimento sedimentado pelo de Direito Processual Civil, nº 64, ano 16, 1991, p. 37).

Pleno do Tribunal Superior do Trabalho, na medida em que a tutela

é típica de dissídio individual, ainda que plúrimo. A decisão do Pleno do TST assentou, quanto à inadequação da via

De fato, o dissídio coletivo de natureza econômica tem por eleita em situações como a dos autos o que segue:

finalidade a estipulação de condições de trabalho aplicáveis às

relações individuais de trabalho (CLT, art. 611), enquanto que o RECURSO ORDINÁRIO - DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA

dissídio coletivo de natureza jurídica presta-se à interpretação de JURÍDICA - INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL ELEITA -

norma coletiva de caráter concreto e, portanto, pré-existente, ou de DISPENSA EM MASSA

disposição legal particular à determinada categoria profissional ou O Dissídio Coletivo não é a via adequada para tratar da dispensa

econômica. coletiva de trabalhadores, já que não há pedido de interpretação de

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 46
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normas autônomas ou heterônomas específicas da categoria. Trabalho.

Hipótese de Dissídio Individual para tutelar interesse concreto do 4. Recurso Ordinário provido para extinguir o processo, sem

trabalhador. Inteligência do art. 220, II, do RITST e da Orientação resolução de mérito, em face da inadequação da via eleita. (RODC -

Jurisprudencial nº 7 da C. SDC. 2005800-86.2006.5.02.0000 Data de Julgamento: 14/09/2009,

Recurso Ordinário conhecido e desprovido. (RO-10782- Redator Ministro: João Oreste Dalazen, Seção Especializada em

38.2015.5.03.0000, Redatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT 29/10/2009).

Peduzzi, Tribunal Pleno, Data de Julgamento: em 18/12/2017).

RECURSO ORDINÁRIO. GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA.

A SDC, por sua vez, havia se manifestado em outras duas DISPENSA DE TRABALHADORES CONTRATADOS POR PRAZO

oportunidades no mesmo sentido, conforme os precedentes que DETERMINADO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA JURÍDICA.

seguem: INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL ELEITA. Dissídio coletivo

de natureza jurídica ajuizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de

RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO. DISSÍDIO São José dos Campos e Região perante a General Motors do Brasil

COLETIVO DE NATUREZA JURÍDICA. DISPENSA COLETIVA DE Ltda., em que, a pretexto de buscar a interpretação de instrumento

EMPREGADOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. coletivo, suscitou debate a respeito de suposta dispensa abusiva e

REINTEGRAÇÃO DE EMPREGADOS DISPENSADOS. em massa de número predeterminado de trabalhadores (seiscentos

1. A doutrina clássica distingue os dissídios obreiro-patronais em trabalhadores admitidos pela Suscitada no ano de 2008, por meio

dois gêneros: dissídios individuais e dissídios coletivos. No dissídio de contrato por prazo determinado), com a finalidade de obter,

individual há conflito de interesses concretos, tendo por escopo a afinal, a anulação dos correspondentes atos de dispensa

aplicação de norma jurídica preexistente, ao passo que no dissídio formalizados. Ação em que evidentemente se busca a tutela de

coletivo está em jogo o interesse geral e abstrato de grupo ou interesse concreto de trabalhadores, facilmente identificáveis, com o

categoria, OU com vistas à criação de condições de trabalho propósito de reparação de lesão de direito individual consumada, a

genericamente consideradas, com caráter normativo (dissídio acarretar, conforme pretensões deduzidas, sentença de natureza

coletivo de natureza econômica), OU com vistas à interpretação de desconstitutiva (nulidade dos atos de dispensa coletiva). Hipótese

norma jurídica preexistente (dissídio coletivo de natureza jurídica). de dissídio individual, de competência da Vara do Trabalho, o qual

O dissídio coletivo de natureza jurídica, portanto, não se destina ao comporta pretensões cumulativas de naturezas diversas, inclusive

acertamento de qualquer questão jurídica controvertida, mas de antecipação de tutela de mérito (CPC, art. 461), ajuizável pelo

exclusivamente revelar o alcance de norma preexistente. sindicato profissional, na qualidade de substituto processual, e não

2. Assim, o dissídio coletivo de natureza jurídica não é o remédio de dissídio coletivo, tampouco de dissídio coletivo de natureza

processual idôneo para a anulação do ato de dispensa coletiva, jurídica, de competência originária dos Tribunais Regionais do

nem tampouco para se impor ao empregador a obrigação de Trabalho, que se presta especificamente à interpretação e

reintegrar, com base em suposta violação de direito já consumada. declaração do alcance de normas heterônomas, convencionais e

Interesses concretos de pessoas determinadas, referentes a lesões regulamentares com regência para as categorias profissionais e

a direitos já consumadas, não são passível de dissídio coletivo de econômicas, cuja sentença advinda é de natureza

natureza jurídica. Pedidos desse jaez comportam reclamação preponderantemente declaratória, não comportando, portanto,

trabalhista típica dirigida à Vara do Trabalho territorialmente provimentos de natureza constitutiva/desconstitutiva ou

competente, sob a forma de dissídio individual plúrimo, ou do condenatória. Inadequação da via processual eleita. Acórdão

sindicato, na qualidade de substituto processual. recorrido, em que, de todo modo, a pretexto de se conferir

3. Não é preciosismo formal a prevalência do processo adequado interpretação a normas insertas no instrumento coletivo em questão,

para a tutela postulada porquanto questão estreitamente vinculada não somente se proferiu provimento jurisdicional de natureza

à competência funcional absoluta: em caso de dissídio coletivo de condenatória, incompatível com o dissídio coletivo de natureza

natureza jurídica, há competência funcional originária dos Tribunais jurídica ajuizado, como também se incorreu em julgamento extra

do Trabalho, distintamente do dissídio individual em que a causa petita. Recurso ordinário a que se dá provimento, a fim de se

deve ingressar em Vara do Trabalho. Logo, permitir que um dissídio decretar a extinção do processo sem resolução do mérito, nos

individual típico, como aqui, ingresse diretamente em Regional termos do art. 267, IV, do CPC. (RODC - 9100-25.2009.5.15.0000

significa suplantar, "per saltum", um grau de jurisdição da Justiça do Data de Julgamento: 12/12/2011, Relator Ministro: Fernando Eizo

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 47
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Ono, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de A) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO DAS

Publicação: DEJT 19/12/2011). EMPRESAS DO COMÉRCIO DE SUPERMERCADOS E AUTO

Note-se, ainda, que, não se cogita nem mesmo da competência SERVIÇOS DO ESTADO DO PARÁ - SINDESPA. DISSÍDIO

funcional do TRT para analisar o processo, pois, sendo hipótese de COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA, COM NOTÍCIA DE

dissídio individual, a competência originária seria da Vara do DEFLAGRAÇÃO DA GREVE NO DECORRER DA AÇÃO. 1.

Trabalho. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO. A

Assim, o feito esbarra nas disposições do art. 485, VI, do CPC. jurisprudência desta Seção Especializada é pacífica no sentido de

Do exposto, acolho a preliminar de contrarrazões, para extinguir o que, nos casos em que o dissídio coletivo é instaurado em razão da

processo sem julgamento de mérito, nos termos do art. 485, VI, do greve ou naqueles em que há notícia da deflagração do movimento

CPC. no decorrer da ação coletiva, antes de ser pronunciada a decisão de

ISTO POSTO mérito, a legitimidade para o ajuizamento da ação é ampla, não

sendo exigível o mútuo consenso das partes. Entende que o art.

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios 114, § 3º, da Constituição Federal, assim como os arts. 7º, in fine, e

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, 8º da Lei nº 7.783/89 determinam à Justiça do Trabalho que, em

acolho a preliminar de contrarrazões, para extinguir o processo sem caso de greve, decida o conflito, apreciando a procedência ou não

julgamento de mérito, nos termos do art. 485, VI, do CPC. das reivindicações. Nega-se provimento ao recurso. 2.

Brasília, 9 de abril de 2018. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DA ATA DA ASSEMBLEIA DE

TRABALHADORES QUE DELIBEROU PELA INSTAURAÇÃO DA

INSTÂNCIA DO DISSÍDIO COLETIVO. Esta Seção Especializada,

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) considerando que, no dissídio coletivo, o sindicato apenas

Aloysio Corrêa da Veiga representa os interesses da categoria profissional, e que sua

Ministro Relator atuação somente é permitida nos limites autorizados pelos

trabalhadores reunidos, entende que a ausência, nos autos, da ata


Processo Nº RO-0000279-46.2017.5.08.0000
Complemento Processo Eletrônico da assembleia que autorizou a instauração da ação enseja a
Relator Min. Dora Maria da Costa extinção do processo sem resolução de mérito. Ocorre que, nos
Recorrente e Recorrido SINDICATO DAS EMPRESAS DO
COMÉRCIO DE SUPERMERCADOS termos do art. 317 do CPC de 2015, antes de se declarar a extinção
E AUTO SERVIÇOS DO ESTADO DO
PARÁ - SINDESPA da ação, deve-se conceder à parte oportunidade para que ela
Advogado Dr. Manoel Marques da Silva corrija, se possível, o vício detectado. Nesse contexto, não há como
Neto(OAB: 4843/PA)
Advogada Dra. Camila Vasconcelos de desconsiderar a juntada, pelo sindicato suscitante, da ata da
Oliveira(OAB: 19029/PA)
assembleia quando da apresentação das contrarrazões ao recurso
Recorrente e Recorrido SINDICATO DOS TRABALHADORES
NO COMÉRCIO VAREJISTA E ordinário interposto pelo suscitado, ressaltando que o referido
ATACADISTA DE GÊNEROS
ALIMENTÍCIOS E SIMILARES DO documento preenche todos os pressupostos necessários ao
ESTADO DO PARÁ - SINTCVAPA
Advogado Dr. Mauro Augusto Rios Brito(OAB: reconhecimento de sua validade. Nega-se provimento ao recurso.
8286/PA)
3. CLÁUSULA 30 - DATA BASE E VIGÊNCIA. O art. 616, § 3º, da
Advogado Dr. Alexandre Simões Lindoso(OAB:
12067/DF) CLT estabelece que, se há sentença ou acordo coletivo em vigor, a
Advogada Dra. Bianca Sena de Souza(OAB:
25007/PA) instância do dissídio coletivo deverá ser instaurada dentro dos 60

dias anteriores ao término da vigência do instrumento então


Intimado(s)/Citado(s):
existente. Por outro lado, o art. 867, parágrafo único, alínea "a",
- SINDICATO DAS EMPRESAS DO COMÉRCIO DE
SUPERMERCADOS E AUTO SERVIÇOS DO ESTADO DO PARÁ primeira parte, do mesmo diploma legal dispõe que, ajuizado o
- SINDESPA
dissídio coletivo após o prazo acima aludido, a sentença normativa
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO
VAREJISTA E ATACADISTA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E vigorará a partir da data de sua publicação. No caso em tela,
SIMILARES DO ESTADO DO PARÁ - SINTCVAPA
constata-se a existência de norma revisanda, pertinente à

ACÓRDÃO Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2017; que o ajuizamento do

(SDC) dissídio coletivo ocorreu fora do prazo previsto no § 3º do art. 616

GMDMC/Ac/gl/th/ da CLT; a não comprovação da concordância do suscitado quanto à

manutenção da data-base; e a não formulação de protesto judicial

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 48
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

para a sua preservação. Assim, dá-se provimento parcial ao ao labor nos domingos e feriados, excluiu o § 7º da norma, que

recurso para reformar a decisão regional que fixou como termo dispõe acerca de multa a ser aplicada no caso de seu

inicial da sentença normativa a data do ajuizamento da ação descumprimento. Ocorre que houve o deferimento da cláusula 19,

(28/3/2017), postergando-o para o dia 25/9/2017, data da relativa à aplicação de multa geral por descumprimento de

publicação do acórdão regional, resguardadas as situações fáticas cláusulas, a qual não apresenta a ressalva de exceção de sua

já constituídas, ao teor do art. 6º, § 3º, da Lei nº 4.725/65. 4. aplicação em relação a cláusulas que já apresentem a cominação

CLÁUSULA 1ª - REAJUSTE SALARIAL. Esta Seção de multa específica. Desse modo, mostra-se correta a decisão que,

Especializada, considerando a necessidade de que os efeitos ao excluir o § 7º da cláusula 27, evitou a duplicidade de multa sobre

decorrentes da perda de valor real dos salários sejam atenuados, o mesmo fato ensejador da penalidade. Nega-se provimento ao

bem como observando as disposições da Lei nº 10.192/2001, que, recurso. 2. CLÁUSULA RELATIVA ÀS HOMOLOGAÇÕES DAS

em seu art. 13, veda a indexação de preços e salários, admite que, RESCISÕES NO SINDICATO PROFISSIONAL. A apresentação

diante do insucesso da negociação entre as partes, seja concedido das reivindicações da categoria, em forma clausulada, na

pela via normativa o reajuste salarial, em um percentual levemente representação, é exigência prevista na Orientação Jurisprudencial

inferior àquele apurado pelo INPC/IBGE em relação ao período nº 32 da SDC desta Corte. Estando correta a decisão regional que

revisando. De outro lado, um dos atributos da relação de emprego, não examinou a cláusula relativa às homologações das rescisões

no que pertine ao empregador, consiste exatamente na assunção no sindicato profissional, por não ter constado na representação,

dos riscos do empreendimento, não se podendo admitir que, nega-se provimento ao recurso. 3. CLÁUSULA 33 - VÉSPERA DE

mesmo em tempos de crise econômica, os empregados sejam NATAL E DE ANO NOVO. À luz da previsão contida na parte final

sacrificados, e que os seus salários sofram o desgaste que a do § 2º do art. 114 da CF, impõe-se a manutenção da cláusula que

inflação acarreta. No caso em tela, o Regional concedeu, para o trata do trabalho na véspera do Natal e do Ano Novo, por ter

reajuste dos salários, o percentual de 5%, superior ao índice constado da CCT 2016/2017, nos mesmos termos em que

apurado pelo INPC/IBGE para o período revisando, que foi de reivindicada. Dá-se provimento ao recurso para incluir na

4,69%. Acrescentando que não se constata a concordância do sentença normativa a cláusula 33. Recurso ordinário conhecido e

suscitado com a concessão do percentual de 5%, ele deve ser parcialmente provido.

reduzido, na forma da jurisprudência desta Corte. Quanto à data de

início de incidência do reajuste, fixa-se o dia 25/9/2017, pelos

fundamentos expostos na cláusula relativa à data base e vigência. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°

Assim, dá-se provimento parcial ao recurso para reduzir a 4,68% TST-RO-279-46.2017.5.08.0000, em que são Recorrentes e

o percentual de reajuste dos salários, cuja incidência dar-se-á a Recorridos SINDICATO DAS EMPRESAS DO COMÉRCIO DE

partir do dia 25/9/2017. 5. DEMAIS CLÁUSULAS. SUPERMERCADOS E AUTO SERVIÇOS DO ESTADO DO PARÁ

PREEXISTÊNCIA. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - SINDESPA e SINDICATO DOS TRABALHADORES NO

2016/2017. Deferem-se parcialmente as demais cláusulas, com COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA DE GÊNEROS

base na preexistência das condições, ressaltando que a ALIMENTÍCIOS E SIMILARES DO ESTADO DO PARÁ -

circunstância de o sindicato patronal suscitado ter apresentado SINTCVAPA.

contraproposta na audiência de conciliação, sinalizando concordar

com a manutenção de cláusulas reivindicadas, com a finalidade de O Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Varejista e Atacadista

firmar com o sindicato profissional a convenção coletiva de trabalho, de Gêneros Alimentícios e Similares do Estado do Pará -

não o vincula aos termos eventualmente propostos, na medida em SINTCVAPA ajuizou dissídio coletivo de natureza econômica, em

que o instrumento negocial não se efetivou. Recurso ordinário 28/3/2017, contra o Sindicato das Empresas do Comércio de

conhecido e parcialmente provido. B) RECURSO ORDINÁRIO Supermercados e Auto Serviços do Estado do Pará - SINDESPA,

INTERPOSTO PELO SINDICATO DOS TRABALHADORES NO objetivando a fixação das condições de trabalho para vigerem no

COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA DE GÊNEROS período de 1º de março de 2017 a 28 de fevereiro de 2018 (fls.

ALIMENTÍCIOS E SIMILARES DO ESTADO DO PARÁ - 3/32).

SINTCVAPA. 1. CLÁUSULA 27 - DOMINGOS, FERIADOS E Realizadas audiências de conciliação, em 5/4/2017 (fls. 156/157);

OUTRAS DATAS ESPECIAIS - (§ 7º) MULTA POR em 10/4/2017 (fls. 190/191); e em 9/8/2017, sem que as partes

DESCUMPRIMENTO. O Regional, ao deferir a cláusula 27, relativa chegassem a um consenso.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 49
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Mediante a petição de fls. 335/337, o Sindicato profissional É o Relatório.

suscitante informou que, diante da intransigência patronal, a

categoria profissional representada decidira, no dia 25/8/2017, pela

paralisação das atividades, por tempo indeterminado, a partir do dia

1º/9/2017. VOTO

Nova audiência de conciliação ocorreu em 31/8/2017 (fls.331/333),

oportunidade em que, acolhendo proposição da Vice-Presidência, o A) RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO

sindicato suscitante concordou com a suspensão da greve, em INTERPOSTO POR SINDICATO DAS EMPRESAS DO

razão da proposta de convenção coletiva de trabalho, assinada COMÉRCIO DE SUPERMERCADOS E AUTO SERVIÇOS DO

pelas partes, a qual seria levada às assembleias de ambos os ESTADO DO PARÁ - SINDESPA

segmentos.

Na audiência realizada em 6/9/2017 (fls. 354/355), as partes não I - CONHECIMENTO

chegaram a um consenso em relação à proposta firmada na

audiência anterior, e o Sindicato profissional comunicou que Conheço do recurso ordinário, porque é tempestivo, tem

manteria a suspensão da greve até o julgamento do dissídio representação regular (fl. 133) e as custas processuais foram

coletivo. recolhidas (fls. 548 e 622).

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, mediante o acórdão

de fls. 358/404, rejeitou as preliminares de extinção do processo, II - MÉRITO

sem resolução de mérito, pela ausência de requisitos essenciais à

instauração do dissídio coletivo (ausência do edital de convocação 1. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA, COM

da assembleia deliberativa de trabalhadores) e por falta de comum NOTÍCIA DE GREVE NO DECORRER DA AÇÃO.

acordo no ajuizamento da ação. No mérito, deferiu parcialmente as DESNECESSIDADE DA OBSERVÂNCIA À EXIGÊNCIA

reivindicações. CONSTITUCIONAL DO COMUM ACORDO. JURISPRUDÊNCIA

Contra a decisão, o Sindicato profissional suscitante opôs embargos DO TST.

de declaração, os quais foram acolhidos, em parte, para sanar a

omissão apontada e prestar os esclarecimentos necessários, O Regional rejeitou a preliminar de extinção do processo, sem

alterando-se a redação da Cláusula XXVI, que versa sobre o custeio resolução de mérito, por falta de comum acordo no ajuizamento do

da clínica médica. dissídio coletivo, aos seguintes fundamentos:

Ambas as partes interpõem recurso ordinário. O Sindicato patronal

suscitado, às fls. 601/621, reiterando as preliminares de extinção do Da extinção do processo sem resolução do mérito por ofensa ao art.

processo, sem resolução de mérito; arguindo a preliminar de 114, § 2º, da Constituição Federal.

nulidade do acórdão proferido no julgamento dos embargos de Argumenta, em síntese, que "o Sindicato autor ajuizou Ação de

declaração, em face da ausência do contraditório; e, Dissídio Coletivo sem a devida anuência do Sindicado requerido, o

sucessivamente, requerendo a reforma da decisão em relação a que é defeso por PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL, ou seja, o

dez cláusulas. O Sindicato profissional suscitante, às fls. 624/647, ajuizamento da presente demanda não foi realizado de comum

insurgindo-se contra a decisão proferida em relação à cláusula acordo, razão pela qual se requer a extinção do processo sem

XXVII - DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS DATAS ESPECIAIS, julgamento de mérito".

no que diz respeito à não aplicação de multa em caso de Examinemos a matéria.

descumprimento da norma, e pugnando pela homologação da Sobre o tema, escrevi o artigo "O Poder Normativo da Justiça do

cláusula que dispõe sobre a homologação das rescisões no Trabalho", publicado na Revista nº 75 do TRT da 8ª da Região,

sindicato profissional. Requer, ainda, a reforma da decisão quanto à volume 38 (julho-dezembro/2005), p. 17-27, de onde peço vênia

cláusula XXXIII, que prevê a jornada de trabalho nas vésperas do para extrair os seguintes trechos, a fim de melhor respaldar a

Natal e do Ano Novo. apreciação da controvérsia:

Admitidos os recursos (fls. 650/651), foram oferecidas '(...).

contrarrazões, às fls. 685/692 e 695/733. Argumenta-se que o art. 5º, inciso XXXV, da Constituição da

Dispensada a remessa dos autos ao Ministério Público do Trabalho. República, estabelece que "a lei não excluirá da apreciação do

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 50
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", de modo que - segundo Não há dúvida de que, se dificultado o acesso ao poder normativo

essa corrente de opinião - o preceito constitucional não poderia ser da Justiça do Trabalho, cresce a importância da negociação

invocado porque, no caso, a provocação da Justiça do Trabalho, por coletiva. Daí a necessidade da organização e do aperfeiçoamento

via de dissídio coletivo de natureza econômica, não visaria o das entidades sindicais, principalmente de suas lideranças e de

restabelecimento de lesão ou ameaça a direito, na medida em que a seus órgãos de assessoramento técnico. A palavra de ordem, mais

sentença normativa tem por escopo não exatamente a aplicação de do que nunca, é: negociar, para obter melhores condições de

direito pré-existente, mas a "criação" de novas condições de trabalho.

trabalho. A meu ver nem seria necessário submeter a matéria ao Tribunal

Data venia, o fundamento é equivocado. Pleno para declaração de inconstitucionalidade da expressão "de

De fato, o princípio de inafastabilidade do Judiciário, como garantia comum acordo" (art. 114, § 2º, da Constituição da República,

constitucional, não se limita às hipóteses de sentenças introduzido pela Emenda Constitucional nº 45/2004), em face das

condenatórias ou à aplicação de normas pré-existentes, uma vez considerações antes expostas, haja vista que aquela expressão diz

que é ampla a proteção, assegurada na Carta Magna, para respeito à arbitragem e não à jurisdição estatal.

qualquer lesão ou ameaça a direito, inclusive o direito de ação, por Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de

meio do ajuizamento de dissídio coletivo de natureza econômica, lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá

com vista à conquista de melhores condições de trabalho, tal como ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho julgar a

previsto no caput do art. 7º da Lei Fundamental ("são direitos dos controvérsia (art. 114, § 3º, da Constituição Federal; art. 83, VIII, da

trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à Lei Complementar nº 75, de 20.05.1993; e arts. 856 e 857, da CLT).

melhoria de sua condição social..."), uma vez que, à luz do § 2º do Nessa hipótese, é evidente que não se exigirá o "comum acordo"

art. 114 da Constituição, compete justamente à Justiça do Trabalho para a instauração da instância por iniciativa do Parquet. Entretanto,

"decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de não obtida a solução negociada ou por via de arbitragem, no conflito

proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente". coletivo, está garantido o livre acesso à jurisdição da Justiça do

Assim, o dissídio coletivo proposto "de comum acordo" é apenas Trabalho e o seu poder normativo, sem necessidade do "comum

uma faculdade, mas não uma obrigação, até porque essa condição acordo" para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza

seria a negação do direito ao livre acesso à jurisdição estatal. econômica ou jurídica.

Não fosse assim e para evitar o "comum acordo" de que trata o § 2º Outrossim, o Egrégio Tribunal Pleno, em sessão realizada em

do art. 114, da Constituição Federal, o direito do dissídio coletivo de 04.09.2017, nos autos do Processo TRT 8ª/DISSÍDIO COLETIVO -

natureza econômica, de forma unilateral, teria que ser precedido 0010197-11.2016.5.08.0000, por maioria de votos, declarou a

sempre da instauração de uma GREVE, o que, por evidente, inconstitucionalidade da dicção "de comum acordo" que consta do §

constitui circunstância descabida, sob o pretexto de que, como 2º do art. 114 da Constituição Federal. O v. Acórdão, da lavra do

alguns alegam, o art. 114, inciso II, do texto constitucional, assegura Exmº Desembargador Georgenor de Sousa Franco Filho, foi

o ajuizamento de ações que envolvam o exercício do direito de divulgado no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho, em

greve, sem a exigência da prévia concordância patronal. Vale dizer: 15.09.2017, e considerado publicado em 18.09.2017.

admite-se o argumento da paralisação coletiva, com todos os riscos No mesmo sentido, a Súmula nº 66, da Jurisprudência Uniforme do

de prejuízos ao interesse social, apenas para justificar o E. Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, aprovada pela

ajuizamento do dissídio coletivo independentemente do "comum Resolução nº 095/2017, divulgada no Diário Eletrônico da Justiça do

acordo" entre trabalhadores e empregadores. Trabalho, em 15.09.2017 e considerada publicada em 18.09.2017,

Nada mais absurdo. in verbis:

De qualquer modo, a pretensão coletiva, sob a forma de arbitragem 'INCONSTITUCIONALIDADE DA CONSTITUIÇÃO. RESPEITO À

pública ou de sentença normativa, no âmbito da Justiça do CLÁUSULA PÉTREA. DICÇÃO DE COMUM ACORDO. Por violar

Trabalho, requer um novo modo de lidar com o conflito coletivo. cláusula pétrea (art. 5º, XXXV. da Constituição de 1988), considera-

Exige-se o exercício da negociação coletiva, agora não apenas se inconstitucional a dicção de comum acordo, inserta, pelo

como condição da ação de dissídio coletivo, mas também, em constituinte derivado, no § 2º do art. 114 do Texto Fundamental.'

regra, para a propositura da demanda com objetivo de obter a Por fim, os autos revelam, conforme exposto no relatório, a tentativa

sentença arbitral pública, que, neste caso, não estará sujeita a da entidade profissional de entabular conciliação com o sindicato

recurso (art. 18 da Lei nº 9.307/1996). patronal, sem lograr êxito integral.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 51
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Nesse sentido, ainda, destaque-se que foram realizadas três da representação, é interpretado de maneira mais flexível, no

audiências de conciliação, nos dias 09.08.2017 (presidida por esta sentido de se admitir a concordância tácita na instauração da

Relatoria - Id. 7aec83e), 31.08.2017 e 06.09.2017 (presididas pela instância, desde que não haja a oposição expressa do suscitado, na

Exmª Desembargadora Vice-Presidente, Sulamir Palmeira Monassa contestação.

de Almeida - Id. 77561eb e 765e228), em que as partes tentaram a No caso em tela, é incontestável que o Sindicato patronal suscitado,

realização de acordo, sem, no entanto, alcançar êxito em sua na defesa, às fls. 164/166, expressamente afirmou que não

plenitude, como se observa das atas a seguir reproduzidas: concordava com o ajuizamento do dissídio, e que não fora cumprida

'(...). a exigência constitucional do comum acordo das partes, o que

Ressalte-se que o sindicato patronal, ao insistir no pedido de representaria causa extintiva da ação.

julgamento do presente dissídio, bem como por acolher diversas Todavia, entende esta Seção que, nos casos em que o dissídio

reivindicações do sindicato suscitante, demonstra a sua anuência coletivo é ajuizado em razão da greve, ou nas hipóteses em que há

com a jurisdição desta Justiça Especializada, para a solução da notícia de greve no decorrer do processo, antes de pronunciada a

demanda. decisão de mérito, a legitimidade para o ajuizamento da ação é

Rejeito a preliminar. (fls. 362/374) ampla, não sendo exigível o mútuo consenso das partes.

É que, nos termos do art. 114, § 3º, da Constituição - que se refere

Sustenta o Sindicato patronal, às fls. 603/608 de seu recurso especificamente à greve em atividade essencial -, e dos arts. 7º, in

ordinário, que o dissídio coletivo não foi ajuizado de comum acordo, fine, e 8º da Lei nº 7.783/89, compete à Justiça do Trabalho, em

conforme exige o art. 114, § 2º, da CF, e que, conforme a caso de greve, decidir o conflito, apreciando a procedência ou não

jurisprudência desta Corte, se não há a anuência do suscitado o dos pedidos.

processo deve ser extinto, sem resolução de mérito. Afirma que não Portanto, tanto nos dissídios coletivos de greve ajuizados pelo

existiu greve dos trabalhadores antes do ajuizamento do dissídio ou Parquet, como pelo segmento econômico ou profissional, cabe ao

no decorrer da ação, e que os sofismas de qualquer movimento Judiciário não só deliberar a respeito da abusividade da greve e das

paredista devem ser desconsiderados, já que houve apenas demais questões a ela relacionadas - como o pagamento dos dias

barulho, durante dois dias, em frente a três estabelecimentos parados -, mas também analisar as controvérsias e reivindicações

comerciais, em um universo de mais de 100 empresas que possam ter dado causa à parede, ou mesmo aquelas somente

representadas pelo suscitado. Assevera que, para que fosse mencionadas na defesa, pelos sindicatos profissionais.

desprezado o requisito constitucional do comum acordo das partes, No caso em tela, o dissídio coletivo de natureza econômica foi

em razão da paralisação, seria necessário que o dissídio coletivo ajuizado em 28/3/2017, e, conforme alega o suscitante, à fl. 324, a

ostentasse a natureza mista (de greve e econômico) desde a sua greve decorreu da mais absoluta intransigência do sindicato

propositura, o que não ocorreu. Acresce que os fundamentos da patronal, que não obstante tenha divulgado na imprensa local que

decisão recorrida não podem prevalecer, principalmente aquele em nenhum momento pretendeu suprimir qualquer conquista da

pertinente ao fato de que o TRT da 8ª Região teria declarado a categoria e muito menos encerrou qualquer negociação com o

inconstitucionalidade da expressão comum acordo, constante do sindicato obreiro, nos presentes autos disse expressamente que

art. 114, § 2º, da própria Constituição Federal, usurpando a não pretendia negociar, protestando assim pelo julgamento do

competência do Supremo Tribunal Federal. Requer a extinção do dissídio coletivo.

processo, sem resolução de mérito. Com efeito.

Ao exame. Observa-se que, mesmo após o ajuizamento do dissídio, o

Realmente a jurisprudência desta Seção Especializada é firme no Sindicato patronal demonstrou sua indisposição em relação à

sentido de que, depois da Emenda Constitucional nº 45/2004, na formalização do instrumento coletivo.

instauração dos dissídios coletivos de natureza econômica, deve A ata da assembleia realizada no dia 9/8/2017 (fls. 255/256, registra

ser observada a exigência trazida no art. 114, § 2º, da CF, relativa que o Sindicato suscitado informa que não há interesse na

ao comum acordo das partes, sob pena de se extinguir o processo conciliação. O Desembargador Relator sugeriu que a ilustre

sem resolução de mérito. Advogada do Sindicato Patronal tentasse um contato telefônico com

Trata-se, portanto, de pressuposto de constituição e de a entidade que representa, o que foi atendido. Porém, após esse

desenvolvimento válido e regular do processo que, embora contato, a nobre Advogada retornou a este recinto e comunicou que

idealmente devesse ser materializado na forma de petição conjunta o Sindicato Patronal não aceita qualquer conciliação e requer o

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julgamento do dissídio coletivo. IRRELEVÂNCIA. SUPRESSÃO. INCURSÃO AO MÉRITO. Somente

É certo que a greve não chegou a ser deflagrada, e, com a submissão do conflito de greve ao Poder Judiciário seria

consequentemente, a questão paredista não foi levada à apreciação possível reconhecer o seu grau de litigiosidade e o interesse dos

do Tribunal Regional, mas a não deflagração da greve decorreu da atores sociais em sua solução, assumindo os riscos naturais

expectativa dos trabalhadores de que o instrumento negocial relativos ao provimento judicial a ser alcançado. Seria necessário,

autônomo viesse a ser firmado. portanto, que o conflito de greve fosse judicializado, para que se

A ata da audiência do dia 31/8/2017 (fls. 331/332) consigna que, tomasse esse fato em consideração no exame da preliminar de

acolhendo proposição da Vice-Presidência, o Sindicato comum acordo. Não foi esse, contudo, o entendimento que

Demandante concorda que a greve deflagrada para amanhã, dia 1º prevaleceu no âmbito desta SDC, pelo que há de ser suprido o

de setembro de 2017, seja suspensa, em razão da proposta pressuposto de ausência de comum acordo, em virtude da notícia

assinada pelas partes que será ratificada nas respectivas de greve veiculada no presente feito. (...)

assembleias das categorias profissional, que será realizada hoje,

dia 31 de agosto de 2017, e da econômica, a ser realizada em 5 de No mesmo sentido:

setembro (terça-feira). O Sindicato Demandante apresentou

proposta de Convenção Coletiva, celebrada entre as partes. I) RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO INTERPOSTO

Por fim, na audiência realizada em 6/9/2017 (fls. 354/356), o PELA SUSCITADA, EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA E

Sindicato profissional comunicou que a proposta de cláusulas da EXTENSÃO RURAL DE SANTA CATARINA - EPAGRI. 1.

convenção coletiva fora aceita pelos trabalhadores, em assembleia. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. GREVE.

O Sindicato patronal, por sua vez, apresentou alterações à DESNECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA EXIGÊNCIA

mencionada proposta - que resultara, na audiência do dia CONSTITUCIONAL DO COMUM ACORDO DAS PARTES. O

31/8/2017, do consenso entre as partes -, as quais não foram entendimento desta Seção Especializada é o de que, se for ajuizado

aceitas pelo Sindicato profissional. Todavia, esclareceu o suscitante o dissídio coletivo de natureza econômica e deflagrada a greve

que, apesar da posição do segmento econômico, manteria a ainda na fase de instrução do processo e antes do pronunciamento

suspensão da greve até o julgamento do dissídio coletivo. de mérito pelo Regional, deve ser superada a exigência do comum

No julgamento do RO-378-73.2015.5.12.0000 (Relatora Ministra acordo, prevista no art. 114, § 2º, da Constituição Federal, em face

Maria de Assis Calsing, Data de julgamento: 14/8/2017, DEJT de do preconizado no art. 8º da Lei de Greve. No caso em tela, esta

29/8/2017) foi bastante discutida a hipótese de suplantação da Relatora, ao analisar o recurso ordinário da EPAGRI, entendeu que

exigência do comum acordo, nos casos de a greve não ter sido deveria ser acolhida a exigência do comum acordo, extinguindo-se

submetida ao Poder Judiciário. Naquela oportunidade, manifestou- o processo, sem resolução de mérito, na medida em que a

se a Relatora no sentido de que a greve não pode servir de ocorrência do movimento paredista se mostrou controversa, além

instrumento para afastar a exigência do comum acordo, motivação do que o próprio Regional reconheceu e julgou a ação como um

que tem sido sinalizada com paredes de pouca duração ou com dissídio coletivo apenas de natureza econômica, nada falando

pífia adesão. Somente com a submissão do conflito ao Poder acerca da abusividade da greve e/ou dos consectários do

Judiciário seria possível reconhecer o seu grau de litigiosidade e o movimento paredista. Contudo, esse não foi o entendimento da

interesse dos atores sociais em sua solução, assumindo os riscos maioria desta Seção Especializada, a qual decidiu que, ainda que

naturais relativos ao provimento judicial a ser alcançado. Seria parcial, a greve torna dispensável a observância do pressuposto

necessário, portanto, que o conflito de greve fosse judicializado, processual do comum acordo. Mantida, pois, a decisão regional,

para que se tomasse esse fato em consideração no exame da nega-se provimento ao recurso, no tópico. (...). Recurso ordinário

preliminar de comum acordo. conhecido e não provido. (RO-377-88.2015.12.0000, Relatora

Todavia não foi esse o entendimento que prevaleceu no âmbito da Ministra Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 13/3/2017,

SDC, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita: DEJT de 29/3/2017)

RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELA PARTE O fato é que as explanações apresentadas, principalmente no que

SUSCITADA. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. se refere aos registros das audiências de conciliação, não deixam

AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO. GREVE. NÃO SUBMISSÃO DO dúvidas quanto à intenção dos trabalhadores de realmente

CONFLITO DE GREVE AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO. paralisarem suas atividades, em razão da intransigência patronal

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quanto à formalização do instrumento negocial, bem como de que a SIMILARES DO ESTADO DO PARÁ - SINTCVAPA apresentou

deflagração da greve foi noticiada nestes autos. Nesse contexto, Edital de Convocação de Assembleia Geral (Id. 8f9a1cb) e lista

ainda que a greve não tenha se consumado, qualquer entendimento de presença (Id. 464967e - Pág. 3-9), o que atende ao disposto

relativo à aceitação da alegação da suscitada, quanto à inexistência no art. 859 da CLT e nas Orientações Jurisprudenciais nº 28 e

do comum acordo e à consequente extinção do processo, sem 29 da SDC do C. TST.

resolução de mérito, por esse motivo, não só contrariaria a Rejeito. (fl. 362 - grifos apostos)

jurisprudência atual desta SDC, como também possibilitaria a

perpetuação do conflito, com a deflagração efetiva de nova greve, o Sustenta o recorrente, às fls. 608/609, a ausência, nos autos, da ata

que não merece amparo jurídico. da assembleia de trabalhadores que teria autorizado o sindicato

Por todo o exposto, e embora por outros fundamentos, mantenho a profissional a instaurar a instância do dissídio coletivo. Afirma que o

decisão regional que rejeitou a preliminar de extinção do processo, referido documento constitui requisito essencial para o ajuizamento

sem resolução de mérito, por ausência de comum acordo no desta ação, nos termos das Orientações Jurisprudenciais nos 28 e

ajuizamento do dissídio coletivo. 29 da SDC. Requer a extinção do processo, sem resolução de

Nego provimento ao recurso. mérito.

Ao exame.

2. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DA ATA DA ASSEMBLEIA DE A teor do art. 859 da CLT, a representação dos sindicatos para o

TRABALHADORES QUE DELIBEROU PELA INSTAURAÇÃO DA ajuizamento do dissídio coletivo fica subordinada à aprovação de

INSTÂNCIA DO DISSÍDIO COLETIVO assembleia, da qual participem os associados interessados na

solução do dissídio coletivo, em primeira convocação, por maioria

O Regional rejeitou a preliminar arguida pelo suscitado de extinção de 2/3, ou, em segunda convocação, por 2/3 dos presentes,

do processo, sem resolução de mérito, por ausência de documento entendendo esta SDC que, nessa última hipótese, a presença de

essencial à instauração da instância do dissídio coletivo, qual seja a qualquer número de trabalhadores já se mostra suficiente para

ata da assembleia de trabalhadores. autorizar a atuação do sindicato no ajuizamento da ação.

Eis os fundamentos adotados: Nesse sentido, a Orientação Jurisprudencial nº 29 da SDC relaciona

o edital de convocação e a ata da assembleia como peças

Da extinção do processo sem resolução de mérito, fundada em indispensáveis para a instauração da instância do dissídio coletivo.

ausência de requisitos essenciais para instauração do dissídio Justifica-se tal exigência porque, no processo de dissídio coletivo, o

coletivo titular do direito da ação instaurada é a categoria profissional, e não

A preliminar em tela foi suscitada pelo SINDICATO DAS o sindicato. Portanto, ao pretender representá-la, o ente sindical

EMPRESAS DO COMÉRCIO DE SUPERMERCADOS E deve se sujeitar à manifestação inequívoca da vontade dos

AUTOSSERVIÇOS DO ESTADO DO PARÁ - SINDESPA, em trabalhadores, antes de iniciar o processo judicial, cabendo-lhe

contestação, sob o argumento de que sindicato profissional não comprovar, por meio dos mencionados documentos, com as

carreou aos autos o edital de convocação e a ata da assembleia respectivas listas de presença, que está plenamente legitimado a

geral, requisitos essenciais para instauração do dissídio coletivo, instaurar a instância do dissídio coletivo.

conforme Orientações Jurisprudenciais nº 28 e 29, da SDC, do C. Ademais, a OJ nº 8, também da SDC, determina o registro das

TST. Frisa que "no presente caso, em que pesem as alegações do reivindicações dos trabalhadores na ata da assembleia, de forma a

Sindicato Autor, não foram cumpridos os requisitos essenciais para que seja possível verificar se a vontade da categoria está sendo

a instauração do dissídio coletivo, tendo em vista que não consta respeitada, ao dispor:

nos autos a juntada de edital de convocação da assembleia,

autorizando a negociação coletiva e eventual instauração de 08. DISSÍDIO COLETIVO. PAUTA REIVINDICATÓRIA NÃO

dissídio coletivo, o que enseja a aplicação do art. 485, inciso IV do REGISTRADA EM ATA. CAUSA DE EXTINÇÃO. A ata da

CPC" (Id. 89d6a54 - Pág. 4). assembleia de trabalhadores que legitima a atuação da entidade

Examino. sindical respectiva em favor de seus interesses deve registrar,

Não assiste razão ao sindicato demandado, pois em petição de Id. obrigatoriamente, a pauta reivindicatória, produto da vontade

c031f9d, o SINDICATO DOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO expressa da categoria.

VAREJISTA E ATACADISTA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E

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Portanto, quando do ajuizamento do dissídio coletivo, o suscitante reconhecimento de sua validade. Ou seja, apresenta, na íntegra, o

deve observar o estrito cumprimento das disposições teor das cláusulas reivindicadas pelos trabalhadores e consigna que

jurisprudenciais mencionadas, sob pena de ter por extinto o as propostas foram aprovadas pela unanimidade dos trabalhadores

processo, sem resolução de mérito. presentes, em um total de 224 participantes, conforme as listas de

No caso em tela, constata-se que, até o julgamento do dissídio presença anexadas.

coletivo, a ata da assembleia de trabalhadores não havia sido Pelo exposto, nego provimento ao recurso.

juntada aos autos, significando dizer que a decisão proferida pelo

Regional, de que o suscitante apresentou Edital de Convocação de 3. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO NO

Assembleia Geral (Id. 8f9a1cb) e lista de presença (Id. 464967e - JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS

Pág. 3-9), o que atende ao disposto no art. 859 da CLT e nas PELO SINDICATO PROFISSIONAL. AUSÊNCIA DO

Orientações Jurisprudenciais nº 28 e 29 da SDC do C. TST, CONTRADITÓRIO

mostrou-se contrária à jurisprudência desta SDC, além de

impossibilitar a verificação do cumprimento das disposições O Tribunal Regional rejeitou os embargos de declaração opostos

constantes da OJ nº 8, também da SDC. pelo Sindicato profissional suscitante em relação às cláusulas:

Nesse contexto, não haveria como afastar a extinção do processo, XXXIII - DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS DATAS ESPECIAIS

sem resolução de mérito, por ausência de requisitos essenciais para (Multa por descumprimento) e XXXIV - VÉSPERAS DE NATAL E

instauração do dissídio coletivo. ANO NOVO, bem como em relação à cláusula que dispõe acerca

Ocorre que, a teor do art. 317 do CPC de 2015, antes de extinguir o da homologação das rescisões no sindicato profissional, afastando

processo sem resolução do mérito, deve ser concedida à parte as omissões e contradições apontadas. Todavia, acolheu

oportunidade para, se possível, corrigir o vício detectado. parcialmente os embargos de declaração, no que pertine à cláusula

No caso em tela, observa-se que o Sindicato profissional suscitante, XXVI - CUSTEIO DE CLÍNICA MÉDICA, assim dispondo:

ao apresentar suas contrarrazões, trouxe aos autos, às fls. 765/772,

a cópia da ata da assembleia de trabalhadores, realizada no dia Da omissão: Cláusula XXVI: Custeio da Clínica Médica

14/12/2016, bem como do edital de convocação e respectivas listas Sustenta que, não obstante esteja consignado, no corpo do v.

de presença (fls. 762/764 e 773/779), documentos esses que já Acórdão embargado, que o repasse do valor destinado à clínica

haviam sido colacionados às fls. 119/121 e 123/129. médica será realizado para o sindicato profissional, a parte

Há de se ressaltar que nem sempre é possível a correção do vício conclusiva da r. sentença normativa embargada restou omissa

nesta instância recursal, nos termos do art. 317 do CPC de 2015. nesse particular, pelo que requer o acolhimento dos presentes

Toma-se como exemplo a irregularidade pertinente à ausência do embargos, para sanar a omissão apontada.

registro da pauta de reivindicações na ata da assembleia, cuja Assiste razão ao embargante, nesse ponto.

retificação seria inviável pelo fato de a ata registrar um fato já Foi deferida a proposta apresentada na audiência de conciliação

consumado e de se constituir em um documento redigido na realizada em 31.07.2017 (Id. e0ca3cd), em que constava:

ocasião em que a assembleia foi realizada. 'Custeio da clínica médica - Pagamento mensal do valor

De outro lado, caberia ao Regional, ao verificar que a petição inicial correspondente a 0,50% (meio por cento), que será repassado ao

não se encontrava instruída com os documentos indispensáveis à sindicato profissional, sem qualquer ônus aos empregados, que

propositura da ação, determinar ao suscitante que a emendasse ou será revertido para o custeio da clínica médica.'

a completasse, conforme preveem os arts. 320 e 321 do CPC de À vista do exposto, acolho os embargos de declaração para, ao

2015. Todavia, não se verifica nos autos tal determinação. sanar a omissão apontada e prestar os esclarecimentos

O fato é que a ata da assembleia de trabalhadores representados necessários, determinar que a Cláusula XXVI, que versa sobre o

pelo Sindicato profissional suscitante - juntada às fls. 765/772 -, custeio da clínica médica, passe a constar com a seguinte redação,

realizada no dia 14/12/2016, em segunda convocação, com o sem qualquer efeito modificativo à r. sentença normativa:

objetivo, dentre outros, de autorizar a diretoria do SINTCVAPA a 'Cláusula XXVI - Custeio da clínica médica - As empresas arcarão

celebrar acordos coletivos ou instaurar processo de dissídio com o pagamento mensal do valor correspondente a 0,50% (meio

coletivo, caso frustradas as negociações, embora apresente erros por cento) sobre a folha salarial líquida de contribuição, que será

materiais - a exemplo da data da publicação do respectivo edital de repassado ao sindicato profissional, para atendimento médico e

convocação -, preenche todos os pressupostos necessários ao odontológico.'

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 55
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Na audiência de conciliação realizada em 06.09.2017, presidida

Sustenta o recorrente, à fl. 610, que o Regional, ao dar provimento pela Exmª Desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida,

parcial aos embargos de declaração opostos pelo Sindicato DD. Vice-Presidente deste E. Regional (Id. 765e228), o sindicato

profissional, modificando o teor da cláusula XXVI, imprimiu efeito profissional ratificou a proposta apresentada na audiência de

modificativo à decisão embargada, sem o imprescindível conciliação realizada em 31.07.2017, nos seguintes termos:

contraditório, ou seja sem a obrigatória manifestação do Sindicato 'Custeio da clínica médica - pagamento mensal do valor

patronal. Alega que, nos termos do § 2º do art. 897-A da CLT, a correspondente a 0,50% (meio por cento), que será repassado ao

concessão de efeito modificativo exige que a parte contrária seja sindicato profissional, sem qualquer ônus aos empregados, que

ouvida, razão pela qual requer seja declarada a nulidade total do será revertido para o custeio da clínica médica.'

acórdão proferido nos embargos de declaração. 'Do valor correspondente a 0,50% (meio por cento) acima

Sem razão o recorrente. informado, será descontado e repassado à Federação dos

O art. 897-A da CLT, e seu § 2º, determinam: Trabalhadores no Comércio e Serviços dos Estados do Pará e

Amapá (FETRACOM) o percentual de 15% (quinze por cento). Os

"Art. 897-A - Caberão embargos de declaração da sentença ou valores devidos aos sindicatos e à FETRACOM serão pagos até o

acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer 5º (quinto) dia útil de cada mês através de depósito bancário e/ou

na primeira audiência ou sessão subsequente à sua apresentação, boleto (Id. e0ca3cd).'

registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos De início, esta Relatoria indeferia a proposta, como apresentada na

casos de omissão e contradição no julgado e manifesto equívoco no petição inicial, por inexistir precedente na norma revisanda, de

exame dos pressupostos extrínsecos do recurso. modo que a pretensão dependeria de negociação entre os

(...). interessados, haja vista que impõe ônus financeiro às empresas

§ 2º - Eventual efeito modificativo dos embargos de declaração representadas pela entidade sindical patronal.

somente poderá ocorrer em virtude da correção de vício na decisão Contudo, esta Relatoria refluiu no posicionamento anterior, durante

embargada e desde que ouvida a parte contrária, no prazo de 5 a sessão de julgamento, em face dos debates, para deferir a

(cinco) dias. proposta apresentada na audiência de conciliação realizada em

31.07.2017 (Id. e0ca3cd), antes reproduzida. (fls. 387/388 - grifos

Não resta dúvida de que, se não observada a forma prescrita em lei no original)

na realização do ato, ele deve ser declarado nulo. Ocorre que,

apesar de admitir a omissão apontada, o acórdão expressou, de Confrontando-se a redação da cláusula que se encontra grifada no

forma clara, que o acolhimento dos embargos de declaração não acórdão acima transcrito com a redação da cláusula constante do

acarretaria nenhum efeito modificativo à sentença normativa. decisum (fl. 398), verifica-se que esta última realmente suprimiu a

De outro lado, da leitura do acórdão que analisou o dissídio coletivo, expressão que será repassado ao sindicato profissional, ao

é possível depreender que sequer há falar em omissão, tendo apresentar a seguinte redação:

ocorrido, apenas, um equívoco quando da transcrição da cláusula

no decisum, em relação ao texto considerado na fundamentação. CLAUSULA XXVI - CUSTEIO DA CLÍNICA MÉDICA - As empresas

O Regional, ao analisar o dissídio coletivo, assim decidiu em arcarão com o pagamento mensal do valor correspondente a 0,50%

relação à cláusula: (meio por cento) sobre a folha salarial líquida de contribuição, para

atendimento médico e odontológico.

CLÁUSULA XXX - CUSTEIO DA CLINICA MÉDICA

- Proposta do Sindicato Profissional: Trata-se de mero equívoco na transcrição da norma deferida, cuja

'CLAUSULA XXX - CUSTEIO DA CLINICA MÉDICA - objetivando correção, pretendida pelo embargante, evidentemente, não

subsidiar o custeio da clinica médica, as empresas arcarão, com o acarretaria efeito modificativo ao julgado, de forma a ensejar a

pagamento mensal do valor correspondente a 1% (um por cento), manifestação da parte contrária.

que será repassado ao sindicato profissional até o 5º (quinto) dia útil No contexto delineado, nego provimento ao recurso.

de cada mês, sem qualquer ônus aos empregados, que será

revestido para o custeio da clinica médica.' 3.1 - PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA

A proposta foi impugnada pelo sindicato demandado.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 56
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Preliminarmente, registra-se que em sustentação oral, o Dr. foram os seguintes: Senhor Oscar Corrêa (sócio proprietário do

Alexandre Simões Lindoso, advogado do sindicato profissional, Supermercado Líder); Senhor Jorge Luiz Fonseca dos Santos

ressaltou a existência de acordo parcial firmado pelas partes no (Presidente da Associação Paraense de Supermercados e sócio

decorrer da ação, ou seja, ao longo da fase conciliatória, perante o proprietário da Portugal Descartáveis); Senhor José Oliveira (sócio

Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Destacou que a ata da proprietário do Grupo Formosa); Senhor Fernando Brito (Presidente

audiência de conciliação de fls. 355/356 consignou, ao final, que a do Sindicato Patronal Demandado e Proprietário do Supermercado

Vice-Presidente determina o encaminhamento da presente ata de Estrela Dalva); Senhor Renato Corrêa (sócio proprietário do

conciliação parcial ao Gabinete do Excelentíssimo Desembargador Supermercado Nazaré). Segundo o representante do Sindicato

(...), Relator do Dissídio Coletivo , e que também o acórdão profissional, essas cinco empresas já haviam concedido

regional, no relatório e no corpo do voto, fez referência a uma antecipação de reajuste salarial para os seus empregados, a partir

composição parcial, relativa ao acordo de fls. 338/339, no qual do mês de julho de 2017, continuando a cumprir as demais

teriam sido pactuadas algumas das cláusulas analisadas pela cláusulas da norma coletiva anterior. O Desembargador Relator

relatora, a exemplo daquelas pertinentes ao reajuste salarial; à intimou o Sindicato Patronal a comprovar a concessão das

homologação da rescisão contratual pelo sindicato; e à clínica vantagens indicadas pelo suscitante, no prazo de 10 dias, sob as

médica. De outro lado, afirma que o referido acordo se iniciou com penas do artigo 400 do CPC de 2015.

a cláusula do reajuste dos salários para o período de 1º/3/2018 a - a empresa LÍDER Comércio e Indústria Ltda., à fl. 258, informou

28/2/2019, em que se deveria observar o INPC do período que não eram verdadeiras todas as afirmações do suscitante.

acumulado, acrescido de 1%, que justamente totalizam os 5% que Concordou com a concessão do reajuste de 5%, a partir de julho de

foram deferidos. Ressalta, ainda, que, no curso da instrução, 2017; com a jornada de trabalho de 44 horas; e com o trabalho nos

algumas empresas se manifestaram no sentido de que já estavam feriados, até às 14 horas, à exceção de sua loja no shopping, que

concedendo esse percentual no âmbito da categoria profissional, deveria funcionar das 10h às 14h. (...). Alegou que, aos domingos,

significando que o acordo já estaria repercutindo dentro da base da suas lojas permanecem abertas até às 21 horas e outras por 24

categoria. horas, adotando-se a jornada laboral de 6h15;

Compulsando os autos, verifica-se: - o suscitado, às fls. 285/288, alegou que o fato de empresas

- 1ª audiência de conciliação - 5/4/2017 (fls. 156/157) - O Sindicato isoladas poderem conceder o reajuste não induziria à conclusão de

profissional afirmou que as partes chegaram a um consenso acerca que todo o restante da categoria também pudesse concedê-lo. De

da manutenção da data-base em 1º de março, faltando, apenas, outro lado, sustentou que não poderia obrigar as empresas a lhe

sua formalização; fornecerem informações ou documentos acerca de sua política ou

- 2ª audiência de conciliação - 10/4/2017 (fls. 190/191) - folha salariais, pelo que se mostrava inviável a aplicação do art. 400

Apresentação de proposta de acordo pela Vice-Presidência (fls. do CPC de 2015;

192/202) - Recusada a conciliação. - às fls. 326/328, o Sindicato profissional comunicou que, em face

- defesa (à fl. 167) - O sindicato patronal sustentou a perda da data- da intransigência patronal, a categoria profissional, em assembleia

base, em face do ajuizamento da ação após o prazo previsto no art. realizada no dia 25/8, decidira pela deflagração da greve, por tempo

616, § 3º, da CLT; indeterminado, a partir do dia 1º/9/2018;

- 3ª audiência de conciliação, em 9/8/2017 (fls. 255/256 - O - 4ª audiência de conciliação - 31/8/2017 (fls. 331/332) - O Sindicato

Sindicato profissional afirma que aceita, como solução amigável, o profissional, acolhendo proposição da Vice-Presidência do TRT,

retorno à jornada de trabalho de 44 horas semanais e o reajuste de concordou com a suspensão do movimento paredista, que seria

5%, embora a proposta do sindicato patronal, feita na reunião de iniciado no dia 1º/9/2018, em razão da proposta assinada pelas

negociação, fosse de 7%. A advogada do suscitado afirmou que partes (fls. 338/339), cujos termos deveriam ser ratificados pelas

o SINDESPA não tem interesse na negociação, que não aceita assembleias do segmento profissional (em 31/8/2017) e do

qualquer conciliação e que requer o julgamento do dissídio segmento econômico (em 5/9/2017). Designado o prosseguimento

coletivo. Naquela oportunidade, o Sindicato profissional declarou da audiência em 6/9/2018;

que, nas diversas conversas para a negociação, obteve a - a ata da audiência de prosseguimento, realizada em 6/9/2017

concordância de vários líderes da categoria patronal quanto ao (fls. 354/356) registra o seguinte teor:

reajuste salarial de 7%; jornada de 44 horas semanais; e trabalho

aos domingos e feriados até às 14 horas. Os líderes mencionados O Sindicato Demandante registrou que, na Assembleia realizada no

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 57
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dia 31 de agosto de 2017, foi ratificada a proposta de cláusulas para de não mais manter a proposta ora expressa.

a Convenção Coletiva, subscrita pelas partes litigantes. Mesmo diante da posição Patronal registrada no item anterior, o

O SINDESPA, por seu patrono, apresentou proposta patronal, Sindicato dos Trabalhadores mantém sua posição já registrada na

aprovada em assembleia realizada no dia 5 de setembro de 2017, Ata anterior, reafirmando que manterá a suspensão da greve até o

nos seguintes termos: julgamento do DC 0000279-46.2017.5.08.0000.

