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Fase Decisória

Sentença, definida no art. 203 é o pronunciamento por meio do qual o juiz põe fim à
fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. Assim, o que
classifica uma sentença não é seu conteúdo, mas sua aptidão de colocar fim ao processo, ou
uma de suas partes. Pronunciamento judicial decisório que não coloca fim a, ao menos, uma
fase do processo é decisão interlocutória. E os pronunciamentos judiciais que visam dar
marcha ao processo são despachos.

Espécies de sentença:
1) Terminativas: extinguem o processo sem resolver o mérito, assim, depois da
sentença, o direito de ação continua existente. São os casos previstos no art. 485:
a) Indeferimento da inicial, que acontece nos casos previstos no art 220.
b) Abandono da causa, presumida a partir da inércia das partes diante dos deveres e
ônus processuais que acarretam paralisação do processo. Essa presunção se dá quando ambas
as partes, por negligência, deixam o processo parado por mais de 1 ano, ou quando o autor
não promove os atos que lhe competem por mais de 30 dias. Passados esses prazos, o juiz
intima as partes para suprirem as faltas em 5 dias. Depois dessa diligência, permanecendo a
inércia, acontece a extinção do processo por sentença terminativa.
c) Desistência da ação: o autor abre mão do direito material que tem perante o réu.
Não impede que, futuramente, o autor proponha a mesma ação. Se a desistência for antes da
resposta do réu, é um ato unilateral do autor, mas se o réu já tiver apresentado sua defesa, o
autor precisa de seu assentimento. Nesse caso, a desistência passa a ser ato bilateral. O limite
temporal da desistência é a sentença, pois não existe desistência em grau recursal. Após a
sentença, só é cabível a renúncia à pretensão formulada na ação, que provoca uma sentença
contrária ao pedido do autor e com força de coisa julgada material.
d) Ausência de pressupostos processuais, são pressupostos subjetivos a competência
do juiz, a ausência de impedimento ou suspeição, e, por parte dos litigantes, a capacidade civil
e postulatória. Já os pressupostos objetivos são os que dizem respeito à regularidade dos atos
processuais. Quaisquer dos pressupostos processuais podem ser objeto de exame a qualquer
tempo e fase do processo, desde que não haja trânsito em julgado.
e) Perempção, abandono da causa por 3 vezes causa a perda do direito de renovar a
propositura da mesma ação.
f) Litispendência e coisa julgada: a primeira diz respeito à impossibilidade de uma
mesma lide ser objeto de mais de um processo simultaneamente, a segunda diz respeito à
regra de que após o trânsito em julgado, que forma coisa julgada, a mesma lide não pode ser
rediscutida. Assim, havendo coisa julgada sobre a matéria em questão, o processo deve ser
extinto sem julgamento de mérito (sentença terminativa), mas seu efeito será o mesmo da
sentença definitiva, pois o autor não poderá propor novamente a mesma ação.
g) Condições da ação, estão relacionadas a possibilidade de obter ou não sentença de
mérito, são elas a legitimidade das partes e o interesse de agir. Diferentemente dos
pressupostos processuais, que visam dar validade à relação processual. A falta de condições da
ação pode ser reconhecida pelas partes ou pelo juiz, podendo ser determinada a qualquer
tempo, desde que não haja sentença.
h) Perda do objeto, quando se perde o interesse de agir devido a evento ulterior que
prejudique a resolução da lide, ou tire sua relevância atual.
i) Convenção de arbitragem: é possível fazer uma cláusula compromissória, que
funciona como um impedimento ao exercício do direito de ação, retirando da parte o interesse
de agir.
j) Intransmissibilidade da ação, é a consequência da natureza personalíssima do direito
de ação. Assim, morto o titular do direito intransmissível, extingue-se a ação.
k) Confusão entre autor e réu: se, por sucessão, as duas partes processuais se
confundem em uma só, não há lide, logo há perda do interesse de agir e o processo deve ser
extinto.
Em todos os casos de extinção do processo sem julgamento de mérito, o efeito é a
coisa julgada formal, que não impede a parte de propor nova ação, desde que sane os vícios
que fizeram extinguir o processo primitivo. Existem apenas 3 casos em que a sentença
terminativa impede a reproposição da ação: havendo litispendência, coisa julgada ou
perempção.
À esse tipo de sentença cabe apelação. O juiz tem 5 dias para retratar-se, não o
fazendo, deve remeter os autos ao tribunal competente para julgamento do recurso.

2) Definitivas: extinguem o processo com resolução de mérito, logo, extingue-se o


direito de ação. Fazem coisa julgada material, sendo impossível a rediscussão acerca da
mesma matéria.
São previstas no art 487:
a) Acolhimento ou rejeição do pedido: na sentença de mérito, o juiz deve acolher ou
rejeitar o pedido.
b) Decidir sobre ocorrência de prescrição ou decadência. Decadência é a inexistência
do direito invocado pelo autor pela perda temporal de sua eficácia. Prescrição é a sanção dada
ao titular do direito que permaneceu inerte diante da violação desse direito, que acarreta na
perda da pretensão. O juiz só reconhecerá prescrição ou decadência depois de dar às partes
oportunidade de se manifestar. Ações condenatórias se sujeitam a decadência, ações
declaratórias são imprescritíveis, mas só duram enquanto houver interesse de agir.
c) Reconhecimento da procedência do pedido pelo réu: se dá quando o réu
expressamente declara que a pretensão do autor é procedente, ou quando o autor declara
procedente a pretensão que o réu colocou em sua reconvenção. Diferentemente da confissão,
que se restringe a algum fato em discussão, o reconhecimento da procedência do pedido
refere-se ao direito material que funda o pedido.
d) Renúncia à pretensão: ocorre quando o autor de forma expressa abre mão da
pretensão do direito material que manifestou no pedido, ou o réu do direito manifestado na
reconvenção. Essa manifestação deve constar de documento escrito juntado aos autos, e pode
ser feita a qualquer momento, inclusive no recurso, desde que não haja coisa julgada. Não
depende de anuência da parte contrária, afinal ela será beneficiada. A renúncia elimina a
possibilidade de reabertura do processo em torno da mesma lide, pois há coisa julgada
material. Diferentemente da desistência, que tem efeito apenas formal e não impede a
reproposição da matéria.
e) Transação: é o negócio jurídico bilateral realizado entre as partes para prevenir, ou
terminar, litígio, mediante concessões mútuas. Por envolver possíveis renúncias de direitos, só
pessoas maiores e capazes podem transigir. Quando se conclui a transação, é impossível o
arrependimento unilateral, a menos que haja dolo, erro ou coação. Havendo vício de
consentimento, é possível a rescisão por meio de ação.
A sentença definitiva faz coisa julgada material e impede que a ação seja debatida
novamente posteriormente.

Estrutura da Sentença
A sentença é divida em 3 partes:
1) Relatório: segundo o artigo 489, I, é a parte da sentença que contém os nomes das
partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das
principais ocorrências havidas no andamento do processo. Ou seja, traz o resumo do que se
passou no processo, demonstrando que o juiz tomou conhecimento das alegações.

2) Motivação: segundo o art 489, II, é onde o juiz analisará as questões de fato e de
direito, ou seja, é a exposição dos fatos e fundamentos que formaram sua convicção. A falta de
motivação anula o ato decisório. Não será considerada fundamentada a sentença que:
I - Se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar
sua relação com a causa ou a questão decidida. Assim, não basta a indicação da lei, o juiz
precisa explicar o motivo de escolha da norma.
II - Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de
sua incidência no caso, afinal conceitos vagos são muito abrangentes.
III - Invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão, ou seja, não
pode proferir uma decisão padrão.
IV - Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,
infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles
fundamentos;
VI - Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do
entendimento. E no caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar os critérios de sua
ponderação.

