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APRENDA A INVESTIR

Saiba onde e como aplicar seu dinheiro

LEANDRO MARTINS

jaPROVA DO AUTOR
2008
APRENDA A INVESTIR

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 3
1. ADQUIRINDO INTELIGÊNCIA FINANCEIRA 4
1.1 COMO ECONOMIZAR 4
1.1.1 COMO DIMINUIR SEUS GASTOS 4
1.1.2 COMO SER UM NEGOCIADOR 11
1.1.3 OUTRAS ATITUDES IMPORTANTES AO POUPADOR 14
1.2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS AO INVESTIDOR 17
1.2.1 PLANEJAMENTO E CONHECIMENTO 17
1.2.2 NOÇÕES FINANCEIRAS ESSENCIAIS 24
1.2.3 ATITUDES IMPORTANTES DO INVESTIDOR 32
2. DECIFRANDO A ECONOMIA 34
2.1 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) 35
2.2 INFLAÇÃO 38
2.3 TAXA DE JUROS (INSTRUMENTO DE POLÍTICA MONETÁRIA) 42
2.4 TAXA DE CÂMBIO (INSTRUMENTO DE POLÍTICA CAMBIAL) 46
2.5 GASTOS DO GOVERNO E TRIBUTAÇÃO (INSTRUMENTOS DE
POLÍTICA FISCAL) 49
2.6 POLÍTICA DE RENDAS 52
2.7 INFLUÊNCIA EXTERNA 52
2.8 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA 56
2.9 VISÃO GERAL 59
3. ONDE INVESTIR 62
3.1 IMÓVEIS 63
3.2 POUPANÇA 64
3.3 MERCADO CAMBIAL 65
3.4 OURO 65
3.5 RENDA FIXA - APLICANDO PELO TESOURO DIRETO 66
3.6 RENDA VARIÁVEL - APLICANDO EM AÇÕES 69
3.6.1.1 ESTRUTURA DAS AÇÕES 69
3.6.1.2 MERCADO DE AÇÕES 83
3.6.2 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES 94
3.6.2.1 ANÁLISE GRÁFICA 94
3.6.2.2 ANÁLISE FUNDAMENTALISTA 149
3.6.3 PERGUNTAS E REPOSTAS 157
3.7 FUNDOS DE INVESTIMENTO 160
3.7.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 160
3.7.2 DISPOSIÇÕES PRESENTES NO REGULAMENTO E PROSPECTO 163
3.7.3 CLASSIFICAÇÕES 167
3.7.4 FUNDOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA 173
3.7.5 OUTROS TIPOS DE FUNDOS 174
3.8 CLUBE DE INVESTIMENTO 177
3.9 INTRODUÇÃO AO MERCADO DE DERIVATIVOS 178
3.10 MONTANDO SUA CARTEIRA 182
ANEXO 1 - TRIBUTAÇÃO 184
OBRAS RECOMENDADAS 185
SITES ÚTEIS 190
BIBLIOGRAFIA 192
SOBRE O AUTOR 193
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INTRODUÇÃO

Atualmente encontramos cada vez mais pessoas em busca de orientações


financeiras e econômicas. Vemos também, profissionais de outras áreas, como
advogados, jornalistas, médicos entre outros profissionais que aplicam na bolsa
de valores. Devido a esse interesse quase unânime da população brasileira no
mercado de capitais, e após freqüentes consultas de amigos meus sobre a
melhor opção de investimento, resolvi elaborar este guia, onde nele estariam as
principais informações e todos os conceitos necessários para o entendimento e
análise do mercado financeiro brasileiro. O objetivo desta obra é auxiliá-lo na
escolha do melhor caminho para investir seus rendimentos, alcançados a partir
de um controle eficaz de seu orçamento. Acredito que possuir o mínimo de
orientação financeira seja dever de todos, para assim valorizar seu patrimônio
conquistado com muito sacrifício e trabalho.
Há também o conflito interno do ser humano entre gastar no presente ou
aplicar esse valor, para que no futuro, possa usufruir em escala maior essa
receita gerada. Para que possamos escolher o momento certo, e aumentarmos a
qualidade desse gasto, devemos conhecer melhor as possibilidades de
investimentos, para, com isso, avaliarmos os riscos e retornos de cada situação.
Deste modo conseguiremos efetuar a melhor opção, e cada vez mais
aprendermos com nossos resultados (positivos ou negativos), e com isso, passar
de uma pessoa consumista a um investidor disciplinado com retornos
maximizados.
O leitor irá obter nesta obra informações econômicas e financeiras, que
reconhecendo seus limites e objetivos conseguirá manter-se consciente quanto
às suas opções de administração dos recursos. Pois com o panorama da
economia global modificado através da utilização de computadores e da internet,
conseguimos operar diretamente na bolsa em nossa própria casa (pelo sistema
Home Broker) e ter acessos em tempo real a acontecimentos ocorridos em todo
o mundo, e com isso analisarmos seus efeitos ocorridos em nossa economia.
Esta obra pretende auxiliá-lo em todos os processos, orientando na economia
dos recursos, formas de aplicação, análises dos investimentos disponíveis e
introdução à economia, esta que servirá como auxílio na decisão do melhor
investimento nos diferentes momentos econômicos.
Apenas a obtenção de maior conhecimento o auxiliará no processo de
desenvolvimento de suas habilidades financeiras, capacitando-o corretamente
em suas escolhas e nas definições de metas e objetivos. E necessário entender e
antecipar as mudanças da economia, planejar e definir estratégias para as suas
decisões de curto, médio e longo prazo. Contudo, devemos compreender os
movimentos dos mercados para desenvolvermos as estratégias adequadas.

"A maioria das pessoas associa o dinheiro a prazer imediato.


Para mim, ele deve ser acumulado para proporcionar liberdade.
As pessoas ricas pensam a longo prazo. Elas equilibram os seus gastos e
prazeres de hoje com os investimentos necessários para a liberdade de amanhã."
T. Harv Eker

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1. ADQUIRINDO INTELIGÊNCIA FINANCEIRA

1.1 COMO ECONOMIZAR

1.1.1 COMO DIMINUIR SEUS GASTOS

O mercado financeiro nos oferece uma grande gama de investimentos, mas


para isso devemos conseguir, antes de tudo, ficar afastados das dívidas e dos
altos gastos, para depois conseguirmos obter certa disciplina que nos mantenha
sempre com reservas destinadas às aplicações.
Maus hábitos, como comprar por impulso ou como terapia contra
depressão, devem ser cortados. A utilização sem controle do cartão de crédito e
do talão de cheques deve ser restringida. Há pessoas que ao possuir talões de
cheque e cartão de crédito acabam por esquecer do valor gasto e confundi-os
como apenas pedaço de papel e plástico com fundos ilimitados.
Uma prática que adoto e considero eficaz para mensurar a magnitude das
despesas mensais e avaliar sua presença na composição de seu orçamento é
sempre considerar o gasto anual e não apenas o mensal. Por exemplo, uma
tarifa bancária de R$ 22,00, resulta em um ano em R$ 264,00, e ao incorporar
juros de l% ao mês (que receberia em uma aplicação financeira) temos um
montante final de R$ 279,00. Esse valor em 10 anos é mais que R$ 5.000,00,
gastos em tarifa bancária.
Vale ressaltar que vivemos em um país subdesenvolvido, no qual é incerta
nossa situação em um futuro próximo, e não podemos depender da previdência
social, contudo é de extrema importância termos um fundo de reserva de
economias geradas, e todo corte no orçamento é de extrema importância para
isso.
Elabore uma planilha com seus gastos e a controle para não ultrapassar
seu rendimento. Anote todo o gasto com cartão de crédito, cheque, saques etc.
E importante planejar também os gastos anuais como presentes de natal, férias,
manutenção de carro, IPVA etc. Como não ocorrem todos os meses, é fácil
esquecer destes gastos - faça as contas de quanto eles irão lhe custar. Planeje-
se, de forma a montar uma reserva para fazer frente a estes gastos.
Algumas pequenas ações podem fazer a diferença, como por exemplo, você
mesmo vender seu carro, em vez de entregá-lo como forma de pagamento na
aquisição do novo automóvel. Com isso você estará economizando a margem de
lucro da concessionária que gira em torno de 20%, pois eles precisam ganhar
também na revenda do seu automóvel usado. Com certeza vale a pena, mesmo
porque com a internet, seu carro é divulgado em minutos para seus possíveis
compradores. Há inúmeros sites que oferecem esse canal entre o vendedor e o
comprador, as próprias agências atraem seus principais compradores desse
modo.
Venda seus bens patrimoniais dispensáveis, em vez de estarem gerando
gastos e sendo depreciados, os recursos gerados com suas vendas aplicados no
setor financeiro irão gerar juros ou dividendos.
Nunca peça dinheiro emprestado e principalmente se tiver dinheiro
aplicado. Você estaria recebendo l% da aplicação e pagando juros no mínimo 5
vezes maior.

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Evite as multas em geral, principalmente as de trânsito e as de atraso no
pagamento de contas. Atualmente é arrecadado em multa somente na cidade
São Paulo quase meio bilhão por ano.

A CIGARRA E A FORMIGA
A cigarra, sem pensar em guardar, a cantar passou o verão. Eis que chega o
inverno, e então, sem provisão na despensa, como saída, ela pensa em recorrer
a uma amiga: sua vizinha, a formiga, pedindo a ela, emprestado, algum grão,
qualquer bocado, até o bom tempo voltar. "Antes de agosto chegar, pode estar
certa a senhora: pago com juros, sem mora.!! Obsequiosa, certamente, a formiga
não seria. "Que fizeste até outro dia?" perguntou à imprevidente. "Eu cantava,
sim, Senhora, noite e dia, sem tristeza." "Tu cantavas? Que beleza! Muito bem:
pois dança agora...".
Fonte: Fábulas de Lã Fontaine.

"Alguém está sentado na sombra hoje,


porque alguém plantou uma arvore tempos atrás."
WARREN BUFFETT

GASTE MENOS DO QUE RECEBA

Apenas com um gasto menor que sua receita é que sobrará recursos para
serem investidos. Uma técnica a ser utilizada é definir uma meta mensal que
deverá ser investida, e após pagar as contas indispensáveis você já alocar em
sua aplicação essa meta planejada, deixando uma pequena reserva para outros
gastos. Deste modo você não correrá o risco de ver todo seu rendimento
esgotado sem ao menos aplicar uma parte.
O investidor apenas deverá atentar para que realmente não gaste mais do
que o deixado para os outros gastos, pois nada valerá se sua conta ficar negativa
pagando altos juros enquanto seu dinheiro está aplicado a juros muito menores,
isto é, o banco está emprestando a você seu próprio dinheiro e ainda cobrando
juros por isso. A seguir é detalhado como deverá ser montada sua planilha
orçamentária.

MONTANDO SUA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA


Um dos passos mais importantes para controlar seus gastos e poder começar a
investir é saber quanto está gastando para poder programar seus gastos e
elaborar regras para alcançar seu investimento.
Após registrar sua receita, será contabilizado as dívidas com cartões de crédito e
cheques emitidos, pois essas contas terão prioridade no pagamento para evitar
pagar juros do cartão de crédito ou do cheque especial (conta negativa).
Em seguida, as contas fixas serão imputadas (é necessário verificar a real
necessidade de contrair esses compromissos, como por exemplo: tv a cabo,
clube etc...). As contas fixas também não podem deixar de serem pagas, pois
atrasos acarretam multas com taxas muito acima das conseguidas nos
investimentos.
Anterior aos gastos variáveis, é necessário aplicar em seu investimento razoável
quantia, de forma que essa ação se torne uma rotina, e você a vê como se fosse
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uma parcela de uma dívida. Apenas com isso você conseguirá obter disciplina
para tal prática. Para quem só consegue ter algum investimento quando tem
alguma dívida para pagar, as opções de baixa automática de investimento é a
melhor opção. O banco resgate mensalmente o valor desejado, como se fosse
um débito automático de uma dívida contraída e o aloca no investimento
desejado.
Os gastos variáveis com lazer e alimentação são inevitáveis, mas é de se analisar
a freqüência do gasto, estabelecendo limites para a ocorrência, como por
exemplo: jantar fora apenas uma vez por mês. E importante não ser esquecer de
inserir na planilha pequenos gastos com o cartão de débito, saques e tarifas
bancárias (se houver). As tarifas bancárias representam um gasto extremamente
desnecessário visto que devido ao aumento da concorrência muitos bancos não a
cobram, ou estornam mediante reclamação, assim como a anuidade do cartão de
crédito.
Não podemos esquecer dos gastos extraordinários, estes que deverão ser
planejados na medida do possível, mas sempre registrados em sua planilha.
Ao final de todos os gastos será verificado no resultado o quanto sobrou, e se
caso sobrou mesmo.
Caso seu resultado for negativo, você deverá analisar as causas, para que não
repita tal resultado. Para isso pode ter havido duas razões, a primeira é que
houve um excesso nos gastos variáveis com possível esquecimento de alguns
gastos esporádicos, ou realmente foi alocado um valor superestimado no
investimento, e para reaver isso, deverá diminuir esse valor ou cortar alguns
gastos fixos.
O melhor resultado será zero, ou algo bem próximo a isso, pois se também
sobrou algo em sua conta você deixou de receber juros sobre esse valor, ou seja,
essa quantia que ficou parada na conta poderia estar aplicada em algum fundo
de investimento. Conforme comentado nos próximos capítulos, seu investimento
terá parcela alocada em aplicações com boa liquidez (grau de facilidade de
resgate no momento de precisar do dinheiro) como nos fundos DI onde o valor
resgatado é liberado instantaneamente em sua conta corrente, dispensando a
necessidade de dispor recursos em conta corrente para eventuais emergências.

Veja abaixo demonstração da planilha:

RECEITAS + R$ 00,00

SALÁRIO (LÍQUIDO) + R$ 00,00


ALUGUEL + R$ 00,00
PENSÃO + R$ 00,00
OUTROS + R$ 00,00

DESPESAS - R$ 00,00

DÍVIDAS (cartão de crédito, cheques etc) - R$ 00,00

GASTOS FIXOS
CONDOMINIO - R$ 00,00
TVACABO -R$00,00
FACULDADE - R$ 00,00
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IPTU - R$ 00,00
SEGURO SAÚDE - R$ 00,00
XPTO - R$ 00,00

INVESTIMENTO/RESERVA DE EMERGÊNCIA - R$ 00,00

GASTOS VARIÁVEIS
LUZ - R$ 00,00
TELEFONE - R$ 00,00
ALIMENTAÇÃO - R$ 00,00
TRANSPORTE - R$ 00,00
IPVA - R$ 00,00
OUTROS (saques, cartão de débito etc) - R$ 00,00
EVENTUAIS (presente, seguro etc) - R$ 00,00
Tarifas - R$ 00,00
XPTO - R$ 00,00

GASTOS EXTRAORDINÁRIOS
LAZER - R$ 00,00
VESTIMENTA - R$ 00,00
PRESENTES - R$ 00,00
VIAGENS - R$ 00,00
MANUTENÇÃO CASA - R$ 00,00
MANUTENÇÃO AUTOMÓVEL - R$ 00,00
MÉDICO - R$ 00,00
DENTISTA - R$ 00,00
XPTO - R$ 00,00

RESULTADO R$ 00,00

COMPRE APENAS O NECESSÁRIO E PLANEJADO

Vá ao supermercado com uma lista, e compre estritamente os itens nela


descritos, com isso qualquer tentação imposta pelo mercado não obterá sucesso
com você.
Quando for ao shopping também seja objetivo às suas necessidades, para
evitar compras inesperadas e não-necessárias. Existem pessoas que gostam de ir
apenas para passear e acabam por comprar por já estarem lá.

DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL

Caso você tenha o problema de gastar sempre que tiver dinheiro em posse,
recomenda-se fazer saques apenas de valores específicos, que serão gastos em
algo já planejado. Evitar as compras por impulso é sempre válido, pois nós
brasileiros, em geral, temos disposição para gastar acima de nossas posses na
aquisição de produtos considerados supérfluos. Contudo as compras devem ser
sempre planejadas e nunca feitas por impulso.

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AUMENTE SEU SALÁRIO, NÃO SEU PADRÃO DE VIDA

O que se espera ao receber um aumento ou uma promoção é que irá


sobrar mais ao final do mês, mas dificilmente isto ocorre, por quê?
Ocorre porque ao elevarmos nossa remuneração, ao mesmo tempo nossos
gastos também são elevados, não valendo de nada esse aumento salarial, pois
em vez de sobrar mais para investir, muitas vezes acontece o contrário. Existe
um ditado que diz: "Rico não é aquele com alta receita, mas sim com alto
investimento".
Possuo um amigo, por sinal muito disciplinado, que ao ser promovido, em
vez de aumentar seus gastos conseguiu diminuí-los sensivelmente, e com isso
superar sua meta de investimento muito antes do previsto.

NÃO DESCONSIDERE OS PEQUENOS VALORES

Faz parte do processo de economizar valorizar qualquer quantia, por menor


que seja, pois ela fará a diferença se aplicada por anos, a juros compostos.
Abaixo ilustro essa situação com uma economia singela de apenas R$3,00
por dia, como por exemplo, de um ex-fumante, sem considerar a economia com
os gastos em saúde recorrentes do cigarro. Após 10 anos é possível comprar um
automóvel, após 20 anos uma casa, após 40 anos a pessoa é milionária e após
60 anos possui quase 12 milhões investidos, poupança que daria uma
aposentadoria bastante tranqüila para qualquer um.

Tabela 1.1 - Gasto de R$3,00 ao dia (em 1 maço de cigarro) aplicado em


investimento com taxa de retorno de 1% ao mês

1 •ric 5 anos 11:1 •ric 20 .aricr cio .ris 45 iricr 61:1 •rio
R$ 1.15:3 R$ 7.424 R$ 20.9111 R.$ 8992:3 F:$ 317.692 1 R.$ 1.9.511222 F:$ 117:3:.614

O que também ocorre com pequenos valores é que desprezarmos grandes


diferenças de preços em produtos de baixo preço, como por exemplo, um
refrigerante. Uma lata de refrigerante que custa R$1,00 no supermercado é
encontrada a R$ 2,50 em uma padaria. Uma diferença de lSO%, o equivalente a
um carro de R$ 50.000,00 ser vendido por R$ 125.000,00. E ao consumir um
refrigerante por dia, gastaríamos em 1 ano R$ 360,00 no supermercado e
R$900,00 na padaria, diferença que compraria um televisor de 29" por ano.
Contudo, nunca despreze pequenos valores, cuidado com gastos em
exagerados em alimentos, transporte e gastos domésticos, economizar um pouco
no dia-a-dia faz a diferença no final do mês.

CONTA NEGATIVA COM DINHEIRO APLICADO

Você compraria um carro por R$ 10.000,00, e venderia por R$ 1.000,00?


Tenho certeza que sua resposta seria não. O mesmo acontece quando você deixa
seu dinheiro aplicado rendendo 1,0%, e em uma emergência utiliza seu limite
com juros a 10,0% para não mexer em sua aplicação.
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Agora você compraria um carro por R$ 10.000,00, podendo pagar R$
5.000,00? Também sei que sua resposta seria novamente não, mas o mesmo
acontece quando em vez de você solicitar empréstimo ao banco pagando taxa de
5,0%, você utiliza seu limite pagando 10,0%.

ARMADILHA DA DÍVIDA

Devemos nos manter bem afastados das dívidas e financiamentos, a menos


em casos de pessoas jurídicas que utilizam de capital de terceiros para alavancar
seu patrimônio, ou como no caso norte-americano onde os juros da hipoteca são
quase nulos e até mesmo BilI Gates adquiriu sua casa através dessa maneira. E o
cheque especial e o cartão de crédito são ainda as piores formas de alguém se
endividar.
Enquanto um fundo de renda fixa rende no máximo l% ao mês, uma
dívida de cheque especial ou cartão de crédito gera ao banco ou administradora
do cartão em torno de lO% ao mês, isto é 10 vezes mais. Algo estrondoso e
maléfico a qualquer patrimônio. No Brasil, os consumidores endividados - com
cheque, cartão ou carnê - estão em quase SO%, e o número de consumidores
com alguma conta em atraso fica por volta de 40% (Fonte: Fecomercio). De fato
são percentuais realmente altos, e confirma a falta de conhecimento e disciplina
do brasileiro.
Cartão de crédito é útil apenas para quem ganha créditos com seu uso
como milhagens ou créditos para compras de bens, como também utiliza a
diferença de um mês entre a compra e o pagamento para deixar o dinheiro
aplicado. Mas nunca é para ser usado parar pagar altas taxas de anuidade nem
para parcelamento com juros do valor total da fatura. Devemos sempre pagar a
fatura na data de vencimento e com o valor integral, sem financiar parte alguma.
Mas se você já entrou nessa "arapuca" e não está mais conseguindo sair,
(pois além dos juros, há inúmeras taxas cobradas pela utilização dessa
"armadilha") o caminho mais rápido para se livrar seria contrair um
financiamento junto ao banco, este que beira os 5,0% para liquidar sua dívida
que é corrigida a lO% no cheque especial ou cartão de crédito. Nessa operação
você estaria deixando de pagar 5,0% ao mês, e com isso diminuindo o prazo
para liquidá-la. Essa diferença de taxa é conseguida devido ao banco ter menores
custos ao emprestar um valor com antecedência, visto que ao utilizar cheque
especial, o dinheiro é utilizado sem o banco sequer ser avisado.
Mas cuidado para não cair na tentação de entrar em um novo
financiamento e não quitar o anterior, pois assim você estaria apenas
aumentando seu problema em vez de solucioná-lo.

Quadro 1.1 - Taxas de juros para pessoa física


Empréstimo Pessoal (Banco) 5,21%
Comércio 5,93%
Cheque especial 7,61%
Cartão de crédito 10,34%
Empréstimo Pessoal (Financeiras) 11,07%
Fonte: Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac) - Dez/2007

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Há a possibilidade de renegociar sua dívida, solicitando juros menores, ou
alongamento do prazo sem alterar o juro final a ser pago. Mas nunca se deve
aceitar a primeira proposta do credor. Alguns credores, quando solicitado,
chegam a parcelar a dívida sem juros, e ainda com algum desconto, a fim de
receber de volta o valor principal da dívida. Vale lembrar que o credor não faz
propaganda disso para não incentivar outros a tentar a mesma renegociação e
assim reduzir seus lucros.
Uma comprovação dessa atitude dos credores são as empresas de créditos
pessoais, que devido ao grande índice de inadimplência, frequentemente
convocam seus clientes com dívidas em atraso por mais de 3 meses, para
oferecerem abatimentos em torno de 30% para os interessados na liquidação da
dívida.
Quanto ao cartão de crédito, quem não consegue pagar o total da fatura
por dois meses deve negociar com a administradora. Você deve escrever uma
carta, com o motivo do atraso e como se propõe a quitar tal débito. Envie a carta
sempre ao emissor do cartão, que em geral é um banco (não mande o
documento à administradora, a chamada bandeira do cartão). Depois de fechado
o acordo, não deixe de cumpri-lo, em caso de dúvida, releia o seu contrato ou
procure o Procon de sua cidade.
Abaixo segue gráfico de comparação para observamos as altas taxas
cobradas pelos financiamentos.

Gráfico 1.1 - Comparação do valor futuro de R$ 1.000,00 em 12 meses em


diferentes modalidades.

R$ 4.00000

R$ 3.50000

R$ 3.00000

R$ 2,50000

R$ 2.00000

R$ 1.50000

R$ 1.00000

F.!$ 500,00

R$ -
jan fev mar abr mai jun jul aqo set out nov dez

- -poupança empréstimo pessoal cheque especial cartão de crédito

Financiamentos e crédito pessoal excluem de suas taxas divulgadas


despesas como a TAC (taxa de abertura de crédito) e o IOF (imposto
sobre operação financeira). Com elas incorporadas, as taxas ficam muito
mais altas.

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Crédito consignado
Modalidade de crédito com desconto em folha de pagamento. Possui menor risco
de inadimplência visto que o pagamento é debitado diretamente da folha de
pagamento, ou seja, não há como não pagar, com isso a taxa de juros consegue
ser menor que um crédito comum (abaixo de 2,0% a.m.). Popular para os
aposentados, esta modalidade de crédito está se expandido para outros públicos,
e seus juros já são os menores do mercado.

1.1.2 COMO SER UM NEGOCIADOR

SEJA UM NEGOCIADOR

Pesquise preços antes de comprar, faça ofertas, você não tem nada a
perder, o proprietário do dinheiro é quem possui o poder em uma negociação de
compra e venda. Qualquer valor não pode ser desprezado, de pouco em pouco
agregamos grandes quantias. Pechinchar é mais que um direito seu, e sim um
dever. Fico espantado com pessoas que tem vergonha de tal prática, pois vejo
que os mais ricos fazem isso com a maior naturalidade, e nunca se deixam
intimidar pelo vendedor.
Nunca demonstre muito interesse pelo produto, assim o vendedor não
saberá sua verdadeira intenção. Inicie a negociação oferecendo um valor que a
média entre as propostas seja o que você realmente está disposto a pagar. Por
exemplo, ao negociar a compra de um carro anunciado por R$ 26.000,00, e que
possui a intenção de pagar R$ 25.000,00, ofereça R$ 24.000,00 e espere alguns
dias, em seguida ofereça o preço médio para que ambos saiam satisfeitos.
Vale alertar que o mais barato nem sempre é o mais indicado, pois se o
vendedor está com um preço muito abaixo do mercado, pode estar oculto na
transação algum risco que você ainda não sabe, e caso conclua a negociação
procure se proteger ao máximo sempre solicitando nota fiscal e possuindo o
máximo de dados da instituição vendedora. Como por exemplo, compras pela
internet de sites falsos ou a contratação de algum serviço com pessoas
desonestas que não cumprirão o acordado.
Mesmo se você pretende pagar o produto parcelado (que não é o mais
indicado) você deverá dizer que irá pagar a vista, mas que apenas possui X
valor. Um valor interessante para abater é entre lS% a 35% do valor anunciado.
Descontos acima de 35% são difíceis, mas não impossíveis. Certa vez descobri
que um serviço contratado pela consultoria que trabalho possuía custo variável
praticamente zero (seu custo não aumenta conforme aumenta a quantidade de
clientes), com isso sabia que SOU/o era algo possível conforme foi conseguido.
Mas em negociações complicadas, onde a margem do vendedor é pequena, um
desconto de 5% não é um percentual a se desprezar.
Pesquisar e levar a proposta ao maior concorrente é uma ótima maneira de
se conseguir grandes descontos. Faça isso pelo menos umas 3 vezes até chegar
no limite deles. Há sites de pesquisa de preços, onde você já terá uma idéia de
qual preço começar a negociar.
E aconselhável sempre solicitar atendimento de um supervisor ou de um
gerente, muitos descontos não são conseguidos com o vendedor, mas sim com
seus superiores, devido ao seu maior poder de manipular o preço. Como por
exemplo, em farmácias, que sempre que solicito ao gerente consigo no mínimo
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lS% de desconto na medicação, desconto maior que se utilizado o cartão de
fidelidade da própria farmácia.

"Nunca tenha medo de pedir demais ao vender e


oferecer de menos ao comprar."
WARREN BUFFETT

ESCOLHA O MOMENTO CERTO DE COMPRAR O PLANEJADO

Às vezes, esperar alguns dias faz a diferença no valor do produto desejado.


Precisamos identificar esses momentos para não pagarmos mais pelo mesmo
produto. Abaixo cito alguns exemplos:

Automóvel: evite comprar O km, e dê preferência a um semi-novo com até 5 mil


km, que já obteve desvalorização significativa (de 10 a 20%), e está
relativamente pouco utilizado e ainda na garantia. E uma grande oportunidade
de adquirir carros com opcionais, que não são avaliados na venda do usado,
como bancos em couro e teto solar.

Ar-condicionado e ventilador: Evite comprá-los no verão, quando os preços


geralmente estão mais altos devido ao aumento da demanda;

Telefone celular: O melhor momento para comprar é próximo de datas


comemorativas, como dia das mães e dia dos namorados, quando as empresas
lançam promoções de aparelhos e planos;

Roupas: costumam estar mais baratas em trocas de estações, momento em que


os varejistas querem renovar seus estoques.

Móveis e eletrodomésticos: o melhor momento de comprar é no inicio do ano,


após as grandes compras de natal, onde ocorrem as promoções.
Passagens aéreas e Hotéis: evitar viajar em meses de alta temporada e feriados.
Em baixas temporadas, devido à queda da demanda, é comum ocorrer
promoções, e os preços estão mais baratos.

CONSUMIDOR DEVE EXIGIR ORÇAMENTO PRÉVIO

Antes da contratação de um serviço, é importante que o consumidor exija


um orçamento. Desta maneira, fica sabendo quanto será cobrado pelo produto
ou serviço e evita gastos extras quando efetuar o pagamento. Isso porque
podem ocorrer eventuais omissões, como o frete do produto, ou o aumento do
preço do serviço devido a custos inesperados. Todo prestador de serviço é
obrigado a fornecê-lo ao consumidor, e o consumidor não é obrigado a pagar se
a execução do serviço for iniciada sem autorização prévia. Segundo o Código de
Defesa do Consumidor, o orçamento substitui o contrato.

PREFIRA PAGAR À VISTA

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Prefira sempre pagar a vista solicitando certo desconto, fuja das compras a
prazo. Empresas como as que vendem eletrodomésticos e eletrônicos costumam
apresentar maior lucro financeiro do que operacional, isto é, consegue maior
receita com os juros das vendas a prazo do que com a diferença entre o custo da
mercadoria e seu preço final. Não seja você a pessoa a se endividar e gerar
grandes lucros a essas empresas.
Uma ocasião, no pagamento de um curso, fui informado que o preço a
vista poderia ser parcelado em 5 vezes sem juros. Mas insisti em pagar a vista e
me foi oferecido 5% de desconto (na verdade o preço parcelado é que estava
com Se/o de juros). Logo comparei com a taxa selic da época' e era mais
vantajoso eu aplicar o valor remunerado, em relação ao l% descontado por mês.
Contudo, solicitei firmemente 10% de desconto comprometendo sigilo com os
outros alunos e acabei o conseguindo, resultando em mais que o dobro do
oferecido.
A maioria das lojas de consumo mudaram suas táticas. e em vez de aplicar
juros ao produto parcelado, anunciam o produto parcelado sem juros, mas que
na verdade já possui os juros embutido no valor a vista. Com isso deve-se tentar
receber o desconto no valor a vista, este dependendo do poder de negociação do
comprador. Há casos onde não há diferença entre o valor a vista e o valor
parcelado, e ela poderá estar em custos ocultos como a TAC - taxa de abertura
de crédito.
Como exemplo de compra a prazo, verifiquei uma geladeira no valor de R$
900,00, anunciada pela loja x podendo ser parcelada em 17 vezes, com parcelas
de R$ 90,00, totalizando um valor de R$ 1.530,00. Os juros embutido no período
foi de 70%, ou seja, quase o valor de 2 geladeiras em menos de 2 anos, sem
contarmos que com a possibilidade de pagamento à vista é considerado um
desconto entre 10% a 30% (devido ao poder de barganha do comprador).
Muitas vezes a loja recebe o valor do financiamento a vista das financeiras
conveniadas. Certa ocasião, constatei que no sistema do vendedor o aparelho de
dvd que iria adquirir no valor de R$ 400,00 indicava que o pagamento da
financeira à loja seria de R$ 300,00. Não tive dúvidas, e só fechei negócio com o
vendedor quando ele aceitou me vender a vista pelos R$300,00.
Sempre desconfie dos juros zero. Apenas em ultimo caso, onde realmente
não foi conseguido algum desconto, e não há custos escondidos você deverá
optar pelo pagamento parcelado para lucrar aplicando o valor total em algum
investimento.

CUIDADO COM AS PROMOÇÕES

Muita gente se contagia pelo clima de "consumismo" e compra qualquer


coisa que estiver em oferta, mesmo que o produto não sirva para absolutamente
nada. Este é um erro muito comum e um dos principais fatores que o levarão a
fechar o mês com saldo no vermelho.
Muitas das ofertas anunciadas escondem custos não divulgados até o
momento da finalização da compra. Como por exemplo, há anúncios de veículos
O km que seus valores divulgados ocultam frete e pintura, itens não dispensáveis
e que acrescem por volta de 5% do valor total.

1 Ver glossário.
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APRENDA A INVESTIR
Outras ofertas anunciadas necessitam certos cuidados do consumidor.
Como por exemplo, as dos supermercados, que muitas vezes não atualizam o
novo valor nas caixas registradoras, e cobram o preço antigo dos consumidores
desatentos.

1.1.3 OUTRAS ATITUDES IMPORTANTES AO POUPADOR

VEM FÁCIL, VAI FÁCIL

Famoso ditado, que realmente é muito comum de acontecer. Volumes


financeiros recebidos com certa facilidade, isto é, sem esforço de seu trabalho
que após anos resultou em uma poupança, como por exemplo, dinheiro herdado,
ganho na bolsa de valores, ou um bilhete de loteria premiado, são quantias que o
público em geral não o valoriza devido a sua facilidade no recebimento. Com isso
ele é gasto com extrema rapidez e falta de responsabilidade.
E comum ouvir estórias de ganhadores da loteria que após ganhar milhões,
possui menos do que tinha antes, passado poucos anos. Não devemos desprezar
quantias recebidas com mais facilidade do que outras, pois seu valor financeiro é
o mesmo. Atribuindo mesma importância, é conseguido manter o principal
protegido, e no máximo utilizar apenas os juros reais (líquido de impostos, taxas
e da inflação).

ALÉM DO CONHECIMENTO É NECESSÁRIO ATITUDE

Não é difícil encontrarmos algum nutricionista gordo, dermatologista careca


ou até mesmo economista endividado. Mesmo possuindo todas as informações
necessárias, algumas pessoas não obtêm êxito devido à falta de atitude. Com
isso de nada vale todo seu conhecimento, visto que o mesmo não é aplicado.
Devemos dar a mesma importância para a atitude e aplicar todo o conhecimento
aprendido.

ESTEJA PREVINIDO PARA DESPESAS EXTRAS

As despesas que não são fixas como seguro, IPVA e alguns presentes
geram maior desconforto, pois muitos não a consideram em seu orçamento,
provocando assim necessidade de utilização do limite do cheque especial. Para
que isso não aconteça convém prever com certa antecedência essas despesas.
Devido à proximidade das datas é aconselhável reservar parte de seu 130
salário.

DINHEIRO EMPRESTADO É PRATICAMENTE DINHEIRO DOADO

Digo que dinheiro emprestado é dinheiro doado, pois dificilmente você o


verá de volta. Ainda mais sendo para familiar ou amigo, além de perder o
dinheiro, perderá também o amigo. A menos que você confie muito na pessoa e

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APRENDA A INVESTIR
saiba com certeza que ela terá condições de pagá-lo no futuro, mesmo assim
algo desaconselhável a fazer.

CASAMENTO E FILHOS

Não sou contra a união matrimonial, e muito menos à procriação da vida,


mas quero aqui apenas ressaltar seus gastos, motivo muitas vezes de
endividamento.

• Casamento: gastos com casamento civil, igreja, roupas, festa, lua de mel,
mobília e enxoval. Gastos que aproximadamente não ficam por menos de
R$ 50.000,00.

• Filho: diversos estudos indicam que um filho de classe média, desde seu
nascimento até sua maioridade, absorve entre R$ 500.000,00 reais a R$ 1
milhão.

Logo quero demonstrar que casamento e filhos deve ser uma etapa de
nossas vidas muito bem planejadas e estudadas.

PREÇO DEMARCADO

Sempre verifique se o preço anunciado ou demarcado foi o que realmente


foi cobrado. E muito comum nos supermercados os valores estarem acima na
hora de passar pelo caixa. Insista em pagar o preço marcado, mesmo estando
errado no sistema. Certa vez, ao comprar um produto que sabia valer R$ 100,00,
verifiquei seu preço por R$ 22,00, e ao finalizar a compra fui informado que seu
valor estava marcado incorretamente e diferente ao do sistema. Depois de certa
discussão e insistência de minha parte o produto foi comprado pelo valor de R$
22,00. Com certeza o vendedor irá relutar em conceder o preço anunciado, mas
no fundo ele cederá, pois sabe que é nosso direito. A lei n° 8.078/90 que dispõe
sobre a proteção do consumidor comenta que é direito básico do consumidor a
informação adequada, e clara, sobre o preço do produto.

SEU SALÁRIO

Anualmente seu salário deverá ser reajustado, e você deverá lutar por isso,
para que você além de gastar menos, possa também ganhar mais. Há três
fatores principais que explicam seu reajuste:

• Inflação: com certeza se comparada com outros anos brasileiros, nossa


inflação está muito abaixo dos patamares já alcançados. Mas não é por
isso que seu salário não sofra certa defasagem, e ela deverá ser
compensada. Os índices mais utilizados são: o IPCA ou o IGP-M2 .

2
Índices de inflação comentados no item 2.2 desta obra.
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APRENDA A INVESTIR

• Mérito: além do reajuste pelo índice de inflação, ainda é justo haver um


adicional referente a sua maior experiência adquirida, resultados
apresentados para a empresa entre outros. Com isso, não é para se
contentar apenas com o reajuste inflacionário caso sua performance tenha
superado as expectativas. Demonstre ao seu superior todas suas ações
efetuadas e cobre reconhecimento por elas.

• Comparação com o mercado: há pesquisas, referente aos salários


médios e medianos de cada classe e cargos existentes no mercado,
efetuadas por consultorias e institutos de pesquisa, e divulgadas em seus
sites e jornais. Com isso você poderá saber em qual posição seu salário
está posicionado no mercado. Caso seu salário esteja abaixo da mediana
do mercado, você terá argumentos para reivindicar um possível reajuste,
de acordo com a política de sua empresa.

10 MANDAMENTOS PARA ECONOMIZAR

1 - SAIBA QUANTO É SUA RECEITA E QUANTO É SUA DESPESA - MONTE E


ATUALIZE SUA PLANILHA;

2 - INTERPRETE SEUS GASTOS ANUALMENTE. NÃO DESCONSIDERE OS


PEQUENOS VALORES;

3 - NÃO COMPRE POR IMPULSO OU COMO TERAPIA CONTRA A DEPRESSÃO;

4 - ESCOLHA OS MELHORES MOMENTOS (EX: VIAJE EM BAIXA TEMPORADA,


DECORE SUA CASA NAS PROMOÇÕES);

5 - ANALISE SEUS GASTOS E VERIFIQUE SE PODERIA VIVER SEM ELES, OU


PELOS MENOS REDUZI-LOS;

6 - SEMPRE PESQUISE O MELHOR PREÇO, PREFIRA O PAGAMENTO A VISTA E


SEMPRE NEGOCIE SEU DESCONTO;

7 - O LIMITE DE SEU CARTÃO OU DO CHEQUE ESPECIAL NÃO FAZ PARTE DE


SUA RENDA;

8 - ESTEJA PREPARADO PARA DESPESAS EXTRAS E EMERGÊNCIAS;

9 - TENHA METAS DE INVESTIMENTO E AS ACOMPANHE PERIODICAMENTE;

10 - INICIE HOJE A POUPAR, E NÃO NO MÊS QUE VEM. UTILIZE OS JUROS


COMPOSTOS A SEU FAVOR.

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APRENDA A INVESTIR
1.2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS AO INVESTIDOR

1.2.1 PLANEJAMENTO E CONHECIMENTO

TRACE SUAS METAS E OBJETIVOS

Por mais determinado que você seja, é importante formalizar o processo de


planejamento e definição de metas. Ao colocar no papel os seus planos e
objetivos, os mesmos estarão mais claros e definidos. Se depois de alguns meses
de sucesso alcançando suas metas, você "derrapou", cedeu ao impulso e gastou
mais do que deveria, aprenda com os seus erros e siga em frente, não use isso
como desculpa para abandonar o seu planejamento.
Se você tem uma dívida grande no cartão de crédito, provavelmente tem
como meta liquidá-la, porem é provável que isso demore algum tempo para
acontecer. Neste caso, vale a pena estabelecer metas intermediárias de redução
da dívida. Desta forma você perceberá o progresso e continuará no mesmo
processo, do contrário corre-se o risco de desanimar. Dedique um dia da semana
ou do mês para acompanhar o seu progresso e, se necessário, promover ajustes
no seu plano. Caso esteja falhando em alguma área, procure entender o motivo.
Quase todos nós temos, ou pelo menos deveríamos ter, como meta,
poupar, mas acabamos dando prioridade para certas despesas e, quando
percebemos, não sobrou o suficiente. Só há uma forma de reverter isso:
estabelecer algum tipo de poupança compulsória, destinando automaticamente
uma parte a sua renda para investimentos. O ideal é transferir no mínimo uma
faixa de lO% a 30% para ser investida, transformando-a em uma conta como se
fosse o pagamento de uma dívida, ou a mensalidade de um curso.
A idéia não é transformá-lo em um pão duro, mas ajudá-lo a equilibrar o
prazer do consumo, com os benefícios e conforto de possuir uma grande reserva
para ser utilizada no futuro, esta reserva que renderá juros compostos, e fará
que o dinheiro trabalhe por você.

"Fiz meu primeiro investimento aos 11 anos.


Eu vinha desperdiçando minha vida até então."
WARREN BUFFETT

DIVERSIFIQUE SUAS APLICAÇÕES

A expressão "não deixa todos seus ovos em apenas uma cesta" é uma das
principais expressões utilizadas no setor financeiro. A diversificação melhora a
relação risco-retorno de um investimento. Com a Teoria de Portfólio de
Markowitz (Harry M. Markowitz - ganhador do prêmio Nobel de Economia em
1990) foi constatado matematicamente que a diversificação proporciona
melhores retornos com mesmo nível de risco, ou mesmo nível de retorno com
menores níveis de risco.
O gráfico abaixo demonstra a melhora do nível de risco e do retorno ao
diversificar a carteira, neste caso com o uso de apenas 2 ativos diferentes.

GRÁFICO 1.2 - FRONTEIRA EFICIENTE - RENDIMENTO ANUAL DE CARTEIRAS


TEÓRICAS COM INVESTIMENTO DISTRIBUIDOS EM RENDA FIXA (RF) E AÇÕES

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P rc:' ri t eira
100% EM AÇÕES
eficiente
60%

50%
o
o
cl)
40%

20%
/
XX%EM RFEXX%EM AÇÕES

100% EM RENDA FIXA

0% 10% 20% 20% 40% 50% 60% 70% 80% 905 100%

Risco
A diversificação é a principal palavra no gerenciamento de risco, pois o
mercado é muito volátil, isto é, com grande variação. O único risco da
diversificação é anular os ganhos de aplicações rentáveis com outras que
ocasionaram prejuízos, por isso que é necessário estudá-las e escolher
cuidadosamente onde aplicar seus ativos.
Essa diversificação será projetada a partir de seu perfil. Este pode ser
divido em três principais: conservador, moderado e agressivo. Mais adiante
aprofundaremos mais os ativos que poderão integrar sua carteira de acordo com
o perfil, meta e horizonte de investimentos pré-estabelecidos.
Ao analisar esses ativos, sempre tenha cuidado com os conselhos de seu
gerente, eles não são consultores financeiros, eles geralmente possuem metas
de vendas, e se ele está abaixo da meta em algum de seus produtos, ele poderá
influenciá-lo a aplicar em certo investimento, mesmo não sendo o mais
apropriado ao seu objetivo.

CRISES NO MERCADO DE AÇÕES RATIFICAM A NECESSIDADE POR


DIVERSIFICAÇÃO
CRISE DE 29 - A GRANDE DEPRESSÃO
A Grande Depressão, também chamada de Crise de 1929, foi uma grande
recessão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década
de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande
Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do
século XX. Este período de recessão econômica causou altas taxas de
desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto (PIB) de diversos países,
bem como quedas na produção industrial, e principalmente fortes quedas nos
preços de ações, assim, milhares de acionistas perderam, da noite para o dia,
grandes somas em dinheiro.
BOLHA DA INTERNET
No final da década de 90 as empresas ponto com (do ramo da internet)
vivenciaram preços extremamente otimistas em relação aos seus valores de
mercado (em bolsa). O otimismo na internet era tão grande que mesmo
empresas que davam prejuízo tinham valores de ações extremamente altos. Elas
eram avaliadas pelo seu potencial futuro de lucro, não pelo que geravam de lucro
no presente. Essas empresas obtiveram valorizações muito acima da média nas
bolsas americanas. No final de 2000 essa expectativa foi invertida e
desvalorizações foram inevitáveis, ocasionando grandes perdas a muitos
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APRENDA A INVESTIR
investidores. Contudo, ficou revelado que os preços das ações estavam inflados
artificialmente (sem fundamentos), fato denominado por bolha pelo mercado.

SISTEMÁTICA DOS BANCOS

Entenda o pensamento dos bancos:

Descasamento e spread: por que o banco oferece empréstimos a juros de 5%


ao mês e cobra no cheque especial ll% ao mês? Essa diferença é devido, que ao
utilizar seu limite o banco o empresta sem ao menos ser avisado com alguma
antecedência, e ao solicitar um empréstimo o banco se programa para não haver
descasamentos, com isso podendo diminuir seu spread (lucro do banco referente
a diferença dos juros).

Segmentos: geralmente seus profissionais com melhores performances ficam


alocados no segmento private (alto padrão). São exemplos deste segmento os
bancos: Bradesco Prime, Itaú Personnalite e HSBC Premier. Alguns bancos
solicitam comprovação de renda não muito alta ou certa quantia investida no
banco para migrar sua conta para esse segmento, contando muitas vezes com
menores tarifas (ou isenções) e com serviço muito mais qualificado e
abrangente. São neste segmento que são encontradas as menores taxas de
administração e melhores rentabilidades dos fundos de investimento.

Tarifas: caso não consiga isenção de tarifa por não possuir grandes volumes
aplicados, é válido procurar promoções de descontos como as contas
universitárias que concedem SO% de desconto. Mesmo não possuindo tais
privilégios é sempre válido solicitar ao seu gerente estornos das tarifas cobradas,
pressionando-o pela isenção, e em casos extremos argumentar que irá cancelar a
conta. Abaixo segue tabela com os principais eventos e suas respectivas tarifas
mínima e média:

TABELA 1.2 - TARIFAS BANCÁRIAS 2007


Valor

Evento Mínimo Valor Médio

Abertura de conta corrente R$ - R$ 15,36

Abertura de crédito R$ R$ 430,71
Cheque (Talão-10 folhas) R$ R$ 5,32
Cheque administrativo R$ R$ 16,68
Cheque avulso R$ R$ 4,56

Cheque devolvido por insuficiência de fundos R$ R$ 12,09
Cheque TB R$ R$ 3,33
Cheque (Talão-20 folhas) R$ R$ 8,92
Cobrança de cheque por compensação R$ R$ 1,51
Cópias de microfilmes, microfichas ou

assemelhados R$ 6,17
R$
Débito autorizado em conta-corrente R$ R$
3,08
Emissão de DOC 'C' R$ R$ 13,13
Emissão de DOC 'D" R$ R$ 13,05
Exclusão do Cadastro de Cheques sem Fundo R$ R$ 22,55

Extrato de Conta em terminal eletrônico R$ R$ 2,19

Inclusão no Cadastro de Cheques sem Fundo R$ R$ 20,17
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Oposição/sustação de pagamento de cheque R$ - R$ 9,31
Renegociação de dívida R$ - R$ 278,47
Transferência Eletrônica Disponível - TED R$ - R$ 13,41

Fonte: Bacen

Serviços: os bancos oferecem, em geral, consultoria financeira em relação aos


seus produtos (consultoria não recomendada), contam além do gerente da sua
conta, com serviço de atendimento ao cliente e ao cotista para o esclarecimento
de possíveis dúvidas. Considero esses funcionários vendedores em vez de
consultores financeiros, pois eles trabalham para o banco e não para o cliente, e
devemos levar em consideração que tal funcionário pode não possuir os
melhores conhecimentos e não ter recebido bons treinamentos.

Metas e rentabilidades: os gerentes de contas possuem diferentes metas de


venda, como também o banco possui diferentes remunerações em seus
produtos. Portanto não aceite propostas como títulos de capitalização e
poupança. Nunca se esqueça que seu Gerente não é o seu consultor financeiro.

ATÉ OS MAIORES BANCOS QUEBRAM - O CASO BARINGS


Em 1995, em Londres, o Barings, era o mais antigo banco privado, fundado em
1762. Um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão, impossível de ser coberto pela
banca inglesa, transformava em nada as economias de correntistas de quase
todo o mundo, aí incluídos alguns milionários fundos de pensão da Califórnia e
até mesmo a rainha da Inglaterra. O responsável pelo caos financeiro foi apenas
um único funcionário do banco em Cingapura, Nicholas Leeson, de 28 anos, cujo
ano anterior obterá 20% do lucro total da instituição. Entre outras operações,
Leeson apostava em mercados futuros como o japonês. Após grande queda na
Bolsa de Tóquio, ele apostara ainda mais no índice ao invés de realizar seu
prejuízo, e conseguiu, devido à sua reputação e por esconder parte do prejuízo,
manter sua posição alavancada (utilizando derivativos3 em sua estratégia). Após
outra queda brusca da bolsa de Tóquio o banco quebrou e passou ao controle do
holandês ING pelo preço simbólico de 1 libra.

SAIBA QUANTO REALMENTE ESTÁ RENDENDO SEU INVESTIMENTO - DESCONTE


TAXAS, TRIBUTOS E INFLAÇÃO

É importante acompanhar sua aplicação, conhecendo sua real valorização,


o rendimento líquido. Para isso é preciso descontar a inflação, a tributação
(verificar tabela de tributação no anexo 1), assim como as taxas cobradas,
chegando assim em sua rentabilidade líquida.
Com isso você estará sabendo realmente a taxa praticada em seu
investimento, e poderá com ela comparar com as alternativas existentes no
mercado.

Ver capítulo Derivativos.


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APRENDA A INVESTIR

REINVISTA SEUS LUCROS, PARA QUE NO FUTURO, O DINHEIRO TRABALHE POR


VOCÊ

Aproveite os retornos obtidos, para servirem de base para novos


rendimentos, e com isso aumente seu patrimônio investido no mercado
financeiro. Caso contrário, ao gastar esse retorno em alguma aquisição, você
estará bloqueando a possibilidade de aumentar continuamente sua renda, e
ainda estar elevando os gastos mensais em manutenção.
Reinvestindo seus lucros você estará alimentando sua carteira durante
anos, até que em certo momento você estará com rendimentos que irão
trabalhar por você, isto é, gerarão rendimentos líquidos que aumentarão
exponencial mente.

EVITE OS JOGOS DE AZAR

Os jogos são negócios rentáveis, mas apenas para seus donos. Vale o
ditado: "A banca sempre ganha". Nem mesmo os jogos promovidos pela caixa
econômica não distribuem ao ganhador todo o valor arrecado, pelo contrário,
mais que a metade é distribuído entre Ministério do Esporte, fundos, entidades,
comitês e secretarias ligadas ao governo ou indicadas por ele. Além do fator
viciante, que pode afetar não só você, mas toda a sua família. Inúmeros são os
casos em viciados em jogos de azar como bingo, aposta em cavalos, e até alguns
jogos ilícitos. E em casos extremos, causando danos irreversíveis ao patrimônio e
à família como a bebida e as drogas.

Exemplo de desperdício:
Gasto mensal em loteria R$ 10,00
Mesmo valor aplicado a 1,25% a.m. (ao mês) por 50 anos
= R$ 1.379.931,14 (um milhão, trezentos e setenta e nove mil,
novecentos e trinta e um reais)

Evite também os títulos de capitalização e fundos de investimento que


pagam prêmio a sorteados. No caso dos fundos de investimento esse prêmio está
embutido na maior taxa de administração que você estará pagando.

INVISTA NO SEU CONHECIMENTO

O conhecimento é o único bem a ser investido que é impossível de alguém


o roubar, e ele o servirá para toda a vida. Adquira o hábito da leitura de livros,
revistas e jornais, informação nunca será demais a você. Apenas as pessoas
arrogantes acham que já sabem demais ou o suficiente.
Surpreendo-me ao ver mais pessoas nas locadoras de dvd do que nas
bibliotecas, pois além dos livros nos trazerem maiores informações e serem mais
úteis, seu empréstimo é gratuito, ao contrário das locadoras.

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APRENDA A INVESTIR

TODO CUIDADO É POUCO

Não invista quando não possuir entendimento suficiente sobre o ramo a ser
aplicado. Há muitas estórias de pessoas que perderam altas quantias em
negócios que prometiam altas rentabilidades.
Evite os investimentos apressados, desconfie quando alguém indicar um
investimento no qual ele apresenta como único, e que está prestes a se esgotar.
Se uma oportunidade é apresentada como muito mais rentável do que as
existentes no mercado, provavelmente há riscos ocultos, que você ainda não tem
conhecimento. A relação risco versus retorno sempre será proporcional.
Com o advento da internet novos tipos de esquemas apareceram e os
antigos se modernizaram. Há também empresas, como as do ramo de produtos
de emagrecimento e produtos de limpeza, que oferecem lucro maior com o
recrutamento de novos vendedores e seu abastecimento do que a própria venda
do produto.
Tome cuidado com planos que pedem para você pagar taxas de entrada ou
custos de material de trabalho, amostras "obrigatórias" ou coisas parecidas.
Como também em caso de propostas envolvendo lucros elevados. Nunca assine
documentos ou pague qualquer coisa em condição de pressão ou para não
magoar "amigos que estão lhe apresentado uma oportunidade". Verifique cada
proposta buscando informações junto às autoridades competentes.
Geralmente promessas de altas rentabilidades vêm acompanhadas de altos
riscos, como foi o caso da Fazenda Reunidas Boi Gordo (FRBG), Avestruz Master
e a Top Avestruz. Até hoje seus investidores lutam para reaverem seus
investimentos. Tentam se proteger através de Associações, as quais são: União
Nacional de Associações e Associados em Prol do Projeto Global Brasil e de
Credores da Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A. www.unaa.com.br, e Associação
Brasileira de proteção aos investidores da avestruz Master www.abpam.com.br.
Além de falências, o investidor incorre ao risco de mudanças de mercado,
como foi o caso de quem pagou por volta de 10 mil reais em uma linha telefônica
e hoje a consegue por apenas 125 reais.

GOLPE DA "PIRÂMIDE FINANCEIRA" - GOLPE DE PONZI


Charles Ponzi, um italiano que emigrou nos EUA em 1903, lançou em novembro
de 1919 um esquema de venda de notas promissórias garantindo um juro de
40% no prazo de 90 dias. Em vez de investir o dinheiro que recebia o Sr. Ponzi
usava parte do dinheiro de cada novo investidor para pagar os juros prometidos
aos investidores mais antigos, ficando ele com o restante. Os investidores de
Ponzi não sabiam como a coisa funcionava, sabiam, porém que algumas pessoas
estavam ficando ricas com isso. Obviamente todos queriam ganhar o mesmo e,
portanto pediam para entrar no sistema. Quanto, cerca de 7 meses mais tarde, o
número de novos investidores cresceu demais (chegando a cerca de 20.000), as
autoridades iniciaram a investigar e ficou praticamente impossível continuar. O
sistema começou a ruir, também por falta de novas adesões em número
suficiente para manter o esquema funcionando. Logo depois aconteceu o colapso
com a intervenção das autoridades e a criação do termo Esquema de Ponzi.
Ponzi foi condenado a 5 anos de cadeia. Anos mais tarde tentou um novo
esquema parecido na Flórida e foi condenado de novo. Terminou seus dias em
1949, num hospital para indigentes no Rio de Janeiro, para onde tinha se
mudado.
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APRENDA A INVESTIR

NÃO SIGA A MÍDIA

Diria que o mais difícil quanto à formação de uma fortuna é ser fiel a si
mesmo e estar disposto a não acompanhar a multidão (ir contra o efeito
manada). No mercado é muito comum que seja a manada a chegar tarde e ser
abatida. Se um grande negócio está nas manchetes, na maioria dos casos é
tarde demais. Procure um negócio novo. Como no mar: "Sempre há outra onda".
As pessoas que correm e pegam a onda tarde são em geral as que se dão mal.
Investidores espertos não se afobam. Se perdem uma onda, esperam pela
próxima e se preparam. Isto é difícil para a maioria dos investidores porque
comprar o que não é popular lhes parece apavorante. Os investidores tímidos
gostam de acompanhar a multidão. Sua ganância os leva para as aplicações
somente quando os investidores "sábios" já realizaram seus lucros. Quando um
investimento está sendo comentado nos bares, táxis e esquinas, esse ativo
provavelmente já estará supervalorizado.
Não é aconselhável investir em aplicações de risco (como ações negociadas
na bolsa de valores) após períodos de valorização, assim como períodos de
desvalorização podem mostrar-se excelentes oportunidades de investimento.
Muito cuidado também com as previsões de muitos estudiosos do ramo, elas
servem para se obter uma referência, mas ao se tratar de comportamento
humano tudo é muito complicado para se prever, e ainda hoje não foi descoberta
nenhuma fórmula "mágica".
Sempre que as ações estão supervalorizadas a mídia divulga matérias de
pessoas que se tornaram ricas com ações e pessoas leigas começam a aplicar. E
nessa hora que vem a realização dos lucros e os preços começam a despencar.
No capítulo que trata de investimento em ações este assunto é aprofundado.

NÃO SEJA CONSERVADOR EM EXCESSO

Muitas pessoas preferem investir em imóveis, câmbio e na poupança


devido aos seus menores riscos aparentes, mas com isso não percebem que
podem estar até mesmo é perdendo seu patrimônio.
Há pontos a serem verificados como rentabilidade, inflação, depreciação do
bem, liquidez, gastos com reforma e despesas com condomínio. No capítulo que
trata das opções de investimento eu estarei analisando caso a caso.
Abaixo segue o gráfico que ilustra que os investimentos como imóveis,
câmbio e poupança não são preferência apenas dos mais idosos, mas também
dos jovens que continuam totalmente desinformados financeiramente.

GRÁFICO 1.3 - PREFERÊNCIA DE APLICAÇÕES (ESTUDANTES DE 20 A 30 ANOS


DAS MAIORES CAPITAIS BRASILEIRAS COM RENDA A PARTIR DE R$ 1.500,00)

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•• APRENDA A INVESTIR

--
títulos públicos 1,0%

clube de investimento 1,6%


outros 2,1%

ouro 3,6%

fundo de ações 3,6°/o

ações 4,1%

CDB 4,7%

fundo multimercado 5,2%


9,30/a
fundo de renda fixa


previdência privada 10,4%

imóveis 10,4%

câmbio 13,5%

poupança 30,6%

Fonte: Data popular - pesquisa ação jovem 2007

1.2.2 NOÇÕES FINANCEIRAS ESSENCIAIS

PORCENTAGEM E VALOR ABSOLUTO

É engano comum entre os principiantes, considerar efeito nulo uma queda


de iD% na bolsa com uma alta de 10%. Imagine que você tem R$ 100,00, e
desconta lO% desse valor, ficando com R$ 90,00. Se você elevar 10% de R$
90,00, ficará com R$ 99,00, ou seja, R$ 1,00 a menos com as mesmas
variações.
Na verdade, o valor precisa subir exatamente o que caiu: R$ 10,00. Para
recuperar-se, quem precisa subir exatamente o que caiu é o valor e não o
percentual. Se a perda fosse de SO% em R$ 100,00, seria necessário 100% de
lucro para R$50,00 retornar ao valor inicial.
Segue abaixo tabela ilustrativa:

Tabela 1.3 - Ganho necessário nara comnensar certa nerda.


Necessário
Perda Ganhar
10,00% 11,11%
20,00% 25,00%
30,00% 42,86%
40,00% 66,67%
50,00% 100,00%
60,00% 150,00%
70,00% 233,33%
80,00% 400,00%
90,00% 900,00%

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CÁLCULO DA VARIAÇÃO

Para calcular a variação entre 2 valores, basta dividir o número final pelo
inicial, subtrair 1 do resultado, e multiplicar por 100 para transformar em
percentual. Vejamos 2 exemplos:

1 - De sua ação

[(Valor atual da ação / Valor da ação no momento da aplicação) -1 ] X 100

Exemplo: 33,50 valor atual da ação


25,00 valor da ação no momento da aplicação
Variação = [ ( 33,50 / 25,00 ) -1 ] x 100
Variação =[(1,34)-1]x 100
Variação = 0,34 x 100
Variação = 34,00%

Neste exemplo, a ação obteve valorização de 341 00% no período.

II - Do seu fundo ou clube de investimento

Fórmula:

[ ( Valor atual da cota / Valor da cota no momento da aplicação) -1 ] X 100

Exemplo: 22,20 valor atual da cota


18,80 valor da cota no momento da aplicação
Variação = [ ( 22,20 / 18,80) -1 ] x 100
Variação =[(1,21)-1]xlOO
Variação = 0,21 x 100
Variação = 21,00%

Neste exemplo, o fundo obteve valorização de 21,00% no período.

DIFERENÇA ENTRE JUROS SIMPLES E JUROS COMPOSTOS

Juros representam a remuneração dada ao Capital. Os juros podem ser


capitalizados segundo os regimes simples ou compostos (juros sobre juros).

Juros Simples: Somente o principal rende juros.

Com juros simples o saldo cresce em progressão aritmética. Ou seja, como


se só rendesse o principal.

Juros Compostos: Após cada período, os juros são incorporados ao capital


inicial, proporcionando juros sobre juros.

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Com juros compostos o saldo cresce em progressão geométrica. Ou seja,
além do principal, os retornos obtidos também são corrigidos pelos juros do mês
subseqüente.

FÓRMULA
Juros Simples: FV = PV * (1+ i * n)
Juros Compostos: FV = PV * (1+i)
PV: Valor presente (Present Value)
FV: Valor futuro (Future Value)
1: juros
n: períodos

Valor presente - É valor atual (descontado) de um fluxo futuro de recebimentos


monetários. Os valores futuros são descontados pela taxa de juro compatível
com o risco do investimento. Desta forma, o valor presente de um título de renda
fixa do governo federal é descontado para valor presente por uma taxa de juro
menor do que o título de uma empresa que tenha dificuldades para honrar seus
compromissos.

Valor futuro - É o valor de um fluxo futuro de recebimentos, no valor nominal a


ser recebido na data de vencimento.

Se a taxa de juros for mensal, trimestral ou anual, os períodos deverão ser


respectivamente, mensais, trimestrais ou anuais, de modo que os conceitos de
taxas de juros e períodos sejam compatíveis. Por exemplo, 12 anos com taxa de
2% a.a. serão 12 períodos.

a.a. = ao ano
a.s. = ao semestre
a.m. = ao mês

Comparação prática com mesmo capital inicial e mesma taxa de juros, apenas
utilizando os diferentes regimes. Note que para o primeiro período os
rendimentos serão iguais, mas em seguida a diferença aumenta
consideravelmente.

Juros simples Juros compostos

R$ 1.000,00 R$ 1.000,00

1 ano => R$ 1.150 1 ano => R$ 1.150


10 anos => R$ 2.500 10 anos => R$ 4.046
30 anos => R$ 5.500 30 anos => R$ 66.212
50 anos => R$ 8.500 50 anos => R$ 1.083.657
70 anos => R$ 11.500 70 anos => R$ 17.735.720

Taxa: 15% a.a. (ao ano) Taxa: 15% a.a. (ao ano)

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TAXAS EQUIVALENTES

Devido ao juros praticados nos investimentos serem compostos, não


podemos transformar taxas de diferentes períodos apenas multiplicando pelo
período desejado, isto é, para transformar uma taxa de 1,00% a.m. em taxa
anual, não basta multiplicar por 12, pois demonstrarei abaixo que a taxa anual
equivalente não será 12,00% a.a. e sim 12,70% a.a.:

Fórmula:

1 + Ia = (1 + Im)12

1 + ia = (1 + i5 )2

onde: taxa de juros mensal = im; taxa de juros semestral = i ;e taxa de


juros anual = ia

Exemplos:

i) taxa anual equivalente a 1,0% a.m.

1 + 'a = (1 + Im)12
1 + 'a = (1+ 0,01)12
1 + Ia = (1,01)12
Ia = 1,127-1
Ia = 0,127
'a = 12,7% a.a.

Logo, para achar a taxa anual de 1,0% a.m. não basta multiplicar por 12, pois
seu resultado é 12,7% a.a.

ii) taxa anual equivalente a 6% a.s.

1 + 'a = (1 + i5 )2
1 + 'a = (1+1,06)2
1 + ia= (1,06)2
Ia = 1,124-1
Ia = 0,124
Ia = 12,4% a.a.

Logo, para achar a taxa anual de 6,0% a.s. não basta multiplicar por 2, pois seu
resultado é 12,4% a.a.

ENTENDA OS DIFERENTES SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

Os sistemas de amortização (Price, Sac e Sacre) são métodos de cálculo da


matemática financeira que abrangem os juros e o prazo firmados em contrato e
definem qual a prestação mensal e que parcela dessa prestação deduzirá da
dívida. Não que eu indique que você tenha dívida, mas se já adquiriu é
importante saber como amortizá-la.

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APRENDA A INVESTIR

PRICE (FRANCÊS)
Tabela de amortização de dívida, com prestações calculadas de forma a
terem um valor constante, ao longo do período de pagamento.
Sistema de amortização muito utilizado antes do advento da computação,
porque permite calcular o valor da prestação, mediante simples multiplicação de
fatores, assim como o valor de cada parcela de juros, amortização e o saldo
devedor (estado da dívida) a qualquer momento, durante a evolução de uma
série de pagamentos.
A Tabela Price permite determinar prestações iguais e sucessivas para
retornar um capital cedido, adicionado de juros apropriados contabilmente.
Criada pelo matemático inglês Richard Price, há mais de 200 anos, incorporou a
teoria de juros compostos nos empréstimos de pagamentos iguais e sucessivos.
A denominação Tabela Price" é utilizada somente no Brasil. Em outros
países o sistema é conhecido por Sistema Francês de Amortização".

SAC
O SAC apresenta valores constantes de mensalidades, enquanto que as
amortizações pela Tabela Price crescem de forma acentuada à medida que o
prazo de financiamento aumenta. Em contrapartida, as prestações iniciais do
Sistema de Amortização Constante são maiores do que as praticadas na Tabela
Price. Isso acontece porque o SAC prevê amortização do principal desde o início
dos pagamentos. Assim, a amortização do principal é mais rápida, o que reduz o
montante dos juros pagos. Isso ocorre porque os juros são calculados sobre o
principal. Se o principal não diminui, se paga mais juros.
Em resumo, o SAC pode ser definido como um sistema de amortização de
uma dívida em prestações periódicas, sucessivas e decrescentes em progressão
aritmética, em que o valor da prestação é composto por uma parcela de juros
uniformemente decrescente e outra de amortização que permanece constante.

SACRE
O Sacre - embora comece com prestações mais altas, se comparada às da
Tabela Price - foi desenvolvido com o objetivo de permitir uma amortização mais
rápida, reduzindo a parcela de juros sobre o saldo devedor. Por esse sistema, o
interessado só pode comprometer até 30% de sua renda com a prestação inicial
do financiamento.
Pelo Sacre as prestações mensais iniciais se mantêm próximas da
estabilidade e ao longo do contrato, os valores diminuem. O recálculo das
mensalidades é feito anualmente nos dois primeiros anos do contrato, podendo
ocorrer trimestralmente a partir do terceiro ano. No final do contrato, realizado
pelo sistema, não há resíduos a serem pagos pelo comprador.
As prestações iniciais do Sacre e do SAC são maiores do que as da tabela
Price, mas ao longo do pagamento as parcelas exercem menor pressão e o custo
total do financiamento é menor do que da tabela Price. Com isso o uso da tabela
Price não é indicado.

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APRENDA A INVESTIR
Tabela 1.4 - Comraracão sistema de amortizacões
SISTEMA PRESTAÇÃO JUROS AMORTIZAÇÃO
SACRE Constante Decrescente Crescente
SAC Decrescente em Decrescente Constante
progressão aritmética
TABELA PRICE Constante Decrescente Crescente
Exponencialmente

SAIBA QUANTO VOCÊ PAGA AO GOVERNO

Ao escolhermos entre aplicar 50 mil em um fundo de renda fixa ou comprar


um automóvel, estaremos pagando as seguintes quantias ao governo:

i) Automóvel O km no valor R$ 50.000, pagamos ao governo na forma de


impostos R$ 14500 (29% do valor).

ii) Investimento Fundo de Renda Fixa valor R$ 50.000, com i (juros de 1,0°h a.
m.) em 1 mês.

- IR retido (22,5% sobre a rentabilidade) R$ 112,50;


- JOF regressivo cobrado apenas até o 290 dia R$ 0,00;

Na compra do automóvel, quase 1/3 é destinado ao governo, por outro


lado, pagaremos na aplicação apenas R$ 302,5 em seu primeiro mês. Concordo
que essa tributação foi incorporada ao valor do carro, mas que sofrerá
depreciação (em torno de 20%) no momento de retirar o carro da
concessionária.

ALTA TRIBUTAÇÃO BRASILEIRA


Realmente pagamos uma excessiva carga tributária em relação aos benefícios
recebidos. Para ilustrar cito alguns exemplos de alto percentual cobrado em
tributo: celular 41%; água mineral 45%; Compact Disc (CD) 47%; caneta
esferográfica 48,7%; perfume importado 71%, aguardente de cana 83,07% . No
capítulo 2, que trata da macroeconomia, iremos desvendar as causas dessa
exagerada tributação.

Abaixo transcrevo cálculo divulgado em matéria da revista exame de


22/11/2006, ed. 881:

Video Game XBOX 360 da Microsoft


Preço original do vídeo game
R$ 860,00
+ 20% de importação (R$ 1.032,00)
+ 50% de IPI (R$ 1.548,00)
+ 9,25°h de PIS/COFINS de importação (R$ 1 690,00)
+ 18% de ICMS de importação (R$ 2.000,00)
+ 25% de ICMS na venda (R$ 2.500,00)
+ 9,25°h de PIS/COFINS na venda (R$2.730,00)
Preço final ao consumidor após tributos
R$2.730,00
R$ 860,00 pago ao fabricante
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APRENDA A INVESTIR
R$ 1.870,00 pago ao governo
Aumento de 217%
Fonte: revista exame de 22/11/2006, ed. 881, estimativa de importadores.

PORQUE ALUGAR (EM VEZ DE COMPRAR) SEU IMÓVEL NO BRASIL AINDA PODE
SER UM BOM NEGÓCIO

Investimento muito defendido pelos mais conservadores, os imóveis não é


a melhor forma de investimento. Ele perde perante aos outros investimentos
disponíveis no mercado nos quesitos liquidez e rentabilidade. Liquidez, pois
enquanto o resgate em um fundo DI é efetuado em D+0 (no mesmo dia), no
imóvel você poderá demorar cerca de anos para vendê-lo. Rentabilidade porque
enquanto é possível ainda conseguir 1,0% de juros líquido nesse mesmo fundo
DI, o aluguel gera rentabilidade ao proprietário em média entre 0,5% a 0,7%,
quando alugado, e caso seja apartamento e tenha obras, o proprietário é que
arca com essa taxa.
Por exemplo, você possui 100 mil reais para adquirir um apartamento no valor
de 85 mil reais, simularei duas situações:

a) comprar o imóvel

- imóvel = R$ 85.000
- corretor (6%) = R$ 5.100
- gasto com escritura, registro e tributos como o ITBI (4%) = R$ 3.604
- total do imóvel = R$ 93.704
- investimento com boa liquidez = R$ 100.000 - R$ 93.704 = R$ 6.296
- após 10 anos (120 meses) => apartamento depreciado e restante
investido gasto em reformas prediais.

b) alugar o imóvel

- rendimento aplicação em fundo DI (1,0% líquido de R$ 100.000) = R$ 1.000


- aluguel (0,6% de R$ 85.000) = R$ 510,00
- rendimento mensal restante = R$ 490,00
- investimento com boa liquidez = R$ 100.000
- após 10 anos (120 meses) => possibilidade de alugar apartamento
mais novo, e valor aplicado mais que dobrado (de acordo com tabela
abaixo):

TABELA 1.5 - RENDIMENTO ATRAVÉS DO USO DO ALUGUEL


Mês Vaio[ aplicado Rendimento Aluguel Reiid. Restante
1 c'i:i.c'c'i:i cio 1 cii:»:' cii:' 510,00 490 ,00
100.491=1 011 1.004,90 510,00 494,90
100.984 90 1.01:19,65 510,00 499,85

11E 207.96263 2.07963 510,00 1.569,6:3


115 209.53248 1I_I5,32 610,00 1 585,32
120 211.117.78 2.111.16 510,00 1.601,18

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APRENDA A INVESTIR
COMO ACUMULAR SEU PRIMEIRO MILHÃO

Muitos acreditam que seja realmente impossível essa tarefa, mas irei
mostrar abaixo dois diferentes caminhos que confirmarão que no mercado
financeiro nada é impossível, apenas é necessário disciplina e conhecimento.

a) Renda Fixa - Aplicação hipotética em um Fundo Multimercado4 com


rentabilidade média de 1,25%. Abaixo demonstro que com apenas R$ 50,00 por
dia é conseguido em apenas 15 anos ultrapassar 1 milhão.

Taxa de juros líquida 1,25% ao mês


Valor aplicado mensalmente (PMT) -R$1.500,00
Prazo de aplicação (N) 15 anos
Valor Futuro (FV) R$1.002.760,14

b) Renda Variável - Carteira de Ações composta pelas empresas abaixo, com


compra no valor de R$ 600,00 mensais (líquidos dos custos de transação)
divididos equitativamente entre os períodos de 01/01/1996 a 31/12/2005 (com o
reinvestimento dos proventos recebidos):

QUADRO 1.2 - RENTABILIDADE CARTEIRA DE AÇÕES SELECIONADAS


01/01/1996 a 31/12/2005
Petrobrás Vale do Rio Itaú PN Gerdau PN
PN (PETR4) Doce PN (ITAU4) (GGBR4)
(VALES)
Rentabilidade 792% 1340% 874% 3333%
Acumulada
Patrimônio R$133.743,00 R$216.021,00 R$146.027,00 R$514.892,00
acumulado

Patrimônio total acumulado R$1.O1O.685,OO

REGRA 72
A regra 72 é uma ferramenta que nos mostra rapidamente como diferentes taxas
de juros reflete em sua aplicação. Você pode calcular em quantos anos seu
dinheiro vai dobrar, dividindo 72 pela taxa de juros recebida.

