Você está na página 1de 335

Ministério Público do Estado de Goiás

MP-GO
Secretário Auxiliar (Senador Canedo).

MA013-19
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
conhece algum caso de “pirataria” de nossos materiais, denuncie pelo sac@novaconcursos.com.br.

OBRA

MP GO

SECRETÁRIO AUXILIAR (SENADOR CANEDO)

N. 01

AUTORES
Português - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Matemática - Profº Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
História do Brasil - Profª Ana Maria B. Quiqueto
Geografia - Profª Leticia Veloso
Informática Básica - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
Legislação Aplicada ao Ministério Público do Estado de Goiás - Profª Natasha Melo

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Érica Duarte
Leando Filho
Karina Fávaro

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis
Danna Silva

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

www.novaconcursos.com.br

sac@novaconcursos.com.br
APRESENTAÇÃO
PARABÉNS! ESTE É O PASSAPORTE PARA SUA APROVAÇÃO.

A Nova Concursos tem um único propósito: mudar a vida das pessoas.


Vamos ajudar você a alcançar o tão desejado cargo público.
Nossos livros são elaborados por professores que atuam na área de Concursos Públicos. Assim a matéria
é organizada de forma que otimize o tempo do candidato. Afinal corremos contra o tempo, por isso a
preparação é muito importante.
Aproveitando, convidamos você para conhecer nossa linha de produtos “Cursos online”, conteúdos
preparatórios e por edital, ministrados pelos melhores professores do mercado.
Estar à frente é nosso objetivo, sempre.
Contamos com índice de aprovação de 87%*.
O que nos motiva é a busca da excelência. Aumentar este índice é nossa meta.
Acesse www.novaconcursos.com.br e conheça todos os nossos produtos.
Oferecemos uma solução completa com foco na sua aprovação, como: apostilas, livros, cursos online,
questões comentadas e treinamentos com simulados online.
Desejamos-lhe muito sucesso nesta nova etapa da sua vida!
Obrigado e bons estudos!

*Índice de aprovação baseado em ferramentas internas de medição.

CURSO ONLINE

PASSO 1
Acesse:
www.novaconcursos.com.br/passaporte

PASSO 2
Digite o código do produto no campo indicado
no site.
O código encontra-se no verso da capa da
apostila.
*Utilize sempre os 8 primeiros dígitos.
Ex: JN001-19

PASSO 3
Pronto!
Você já pode acessar os conteúdos online.
SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos ....................................................................................................................................................... 86


Ortografia oficial ...................................................................................................................................................................................................... 01
Acentuação gráfica ................................................................................................................................................................................................. 04
Emprego das classes de palavras ........................................................................................................................................................................ 22
Pontuação .................................................................................................................................................................................................................. 72
Concordância nominal e verbal .......................................................................................................................................................................... 08
Regência nominal e verbal ................................................................................................................................................................................... 14
Significação das palavras ...................................................................................................................................................................................... 90

MATEMÁTICA
Fundamentos de matemática.......................................................................................................................................................................... 01
Conjuntos numéricos: números naturais e racionais (formas decimal e fracionária). Operações. Fatoração e números
primos: divisibilidade, máximo divisor comum e mínimo múltiplo comum................................................................................... 01
Razões e proporções: regras de três simples e compostas................................................................................................................... 27
Sistemas de medidas........................................................................................................................................................................................... 22
Sistema Monetário Nacional............................................................................................................................................................................ 38
Percentagem........................................................................................................................................................................................................... 32
Juros simples e compostos............................................................................................................................................................................... 35
Divisão proporcional........................................................................................................................................................................................... 27
Equações de 1.º grau........................................................................................................................................................................................... 40
Volumes.................................................................................................................................................................................................................... 43

HISTÓRIA DO BRASIL
Migração e imigração.Revolução de 1817 e a Independência. Mudanças socioeconômicas, crise política e fim da
monarquia. O Imperador e a Constituição de 1824: fundamentos jurídicos e políticos da monarquia ................................. 01
Primeira República: coronelismo e federalismo ......................................................................................................................................... 06
Revolução de 1930. A Era Vargas: autoritarismo, estado e nação ......................................................................................................... 07
Repressão e resistência política: implantação da ditadura militar no Brasil ..................................................................................... 12
Democracia e cidadania no Brasil atual: A Constituição de 1988 e os avanços da cidadania nela expressos ........................... 14

GEOGRAFIA
Mapa: conceito e atributos. Mapas de base e mapas temáticos. A cartografia da formação territorial do Brasil ........ 01
A federação brasileira: organização política e administrativa ........................................................................................................... 09
As regiões do IBGE, os complexos regionais e a região concentrada .......................................................................................... 17
Paisagem: o tempo da natureza, os objetos naturais, o tempo histórico, os objetos sociais e a leitura de paisagens 21
Escalas da Geografia: As paisagens captadas pelos satélites. Extensão e desigualdades. Memória e paisagens. As
paisagens da Terra ............................................................................................................................................................................................. 23
SUMÁRIO

A Rosa dos Ventos: pontos cardeais e pontos colaterais. Os sistemas naturais: História da Terra. Formação de
minerais e rochas. Ciclos naturais .............................................................................................................................................................. 24
As atividades econômicas e o espaço geográfico. Os setores da economia e as cadeias produtivas ............................... 25
A agropecuária e os circuitos do agronegócio ....................................................................................................................................... 26
A sociedade de consumo ................................................................................................................................................................................ 27
A produção do espaço geográfico global: Globalização e regionalização. Os blocos econômicos supranacionais. As
doutrinas do poderio dos Estados Unidos. Geografia das populações: Demografia e fragmentação. As migrações
internacionais ...................................................................................................................................................................................................... 28

INFORMÁTICA BÁSICA
Sistemas Operacionais: Windows XP, 7 e 8 .................................................................................................................................................. 01
Conceitos, serviços e tecnologias relacionadas a internet e a correio eletrônico ......................................................................... 10
Suítes Microsoft Office e BrOffice (OpenOffice) ....................................................................................................................................... 26
Noções relativas a softwares livres .................................................................................................................................................................. 53
Noções de hardware e de software para o ambiente de microinformática .................................................................................... 57

LEGISLAÇÃO APLICADA AO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE


GOIÁS
O Ministério Público na Constituição Federal de 1988 (art. 127 a 129) ............................................................................................. 01
Lei Complementar Estadual nº 25, de 06 de julho de 1998: Da autonomia do Ministério Público. Da organização do
Ministério Público. Dos órgãos de Administração Superior do Ministério Público. Do Procurador-Geral de Justiça:
escolha, nomeação, posse e atribuições administrativas. Do Colégio de Procuradores de Justiça: composição e
atribuições. Do Conselho Superior do Ministério Público: escolha, composição e atribuições. Do Corregedor Geral
do Ministério Público: escolha e atribuições. Dos órgãos de Administração do Ministério Público. As Procuradorias
de Justiça e as Promotorias de Justiça. O Coordenador de Promotorias de Justiça. Funções dos órgãos de execução
do Ministério Público (Procurador-Geral de Justiça, Colégio de Procuradores de Justiça, Conselho Superior do Mi-
nistério Público, Procuradores de Justiça e Promotores de Justiça). Dos órgãos auxiliares do Ministério Público. Dos
Centros de Apoio Operacional. Escola Superior do Ministério Público. Dos Subprocuradores-Gerais de Justiça. Do
Gabinete e da Assessoria do Procurador-Geral de Justiça .................................................................................................................... 02
Estatuto dos Servidores Civis do Estado de Goiás (Lei Estadual nº 10.460/1988). . Dos deveres (art. 294), das trans-
gressões disciplinares (art. 303 e 304), das responsabilidades (art. 305 a 310) e das penalidades (art. 311 a 322) ........ 10
Plano de Carreira dos Servidores do Ministério Público do Estado de Goiás (Lei Estadual nº 14.810, de 1º de julho de
2004) ........................................................................................................................................................................................................................... 12
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA
Ortografia. .................................................................................................................................................................................................................................01
Acentuação gráfica. ...............................................................................................................................................................................................................04
Flexão nominal e verbal. ......................................................................................................................................................................................................06
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação. .....................................................................................................................................22
Emprego de tempos, modos e aspectos verbais. ......................................................................................................................................................22
Vozes do verbo. .......................................................................................................................................................................................................................22
Classes de palavras: substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção: emprego e
sentido que imprimem às relações que estabelecem. .............................................................................................................................................22
Concordância nominal e verbal. .......................................................................................................................................................................................08
Regência nominal e verbal. .................................................................................................................................................................................................14
Ocorrência de crase. ..............................................................................................................................................................................................................19
Sintaxe: coordenação e subordinação............................................................................................................................................................................63
Pontuação. .................................................................................................................................................................................................................................72
Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas). ........................................................................................................75
Compreensão de texto. ........................................................................................................................................................................................................86
Significação das Palavras .....................................................................................................................................................................................................90
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
ORTOGRAFIA tamorfose.
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera,
quis, quiseste.
 Nomes derivados de verbos com radicais termi-
Ortografia
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
A ortografia é a parte da Fonologia que trata da corre- empreender - empresa / difundir – difusão.
ta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem  Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís
ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são - Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
grafados segundo acordos ortográficos.  Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-  Verbos derivados de nomes cujo radical termina
der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras, com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras – pesquisar.
é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de São escritos com Z e não S
etimologia (origem da palavra).  Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo –
1. Regras ortográficas beleza.
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori-
A) O fonema S gem não termine com s): final - finalizar / concreto
São escritas com S e não C/Ç – concretizar.
 Palavras substantivadas derivadas de verbos com  Consoante de ligação se o radical não terminar
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
- pretensão / expandir - expansão / ascender - as- Exceção: lápis + inho – lapisinho.
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
submergir - submersão / divertir - diversão / impelir C) O fonema j
- impulsivo / compelir - compulsório / repelir - repul- São escritas com G e não J
sa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir  Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
- sensível / consentir – consensual. gesso.
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
São escritos com SS e não C e Ç gim.
 Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-  Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
nem em gred, ced, prim ou com verbos termina- poucas exceções): imagem, vertigem, penugem,
dos por tir ou - meter: agredir - agressivo / impri- bege, foge.
mir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão Exceção: pajem.
/ exceder - excesso / percutir - percussão / regredir -
regressão / oprimir - opressão / comprometer - com-  Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
promisso / submeter – submissão. litígio, relógio, refúgio.
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta  Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé- gir, mugir.
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.  Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo. surgir.
Exemplos: ficasse, falasse.  Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter-
São escritos com C ou Ç e não S e SS minado com j: ágil, agente.
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, São escritas com J e não G
Juçara, caçula, cachaça, cacique.  Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,  Palavras de origem árabe, africana ou exótica:
uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car- jiboia, manjerona.
niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.  Palavras terminadas com aje: ultraje.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. D) O fonema ch
 Após ditongos: foice, coice, traição. São escritas com X e não CH
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,  Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
to(r): marte - marciano / infrator - infração / absor-
LÍNGUA PORTUGUESA

caxi, xucro.
to – absorção.
 Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
lagartixa.
B) O fonema z
 Depois de ditongo: frouxo, feixe.
São escritos com S e não Z
 Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é
Exceção: quando a palavra de origem não derive de
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa.

1
São escritas com CH e não X ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS
 Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal- 1. Por que / por quê / porquê / porque
sicha.
POR QUE (separado e sem acento)
E) As letras “e” e “i”
 Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. É usado em:
Com “i”, só o ditongo interno cãibra. 1. interrogações diretas (longe do ponto de interro-
 Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar gação) = Por que você não veio ontem?
são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es- 2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em -air, a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
-oer e -uir: trai, dói, possui, contribui. que faltara à aula ontem.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
FIQUE ATENTO!
Há palavras que mudam de sentido quan- POR QUÊ (separado e com acento)
do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
área (superfície), ária (melodia) / delatar Usos:
(denunciar), dilatar (expandir) / emergir 1. como pronome interrogativo, quando colocado no
(vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
estância, que anda a pé), pião (brinquedo). Você faltou. Por quê?
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
quê?

#FicaDica PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)


Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto Usos:
à ortografia de uma palavra, há a possibili- 1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
dade de consultar o Vocabulário Ortográfi- a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto
pela Academia Brasileira de Letras. É uma final) = Compre agora, porque há poucas peças.
obra de referência até mesmo para a criação 2. como conjunção subordinativa causal, substituível
de dicionários, pois traz a grafia atualizada por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
das palavras (sem o significado). Na Internet, que se antecipou.
o endereço é www.academia.org.br.
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)

2. Informações importantes Usos:


1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra-
Formas variantes são as que admitem grafias ou pro- zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge-
núncias diferentes para palavras com a mesma significa- ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da
ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze, discussão. É uma pessoa cheia de porquês.
dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re- 2. ONDE / AONDE
lampejar/relampear/relampar/relampadar.
Os símbolos das unidades de medida são escritos Onde = empregado com verbos que não expressam
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar a ideia de movimento = Onde você está?
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
20km, 120km/h. Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L. que expressam movimento = Aonde você vai?

Na indicação de horas, minutos e segundos, não 3. MAU / MAL


deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi- Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
LÍNGUA PORTUGUESA

nutos e trinta e quatro segundos). como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
O símbolo do real antecede o número sem espaço: mau elemento.
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
ra vertical ($). Mal = pode ser usado como
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
mal na prova?

2
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou 10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático,
não compensa. geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos-
pitalar, super-homem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa termina com a mesma vogal do segundo elemento:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- vação, etc.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira #FicaDica
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
Saraiva, 2002. Lembrete da Zê!
Ao separar palavras na translineação (mu-
SITE dança de linha), caso a última palavra a ser
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or- escrita seja formada por hífen, repita-o na
tografia próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
4. Hífen Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para mação, pode ser que a repetição do hífen na
ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi- translineação não ocorra em meus conteú-
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos dos, mas saiba que a regra é esta!
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
B) Não se emprega o hífen:
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter-
mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes:
Ortográfica:
antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema,
1. Em palavras compostas por justaposição que for- minissaia, microrradiografia, etc.
mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
que se unem para formam um novo significado: fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-co- com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
ronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, ar- cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico,
co-íris, primeiro-ministro, azul-escuro. plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abó- “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini-
bora-menina, erva-doce, feijão-verde. cial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
recém-casado. coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas ção, coexistir, etc.
exceções continuam por já estarem consagradas pelo 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé- de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para-
-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa, deus-dará. quedista, etc.
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei-
-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com- to, benquerer, benquerido, etc.
binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria,
Angola-Brasil, etc. Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
per- quando associados com outro termo que é ini- não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado,
LÍNGUA PORTUGUESA

ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra- pressuposto, propor.


cional, etc. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma-
ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. no, super-realista, alto-mar.
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré- Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, an-
-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc. tisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ul-
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra- trassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, au-
ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. toajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.

3
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa cadas como:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
SITE papel
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla-
ortografia ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus
EXERCÍCIOS COMENTADOS Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces- tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.
pe – 2013 – adaptada)
2 Os acentos
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
de comunicação, os quais são indispensáveis para que e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí,
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicida-
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus de, timbre aberto: herói – céu (ditongos abertos).
que a lei lhes impõe. B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações). “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin- C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a”
tes. com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de- em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros:
manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon- mülleriano (de Müller)
tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez, E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
substituído por conheçam os atos havidos no transcurso vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
do acontecimento.
2.1 Regras fundamentais
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu-
intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in- Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
a necessidade de avaliar a segunda substituição. guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas
terminadas em:
i, is: táxi – lápis – júri
Acentuação. us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
Quanto à acentuação, observamos que algumas pa- fórceps
lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
Por isso, vamos às regras! não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Regras básicas
#FicaDica
A acentuação tônica está relacionada à intensida-
de com que são pronunciadas as sílabas das palavras. Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se esta palavra apresenta as terminações das
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
com menos intensidade, são denominadas de átonas. (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim
ficará mais fácil a memorização!

4
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando 2.4 Regra do Hiato
a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen- Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
tuadas, independentemente de sua terminação: árvore, da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá
paralelepípedo, cárcere. acento: saída – faísca – baú – país – Luís
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
2.2 Regras especiais quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento verem seguidas do dígrafo nh:
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em ra-i-nha, ven-to-i-nha.
palavras paroxítonas. Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie-
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman-
FIQUE ATENTO! do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí-
Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber- tonas):
tos estiverem em uma palavra oxítona (he-
rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen-
Antes Agora
tuados: dói, escarcéu.
bocaiúva bocaiuva
feiúra feiura
Antes Agora Sauípe Sauipe
assembléia assembleia
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
idéia ideia abolido:
geléia geleia
jibóia jiboia Antes Agora
apóia (verbo apoiar) apoia crêem creem
paranóico paranoico lêem leem
vôo voo
2.3 Acento Diferencial
enjôo enjoo
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala- #FicaDica
vras e/ou tempos verbais. Por exemplo: Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per- verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do que não recebem mais acento como antes:
Indicativo do mesmo verbo). CRER, DAR, LER e VER.
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, Repare:
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição. O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
Os demais casos de acento diferencial não são mais Elza lê bem! / Todas leem bem!
utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti- Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama- garotos deem o recado!
ticais são definidos pelo contexto. Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Polícia para o trânsito para que se realize a operação Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con- à tarde!
junção (com relação de finalidade). As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
#FicaDica
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando, na frase, der para substituir o Antes Depois


“por” por “colocar”, estaremos trabalhando apazigúe (apaziguar) apazigue
com um verbo, portanto: “pôr”; nos de-
mais casos, “por” é preposição: Faço isso averigúe (averiguar) averigue
por você. / Posso pôr (colocar) meus livros argúi (arguir) argui
aqui?

5
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes- Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em
soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm “o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = monos-
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos con- sílaba terminada em ditongo aberto “éu”.
ter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele
obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
– eles convêm. FLEXÃO NOMINAL E VERBAL.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Flexão Nominal
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- 1. Flexão de número
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. Os nomes (substantivo, adjetivo etc.), de modo geral, ad-
mitem a flexão de número: singular e plural: animal/animais.
SITE
I – Na maioria das vezes, acrescenta-se S: ponte/pontes;
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.htm
bonito/bonitos;
II – Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES: éter/
éteres; avestruz/avestruzes. O pronome qualquer faz o plural
EXERCÍCIOS COMENTADOS no meio: quaisquer;
III – Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se ES:
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe ananás/ananases. As paroxítonas e as proparoxítonas são in-
– 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em variáveis: o pires/os pires, o ônibus/os ônibus;
conformidade com a mesma regra ortográfica. IV – Palavras terminadas em IL: átono: trocam IL por EIS:
fóssil/fósseis;
( ) CERTO ( ) ERRADO tônico: trocam L por S: funil/funis.
V – Palavras terminadas em EL:
Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona átono: plural em EIS: nível/níveis.
terminada em ditongo / “história” - acentua-se a pa- tônico: plural em ÉIS: carretel/carretéis.
roxítona terminada em ditongo VI – Palavras terminadas em X são invariáveis: o clímax/
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona os clímax.
terminada em ditongo. Há palavras cuja sílaba tônica avança: júnior/juniores; ca-
Observação: nestes casos, admitem-se as separações ráter/caracteres. A palavra
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí- Caracteres é plural tanto de caractere quanto de caráter.
tonas. VII – Palavras terminadas em ão fazem o plural em ãos,
ães e ões.
2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012) Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões.
Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento Em ãos: pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos. Os
gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. paroxítonos, como os dois últimos, sempre fazem o plural
em ãos.
( ) CERTO ( ) ERRADO Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães.
Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos; verões/verãos;
Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos
anões/anãos.
= proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma
Em ões ou ães: charlatões/charlatães; guardiões/guar-
regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”).
diães; cirugiões/cirurgiães.
Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães; ermitões/
3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem ermitãos/ermitães.
acento gráfico com base na mesma regra de acentuação VIII – Plural dos diminutivos com a letra z. Coloca-se a
gráfica. palavra no plural, corta-se o S e acrescenta-se zinhos (ou zi-
nhas): coraçãozinho/corações/corações/coraçõezinhos.
( ) CERTO ( ) ERRADO IX – Plural com metafonia (ô - ó). Algumas palavras, quan-
do vão ao plural, abrem o timbre da vogal “o”, outras não.
Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada Com metafonia singular (ô) plural (ó): coro/coros; corvo/cor-
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton- vos; destroço/destroços. Sem metafonia singular (ô) plural
LÍNGUA PORTUGUESA

go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os (ô): adorno/adornos; bolso/bolsos; transtorno/transtornos.


três vocábulos são acentuados devido à mesma regra. X – Casos especiais: aval/avales e avaiscal; cales/caiscós;
coses/cós; fel/feles e féis; mal/males; cônsul/cônsules.
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As XI – Os dois elementos variam. Quando os compostos
palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com são formados por substantivo mais palavra variável (ad-
a mesma regra de acentuação gráfica. jetivo, substantivo, numeral, pronome): amor-perfeito/
amores-perfeitos; couve-flor/couves-flores; segunda-fei-
( ) CERTO ( ) ERRADO ra/segundas-feiras.

6
- Só o primeiro elemento varia. Quando há prepo- de/freira; ilhéu/ilhoa; judeu/judia; marajá/marani; mon-
sição no composto, mesmo que oculta: pé-de-moleque ge/ monja; pigmeu/pigmeia; píton/pitonisa; sandeu/san-
− pés-de-moleque; cavalo-vapor − cavalos-vapor (de ou dia; sultão/sultana.
a vapor). Quando o segundo substantivo determina o Alguns substantivos são uniformes quanto ao gêne-
primeiro (fim ou semelhança): banana-maçã − bananas- ro, ou seja, possuem uma única forma para masculino e
-maçã (semelhante a maçã); navio-escola − navios-esco- feminino. Podem ser:
la (a finalidade é a escola). Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo de-
Alguns autores admitem a flexão dos dois elemen- signar os dois sexos: a pessoa, o cônjuge, a testemunha.
tos. É uma situação polêmica: mangas-espada (preferível) Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos, po-
ou mangas-espadas. Quando dizemos (e isso vai ocorrer dendo então ser masculinos ou femininos: o estudante/a es-
outras vezes) que é uma situação polêmica, discutível, tudante; o cientista/a cientista; o patriota/a patriota.
convém ter em mente que a questão do concurso deve Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os
ser resolvida por eliminação, ou seja, analisando bem as animais: O jacaré, a cobra, o polvo;
outras opções. O feminino de elefante é elefanta e não elefoa. Aliá
XII – Apenas o último elemento varia. Quando os ele- é correto, mas designa apenas uma espécie de elefanta.
mentos são adjetivos: hispano-americano/hispano-ame- Mamão, para alguns gramáticos, deve ser considerado
ricanos. A exceção é surdo-mudo, em que os dois ad- epiceno. É algo discutível.
jetivos se flexionam: surdos-mudos. Nos compostos em Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas
que aparecem os adjetivos grão, grã e bel: grão-duque/ costumam trocar: champanha aguardente, dó, alface,
grão-duques; grã-cruz/grã-cruzes; bel-prazer/bel-praze- eclipse, calformicida, cataplasma, grama (peso), grafite,
res. Quando o composto é formado por verbo ou qual- milhar libido, plasma, soprano, mousse, suéter, preá, te-
quer elemento invariável (advérbio, interjeição, prefixo lefonema.
etc.) mais substantivo ou adjetivo: arranha-céu/arranha- Existem substantivos que admitem os dois gêneros:
-céus; sempre-viva/sempre-vivas; super-homem/super- diabetes (ou diabete), laringe, usucapião etc.
-homens. Quando os elementos são repetidos ou ono-
matopaicos (representam sons): reco-reco/reco-recos; 3. Flexão de Grau
pingue-pongue/pingue-pongues; bem-te-vi/bem-te-vis.
Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver algu- Grau do substantivo
ma alteração nos elementos, ou seja, não serem iguais. I – Normal ou Positivo: sem nenhuma alteração.
II – Aumentativo: Sintético: chapelão.
Se forem verbos repetidos, admite-se também pôr os
Analítico: chapéu grande, chapéu enorme etc.
dois no plural: pisca-pisca/pisca-piscas ou piscas-piscas.
III – Diminutivo: Sintético: chapeuzinho. Analítico: cha-
XIII – Nenhum elemento varia. Quando há verbo mais
péu pequeno, chapéu reduzido etc. Um grau é sintético
palavra invariável: O cola-tudo/os cola-tudo. Quando há
quando formado por sufixo; analítico, por meio de outras
dois verbos de sentido oposto: o perde-ganha/os per-
palavras.
de-ganha. Nas frases substantivas (frases que se trans-
formam em substantivos): O maria-vai-com-as-outras/os Grau do adjetivo
maria-vai-com-as-outras. IV – Normal ou Positivo: João é forte.
São invariáveis arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, V – Comparativo: de superioridade: João é mais forte
sem-teto e sem-terra: Os sem-terra apreciavam os arco-í- que André. (ou do que); de inferioridade: João é menos
ris. Admitem mais de um plural: pai-nosso/pais-nossos ou forte que André. (ou do que); de igualdade: João é tão
pai-nossos, padre-nosso/padres-nossos ou padre-nos- forte quanto André. (ou como)
sos; terra-nova/terras-novas ou terra-novas; salvo-con- VI – Superlativo: Absoluto: sintético: João é fortíssimo;
duto/salvos-condutos ou salvo-condutos; xeque-mate/ analítico: João é muito forte (bastante forte, forte demais etc.);
xeques-mates ou xeques-mate; fruta-pão/frutas-pães ou Relativo: de superioridade: João é o mais forte da tur-
frutas-pão; guarda-marinha/guardas-marinhas ou guar- ma; de inferioridade: João é o menos forte da turma.
das-marinha. Casos especiais: palavras que não se en-
caixam nas regras: o bem-me-quer/os bem-me-queres; O grau superlativo absoluto corresponde a um aumen-
o joão-ninguém/os joões-ninguém; o lugar-tenente/os to do adjetivo. Pode ser expresso por um sufixo (íssimo,
lugar-tenentes; o mapa-múndi/os mapas-múndi. érrimo ou imo) ou uma palavra de apoio, como muito,
bastante, demasiadamente, enorme etc. As palavras maior,
2. Flexão de Gênero menor, melhor, e pior constituem sempre graus de supe-
rioridade: O carro é menor que o ônibus; menor (mais pe-
Os substantivos e as palavras que o acompanham na queno): comparativo de superioridade. Ele é o pior do gru-
frase admitem a flexão de gênero: masculino e femini- po; pior (mais mau): superlativo relativo de superioridade.
LÍNGUA PORTUGUESA

no: Meu amigo diretor recebeu o primeiro salário. Minha Alguns superlativos absolutos sintéticos que podem
amiga diretora recebeu a primeira prestação. A flexão de apresentar dúvidas. Acre/acérrimo, amargo/amaríssimo;
feminino pode ocorrer de duas maneiras. amigo/amicíssimo; antigo/antiquíssimo; cruel/crudelís-
I – Com a troca de O ou E por a: lobo – loba; mestre simo; doce/dulcíssimo; fácil/facílimo; feroz/ferocíssimo;
– mestra; fiel/fidelíssimo; geral/generalíssimo; humilde/humílimo;
II – Por meio de diferentes sufixos nominais de gê- magro/macérrimo; negro/nigérrimo; pobre/paupérrimo;
nero, muitas vezes com alterações do radical: ateu/ateia, sagrado/sacratíssimo; sério/seriíssimo; soberbo/super-
bispo/episcopisa, conde/condessa, duque/duquesa, fra- bíssimo.