3) Dispositivo: é a parte em que o juiz resolverá as questões principais que as partes


lhe submeterem. Nele há decisão da causa, seja anulando o processo por falta de pressuposto
processual, por exemplo, declarando sua extinção, ou julgando o pedido procedente ou
improcedente. A falta de clareza e precisão acarreta em nulidade. Mesmo em casos de pedido
genérico, a decisão definirá a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, taxa de
juros, entre outros. Até a condenação ilíquida deve ser certa em sua generalidade.
É importante que o juiz atenha sua decisão ao que foi pedido. Quando soluciona causa
diversa da que foi pedida, como quando defere prestação diferente da que foi postulada ou
acolhe defesa não alegada, tem-se sentença extra petita. Quando o juiz decide o pedido, mas
vai além, tem-se sentença ultra petita. E quando o juiz deixa de analisar alguma das questões
propostas pelas partes, tem-se sentença citra petita. No caso da extra petita, a sentença é
anulada. Na ultra petita, há nulidade parcial, concernente apenas ao excesso. Na citra petita,
em regra, a sentença não é anulada, mas completada quanto às questões omitidas na decisão
apelada. Ela só será anulada caso a questão não tenha sido debatida, a fase probatória não
esteja completa e encerrada, pois nesse caso a lide não se acha madura.
Publicação da Sentença
A sentença poderá ser proferida na audiência de instrução e julgamento, nos 30 dias
após a mesma, caso na audiência o juiz ainda não tenha convicção para proferir a sentença, ou
ainda nos 30 dias seguintes à conclusão, quando o julgamento se dá independentemente de
audiência. Proferida, mas não publicada, a sentença não será ato processual, e nem produzirá
qualquer efeito.
São efeitos da publicação da sentença: a publicidade que a prestação jurisdicional
toma e o teor da sentença ser fixado, de modo que o juiz não pode revoga-la ou modifica-la. À
essa irretratabilidade da sentença pelo julgador, tem-se 2 exceções: quando existem
inexatidões materiais ou erro de cálculo. Quanto a esse, cabem embargos de declaração, para
quando a sentença está obscura, contraditória, quando houver erro material ou for omitido
ponto sobre o qual o juiz deveria se pronunciar. Os embargos podem ser propostos até 5 dias
após a publicação, e o juiz os julga em igual prazo. Sua proposição interrompe o prazo de
outros recursos cabíveis. E, se acolhidos, o juiz profere sentença que complementa a primitiva.

Princípios Reitores
O princípio da demanda impõe que o juiz não pode prestar tutela jurisdicional senão
quando requerida pela parte. Isso contribui com a imparcialidade do juiz, que não pode prestar
tutela não requerida. Já o princípio da congruência impõe a coerência entre o pedido e a
sentença, pois a decisão deve versar sobre o que foi pleiteado apenas, garantindo o
contraditório e a ampla defesa.

Classificação das Sentenças


Se a decisão é proferida por órgão colegiado (Tribunal), é denominada acórdão.
Quando proferida por juiz apenas para verificar a legitimidade do ato das partes para alcançar
autocomposição do litígio, a sentença é homologatória. Existem ainda as sentenças
condenatórias, constitutivas e declaratórias.
Sentenças declaratórias visam declarar a existência ou não de uma relação jurídica, ou
da autenticidade ou falsidade de documento. Sentenças condenatórias são prescrevem
determinado comportamento, determinam que se realize e torne efetiva determinada sanção,
atribuindo ao vencedor um título executivo que o possibilita a recorrer ao processo de
execução, caso o vencido não cumpra a prestação que foi condenado. E sentenças
constitutivas são as que criam, modificam ou extinguem relação jurídica.
As sentenças declaratórias e condenatórias produzem efeito ex tunc, ou seja, o efeito
retroage à época que se formou a relação jurídica, ou em que se verificou a situação
declarada. Já as sentenças constitutivas produzem efeito ex nunc, ou seja, a partir do trânsito
em julgado.

Efeitos da Sentença
O efeito formal da sentença é colocar fim à função do julgador na fase cognitiva do
processo. Fora isso, o efeito da sentença dependerá de ela ser terminativa ou definitiva. No
primeiro caso, só se forma coisa julgada formal, no segundo caso, forma-se coisa julgada
material. Pode-se considerar que os efeitos principais são condenação, declaração ou
constituição de direito ou relação jurídica, e que a coisa julgada é uma qualidade desses
efeitos.
Existem sentenças de efeito imediato, que por si só produzem os efeitos para os quais
foi pronunciada (constitutivas e declaratórias). E existem as de efeito mediato, que tem a
concretização condicionada a outras providências judiciais de caráter coercitivo sobre o
devedor (condenatórias).
OBS. Remessa Necessária: só após a confirmação pelo tribunal é que produzirá efeito a
sentença proferida contra a União, Estados, DF e municípios, e que julgar procedente os
embargos à execução fiscal.

Coisa Julgada
Segundo o art 502, denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna
imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Com a publicação, a
sentença se torna irretratável para o julgador, mas o vencido pode impugna-la, pedindo, por
meio de recurso, que o órgão superior reexamine o julgado. Passado o prazo preclusivo, o
vencido não tendo se manifestado, ou depois de decididos os recursos interpostos, ocorre o
trânsito em julgado e a sentença torna-se definitiva e imutável. Assim, a coisa julgada não é
um efeito da sentença, mas a qualidade de tornar imutável os efeitos da sentença, impedindo
novo recurso, que o ato judicial e seus efeitos assumem.
A sentença pode ser dividida em capítulos, que podem ser homogêneos ou
heterogêneos, a depender se versam sobre questões de mesma natureza ou não. O STJ não
entende que o trânsito em julgado dos capítulos da sentença pode se dar em momentos
distintos, definindo na Súmula 401 que o prazo decadencial para a ação rescisória (que se
presta a desconstruir uma decisão de mérito transitada em julgado)só se inicia quando não for
cabível qualquer recurso do último pronunciamento judicial.
É importante lembrar que das partes da sentença, relatório, fundamentos e
dispositivo, só esse é abrangido pela coisa julgada.

