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ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

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ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL
de Novais, Carlos Antônio Santos
Vitória da Conquista: 2009.
19 páginas; 30 X 22 cm.

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.1
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

INTRODUÇÃO
(Ef 4:1)

I - O PROCEDER DO OBREIRO NA CASA DE DEUS

Disse o apóstolo Paulo que “... o que exorta, faça-o com dedicação; se é contribuir, com liberalidade;
se é exercer liderança, com dedicação.; se é exercer misericórdia, com alegria”. (Rm 12:8).

Ora, compete ao que lidera o governo da igreja local e que o faça com a mesma atitude e intensidade
com que dirige algum negócio seu: com prudência, amor, dedicação, honestidade, e não negligentemente.

É mister, portanto, que desempenhem suas funções como quem “não domine por sórdida ganância”,
mas tornando-se alguns exemplos de como o obreiro deve proceder na casa de Deus, quando em ação de
liderança, devendo advertir:

1) QUE OS CRENTES NÃO ENSINEM DOUTRINA CONTRÁRIA À PALAVRA DE DEUS (1


Tm 1:3).

A admoestação deve ser com amor que procede de um coração puro, de uma fé não fingida (v. 5).
Timóteo tinha uma missão a cumprir em Éfeso, e roga (no grego é parakaleo”, significa “exortar”,
mas também “consolar”). Todo obreiro tem uma missão a cumprir tanto neste mundo quanto na eternidade.

2) NÃO DEVEM OCUPAR-SE COM FÁBULAS (1 Tm 1:4, 6, 7).

Que o povo não deve se “preocupar (ou se ocupar)” com “fábulas” ou “genealogias sem fim”, que
produzem discussões, com discursos vãos, desejando ser “doutores da lei”, embora não entendam o que
digam nem o que com tanta confiança afirmam.(acima mencionados)

“Ocupar-se” traduz o verbo “prosecho” que quer dizer “preocupar-se com”, “voltar a atenção para”,
apegar-se a”, denotando a grande importância do que iria tratar em seguida, e que eram atividades
destrutivas, sem edificação alguma.

- “Fábulas”, no grego “muitos” (mito) 1 Tm 4:7; 2 Tm 4:4; Tt 1:14). Tratava-se de histórias


fabricadas com fundo religioso, ou outras narrativas de origem pagã.

- “Genealogia sem fim”. Tratam de especulações (pesquisa, exame) que se ocupavam os gnóticos,
com gradações intermináveis de emanações angelicais de Deus, sem objetivo algum, sem alvo, às quais
nenhuma resposta poderia ser dada, eram inúteis para a prática da fé ou da piedade.

Essa e outras especulações só levam o crente a se desviar (no grego “apostrépho”, que quer dizer
“errar o alvo”, “alvejar mal”).

O que eles erravam? Era o desvio de ter um “coração puro”, “uma fé sincera”.

Muitos erram quando tentam entrar pelo caminho das especulações teológicas ou dos debates,
fugindo da simplicidade do Evangelho. Foi o que aconteceu com os gnósticos (grupo religioso que
reivindica uma sabedoria esotérica, “ensinamento ministrado e compreensível apenas por poucos”) que

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criam que através de um conhecimento genuíno obteriam a salvação, e desprezavam a consagração a


Cristo, a moralidade e o serviço cristão.

A conseqüência foi que “perderam-se” quer dizer “voltar-se” passando a seguir Satanás. A idéia
dessa palavra é de “mau movimento”, decisão errada, ou, no sentido médico, deslocar-se como no caso de
ossos fora do lugar. Paulo considera tudo isso em discussões vãs, vazio, sem poder, ao passo que a vida do
obreiro deve ser uma vida de frutificação e com proveito espiritual. Jamais pode ter uma mente corrompida
ou uma consciência cauterizada (1 Tm 6:5, 20). A desgraça em que caíram foi a de “querendo passar por...”
ou “desejando ser” doutores da lei, tinham perdido inteiramente de vista a “mensagem da graça divina”,
proferida pelo apóstolo Paulo. Inconvertidos, tentavam misturar seu sistema pagão aos conceitos mosaicos,
anulando essa graça de Deus. O obreiro deve vigiar para não cair nessa mesma desgraça (2 Tm 2:18, 19).

3. QUE A LEI NÃO É FEITA PARA O JUSTO.

Pois ele possui a lei do Espírito em seu interior, mas foi feita para os nossos pecados, a seguir
descritos, como Paulo apresenta (1 Tm 1:9, 10). Era comum o ensino moral dos antigos nos discursos
morais e religiosos, mostrando a natureza depravada do paganismo.

Vejamos:

1) TRANSGRESSORES.
No grego é “anomos”, significando “sem lei”, ou seja, são desregrados e rebeldes contra Deus, e a
conduta reta do homem (1 Ts 2:3);

2) INSUBORDINADOS.
No grego “aupotaktos”, ou seja, indisciplinados, desobedientes, rebeldes em seus pensamentos e
desígnios;

3) IRREVERENTES.
No grego “asebes”, significando “sem piedade, ímpio, referindo aos que mostram-se sem reverência
a Deus, tornando-se pessoas abjetas.

4) PECADORES.
Vem a significar, no grego, “hamartolos”, alguém que erra o alvo, quer nas coisas espirituais ou em
conduta. São os irreligiosos (Gl 2:15; 1 Pe 4:18);

5) ÍMPIOS.
São os que cometem impiedade (crueldade, barbaridade, descrença, crueza). Do grego “anosios”,
significa aqueles que desconsideram todas as regras divinas, vivendo na maldade de sua ações e de sua
morte,. É o oposto do piedoso e devoto;

6) PROFANO.

No grego é “bebelos”, que significa “mundano”. O profano vive para todo o aspecto material (1 Tm
4:7) vide Hb 12:6. É aquele que pisa o sagrado, rejeitando tudo o que é santo e reto. Jamais o crente ou o
obreiro pode aceitar ser chamado de profano, pois ele é santo, lavado com o precioso sangue de Jesus; não

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avilta o nome de Jesus, e já recebeu a luz do evangelho em sua vida. O profano é aquele que pisa o
sagrado, e despreza tudo aquilo que diz respeito à santidade e retidão;

7) PARRICIDAS E MATRICIDAS.

Matar o pai e a mãe é uma forma maligna monstruosa de homicídio, e estas palavras significam
“feridores de pais e de mães” (Rm 1:30). Não matarás é o mandamento;

8) HOMICIDAS.

No grego é “androphonos”, isto é, alguém que mata uma pessoa. Isto é uma das características do
pagão e do estado decaído do homem. Ficarão de fora do céu (Ap 22;15);

9) DEVASSOS, IMPUROS.

No grego é “pornos”, ou seja, “sexualmente impuro”, derivando de “porne” (prostituta), designando


todas as formas de impureza sexual (1 Co 5:9-11). Paulo não se refere aos homens mundanos, mas àqueles
que, dizendo-se “irmãos”, forem “devassos”, ou “avarentos”, ou idólatras”... “recomendando, ainda, que
com os tais nem à mesa se deve sentar para comer (1 Co 5:11). Não herdarão o reino de Deus (1 Co 6:10);

10) SODOMITAS.