7
Flexão Verbal
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL.
As flexões verbais são expressas por meio dos tem-
pos, modo e pessoa da seguinte forma: O tempo indica
o momento em que ocorre o processo verbal; O modo Concordância Verbal e Nominal
indica a atitude do falante (dúvida, certeza, impossibili-
dade, pedido, imposição, etc.); A pessoa marca na forma Os concurseiros estão apreensivos.
do verbo a pessoa gramatical do sujeito. Concurseiros apreensivos.
Tempos: Há tempos do presente, do passado (preté-
rito) e do futuro. No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
4.1 Modo jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
Modo Indicativo: Indica uma certeza relativa do falan- e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
te com referência ao que o verbo exprime; pode ocorrer curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
no tempo presente, passado ou futuro: número e gênero se correspondem. A correspondência
Presente: Processo simultâneo ao ato da fala, fato de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
corriqueiro, habitual: Compro livros nesta livraria. Usa-se ser verbal ou nominal.
também o presente com o valor de passado, passado his-
tórico (nos contos, narrativas) 1. Concordância Verbal
Tempos do Pretérito (passado): Exprimem processos
anteriores ao ato da fala. São eles: É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
- Pretérito Imperfeito: Exprime um processo habitual, seu sujeito.
ou com duração no tempo: Naquela época eu cantava
como um pássaro. 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
- Pretérito Perfeito: Exprime uma ação acabada: Paulo O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
quebrou meu violão de estimação. em número e pessoa. Veja os exemplos:
- Pretérito Mais-que-Perfeito: Exprime um processo
anterior a um processo acabado: Embora tivera deixado A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
a escola, ele nunca deixou de estudar. 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
Tempos do Futuro: Indicam processos que irão acon-
tecer: Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
- Futuro do Presente: Exprime um processo que ainda 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
não aconteceu: Farei essa viagem no fim do ano.
- Futuro do Pretérito: Exprime um processo posterior 1.1.1. Casos Particulares
a um processo que já passou: Eu faria essa viagem se não
tivesse comprado o carro. A) Quando o sujeito é formado por uma expressão par-
Modo Subjuntivo: Expressa incerteza, possibilidade titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade
ou dúvida em relação ao processo verbal e não está li- de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...)
gado com a noção de tempo. Há três tempos: presente, seguida de um substantivo ou pronome no plural, o
imperfeito e futuro. Quero que voltes para mim; Não verbo pode ficar no singular ou no plural.
pise na grama; É possível que ele seja honesto; Espero A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
que ele fique contente; Duvido que ele seja o culpado; Metade dos candidatos não apresentou / apresenta-
Procuro alguém que seja meu companheiro para sem- ram proposta.
pre; Ainda que ele queira, não lhe será concedida a vaga;
Se eu fosse bailarina, estaria na Rússia; Quando eu tiver Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
dinheiro, irei para as praias do nordeste. dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân-
Modo Imperativo: Exprime atitude de ordem, pedido dalos destruiu / destruíram o monumento.
ou solicitação: Vai e não voltes mais.
Pessoa: A norma da língua portuguesa estabelece três Observação:
pessoas: Singular: eu, tu, ele, ela. Plural: nós, vós, eles, Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
elas. No português brasileiro é comum o uso do prono- unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque
me de tratamento você (s) em lugar do tu e vós. aos elementos que formam esse conjunto.
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Quando o sujeito é formado por expressão que


indica quantidade aproximada (cerca de, mais de,
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs-
tantivo, o verbo concorda com o substantivo.
Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi-
mas Olimpíadas.

8
Observação: F) O pronome “que” não interfere na concordância;
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: do singular.
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- Fui eu que paguei a conta.
ram um ao outro) Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
C) Quando se trata de nomes que só existem no Sou eu quem faz a prova.
plural, a concordância deve ser feita levando-se Não serão eles quem será aprovado.
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
no plural, o verbo deve ficar o plural. sumir a forma plural.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
Estados Unidos possui grandes universidades. taram os poetas.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. Este candidato é um dos que mais estudaram!
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou singular:
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou Nem uma das que me escreveram mora aqui.
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
pronome pessoal. tantivo, o verbo pode:
Quais de nós são / somos capazes? 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves-
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? sa o Estado de São Paulo. ( já que não há outro rio
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino- que faça o mesmo).
vadoras. 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
luídos (noção de que existem outros rios na mesma
Observação: condição).
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize- verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso Vossa Excelência está cansado?
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de Vossas Excelências renunciarão?
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti- I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
de acordo com o numeral.
ver no singular, o verbo ficará no singular.
Deu uma hora no relógio da sala.
Qual de nós é capaz?
Deram cinco horas no relógio da sala.
Algum de vós fez isso.
Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco.
E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
que indica porcentagem seguida de substantivo, o
Observação:
verbo deve concordar com o substantivo.
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
25% do orçamento do país será destinado à Educação. torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
85% dos entrevistados não aprovam a administração O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
do prefeito. Soa quinze horas o relógio da matriz.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova. J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin-
 Quando a expressão que indica porcentagem não gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi-
com o número. cam fenômenos da natureza. Exemplos:
25% querem a mudança. Havia muitas garotas na festa.
LÍNGUA PORTUGUESA

1% conhece o assunto. Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde.
 Se o número percentual estiver determinado por
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
-á com eles:
Os 30% da produção de soja serão exportados.
Esses 2% da prova serão questionados.

9
1.2. Sujeito Composto Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de “adi-
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, ção”. Já em:
a concordância se faz no plural: Juca ou Pedro será contratado.
Pai e filho conversavam longamente. Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada.
Sujeito
Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
Pais e filhos devem conversar com frequência. no singular.
Sujeito
 Com as expressões “um ou outro” e “nem um
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gra- nem outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
maticais diferentes, a concordância ocorre da seguinte ma- Um ou outro compareceu à festa.
neira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece sobre a Nem um nem outro saiu do colégio.
segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece sobre a
terceira (eles). Veja:  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. ou no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)
 Quando os núcleos do sujeito são unidos por
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. “com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos re-
Segunda Pessoa do Plural (Vós) cebem um mesmo grau de importância e a palavra “com”
tem sentido muito próximo ao de “e”.
Pais e filhos precisam respeitar-se. O pai com o filho montaram o brinquedo.
Terceira Pessoa do Plural (Eles) O governador com o secretariado traçaram os planos
para o próximo semestre.
Observação: O professor com o aluno questionaram as regras.
Quando o sujeito é composto, formado por um elemen-
to da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é possível Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
empregar o verbo na terceira pessoa do plural (eles): “Tu e a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar de “tomaríeis”. O pai com o filho montou o brinquedo.
O governador com o secretariado traçou os planos
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
para o próximo semestre.
passa a existir uma nova possibilidade de concordância: em
O professor com o aluno questionou as regras.
vez de concordar no plural com a totalidade do sujeito, o
verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do su-
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
jeito mais próximo.
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
Faltaram coragem e competência.
Faltou coragem e competência. sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
Compareceram todos os candidatos e o banca. adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
Compareceu o banca e todos os candidatos. vesse uma inversão da ordem. Veja:
“O pai montou o brinquedo com o filho.”
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordân- “O governador traçou os planos para o próximo semes-
cia é feita no plural. Observe: tre com o secretariado.”
Abraçaram-se vencedor e vencido. “O professor questionou as regras com o aluno.”
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Casos em que se usa o verbo no singular:
1.2.1. Casos Particulares Café com leite é uma delícia!
O frango com quiabo foi receita da vovó.
 Quando o sujeito composto é formado por nú-
cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin- Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex-
gular. pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
Descaso e desprezo marca seu comportamento. somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”,
A coragem e o destemor fez dele um herói. o verbo ficará no plural.
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
 Quando o sujeito composto é formado por nú- Nordeste.
cleos dispostos em gradação, verbo no singular: Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a
LÍNGUA PORTUGUESA

Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segun- notícia.


do me satisfaz.
Quando os elementos de um sujeito composto são
 Quando os núcleos do sujeito composto são uni- resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância
dos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, de é feita com esse termo resumidor.
acordo com o valor semântico das conjunções: Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.
Drummond ou Bandeira representam a essência da poe- Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
sia brasileira. na vida das pessoas.

10
1.2.2 Outros Casos B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
O Verbo e a Palavra “SE” mente, com o que estiver no plural:
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há Os livros são minha paixão!
duas de particular interesse para a concordância verbal: Minha paixão são os livros!
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora. Quando o verbo SER indicar
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos  horas e distâncias, concordará com a expressão
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na numérica:
terceira pessoa do singular: É uma hora.
Precisa-se de funcionários. São quatro horas.
Confia-se em teses absurdas. Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô-
metros.
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver-
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indi-  datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
retos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse estar expressa ou subentendida:
caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
Exemplos: Hoje é dia 26 de agosto.
Construiu-se um posto de saúde. Hoje são 26 de agosto.
Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos  Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-
Alugam-se casas. de e for seguido de palavras ou expressões como
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:
#FicaDica Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
Duas semanas de férias é muito para mim.
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
 Quando um dos elementos (sujeito ou predica-
se construída for “compreensível”, estaremos
tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este
diante de uma partícula apassivadora; se não, o
concordará o verbo.
“se” será índice de indeterminação. Veja:
No meu setor, eu sou a única mulher.
Precisa-se de funcionários qualificados.
Aqui os adultos somos nós.
Tentemos a voz passiva:
Funcionários qualificados são precisados (ou
Observação:
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre-
tacado é índice de indeterminação do sujeito.
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com
Agora:
o pronome sujeito.
Vendem-se casas.
Eu não sou ela.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
Ela não é eu.
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva.
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido
Repare em meu destaque. Percebeu semelhan-
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu-
ça? Agora é só memorizar!)
ral, o verbo SER concordará com o predicativo.
A grande maioria no protesto eram jovens.
O resto foram atitudes imaturas.
O Verbo “Ser”
O Verbo “Parecer”
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução
sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân- verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordân-
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo cias:
do sujeito.  Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o sujeito ou o predicativo for: desenho.

A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo  A variação do verbo parecer não ocorre e o infini-
SER concorda com a pessoa gramatical: tivo sofre flexão:
Ele é forte, mas não é dois. As crianças parece gostarem do desenho.
Fernando Pessoa era vários poetas. (essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho
A esperança dos pais são eles, os filhos. aas crianças)

11
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
FIQUE ATENTO!
vo não for acompanhado de nenhum modificador:
Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER Água é bom para saúde.
fica no singular. Por exemplo: As paredes pa- O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
rece que têm ouvidos. (Parece que as paredes modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
têm ouvidos = oração subordinada substantiva tivo: Esta água é boa para saúde.
subjetiva).
D) O adjetivo concorda em gênero e número com os
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
Concordância Nominal trou-as muito felizes.

A concordância nominal se baseia na relação entre E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes DE + adjetivo, este último geralmente é usado no
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: masculino singular: Os jovens tinham algo de mis-
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de terioso.
um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno- F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
minal. função adjetiva e concorda normalmente com o
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as nome a que se refere:
seguintes regras gerais: Cristina saiu só.
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando Cristina e Débora saíram sós.
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
denunciavam o que sentia. Observação:
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Eles só desejam ganhar presentes.
a concordância pode variar. Podemos sistematizar
essa flexão nos seguintes casos:
#FicaDica
 Adjetivo anteposto aos substantivos:
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se
O adjetivo concorda em gênero e número com o
a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se
substantivo mais próximo.
de advérbio, portanto, invariável; se houver
Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
coerência com o segundo, função de adjetivo,
Encontramos caída a roupa e os prendedores.
então varia:
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo
Ele está só descansando. (apenas descansando)
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
- advérbio
parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula de-
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
pois de “só”, haverá, novamente, um adjetivo:
Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e des-
cansando)
 Adjetivo posposto aos substantivos:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
ou com todos eles (assumindo a forma masculina G) Quando um único substantivo é modificado por
plural se houver substantivo feminino e masculi- dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
no). das as construções:
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.  O substantivo permanece no singular e coloca-se
A indústria oferece atendimento e localização perfeita. o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos. espanhola e a portuguesa.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.  O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e
Observação: portuguesa.
Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos 1. Casos Particulares
LÍNGUA PORTUGUESA

dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado


no plural masculino, que é o gênero predominante quan- É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
do há substantivos de gêneros diferentes. mitido
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
jetivo fica no singular ou plural.  Estas expressões, formadas por um verbo mais um
A beleza e a inteligência feminina(s). adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
O carro e o iate novo(s). referem possuir sentido genérico (não vier prece-
dido de artigo).

12
É proibido entrada de crianças. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Em certos momentos, é necessário atenção. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
No verão, melancia é bom. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
É preciso cidadania. Paulo: Saraiva, 2010.
Não é permitido saída pelas portas laterais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
o verbo como o adjetivo concordam com ele.
É proibida a entrada de crianças. SITE
Esta salada é ótima. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.

Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - EXERCÍCIOS COMENTADOS


Quite
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú- pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência
mero com o substantivo ou pronome a que se referem. e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre
Seguem anexas as documentações requeridas. na segunda pessoa do plural e no feminino, exigem fle-
A menina agradeceu: - Muito obrigada. xão verbal de terceira pessoa; além disso, o pronome
Muito obrigadas, disseram as senhoras. possessivo que faz referência ao pronome de tratamento
Seguem inclusos os papéis solicitados. também deve ser o de terceira pessoa, e o adjetivo que
Estamos quites com nossos credores. remete ao pronome de tratamento deve concordar em
gênero e número com a pessoa — e não com o pronome
Bastante - Caro - Barato - Longe
— a que se refere.
Estas palavras são invariáveis quando funcionam
( ) CERTO ( ) ERRADO
como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân-
tivos, ou numerais.
cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata-
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
mento devem ser na terceira pessoa e concordar em
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
(pronome adjetivo) gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio) se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con-
As casas estão caras. (adjetivo) cordará com quem está se falando: uma mulher ou um
Achei barato este casaco. (advérbio) homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” /
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo) “Vossas Senhorias gostariam de um café?”.

Meio - Meia 2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bási-


cos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – Ces-
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo, pe – 2017)
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
meia porção de polentas. Texto CB3A2BBB
Quando empregada como advérbio permanece inva-
riável: A candidata está meio nervosa. O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos
estão na base das Constituições democráticas modernas.
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re-
#FicaDica conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos
em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim tempo, o processo de democratização do sistema in-
saberei que se trata de um advérbio, não de ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca
adjetivo: “A candidata está um pouco nervosa”. do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção
LÍNGUA PORTUGUESA

dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos


Alerta - Menos humanos, democracia e paz são três elementos funda-
mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem humanos reconhecidos e protegidos, não há democra-
sempre invariáveis. cia; sem democracia, não existem as condições mínimas
Os concurseiros estão sempre alerta. para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras,
Não queira menos matéria! a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se
tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns

13
direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que 5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Conhe-
não tenha a guerra como alternativa, somente quando cimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINISTRAÇÃO
existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele Es- PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 – adapta-
tado, mas do mundo. da) (...) Há décadas, países como China e Índia têm envia-
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson do estudantes para países centrais, com resultados muito
Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adap- positivos.(...)
tações). A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
por Fazem.
Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A2B-
BB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser subs- ( ) CERTO ( ) ERRADO
tituídos, respectivamente, por
a) não existe e não têm. Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre-
b) não existe e inexiste. gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão.
c) inexiste e não há. Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas”
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL.
Resposta: Letra C.
Busquemos o contexto:
- sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não há REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
democracia = poderíamos substituir por “não existe”, ine-
xiste (verbo “haver” empregado com o sentido de “existir”) Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
- sem democracia, não existem as condições mínimas que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome
para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis- (regência nominal) e seus complementos.
tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural, já 1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
que devemos concordar com “as condições mínimas”.
A única “troca” adequada seria o verbo “haver” – que A regência verbal estuda a relação que se estabele-
pode ser utilizado com o sentido de “existir”. Teríamos: ce entre os verbos e os termos que os complementam
sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, ine- (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad-
xiste democracia; sem democracia, não há as condições juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma
mínimas para a solução pacífica dos conflitos. regência, o que corresponde à diversidade de significa-
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do
3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comér- contexto em que forem empregados.
cio Exterior – Analista Técnico Administrativo – cespe A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
– 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita com os contentar.
resultados das negociações”, o adjetivo estará corretamen- A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar
te empregado se dirigido a ministro de Estado do sexo agrado ou prazer”, satisfazer.
masculino, pois o termo “satisfeita” deve concordar com Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
a locução pronominal de tratamento “Vossa Excelência”. “agradar a alguém”.

( ) CERTO ( ) ERRADO O conhecimento do uso adequado das preposições


é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for verbal (e também nominal). As preposições são capazes
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; de modificar completamente o sentido daquilo que está
mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá flexão sendo dito.
de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento é ape- Cheguei ao metrô.
nas a maneira como tratar a autoridade, não regendo Cheguei no metrô.
as demais concordâncias. No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe –
2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocidade, A voluntária distribuía leite às crianças.
persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge a no- A voluntária distribuía leite com as crianças.
ção contemporânea de agilidade, transformada em princi- Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
pal característica de nosso tempo. como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (ob-
LÍNGUA PORTUGUESA

A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramatical para jeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo
o texto, ser flexionada no plural, para concordar com “veloci- direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto
dade, persistência, relevância, precisão e flexibilidade” adverbial).
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver-
( ) CERTO ( ) ERRADO bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife-
Resposta: Errado. O verbo está concordando com o rentes formas em frases distintas.
termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.

14
A) Verbos Intransitivos verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tô-
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos nicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. átonos lhe, lhes.

Chegar, Ir Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:


Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
indicar destino ou direção são: a, para. iguais para todos.

Fui ao teatro. Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-


Adjunto Adverbial de Lugar mentos introduzidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar
Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
Comparecer
quem” ou “ao que” se responde.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Respondi ao meu patrão.
em ou a. Respondemos às perguntas.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o Respondeu-lhe à altura.
último jogo. Observação:
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
B) Verbos Transitivos Diretos do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
Os verbos transitivos diretos são complementados por analítica:
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição O questionário foi respondido corretamente.
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
gar esses verbos, lembre-se de que os pronomes oblíquos
o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas ver- tos introduzidos pela preposição “com”.
bais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após Antipatizo com aquela apresentadora.
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. nam para uma minoria privilegiada.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxi-
liar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, de- Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
fender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem des-
prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. taque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São ver-
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente bos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e
como o verbo amar: objeto indireto relacionado a pessoas.
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Agradeço aos ouvintes a audiência.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Objeto Indireto Objeto Direto
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
Observação:
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos ad- com particular cuidado:
nominais): Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira) Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor) Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Verbos Transitivos Indiretos Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.


Os verbos transitivos indiretos são complementados
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Informar
gem uma preposição para o estabelecimento da relação Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos Informe os novos preços aos clientes.
são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se uti- Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
lizam os pronomes o, os, a, as como complementos de vos preços)

15
Na utilização de pronomes como complementos, veja Agradar
as construções: Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. nhos, acariciar, fazer as vontades de.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou Sempre agrada o filho quando.
sobre eles) Aquele comerciante agrada os clientes.

Observação: Agradar é transitivo indireto no sentido de causar


A mesma regência do verbo informar é usada para os agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. introduzido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple- O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com to: O cantor desagradou à plateia.
o) de uma criança.
Aspirar
Pedir Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
de pessoa. como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
pirávamos a ele)
Pedi-lhe favores. Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
Objeto Indireto Objeto Direto soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- Aspiravam a ela)
tantiva Objetiva Direta
Assistir
A construção “pedir para”, muito comum na lingua- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- tar assistência a, auxiliar.
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
palavra licença estiver subentendida. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
casa. Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
ciar, estar presente, caber, pertencer.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro- Assistimos ao documentário.
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de Não assisti às últimas sessões.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Essa lei assiste ao inquilino.

Preferir No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-


Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
indireto introduzido pela preposição “a”: lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. conturbada cidade.
Prefiro trem a ônibus.
Chamar
Observação: Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem licitar a atenção ou a presença de.
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve- Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha-
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo má-la.
prefixo existente no próprio verbo (pre). Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
Mudança de Transitividade - Mudança de Significado apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- dicativo preposicionado ou não.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- A torcida chamou o jogador mercenário.
LÍNGUA PORTUGUESA

cimento das diferentes regências desses verbos é um re- A torcida chamou ao jogador mercenário.
curso linguístico muito importante, pois além de permitir A torcida chamou o jogador de mercenário.
a correta interpretação de passagens escritas, oferece A torcida chamou ao jogador de mercenário.
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
os principais, estão: Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.

Custar

16
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado Querer
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito. vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo Queremos um país melhor.
ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração re-
duzida de infinitivo. Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.
Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada Visar
Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
Custou-me (a mim) crer nisso. O homem visou o alvo.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- O gerente não quis visar o cheque.
tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
A Gramática Normativa condena as construções que objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por O ensino deve sempre visar ao progresso social.
pessoa: Custei para entender o problema. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-es-
= Forma correta: Custou-me entender o problema. tar público.

Implicar Esquecer – Lembrar


Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: Lembrar algo – esquecer algo
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronomi-
implicavam um firme propósito. nal)
B) ter como consequência, trazer como consequência,
acarretar, provocar: Uma ação implica reação. No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o li-
Como transitivo direto e indireto, significa compro- vro.
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc)
econômicas. e exigem complemento com a preposição “de”. São, por-
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti- tanto, transitivos indiretos:
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com Ele se esqueceu do caderno.
quem não trabalhasse arduamente. Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Namorar Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
anos. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
Obedecer - Desobedecer alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
Sempre transitivo indireto: gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
Todos obedeceram às regras. clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado
Ninguém desobedece às leis. de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias
vezes.
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas. Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
Proceder momentos é sujeito)
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa Simpatizar - Antipatizar
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
adverbial de modo. Não simpatizei com os jurados.
As afirmações da testemunha procediam, não havia Simpatizei com os alunos.
como refutá-las.
LÍNGUA PORTUGUESA

Você procede muito mal. A norma culta exige que os verbos e expressões que dão
ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo- Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu- Cláudia desceu ao segundo andar.
zido pela preposição “a”) é transitivo indireto. Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

17
2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- OCORRÊNCIA DE CRASE.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Crase
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos
SITE pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61. com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as
php quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar-
cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo,
à qual, às quais.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
EXERCÍCIO COMENTADO do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
– 2014 – adaptada) que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, sé- termo regido é aquele que completa o sentido do termo
ria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
culturais de todos os Estados e sociedades. Suas con- contratada recentemente.
sequências infligem considerável prejuízo às nações do Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam dos entre parênteses), temos:
por todos os cantos da sociedade e por todos os espaços Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
geográficos, afetando homens e mulheres de diferen- da recentemente.
tes grupos étnicos, independentemente de classe social
e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevân- O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
cia na discussão dos efeitos adversos do uso indevido classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos re-
de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e ferimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição
dos crimes conexos — geralmente de caráter transna- a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o
cional — com a criminalidade e a violência. Esses fato- pronome demonstrativo aquela (àquela).
res ameaçam a soberania nacional e afetam a estrutura
social e econômica interna, devendo o governo adotar Observações importantes:
uma postura firme de combate ao tráfico de drogas, ar- Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
ticulando-se internamente e com a sociedade, de forma confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção  Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
e repressão e garantir o envolvimento e a aprovação dos equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
cidadãos. crase está confirmada.
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>. Os dados foram solicitados à diretora.
Os dados foram solicitados ao diretor.
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em  No caso de nomes próprios geográficos, substi-
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
do vocábulo “conexos”. sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da
crase.
( ) CERTO ( ) ERRADO Faremos uma visita à Bahia.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância
na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de Não me esqueço da viagem a Roma.
drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional mais vividos.
— com a criminalidade e a violência.
O termo está se referindo à associação – associação Nas situações em que o nome geográfico se apresen-
LÍNGUA PORTUGUESA

do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a crimi- tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está
nalidade (2) (associação daquilo [1] com isso [2]) confirmada.
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas
praias.

19
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
#FicaDica uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes-
tre foi arremessado à distância de cem metros.
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou  De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a -, faz-se necessário o emprego da crase.
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra Ensino à distância.
quê?) Ensino a distância.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)  Em locuções adverbiais formadas por palavras re-
petidas, não há ocorrência da crase.
Ela ficou frente a frente com o agressor.
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor- Eu o seguirei passo a passo.
rerá crase. Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Casos em que não se admite o emprego da crase:
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado. Antes de vocábulos masculinos.
As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), Esta caneta pertence a Pedro.
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
regente exigir complemento regido da preposição “a”.
Antes de verbos no infinitivo.
Entregamos a encomenda àquela menina.
Ele estava a cantar.
(preposição + pronome demonstrativo)
Começou a chover.
Iremos àquela reunião.
(preposição + pronome demonstrativo) Antes de numeral.
O número de aprovados chegou a cem.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando Faremos uma visita a dez países.
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)
(preposição + pronome demonstrativo) Observações:
 Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad- cionando como uma locução adverbial feminina –
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove
grave: horas.
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às  Diante de numerais ordinais femininos a crase está
pressas, à vontade... confirmada, visto que estes não podem ser empre-
 locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro- gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
cura de... das à primeira aluna da classe.
 locuções conjuntivas: à proporção que, à medida  Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
que. essa não se apresentar determinada: Chegamos to-
dos exaustos a casa.
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
Eu adoro a noite! exaustos à casa de Marcela.
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não  Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa
preposição. indicar chão firme: Quando os navegantes regressa-
ram a terra, já era noite.
Casos passíveis de nota:
Contudo, se o termo estiver precedido por um de-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase.
 A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza. Paulo viajou rumo à sua terra natal.
 Também é facultativa diante de pronomes posses- O astronauta voltou à Terra.
sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
empresa.  Não ocorre crase antes de pronomes que reque-
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja rem o uso do artigo.
ficará aberta até as (às) dezoito horas. Os livros foram entregues a mim.
LÍNGUA PORTUGUESA

 Constata-se o uso da crase se as locuções prepo- Dei a ela a merecida recompensa.


sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:  Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o
moda de Luís XV) uso da crase está confirmado no “a” que os antece-
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução de, no caso de o termo regente exigir a preposição.
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana, Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
observamos a queima de fogos a distância.

20
 Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza- Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
do em sentido genérico ou indeterminado: pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum-
Estamos sujeitos a críticas. priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro-
Refiro-me a conversas paralelas. sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- setor público de adaptar suas despesas às receitas em
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São queda por causa da crise.
Paulo: Saraiva, 2010.
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
SITE ções).
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
se-.html O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de-
finido feminino determinando o substantivo “receitas”.
EXERCÍCIOS COMENTADOS ( ) CERTO ( ) ERRADO

1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-
– 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase em “à ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às
humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
por que sua supressão não prejudicaria a correção gra- adapta algo/alguém A algo/alguém.
matical do texto.
3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de
( ) CERTO ( ) ERRADO Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012) O
emprego do sinal indicativo de crase em “adequando os
Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso objetivos às necessidades” justifica-se pela regência do
indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e per- verbo adequar, que exige complemento regido pela pre-
sistente ameaça à humanidade e à estabilidade das es- posição “a”, e pela presença de artigo definido feminino
truturas e valores políticos (...). antes de “necessidades”.
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já
que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple- ( ) CERTO ( ) ERRADO
mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (obje-
= a regência nominal pede preposição. to direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) neces-
sidades – objeto indireto. A explicação do enunciado
2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE está correta.
CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe –
2016) 4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
– 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua cami-
Texto CB1A1BBB nhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo
de crase é obrigatório.
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com
o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que ( ) CERTO ( ) ERRADO
estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela
Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res- Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cós-
ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria mica” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso, é
legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri- facultativo (antes de pronome possessivo).
gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
do mau uso por gestores irresponsáveis.
Examinando-se a situação financeira dos estados que
LÍNGUA PORTUGUESA

preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal,


fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000,
quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do
dinheiro público, para a criação de despesas e, em par-
ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des-
cumprido algumas dessas regras, estariam interessados
em torná-las ainda mais rigorosas?