Coisa Julgada Material e Formal


A diferença entre coisa julgada material e formal está apenas no grau de um mesmo
fenômeno. A formal atua dentro do processo em que a sentença foi proferida, sem impedir
que o objeto do julgamento volte a ser discutido em outro processo. Já a coisa material produz
efeito no mesmo processo e em qualquer outro, vedando o reexame da questão, por já ter
sido apreciada e julgada. Toda sentença que transita materialmente em julgado, também
transita formalmente em julgado, mas a recíproca não é verdadeira.
A coisa julgada tem a função positiva de obrigar a observância da decisão e a função
negativa de impedir a rediscussão do mérito. Objetivamente, a coisa julgada se limita às
questões expressamente decididas. Já subjetivamente, a coisa julgada se limita às partes, não
podendo prejudicar terceiros.
Existem exceções em que a coisa julgada repercute, também, sobre pessoas que não
figuraram como partes na relação processual. Por exemplo, no caso de substituição
processual, em que a atividade do substituto operará sobre a situação do substituído, mesmo
ele não tendo, pessoalmente, participado do processo.
Nos casos de comunhão de direitos e obrigações, o direito material legitima qualquer
dos comunheiros a defender situação jurídica litigiosa comum, como no caso de obrigações
solidárias, é possível que a coisa julgada opere sobre o cointeressado que poderia ter
participado do processo, mas não o fez. No caso de credores solidários, um é beneficiado pelo
julgamento favorável obtido pelo outro. A não extensão da coisa julgada só se aplica quando a
sentença os prejudicaria. Para os devedores solidários, o título executivo só se forma contra o
devedor demandado. Mas a ele cabe fazer chamamento ao processo dos codevedores.
Em ações coletivas, o direito pode ser difuso, coletivo ou individual .
- Difusos são os direitos de todas as pessoas indeterminavelmente, é ainda um direito
indivisível. Por exemplo, o direito ao meio ambiente. Em ações de direito difuso, a procedência
tem efeito erga omnes, afinal, não é possível identificar cada sujeito.
- Coletivos são os direitos de um grupo de pessoas determináveis, que são unidas por
uma relação jurídica. Por exemplo, quando uma empresa faz recall de um produto, as pessoas
atingidas são determináveis, porque a relação de compra as une. Em ações que envolvem
direitos coletivos, a procedência alcança apenas as partes.
Tanto nos direitos difusos, quanto coletivos, a improcedência da ação alcança todos os
legitimados, exceto se a improcedência foi por falta de provas, nesse caso a ação poderá ser
reproposta.
- Individuais são os direitos de um grupo de pessoas determináveis, que são unidas por
um interesse em comum. Por exemplo, pescadores que tiveram sua atividade profissional
impedida pelo desastre causado pela Samarco. Em ações que envolvem direitos individuais, a
procedência e a improcedência alcançam todos os que partilham do interesse comum.
Tratando-se de relação jurídica de trato continuado, se sobrevier modificação no
estado de fato ou de direito, poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença.
Questões prejudiciais são aquelas que poderiam, por si só, ser objeto de um processo
separado, que se referem a fatos anteriores relacionados à lide, como por exemplo a relação
de paternidade numa ação de alimentos.
A coisa julgada tem um efeito denominado preclusivo, que define que nenhuma
questão, cuja solução pudesse influir na resolução do pedido definitivamente julgado, poderá
ser invocada em outro processo entre as mesmas partes, se de sua apreciação resultar efeito
capaz de alterar a estabilidade da coisa julgada formada sobre a demanda anterior.

Cumprimento de Sentença
O cumprimento de sentença corre às expensas do devedor, que deverá suportar custas
e despesas processuais, inclusive honorários do advoga do credor. Para o cumprimento de
sentença condenatória as regras são as de execução de título extrajudicial e é indispensável
que a condenação corresponda a uma obrigação certa, líquida e exigível. Se a relação jurídica
for sujeita a termo ou condição, o cumprimento da sentença depende de comprovação que a
condição se realizou ou que ocorreu o termo.

Recursos
Em sentido lato, recurso é todo meio empregado pela parte litigante a fim de defender
seu direito. Em sentido estrito, é o meio impugnativo apto a provocar, dentro da relação
processual ainda em curso, o reexame de decisão judicial, pela mesma autoridade, ou por
outra hierarquicamente superior, visando obter a reforma, invalidação, integração ou
esclarecimento.
É também instrumento usado para atacar a decisão judicial a ação autônoma de
impugnação, que representa a instauração de uma nova relação processual. E existem ainda os
sucedâneos recursais (antigos embargos infringentes), que são meios de impugnação de
decisão judicial que não são recursos, nem ação de impugnação. Trata-se de categoria que
engloba todas as outras formas de impugnação da decisão, por exemplo: pedido de
reconsideração, pedido de suspensão da segurança.
Os recursos são classificados:
1) Quanto ao fim colimado pelo recorrente:
a) De reforma: visando a modificação na solução do decisório impugnado.
b) De invalidação: visa anulação da sentença anterior e os atos processuais
repraticados na 1ªinstância . É dada em casos, por exemplo, de decisões citra, ultra ou extra
petita.
c) De esclarecimento ou integração: visando o aperfeiçoamento da decisão.

2) Quanto ao juízo que se encarrega do julgamento:


a) Devolutivos: quando a questão julgada por um órgão é devolvida ao conhecimento
de outro órgão. Nesse caso, a decisão do tribunal ad quem substitui a decisão recorrida, no
que tiver sido objeto de recurso. Se for caso de anulação, não há substituição, pois o próprio
juízo de origem proferirá nova sentença. Como acontece com a apelação e os recursos
ordinário, extraordinário e especial.
b) Mistos: podem ser reexaminados tanto pelo órgão superior quanto pelo próprio
prolator do decisório impugnado. Como acontece com o agravo.

3) Quanto à extensão do reexame de um órgão sobre a matéria decidida por outro:


a) Total: quando o recurso ataca a decisão como um todo, requerendo sua reforma
integral.
b) Parcial: quando o recurso ataca uma ou algumas questões dentre as solucionadas
pelo decisório recorrido.

4) Quanto aos motivos da impugnação:


a) Fundamentação livre: a admissibilidade do recurso não se prende a matérias
preordenadas em lei.
b) Fundamentação vinculada: só são admitidos recursos quando se invoca tema
enquadrado em previsão legal de cabimento de recurso. Por exemplo, para recorrer por meio
de embargos de declaração, só pode ser alegado obscuridade, lacuna, contradição no ato
judicial ou erro material.

5) Quanto à marcha processual rumo à execução da decisão impugnada:


a) Suspensivos: impedem o início da execução provisória ou definitiva.
b) Não suspensivos: mesmo na pendência do recurso, permitem a execução provisória.

Estão sujeitos a recurso apenas sentenças e decisões interlocutórias, contra despacho


não cabe recurso algum. No primeiro grau de jurisdição, são admissíveis:
- Apelação
- Agravo de instrumento
- Embargos de declaração

Quanto aos acórdãos dos tribunais, cabem:


- Embargos de declaração
- Recurso ordinário para o STJ e STF
- Recurso especial
- Recurso extraordinário
- Embargos de divergência no STJ e STF

Para as decisões de segundo grau, diferentes de acórdão, cabem:


- Agravo interno
- Agravo em recurso especial ou extraordinário

Uma providencia assemelhada ao recurso é a correição parcial ou reclamação, cabível


sempre que o ato do juiz for irrecorrível (despachos) e puder causar dano irreparável para a
parte. São pressupostos da reclamação: existência de despacho que tenha erro ou abuso capaz
de tumultuar a marcha normal do processo, dano ou possibilidade de dano irreparável, e
inexistência de recurso para sanar o erro.

Princípios Gerais dos Recursos


Existem os princípio informativos, que se baseiam em critérios estritamente lógicos e
técnicos, os quais se sujeitam a recurso, são eles: princípio lógico, jurídico, político e
econômico. E existem também os princípios fundamentais, sobre os quais o sistema jurídico
pode fazer opção, considerando aspectos políticos e ideológicos.
Existem ainda os princípios constitucionais, que não podem ser afrontados por leis
ordinárias, e os princípios gerais, cuja presença no ordenamento jurídico é deduzida
sistematicamente pela doutrina e jurisprudência. A violação a um princípio constitucional
acarreta nulidade. São essenciais, processualmente, os princípios:
1) Do duplo grau de jurisdição: por ele procura-se prevenir o abuso de poder do juiz,
garantindo a dualidade de instâncias, sujeitando o pronunciamento à revisão por outro órgão
do Poder Judiciário.

2) Da taxatividade: o cabimento e forma do recurso não dependem de arbítrio da


parte, mas estão taxativamente previstos no art 994 (no âmbito de incidências especiais,
outras leis também cuidam de recursos).

3) Da singularidade, unirrecorribilidade ou unicidade: para cada ato judicial recorrível,


há só um recurso admitido. Por exemplo, para a sentença, só é cabível apelação e para a
decisão interlocutória, o agravo. Existem algumas situações excepcionais previstas em lei.

4) Da fungibilidade: havendo dúvida objetiva e fundada acerca de qual o recurso


cabível, interpondo-se o errado, é possível a conversão no adequado.