1 - Reajuste de 5% retroativo a março de 2017, atualizando-se em

setembro, e as diferenças dos meses serão pagas à razão de um Conforme se depreende da leitura da ata da audiência do dia

mês vencido a cada mês a vencer; 6/9/2017, o Sindicato das Empresas apresentou nova proposta

2 - Salário profissional de R$1.206,00; para a formalização da convenção coletiva, aprovada em

3 - Reajuste na próxima data-base pelo INPC e mais 1% de assembleia realizada no dia 5/9/2017. Tal entendimento decorre

aumento real; do fato de que a nova proposição não apresentou somente

4 - Ticket-alimentação de R$256,85 mensais, valor unitário de alterações em algumas das cláusulas anteriormente estabelecidas,

R$9,88, com valor de desconto de R$26,25, a partir de setembro de mas repetiu literalmente, ou quase, que, na integralidade, o teor de

2017; condições constantes daquela proposta que fora assinada pelas

5 - Jornada de trabalho de 44 horas semanais; partes, mas cuja formalização estaria condicionada à ratificação

6 - Labor ao domingo livre, com folga compensatória ou pagamento pelas assembleias dos segmentos profissional e econômico.

em dobro, nos termos do Enunciado do c. TST, apenas com jornada É o que se verifica do cotejo entre as propostas apresentadas nas

máxima de trabalho individual de 6 horas com intervalo de 15 audiências de conciliação realizadas nos dias 31/8/2017 (fls.

minutos; 338/339) e 6/9/2017 (fls. 354/356):

7 - Feriados sem labor: dias 1º de maio; 25 de dezembro; 1º de

janeiro; e, os dias: domingo do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, Proposta assinada pelas partes e apresentada na audiência de

segunda-feira do Recírio e terça-feira de carnaval. Nos demais 31/8/2017Nova proposta apresentada pelo suscitado na

feriados, o funcionamento será limitado a seis horas: das 8 às 14 audiência do dia 6/9/2017Vigência da Convenção Coletiva de

horas; Trabalho de 1º/3/2017 a 28/2/2019, com data base em 1º de março.

8 - 0,5% sobre a folha salarial líquida de Contribuição das empresas O reajuste salarial para o período de 1º/3/2018 a 28/2/2019

para atendimento médico e odontológico; observará o INPC do período acumulado de 1º/3/2017 a 28/2/2018,

9 - Provando a empresa, com Oficio ao SINE mensal e publicação acrescido de 1% a título de aumento real.

em jornal, o não preenchimento de cota de portador de necessidade

especial, não será descumprimento da Lei;

10 - Banco de horas, redução de jornada com proporcional redução

de salário, intervalos intrajornada, etc, nos termos da Lei de

Reforma Trabalhista e negociação direta. Salário profissional de R$1.206,00.

O Sindicato Demandante registrou que concorda com a Ticket alimentação de R$256,85 mensais, valor unitário de R$9,88,

manutenção da proposta que resultou do consenso entre as com valor de desconto de R$26,25, de contrapartida do trabalhador

partes, apresentada na audiência do dia 31 de agosto de 2017, para todas as faixas salariais.

que deverão ser acrescidas àquelas disposições da norma anterior, A jornada de trabalho é de 44 horas semanais, salvo aqueles

rejeitando as alterações que pretende introduzir neste empregados que exercem cargos de confiança e outros

momento o sindicato Patronal, até por conflitar com a profissionais de categorias diferenciadas.

manifestação de vontade de seu representante, já exposta na

proposta juntada nos autos do DC 0000279-46.2017.5.08.0000. Labor aos domingos com jornada de trabalho de 06 horas,

Registra, ainda, que as entidades recepcionam apenas o aceite à observando o intervalo de 15 minutos, com inicio as 07h e cerrando

proposta de regulamentação para a contratação de deficientes. Por as portas ao público consumidor às 19:00 horas, compreendendo

fim, protesta pelo julgamento do referido dissidio. inclusive nesse horário o atendimento dos consumidores que já se

Em razão do não aceite, em parte, o Patronal expressa que, no encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste

bojo da negociação, esperava tal aceitação ao funcionamento encerramento.

do feriado de amanhã, que não havendo, reserva-se ao direito

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 58
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Feriados não abertos: 1º de maio; todo 2º domingo de outubro

(Círio de Nossa Senhora de Nazaré); Dia comemorativo do

comerciário/Recírio; 25 de dezembro; 1º de janeiro; e terça-feira de

carnaval. Labor ao domingo livre, com folga compensatória ou pagamento

Nos feriados de Tiradentes, Adesão do Pará à Independência; em dobro nos termos do Enunciado do TST, apenas com jornada

Proclamação da República; Nossa Senhora da Conceição, Sexta máxima de trabalho individual de 6 horas com intervalo de 15

feira Santa; Corpus Christi, Independência do Brasil, Nossa minutos.

Senhora Aparecida e Finados, o labor poderá ser exigido pelas

empresas somente em uma jornada de 6 horas, inclusive nos

estabelecimentos ditos 24 horas, com início às 8 horas, intervalo de

15 minutos, e cerrando as portas ao público consumidor às 14

horas, compreendendo, inclusive, nesse horário, o atendimento dos

consumidores que já se encontrarem no interior dos

estabelecimentos.

Custeio da clínica médica - pagamento mensal do valor Feriados sem labor: dias 1º de maio; 25 de dezembro; 1º de

correspondente a 0,50% (meio por cento), que será repassado ao janeiro; e os dias: domingo do Círio de Nossa Senhora de Nazaré;

sindicato profissional, sem qualquer ônus aos empregados, que segunda-feira do Recírio; e terça-feira de carnaval. Nos demais

será revertido para o custeio da clínica médica. Do valor feriados, o funcionamento será limitado a seis horas: das 8h às 14h.

correspondente a 0,50% será descontado e repassado à Federação

dos Trabalhadores no Comércio e Serviços dos Estados do Pará e

Amapá o percentual de 15%. Os valores devidos aos sindicatos e à

FETRACOM serão pagos até o 5º dia útil de cada mês, por meio de

depósito bancário ou boleto.

Todas as homologações de rescisão contratual deverão ser feitas

necessariamente na sede do sindicato profissional no horário

comercial de segunda a sexta-feira.

Reajuste de 5% retroativo a março de 2017, atualizando-se em

setembro, e as diferenças dos meses serão pagas à razão de um

mês vencido a cada mês a vencer. Reajuste na próxima data base

pelo INPC e mais 1% de aumento real.

Salário profissional de R$1.206,00

Ticket alimentação de R$256,85 mensais, valor unitário de R$9,88,

com valor de desconto de R$26,25, a partir de setembro/2017.

Jornada de trabalho de 44 horas semanais.

Atendimento médico e odontológico: 0,5% sobre a folha salarial

líquida de contribuição das empresas.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 59
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segmentos - e da posterior deliberação do ente patronal em não

mais manter a proposta então apresentada, não há falar em

negociação entre os interessados, no decorrer da ação, e,

consequentemente, na aplicação dos termos da proposta de acordo

juntada às fls. 338/339.

Salienta-se não merecer prosperar o argumento de que as

empresas já estavam cumprindo o acordo entabulado ao

concederem o reajuste de 5%. A proposta de acordo assinada pelas

partes e levada posteriormente à consideração das assembleias foi

noticiada na audiência de conciliação realizada em 31/8/2017 (fls.

331/332), sendo que a menção feita pelo sindicato suscitante

quanto à concessão de reajuste salarial por algumas empresas

ocorreu anteriormente, na audiência realizada em 9/8/2017 (fls.

255/256).

Por outro lado, é fato que a empresa Líder Comércio e Indústria

Ltda., mediante petição de fls. 258/259, datada de 16/8/2017,

confirmou a concessão do reajuste salarial no percentual de 5%, já

repassado aos trabalhadores desde julho daquele ano.

O Sindicato patronal, por sua vez, manifestou-se, às fls. 288/290, no

sentido de que a concessão de determinado reajuste por isoladas e

específicas redes de supermercados - como as citadas pelo

sindicato suscitante na audiência, cuja capacidade financeira é bem

superior em relação aos pequenos supermercados e auto serviços -

, não teria o condão de impingir as micro e pequenas empresas a

concederem o mesmo percentual para o reajuste dos salários de

seus empregados.

Provando a empresa com Ofício ao SINE mensal e publicação em E mais, o Tribunal Regional, ao analisar e deferir a cláusula relativa

jornal, O não preenchimento de cota do portador de necessidade ao reajuste salarial não concedeu o percentual de 5% por ter

especial, não será descumprimento de lei. sido objeto de ajuste entre as partes, o que se confirma da

Banco de Horas, redução da jornada com proporcional redução de leitura do trecho do acórdão recorrido, a seguir transcrito:

salário, intervalos intrajornada, etc, nos termos da Lei da Reforma

Trabalhista e negociação coletiva. O sindicato patronal opõe-se ao reajuste e à data-base propostos.

O fato é que o sindicato apresentou outra proposta para a A DD. Vice-Presidência do E. Tribunal propôs o percentual de

celebração da CCT, e que as alterações nela previstas não 4,69% (quatro vírgula vinte e oito por cento(sic)).

foram aceitas pelo sindicato profissional, o qual demonstrou As partes não aceitaram qualquer reajuste durante a instrução

concordar, apenas, com a questão da regulamentação para a do presente dissídio coletivo.

contratação de portadores de necessidades especiais. O Defiro, por equidade (art. 766, da CLT), o percentual de 5% (cinco

Sindicato patronal, por sua vez, considerando o aceite apenas por cento), como parâmetro aproximado ao percentual do INPC do

parcial do suscitante, e o insucesso da negociação, período, conforme a redação adiante proposta.

principalmente em relação ao funcionamento do comércio no Dentro do percentual pleiteado pelo sindicato profissional estava

dia 7/9/2017, deu-se ao direito de retirar a proposta então incluído o ganho real, sem estipulação especificada do quantum. A

formulada. proposta de "aumento real" (produtividade), todavia, não pode

Portanto, em face da apresentação de nova proposta na audiência ser atendida, porque depende negociação entre os

de conciliação - evidentemente em substituição àquela que, interessados (fls. 375/376) (grifei).

anteriormente, as partes haviam assinado, mas cuja formalização

estava condicionada à aprovação das assembleias de ambos os Acresça-se, por fim, que a cláusula intitulada Homologação das

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 60
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rescisões no sindicato profissional, mencionada pelo patrono do Indefiro a cláusula como proposta pelo sindicato profissional e, com

recorrente, em sustentação oral, não foi deferida pelo Regional, por fulcro nos artigos 616, § 3º c/c art. 867, parágrafo único, "a", da

não estar incluída no rol de reivindicações constante da CLT, mantenho a data-base da categoria em 1º de março e

representação, conforme consta às fls. 574/575 do acórdão relativo estabeleço que a presente sentença normativa vigorará no período

aos embargos de declaração. de 28.03.2017, quando ocorreu o ajuizamento do dissídio coletivo,

Pelo exposto, mantenho o voto. até 28.02.2018. (fl. 394)

4. CLÁUSULA 30 - DATA BASE E VIGÊNCIA A cláusula ficou assim redigida:

Analisa-se primeiramente a cláusula em epígrafe, na medida em CLÁUSULA XXX - DATA-BASE E VIGÊNCIA - A data-base da

que a questão da data base e da vigência da sentença normativa categoria obreira fica mantida em 1º de março e a presente

também é objeto de insurgência do recorrente na cláusula relativa sentença normativa terá vigência no período de 28.03.2017 até

ao reajuste dos salários. 28.02.2018. (fl. 399 - grifos apostos)

O Regional assim decidiu:

Pugna o recorrente, às fls. 619/620, pela reforma da decisão, ao

CLÁUSULA XXXVII - DATA BASE E VIGÊNCIA argumento de que o dissídio foi ajuizado somente no dia 28/3/2017,

- Proposta do Sindicato Profissional: ou seja, fora do prazo de sessenta dias a que alude o art. 616, § 3º,

'CLÁUSULA XXXVI - DATA BASE E VIGÊNCIA - A Data Base da da CLT, impedindo que a vigência da sentença normativa tivesse

categoria obreira é mantida em 1º de Março de cada ano, e o início no dia 1º de março de 2017. Afirma que não foi apresentado o

presente acordo terá vigência de 12 (doze) meses, a contar de 1º de protesto judicial, garantidor da data base da categoria, e que não

março de 2017 e terminando em 28 de fevereiro de 2018.' houve o acordo das partes nesse sentido. Requer que seja

O Sindicato demandado, em contestação, sustenta que "o Sindicato estabelecido, como data base da categoria, o dia 6/10/2017, data a

autor ajuizou a presente Ação de Dissídio somente no dia partir da qual seriam devidas as diferenças e vantagens salariais.

28/03/2017, perdendo assim o prazo de 60 (sessenta dias) para que Ao exame.

o instrumento pudesse ter vigência no dia imediato ao dia Ressalta-se de plano que o não ajuizamento do dissídio coletivo no

01/03/2017, razão pela qual, a data base deverá ser a data de prazo previsto no art. 616, § 3º, da CLT implica somente a perda de

eventual sentença, nos moldes do que determina o art. 616, §3º da data base como termo inicial da vigência da sentença normativa.

CLT" (Id. 89d6a54 - Pág. 28). Trata-se esta ação de um dissídio coletivo revisional. Há, nos autos,

Examino. às fls. 81/92, a cópia da norma revisanda, que se refere à

Inconteste que não houve a apresentação de protesto judicial para Convenção Coletiva de Trabalho de 2016/2017, cuja cláusula 1ª

assegurar a data-base da categoria (art. 219, §§ 1º e 2º, do estabelece que a data base da categoria é o dia 1º de março e que

Regimento Interno do C. TST), assim como não resta dúvida de que a vigência do instrumento firmado abrange o período de 1º de

o sindicato demandante ajuizou o presente dissídio coletivo fora do março de 2016 a 28 de fevereiro de 2017.

prazo de 60 (sessenta dias), a que alude o art. 616, § 3º, da CLT, O art. 867 da CLT, em seu parágrafo único, alíneas a e b,

haja vista que a data-base da categoria recai no dia 01 de março e estabelece três hipóteses para a definição do termo inicial de

o presente feito foi protocolado somente em 28.03.2017. vigência da sentença normativa: a) dissídio coletivo de natureza

Do mesmo modo, até o final da instrução do presente feito não foi revisional - se ajuizado após o fim da vigência do instrumento

apresentada a formalização do possível acordo entre as partes para normativo revisando, o termo inicial será a data da publicação da

assegurar a data-base da categoria, como sustentado pelo sindicato sentença normativa (alínea a, primeira parte); b) dissídio coletivo de

profissional, na peça vestibular. natureza originária - o termo inicial será a data do ajuizamento do

Ao caso, entendo razoável aplicar a norma mais favorável contida dissídio coletivo (alínea a, in fine, da CLT); e c) dissídio coletivo de

na segunda parte da alínea "a" do parágrafo único do art. 867, da natureza revisional - se ajuizado dentro do prazo a que se refere o

CLT, que permite que se estabeleça a vigência da sentença art. 616, § 3º, da CLT, o termo inicial será o dia imediato ao termo

normativa a partir do ajuizamento do dissídio coletivo, ou seja, em final de vigência do instrumento normativo anterior (alínea b, da

28.03.2017, inclusive para evitar maiores prejuízos à categoria CLT).

profissional. Eis o que dispõe o § 3º do art. 616 do Texto Consolidado:

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 61
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

A ata da primeira audiência de conciliação, realizada em 5/4/2017

§ 3º - Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, (fls. 156/157), trouxe a seguinte consignação:

o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 dias

anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento Com a palavra o Sindicato Demandante em razão da realização da

possa ter vigência no dia imediato a esse termo. primeira reunião de negociação da data-base, a exemplo de anos

anteriores ratificou proposta de norma coletiva apresentada

Tem-se, portanto, que o não ajuizamento do dissídio coletivo no formalmente, bem como as partes trataram da manutenção da data-

prazo previsto no art. 616, § 3º, da CLT acarreta a perda da data base o que restou consenso entre as partes àquela altura, faltando

base da categoria como termo inicial da vigência da sentença apenas, sua formalização.

normativa. As exceções ocorrem se o sindicato suscitante

comprovar ter sido assegurada a data base, quer pelo consenso Ressalta-se que, na representação, o suscitante já havia afirmado

das partes, quer pelo ajuizamento de protesto judicial. que o sindicato demandado, por intermédio de seu departamento

No caso em tela, a vigência da CCT 2016/2017 se esgotou em jurídico garantiu a data base da categoria, faltando tão somente, a

28/2/2017 e a peça de representação deste dissídio coletivo sua formalização, que será juntada em momento oportuno. Todavia,

somente foi protocolizada em 28/3/2017, restando, portanto, conforme o acórdão regional, até o final da instrução não havia sido

inobservadas as disposições do art. 616, § 3º, da CLT. Também não apresentada a formalização do possível acordo entre as partes para

há notícias nos autos de que o Sindicato tivesse formulado o assegurar a data-base da categoria, o que não foi refutado pelo

protesto judicial, de forma a garantir a manutenção da data base no suscitante, sequer nas contrarrazões apresentadas ao recurso

dia 1º de março. ordinário interposto pelo suscitado.

É importante salientar que, conforme documento juntado à fl. 95, O fato é que, embora reconhecendo que o dissídio coletivo fora

referente ao envio da pauta reivindicatória ao Sindicato patronal, as ajuizado fora do prazo a que alude o art. 616, § 3º, da CLT, e que

negociações tiveram início em 5/1/2017. inexistiram as hipóteses exceptivas da aplicação do disposto na

Assim, a formulação de protesto judicial teria sido a melhor forma de primeira parte da alínea a do parágrafo único do art. 867, também

o suscitante ter dado continuidade ao processo negocial e, ao da CLT, o Regional entendeu razoável aplicar a norma mais

mesmo tempo, assegurar a data-base da categoria, de modo a não favorável contida na segunda parte da alínea "a" acima

deixá-la desguarnecida, em termos de norma coletiva. mencionada, fundamento, a meu juízo, bastante frágil, diante do

Nesse sentido dispõe o art. 240, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno que determina o texto legal. Ademais, a decisão contraria a própria

deste TST: jurisprudência do TST, conforme se observa do precedente cuja

ementa a seguir se transcreve:

Art. 240. Frustrada, total ou parcialmente, a autocomposição dos

interesses coletivos em negociação promovida diretamente pelos RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO. VIGÊNCIA DA

interessados ou mediante intermediação administrativa do órgão SENTENÇA NORMATIVA. REAJUSTE SALARIAL. O art. 616, § 3º,

competente do Ministério do Trabalho, poderá ser ajuizada a ação da CLT estabelece que, se há sentença ou acordo coletivo em

de dissídio coletivo ou solicitada a mediação do Tribunal Superior vigor, a instância do dissídio coletivo deverá ser instaurada dentro

do Trabalho. dos 60 dias anteriores ao término da vigência do instrumento então

§ 1º. Na impossibilidade real de encerramento da negociação existente. Por outro lado, o art. 867, parágrafo único, alíneaa, do

coletiva em curso antes do termo final a que se refere o art. 616, § mesmo diploma legal dispõe que, ajuizado o dissídio coletivo após o

3º, da CLT, a entidade interessada poderá formular protesto judicial prazo acima aludido, a sentença normativa vigorará a partir da data

em petição escrita, dirigida ao Presidente do Tribunal, a fim de de sua publicação. No caso em tela, constata-se a existência de

preservar a data-base da categoria. norma revisanda, pertinente ao Acordo Coletivo de Trabalho de

§ 2º. Deferida a medida prevista no item anterior, a representação 2013; o ajuizamento do dissídio coletivo fora do prazo previsto no §

coletiva será ajuizada no prazo máximo de 30 (trinta) dias úteis, 3º do art. 616 da CLT; a não concordância da suscitada quanto à

contados da intimação, sob pena de perda da eficácia do protesto. manutenção da data-base em 1º de janeiro; e a não apresentação

de protesto judicial para a sua preservação. Desse modo, em

De outro lado, também não há como afirmar que houve a relação à cláusula do reajuste dos salários, única reivindicação

concordância do suscitado quanto à manutenção da data-base. analisada pelo Regional, deve-se aplicar o disposto na primeira

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 62
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

parte da alínea a do parágrafo único do art. 867 da CLT, segundo o - Proposta do Sindicato Profissional:

qual a sentença normativa vigorará a partir da data de sua 'CLÁUSULA I - REAJUSTE SALARIAL - Os salários dos integrantes

publicação. Nesse contexto, a data fixada pelo Regional como a do da categoria profissional serão reajustados em 1º de março de 2017

termo inicial da sentença normativa (do ajuizamento do dissídio mediante a aplicação do percentual de 12% (doze por cento).

coletivo) deveria ser postergada para 17/12/2015, dia em que foi PARÁGRAFO PRIMEIRO - O reajuste acima especificado será

publicado o acórdão dos embargos de declaração, o qual integrou a aplicado apenas sobre os salários fixos ou partes fixas de

sentença normativa. Todavia, verifica-se, das razões recursais, que remuneração, e independente do reajuste somente estar sendo

o pedido da suscitada se limita a que os efeitos da sentença sejam aplicado a contar de 01.03.2017, por ajuste entre as partes, a data

fixados em 26/3/2015, o que deve ser observado, dando-se base da categoria obreira permanece em 01 de março.

provimento ao recurso ordinário, nesse sentido. Recurso ordinário PARÁGRAFO SEGUNDO - Com o presente reajustamento a

conhecido e provido. (RO-130124-98.2014.5.13.0000, SDC, entidade sindical profissional declara expressamente estarem

Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT de 22/3/16) quitadas e repostas todas as perdas salariais porventura havidas

até 28.02.17, dando por cumprida integralmente a legislação salarial

No contexto delineado, apresentei meu voto no sentido de reformar hoje vigente, e reconhecendo inexistirem perdas salariais em favor

a decisão, postergando-se a data fixada pelo Regional como termo dos obreiros anteriores a 1º de Março de 2017.

inicial da sentença normativa, qual seja o dia 28/3/2017, data do PARÁGRAFO TERCEIRO - Os empregados admitidos após o mês

ajuizamento da ação, para o dia 6/10/2017, data da publicação do de março de 2013, terão na presente data base reajustamento

acórdão dos embargos de declaração (conforme certidão de fl. 600), segundo os percentuais da tabela abaixo, a serem aplicados sobre

o qual integrou a sentença normativa, nos termos do art. 867, o salário do mês de admissão, encontrando-se, assim, o salário

parágrafo único, "a", primeira parte, da CLT. devido para o mês de março/17.'

Ocorre que esta Seção Especializada entendeu que a data de O sindicato patronal opõe-se ao reajuste e à data-base propostos.

publicação a ser considerada como termo inicial de vigência da A DD. Vice-Presidência do E. Tribunal propôs o percentual de

sentença normativa, à qual se refere o art. 867, parágrafo único, "a", 4,69% (quatro vírgula vinte e oito por cento (sic)).

primeira parte, da CLT, é o dia da publicação da decisão As partes não aceitaram qualquer reajuste durante a instrução do

propriamente dita - e não a dos embargos de declaração - que, no presente dissídio coletivo.

caso, ocorreu em 25/9/2017 (fl. 550). Defiro, por equidade (art. 766, da CLT), o percentual de 5% (cinco

Salienta-se que não houve insurgência de nenhuma das partes em por cento), como parâmetro aproximado ao percentual do INPC do

relação à fixação do termo final de vigência da sentença normativa. período, conforme a redação adiante proposta.

Pelo exposto, reformulando parcialmente o voto anteriormente Dentro do percentual pleiteado pelo sindicato profissional estava

proferido, dou provimento parcial ao recurso em relação à incluído o ganho real, sem estipulação especificada do quantum. A

cláusula 30 - DATA BASE E VIGÊNCIA, para fixar, como termo proposta de "aumento real" (produtividade), todavia, não pode ser

inicial da sentença normativa proferida neste dissídio coletivo, o dia atendida, porque depende de negociação entre os interessados.

25/9/2017, - resguardadas as situações fáticas já constituídas, ao No que se refere à "data-base" da categoria (que, na verdade, diz

teor do art. 6º, § 3º, da Lei nº 4.725/65 -, ficando a cláusula assim respeito à VIGÊNCIA da sentença normativa), o sindicato

redigida: demandante noticia, na petição inicial, que "sindicato demandado,

por intermédio de seu departamento jurídico garantiu a data-base

CLÁUSULA 30 - DATA-BASE E VIGÊNCIA - A data-base da da categoria, faltando tão somente, a sua formalização, que será

categoria obreira fica mantida em 1º de março e a presente juntada em momento oportuno" (Id. ed05119 - Pág. 2), fato este

sentença normativa terá vigência no período de 25/9/2017 a reiterado por ocasião da audiência realizada em 05.04.2017, que

28/2/2018. objetivava a conciliação e que foi adiada para 10.04.2017, por

requerimento do sindicato demandado, com anuência da parte

5. CLÁUSULA 1ª - REAJUSTE SALARIAL adversa.

Todavia, em sede de contestação o sindicato patronal aduziu que

O Regional assim decidiu: "no que tange à data base da categoria, o Sindicato autor ajuizou a

presente Ação de Dissídio somente no dia 28/03/2017, perdendo

CLÁUSULA I - REAJUSTE SALARIAL assim o prazo de 60 (sessenta dias) para que o instrumento

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 63
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

pudesse ter vigência no dia imediato ao dia 01/03/2017, razão pela acumulado no INPC/IBGE, para o período. Sustenta que não cabe

qual, a data base deverá ser a data da improvável sentença, nos ao poder normativo desta Justiça Trabalhista a fixação de reajuste

moldes do que determina o art. 616, § 3º da CLT" (Id. 89d6a54 - dos salários e que, uma vez que o próprio acórdão reconheceu a

Pág. 7). perda da data base da categoria e que o dissídio coletivo foi

Inconteste que não houve a apresentação de protesto judicial para recebido como originário, não há falar em reajustes. Requer o

assegurar a data-base da categoria (art. 219, §§ 1º e 2º, do indeferimento da cláusula e, sucessivamente, caso seja mantido o

Regimento Interno do C. TST), assim como não resta dúvida de que reajuste, que este comece a vigorar a partir da publicação do último

o sindicato demandante ajuizou o presente dissídio coletivo fora do acórdão recorrido, a teor do art. 867, parágrafo único, a, da CLT.

prazo de 60 (sessenta dias), a que alude o art. 616, § 3º, da CLT, Ao exame.

haja vista que a data-base da categoria recai no dia 01 de março e Quanto à questão do reajuste salarial, a Justiça do Trabalho, dentro

o presente feito foi protocolado somente em 28.03.2017. do poder normativo que lhe é assegurado pelo art. 114, § 2º, da

Do mesmo modo, até o final da instrução do presente feito não foi Constituição, tem a possibilidade de, no insucesso das

apresentada a formalização do acordo entre as partes para negociações, conceder percentual de reajuste que julgue

assegurar a data-base da categoria, como sustentado pelo sindicato condizente com a perda salarial da categoria profissional,

profissional. procurando traduzir a justa composição do conflito de interesses

Ao caso, entendo razoável aplicar a norma mais favorável contida das partes, nos termos do § 1º do art. 12 da Lei nº 10.192/2001.

na segunda parte da alínea "a" do parágrafo único do art. 867, da Nesse passo, mostra-se imperiosa a concessão de reajuste que

CLT, que permite que se estabeleça a vigência da sentença contemple, a um só tempo, a necessidade de reposição salarial da

normativa a partir do ajuizamento do dissídio coletivo, ou seja, em categoria profissional e a capacidade econômica do segmento

28.03.2017, inclusive para evitar maiores prejuízos à categoria suscitado.

profissional. De outro lado, a Lei nº 10.192/2001, que convalidou todas as

Indefiro a cláusula como proposta pelo sindicato profissional e, com medidas provisórias complementares ao Plano Real, trouxe, em seu

fulcro nos artigos 616, § 3º c/c art. 867, parágrafo único, "a", da art. 13, a vedação pela qual o reajuste não pode estar atrelado a

CLT, mantenho a data-base da categoria em 1º de março e índices de preços, eliminando a indexação de preços e salários, a

estabeleço que a presente sentença normativa vigorará no período fim de controlar o processo inflacionário.

de 28.03.2017, quando ocorreu o ajuizamento do dissídio coletivo, Nesse contexto, esta Seção Especializada tem admitido a fixação

até 28.02.2018. (fls. 375/376) do reajuste dos salários, observando os índices inflacionários

medidos pelo INPC/IBGE para o respectivo período revisando e

A cláusula restou assim deferida: fixando um percentual levemente inferior àquele apurado, mantendo

o entendimento de que a concessão de qualquer reajuste em

CLÁUSULA I - REAJUSTE SALARIAL - Os salários dos integrantes percentual mais elevado realmente deve ser objeto de negociação

da categoria profissional serão reajustados em 5% (cinco por entre as partes, conforme dispõe o art. 10 do mencionado diploma

cento), calculado sobre os salários vigentes em 1º de março de legal.

2017, a partir de 28.03.2017, sendo compensadas as antecipações Não se ignora o atual cenário de dificuldades financeiras que, não

e aumentos compulsórios ou espontâneos concedidos no período, só o segmento empresarial, mas o País, de modo geral,

com exceção dos decorrentes de término de aprendizagem, atravessam.

implemento de idade, promoção por antiguidade ou merecimento, Ocorre que, no tocante ao empregador, um dos atributos da relação

transferência de cargo, função ou localidade, ou equiparação de emprego consiste exatamente na assunção dos riscos do

salarial determinada por sentença judicial transitada em julgado. (fl. empreendimento, não se podendo admitir que, mesmo em tempo de

395) crise econômica, os empregados sejam sacrificados, e que seus

salários sofram o desgaste que a inflação acarreta. Acrescenta-se

Insurge-se o Sindicato patronal, às fls. 612/613, contra o percentual que os elementos constantes dos autos não permitem comprovar

de reajuste concedido pelo Regional e contra o termo inicial de sua que a concessão do percentual de reajuste aos trabalhadores, nos

incidência. Alega que a decisão não pode ser mantida, na medida moldes delineados, afetaria sobremaneira o orçamento das

em que, apesar da grave crise econômica que o setor e o País empresas, de forma a inviabilizar a prestação de seus serviços e/ou

atravessam, o Regional arbitrou um valor elevado e até superior ao a consecução de suas atividades econômicas.

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A cláusula reivindicada previa, inicialmente, o reajuste salarial de da categoria será de R$ 1.286,39 (Um mil e duzentos e oitenta e

12%, conforme transcrita no acórdão regional, sendo que o seis reais e trinta e nove centavos), a contar de 1º de Março de

Regional deferiu o percentual de 5%. 2017.

O índice apurado pelo INPC/IBGE para o período de 1º/3/2016 a PARÁGRAFO PRIMEIRO - O salário profissional será devido aos

28/2/2017 foi de 4,69%. empregados que percebam apenas salário fixo, e que sejam

Portanto, o percentual de 5% concedido pelo Regional para o exercentes das seguintes funções: balconista; cobrador; auxiliar de

reajuste dos salários foi superior àquele que seria fixado por esta escritório; escriturário; auxiliar de contabilidade; datilógrafo;

Seção Especializada, com a aplicação de sua jurisprudência. faturista; analista de crédito; almoxarife; encarregado de estoque;

Acrescenta-se que, conquanto o Sindicato patronal tivesse estoquista; caixa; pintor; montador; secretária; recepcionista;

apresentado, na audiência de conciliação (fls. 354/356), a repositor; digitador; açougueiro, atendente, auxiliar de cobrança,

proposição relativa a 5% para o reajuste salarial, deixou assente, auxiliar de padaria, cartazista, conferente, faturista, operador de

naquela ocasião, que, uma vez que o Sindicato profissional não máquinas e calculista de preços.

aceitara as alterações apresentadas pelas empresas, PARÁGRAFO SEGUNDO - O Salário Profissional de que trata o

principalmente em relação ao funcionamento do comércio nas caput desta cláusula, sujeita-se às seguintes condições :

manhãs dos feriados, reservava-se ao direito de não mais manter a) Os portadores de diploma profissional, expedido por

as condições então expressas. estabelecimento de ensino reconhecido pelos Ministérios da

Nesse contexto, e como já dito, uma vez que a fixação de reajuste Educação e do Trabalho, perceberão o salário profissional após

dos salários em percentual superior aos medidores mencionados noventa dias de trabalho na mesma empresa.

depende de negociação entre as partes, deve-se reduzir o b) Os empregados que não possuírem os diplomas de que trata a

percentual para 4,68%. alínea anterior perceberão o salário profissional após terem

Quanto à data de início da incidência do reajuste salarial, fixa-se o trabalhado, pelo menos, um ano na mesma especialidade e no

dia 25/9/2017, pelos fundamentos expostos na cláusula anterior, em mesmo ramo de negócio comprovado pela CTPS.

que restou definida essa data como termo inicial de vigência da PARÁGRAFO TERCEIRO - Os empregados exercentes das

sentença normativa proferida neste dissídio coletivo. funções especificadas no § 1º desta cláusula, que não possuírem

Assim, dou provimento parcial ao recurso para reduzir para 4,68% diploma profissional indicado na alínea "a" do § anterior, quando

o percentual de reajuste dos salários, imprimindo à cláusula 1ª - completarem 06 (seis) meses de trabalho, na mesma especialidade

REAJUSTE SALARIAL, a seguinte redação: e no mesmo ramo de negócio comprovado pela CTPS, terão direito

a Salário Profissional no valor de R$ 1.133,37 (um mil cento e trinta

CLÁUSULA I - REAJUSTE SALARIAL - Os salários dos integrantes e três reais e trinta e sete centavos) a contar de 1º. de março de

da categoria profissional serão reajustados, a partir de 25/9/2017, 2017, sempre ressalvando que esta fixação no mês de abril não

em 4,68% (quatro vírgula sessenta e oito por cento), calculados altera da data base da categoria trabalhadora, que permanece em

sobre os salários vigentes em 1º de março de 2017, sendo 1º de março.'

compensadas as antecipações e aumentos compulsórios ou O sindicato demandado opõe-se ao reajuste proposto.

espontâneos concedidos no período, com exceção dos decorrentes De acordo com o que foi decidido na cláusula destinada ao reajuste

de término de aprendizagem, implemento de idade, promoção por salarial, defiro, por equidade (art. 766, da CLT), o reajuste nos

antiguidade ou merecimento, transferência de cargo, função ou mesmos parâmetros do reajuste salarial, conforme a jurisprudência

localidade, ou equiparação salarial determinada por sentença deste E. Tribunal Regional. (fls. 377/378)

judicial transitada em julgado. A cláusula foi deferida com a seguinte redação:

6. CLÁUSULA 2ª - PISO SALARIAL CLÁUSULA II - PISO SALARIAL - A tabela de piso salarial

praticada pela empresa será reajustada nos termos da Cláusula I.

Assim decidiu o Regional: (fl. 395)

CLÁUSULA IV - SALÁRIO PROFISSIONAL (PISO SALARIAL) Sustenta o recorrente, à fl. 613, que, uma vez que foi indeferida a

- Proposta do Sindicato Profissional: cláusula relativa ao reajuste dos salários, também deve ser alterada

'CLÁUSULA IV - SALÁRIO PROFISSIONAL - O Salário Profissional a norma que trata do piso salarial. Alega que não cabe a esta

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Justiça Trabalhista a fixação dessa condição, sob pena de intervir, máquinas e calculista de preços.

de forma contrária à previsão constitucional, na esfera econômica PARÁGRAFO SEGUNDO - O Salário Profissional de que trata o

da relação capital/trabalho. Acresce que, na Convenção Coletiva caput desta cláusula, sujeita-se às seguintes condições:

revisanda, não havia cláusula relativa a piso salarial e, sim, a salário a) Os portadores de diploma profissional, expedido por

profissional, cujo benefício estava condicionado à experiência e a estabelecimento de ensino reconhecido pelos Ministérios da

outros requisitos a serem preenchidos pelo trabalhador. Requer a Educação e do Trabalho, perceberão o salário profissional após

exclusão da norma. noventa dias de trabalho na mesma empresa.

A jurisprudência desta Seção Especializada firmou-se no sentido de b) Os empregados que não possuírem os diplomas de que trata a

que refoge ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho a alínea anterior, perceberão o salário profissional após terem

fixação de piso salarial, admitindo, contudo, se provocada, a trabalhado, pelo menos, um ano na mesma especialidade e no

possibilidade de, na existência de piso fixado em instrumento mesmo ramo de negócio comprovado pela CTPS.

negocial autônomo, celebrado em período imediatamente anterior PARÁGRAFO TERCEIRO - Os empregados exercentes das

ao do ajuizamento do dissídio coletivo, aplicar ao respectivo valor o funções especificadas no § 1º desta cláusula, que não possuírem

mesmo percentual concedido para o reajuste dos salários. diploma profissional indicado na alínea "a" do § anterior, quando

É que, em observância às disposições constantes do art. 114, § 2º, completarem 06 (seis) meses de trabalho, na mesma especialidade

in fine, da CF - , segundo o qual, ajuizado dissídio coletivo de e no mesmo ramo de negócio comprovado pela CTPS, terão direito

natureza econômica, de comum acordo, a Justiça do Trabalho pode a Salário Profissional no valor de R$ 1.011,94 (um mil e onze reais

decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de e noventa e quatro centavos) a contar de 1º. de março de 2016. (fls.

proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente - 81/82)

, esta SDC firmou seu entendimento de que as condições Confrontando os termos constantes da cláusula 3ª da CCT

convencionais preexistentes, ou seja, aquelas constantes de 2016/2017 e aqueles dispostos na cláusula reivindicada nesta ação,

acordos e/ou convenções coletivas firmados no período constata-se que apresentam a mesma redação, à exceção,

imediatamente anterior, devem ser mantidas no dissídio que evidentemente, dos valores nelas estabelecidos,

suceder a extinção da vigência dos referidos instrumentos. independentemente da nomenclatura a elas atribuída.

Assim, a manutenção das condições anteriormente pactuadas se Portanto, uma vez que é preexistente a condição, e considerando

impõe, a menos que ofendam preceitos legais ou que haja que não houve a insurgência do sindicato profissional em relação à

elementos objetivos a demonstrar a mudança do ponto de equilíbrio decisão proferida, reforma-se o julgado para aplicar, sobre os

encontrado por ocasião da negociação coletiva anterior e que, valores previstos na cláusula 3ª da CCT 2016/2017, o mesmo

agora, não autorizariam a revisão da cláusula, tanto em favor como percentual ora concedido para o reajuste dos salários, bem como

contra os interesses de qualquer uma das partes. para fixar como data inicial de incidência do reajuste o dia

O Regional determinou que a tabela de piso salarial praticada pela 25/9/2017.

empresa deveria ser reajustada nos termos da Cláusula 1ª. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para aplicar aos

Na CCT 2016/2017, firmada no período imediatamente anterior ao valores constantes do caput e do § 3º da cláusula 3ª da CCT

desta ação, constou a cláusula 3ª com a seguinte redação: 2016/2017, relativa aos pisos salariais, o percentual de 4,68%, bem

como para fixar como data inicial de incidência do reajuste, prevista

CLÁUSULA TERCEIRA - SALÁRIO PROFISSIONAL no § 3º da cláusula, o dia 25/9/2017.

O Salário Profissional da categoria será de R$ 1.148,57 (um mil,

cento e quarenta e oito reais e cinquenta e sete centavos). 7. CLÁUSULA 4ª - QUEBRA DE CAIXA

PARÁGRAFO PRIMEIRO - O salário profissional será devido aos

empregados que percebam apenas salário fixo, e que sejam Eis o teor da decisão recorrida:

exercentes das seguintes funções: balconista; cobrador; auxiliar de

escritório; escriturário; auxiliar de contabilidade; datilógrafo; CLÁUSULA III - QUEBRA DE CAIXA

faturista; analista de crédito; almoxarife; encarregado de estoque; - Proposta do Sindicato Profissional:

estoquista; caixa; pintor; montador; secretária; recepcionista; 'CLÁUSULA III - QUEBRA DE CAIXA - Os empregados operadores

repositor; digitador; açougueiro; atendente; auxiliar de cobrança; de caixa que trabalhem em empresas que descontam diferenças em

auxiliar de padaria; cartazista; conferente; faturista; operador de dinheiro, a menor, farão jus a um adicional no valor de 10% (dez por

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cento) sobre o seu salario base, de acordo com o precedente representaria verdadeira afronta às disposições do art. 114, § 2º, da

normativo 103 do TST.' CF, na forma da jurisprudência desta Corte, e total incoerência em

O Sindicato demandado, em contestação, afirma que "a fixação da relação ao entendimento exposto nas cláusulas anteriormente

vantagem proposta nesta cláusula somente poderia advir analisadas.

consensualmente, uma vez que interfere na esfera econômica e Desse modo, dou provimento parcial ao recurso para manter a

financeira da relação capital trabalho, não podendo ser imposto pelo cláusula 4ª - QUEBRA DE CAIXA, com a redação constante da

poder normativo da Justiça do Trabalho" (Id. 89d6a54 - Pág. 8). cláusula 11 da CCT 2016/2017, mas reajustando o valor nela fixado

Defiro, conforme precedente na norma revisanda (Clausula Décima para o percentual de 4,68%.

Primeira) e o Precedente Normativo nº 103, da SDC, do C. TST. (fl.

377) 6. CLÁUSULA 5ª - SALÁRIO MISTO

A cláusula ficou assim deferida:

Eis o teor da decisão regional:

CLÁUSULA IV - QUEBRA DE CAIXA - Os empregados operadores

de caixa que trabalhem em empresas que descontam diferenças em CLÁUSULA V - SALÁRIO MISTO

dinheiro a menor farão jus a um adicional no valor de 10% (dez por - Proposta do Sindicato Profissional:

cento) sobre o seu salário-base, de acordo com o Precedente 'CLÁUSULA V - SALÁRIO MISTO - Os exercentes das funções de

Normativo nº 103, da SDC do TST. (fl. 395) balconista, vendedor e vendedor-balconista, que perceberem

comissões, terão salário fixo, no mínimo, no valor de R$985,60

Alega o recorrente, à fl. 614, que deve ser reformada a decisão, na (novecentos e oitenta e cinco reais e sessenta centavos), a contar

medida em que o Regional já concedeu reajuste salarial elevado e de 1º de Março/17, independentemente do salário variável

sem parâmetros legais, e que a fixação da cláusula relativa à contratado, garantida a remuneração mínima (fixo mais comissões),

quebra de caixa deve ser obtida por meio de negociação entre as igual ao salário profissional de que trata o caput da cláusula "Salário

partes. Profissional.

Sem razão o recorrente. O sindicato demandado impugnou a proposta.

A CCT 2016/2017, na cláusula 11, previu o adicional de quebra de Trata-se de conquista da categoria, em face de norma coletiva

caixa, apresentando o seguinte teor: revisanda (cláusula sexta).

De acordo com o que foi decidido na cláusula destinada ao reajuste

CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA - QUEBRA DE CAIXA salarial, defiro, por equidade (art. 766, da CLT), o Salário Misto, de

Os empregados operadores de caixa que trabalhem em empresas conformidade com a redação adiante proposta. (fl. 378)

que descontam diferenças em dinheiro, a menor, farão jus a um

adicional no valor de R$41,87 (Quarenta e um reais e oitenta e sete A cláusula ficou assim redigida:

centavos). (fl. 84)

CLÁUSULA V - SALÁRIO MISTO - Os exercentes das funções de

É certo que, nos termos do Precedente Normativo nº 103 da SDC, balconista, vendedor e vendedor-balconista, que perceberem

concede-se ao empregado que exercer permanentemente a função comissões, terão salário fixo, reajustado nos moldes da Cláusula I,

de caixa a gratificação de 10% sobre seu salário, excluídos do independentemente do salário variável contratado, garantida a

cálculo adicionais, acréscimos e vantagens pessoais, e que a remuneração mínima (fixo mais comissões), igual ao piso salarial de

cláusula deferida pelo Regional reproduz a literalidade do que trata a Cláusula II. (fl. 395)

mencionado Precedente.

Ocorre que não se impõe a aplicação do referido dispositivo se há Sustenta o recorrente, às fls. 614/615, que é inviável o reajuste

norma preexistente. concedido e reitera seus argumentos acerca do momento

Ainda que a cláusula 11, constante da CCT 2016/2017 estabeleça econômico que o País vem enfrentando. Alega que o benefício deve

um valor a título de quebra de caixa que, levando-se em conta o ser objeto de negociação entre as partes.

salário profissional também estabelecido no mencionado A cláusula 5ª foi deferida pelo Regional com base na cláusula 6ª

instrumento, possa representar percentual inferior àquele definido constante da CCT 2016/2017, cujo teor ora transcrevo:

no PN nº 103, a não manutenção da norma anteriormente pactuada

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CLÁUSULA SEXTA - SALÁRIO MISTO 379/380)

Os exercentes das funções de balconista, vendedor e vendedor-

balconista, que perceberem comissões, terão salário fixo, no Eis a redação da cláusula, tal como deferida:

mínimo, no valor de R$ 880,00 (oitocentos e oitenta reais), a contar

de 1º de Março/16, independentemente do salário variável CLÁUSULA IX - QUADRIÊNIO - As empresas pagarão aos seus

contratado, garantida a remuneração mínima (fixo mais comissões), empregados gratificação adicional por quadriênio de serviços na

igual ao salário profissional de que trata o caput da cláusula Salário mesma empresa, igual a 5% (cinco por cento) do piso salarial,

Profissional. (fls. 82/83) estipulado na Cláusula II, até no máximo de 35% (trinta e cinco por

cento), devendo este montante integrar a remuneração, para todos

Quando se trata de cláusula de cunho econômico preexistente, o os efeitos legais. (fls. 395/396)

entendimento predominante nesta Corte é o de que cabe reajustar o

valor do benefício, pela via judicial, aplicando-se o mesmo A recorrente alega, à fl. 615, que a gratificação em comento não

percentual concedido para o reajuste do salário. possui previsão legal, razão pela qual seu estabelecimento depende

Acrescenta-se que os argumentos do sindicato suscitado não do acordo entre as partes.

permitem alterar a decisão, na medida em que não se prestam a Constata-se que a cláusula 9ª foi deferida nos exatos termos da

demonstrar, de forma objetiva, a total impossibilidade de as cláusula 9ª, constante da CCT de 2016/2017, cujo teor ora

empresas por ele representadas manterem a condição transcrevo:

anteriormente pactuada.

Dou provimento parcial ao recurso para aplicar, ao valor previsto CLÁUSULA NONA - QUADRIÊNIO

na cláusula 6ª da CCT 2016/2017, o percentual de 4,68%, bem As empresas pagarão aos seus empregados gratificação adicional

como para alterar o termo inicial de incidência do reajuste, de forma por quadriênio de serviços na mesma empresa, igual a 5% (Cinco

a que a cláusula fique assim redigida: Por Cento) do salário profissional estipulado no caput da Cláusula

Salário Profissional, até no máximo de 35% (Trinta e Cinco Por

CLÁUSULA 5ª - SALÁRIO MISTO - Os exercentes das funções de Cento), devendo este montante integrar a remuneração para todos

balconista, vendedor e vendedor-balconista, que perceberem os efeitos legais. (fl. 84)

comissões, terão salário fixo, no mínimo, no valor de R$ 921,94, a

contar de 25 de setembro de 2017, independentemente do salário Tratando-se de norma de conteúdo econômico, preexistente,

variável contratado, garantida a remuneração mínima (fixo mais eventual alteração ou exclusão do benefício nela previsto exigiria a

comissões), igual ao piso salarial de que trata a Cláusula 2ª. demonstração, por parte do segmento econômico, quanto à total

impossibilidade de sua manutenção, o que inexistiu no caso em

8. CLÁUSULA 9ª - QUADRIÊNIO tela.

Assim, mantenho a decisão.

Assim decidiu o Regional: Nego provimento ao recurso.

CLÁUSULA IX - ANUÊNIO (QUADRIÊNIO) 9. CLÁUSULA 23 - INTERVALO PARA REPOUSO OU

- Proposta do Sindicato Profissional: ALIMENTAÇÃO

'CLÁUSULA IX - ANUÊNIO - As empresas pagarão aos seus

empregados gratificação adicional por anuênio de serviços na Eis o teor da decisão:

mesma empresa, igual a 1% (Um por cento) do salário profissional,

até no máximo de 35% (Trinta e Cinco Por Cento), devendo este CLÁUSULA XXV - INTERVALO PARA REPOUSO E

montante integrar a remuneração para todos os efeitos legais.' ALIMENTAÇÃO

O sindicato demandado, em contestação, argumenta que "a - Proposta do Sindicato Profissional:

proposta não possui previsão legal, somente podendo advir por 'CLÁUSULA XXV - INTERVALO PARA REPOUSO OU

meio de acordo ou por lei" (Id. 89d6a54 - Pág. 13). ALIMENTAÇÃO (ART. 71 DA CLT) - O intervalo para repouso e

Defiro, conforme precedente na norma revisanda (Clausula Nona, alimentação do trabalhador será nos termos do art. 71 da CLT, ou

que versa sobre quadriênio), conforme adiante estabelecido. (fls. seja, no mínimo 01 (uma) hora e no máximo 02 (duas),

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 68
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assegurando-se os vales-transportes na forma da lei. subsidiar o custeio da clinica médica, as empresas arcarão, com o

O sindicato demandado nada opõe quanto à referida cláusula. pagamento mensal do valor correspondente a 1% (um por cento),

Defiro nos moldes da Cláusula Vigésima Terceira da norma que será repassado ao sindicato profissional até o 5º (quinto) dia útil

revisanda. (fl. 384) de cada mês, sem qualquer ônus aos empregados, que será

revestido para o custeio da clinica médica.'

A cláusula foi assim deferida: A proposta foi impugnada pelo sindicato demandado.

Na audiência de conciliação realizada em 06.09.2017, presidida

CLÁUSULA XXIII - INTERVALO PARA REPOUSO OU pela Exmª Desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida,

ALIMENTAÇÃO (ART. 71 DA CLT) - O intervalo para repouso e DD. Vice-Presidente deste E. Regional (Id. 765e228), o sindicato

alimentação do trabalhador será nos termos do art. 71 da CLT, ou profissional ratificou a proposta apresentada na audiência de

seja, no mínimo 01 (uma) hora e no máximo 02 (duas), conciliação realizada em 31.07.2017, nos seguintes termos:

assegurando-se os vales-transportes na forma da lei. (fl. 397) 'Custeio da clínica médica - Pagamento mensal do valor

correspondente a 0,50% (meio por cento), que será repassado ao

Requer o recorrente, à fl. 615, a reforma da decisão, com a sindicato profissional, sem qualquer ônus aos empregados, que

exclusão da cláusula, sustentando que a obrigação de que as será revertido para o custeio da clínica médica.'

empresas paguem o vale-transporte para o intervalo do repouso e Do valor correspondente a 0,50% (meio por cento) acima informado,

da alimentação somente poderia advir da negociação entre as será descontado e repassado à Federação dos Trabalhadores no

partes. Alega que, com a Reforma Trabalhista, cujas disposições Comércio e Serviços dos Estados do Pará e Amapá (FETRACOM)

passariam a vigorar a partir de 11/11/2017, o intervalo para repouso o percentual de 15% (quinze por cento). Os valores devidos aos

e alimentação poderia ser negociado, desde que não fosse inferior a sindicatos e à FETRACOM serão pagos até o 5º (quinto) dia útil de

30 minutos nas jornadas superiores a oito horas diárias. cada mês através de depósito bancário e/ou boleto (Id. e0ca3cd).'