No grego é “arsenes”, que vem a significar literalmente “homossexual”, ou o que tem contato com
outro do mesmo sexo. Esta palavra veio a significar “contato sexual”. Paulo ataca esse tipo de desvio
sexual em Romanos 1:26, 27, pois é um impulso depravado, irracional e maligno. É condenado por Deus
(Lv 18:22; 20:13), e sendo abominação perante Ele, é uma das piores formas de imoralidade. A estes, está
vedada a entrada no reino de Deus (1 Co 6:10). O homossexualismo era punido com a morte dos dois
envolvidos (Lv 20;13). Ver 1 Rs 14:24; 22:47; 15:12; 2 Rs 23:7).

Os homens de Sodoma (Gn 19:4) queriam que Ló lhes entregasse os dois moços (não sabiam que
eram anjos) visitantes. Isto representa bem a enormidade da sensualidade dos homens dessa cidade;

11) ROUBADORES (RAPTADORES) DE HOMENS.

Algumas versões são dadas sobre este significado. No grego é “andrapodistes”. São elas:

a) uma forma de “furto” (ou seqüestro) a fim de forçá-los ao cativeiro (Êx 21:16);

b) explorar o próximo para finalidades egoístas;

c) comerciantes de escravos;

d) alguém que busca outro para escravizá-lo.

Em qualquer sentido, escravizar o próximo era violação da lei (Ê 21:16), sendo o culpado desse
pecado condenado à morte.

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12) MENTIROSOS.
No grego é “pseutes”, isto é, aquele que torce a verdade. Mentir é fazer declarações
propositadamente falsas, ou verdades incompletas que envolvam falsas impressões. O texto de João 8:44
apresenta o Diabo como o pai da mentira. O crente deve rejeitá-la, como coisa própria da vida velha (Cl
3:9; 2 Co 5:17). É um obstáculo à oração (Is 59:2, 3). É um pecado reprovado nos Salmos e nos Provérbios
(Sl 5:6; Pv 15;5, 9; 13:5).Encontramos no grego “psêudos”, (mentiras, falsidade),palavra empregada no
Novo Testamento por sete vezes: Jo 8:44; Rm 1:25; 2 Ts 2:11; 1 Jo 2:21, 27; Ap 21:27; 22:15.

13) PERJUROS.

No original é “epiorkos”, ou seja, alguém que jura com falsidade ou que quebra juramento. Em
Êxodo 20;16 fala sobre o falso testemunho perante um tribunal.

14) E PARA TUDO O QUE FOR CONTRÁRIO À SÃ DOUTRINA.

A lista de vícios ou pecados apresentada por Paulo é apenas representativa, e o que vimos é
contrário à doutrina correta, sã, saudável, certa, aos ensinamentos cristãos deve ser evitados.

II - QUALIFICAÇÕES E DEVERES DOS OBREIROS

Em Atos dos Apóstolos 14:23,nos revela que, mesmo apontando ou selecionados, as diversas
congregações participavam democraticamente na aceitação do presbítero (ancião) no seio da comunidade
cristã. Diz o versículo: “E, havendo-lhe feito eleger anciãos (presbíteros) em cada igreja e orado com
jejuns,...”
A palavra “eleição”, no grego (“koine”), significa literalmente “escolha pela exibição de mãos”,
dando a entender alguma forma de votação popular ou ação democrática.

1) QUALIFICAÇÕES

A) IRREPREENSÍVEL (1 Tm 3:2,; Tt 1:6);


No grego e “anenkletos”, que significa “sem mancha”, “sem culpa”. Vem a significar “deitar mãos
sobre”, como se fora uma acusação e comprovação de culpa. Dessa forma, um presbítero (ou supervisor)
não pode ser aquela pessoa apanhada em falta, em vício ou escândalo.

B) MARIDO DE UMA SÓ MULHER (1 Tm 3:2; Tt 1:6);


Indica que o que está na condição de líder não pode ser culpado de “poligamia”, o que é contrário ao
ideal cristão do casamento monógamo (Mt 19:3-12). Aplica-se também, ao concubinato, que é uma forma
disfarçada de poligamia, ato condenado no antigo judaísmo.

Ser marido de uma só mulher não dá direito ao homem de Deus divorciar-se por qualquer motivo de
sua esposa e contrair novas núpcias, e permanecer na condição de líder.

A igreja primitiva não aceitava tal atitude. Certo é que, morrendo a esposa ou o esposo, o casamento
é anulado completamente (1 Co 7;39), e se vier a contrair novas núpcias, não peca. A recomendação de
Paulo é que “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula” (Hb 13:4).

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C) PRUDENTE, VIGILANTE TEMPERANTE (1 Tm 3:2);


No grego é “nephalios”, que significa “temperado”, “sóbrio”, “ajuizado”. O termo dá a entender,
também, que esta temperança aplica-se à moderação no uso das bebidas alcoólicas e que, por certo, a
abstinência total livra o pastor da aparência do mal e da tentação do alcoolismo.

É alguém que sabe dirigir-se no caminho da santidade, que evita os vícios e os defeitos típicos do
paganismo.

D) SÓBRIO (1 Tm 3:2; Tt 1:8);


É a tradução do vocábulo grego “sophron”, que quer dizer “prudente”, “auto controlado”, “prudente”.

E similar ao vocábulo grego “sophrosume”, usado em 1 Tm 2:9, indicando “moderação”, e que evita
excessos.

Vai mais além o termo, envolvendo “o controle das paixões e dos desejos, a disciplina da mente e da
própria personalidade”. Outras vezes é empregada a palavra com o sentido de “bom senso”. Indica, ainda, a
atitude e ações de um homem para consigo mesmo.

E) MODESTO, ORDEIRO, HONESTO (1 Tm 3:2).


No grego é “Kosmos”, que vem a significar “digno”, “bem comportado”, sereno”. Seu significado
básico é “ordeiro”, indicando que aquele que está investido de liderança, sobretudo o apascentador do
rebanho de Deus, deve ser ordeiro, dono de boa conduta e de boas reputação. Esta palavra também é a
mesma usada em 1 Tm2:9, que vem a significar (no grego “aidôs”) “respeito”, “reverência”, “modéstia”,
como o respeito devido aos pais ou a qualquer outra pessoa.

F) HOSPITALEIRO (1 Tm 3:2; Tt 1:8).


As hospedarias da época, além de raras, serviam às meretrizes e aos ladrões, e era necessário que os
membros necessitados da igreja, bem como os pastores, que sempre teriam pregadores e evangelistas
visitantes, oferecessem sua hospitalidade e demonstrassem interesse por seus irmãos na fé, dando-lhe o
necessário para a vida diária.

“E os oficiais da igreja, por serem os representantes da igreja, com freqüência tinham de abrigar
visitantes, evangelistas em viagem, vindos de outros lugares, além de simples irmãos na fé, o que significa
que deveriam mostrar-se dispostos a cumprir essa obrigação, com verdadeiros interesse e amor cristãos”.

Essa palavra no grego e “philoxenos”, que vem a significar “amante da hospitalidade”.

Ainda, no original grego, temos a palavra “philoxenia” (filoxeniva), que é um composto de dois
vocábulos cujo significado é “amor ao estranhos”, isto é, o cuidado pelos que viajam, o amor aos hóspedes,
ou seja, o amor do hospedeiro demonstrado pelos seus hóspedes.

Desde os primeiros passos do cristãos, a qualidade de “hospitalidade” vem sendo reputada como um
dos deveres mais importantes de nossa fé. Algumas referências bíblicas bem o demonstram, como: Hebreus
13;2; 1 Pe 4:9; Tt 1:8.