21
PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE TRATAMENTO E COLOCAÇÃO. EMPREGO DE TEMPOS,
MODOS E ASPECTOS VERBAIS. VOZES DO VERBO. CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO,
ADJETIVO, ARTIGO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PREPOSIÇÃO, CONJUNÇÃO:
EMPREGO E SENTIDO QUE IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES QUE ESTABELECEM.

Adjetivo

É a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se relaciona com o substantivo, concordando com este
em gênero e número.
As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos (plural e feminino, pois concordam com “praias”).

1. Locução adjetiva
Locução = reunião de palavras. Sempre que são necessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma coisa, tem-se lo-
cução. Às vezes, uma preposição + substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva (expressão que equivale
a um adjetivo). Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem freio (paixão desenfreada).

Observe outros exemplos:

de águia aquilino
de aluno discente
de anjo angelical
de ano anual
de aranha aracnídeo
de boi bovino
de cabelo capilar
de cabra caprino
de campo campestre ou rural
de chuva pluvial
de criança pueril
de dedo digital
de estômago estomacal ou gástrico
de falcão falconídeo
de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fogo ígneo
de garganta gutural
de gelo glacial
de guerra bélico
de homem viril ou humano
de ilha insular
LÍNGUA PORTUGUESA

de inverno hibernal ou invernal


de lago lacustre
de leão leonino
de lebre l eporino
de lua lunar ou selênico

22
de madeira lígneo
de mestre magistral
de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série.
/ O muro de tijolos caiu.

2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):


O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)


Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
LÍNGUA PORTUGUESA

23
4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:

A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7 Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a
palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi-
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos
elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável.
Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará
como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjeti-
vado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:

24
Camisas rosa-claro. B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Ternos rosa-claro. dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Olhos verde-claros. seres. Apresenta-se nas formas:
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.  Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Observação:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre in-
variáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vesti- Observe alguns superlativos sintéticos:
dos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
mentos flexionados: crianças surdas-mudas. benéfico - beneficentíssimo
bom - boníssimo ou ótimo
8 Grau do Adjetivo
comum - comuníssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in- cruel - crudelíssimo
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad- difícil - dificílimo
jetivo: o comparativo e o superlativo.
doce - dulcíssimo
A) Comparativo fácil - facílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- fiel - fidelíssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
mau, respectivamente. nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
exemplo: Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
duas qualidades de um mesmo elemento. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-


ferioridade SITE
Sou menos passivo (do) que tolerante. http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
morf32.php
B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
tivo e apresenta as seguintes modalidades:

25
Advérbio 2. Classificação dos Advérbios

Compare estes exemplos: De acordo com a circunstância que exprime, o advér-


O ônibus chegou. bio pode ser de:
O ônibus chegou ontem. A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
do próprio advérbio. tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei esquerda, ao lado, em volta.
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
(bem) amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
jetivo (claros) sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
centar ideia de: à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Tempo: Ela chegou tarde. quando, de quando em quando, a qualquer mo-
Lugar: Ele mora aqui. mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
Modo: Eles agiram mal. dia.
Negação: Ela não saiu de casa. C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
Dúvida: Talvez ele volte. pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
1. Flexão do Advérbio poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
porém, admitem a variação em grau. Observe: pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
dalosamente, bondosamente, generosamente.
A) Grau Comparativo D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
modo que o comparativo do adjetivo: bitavelmente.
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
Renato fala tão alto quanto João. de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
que): Renato fala menos alto do que João. vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
 de superioridade: quem sabe.
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
fala mais alto do que João. cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
fala melhor que João. nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
extremamente, intensamente, grandemente, bem
B) Grau Superlativo (quando aplicado a propriedades graduáveis).
O superlativo pode ser analítico ou sintético: H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
nato fala muito alto. Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
de modo bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al- durante a adolescência.
tíssimo. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
Observação: aos meus amigos por comparecerem à festa.
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
LÍNGUA PORTUGUESA

comuns na língua popular. Saiba que:


Maria mora pertinho daqui. (muito perto) Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
A criança levantou cedinho. (muito cedo) ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
tarde possível.
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente.

26
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
cer como advérbio e como pronome indefinido. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro bio: Cheguei primeiro.
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
#FicaDica bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
Como saber se a palavra bastante é advérbio verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
(não varia, não se flexiona) ou pronome Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
indefinido (varia, sofre flexão)? Se der, na dade e de tempo, respectivamente.
frase, para substituir o “bastante” por “muito”,
estamos diante de um advérbio; se der para REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
substituir por “muitos” (ou muitas), é um Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
pronome. Veja: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei Paulo: Saraiva, 2010.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

4. Advérbios Interrogativos SITE


http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? morf75.php
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: Artigo

Interrogação Direta Interrogação Indireta O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
-se como o termo variável que serve para individualizar
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
Onde mora? Indaguei onde morava. nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Por que choras? Não sei por que choras. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Aonde vai? Perguntei aonde ia. “uma”[s] e “uns]).
Donde vens? Pergunto donde vens.
A) Artigos definidos – São usados para indicar se-
Quando voltas? Pergunto quando voltas. res determinados, expressos de forma individual: O
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
5. Locução Adverbial muito.
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode da! Umas candidatas foram aprovadas!
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi-
nariamente por uma preposição. Veja: 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
para dentro, por aqui, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, teúdo.
em geral, frente a frente, etc. Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
LÍNGUA PORTUGUESA

D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
hoje em dia, nunca mais, etc. Janeiro, Veneza, A Bahia...
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, Quando indicado no singular, o artigo definido pode
o adjetivo e outro advérbio: indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Chegou muito cedo. (advérbio) No caso de nomes próprios personativos, denotando
Joana é muito bela. (adjetivo) a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
De repente correram para a rua. (verbo) do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
Pedro é o xodó da família.

27
No caso de os nomes próprios personativos estarem 1. Morfossintaxe da Conjunção
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas... As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. 2. Classificação da Conjunção
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
dos. (qualquer classe) as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
ter é uns vinte anos. no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
O artigo também é usado para substantivar palavras conjunção depende da existência do outro. Veja:
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Podemos separá-las por ponto:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser
usado: Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
conhecidas: O professor visitará Roma. “mas”. Já em:
Espero que eu seja aprovada no concurso!
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
bela Roma. principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria
principal).
sairá agora?
Exceção: O senhor vai à festa?
3. Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
São aquelas que ligam orações de sentido completo
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can-
e independente ou termos da oração que têm a mesma
didato cuja nota foi a mais alta. função gramatical. Subdividem-se em:
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- não), não só... mas também, não só... como também,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São bem como, não só... mas ainda.
Paulo: Saraiva, 2010. A sua pesquisa é clara e objetiva.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Não só dança, mas também canta.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC-
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. expressando ideia de contraste ou compensação.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São no entanto, não obstante.
Paulo: Saraiva, 2010. Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

SITE
http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-
sando ideia de alternância ou escolha, indicando
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
Conjunção ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
vez... talvez.
Além da preposição, há outra palavra também inva- Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
LÍNGUA PORTUGUESA

riável que, na frase, é usada como elemento de ligação:


a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
palavras de mesma função em uma oração: que expressa ideia de conclusão ou consequência.
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
São Paulo. conseguinte, por isso, assim.
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. Marta estava bem preparada para o teste, portanto
não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

28
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São #FicaDica
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. Você deve ter percebido que a conjunção con-
Não demore, que o filme já vai começar. dicional “se” também é conjunção integrante.
Falei muito, pois não gosto do silêncio! A diferença é clara ao ler as orações que são
introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
4. Conjunções Subordinativas da condição para que recebamos um telefo-
nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- sei se farei o concurso. Não há ideia de
las dependente da outra. A oração dependente, intro- condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome oração principal (sei) pede complemento (ob-
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
começado quando ela chegou. algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
O baile já tinha começado: oração principal a função de objeto direto da oração principal,
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo- sendo classificada como oração subordinada
ral) substantiva objetiva direta.
ela chegou: oração subordinada

As conjunções subordinativas subdividem-se em in- D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
tegrantes e adverbiais: prime a conformidade de um fato com outro. São
elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por soante, etc.
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin- O passeio ocorreu como havíamos planejado.
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos,
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
que, se. nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
Quero que você volte. (Quero sua volta) principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
que (= para que), que, etc.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- Toque o sinal para que todos entrem no salão.
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo
com a circunstância que expressam, classificam-se em: F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
pressa um fato relacionado proporcionalmente à
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência do expresso na principal. São elas: à
ocorrência da oração principal. São elas: porque, medida que, à proporção que, ao passo que e as
que, como (= porque, no início da frase), pois que, combinações quanto mais... (mais), quanto me-
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
que, etc. nos... (menos), etc.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
casseiam.
B) Concessivas: introduzem uma oração que expres-
Observação:
sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
São incorretas as locuções proporcionais à medida
impedir sua realização. São elas: embora, ainda
em que, na medida que e na medida em que.
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por
mais que, posto que, conquanto, etc.
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
a hipótese ou a condição para ocorrência da princi- que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
pal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não sim que), etc.
ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. A briga começou assim que saímos da festa.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-
pressa ideia de comparação com referência à ora-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção principal. São elas: como, assim como, tal como,


como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

29
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
a consequência da principal. São elas: de sorte que, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
de modo que, sem que (= que não), de forma que, gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
de jeito que, que (tendo como antecedente na oração sante!
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, ta- B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
manho), etc. nha frente.
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do
exame. As interjeições podem ser formadas por:
 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
FIQUE ATENTO!  palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação única,  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
imutável, devendo, portanto, ser classificadas Deus! Ora bolas!
de acordo com o sentido que apresentam no
contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atenção! Olha! Alerta!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Paulo: Saraiva, 2010. Ânimo! Adiante!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
SITE
te! Essa não! Chega! Basta!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
php
ra Deus!
J) Desculpa: Perdão!
Interjeição
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma de- Puxa! Pô! Ora!
corrente de uma situação particular, um momento ou um O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
contexto específico. Exemplos: P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Deus!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjei- R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
ção
O significado das interjeições está vinculado à maneira Saiba que:
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti- As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que frem variação em gênero, número e grau como os no-
for utilizada. Exemplos: mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
Psiu! gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua; de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
Ei, espere!” plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

Psiu! 2. Locução Interjetiva


LÍNGUA PORTUGUESA

contexto: alguém pronunciando em um hospital; signi-


ficado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!” Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
puxa: interjeição; tom da fala: decepção dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!

30
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por #FicaDica
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
As palavras anterior, posterior, último, antepe-
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
núltimo, final e penúltimo também indicam
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
posição dos seres, mas são classificadas como
classes gramaticais podem aparecer como inter-
adjetivos, não ordinais.
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
Fique quieto! quintos, etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
que! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
dosa e pura!” (Olavo Bilac) quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cardinais são invariáveis.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Os numerais ordinais variam em gênero e número:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeiro segundo milésimo
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
SITE
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ primeiras segundas milésimas
morf89.php
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
NUMERAL atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- triplas do medicamento.
minada sequência. Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- duas terças partes.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
trata de numerais, mas sim de algarismos. dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
palavras consideradas numerais porque denotam quan- de sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
É artigo de primeiríssima qualidade!
década, dúzia, par, ambos(as), novena.
O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
segunda divisão de futebol)
1. Classificação dos Numerais
3. Emprego e Leitura dos Numerais
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
LÍNGUA PORTUGUESA

nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-


Os numerais são escritos em conjunto de três algaris-
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo: mos, contados da direita para a esquerda, em forma de
século, par, dúzia, década, bimestre. centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém separação através de ponto ou espaço correspondente a
ou alguma coisa ocupa numa determinada se- um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
quência: primeiro, segundo, centésimo, etc. Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar
exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.

31
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até dé-
cimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
LÍNGUA PORTUGUESA

onze décimo primeiro - onze avos


doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos

32
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.

1. Tipos de Preposição
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

33
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a = pela. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Essa concordância não é característica da preposição, reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
mas das palavras às quais ela se une. Paulo: Saraiva, 2010.
Esse processo de junção de uma preposição com ou- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 Combinação: união da preposição “a” com o ar-
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, SITE
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
 Contração: união de uma preposição com outra
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo- Substantivo
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos,
de + aquele = daquele, em + isso = nisso. Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- veis, as quais denominam todos os seres que existem,
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
do pronome “aquilo”). fenômenos, os substantivos também nomeiam:
 lugares: Alemanha, Portugal
#FicaDica  sentimentos: amor, saudade
 estados: alegria, tristeza
O “a” pode funcionar como preposição, prono-  qualidades: honestidade, sinceridade
me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-  ações: corrida, pescaria
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-
do um substantivo, servindo para determiná-lo 1. Morfossintaxe do substantivo
como um substantivo singular e feminino: A
matéria que estudei é fácil! Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Irei à festa sozinha.
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é ar- to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
tigo; o segundo, preposição. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a penhadas por grupos de palavras.
apostila. = Nós a trouxemos.
2. Classificação dos Substantivos
2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci-
das por meio das preposições: A) Substantivos Comuns e Próprios
Observe a definição:
Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Lugar = Sempre a seu lado. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
Assunto = Falemos sobre futebol. toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
Tempo = Chegarei em instantes. cidade (em oposição aos bairros).
Causa = Chorei de saudade. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Fim ou finalidade = Vim para ficar. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Instrumento = Escreveu a lápis. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Posse = Vi as roupas da mamãe. tivo comum.
Autoria = livro de Machado de Assis Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Companhia = Estarei com ele amanhã. uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
Matéria = copo de cristal. homem, mulher, país, cachorro.
Meio = passeio de barco. Estamos voando para Barcelona.
LÍNGUA PORTUGUESA

Origem = Nós somos do Nordeste.


Conteúdo = frascos de perfume. O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas lo-
cuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução pre-
positiva por trás de.

34
B) Substantivos Concretos e Abstratos cancioneiro canções, poesias líricas
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o
ser que existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, esquadra navios de guerra
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- enxoval roupas
ma. falange soldados, anjos

B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- fauna animais de uma região
res que dependem de outros para se manifestarem ou feixe lenha, capim
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, flora vegetais de uma região
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende frota navios mercantes, ônibus
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele- girândola fogos de artifício
za é um substantivo abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, quali- horda bandidos, invasores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem junta médicos, bois, credores, exa-
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida minadores
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
júri jurados
(sentimento).
legião soldados, anjos, demônios
 Substantivos Coletivos leva presos, recrutas

Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, malta malfeitores ou desordeiros
outra abelha, mais outra abelha. manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
molho chaves, verduras
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs- tos, etc.)
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto penca bananas, chaves
de seres da mesma espécie (abelhas).
pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, quadrilha ladrões, bandidos
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- ramalhete flores
res da mesma espécie.
rebanho ovelhas

Substantivo coletivo Conjunto de: repertório peças teatrais, obras musicais

assembleia pessoas reunidas réstia alhos ou cebolas

alcateia lobos romanceiro poesias narrativas

acervo livros revoada pássaros

antologia trechos literários selecionados sínodo párocos

arquipélago ilhas talha lenha

banda músicos tropa muares, soldados

bando desordeiros ou malfeitores turma estudantes, trabalhadores


LÍNGUA PORTUGUESA

banca examinadores vara porcos

batalhão soldados
cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
cacho frutas

35
3. Formação dos Substantivos A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A) Substantivos Simples e Compostos e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. macho e o jacaré fêmea.
O substantivo chuva é formado por um único ele- B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
mento ou radical. É um substantivo simples. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
único elemento. divíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por a artista.
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas-
satempo. Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
sintoma, o teorema.
B) Substantivos Primitivos e Derivados  Existem certos substantivos que, variando de
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva gênero, variam em seu significado:
de nenhuma outra palavra da própria língua por- o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
tuguesa. (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origi- a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
na de outra palavra. O substantivo limoeiro, por beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
exemplo, é derivado, pois se originou a partir da mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
palavra limão. clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
4. Flexão dos substantivos
6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- mes
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
exemplo, pode sofrer variações para indicar: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: - aluna.
meninão / Diminutivo: menininho  Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
ao masculino: freguês - freguesa
A) Flexão de Gênero  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- no de três formas:
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e sultana
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti-
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.  Substantivos terminados em -or:
Veja estes títulos de filmes: acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
O velho e o mar troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Um Natal inesquecível  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
Os reis da praia cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que - profetisa
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:  Substantivos que formam o feminino trocando o
A história sem fim -e final por -a: elefante - elefanta
Uma cidade sem passado  Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
As tartarugas ninjas culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
 Substantivos que formam o feminino de maneira
5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor- especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
LÍNGUA PORTUGUESA

mes anteriores: czar – czarina, réu - ré

1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-


tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto
para o feminino. Classificam-se em:

36
7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni- Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
formes a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Epicenos:
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. São geralmente masculinos os substantivos de ori-
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
forma para indicar o masculino e o feminino. o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- coma, o hematoma.
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
palavras macho e fêmea. ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
A cobra macho picou o marinheiro. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. gre. / Uma Londres imensa e triste.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
8. Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza. 10. Gênero e Significação

A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
A criança chorona chamava-se João. que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
A criança chorona chamava-se Maria. bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
Outros substantivos sobrecomuns: te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
boa criatura. ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Marcela faleceu (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
9. Comuns de Dois Gêneros: na administração da crisma e de outros sacramentos), a
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
repórter francês - repórter francesa. o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
A palavra personagem é usada indistintamente nos pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acen- (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
tuada preferência pelo masculino: O menino descobriu a voga (moda).
nas nuvens os personagens dos contos de carochinha.
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: B) Flexão de Número do Substantivo
O problema está nas mulheres de mais idade, que não
aceitam a personagem. Em português, há dois números gramaticais: o singu-
lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
LÍNGUA PORTUGUESA

fotográfico Ana Belmonte. rística do plural é o “s” final.

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó 11. Plural dos Substantivos Simples


)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
proclama, o pernoite, o púbis. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
Exceção: cânon - cânones.

37
Os substantivos terminados em “m” fazem o plural A) Flexionam-se os dois elementos, quando for-
em “ns”: homem - homens. mados de:
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
- raízes. feitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
Atenção: mens
O plural de caráter é caracteres. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexio- B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
nam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quin- quando formados de:
tais; caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
males, cônsul e cônsules. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural alto-falantes
de duas maneiras: palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis -recos
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
Observação: quando formados de:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). -de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural valo-vapor e cavalos-vapor
de duas maneiras: substantivo + substantivo que funciona como deter-
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. -rã, peixe-espada - peixes-espada.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
de três maneiras. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães saca-rolhas
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
13. Casos Especiais
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresen- o louva-a-deus e os louva-a-deus
tam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos an- o bem-te-vi e os bem-te-vis
cião – anciões/anciães/anciãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
charlatão – charlatões/charlatães cor-
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
rimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão
14. Plural das Palavras Substantivadas
– vilãos/vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
o látex - os látex.
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
12. Plural dos Substantivos Compostos
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
A formação do plural dos substantivos compostos
depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
Observação:
lavras que formam o composto e da relação que esta-
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
LÍNGUA PORTUGUESA

belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen


não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
comportam-se como os substantivos simples: aguar-
tos seis e alguns dez.
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/ponta-
pés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elemen-
tos são ligados por hífen costuma provocar muitas dú-
vidas e discussões. Algumas orientações são dadas a
seguir:

38
15. Plural dos Diminutivos fosso fossos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi- imposto impostos
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo. olho olhos
osso (ô) ossos (ó)
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
ovo ovos
animai(s) + zinhos = animaizinhos
poço poços
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
porto portos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
posto postos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
tijolo tijolos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços,
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, so-
flore(s) + zinhas = florezinhas
ros, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos Observação:
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas molho (ó) = feixe (molho de lenha).
funi(s) + zinhos = funizinhos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsa-
mes, as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
sempre que a terminação preste-se à flexão. com sentido de plural:
Os Napoleões também são derrotados. Aqui morreu muito negro.
As Raquéis e Esteres. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em cape-
las improvisadas.
17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
C) Flexão de Grau do Substantivo
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
shorts, os jazz. 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho consi-
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de derado normal. Por exemplo: casa
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, nho do ser. Classifica-se em:
os réquiens. Analítico = o substantivo é acompanhado de um
Observe o exemplo: adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Este jogador faz gols toda vez que joga. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.

18. Plural com Mudança de Timbre 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
nho do ser. Pode ser:
Certos substantivos formam o plural com mudança Analítico = substantivo acompanhado de um adje-
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um tivo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
LÍNGUA PORTUGUESA

dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.


Singular Plural REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
corpo (ô) corpos (ó) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
esforço esforços Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
fogo fogos reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
forno fornos

39
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, 1. Pronomes Pessoais
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São aqueles que substituem os substantivos, indi-
São Paulo: Saraiva, 2002. cando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala
ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se
SITE os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ a quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
morf12.php referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo.
Pronome
A) Pronome Reto
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
forma. flores.
O homem julga que é superior à natureza, por isso o Os pronomes retos apresentam flexão de número,
homem destrói a natureza... gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
superior à natureza, por isso ele a destrói... discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- assim configurado:
mos (homem e natureza). 1.ª pessoa do singular: eu
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 2.ª pessoa do singular: tu
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 3.ª pessoa do singular: ele, ela
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 1.ª pessoa do plural: nós
referência exata daquilo que está sendo colocado por 2.ª pessoa do plural: vós
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- 3.ª pessoa do plural: eles, elas
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de-
mais pronomes têm por função principal apontar para as Esses pronomes não costumam ser usados como
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
dessa característica, os pronomes apresentam uma for-
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
ma específica para cada pessoa do discurso.
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
-me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se fala]
Frequentemente observamos a omissão do pronome
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
se fala] formas verbais marcam, através de suas desinências, as
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras boa viagem. (Nós)
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência B) Pronome Oblíquo
através do pronome seja coerente em termos de gênero Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, sentença, exerce a função de complemento verbal
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da jeto indireto)
nossa escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- Observação:
cia adequada] O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
[neste: pronome que determina “ano” = concordância me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
adequada] diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
LÍNGUA PORTUGUESA

cordância inadequada]
variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, suem, podendo ser átonos ou tônicos.
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
2. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.

40
Lista dos pronomes oblíquos átonos A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
1.ª pessoa do singular (eu): me está correta, já que “para mim” é complemento de “fá-
2.ª pessoa do singular (tu): te cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe para mim!
1.ª pessoa do plural (nós): nos A combinação da preposição “com” e alguns prono-
2.ª pessoa do plural (vós): vos mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
de companhia: Ele carregava o documento consigo.
FIQUE ATENTO! A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- Ela veio até mim, mas nada falou.
peciais depois de certas terminações verbais: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao prova, até eu! (= inclusive eu)
mesmo tempo que a terminação verbal é su-
primida. Por exemplo: As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
fiz + o = fi-lo por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
fazeis + o = fazei-lo soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
dizer + a = dizê-la próprios, todos, ambos ou algum numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
2. Quando o verbo termina em som nasal, o Estávamos com vós outros quando chegaram as más
pronome assume as formas no, nos, na, nas. notícias.
Por exemplo: Ele disse que iria com nós três.
viram + o: viram-no
repõe + os = repõe-nos 3. Pronome Reflexivo
retém + a: retém-na São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
tem + as = tem-nas cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
a ação expressa pelo verbo.
B.2 Pronome Oblíquo Tônico Lista dos pronomes reflexivos:
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. lembro disso.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte. 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: lherme já se preparou.
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Ela deu a si um presente.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Antônio conversou consigo mesmo.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas com esta conquista.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
#FicaDica
As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
O pronome é reflexivo quando se refere à mes-
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos
ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu
contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal,
me arrumei e saí.
os pronomes costumam ser usados desta forma:
É pronome recíproco quando indica recipro-
Não há mais nada entre mim e ti.
cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
-nos calados.
Não há nenhuma acusação contra mim.
O “se” pode ser usado como palavra expletiva
Não vá sem mim.
ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
LÍNGUA PORTUGUESA

necessária e sem função sintática: Os explora-


Há construções em que a preposição, apesar de surgir
dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração
se foram?
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter
sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá
ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

41
C) Pronomes de Tratamento Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri- teus cabelos. (errado)
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
pessoa. Alguns exemplos: seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais ou
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio-
sos em geral Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, 4. Pronomes Possessivos
governadores, secretários de Estado, presidente da Repúbli-
ca (sempre por extenso) São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
des (coisa possuída).
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais singular)
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
igual categoria
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes NÚMERO PESSOA PRONOME
de direito singular primeira meu(s), minha(s)
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
rimonioso singular segunda teu(s), tua(s)
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular terceira seu(s), sua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- plural primeira nosso(s), nossa(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empre-
gados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tra- plural segunda vosso(s), vossa(s)
tamento familiar. Você e vocês são largamente empregados plural terceira seu(s), sua(s)
no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é
de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma Note que:
vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
literária. a que se refere; o gênero e o número concordam com o
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
Observações:
naquele momento difícil.
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados
Observações:
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da
obrigado, seu José.
pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que
Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
com propriedade. posse. Podem ter outros empregos, como:
3. Os pronomes de tratamento representam uma forma A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por anos.
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
esse deputado supostamente tem para poder ocupar lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
o cargo que ocupa. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
pessoa, toda a concordância deve ser feita com a celência trouxe sua mensagem?
3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi- 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
vos e os pronomes oblíquos empregados em relação vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
a eles devem ficar na 3.ª pessoa. livros e anotações.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
LÍNGUA PORTUGUESA

sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi- prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
da inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos para que não ocorra redundância: Coloque tudo
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar nos respectivos lugares.
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na
terceira pessoa.

42
5. Pronomes Demonstrativos Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
São utilizados para explicitar a posição de certa pa- Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação aquela(s).
pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Também aparecem como pronomes demonstrativos:
A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
pessoa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da indiquei.)
pessoa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com Eu mesma refiz os exercícios.
quem se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Aquele material não é nosso. Eles próprios cozinharam.
Vejam aquele prédio! Os próprios alunos resolveram o problema.

B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.


Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala: 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esta manhã farei a prova do concurso! eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
rém relativamente próximo à época em que se situa a à mencionada em primeiro lugar.
pessoa que fala: 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
remoto: desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que esta-
Naquele tempo, os professores eram valorizados. va vendo. (no = naquilo)

C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se 6. Pronomes Indefinidos


falará ou escreverá):
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
lará: quantidade indeterminada.
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
ortografia, concordância. -plantadas.
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
mos! desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:

Este e aquele são empregados quando se quer fazer A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
termo referido em primeiro lugar e este para o referido na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel-
por último: trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Quem avisa amigo é.
LÍNGUA PORTUGUESA

lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
certa(s).
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Cada povo tem seus costumes.
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Certas pessoas exercem várias profissões.
Paulo], aquele [Palmeiras])

43
Note que: Observe:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro- Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nomes indefinidos adjetivos: quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui- quantas.
tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne- Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, Note que:
tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), O pronome “que” é o relativo de mais largo empre-
vários, várias. go, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
Menos palavras e mais ações. substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
Alguns se contentam pouco. seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (=
riáveis e invariáveis. Observe: a qual)
 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, quais)
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, as quais)
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quan- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
tas. pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamen-
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, te para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde”
nada, algo, cada. (que podem ter várias classificações) são pronomes rela-
tivos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas
preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo
minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”,
plural é feito em seu interior).
neste caso, geraria ambiguidade. Veja: Regressando de
Todo e toda no singular e junto de artigo significa in-
São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou en-
teiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
cantado (quem me deixou encantado: o sítio ou minha
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
tia?).
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utili-
Trabalho todo dia. (= todos os dias)
za-se o qual / a qual)
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas
(que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma
ou outra, etc. O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com
Cada um escolheu o vinho desejado. o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse-
quente (o ser possuído, com o qual concorda em gêne-
7. Pronomes Relativos ro e número); não se usa artigo depois deste pronome;
“cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais.
São aqueles que representam nomes já mencionados Existem pessoas cujas ações são nobres.
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem (antecedente) (consequente)
as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro-
um grupo racial sobre outros. nome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (re-
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou- feriu-se a)
tros = oração subordinada adjetiva).
“Quanto” é pronome relativo quando tem por ante-
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “siste- cedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e
ma” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a tudo:
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra “sistema” é antecedente do pronome relativo que.