Por exemplo:
Com juros de 12% ao ano, seu dinheiro irá dobrar a cada 6 anos pois 72 ± 12 =
6

E assim:

72 ± 10°h = 7,2 anos


72 12°h = 6 anos
72 15°h = 4,8 anos

As diferentes opções de fundos de investimento são detalhadas em seu respectivo


capítulo.
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APRENDA A INVESTIR
Para darmos dimensão o quanto representa seu dinheiro dobrar de valor, vamos
por hipótese dobrar R$ 25,00 em 25 vezes:

1 R$ 25,00
2 R$ 50,00
3 R$ 100,00
4 R$ 200,00
5 R$ 400,00
6 R$ 800,00
7 R$ 1.600,00
8 R$ 3.200,00
9 R$ 6.400,00
10 R$ 12.800,00
11 R$ 25.600,00
12 R$ 51.200,00
13 R$ 102.400,00
14 R$ 204.800,00
15 R$ 409.600,00
16 R$ 819.200,00
17 R$ 1.638.400,00
18 R$ 3.276.800,00
19 R$ 6.553.600,00
20 R$ 13.107.200,00
21 R$ 26.214.400,00
22 R$ 52.428.800,00
23 R$ 104.857.600,00
24 R$ 209.715.200,00
25 R$ 419.430.400,00

É alcançado o valor de mais de 419 milhões de reais.

1.2.3 ATITUDES IMPORTANTES DO INVESTIDOR

ADMITA SEUS ERROS E APRENDA COM ELES

Ao admitir que está errado, estará assim evitando prejuízos maiores ao não
reter ativos perdedores ou supervalorizados. As paradas de perdas (stop-loss
comentado ainda neste livro) precisam ser usadas em seus investimentos como
em ações.
Além de muito estudo, leitura e acompanhamento do mercado, a sua
inteligência financeira será adquirida também com seus erros cometidos.
Utilize cada obstáculo em seu caminho para ficar cada vez mais alto em
sua escalada, alcançando assim o tão almejado topo. Ao contrário de muitos, que
ao primeiro erro acaba por se amedrontar e desistir desta longa escalada.

OTIMISMO COM BOM SENSO

Otimismo e pensamento positivo nos auxiliam em todos os nossos anseios,


como também nos investimentos. Mas é necessário certo cuidado ao lidar com o
pensamento positivo no ramo financeiro, visto que o pensamento positivo e a
ilusão podem se misturar. Para evitar que isso ocorra, é preciso ser realista em
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APRENDA A INVESTIR
alguns momentos para perceber que o investimento efetuado não obteve êxito e
escapar dele antes do barco afundar, mesmo que tal operação acarrete certo
prejuízo, que provavelmente será menor do que insistir na posição perdedora.

ONDE RECLAMAR

Caso você se sinta lesado ou prejudicado e queira fazer alguma consulta ou


reclamação, a Bovespa e a CVM mantêm central de atendimento para esses
casos. Abaixo seguem ambos os serviços:

Comissão de valores mobiliários (CVM)


Superintendência de Proteção e Orientação ao Investidor (SOl), e registrar sua
queixa por telefone (0800 241616 / 21-3233-8210) ou e-mail (soi©cvm.gov.br).
PRODIN - Programa de Orientação e Defesa do Investidor
Informações a Investidores: 0800-7260802

Bovespa
Ombudsman - criado para atender, de forma adequada, a consultas, queixas e
reclamações de investidores, relacionadas com o processo de negociação,
custódia e liquidação de operações realizadas na bolsa. O ombudsman pode ser
acessado pelo telefone 0800-770-0149 ou pelo e-mail
ombudsman@bovespa.com.br.

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APRENDA A INVESTIR
2. DECIFRANDO A ECONOMIA

Você deve estar se perguntando por que é preciso entender da economia


para aprender a investir, mas seu entendimento fará a diferença na escolha da
melhor opção de investimento. Digamos que a economia esteja caminhando para
uma verdadeira recessão, você deslocaria seus recursos aplicados um fundo DI
para o mercado acionário? Com certeza, após certo conhecimento, você jamais
faria isso. Também saberia o momento certo de procurar ativos mais rentáveis
ao verificar uma melhora nos fundamentos econômicos de nossa economia -
como queda da inflação, queda do risco país e aumento das reservas
internacionais, aliada à queda da taxa de juros nominal.
Com um melhor entendimento da macroeconomia, você irá, por exemplo,
realocar seus investimentos de um fundo DI para um fundo Renda Fixa pré-
fixado após saber que o governo pretende a longo prazo baixar a taxa Selic ou
investir em ações de empresa de consumo após divulgação da diminuição da
taxa de desemprego e/ou aumento do Produto Interno Bruto.
Por isso a compreensão da economia será fator fundamental para a escolha
dos investimentos mais propícios para cada momento atravessado. Para isso é
preciso entendê-la como um todo e também seus principais predicados e
instrumentos de condução da política econômica.
A seguir serão comentadas as principais variáveis agregadas da
macroeconomia como: produto interno bruto, inflação, juros e câmbio. Sendo
que os instrumentos de políticas do governo são: política monetária (juros),
política fiscal (tributos e gastos), política cambial (câmbio) e política de renda.

AUTORIDADES MONETÁRIAS BRASILEIRAS


CMN - CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL (CMN) - Órgão normativo responsável
pela fixação das diretrizes das políticas monetária, creditícia e cambial do país.
Membros: ministro da fazenda, ministro do orçamento e gestão e presidente do
Ba ce n.
BACEN - BANCO CENTRAL - órgão executivo central do sistema financeiro.
Entre suas atribuições legais destacam-se:
a) emitir papel-moeda e moeda metálica;
b) exercer o controle do crédito sob todas as suas formas;
c) efetuar o controle dos capitais estrangeiros;
d) ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira;
e) exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades
previstas;
f) efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e
venda de títulos públicos federais;
g) promover, como agente do Governo Federal, a colocação de empréstimos
internos ou externos;
h) exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre
empresas que, direta ou indiretamente, interfiram nesses mercados;
i) comprar e vender ouro e moeda estrangeira, bem como realizar operações de
crédito no exterior;e
j) operar nos mercados de câmbio financeiro e comercial.
CVM - Comissão de Valores Mobiliários - Criada pela Lei n° 6.385/76, exercerá
suas funções, a fim de:

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APRENDA A INVESTIR
a) assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de
balcão;
b) proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos
ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de
administradores de carteira de valores mobiliários;
c) evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar
condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários
negociados no mercado;
d) assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários
negociados e as companhias que os tenham emitido;
e) assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de
valores mobiliários;
f) estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários;e
g) promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de
ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das
companhias abertas.

FIGURA 2.1 - ORGANOGRAMA DAS AUTORIDADES MONETÁRIAS

Conselho
Monetário
Nacional

Banco Comissão de
Central Valores
do Brasil Mobiliários

Superintendência Secretaria
de de Previdência
Seguros Privados Complementar

AUTORIDADES DE APOIO: BANCO DO BRASIL, BNDES, CEF, E CRSFN.

2.1 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB)

O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores financeiros)


de todas as riquezas finais produzidas do país, durante um ano.
E preciso diferenciar o PIB nominal e PIB real; o primeiro é o valor
absoluto, ou seja, a soma simples dos bens e serviços produzidos; o segundo
apresenta uma correção monetária (deduzida a inflação).

A fórmula para expressar o PIB nominal de uma região é a seguinte:

Y = C + I + G + (X - M)

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APRENDA A INVESTIR
Onde:
Y: Produto, Renda ou Despesa
C: Consumo
1: Investimentos realizados
G: Gasto público
X: Exportações
M: Importações

PIB PER CAPITA

Os indicadores econômicos agregados (produto, renda, despesa) indicam


os mesmos valores para a economia de forma absoluta. Dividindo-se esse valor
pela população de um país, obtém-se um valor por pessoa (per capita), ou seja,
um valor médio por cada habitante. O valor per capita é muito mais
representativo que seu valor bruto, já que alguns países pobres, como o Brasil,
México, Índia e China possuem PIB elevado por causa de sua grande população,
porém o seu PIB per capita são extremamente baixos (já que a renda passa a
ser dividida por sua população). Por outro lado, países como a Suiça, Suécia,
Bélgica e Holanda possuem valor de PIB moderado, mas o suficiente para manter
a boa qualidade de vida de seus poucos milhões de habitantes, no que resulta
em um PIB per capita extramamente elevado.

TABELA 2.1 - PIB (US$) 2007


1 Estados Unidos da América 13.543.330
2 República Popular da China 11.606.336
3 Índia L4.726.537
4 Japão 4.346.080
5 Alemanha 2.714.469
6 Reino Unido 2.270.884
7 França 2.040.109
8 Brasil 2.013.893
9 Rússia 1.908.739
10 Itália ri-888.492
11 Espanha 1.310.206
12 Coreia do Sul 1.250.490
13 México 1.249.738
14 Canadá 1.217.069
15 Indonésia 1.053.696
16 República da China L749.943 ]
17 Austrália 730.590

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APRENDA A INVESTIR

18 Turquia 722.581

19 [Argentina [691.054

20 África do Sul r563 .950


Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

TABELA 2.2 - EVOLUÇÃO DO PIB EM 2005


CHINA 9,9
VENEZUELA 9,0
PERU 6,0
COREIA DO SUL 4,0
EUA 3,5
BRASIL 2,3
Fonte: Austin Rating

esperado um maior potencial de crescimento nos países emergentes,


frente aos países desenvolvidos, visto que os subdesenvolvidos teoricamente
possuem maior capacidade ociosa em sua economia. Com isso observamos
ultimamente países como a China, índia, Rússia, Irlanda, Venezuela, Chile entre
outros, com taxas de crescimento muito superiores ao dos países de 10 mundo
como EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido e França. Contudo o Brasil
(considerado um país emergente) obteve nos últimos 25 anos um dos menores
níveis de crescimento de todo o mundo, e nos últimos anos, manteve seu
patamar, mesmo com a valorização das commodities e com a forte liquidez
internacional.

GRÁFICO 2.1 - EVOLUÇÃO DO PIB BRASILEIRO (1950 a 2000)

EVOLUÇÃO PIB (%) - 1950 a 2000

15 -
13
11

MILAGRE
ECONOIICS

1 \J(\JREL
-1
"DÉCADA
u PERDWA»\,/
-5 -

Fonte: Revista Conjuntura Econômica/FGV (Set./2000)

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APRENDA A INVESTIR

TABELA 2.3 - CRESCIMENTO PIB BRASILEIRO ENTRE 2000 A 2007

ANO CRESCIMENTO

2000 4,3%

2001 1,3%

2002 2,7%

2003 1,1%

2004 5,7%

2005 3,2% (Revisado pelo IBGE)

2006 3,7%

2007 5,4%

Fonte: IBGE

PNB (Produto Nacional Bruto)

O PIB difere do Produto Nacional Bruto (PNB) pela Renda Líquida Enviada
ao Exterior (RLEE). Esta renda representa a diferença entre recursos enviados ao
exterior (pagamento de fatores de produção internacionais alocados no país) e os
recursos recebidos do exterior a partir de fatores de produção que encontram-se
em atividade em outros países. No caso brasileiro, o PNB é menor que o PIB,
conforme tabela abaixo, uma vez que nossa RLEE é positiva (ou seja, enviamos
mais recursos ao exterior do que recebemos).

O PNB é representado pela seguinte fórmula:

PNB = PIB - RLEE

2.2 INFLAÇÃO

O brasileiro, mais do que qualquer outro, sabe o que é inflação, fantasma


que nos atormenta até hoje. A definição teórica de inflação é a elevação da taxa
de variação relativa dos preços. Se houver o contrário ocorrerá deflação.
A inflação é considerada umas das principais causas de concentração de
renda, pois a parcela mais pobre da população é a que mais sofre com a
depreciação do dinheiro, pois não tem acesso a bancos, e, por conseguinte,
aplicações financeiras. Por outro lado vimos setores do comércio (como os
supermercados) e o próprio governo lucrarem muito com a inflação (não
corrigindo a tabela do Imposto de renda, por exemplo).

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APRENDA A INVESTIR
A constante elevação dos preços também causa um dos principais conflitos
da política econômica atual, pois seu controle é praticamente feito à base da
restrição do crescimento (pouco investimento produtivo e baixa demanda
agregada devido à alta taxa de juros -s) ou desequilíbrio externo (perda de
reservas ao controlar o câmbio quando no regime fix06).
A taxa de inflação buscada não tem como meta inflação zero, mas sim
semelhantes a paises desenvolvidos cujas taxas ficam em torno de 2% a 4%, e
até conseguidas, pelo Brasil, nos últimos anos.
No Brasil, sua explosão iniciou-se na segunda metade da década de 80 e se
intensificou no desastroso governo Sarney e com a constituição de 1988. No
Governo ColIor também ocorreu hiperinflação, só controlada a partir de 1994
com o Plano Real, conforme observamos no gráfico abaixo.
A estabilização conseguida pelo Plano Real foi conseguida através da
âncora cambial (câmbio fixo) e à base de alta taxa de juros real (para restringir o
consumo agregado, diminuir os investimentos produtivos e incentivar a entrada
de capital estrangeiro especulativo). Sem pressão da demanda (chegou a elevar
o depósito compulsório a l00%) e com a concorrência de produtos importados
mais baratos e melhores, o cenário montado foi realmente propício para a
estabilização.

GRÁFICO 2.2 - INFLAÇÃO MENSAL - IGP-DI DE 1970 A 2000

3000
Governo Sarney
2500
Constituicao 80
2000
1500
1000
Plano Real
500
O 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

1970 1973 1976 1979 1982 1985 1988 1991 1994 1997 2000

Fonte: Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Tipos de inflação:

i) de demanda: ocorre justamente quando a demanda agregada se encontra


acima da oferta agregada, gerando pressão inflacionária. O aumento de demanda
pode ser ocasionado pelo aumento de emissão de moeda efetuado pelo governo
para cobrir déficits, denominado como senhoriagem, como também pela queda
da taxa de juros.

ii) de custos: ocorre devido a elevação dos custos de produção, com isso os
preços finais da mercadoria, consequentemente ficarão fixados num patamar
mais elevado, independentemente do nível de demanda no segmento de
mercado. Pode ser gerada, também, pela depreciação da moeda local, elevando
o preço de certos insumos importados.

Ver item sobre Taxa de Juros.


Ver item sobre Taxa de Câmbio.
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APRENDA A INVESTIR

iii) estrutural: esta, menos ocorrida, ocasionada pela ineficiência de serviços


fornecidos pela infra-estrutura de uma determinada economia, que elevará os
custos de produção e em seguida o aumento dos preços das mercadorias no
mercado.

iv) inercial: consiste no conceito que a inflação futura será pelo menos a inflação
passada.

vi) hiperinflação: geralmente iniciada por uma inflação inercial que passa a
apresentar altos índices de elevação do preço, atingindo certo patamar acima de
50% ao mês.

Custos da inflação:

i) piora da distribuição de renda: devido ao não acesso às aplicações financeiras


da parcela mais pobre da população e defasagem do salário mínimo (até o seu
novo reajuste).

ii) distorções tributárias: demora por parte do governo para corrigir a tabela do
imposto de renda.

iii) sola de sapato: necessidade de maior pesquisa em busca de distorções nos


preços.

iv) de menu: custo para atualizar cardápios, remarcar preços etc.

METAS DE INFLAÇÃO

Definidas pelo Conselho Monetário Nacional, o sistema de metas de inflação


adotado pelo Decreto 3.088, em 21 de junho de 1999, é utilizado como diretriz
de política monetária.
Diferentemente do regime de metas de inflação adotado pela Estados
Unidos e por outros países desenvolvidos, onde eles acompanham a meta de
inflação por um índice que expurga bens comercializáveis e de preços
administrados chamado de CPI Core, o governo brasileiro fixa uma taxa de
inflação a ser atingida (utiliza o IPCA como base) e adiciona uma tolerância
acima e abaixo do índice, e é obrigado a mover os juros (taxa Sei ic7) de modo a
manter o IPCA sempre no interior deste intervalo.
Como por exemplo, a meta de inflação para 2006 e 2007 foi estipulada em
4,5%, com a possibilidade de oscilação (tolerância) de 2 pontos percentuais para
cima ou para baixo, ou seja, podendo ficar entre 2,5% a 6,5%.

PRINCIPAIS ÍNDICES DE INFLAÇÃO

IPCA (IBGE) - Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. É calculado pelo IBGE


nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte,
Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal
e do município de Goiânia. Mede a variação nos preços de produtos e serviços

Ver item sobre Taxa de Juros.


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APRENDA A INVESTIR
consumidos pelas famílias com rendas entre 1 e 40 salários mínimos. O período
de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado
aproximadamente após o período de oito dias úteis.

INPC (IBGE) - Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Calculado pelo IBGE


(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas regiões metropolitanas do Rio
de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza,
Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Mede a
variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com
rendas entre 1 e 8 salários mínimos. O período de coleta de preços vai do
primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o
período de oito dias úteis.

IPC (FIPE) - Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela FIPE/USP, mede a


variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para
famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.

IGP-M (FGV) - Índice Geral de Preços de Mercado. Índice que mede a variação
de preços no mercado de atacado, de consumo e construção civil. Este índice é
formado pela soma ponderada de outros três índices: IPA (índice de Preços ao
Atacado), com um peso de 60%; IPC (índice de Preço ao Consumidor), com um
peso de 30%; e INCC (índice Nacional da Construção Civil), com 10%, O IGP-M
considera todos os produtos disponíveis no mercado, inclusive o que é
importado.

IGP-DI (FGV) - Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna. É calculado


pela FGV entre o primeiro e o último dia do mês. Sua divulgação ocorre por volta
do dia 10 do mês seguinte. Mede os preços que afetam diretamente a atividade
econômica do País, excluída as exportações. A exemplo do IGP-M, também é
composto pela média ponderada do IPC, IPA e INCC, calculados para o
respectivo período.

INDEXAÇÃO

É o processo de correção monetária de contratos expressos em moeda


corrente, com base na variação de índices de inflação, com o objetivo de
proteger o credor do contrato das perdas provocadas pela desvalorização
sistemática da moeda (inflação).
O mecanismo ganhou muita importância no Brasil durante os anos de
hiperinflação. Praticamente todos os contratos (aplicações financeiras, aluguéis,
salários etc.) eram indexados, isto é, corrigidos pela variação dos preços. Mas,
ao mesmo tempo em que protege o valor real dos contratos, tirando o efeito
inflacionário, é um mecanismo de perpetuação do nível de inflação, porque
praticamente toda a economia passa a repetir o padrão de comportamento de
preços do passado. Simplificando, um processo de alimentação automática de
aumentos de preços, na linha de inflação inercial.
Contudo, a indexação, ainda que necessária, é extremamente prejudicial à
economia.

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APRENDA A INVESTIR
2.3 TAXA DE JUROS (INSTRUMENTO DE POLÍTICA MONETÁRIA)

A taxa de juros possui forte interferência na economia, pois é através dela


que os agentes, em geral, decidem entre viabilizar um projeto de investimento,
ou aplicar esse valor em um título público, o qual renderá uma taxa de juros
próxima à da Taxa Selic. Como também influencia na decisão de gastar em bens
não produtivos e lazer em vez de deixá-lo aplicado, aumentando assim o
consumo agregado (C). Sendo assim, uma taxa de juros alta significará poucos
investimentos8 e baixo nível de consumo, e uma taxa de juros baixa significará
maiores investimentos produtivos e maior nível de consumo.
Contudo, taxa de juros real (descontada a inflação) alta significará baixa
demanda agregada, não exercendo pressão inflacionária, mas também baixo
crescimento do PIB. Taxa de juros real baixa favorecerá o crescimento do PIB,
mas também poderá exercer pressão inflacionária pelo aumento da demanda
agregada.
Esse é um dos maiores, se não o maior, conflito do governo brasileiro,
como também da maioria dos governos mundiais, onde a questão central é
privilegiar o controle dos preços ou o crescimento do PIB. Se o objetivo maior for
controlar a inflação, haverá assim um outro problema que é quanto deve ser
fixada a taxa de juros. Essa questão não tem uma resposta, e é apenas
resolvida após algumas tentativas do governo, o qual supervisiona os índices
inflacionários após mudança da taxa de juros, o que gera muitos embates no
meio econômico.
A meta da taxa de juros é definido pelo Copom, com o intuito de ajustar a
inflação de acordo com a meta de inflação estipulada pelo CMN. A demanda e a
oferta de títulos definem a taxa de juros real. Logo, a partir da meta definida, o
bacen intervém comprando e vendendo títulos públicos para que a taxa fique em
torno da meta definida pelo Copom.

TABELA 2.4 - RANKING DOS PAÍSES COM AS 10 MAIORES TAXAS DE JUROS


REAIS (MAR/2008
POSIÇÃO PAÍS TAXA (% a.a.)
10 Brasil* 6,73
20 Turquia 6,69
30 Austrália 4,89
40 México 41 18
50 Inglaterra 3,23
60 Colômbia 2,89
70 Dinamarca 2,16
80 Canadá 2,00
90 Holanda 1,96
100 Coréia do Sul 1,65
Fonte: UpTrend Consultoria
* Considera a taxa de juros nominal de 11,25%

Taxa Selic: taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com
prazo de um dia útil (overnight) lastreados por títulos públicos registrados no
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

8
Investimentos no setor produtivo, não investimento financeiro.
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APRENDA A INVESTIR
Copom: órgão do BC, cujos membros são os próprios diretores do BC, instituído
em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política
monetária (meta de inflação estabelecida pelo CMN) e definir a taxa de juros.

As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira


sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras, totalizando 8 reuniões ao
ano (há a possibilidade de reuniões extraordinárias).
O Copom pode estabelecer um viés de taxa de juros (de elevação ou
redução), prerrogativa que autoriza o presidente do BACEN a alterar a meta para
a taxa Selic na direção do viés a qualquer momento entre as reuniões regulares
do Copom. O viés é utilizado, normalmente, quando alguma mudança
significativa na conjuntura econômica for esperada.
Ao final de cada trimestre civil (março, junho, setembro e dezembro), o
Copom publica, em português e em inglês, o documento "Relatório de Inflação",
que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do País, bem
como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

Órgãos similares em outros países:

EUA - Federal Open Market Committee (FOMC) do FED


Alemanha - Bank Council
Inglaterra - Monetary Policy Committee (MPC)

No gráfico abaixo, identificamos os motivos das altas taxas praticas no


período do Real. Os momentos de crises levam ao país a pagar um maior prêmio
ao risco para impedir grandes fugas de capitais e devida à maior dificuldade em
"rolar" sua dívida. A linha de suporte deixa claro a tendência baixista da Selic nos
últimos 10 anos, mas feita com bastante suavidade pelo Copom.

GRÁFICO 2.3 - TAXA DE JUROS NOMINAL AO ANO (SELIC) - 01/1996 A 03/2008


Crise da Ásia Crise Desvalorização
50 Cambial
45.9
45
40 ,
35
da Argentina
30
e LLJtlItO Retornada
25
quda Seu':
20
15
10 11,25%a
5
o 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

« « ,

Fonte: BCB-DEMAB / COPOM

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APRENDA A INVESTIR
Taxa de redesconto: taxa cobrada pelo Bacen para emprestar recursos aos
bancos em casos de emergência. O Bacen pode influenciar a quantidade de
empréstimos alterando essa taxa.

Depósito compulsório: obrigação dos bancos de depositar percentual dos


depósitos no Bacen, influenciando na capacidade de criação de moeda escritural
por parte dos bancos. índice que estive em 100% no inicio do plano real, agora
se encontra em 53%.

Meios de pagamento: Ativos financeiros que podem ser usados para o


pagamento de dívidas, contratos, transações comerciais e financeiras. São
classificados em:

- Ml: Ativos mais líquidos da economia. Composto por moeda metálica, papel-
moeda em poder do público e depósitos a vista, cheques.
- M2: Ml + os títulos da dívida pública, com características de quase-moeda.
- M3: M2 + as cadernetas de poupança.
- M4: M3 + os títulos de dívida privados.

Base Monetária: Moeda em circulação mais depósitos bancários a vista junto à


autoridade monetária, que incluem o recolhimento compulsório sobre depósitos a
vista.

INFLUÊNCIA DA TAXA DE JUROS NORTE-AMERICANA

Como em todo investimento, os retornos são comparados aos riscos. O


ativo de menor risco do mundo são os títulos do governo norte-americano.
Contudo, uma elevação em sua taxa básica promovido na reunião da FOMC pelo
FED ocasiona movimento de fluxo do capital em direção aos EUA, pois qualquer
oscilação influência os primeiros indecisos e avessos ao risco.
Esse fluxo é sentido principalmente nas economias dos países emergentes
como o Brasil, onde as bolsas de valores também são afetadas ocasionando
fortes quedas, e, com isso, os títulos desses países perdem atratividade.

Juros país emergente = Juros ativo sem risco (título americano) + prêmio ao
risco (risco país)

Conforme gráfico abaixo, podemos observar o ajuste sofrido nos EUA desde
o início de 2001 e prolongado em decorrência do atentado de 11 de setembro
que fez o nível de consumo norte-americano cair drasticamente devido ao
pânico, o banco central norte-americano teve que baixar a taxa de juros da faixa
de 3% para l%, onde só iniciou sua recuperação no final de 2004, e em meados
de 2006, devido à preocupação inflacionária chegou até 5,25%.

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APRENDA A INVESTIR
GRÁFICO 2.4 - TAXA DE JUROS NORTE-AMERICANA 02/2000 A 03/2008
Estouro da Bolha
6.25% da internet Estouro da Bolha
6
25010mfhobuI iaria
5-
\Atentados de 11
4
etembro
Recuperação da
3 economia e inicio
dacs
elavaço do
juros

\
1,00%
o
o o

Fonte: FED (http://www.federalreserve.gov/FOMC/)

RISCO PAÍS

O risco país é um índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus


(EMBI+) e mede o grau de "perigo que um país representa para o investidor
estrangeiro, sendo assim seu prêmio ao risco. O risco país é calculado por
agências de classificação de risco e bancos de investimentos. O banco de
investimentos americano J. P. Morgan, que possui filiais em todo o mundo, foi o
primeiro a fazer essa classificação.
O J. P. Morgan analisa o rendimento dos instrumentos da dívida de um
determinado país, principalmente o valor (taxa de juros) com o qual o país
pretende remunerar os aplicadores em bônus, representativos da dívida pública.
Contudo, o risco país é a sobretaxa que se paga em relação à rentabilidade
garantida pelos bônus do Tesouro dos Estados Unidos (título público norte-
americano), país considerado o mais solvente do mundo, ou seja, o de menor
risco de um aplicador não receber seu dinheiro investido e acrescido dos juros
prometidos.
Os fatores avaliados são, principalmente, aspectos como o nível do déficit
fiscal, as turbulências políticas, o crescimento da economia e a relação entre
arrecadação e a dívida de um país.

Exemplo de cálculo de taxa de juros mínima:

Taxa de juros EUA: 3,00%


Risco Brasil (prêmio ao risco): 200 pontos base (2,00%)
Taxa de juros real (descontada a inflação) brasileira mínima: 5,00%
IPCA (índice brasileiro de inflação considerado): 4,0%
Taxa de juros nominal brasileira mínima: 9,00%

Conforme gráfico abaixo, o risco Brasil apresenta, ao final de 2008, seu


menor nível histórico, e a tendência de baixa tende a continuar. Com isso
podemos perceber a forte correlação (negativa) do risco país com o nível da
bolsa brasileira, isto é, quando uma sobe a outra cai, e vice-versa. Logo a
perspectiva é que o Ibovespa continue a acompanhar inversamente a queda do

Considerando zero a inflação norte-americana.


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APRENDA A INVESTIR
risco. Do contrário, se o risco país inverter sua tendência, a Bolsa,
provavelmente, acompanhará seu movimento de inversão.

GRÁFICO 2.5 - RISCO BRASIL X IBOVESPA (SET/2004 a ABR/2007)


E00 - - 50000

45000
51:11:1 -
- 401:11:11:1

- :35000
400-
- 30000

30':' - - 25000
-
( - 20000
--
200 -
- 15000

- 10000
100 - PI5:c::c:i p',,ís:
. IBc:',•. .• ,ESPA - 5000

o o

Fonte: Bovespa e IP Morgan

Monetaristas
Milton Friedman, economista ortodoxo, representante da Escola de Chicago de
Economia e defensor do livre mercado é associado às teorias "monetaristas", que
consideram que a inflação pode ser controlada quase que exclusivamente pela
oferta de moeda. O economista ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1976 por
suas realizações nos campos de análise do consumo, de história monetária e da
teoria e demonstração da complexidade da política de estabilização.

2.4 TAXA DE CÂMBIO (INSTRUMENTO DE POLÍTICA CAMBIAL)

Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa de câmbio é o preço de uma


moeda estrangeira, medido em unidades ou frações (centavos) da moeda
nacional. A taxa de câmbio reflete, assim, o custo de uma moeda em relação a
outra, se diferenciando em taxa de venda e taxa de compra.
Pensando sempre do ponto de vista do banco (ou outro agente autorizado
a operar pelo Banco Central), a taxa de venda é o preço que o banco cobra para
vender a moeda estrangeira (a um importador, por exemplo), enquanto a taxa
de compra reflete o preço que o banco aceita pagar pela moeda estrangeira que
lhe é ofertada (por um exportador, por exemplo). Ou seja, o câmbio é uma das
variáveis mais importantes da macroeconomia, sobretudo no que se refere ao
comércio internacional. Quando se deseja negociar ativos de um país para outro,
quase invariavelmente temos de mudar a unidade de conta do valor desses
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APRENDA A INVESTIR
ativos - da moeda doméstica para a moeda estrangeira. Nesse sentido, pode-se
definir a taxa de câmbio de um país como o número de unidades de moeda de
um país necessário para se comprar uma unidade de moeda de outro país. Em
outras palavras, é o preço de uma moeda em termos de outra.
Contudo, o comércio de bens e serviços, como também o fluxo de capitais
são os principais fatores de precificação da taxa cambial. Ou seja, um aumento
significativo nas exportações fará forte pressão na desvalorização do real
(diminuição da taxa de câmbio) e vice-versa.

Fatores que influenciam o câmbio:


- Liquidez internacional;
- Cenário econômico de países com forte demanda importadora (EUA,
China etc.);
- Saldo da balança comercial;
- Preços das commodities;
- Taxa de juros doméstica e internacional;
- Risco país;
- intervenção do Bacen.

Observamos nos últimos anos (desde out/2002 - eleição presidencial) forte


valorização do Real, e podemos atribuir essa tendência à elevação dos preços
das commodities, aumento das exportações, queda do risco-país e queda da taxa
de juros. Conforme observado no gráfico abaixo, descontado a inflação (IPCA),
2007 iniciou-se com uma taxa de câmbio real em relação à moeda norte-
americana inferior à utilizada no inicio do plano real quando ficou na relação de
R$ 1,00 para US$ 1,00.

GRÁFICO 2.6 - ÍNDICE DA TAXA DE CÂMBIO REAL (IPCA) - DÓLAR AMERICANO


(BASE 100) - JUN/1994 A JAN 2007

250 Eleição
2002

200 Baixo Nível


de Reservas
Troca de Internacionais
150 Regime
Cambial

100

50

O 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

0 ,51#

Fonte: Bacen

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APRENDA A INVESTIR
Principais favorecidos com a valorização do Real:

- Controle inflacionário;
- Importadores;
- Agências de turismo especializadas em viagens ao exterior;

Principais prejudicados com a valorização do Real:

- Empresas exportadoras;
- Agricultura;
- Indústria Brasileira (principalmente alguns setores com maior
concorrência externa como o têxtil e o calçadista);
- Turismo nacional;

REGIMES CAMBIAIS

i) CÂMBIO FIXO
Regime cambial em desuso após propiciar crises como a da Argentina, e é
atualmente utilizado apenas pela China. Este regime é indicado para ser utilizado
como âncora cambial no combate à inflação, mas apenas no curto prazo, pois
provavelmente o câmbio fixo levará ao governo constantes perdas de reservas,
podendo chegar a ser declarada moratória da dívida externa.

ii) REGIME DE BANDAS CAMBIAIS


Uma variação do câmbio fixo, onde ao invés de pré-estabelecer uma taxa, o
governo projeta um intervalo, no qual terá que manter a taxa. Também utilizado
para estabilidade da moeda, mas que também possui o risco de perdas de
reserva.

iii) CÂMBIO FLUTUANTE (CÂMBIO SUJO)


Regime adotado atualmente pelo Brasil, onde não há taxa estabelecida e o
mercado a define diariamente, mas o governo impede altas variações
interferindo em sua cotação (daí o jargão "câmbio sujo"). Não serve como meio
de estabilidade, mas não consome as reservas possuídas.

iv) CÂMBIO LIVRE


Regime no qual não há nenhuma intervenção do governo. Sua taxa é definida
exclusivamente pelo mercado.

PARIDADE DO PODER DE COMPRA (PPC)

Método alternativo à taxa de câmbio para se calcular o poder de compra


entre dois países. A PPC mede o quanto uma determinada moeda pode comprar
em termos internacionais (normalmente dólar), já que bens e serviços têm
diferentes preços de um país para outro. Sua teoria repousa na afirmação que,
no longo prazo, as taxas de câmbio devem se deslocar na direção de níveis que
igualarão os preços de cestas idênticas de produtos e serviços em qualquer par
de países.
Nesta linha, a revista "The Economist" criou em 1986 o índice big mac,
para determinar uma taxa de câmbio mais próxima da realidade do que a taxa
nominal. Mesmo o big mac sendo um produto non-tradeble (não comercializável
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APRENDA A INVESTIR
entre países) ele é um produto padronizado e presente em quase todo o mundo
(em aproximadamente 120 países).

TABELA 2.5
PREÇOS DO BIG-MAC
SUÍÇA US$ 4,93
EUA US$ 3,10
GRÃ-BRETANHA US$ 3,08
TURQUIA US$ 3,07
CHILE US$ 2,98
BRASIL US$ 2,74
CHINA US$ 1,30
Fonte: The Economist (Jan/2006)

2.5 GASTOS DO GOVERNO E TRIBUTAÇÃO (INSTRUMENTOS DE POLÍTICA


FISCAL)

Assim como a economia de sua casa onde você deve arrecadar mais do
que gastar, o governo também deve arrecadar mais tributos do que gastar,
tarefa ainda mais necessário por conta de possuir dívidas (em patamar elevados
para um mercado emergente). Quando ele consegue esse feito, ele obtém um
superávit, do contrário é um déficit.
Quando há um déficit, ele possui apenas dois caminhos para se financiar: i)
senhoriagem: emissão de papel moeda o que ocasiona pressão inflacionária;e/ou
ii) emissão de título que elevará ainda mais nossa dívida, que dificultará sua
rolagem forçando um aumento de juros que elevará nossos gastos e diminuirá o
crescimento do PIB.
No Brasil, o instrumento de política fiscal está, praticamente, deixado de
lado, pois dependemos da reforma administrativa (gastos com pessoal) e
previdenciária para conseguirmos gastar menos e, com isso, interromper a
elevação tributária.
A reforma administrativa com o intuito de pelo menos conter o
crescimentos do gastos do governo precisa frear a criação de novos estados e
municípios, cortar privilégios e enxugar o estado.
A reforma previdenciária precisará elevar a idade mínima dos aposentados,
igualar os direitos de homens e mulheres (mulheres possuem maior expectativa
de vida e só no Brasil se aposentam mais cedo) e estipular um teto, aos
funcionários públicos, de até SOU/o do salário quando em sua aposentadoria (há
casos de aposentados que recebem mais de 1005 do salário quando funcionário
público). A desvinculação do salário mínimo, aos aposentados, também é item
muito solicitado pelos economistas.

TABELA 2.6 - GASTOS DO GOVERNO 2006 (% do PIB)


PREVIDÊNCIA 13%
PESSOAL 11%
CUSTEIO lO%
SAÚDE 7,5%
EDUCAÇÃO 4,5%
INVESTIMENTO EM INFRA-ESTRUTURA 0,5%
Fonte: STN

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APRENDA A INVESTIR
A herança deixada pela constituição de 88 vem obrigando o governo a
arcar com custos cada vez mais elevados com a previdência e com o
funcionalismo público, onde há aposentadoria com salário igual ou superior ao
recebido quando em atividade, e aumentos muito acima da inflação aos
funcionários do judiciário. Contudo, o brasileiro é onerado cada vez mais, neste
regime tributário regressivo (onde o pobre paga mais do que o rico em termos
percentuais) e onde o Governo gasta mais com o rico do que com o pobre.
Além de regressivo, nosso sistema tributário é complexo e elevado, o qual
desestimula o investimento e incentiva a sonegação. O imposto provisório
classificado com a sigla cpmf, quase ficou eterno, e foi criado para a saúde (o
investimento na saúde não aumentou após sua criação), era utilizado na forma
de cascata, o que prejudicava as exportações brasileiras e ainda poderá voltar. A
reforma tributária, assim como a previdenciária e a administrativa são essenciais
para a retomada do crescimento brasileiro, ao patamar dos outros emergentes.

Fipe: Quanto menor a renda, maior a carga tributária


Por: Equipe InfoMoney
26/09/06 - 16h25
SÃO PAULO - Os mais pobres realmente pagam a conta no Brasil. Pesquisa
divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da
Universidade de São Paulo (USP), comprovou a afirmação.
Segundo o levantamento, quase metade do que as famílias com renda até dois
salários mínimos (atualmente R$ 700) ganham são abocanhados por impostos.
Em outras palavras, quase R$ 350 men sais vão para o governo.
Disparidade
Que a carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo, já é de
conhecimento público. Conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa
Tributária (IBPT), é quase 40°h do Produto Interno Bruto (PIB), o que deixa o
País atrás somente da Suécia - cuja qualidade de vida é extremamente superior
à brasileira.
Porém, conforme o estudo da fundação, enquanto 48,8% do que os mais pobres
ganham vão para o leão, na outra ponta, 26,3% do que as famílias com renda
superior a 30 salários mínimo (atualmente a partir de R$ 10.500) recebem são
convertidos em tributos.
A classe média, com renda de dez a 15 salários mínimo (R$ 3.500 a R$ 5.250),
tem 30,5°h do ganho comprometido com impostos.
Em suma: os mais pobres realmente pagam mais impostos. Mas por quê?
"O fato da arrecadação ser maior para os mais pobres é um assunto conhecido
há mais de 40 anos. A questão é que todos os anos aumenta-se a carga e esse
impacto não é corrigido, o que faz com que a diferença aumente", explicou a
coordenadora da pesquisa, Maria Helena Zockun.
Embutidos
Segundo Maria Helena, a maior parte dos impostos são aqueles embutidos em
produtos. "E como as pessoas de baixa renda consomem quase tudo o que
ganham, e até mais, contraindo dívidas, acabam pagando mais tributos",
explicou.
"Já a parcela mais rica da população poupa mais, o que faz com que não sejam
recolhidos esses impostos", detalhou Maria Helena. "A forma de tributar deveria
ser modificada, respeitando o fato de que a maioria da população é pobre",
adicionou.

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APRENDA A INVESTIR
Segundo a professora, os tributos indiretos (exclusos o ISS e os encargos
trabalhistas) acrescentam, em média, 37% de custo aos produtos. No caso do
fumo, esse total chega a 3.000%. Na avaliação da professora, é exatamente esse
o motivo da alta informalidade no País.
Fonte: InfoMoney (http://web.infomoney.com.br/)

TABELA 2.7 - COMPARAÇÃO CARGA TRIBUTÁRIA COM OUTROS ÍNDICES (2005)


- PAÍSES SELECIONADOS

Pais
Carga Tributária
IDH Corrupção
- Burocracia
do PIB
Suécia 50,7% 60. 60. 140 .
Noruega 44,9°h 10 . 80 . 50 .
França 43,7% 160 . 180 . 320 .
Itália 42,2% 180 . 400 . 380 .
Brasil 37,8% 630 . 620 . 1190 .
EUA 25,4°h 100 . 170. 30

Japão 25% 110 . 210 . 100 .


Argentina 21,9°h 340. 970 770.

Chile 19,2°h 540 . 210 . 250 .


México 18,5% 530 . 650 . 730 .
Fonte: IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário

Se o Governo possuísse margem fiscal para utilizar como política, não seria
necessário juro tão elevado para manipular a demanda agregada quando
necessário aperto monetário para conter a inflação. Em vez de diminuir C
(consumo agregado) via aumento da taxa de juros, bastaria apenas diminuir G
(gastos do governo).

Y = C + I + G + (X - M)

JOHN MAYNARD KEYNES


Natural da Inglaterra, aluno de outro economista importante, Alfred Marshall,
formando-se em 1905 aos 22 anos em Cambridge. Foi funcionário do tesouro
britânico, e em 1936 publica "A Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda"
que em fim veio a iniciar a chamada Revolução Keynesiana que defende a
intervenção do estado na economia. Chamado para tentar resolver a crise de
1929 nos Estados Unidos, ele aconselhou ao governo norte-americano que
contratassem funcionários para cavar buracos, e depois contratassem mais
outros para fechar os mesmos buracos. Com isso seria efetuada uma política
fiscal expansionista devido ao aumento dos gastos, estimulando o consumo
agregado (total) ocasionando em um aumento da renda (PIB). Claro que sua
atitude teve reconhecimento em tempos que essas políticas não eram
conhecidas, o governo norte-americano havia margem para utilizar essa

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APRENDA A INVESTIR
"manobra", e a demanda agregada não era facilmente estimulada como nos dias
de hoje com política monetária.

2.6 POLÍTICA DE RENDAS

Diferente de política de distribuição de renda, política de renda diz respeito


à interferência direta do governo na formação de preços, por meio de
congelamento de preços e salários, fixação de reajustes salariais entre outros.
Com o controle da inflação, esta política não vem sido utilizado pelo
governo. Mesmo porque nunca foi coerente atacar o problema em sua
conseqüência e não em sua causa.

2.7 INFLUÊNCIA EXTERNA

SETOR EXTERNO

As transações comerciais (registrada no saldo da balança comercial) e


financeiras com o resto do mundo são contabilizadas no balanço de pagamentos
(BP), cuja também engloba as transferências unilaterais. Este, por sua vez, deve
ser equilibrado, não pode ser nem muito superavitário, e muito menos deficitário
(gera necessidade de ingresso de investimentos diretos e/ou melhora do saldo da
balança comercial).

Composição da Balanço de Pagamentos (BP)

- balança comercial
- balança de serviços
- balança de capitais

O superávit na BP poderá incorrer em processo inflacionário, visto que o


Bacen irá emitir mais moeda em virtude da maciça entrada de dólares. Por outro
lado, déficit na BP levará ao esgotamento das reservas internacionais, e com isso
não haverá mais dólares no mercado doméstico para o governo honrar suas
dívidas e limitará a capacidade de importação.

ABERTURA COMERCIAL
Após um longo período de fechamento da economia, caracterizado pela busca de
autonomia de nossa indústria, o Brasil, em 1988, iniciou-se seu processo de
abertura, intensificado no período entre 1990 a 1994. Com a abertura, criou-se
um ambiente competitivo, onde se melhora a produtividade (necessidade de
investimento em pesquisa e desenvolvimento) e propicia um controle mais
efetivo nos preços (devida à maior concorrência). Contudo, gera melhores
oportunidades para o crescimento do PIB. No entanto, há quem diga que o
processo de abertura, poderia ter sido efetuado de maneira mais gradual, com o
intuito de ter protegido as empresas nacionais, que estavam com tecnologias
obsoletas e despreparadas para uma maior concorrência.

FMI: O Fundo Monetário Internacional é uma organização internacional que


pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial pelo
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APRENDA A INVESTIR
monitoramento das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, através de
assistência técnica e financeira. Sua sede é em Washington, Estados Unidos. O
Brasil recorreu ao FMI quando viu suas reservas internacionais quase se
esgotarem, e com isso evitou uma nova declaração de moratória, fato que os
investidores internacionais marcam em sua memória.

GRÁFICO 2.7 - RESERVAS INTERNACIONAIS LÍQUIDAS AJUSTADAS (CONCEITO


DE LIQUIDEZ INTERNACIONAL) 3AN/1994 A JAN/2008.

US$ milhões

200.000 -
188
180.000 Necessidade da
milhões
troca do regime
160.000 cambial para o Compra de
dólares, pelo BC,
140.000 flexível (15/01/99),
para suavizar a
para interromper as
120.000 constantes perdas valorização do real
100.000 de RI e citar urna frente a':' dólar.

80.000 possível moratória

60.000
1
41:1:' .000
28
20.000 milhões
o

LI LI LI LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ LJ

Fonte: BCB-DEPEC

INVESTMENT GRADE

No mercado financeiro, os investidores aspiram por alto retorno em um


ambiente seguro, que significa, dentre outras coisas: fundamentos
macroeconômicos consistentes com políticas monetária, fiscal e cambial, bem
definidas, isto é, inflação controlada, câmbio flutuante, governo que honre seus
compromissos, estabilidade político-institucional, além de regras claras no que se
refere ao cumprimento de contratos e ambiente concorrencial.
E justamente em cima de variáveis como: inflação, juros, dívida interna e
externa, regime político, estabilidade das instituições sociais, dentre inúmeras
outras, que as Agências de Classificação de Risco classificam as economias
através de seus ratings (notas de risco).
A Standard & Poor's (S&P) é uma das mais conhecidas agências de
classificação de riscos, assim como a Moody's Investors Service e a Merrill Lynch,
e são responsáveis pela classificação dos países quanto a seu nível de risco.
Nessa classificação, o Brasil passou a figurar, pela S&P, na classe Investment
Grade em 30 de abril de 2008, com o rating BBB-. Assim como os países, as
companhias também recebem ratings das agências classificadoras, como
também suas debêntures emitidas.

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APRENDA A INVESTIR
QUADRO 2.1 - RATINGS MOODY'S E STANDARD & POOR'S
- lvIoo(Iys Stauidaid & Poou"s
Aaa AAA
Aa1 AA+
Aa2 AA
Aa3 AA-
Iiivestmeiit
- Ai
( ta(Ie
A2 A
Ratiugs
A3 A-
Baai 555+
Baa2 E;E;B
BaaJ BE;B-
Ba1 66+
Ba2 55
Ba3 68-
51 6+
Below 62 6
Iuivestmeiit 53 6-
Grade (:aai CCC+
Caa2 CCC
Caa3 CCC-
Ca CC
C SE.'
In Defaiilt - [:1

Fonte: Moody's e Standard & Poor's

BRIC (BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA)

O termo surgiu há três anos por uma equipe de pesquisadores (entre eles
Jim O'neill, economista chefe do banco) do banco americano Goldman Sachs
(líder mundial no segmento) depois de tratados de cooperação e comércio
assinados em 2002. Os BRICs apesar de ainda não serem as maiores economias
mundiais já exercem grande influência no mundo capitalista, o que pode ser
presenciado claramente na reunião da OMC em 2005, onde os países em
desenvolvimento liderados por Brasil e índia juntaram-se a países
subdesenvolvidos para impor a retirada dos subsídios governamentais na União
Européia e os Estados Unidos e a redução nas tarifas de importação e comércio
nos mesmos, alavancando assim o crescimento dos BRICs" e outros países
afetados pela pobreza.
Rússia, India e China já são superpotências militares, ao contrário do Brasil
que ainda não apresentou momentos históricos necessários para uma corrida
armamentista. Todos eles estão em processo de desenvolvimento político e
econômico para se adequarem aos demais países desenvolvidos.
Desde 2004, muitos fundos de ações (Hedge funds) vem sendo criados
com o objetivo de aplicar em títulos e valores mobiliários de países integrantes
do BRIC, e estão, cada vez mais, com maior demanda dos investidores, pois
estão são os mais rentáveis da modalidade disponíveis no mercado internacional.
Nos próximos 50 anos, Brasil, Rússia, índia e China - as economias BRICs -
poderão se tornar a maior força na economia mundial. Usando as últimas
projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e crescimento de
produtividade, o grupo Goldman Sachs mapeou as economias dos países BRICs
até 2050.

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TABELA 2.8 - RANKING PIB EM 2005, E PROJEÇÕES PARA 2025 E 2050
Produto interno bruto Produto interno bruto Produto interno bruto
em 2005 em 2025 em 2050
(em trilhões de (em trilhões de (em trilhões de
dólares) dólares) dólares)
lo. Estados Unidos 12,8 lo. Estados Unidos 20 lo. CHINA 49
2o. Japão 5 2o. CHINA 11,7 2o. Estados Unidos 38
3o. Alemanha 2,6 3o. Japão 6,7 3o. ÍNDIA 27
40. Reino Unido 2,3 4o. Alemanha 3,9 40. Japão 8
50. CHINA 2,3 50. ÍNDIA 3,6 50. BRASIL 8
6o. França 2,2 6o. Reino Unido 3,3 6o. México 7,8
70. Itália 1,8 7o. França 3,2 70. RÚSSIA 6,2
80. Canadá 1 80. RÚSSIA 2,9 80. Alemanha 5,4
9o. Espanha 1 9o. Coréia 2,6 90. Reino Unido 5,1
100. Coréia 0,8 100. Itália 2,5 lOo. França 4,9
110. BRASIL 0,8 110. México 21 4 110. Indonésia 3,9
12o. México 0,8 12o. BRASIL 2,3 12o. Nigéria 3,7
Fonte: Goldman Sachs

BLOCOS COMERCIAS
Blocos Comerciais são reuniões de países que têm como objetivo a integração
econômica e/ou social. Os blocos comerciais são normalmente agrupados em
quatro categorias distintas:
i) Área ou Zona de Livre Comércio
ii) Uniões Aduaneiras
iii) Mercados Comuns
iv) Uniões econômicas e Monetárias
MERCOSUL: é a União Aduaneira (livre comércio intrazona e política comercial
comum) de cinco países da América do Sul. Em sua formação original o bloco era
composto por quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, aderindo a
Venezuela, em julho de 2006. O bloco também é chamado de Cone Sul porque
sua formação original abrangia as nações do sul do continente, formando um
cone.
UNIÃO EUROPEIA: A União Européia, anteriormente designada por
Comunidade Econômica Européia (CEE) e Comunidade Européia (CE), é uma
organização internacional constituída atualmente por 25 Estados-Membros,
estabelecida com este nome pelo Tratado da União Européia (normalmente
conhecido como Tratado de Maastricht) em 1992, mas muitos aspectos desta
união já existindo desde a década de 50. A União tem sedes em Bruxelas,
Luxemburgo e Estrasburgo. A União Européia tem muitas facetas, sendo as mais
importantes o mercado único europeu (ou seja uma união aduaneira), uma
moeda única (adotada por 12 dos 25 Estados membros) e políticas agrícola, de
pescas, comercial e de transportes comuns. A União Européia desenvolve
também várias iniciativas para a coordenação das atividades judiciais e de defesa
dos Estados Membros.
NAFTA: Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (North American Free Trade
Agreement) ou NAFTA,é um tratado envolvendo Canadá, México e Estados

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APRENDA A INVESTIR
Unidos da América numa atmosfera de livre comércio, com custo reduzido para
troca de mercadorias entre os três países. O NAFTA entrou em efeito em 10 de
janeiro de 1994.
OMC: A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma organização
internacional que supervisiona um grande número de acordos sobre as "regras
do comércio" entre os seus estados-membros. Foi criada em 1995 sob a forma
de um secretariado para administrar o Acordo Geral de Tarifas e Comércio
(GATT), um tratado comercial que criou muito da fundação para a OMC. A sua
sede localiza-se em Genebra, Suíça.

2.8 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Acredito que a má distribuição de renda presente no Brasil seja o maior


empecilho para nosso crescimento. Na presença de baixa distribuição de renda, o
consumo agregado é baixo, retraindo o mercado interno. Já a população rica
concentra seus gastos em bens supérfluos e importados, como também em
viagens ao exterior.

GRÁFICO 2.8 - Renda Familiar em 2007 (em salário mínimo)

Fonte: IBGE

Os economistas neoclássicos, mainstream da corrente econômica, não


distinguem crescimento econômico e desenvolvimento econômico. Mas é sabido,
que o crescimento econômico sustentado é conseguido apenas em países com
razoáveis níveis de distribuição de renda, chegando assim a seu desenvolvimento
econômico. E refutada a teoria neoclássica com vários exemplos mundiais, pois
países com altas rendas per capita continuam subdesenvolvidos, como é o caso
da Arábia Saudita.
A distribuição de renda é um problema notável no Brasil, mas que não será
resolvido com programas que dão "esmola" à população, e sim com melhor nível
educacional e acesso ao crédito aos m icroem presá rios (fomentando a geração de
empregos).

Propiciar boa educação é a melhor forma de distribuição de renda, em vez de


distribuir dinheiro. E como ensinar a pescar, em vez de distribuir pequenos
peixes para saciar a fome da população.

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APRENDA A INVESTIR
Além de destinar poucos recursos para a Educação, conforme tabela
abaixo, o Brasil gasta muito mais com o ensino superior e pouco com o
fundamental, com isso as vagas das universidades públicas são preenchidas
quase em sua totalidade pela classe alta. De acordo com a OCDE, o Brasil gasta
sete vezes mais com o ensino superior em relação ao fundamental, onde a média
dos países gastam apenas duas vezes mais.

TABELA 2.9 - GASTOS POR ALUNO PAÍSES SELECINADOS EM 2008


PAÍS GASTO POR ALUNO (EM DÓLARES)
EUA 12.092
SUIÇA 11.883
NORUEGA 10.721
ÁUSTRIA 9.803
DINAMARCA 9.766
FRANÇA 7.880
ALEMANHA 7.802
ITÁLIA 7.723
REINO UNIDO 7.270
ESPANHA 6.599
CHILE 2.864
MÉXICO 2.128
RÚSSIA 1.775
TURQUIA 1.527
BRASIL 1.303
Fonte: OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico

TABELA 2.10 - EDUCAÇÃO ENTRE OS EMERGENTES

Taxa de analfabetismo Escolaridade (média de anos)


Rússia 0,5% 10 anos
México 8,0% 7 anos
China 9,0% 6 anos
Brasil 13,0% 5 anos

Fonte: Banco Mundial

O melhor acesso ao crédito às micro e pequenas empresas seria uma forma


de aumentar os postos de trabalho, diminuindo o desemprego e melhorando a
distribuição de renda.

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APRENDA A INVESTIR
GRAFICO 2.9 - Crédito setor privado / PIB % (média 1990-2001) - Países
selecionados

Fonte: World Development Indicators database (WDI) - Banco Mundial

INDICADORES

ÍNDICE DE GINI
Dos indicadores de concentração de renda o índice de Gini é talvez o mais
conhecido. Ele varia de zero a um. Zero significaria uma sociedade com perfeita
igualdade, em que todos os cidadãos têm a mesma renda, e o índice de 1 seria o
de uma sociedade em que toda a renda fosse apropriada por apenas uma
pessoa.
No gráfico abaixo, demonstro que países com melhores índices de
distribuição de renda (Índice de Gini), obtêm melhores índices de
desenvolvimento humano (IDH), isto é, são mais desenvolvidos
economicamente. Incrível coincidência encontrarmos EUA, Japão, Alemanha e
Inglaterra na ponta do gráfico, justamente as maiores potenciais econômicas
mundiais, provando que a distribuição de renda propiciou o alto desenvolvimento
econômico. Enquanto o Brasil, próximo à Colômbia, está atrás de países como
Panamá e Trinidad e Tobago.

10% da população brasileira detêm mais de


50% de toda a renda nacional

IDH
O principal indicador existente de desenvolvimento econômico é o IDH
(índice de Desenvolvimento Humano), ele é um indicador elaborado pela ONU
que mede a qualidade de vida das pessoas em 173 países. O economista
Amartya Sen, que recebeu o prêmio Nobel de Economia em 1998, foi um dos
criadores do IDH, e aperfeiçoou sua metodologia em 1999.
O IDH se baseia no fato de que o desenvolvimento de uma nação não pode ser
medido de forma unilateral, levando em conta somente a dimensão econômica.
Além de computar o PIB "per capita" (em dólares e ajustado pelo poder de
compra no país), o IDH incorpora outros dois indicadores da qualidade de vida: a
saúde e a educação (os três têm o mesmo peso no cálculo do índice).

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APRENDA A INVESTIR
GRÁFICO 2.9 - IDH X GINI PAISES SELECIONADOS (2005)

80 MA" ASIIAI e-'.-.. n.anl --

70 e \ 1 PANAMA
\.
•IbRL
o 80 • '1
•*. •
50 IL
N EUA
4° EINO UNIDO
LEMANHA
30 -a-. 1, • • IORUEGA
• z::Tj
ETIÓPIA UZBEQUiFÂO • ,••
APÂO
20

025 0,35 045 0.55 D HOEI 0,75 0,85 0,95
Fonte: Banco Mundial e Nações Unidas (http://www.undp.org/)

2.9 VISÃO GERAL

O Brasil foi o país que mais cresceu entre 1950 e 1980, mas em
compensação após 1980 amargamos um dos crescimentos mais pifeis em
relação ao resto do mundo. Nesses últimos 25 anos, por 19 vezes a economia
brasileira cresceu menos que a média mundial.
Tal reversão pode ser atribuída à crise do Petróleo de 74, ao Governo
Sarney e sua constituição de 88. Na crise do Petróleo herdamos até o hoje o
endividamento irresponsável, e no Governo Sarney tivemos todas as possíveis
medidas econômicas executadas erroneamente. Com a constituição de 88
estamos evoluindo a nos tornar o país com maior tributação devido aos exageros
concedidos aos previdenciários e ao funcionalismo público (administrativo),
exageros os quais, o atual presidente considera como forma de distribuição de
renda.
Somos o único país que o funcionário público se aposenta com o mesmo
salário ou em alguns casos com maior remuneração. Possuímos gastos com
previdência muito acima da média mundial. Por isso a reforma administrativa e
da previdência são as ações mais urgentes em nossa economia.
A reforma tributária é de suma importância. O governo é considerado o
"Robin-Hood" às avessas, pois tributa em maior proporção o pobre e gasta mais
com o rico, e com isso aumentamos nossa desigualdade social. Restringimos
nosso aumento de produtividade (baixa qualidade de educação aos pobres) e
aumentamos a violência.
A manutenção do superávit primário é fator essencial para atração do
capital externo, mas investimentos são necessários e serão viabilizados com a
diminuição dos gastos do governo. Principalmente em infra-estrutura, pois caso
crescêssemos como os emergentes, em alguns anos poderíamos ter um novo
"a pagão".
Há mais de 20 anos que perdemos poupança, e com isso não investimos
em infra-estrutura, fato que ocasiona a diminuição de investimentos. Nosso
investimento que está em torno de 20% do PIB necessita chegar a pelo menos
25% do PIB. Necessidade dificultada pelo ambiente desfavorável aos negócios,
alto grau de informalidade e excessiva burocracia. Para se ter uma idéia, para se
abrir um empresa no Brasil demora-se em média 152 dias frente a 2 dias na
Austrália.

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APRENDA A INVESTIR
Conforme pensamento de Douglas North, vencedor do Nobel de economia
de 1993, as instituições (como o Governo) exercem forte influência para garantir
ambiente favorável aos investimentos e conseqüente geração de empregos.

TABELA 2.11 - DIAS NECESSÁRIOS PARA SE ABRIR UMA EMPRESA - PAÍSES


SELECIONADOS
País Dias
Austrália 2
Canadá 3
Dinamarca 5
Estados Unidos 5
França 8
Itália 13
Reino Unido 18
Alemanha 24
Irlanda 24
Chile 27
Áustria 29
Japão 31
Argentina 32
Rússia 33
Bélgica 34
África do Sul 38
Uruguai 45
Bolívia 50
Portugal 54
índia 71
Brasil 152
Fonte: World Development Indicators database (WDI) - Banco Mundial

O crescimento do PIB é considerado o principal fator de uma economia,


mas esse crescimento deve ser sustentado, por baixa inflação e estoque
considerado de reservas internacionais, predicados já alcançados por nossa
economia, e que devem ser mantidos.

Devido ao baixo nível educacional, alto grau de corrupção, elevada carga


tributária (em virtude dos altos gastos), precária infra-estrutura, concentração
de renda, ineficiência da justiça e grande burocracia, o Brasil não consegue bons
níveis de investimentos, e todos esses fatores resultam, desde a década de 80,
em baixo crescimento econômico.

MEDIDAS PARA CRIAR CONDIÇÕES ADEQUADAS PARA O CRESCIMENTO:

- as reformas: administrativa e da previdência (diminuir gastos), e


tributária (simplificar, praticar progressividade e diminuir tributos);
- investimento em educação (com melhoria da qualidade do gasto) e em
infra-estrutura, e maior acesso ao crédito;

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APRENDA A INVESTIR
- combate à corrupção, ao excesso de burocracia e à ineficiência da justiça
(regulação, respeito aos contratos e propriedade, e melhora da legislação
trabalhista).

A estabilidade dos preços (controle da inflação), taxa de juros real de um dígito


(abaixo de 10% a.a.), o aumento das reservas internacionais, o superávit
comercial e o superávit primário dos últimos anos foram os avanços econômicos
conquistados recentemente e que são bem vistos por todo o mercado. Porém,
estão longe de serem suficientes para a retomada do crescimento sustentável. A
reforma fiscal, um maior investimento em infra-estrutura (energia, transportes,
saneamento e redes de comunicação) e em educação, e a criação de um
ambiente favorável aos investimentos privados serão fundamentais para
conseguirmos crescer e justificar a permanência do Brasil no BRIC.

Contudo, esse é um breve relato do quadro da economia Brasileira, a qual


possui forte influência no cenário econômico e financeiro, e qualquer alteração
positiva ou negativa, é fator fundamental de reavaliação da sua carteira de
investimento.

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APRENDA A INVESTIR

3. ONDE INVESTIR

Ao optar pelos investimentos que irão compor sua carteira, você deverá
considerar três ,principais fatores: sua meta, o horizonte de investimento e seu
perfil de risco. E sempre valido analisá-los pela ótica da relação risco e retorno,
isto é, comparar os produtos financeiros com o intuito de descobrir qual oferece
melhor essa relação - maior retorno e menor risco. Recomenda-se também,
sempre ter aplicado uma parte do capital em investimentos com maior liquidez,
para serem utilizados em emergências, como por exemplo, os fundos DI que
efetuam o pagamento do resgate em D+0, isto é, no próprio dia.
No gráfico abaixo ilustro que entre 2000 a 2007 o investimento mais
rentável foi o Ibovespa seguido pelo CDI ou fundos DI (fundos baseados na taxa
de juros Selic) com pequenas taxas de administração, com a Poupança e o dólar
nas últimas posições com rendimento muito inferior. Fato ocorrido em virtude
dos altos juros praticados no período, e da tendência de alta verificada no
Ibovespa. Um fator a se destacar é que aplicando em uma carteira escolhida a
partir de análise técnica e/ou fundamentalista (análises dispostas neste livro) é
possível obter ganhos superiores ao Ibovespa.
Esses ativos entre outros serão discutidos individualmente ainda neste
capítulo.

GRÁFICO 3.1 - COMPORTAMENTO DO CDI, IBOVESPA, POUPANÇA E DÓLAR


COMERCIAL - BASE 100 - 2000 A 2007.
COMPORTAMENTO DO IBOVESPA, DÓLAR COMERCIAL CDI E POUPANÇA
BASE 10001012000 A 31.12.2007
4513
Ibovespa
400

350
CDI
300 F

250
I_J,__ /
200
Poupança
150

100
\. Dólar
50

, Ç9 \ç\ , \V ,
$
çD \D .Ç3 , ,
f#
-Dólar comercial - - -Ibovespa CDI Caderneta de poupança

Fonte: Bacen

Como podemos verificar, entre 2000 e 2007 o investidor conseguiu a partir do


investimento remunerados pela taxa Selic, uma ótima relação risco x retorno,
pois mesmo com menor risco que o Ibovespa, foi conseguida taxa média
equivalente, porém com o fortalecimento da economia brasileira, cenários como
esse dificilmente voltarão a ocorrer, e com isso, o investidor precisará incorrer
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APRENDA A INVESTIR
em maiores riscos para obter taxas semelhantes. Como também apenas
tendência de alta no Ibovespa como a verificada desde 2002, dificilmente
ocorrerá novamente sem momentos de realizações. Abaixo segue gráfico que
ilustra os ativos de acordo com seu risco e retorno.

GRÁFICO 3.2 - RELAÇÃO RISCO X RETORNO DOS INVESTIMENTOS


Retorno
A

Derivativos (termo,
opções etc)

Ações

Fundos DI, RF, CDB


e títulos do Tesouro
Poupança e
Aluguel de
Imóveis
o
Risco

Considero os ativos dispostos nos extremos como não recomendáveis, pois o


mercado de derivativos possui elevados riscos, e a poupança e o aluguel de
imóveis possui baixos retornos.

A seguir são apresentados os principais produtos financeiros brasileiros.

3.1 IMÓVEIS

Os três principais motivos de uma aquisição imobiliária são: i) utilização


(pessoa física ou pessoa jurídica);ii) projeção de valorização;e iii) renda
(aluguel). E ao se tratar de investimento imobiliário eles se restringem a dois:
valorização e renda, porém ao se investir em imóveis é privilegiado a segurança
e esquecida a liquidez.
Investir em imóveis pode ser um investimento muito atrativo em tempos
de hiperinflação (onde é preservado o poder aquisitivo) ou quando os imóveis se
encontram muito desvalorizados em regiões que você está prevendo que irão se
valorizar. Caso não sejam essas as ocasiões esta modalidade perderá
rentabilidade perante as outras disponíveis.

1 - Renda - Compra de imóvel para obter rendimento do aluguel

O Aluguel possui aproximadamente rendimento entre 0,5% a 0,7% ao mês


(Ex.: imóvel no valor de R$ 150.000,00, possui aluguel em torno de R$ 900,00),
rentabilidade facilmente obtida por um fundo DI, que possui liquidez imediata,
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APRENDA A INVESTIR
enquanto no imóvel você ainda incorre ao risco de arcar com meses de
condomínio até que se consiga alugar o imóvel, sem contar com despesas de
obras do condomínio que são obrigação do proprietário, e ainda há a
possibilidade de você precisar reformar o imóvel na entrega do mesmo.
Já houve também casos que além de todos esses custos e inconvenientes o
inquilino além de não pagar o aluguel deixou um dívida ao proprietário dos
condomínios e taxas não pagas durante a vigência do contrato.
Contudo, não é aconselhável esta forma de investimento. Exceto em alguns
casos excepcionais existentes no mercado, como é o caso de agências bancárias,
que devido à uma resolução na qual é restrita os bancos deter até 50% de seu
patrimônio em ativos imobilizados, eles demandam alugar imóveis para serem
utilizados como suas agências e remuneram o proprietário em l% mais a
inflação (IGP-M).

II - Valorização - Compra de imóvel na planta para obter rendimento da venda


futura

Realmente, esta opção possui grande potencial de rendimento, mas


também seu risco possui mesma dimensão. Conheço inúmeras pessoas que até
hoje estão com sua ação na justiça à espera de reaver seu investimento. O caso
mais popular foi da Encol, no qual 42 mil famílias foram vítimas da falência da
maior incorporadora e construtora do Brasil na época. Contudo, não considero
este investimento com uma boa relação risco x retorno, pois um investimento
mal sucedido poderá compensar todo o lucro de inúmeros investimentos feitos
anteriormente.

BOLHA IMOBILIÁRIA
Fenômeno muito ocorrido no mercado imobiliário norte americano (real state),
representa a constatação de que os preços no mercado imobiliário estão bem
acima de seu real valor, entretanto os compradores continuam dispostos a pagar
ainda mais, criando um ciclo especulativo difícil de estabelecer o seu fim, cuja
ameaça consiste em uma rápida queda geral, analogia ao estouro de uma bolha
de sabão, com fortes conseqüências à economia.

3.2 POUPANÇA

A poupança foi uma opção de investimento muito utilizada no passado,


mas com a popularização dos fundos DI, ela perdeu seu espaço. Um dos motivos
é a baixa rentabilidade alcançada (muito próxima à inflação) e a perda de
rentabilidade para saques fora do vencimento, perda não ocasionada nos fundos
DI e renda fixa, os quais possuem rentabilidades muito superiores dependendo
da taxa de administração cobrada'°.
A remuneração atual da caderneta de poupança é de 0,5% ao mês (6,17%
a.a.), mais a variação da Taxa Referencial (TR). O Fundo Garantidor de Crédito
(FGC) garante o valor aplicado até o limite de R$ 60.000,0011, por CPF. Para
pessoa física a poupança é isenta de IR, já para pessoa Jurídica o IR é de 22,5%.

Fundos de investimento são comentados ainda neste capítulo.


Valor também garantido em aplicações de CDB, depósitos à vista, a prazo, em conta corrente e
letras de câmbio, imobiliárias, hipotecárias e de crédito imobiliário.
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APRENDA A INVESTIR
Caso sejam efetuados novos cortes da taxa Selic e a remuneração da caderneta
de poupança não seja alterada, ela poderá se tornar mais atrativa por certo
período.

Título de Capitalização
Não é considerado um investimento, pois apenas corrige, de acordo com a
inflação, o valor pago. Além do que há mais chances de ganhar na loteria do que
na capitalização. Na maioria das vezes há carência de pelos menos 1 ano, onde
seu dinheiro ficará imobilizado. Modalidade muito indicada pelos gerentes de
contas para cumprir suas elevadas metas, pois é muito rentável, mas apenas
para o banco.

3.3 MERCADO CAMBIAL

A aplicação em dólar conseguiu nos últimos 27 anos apenas 5 momentos


de ganho (nos anos de 79, 83, 87, 89 e 99). Contudo, não é considerado em
condições normais de mercado um investimento rentável.
E indicado apenas para hedge (proteção), ou seja, caso você possua
dívidas em dólares ou irá necessitar da moeda no futuro (como em uma viagem
programada ao exterior), você poderá comprar dólares ou euro, ou até aplicar
em um fundo cambial, para não incorrer ao risco de uma súbita desvalorização
de nossa moeda, assim você estará protegido do risco, mas também de um
possível retorno, pois caso ocorra o contrário você também deixou de obter certo
lucro.

EURO
O euro (€) é a moeda oficial de doze dos 25 países da União Européia. O euro
existe na forma de notas e moedas desde 1 de Janeiro de 2002, e como moeda
escritural desde 1 de Janeiro de 1999. O banco que controla as emissões de
euros e executa a política cambial da União Européia é o Banco Central Europeu,
com sede em Frankfurt , na Alemanha.

3.4 OURO

Por ser considerada uma aplicação segura, em períodos de crises seu valor
pode ser sensivelmente valorizado, pois os investidores buscam proteção de seus
ativos comprando o metal, e com isso seu preço aumenta (decorrente da maior
demanda), mas em condições normais da economia, sua compra não é
recomendada, pois provavelmente sua variação será menor em relação aos
outros ativos.

PADRÃO-OURO
O padrão-ouro foi o sistema monetário vigente desde o século XIX. O padrão-
ouro significou a adoção de um regime cambial fixo por parte de praticamente
todos os grandes países comerciais de sua época. Cada país se comprometeu em
fixar o valor de sua moeda em relação a uma quantidade específica de ouro, e a
realizar políticas monetárias, de compra e venda de ouro, de modo a preservar
tal paridade definida. Em resumo, o padrão-ouro visava uma situação de

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APRENDA A INVESTIR
equilíbrio na economia internacional de modo que cada país mantivesse uma
base monetária consistente com a paridade cambial, mantendo assim uma
balança comercial equilibrada. Durante a Primeira Guerra Mundial, a maioria dos
países abandonou o padrão-ouro, principalmente devido às expansões
monetárias e fiscais realizadas por eles durante a guerra, as quais
desequilibraram enormemente o comércio internacional. No final dos anos 1950,
o dólar substituiu o ouro nas transações internacionais, e no começo dos anos
1970 os Estados Unidos suspenderam a conversibilidade do dólar, e deixaram o
preço do ouro flutuar.

3.5 RENDA FIXA - APLICANDO PELO TESOURO DIRETO

Em 07 de janeiro de 2002, o Tesouro Nacional, em conjunto com a


Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia - CBLC, implementou o Programa
Tesouro Direto, que possibilita a aquisição de títulos públicos por parte das
pessoas físicas pela internet. O Tesouro Direto oferece a compra de títulos da
dívida pública a qualquer momento diretamente pela Internet, a partir de
aproximadamente R$ 200,00, e liquidez garantida pelo Tesouro Nacional
semanalmente às quartas-feiras pelos preços de mercado.
Antes de surgir a possibilidade de venda de títulos via Internet, os
compradores dos títulos públicos restringiam-se a bancos, corretoras,
distribuidoras e outras instituições financeiras registradas no Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC, com volume mínimo de compra de
aproximadamente R$50.000,00. As pessoas físicas compravam títulos apenas
indiretamente, por meio de fundos de renda fixa, cujas carteiras são compostas
em grande parte por títulos públicos.
Os investidores que desejam adquirir títulos públicos no Tesouro Direto
devem se cadastrar em algum dos Agentes de Custódia habilitados, conforme
lista disponível no site (www.tesourodi reto. gov. br), e aguardar o recebimento de
senha para realizar as negociações diretamente na Internet, sem a necessidade
de intermediação.
A taxa de custódia cobrada pela CBLC é de 0,4% a.a. e a taxa de
corretagem cobrada pelas corretoras está em média de 0,5%, mas varia entre
O% a 4,0% (taxa extremamente inviável). Quando conseguida uma taxa baixa,
torna-se viável ao pequeno investidor aplicar diretamente, em vez de
indiretamente por um fundo de renda fixa com taxa superior.

Títulos públicos negociados pela Internet

LTN - Letra do Tesouro Nacional: título com rentabilidade definida (taxa


fixa) no momento da compra. Forma de pagamento: no vencimento;

LFT - Letra Financeira do Tesouro: título com rentabilidade diária


vinculada à taxa de juros básica da economia (taxa média das operações
diárias com títulos públicos registrados no sistema Selic, ou,
simplesmente taxa Selic). Forma de pagamento: no vencimento;

NTN-B - Nota do Tesouro Nacional - série B: título com rentabilidade


vinculada à variação do IPCA, acrescida de juros definidos no momento

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APRENDA A INVESTIR
da compra. Forma de Pagamento: semestralmente (juros) e no
vencimento (principal);

NTN-B Principal - título com a rentabilidade vinculada à variação do


IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra. Forma de
Pagamento: no vencimento;

NTN-C - Nota do Tesouro Nacional - série C: título com rentabilidade


vinculada à variação do IGP-M, acrescida de juros definidos no momento
da compra. Forma de Pagamento: semestralmente (juros) e no
vencimento (principal);e

NTN-F - Nota do Tesouro Nacional - série F: título com rentabilidade


prefixada, acrescida de juros definidos no momento da compra. Forma de
Pagamento: semestralmente (juros) e no vencimento (principal).

TÍTULOS PRÉ-FIXADOS VS TÍTULOS PÓS-FIXADOS

Pré-fixados - Aplicação onde antes mesmo de se aplicar o capital, o


investidor sabe o quanto seu investimento irá render após certo período. Nos
pré-fixados, como as LTN e as NTN-F, a não ser que você mantenha os títulos
até o vencimento, você corre um risco maior de perda, pois o preço destes títulos
cai com o aumento da inflação ou das taxas de juros. Deste modo, para quem
não está disposto a correr esse tipo de risco, vale a pena investir somente parte
de seus recursos nestes papéis. A vantagem é vista em cenários de baixa
inflação e tendência de baixa dos juros.
Pós-fixados - Aplicação onde a rentabilidade varia de acordo com a taxa de
juros vigente e mais algum índice de inflação (se houver). Entre os pós-fixados,
as opções, considerando somente os títulos públicos, podem ser os corrigidos
pela inflação, como as NTN-B (utiliza o IPCA como referência) e NTN-C (utiliza o
IGP-M como referência), para quem ainda aceita incorrer a alguns riscos, o as
LFTs, que são corrigidas pela Selic e apresentam o perfil de risco mais reduzido.