5) Da dialeticidade: todo recurso deve ser formulado por petição na qual a parte, não
apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas também indique os
motivos de fato e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada,
sujeitando-as ao debate com a parte contrária. As decisões devem ser fundamentadas e
nenhuma das razões pode ser adotada sem prévio debate com as partes.

6) Da voluntariedade: sem a formulação do recurso pela parte, o tribunal não pode


apreciá-lo, pois o juiz não tem poder de ex officio recorrer pela parte, ainda que se trate de
incapaz. Só às partes e terceiros interessados é concedido o direito de recorrer.

7) Irrecorribilidade em separado das decisões interlocutórias: não se tolera a


interrupção da marcha processual para apreciação de recurso contra interlocutórias (questões
incidentais), só excepcionalmente, em situação de risco grave e difícil reparação o relator pode
dar eficácia suspensiva.

8) Reformatio in pejus: o julgamento recursal não pode piorar a situação do


recorrente. Exceto se ambas as partes recorrem sobre a mesma coisa, caso em que é
impossível não piorar a situação de um dos recorrentes.
OBS. Possibilidade do tribunal decidir o mérito da causa, sem o pronunciamento do
juízo de 1º grau. Quando a causa está madura, ou seja, em condições de imediato julgamento
(pois o objeto já foi suficientemente debatido, mesmo não se tendo decidido o mérito) é
possível que o tribunal decida sobre a matéria. Quando: reformar sentença que não tenha
resolvido o mérito, decretar a nulidade da sentença por não ser congruente com os limites do
pedido ou causa de pedir, constar a omissão no exame de um dos pedidos, e decretar nilidade
por falta de fundamentação.

9) Da consumação: extinção da faculdade de interpor recurso novo e diferente como


consequência da prática recursal precedente. A possibilidade de interpor recurso se dá por
preclusão temporal, quando o prazo legal para interpor se extingue, ou por preclusão
consumativa, quando o recurso já foi exercido de forma inadequada.

Técnica de Julgamento de Recursos


Duas deliberações devem ser feitas: o juízo de admissibilidade e o juízo de mérito. O
primeiro resolve as preliminares relativas ao cabimento do recurso imposto. Verifica-se a
legitimidade para recorrer, se o recurso é previsto em lei e se foi manejado em tempo hábil e
atendendo os encargos econômicos. Estando tudo certo, o órgão revisor conhecerá do
recurso. Já o julgamento de mérito consiste em dar ou negar provimento ao recurso. Esse
provimento pode ser total ou parcial. É importante lembrar que o acórdão substitui o decisório
impugnado nos limites da impugnação.
O juízo de admissibilidade e de mérito são distintos, portanto, os participantes da
turma julgadora votarão em ambos, não deixando de votar no segundo, quem votou contra o
primeiro. Quanto ao juízo de admissibilidade negativo, cabe agravo interno para o órgão
colegiado.

Tempestividade do Recurso
Em geral, para a interposição de qualquer recurso, o prazo é de 15 dias a contar da
intimação da decisão, exceto embargos de declaração que tem prazo de 5 dias. Para Fazenda
Pública, MP, DP e litisconsortes não representados pelo mesmo advogado, o prazo é em
dobro. Para recurso remetido pelo correio, será considerado interposto na data de postagem.
É direito das partes a vista dos autos para preparar seu recurso, eles só não podem ser
retirados do cartório se ambas as partes forem sucumbentes. É aceito o recurso interposto
antes mesmo da intimação da decisão, ou seja, antes mesmo do prazo começar a correr. Nesse
sentido, uma situação comum é a interposição de recurso paralelamente aos embargos de
declaração, ou seja, antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, é interposto
recurso especial. É uma situação aceitável, porém, é necessária a posterior ratificação, em até
15 dias, completando ou alterando as razões do recurso, com base, também, da decisão dos
embargos.
Haverá suspensão do prazo recursal no recesso entre 20/12 e 30/01, e quando houver
obstáculo criado em detrimento da parte, como caso de greves ou incêndio do fórum, sendo
que superado o obstáculo, o prazo será reestabelecido, contando apenas o saldo
remanescente. O prazo também será suspenso nos casos previstos no art 313.
Tem legitimidade para recorrer: as partes, o MP e o terceiro interessado, sendo que,
em regra, só o vencido tem interesse para interpor recurso. Porém, o vencedor,
excepcionalmente, pode ter interesse na revisão da decisão que o favoreceu a fim de uma
situação ainda melhor. No caso particular de embargos de declaração, a lei dispensa a
sucumbência para definir o interesse em recorrer, pois não se trata de um recurso de reforma
ou invalidação, mas de aperfeiçoamento do julgado. No caso de litisconsórcio, qualquer
litisconsorte poderá interpor recurso separadamente. O recurso de um aproveita aos demais,
se o litisconsórcio for unitário.
Quanto à possibilidade de terceiro interessado interpor recurso, ele precisa assistir
uma das partes na relação jurídica litigiosa, pois sua situação está dependente da vitória de um
dos litigantes. Ou seu recurso pode demonstrar um prejuízo direito, e apresentar uma defesa
própria e não de uma das partes litigiosas. Mas, mesmo nesse caso, não é possível julgamento
de mérito em face do terceiro recorrente, pois seu direito material não é parte do objeto
litigioso fixado anteriormente em sentença. Podem recorrer apenas os terceiros que teriam
legitimidade para intervir como assistentes.

Preparo
Consiste no pagamento, na época certa, das despesas processuais correspondentes ao
processamento do recurso interposto, que compreende, além das custas, gastos do porte de
remessa e de retorno, se for necessário o deslocamento dos autos (o que será dispensado se o
processo for eletrônico, visto que não terá deslocamento físico). A falta de preparo gera a
deserção, que importa em trancamento do recurso, pois presume-se que o recorrente tenha
desistido. Se o preparo for feito parcialmente, o recorrente será intimado e terá 5 dias para
completar o pagamento, e somente não o fazendo, o recurso será trancado.
São dispensados de preparo: embargos de declaração, recursos interpostos pelo MP,
União, DF, Estados, Municípios e os que estão sob amparo da assistência judiciária.
O recorrente deve juntar o comprovante à petição recursal. Atenção para a
possibilidade da parte pagar o preparo depois da interposição do recurso, mas pagando em
dobro. É assegurado ao recorrente o direito de comprovar um justo impedimento para o não
recolhimento do preparo. E não é aplicada pena para quem preenche a guia de custas
incorretamente, nesse caso, caberá ao relator intimar o recorrente para sanar o vício em 5
dias.

Renúncia e Desistência
A renúncia é um fato impeditivo do recurso, ocorre antes da interposição do mesmo. A
desistência é um fato extintivo do recurso, ocorre durante seu processamento.
A desistência se dá quando, já interposto o recurso, a parte manifesta vontade de que
ele não seja submetido a julgamento. Deve ser pedida em petição. Porém, nos casos de
recursos extraordinários de repercussão geral e recursos especiais ou extraordinários objeto
de recurso repetitivo, o STJ e STF podem prosseguir no julgamento do recurso mesmo após a
desistência. Isso se dá não em benefício da parte que recorreu, mas pelo interesse da
coletividade na fixação de uma tese de direito a prevalecer.
Já a renúncia se dá quando a parte vencida abre mão do seu direito de recorrer. Pode
se dar de forma expressa ou tácita. A renúncia tácita se dá pela decorrência do prazo recursal e
a expressa pela manifestação de vontade da parte, seja essa oralmente em audiência ou por
petição. Seja da desistência ou da renúncia, decorre o trânsito em julgado da sentença.
A aceitação da sentença é a renúncia ao direito de recorrer, e também pode ser
expressa ou tácita. Será expressa quando for manifestada diretamente ao juiz ou a parte
contrária, e será tácita quando for praticado ato incompatível com a vontade de recorrer. É um
ato unilateral que independe do assentimento da parte contrária. Com a aceitação, extingue-
se o direito de recorrer e tem-se o trânsito em julgado.