O antecedente do pronome relativo pode ser o pro- Emprestei tantos quantos foram neces-
nome demonstrativo o, a, os, as. sários.
Não sei o que você está querendo dizer. (antecedente)
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. Ele fez tudo quanto ha-
Quem casa, quer casa. via falado.
(antecedente)

44
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
precedido de preposição. tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedi-
É um professor a quem mui- dos de preposição.
to devemos. A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o
(preposição) que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante- mim o que eu estava fazendo.
cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
casa onde morava foi assaltada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
em que: Sinto saudades da época em que (quando) morá- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
vamos no exterior. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
lavras: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 como (= pelo qual) – desde que precedida das CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
palavras modo, maneira ou forma: Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Não me parece correto o modo como você agiu sema- Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
na passada. São Paulo: Saraiva, 2002.

 quando (= em que) – desde que tenha como SITE


antecedente um nome que dê ideia de tempo: http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
Bons eram os tempos quando podíamos jogar video- morf42.php
game.
9. Colocação Pronominal
Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
numa só frase. Colocação Pronominal trata da correta colocação dos
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste pronomes oblíquos átonos na frase.
esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
#FicaDica
Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun-
gente que conversava, (que) ria, observava. ção de complemento verbal (objeto). Por isso,
memorize:
8. Pronomes Interrogativos OBlíquo = OBjeto!

São usados na formulação de perguntas, sejam elas


diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefini- Embora na linguagem falada a colocação dos prono-
dos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo im- mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
preciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e devem ser observadas na linguagem escrita.
variações), quanto (e variações).
Com quem andas? Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
Qual seu nome? A próclise é usada:
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
O pronome pessoal é do caso reto quando tem fun- que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
ção de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
oblíquo quando desempenha função de complemento. jamais, etc.: Não se desespere!
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. B) Advérbios: Agora se negam a depor.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
lhe ajudar. quem tudo!
LÍNGUA PORTUGUESA

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao esforçou.
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu-
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. nidade.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discur- F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
so. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

45
 Orações iniciadas por palavras interrogativas: 11. Emprego de o, a, os, as
Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas:  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
Quanto se ofendem! os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Chame-o agora.
Que Deus o ajude. Deixei-a mais tranquila.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
material amanhã. / Tu sabes cantar? tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
verbo. A mesóclise é usada:
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu- em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam para no, na, nos, nas.
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: Chamem-no agora.
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em Põe-na sobre a mesa.
prol da paz no mundo.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece- #FicaDica
ria. Veja: Não se realizará...
Dica da Zê!
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig-
nessa viagem.
nifica “antes”! Pronome antes do verbo!
(com presença de palavra que justifique o uso de pró-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end,
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome
nharia nessa viagem).
depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver-
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
bo
A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
 Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não era minha intenção machucá-la. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
se inicia período com pronome oblíquo). reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Vou-me embora agora mesmo. Paulo: Saraiva, 2010.
Levanto-me às 6h.
 Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo SITE
no concurso, mudo-me hoje mesmo! http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a -pronominal-.html
proposta fazendo-se de desentendida.
Observação: Não foram encontradas questões
10. Colocação pronominal nas locuções verbais abrangendo tal conteúdo.

 Após verbo no particípio = pronome depois do VERBO


verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Tenho me deliciado com a leitura! Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
Eu tenho me deliciado com a leitura! tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Eu me tenho deliciado com a leitura! nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
 Não convém usar hífen nos tempos compostos e é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
nas locuções verbais: outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
Vamos nos unir! no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
LÍNGUA PORTUGUESA

Iremos nos manifestar.


 Quando há um fator para próclise nos tempos 1. Estrutura das Formas Verbais
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo- os seguintes elementos:
cupar”). A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-
-ava; fal-am. (radical fal-)

46
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que #FicaDica
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
exemplo: fala-r. São três as conjugações: Observe que, retirando os radicais, as desi-
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática nências modo-temporal e número-pessoal
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que outro verbo e perceberá que se repetirá o
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: fato (desde que o verbo seja da primeira
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) conjugação e regular!). Faça com o verbo
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) “andar”, por exemplo. Substitua o radical
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o andar). Viu? Fácil!
número (singular ou plural):
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
(indica a 3.ª pessoa do plural.) B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações
no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
FIQUE ATENTO! Observação:
O verbo pôr, assim como seus derivados (com- Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
por, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação, para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
A vogal “e”, apesar de haver desaparecido do ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
infinitivo, revela-se em algumas formas do permanece inalterado.
verbo: põe, pões, põem, etc.
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
jugação completa. Os principais são adequar, pre-
2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas caver, computar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e,
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura normalmente, são usados na terceira pessoa do
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- singular. Os principais verbos impessoais são:
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico zar-se ou fazer (em orações temporais).
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
radical): opinei, aprenderão, amaríamos. Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
3. Classificação dos Verbos
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
Classificam-se em:
2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
Faz invernos rigorosos na Europa.
cal inalterado durante a conjugação e desinências
Era primavera quando o conheci.
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
Estava frio naquele dia.
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
Modo Indicativo: reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro-
vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
canto falo se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
cantas falas
impessoal, empregado em sentido figurado, dei-
canta falas xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
cantamos falamos conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
cantais falais Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
cantam falam Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
LÍNGUA PORTUGUESA

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando


tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição


“de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
Chega de promessas.
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,

47
Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele
está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
LÍNGUA PORTUGUESA

Romper Rompido Roto


Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

48
FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
LÍNGUA PORTUGUESA

seja você não seja você


sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

49
Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
LÍNGUA PORTUGUESA

hás houveste havias houveras haverás haverias


há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

50
4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
LÍNGUA PORTUGUESA

abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):

51
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

52
C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)
LÍNGUA PORTUGUESA

53
Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
LÍNGUA PORTUGUESA

cantAVAS vendIAS partAS


CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

54
1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M
LÍNGUA PORTUGUESA

55
1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
LÍNGUA PORTUGUESA

Vós cantais CantAI vós Que vós canteis


Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

56
2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
LÍNGUA PORTUGUESA

vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

57
B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva


LÍNGUA PORTUGUESA

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz Passiva)


Sujeito da Passiva Agente da Passiva

58
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; 2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo 2012) Está inadequado o emprego do elemento subli-
tempo. nhado na seguinte frase:
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao
mestres. que dispenso aos homens religiosos.
b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
Eu o acompanharei. que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
Ele será acompanhado por mim. mente virtuosos.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: dir os que se dizem homens de fé.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva,
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
porque o sujeito não pode ser visto como agente, pacien-
fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
te ou agente paciente.
Resposta: Letra C.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Corrigindo o inadequado:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
Paulo: Saraiva, 2010. verdadeiramente virtuosos.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
SITE de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
morf54.php xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.

3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-


zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
EXERCÍCIOS COMENTADOS 2012)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – FCC despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
– 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acrescen- bal obtida será:
tem novos troféus, mas elas trazem recompensas valiosas,
[...] que contribuem de forma significativa para nosso su- a) seria despertada.
cesso posterior, tanto na quadra como fora dela. b) teria sido despertada.
c) despertar-se-á.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
d) fora despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os
e) teriam despertado.
elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
por:
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem Resposta: Letra A.
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A
d) acrescentariam − trariam− contribuíram ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram GABARITO OFICIAL: A

Resposta: Letra E. 4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa –


Questão que envolve correlação verbal. Realizando as Especialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012)
alterações solicitadas, segue como ficariam (em des- ...ela nunca alcançava a musa.
taque): Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui- verbal resultante será:


riam
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam a) alcança-se.
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí- b) foi alcançada.
ram c) fora alcançada.
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram d) seria alcançada.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí- e) era alcançada.
ram = correta

59
Resposta: Letra E. 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
na passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no Barros era comparável a São Francisco de Assis...
mesmo tempo verbal, forma particípio): A musa nun- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
ca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no frase acima está em:
pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar
também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era = a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
presente, seria = futuro do pretérito). paço...
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali- Charles Baudelaire.
zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC – d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação ros na literatura...
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós e) ... para depois casá-las...
mesmos.
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al- Resposta: Letra A.
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
substituído por: vo. Procuremos nos itens:
a) ademais. Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
b) conquanto. Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
c) porquanto. dicativo
d) entretanto. Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
e) apesar. to do Indicativo
Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
Resposta: Letra D. cativo
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo- Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
sição). A substituição deve utilizar outra de mesma elas)
classificação, para que se mantenha a ideia do perío-
do. A correta é entretanto. 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e
6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa – historiador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Al-
FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá ves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé
flexionar-se no singular para preencher adequadamente de Julião. Considerando-se a norma-padrão da língua,
a lacuna da frase: ao reescrever-se o trecho acima em um único período, o
segmento destacado deverá ser antecedido de vírgula e
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de substituído por
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre a) perante ao qual
o peso de suas mais graves decisões. b) de cujo
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) c) o qual
tomar decisões sem medir suas consequências. d) frente à quem
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos- e) de quem
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- Resposta: Letra E.
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves
humana. Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alter-
nativa que substitui corretamente o trecho destacado é
Resposta: Letra C. “de quem ouvi oralmente”.
Flexões em destaque e sublinhei os termos que esta-
belecem concordância: 9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário –
Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras pes-
de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. soas que tenham documentos em casa e se disponham
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de
sobre o peso de suas mais graves decisões. acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor- tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conserva-
LÍNGUA PORTUGUESA

re tomar decisões sem medir suas consequências. = ção de documentos”, disse Cavalcanti.
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce O termo sublinhado faz referência a
a função de sujeito (subjetiva)
Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos- a) pessoas.
tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas. b) acervo.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, c) Academia.
recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta d) tempo.
a dor humana. e) casa.

60
Resposta: Letra B. Resposta: Letra C.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
é muito difícil de ser guardado... (auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e
o mundo são privilegiados pelo modelo ainda domi-
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário – nante.
FCC – 2016) O marechal organizou o acervo...
A forma verbal está corretamente transposta para a voz 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC –
passiva em: 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
com a norma culta na seguinte frase:
a) estava organizando
b) tinha organizado a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
c) organizando-se não poderia receber qualquer tipo de retificação.
d) foi organizado b) Os documentos com assinatura digital disporam de
e) está organizado algoritmos de criptografia que os protegeram.
Resposta: Letra D. c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) contar com a proteção de uma assinatura digital.
e objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
passarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no fado deve saber que comprometerá sua integridade.
mesmo tempo que o verbo da ativa + o particípio do e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
verbo da voz ativa = organizado). O objeto exercerá comprometer a integridade dos documentos.
a função de sujeito paciente, e o sujeito da ativa será
o agente da passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi Resposta: Letra E.
organizado pelo marechal. Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua auten-
ticidade, o documento não poderia receber qualquer
tipo de retificação.
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
a comer...
protegeram.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos
sublinhado acima está também sublinhado em:
poderam (puderam) contar com a proteção de uma
assinatura digital.
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
as amas...
mento criptografado deve saber que comprometerá
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. sua integridade.
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in- Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie-
dústria de consumo... rem sem comprometer a integridade dos documentos
d) E, mesmo que se esforcem muito [...] = correta
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC
Resposta: Letra D. – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a traje-
que nos ajude = presente do Subjuntivo tória da utopia no país.
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- verbal resultante será:
bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi- a) foram marcados.
cativo b) foi marcado.
Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo c) são marcados.
Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In- d) foi marcada.
dicativo e) é marcada.

12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC Resposta: Letra E.


– 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló- Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então
gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo... teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente]
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma + particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da uto-
LÍNGUA PORTUGUESA

verbal resultante será: pia do país é marcada pelos sessenta anos de história.

a) é privilegiado. 15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado


b) sendo privilegiadas. PM 2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes
c) são privilegiados. frases:
d) foi privilegiado. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
e) são privilegiadas. Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

61
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
empregados nessas frases está em destaque em: precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem blicidade, chamadas.
com que o cérebro humano não considere útil gravar e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
esses dados [...] quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
-número de informações. vras.
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele... Resposta: Letra C.
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em Aos itens:
que morou quando era criança? Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- presente
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
rito perfeito
Resposta: Letra D. Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati- imperativo afirmativo (ordens)
vo (expressam ordem). Vamos aos itens: Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretéri-
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos to imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
fazem = presente do Indicativo Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do
Indicativo 18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos – O destino me prestava esse pequeno favor: completa-
= presente do Indicativo va minha identificação com o resto da humanidade, que
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo tem sempre para contar uma história de objeto achado;
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre- – o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
sente do Indicativo expressão:

16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu- a) o resto da humanidade.


nesp – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em b) esse pequeno favor.
c) minha identificação.
destaque na frase pertence à classe dos adjetivos (pala-
d) O destino.
vra que qualifica um substantivo).
e) completava.
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
Resposta: Letra A.
tanásia...
Completava minha identificação com o resto da huma-
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
nidade, que (a qual) tem sempre para contar uma his-
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
tória de objeto achado = pronome relativo que retoma
a morte. o resto da humanidade.
d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
e) E como seria a verdadeira boa morte? 19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Con-
sidere o trecho a seguir.
Resposta: Letra E. É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
Em “a”: Existe grande confusão = substantivo públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor- se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per-
te = pronome tences, conservando-os junto ao corpo.
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
distanciar a morte = substantivo mente, as lacunas do texto.
Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad- a) sejam ... mantesse
jetivo b) sejam ... mantém
c) sejam ... mantivessem
17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As for- d) seja ... mantivessem
mas verbais conjugadas no modo imperativo, expressan- e) seja ... mantêm
do ordem, instrução ou comando, estão destacadas em
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra C.
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní- Completemos as lacunas e depois busquemos o item
tidas na memória: são aqueles donos de qualidades correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do
incomuns. verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver):
b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
quase não acreditei no que ouvi. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
pro estúdio e ponha a rádio no ar. pertences, conservando-os junto ao corpo.

62
20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu-
nesp – 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e SINTAXE: COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
– Hoje estão na moda os métodos audiovisuais. – as pala-
vras em destaque expressam, correta e respectivamente,
circunstâncias de Frase, oração e período

a) dúvida e modo. 1. Sintaxe da Oração e do Período


b) dúvida e tempo.
c) modo e afirmação. Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
d) negação e lugar. estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
e) negação e tempo. dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga-
toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove-
Resposta: Letra E. jou muito ontem à noite.
“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
tempo. verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi-
21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013) nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
Assinale a alternativa que completa respectivamente as elementos constituintes, elas podem ser classificadas a
lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con- partir de seu sentido global:
jugação verbal. A) frases interrogativas = o emissor da mensagem
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional formula uma pergunta: Que dia é hoje?
quando __________ um diploma de mestrado, mas há B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em faz um pedido: Dê-me uma luz!
cursos profissionalizantes. C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es-
tado afetivo: Que dia abençoado!
a) obtiver … divirgem D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A
b) obter … divergem prova será amanhã.
c) obtesse … devirgem
d) obter … divirgem Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
e) obtiver … divergem (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
sujeito e predicado.
Resposta: Letra E. O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver-
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissio- bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
nal quando obtiver um diploma de mestrado, mas há algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a
aqueles que divergem de opinião e procuram investir parte da frase que contém “a informação nova para o ou-
em cursos profissionalizantes. vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema,
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014) Quando o núcleo da declaração está no verbo (que
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme- significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos
um adjetivo. um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica-
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos
a) ... um câncer de boca horroroso, ... de ligação):
b) Ele tem dezesseis anos... O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
c) Eu queria que ele morresse logo, ... (predicado verbal)
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú-
mílias. cleo é “fácil” (predicado nominal)
e) E o inferno não atinge só os terminais. Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
Resposta: Letra A. tido completo. O período pode ser simples ou composto.
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo
Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral Período simples é aquele constituído por apenas
Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às Chove.
LÍNGUA PORTUGUESA

famílias = substantivo A existência é frágil.


Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs- Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
tantivo

63
Período composto é aquele constituído por duas ou Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
mais orações: referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
Cantei, dancei e depois dormi. “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
Quero que você estude mais. do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
pela desinência verbal ou pelo contexto.
1.1. Termos da Oração Abolimos todas as regras. = (nós)
Falaste o recado à sala? = (tu)
1.1.1 Termos essenciais Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
O sujeito e o predicado são considerados termos es- gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis pronomes não estejam explícitos.
para a formação das orações. No entanto, existem ora- Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que de- to na desinência verbal “-mos”
fine a oração é a presença do verbo. O sujeito é o termo Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
que estabelece concordância com o verbo. sinência verbal “-ais”
O candidato está preparado.
Os candidatos estão preparados. Mas:
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida- Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
no singular: candidato = está). refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
A função do sujeito é basicamente desempenhada contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
por substantivos, o que a torna uma função substantiva Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi-
da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer nado de duas maneiras:
outras palavras substantivadas (derivação imprópria)
também podem exercer a função de sujeito. A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs- o sujeito não tenha sido identificado anteriormen-
tantivo) te:
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem- Bateram à porta;
plo: substantivo) Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
nistro.
Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
do sujeito. ou composto:
Um sujeito é determinado quando é facilmente Os meninos bateram à porta. (simples)
identificado pela concordância verbal. O sujeito determi- Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
nado pode ser simples ou composto.
A indeterminação do sujeito ocorre quando não é B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres-
possível identificar claramente a que se refere a concor- cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi-
dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não ca dos verbos que não apresentam complemento
interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração. direto:
Estão gritando seu nome lá fora. Precisa-se de mentes criativas.
Trabalha-se demais neste lugar. Vivia-se bem naqueles tempos.
O sujeito simples é o sujeito determinado que apre- Trata-se de casos delicados.
senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no Sempre se está sujeito a erros.
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
sublinhei os núcleos dos sujeitos: O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Nós estudaremos juntos. de indeterminação do sujeito.
A humanidade é frágil.
Ninguém se move. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
uma derivação imprópria, tranformando-o em substan- mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo) pais casos de orações sem sujeito com:


As crianças precisam de alimentos saudáveis.  os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu.
O sujeito composto é o sujeito determinado que Está trovejando.
apresenta mais de um núcleo.
Alimentos e roupas custam caro.  os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
Ela e eu sabemos o conteúdo. fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. tempo em geral:

64
Está tarde. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Já são dez horas. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Faz frio nesta época do ano. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado
Há muitos concursos com inscrições abertas. do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an-
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia relacionadas.
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado A função de predicativo é exercida, normalmente,
é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex- por um adjetivo ou substantivo.
ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
difere do sujeito numa oração é o seu predicado. O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
Chove muito nesta época do ano. ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
Houve problemas na reunião. predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).
Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
objeto direto.
nificativo, indicando processos. É também sempre por
As questões estavam fáceis!
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
Sujeito simples = as questões
Predicado = estavam fáceis o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado;
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento. As mulheres julgam os homens inconstantes.
Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
Para o estudo do predicado, é necessário verificar ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois:
se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado um verbal e outro nominal.
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con- O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
siderar também se as palavras que formam o predicado
referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
oração. o complemento homens com o predicativo “inconstan-
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres tes”.
de opinião.
Predicado 1.2 Termos integrantes da oração

O predicado acima apresenta apenas uma palavra Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se complemento nominal são chamados termos integrantes
ligam direta ou indiretamente ao verbo. da oração.
A cidade está deserta.
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere- Os complementos verbais integram o sentido dos
-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como verbos transitivos, com eles formando unidades signifi-
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com-
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = plementos diretamente, sem a presença de preposição,
predicativo do sujeito).
ou indiretamente, por intermédio de preposição.
O objeto direto é o complemento que se liga dire-
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
tamente ao verbo.
significativo um verbo:
Houve muita confusão na partida final.
Chove muito nesta época do ano.
Estudei muito hoje! Queremos sua ajuda.
Compraste a apostila?
O objeto direto preposicionado ocorre principal-
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem mente:
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co-
muns referentes a pessoas:
LÍNGUA PORTUGUESA

processos.
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
O predicado nominal é aquele que tem como nú- (o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade na-se: objeto direto preposicionado)
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou- B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
ligação). cansar a Vossa Senhoria.

65
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. O poeta português deixou uma obra inacabada.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica O poeta deixou-a inacabada.
a crise) (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- do objeto)
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira. Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Necessito de ajuda. substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se
relaciona apenas ao substantivo.
1.2.1 Objeto Pleonástico O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos. termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos gunda-feira, passei o dia mal-humorado.
pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida, Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe- po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
tição que se dá o nome de objeto pleonástico. termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal- gunda-feira passei o dia mal-humorado.
ves Dias) O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
valor na oração, em:
objeto pleonástico A) explicativo: A linguística, ciência das línguas hu-
manas, permite-nos interpretar melhor nossa rela-
Ao traidor, nada lhe devemos. ção com o mundo.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
O termo que integra o sentido de um nome chama-se coisas: amor, arte, ação.
complemento nominal, que se liga ao nome que com- C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
pleta por intermédio de preposição: nho, tudo forma o carnaval.
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-
vra “necessária”
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
Os termos acessórios recebem este nome por serem
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs-
junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da tantivadas esse papel na linguagem.
oração. João, venha comigo!
Traga-me doces, minha menina!
O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o 1.4 Períodos Compostos
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função 1.4.1 Período Composto por Coordenação
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei O período composto se caracteriza por possuir mais
a pé àquela velha praça. de uma oração em sua composição. Sendo assim:
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
O adjunto adnominal é o termo acessório que de- oração)
termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun- Estou comprando um protetor solar, depois irei à
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. orações)
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
numerais e os pronomes adjetivos. um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu orações).
amigo de infância.
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
LÍNGUA PORTUGUESA

O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs- entre as orações de um período composto: uma relação
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o de coordenação ou uma relação de subordinação.
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um Duas orações são coordenadas quando estão juntas
verbo. em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
O poeta português deixou uma obra originalíssima. de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
O poeta deixou-a. ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
adjunto adnominal) (Período Composto)

66
Podemos dizer: Observe que na oração subordinada temos o verbo
1. Estou comprando um protetor solar. “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
2. Irei à praia. do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
Separando as duas, vemos que elas são independen- bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
tes. Tal período é classificado como Período Composto indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
por Coordenação. junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Podemos modificar o período acima. Veja:
Sindéticas. Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada
A) Coordenadas Assindéticas
São orações coordenadas entre si e que não são li- A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus- ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração
tapostas. subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração su-
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci. bordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além
disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas ora-
B) Coordenadas Sindéticas ções, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas surge numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implí-
coordenativa, que dará à oração uma classificação. As citas (como no exemplo acima).
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin-
co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e Observação:
explicativas. As orações reduzidas não são introduzidas por con-
junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! mente, introduzidas por preposição.
 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam- A) Orações Subordinadas Substantivas
bém, não só... como, assim... como. A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in-
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
tegrante (que, se).
Comprei o protetor solar e fui à praia.
Não sei se sairemos hoje.
 Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
Oração Subordinada Substantiva
suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
Temos medo de que não sejamos aprovados.
senão. Oração Subordinada Substantiva
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi! Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam-
bém introduzem as orações subordinadas substantivas,
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: bem como os advérbios interrogativos (por que, quando,
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; onde, como).
quer...quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. O garoto perguntou qual seu nome.
Oração Subordinada Substantiva
 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
suas principais conjunções são: logo, portanto, por Não sabemos quando ele virá.
fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos- Oração Subordinada Substantiva
posto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir. 1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas
Substantivas
 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa- Conforme a função que exerce no período, a oração
ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo). subordinada substantiva pode ser:
LÍNGUA PORTUGUESA

Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do- 1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
mingo. verbo da oração principal:
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito
1.4.2 Período Composto Por Subordinação
É fundamental que você compareça à reunião.
Quero que você seja aprovado! Oração Principal Oração Subordinada Substan-
Oração principal oração subordinada tiva Subjetiva

67
FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos
um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado,
Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:
Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:
 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
não sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por pre-
posição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal

Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)


LÍNGUA PORTUGUESA

Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é ne-
cessário levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome.

68
5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo
ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma fun-
ção sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação”
é sujeito, então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substi-
tuído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

Forma das Orações Subordinadas Adjetivas

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as ora-
ções subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas redu-
zidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo
numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo
“que” e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adje-
tiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individuali-
zando-o. Nestas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem tam-
bém orações que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente
definido. Estas orações denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.

69
Exemplo 1: vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina-
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo
passava naquele momento. indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
No período acima, observe que a oração em desta- nha vida.
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho- A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
os homens, mas sim àquele que estava passando naque- uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
le momento.
Exemplo 2: Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais
O homem, que se considera racional, muitas vezes é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun-
age animalescamente. tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa oração.

Agora, a oração em destaque não tem sentido restri- 2. Classificação das Orações Subordinadas Adver-
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas biais
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
ceito de “homem”. A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
Saiba que: que se declara na oração principal. Principal conjunção
A oração subordinada adjetiva explicativa é separa- subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu-
da da oração principal por uma pausa que, na escrita, ções causais: como (sempre introduzido na oração ante-
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as que, visto que.
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito
forte.
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Já que você não vai, eu também não vou.
C) Orações Subordinadas Adverbiais
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
Uma oração subordinada adverbial é aquela que
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem-
senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando qual ela se subordina. Repare:
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções 1. Faltei à aula porque estava doente.
subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro- 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
a introduz (assim como acontece com as coordenadas fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
sindéticas). exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. pois seus olhos ficaram vermelhos.
Oração Subordinada Adverbial
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cia, é efeito do que se declara na oração principal.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada ad- São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
verbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos aces- de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
sórios que indicam uma circunstância referente, via de estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
depende da exata compreensão da circunstância que ex- (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
prime. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de concretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de zida de Infinitivo)


minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um ad- como necessário para a realização ou não de um
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- na oração principal.