TÍTULOS PRIVADOS
CDB (Certificado de Depósito Bancário) - são títulos nominativos emitidos
pelos bancos e vendidos ao público como forma de captação de recursos, e são
divididos em pré-fixado e pós-fixado. Ao comprar um CDB pré-fixado, o cliente já
sabe quanto vai receber no vencimento do título, pois a taxa de remuneração é
definida no ato da compra. Já o CDB pós-fixado, a remuneração do título é
composta por um índice de correção de mercado, que pode ser a TR ou o IGP-M,
entre outros, mais uma taxa de juros combinada no ato da compra. Com isso,
esse índice de correção de mercado deverá ser acompanhado e comparado com
os demais. O investidor tem o direito de garantia de seus créditos pelo FGC -
Fundo Garantidor de Crédito. O valor máximo garantido, por instituição, é de R$
60.000,00 por depositante ou aplicador, independentemente do valor total e da
distribuição em diferentes formas de depósito e aplicação.
DEBÊNTURES - meio de financiamento às empresas assim como a emissão de
ações, as debêntures rendem juros, prêmios e/ou participação nos lucros da
emissora, conforme dispuser a escritura da debênture. A Debênture pode, no seu
resgate, ser conversível em ação, desde que previsto na escritura. Além dos
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APRENDA A INVESTIR
juros, as debêntures também podem garantir ao investidor participação nos
lucros da companhia emissora ou um prêmio de reembolso. As debêntures com
participação nos lucros oferecem uma percentagem do lucro líquido da
companhia emissora.
DEBÊNTURE SIMPLIFICADA - com o objetivo de atrair a pessoa física, possui
valor unitário de R$1.000,00, e as empresas devem destinar, no mínimo, 20%
aos pequenos investidores. Apresenta estrutura mais simples (em relação às
debêntures tradicionais) com cláusulas padronizadas e com remunerações pré-
fixada, pós-fixada ou ainda indexadas a índices de preços.
CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) - é utilizado na captação de
recursos de longo prazo para o financiamento imobiliário. Assim como as Letras
Hipotecárias e as Letras de Crédito Imobiliário é isento de Imposto de Renda e
lastreado em imóveis. Devido ao risco de crédito que possuem os títulos
privados, o acompanhamento deste investimento requer cuidado especial, para
que a partir de indícios de default por parte do emissor o detentor do título
consiga sua alienação. Por possuir maior risco, sua rentabilidade deverá
apresentar retorno superior ao CDI, benchmark de renda fixa.

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APRENDA A INVESTIR
3.6 RENDA VARIÁVEL - APLICANDO EM AÇÕES

A melhora do ambiente macroeconômico brasileiro nestes últimos anos tem


facilitado o desenvolvimento do mercado de capitais nacional. O alcançado
"investment grade" é prova dessa melhora, assim como a crescente demanda
externa sobre os ativos brasileiros.
O investimento em ações geralmente é recomendado aos investidores
mais leigos como sendo de longo prazo, pois com isso o risco é minimizado, e
são desconsideradas as variações de curto prazo.
Mas essa estratégia pode não ser a mais rentável, pois com isso se perde
oportunidades de ganhos maiores acompanhando a volatilidade (subidas e
descidas) do mercado. Além das grandes empresas dificilmente durarem
décadas, como os casos da Vasp e Transbrasil no setor aéreo, e a Mesbla e o
Mappin do setor de consumo.
Nas aplicações de curto e médio prazo, o objetivo é comprar na baixa e
vendar na alta, onde a especulação ocorre em virtude da não eficiência dos
mercados. Para isso é necessário conhecimento de análises que serão abordadas
posteriormente.
A Teoria do Mercado Eficiente afirma que todas as informações e
expectativas se refletem corretamente e quase imediatamente nos preços dos
ativos. Se o mercado fosse mesmo eficiente, qualquer especulação seria inútil,
pois os preços já estariam refletindo todo tipo de informação. Assim como a
teoria do mercado eficiente, existem outras que também não conseguem
perceber padrões gráficos nos movimentos dos preços das ações. Como os
seguidores da teoria do randow waik e investidores que seguem os
aconselhamentos de astrólogos e numerólogos.
A vantagem de aplicar diretamente em ações, é que você mesmo poderá
escolher os papéis onde aplicar, de acordo com seu conhecimento, e também
poderá utilizar aplicações de análises técnicas e fundamenta listas introduzidas a
seguir.
Investir em ações é altamente arriscado, logo você deverá investir apenas
uma parcela de seus rendimentos que não será utilizada no curto prazo e que
caso você venha a ter perdas acentuadas, elas não irão deixá-lo sem nenhuma
reserva (no máximo 3O%12 de todos seus recursos).
Os preços das ações possuem altas volatilidades, e o investidor deve estar
preparado para possíveis perdas, como também há sempre o risco de falência da
empresa investida.

3.6.1.1 ESTRUTURA DAS AÇÕES

AÇÃO
Título de propriedade que representa a mínima fração do capital social de
uma Sociedade Anônima (S.A.). A emissão de ações é umas das alternativas
mais "baratas" de fonte externa de financiamento para uma S.A.

Ordinária: Concede direito a voto nas Assembléias.

Preferencial: Concede preferência na distribuição de dividendos.

12
Percentual máximo recomendado pelo autor.
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APRENDA A INVESTIR

PROVENTOS PAGOS EM DINHEIRO

Os proventos pagos em dinheiro são os dividendos e os juros sobre capital


próprio, ainda existem os proventos no qual o benefício ao acionista se dá na
forma de ações, como subscrições ou bonificações.
Os dividendos e os juros sobre capital próprio nada mais são que os lucros
da empresa. O que difere um do outro é que nos dividendos a tributação já foi
deduzida, e nos juros sobre capital próprio não. Devendo o acionista pagar lS%
de IR (tributação descontada automaticamente).
Dividendo mínimo é de 25% (determinado pela legislação brasileira), sendo
que as ações preferenciais devem receber mais 10%. Se durante 3 anos não for
distribuído lucro, as ações preferenciais ganham direito a votos.

Ações de viúva
Em momentos de crises, com o mercado mais nervoso, a melhor opção em ações
são as empresas que pagam melhores dividendos, além delas perderem menos
em relação ao Ibovespa (devido a sua procura em meio às crises), elas também
irão render melhores dividendos, provento o qual irá compensar uma possível
desvalorização do seu preço nesse momento de crise. Deve-se observar que, no
entanto, uma parte significativa do mercado discrimina as ações que pagam
dividendos elevados. Alguns afirmam que o fato da empresa pagar dividendos
elevados decorre da ausência de projetos de investimento rentáveis. Desta
forma, essas ações recebem a denominação de "ações de viúva". O termo ações
de viúva foi criado por investidores que consideram os dividendos irrelevantes e
afirmam que tal fator não seria decisivo para a escolha de ações para uma
carteira. Segundo esses investidores, as ações que pagam dividendos seriam
adequadas para serem deixadas como herança para as viúvas. A preferência das
viúvas por tais ações se deve à simplicidade no recebimento dos rendimentos, os
quais são creditados diretamente na conta de seu titular, independentemente de
qualquer operação por ele realizada.

DIFERENÇA ENTRE LOTE PADRÃO E LOTE FRACIONÁRIO

Lote Padrão é a quantidade mínima de títulos determinada pela Bolsa para


negociação no mercado principal, onde as quantidades negociadas devem
envolver um lote ou seus múltiplos. Já o Fracionário é qualquer lote que não
contenha um número de unidades igual ao múltiplo inteiro do lote padrão.
O investidor pessoa física talvez só conseguirá adquirir ações pelo lote
fracionário, e não pelo lote-padrão. Como também em uma compra 250 ações de
uma empresa X, cuja possui lote padrão de 100 ações, será registrado 2
solicitações de ordem, a ia de 200 ações do lote padrão e a 2a de 50 ações do
lote fracionário ("F" no código da ação).
Note que as cotações do mercado fracionário geralmente são diferentes dos
preços negociados no Mercado Principal. Essa variação de preço se deve ao fato
que há diferentes demandas e ofertas para o papel de lote padrão e de lote
fracionário. Portanto, para saber a cotação do papel no mercado fracionário, é
necessário digitar o código do papel seguido da letra "F". Vale salientar que
alguns sites de corretoras não distinguem essa diferença, cabe a você atentar
para essa variação, e com isso evitar de negociar com um preço diferente.
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APRENDA A INVESTIR
LEGENDA

Uma ação é representada por 4 letras, que são escolhidas a partir de


alguma abreviação da denominação da companhia, seguida de um número, 3
para ordinária e 4 para preferencial, e em alguns casos é seguido por uma letra
que significará o mercado, como F - fracionário ou T - termo.
Vale ressaltar que há outros códigos, e que há ações que não seguem esse
padrão, onde a ação preferencial é negociada através do número 5 em vez do 4.

Ex: Uma ação preferencial (4) e fracionária (F) da empresa ABCD: ABCD4F

TABELA 3.1 - CLASSE DAS AÇÕES


CLASSE NÚMERO EXEMPLO
DIREITOS ORDINÁRIOS 1 PETR1
DIREITOS PREFERENCIAIS 2 PETR2
AÇÕES ORDINÁRIAS 3 PETR3
AÇÕES PREFERENCIAIS 4 PETR4
AÇÕES PREFERENCIAIS CLASSE A 5 PETR5
AÇÕES PREFERENCIAIS CLASSE B 6 PETR6
AÇÕES PREFERENCIAIS CLASSE C 7 PETR7
AÇÕES PREFERENCIAIS CLASSE D 8 PETR8
RECIBOS ORDINÁRIOS 9 PETR9
RECIBOS PREFERENCIAIS 10 PETR10

TABELA 3.2 - TIPO DAS ACÕES


TIPO LETRA EXEMPLO
LOTE PADRÃO - PETR4
LOTE FRACIONÁRIO F PETR4F
TERMO COMUM T PETR4T
TERMO FLEXÍVEL 5 PETR4S
TERMO EM DÓLAR D PETR4D
TERMO EM PONTOS T PETR51T

COMO DEFINIDO O PREÇO DE UMA AÇÃO

Como em qualquer outro produto, o preço é definido pela oferta e demanda


(procura) desse ativo. Vamos supor que uma ação é lançada no mercado com
preço x. Se todos que reservaram as ações não conseguirem levar todo o pedido
(caso em que é necessário rateio) haverá uma forte demanda por essas ações
dos compradores que não concretizaram toda sua solicitação. Os interessados
para comprá-las em negociação, terão que oferecer um valor maior ao que os
proprietários dessas ações pagaram, pressionando os preços para cima.
Outra hipótese seria uma divulgação de prejuízo dessa empresa, a qual
levaria a alguns proprietários dessa ação a vendê-las, mas se houver maior
oferta do que demanda, isto é, mais vendedores do que compradores, os
ofertantes terão que abaixar o preço para conseguir encontrar compradores,
pressionando com isso seu preço para baixo.
Contudo, a oferta e a demanda são os únicos fatores que definirão o preço
de uma ação. Não dê ouvidos às recomendações registradas através de e-mail,

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APRENDA A INVESTIR
fórum, salas de bate-papo, orkut e outros meios de comunicação, pois por trás
dessas indicações podem estar más intenções, onde o autor espera com isso
aumentar a demanda de seus papéis para vendê-los. O preço justo da ação é o
próprio preço praticado no mercado.

HOME BROKER

É o sistema que permite a negociação de ações pela internet. Para isso, o


aplicador precisa ter cadastro em uma corretora ligada à Bovespa, que
disponibiliza todo o sistema tecnológico para a transmissão de informações.
Antigamente quem queria investir em ações tinha que se dirigir a uma
corretora ou telefonar para ela e fazer suas movimentações. De 1999 para cá o
sistema Home Broker é a opção mais prática e eficiente, e com isso vem sendo a
mais utilizada pela pessoa física. Em casos de falhas no sistema, os outros meios
tradicionais para efetuar sua ordem, como telefone ou e-mail, ainda são
disponíveis.
De forma semelhante aos serviços de Home Banking, oferecidos pela rede
bancária, os Home Brokers das corretoras estão interligados aos sistemas da
Bovespa e permitem que o investidor envie, automaticamente, através da
Internet, ordens de compra e venda de ações.
Como toda operação efetuada através da internet, é sempre recomendado
anti-vírus e firewall atualizados no computador a ser utilizado, com o intuito de
evitar futuros prejuízos causados por hackers.
Para quem nunca utilizou o serviço e queira aprender na prática, mas sem
ter que aportar recursos para isso, os simuladores do mercado de ações são as
melhores opções para essa experiência.

Profissão: Home Broker


Com a ajuda da internet e o advento do Home Broker, é estimado que
atualmente mais 200 mil pessoas (20% de todos os negócios da Bovespa)
compram e vendem ações por conta própria no Brasil. Pessoas que deixam de
lado suas mais variadas carreiras para tentarem enriquecer-se na Bolsa ou
apenas levar uma vida sem chefe e sem o stress do dia-dia. Eles ficam de 6 a 10
horas na frente de seu computador especulando com suas ações. Mas para isso é
preciso ter conhecimento e precaução, não utilizando todo seu capital para este
investimento de alto risco, pois ela em alguns casos se torna viciante e o
investidor perde seu controle.

ESCOLHA DA CORRETORA

Para conseguir comprar e vender ação, o único caminho é através de uma


corretora. Corretoras atuam, com exclusividade, na compra e venda de ações em
nome do investidor. Muitos bancos têm corretoras próprias, para atender a essa
demanda. Mas na verdade você estará utilizando a corretora e não o banco.
A escolha do intermediário financeiro é importante, pois caso opere através
de uma corretora que cobre alta taxa de corretagem, é bem provável que seus
lucros sejam todos consumidos por ela. Como todas as corretoras negociam as

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APRENDA A INVESTIR
mesmas ações, o que impactará sua decisão sobre qual escolher será, além da
qualidade do serviço prestado, as taxas cobradas (custódia e de corretagem).
Considere também além das tarifas e taxas (há cobrança em porcentagem
do valor negociado - em geral entre 0,30% a 3,0% por operação, como também
tarifa fixa - entre R$ 10,00 a R$ 15,00 por operação) os serviços oferecidos aos
cadastrados, como: análise de empresas, análise econômica, análise gráfica, clip
de notícias, relatórios setoriais, cotação em tempo real, stock alert, envio de
informações solicitadas para seu e-mail ou celular, chat com analistas, consultor
on-line, ordens start e stop etc.
Avalie também outros quesitos, pois ela será sua maior ferramenta na
utilização do serviço de compra a venda de ações pela internet. Devido ao
aumento de usuários do sistema Home Broker, algumas corretoras apresentaram
algumas falhas em seu sistema. As reclamações referentes ao este serviço já são
líderes na CVM.

TAXA DE CORRETAGEM

Algumas corretoras seguem a tabela da Bovespa. Corretagem realmente


elevada cobrada pelas corretoras que utilizam essa tabela.

TABELA 3.3 -TABELA BOVESPA


Faixa (R$) % Valor Fixo (R$)
0,00 a 135,07 0,00 2,70
135,08 a 498,62 2,00 0,00
498,63 a 1.514,69 1,50 2,49
1.514,70 a 3.029,38 1,00 10,06
Acima de 3.029,39 0,50 25,21

EXEMPLOS DE TAXAS DE CORRETAGENS APLICADAS COM MENORES CUSTOS13 :

• Bradesco (Shopinvest) = 0,30°h do valor da ordem


• Titulo = R$10,00 por ordem
• Unibanco (Investshop) = R$199,00 por mês independente da quantidade
transacionada.

TABELA 3.4 - Simulação da cobrança da taxa de corretagem por diferentes


valores de ooeracão.
Valor da Tabela
Operação Bovespa Bradesco Título
R$ R$
50,00 - - 2,70 - R$ 0,15 - R$ 10,00
R$ R$
250,00 - - 5,00 - R$ 0,75 - R$ 10,00
R$ R$
1.000,00 - - 171 49 - R$ 3,00 - R$ 10,00
R$ R$
2.000,00 - - 30,06 - R$ 6,00 - R$ 10,00
R$ - - R$ - R$ 10,50 - R$ 10,00 -

13
Taxas sujeitas a alterações, favor consultá-las.
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APRENDA A INVESTIR
3.500,00 42,71
R$ R$
5.000,00 50,21 R$ 15,00 R$ 10,00
R$ R$
7.500,00 62,71 R$ 22,50 R$ 10,00
R$ R$
25.000,00 150,21 R$ 75,00 R$ 10,00
R$ R$
75.000,00 400,21 R$ 225,00 R$ 10,00
R$ R$
150.000,00 775,21 R$ 450,00 R$ 10,00

EFETUANDO SEU CADASTRO

Para efetuar seu cadastro em uma corretora, é necessário preencher uma


ficha cadastral com suas informações pessoais, profissionais, financeiras e
patrimoniais no site da corretora. Apenas após seu cadastro ter sido aprovado
(prazo indeterminado que em geral varia de 2 a 4 dias úteis) você estará apto a
comprar e vender as ações.

HORÁRIOS DE NEGOCIAÇÃO

Pregão regular:

Horário normal (março a outubro):

- sessão continua de negociação das 10:00 às 17:00h.

Das 9h45 às 10h - Leilão de Pré-abertura - registro de ofertas para a


formação do preço teórico de abertura;

Das 16h55 às 17h - CalI de Fechamento - para os ativos negociados no


mercado à vista que fazem parte da carteira de índices da BOVESPA e para as
séries de opções de maior liquidez.

Horário alternativo (outubro a março):

- sessão continua de negociação das 11:00 às 18:00h.

Das 10h45 às 11h - Leilão de Pré-abertura - registro de ofertas para a


formação do preço teórico de abertura;

Das 17h55 às 18h - Cail de Fechamento - para os ativos negociados no


mercado à vista que fazem parte da carteira de índices da BOVESPA e para as
séries de opções de maior liquidez.

After-market:

Permite a negociação de ações no período noturno, após o horário do


pregão regular, de forma eletrônica. As operações são dirigidas por ordens e
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APRENDA A INVESTIR
fechadas automaticamente por meio do sistema eletrônico de negociação da
Bovespa. A totalidade de ordens enviadas tem um limite de R$ 100.000,00 por
investidor neste período e os preços das ordens enviadas nesse período não
poderão exceder à variação máxima positiva ou negativa de 2% em relação ao
preço de fechamento do no pregão regular.

Horário normal (março a outubro):

- fase de pré-abertura das 17:30 às 17:45h onde somente é permitido o


cancelamento das ofertas registradas no período regular.

- fase de negociação das 17:45 às 19:00h.

Horário alternativo (outubro a março):

- fase de pré-abertura das 18:30 às 18:45h onde somente é permitido o


cancelamento das ofertas registradas no período regular.

- fase de negociação das 18:45 às 19:30h.

COMO EFETUAR UMA ORDEM DE COMPRA E VENDA NO MERCADO A VISTA PELA


INTERNET (HOME-BROKER)

Ordem Limitada: é aquela que deve ser executada por preço igual ou melhor do
que o especificado pelo cliente - preço maior ou igual, no caso de venda a limite,
ou preço menor ou igual, no caso de compra a limite;

OUTROS TIPOS DE ORDEM

Ordem a Mercado: é aquela que especifica somente a quantidade e as


características dos valores mobiliários a serem comprados ou vendidos, sem que
seja fixado o preço, devendo ser executada a partir do instante em que for
recebida.

Ordem Casada: é aquela composta por uma ordem de compra e outra de venda,
e só podem ser cumpridas integral e simultaneamente.

Na negociação on-line (home broker), só são aceitas ordens limitadas.

Após estar cadastrado na corretora de sua preferência você deverá seguir


os seguintes passos na tela da página de sua corretora:

1. Escolha do ativo

Ex: Petr4f (Ações da Petrobrás preferencial do lote fracionário)

2. Definição da quantidade de ações ou do valor financeiro

Ex: R$ 1.000,00 de valor financeiro ou 25 ações

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APRENDA A INVESTIR
3. Definição do preço limite

Ex: R$ 40,00, ou seja, se for uma compra o máximo pago pela ação será de R$
40,00, e se for uma venda o mínimo recebido será de R$40,00.

4. Validade da ordem

Mesmo dia ou outra data selecionada até no máximo 30 dias da data da ordem.
Há também as opções de validade tudo ou nada (sua execução é feita
integralmente ou o sistema a cancelará), validade executa ou cancela (a oferta
só tem validade no momento em que é encaminhada, o sistema executará a
quantidade possível e cancelará o saldo remanescente automaticamente) e VAC
que significa válida até cancelar.

5. Confirmar ordem

Momento de confirmar a ordem. Neste caso será uma compra de 25 ações com
preço limite de R$40,00 com valor total de R$1.000,00, mais corretagem e
emolumentos e taxa de liquidação.

TABELA 3.5 - CUSTOS DE OPERACÃO DE UMA ACÃO


CUSTOS EMOLUMENTOS (BOVESPA) LIQUIDAÇÃO (CBLC)
NORMAL 0,027% 0,008%
DAY TRADE 0,019% 0,006%

• Cuidado para não comprar com o valor errado, pois em caso de atraso o
procedimento é o bloqueio das operações do cliente até a liquidação da
pendência, multa é de 2% do valor da ordem, mais correção monetária até
o cumprimento.

6. Acompanhar a ordem

É necessário acompanhar a ordem para verificar se foi realmente registrada e


executada. Erros são comuns de aconteceram e ninguém cuidará para você. Já
dei ordem de compra de x ações e quando fui verificar minha a quantidade de
ações em custódia era 2x. E, caso não tivesse percebido o engano da corretora,
o valor debitado de minha conta em D+3 seria também 2x.

A ordem pode não ser executada, ou mesmo ser executada parcialmente, neste
caso se você opera com valor fixo de corretagem, poderá haver operações que o
percentual pago de corretagem será muito elevado.

Poderão surgir problemas como queda de provedor e lentidão da conexão que


podem fazer com que sua oferta não chegue a ser registrada, ou ainda não
permitir ao investidor observar se a operação foi realizada ou mesmo em que
condições de mercado foi concretizada.

Após a execução da ordem de compra, a corretora credita as ações adquiridas


pelo investidor em sua conta de custódia, na CBLC.
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APRENDA A INVESTIR

7. Acompanhar o débito ou crédito e recebimento de materiais

O débito ou crédito é ocorrido em D+3, isto é, no terceiro dia útil subseqüente à


execução da ordem. E aconselhável checar os valores com os documentos
recebidos da corretora, da CBLC e da Bovespa.

Qualquer problema, contate:

Bovespa
SAP - Serviço de Atendimento ao Público Bovespa
O SAP pode ser acessado gratuitamente pelo telefone 0800-770-0149, de
segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.

CVM - Superintendência de Proteção e Orientação a Investidores


Central de Atendimento: 0800-7260802
http://www.cvm.gov.br
e-mail: soi@cvm.gov.br
Centro -São Paulo
Rua Cincinato Braga, 340/ 20 andar - Edifício Deita Plaza - CEP:01333-010 -
Tel: (11) 2146-2000
Fax:(11) 2146-2090
Rio de Janeiro - Ri:
Rua Sete de Setembro n.° 111 - 50 andar -
Tel: (21) 3233-8686
Fax:(21) 3233-8211

PRAZOS PARA DÉBITO E CRÉDITO NA CONTA CORRENTE DO CLIENTE

Débito decorrente da liquidação de compra de ações e demais ativos


adquiridos em bolsas de valores; Até às 12:00h do terceiro dia útil após a
execução da ordem (D+3):
Créditos em decorrência da venda de ações e demais ativos vendidos em
bolsas de valores; Até às 14:00h do terceiro dia útil após a execução da ordem
(D+3).

DOCUMENTOS RECEBIDOS PELO ACIONISTA

ANA - Aviso de Negociação de Ativos: comprovante de operação enviado pela


Bolsa de Valores ao comitente.

Nota de corretagem: documento enviado pela corretora que registra a


operação realizada em bolsa, com indicação da espécie, quantidade de títulos,
preço, data do pregão, valor da negociação, da corretagem cobrada e dos
emolumentos devidos.

Extrato mensal de custódia emitido pela Companhia Brasileira de


Liquidação e Custódia: extrato para informar todos os lançamentos que
ocorreram na posição de títulos em determinado período e seu saldo atual.
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APRENDA A INVESTIR

BOVESPA

Fundada em 1890, a Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa tem uma


longa história de serviços prestados ao mercado de capitais e à economia
brasileira. Até meados da década de 60, a Bovespa e as demais bolsas brasileiras
eram entidades oficiais corporativas, vinculadas às secretarias de finanças dos
governos estaduais e compostas por corretores nomeados pelo poder público.
Em 1972, a Bovespa foi a primeira bolsa brasileira a implantar o pregão
automatizado com a disseminação de informações on-line e em real time,
através de uma ampla rede de terminais de computador.
Em 1997, foi implantado com sucesso o novo sistema de negociação
eletrônica da Bovespa, o Mega Bolsa. Além de utilizar um sistema tecnológico
altamente avançado, o Mega Bolsa amplia o volume potencial de processamento
de informações e permite que a Bovespa consolide sua posição como o mais
importante centro de negócios do mercado latino-americano.
A ampliação do uso da informática foi a marca das atividades da Bovespa
em 1999, com o lançamento do Home Broker e do After-Market, ambos meios
para facilitar e tornar viável a desejada participação do pequeno e médio
investidor no mercado. Atualmente, a Bovespa é o maior centro de negociação
com ações da América Latina, e integra todas as bolsas brasileiras.
No dia 27 de setembro de 2006 a Bovespa inaugurou o Espaço Bovespa,
que foi criado com o intuito de educar o investidor e aberto ao público
diariamente e gratuitamente. Localizado no centro de São Paulo a rua XV de
novembro, 275, o espaço aberto conta com terminais de consulta, salas das
corretoras, mesa de operações, auditório, cinema 3D, centro de memória e café.

Sistemas de negociação eletrônica:

• Mega-Bolsa
Sistema eletrônico de negociação de ações da Bovespa, que podem ser
negociadas no mercado à vista, a termo e de opções. Os horários de negociação,
assim como os papéis que são negociados nesse sistema, são previamente
estabelecidos pela Bovespa.

• SENN
Mercado onde ocorre a negociação eletrônica de ações e outros ativos. São
integrantes do SENN todas as Bolsas brasileiras, exceto a Bovespa, que possui o
seu próprio sistema eletrônico de negociações, a Mega-Bolsa. Esse sistema é
administrado pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores e as operações são
feitas através da rede de serviços da BVRJ.

• SOMA
A Sociedade Operadora do Mercado de Ativos é um mercado de balcão
organizado, onde operações são realizadas por terminais de computador. Os
horários de negociação são os mesmos que os do pregão nacional.

Visite a Bovespa

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APRENDA A INVESTIR
Entre em contato com a Supervisão Educacional da BOVESPA, pelo telefone (11)
3233-2298, fax (11) 3233-2392 ou via e-mail: visite@bovespa.com.br

GARANTIAS

A Bovespa acompanha e fiscaliza seus pregões e administra o risco,


estabelecendo limites operacionais e exigindo a apresentação de garantias. Ela
mantém um Fundo de Garantia com a finalidade de assegurar aos investidores
do mercado de valores mobiliários, até o limite desse Fundo, o ressarcimento de
prejuízos referentes atuação inadequada de administradores, empregados ou
prepostos de corretora membro, que tenha recebido ordem do investidor em
relação à intermediação de negociações realizadas. As demandas dos
investidores referentes ao Fundo de Garantia devem ser protocoladas junto à
Bovespa.
A Bovespa Supervisão de Mercados (BSM) mantém e administra o
Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos, que tem a finalidade exclusiva de
assegurar aos investidores o ressarcimento de prejuízos decorrentes da ação ou
omissão de Corretora ou de Agentes de Compensação ou de Custódia, em
relação à intermediação de negociações realizadas na Bolsa.

LEILÃO

Algumas vezes ao tentar efetuar uma compra de ações você irá encontrar o
papel em leilão, mas o que seria esse leilão em bolsa? Abaixo seguem algumas
referências:

• Não há como prever um leilão. A bolsa decreta leilão quando há informação


relevante no mercado para tanto.
• Num leilão, a negociação da ação é suspensa e, no seu início, a Bovespa o
divulga e então os investidores podem enviar ordens.
• Ganharão o leilão as ofertas que atenderem o preço que será formado por
critérios da Bovespa (ponderação da quantidade e preço tanto na compra,
quanto na venda).
• O investidor Home Broker, uma vez dentro do leilão, mesmo que
participando parcialmente, não poderá cancelar ou fazer qualquer alteração
de sua oferta.

De acordo com a Instrução CVM 168/1991 as Bolsas de Valores deverão


adotar procedimentos especiais de negociação para as operações que
representem:

1 - quantidade de ações ou direitos, sensivelmente superior a média diária


negociada nos últimos pregões, ou qualquer bloco substancial, mesmo que
a negociação não envolva transferência de controle;
II - preço sensivelmente superior ou inferior a média dos últimos pregões.

Submete a leilão imediato quando:

- Lote compreendido entre 5 e 10 vezes a média nacional ou de 0,5% a


0,99% das ações ordinárias.
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APRENDA A INVESTIR

Submete a leilão com prévio anúncio de 1 hora, comunicado as demais


bolsas de valores, quando:

- Lote for superior a 10 vezes a média nacional ou de l% a 2,99v/o das


ações ordinárias ou de 3% a 4,99% das ações preferenciais.

ÍNDICES14

- IBOVESPA

O Índice Bovespa (Ibovespa) é o mais importante indicador do


desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Sua relevância
advém do fato do Ibovespa retratar o comportamento dos principais papéis
negociados na Bovespa. As ações integrantes da carteira teórica do índice
Bovespa respondem por mais de 80% do número de negócios e do volume
financeiro verificados no mercado a vista (lote-padrão) da BOVESPA.
O índice manteve a integridade de sua série histórica e não sofreu
modificações metodológicas desde sua implementação em 1968. Ele representa o
valor atual, em moeda corrente, de uma carteira teórica de ações constituída em
2/1/1968 (valor-base: 100 pontos), a partir de uma aplicação hipotética.

GRÁFICO 3.3 - IBOVESPA 1995 a 2008


1800 26/3/2008 A 6123/ M: 61.848 O: 60.758 0:61415 P3: 61329 O: 19039.112 9: 0.30
0(01?] 1800: Ibov..opo (INC) (D)

AP, 95 OCO 01 No, 03 Jn 00


nuu
Fonte: Bovespa

A composição da carteira dos índices dispostos neste item estão dispostos no site
14

www.bovespa.com.br no item mercado / índices.


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APRENDA A INVESTIR
- IBrX-50

O IBrX-50 é um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica


composta por 50 ações selecionadas entre as mais negociadas na Bovespa em
termos de liquidez, ponderadas na carteira pelo valor de mercado das ações
disponíveis à negociação. Ele foi desenhado para ser um referencial para os
investidores e administradores de carteira, e também para possibilitar o
lançamento de derivativos (futuros, opções sobre futuro e opções sobre índice).
O IBrX-50 tem as mesmas características do IBrX - índice Brasil, que é
composto por 100 ações, mas apresenta a vantagem operacional de ser mais
facilmente reproduzido pelo mercado.

O IBrX é um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica composta
por 100 ações selecionadas entre as mais negociadas na Bovespa em termos de
liquidez.

-IGC

O IGC - Índice de Ações com Governança Corporativa diferenciada tem por


objetivo medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de
empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa. Tais empresas
devem ser negociadas no Novo Mercado ou estar classificadas nos Níveis 1 ou 2
da Bovespa'-I. A ponderação é feita pelo valor de mercado das ações em
circulação (free-float) das respectivas empresas e há peso diferenciado para as
empresas do Novo Mercado (peso 2), Nível 2 (peso 1,5) e Nível 1 (peso 1).

GRÁFICO 3.4 - PERFORMANCE COMPARADA: IBOVESPA X IBRX-50 X IGC (base


1000 - 2001 A 2008)
8.'30C -

.T.00c —IGC

—IBRX 50
6.000 -

1 BOVESPA
5.000 -

4.000 -

3.000 -

2.000 -

1.000

1 1 1 01 1 1
Fonte: Bovespa

15
Classificações detalhadas ainda neste capítulo.
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APRENDA A INVESTIR
OUTROS ÍNDICES

- IEE - Índice de Energia Elétrica


Primeiro índice setorial da BOVESPA, o IEE foi lançado em agosto de 1996
com o objetivo de medir o desempenho do setor de energia elétrica.

- INDX - Índice do Setor Industrial


O INDX foi desenvolvido com o objetivo de medir o desempenho das ações
mais representativas do setor industrial, composto pelas ações mais liquidez e
ponderado em sua carteira pelo valor de mercado.

- ITEL - Índice Setorial de Telecomunicações


O índice inclui tanto ações de empresas de telefonia fixa quanto de
empresas de telefonia celular listadas na Bovespa.

- ITAG - Índice de Ações com Tag Along Diferenciado


O ITAG tem por objetivo medir o desempenho de uma carteira teórica
composta por ações de empresas que ofereçam melhores condições aos
acionistas minoritários, no caso de alienação do controle.

- ISE - ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL


índice composto por empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e
rentáveis para aplicar seus recursos.

- IVBX-2 - Índice Valor Bovespa - 2a Linha


Desenvolvido em conjunto pela BOVESPA e pelo jornal Valor Econômico o
índice é composto pelas 50 melhores ações cujos índices de negociabilidade
estejam classificados a partir da iia posição, observados os demais critérios de
inclusão descritos abaixo.

ÍNDICES DE OUTRAS BOLSAS

EUA
1) DOW JONES
- 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque.
II) NASDAQ - National Association of Securities Dealers Automated Quotation
- Índice do mercado americano que representa ações de empresas deste país dos
setores de tecnologia (high-tech).
III) S&P 500 (Standard & Poors)
- Elaborado pela Standard % Poors, reúne as 500 maiores companhias dos
Estados Unidos.

OUTROS PAÍSES
Argentina - Merval; Canadá - S&P TSX Composite; México - IPC; Japão - Nikkei
225; Alemanha - DAX ; Inglaterra - FTSE ; China - SSE ; Índia - Sensex 30;
Hong Kong - Hang Seng; Cingapura - Straits; Rússia - RTS; Turquia - ISE; Chile
- IPSA; Tailândia - Set.

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APRENDA A INVESTIR

3.6.1.2 MERCADO DE AÇÕES

GOVERNANÇA CORPORATIVA E O NOVO MERCADO

A execução de boas práticas de governança corporativa proporciona aos


acionistas a gestão estratégica de sua empresa e a efetiva monitoração do
controlador. E considerado que a valorização das ações são influenciadas
positivamente pelo grau de segurança garantido aos acionistas, que contam com
informações de qualidade fornecidas pelas empresas. Pesquisas recentes revelam
que o aspecto mais levado em conta pelo investidor na decisão de seu
investimento é a transparência da companhia.
Seguindo essa tendência, a Bovespa criou no ano de 2000 o Novo Mercado.
Em busca de algo para incentivar um mercado de capitais brasileiro atrofiado, a
Bovespa se baseou no Novo Mercado Alemão (Neuer Markt) criado em 1997.
Com isso foi criado o Novo Mercado, o qual possui três níveis de listagem, onde
cada nível requer adoção de práticas de governança. O nível com maior
compromisso é o Novo Mercado, seguido do Nível 2 e em seguida pelo Nível 1.
A empresa listada no Nível 1 se compromete, principalmente, a melhorar
as informações prestadas ao mercado e a dispersão acionária. Os compromissos
assumidos pela companhia e seus controladores são formalizados em contrato
firmado com a Bovespa. Algumas de suas práticas assumidas são: manutenção
de, no mínimo, 25% do capital em circulação na forma de ações (free-float),
realização de ofertas públicas de ações por meio de mecanismos que favoreçam
a dispersão do capital, e adoção de melhorias nas informações trimestrais.

Nível 1 => Transparência + Dispersão acionária

Além de cumprir as normas do Nível 1, a companhia listada no Nível 2


assume o compromisso de seguir regras mais amplas de governança corporativa,
garantindo direitos adicionais para os acionistas minoritários. Os compromissos
assumidos pela empresa e seus controladores são firmados em contrato com a
Bovespa.

Nível 2 => Nível 1 + Direitos aos Acionistas

As companhias listadas no Novo Mercado assumem as normas do Nível 2 e


necessitam também de possuir capital social da empresa composto somente por
ações ordinárias e garantir extensão para todos os acionistas das mesmas
condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da
companhia. A prática de possuir apenas ações ordinárias vem sendo uma
tendência mundial.

Novo Mercado => Nível 2 + Apenas Ações com direito a Voto

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APRENDA A INVESTIR

Tabela 3.6 - Companhias listadas na Bovespa (Dez/2007)


MERCADO NÚMERO DE EMPRESAS PARTICIPAÇÃO %
NOVO MERCADO 90 20%
NÍVEL 2 20 4,5%
NÍVEL 1 43 9,5%
BÁSICO E BDRs 295 66%
TOTAL 448 100%
Fonte: Bovespa

O ESCÂNDALO DA ENRON E A CRIAÇÃO DA LEI SARBANES-OXLEY


A empresa norte-americana eleita por 6 vezes consecutivas como a mais
inovadora pela revista fortune e tendo sido uma das companhias líderes no
mundo em distribuição de energia foi protagonista da maior fraude já registrada,
que contou com o auxílio de alguns bancos e até mesmo da mais antiga empresa
de contabilidade norte-americana, a Arthur Anderson. A Enron, que começou
como uma empresa de gás natural em 1985 e se transformou num
conglomerado que declarava faturamentos de mais de US$ 100 bilhões por ano.
Contabilizavam futuros lucros que não chegavam a ocorrer e transformavam
prejuízos em lucros em seus balanços. Andrew Fastow, ex CFO (diretor
financeiro), criou e dirigiu as sociedades financeiras que serviram para a Enron
dissimular a magnitude de suas perdas e fazer o mercado financeiro acreditar
que o grupo estava financeiramente saudável. Alguns executivos da Enron
obtiveram grandes lucros vendendo suas ações antes que elas despencassem. Os
20 mil empregados da empresa, perderam suas economias porque foram
impedidos pela direção da companhia de vender suas ações quando elas
começaram a cair e viram evaporar os US$ 2 bilhões dos fundos de pensão dos
funcionários. A Enron está na má companhia da WorldCom, HealthSouth, Global
Crossing e Adelphia. A pilha de escândalos levou à aprovação de legislação em
2002 (o ato Sarbanes-Oxley), que criou regras mais rígida para relatórios
financeiros e a auditoria de companhias de capital aberto. A lei Sarbanes-Oxley,
foi apelidade de Sarbox ou ainda SOX. Seu conjunto busca garantir a criação de
mecanismos de auditoria e segurança confiáveis nas empresas, incluindo ainda
regras para a criação de comitês e comissões encarregadas de supervisionar
suas atividades e operações de modo a mitigar riscos aos negócios, evitar a
ocorrência de fraudes, ou ter meios de identificar quando elas ocorrem,
garantindo a transparência na gestão das empresas.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Assim como a governança corporativa, a responsabilidade social vem se


tornando fator fundamental na gestão de uma empresa. Estudos revelam que os
consumidores aceitam pagar um adicional por produtos responsáveis. As
empresas sustentáveis geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão
mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais. Com
isso, o maior potencial de crescimento nas vendas leva a companhia a
perspectiva de melhores valorizações de suas ações.

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APRENDA A INVESTIR
A responsabilidade está baseada na sustenta bilidade das questões
ambientais, sociais e econômicas, principalmente nos problemas da degradação
ambiental - redução da poluição (solo, ar e água) e diminuição do consumo de
energia e água -, da exclusão social e da governança corporativa. Outras
questões como prevenção de acidentes de trabalho, qualidade de vida dos
funcionários e de seus stakeholders16 , e relacionamento apenas com
fornecedores e clientes pessoa jurídicas que apresentam práticas de
responsabilidade social também estão sendo popularizadas.
A BOVESPA, em conjunto com várias instituições - ABRAPP, ANBID,
APIMEC, IBGC, IFC, Instituto ETHOS e Ministério do Meio Ambiente - decidiram
criar um índice de ações que seja um referencial para os investimentos
socialmente responsáveis, o índice de Sustenta bilidade Empresarial (ISE).

D)SI - DOW )ONES SUSTAINABILITY INDEXES


Lançado em 1999, o DJSI é o primeiro índice global a acompanhar a performance
das companhias guiadas pela sustenta bilidade de todo o mundo. O índice é
composto por 318 empresas, de 58 setores e 24 países, que respondem um
questionário envolvendo questões econômica, ambiental e social. Há fundos no
exterior que investem apenas em empresas pertencentes ao DJSI. O Brasil
possui atualmente 6 empresas no índice, que são: - Aracruz; - Bradesco; -
Cemig; - Itaú; - Itausa;e - Petrobras.

OFERTA PÚBLICA INICIAL DE AÇÕES (IPO - Initial Public Offering)

Uma Oferta pública inicial de ações é feita quando uma empresa limitada
abre seu capital, transformando-se em uma Sociedade Anônima, com isso ela
venderá suas ações na bolsa de valores. Em moda ultimamente, as IPO's têm
conseguido, na maioria dos casos, rápidas valorizações devida às grandes
demandas pelos investidores internacionais.
Essas valorizações são causadas principalmente a necessidade de haver
rateio e com isso é não conseguido comprar toda a quantidade reservada,
levando o investidor a comprar o restante logo após a entrada da ação no
mercado. Essa pressão compradora ocasiona essa rápida valorização, e é
explicada pela alta procura dos investidores estrangeiros como os Hedge Funds.
Ao aplicar em uma empresa que está abrindo o seu capital, é importante
antes de fazer a reserva junto à sua corretora analisar detalhadamente o
prospecto (documento o qual possui diversas informações sobre a companhia),
verificando as informações da empresa como os principais fatores de risco (item
que descreve os pontos fracos da empresa e possíveis cenários macroeconômicos
que poderão vir a prejudicar sua performance). Atentar também aos itens:
histórico, visão geral do setor, descrição do negócio e política de dividendos,
como também às demonstrações financeiras da empresa. Com isso analisar sua
posição perante seus concorrentes, evolução do resultado operacional, situação
de seu setor perante a economia entre outros aspectos. E interessante verificar o
destino dos recursos a serem captados, e com isso analisar a reposta do
investidor a essa emissão.
O processo de formação de preços é efetuado através de Bookbuilding
normalmente através de um leilão de oferta, que auxilia na definição da

16
Todos os grupos afetados pelas atividades da empresa.
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APRENDA A INVESTIR
remuneração e outras características de títulos e valores mobiliários, de forma a
refletir as condições de mercado por ocasião de sua efetiva colocação à venda.

OFERTA SECUNDÁRIA
A oferta secundária de ações tem processo parecido com a primária, mas em vez
do recurso obtido com as vendas das ações serem alocados para uma eventual
alavancagem financeira via investimentos ou pagamento de possível dívida da
empresa eles vão diretamente ao investidor que está vendendo sua parte da
companhia. Com isso tal operação perde um pouco de sua atratividade, pois a
expectativa de valorização do papel é menor.

Devido à grande demanda pelos IPO's, prêmio paga em virtude da maior


governança (para empresas listadas no novo mercado17) e as constantes
valorizações da Bolsa, a precificação dada pelo processo de bookbuilding acaba
por estar em um patamar de supervalorização, e com isso há o perigo da
presença de uma bolha. Se não forem apresentados pelas empresas resultados à
altura desses altos preços, os exageros não serão corrigidos e o ajuste se dará
por fortes desvalorizações de suas ações. Abaixo segue tabela das ofertas inicias
públicas onde se destaca seu múltiplo PL18, o qual varia entre 14,83 a 195,79,
onde a média da Bovespa encontra-se em 9,1.

BOVESPA MAIS
Segmento de empresas que queiram ter acesso ao mercado acionário
gradualmente, que ampliem gradativamente o volume das ações em circulação,
e que sejam comprometidas com o seu desenvolvimento no mercado. Com o
objetivo de promover sua visibilidade, tendo uma postura pró-ativa. Perspectiva
de aumento do Potencial de liquidez, e evolução no mercado. Com o
comprometimento da empresa com o seu desenvolvimento no mercado de
capitais com a adoção de boas práticas de governança corporativa, similares às
do novo mercado. Possui ambiente mais receptivo e adequado a estratégias de
acesso gradual, inclusive em termos das regras de listagem.
Conta como o apoio da Bovespa à exposição da companhia e à formação de seus
profissionais em áreas relacionadas ao mercado de capitais, com os programas
de exposição da companhia ao mercado e de formação de profissionais, como
também descontos nas anuidades pagas à Bovespa.

LIQUIDEZ

Liquidez é a capacidade de se negociar um título ou um ativo, o


convertendo em dinheiro. Um investimento tem maior liquidez quanto mais fácil
for a conversão em dinheiro e quanto menor for a perda de valor envolvida nesta
transação.
Diz-se que uma ação é líquida quando é transacionada no mercado em
quantidades importantes e com elevada freqüência. Para um investidor, ter na
sua carteira uma ação líquida significa que poderá facilmente transformá-la em

'' Ver item sobre Governança Corporativa.


18 Ver indicadores em análise fundamentalista.
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APRENDA A INVESTIR
dinheiro, e sem a perda de valor em relação ao preço de mercado no momento
da venda dessa ação.

MARKET MAKER
Regulamentada desde junho de 2003, pela Instrução CVM n° 384 e pelas
Resoluções da BOVESPA n.os 293 e 300, a atividade de Formador de Mercado
(Market Maker) é exercida por uma instituição financeira contratada por uma
empresa de capital aberto, cuja função é garantir uma liquidez mínima e uma
referência de preço para os ativos para os quais é credenciado. Na Bovespa, o
papel de Market Maker é desempenhado por uma sociedade corretora membro
da bolsa, ou por uma corretora de valores não membro, uma distribuidora, um
banco de investimento, ou um banco múltiplo com carteira de investimentos. Ao
se credenciarem para exercer esta função, essas instituições assumem, de fato,
a obrigação de estarem presentes no mercado, diariamente, com ofertas firmes
de compra e de venda para uma quantidade de ativos, predeterminada e
conhecida por todos. Isto é preponderante, sobretudo para valores mobiliários de
liquidez reduzida.

DESDOBRAMENTO/GRUPAMENTO DE AÇÕES

A pessoa física que investe na bolsa, tem o desejo de diversificar sua


carteira, por isso é importante que as ações tenham valores baixos. Por outro
lado o papel muito barato tende a oscilar mais, pois qualquer alteração de
centavos gera um impacto grande em seu preço. Para que a ação tenha mais
liquidez é recomendado preços entre R$ 10,00 a R$ 50,00, já um nível ótimo de
negociação considerado pelo mercado fica entre R$ 20,00 a R$ 30,00 por ação.
Com isso, para manter os preços das ações nesse patamar, as empresas
utilizam-se do desdobramento e do grupamento de ações.

• Desdobramento (Em inglês, splft): Aumento da quantidade de ações de


uma empresa, sem que haja alteração na participação dos sócios. Com isso a
ação fica mais acessível ao público, gerando mais negócios e aumentando a
liquidez do papel.
Exemplo: a ação é negociada em bolsa a R$ 125,00 cada uma pode desdobrar
a ação à razão de 5 por 1, tornando-a cotada a R$ 25,00. Com isso quem
possuía 1 ação no valor financeiro de R$ 125,00, passará a ter 5 ações no
valor financeiro de R$25,00 reais cada.

• Grupamento (Em inglês, splft down ou reverse split): Redução da


quantidade de ações de uma empresa, sem que haja alteração na participação
dos sócios. Com isso o preço da ação não fica tão baixo, situação que
aumenta a volatilidade do papel, pois pequenas diferenças no valor
ocasionavam sensíveis variações percentuais.
Exemplo: ação é negociada em bolsa a R$ 5,00 cada uma pode grupar as
ações à razão de 1 por 5, tornando-a cotada a R$ 25,00. Com isso quem
possuía 5 ações no valor financeiro de R$ 5,00 cada, passará a ter 1 ação no
valor financeiro de R$25,00 reais.

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APRENDA A INVESTIR

VOLATILIDADE

Volatilidade é a oscilação do valor de sua cotação em um determinado


período. Por essa medida podemos identificar o grau de risco desse ativo. Mas
como risco e retorno estão sempre relacionados, ações com alta volatilidade
podem render altas rentabilidades em um curto espaço de tempo, apesar de seu
maior risco.
No gráfico abaixo estão plotados as diferentes variações diárias do índice
Bovespa (Ibovespa). Identificamos que as variações mais freqüentes são entre -
2,0% e +2,0%, que a amplitude máxima não ultrapassou -81 0% e +8,0% e que
há ciclos de maior e menor volatilidade.

GRÁFICO 3.5 - VOLATILIDADE DO IBOVESPA JAN/2000 A DEZ/2007

Volatilidade
10,00%

8.00%

6,00%
O 4,00%

9111,1 T91111 11 9V11 .11 M r, '!J 1 •'rJPflI]'rïir1mr,Çi p


2,00%
( 0,00%

-2,00% W!IL ít I £J1 ki1k' IIb tMIII 4btI .LL iif gÏ'II
> -4,00%

-6,00%

-8,00%

-10,012%
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

Como forma alternativa de ilustrar a volatilidade do Ibovespa temos o


histograma, que representa as variações do ibovespa por uma curva normal (em
forma de sino), onde em mais de 75% das vezes o índice ficou entre 2,0% e
+2,0. A variação com maior freqüência foi próxima a 0,0%, e 857 vezes foi
menor que 0, e 1117 foi maior ou igual a 0. -7,26v/o foi a menor variação e
+7,61 foi a maior variação registrada no período.

GRÁFICO 3.6 - HISTOGRAMA DO IBOVESPA JAN/2000 A DEZ/2007

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APRENDA A INVESTIR

Histograma
200
180 -
(95 160-
140-
120-

100 -
:
• 80-

1 60-
L14o-

11I1IiIii.1.
20 -

O -I 11i11Ii1 'IiIiIiI11 1111


1111 111 1111111 111 1111 ÉI11
-7,30Y •662 -595 -5,27Y •459 -39I -3,24 •2564 -1884 -1.20'. •0534 0.15 0;3% 15Ü 2.l8 2,86% 3,54% 421 4,89% 5,57% 625

Fonte: Bovespa

RECOMPRA DE AÇÕES

A recompra de ações efetuada pela empresa quando seu preço está


considerado muito aquém de seu preço "justo", geralmente após quedas bruscas
ocasionadas por motivos conjunturais do mercado. E uma operação divulgada no
mercado que tem o intuito de melhorar a rentabilidade da ação e com isso
melhorar o valor dos dividendos a serem distribuídos aos acionistas (mesmo
valor a ser distribuídos por uma menor quantidade de acionistas), visto que as
ações mantidas na tesouraria da empresa não tem direito aos dividendos.

PULVERIZAÇÃO DO CAPITAL

Uma companhia que possua Pulverização do capital significa que não há


nenhum acionista ou grupo que possua 50% ou mais do capital social desta
empresa.
Como vimos anteriormente, a pulverização do capital é fator utilizado para
a companhia passar a integrar o novo mercado. Assim como no caso da
governança corporativa, os investidores já se mostram dispostos a pagar mais
pelas ações de companhias com o capital pulverizado.
A pulverização do capital contribui também para o aumento de liquidez
dessa ação.

CONTROLADOR E MINORITÁRIOS

Em empresas cujo capital não está pulverizado, há a presença de investidor


ou grupo que detêm mais de 50% do capital votante da empresa. Este
responsável por uma série de deveres estabelecidos pela Lei das S.A.'s. Por sua
vez há também certos direitos atribuídos ao restante dos acionistas.
Os acionistas que não fazem parte do bloco de controle da empresa são
chamados de acionistas minoritários. Em alguns casos, basta ter a titularidade de
apenas uma ação para ter acesso a alguns instrumentos que lhe são garantidos
pela Lei das S.A.'s a certos poderes:

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APRENDA A INVESTIR
Receber 25% do lucro da companhia como dividendo, sendo que os
detentores de papéis PN recebem um dividendo lO% superior e têm
privilégio na divisão, caso não haja dinheiro para todos os acionistas.

• Ter acesso a informações claras e verdadeiras sobre a situação econômica


e financeira da empresa, além de dados sobre a atuação social e ambiental
da companhia.

Ser informado, por correspondência direta ou informe no site da


companhia, das datas de reuniões públicas de acionistas.

Ter um canal de informações direto com a empresa.

A BATALHA DOS MINORITÁRIOS


Decisões da CVM nos casos Arcelor e Telemar equilibram jogo entre
controladores e sócios menores em disputa societária. O mercado aprova
Por ALEXANDRE TEIXEIRA
Pode ser dura a vida do acionista minoritário das grandes empresas nacionais.
Mas ele não está sozinho. Na semana passada, em duas decisões referentes a
contenciosos societários, a CVM reafirmou seu papel de árbitro no capitalismo
brasileiro. Com disposição para contrariar interesses de grupos multinacionais.
Na segunda-feira 25, a Comissão de Valores Mobiliários anunciou importantes
decisões sobre os casos Telemar e Arcelor. Na polêmica envolvendo a operadora
de telefonia, o regulador do mercado autorizou os acionistas que têm papéis
preferenciais e ordinários a votar na assembléia que definirá as regras da
reorganização societária da companhia. Na prática, é uma vitória dos atuais
controladores, que assim participarão (em maioria) da reunião que definirá os
termos da troca de ações da "velha" Telemar por papéis da nova holding a ser
criada, a Oi Participações. E uma derrota dos minoritários preferencialistas, que
temem ver diluída sua participação na companhia. Já no caso Arcelor, a CVM
decidiu que a Mittal Steel (que assumiu o controle da siderúrgica há três meses)
terá de fazer uma Oferta Pública de Ações a minoritários brasileiros. O gigante
indiano do aço tentava esquivar-se desse procedimento, alegando que, pela
legislação de Luxemburgo, onde foi fechado o negócio, não ficou caracterizada
uma aquisição do controle da Arcelor. Prevaleceram, porém, a Lei das S.A.'s e o
estatuto da Arcelor. No Brasil.
O litígio na Telemar está só começando. Duas gestoras de recursos estrangeiras,
a Genesis, de Londres (que tem 6,5% das ações preferenciais da operadora), e a
Brandes, da Califórnia, uniram-se para lutar contra a troca de ações. Alegam que
a participação dos controladores saltará de 13,8% para 23,6v/o. E a fatia dos
preferencia listas minguará de 71,5% para 45,4%. Suas representações já estão
protocoladas na CVM. Juntam-se, assim, a uma série de questionamentos feitos
por gestoras brasileiras, como Argucia, MelIon e Polo, o que sugere uma longa
batalha à frente.
Bem diferente é a situação na Arcelor. Ali, a decisão da CVM é definitiva. Só pode
ser revertida na "Justiça comum", se a Mittal insistir em levar o caso adiante.
Cria-se, assim, uma jurisprudência que naturalmente agrada alguns e preocupa
outros. "No Brasil vale a lei; aspectos éticos ficam em segundo plano", observa
Alfried Pkger, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas. "Não
se deve generalizar, mas tem muito minoritário achacando as empresas, o que
pode ser legal, mas não é ético", critica. Pkger sustenta que o investidor
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APRENDA A INVESTIR
brasileiro quer "segurança de renda fixa" em aplicações de renda variável. E
sugere: "principiantes não deveriam comprar ações, mas cotas de fundos. Bolsa
é para profissionais".
Opinião distinta é exposta por Mariana Mendes Medeiros, sócia do escritório L.O.
Baptista Advogados e especialista em direito societário. Analisando o caso
Arcelor, ela nota que o minoritário brasileiro pode ter comprado ações da
siderúrgica por confiança nos controladores. E pode agora não concordar em ter
a Mittal como sócia e gestora. Mais: esse acionista comprou o papel sabendo
que, em caso de venda do controle, poderia se desfazer de sua posição pelo
mesmo valor recebido pelos majoritários. "Você não pode eliminar esse direito",
avalia a advogada. "E bom ver que a CVM não abaixa mais a cabeça para o
capital estrangeiro."
O mercado assina embaixo. De segunda a quarta-feira da semana passada,
segundo a Economática, as ações preferenciais da holding Telemar subiram
5,8%. E as ordinárias da Arcelor Brasil valorizaram 10,3%. Em ambos os casos
superaram o Ibovespa, que avançou 3,8% no período.
Fonte: Isto é dinheiro, seção Finanças de 04/10/2006

INFORMAÇÃO

Além de verificar o movimento das cotações, também é preciso ficar atento


aos acontecimentos do mercado e fatos relevantes divulgados pelas empresas.
A BOVESPA disponibiliza várias ferramentas on-line que possibilitam
acompanhar estas informações e você também pode consultar as notícias nos
principais jornais impressos e outros veículos de grande circulação da sua cidade.
Outras informações também podem ser obtidas no site da CVM, como por
exemplo, na pasta "Companhias Abertas", onde estão disponíveis as DFP
(Demonstrações Financeiras Padronizadas), as ITR (Informações Trimestrais) e
as lAN (Informações Anuais) das companhias. E também recomendável consultar
a pasta "Fatos Relevantes de Companhias Abertas" para saber se existe alguma
notícia importante sobre a companhia cujas ações você está interessado em
comprar.
O site de RI19 das companhias assim como o contato direto com os
profissionais dessa área são fontes de informações recomendadas. Assim como
as reuniões das companhias promovidas em diversas cidades brasileiras pela
Apimec - Associação dos analistas e profissionais de investimento do mercado de
capitais.

INSIDER INFORMATION

Quando certa ação apresenta um volume de negociação fora da média de


suas transações anteriores e não há informação referente a essa empresa
divulgada no mercado, há possibilidade de ocorrência de acontecimentos que o
público ainda não sabe. As informações não divulgadas ao público são chamadas
de "insider information", traduzido do inglês como informação privilegiada.
A definição de informação privilegiada é: a informação fornecida de forma
restrita a certos agentes, pelas empresas ou por intermediários, em menor

19 Alguns sites disponibilizados na seção "sites úteis".


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APRENDA A INVESTIR
tempo, ou melhor qualidade ou quantidade, do que a distribuída ao público em
geral, possibilitando ganhos resultantes do diferencial de informações, aos
favorecidos portal prática.
Empresas em processo de reestruturação, fusão ou aquisição são mais
suscetíveis a existência desse problema, como também períodos antes de
divulgação de resultados.

04/11/2004 - 20h48
Pela ia vez na história, CVM pune caso de "insider information"
da Folha OnIfne
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), responsável pela fiscalização do
mercado de capitais, tomou hoje uma decisão histórica ao punir uma gestora de
fundos de investimentos, a Fator Administração de Recursos, por uso de
informação privilegiada ('insider information") visando lucrar na Bovespa (Bolsa
de Valores de São Paulo).
Por unanimidade, o colegiado da autarquia multou a Fator em R$ 600 mil. O
principal executivo da Fator, Walter Appel, recebeu uma multa de R$ 500 mil e
ficou proibido de atuar no mercado.
Segundo a CVM, a Fator usou informação sigilosa sobre o plano de privatização
da Copel (Companhia Paranaense de Energia) para obter ganhos na Bolsa em
2001. Na época, a empresa integrava um consórcio responsável por assessorar o
governo do Paraná na condução do plano de privatização, que fracassou em
2001. A informação privilegiada, segundo a CVM, era sobre uma oferta pública
de compra de ações.
A Fator se destacou no mercado por assessorar privatizações como a do Banespa
em 2000 e o plano de fusão entre Varig e TAM no ano passado.
Outro lado
Em nota, a Fator informou que vai entrar com recurso contra a decisão da CVM,
considerada "improcedente", negou o uso de informação privilegiada para obter
ganhos e disse que adota um "rígido código de ética". A gestora de recursos
informou que, nas operações com os papéis da Copel, obteve um resultado bruto
da ordem de R$ 40 mil.
"O conglomerado Fator [reúne banco, corretora, distribuidora de títulos e
assessoria de projetos] adota internamente o método de segregação de
atividades (chinese wall). Por esse sistema, o setor que administra recursos de
terceiros não tem acesso às informações oriundas das áreas envolvidas em
processos de privatização", disse a Fator.
Quando a informação sobre a oferta de ações veio oficialmente a público por
meio de um "fato relevante" divulgado no dia 25 de julho de 2001, a cotação do
papel subiu 14,01%. Para a CVM, investidores foram prejudicados.
"Tal infração, pelo prejuízo que acarretou a inúmeros investidores que venderam
suas ações em desconhecimento da informação que veio a ser divulgada e que
era de conhecimento somente de alguns compradores, bem como pelo prejuízo
causado à credibilidade do mercado de capitais brasileiro, é de extrema
gravidade o que já impede o acolhimento da proposta de celebração de termo de
compromisso", escreveu o relator do processo e diretor da CVM, Eli Lona, ao
votar em julho contra a celebração de um acordo com os indiciados.
Por sua vez, a nota da Fator citou que "a análise dos negócios efetivados durante
esse período comprova que as compras e vendas se deram por motivos
relacionados às práticas normais desse mercado, e não em razão de eventual
detenção de informação privilegiada".
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APRENDA A INVESTIR
Fonte: http://wwwl.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u90467.shtml

EMPRÉSTIMO DE AÇÕES

Operação na qual o acionista disponibiliza suas ações para empréstimos


com o intuito de receber uma remuneração que varia em torno de 2v/o a 15%
a.a. (ao ano) do valor da ação, e os interessados as tomam mediante aporte de
garantias junto à CBLC (companhia brasileira de liquidação e custódia).
O aluguel de ações funciona da seguinte maneira:

Doador: cliente que tem investimento em ações com perfil de médio e


longo prazo (fica com o papel por 60 dias ou mais) e procura alugar suas
ações para receber uma remuneração extra. Ele continua com direito a
receber dividendos (pagos pelo tomador) e direitos de subscrição, porém
não pode vender as ações pois estas se encontram alugadas.

Tomador: cliente que quer vender as ações (ficar short) e não tem a
posição. Ele aluga no mercado as ações e vende. Quando recomprar as
ações ele devolve para o doador e liquida a operação.

Custos: para o doador não há custos, para o tomador o custo da operação


é a taxa pré-fixada com o doador + 0,25% de emolumentos para a bolsa
que é pago no dia da liquidação levando em conta o financeiro do dia em
que foi fechado a operação.

Prazo médio das operações: 30 dias e as taxas variam entre 2 % a.a. a 15


% a.a. dependendo do papel. Em média a taxa é de 5 % aa. As taxa médias
praticadas podem ser consultadas no site da cblc (www.cblc.com.br), na seção
banco de títulos/consulta/empréstimos registrados.
Indicado ao tomador quando acredita num mercado com tendência
baixista, pois pegará emprestado, venderá esse ativo por x e o mesmo irá se
desvalorizar até chegar a seu valor de fundo, próximo ao vencimento do contrato
onde o tomador irá realizar seu lucro.
Vale ressaltar que o risco é alto, pois além de maiores custos, a
possibilidade de perda é muito maior que na compra, ou seja, se uma ação, por
algum motivo, dobrar de preço, o investidor que está vendido perde 100% de
seu capital, enquanto que na compra isso só aconteceria se a empresa falisse.

PROGRAMA DE DISTRIBUIÇÃO DE OPÇÕES DE AÇÕES (STOCK OPTION)

Stock option é sistema de remuneração adotado por muitas empresas, que


consiste na concessão do direito de comprar uma certa quantidade de ações da
empresa a um preço pré-estabelecido.
Caso o preço da ação suba, o detentor da opção receberá a diferença do
preço das cotações quando exercer seu direito de compra. Exemplo: opção de
compra de 10.000 ações da XPT04 cotada a R$ 25,00 a ação. Após período de
um ano a ação está cotada em R$ 60,00, e a opção de compra é exercida com
lucro unitário de R$ 35,00, totalizando um lucro de R$350.000,00.

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APRENDA A INVESTIR
Esse direito é distribuído aos funcionários, geralmente nos níveis de
gerentes chegando até a presidência e CEO, e tem por objetivo tornar o
funcionário um acionista da empresa, ganhando assim, seu total empenho no
crescimento da companhia, visando a valorização de sua ação.
A concessão de opções de ações é oferecida tanto a funcionários mais
antigos, como também para atrair novos talentos de outras empresas ainda
quando a empresa não abriu seu capital na bolsa, que aceitam menores salários
na aposta de uma maior ganho no futuro, após a empresa efetuar seu IPO. Como
foi o caso dos funcionários da Google (site de busca americano) onde cerca de
mil funcionários receberam cerca de um milhão de dólares ao exercerem suas
opções.
A crítica a essa forma de remuneração é que incentivo dado para a
elevação dos preços das ações pode causar manipulação de informações e
fraudes contábeis, como nos casos da Enrom e da Worldcom. E em épocas de
recessão elas se tornam um negócio pouco atraente.
3.6.2 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTO EM AÇÕES

Você já deve ter ouvido alguém reclamar com a seguinte frase: "na bolsa
eu subo de escada e desço de elevador". Quem já operou n Bolsa sabe que uma
alta de +X% não recupera uma baixa de -X%. Uma ação que estava valendo R$
100,00 e caiu 30% foi para R$ 70,00. Se no pregão seguinte ela subir 30%,
valerá R$ 91,00. Uma perda de 9%. Com isso é necessário alongar os lucros e
parar os prejuízos (stop-loss).
Existem duas técnicas básicas de análise de investimento: fundamentalista
e gráfica, esta última também chamada de técnica pelo mercado. Na primeira, a
recomendação de investimento parte dos resultados da análise dos fundamentos
macroeconômicos, setoriais e econômico-financeiros da companhia emissora. No
segundo tipo, o analista estuda o comportamento histórico do preço e volume
negociado do ativo financeiro em questão, para traçar tendências de
comportamento de preço.
Embora existam debates sobre a eficácia de cada uma das técnicas, elas
podem ser consideradas complementares. Por exemplo, o analista estuda o setor
e a situação econômico-financeira da companhia para fazer uma recomendação
de investimento. Seu trabalho é completado com a análise gráfica, que apontaria
o melhor momento de compra ou venda.
Na prática, julgamos que apesar das disparidades conceituais, o domínio
dos instrumentos das duas escolas só melhora as chances de ganho de um
investidor em ações.
Generalizando, as informações da escola fundamentalista oferecem ao
usuário elementos para decidir o que comprar, por outro lado, as ferramentas da
escola técnica se prestam a sinalizar quando comprar (ou vender). Há quem
entende que toda empresa possa apresentar ganhos ao especulador e trabalha
com a análise gráfica sem olhar os dados financeiros das companhias.

3.6.2.1 ANÁLISE GRÁFICA

A Análise Gráfica, também conhecida como Análise Técnica, é uma


ferramenta utilizada por investidores profissionais (conhecidos como traders), ou
mesmo amadores, para o estudo do mercado de renda variável (como o de
ações). A Análise Gráfica pode ser definida como o estudo dos preços e de seus
volumes.
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APRENDA A INVESTIR
O analista técnico baseia-se na premissa que todas as informações estão
representadas nos gráficos, na medida em que este traduz o comportamento do
mercado (funda menta listas, insiders, amadores etc) e avaliam, a partir dos
gráficos, a participação desses investidores que influenciam na formação dos
preços. Eles preferem até mesmo não ter contato com as noticias, pois
consideram que elas podem influenciá-lo a atribuir um peso maior a uma
informação já refletida graficamente.

Principais conceitos:

• O preço de mercado representa um consenso, ao qual se dá o equilíbrio


entre a oferta e a demanda da ação, e com isso o preço desconta todos os
fatores possíveis (fatores macroeconômicos, fundamentalistas, políticos,
psicológicos etc.);
• Os preços formam-se dentro de tendências, ou seja, ocorrem períodos em
que os preços oscilam segundo uma tendência de alta, de baixa ou lateral;
• Certos níveis de preços são "gravados" pelo mercado, como por exemplo
topos e fundos, onde exercem forte resistência ou suporte para o avanço
dos preços, mas que se rompidos serão geralmente ultrapassados com
grande intensidade;
• A história se repete e com isso, os padrões gráficos são identificáveis. Eles
são baseados em padrões comportamentais como: ganância, medo, euforia
e pânico, sempre presentes na natureza humana.

O GRÁFICO

O gráfico é elaborado com base no preço do ativo em um dado período,


conforme ilustrado abaixo:
• NATUO 4/3/2000 A 1774 M 17793 397 1703 F 1774 PM: 17,55 07 1365.300 79,7 -195
0(012] NATLI3: Natur8 00 EU 901 MT) (0) 31.00

30.00

II f 29.00

28.00

21.00

ív)j I 20.00

J
19.00

1 18.00

17.00

15.00

14.00

3u105 E Ma 06 U.07 ler, FeIOS

Fonte: CMA

Nesse caso foi utilizado o gráfico de linhas com a periodicidade diária, onde
a linha é a união dos preços de fechamento de cada dia de negociação. Além do
preço de fechamento, também são importantes os preços de abertura, mínimos e

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APRENDA A INVESTIR
máximos, e com isso foi criado o gráfico de barras, que reuni esses quatro
preços.

GRÁFICO DE BARRAS

Mais completo que o gráfico de linhas, o gráfico de barras utiliza, além do


preço de fechamento, o preço de abertura, além do preço mínimo e máximo do
período utilizado.
rflèsX Ir:

abrtLr. 1.-
-*---fechamento

-4---fechamerto abertura

- mínimo
mínimo
• 503H3 4/3/2000 A: 2700 M: 2020 o: 2620 F: 26,15 PIO: 2602 0: 3.015.200 %: -4.50
11 [0121 50003: EDvespa HId 0N NO (001) (0)

31.00

35.00

34.00

30.00

31.00

20.00

27.00

GRÁFICO DE 26.00

LINHA

23.00

07 27 Fb 2'7

no ArdiDo

Fonte: CMA

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APRENDA A INVESTIR
• 500H3 4/3/2000 A: 2700 M: 2020 o: 2620 F: 26,55 FOI: 2602 0: 3.015.200 'A: -4.50
11 [0121 50003: EDvespa HId 0N NO (001') (0)

-
31.00

i
1 - 31.00

::::

-] - 20,00

GRAFICO DE - 27.00

BARRAS J 26.00

lIt
-- 23.00

07 /,, LYc 27 JanOS Fb 27


4/4000 /
-
Fonte: CMA

CANDLESTICK

Ainda existe outro tipo gráfico mais visual que o gráfico de barras, que
também utiliza esses quatro preços, descoberto pelo ocidente apenas
recentemente, mas utilizado no Japão, no mercado de negociação de arroz,
desde o século XVIII.
A denominação candlesticks se dá porque a figura representativa parece
uma vela com seus pavios. As figuras não necessitam ser exatamente iguais, e
cada padrão está sujeito à interpretação de cada analista.

Sombra ou Máximo
Pavio superiorrNN
Abertura ou Fechamento

Corpo
ÜAbertura ou Fechamento
Sombra ou
/ Mínimo
Pavio inferior

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APRENDA A INVESTIR

úiáxi 0ïI6J
máximo
fechamento abertura-*

briuroE
- fechamento

- mínimo
-1 mínimo

• 80083 4/3/2008 A 27,00 28,20 m 26,20 F: 26,55 74 26,82 .010.200 % 4.50


D [012] 800H3: 8000808 HId ON NM 500T) (0)

36.00

4-
35.00

GRÁFICO DE
1T lt
33.00

f1 BARRAS 31.00

28.00

27.00

26.00

24.00

23.00

o 07 NO3 DOO 0500 Feb


1300

Fonte: CMA
• 80343 4/3/2008 A 27,00 28,20 m 26,20 F: 26,55 74 26,82 0 .010.200 % -4.50
D [012] 800H3: 6000808

36.00

35.00

GRÁFICO DE 33.00

VELAS
31.00

28.00

i úÍ
27.00

26.00

23.00

o
nu"
07 030 27 30408 Féb 27
8000

Fonte: CMA

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APRENDA A INVESTIR
O estudo do candlestick foi muito divulgado nos últimos anos, e suas
figuras são de extrema relevância para antecipar as reversões de preço. Mais
adiante, estudaremos os padrões mais importantes.

ESCALA

Encontramos duas opções de escalas ao analisar o preço no gráfico: i)


escala aritmética, esta que oscila linearmente;e ii) escala logarítmica, que oscila
percentualmente. No mercado de ações, temos maior interesse na variação
percentual, e também a escala logarítmica é mais adequada a mercados com
maior volatilidade, como o brasileiro, e ter maior compatibilidade com certas
ferramentas, como a retração de Fibonacci, explicada a seguir.

ARITMÉTICA LOGARÍTMICA

55 55
50 45
45
40 35
35
30 25
25
20

15 15

ARITMÉTICA (LINEAR)
mcv 18/3/2008 A: 60.033 ri: 61.497 rn: 60.039 E: 61321 EM: 61,165 II' 7,624.035 4: 2,16
O [012] 806: iboeçra (INC) (D)

65060

65060

ACOCO

35060

25060

25060

Itulu

Mar 03 Jw'04 Nv 2A106 M.03 07 M,' 08

0800003

Página 99 de 193
APRENDA A INVESTIR
Fonte: CMA

LOGARÍTMICA
1800 18/3/2008 A 60039 M:62.497 33:60/39 6:61321 PM: 61185 0:7624.035 4:218
0(012] [800: Ibounupa (INC) (D)

SCOCO

40'JCU

11000

M-03 lan' 04 N)v A., 05 Sul 06 r'la'j 07 NaO 0:3


flUi] Aoao

Fonte: CMA

ZOOM

O visual do gráfico é um importante fator a ser considerado. É necessário


analisar o gráfico tanto no longo prazo, como no curto prazo. Todos os
programas gráficos possuem a opção de selecionar o zoom + e zoom -, e com
isso é possível olhar para trás e procurar traçar suportes e resistências mais
antigos e também procurar por padrões repetitivos, como também olhar o gráfico
mais de perto e procurar por sinais mais claros de curto prazo.

LONGO PRAZO
01504 10/3,2000 A: 10,43 rI: 10.50 rn: 9,16 6: 9,10 891: 10.12 0: 1,119.100 '6: -4.27
0(012] 41004: Opto 68 l'alOT) ID

11

09698 Ap CO 3:41,03 Jan'05 Ml," 08:


r;T;T1é.1"

Página 100 de 193


APRENDA A INVESTIR
Fonte: CMA

CURTO PRAZO
• 81004
O (012] 50804: 06.08 /
10/3/2008 A: 1049 M: 1080
VST) ID)
rol: 986 E: 986 PM: 1012 0: 1119.100 %: -4.27

11.20

10.80

i Dti 1.