Recurso Adesivo
É facultado à parte que não recorreu no devido tempo, um remédio processual que
restaura o direito de recorrer, mas exclusivamente no caso de sucumbência recíproca. Na
verdade, não é um tipo de recurso, mas uma forma de interposição. O prazo para a
interposição do recurso adesivo é o mesmo que a parte tem para responder o recurso
principal. Só tem cabimento na apelação, recurso especial e extraordinário. Havendo
sucumbência recíproca e subindo os autos apenas para a realização do duplo grau de
jurisdição, não se pode admitir o recurso adesivo. Nesse caso, a subida dos autos não se dá por
força de recurso, mas é uma medida de caráter administrativo.
Aplicam-se aos recursos adesivos as mesmas regras do recurso independente quanto
às condições de admissibilidade e julgamento no tribunal. Terceiros interessados e MP não
tem legitimidade para interpor recurso adesivo. Após o recebimento, abre-se vista por 15 dias
ao recorrido para apresentar contrarrazões. Se o recurso for interposto por um dos
litisconsortes, o recorrido somente poderá aderir ao recurso em relação a este litisconsorte
que recorreu.

Julgamento Singular e Coletivo do Recurso em 2º grau


Quando se maneja o recurso com efeito devolutivo, entre órgãos de diferentes graus
de jurisdição, o julgamento cabe, em princípio, a um Tribunal superior e será obtido pelo
pronunciamento coletivo de seu plenário, ou de algum órgão fracionário que atua em seu
nome, mas também como colegiado. O relator dirige o procedimento na instância recursal,
mas não julga sozinho. No entanto, o Código lhe permite, em alguns casos, o poder de decidir
em julgamento singular, valendo seu voto como decisão do Tribunal.
Em qualquer recurso, o relator pode:
- Por motivo de ordem processual, não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado
ou que não tenha impugnado especificamente fundamentos da decisão recorrida.
- Por motivo de mérito, negar provimento a recurso contrário à súmula do STF ou STJ,
acórdão proferido em recurso repetitivo e entendimento firmado em IRDF ou assunção de
competência.
- Dar provimento ao recurso se a decisão for contrária a uma das situações acima.
Mesmo nos casos de julgamento singular, a colegialidade é preservada ante a
possibilidade de submissão da decisão singular aos órgãos colegiados. O julgamento singular é
uma faculdade, assim, fica a critério do relator levar o caso ao órgão colegiado.

Efeitos da Interposição do Recurso


São 2 efeitos básicos: devolutivo e suspensivo. O efeito devolutivo reabre a
oportunidade de apreciar novamente questão já decidida. O efeito suspensivo impede ao
decisório impugnado produzir seus efeitos enquanto não solucionado o recurso interposto.
Esse se aplica para apelação e excepcionalmente para quando a imediata produção dos efeitos
da decisão houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada
a probabilidade de provimento do recurso.
Existe também o efeito substitutivo, que consiste na força do julgamento do recurso
substituir a decisão recorrida, nos limites da impugnação. Exceto em caso de não admissão do
recurso, ou se o julgamento for de anulação do julgado recorrido, o decidido no recurso não
substituirá a decisão primária.
Há ainda o efeito translativo, segundo o qual o interesse coletivo faz com que o órgão
superior possa conhecer do exame de matérias além das apresentadas na impugnação e
devolvidas ao tribunal, desde que sejam questões de ordem pública. Assim, existem matérias
que o tribunal ad quem poderá conhecer independentemente da devolução operada pela
vontade do recorrente, são essas questões de interesse coletivo.
Por fim, tem-se o efeito expansivo, que reconhece que a devolução operada pelo
recurso não se restringe às questões resolvidas na sentença, compreendendo também as que
poderiam ter sido decididas, seja porque suscitadas pelas partes, seja porque conhecidas de
ofício. São possíveis duas dimensões de expansão do efeito recursal: no plano horizontal, que
permite a abordagem pelo tribunal ad quem de questões novas, como as de ordem pública e
os pedidos que não chegaram a ser enfrentados pelo julgado recorrido; e no plano vertical,
que atinge questões precedentes levantadas no processo e que interferem em caráter
prejudicial na decisão recorrida.

Apelação
É o recurso que se interpõe das sentenças (ou para decisão interlocutória não
impugnada por agravo de instrumento) dos juízes de primeiro grau para levar a causa ao
reexame dos tribunais de segundo grau, visando obter um reforma total ou parcial da decisão
impugnada, ou mesmo sua invalidação. É composta por 2 peças, 1 de interposição, para o juiz,
e 1 que apresenta as razões, para o tribunal. São apeláveis sentenças proferidas em
procedimentos contenciosos e também de jurisdição voluntária.
Não são impugnáveis por apelação sentenças de juizado especial, sentenças proferidas
na justiça federal no julgamento de causa internacional, e em sentença que julga embargos do
devedor em execução fiscal, cujo valor seja de até 50 otn.
Geralmente, contra decisão interlocutória cabe agravo de instrumento, nas situações
previstas no art 1015. Mas se a matéria da decisão interlocutória não constar do rol taxativo
do art 1015, a parte prejudicada deverá aguardar a prolação de sentença para requerer sua
reforma em apelação. Se a parte prejudicada pela decisão interlocutória for vencida na ação,
deverá arguir a matéria em preliminar de apelação, sendo a parte contrária intimada em 15
dias para contrarrazoar. Mas se a parte foi prejudicada por decisão interlocutória, mas
vencedora na sentença, em regra, não tem razões para recorrer. Assim, se a parte contrária
recorrer, a vencedora poderá impugnar em sede de contrarrazões na apelação do vencido.
Nesse caso, a impugnação do apelado teria o papel de condicionar o julgamento da pretensão
do apelante, pois suas alegações nas contrarrazões são preliminarmente suscitadas.
O apelante deve manifestar seu recurso por meio de petição, dirigida ao juiz de
primeiro grau, que conterá: nomes e qualificação das partes, exposição do fato e do direito,
razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade e o pedido de nova decisão. Não
basta que o despacho da petição esteja dentro do prazo legal, é preciso que o recurso seja
protocolado em Cartório dentro do prazo. Em regra, documentos só podem acompanhar a
petição de apelação ou as contrarrazões quando disserem respeito a fatos novos, fatos que a
parte não sabia ou não tinha como provar. Já o terceiro prejudicado que apela, pode sempre
instruir o recurso com os documentos que disponha, afinal como não era parte, não teve
qualquer oportunidade anterior de produzir prova.