Em At 16:15, trata-se da hospitalidade de Lídia, pois convenceu aos mestres cristãos, que vinham de
longe, a pousarem em sua casa: Eram missionários estrangeiros e não mediu esforços para que tivessem o

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necessário conforto e se sentissem bem à vontade para descansarem. Felizes são os obreiros que têm uma
“Lídia” em casa!

A quem se deve praticar a hospedagem;


a) aos estranhos (Hb 13;2);
b) aos pobres (Is 58:7): ... recolham em casa os pobres);
c) aos inimigos (Rm 12:20; 2 Rs 6:22, 23).

Exemplos de hospitalidade:
a) Melquisedeque (Gn 14;18);
b) Abraão (Gn 18:3-8);
c) Ló (Gn 19:23);
d) Labão (Gn 24:31);
e) Jetro (Ex 2:20);
f) Manoá (Jz 13:15);
g) Samuel (1 Sm 9:22).

G) APTO PARA ENSINAR (1 Tm 3:2).


Em grego e “didaktikós”, que significa “habilidoso no ensino”, “apto para ensinar”, indicando
alguém que possui o Dom ministerial de “mestre”, qualificação e disposição para ensinar. E dos
supervisores o que se esperava realmente é que fossem “mestres”. Todo pastor e todo pregador deve ser um
mestre, pois, de outra forma, destruirá o caráter espiritual da igreja. Deve ensinar ao rebanho as verdades
bíblicas e sua doutrinas com o poder de convencimento.
Deve, portanto, o obreiro, estar qualificado para ensinar, “tanto no que concerne ao seu conhecimento
como no que abrange aos seus dons espirituais. Caso contrário, não poderá convencer a nenhum herege que
seu caminho cristão, bem com sua doutrina, são superiores aos daquele.

H) NÃO DADO AO VINHO (1 Tm 3:3; Tt 1:7).


O termo grego é “paroinos”, significando “viciado no vinho”, o que o ministro não deve ser nem
arriscar-se a ser. O termo “vinho” exemplificado por Paulo, o apóstolo, é o mesmo vinho usado por alguns
para se embriagar, e portanto, não existia na época um vinho diferente, advogado por alguns como vinho
medicinal, essa idéia é completamente alheia do texto bíblico, uma vez que, este mesmo vinho
(embriagante) poderia também ter conotações medicinais, assim como o azeite.

Apesar do apóstolo Paulo recomendar a Timóteo ”um pouco de vinho”, o que na época era útil
medicinalmente na cura de diversas enfermidades, ele não mostra simpatia pelo vinho como motivo de
prazer, senão pela freqüentes enfermidades no débil físico de Timóteo. Na igreja de hoje, a recomendação é
a abstinência total.

É interessante notar que essa qualidade destaca-se em todas as listas de qualificações dos anciões, dos
bispos e dos diáconos, demonstrando que o alcoolismo era um problema sério na sociedade pagã, e que a
igreja também não estava isenta desse mal, o que aconteceu em Corinto na celebração da Ceia do Senhor (1
Co 11:21): alguns crentes se embebedavam.

A ciência tem demonstrado que o álcool no sangue mata células cerebrais. Se os escritores do Novo
Testamento tivessem tido esse conhecimento, bem provavelmente, teriam proibido qualquer uso de bebidas
alcoólicas, na base do princípio espiritual de 1 Co 3:16, 17”.

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I) NÃO ESPANCADOR, VIOLENTO (1 Tm 3:3; Tt 1;7).


O “violento” desde texto significa, no grego “plektes”, ou seja, aquele que tem ânsia de brigar e
entrar em querelas, pugnaz, briguento, valentão que propositadamente ofende e oprime as pessoas, porque
sente prazer nisso.

A raiz é “plesso”, que vem a significar “bater”, “espancar”, “ferir” com um golpe direto com o punho
ou com uma arma na mão. Também, no significado desta palavra, achavam-se contidas as ofensas verbais
(vide Mt 12:36). Isto é o oposto do que Jesus ensinou com relação aos pacificadores (Mt5:9). Vide Cl 4:6.

J) MODERADO, CORDATO, PONDERADO (1 Tm 3:3; Tt1:7).


No grego é “epieikes”, que tem por significado “gentil”, “bondoso”, “pronto a ceder”, “dotado de
espírito tolerante”, espírito este que deve caracterizar o apascentador de almas.
Esta palavra está associada à “mansidão”, que no grego é “prautes”, ou seja, significando “gentileza”,
“suavidade”, “humildade”, “consideração”, qualidades que o servo de Deus deve possuir. A mansidão
tolera a dor, mas a gentileza corrige as faltas dos outros com tolerância.
A palavra “moderado”, “cordato”, condena a estupidez e a inflexibilidade de atitude.

K) INIMIGO DE CONTENDAS, NÃO LITIGIOSO/CONTENCIOSO, PACÍFICO (1 Tm


3:3).
Em grego “amachon”, significa “pacífico”. É a forma privativa de “mache”, que quer dizer “batalha”,
“querela”, “luta”.

A atitude de muitos líderes tem sido oposta à de homem pacífico, estando, na verdade, sempre
ansiosos por participar de contendas. Chamam isso de “defender a fé” ou “luta por causa justa” e assim
dividem as igrejas e perturbam as denominações sendo briguentos em vez de contribuírem para que a igreja
de Cristo seja palco de adoração e edificação dos salvos. Este termo é usado também em Tito 3:2.

L) NÃO COBIÇOSO, GANANCIOSO / AVARENTO, DESINTERESSADO 1 Tm 3:3; Tt


1:7.
No grego é “aischrokerdes”, ou seja, “cobiçoso de ganho desonesto”, “ganancioso”. É do tipo de
pessoa que tenta convencer que seu interesse é pelo reino dos céus quando, na verdade, suas ações bem
demostram suas atenções voltadas para as coisas deste mundo.

”Um líder da igreja não pode fazer de seu ofício um meio de enriquecer-se, conforme muitos tem
feito através da história. O seu propósito deve ser, antes, a dedicação no seu trabalho; e ele deveria investir
o máximo de volta no seu trabalho, para enriquecer a este, e não a si mesmo. Isso será sinal de um servo de
Cristo verdadeiramente dedicado, que não é um mercenário”. Também a sórdida ganância pelo lucro é o
que jamais deve caracterizar o que serve a Jesus Cristo na igreja. Aos diáconos também esta palavra é
dirigida (1 Tm 1:8).

Esse procedimento é próprio aos que ensinam com fim de agradar, na expectativa de arrancar
dinheiro de seus ouvintes, o que é condenado por Paulo em (1 Tm 6:5), e Pedro (1 Pe 5:2).
Infelizmente muitos têm sido flagrados desse modo, não atentando para o exemplo de Paulo em Atos
20:33, 34.
O avarento, que no grego é “philarguros”, não pode exercer o ofício de “supervisor”. Entretanto, o
presbítero (ancião, bispos), pode aguardar uma recompensa financeira por trabalhar no Evangelho, mas não
enriquecer pelo exercício do ofício.

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Entretanto, nos dias de hoje, alguns evangelistas e “pregadores do Evangelho” têm enriquecido às
custas de seu ofício. “Muitos deles têm aconselhado a viúvas que lhes deixem suas ricas possessões em
herança, além de outros meios duvidosos para se enriquecerem”.
“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males...” (1Tm 6:10; Hb 13:5), por isso Jesus advertiu a seus
discípulos a que se precavessem da cobiça (Lc 12:15; 16:14). Vide Pv 28:16.