Sem razão o recorrente. De início, esta Relatoria indeferia a proposta, como apresentada na

Conforme já dito, a manutenção das condições pactuadas no petição inicial, por inexistir precedente na norma revisanda, de

período imediatamente anterior ao do dissídio coletivo se impõe, a modo que a pretensão dependeria de negociação entre os

menos que ofendam preceitos legais ou que haja elementos interessados, haja vista que impõe ônus financeiro às empresas

objetivos a demonstrar a mudança do ponto de equilíbrio representadas pela entidade sindical patronal.

encontrado por ocasião da negociação coletiva anterior e que, Contudo, esta Relatoria refluiu no posicionamento anterior, durante

agora, não autorizariam a revisão da cláusula, tanto em favor como a sessão de julgamento, em face dos debates, para deferir a

contra os interesses de qualquer uma das partes. proposta apresentada na audiência de conciliação realizada em

No caso em tela, a cláusula foi deferida pelo Regional nos exatos 31.07.2017 (Id. e0ca3cd), antes reproduzida. (fls. 387/388)

termos da cláusula 23, constante da CCT 2016/2017 (fl. 87), e não

há nos autos elementos que desautorizem a manutenção da A cláusula foi deferida com a seguinte redação:

condição.

Há de se acrescentar que a Lei nº 13.467/2017, que alterou a CLAUSULA XXVI - CUSTEIO DA CLÍNICA MÉDICA - As empresas

Consolidação das Leis do Trabalho, não se aplica a processos arcarão com o pagamento mensal do valor correspondente a 0,50%

ajuizados antes de sua vigência, não havendo como analisar a (meio por cento) sobre a folha salarial líquida de contribuição, para

questão ora trazida sob a égide desse novo Diploma legal. atendimento médico e odontológico. (fl. 398)

Nego provimento ao recurso.

Ao acolher os embargos de declaração opostos pelo Sindicato

10. CLÁUSULA 26 - CUSTEIO DA CLÍNICA MÉDICA profissional, o Regional complementou:

Assim decidiu o Regional: Da omissão: Cláusula XXVI: Custeio da Clínica Médica

Sustenta que, não obstante esteja consignado, no corpo do v.

CLÁUSULA XXX - CUSTEIO DA CLINICA MÉDICA Acórdão embargado, que o repasse do valor destinado à clínica

- Proposta do Sindicato Profissional: médica será realizado para o sindicato profissional, a parte

'CLAUSULA XXX - CUSTEIO DA CLINICA MÉDICA - Objetivando conclusiva da r. sentença normativa embargada restou omissa

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 69
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nesse particular, pelo que requer o acolhimento dos presentes 338/339) - mas que deveria ser ratificada nas assembleias dos

embargos, para sanar a omissão apontada. segmentos profissional e econômico -, da qual constava a cláusula

Assiste razão ao embargante, nesse ponto. relativa ao custeio da clínica médica.

Foi deferida a proposta apresentada na audiência de conciliação Na audiência de conciliação, realizada no dia 6/9/2017 (fls.

realizada em 31.07.2017 (Id. e0ca3cd), em que constava: 354/356), o Sindicato suscitante comunicou que a proposta fora

'Custeio da clínica médica - Pagamento mensal do valor aceita integralmente pelos trabalhadores; todavia, o mesmo não

correspondente a 0,50% (meio por cento), que será repassado ao ocorreu em relação ao segmento econômico representado pelo

sindicato profissional, sem qualquer ônus aos empregados, que Sindicato suscitado, conforme se depreende do trecho a seguir

será revertido para o custeio da clínica médica.' transcrito:

À vista do exposto, acolho os embargos de declaração para, ao

sanar a omissão apontada e prestar os esclarecimentos O SINDESPA, por seu patrono, apresentou proposta patronal

necessários, determinar que a Cláusula XXVI, que versa sobre o aprovada em assembleia realizada no dia 5 de setembro de 2017,

custeio da clínica médica, passe a constar com a seguinte redação, nos seguintes termos:

sem qualquer efeito modificativo à r. sentença normativa: "Cláusula 1 - Reajuste de 5% retroativo a março de 2017, atualizando-se em

XXVI - Custeio da clínica médica - As empresas arcarão com o setembro e as diferenças dos meses serão pagas à razão de um

pagamento mensal do valor correspondente a 0,50% (meio por mês vencido, a cada mês a vencer;

cento) sobre a folha salarial líquida de contribuição, que será 2 - Salário profissional de R$1.206,00;

repassado ao sindicato profissional, para atendimento médico e 3 - Reajuste na próxima data-base pelo INPC e mais 1% de

odontológico." (fl. 578) aumento real;

4 - Ticket-alimentação de R$256,85 mensais, valor unitário de

Sustenta o recorrente, à fl. 616, ser inviável o deferimento da R$9,88, com valor de desconto de R$26,25, a partir de setembro de

cláusula 26, na medida em que o benefício nela previsto não foi 2017;

pactuado em instrumentos anteriores e que a sua concessão não 5 - Jornada de trabalho de 44 horas semanais;

está amparada em nenhum precedente normativo. Alega que o 6 - Labor ao domingo livre, com folga compensatória ou pagamento

sindicato profissional não criou um sistema de atendimento médico em dobro nos termos do Enunciado do c. TST, apenas com jornada

e odontológico; que somente por meio de negociação coletiva essa máxima de trabalho individual de 6 horas com intervalo de 15

criação poderia ocorrer; que não pode ser imposto, às empresas, o minutos;

custeio de atendimento médico e odontológico aos empregados; e 7 - Feriados sem labor: dias 1º de maio; 25 de dezembro; 1º de

que descabe, às empresas, o ônus e a contribuição, sob tal título, a janeiro; e, os dias: domingo do Círio de Nossa Senhora de Nazaré,

sindicato que sequer lhes representa. Requer a exclusão da segunda-feira do Recírio e terça-feira de carnaval. Nos demais

cláusula. feriados, o funcionamento será limitado a seis horas: das 8 às 14

O entendimento desta SDC é o de que os benefícios que geram horas;

ônus patrimonial ao empregador não podem ser fixados por 8 - 0,5% sobre a folha salarial líquida de Contribuição das empresas

sentença normativa, sendo imprescindível que haja a negociação para atendimento médico e odontológico;

entre as partes, salvo se configurada norma preexistente. 9 - Provando a empresa com Oficio ao SINE mensal e publicação

No caso, constata-se que a vantagem não é preexistente, uma vez em jornal o não preenchimento de cota de portador de necessidade

que não se encontra estabelecida na CCT de 2016/2017 (fls. 81/92). especial não será descumprimento da Lei;

De outro lado, ao contrário do que consignou o acórdão regional, 10 - Banco de horas, redução de jornada com proporcional redução

não se pode afirmar que o Sindicato patronal tivesse concordado de salário, intervalos intrajornada, etc, nos termos da Lei de

com o estabelecimento do benefício. Reforma Trabalhista e negociação direta.

Esclareça-se que não se tem notícia, nos autos, da realização de O Sindicato Demandante registrou que concorda com a

assembleia no dia 31/9/2017. manutenção da proposta que resultou do consenso entre as partes,

Na assembleia realizada no dia 31/8/2017 (fls. 331/332), o Sindicato apresentada na audiência do dia 31 de agosto de 2017, que

profissional suscitante, acolhendo proposição da Vice Presidência, deverão ser acrescidas àquelas disposições da norma anterior,

concordou com a suspensão da greve marcada para o dia rejeitando as alterações que pretende introduzir neste momento o

1º/9/2017, em razão da proposta assinada pelas partes (fls. sindicato Patronal, até por conflitar com a manifestação de vontade

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 70
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de seu representante já exposta na proposta juntada nos autos do resolvem ajustar por liberalidade os convenentes, que as empresas

DC 0000279-46.2017.5.08.0000. Registra, ainda, que as entidades exigirão o labor aos feriados e domingos na forma dos parágrafos

recepcionam apenas o aceite à proposta de regulamentação para a abaixo:

contratação de deficientes. Por fim, protesta pelo julgamento do Parágrafo Primeiro: Visando ao bem-estar de seus empregados, as

referido dissidio. empresas obrigam-se, para o labor aos domingos, a adotar jornada

Em razão do não aceite, em parte, o Patronal expressa que, no bojo de trabalho de 05 (cinco) horas, obedecendo intervalo de 15

da negociação, esperava tal aceitação ao funcionamento do feriado (quinze) minutos, conforme legislação em vigor, inclusive nos

de amanhã, que não havendo, reserva-se ao direito de não mais estabelecimentos ditos "24 horas", com início às 08:00 horas e

manter a proposta ora expressa. cerrando as portas ao público consumidor às 13:00 horas, ficando

Mesmo diante da posição Patronal registrada no item anterior, o autorizadas ao atendimento dos consumidores que já se

Sindicato dos Trabalhadores mantém sua posição já registrada na encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste

Ata anterior, reafirmando que manterá a suspensão da greve até o encerramento, excetuando-se os empregados que laborarem nas

julgamento do DC 0000279-46.2017.5.08.0000. (fls. 354/356 - grifos áreas de manutenção, vigilância, preparação de panificação,

apostos) balanços e outras necessárias ao funcionamento diário, permanente

e subsequente das empresas, que têm exercício funcional

O fato é que, ainda que o sindicato patronal tivesse, inicialmente, normalmente em qualquer dia e/ou horário, inclusive noturno,

anuído, na audiência de conciliação, com a concessão de diversos madrugada, etc., sempre respeitadas as normas legais protetivas.

benefícios, e, especificamente, em relação ao estabelecimento da Parágrafo Segundo: As empresas se comprometem a abster-se de

cláusula relativa ao convênio médico, a formalização da proposta exigir o labor de seus empregados integrantes da categoria

estava condicionada à aprovação das respectivas assembleias, o profissional, inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas", nos

que não ocorreu em relação ao sindicato patronal. Ademais, os seguintes dias feriados ou dias festivos/religiosos: 01 de maio de

termos propostos só obrigariam as partes se houvesse êxito nas 2016 (Feriado do Dia do Trabalho), 12 de outubro de 2016

tratativas, com a consequente formalização do instrumento negocial (Domingo do Círio de Nossa Senhora de Nazaré), 30 de outubro de

autônomo. 2016 (Dia Comemorativo do Comerciário), 25 de dezembro de 2016

Nessa situação, não se tratando de cláusula preexistente e não (Feriado do Natal), 1º de janeiro de 2017 (Feriado da

havendo o efetivo consenso das partes quanto à concessão do Confraternização Universal) e o dia 17 de fevereiro de 2017 (terça-

benefício, deve ser reformada a decisão regional. feira de Carnaval). Destas disposições ficam excetuados os

Dou provimento ao recurso para excluir da sentença normativa a empregados que laborarem nas áreas de manutenção, vigilância,

cláusula 26 - CUSTEIO DA CLÍNICA MÉDICA. preparação de panificação, balanços e outras necessárias ao

funcionamento diário, permanente e subsequente das empresas,

11. CLÁUSULA 27 - TRABALHO AOS DOMINGOS E FERIADOS que têm exercício funcional normalmente em qualquer dia e/ou

horário, inclusive noturno, madrugada, etc., sempre respeitadas as

Eis o teor da decisão: normas legais protetivas.

Parágrafo Terceiro: Nos feriados de Tiradentes, Adesão do Pará à

CLÁUSULA XXXIII - DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS DATAS Independência, Proclamação da República, Nossa Senhora da

ESPECIAIS Conceição, Sexta-Feira Santa, Corpus Christi, Independência do

- Proposta do Sindicato Profissional: Brasil, Nossa Senhora Aparecida e Finados, o labor poderá ser

'CLÁUSULA XXXII (sic) - DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS exigido pelas empresas somente em uma jornada de 5(cinco) horas,

DATAS ESPECIAIS inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas", com início às 08:00

O Sindicato patronal convenente entende que, para a exigência de horas, intervalo de quinze minutos, e cerrando as portas ao público

labor dos empregados das empresas em domingos e feriados, não consumidor às 13:00 horas, ficando autorizadas ao atendimento dos

há necessidade de qualquer autorização do sindicato obreiro ou consumidores que já se encontrarem no interior dos

previsão em instrumento coletivo de trabalho. Todavia, o Sindicato estabelecimentos por ocasião deste encerramento. Destas

profissional convenente, entende que o labor em domingos e disposições ficam excetuados os empregados que laborarem nas

feriados da categoria obreira só pode existir com o seu áreas de manutenção, vigilância, preparação de panificação,

consentimento. A despeito das posições antagônicas referidas, balanços e outras necessárias ao funcionamento diário, permanente

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 71
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e subsequente das empresas, que têm exercício funcional Sobre a matéria, cito artigo do Exmº Desembargador Georgenor de

normalmente em qualquer dia e/ou horário, inclusive noturno, Sousa Franco Filho, publicado no jornal "O Liberal", edição de

madrugada, etc., sempre respeitadas as normas legais protetivas. 27.08.2017: 'Supermercados aos domingos. Através do Decreto

Parágrafo Quarto: Para uma situação de completa igualdade 9.127, de 16.08.2017, foi alterado o Decreto 27.048, de 12.08.1049,

àqueles que laboram no setor supermercadista, o que é garantido que, por sua vez, regulamenta a Lei 605/49, que trata de repouso

pela Constituição Federal, e, por entender que as condições aqui semanal remunerado. A única alteração foi a inclusão de

negociadas atendem àqueles que integram a categoria profissional, supermercados e hipermercados no rol de atividades do comércio

o Sindicato Profissional Convenente compromete-se a não (anexo II do regulamento)

estabelecer qualquer tipo de negociação individualizada, com Significa, assim, que fica superada uma questão que, há vários

qualquer outro estabelecimento, cujo regramento implique em anos, atormentava a população das cidades brasileiras, inclusive de

alteração do aqui pactuado quanto à regulamentação do labor aos Belém: a partir de agora, os supermercados e hipermercados

domingos e feriados, do contrário tal regramento será podem abrir em dia de repouso semanal, que, conforme a

automaticamente nulo e inexigível de pleno direito, ficando as Constituição, deve recair "preferivelmente aos domingos" (art. 7º,

empresas livres para estipular o que bem desejarem no que tange XV), a fim de atender o consumidor.

labor em domingos e feriados. Também este regramento sobre A matéria vinha sendo objeto de sucessivas demandas judiciais e,

trabalho em domingos e feriados, fixado nesta cláusula, reputar-se- dependendo da composição das cortes julgadoras ou do

á nulo e inexigível de pleno direito se qualquer empresa obter convencimento do magistrado, era determinado o funcionamento

perante o Poder Judiciário, decisão judicial alterando este desses estabelecimentos ou não. Isso criava para o consumidor

regramento, hipótese em que, para garantir a igualdade absoluta incerteza de saber se o supermercado próximo de sua

concorrencial entre as empresas, desde já o sindicato obreiro casa estaria ou não aberto aos domingos. Anos atrás foi

convenente declara concordar e autorizar que a decisão judicial determinado o funcionamento de alguns, mas não de todos. Depois,

hipotética, automaticamente, reste extensiva à todas as empresas. veio a ordem diversa: todos deveriam fechar.

Parágrafo Quinto: Para o labor nos domingos, as empresas Já estava na hora de ser resolvido esse problema, sobretudo nas

somente poderão voltar a exigir a o labor a partir das 06:00 horas do grandes cidades. Belém metropolitana, com seus dois milhões de

dia seguinte, inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas de habitantes, era uma das vítimas. Sequer temos supermercados 24

funcionamento". horas, como muitas megalópoles possuem e nem mais aos

Parágrafo Sexto: Para o labor nos feriados deverão as empresas domingos esses estabelecimentos funcionam.

pagar a dobra legal, ainda que o feriado coincidir com "domingo", e Publicado o Decreto, e tendo, como tem, aplicação imediata, os

quando o labor for exigido em feriado(s), seja na forma do parágrafo supermercados e hipermercados estão obrigados a funcionar aos

terceiro desta cláusula, a empresa que o fizer somente poderá domingos. É importante, todavia, observar certas regras, a fim de

voltar a exigir o labor a partir das 06:00 horas do dia seguinte, não se caracterizar exploração de trabalho humano.

inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas de funcionamento". O trabalho nesses dias importa em adoção de escala de

Parágrafo Sétimo: As empresas se obrigam, em caso de revezamento, previamente elaborada e fiscalizada pelo Ministério

descumprimento da presente cláusula e seus parágrafos, ao Trabalho (no Pará pelos auditores fiscais da SRTE) (art. 6º, § 2º).

pagamento de R$ 1.000,00 (hum mil reais) por empregado, a título Para os supermercados e hipermercados é exigida também

de multa, em favor do Sindicato obreiro, que deverá notificar a Loja autorização prévia do Ministério do Trabalho, porque se trata de

infratora para que efetue o pagamento da multa no prazo de 30 serviço elencado no rol do anexo a que refere o "caput" do art. 7º.

(trinta) dias.' Não podem ser exigidos outros serviços além daqueles de

O sindicato demandado, em contestação, afirma que "as atendimento aos clientes e reposição de produtos para a venda e

respectivas datas possuem previsão legal, razão pela qual somente consumo (art. 9º), que são, neste caso, os motivadores do

podem ser alteradas por via negocial" (Id. 89d6a54 - Pág. 25). funcionamento desses estabelecimentos.

Recentemente, com a edição do Decreto nº 9.127, de 16.08.2017, Impede observar que essa nova previsão não se confunde com

foi alterado o Decreto nº 27.048, de 12.08.1949, "para incluir o aquela que existe na Lei 10.101, de 19.12.2000. Segundo seu art.

comércio varejista de supermercados e de hipermercados no rol de 6º - A, "é permitido o trabalho em feriados nas atividades do

atividades autorizadas a funcionar permanentemente aos domingos comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de

e aos feriados civis e religiosos". trabalho e observada a legislação municipal", porque cabe ao

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 72
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

município legislar sobre matéria local (art. 30, I, da Constituição). Senhora Aparecida e Finados, o labor poderá ser exigido pelas

Em Belém, rege-se pela Lei municipal 7.832/97, permitindo o empresas somente em uma jornada de 06 (seis) horas, inclusive

funcionamento aos domingos desde 2015 (Lei 9.127/15). nos estabelecimentos ditos "24 horas", com início às 08:00 horas,

Não há, a meu ver, duas normas em conflito: a Lei 10.101/00 intervalo de quinze minutos, e cerrando as portas ao público

condiciona a existência de norma coletiva e existência de lei consumidor às 14:00 horas, compreendendo minutos, e cerrando as

municipal para funcionamento de estabelecimentos comerciais portas ao público consumidor às 14:00 horas, compreendendo

(inclusive supermercados e hipermercados) em feriados; o Decreto inclusive nesse horário o atendimento dos consumidores que já se

27.048/49 não cuida desse tema, mas do trabalho aos domingos. encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste

Para funcionar em feriados, são necessários dois requisitos encerramento (Id. e0ca3cd).'

simultâneos: 1) haja autorização em convenção coletiva de trabalho; Esta Relatoria inicialmente deferia, em parte, a proposta

e 2) observada a legislação do município. Este é o entendimento apresentada na petição inicial, apenas quanto ao labor aos

consolidado do TST (RR-174700-93.2009.5.03.0142, Rel.: Min. Ives domingos, nos moldes do parágrafo primeiro da Cláusula Vigésima

Gandra Filho, e RR-43700-08.2008.8.04.0261, Rel.: Min. Brito Sétima da norma revisanda, bem como indeferia todos os

Pereira). Isto, todavia, não foi alterado com a mudança que se parágrafos da citada cláusula proposta na petição inicial, não só

processou. porque dependem de negociação entre os interessados, como

Diversamente, para funcionar aos domingos, agora, basta que porque o parágrafo 4º estabelece uma autêntica "cláusula de

sejam preenchidos os requisitos que o Decreto 27.048/49, com sua barreira" que pretende impedir negociações individualizadas com

nova redação, exige: 1) elaboração de escala de revezamento; 2) empresas particularizadas, conforme as suas circunstâncias, o que

aprovação dessa escala pela autoridade competente; e 3) a lei não proíbe e nem há vedação para incluir, quando for o caso,

autorização, em caráter permanente, do Ministério do Trabalho e em sentença normativa, além de tentar obstaculizar o acesso ao

Emprego para funcionamento aos domingos. Judiciário, assegurado em norma constitucional; porque o intervalo

Mesmo que possa, aparentemente, violar direitos trabalhistas, essa interjornada já consta de lei (art. 66, da CLT); e, enfim, porque

providência atende aos reclamos da sociedade e está perfeitamente estabelece outra multa para além da multa por descumprimento de

em consonância com o art. 5º da Lei de Introdução às Normas do cláusula da norma coletiva, adiante examinada e deferida.

Direito Brasileiro: o interesse comum, público, é superior ao Contudo, esta Relatoria refluiu no posicionamento anterior, durante

interesse individual ou de grupo.' a sessão de julgamento, em face dos debates no E. Tribunal, para

Na audiência de conciliação realizada em 06.09.2017, presidida deferir a proposta apresentada na audiência de conciliação

pela Exmª Desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida, realizada em 31.07.2017 (Id. e0ca3cd), antes reproduzida, inclusive

DD. Vice-Presidente deste E. Regional (Id. 765e228), o sindicato em face do Decreto 9.127, de 16.08.2017, que incluiu o comércio

profissional ratificou a proposta apresentada na audiência de varejista de supermercados e hipermercados no rol de atividades

conciliação realizada em 31.07.2017, nos seguintes termos: autorizadas a funcionar permanentemente aos domingos e aos

'Labor aos domingos com jornada de trabalho de 06 (seis) horas, feriados civis e religiosos.

observando o intervalo de 15 (quinze) minutos, com início às 07:00 Indefiro, entretanto, o que se refere ao labor aos feriados, porque a

horas e cerrando as portas ao público consumidor às 19:00 horas, pretensão somente pode ser viabilizada por meio de negociação

compreendendo inclusive nesse horário o atendimento dos entre os interessados, conforme a legislação (Lei nº 10.101, de

consumidores que já se encontrarem no interior dos 19.12.2000).

estabelecimentos por ocasião deste encerramento. Todavia, a E. Seção Especializada 1, por maioria de votos, deferiu a

FERIADOS NÃO ABERTOS: 01 de maio (Feriado do Dia do proposta, como apresentada, sob Id. e0ca3cd, na audiência de

Trabalho), todo 2º domingo de outubro (Domingo do Círio de Nossa conciliação realizada em 31.07.2017 (Id. 765e228), ao invocar que

Senhora de Nazaré), Dia Comemorativo do Comerciário/Recírio de houve consenso entre as partes sobre a matéria, conforme os

Nossa Senhora de Nazaré, 25 de Dezembro (Feriado do Natal), 1º termos adiante estabelecidos. (fls. 389/392)

de janeiro (Feriado da Confraternização Universal) e o dia em que

recair a terça-feira de Carnaval. A cláusula ficou assim redigida:

Nos feriados de Tiradentes, Adesão do Pará à Independência,

Proclamação da República, Nossa Senhora da Conceição, Sexta- CLÁUSULA XXVII - TRABALHO AOS DOMINGOS E FERIADOS -

Feira Santa, Corpus Christi, Independência do Brasil, Nossa As empresas obrigam-se, para o labor aos domingos, a adotar

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 73
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

jornada de trabalho de 06 (seis) horas, assegurado o intervalo de 15 17 de agosto, alterou o Decreto nº27.048/49 - que concedeu em

(quinze) minutos, conforme legislação em vigor, inclusive nos caráter permanente a permissão para o trabalho nos dias de

estabelecimentos ditos "24 horas", com início às 07:00 horas e repouso, em diversas atividades -, incluindo no rol de atividades

cerrando as portas ao público consumidor às 19:00 horas, ficando comerciais essenciais de funcionamento em domingos e feriados

autorizadas ao atendimento dos consumidores que já se feiras livres e mercados, comércio varejista de supermercados e de

encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste hipermercados, cuja atividade preponderante seja a venda de

encerramento. alimentos, inclusive os transportes a eles inerentes.

PARÁGRAFO ÚNICO - Aos feriados o funcionamento será limitado Por outro lado, a Medida Provisória nº 388, de 5 de setembro de

a seis horas, com jornada de 8:00 horas às 14:00 horas, com 2007, convertida na Lei nº 11.603/2007, alterou e acrescentou

exceção dos dias 1º de maio, 25 de dezembro, 1º de janeiro, dispositivos à Lei nº 10.101/2000, dentre eles o art. 6º-A, que trata

domingo de Círio de Nossa Senhora de Nazaré, segunda-feira do do trabalho, nos feriados, nas atividades do comércio em geral, que

Recírio de Nossa Senhora de Nazaré e terça-feira do Carnaval. (fls. estabelece:

398/399)

Art. 6º-A - É permitido o trabalho em feriados nas atividades do

Sustenta o Sindicato patronal recorrente, às fls. 616/618, que a comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de

cláusula deve ser excluída da sentença normativa, pois, além de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos do art. 30,

limitar a exigência de labor dos empregados nos domingos e inciso I, da Constituição."

feriados, limita, ainda, o horário de atendimento ao público. Alega

que o Poder Executivo, por meio do Decreto nº 27.048/1949, Infere-se, portanto, que, no comércio em geral, o labor aos

regulamentou o art. 10 da Lei nº 605/1949, efetivando relações de domingos está condicionado à observância da lei municipal, e que o

atividades econômicas ou empresariais, do comércio e da indústria dispositivo legal apenas impõe restrições no sentido de que o

em relação às quais se pode exigir, permanentemente, o labor, repouso semanal remunerado coincida com o domingo pelo menos

inclusive nos domingos e feriados, e que o Decreto-lei nº uma vez no período máximo de três semanas e de que sejam

9.127/2017 incluiu os supermercados no rol das atividades que respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho, sem

podem exigir livremente o labor aos domingos e feriados. Afirma prejuízo de outras estipuladas por meio de negociação coletiva, ou

que a cláusula, como deferida, viola os dispositivos legais seja, acordo ou convenção coletiva de trabalho. Todavia, em

mencionados. relação ao funcionamento do comércio nos feriados, confere, de

Desde o advento do Decreto Federal nº 99.467, em 20/8/1990, forma restritiva, tal possibilidade à estipulação da condição somente

franqueou-se no país a abertura do comércio varejista em geral, de por meio de convenção coletiva, ou seja, do ajuste entre os

qualquer segmento, aos domingos, desde que firmada em acordo sindicatos representantes das categorias profissional e econômica.

ou convenção coletiva, respeitadas as normas de proteção ao A Lei nº 7.832/1997, que regula o horário de funcionamento de

trabalho e a competência dos municípios para legislar sobre o estabelecimentos comerciais no Município de Belém, dispõe em

horário de funcionamento do comércio local, nos termos do art. 30, seus arts. 1º e 2º:

I, da Constituição Federal.

A Lei nº 10.101/2000, em seu art. 6º, e parágrafo único, com a Art. 1º - Respeitada a Legislação Trabalhista, os estabelecimentos

redação dada pela Lei nº 11.603/2007, passou a dispor: comercias localizados no Município poderão funcionar no período

compreendido entre seis e vinte e duas horas, de segunda a

Art. 6º - Fica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do sábado, inclusive, salvo nos dias vinte e quatro e trinta e um de

comércio em geral, observada a legislação municipal, nos termos do dezembro, em que funcionarão até as dezoito horas.

art. 30, inciso I, da Constituição. (...).

Parágrafo único. O repouso semanal remunerado deverá coincidir, Art. 2º - A Prefeitura Municipal poderá permitir, mediante licença

pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o especial, o funcionamento de estabelecimentos comerciais

domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e localizados no Município aos domingos e feriados, assim como no

outras a serem estipuladas em negociação coletiva. período compreendido entre vinte e duas e seis horas em qualquer

dia, desde que estabelecido em Acordo ou Convenção Coletiva de

Conforme alega o recorrente, o Decreto nº9.127/17, publicado em Trabalho, respeitadas as normas de proteção ao trabalho.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 74
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

supermercados apenas no período de 8h às 14h, o que implicaria

O art. 3º da Lei nº 7.832/1997, que dispõe que o funcionamento em reformatio in pejus ao recorrente, o que não se admite.

permanente, sem limitação de dias e horários, sem dependência de Desse modo, mantenho a decisão regional.

outorga de licença especial da Prefeitura Municipal, é assegurado a Nego provimento ao recurso.

diversos estabelecimentos , passou a elencar - com a alteração

trazida pela Lei nº 9.127/2015 -, dentre os segmentos econômicos 12. CLÁUSULA 28 - TICKET-ALIMENTAÇÃO

abrangidos, os shoppings centers e os supermercados (inciso XX).

No caso em tela, a cláusula, da forma como reivindicada, manteve, Assim decidiu o Regional:

quase que integralmente, os termos da cláusula 27 - DOMINGOS,

FERIADOS E OUTRAS DATAS ESPECIAIS, constante da CCT CLÁUSULA XXXV - TICKET-ALIMENTAÇÃO

2016/2017 (fls.88/89) - e que integrou, também, as Convenções - Proposta do Sindicato Profissional:

Coletivas de 2014/2015 (cláusula 28, fls. 62/63) e de 2015/2016 'CLÁUSULA XXXIV (sic) - TICKET-ALIMENTAÇÃO - As empresas

(cláusula 27, fl. 76), porém reduzindo a jornada laboral nos concederão aos seus empregados, por dia efetivamente trabalhado,

domingos, prevista nos referidos instrumentos negociais o ticket-alimentação, por mês, no montante de R$ 273,97 (duzentos

autônomos, de 8h às 14h para o período de 8h às 13h. e setenta e três reais e noventa e sete centavos), alcançando o

Observa-se que o Regional não manteve, na integralidade, os valor unitário de R$ 10,53 (dez reais e cinquenta e três centavos)

termos da norma preexistente, no que se refere ao labor aos por dia, cujo pagamento será mensal, a ocorrer no dia 10 (dez) de

domingos, fixando no caput da cláusula as jornadas de trabalho de cada mês, sem que haja qualquer contrapartida.

6 horas, assegurado o intervalo de 15 minutos, conforme legislação PARÁGRAFO PRIMEIRO - As empresas que fornecerem refeição

em vigor, inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas", com no intervalo de que trata o art. 71 da CLT, ficam desobrigadas do

início às 7 horas e cerrando as portas ao público consumidor às 19 fornecimento do Ticket-Alimentação de que trata o caput desta

horas. cláusula e dos Vales-Transporte referente ao intervalo mencionado,

De outro lado, em relação ao trabalho nos feriados, o Regional uma vez que os obreiros permanecerão na empresa neste último.

definiu, no parágrafo único da cláusula, que o funcionamento do PARÁGRAFO SEGUNDO - Caberá sempre ao empregado optar por

comércio, naqueles dias, seria limitado a seis horas, com jornada de fazer a refeição na empresa, no intervalo, ou perceber o Ticket-

8h às 14h, com exceção dos dias 1º de maio, 25 de dezembro, 1º Alimentação, observado, no que tange os Vales-Transportes, o que

de janeiro, domingo de Círio de Nossa Senhora de Nazaré, segunda disciplina a Cláusula deste Aditivo que dispõe sobre "Jornada

-feira do Recírio de Nossa Senhora de Nazaré e terça-feira do Semanal de Trabalho" e seus parágrafos, bem assim das

Carnaval. disposições que tratam do intervalo previsto no art. 71 da CLT e na

As disposições constantes do parágrafo único da cláusula deferida legislação do "Vale-Transporte".'

apresentam o mesmo rol de feriados não trabalhados constante da O sindicato demandado requer o indeferimento da cláusula, sob o

cláusula preexistente, repetindo, também, a mesma jornada laboral argumento de que "a presente cláusula pretende obrigar as

de seis horas prevista na norma revisanda, a ser cumprida nos empresas à concessão de Ticket-Alimentação aos seus

demais feriados civis e religiosos, no período das 8h às 14h. empregados, porém tal previsão somente poderia ser estabelecida

O fato é que o Regional decidiu, tanto em relação à inclusão dos por via negocial, uma vez que inexiste qualquer precedente

supermercados no rol de atividades autorizadas a funcionar normativo concedendo tal benefício" (Id. 89d6a54 - Pág. 27).

permanentemente aos domingos, quanto em relação ao labor nos Ao contrário do que sustenta o sindicato demandado, a norma

feriados civis e religiosos, com base na legislação atual pertinente. revisanda prevê a concessão do ticket-alimentação em sua cláusula

É importante destacar que não houve a insurgência do sindicato Décima Quarta.

profissional em relação à decisão proferida, nos aspectos Defiro nos moldes da Cláusula Quarta da norma revisanda, com a

mencionados. redação adiante apresentada. (fl. 393)

Ressalta-se que, caso fosse alterado o julgado, com a aplicação da

jurisprudência desta Corte, no que pertine à manutenção das A cláusula foi assim deferida:

condições preexistentes, nos termos do art. 114, § 2º, da CF, a CLÁUSULA XXVIII - TICKET-ALIMENTAÇÃO - As empresas

decisão seria no sentido de manter os mesmos termos constantes concederão aos seus empregados, por dia efetivamente trabalhado,

da cláusula 27 da CCT 2016/2017, ou seja, o funcionamento dos o ticket-alimentação, por mês, no montante de R$256,09 (duzentos

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e cinquenta e seis reais e nove centavos), alcançando o valor

unitário de R$9,85 (nove reais e oitenta e cinco centavos) por dia, CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - TICKET-ALIMENTAÇÃO

cujo pagamento será mensal, a ocorrer no dia 10 (dez) de cada As empresas concederão aos seus empregados, por dia

mês, sem que haja qualquer contrapartida. efetivamente trabalhado, o ticket-alimentação, por mês, no

PARÁGRAFO PRIMEIRO - As empresas que fornecerem refeição montante de R$ 244,62 (duzentos e quarenta e quatro reais e

no intervalo de que trata o art. 71, da CLT, ficam desobrigadas do sessenta e dois centavos), alcançando o valor unitário de R$ 9,41

fornecimento do ticket-alimentação de que cuida o caput desta (nove reais e quarenta e um centavos) por dia efetivamente

cláusula e dos vales-transportes referentes ao intervalo trabalhado, cujo pagamento será mensal, a ocorrer no dia 10 (dez)

mencionado, uma vez que os obreiros permanecerão na empresa de cada mês, mediante o desconto fixo, também mensal, nos

neste último. salários dos trabalhadores, em contracheque, de R$25,00 (vinte e

PARÁGRAFO SEGUNDO - Caberá sempre ao empregado optar por cinco reais), para todas as faixas salariais.

fazer a refeição na empresa, no intervalo, ou perceber o ticket- PARÁGRAFO PRIMEIRO - As empresas que fornecerem refeição

alimentação, observadas as disposições que tratam do intervalo no intervalo de que trata o art. 71 da CLT, ficam desobrigadas do

previsto no art. 71, da CLT, e a legislação do "vale-transporte.' (fl. fornecimento do Ticket-Alimentação de que trata o caput desta

399) cláusula e dos Vales-Transportes referente ao intervalo

mencionado, uma vez que os obreiros permanecerão na empresa

Requer o recorrente, à fl. 619, a exclusão da cláusula, sustentando neste último.

que a concessão do tíquete-alimentação somente poderia decorrer PARÁGRAFO SEGUNDO - Caberá sempre ao empregado optar por

da negociação entre as partes. Afirma que não há como se instituir fazer a refeição na empresa, no intervalo, ou perceber o Ticket-

uma verba salarial sem nenhum amparo legal ou jurisprudencial, Alimentação, observado, no que tange aos Vales-Transportes, o

ressaltando que a cláusula deferida sequer admite um desconto que disciplina a Cláusula desta Convenção que dispõe sobre

mínimo no contracheque do trabalhador. Jornada Semanal de Trabalho e seus parágrafos, bem assim das

Sem razão a recorrente. disposições que tratam do intervalo previsto no art. 71 da CLT e na

Conquanto a Lei nº 6.321/1976, que trata do Programa de legislação do Vale-Transporte. (fls. 85)

Alimentação do Trabalhador, estimule o empregador a fornecer

alimentação aos seus empregados, não há dispositivo legal que o O Regional deferiu a cláusula, ao fundamento da preexistência,

obrigue a esse ônus. Assim, o fornecimento de vale-refeição ou de entendendo pela atualização dos valores previstos na cláusula 14

qualquer outro assemelhado (ou a estipulação de seu valor), pelo da CCT 2016/2017. Observa-se, todavia, que, embora aquela Corte

seu conteúdo econômico, não pode ser imposto via sentença tenha concedido o reajuste salarial no percentual de 5%, os valores

normativa, devendo ser objeto de acordo entre as partes. fixados na cláusula deferida - R$256,09 (valor mensal do ticket) e

Por outro lado, conforme já exposto, o entendimento desta Seção R$9,85 (valor unitário) - representam quase que o mesmo valor que

Especializada, em observância às disposições contidas na parte seria obtido com a aplicação do reajuste reduzido para 4,68%.

final do § 2º do art. 114 da CF, é o de que devem ser mantidas as Não obstante, a fim de que não pairem dúvidas acerca do cálculo a

cláusulas constantes de instrumentos negociais autônomos, ser efetuado, reitera-se que, sobre os valores constantes da

celebrados em período imediatamente anterior ao do dissídio cláusula preexistente (cláusula 14 da CCT 2016/2017) deve ser

coletivo, ou, então, aquelas contempladas em acordos aplicado o percentual de 4,68%.

homologados nos autos de dissídio coletivo, também imediatamente Verifica-se, ademais, que o Regional suprimiu a parte final do caput

anterior. Nessa hipótese, aplica-se ao valor fixado na norma da cláusula 14 da CCT 2016/2017, que estabelecia o desconto fixo,

constante do instrumento pactuado o mesmo percentual concedido também mensal, nos salários dos trabalhadores, em contracheque,

para o reajuste dos salários. A exceção ocorreria, no caso de de R$25,00 (vinte e cinco reais), para todas as faixas salariais,

mudança substancial nas circunstâncias existentes quando da substituindo-a pela expressão sem que haja qualquer contrapartida.

pactuação e que pudessem acarretar, no momento atual, a qualquer Não é possível inferir, dos autos, que a empresa tivesse concordado

um dos segmentos, excessiva onerosidade ou total inadequação na com essa alteração.

manutenção do benefício, o que não se constata nos autos. No contexto delineado, dá-se provimento parcial ao recurso, de

No caso em tela, a CCT de 2016/2017, na cláusula 14 (fl. 85), forma a que a cláusula que dispõe sobre o ticket-alimentação seja

previu o fornecimento do ticket-alimentação, da seguinte forma: mantida nos termos da cláusula 14, e parágrafos, da CCT

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2016/2017, mas com o reajuste dos valores previstos no caput da

norma, inclusive aquele pertinente à parcela a ser paga pelos Parágrafo Sétimo: As empresas se obrigam, em caso de

empregados, no percentual de 4,68%. descumprimento da presente cláusula e seus parágrafos, ao

pagamento de R$ 1.000,00 (hum mil reais), por empregado, a título

B) RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO de multa, em favor do Sindicato obreiro, que deverá notificar a Loja

INTERPOSTO POR SINDICATO DOS TRABALHADORES NO infratora para que efetue o pagamento da multa no prazo de 30

COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA DE GÊNEROS (trinta) dias. (fl. 26)

ALIMENTÍCIOS E SIMILARES DO ESTADO DO PARÁ -

SINTCVAPA. Acerca da multa, dispôs o acórdão regional:

Esta Relatoria inicialmente deferia, em parte a proposta

I - CONHECIMENTO apresentada na petição inicial, apenas quanto ao labor aos

domingos, nos moldes do parágrafo primeiro da Cláusula Vigésima

Conheço do recurso ordinário, porque é tempestivo, tem Sétima da norma revisanda, bem como indeferia todos os

representação regular (fl. 33) e as custas processuais foram parágrafos da citada cláusula proposta na petição inicial, não só

recolhidas (fls. 548 e 648). porque dependem de negociação entre os interessados, como

porque o parágrafo 4º estabelece uma autêntica "cláusula de

barreira" que pretende impedir negociações individualizadas com

II - MÉRITO empresas particularizadas, conforme as suas circunstâncias, o que

a lei não proíbe e nem há vedação para incluir, quando for o caso,

1. CLÁUSULA 27 - DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS DATAS em sentença normativa, além de tentar obstaculizar o acesso ao

ESPECIAIS - (§ 7º) - MULTA POR DESCUMPRIMENTO Judiciário, assegurado em norma constitucional; porque o intervalo

interjornada já consta de lei (art. 66, da CLT); e, enfim, porque

O Regional, às fls. 389/392, deferiu parcialmente a cláusula 27, que estabelece outra multa para além da multa por descumprimento de

dispõe acerca do trabalho nos domingos e feriados, ficando assim cláusula da norma coletiva, adiante examinada e deferida. (fl. 392)

redigida:

Instado a se pronunciar, por meio dos embargos de declaração,

CLÁUSULA XXVII - TRABALHO AOS DOMINGOS E FERIADOS - acerca da matéria relativa à aplicação da multa, o Regional assim

As empresas obrigam-se, para o labor aos domingos, a adotar se manifestou:

jornada de trabalho de 06 (seis) horas, assegurado o intervalo de 15

(quinze) minutos, conforme legislação em vigor, inclusive nos Da omissão: Cláusula XXXII - Domingos, Feriados e Outras Datas

estabelecimentos ditos "24 horas", com início às 07:00 horas e Especiais. Multa por descumprimento.

cerrando as portas ao público consumidor às 19:00 horas, ficando O sindicato profissional embargante aponta omissão na cláusula

autorizadas ao atendimento dos consumidores que já se XXXII, da sentença normativa, que versa sobre o labor em

encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste domingos, feriados e outras datas especiais, mais especificamente

encerramento. no que tange à multa por descumprimento. Argumenta que "tal

PARÁGRAFO ÚNICO - Aos feriados o funcionamento será limitado multa consta na norma revisanda id nº 8e6a769, e foi recepcionada

a seis horas, com jornada de 8:00 horas às 14:00 horas, com pela proposta da vice presidência id nº 4f6891b" (Id. 3e70f55 - Pág.

exceção dos dias 1º de maio, 25 de dezembro, 1º de janeiro, 4). Assinala que "quanto à abertura aos feriados, por maioria de

domingo de Círio de Nossa Senhora de Nazaré, segunda-feira do votos a Seção Especializada 1, deferiu a proposta como

Recírio de Nossa Senhora de Nazaré e terça-feira do Carnaval. (fls. apresentada no id nº 765e228. Ocorre que a multa em caso de

398/399) descumprimento foi indeferida, sob o argumento que estabelece

outra multa para além da multa por descumprimento da norma

A cláusula 27 (trazida na representação como cláusula XXXII, fls. coletiva. Ocorre que, não foi observado que esta multa fazia parte

22/26), da forma proposta pelo Sindicato profissional suscitante, da norma revisanda, e que possui caráter pedagógico e inibidor de

apresentava vários parágrafos, sendo que o § 7º previa a aplicação descumprimento" (Id. 3e70f55 - Pág. 6). Prossegue a aduzir que "a

de multa pelo descumprimento da norma, ao dispor: abertura aos domingos, ficou garantido duas jornadas de 6 horas,

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sendo que no horário de 7h as 19h, indeferir tal multa é uma forma Esta Relatoria inicialmente deferia, em parte a proposta

de encorajar as empresas a abrirem suas portas fora do horário apresentada na petição inicial, apenas quanto ao labor aos

permitido. De igual sorte, teremos o labor nos domingos e feriados, domingos, nos moldes do parágrafo primeiro da Cláusula Vigésima

e a não manutenção de uma cláusula penal com efetivo caráter Sétima da norma revisanda, bem como indeferia todos os

inibitório possibilitará que facilmente tenhamos empresas abertas parágrafos da citada cláusula proposta na petição inicial, não só

nos dias em que o labor não está autorizado, possibilitando porque dependem de negociação entre os interessados, como

inclusive a concorrência desleal. Por uma questão de equidade de porque o parágrafo 4º estabelece uma autêntica "cláusula de

direitos, essa era a disposição contida na norma coletiva vigente até barreira" que pretende impedir negociações individualizadas

28.02.2017, e que por convenção entre as partes disciplinou o labor autêntica "cláusula de barreira" que pretende impedir negociações

aos domingos e feriados, e fez previsão explicita da multa aqui ora individualizadas com empresas particularizadas, conforme as suas

embargada" (Id. 3e70f55 - Pág. 7). Requer seja dado efeito circunstâncias, o que a lei não proíbe e nem há vedação para

modificativo ao julgado, para fazer constar, na sentença normativa, incluir, quando for o caso, em sentença normativa, além de tentar

cláusula penal específica, para cominação de multa de R$1.000,00 obstaculizar o acesso ao Judiciário, assegurado em norma

(um mil reais), por trabalhador, em caso de descumprimento das constitucional; porque o intervalo Inter jornada já consta de lei (art.

obrigações previstas na cláusula que versa sobre o labor aos 66, da CLT); e, enfim, porque estabelece outra multa para além da

domingos e feriados. multa por descumprimento de cláusula da norma coletiva, adiante

Examino. examinada e deferida.

A controvérsia suscitada pela embargante foi apreciada pelo v. Contudo, esta Relatoria refluiu no posicionamento anterior, durante

Acórdão embargado, sob o Id. a520c97, como a seguir: a sessão de julgamento, em face dos debates no E. Tribunal, para

Na audiência de conciliação realizada em 06.09.2017, presidida deferir a proposta apresentada na audiência de conciliação

pela Exmª Desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida, realizada em 31.07.2017 (Id. e0ca3cd), antes reproduzida, inclusive

DD. Vice-Presidente deste E. Regional (Id. 765e228), o sindicato em face do Decreto 9.127, de 16.08.2017, que incluiu o comércio

profissional ratificou a proposta apresentada na audiência de varejista de supermercados e hipermercados no rol de atividades

conciliação realizada em 31.07.2017, nos seguintes termos: autorizadas a funcionar permanentemente aos domingos e aos

'Labor aos domingos com jornada de trabalho de 06 (seis) horas, feriados civis e religiosos.

observando o intervalo de 15 (quinze) minutos, com início às 07:00 Indefiro, entretanto, o que se refere ao labor aos feriados, porque a

horas e cerrando as portas ao público consumidor às 19:00 horas, pretensão somente pode ser viabilizada por meio de negociação

compreendendo inclusive nesse horário o atendimento dos entre os interessados, conforme a legislação (Lei nº 10.101, de

consumidores que já se encontrarem no interior dos 19.12.2000).

estabelecimentos por ocasião deste encerramento. Todavia, a E. Seção Especializada 1, por maioria de votos, deferiu a

FERIADOS NÃO ABERTOS: 01 de maio (Feriado do Dia do proposta, como apresentada, sob Id. e0ca3cd, na audiência de

Trabalho), todo 2º domingo de outubro (Domingo do Círio de Nossa conciliação realizada em 31.07.2017 (Id. 765e228), ao invocar que

Senhora de Nazaré) Dia Comemorativo do Comerciário/Recírio de houve consenso entre as partes sobre a matéria, conforme os

Nossa Senhora de Nazaré, 25 de Dezembro (Feriado do Natal), 1º termos adiante estabelecidos.

de janeiro (Feriado da Confraternização Universal) e o dia em que Não assiste razão ao embargante.

recair a terça-feira de Carnaval. Nos feriados de Tiradentes, Adesão A multa a que se refere o sindicato profissional, ora embargante,

do Pará à Independência, Proclamação da República Nossa constava no parágrafo sétimo da cláusula XXXII da proposta de

Senhora da Conceição, Sexta-Feira Santa, Corpus Christi, norma coletiva apresentada na petição inicial (Id. ed05119 - Pág.

Independência do Brasil, Nossa Senhora Aparecida e Finados, o 24), o que foi analisado na r. sentença normativa, ora embargada,

labor poderá ser exigido pelas empresas somente em uma jornada como acima reproduzido.

de 06 (seis) horas, inclusive nos estabelecimentos ditos "24 horas", O pedido de multa, objeto dos embargos declaratórios, porém, foi

com início às 08:00 horas, intervalo de quinze minutos, e cerrando indeferido, porque se pretende estabelecer outra multa para além

as portas ao público consumidor às 14:00 horas, compreendendo da multa por descumprimento de cláusula da norma coletiva. É

inclusive nesse horário o atendimento dos consumidores que já se dizer: já existe sanção para descumprimento de qualquer cláusula

encontrarem no interior dos estabelecimentos por ocasião deste estabelecida na sentença normativa, sem necessidade de outra

encerramento' (Id. e0ca3cd). multa, conforme ficou evidenciado na r. sentença normativa ora

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embargada. PARÁGRAFO ÚNICO - Não incidirá na multa prevista no caput

Aliás, como exposto acima, foi deferida a proposta como desta cláusula a empresa que descumprir qualquer dispositivo deste

apresentada, sob Id. e0ca3cd, na audiência de conciliação realizada instrumento em relação a todos os seus empregados e, notificada

em 31.07.2017 (Id. 765e228), em que não foi estabelecida a multa por escrito pelo sindicato profissional, regularizar sua situação no

ora pretendida, daí porque não há se falar em omissão. prazo máximo assinalado por este último de 30 (trinta) dias, visto

Os fundamentos do v. aresto embargado indicam os motivos de que o sindicato (sabendo que muitas vezes descumprimentos são

convicção da Corte, na apreciação dos temas que lhe foram involuntários e motivados por erros ou lapsos de próprios

submetidos pelos litigantes e a cláusula normativa foi deferida nos empregados - da Seção de Pessoal, por exemplo) se obriga antes

moldes da jurisprudência tradicional desta E. Corte Regional. de ajuizar qualquer ação de cumprimento coletivo que questione a

Não se vislumbra qualquer omissão, contradição ou obscuridade na multa, a notificar e conceder o prazo citado para a correção do erro

r. sentença normativa. ou lapso.'

Rejeito. (fls. 572/574) O sindicato demandado nada opõe quanto à referida cláusula.

Defiro nos moldes da Cláusula Trigésima Sétima da norma

Alega o sindicato profissional suscitante, às fls. 636/641, que a revisanda, porém com a redação de conformidade com a

multa pelo descumprimento da cláusula, além de possuir caráter jurisprudência deste E. Tribunal Regional.

pedagógico, constou do instrumento negocial revisando, firmado Indefiro o parágrafo único da proposta, porque somente pode ser

pelas partes, e que vigeu até 28/2/2017. Sustenta que a abertura do estabelecida pela via autocompositiva. (fl. 383 - grifos no original)

comércio aos domingos ficou garantida por meio do labor realizado

no horário das 7h às 19h, em duas jornadas de seis horas, e que A cláusula foi deferida com a seguinte redação:

nos feriados o funcionamento foi limitado a seis horas, das 8h às

14h e que o indeferimento da multa propicia e encoraja as CLÁUSULA XXIX - MULTA POR DESCUMPRIMENTO - O

empresas a funcionarem fora do horário estipulado, possibilitando, descumprimento de qualquer das cláusulas da presente norma

inclusive, a concorrência desleal. Requer a reforma da decisão, e coletiva importará na multa correspondente a 10% (dez por cento)

que penalidade específica do descumprimento da cláusula 27 do menor piso salarial praticado pela empresa e reverterá em favor

conste da sentença normativa. da parte prejudicada, seja empregado, sindicato ou empresa. (fl.

Ao exame. 399)

A fixação de multa tem como objetivo evitar o descumprimento de

instrumentos negociais autônomos e/ou de sentenças normativas e Verifica-se que a cláusula relativa à aplicação de multa geral por

se sustenta na jurisprudência desta Corte superior, consolidada no descumprimento das cláusulas não apresenta a ressalva no sentido

Precedente Normativo nº 73: de que sejam excetuadas as cláusulas que já contenham multa

específica ou previsão legal. Da mesma forma, o § 7º da cláusula

PRECEDENTE NORMATIVO Nº 73. MULTA. OBRIGAÇÃO DE 27, ao estabelecer a multa específica para o descumprimento das

FAZER. Impõe-se multa, por descumprimento das obrigações de disposições acerca do labor nos domingos e feriados, não

fazer, no valor equivalente a 10% do salário básico, em favor do excepcionou a aplicação da multa geral, estabelecida na cláusula

empregado prejudicado. 29, deferida.

Desse modo, mostra-se correta a decisão que excluiu o § 7º da

Observa-se que, no caso em tela, dentre as reivindicações dos cláusula 27, evitando a duplicidade da multa sobre o mesmo fato

trabalhadores, constou a cláusula 21, intitulada Multa Geral (Multa ensejador da penalidade.

por Descumprimento), que foi assim examinada pelo Regional: Nego provimento ao recurso.

Proposta do Sindicato Profissional: 2. CLÁUSULA RELATIVA ÀS HOMOLOGAÇÕES DAS

'CLÁUSULA XXI - MULTA GERAL - Fica estipulada multa no valor RESCISÕES NO SINDICATO PROFISSIONAL

de R$100,00 (cem reais), por descumprimento, que reverterá em

favor de cada trabalhador prejudicado, a ser paga pela parte que O Sindicato profissional suscitante opôs embargos de declaração,

descumprir qualquer cláusula desta convenção, observado o às fls. 552/563, apontando, dentre outros vícios, a omissão e

disposto no art. 619, c/c o art. 622, todos da CLT. contradição no julgado em relação à cláusula relativa à

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homologação das rescisões no sindicato profissional. durante a sessão de julgamento; mas, repita-se, não foi objeto do

pedido inicial, que fixa os contornos da lide.

O Regional assim se manifestou: Não se vislumbra, portanto, qualquer omissão, contradição ou

obscuridade na r. decisão regional.

Da omissão e contradição: Homologação das rescisões no sindicato Rejeito. (fls. 560/561)

profissional.