São efeitos da apelação:


a) Devolutivo: as questões de fato e de direito serão conhecidas e examinadas pelo
tribunal. Sendo a apelação parcial, a devolução abrangerá apenas a matéria impugnada. A
matéria de ordem pública se devolve por força de profundidade do efeito de apelação, quando
figura antecedente lógico do tema deduzido no recurso. A profundidade abrange os
antecedentes lógico-jurídicos da decisão impugnada, ou seja, todas as questões suscitadas no
processo que podem interferir no acolhimento ou rejeição. Já a extensão do efeito devolutivo
é limitada pelo pedido do recorrente. Ou seja, em extensão, o tribunal só pode analisar o que
foi pedido, mas em profundidade é livre.
O §3º do art 1013 permite, em algumas situações, que o tribunal, ao julgar o recurso
de apelação, já decida o mérito da causa sem aguardar pronunciamento do juiz de primeiro
grau.

b) Suspensivo: suspende a eficácia natural da sentença. Nas situações em que a


apelação tem efeito apenas devolutivo (previstas no art 1012) é possível que o apelante
demonstre a probabilidade de provimento do recurso, e havendo risco grave ou de difícil
reparação, o relator pode determinar o efeito suspensivo, desde que requerido pelo apelante.
Quando reformar sentença que reconheça prescrição ou decadência, o tribunal também já
julgará o mérito. Lembrando do que foi discutido sobre causa madura, ou seja, aquela em
condições de imediato julgamento.
Constada a ocorrência de vício sanável, inclusive o que possa ser reconhecido de ofício,
o relator determinará a realização ou renovação do ato processual no próprio tribunal, ou em
primeiro grau, intimadas as partes. Cumprida a diligência, o relator, sempre que possível,
prosseguirá no julgamento do recurso. Portanto, sempre que possível, serão evitadas
invalidação e retrocesso do processo a estágios anteriores à sentença.
A petição de apelação é dirigida ao juiz prolator da sentença impugnada. O juiz de
primeiro grau processa o recurso e abre vista à parte contrária para contrarrazoar. Depois, os
autos são remetidos ao tribunal pelo juiz, no qual serão dados o recebimento, ou não, da
apelação e a declaração de seus efeitos.
Interposta a apelação, o juiz intimará o apelado para apresentar as contrarrazões em
15 dias. Se o recorrido interpuser apelação adesiva, o apelante será intimado para apresentar
resposta. Então, o juiz remete os autos ao tribunal.
Recebido o recurso pelo tribunal, ele é imediatamente distribuído ao relator, que irá:
pronunciar sobre a admissibilidade e seus efeitos, decidir monocraticamente, se for o caso, ou
elaborar seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado. Da decisão do relator que
admite ou não o recurso, ou que o julga monocraticamente, cabe agravo interno para o
colegiado.
Existem alguns casos excepcionais em que, interposta a apelação, a lei abre a
oportunidade de o juiz reaver sua sentença, podendo, assim, impedir a subida do processo ao
tribunal. Isso acontece, por exemplo, quando a decisão for de indeferimento da petição inicial
ou do julgamento sem resolução de mérito, em que feita a apelação, o juiz tem 5 dias para
reformar sua sentença.
Antes de apreciar a apelação, o tribunal ad quem deve decidir sobre os agravos de
instrumento porventura interpostos no mesmo processo. A competência para julgar o recurso
é da turma do tribunal, mas o voto é tomado apenas de três juízes, que formam a turma
julgadora. Mas há possibilidade do relator propor que o recurso seja julgado por um colegiado
maior, dando lugar ao incidente de assunção de competência. Isso acontece, por exemplo,
quando o caso for de grande repercussão social.
OBS. Para pedir tutela antecipada, usa-se mandado de segurança, ou se alega que está
implícito no sistema recursal.
Agravo de Instrumento
É o recurso cabível contra algumas decisões interlocutórias. O CPC elaborou um rol
taxativo de decisões que admitem agravo de instrumento, são elas decisões interlocutórias
que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua
revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou coisa;
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à
execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o;
XIII - outros casos expressamente referidos em lei.
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões
interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença,
no processo de execução e no processo de inventário.
Existem 3 tipos de agravos: de instrumento, cabíveis contra decisões interlocutórias
proferidas em 1º grau, interno, cabível contra decisões interlocutórias singulares ocorridas nos
tribunais, e de recurso especial e extraordinário.
O prazo de interposição do agravo de instrumento é de 15 dias. O recurso será dirigido
diretamente ao tribunal competente, por meio de petição que contenha: nomes das partes,
exposição do fato e do direito, razões do pedido da reforma ou da invalidação da decisão
anterior e o pedido, e o nome e endereço dos advogados.
Normalmente, o agravo de instrumento tem efeito apenas devolutivo, mas se
cumulativamente ficar comprovada a probabilidade de provimento do recurso e a
probabilidade de risco de dano grave ou de difícil reparação, o efeito suspensivo pode ser
concedido.
Após encaminhar o agravo diretamente para o tribunal, o recorrente requererá em 3
dias a juntada da cópia da petição recursal aos autos do processo, junto com a relação de
documentos que a instruíram e o comprovante da interposição. Isso se dá para provocar o
magistrado a uma retratação.
A distribuição do agravo deve ocorrer imediatamente ao protocolo do recurso. No
despacho da petição poderá ocorrer:
- Não reconhecimento do recurso, por ser inadmissível, prejudicado ou por não
impugnar especificamente os fundamentos da decisão gravada.
- Improvimento do recurso, por ser contrário à súmula do STF ou STJ, por exemplo.
- Deferimento do processamento de agravo.
No caso de deferimento, o relator, em 5 dias, deverá: suprir a falta de qualquer cópia
ou outro vício sanável, se houver, e ordenar a intimação do agravado para que responda no
prazo de 15 dias, podendo juntar documentação que entender necessária ao julgamento do
recurso, e determinar a intimação do MP, quando sua intervenção for necessária, para que se
manifeste em 15 dias. Contra decisões singulares do relator, cabe agravo interno para o órgão
colegiado competente, no prazo de 15 dias.
Os 15 dias os quais o agravado tem para responder são contados da sua intimação.
Pode acontecer de o juiz retratar sua decisão, de modo que o agravo seja extinto. A essa
retratação cabe novo agravo. Se ao retratar a decisão agravada, o juiz extingue o processo, o
recurso cabível será apelação.
Dado que o agravo não tem efeito suspensivo, pode acontecer de o processo chegar a
uma sentença antes do julgamento do agravo. Assim, se a parte vencida interpuser apelação, o
órgão apreciará primeiro o agravo, pois sendo esse provido, a sentença cai e a apelação fica
prejudicada. Assim, se a parte vencida apela antes de decidido o agravo, se esse for improvido,
consolida-se o decidido na sentença, mas se provido, a sentença cai e o processo volta ao
estágio em que se encontrava no momento em que a decisão interlocutória agravada foi
proferida.

Agravo Interno
Contra decisão singular proferida pelo relator, cabe agravo interno para o respectivo
órgão colegiado. Isso garante que as decisões singulares sejam revistas pelo órgão colegiado.
Ao interpor o recurso, o recorrente deverá impugnar especificamente os fundamentos
da decisão agravada. O agravo será dirigido ao relator que, assim que receber a petição,
intimará o agravado para manifestar-se em 15 dias. Após a resposta do recorrido, é possível
que o relator retrate-se. Mas não havendo retratação, o julgamento é levado ao órgão
colegiado. Esse julgamento depende de prévia inclusão do recurso em pauta, com intimação
das partes com antecedência mínima de 5 dias úteis.
Quando em decisão unânime o órgão colegiado declarar o agravo interno inadmissível
ou improcedente, o agravante será condenado a pagar multa entre 1 e 5% do valor da causa. E
a interposição pela parte de qualquer outro recurso fica condicionada ao pagamento dessa
multa.
Devido ao princípio da fungibilidade, o órgão julgador que entender que os embargos
de declaração não são o meio impugnativo adequado, pode conhecê-lo como agravo interno.
Nesse caso, o recorrente deve ser intimado para, em 5 dias, complementar suas razões
recursais, visto que a matéria arguida em embargos de declaração é discutida de maneira
muito mais restrita que o agravo interno.