70
Principal conjunção subordinativa condicional: se. ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). (maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, (mais), quanto mais...(menos), quanto menos...
certamente o melhor time será campeão. (mais), quanto menos...(menos).
Caso você saia, convide-me. À proporção que estudávamos mais questões acertá-
vamos.
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo À medida que lia mais culto ficava.
da oração principal, isto é, admitem uma contradi-
ção ou um fato inesperado. A ideia de concessão I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao
está diretamente ligada ao contraste, à quebra de fato expresso na oração principal, podendo expri-
expectativa. Principal conjunção subordinativa con- mir noções de simultaneidade, anterioridade ou
cessiva: embora. Utiliza-se também a conjunção: posterioridade. Principal conjunção subordinativa
conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, temporal: quando. Outras conjunções subordina-
mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que. tivas temporais: enquanto, mal e locuções conjun-
Só irei se ele for. tivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” que, depois que, sempre que, desde que, etc.
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Compare agora com: Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
Irei mesmo que ele não vá. minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: 3. Orações Reduzidas
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
As orações subordinadas podem vir expressas como
concessiva.
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
Observe outros exemplos:
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem co-
Embora fizesse calor, levei agasalho.
nectivo subordinativo que as introduza.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
sença do conectivo)
biais comparativas estabelecem uma comparação
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
pal. Principal conjunção subordinativa comparati- “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
va: como. É preciso estudar = oração subordinada substantiva
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) subjetiva reduzida de infinitivo
Você age como criança. (age como uma criança age) É preciso que se estude = oração subordinada subs-
tantiva subjetiva
• geralmente há omissão do verbo.
4. Orações Intercaladas
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado São orações independentes encaixadas na sequên-
para a execução do que se declara na oração prin- cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas: travessões.
como, consoante e segundo (todas com o mesmo Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
valor de conforme). sunto.
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
direitos iguais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
se declara na oração principal. Principal conjunção Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
LÍNGUA PORTUGUESA

finais: que, porque (= para que) e a locução con- São Paulo: Saraiva, 2002.
juntiva para que.
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. SITE
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou frase-periodo-e-oracao
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
principal. Principal locução conjuntiva subordina-
tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-

71
PONTUAÇÃO.
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adaptada) Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam- servem para compor a coesão e a coerência textual, além
po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Cam- de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
peonato Nacional em apoio à campanha que visa reduzir Um texto escrito adquire diferentes significados quando
o número de pessoas que não possuem o nome do pai em pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
sua certidão de nascimento. (...) depende, em certos momentos, da intenção do autor do
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír- te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
gula porque tem natureza restritiva.
1. Principais funções dos sinais de pontuação
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Ponto (.)
Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par-  Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome cerrando o período.
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma  Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan- panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
do a informação, o que dará a entender que TODAS as de período, este não receberá outro ponto; neste
pessoas não têm o nome do pai na certidão. caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di- ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
plomata – cespe – 2014 – adaptada)  Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
ponto, assim como após o nome do autor de uma
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma citação:
literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o Haverá eleições em outubro
brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes-  Os números que identificam o ano não utilizam
mo que a crônica é um gênero menor. ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem como os
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as- números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
de caminho não apenas para a vida, que ela serve de B) Ponto e Vírgula (;)
perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que  Separa várias partes do discurso, que têm a mes-
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo ma importância: “Os pobres dão pelo pão o traba-
dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que lho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espí-
despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi- rito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra  Separa partes de frases que já estão separadas por
mão certa profundidade de significado e certo acaba- vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
mento de forma, que de repente podem fazer dela uma tros, montanhas, frio e cobertor.
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.  Separa itens de uma enumeração, exposição de
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São motivos, decreto de lei, etc.
Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adapta- Ir ao supermercado;
ções). Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser- Reunião com amigos.
vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indi-
retos. C) Dois pontos (:)
 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio
( ) CERTO ( ) ERRADO Coutinho trata este assunto:
LÍNGUA PORTUGUESA

 Antes de um aposto = Três coisas não me agra-


Resposta: Errado. dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
imagina uma literatura = transitivo direto  Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo
(transitivo direto e indireto) a rotina de sempre.
pode servir de caminho = intransitivo  Em frases de estilo direto
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?

72
D) Ponto de Exclamação (!) 4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, remos comer pizza; e vocês, churrasco.
susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar
com você! 5. Para isolar:
 Depois de interjeições ou vocativos A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasi-
Ai! Que susto! leira, possui um trânsito caótico.
João! Há quanto tempo! B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

E) Ponto de Interrogação (?) Observações:


 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo) latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dispen-
sável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo or-
F) Reticências (...) tográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc.
 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá- predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc.
pis, canetas, cadernos... As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero binados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você
dizer... é verdad... Ah!” falou isso para ela?!
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este
mal... pega doutor? Temos, ainda, sinais distintivos:
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,  a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa-
depois, o coração falar... ração de siglas (IOF/UPC);
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
G) Vírgula (,) pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
opção aos parênteses, principalmente na matemá-
Não se usa vírgula tica;
Separando termos que, do ponto de vista sintático, li-  o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
gam-se diretamente entre si: nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir
um nome que não se quer mencionar.
1. Entre sujeito e predicado:
Todos os alunos da sala foram advertidos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Sujeito predicado Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
2. Entre o verbo e seus objetos: Paulo: Saraiva, 2010.
O trabalho custou sacrifício aos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
realizadores. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
V.T.D.I. O.D. O.I.
SITE
Usa-se a vírgula: http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu-
1. Para marcar intercalação: la.htm
A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
dância, vem caindo de preço.
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. EXERCÍCIOS COMENTADOS
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, 1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 – Ces-
não querem abrir mão dos lucros altos. pe – 2018 – adaptada)

2. Para marcar inversão: Texto CB1A1CCC


A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re-
fechadas. velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha
LÍNGUA PORTUGUESA

C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos
maio de 1982. sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam à mi-
nha frente, por diversas vezes, me escoltaram até minha
3. Para separar entre si elementos coordenados casa e passaram a ser companheiras de noites de insônia.
(dispostos em enumeração): Não havia outra solução a não ser escrever. Era preciso
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. colocar no papel e compartilhar a dor daquelas pessoas
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani- que, mesmo ao fim do processo e com a sentença prola-
mais. tada, não me deixavam esquecê-las.

73
Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas, risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém
esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co- não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de
mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário
casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas dividir as tarefas de controle com organizações locais e
mulheres, havia se transformado no pior dos mundos. com a comunidade.
Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen- Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem pú-
tavam à minha frente, os relatos se transformavam em blica e garantia dos direitos individuais: os desafios da
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi- polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasilei-
ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas. ra de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. –
A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a mar./2011, p. 84-5 (com adaptações).
culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não
ter conseguido manter a família. Sempre a culpa. No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for- introduzem
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e
advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela b) resultados da “consolidação da cidadania”.
violência invisível. c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias algo “amplo”.
além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com d) uma generalização do termo “direitos”.
adaptações). e) objetivos do “processo de redemocratização”.
O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
tido de “nós”. Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso
SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para
( ) CERTO ( ) ERRADO encontrar as respostas para as questões!): (...) abran-
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che- sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos
gavam à Justiça buscando uma força externa como se direitos; apresenta-os.
somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os 3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010) Vão
termos entre vírgulas servem para exemplificar quem surgindo novos sinais do crescente otimismo da indús-
são os “nós” citados pela autora ( juízes, promotores, tria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se
advogados). às exportações. “O comércio mundial já está voltando a
se abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de
2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária – pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Cespe – 2017 – adaptada) Renato da Fonseca, para explicar a melhora das expec-
tativas dos industriais com relação ao mercado externo.
Texto 1A1AAA Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois
Após o processo de redemocratização, com o fim da di- elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a
tadura militar, em meados da década de 80 do século pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
passado, era de se esperar que a democratização das registra grande otimismo da indústria com relação à de-
instituições tivesse como resultado direto a consolidação manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado.
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran- Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e entrevistados acredita no aumento das vendas internas.
sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên- ções).
cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o
desemprego — que ameaça os direitos sociais. O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas
por tratar-se de um vocativo.
No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir
de 1980, impacto do processo de modernização pelo
( ) CERTO ( ) ERRADO
qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo
colocou em circulação bens de alto valor e, consequente-
Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi- fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
LÍNGUA PORTUGUESA

ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
social mais anônimo, menos supervisionado. nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar
Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais a melhora das expectativas. O termo em destaque não
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. está exercendo a função de vocativo, já que não é uti-
O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me- lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo.
nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor- Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente
tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla executivo da CNI.
necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do

74
4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho – ces- Outros procedimentos rotineiros na redação de co-
pe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do trecho municações oficiais foram incorporados ao longo do
“Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as mais co- tempo, como as formas de tratamento e de cortesia,
muns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se inserisse certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes,
uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para
comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do
( ) CERTO ( ) ERRADO Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre su- buscou fazer das características específicas da forma ofi-
jeito e predicado, a não ser que se trate de um aposto (1), cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
predicativo do sujeito (2), ou algum termo que requeira se proponha a criação – ou se aceite a existência – de
estar separado entre pontuações. Exemplo: O Rio de Ja- uma forma específica de linguagem administrativa, o que
neiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Os meninos, coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês.
ansiosos (2), chegaram!
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês
REDAÇÃO (CONFRONTO E RECONHECIMENTO do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção
DE FRASES CORRETAS E INCORRETAS). de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente
árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali-
O que é Redação Oficial dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a ma- língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto
neira pela qual o Poder Público redige atos normativos e jornalístico, da correspondência particular, etc.
comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Apresentadas essas características fundamentais da
Poder Executivo. redação oficial, passemos à análise pormenorizada de
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, cada uma delas.
uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formali-
dade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos de- 1. A Impessoalidade
correm da Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A adminis-
tração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala,
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni- quer pela escrita. Para que haja comunicação, são neces-
cípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, sários: a) alguém que comunique, b) algo a ser comuni-
moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e cado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso
a impessoalidade princípios fundamentais de toda administra- da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço
ção pública, claro está que devem igualmente nortear a elabo- Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Depar-
ração dos atos e comunicações oficiais. tamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é
Não se concebe que um ato normativo de qualquer sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o
impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido
público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão públi-
dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são re-
co, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
quisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicida-
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
de implica, pois, necessariamente, clareza e concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma dos ções oficiais decorre:
atos normativos obedece a certa tradição. Há normas para sua a) da ausência de impressões individuais de quem co-
elaboração que remontam ao período de nossa história im- munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
perial, como, por exemplo, a obrigatoriedade – estabelecida assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
por decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de que se nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Ob-
aponha, ao final desses atos, o número de anos transcorridos tém-se, assim, uma desejável padronização, que permite
desde a Independência. Essa prática foi mantida no período que comunicações elaboradas em diferentes setores da
republicano. Esses mesmos princípios (impessoalidade, clare- Administração guardem entre si certa uniformidade;
za, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) apli- b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
cam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre permitir ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um
uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uni- cidadão, sempre concebido como público, ou a outro ór-
LÍNGUA PORTUGUESA

formes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. gão público. Nos dois casos, temos um destinatário con-
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações cebido de forma homogênea e impessoal;
oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se
único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas o universo temático das comunicações oficiais se restrin-
comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de ge a questões que dizem respeito ao interesse público, é
expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjun- natural que não cabe qualquer tom particular ou pessoal.
to dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogê- Desta forma, não há lugar na redação oficial para im-
nea (o público). pressões pessoais, como as que, por exemplo, constam

75
de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de
jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial expressão, desde que não seja confundida com pobreza
deve ser isenta da interferência da individualidade que a de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto
elabora. implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con-
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios
de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais da língua literária.
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
impessoalidade. um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
A necessidade de empregar determinado nível de lin- sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um consagre a utilização de uma forma de linguagem buro-
lado, do próprio caráter público desses atos e comuni- crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser
cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe- A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis-
o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan- criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo
çado se em sua elaboração for empregada a linguagem o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil
adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, entendimento por quem não esteja com eles familiariza-
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em
objetividade. As comunicações que partem dos órgãos comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi-
públicos federais devem ser compreendidas por todo e nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há
3. Formalidade e Padronização
que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina-
dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por
As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio-
isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com-
mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
preensão dificultada.
drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
Ressalte-se que há necessariamente uma distância
malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente
dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração pronome de tratamento para uma autoridade de certo;
de costumes, e pode eventualmente contar com outros mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à
elementos que auxiliem a sua compreensão, como os civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns cuida a comunicação.
dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
escrita incorpora mais lentamente as transformações, necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad-
tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas ministração federal é una, é natural que as comunicações
de si mesma para comunicar. que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen-
A língua escrita, como a falada, compreende diferen- to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que
tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por se atente para todas as características da redação oficial e
exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
de determinado padrão de linguagem que incorpore ex- A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um para o texto definitivo e a correta diagramação do texto
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do são indispensáveis para a padronização.
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz 4. Concisão e Clareza
da língua, a finalidade com que a empregamos.
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca- A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do transmitir um máximo de informações com um mínimo
padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun-
culto é aquele em que a) se observam as regras da gra- damental que se tenha, além de conhecimento do assun-
LÍNGUA PORTUGUESA

mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res- sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas
saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das desnecessárias de ideias.
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti- ao princípio de economia linguística, à mencionada fór-
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi- mula de empregar o mínimo de palavras para informar o
da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como

76
economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos
passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú- todas as modalidades de comunicação oficial: o empre-
teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a
que já foi dito. identificação do signatário.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
em todo texto de alguma complexidade: ideias funda- 6. Pronomes de Tratamento
mentais e ideias secundárias. Estas últimas podem es-
clarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; 6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
mas existem também ideias secundárias que não acres-
centam informação alguma ao texto, nem têm maior re- O uso de pronomes e locuções pronominais de tra-
lação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dis- tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De
pensadas. acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por-
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos- direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”,
sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a passou-se a empregar, como expediente linguístico de
clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es- distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
tritamente das demais características da redação oficial. tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
Para ela concorrem: o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter- em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua-
pretações que poderia decorrer de um tratamento lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não
personalista dado ao texto; a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí- rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
pio, de entendimento geral e por definição avesso assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
o jargão; vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
imprescindível uniformidade dos textos; mento indireto já estava em voga também para os ocu-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces- pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu
sos linguísticos que nada lhe acrescentam. para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono-
É pela correta observação dessas características que me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável que provém o atual emprego de pronomes de tratamen-
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex- to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades
tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais civis, militares e eclesiásticas.
provém, principalmente, da falta da releitura que torna
possível sua correção. 6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda,
se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes-
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter- soa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto
ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora
em decorrência de nossa experiência profissional muitas se refiram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com
vezes faz com que os tomemos como de conhecimento quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam
geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, a concordância para a terceira pessoa. É que o verbo con-
esclareça, precise os termos técnicos, o significado das corda com o substantivo que integra a locução como seu
siglas e abreviações e os conceitos específicos que não núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”;
possam ser dispensados. “Vossa Excelência conhece o assunto”.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a
pressa com que são elaboradas certas comunicações pronomes de tratamento são sempre os da terceira pes-
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve soa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa
proceder à redação de um texto que não seja seguida ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pro-
por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos nomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua pessoa a que se refere, e não com o substantivo que com-
indesejável repercussão no redigir. põe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o
correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria
LÍNGUA PORTUGUESA

5. As Comunicações Oficiais deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está
atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”.
5.1. Introdução
6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
A redação das comunicações oficiais deve, antes de
tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As- Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte- obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:

77
a) do Poder Executivo; Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra-
Presidente da República; tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na
Vice-Presidente da República; lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se
Ministros de Estado; ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do repetida evocação.
Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas; Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
Embaixadores; dades e para particulares. O vocativo adequado é:
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu- Senhor Fulano de Tal,
pantes de cargos de natureza especial; (...)
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; No envelope, deve constar do endereçamento:
Prefeitos Municipais. Ao Senhor
Fulano de Tal
b) do Poder Legislativo: Rua ABC, n.º 123
Deputados Federais e Senadores; 12345-000 – Curitiba. PR
Ministros do Tribunal de Contas da União;
Deputados Estaduais e Distritais; Como se depreende do exemplo acima, fica dispen-
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria
e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
c) do Poder Judiciário: tratamento Senhor.
Ministros dos Tribunais Superiores; Acrescente-se que doutor não é forma de tratamen-
Membros de Tribunais; to, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminada-
Juízes; mente. Como regra geral, empregue-o apenas em co-
Auditores da Justiça Militar. municações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por
terem concluído curso universitário de doutorado. É cos-
tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os
O vocativo a ser empregado em comunicações diri-
bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se-
o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às
guido do cargo respectivo:
comunicações.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
empregada, por força da tradição, em comunicações di-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal
rigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vo-
Federal.
cativo: Magnífico Reitor, (...)
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor-
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
do com a hierarquia eclesiástica, são:
Senhor, seguido do cargo respectivo: Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao
Senhor Senador, Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre,
Senhor Juiz, (...)
Senhor Ministro, Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendís-
Senhor Governador, sima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe
o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminen-
No envelope, o endereçamento das comunicações di- tíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...)
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá Vossa Excelência Reverendíssima é usado em co-
a seguinte forma: municações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
A Sua Excelência o Senhor Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren-
Fulano de Tal díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli-
Ministro de Estado da Justiça giosos.
70064-900 – Brasília. DF Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé-
rigos e demais religiosos.
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal 7. Fechos para Comunicações
Senado Federal
LÍNGUA PORTUGUESA

70165-900 – Brasília. DF O fecho das comunicações oficiais possui, além da


finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o des-
A Sua Excelência o Senhor tinatário. Os modelos para fecho que vinham sendo uti-
Fulano de Tal lizados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério
Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com
Rua ABC, n.º 123 o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es-
01010-000 – São Paulo. SP tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes
para todas as modalidades de comunicação oficial:

78
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado;
da República: Respeitosamente, se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que
rarquia inferior: Atenciosamente, confere maior clareza à exposição;
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di- reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
de Redação do Ministério das Relações Exteriores. títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami-
nhamento de documentos a estrutura é a seguinte:
8. Identificação do Signatário – introdução: deve iniciar com referência ao expe-
diente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden- documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a
te da República, todas as demais comunicações oficiais informação do motivo da comunicação, que é encami-
devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as nhar, indicando a seguir os dados completos do docu-
expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da mento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário,
identificação deve ser a seguinte: e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo
(espaço para assinatura) encaminhado, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta
NOME ao Aviso n.º 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho,
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República anexa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do
(espaço para assinatura) Departamento Geral de Administração, que trata da re-
NOME quisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho, para
Ministro de Estado da Justiça exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no
12, de 1.º de fevereiro de 1991, do Presidente da Confe-
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as- deração Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de
sinatura em página isolada do expediente. Transfira para modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
– desenvolvimento: se o autor da comunicação dese-
jar fazer algum comentário a respeito do documento que
9. O Padrão Ofício
encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvol-
vimento; em caso contrário, não há parágrafos de desen-
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes
volvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento.
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado-
tar uma diagramação única, que siga o que chamamos g) assinatura do autor da comunicação; e
de padrão ofício. h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
Signatário).
10. Partes do documento no Padrão Ofício
11. Forma de diagramação
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
guintes partes: Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do seguinte forma de apresentação:
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
123/2002-SG Of. 123/2002-MME de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com 10 nas notas de rodapé;
alinhamento à direita: Exemplo: b) para símbolos não existentes na fonte Times New
Brasília, 15 de março de 1991. Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e
Wingdings;
c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos: c) é obrigatório constar a partir da segunda página o
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. número da página;
Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu- d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão
tadores. ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem caso, as margens esquerda e direita terão as dis-
é dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser in- tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es-
cluído também o endereço. pelho”);
e) texto: nos casos em que não for de mero encami- e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
LÍNGUA PORTUGUESA

nhamento de documentos, o expediente deve conter a de distância da margem esquerda;


seguinte estrutura: f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
no mínimo, 3,0 cm de largura;
– introdução, que se confunde com o parágrafo de g) o campo destinado à margem lateral direita terá
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a 1,5 cm;
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, O constante neste item aplica-se também à exposição
“Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empre- de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Moti-
gue a forma direta; vos e 5. Mensagem).

79
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co-
linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o municação eminentemente interna. Pode ter caráter me-
editor de texto utilizado não comportar tal recurso, ramente administrativo, ou ser empregado para a expo-
de uma linha em branco; sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, por determinado setor do serviço público. Sua caracterís-
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando
relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma- em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
tação que afete a elegância e a sobriedade do do- simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar
cumento; desnecessário aumento do número de comunicações, os
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta despachos ao memorando devem ser dados no próprio
em papel branco. A impressão colorida deve ser documento e, no caso de falta de espaço, em folha de
usada apenas para gráficos e ilustrações; continuação. Esse procedimento permite formar uma
k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício espécie de processo simplificado, assegurando maior
devem ser impressos em papel de tamanho A-4,
transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
historie o andamento da matéria tratada no memorando.
l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
arquivo Rich Text nos documentos de texto;
m) dentro do possível, todos os documentos elabora- 13.2. Forma e Estrutura
dos devem ter o arquivo de texto preservado para
consulta posterior ou aproveitamento de trechos Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo
para casos análogos; do padrão ofício, com a diferença de que o seu destina-
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos tário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exem-
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do plos:
documento + número do documento + palavras- Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
-chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
dutividade ano 2002”
14. Exposição de Motivos
12. Aviso e Ofício
14.1. Definição e Finalidade
12.1. Definição e Finalidade
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-
Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi- sidente da República ou ao Vice-Presidente para:
cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é a) informá-lo de determinado assunto;
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de b) propor alguma medida; ou
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo c) submeter a sua consideração projeto de ato nor-
que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. mativo.
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi-
oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, dente da República por um Ministro de Estado. Nos casos
no caso do ofício, também com particulares. em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério,
a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os
12.2. Forma e Estrutura Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de
interministerial.
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
14.2. Forma e Estrutura
o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido
de vírgula. Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen-
Senhora Ministra tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
Senhor Chefe de Gabinete A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e
as seguintes informações do remetente: outra para a que proponha alguma medida ou submeta
– nome do órgão ou setor; projeto de ato normativo.
– endereço postal; No primeiro caso, o da exposição de motivos que
– telefone e endereço de correio eletrônico. simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
LÍNGUA PORTUGUESA

Presidente da República, sua estrutura segue o mode-


13. Memorando lo antes referido para o padrão ofício. Já a exposição de
motivos que submeta à consideração do Presidente da
13.1. Definição e Finalidade República a sugestão de alguma medida a ser adotada
ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – embo-
O memorando é a modalidade de comunicação en- ra sigam também a estrutura do padrão ofício –, além de
tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que outros comentários julgados pertinentes por seu autor,
podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em devem, obrigatoriamente, apontar:

80
a) na introdução: o problema que está a reclamar a Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao
adoção da medida ou do ato normativo proposto; Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medi- art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual
da ou aquele ato normativo o ideal para se solucio- sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci-
nar o problema, e eventuais alternativas existentes samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da
para equacioná-lo; Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena-
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to- do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as
mada, ou qual ato normativo deve ser editado para sessões conjuntas.
solucionar o problema. As mensagens aqui tratadas coroam o processo de-
senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à ex- minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei-
posição de motivos, devidamente preenchido, de acordo ro das matérias objeto das proposições por elas encami-
Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º 4.176, nhadas.
de 28 de março de 2002. Tais exames materializam-se em pareceres dos di-
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presen- versos órgãos interessados no assunto das proposições,
te que a atenção aos requisitos básicos da redação oficial entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori-
(clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padro- gem das propostas, as análises necessárias constam da
nização e uso do padrão culto de linguagem) deve ser exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1.
redobrada. Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por
A exposição de motivos é a principal modalidade de cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
comunicação dirigida ao Presidente da República pelos b) encaminhamento de medida provisória.
Ministros. Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons-
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada tituição, o Presidente da República encaminha mensa-
cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso
ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando
ou em parte. cópia da medida provisória, autenticada pela Coordena-
ção de Documentação da Presidência da República.
15. Mensagem c) indicação de autoridades.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a
15.1. Definição e Finalidade indicação de pessoas para ocuparem determinados car-
gos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che- TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central, Procura-
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens en- dor-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática,
viadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, in-
para informar sobre fato da Administração Pública; expor cisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional
o plano de governo por ocasião da abertura de sessão competência privativa para aprovar a indicação.
legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que O curriculum vitae do indicado, devidamente assina-
dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; do, acompanha a mensagem.
enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vi-
seja de interesse dos poderes públicos e da Nação. ce-Presidente da República se ausentar do País por mais
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos de 15 dias.
Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art.
caberá a redação final. 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao do Congresso Nacional.
Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com- tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
plementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
complementar são enviados em regime normal (Consti- -lhes mensagens idênticas.
tuição, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º e) encaminhamento de atos de concessão e renova-
a 4.º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminha- ção de concessão de emissoras de rádio e TV.
do sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova A obrigação de submeter tais atos à apreciação do
mensagem, com solicitação de urgência. Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem- Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com torga ou renovação da concessão após deliberação do
LÍNGUA PORTUGUESA

aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des-
ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64
que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o
caput). prazo da tramitação.
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen- Além do ato de outorga ou renovação, acompanha
dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen- a mensagem o correspondente processo administrativo.
tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de en- f) encaminhamento das contas referentes ao exercício
caminhamento dirigem-se aos Membros do Congresso anterior.

81
O Presidente da República tem o prazo de sessenta – proposta de modificação de projetos de leis finan-
dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º);
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an- – pedido de autorização para utilizar recursos que
terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer ficarem sem despesas correspondentes, em decorrência
da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamen-
§ 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tária anual (Constituição, art. 166, § 8.º);
tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi- – pedido de autorização para alienar ou conceder ter-
mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno. ras públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição,
g) mensagem de abertura da sessão legislativa. art. 188, § 1.º); etc.
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
a situação do País e solicitação de providências que jul- 5.2. Forma e Estrutura
gar necessárias (Constituição, art. 84, XI).
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da As mensagens contêm:
Presidência da República. Esta mensagem difere das de- a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os horizontalmente, no início da margem esquerda:
Congressistas em forma de livro. Mensagem n.º
h) comunicação de sanção (com restituição de autó-
grafos). b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres- e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da
so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre- margem esquerda;
tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
informa o número que tomou a lei e se restituem dois
exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
Presidente da República terá aposto o despacho de san- d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do
ção. texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
i) comunicação de veto. a margem direita.
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui- A mensagem, como os demais atos assinados pelo
ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão Presidente da República, não traz identificação de seu
de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, signatário.
e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra
no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao 16. Telegrama
contrário das demais mensagens, cuja publicação se res-
tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo. 16.1. Definição e Finalidade
j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
frequência mensagens com: os procedimentos burocráticos, passa a receber o títu-
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- lo de telegrama toda comunicação oficial expedida por
tam encargos ou compromissos gravosos (Constituição, meio de telegrafia, telex, etc.
art. 49, I); Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
às operações e prestações interestaduais e de exporta- restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situa-
ção (Constituição, art. 155, § 2.º, IV); ções que não seja possível o uso de correio eletrônico ou
– proposta de fixação de limites globais para o mon- fax e que a urgência justifique sua utilização e, também
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI); em razão de seu custo elevado, esta forma de comuni-
– pedido de autorização para operações financeiras cação deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e
externas (Constituição, art. 52, V); e outros. Clareza).
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
– convocação extraordinária do Congresso Nacional 16.2. Forma e Estrutura
(Constituição, art. 57, § 6.º);
– pedido de autorização para exonerar o Procurador- Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
– pedido de autorização para declarar guerra e decre- Correios e em seu sítio na Internet.
tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a 17. Fax
LÍNGUA PORTUGUESA

paz (Constituição, art. 84, XX);


– justificativa para decretação do estado de defesa ou 17.1. Definição e Finalidade
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º);
– pedido de autorização para decretar o estado de O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile)
sítio (Constituição, art. 137); é uma forma de comunicação que está sendo menos
– relato das medidas praticadas na vigência do estado usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utiliza-
de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo do para a transmissão de mensagens urgentes e para o
único); envio antecipado de documentos, de cujo conhecimen-

82
to há premência, quando não há condições de envio do Elementos de Ortografia e Gramática
documento por meio eletrônico. Quando necessário o
original, ele segue posteriormente pela via e na forma 1. Problemas de Construção de Frases
de praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com A clareza e a concisão na forma escrita são alcança-
cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, das, principalmente, pela construção adequada da frase,
em certos modelos, deteriora-se rapidamente. “a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini-
ção de Celso Pedro Luft.
17.2. Forma e Estrutura A função essencial da frase é desempenhada pelo
predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en-
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”.
estrutura que lhes são inerentes. Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe
É conveniente o envio, juntamente com o documento o nome de período, que terá tantas orações quantos fo-
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com rem os verbos não auxiliares que o constituem.
os dados de identificação da mensagem a ser enviada, Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
conforme exemplo a seguir: pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan-
[Órgão Expedidor] tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações
[setor do órgão expedidor] substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a
[endereço do órgão expedidor] função de complementos (objetos direto e indireto, pre-
Destinatário:____________________________________ dicativo e complemento adverbial). Função acessória de-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
Remetente: ____________________________________ ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ aos elementos que desempenham as outras funções, ou
No de páginas: ________No do documento:____________ deslocados para o início da oração.
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos
Observações:___________________________________ elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor-
18. Correio Eletrônico rer):
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver-
18.1 Definição e finalidade bial).