Afirma, o embargante, em suas razões: Sustenta o recorrente, às fls. 641/643, que, apesar de a cláusula em

'Excelência, em um primeiro enfoque, no julgamento do presente comento não ter constado da representação, foi discutida por

dissídio, restou inferida cláusula de homologação das rescisões no ocasião das audiências de conciliação, figurando expressamente na

sindicato profissional, constante na proposta assinada pelas partes contraproposta apresentada pelo Sindicato patronal, e que, sob

no documento de ID nº E0CA3CD. Ocorre que, quando da esse último fundamento, o Regional deferiu a cláusula relativa ao

publicação da sentença normativa ora embargada, não constou no custeio da clínica médica. Requer a reforma da decisão.

corpo da decisão o indeferimento de tal cláusula, muito menos as Não assiste razão ao recorrente.

razões pelas quais foram indeferidas. Observa nesta oportunidade De um lado, porque a apresentação das reivindicações da

que se tem conhecimento do indeferimento da cláusula, pois a parte categoria, em forma clausulada, na representação, é exigência

se fez presente no julgamento do dissídio, e esta cláusula foi prevista na OJ nº 32 da SDC do TST, que dispõe, in verbis:

debatida nesta ocasião. Sendo assim se faz necessário sanar a

obscuridade que envolver o julgamento da referida cláusula, para Nº 32. REIVINDICAÇÕES DA CATEGORIA. FUNDAMENTAÇÃO

assim constar a sua apreciação. DAS CLÁUSULAS. NECESSIDADE. APLICAÇÃO DO

Em um segundo momento, sanada a omissão, o Demandante PRECEDENTE NORMATIVO Nº 37 DO TST (inserida em

entende que a decisão foi contraditória quanto à conciliação havida 19.08.1998). É pressuposto indispensável à constituição válida e

entre as partes quanto à cláusula que prevê a homologação das regular da ação coletiva a apresentação em forma clausulada e

rescisões no sindicato profissional. Observe que, como já dito, fundamentada das reivindicações da categoria, conforme orientação

referida cláusula foi subscrita pelas partes, e consta expressamente do item VI, letra "e", da Instrução Normativa n° 4/93.

na proposta de id nº E0CA3CD.

Excelência, importante observar que a norma coletiva acima Observa-se do dispositivo jurisprudencial acima transcrito a

referida refletiu a manifestação de vontade da partes litigantes, e referência ao PN nº 37 do TST, segundo o qual nos processos de

como tal deve ser homologada por esse Eg. TRT. dissídio coletivo somente serão julgadas as cláusulas

Por uma questão de equidade, temos o caso da cláusula da fundamentadas na representação, no caso de ação originária, ou no

"CLÍNICA MÉDICA", que foi recepcionada por este tribunal, com recurso.

fundamento da negociação das partes, o que torna contraditória a É importante ressaltar que, ainda que o sindicato profissional não

decisão, vejamos: tenha seguido rigorosamente as disposições do PN nº 37 deste

'[...]. Diante do exposto entende que a sentença normativa foi Tribunal, apresentado justificativas específicas em relação a cada

omissa e contraditória, quando, num primeiro momento omitiu do uma das cláusulas, as razões apresentadas foram consideradas

acordão o julgamento da cláusula "da homologação das rescisões suficientes, por esta Relatora, a possibilitar, ao magistrado, a

no sindicato profissional" e contraditória, noutro, quando indefere verificação da conveniência, ou não, do deferimento dos pedidos,

uma cláusula que manifestou expressamente a vontade das parte, de forma a manter o justo equilíbrio entre os interesses dos dois

em contraponto a outras constantes do mesmo instrumento segmentos envolvidos, mormente por se tratar de cláusulas

normativo, razão pela qual devem ser acolhidos os embargos neste preexistentes.

aspecto' (id. 3e70f55 - pág. 7-9). Todavia, mesmo nessa situação, seria indispensável a titulação das

Analiso. cláusulas cujo deferimento objetivava o suscitante.

A alegada cláusula que versa sobre a homologação das rescisões Conforme consignou o acórdão recorrido, não se constata, na

no sindicato profissional não consta na proposta formulada na representação, às fls. 3/32, o pedido relativo à cláusula que dispõe

petição inicial, mas apenas naquela apresentada, sob Id. e0ca3cd, sobre as homologações das rescisões no sindicato profissional.

na audiência de conciliação realizada em 31.07.2017 (Id. 765e228). De outro lado, o fato de a condição ter sido objeto da

A matéria em questão foi tangenciada nos debates do E. Tribunal, contraproposta ofertada pelo sindicato patronal suscitado, na

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 80
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audiência de conciliação, não socorre o recorrente. Em relação ao tema, o Regional decidiu:

A jurisprudência desta SDC é bastante tranquila no que diz respeito

à concordância do segmento econômico para fins de acordo e à sua CLÁUSULA XXXIV - VÉSPERAS DO NATAL E ANO NOVO

não vinculação aos termos eventualmente propostos com tal - Proposta do Sindicato Profissional:

finalidade, se decidida a questão pela via normativa. 'CLÁUSULA XXXIII (sic) - VÉSPERAS DO NATAL E ANO NOVO -

A ementa a seguir transcrita sintetiza esse entendimento: Para que os trabalhadores possam estar com suas famílias nas

noites vésperas do Natal e do Ano Novo, nos dias 24 e 31 de

B) RECURSOS ORDINÁRIOS DO SINDICATO DOS dezembro de 2017, as empresas, inclusive os estabelecimentos

ESTABELECIMENTOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE DO ESTADO ditos "24 horas", deverão não exigir o labor e limitar seu

DO ESPÍRITO SANTO - SINDHES e DO SINDICATO DOS funcionamento ao público consumidor (cerrar portas) até às vinte

ENFERMEIROS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - horas, entretanto, ficando liberada a utilização do trabalhador para o

SINDIENFERMEIROS. ANÁLISE CONJUNTA. (...) 2) CLÁUSULA atendimento dos clientes que já se encontrarem na loja após esse

TERCEIRA - PISO SALARIAL. A jurisprudência desta Corte já horário, sob pena de multa, por empregado e por infração, no valor

sedimentou entendimento no sentido de que não cabe ao poder de R$1.000,00 (Hum Mil Reais), também neste caso não se

normativo a fixação de pisos salarias, uma vez que se trata de aplicando a cláusula de multa geral anteriormente prevista neste

matéria afeta à negociação coletiva entre os sujeitos envolvidos. Por acordo.

outro lado, entende que o piso salarial profissional pode ser PARÁGRAFO ÚNICO - A presente cláusula não se aplica aos

corrigido, por intermédio de sentença normativa, quando houver obreiros que laborarem nas áreas de manutenção, vigilância,

preexistência de norma coletiva, em face do disposto no § 2º do preparação de panificação e outras necessárias ao funcionamento

artigo 114 da Constituição Federal. No caso específico dos autos, diário, permanente e subsequente das empresas, que têm exercício

conforme já mencionado, há cláusula preexistente dispondo sobre funcional normalmente em qualquer dia e/ou horário, inclusive

os pisos salariais dos empregados representados pelo noturno, madrugada, etc, sempre respeitadas as normas legais

SINDIENFERMEIROS. O TRT, contudo, deferiu o piso salarial de protetivas.'

acordo com os valores apresentados pelo SINDHES (patronal) em O sindicato demandado, em contestação, alega que "a limitação do

contraproposta à pauta reivindicatória do SINDIENFERMEIROS, funcionamento da empresa nas respectivas datas cabe somente ao

ainda na fase de negociação prévia. Ocorre que a proposta Município de Castanhal, por meio de lei, conforme entendimento

apresentada durante a negociação coletiva não vincula o SINDHES, sumulado pelo STF, razão pela qual puna-se pelo indeferimento da

pois elaborada com o objetivo de celebração de convenção coletiva, presente cláusula" (Id. 89d6a54 - Pág. 26).

o que não ocorreu. Nessas situações, a Jurisprudência desta Corte Indefiro, pois a proposta somente pode ser objeto de solução

entende que, em se tratando de cláusula preexistente, o piso autônoma, mediante negociação entre os interessados. (fls.

salarial deve ser reajustado no mesmo percentual concedido ao 392/393)

reajuste dos salários. (...) (RO-381-24.2014.5.17.0000, Relator

Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 22/3/2016) Ao julgar os embargos de declaração opostos pelo suscitante, o

Regional complementou:

Portanto, como já dito anteriormente, a circunstância de o sindicato

patronal suscitado ter apresentado contraproposta, sinalizando Da omissão: Cláusula XXXIII - Vésperas do Natal e Ano Novo

concordar com a manutenção de cláusulas reivindicadas, com a Salienta que 'com todo o respeito a decisão embargada, entende o

finalidade de firmar com o sindicato profissional a convenção embargante foi omissão quando indefere a cláusula de prevê a

coletiva de trabalho, não representa vinculação aos termos jornada de trabalho as vésperas do natal e ano novo [...].

eventualmente apresentados, na medida em que o instrumento Primeiramente cumpre esclarecer que tal multa consta na norma

negocial não se efetivou. revisanda id nº 8e6a769, e foi recepcionada pela proposta da Vice

Desse modo, mostra-se correta a decisão recorrida. Presidência id nº 4f6891b. Observe Excelência, que esta é uma

Nego provimento ao recurso. cláusula que constou na norma anterior e refletiu a vontade das

partes. Por uma questão de equidade de direitos, essa era a

3. CLÁUSULA 33 - VÉSPERA DE NATAL E DE ANO NOVO disposição contida na norma coletiva vigente até 28.02.2017, e que

por convenção entre as partes disciplinou o labor aos domingos e

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 81
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feriados, e fez previsão explicita da multa aqui hora embargada' (Id. podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento de qualquer das

3e70f55 - Pág. 9). partes, à luz do art. 897-A e seu parágrafo único, da CLT,

Examino. acrescentados pela Lei nº 9.957, de 12.01.2000. Essa situação

A controvérsia apontada nestes autos foi apreciada pelo v. Acórdão excepcional não é a dos autos.

embargado, como a seguir: O inconformismo dos jurisdicionados pode ser manifestado por via

'(...).' do instrumento recursal adequado à reapreciação das decisões

O trabalho aos feriados foi objeto de exame na r. sentença judiciais.

normativa, conforme o consenso entre as partes interessadas. Não compete ao Tribunal responder quesitos formulados pela parte,

A matéria relativa à multa já foi antes examinada. quando é certo que os pontos relevantes já foram examinados no v.

Não há qualquer omissão ou contradição no r. julgado embargado. Acórdão embargado. Não há violação a qualquer dispositivo legal

Os fundamentos do v. aresto embargado indicam os motivos de ou constitucional, notadamente aqueles indicados pelo embargante.

convicção da Corte, na apreciação dos temas que lhe foram Inexiste, portanto, qualquer omissão, contradição ou obscuridade na

submetidos pelos litigantes. r. sentença normativa embargada.

Ao contrário do que alega o embargante, não houve erro de Rejeito os embargos opostos, quanto aos tópicos acima

percepção no julgamento, nem tampouco escolha de premissa examinados. (fls. 576/577)

equivocada. Apenas a r. decisão embargada não atendeu a

pretensão da embargante. Mas isso não justifica o acolhimento dos Sustenta o recorrente, às fls. 644/646, que não merece prosperar o

embargos declaratórios. entendimento do Regional de que a condição somente pode ser

O julgador deve indicar, em suas decisões, os fundamentos que lhe estabelecida por meio de negociação entre as partes. Afirma que a

formaram o convencimento, analisando as relevantes questões de norma em comento constou da CCT 2016/2017, que refletiu a

fato e direito submetidas à sua apreciação (art. 93, IX, da CF/88, art. vontade das partes; que, nas vésperas do natal e do Ano Novo, o

832 da CLT, e art. 489, II, do CPC/2015), mas não é obrigado a trabalhador tem a oportunidade de desfrutar o convívio com seus

discorrer sobre os mínimos pormenores postos nas razões dos familiares; e que os hábitos de consumo contemporâneos não

litigantes, até porque não fazem coisa julgada os motivos, ainda que podem se sobrepujar à saúde psíquica e social do trabalhador.

importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da Requer a reforma da decisão.

sentença; a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da A CCT de 2016/2017, em sua cláusula 28, estabeleceu:

sentença; e a apreciação da questão prejudicial, decidida

incidentemente no processo (art. 504 do CPC/2015). CLÁUSULA VIGÉSIMA OITAVA - VÉSPERAS DO NATAL E ANO

Outra coisa é se o embargante não se conforma com o julgamento, NOVO.

seja na instância de origem, seja na instância revisora. Para que os trabalhadores possam estar com suas famílias nas

Nesse caso, deveria, então, interpor o recurso cabível, que não se noites vésperas do Natal e do Ano Novo, nos dias 24 e 31 de

confunde com embargos declaratórios, cuja função é limitada ao dezembro de 2016, as empresas, inclusive os estabelecimentos

aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, quando nela existirem ditos 24 horas, deverão não exigir o labor e limitar seu

os vícios capazes de torná-la incompleta, ininteligível ou ilógica. funcionamento ao público consumidor (cerrar portas) até às vinte

A função dos Tribunais, nos embargos de declaração, não é horas, entretanto, ficando liberada a utilização do trabalhador para o

responder a questionários sobre meros pontos de inconformismo, atendimento dos clientes que já se encontrarem na loja após esse

mas sim sanar omissões, obscuridades ou contradições, eis que a horário, sob pena de multa, por empregado e por infração, no valor

medida não serve como instrumento de consulta. Mesmo nos de R$1.000,00 (Hum Mil Reais), também neste caso não se

embargos de declaração com fim de prequestionamento, devem ser aplicando a cláusula de multa geral anteriormente prevista neste

observados os requisitos legais de cabimento, pois não se trata de acordo.

meio hábil ao reexame da causa. PARÁGRAFO ÚNICO - A presente cláusula não se aplica aos

Não se admitem embargos declaratórios infringentes, que, a obreiros que laborarem nas áreas de manutenção, vigilância,

pretexto de esclarecer ou completar a decisão anterior, buscam, na preparação de panificação e outras necessárias ao funcionamento

realidade, alterá-la, salvo nos casos de omissão e contradição no diário, permanente e subsequente das empresas, que têm exercício

julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos funcional normalmente em qualquer dia e/ou horário, inclusive

extrínsecos do recurso, além da hipótese de erros materiais, que noturno, madrugada, etc., sempre respeitadas as normas legais

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 82
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protetivas. (fl. 90) incidência do reajuste como sendo o dia 25/09/2017, ficando a

cláusula assim redigida: "CLÁUSULA 1ª - REAJUSTE SALARIAL -

Observa-se, pois, que há norma preexistente a amparar a Os salários dos integrantes da categoria profissional serão

reivindicação, cujos termos foram exatamente os mesmos da reajustados, a partir de 25/09/2017, em 4,68% (quatro vírgula

cláusula reivindicada. sessenta e oito por cento), calculados sobre os salários vigentes em

Assim, à luz da previsão constitucional, contida na parte final do § 2º 1º de março de 2017, sendo compensadas as antecipações e

do art. 114, impõe-se a manutenção da cláusula, mormente porque aumentos compulsórios ou espontâneos concedidos no período,

não foi demonstrada nenhuma modificação no ponto de equilíbrio com exceção dos decorrentes de término de aprendizagem,

encontrado, quando da pactuação do instrumento ora revisando, implemento de idade, promoção por antiguidade ou merecimento,

que pudesse constituir óbice a manutenção da condição. transferência de cargo, função ou localidade, ou equiparação

Ressalta-se que, embora o caput da cláusula 33, na parte final, salarial determinada por sentença judicial transitada em julgado"; 2ª

preveja a aplicação de multa no caso de descumprimento das - PISO SALARIAL, para aplicar aos valores dispostos no caput e no

disposições nele estabelecidas, apresenta a ressalva de que, em § 3º da cláusula 3ª, constante da CCT 2016/2017, o percentual de

relação àquela cláusula não se aplica a multa geral de que trata a 4,68%, bem como para fixar como data inicial de incidência do

cláusula 21, deferida pelo Regional. reajuste, prevista no § 3º da cláusula, o dia 25/09/2017; 4ª -

Desse modo, dou provimento ao recurso para incluir na sentença QUEBRA DE CAIXA, para manter a cláusula com a redação fixada

normativa a cláusula 33 - VÉSPERA DE NATAL E ANO NOVO, nos na cláusula 11 da CCT 2016/2017, mas reajustando o valor nela

termos propostos pelo suscitante. estabelecido pelo percentual de 4,68%; 5ª - SALÁRIO MISTO, para

aplicar, ao valor previsto na cláusula 6ª da CCT 2016/2017, o

ISTO POSTO percentual de 4,68%, bem como para alterar o termo inicial de

incidência do reajuste, de forma a que a cláusula fique assim

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios redigida: "CLÁUSULA 5ª - SALÁRIO MISTO. Os exercentes das

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho: 1) por unanimidade, funções de balconista, vendedor e vendedor-balconista, que

conhecer do recurso ordinário interposto pelo Sindicato das perceberem comissões, terão salário fixo, no mínimo, no valor de

Empresas do Comércio de Supermercados e Auto Serviços do R$ 921,94, a contar de 25 de setembro de 2017,

Estado do Pará - SINDESPA e, no mérito: a) por unanimidade, independentemente do salário variável contratado, garantida a

negar-lhe provimento quanto às preliminares de ausência de remuneração mínima (fixo mais comissões), igual ao piso salarial de

comum acordo no ajuizamento do dissídio coletivo; de ausência da que trata a Cláusula 2ª"; 28 - TICKET-ALIMENTAÇÃO, para que a

ata da assembleia de trabalhadores que deliberou pela instauração cláusula seja mantida nos termos da cláusula 14, e parágrafos, da

da instância do dissídio coletivo; e de nulidade do acórdão proferido CCT 2016/2017, mas com o reajuste dos valores previstos no caput

no julgamento dos embargos de declaração opostos pelo sindicato da norma, inclusive aquele pertinente à parcela a ser paga pelos

profissional; b) por unanimidade, dar provimento ao recurso para empregados, no percentual de 4,68%; e) por unanimidade, negar

excluir da sentença normativa a cláusula 26 - CUSTEIO DA provimento ao recurso quanto às cláusulas: 9ª - QUADRIÊNIO; 23

CLÍNICA MÉDICA; c) por maioria, vencida a Exma. Ministra Maria - INTERVALO PARA REPOUSO OU ALIMENTAÇÃO; e 27 -

de Assis Calsing, em relação à cláusula 30 - DATA BASE E TRABALHO AOS DOMINGOS E FERIADOS; 2) por unanimidade,

VIGÊNCIA, dar provimento parcial ao recurso para fixar, como conhecer do recurso ordinário interposto pelo Sindicato dos

termo inicial da sentença normativa proferida neste dissídio coletivo, Trabalhadores no Comércio Varejista e Atacadista de Gêneros

o dia 25/09/2017, data da publicação da sentença normativa, Alimentícios e Similares do Estado do Pará - SINTCVAPA e, no

ficando a cláusula assim redigida: "CLÁUSULA XXX - DATA-BASE mérito, por unanimidade: a) dar-lhe provimento para incluir na

E VIGÊNCIA - A data-base da categoria obreira fica mantida em 1º sentença normativa a cláusula 33 - VÉSPERA DE NATAL E ANO

de março e a presente sentença normativa terá vigência no período NOVO, nos termos propostos pelo Sindicato profissional suscitante;

de 25/09/2017 a 28/2/2018". Resguardadas as situações fáticas já e, b) negar provimento ao recurso quanto à cláusula 27 -

constituídas, ao teor do art. 6º, § 3º, da Lei nº 4.725/65; d) por DOMINGOS, FERIADOS E OUTRAS DATAS ESPECIAIS (§ 7º) -

unanimidade, dar provimento parcial ao recurso quanto às MULTA POR DESCUMPRIMENTO e à cláusula relativa às

cláusulas: 1ª - REAJUSTE SALARIAL, para reduzir a 4,68% o homologações das rescisões no sindicato profissional.

percentual de reajuste dos salários e fixar a data inicial de Brasília, 14 de maio de 2018.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 83
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

autos elementos probatórios suficientes para que profira a decisão.

No caso dos autos, a Empresa Ré pretendeu a intimação da

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará e do

Dora Maria da Costa Município de Belém para produzir provas em seu favor, no sentido

Ministra Relatora de corroborar a sua alegação de que existiam CCT's e documentos

legislativos locais autorizando o funcionamento de Shoppings


Processo Nº RO-0000405-67.2015.5.08.0000
Complemento Processo Eletrônico Centers nos domingos e feriados. Contudo, a produção de provas
Relator Min. Mauricio Godinho Delgado relacionadas a essa afirmação cabia à própria Parte, valendo
Recorrente(s) PAGGO ADMINISTRADORA DE
CRÉDITO LTDA. destacar que tais documentos, caso existissem, poderiam ser
Advogada Dra. Rosane Patricia Pires da facilmente obtidos pela Empresa Ré no período destinado a sua
Paz(OAB: 8423/PA)
Advogado Dr. Bruno Machado Colela defesa. Outrossim, conforme destacado pelo Tribunal de origem, a
Maciel(OAB: 16760/DF)
matéria tratada nos autos é essencialmente de direito e dispensa a
Recorrido(s) MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO DA 8ª REGIÃO diligência requerida pela Parte. Verifica-se, portanto, que não houve
Procuradora Dra. Ana Maria Gomes Rodrigues
cerceamento do direito de defesa, valendo sublinhar que decisão
Recorrido(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES
EM EMPRESAS TELEFÔNICAS E desfavorável não importa em anulação dos atos processuais.
OPERADORAS DE MESA
TELEFÔNICA DO ESTADO DO PARÁ Recurso ordinário desprovido, no aspecto. 3. CLÁUSULA 8ª -

ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. Amplas são as possibilidades


Intimado(s)/Citado(s):
de validade e eficácia jurídicas das normas autônomas coletivas em
- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO
- PAGGO ADMINISTRADORA DE CRÉDITO LTDA. face das normas heterônomas imperativas, à luz do princípio da
- SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS adequação setorial negociada, podendo a negociação coletiva
TELEFÔNICAS E OPERADORAS DE MESA TELEFÔNICA DO
ESTADO DO PARÁ transacionar parcelas de disponibilidade efetivamente relativa.

Desse modo, ela não prevalece se concretizada mediante ato estrito


ACÓRDÃO
de renúncia ou se concernente a direitos revestidos de
(SDC)
indisponibilidade absoluta (e não indisponibilidade relativa), os quais
GMMGD/ipf/ls/mag
não podem ser transacionados nem mesmo por negociação sindical

coletiva, também não detendo o poder de reduzir ou normatizar in

pejus parcela instituída pela ordem jurídica heterônoma estatal,


RECURSO ORDINÁRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO
salvo nos limites - se houver - em que essa ordem jurídica
TRABALHO. PROCESSO ANTERIOR À LEI 13.467/2017. AÇÃO
imperativa especificamente autorizar. Havendo tal autorização, o
ANULATÓRIA. 1. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA E DE
ACT ou a CCT ganham maior margem de atuação, mas sem o
AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR DO MPT. A jurisprudência
poder de descaracterizar o direito individual e social manejado, uma
desta SDC posiciona-se no sentido de que a legitimidade para o
vez que têm de respeitar os parâmetros constitucionais e legais
ajuizamento de ação anulatória de convenção coletiva (ou acordo
incidentes. No caso concreto, a cláusula coletiva limitou a base de
coletivo) está adstrita, essencialmente, ao Ministério Público do
cálculo do adicional de horas extras ao valor do salário básico - que,
Trabalho, consoante previsão legal (art. 83, IV, da LC 75/93), e,
no caso concreto, é o mínimo constitucional (50%) -, sem o
excepcionalmente, aos sindicatos convenentes e à empresa
acréscimo de outras verbas - fossem elas trabalhistas, ou não.
signatária, quando demonstrado vício de vontade. No caso em
Nesse contexto, a norma padece de nulidade, porquanto estipula
análise, em que é questionada a validade de cláusula de interesse
clara renúncia a direito revestido de indisponibilidade absoluta, qual
de toda a categoria profissional, tem-se, segundo a jurisprudência
seja, de o trabalhador perceber remuneração do serviço
desta Seção, que o Ministério Público do Trabalho é parte legítima
extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do
para o ajuizamento de ação anulatória. Recurso ordinário
normal (art. 7º, XVI, da CF). Com efeito, se o pagamento da hora
desprovido, no aspecto. 2. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO
normal trabalhada é realizado com base na remuneração total do
CONFIGURAÇÃO. A norma processual (arts. 765 da CLT e 130 do
empregado, ou seja, salário básico mais as demais parcelas
CPC/1973, atual 370 do CPC/2015) confere ao Juiz amplos poderes
salariais, não poderia a norma coletiva, como o fez no caput da
na condução e direção do processo, desde que não obste o
Cláusula em análise, restringir o cálculo da hora extraordinária a
conhecimento da verdade, cabendo-lhe indeferir pleitos
apenas uma parte da remuneração total do trabalhador (50%
desnecessários ou inúteis ao julgamento do feito, em havendo nos

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 84
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

superior ao da hora normal, não acrescido de outros adicionais). Corte, em especial por esta SDC. Nesse contexto, não há como se

Assim, deve ser mantida a decisão do Tribunal de origem, que reputar válido o acordo coletivo de trabalho que, sem respaldo em

declarou nula a norma coletiva autônoma. Recurso ordinário convenção coletiva de trabalho ou lei municipal, autoriza o labor dos

desprovido, no ponto. 4. CLÁUSULA 9ª - ADICIONAL comerciários aos feriados. Recurso ordinário desprovido

NOTURNO. Trata-se de cláusula coletiva que determina que o integralmente.

adicional noturno será de 20% (vinte por cento) sobre o valor da

hora normal e somente será pago no período compreendido entre Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°

22:00 horas e 5:00 horas, computando-se cada hora noturna com TST-RO-405-67.2015.5.08.0000, em que é Recorrente PAGGO

de 52 minutos e 30 segundos. A norma é indiscutivelmente inválida, ADMINISTRADORA DE CRÉDITO LTDA. e são Recorridos

porquanto, na prática, constitui renúncia, nas prorrogações da MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO e

jornada no período diurno, à remuneração do trabalho noturno SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS

superior à do diurno e à hora noturna reduzida (art. 73, caput, e §1º, TELEFÔNICAS E OPERADORAS DE MESA TELEFÔNICA DO

da CLT). Com efeito, o Direito do Trabalho sempre tendeu a conferir ESTADO DO PARÁ.

tratamento diferenciado ao trabalho noturno em face da agressão

física e psicológica que esse tipo de labor provoca no ser humano, Trata-se de ação anulatória ajuizada pelo Ministério Público do

por supor o máximo de dedicação de suas forças físicas e mentais Trabalho em face da Empresa Paggo Administradora De Crédito

em período em que o ambiente físico externo induz ao repouso. LTDA. e do Sindicato Dos Trabalhadores em Empresas Telefônicas

Nesse contexto, a negociação coletiva não tem o poder de suprimir e Operadoras de Mesa Telefônica do Estado do Pará - SINTTEL

as condições favoráveis mínimas que a legislação heterônoma (fls. 5-12).

estatal estabeleceu para o trabalhador que despende sua força de O TRT da 8ª Região julgou a ação anulatória parcialmente

trabalho naquela condição gravosa. Saliente-se que o tratamento procedente e, no mérito, declarou a nulidade total das cláusulas

jurídico diferenciado ao labor em horário noturno (incidência do oitava e nona e a nulidade parcial da cláusula décima-quarta,

adicional de 20% e hora reduzida) estende-se obrigatoriamente às parágrafo oitavo (fls. 190-199).

horas prorrogadas no período diurno, considerando que o Inconformada, a Paggo Administradora de Crédito LTDA.

elastecimento do trabalho noturno sacrifica ainda mais o apresentou Recurso Ordinário (fls. 225-236), o qual foi recebido

empregado. Aliás, isso é o que determina expressamente o art. 73, pelo TRT, conforme decisão de admissibilidade de fl. 240.

§ 5º, da CLT. Por fim, cumpre destacar que a norma coletiva Contrarrazões do Ministério Público do Trabalho às fls. 249-254.

questionada não criou qualquer vantagem apta a justificar a PROCESSO ANTERIOR À LEI 13.467/2017.

flexibilização dos direitos concernentes à prorrogação da jornada no PROCESSO ELETRÔNICO

período diurno, como, por exemplo, a majoração do adicional É o relatório.

noturno para percentual significativamente maior do que os 20% - o

que, em tese, poderia dar impulso à discussão sobre a validade da VOTO

cláusula, conforme direção interpretativa prevalecente nesta Corte.

Recurso ordinário desprovido, no aspecto. 5. CLÁUSULA 14ª - Tratando-se de recurso interposto em processo iniciado

JORNADA DE TRABALHO. AUTORIZAÇÃO PARA O anteriormente à vigência das alterações promovidas pela Lei n.

TRABALHO EM FERIADOS. A Medida Provisória n. 388, de 13.467, de 13 de julho de 2017, e considerando que as relações

5.9.2007, posteriormente convertida na Lei 11.603/2007, inserindo o jurídicas materiais e processuais produziram amplos efeitos sob a

art. 6-A na Lei 10.101/00, fixou a necessária autorização em normatividade anterior, as matérias serão analisadas com

convenção coletiva de trabalho, respeitada também a legislação observância das normas então vigorantes, em respeito ao princípio

municipal, no que tange à permissão de labor em feriados nas da segurança jurídica, assegurando-se a estabilidade das relações

atividades do comércio em geral - sem prejuízo da previsão do art. já consolidadas (arts. 5º, XXXVI, CF; 6º da LINDB; 912 da CLT; e 14

9º da Lei 605/49 de folga compensatória. A observância de tais do CPC/2015).

requisitos (permissão em convenção coletiva de trabalho e

observância da legislação municipal) como condição ao trabalho em I) CONHECIMENTO

feriados dos comerciários, categoria que abrange os empregados

que laboram em shopping centers, vem sendo adotada por esta O recurso ordinário é tempestivo (decisão publicada em 11/05/2016,

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 85
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

à fl. 223, recurso apresentado em 18/05/2016, às fls. 225/236), a coletiva está, essencialmente, adstrita ao Ministério Público do

representação é regular (fl.39), as custas processuais foram Trabalho, consoante previsão legal (art. 83, IV, da LC 75/93), e,

recolhidas (fl. 237) e estão preenchidos os demais pressupostos excepcionalmente, aos sindicatos convenentes e à empresa

genéricos de admissibilidade do apelo. signatária, quando demonstrado vício de vontade.

No caso em análise, em que questionada a validade de cláusula de

Conheço. interesse de toda a categoria profissional, tem-se, segundo a

jurisprudência desta Seção, que o Ministério Público do Trabalho é

II) MÉRITO parte legítima para o ajuizamento da presente ação anulatória, não

se havendo falar em necessidade de provocação de terceiro para a

1. DA ILEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO instauração da medida, tampouco de relevância ou conveniência

TRABALHO social das questões debatidas, já que estes aspectos dizem respeito

ao mérito.

Sobre o tema, assim decidiu o TRT: NEGA-SE PROVIMENTO.

2.2.1 ILEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO 2. DA NULIDADE DO PROCESSO POR CERCEAMENTO DO

TRABALHO DIREITO DE DEFESA DESTA PARTE

Suscita a ré PAGGO ADMINISTRADORA DE CRÉDITO LTDA. a

referida questão preliminar, alegando a necessidade de se examinar Eis o teor do acórdão do TRT, neste ponto:

a situação individual de cada trabalhador, o que afastaria a

intervenção do autor da presente ação conforme os artigos 127 da 2.2.2 NULIDADE DO PROCESSO

Constituição da República de 1988 e 83, IV, da Lei Complementar Suscita a ré PAGGO ADMINISTRADORA DE CRÉDITO LTDA.

nº 75/93 (Num. f2ff168 - Pág. 2). essa questão preliminar, alegando cerceamento do direito de defesa

A legitimação do Ministério Público do Trabalho para propor a porque não teria sido atendido seu requerimento de produção de

presente ação anulatória está claramente expressa em lei (art. 83 provas (sic, Num. 40bd28d - Pág. 1) feito em contestação e

da Lei Complementar nº 75/93), o que dispensa interpretação ou ratificado por meio da petição de ID Num. 761593A em que

maior debate, pois segue vigente o aforismo jurídico segundo o qual requereu chamamento do processo à ordem.

nas coisas claras não se faz interpretação (in claris non fit Reitera-se o que foi decidido em 30 de setembro de 2015 (Num.

interpretatio). 9e7eb56 - Pág. 2):

Aliás, em defesa da ordem jurídica, está mesmo o Ministério Público Versando estes autos apenas sobre matéria de direito, declara-se

legitimado para intentar as ações apropriadas para coibir tanto que após exaurido o prazo para contestar a ação anulatória, o que

violações empresariais quanto profissionais ou sindicais. No caso deve ser neles certificado, fica encerrada a instrução processual,

concreto destes autos, a tese sustentada é de que ambos violaram pelo que determina-se sejam as partes intimadas para

as normas de proteção ao trabalho, o que autoriza o Ministério apresentarem razões finais, no prazo de 10 (dez) dias,

Público a proceder da maneira que o fez, sem que, por isso, possa sucessivamente.

ser acoimada de ilegítima essa atuação. O que pretende o Ministério Público do Trabalho é a decretação da

Por tais fundamentos é que se rejeita a questão preliminar de nulidade das cláusulas que limitam a incidência do adicional de

ilegitimidade ativa. horas extraordinárias ao salário básico (Num. 49e4d5f - Pág. 2) e o

horário noturno ao lapso temporal compreendido entre as 22:00 h

O recorrente argumenta ser o Ministério Público do Trabalho parte de um dia e as 5:00 h do ria seguinte (Num. 49e4d5f - Pág. 4); e

ilegítima para propor a presente ação anulatória, uma vez que autorizam o trabalho em dias feriados (Num. 49e4d5f - Pág. 5),

apenas seria cabível a legitimidade nos moldes do art. 83, inciso IV, matérias puramente de direito, sendo desnecessária a dilação

da Lei Complementar nº 75/93, o que não se mostra presente no probatória requerida pela ré, nos termos seguintes

processo. Contudo, para evitar alegação de ausência de provas ou eventual

Sem razão. perecimento de direito, desde logo a demandada requer seja

A jurisprudência desta SDC, quanto à matéria, é no sentido de que oficiada a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no

a legitimidade para o ajuizamento de ação anulatória de convenção Pará para que informe a respeito dos instrumentos coletivos

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 86
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autorizadores da abertura dos Shoppings Centers desta Capital nos 370 do CPC/2015) confere ao Juiz amplos poderes na condução e

dias domingos e feriados. direção do processo, desde que não obste o conhecimento da

Requer ainda que seja oficiado à Prefeitura Municipal de Belém verdade, cabendo-lhe indeferir pleitos desnecessários ou inúteis ao

para que junte aos autos os Decretos Autorizadores do julgamento do feito, em havendo nos autos elementos probatórios

funcionamento do comércio varejista e lojista de Belém em dias suficientes para que profira a decisão.

domingos e feriados (sic, Num. 761593a - Pág. 1). O direito de defesa e o direito de ação, assim, devem ser exercidos

As provas requeridas constituem diligências inúteis porque, reitere- dentro dos estritos limites e ditames da ordem jurídica

se, a matéria em exame nestes autos é puramente de direito, o que preestabelecida para o procedimento judicial, conformando, desse

atrai a incidência do art. 370 do Código de Processo Civil, assim modo, uma perfeita harmonia entre os princípios do contraditório e

redigido: da ampla defesa e os da economia e celeridade processual.

Art 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, No caso dos autos, a Empresa Ré pretendeu a intimação da

determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará e do

Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as Município de Belém para produzir provas em seu favor, no sentido

diligências inúteis ou meramente protelatórias. de corroborar a sua alegação de que existiam CCT's e documentos

Ademais, se tem a ré tanto interesse em tais documentos teve todo legislativos locais autorizando o funcionamento de Shoppings

o tempo necessário para obtê-los junto às respectivas autoridades, Centers nos domingos e feriados.

inclusive o Ministério do Trabalho e Previdência Social, que mantém Contudo, a produção de provas relacionadas a essa afirmação

banco de dados com as normas coletivas depositadas e cabia à própria Parte, valendo destacar que tais documentos, caso

homologadas, para consulta pelos interessados. E quanto aos existissem, poderiam ser facilmente obtidos pela Empresa Ré no

decretos municipais tem aplicação ao caso o art. 376 do Código de período destinado a sua defesa.

Processo Civil, conforme o qual a parte que alegar direito municipal, Outrossim, conforme destacado pelo Tribunal de origem, a matéria

estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e a tratada nos autos é essencialmente de direito e dispensa a

vigência, se assim o juiz determinar. Assim, e por isso, se diligência requerida pela Parte.

entendesse o relator, diretor do processo, ser necessário provar o Verifica-se, portanto, que não houve cerceamento do direito de

direito municipal alegado, teria determinado à ré que o fizesse, defesa; pelo contrário, o devido processo legal foi devidamente

faculdade que não exerceu porque, reitere-se, teve por diligência observado, não obstante a conclusão a que chegou o Juízo de

inútil e desnecessária por se tratar de matéria puramente de direito. origem ter sido em sentido contrário ao interesse perseguido pelo

Por último, mas não menos importante, no processo trabalhista a ora Recorrente. Todavia, decisão desfavorável não importa em

nulidade só será decretada quando houver manifesto prejuízo para anulação dos atos processuais.

a parte (pas de nullité sans grief). NEGA-SE PROVIMENTO.

Em suma, nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do

Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados 3. CLÁUSULA 8ª - ADICIONAL DE HORAS EXTRAS

manifesto prejuízo às partes litigantes (art. 794 da Consolidação das

Leis do Trabalho). O Tribunal Regional entendeu pela nulidade da Cláusula 8ª, nos

Recusam-se as razões finais (Num. 40bd28d - Pág. 1), seguintes termos:

prequestionando-as expressamente, o que se o faz com o

declarado e deliberado propósito de evitar embargos de declaração A primeira cláusula constante da convenção coletiva que se aponta

protelatórios. como ilegal é a cláusula oitava, que trata do adicional de horas

Rejeita-se a questão preliminar de nulidade do processo. extras, com o seguinte teor:

CLÁUSULA OITAVA - ADICIONAL DE HORAS EXTRAS

A Recorrente alega que solicitou que fosse produzida prova da As horas extraordinárias realizadas pelo empregado serão

existência de acordo coletivo que autorizou o funcionamento do remuneradas com o adicional de 50% (cinquenta por cento) superior

estabelecimento aos domingos e feriados, pedido que foi indeferido ao da hora normal, não acrescida de outros adicionais, conforme

ilegalmente, configurando-se o cerceamento de defesa. preceitua o art. 59, §1º, da CLT. Poderá ser dispensado o acréscimo

Sem razão. de salário se, por critério da empresa, for utilizado o preceito do art.

A norma processual (arts. 765 da CLT e 130 do CPC/1973, atual 59, §2º, da CLT, nos moldes acordados e estabelecidos pelas

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partes neste instrumento. sindical e o empregador para tratar dos diversos aspectos das

Parágrafo único. As eventuais horas trabalhadas aos domingos relações de trabalho, tal liberdade não pode ir ao ponto de

(fora das escalas normais de trabalho), feriados e dias de folga estabelecer uma norma que atue em descompasso com a

programados serão remuneradas com adicional de 100% (cem por legislação e a jurisprudência e acabe tendo como resultado um

cento) superior ao da hora normal não acrescida de outros regramento que desfavoreça o trabalhador. A negociação coletiva

adicionais, conforme preceitua o art. 59, §1º, da CLT. tem como intuito para proteger o trabalhador, não para prejudicá-lo.

A finalidade dos requeridos é o recebimento do adicional de horas A autonomia tem como limite a lei e, neste caso, o limite foi

extras tendo como base de cálculo apenas o salário, sem a inclusão extrapolado.

de nenhuma outra parcela trabalhista, conforme consta tanto no Portanto, deve ser declarada nula a cláusula oitava do acordo

caput quanto no parágrafo único. coletivo em análise, pois pretende estabelecer base de cálculo das

Ocorre que a pretensão dos réus não está em conformidade com a horas de extras em alcance menor do que assegura a legislação e a

jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho. Já jurisprudência.

está pacificado que a remuneração das horas extras deve levar em

consideração os adicionais porventura cabíveis, conforme súmula No recurso ordinário, a Empresa Ré afirma, em síntese, que a

264: cláusula em comento está de acordo com art. 59, §1º, da CLT, e art.

264. HORA SUPLEMENTAR. CÁLCULO. 7º, XVI, da CF/88, os quais garantem remuneração superior aos

A remuneração do serviço suplementar é composta do valor da hora trabalhadores que realizarem jornada extraordinária.

normal, integrado por parcelas de natureza salarial e acrescido do Sem razão.

adicional previsto em lei, contrato, acordo, convenção coletiva ou O universo normativo incidente sobre a jornada e a duração do

sentença normativa. trabalho é bastante variado. As normas jurídicas heterônomas

A súmula foi editada tendo em vista que, uma vez que foi estatais estabelecem, de um lado, um padrão normativo geral, que

estabelecido que a jornada extraordinária deve ser remunerada em se aplica ao conjunto do mercado de trabalho e, de outro lado, um

quantitativo superior ao da jornada ordinária (CF, art. 7º, XVI; CLT, leque diversificado de regras incidentes sobre situações ou

art. 59, §1º), se a remuneração por esta jornada é composta de um categorias específicas de trabalhadores envolvidos. Em contraponto

determinado adicional, não é cabível excluí-lo, sob pena de que a a esse quadro normativo heterônomo, surge ainda um significativo

hora daquela jornada seja remunerada em valor igual ou inferior ao espaço à criatividade autônoma coletiva privada, hábil a tecer

da hora da jornada comum, tornando a exigência de pagamento de regras específicas aplicáveis às searas trabalhistas a que se

pouco efeito prático. reportam.

Ao vedar qualquer tipo de acréscimo para fins de percepção de Com efeito, amplas são as possibilidades de validade e eficácia

horas extras, a cláusula convencional viola o disposto no art. 7º, jurídicas das normas autônomas coletivas em face das normas

XVI, da CF, e no art. 59, §1º, da CLT, preceitos legais que serviram heterônomas imperativas, à luz do princípio da adequação setorial

de base à súmula. negociada, podendo a negociação coletiva transacionar parcelas de

Ressalte-se que no caso específico do adicional noturno, o Tribunal disponibilidade efetivamente relativa. Desse modo, ela não

Superior do Trabalho possui orientação jurisprudencial que reforça a prevalece se concretizada mediante ato estrito de renúncia ou se

imperatividade da inclusão do adicional na base de cálculo das concernente a direitos revestidos de indisponibilidade absoluta (e

horas extras. Vejamos: não indisponibilidade relativa), os quais não podem ser

97. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. BASE DE transacionados nem mesmo por negociação sindical coletiva,

CÁLCULO também não detendo o poder de reduzir ou normatizar in pejus

O adicional noturno integra a base de cálculo das horas extras parcela instituída pela ordem jurídica heterônoma estatal, salvo nos

prestadas no período noturno. limites - se houver - em que essa ordem jurídica imperativa

A orientação jurisprudencial reitera os fundamentos da súmula 264: especificamente autorizar. Havendo tal autorização, o ACT ou a

se fosse admissível a exclusão de adicionais para fins de cálculo CCT ganham maior margem de atuação, mas sem o poder de

das horas extras, haveria a possibilidade de burla ao comando legal descaracterizar o direito individual e social manejado, uma vez que

que determina o pagamento da jornada extraordinária em patamar têm de respeitar os parâmetros constitucionais e legais incidentes.

maior que o da jornada comum. No caso dos autos, a norma coletiva em análise (Cláusula Oitava

Não obstante a necessária e importante liberdade que tem o ente do ACT firmado entre os Réus) limitou a base de cálculo do

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adicional de horas extras ao salário, sem o acréscimo de outras 100% da hora normal, não acrescida de outros adicionais, para

verbas, fossem elas trabalhistas ou não. O TRT de origem declarou pagamento das horas trabalhadas em domingos e feriados fora das

a invalidade da cláusula, que tem o seguinte teor: escalas normais de trabalho. Isso porque o texto pode ser

interpretado como a regulamentação do pagamento das horas

CLÁUSULA OITAVA - ADICIONAL DE HORAS EXTRAS laboradas em domingos e feriados destinados aos dias de folga

As horas extraordinárias realizadas pelo empregado serão (considerando, especialmente, a expressão fora das escalas de

remuneradas com o adicional de 50% (cinquenta por cento) superior trabalho). Consequentemente, trata-se da supressão da

ao da hora normal, não acrescida de outros adicionais, conforme remuneração em dobro do trabalho realizado naqueles dias

preceitua o art. 59, §1º, da CLT. Poderá ser dispensado o acréscimo específicos (domingos ou feriados destinados ao repouso),

de salário se, por critério da empresa, for utilizado o preceito do art. conforme disposição expressa do art. 9º da Lei 605/49, o que

59, §2º, da CLT, nos moldes acordados e estabelecidos pelas envolve, evidentemente, o dobro da remuneração total do

partes neste instrumento. empregado, e não apenas do salário básico não acrescido de

Parágrafo único. As eventuais horas trabalhadas aos domingos outros adicionais, conforme tentou determinar a norma autônoma.

(fora das escalas normais de trabalho), feriados e dias de folga A jurisprudência, ademais, é pacífica no sentido de que o trabalho

programados serão remuneradas com adicional de 100% (cem por prestado em domingos e feriados, não compensado, deve ser pago

cento) superior ao da hora normal não acrescida de outros em dobro, sem prejuízo da remuneração relativa ao repouso

adicionais, conforme preceitua o art. 59, §1º, da CLT. semanal (Súmula 146/TST).

Por todo exposto, NEGA-SE provimento ao recurso ordinário,

De fato, a norma coletiva autônoma padece de nulidade, porquanto mantendo-se a declaração de nulidade da norma autônoma.

estipula clara renúncia a direito revestido de indisponibilidade

absoluta, qual seja, de o trabalhador perceber remuneração do 4. CLÁUSULA 9ª - ADICIONAL NOTURNO

serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento

à do normal (art. 7º, XVI, da CF). O Tribunal Regional entendeu pela nulidade da Cláusula 9ª, nos

Com efeito, se o pagamento da hora normal trabalhada é realizado seguintes termos:

com base na remuneração total do empregado, ou seja, salário

básico mais as demais parcelas salariais, não poderia a norma Requer também o autor a nulidade da cláusula nona do acordo

coletiva, como o fez no caput da Cláusula em análise, restringir o coletivo firmado pelos réus, alegando, em suma, que sua redação

cálculo da hora extraordinária a apenas uma parte da remuneração contraria a prorrogação da hora noturna tal como estipulado na

total do trabalhador: 50% superior ao da hora normal, não acrescido Súmula nº 60, II, do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, assim

de outros adicionais. como o art. 73, § 5º, da Consolidação das Leis do Trabalho (Num.

Vale destacar que a jurisprudência desta Corte entende que pode a 49e4d5f - Pág. 4).

negociação coletiva trabalhista alterar a base de cálculo das horas Transcreve-se a cláusula impugnada, para melhor compreensão:

extras (em contraponto à larga base genericamente firmada pela CLÁUSULA NONA - ADICIONAL NOTURNO

Súmula 264/TST), mas desde que estabelecido adicional de O adicional noturno será de 20% (vinte por cento) sobre o valor da

sobrejornada muito acima dos 50% fixados no art. 7º, XVI, da hora normal e somente será pago no período compreendido entre

Constituição da República (100%, por ilustração - e como é muito 22:00 horas e 5:00 horas, computando-se cada hora noturna com

comum, a propósito). Naturalmente que também aqui não se há de 52 minutos e 30 segundos.

falar em descaracterização da natureza jurídica salarial da É mesmo certo, como alegado na petição inicial, que a cláusula

correspondente verba analisada. acima transcrita é ilegal por que contraria os artigos 7º, IX, da

No caso concreto, porém, a cláusula apenas limitou a base de Constituição da República e 73, § 5º, da Consolidação das Leis do

cálculo das horas extras ao salário básico, sem qualquer elevação Trabalho, bem como a jurisprudência predominante no Colendo

do percentual mínimo legalmente previsto para o adicional (50%), o Tribunal Superior do Trabalho, tal seja a Súmula nº 60, abaixo

que, conforme já afirmado, configura renúncia de direito transcritos para maior clareza e melhor compreensão:

indisponível, consequentemente, também, a nulidade da norma. Art 73. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o

Também padece de nulidade o parágrafo único da Cláusula trabalho noturno terá remuneração superior a do diurno e, para esse

Oitava do ACT firmado entre os Réus, que fixou o adicional de efeito, sua remuneração terá um acréscimo de 20% (vinte por

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 89
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cento), pelo menos, sobre a hora diurna. cálculo da remuneração devida àquele que labora à noite

(...) § 5º Às prorrogações do trabalho noturno aplica-se o disposto (pagamento do adicional noturno), conforme previsão dos arts. 7º,

neste capítulo. IX e XXXIII, da CF e 73 da CLT.

Súmula 60, II: ADICIONAL NOTURNO. INTEGRAÇÃO NO Se assim o é para aqueles que cumprem jornada noturna normal,

SALÁRIO E PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. com muito mais razão há de ser para aqueles que a prorrogam,

I - O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do porque o elastecimento do trabalho noturno sacrifica ainda mais o

empregado para todos os efeitos. empregado.

II - Cumprida integralmente a jornada no período noturno e Em suma: se o labor de 22h às 05h é remunerado com um

prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às horas adicional, considerando-se as consequências maléficas do trabalho

prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. nesse horário, com mais razão a prorrogação dessa jornada, após a

Em suma, é nula a cláusula de acordo coletivo de trabalho que labuta por toda a noite, deve ser quitada de forma majorada.

limita o adicional de trabalho noturno no período compreendido Essa é a inteligência do art. 73 da CLT, nestes termos:

entre às 22:00h e 5:00h, contrariando os artigos 7º, IX, da

Constituição da República, 73, § 5º, da Consolidação das Leis do Art. 73. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o

Trabalho, bem como a Súmula nº 60, II do Colendo Tribunal trabalho noturno terá remuneração superior a do diurno e, para esse

Superior do Trabalho. efeito, sua remuneração terá um acréscimo de 20 % (vinte por

Acolhem-se os argumentos trazidos na petição inicial (Num. cento), pelo menos, sobre a hora diurna.

49e4d5f Pág. 4-5) e recusam-se os argumentos trazidos na defesa § 1º A hora do trabalho noturno será computada como de 52

(Num. f2ff168 - Pág. 8-13) e nas razões finais da ré (Num. minutos e 30 segundos.

40bd28d), prequestionando-os expressamente, o que se o faz com § 2º Considera-se noturno, para os efeitos deste artigo, o

o declarado e deliberado propósito de evitar embargos de trabalho executado entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do

declaração protelatórios. dia seguinte.

Julga-se procedente o pedido e anula-se totalmente a cláusula § 3º O acréscimo, a que se refere o presente artigo, em se tratando

nonado acordo coletivo de trabalho, surtindo efeitos retroativos (ex de empresas que não mantêm, pela natureza de suas atividades,

tunc). trabalho noturno habitual, será feito, tendo em vista os quantitativos

pagos por trabalhos diurnos de natureza semelhante. Em relação às

No recurso ordinário, a Paggo Administradora De Crédito LTDA. empresas cujo trabalho noturno decorra da natureza de suas

requer a reforma da decisão que invalida a aplicação da referida atividades, o aumento será calculado sobre o salário mínimo geral

cláusula, argumentando que é ilegítima a interferência do MPT e do vigente na região, não sendo devido quando exceder desse limite,

Estado nas relações entre as partes demandadas, por terem sido as já acrescido da percentagem

condições de trabalho negociadas de forma a buscar efetividade e § 4º Nos horários mistos, assim entendidos os que abrangem

equilíbrio na relação de trabalho. períodos diurnos e noturnos, aplica-se às horas de trabalho

Sem razão. noturno o disposto neste artigo e seus parágrafos.