Embargos de Declaração
É o recurso destinado a pedir ao tribunal ou ao juiz que afaste obscuridade, supra
omissão, elimine contradição ou corrija erro material. Cabem contra qualquer decisão judicial.
É um recurso de fundamentação vinculada, portanto, somente os vícios elencados no art 1022
são passíveis de interposição de embargos.
O objetivo dos embargos é apenas aclarar a decisão, não modifica-la, por isso,
qualquer das partes tem interesse em utilizá-los, sendo vencedor ou vencido. São
pressupostos de admissibilidade desse recurso: existência de obscuridade, ou seja, falta de
clareza, seja no dispositivo da sentença, na motivação ou no dispositivo; contradição, omissão
de matéria sobre a qual deveria ter manifestação (hipóteses do art 1022) ou erro material, que
é uma declaração que, de fato, não corresponde a vontade real do declarante.
Os embargos de declaração devem ser propostos em 5 dias, tanto para decisões de 1º
quanto de 2º grau. A petição será endereçada ao juiz ou relator, com precisa indicação do
vício. Em regra, não se tem audiência da parte contrária, e o juiz decide em 5 dias. Apenas em
casos em que o suprimento do vício puder implicar em modificação da decisão embargada é
que o juiz deve intimar a outra parte para manifestar-se em 5 dias. O recurso será sempre
decidido pelo mesmo órgão que proferiu a decisão impugnada, sendo assim, se foi proferida
singularmente por relator, ele irá decidir monocraticamente a respeito dos embargos, sem
possibilidade de julgamento pelo órgão colegiado.
Os embargos não tem efeito suspensivo, mas interruptivo. Logo, interrompem o prazo
de demais recursos, quer recomeçam a correr por inteiro após o julgamento dos embargos.
Se o objeto dos embargos incide sobre questões do recurso principal, será necessária
reiteração, uma vez que julgados os embargos, as decisão recorrida não será a mesma que o
recurso principal antes atacou. O recurso principal só pode ser conhecido após decididos os
embargos de declaração, sob pena de nulidade.
Não são admitidos novos embargos de declaração se os 2 anteriores houverem sido
considerados protelatórios. Sendo protelatório, o embargante também pagará multa não
superior a 2% do valor da causa. Mas se reincidir no embargo protelatório, a multa será de até
10% do valor da causa e a interposição de outro recurso fica sujeita ao pagamento da multa.

Recursos para o STJ e STF


Recurso Ordinário
O STF se encarrega da matéria constitucional e o STJ dos temas infraconstitucionais de
direito federal. Apenas decisões coletivas do Tribunais desafiam recurso ordinário, assim, a
decisão do agravo interno contra decisão monocrática do relator é objeto de recurso
ordinário.
Os requisitos de admissibilidade desse recurso são comuns a qualquer recurso,
precisando apenas apoiar-se na sucumbência para demonstrar o interesse e legitimidade em
recorrer. O recurso deve ser interposto perante o Tribunal Superior de origem. Ao receber o
recurso, o presidente ou vice intimará o recorrido para, em 15 dias, apresentar suas
contrarrazões. Passado esse prazo, os autos são remetidos ao STF. Distribuído o recurso, o
relator poderá: não conhecer dele, ou negar-lhe ou dar-lhe provimento em decisão
monocrática, da qual caberá agravo interno para o colegiado. O CPC autoriza que o STF decida
o mérito da causa quando a ação estiver madura, ou seja, em condições de imediato
julgamento.
Em geral, o recurso ordinário não tem efeito suspensivo, mas esse poderá ser pedido
pelo requerente. Seu pedido se dirigirá ao STF no período entre a publicação da decisão de
admissão do recurso, e a sua distribuição, ou será dirigido ao relator, se o recurso já tiver sido
distribuído.
No caso de erro grosseiro na interposição de recurso ordinário quando cabível o
extraordinário, não é aplicável o princípio da fungibilidade, pois não existe dúvida a respeito de
qual recurso adequado.
Cabe ao Supremo Tribunal de Federal julgar, em recurso ordinário: o habeas corpus, o
mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância
pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão. Decisão denegatória é tanto a que não
admite ação de segurança como a que a julga improcedente.
Cabe ao Superior Tribunal de Justiça julgar, em recurso ordinário: os mandados de
segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de
justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; e os
processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e,
de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.
Para o STJ é prevista a possibilidade de recurso adesivo no caso de sucumbência
recíproca, exceto no caso de mandado de segurança.

Recurso Extraordinário e Especial


Cabe recurso extraordinário (STF) quando a decisão recorrida:
- contrariar dispositivo desta Constituição;
- declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
- julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.
- julgar válida lei local contestada em face de lei federal

Caberá recurso especial (STJ) quando a decisão recorrida:


- contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
- julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
- der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

São recursos (sujeito a preparo) excepcionais, admissíveis apenas em hipóteses


restritas. O recurso extraordinário tem o objetivo de tutelar a autoridade e aplicação da
Constituição. E o recurso especial tem função de manutenção da autoridade e unidade da lei
federal, resolvendo, portanto, questão federal (de direito, não de fato) controvertida.

A admissibilidade desses recursos pressupõe:


- Julgamento da causa em última, ou única instância, entendida como causa que
envolve a decisão de mérito e questão resolvida em decisão interlocutória. Ou seja, para ser
conhecido o recurso, ele deve versar sobre causa decidida na instância de origem.
- Existência de questão de direito, seja em torno de uma controvérsia da aplicação da
CF, ou se questão infraconstitucional.
- Observância do prazo legal para interposição do recurso (15 dias).
- Existência de prequestionamento, ou seja, a questão constitucional não pode ser
suscitada originariamente no recurso extraordinário e nem a questão infraconstitucional
suscitada originariamente no recurso especial. Assim, antes de interpor o recurso, a parte deve
provocar o pronunciamento sobre a questão de direito, por meio de embargos de declaração.
* (PARA RE APENAS) Demonstração da repercussão geral das questões constitucionais
discutidas no caso. O STF pode, por voto de 2/3 dos membros, recusar o recurso quando não
ficar demonstrada a repercussão geral do que versa o recurso. O juízo de admissibilidade no
tribunal de origem foi abolido, restando essa competência ao STF apenas. A competência é do
Pleno e a decisão (é irrecorrível) feita por, pelo menos, 8 dos 11 ministros. Existem alguns
casos que, por lei, a repercussão geral é assentada, como quando a decisão recorrida contrarie
súmula ou jurisprudência do STF, ou quando a decisão tenha reconhecido
inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, por exemplo. E presume-se repercussão geral,
também, quando o recurso impugna acórdão que reconheça a inconstitucionalidade de
tratado ou lei federal, proferida por voto da maioria absoluta dos membros do Pleno ou do
órgão especial do Tribunal de 2º grau. Durante a análise da repercussão geral, o relator pode
permitir a intervenção de terceiros interessados.
Ainda quanto à repercussão geral, ela pode ser presumida diante do silêncio dos
ministros, que tem 20 dias para endereçarem seu pronunciamento ao relator. Não o fazendo,
a repercussão será reputada existente. A rejeição tem que ser sempre expressa e
fundamentada.
Caso a parte desista do recurso após o reconhecimento da repercussão geral, o STF
pode prosseguir na apreciação dele, pois o interesse coletivo prevalece. O CPC prevê prazo de
1 ano para que o STF julgue recurso de repercussão geral reconhecida.

Procedimento: interposição, recebimento, juízo de admissibilidade.


- Interposição: o recurso é interposto, em até 15 dias, perante o presidente ou vice do
tribunal de origem da sentença recorrido. É importante que fique demonstrado o cabimento
do recurso e que a exposição dos fatos e do direito fique clara.
- Recebimento: recebido o recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido é intimado
para apresentar contrarrazões em 15 dias. Passado esse prazo, o recurso é encaminhado ao
presidente ou vice.
- Juízo de Admissibilidade: acontece no juízo a quo e ad quem, mas o primeiro não
vincula o segundo. O recurso pode ser inadmitido, se: para RE for negada repercussão geral
(por voto de 2/3 dos membros do Plenário), ou se o acórdão recorrido estiver de acordo com
decisão do STF. Para RE e RESP se o acórdão recorrido está de acordo com entendimento do
STF ou STJ em decisão de recursos repetitivos. Se a parte discordar, pode recorrer por agravo
interno.
Pode, também, ocorrer juízo de retratação se o RE ou RESP impugnar acórdão que
contraria o que o STF ou STJ discutiram em recurso repetitivo ou de repercussão geral. Não
havendo retratação, ou sendo o recurso admitido, o recurso sobe para o STF ou STJ.
- Juízo de mérito: a apreciação da matéria será exclusiva do STF ou STJ, não passando
pelo tribunal de origem, e seu pronunciamento se dá em decisão irrecorrível.