O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e Podem ser identificados seis padrões básicos para as
celeridade, transformou-se na principal forma de comu- orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu-
nicação para transmissão de documentos. guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e
pode ocorrer em ordem diversa):
18.2. Forma e Estrutura
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- O Presidente - regressou - (ontem).
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for-
ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto -
uso de linguagem incompatível com uma comunicação (adjunto adverbial)
oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi- O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
ciais). manhã de terça-feira).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto
documental tanto do destinatário quanto do remetente. - (adjunto adverbial).
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti- O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa- setores).
gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa-
ções mínimas sobre seu conteúdo. 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di-
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de reto - obj. indireto - (adj. Adv.)
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve Os desempregados - entregaram - suas reivindicações
constar da mensagem pedido de confirmação de rece- - ao Deputado - (no Congresso).
bimento.
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento


18.3 Valor documental adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue-
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa- nos Aires - (na próxima semana).
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
que possa ser aceito como documento original, é neces- 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
sário existir certificação digital que ateste a identidade verbial)
do remetente, na forma estabelecida em lei. O problema - será - resolvido - prontamente.

83
Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjuga- metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul-
do. Na construção de períodos, as várias funções podem tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
e confundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta-
de todos os padrões existentes na língua portuguesa. das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
O que importa é fixar a ordem normal dos elementos
nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos 4. Erros de Paralelismo
mais complexos, compostos por duas ou mais orações,
em geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
que derivam). crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
Os problemas mais frequentemente encontrados na gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As-
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Minis-
geral, do desconhecimento da ordem das palavras na térios economizar energia e que elaborassem planos de
frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais redução de despesas.
comuns e recorrentes na construção de frases, registra-
dos em documentos oficiais. Na frase temos, nas duas orações subordinadas que
completam o sentido da principal, duas estruturas dife-
2. Sujeito rentes para ideias equivalentes: a primeira oração (eco-
nomizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a se-
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que gunda (que elaborassem planos de redução de despesas)
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter com- é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção
plemento, mas não ser complemento. Devem ser evita- integrante que. Há mais de uma possibilidade de escre-
das, portanto, construções como: vê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar
as duas orações subordinadas como desenvolvidas, in-
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. troduzidas pela conjunção integrante que:
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
Errado: Apesar das relações entre os países estarem nos para redução de despesas.
cortadas, (...).
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem Outra possibilidade: as duas orações são apresenta-
cortadas, (...). das como reduzidas de infinitivo:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Minis-
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. térios economizar energia e elaborar planos para redução
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. de despesas.
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). coordenação de orações subordinadas.
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua es-
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...). crita culta:
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...). Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
3. Frases Fragmentadas O problema aqui decorre de coordenar palavras
(substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma
oração subordinada ou uma simples locução como se Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou
fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada por transformá-la em frase simples, substituindo as ora-
de uma frase simples. Embora seja usada como recurso ções reduzidas por substantivos:
estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser Certo: No discurso de posse, mostrou determinação,
evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a segurança, inteligência e ambição.
compreensão. Exemplo:
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congres- Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso
LÍNGUA PORTUGUESA

so Nacional. Depois de ser longamente debatido. paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equi-
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso valente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao
Nacional, depois de ser longamente debatido. se apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas
Certo: Depois de ser longamente debatido, o progra- distintas:
ma recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o
Papa.

84
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades 6. Ambiguidade
(Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili-
dade de correção é transformá-la em duas frases simples, Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada
com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar): em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bási-
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta co de todo texto oficial, deve-se atentar para as constru-
última capital, encontrou-se com o Papa. ções que possam gerar equívocos de compreensão.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado de identificar a qual palavra se refere um pronome que
pelo uso inadequado da expressão “e que” num período possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
que não contém nenhum “que” anterior. ocorrer com:
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
tem sólida formação acadêmica. A) pronomes pessoais:
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: que ele seria exonerado.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
sólida formação acadêmica. secretariado.
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
Errado: Neste momento, não se devem adotar medi- neração deste.
das precipitadas, e que comprometam o andamento de
todo o programa. B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú-
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an- blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu
terior, aqui podemos suprimir a conjunção: Estado, mas isso não o surpreendeu.
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase.
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o
programa.
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presiden-
te da República. No pronunciamento, solicitou a interven-
5. Erros de Comparação
ção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Pre-
sidente da República.
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa-
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada C) pronome relativo:
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o costumava trabalhar.
termo omitido. A ausência indevida de um termo pode Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora-
impossibilitar o entendimento do sentido que se quer ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambi-
dar a uma frase: guidade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca
de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual,
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que os quais, as quais, que marcam gênero e número.
um médico. Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos-
A omissão de termos provocou uma comparação in- tumava trabalhar.
devida: “o salário de um professor” com “um médico”. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos-
o salário de um médico. tumava trabalhar.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que
o de um médico. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Novamente, a não repetição dos termos comparados funcionário.
confunde. Alternativas para correção: Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Portaria. Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. indisciplinado.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
LÍNGUA PORTUGUESA

bas do que os Ministérios do Governo. Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma se-
nhora chamou o médico.
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi
“demais”) acarretou imprecisão: chamado por uma senhora.
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
bas do que os outros Ministérios do Governo. SITE
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual-
bas do que os demais Ministérios do Governo. redpr2aed.pdf

85
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
– 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas direcio-
EXERCÍCIOS COMENTADOS nadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso dos
fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acordo
1. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de com as hierarquias do destinatário e do remetente.
Transportes Aquaviários – superior – cespe – 2014) Con-
siderando aspectos estruturais e linguísticos das correspon- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dências oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo
com o Manual de Redação da Presidência da República. Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- dois fechos diferentes para todas as modalidades de
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de comunicação oficial:
cargos públicos. a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente,
( ) CERTO ( ) ERRADO b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
quia inferior: Atenciosamente,
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
para que tais cargos públicos sejam ocupados. nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
cial_publicacoes_ver.php?id=2 5. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de
Transportes Aquaviários – cespe – 2014) Considerando
2. (tribunal de justiça-se – técnico judiciário – Médio – aspectos estruturais e linguísticos das correspondências
cespe – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo com o
direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer Manual de Redação da Presidência da República.
uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to-
acordo com as hierarquias do destinatário e do reme- das as autoridades do poder público, uma vez que a dig-
tente. nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de
cargos públicos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
( ) CERTO ( ) ERRADO
Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
dois fechos diferentes para todas as modalidades de
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
comunicação oficial:
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente, para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- cial_publicacoes_ver.php?id=2
rarquia inferior: Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e COMPREENSÃO DE TEXTO.
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

3. (anp – Conhecimento Básico para todos os Cargos – INTERPRETAÇÃO TEXTUAL


cespe – 2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar
exaustivamente, com o máximo de detalhamento possí- Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela-
vel, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discussões, as cionadas entre si, formando um todo significativo capaz
propostas, as resoluções e as deliberações ocorridas em de produzir interação comunicativa (capacidade de codi-
reuniões e eventos que exigem registro. ficar e decodificar).
Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
( ) CERTO ( ) ERRADO Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in-
que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada
pessoas com um fim específico. É característica da Ata de seu contexto original e analisada separadamente, po-
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de derá ter um significado diferente daquele inicial.
modo infalível, de todo o desenrolar da reunião. Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_ rências diretas ou indiretas a outros autores através de
redacao_oficial_ata/) citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.

86
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen- si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
esclarecimento das questões apresentadas na prova. pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
que se vai dizer e o que já foi dito.
Normalmente, em uma prova, o candidato deve:
 Identificar os elementos fundamentais de uma São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
argumentação, de um processo, de uma época eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
os quais definem o tempo). aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
 Comparar as relações de semelhança ou de dife- bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
renças entre as situações do texto. semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado tecedente.
com uma realidade.
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias.
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa-
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
lavras.
existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
1. Condições básicas para interpretar cia, a saber:
que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- te, mas depende das condições da frase.
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- qual (neutro) idem ao anterior.
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- quem (pessoa)
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
e de síntese; capacidade de raciocínio. o objeto possuído.
como (modo)
2. Interpretar/Compreender onde (lugar)
quando (tempo)
Interpretar significa: quanto (montante)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. Exemplo:
Através do texto, infere-se que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
É possível deduzir que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
O autor permite concluir que... aparecer o demonstrativo O).
Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
3. Dicas para melhorar a interpretação de textos
Compreender significa
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.  Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral
O texto diz que... do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos
É sugerido pelo autor que... candidatos na disputa, portanto, quanto mais infor-
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação... mação você absorver com a leitura, mais chances
O narrador afirma... terá de resolver as questões.
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter-
3. Erros de interpretação
rompa a leitura.
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai
do contexto, acrescentando ideias que não estão forem necessárias.
no texto, quer por conhecimento prévio do tema  Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma
quer pela imaginação. conclusão).
 Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se  Volte ao texto quantas vezes precisar.
atenção apenas a um aspecto (esquecendo que um  Não permita que prevaleçam suas ideias sobre
texto é um conjunto de ideias), o que pode ser insu- as do autor.
ficiente para o entendimento do tema desenvolvido.  Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me-
 Contradição = às vezes o texto apresenta ideias lhor compreensão.
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-  Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado
LÍNGUA PORTUGUESA

clusões equivocadas e, consequentemente, errar a de cada questão.


questão.  O autor defende ideias e você deve percebê-las.
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra-
Observação: fo geralmente mantém com outro uma relação de
Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi-
ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova que muito bem essas relações.
de concurso, o que deve ser levado em consideração é o  Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou
que o autor diz e nada mais. seja, a ideia mais importante.

87
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” c) de demandar ao sistema judicial a concretização de
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão seus direitos.
na hora da resposta – o que vale não somente d) à institucionalização do seu direito em detrimento dos
para Interpretação de Texto, mas para todas as de- direitos de outros.
mais questões! e) a uma vida plena e adequada, direito esse que está na
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin- essência de todos os direitos.
cipal, leia com atenção a introdução e/ou a con-
clusão. Resposta: Letra E. O ser humano tem direito a uma
 Olhe com especial atenção os pronomes relativos, vida digna, adequada, para que consiga gozar de seus
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, direitos – saúde, educação, segurança – e exercer seus
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- deveres plenamente, como prescrevem todos os di-
tem a outros vocábulos do texto. reitos: (...) O direito à vida é a substância em torno da
qual todos os direitos se conjugam (...).
SITES
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/por- 2. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Ces-
tugues/como-interpretar-textos pe – 2017)
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-me-
lhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas Texto CG1A1BBB
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-pa-
ra-voce-interpretar-melhor-um.html Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques- da República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana
tao-117-portugues.htm do povo, que o exerce por meio de representantes elei-
tos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Em
virtude desse comando, afirma-se que o poder dos juízes
emana do povo e em seu nome é exercido. A forma de
EXERCÍCIOS COMENTADOS sua investidura é legitimada pela compatibilidade com as
regras do Estado de direito e eles são, assim, autênticos
1. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Ces- agentes do poder popular, que o Estado polariza e exer-
pe – 2017) ce. Na Itália, isso é constantemente lembrado, porque
toda sentença é dedicada (intestata) ao povo italiano, em
Texto CG1A1AAA nome do qual é pronunciada.

A valorização do direito à vida digna preserva as duas Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do pro-
faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a cesso. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 (com
do ser em si e a do ser com o outro. O homem é inteiro adaptações).
em sua dimensão plural e faz-se único em sua condição Conforme as ideias do texto CG1A1BBB,
social. Igual em sua humanidade, o homem desiguala-se,
singulariza-se em sua individualidade. O direito é o ins- a) o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel
trumento da fraternização racional e rigorosa. com fundamento no princípio da soberania popular.
O direito à vida é a substância em torno da qual todos os b) os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos pelo
direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que voto popular, como ocorre com os representantes dos
o sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizá- demais poderes.
vel de justiça social. c) os magistrados italianos, ao contrário dos brasileiros,
Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei exercem o poder que lhes é conferido em nome de
Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a re- seus nacionais.
velação da justiça. Quando os descaminhos não condu- d) há incompatibilidade entre o autogoverno da magis-
zirem a isso, competirá ao homem transformar a lei na tratura e o sistema democrático.
vida mais digna para que a convivência política seja mais e) os magistrados brasileiros exercem o poder consti-
fecunda e humana. tucional que lhes é atribuído em nome do governo
Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo 3.º. federal.
In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Hu-
manos 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB, Resposta: Letra A. A questão deve ser respondida se-
Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1 gundo o texto: (...) “Todo o poder emana do povo, que
(com adaptações). o exerce por meio de representantes eleitos ou direta-
LÍNGUA PORTUGUESA

mente, nos termos desta Constituição.” Em virtude des-


Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser humano se comando, afirma-se que o poder dos juízes emana
tem direito do povo e em seu nome é exercido (...).

a) de agir de forma autônoma, em nome da lei da sobre-


vivência das espécies.
b) de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessário
para defender seus interesses.

88
3. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPERIOR D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
– CESPE – 2017 – ADAPTADA) No texto CG1A1BBB, o uma modalidade na qual as ações são prescritas de
vocábulo ‘emana’ foi empregado com o sentido de forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
a) trata. Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
b) provém. até criar uma massa homogênea.
c) manifesta. E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
d) pertence. cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
e) cabe. tativos, revelados por uma carga ideológica cons-
tituída de argumentos e contra-argumentos que
Resposta: Letra B. Dentro do contexto, “emana” tem justificam a posição assumida acerca de um deter-
o sentido de “provém”. minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
neros estão em complementação, não em disputa.
A todo o momento nos deparamos com vários textos,
sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a pre- 2. Gêneros Textuais
sença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência
daquilo que está sendo transmitido entre os interlocu- São os textos materializados que encontramos em
tores. Estes interlocutores são as peças principais em um nosso cotidiano; tais textos apresentam características
diálogo ou em um texto escrito. sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
É de fundamental importância sabermos classificar os composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
blog, etc.
e gêneros textuais.
A escolha de um determinado gênero discursivo de-
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
pende, em grande parte, da situação de produção, ou
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei-
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al-
cular o texto, etc.
guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta-
e Dissertação. gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul-
gação científica são comuns gêneros como verbete de
1. As tipologias textuais se caracterizam pelos as- dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico,
pectos de ordem linguística seminário, conferência.
Os tipos textuais designam uma sequência definida REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
pela natureza linguística de sua composição. São obser- Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela- Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, São Paulo: Saraiva, 2010.
argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo. Português – Literatura, Produção de Textos & Gra-
A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli,
ação demarcados no tempo do universo narrado, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
como também de advérbios, como é o caso de an-
tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu SITE
carro quando ele apareceu. Depois de muita conver- http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-tex-
sa, resolveram... tual.htm
B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
descrevem características tanto físicas quanto psi-
cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
LÍNGUA PORTUGUESA

cabelos mais negros como a asa da graúna...”


C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
um assunto ou uma determinada situação que se
almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
benefício.

89
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS; perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po-
rém de formas relativamente próximas. São palavras pa-
Semântica é o estudo da significação das palavras e
recidas na escrita e na pronúncia: cesta (receptáculo de
das suas mudanças de significação através do tempo ou
vime; cesta de basquete/esporte) e sesta (descanso após
em determinada época. A maior importância está em dis- o almoço), eminente (ilustre) e iminente (que está para
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e ocorrer), osso (substantivo) e ouço (verbo), sede (subs-
homônimos e parônimos (homonímia / paronímia). tantivo e/ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo),
comprimento (medida) e cumprimento (saudação), autuar
1. Sinônimos (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e infringir
(violar), deferir (atender a) e diferir (divergir), suar (trans-
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa- pirar) e soar (emitir som), aprender (conhecer) e apreen-
beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar der (assimilar; apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e
- abolir. tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato (procu-
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são ração) e mandado (ordem), emergir (subir à superfície) e
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara imergir (mergulhar, afundar).
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quan-
do, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela 4. Hiperonímia e Hiponímia
outra, em deteminado enunciado (aguadar e esperar).
Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten-
Observação: cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo
A contribuição greco-latina é responsável pela exis- o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o
tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e hiperônimo, mais abrangente.
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemici- O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô-
clo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diá- nimo, criando, assim, uma relação de dependência se-
logo; transformação e metamorfose; oposição e antítese. mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi-
peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de
2. Antônimos significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
Veículos é um hiperônimo de carros.
São palavras que se opõem através de seu significa- Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen- quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili-
surar; mal - bem. zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita
a repetição desnecessária de termos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Observação: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
A antonímia pode se originar de um prefixo de sen- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico- Paulo: Saraiva, 2010.
munista; simétrico e assimétrico. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
3. Homônimos e Parônimos XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
Homônimos = palavras que possuem a mesma gra-
fia ou a mesma pronúncia, mas significados diferentes. SITE
Podem ser http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-
-antonimos,-homonimos-e-paronimos
A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-
rentes na pronúncia: DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de- Exemplos de variação no significado das palavras:
LÍNGUA PORTUGUESA

nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo). Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
literal)
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
figurado)
diferentes na escrita:
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
As variações nos significados das palavras ocasionam
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
(conotação) das palavras.
e passo (andar).

90
A) Denotação POLISSEMIA
Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
apresenta seu significado original, independentemente Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa- multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco- um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado mas que abarca um grande número de significados den-
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li- tro de seu próprio campo semântico.
teral da palavra. Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
A denotação tem como finalidade informar o recep- cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
um caráter prático. É utilizada em textos informativos, -se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu- uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A ocorrência da polissemia:
palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é O rapaz é um tremendo gato.
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos: O gato do vizinho é peralta.
O elefante é um mamífero. Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
As estrelas deixam o céu mais bonito! Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
sobrevivência
B) Conotação O passarinho foi atingido no bico.
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de
interpretações, dependendo do contexto em que esteja computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”,
significação mediante a circunstância em que a mesma que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão”
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico. ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co- é o formato quadriculado que têm.
notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re-
provação (tomei pau no concurso). 1. Polissemia e homonímia
A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
tos no receptor da mensagem, através da expressividade A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente comum. Quando a mesma palavra apresenta vários sig-
numa linguagem poética e na literatura, mas também nificados, estamos na presença da polissemia. Por outro
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em lado, quando duas ou mais palavras com origens e signi-
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos: ficados distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos
Você é o meu sol! uma homonímia.
Minha vida é um mar de tristezas. A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela
Você tem um coração de pedra! pode significar uma fruta ou uma parte de uma camisa.
Não é polissemia porque os diferentes significados para
a palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma
#FicaDica palavra polissêmica: pode significar o elemento básico
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de
Procure associar Denotação com Dicionário: um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes
trata-se de definição literal, quando o termo significados estão interligados porque remetem para o
é utilizado com o sentido que consta no di- mesmo conceito, o da escrita.
cionário.
2. Polissemia e ambiguidade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma in-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- terpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
Paulo: Saraiva, 2010. advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
LÍNGUA PORTUGUESA

Pessoas que têm uma alimentação equilibrada fre-


SITE quentemente são felizes.
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-deno- Neste caso podem existir duas interpretações dife-
tacao/ rentes:
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são
felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equi-
librada.

91
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um pro-
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma grama de racionamento”. Assinale a opção que apre-
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito senta a forma de reescrever esse segmento, QUE
importante saber qual o contexto em que a frase é pro- ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL.
ferida. Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um progra-
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção ma de racionamento = mesmo sentido.
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro-
comicidade. Repare na figura abaixo: grama de racionamento = mesmo sentido.
Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de
racionamento = mesmo sentido.
Em “d”: O país obrigou-se a recorrer a um programa
de racionamento = mesmo sentido.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de raciona-
mento = mudança de sentido (segundo o enunciado,
o país não teve outra opção a não ser recorrer. Na al-
ternativa, provavelmente havia outras opções, e o país
escolheu a de “recorrer”).

(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-
-cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).

Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,


mas duas seriam:
Corte e coloração capilar
ou
Faço corte e pintura capilar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

SITE
http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.
htm

EXERCÍCIO COMENTADO
1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de
racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma
de reescrever esse segmento, que altera o seu sentido
original.

a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de


racionamento.
b) O país teve como recurso recorrer a um programa
de racionamento.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio-


namento.
d) O país obrigou-se a recorrer a um programa de racio-
namento.
e) O Brasil optou por um programa de racionamento.

92
HORA DE PRATICAR!

1. (MAPA – Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário – Superior – ESAF – 2017) Assinale a opção
que apresenta desvio de grafia da palavra.
A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chinesa que favorece a regularização dos processos fisiológicos do
corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventivamente (1)
para evitar o desenvolvimento de doenças, como terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou como método
paliativo (2) em casos de doenças crônicas de difícil tratamento. Tem também uma ação importante na medicina rejenera-
tiva (3) e na reabilitação. O tratamento de acupuntura consiste na introdução de agulhas filiformes no corpo dos animais.
Em geral são deixadas cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é dolorosa para os animais e é possível
observar durante os tratamentos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras de que o tratamento está atingindo o
efeito terapêutico (5) desejado.

Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fitoterapia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017.


(Com adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) Respeitando-se as
normas de redação do Manual da Presidência da República, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilidade de implementação de projeto de treinamento de pessoal para
operar os novos equipamentos gráficos a serem instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em que Vossa Excelência pretende nomear vosso representante
na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado, informar, que será organizado seminário, sobre o uso eficiente
de recursos hídricos, em data ainda a ser definida.

d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o desenvolvimento do setor em questão, informamos, por meio deste
Ofício, que será amplamente analisado por especialistas.
e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vossa Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que possam
com- prometer vossa realização do projeto mencionado.

3. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

93
4. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em que todas
as palavras estão corretas:

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

5. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – Médico Psiquiatra – Superior – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está
prestes a acontecer

a) anúncio ... A ... Iminente.


b) anuncio ... À ... Iminente.
c) anúncio ... À ... Iminente.
d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.
LÍNGUA PORTUGUESA

94
7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO 11. (Estrada de Ferro Campos do Jordão-SP – Analista
– 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir. Ferroviário – Oficinas – Elétrica – IDERH – 2014) Leia
A macro-história da humanidade mostra que todos en- as orações a seguir:
caram os relatos pessoais como uma forma de se man- Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa-
terem vivos. Desde a idade do domínio do fogo até a era nhias. (mas/más)
das multicomunicações, os homens tem demonstrado que A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
querem pôr sua marca no mundo porque se sentem su- (cumprimento/comprimento)
periores. Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
A palavra que NÃO está grafada corretamente é vazia. (despensa/dispensa).

a) macro-história. Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima


b) multicomunicações. os expostos na alternativa:
c) tem.
d) pôr. a) mas – cumprimento – despensa.
e) porque. b) más – comprimento – despensa.
c) más – cumprimento – dispensa.
8. (Liquigás – Profissional Júnior – Ciências Contábeis d) mas – comprimento – dispensa.
– cegranrio – 2014) O grupo em que todas as palavras e) más – comprimento – dispensa.
estão grafadas de acordo com a norma-padrão da Lín-
gua Portuguesa é 12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – Técnico Judiciário - Área Ad-
ministrativa – Médio – FCC – 2014) Está redigida com
a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem clareza e em consonância com as regras da gramática
b) pedágio, ultrage, pagem, angina normativa a seguinte frase:
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a pa-
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem lavra final sobre a polêmica questão, que, diga-se de
passagem, tem feito muitos exitarem em se pronun-
9. (SIMAE – Agente Administrativo – ASSCON-PP – ciar.
2014) Assinale a alternativa que apresenta apenas pala- b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar
vras escritas de forma incorreta. atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico
quanto a impossibilidade de rever sua posição.
a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar; c) Vossa Excelência leu o documento que será apresen-
b) Caixote, encher, análise, poetisa; tado em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa; Excelência, o Senhor Ministro da Educação?
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar; d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
positiva para o público jovem que estava presente, de
10. (Receita Federal – Auditor Fiscal – ESAF – 2014) que se desculparam os idealizadores do programa.
Assinale a opção que corresponde a erro gramatical ou e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer
de grafia de palavra inserido na transcrição do texto. aos jovens ingressantes no curso o compartilhamento
de projetos, com que serão também autores.
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secre-
taria da Receita Federal é apenas a mais recente denomi- 13. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014)
nação da Administração Tributária Brasileira nestes cinco A acentuação correta está na alternativa:
séculos de existência. Sua criação tornou-se (2) necessária
para modernizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora, a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
bem como para promover uma maior integração entre o b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
Fisco e os Contribuintes, facilitando o cumprimento ex- c) ponei – geléia – heroico.
pontâneo (3) das obrigações tributárias e a solução dos d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
eventuais problemas, bem como o acesso às (4) informa- e) lingüiça – feiúra – idéia.
ções pessoais privativas de interesse de cada cidadão. O
surgimento da Secretaria da Receita Federal representou 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – AOCP –
um significativo avanço na facilitação do cumprimento 2014) A palavra que está acentuada corretamente é:
das obrigações tributárias, contribuindo para o aumento
da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. a) Históriar.
LÍNGUA PORTUGUESA

(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/ b) Memórial.


historico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.) c) Métodico.
d) Própriedade.
a) (1). e) Artifício.
b) (2).
c) (3).
d) (4).
e) (5).

95
15. (prodam-am – assistente – funcab – 2014 – adap- 21. (Prefeitura de Brusque-sc – Educador Social – fe-
tada) Assinale a opção em que o par de palavras foi pese – 2014) Assinale a alternativa em que só palavras
acentuado segundo a mesma regra. paroxítonas estão apresentadas.

a) saúde-países a) facilitada, minha, canta, palmeiras


b) Etíope-juízes b) maná, papá, sinhá, canção
c) olímpicas-automóvel c) cá, pé, a, exílio
d) vocês-público d) terra, pontapé, murmúrio, aves
e) espetáculo-mensurável e) saúde, primogênito, computador, devêssemos

16. (Advocacia Geral da União – Técnico em Contabi- 22. (Ministério do Desenvolvimento Agrário – Técni-
lidade – idecan – 2014) Os vocábulos “cinquentenário” co em Agrimensura – funcab – 2014) A alternativa que
e “império” são acentuados devido à mesma justificativa. apresenta palavra acentuada por regra diferente das de-
O mesmo ocorre com o par de palavras apresentado em mais é:

a) prêmio e órbita. a) dúvidas.


b) rápida e tráfego b) muitíssimos.
c) satélite e ministério. c) fábrica.
d) pública e experiência. d) mínimo.
e) sexagenário e próximo. e) impossível.

17. (Rioprevidência – Especialista em Previdência So- 23. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab
cial – ceperj – 2014) A palavra “conteúdo” recebe acen- – 2014) Assinale a alternativa em que todas as palavras
tuação pela mesma razão de: foram acentuadas segundo a mesma regra.

a) juízo a) indivíduos - atraí(-las) - período


b) espírito b) saíram – veículo - construído
c) jornalístico c) análise – saudável - diálogo
d) mínimo d) hotéis – critérios - através
e) disponíveis e) econômica – após – propósitos

18. (Ministério do Meio Ambiente – icmbio – cespe – 24. (Corpo de Bombeiros Militar-pi – Curso de Forma-
2014) A mesma regra de acentuação gráfica se aplica aos ção de Soldados – uespi – 2014) “O evento promove a
vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”. saúde de modo integral.” A regra que justifica o acento
gráfico no termo destacado é a mesma que justifica o
( ) CERTO ( ) ERRADO acento em:

19. (Prefeitura de Balneário Camboriú-sc – Guarda a) “remédio”.