M) NÃO NEÓFITO (RECÉM CONVERTIDO) (1 Tm 3:6).


Tradução do termo grego “neophutos”, que significa “recem-plantado”, aludindo à pessoa convertida
recente. Os novos convertidos eram pessoas cheias do fogo do Espírito e zelosas no trabalho, e
engrossavam as fileiras da Igreja cristã. Devido ao zelo que demonstravam, facilmente as comunidades
eram levadas a reconhecerem os novos convertidos como líderes naturais e, consequentemente, conduzidos
a posições de responsabilidades.
Timóteo chama da atenção para esse fato: nem sempre estão desenvolvidos espiritualmente. É
necessário mais do que o zelo, isto é, é preciso o conhecimento e experiência de erro, agonia e luta e, em
especial, a unção divina.
Isso serve de alerta aos pastores que, contrariamente ao que o apóstolo ensina quanto à precipitação
em “invertidos desqualificados para a obra e trazendo-lhes perturbações internas e, quiçá, duradouras.

N) BOM TESTEMUNHO (1 Tm 3:7).


Esta palavra no grego é ”martyria”, e pode indicar alguma coisa como prova sobre algo, ou uma
espécie de “reputação geral” ou, então, o “testemunho verbal sobre a veracidade de alguma coisa”.
O que se tem em pauta aqui são os que podem testemunhar da retidão da vida de um obreiro como
candidato ao episcopado, insuspeito, não portador de vício ou defeito moral que o desqualifique.
A expressão “os de fora”, ou “dos que estão de fora” se deriva do judaísmo, onde era aplicada aos
gentios. Apesar de Jesus usá-la aos que não faziam parte do seu circulo, Paulo a emprega aos “incrédulos”,
sem a distinção de judeus ou gentios, não dando qualquer sentido de censura. Simplesmente vem separar a
comunidade religiosa da mundana.
Assemelha-se à “boa reputação” (At 6:3) requerida aos diáconos na sua escolha pelo ministério, isto
é, que outras pessoas precisam “conhecê-los em seus negócios e em seu caráter passado, testificando
favoravelmente acerca deles”. (2 Co 7;5) “O mesmo vocábulo”, (1 Co 10:32; Cl 4:5; 1 Pe 2:12; 3:1).

O) DESPENSEIRO (Tt 1:7).


É, no original, “oikonomos”, isto é, “gerente”, “mordomo”, “administrador” de qualquer espécie. A
idéia de despenseiro sugere-nos que a igreja é a “família de Deus”, sobre a qual vários oficiais são
nomeados, para melhor funcionamento dessa casa.

Na antigüidade, aos escravos eram conferidos esse título e tanto o administrador quanto o
despenseiro eram responsáveis perante o proprietário e não tinham vontade própria: eram apenas o
representante da vontade do seu senhor.

O “bispo” ou “supervisor” precisa possuir qualidades administrativas, além de mostrar-se apto na


pregação da Palavra e no ensinamento das doutrinas cristãs.

Nem alto grau, mas alguns deles são levantados principalmente como “mestres”. Mas outros
receberão a responsabilidade de guiar a igreja local, de administrar os seus negócios; e o “supervisor” terá
de agir como administrador de uma área maior incluindo certo número de igrejas locais.

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P) NÃO SOBERBO/ARROGANTE (Tt 1:7).


A palavra arrogante, no grego “authades”, indica a pessoa dotada de “opinião obstinada”, um
“voluntarioso”, um arrogante no trato com os demais.
“Ensoberbecer-se” no grego é “typhóo”, que quer dizer “nublar”, “iludir”, e, na voz passiva,
“inchar”, “tornar-se insensato”. Muitos noviços podem ser cegados por orgulho ou soberba, como se
pudessem voar para além das nuvens. Esses não podem ver a si mesmos e aos outros como são pela nuvem
de poeira que se levanta sobre eles, pois a raiz dessa palavra é “typhos”, isto é, “fumaça”.
Todo bom Obreiro não se mostra como ditador e deve sempre mostrar respeito pelo sentimento das
ovelhas de seu rebanho. “Há somente um Senhor na Igreja: JESUS CRISTO, e nenhum mero homem
pode tentar usurpar a Sua posição.

Q) NÃO IRASCÍVEL/IRACUNDO (Tt 1:7).


No original é “orgilos”, que indica alguém que é suspeito a explosões repentinas de raiva e de ira, e
que não sabe controlar bem as suas emoções flutuantes. Segundo o Aurélio, “raiva” é “irar-se muito”,
“enfurecer-se”. Como Caim raivou com o seus irmão, por exemplo.

O ódio, a ira, e o mau gênio que governam muitas vezes o coração do homem são representados pela
onça, animal cruel e feroz. Caim “irou-se fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante” (Gn 4:5), exemplo
que não deve ser seguido por qualquer obreiro.

O obreiro não pode ser uma pessoa sujeita a explosões iracundas e nem precipitado. Deve, portanto.

Ser homem de amplo controle próprio, aplicando a sua autoridade de maneira suave e judiciosa.

R) AMIGO DO BEM/BENIGNO (Tt 1:8).


A palavra grega é “philagathos”, que pode significa “amante de homens bons” ou “amante da
bondade”, ou “alguém que se devota alegre e sacrificialmente à prática do bem”.

S) JUSTO (Tt 1:8).


No grego é “dikaios”, que significa “reto” segundo as exigências da lei, mas que também possui a
“retidão” ou “justiça” de Deus, a autêntica santidade.

Usualmente “justo” fala sobre a “santidade” ou “retidão” que reside no crente sincero.

A coroa da justiça de que nos fala Paulo em 2 Tm 4:8. Indica aquela “coroa conquistada pela
retidão”, mas também indica a “obtenção da retidão perfeita e eterna, em que o crente passa a participar das
perfeições de Cristo e da natureza moral de Deus Pai (Mt 5:48). Esse é o grande alvo de todos os remidos;
mas alguns deles, ao entrarem nos lugares celestiais, por causa de seus serviço fiel e de sua piedade, terão
mais elevada justiça do que outros. Isso não significa, entretanto, que alguns deles tenham pecado. Antes,
alguns participam, em mais alto grau, da santidade e da justiça positiva de Deus.

T) PIEDOSO, SANTO (Tt 1:8).


No grego e “osios, que significa “piedoso”, “agradável a Deus”, livre de máculas morais,
possuidor de autêntica santidade, em que a natureza de Cristo vai sendo formada em seu homem interior.
A perfeição moral é o que está em foco.

Paulo aborda três itens importantes neste versículo, com significados especiais para os “Bispos”:

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.10
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

1º) sóbrio = indica a atitude e as ações de um homem para consigo mesmo;


2º) justo = indica as ações de um homem para com seus semelhantes;
3º) piedoso = fala sobre as relações de um homem para com Deus, em obediências as suas
exigências.

A piedade sempre está ligada à santidade (Dt 32:4; Ap 15:4).

U) TEMPERANTE / DOMÍNIO DE SI / CONTINENTE (Tt 1:8).