Pode acontecer do RE e RESP serem interpostos conjuntamente, caso em que o RESP é


apreciado pelo STJ e depois o RE segue para o STF, a menos que fique prejudicado pela decisão
do RESP.
Existe a aplicação do princípio da fungibilidade aqui, em que, propondo-se RESP, e o
relator do STJ entendendo que o recurso versa sobre questão constitucional, deverá dar ao
recorrente 15 dias para demonstrar a repercussão geral e a questão constitucional. Feito isso,
o relator remete o recurso para o STF, que, dependendo do juízo de admissibilidade, poderá
devolve-lo ao STJ.
Por não apresentar eficácia suspensiva, esses recursos não impedem a execução do
acórdão recorrido. Mas é possível obter efeito suspensivo por meio de tutela de urgência, caso
demonstrado o periculum in mora e a possibilidade da reforma do acórdão impugnado. O
requerimento da concessão do efeito suspensivo é processado no tribunal superior entre a
publicação da decisão de admissão do recurso e sua distribuição. Ou, se o recurso já tiver sido
distribuído, a competência para a medida cautelar é do relator. E no período entre a
interposição do recurso e a publicação da decisão que o admitir, a competência é do
presidente ou vice do tribunal recorrido.
Quanto aos recursos extraordinários: se o recurso versar sobre matéria já julgada pelo
STF, será enviado para a presidência do tribunal, que, antes da distribuição do processo, levará
a questão ao plenário. No plenário, caberá aos ministros aplicar a jurisprudência da Corte, ou
rediscutir a matéria. Se a matéria não tiver sido discutida no Plenário, pode determinar o
seguimento normal do recurso.

Recursos especial e extraordinário repetitivos


São destinados a produzir eficácia pacificadora de múltiplos litígios, mediante
estabelecimento de tese aplicável a todos os recursos em que se debata a mesma questão de
direito. Diferencia-se dos incidentes de resolução de demandas repetitivas (IRDR) porque esse
se processa separadamente da causa originária, enquanto que os recursos especial e
extraordinário repetitivos ocorrem dentro do processo.
São repetitivas causas em que se verificam multiplicidade de recursos com
fundamento em questão de direito idêntica. Seu processamento visa evitar a subida de
recursos especiais e extraordinários que sejam repetitivos, represando-os provisoriamente no
tribunal de origem. Visa ainda o julgamento da questão repetitiva em uma única manifestação
do STJ ou STF.
O presidente ou vice do tribunal de origem seleciona 2 ou mais recursos que serão
encaminhados ao STJ ou STF para fins de afetação. Afetação é a escolha de recursos
paradigmas, cuja solução vinculará os demais atinentes à mesma questão. Somente podem ser
acolhidos recursos com abrangente argumentação para fins de afetação.
Todos os demais processos pendentes, individuais ou coletivos, que se fundam na
mesma questão de direito ficam retidos no tribunal a quo, aguardando o pronunciamento
definitivo do STJ ou STF sobre a tese comum a todos.
Caso um processo seja erroneamente inserido no grupo dos sobrestados que
aguardam pronunciamento do STF, cabe agravo interno. Pois o processo só pode ser suspenso
se discute questão igual a do debate de repercussão geral. Existe, também, a possibilidade do
interessado requerer ao presidente ou vice do tribunal de origem, que exclua o processo da
decisão de sobrestamento para evitar o atraso no trânsito em julgado do recurso
extraordinário. Antes da decisão, porém, o recorrente deve ser ouvido. O presidente ou vice
do tribunal de origem poderá tanto acolher o pedido, quanto indeferi-lo, caso em que caberá
agravo interno.
Os recursos que sobem ao tribunal superior passam pela avaliação do relator, que
aprecia a ocorrência de multiplicidade de casos sobre idêntica questão de direito, e a
reconhecendo, profere decisão de afetação. O tribunal pode prosseguir na apreciação da tese
veiculada no recurso padrão mesmo que a parte desista do recurso, isso porque a decisão terá
aplicação sobre os demais feitos sobrestados.
O relator do recurso especial ou extraordinário afetado poderá: admitir intervenção do
amicus curiae, designar audiência para ouvir depoimentos de pessoas com experiência e
conhecimento da matéria, requisitar informações aos tribunais inferiores a respeito da
controvérsia (as informações devem ser prestadas em 15 dias), e intimar o MP para
manifestar-se em 15 dias quando houver interesse público envolvido.
O prazo máximo para o julgamento é de 1 ano, sendo que os recursos repetitivos tem
preferência sobre os demais. Sendo o julgamento da questão comum feito pelo tribunal
superior, deverá ser publicado e produzirá efeitos sobre os recursos sobrestados na origem.
Efeitos esses: se o acórdão recorrido coincidir com a orientação traçada pelo julgamento do
STJ ou STF, caberá ao presidente ou vice do tribunal de origem, negar seguimento do recurso.
Ou, em caso de divergência entre o acórdão recorrido e a orientação do tribunal superior,
haverá reexame do processo de competência originária, da remessa necessária, ou do recurso
anteriormente decidido pelo órgão julgador local, podendo ocorrer retratação. Os autos, nesse
caso, voltarão ao órgão colegiado prolator do acórdão para a reapreciação do tema.

Embargos de Divergência no STJ e STF


Os embargos de divergência tem função de uniformizar a jurisprudência interna das
cortes superiores. Seu cabimento se dá sempre que houver divergência de entendimento
entre as turmas do STJ e STF. Essa divergência pode se dar entre acórdãos de mérito ou entre
um acórdão de mérito e um que não conheceu do recurso.
O prazo para interposição dos embargos é de 15 dias e para apresentação das
contrarrazões também. O recorrente deve comprovar a divergência mencionando as
circunstancias que identificam ou assemelham os casos confrontados. A interposição de
embargos de divergência interrompe o prazo para interposição de recurso extraordinário
contra acórdão do STJ. Mas se o recurso extraordinário for interposto antes do julgamento dos
embargos, não será necessário ratifica-lo, pois a decisão dos embargos não altera a conclusão
do julgamento anterior (objeto do recurso extraordinário).
O relator poderá indeferir os embargos quando forem intempestivos, ou quando
contrariarem súmula do tribunal, ou se não for comprovada a divergência jurisprudencial. Ao
julgar os embargos de divergência, o Plenário julgará a matéria restante, exceto se tratar de
agravo, caso em que se determinará a subida do recurso principal.

Autoridade Normativa dos Tribunais Superiores


O CPC define a autoridade normativa complementar da jurisprudência uniformizadora
emanada dos tribunais superiores, dispondo que: os tribunais devem uniformizar a
jurisprudência e que as decisões do STF devem ser observadas para controle de
constitucionalidade, assim como enunciados de súmula do STF e STJ em matéria
infraconstitucional.
O tema, para tornar-se objeto de força vinculante, deve envolver matéria
constitucional. Sendo que a súmula vinculante deve ser aprovada por 2/3 dos membros do
STF. Essa aprovação se dá depois de reiteradas decisões sobre a matéria constitucional e a
súmula deve ser publicada na imprensa oficial, de onde advém sua força vinculante.