Municipal – fepese – 2014 – adaptada) Assinale a alter- b) “cajú”.
nativa em que todas as palavras são oxítonas. c) “rúbrica”.
d) “fráude”.
a) pé, lá, pasta e) “baú”.
b) mesa, tábua, régua
c) livro, prova, caderno 25. (TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa
d) parabéns, até, televisão – Médio – FGV – 2015)
e) óculos, parâmetros, título Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no
signo de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito
à sua vida profissional e projetos de carreira. Os próximos
20. (Advocacia Geral da União – Técnico em Comuni- dias serão ótimos para dar andamento a projetos que co-
cação Social – idecan – 2014) Assinale a alternativa em meçaram há alguns dias ou semanas. Os resultados che-
que a acentuação de todas as palavras está de acordo garão rapidamente”.
com a mesma regra da palavra destacada: “Procuradorias
comprovam necessidade de rendimento satisfatório para O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a”
renovação do FIES”. com acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua
LÍNGUA PORTUGUESA

vida profissional”. A frase abaixo em que o emprego do


a) após / pó / paletó acento grave da crase é corretamente empregado é:
b) moído / juízes / caído
c) história / cárie / tênue a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;
d) álibi / ínterim / político b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
e) êxito / protótipo / ávido c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
d) o leitor estava à procura de seu destino;
e) o astrólogo previa o futuro passo à passo

96
26. (Prefeitura de Sertãozinho-SP – Farmacêutico – 30. (prefeitura de são Paulo-sp – técnico em saúde –
Superior – VUNESP – 2017) O sinal indicativo de crase laboratório – médio – vunesp – 2014) Reescrevendo-se
está empregado corretamente nas duas ocorrências na o segmento frasal – ... incitá-los a reagir e a enfrentar o
alternativa: desconforto, ... –, de acordo com a regência e o acento
indicativo da crase, tem-se:
a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadverti-
damente, tristeza à depressão. a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do descon-
b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento, forto, ...
por isso almejam à pílula da felicidade. b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do descon-
c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga, forto, ...
pode-se, à primeira vista, pensar em depressão. c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do descon-
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios forto, ...
às pessoas antes da realização de exames acurados. d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do descon-
e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que exis- forto, ...
tem 121 milhões de pessoas à serem tratadas de de- e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do descon-
pressão. forto, ..

27. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área 31. (CONAB – Contabilidade – Superior – IADES –
Administrativa – Médio – FCC – 2017) É difícil planejar 2014 – adaptada) Considerando o trecho “atualizou os
uma cidade e resistir à tentação de formular um projeto dados relativos à produção de grãos no Brasil.” e conforme
de sociedade. a norma-padrão, assinale a alternativa correta.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o ver-
bo sublinhado acima seja substituído por: a) a crase foi empregada indevidamente no trecho.
b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo
a) não acatar. de crase.
b) driblar. c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do
sinal indicativo de crase continuaria obrigatório.
c) controlar.
d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referen-
d) superar.
tes, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser
e) não sucumbir.
facultativo.
e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediata-
28. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área
mente antes de “produção”, o uso do sinal indicativo
Administrativa – Médio – FCC – 2017) A frase em que
de crase seria facultativo.
há uso adequado do sinal indicativo de crase encontra-se
em: 32. (Sabesp-SP – atendente a clientes – Médio – fcc
– 2014 – adaptada) No trecho Refiro-me aos livros que
a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com foram escritos e publicados, mas estão – talvez para sem-
maior força na Hollywood do século 21. pre – à espera de serem lidos, o uso do acento de crase
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agre- obedece à mesma regra seguida em:
gou à máxima.
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
em histórias já testadas e aprovadas. evitá-la.
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
de teatro. efeito.
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à no-
em alguns estúdios. vela.
d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
29. (Prefeitura de Marília-SP – Auxiliar de Escrita – fórmula.
Médio – VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
o sinal indicativo de crase está empregado corretamente. rigidas.

a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o 33. (TRT-AL – Analista Judiciário – Superior – FCC–
amor de infância. 2014) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chi-
b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta nesas...
uma nova remessa de cartas. O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
LÍNGUA PORTUGUESA

c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico- plemento que o da frase acima está em:
lógico.
d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
à diversas cartas. b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem Idade Média.
novas amizades. c) ... viajavam por cordilheiras...
d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.

97
34. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – 38. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab –
UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Padre Vieira, 2014) O termo destacado em: “As pessoas estão sempre
“O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o pica- muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte função sintática:
ram a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o subs-
tantivo “espinhos” tem, respectivamente, função sintática a) objeto direto.
de, b) objeto indireto.
c) adjunto adverbial.
a) objeto direto/objeto direto. d) predicativo.
b) sujeito/objeto direto. e) adjunto adnominal.
c) objeto direto/sujeito.
d) objeto direto/objeto indireto. 39. (trt-13ª região-pb – Técnico Judiciário – Tecnolo-
e) sujeito/objeto indireto. gia da Informação – Médio – fcc – 2014) Ao mesmo
tempo, as elites renunciaram às ambições passadas...
35. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE – O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
UFAL – 2014) No texto, “Arranca o estatuário uma pedra plemento que o grifado acima está empregado em:
dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e, depois
que desbastou o mais grosso, toma o maço e cinzel na a) Faltam-nos precedentes históricos para...
mão para começar a formar um homem, primeiro mem- b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro...
bro a membro e depois feição por feição.” c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si-
VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Aca- tuação...
demia Brasileira de Letras d) As redes sociais eram atividades de difícil implemen-
A oração sublinhada exerce uma função de tação...
e) ... como se imitássemos o padrão de conforto...
a) causalidade.
b) conclusão. 40. (Cia de Serviços de Urbanização de Guarapuava-
c) oposição. -pr – Agente de Trânsito – consulplam – 2014) Quanto
d) concessão. à função que desempenha na sintaxe da oração, o trecho
e) finalidade. em destaque “Tenho uma dor que passa daqui pra lá e de
lá pra cá” corresponde a:

36. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – Superior a) Oração subordinada adjetiva restritiva.


– AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, apenas uma b) Oração subordinada adjetiva explicativa.
pequena fração da sociedade teria acesso a ela.”, a expres- c) Adjunto adnominal.
são em destaque funciona como: d) Oração subordinada adverbial espacial.

a) objeto direto. 41. (Advocacia-Geral da União – Técnico em Comu-


b) adjunto adnominal. nicação Social – idecan – 2014) Acerca das relações
c) complemento nominal. sintáticas que ocorrem no interior do período a seguir
d) sujeito paciente. “Policiais de Los Angeles tomam facas de criminosos, per-
e) objeto indireto. seguem bêbados na estrada e terminam o dia na delega-
cia fazendo seu relatório.”, é correto afirmar que
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – Analista Adminis-
trativo – Jornalismo – Superior – AOCP – 2014) a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu fi- b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
lho crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...” posto.
No período acima, a oração destacada: c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
sujeito.
a) estabelece uma relação temporal com a oração que d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêba-
lhe é subsequente. dos” e “relatório”.
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são ter-
antecede. mos que indicam circunstâncias que caracterizam a
c) estabelece uma relação condicional com a oração que ação verbal.
lhe é subsequente.
d) estabelece uma relação condicional com a oração que
LÍNGUA PORTUGUESA

a antecede.
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração
que lhe é subsequente.

98
42. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio – 43. TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrativa –
VUNESP – 2015) Leia o texto, para responder às ques- Médio – FGV – 2015
tões.
O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profundo
consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito desde o programa Apollo, da década 1970, com o objetivo
às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o de enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo prepa-
mundo for mundo –, ele não poderá prescindir da luta. A rada pela Nasa (agência espacial norte-americana). O pri-
vida do direito é a luta: luta dos povos, dos governos, das meiro passo para a concretização desse desafio será dado
classes sociais, dos indivíduos. nesta sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula Orion,
Todos os direitos da humanidade foram conquistados da base da agência em Cabo Canaveral, na Flórida, nos
pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de Estados Unidos. O lançamento estava previsto original-
enfrentar os ataques daqueles que a ele se opunham; mente para esta quinta-feira (4), mas devido a problemas
todo e qualquer direito, seja o direito de um povo, seja técnicos foi reagendado para as 7h05 (10h05 no horário
o direito do indivíduo, só se afirma por uma disposição de Brasília).”
ininterrupta para a luta. O direito não é uma simples (Ciência, Internet Explorer).
ideia, é uma força viva. Por isso a justiça sustenta numa
das mãos a balança com que pesa o direito, enquanto na “com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência
outra segura a espada por meio da qual o defende. em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.”
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a Os termos sublinhados se encarregam da localização do
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra, lançamento da cápsula referida; o critério para essa loca-
e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando lização também foi seguido no seguinte caso: Os protes-
a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade tos contra as cotas raciais ocorreram:
com que manipula a balança.
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;
Público, mas de toda a população. A vida do direito nos b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
oferece, num simples relance de olhos, o espetáculo de c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
um esforço e de uma luta incessante, como o despendi- d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
do na produção econômica e espiritual. Qualquer pessoa e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.
que se veja na contingência de ter de sustentar seu direi-
to participa dessa tarefa de âmbito nacional e contribui 44. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área
para a realização da ideia do direito. É verdade que nem Administrativa – Médio – FCC – 2017) Está plenamente
todos enfrentam o mesmo desafio. adequada a pontuação do seguinte período:
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui-
lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre
direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não bebeu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-
nos compreenderiam, pois só veem nele um estado de -se, independente das outras artes há mais de meio
paz e de ordem. século.
(Rudolf von Ihering, A luta pelo direito) b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre con-
siderou a literatura como fonte de inspiração, mas o
Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi em- cinema declarou-se independente das outras artes, há
pregada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como mais de meio século.
ocorre na passagem – A espada sem a balança é a força c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se inde-
bruta, a balança sem a espada, a impotência do direito. pendente das outras artes, embora a produção cine-
matográfica tenha sempre considerado a literatura
a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princí- como fonte de inspiração.
pios jurídicos manipulados pelo Estado. d) O cinema declarou-se independente, das outras ar-
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca tes, há mais de meio século; porém, sabe-se, que a
chegaria ao fim. produção cinematográfica sempre bebeu na fonte da
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o literatura.
interesse pecuniário. e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci-
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do nema, mas este, declarou-se independente das outras
direito está na ação. artes há mais de meio século − como é sabido.
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das
faces, aos demais, a outra.
LÍNGUA PORTUGUESA

99
45. (Correios – Técnico em Segurança do Trabalho Jú- 48. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE-
nior – Médio – IADES – 2017 – adaptada) Quanto às NET – 2014) Sobre os SINAIS DE PONTUAÇÃO, observe
regras de ortografia e de pontuação vigentes, considere os itens abaixo:
o período “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam em
seu rosto numa mistura de amor e saudade.” e assinale a I. “Calma, gente”.
alternativa correta. II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”?
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida”
a) O uso da vírgula entre as orações é opcional. IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!”
b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...”
em seu rosto por que sentia um misto de amor e sauda-
de.” poderia substituir a original. Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA.
c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
acrescentado ao vocábulo “lia”. a) No item I, a vírgula isola um aposto.
d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da b) No item II, a interrogação indica uma mensagem in-
vírgula entre elas poderia ser dispensado. terrompida.
e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acen- c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu
tuados graficamente rúbrica, filântropo e lúcida. antecedente.
d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação
46. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) e a exclamação, indicam surpresa.
Verifique a pontuação nas frases abaixo e marque a as- e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, ape-
sertiva correta: nas, por um ponto e vírgula após o termo “repente”.

a) Céus: Que injustiça. 49. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – UPE-


b) O resultado do placar, não o abateu. NET – 2014 – adaptada)
c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava “Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
em pleno atendimento. ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de
d) Comam bastantes frutas crianças! dinheiro.”
e) Comprei abacate, e mamão maduro. (Millôr Fernandes)
47. (SAAE-SP – Fiscal Leiturista – VUNESP – 2014) Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar
que:

a) são facultativas.
b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática.
d) a terceira é facultativa.
e) separam orações coordenadas assindéticas.

50. (Polícia Militar-SP – Oficial Administrativo – Mé-


dio – vunesp – 2014) A reescrita da frase – Como sempre,
a resposta depende de como definimos os termos da per-
gunta. – está correta, quanto à pontuação, em:

a) A resposta como sempre, depende de, como defini-


mos os termos da pergunta.
b) A resposta, como sempre, depende de como defini-
mos os termos da pergunta.
c) A resposta como, sempre, depende de como defini-
mos os termos da pergunta.
d) A resposta, como, sempre depende de como defini-
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pon- mos os termos da pergunta.
tuação está correta em: e) A resposta como sempre, depende de como, defini-
mos os termos da pergunta.
a) Hagar disse, que não iria.
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes


e lagostas, aos vizinhos.
c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para
Hagar e Helga
d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar
à Helga.
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos
Stevensens, para jantar bifes e lagostas.

100
51. (Emplasa-Sp – Analista Jurídico – Direito – vunesp 54. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –
– 2014) Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, VUNESP – 2017)
a pontuação está correta em: Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executivos
no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu sua
a) Como há suspeita, por parte da família de que João equipe para um chamado escritório aberto, sem paredes
Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Ver- e divisórias.
dade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele
maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos. queria que todos estivessem juntos, para se conectarem
b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou o e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi-
pedido da família do ex-presidente João Goulart e rea- cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro.
briu a investigação da morte deste, visto que, para a Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove
viúva e para os filhos, Jango pode ter sido assassinado. empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio
c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta, chefe.
em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para
apuração da causa da morte do ex-presidente uma vez o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um
que, para a família, Jango pode ter sido assassinado. espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es-
d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João paço, com portas e tudo.
Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório
sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni-
descartada, pela viúva e filhos. dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram
e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Gou- ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas.
lart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até
pediram a reabertura da investigação de sua morte, 15% da produtividade, desenvolver problemas graves
à Comissão da Verdade, esta, atendeu o pedido em de concentração e até ter o dobro de chances de ficar
maio deste ano. doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de
52. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho – organização.
cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do tre- Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele
cho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir
mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita
se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. gente concorda – simplesmente não aguentam o escri-
tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é
( ) CERTO ( ) ERRADO preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele.
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em
53. (Prefeitura de Arcoverde-PE – Administrador de desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo
Recursos Humanos – CONPASS – 2014) Leia o texto a de Nagele e voltando aos espaços privados.
seguir: Há uma boa razão que explica por que todos adoram um
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessi- espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade
dade”. O uso da vírgula justifica-se porque: é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo
tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco
a) estabelece a relação entre uma coordenada assindéti- por até 20 minutos.
ca e uma conclusiva. Retemos mais informações quando nos sentamos em um
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad- local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e
versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está design de interiores.
subentendido. (Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos po-
c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um dem ser ruins para funcionários.” Disponível em:<w-
luxo, mas uma necessidade”. ww1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adapta-
d) indica que dois termos da mesma função estão ligados do)
por uma conjunção aditiva.
e) isola o aposto na segunda oração. Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando
nos sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com
o termo Talvez, indicando condição, a sequência que
apresenta correlação dos verbos destacados de acordo
com a norma-padrão será:
LÍNGUA PORTUGUESA

a) reteríamos ... sentarmos


b) retínhamos ... sentássemos
c) reteremos ... sentávamos
d) retivemos ... sentaríamos
e) retivéssemos ... sentássemos

101
42 E
GABARITO 43 A
44 C
1 C 45 D
2 A 46 C
3 D 47 E
4 A 48 C
5 C 49 C
6 A 50 B
7 C 51 B
8 D 52 CERTO
9 D 53 C
10 C 54 E
11 B
12 C
13 D
14 E
15 A
16 B
17 A
18 CERTO
19 D
20 C
21 A
22 E
23 E
24 E
25 C
26 C
27 E
28 D
29 B
30 A
31 E
32 D
33 E
34 C
35 E
36 C
LÍNGUA PORTUGUESA

37 A
38 D
39 A
40 A
41 D

102
ÍNDICE

MATEMÁTICA

Fundamentos de matemática...................................................................................................................................................................................... 01
Conjuntos numéricos: números naturais e racionais (formas decimal e fracionária). Operações. Fatoração e números
primos: divisibilidade, máximo divisor comum e mínimo múltiplo comum............................................................................................. 01
Razões e proporções: regras de três simples e compostas............................................................................................................................... 27
Sistemas de medidas....................................................................................................................................................................................................... 22
Sistema Monetário Nacional........................................................................................................................................................................................ 38
Percentagem...................................................................................................................................................................................................................... 32
Juros simples e compostos........................................................................................................................................................................................... 35
Divisão proporcional....................................................................................................................................................................................................... 27
Equações de 1.º grau....................................................................................................................................................................................................... 40
Volumes................................................................................................................................................................................................................................ 43
qualquer, temos que seu antecessor será sempre
FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA. definido como m-1. Para ficar claro, seguem al-
CONJUNTOS NUMÉRICOS: NÚMEROS guns exemplos:
NATURAIS E RACIONAIS (FORMAS Ex: O antecessor de 2 é 1.
DECIMAL E FRACIONÁRIA). OPERAÇÕES. Ex: O antecessor de 56 é 55.
Ex: O antecessor de 10 é 9.
FATORAÇÃO E NÚMEROS PRIMOS:
DIVISIBILIDADE, MÁXIMO DIVISOR
COMUM E MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM.
FIQUE ATENTO!
O único número natural que não possui ante-
Números Naturais e suas operações fundamentais cessor é o 0 (zero) !

1. Definição de Números Naturais


1.1. Operações com Números Naturais
Os números naturais como o próprio nome diz, são
os números que naturalmente aprendemos, quando es-
Agora que conhecemos os números naturais e temos
tamos iniciando nossa alfabetização. Nesta fase da vida,
um sistema numérico, vamos iniciar o aprendizado das
não estamos preocupados com o sinal de um número,
operações matemáticas que podemos fazer com eles.
mas sim em encontrar um sistema de contagem para
quantificarmos as coisas. Assim, os números naturais são Muito provavelmente, vocês devem ter ouvido falar das
sempre positivos e começando por zero e acrescentando quatro operações fundamentais da matemática: Adição,
sempre uma unidade, obtemos os seguintes elementos: Subtração, Multiplicação e Divisão. Vamos iniciar nossos
estudos com elas:

ℕ = 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, … . Adição: A primeira operação fundamental da Arit-


mética tem por finalidade reunir em um só número, to-
Sabendo como se constrói os números naturais, po- das as unidades de dois ou mais números. Antes de sur-
demos agora definir algumas relações importantes en- gir os algarismos indo-arábicos, as adições podiam ser
tre eles: realizadas por meio de tábuas de calcular, com o auxílio
de pedras ou por meio de ábacos. Esse método é o mais
a) Todo número natural dado tem um sucessor (nú- simples para se aprender o conceito de adição, veja a
mero que está imediatamente à frente do número figura a seguir:
dado na seqüência numérica). Seja m um núme-
ro natural qualquer, temos que seu sucessor será
sempre definido como m+1. Para ficar claro, se-
guem alguns exemplos:
Ex: O sucessor de 0 é 1.
Ex: O sucessor de 1 é 2.
Ex: O sucessor de 19 é 20.

b) Se um número natural é sucessor de outro, en-


tão os dois números que estão imediatamente ao Observando a historinha, veja que as unidades (pe-
lado do outro são considerados como consecuti- dras) foram reunidas após o passeio no quintal. Essa reu-
vos. Vejam os exemplos: nião das pedras é definida como adição. Simbolicamen-
Ex: 1 e 2 são números consecutivos. te, a adição é representada pelo símbolo “+” e assim a
Ex: 5 e 6 são números consecutivos. historinha fica da seguinte forma:
Ex: 50 e 51 são números consecutivos.
3 2 5
c) Vários números formam uma coleção de números + =
𝑇𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑠𝑎 𝑃𝑒𝑔𝑢𝑒𝑖 𝑛𝑜 𝑞𝑢𝑖𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜
naturais consecutivos se o segundo for sucessor
do primeiro, o terceiro for sucessor do segundo, o
quarto for sucessor do terceiro e assim sucessiva- Como toda operação matemática, a adição possui al-
mente. Observe os exemplos a seguir: gumas propriedades, que serão apresentadas a seguir:
Ex: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 são consecutivos.
Ex: 5, 6 e 7 são consecutivos. a) Fechamento: A adição no conjunto dos números
Ex: 50, 51, 52 e 53 são consecutivos. naturais é fechada, pois a soma de dois números
MATEMÁTICA

naturais será sempre um número natural.


d) Analogamente a definição de sucessor, podemos
definir o número que vem imediatamente antes b) Associativa: A adição no conjunto dos números
ao número analisado. Este número será defini- naturais é associativa, pois na adição de três ou
do como antecessor. Seja m um número natural mais parcelas de números naturais quaisquer é

1
possível associar as parcelas de quaisquer modos, ou seja, com três números naturais, somando o primeiro com
o segundo e ao resultado obtido somarmos um terceiro, obteremos um resultado que é igual à soma do primeiro
com a soma do segundo e o terceiro. Apresentando isso sob a forma de números, sejam A,B e C, três números
naturais, temos que:
𝐴 + 𝐵 + 𝐶 = 𝐴 + (𝐵 + 𝐶)

c) Elemento neutro: Esta propriedade caracteriza-se pela existência de número que ao participar da operação de
adição, não altera o resultado final. Este número será o 0 (zero). Seja A, um número natural qualquer, temos que:

𝐴+0 = 𝐴

d) Comutativa: No conjunto dos números naturais, a adição é comutativa, pois a ordem das parcelas não altera a
soma, ou seja, somando a primeira parcela com a segunda parcela, teremos o mesmo resultado que se somando
a segunda parcela com a primeira parcela. Sejam dois números naturais A e B, temos que:

𝐴+𝐵 =𝐵 +𝐴
Subtração: É a operação contrária da adição. Ao invés de reunirmos as unidades de dois números naturais, vamos
retirar uma quantidade de um número. Voltando novamente ao exemplo das pedras:

Observando a historinha, veja que as unidades (pedras) que eu tinha foram separadas. Essa separação das pedras é definida
como subtração. Simbolicamente, a subtração é representada pelo símbolo “-” e assim a historinha fica da seguinte forma:
5 3 2
− =
𝑇𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑠𝑎 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑎𝑚𝑖𝑔𝑜 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜

A subtração de números naturais também possui suas propriedades, definidas a seguir:

a) Não fechada: A subtração de números naturais não é fechada, pois há um caso onde a subtração de dois núme-
ros naturais não resulta em um número natural. Sejam dois números naturais A,B onde A < B, temos que:
A−B< 0
Como os números naturais são positivos, A-B não é um número natural, portanto a subtração não é fechada.

b) Não Associativa: A subtração de números naturais também não é associativa, uma vez que a ordem de resolução é
importante, devemos sempre subtrair o maior do menor. Quando isto não ocorrer, o resultado não será um número
natural.
c) Elemento neutro: No caso do elemento neutro, a propriedade irá funcionar se o zero for o termo a ser subtraído
do número. Se a operação for inversa, o elemento neutro não vale para os números naturais:
d) Não comutativa: Vale a mesma explicação para a subtração de números naturais não ser associativa. Como a
ordem de resolução importa, não podemos trocar os números de posição

Multiplicação: É a operação que tem por finalidade adicionar o primeiro número denominado multiplicando ou
parcela, tantas vezes quantas são as unidades do segundo número denominadas multiplicador. Veja o exemplo:

Ex: Se eu economizar toda semana R$ 6,00, ao final de 5 semanas, quanto eu terei guardado?
MATEMÁTICA

Pensando primeiramente em soma, basta eu somar todas as economias semanais:

6 + 6 + 6 + 6 + 6 = 30

2
Quando um mesmo número é somado por ele mesmo repetidas vezes, definimos essa operação como multiplica-
ção. O símbolo que indica a multiplicação é o “x” e assim a operação fica da seguinte forma:
6+6+6+6+6 6𝑥5
= = 30
𝑆𝑜𝑚𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑝𝑒𝑡𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑚𝑢𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑝𝑒𝑡𝑖çõ𝑒𝑠

A multiplicação também possui propriedades, que são apresentadas a seguir:

a) Fechamento: A multiplicação é fechada no conjunto dos números naturais, pois realizando o produto de dois ou
mais números naturais, o resultado será um número natural.

b) Associativa: Na multiplicação, podemos associar três ou mais fatores de modos diferentes, pois se multiplicar-
mos o primeiro fator com o segundo e depois multiplicarmos por um terceiro número natural, teremos o mesmo
resultado que multiplicar o terceiro pelo produto do primeiro pelo segundo. Sejam os números naturais m,n e p,
temos que:
𝑚 𝑥 𝑛 𝑥 𝑝 = 𝑚 𝑥 (𝑛 𝑥 𝑝)

c) Elemento Neutro: No conjunto dos números naturais também existe um elemento neutro para a multiplicação
mas ele não será o zero, pois se não repetirmos a multiplicação nenhuma vez, o resultado será 0. Assim, o ele-
mento neutro da multiplicação será o número 1. Qualquer que seja o número natural n, tem-se que:
𝑛𝑥1=𝑛

d) Comutativa: Quando multiplicamos dois números naturais quaisquer, a ordem dos fatores não altera o produto,
ou seja, multiplicando o primeiro elemento pelo segundo elemento teremos o mesmo resultado que multiplican-
do o segundo elemento pelo primeiro elemento. Sejam os números naturais m e n, temos que:

𝑚𝑥𝑛 = 𝑛𝑥𝑚

e) Prioridade sobre a adição e subtração: Quando se depararem com expressões onde temos diferentes opera-
ções matemática, temos que observar a ordem de resolução das mesmas. Observe o exemplo a seguir:

Ex: 2 + 4 𝑥 3

Se resolvermos a soma primeiro e depois a multiplicação, chegamos em 18.


Se resolvermos a multiplicação primeiro e depois a soma, chegamos em 14. Qual a resposta certa?
A multiplicação tem prioridade sobre a adição, portanto deve ser resolvida primeiro e assim a resposta correta é 14.

FIQUE ATENTO!
Caso haja parênteses na soma, ela tem prioridade sobre a multiplicação. Utilizando o exemplo, temos que: .
(2 + 4)𝐱3 = 6 𝐱 3 = 18 Nesse caso, realiza-se a soma primeiro, pois ela está dentro dos parênteses

f) Propriedade Distributiva: Uma outra forma de resolver o exemplo anterior quando se a soma está entre
parênteses é com a propriedade distributiva. Multiplicando um número natural pela soma de dois números
naturais, é o mesmo que multiplicar o fator, por cada uma das parcelas e a seguir adicionar os resultados ob-
tidos. Veja o exemplo:
2 + 4 x 3 = 2x3 + 4x3 = 6 + 12 = 18

Veja que a multiplicação foi distribuída para os dois números do parênteses e o resultado foi o mesmo que do item
anterior.
MATEMÁTICA

3
Divisão: Dados dois números naturais, às vezes necessitamos saber quantas vezes o segundo está contido no pri-
meiro. O primeiro número é denominado dividendo e o outro número é o divisor. O resultado da divisão é chamado
de quociente. Nem sempre teremos a quantidade exata de vezes que o divisor caberá no dividendo, podendo sobrar
algum valor. A esse valor, iremos dar o nome de resto. Vamos novamente ao exemplo das pedras:

No caso em particular, conseguimos dividir as 8 pedras para 4 amigos, ficando cada um deles como 2 unidades e
não restando pedras. Quando a divisão não possui resto, ela é definida como divisão exata. Caso contrário, se ocorrer
resto na divisão, como por exemplo, se ao invés de 4 fossem 3 amigos:

Nessa divisão, cada amigo seguiu com suas duas pedras, porém restaram duas que não puderam ser distribuídas,
pois teríamos amigos com quantidades diferentes de pedras. Nesse caso, tivermos a divisão de 8 pedras por 3 amigos,
resultando em um quociente de 2 e um resto também 2. Assim, definimos que essa divisão não é exata.
Devido a esse fato, a divisão de números naturais não é fechada, uma vez que nem todas as divisões são exatas.
Também não será associativa e nem comutativa, já que a ordem de resolução importa. As únicas propriedades válidas
na divisão são o elemento neutro (que segue sendo 1, desde que ele seja o divisor) e a propriedade distributiva.