No grego é “enkratês”, ou seja “autocontrolado”, “autodisciplinado”. Refere-se à pessoa que sabe


andar no caminho da santidade, que evita os vícios do passado e os defeitos do paganismo.
É a única palavra que aparece em todo o Novo Testamento. Entretanto, em Gl 5:23, vemos a sua
forma nominal “enkráteia”, figurando como um dos aspectos do fruto do Espírito Santo.
Em 1 Co 9:25, Paulo dá a entender aquele autocontrole que obtém o domínio sobre os vícios
alistados nos versículos 19 a 21 de Gálatas capítulo 5. A vitória completa do obreiro está na autodisciplina
e no autocontrole que deve manter com a ajuda do Espírito Santo.

DEVERES DOS OBREIROS


1) GOVERNAR BEM A SUA CASA (I Tm 3:4).

A palavra no grego é “proistemi”, que significa “ser o cabeça”, “conduzir”, “gerir”, sendo usada para
qualquer forma de governo.
Um “supervisor” ou “pastor” é aquele que governa a igreja local. Mas, antes de qualquer coisa, deve
ser o chefe de sua própria casa. O homem que não sabe conduzir o seu próprio lar não terá nenhum sucesso
na família espiritual da igreja, como disse Paulo: “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa,
terá cuidado da igreja de Deus?” (1 Tm 3:5).
A família é o berço onde as virtudes são cultivadas. O pai de família que sabe cultivar essas virtudes
no lar, também saberá fazê-lo na igreja.

2) TER FILHOS EM SUJEIÇÃO (I Tm 3:4).

Nem sempre é fácil manter os filhos em sujeição, mas ao pastor e pai cabe obter esse resultado
demonstrando amor, paciência e autoridade para que seus filhos aprendam a respeitar.
Os filhos devem ser criados na disciplina do Senhor, na admoestação diária segundo a Palavra de
Deus. Essa disciplina, ou educação é do Senhor, ou seja, tem natureza espiritual, pois sua finalidade é
beneficiar uma alma eterna.

O texto de Efésios 6;4 ultrapassa, em muito, as ações severíssimas de certos pais para com seus
filhos! “Ira e restrição, como também ameaças e castigos corporais por motivo banais não são ações
apropriadas dos pais, pois há um elevadíssimo alvo que precisa se obtido através de meios espirituais”.

Nenhum pai tomou decisão mais vergonhosa que a de Ló, quando ofereceu suas filhas para acalmar e
manter a amizade com os ímpios. Muitos, como Ló, vão vivendo em Sodoma, e desejam a aprovação dos
sodomitas, vivendo em comunhão com eles.

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.11
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

Outros há que exageram a sujeição dos filhos, cobrando-lhes exigências descabidas, acima das suas
possibilidades, que expressam a sua autoridade sobre os filhos.
Apesar da responsabilidade principal da a educação dos filhos ser do chefe da família, muitas vezes à
mulher cabe esse papel em sua ausência. O perfeito relacionamento marido x mulher proporcionará a
segurança de que tanto os filhos precisam.

3) REJEITAR/DESPREZAR AS FÁBULAS (I Tm 4:7).

Exatamente como em português, no grego significa “paraiteomai”, isto é, “evitar”, “repelir”.

O obreiro não se deixa enganar por apêndices inúteis à fé, especialmente por coisas más. Muito ao
contrário, ocupa-se em ensinar aos outros a agir de maneira correta.

Já a tradução do termo “mythis” vem s significar “conto”, “história”, “mito”, “fábula”, dando
realmente a idéia de que a doutrina não se baseia em “contos profanos” (em grego é “bebelos”), profano,
vazio, ou por vezes, ímpio, irreligioso. Esses contos eram próprios de mulheres idosas, tolas e totalmente
indignas de confiança.

Nesse caso, o bom ministro de Deus deve evitar os elementos religiosos que repousam sobre
documentos não-autorizados ou contos fictícios, ou mesmo de homens cuja mente está cauterizada e se
afastaram da verdade, e introduzem heresias no seio da Igreja.

4) EXERCITAR-SE NA PIEDADE (I Tm 4:7).

Essa palavra “exercitar-se” vem do grego “gymnazo” que significa “treinar”. Vem de “gymnós” que
significa “despido”, porque nos ginásios gregos os exercícios físicos eram executados desta forma.
Paulo se utilizava de muitas metáforas e, por vezes, fez alusão à vida atlética. Quando diz:
“Correi de tal maneira que o alcanceis” (ICo9:24), expressa a seriedade da corrida, tal qual nos jogos
atléticos que não é nenhum feito fácil. Nos jogos, fica subentendido que deve haver um treinamento
rigoroso, fidelidade, constância e obediência às regras. Se o que ocorre não chegar ao final, estará
desqualificado (I Co 9:27).

O bom obreiro não está preocupado com o ascese (ou o exercício espiritual), mas deve ser
disciplinado e exercitar a fé em sua vida diária. Paulo vai mais além, dizendo a Timóteo: “Exercita-te na
piedade”. No grego, “piedade” é “eusébeia” que significa “santidade”, “religiosidade”, “adoração a Deus”.

A vida do servo do Senhor deve ser caracterizada pela adoração ao Senhor Jesus. “No entanto,
algumas vezes isso importa em agonia, pois cada passo que damos em direção a Deus, só podemos fazê-lo
em meio ao conflito e à agonia da alma”.

5) SER EXEMPLO DOS FIÉIS.

5.1) NA PALAVRA/CONVERSAÇÃO (I Tm 4:12): É a maneira de falar que qualifica o homem de


Deus.
O jovem Timóteo está sendo advertido às boas maneiras no falar, na conversação diária. É a sua
conduta pessoal. A fala é a faculdade que distingue os homens dos animais: é o sinal de sua personalidade.

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.12
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

O pensamento é impossível sem palavras.

Em Colossenses 3:8, Paulo usa o termo:”... despojai-vos também de tudo:... das palavras torpes da
vossa boca”. Estava se referindo à linguagem obscena do falar, do “abuso de boca suja”, pois o termo
grego “aischros” significa “feio”, “vergonhoso”, “vil”, “aviltante”, e retém a idéia tanto de profanação
como a de obscenidade, juntamente com a idéia de abuso.

O pastor deve fazer uso da fala com ações de graças (Ef 4:29,5:3-4), e nenhuma palavra torpe deve
sair de sua boca: nem a prostituição (profanação, aviltamento); impureza ou avareza (mesquinhez e
esganação); nem torpezas (procedimento ignóbil, impudicícia); nem parvoíces (tolices); nem chocarrices
(gracejo atrevido).

O uso freqüente da palavra torpe, que também significa “podre”, “decadente”, usada para indicar
peixe, carne ou vida vegetal estragados, ou seja, “mau”, “corrupto”, “imoral”, acostumará o ministro a não
dar ouvidos a Deus. Tal como os ímpios o fazem.

5.2) NO PROCEDIMENTO/MODO DE TRATAR (I Tm 4:12):

Procedimento é o “ato ou efeito de proceder”, o “modo de portar-se”. No grego é “anatrophe” que


significa “modo de vida”, “conduta em geral”, “comportamento”.

Alguns versículos na palavra de Deus expressam perfeitamente a forma nominal desse verbo, como:
a) Gl 1:13 (“minha conduta”); b) Ef 4:22 (“quanto ao trato”); c) I Tm 4:12 (“no procedimento”); d) Hb
13:7 (“maneira de viver”); e) Tg 3:13 (“seu bom trato”) (obras); f) I Pe 1:15,18 (“vossa maneira de viver”);
g) I Pe 2:12 (“o vosso viver”); h) I Pe 3:1 (“pelo porte”); i) 2 Pe 2:7 (“vida dissoluta”); j) 2 Pe 3:11 (“em
trato”).