ó 1 i
j
lj jõ 9.60

940

5.20

i' itI'
i
r
8.60

840

800
l]Ã

II 7.60

7.40

7.20

'May 07

LJJ 1 Ar0ao

Fonte: CMA
— Ag Jan' 00 81r

CURTO PRAZO - Ao observar somente este gráfico não seriamos capaz de traçar
essa Linha de tendência de alta (LTA), e não conseguiríamos entender essa
queda após o rompimento da LTA e o seu retorno (pullback) ocorrido após o
fundo duDio. 20
• 04005 19/0/2008 A: 51,70 M: 52,13 rol: 48,10 E: 48,45 051: 80,08 0: 4.213.800 %: -5.83
11 [0121 SBDC4: Bradesco PM 41 OST) (D) 61.00

51.00

57.80

Ii
14.00

tQ
tIÇ
49.00

J.'Ü

::::

No 07 L ,: ior::I:, 10 Fb Mr

EJEfl OSr0oo /

Fonte: CMA

LONGO PRAZO - Onde foi traçada a Linha de Tendência de Alta.

70
LTA, Pullback e Fundo Duplo serão discutidos ainda neste capítulo.
Página 101 de 193
APRENDA A INVESTIR
BBDG4 19/0/2003 A: 51 70 M: 52 03 ro: 4810 F: 43 43 3M: 50 08 0: 4.213 :333 %: .5.33
0(012] 58DC4: &adecc, 33 45 (1.07) DC
50.00

53.00
55.0 0

54.00

52.0 0

45.00

42.00

40.00

N,
'5~ / —-- LINHA DE TENDÊNCIA
36,10

34.00

DE ALTA (LTA)

ao os oh D(c ApI 07 Ah oh 03
LIuu GI1cO

Fonte: CMA

PERIODICIDADE

Há a possibilidade de construção do gráfico em qualquer periodicidade, seja


mensal, semanal, diário e intra-day (como 1 minuto, 15 minutos, 60 minutos
etc.), e a teoria da análise gráfica é aplicada igualmente em qualquer
periodicidade, porém em periodicidades mais longas pode haver menos sinais
falsos. A análise conjunta de diferentes tempos gráficos é recomendada, onde
possamos visualizar a tendência de curto e longo prazo.
Abaixo segue ilustração de como é formado um candle semanal a partir dos
preços diários.

Página 102 de 193


APRENDA A INVESTIR

Fei::F-iarrierito

o MirHrni:i

E;equrida Terça Quarta Quinta Ee:ta E; em a ri ai

GRÁFICO DIARIO
• T00L4 10/3/2008 A: 620 84: 628 rn: 8,71 F: 8,71 PM: 8,86 6: 6.138.600 56: -7.90
1 0(012] rcsL4: Tini Part 5/a 784 51/ /0/
8.40
8.20

'.60

7 .'0

'co
0.00

510

5.00

4.80

4.60

4.40


Mal1 06 A ]an 07 My o6t
TTiTfl 6rino /

Fonte: CMA

GRÁFICO SEMANAL

Página 103 de 193


APRENDA A INVESTIR
• TCSL4 10/3/2009 A: 620 54: 626 08: 5,71 F: 5,71 PM: 000 4: 6.131.600 50: -7.90
11 [0121 rcsL4: Tini Part 5/a 09 (OSE) (S) 6,50

7.50

1 'íi 5.50
1
6.00

Ó1
9.50

4,00

[1

Se 05 Feb' 06 1tl No\' Ap 07 Sp Fe 08


TJ,LLJ 1 50a500 /
Fonte: CMA

DIARIO X INTRADAY 15 MINUTOS

NOV 2007 GÁFICO DIÁRIO


• P6164 27/11/2007 A: 72,72 M: 04,71 00: 71,64 E: 73,72 PM: 73,66 0:10,505.000 04: -1.16
11 [0121 PErnA: Petrobran 05 )OST) (D)
90.00

64.00

82.00
1

1
60.00

i=~ -~- é
78.00

1~ em 76.00

- 73.72

—00

70.00

00807 900 06 1'2

/ 6ri0o

Fonte: CMA

NOV 2007 GRÁFICO 15 MINUTOS

Página 104 de 193


APRENDA A INVESTIR

\
FE7R42211/2007 19:15d 7547 M 7551 cc 7531 cl 7531 O 19 .200 %:-0.20
0[01?] PETR4: Pptrcbr,s cri MT) Lis)
90/10

04.00

12.00

/
Í
•1

.1 70.33

10 0. 07 05 )Joo 07 oi 13 19 22

Fonte: CMA

DOW

A Teoria de Dow é uma das mais antigas teorias sobre análise gráfica e é
considerada a base da análise técnica moderna. Charles Dow fundou o Wall
Street Journal em 1889, e escreveu artigos entre 1900 e 1902. Samuel Nelson
foi quem compilou seus artigos e escreveu os livros ABC of Wall Street e ABC of
Stock Speculation, os quais foram as bases da Teoria Dow.

Charles H. Dow comparava os diferentes tipos de tendência aos


movimentos do mar, com suas marés, ondas e cristas. Quando a maré está
subindo, cada onda que quebra, quebra um pouco mais alto que a outra e depois
recua. Assim, se pusermos um bastão assinalando o ponto máximo atingido pela
onda, em pouco tempo saberemos se a maré é montante ou vazante,
demorando-se um pouco mais a se perceber a tendência quando da reversão de
uma para a outra.

De acordo com Dow e conforme ilustrado no gráfico abaixo identificamos a


fase 1 como a da acumulação, a fase 2 a alta sensível e a fase 3 como a euforia.
Ainda percebemos que existe uma fase 4 de total realização onde os preços
caem sensivelmente.

Contudo a fase 1 pertencente aos insiders (possuidores de informações


privilegiadas), é onde todos preferem possuir suas posições iniciais, e através da
análise gráfica, os não insiders podem identificar tal momento.

Página 105 de 193


APRENDA A INVESTIR
CC603 22/2/2006 A 1709 M 1726 M 1652 D 1652 PN 1695 V 1.070.200 -3.22
11 (01 CCR03 CcrRcdovi.o 09 MM )OST) (D) 22.00

1
20.00

19.00

'1
1 1 60.00

i4rl1,0
[l 17.00

16.52

I10a 15.00

2 II 16.00

!I
1
1 1 14.00


Í? ti1
13.00
1 T Ipi
I1t 1h
1
lFII II 12.00

01
11.00

on 01 Mir Miy 0ç Dt Do Fe 06

Fonte: CMA

Os principais pontos da Teoria de Dow são:

• Os mercados se movem em tendências. As tendências podem ser de alta


ou de baixa. Por sua vez, as tendências podem ser primárias, secundárias
e terciárias, segundo sua duração.

• Os índices (de ações, como o Ibovespa) descontam tudo. Todos os


possíveis fatores que afetam a cotação dos preços dos ativos (ações) são
descontados por esses índices que consideram todas as notícias, resultados
contábeis e financeiros, acidentes e etc.

• Princípio de confirmação. Para confirmar uma tendência é necessário que


os índices coincidam com a tendência.

TENDÊNCIA

Existem três tipos de tendências, a altista, a baixista e a lateral.

• TENDÊNCIA ALTISTA (BULLISH)


Tendência quando, sob maior pressão compradora (maior demanda), o preço
dos papéis sofrem alta. O termo bullish vem do "bulI" (touro) e origina-se
porque um touro ataca com movimentos de baixo para cima, erguendo seu
chifre contra o oponente.

• TENDÊNCIA BAIXISTA (BEARISH)


Tendência quando, sob maior pressão vendedora (maior oferta), o preço dos
papéis sofrem queda. O termo bearish vem de 'Tbear" (urso) e origina-se
porque um urso ataca com movimentos de cima para baixo, derrubando seu
adversário com a utilização de suas fortes patas dianteiras.

• TENDÊNCIA LATERAL (MERCADO DE LADO OU FAIXAS DE NEGOCIAÇÃO)

Página 106 de 193


APRENDA A INVESTIR
Tendência quando, sob pressões semelhantes entre compradores e
vendedores.
P0813 19(3/2808 A: 2367 81: 2403 88: 2188 8:2168 PM: 2284 0: 383 800 %: -8.07
(0 21 00813: Pooibv InF ON NO (VST) (0)
?41,10

l 06.00

1fr

30.00

LATERAL 36.00

34.00

ALTIST
30.00

BAIXISTA
21.00

21,10

24.00

08 MJ00
nu',
Fonte: CMA

O reconhecimento de uma tendência é simples e se dá através de diferentes


ferramentas, onde elas se complementam, e convergem para a mesma
interpretação.
1. A principal ferramenta e identificar os topos e fundos, e verificar sua
evolução;
2. Em seguida deve-se traçar a linhas de tendência com a reta tocando os
topos ou fundos, e após isso verificar sua inclinação;e
3. A última técnica é utilizar a média móvel, esta explicada ainda neste
capítulo e que estará próxima da linha da tendência, quando em tendência
formada.
O mercado acionário não se move de uma forma linear, e sim é composto de
"topos" e "fundos" que, pela sua direção, compõem uma tendência.

Página 107 de 193


APRENDA A INVESTIR

• VALES 8/6/2005 A: 1433 M: 1435 rn: 86 F 97 600: 14.1 .02 576 %: -0.85
D [012] VALEI: 781056 09605 PO4 NO CASTO (D)

TOPO

TOPO
FUNDO

UNDO 8.00

LINHA DE TENDÊNCIA DE ALTA (LTA) 7.00

6.00

Na 03 Júl 399
ORE 0r0

Fonte: CMA

• BRKMS 4/3/2009 A: 14,60 M: 14,90 9: 14,20 F: 14,51 P91: 14,52 4: 886.700 56: -1.16
O [012] IEKM5: Eraskem PISA NO )]jr) CD
10.00

LINHA DE TENDÊNCIA DE BAIXA (LTB)


Til
ti1 OPO
Í 16.50
II

FUNDO
ii TOPO
15.00

14.51

14.00

FUNDO 13.50

12.50

SeS 07 OCO N- D.. Oan 08 Feb


nu"
Fonte: CMA

Página 108 de 193


APRENDA A INVESTIR
E 38803 5t3/2008 A: 2760 M: 2809 rn: 27,30 E: 2774 P91: 2773 2:4.448.700 99
11 [0121 BBA53: Brasil ON ED NM (/57) (D)
Lão
27.74

LINHA DE TENDÊNCIA
DE BAIXA (LTB)
LINHA DE TENDÊNCIA
DE ALTA (LTA)

Se 95 98 Sep 00 Mar 03 AuN 05 FeU 00

Fonte: CMA

70/7/2088 A: 61.936 M: 62.372 no: 98.809 F: 58,827 PM: 60.461 0: 1 107.932 16: -5.0
O (012] [800: rboveapa (1/60) (D)

55000

50000

45000

35000

—10

25070

LINHA DE TENDÊNCIA
DE ALTA (LTA)
15000

M-03 807 3.1 06 May 00 Mar Os

Fonte: CMA

ÂNGULO

A inclinação do ângulo de uma linha de tendência deverá ser algo próximo


a 45 graus, caso seja superior uma reversão na mesma intensidade será muito
provável.

Página 109 de 193


APRENDA A INVESTIR
• ELPL6 5/12/2006 A: 95,54 00: 6712 o: 6326 F: 6504 FOI: 6569 0: 225.610 ¼: 1.62
11 [0121 ELPLO: Eletropaulo p950 N2 (V ST) CD

85.00

64.00

83.00

82.00

1 61.00

80.00

76.00

77.00

Inclinação próxima a 450 75.00

74.00

Sep 0t 1'7 Dec

Fonte: CMA
• 68ïA3 31/8/2007 A: 29,00 M: 29,49 rir: 28,57 E: 28,90 PM: 28,94 0: 145.700 ¼: 1.40
11 [0121 96YA3: Aboorir ON NM 0637) (D)

36.00

35.00

33.00

±1
32.00

30.00

30.00

Inclinação superior
a 45° 27.00

20.00

3/707 2'l lói 17 3


AI' 5560000

Fonte: CMA

PIVOT

Uma tendência é constituída de topos e fundos consecutivos que se


movimentam em uma certa direção. O momento que se dá uma reversão de
tendência é denominado como Pivot de Alta ou Pivot de Baixa.
No gráfico abaixo encontramos um Pivot de Alta quando o preço da ação
rompe a LTB e inicia a formação de topos e fundos ascendentes. No gráfico
disposto abaixo constatamos que o ativo estava em tendência de alta formando
fundos e topos ascendentes, tendência de alta interrompida no ponto 1 quando
rompida a linha de tendência de alta, confirmada pela formação do topo mais
baixo (ponto 2).

Página 110 de 193


APRENDA A INVESTIR
A partir do rompimento do fundo anterior (ponto 3), ocorreu o Pivot de
Baixa e confirmou o início da tendência baixista do preço da ação. Verificamos
que o nível de preço do fundo anterior era um importante suporte, onde o preço
poderia atingir e voltar a subir.
PCAR4 25/9/2006 A: 2616 ri: 20 92 2760 O: 2662 P11: 26 29 II: 204.160 94: 1.96

0(012] DcAP4: P,a!,!arrbdPN NO (VST)(D)


48,10

45.00

44.00

4-0

32.00

—00

26.62

ii1
LINHA DE TENDÊNCIA DE ALTA (LTA)
24.013

900 N. AOS

1300 Nl61O

Fonte: CMA

SUPORTE E RESISTÊNCIA

Os níveis de suporte e resistência são extremamente importantes na


análise gráfica, são níveis onde geralmente ocorrem reversões, pois servem
como barreiras psicológicas onde ocorrem uma maior concentração de ordens de
venda (resistência) e de ordens de compra (suporte). Porém uma vez esse
suporte ou resistência rompido fomenta um abrupto movimento de impulsão
devido a dois principais fatores: i) ausência de ordens de venda após o nível de
resistência e de ordens de compra após o nível de suporte;e ii) presença de
ordens de compra após o nível de resistência (stop21 dos vendidos a
descoberto22) e de ordens de venda após o nível de suporte (stop dos
comprados). Após ultrapassados, os níveis de suporte e resistência passam a
exercer influência oposta nos preços, ou seja um suporte vira resistência e uma
resistência se torna um suporte.

21
Discutido ainda neste capítulo.
22
Ver glossário.
Página 111 de 193
APRENDA A INVESTIR

• CYRE3 28/2/2007 A: 1719 M: 1727 11: 16,51 7: 17,18 PM: 16,83 1: 3.108.400 %: 1.00 -
D [012] C9RE3: C6r6)4 48418 A APi (900) (D)
119 50

17.50

RESISÊNCI 17.18
17.00

f 116.50

16.00

SUPORTE
Ii 15.50

15.00

14.50

i
1 ::::

13.00

12.50

-
34506 #úg 0p 0t Deo 39r07 Fb

Fonte: CMA

• CSAN3 24/0/2007 4:40,30 M:40,62 11: 38,83 F:39,13 PM: 39,41 V:1.133.600 %: -1.88
D [012] CSAN3: 00588 DA AM )VST) )D)

46.00

1 ::::

1
41.00

RESISTÊNCIA

38,00

p+
j±ii111 SUPORTE
37.00

36.00

35.00

00806 31 N9 D9 21) )u'07 24

Fonte: CMA

Página 112 de 193


APRENDA A INVESTIR
• TLPP4 19/3/2006 4: 4500 61: 4530 rI: 4320 F: 4320 PM: 4424 5: 75.600 96: -2.92
11 [0121 rLpp4: relesp PN (550) )D)

64.00

10 62.00

1 1fI
56.00

?'
54.00

RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA
52.00

1: 1 50.00

SUPORTE 46.00

46.00

Fonte: CMA

• SF043 20/3/2006 A: 29,32 M: 29,63 rn: 26,60 F: 29,55 PM: 29,42 5: 166.000 96: 0.65
0(010] GFSA3: Gahsa 030 MM (OSE) (0)

RESISTÊNCIA
35.00

34.00

21.11

( ::

24.00

'SrI 05 Mr 07 OIn Sp DIc M0S

Fonte: CMA

PULLBACK

O chamado pullback é a tentativa de retomada do nível perdido, esse


retorno ocorre com certa freqüência e é interrompido até o outro lado desse
nível. Após o pullback, geralmente, o preço retoma a nova tendência iniciada. Há
quem diferencie o movimento entre pullback e throwback, porém, para facilitar,
utilizo pullback para o movimento de retorno, em qualquer direção, ao nível
perdido.

Página 113 de 193


APRENDA A INVESTIR
• CYRE3 5/3/2006 A: 27,79 M: 26794 99: 2736 F: 2770 PM: 2799 A: 2.763.600 76: 0.11
[012] C69E3: CyreIa Reali 05 NrO )V0T) )D)
29.00

22.00

27.00

26.30

26.30

23,00

22.00

21.30

2-0

080 0:7 20 21 Fb 19 M-

Fonte: CMA

• 3600 9/9/2005 A: 28.836 li: 39.386 m: 28.820 F: 20.307 PM: 29.194 6: 20.933.081 14: 1.66
D 30121 600: ]bovesRa )]ND) (D)

AT

ii !
T
27500

26500

jÜTI Ií!ú
1 T PULLBACK 25500

Júl Aúg SeR


AI'

Fonte: CMA

Página 114 de 193


• 42004 17/1/2000 A: 76,03 M: 7603
11 [0121 03004: Vivo P0 (VOT) (D)
os: 0114 F: 7273 PM: 000 6:06.500 %: -5.04
APRENDA A INVESTIR
- 50.00

/5.00

70.00

60.00

55.00

50.00


01 !ii 1 1
jj] 1
I
i9
Í P1_JLLBiC1( 45.00

"'ii'1t 40.00

45.00

TJ/jij 6648
4q Sp 0

-
Fonte: CMA

CANAIS

Formado pela linha de tendência e sua paralela, um canal delimita a área


por onde o preço se deslocará, e seu rompimento será importante indicação de
reversão.

CANAL DE ALTA
• 00000 14/3/2008 A: 51 70 M: 52 13 m: 4810 F: 4845 PM: 5000 0: 4.213.800 %: -5.83
11 [0121 BSDC4: Brodeoco 76 61 (VOT) (D)
60.00

56.00

52.00

50.00

44.00

42.00

36.00

32.00

30.00

25.00

24.00

20.00

085 06 345 N.o MOO 07 Olor 00

Fonte: CMA

Página 115 de 193


APRENDA A INVESTIR

CANAL DE ALTA DO IBOVESPA 1995 A 2008


• 2600 20/3/2006 A: 56.610 M: 59.169 no: 57.624 F: 56.967 PM: 56.621 O: 14.545.755 'A: 0.27
11 [0121 MOO: Ibovespa (IMO) (D)

Apr 95 ]un 97 Aug 59 OCO 01 NO, 03 Jan 00 Mar 08

Fonte: CMA

CANAL LATERAL
• CARDO 1'i/2008 A:4,73 9:4,73 no: 4,26 F: 4,34 PM: 4,40 O: 206.600 '7,: -7.26
(01 ] :6503: Csu Cardsrst OH MM )OST) (D)

16.00

15.00

12.00

11.00

10.00

900

8.00

7.00

6.00

5 00

MaO 05 AuO De, Apr 07 Júl No, Mar 08


nou
Fonte: CMA

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CANAL DE BAIXA
• EMBR3 19/3/2009 4: 1744 M: 1744 o: 1700 F: 1700 M. 1722 0: 1.120.000 %: -1.41
11 [0121 EMBR3: Embraor 00 E0J NM (051) CD)

P4bf
24 .00

20.00

22.00

21.50

21.00

20.50

12.50

19.00

12.50
lI

L
12.00

Der 06 Mar 07 1.1 :/. Aug .1/CO Der Mar 08

Fonte: CMA

FIGURAS

As figuras são teoricamente divididas em continuidade e reversão, pois com


maior freqüência elas resultam nessa ação, porém é recomendável aguardar a
confirmação do rompimento para confirmar a continuidade ou reversão do preço.

- CONTINUIDADE: as figuras de continuidade, na maioria das vezes, realmente


dão continuidade ao movimento anterior, porém é preciso aguardar ao
rompimento da figura para operar a favor de sua direção. E possível traçar
objetivos de preço a partir da amplitude de figuras como o retângulo e o
triângulo, já as figuras como bandeira e flâmulas, é considerado o mastro para
projetar o próximo objetivo.

RETÂNGULO - formado por um nível de suporte e resistência.


• 0HLB8 24/1/2000 4: 17,26 61: 10,70 o,: 16,55 1: 18,22 PM: 17,18 0: 936.000 %: 10.21
0(012] O

34.00

32.00

y10 r úI.
I çII2I3

/
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Fonte: CMA

No retângulo exemplificado abaixo há outro nível de suporte e resistência


no interior do retângulo.
• CMIG4 6/7/2007 A: 42 20 9: 4267 m: 4200 F: 42 20 661: 4230 A: 1.317.400 %: 0.09
D [012] CM104: Ciririo P16 Mi (VOTI (0)

-I
41.00

36.00

37.00

35.00
YÚI !

33.00

í
0t1 , ittDI1
32.00

01 Üi

ylI ttJ1

27.00

26.70

Júl

Fonte: CMA

TRIÂNGULO - formado por duas linhas de tendência onde o preço passa a


rebater em seu interior, até romper para um dos lados.
• 060P3 19/3/2006 A: 4060 M: 4127 ri: 3886 F: 3664 PM: 3998 0: 190.400 %: -4.04
O [012] 16963: Sabesp ON NM (vir) (o)

46.00

42.00

1-0

34.00

30.00

26.00

24.00

22.00

Jun 06 3m 07 My Ag
TTfl A3iO /

Fonte: CMA

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• SF063 19/3/2007 A: 2620 M: 2649 60: 25,56 F: 2570 PM: 2591 5: 900.300 %: -2.10 -
11 [0121 GFSA3: Gahsa 00 MM (551) (0)

EE

Ii

29,00

1 iI
J

o 21,00

Se 06 O'ct rIa. I.c Jan' 07 Fb Mr

LJJ 1 Ar60o

Fonte: CMA

No exemplo abaixo é encontrado um retângulo que deu continuidade a sua


tendência e alcançou seu objetivo, e dois triângulos ascendentes que deram
continuidade à sua tendência.
• BBDC4 22/1/2007 6:43 64 M: 43 77 4267 F: 42 90 760: 4327 0: 1.636.001 %: -0.31
11 [0121 BADC4: Brodeoco P6 61 (VOTO (D)

42.00

41.00

39.00


I
íII

37.00

,~
35.00

34.00

20.00


34606 341 24907

Fonte: CMA

No exemplo abaixo é encontrado um retângulo que deu continuidade a sua


tendência e alcançou seu objetivo, um triângulo descendente que deu
continuidade à sua tendência e em seguida outro triângulo descendente que foi
rompido contra a sua tendência (fato comum em se tratando de triângulos não
simétricos).
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• CSAN3 20/7/2007 A: 34,06 M: 35,26 rn: 34,49 F: 3466 PM: 3476 0: 697.600 '6: -0.29
11 [0121 253403: Cosan 09 MM(VII) (D)
46.00

34.00

32.00

30.00

26.00

1 V

Fonte: CMA

BANDEIRA/FLÂMULA - formadas por um mastro (que é a impulsão da tendência


formada) e por uma área de formação lateral (momento em que há uma
indefinição da continuidade da tendência).
• CYREO 31/5/2007 A: 21,60 M: 20,97 no: 21,27 7: 21,69 PM: 21,76 0: 1.390.200 '6: 1.11
11 121 CWE3: Crrela Real? 05 Nr0 (OSO) )D)

21.50

21.00

17.50

17.00

15.50

Jan 07 Feb Mar 27 Apr MaO 20


nou
Fonte: CMA

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• PE'0R4 1313/2001 4:952 M: 964 oro: 9,46 E: 956 PM: 000 9: 4.131.600 96: 0.84
11 [0121 PETR4: Petrobras P9 CVSTC CD

9.20

6,60

660

1
840

TT

7.80

20 F:. Mar

Fonte: CMA

- REVERSÃO

OMBRO-CABEÇA-OMBRO (OCO) - Em um movimento de alta há a formação de


um topo (ombro esquerdo) seguido por um topo mais alto (cabeça), após essa
formação há um enfraquecimento e a formação de um terceiro topo (ombro
direito) abaixo do topo anterior e semelhante ao outro topo (ombro esquerdo).
Abaixo desses três topos há um suporte respeitado (linha de pescoço), que se
rompido após o terceiro topo dará inicio à consolidação da formação que
alcançará o objetivo da amplitude do segundo topo (cabeça). Vale ressaltar que a
formação apenas é confirmada com o rompimento da linha de pescoço.
• PCAR4 21/0/2005 A: 29,70 M: 29,80 m: 09,45 E: 29,60 PM: 29,58 3: 74.420 96: -0.34
11 [0121 P0464: P.tr000tr-rbd PN ONT 91 0951') 000

Cabeça
36.00

Ombro 34.00

Ombro direito 32.00


esquerdo
30.00

nha de pescoço a 0I

24.00

oh etivo
20.00

Mar 09 Júl 00 Feb O4 OPA 38905

Fonte: CMA

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E comum o ombro direito ser o puliback da LTA rompida, conforme ilustrado no
gráfico abaixo.
• G06L14 19/3/2008 A: 77 50 M: 7849 7235 F: 72 56 P95: 75 17 8: 602.100 96: -6.37
11 [0121 004U4: Gerd8A N8) 956 561 (Von (D)

76)0

Puliback 74)0

70.00

66)0

60.00

66.00

64)0

50.00

4A 07 MIr
1.)

Fonte: CMA

OMBRO-CABEÇA-OMBRO INVERTIDO (OCO 1) - Semelhante ao OCO, porém em


movimento de baixa.
• 846P0 4/11/2006 A: 3104 M: 3640 rn: COpOS F: 3062 PM: 3076 8: 102.413 %: -1.06
11 [0121 SBSP3: Sabesp ON NN (V ST) (D)
Lf 3)00

29.00

28.80

Linha de pescoço

4,
••
1 1l
T
T1

II
23)0

Ombro Ombro
1
esquerdo direito
abeça
AprOô vIl Mi
56ro /

Fonte: CMA

TOPO DUPLO

Formação de dois topos consecutivos no mesmo nível, identificado pela


letra M. A formação é confirmada após rompimento do último fundo, e o objetivo
é calculado projetando para baixo a amplitude da última perna de alta, de forma
que a formação seja simétrica com sua porção anterior.

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• 66C26 4/4/2007 A: 1056 M: 10,58 /0/: 1040 F: 1040 FOI: 1046 0: 1.735.100 %: -1.5
11 [0121 ARCOS: Aracruz PNS 61 )VSC) (D)

RESISTÊNCIA

OBJETIVO

Sue 01 Sep F)b 8Ir

Fonte: CMA

FUNDO DUPLO

Formação de dois fundos consecutivos no mesmo nível, identificado pelo


letra W. A formação é confirmada após rompimento do último topo, e o objetivo
é calculado projetando para cima a amplitude da última perna de baixa, de forma
que a formação seja simétrica com sua porção anterior.
• LAMEA 20/3)2005 A: 136/ 56 54 m: 1311 F: 13,53 PM: 13,39 0: 910.100 %: 0.22
012] LAOIE4: Lojas

11.50

I ID

OBJETIVO

14.00

10.00

13.00

1
Li II) 10.90

NOVO?
SI JPORTEFeb 10/

Fonte: CMA

FORMAÇÃO ESTRUTURAL (DIAMANTE) - Formação parecida com o OCO - que


após um topo mais alto ocorre a formação de um topo mais baixo, porém não há
linha do pescoço, mas sim a formação de dois triângulos simétricos. Mesmo
sendo uma formação de reversão, é necessário aguardar o rompimento.

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1800 19/0/2003 A 62.801 MC 620.39 DC 62180 8:62296 P8: 63074 0: 20.428.907 3: -080
0(012] 1800: Ibovp5pa(INC) DC
62020

SEOCO
fl

1
1400:0

ji
objetivo 52000

10038

-000
ít
o

3100 06 07 Ak JI Sp r36., Feb 01

Fonte: CMA

GAP

Identificado por um espaço vazio entre dois candies, são muito


importantes, pois eles podem nos informar qual será o próximo movimento dos
preços. Dependendo do contexto e dos próximos candles, o gap pode ser
classificado em: i) comum; ii) corte; iii) continuidade (medida);e iv) exaustão.

O gap comum é aquele que logo é fechado, o de corte ocorre junto a um


rompimento de uma linha de tendência ou de um suporte ou resistência. O gap
de continuidade ocorre no meio de uma tendência e o gap de exaustão indica
que apenas ocorrerá mais um candle antes da reversão. Uma tendência poderá
possuir 3 gaps (corte, de medida e de exaustão), com isso há uma técnica de
operar contra uma tendência após a ocorrência de 3 gaps.

É muito provável o fechamento (preenchimento do espaço vazio) de um


gap, e quando isso ocorre o movimento é bastante contundente. Vale ressaltar
também que um gap tende a se tornar uma forte zona de suporte/resistência.
Segue ilustrado abaixo os diferentes gaps existentes: 1. Comum; 2.corte; 3.
Continuação;e 4. Exaustão.

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• SBSP3 3/7/2007 A: 4260 M: 4362 r: 4236 F: 4353 PM: 4317 A: 277.500 06: 2.76
11 [0121 SBSP3: Sabesp ON NM (V ST) (D)
44.00

Li
42.50
4

41.50

3
—00

1L1+
II 1 3800

35,50

Ma 07 1'& 14
o /

Fonte: CMA

ILHA DE REVERSÃO
Formada or 2 ciars, a ilha de reversão é forte padrão de reversões duradouras.
• ESTR4 30/5/2006 A: 032 P4: 032 rn: 030 F: 030 PM: 0.31 V: 107.900 : -6.25
0(012] EsrR4: Estrela PFI )VST) (D)

-' 5

I000 :::
II
- I TI•1 I 0.35

0.25

D05 Jn06 Fb Mâ, 2

EEJ
ro'

Fonte: CMA

VOLUME

O volume geralmente confirma a tendência aumentando quando os preços


sobem e diminuindo quando os preços caem. Assim como um rompimento
qualquer é confirmado com um aumento do volume em relação ao dia anterior
ou a uma média móvel de curto prazo. Altas ou baixas com volumes acima da
média tendem a ter maior durabilidade e maior nível de confiança.

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• SMT03 20/3/2000 A: 2459 M: 2590 rI: 2391 F: 2450 PM: 2467 0: 95.000 ¼: 0.00
0(012] Sr'rrO3: Sal Martinho OS NM (ST) (D)

T 21,10

IE1I. 2400

Ir

o.

00107 N- D.. Feb Mar


VOLFIN -[0121 —OS 101 VOLFIN: 2.043.829,0
O VOLFIN -(0121 5M103 IDO

20000000.0

15000 000 .0

Iii Ii
00107 N- D.. Feb Mar

Fonte: CMA

O Clímax de um volume representa o final de uma tendência. No exemplo


abaixo representou o final de uma tendência de baixa, e em seguida, o final de
uma tendência de alta.

• VALES 17/12/2007 6:49.00 M: 49,10 rn: 40,55 F: 47,95 PM: 49,52 0:03,059.000 ¼: -3.43
11 [0121 VALES: Vale E Doce PIA NO (V ST) (D) 56.0

• ú IjôItII
1 I.0

I1EI.F I OÜ

ÜI

Jol 0? Aug 2? 004 N00 010

VOLFIN - [0121 VALES (D) VOLFIN: 051.590.109,0

1400000000.0

1200000000.0

100 000 O 000 .0

900000000.0

400000000.0

200000000.0

27 000 900

flUD Gr1co
-
Fonte: CMA

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CANDLESTICK - FIGURAS DE REVERSÃO (FIGURAS COMPOSTAS POR UM, OU
MAIS, CANDLES)

1.1 MARTELO (HUMMER) OU HOMEM ENFORCADO (HANGING MAN)

A cor do corpo não é significativa.

1.2 MARTELO INVERTIDO (INVERTED HAMMER) OU ESTRELA CADENTE


(SHOOTING STAR)

A cor do corpo não é significativa.

2.1 ESTRELA DO]I

Preço de Abertura é igual, ou muito próximo, ao preço de fechamento, sinal de


equilíbrio entre compradores (bulls) e vendedores (bears).

2.2 LONG DOu

3.1 HARAMI CROSS

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3.2 HARAMI (MULHER GRÁVIDA)

3.3 PADRÃO ENVOLVENTE OU ENGOLFO (ENGULFING)

o
4.1 ESTRELA DA MANHÃ - DOIS GAPS DE CORPO

oGAP GAP

4.2 ESTRELA DA NOITE - DOIS GAPS DE CORPO

GAP GAP

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4.3 ESTRELA DO31 DA MANHÃ (BEBÊ ABANDONADO) DOIS GAPS COMPLETOS

o
1

4.4 ESTRELA DOJI DA NOITE (BEBÊ ABANDONADO) DOIS GAPS COMPLETOS

5.1 LINHA PENETRANTE (PIERCING UNE)

PONTO MÉDIO

Gap de abertura

5.2 TEMPESTADE À VISTA (DARK CLOUD COVER)

Gap de abertura

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6. LINHAS DE CONTRA ATAQUE (MEETING LINES)

Composto por duas velas com o mesmo preço de fechamento.


7. SPINNING TOP

8. MAROBOZU

Corpo sem sombras, os preços de abertura e fechamento coincidem com os


preços mínimo e máximo do período.

10. TWEEZERS TOPS E BOTTONS

oa Página 130 de 193


• CRUZ3 22/10/2007 A: 4422 0: 46,38 m: 4376 8: 4580 801: 45,70 & 6.300 16: 2
O [012] C0U23: 004001 Croz 001 ED (001) (D)

ESTRELA ENGOLF 10.00

49.00
CADENTED
ENGOLFO
i o L1ii
t~4
1

• 44.00

+ LONG DOR
42.00

IE
1fli
47,00

1
39.00

.T

MARTELO
Jul 07 20 20 SIP o
0r0

Fonte: CMA
• P0M04 17/00/2007 A: 022 M: 0,22 lo: 004 F: 0,22 PM: 0,10 0:233.400 16: 1.23
11 [0121 P0M04: Marcopolo PN NO (V ST) (D)

ÍIIp 1
0.00

IE1II
810

I lo

Dy11I

*ii
1

DOIS IARTELOS

Jul 07 20 Aug 23 Sep 27 508

Nr6.3cof

Fonte: CMA

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APRENDA A INVESTIR
- ITAU4 13/12/2007 A: 47 23 M: 4743 El: 4610 F: 46 31 P5: 2677 6: 4096.000 6: -3.40
11 (.121 [TAU4: Itaub8nco PIO Ml )VST) (D)

ESTRELAADENTE

n
ir

4:11'
E- Y
pi1 1
45.00

'L]
Ij
44.00

ENGOLFO
TOP
cdo, 26 6v 20 Dc
LIuu GIalcO

Fonte: CMA

VALEI 26/0/2004 A: 0040 EI: 10 62 El: 1042 E: 1011 PM: 10 99 0: 001 704 %: -0.47
0(012] VALES: V4 E Dor PIA Ni )VST) (D)

DOJT À
í~
t 1.f. 10.20

1
1-0

9,10

ARTELO 950

1 920

9,00

LONG DOR
MARTEL 1 Í
Ar Màv 26 Au
nu',
Fonte: CMA

INDICADORES / OSCILADORES

MÉDIAS MÓVEIS

Um dos indicadores mais simples e importantes na análise técnica. São


médias de preço que se deslocam junto ao preço. A média móvel simples (mms)
é a mais utilizada, porém há outras variações que atribuem um peso maior ao
preço mais recente como a média móvel ponderada e a média móvel
exponencial. E possível calibrar a média móvel para qualquer período desejado,
porém por convenção, há alguns períodos mais utilizados conforme o prazo:
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APRENDA A INVESTIR

— Curto prazo: 7 a 14 períodos;


- Médio Prazo: 40 a 60 períodos;e
- Longo prazo: cerca de 200 períodos.

MMS 13 Períodos (P) — Média móvel de curto prazo fica muito próxima ao preço.
• MS (13) - [022) 110V (0) Ml: 62.092,0
O [012] 1600: [boolala ([ND) (D)
(10) -[012] 0106 (0) 660D0,0
O POS

o,

L
i
040)00

l ti

48000

46000

ao 07 A)g 68 Mar
irrr 00r0oo

Fonte: CMA

MMS 52 P - média móvel de médio prazo que permanece mais afastada do preço
uando em tendência.
• POS]] 19(3/2)06 2:23.67 M: 2400 no: 2191 F: 21,61 PM: 2204 O: 303,100 %: -4.07
11 [0121 P0523: Positivo [no ON NM (OST( (0)
O M5 (52) -[010] 00600 (0)
4 6 .00

46.00

06.00

42,00

ii 40.00
Ôô

Tendência Il
Tendência 36.00

Altista Lateral
#
34.00

1I

32,11

Tendência 20.00

Baixista 25.00

20.00

iÍD

'Dcc 06 Fel' 07 li:', C'8 Lrc Mar: 08

nu" 604110

Fonte: CMA

MMS 200 P - média móvel de longo prazo esta que, no gráfico diário, é utilizada
como suporte a longas tendências primárias de alta.

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APRENDA A INVESTIR
OS (200) [012] [BOI (0) OS: 08.6988
o (012] [MOO: Iboorora (INC) (D)
O MI (200) - (012] [MOO (0)

600)0 O

860)0 O

54030 0

50000.0

500000

46000 O

440000

42030

400000

300000

380000

32030

24030

Suporte
Sep 04 Asr 05 Oct Jun 06 lan 07 Aug Mar 00

LIuu

Fonte: CMA

CRUZAMENTO - A partir do cruzamento de duas médias móveis é gerados sinais


de compra e venda.
OS (13) -[0121 BRKMO (0) MS: 202
0(017] 50685:Bankpm PMA NO (V ST) (0)
O M5 (13) -[012] 006MS (0)
O OS (58) - [012] BOKMS (0)

20.0

262

li
/

Feb 04 211 Ma; os olin SIO

T171]fl cranco /

Fonte: CMA

Adicionalmente, a estratégia de compra e venda com duas médias móveis pode


acarretar em prejuízos ilimitados quando o preço da ação estiver em tendência
lateral.

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APRENDA A INVESTIR
• PE)R4 26/9/2007 4:6679 M: 90 90 00: 9004 F: 66 1 PM: 90 39 O: 12.244.200 O.: -147

-
11 [0121 PETO4: Petrobras 036 )VST) (D)
O rol (13) [012] PETO4 (0)
O N. (52] -[012] POTRO (O

A' 48.00

46.00

!' / -I
Ç°'
• , ::::

36.00

34.00

-
Jan 00 Dor 1!7 li;,
oJitJ
Sep
1 601300 /

Fonte: CMA

MACD (Moving Average Convergence/Divergence)


O MACD significa Convergência e Divergência de duas médias exponenciais, isto
é, a diferença entre uma média móvel exponencial de 12 períodos e uma de 26
períodos. Para facilitar a inversão da linha MACD, é atribuída uma linha de alerta
que consiste numa média móvel exponencial gerada a partir da própria linha
MACD.
• 2609 19/11/2007 A: 64.609 0: 64.609 m: 62.320 0: 6 6 PM: 63.002 9: 121.503.301 % .52
11 [0121 (600: [boosopo ([ND) (D)

? o'
1 IIÜIITI
ÜT uTI
oÜI I22
60000

50000

*001 IE:I.ú41
1-
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IÓII,iÍ 0
90000

40000

1
1.1 IUQ 1. Sep

o.
MACD (12, 26, 9) - 01212000 (D) OIACD: 4364 0[FCOL: CD
MACD (12, 26, 6) - [012] 2400 (D)

)ln 07 Jol Aug 30 Dsp 009 009


0,Of,o -

Fonte: CMA

DIDI INDEX
Indicador baseado no cruzamento de três médias móveis simples de 3, 8 e 20
períodos. Sua melhor indicação é a "agulhada", isto é, o cruzamento das três
médias ao mesmo tempo.

Página 135 de 193


APRENDA A INVESTIR
• P6064 21110/2004 4: 2020 M: 2006 rI: 20,26 E: 2077 PM: 2106 0: 4.605.600 50: 1.56
11 [0121 PETR4: Petrobras PIO )VST) (D)
21.50
cjo19I

2-0

20.00

19.50

16.00
o
Ó 17.50

uI+1
hI+.4ú IIoo
341 04 23 Mg Sep
IODO (3,0,20) - 00021 PETR4 (D) r31_102: 0,000 132_M2: 0,000 013_OrO: 0,900

O.. DOD( (9, 0,20) . E 012 P6764 (D)

i 0.990

0,990

0960

04 Aug 20 Sep 30 oct

Fonte: CMA
• PETR4 7/2/2000 A: 70,72 M: 02,10 00: 70,35 F: 01,25 P00: 00,92 9 .034.000 50: 3.11
11 [0121 P6754: Petrobroo P00 (VOT) (D) 00.00

• LIH— I
02.00

1
00.00

70.00

76.00

74.00

72.00

70,00

1
o..
D. 07 17 27 Feb
IODO (3,2,200 - 00021 PETR4 (D) M1_102, 1,002 012_Da: 0,000 019_012: 0,972
DID( CO, 0,200 ' [o 12] PETR4 000

0,950

Dec 07 07 30000 16 24 Féb


TEJ1EEfl 509DO
Fonte: CMA

BOLLINGER BANDS

O Bollinger Bands é um sistema de bandas formada por três linhas, onde a linha
localizada no interior é uma média móvel simples de 10 períodos (ou calibrado
por outro período de curto prazo). As bandas superior e inferior são formadas a
partir da soma e subtração, respectivamente, da média móvel multiplicado por
duas vezes o desvio padrão. A soma estabelece a banda superior e a subtração,
a inferior.

Página 136 de 193


APRENDA A INVESTIR
• PErnA 20/3/2008 A: 6869 M: 6980 m: 6750 E: 69/15 PM: 6891 1: 11.153.600 94: 0.07
D [012] PEDRA: PPtrobr96 P0 )VST) (0)
D•• 88 (60) - [060] E6r8o (06)
90.00

EL

80.00

65.00

o
55.00

—00

?1 45.00

Aug 07 Sp 064 N0 Fb Mr

Fonte: CMA
• 2601 21/11/2007 A: 62.335 06: 62.335 m: 59.846 F: 60.581 PM: 60.700 9: 32.697.670 94: -2.82
D [012] (0602: [bo9p689 [[AD) )D)
D•U 68 (66) .0060] 0806)6)

W
I
11)
~4 ...

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-

550D0

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:::::

500)0

Iá I
4-0

46000

(An 07 7I Aúg 30 .1
668169 —

Fonte: CMA

MOVIMENTO DIRECIONAL
E composto por três linhas: DIH, DIL e ADX. Desenvolvido por WelIes Wilder, o
movimento direcional é o mais importante indicador utilizado para identificar se o
mercado está ou não seguindo uma tendência, e ainda sinaliza a sua intensidade
(pela inclinação do ADX). O cruzamento para cima das linhas DIH e DIL indicam,
respectivamente, compra ou venda. Os picos no ADX indicam topos ou fundos no
preço.

Página 137 de 193


APRENDA A INVESTIR
PE764 1514/2004 4:1620 M: 10,31 rI: 17,94 F: 18,12 PM: 19,02 0: 3.756.800 76: -1.15
0[012] PETR4: Petrobras P0 )OST) (D)

19.00

Yú Icic
Í ) p -I
1
- 1

a..
Oep 00 Oco 000 DeI Feb 04 Mor Apr

00(14) -(012) PCTR4 O D]fl: 27,3 OIL: 23,3 0M: 16,0


MD 14) - (012] PET64 )D)
50.0

Isp 03 Oco 00? De Feb 04 Mor Apr

Fonte: CMA

• PE764 1/8/2002 A: 7,76 M: 7,66 rI: 7,46 F: 7,64 PM: 6,00 O: 6.760.400 %: 2.08
11 [0121 PErSA: Petrobr P73 )OST) (D)

• .L1•
• Ei Ii 10.00

9.50

1•
TI I i5:E:JI 6.50

1
0.00

• IIL1u1•I i:yÏ:
a..
Map 02 29 341

MD 14) -(012) P5704 (0) 0377: 14,2 Dcc: 30,1 077:41,6


MD 14) - [012] PET64 )D)


Mar 02 lun 15 26

cm
Fonte: CMA

IFR
Também desenvolvido por WelIes Wilder, o índice de força relativa é um
importante indicador que mede a força de atuação de oferta e demanda, ou seja,
é um indicador de sobrecompra e sobrevenda. Ele mede a relação entre os
fechamentos em alta e os fechamentos em baixa. Os níveis de sobrecompra e
sobrevenda devem ser observados nos topos e fundos anteriores, e não
predeterminar como sendo 20 ou 30 e 70 ou 80. Conforme verificado no gráfico
abaixo, os níveis deste exemplo é 33 e 73.

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APRENDA A INVESTIR
NÍVEIS DE SOBRECOMPRA E SOBREVENDA
• [600 16/7/2007 A: 57.644 M: 57.654 o: 57.035 F: 57,374 PM: 57.414 0: 12.350.690 '6: -0.47
D [012] 500: [boeaa (160) (D)

56000

~w?- 54000

,:F 40850

• 44000

42011

II 40000

32000
- ,)I• .1
30000
II

1F6 (14) -[012] [500(0) IFR: 70,7


D [FR (14) -[022] [500 (0)
NÍVEL DE SOBRECDIvÍPRi\. 80.0

60.0

41,1

EL DE SOBREVENDA 20.0

Oco 05 lan 06 MaO Aug Dec Mar 07 Jul

Fonte: CMA

Indicação mais contundente que os níveis de sobrecompra e sobrevenda, são as


divergências (diferentes inclinações dos respectivos topos ou fundos).

DIVERGENCIA DA INCLINAÇAO DOS FUNDOS


100'...' 9/3/2000 6:37.601 ri: 38.036 m: 37.179 F: 37.255 PM: 37.782 0:20.003.093 '6: -0.92
016121)500: [boveoco ([ND) (0)

42000

41000

EI111+E1IÜ

I,ËIltO EbIJ
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1 —10

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34000

32000

3)6
]FR (14) -[012] [900 (0) (ES: 05,1
D [FR (14) -[002] [900 (0)
60.0

20.0

ar 06 60' [5 )ur A'9


une

Também é possível traçar no IFR linhas de tendência semelhantes as traçadas


nos preços.

Página 139 de 193


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• 1600 26/1012005 A: 29.132 M: 29.566 Co: 29.132 E: 29.316 PM: 29.404 4: 15437.917 OCr: 064
0(012] 600: Iboveapa (IMO) (D)

II
32000
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I 1dI EI j•Ó
30000

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29000

1EIy .j.I oIúIrJI.F IJIE;ID 27000

25000

ÔIT E5I
•1TY 25000
I,t _I,Ij Içi 1
2)4
IFR )14) -[012] 1600 (D) IFR: 47,5
O IFR )14) -(012] 1600 (D)
50.0

50.0

40.0

20.0

301 Au9 29 OCO

Fonte: CMA

E STOCÁSTICO
Relaciona o preço de fechamento com os máximos e mínimos mais recentes,
criando assim regiões de sobrecompra e sobrevenda. Este indicador funciona
melhor em mercado sem tendência.
• 1600 2/6/2007 A: 94.696 9:64.729 ro: 62,574 F: 92.646 EM: 53.696 0:16.969.013 OCo: 3.37
0(012] 900: Iboveapa )IMD) (D)

55200

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52000

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Ú4I_t0itr 46000

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42000

De) 06 ECO' 07 M2/ Ar M)y Din j0i


EL 9) -(012] 1600 )0) ¼LIC:
NO Cl. )e) -(052) 0000 0)

- \-
:
0
,`0

Dcc 00 Feb 07 Mar Apr M.y 301


flUD Gr6lco

Fonte: CMA

MOMENTUM

O Indicador Momento mede a velocidade de deslocamento dos preços, ou seja,


sua aceleração e desaceleração. O indicador é a diferença do preço de
fechamento do período atual pelo fechamento de p períodos atrás. Considera-se

Página 140 de 193


APRENDA A INVESTIR
que o Momento antecipa a ação dos preços em momentos de mudança do
mercado.
LAME4 20/3/2008 A: 1360 M: 1376 o: 1311 F: 1360 PM: 1047 0: 1.596.900 %: -0.74
11 [0121 LAME4: Lojas Ameno 06 (051) (0)

20.00

1 ~l~I

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É r Ij


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1
0
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Yú!t t 1 Õ ; lis l!i4ji 16.00

15.00

Fab

• MIM (10) - (012] LAME4 D MIM: -246


• MOO (10) - 20121 LAME4 (0)

o0

ÊÊ
Auq 07 Sep 00 N- Fb Mar

Fonte: CMA

OBV
OBV é um indicador calculado em função do fechamento de alta ou de baixa,
sendo uma confirmação de movimentos. Se o pregão fechou em alta o volume
negociado é adicionado ao OBV, se fechou em baixa o volume é subtraído do
OBV. Sendo o OBV, o volume acumulado pela regra acima, de soma e subtração
de volumes.
• LAME4 20/3/2000 A: 1300 M: 13 75 m: 1311 E: 1350 PM: 1347 0: 1.595.003 %: -0.74
11 [0121 LAME4: Lojas Arrrerio PN (060) ]D)

20.00
VENDA
19.00

r
1
f~i ~'J

:i JMIIi
16.00
VENDA
COMPRA

16.00

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~Ê"~P4MS141 m~tiV fIIpf ODMPRÁ


12.00

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9 11.00
023 mar

Der 06 Moro? Ma Aug DOO )an 06 Mar


Or1ao

Página 141 de 193


APRENDA A INVESTIR
FIBONACCI

Geralmente, após um movimento de impulsão, há uma correção parcial


desse movimento. Esse estudo permite traçar, possíveis níveis de suporte e
resistência dessas correções. Os números utilizados para calcular esses níveis
são baseados na Seqüência de Fibonacci, denominada Razão de Ouro, que pode
ser encontrada em diversos fenômenos da natureza e foi utilizada por Ralph
Nelson Elliot no mercado financeiro.

Razão de Ouro:
1 + 1 = 2; 2 + 1=3; 3+5=8; 8 +5=13...
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, 610, 987...
233/144= 1,618; 377/233= 1,618; 610/377= 1,618...

Através da razão de ouro foram encontradas as correções de 0.618, 0,50 e


0,382. A utilização de Fibonacci é efetuada após traçar a distância do fundo ao
topo e plotar as retas dos níveis de 0.618, 0,50 e 0,382, com isso espera-se que
a correção seja efetuada até um desses três níveis, caso contrário haverá uma
correção de l00% ou suoerior.
• 1000 19/3/2000 0: 01.030 99: 12.372 ,,: SOlOS 7: 50.027 759: 60.461 0: 16.107.932 56: -101
[312]
J 1000: Sb',p. (SUO) (0) 66000
750 (30.20. 60.00, 61.00, 0.00,

:: :: :::::: :: .1

EE

1
1_.1l 52000

50000
ir

II•.
lI•»
-
trd' 04000
1

02000
1 II 1

.1'


1 :::::

34000

Fonte: CMA

ELLIOTT

Por volta de 1930, Ralph Nelson Elliott apresentou sua teoria, que utilizou a
razão de ouro de Fibonacci, o Princípio das Ondas de Elliott, que explicava a
natureza cíclica das atividades humanas. Segundo Elliott, o mercado se
movimenta num padrão contínuo de impulso e correção. Com isso, foram
catalogados inúmeros padrões gráficos, porém o principal padrão consiste em
cinco ondas de impulsão e três ondas de correção, conforme ilustração a seguir:

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APRENDA A INVESTIR

Como podemos notar, a onda 3 é a que possui geralmente a maior


extensão, e algumas vezes é até composta por 2 ondas de impulsão, conforme o
exemplo abaixo. As correções das ondas de impulsão, como a 2 e 4, geralmente
sofrem alternância entre uma correção e uma congestão.

POSA 26/612006 6/ 3469 ft 3469 no 3344 3361 PM 3412 O 04.000 %-.14


O E 12 01143: Portosnoun, ON 0401 OIT) (0)

44.00

42.00
3
31.00

36.00

4
30.00

A
30.00

c 26.00

24,10

DC lan' 01 FaC

nuu
Fonte: CMA

Página 143 de 193


APRENDA A INVESTIR
STOP

Um dos erros mais comuns no mercado acionário é se desfazer de uma


posição vencedora ou insistir em uma posição perdedora, atitudes que ignoram
uma das premissas básicas que é: maximizar o lucro e minimizar o prejuízo. Para
obtermos lucro com ações é necessário deixar o lucro crescer acompanhando
uma tendência de alta de um ativo, e realizar o prejuízo de uma entrada errada
em uma posição.
O ser humano possuí incrível dificuldade em admitir que está errado, por
essa razão que mesmo conhecendo o stop-loss (para de perda), ou
simplesmente stop, encontramos milhares de motivos para não liquidarmos a
posição perdedora. Por outro lado nossa ganância tentará impedir a realização de
uma grande lucro após uma reversão de tendência. A parada de perda,
popularizada como stop, é uma ferramenta muito simples de ser utilizada, mas
de fundamental importância para manter você no mercado. O stop servirá tanto
para limitar seu prejuízo como para maximizar seu lucro.
Uma ordem de stop consiste em apenas efetuar uma ordem de venda
condicionada ao preço atingir certo valor (gatilho), com um preço limite de venda
definido. Esse valor deve ser definido graficamente, e o preço limite deverá ser
algo próximo a esse valor, mas não muito para não ser ultrapassado por um
eventual gap.
Por exemplo, identificamos um suporte sendo testado em 50,00 e após
identificar uma reversão é comprado 100 ações a 50,50. Logo após a compra é
efetuada uma ordem de venda stop com gatilho em 49,75, e preço de venda
limitado a 49,50. Com isso, caso o preço da ação volte a cair e perca a seu
suporte o prejuízo estará limitado a 1,00 em cada ação, prejuízo que poderia ser
muito superior caso não tivesse o stop.
O gatilho não foi acionado em 49,99, porque é comum o mercado testar
algum nível, mas sem rompe-lo efetivamente, e após esse teste retomar sua
tendência original. O preço limite não foi colocado mais próximo do gatilho, pois
é preciso evitar algum possível gap. Caso a posição seja vencedora e realmente o
preço da ação esteja evoluindo conforme planejado, o stop servirá para não
sairmos da posição vencedora e sim deixar que o stop nos tire da posição. Com
isso o stop estará sendo deslocado assim que o preço estiver evoluindo.

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APRENDA A INVESTIR
• L#ME4 20/3/2009 A: 1360 M: 1364 04: 1311 F: 1363 PM: 13,29 0: 910.100 %: 0.22

F 012] L~: Lojas Amer o PN (VII) (0

IID D 16.90

16.00

15.00

1 14.00

13.50

No, 07 Fb 27 Mar
445310 /

Fonte: CMA

Dados da Operação
Motivo da compra: Fundo Duplo
Compra executada em: 12,08
Stop (5) executado em: 15,88
Lucro bruto: 31,5%
Período: 1 mês

OPERANDO

Segue abaixo um exemplo de operação a ser buscada, a qual foi "stopada"


com lucro de 20% em um períodol mês, com indicações de compra emitidas
simultaneamente pelo IFR, Didi Index, Movimento Direcional e pelas Bandas de
Bollinger.
• MElOA 30/5/2007 A: 44,23 O: 43,66 m: 44,08 E: 45,65 MM: 44,93 0: 9.058.500 56: 144
0A40.00
-
D [012] P0744: Petrobroo P9 (VST) (D)
66 (10) [010] soros (0)

: - -t-
mli + • 1E__
_004

r
t •.
! 44.60

42.00

- 40.00

30.00
CO MPPSA 4 0, O O

1PM (14) -[012] PEIR4 (D) lER: 54,4


O IFR (14) -[012] PE1R4 (D)
- —

DIII /3.8.20/ (F( - -


IFR (14/ [012] PETR4 (0) Ml-M2: 0,062 M2 M2: 1.000 M3 M2: 0.927

----
QffiM DEDO /0,0,20> (E) -Oro/la) -[012] PETR4 (0)

w
Feb' 07 Mr 21 Abr 25 My 30

-
90)14) -[012] PETR4 (0) DOM: 10,4 MIL: 23,1 00: 14,1
ENE MD (14) [012] PET'R4 (0/

rciu
Fpb' 07 Mr 2'1 Ar 25 My 30

Gr011o

Página 145 de 193


APRENDA A INVESTIR
Fonte: CMA

ESTRATÉGIAS

POSITION (POSIÇÃO DE LONGO PRAZO) UTILIZAM GRÁFICOS DIÁRIOS E


SEMANAIS
• 55503 20/3/2508 A: 25,00 M: 26,19 31: 04,60 F: 25,15 PM: 24,91 0: 2.162.000 %: -0.40
11 [0121 SBAS3: Braail ON NM )VST) (D)

Mar 9 Sep 95 AprOa Sep 00 Apr O Mar 00

Fonte: CMA

SWING TRADE (OPERAÇÕES DE CURTO A MÉDIO PRAZO) UTILIZAM GRÁFICOS


DIÁRIOS E INTRA-DAY DE 15 MINUTOS
• GFSA3 21/12/2007 A: 30,63 9: 31,69 m: 29,93 F: 31,20 PM: 30,69 8: 673.300 Y: 3.79
11 [0121 9P0A3: Gafi3M 09 MM Cosi) (D)

35.00

33.00

32.00

çm

26.00

25.00

22.00

DM806 Feb 07 Apr J3n Aug DM9

Fonte: CMA

Página 146 de 193


APRENDA A INVESTIR

DAY TRADE (OPERAÇÕES DE COMPRA E VENDA, OU VENDA E COMPRA


INICIADAS E ENCERRADAS NO MESMO DIA) UTILIZAM GRÁFICOS INTRADAY DE
1 A 15 MINUTOS
PE7R4 12(3/2006 16:45 A: 7902 9: 7906 m: 7900 7: 7902 9: 12.100 %: -0.04
O [012] PETRA: Pptrobrol P0 (AlT) 019)

60.00

1
79.60

76.90

79.40

76.20

77.00

77.40

77.20

77.00

00 Plir 06 1430 1S11:: 12 1430 6D0


0r0

Fonte: CMA

SCALPER (OPERAÇÕES DE DAY TRADE, MAS DE CURTÍSSIMO PRAZO QUE


DURAM ALGUNS MINUTOS) UTILIZAM GRÁFICOS DE 1 MINUTO
• PE7R4 14/3/2006 01:09 A: 7700 61: 7707 79: 7690 F: 7690 9: 100 %: -0
11 [0121 PETR4: Petrabraa EM )VST) (Li)

ç0Í 79.00
.i4
'.
íI
t1j 76.60
I+í
u -- --I1I1
76.40

76.00

77.40

75.55
76.50

76.60

1610 1940 14 1026 1045

Fonte: CMA

Página 147 de 193


APRENDA A INVESTIR
DICAS GERAIS

- Não venda um ativo em tendência de alta;

- Não compre um ativo em tendência de baixa;

- Não adiciona posições a uma posição perdedora (fazer média);

- Não opere com muitos indicadores, seja especialista em 2 ou 3;

- Não opere na dúvida, não entre ou saia em um trade sem uma boa razão;

- O mercado sempre está certo;

- Assuma seus erros, e aprenda com eles;

- Sem stop programado você estará morto no longo prazo;

- Não tente pegar a faca caindo, pegue-a no chão que minimiza os seus riscos.
Ou seja, não compre enquanto o preço está caindo, aguarde pelo menos a sua
estabilização.

- As alterações de preços ocorrem muito mais em função dos humores da massa


do que por mudanças significativas dos fundamentos.

"Neste negócio, se você é bom, vai estar certo seis de cada dez vezes. Você
nunca
vai estar certo nove de cada dez." Peter Lynch

"Ampla diversificação é apenas necessária quando investidores não entendem o


que
estão fazendo." Warren Buffett

Contudo, um bom trader, deve estudar bastante, para poder operar


segundo suas próprias estratégias e sempre assumir seus próprios erros.

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3.6.2.2 ANÁLISE FUNDAMENTALISTA

A análise fundamentalista é utilizada como forma de avaliação para


alternativas de investimento a partir do estudo das informações obtidas junto às
empresas, em conjunto ao cenário macroeconômico e dos diversos momentos
setorial nos quais as companhias se inserem. Passando pela análise de seus
balanços e demonstrações financeiras com o intuito de estabelecer previsões
para o seu desempenho e calcular seu teórico preço "justo", com o uso de
metodologias como o a do fluxo de caixa descontado. Preço justo para ser
comparado com o preço de mercado da ação para que finalmente uma ordem de
compra ou venda possa ser executada. Vale ressaltar que uma empresa poderá
ficar com seu preço de mercado deslocado do seu preço "justo" por longos
períodos, nada garante que o preço de mercado se convergirá ao preço avaliado,
além do que há inúmeras metodologias de avaliação, e com isso, esse preço
justo é muito subjetivo.

ANÁLISE MACROECONÔMICA

A análise macroeconômica (e política) é utilizada para a montagem de


cenários econômicos, a partir dos quais são desenvolvidas as estratégias de
investimento. A análise do perfil de um novo governo permite traçar diferentes
cenários, com diferentes conseqüências de suas políticas na taxa de juros,
regime cambial, tributação, gastos etc, que por sua vez, tem implicações na
decisão de investir em renda fixa ou variável, por exemplo. O entendimento do
item 2 - decifrando a economia - é de fundamental importância para essa
compreensão.

ANÁLISE SETORIAL

Quanto à análise setorial, esta é fundamental para identificar setores


promissores e setores desfavoráveis, em um determinado horizonte de
investimento. Após efetuada a distinção poderá ser traçada estratégias de
diversificação e de filtragem em certas empresas.

ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA

Análise econômico-financeira da empresa, também chamada de análise de


empresas, tem o intuito de selecionar ações de companhias abertas com maior
potencial de valorização.
A análise de empresa é feita por meio da análise das demonstrações
financeiras da companhia, projeções de resultados e de geração de caixa. Para
comparar empresas ou analisar o desempenho de uma única companhia ao longo
do tempo, analistas desenvolveram índices financeiros, que podem ser divididos
em quatro grupos básicos:

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1) Indicadores de Endividamento

Endividamento Geral = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo /


Patrimônio Líquido
Indica quanto a empresa tem captado junto a terceiros em relação ao seu
capital próprio.

Endividamento Oneroso = Dívida Onerosa Total / Patrimônio Líquido


Mede especificamente o comprometimento do capital próprio da empresa
em relação à sua dívida com bancos e outras que têm custo financeiro
embutido (debêntures, desconto de duplicatas, etc.).

Endividamento Oneroso Líquido = Dívida Onerosa Total -


Disponibilidades / Patrimônio Líquido
Como o nome diz, trata-se do cálculo do endividamento deduzido das
disponibilidades aplicadas no mercado financeiro. E bastante útil nos casos
de empresas que têm baixo custo de captação de empréstimos e o fazem
com intuito de realizar o que chamamos de arbitragem, ou seja, captam de
um lado e aplicam do outro, gerando ganhos líquidos.

II) Indicadores de Liquidez

Liquidez Corrente = Ativo Circulante/Passivo Circulante


Indica quanto a empresa tem a receber no curto prazo em relação a cada
unidade monetária que deve no mesmo período.

Liquidez Seca = (Ativo Circulante - Estoques)/Passivo Circulante


Tem o mesmo significado que a liquidez corrente, com exceção do fato de
que os estoques não são considerados como recebíveis, ou seja, não conta
com a realização imediata dos estoques.

Liquidez Geral = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo / Passivo


Circulante + Exigível a Longo Prazo oferece a mesma indicação da liquidez
corrente, mas engloba também os ativos e passivos a longo prazo.

III) Indicadores de Rentabilidade

Rentabilidade do Patrimônio Líquido = Lucro Líquido/Patrimônio


Líquido
E a taxa de retorno dos acionistas e mede a performance do lucro em
relação ao capital próprio empregado no empreendimento. Normalmente se
utiliza o Patrimônio inicial, mas podem ser necessários ajustes, o que nos
leva a sugerir, em princípio, o emprego do Patrimônio médio do período de
apuração do lucro.

Rentabilidade do Ativo Total = Lucro Líquido/Ativo Total médio


Este indicador mede a eficiência global da administração, ou seja, o retorno
obtido em relação ao total de recursos empregados, sejam eles próprios ou
de terceiros.

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IV) Indicadores de Mercado

Lucro por Ação (LPA): representa a divisão do lucro líquido pelo número
total de ações da empresa.
LPA = Lucro Líquido / Número Total de Ações

Valor Patrimonial por Ação (VPA): representa a divisão do Patrimônio


Líquido da empresa pelo seu número total de ações.
VPA = Patrimônio Líquido / Número Total de Ações

Preço/Lucro (P/L): indica o tempo de retorno do investimento


P/L = Preço da Ação/Lucro por Ação

Preço/Valor Patrimonial (P/VPA)


P/VPA = Preço da Ação/Valor patrimonial por Ação

Contudo, a seleção dos índices financeiros depende dos ativos a serem


analisados. Os indicadores mais utilizados são os de mercado, e dentre eles, o PL
(preço/lucro) e PVPA (preço/valor patrimonial) são os com maior popularidade.
Ações de empresas com baixos múltiplos PL e/ou PVPA apresentam, em
geral, desempenho melhor que a média do mercado, mas também apresentam
um risco maior, sendo esse maior retorno esperado um prêmio a esse risco.
Abaixo segue múltiplos de algumas ações negociadas na Bovespa:

TABELA 3.7 - ÍNDICES PL E PVPA EMPRESAS SELECIONADAS


Código da ação Cotação de 30/11/06 PL PVPA
AMBV4 99855 42,57 339
ARCZ6 13,07 11,4E' 2,79
BBDC4 8141 14,79 :375
BRKM5 15,59 9,42 1,30
CCR03 27,42 22,08 8.29
CMIG4 9714 7,96 194
CPFE3 2848 14,44 261
CPLE6 23,67 12)89 103
GETI4 57,96 9,93 8,93
GGBR4 :33E:7 E:,13 232
GOLL4 6132 28,34 626
ITAU4 72,42 16,57 401
ITSA4 10,05 13,96 2,62
LAME4 105,45 45.15 23,62
NATU3 29,35 31,60 17,06
PCAR4 66,71 29,53 1.76
PETR4 45,81 8,57 206
PRGA3 2620 12,04 2,14
PSSA3 54,65 16,89 305
SUZB5 20,22 11,95 1,59
TAMM4 60,52 48,63 6,32
TCSL4 7,42 39,79 2,07
VALE5 50,49 11,89 3,19
VCPA4 42,72 15,87 1,67
WECE4 1:3,09 21,57 5,29
- Mediana - 14,79 2,79
Média 20,20 4,76

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TABELA 3.8 - ÍNDICE PL PAÍSES SELECIONADOS


ÍNDICE PREÇO LUCRO 2007

PAÍS P/L
CHILE 19,1
MÉXICO 15,1
ARGENTINA 12,5
BRASIL 9,1

Fonte: MerrilI Lynch

De acordo com a tabela acima, o mercado acionário brasileiro, está em 2007,


entre o mais defasado em relação a outros emergentes da América Latina, seu
P/L médio identifica que a bolsa brasileira possui espaço suficiente para
potenciais ganhos entre 30% a 50%.

NOÇÕES DE CONTABILIDADE

Os principais itens das demonstrações financeiras são: o Balanço


Patrimonial e a Demonstração dos Resultados do Exercício.

Balanço Patrimonial

No Balanço Patrimonial (BP) são registrados os bens, direitos, obrigações e


o patrimônio liquido da empresa num determinado momento, agrupados em
contas dispostas em ordem decrescente de liquidez. Vejamos o Balanço
Patrimonial da Empresa ABC S.A. em 31.12.XX.

TABELA 3.9 - MODELO DE BP


ATIVO PASSIVO

Ativo Circulante Passivo Circulante


Caixa Impostos

Clientes Empréstimos Bancários


Estoques Fornecedores
Disponibilidades Outros
Ativo Realizável a Longo Prazo Passivo Exigível a Longo Prazo
Resultados de Exercícios Futuros Empréstimos Bancários a Longo Prazo
Ativo Permanente Patrimônio Líquido
Investimentos Reservas

Imobilizado Lucros Acumulados

Diferido

A soma de todos os itens do Ativo será sempre igual à soma dos itens do
Passivo. Isso é verdade porque o passivo e o patrimônio líquido se referem à
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origem de recursos, enquanto que o ativo indica aplicação de recursos. Logo, a
igualdade se verifica, pois só se pode aplicar aquilo que tem origem.

Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido

No Ativo Circulante estão contabilizadas as disponibilidades (caixa, valores


depositados em bancos, aplicações financeiras de curto prazo, etc.) e os direitos
realizáveis no prazo de um ano (contas a receber de clientes, estoques, etc.).
O Realizável a Longo Prazo também registra direitos e obrigações, porém
aqueles que somente têm expectativa de realização após um ano a partir da data
do balanço (exemplos: vendas com prazo superior a um ano, empréstimos
concedidos a empresas do mesmo grupo controlador, dentre outras operações
consideradas de longo prazo).
O Ativo Permanente é dividido em três parcelas básicas: Investimentos,
Imobilizado e Diferido. Em Investimentos classificam-se as participações
societárias de caráter permanente em outras empresas (os investimentos em
aplicações financeiras aqui têm outro sentido e são mantidos no Ativo
Circulante). No Imobilizado estão os bens destinados às operações da
companhia, como suas fábricas, equipamentos, instalações, etc. Com relação ao
Diferido, registra as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a
formação do resultado de mais de um exercício social, assim como despesas pré-
operacionais.
No Passivo Circulante estão classificadas as obrigações de curto prazo da
companhia, como dívida com fornecedores, impostos, instituições financeiras,
etc. O Exigível a Longo Prazo, da mesma forma, registra dívidas e obrigações,
com a única diferença situada no prazo de pagamento, ou seja, aqui se incluem
aquelas com prazo superior a um ano.
Finalmente, chegamos ao Patrimônio Líquido, que representa o capital
próprio da empresa. Nele estão incluídas as contas de Capital, Reserva de
Capital, Reserva de Lucros e outras, além dos Lucros Acumulados. Em outras
palavras, este grupo se caracteriza pela diferença entre o valor total dos ativos
(bens e direitos) e dos passivos (obrigações).

Demonstração dos Resultados (DRE)

A Demonstração dos Resultados do Exercício é um relatório contábil


destinado a evidenciar a composição de resultado formado em determinado
período. São valores acumulados num espaço de tempo (receitas e despesas),
cujo somatório vai nos mostrar se houve lucro ou prejuízo.
A classificação das contas segue uma seqüência lógica e se inicia com o
faturamento da empresa (ou Receita Operacional) no período. Vamos tomar
como referência a Demonstração de Resultados da empresa fictícia ABC S.A.,
mostrada a seguir:

MODELO DE DRE
(+) Receita Operacional Bruta
(-) Impostos Incidentes sobre Vendas
(-) Devoluções e Abatimentos
(=) Receita Operacional Líquida
(-) Custo dos Produtos Vendidos
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(=) Lucro Bruto (LAJIR ou EBTIDA)
(-) Despesas Operacionais
•Vendas
•Administrativas
•Financeiras (líquidas)
•Equivalência Patrimonial
•Outras
(=) Lucro Operacional
(-) Saldo Não Operacional
(=) Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR)
(-) Imposto de Renda
(-) Participações Estatutárias
(=) Lucro Líquido

A contabilidade utiliza o chamado critério de competência, e não de caixa,


o que significa que todos os valores são lançados na Demonstração dos
Resultados, sejam eles efetivamente recebidos ou não.
A Receita Bruta se relaciona com as vendas da empresa no período, não
importando se foram feitas à vista ou à prazo. Da receita bruta são deduzidos os
impostos, como IPI, ICMS e outros, e ainda eventuais devoluções de vendas e
abatimentos concedidos posteriormente à entrega dos produtos. Chegamos
então à Receita Líquida.
O Custo dos Produtos Vendidos, ou simplesmente CPV, representa a
parcela dos estoques que foi vendida no período, incorporando todo o custo
envolvido na produção, como matérias-primas, mão-de-obra, energia,
depreciação, etc. A diferença entre a receita líquida e o CPV resulta no Lucro
Bruto.
O EBITDA (Earnings before interests, taxes, depreciation and amortization)
LAuDA em português, significa lucros antes de juros, impostos, depreciação e
amortização. Para chegarmos ao EBITDA, basta somarmos ao Lucro da Atividade
(Lucro Bruto descontado das Despesas da Atividade) os valores correspondentes
à depreciação e amortização, que se encontram embutidos no CPV (Custo dos
Produtos Vendidos) e nas Despesas Operacionais. Vale ressaltar que a
depreciação não representa saída de caixa, sendo o reconhecimento contábil da
perda de valor por desgaste dos itens que compõem o Ativo Imobilizado da
empresa.
Em seguida, encontramos as Despesas Operacionais, aqui apresentadas de
acordo com as definições dada pela Lei das S.A. As principais despesas
operacionais são:

Despesas com Vendas: representam todos os gastos de promoção,


colocação e distribuição dos produtos da empresa, tais como salários do
pessoal de vendas, comissão de vendedores, propaganda e publicidade,
dentre várias outras.

Despesas Administrativas: incluem os gastos com o pessoal específico


da área administrativa, honorários da diretoria, dentre outras despesas.

Despesas Financeiras: referem-se aos custos dos empréstimos


contratados junto às instituições financeiras, além de encargos de títulos e
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APRENDA A INVESTIR
outras operações sujeitas a despesas de juros (debêntures, por exemplo).
Nosso exemplo menciona despesas financeiras líquidas, o que significa que
as Receitas Financeiras também estão contabilizadas aqui, sendo mostrado
o saldo entre despesas e receitas. As receitas financeiras se originam
basicamente da aplicação no mercado financeiro das disponibilidades de
recursos da empresa.

Equivalência Patrimonial: diz respeito à parte proporcional que cabe a


uma empresa sobre a variação do Patrimônio Líquido de outras empresas
nas quais tenha participação acionária relevante.

Seguindo o ordenamento lógico da Demonstração dos Resultados,


concluímos que se deduzirmos do Lucro Bruto todas as despesas operacionais,
chegamos ao Lucro Operacional.
O Saldo Não Operacional se refere às receitas ou despesas geradas fora
das atividades principais da empresa, sendo um bom exemplo a venda como
sucata de um equipamento obsoleto da produção, com lucro ou prejuízo em
relação ao seu valor contábil.
Chegamos então ao LAIR (ou Lucro Antes do Imposto de Renda), do qual é
deduzida a parte da Receita Federal. Como última dedução, temos ainda as
chamadas Participações Estatutárias, que se referem às participações de
administradores e empregados nos lucros da companhia, de acordo com o
previsto no seu Estatuto.
Tudo considerado, apura-se então o Lucro Líquido do Exercício, o qual é
direcionado aos acionistas, sendo uma parte na forma de dividendos e outra
parte incorporada ao Patrimônio Líquido, na condição de reservas e lucros
acumulados.
Constam ainda com destaque nas demonstrações financeiras o Relatório da
Administração, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, as Notas Explicativas e o
Parecer dos Auditores Independentes.