O trabalho noturno provoca no indivíduo agressão física e § 5º Às prorrogações do trabalho noturno aplica-se o disposto

psicológica, por supor o máximo de dedicação de suas forças neste capítulo.

físicas e mentais em período em que o ambiente físico externo

induz ao repouso. Somado a isso, ele também tende a agredir, com Confirmando essa direção, a jurisprudência desta Corte editou a

substantiva intensidade, a inserção pessoal, familiar e social do Súmula 60, II/TST, dispondo que, cumprida integralmente a jornada

indivíduo nas micro e macrocomunidades em que convive, tornando no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional

especialmente penosa para o obreiro a transferência de energia que quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT.

procede em benefício do empregador. De fato, nos termos da mencionada Súmula, se o empregado

Por essas razões, o Direito do Trabalho sempre tendeu a conferir cumpre integralmente sua jornada de trabalho no período noturno,

tratamento diferenciado ao trabalho noturno, seja através de prorrogando-a no horário diurno, é devido o adicional no tocante à

restrições à sua prática (de que é exemplo a vedação a labor prorrogação. Embora a supracitada súmula faça referência ao

noturno de menores de 18 anos), seja através de favorecimento adicional noturno, entende-se ser devida, também, a hora reduzida

compensatório no cálculo da jornada noturna (redução ficta) e no no cálculo das horas prorrogadas no período diurno, ou seja, para

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 90
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aquelas prestadas após as 05h00 da manhã, além de sua porquanto, nessa circunstância, ainda que o trabalho tenha início no

aplicação, ainda, aos casos de jornadas mistas. período noturno e término no diurno, ocorre labor no horário a que

Nesse mesmo sentido, citam-se os seguintes julgados desta Corte: se refere o art. 73, § 2º, da CLT. Julgado. Recurso de revista não

conhecido. (...). (RR - 1270-67.2012.5.04.0304 , Relator Ministro:

(...). 5. PRORROGAÇÃO DE JORNADA NOTURNA EM HORÁRIO Márcio Eurico Vitral Amaro, Data de Julgamento: 29/11/2017, 8ª

DIURNO. ADICIONAL NOTURNO. HORA NOTURNA REDUZIDA. Turma, Data de Publicação: DEJT 01/12/2017)

CABIMENTO. SÚMULA 60, II/TST. 6. INTERVALO

INTRAJORNADA. MAQUINISTA. SUPRESSÃO PARCIAL OU (...). II - RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE 1 -

TOTAL. SÚMULA 446/TST. (...). O trabalho noturno provoca no ADICIONAL NOTURNO E HORA NOTURNA REDUZIDA.

indivíduo agressão física e psicológica, por supor o máximo de JORNADA MISTA. PRORROGAÇÃO DO TRABALHO NOTURNO.

dedicação de suas forças físicas e mentais em período em que o 1.1. Nos termos da Súmula 60, II, do TST, "cumprida integralmente

ambiente físico externo induz ao repouso. Somado a isso, ele a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é também o

também tende a agredir, com substantiva intensidade, a inserção adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5.º, da

pessoal, familiar e social do indivíduo nas micro e CLT". 1.2. O entendimento contido na referida súmula e a

macrocomunidades em que convive, tornando especialmente observância da hora reduzida no cálculo das horas prorrogadas no

penosa para o obreiro a transferência de energia que procede em horário diurno (art. 73, § 5º, da CLT), prevalece, inclusive, em se

benefício do empregador. Por essas razões, o Direito do Trabalho tratando de jornada mista, como na hipótese em comento, em razão

sempre tendeu a conferir tratamento diferenciado ao trabalho do desgaste físico da jornada noturna e a necessidade de garantir a

noturno, seja através de restrições à sua prática (de que é exemplo higidez física e mental do trabalhador. Precedentes. Recurso de

a vedação a labor noturno de menores de 18 anos), seja através de revista conhecido e provido. (...). (ARR - 1024-90.2011.5.02.0036 ,

favorecimento compensatório no cálculo da jornada noturna Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, Data de Julgamento:

(redução ficta) e no cálculo da remuneração devida àquele que 25/10/2017, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 31/10/2017)

labora à noite (pagamento do adicional noturno). Se assim o é para

aqueles que cumprem jornada noturna normal, com muito mais (...). HORA NOTURNA REDUZIDA. PRORROGAÇÃO. A norma

razão há de ser para aqueles que a prorrogam, porque o inserta no artigo 73, § 5º, da CLT estabelece que "às prorrogações

elastecimento do trabalho noturno sacrifica ainda mais o do trabalho noturno aplica-se o disposto neste capítulo", e o caput

empregado. Em suma: se o labor de 22h00 às 05h00 é remunerado do referido dispositivo determina que o trabalho noturno tenha

com um adicional, considerando-se as consequências maléficas do remuneração superior a do diurno, cujo acréscimo não será inferior

trabalho nesse horário, com mais razão a prorrogação dessa a 20% (vinte por cento). Desse modo, permanecendo o empregado

jornada, após a labuta por toda a noite, deve ser quitada de forma em serviço além das cinco horas da manhã, em prorrogação do

majorada. Se o empregado cumpre integralmente sua jornada de trabalho noturno, é devido o adicional e a hora reduzida, por força

trabalho no período noturno, prorrogando-a no horário diurno, é do disposto no artigo 73, §§ 1º e 5º, da CLT (inteligência da

devido o adicional no tocante à prorrogação, nos termos da Súmula Orientação Jurisprudencial nº 388 da SBDI-1 desta Corte). Recurso

60, II/TST. Embora a supracitada súmula faça referência ao de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (...) (RR -

adicional noturno, entende-se ser devida, também, a hora reduzida 1177-53.2011.5.04.0203 , Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas

no cálculo das horas prorrogadas no período diurno, ou seja, para Brandão, Data de Julgamento: 18/10/2017, 7ª Turma, Data de

aquelas prestadas após as 05h00 da manhã, consoante a Publicação: DEJT 27/10/2017)

jurisprudência desta Corte. Agravo de instrumento desprovido.

(AIRR - 11181-35.2014.5.15.0108 , Relator Ministro: Mauricio (...). B) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO

Godinho Delgado, Data de Julgamento: 14/03/2018, 3ª Turma, Data RECLAMANTE. JORNADA 12 X 36. PRORROGAÇÃO EM

de Publicação: DEJT 16/03/2018) HORÁRIO DIURNO. ADICIONAL NOTURNO. HORA REDUZIDA.

Cumprida a jornada no período noturno e estendida em horário

(...). ADICIONAL NOTURNO. Esta Corte tem decidido pela diurno, é devido o pagamento do adicional noturno e há a incidência

aplicação da Súmula 60, II, do TST, e pela observância da hora da hora noturna reduzida na prorrogação da jornada após as cinco

reduzida no cálculo das horas prorrogadas no horário diurno (art. horas da manhã. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. Incidência da

73, § 5º, da CLT), mesmo quando se cuide de jornada mista, Súmula nº 60, II, e da OJ nº 388 da SDI-1, ambas do TST. Recurso

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 91
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

de revista conhecido e provido. (ARR - 1204-37.2011.5.02.0447 , concernentes à prorrogação da jornada no período diurno, como,

Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: por exemplo, a majoração do adicional noturno para percentual

26/10/2016, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/10/2016) significativamente maior do que os 20% - o que, em tese, poderia

dar impulso à discussão sobre a validade da cláusula, conforme

Sobre a possibilidade de a negociação coletiva transacionar direção interpretativa prevalecente nesta Corte.

parcelas decorrentes do trabalho em período noturno, conforme se Pelo exposto, mantém-se a decisão do Tribunal Regional, no

sabe, é firme a jurisprudência trabalhista no sentido de permitir à sentido de declarar a invalidade da cláusula coletiva, e NEGA-SE

negociação coletiva trabalhista a fixação da hora noturna de PROVIMENTO ao recurso ordinário.

trabalho em 60 minutos (ao invés dos 52 minutos e 30 segundos

estabelecidos pelo § 1º do art. 73 da CLT), mas desde que 5. CLÁUSULA 14ª - JORNADA DE TRABALHO. AUTORIZAÇÃO

aumentado o adicional noturno para percentual significativamente PARA O TRABALHO EM FERIADOS

maior do que os 20% estipulados pelo caput do art. 73 da mesma

CLT (35% ou mais de adicional noturno, ilustrativamente) - tudo O Tribunal Regional entendeu pela nulidade parcial da Cláusula 14ª,

isso, naturalmente, sem esterilizar a natureza eminentemente parágrafo oitavo, nos seguintes termos:

salarial da respectiva parcela trabalhista.

Por outro lado, está suficientemente claro que ela não ostenta o Por fim, requer o autor a nulidade da cláusula décima-quarta,

poder de reduzir ou normatizar in pejus parcela instituída pela parágrafo oitavo, do acordo coletivo firmado pelos réus, alegando a

ordem jurídica heterônoma estatal, salvo nos limites - se houver - necessidade de convenção coletiva - e não simples acordo coletivo

em que essa ordem jurídica imperativa especificamente autorizar. - para autorizar o trabalho em dias feriados, conforme o art. 6º-A da

Havendo tal autorização, o ACT ou a CCT ganham maior margem Lei nº 10.101/2000, além de citar jurisprudência trabalhista nesse

de atuação, mas sem o poder de descaracterizar o direito individual sentido (Num. 49e4d5f - Páginas 5-6).

e social manejado, uma vez que têm de respeitar os parâmetros A ré pertence, induvidosamente, a categoria econômica do

constitucionais e legais incidentes. comércio, conforme demonstrado na cláusula segunda de seus

No caso concreto, a Cláusula Nona do ACT firmado entre os Réus atos constitutivos da qual consta como seu objeto o comércio

determina que: varejista e atacadista especializado de serviços de

telecomunicação e de equipamentos de telefonia e

o adicional noturno será de 20% (vinte por cento) sobre o valor da comunicação, o comércio varejista especializado de equipamentos

hora normal e somente será pago no período compreendido entre e suprimentos de informática, a promoção de vendas, a

22:00 horas e 5:00 horas, computando-se cada hora noturna com representação comercial e agente do comércio de mercadorias em

de 52 minutos e 30 segundos. geral não especializado, dentre outras atividades comerciais, pelo

que a ela se aplica, às inteiras, a Lei nº 10.101/2000. E o exercício

A norma é indiscutivelmente inválida, porquanto, na prática, de tais atividades em um shopping center afasta qualquer eventual

constitui renúncia, nas prorrogações da jornada no período diurno, à dúvida acerca desse tema artificialmente agitado pela ré para turvar

remuneração do trabalho noturno superior à do diurno e à hora as águas onde pesca.

noturna reduzida (art. 73, caput, e §1º, da CLT). Para melhor compreensão, transcreve-se a cláusula impugnada:

Com efeito, a negociação coletiva não tem o poder de suprimir as CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - JORNADA DE TRABALHO

condições favoráveis mínimas que a legislação heterônoma estatal A jornada de trabalho semanal dos empregados da empresa é

estabeleceu para o trabalhador que despende sua força de trabalho de 44 (quarenta e quatro) horas semanais, mediante escalas,

naquela condição gravosa. Saliente-se que o tratamento jurídico inclusive sábados, domingos e feriados, realizadas através de

diferenciado ao labor em horário noturno (incidência do adicional de rodízios. As referidas escalas são para todos os efeitos

20% e hora reduzida) estende-se obrigatoriamente às horas considerados como jornada normal de trabalho mesmo quando

prorrogadas no período diurno, considerando que o elastecimento da sua realização em domingos e feriados, estando já incluídas

do trabalho noturno sacrifica ainda mais o empregado. Ademais, as pausas para refeição ou descanso conforme Art. 71 da CLT.

isso é o que determina expressamente o art. 73, § 5º, da CLT. (...)

Por fim, cumpre destacar que a norma coletiva questionada não Parágrafo Oitavo - Fica autorizado o trabalho aos domingos e

criou qualquer vantagem apta a justificar a flexibilização dos direitos feriados, sendo ressalvado que independentemente da escala

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 92
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de trabalho do colaborador, as folgas obedecerão o que preferencial do descanso semanal com o domingo é, hoje, no País,

determina a Portaria nº417 do Ministério do Trabalho. direito trabalhista assegurado expressamente pela Constituição (art.

Em função de exigências contratuais, para as lojas de shopping, 7º, XV, CF/88). Desse modo, apenas em situações excepcionais, ou

serão respeitados os respectivos contratos, regulamentos e em atividades que, por sua natureza ou pela conveniência pública,

condições negociadas. devem ser exercidas aos domingos, é que se poderia, validamente,

Por tudo o que foi antes exposto, é aplicável ao caso destes autos o escapar à coincidência prevalecente. As atividades comerciais, em

art. 6-A da Lei nº 10.101/2000, assim redigido: seu gênero, não se enquadram, obviamente, nas exceções acima.

Art. 6-A. É permitido o trabalho em feriados nas atividades do Por essa razão, preservando-se critério de análise estritamente

comércio o em geral, desde que autorizado em convenção coletiva técnico-jurídico, apenas a negociação coletiva, enfocando

de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos do art. particularidades regionais (turismo intenso, por exemplo, na região),

30, inciso I, da Constituição. locais (mesmo fundamento anterior, ilustrativamente), ou até

A ré e o réu não tiveram o cuidado de celebrar o acordo coletivo de mesmo setoriais (shoppings centers, por exemplo - que já

trabalho impugnado após a celebratura de convenção coletiva de funcionam aos domingos para atividades de entretenimento, como

trabalho entre as entidades sindicais representativas das se sabe), é que poderia adequar a ordem jurídica geral (e

respectivas categorias econômica e profissional, tal como exigido constitucional) aos interesses efetivos e diferenciados da

por lei, exigência que não pode ser de modo algum afetada por coletividade por ela abrangida (art. 7º, XIII e XXVI, CF/88). A lei

Portaria ou por autorização dada ao shopping center para abrir aos federal - por sua generalidade - não teria esse condão, já que seu

domingos e feriados, como pretende a ré. comando amplo, abrangente de toda região, local e setor do País,

Assim, por tudo o que foi acima exposto, a cláusula é ilegal no terminaria por produzir puro e simples desrespeito direto à

tocante ao trabalho em feriados, porque contraria o art. 6-A da Lei preferência geral constitucionalmente assegurada. Note-se que a

nº 10.101/2000, uma vez que não foi precedida de convenção Medida Provisória nº 388, de 5.09.2007 (inserindo o art. 6º-A na Lei

coletiva de trabalho que autorizasse o trabalho nesses dias nº 10.101/2000 e que foi convertida na Lei nº 11.603/2007) passa a

consagrados ao repouso. A nulidade, portanto, é parcial, com elisão se reportar à necessária autorização de "convenção coletiva de

de texto, para suprimir a referência a feriados, feita na cláusula trabalho", observada também a "legislação municipal", quanto à

impugnada. permissão de "trabalho em feriados nas atividades do comércio em

Em suma, é ilegal a cláusula de acordo coletivo de trabalho que geral"

permite o trabalho em feriados quando não for precedida de De fato, a Medida Provisória n. 388, de 5.9.2007, posteriormente

autorização em convenção coletiva de trabalho, contrariando o art. 6 convertida na Lei 11.603/2007, inserindo o art. 6-A na Lei

-A da Lei nº 10.101/2000. 10.101/00, fixou a necessária autorização em convenção coletiva de

Acolhem-se os argumentos trazidos na petição inicial (Num. trabalho, respeitada também a legislação municipal, no que tange à

49e4d5f - Pág. 5-6) e recusam-se os argumentos trazidos na defesa permissão de labor em feriados nas atividades do comércio em

(Num. f2ff168 - Pág. 5-8) e nas razões finais da ré (40bd28d), geral - sem prejuízo da previsão do art. 9º da Lei 605/49 de folga

prequestionando-os expressamente, o que se o faz com o compensatória.

declarado e deliberado propósito de evitar embargos de declaração Por oportuno, vejamos o que dispõe o precitado art. 6º-A da Lei

protelatórios. 10101/2000:

Julga-se procedente o pedido e anula-se parcialmente a cláusula

décima-quarta, parágrafo oitavo, do acordo coletivo de trabalho, "É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em

com elisão de texto para suprimir a expressão e feriados, surtindo geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho

efeitos retroativos (ex tunc). e observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I,

da Constituição. (Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007)" (g.n.)

No recurso ordinário, a Paggo Administradora De Crédito LTDA.

afirma que a fundamentação utilizada pelo Tribunal ao anular a A observância de tais requisitos (permissão em convenção coletiva

cláusula não se aplica à empresa demandada, por não exercer de trabalho e observância da legislação municipal) como condição

atividade da categoria de comércio geral. ao trabalho em feriados dos comerciários (categoria que,

Sem razão. evidentemente, abrange os empregados que laboram em shoppings

Do ponto de vista rigorosamente técnico-jurídico, a coincidência centers) vem sendo adotada por esta Corte, em especial por esta

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 93
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SDC, conforme julgados a seguir transcritos: Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de

Julgamento: 11/9/2017, DEJT de 18/9/2017)

(...). 2. CLÁUSULAS 1ª, 3ª E 4ª - FUNCIONAMENTO EM

DOMINGOS E FERIADOS. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO "RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO ANULATÓRIA. MINISTÉRIO

2015/2016. A jurisprudência desta SDC é tranquila no sentido de PÚBLICO DO TRABALHO. CLÁUSULA 37 - LABOR EM DIAS DE

que não se pode dar interpretação extensiva ao art. 6º-A da Lei nº FERIADO, CONSTANTE DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO

10.101/2000 e de que apenas a convenção coletiva de trabalho é o 2016/2017. NULIDADE. A teor do art. 6.º-A da Lei n.º 10.101/2000,

instrumento que torna válida a estipulação do trabalho nos feriados, é permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em

por conferir tratamento isonômico para os segmentos profissionais e geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho e

econômicos de uma mesma região. Nesse contexto, e uma vez que observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da

as cláusulas impugnadas pelo Ministério Público do Trabalho - que Constituição Federal. A jurisprudência desta Seção Especializada

tratam do funcionamento do comércio nos domingos e feriados -, vem se firmando no sentido de que não se pode dar interpretação

integram o Acordo Coletivo de Trabalho 2015/2016, mantém-se a extensiva ao referido dispositivo de lei e de que apenas a

decisão que declarou nula a cláusula 1ª, na parte que diz respeito convenção coletiva de trabalho é o instrumento que torna válida a

aos feriados, e entendeu pela insubsistência das cláusulas 3ª e 4ª, estipulação do trabalho nos feriados. Nesse contexto, em que a

por se referirem especificamente a esse aspecto e nega-se mácula apontada pelo Ministério Público do Trabalho, quanto à

provimento ao recurso. (...) (RO - 845-29.2016.5.08.0000 , Relatora violação do art. 6.º-A da Lei n.º 10.101/2000, encontra-se vinculada

Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 13/11/2017, às disposições do caput da cláusula 37, advindo, daí, a sua

Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: nulidade, os seus parágrafos, via de consequência, não podem, da

DEJT 17/11/2017) mesma forma, subsistir. Assim, dá-se provimento ao recurso para

declarar a nulidade da cláusula 37, que autoriza, por meio de

"RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO acordo coletivo de trabalho, o funcionamento do comércio nos

PÚBLICO DO TRABALHO. AÇÃO ANULATÓRIA. TRABALHO NOS feriados. Recurso ordinário conhecido e provido." (RO- 459-

FERIADOS. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. 96.2016.5.08.0000, Data de Julgamento: 15/5/2017, Relatora

IMPOSSIBILIDADE. A legislação, conquanto autorize o trabalho em Ministra Dora Maria da Costa, Seção Especializada em Dissídios

dias de feriado, criou restrição ao condicionar essa prática à Coletivos, DEJT de 19/5/2017)

previsão mediante convenção coletiva de trabalho. Quis a lei,

portanto, que o trabalho nos feriados, quando do interesse dos RECURSO ORDINÁRIO - AÇÃO ANULATÓRIA - CLÁUSULA 4ª -

atores sociais, valesse para toda a categoria econômica e não DO LABOR AOS DOMINGOS E FERIADOS - NECESSIDADE DE

apenas para determinada empresa que assim acordasse com os CONVENÇÃO COLETIVA A jurisprudência desta Corte entende que

seus empregados. O comando da lei extrapola a esfera da relação o trabalho em feriados no comércio em geral só pode ser instituído

entre os atores sociais, ora Réus, o que torna inviável, nessa por convenção coletiva, nos termos da literalidade do art. 6º-A da

dimensão, privilegiar o negociado sobre o legislado. Recurso Lei nº 10.101/2000, sendo inválida a permissão em acordo coletivo,

Ordinário provido. (...)" (RO-795-03.2016.5.08.0000, Relatora em face da necessidade de garantir a isonomia nas categorias

Ministra Maria de Assis Calsing, Data de julgamento: 11/9/2017, econômica e profissional. Recurso Ordinário conhecido e

DEJT de 19/9/2017) desprovido. (RO - 144-68.2016.5.08.0000 , Relatora Ministra: Maria

Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de Julgamento: 24/04/2017, Seção

"RECURSO ORDINÁRIO - AÇÃO ANULATÓRIA - ACORDO Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT

COLETIVO - CLÁUSULA 3ª - CLÁUSULA 5ª - TRABALHO EM 05/05/2017)

FERIADOS NO COMÉRCIO - NULIDADE. A jurisprudência desta

Corte entende que o trabalho em feriados no comércio em geral só Nesse contexto, não há como se reputar válido o acordo coletivo de

pode ser instituído por convenção coletiva, nos termos da trabalho que, sem respaldo em convenção coletiva de trabalho ou

literalidade do art. 6º-A da Lei nº 10.101/2000, sendo inválida a lei municipal, autoriza o labor dos comerciários em feriados.

permissão em acordo coletivo, em face da necessidade de garantir Pelo exposto, mantém-se a declaração de nulidade parcial da

a isonomia nas categorias econômica e profissional. Recurso norma e NEGA-SE PROVIMENTO ao recurso ordinário.

Ordinário conhecido e provido." (RO-741-37.2016.5.08.0000,

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 94
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

ISTO POSTO RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO DOS

TRABALHADORES RODOVIÁRIOS EM EMPRESAS DE

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios TRANSPORTES DE PASSAGEIROS NOS MUNICÍPIOS DE

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por maioria, vencido o ANANINDEUA E MARITUBA. JORNADA DE TRABALHO.

Exmo. Ministro Ives Gandra Martins Filho, conhecer do recurso Prejudicado o exame em face da extinção do dissídio coletivo

ordinário e, no mérito, negar-lhe provimento. instaurado pela FETRANORTE. C) RECONVENÇÃO. DISSÍDIO

Brasília, 14 de maio de 2018. COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. NECESSIDADE DE

INSTRUÇÃO E DE JULGAMENTO PELO TRIBUNAL REGIONAL

DO TRABALHO. O pedido trazido pelo Sindicato profissional, na

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) defesa, relativo à fixação da jornada de trabalho, mostra-se

Mauricio Godinho Delgado totalmente conexo àquele formulado na representação, pela

Ministro Relator Federação suscitante, ainda que nos moldes pretendidos pelos

trabalhadores. Assim, em face do que dispõe o art. 343 do CPC de


Processo Nº RO-0000446-63.2017.5.08.0000
Complemento Processo Eletrônico 2015, constata-se a existência da reconvenção, a qual pode ser
Relator Min. Dora Maria da Costa plenamente analisada, mesmo com a extinção do dissídio ajuizado
Recorrente(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES
RODOVIÁRIOS EM EMPRESAS DE pela Federação das Empresas, em face do que prevê o § 2º do
TRANSPORTES DE PASSAGEIROS
NOS MUNICÍPIOS DE ANANINDEUA mencionado dispositivo legal. Observa-se que, apesar de o
E MARITUBA
Regional ter analisado o mérito da questão trazida na contestação,
Advogado Dr. Walber Palheta de Mattos(OAB:
13320/PA) não a analisou como reconvenção, evidentemente não se
Recorrido(s) FEDERAÇÃO DAS EMPRESAS DE
TRANSPORTES RODOVIÁRIOS DA pronunciando acerca de seu cabimento e da observância dos
REGIÃO NORTE - FETRANORTE
pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular
Advogado Dr. Mário Sérgio Pinto Tostes(OAB:
3352/PA) necessários à sua proposição. O fato é que a reconvenção não se

encontra devidamente instruída, em relação aos requisitos formais


Intimado(s)/Citado(s):
exigíveis no ajuizamento do dissídio coletivo, a teor das Orientações
- FEDERAÇÃO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTES
RODOVIÁRIOS DA REGIÃO NORTE - FETRANORTE Jurisprudenciais nos 8, 15 e 29 da SDC do TST. Assim, na medida
- SINDICATO DOS TRABALHADORES RODOVIÁRIOS EM
EMPRESAS DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS NOS em que se mostra inviável aplicar-se a teoria da causa madura e,
MUNICÍPIOS DE ANANINDEUA E MARITUBA
consequentemente, proceder-se à análise da reconvenção, e ante

as disposições do art. 317 do CPC de 2015, quanto à concessão de


ACÓRDÃO
oportunidade ao sindicato profissional para corrigir os vícios
(SDC)
constatados, determina-se o retorno dos autos ao TRT da 8º Região
GMDMC/Ac/tp/th
para que analise a reconvenção como entender de direito.

RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO. A) DISSÍDIO

COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA AJUIZADO POR


Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°
FEDERAÇÃO PATRONAL. JORNADA DE TRABALHO. FALTA
TST-RO-446-63.2017.5.08.0000, em que é Recorrente SINDICATO
DE INTERESSE DE AGIR. JURISPRUDÊNCIA DO TST. Ainda que
DOS TRABALHADORES RODOVIÁRIOS EM EMPRESAS DE
o pedido formulado nesta ação se consubstancie, não na concessão
TRANSPORTES DE PASSAGEIROS NOS MUNICÍPIOS DE
de vantagem, mas em redução de benesse pactuada na Convenção
ANANINDEUA E MARITUBA e Recorrida FEDERAÇÃO DAS
Coletiva de Trabalho 2013/2014 e mantida em sentença normativa
EMPRESAS DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS DA REGIÃO
posterior - consistente no restabelecimento da jornada de trabalho
NORTE - FETRANORTE.
de oito horas diárias -, não há como reconhecer o interesse de agir

da Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região


A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região
Norte - FETRANORTE no ajuizamento do dissídio coletivo de
Norte - FETRANORTE ajuizou dissídio coletivo de natureza jurídica
natureza econômica, nos termos da jurisprudência desta Corte.
e econômica contra o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em
Nesse contexto, extingue-se o dissídio coletivo ajuizado pela
Empresas de Transportes de Passageiros nos Municípios de
Federação patronal, sem resolução de mérito, por falta de interesse
Ananindeua e Marituba - SINTRAM-PA. Alegou que as partes
de agir, com fundamento no art. 485, VI, do CPC de 2015. B)

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 95
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chegaram a um consenso em relação às reivindicações dos norma preexistente, constante de sentença normativa, acordos e/ou

trabalhadores, para vigerem a partir de 1º de maio de 2017, convenções coletivas de trabalho, ou atos normativos, em situações

restando, apenas, a cláusula relativa à jornada de trabalho. em que a obscuridade ou a dubiedade em seu sentido possam

Sustentou que, em face das novas disposições da Súmula nº 437 dificultar a sua plena aplicação.

do TST, não é mais possível a continuidade da jornada laboral que Observa-se que, na representação, a suscitante se limita a pugnar

vinha sendo praticada anteriormente. Pugnou pela fixação da pela alteração da jornada de trabalho de sete horas e vinte minutos

cláusula, nos termos propostos pelo segmento econômico e que - fixada na Convenção Coletiva de Trabalho de 2013/2014 e

condizem com as disposições dos arts. 58 da CLT e 7º, XII, da mantida em sentenças normativas posteriores - para oito horas.

Constituição Federal (fls. 2/5). Constata-se, também, que o Regional não se pronunciou acerca da

O Sindicato suscitado apresentou contestação, às fls. 106/110, natureza jurídica da ação ajuizada, limitando-se a titulá-la como

requerendo o estabelecimento da cláusula relativa à jornada de dissídio coletivo e analisando a reivindicação pretendida.

trabalho, conforme os interesses da categoria profissional por ele Nesse contexto, considerando-se não consistir esta ação de dissídio

representada. coletivo de natureza jurídica, analisa-se, apenas, sob a égide de

O Vice-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região dissídio coletivo de natureza estritamente econômica.

apresentou proposta de acordo, às fls. 112/113, em relação à

cláusula controvertida, sendo ela rejeitada pelas partes, por ocasião A. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA,

da audiência de conciliação (fls. 114/116). AJUIZADO POR ENTIDADE PATRONAL. FIXAÇÃO DA

O Tribunal Regional, por meio do acórdão de fls. 127/151, afastou a CLÁUSULA RELATIVA À JORNADA DE TRABALHO. FALTA DE

aplicação da ultratividade das normas coletivas e, acolhendo a INTERESSE DE AGIR. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM

proposta apresentada pela Vice-Presidência do TRT, deferiu RESOLUÇÃO DE MÉRITO. ANÁLISE DE OFÍCIO.

parcialmente a reivindicação.

O Sindicato profissional suscitado interpôs recurso ordinário, às fls. A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região

154/161, requerendo a reforma da decisão. Norte ajuizou dissídio coletivo de natureza econômica contra o

Admitido o recurso (fl. 179), foram oferecidas contrarrazões às fls. Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Empresas de

190/193, sendo dispensada a remessa dos autos ao Ministério Transportes de Passageiros nos Municípios de Ananindeua e

Público do Trabalho. Marituba objetivando a fixação da cláusula relativa à jornada de

É o relatório. trabalho, condição que restou pendente mesmo com a formalização

de acordo coletivo entre as partes em relação às demais cláusulas

VOTO reivindicadas pelos trabalhadores.

Prevalece nesta Seção Especializada o entendimento de que a

I - CONHECIMENTO prerrogativa para o ajuizamento de dissídio coletivo de natureza

econômica é do sindicato profissional e de que falta interesse de

Conheço do recurso, porque é tempestivo e tem representação agir ao segmento econômico, ou à entidade que o representa, para

regular (fl. 63) e as custas processuais foram recolhidas (fls. 151 e suscitar esse tipo de ação, na medida em que o empregador pode,

166). de forma espontânea, conceder benefícios aos seus empregados.

Assim, ocorrendo a hipótese de o dissídio coletivo de natureza

II - MÉRITO econômica ter sido ajuizado pelo sindicato que representa o

segmento econômico, ou pela entidade de grau superior

De plano, ressalta-se que, conquanto a Federação das Empresas, correspondente, a decisão deste Colegiado tem sido no sentido de,

na representação, tenha adjetivado o dissídio coletivo também reconhecendo, de ofício, a falta de condição da ação, extinguir o

como de natureza jurídica, não apresentou nenhum pedido de processo, sem resolução de mérito, com fundamento no art. 485, VI,

interpretação de norma coletiva. do CPC de 2015.

Como é cediço, nos termos do art. 220, II, do Regimento Interno Nesse sentido:

deste Tribunal, o provimento jurisdicional a ser alcançado por meio

do dissídio coletivo de natureza jurídica tem natureza meramente RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA

declaratória, no sentido de se precisar a exata hermenêutica de ECONÔMICA AJUIZADO PELA EMPRESA. FALTA DE

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 96
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

INTERESSE DE AGIR. ILEGITIMIDADE ATIVA. EXTINÇÃO DO EQUIPARADO. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. ANÁLISE

PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ART. 485, VI, DO DE OFÍCIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE

CPC/2015. A jurisprudência predominante nesta corte é de que a MÉRITO. O empregador não tem interesse processual, sob os

categoria patronal carece de interesse processual (necessidade e aspectos da necessidade e utilidade, para instaurar dissídio coletivo

utilidade) para ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, uma de natureza econômica em face do sindicato da categoria

vez que a categoria patronal, em tese, pode espontaneamente, profissional, uma vez que a categoria econômica pode, em tese,

conceder aos seus empregados quaisquer vantagens, prescindindo conceder espontaneamente quaisquer vantagens aos seus

da autorização judicial. Efetivamente, a legitimidade ativa para o empregados. Nesse sentido, a provocação do Poder Judiciário, pelo

ajuizamento da representação coletiva de caráter econômico é empregador, não é adequada para a fixação de novas condições de

restrita ao sindicato representante da categoria profissional, que trabalho e desnecessária para tal fim. Com efeito, o sindicato

atua na busca para obter melhores condições de trabalho em favor obreiro é o único legitimado para ajuizar o dissídio coletivo de

dos trabalhadores por ele representados. Precedentes da SDC. natureza econômica, como prerrogativa inerente a sua função de

Processo extinto, sem resolução do mérito, com base no art. 485, patrono dos interesses dos trabalhadores no plano da relação de

VI, do CPC de 2015. (RO-1000938-40.2016.5.02.0000, Relatora trabalho. ( ... ) Extinção, de ofício, do processo, nos termos do art.

Ministra Kátia Magalhães Arruda, DEJT de 22/9/2017) 267, VI e § 3°, do CPC." (RO-209-77.2014.5.10.0000, Relator

Ministro Mauricio Godinho Delgado, SDC, DEJT 18/11/2015)

"I - DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA AJUIZADO

POR EMPRESA - PRELIMINAR DE EXTINÇÃO DO PROCESSO "DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA

SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO - ARGUIÇÃO DE OFÍCIO - FALTA INSTAURADO PELO EMPREGADOR. EXTENSÃO DE ACORDO

DE INTERESSE DE AGIR DO EMPREGADOR. A jurisprudência COLETIVO DE TRABALHO. (...). . EXTINÇÃO DO PROCESSO. ( ...

desta Seção entende pela falta de interesse de agir do empregador ) V - Além disso, a jurisprudência desta Seção Normativa é firme no

para ajuizar Dissídio Coletivo de Natureza Econômica, já que dispõe sentido de que a empregadora carece de interesse de agir para

de meios extrajudiciais para conceder benefícios a seus suscitar o dissídio coletivo de natureza econômica, por não

empregados, o que enseja a extinção, de ofício, do processo sem necessitar de autorização da Justiça do Trabalho, nem de

resolução do mérito, com base no art. 485, VI, do CPC de 2015. negociação coletiva, para conceder, de modo espontâneo, aos seus

Extinção sem resolução do mérito do Dissídio Coletivo de Natureza empregados quaisquer vantagens, cabendo unicamente ao

Econômica ajuizado pela IMBEL. ( ... ) (DC-15202- sindicato da categoria profissional a legitimidade ativa para instaurar

36.2016.5.00.0000, Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen a instância com o propósito de obter melhores condições de

Peduzzi, SDC, DEJT de 4/7/2017) trabalho em favor dos interesses coletivos e individuais dos

trabalhadores. Processo extinto, sem resolução de mérito, na forma

RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA do art. 267, IV, do CPC." (DC-956-69.2015.5.00.0000, Relator

ECONÔMICA AJUIZADO POR EMPRESA. AUSÊNCIA DE Ministro Walmir Oliveira da Costa, SDC, DEJT de 15/5/2015)

INTERESSE DE AGIR E ILEGITIMIDADE. ANÁLISE DE OFÍCIO.

EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. A No caso em tela, há a particularidade de as partes terem firmado a

jurisprudência desta Seção Especializada segue no sentido de que Convenção Coletiva de Trabalho, não chegando a um consenso

falta interesse de agir ao empregador para ajuizar dissídio coletivo apenas em relação à fixação da cláusula relativa à alteração da

de natureza econômica, na medida em que ele dispõe de meios jornada de trabalho, o que levou a Federação das Empresas a

extrajudiciais para conceder benefícios a seus empregados e em buscar a solução heterônoma do conflito. Nesse contexto, surge a

que a legitimidade para instaurar esse tipo de ação cabe somente controvérsia acerca do excepcional interesse de agir da Federação

aos entes sindicais profissionais (Precedentes). Processo extinto, suscitante, ante o pedido formulado nesta ação, consubstanciado,

sem resolução de mérito, com fundamento no art. 485, VI, do não na concessão de vantagem para a categoria profissional, mas

CPC/2015. (RO-1000836-18.2016.5.02.0000, Relatora Ministra na retirada de um direito anteriormente fixado para os

Dora Maria da Costa, DEJT de 18/8/2017) trabalhadores, por meio de um instrumento negocial autônomo e

mantido em sentenças normativas posteriores, pertinente ao

"RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA cumprimento de uma jornada laboral mais reduzida.

ECONÔMICA INSTAURADO POR EMPRESA OU ENTE Ocorre que, a meu juízo, mesmo na hipótese vertente, não haveria

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 97
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

como reconhecer o interesse de agir da Federação suscitante no 'JORNADA DE TRABALHO: A carga horária dos profissionais

ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica, abrangidos por esta Convenção é a determinada em lei, ou seja, 8

confirmando-se o entendimento jurisprudencial anteriormente (oito) horas diárias, com mínimo de 1 (uma) hora e máximo de 2

explicitado. (duas) horas de intervalo intrajornada, e no máximo de 44 (quarenta

Há de se ressaltar, todavia, que, no caso em tela, o Sindicato e quatro) horas semanais.

profissional apresentou contestação, pretendendo a fixação da PARÁGRAFO PRIMEIRO: A jornada de trabalho será controlada

mesma cláusula, em pedido totalmente conexo àquele formulado na por critério da empresa, através de registros manuais ou mecânicos

representação pela Federação suscitante, ainda que nos moldes admitidos pela legislação vigente.

pretendidos pelos trabalhadores. Assim, ainda que o suscitado não PARÁGRAFO SEGUNDO: É considerado como tempo efetivo de

tenha enquadrado processual e adequadamente a peça mediante a serviço, o período em que o motorista/cobrador apresentar-se na

qual apresentou sua reivindicação, em face do que dispõe o art. 343 garagem ou onde for determinado pela chefia do tráfego, bem como

do CPC de 2015, constata-se a existência da reconvenção, a qual o período que ficarem à disposição da empresa em qualquer lugar

será posteriormente analisada, na medida em que, nos termos do § ou ponto de apoio.'

2º do mencionado dispositivo legal processual, a ocorrência de PARÁGRAFO TERCEIRO: A empresa deverá estipular intervalos

causa extintiva que impeça o exame do mérito não obsta ao para refeição e descanso nos termos do art. 71 da CLT, os quais

prosseguimento do processo quanto à reconvenção. deverão ser devidamente anotados no controle de jornada.'

Desse modo, extingo, sem resolução de mérito, o dissídio coletivo PARÁGRAFO QUARTO: Poderá ocorrer mais de um intervalo para

ajuizado pela Federação das Empresas, por falta de interesse de repouso ou alimentação dentro da mesma jornada de trabalho,

agir, com fundamento no art. 485, VI, do CPC de 2015. desde que a soma desses intervalos não ultrapasse 02 (duas)

horas, prevalecendo nestes casos o estabelecido no §2º do art. 71

B) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO DOS da CLT.'

TRABALHADORES RODOVIÁRIOS EM EMPRESAS DE JUSTIFICATIVA: Com o cancelamento da OJ 342/TST-SDI-I é

TRANSPORTES DE PASSAGEIROS NOS MUNICÍPIOS DE infenso as partes estipularem jornada de trabalho de forma corrida

ANANINDEUA E MARITUBA - SINTRAM-PA em períodos superiores a 6 (seis) horas ininterruptas por

contrariedade as normas de segurança e higiene. Varias tem sido

Prejudicado o exame do recurso ordinário interposto pelo Sindicato as decisões desse Egrégio Regional todas as vezes que é

profissional suscitado, em face da extinção, sem resolução de questionada a validade da cláusula da norma anterior que previa a

mérito, do dissídio coletivo ajuizado pela FETRANORTE. redução de jornada e a prática dela de forma ininterrupta superior a

seis horas com pequenos intervalos. Entende a Suscitante que,

C) CONTESTAÇÃO ACOLHIDA COMO RECONVENÇÃO. ante a falta de previsibilidade legal para a continuidade da prática e

DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. diante da farta Jurisprudência que entende não mais ser possível o

NECESSIDADE DE INSTRUÇÃO E DE JULGAMENTO PELO estabelecimento dessa jornada através de acordos entre as partes

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO. convenentes, só resta a adoção da jornada legal, regrada nos arts.

58 da CLT e 7º, XII, da CF/88. (fls. 4/5)

Na representação deste dissídio coletivo (fls. 2/5), o pedido da

Federação das Empresas se limitou a que a cláusula pertinente à Na contestação, o Sindicato profissional deduziu a mesma

jornada de trabalho fosse assim fixada: pretensão, da forma a seguir transcrita:

4.1 DA PROPOSTA PATRONAL PARA CLÁUSULAS DE Assim, a proposta dos trabalhadores que a cláusula ora em dissídio

NATUREZA ECONÔMICA EM QUE NÃO HOUVE ACORDO: se constitua da seguinte forma:

A redução de jornada, para a adoção de uma jornada corrida não é 'JORNADA DE TRABALHO: A jornada de trabalho dos motoristas,

mais possível através de acordo, deste modo, a proposta da classe cobradores, fiscais despachantes, intermediários e de linha e

patronal para a jornada de trabalho dos empregados, Motoristas, demais funções afins, ante a natureza do serviço e em virtude das

Cobradores, Fiscais, e demais integrantes da categoria, é a legal, condições especiais de trabalho a que são submetidos, será de 44

prevista no art. 58 da CLT e art. 7º XII da Constituição Federal, nos (quarenta e quatro) horas semanais e jornada diária de 7 (sete)

seguintes termos: horas e 20 (vinte) minutos, com intervalo de 01 (uma) hora para

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 98
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descanso fracionados de acordo com a conveniência de cada De outro lado, a teor do que dispõe a OJ nº 15, também desta SDC,

empresa, garantido, na somatória desses intervalos fracionados, a comprovação da legitimidade ad processum da entidade sindical

não descontados da jornada acima mencionada, conforme se faz por seu registro no órgão competente do Ministério do

determinação contida no § 5º do art. 71 da CLT. (fl. 108) Trabalho, devendo ser anexado aos autos o referido documento.

Salienta-se que a inexistência, nos autos, da mencionada

Observa-se, portanto, que o pedido trazido na defesa mostra-se documentação, a princípio, ensejaria a extinção do processo, sem

totalmente conexo àquele formulado na representação pela resolução de mérito. Ocorre que o art. 317 do CPC de 2015 dispõe

Federação suscitante, ainda que nos moldes pretendidos pelos que, antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz

trabalhadores. deverá conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o

O CPC de 2015, ao manter o instituto da reconvenção (art. 315 do vício.

CPC de 1973), trouxe alterações principalmente quanto à forma de Cabe ressaltar que o Regional não analisou a contestação como

sua apresentação, dispondo no art. 343 - aplicável subsidiariamente reconvenção e, conquanto tenha analisado o mérito da pretensão

ao processo do trabalho, por força do art. 769 da CLT - que na nela trazida, não se manifestou, evidentemente, acerca do

contestação é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar cabimento da ação e da observância dos pressupostos necessários

pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o à sua proposição.

fundamento da defesa. Portanto, uma vez que a reconvenção se encontra pendente de

Portanto, uma vez que o Sindicato profissional, além de contestar o instrução e julgamento, mostra-se inviável aplicar a teoria da causa

pedido da Federação das Empresas, manifestou-se no sentido de madura, de que trata o art. 1.013, § 3º, do CPC de 2015, e,

obter a fixação da jornada de trabalho em parâmetros diversos consequentemente, proceder-se ao julgamento do mérito da ação.

daqueles pretendidos pela suscitante, não há como negar a Desse modo, acolhida a contestação como reconvenção,

pretensão reconvencional da defesa apresentada. determino o retorno dos autos à Corte de origem para que analise

Há de se salientar que o § 2º do art. 343 do CPC de 2015 prevê que a reconvenção como entender de direito.

a desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que

impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do ISTO POSTO

processo quanto à reconvenção.

Assim, conquanto extinto o dissídio coletivo da Federação ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios

suscitante, prossegue-se no exame do pedido reconvencional, nos Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade: a) de

moldes pretendidos pelo suscitado. ofício, extinguir o dissídio coletivo ajuizado pela Federação das

Ocorre que, uma vez reconhecida a existência da reconvenção, o Empresas de Transportes Rodoviários da Região Norte -

exame de todo o seu conteúdo deve passar pela verificação da FETRANORTE, sem resolução do mérito, com base no art. 485, VI,

observância dos requisitos que possam viabilizar o seu do CPC/2015, por falta de interesse de agir da suscitante; b) julgar

conhecimento. No caso em tela, o Sindicato profissional deve prejudicado o exame do recurso ordinário interposto pelo Sindicato

comprovar que está legitimado a propor a reconvenção e que a profissional suscitado; e c) acolher a contestação como

reivindicação, da forma como postulada, decorreu efetivamente da reconvenção e determinar o retorno dos autos à Corte de origem

real vontade da categoria representada. Em suma, a reconvenção para que analise a reconvenção como entender de direito.

deve se mostrar devidamente instruída, com a observância dos Brasília, 14 de maio de 2018.

mesmos requisitos formais e jurisprudenciais imprescindíveis ao

ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica, de forma a

demonstrar que a condição pretendida foi objeto de deliberação e Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

aprovação, pelos trabalhadores, em assembleia, realizada nos Dora Maria da Costa

moldes previstos no art. 859 da CLT. Mostra-se, pois, necessária a Ministra Relatora

apresentação da ata da assembleia de trabalhadores, com o


Processo Nº RO-0000747-44.2016.5.08.0000
registro da reivindicação discutida e deliberada; e do respectivo Complemento Processo Eletrônico
edital de convocação e das listas de presença, seguindo as Relator Min. Kátia Magalhães Arruda
Recorrente(s) MINISTÉRIO PÚBLICO DO
disposições constantes das Orientações Jurisprudenciais nos 8 e 29 TRABALHO DA 8ª REGIÃO
da SDC desta Corte. Procuradora Dra. Rita Moitta Pinto da Costa

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 99
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Recorrido(s) HORIZONTE LOGISTICA LTDA


TERCEIRO). A Constituição Federal, no seu art. 7º, inciso, XIII,
Advogado Dr. Gustavo Azevedo Rôla(OAB:
11271/PA) assegura a duração do trabalho normal não superior a oito horas
Advogada Dra. Ana Thalita Gomes Ferreira(OAB:
23260/PA) diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de
Recorrido(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
EM TRANSPORTES RODOVIARIOS
DAS EMPRESAS DO COMERCIO, coletiva de trabalho . Por sua vez, a CLT, no seu art. 58, ao
INDUSTRIA, CONSTRUCAO CIVIL,
LOCACAO DE VEICULOS E DE disciplinar a jornada de trabalho, estipula que a duração normal do
PRESTACAO DE SERVICOS DO
MUNICIPIO DE BELEM trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não

Intimado(s)/Citado(s): excederá de oito horas diárias, desde que não seja fixado

- HORIZONTE LOGISTICA LTDA expressamente outro limite . O art. 59 da CLT, ao permitir que a
- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO duração normal do trabalho seja acrescida de horas suplementares,
- SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TRANSPORTES
RODOVIARIOS DAS EMPRESAS DO COMERCIO, INDUSTRIA, em número não excedente de duas, limita a jornada de trabalho a
CONSTRUCAO CIVIL, LOCACAO DE VEICULOS E DE
PRESTACAO DE SERVICOS DO MUNICIPIO DE BELEM dez horas diárias. Esse regramento tem o objetivo de evitar

jornadas exaustivas, extenuantes, que conspiram contra a saúde e


ACÓRDÃO a segurança do trabalhador. A flexibilização da jornada inscrita no
SDC art. 7º, XIII, da CF/88, limita-se a compensação e a redução da
KA/ks/pr jornada de trabalho. Dessa forma, o interesse coletivo das partes, a

ser prestigiado por meio do reconhecimento dos instrumentos


AÇÃO ANULATÓRIA. RECURSO ORDINÁRIO. ANTERIOR À LEI coletivos, consoante garantido no art. 7º, XXVI, da Constituição
Nº 13.467/2017. CLÁUSULA QUINTA - ALIMENTAÇÃO. Federal, encontra limite no respeito aos direitos trabalhistas
(PARÁGRAFOS TERCEIRO E QUINTO). O Programa de previstos em normas cogentes. Nessa linha, não cabe à vontade
Alimentação do Trabalhador - PAT, instituído pela Lei nº 6.321/76, é das partes dispor livremente sobre aspectos que contem com
um programa que trata da dedução de imposto sobre a renda das disciplina legal específica em norma cogente. Assim, a validade da
pessoas jurídicas que dele participem. Esse programa tem por norma coletiva que prevê a apuração das horas extras em bloco,
objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, pelo critério mensal, não tem respaldo legal. Ademais, viola os arts.
visando promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. 7º, XIII e XXII, da CF/88, 58 e 59 da CLT. Recurso ordinário a que
Para atender a finalidade disposta no art. 1º da Lei nº 6.321/76 e no se dá provimento. CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - CONTRATO
§ 4º do art. 1º do Decreto nº 5/91, foi redigida a Portaria Secretaria DE EXPERIÊNCIA. Prevalece nesta Corte o entendimento de que
de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no deve ser declarada a nulidade de cláusula fixada em instrumento
Trabalho nº 3, de 1º/3/2002, na qual veda à empresa beneficiária do normativo autônomo, que proíbe a celebração de novo contrato de
PAT suspender, reduzir ou suprimir o benefício do Programa a título experiência apenas em relação aos empregados que já trabalharam
de punição ao trabalhador, como em casos de faltas, atrasos ou na empresa por período superior a um ano, uma vez que permite a
atestados médicos, bem como utilizá-lo como premiação. Disciplina, interpretação de que o empregador estaria autorizado a recontratar,
ainda, que é vedado à empresa beneficiária utilizar o Programa em para exercerem a mesma função, por intermédio de sucessivos
qualquer condição que desvirtue sua finalidade, qual seja, contratos de experiência, aqueles trabalhadores que laboraram na
assegurar a saúde e prevenir as doenças profissionais daqueles empresa por período inferior a um ano. Essa situação não se
que estão em efetiva atividade. Infere-se que as condições da justifica, porquanto, se o empregado já cumpriu integralmente um
cláusula impugnada desvirtuam, de fato, a finalidade do programa. contrato de trabalho, ainda que por período inferior a um ano,
A redução do vale alimentação em razão de faltas ou em razão de evidentemente, não há necessidade e tampouco finalidade para
reclamação pelo não usufruto do intervalo intrajornada revela o uma nova experimentação do trabalhador no exercício da mesma
caráter punitivo do instrumento normativo. Assim, as restrições função na mesma empresa, na medida em que o seu perfil
impostas nos parágrafos terceiro e quinto da cláusula em comento profissional e social já é conhecido pelo empregador. Ou seja,
não guardam nenhuma pertinência com a saúde do trabalhador, injustificável o novo contrato de experiência. Recurso ordinário a
desvirtuando, visivelmente, o propósito do programa. Recurso que se dá provimento. PRAZO PARA QUITAÇÃO DAS VERBAS
ordinário que se dá provimento. RESCISÓRIAS. A alínea a do § 6º do art. 477 da CLT determina
CLAÚSULA DÉCIMA TERCEIRA - DA JORNADA DE TRABALHO que o pagamento da rescisão contratual deverá ser efetuado até o
E PAGAMENTO DE HORAS EXTRAS (PARÁGRAFO primeiro dia útil imediato ao término do vínculo empregatício.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 100
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Registra-se que alínea "b" do § 6º prevê o prazo de 10 dias para Décima Sétima e Vigésima Quarta, do Acordo Coletivo de Trabalho,

pagamento das verbas rescisórias apenas em situações com vigência para o período 2016/2017. Além da medida liminar,

específicas, quais sejam: quando há ausência do aviso prévio, de requereu a declaração de nulidade das referidas cláusulas firmadas

indenização deste ou dispensa de seu cumprimento. Ademais, o entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários

referido dispositivo dispõe que esse prazo será contado a partir da das Empresas do Comércio, Indústria, Construção Civil, Locação de

data da notificação da demissão. Observa-se que a cláusula em Veículos e de Prestação de Serviços do Município de Belém e a

discussão viola o disposto no art. 477, § 6º, da CLT, visto que o empresa Horizonte Logistica Ltda.

instrumento normativo acordado possibilita a extensão do prazo O pedido da medida liminar foi deferido em parte pela Exma.

legal para o pagamento das parcelas rescisórias, indo além do que Desembargadora Suzy Elisabeth Cavalcante Koury, conforme fls.

dispõe a CLT. Recurso ordinário a que se dá provimento. 34/40.

DESCONTOS SALARIAIS DECORRENTES DE ASSALTO. Os Horizonte Logistica Ltda. interpôs agravo regimental, no qual se

descontos imputados na cláusula, decorrentes dos prejuízos impugnou a decisão que deferiu em parte a suspensão imediata das

advindos de assaltos, que tenham decorrido de culpa, dolo ou cláusulas atacadas pelo Ministério Público do Trabalho.

desídia no exercício da função, extrapolam as disposições previstas O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região negou provimento ao

no art. 462, caput e § 1º, da CLT. O interesse coletivo das partes, a agravo regimental, e manteve a decisão que deferiu, em parte, a

ser prestigiado por meio do reconhecimento dos instrumentos medida liminar requerida pelo MPT, conforme consta no acórdão de

coletivos, consoante garantido no art. 7º, XXVI, da Constituição fls. 180/186.

Federal, encontra limite no respeito aos direitos trabalhistas No julgamento da ação anulatória, o Tribunal Regional do Trabalho

previstos em normas de observação coercitiva. Nessa linha, não da 8ª Região julgou parcialmente procedente os pedidos,

cabe à vontade das partes dispor livremente sobre aspectos que declarando a nulidade das Cláusulas Vigésima Quarta e Décima

contem com disciplina legal específica, como no caso do salário. Sétima. Ademais, cassou os efeitos da medida liminar

Desse modo, impõe-se a declaração de invalidade da referida anteriormente deferida, exceto quanto às cláusulas cujas nulidades

cláusula normativa impugnada, uma vez que resulta da negociação foram confirmadas (décima sétima e vigésima quarta), nos termos

de direito constante em norma cogente de ordem pública. Recurso do acórdão de fls. 265/273.

ordinário a que se dá provimento. DESVIO DE O Ministério Público do Trabalho da 8ª Região interpôs recurso

FUNÇÃO/TREINAMENTO. A Súmula nº 159 do TST garante ao ordinário contra a decisão do Tribunal Regional (fls. 305/321), que

trabalhador substituto o pagamento do mesmo salário contratual do foi admitido pelo despacho de fl. 324.

substituído, enquanto durar a substituição não eventual. No caso, é Contrarrazões apresentadas pela empresa Horizonte Logistica

inválida a cláusula que afasta o direito de o trabalhador substituto, Ltda., a fls. 350/368. Não foram apresentadas contrarrazões pelo

não eventual, perceber salário igual ao do empregado substituído. Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários das

Precedentes. Recurso ordinário a que se dá provimento. Empresas do Comércio, Indústria, Construção Civil, Locação de

Veículos e de Prestação de Serviços do Município de Belém,

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n° conforme certidão à fl. 369.

TST-RO-747-44.2016.5.08.0000, em que é Recorrente Dispensada remessa à Procuradoria-Geral do Trabalho.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO e são É o relatório.

Recorridos HORIZONTE LOGISTICA LTDA e SINDICATO DOS

TRABALHADORES EM TRANSPORTES RODOVIARIOS DAS VOTO

EMPRESAS DO COMERCIO, INDUSTRIA, CONSTRUCAO CIVIL,

LOCACAO DE VEICULOS E DE PRESTACAO DE SERVICOS DO 1. CONHECIMENTO

MUNICIPIO DE BELEM. Preenchidos os pressupostos recursais.

Conheço.

O Ministério Público do Trabalho da 8ª região ajuizou ação

anulatória, com pedido liminar de suspensão imediata das 2. MÉRITO

Cláusulas Quinta (parágrafos terceiro e quinto), Décima Terceira O Ministério Público do Trabalho da 8ª Região ajuizou ação

(parágrafo terceiro), Décima Quarta (quanto ao contrato de anulatória perante o TRT da 8ª Região visando a nulidade das

experiência, prazo, descontos - alínea c e desvio de função), Cláusulas Quinta (parágrafos terceiro e quinto), Décima Terceira

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 101
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

(parágrafo terceiro), Décima Quarta (quanto ao contrato de antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. Enquanto tal

experiência, prazo, descontos - alínea c e desvio de função), patamar civilizatório mínimo deveria ser preservado pela legislação

Décima Sétima e Vigésima Quarta, do Acordo Coletivo de Trabalho, heterônoma, os direitos que o excedem sujeitar-se-iam à

com vigência para o período 2016/2017, firmado entre o Sindicato negociação coletiva, que, justamente por isso, constituiria um

dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários das Empresas do valioso mecanismo de adequação das normas trabalhistas aos

Comércio, Indústria, Construção Civil, Locação de Veículos e de diferentes setores da economia e a diferenciadas conjunturas

Prestação de Serviços do Município de Belém e a empresa econômicas".

