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17/07/2019 6 Mitos sobre o Jogo de Búzios - Candomble Para Todos - Medium

6 Mitos sobre o Jogo de Búzios


Algumas barreiras devem ser questionadas

Eduardo Drakonis Follow


Mar 4, 2017 · 5 min read

Você já deixou de consultar os búzios com medo do que eles poderiam mostrar? Ou teve arrepios só
de pensar em tirar algum odú que considera negativo demais? Também pode ter tido vontade de
consultar novamente depois de ler o resultado e achar que o jogo não respondeu sua questão. Estes
são alguns mitos e equívocos que rondam o Jogo de Búzios e podem prejudicar seu entendimento
sobre o estudo e a performance oracular.

Confira abaixo as 6 principais equívocos recorrentes em relação ao oráculo e descubra como tirar
maior proveito dos odús e, principalmente, dos seus próximos jogos.

Mito 1: Existem Odús muito negativos


O odú por si próprio tem um significado, mas em um jogo sempre terá interpretações diversas. É
necessário sempre analisar a pergunta e o contexto no qual ele aparece. Os odús podem, sim,
significar tensão ou desafio em determinados momentos, mas não sempre, como se a combinação
do jogo oferecesse o mesmo resultado todas as vezes. Ainda vale lembrar que como são odús
(principais ou secundários), sua interpretação é muito vasta e ampla. Por exemplo, se a pessoa vive
um relacionamento desgastado e sai Ìròsùn no jogo, isso sinaliza que a relação vai continuar
insatisfatória. Mas, se neste mesmo jogo sai Òsà é bem possível que este relacionamento acabe — o
que neste caso talvez seria satisfatório, já que o casal está extremamente insatisfeito e o vínculo
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tende a se dissolver. Já Òkànràn, um dos odús mais temidos, pode sinalizar abertura financeira e
bom desempenho sexual, por exemplo. Por outro lado, tende a ser desafiador do ponto de vista
emocional, já que tem a ver com excessos e dependências. Tudo depende do que a pessoa deseja
saber através do jogo, da posição em que os odús caem no jogo e do contexto de vida da pessoa
naquele momento.

Mito 2: Existem Odús bons e Odús ruins


Existem odús que aceleram ou retardam o desfecho de uma situação ou o resultado almejado. Odús
ligados ao Fogo e Ar, por exemplo, são mais rápidos que os outros, pois Fogo e Ar são elementos
mais ágeis. De acordo com o significado de cada um, as pessoas sempre acabam associando esses
Odús a algo positivo ou maravilhoso, mas na verdade ele sugere expectativas exageradas, tendência
maior à ilusão e sentimentos demostrados, mas não necessariamente reconhecidos. Já Odús ligados
a Terra significam que tudo dependerá da boa reflexão das coisas e das intenções, que devem ser
claras o suficiente. São odús que reforçam a necessidade de ser o mais objetivo possível, tentando
não deixar o emocional de lado, apontando os recursos e o empenho para atingir um objetivo. São
odús que em determinados contextos acabam demandando mais tempo para surtir sucesso, mas
também pode sinalizar que aquilo que a pessoa deseja tem mais chances de acontecer ou de se
alcançar. Por último, odús ligados a Água chamam atenção para o excesso de energia em relação à
determinada questão, que pode acabar sendo exagerada, então é preciso saber dosar. Ele traz a
necessidade de calmaria.