Análise Horizontal

Este tipo de análise se caracteriza por sinalizar tendências, indicando o


crescimento dos valores de itens do balanço e das demonstrações de resultados
no tempo.
A análise, neste caso, é realizada com a utilização de índices. Um certo ano
é considerado a base, e seu valor será associado a 100. Dessa forma, os índices
dos anos subseqüentes serão todos expressos em termos do índice-base (100).

Análise Vertical

A análise vertical se caracteriza por avaliar a evolução no tempo de certos


itens. Por meio dela, pode-se perceber como evoluíram os níveis de liquidez dos
ativos e dos passivos da empresa analisada. Com esse tipo de análise, torna-se
mais fácil perceber diferenças entre os exercícios.

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APRENDA A INVESTIR
MARGENS

A margem é definida como um rendimento mínimo, abaixo do qual a


atividade econômica de uma empresa ou companhia não tem condições de se
manter de forma viável. Existem diferentes margens utilizadas ao analisar uma
empresa:

Margem bruta: é a relação existente entre o lucro bruto e a receita


líquida.

Margem Ebitda: é a relação existente entre o Ebitda e a receita líquida.

Margem da atividade: é a relação existente entre o lucro da atividade e a


receita líquida.

Margem líquida: é a relação existente entre o lucro líquido e a receita


líquida.
Através destes indicadores de rentabilidade das vendas, que são
amplamente utilizados nas análises de empresas, é possível fazer uma
avaliação relativa das contas, ou seja, comparar qual o percentual do lucro
bruto, em relação á receita líquida, foi maior entre os períodos.

OUTROS INDICADORES
Pay-Out: é a taxa de distribuição do lucro da empresa para os acionistas na
forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio. A legislação exige que seja
distribuído, no mínimo, 25% do lucro líquido após as deduções legais.
Exemplificando, se uma empresa tem lucro de R$ 1,00/ação e distribui R$
0,35/ação como dividendos, seu pay-out seria de 35%.
Yield: é calculado tendo como numerador o dividendo distribuído por ação e
como denominador o preço atual da ação. Torna-se especialmente relevante se
visto para o futuro, sendo neste caso necessário que tenhamos uma projeção de
lucro e seja estabelecido um pay-out realista. Assim, se uma ação custa hoje R$
100,00 e esperamos receber R$ 10,00 em dividendos, o yield seria de lO%,
podendo ser visto como um rendimento da ação, independentemente da
valorização em Bolsa.

RELAÇÃO COM INVESTIDORES


As informações necessárias para estas análises são encontradas nos sites das
empresas que garantem um bom nível de transparência com o investidor na
seção de RI (relação com investidores).

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3.6.3 PERGUNTAS E REPOSTAS

QUANDO QUE AS AÇÕES SE VALORIZAM (E SE DESVALORIZAM)?

Esta resposta ninguém pode dar com certeza, pois quem influencia os
preços são diferentes investidores, que agem por diferentes razões,
racionalmente (por diferentes interpretações) ou emocionalmente. Com isso os
preços não se ajustam de forma instantânea, contrariando a teoria do mercado
eficiente. O efeito manada (tendência dos investidores a seguirem o
comportamento do mercado) é algo presente no mercado e que às vezes por
nenhum motivo substancial os preços das ações são afetados. Alguns dos fatores
que exercem pressão nos preços das ações são:

- fatores internacionais - mudança na taxa de juros norte-americana,


guerra etc.;
- fatores nacionais - mudança no câmbio, eleição, taxa de juros doméstica,
escândalos de corrupção etc.;
- fatores setoriais - crise energética, mudança na regulação de algum setor
etc.;
- alteração no preço de seu produto ou em sua matéria-prima;e
- divulgação de resultados, fechamento de contratos e reestruturações;
- surpresas na divulgação de dados (possuem maior influência do que
dados já esperados);
- notícias diversas em relação à empresa como processos, licitações,
aquisições etc.;
- distribuição de proventos;
- especulação;
- expectativas (positivas ou negativas);e
- outras diversas razões.

Atentar à presença dos insiders (detentores de informação privilegiada),


pois compram a ação alguns dias antes do anúncio da notícia ao público, e
esperam para vendê-la após essa informação já divulgada, e com isso realizará
seu lucro logo em seguida, o que gerará uma pressão de baixa no preço.

COMO DEVO COMEÇAR A OPERAR AÇÕES?

Para operar ações são necessários 3 requisitos principais:

1. conhecimento;
2. disciplina;e
3. experiência.

Conhecimento é tentado ser transmitido por esta obra, pelas outras


indicadas na seção "obras recomendadas", nos sites úteis e outros recursos
disponíveis como cursos etc.

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APRENDA A INVESTIR
Disciplina você terá que se policiar, para não deixar suas emoções
influenciarem na razão adquirida pelo conhecimento.
Já experiência apenas é conseguida através do tempo, logo é indicado 3
fases, onde em cada uma delas é recomendada um mínimo de 6 meses a 1 ano
em cada:

1. utilização de um simulador de ações, no qual aprenderá sem o


aporte de recursos;
2. operar com pouco capital, algo entre i% a 5% de seu
carteira;e
3. operar normalmente com o limite máximo de 30% de sua
carteira.

COMO ESCOLHER UMA AÇÃO?

-/ Procurar por empresas grandes geradoras de lucros nos últimos anos.

-/ Aplicar a análise gráfica na busca de empresas em tendência de alta, ou


em reversão da tendência de baixa.

-/ Dar prioridade a ações:

• com boa liquidez, isto é, com alto volume de negociação, para não
ter dificuldade em sua futura venda e por serem menos sensíveis à
manipulação;

• de empresas com boa governança, devida à maior confiabilidade


perante o mercado e provável maior pressão compradora devido a
regras de certos fundos de restrição a compra de empresas listadas
nos níveis de governança criados pela Bovespa;

de empresas com perspectiva de aumento do lucro em relação ao


exercício anterior;e

• de empresas privadas, pois mesmo a lei das S.A. garante ao governo


o direito de dar às empresas sob seu controle objetivos não
econômicos, deixando claro que não irá privilegiar o acionista num
eventual conflito de interesse.

-/ Procure acompanhar a tendência do Ibovespa, pois o índice possui grande


influência nos preços das ações.

EVITAR:

D Possuir preconceito (sem embasamento) em relação a certa empresa;

Li Insistir em seguidas compras de ações de uma empresa, após alguns


prejuízos registrados com essa ação, apenas para obter certa "vingança"
em relação ao papel;e
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APRENDA A INVESTIR

D Executar a "média" (comprar mais ações após forte queda do preço para a
perda média ser inferior, e sua recuperação ser mais rápida) em vez de a
parada de perda (stop-loss) em empresas sem perspectivas de
valorização.

QUAL É A MELHOR ESTRATÉGIA?

Day trade, swing trade, position, carteiras de longo prazo etc, são ótimas
alternativas de investimento que certamente haverá diferentes perfis de
investidores que se identificarão com cada uma delas, portanto apenas você
saberá qual é a melhor estratégia de investimento a ser adotada.

QUANTAS AÇÕES DEVO TER EM CARTEIRA?

Não existe uma quantidade ideal de empresas que devemos ter em


carteira. Meu conselho é diversificar, sem perder o controle e a coerência. A
diversificação tem que ser com ações de diferentes setores (com correlação não
próxima a 1). Algo em torno de 5 a 10 diferentes papéis, para diluir o risco, e
aproveitar algumas oportunidades de diferentes setores, sem perder o controle.

EXISTEM ESTRATÉGIAS QUE GARANTEM RISCO ZERO?

No mercado de ações, não há nenhuma operação que terá risco zero. A


possibilidade de maior retorno em ações é diretamente relacionada ao seu maior
risco, onde não há garantia de rentabilidade.

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3.7 FUNDOS DE INVESTIMENTO

Fundo de investimento é um condomínio de investidores, ou seja, uma


comunhão de recursos, com carteira administrada, profissionalmente, por uma
instituição devidamente credenciada com o objetivo de obter certa rentabilidade
para seus cotistas. O conceito de condomínio é análogo ao do condomínio de um
prédio residencial. Os cotistas de um mesmo fundo possuem os mesmos
objetivos, e recebem o mesmo tratamento.

3.7.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

VANTAGENS

Pelo fato de investir um maior volume em relação a um pequeno ou médio


investidor, o fundo consegue diversificar melhor suas aplicações, diminuindo a
exposição de sua carteira aos riscos, bem como negociar taxas mais vantajosas
em certas operações. Além disso, o fundo conta com carteira gerida por um
profissional, que teoricamente está mais capacitado tecnicamente, e utiliza
instrumentos mais sofisticados de gestão e controle de risco. Com o intuito de
não herdar passivos do administrador o fundo possui cnpj próprio.

DESVANTAGENS

Ao contrário do clube de investimento (explicado a seguir) o fundo de


investimento não permite a participação do cotista na gestão de sua carteira caso
seja da sua vontade. O investimento em fundos não conta com a garantia da
instituição administradora, nem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos
(FGC), este que garante até R$60.000,00 em certos investimentos como em
CDB.

PRINCIPAIS DOCUMENTOS

Regulamento: documento registrado em cartório, que apresenta as


principais características do fundo, como: denominação, prestadores de
serviços, público alvo, objetivo e política de investimento, taxas cobradas,
tributação, serviço de atendimento ao cotista, despesas atribuíveis ao
fundo etc.

Prospecto: material com conteúdo semelhante ao do regulamento, mas


com linguagem menos formal, e que apresenta como informação os avisos
obrigatórios pela CVM e Anbid como também dispõe dos riscos incorridos
pelo fundo.

Termo de Adesão: documento assinado pelo cotista ao aplicar no fundo


pela primeira vez, no qual declara ter recebido o regulamento e o
prospecto, estar de acordo com seus termos e ter ciência dos riscos
incorridos pelo fundo. Há a possibilidade de ser assinado eletronicamente.

Carta de convocação: o cotista deverá ser convocado para a realização


da Assembléia Geral de Cotistas.

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APRENDA A INVESTIR
Ata da Assembléia Geral de Cotistas: documento no qual são
consolidadas as alterações deliberadas na Assembléia Geral de Cotistas.

Carta de comunicação: a deliberação obtida junto à Assembléia Geral de


Cotistas deverá ser informada ao cotista na carta de comunicação

TIPOS DE FUNDOS

i) Fundos para o público em geral, investidor qualificado ou


superqualificado e fundo exclusivo

Fundo para o público em geral: destinado ao público em geral, sem


qualquer restrição, exceto caso o fundo possua limite mínimo de aplicação.

Fundo para investidor qualificado: este fundo possui como público alvo
pessoas físicas ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em
valor igual ou superior a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), além de
instituições financeiras, entidades de previdência complementar,
seguradoras, sociedades de capitalização, fundos destinados
exclusivamente a investidores qualificados, administradores de carteira e
consultores de valores mobiliários credenciados junto à CVM. Os fundos
para investidores qualificados podem dispensar a elaboração do prospecto,
além de possuírem maior liberdade para alocar os recursos do fundo, para
determinar os critérios de cobrança das taxas, e para estabelecer prazos
para conversão da cota e para pagamento dos resgates, diferentes
daqueles previstos na Instrução CVM 409/04.

Fundo para investidor superqualificado: requer investimento mínimo,


por investidor, de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), possuem, além
das possibilidades para investidor qualificado, uma maior liberdade ao
gestor do fundo para concentrar suas aplicações em um mesmo emissor e
uma mesma modalidade de ativo financeiro.

Fundo Exclusivo: os fundos classificados como "exclusivos" são os


qualificados constituídos para receber aplicações, exclusivamente, de um
único cotista qualificado.

ii) Fundo Aberto ou Fechado para resgate

Fundo Aberto (ou fundo em condomínio aberto): aquele cujas cotas


podem ser resgatadas conforme disposto no regulamento.

Fundo Fechado (ou fundo em condomínio fechado): aquele cujas


cotas são resgatadas somente ao término do prazo de duração do fundo,
admitidas, porém, a amortização e a transferência de cotas, esta mediante
termo de cessão e transferência, assinado pelo cedente e pelo cessionário,
ou através de bolsa de valores ou entidade de balcão organizado em que
as cotas do fundo sejam admitidas à negociação. Uma de suas vantagens é
de ter apenas seus rendimentos tributados ao final de seu período de

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APRENDA A INVESTIR
duração ou na transferência da cota para terceiros, evitando assim o
come-cotas"..
"com

iii) FI ou FICFI

Fundo de Investimento (FI): investe diretamente em ativos, mas


também se disposto em seu regulamento podem investir também em cotas
de outros fundos.

Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento


(FICFI): investe, no mínimo 95%, em cotas de outros fundos de
investimento, administrados pela mesma instituição administradora ou por
outras. O intuito do FICFI pode ser de diversificação de risco, se sua
política for aplicar em vários fundos de investimento. Assim como, pode ser
de segmentação de público alvo, se sua política é investir em apenas um
fundo de investimento, diferenciando canais de distribuição por meio de
diferentes percentuais de taxa de administração, conforme limites mínimos
de aplicação preestabelecidos. Pois em vez da instituição criar vários FIs
com diferentes taxas de administração, é criado apenas um com taxa de
administração zero, e vários FICs com diferentes taxas a critério do
administrador que aplicarão somente nesse FI. Com isso o Gestor
trabalhará, na gestão dos recursos, em apenas um único fundo chamado
de fundo "mãe", e terá, através dos FICs, seu canal de diferenciação
comercial.

PRESTADORES DE SERVIÇO

Os prestadores devem estar devidamente credenciados junto aos


respectivos órgãos reguladores e devem ser identificados no regulamento e/ou
no prospecto, conforme o caso.

Administrador: é o responsável pelo conjunto de serviços relacionados


direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção do fundo. Ele é
o responsável legal pelo fundo.

Gestor: é o administrador de recursos, representado por pessoa natural ou


jurídica credenciada junto à CVM para este fim. O gestor dispõe de poderes
para negociar, em nome do fundo de investimento, os referidos ativos.

Distribuidor: é a instituição integrante do sistema de intermediação


(banco, corretora ou distribuidora) habilitada a colocar no mercado as
cotas do fundo.

Custodiante: é a instituição credenciada a prestar serviço de custódia


(guarda e controle) dos títulos e valores mobiliários que compõem a
carteira do fundo.

Auditor: é o prestador independente, responsável por auditar anualmente


as demonstrações contábeis do fundo.

23
Ver glossário.
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APRENDA A INVESTIR
Outros prestadores de serviços: consultoria de investimentos;
atividades de tesouraria, de controle e processamento dos títulos e valores
mobiliários; a escrituração da emissão e resgate de cotas; classificação de
risco por agência especializada constituída no País.

3.7.2 DISPOSIÇÕES PRESENTES NO REGULAMENTO E PROSPECTO

1 - PÚBLICO ALVO

O regulamento deve definir o tipo de investidor ao qual se destina, como


por exemplo público em geral, investidores qualificados, entre outros.

II - OBJETIVOS E POLÍTICA DE INVESTIMENTOS

O regulamento deverá dispor com clareza sobre os objetivos perseguidos


pelo fundo (exemplo: superar um índice de ações) e sobre a política de
investimentos que será seguida para consecução desse objetivo (exemplo:
política ativa de replicar a carteira desse referido índice e realizar operações
alavancadas com derivativos para obter o diferencial positivo pretendido).
A política deve estabelecer quais ativos podem compor a carteira do fundo
e em que proporção; deve estabelecer, ainda, o grau de concentração da carteira
em ativos de um mesmo emissor, o limite para participação de títulos de emissão
da instituição administradora e outras a ela ligadas, a natureza e os limites para
a realização de operações com derivativos (proteção, posicionamento direcional
e/ou alavancagem, e no caso desta, quantificar a exposição do patrimônio líquido
ao risco), dentre outros. Esses dois tópicos do regulamento constituem um
mandato dentro do qual o gestor poderá agir discricionariamente, não podendo
ser responsabilizado por perdas caso não fuja desses limites.
Assim, se um fundo define em seu regulamento o objetivo de buscar
rentabilidade de 130% do CDI, sua política de investimento poderá, por exemplo,
expor a carteira aos riscos de crédito (emissores de pior qualidade creditícia que
colocam seus títulos a taxas de juros mais elevadas, porém, se tais emissores
"quebrarem", o valor de seus títulos poderá cair para zero, podendo prejudicar
não só a rentabilidade, como o próprio patrimônio do fundo) e de alavancagem
(apostas em derivativos superiores ao patrimônio do fundo que, caso se mostrem
equivocadas, poderão trazer enormes prejuízos à carteira do fundo).
O investidor que se tornar cotista de fundo parecido do exemplificado no
parágrafo anterior deverá estar preparado para não só perder o capital investido,
como também ter de colocar mais dinheiro no fundo (aportar recursos adicionais)
para cobrir perdas superiores ao patrimônio líquido. Essa condição de risco deve
ser explícitada, com o aviso correspondente, no regulamento, no prospecto e no
termo de adesão. Contudo o investidor deve sempre estar atento, pois não há
mágica no mercado financeiro - quanto maior o retorno buscado, maior o risco
incorrido.

GESTÃO ATIVA X GESTÃO PASSIVA


E necessário saber distinguir fundos com gestão ativa e gestão passiva, para
assim poder avaliar o resultado dessa gestão. A gestão ativa é conduzida com o
objetivo de superar seu indicador de referência (benchmark), já a gestão passiva

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APRENDA A INVESTIR
tem o objetivo de apenas acompanhar se benchmark, refletindo em menor
necessidade de supervisionamento, e em menor taxa de administração.

III - FATORES DE RISCOS (item com presença obrigatória apenas no prospecto


do fundo)

Há a possibilidade dos fundos de investimentos apresentarem perdas, ou


até mesmo apresentarem rentabilidade negativa, existindo inúmeros fatores que
podem concorrer para tanto. Todos os riscos incorridos pelo fundo devem constar
do prospecto. A carteira dos fundos é controlada através de sistemas de
gerenciamento de riscos, mas não há garantia de completa eliminação da
possibilidade de perdas patrimoniais. Os principais riscos apresentados pelos
fundos são:

Risco de Mercado - possibilidade do valor dos ativos que integram a


carteira do Fundo aumentar ou diminuir de acordo com as flutuações de
preços e cotações de mercado, produzindo impacto negativo sobre o
patrimônio do fundo.

Risco de Crédito - consiste no risco dos emissores de títulos e valores


mobiliários que integram a carteira do Fundo não cumprirem com suas
obrigações de pagar tanto o principal como os respectivos juros de suas
dívidas.

Risco de Liquidez - possibilidade do fundo não conseguir efetuar o


pagamento dos resgates de cotas solicitados pelos cotistas em função de
fatores que acarretem condições atípicas de mercado quanto à liquidez dos
ativos que compõem a carteira do fundo e/ou devido a grande volume de
solicitações de resgates.

Risco de Derivativos - risco de distorção do preço entre o derivativo e


seu ativo objeto, ou entre derivativos correlatos, de forma a inviabilizar
estratégias perseguidas pela carteira do fundo e produzir perdas
patrimoniais. Dentro desse risco destaca-se o risco de alavancagem,
correspondente à possibilidade de perda superior ao patrimônio investido -
o chamado risco de patrimônio líquido negativo, hipótese sob a qual o
cotista perde tudo o que investiu e ainda é chamado a fazer aporte
adicional para saldar perdas do fundo. A existência de risco dessa natureza
no fundo deve ser destacada na capa de seu prospecto. Contudo, o fundo
que pratica alavancagem, é sem dúvida o que incorre ao maior risco.

Risco Sistêmico - possibilidade de fatores conjunturais ou de alterações


estruturais da economia, doméstica e internacional, repercutirem nos
preços dos ativos em geral, em especial nos juros, no câmbio e nos valores
mobiliários, provocando possíveis perdas para o fundo.

Risco Legal - possibilidade de alterações nas normas e/ou interferência


de órgãos reguladores no mercado resultarem em desvalorização dos
ativos do fundo.

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APRENDA A INVESTIR
IV - APLICAÇÃO E RESGATE

Aplicação: ao efetuar uma aplicação em um fundo de investimento (após


cadastro em instituição credenciada), é feita a conversão dos recursos
financeiros em cotas, sendo utilizado o valor da cota do dia da efetiva
disponibilidade dos recursos confiados pelo investidor ao administrador ou
o valor da cota do dia posterior da efetiva disponibilidade, conforme
dispuser o regulamento do fundo. As aplicações geralmente podem ser
efetuadas por meio de débito em conta corrente, documento de ordem de
crédito (DOC), transferência eletrônica disponível (TED) ou, ainda, através
de cheque.

Resgate: ao de efetuar uma desaplicação, o recebimento se dará num


prazo que pode variar entre O a 5 dias (D+O a D+5) , conforme dispuser o
regulamento do fundo, exceto para fundos de investidores qualificados que
não há prazo máximo para resgate definido pela legislação. Em geral, o
resgate pode ser realizado mediante solicitação à instituição
administradora, por telefone, por fax ou até mesmo por meio eletrônico.

Valores mínimos de aplicação, resgate, movimentação e


permanência: o prospecto do fundo deve informar acerca da existência,
ou não, de valores mínimos aplicáveis ao investimento.

V - TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO, PERFORMANCE, INGRESSO E SAÍDA

Taxa de administração: valor cobrado pela instituição que administra o


fundo para pagar pelos serviços prestados. Os fundos de investimento em
cotas, possuem duas taxas de administração, a taxa de administração do
próprio fundo, e a taxa do fundo em que ele aplica.

Taxa de performance: valor que pode, se disposto no regulamento, ser


cobrado do fundo quando sua rentabilidade superar a de um indicador de
referência (benchmark) compatível com a política de investimento do
fundo. Sua função é remunerar uma boa performance na gestão ativa da
carteira do fundo. Na maioria dos fundos, no entanto, essa taxa não é
cobrada.

Taxas de ingresso e de saída: se previsto no regulamento, o fundo pode


cobrar de seus cotistas um valor como taxa de entrada (destinada a cobrir
despesas operacionais relativas ao início do investimento, tais como
formalidades referentes ao cadastro do investidor e/ou à constituição do
próprio fundo etc.) e um valor como taxa de saída (em geral, uma
penalidade que objetiva desestimular o investidor a deixar o fundo).
Contudo, no Brasil, a cobrança dessas taxas é muito pouco utilizada.

VI - TRIBUTAÇÃO

IOF: Imposto sobre operações financeiras cobrado sobre o rendimento


conforme tabela abaixo. Sua cobrança é isenta a partir do 300 dia de
aplicação.

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APRENDA A INVESTIR
QUADRO 3.1 - % IOF DE ACORDO COM OS NOS DE DIAS APLICADOS
N° dias
corridos da
aplicação 1 3 4 6 e 9 10 11 12 13 14 15
o IOF sobre
o
Rendimento
Bruto q 9.3 Qfl 60% 76:::: 70:/: 6 6.3% 60% 5 50:/:

N° dias
corridos da
aplicação 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 b 29 30
% IOF sobre
o
Rendimento
Bruto 47% 4.3 40% 36/: :3:3 30% 26:::: 23% 2O/: 16% 13% 10% 6% J Isento

Imposto de renda: Devido aos fundos de renda fixa sofrerem tributação


regressiva ao longo do tempo, é aconselhável não ficar trocando toda hora
suas aplicações em fundos com parecidas rentabilidades e riscos. Verificar
tabela constante do anexo II. Os cotistas são tributados pelo imposto de
renda na fonte no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada
ano, à alíquota de lS%, e, adicionalmente, por ocasião do resgate das
cotas, aplicando-se alíquota complementar de acordo com a tabela
mencionada.

VII - DIREITOS DOS COTISTAS

Acesso aos documentos principais do fundo: ao ingressar no fundo o


cotista deve receber o regulamento e o prospecto correspondentes.

Acesso ao Serviço de Atendimento ao Cotista (SAC): serviço


obrigatório mantido pelo administrador, responsável pelo esclarecimento
de dúvidas, e pelo recebimento de reclamações e solicitações de envio de
documentos pertinentes ao fundo.

Participação na Assembléia Geral de Cotistas (AGC): reunião para a


qual são convocados todos os cotistas para deliberar sobre assuntos de sua
exclusiva competência, a saber: (i) as demonstrações contábeis
apresentadas pelo administrador; (ii) a substituição do administrador, do
gestor ou do custodiante do fundo; (iii) a fusão, a incorporação, a cisão, a
transformação ou a liquidação do fundo; (iv) o aumento na taxa de
administração; (v) alteração da política de investimento do fundo; (vi)
amortização de cotas; e (vii) alteração do regulamento do fundo.

Acesso a informações regulares e extraordinárias:

- Diariamente: valor da cota e do patrimônio líquido do Fundo;

- Mensalmente: (i) extrato de conta enviado a cada cotista, exceto se


expressamente dispensado pelo interessado, contendo saldo e valor das
cotas no início e no final do período, movimentação no mesmo e
rentabilidade auferida; (ii) balancete, perfil mensal e demonstrativo da
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APRENDA A INVESTIR
composição e diversificação da carteira contendo a identificação das
operações, quantidade, valor e o percentual sobre o total da carteira.
Referida divulgação se dará no prazo máximo de 10 (dez) dias após o
encerramento de cada mês, após solicitada, e poderá ser postergada por
até 90 (noventa) dias, no que tange à abertura de posições ou operações
em curso, caso tal divulgação no prazo regular possa prejudicar interesses
do Fundo.

- Anualmente: demonstrações contábeis acompanhadas do parecer do


auditor independente, realizadas no prazo máximo de 90 (noventa) dias
após o encerramento do exercício social;e

- Excepcionalmente: denominado como Fato Relevante, é qualquer ato


relativo ao Fundo que possa, direta ou indiretamente, influir na decisão do
cotista quanto a sua permanência no fundo, deverá ser divulgado.

3.7.3 CLASSIFICAÇÕES

CLASSIFICAÇÃO DOS FUNDOS DEFINIDA PELA COMISSÃO DE VALORES


MOBILIÁRIOS (CVM)

A partir de 2004, todos os fundos de investimento ficaram sob a


regulamentação e fiscalização da CVM, por meio de sua Instrução n° 409/04.
Essa nova norma trouxe diversas exigências aos fundos, as quais visam
assegurar maior transparência e comparabilidade entre os fundos de
investimento.
A CVM - Comissão de Valores Mobiliários dividiu os fundos, que se aplica
também aos fundos de investimento em cotas, nas seguintes classes:

1. Curto Prazo: investem seus recursos exclusivamente em títulos


públicos federais ou privados de baixo risco de crédito. Estes títulos podem
ser de renda fixa, pós ou prefixados, e geralmente, sua rentabilidade está
atrelada à taxa de juros usada nas operações entre os bancos (conhecida
como taxa do CDI). Investem em papéis com prazo máximo a decorrer de
375 dias e o prazo médio da carteira é de, no máximo, 60 dias. Por estas
características, são considerados os mais conservadores, indicados para
investidores com objetivo de investimento de curtíssimo prazo, pois suas
cotas são menos sensíveis às oscilações das taxas de juros.

2. Referenciado: os fundos Referenciados identificam em sua


denominação o indicador de desempenho que sua carteira tem por objetivo
acompanhar. Para tal, devem investir no mínimo 95% de sua carteira por
ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho, o
chamado benchmark. Podem utilizar instrumentos derivativos, porém, com
o objetivo exclusivo de proteção (hedge) e de manter a aderência da
carteira ao benchmark. Os fundos referenciados mais conhecidos são os
DI. Você provavelmente já ouviu falar deles, são fundos que buscam
acompanhar a variação diária das taxas de juros no mercado interbancário
(CDI), e por ser pós-fixados, se beneficiam em um cenário de alta de juros.

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APRENDA A INVESTIR
3. Renda Fixa: aplicam uma parcela significativa de seu patrimônio
(mínimo 80%) em títulos de renda fixa pré-fixados (que rendem uma taxa
de juro previamente acordada) ou pós-fixados (que acompanham a
variação da taxa de juros ou um índice de preço). Além disso, podem
utilizar instrumentos derivativos com o objetivo exclusivo de proteção
(hedge), posicionamente ou alavancagem. Nos fundos de Renda Fixa a
rentabilidade pode ser beneficiada pela inclusão de títulos que apresentem
maior risco de crédito, como os títulos privados.

MARCAÇÃO A MERCADO
Na marcação a mercado, o gestor deve calcular diariamente quanto cada
título do fundo está valendo, como se fosse vendê-lo naquele dia, e
repassar o preço apurado ao valor da cota, proporcionalmente ao seu peso
no portfólio e prazo de vencimento. Sem esse procedimento, o rendimento
da aplicação pode estar desatualizado, refletindo um valor mais baixo ou
mais alto do que é na realidade.

4. Ações: são fundos que investem no mínimo 67% de seu patrimônio em


ações negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado. Dessa
forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua
carteira. Alguns fundos desta classe têm como objetivo de investimento
acompanhar a variação de um índice do mercado acionário, tal como o
Ibovespa ou o IBrX. São mais indicados para quem tem objetivos de
investimento de longo prazo, devido à sua maior volatilidade.

Exemplos de fundos de ações:

i) Passivo: tem como objetivo seguir a carteira de determinado índice,


como Ibovespa ou IBrX;

ii) Ativo: tem como objetivo superar determinado índice, como Ibovespa ou
IBrX;

iii) Setoriais: tem como objetivo aplicar somente em determinado setor,


como energia elétrica ou telecomunicações;

iv) Small caps: tem como objetivo aproveitar oportunidades de fortes


valorizações em ações de baixa liquidez e maior volatilidade.

v) Dividendos: tem como objetivo adquirir papéis de empresas com


histórico de pagar maiores dividendos.

vi) Petrobrás ou Vale do Rio Doce: tem como objetivo adquirir ações de
apenas uma dessas duas empresas.

vii) Governança corporativa: tem como objetivo adquirir ações de


empresas que apresentem práticas diferenciadas de governança
corporativa, como das empresas que pertencem ao índice de Governança
Corporativa.

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APRENDA A INVESTIR
S. Cambial: estes fundos devem manter no mínimo, 80% de seu
patrimônio investido em ativos que sejam relacionados, diretamente ou
indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moeda
estrangeira. Nesta classe os fundos mais conhecidos são os chamados
fundos Cambiais Dólar que objetivam seguir a variação da cotação da
moeda norte americana.

6. Dívida Externa: aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos


brasileiros negociados no mercado internacional. Os 20% restantes podem
ser aplicados em outros títulos de crédito transacionados no exterior. Os
títulos componentes de sua carteira são mantidos no exterior. Além disso,
podem utilizar instrumentos derivativos transacionados no Brasil ou no
exterior, com o objetivo exclusivo de proteção (hedge). Para o investidor
no Brasil, este fundo é uma forma ágil e de baixo custo operacional para
aplicar nos papéis emitidos pelo governo brasileiro negociados no exterior,
e aceita assumir o risco de ver sua rentabilidade afetada pelas variações do
dólar frente ao real.

7. Multimercado: são fundos que possuem políticas de investimento que,


obrigatoriamente, envolvam vários fatores de risco, que possam combinar
investimentos nos mercados de renda fixa, câmbio, ações, entre outros.
Além disso, podem se utilizar ativamente de instrumentos derivativos para
alavancagem de suas posições, para tomada de posição de risco ou para
proteção de suas carteiras (hedge).

Exemplos de fundos multimercado:

- multimercado sem renda variável: não admite renda variável e


alavancagem.

- multimercado com renda variável: admite renda variável e não admite


alavancagem.

- multimercado sem renda variável com alavancagem: não admite renda


variável e admite alavancagem.

- multimercado com renda variável com alavancagem: admite renda


variável e alavancagem.

ALGUNS TROPEÇOS DE FUNDOS MULTIMERCADOS


Abaixo transcrevo matéria publicada no periódico Valor de 28/09/06 que relata
sobre os fundos multimercados que em cenário de crise ou de mudança do
regime cambial estavam excessivamente ala vancados e/ou não exerceram stop-
loss em suas posições de renda variável, trazendo assim elevados prejuízos aos
seus cotistas.

Linha do tempo - Os tropeços na gestão de risco no Brasil


- Linear: uma das primeiras gestoras de recursos independentes do Brasil, criada
pelo ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, incutiu o conceito de fundo
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APRENDA A INVESTIR
alavancado no país, mas não passou ilesa à crise da Ásia em 1997. Alguns
fundos como o Tiger, chegaram a perder mais de 60% do patrimônio. As
carteiras da empresa foram compradas pala Fator Asset Management em 2000.
- Marka: os fundos de derivativos administrados pelo Banco Marka tinham
aplicações em contratos de dólar futuro, apostando na continuidade do sistema
de câmbio fixo quando o real foi desvalorizado em relação ao dólar em 13 de
janeiro de 1999. A moeda americana saltou de R$ 1,23 para R$ 1,32 e a carteira
perdeu 95% do patrimônio nas posições que tinha na BM&F. O BC24 chegou a
vender dólares a valores abaixo da cotação do mercado e o banco foi liquidado
pelo próprio controlador, Salvatore Cacciola. Mesmo assim, os 1.300 cotistas do
fundo tiveram de reivindicar na Justiça os recursos aplicados.
- FonteCindam: os fundos de derivativos do banco também estavam aplicados no
mercado futuro de dólar na época da desvalorização cambial. A instituição teve
de cobrir as posições na BM&F com o dólar cotado no novo valor e alguns fundos
acabaram tendo um prejuízo de 30%. A instituição pagou o cotista e depois foi
liquidada pelos próprios donos.
- Boavista: um dos fundos administrados pelo banco tinha aplicações a favor da
manutenção do câmbio controlado, estratégia contrária à adotada pela própria
instituição na sua tesouraria, O Boavista pagou R$ 100 milhões de indenização
aos investidores e ainda enfrentou na Justiça reclamações de mais R$ 100
milhões. O banco foi vendido para o Bradesco em 2000.
- Bank of América: o banco americano tinha fundos alavancados em contratos de
depósitos interfinanceiros (DI) na BM&F e não atualizou as carteiras prontamente
conforme a marcação a mercado passou a exigir na virada de junho para julho
de 2002. Os investidores resgataram primeiro seus recursos acabaram deixando
o prejuízo para os demais. A instituição pagou R$ 10 milhões aos investidores e
depois vendeu a área de gestão de recursos para o HSBC.
- Global Invest: a gestora foi a mais prejudicada pela forte mudança de cenário
verificada nos mercados a partir de maio, quando os estrangeiros partiram em
debandada do Brasil. Três fundos abertos da casa registraram perdas
expressivas e o maior de todos, o San Marino, teve desvalorização de 70,65%
nas suas cotas num único mês. Em poucos dias, o patrimônio dos fundos da
gestora passou de R$ 27,5 milhões para R$ 5,1 milhões não só pelos resgates
dos investidores como também pela desvalorização dos ativos em que aplicava.
Fonte: Jornal Valor, 28/09/06 pág. Dl.

Adicionalmente, os fundos classificados como "Referenciado" "Renda Fixa",


"Cambial", "Dívida Externa" e "Multimercado" podem ser classificados como
"Longo Prazo" quando o prazo médio de sua carteira supere 365 (trezentos e
sessenta e cinco) dias e seja composta por títulos privados ou públicos federais,
pré-fixados ou indexados à taxa SELIC, a índices de preço ou à variação cambial,
ou, ainda, por operações compromissadas lastreadas nos referidos títulos
públicos federais.
São regidos por regulamentação específica, isto é, não estão incluídos na
Instrução CVM 409/04 os seguintes fundos:

- Fundos de Investimento em Participações; Fundos de Investimento em


Cotas de Fundos de Investimento em Participações; Fundos de
Investimento em Direitos Creditórios; Fundos de Investimento em Direitos

24
Banco central.
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APRENDA A INVESTIR
Creditórios no Âmbito do Programa de Incentivo à Implementação de
Projetos de Interesse Social; Fundos de Investimento em Cotas de Fundos
de Investimento em Direitos Creditórios; Fundos de Financiamento da
Indústria Cinematográfica Nacional; Fundos Mútuos de Privatização -
FGTS; Fundos Mútuos de Privatização - FGTS - Carteira Livre; Fundos de
Investimento em Empresas Emergentes; Fundos de índice, com Cotas
Negociáveis em Bolsa de Valores ou Mercado de Balcão Organizado;
Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes - Capital
Estrangeiro; Fundos de Conversão; Fundos de Investimento Imobiliário;
Fundo de Privatização - Capital Estrangeiro; Fundos Mútuos de Ações
Incentivadas; e Fundos de Investimento Cultural e Artístico.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS


Criada pela Lei n° 6.385, de 07 de dezembro de 1976, a CVM é uma entidade
autárquica vincula ao Ministério da Fazenda e tem como finalidade disciplinar,
fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários.

ANBID - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS BANCOS DE INVESTIMENTO

A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) é uma entidade


que representa a maioria das instituições financeiras que operam no mercado de
capitais (bancos de investimento e bancos múltiplos com carteira de
investimento).
A Anbid tem uma atuação muito próxima aos administradores de fundos de
investimento, tendo sido esse o motivo que a levou a estabelecer, no ano de
2000, o seu código de auto-regulação para o segmento de fundos de
investimento, que recebeu sua primeira atualização em 2005. Esse código foi
instituído a partir da percepção de que os administradores não devem se limitar
a apenas obedecer à legislação criada pelo governo, mas ir além, elaborando
normas que, uma vez seguidas por todos, melhorem o nível de suas atividades,
aumentem a transparência (evitando a concorrência desleal) e a comparabilidade
entre alternativas de investimento similares, e proporcionem maior proteção ao
investidor. Os fundos administrados por instituição associada à Anbid leva em
seu prospecto o selo Anbid.
Além do código de auto-regulação, a Anbid realizou um trabalho de
classificação dos fundos existentes no mercado, de forma a prover uma
segmentação dos vários tipos de fundos existentes no mercado brasileiro em
"famílias" distintas, de forma a possibilitar a comparação entre os fundos que
compõem cada família.

CLASSIFICAÇÃO DOS FUNDOS PELA ANBID E SEUS PRINCIPAIS RISCOS

A ANBID, subdividiu ainda as categrias dos fundos em diferentes tipos, que


leva em conta não só a sua política de investimento, mas também seus fatores
de risco. Veja no quadro a seguir as características da classificação ANBID e sua
relação com aquela estabelecida pela CVM.

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APRENDA A INVESTIR
QUADRO 3.2 - CLASSIFICAÇÕES ANBID
Categoria CVM Tipo ANBID - Riscos
Curto Prazo
Curto Prazo DI/SELIC
Aplicação Automática
Referenciado DI
Referenciados Indexador de Referencia
Referenciado Outros
Renda Fixa Juros Mercado Doméstico + Ind de Preços
Juros Mercado Doméstico + Crédito + Ind de
Renda Fixa Médio e Alto Risco
Preços

Renda Fixa
Juros Mercado Doméstico + Crédito + Ind de
Renda Fixa com Alavancagem
Preços + Alavancagem

Balanceados
Multimercados Sem RV
Multimercados Com RV
Multimercados Sem RV Com Diversas Classes de Ativos
Multimercados Alavancagem
Multimercados Com RV Com
Alavancagem
Capital Protegido
Long And Short - Renda Variável DI/SELIC + Renda Variável + Alavancagem
Investimento no Exterior Investimento no Exterior Títulos da dívida externa e taxa de câmbio
Ações IBOVESPA Indexado
índice de Referencia
Ações IBOVESPA Ativo
Ações IBOVESPA Ativo Com
índice de Referencia + Alavancagem
Alavancagem
Ações IBrX Indexado
índice de Referencia
Ações IBrX Ativo
Ações IBrX Ativo Com Alavancagem Índice de Referência + Alavancagem
Ações Setoriais Telecomunicações
Ações Setoriais Energia
Ações Setoriais Livre
Ações Setoriais Privatização
Petrobrás - FGTS
Ações Ações Setoriais Privatização Setores Envolvidos
Petrobrás - Recursos Próprios
Ações Setoriais Privatização
Vale - FGTS
Ações Setoriais Privatização
Vale - Recursos Próprios
Ações Privatização FGTS - Livre
Ações Small Caps
Ações Dividendos
Ações Sustenta bil idade/Governa riça
Ações Livre
Ações Livre Com Alavancagem Alavancagem
Fundos Fechados de Ações
Cambial Dólar Sem Alavancagem
Cambial Moeda de Referencia
Cambial Euro Sem Alavancagem
Fonte: Anbid (Maio/2008)

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APRENDA A INVESTIR
3.7.4 FUNDOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA

Modalidade de fundo indicada para investimentos de longo prazo. Uma de


suas principais vantagens é a não existência do come-cotas. E recomendado
apenas para aplicação de longo prazo, devido a existência de carências e taxas
de saída. A seguir são apresentados os diferentes planos de previdência
complementar:

PGBL

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) recomendado para o cotista que


preenche a declaração do imposto de renda pelo formulário completo. Há a
possibilidade de ser abatido até 12% da renda bruta anual do Imposto de Renda
e tem taxa de carregamento de até 5%. Comercializado por seguradoras,
administrado por uma empresa especializada na gestão de recursos de terceiros
e fiscalizado pelo Banco Central.
Uma de suas principais vantagens está na possibilidade de se optar, já
quando da adesão ao plano, pela idade de quando se começará a receber o
rendimento investido. Essa renda poderá ser recebida em uma única parcela ou
então em quantias mensais.

VGBL

O VGBL, ou Vida Gerador de Benefício Livre, é aconselhável para aqueles


que não têm renda tributável, já que não é dedutível do Imposto de Renda,
ainda que seja necessário o pagamento de IR sobre o ganho de capital. Também
possui taxa de carregamento de até S%.

TAXA DE CARREGAMENTO
Taxa cobrada nos planos de previdência complementar, sobre a contribuição do
segurado, para fazer face às despesas administrativas, de corretagem e
colocação do plano. Não pode ser cobrada quando os recursos forem transferidos
de seguradora. O porcentual máximo de carregamento permitido pela legislação
vigente é de lO% para os planos estruturados na modalidade de contribuição
variável, mas ela gira em torno de O% a S% cobrada no aporte ou no resgate, e
em geral decrescente conforme o valor.

FAPI

Os FAPI5 também representam uma forma alternativa de previdência


complementar. A principal diferença entre eles está no tratamento fiscal, pois no
FAPI existe cobrança de 20% de imposto de renda na hora do resgate, e S% de
IOF em caso de resgate no primeiro ano. Nos PGBL5 não há incidência de IOF
independente de quando ocorre o resgate. Assim como nos PGBLs as aplicações
são dedutíveis da base de cálculo do IR até o limite de 12% da renda bruta. Todo
o valor acumulado é tributado pelo IR. Não cobra taxa de carregamento, mas em
seu lugar tem taxas de administração que podem chegar a S% sobre o saldo
aplicado.

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APRENDA A INVESTIR
O Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual) é aconselhável
para quem declara o Imposto de Renda usando o formulário simplificado. E
distribuido por bancos e seguradoras.

3.7.5 OUTROS TIPOS DE FUNDOS

FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (FIP)

O fundo de investimento em participações constituí uma importante


alternativa de financiamento para as companhias, na medida em que visa o
investimento em companhias fechadas ou de pouca liquidez, com efetiva
participação na administração dessas companhias, disseminando melhores
práticas de gestão e de controle. O Fundo de Investimento em Participações,
constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos
destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros
títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de
companhias abertas ou fechadas, em que participe do processo decisório da
companhia investida, isoladamente ou em conjunto, integrando seu bloco de
controle ou como signatário de acordo de acionista que assegure ao fundo
influência na definição da política estratégica da empresa e na gestão da
companhia, notadamente através da indicação de membros do Conselho de
Administração.

FUNDO DE INVESTIMENTO PRINCIPAL GARANTIDO

Denominado também como capital protegido, este fundo tem como


objetivo aplicar toda sua carteira em ativos de renda fixa (protegendo assim
100% do capital) e utilizar seu rendimento para especular em renda variável
(arriscando apenas a rentabilidade do fundo). Indicado para períodos nos quais
os juros (taxa selic) estejam em altos patamares visto que assim o fundo terá
maior parcela para poder utilizar na busca de maiores ganhos nos ativos de
maior risco. Alternativamente, há fundos cuja estratégia é aplicar diretamente
em ações e proteger o capital com a utilização de combinações de opções.

FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS (FIDC)

Os fundos de Recebíveis, juridicamente denominado Fundo de


Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), é uma modalidade de fundo de
investimento, cujos ativos compõem-se de direitos creditórios, denominados
recebíveis. O fundo tem por finalidade permitir ao emissor obter financiamento
ou otimizar a gestão de seu fluxo de caixa através da securitização de seus
recebíveis.

FUNDOS DE ARBITRAGEM (LONG/SHORT)

Os fundos de arbitragem long/short podem ser uma opção menos arriscada


para investimento em renda variável, pois apesar de operarem com renda
variável, eles são classificados como fundos multimercado e têm como meta
superar o CDI, e não o Ibovespa. Possui como estratégia comprar uma
determinada ação, com tendência de alta, e assumir o compromisso de vender
outra, com tendência de queda, para obter ganho com a diferença entre essas
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APRENDA A INVESTIR
operações. Essa operação de arbitragem também é efetuada entre índices no
mercado futuro, com ações de um mesmo grupo e entre empresas do mesmo
setor. Há a possibilidade do gestor utilizar estratégias equivocadas e o fundo
apresentar rentabilidade negativa.

FUNDO 157

Fundo criado em 1967 com a finalidade de alavancar o mercado de ações.


Os contribuintes tinham opção de aplicar parte do Imposto de Renda (2% a 4%)
no fundo, permitindo que o investidor, em vez de pagar o IR, pudesse adquirir
cotas de fundos administrados pelo banco de sua escolha. Os fundos receberam
investimentos de 1967 a 1982, e não foram extintos. Os recursos estão
disponíveis para o resgate, e estima-se que há um saldo não reclamado de
500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais). A CVM disponibiliza em seu site,
consulta a antigos cotistas através do cpf pelo endereço:
http://www.cvm.gov.br/, em "acesso rápido - consulta fundo 157".

FUNDO PRIVATE EQUITY

Modalidade de fundo de investimento que compra participação acionária


em empresas. Direcionado para negócios já em andamento e têm, em geral, boa
geração de caixa. Eles investem em empresas selecionadas pelo seu potencial de
crescimento, muitas vezes em empresas com pouca transparência. Deste modo
conseguirão através de boas práticas de governança forte valorização da
empresa para depois vender sua participação para a realização do lucro.

FUNDO IMOBILIÁRIO

Constituído sob a forma de condomínio fechado, destinado a aplicação em


empreendimentos imobiliários, tais como construção de imóveis, aquisição de
imóveis prontos, ou investimentos em projetos visando viabilizar o acesso a
habitação e serviços urbanos, inclusive em áreas rurais, para posterior alienação
(venda), locação ou arrendamento. Recebe o benefício da isenção do Imposto de
Renda.

FUNDOS DE ÍNDICE

Fundo que visa refletir a variação e rentabilidade de um índice de


referência. Na denominação do fundo deve conter a expressão fundo de índice
mais a identificação do índice de referência. O fundo deve ser constituído na
forma de condomínio aberto e suas cotas devem ser admitidas à negociação no
mercado secundário, por intermédio da bolsa de valores ou entidade do mercado
de balcão organizado. Exemplo de fundo de índice é o PIBB. O Papéis de índice
Brasil Bovespa são cotas do fundo PIBB Fundo de índice Brasil 50 - que replica a
carteira do índice de ações IBrX-50 (índice composto com as 50 ações mais
líquidas da Bovespa).

COMO ACOMPANHAR SEU FUNDO DE INVESTIMENTO


Como, geralmente, a carteira dos fundos são muito próximas, o que determina
as diferentes rentabilidades são as taxas de administração cobradas. O que
limitará você a conseguir as melhores taxas de administração disponíveis será a
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APRENDA A INVESTIR
aplicação mínima que o fundo exige. Com isso você deverá ficar atento quando
possuir valor suficiente para migrar para um fundo com melhor taxa, pois seu
gerente não irá lhe avisar quando poderá transferir sua aplicação em um fundo
com menor taxa de administração refletindo em maior rentabilidade. As taxas
variam entrem 0,5% a 5%, sendo que taxas acima de 2,5% são consideradas
abusivas em fundos que não exigem muita gestão, como os fundos DI e Renda
Fixa. Estes fundos devem possuir rentabilidade a partir de YO% da taxa
selic/CDI. Isto é, se o CDI (taxa indicada na tabela de rentabilidade do seu
administrador) nos últimos meses foi de 15°h, a rentabilidade esperada de seu
fundo é a partir de 13,5%, caso contrário o fundo não é uma boa alternativa de
investimento. No caso de fundos de ações ou multimercado, é importante uma
boa análise de longo prazo do histórico de rentabilidade, com comparações entre
os mais rentáveis do mercado.
COMPARAR
- TAXA DE ADMINISTRAÇÃO E VERIFICAR SE HÁ TAXA DE PERFORMANCE (NÃO
ESQUECER TAMBÉM DE VERIFICAR SE HÁ TAXAS DE ENTRADA, SAÍDA E DE
CARREGAMENTO, ESTE ÚLTIMO APENAS EM PLANOS DE PREVIDÊNCIA);e
- RENTABILIDADE CONSIDERANDO OS DIFERENTES RISCOS.
ATENTAR COM A TRIBUTAÇÃO
- IOF (ISENTO EM RESGASTES A PARTIR DO 300 DIA);e
- IR (REGRESSIVO AO LONGO DO TEMPO).

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3.8 CLUBE DE INVESTIMENTO

Assim como os fundos de investimento, os clubes de investimento também


são uma forma de investimento coletivo com CNPJ próprio. O patrimônio do
clube de investimento é dividido em cotas, que são adquiridas pelos
participantes. Para criar um clube é necessário a contratação de um
administrador que pode ser uma corretora membro da Bovespa. A Bovespa é
quem registra e fiscaliza (através da Resolução n° 303/05), em conjunto com a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Sua constituição é feita mediante
aprovação e assinatura do Estatuto Social (documento equivalente ao
regulamento dos fundos de investimento) por parte dos participantes,
documento no qual são fixados os princípios e as regras de funcionamento, de
acordo com a legislação e com o Regulamento de Registro dos Clubes de
Investimento da Bovespa. Todo clube de investimento deve possuir no mínimo
51% de seu patrimônio aplicado em ações, e o restante (49%) pode ser aplicado
em títulos de renda fixa.
O membro do clube deve receber, mensalmente, extrato com a
movimentação da carteira, valor do Patrimônio Líquido, quantidade de cotas,
valor das cotas, rendimento e participação.

VANTAGENS

Custo mais baixo: com menos exigências de controles, e com registro e


manutenção mais simples, os custos dos clubes são menores em
comparação ao dos fundos de investimento.

Acessibilidade: qualquer pessoa pode aplicar em um clube de


investimento, mesmo em pequenos valores. O número mínimo de
participantes é 3 e o máximo 150, salvo exceções possíveis de acordo com
a regulamentação (membros de mesma empresa, entidade ou grupo de
sociedade). Adicionalmente, nenhum participante poderá deter mais do
que 40% do patrimônio do Clube.

Diversificação: outra vantagem é que com um volume maior, originado


pela soma dos recursos de cada integrante do Clube, é possível diversificar
a aplicação, investindo em ações de diferentes empresas e setores da
economia, com custos de transação proporcionalmente menores.

Participação direta: os Clubes de investimento permitem, em princípio,


que os envolvidos participem diretamente da sua gestão, o que, embora
demande tempo e exija certa disciplina, constitui excelente forma de
aprendizado em relação ao funcionamento do mercado.

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APRENDA A INVESTIR

3.9 INTRODUÇÃO AO MERCADO DE DERIVATIVOS

Derivativos são ativos financeiros cujo valor resulta (deriva) do valor de


outro ativo financeiro (ou mercadoria) negociado no mercado à vista, podendo
ser caracterizados como: contratos a termo, contratos futuros, opções de compra
e venda, operações de swaps, entre outros.
O que se busca nos mercados derivativos é a transferência dos riscos de
preço inerentes à atividade econômica entre os seus participantes. A criação
desse mercado deu-se basicamente à necessidade de produtores agrícolas se
protegeram das quedas dos preços, e dos compradores das altas. Com isso a
produção futura já tinha seu preço definido, evitando assim surpresas tanto para
o vendedor quanto ao comprador. Contudo, os mercados derivativos viabilizam
aos agentes produtivos realizar operações que possam proteger do risco da
variação do preço, as posições detidas no mercado a vista (operações de hedge).
No mercado de derivativos os clientes são representados por três principais
clientes:

- hedgers: buscam realizar operações (de compra de compra ou venda a


futuro) que possam proteger do risco de preço as posições detidas no
mercado a vista.

- especuladores: buscam realizar ganhos através da especulação


assumindo o risco da variação dos preços, e com isso são de grande
utilidade ao mercado ao garantir a liquidez do mesmo.

- arbitradores: buscam tirar proveito da variação na diferença entre o


preço de dois ativos ou mercados, ou das expectativas futuras da mudança
nessa diferença. Assim como os especuladores, também são de grande
utilidade, pois garantem que o preço negociado a futuro seja "justo" em
relação ao preço a vista.

MERCADOS
Futuro: em que as partes assumem compromisso de compra e/ou venda para
liquidação (física e/ou financeira) em data futura, contando com o ajuste diário
do valor dos contratos, que é o mecanismo que possibilita a liquidação financeira
diária de lucros e prejuízos das posições.
Opções sobre disponível: em que uma parte adquire de outra o direito de
comprar - opção de compra (cal!) - ou vender - opção de venda (put) - o
instrumento-objeto de negociação, até ou em determinada data, por preço
previamente estipulado.
Opções sobre futuro: em que uma parte adquire de outra o direito de comprar
- opção de compra - ou vender - opção de venda - contratos futuros de um
ativo ou commodity, até ou em determinada data, por preço previamente
estipulado.
Opções flexíveis: semelhantes às opções de pregão (sobre disponível e sobre
futuro), com a diferença de que são as partes que definem alguns de seus
termos, como preço de exercício, vencimento e tamanho de contrato. São
negociadas em balcão e registradas na Bolsa via sistema eletrônico, com as

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partes também determinando se o contrato de opção de compra ou de venda
terá ou não a garantia da BM&F.
Swaps: como as opções flexíveis, são contratos negociados em balcão e
registrados na BM&F via sistema eletrônico. Nesse caso, as partes trocam um
índice de rentabilidade por outro, com o intuito de fazer hedge, casar posições
ativas com posições passivas, eqüalizar preços, arbitrar mercados ou até
alavancar sua exposição ao risco. Os contratos têm grande flexibilidade de
especificação (baixa padronização). Para tanto as partes devem escolher a
combinação de variáveis apropriada a sua operação e definir as características do
contrato, como preço, prazo e tamanho, optando igualmente pela garantia ou
não da Bolsa.
Termo: semelhante ao mercado futuro, em que é assumido o compromisso de
compra e/ou venda para a liquidação em data futura. No mercado a termo,
porém, não há ajuste diário nem intercambialidade de posições, ficando as
partes vinculadas uma à outra até a liquidação do contrato.
Fonte: BM&F

BM&F

A Bolsa de Mercadorias & Futuros - BM&F, em fase de fusão com a


Bovespa, é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que tem por objetivo,
dentre outros, organizar, prover o funcionamento e desenvolver mercados livres
e abertos para negociação de quaisquer espécies de títulos e/ou contratos que
possuam como referência, ou tenham como objeto, ativos financeiros, índices,
indicadores, taxas, mercadorias (também chamadas "commodities") e moedas,
nas modalidades a vista (também chamado mercado disponível) e para
liquidação futura (mercados a termo, de opções e de futuros).

WebTrading BM&F (WTr)

Plataforma de negociação de minicontratos derivativos via internet


especialmente voltado aos pequenos investidores. Os minicontratos são
contratos futuros de formato reduzido com negociação exclusiva no WTr. Os
minicontratos possuem características operacionais bastante semelhantes às dos
contratos futuros negociados no mercado-padrão, diferenciando-se, de forma
geral, somente em tamanho (lO% do valor do contrato tradicional). As ordens
são colocadas diretamente pelo cliente, por meio de interface simplificada, no
site da Corretora BM&F por ele escolhida.

Minicontratos

Volume de referência
Dólar US$ 5.000,00
Ibovespa R$ 0,30
Boi gordo 33 arrobas
Café arábica 10 sacas de 60 quilos

Margem de garantia
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APRENDA A INVESTIR
Dólar US$ 1.080,00
Ibovespa R$ 960,00
Boi gordo R$ 144,00
Café arábica R$ 216,00

Fonte: BM&F

Câmara de Compensação (Clearing House)

O bom funcionamento dos mercados derivativos requer que seus


participantes tenham total certeza de que seus ganhos serão recebidos e de que
suas operações de compra e venda serão liquidadas nas condições e no prazo
estabelecidos. Tal certeza é proporcionada, pelas câmaras de registro,
compensação e liquidação, também chamadas de clearings, mediante um
sistema de compensação que chama para si a responsabilidade pela liquidação
dos negócios, transformando-se no comprador para o vendedor e no vendedor
para o comprador, assegurando que as operações realizadas sejam efetivamente
liquidadas, independentemente das respectivas contrapartes na negociação.
Assim, as clearings, atuam como contraparte central para todos os Agentes de
Compensação, garantindo a liquidação de todos os negócios.

A QUEBRA DO HEDGE FUND LONG TERM CAPITAL MANAGEMENT


O fundo de hedge25 Long Term Capital Management que recebeu em 1998 US$
3.6 bilhões de quinze instituições financeiras, tinha entre seus administradores
grandes profissionais do mercado financeiro e acadêmicos como o ganhador do
Prêmio Nobel da economia Myron Scholes, um dos criadores do modelo Black &
Scholes, muito uitilizado na precificação de opções. O Long Term Capital
Management chegou a apresentar níveis de alavancagem de até 250 vezes seu
Patrimônio Líquido. Foi o responsável por 30% da volatilidade do principal índice
francês de ações (CAC40) durante o primeiro semestre de 1998. Devido a sua
alta alavancagem, após sua quebra, o fundo necessitou de um socorro de US$
3.6 bilhões, e custou o emprego de importantes executivos no mercado
financeiro norte-americano e europeu, além de perdas volumosas para várias
instituições, como o Union Bank of Switzerland, que apresentou um prejuízo de
US$ 700 milhões relacionado ao Long Term Capital Mangement.

Entenda o Hedge

O hedge (proteção) pode ser entendido como um seguro contra o risco de


mercado. E a operação realizada no mercado futuro que visa fixar
antecipadamente o preço de uma mercadoria ou ativo de forma a neutralizar o
impacto de mudanças adversas no nível de preços do mercado à vista. Para
realizar essa proteção, o agente econômico, sujeito ao risco de preço no mercado
à vista, deve realizar hoje, no mercado futuro, a operação que realizará

25
Ao contrário do nome, estes fundos de investimento são de administração ativa,
geralmente operado com agressividade e em busca de prêmio de risco elevado com a aplicação
em mercados emergentes como o do Brasil.
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APRENDA A INVESTIR
futuramente no mercado à vista. O preço obtido na sua posição de entrada no
mercado futuro será o preço que estará garantido ao final de toda a operação.

Exemplo prático de Hedge:

Caso você tenha que fazer uma viagem ao exterior, que está apenas
programada para o outro ano, e você acha que o real está valorizado e espera
que em breve ele se desvalorize, para não arriscar que isso aconteça e acarrete
em um prejuízo no momento da viagem, você pode se antecipar investindo em
um fundo cambial, e com isso, seu poder de compra da moeda estrangeira não
será afetado por possíveis variações cambiais, pois você estará "hedgiado" -
protegido - porque seu fundo irá seguir a variação cambial.

Especulação nos mercados futuros pode ter multiplicado a fortuna de


Osama Bin Laden
Por Lucia Kassai da Isto é dinheiro - Vivo ou morto: como no Velho Oeste,
cartazes pedem a cabeça do terrorista suspeito de agir nas bolsas
O homem que luta contra o estilo de vida capitalista dos americanos é,
ironicamente, ele mesmo um grande capitalista e, pelo que investigam
autoridades dos Estados Unidos, um exímio jogador. Os terroristas podem ter
lucrado com o conhecimento prévio dos atentados. "Se Osama Bin Laden fez a
aposta certa, pode ter multiplicado seus ganhos por 30", calcula Kristian
Leuthold, especialista do banco UBS em Zurique, na Suíça. "Hipoteticamente, sua
fortuna estimada em US$ 300 milhões salta para US$ 9 bilhões." A Bolsa de
Chicago detectou movimentações estranhas nos dias anteriores ao ataque. O
foco são operações de venda a descoberto, em que os especuladores vendem
ações imaginando que o preço vá cair, para comprar mais tarde, a preço menor.
Observou-se uma procura anormal por esse tipo de operação em relação às
ações das companhias aéreas United Airlines e American Airlines, com
negociações 285 vezes acima da média. O mesmo ocorreu com os papéis do
Morgan Stanley, banco que ocupava 22 andares do World Trade Center, cujo
movimento foi 25 vezes superior ao normal.
Agentes da CIA, FBI, Receita Federal, serviço de alfândega e hackers rastreiam
os investimentos de Bin Laden no mercado financeiro. No Brasil, não há registro
de movimentação, mas o BC investiga pessoas supostamente ligadas ao
terrorista. Um deles é o prefeito de Chuí (RS), Mohamad Kassem ]omaa (PFL).
Não foi registrada nenhuma transferência para o território afegão, que abriga o
milionário saudita. Encontrar o dinheiro de Bin Laden não será tarefa fácil. "Muita
gente procurou pelo dinheiro do ditador iraquiano Saddam Hussein por anos e
não encontrou", lembra ]udith Kipper, especialista de Washington. Bin Laden
movimenta seu dinheiro por meio de um sistema bancário paralelo chamado de
"hawala". Por meio dele, os recursos nunca atravessam fronteiras. Como o
esquema se baseia na total confiança, sua quebra invariavelmente acaba na
morte do traidor. No "hawala" há sempre a figura do intermediário. Caso Bin
Laden queira financiar colaboradores em algum país, o pagamento é feito por um
"laranja" local, que passa a ter créditos com o terrorista em outro mercado.
Dessa forma, todos evitam a movimentação de dinheiro pela fronteira e o
rastreamento do dinheiro fica praticamente impossível. Os recursos são utilizados
para sustentar uma rede de 3 mil terroristas em todo o mundo...
Fonte: Isto é dinheiro, caderno especial de 21 de setembro de 2001.

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APRENDA A INVESTIR
3.10 MONTANDO SUA CARTEIRA

Carteira sugerida pelo autor:

PERFIL DO INVESTIDOR
ATIVO CONSERVADOR MODERADO AGRESSIVO
TESOURO DIRETO /
FUNDO DE RENDA 95% 85%
FIXA / FUNDO DI
AÇÕES / CLUBE DE
INVESTIMENTO! 5% 15°h 30%
FUNDO DE AÇÕES

A alocação entre tesouro direto. fundos de investimento ou CDB deverá ser


determinada pelas taxas conseguidas a partir do valor total de sua aplica ção26 .
Para valores pequenos é mais indicado o tesouro direto, e para valores acima de
R$20.000,00 é mais indicado o fundo, onde já é conseguido taxas de
administração menor ou igual a l%. A escolha entre fundo DI (pós-fixada) ou
fundo renda fixa (pré-fixada) deverá ser dada pela trajetória da taxa de juros
brasileira (Selic) conforme explicação já ocorrida. Uma rentabilidade satisfatória
para renda fixa é a partir de 95% da taxa Selic/CDI.
Já no percentual destinada às ações, o que irá determinar sua escolha será
o seu grau de conhecimento. Iniciando com o fundo, depois clube e por final
ações.

- Ativos não recomendados: imóveis, caderneta de poupança e título de


capitalização.

- Ativos recomendados apenas em cenários atípicos: câmbio e ouro.

- Outros:

Títulos privados: Recomendados apenas em casos onde a rentabilidade for


muito superior a taxa Selic/CDI.

Fundos Multimercados: não recomendados devido a sua passividade em


relação aos índices. E quando ativos ao seu benchmark, possuem altas taxas de
administração e performance.

ONDE INVESTIR

• Bancos credenciados: instituições financeiras utilizadas como canais de


distribuição de cotas de fundos de investimentos, os quais ela distribui. Por
elas também são negociados CDBs (certificado de depósito bancário), e em

Em momentos de crise grave é indicado investir em CDB (no valor máximo de


26

R$60.000,00) em virtude da garantia concedida pelo FGC.


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APRENDA A INVESTIR
alguns casos possuem corretora credenciada integrada, pela qual é
possível negociar ações e títulos federais pelo tesouro direto.

• Corretoras credenciadas: para comprar ou vender títulos na Bovespa, é


necessário o intermédio de uma Corretora de Valores Mobiliários. Essas
instituições são autorizadas a funcionar pelo Banco Central e pela CVM.
Através das Corretoras também é possível aplicar em títulos federais pelo
tesouro direto.

• Agentes autônomos credenciados: o agente autônomo de investimento é a


pessoa jurídica ou física que obtém registro na CVM, para exercer, sob
contrato e responsabilidade de instituição integrante do sistema de
distribuição de valores mobiliários, a atividade de distribuição e mediação
de valores mobiliários.

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APRENDA A INVESTIR
ANEXO 1 - TRIBUTAÇÃO

OPERAÇÃO/EVENTO ALÍQUOTA IMPOSTO DE RENDA


ALUGUEL
FUNDOS (EXCETO FUNDOS DE Conforme o prazo da aplicação:
AÇOES) - até 180 dias: 22,5%
- de 181 dias a 360 dias: 20%
- de 361 dias a 720 dias: 17,5%
- acima de 720 dias: lS%

FUNDOS DE AÇÕES 15%


RENDA VARIÁVEL - AÇÕES

Ganhos no mercado à vista de lS%


ações em bolsa, cujas alienações
(vendas) em cada mês sejam
superiores a R$ 20.000,00
RENDA VARIÁVEL - AÇÕES
20%
Operações de day trade (compra e
venda no mesmo dia)
DIVIDENDOS
Isento
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO lS%

PLANOS DE PREVIDÊNCIA

TRIBUTAÇÃO PROGRESSIVA (REGIME ANTIGO)


RESGATE MENSAL ALÍQUOTA IMPOSTO DE
RENDA
Até R$1.257,00 -
De R$1.257,00 a R$2.512,00 15%
Acima de R$2.512,00 27,5%

TRIBUTAÇÃO REGRESSIVA (REGIME NOVO)


PRAZO DO INVESTIMENTO ALÍQUOTA IMPOSTO DE
RENDA
Até 2 anos 35%
2 a 4 anos 30%
4 a 6 anos 25%
6 a 8 anos 20%
8 a 10 anos 15%
Acima de 10 anos lO%

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APRENDA A INVESTIR

OBRAS RECOMENDADAS

FINANÇAS PESSOAIS

Aguilar, Adriana. A vida como ela é... Só que com mais dinheiro. Editora Saraiva,
2006.
Sinopse: Obra estruturada com perguntas e respostas, que esclarece questões
fundamentais sobre investimentos e finanças.

Clark, David e Buffett, Mary. O Tao de Warren Buffett. Editora GMT, 2007.
Sinopse: Com frases como: "Fiz meu primeiro investimento aos 11 anos. Eu
vinha desperdiçado minha vida até então." e "Apreciamos o processo bem mais
do que o dinheiro, embora eu tenha aprendido a viver com ele também.", o livro
de fácil leitura, condensa em 125 páginas a filosofia de vida de um dos homens
mais ricos do mundo.

Frankenberg, Louis. Seu Futuro Financeiro. Editora Campus, 1999.


Sinopse: Livro didático indicado a quem ainda não conseguiu obter disciplina em
busca da tranqüilidade financeira, que explica de forma simples os conceitos
mais importantes para se alcançar esse seu objetivo.

Halfeld, Mauro. Investimentos - como administrar melhor seu dinheiro. Editora


Fundamento, 2004.
Sinopse: Com demonstrações práticas e alguns casos reais, a obra contempla de
forma coerente conceitos importantes ao investidor.

Paschoarelli, Rafael. A regra do jogo. Editora Saraiva, 2006.


Sinopse: Obra abrangente que ensina com linguagem direta e de fácil
compreensão muito sobre negociação e investimento em alguns dos ativos
disponíveis no mercado financeiro brasileiro.

Kiyosaki, Robert. Pai Rico, Pai Pobre (Rich Dad, Poor Dad). Editora Campus,
2000
Sinopse: Best-seller financeiro, o qual o orienta a ter boas práticas financeiras
desde a infância. E importante compreender que os ideais do autor devem ser
adaptados à realidade brasileira.

Tier, Mark. Investimentos - segredos de George Soros e Warren Buffet. Editora


Campus, 2005.
Sinopse: Escrito por um editor de boletim informativo financeiro, o livro junta
suas experiências com as de dois dos maiores investidores financeiros das
últimas décadas, Soros e Buffet. A obra nos ensina, por exemplo, que
investimentos com altas rentabilidades podem ser encontrados com baixos
riscos.

CUIDADO COM OBRAS DE ORIENTAÇÕES FINANCEIRAS DE AUTORES


ESTRANGEIROS, COMO OS NORTE-AMERICANOS QUE INDICAM IMÓVEIS COMO
SENDO UM ÓTIMO NEGÓCIO EM VIRTUDE DE POSSUIREM BAIXÍSSIMA TAXA DE
JUROS E ALTA ESPECULAÇÃO NO MERCADO IMOBILIÁRIO, QUE NÃO É O CASO
BRASILEIRO NOS ÚLTIMOS TEMPOS.
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APRENDA A INVESTIR

TEORIA ECONÔMICA E MACROECONOMIA

Furtado, Celso. Formação Econômica do Brasil. Companhia editora nacional,


2000
Sinopse: Estudo detelhado sobre o processo histórico de constituição da
economia brasileira, livro indicado por 9 entre 10 economistas como bibliográfica
básica para qualquer economista. Celso furtado ainda antes de seu falecimento
concorreu ao prêmio nobel de economia.

Lanzana, Antonio Evaristo Teixeira. Economia brasileira: fundamentos e


atualidade. Editora Atlas, 2002.
Sinopse: Obra imprescindível a qualquer estudante de economia, como também
para quem se interessa por nossa economia. Com linguagem acessível e ótima
didática este livro consegue apresentar uma visão integrada de nossa economia
e ilustrar seus principais conflitos. Faz também um retrato das políticas
econômicas brasileiras adotadas desde o "milagre econômico".

Rasmussen, Uwe Waldemar. Economia para não-economistas. Editora Saraiva,


2006.
Sinopse: Trabalho que tem como objetivo desmistificar as teorias econômicas, e
o autor justifica a importância de sua obra com a seguinte frase: "...a maioria
das pessoas precisa ter algum domínio das ciências econômicas, porque muito
dos seus atos cotidianos podem ter impactos negativos caso os fenômenos
econômicos sejam ignorados ou sua aplicação seja incorreta.".

Sandroni, Paulo. Traduzindo o Economês. Editora Best SelIer, 2003.


Sinopse: Livro indicado para o leigo em macroeconomia brasileira, pois retrata
de maneira simples nossa economia nos últimos anos.

Vasconcellos, Marco Antonio Sandoval de. Economia Brasileira Contemporânea.


Editora Atlas, 2005.
Sinopse: Este livro nos mostra de maneira completa os principais pontos da
economia brasileira. Abordando de forma equilibrada a teoria e sua aplicação,
com dados históricos e análises bem elaboradas.

MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS

Cavalcanti, Francisco. Mercado de capitais. Editora Campus, 2005.


Sinopse: Livro-texto indicado a quem queira aprofundar seus conhecimentos no
mercado de capitais brasileiro, utilizado para preparação de exames de
instituições como Anbid, Apimec, CVM e Ancor.

Fortuna, Eduardo. Mercado Financeiro, produtos e serviços. Editora Qualitymark,


2005
Sinopse: Livro técnico muito utilizado pelo meio acadêmico ligado à área
financeira. Aborda todos os produtos e serviços disponíveis no mercado
financeiro, como também comenta sobre as autoridades monetárias, de apoio e
instituições financeiras.

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APRENDA A INVESTIR
Rossi, Cecília, Sousa, Lucy e C. Grande, Humberto. Guia do Mercado de Capitais.
Editora Lazuli, 2006.
Sinopse: Guia que retrata o mercado de capitais, por completo, e nos mostra sob
suas duas áticas: na visão das empresas, e na visão dos investidores. Indicado
tanto para o investidor iniciante, quanto para quem trabalha no mercado de
capitais.

MERCADO DE AÇÕES

Beardstown Ladies Investment Club. Guia pratico de investimento das


Beardstown Ladies. Editora GMT, 1994.
Sinopse: As Beardstown Ladies fundaram um Clube de Investimentos, numa
pequena cidade americana, como forma de se reunir para trocar receitas de
cozinha e depois sobre investimentos, porém em dez anos obtiveram a maior
rentabilidade entre todos os clubes de investimentos dos Estados Unidos e
contam neste livro suas experiências. Recomendado para quem deseja criar ou
participar de um clube de investimento.

Damodaran, Aswath. Mitos de investimentos. Editora Financial Times BR, 2006.


Sinopse: Mitos de investimentos mostra, com ênfase na abordagem da análise
fundamentalista de ações, que algumas estratégias são melhores do que outras,
que nem todas funcionam bem o tempo todo e que é possível elaborar filtros em
cada uma delas para aumentar seu rendimento e reduzir seu risco no mercado
de ações.

Elder, Alexander. Como se transformar em um operador e investidor de sucesso


(Trading for a living). Editora Cam pus, 2004.
Sinopse: Elder é psiquiatra, especulador e analista gráfico, e sua obra alerta
sobre as principais barreiras de um investidor de renda variável, que são: medo,
ganância, euforia e pânico. Também ensina análise gráfica sobre a óptica da
psicologia. Livro indicado para quem já opera ou pretende operar no mercado
acionário.

Gunther, Max. Os Axiomas de Zurique. Editora Record, 2004.


Sinopse: Livro indicado ao especulador extremamente otimista, o qual acredita
em tudo e em todos, pois a obra irá desmistificar algumas dessas crenças
(intituladas axiomas) da forma mais cética possível, refutando algumas das
técnicas presentes, mas sem fornecer caminhos possíveis ao melhor jeito de
operar.

Luquet, Mara. Gestores de Fortunas - Histórias reais de sucesso no mercado


financeiro. Editora Globo, 2002.
Sinopse: Livro dividido em 12 capítulos, os quais cada um conta uma diferente e
interessante estória de sucesso de um gestor de fundos de investimento, com
maior enfoque aos gestores de renda variável.