Horizonte Logistica Ltda. Conforme razões acima, o Supremo Tribunal definiu as parcelas

O TRT da 8ª Região julgou parcialmente procedente à ação que reputa de indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem

anulatória, declarando a nulidade das Cláusulas Vigésima Quarta e ser negociados, quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo,

Décima Sétima do Acordo Coletivo de Trabalho 2016/2017. o repouso semanal remunerado, as normas de saúde e segurança

O Ministério Público do Trabalho da 8ª Região interpôs recurso do trabalho, dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho

ordinário contra a decisão do Tribunal Regional, arguindo a nulidade etc. E entre elas não se encontra a negociação quanto ao vale

das Cláusulas Quinta (parágrafos terceiro e quinto), Décima alimentação nos dias em que não houve trabalho ou em que não

Terceira (parágrafo terceiro), Décima Quarta (contrato de houve o gozo do intervalo para alimentação.

experiência; prazo para quitação de verbas rescisórias; descontos;

desvio de função/treinamentos). O recorrente requer a declaração de invalidade do parágrafo

terceiro da cláusula quinta, visto que esse parágrafo possibilita a

2.1. CLÁUSULA QUINTA - ALIMENTAÇÃO realização de descontos sobre os valores pagos a título de vale

O TRT manteve a validade dos parágrafos terceiro e quinto da alimentação ao empregado.

Cláusula Quinta, pelos seguintes fundamentos: Alega que a pessoa jurídica beneficiária do PAT - Programa de

Afirma o autor serem nulas as previsões contidas nos parágrafos Alimentação do Trabalhador não pode reduzir o vale alimentação

terceiro e quinto. em razão das faltas do trabalhador, principalmente se a falta for

O parágrafo terceiro porque não poderia a pessoa jurídica justificada.

beneficiária do PAT reduzir o vale-alimentação em razão aos dias Diz que essa redução desvirtua a finalidade do vale alimentação,

em o trabalhador faltar, principalmente em dia de falta justificada, haja vista que o benefício não pode ser utilizado como uma forma

pois desvirtuaria a finalidade do vale, não podendo ser utilizado de punição.

como forma de punição. Salienta que o parágrafo quinto da referida cláusula penaliza

O Parágrafo Quinto porque penaliza duplamente o trabalhador, visto duplamente o trabalhador, que, além de não gozar do intervalo

que além de não ter gozado de hora de intervalo intrajornada, ainda intrajornada, será descontado do seu salário o valor do vale

será descontado do seu salário o valor do vale alimentação. alimentação.

Ora, no julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário Assevera que o vale alimentação é verba de indisponibilidade

590.415, em 30.04.2015, o Supremo Tribunal Federal apresentou absoluta, por se tratar do sustento do trabalhador e de sua família.

como fundamento, para validar os termos da negociação coletiva Postula a reforma da decisão, para que sejam declarados nulos os

entabulada entre os entes coletivos, as seguintes razões: parágrafos terceiro e quinto da cláusula em comento, por considerar

"25. Por fim, de acordo com o princípio da adequação setorial indevida a redução do vale alimentação em razão das faltas do

negociada, as regras autônomas juscoletivas podem prevalecer trabalhador ou em razão do não usufruto do intervalo intrajornada.

sobre o padrão geral heterônomo, mesmo que sejam restritivas dos Analiso:

direitos dos trabalhadores, desde que não transacionem Eis a cláusula impugnada:

setorialmente parcelas justrabalhistas de indisponibilidade absoluta. "CLÁUSULA QUINTA - ALIMENTAÇÃO

Embora, o critério definidor de quais sejam as parcelas de A Empresa, inscrita no PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO

indisponibilidade absoluta seja vago, afirma-se que estão protegidos TRABALHADOR, de que trata a Lei 6.321/76 e Decreto 05/91,

contra a negociação in pejus os direitos que correspondam a um fornecerá quinzenalmente à todos os seus empregados, de todas às

"patamar civilizatório mínimo", como a anotação da CTPS, o áreas, Vale Alimentação, sem natureza salarial, em número

pagamento do salário mínimo, o repouso semanal remunerado, as equivalente ao número de dias úteis da quinzena a ser trabalhada,

normas de saúde e segurança do trabalho, dispositivos no valor diário de R$ 11,24 (onze reais e vinte e quatro centavos),

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 102
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ficando facultada a Empresa o seu pagamento em espécie. suprimir o benefício do Programa a título de punição ao trabalhador,

[...] como em casos de faltas, atrasos ou atestados médicos, bem como

Parágrafo Terceiro: Fica estabelecido que o empregado que por utilizá-lo como premiação. Disciplina, ainda, em seu inciso III, que é

ventura tiver faltas, justificadas ou não, no decorrer do mês, terá vedado à empresa beneficiária utilizar o Programa em qualquer

descontado na quinzena ou mês seguinte o Vale Alimentação condição que desvirtue sua finalidade, qual seja, assegurar a saúde

correspondente ao dia da falta. e prevenir as doenças profissionais daqueles que estão em efetiva

[...] atividade.

Parágrafo Quinto: Em casos que o empregado venha a pleitear na Infere-se que as condições da cláusula impugnada desvirtuam, de

Justiça do Trabalho o pagamento de Horas Extras, sob a alegação fato, a finalidade do programa. A redução do vale alimentação em

de que o mesmo não cumpria o intervalo fixado nesta cláusula, o razão de faltas ou em razão de reclamação pelo não usufruto do

mesmo deverá devolver à Empresa o valor correspondente ao Vale intervalo intrajornada revela o caráter punitivo da cláusula, conforme

Alimentação que lhe foi entregue, correspondente ao dia em que se depreende da leitura dos seus parágrafos terceiro e quinto.

alega o não cumprimento do intervalo para refeição e descanso". A finalidade do PAT, conforme já demonstrado, é melhorar a

situação nutricional dos trabalhadores, visando promover a sua

O Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, instituído pela saúde e preveni-lo das doenças profissionais.

Lei nº 6.321/76, é um programa que trata da dedução de imposto Assim, as restrições impostas nos parágrafos terceiro e quinto da

sobre a renda das pessoas jurídicas que dele participem. Esse cláusula em comento não guardam nenhuma pertinência com a

programa tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos saúde do trabalhador, desvirtuando, visivelmente, o propósito do

trabalhadores, visando promover sua saúde e prevenir as doenças programa.

profissionais, conforme disciplina o art. 1º da Portaria da Secretaria Pelo exposto, dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a

de Inspeção do Trabalho nº 3 de 1º/3/2002: nulidade dos parágrafos terceiro e quinto da CLÁUSULA QUINTA -

"Art. 1.º O Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, ALIMENTAÇÃO do acordo coletivo de trabalho 2016/2017.

instituído pela Lei n.º 6.321, de 14 de abril de 1976, tem por objetivo

a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a 2.2. CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA - DA JORNADA DE

promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais." TRABALHO E PAGAMENTO DE HORAS EXTRAS

O TRT manteve a validade do parágrafo terceiro da Cláusula

O empregador adere ao PAT porque há nele incentivo fiscal. Além Décima Terceira, pelos seguintes fundamentos:

disso, há também a participação do empregado, que contribui para Afirma o autor ser nula a previsão contida no dispositivo acima por

a concessão do benefício, limitada a 20% (vinte por cento) do custo ferir a Constituição Federal em seu artigo 7º, inciso XIII, da CF/88,

direto da refeição, tudo isso na forma da Lei nº 6.321/76 e do que estipula a verificação de jornada diária e semanal máximas.

Decreto nº 5 de 14 de janeiro de 1991. Sem razão, pelos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez

Para atender a finalidade disposta no art. 1º da Lei nº 6.321/76 e no que o Supremo Tribunal definiu as parcelas que reputa de

§ 4º do art. 1º do Decreto nº 5/91, foi redigida a Portaria Secretaria indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem ser negociados,

de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo, o repouso

Trabalho nº 3, de 1º/3/2002, na qual disciplina a execução do semanal remunerado, as normas de saúde e segurança do trabalho,

Programa Alimentação do Trabalhador - PAT, cujo art. 6.º dispõe dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. E entre

que: elas não se encontra a negociação quanto à aferição da jornada de

"Art. 6.º É vedado à pessoa jurídica beneficiária: trabalho.

I - suspender, reduzir ou suprimir o benefício do Programa a título

de punição ao trabalhador; O recorrente alega que a aferição das horas extraordinárias em

II - utilizar o Programa, sob qualquer forma, como premiação; blocos, levando em consideração a jornada mensal, conforme

III - utilizar o Programa em qualquer condição que desvirtue sua disciplina o parágrafo terceiro da referida cláusula, viola o art. 7º,

finalidade." XIII, da CF/88.

Diz que as normas atinentes à duração da jornada de trabalho

Desse modo, nos termos do art. 6º da supracitada Portaria, é dizem respeito ao próprio direito fundamental à saúde e à

vedado à empresa beneficiária do PAT suspender, reduzir ou segurança no trabalho, pelo que é direito indisponível.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 103
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Salienta que a regra prevista no art. 7º, XIII, da CF/88 impossibilita a aspectos que contem com disciplina legal específica em norma

atuação da vontade das entidades sindicais, ou seja, não cabe às cogente.

entidades sindicais dispor acerca das normas que asseguram Assim nos ensina o eminente Min. Mauricio Godinho Delgado, no

condições mínimas de saúde aos trabalhadores. seu Curso de Direto do Trabalho, 15ª Ed., São Paulo: LTr, 2016, p.

Assevera que não há como aplicar uma interpretação ampliativa do 976:

inciso XIII do art. 7º da CRFB/88. "As normas jurídicas estatais que regem a estrutura e dinâmica

Defende que tal pretensão é inválida visto que mais uma vez da jornada e duração do trabalho são, de maneira geral, no Direito

macula os direitos trabalhistas, violando norma de saúde, higiene e brasileiro, normas imperativas. O caráter de obrigatoriedade que

segurança do trabalho. tanto qualifica e distingue o Direito do Trabalho afirma-se, portanto,

Postula a reforma da decisão, para que seja declarado nulo o enfaticamente, neste campo juslaboral.

parágrafo terceiro da cláusula décima terceira. Em consequência dessa afirmação, todos os princípios e regras

Analiso: associados ou decorrentes de tal imperatividade incidem,

Eis a cláusula impugnada: soberanamente, nesta seara. Por essa razão, a renúncia, pelo

"CLAUSULA DÉCIMA TERCEIRA: DA JORNADA DE TRABALHO E trabalhador, no âmbito da relação de emprego, a alguma vantagem

PAGAMENTO DE HORAS EXTRAS: ou situação resultante de normas respeitantes à jornada é

A Empresa efetuará o controle da Jornada de Trabalho de seus absolutamente inválida ".

Motoristas e Ajudantes de Distribuição, e serão aplicadas as

condições dispostas nos parágrafos seguintes: Nesse contexto, a flexibilização da jornada inscrita no art. 7º, XIII,

[...] da CF/88, limita-se a compensação e a redução da jornada de

Parágrafo terceiro: As partes estabelecem que diante das trabalho.

características citadas no preâmbulo (objetivo) deste acordo e com Assim, a validade da norma coletiva que prevê a apuração das

fundamento no art. 7º. inciso XIII e XXVI, da C.F./88, as horas horas extras em bloco, pelo critério mensal, não tem respaldo legal.

extras serão apuradas em bloco, considerando a jornada realizada Ademais, viola os arts. 7º, XIII e XXII, da CF/88, 58 e 59 da CLT.

durante o mês, sendo consideradas como extras aquelas que Pelo exposto, dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a

excederem à soma das horas ordinárias da jornada mensal. nulidade do Parágrafo Terceiro da Cláusula Décima Terceira.

A Constituição Federal, no seu art. 7º, inciso, XIII, assegura a 2.3. CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DOS CONTRATOS

duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e INDIVIDUAIS DE TRABALHO

quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários 2.3.1. CONTRATO DE EXPERIÊNCIA

e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de O TRT declarou válida a norma relacionada ao contrato de

trabalho . Por sua vez, a CLT, no seu art. 58, ao disciplinar a experiência da Cláusula Décima Quarta, pelos seguintes

jornada de trabalho, estipula que a duração normal do trabalho, fundamentos:

para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá Afirma o autor ser nula no que se refere ao contrato de

de oito horas diárias, desde que não seja fixado expressamente experiência, pois permite a contratação por meio de contrato de

outro limite . experiência de empregados que já tenham trabalhado na mesma

O art. 59 da CLT, ao permitir que a duração normal do trabalho seja empresa, desde que por prazo inferior a um ano.

acrescida de horas suplementares, em número não excedente de (...).

duas, limita a jornada de trabalho a dez horas diárias. Esse Sem razão, pelos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez

regramento tem o objetivo de evitar jornadas exaustivas, que o Supremo Tribunal definiu as parcelas que reputa de

extenuantes, que conspiram contra a saúde e a segurança do indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem ser negociados,

trabalhador. quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo, o repouso

Dessa forma, o interesse coletivo das partes, a ser prestigiado por semanal remunerado, as normas de saúde e segurança do trabalho,

meio do reconhecimento dos instrumentos coletivos, consoante dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. E entre

garantido no art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, encontra limite elas não se encontra a negociação quanto ao regramento do

no respeito aos direitos trabalhistas previstos em normas cogentes. contrato de experiência, prazo para quitação de verbas, previsão de

Nessa linha, não cabe à vontade das partes dispor livremente sobre descontos no salário e remuneração para período de treinamento.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 104
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

pacto laboral. (RO - 38-09.2016.5.08.0000,Relatora Ministra:Maria

O recorrente alega que a cláusula possibilita contratações de Assis Calsing, Seção Especializada em Dissídios Coletivos,Data

sucessivas do mesmo trabalhador por meio do contrato de de Publicação: DEJT05/05/2017).

experiência, violando, dessa forma, a proteção normativa da

continuidade da relação de emprego. RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO ANULATÓRIA INTERPOSTO

Postula a nulidade da referida cláusula, ante a violação do instituto POR MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. CLÁUSULA X -

do contrato de experiência e do princípio da continuidade da relação CONTRATO DE EXPERIÊNCIA. TRABALHADOR READMITIDO

de emprego. NA MESMA FUNÇÃO. DESNECESSIDADE. A jurisprudência

Analiso: dominante nesta Seção Especializada é no sentido de considerar

Eis a cláusula impugnada: que, se o empregado já cumpriu integralmente um contrato de

"CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS trabalho, mesmo em período anterior inferior a um ano, por óbvio

DE TRABALHO. Na vigência do presente Acordo Coletivo, os que se torna desnecessária uma nova experimentação do

contratos individuais de trabalho obedecerão as seguintes normas, trabalhador, para exercer as mesmas funções anteriormente

no tocante a: (...). desempenhadas e na mesma empresa, na medida em que o seu

CONTRATO DE EXPERIÊNCIA: Fica vedado o contrato de perfil profissional e social já é conhecido pelo empregador. No caso

experiência aos empregados que já tenham trabalhado em tela, a cláusula X - CONTRATO DE EXPERIÊNCIA, constante

anteriormente na mesma Empresa e na mesma função, por um da CCT 2013/2014, ao vedar a celebração de novo contrato de

prazo superior a 01 (um) ano. experiência apenas aos empregados que já laboraram na empresa,

por período superior a um ano, possibilita que aqueles que o

Esta Corte, em outras oportunidades, apreciou questão idêntica e fizeram, por período inferior, sejam recontratados, para exercerem a

prevaleceu o entendimento de que a redação da cláusula ora mesma função, por meio de sucessivos contratos de experiência, o

impugnada - que proíbe a celebração de novo contrato de que não se justifica, uma vez que a prestação de serviços anterior já

experiência apenas em relação aos empregados que já trabalharam cumpriu a sua finalidade. Dá-se, pois, provimento ao recurso para

na empresa por período superior a um ano - permite a interpretação declarar a nulidade da referida cláusula. (AIRO-RO - 10038-

de que o empregador estaria autorizado a recontratar para 73.2013.5.08.0000, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Seção

exercerem a mesma função, por intermédio de sucessivos contratos Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT

de experiência, aqueles trabalhadores que laboraram na empresa 13/03/2015)

por período inferior a um ano.

Essa situação não se justifica, porquanto, se o empregado já Também na mesma linha de entendimento os julgados: RO - 10028-

cumpriu integralmente um contrato de trabalho, ainda que por 29.2013.5.08.0000 Data de Julgamento: 09/03/2015, Relatora

período inferior a um ano, evidentemente, não há necessidade e Ministra: Maria de Assis Calsing, Seção Especializada em Dissídios

tampouco finalidade para uma nova experimentação do trabalhador Coletivos, Data de Publicação: DEJT 13/03/2015. RO-8726-

no exercício da mesma função na mesma empresa, na medida em 44.2011.5.04.0000, Data de Julgamento: 13/10/2014, Relª Minª

que o seu perfil profissional e social já é conhecido pelo Dora Maria da Costa, DEJT 17/10/2014 e RO-12530-

empregador. Ou seja, injustificável o novo contrato de experiência. 54.2010.5.04.0000, Data de Julgamento: 12/08/2013, Rel. Min.

Nesse sentido, cito os seguintes julgados: Mauricio Godinho Delgado, DEJT de 16/8/2013.

RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO Pelo exposto, dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a

PATRONAL. AÇÃO ANULATÓRIA. CONTRATO DE nulidade do item CONTRATO DE EXPERIÊNCIA da Cláusula

EXPERIÊNCIA.É inválida cláusula que proíbe a adoção de Décima Quarta do Acordo Coletivo de Trabalho.

contrato de experiência para os empregados que já tenham

laborado na mesma empresa e na mesma função por prazo igual ou 2.3.2. PRAZO PARA QUITAÇÃO DAS VERBAS RESCISÓRIAS

superior a um ano, ainda que a sua execução se dê pelo período de O TRT declarou válida a norma relacionada ao prazo para quitação

60 dias.Segundo o entendimento prevalecente no âmbito da SDC, das verbas rescisórias da Cláusula Décima Quarta, pelos seguintes

a cláusula abre a possibilidade de celebração do contrato de fundamentos:

experiência quando o exercício anterior tenha ocorrido em período Afirma que o prazo para quitação de verbas rescisórias previsto

inferior a um ano, o que contraria a finalidade dessa espécie de na referida norma viola o artigo 477, §6º da CLT (...).

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 105
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(...). imediato ao término do vínculo empregatício.

Sem razão, pelos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez Registra-se que alínea "b" do § 6º prevê o prazo de 10 dias para

que o Supremo Tribunal definiu as parcelas que reputa de pagamento das verbas rescisórias apenas em situações

indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem ser negociados, específicas, quais sejam: quando há ausência do aviso prévio, de

quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo, o repouso indenização deste ou dispensa de seu cumprimento. Ademais, o

semanal remunerado, as normas de saúde e segurança do trabalho, referido dispositivo dispõe que esse prazo será contado a partir da

dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. E entre data da notificação da demissão.

elas não se encontra a negociação quanto ao regramento do Desse modo, observa-se que a cláusula em discussão viola o

contrato de experiência, prazo para quitação de verbas, previsão de disposto no art. 477, § 6º, da CLT, visto que o instrumento

descontos no salário e remuneração para período de treinamento. normativo acordado possibilita a extensão do prazo legal para o

pagamento das parcelas rescisórias, indo além do que dispõe a

O recorrente alega que a referida cláusula afronta o § 6º do art. 477 CLT.

da CLT. O interesse coletivo das partes, a ser prestigiado por meio do

Diz que a quitação das verbas rescisórias deve ser realizada até o reconhecimento dos instrumentos coletivos, consoante garantido no

primeiro dia útil após o término do contrato, não podendo tal prazo art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, encontra limite no respeito

ser alterado por meio de negociação coletiva. aos direitos trabalhistas previstos em normas cogentes. Nessa

Postula a nulidade da referida norma. linha, não cabe à vontade das partes dispor livremente sobre

Analiso: aspectos que contem com disciplina legal específica em norma

Eis a cláusula impugnada: cogente, como no caso do prazo para quitação das verbas

CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS rescisórias .

DE TRABALHO Pelo exposto, dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a

(...). nulidade do item PRAZO da Cláusula Décima Quarta do Acordo

PRAZO: O pagamento e quitação das verbas rescisórias e Coletivo de Trabalho.

obrigações resultantes das rescisões ou extinções de contratos

individuais de trabalho deverão ser feita em 10 (dez) dias, contados 2.3.3. DESCONTOS SALARIAIS DECORRENTES DE ASSALTO

após o término do contrato. O TRT declarou válida a norma relacionada aos descontos da

Cláusula Décima Quarta, pelos seguintes fundamentos:

Assim dispõe o art. 477 da CLT, antes da alteração conduzida pela Afirma que (...) e que a previsão de descontos no salário do

Lei nº 13.467/2017, no que interessa: empregado em caso de assalto viola o disposto no artigo 462, §1º

"Art. 477 - É assegurado a todo empregado, não existindo prazo da CLT, artigo 2º, da CLT, bem como contraria o princípio da

estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não intangibilidade salarial.

haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho, o Sem razão, pelos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez

direto de haver do empregador uma indenização, paga na base da que o Supremo Tribunal definiu as parcelas que reputa de

maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa. indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem ser negociados,

(...). quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo, o repouso

§ 6º - O pagamento das parcelas constantes do instrumento de semanal remunerado, as normas de saúde e segurança do trabalho,

rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. E entre

prazos: (Incluído pela Lei n.º 7.855, de 24.10.1989) elas não se encontra a negociação quanto ao regramento do

a) até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou contrato de experiência, prazo para quitação de verbas, previsão de

b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, descontos no salário e remuneração para período de treinamento.

quando da ausência do aviso prévio, indenização do mesmo ou

dispensa de seu cumprimento. O recorrente alega que os descontos nos salários dos trabalhadores

(...). em casos de assalto violam os arts. 462, § 1º e 2º da CLT.

Diz que a cláusula pactuada desrespeita o princípio da

A alínea a do § 6º do art. 477 da CLT determina que o pagamento intangibilidade salarial.

da rescisão contratual deverá ser efetuado até o primeiro dia útil Argumenta que o salário dos trabalhadores deve ser resguardado

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 106
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de descontos não previstos legalmente. intangibilidade salarial.

Assevera que se não for demonstrado o dolo, não pode incidir Desse modo, sem prejuízo à garantia do art. 7º, XXVI, da

nenhum desconto no salário do trabalhador. Constituição Federal, impõe-se a declaração de invalidade da

Salienta que os empregados não podem ser responsabilizados em referida cláusula normativa impugnada, uma vez que resulta da

casos de assalto, por se tratar de caso fortuito ou força maior. negociação de direito constante em norma cogente de ordem

Pondera que o princípio da alteridade, previsto no art. 2º, caput, da pública.

CLT, imputa ao empregador os riscos do empreendimento, sendo Pelo exposto, dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a

vedada a transferência de prejuízo aos empregados, ainda que a nulidade da alínea c (ASSALTOS) do item DESCONTOS da

empresa experimente, de fato, reais perdas. Cláusula Décima Quarta do Acordo Coletivo de Trabalho.

Postula a nulidade da alínea c do item DESCONTOS da Cláusula

Décima Quarta. 2.3.4. DESVIO DE FUNÇÃO/TREINAMENTO

Analiso: O TRT declarou válida a norma relacionada ao desvio de

Eis a cláusula impugnada: função/treinamento da Cláusula Décima Quarta, pelos seguintes

CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS fundamentos:

DE TRABALHO No que se refere ao desvio de função afirma o autor que a

(...). previsão desrespeita direitos mínimos dos trabalhadores ao permitir

DESCONTOS: além dos descontos obrigatórios e os demais que se pratique salários diferentes para funcionários em igual

autorizados pelos Empregados, os a seguir passam a ter a seguinte exercício da profissão, em violação ao princípio da isonomia

normatização: previsto no artigo 5º, Constituição Federal.

(...) Sem razão, pelos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez

c) ASSALTOS: poderão ser imputados ao empregado somente os que o Supremo Tribunal definiu as parcelas que reputa de

prejuízos que tenham decorrido de culpa, dolo ou desídia no indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem ser negociados,

exercício de suas funções; quais sejam: anotação da CTPS, o salário mínimo, o repouso

semanal remunerado, as normas de saúde e segurança do trabalho,

O interesse coletivo das partes, a ser prestigiado por meio do dispositivos antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho etc. E entre

reconhecimento dos instrumentos coletivos, consoante garantido no elas não se encontra a negociação quanto ao regramento do

art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, encontra limite no respeito contrato de experiência, prazo para quitação de verbas, previsão de

aos direitos trabalhistas previstos em normas cogentes. Nessa descontos no salário e remuneração para período de treinamento.

linha, não cabe à vontade das partes dispor livremente sobre

aspectos que contem com disciplina legal específica em norma O recorrente alega que a referida cláusula afronta direitos mínimos

cogente, como no caso do salário. dos trabalhadores, ao estabelecer salários diferentes para

O inciso X do art. 7º da Constituição Federal assegura a " proteção funcionários que exercem a mesma profissão.

do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa ". Diz que a norma viola o princípio da isonomia previsto no art. 5º da

Por sua vez, o art. 462, caput , da CLT, ao disciplinar a Constituição Federal.

intangibilidade do salário, estipula como regra a vedação de Postula a declaração de nulidade da cláusula.

qualquer desconto, e como exceções as hipóteses de Analiso:

adiantamento, de disposição legal e de previsão em norma coletiva. Eis a cláusula impugnada:

O § 1º do artigo citado traz a previsão de desconto no salário em CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS

virtude de dano causado pelo empregado, mas desde que essa DE TRABALHO

possibilidade de desconto tenha sido acordada entre as partes, ou (...).

no caso de dolo do empregado. DESVIO DE FUNÇÃO/TREINAMENTO: Será admitido o desvio de

Os descontos imputados na referida cláusula normativa, função, para substituição temporária por um período máximo de 30

decorrentes dos prejuízos advindos de assaltos, que tenham dias. Em caso de treinamento para promoção do empregado, este

decorrido de culpa, dolo ou desídia no exercício da função, prazo poderá ser dilatado por até 90 (noventa) dias, não

extrapolam as disposições previstas no art. 462, caput e § 1º, da significando em ambas as situações aumento de salário durante os

CLT. Esse instrumento normativo afronta a garantia da períodos em questão. Será admitido que os ajudantes, devidamente

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 107
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habilitados, poderão conduzir veículos internamente, como exercício afastamentos para o empregado gozar férias, para fruir de

de prática, para futuro aproveitamento. benefícios por incapacidade, para participar de curso ou programa

de qualificação profissional ou, quando mulher, para receber o

O art. 461 da CLT garante a correspondência de salário quanto a salário-maternidade.

trabalhadores que desempenham idêntica função em trabalho de (...)

igual valor prestado ao mesmo empregador na mesma localidade. Por outro lado, deve-se anotar que a jurisprudência dominante

De acordo com o art. 450 do diploma legal, "ao empregado entende que "substituição de caráter meramente eventual" é aquela

chamado a ocupar, em comissão, interinamente, ou em substituição correspondente a poucos dias de afastamento, incapaz, portanto,

eventual ou temporária, cargo diverso do que exercer na empresa, de impor a reorganização da atividade produtiva mediante a

serão garantidas a contagem do tempo naquele serviço, bem como inserção de trabalhadores efetivamente substitutos, inclusive no que

volta ao cargo anterior". diz respeito à responsabilidade funcional. Exemplificam essa

Nesse contexto, esta Corte formulou a Súmula nº 159, que garante situação os afastamentos para um empregado ir ao médico, para

ao trabalhador substituto o pagamento do mesmo salário contratual realizar alistamento eleitoral, para fazer doação de sangue, entre

do substituído, enquanto durar a substituição não eventual: outras hipóteses similares em extensão temporal."

SÚMULA Nº 159 - SUBSTITUIÇÃO DE CARÁTER NÃO (Curso de Direito do Trabalho: Relações Individuais, Sindicais e

EVENTUAL E VACÂNCIA DO CARGO Coletivas do Trabalho. 3ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2012, pág.

I - Enquanto perdurar a substituição que não tenha caráter 203).

meramente eventual, inclusive nas férias, o empregado substituto

fará jus ao salário contratual do substituído. (ex-Súmula nº 159 - O Exmo. Ministro Mauricio Godinho Delgado, no seu Curso de

alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003) Direito do Trabalho, explica que a substituição meramente eventual

II - Vago o cargo em definitivo, o empregado que passa a ocupá-lo é aquela que ocorre por poucos dias:

não tem direito a salário igual ao do antecessor. (ex-OJ nº 112 da "Pelo tipo legal de substituição meramente eventual deve se

SBDI-1 - inserida em 01.10.1997) compreender aquela que se concretiza por curtíssimo período,

sem possibilidade de gerar estabilização contratual minimamente

Para melhor compreensão do que seria a substituição meramente necessária para propiciar efeitos salariais diferenciados em

eventual, faço uso das lições de Luciano Martinez: benefício do trabalhador. A substituição de um chefe por um ou

"(...) a súmula não identifica o que seria uma "substituição não alguns poucos dias configura, nitidamente, esse tipo legal

eventual", tampouco revela os limites temporais relativos a essa específico." (Curso de Direito do Trabalho, 15. ed., São Paulo: LTr,

substituição. 2016, p. 922)

Assim, sanando a lacuna ora identificada, a expressão "substituição

que não tenha caráter meramente eventual" parece querer indicar Sob essa perspectiva, e levando em consideração o item I da

um período razoavelmente extenso e, por isso, capaz de arremeter Súmula nº 159 do TST, é inválida a cláusula que estabelece

responsabilidades funcionais para o substituto. Que seria, limitação temporal de 30 (trinta) dias para a igualdade salarial do

entretanto, um período razoavelmente extenso? A indicação das substituto. Este é o entendimento desta SDC:

férias como exemplo de substituição que não tem caráter AÇÃO ANULATÓRIA. RECURSO ORDINÁRIO. CLÁUSULA SEXTA

meramente eventual produz o falso entendimento de que somente - SALÁRIO DO SUBSTITUTO. A Súmula nº 159 do TST garante ao

afastamentos iguais ou superiores a trinta dias ingressariam nessa trabalhador substituto o pagamento do mesmo salário contratual do

hipótese. Diz-se falso esse entendimento porque há períodos de substituído, enquanto durar a substituição não eventual. Desse

férias com dimensões inferiores a trinta dias (vide os arts. 130 e 130 modo, é inválida a cláusula que estabelece limitação temporal de 30

- A da CLT), sendo inconsistente, portanto, a relação normalmente (trinta) dias para a igualdade salarial do substituto. Precedente.

empreendida. Diante disso, é provável que a intenção da expressão Recurso ordinário a que se nega provimento. (RO-47-

"substituição que não tenha caráter meramente eventual" diga 68.2016.5.08.0000,Relatora Ministra:Kátia Magalhães Arruda,

respeito apenas à plena assunção de responsabilidades funcionais Seção Especializada em Dissídios Coletivos,Data de Publicação:

do substituído pelo substituto, independentemente do tempo de DEJT08/03/2018).

duração da substituição. Exemplificam essa situação,

independentemente do tempo de duração desses eventos, os RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO ANULATÓRIA. MINISTÉRIO

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 108
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

PÚBLICO DO TRABALHO. CONVENÇÃO COLETIVA. GARANTIA


Processo Nº RO-0000829-41.2017.5.08.0000
DE SALÁRIO IGUAL AO DO SUBSTITUÍDO APENAS NO CASO Complemento Processo Eletrônico
DE SUBSTITUIÇÃO POR PERÍODO SUPERIOR A 30 DIAS. Relator Min. Dora Maria da Costa
Recorrente(s) MINISTÉRIO PÚBLICO DO
NULIDADE. Nos termos do item I da Súmula nº 159 do TST, TRABALHO DA 8ª REGIÃO
enquanto perdurar a substituição que não tenha caráter meramente Procurador Dr. Loris Rocha Pereira Júnior
Recorrido(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES
eventual, inclusive nas férias, o empregado substituto fará jus ao NAS EMPRESAS DE TRANSPORTES
E LOGÍSTICA DE CARGAS SECAS,
salário contratual do substituído. Significa dizer que o empregado MOLHADAS, DAS DISTRIBUIDORAS
DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E
que for chamado a substituir outro, com salário mais elevado, tem G.L.P. GÁS NATURAL, ETANOL,
BIODISEL, E MUDANÇAS DO
direito à percepção do salário do substituído, excluídas as situações ESTADO DO PARÁ - SINTRACARPA
de perenidade (item II da Súmula 159) e as de eventualidade da Advogada Dra. Rafaella Freire Borges(OAB:
18879-A/PA)
substituição, entendendo-se estas como as situações decorrentes Recorrido(s) SINDICATO DAS EMPRESAS DE
LOGÍSTICA E TRANSPORTES DE
de acontecimentos fortuitos, casuais ou acidentais, enumerados no CARGAS NO ESTADO DO PARÁ
art. 473 da CLT. Considerando-se, portanto, que os períodos de
Intimado(s)/Citado(s):
férias podem ser de 20 ou mais dias, até o limite de 30, a cláusula
- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO
15 da Convenção Coletiva de Trabalho dissona-se dos termos da - SINDICATO DAS EMPRESAS DE LOGÍSTICA E
TRANSPORTES DE CARGAS NO ESTADO DO PARÁ
Súmula nº 159 do TST, ao excluir da incidência do seu item I as
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS EMPRESAS DE
substituições inferiores a 30 dias. Razão assiste, portanto, ao TRANSPORTES E LOGÍSTICA DE CARGAS SECAS,
MOLHADAS, DAS DISTRIBUIDORAS DE DERIVADOS DE
Ministério Público do Trabalho, ao pretender a anulação de cláusula PETRÓLEO E G.L.P. GÁS NATURAL, ETANOL, BIODISEL, E
MUDANÇAS DO ESTADO DO PARÁ - SINTRACARPA
de norma coletiva que viola direito individual ou coletivo dos

trabalhadores, e, desse modo, dou provimento ao recurso, no


ACÓRDÃO
aspecto, para declarar a nulidade da referida proposta. Recurso
(SDC)
ordinário provido parcialmente. (ROAA-1000-66.2008.5.24.0000,
GMDMC/Ac/cb/lm
Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 20/11/2009).

RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO


Pelo exposto, forçoso declarar a invalidade da norma.
PÚBLICO DO TRABALHO. AÇÃO ANULATÓRIA. 1. ITEM 16.2
Dou provimento ao recurso ordinário, para declarar a nulidade do
DA CLÁUSULA 16 - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS DE
item DESVIO DE FUNÇÃO/TREINAMENTO da Cláusula Décima
TRABALHO, CONSTANTE DA CONVENÇÃO COLETIVA DE
Quarta do Acordo Coletivo de Trabalho.
TRABALHO 2016/2017. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 20 DA SDC DO TST. Não


ISTO POSTO
merece reforma a decisão regional que declarou a validade do item

16.2 da cláusula 16, constante da CCT 2016/2017, firmada pelos


ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios
réus, uma vez que o referido dispositivo não contraria o disposto na
Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por maioria, vencido o
Orientação Jurisprudencial nº 20 da SDC do TST, segundo a qual
Exmo. Ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, conhecer do
viola o art. 8º, V, da CF/1988 cláusula de instrumento normativo que
recurso ordinário, e, no mérito, dar-lhe provimento, para declarar a
estabelece a preferência, na contratação de mão de obra, do
nulidade dos Parágrafos Terceiro e Quinto da Cláusula Quinta; do
trabalhador sindicalizado sobre os demais. 2. AÇÃO
Parágrafo Terceiro da Cláusula Décima Terceira; da CLÁUSULA
ANULATÓRIA. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS DE DECLARAÇÃO
DÉCIMA QUARTA, itens: CONTRATO DE EXPERIÊNCIA, PRAZO,
DE NULIDADE E DE CONDENAÇÃO CONCERNENTE À
alínea c do item DESCONTOS e DESVIO DE
OBRIGAÇÃO DE FAZER. INVIABILIDADE. A jurisprudência desta
FUNÇÃO/TREINAMENTO do Acordo Coletivo de Trabalho.
Corte segue no sentido de que a natureza declaratória da ação
Brasília, 14 de maio de 2018.
anulatória não comporta a cumulação de pedidos de declaração de

nulidade de cláusula coletiva e de condenação à obrigação de fazer

e/ou não fazer, ainda que seja a de que as empresas procedam à


Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)
afixação, em locais públicos, do teor da decisão judicial. Recurso
KÁTIA MAGALHÃES ARRUDA
ordinário conhecido e não provido.
Ministra Relatora

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 109
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n° II - MÉRITO

TST-RO-829-41.2017.5.08.0000, em que é Recorrente

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 8ª REGIÃO e são 1. ITEM 16.2 DA CLÁUSULA 16 - DOS CONTRATOS

Recorridos SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDIVIDUAIS DE TRABALHO, CONSTANTE DA CONVENÇÃO

EMPRESAS DE TRANSPORTES E LOGÍSTICA DE CARGAS COLETIVA DE TRABALHO 2016/2017. INEXISTÊNCIA DE

SECAS, MOLHADAS, DAS DISTRIBUIDORAS DE DERIVADOS CONTRARIEDADE À ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 20

DE PETRÓLEO E G.L.P. GÁS NATURAL, ETANOL, BIODISEL, E DA SDC DO TST.

MUDANÇAS DO ESTADO DO PARÁ - SINTRACARPA e

SINDICATO DAS EMPRESAS DE LOGÍSTICA E TRANSPORTES O Regional declarou a validade do item impugnado, expondo os

DE CARGAS NO ESTADO DO PARÁ. seguintes fundamentos:

O Ministério Público do Trabalho, por intermédio da Procuradoria CLÁUSULA 16ª - DOS CONTRATOS INDIVIDUAIS DE TRABALHO

Regional do Trabalho da 8ª Região, ajuizou ação anulatória contra o - 'Na vigência da presente Convenção Coletiva de Trabalho, os

Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transportes e contratos individuais obedecerão às seguintes normas, no tocante:

Logística de Cargas Secas, Molhadas, das Distribuidoras de 16.1. ...

Derivados de Petróleo e G.L.P. Gás Natural, Etanol, Biodisel, e 16.2. CENTRAL DE CADASTRAMENTO - No caso de contratação

Mudanças do Estado do Pará - SINTRACARPA e o Sindicato das de empregados através do sistema de redução de jornada de

Empresas de Logística e Transportes de Cargas no Estado do Pará. trabalho com a respectiva redução proporcional do salário, as

Sustentou que o item 16.2 da cláusula 16 - DOS CONTRATOS empresas, observados os seus critérios particulares de admissão de

INDIVIDUAIS DE TRABALHO, constante da Convenção Coletiva de mão de obra, selecionarão os mesmos através do recrutamento por

Trabalho 2016/2017, ao impor que o recrutamento de mão de obra escrito ao Sindicato Profissional, que se compromete no prazo de

seja feito pelo Sindicato profissional, implica na contratação 90 (Noventa) dias a criar uma central de cadastramento de mão de

preferencial de trabalhadores sindicalizados, violando o art. 8º, V, da obra, que ficará à disposição das empresas para recrutamento e

Constituição Federal e contrariando as disposições da Orientação seleção.'

Jurisprudencial nº 20 da SDC deste Tribunal. Pugnou pela Assevera o autor que referida cláusula, ao dar poder ao Sindicato

declaração de nulidade do referido dispositivo e pela condenação para criar a central de cadastramento, por óbvio permitirá que só

dos réus de afixarem, em locais de acesso a toda a categoria dos cadastre trabalhadores associados ao sindicato profissional ou,

trabalhadores, cópias da decisão proferida (fls. 4/6). caso não sejam, exigirá sua associação. Assim, o recrutamento de

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, por meio do acórdão mão de obra por meio do Sindicato levará, inexoravelmente, à

de fls. 61/65, julgou improcedente a ação. preferência na contratação de trabalhadores sindicalizados,

O Ministério Público do Trabalho interpõe recurso ordinário, às fls. representando afronta ao art. 8º, V, da CF, que consubstancia a

82/85, requerendo a reforma da decisão. liberdade de filiação. Ressalta a existência da OJ 20, da SDC, do

Admitido o recurso (fl. 87), foram apresentadas contrarrazões, às colendo TST e busca a nulidade da referida cláusula.

fls. 101/105. Sem razão.

Desnecessária a remessa dos autos ao Ministério Público do No julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário

Trabalho, por ser o autor da ação. 590.415, em 30.04.2015, o Supremo Tribunal Federal apresentou

É o relatório. como fundamento, para validar os termos da negociação coletiva

entabulada pelos entes coletivos, as seguintes razões:

VOTO '25. Por fim, de acordo com o princípio da adequação setorial

negociada, as regras autônomas juscoletivas podem prevalecer

I - CONHECIMENTO sobre o padrão geral heterônomo, mesmo que sejam restritivas dos

direitos dos trabalhadores, desde que não transacionem

O recurso é tempestivo, tem representação regular (Súmula nº 436 setorialmente parcelas justrabalhistas de indisponibilidade absoluta.

do TST), estando isento do recolhimento das custas processuais, Embora, o critério definidor de quais sejam as parcelas de

razões pelas quais dele conheço. indisponibilidade absoluta seja vago, afirma-se que estão protegidos

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 110
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

contra a negociação in pejus os direitos que correspondam a um trabalhadores através do sistema de redução de jornada de trabalho

"patamar civilizatório mínimo", como a anotação da CTPS, o com a respectiva redução proporcional ao salário.

pagamento do salário mínimo, o repouso semanal remunerado, as Ademais, conforme alegado na contestação apresentada pelo

normas de saúde e segurança do trabalho, dispositivos Sindicato réu (Id. 56fc66a), a cláusula em exame não restringe o

antidiscriminatórios, a liberdade de trabalho, etc. Enquanto tal acesso à central de cadastramento de mão de obra aos

patamar civilizatório mínimo deveria ser preservado pela legislação empregados filiados ao Sindicato, bastando ser integrante da

heterônoma, os direitos que o excedem sujeitar-se-iam à categoria profissional.

negociação coletiva, que, justamente por isso, constituiria um Declaro, portanto, válida a cláusula 16.2 da Convenção Coletiva

valioso mecanismo de adequação das normas trabalhistas aos 20165/2017, firmada entre os demandados. (fls. 62/64)

diferentes setores da economia e a diferenciadas conjunturas

econômicas.' Sustenta o Parquet, às fls. 83/84 de seu recurso ordinário, que o

O voto condutor do Recurso Extraordinário 590.415, da lavra do item 16.2 da cláusula 16, constante da CCT 2016/2017 firmada

Ministro Roberto Barroso, por outro lado, foi proferido com base nas pelos réus, garante ao Sindicato o poder de criar uma central de

seguintes razões: (a) 'a Constituição reconheceu as convenções e mão de obra, e que essa exclusividade no recrutamento de mão de

os acordos coletivos como instrumentos legítimos de prevenção e obra implicará, por óbvio e na prática, a preferência de contratação

de autocomposição de conflitos trabalhistas; tornou explícita a de trabalhadores associados ao sindicato e/ou de aqueles cuja

possibilidade de utilização desses instrumentos, inclusive para a filiação será exigida. Consoante alega, a norma viola o art. 8º, V, da

redução de direitos trabalhistas; atribuiu ao sindicato a CF e contraria as disposições da OJ nº 20 da SDC do TST. Pugna

representação da categoria; impôs a participação dos sindicatos nas pela reforma da decisão e pela declaração de nulidade do

negociações coletivas; e assegurou, em alguma medida, a liberdade mencionado dispositivo.

sindical (...)'; (b) 'a Constituição de 1988 (...) prestigiou a autonomia Realmente, o entendimento pacífico desta Seção Especializada,

coletiva da vontade como mecanismo pelo qual o trabalhador consubstanciado na Orientação Jurisprudencial nº 20, é o de

contribuirá para a formulação das normas que regerão a sua própria considerar nulas as cláusulas pactuadas as quais instituem

vida, inclusive no trabalho (art. 7º, XXVI, CF)'; (c) 'no âmbito do privilégios ao trabalhador sindicalizado, dando preferência na

direito coletivo, não se verifica (...) a mesma assimetria de poder contratação desse trabalhador em relação àquele não filiado, por

presente nas relações individuais de trabalho. Por consequência, a violarem o princípio da liberdade sindical previsto no art. 8º, V, da

autonomia coletiva da vontade não se encontra sujeita aos mesmos CF.

limites que a autonomia individual'; (d) '(...) não deve ser vista com Com efeito. Se o trabalhador é livre para se associar, ou não, ao

bons olhos a sistemática invalidação dos acordos coletivos de respectivo sindicato, a preferência para a admissão ao trabalho em

trabalho com base em uma lógica de limitação da autonomia da relação aos sindicalizados, além de ferir a liberdade garantida

vontade exclusivamente aplicável às relações individuais de constitucionalmente, estabelece critérios diferenciados e

trabalho'. discriminatórios entre trabalhadores da mesma categoria,

Conforme razões acima, o Supremo Tribunal definiu as parcelas principalmente em se tratando de obtenção de um lugar no mercado

que reputa de indisponibilidade absoluta, ou seja, que não podem de trabalho. Isso sem falar que, mesmo indiretamente, tais

ser negociadas. E entre elas não se encontra a impossibilidade de cláusulas induzem a categoria profissional à sindicalização.

negociação da cláusula acima, tratando-se de direitos No caso em tela, não se depreende da leitura do item 16.2 da

transacionáveis pela via da negociação coletiva. Conforme ensina o cláusula 16 que o cadastramento na Central criada pelo sindicato

Ministro Roberto Barroso, não deve ser vista com bons olhos a implicaria, obrigatoriamente, na sindicalização do empregado,

sistemática invalidação dos instrumentos coletivos de trabalho com porquanto as empresas contratariam, preferencialmente,

base em uma lógica de limitação da autonomia da vontade trabalhadores filiados. A meu juízo, a irresignação do autor não é

exclusivamente aplicável às relações individuais de trabalho. pertinente e suas razões se baseiam em suposições, as quais não

Acrescento ao fundamento acima exposto que, com a recente sustentam o raciocínio de que a cláusula está eivada de ilegalidade.

alteração da CLT, foi introduzido o artigo 611-B no qual estão Deve-se partir do princípio de que o sindicato, nos termos do art. 8º,

elencadas, de forma taxativa, as matérias que não podem ser objeto III, da CF, age em defesa dos direitos e interesses individuais e

de negociação, entre as quais não foi relacionada a possibilidade de coletivos de toda a categoria, e não apenas dos trabalhadores a ele

criação de central de cadastramento para admissão de filiados. Ademais, conforme alegado na defesa, o Órgão Ministerial

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 111
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

não traz aos autos qualquer prova, evidência, ou mesmo indício de Público esbarra no entendimento desta Corte, de que a natureza

que tal situação esteja de fato ocorrendo, pelo que não merecem declaratória da ação anulatória não comporta a cumulação de

prosperar as alegações da peça inicial. pedidos de declaração de nulidade de cláusula coletiva e de

Há de se ressaltar que o art. 513 da CLT, ao dispor acerca das condenação a obrigações de fazer e/ou não fazer, mesmo que seja

prerrogativas dos sindicatos, diz, em seu parágrafo único, que os a de que as empresas procedam à afixação, em locais públicos, do

Sindicatos de empregados terão, outrossim, a prerrogativa de teor da decisão judicial.

fundar e manter agências de colocação. Nesse sentido:

Salienta-se, também, que esta Corte tem mantido, de forma

pacífica, seu posicionamento no sentido de que o reconhecimento RECURSO ORDINÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. (...). AÇÃO

constitucional da validade dos instrumentos normativos não implica ANULATÓRIA. IMPOSIÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.

ampla e irrestrita liberdade às partes para flexibilização de direitos. DIVULGAÇÃO DO ACÓRDÃO EM LOCAIS PÚBLICOS E DE

Significa dizer que o princípio da irrenunciabilidade dos direitos FÁCIL ACESSO À CATEGORIA PROFISSIONAL. NÃO

trabalhistas continua sendo uma das notas basilares e específicas CABIMENTO. De acordo com a jurisprudência desta Seção

do Direito do Trabalho. De outra forma, não se pode adotar a Especializada, é incompatível com a natureza declaratória

garantia ao reconhecimento dos instrumentos negociais autônomos desconstitutiva da ação anulatória a cumulação de pedido de

como premissa na análise da validade de cláusulas que, porventura, natureza condenatória, consistente na determinação de que os

firam preceitos legais os quais contemplem direitos indisponíveis do signatários da convenção coletiva de trabalho afixem, "em locais

trabalhador, pertinentes à saúde, à higiene e à segurança, os quais públicos e de fácil acesso a toda a categoria dos trabalhadores",

não podem ser flexibilizadas por negociação coletiva por reduzirem cópia do teor da decisão judicial, sob pena de pagamento de multa

ou suprimirem garantias contempladas por normas legais. diária. Recurso ordinário de que se conhece e a que se dá

O item pactuado, na medida em que não prevê, direta ou provimento quanto ao tema. (RO-582-31.2015.5.08.0000. Data de

indiretamente, a obrigatoriedade ou a estimulação a que as Julgamento: 12/12/2017, Relator Ministro Fernando Eizo Ono, DEJT

empresas admitam, preferencialmente, empregados sindicalizados de 15/12/2017)

indicados pelos sindicatos - não traduzindo, portanto, indesejável

discriminação em relação aos empregados não associados ao ente RECURSO ORDINÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. (...). CUMULAÇÃO

sindical -, não retira direitos e garantias dos trabalhadores. DE PEDIDOS. DIVULGAÇÃO DO ACÓRDÃO NOS SÍTIOS

Assim, não havendo falar em violação do princípio constitucional da ELETRÔNICOS DAS PARTES. DEVOLUÇÃO DOS VALORES

liberdade de sindicalização, inserto no art. 8º, V, tampouco em INDEVIDAMENTE DESCONTADOS. SUBMISSÃO PRÉVIA DOS

contrariedade às disposições da OJ nº 20 da SDC do TST, FUTUROS INSTRUMENTOS COLETIVOS AO MINISTÉRIO

mantenho a decisão regional que declarou a validade do item 16.2 PÚBLICO DO TRABALHO. A jurisprudência desta Seção é firme no

da cláusula 16, constante da CCT 2016/2017 firmada pelos réus. entendimento de que não se amolda à natureza declaratória

Nego provimento ao recurso. desconstitutiva da presente Ação a cumulação de pedidos com

natureza jurídica diversa. Recurso Ordinário provido. (RO-1002407-

2. AÇÃO ANULATÓRIA. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS DE 58.2015.5.02.0000, Data de Julgamento: 15/05/2017, Relatora

DECLARAÇÃO DE NULIDADE E DE CONDENAÇÃO Ministra Maria de Assis Calsing, DEJT de 19/05/2017)

CONCERNENTE À OBRIGAÇÃO DE FAZER. INVIABILIDADE. AÇÃO ANULATÓRIA. RECURSO ORDINÁRIO (...). PUBLICAÇÃO

DO INTEIRO TEOR DO ACÓRDÃO DO TRT. DETERMINAÇÃO

Requer o recorrente, à fl. 84, que os réus sejam condenados a PARA QUE OS ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO

afixar, em locais públicos e de acesso diário e fácil a toda a FIRMADO PELO SINDICATO PROFISSIONAL SEJAM LEVADOS

categoria profissional, de, pelo menos, dez cópias do Acórdão que AO CONHECIMENTO DO MPT. DEVOLUÇÃO DOS VALORES

vier a ser proferido por essa Corte, possibilitando-se, dessa forma, DESCONTADOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO ASSOCIATIVA. A

um mínimo de controle por parte dos trabalhadores. jurisprudência desta Seção Especializada firmou-se no sentido de

Ainda que o Regional, ao julgar improcedente a ação, não tenha que a imposição aos réus de obrigação de fazer é incompatível com

analisado essa questão, e mesmo que tenha sido mantida, nesta a natureza da ação anulatória, que é meramente declaratória.

oportunidade, a decisão quanto à validade do item 16.2 da cláusula Recurso ordinário a que se dá provimento. (RO-1002400-

16, é importante salientar que a pretensão formulada pelo Ministério 66.2015.5.02.0000 Data de Julgamento: 24/04/2017, Relatora

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 112
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Ministra Kátia Magalhães Arruda, DEJT de 10/05/2017) TST-RO-16045-54.2016.5.16.0000, em que é Recorrente

SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS EMPRESAS

Nego provimento ao recurso. JORNALÍSTICAS, PUBLICITÁRIAS E ASSESSORIA DE

COMUNICAÇÃO EM GERAL DOS MUNICÍPIOS DE IMPERATRIZ

ISTO POSTO JOÃO LISBOA E AÇAILÂNDIA e Recorrida RÁDIO MIRANTE DO

MARANHÃO LTDA.

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Jornalísticas,

conhecer do recurso ordinário e, no mérito, negar-lhe provimento, Publicitárias e Assessoria de Comunicação em Geral dos

com ressalva de entendimento da Exma. Ministra Maria de Assis Municípios de Imperatriz João Lisboa e Açailândia ajuizou dissídio

Calsing quanto ao item 16.2 da cláusula 16. coletivo de natureza econômica contra a Rádio Mirante do

Brasília, 14 de maio de 2018. Maranhão Ltda., objetivando a fixação das condições de trabalho

para vigerem no período de 1º/9/2015 a 31/8/2016 (fls. 2/8).

Foram realizadas audiências de conciliação (fls. 53/54 e 56/57),

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) sem que houvesse consenso entre as partes.