Quando Tiago nos exorta para “sermos cumpridores da palavra e não somente ouvintes”, “... porque
alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor...”, está-nos enquadrando em Rm 5:18 e Cl 3:17. Nestes
trechos, “palavras e obras” são termos que estão ligados ao “procedimento”.

Paulo exorta a Timóteo a “ser o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato (procedimento), na
caridade...”. Essa maneira (modo de viver) é obtida quando estamos identificados com Jesus Cristo,
compartindo com suas virtudes e obras, mediante a orientação do Espírito Santo.

Descrevemos aqui trechos da carta de Diógenes (séc. XI a.C), que nos mostram como os cristãos
impressionavam ao mundo pagão com suas vidas de santidade e alegria:

“Os cristãos não se distinguem do resto da humanidade quanto a terra, a linguagem ou aos costumes.

Não habitam em cidades somente suas, e nem usam um linguajar diferente, e nem cultivam uma
maneira estranha de viver. Mas, apesar de viverem em cidades gregas ou bárbaras, conforme lhes cair por
sorte, e apesar de seguirem costumes legais quanto ao vestuário, aos alimentos e à vida em geral... contudo,
vivem em seus países como forasteiros; fazem parte de tudo como cidadãos e se submetem a tudo como
estrangeiros. Cada terra estranha é nativa para eles, e cada terra nativa é estranha. Casam-se e geram filhos,
como todos, mas não expõem seus filhos. Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Continuam à
face da terra, mas sua cidadania está nos céus.

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.13
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

Obedecem as leis determinadas, mas, com suas vidas particulares vencem as leis... . Em suma, o que
a alma é para o corpo, isso é que os cristãos são para o mundo”.

5.3) NO AMOR/CARIDADE (I Tm 4:12).

Somente o apóstolo do amor poderia ter escrito o versículo que é o mais conhecido e o mais repetido
da Bíblia inteira: João 3:16.

Segundo Orlando Boyer, este versículo encerra o que de “maior” existe, como:
- Porque Deus – o maior “ser”
- amou – o maior “sentimento”
- o mundo – a maior “porção”
- de tal maneira – a maior “expressão”
- que deu – o maior “ato”
- o Seu Filho Unigênito – a maior “dádiva”
- para que todo aquele – a maior “oportunidade”
- que n’Ele – a maior “atração”
- crê – a maior “simplicidade”
- não pereça – a maior “promessa”
- mas – a maior “diferença”
- tenha – a maior “certeza”
- a vida eterna – a maior “possessão”

Arthur John Gossip diz que nesse versículo “se desdobram paisagens sem fim, que chegaram a
difundir-se nas extremidades da eternidade, que continuam chegando diante dos olhos e da mente de cada
um de nós”. E esse amor de Deus pelos homens deve Ter reciprocidade – dos homens por Deus, e, em
seguida, por todos os homens. “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4;19) e João
acrescenta: “E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor
está em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4:16).

O obreiro do Senhor deve ser exemplo vivo da ação altruísta, e cuidar do bem-estar alheio, pois amar
consiste em ter pelos demais seres humanos a mesma preocupação que temos por nós mesmos. Deve
também desgastar as suas energias em favor do próximo, o que nos tornará parecidos com o nosso Deus à
proporção em que exercemos a mesma preocupação que Ele tem com o ser humano. Se amarmos o nosso
semelhante, estaremos amando a Deus. Esse é o grande mandamento:

“Que vos amei uns aos outros”, e nenhum homem poderá entrar na presença de Deus “sem que
chegue apoiado no braço de alguém a quem tenha ajudado”.

Amar ao próximo é, portanto, uma transferência desse mesmo sentimento para outra pessoa; é tratar
de outra pessoa, cuidar do seu bem-estar, pois o amor é um Dom do Espírito Santo e um dos aspectos do
seu fruto.

Sobre o “amor de Deus”, vemos em: a) Jo 3:1 – a fonte de todo outro amor; b) Jo 14:21 – como
norma de ação no seio da família divina; c) 2 Co 5:14 – o amor de Cristo como força construtora;

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d) COMO UM DOS ASPECTOS DO FRUTO DO ESPÍRITO SANTO (Gl 5:22).

5.4) NA FÉ/ESPÍRITO (I Tm 4:12).


Paulo está se referindo à fé cristã e Timóteo deveria ser fiel, defendendo e pregando a fé cristã. É a fé
dependente de Cristo, como se o cristão dissesse: “quero participar de sua imagem moral e metafísica, e
entrego minha alma aos seus cuidados”. Trata-se, então, de uma dedicação total da alma a Cristo e a seus
ternos cuidados a fim de que, através do seu Espírito, possa “fazer de nós seres muitíssimo superiores ao
que somos agora, que compartilhem de sua própria santidade, participantes de sua natureza”.

5.5) NA PUREZA/CASTIDADE (I Tm 4:12).

A palavra grega “agneia” vem a significar “castidade”, “pureza”, tanto da mente quanto do corpo,
evitando-se os vícios sexuais, incluindo a natureza interior das intenções do homem. Nesse versículo, Paulo
exorta a Timóteo no tocante a mulheres e à conduta sexual, pois era um jovem ministro e também sujeito às
tentações que um ministro geralmente enfrenta em seu ministério. A castidade, portanto, de um obreiro do
Senhor, deve começar em sua mente e seus pensamentos, e seus impulsos entregues aos cuidados de Cristo,
pois freqüentemente grandes homens de Deus têm sido arruinados em suas “carreiras devido a uma
conduta indiscreta e sem castidade com mulheres”.

“É fato inegável que certas “mulheres religiosas” têm uma perversão psicológica que as leva a não ter
prazer sexual senão com um homem “religioso”; e muitas dessas mulheres buscam como companheiros a
algum ministro. Se um pastor não exercer cuidado, facilmente tornar-se-á vítima de tais mulheres”.

6) APLICAR-SE À:
6.1) Leitura/lição (I Tm 4:13).

O aplicar-se à leitura refere-se à diligência e dedicação de todo pastor, pois no grego a palavra
“aplica-te” é “próseche”, isto é, “dar atenção a”, “seguir”, “voltar a mente para”.

Nos tempos bíblicos do Novo Testamento pouquíssimas eram as pessoas que sabiam ler e
praticamente ninguém possuía um exemplar completo dos manuscritos. Naquele tempo a imprensa ainda
não havia sido inventada, daí a necessidade de uma leitura em público – a do Antigo Testamento e,
possivelmente, das epístolas dos apóstolos e outros documentos considerados de valor para os cristãos
primitivos.

“A leitura era feita perante a congregação inteira, de maneira solene e digna. Em algumas igrejas
cristãs, como acontecia na sinagoga judaica, havia leitores especiais; ou então, tal leitura era feita por
algum dignatário visitante. O pastor podia interromper o leitor e fazer comentários, à sua vontade”. O
Senhor Jesus foi o leitor de uma passagem bíblica (Lc 4:16-20).
Além da leitura de porções da lei, dos Salmos e dos profetas, nas sinagogas, as epístolas paulinas Não
tardaram a ser concluídas nessas leituras em público (I Ts5:27; 2 Ts3:14; Ef3:4; Cl4:16).
Os pastores deveriam mostrar-se fiéis à leitura pública e hoje, da mesma forma, o povo espera que os
líderes cristãos sejam homens que dediquem um bom tempo ao estudo da Palavra de Deus.