Matsura, Eduardo. Comprar ou vender? Como investir na bolsa utilizando análise


gráfica. Editora Saraiva, 2006.
Sinopse: Focado em análise gráfica, recomendado para quem esteja iniciando no
estudo dessa técnica.
Página 187 de 193
APRENDA A INVESTIR

Nison, Steve. The candlestick course. Editora John Wiley Trade, 2003.
Sinopse: Obra não traduzida para o português e indicada para quem queira se
aprofundar no estudo dos candlesticks (método japonês de análise gráfica).

DERIVATIVOS

HuIl, Jonh C. Fundamentos dos Mercados Futuros e de Opções. BM&F, 2005.


Sinopse: Obra destinada aos leitores interessados em aprofundar seu
conhecimento nos mercados futuros e de opções.

Lozardo, Ernesto. Derivativos no Brasil. BM&F, 1998.


Sinopse: Livro recomendado para cursos introdutórios de derivativos.

Sanvincente, Antonio Zoratto. Derivativos. Publifolha, 2003.


Sinopse: Explica em linguagem acessível, o que são derivativos e quais os seus
tipos, a negociação desses títulos, as diferentes operações, seus riscos, entre
outros.

OUTRAS INDICAÇÕES

Filmes

• Wall Street - filme consagrado do cinema norte-americano (com Michael


Douglas, Charlie Sheen e Daryl Hannah) que revela um pouco da malícia
dos especuladores da bolsa, e o que não é permitido ser feito no mercado
de ações.

• A Fraude - o filme é baseado nos fatos que antecederam a falência do


banco Barings. Nos mostra a ganância e o medo de um novato
especulador que com sua arrogância e desconhecimento aumenta cada
vez mais sua posição perdedora no mercado futuro asiático.

• A Procura da Felicidade - Estória verídica de Christopher Gardner


(interpretado por Will Smith), um sem teto que ficou milionário, após ser
selecionado, com muita dificuldade, para um estágio não remunerado em
uma corretora norte-americana. E 7 anos mais tarde possuía sua própria
corretora e comprou a Ferrari do Michael Jordan.

• Boiler Room (O primeiro milhão) - o filme apresenta agressivos corretores


que investem nas bolsas de valores para inocentes compradores em troca
de altas comissões em ativos "podres".

• Enron, os mais espertos da sala - o documentário apresenta as


manipulações de informações e as fraudes contábeis que ocorreram em
umas das maiores empresas do mundo em sua época, e as conseqüências
no mercado corporativo.

Página 188 de 193


APRENDA A INVESTIR
• The Corporation - documentário com participação do Michael Moore, o
qual comenta os casos de irresponsabilidade social em virtude da
valorização de suas ações de algumas das maiores companhias do mundo.

Periódico especializado
Valor econômico
Gazeta Mercantil

Revista especializada
Exame
Capital Aberto

Emissora de rádio
CBN (FM 90,5)
Jovem Pan (AM 620)

Emissora de televisão
Bloomberg (58 Net)
Globo News (40 Net)

Página 189 de 193


APRENDA A INVESTIR
SITES ÚTEIS

Órgãos Reguladores e Entidades Auto-reguladoras, Associações e


Institutos

http://www.bovespa.com.br - Bolsa de Valores de São Paulo


http://www.cvm.gov.br - Comissão de Valores Mobiliários
http://www.bacen.gov.br- Banco Central
http://www.bmf.com.br - Bolsa de Mercadorias e Futuros
http://www.tesourodireto.gov.br - Tesouro Direto
http://www.cblc.com.br - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia
http://www.cetip.com.br - Câmara de Liquidação e Custódia
http://www.anbid.com.br - Associação Nacional dos Bancos de Investimento
http://www.apimec.com.br - Associação dos Analistas e Profissionais de
Investimento do Mercado de Capitais
http://www.ibgc.org.br - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa
http://www.ibri.org.br - Instituto Brasileiro de Relações com Investidores
http://www.ini.org.br - Instituto Nacional de Investidores
http://www.febraban.com.br - Federação Brasileira de Bancos
http://www.mpas.gov.br - Ministério da Previdência Social
http: //www. receita. fazenda. gov. br - Secretaria da Receita Federal
http://www.stn.fazenda.gov.br - Tesouro Nacional
http://www.susep.gov.br - Superintendência de Seguros Privados
http://www.andima.com.br - Associação Nacional das Instituições do Mercado
Financeiro
http://www.ancor.com.br - Associação Nacional das Corretoras de Valores,
Câmbio e Mercadorias
http://www.fipe.org.br - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
http://www.ibge.gov.br - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INTERNACIONAL

http://www.federalreserve.gov/FOMC/#calendars - FED/FOMC (equivalente ao


Copom brasileiro) - Site onde são disponibilizadas as decisões (Statement) e as
Atas (Minutes) do banco central norte-americano em relação à sua taxa de juros.

Diversos - Finanças, Economia e Ações


http://portalexame.abril.com. br/noticias/
http://www.valor.com. br/
http://www.investnews.com.br/
http://www.folhainvest.com.br/
http://www.estadao.com. br/investimentos/
http://financenter. terra. com. br/
http://www.comoinvestir.com.br
http://www.enfin.com.br/
Página 190 de 193
APRENDA A INVESTIR
http://www.financaspraticas.com. br/
http://www.uol.com. br/infopessoal/
http://www.lafis.com. br/
http://www. ondeinvestirbylopesfilho.com. br/
http://www.forbes.com/ (Estados Unidos)
http://www.economist.com/ (Inglaterra)
http://www.finanzas.com/ (Espanha)

Sistema gráfico para análise de ações


http://www. economatica .com. br/
http://br.economia.yahoo.com/
http://www.grafbolsa.com/
http://web.apligraf.com.br/
http://about.reuters.com/productinfo/BR/traderlatam/
http://www.grippersoftware.com.br/index. html

Simulador do mercado de ações


http://folhainvest.folha.com.br/
http://web.infomoney.com.br/investimentos/acoes/emacao/
http://br.ii.com/juego/

Relação com investidores (algumas empresas)


http://www.braskem.com. br/ri
http://www.cyrela.com.br/ri
http://www.embraer.com. br/ri
http://www.gafisa.com.br/ri
http://www.gerdau.com.br/ri
http://www.perdigao.com.br/ri
http://www.petrobras.com. br/ri
http://www.suzano. com. br/ri
http://www.usiminas.com. br/ri
http://www.vivo.com. br/ri

Pesquisa de preços
http://www.buscape.com.br
http://www.bondfaro.com.br

Página 191 de 193


APRENDA A INVESTIR

BIBLIOGRAFIA

Frankenberg, Louis. Seu Futuro Financeiro. Editora Campus, 1999.

Fortuna, Eduardo. Mercado Financeiro, produtos e serviços. Editora Qualitymark,


2005.

Furtado, Celso. Formação Econômica do Brasil. Companhia editora nacional,


2000.

HuIl, Jonh C. Fundamentos dos Mercados Futuros e de Opções. BM&F, 2005.

Lanzana, Antonio Evaristo Teixeira. Economia brasileira: fundamentos e


atualidade. Editora Atlas, 2002.

Paschoarelli, Rafael. A regra do jogo. Editora Saraiva, 2006.

Nison, Steve. The candlestick course. Editora John Wiley Trade, 2003.

Página 192 de 193


APRENDA A INVESTIR
SOBRE O AUTOR

Leandro Martins é formado em economia pela Universidade Presbiteriana


Mackenzie, com MBA em economia e finanças pela Universidade de São Paulo
(USP) e pela FIPE, e Master em economia pela Universidade Pierre Mendes de
Grenoble na França, além de especialização em fundos de investimento e análise
gráfica de ações.

E-mail para comunicação com o autor: leandro.economista©gmail.com

Página 193 de 193


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ENTRE O CÉU E A TERRA
Aryeh Kaplan
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Kaplan, Aryeh, 1935-1983.


Encontros entre o céu e a terra/ Aryeh Kaplan ; tradução Esther
Eva Horovitzj. -- São Paulo : Maayanot, 1995.

ISBN 85-85512-.33-4

1. Alma (Judaísmo) 2. Deus - Judaísmo 3 Homem (Teologia ju-


daica) 4.. Judaísmo 1. Titulo.

95-0593 CDD-296

Índices para catálogo sistemático:


1. Judaísmo 296

EDITORA MAAYNOT
Presidente de Honra: Sr. Leon Feffer
Presidente: Elie Horn
Editor Responsável: Rab. David Weitman
Editor: Pessach Saitovitch Gdnspun
Coordenadoras Editoriais: Muriel Sutt e Sandra Baroukh

Rua Votuverava, 174


04604020 S. Pauto
Tal.: (011) 211-4555
fax: (01 1) 211-3734
ARYEH KAPLAN

ENCC>NTRC>S
ENTRE O CÉU E A TERRA

Tradução: Esther Eva Horovitz

Prof. AvraJi., Avdan Den-Aviraham Corre


Rua Majestoso Crèmerie, 129-. I05
Parque Cremeric
25.645480 - Pctrópo3is(RJ)

MAAYANOT
Do original em Língua inglesa
ENCO UNTERS
1990 by Aryeh Kap/an

© Direitos para a língua portuguesa adquiridos dos


herdeiros do autor, pela Editora Maayanot
que se reserva a propriedade desta tradução.

Tradução:
Esther Eva Horovitz

Revisão dos originais e das provas:


LRM - Assessoria Editorial e Gráfica

Capa:
Revista Achavaia Hayehudit, Israel (Montagem)

Apoio:
Cia. Suzano de Papel e Celulose
Keren "C'hazon Ovadya"

Fotocomposição e filmes:
Helvética Editorial Ltda.

Proibida a reprodução total ou parcial


sem autorização prévia, por escrito, da Editora.

1995
Impresso no Brasil
I¥-
40

1
B"H
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Prefácio, 7

PRIMEIRA PARTE:
O Homem e D-us

Conheça o seu "Eu" verdadeiro, 11


Preparando-se para a Eternidade, 19
Por que estou vivendo?, 29
(miheça o seu Criador, 35
)ração, 45
(t1110 o homem criou a D-us, 53
Procura-se: D-us, vivo ou morto, 59
Nisbeudo e relembrando, 63
SEGUNDA PARTE:
O Judeu e a Sociedade

Por que existe o judeu?, 77


Três verdades, 83
Não deixe que a culpa seja a sua ruína, 89
Procure se dar um tempo livre, 97
Poeira da terra, 107
O chamado do shofar, 113
Uma cidade sem muros, 121
Vale a pena salvar o judaísmo?, 129
A resistência à guerra na lei judaica, 137
O hiato entre as gerações, 149
O fim da morte, 153
Quando os ossos se levantam novamente, 159
PREFA CIO

A humanidade está no limiar do século XX. Por um


lado, com todo avanço científico e tecnológico que esta
afirmação pode encerrar. Por outro, seu ritmo de vida
acelerou de tal maneira que ela não consegue mais parar
para pensar. Não me refiro a uma meditação profunda
sobre o universo, o Criador, mas apenas à breve refle-
xão sobre a própria existência! A verdade é que já nos
damos por satisfeitos em resolver os problemas do dia
a dia.
O homem, de ser especial, ápice da Criação, com uma
missão tão definitida quanto grandiosa, se transformou
em "telespectador", "assinante", "prezado cliente' 'e,
o que é ainda pior, em certos locais, num simples riúme-
ro.
Ë interessante notar que, ao comprar um computa-
dor, um automóvel, ou até mesmo uni tênis, o homem
"moderno", e me permitam as aspas, faz questão do me-
lhor. Que seja de última geração e, se possível importa-
do. Porém, quando precisa escolher uma via e tomar uma
direção, se contenta com as soluções fáceis e por vezes
demagógicas fartamente disponíveis na mídia.. Parece que
sua preocupação maior é não exceder o padrão moral da
maioria. A humanidade decide para onde caminha no car-
ro, indo para o trabalho, ou no breve horário de almo-
Ço.
Portanto, não é exagero afirmar que neste "Encon-
tros", Aryeh Kaplan nos responde antes mesmo de per-
guntarmos. E, convenhamos, as explicações não são pou-
cas. Afinal, qual ë o sentido da vida? O que significa ser
judeu? Rezar é preciso? Eternidade, culpa, morte, res-
surreição, pacifismo, aborto, suicídio, quem somos nós?
Que a presente obra incentive os da Terra na busca
pelos segredos do Céu, aproximando ainda mais o gran-
de destino reservado a todos nós: a revelação do justo
Messias, em breve, em nossos dias.

Purim, 5755
16 de março, 1995 David Weitrnan
Primeira Parte

O HOMEM E D- US
CONHEÇA O SEU "EU"
VERDADEIRO

Salomão, o mais sábio de todos os homens, pergun-


tou: "Quem conhece o espírito do homem, se ele se ele-
va, e o espírito da besta, se ela vai para debaixo da ter-
ra?" (Eclesiastes 3:21). O que é este espírito do homem?
Ele é algo diferente da pessoa? Se assim for, o que é uma
pessoa? Podemos começar a examinar o destino desse es-
pírito antes de sabermos o que é um homem? Podemos
considerar o nosso futuro sem definir o que somos ago-
ra? Antes de pensar sobre o seu espírito, eu preciso pedir-
lhe que você pense sobre você mesmo. O que é você, real-
mente? Quem é o seu "eu" verdadeiro?
Antes de examinarmos essas questões profundas e
abstratas, vamos dar uma olhada nos aspectos concre-
tos e evidentes de uma pessoa. Por exemplo, olhe para
a sua mão. Observe-a. Pense sobre ela. O que é que você
está vendo? É uma parte do seu corpo, um membro, um
apêndice, feito de ossos e tendões, e coberta de carne e
pele. Está cheia de nervos e vasos sanguíneos. Há dutos
linfáticos correndo através dela, conectando-a ao seu cor-
po, fazendo-a parte de você.
11
Olhe para a sua mão. Ela abre e fecha; obedece a to-
das as orden que a sua mente lhe envia. E sua - faz par-
te de você.
Mas o que é você? O que acontece quando você or-
dena à sua mão que fique aberta ou fechada? De que mo-
do a sua mente quer que a sua mão se abra? Quem está
dizendo à sua mão que deve fechar-se?
Agora, vamos considerar a pessoa completa. Apon-
te para você mesmo. Se você for como a maioria das pes-
soas, você apontará o seu dedo para o seu peito, para
o seu coração, para o seu corpo. Mas, o seu corpo é vo-
cê, realmente? Não muito tempo atrás, uma pessoa po-
dia considerar o seu corpo como parte integrante de si
mesma. Você era o seu corpo e o seu corpo era você. Ago-
ra já não é assim. O progresso científico mudou todo o
conceito da identidade humana.
Esta nova era nasceu no final da década de 60, quan-
do um mundo esperançoso e espantado testemunhou a
luta dramática de um homem, pela vida. O Dr. Philip
Blaiburg viveu durante um ano e meio com o coração
de outra pessoa batendo dentro do peito. Se eu tivesse
pedido ao Dr. Blaiburg que apontasse para si mesmo, ele
teria apontado para o seu peito? Esse coração, transplan-
tado de outro ser humano, era realmente parte dele?
Em certa ocasião, o Dr. Blaiburg descreveu as suas
emoções ao ver o seu próprio coração, isto é, o seu co-
ração original, suspenso num vaso com formaldeído. Co-
mo se sente um homem, segurando o seu próprio coração
nas mãos? Qual era o coração do Dr. Blaiburg, realmen-
te? Agora, pergunte-se, o coração que bate dentro de você
é o que você tinha apontado com o dedo, é o seu "eu"
real? Ou você é algo completamente diferente?
Em 1969, a idéia de transplantar um coração humano,
vivo e pulsante, em outra pessoa, parecia um milagre.
12
Hoje em dia, já é quase lugar-comum. Na atualidade,
os avanços da ciência são mais radicais ainda. Os pes-
quisadores prevêem coisas que nos forçarão a mudar com-
pletamente nossa maneira de pensar.
Uma das coisas que os pesquisadores estão prevendo,
talvez para dentro da próxima década, ou a seguinte, é
tini transplante de cérebro. Um cérebro vivo poderia ser
extraído de um corpo humano, e colocado em outro. Um
feito dessa magnitude nos forçaria a enfrentar esta per-
gunta: afinal, o que é a personalidade humana?
Imagine-se tendo uma doença incurável no corpo,
mas com o cérebro saudável. Os médicos acham um doa-
dor para você - uma pessoa que sofreu um dano cere-
bral irreparável, cujo cérebro parou de funcionar, mas
cujo corpo está saudável. Você recebe anestesia. O seu
cérebro é removido do seu corpo atual - o corpo doen-
te demais para continuar vivendo - e colocado neste cor-
po novo, com boa saúde. Agora, imagine que você este-
ja acordando. Você ainda tem o seu cérebro antigo, com
todas as suas lembranças. Toda a sua personalidade per-
maneceu intacta, com todos os seus padrões de compor-
tamento; os seus padrões de pensamento originais ainda
estão funcionando. Só que, agora, você tem um corpo
novinho em folha; novas mãos, novos pés, novos olhos,
novas orelhas e um coração novo. O seu corpo original
estava velho e enfermo, desintegrando-se, mas agora você
tem um corpo novo, jovem, saudável e cheio de energia.
ocê-
Neste ponto, se eu lhe pedisse que apontasse para você
mesmo,
mesmo, você apontaria para o seu coração, o seu cor-
po? Lembre-se, você conserva o seu cérebro de sempre,
os seus pensamentos da vida inteira, as suas lembranças
mais antigas, só que dentro de um corpo novo. Quem
é o você real? É aquele corpo velho, deitado sem vida
13
sobre uma tábua? Ou seria este novo, este corpo que agora
você pode controlar com os seus pensamentos? Este é o
seu corpo, ou não? Talvez o verdadeiro "eu" de você es-
teja no seu cérebro. À medida que o nosso conhecimento
vai progredindo, as perguntas tornam-se cada vez mais
complexas, e precisamos procurar cada vez mais longe.
Vivemos na era da informática. Os avanços tecnoló-
gicos são excessivamente rápidos, para serem seguidos
pelos leigos. Cada geração de computadores é mais sofis-
ticada que a anterior - os supercomputadores superam
os seus antecessores em milhares de vezes. Cada geração
é mais complexa, rápida e literalmente, mais inteligente.
A maior parte da tecnologia avançada de computadores
é desenvolvida mediante a ciência da informática. Esta
ciência traça comparações entre os computadores avan-
çados e o cérebro humano. Sob muitos aspectos, os com-
putadores extremamente complexos comportam-se de
modo muito similar ao cérebro humano, e, em grande
medida, o cérebro humano comporta-se como um compu-
tador extremamente complexo. Através da informática,
os engenheiros utilizam o nosso conhecimento do cérebro
humano para projetar computadores mais aperfeiçoados,
e os psicólogos têm à sua disposição nosso conhecimen-
to de informática, para conseguir percepções mais acer-
tadas dos mecanismos de funcionamento do cérebro
humano.
Na tecnologia dos computadores, é possível progra-
mar uma transferência de memória. Ou seja, toda a in-
formação contida num computador pode ser transferida
para outro. isto se produz eletronicamente; tudo o que
passa de um computador para o outro é informação, da-
dos transportados por impulsos elétricos. Os peritos em
informática fizeram especulações sobre se seria possível
14
Iticr o mesmo com o cérebro humano. Este conceito é
um dos temas favoritos dos escritores de ficção cientifi-
ca. No entanto, muitos cientistas sérios acreditam que se-
ria possível. E , mesmo que não seja possível na prática,
é possível na teoria.
Vamos tentar prever uma transferência de memória
humana. Uma pessoa tem uma doença incurável; nem
o seu corpo, nem o seu cérebro podem ser salvos. Cria-
mos um novo corpo humano, incluindo o cérebro, um
clone genético do original, em algum tipo de solução quí-
mica nutriente. Hoje em dia, isto não é possível, mas os
avanços da bioengenharia sugerem que se torne possível,
daqui a dez, ou vinte anos. Então, um novo corpo é cria-
do - um corpo novo, com um cérebro em branco. O
novo cérebro é capaz de funcionar, mas faltam-lhe lem-
branças e configurações de pensamentos. Jamais foi usa-
do antes. Agora, damos o passo final: executamos uma
transferência de memória, da pessoa doente para o novo
cérebro alojado no corpo novo.
Agora, ternos de lidar com um conceito fascinante.
Se todas as lembranças de uma pessoa, padrões de pen-
samento, e traços de personalidade pudessem ser trans-
Feridos para um novo corpo e cérebro, essa pessoa pas-
saria - literalmente - a existir no novo corpo, no novo
cérebro, apesar que nada físico tivesse mudado, mesmo
que nenhuma das suas partes físicas tivesse sido trans-
plantada para o novo corpo. Tudo o que foi transferi-
do, tudo o que foi colocado no corpo novo é uma deter-
minada quantidade de dados, informações que até ago-
ra existiam no cérebro antigo. Esta "informação" con-
tém a soma total da personalidade desta pessoa.
Tudo isto é possível, pelo menos na teoria. Agora,
pergunte-se de novo, quem é o verdadeiro você? Não pode
15
ser o seu corpo, nem sequer o seu cérebro. Somente po-
de ser a "informação" contida no seu cérebro: as suas
lembranças, a sua personalidade, e os seus padrões de
pensamento.
O que acontece, então, quando não se produz ne-
nhum transplante de cérebro nem transferência de memó-
ria, quando o corpo original de urna pessoa se deteriora
e morre? O que acontece com toda essa "informação"?
Depois que o cérebro fica inerte e o corpo apodrece, o
que acontece com o "banco de dados" que, na nossa aná-
lise mais profunda, parece ser a pessoa real? Quando um
livro é queimado, o seu conteúdo é destruído. Quando
um computador é destruído, ou até mesmo desligado da
tomada, a sua informação é apagada para sempre. Quan-
do uma pessoa morre, acontece a mesma coisa? A men-
te a personalidade, os padrões de pensamento e as lem-
branças - são irrecuperáveis?
Sabemos que D-us é onisciente. Ele sabe tudo e se
lembra de tudo - cada pensamento, cada lembrança, ca-
da traço de personalidade de cada ser humano. Ele está
consciente de todas as coisas que existem dentro das nos-
sas mentes. Então, quando uma pessoa morre, D-us se
esquece de tudo? Não, com certeza que não! Mesmo após
a morte de uma pessoa, toda essa "informação" perma-
nece e continua existindo na memória de D-us.
Podemos imaginar algo que exista "na memória" so-
mente como sendo estático - pedaços fixos de dados,
fatos sem vida. Mas os pensamentos e a memória de D-us
não são estáticos. De fato, a soma total de uma perso-
nalidade humana pode existir na memória de D-us, mas
isto não é o mesmo que existir na memória humana. Na
memória de D-us, a personalidade humana ainda pode
manter a sua identidade. Ela ainda pode manter a sua
16
vontade e ela pode ficar ativa. É isto que denominamos
a alma humana. É isto que perdura, mesmo após a mor-
te da pessoa.
Para nós, é muito difícil imaginar uma personalida-
de ativa, uma entidade viva, existindo dentro da memó-
ria de D-us. A totalidade do conceito da mente de D-us
é muito difícil de compreender. De modo que lhe damos
nomes que possamos entender. Dizemos que urna alma
está no Céu, ou no Paraíso. Descrevemos a alma como
se estivesse morando no Mundo Vindouro, no Mundo
das Almas. Dizemos que ela permanece no "laço da vi-
da eterna".
Os Cabalistas descrevem a alma como uma Chelek
E/oká Mi,naal - uma porção de D-us Ele mesmo, do
céu. E as Escrituras são bastante explícitas sobre o desti-
no dessa alma: "O pó volta para a terra corno era, mas
o espírito volta a D-us, que o deu" (Eclesiastes 12:7). O
significado é bastante literal. O corpo, inclusive o cére-
bro físico, que, pelo menos na teoria, pode ser descarta-
do ou trocado, volta ao pó da terra, mas a personalida-
de, a alma, permanece viva na memória de D-us, no
pensamento eterno de D-us. Esta alma, que conservará
a sua identidade para sempre, é a pessoa essencial. Este
é o verdadeiro você.

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PREPARANDO-SE PARA
A ETERNIDADE

D-us haverá de redimir a minha alma


do poder do túmulo,
Pois Ele me receberá, de fato.

(Salmos 49:16)

Um psicólogo famoso notou uma vez que as crian-


ças imaginam que viverão para sempre. Depois, um dia,
a criança descobre algo horrível. Alguém que ela conhe-
ce, um vizinho ou parente, falece, e a criança tem um
choque, ao perceber a realidade: a vida acaba. Aos pou-
cos, a criança vai percebendo que o que acontece aos ou-
tros acontecerá a ela também; um dia, ela também morre-
rá. E quando a sua fantasia de imortalidade esfuma-se,
um pouco da inocência infantil some, para sempre.
Pouco tempo depois, o terrível choque dá origem às
perguntas, ao espanto. Como é morrer? Como é a mor-
te, na verdade? O que vai acontecer comigo?
A criança cresce e amadurece e aprende a sufocar as
suas perguntas Elas não parecem ser tão urgente, pois
ela percebe que o tempo passa muito devagar. Já não a
19
incomodam tanto, pelo menos por enquanto. Mas esse
espanto infantil, nascido do choque temível, o primeiro
conhecimento da morte, permanece enterrado dentro de-
la. Com efeito, ele está profundamente arraigado den-
tro de cada um de nós. E nos preocupamos, como será
atravessar os portões da morte? E o que é ainda mais im-
portante, o que vamos sentir, quando chegar a nossa vez?
1-Já pessoas que negam que o judaísmo tenha respos-
tas para essas perguntas. Dizem elas que o judaísmo nos
ensina a Viver uma boa vida neste mundo, e a não
preocupar-nos com o seguinte, isto é verdade e não
é verdade. Apesar de o judaísmo dirigir nossas energias
para a vida que conhecemos, ele não reprime nossas preo-
cupações; ele nos deixa livres delas. É verdade: a vida
é importante, e a vida do homem neste mundo é sagra-
da. Mas o destino do ser humano não acaba com esta
vida. Os grandes clássicos do judaísmo o Talmude,
o Midrash, as obras filosóficas e os principais códigos
todos eles consideram a questão final da morte e da
imortalidade As suas conclusões são fundamentais pa-
ra os ensinamentos do judaísmo, permeando a totalida-
de da estrutura da teologia judaica.

D-us redimirá minha alma do poder do türnulo


Pois Ele me receberá de fato.

O que é este poder do túmulo? E o que quer dizer


o salmista, com ser recebido por D-us? Não obstante a
nossa exibição de sofisticação mundana, carregamos es-
sas perguntas COnOSCO sempre. Mas, se quisermos ser fiéis
ao ideal judaico, se realmente acreditarmos na santida-
de da vida, primeiro, teremos de formular outra pergunta:
20
Como é viver? Antes de tentar desvendar o fenômeno da
morte, precisamos dar uma boa olhada no fenômeno da
vida.
A vida começa na concepção. Dois germes microscó-
picos se unem e tornam-se um só; um novo ser humano
começa. A sua existência desenrola-se corno um átomo
de vida, um átomo vivo contendo todas as qualidades e
capacidades do homem adulto: o seu sexo e tamanho,
a cor dos seus olhos e cabelos, o seu talento e intelecto.
Até mesmo o seu caráter será moldado por tendências
naturais, e o mapa do seu futuro, em grande medida, já
está traçado.
Mas por um momento, este primeiro estágio da vida
è puramente físico. Na escuridão do útero, este primeiro
vestígio de vida está totalmente dedicado à ocupação de
crescer, preparar-se para a vida futura. Há olhos, mas eles
não vêem. Há ouvidos, mas não ouvem. Os nervos não
sentem; o cérebro não pensa. O feto tem muitos membros
e órgãos que não lhe são de utilidade agora. Atributos e
qualidades repousam adormecidos no diminuto ser, nun-
ca expressados, nunca revelados. Todavia, eles existem,
e apontam para o novo tipo de vida a ser seguido.
Finalmente, chega o tempo em que a criança precisa
deixar o refúgio do útero. Ela precisa passar por uma
1 ransição, que será exatamente tão traumática como a
própria morte. A criança morre para esse primeiro está-
gio de vida, para nascer para um segundo estágio. Pode-
mos pensar que isto seja um sofrimento terrível, mas uma
natureza amável, uma Providência benevolente arranjou
tudo da melhor maneira possível: a criança não sente ne-
nhuma dor!
Recém-nascida, a criança abre os olhos e começa a
perceber que entrou numa segunda forma de vida, um
21
novo tipo de vida fora do útero. De repente, a luz atrai
a atenção do bebê. Os seus olhos a seguem, piscando.
Fica fascinado. Os barulhos o assustam; ele cheira o ar.
Está maravilhado com as sensações; começa a sentir tu-
do. Entrou no mundo da experiência.
Pouco tempo depois, a criança pode se mexer. Co-
meça a descobrir o mundo da sua segunda vida. Pode
desfrutá-lo, compreendê-lo. Este segundo estágio de vi-
da ainda é muito parecido com o primeiro. Ainda é físi-
co, mas oferece à criança uma nova oportunidade: ela
pode pensar! E lentamente, a criança percebe que existe.
Durante muitos anos, a criança desenvolverá a sua
mente, refletindo, planejando, aprendendo e raciocinan-
do. Cada pedacinho de conhecimento será utilizado pa-
ra construir mais conhecimento. Ela faz considerações
e chega a conclusões. Adquire conhecimento.
E depois? A experiência acaba repentinamente, co-
mo uma luz que se apaga. O que acontece com o homem?
Ele apenas morre? Ele apenas pára de existir?
Há um paralelo surpreendente entre o primeiro e o
segundo estágios da vida, entre o mundo do útero e o
mundo da experiência. No primeiro estágio, na escuridão
do útero, a criança desenvolve capacidades e qualidades
que não lhe são de utilidade neste mundo silencioso, es-
curo como tinta. Exatamente o mesmo acontece durante
a segunda fase da vida, a sua vida. Ela também desen-
volve capacidades supérfluas para a sua existência atual.
Enquanto o homem viver, ele não terá necessidades maio-
res que outros animais. Contudo, o homem procura, ten-
ta, questiona e sonha além do seu alcance. A sua natureza
o inclina para o bem deste mundo, a procurar uma vida
moral e ética, a tentar servir a D-us. De que valem essas
qualidades, essas virtudes potenciais? Elas são simples-
mente para serem levadas ao túmulo?
22
0 udaísmo diz "Não!". Esta vida não é o fim. Ain
da sizio experimentamos o nosso nascimento final. Ainda
vivemos num útero, um útero tão escuro e silencioso co-
mo o que rodeia a criança que ainda não nasceu. Ainda
vivemos num útero, mas este tem outro nome; nós o cha-
itiamos de corpo.
No útero, uma simples célula desenvolve-se até que
se transforma num ser humano. No útero que é o corpo,
ti una pessoa também cresce e se desenvolve. Mas este pro-
cesso dura mais tempo - não os curtos nove meses ne-
cessários para o feto, mas sete, oito, ou nove décadas:
unia vida! O crescimento físico termina numa fração desse
período, mas é necessária toda a duração de uma vida
tumana para o desenvolvimento essencial da pessoa: du
ia ute 70, 80 ou 90 anos, desenvolvemos o nosso espírito.
Toda boa ação, toda palavra amável, toda oração
uiuurmurada, toda percepção sentida com o coração ali-
incnta este crescimento e se acrescenta a este desenvolvi-
mento. Finalmente, quando ficamos velhos e cinzentos,
o período de desenvolvimento termina, e começa o tem-
po que deveremos deixar este útero, que chamamos
corpo. Mas agora, por fim, estamos preparados para um
I1OVO nascimento, uma nova existência. Finalmente, es-
anios prontos para apresentar-nos perante D-us.
Agora, tente imaginar uma criança ainda não nasci-
da, que pudesse pensar. Imagine que a criança soubesse
que precisaria deixar o útero, abandonando a sua vida
morna e segura para sempre, para nunca voltar. O útero
foi parte integrante do seu ser, como os nossos corpos
são para nós. Ele não pode conceber a vida sem ele e as-
sim, renunciar ao útero lhe parece ser renunciar à pró-
ria vida. Imagine essa criança ainda não nascida, pen-
p
sando em deixar o útero, preocupando-se com ele. Para
23
este feto não nascido, a idéia de deixar o útero é tão
as-
sustadora e aterrorjzante corno a própria morte.
Mas nós somos mais sábios. Sabemos que esta criança
que ainda não nasceu, na realidade, não está morrendo.
Sabemos que, por fim, ela está cumprindo a promessa
da sua primeira vida; que está nascendo para uma vida
mais significativa,uma vida de brilho e luz, um mundo
de experiência
O mesmo vaie para a pessoa que sai do útero que é
o corpo, quando ela morre para este estágio atual da vi-
da. Ela
nasce de novo para uma terceira forma de vida,
uma vida que - pela sua importância - empalidece a
anterior. Por que deveríamos temer a morte? Por que ha-
veríamos de duvidar que um
D-us amoroso, Arquiteto
do que chamamos natureza, fará este segundo nascimento
tão fácil e indolor quanto o primeiro?
Uma vez, Ouvi uma história sobre um menino, filho
único, que foi atingido por uma doença incurável. Mês
após mês, a sua mãe o cuidava, lia Contos para ele, brin-
cava com ele. Ela tentava impedir que ele percebesse que
os seus dias estavam contados Mas no decorrer das se-
manas, o pequeno piorava cada vez mais. Olhava para
fora pela janela do seu quarto, e via as Outras crianças,
Correndo e brincando. Percebia que nunca mais seria co-
mo elas. Começou a entender o que a sua mãe tanto ti-
nha tentado lhe ocultar. Ele sabia que ia morrer.
Um dia, sua mãe estava lendo para ele um trecho do
Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Ela lia so-
bre as gloriosas guerras do rei, sobre os muitos cavalei-
ros corajosos que morreram em nobres batalhas. Então,
olhou nos olhos do seu pequeno garoto e viu uma per-
gunta no rosto dele. Silenciosamente, fechou o livro. O
pequeno olhou para a sua mãe, e fez a pergunta tão te-
24
mida por ela, a pergunta que queimava no seu coração
infantil: "Mamãe, como é morrer? Vai doer?"
A mãe desviou o olhar, com os olhos cegos de lágri-
mas. Não pôde responder. Não podia nem sequer pen-
sar. Correu para a cozinha, como se o jantar estivesse
queimando. Sabia que essa pergunta era fundamental,
que a sua resposta teria de dar conforto ao seu único fi-
lho durante as suas últimas semanas de vida, e também
além da morte.
A mãe apoiou-se contra o armário da cozinha, com
os nós das mãos pressionados contra a madeira. Numa
oração sem palavras, ela pediu a D-us a força necessária
para dizer a verdade ao seu filho moribundo, e a sabe-
doria para saber o que dizer.
De repente, lhe pareceu saber exatamente o que res-
ponder ao seu pequeno menino. Voltou para ele, e aca-
riciou os seus cabelos.
"Michael", disse, "lembra-se quando você era mui-
to pequeno, e brincava sem parar, o dia inteiro? Quan-
do chegava a noite, você ficava tão cansado, que nem
conseguia tirar as roupas. Você ia até a cama da mamãe,
e adormecia.
"Mas essa não era a sua cama - não lhe pertencia
- e você ficava nela só um pouquinho. Na manhã se-
guinte, com muita surpresa, você acordava e percebia que
estava na sua própria cama, no seu próprio quarto.
"Alguém - alguém que te amava - tinha cuidado
de você, e por isso você estava ali. O seu pai tinha vindo,
com os seus fortes braços, e tinha levado você para lá."
A mãe fez uma pausa. "Michael, a morte é assim. Um
dia acordamos e estamos em outro quarto, nosso pró-
prio quarto, ao qual pertencemos. Nosso Pai celeste nos
leva para lá, porque. Ele nos ama."
25
O pequeno sorriu para a mãe, com um brilho nos
olhos. Já não haveria mais medo, nem preocupação, so-
mente amor e confiança em seu pequeno coração, en-
quanto aguardava o encontro com o seu Pai no céu. Não
perguntou nunca mais. E algumas semanas depois, o pe-
queno dormiu, exatamente como ela tinha dito.
A mãe desta história procurou uma parábola que o
seu pequeno filho pudesse compreender. Mas a sua res-
posta simples reflete a compreensão mais profunda dos
pensadores mais sábios do judaísmo. No Talmude, Rabi
Yaacov expressa este princípio fundamental:

Este mundo é como uma antecâmara, que


antecede o Mundo Vindouro. Prepara-te na
antecâmara, para que possas entrar no salão dos
banquetes.

(Avot 4:21)

Então, passamos pela antecâmara, para entrar no sa-


guão de entrada.
Abre-se a cortina, e estamos vivos novamente.
Quando um bebê nasce, ele sai dos limites do útero,
libertando o seu corpo, para movimentar-se e sentir. As-
sim também nesta vida, o terceiro estágio da existência,
ficamos liberados da carga do nosso segundo útero, o cor-
po. Não com expressão preocupada ou os olhos opacos;
não com as costas curvadas ou os braços fracos; não com
a mente acossada por temores sem fim, nem torturada
pelo arrependimento; não com o coração desgarrado pelas
lembranças amargas, nem rasgado pelo vidro cortante dos
sonhos desfeitos: não é assim que cruzamos o limiar, não
é assim que nascemos para esta nova vida.
26
Levantamo-nos, para nunca mais ficarmos confina-
dos na argila moribunda da carne mortal, mas brilhan-
tes e transparentes, respiandescentes com a piedade de
D-us.
Com confiança em D-us, não tememos, pois não há
nada a temer. E quando uma pessoa já não tem medo
de morrer, ela não tem medo de mais nada. Somente en-
tão, quando já não temos medo, começamos a viver real-
mente. Somente então começamos a experimentar verda-
deiramente todas as alegrias e todas as dores. Começamos
a viver, e somos gratos por cada momento desta vida.
Um homem temente a D-us é, em certa medida, te-
mente à vida. Mas quando a morte perde o seu medo,
quando ela vale a pena, então, a vida também vale a pe-
na ser vivida. E quando você tem alguma coisa pela qual
vale a pena viver - um ideal, uma meta, urna fé - en-
tão, quando a morte chegar, ela chegará como um ami-
go bem-vindo, enviado para receber-nos na nova vida,
no novo nascimento.

Apesar de estar andando no vale da sombra da


morte, não temerei nenhum mal, pois Tu estás
comigo...
Que somente a bondade e a piedade me
acompanhem, em todos os dias da minha vida.

(Salmos 23:4,6)

27
4m

1 1
POR QUE ESTOU
VIVEIVDO?

`Por que nasci,


Por que estou vivendo;
O que recebo
O que estou dando...?"

Essas são perguntas freqüentes de moças e rapazes,


em sua luta para achar uma filosofia de vida para seguir.
Os adultos, ocupados em progredir numa carreira, ou
criar uma família, geralmente não têm tempo de pensar
nessas questões, a menos que sejam atingidos por uma
tragédia. Para a maioria das pessoas, a chegada da ve-
lhice é quando as questões filosóficas começam a predo-
minar na mente.
No entanto, há dois mil e quatrocentos anos viveu
um homem que estava constantemente procurando res-
postas para essas perguntas. Era Sócrates, o grande filó-
sofo grego de Atenas. Na sua juventude, Sócrates perce-
beu que quase todas as pessoas que o rodeavam viviam
da mesma maneira. Iam atrás de fama, riquezas e prazer,
mas nunca se perguntavam se essas coisas eram impor-
tantes. Sócrates achou que essa atitude era preocupante,

29
pois, a menos que a pergunta fosse formulada, e cuida-
dosamente considerada, as pessoas nunca iriam saber se
estavam, ou não, fazendo a coisa certa. As suas vidas
inteiras poderiam ser desperdiçadas perseguindo metas
inúteis, ou perigosas.
Sócrates sentiu que era seu dever tentar liderar os ho-
mens no caminho para uma vida mais nobre, mais cheia
de significado. O seu propósito era provocar o povo de
Atenas, para que todos se questionassem sobre cada uma
das suas ações. Conseguiu o que se propunha, questio-
nando amigos e conhecidos, e levando-os a discutir, e as-
sim ensinou-lhes a considerar de que se trata a vida. Pe-
los seus esforços, foi acusado de corromper a juventude
de Atenas.
No ano de 399 a.e.c., Sócrates foi levado a julgamen-
to, uma descrição do qual é dada em A Apologia, uma
obra de Platão, aluno de Sócrates. Sócrates apresentou-se
perante um tribunal composto de quinhentos e um cida-
dãos de Atenas. O tribunal não tinha juiz, nem jurado;
o julgamento se fez pelo voto da maioria. Após Sócrates
ter oferecido a sua defesa, foi condenado a morte por
281 votos contra 220. A resposta de Sor crates a esta sen-
tença é um dos discursos mais nobres de todos os tem-
pos. Ele disse:
"Não posso ficar calado, pois isso é desobedecer a
D-us. O maior bem que um homem pode fazer no seu
dia a dia é discutir a virtude e outras coisas da vida. A
vida sem investigação não tem sentido. Uma vida sem
exame não vale a pena ser vivida."
A filosofia de Sócrates está ilustrada ironicamente na
história a seguir. Um fabricante clandestino de bebidas
alcoólicas de Georgia percebeu, de repente, que não tinha
mais aguardente. Os seus clientes, furiosos, chegavam e
30
ele ia ficando frenético, por estar perdendo muitos bons
negócios. Percorreu a sua casa, achou um pouco de an-
ticongelante e alguns outros "ingredientes" duvidosos,
e os misturou, obtendo uma bebida qualquer. Como vo-
cês podem imaginar, os resultados foram desastrosos:
trinta pessoas morreram.
A polícia prendeu o contrabandista e ele foi acusado
do assassinato de trinta homens. Ao ser entrevistado pe-
los jornalistas, o seu único comentário foi: "Bèm, isso
faz qualquer homem pensar".
De fato, é possível que o contrabandista nunca tivesse
pensado sobre a vida, até cair numa armadilha dela. A
maioria de nós nunca se preocupa em pensar sobre o sig-
nificado da existência, até que somos atingidos por uma
tragédia pessoal muito forte. Mas D-us deu ao homem
o intelecto, e recusar-se a usá-lo é um sacrilégio contra
Ele. Com efeito, a fé por si mesma, sem pensamento ou
sabedoria, só pode ser uma fé muito oca. Nas palavras
de Rabi Elazar ben Azaria, "Onde não há sabedoria, não
pode haver fé. Onde não há fé, não pode haver sabedo-
ria" (Avot 3:21).
Quando uma pessoa olha para o universo através dos
olhos da fé, ela olha para o mundo com sabedoria, e to-
das as coisas assumem mais uma dimensão. Assim como
um belo cristal simétrico crescendo numa solução quí-
mica evidencia uma lei da natureza, a existência da vida
nos fala sobre uma lei da natureza que faz da existência
do homem algo inevitável. Essa lei implica que a matéria
foi criada para que a vida, e eventualmente a humanida-
de, fosse criada, com toda certeza. A própria natureza
da matéria nos diz que o universo tem uma finalidade,
e que ele é obra de um Criador intencional.
31
Ii

o
1
CONHEÇA O SEU CRIADOR

E o S-nhor falou a Moisés, dizendo.


'Fala para a toda a congregação
dos filhos de Israel, e diz a eles:
"Precisam ser sagrados, pois Eu o
Senhor vosso D-us, sou sagrado".

(Levítico 19:1-2)

Para entender esta citação da Torá, precisamos fo-


calizar a palavra "sagrado". O que quer dizer, exatamen-
te? E além disso, o que a Torá tenciona, quando ela des-
creve a D-us como "sagrado"?
Geralmente, quando pensamos em algo sagrado, pen-
samos em algo dedicado a D-us. Portanto, consideraría-
mos que uma pessoa é sagrada, se ela dedica a sua vida
ao serviço de D-us. De modo similar, chamamos um ro-
lo da Torá de sagrado, pois o seu uso é dedicado à vene-
ração de D-us. Contudo, se ser sagrado é estar dedicado
a D-us, então descrever a D-us Ele Mesmo como sagra-
do poderia parecer sem significado, uma redundância sem
sentido.

35
com 2,5 cm de diâmetro - aproximadamente tão gran-
de quanto uma bola de pingue-pongue. Essa é a Terra.
Sobre a sua superfície há cidades e pessoas, mas elas po-
deriam ser vistas somente com a ajuda de um micros-
cópio.
A uns 90 cm desta pequena bola há outra, do tama-
nho de uma ervilha. Essa seria a Lua. Por outro lado,
o Sol não ficaria visível, em lugar algum. Estaria situa-
do a uns 400 m de distância, uma bola reluzente, com
2,7 m de diâmetro, do tamanho aproximado de um pe-
queno automóvel.
Nove planetas, o sistema solar, giram ao redor do Sol.
O planeta mais distante, Plutão, ficaria à distância de 21
km. Até mesmo um gigante que estivesse segurando a Ter-
ra entre os seus dedos teria de andar um bom trecho, se
quisesse visitar todos os planetas do sistema solar.
Mas, o que aconteceria se o gigante quisesse chegar
até a estrela fixa mais próxima, Alfa Centauro qual
a distância que ele deveria percorrer? Nem sequer um gi-
gante poderia fazer a viagem por si só.. Ele também seria
obrigado a viajar numa nave, pois neste modelo, com a
Terra na escala de uma bola com uma polegada de diâ-
metro, a estrela fixa mais próxima ainda ficaria a uma
distância de 64.000 km! E muitas estrelas ficariam ainda
mais longe, a milhões de km de distância, mesmo numa
escala tão reduzida.
Comparar a Terra com uma bola de pingue-pongue
pode ajudar-nos a conceber a noção do sistema solar;
mas, além disso, o modelo foge do alcance da nossa com-
preensão. As distâncias ainda assustam a imaginação, pre-
cisamos de uma nova medida. A mais utilizada pela maio-
ria dos cientistas, no exame do espaço interestelar, é a
velocidade da luz.

38
A luz viaja à velocidade de 300.000 km por segundo
- mais de 960 milhões de km por hora - cem mil vezes
mais rápido que o mais veloz dos foguetes da atualida-
de. A luz viaja ao redor da Terra em 1/7 de segundo,
da Terra até a Lua em 1,5 segundo, e da Terra até o Sol
em aproximadamente oito minutos. No entanto, mesmo
a essa velocidade, a luz demoraria mais de quatro anos
para atingir a estrela fixa mais próxima. E para chegar
a muitas das estrelas que vemos no céu, a luz teria de via-
jar durante centenas de anos.
Cada uma dessas estrelas distantes é corno o Sol, mi-
lhares e até milhões de vezes maior que a Terra. As es-
trelas aglomeram-se em galáxias. Somente em nossa ga-
láxia, os astrônomos contaram mais de cem bilhões de
estrelas, cada uma delas milhares de vezes maior que o
nosso planeta, muitas delas com os seus próprios siste-
mas solares. Podemos imaginar o tamanho de uma úni-
ca galáxia? Somente para atravessar a nossa galáxia, a
luz, viajando a mais de 960 milhões de km por hora, de-
moraria mais de cem mil anos.
Contudo, esta enorme galáxia, com os seus bilhões
de estrelas, não é mais do que um ponto no universo. Mo-
dernos telescópios podem fotografar centenas de bilhões
de galáxias, cada uma contendo centenas de bilhões de
estrelas. A mente humana pode começar a conceber se-
quer o tamanho do universo visível?
No entanto, nosso universo é finito. Os cientistas pro-
varam isso há muitos anos. Por mais finito que ele possa
ser, o universo é tão imenso, que confunde a imagina-
ção humana. O nosso planeta, o nosso sistema solar, in-
clusive a nossa galáxia, são como partículas diminutas
de poeira na imensa vastidão do universo.
Então, de onde veio este vasto universo? Como foi
que esta tremenda quantidade de matéria e energia co-

39
Suas criaturas. E compreendemos que há somente um
D-us, pois pode haver somente um Ser Infinito.
Sabemos que D-us não tem corpo, nem forma, nem
aspecto. Os nossos conceitos mais genuínos do espaço e
do tempo tornam-se insignificantes, quando tentamos
aplicá-los ao ser de D-us. Mas D-us não é um conceito
abstrato. Ele é muito real, tão real quanto nós. De fato,
Ele é mais real do que nós, pois o nosso próprio concei-
to da realidade foi criado justamente por D-us.
Este, então, é o D-us ao qual todos nós oramos.
Quando rezamos, estamos falando com D-us. Falamos
com o Ser Cujo poder deu vida ao universo inteiro. Pro-
nunciamos este pensamento nas nossas orações matinais
quando dizemos "Bendito seja Ele que falou e todo o
universo começou a existir".
Há uma história sobre o grande rabino chassídico,
Rabi Zushe de Anipoli. Ele sempre era o primeiro a che-
gar na sinagoga, todo dia de manhã. Um dia, Rabi Zus-
he estava atrasado. Os seus alunos esperaram e espera-
ram. Finalmente, pouco antes do meio-dia, ele chegou,
com urna expressão de espanto e maravilha no rosto. As
orações começaram. Por algum motivo, elas pareciam
mais significativas, mais fervorosas do que habitualmente.
Após o serviço, os estudantes perguntaram ao rabi-
no onde ele tinha estado. "Estávamos tão preocupados",
disseram.
Rabi Zushe respondeu: "Eu vou lhes contar. Como
sabem, todo dia de manhã, imediatamente após acordar,
dizemos a oração 'Eu dou graças perante Ti, á Rei Vivo
e Eterno, Que devolveste a minha alma para a consciên-
cia da piedade. Grande é a Tua confiança'.
"Hoje de manhã, comecei a reza 'Eu dou graças pe-
rante Ti'. De repente, fiquei pensando: o que é 'eu' e o

42
que é 'Tu'? Quem sou eu para falar com D-us? Como
posso dirigir-me ao Criador do universo?
"Comecei de novo. 'Eu dou graças perante Ti' - Eu,
urna partícula infinitesimal da criação, perante Ti, o Au-
t.or de toda a criação. Não pude continuar. Levou-me ho-
ras reunir a coragem necessária para terminar a reza. Foi
por isso que cheguei atrasado."
Rabi Zushe tinha ficado impressionado pelas impli-
cações da breve e simples oração Modê Ani. No entan-
to, toda vez que dizemos uma oração, estamos falando
com D-us Ele Mesmo. Estamos perante o Mestre de to-
da a criação, perante o Um Que criou a Terra, o Sol, as
estrelas, todo o universo.
Na nossa preparação para a oração, enfocamos as
nossas mentes nas maravilhas de D-us, até que começa-
mos a perceber a Quem estamos rezando. E como o sal-
mista, exclamamos,

Ó D-us, nosso D-us,, o quanto é poderoso o


Teu Nome em toda a terra...
Quando olho para os Teus céus, a obra dos Teus dedos,
A lua e as estrelas que Tu estabeleceste.

(Salmos 8:2-4)

Através desta percepção, podemos ajustar nosso olhar


sobre D-us Ele Mesmo, e com verdadeiro sentimento, p0-
demos louvar o Mestre do universo:

Eu darei as graças ao Senhor com todo o meu coração;


Eu falarei sobre os Teus feitos maravilhosos...
Eu cantarei louvores ao Teu nome, O Mais Elevado.

(Salmos 9:2-3)

43
D-us, tem sido pouco pesquisada. As leis espirituais da
oração ainda não foram descobertas pela pessoa comum.
Muitos consideram a oração apenas como uma medida
de emergência, ou como um último recurso, quando to-
dos os outros falharam. Outros vêem a oração corno um
ritual semanal, um serviço ao qual comparecem como se
fosse uma assinatura para urna série de palestras. É a cul-
tura, não a convicção, que mantém algumas pessoas na
sinagoga.
Há um profundo fascínio na exploração de qualquer
esfera de ação nova. Todos os cientistas o sentem, e o
explorador dos remos espirituais também haverá de
experimentá-lo. O grande rabino chassídico, Rabi Nach-
man de Breslav, dedicou as suas prodigiosas energias à
arte da oração. Na sua juventude, ele pesquisou todas
e cada uma das avenidas que conduzem à forma de dirigir-
se a D-us, desde o livro de orações comum, até os tornos
mais esotéricos. Com a idade de quase trinta anos, fez
uma peregrinação até a Terra Santa, uma viagem consi-
derada perigosa para aquela época. Na viagem de volta,
o Rabi ficou encalhado, a bordo de um navio turco. Du-
rante uma tempestade violenta, enquanto a tripulação se
esforçava inutilmente para bombear a água para fora da
embarcação, o assistente do Rabi aproximou-se dele.
"Por que não reza por nós?" ele perguntou. "Não
consigo nem recitar as orações que pronuncio todo dia,
não posso nem abrir a minha boca para dirigir-me a Dus,
num momento como este. Mas o Senhor Rabi, sabe co-
mo rezar em todas as ocasiões".
O Rabi respondeu: "Estou agora num estado de men-
talidade confinada. Estou longe de D-us. Ainda assim,
o meu conselho me é fiel. Estamos correndo grande risco,

46
e não tenho escolha. D-us sabe que nunca fiz uso do mé-
rito dos meus pais, mas agora estou sendo constrangi-
do". Então, invocando a lembrança dos seus dignos avôs,
o Rabi ofereceu uma breve oração pela ajuda de D-us.
Por um momento, o perigo pareceu aumentar, cada vez
que o barco mergulhava no tumulto das ondas. De re-
pente, um vento forte acelerou o barco no seu avanço
e as nuvens abriram-se, deixando-o passar em seguran-
ça. Com gratidão, o Rabi recitou alegremente salmos de
agradecimento.
A perícia do Rabi com as orações possibilitou-lhe orar
mesmo quando a situação tornava impossíveis a medita-
ção profunda e a concentração. Porém, na mesma via-
gem, Rabi Nachman experimentou um nível ainda mais
profundo de comunicação com D-us. Estando ele só, du-
rante uma batalha naval das tropas turcas, o Rabi e o
seu assistente corriam sério perigo de serem roubados,
presos, e até mesmo vendidos como escravos. O pensa-
mento era aterrador: o que faria, caso ele fosse vendido
para alguém num lugar distante, um lugar sem judeus
para redimi-lo? E se ninguém ficasse sabendo? A vida
tornar-se-ia insuportavelmente difícil; ficaria impossível
manter a observância da Torá. À medida que o Rabi se
preocupava e ia considerando a situação, começou a po-
der aceitá-la. Talvez fosse possível, de fato, servir a D-us,
mesmo sendo um escravo, em terra estrangeira. Se essa
era a vontade de D-us, então ele continuaria a servi-Lo
fielmente, apesar da opressão.
Assim que o Rabi chegou a esta conclusão, os mari-
nheiros avistaram terra firme - a cidade da qual o Rabi
tinha de ser resgatado. E enquanto este último esperava
somente segurança por parte dos turcos, tendo aceito o
seu perigo como vontade de D-us, pouco tempo depois,

47
quando, após termos orado e procurado uma resposta
para as nossas preocupações, nos recusamos a prestar
atenção à resposta que D-us nos dá. Somos como aque-
les que vão consultar o médico e depois ignoram o seu
conselho, até que por fim ele coincida com o que que-
riam fazer, de qualquer jeito. Quase podemos imaginar
a D-us dizendo-nos "Olhai, durante muitos anos, vies-
tes a mim e Me perguntastes qual era a Minha vontade.
Eu falei, vós ouvistes e prometestes. Mas depois, seguis-
tes o vosso próprio caminho, como se Eu nada tivesse
falado. Agora volta novamente. Isto é uma brincadeira
que estais fazendo Comigo?" Para que as nossas orações
sejam atendidas, precisamos ter certeza de que elas não
fiquem tão repletas de ego, a ponto de não poderem su-
bir ao céu.
A alguns, parece que se D-us não lhes concede o seu
desejo imediato, então Ele não deve ser um D-us muito
bom. Lembro-me de uma citação anônima:

Eu, eu, eu,


Eu mesmo e Eu,
Por dentro e por fora,
O quê e o porquê,-
0 quando e o onde,
O baixo e o alto;
Tudo eu, eu,
Eu o próprio eu.

Há muitas pessoas que rezam dessa maneira: Dá-me;


concede-me; faz por mim A trama de todo o tecido das
suas orações parece ser eu - para mim - meu, quando
na verdade a oração é exatamente o momento de esque-
cermos nós mesmos e os nossos desejos. E o momento
50
de nos concentrarmos em Tu Teu. Se colocássemos
a ênfase onde corresponde, as nossas preces seriam res-
pondidas com maior rapidez, e mais favoravelmente.
O que é que nos possibilita ficar perante o D-us Infi-
nito e pedir-Lhe que cumpra os nossos mínimos desejos?
Os nossos sábios nos ensinaram a iniciar as nossas ora-
ções dizendo - e querendo dizer mesmo - 'Que seja
a Tua vontade, ó D-us..." Se a Tua vontade for conce-
der-me objeto da minha prece, que assim seja. E se a res-
posta for 'Não', Tu, 6 D-us, és mais sábio que eu". Tal-
vez seja exatamente esta enorme diferença entre D-us e
o homem, o que torna muitos de nós relutantes à ora-
ção.. Podemos sentir-nos como Voltaire quando disse:
"D-us é como o presidente de uma fileira de carruagens,
atravessando o continente em seu carro particular. A ele
não preocupam as formigas que estão no solo, debaixo
das rodas do seu carro". No entanto, Voltaire não era
dono de toda a verdade. Apesar de não podermos enten-
der isto, o homem não tem importância, e ao mesmo tem-
po, é o mais importante de tudo. Para D-us, o homem
é nada, mas é tudo.
Este enigma é ponderado nos Salmos:

"Quando olho para os Teus céus,


a obra dos Teus dedos,
A lua e as estrelas que Tu estabeleceste,
O que é o homem, para que Tu dele te lembres?
Ou o filho do homem, para que Tu penses nele?
E no entanto Tu o fizeste
Mas um pouco abaixo dos anjos.
Tu o coroaste com glória e honra.
Tu o colocaste acima das obras das Tuas mãos".

(Salmos 8:4-7)
51
Há muitas palavras que são difíceis de entender, se
observarmos profundamente os seus significados. Por
exemplo, a palavra "nada". "Nada" também é uma pa-
lavra. Mas, o que é nada? Que aspecto tem? O que é que
você vê quando tenta imaginar nada? É algo preto? Mas
então, se é preto, não é nada é a escuridão. Um gran-
de pensador disse uma vez que nada é o que você vê atrás
da sua cabeça. Então, vamos dar urna olhada. Sem virar
a cabeça, o que você vê detrás da sua cabeça? Nada.
Agora que já sabemos como é o nada, podemos per-
guntar-nos outra coisa: O nada existe? Existe de verda-
de uma coisa que é nada? Se não, se nada não é uma coi-
sa, então não podemos dizer realmente que existe, ou pelo
menos, não como geralmente concebemos a existência.
Mas o nada existe? O senso comum nos diz que sim.
Afinal, antes de haver qualquer coisa, havia o nada. Antes
de D-us ter criado o universo, não havia nada - nada,
ou seja, salvo D-us.
E muito difícil imaginar o nada. Mas D-us é ainda
mais difícil de imaginar, até mais impossível de visuali-
zar. Na obra clássica da Cabalá, o Tikuney Zohar, o pro-
feta Elias é citado dizendo a D-us: "Nenhum pensamen-
to pode compreender-te, em absoluto". O grande líder
chassídico, Rabi Shneur Zaiman de Liadi, explica esta
idéia. Ele escreve que a mente humana não foi construí-
da nem equipada para compreender a D-us. Exatamente
como você não pode conter um pensamento na sua mão
física, você não pode captar a D-us com a mente. Exata-
mente como nenhuma mão, não importa a sua força ou
o seu tamanho, pode apreender nenhum pensamento, por
mais simples que este seja, nenhuma mente, nenhum pen-
samento, pode compreender a D-us.
54
Então, o que fazer com um conceito que você não
pode compreender? O que você faz com algo tão trans-
cendental, tão remoto da nossa imaginação, que a men-
te não pode sequer concebê-lo? Em primeiro lugar, você
lhe dá um nome. Você tenta imaginar como ele pode afe-
tar você. Você tenta estabelecer algum relacionamento
com ele. Foi isso que'o homem fez com D-us. E foi as-
sim que o homem "criou" a D-us.
Não podemos sequer começar a imaginar a D-us. Não
obstante isso, falamos com D-us; dirigimo-nos a D-us;
rezamos a D-us. Sabemos que D-us tem um relaciona-
mento com o mundo, e que Ele continua sustentando-o
e apoiando-o. De modo que inventamos uma palavra e
chamamos essa palavra de "D-us". Criamos uma ima-
gem, um conceito, dizemos que isto é D-us. Mas o D-us
real, o Criador verdadeiro, o Ser Infinito, está tão além
do alcance do nosso intelecto, que não podemos preten-
der nem começar a conhecê-lo; não podemos dar-lhe um
nome.
A Bíblia começa pelas palavras, "Bereshit Bará E/o-
hiin Et I-faSharnayim Veet Haaretz" - No começo, D-
us criou os céus e a terra". No hebraico original, a pala-
vra "D-us" é a terceira palavra. Ela segue a "Bereshit"
- no começo e a "Bará" - criou. O Zohar formula urna
pergunta muito profunda sobre este primeiro versículo
na Torá. Por que este não começou assim: "D-us criou
o céu e a terra no começo"? Afinal, D-us é o conceito
mais importante na Torá. Por que Ele não é menciona-
do primeiro?
O Zohar responde que até haver um começo uma
criação o nome de D-us não podia ser usado. Não po-
dia ser utilizado, porque não existia nada a que fixá-lo,
nada que pudesse ser compreendido pela mente humana.
55
não pode dizer que a vida não tem profundidade, que
a vida em si mesma é oca. Você não pode pensar "Mi-
nha existência não faz sentido!"
Se você pudesse fazer essas afirmações sem vacilar,
sem qualificação, então sim, você seria uni ateísta. Caso
contrário, você não é. Se a vida faz algum sentido para
você, então você já criou a D-us, um D-us que dá signi-
ficado à sua vida. E o D-us que você criou é apenas ou-
tro aspecto do D-us verdadeiro, o infinito, o desconhe-
cido, o indizível.
No começo não havia nada - e havia D-us. Mas D-us
não podia ser compreendido; Ele nem sequer podia ser
chamado pelo nome. Depois, D-us criou o homem e o
pensamento. D-us criou o significado, a profundidade
e a preocupação. E depois, o homem foi capaz de criar
a D-us.
Isso foi no começo. Mas D-us continua criando o
mundo, sustentando-o. E o homem continua criando a
D-us. Então, agora, sonde a sua alma. Qual é o D-us que
você criou?
,
PROCURA-SE D-US
VIVO OU MORTO

Muito já se falou sobre a teologia da "morte de


D-us". Dizer que D-us está morto não é, em absoluto,
urna afirmação trivial; é muito difícil de entender. O que
%iginfica dizer que "D-us está morto", ou que "D-us es-
tá vivo?" Na verdade, o que estamos dizendo quando
dizemos "D-us"?
Falta à linguagem humana o vocabulário com o qual
se possa falar sobre D-us. Por causa deste vazio, temos
de usar as únicas palavras que temos, e portanto, fala-
inos sobre D-us como se Ele fosse uma pessoa. Até mes-
mo dar um nome a D-us é uma inexatidão. Como se po-
de dar nome a algo que não é uma "coisa"? D-us é mais
real que a existência, e ao mesmo tempo, mais indefiní-
vel que o nada. Ele está em toda parte, e em nenhum lu-
gar. Ele é imutável, mas provoca mudanças. Como po-
demos identificar algo que existe fora do âmbito do es-
paço e do tempo, algo que não tem absolutamente nada
em comum com tudo o que existe?
Não podemos dizer muitas coisas sobre D-us, mas p0-
demos dizer muitas coisas a Ele. Compare a idéia de D-us
59
bos tomam a D-us por certo. Ele não lhes causa noites
mal dormidas. D-us não lhes provoca nenhuma inquie-
tação grave, porque para eles Ele é o deus morto da
religião.
Na realidade, não faz nenhuma diferença se alguém
acredita ou não num deus assim; é impossível distinguir
entre crentes e descrentes, a menos que eles afirmem aber-
tamente a sua posição. O que é ainda mais trágico, é que
a crença em D-us não faça nenhuma diferença em rela-
ção à observância religiosa. Há pessoas que comparecem
aos serviços religiosos na sinagoga, mas não acreditam
em D-us - Talvez acreditem no 'Homem Forte Lá no
Céu", Que dirige a festa, mas sentem que ela poderia es-
tar acontecendo sem Ele, também. Elas não estão real-
mente conscientes de D-us - parece que nunca sentem
a Sua presença. Porque adoram um deus morto, podem
fazê-lo comodamente, mesmo tendo descartado qualquer
resto de verdadeiro sentimento religioso.
Não obstante, até uma religião tipo "casa de adora-
ção" é melhor que nenhuma religião. Nela, preserva-se
um pouco do brilho da verdade, de modo que até mes-
mo um deus morto pode ser ressuscitado. Ainda preci-
samos e queremos a D-us, seja Ele um D-us vivo, ou um
deus morto da religião. D-us ainda é procurado, vivo ou
morto.

62
SABENDO E
RELEMBRANDO

Quando eu era um rapaz de vinte e poucos anos, tive


urna sensação estranha no meu peito. Ela me incomodou
durante uma semana ou duas, e depois começou a me preo-
cupar. Finalmente, fui visitar o médico, um internista que
eu conhecia bastante bem. Ele me fez um exame médico
completo, e depois, me chamou no seu consultório. A sua
expressão estava bastante sombria e a sua voz, solene. Foi
então que ele me disse que eu ia morrer.
Fiquei muito pálido, e o meu coração começou a ba-
ter forte. Aquele velho clichê entrou na minha mente: "É
isso!" Todos os meus pensamentos esfumaram-se, quan-
do ouvi aquelas terríveis palavras: "Sr. Kaplan, o senhor
vai morrer".
O médico fez urna pausa. Em seguida, após um mo-
mento, ele acrescentou: "Sim, você vai morrer, daqui a
cinqüenta ou sessenta anos. Você está em perfeitas con-
dições físicas. Mas pode tomar um pouco de Maalox, vai
ser bom para o seu estômago".
Fui para casa, feliz e aliviado, porque o médico não
i inha achado nenhum motivo de preocupação. Todavia,

63
o incidente tinha atiçado minha curiosidade. Era verda-
de, meu médico tinha um senso de humor mórbido, e du-
rante alguns segundos, eu tinha ficado aterrorizado, mais
assustado do que nunca antes na minha vida. Mas de-
pois, por que deveria ficar tão alterado? AFinal de con-
tas, eu sabia que sou mortal. E um assunto no qual nin-
guém gosta de pensar mas, racionalmente, eu sabia que
corno todo mundo, minha hora chegaria. Eu esperava que
ela ficasse a urna enorme distância, mas era inevitável que
chegasse. Algum dia, eu ia morrer.
Comecei a analisar o diagnóstico do médico. No que uê-
estava
estava baseado? O exame tinha sido Físico - ele linha
verificado o funcionamento do meti corpo, tendo-o acha-
do em perfeitas condições. Contudo, ele tinha mc adver-
tido que esse estado não iria durar para sempre. Mas qual
era o objeto real do seu exame? A partir de qualpers-
pectiva ele tinha previsto meu destino?
Quando um bioquímico observa um ser humano, ele
vê uma composição química, consistindo em moléculas
e átomos que sofrem interações muito complexas. Elas
lhe permitem mover-se, crescer, e reagir ao meio ambien-
te. Porém, é isso tudo o que o homem é? Um fogo se
movimenta, consome e cresce. Ele muda dc cor e inten-
sidade, à medida que vai interagindo com o seu meio am-
biente. No entanto, em si mesmo, um fogo não tem pro-
pósito. Ele não tem vontade, nem mente; pode-se dizer
que não tem alma.
Desde outro ponto de vista, o biólogo examina o ho-
mem e vê um animal. Como todos os outros animais, ele
respira, come, evacua, e se reproduz. Ë formado de cé-
lulas e órgãos, cada um cumprindo a sua função: um sis-
tema biológico. Mas, o que mais poderia ser incluído nes-
ta definição? Uma mosca também respira, come, evacua,
64
e procria. Porém, uma mosca não tem nenhum propósi-
to na vida. Ela não se pergunta: "Quem sou?" Ela não
constrói grandes cidades, nem conquista poderosos im-
périos. Não tem esperanças, nem sonhos Vive para o mo-
mento: urna migalha de pão, um grão de açúcar, fugir
de um jato de água. A vida do ser humano não tem con-
seqüências maiores que essas?
Talvez o argumento não seja justa. Afinal, nem o bio-
químico nem o biólogo consideram as capacidades espe-
ciais da mente humana, altamente desenvolvida. Então,
como um neurologista vê o homem? Ele estuda a mente,
e acha um computador fantasticamente complexo: um
labirinto intricado de circuitos eletroquímicas, condicio-
nados pelo meio ambiente e reagindo mecanicamente aos
estímulos externos. Mas o ser humano seria só isso -
uma calculadora high-tech? Pode alguém acreditar que
a sua mente seja completamente governada pelas leis de
causa e efeito? E passível que cada movimento, palavra
ou pensamento nada mais seja do que a produção mecâ-
nica de um computador eletroquímico? Não teríamos um
livre-arbítrio maior para determinar os nossos atos, do
que uma caixa pré-programada de ferramentas?
Se alguma dessas descrições do homem fosse com-
pleta, então as palavras do meu médico não deveriam ter-
me assustado. Que medo, que pena há na extinção de uma
reação química, na conclusão do curto ciclo de vida de
um animal, ou na parada de um computador? Por que,
se eu fosse verdadeiramente objetivo, deveria importar-
me, mesmo que a perda química, biológica ou eletroquí-
mica fosse a minha própria?
Mas, instintivamente, sabemos que somos mais do
que tudo isso. Por isso, evitamos o tema da morte. Re-
ferimo-nos a ele através de eufemismos. Dizemos que uma
65
pessoa "faleceu", ou que "nos deixou". E quando fi-
nalmente somos forçados a enfrentar a morte, a nossa
própria morte, sentimos medo, ficamos zangados, indig-
nados. Nossa confiança costumeira na fria objetividade
da ciência começa a falhar.. A ciência nem sequer conse-
gue colocar as perguntas corretas; por isso, as suas res-
postas não nos dão nenhum conforto. Então, o homem
volta-se para a religião. Muitos daqueles que nunca pi-
saram uma sinagoga chamam o rabino, quando sabem
que vão morrer. Uma pessoa que reza pouquíssimas ve-
zes está disposta a deixar tudo de lado por um serviço
de Yartseit [aniversário de falecimento], para chorar os
seus seres queridos. Por que tem de ser assim? Por que
o homem se volta para D-us, ao se defrontar com a mor-
te? Por que o soldado na trincheira, rodeado de bombas
explodindo, reza a D-us, apesar de nunca ter rezado an-
tes na sua vida?
Nenhum homem escapou da morte, jamais, mas atra-
vés de D-us, e somente através de D-us, o homem pode
conquistar a morte. Somente D-us prometeu que a mor-
te não é o fim da vida. Somente D-us prometeu que a
morte transforma a vida, que ela é um despertar, o ini-
cio de urna nova vida, uma vida eterna.
Esta maneira de encarar a morte é inerente \ própria
maneira pela qual a religião encara o ser humano, um
ponto de vista muito mais amplo e profundo que o do
bioquímico e do neurologista. A Bíblia explica a criação
do ser humano com uma metáfora fora do comum: "D-us
formou o Homem a partir do pó do solo, e insuflou nas
suas narinas um fôlego de vida; assim, o Homem tornou-
se urna criatura viva" (Gênese 2:7). D-us não tem cor-
po, aspecto nem forma. Então, qual é a finalidade desta
metáfora antropomórfica? Por que a Torá diz que D-us
insuflou um fôlego no ser humano?
66
Este trecho é examinado nos comentários do Zohar.
Quando uma pessoa expira, o ar provém de dentro dela,
das partes mais profundas do seu ser. Assim também,
explica o Zohar, a alma do homem vem da parte mais
profunda de D-us, uma faísca do Divino, uma porção
do Ser infinito de D-us Ele Próprio.
Com certeza, a Bíblia reconhece os aspectos do ser
humano que os cientistas analisaram: "D-us formou o
homem com o pó do solo" - a partir dos mesmos ele-
mentos contidos na terra: carbono, nitrogênio, oxigênio
e hidrogênio. Este é o nosso sistema biológico, nosso com-
putador eletroquímico. Mas depois, D-us concedeu ao
homem uma faísca do Seu próprio Ser, uma alma seme-
lhante à de D-us. O homem, visto pela religião, tem ago-
ra uma afinidade com o Divino.
Este é o motivo pelo qual sentimos que o homem,
acima de toda a criação, não fica limitado pelas leis da
natureza, pelas regras de causa e efeito. "E D-us criou
o homem à Sua imagem", ou seja, à imagem espiritual
de D-us (Gênese 1:17). Como D-us não está limitado pe-
las leis da natureza, o homem transcende à lei da causa-
efeito. Assim como D-us é livre para agir, somente o ser
humano recebeu o livre-arbítrio. E assim como D-us é
eterno, o homem também recebeu a possibilidade da vi-
da eterna. Por isso, a religião proporciona urna solução
para o medo da morte - tudo o que temos de fazer, é
acreditar -

Agora, podia compreender como o meu médico ti-


nha sido capaz de deixar-me tão assustado. O ponto de
vista humano, frio e materialista, a visão estreita do bio-
67
químico e do biólogo apavoram a nossa autoconsciência
mais profunda. Vivemos numa era materialista que deixa
pouco espaço às crenças religiosas. As medidas concre-
tas de dólares e centavos, de custo-retorno e eficiência,
universalmente aplicadas a todos os empreendimentos hu-
manos, junto com os feitos surpreendentes do prcfresso
científico e tecnológico, tornam difícil, se não impossí-
vel, imaginar o abstrato e o espiritual.
Um membro habitual da minha sinagoga, um homem
observante, perguntou-me uma vez por que eu tinha aban-
donado uma sólida carreira científica, um bom salário,
e um futuro brilhante, pelo rabinato. Minha resposta o
deixou atônito. Eu disse que D-us tinha uma missão pa-
ra mim. Ele olhou para mim, o seu rabino, incredula-
mente: "O Senhor realmente acredita em D-us?"
Como é possível que um cientista, um homem mo-
derno, acredite em D-us? Como posso procurar confor-
to nas promessas da religião? Instintivamente,. como to-
dos os seres humanos, o cientista reconhece a livre von-
tade do homem, a sua posição especial, acima da ordem
natural. Mas, como se encaixa isto dentro da sua visão
objetiva, "científica" das coisas? Talvez, surpreenden-
temente, se encaixe muitíssimo bem. Há muita coisa, nos
descobrimentos da pesquisa científica, que redirigem o
cientista de volta para D-us. Inclusive com os fenôme-
nos que observa e estuda, o cientista acha evidências da
presença de D-us.
Uma das leis mais básicas da física é a Segunda Lei
da Termodinâmica. Em linguagem simples, esta lei afir-
ma que é mais fácil destruir que construir, que o caos
provém da ordem, não o contrário. Isto não é apenas mo-
ralismo ou conjectura filosófica, mas uma das leis da fí-
sica com base mais firme, a que define a essência da or-
68
dem do tempo. A ordem flui para a desordem; a energia
tende a procurar o seu nível mais baixo.
Contudo, apesar desta lei imutável, encontramos no
universo um maravilhoso grau de ordem. Estrelas, nebu-
losas, galáxias - todas elas exibem uma estarrecedora
variedade de estruturas. As criaturas vivas são compos-
tas de sistemas cada vez mais complexos, desde as sim-
ples bactérias de urna só célula, até os sistemas fantasti-
camente estriturados dos mamíferos. E o sistema mais
complexo, mais aperfeiçoado, é o ser humano, capaz de
controlar e dominar os sistemas e as criaturas mais sim-
ples que o rodeiam.
A Segunda Lei da Termodinâmica estabelece que a
matéria procura o seu estado mais simples, apesar de o
mundo mostrar uma vasta estrutura de complexidade ca-
da vez maior. Alguns cientistas rotulam isto como uma
manifestação do antiacaso. Mas poderia ser haver somen-
te uma Inteligência infinita que pudesse extrair a ordem
de um universo caótico. E esta Inteligência infinita nada
mais é do que D-us. O homem eleva-se não pela curso
cego do acaso, mas pela ordem inevitável do universo,
imbuída na criação por D-us.
O homem, no ápice das formas de vida complexas,
é qualitativamente diferente de todos os seus inferiores.
Contudo, a distinção é difícil de ser articulada; aparen-
tes definições que apontam para uma ou outra caracte-
rística humana muitas vezes não são confirmadas pela
pesquisa, nas capacidades dos diversos animais. Vestí-
gios de destreza, fala, comunicação, até mesmo de emo-
ção parecem existir em diversas criaturas. Mas admiti-
mos que há uma distinção fundamental, e a Bíblia a es-
clarece para nós: D-us insuflou no homem uma alma de
vida.
69
O que é esta alma de vida? De que forma ela dife-
rencia o homem do resto da criação? Sabemos que toda
a matéria tem um grau de sustentação divina. Isto está
implícito no segundo versículo da Torá: "E o espírito de
D-us pairou sobre a face das águas" (Gênese 1:2). Até
a matéria mais inerte contém uma essência do espírito
sustentador de Dus. Isto nos faz voltar à Primeira Lei
da Termodjnârnjca que afirma que a matéria e a ener-
gia são eternas, que elas não podem ser d -struídas. É a
essên
cia de D-us que lhes dá esta existência permanente.
A presença de D-us está aparente em toda a criação
material; é isto que sustenta a existência. Mas ao exami-
narmos as formas mais complexas de existência, acha-
mos manifestações maiores da essência de D-us. E final-
mente, no homem, a essência de D-us atinge o zênite da
sua expressão, pois o homem é criado à imagem espiri-
tual de D-us. É esta essência Divina no homem que cha-
mamos de uma alma. E exatamente como a Primeira Lei
da Termodinâmica nos ensina que a matéria e a energia
são indestrutíveis, devido ao espírito sustentador de D-us,
assim também a personalidade, a alma do homem, é eter-
na.
A vida Consciente do homem não acaba na morte;
ela apenas assume uma nova forma, desembaraçada da
carne material. O corpo pode morrer, mas o espírito per-
dura. Podemos perguntar ao médico, ao biólogo, e ao
neurologista: "o que aconteceu com uma pessoa que
morreu? Por que ela está imóvel? Por que está sem vi-
da?" Eles responderão que o coração parou de
bater, o
fornecimento de sangue ao cérebro foi interrompido, e
determinadas mudanças químicas diminutas aconteceram
no cérebro. Um organismo vivo foi transformado numa
peça de matéria inerte. O que uma vez foi uni ser huma-
70
no pensante, cheio de aspirações, nada mais é do que uma
carcaça morta. Mas ternos a promessa de D-us de que
esta imagem está incompleta, que o fôlego de vida que
criou o homem o sustentará, corpo e alma, eternamen-
te. Esta promessa foi feita ao profeta Isafas: "Os mor-
tos haverão de viver, os falecidos haverão de levantar-
se. Despertai e cantai, vós que morais no pó" (lsaías
26:19). A promessa foi repetida ao profeta Daniel:

E os muitos que dormem no pó da terra


despertarão, alguns deles para a vida eterna, e
alguns, para a desgraça e a vergonha eterna. E os
fiéis brilharão corri esplendor, como o brilho dos
céus, e aqueles que trazem muitos à dignidade
serão como as estreias, para sempre.