Dora Maria da Costa O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, mediante o

Ministra Relatora acórdão de fls. 127/133, acolheu a preliminar de ausência de

comum acordo no ajuizamento do dissídio coletivo e extinguiu o


Processo Nº RO-0016045-54.2016.5.16.0000
Complemento Processo Eletrônico processo, sem resolução de mérito, com fulcro no art. 485, IV, do
Relator Min. Dora Maria da Costa Código de Processo Civil.
Recorrente(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES
NAS EMPRESAS JORNALÍSTICAS, Inconformado, o Sindicato profissional interpôs recurso ordinário, às
PUBLICITÁRIAS E ASSESSORIA DE
COMUNICAÇÃO EM GERAL DOS fls. 135/147, requerendo a reforma da decisão.
MUNICÍPIOS DE IMPERATRIZ JOÃO
LISBOA E AÇAILÂNDIA Admitido o recurso (fls. 150/151), foram oferecidas contrarrazões às
Advogado Dr. Jorge Fernando Marinho fls. 154/159.
Oliveira(OAB: 13232/MA)
Recorrido(s) RÁDIO MIRANTE DO MARANHÃO Dispensada a remessa dos autos ao Ministério Público do Trabalho.
LTDA.
É o relatório.
Advogada Dra. Mariana Nunes Vilhena(OAB:
5869/MA)

VOTO
Intimado(s)/Citado(s):
- RÁDIO MIRANTE DO MARANHÃO LTDA.
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS EMPRESAS CONHECIMENTO
JORNALÍSTICAS, PUBLICITÁRIAS E ASSESSORIA DE
COMUNICAÇÃO EM GERAL DOS MUNICÍPIOS DE IMPERATRIZ
JOÃO LISBOA E AÇAILÂNDIA
PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO

ORDINÁRIO, POR DESERÇÃO, ARGUIDA DE OFÍCIO.


ACÓRDÃO

(SDC)
Conquanto o recurso ordinário seja tempestivo e a representação
GMDMC/Ac/tp/iv
processual esteja regular, ele não merece conhecimento, em face

da deserção.
RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA
O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, ao extinguir o
ECONÔMICA. DESERÇÃO. CUSTAS PROCESSUAIS.
processo, sem resolução de mérito, por ausência de comum acordo,
ARGUIÇÃO DE OFÍCIO. Afigura-se deserto o recurso ordinário
fixou o valor das custas processuais em R$800,00, calculadas com
interposto pelo Sindicato profissional suscitante, na medida em que
base no valor dado à causa na inicial de R$40.000,00, a ser rateada
não houve a comprovação do recolhimento das custas processuais,
entre as partes (fl. 133).
no valor fixado pelo Regional e no prazo recursal a que alude o § 1º
O art. 789 da CLT contém previsão específica sobre o prazo para
do art. 789 da CLT. Recurso ordinário não conhecido.
recolhimento e comprovação de custas processuais no caso de

interposição de recurso nos dissídios coletivos, exigindo, em seu §

1º, que o pagamento das custas seja efetuado dentro do prazo e no


Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 113
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Processo Nº RO-0020560-39.2014.5.04.0000
valor estipulado. Complemento Processo Eletrônico
De outro lado, o Ato Conjunto nº 21/2010-TST/CSJT/GP/SG Relator Min. Dora Maria da Costa
Recorrente e Recorrido SINDICATO DO COMÉRCIO
determinou que, a partir de 1º de janeiro de 2011, o pagamento das ATACADISTA DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL E OUTROS
custas e dos emolumentos no âmbito da Justiça do Trabalho fosse
Advogado Dr. Antônio Job Barreto(OAB:
realizado, exclusivamente, mediante Guia de Recolhimento da 19550/RS)
Recorrente e Recorrido SINDICATO E ORGANIZAÇÃO DAS
União - GRU Judicial. COOPERATIVAS DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL - OCERGS
Ocorre que o Sindicato profissional, ao interpor o recurso ordinário,
Advogado Dr. José Pedro Pedrassani(OAB:
não comprovou que as custas processuais foram pagas e/ou que o 40907/RS)
Recorrido(s) SINDICATO DOS EMPREGADOS NO
recolhimento da respectiva importância se deu dentro do prazo COMÉRCIO DE SARANDI
recursal a que alude o § 1º do art. 789 da CLT. Advogado Dr. Joelto Frasson(OAB: 54497/RS)
Recorrido(s) SINDICATO INTERMUNICIPAL DOS
Verifica-se o equívoco na decisão de admissibilidade, prolatada no CONCECIONÁRIOS E
DISTRIBUIDORES DE VEÍCULOS DO
Tribunal Regional (fl. 150), ao consignar isento de preparo (CLT, art. ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL -
SINCODIV
790-A e DL 779/69, art. 1º, IV, e DL 509/69 art. 12), na medida em
Advogada Dra. Dulce Helena Milkewicz da
que os dispositivos da CLT e do DL nº 779/69 mencionados se Silva(OAB: 72712/RS)

referem às prerrogativas conferidas à União, aos Estados, ao


Intimado(s)/Citado(s):
Distrito Federal, aos Municípios e às respectivas autarquias e
- SINDICATO DO COMÉRCIO ATACADISTA DO ESTADO DO
fundações públicas, bem como ao Ministério Público do Trabalho, RIO GRANDE DO SUL E OUTROS
- SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE
entre elas a isenção do pagamento das custas processuais. Por sua SARANDI
vez, o DL nº 509/1969 trata especificamente da transformação do - SINDICATO E ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - OCERGS
Departamento dos Correios e Telégrafos em empresa pública, - SINDICATO INTERMUNICIPAL DOS CONCECIONÁRIOS E
DISTRIBUIDORES DE VEÍCULOS DO ESTADO DO RIO
dispondo o seu art. 12 sobre os privilégios conferidos à referida GRANDE DO SUL - SINCODIV
entidade.

Acrescenta-se, por oportuno, a inaplicabilidade das disposições ACÓRDÃO

constantes do art. 1.007 do CPC de 2015 - vigente à época da (SDC)

interposição do recurso ordinário -, de forma a se conceder prazo GMDMC/Ac/rv/fg

para a parte regularizar o preparo. Nos termos do art. 10 da

Instrução Normativa nº 39/2016 do TST, aplicam-se ao Processo do A) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO POR SINDICATO DO

Trabalho, dentre outras, as normas constantes dos §§ 2º e 7º do art. COMÉRCIO VAREJISTA DE CARAZINHO; SINDICATO DO

1.007, que se referem à concessão de prazo para regularização do COMÉRCIO ATACADISTA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO

preparo, apenas nas hipóteses de insuficiência do valor SUL; E SINDICATO INTERMUNICIPAL DO COMÉRCIO

eventualmente recolhido e/ou do equívoco no preenchimento das VAREJISTA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS DO ESTADO DO RIO

guias de recolhimento. GRANDE DO SUL. OPOSIÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO

Pelo exposto, não conheço do recurso ordinário, por deserto. SINDICATO E ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - OCERGS. O Tribunal

ISTO POSTO Regional do Trabalho da 4ª Região, ao declarar a legitimidade do

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios Grande do Sul - OCERGS para figurar no polo passivo do dissídio

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, não coletivo, julgando improcedente a oposição apresentada, decidiu em

conhecer do recurso ordinário, por deserto. perfeita consonância com o entendimento atualmente perfilhado por

Brasília, 14 de maio de 2018. esta Seção Especializada. Há reiteradas decisões deste Colegiado,

no sentido de que as cooperativas envolvem interesses comuns,

que justificam a associação específica, com representação capaz

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) de negociar as condições de trabalho que irão comandar as

Dora Maria da Costa relações entre elas e seus empregados, e de que, por essa razão, o

Ministra Relatora OCERGS detém legitimidade para figurar, como representante das

cooperativas, no polo passivo dos dissídios coletivos. Precedentes.

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 114
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Recurso ordinário conhecido e não provido. B) RECURSO Grande do Sul - SINCODIV; e o Sindicato do Comércio Varejista de

ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO E ORGANIZAÇÃO Carazinho, com o objetivo de ter por fixadas as condições de

DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - trabalho para vigerem a partir de 1º de maio de 2014 (fls. 2/36).

OCERGS. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. 1. O Sindicato do Comércio Varejista de Carazinho (suscitado),

CLÁUSULA 39 - ATESTADO DE DOENÇA. Em observância às juntamente com o Sindicato do Comércio Atacadista do Estado do

disposições do art. 60, § 4º, da Lei nº 8.213/1991, que dispõe Rio Grande do Sul e o Sindicato Intermunicipal do Comércio

acerca da prevalência do atestado médico fornecido pelo Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio Grande do Sul,

empregador, nas hipóteses de possuir serviço médico próprio ou alegando sua legitimidade para representarem a categoria

conveniado, o entendimento desta Seção Especializada econômica envolvida na ação, apresentaram oposição, às fls.

consubstanciou-se no Precedente Normativo nº 81, segundo o qual 228/241, arguindo a ilegitimidade passiva do Sindicato e

é assegurada eficácia aos atestados médicos e odontológicos Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul -

fornecidos por profissionais do sindicato dos trabalhadores, para o OCERGS.

fim de abono de faltas ao serviço, desde que existente convênio do O Sindicato profissional, em petições de fls. 564 e 593 - esta última

sindicato com a Previdência Social, salvo se o empregador possuir com equívoco na denominação do suscitante -, requereu a

serviço próprio ou conveniado. No caso em tela, embora o teor da desistência da ação em relação ao Sindicato do Comércio Varejista

cláusula 39 - ATESTADO DE DOENÇA, deferida pelo Regional, de Carazinho e ao Sindicato Intermunicipal dos Concessionários e

mostre-se consonante com a jurisprudência desta SDC, ao dispor Distribuidores de Veículos do Estado do Rio Grande do Sul -

que os atestados médicos e odontológicos fornecidos por SINCODIV, em face da celebração de convenção coletiva de

profissionais do sindicato dos trabalhadores serão aceitos, nada trabalho.

prevê acerca da condicionante que exclui a eficácia da norma em Mediante os despachos de fls. 566 e 598, foram homologadas as

relação àqueles empregadores que possuírem serviço médico desistências requeridas, e extinto o processo, sem resolução de

próprio ou conveniado. Nesse contexto, dá-se provimento parcial mérito, quanto aos referidos suscitados.

ao recurso para adaptar a cláusula 39 - ATESTADO DE DOENÇA Permaneceu como suscitado remanescente o Sindicato e

aos termos do Precedente Normativo nº 81 da SDC do TST. 2. Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul -

DEMAIS CLÁUSULAS. Nega-se provimento ao recurso, com OCERGS.

relação às demais cláusulas, analisadas com base nos dispositivos Deferido, à fl. 591, pedido de suspensão da ação, formulado pelo

legais e jurisprudenciais pertinentes. Recurso ordinário conhecido Sindicato suscitante, até que fosse julgado o dissídio coletivo de

e parcialmente provido. 2013 (DC-20515-69.2013.5.04.0000).

Em face das informações acerca do andamento do dissídio coletivo

de 2013, o suscitante foi instado a se manifestar sobre seu

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n° interesse no julgamento da ação como originária (fl. 609). Em

TST-RO-20560-39.2014.5.04.0000, em que são Recorrentes e resposta (fl. 611), o Sindicato dos Empregados no Comércio de

Recorridos SINDICATO DO COMÉRCIO ATACADISTA DO Sarandi-RS solicitou a conversão da ação para dissídio coletivo

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E OUTROS e SINDICATO E originário.

ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO Noticiado, à fl. 714, o julgamento do DC-20515-69.2013.5.04.0000,

GRANDE DO SUL - OCERGS e Recorridos SINDICATO DOS cujo acórdão foi juntado às fls. 718/776.

EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE SARANDI e SINDICATO O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, analisando o

INTERMUNICIPAL DOS CONCESSIONÁRIOS E dissídio coletivo como revisional, julgou improcedente a oposição e

DISTRIBUIDORES DE VEÍCULOS DO ESTADO DO RIO GRANDE declarou a legitimidade passiva ad causam do OCERGS,

DO SUL - SINCODIV. determinando, ainda, que a ação abrangesse os trabalhadores

integrantes da categoria profissional representadas pelo OCERGS,

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Sarandi-RS ajuizou no Município de Sarandi-RS. No mérito, deferiu parcialmente as

dissídio coletivo de natureza econômica e revisional contra o reivindicações.

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio O Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Gêneros

Grande do Sul - OCERGS; o Sindicato Intermunicipal dos Alimentícios do Estado do Rio Grande do Sul; o Sindicato do

Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Rio Comércio Atacadista do Estado do Rio Grande do Sul; e o Sindicato

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 115
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

do Comércio Varejista de Carazinho interpuseram recurso ordinário, O Sindicato do Comércio Varejista de Carazinho (suscitado 03),

às fls. 847/858, à decisão que julgou improcedente a oposição. juntamente com o Sindicato do Comércio Atacadista do RS e com o

Também interpôs recurso ordinário o Sindicato e Organização das Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Gêneros

Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul - OCERGS, às fls. Alimentícios do RS, oferecem OPOSIÇÃO em face da OCERGS (ID

861/866, requerendo a reforma da decisão quanto às cláusulas 4ª - da265f3).

CORREÇÃO AUTOMÁTICA DOS SALÁRIOS; 7ª - ADICIONAL DE Registro, inicialmente, que o objeto da presente ação não cuida de

HORAS EXTRAS; 39 - ATESTADO DE DOENÇA; e 55 - declaração de nulidade de registro sindical, bem como resta

DELEGADO SINDICAL. incontroverso nos autos, o fato de que a entidade sindical oposta

Admitidos os recursos (fls. 872/873), foram oferecidas contrarrazões (OCERGS) detém registro sindical junto ao Ministério de Trabalho e

pelo OCERGS, às fls. 879/883. Emprego.

Desnecessária a remessa dos autos aoMinistério Público do Portanto, não estando em discussão a validade do registro sindical

Trabalho. da entidade oposta, nem mesmo sua base territorial, mas tão

É o relatório. somente a sua legitimidade para figurar no polo passivo de ação

coletiva, como entidade sindical representativa de categoria

VOTO econômica, diga-se de empregadores, entendo que o registro

sindical válido é suficiente para legitimar a OCERGS a figurar no

A) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO POR SINDICATO DO polo passivo da presente ação coletiva, o que dispensaria análise

COMÉRCIO VAREJISTA DE CARAZINHO; SINDICATO mais profunda a respeito das regras de constituição das entidades

INTERMUNICIPAL DO COMÉRCIO VAREJISTA DE GÊNERO sindicais e validade dos seus respectivos registros, lembrando que

ALIMENTÍCIOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; E o registro sindical da entidade oposta sequer foi impugnado de

SINDICATO DO COMÉRCIO ATACADISTA DO ESTADO DO RIO forma específica.

GRANDE DO SUL. O entendimento supra está em perfeita consonância com

precedentes do Superior Tribunal Federal e do Tribunal Superior do

I - CONHECIMENTO Trabalho, dos quais resultaram, respectivamente, a Súmula nº 677 e

a Orientação Jurisprudencial nº 15, a seguir transcritas: 'STF

O recurso é tempestivo e está com a representação regular (fls. Súmula nº 677 - 24/09/2003 - DJ de 9/10/2003, p. 4; DJ de

243, 244 e 267) e as custas processuais recolhidas (fls. 789 e 10/10/2003, p. 4; DJ de 13/10/2003, p. 4. Incumbência do Ministério

859/860), razões pelas quais dele conheço. do Trabalho - Registro das Entidades Sindicais e Princípio da

Unicidade. Até que lei venha a dispor a respeito, incumbe ao

II - MÉRITO Ministério do Trabalho proceder ao registro das entidades sindicais

e zelar pela observância do princípio da unicidade.' Orientação

OPOSIÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO SINDICATO E Jurisprudencial nº 15, in verbis: '15. SINDICATO. LEGITIMIDADE

ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO "AD PROCESSUM". IMPRESCINDIBILIDADE DO REGISTRO NO

GRANDE DO SUL - OCERGS MINISTÉRIO DO TRABALHO. A comprovação da legitimidade "ad

processum" da entidade sindical se faz por seu registro no órgão

O Regional, analisando a oposição apresentada, assim decidiu: competente do Ministério do Trabalho, mesmo após a promulgação

da Constituição Federal de 1988.'

I - PRELIMINARMENTE: O próprio representante do Ministério Público do Trabalho, no seu

I.1. DA OPOSIÇÃO - DA ILEGITIMIDADE PASSIVA "AD CAUSAM" parecer (ID 1805bdc), aduziu que "Em relação ao mérito da

DA OCERGS. Oposição, embora com ressalvas em relação ao entendimento

O Sindicato suscitante ajuizou a presente ação de dissídio coletivo consolidado, considera-se prudente a observância do

contra os suscitados discriminados no relatório supra. Homologada posicionamento adotado por essa SDC, devidamente chancelado

a desistência da ação relativamente aos suscitados 02 e 03 (IDs pelo E. TST.

fa55739 e b84405a, respectivamente), remanesceu no polo passivo A OCERGS possui registro sindical há mais de uma década, o que

apenas o suscitado 01 - Organização e Sindicato das Cooperativas lhe confere, desde então (13/08/2001), personalidade sindical e,

do Estado do Rio Grande do Sul - OCERGS . consequentemente, legitimidade para representar a "categoria

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 116
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

econômica" cooperativas. O Ministério do Trabalho e Emprego é o figurar no polo passivo da ação, julgando improcedente a oposição

órgão administrativo competente para proceder ao registro das apresentada, decidiu em perfeita consonância com o entendimento

entidades sindicais e zelar pelo princípio da unicidade sindical, perfilhado por esta Seção Especializada.

conforme jurisprudência cristalizada na Súmula n° 677 do STF. Com efeito, este Colegiado tem reconhecido que o OCERGS tem

Os atos administrativos, a seu turno, gozam de presunção de personalidade sindical para representar a categoria econômica das

legitimidade e, portanto, prevalecem até decisão administrativa ou cooperativas em todo o Estado do Rio Grande do Sul e, portanto,

judicial em sentido contrário. para figurar no polo passivo dos dissídios coletivos.

Nesse sentido, para evitar a insegurança jurídica nas relações A tese defendida por esta SDC é a de que, "não obstante as

coletivas (inclusive no que respeita a eventuais ações de dificuldades de reconhecer a conformação de sindicato que agrega

cumprimento), opina o MPT pelo reconhecimento da representação todas as cooperativas de determinada unidade federativa,

sindical da OCERGS, até que outro ato administrativo, ou ainda, especialmente em face do critério de formação das associações

decisão judicial, o revogue. sindicais, é fato que as cooperativas, em virtude de sua natureza

Destarte, entendo pela improcedência da OPOSICÃO, peculiar e, sobretudo, em razão da ausência de fins lucrativos - o

reconhecendo a legitimidade passiva 'ad causam' da OCERGS. (fls. que as difere de outros setores econômicos -, envolvem interesses

790/792) comuns, e que justificam, nesse contexto, associação específica,

com representação capaz de negociar as condições de trabalho que

Sustentam os Sindicatos opoentes, às fls. 848/858 do recurso irão reger as relações entre elas e seus empregados" (RO-12542-

ordinário, que o Regional se limitou a analisar a questão sob a ótica 68.2010.5.04.0000, Relª Minª Maria de Assis Calsing, DEJT de

do formalismo referente à concessão do registro sindical, deixando 28/6/2013).

de fazê-lo à luz do princípio da unicidade sindical (art. 8º, II, da CF) As ementas a seguir transcritas sintetizam o entendimento atual

e dos requisitos contidos no art. 511 da CLT, que devem ser desta SDC quanto à legitimidade passiva do OCERGS:

observados quando da formação de um sindicato. Afirmam que o

próprio Ministério do Trabalho e Emprego tem negado o registro de RECURSO ORDINÁRIO EM DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA

normas coletivas firmadas entre sindicatos de empregados no ECONÔMICA. OPOSIÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO

comércio e o OCERGS, pela ausência de correspondência entre as SINDICATO E ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO

categorias econômica e profissional representadas. Alegam que ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - OCERGS. O Tribunal

aceitar a legitimidade do OCERGS para figurar no polo passivo da Regional do Trabalho da 4ª Região registrou que o fato de as

ação é admitir que uma mesma categoria profissional, na mesma cooperativas se sujeitarem a um regulamento tributário e fiscal

base territorial, tenha condições distintas de trabalho. Ressaltam próprio não é motivo suficiente para que se caracterize a

que essa questão foi bem analisada pela 6ª Turma do TST, no solidariedade de interesses econômicos, capaz de justificar a

julgamento do RR-126-12.2011.5.03.0081 (Relator Ministro Augusto existência de uma categoria patronal própria. E complementou que

César Leite de Carvalho, julgamento em 10/4/2013 e DEJT de as Cooperativas representadas pelo Sindicato e Organização das

26/4/2013), quando se decidiu que a solidariedade de interesses Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul - OCERGS devem se

entre cooperativas não é elemento bastante para viabilizar a criação sujeitar às normas coletivas definidas para a categoria econômica

do respectivo sindicato. Acrescem que o sistema sindical, regulado na qual se enquadram, de acordo com a atividade que exploram.

pela CLT e pela Constituição Federal, é estruturado pela atividade Assim, decidiu que o referido ente sindical não pode figurar no polo

econômica das empresas e que o OCERGS é entidade associativa passivo das demandas coletivas, e, acolhendo a oposição ofertada,

de natureza civil, não havendo, sequer, vínculo de emprego entre a extinguiu o processo, sem resolução de mérito. Ocorre que o

cooperativa e seus cooperativados. Requerem a reforma da entendimento tranquilo desta Corte, manifestado em reiteradas

decisão. decisões, é no sentido de que as cooperativas envolvem interesses

Cinge-se a discussão acerca da legitimidade processual do comuns, que justificam a associação específica, com representação

suscitado, Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do capaz de negociar as condições de trabalho que irão comandar as

Rio Grande do Sul - OCERGS, para representar o segmento relações entre elas e seus empregados. E que, por essa razão, o

econômico das cooperativas e firmar normas coletivas com o OCERGS detém legitimidade para figurar, como representante das

Sindicato dos Empregados no Comércio de Sarandi. cooperativas, no polo passivo dos dissídios coletivos. Precedentes.

O Tribunal Regional, ao declarar a legitimidade do OCERGS para Assim é de ser provido o recurso ordinário para reformar a decisão

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 117
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

e, afastando a ilegitimidade passiva do OCERGS, determinar o

retorno dos autos ao TRT da 4ª Região, a fim de que analise o B) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO E

dissídio coletivo como entender de direito. Recurso ordinário ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO

conhecido e provido. (RO-3035-49.2011.5.04.0000, Relª Minª Dora GRANDE DO SUL - OCERGS

Maria da Costa, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data

de julgamento: 12/12/2017, DEJT 15/12/2017) I - CONHECIMENTO

RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO. OPOSIÇÃO. O recurso é tempestivo e está com a representação regular (fl. 578)

LEGITIMIDADE PASSIVA DA ORGANIZAÇÃO E SINDICATO DAS e as custas processuais recolhidas (fls. 789 e 867), razões pelas

COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - quais dele conheço.

OCERGS. Conforme reiterada jurisprudência desta Seção

Especializada, o Sindicato e Organização das Cooperativas do II - MÉRITO

Estado do Rio Grande do Sul - OCERGS tem legitimidade para

representar em juízo a categoria econômica das cooperativas, a Consta, às fls. 718/776 destes autos, cópia do acórdão relativo ao

qual se afirma no registro sindical obtido perante o Ministério do dissídio coletivo de 2013 (DC-20515-69.2013.5.04.0000), cuja

Trabalho e Emprego. Recurso ordinário a que se dá provimento. sentença é considerada como norma revisanda para a presente

(RO-5492-54.2011.5.04.0000, Rel. Min. Fernando Eizo Ono, Data ação.

de julgamento: 9/3/2015, DEJT de 20/3/2015) Observa-se que, no referido processo, não houve a pactuação de

cláusulas com a consequente homologação pelo Tribunal Regional.

"RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO. OPOSIÇÃO. Em observância à disposição contida na parte final do art. 114, § 2º,

REPRESENTAÇÃO DE CATEGORIA ECONÔMICA. da Constituição Federal, esta SDC firmou seu entendimento de que

COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. são consideradas preexistentes aquelas normas constantes de

LEGITIMIDADE SINDICAL. 1. Trata-se de hipótese em que o TRT acordos e/ou convenções coletivas imediatamente anteriores à

da 4ª Região declarou a ilegitimidade do suscitado Sindicato e instauração de eventual dissídio coletivo, ou àquelas condições

Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul - homologadas no dissídio coletivo anterior; e de que as condições

OCERGS, ao fundamento de que a entidade sindical não convencionais preexistentes devem ser consideradas no dissídio

representa categoria patronal, uma vez que as cooperativas não que suceder a extinção da vigência de acordo ou convenção

detêm solidariedade de interesses econômicos. 2. Ocorre, todavia, coletiva anterior, deixando de o ser por ocasião da instauração de

que o entendimento sufragado pela Corte Regional tem sido novo dissídio, oportunidade em que ele será julgado com as

superado por reiteradas decisões desta SDC/TST, nas quais se restrições peculiares ao poder normativo da Justiça do Trabalho.

tem, a cada ano, reconhecido a legitimidade do Sindicato e Assim, não há falar em preexistência das condições, e, nesse

Organização e das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul - contexto, as cláusulas impugnadas no recurso ordinário serão

OCERGS como representante da categoria econômica das analisadas com base nos dispositivos legais e na jurisprudência

cooperativas. Legitimidade de representação, inclusive, afirmada desta Corte.

por registro sindical obtido no Ministério do Trabalho e Emprego, e,

ainda, confirmada por decisões judiciais transitadas em julgado, 1. CLÁUSULA 4ª - CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DIFERENÇAS

conforme registrado no próprio acórdão recorrido. Recurso ordinário SALARIAIS

conhecido parcialmente e provido." (RO-8048-29.2011.5.04.0000,

Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, Data de julgamento: O Regional assim decidiu:

12/5/2014, DEJT de 16/5/2014)

04) CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DIFERENÇAS SALARIAIS

Desnecessário, portanto, tecer maiores considerações acerca de 'PEDIDO: Todas as diferenças salariais, decorrentes da aplicação

matéria, que já se encontra definitivamente equacionada por esta das cláusulas de conteúdo econômico do presente dissídio, deverão

Seção Especializada. ser pagas na presença da entidade Suscitante, com a devida

Desse modo, mantenho a decisão regional. atualização e correção monetária, calculada pela tabela de débitos

Nego provimento ao recurso ordinário. trabalhistas, da data em que o valor era devido até a data do efetivo

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 118
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

pagamento. (cláusula 05 da AGE).' exame da referida norma.

REVISANDA: 04 - Defiro parcialmente o pedido, nos termos da De outro lado, conforme considerações anteriormente expostas, não

norma revisanda, que reproduz o entendimento prevalecente nesta se trata de condição preexistente.

Seção de Dissídios Coletivos, ficando a cláusula assim redigida: Esta Seção Especializada tem mantido cláusulas de igual teor, ao

'Determinar que as diferenças salariais devidas em decorrência da fundamento de que a proposta nelas contida objetiva apenas

aplicação das cláusulas de conteúdo econômico da presente garantir efetividade à decisão proferida e de que a correção

decisão normativa sejam pagas na primeira folha de pagamento do monetária nelas prevista se refere, apenas, a um mecanismo de

mês subsequente ao da publicação do acórdão, devidamente recomposição de perdas oriundas do processo inflacionário, que

corrigidas.' não gera enriquecimento ou efetivo prejuízo para as partes.

PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO: Correção Nesse sentido, citam-se precedentes desta Seção Especializada,

monetária das diferenças salariais. Pelo deferimento parcial, para nos quais foram mantidas cláusulas normativas idênticas à que ora

que as diferenças salariais devidas em decorrência da aplicação se analisa: RO-20482-84.2010.5.04.0000, Relator Ministro Walmir

das cláusulas de conteúdo econômico da decisão normativa a ser Oliveira da Costa, julgamento em 8/6/2015 e DEJT de 12/6/2015;

proferida nos presentes autos sejam pagas na primeira folha de RO-8724-74.2011.5.04.0000, Relatora Ministra Maria de Assis

pagamento do mês subsequente ao da publicação do acórdão, Calsing, julgamento em 9/3/2015 e DEJT de 13/3/2015; RO-8712-

devidamente corrigidas. 60.2011.5.04.0000, Relator Ministro Fernando Eizo Ono, julgamento

VOTO: deferir o pedido, em parte, com fundamento nas disposições em 23/2/2015 e DEJT de 6/3/2015; e RO-20483-69.2010.5.04.0000,

insertas cláusula 04 da norma revisanda, onde foi adotada como Relatora Ministra Kátia Magalhães Arruda, julgamento em

razão de decidir a orientação contida no entendimento prevalecente 15/12/2014 e DEJT de 19/12/2014.

nesta Seção de Dissídios Coletivos quanto ao particular, in verbis: Nego provimento ao recurso.

'Determinar que as diferenças salariais devidas em decorrência da

aplicação das cláusulas de conteúdo econômico da presente 2. CLÁUSULA 7ª - ADICIONAL DE HORAS EXTRAS

decisão normativa sejam pagas na primeira folha de pagamento do

mês subsequente ao da publicação do acórdão, devidamente Eis o teor da decisão regional, no tópico:

corrigidas." (fl. 794)

07) ADICIONAL DE HORAS EXTRAS

Sustenta o OCERGS, às fls. 862/863, que a decisão impõe o dever 'PEDIDO: Fixação de um adicional de 100% (cem por cento) para

de que sejam pagas as diferenças salariais decorrentes do reajuste as horas extraordinárias prestadas por integrantes da categoria,

concedido na primeira folha de pagamento do mês subsequente ao mediante acordo coletivo firmado entre Sindicato Suscitante,

da publicação do acórdão, devidamente corrigidas, o que não se Sindicatos Patronais e/ou empresas. (Precedente Normativo 43 do

coaduna com a ordem jurídica. Alega que a natureza jurídica da TST).

prestação jurisdicional, em sede normativa, não tem feição PARÁGRAFO PRIMEIRO - Para o cálculo de hora extra do

condenatória-mandamental e que a imposição imediata da comissionista tomar-se-á como base o

obrigação, com repercussão temporal retroativa, inclusive sob pena valor total das comissões auferidas no mês, acrescentando-se ao

de multa normativa, revela-se descaracterizada em sua destinação, valor da hora o adicional estabelecido no

que vem a beneficiar, apenas, os atuais empregados que "caput" da presente cláusula.

permaneçam vinculados à folha de pagamento. Requer a exclusão PARÁGRAFO SEGUNDO - As horas despendidas na conferência

da cláusula. de caixa, quando realizadas após a

Verifica-se, de plano, que o recorrente intitulou a cláusula 4ª, como jornada normal de trabalho, deverão ser pagas como extras com a

sendo relativa à Correção automática dos salários - pretensão que aplicação do percentual estabelecido no

foi indeferida pelo Tribunal Regional -, e que, conforme consta à fl. "caput" da presente cláusula.

794 do acórdão recorrido, a cláusula 4ª se refere à Correção PARÁGRAFO TERCEIRO - Sempre que ocorrer a prorrogação da

Monetária das Diferenças Salariais. Todavia, considera-se que jornada de trabalho em período igual ou superior a 01 (uma) hora as

houve, apenas, um equívoco da parte, quando da titulação da empresas ficam obrigadas a fornecer lanche a seus empregados,

cláusula 4ª, na medida em que as razões do recurso se convergem no valor de 3% (três por cento) do piso geral da categoria. (cláusula

exatamente contra aquilo que foi deferido pelo Regional, quando do 08 da AGE).'

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 119
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

REVISANDA: 07 - Defiro parcialmente o pedido formulado no ECONÔMICA. (...) HORAS EXTRAS. Domina, nesta Seção

"caput", nos termos da norma revisanda (cl. 8ª, "caput"), que Especializada, o entendimento segundo o qual as horas extras

reproduz o Precedente nº 03 deste Regional, ficando a cláusula devem ser remuneradas com o adicional de 100%, ainda que

assim redigida: "As horas extraordinárias subsequentes as duas cancelado o Precedente Normativo n.º 43 desta Corte Superior, que

primeiras serão remuneradas com o adicional de 100% (cem por assim dispunha. Recurso Ordinário parcialmente provido. (RO-6330

cento)". Indefiro o pedido formulado no parágrafo primeiro, por -20.2013.5.15.0000, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DEJT

versar sobre matéria própria para acordo entre as partes. Indefiro os 30/11/2016)

pedidos formulados nos parágrafos segundo e terceiro, por

versarem sobre matéria suficientemente regulada em lei e, no que I - RECURSO ORDINÁRIO DO SINDICATO DO COMÉRCIO

exceder, própria para acordo entre as partes. VAREJISTA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE

VOTO: Deferir o pedido consignando no "caput", em parte, com SANTA CATARINA (SINDIPETRO) - DISSÍDIO COLETIVO DE

fundamento nas disposições insertas na cláusula 07 da norma NATUREZA ECONÔMICA - (...) CLÁUSULA 16ª - JORNADA DE

revisanda, onde foi adotada como razão de decidir a orientação TRABALHO As horas extras devem ser remuneradas com adicional

contida no Precedente 03 deste Tribunal, in verbis: As horas de 100% (cem por cento), para preservar a integridade psicofísica

extraordinárias subsequentes as duas primeiras serão remuneradas do trabalhador. Inteligência do art. 7º, XVI, da Constituição.

com o adicional de 100% (cem por cento). Indeferir os pedidos Julgados da C. SDC. (...) (RO-221-37.2014.5.12.0000, Relatora

consignados nos §§ 1º, 2º e 3º, porquanto tratam de matéria Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 17/6/2016)

suficientemente regulada em lei e, no que exceder, própria para

acordo entre as partes. (fls. 795/796) Observa-se, portanto, que a cláusula fixada pelo Regional, ao

estabelecer o patamar de 100% do adicional apenas para as horas

Sustenta o recorrente, às fls. 863/864, que, em face do princípio da extras subsequentes às duas primeiras, apresenta condição mais

legalidade, a decisão não pode prosperar, pois se trata de matéria benéfica ao empregador, em relação ao que seria estabelecido,

reservada à lei, conforme art. 7º, XXIII, da CF, além de que a ordem caso se aplicasse a jurisprudência desta Corte.

jurídica estabelece apenas um adicional de 50%, não cabendo ao Por outro lado, na medida em que se considera inviável a prática do

Poder Judiciário majorá-lo. Acresce que a condição deve ser labor extraordinário além de duas horas, principalmente quando

estabelecida pela via negocial e requer a exclusão da cláusula. esse labor leva à extrapolação da jornada diária de dez horas, a

Sem razão o recorrente. cláusula, da forma como deferida, apresenta caráter inibitório,

Ressalta-se, de plano, que o inciso XXIII do art. 7º da Constituição devendo ser mantida.

Federal, mencionado pelo recorrente, diz respeito ao adicional de Nego provimento ao recurso.

remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas,

matéria que não é objeto de discussão nestes autos. 3. CLÁUSULA 39 - ATESTADO DE DOENÇA

A Constituição da República, em seu art. 7º, XVI, afirma que é

direito do trabalhador a remuneração do serviço extraordinário Eis o teor da decisão, no tópico:

superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal" (grifos

apostos) o que permite a atuação supletiva da Justiça do Trabalho 39) ATESTADO DE DOENÇA

para fixar, pela via normativa, percentual superior àquele 'PEDIDO: Obrigação de as empresas aceitarem, para todos os

mencionado no texto constitucional. efeitos, atestados de doença fornecidos por quaisquer profissionais

Mesmo após o cancelamento do Precedente Normativo nº 43 da médicos ou odontólogos. (cláusula 41 da AGE).'

SDC deste Tribunal, posiciona-se este Colegiado no sentido de REVISANDA: 40 - Defiro parcialmente o pedido, nos termos da

conferir o percentual de 100% para o serviço prestado de forma norma revisanda (cl. 41ª), que reproduz o entendimento majoritário

extraordinária, em jornada superior àquela estipulada pelo art. 58 da desta Seção de Dissídios Coletivos, ficando a cláusula assim

CLT, ou seja, para todas as horas extras laboradas, como forma de redigida: 'Assegura-se eficácia aos atestados médicos e

coibir práticas irregulares que restrinjam o mercado de trabalho e odontológicos fornecidos por profissionais do sindicato dos

atentem contra a saúde do trabalhador. Nesse sentido: trabalhadores, para o fim de abono de faltas ao serviço, desde que

existente convênio do sindicato com a Previdência Social'.

RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA VOTO: Deferir o pedido, em parte, com fundamento nas disposições

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 120
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

insertas na norma revisanda, cláusula 41, onde foi adotada como

razão de decidir a orientação contida no entendimento prevalecente SÚMULA Nº 15 - ATESTADO MÉDICO. A justificação da ausência

nesta Seção de Dissídios Coletivos, quanto ao particular, nos do empregado motivada por doença, para a percepção do salário-

seguintes termos: 'Assegura-se eficácia aos atestados médicos e enfermidade e da remuneração do repouso semanal, deve observar

odontológicos fornecidos por profissionais do sindicato dos a ordem preferencial dos atestados médicos estabelecida em lei.

trabalhadores, para o fim de abono de faltas ao serviço, desde que

existente convênio do sindicato com a Previdência Social'. (fl. 817) E, especificamente em relação aos atestados médicos fornecidos

por profissionais do sindicato dos trabalhadores, o Precedente

Sustenta o OCERGS, à fl. 864, que a decisão proferida não se Normativo nº 81 do TST estabelece:

coaduna com a ordem jurídica. Afirma que a Lei Federal nº

8.213/1991, no § 4º do art. 60, estabelece que todos os PRECEDENTE NORMATIVO Nº 81 - ATESTADOS MÉDICOS E

empregados que possuírem serviço médico, próprio ou mantido por ODONTOLÓGICOS. Assegura-se eficácia aos atestados médicos e

convênio, já têm a possibilidade de realizarem exames para verificar odontológicos fornecidos por profissionais do sindicato dos

a existência, ou não, de doenças e o tempo e a forma de eventual trabalhadores, para o fim de abono de faltas ao serviço, desde que

tratamento, e que o entendimento do TST sobre a matéria está existente convênio do sindicato com a Previdência Social, salvo se

consubstanciado nas Súmulas nos 15 e 282. Requer a exclusão da o empregador possuir serviço próprio ou conveniado.

cláusula e/ou, sucessivamente, a exclusão da eficácia da norma

coletiva para aqueles empregados que possuem serviço médico No caso em tela, embora o teor da cláusula impugnada se mostre

próprio ou conveniado. consonante com a jurisprudência desta Seção Especializada, ao

Os §§ 3 e 4º do art. 60 da Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre o dispor que os atestados médicos e odontológicos fornecidos por

auxílio-doença, assim estabelecem: profissionais do sindicato serão aceitos, nada fala acerca da

condicionante que exclui a eficácia da norma em relação àqueles

Art. 60. (...). empregadores que possuem serviço próprio ou conveniado, não

§ 3º - Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do observando, portanto, a prevalência legalmente estabelecida.

afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à Nesse contexto, dou provimento parcial ao recurso para adaptar a

empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. cláusula 39 - ATESTADOS DE DOENÇA aos termos do Precedente

§ 4º A empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em Normativo nº 81 da SDC do TST, de forma a que passe a

convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas apresentar a seguinte redação:

correspondentes ao período referido no § 3º, somente devendo

encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social Assegura-se eficácia aos atestados médicos e odontológicos

quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias. fornecidos por profissionais do sindicato dos trabalhadores, para o

fim de abono de faltas ao serviço, desde que existente convênio do

Da mesma forma, o art. 75, § 1º, do Decreto nº 3.048/1999 sindicato com a Previdência Social, salvo se o empregador possuir

estabelece que cabe à empresa que dispuser de serviço médico serviço próprio ou conveniado.

próprio ou em convênio o exame médico e o abono das faltas

correspondentes aos primeiros quinze dias de afastamento. 4. CLÁUSULA 55 - DELEGADO SINDICAL

A Súmula nº 282 do TST dispõe no mesmo sentido, ao conferir ao

serviço médico mantido pela empresa ou àquele mantido pelo O Regional decidiu:

empregador mediante convênio, o abono dos primeiros quinze dias

de afastamento do empregado. 55) DELEGADO SINDICAL

Deflui-se, portanto, dos referidos dispositivos, a prevalência do 'PEDIDO: É assegurada a estabilidade provisória, por um ano, ao

atestado médico passado pelo serviço médico da empresa ou do Delegado Sindical, na proporção de um por empresa com pelo

convênio com ela firmado, e tem-se que, somente na inexistência menos dez empregados na mesma categoria profissional, quando

das duas hipóteses mencionadas, serão admitidos outros meios, no eleito por assembleia geral, promovida pelo respectivo Sindicato

que tange ao fornecimento dos atestados. entre os interessados, com mandato não inferior a um ano. (adotada

Nesse sentido, a Súmula nº 15 do TST prevê: a redação da representação) (cláusula 56 da AGE).'

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 121
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

REVISANDA: 55 - Defiro parcialmente o pedido, nos termos da conflito, mediante a aplicação dos precedentes normativos e/ou

norma revisanda (cl. 56ª), que reproduz o Precedente Normativo nº orientações jurisprudenciais pertinentes, mas apenas acresceu um

86 do TST, ficando a cláusula assim redigida: 'Nas empresas com limite mínimo à atuação desta Justiça especializada, no que tange à

mais de 200 (duzentos) empregados, integrantes da mesma observância das condições preexistentes.

categoria profissional representada pelo suscitante, é assegurada a Assim, em regra, não se tratando de cláusulas preexistentes e

eleição direta de um representante, com as garantias do art. 543, e havendo precedente normativo que disponha acerca de

seus parágrafos, da CLT'. determinada matéria, esta Justiça especializada segue a orientação

VOTO: Deferir o pedido, em parte, com fundamento nas disposições nele contida, não havendo nenhuma ilegalidade ou

insertas na norma revisanda, cláusula 55, onde foi adotada como inconstitucionalidade na sua aplicação.

razão de decidir a orientação contida no Precedente Normativo nº O Regional proferiu a decisão com fulcro na jurisprudência desta

86 do TST, acrescido da expressão 'integrantes da mesma Corte, consubstanciada no Precedente Normativo nº 86 da SDC,

categoria profissional representada pelo suscitante', in verbis: 'Nas que estabelece:

empresas com mais de 200 (duzentos) empregados, integrantes da

mesma categoria profissional representada pelo suscitante, é REPRESENTANTES DOS TRABALHADORES. ESTABILIDADE

assegurada a eleição direta de um representante, com as garantias NO EMPREGO. Nas empresas com mais de 200 empregados é

do art. 543, e seus parágrafos, da CLT'. (fl. 826) assegurada a eleição direta de um representante, com as garantias

do art. 543, e seus parágrafos, da CLT.

Sustenta o OCERGS, às fls. 865/866, que a decisão, proferida com

base em precedente normativo, não só destoa da ordem jurídica Nesse contexto, não há falar em violação dos arts. 22 e 60 da Lei

como representa típica atuação legisladora do Poder Judiciário, o Maior, bem como em contrariedade ao princípio da legalidade.

que não se compatibiliza com a Constituição Federal. Alega que Acrescenta-se que, diversamente do que afirma o recorrente, o art.

compete à União, por atuação do Poder Legislativo, a edição de 11 da Constituição Federal é autoaplicável, sendo desnecessária a

normas jurídicas, e, ao Judiciário, apenas efetivá-las na solução de edição de lei ordinária para regular a matéria nele contida.

conflitos, e que a decisão se mostra incorreta, ao impor Nego provimento ao recurso.

comportamento e obrigação inexistentes no ordenamento jurídico.

Afirma que a EC nº 45/2004 limitou a atuação do Poder Judiciário e ISTO POSTO

que devem ser observados apenas os parâmetros obrigacionais -

pacta sunt servanda e rebus sic standibus. Ressalta que o art. 11 da ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios

CF não foi regulamentado positivamente e aponta violação dos arts. Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade: I)

22 e 60 da Lei Maior, bem como contrariedade ao princípio da conhecer do recurso ordinário interposto por Sindicato do Comércio

legalidade. Assevera que a ordem jurídica não é constituída de Varejista de Carazinho, Sindicato do Comércio Atacadista do

preceitos e comandos desprovidos de finalidade e que a decisão Estado do Rio Grande do Sul e Sindicato Intermunicipal do

acaba por atribuir, a terceiros, proteções jurídicas não pessoais, e, Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio

sim, institucionais-sindicais, fundadas na direção sindical. Requer a Grande do Sul, no tocante à oposição, e, no mérito, negar-lhe

exclusão da cláusula. provimento; e II) conhecer do recurso ordinário interposto pelo

Não se sustenta a tese do recorrente de que, a partir da Emenda Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio

Constitucional nº 45/2004, que alterou a redação da parte final do § Grande do Sul - OCERGS e, no mérito: a) negar-lhe provimento

2º do art. 114, foi retirada da Justiça do Trabalho a competência de quanto às cláusulas 4ª - CORREÇÃO MONETÁRIA DAS

julgar com base em seus precedentes normativos. DIFERENÇAS SALARIAIS; 7ª - ADICIONAL DE HORAS EXTRAS;

Como é cediço, esses dispositivos são o resumo do entendimento e 55 - DELEGADO SINDICAL; e b) dar provimento parcial ao

consolidado na jurisprudência desta Corte a respeito de temas recurso quanto à cláusula 39 - ATESTADO DE DOENÇA, para

recorrentes, constituindo, a teor do que dispõe o art. 8º da CLT, adaptá-la aos termos do Precedente Normativo nº 81 da SDC do

fonte de direito. TST, de forma a que passe a apresentar a seguinte redação:

Ademais, a EC nº 45/2004, ao alterar a redação do § 2º do art. 114 Assegura-se eficácia aos atestados médicos e odontológicos

da CF, não determinou a revogação do poder normativo da Justiça fornecidos por profissionais do sindicato dos trabalhadores, para o

do Trabalho, tampouco eliminou a possibilidade de ela decidir o fim de abono de faltas ao serviço, desde que existente convênio do

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 122
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

sindicato com a Previdência Social, salvo se o empregador possuir TRABALHO. DESCONSTITUIÇÃO DE ACORDO COLETIVO DE

serviço próprio ou conveniado. TRABALHO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PRAZO

Brasília, 14 de maio de 2018. DECADENCIAL PARA O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. A Súmula nº

100 do TST, que versa acerca da decadência no ajuizamento da

ação rescisória, trata, especificamente, em seus itens V e VI, da

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) desconstituição de acordo firmado pelas partes e homologado pela

Dora Maria da Costa via judicial. O item VI, em observância às disposições do art. 487,

Ministra Relatora III, do CPC de 1973, refere-se à hipótese em que a ação rescisória

é ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho - quando ele não foi


Processo Nº RO-0138900-43.2008.5.15.0000
Complemento Processo Eletrônico ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção ou se
Relator Min. Dora Maria da Costa a sentença é o efeito de colusão entre as partes, a fim de fraudar a
Recorrente(s) MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO DA 15ª REGIÃO lei -, dispondo que o prazo começa a fluir a partir do momento em
Procuradora Dra. Alessandra Rangel Paravidino que o Parquet teve ciência da fraude. Ressalta-se que, no
Andery
Recorrido(s) RÁPIDO LUXO CAMPINAS LTDA. E entendimento deste Colegiado, o referido item abrange, também, a
OUTRAS
hipótese de existência de vícios em relação à decisão
Advogada Dra. Dgnane Silva(OAB: 232183/SP)
Recorrido(s) VBTU TRANSPORTES E SERVIÇOS homologatória do acordo celebrado (Precedente). No caso em tela,
LTDA.
embora o Ministério Público tenha afirmado, nas razões recursais,
Advogada Dra. Flávia Pettinate Ribeiro
Froes(OAB: 395642/SP) que teve conhecimento de irregularidades no acordo homologado,
Recorrido(s) IZIDORO MOREIRA DOS SANTOS
por meio de denúncia dos trabalhadores, em junho de 2008 - o que
Advogada Dra. Ana Paula Fritsch Perazolo
Custódio(OAB: 133570/SP) teria o condão de afastar a decadência declarada pelo Regional, na
Advogado Dr. Walter Luiz Custódio(OAB:
145905/SP) medida em que a ação foi ajuizada em 22/8/2008 -, não comprovou
Recorrido(s) VIAÇÃO MORUMBI LTDA. o fato alegado. De outro lado, ainda que se considerasse a
Advogada Dra. Cristiane Machado Dias(OAB:
119659/SP) possibilidade de se aplicar o item V da Súmula nº 100, a declaração
Advogado Dr. Lêda Raquel Aguirre D'Ottaviano de decadência seria mantida. O referido dispositivo prevê como dies
Henrique(OAB: 115464/SP)
Recorrido(s) EMPRESA BORTOLOTTO VIAÇÃO a quo da contagem decadencial a data da homologação judicial do
LTDA.
acordo a ser rescindido e, no caso em tela, o acordo foi homologado
Advogada Dra. Cristiane Machado Dias(OAB:
119659/SP) em 9/8/2006, e a ação rescisória foi ajuizada em 22/8/2008, quando
Advogado Dr. Lêda Raquel Aguirre D'Ottaviano
Henrique(OAB: 115464/SP) já exaurido o biênio decadencial. Recurso ordinário conhecido e
Recorrido(s) SINDICATO DOS TRABALHADORES não provido.
EM TRANSPORTES RODOVIÁRIOS
E ANEXOS DE CAMPINAS E REGIÃO
Advogada Dra. Kátia Roberta de Souza
Gomide(OAB: 117042/SP)
Advogado Dr. Maria Nelusa Meloze Nogueira de Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°
Sá(OAB: 37034/SP)
TST-RO-138900-43.2008.5.15.0000, em que é Recorrente
Intimado(s)/Citado(s): MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO e são
- EMPRESA BORTOLOTTO VIAÇÃO LTDA. Recorridos RÁPIDO LUXO CAMPINAS LTDA. E OUTRAS; VBTU
- IZIDORO MOREIRA DOS SANTOS
TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA.; IZIDORO MOREIRA DOS
- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO
- RÁPIDO LUXO CAMPINAS LTDA. E OUTRAS SANTOS; VIAÇÃO MORUMBI LTDA.; EMPRESA BORTOLOTTO
- SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TRANSPORTES VIAÇÃO LTDA.; e SINDICATO DOS TRABALHADORES EM
RODOVIÁRIOS E ANEXOS DE CAMPINAS E REGIÃO
- VBTU TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. TRANSPORTES RODOVIÁRIOS E ANEXOS DE CAMPINAS E
- VIAÇÃO MORUMBI LTDA. REGIÃO.

ACÓRDÃO
Trata-se de ação rescisória, com pedido liminar de antecipação de
(SDC)
tutela, ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (Procuradoria
GMDMC/Ac/nc/dc
Regional do Trabalho da 15ª Região), em 22/8/2008, contra as

empresas Transportes Urbanos de Campinas Ltda. - TUCA; URCA -


RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO RESCISÓRIA AJUIZADA SOB
Urbano de Campinas Ltda.; Rápido Luxo Campinas Ltda.; VBTU -
A ÉGIDE DO CPC DE 1973. MINISTÉRIO PÚBLICO DO

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 123
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Transportes e Serviços Ltda.; VML - Viação Morumbi Ltda.; Izidoro Moreira dos Santos e julgou prejudicado o recurso ordinário

Empresa Bortoloto Viação Ltda.; e do Sindicato dos Trabalhadores por ele interposto. E, ainda, não conheceu do recurso ordinário

em Transportes Rodoviários e Anexos de Campinas e Região, com adesivo interposto por Rápido Luxo Campinas Ltda., TUCA

o objetivo de desconstituir a sentença homologatória de acordo Transportes Urbanos Campinas Ltda. e outra, em virtude de ter sido

celebrado nos autos da Ação Cautelar nº 00434-2006-000-15-00-1 considerado prejudicado o recurso ordinário ao qual pretendiam

(fls. 621/623). Ressaltou o requerente que, na ação cautelar aderir esses recorrentes.

ajuizada pelas empresas, com o objetivo de suspender a Opostos embargos de declaração pelas requeridas, foram acolhidos

assembleia de trabalhadores, designada para decidir acerca da os das empresas Rápido Luxo Campinas Ltda. e outras e VBTU

greve - que estaria relacionada ao término dos contratos de Transportes e Serviços Ltda., para suprir a omissão apontada, sem

concessão dos serviços de transporte urbano no Município de conceder efeito modificativo ao julgado (fls. 1/5 da seq. 22).

Campinas e a consequente rescisão dos contratos de trabalho de As requeridas interpuseram recursos extraordinários em relação ao

todos os empregados -, as partes firmaram acordo, o qual foi tema da legitimidade do Ministério Público do Trabalho para a

homologado judicialmente. Afirmou que o referido instrumento proposição de ação rescisória, aos quais foi denegado seguimento,

padece de vício jurídico, na medida em que não houve a com respaldo no regime da repercussão geral, conforme decisão de

manifestação da vontade da categoria em relação às condições fls. 1/2 da seq. 39, prolatada pelo Ministro Ives Gandra da Silva

nele estabelecidas, além de que o sindicato profissional renunciou Martins Filho, à época Vice-Presidente deste Tribunal.

aos direitos dos trabalhadores, sem qualquer compensação. As requeridas agravaram dessa decisão.

Apontou violação dos arts. 477, § 2º, e 859 da CLT; 8º, III, da CF; e Esta Seção Especializada em Dissídios Coletivos, mediante o

104, II, 107, 157, 840 e 843 do CC (fls. 2/19). acórdão de fls. 1/4 da seq. 54, negou provimento ao agravo.

A liminar foi indeferida (fls. 380/382). Em face da decisão proferida quando do julgamento do recurso

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, mediante o ordinário na sessão do dia 13/11/2012, os autos foram remetidos à

acórdão de fls. 2021/2030, deferiu o pedido de intervenção na lide, Corte de origem, em 1º/7/2015, para que prosseguisse no

na qualidade de assistente litisconsorcial do autor, requerido por julgamento da ação rescisória (seq. 58).

Izidoro Moreira dos Santos, e julgou extinto o processo, sem O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, por meio do

resolução de mérito, por ilegitimidade ativa ad causam do Ministério acórdão de fls. 21/31 da seq. 60, acolheu a prejudicial de mérito

Público do Trabalho. Foram opostos embargos de declaração, às suscitada na defesa, para pronunciar a decadência do direito do

fls. 2034/2035, os quais foram rejeitados, conforme acórdão de fls. MPT de propor ação rescisória do acordo homologado judicialmente

2046/2048. nos autos da Ação Cautelar nº 434-2006-000-15-00.1, extinguindo o

Izidoro Moreira dos Santos (fls. 2053/2062) e o Ministério Público do processo, com resolução de mérito, nos termos do art. 269, IV, do

Trabalho interpuseram recurso ordinário, respectivamente, às fls. CPC de 1973.