6.2) EXORTAÇÃO (I Tm4:13).


No grego é “paraklesis”, ou seja, “encorajamento”, “consolo”. Esse verbo significa “chamar para o
lado de, com o intuito de ajudar”, “convocar”, e isso tanto para exortar como para consolar. A palavra

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ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

“exortar” está entendida com a idéia de leitura das Escrituras em público, como parte do culto a Deus.
Porém, em particular, os presbíteros viviam consolando os cristãos com mensagens, e até alguma
explicação do texto lido, com a ajuda do Espírito Santo, o “paracleto” que é o “Consolador” e o
“Ajudador”.

6.3) ENSINO/INSTRUÇÃO (I Tm4:13).


No grego é “didaskalia” que significa “instrução”. “Não é suficiente ler e exortar. O pastor também
precisa ser um mestre; e a sua pregação deve ser qual uma aula; de outro modo será vazia e infrutífera”.
Em Rm12:7-8 e I Tm6:2, exortação e ensino são unidos, e na pregação deve o pastor empregar o ensino
doutrinário e a instrução moral.

7) NÃO NEGLIGENCIAR O DOM/GRAÇA (I Tm 4:14).


Negligente, no grego, é “ameleo” que significa “não dar atenção”, “desconsiderar”.
”A consagração ao ministério é um começo, e não um fim por si mesmo; e arrasta após si o dever
sagrado de um intenso ministério espiritual”. O que Paulo está dizendo a Timóteo é: “não vivas
negligenciando ...”, pois o verbo está no presente do indicativo, isto é, não se recuse a dar atenção às
coisas, como: os deveres pastorais, a leitura das Escrituras, a pregação e o ensino, pois os “dons do Espírito
Santo nos são conferidos para que possamos realizar os deveres próprios de nossa missão”.

Não negligenciar o “dom”, que no grego é “charisma”. São os dons espirituais (I Co 12), capacidades
espirituais misticamente conferidas pelo Espírito Santo. O pastor necessita, principalmente, o Dom da
“exortação”, o do “ensino” e o da “administração”, para que seu ministério seja bem sucedido. Esse dom,
como disse Paulo “que há em ti”, é uma linguagem típica dos “dons espirituais”, e não um “cargo” ou
“ofício” e é confirmado mediante a consagração, “concedido mediante profecia” (revelação predita) e “com
imposição de mãos” (que era a promoção a uma dignidade mais elevada. Nm 27:18; Dt 34:9).

8) OCUPAR-SE DESTAS COISAS/SER DILIGENTE, DEDICAR-SE INTEIRAMENTE A


ELAS (I Tm 4:15).
No grego é “meletáo”, ou seja, “cultivar”, “praticar”, “esforçar-se”, “meditar”, “pensar a respeito”.
É, portanto, o estudo e a meditação. Não é uma meditação de busca espiritual intuitiva e mística, mas o
pensar continuamente sobre a natureza e a importância dos seus dons para que estes sejam utilizados com
maior proveito. A idéia também é de “praticar” e “exercer” esses deveres, com cultivo e prática.

Deve também o pastor “dedicar-se inteiramente a elas”, ou “devotar-se” a essas coisas, uma vez que
o verbo tem a idéia de “ser dirigido para”, e “inclinar-se para”. “O cumprimento da missão piedosa de um
pastor deveria ser a paixão todo-consumidora de sua vida. A importância das Escrituras e o trabalho do
evangelho deveriam ocupar todas as fibras de seu ser”. Também vem a significar “afundar-se nelas”, “ser
absorvido por elas”, “viver nelas”, pois o que se dedica inteiramente a “elas” não terá tempo para as
companhias mundanas, para “estudos estranhos”, ou outras coisas.

Assim fazendo o ministro, seu “prokope”, do grego, que significa “progresso”, “avanço”, “fomento”
será manifesto a todos, dentro e fora da igreja. Só se consegue isto mediante diligência e cultivo, dando a
atenção à execução dos deveres de nossa própria missão.

O termo “prokope” deriva-se de “prokopto”, que significa “desimpedir o caminho”, através do


“corte”, do “desbravamento”, como faz o pioneiro em uma área de floresta virgem. “Precisamos cortar

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.16
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

nosso caminho através das dificuldades da jornada, quais pioneiros espirituais do caminho, conduzindo
outros irmãos por esse mesmo caminho”.

9) TER CUIDADO DE SI MESMO (I Tm4:16).


No grego é “epecho”, que significa “apegar-se a”, alvejar”, “fixar a atenção sobre”, o que nos leva a
concluir que devemos antes exortar-nos a nós mesmos, converter-nos e santificar-nos antes de tentarmos o
mesmo com os outros.

O “ter cuidado de si” induz-nos a que um obreiro pode fracassar em seu ministério, passando a
“desviar outros de Cristo e de sua salvação, além dele mesmo perder a sua salvação”, posto que o livre-
arbítrio é uma realidade, e o homem age livremente, jamais sendo constrangido a praticar o mal. Em outras
palavras, um homem depois de convertido, pode perfeitamente voltar à sua condição anterior.

Deve, portanto, o obreiro, Ter cuidado“ com o que é “e” como o que faz”, pois se representar mal ao
seu Senhor, isso significará um enorme desastre para os que deveriam ser modeladas à imagem de Cristo,
na santidade e na vida cristã positiva.

10) TER CUIDADO DO ENSINO (1 Tm 4:16).


No grego é “didaskalia”, que significa “ensinamento”, “instrução”,. A doutrina, neste caso, é a
“revelação inteira da verdade cristã, isto é, todos aqueles ensinamentos que fazem parte da fé cristã”. E o
pastor deve ater-se à manutenção da pureza doutrinária do que ensina, “a fim de que exalte a pessoa de
Cristo e negue a posição interior a que os mestres hereges reduzem o Senhor Jesus”.

11) PERSEVERAR NESTAS COISAS (1 Tm 4:16).


No grego é “epimeno”, ou seja, “permanece”, “continue”, “persevere”, e “persiste”, na vida piedosa,
na defesa da verdade e no cumprimento dos deveres cristãos, como convém aos ministros. Deve perseverar
nas qualidades de sua vida pessoal e na diligência, elementos que não podem ser negligenciados.

12) TER FILHOS CRENTES FIÉIS (Tt 1;6).


“Se um homem não pode conquistar para Cristo seus próprios familiares, serão baldados seus
esforços por conquistar para o Senhor os “de fora” (os incrédulos).

Esses filhos não devem ser “acusados de dissolução (perversão de costumes; devassidão;
libertinagem)”, nem de “insubordinação”. No grego é “asotia” ou “deboche”, “devassidão”. Isso pode
indicar que tais filhos não estejam libertos de pecados de natureza sexual ou alcoolismo, drogas, etc (Veja
Lc 15;13; Pv28:6; Ef 5;18; 1 Pe 4:4).