(Daniel 12:2).

Então, o que acontece quando um homem morre?


A nossa observação da morte inclina-nos para o ponto
de vista do físico, que um homem se torna um mero ca-
dáver sem vida. De fato, é verdade que certas mudanças
químicas diminutas acontecem no tecido cerebral. Quan-
do isto acontece, a alma perde todo contato com o cor-
po - o mecanismo receptor está morto. A alma, uma
entidade que consiste em puro espírito, puro pensamen-
to, agora está livre. A Bíblia descreve este fenômeno no
Livro de E.ciesiastes: "O pó voltará à terra como era an-
tes, e o espírito voltará a D-us, Que o deu" (12:7). O cor-
po se deteriora e volta aos elementos da terra.
O que acontece com a alma depois da morte, depois
de ficar separada do corpo? Mais uma vez, a ciência não
pode ajudar-nos aqui, pois ela não consegue explicar o

71
que não pode observar. Mas D-us revelou aos Seus pro-
fetas que na vida após a morte, há um julgamento, que
há uma recompensa para o bem, e uma punição para o
mal. Isto foi sugerido na profecia de Daniel, que aqueles
que "dormem no pó da terra despertarão, alguns para
a vida eterna, e alguns para a desgraça e a vergonha eter-
nas". Por este motivo, nossos sábios nos aconselham que
superemos nossa inclinação de esquecermos nossa mor-
talidade, e insistem que lembremos o dia da nossa morte.
Por outro lado, também somos instruídos a não temer,
nem a desesperar. Acreditamos que D-us é justo, recom-
pensando o bem e punindo o mal. Se um homem bom
sofrer neste mundo, ele será recompensado no Mundo
Vindouro. Se um homem mau prosperar nesta vida, o
seu castigo será devido na vida após a vida. Durante do-
ze meses, a alma é julgada e punida pelos seus pecados.
Depois disso, a punição é completa, e a alma está pronta
para a sua eterna recompensa. A única exceção a esta re-
gra está no caso de um ateu, um zombador ou um blas-
femador, para os quais a punição é eterna, uma "des-
graça e vergonha eterna".
O que, finalmente, podemos esperar após o período
do julgamento? Como é a vida no mundo do espírito pu-
ro? Aqui, nem sequer a revelação proporciona respos-
tas, pois ela está além da nossa compreensão. O maior
filósofo judeu, Moshê Maimônides, escreveu:

A recompensa na vida que há depois da vida não


está ao alcance da compreensão da mente
humana - somente D-us conhece a sua plena
grandeza, beleza e substância. Os profetas podem
ter escrito sobre um mundo vindouro, mas eles
estavam profetizando sobre os dias do Messias.

72

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Segunda Parte

O JUDEU E A SOCIEDADE
.J:
151
POR QUE EXISTE
O JUDEU?

Pois eu sou o Senhor vosso D-us, que agita


o mar, efaz rugir as suas ondas - o Senhor
das Multidões é o Meu nome. E coloquei Mi-
nhas palavras na tua boca, e Eu te cobri com
a sombra da Minha mão, para que Eu pos-
sa plantar os céus, e colocar as fundações da
terra, e dizer a Sion "Tu és o Meu povo'.

(Isafas 51:15-16)

Povos diferentes têm calendários diferentes que re-


fletem a essência da sua singularidade. O início de cada
calendário é marcado pelo evento mais especial da histó-
ria de cada povo. De acordo com o calendário muçuf-
mano, agora estamos no ano de 1410, contado a partir
da Hégira, a fuga de Maomé de Meca. No calendário cris-
tão é 1990, contado a partir do nascimento de Jesus. Mas
o calendário judaico começa pela criação de Adão e da
civilização, há 5750 anos. Ele volta até o advento da his-
tória registrada, com a possível exceção da Bíblia. Não
há nenhuma era na história da humanidade na qual não
possamos achar alguma evidência do nosso povo.
77
A primeira grande civilização do mundo, a Mesopo-
tâmia, ou Ur, produziu o primeiro judeu, Abraão, há
quase 4.000 anos. Nosso povo testemunhou a ascensão
e a queda de todas as grandes nações da era pagã: Babi-
lônia, Pérsia, Fenícia, os hititas, os filisteus, Grécia e Ro-
ma. De todas as grandes civilizações, nenhuma perdu-
rou, com exceção da nossa. A história lançou muitos de-
safios ao nosso povo, e cada um deles foi urna ameaça
à nossa própria sobrevivência, mas todos foram supera-
dos, e o povo judeu permaneceu, para enfrentar o desa-
fio seguinte.
A existência e sobrevivência do povo judeu sempre
foi um dos maiores mistérios: do inundo. Os historiado-
res escreveram volumes inteiros sobre ela; os filósofos
procuraram as suas causas; os cientistas sociais tentaram
justificá-la; todavia, o mistério permanece. Por que su-
portamos a violência de todas as perseguições que o mun-
do podia nos impor, e por que conseguimos sobreviver
a tudo isso? Por que nós tivemos a história mais longa
e turbulenta de todos os grupos de pessoas da face deste
planeta? Qual força e qual propósito preservaram a nos-
sa existência até os dias de hoje, possibilitando-nos re-
fletir sobre esta pergunta?
Mesmo nosso início também é misterioso. Os histo-
riadores fazem exclamações de angústia, ao tentar ras-
trear o início do povo judeu, porque quando nós come-
çamos a existir, ainda não existia um registro real da his-
tória. A Bíblia nos fornece algumas dicas, porém dando
poucos detalhes: um patriarca Abraão, uma família com-
posta pelos doze filhos de Jacob, depois uma tribo de
setenta famílias, e quase da noite para o dia, uma nação
com mais de três milhões de pessoas. Assistimos a uma
série de eventos sucedendo-se com a mesma velocidade
78
dos raios durante uma tempestade - a escravidão no Egi-
to, um êxodo milagroso, a revelação no Monte Sinai,
quarenta anos no deserto, a conquista de Canaã e de
repente, Israel é uma nação amadurecida, com um go-
verno seguro.
Quando damos uma olhada retrospectiva na nossa
história tão turbulenta, refletimos sobre o nosso destino
enos perguntamos: Por quê? Qual é a finalidade da exis-
tencia de um judeu? Por que será que o povo judeu ain-
da existe? Qual é o porquê deste milagre? Uma vez, ouvi
uma estória muito interessante que pode indicar o cami-
nho da resposta. O imperador da Prússia, Frederico, o
Grande, era filósofo e escritor. Uma vez, durante uma
discussão muito profunda com o seu pastor luterano, eles
acabaram examinando a questão da existência de D-us.
Toda "prova" argumentada pelo pastor era refutada ime-
diatamente pela mente ágil de Frederico. O imperador
estava ficando cansado dessa discussão interminável. Ele
pediu ao pastor que desse apenas um sinal visível que nin-
guém pudesse contestar. O pastor fechou os olhos e fi-
cou pensando, esforçadamente, por um longo tempo. Fre-
derico ficou impaciente e perguntou de novo: "Afinal,
há algo que eu possa ver com os meus olhos, e que prove
a existência de D-us?" O pastor abriu os olhos e respon-
deu com duas palavras: "Os judeus!"
Este relato nos dá um conceito muito importante. Se
a sobrevivência do povo judeu for, de fato, um milagre,
então tem de haver alguém que tenha feito este milagre.
O milagre da nossa existência aponta diretamente para D-
us. Um conceito similar pode ser achado no Midrash Tan-
chuiná, onde encontramos um diálogo entre o imperador
romano Adriano e o grande sábio judeu, Rabino Yehos-
hua: "De fato, o cordeiro Israel tem de ser muito grau-
79
de, para poder existir entre setenta lobos". Ao que o Ra-
bina Yehoshua replicou: "Grande é o Pastor que o so-
corre e protege" (To/dot 5).
Se uma pessoa percebesse um rebanho de ovelhas exis-
tindo e sobrevivendo entre todo tipo de animais selva-
gens e perigosos, ela teria certeza da presença do pastor,
nas proximidades. Ao vermos os judeus existindo, sobre-
vivendo, e até mesmo florescendo face a todos os pro-
blemas possíveis, apesar dos piores inimigos possíveis,
sabemos que o nosso Pastor não pode estar muito lon-
ge. Quando formulamos a pergunta: "Por que existe um
judeu?", e procuramos a solução para o mistério do nosso
destino, nos vemos confrontados com um conceito ater-
rador: Não somos nada menos do que testemunhas da
própria existência de D-us. Perante o mundo, somos um
fenômeno mensurável, e a prova de que de fato, o Pas-
tor está muito perto.
O grande profeta Isaías expressou este conceito de
modo muito conciso e atraente, ao proclamar: Tu és a
Minha testemunha, diz o Senhor, e o Meu criado que Eu
escolhi, para que tu possas conhecer-Me e acreditar em
Mim e compreender que Eu sou Ele. Antes de Mim não
houve nenhum D-us formado, e nenhum há de haver de-
pois de Mim. Eu, mesmo Eu, sou o Senhor, e afém de
Mim não há outro salvador (Isaías 43:10-11).
Portanto, somos depositários de uma tremenda e as-
sustadora responsabilidade. Se a nossa própria existên-
cia deve ser a prova de D-us, então precisamos ter certe-
za de sermos boas testemunhas. Se não agirmos de acor-
do com a magnitude da nossa missão, não só estaremos
dando a nós mesmos uma má reputação, como também
estaremos desmerecendo o nome do nosso Protetor.
O Talmude examina a questão do pecado, classifi-
cando as diversas categorias de acordo com o seu nível
80
de gravidade. Ele enumera as diferentes espécies de mal
que uma pessoa pode cometer, e no final da lista, está
o pecado de fazer algo que desmereça o nome do povo
judeu ou da religião judaica. O Talmude fala sobre urna
pessoa religiosa que não é absolutamente honesta em to-
das as suas tratativas comerciais, e sobre o líder religio-
so que não dá o exemplo perfeito da piedade: estes são
incluídos entre os piores pecadores possíveis. Como a nos-
sa missão consiste em testemunharmos a existência de
D-us, tudo o que der ao povo ou à religião judaica uma
má reputação, perverte a sua missão. Tais ações são cha-
madas "Chilul Hashern" - a profanação do nome de
D-us. Aquele que incorrer neste pecado não estará ape-
nas fazendo algo ruim; estará pervertendo a própria ra-
zão da nossa existência.
Ao examinar este conceito, o Talmude cita lsaías. O
profeta ataca o seu povo, por este ter se afastado de D-us:
E naquele dia o Senhor, o D-us dos Patrões, chamou.
e acabou com o júbilo e a alegria, abatendo os bois e ma-
tando as ovelhas, comendo carne e bebendo vinho, "Co-
mamos e bebamos, pois amanhã haveremos de morrer!"
E o Senhor dos Patrões revelou a Si Mesmo nos meus
ouvidos: "Com certeza este pecado não será perdoado
até o dia em que morreres" (Isaias 22:12-19). Aqui, mais
uma vez, as palavras do profeta são claras: Já que so-
mos realmente as testemunhas de D-us, precisamos vi-
ver para fins muito maiores do que a satisfação material
e a alegria.
Qual o porquê da existência de um judeu? Um judeu
tem de provar que um povo que serve a D-us, e dá um
bom exemplo para o mundo, pode sobreviver, indepen-
dentemente do que o mundo possa fazer para atacá-lo.
Uma das nossas grandes obras místicas, o Tikuney Zohar,

8 1
ensina que o povo judeu é como o pavio de uma lâmpa-
da, e os ensinamentos de D-us são como o óleo (Tikun
21 :60a). Enquanto a chama permanecer acesa, ardendo
dentro de nós, estaremos espalhando a luz de D-us atra-
vés do mundo inteiro. Este é o nosso segredo. É O nosso
destino.

82
TRÊS VERDADES

O Senhor Dus, é Verdade.

(Jeremias 10:10)

O carimbo de D-u.s é exatamente a Verdade.

(Ta/mude, Shabar, 55a).

A verdade os previdentes sempre estão a procurá-


la; pessoas sinceras têm a expectativa de basear as suas
próprias vidas no caminho da verdade. Este tem sido o
propósito e a meta dos pensadores e dos filósofos, ao lon-
go das eras. Mas para os judeus, esta não é uma simples
questão de curiosidade intelectual ou de estilo de vida.
Ela é central para nossa religião, uma característica de-
finitória de D-us. De fato, realmente nos foi ordenado
procurar a verdade a todo momento, e fugir da falsida-
de:

Fica longe de tudo o que for falso.

(Êxodo 23:7).

8.1
Mas, o que é a verdade? Há tantas pessoas com idéias
conflitantes sobre o que seja, realmente, a verdade. As
idéias de quem, afinal, satisfa7em os critérios desta nits-
vá? Qual é a verdade que precisamos procurar? E, neste
mundo de ilusões e distorções, é possível separar a ver-
dade da ficção? Seremos capazes de reconhecer a verda-
de, ao encontrá-la?
Há três tipos básicos de verdade. A primeira é a ver-
dade da mente, a verdade do intelecto. É resultado da
razão pura, seguindo as leis da lógica. Esta é a verdade
que o cientista procura no laboratório, que o matemáti-
co descobre nos seus cálculos; trata-se da verdade pela
qual o filósofo fica sondando as profundezas da sua men-
te. Contudo, esta verdade não é abstrata. Ela nos permi-
te Construir pontes e arranha-céus, projetar aviões e fo-
guetes espaciais. Esta é a verdade da lógica e da raciona-
lidade, que distingue o homem civilizado do primitivo,
supersticioso.
Mas o ser humano não vive só de lógica. Uma vida
de razão pura seria extremamente monótona, beirando
o sem sentido. O homem é um ser de sentimentos e emo-
ções; ele vive através dos seus sentidos. Portanto, reconhe-
cemos um segundo tipo de verdade: a verdade estética.
Quando dizemos que uma sinfonia é uma grande obra
de arte, ou que um quadro é belíssimo, estamos dizendo
a verdade, apesar de nenhum cientista poder prová-lo no
seu laboratório. A lógica não explica por que a visão de
um crepúsculo maravilhoso eleva a alma; a razão não p0-
de analisar nosso impulso de chamar uma rosa de boni-
ta. No entanto, a beleza contém a sua própria verdade,
urna verdade sempre procurada pelos artistas e poetas,
urna verdade que todos conhecemos, mas não consegui-
mos entender.
84
Porém, a beleza por si só também não pode dar sen-
tido à vida. Que beleza há numa vida destinada à morte
e à deterioração? Por isso, o homem sempre está à pro-
cura da terceira verdade: a verdade Divina. Esta é a ver-
dade que nos foi revelada por D-us. As nossas mentes
não podem descobri-Ia; nossos sentidos não a experimen-
tam. E a verdade que está na Bíblia, explicada pelos pro-
fetas. Reconhecemos esta verdade quando experimenta-
mos urna sensação de apego a D-us, seja durante as ora-
ções, ou no cumprimento dos Seus mandamentos. As-
sim como o homem treina a sua mente para ser lógica,
ou abre o seu coração para a beleza, ele também tem de
libertar a sua alma, para que ela possa identificar a ver-
dade Divina. Ë a verdade Divina que nos diz que somos
seres humanos, e não apenas animais pensantes, ou má-
quinas com sentimentos. E a verdade Divina tem sido pro-
curada e reconhecida sempre, por todas as culturas hu-
manas.
A análise dos tipos de verdade nos ajuda a saber o
que estamos buscando. Mas, como poderemos ter certe-
za de termos achado a verdade? Como vamos saber? A
maioria das pessoas assume que a sua mente é lógica, e
que a sua lógica é infalível. Elas pensam que serão capa-
zes de reconhecer a verdade, ao vê-Ia. Acreditam que as
suas mentes funcionam de acordo com a verdade, como
um computador, e que os dados processados pelo com-
putador, a evidência dos sentidos, também são verdadei-
ros. Afinal, é como o antigo ditado ver para acreditar.
É mesmo? As ilusões ópticas são tão comuns, que já
deixaram de surpreender-nos. Mas as ilusões lógicas são
ainda mais comuns. Falácias, inconsistências, duplas in-
tenções - as nossas mentes estão saturadas de todas elas.
A realidade é que o homem comum é bastante ilógico.
85
Em que medida nossos pensamentos são realmente
determinados pela razão, e até onde eles sofrem a influên-
cia do meio ambiente? Um psicólogo chamado Asch pro-
jetou uma experiência, visando determinar a resposta para
esta pergunta.
A experiência de Asch foi conduzida no campus de
uma grande universidade. Sete indivíduos foram levados
para uma sala, e disseram-lhes que iam passar por um
teste de percepção, sobre a sua capacidade para julgar
tamanhos. Dessas sete pessoas, somente uma estava sen-
do testada, mas não quanto à sua percepção. Os outros
seis eram assistentes, pagos pelo Dr. Asch para tentar con-
fudir o verdadeiro objetivo do teste. Mas ele, é claro, não
sabia disso.
As sete pessoas ficaram sentadas numa sala. Sobre
a parede, havia um quadro, com duas linhas traçadas.
Uma linha tinha 25 cm de comprimento, a outra, 30 cm.
As linhas estavam próximas, e era bastante óbvio que a
linha de 30 cm era a mais comprida.
A cada pessoa, foi perguntado qual das duas linhas
era a maior. Primeiro, a pergunta foi formulada aos seis
assistentes. Cada um deles declarou, com a maior certe-
za, que a linha de 25 cm era a mais comprida. Quando
finalmente a pergunta foi feita ao sujeito real do teste,
o estudo verificou que em 60% de todos os casos, ele afir-
mava que a linha de 25 cm era mais longa que a de 30 cm.
O que acontecia com uma pessoa que não concor-
dasse, que pertencesse aos 40 07o independentes, que sus-
tentam que a linha de 30 cm era mais comprida que a
outra? Os seis assistentes contratados davam risada de-
la, ridicularizando o seu erro tão óbvio. Quanto mais ela
insistisse, mais ela era atacado pelos outros seis. O estu-
do constatou que, sob tamanha pressão, outros 30% aca-
86
bavam admitindo que a linha de 25 cm era mais tiaipi
da que a de 30 cm.
Este estudo testou tanto estudantes, quanto profes
sores daquela universidade. Demonstrou, conc1usivamen
te, que sob uma pressão social suficiente, nove entre dcz
pessoas podiam ser persuadidas de que uma linha de 25
cm era mais comprida que uma de 30 cm. No final, eles
até defendiam a sua conclusão, com grande convicção.
Ao serem entrevistados depois, os sujeitos alegavam
todo tipo de pretexto: talvez tivesse sido o ângulo desde
o qual tinham visualizado o quadro, ou quem sabe os
seus olhos estivessem irritados, naquele dia. Eles ficavam
pouco à vontade ao perceber que tinham sido engana-
dos, mas, de fato, eles tinham sido belamente engana-
dos. Imagine! Somente uma pessoa entre dez foi capaz
de sustentar a sua convicção, de que uma linha com 30
cm de comprimento é mais comprida que uma de 25 cm.
Nós, leitores, temos a vantagem da compreensão tar-
dia. Conhecemos o propósito e os resultados do teste,
e podemos supor, sem hesitar, que jamais teríamos nos
deixado enganar assim! Mas, será que é assim mesmo?
Infelizmente,, a maioria de nós pertence aos 90010 que dão
o braço a torcer. Caso contrário, a maioria não totaliza-
ria 90%. Ternos a tendência a pensar como pensam os
nossos vizinhos, a acreditar nas mesmas coisas em que
nossos amigos acreditam. Muito poucos dentre nós as-
sumiram uma posição impopular entre o círculo de ami-
gos, nem defenderam convicções, contra grandes pres-
sões sociais. Muito poucos de nós são capazes de enfren-
tar a multidão.
Com freqüência, nossa busca da verdade fica nubla-
da, às vezes, totalmente encoberta pelas pressões do gru-
po. Isto é especialmente verdadeiro em se tratando da bus-
87
ca da verdade Divina. O comparecimento a um templo po-
de estar na moda, hoje em dia, mas as convicções religio-
sas profundas, não. Uma pessoa com convicções religiosas
profundas, em muitos casos, precisa resistir a intensas pres-
sões exercidas pelo grupo.
Infelizmente, na maioria dos casos, temos a tendên-
cia a rejeitar os ensinamentos básicos da nossa religião,
não porque eles careçam de lógica, mas porque não são
suficientemente populares. Se quisermos manter-nos fiéis
à nossa fé, deveremos pensar por nós mesmos. Mas,
quantas vezes temos êxito nisso?
"A repetição de uma mentira com bastante freqüên-
cia faz com que o povo acredite nela, como se fosse uma
verdade." Adolf Hitler (que o seu nome possa ser apa-
gado para sempre), demonstrou o poder da sua máxima
favorita, transformando uma nação de pessoas decentes,
lógicas, esteticamente sensíveis, num gigantesco manicô-
mio, uma das nações mais sangrentas da história.
Repita uma mentira muitas vezes, e as pessoas aca-
barão acreditando nela. Noventa por cento de todas as
pessoas são influenciadas pela pressão do grupo. Somente
uma em dez pensa por si mesma. Você é essa pessoa?
Como reconheceremos a verdade quando nos depa-
rarmos com ela? A lógica falha; a estética muda com o
tempo. E as nossas convicções mais profundas são afo-
gadas pelo clamor da multidão. De modo que a busca
da verdade, de todas as verdades, mas - especialmente
- da verdade Divina, exige resistência, exige todo e qual-
quer pequeno esforço teimoso de resistência do qual se-
jamos capazes. Então, a busca tem início num pedido de
ajuda: "Purifica os nossos corações para servir-Te na ver-
dade" (Livro de Orações). Somente com essa ajuda, po-
demos ter expectativa de sucesso.
88
NÃO DEIXE QUE A
C ULPA SEJA A SUA R UÍNA

Uma vez, ouvi um famoso psiquiatra falar sobre os


aspectos psicológicos do suicídio. É muito difícil enten-
der o suicídio, porque quando você reflete bem sobre is-
so, fica muito difícil imaginar como uma pessoa pôde,
de fato, tirar a própria vida. Até quais profundezas do
desespero uma pessoa foi levada, antes de destruir a pró-
pria existência? O que acontece dentro da mente de urna
pessoa quando ela decide dar este passo final, fatal? O
psiquiatra ressaltou que muitos suicídios originam-se de
culpa não resolvida, resultado de um pecado cometido
contra um semelhante, ou contra D-us, ou até mesmo,
contra si mesmo. O sentimento de culpa desta pessoa é
grande demais para ser suportado, e ela começa a ter pen-
samentos de não-existência. A destruição do seu próprio
ser torna-se, na sua mente, uma alternativa agradável para
uma vida sobrecarregada por este poderoso sentimento
de vergonha. Eia desconhece outra maneira de fugir da
culpa, não sabe de outro caminho novo para começar,
e assim, só pensa em acabar com tudo, de uma vez..

89
Uma vez, esta questão entrou na minha casa, com
urna clareza quase elétrica. Quando estávamos morando
em Washington, havia em nosso prédio uma família com
a qual tínhamos laços de amizade. Na época, não sabía-
mos que o marido estava sendo infiel à sua mulher. Ele
mantinha o seu segredo muito bem guardado, mas não
conseguia ocultar a vergonha a si mesmo. Quem pode
imaginar as labaredas infernais que assolavam a sua men-
te? Desgarrado entre a sua culpa e os seus desejos, já não
agüentava mais a pressão. Numa noite, levou a perua da
família até uma área deserta, puxou urna mangueira do
escapamento para dentro do carro, por urna janela,
preencheu cuidadosamente o espaço em volta dela com
cobertores, e deu partida no motor. O seu corpo foi acha-
do na manhã seguinte, e o seu rosto apresentava a colo-
ração rosada característica da intoxicação por monóxi-
do de carbono. Deixou urna viúva e quatro órfãos, e nós
nos perguntamos o que era pior, enganar a esposa ou dei-
xar uma viúva com quatro filhos sem pai, numa situação
tão patética? Como era possível que este homem tivesse
tirado a própria vida, quando tinha tantos motivos para
viver?
Com base no acontecido, ficamos pensando, como
explicar o fato de uma pessoa ser capaz de cometer sui-
cídio? Com certeza, qualquer tipo de vida seria preferí-
vel a morrer tendo se suicidado! Mas não compreende-
mos o poder da consciência humana, a essência interior
que julga as ações de cada pessoa. No melhor dos casos,
ela pode ser um juiz muito severo; no pior, um tirano
impiedoso.
Cada um de nós tem algum tipo de código moral, al-
guma sensação do que é certo ou errado. Todos senti-
mos que temos alguma forma de consciência, alguma di-

90
retriz para o caminho da vida. É interessante notar que
até mesmo aqueles que dizem não acreditar em D-us, pro-
clamam que acreditam na idéia do bem e do mal. Com
efeito, eles costumam insistir em dizer que honram os di-
tames de sua consciência, com mais rigor do que o fa-
zem aqueles que acreditam em D-us. Alguns agnósticos
vão até o extremo de dizer que o motivo pelo qual não
acreditam em D-us não é que tenham menos amor pela
religião, e sim mais amor pela própria consciência! Há
muitas pessoas por aí afirmando não acreditar na alma
humana, porém apoiando-se muito na idéia de uma cons-
ciência humana, no seu conceito interno do bem e do mal.
Você pode imaginar um paradoxo maior que esse? Exa-
tamente as pessoas que negam a D-us, que recusam a al-
ma, não conseguem deixar de temer a consciência que
é a voz da alma, a voz interior de D-us.
Mas afinal, o que é esse déspota maravilhoso, miste-
rioso, esse tirano interior, esta consciência humana, que
eleva a sua voz cada vez que lhe desobedecemos, e que
pode levar um homem ao desespero, e à morte? Em cer-
ta ocasião, uma criança disse que a consciência era "o
que faz tão mal, quando todo o resto faz tão bem". Os
muitos filósofos e moralistas que estudaram a consciên-
cia humana também não conseguiram chegar a urna de-
finição muito melhor que essa. O filósofo alemão Arthur
Schopenhauer tentou analisá-la, como um cientista ana-
lisa um composto químico. Ele declarou que a consciên-
cia humana era composta de partes iguais de medo, su-
perstição, preconceito, vaidade e hábito. Contudo, a
maioria de nós tem conceitos mais elevados desta voz in-
terior. Nós a temos como o juiz supremo que determina
o que está certo ou errado, o que é o bem e o mal.
Até mesmo esses tímidos agnósticos, que acreditam
pela metade, e que duvidam, pela metade da substância
91
da sua própria meia dúvida, têm alguma crença na cons-
ciência, mesmo sem D-US, e sem a alma. Naturalmente,
isto é puro contra-senso. Se não há D-us, então nada é
bom ou ruim; não há certo nem errado. Todo conceito
de uma Consciência que pretenda diferenciar o certo do
errado, o bem do mal, nada mais é do que ilusão. Se não
há urna alma, então o ser humano é um animal bruto,
nada mais do que isso e, por mais que tentemos disfar-
çar este fato, um animal bruto não pode ter consciência.
Se nos livramos de D-us, se jogamos para longe a alma
humana, e ainda queremos ser lógicos, precisamos ir até
o fim, e desembaraçar-nos de todos os conceitos do cer-
to e do errado, de todas as idéias de Consciência. Não
podemos comer nosso bolo espiritual e, ao mesmo tem-
po, tentar aferrar-nos a ele. Mas, não importa qual seja
a sua origem, todos nós temos alguma sensação interna
que nos diz que algumas coisas estão certas, e outras, er-
radas; que algumas são boas e outras são ruins. Todos
sentimos o agudo apelo da consciência, a voz dentro de
nós pronunciando julgamentos sobre os nossos atos. É
um juiz que condena sem piedade, e exila sem compai-
xão. Muitas vezes, ele pode sentenciar-nos a urna vida
na prisão, dentro da cela de culpa e vergonha que fize-
mos para nós mesmos. Para muitas pessoas, a única saída
desta prisão é o suicídio, seja ele o que consiste em tirar
a própria vida, o suicídio do álcool e dos narcóticos, o
suicídio de um colapso nervoso, o suicídio do isolamen-
to e de urna doença mental, ou o suicídio de dedicar a
própria vida a escapar da vida. Quando urna pessoa aceita
a própria Consciência como único juiz, a única fuga des-
ta jurisdição é a fuga da vida.
O famoso solilóquio de Hamiet expressa bem este
conceito, em poesia intemporal. Hamiet é atormentado
92
pela dúvida, o medo e a culpa, e exclama a pergunta que
está na ponta da língua de tantas pessoas:

Ser ou não ser: eis a questão.


É mais nobre sofrer na mente
As lanças e flechas da fortuna exacerbada,
Ou armar-se contra um mar de problemas,
E lu lan do contra eles, vencê-los.
Morrer, dormir -
Nada mais - e com um sono, dizermos que
damos fim
À dor e aos mil choques naturais
Dos quais a carne é herdeira! E uma consumação
A ser devotamente desejada. Morrer, dormir...

(Mam/et III; 55-64)

O ser humano é o seu mais severo juiz. Suponhamos


que desejássemos satisfazer completamente a nossa cons-
ciência, arrependendo-nos de todo o mal que fizemos na
vida. Você consegue imaginar a dimensão dessa tarefa?
Seríamos obrigados a pensar retroativamente, a lembrar-
nos de todas as palavras pronunciadas que possam ter
ferido alguém, palavras que provocaram dor, que casti-
garam como um chicote algum coração sensível, palavras
que angustiaram um amigo, aqueles que mais amamos.
Precisaríamos recordar todas as coisas que fizemos ao
longo dos anos; todas as coisas das quais agora nos en-
vergonhamos; todos os atos que feriram outrem, que rou-
baram um pouco da sua paz e alegria, que lhes causa-
ram dor. Teríamos de dizer à nossa própria consciência:
"Eu sou culpado de todas estas coisas. Tenho de supor-
tar o castigo que mereço por justiça". O tribunal do nosso
coração fixaria a penalidade: quanto sofrimento deve-

93
ríamos agüentar, quanta punição teríamos de receber,
qual seria o castigo por magoar o coração de uma pes-
soa, por ter mentido, por alimentar uma suspeita sem fun-
damento, por dizer algo cruel, desagradável. De quanto
seria cada punição? Se fôssemos capazes de lembrar-nos
de cada ano, cada mês, cada dia da nossa vida, e se nos-
sa consciência, plenamente lúcida e sem compaixão, ti-
vesse de cobrir-nos com o castigo justo por todas as nos-
sas más ações, nosso coração ficaria esmagado, pois não
seríamos capazes de suportar o seu peso. Ficaríamos gri-
tando o tempo todo, com a agonia de Caim: "Meu pe-
cado é grande demais para que possa suportá-lo!" - Tal-
vez o salmista tenha sentido os mesmos ataques de re-
morso, ao exclamar: "Pois minha vida transcorreu na
pena, e os meus anos na dor, minhas forças falharam,
por causa do meu pecado, e os meus ossos consumiram-
se" (Salmos 31:1 1). Todavia, o salmista prossegue: "Mas
eu confiei muito em Ti, ó Senhor, e eu disse: 'Tu és o
meu D-us" (31:15).
Muitos acham que podem viver a vida sem uma reli-
gião formal, estabelecendo os seus próprios padrões de
moralidade. É claro que todo ser humano pode projetar
o seu próprio código de comportamento e padrão ético,
mas o que acontece quando ele não consegue ficar à al-
tura dos seus próprios padrões elevados? A culpa pode
corroê-lo, em carne e ossos. O seu pecado pode ser a sua
ruína, pois não há ninguém que possa perdoá-lo.
A nossa era, na qual tantas pessoas confiam somen-
te na sua própria consciência, tornou-se a era dos tran-
qüilizantes e estimulantes, dos colapsos nervosos, do al-
coolismo e do vício das drogas. Entre os judeus ortodo-
xos de épocas passadas, entre as pessoas que viviam de
acordo com um código de conduta muito mais estrito que

94
o nosso, essas comoções eram muito menos frcqtieiiirs.
Quando uma pessoa aceita a lei Divina, um código inc
ral dado por D-us, ela já não é mais forçada a sofrei i
tirania da sua consciência. Somente D-us, o Pai de sodas
as piedades, o Tribunal Compassivo, é o seu juiz. O mcs
mo D-us que nos ensinou o que é certo e o que é errado,
também nos ensinou que quando urna pessoa lamenta os
seus pecados e se arrepende, ela é perdoada. Foi isto que
D-us disse ao rei Salomão, após a conclusão das obras
do primeiro Templo em Jerusalém: "E se o Meu povo,
acima do qual o Meu Nome é pronunciado, ficar humil-
de e orar e procurar Minha Face e se afastar dos cami-
nhos do mal, então Eu vou ouvirei falar do paraíso e per-
doarei o seu pecado" (Crônicas II 7:14).
Cada pessoa pode escolher como viver a sua vida. Eia
pode ser o seu próprio juiz, sujeito à regra de uma cons-
ciência cruel e impiedosa, acossando-a com os açoites vio-
lentos da culpa, ou ela pode aceitar a D-us como o seu
juiz, uni D-us piedoso e compassivo, que demora para
enfurecer-se, e pleno de piedade. Ser o seu próprio juiz
significa viver sem esperança de perdão, enquanto que
aceitar a D-us como o seu juiz é abrir os portões do per-
dão e da indulgência, é ser capaz de começar tudo de no-
vo e apagar o que está escrito no quadro negro. D-us sa-
be que o ser humano, mortal, não pode nunca viver de
acordo com um código legal, seja ele auto-imposto, ou
Divino e portanto, a menos que haja um meio de reno-
vação pessoal, alguma maneira pela qual uma pessoa pos-
sa limpar-se do pecado, ela nunca poderá livrar-se do tre-
mendo poder da culpa. Achamos um ditado talmXdico
em nome de Rabi lshmael: "Não fosse o fato de D-us
ter criado o arrependimento, se todos os dias Ele não nos
estendesse a Sua Mão para receber aqueles que voltam
para Ele, então o mundo não poderia existir".
95
O judeu fiel não fica limitado pelo seu pecado. Ele
sempre pode recorrer a um D-us acolhedor e benévolo
Que é interlocutor para todos os momentos, seja quan-
do o fiel está sozinho no seu quarto, à noite, ou no meio
de um grupo, rezando, para confessar o seu pecado pe-
rante o Todo-poderoso e implorar o perdão.
D-us nos deu esta promessa através do Seu profeta,
Isaías: "Se os teus pecados são vermelhos como o escar-
late, podem tornar-se brancos como a neve; se são ver-
melhos corno carmim, podem ficar brancos como a lã"
(Isaías 1:18). "Se buscas ao Senhor teu D-us, tu O acha-
rás quando O estiveres procurando com todo o teu cora-
ção e com a tua alma inteira" (ibid., 43:25).
O descrente não tem a liberdade de escolher esta li-
bertação da culpa, tão enriquecedora da vida. Ele preci-
sa buscar a fuga da não-realidade, os narcóticos, ou o
esquecimento pelo suicídio. Porém, ninguém deve pen-
sar jamais que apenas porque se manteve afastado de
D-us a vida inteira, já não lhe resta nenhuma esperança.
Nada poderia estar mais longe da verdade! Neste cânon
de arrependimento, Maimônides escreve que, mesmo que
uma pessoa tivesse de passar a vida inteira blasfemando
e pecando contra D-us, Ele sempre estaria disposto a
aceitá-la de volta, a apagar o quadro-negro e a deixá-la
recomeçar. Seja ele jovem ou velho, nunca é tarde de-
mais. D-us disse ao profeta Isaías: "Eu haverei de var-
rer as tuas transgressões para longe, como uma névoa,
e os teus pecados, como uma nuvem. Volta a Mim, pois
Eu te redimirei" (ibid., 44:22).
Temos urna chance de livrar-nos de todo pecado e
culpa, uma oportunidade de começar página nova. D-us
nos deu esta oportunidade. Atrevemo-nos a despreza-la?

96
PROCURE SE DAR UM
TEMPO LI VRE

A sociedade moderna foi descrita, corretamente, co-


mo uma sociedade de oportunistas e de pessoas que vi-
vem atrás de status. Manter o mesmo nível dos Jones não
é suficiente - todo mundo está tentando superá-los. Vi-
vemos num medo constante de sermos rejeitados pelos
grupos certos, e temos pavor de misturar-nos com o gru-
po errado. Queremos que o mundo fique sabendo que
"chegamos lá". Talvez não percebamos, mas uma parte
cada vez maior dos nossos esforços está sendo investida
em rodear-nos de símbolos de status. Temos a expectati-
va de que estas posses influenciem aqueles que nos jul-
gam, e esperamos que nossa riqueza material estabeleça
alguma distância social entre nós e aqueles que conside-
ramos como nossos inferiores. Temos de ter uma resi-
dência no bairro certo, precisamos dirigir o carro do ano,
usar os cartões de crédito mais prestigiados, e pertencer
às instituições mais procuradas. Todos estamos sob a
pressão constante de termos de nos adaptar a esta com-
petição, e todos sofremos com a tensão decorrente.

1)7
Para ser um escalador social bem-sucedido, é neces-
sário estar pronto para fazer muitos sacrifícios. A pes-
soa tem de descartar os seus valores, e amigos, e estar
disposta a mudar o seu comportamento. Ao unir-se a es-
ta corrida social, talvez ela sinta que o endereço do seu
lar, ou o do seu clube, estejam impedindo o seu progres-
so. Até mesmo o templo que freqüenta pode tornar-se
uma barreira, e assim, ela muda de amigos, de valores,
e de crenças, à medida que vai subindo cada degrau da
escala social. Com toda certeza, ela vai se sentir desespe-
rada e assustada pelo interminável processo de luta so-
cial. Vai encontrar-se em constante esforço financeiro,
tentando rodear-se de evidências visíveis do status que
espera adquirir. Estará constantemente pendente da mi-
dia massificada - a propaganda divulgada na televisão,
na imprensa escrita e no rádio - que a discriminam, ti-
rando vantagem do seu esforço para cumprir com essas
incessantes pretensões materiais.
Em gerações anteriores, esta correria constante ao su-
cesso social era virtualmente desconhecida. Cada pessoa
conhecia a sua posição na sociedade, e se conformava.
Se o seu pai era pedreiro, então ele também ia ser pe-
dreiro. Se o seu pai fosse agricultor, ele também viveria
do trabalho da terra. Hoje em dia, cada um de nós quer
subir acima das limitações do seu pai, e o que era bas-
tante bom para nós na adolescência já não é tão bom para
os nossos filhos.
Tudo isto seria admirável, se não provocasse nosso
suicídio sociológico. À medida que escalamos, com unhas
e dentes, a subida que nos leve para além da posição so-
cial de nossos pais, geralmente fazemos os nossos me-
lhores esforços para esquecê-los completamente. Em vão,
tentamos desassociar-nos de tudo o que possa lembrar
98
a eles. Deixamos para trás a sua imagem de mundo ve-
lho, as suas tradições, os seus valores, até a sua fé.
Numa sociedade consagrada a aferrar-se à riqueza
material, dedicada à cega adoração de Mamon, nem D-us,
nem a fé parecem ter muito valor. A religião se transfor-
ma numa espécie de brincadeira. Quão sábio foi o pro-
feta Moisés, ao predizer esta era, quando profetizou exa-
tamente o que iria acontecer hoje:

leshurun ficou gordo e rebelde. Tu ficaste gorda,


larga e grossa. fà naçãoJ abandonou o D-us Que a
fez, e deu um pontapé no Todo-poderoso que era o
seu apoio... Assim, tu ignoraste o Todo-poderoso
Que te deu vida, esqueceste o Poder Que te libertou.

Deuteronôrnio 32:15-18).

Moisés prosseguiu na descrição das terríveis conse-


qüências de tal comportamento:

Eu amontoarei o mal sobre eles, golpeando-os com as


Minhas flechas. [Eles ficarão] inchados de inanição,
consumidos pela febre, dizimados pela peste amarga
Eu enviarei contra eles animais dentados, com
criaturas venenosas que se arrastam na poeira.

(ibid., 32:23-24)

Um castigo assim é inevitável? Pode haver uma cura


para toda uma sociedade viciada neste clamor louco pe-
lo status e a riqueza? Na verdade, há. Porém, em vez de
simplesmente instruir-nos para que abandonemos nossa
luxúria pela riqueza, a Torá nos ensina um caminho me-
lhor. A Torá nos proporciona uma experiência melhor,

99
a festividade de Sucot. Em Suco,', mandam-nos parar,
interromper nossa luta pelo status e o sucesso, e lem-
brar-nos dos nossos humildes começos.

Durante [esses] sete dias, deves viver em cabanas co-


bertas de palha. Todos os que estão em Israel têm
de viver nessas cabanas cobertas de palha. Isto é pa-
ra que as gerações futuras saibam que Eu mandei a
todos os israelitas viver em cabanas, quando os tirei
do Egito. Eu sou D-us vosso Senhor.

(Levítico 23:42).

Também aquele que mora numa grande mansão ou numa


enorme fazenda recebe a ordem de abandonar tudo e pas-
sar sete dias numa sucá, numa pequena cabana coberta
de palha. Temos ordem de parar com nossa interminá-
vel ascensão social, voltar ao passado, e lembrar-nos dos
nossos pais, que moravam em simples choupanas, ao ar
livre. Em Sucot, esquecemos as nossas buscas materiais,
para lembrar-nos do Senhor, nosso D-us.
Há um segundo mandamento importante em Sucot,
o das quatro espécies:

No primeiro dia, deves pegar para ti uma fruta da


árvore da cidra, um galho de palmeira ainda não
aberto, ramos de mirto e de chorão [que crescem per-
to] de um córrego. Deves experimentar alegria perante
D-us, durante sete dias.

(ibid., 23:40).

O Midrash nos proporciona um comentário interes-


sante sobre esta mnitsvá. Ele observa que cada urna des-
100
sas quatro espécies tem o seu próprio status: a cidra ou
errog tem sabor e fragrância; o galho de palmeira ou lu-
Iav exala sabor, mas sem fragrância; o mirto tem fragrân-
cia, mas sem sabor; e o ramo de chorão não tem riem
sabor, nem fragrância (Vayikra Rabá 30).
Assim é com a humanidade. Há alguns que são sá-
bios, com o gosto pelo aprendizado, mas eles são capa-
zes de menosprezar os ignorantes, como se estes não fos-
sem úteis para D-us, nem para o ser humano. Há outros
que têm riqueza, que possuem a fragrância dos ricos, que
podem dar apoio a muitas instituições religiosas, e fa-
zem obras de beneficência. Eles estão aptos para sentir
que a riqueza é tudo o que há de mais importante, que
pessoas sem dinheiro são pessoas sem valor. Se o sábio
é tão esperto, "Por que ele não é rico?"
Mas as Escrituras nos mandam pegar as quatro espé-
cies, amarrá-las juntas, para cumprir o mandamento Di-
vino. Temos de aceitar todas as pessoas juntas, sejam elas
ricas ou pobres, instruídas ou ignorantes. Temos de colher
o orgulhoso etrog, que tem tanto gosto quanto fragrân-
cia, tanto riqueza quanto cultura, mas também temos de
ter um galho do chorão, inferior, sem gosto nem aroma,
sem nada para mostrar, pobre e ignorante. Temos de
amarrá-los todos juntos, para formar uma única irman-
dade, para servir a D-us. Enquanto estivermos deixando
um de fora, não teremos cumprido nossa obrigação.
Contudo, é altamente provável que deixemos de la-
do os pobres e os ignorantes. Vivemos numa sociedade
muito estratificada. Muitos dos nossos filhos nunca co-
nheceram, nem falaram nunca, com uma criança que sai-
ba o que é passar necessidade, de verdade. Muito pelo
contrário, vivemos numa era de luxo sem precedentes,
onde todas as nossas necessidades materiais são satisfeitas
101
imediatamente, onde realmente temos comida em exces-
so, onde muitas crianças dispõem de mesadas maiores do
que uma família inteira podia gastar, na geração ante-
rior.
Temos a sensação de que esta é uma situação muito
admirável. E assim que as coisas devem ser, e não há Pe-
rigo em se viver no meio de toda esta abundância. Mas
talvez tenhamos de dar uma olhada mais atenta à nossa
complacência.
Uma experiência recente, executada por um omito-
logista austríaco, aponta para este perigo. O professor
Otto Koenig, de Viena, reuniu um grupo grande de gar-
ças, alojando-as num cerêado muito amplo, onde pudesse
observá-las. Ele permitiu aos passáros total, liberdade e
conforto. Com apenas um movimento, podiam ter aces-
so a todo o alimento que podiam precisar. Havia água
bastante para beber e tomar banho, e urna quantidade
inesgotável de materiais para construir ninhos. Os pás-
saros tinham tudo o que precisavam - urna existência
de Fazer quase completo.
Em condições normais, esses pássaros desenvolvem
uma sociedade que se assemelha à nossa, sob vários as-
pectos, inclusive com fortes sentimentos de responsabi-
lidade familiar. Mas quando foram submetidos a urna
vida de total facilidade, quase todos os padrões de exis-
tência familiar e grupal foram interrompidos. O cuida-
do com os filhotes era administrado a esmo; às vezes,
ovos eram tirados do ninho e quebravam, e em outros
casos, três fêmeas tentavam capturar o mesmo alimento,
no mesmo instante, para dai- aos seus filhotes. Normal-
mente, garças jovens exibem uma independência extraor-
dinária, mas quando eram criadas em meio ao luxo, e
sem ter de lutar por nada, viviam no mais completo lazer,
102
aprendiam muito pouco sobre a luta pela sobrevivência.
Pássaros adultos ainda eram alimentados corno filhotes,
pelos seus pais, ou até mesmo, avôs. Com freqüência,
filhotes atacavam pássaros jovens até a morte, exercen-
do uma forma de canibalismo desconhecida em condi-
ções normais.
As experiências do professor Koenig com pássaros
lançam urna luz bastante esclarecedora sobre os nossos
próprios problemas humanos. Quando observamos os
muitos problemas que afetam nossa juventude - a sua
insegurança, a sua falta de independência, a taxa alar-
mante de delinqüência juvenil, o vicio das drogas e a li-
bertinagem sexual e quando nos perguntamos o que
fizemos de errado, é provável que possamos encontrar
a resposta nas experiências do professor Koenig. Talvez
tenhamos produzido urna sociedade que sirva somente
para os pássaros!
Um dos filósofos norte-americanos mais destacados
foi Henry Thoreau. Ele queria provar a si mesmo que
o ser humano podia fugir dos males do mundo comer-
cial. Em 1845, foi até os bosques próximos de Waiden
Pond, onde morou sozinho durante dois anos, levando
uma vida quase de eremita. Construiu a sua moradia com
as próprias mãos, gastando apenas 28 dólares. Pescava,
caçava e cultivava os seus próprios vegetais. Ganhava o
pouco dinheiro de que precisava, fazendo "bicos".
Durante a sua estadia nos bosques, escreveu um diá-
rio, que publicou mais tarde sob o título Waiden, um dos
grandes clássicos da literatura americana. Thoreau pre-
gava um retorno à natureza, com a sua inocência e sim-
plicidade; um retorno a um verdadeiro sistema de valo-
res, sem as complicações do clamor do mercado, com a
sua vã ambição de status e posição social; um retorno
103
a uma vida divorciada dos valores espúrios dos que se
esforçam constantemente para subir na escala social.
A festividade de Sucot é o Waiden da Bíblia. Ela nos
chama de volta para a simplicidade e inocência da natu-
reza intocada. A sucá, a cabana desta festividade, é uma
coisa esplendorosa, colorida, porém sem nenhuma cor
artificial. Estamos tão habituados a melhorar a aparên-
cia de tudo o que vemos, pintar, passar pó de arroz, re-
tocar, que poucas vezes vemos a beleza intocada da na-
tureza - e quando a enxergamos, ficamos maravilhados.
A sucá nos lembra que é impossível melhorar a bele-
za da natureza, por mais habilidade que tenhamos. O má-
ximo que podemos conseguir é tentar aproximar-nos de-
la. A Sucá é construída na intempérie, frágil e desprote-
gida, ela não pode ser montada sob o refúgio de uma ár-
vore, por exemplo. No entanto, está aí, como uma for-
taleza, resistindo às forças da natureza, e traz alegria ao
coração das pessoas. Ela faz com que o homem agradeça
a beleza da natureza, elevando-o numa oração a D-us.
A sucá é feita com a substância da terra: todos os seus
componentes crescem na sujeira. Porém, pela sua beleza
simples, ela limpa todas as trivialidades do coração.
Talvez seja significativo o fato de Sucot, hoje em dia,
ser uma das mais esquecidas das nossas festividades. Num
mundo de materialismo grosseiro, não há lugar para o Di-
vino, o espiritual, nem para o que é belo por natureza. Há
pouco espaço para a fé do passado, para a tradição, a san-
tidade, ou a verdade. Portanto, a pobre sucá fica aban-
donada e indefesa, à mercê dos ventos de mudança. A sua
decoração, ontem nova e brilhante, foi arrancada por mãos
ávidas, os seus lindos frutos foram devorados por bocas
gulosas. Estamos tão ocupados, sempre correndo, será
104
possível que possamos achar sete dias para demorar-nos
na Sucá - ou apenas sete minutos, ou o o tempo sufi-
ciente para colocar a cabeça dentro da succã e pronun-
ciar uma bênção? Sempre tão atarefados, sabemos para
onde estamos indo?
A festividade de Sucot é a época na qual nos dete-
mos para buscar uma direção, descobrir para onde esta-
mos correndo. Relaxamos durante uma semana, senta-
dos na sucd, voltamos à simplicidade de um passado dis-
tante, encoberto pela névoa do tempo transcorrido, pa-
ra renovar nossa fé nas coisas simples da vida. A sucá
está aguardando por nós, com a sua mensagem de bele-
za e simplicidade, acenando: "Entre, relaxe e pare de cor-
rer, faça uma pausa para desfrutar verdadeiramente da
vida!"

105
POEIRA DA TERRA

A época da criação, como relatada na Torá, culmi-


na na formação do primeiro ser humano: 'E o Senhor
D-us formou o homem com a poeira da terra, e Ele insu-
flou nas suas narinas um fôlego de vida, e o homem
tornou-se uma alma viva" (Gênese 2:7).
Vamos imaginar-nos sendo transportados retroativa-
mente no tempo, até a origem exata do homem inteli-
gente. Podemos visualizar Adão abrindo os olhos, o pri-
meiro ato realmente humano no mundo. Podemos vê-
lo, alto e nu sobre a terra vermelha, os seus olhos escu-
ros cheios de curiosidade, brilhantes de inocência perfei-
ta e sem fim. Podemos ouvir a primeira batida do seu
coração, sentimos a circulação morna do seu sangue, a
força nos seus braços e pernas, a passagem do ar pelos
seus pulmões. Podemos aspirar os doces aromas dos bos-
ques e das flores pelas suas narinas, ver o vento despen-
teando o seu cabelo, sentir a sua frescura sobre a pele
jovem dele.
Observamos a expressão estampada no seu rosto, es-
pelhando a compreensão que lentamente cresce em sua
107
mente. Esta sensação de uma grande Presença fora de
si mesmo aumenta, à medida que um espírito entra nele.
Olhamos com respeito como ele experimenta pura grati-
dão por esta Presença que está sentindo, de Quem o for-
mou a partir da poeira da terra, e de Quem lhe deu a vida.
Ao abrir os olhos pela primeira vez, Adão emergiu
do nada. Um instante antes ele era não-existente, no se-
guinte, era uma alma viva, olhando para um mundo no-
vo, e para a face do seu Fazedor. Naquele momento sin-
gular, no qual se tornou uma alma viva, Adão não podia
experimentar medo nenhum. O mundo inteiro era o seu
jardim, e o Criador tinha lhe dado as boas-vindas.
O Midrash nos diz que a primeira ação de Adão foi
abençoar a D-us. Não havia perguntas no coração deste
primeiro homem, nenhum dos quebra-cabeças que iriam
atormentar os seus descendentes. Ele não tinha necessi-
dade de perguntar. "De onde estou vindo? Por que estou
aqui? Para onde irei quando partir?" Adão não precisava
formular essas perguntas simples, porém profundas. O
mundo era novo e desconhecido, mas Adão podia perce-
ber a presença reconfortante de D-us, e sentir-se em casa.
O mundo inteiro era o reino de Adão. Tudo era per-
feição, beleza e conforto. A sua única restrição era o man-
damento que D-us lhe deu: "Poderás comer livremente
de todas as árvores do jardim, mas da Arvore da Sabe-
doria do Bem e do Mal não comerás, pois no dia em que
comeres dela, com certeza morrerás". Adão deve ter per-
cebido que o mandamento era muito simples, pouco mais
do que apenas uma prova de obediência a D-us, que ti-
nha lhe dado a vida. Mas D-us estava lembrando a Adão
as suas obrigações morais.
Depois D-us criou a mulher, Eva, para que fosse a
companheira do primeiro homem. Durante um tempo
108
muito curto, delicioso, viveram em verdadeiras condições
paradisíacas, no Jardim do Éden. Mas no jardim, havia
uma serpente; uma serpente fora do comum, que tinha
patas e podia falar. O que essa serpente era exatamente,
nós não sabemos. Alguns dizem que o Espírito do Mal
tinha se corporizado numa serpente. Um Midrash afir-
ma que uma criatura parecida com uma serpente, com
o dom da fala, tinha sido criada especialmente para ser-
vir o homem.
O que quer que essa estranha criatura fosse, o seu
propósito estava claro. Ele sorriu para Eva. A sua voz
era amável, e tinha a sua própria música. Ele parecia ge-
nuinamente interessado no bem-estar dela. Mas ao mes-
mo tempo, era também bastante descarado. "É verdade
que tu não podes comer frutos de nenhuma das árvores
do Jardim?" A expressão de Eva revelava que se diver-
tia com uma pergunta tão tola. Ora, ela podia comer tu-
do o que quisesse! Havia apenas uma exceção, e ela con-
tou para a serpente. O sorriso da estranha criatura dei-
xou transparecer a sua astúcia. "Qual deles?"
Eva lhe disse simplesmente, sem ressentimentos, que
era proibido comer da Árvore da Sabedoria, pois fazê-
lo seria um ato de desobediência a D-us, que tinha lhes
dado tudo, inclusive a própria vida. Ela acrescentou:
"Com certeza morrerei, se desobedecer ao mandamento
de D-us".
A serpente olhou para Eva, com incredulidade. Su-
perstição tola! Inclinou a cabeça para trás e deu uma so-
nora gargalhada. Como alguém podia acreditar numa bo-
bagem dessas? O Midrash nos diz que esta "serpente na
grama" pegou um bom pedaço da fruta, sorriu malicio-
samente para Eva, e disse, ainda rindo: "Eu comi o fru-
to! Olhe! D-us não me fulminou com a morte! Com cer-

109
teza você também não vai morrer!" O estranho ficou mais
próximo dela, confidencialmente, e a sua voz se reduziu
a um suave sussurro. Como era possível que Eva não
compreendesse por que D-us tinha lhes negado exatamen-
te essa coisa? "No dia em que comeres do fruto desta
árvore, os teus olhos abrir-se-ão. Serás como D-us, co-
nhecerás o bem e o mal."
Todos nós sabemos como acabou a história: "E Eva
pegou o fruto, e o comeu, e deu também ao seu marido
junto com eia, e ele comeu". Mas este relato, com os seus
elementos peculiares - um Jardim do Éden, frutos proi-
bidos, serpentes falantes tem uma aura mística. Para
compreendê-lo, precisamos nos aprofundar nos escritos
dos místicos.
Um dos grandes místicos judeus foi o líder chassidi-
co Rabi Yaacov ltschac, conhecido como o Choze, o Seer
de Lublin. O Choze prestou muita atenção ao trecho no
qual a serpente disse "Serás como D-us, conhecerás o bem
e o mal". E necessário ser como D-us para conhecer o
bem e o mal? Adão e Eva já não tinham compreendido
esses conceitos antes de comer o fruto da árvore proibi-
da? A verdade é que tanto Adão quanto Eva, sem dúvi-
da, tinham conhecimento do bem e do mal, no momen-
to da sua criação, mas esse conhecimento era de nature-
za meramente acadêmica; eles ainda não tinham trans-
posto a brecha entre a teoria e a prática.
Uma pessoa que lê e estuda um assunto consegue ob-
ter uma certa quantidade de compreensão. Alguém que
esteja de fato trabalhando com este assunto possui um
conhecimento mais íntimo. E esta pessoa, por sua vez,
não tem a perícia daquele que descobriu ou inventou o
assunto. Por exemplo, um homem pode passar anos es-
tudando motores, examinando diagramas e lendo ma-
110
nuais. Ele vai acabar entendendo as teorias, mas nunca
será capaz de consertar um motor, até ter experimenta-
do com as suas próprias mãos o que um mecânico faz.
Até mesmo um mecânico experiente não terá tanto co-
nhecimento como o homem que projetou e construiu um
motor a partir de rabiscos. É por este motivo que D-us
possui o conhecimento mais completo de todas as coi-
sas. D-us as criou, e somente Ele pode sondá-las em to-
da a sua profundidade.
Foi isso o que o Espírito do Mal disse a Eva: Agora,
o teu conhecimento do bem e do mal é somente acadê-
mico. Você tem o conhecimento do estudante, não do
artesão. Você já ficou sabendo do mal; você sabe que
ele é contra a vontade de D-us, mas você nunca o criou.
Se você comer o fruto da árvore, então você terá a D-us
como conhecimento. Assim como D-us conhece o uni-
verso, na qualidade de Criador dele, você também co-
nhecerá o mal, corno criadora dele. Ou, como o Midrash
interpreta este trecho, exatamente como D-us criou o Seu
universo, você criará o seu próprio universo - do mal.
A serpente mentiu. O conhecimento que o homem
tem do bem e do mal nunca pode igualar-se ao de D-us.
D-us criou o bem e o mal como duas entidades muito se-
paradas entre si. Foi no homem que o bem e o mal se
confundiram. Não somente o homem justifica os seus
atos mais baixos, como ele os faz aparecer como virtu-
des. Por exemplo, Hitler rotulou o assassinato de seis mi-
lhões de judeus como o ato mais nobre da história da hu-
manidade. Muitas vezes, encontramo-nos num mundo vi-
rado de ponta-cabeça, onde os maus são elogiados co-
mo santos, e os bons, odiados como demônios.
D-us "faz a paz e cria o mal" (Isaías 45:7). O mal
que D-us criou, na realidade, é o poder que Ele deu ao

111
homem, e que lhe permite agir como se a onipotência não
existisse. Com este poder, o homem tem livre escolha ab-
soluta. Ele fica livre, tanto da tirania da sua natureza,
quanto da obediência à vontade de D-us. Se assim não
fosse, seria totalmente impossível que alguém cometesse
um pecado contra D-us. "Olha, estabeleço perante ti es-
te dia, a vida e o bem, assim como a morte e o mal.—
Eu chamo o céu e a terra como testemunhas.,, neste dia,
que Eu determinei entre a tua vida e morte - a bênção
e a maldição - mas tu haverás de escolher a vida, para
que possam viver, tu e os teus filhos" (Deuteronômio
30:16-19).
No Jardim do Éden, D-us alertou Adão sobre as suas
obrigações morais. De modo muito similar, sabemos de
nossas obrigações morais. Temos de usar nosso poder sa-
biamente, e escolher o caminho certo, o caminho da Ar-
vore da Vida.

112
O CHAMADO DO SHOFAR

Na antigüidade, o shofar era utilizado para reunir o


povo. Hoje em dia, ele é empregado em Rosh Hashaná,
o dia em que os judeus do mundo inteiro se reúnem nas
suas sinagogas. É provável que muitos dos que compa-
recem não tenham pisado a sinagoga o ano inteiro, mas
quando Rosh Hashaná se aproxima, é como se houvesse
um shofar nos seus corações, chamando-os para reunir-se,
exclamando: "Venham, filhos Meus, voltem, ó Israel,
para o vosso Senhor, vosso D-us". O apelo é tão sonoro
e claro como a explosão de uma trombeta, e nenhum ju-
deu vivo pode ignorá-lo.
Assopramos o corno de um carneiro para recordar
o grande sacrifício que Abraão se dispôs a fazer, e o car-
neiro que ele sacrificou no lugar do seu filho Isaac. A
estória aparece no segundo capítulo do Livro da Gêne-
se. A sua lição é universal.
Vamos imaginar-nos transportados de volta no tem-
po, quase 4.000 anos *. Vemos o patriarca Abraão, avan-

* O que segue é baseado na interpretação de Ibn Ezra, tal como referido


pelo Orciciz Chairn.

113
çando penosamente através de um campo inculto mani-
nho, lutando contra o vento, na terra de Canaã. De re-
pente, um enlevo, um êxtase inimaginável tomam conta
dele. Ele ouve uma voz à qual já aprendeu a obedecer
e que lhe inspira confiança, a voz de D-us. É a mesma
voz que lhe prometeu um filho, na velhice; a mesma voz
que lhe prometeu que os seus filhos iriam ser tão nume-
rosos quanto as estrelas do céu. É a voz que, há muitos
anos, lhe ordenou deixar a sua terra natal, partir da casa
do seu pai. E uma voz que prometeu muitas coisas, e nun-
ca decepcionou a sua confiança.
Nesta tarde ventosa, esta voz vem a .Abraão mais uma
vez, com clareza, de dentro da profundeza da sua alma.
A voz, chama o seu nome: "Abraão! Abraáo!"
O velho homem fica imóvel, no campo árido varri-
do pela ventania. Ele olha em volta. Nenhuma alma à
vista, mas ele reconhece a voz de D-us. Sem hesitar, ele
grita: "Olhe, aqui estou eu!"
Em seguida, ouve a voz novamente, mais forte e cons-
trangedora. "Abraão! Pega o teu filho, o teu único filho,
o que tanto amas. Pega Isaac e vai à terra de Moriá. Leva-
o à montanha que haverei de mostrar-te, e ali, oferece-o
em sacrifício ardente".
Então, a voz cala-se. Somente o assobio do vento ao
cair da noite, corno que brincando com um homem ido-
so, parado no crepúsculo. Abraão olha diretamente pa-
raa frente, com a mente num redemoinho de confusão.
"O Voz de D-us Todo-Poderoso, Tu não podes estar que-
rendo dizer o que acabei de ouvir! O meu filho?! Meu
Isaac?! Meu querido e adorado filho, a alegria da minha
velhice, a promessa do meu futuro? O filho querido do
riso, Isaac, ser abatido como um animal sobre o altar,
a sua carne que adoro., queimada em sacrifício! Será que
estou tendo um pesadelo?"

114
Está escurecendo, e os pensamentos de Abraão co-
meçam a clarear. Ele ficou parado durante horas, exa-
tamente no mesmo ponto onde ouviu a voz. Agora, co-
meça a andar na escuridão. A ordem não foi ilusão. O
Todo-Poderoso, o Criador, o D-us Um, o Verdadeiro
D-us, o D-us único falou com seu servo mais obediente,
Abraão. A voz fora inconfundível. A ordem fora clara.
Abraão aprendeu a amar o seu filho com um amor mais
profundo que as nascentes do deserto. Contudo, enquan-
to vai caminhando através dos seus campos, com a luz
prateada da lua lançando seu brilho sobrenatural sobre
o trigo e a cevada, Abraão se pergunta: "Eu amo a D-u.s
mais do que tudo nesse mundo, ou eu amo lsaac mais
do que amo a D-us?" O velho Abraão está sendo testa-
do, como nunca nenhum um mortal tinha sido testado.
Durante a noite toda, Abraão se vira em sua barra-
ca, um velho solitário a quem foi pedido que renuncie
a um filho, mais querido que a própria vida. Após uma
noite agitadíssima, Abraão já sabe que não pode negar
nada ao seu D-us. Na primeira claridade do amanhecer,
ele levanta do leito, e em silêncio, coloca a montaria so-
bre o seu velho burro branco. Sem uma palavra, ele pe-
de a dois dos seus criados, e ao seu filho, seu querido
filho lsaac, que o ajudem a carregar uma pilha de ma-
deira sobre o burro. Depois, eles partem, em silêncio.
Durante três dias, eles viajam através do vale doura-
do e maduro de Mamre, sempre adiante, através das co-
linas cobertas de bosques. O tempo todo, Abraão cami-
nha em silêncio. Ele não consegue falar nem sequer uma
palavra ao seu filho. O seu rosto bronzeado é como uma
máscara de pedra, e o brilho profundo dos seus olhos
é corno um fogo ardendo na profundeza de urna caver-
na. Finalmente, Abraão avista o Monte Moriá, ao longe.
115
Ele pede aos seus dois criados que fiquem atrás, com o
burro. Carrega a madeira sobre as costas fortes do jo-
vem Isaac. No cinto, ele carrega pedras afiadas para acen-
der o fogo, e oculto nas suas vestes, um punhal.
Os dois caminham juntos, pai e filho, sozinhos pelas
encostas do monte. Nenhuma palavra é pronunciada en-
tre eles. Isaac, de repente, ousa quebrar o silêncio, e diz:
"Pai, parece que vamos rezar e oferecer um sacrifício.
Temos a madeira e as pedras, mas não vejo o cordeiro
para a oferenda".
Abraão fecha os olhos e contém as lágrimas. O que
pode dizer ao seu filho único querido, Isaac? Ele mur-
mura: "D-us fornecerá o sacrifício, meu filho".
Isaac não diz mais nada, e marcha calado, ao lado
do pai. O jovem rapaz nunca poderia imaginar que a ma-
deira que carrega está sendo levada para queimar o seu
próprio corpo, e que há uma faca especial no cinto do
seu pai, destinada a cortar-lhe a garganta. Eles sobem
mais e mais, até que por fim chegam num pequeno pla-
nalto, no topo da montanha. Isaac observa seu pai, jun-
tando pedras, cuidadosamente, e empilhando-as, para
construir um altar. Ele ajuda o pai a dispor a madeira
sobre o altar, e após isso, o seu pai lhe indica que deve
estender as mãos.
Antes mesmo de perceber o que está acontecendo, os
seus pulsos já estão firmemente amarrados com tiras de
couro. Após isso, os seus calcanhares são rapidamente
amarrados, tudo sem que o velho tenha proferido nenhu-
ma palavra. Será que o seu pai está fazendo algum tipo
de brincadeira? Ele procura o olhar do seu pai, por urna
resposta, e vê somente lágrimas. O seu pai está tremen-
do. Algo de muito errado está acontecendo.

116
A pergunta que formulara antes volta-lhe à memó-
ria. Onde está o carneiro para o sacrifício? Abruptamen-
te, já percebe. Ele próprio é o carneiro! A sua face fica
muito pálida, os seus olhos giram rapidamente. E pri-
sioneiro, não há a mínima chance de escapar. Suavemen-
te, o velho o levanta e coloca sobre a pilha de madeira,
no altar. Como em câmara lenta, ele vê o seu próprio
pai sacar uma faca de debaixo das suas vestes, e dirigi-Ia
para a sua garganta. lsaac fecha os olhos. Ele sente o me-
tal gelado na pele, e tudo fica confuso.
Abraão segura a lâmina contra a garganta do seu fi-
lho, vacilando, tentando reunir coragem para terminar
o ato. De repente, ele ouve a voz outra vez, ressoando
como o trovão numa tempestade de verão, imperativa e
urgente: "Abraão!Abraão!"
Ele treme, deixa a faca no chão, e responde: "Olhe,
aqui estou".
Mais forte que nunca, a voz responde: "Não ponhas
a tua mão sobre o rapaz. Não faças nada a ele, pois ago-
ra Eu sei que temes a D-us, porque não retiveste o teu
filho único de Mim".
Abraão não ouve mais nada. Através dos olhos ce-
gados pelas lágrimas, ele vê um carneiro detrás de um
monte de pedras, preso pelos cornos, nos arbustos. O ani-
mal para o sacrifício ardente estava esperando ali mes-
mo. O teste terminou.
Nossos pais aprenderam com o exemplo de Abraão.
Nenhum sacrifício era grande demais para ele. Fosse qual
fosse o pedido, ir até a sinagoga antes de um dia de tra-
balho esgotante, ou ficar em jejum para não ingerir um
alimento proibido, ou renunciar à própria comida quan-
do se está com muita fome, para doá-la a algum necessi-
tado, eles responderam ao chamado, como o fez nosso
117
primeiro pai, Abraão. "Olhe, aqui estou, pronto, sem
vacilar." Num dia e era quase esquecidos, o judeu co-
mum comparecia à sinagoga duas vezes por dia. No in-
verno mais cruel, ele levantava da cama morna para en-
frentar o amanhecer gelado, e andava contra a neve e o
vento, para rezar. Em meio ao calor sufocante do verão,
o jantar tinha de esperar até que as orações vespertinas
tivessem sido cumpridas. Nem o calor do dia, nem o frio
da noite, poderiam impedir o judeu mais fraco e adoen-
tado de cumprir com as orações na sinagoga, dia após dia.
Mas hoje, o judeu de duas vezes ao dia degenerou
num judeu duas vezes ao ano. Um artigo na revista Time
mostrou que 78% da comunidade judaica nunca entra
numa sinagoga, a não ser nas Grandes Festas. A reza diá-
ria está fora de cogitação. Os serviços de sexta-feira à
noite não combinam com as nossas diversões tão acon-
chegantes, um jogo de basquete, o programa favorito na
TV, ou um jantar importante. Nossos pais estavam dis-
postos a sacrificar as suas próprias vidas por D-us, mas,
ao que tudo indica, nós não queremos sacrificar nem uma
pequena porção do nosso conforto.
Muitos judeus acham que podem comprar o seu ca-
minho para o céu, dando apoio às causas judaicas. Eles
são os "judeus beneméritos", desejosos de apoiar o ju-
daísmo, mas negando-se a conviver dentro dele.. Todavia,
isto dificilmente pode ser considerado como um sacrifí-
cio, uma vez que, considerando-se que 13°/o da renda mé-
dia de um indivíduo é gasta em teatro, esportes e férias;
aproximadamente 7% em bebidas, cigarros e batas, e ape-
nas 2%, na religião. Isto não merece ser chamado de sa-
crifício. O judaísmo espera muito mais do que isso.
Na Lei Judaica, há um padrão de doação que nunca
foi questionado pelos nossos antecessores. "Se uma pés-
118
soa deseja cumprir o preceito de dar de todo coração,
ela deve doar a quinta parte da sua renda, para a carida-
de judaica. Da pessoa comum, exige-se a décima parte
da sua renda líquida. Aquele que doar menos que um dé-
cimo é considerado avaro" (Shulchan Aruch, Yorê Deá
249:1). Comprar um ingresso para o céu não custa pou-
co. Nosso nível de doação fica à altura das expectativas
da nossa fé, ou confiamos em boas intenções, num bom
oração judeu?
Rabi Avraham Kochev-Lcv, o falecido líder da co-
munidade chassídica de Breslav em Jerusalém, disse uma
vez que há um lugar no céu que está completamente va-
zio, com exceção de ganchos, grandes ganchos dourados.
Suspenso de cada um desses ganchos, há um coração hu-
mano, latejante. O Rabi explicou que esses são os "bons
coï ações judeus', que encontraram o seu caminho para
o céu.
Não obstante, o verdadeiro lugar de um bom cora-
ção judeu está no serviço de D-us, através das orações.
1J:; bom coração judeu é um coração devoto, que dese-
ja morar na casa do Senhor. Por mais de 2.500 anos, a
sinagoga tem sido o centro de toda a vida judaica, e o
ponto focal da comunidade judaica. A pessoa que recu-
sa a si mesma a sinagoga está se negando uma fonte cons-
tante de alimento espiritual, e uma parte vital da sua iden-
tidade. Ela também está se privando da irmandade das
centenas de gerações que fizeram da sinagoga, o seu lar.
E está se negando uma comunhão com D-us, a nascente
de todo o sentido da vida.
r
Os nossos avos e bisavôs tinham uma maxima: Es
iz shver tzu zein a yid - É difícil ser um judeu". Mas
as coisas boas da vida nunca são fáceis de conseguir, e

119
o muito fácil de ser conseguido, muitas vezes, é suspeito
de ter pouco valor. É verdade, é difícil ser judeu, mas
precisamos recordar a lição de Abraão, internalizar o cha-
mado do shofar, e estarmos preparados para o sacrifí-
cio, dando todo o nosso tempo, esforço, caridade e amor.