2053/2062 e 2069/2079. O Ministério Público do Trabalho, por meio da Procuradoria

Admitidos os recursos (fl. 2080), foram apresentadas contrarrazões, Regional do Trabalho da 15ª Região, opôs embargos de

às fls. 2083/2092; 2094/2109; 2116/2133; e 2135/2140. declaração, alegando omissão no julgado em relação às

Interpuseram recurso ordinário, na forma adesiva, em peça única, disposições do art. 233 do Regimento Interno daquele Tribunal

às fls. 2111/2114, as empresas Rápido Luxo Campinas Ltda.; TUCA Regional.

- Transportes Urbanos de Campinas Ltda. e URCA - Urbano de Os embargos de declaração foram acolhidos, apenas para prestar

Campinas Ltda. esclarecimentos (fls. 75/77 da seq. 60).

O recurso adesivo foi admitido, mediante o despacho de fl. 2141, e Ainda inconformado, o Ministério Público do Trabalho interpôs

foram oferecidas contrarrazões, às fls. 2145/2152 e 2159/2162. recurso ordinário, às fls. 88/94 (seq. 60), requerendo o afastamento

Esta Seção Especializada, na sessão de julgamento do dia da decadência e a procedência do pedido de rescisão do acórdão

13/11/2012, mediante o acórdão de fls. 1/14 da seq. 6, deu proferido nos autos da Ação Cautelar nº 434-2006-000-15-00.1.

provimento ao recurso ordinário do Ministério Público do Trabalho O recurso foi admitido, mediante o despacho de fls. 95/96 (seq. 60)

para afastar a ilegitimidade ativa ad causam e determinar o retorno sendo apresentadas contrarrazões, pelas requeridas, às fls.

dos autos ao Tribunal Regional do Trabalho da 15º Região, a fim de 100/103 da seq. 60.

que prosseguisse no julgamento da ação rescisória. De ofício, Os autos retornaram a esta Corte em 5/12/2017 (seq. 60).

indeferiu o requerimento de assistência litisconsorcial formulado por Em 7/3/2018, o processo - cujo Relator originário era o Ministro

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 124
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Márcio Eurico Vitral Amaro - foi distribuído, por prevenção, a esta ação.

Relatora. Em regra, as questões preliminares impedem o exame do mérito,

Dispensada a remessa dos autos à Procuradoria Geral do Trabalho. enquanto as questões prejudiciais apenas influenciam o teor da

É o relatório. decisão de mérito, sem obstar sua análise.

Em decorrência disso, a ordem de análise da causa é a seguinte:

VOTO primeiramente, o juiz deve apreciar as preliminares, passando, a

seguir, a analisar as prejudiciais de mérito, e, por ultimo, o mérito.

I - CONHECIMENTO No caso, considerando-se que a análise da questão preliminar

precede a apreciação da prejudicial de mérito, chega-se à

O recurso está tempestivo, com representação regular (Súmula nº conclusão de que, ainda que o Relator originário tenha declarado,

436 do TST), estando isento do pagamento de custas processuais, na decisão que analisou o pedido de antecipação de tutela, que

razões pelas quais dele conheço. houve o cumprimento do requisito do art. 495 do CPC, tal decisão

restou prejudicada diante do acolhimento da preliminar de

II - MÉRITO ilegitimidade ativa no julgamento da causa (acórdão de fls.

1962/1967), eis que, ao acolher a preliminar, estaria impedida,

DESCONSTITUIÇÃO DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO por questão de ordem processual, a análise da questão

HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PRAZO DECADENCIAL prejudicial de mérito arguida (ou seja, a decadência).

PARA O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. Desse modo, afastada a preliminar, em sede recursal, pelo acórdão

prolatado pelo C. TST, passo a analisar, a seguir, a arguição de

Esta SDC afastou a ilegitimidade do Ministério Público do Trabalho decadência.

para o ajuizamento da ação rescisória e determinou o retorno dos A respeito do prazo para ajuizamento da ação rescisória, estabelece

autos ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, a fim de que o art. 495 do CPC de 1973 que:

prosseguisse no julgamento da ação. 'Art. 495. O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois)

O TRT acolheu a decadência, suscitada em defesa, para pronunciar anos, contados do trânsito em julgado da decisão.'

a decadência do direito do Ministério Público do Trabalho de propor De igual teor, a regra constante do art. 975 do CPC de 2015, que

ação para rescindir o acordo homologado judicialmente nos autos dispõe:

da Cautelar nº 434-2006-000-15-00-1, e extinguiu o processo, com 'Art. 975. O direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos

resolução do mérito, a teor do disposto no artigo 269, inciso IV, do contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no

CPC de 1973. processo.'

Eis os fundamentos adotados: Muito embora o início do prazo decadencial do art. 495 do CPC

ocorra a partir do trânsito em julgado da decisão (sendo iniciada a

DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO EXTINTIVA. contagem do prazo no dia útil subsequente), comporta exceção a

As rés Tuca, Urca e Rápido Luxo, em suas contestações, alegam a essa regra a hipótese em que o Ministério Público ajuíza ação

decadência do direito de invalidar o acordo homologado, mediante rescisória, com fundamento na colusão, contra decisão rescindenda

ação rescisória, haja vista que a ação foi proposta mais de dois prolatada em processo no qual não interveio (CPC, art. 487, III, b),

anos após a decisão homologatória. eis que, nesta circunstância, o prazo começa a fluir do momento em

Em sua contestação, a VBTU (quarta ré) invoca a prescrição que o órgão ministerial é cientificado ou toma ciência da decisão

extintiva, com fulcro na Súmula 100, V, do C. TST, que proclama rescindenda.

que o termo conciliatório transita em julgado na data da sua Essa regra está prevista no item VI da Súmula n° 100 do C. TST,

homologação judicial. que estabelece:

Para melhor compreensão das razões de decidir, faço, inicialmente, 'VI - Na hipótese de colusão das partes, o prazo decadencial da

as seguintes considerações. ação rescisória somente começa a fluir para o Ministério Público

É irrefutável que, antes de apreciar o mérito, o juiz tem que apreciar que não interveio no processo principal, a partir do momento em

as questões prévias, que se subdividem em questões preliminares e que tem ciência da fraude. (ex-OJ n° 122 da SBDI-2-DJ

questões prejudiciais, sendo certo que as primeiras (preliminares) 11.08.2003)'

são compostas dos pressupostos processuais e as condições da Com o mesmo teor, o novo CPC de 2015 editou o § 3° do art. 975, a

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seguir reproduzido: defesa.

'§ 3° Nas hipóteses de simulação ou de colusão das partes, o prazo Ante o exposto, resolvo acolher a prejudicial de mérito suscitada em

começa a contar, para o terceiro prejudicado e para o Ministério defesa para pronunciar a decadência do direito de propor ação para

Público, que não interveio no processo, a partir do momento em que rescindir o acordo homologado judicialmente nos autos do processo

têm ciência da simulação ou da colusão.' 00434-2006-000-15-00-1, extinguindo o feito com resolução do

Ocorre que, no caso em estudo, a ação rescisória não foi mérito, a teor do disposto no artigo 269, inciso IV, do CPC,

fundamentada em colusão (art. 485, III, do CPC de 1973), mas, sim, consoante fundamentação. Custas processuais calculadas sobre o

na violação a textos legais e na existência de fundamento para valor da causa'(R$30.000,00), no importe de R$ 600,00, a cargo do

invalidar a transação (incisos V e VIII do mesmo dispositivo legal). autor, das quais está isento, por força do art. 790-A, inciso 11, da

Além disso, o Ministério Público atuou no processo principal, CLT. (fls. 28/31 da seq. 60 - grifos apostos)

tendo, inclusive, participado da sessão de julgamento, onde

prolatada a decisão rescindenda (vide fls. 582). No julgamento dos embargos de declaração opostos pelo Parquet,

Portanto, não seria o caso de aplicar-se a exceção prevista no o Tribunal Regional complementou:

inciso VI da Súmula n° 100 do C. TST, eis que, além de não se

fundamentar a ação em colusão, o Ministério Público interveio no De início, cabe registrar que a teor do disposto no art. 897-A, da

processo. CLT e art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são

Na verdade, o prazo decadencial da presente ação rescisória teve cabíveis quando da decisão judicial houver obscuridade ou

início a partir do trânsito em julgado da decisão rescindenda, haja contradição, se padecer de omissão ou ocorrer erro na aferição de

vista que, por ocasião da formação da coisa julgada, o Ministério pressupostos extrínsecos de cabimento do recurso.

Público teve conhecimento dos fatos que fundamentaram seu Nas palavras do ilustre doutrinador MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA

pedido rescindendo, já que estava presente no julgamento em FILHO, não se pode olvidar, in verbis, que:

que homologado o acordo firmado entre as partes. 'Obscura é a sentença ininteligível, que não permite compreender-

Tendo em vista que a; decisão rescindenda trata-se de acordo se o que consta do seu texto. É consequência, quase sempre, de

homologado judicialmente, o seu trânsito em julgado opera-se na um pronunciamento jurisdicional confuso, em que as ideias estão

mesma data em que prolatada a sentença homologatória do acordo, mal expostas ou mal articuladas. A parte não sabe, enfim, o que o

conforme diretriz sedimentada no inciso V da referida Súmula 100, juiz pretendeu dizer, ao realizar a prestação jurisdicional.(...).

do C. TST. Contradição (contra + dique) é o ato pelo qual alguém se coloca em

Assim sendo, a contagem do prazo decadencial, na hipótese antagonismo com o que havia dito ou feito; é a oposição

questionada, tem início no dia imediatamente subsequente à inconciliável entre duas proposições.

prolação da decisão homologatória. (...) O traço característico da contradição é representado, pois, pela

De outra sorte, não há que se cogitar que o prazo decadencial incoerência, pela desarmonia do pensamento; as ideias contrapõem

pudesse iniciar-se, para o Ministério Público, na data em que -se, sem que se possa conciliá-las. Uma exclui a outra. (...).

publicada a parte decisória do acordão no Diário Oficial, eis que, Sentença omissa é a que deixa de pronunciar-se sobre um ou mais

conforme já esclarecido, o Ministério Público, por ter participado do pedidos formulados pelas partes, pouco importando que estejam na

processo rescindendo (inclusive de seu julgamento), teve ciência inicial ou na contestação (ou na resposta do réu, lato sensu).

dos fatos que fundamentaram a ação rescisória na data em que Etiologicamente, pode ser caracterizada como produto da

prolatada a decisão homologatória do acordo. desatenção, da inadvertência ou do esquecimento do julgador. A

Desse modo, considerando-se que o acordo, que ora se sentença (bem assim o acórdão) omissa contém, de certa maneira,

pretende rescindir, foi entabulado na audiência realizada em um pronunciamento citra petita, pois a apreciação do órgão foi, em

23/03/2006, nos autos da Ação Cautelar n° 00434-2006-000-15- relação aos pedidos deduzidos na causa, quantitativamente inferior

00-1, sendo homologado, pela Seção de Dissídios Coletivos a que deveria ter sido realizada' (in Sistema dos Recursos

deste Tribunal, na sessão de julgamento ocorrida em Trabalhistas, 10^ ed., p. 475 e 477, LTr: 2003, São Paulo).

09/08/2006 (fls. 115/118 e 319/321 e 335/340), constata-se que, Feitas essas considerações, passo a apreciar os presentes

quando ajuizada a ação rescisória (dia 22/08/2008), já havia embargos.

escoado o biênio decadencial. Como bem constou no v. acórdão, a regra suscitada pelo

Destarte, decido acolher a prejudicial de mérito suscitada em embargante, ou seja, de que a contagem do seu prazo somente se

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inicia com sua intimação pessoal, se aplica nos casos em que o o cumprimento do dever funcional de atuação em todas as sessões

Ministério Público não intervém no processo principal, conforme o dos Tribunais do Trabalho; que a Lei Complementar nº 75/1993,

entendimento da Súmula nº 100, VI, do C. TST. assim como o art. 180 do CPC de 2015, são bastante claros em

No caso em comento, contudo, o Ministério Público atuou no relação à prerrogativa da intimação pessoal do Ministério Público, o

processo principal e estava presente no julgamento em que que afasta a possibilidade de que o prazo decadencial tenha se

homologado o acordo firmado entre as partes, o qual é objeto da expirado dois anos após a data da sessão na qual se homologou o

presente ação rescisória, tendo, naquela ocasião, tomado acordo firmado entre as partes. Ressalta que a intimação somente

conhecimento da decisão rescindenda, haja vista que o acordo ocorreu em 21/8/2006 e que a ação rescisória foi ajuizada em

homologado judicialmente transita em julgado na mesma data em 22/8/2008, ou seja, dentro do prazo. Acresce que a regra prevista

que prolatada a sentença homologatória. no item V da Súmula nº 100 do TST tem validade apenas em

Por essa razão, o prazo decadencial iniciou-se para o Ministério relação às partes do processo e que, de acordo com o art. 233 do

Público na homologação do acordo, na qual estava presente, sendo Regimento Interno do TRT da 15ª Região, o trânsito em julgado

que, quando da interposição da presente ação rescisória, já havia teria ocorrido apenas para elas. Requer a reforma da decisão, e

escoado o biênio decadencial, conforme o decidido no v. acórdão. que esta Corte analise as questões trazidas na ação rescisória, por

Importante esclarecer que as normas apontadas pelo embargante se tratar de matéria exclusivamente de direito.

não cuidam da situação fática em estudo, considerando que o Salienta-se, de plano, que esta ação desconstitutiva foi ajuizada sob

Ministério Público estava presente na homologação do acordo, não a égide do CPC de 1973, já que fundada em seu art. 485, V e VIII,

necessitando ser intimado da decisão rescindenda, em e, nesse contexto, as condições da ação proposta são aquelas

cumprimento à Lei Complementar nº 75/1993, bem como que o art. previstas no mencionado diploma legal.

233 do Regimento Interno deste E. Tribunal trata da irrecorribilidade O instituto da decadência define-se como o não exercício de um

do acordo judicial para as partes, nada mencionando acerca do direito dentro do prazo que a lei prevê, acarretando a

Ministério Público, tampouco do início da contagem do seu prazo impossibilidade de o sujeito alterar situação jurídica mediante

para a interposição de ação rescisória. processo judiciário.

Desse modo, não se verifica omissão no v. acórdão, sendo O Capítulo IV do CPC de 1973 trata especificamente da ação

acolhidos os presentes embargos declaratórios apenas para prestar rescisória, dispondo no art. 485 que:

os esclarecimentos acima (fls. 75/77 da seq. 60).

Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser

Sustenta o Ministério Público do Trabalho, às fls. 91/94 (seq. 60), rescindida quando:

que em junho de 2008, a Procuradora do Trabalho, ora oficiante, I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou

recebeu uma denúncia noticiando que os trabalhadores da corrupção do juiz;

categoria representada pelo 7° réu, não foram informados de que o II - proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente;

acordo importaria na concessão de quitação geral dos direitos dos III - resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte

trabalhadores (Representação n° 001067.2008.15.000/8-114), e, ao vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei;

se inteirar do feito, mediante remessa dos autos em 21/08/2008 (fl. IV - ofender a coisa julgada;

361), viu-se compelida a ajuizar a presente ação, dada a gravidade V - violar literal disposição de lei;

da situação. Alega que deve ser reformada a decisão que declarou VI - se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em

a decadência do direito do MPT de ajuizar a ação rescisória, pelos processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória;

seguintes argumentos: a) antes de analisar o pedido liminar VII - depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja

formulado na ação, o Relator originário afastou a decadência ao existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só,

consignar que a rescisória foi regularmente proposta, pois o v. de lhe assegurar pronunciamento favorável;

Acórdão foi publicado em 25/08/2006 (f.340) e a ação foi ajuizada VIII - houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou

em 22/08/2006 (f.2), o que satisfaz os requisitos do art. 495 do transação, em que se baseou a sentença;

CPC.(..), e que não houve a interposição de recurso por parte dos IX - fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos

requerentes; que atuou na sessão de julgamento do processo nº da causa.

434-2006-000-15-00.1 apenas na condição de fiscal da lei, e que a

presença de um membro do Ministério Público representou, apenas, De outro lado, eis o que reza o art. 487, em seu item III:

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 127
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irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo

Art. 487 - Tem legitimidade para propor a ação: conciliatório transita em julgado na data da sua homologação

(...) judicial. (ex-OJ nº 104 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003)

III - o Ministério Público: VI - Na hipótese de colusão das partes, o prazo decadencial da

a) se não foi ouvido no processo, em que lhe era obrigatória a ação rescisória somente começa a fluir para o Ministério

intervenção. Público, que não interveio no processo principal, a partir do

b) quando a sentença é efeito de colusão das partes, a fim de momento em que tem ciência da fraude. (ex-OJ nº 122 da SBDI-

fraudar a lei. 2 - DJ 11.08.2003)

VII - Não ofende o princípio do duplo grau de jurisdição a decisão do

Acrescenta-se que, nos termos do art. 495, também do CPC de TST que, após afastar a decadência em sede de recurso ordinário,

1973, o direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) aprecia desde logo a lide, se a causa versar questão

anos, contados do trânsito em julgado da decisão. exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato

Em observância a esses dispositivos, o TST editou a Súmula nº 100 julgamento. (ex-OJ nº 79 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002)

do TST, que versa acerca da decadência no ajuizamento da ação VIII - A exceção de incompetência, ainda que oposta no prazo

rescisória, tratando, especificamente, em seus itens V e VI, das recursal, sem ter sido aviado o recurso próprio, não tem o condão

hipóteses de desconstituição de sentença homologatória de acordo de afastar a consumação da coisa julgada e, assim, postergar o

firmado pelas partes, bem como da circunstância de o autor da ação termo inicial do prazo decadencial para a ação rescisória. (ex-OJ nº

rescisória ser o Ministério Público do Trabalho, e sobre o prazo que 16 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

lhe é concedido para o ajuizamento da ação. IX - Prorroga-se até o primeiro dia útil, imediatamente subseqüente,

Eis o que diz a referida Súmula: o prazo decadencial para ajuizamento de ação rescisória quando

expira em férias forenses, feriados, finais de semana ou em dia em

SUM 100. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA (incorporadas as que não houver expediente forense. Aplicação do art. 775 da CLT.

Orientações Jurisprudenciais nºs 13, 16, 79, 102, 104, 122 e 145 da (ex-OJ nº 13 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

SBDI-II) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005 X - Conta-se o prazo decadencial da ação rescisória, após o

I - O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se do dia decurso do prazo legal previsto para a interposição do recurso

imediatamente subsequente ao trânsito em julgado da última extraordinário, apenas quando esgotadas todas as vias recursais

decisão proferida na causa, seja de mérito ou não. (ex-Súmula nº ordinárias. (ex-OJ nº 145 da SBDI-2 - DJ 10.11.2004) (grifei).

100 - alterada pela Res. 109/2001, DJ 20.04.2001)

II - Havendo recurso parcial no processo principal, o trânsito em O item V da Súmula nº 100, seguindo as diretrizes do art. 831 da

julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes, contando-se CLT, estabelece que o acordo homologado judicialmente tem força

o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de decisão irrecorrível e acrescenta que o termo conciliatório

de cada decisão, salvo se o recurso tratar de preliminar ou transita em julgado na data da sua homologação judicial.

prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida, De outro lado, o item VI do mesmo verbete sumular, em

hipótese em que flui a decadência a partir do trânsito em julgado da observância às disposições do art. 487, III, do CPC de 1973, trata

decisão que julgar o recurso parcial. (ex-Súmula nº 100 - alterada da hipótese em que a ação rescisória é ajuizada pelo Ministério

pela Res. 109/2001, DJ 20.04.2001) Público do Trabalho - quando ele não foi ouvido no processo em

III - Salvo se houver dúvida razoável, a interposição de recurso que lhe era obrigatória a intervenção ou se a sentença é o efeito de

intempestivo ou a interposição de recurso incabível não protrai o colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei -, permitindo a

termo inicial do prazo decadencial. (ex-Súmula nº 100 - alterada alteração do dies a quo para a contagem do prazo decadencial,

pela Res. 109/2001, DJ 20.04.2001) dispondo que o prazo começa a fluir a partir do momento em que o

IV - O juízo rescindente não está adstrito à certidão de trânsito em Parquet teve ciência da fraude.

julgado juntada com a ação rescisória, podendo formar sua É certo que o Ministério Público, na inicial, não apontou a existência

convicção através de outros elementos dos autos quanto à de colusão entre as partes, conforme previsto no item III do art. 485

antecipação ou postergação do "dies a quo" do prazo decadencial. do CPC de 1973 e no item VI da Súmula nº 100 do TST. Apenas

(ex-OJ nº 102 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003) argumentou que o acordo firmado entre os réus representou

V - O acordo homologado judicialmente tem força de decisão verdadeira renúncia aos direitos dos trabalhadores e que o sindicato

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 128
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profissional, ao renunciar aos direitos de seus representados, sem

qualquer compensação, exorbitou os limites da legitimidade No contexto delineado, acerca da legitimidade do Parquet, entendeu

extraordinária que lhe foi conferida pelo art. 8º, III, da Constituição este Colegiado, em relação à legitimidade do MPT, que:

Federal, não atuando em defesa dos interesses da categoria

profissional, mas, sim, em evidente prejuízo aos trabalhadores. E Resta saber se, na hipótese em que o Ministério Público do

apontou que o instrumento negocial celebrado e homologado havia Trabalho intervém na forma da lei e, em se tratando de celebração

violado os arts. 477, § 2º, e 859 da CLT; 104, 107, 157, 162, 840 e de acordo entre as partes, concorda com os respectivos termos,

843 do Código Civil. ostenta legitimidade ativa para propor ação rescisória com vistas a

Sabe-se que a colusão a ser considerada como causa justificadora rescindir a sentença que homologa o acordo judicial.

do corte rescisório pode ser caracterizada como um processo Como visto, trata-se de Ação Rescisória ajuizada pelo Ministério

forjado pelas partes para praticar ato simulado ou com o intuito de Público do Trabalho, com fulcro no art. 485, V e VIII, do CPC,

fraudar a lei, geralmente em prejuízo de terceiros. buscando rescindir o acórdão regional que homologou acordo em

O fato é que, além de não ter expressamente apontado a existência ação cautelar preparatória de dissídio coletivo de greve, celebrado

de colusão, os relatos trazidos na inicial não apresentam elementos entre SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TRANSPORTES

suficientes e aptos à convicção de que, na celebração do RODOVIÁRIOS E ANEXOS DE CAMPINAS E REGIÃO e RÁPIDO

instrumento negocial impugnado nesta ação, houve tal vício, pelo LUXO CAMPINAS LTDA. E OUTRAS, VBTU TRANSPORTES E

que, a princípio, não haveria como aplicar a hipótese prevista no SERVIÇOS LTDA., VIAÇÃO MORUMBI LTDA. e EMPRESA

item VI da Súmula nº 100, do TST, segundo o qual na hipótese de BORTOLOTTO VIAÇÃO LTDA.

colusão das partes, o prazo decadencial da ação rescisória somente Em substância, argumenta o Autor que o acórdão homologou

começa a fluir para o Ministério Público, que não interveio no acordo cujos termos eram extremamente prejudicais aos

processo principal, a partir do momento em que tem ciência da trabalhadores, especialmente a redução da multa sobre os

fraude. depósitos do FGTS de quarenta para quinze por cento.

Ocorre que esta Seção Especializada, quando do exame da Nesse quadro, não se identifica fundamento para obstar a atuação

legitimidade do Ministério Público do Trabalho para o ajuizamento do Ministério Público do Trabalho no resguardo da função de defesa

desta ação rescisória, decidiu, mediante o acórdão de fls. 1/14 da da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses

seq. 5, (Relator Ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, Data de individuais e indisponíveis, conforme consagrado no art. 127, caput,

julgamento: 13/11/2012, DEJT de 21/11/2012), que as hipóteses de da Constituição Federal. De fato, a eventual constatação de

legitimação do Ministério Público para propor este tipo de ação, existência de fundamento que invalide a transação ou de violação

previstas no item III do art. 487 do CPC de 1973, em circunstância literal de lei insere-se na solução de mérito.

de não ter atuado como parte, não se revelavam exaustivas, a teor A circunstância de haver sido conferida ao Ministério Público do

da Súmula nº 407 do TST. Trabalho a oportunidade de intervir, e este, inclusive, haver

Ressalta-se que a Súmula nº 407 teve sua redação alterada em externado manifestação no sentido da concordância, sem ressalvas,

abril de 2016, apenas no sentido de substituir os dispositivos do com os termos do acordo judicial, cuja decisão homologatória se

CPC de 1973 pelos do CPC de 2015, passando a dispor: pretende rescindir, não altera esse raciocínio jurídico porquanto,

embora ouvido, constatou-se, posteriormente, no âmbito da

AÇÃO RESCISÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE "AD instituição, a ocorrência de vícios na sentença rescindenda somente

CAUSAM" PREVISTA NO ART. 967, III, A, B E C DO CPC DE passíveis de reparação em ação rescisória.

2015. ART. 487, III, "A" E "B", DO CPC DE 1973. HIPÓTESES Ante o exposto, dou provimento ao recurso para, afastada a

MERAMENTE EXEMPLIFICATIVAS (nova redação em decorrência ilegitimidade ativa ad causam do Ministério Público do Trabalho,

do CPC de 2015) - Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e determinar o retorno dos autos ao TRT de origem para que prossiga

26.04.2016. A legitimidade "ad causam" do Ministério Público para no julgamento da Ação Rescisória.

propor ação rescisória, ainda que não tenha sido parte no processo

que deu origem à decisão rescindenda, não está limitada às alíneas Deflui-se, portanto, da decisão transcrita, que este Colegiado

"a", "b" e c do inciso III do art. 967 do CPC de 2015 (art. 487, III, a e entendeu que o Ministério Público do Trabalho não foi parte do

b, do CPC de 1973), uma vez que traduzem hipóteses meramente processo em que houve a homologação do acordo coletivo e que

exemplificativas (ex-OJ nº 83 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002). não havia como considerar que o ajuizamento da ação rescisória

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 129
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

pelo Parquet, somente pelo fundamento da simulação ou colusão a data da homologação judicial do acordo a ser rescindido e, no

na celebração do instrumento negocial autônomo, constituiria caso em tela, o acordo foi homologado em 9/8/2006 (fls. 620/623) e

exceção à regra do prazo decadencial previsto no art. 295 do CPC. a ação rescisória foi ajuizada em 22/8/2008, quando já exaurido o

Assim, por coerência lógica ao que foi decidido no julgamento biênio decadencial.

anterior, não há como prosperar o entendimento do Tribunal Salienta-se que não há como aplicar os dispositivos mencionados

Regional do Trabalho da 1ª Região de que o Ministério Público pelo Ministério Público - arts. 18 e 84 da Lei Complementar 75 de

atuou no processo principal; o de que estava presente quando foi 1983 e 236 do CPC de 1973, de forma a considerar que a contagem

proferida a decisão homologatória do acordo firmado entre as do prazo deveria se iniciar a partir da intimação pessoal feita àquele

partes; e o de que teve conhecimento da decisão rescindenda, Órgão, na medida em que os referidos dispositivos não se referem

razões pelas quais o prazo decadencial teria se iniciado na data da ao ajuizamento da ação rescisória e em que a jurisprudência desta

homologação do acordo (9/8/2006), restando escoado o biênio Corte, consubstanciada na Súmula nº 100, não prevê a hipótese de

decadencial quando do ajuizamento da ação, em 22/8/2008. que a contagem do prazo decadencial se dê a partir da intimação

O fato é que, em face do disposto no item VI da Súmula nº 100 do feita, de forma pessoal, ao MPT, no caso de desconstituição de

TST, não tendo sido o Ministério Público parte na ação originária, o acordo homologado pela via judicial.

prazo decadencial deve ter como termo a quo a ciência de uma Acrescenta-se, por fim, que, concernente à argumentação de que a

possível fraude à lei. decadência já tinha sido afastada, em sede de liminar, e que não

Observa-se que, ainda que não tivesse mencionado, na inicial, o teve a interposição de recurso, as razões do recorrente também não

fato a seguir descrito, o Ministério Público do Trabalho, por meio da se sustentam.

Dra. Alessandra Rangel Paravidino Andery (também subscritora da Eis o que consignou a decisão:

ação rescisória), afirma, à fl. 91 (seq. 60) de seu recurso ordinário,

que, em junho de 2008, a Procuradora do Trabalho, ora oficiante, No que tange ao prazo, a rescisória foi regularmente proposta, pois

recebeu uma denúncia, noticiando que os trabalhadores da o v. Acórdão foi publicado em 25/08/2006 (f. 340) e a ação foi

categoria representada pelo 7º réu não foram informados de que o ajuizada em 22/08/2006 (f.2), o que satisfaz os requisitos do art. 495

acordo importaria na concessão de quitação geral dos direitos dos do CPC.

trabalhadores - Representação nº 1067.2008.15.000/8-114 e, ao se

inteirar do feito, viu-se compelida a ajuizar a presente ação, dada a Primeiramente, observa-se o equívoco na decisão, na medida em

gravidade da situação. que o art. 495 do CPC de 1973 previa que o direito de propor ação

Ressalta-se que o 7º réu é o Sindicato dos Trabalhadores em rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em

Transportes Rodoviários e Anexos de Campinas e Região. julgado da decisão - e não da publicação do acórdão -, o que seria,

Ocorre que não se constata nos autos o documento mencionado. inclusive, mais benéfico ao recorrente.

Verifica-se, apenas, às fls. 518 e 802, a juntada de cópia da ata de Ocorre que, ao se basear, apenas, no disposto no art. 495 do CPC,

audiência relativa ao Procedimento Preparatório de Inquérito Civil nº a decisão não levou em consideração a particularidade de se tratar

28269/2006-10, datada de abril de 2008, ou seja anterior àquela de desconstituição de acordo homologado na Justiça do Trabalho, o

mencionada pelo recorrente, e no qual é denunciante Carlos que induziria à observância da contagem de prazos decadenciais

Alberto da Silva e denunciada a empresa VBTU Transporte e diferenciados, previstos nos itens V e VI da Súmula nº 100 desta

Serviços Ltda. Corte, e que começam a fluir em momentos diversos daquele

Assim, não há como efetuar a contagem do prazo decadencial a previsto no art. 495 do CPC de 1973.

partir da data da denúncia anunciada pelo Parquet (junho de 2008) - Ademais, observa-se que a decisão liminar foi publicada em

momento em que o Ministério Público teria tido ciência dos vícios 24/9/2008 (fl. 383), e que, posteriormente, os réus apresentaram

em relação à decisão homologatória rescindenda e que seriam contestação (fls. 463/464; 747/748; 1029; e 1357/1358) arguindo,

passíveis de reparação pela via rescisória, nos termos do inciso VI como prejudicial de mérito, a prescrição extintiva, em face da

da Súmula nº 100 do TST -, de forma a afastar a decadência decadência.

declarada. Pelo exposto, mantenho a decisão regional que pronunciou a

Ainda que se considerasse a possibilidade de se aplicar o item V da decadência e extinguiu o processo, com resolução de mérito, na

Súmula nº 100, a declaração de decadência seria mantida. O forma do art. 269, IV, do CPC de 1973 (art. 487, II, do CPC de

referido dispositivo prevê como dies a quo da contagem decadencial 2015).

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 130
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Nego provimento ao recurso. CLÁUSULA 17 (CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO) -

ESTABILIDADE DA GESTANTE. Considerando que o nosso

ISTO POSTO ordenamento jurídico não permite vislumbrar nenhuma condição a

limitar o gozo da estabilidade de emprego à gestante, prevista no

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em Dissídios art. 10, II, "b", do ADCT, não se pode declarar válida a norma

Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, coletiva que, a pretexto de ampliar o benefício, impõe condicionante

conhecer do recurso ordinário e, no mérito, negar-lhe provimento. que pode levar à supressão de um direito constitucionalmente

Brasília, 14 de maio de 2018. garantido. Nesse contexto, a cláusula 17 - ESTABILIDADE DA

GESTANTE, constante dos acordos em epígrafe, firmados no

decorrer da ação e homologados pelo Regional, viola não só o

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) mencionado dispositivo, mas também contraria a jurisprudência

Dora Maria da Costa desta Corte, consubstanciada no item I da Súmula nº 244 e na

Ministra Relatora Orientação Jurisprudencial nº 30 da SDC, devendo ser declarada a

sua nulidade. Recurso ordinário conhecido e provido, no tópico.


Processo Nº RO-0212700-76.2009.5.04.0000
Complemento Processo Eletrônico 2. CLÁUSULAS 53 E 54 - SEGURANÇA E MEDICINA DO
Relator Min. Dora Maria da Costa TRABALHO. À exceção da primeira parte das cláusulas que tratam
Recorrente(s) MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO DA 4ª REGIÃO da segurança e medicina do trabalho, as quais desobrigam as
Procuradora Dra. Beatriz de Holleben Junqueira empresas de indicar médico coordenador do PCMSO quando
Fialho
Recorrente(s) SINDICATO DO COMÉRCIO enquadradas no grau de risco 1 e 2, nos moldes da NR-4, e contem
VAREJISTA DE GÊNEROS
ALIMENTÍCIOS DOS VALES DO RIO com até 50 empregados, o 2º, 3º e 4º parágrafos das normas
PARDO E TAQUARI
pactuadas padecem de ilegalidade, na medida em que não
Advogado Dr. Léo Henrique Schwingel(OAB:
29059/RS) obedecem aos requisitos impostos nos itens 7.3.1.1.2, 7.4.3.5.1 e
Recorrente(s) SINDICATO DO COMÉRCIO
VAREJISTA DE CACHOEIRA DO SUL 7.4.3.5.2 da NR-7, aprovada pela Portaria nº 3.214/1978 do
E OUTROS
Ministério do Trabalho e Emprego. Recurso ordinário conhecido e
Advogado Dr. Antônio Job Barreto(OAB:
19550/RS) provido parcialmente, no aspecto. 3. CLÁUSULA 63 -
Recorrido(s) FEDERAÇÃO DOS EMPREGADOS
NO COMÉRCIO DE BENS E DE CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA E ASSISTENCIAL. O
SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL entendimento desta Seção Especializada é o de não conceber a
Advogado Dr. Joelto Frasson(OAB: 54497/RS) imposição, nem mesmo por meio de acordo ou convenção coletiva
Recorrido(s) FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE
BENS E SERVIÇOS DO ESTADO DO de trabalho, de desconto a título de contribuição assistencial,
RIO GRANDE DO SUL E OUTROS
confederativa ou outras assemelhadas aos trabalhadores não
Advogada Dra. Ana Lucia Garbin(OAB:
28959/RS) associados à entidade sindical para a qual se destina a receita, por

ferir os arts. 5º, XX, e 8º, V, da CF, que asseguram o direito de livre
Intimado(s)/Citado(s):
associação e sindicalização. Nesse sentido dispõem o Precedente
- FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS E SERVIÇOS DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E OUTROS Normativo nº 119 e a Orientação Jurisprudencial nº 17, ambos da
- FEDERAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE BENS
E DE SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SDC do TST. No caso em tela, o caput da cláusula 63 (Acordo de
- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 4ª REGIÃO fls. 955/975), que trata do desconto da contribuição para o custeio
- SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE CACHOEIRA DO
SUL E OUTROS do Sistema Confederativo de Representação Sindical e da
- SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE GÊNEROS Contribuição Assistencial, deve ser adaptado aos termos do PN nº
ALIMENTÍCIOS DOS VALES DO RIO PARDO E TAQUARI
119 da SDC do TST, de forma a que a incidência do desconto das

ACÓRDÃO contribuições nele previstas se limite aos trabalhadores associados

(SDC) ao Sindicato profissional, e desde que por eles autorizado, a teor do

GMDMC/Ac/gl/lm disposto no art. 545 da CLT. Recurso ordinário conhecido e

provido, no particular. 4. CLÁUSULAS 60; 63 E 64 - DESCONTO

A) RECURSOS ORDINÁRIOS INTERPOSTOS PELO MINISTÉRIO ASSISTENCIAL DOS EMPREGADOS. Aplica-se o entendimento

PÚBLICO DO TRABALHO. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA desta Seção Especializada, no sentido de considerar razoável que

ECONÔMICA. ACORDOS COLETIVOS HOMOLOGADOS. 1. seja descontado do trabalhador, a título de contribuição assistencial,

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 131
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

o equivalente a 50% de um dia de salário, já reajustado, e de uma mas observando as disposições da Lei nº 10.192/2001, admite que,

só vez. Recurso ordinário conhecido e provido, no tópico. B) ante o insucesso da negociação entre as partes, seja concedido

RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SINDICATO DO pela via normativa o reajuste salarial, em um percentual levemente

COMÉRCIO VAREJISTA DE CACHOEIRA DO SUL E PELO inferior àquele apurado pelo INPC/IBGE em relação ao período

SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE ERECHIM. revisando. No caso em tela, o índice apurado pelos referidos

DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. AUSÊNCIA indicadores, para o período de maio de 2008 e abril de 2009 foi de

DE COMUM ACORDO. ART. 114, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO 5,44% e o Regional, ao conceder o percentual de 5,40% para o

FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO TST. EXTINÇÃO DO reajuste dos salários, decidiu em consonância à jurisprudência

PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. O entendimento desta SDC. Recurso conhecido e não provido, no tema. 3.

pacífico nesta Corte é o de que o comum acordo, exigência trazida CLÁUSULA 3ª - SALÁRIO MÍNIMO PROFISSIONAL. APLICAÇÃO

pelo art. 114, § 2º, da Constituição Federal para o ajuizamento do DO PISO PREVISTO NA LEI ESTADUAL Nº 13.189/2009. A

dissídio coletivo de natureza econômica, é pressuposto de jurisprudência desta Seção Especializada firmou-se no sentido de

constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo e que refoge ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho a

que, embora idealmente devesse ser materializado na forma de fixação de piso salarial, admitindo, apenas, a aplicação do mesmo

petição conjunta da representação, é interpretado de maneira mais percentual concedido para o reajuste dos salários ao piso

flexível, no sentido de se admitir a concordância tácita na porventura fixado em instrumento negocial autônomo, celebrado em

instauração da instância, desde que não haja a oposição expressa período imediatamente anterior ao do dissídio coletivo. Ocorre que,

do suscitado, na contestação. No caso em tela, observa-se que o em não se tratando de condição preexistente, predomina o juízo

Sindicato do Comércio Varejista de Cachoeira do Sul e o Sindicato quanto à possibilidade de fixação de piso salarial, se existente Lei

do Comércio Varejista de Erechim, na defesa, demonstraram Estadual que o estabeleça. Sendo essa a hipótese, a decisão

expressamente sua discordância com a instauração da instância do regional que fixou como salário mínimo profissional dos

dissídio coletivo e apontaram a ausência do comum acordo como trabalhadores das empresas representadas pelo sindicato ora

causa extintiva do processo, reiterando, nas razões recursais, os recorrente o piso instituído na Lei nº 13.189/2009, do Estado do Rio

argumentos anteriormente apresentados. Reforma-se, pois, a Grande do Sul, mostra-se perfeitamente consonante à

decisão para, em relação aos recorrentes, julgar extinto o processo, jurisprudência desta Corte. Recurso ordinário conhecido e não

sem resolução de mérito, com base nos arts. 114, § 2º, da CF e provido, no particular. 4. DEMAIS CLÁUSULAS. Deferidas

485, IV, do CPC/2015, ficando ressalvadas, contudo, as situações parcialmente, na forma da jurisprudência deste Tribunal.

fáticas já constituídas, a teor do que dispõe o art. 6º, § 3º, da Lei nº

4.725/1965. Recurso ordinário provido para julgar extinto o

processo, sem resolução de mérito, pela ausência de comum Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n°

acordo. C) RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELO TST-RO-212700-76.2009.5.04.0000, em que é Recorrente

SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE GÊNEROS MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 4ª REGIÃO; são

ALIMENTÍCIOS DOS VALES DO RIO PARDO E TAQUARI. 1. Recorrentes e Recorridos SINDICATO DO COMÉRCIO

PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO. VAREJISTA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS DOS VALES DO RIO

DISCORDÂNCIA DO SUSCITADO MANIFESTADA SOMENTE NA PARDO E TAQUARI e SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA

FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. O Sindicato do Comércio DE CACHOEIRA DO SUL E OUTROS; e Recorridas FEDERAÇÃO

Varejista de Gêneros Alimentícios dos Vales do Rio Pardo e Taquari DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE BENS E DE SERVIÇOS

não apresentou contestação e, consequentemente, não manifestou, DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL e FEDERAÇÃO DO

no momento oportuno, sua discordância com a instauração da COMÉRCIO DE BENS E SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO

instância, admitindo, tacitamente, o ajuizamento do dissídio coletivo. GRANDE DO SUL E OUTROS.

A não manifestação no momento próprio atrai o instituto da

preclusão, e não cabe agora, em fase recursal, apresentar a recusa A Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços

à instauração da representação coletiva. (Precedentes). Preliminar do Estado do Rio Grande do Sul - FECOSUL ajuizou, em 29/5/2009,

rejeitada. 2. CLÁUSULA 1ª - REAJUSTE SALARIAL. Esta Seção dissídio coletivo de natureza econômica contra a Federação do

Especializada, considerando a necessidade de que os efeitos Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio Grande do Sul e 14

decorrentes da perda de valor real dos salários sejam atenuados, outros sindicatos representantes do mesmo segmento econômico,

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 132
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

objetivando a fixação das condições de trabalho para vigerem a Público do Trabalho interpôs o recurso ordinário de fls. 1925/1939 e

partir de 1º de junho de 2009 (fls. 3/71). contra a decisão homologatória de fls. 1887/1892 interpôs o recurso

No decorrer da ação, houve a comunicação acerca da celebração ordinário de fls. 1941/1957, sustentando a ilegalidade de várias

de vários acordos entre a Federação profissional suscitante e a cláusulas pactuadas.

Federação suscitada, juntamente com vários Sindicatos patronais. Analisando o dissídio coletivo em relação aos sindicatos

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, mediante o acórdão remanescentes, o TRT da 4ª Região, mediante o acórdão de fls.

de fls. 1533/1539, homologou os acordos firmados, de um lado, pela 2119/2211: a) rejeitou as preliminares de extinção do processo, sem

Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado do Rio resolução de mérito, por ausência de comum acordo; por ausência

Grande do Sul com os seguintes suscitados: Sindicato da ata da assembleia geral extraordinária; por ilegitimidade da

Intermunicipal dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Federação suscitante; e por ausência da norma revisanda, bem

Estado do Rio Grande do Sul (fls. 955/975); Sindicato Intermunicipal como a prefacial de cerceamento de defesa; b) estabeleceu que a

do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio sentença normativa a ser utilizada como norma revisanda seria

Grande do Sul e Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros aquela anexada às fls. 991 a 1025, relativa à sentença proferida no

Alimentícios de Canoas (fls. 1023/1057); Sindicato do Comércio DC-212500-06.2008.5.04.0000, vigente no período de 1º de junho

Atacadista de Álcool e Bebidas em Geral do Estado do Rio Grande de 2008 a 31 de maio de 2009, ressalvando-se, porém, os salários

do Sul (fls. 1105/1139); e Sindicato do Comércio Atacadista do normativos de cada norma coletiva juntada; c) determinou que a

Estado do Rio Grande do Sul (fls. 1171/1207). E de outro lado, o presente ação deveria abranger todos os trabalhadores integrantes

acordo firmado entre as Federações suscitante e suscitada, da categoria profissional representada pela Federação suscitante

juntamente com o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços empregados nas empresas integrantes da categoria econômica

Funerários do Estado do Rio Grande do Sul; Sindicato do Comércio representada pelos cinco suscitados remanescentes nos municípios

Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico do inorganizados em sindicatos no Estado do Rio Grande do Sul; e d)

Estado do Rio Grande do Sul; e o Sindicato do Comércio Varejista no mérito, deferiu parcialmente as reivindicações.

de Produtos Farmacêuticos do Estado do Rio Grande do Sul (fls. Interpuseram recursos ordinários, às fls. 2223/2259, o Sindicato do

1241/1281). Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios dos Vales do Rio Pardo

Também por meio do acórdão de fls. 1887/1892, homologou os e Taquari, e, em peça única, às fls. 2265/2302, o Sindicato do

novos acordos celebrados entre as Federações suscitante e Comércio Varejista de Cachoeira do Sul; o Sindicato do Comércio

suscitada; o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços Funerários Varejista de Camaquã; e o Sindicato do Comércio Varejista de

do Estado do Rio Grande do Sul; o Sindicato do Comércio Varejista Erechim.

de Produtos Farmacêuticos do Estado do Rio Grande do Sul; e o Contra o acórdão regional, o Ministério Público do Trabalho opôs

Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e embargos de declaração, às fls. 2305/2307, sustentando a

Cinematográfico do Estado do Rio Grande do Sul (fls. 1565/1599) - inexistência de norma coletiva revisanda em relação ao Sindicato do

ressaltando não ser possível a homologação em relação ao Comércio Varejista de Camaquã, uma vez que, no DC-212500-

Sindicato do Comércio Varejista de Osório e o Sindicato do 06.2008.5.04.0000, houve o pedido de desistência da ação,

Comércio de Vendedores Ambulantes e Comércio Varejista de formulado pelo referido ente sindical. Pugnou pela declaração de

Feirantes do Estado do Rio Grande do Sul, por serem entidades ilegitimidade do referido sindicato.

estranhas à lide - e homologou o acordo celebrado entre a Os embargos de declaração foram acolhidos para corrigir erro

Federação dos Trabalhadores e o Sindicato do Comércio Varejista material e, dando efeito modificativo ao julgado, extinguir o

de Lajeado (fls. 1771/1805). processo, sem resolução de mérito, em relação ao Sindicato do

Determinou, ainda, o prosseguimento do feito em relação aos Comércio Varejista de Camaquã (fls. 2337/2341)

suscitados remanescentes: Sindicato do Comércio Varejista de O Sindicato do Comércio Varejista de Cachoeira do Sul e o

Veículos e de Peças e Acessórios para Veículos no Estado do Rio Sindicato do Comércio Varejista de Erechim ratificaram, à fl. 2349,

Grande do Sul; Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros os termos do recurso ordinário anteriormente interposto.

Alimentícios do Vale do Rio Pardo; Sindicato do Comércio Varejista O Sindicato do Comércio Varejista de Camaquã, à fl. 2353,

de Cachoeira do Sul; Sindicato do Comércio Varejista de Camaquã; requereu a desistência do recurso ordinário, em face da decisão

e Sindicato do Comércio Varejista de Erechim. proferida quando do julgamento dos embargos de declaração.

Contra a decisão homologatória de fls. 1533/1539, o Ministério Os recursos ordinários foram admitidos, às fls. 2363/2364, e não

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 133
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

foram apresentadas contrarrazões, conforme certificado à fl. 2375.

O processo foi distribuído a esta Relatora em 15/3/2018. Sustenta o Ministério Público do Trabalho, às fls. 1927/1929 e

Dispensada a remessa dos autos ao Ministério Público do Trabalho. 1943/1947, que as cláusulas 16 do acordo de fls. 1105/1139 e 17

É o Relatório. dos acordos de fls. 1171/1207; 1241/1281 e 1565/1599 garantem à

empregada gestante a estabilidade por 90 dias após o término do

VOTO gozo do benefício previdenciário, mas que o disposto no parágrafo

único das cláusulas está eivado de ilegalidade, ao condicionar a

A) RECURSOS ORDINÁRIOS INTERPOSTOS PELO MINISTÉRIO garantia de emprego à apresentação de atestado médico

PÚBLICO DO TRABALHO CONTRA AS DECISÕES comprobatório de gravidez anterior ao aviso prévio, dentro de 30

HOMOLOGATÓRIAS DOS ACORDOS COLETIVOS dias após a data do término do aviso prévio, sob pena de

CELEBRADOS NO DECORRER DA AÇÃO decadência do direito. Alega que o período de garantia de emprego,

da concepção até 5 meses após o parto, não constitui conquista

Leva-se em consideração, na análise dos recursos interpostos, a negocial, já que esse direito é garantido pela Constituição Federal.

numeração constante do Sistema de Informações Judiciárias - SIJ. Afirma que as condicionantes previstas em normas coletivas

Conforme relatado, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, somente podem alcançar o período que excede aquele previsto no

mediante o acórdão de fls. 1533/1539, homologou os acordos art. 10, II, b, do ADCT. Afirma que a concepção no decorrer do

coletivos firmados, no decorrer da ação, entre o suscitante e a aviso prévio não afasta o direito à estabilidade e que a Súmula nº

maioria dos suscitados, juntados às fls. 955/975; 1023/1058; 224 do TST dispõe que o desconhecimento do estado gravídico,

1105/1139; 1171/1207; 1241/1281. Também mediante o acórdão de pelo empregador, não afasta o direito ao recebimento da

fls. 1887/1892, homologou os acordos de fls. 1565/1599 e o de fls. indenização decorrente da estabilidade. Destaca o teor da

1771/1805. Orientação Jurisprudencial nº 30 da SDC desta Corte e requer

Contra a decisão homologatória de fls. 1533/1539, o Ministério sejam excluídas as condicionantes relativas à garantia de emprego.

Público do Trabalho interpôs o recurso ordinário de fls. 1925/1939, e Ao exame.

contra a decisão homologatória de fls. 1887/1892 interpôs o recurso Retifica-se, inicialmente, a numeração da cláusula relativa à

de fls. 1941/1957, sustentando a ilegalidade de algumas cláusulas estabilidade da gestante do acordo de fls. 1105/1139, indicada pelo

pactuadas, relativas à ESTABILIDADE DA GESTANTE; Ministério Público como sendo a cláusula 16 (fl. 1119), para que

SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO; CONTRIBUIÇÃO passe a constar como cláusula 17.

CONFEDERATIVA E ASSISTENCIAL; e ao DESCONTO A Constituição Federal, em seu art. 7º, XVIII, da CF, garante a

ASSISTENCIAL DOS EMPREGADOS, as quais serão analisadas a licença à gestante de cento e vinte dias, que pode ser prorrogada

seguir. por 60 dias, nos termos da Lei nº 11.770/2008, regulamentada pelo

Decreto 7.052/2009, que faculta à pessoa jurídica tal prorrogação e

1. CLÁUSULAS 17 (ACORDOS COLETIVOS DE FLS. 1105/1139; concede incentivo fiscal às empresas.

1171/1207; 1241/1281 E 1565/1599) - ESTABILIDADE DA O art. 392 da CLT também estipula que a empregada gestante tem

GESTANTE direito à licença-maternidade de 120 dias, sem prejuízo de seu

emprego e salário.

Eis o teor das cláusulas pactuadas: De outro lado, nos termos do art. 10, II, "b", do ADCT, é vedada a

dispensa sem justa causa da empregada gestante desde o

17. ESTABILIDADE DA GESTANTE - À empregada gestante será momento da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

assegurada a estabilidade no emprego durante a gravidez a até 90 O Supremo Tribunal Federal, objetivando proteger a maternidade e

(noventa) dias após o retomo do benefício previdenciário. o nascituro, decidiu ser inconstitucional cláusula constante de

PARÁGRAFO ÚNICO acordo ou convenção coletiva de trabalho que imponha restrições à

Na hipótese de dispensa sem justa causa, a empregada deverá estabilidade constitucionalmente garantida.

apresentar à empresa atestado médico comprobatório de gravidez Da mesma forma, e seguindo as diretrizes daquela Corte, a

anterior ao aviso prévio, dentro de 30 (trinta) dias após a data do jurisprudência desta Seção Especializada consolidou-se na

término do aviso prévio, sob pena de decadência do direito previsto. Orientação Jurisprudencial nº 30, que dispõe:

(fls. 1119; 1185; 1255 e 1577)

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2477/2018 Tribunal Superior do Trabalho 134
Data da Disponibilização: Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

30. ESTABILIDADE DA GESTANTE. RENÚNCIA OU TRANSAÇÃO meses da garantia inserta no art. 10, II, "b" do ADCT da CF. Ou

DE DIREITOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE (inserida seja, parte da estabilidade constitucional está contida no período da

em 19.08.1998) (republicada em decorrência de erro material) - estabilidade prevista na cláusula normativa."

DEJT divulgado em 19, 20 e 21.09.2011. Nos termos do art. 10, II,

"b", do ADCT, a proteção à maternidade foi erigida à hierarquia O fato é que não há, no art. 10, II, b, do ADCT, nenhuma condição

constitucional, pois retirou do âmbito do direito potestativo do para que a empregada possa exercer o direito relativo à garantia de

empregador a possibilidade de despedir arbitrariamente a emprego, tanto é que nem mesmo o desconhecimento, por parte do

empregada em estado gravídico. Portanto, a teor do artigo 9º, da empregador, do estado gravídico da empregada dispensada sem

CLT, torna-se nula de pleno direito a cláusula que estabelece a justa causa afasta a garantia constitucional.

possibilidade de renúncia ou transação, pela gestante, das Nesse sentido, o parágrafo único da cláusula pactuada, ao

garantias referentes à manutenção do emprego e salário." estabelecer que a garantia da estabilidade provisória no emprego, à

empregada gestante, somente ocorrerá a partir da comunicação do

No caso em tela, a norma, a princípio, parece ser bastante benéfica estado gravídico ao empregador, ainda que para efeitos de suposta

às empregadas gestantes, ao possibilitar a extensão da licença- ampliação do benefício, contraria também a jurisprudência desta

maternidade para mais 90 dias após o término do afastamento Corte, consubstanciada no item I da Súmula nº 244, que dispõe:

compulsório, estendendo, consequentemente, a estabilidade

provisória a todo aquele período de afastamento. Todavia, diverge I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não

do Texto Constitucional ao condicionar, no parágrafo único, a afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da

concessão desse benefício à apresentação de atestado médico estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT)."

quanto ao seu estado gravídico.

De outro lado, observa-se que a cláusula, ao assegurar a As ementas a seguir transcritas consolidam esse entendimento:

estabilidade excepcional de 90 dias após o término do gozo do

benefício previdenciário - licença-maternidade -, não afasta a RECURSO ORDINÁRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO

sobreposição de tempo que pode ocorrer em relação à estabilidade TRABALHO. PROCESSO ANTERIOR À LEI 13.467/2017. AÇÃO

garantida no art. 10, II, "b", do ADCT, ou seja, a possibilidade de ANULATÓRIA. EMPREGADA GESTANTE. ESTABILIDADE