“Insubordinação” vem do grego “anupotaktos” que significa “não sujeito”, “indisciplinado”,


“desobediente”, “rebelde”. “Isso é uma das tentações que assolam os jovens cujas personalidades são
instáveis, aos quais, naturalmente, falta o respeito pelos anciãos e pela autoridade devidamente
constituída”. Os filhos insubordinados em casa mostrar-se-ão rebeldes na sociedade em que vivem
comprometendo-se perante as autoridades constituídas. Como conseqüência, não mostrarão o respeito
devido aos pais nas posições que ocupam na igreja, desqualificando-os para aspirações eclesiásticas
futuras. Mesmo reconhecendo que alguns filhos são de difícil controle, serão motivo de má reputação para
seus pais e “os de fora” questionarão esse procedimento. Se não se converterem, serão julgados por Deus
como o foram os filhos de Eli, que foi desqualificado para o sacerdócio (I Sm 2).

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.17
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

13) RETER FIRME A PALAVRA FIEL (Tt 1:9).


No grego é “agarrar-se a”, “devotar-se a” firmemente aos ensinamentos dos apóstolos, defendendo-os
contra os ataques dos hereges. Essa “palavra fiel” são os ensinos e a tradição paulinos, que obviamente
estão alicerçados no Evangelho de Jesus, transmitido a Paulo por revelação.

14) ORAR E UNGIR COM ÓLEO (Tg 5:14).


“A oração é uma força criadora, que pode alterar as condições físicas, pois nos vincula ao poder de
Deus (Ef 6:18).

Paulo nos deixou grande exemplo de orações práticas: Cl 1:3,4:12; Fp 1:4; ITs 1:2; Rm 1:9; Fm 4.

Isso nos ensina, então, que a oração:

a) é adoração (Ef 5:19, Cl 3:16);


b) intercede por todos os homens (I Tm 2:1);
c) é exigente, pois requer perseverança (Rm 15:30, Cl 4:12, Ef 6:18, I Ts 5:17);
d) é uma expressão de ação de graças (Rm 1:8);
e) aprofunda nossa comunhão com Deus (2 Co 12:7);
f) visa ao crescimento e ao benefício espiritual de outros crentes (Ef 1:18);
g) solicita a salvação dos perdidos (I Tm 2:4);
h) chega a ser um dom do Espírito Santo (I Co 14:14-16).

Além de orar, cabe ao presbítero “ungir com óleo”, como o faziam os cristãos primitivos, que não
criam no azeite como capaz de curar toda e qualquer enfermidade, mas que era apenas um sinal “visível” e
“tangível” do poder de Deus para a cura do enfermo, quando assim procedessem.
Com tal ação, confirmavam sua fé em Deus.

A unção com óleo deve ser feita em nome do Senhor Jesus, o Grande Médico e Senhor de todas as
enfermidades e doenças da alma. “O uso do nome do Senhor faz da “unção com óleo um ato espiritual, e
não um mero tratamento médico”.

15) APASCENTAR O REBANHO (I Pe 5:2).


“Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre o gado” (Pv 27:13). O pastor é,
portanto, o guardador de ovelhas; é o apascentador; o guia; o protetor delas Is40:11).

O pastor ganancioso, que tem o coração voltado para o dinheiro, certamente há de colocar o gado
(aquela pessoa que lhe interessa) no coração, mesmo que seja impura, esquecendo-se de que o seu coração
é que deve estar sobre o gado. Quando Jesus, o Sumo Pastor, disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”
(Jo 21:17), estava querendo lhe dizer que o seu rebanho deveria ser doutrinado e levado ao bom caminho
através de um bom pasto. Isso exige um delicado trabalho, calcado na disposição espiritual que tem sua
origem no amor a Cristo. O alimentar ou apascentar é através do: a) ensino; b) consolo; c) proteção;
transmissão do amor de Deus ao povo. O pastor deve apascentar o rebanho não por sórdida ganância, não
por constrangimento, mas espontaneamente e de boa vontade, porque as ovelhas: a) são impotentes em
hora de perigo; b) podem desviar-se; c) precisam de segurança e bem-estar; d) estão sujeitas aos pastores
mercenários.
Segundo Adilson F. Soares, o pastor há de lidar com sete tipos de ovelhas diferentes em seu
ministério:

PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.18
ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL

1ª) A ovelha perdida – É a ovelha sem conversão genuína (Mt 10:6, Lc 19:10);
2ª) A ovelha desgarrada – É a ovelha desviada (Sl 119:176, Is 53:6);
3ª) A ovelha quebrada – É a ovelha moribunda espiritual, desiludida e enganada (Ez 34:16, Lc 4:18);
4ª) A ovelha doente – É a ovelha enferma espiritual (Ez 34:3, Is 1:6);
5ª) A ovelha gorda – É a ovelha auto-suficiente. Não precisa de culto de doutrina e é colecionadora
de diplomas, etc. (Ap 3:17);
6ª) A ovelha forte – É a ovelha truculenta, vidente, provocadora de intrigas (Ez 34:16);
7ª) A boa ovelha – É a ovelha que confia no Senhor e espera n’Ele em qualquer circunstância de sua
vida (Sl 23).
Nosso Senhor Jesus Cristo houve por bem chamar-nos de “ovelhas”, e não bode, ou outro animal,
porque a ovelha é o animal mais tolo, e precisa ter um pastor. Pela sua mansidão, se afasta-se do rebanho,
perde-se, não acha água e cai no abismo. Apesar disso, é um animal que conhece a voz do seu pastor entre
mil vozes. Conheçamos, pois, a voz de nosso Sumo Pastor, Jesus Cristo, que nos conduz a pastos
verdejantes.

BIBLIOGRAFIA1]

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Revista e Corrigida, Edição 1995 - CPAD;


2. BÍBLIA EXPLICADA/S.E McNair, 4a Edição-RJ, (14a Edição 1999) – CPAD;
3. QUEM ASPIRA O EPISCOPADO, Nemuel Kessler, 1ª edição / 1999, Alfalit – RJ;
4. DICIONÁRIO BÍBLICO UNIVERSAL, 18ª edição – 2003, BUCKLAND, editora Vida;
5. DICIONÁRIO DE TEOLOGIA, 2ª IMPRESSÃO – 2001, STANLEY J. GRENZ, DAVID
GURETZKI E CHERITH FEE NORDLING, editora Vida.

1 - O Pastor Carlos Antônio Santos de Novais é Bacharel em Teologia pela Faculdade El Shadai de Teologia Evangélica – FETEV e pelo Instituto Teológico
no Centro Evangelístico Urbano - ITCEU. Bacharelando pelo Illinois Theological Seminary - SIMONTHON, USA e Bacharelando Administração
Eclesiástica – Faculdade de Teologia e Filosofia Nacional – FATEFINA. Professor de Apologética, Escatologia, Aconselhamento Familiar, Teologia Pastoral,
Heresiologia, Hermenêutica, Homilética, Exegese do V.T e N.T, Práticas Ministeriais, Psicologia Pastoral, Eclesiologia, Palestrante na área de Namoro,
Noivado, Casamento e Sexualidade á luz da Bíblia e agora em “O Coração do Homem, Campo de Batalha onde tudo começa”.
Membro Filiado ao Clube de Teólogos do Brasil - Teologia Club
( www.teologiaclub.com/membros7.htm). Tels.: (77) 8827-7591 / 3083-0471 / 3082-2810 / 8839-7078
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PASTOR CARLOS ANTÔNIO SANTOS DE NOVAIS ÉTICA DO OBREIRO CRISTÃO – TEOLOGIA PASTORAL – p.19