Mito 3: Jogar pela internet não é a mesma coisa que uma consulta presencial
Tanto em uma consulta presencial quanto uma leitura online (por meio de chat, webcam e
videoconferência), o jogo funciona do mesmo jeito. Algumas pessoas acreditam que pela internet a
“energia” não é a mesma, mas a verdade é que ninguém deveria se prender a essa crença que tantas
vezes se mostra infundada. Vale dizer de modo enfático: a energia está em todo lugar. Muitas
pessoas ainda alimentam o medo de confiar em algo que não seja presencial. Ainda hoje existem
zeladores de orisá que frisam a importância de diversos procedimentos ritualísticos para haver uma
consulta eficaz, como o ato de soprar o jogo. Este tipo de superstição mostra o quanto ainda se
duvida da eficácia não só do universo quanto do próprio desempenho diante do oráculo.
Quando se joga búzios, a prioridade deve ser a informação que ele traz; não o formato em que ela
chega até o consulente.
Particularmente, tenho priorizado minha agenda de leituras virtuais e percebo que o jogo flui tão
bem quanto pessoalmente. Há o comodismo de não precisar se deslocar até o local de candomblé,
por exemplo. Muitas pessoas alimentam o medo de confiar em algo que não seja presencial. O Jogo
de Búzios faz do acaso, o centro — é ele que determina a caída do jogo. Assim, deixo claro que não
precisa haver nenhum ritual específico para consultar o jogo. Todo e qualquer sistema de crenças
fica a cargo do profissional ou da pessoa que está aprendendo a simbologia e a aplicação do jogo. A
única ressalva, tanto para um atendimento presencial quanto virtual, é a concentração.

Mito 4: Acho que não me concentrei direito ou não gostei do jogo, por isso, quero
jogar novamente
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O Jogo de Búzios analisa a sua vida real, não a que você deseja. O fato de não ter gostado do
resultado ou de ter considerado as caídas com significados duros ou muito difíceis, não significa que
outra jogada pode ou deve ser feita. Mesmo não havendo a devida concentração, você obteve uma
resposta. É preciso lidar com os Odús que saíram, refletir sobre a natureza da mensagem, anotar as
caídas e refletir diversas vezes. E faço uma ressalva quanto a resultados não tão satisfatórios: eles
podem acabar salvando você de circunstâncias negativas desencadeadas por expectativas
equivocadas, por exemplo. Assim, em vez de rejeitar um jogo incompreensível num primeiro
momento, pesquise e reflita sempre, com absoluta atenção, o que lhe desagradou ou assustou.

Mito 5: Posso jogar no lugar de outra pessoa


Jogar com o intuito de saber previsões para uma pessoa conhecida não é aconselhável. É importante
deixar claro que o oráculo oferece informações pessoais de quem o consulta. Sempre enfatizo que
quando alguém tem medo do jogo e pede que outra pessoa faça a leitura, o jogo não deve ser aberto.
Quem se exime de uma consulta pedindo que outra pessoa a faça deve rever seus próprios conceitos
a respeito do jogo — inevitavelmente rasos ou equivocados. O oráculo serve a quem está pronto para
ele.

Mito 6: Devo ter um cuidado extremo ao consultar o Jogo de Búzios


É normal o nervosismo antes, durante e até depois de um jogo de búzios. Mas é imprescindível saber
que os odús não estabelecem tendências imutáveis, como se fosse uma verdade absoluta — como a
crença de que “catástrofe anunciada é catástrofe ocorrida” ou algo assim. O jogo oferece
prognósticos e aconselhamentos a respeito de uma determinada questão. Ele pode e deve, na
verdade, ser encarado como uma estratégia para reconhecer nossos erros, enaltecer as
oportunidades que se apresentam e vislumbrar o melhor caminho a ser adotado em um momento
específico. Os odús vão ajudar você a fazer as melhores escolhas para sua vida. Por esse motivo, é
importante evitar fazer perguntas ambíguas, imprecisas ou subjetivas, como: “serei feliz na
velhice?”, “vou ser rica?”, “onde está minha alma gêmea?”. Mesmo que o medo seja natural diante
de algo que não se conhece muito bem, no caso do Jogo de Búzios há informação suficiente para
saber que ele não é uma ameaça e nem um perigo ligado a qualquer religião ou corrente esotérica
específica. É um instrumento de avaliação de tendências e de orientação diante dos impasses da
vida. Daí a objetividade e a coerência na hora de formular as questões.

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