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LawTechs, a revolução da Justiça - 15/07/2019 -... https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldo...

Ronaldo Lemos (/colunas/ronaldolemos/)


ronaldo@itsrio.org (mailto:ronaldo@itsrio.org)

LawTechs, a revolução da Justiça


Empresas de tecnologia do setor legal tornam o Judiciário mais eficaz

15.jul.2019 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2019/07/15/)

Há anos discute-se como melhorar o Poder Judiciário para garantir mais


eficiência, rapidez nas decisões e redução da enorme burocracia
(https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/05/especialistas-questionam-eficacia-de-medida-contra-

burocracia.shtml). 

Não são poucas as mudanças legais que foram feitas para isso, de emendas
constitucionais à aprovação de um novo Código de Processo Civil. 

No entanto, os problemas continuam. Nesse contexto, uma revolução


promissora da Justiça está em curso: a explosão no país das LawTechs, as
empresas de tecnologia do setor legal. São empresas —muitas delas
(https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2019/01/startups-criam-plataformas-que-levam-historias-dos-livros-as-

telas.shtml)startups (https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2019/01/startups-criam-plataformas-que-levam-

historias-dos-livros-as-telas.shtml)—
que estão desenvolvendo tecnologias capazes de
reduzir o número de litígios, promover acordos, facilitar o acesso a dados,
gerir documentos e apoiar o trabalho de juízes, promotores e advogados,
tornando-o mais inteligente e eficaz.

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Todos os números relacionados ao Poder Judiciário (https://www1.folha.uol.com.br


no
/colunas/marciorachkorsky/2019/06/judiciario-esta-cada-vez-mais-atento-a-questoes-de-vizinhanca.shtml)

Brasil são astronômicos. Há em tramitação hoje cerca de 80 milhões de


processos. A despesa anual com esses litígios atinge 1,4% do PIB. O tempo
médio para chegar a uma decisão na primeira instância é de dois anos e seis
meses. Na fase de execução —a fase final do processo—, o tempo médio
chega a mais de seis anos.

É nesse contexto (https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/05/resistencia-a-justica-40-qual-e-o-custo-do-


que as LawTechs estão explodindo. Só em 2018 houve um
atraso.shtml)

crescimento de 240% no setor. Os campos de atuação são variados, e o


potencial é grande. 

Tome-se o exemplo da conciliação. Se as partes de um processo chegam a


um acordo antes da decisão final, isso poupa tempo e custos para as partes,
para o Judiciário e para o contribuinte. Apesar disso, o índice de acordos no
país permanece pífio —em torno de 17%— e não cresce desde 2015.

É nesse contexto que entram as muitas LawTechs que trabalham para


facilitar acordos. Para que haja uma conciliação entre as partes, não basta
ter só incentivo legal. É preciso ter dados e informação (https://www1.folha.uol.com.br
/mercado/2018/11/robos-advogados-analisam-processos-fazem-peticoes-e-aceleram-contratos.shtml). As partes

têm muito mais chances de chegar a um acordo se souberem, por exemplo,


qual valor médio de indenização foi concedido em todos os casos
semelhantes àquele. 

Este é o papel das muitas LawTechs: analisar os dados do Judiciário


(https://www1.folha.uol.com.br/tec/2018/09/sao-paulo-ganha-centro-de-inovacao-para-mercado-juridico.shtml),

acrescentando a eles sucessivas camadas de inteligência. Com isso,


permitem que os litigantes (ou até mesmo o juiz) possam tomar decisões
mais bem informadas a respeito da disputa, inclusive para encerrá-la.

As LawTechs podem contribuir também para mitigar outra questão


histórica: a falta de integração entre as informações produzidas pelos
diferentes tribunais e instâncias. É comum que os sistemas de um tribunal

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não conversem com o de outros. As LawTechs estão criando interfaces mais


eficientes para permitir a “interoperabilidade” entre sistemas que são hoje
desconectados. 

Aplicações como inteligência artificial e aprendizado de máquina, por


exemplo, são desenvolvidas mais rápido pelas LawTechs do que pelo
Judiciário. O benefício, por sua vez, é sistêmico e abrange também o setor
público.

Em suma, o tema “GovTech” converteu-se em um objetivo de política


pública no Brasil. Ele pode ser resumido por uma pergunta: como usar a
tecnologia (https://www1.folha.uol.com.br/tec/) para melhorar os serviços públicos? 

Essa é uma tarefa não só do Poder Executivo mas também e sobretudo do


Poder Judiciário, que lida por excelência com informação. As LawTechs são
uma parte essencial desse esforço e abrem a porta para inovações bem-
vindas.

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Ronaldo Lemos
Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

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a-revolucao-da-justica.shtml

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