120
UMA CIDADE SEM MUROS

Ouvimos diversas teorias sobre as causas do anti-se-


mitismo, mas entre todas elas, uma das mais interessantes
e recentes é a apresentada pelo proeminente escritor judeu
Maurice Samuel. Ele oferece o cenário a seguir:
Uma criança diz que odeia o seu professor de hebrai-
co. Quando lhe perguntam o porquê disso, ela não conse-
gue explicar, nem sequer para si mesma. Ela pode colocar
justificativas e racionalizações para os seus sentimentos,
mas estes demonstram ser simples pretextos, e obviamen-
te, não são os motivos reais. Quando examinamos as suas
respostas e tentamos compreender as suas motivações,
achamos uma verdade surpreendente. Não é o professor
de hebraico que a desagrada, mas a escola judaica. A
criança gosta de jogar futebol e, se pudesse, jogaria to-
das as tardes da semana. Mas ela não pode, porque a es-
cola judaica é um obstáculo. Não é do professor que ela
não gosta, é de não poder participar dos jogos de fute-
bol. No seu subconsciente, a criança transfere o seu res-
sentimento contra a escola judaica, para a pessoa mais
imediatamente responsável pelo fato de ela ter de perder
121
os jogos, e ela expressa em voz alta que odeia o seu pro-
fessor de hebraico!
Maurice Samuel escreve que esta mesma transferên-
cia de ressentimento provavelmente também seja respon-
sável pelo anti-semitismo. Há dois mil anos, somente uma
proporção muito pequena das pessoas do mundo eram
judeus; a vasta maioria eram pagãos. Restam poucas dú-
vidas de que fosse muito mais fácil ser pagão, do que ser
judeu. Afinal, existe um monte de regras morais e éticas
que formam parte e constituem uma parcela do judaís-
mo, e os pagãos podiam ignorá-las, todas. Contudo,
quando a religião cristã foi fuiidada e a maioria dos po-
vos civilizados do mundo tornou-se cristã, as pessoas já
não podiam ignorar essas regras éticas. Elas já não po-
diam "jogar futebol" sempre que quisessem, porque ago-
ra tinham urna obrigação moral a manter. Exatamente
como a criança do nosso exemplo tinha ressentimento
contra o seu professor de hebraico, porque a escola ju-
daica lhe recusava a liberdade para jogar futebol, o pa-
gão, subconscientemente, tinha raiva do seu professor de
moral, que lhe negava a vida livre e fácil do gentio.
A pessoa que era responsável era Jesus, um judeu,
cujos ensinamentos, que mais tarde desenvolveram-se na
cristandade, surgiam, em última instância, dos princípios
morais judaicos. No entanto, o povo tinha medo de cul-
par Jesus abertamente. Assim, eles transferiram este res-
sentimento contra ele, para abranger a nação judaica em
sua totalidade.
Um estudo da história mostrará que os judeus real-
mente perturbavam os seus vizinhos, nos antigos tempos
pagãos. Eles não conseguiam compreender por que os ju-
deus se sentiam revoltados pelos seus exageros na bebida
e outras formas de de libertinagem, especialmente quando

122
cometidas sob o pretexto da religião. Freqüentemente,
os pagãos iam aos seus templos não para rezar ou orar,
mas para dedicar-se às orgias mais obscenas, e para
oferecer-se aos deuses, como expressão de sua adoração
religiosa. Baco nada mais era que o deus da embriaguez;
Vênus era a deusa da luxúria. O ideal pagão foi muito
bem expressado pelo poeta persa, Ornar Khayam, que es-
creveu:

Beber pinho e .fazer alegria - esse é o meu


ida,-
esquema de vida,
Não prestar atenção aos heréticos nem aos
devotos - esse é o meu credo.

Hoje em dia, este ideal está no bom caminho para


tornar-se o credo das massas. A depravação perambula
pelas ruas das nossas grandes cidades. Em Nova York,
as autoridades municipais precisaram decretar que as boa-
tes sejam fechadas antes do amanhecer, para que os tra-
balhadores honestos, a caminho das suas tarefas, não se-
jam insultados pela embriaguez e indecência universais,
exibidas sem a mínima vergonha, nestes túmulos moder-
nos de Baco e Vênus.
Sabemos que nenhum homem peca sem colocar-se
pretextos. Antes que urna pessoa possa adaptar-se a esta
sociedade impudica, ela precisa ter uma filosofia de vida
que desculpe a entrega a todos os seus desejos, e que re-
pudie todo apelo à autonegação. Essa recomendação tão
confortável, contudo, não é totalmente convincente pa-
ra o verdadeiro filósofo; o que dizer então do moralista,
pois a necessidade de autodisciplina não precisa de ne-
nhuma prova teológica? Um pouco de conhecimento da
natureza humana será o suficiente.
123
A natureza humana é boa e má. Em algum lugar do
ser humano, há um transtorno primitivo que não apenas
coloca a natureza humana contra D-us, mas também con-
tra os seus próprios interesses mais elevados.. Aqueles que
tão confiantemente invocam a filosofia desinibida da
"psicologia", costumam esquecer o efeito psicológico pri-
mário da culpa, após a pessoa ter feito alguma coisa con-
trária ao nosso próprio código moral. Eles deixam o fe-
nômeno mais importante da história humana sem expli-
cação. Não apresentam nenhuma teoria que possa dar
alguma razão ao sentido humano do certo e do errado.
Com muita freqüência, as pessoas falam de evolu-
ção e civilização, mas a certa altura do processo, elas fra-
cassam, não reconhecem o verdadeiro significado dessas
palavras. Se o ser humano tivesse sido feito para liberar
as suas inibições sempre, nem a civilização, nem a evo-
lução, seriam possíveis. De acordo com a teoria da evo-
lução, o ser humano foi capaz de evoluir de indivíduo
selvagem a Momo Sapiens, controlando aquilo que é ani-
malesco em sua natureza. Ele teve sucesso ao tornar-se
um verdadeiro ser humano, pela ênfase e o cultivo dos
elementos, no seu ser, que o tornam um homem.
Não precisamos de nenhuma revelação Divina para
ensinar-nos este simples fato. Ele pode ser deduzido por
simples lógica e senso comum: se você permite a uma
besta fazer o que ela quiser, sempre que ela quiser, não
fique surpreso se ela se virar contra você, e deixá-lo em
pedaços. O mesmo se dá com os desejos animais do ho-
mem. Se eles forem descontrolados, aniquilarão o espí-
rito do homem, e a humanidade regridirá para o paga-
nismo.
Talvez sintamos o jugo que suportamos, e talvez sin-
tamos desconforto ao reprimir nossos instintos animais,
124
mas com toda certeza, a civilização vale o esforço. Os
arautos da civilização moderna, que trouxeram ao mun-
do o conceito do autocontrole, através dos seus próprios
exemplos, foram os nossos antecessores. Os judeus da
antigüidade tinham uma filosofia de vida e um código
de ética que, unido a um espírito totalmente abrangente
da Torá, deram à sua cultura urna característica de au-
todisciplina, inclusive nos empreendimentos mais prosai-
cos. Dormir, despertar, lavar-se, vestir-se e até mesmo
as funções corporais mais básicas, todos eram atos go-
vernados pela Lei Divina. "Coloquei a D-us perante mim
o tempo a todo momento", era o lema deles. A vida era
vivida na presença de D-us.
O Talmude relata uma estória notável, que ilustra este
ideal. Rabi Akiva, um dos nossos maiores líderes religio-
sos, considerava Rabi Yehoshua como sendo um homem
com atributos Divinos, um homem de quem se podia
aprender. Uma noite, Rabi Akiva escondeu-se debaixo
da cama de Rabi Yehoshua, para ver como este se levan-
taria, vestiria e lavaria na manhã seguinte. Mais tarde,
ele relatou este incidente ao seu companheiro, Ben Azai.
Ben Azai repreendeu Rabi Akiva, perguntando-lhe co-
mo pudera fazer algo de um nível tão inferior à sua dig-
nidade como líder, algo que mostrava tamanha falta de
respeito ao sagrado Rabi Yehoshua.. Rabi Akiva respon-
deu que todas as ações humanas eram governadas pela
Lei Divina; que até mesmo as tarefas mais triviais conti-
nham a sabedoria da Torá, e que ele estava determinado
a aprender (Berachot 62a).
No século XIII, quando Rabi Yaacov ben Asher es-
creveu os seus Quatro Pilares da Lei Judaica, ele deno-
minou o primeiro Pilar, o primeiro livro, Orach Chaim,
o Estilo de Vida. O judaísmo é mais do que mera fé ou
125
filosofia. É um código contínuo de auto disciplina que
surge não de alguma coerção externa, mas da convicção
profunda.
Conta-se uma história sobre Rabi Levi Itschac de Ber-
ditchev. Uma vez, o governo russo czarista interditou a
importação de todo o tabaco de procedência turca. To-
do aquele que fosse flagrado de posse desse contraban-
do, seria severamente punido. Um dia, durante a Pás-
coa, Rabi Levi Itschac pediu aos discípulos um pouco de
tabaco turco, para o seu cachimbo. Eles se dispersaram
pelo gueto e pouco depois, voltaram com vários pacotes
de tabaco, o suficiente para encher uma lata de tamanho
grande. Em seguida, Rabi Levi Itschac disse aos seus se-
guidores que precisava de um pedaço de pão. Todos olha-
ram para ele, atônitos, e protestaram: "Mas Rabi, é Pás-
coa, e não temos pão!"
A expressão do rabi ficou mais grave. Ele repetiu,
"Eu lhes ordeno, corno seu Rabi! Procurem pelo gueto
inteiro, e me tragam um pedaço de pão". Os seus discí-
pulos percorreram todo o gueto e revistaram todas as ca-
sas, uma por uma. Muitas horas mais tarde, voltaram
para o Rabi Levi Itschac e disseram que lamentavam mui-
to, tinham passado um pente fino pelo gueto e não ti-
nham conseguido achar nem uma pequena crosta de pão.
Então, Rabi Levi Itschac levantou o olhar e disse:
"Mestre do Universo, vê como os Teus filhos são fiéis.
O Czar tem centenas de soldados, polícia e agentes pro-
tegendo as suas fronteiras, vigiando para que nenhum ta-
baco turco entre neste pais, e no entanto, em poucos mi-
nutos, posso obter todo o tabaco que eu quiser. Mas Tu,
ó D-us, somente uma vez deste aos Teus filhos um man-
damento, não ter pão nas suas casas durante a Páscoa,
e até hoje, não é possível achar nem uma migalha".
126
Este conceito da disciplina interna era tão incom-
preensível para o pagão da antigüidade, como atualmente
o é, para o pagão moderno, seja ele judeu, ou de outra
crença. Os antigos gregos ou romanos não tinham ma-
neira de compreender a profunda sede de Divino que
mantinha viva esta autodisciplina. Eles ridicularizavam
os antigos judeus, mas os seus julgamentos de valor eram
muito duvidosos. Os romanos podem ter crucificado pes-
soas vivas em cruzes de madeira, em nome da justiça,
mas eles ficaram horrorizados perante a prática judaica
da circuncisão. Eles ofereciam escravos indefesos contra
animais selvagens, por pura diversão, mas chamavam os
judeus de bárbaros, porque estes celebravam a liberdade
do homem da escravidão, na Páscoa. Os antigos patrões
obrigavam homens e animais a trabalharem sete dias na
semana, sem piedade, até desmaiarem de exaustão, e en-
caravam com desdém nosso Shabat, que proporcionava
descanso para todos por igual, o homem livre e o escra-
vo. Se uma criança nascesse com um rosto ou nariz que
não fosse do agrado dos seus pais, os "graciosos" gre-
gos expunham a criança à morte, e davam risada dos ju-
deus "sem graça", que rechaçavam este costume. Os an-
tigos judeus não consideravam a luxúria animal como a
forma mais nobre do amor humano. Eles colocavam o
dever para com D-us acima dos prazeres do homem. Por
causa disto, os antigos gregos e romanos desprezavam
os judeus, como se fossem bárbaros.
O mesmo acontece hoje, com o pagão moderno. Ele
passa as suas horas sentado em frente da televisão, co-
mo se ela fosse o ídolo da família, e engole tranqüilizan-
tes, como quem mastiga pipoca. Não obstante, ele olha
com desprezo para o judeu autodiscipli nado e observan-
te, e o chama de fanático. Mas é exatamente este auto-
controle que torna o homem um ser humano civilizado.

127
"Como uma cidade que foi destruída e não tem mu-
ros, assim é o homem que não tem controle sobre o seu
espírito" (Provérbios 25:28). Liberar as inibições do ho-
mem equivale a libertar as suas paixões; e se libertarmos
todas as paixões do ser humano, estaremos destruindo
a raça humana. Haveremos de anular o pouco de civili-
zação que ainda temos; perderemos o que foi tão difícil
de conquistar para tão grande número de gerações de dis-
ciplina e autonegação. Se fizermos tudo o que quisermos,
dentro de um ou dois séculos ficaremos reduzidos a ho-
tentotes e canibais, ou seremos apagados da face da ter-
ra, num holocausto nuclear.
Contudo, através das eras, os nossos professores fo-
ram percebendo que é necessário algo mais, para que o
homem se torne um ser perfeito. Depois de ter sujeitado
a paixão à razão, a pessoa precisa submeter a paixão e
a razão, ambas, a D-us. Somente então, ela pode ocupar
a sua posição legítima na criação. O homem não é um
simples animal; ele nem sequer é apenas um homem. O
homem é urna criação de D-us e ele não pode ser plena-
mente si mesmo, a menos que o racional vença sobre o
animal, e que tanto o racional, quanto o animal, reco-
nheçam a sua obediência ao Divino.

128
VALE A PENA SALVAR
O JUDAÍSMO?

E quanto a A'tiin, este é o !t'íeu pacto com


eles, diz o Senhor.- Meu espírito, que está aci-
ma de vós, e Minhas palavras, que coloquei
na vossa boca, não haverão de se afastar das
vossas bocas, nem das bocas dos vossosfï-
(hos, nem das bocas dos vossos netos, diz o
Senhor, nem agora nem nunca.

/saias 59:21)

É comum que os judeus expressem o seu orgulho de


serem judeus. "Eu tenho orgulho de ser judeu", é um
lema comum. Uma vez, ouvi falar sobre um rabino que
era um pouco cético a respeito disso, e assim, ele utiliza-
va um"detector de mentiras" escondido debaixo da man-
ga, para determinar se as pessoas estavam de fato sendo
sinceras, quando lhe diziam ter orgulho de serem judeus.
Se durante o curso da conversa com o rabino, uma pes-
soa declarava "Eu sou judeu, e me orgulho disso!", o
rabino tinha uma resposta padrão: "Eu fico contente por
você ter orgulho de ser judeu, porque sem dúvida você
tem toda a aparência de um judeu!" Primeiro, a pessoa

129
olhava para o rabino, para ver se ele estava só brincan-
do. Quando ela percebia que ele estava falando sério, ela
ficava vermelha, constrangida, e emitia um risinho oco.
Talvez ela tivesse orgulho de ser judia, pelo menos isso
era o que ela dizia, mas com certeza, ela não estava mui-
to orgulhosa de ter aparência de judia. Esta cena repetia-
se indefinidamente.
Se uma pessoa não gosta da sua aparência, então
provavelmente ela não se gosta do jeito que ela é. A
auto-imagem física de um ser humano é um dado muito
revelador da totalidade da sua auto-imagem. O pequeno
experimento do rabino parece mostrar que muitos judeus
não gostam muito de si mesmos.Não importa o que di-
gam, bem no fundo, eles se sentem infelizes por serem
judeus. E se este for o caso, ele levanta urna questão muito
legítima: Vale a pena salvar o judaísmo?
Muitos jovens judeus estão se fazendo exatamente es-
ta pergunta. Enquanto a geração anterior pergunta se o
judaísmo sobrevivirá, a geração mais nova se pergunta
se ele deveria sobreviver. O judaísmo é digno de ser sal-
vo? A maioria das barreiras entre as religiões foi derru-
bada; eles vêem pouca diferença entre os seus amigos ju-
deus e os seus amigos não-judeus. Muitos dos nossos jo-
vens abandonaram o judaísmo sem nenhum escrúpulo,
e muitos casam-se fora da fé, sem o mínimo sentimento
de culpa.
O problema se torna especialmente agudo na área dos
casamentos mistos. Muitos jovens, todos eles muito apai-
xonados, me pediram para casá-los. Quando um casal
misto, um judeu e um cristão, vem a mim, apesar de eu
compreender aquilo que eles estão passando, vejo-me
obrigado a responder, com grande tristeza, que não pos-
so celebrar a cerimônia. Quando eles me perguntam por
130
que o judaísmo não reconheceria o seu amor mútuo, eu
lhes digo, honestamente, que é uma questão de lei reli-
giosa judaica. O judaísmo não reconhece a existência do
casamento entre um judeu e um não-judeu de nenhuma
maneira, forma ou jeito.
Algumas vezes, eles insistem: "E se nós conseguir-
mos que outro rabino faça a cerimônia?", me pergun-
tam. Eu digo a eles que nem todas as cerimônias do mun-
do poderiam legitimar uma união dessas. A lei judaica
consideraria um casal assim, como não sendo casado; eles
estariam vivendo em pecado. Quando me perguntam co-
mo o judaísmo pode ser tão cheio de preconceito, a mi-
nha resposta - a única resposta - é que o povo judeu
sempre foi urna minoria muito pequena; se os casamen-
tos mistos fossem permitidos livremente, o judaísmo não
poderia ter mantido a sua identidade e teria se esfuma-
do, há muito tempo. Invariavelmente, este casal que es-
tá tão pessoalmente afetado pela minha afirmação me faz
algumas perguntas muito específicas: E desejável que o
judaísmo exista como uma entidade separada, à parte do
mundo não-judaico? Não seria melhor que tivéssemos um
só mundo, uma só religião? Se realmente acreditamos na
igualdade e irmandade de todos os seres humanos, por
que temos de ficar separados por barreiras religiosas?
Responder a essas perguntas é realmente muito difí-
cil, porque apesar de entendê-las, não as internalizamos.
Estas perguntas não são resultado da nossa experiência.
O judaísmo tem implicações emocionais muito fortes para
nós, e nós temos um interesse muito grande na sobrevi-
vência judaica. Ainda nos lembramos dos nossos avôs;
atravessamos um dos momentos mais trágicos da histó-
ria, e alguns dos mais gloriosos, também. Outrossim, o
judaísmo tem muitas lições para ensinar, além daquelas
131
sobre D-us.. O judaísmo tem urna história, urna cultura,
e pelo menos um idioma de interesse. Ele tem uma pá-
tria, instituições, e organizações. O judaísmo tem urna
dimensão étnica muito forte. O judaísmo pode até ser
experimentado em. termos de emoção e nostalgia, numa
dimensão estética. De fato, houve muitos escritores que
tiveram grande sucesso, ou assim parece, justificando o
judaísmo sem nenhuma base teológica, em absoluto. Por-
tanto, nossa resposta imediata é: E claro, o judaísmo de-
veria sobreviver! E claro, o judaísmo é digno de ser sal-
vo! Surpreende-nos até que essas perguntas sejam feitas.
Todavia, nem todos os jovens judeus compartilham
esses laços. Muitos deles não estão interessados na nossa
organização tribal emocional. Eles estão à procura de uma
resposta lógica que seja significativa para eles, e relevante
para os seus problemas. Portanto, precisamos colocar a
pergunta, como problema moral. Antes de formularmos
a pergunta, de se o judaísmo deveria ou não sobreviver,
temos de motivar os nossos jovens a enfocar outras per-
guntas relativas ao assunto: O judaísmo é bom? O ju-
daísmo vale a pena? Ele tem alguma coisa para oferecer
ao mundo? E, mais importante ainda, ele ainda tem al-
guma coisa para oferecer ao judeu? Somente depois dis-
so, podemos perguntar qual responsabilidade, se houver
alguma, o judeu tem de preservar a sua fé.
Poderia argumentar-se que os judeus são devedores
ao seu passado, e aos milhões de mártires que deram as
suas vidas para o judaísmo. Como se pode abandonar
uma fé à qual tantas pessoas deram suas vidas, para
preservá-la? A carga emocional deste argumento é tão
grande, que é fácil perder de vista a sua fraqueza lógica.
Somente vidas não tornam uma causa válida. Pessoas
também morreram por causas sem valor nenhum, e até
132
mesmo por causas ruins. Houve pessoas que deram as
suas vidas pelo nazismo, pelo comunismo, e para pre-
servar a escravidão no sul. Mas nenhum de nós conside-
raria que essas causas merecem morrer por elas, lutar por
elas, ou serem salvas.
Ao examinar o passado, percebemos que a causa do
judaísmo tem tanto para oferecer aos judeus e ao mun-
do_. O judaísmo deu ao mundo a Bíblia e a ética judaico-
cristã, produzindo a cultura mais bem-sucedida da face
da terra. Porém, insistir que o judaísmo merece sobrevi-
ver por causa das suas realizações do passado, é um ar-
gumento sem validade. Um velho poderia afirmar que
merece viver para sempre, por causa do muito que ele
fez na juventude? De fato, muitas culturas fizeram gran-
des contribuições para a civilização, e depois, acabaram-
se. Deveríamos nós revivê-las e preservá-las também?
Alguns podem argumentar que o judaísmo merece
consideração especial, pois a sua contribuição foi única.
A Bíblia deu ao mundo o sistema ético mais feliz, não
uma peça de museu, mas uma parte vibrante da cultura
mundial. Não obstante, isso também não é argumento
válido para a sobrevivência judaica. Afinal, para tirar
proveito da Bíblia, uma pessoa nem sequer precisa ser
judia!
Com efeito, há argumentos emocionais muito fortes
para a sobrevivência dos judeus, mas os argumentos ló-
gicos são muito mais ilusórios, indefiníveis. Voltamo-nos
para os nossos grandes pensadores e filosófos da anti-
güidade que, com certeza, refletiram sobre este proble-
ma. Enquanto sondamos os seus vastos textos para achar
unia resposta, é surpreendente descobrir que esta ques-
tão jamais incomodou os judeus. Eles acreditavam fir-
memente em D-us, e que D-us tinha uma missão especial

133
para os judeus, que duraria pelo resto dos tempos. Os
nossos sábios não perguntavam: O judaísmo deve sobre-
viver? Se D-us queria que ele sobrevivesse, com toda cer-
teza ele iria sobreviver. A crença em D-us e a crença no
judaísmo sempre foram sinônimos.
Contudo, o problema está nisso mesmo. Um núme-
ro excessivamente grande de judeus não tem um compro-
misso muito sólido com D-us. Raramente Ele é levado
em conta, nas coisas do dia a dia. Uma pessoa pode di-
zer que acredita em D-us, mas é tido como ingenuidade
levar D-us a sério nas questões "práticas". Como a so-
brevivência dos judeus é um assunto muito prático, as
pessoas sentem que D-us tem de ser deixado fora disso.
As dimensões teológicas do judaísmo são exatamente
aquelas que são levadas menos a sério. Mas há uma coi-
sa que deve ser lembrada: o judaísmo está enraizado nu-
ma certa maneira de olhar o mundo. Elimine esta ma-
neira de encarar as coisas, e, à luz fria da objetividade,
o judaísmo se torna sem sentido. A sua história, simples-
mente uma relíquia, uma peça de museu. Se você rejeita
as lembranças e as emoções, não há motivo lógico para
a existência do judaísmo. Se o judaísmo tem de ser justi-
ficado, ele precisa incluir a D-us. Sem Ele, o judaísmo
é só tribalismo. Se vale a pena salvar o judaísmo, ele tem
de ser um judaísmo vivo, com uma filosofia para o mun-
do, profundamente enraizada no D-us de Israel.
O judaísmo não só oferece significado para o pre-
sente, mas também unia promessa para o futuro, a pro-
messa messiânica feita por um D-us sobrenatural, de ma-
neira completamente sobrenatural. É uma promessa que
faz voar a imaginação, o pulso bater um pouco mais rá-
pido, que faz do judaísmo a idéia mais significativa de
todas as que existem. É a promessa de D-us de que o mun-

134
do se tornará um lugar melhor; guerra e luta, injustiça
e opressão desaparecerão. Haverá um mundo novo, e os
judeus serão os fazedores deste mundo novo. Um gran-
de espírito profético, similar àquele sob o qual foi dado
o espírito da Bíblia, haverá de voltar, quando todos os
judeus estiverem novamente vivendo em Israel, em paz.
Quem está melhor qualificado para ensinar os ideais
messiânicos ao mundo, do que o judeu? Quem está me-
lhor equipado para ensinar a paz ao mundo, do que os
judeus, que ficaram sem exército por mais de 1.800 anos?
Quem está melhor preparado para ensinar a justiça ao
mundo, do que os judeus, que mantiveram a justiça no
plano mais elevado, durante toda a sua existência? Quem
está melhor equipado para ensinar ao mundo a fraterni-
dade, do que os judeus, que pregaram a fraternidade ati-
vamente, numa era em que a igualdade dos homens era
quase desconhecida? Quem está melhor equipado para
construir um mundo novo, do que os judeus, que sem-
pre pregaram que D-us fará um mundo novo e melhor?
Um judaísmo que está profundamente enraizado no D-us
de Israel tem muito a ensinar ao mundo.
O Talmude nos ensina que há três períodos princi-
pais na história judaica. O primeiro período, de Abraão
até a destruição do Segundo Templo em 70 da era cristã,
é chamado período bíblico, período em que o judaísmo
revelou os seus grandes ensinamentos universais para o
mundo inteiro. Na época, esses ensinamentos eram da-
dos ao mundo através do cristianismo e do islamismo.
O segundo período abrange desde a destruição do Segun-
do Templo, até o retorno dos judeus a Israel. Esse foi
o período talmúdico, período no qual o judaísmo reco-
lheu-se dentro de si mesmo, para construir um grande
tesouro de força e ideologia interna. Agora, estamos nos

135
aproximando do terceiro período, a era Messiânica, quan-
do mais uma vez os judeus irão ficar em seu próprio pais,
prontos para proclamar a sua mensagem universal ao
mundo.
No primeiro estágio, o judaísmo era um réptil, co-
mendo à vontade, da árvore da vida. No segundo perío-
do, o judaísmo retraiu-se para o casulo da auto-realiza-
ção. Agora, a borboleta está se preparando para emer-
gir, e elevar-se às maiores alturas, para levar o resto do
mundo junto com ela.
Vale a pena salvar o judaísmo? Não. Não, enquanto
sintamos a obrigação de formular a pergunta. Mas com
a ajuda de D-us, o judaísmo existirá. E no plano de D-us,
o judaísmo precisa existir. Com efeito, ele demonstrará
que é a coisa mais importante que já aconteceu no mundo.

136
A RESISTÊNCIA À
GUERRA NA LEI JUDAICA

Recentemente, a ética do pacifismo e da resistência


às guerras, por parte dos judeus, tornou-se um tema de
intensos debates. Contudo, a maioria desses debates fo-
caliza princípios morais gerais, onde tradicionalmente o
judaísmo tem permitido uma ampla gama de opiniões.
Pode-se argumentar, com razão, que grande parte disso
seja questão de interpretação pessoal e que a guerra, sob
determinadas circunstâncias, seja tão defensível no ju-
daísmo, quanto uma posição pacifista.
A única norma à qual o judaísmo clássico concede
autoridade inequívoca é a da Haiachá, a lei religiosa ju-
daica, onde podem citar-se afirmações não ambíguas, e
precedentes morais. Como no caso da lei secular, a pes-
soa que produz uma decisão ainda tem um poder consi-
derável de aplicar a lei a um caso particular, mas as des-
cobertas de urna autoridade haláchica têm a força de um
ensinamento básico do judaísmo.
A principal questão haláchica contida em qualquer
discussão sobre a guerra é a do extermínio da vida hu-
mana. O judaísmo proíbe matar, nos termos mais fortes,

137
considerando a morte como o pior dos pecados. O as-
sassino faz parte da lista dos eternamente malditos, co-
mo dizem as Escrituras: "Um homem carregado com o
sangue de qualquer pessoa apressará os seus passos para
o inferno, e ninguém o apoiará" (Provérbios 28:17). O
Talmude chega até ci ponto de declarar que o motivo prin-
cipal de a história dê Adão estar incluída na Torá é ensi-
nar-nos que a humanidade começou por uma única vida
e portanto, tirar a vida de uma única pessoa é equivalen-
te à destruição de um mundo inteiro.
O assassinato é um dos três pecados cardeais que não
podem ser violados, nem mesmo para salvar uma vida,
sendo que os outros dois são a idolatria e o incesto. Mai-
mônides escreve que, dos três pecados fundamentais, o
assassinato é o pior, pois é um mal pelo qual não se po-
de jamais pedir o perdão da vítima. Tão grande é o pe-
cado de tirar a vida de um inocente, que não é permitido
matar nem sequer um único ser humano, para salvar as
vidas de todos os que formam uma comunidade.
Não obstante, há quatro casos em que a Ha/achd per-
mite eliminar uma vida humana. São autodefesa, defesa
de uma vida inocente, penalidades impostas pelos tribu-
nais, e guerra.
Apesar de o judaísmo ensinar que não se pode ma-
tar uma pessoa inocente para salvar outra, esta regra não
se aplica no caso da autodefesa. Quando uma pessoa ata-
ca outra, ela é considerada pela lei como assaltante, e co-
mo já não é mais uma "pessoa inocente", pode ser morta
por causa de autodefesa. De conformidade com isto, o
Taimude nos ensina: "Se alguém vier te matar, levanta-te
e mate-o primeiro".
Exatamente como a Halachá permite matar por au-
todefesa, eia exige que uma pessoa utilize todos os meios
138
necessários, para impedir a morte de uma pessoa inocente,
mesmo que isto signifique matar o assaltante. Porém, ma-
tar é o último recurso, absolutamente, e somente é per-
mitido se todos os outros meios já foram esgotados, ou
eliminados, por serem impossíveis. Mesmo assim, isto não
deixa de ser um verdadeiro assassinato.
O terceiro caso no qual se permite tirar a vida huma-
na é na execução das penas de morte prescritas pela To-
rã, para serem executadas pelos tribunais. Ficava restrin-
gido às cortes de justiça nomeadas pelo Sanhedrin, a su-
prema corte e a legislatura do povo judeu. Não obstan-
te, a pena capital foi abolida pelas cortes judaicas no ano
30 da era cristã, e desde então, nenhum corpo religioso
tinha o direito de tomar nenhuma decisão, em nenhum
caso de vida e morte. Mesmo quando estavam em vigor,
essas penalidades eram consideradas, primariamente,
"leis dos livros", projetadas para dissuadir criminosos
em potencial. Na prática, elas quase nunca eram imple-
mentadas. De fato, o Talmude nos relata que toda e qual-
quer corte de justiça que tivesse se utilizado da pena de
morte com a freqüência de uma vez no lapso de setenta
anos, era considerada sangrenta. Por último, quando o
número de criminosos cresceu tanto que a pena de mor-
te se tornou inevitável, ela foi abolida, completamente.
Outro fator que mitigava a existência de uma pena
de morte no judaísmo era o rigor das regras das provas
para os casos da pena capital, que tornavam virtualmente
impossível para as cortes chegar a um veredicto de culpa.
Com efeito, algumas autoridades talmúdicas eram a fa-
vor de fazer das regras das provas algo tão coercitivo,
que de fato, abolisse a pena de morte completamente.
Como fator mitigador adicional, as penas de morte não
eram administradas por verdugos profissionais, mas pelas

139
testemunhas de princípio no caso, dessa forma dissua-
dindo-as de testemunhar, a menos que as provas exigis-
sem, esmagadoramente, tal punição.
O caso final no qual a morte de um indivíduo é permi-
tida é em tempo de guerra. Todavia, é muito importante
distinguir entre guerra e defesa coletiva ou mútua. A 1/a-
lac/zá, no que se refere à defesa coletiva, é apenas uma ex-
tensão do concernente à defesa individual. Assim como um
indivíduo pode matar o seu atacante em defesa própria, os
habitantes de uma cidade ou nação podem lutar e matar
os membros de uma força agressiva, para salvar as próprias
vidas. De maneira semelhante, cidadãos de uma terceira
cidade ou nação podem lutar e matar os membros de uma
força de ataque, para salvar as vidas do povo sitiado. Nesses
casos, cada membro individual do exército atacante é con-
siderado assaltante, e pode ser morto da mesma maneira
que um agressor contra um indivíduo.
A guerra é uma situação totalmente diferente. No ca-
so da guerra, os membros do exército inimigo são mortos,
mesmo não estando ativamente envolvidos no ataque. En-
quanto na defesa de um grupo, somente pode utilizar-se
a força necessária para salvar vidas, a guerra envolve vio-
lência muito além desta medida. Na defesa de um gru-
po, não se pode punir o assaltante após tê-lo submetido,
nem vingar-se da sua pessoa, família ou propriedade, nem
empregar violência desnecessária contra ele, o seu terri-
tório, ou a sua comunidade. Pelo contrário, na guerra
há um padrão completamente diferente, pelo qual um
grupo é rotulado de inimigo, e dentro das regras de guer-
ra, pode empregar-se toda força e violência contra este
grupo, para submetê-lo e obrigá-lo a se render.
Historicamente, o judaísmo parece ter perdoado e até
encorajado a guerra. O judaísmo clássico fala de dois ti-
140
pos de guerra: Milcheinet Reshul, guerra permitida, e Mil-
chemei Mitsvó, guerra compulsória. Contudo, é impor-
tante notar que uma das principais autoridades haláchi-
cas, Rabino Yecheskel Landau, escreve que hoje em dia
não existem condições que possibilitariam, de modo al-
gum, um desses dois tipos de guerra. Não obstante, es-
ses dois tipos de guerra merecem um estudo cuidadoso.
A guerra compulsória inclui basicamente as duas guer-
ras prescritas pela Torá, a saber, a guerra contra ama-
Iec, e a guerra de conquista, quando os israelitas entra-
ram em Canaã. Ambas as guerras foram consideradas
obrigações religiosas do povo judeu como um todo, e enu-
meradas entre os 613 mandamentos da Torá.
Por causa da existência de um mandamento Divino
de empreender uma guerra, muitas pessoas chegaram à
conclusão de que o judaísmo ensina que guerra e vingança
são virtudes, e que as guerras religiosas, ou santas, são
perdoadas pela Torá. À primeira vista, esta afirmação
parece ter um apoio sólido, e de fato, ambos esses man-
damentos parecem manifestamente genocídios, por na-
tureza. No que diz respeito à guerra contra os nativos
canaanitas, a Torá afirma: "Quando o Senhor vosso D-us
entregá-los ao vosso poder e vós os vencerdes, devereis
destruí-los totalmente - não fareis nenhum tratado com
eles, nem lhes mostrareis piedade" (Deuteronômio 7:2).
De modo semelhante, em relação a arnalec, lemos:
"Quando o Senhor vosso D-us vos der paz de todos os
inimigos que vos rodeiam, na terra que Ele vos está dan-
do, então havereis de apagar a memória de amaiec da-
qui, debaixo do céu - não esquecereis" (ibid., 25:19).
Mas esses mandamentos não são os genocídios que podem
parecer à primeira vista, pois eles são mitigados por um
terceiro mandamento: "Quando avançardes sobre uma
141
cidade para ataca-la, primeiro devereis fazer a eles uma
oferta de paz. Se a cidade aceitar esta oferta de paz e vos
abrir os seus portões, então todos os seus habitantes ren-
der-se-ão e serão subjugados por vós" (ibid., 20: 10,11).
De acordo com a maioria das autoridades haláchicas, este
mandamento aplica-se inclusive à guerra contra amalec
e os canaanitas, e portanto, até estes inimigos têm a op-
ção de procurar paz e rendição. Logo, tais guerras não
tinham caráter de genocídio por natureza, e como indica
Nachmâni.des, com base em numerosas fontes bíblicas,
na realidade, as nações nunca foram destruidas.
A própria existência dos mandamentos Divinos, de
empreender a guerra, levanti mais uma questão impor-
tante. No que diz respeito às guerras e às vidas huma-
nas, não se pode confiar no julgamento humano, por si
só; a decisão concernente a essas guerras de preempção
deve basear-se num mandamento Divino. O próprio fa-
to de a Torá determinar essas guerras indica que as con-
sidera de urna importância histórica esmagadora, para
a sobrevivência do povo judeu em si mesma, e para a ci-
vilização como um todo (Deuteronômio 7:4). Exatamente
a mesma Lei que nos ordenava não matar, ferir o nosso
semelhante, nem vingar-nos dele, foi a mesma Lei que
determinou a obrigatoriedade' dessas leis. Esses dois ca-
sos foram exceções singulares à regra de que a guerra é
pecaminosa e proibida, e portanto, eles não implicam que
a Torá perdoe ou encoraje a guerra, de modo algum. Fi-
nalmente, o conceito de guerra religiosa ou guerra santa
foi contrário à própria semente dos ensinamentos judai-
cos, através de toda a nossa história.
A terceira categoria de guerra compulsória é a guerra
da autodefesa. No entanto, na realidade, essa guerra é
autodefesa coletiva, como indica Rabi Yehuda Gershoni,
142
e portanto as suas regras seguem as da defesa individual,
não as de a guerra. O principal motivo da guerra autode-
fensiva ser incluída junto com a guerra compulsória e per-
mitida era que ela podia ser empreendida sem prévia con-
sulta ao Sanhedrin, como podiam ser empreendidas as
guerras envolvendo amalec e os canaanitas. E neste pon-
to que achamos a maior diferença entre guerra compul-
sória e guerra permitida. Uma guerra permitida somente
podia ser travada se fosse desculpada pelo Sanhedrin, en-
quanto que a guerra compulsória era determinada pela
própria Torá, e não exigia outra autoridade além da Torá.
O Sanhedrin era um corpo formado por setenta lide-
res religiosos, cuja autoridade para interpretar a legisla-
ção religiosa e moral é prescrita pela própria Torá. Em
sua autoridade interpretativa, era o equivalente religio-
so da Suprema Corte americana, cuja interpretação da
Constituição, por mais forçada que fosse, é legalmente
a lei do país. A autoridade legislativa do Sanhedrin lhe
deu poder não só para legislar em todas as áreas da lei,
mas também de anular qualquer lei religiosa ou moral.
Foi este poder final que capacitou o Sanhedrin - e
somente o Sanhedrin - para declarar uma guerra que
não tinha sido especificamente ordenada pela Torá. A
guerra é intrinsecarnente proibida pela lei religiosa. Por-
tanto, ela somente podia ser empreendida quando esta
lei fosse temporariamente suspensa pelo Sanhedrin. Ao
declarar a guerra, o Sanhedrin precisava suspender pro-
visoriamente muitos mandamentos, inclusive os que proí-
bem o assassinato, os ferimentos e a destruição da pro-
priedade. Contudo, mesmo quando urna guerra é decla-
rada, a Torá exige que se façam todos os esforços possí-
veis para evitar mortes, inclusive do inimigo. Em primeiro
lugar, devem explorar-se todos os meios de negociação
143
pacífica. Em segundo, é proibido cercar completamente
o inimigo, deve-se permitir-lhe um caminho para a fuga.
Assim, mesmo que a guerra seja permitida, a morte so-
mente o é quando já não resta nenhuma outra alternativa.
Como a decisão final sobre a guerra cabe exclusiva.-
mente ao Sanhedrin, autoridade religiosa e moral do po-
vo judeu, a permissão para empreender a guerra é con-
cedida exclusivamente com base em princípios morais e
éticos. Porém, desde que o Sanhedrin cessou de existir,
a nenhum corpo institucional dentro do judaísmo cabe
a autoridade de desculpar ou permitir uma guerra.
Tudo isto sugere que a um judeu seja proibido lutar
em toda e qualquer guerra, hoje em dia. A única exce-
ção possível seria um caso de autodefesa coletiva evidente.
Portanto, um judeu é, por definição, um opositor cons-
ciente, ou seja, aquele a quem é proibido lugar e matar,
com base nas suas crenças religiosas.
Isto conta com o apoio do exemplo histórico. Os ju-
deus são o único grupo da existência que ficaram 1.800
anos sem nenhum exército, e durante a maior parte des-
se período, a maioria dos seus membros simplesmente
nunca portavam armas. A tradição pacifista do judaís-
mo foi demonstrada nas épocas das perseguições e dos
pogroms, quando, por tradição, os judeus abstiveram-
se da violência, mesmo para autodefesa.
Há algumas autoridades duvidosas que afirmam que
temos o dever de obedecer à lei do país, mesmo que isso
exija lutar e matar. De modo geral, este argumento tem
base no decreto talmúdico, Dma DeMaichuta Dma - A
lei do governo é lei. Porém, tanto o contexto talmúdico
desta regra, quanto a opinião da maioria dos comenta-
ristas, indicam que esta afirmação apenas significa que
formas legais instituídas pelo governo secular são reco-
144
nhecidas pela lei judaica. Outrossim, os halachistas têm
o cuidado de salientar que não há obrigação de obedecer
à lei civil, quando ela realmente se opõe à lei religiosa.
Muito pelo contrário, o judaísmo exige que façamos uma
oposição ativa aos decretos governamentais que nos man-
dam violar urna lei religiosa, por mais trivial que seja,
e que temos de colocar nossas vidas à disposição de uma
causa, se necessário for, num caso assim. Isto é particu-
larmente verdadeiro no concernente ao assassinato, in-
clusive na guerra, pois a lei religiosa exige que demos a
nossa vida, em vez de matar.
Há outro ponto estreitamente ligado a esta questão,
que merece consideração. Se um rabino tivesse de deci-
dir que urna pessoa tem o dever de lutar pelo seu pais,
então esse rabino estaria produzindo urna decisão que po-
deria resultar na morte de outra pessoa. E, como deter-
mina outro principio importante, Ain danin diney nafa-
shot bazman hazé - Nenhuma autoridade atual tem o
direito de julgar um caso onde houver vida humana en-
volvida. Como escreve o Rabi Yoel Teitelbaum, aquele
que produz uma decisão cuja conseqüência é a perda de
uma única vida humana já é culpado de assassinato (Kun-
tres A / HaGueulá Veal Ha Temurá, n 1 . 44, pág. 85).
Alguns argumentam que a proibição contra eliminar
uma vida humana não se aplica à guerra, pois todo sol-
dado, no campo de batalha, está lutando em defesa pró-
pria. Porém, há outro conceito haláchico envolvido nes-
ta questão. Uma pessoa que tem urna oportunidade de
evitar uma situação onde possa ser forçada a cometer pe-
cado, e não aproveita esta oportunidade, é plenamente
responsável pelas suas ações, mesmo que tenha sido for-
çada a pecar naquela ocasião. Se alguém tivesse podido
evitar, para começar, o fato de encontrar-se no campo
145
de batalha, o fato da sua vida correr perigo não o isenta
da responsabilidade moral de matar.
Mesmo que uma pessoa decidisse não matar, ainda
assim, ela seria proibida de comparecer no campo de ba-
talha. A sua própria presença é, de fato, urna provoca-
ção para o inimigo atacar e matar; ao provocar outro a
Pecar, uma pessoa é moralmente responsável pelo seu ato.
Achamos um exemplo interessante disto no Talmude, on-
de aprendemos que um pai não pode bater no seu filho
adulto, pois isto provoca a reação do filho, e a decor-
rente violação da honra e respeito devidos a um pai. O
pai que viola esta regra é culpado de violar o mandamento
"Não colocarás um obstáculo perante o cego" (Levítico
19:14), que, de acordo com a tradição, refere-se prima-
riamente aos moralmente cegos. O mesmo seria válido
para uma pessoa que provoca um soldado inimigo, pelo
seu comparecimento no campo de batalha. Outrossim,
ele ficaria incluso na terrível maldição "Maldito seja
aquele que faz com que os cegos percam o seu caminho"
(Deuteronôrnjo 27:18).
O mesmo mandamento também proíbe que uma pes-
soa seja cúmplice de qualquer pecado. A lei talmúdica
nos ensina que uma pessoa que faz outra pecar compar-
tilha da responsabilidade legal pelo ato, e portanto, é proi-
bido até mesmo encorajar verbalmente uma pessoa a fa-
zer o mal. Portanto, onde a guerra for proibida, preci-
samos controlar-nos da tentação de darmos apoio ao es-
forço de guerra.
Todavia, a Torá exige muito mais que não-apoio pas-
sivo do mal. Há um mandamento que nos ordena levan-
tar a voz e protestar contra o mal, com base nas Escritu-
ras, "Repreenderás o teu povo com segurança, e assim
não carregarás o seu pecado" (Levítico 19:17). Além dis-
146
so, quando há vidas humanas envolvidas, aquele que não
fizer tudo que estiver ao seu alcance para impedir a mor-
te, é culpado de violar o mandamento "Não ficarás sem
nada fazer perante o sangue do teu semelhante" (ibid.,
19:16). E a pessoa que não tentar por todos os meios im-
pedir o mal moral, também é incluída na maldição bíblica
"Maldito seja o homem que não sustenta todas as pala-
vras desta lei" (Deuteronômio 27:26). Mesmo que pare-
ça fútil, ainda precisamos protestar, como foi dito ao pro-
feta Ezequiel, "Se não advertires o mau de que ele deve
renunciar às suas maneiras ruins e assim salvar a vida,
a culpa será dele; ele há de morrer por causa do mal que
fez, mas D-us exigirá o sangue dele, na tua mão. Mas
se o tiveres advertido, e ele persistir nas suas maneiras
crueis e más, então ele deverá morrer também por causa
do mal que ele fez, mas tu terás salvo a tua própria al-
ma" (Ezequiel 3:18-19). Em nosso contexto, todos esses
mandamentos exigiriam o nosso protesto, a nossa denún-
cia e a nossa demonstração contra a guerra e a morte,
em todas as suas formas.
Portanto, vemos que um estudo cuidadoso da Haia-
chá, a lei religiosa judaica, indica sem ambigüidades que
a guerra é proibida, e que matar, mesmo na guerra, na-
da mais é do que assassinato. A única exceção possível
é a defesa das instituições, mas mesmo assim, toda mor-
te que não seja absolutamente necessária é considerada
como assassinato. Outrossim, a guerra não pode ser
apoiada por palavras ou por fatos, e deve ser combati-
da, até onde seja possível.

147
-
O HIATO ENTRE
AS GERAÇÕES

Olhai, eu vos mandarei Elias o profeta, an-


tes da chegada do grande e terrível dia do
Senhor. E ele voltará o coração dos pais pa-
ra as crianças, e o coração das crianças para
os seus pais, se não eu virei e aniquilarei a
terra com destruição total.

'Mala quias 3.23-24)

Muito já foi dito sobre o hiato entre gerações, sobre


adolescentes e estudantes de universidade que já não se
comunicam com os seus pais, sobre pais que perderam
contato com os seus filhos. O hiato entre gerações não
é um fenômeno novo. Sócrates falava sobre ele, há 2.400
anos, e o tema é repetido através da história. O motivo
é evidente: um jovem de dezesseis ou vinte anos não vê
as coisas da mesma forma que um adulto de quarenta
ou cinqüenta anos de idade. Ambos têm ideais e proble-
mas diferentes. Sempre haverá um hiato entre gerações.
Até agora, o hiato entre gerações não teve conseqüên-
cias graves, porque as crianças cresciam num ambiente

149
muito parecido com o dos pais. À medida que iam cres-
cendo, descobriam que tinham regenerado os valores dos
seus pais. O hiato entre gerações não apresentava maio-
res problemas, porque não havia hiato de regeneração.
Hoje em dia, a situação é diferente. O meio ambiente on-
de nossos filhos crescem é quase totalmente diferente do
dos seus pais. A geração dos pais de hoje cresceu num
mundo que nada sabia sobre coisas tão comuns quanto
televisão, aviões a jato, bombas nucleares, raio laser,
computadores, números de identidade despersonalizados,
ou movimentos pelos direitos humanos. Os jovens de hoje
estão expostos à mídia, de maneira nunca antes igualada
na história. Sofrem forte influência de correntes sociais
como a "nova moralidade", e a subcultura das drogas.
Os dois mundos são tão diferentes, que para a juventu-
de de hoje em dia, é quase impossível regenerar os valo-
res dos seus pais. Não estamos enfrentando um hiato entre
gerações, mas um hiato entre regenerações.
Este problema é especialmente agudo nas famílias ju-
daicas onde os pais não tiveram êxito na comunicação
dos valores judaicos aos seus descendentes. Quando es-
ses pais imploram aos seus filhos que mantenham vivos
os ensinamentos judaicos, ficam falando com paredes..
Onde falharam esses pais? Eles falharam quando man-
daram os filhos passar seis horas por semana numa es-
cola judaica, enquanto eles próprios tinham preguiça de-
mais para passar uma hora na sinagoga. Em essência, eles
estavam dizendo "Façam o que dizemos, não que o que
fazemos". Mostravam, mediante os seus atos, que o ju-
daísmo é somente para crianças, não para adultos. Quan-
do a religião não é levada a sério pelos pais, ela deixa
os filhos sem a força e o apoio que a nossa grande fé po-
de proporcionar. Eles ficam andando numa corda bam-
150
ba, enquanto o judaísmo, na realidade, é uma estrada
larga, lisa.
O indivíduo que está crescendo hoje em dia enfrenta
toda uma gama de problemas gravíssimos, e constante-
mente, precisa enfrentar novas oportunidades de inde-
pendência e responsabilidade que desafiam a sua matu-
ridade. Enquanto está procurando orientação, ele ou ela
pode desenvolver muitos relacionamentos próximos; al-
guns podem ser maravilhosos, outros podem tornar-se
prejudiciais. Às vezes, decisões difíceis têm de ser toma-
das, significando ir contra todos. O judaísmo pode dar
ao jovem a autoconfiança necessária para resistir às pres-
sões dos semelhantes que ele, ou ela, haverá de encon-
trar, inevitavelmente. Os padrões de conduta firmes do
judaísmo, baseados em visões interiores muito nítidas do
comportamento humano, e as suas respostas profundas
às questões da vida, ajudarão os jovens a enfrentar os
desafios da sociedade moderna.
Os jovens têm grande desdém pelo fingimento, em
todas as suas formas; não demoram para notar clichês
e comportamentos chatos, em qualquer e toda varieda-
de. Ao mesmo tempo, eles têm uma abertura refrescante
às idéias novas, e enfrentam o mundo com a honestida-
de correspondente. Eles querem conhecer as coisas co-
mo elas são, e dizê-las como são. Acham grande alegria
na vida, e têm grande capacidade para expressá-la.
Os nossos jovens têm o potencial de regenerar um ju-
daísmo que é mais significativo e honesto que tudo o que
os seus pais possam ter experimentado. Vivemos num mun-
do onde as pessoas estão à procura da sua identidade. Se
os nossos jovens puderem superar o hiato da regeneração,
perceber-se-ão como judeus. Ao terem se achado judeus,
também se acharão seres humanos. Aguardamos ansiosa-

151
mente o dia em que isto acontecer, pois será um dia no
qual o judaísmo se transformará em algo que nem so-
mos capazes de imaginar, nos nossos sonhos mais aca-
lentados.

152
O FIM DA MORTE

Hoje, estamos no limiar fantástico da descoberta cien-


tífica. Parece que o próprio homem está se tornando mes-
tre da vida e da morte. Consideremos os milagres médicos
que possibilitam transplantes de órgãos sadios de pessoas
que sofreram ferimentos mortais, para corpos de pessoas
que caso contrário - estariam destinadas à morte, por
doenças incuráveis. Na Universidade de Stanford, os bio-
químicos conseguiram sintetizar um vírus ativo, grande
passo que poderá levar à criação da própria vida.
Esses são conceitos verdadeiramente fantásticos, e no
entanto, alguma vez paramos para avaliar as suas impli-
cações morais, religiosas e proféticas?
Vamos começar, recordando a guerra israelita dos
Seis Dias. Do ponto de vista prático e terreno, foi uma
guerra de pouca importância. Mas do ponto de vista teo-
lógico, teve um impacto universal tremendo, porque, pela
primeira vez em 2.000 anos, Jerusalém voltou para mãos
judias. É um fato simples, porém de inferências de um
alcance enorme.
153
Até aquele verão, as muitas profecias da Bíblia, do
Talmude e do Midrash, relativas à vinda da era Messiâ-
nica, eram afirmações nebulosas fazendo referência a um
futuro distante, sem efeito direto nas nossas vidas. Vi-
víamos na era da promessa. De repente, a partir daquele
verão, a era da promessa acabou, dando lugar à era da
realização. A primeira profecia que começou a ser cum-
prida foi a devolução de Jerusalém ao povo judeu. Ago-
ra, podemos ter a expectativa de que as outras profecias
possam se aproximar da sua realização.
Uma das profecias importantes sobre a era Messiâ-
nica é a conquista da Morte. A morte será vencida, ou,
como dizem as Escrituras, "Ele engolirá a morte para
sempre, e o Senhor D-us enxugará as lágrimas de todos
os rostos". Há cem anos, as pessoas davam risada des-
sas profecias, tendo-as como impossíveis, e ridículas. Ho-
je, já não riem mais delas; simplesmente, lêem as man-
chetes dos jornais.
Os primeiros passos na direção da imortalidade já fo-
ram dados. Agora, podemos transplantar corações, rins
e fígados. Existem técnicas para desobstruir as nossas ar-
térias entupidas. Próteses, como corações artificiais e rins
artificiais, podem dar - e darão - uma nova chance
de viver a muitas pessoas. Os médicos podem literalmente
dar nova vida a pacientes antes sem esperança alguma
de salvação. Também, precisamos lembrar-nos de que a
maioria dessas técnicas tem apenas alguns anos de ida-
de. Ainda estamos no estágio do Ford-T, ou talvez a épo-
ca da carruagem, dessas técnicas. Somente podemos ima-
ginar o que haverá de ser possível daqui a dez ou vinte
anos, apenas.
Uma das possibilidades emocionantes que está sen-
do seriamente discutida é a do transplante de cérebro.
154
Já foi feita, com sucesso, em animais. O resultado daria
um tipo de imortalidade muito interessante: independen-
temente dos danos sofridos pelo corpo, se o cérebro esti-
vesse perfeito, ele poderia ser transplantado num corpo
saudável, e o dono do cérebro poderia continuar viven-
do. O cérebro de um homem de oitenta anos de idade
poderia ser transplantado no corpo de um jovem de vinte,
dando-lhe mais sessenta anos de vida.
O único problema de um transplante de cérebro é
achar o doador. Eu imagino que muitas pessoas não es-
tariam dispostas a doar o seu corpo, por mais valiosa que
fosse a causa. Apresenta-se outra opção. Uma pessoa
pode doar o seu próprio corpo, a si mesma.
Como já foi dito, os bioquímicos tiveram sucesso na
sintetização de um vírus ativo. Levando-se isto muitos
passos adiante, os cientistas poderão ser capazes de du-
plicar células vivas. Cada célula do corpo de uma pessoa
contém o plano mestre da totalidade do seu ser. Esta in-
formação está encerrada nos genes, nos cromossomos e
nas moléculas do ácido desoxirrjbonucléjco DNA.
Com técnicas avançadas, seria possível retirar uma só cé-
lula de um corpo velho ou mutilado, e fazê-la crescer num
corpo jovem, e completamente saudável. (O realmente
surpreendente é o fato de esse processo ter sido descrito
detalhadamente num Midrash escrito há quase 2.000
anos!) Então, o cérebro de uma pessoa poderia ser trans-
plantado para este corpo novo que ela mesma deu!
Olhando ainda mais longe no futuro, não é nada in-
concebível que possam desenvolver-se medicamentos para
deter, e até reverter, o processo do envelhecimento. À
medida que vamos aprendendo e compreendendo mais
sobre a vida, vamos aprendendo a controlar este proces-
so. Afinal, o envelhecimento nada mais é do que uma

155
reação química, e muitas reações químicas, em muitos
casos, podem ser detidas ou invertidas.
Imaginemos um mundo de imortais, um mundo sem
morte. Essa sociedade seria tão diferente da nossa, quanto
a nossa é diferente da do homem das cavernas. No en-
tanto, um mundo assim pode tornar-se realidade, daqui
a vinte ou trinta anos!
A imortalidade poderia ajudar o ser humano a achar
maior realização na vida. Visualize, se você quiser, um
homem de sessenta anos que sempre quis ser médico. Ho
je em dia, esse sonho não deixaria de ser exatamente is-
so, um sonho. Simplesmente, ele não teria anos suficientes
no seu futuro, para que tal investimento valesse a pena.
Mas... e no caso de um imortal?
Pensemos num mundo sem morte. Costuma-se dizer
que os velhos começam a guerra, e os jovens morrem nela.
Um velho já tem a vida detrás dele; ele não tem grandes
riscos a correr numa guerra. O mesmo homem "velho"
reagiria de forma diferente, se tivesse muitos mais anos
para viver? Um imortal arriscar-se-ia a perder séculos de
vida numa guerra nuclear? Talvez, um mundo assim se-
ja a faísca, o inicio da profecia de isaías, de que "ne-
nhuma nação levantará a sua espada contra outra nação,
nem elas aprenderão a fazer a guerra, nunca mais".
Vamos considerar a importância da moralidade pa-
ra urna população de imortais. O profeta diz que o cre-
do do hedonista é "Bebamos, pois amanhã morreremos"
(Isaías 2:13). E se não morrermos amanhã? Precipitámo-
nos a satisfazer as nossas paixões, receando que se não
as satisfizermos agora, em breve estaremos velhos demais
para desfrutá-las, ou quem sabe, mortos. Sem esse me-
do, talvez fiquemos cansados dos prazeres transitórios
após duzentos ou trezentos anos de vida, e no lugar de-
les, procuremos o Eterno.

156
A muitos de nós, tudo isso pode parecer estranho.
Se alguma vez pensamos no Mashiach, o imaginamos co-
mo um ser mágico surgindo do céu, rodeado por nuvens
de glória. Imaginamos que a realização das profecias mes-
siânicas será milagrosa e repentina, corno quando um má-
gico tira um coelho de dentro de um chapéu. Isto é re-
sultado do nosso padrão de pensamento, que separa o
mundo prático numa categoria, e os ensinamentos reli-
giosos, em outra. Mas isto é pensar de modo falso. O
Midrash afirma que a promessa messiânica virá gradati-
vamente, como o nascer do sol- oL
Uma das lições mais importantes que devemos lem-
brar é que não há nada errado, imoral ou artificial, na
imortalidade medica. A imortalidade apenas é uma das
nossas profecias messiânicas: "Ele engolirá a morte pa-
ra sempre". A era da realização já começou!

157
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QUANDO OS OSSOS SE
LEVAIVTAM IVOVAMEIVTE

A mão do Senhor estava sobre mim, e Ele


me transportou para fora pelo Seu espírito,
e Ele me deixou num vale cheio de ossos. Ele
me fez passar em volta deles, e havia muitos
ossos no vale aberto, e estavam secos. E Ele
me disse: "Homem, esses ossos podem viver
de novo?" E eu disse: "Somente Tu sabes
isso. D- us". E D- us me disse: "Profetiza so-
bre esses ossos, e diz a eles: Ossos Secos, ouvi
apalavra de D-us. Esta é a palavra de D-us
a estes ossos. Eu colocarei um espirito den-
tro de vós, e vós vivereis. Eu prenderei ner-
vos sobre vós, trarei carne a vós, vos cobri-
rei de pele, colocarei fôlego dentro de vós,
e vós vivereis; e sabereis que Eu sou D-us".
Eu comecei a profetizar, como D-us me
disse, e enquanto eu profetizava, houve um
som forte de trovão, e os ossos encaixaram-
se uns nos outros. E enquanto eu olhava,
nervos apareceram sobre eles, carne cobriu
eles, e ficaram recobertos de pele, mas não
havia vida neles.
E D-us me disse: "Profetiza ao espíri-
to, homem, e diz a ele: Essas são as pala-
vras de D-us. Vem, espírito, de todas as di-

159
reções, e entra nesses cadáveres, de modo
que eles possam voltar à vida".
Eu comecei a profetizar, como D-us ti-
nha me dito, e um espírito entrou neles, e
eles se levantaram sobre os seus pés - um
exército muito grande.
Depois D-us me disse: "Homem, estes
ossos são todo o povo de Israel. Eles dizem:
'Os nossos ossos estão secos e nossa esperan-
ça já se foi. O decreto final foi lançado con-
tra nós.. 'Por isso, profetiza e diz a eles: Es-
tas são as palavras de D-us: Meu povo, Eu
abrirei vossos túmulos, e e vos levantarei de
dentro deles, e Eu vos devolverei à terra de
Israel. Vós sabereis que Eu sou D-us, quan-
do eu abrir os vossos túmulos, e vos levan-
tar deles, e vos deixar viver em vossa pró-
pria terra. Então, vós sabereis que Eu sou
D-us, e Eu farei o que disse. Esta é exata-
mente a palavra de

(Ezequiel 37-1-14)

Este relato surpreendente, contado pelo profeta Eze-


quiel, é o prefácio de urna crença pouco conhecida, po-
rém fundamental, do judaísmo, o último dos treze prin-
cípios da fé, de Maimôriides: "Eu acredito com fé total
que haverá uma ressurreição dos mortos, na hora em que
D-us escolher".
Este princípio tem conseqüências teológicas muito im-
portantes. Um dos fundamentos de toda religião é a cren-
ça na justiça final de D-us. A menos que tivéssemos de
acreditar que há alguma compensação e punição priva-
da da qual não temos consciência, questionaríamos por
que os maus prosperam e os bons sofrem. No entanto,
acreditamos que há outro julgamento, que acontece de-
pois da morte.

160
Geralmente, imaginamos a imortalidade como um es-
tado de êxtase eterno para a alma. Mas como o corpo
humano é em todos sentidos parte integrante do homem,
é muito difícil imaginar como urna alma desencarnada
pode funcionar como verdadeiro ser humano. Os ensi-
namentos básicos do judaísmo eliminam esta questão,
mas reconhecem as suas implicações.
O judaísmo ensina que a separação de corpo e alma
é temporária. A recompensa final do homem virá com
a ressurreição no Mundo Vindouro, durante a era mes-
siânica. Os mortos serão, literalmente, revividos, com-
pletos, com as lembranças das suas vidas anteriores, e
deste período de separação. Então, eles viverão de novo
neste mundo novo, um mundo perfeito.
Muitos acham que esta seja a mais artificial de todas
as crenças judaicas. Evidentemente, ela encerra um mi-
lagre do mais alto grau. Supondo-se que ossos secos pos-
sam ser trazidos de volta para a vida, o que pensar de
pessoas devoradas por animais selvagens, ou despedaça-
das por explosões, ou vaporizadas em Hiroshima?
Eu sou da opinião que a chave para toda a questão
pode ser achada num Midrash que trata de uma contro-
vérsia entre as duas principais escolas do judaísmo da épo-
ca, Beit Shamai e Beit Hilel. Beit Shamai diz que a res-
surreição será um milagre evidente, no qual D-us trará
de volta à vicia todos os restos humanos existentes. O pen-
samento de Beit Hilel difere consideravelmente. A res-
surreição será um processo natural, paralelo ao nascimen-
to. A pessoa ressuscitada começará como uma única cé-
lula, desenvolver-se-á num embrião, depois será um fe-
to, e posteriormente, ela continuará crescendo, até tornar-
se um ser humano completo (Bereshit Rabã 14). Beit Hi-
lel baseia a sua opinião num trecho muito interessante
161
do Livro de Jó, que fala sobre o destino humano- Já diz
a D-us:

Lembra-te agora, Tu me formaste corno argila, e


Tu me devolverás ao pó. Mas Tu me derramarás
como leite, e me curtirás como queijo, e me vestirás
Com pele e carne, e me tecerás com ossos e nervos.
ft

Tu me concedeste a vida e o favor constante, e a


Tua providência continuará a cuidar do meu espírito.

('Jó 10:9-12)

Há dois fatores adicionais importantes na tradição


judaica, sobre a ressurreição. Uma é a tradição do Luz,
um tipo de osso, ou como é chamado na Bíblia, a chave
da ressurreição. O outro é a tradição de um 'orvalho de
ressurreição", ao qual faz alusão o Profeta Isaías:

Mas os Teus monos viverão, os seus corpos


levantar-se-ão de novo. Aqueles que dormiram na
terra despertarão e gritarão de alegria, pois o
Tèu orvalho é um orvalho de luz faiscante, e com ela,
a terra trará os que morreram há muito tempo,
de novo para o nascimento.

(Isaías 26:19)

O Zohar combina ambas as tradições O Luz, um pa-


ra cada pessoa, será colocado no orvalho da ressurrei-
ção, e crescerá no corpo dessa pessoa determinada.
Por último, tanto a Mis/ind quanto o Talmude suge-
rem que as pessoas bondosas receberão inspiração Divi-
na para trazerem os mortos de volta para a vida (Sotá
9:15; Pessach mi 68a).

1.62
Estas alusões à mecânica da ressurreição podem ser
compreendidas cientificamente. D-us revelará o código
genético exigido para a duplicação, a um grupo de pes-
soas com inspiração Divina, que colocarão o Luz con-
tendo o DNA. no "orvalho da ressurreição", um fluido
nutriente. Nas condições certas, uma duplicação exata
de qualquer corpo humano poderia ser desenvolvida.
O estágio final do processo será completado por D-us,
quando Ele devolver a alma ao corpo. Este será o verda-
deiro milagre da Ressurreição.
Quando examinamos as nossas tradições cuidadosa-
mente, o conceito de ressurreição não á tão forçado quari-
to parece. O mundo da ressurreição será um mundo ou-
de a morte não será apenas conquistada, mas onde a mor-
te poderá ser revertida; será um mundo muito diferente
do que conhecemos agora. É o mundo de que falam as
nossas tradições: o mundo da Era Messiânica, o mundo
das nossas esperanças finais.

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SOBRE O AUTOR

O rabino Kaplan teve a rara capacidade de aliar a


ciência à Torá, a filosofia à ação, o misticismo à clareza
de pensamento. Ele soube corno capturar pensamentos
abstratos, e dar-lhes vida. Tinha talento para restrutu-
rar a fé, para trazer a mensagem viva de D-us aos nossos
corações e mentes.
Apesar de ser um sábio muito renomado, um ta/tnid
chacham que tinha dominado todos os ramos da Torá,
ele possuía o toque comum, entendia como pensam as
pessoas, e tinha a habilidade de traduzir conceitos pro-
fundos e complicados na linguagem cotidiana.
A meteórica ascensão do rabino Aryeh Kaplan como um
dos representantes mais eficientes, persuasivos, eruditos
e políticos do judaísmo na língua inglesa teve um final
repentino em 28 de janeiro de 1983, com sua morte súbi-
ta, aos 48 anos de idade. O rabino Kaplan foi um autor,
sábio, pensador e educador de múltiplas facetas, com uma
criatividade e talento singulares, que emocionou a vida
de milhares de pessoas. Os 47 volumes, a obra de sua vi-
da, representaram um avanço qualitativo nas publicações
judaicas, tornando muitos tópicos e conceitos difíceis,
acessíveis ao público leitor da língua inglesa.
Durante a carreira de escritor, que durou apenas 12
anos, Aryeh Kaplan tornou-se conhecido entre os leito-
res jovens e adultos.
O rabino Kaplan foi um tradutor cheio de recursos
e criativo, e sua tradução dos Cinco Livros de Moisés,
a Tord Viva, é prova disso.
O rabino Kaplan nasceu na cidade de Nova York, e
foi educado em Yeshivót do Brooklyn e Jerusalém. De-
pois, foi ordenado por algumas das maiores autoridades
rabínicas de Israel. Também obteve um diploma de Mes-
trado em Física, e constou na relação Quem é quem da
Física, nos Estados Unidos. "Eu uso a minha informa-
ção em física para analisar e sistematizar dados, como
um físico traria a realidade física", disse uma vez o rabi-
no Kaplan.
De fala suave, indivíduo discreto, modesto apesar de
sua popularidade e renome crescentes, Ayreh Kaplan foi
um ativista. Acreditava firmemente que os judeus afas-
tados e alienados do judaísmo podiam ser reconquista-
dos para a religião.
A mensagem que tentava transmitir era que "o ju-
daísmo é um assunto vivo, crescente. Uma pessoa que
esteja procurando o significado da vida não precisa pro-
curar em outra parte.
A extraordinária calidez, sinceridade e dedicação to-
tal de Aryeh Kaplan à Torá inspiraram as milhares de
pessoas que ele atingiu pessoalmente. Seu lar estava sem-
pre abertos sua mesa rodeada de convidados e estudan-
tes para o Shabat. Viajou a muitos lugares para compar-
tilhar seus conhecimentos, e para atrair jovens em semi-
nários, grupos de estudo e campi de universidades.
O rabino Aryeh Moshê Eliyahu ben Shumuel Kapian
abandonou uma carreira promissora em física, e resol-
veu dedicar-se totalmente à difusão da Torá. Teve sucesso
na união de muitos elementos numa só personalidade
era um sábio talmúdico, o homem da halachá, o mestre
da civilização ocidental, e o cientista dotado de uma fan-
tástica percepção da Cabala, do misticismo judaico e do
pensamento chassídico.
No processo de levar a Torá às massas, o rabino Ka-
plan revelou muito do que até então estava oculto. Sua
mente continha bibliotecas de livros, esperando ser es-
critos. Que tudo isso fosse revelado, e nada mais, foi von-
tade de D-us.
Aryeh Kapian continua vivendo através de sua obra
- um legado vivo de pensamento intenso e penetrante.
Publicações Maayanot

ÉTICA E COMPORTAMENTO
Os Oito Capítulos - Maimônides
Comentário da Mishná - Maimônides
Epístolas - Maimônides
Tratado Sobre a Ressurreição - Maimõnides
Será Que Ninguém Mais Se Envergonha? - Manis Friedman
Encontros Entre o Céu e a Terra - Aryeh Kaplan

TANACH (BÍBLIA)
O Livro de Josué - comentado pelo rab. Avraham Blau
O Livro de Juízes - comentado pelo rab. Avraham Blau
O Livro de Samuel 1- comentado pelo rab. Avraham Blau
O Livro de Samuel II- comentado pelo rab. Avraham Blau

FILOSOFIA E MÍSTICA
O Caminho de D-us - Moshé Chaim L.uzzatto, anotado
por Aryeh Kaplan
A Eternidade de Israel - Benjamin Gross
A Rosa de Treze Pétalas - Adin Even Yisrael (Steinsaltz)
TRADIÇÃO E PRATICA
As Águas do Éden - Aryeh Kaplan
Tefilin, A Conexão Com o Infinito - Aryeh Kaplan
Tsitsit, Um Fio de Luz - Aryeh Kaplan
Mashiach - Jacob Immanuel Schochet
Shabat, Dia de Eternidade - Aryeh Kaplan
Teshuvá, Um Guia Para o Judeu Recém-Praticante -
Adin Even Yisrael (Steinsaltz)

HISTÓRIA E BIOGRAFIA
Inquisição, Um Punhal Sobre a Espanha - coletânea
Rabi Levi ltschac de Berditchev coletânea
Jerusalém, O Olho do Universo Aryeh Kaplan
Rabi Nachman de Breslav - Itschac Besançori
Conhecer e Cuidar - Eiiyahu e Malka Touger

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS
A Dimensão Mística - Jacob Immanuel Schochet
O Livro dos Salmos (Tehilim) - comentado e traduzido
por Adolpho Wasserman
e Chaim Szwertszarf
Fitas de Rudio Moayanot
Palestras sobre judaísmo e temas da atualidade sob o
enfoque místico, ministradas pelo rabino David Weitman.
Série F: A.01 Vida após a flor/e.
A.02 Visita ao cemitério.
n.03 Paraíso e ressurreição dos mortos.
Série 8: 8.01 O mistério do mie vê.
8.02 Felicidade no casamento.
3.03 Demografia e .fé.
Série E (.01 Tristeza sofr,nenjo e alegria.
C.02 Como reagir na crise.
C.03 Feitiçaria, cspiritjs/n o, etc. endereço
errado.
Série D:D.O1 Aproveitar o tempo.
0.02 - O desafio da riqueza.
D.03 - Tsedacd salva da morte.
Série E:EQ1 - Otriângulo rnísico do Zohar.
E.02 - Conflitos previstos no Ta/mnud e na
Cabaiú.
E.03 - A guerra do Golfo e a redenção.
Série F: F.01 - Histórico da cuba/á.
F,02 - O poder das letras e nomes hebraicos.
F.03 - Números chaves no juda (sino.

Série G: G.01 - Almas Versus anjos.


G-02 - Sonhos e seus significados.
G.03 - Anjos e suas diversas iii issões.

As fitas Maayanot podem ser adquiridas em séries, num


findo estojo protetor com três unidades, ou em embalagens
individuais.
P- C - L 999-9 N95

ENCO NTROS
ENTÃ'E O CÉU E A"WVkk

"No princípio criou D-us os céus e a terra"


(Gê nese 1:1)

"E a terra era vã e vazia", como as respostas


padronizadas para as dúvidas e anseios do
homem moderno.
"E havia escuridão", como ainda há quando
o tema é morte, aborto, eutanásia, suicídio,
conflito de gerações...
Porém, que "haja luz!" de uma vez por todas
com este "Encontros Entre o Céu e a Terra'!
Nele, Aryeh Kaplan cria uma de suas obras
mais originais, preenche os vazios da nossa
existência e ioga luz sobre a escuridão espiritu-
al reinante.
E seu trabalho não foi em vão.

"E viu D-us que era bom" (íbid, 1:10).

&
MMLYANOT

Apoio: Keren 'Chazon Ovady