FIQUE ATENTO!
A divisão tem a mesma ordem de prioridade de resolução que a multiplicação, assim ambas podem ser
resolvidas na ordem que aparecem.
MATEMÁTICA

4
1.2 Definições Importantes dos Números inteiros

EXERCÍCIO COMENTADO Módulo: chama-se módulo de um número inteiro a


distância ou afastamento desse número até o zero, na reta
1. (Pref. De Bom Retiro – SC) A Loja Berlanda está com numérica inteira. Representa-se o módulo pelo símbolo | |.
promoção de televisores. Então resolvi comprar um tele- Vejam os exemplos:
visor por R$ 1.700,00. Dei R$ 500,00 de entrada e o res-
tante vou pagar em 12 prestações de: Ex: O módulo de 0 é 0 e indica-se |0| = 0
Ex: O módulo de +7 é 7 e indica-se |+7| = 7
a) R$ 170,00 Ex: O módulo de –9 é 9 e indica-se |–9| = 9
b) R$ 1.200,00
c) R$ 200,00 a) O módulo de qualquer número inteiro, diferente de
d) R$ 100,00 zero, é sempre positivo.

Resposta: Letra D Números Opostos: Voltando a definição do inicio do


Dado o preço inicial de R$ 1700,00, basta subtrair a capítulo, dois números inteiros são ditos opostos um do
entrada de R$ 500,00, assim: R$ 1700,00-500,00 = R$ outro quando apresentam soma zero; assim, os pontos que
1200,00. Dividindo esse resultado em 12 prestações, os representam distam igualmente da origem. Vejam os
exemplos:
chega-se a R$ 1200,00 : 12 = R$ 100,00
Ex: O oposto do número 2 é -2, e o oposto de -2 é 2,
pois 2 + (-2) = (-2) + 2 = 0
Números Inteiros e suas operações fundamentais Ex: No geral, dizemos que o oposto, ou simétrico, de a
é – a, e vice-versa.
1.1 Definição de Números Inteiros Ex: O oposto de zero é o próprio zero.
Definimos o conjunto dos números inteiros como a 1.3 Operações com Números Inteiros
união do conjunto dos números naturais (N = {0, 1, 2, 3,
4,..., n,...}, com o conjunto dos opostos dos números na- Adição: Diferentemente da adição de números naturais,
turais, que são definidos como números negativos. Este a adição de números inteiros pode gerar um pouco de con-
conjunto é denotado pela letra Z e é escrito da seguinte fusão ao leito. Para melhor entendimento desta operação,
forma: associaremos aos números inteiros positivos o conceito de
“ganhar” e aos números inteiros negativos o conceito de
ℤ = {… , −4, −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, 4, … } “perder”. Vejam os exemplos:
Sabendo da definição dos números inteiros, agora é
Ex: (+3) + (+5) = ?
possível indiciar alguns subconjuntos notáveis:
Obviamente, quem conhece a adição convencional,
a) O conjunto dos números inteiros não nulos: São sabe que este resultado será 8. Vamos ver agora pelo con-
todos os números inteiros, exceto o zero: ceito de “ganhar” e “perder”:
+3 = Ganhar 3
ℤ∗ = {… , −4, −3, −2, −1, 1, 2, 3, 4, … } +5 = Ganhar 5

b) O conjunto dos números inteiros não negativos: Logo: (Ganhar 3) + (Ganhar 5) = (Ganhar 8)
São todos os inteiros que não são negativos, ou
seja, os números naturais: Ex: (−3) + (−5) = ?
ℤ+ = 0, 1, 2, 3, 4, … = ℕ Agora é o caso em que temos dois números negativos,
c) O conjunto dos números inteiros positivos: São to- usando o conceito de “ganhar” ou “perder”:
-3 = Perder 3
dos os inteiros não negativos, e neste caso, o zero
-5 = Perder 5
não pertence ao subconjunto:
ℤ∗+ = 1, 2, 3, 4, … Logo: (Perder 3) + (Perder 5) = (Perder 8)
Neste caso, estamos somando duas perdas ou dois pre-
d) O conjunto dos números inteiros não positivos: juízos, assim o resultado deverá ser uma perda maior.
São todos os inteiros não positivos: E se tivermos um número positivo e um negativo? Va-
ℤ_ = {… , −4, −3, −2, −1, 0, } mos ver os exemplos:

e) O conjunto dos números inteiros negativos: São Ex: (+8) + (−5) = ?


todos os inteiros não positivos, e neste caso, o zero
não pertence ao subconjunto: Neste caso, temos um ganho de 8 e uma perda de 5, que
naturalmente sabemos que resultará em um ganho de 3:
MATEMÁTICA

ℤ∗ _ = {… , −4, −3, −2, −1}


+8 = Ganhar 8
-5 = Perder 5

Logo: (Ganhar 8) + (Perder 5) = (Ganhar 3)

5
Se observarem essa operação, vocês irão perceber que Considere as seguintes situações:
ela tem o mesmo resultado que 8 − 5 = 3. Basicamente
ambas são as mesmas operações, sem a presença dos pa- 1- Na segunda-feira, a temperatura de Monte Sião
rênteses e a explicação de como se chegar a essa simplifi- passou de +3 graus para +6 graus. Qual foi a variação da
cação será apresentado nos itens seguintes deste capítulo. temperatura?
Agora, e se a perda for maior que o ganho? Veja o Esse fato pode ser representado pela subtração: (+6)
exemplo: – (+3) = +3

Ex: −8 + +5 = ? 2- Na terça-feira, a temperatura de Monte Sião, du-


rante o dia, era de +6 graus. À Noite, a temperatura bai-
Usando a regra, temos que: xou de 3 graus. Qual a temperatura registrada na noite
de terça-feira?
-8 = Perder 8 Esse fato pode ser representado pela adição: (+6) +
+5 = Ganhar 5 (–3) = +3

Logo: (Perder 8) + (Ganhar 5) = (Perder 3) Se compararmos as duas igualdades, verificamos que


(+6) – (+3) é o mesmo que (+5) + (–3).
Após a definição de adição de números inteiros, va-
mos apresentar algumas de suas propriedades: Temos:
(+6) – (+3) = (+6) + (–3) = +3
a) Fechamento: O conjunto Z é fechado para a adição, (+3) – (+6) = (+3) + (–6) = –3
isto é, a soma de dois números inteiros ainda é um número (–6) – (–3) = (–6) + (+3) = –3
inteiro.
Daí podemos afirmar: Subtrair dois números inteiros
b) Associativa: Para todos 𝑎, 𝑏, 𝑐 ∈ ℤ : é o mesmo que adicionar o primeiro com o oposto do
segundo.
𝑎 + (𝑏 + 𝑐) = (𝑎 + 𝑏) + 𝑐

Ex: 2 + (3 + 7) = (2 + 3) + 7
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Comutativa: Para todos a,b em Z:
a+b=b+a 1. Calcule:
3+7=7+3
a) (+12) + (–40) ;
Elemento Neutro: Existe 0 em Z, que adicionado a b) (+12) – (–40)
cada z em Z, proporciona o próprio z, isto é: c) (+5) + (–16) – (+9) – (–20)
z+0=z d) (–3) – (–6) – (+4) + (–2) + (–15)
7+0=7
Resposta: Aplicando as regras de soma e subtração
Elemento Oposto: Para todo z em Z, existe (-z) em de inteiros, tem-se que:
Z, tal que a) (+12) + (–40) = 12 – 40 = -28
z + (–z) = 0 b) (+12) – (–40) = 12 + 40 = 52
9 + (–9) = 0 c) (+5) + (–16) – (+9) – (–20) = +5 -16 – 9 + 20 = 25 – 25
=0
Subtração de Números Inteiros d) (–3) – (–6) – (+4) + (–2) + (–15) = -3 + 6 – 4 – 2 – 15
= 6 – 24 = -18
A subtração é empregada quando:
- Precisamos tirar uma quantidade de outra quanti- 1.4. Multiplicação de Números Inteiros
dade;
- Temos duas quantidades e queremos saber quanto A multiplicação funciona como uma forma simplifi-
uma delas tem a mais que a outra; cada de uma adição quando os números são repetidos.
- Temos duas quantidades e queremos saber quanto Poderíamos analisar tal situação como o fato de estar-
falta a uma delas para atingir a outra. mos ganhando repetidamente alguma quantidade, como
por exemplo, ganhar 1 objeto por 30 vezes consecutivas,
A subtração é a operação inversa da adição. significa ganhar 30 objetos e esta repetição pode ser in-
dicada por um x, isto é: 1 + 1 + 1 ... + 1 + 1 = 30 x 1 = 30
Observe que: 9 – 5 = 4 4+5=9 Se trocarmos o número 1 pelo número 2, obteremos:
MATEMÁTICA

2 + 2 + 2 + ... + 2 + 2 = 30 x 2 = 60
diferença Se trocarmos o número 2 pelo número -2, obteremos:
subtraendo (–2) + (–2) + ... + (–2) = 30 x (-2) = –60
Observamos que a multiplicação é um caso particular
minuendo da adição onde os valores são repetidos.

6
Na multiplicação o produto dos números a e b, pode Considerando os exemplos dados, concluímos que,
ser indicado por a x b, a . b ou ainda ab sem nenhum para efetuar a divisão exata de um número inteiro por
sinal entre as letras. outro número inteiro, diferente de zero, dividimos o mó-
Para realizar a multiplicação de números inteiros, de- dulo do dividendo pelo módulo do divisor. Daí:
vemos obedecer à seguinte regra de sinais: - Quando o dividendo e o divisor têm o mesmo sinal,
(+1) x (+1) = (+1) o quociente é um número inteiro positivo.
(+1) x (-1) = (-1) - Quando o dividendo e o divisor têm sinais diferen-
(-1) x (+1) = (-1) tes, o quociente é um número inteiro negativo.
(-1) x (-1) = (+1) - A divisão nem sempre pode ser realizada no conjun-
to Z. Por exemplo, (+7) : (–2) ou (–19) : (–5) são divisões
Com o uso das regras acima, podemos concluir que: que não podem ser realizadas em Z, pois o resultado não
é um número inteiro.
Sinais dos números Resultado do produto - No conjunto Z, a divisão não é comutativa, não é
associativa e não tem a propriedade da existência do ele-
Iguais Positivo mento neutro.
Diferentes Negativo
1- Não existe divisão por zero.
Propriedades da multiplicação de números intei- Exemplo: (–15) : 0 não tem significado, pois não existe
ros: O conjunto Z é fechado para a multiplicação, isto é, a um número inteiro cujo produto por zero seja igual a –15.
multiplicação de dois números inteiros ainda é um número 2- Zero dividido por qualquer número inteiro, dife-
inteiro. rente de zero, é zero, pois o produto de qualquer número
inteiro por zero é igual a zero.
Associativa: Para todos a,b,c em Z: Exemplos: a) 0 : (–10) = 0 /b) 0 : (+6) = 0 /c) 0 : (–1) = 0
a x (b x c) = (a x b) x c
2 x (3 x 7) = (2 x 3) x 7 1.6. Potenciação de Números Inteiros

Comutativa: Para todos a,b em Z: A potência an do número inteiro a, é definida como


axb=bxa um produto de n fatores iguais. O número a é denomina-
3x7=7x3 do a base e o número n é o expoente.
an = a x a x a x a x ... x a
Elemento neutro: Existe 1 em Z, que multiplicado por a é multiplicado por a n vezes
todo z em Z, proporciona o próprio z, isto é:
zx1=z Exemplos:
7x1=7 33 = (3) x (3) x (3) = 27
(-5)5 = (-5) x (-5) x (-5) x (-5) x (-5) = -3125
Elemento inverso: Para todo inteiro z diferente de (-7)² = (-7) x (-7) = 49
zero, existe um inverso z–1=1/z em Z, tal que (+9)² = (+9) x (+9) = 81
z x z–1 = z x (1/z) = 1
9 x 9–1 = 9 x (1/9) = 1 - Toda potência de base positiva é um número intei-
ro positivo.
Distributiva: Para todos a,b,c em Z: Exemplo: (+3)2 = (+3) . (+3) = +9
a x (b + c) = (a x b) + (a x c)
3 x (4+5) = (3 x 4) + (3 x 5) - Toda potência de base negativa e expoente par é
um número inteiro positivo.
1.5. Divisão de Números Inteiros Exemplo: (– 8)2 = (–8) . (–8) = +64

- Toda potência de base negativa e expoente ímpar


é um número inteiro negativo.
Exemplo: (–5)3 = (–5) . (–5) . (–5) = –125

Propriedades da Potenciação:

Sabemos que na divisão exata dos números naturais: Produtos de Potências com bases iguais: Conserva-se
40 : 5 = 8, pois 5 . 8 = 40 a base e somam-se os expoentes. (–7)3 . (–7)6 = (–7)3+6 = (–7)9
36 : 9 = 4, pois 9 . 4 = 36
Quocientes de Potências com bases iguais: Conser-
Vamos aplicar esses conhecimentos para estudar a di- va-se a base e subtraem-se os expoentes. (+13)8 : (+13)6
MATEMÁTICA

visão exata de números inteiros. Veja o cálculo: = (+13)8 – 6 = (+13)2

(–20) : (+5) = q  (+5) . q = (–20)  q = (–4) Potência de Potência: Conserva-se a base e multipli-
Logo: (–20) : (+5) = +4 cam-se os expoentes. [(+4)5]2 = (+4)5 . 2 = (+4)10

7
Potência de expoente 1: É sempre igual à base. (+9)1 = Multiplicidade e Divisibilidade
+9 (–13)1 = –13
Um múltiplo de um número é o produto desse núme-
Potência de expoente zero e base diferente de ro por um número natural qualquer. Já um divisor de um
zero: É igual a 1. Exemplo: (+14)0 = 1 (–35)0 = 1 número é um número cujo resto da divisão do número
pelo divisor é zero.
Radiciação de Números Inteiros Ex: Sabe-se que 30 ∶ 6 = 5, porque 5× 6 = 30.

A raiz n-ésima (de ordem n) de um número inteiro a Pode-se dizer então que:
é a operação que resulta em outro número inteiro não “30 é divisível por 6 porque existe um numero natural
negativo b que elevado à potência n fornece o número a. (5) que multiplicado por 6 dá como resultado 30.”
Um numero natural a é divisível por um numero na-
O número n é o índice da raiz enquanto que o número a
tural b, não-nulo, se existir um número natural c, tal que
é o radicando (que fica sob o sinal do radical). c.b=a.
A raiz quadrada (de ordem 2) de um número inteiro Voltando ao exemplo 30 ∶ 6 = 5 , conclui-se que: 30 é
a é a operação que resulta em outro número inteiro não múltiplo de 6, e 6 é divisor de 30.
negativo que elevado ao quadrado coincide com o nú-
mero a. Analisando outros exemplos:
a) 20 : 5 = 4 → 20 é múltiplo de 5 (4×5=20), e 5 é
Observação: Não existe a raiz quadrada de um nú- divisor de 20
mero inteiro negativo no conjunto dos números inteiros. b) 12 : 2 = 6 → 12 é múltiplo de 2 (6×2=12), e 2 é
divisor de 12
Erro comum: Frequentemente lemos em materiais
didáticos e até mesmo ocorre em algumas aulas apare- 1. Conjunto dos múltiplos de um número natural:
cimento de:
É obtido multiplicando-se o número natural em questão
= ±3 pela sucessão dos números naturais: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6,...
9 Ex: Conjunto dos múltiplos de 7. Para encontrar esse
mas isto está errado. O certo é: conjunto basta multiplicar por 7 cada um dos números
da sucessão dos naturais:
7x0=0
9 = +3 7x1=7
7 x 2 = 14
Observamos que não existe um número inteiro não 7 x 3 = 21
negativo que multiplicado por ele mesmo resulte em um 7 x 4 = 28
número negativo. 7 x 5 = 35

A raiz cúbica (de ordem 3) de um número inteiro a O conjunto formado pelos resultados encontrados for-
é a operação que resulta em outro número inteiro que ma o conjunto dos múltiplos de 7: M(7) = {0, 7, 14, 21,
elevado ao cubo seja igual ao número a. Aqui não res- 28,...}.
tringimos os nossos cálculos somente aos números não
negativos. Observações:
- Todo número natural é múltiplo de si mesmo.
Exemplos - Todo número natural é múltiplo de 1.
- Todo número natural, diferente de zero, tem infini-
(a)
3
8 = 2, pois 2³ = 8. tos múltiplos.
- O zero é múltiplo de qualquer número natural.
(b)
3
−8 = –2, pois (–2)³ = -8. - Os múltiplos do número 2 são chamados de núme-
ros pares, e a fórmula geral desses números é .
(c)
3
27 = 3, pois 3³ = 27. Os demais são chamados de números ímpares, e a fór-
mula geral desses números é .

(d)
3
− 27 = –3, pois (–3)³ = -27. 1.1. Critérios de divisibilidade:

Observação: Ao obedecer à regra dos sinais para o São regras práticas que nos possibilitam dizer se um
produto de números inteiros, concluímos que: número é ou não divisível por outro, sem efetuarmos a
divisão.
(a) Se o índice da raiz for par, não existe raiz de núme-
ro inteiro negativo. Divisibilidade por 2: Um número é divisível por 2
quando ele é par, ou seja, quando ele termina em 0, 2, 4,
(b) Se o índice da raiz for ímpar, é possível extrair a 6 ou 8.
MATEMÁTICA

raiz de qualquer número inteiro.


Exs:
a) 9656 é divisível por 2, pois termina em 6.
b) 4321 não é divisível por 2, pois termina em 1.

8
Divisibilidade por 3: Um número é divisível por 3 Procedimento:
quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos - Último algarismo: 4. Multiplica-se por 2: 4×2=8
é divisível por 3. - Subtrai-se o resultado do número inicial sem o úl-
timo algarismo: 176-8=168
Exs: - O resultado é múltiplo de 7? Para isso precisa veri-
a) 65385 é divisível por 3, pois 6 + 5 + 3 + 8 + 5 = 27, ficar se 168 é divisível por 7.
e 27 é divisível por 3.
b) 15443 não é divisível por 3, pois 1+ 5 + 4 + 4 + 3 = Aplica-se o procedimento novamente, agora para o
17, e 17 não é divisível por 3. número 168.
- Último algarismo: 8. Multiplica-se por 2: 8×2=16
Divisibilidade por 4: Um número é divisível por 4
- Subtrai-se o resultado do número inicial sem o úl-
quando termina em 00 ou quando o número formado
pelos dois últimos algarismos for divisível por 4. timo algarismo: 16-16=0
- O resultado é múltiplo de 7? Sim, pois zero (0) é
Exs: múltiplo de qualquer número natural.
a) 536400 é divisível por 4, pois termina em 00.
b) 653524 é divisível por 4, pois termina em 24, e 24 Portanto, conclui-se que 168 é múltiplo de 7. Se 168 é
é divisível por 4. múltiplo de 7, então 1764 é divisível por 7.
c) 76315 não é divisível por 4, pois termina em 15, e
15 não é divisível por 4. Divisibilidade por 8: Um número é divisível por 8
quando termina em 000 ou quando o número formado
Divisibilidade por 5: Um número é divisível por 5 pelos três últimos algarismos for divisível por 8.
quando termina em 0 ou 5. Exs:
Exs: a) 57000 é divisível por 8, pois termina em 000.
a) 35040 é divisível por 5, pois termina em 0. b) 67024 é divisível por 8, pois seus três últimos alga-
b) 7235 é divisível por 5, pois termina em 5. rismos formam o número 24, que é divisível por 8.
c) 6324 não é divisível por 5, pois termina em 4. c) 34125 não é divisível por 8, pois seus três últimos
algarismos formam o número 125, que não é divi-
sível por 8.
EXERCÍCIO COMENTADO
1. Escreva os elementos dos conjuntos dos múltiplos EXERCÍCIO COMENTADO
de 5 positivos menores que 30.
2. Escreva os elementos dos conjuntos dos múltiplos de
Resposta: Seguindo a tabuada do 5, temos que:
8 compreendidos entre 30 e 50.
{5,10,15,20,25}.
Divisibilidade por 6: Um número é divisível por 6
Resposta: Seguindo a tabuada do 8, a partir do 30:
quando é divisível por 2 e por 3.
{32,40,48}.
Exs:
a) 430254 é divisível por 6, pois é divisível por 2 (ter- Divisibilidade por 9: Um número é divisível por 9
mina em 4) e por 3 (4 + 3 + 0 + 2 + 5 + 4 = 18). quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos
b) 80530 não é divisível por 6, pois não é divisível por formam um número divisível por 9.
3 (8 + 0 + 5 + 3 + 0 = 16).
c) 531561 não é divisível por 6, pois não é divisível por Exs:
2 (termina em 1). a) 6253461 é divisível por 9, pois 6 + 2 + 5 + 3 + 4 +
6 + 1 = 27 é divisível por 9.
Divisibilidade por 7: Para verificar a divisibilidade b) 325103 não é divisível por 9, pois 3 + 2 + 5 + 1 + 0
por 7, deve-se fazer o seguinte procedimento. + 3 = 14 não é divisível por

- Multiplicar o último algarismo por 2 Divisibilidade por 10: Um número é divisível por 10
- Subtrair o resultado do número inicial sem o últi- quando termina em zero.
mo algarismo
- Se o resultado for um múltiplo de 7, então o núme- Exs:
ro inicial é divisível por 7. a) 563040 é divisível por 10, pois termina em zero.
b) 246321 não é divisível por 10, pois não termina em
É importante ressaltar que, em caso de números com zero.
MATEMÁTICA

vários algarismos, será necessário fazer o procedimento


mais de uma vez. Divisibilidade por 11: Um número é divisível por 11
quando a diferença entre a soma dos algarismos de posi-
Ex: ção ímpar e a soma dos algarismos de posição par resulta
em um número divisível por 11.
Analisando o número 1764

9
Exs: Por exemplo: 43=4×4×4=64, sendo a base igual a 4 e
a) 43813 é divisível por 11. Vejamos o porquê o expoente igual a 3.
Esta operação não passa de uma multiplicação com fa-
Os algarismos de posição ímpar são os algarismos tores iguais, como por exemplo: 23 = 2 × 2 × 2 = 8 → 53
nas posições 1, 3 e 5. Ou seja, 4,8 e 3. A soma desses = 5 × 5 × 5 = 125
algarismos é 4 + 8 + 3 = 15
1. Propriedades da Potenciação
Os algarismos de posição par são os algarismos nas
posições 2 e 4. Ou seja, 3 e 1. A soma desses algarismos Propriedade 1: potenciação com base 1
é 3+1 = 4 Uma potência cuja base é igual a 1 e o expoente natu-
ral é n, denotada por 1n, será sempre igual a 1. Em resumo,
1n=1
15 – 4 = 11→ A diferença divisível por 11. Logo 43813
é divisível por 11. Exemplos:
a) 13 = 1×1×1 = 1
b) 83415721 não é divisível por 11. Vejamos o porquê b) 17 = 1×1×1×1×1×1×1 = 1
Os algarismos de posição ímpar são os algarismos Propriedade 2: potenciação com expoente nulo
nas posições 1, 3, 5 e 7. Ou seja, 8, 4, 5 e 2. A soma desses Se n é um número natural não nulo, então temos que nº=1.
algarismos é
Os algarismos de posição ímpar são os algarismos
Exemplos:
nas posições 1, 3, 5 e 7. Ou seja, 8, 4, 5 e 2. A soma desses
a) 5º = 1
algarismos é 8+4+5+2 = 19
b) 9º = 1
Os algarismos de posição par são os algarismos nas
Propriedade 3: potenciação com expoente 1
posições 2, 4 e 6. Ou seja, 3, 1 e 7. A soma desses algaris-
mos é 3+1+7 = 11
19 – 11 = 8→ A diferença não é divisível por 11. Logo Qualquer que seja a potência em que a base é o nú-
83415721 não é divisível por 11. mero natural n e o expoente é igual a 1, denotada por n1 ,
é igual ao próprio n. Em resumo, n1=n
Divisibilidade por 12: Um número é divisível por 12
quando é divisível por 3 e por 4. Exemplos:
a) 5¹ = 5
Exs: b) 64¹ = 64
a) 78324 é divisível por 12, pois é divisível por 3 ( 7 +
8 + 3 + 2 + 4 = 24) e por 4 (termina em 24). Propriedade 4: potenciação de base 10
Toda potência 10n é o número formado pelo algarismo
b) 652011 não é divisível por 12, pois não é divisível 1 seguido de n zeros.
por 4 (termina em 11).
Exemplos:
c) 863104 não é divisível por 12, pois não é divisível a) 103 = 1000
por 3 (8 + 6 + 3 +1 + 0 + 4 = 22). b) 108 = 100.000.000
c) 104 = 1000
Divisibilidade por 15: Um número é divisível por 15
Propriedade 5: multiplicação de potências de mes-
quando é divisível por 3 e por 5.
ma base
Em uma multiplicação de duas potências de mesma
Exs:
base, o resultado é obtido conservando-se a base e so-
a) 650430 é divisível por 15, pois é divisível por 3 (6 +
mando-se os expoentes.
5 + 0 + 4 + 3 + 0 =18) e por 5 (termina em 0).
Em resumo: xa × xb = x a+b
b) 723042 não é divisível por 15, pois não é divisível Exemplos:
por 5 (termina em 2). a) 23×24 = 23+4 = 27
b) 34×36 = 34+6=310
c) 673225 não é divisível por 15, pois não é divisível c) 152×154 = 152+4=156
por 3 (6 + 7 + 3 + 2 + 2 + 5 = 25).
Propriedade 6: divisão de potências de mesma base
POTENCIAÇÃO Em uma divisão de duas potências de mesma base, o
resultado é obtido conservando-se a base e subtraindo-se
Define-se potenciação como o resultado da multi- os expoentes.
plicação de fatores iguais, denominada base, sendo o Em resumo: xa : xb = xa-b
MATEMÁTICA

número de fatores igual a outro número, denominado


expoente. Diz-se “b elevado a c”, cuja notação é: Exemplos:
𝑏𝑐 = 𝑏 × 𝑏 ×⋯×𝑏 a) 25 : 23 = 25-3=22
𝑐 𝑣𝑒𝑧𝑒𝑠
b) 39 : 36 = 39-6=33
c) 1512 : 154 = 1512-4 = 158

10
FIQUE ATENTO! Números Primos, MDC e MMC
Dada uma potência x , onde o número real a
a

é negativo, o resultado dessa potência é igual O máximo divisor comum e o mínimo múltiplo co-
1 mum são ferramentas extremamente importantes na
ao inverso de x elevado a a, isto é, 𝑥 𝑎 = 𝑎 matemática. Através deles, podemos resolver alguns
𝑥
se a<0. problemas simples, além de utilizar seus conceitos em
1 1 outros temas, como frações, simplicação de fatoriais, etc.
Por exemplo, 2−3 = , 5−1 = 1 .
23 5 Porém, antes de iniciarmos a apresentar esta teoria, é
importante conhecermos primeiramente uma classe de
Propriedade 7: potência de potência números muito importante: Os números primos.
Quando uma potência está elevado a outro expoente, o
expoente resultante é obtido multiplicando-se os expoentes 1. Números primos
Em resumo: (xa )b=xa×b
Um número natural é definido como primo se ele tem
Exemplos:
exatamente dois divisores: o número um e ele mesmo.
a) (25 )3 = 25×3=215
b) (39 )2 = 39×2=318 Já nos inteiros, p ∈ ℤ é um primo se ele tem exatamente
c) (612 )4= 612×4=648 quatro divisores: ±1 e ±𝑝 .

Propriedade 8: potência de produto


Quando um produto está elevado a uma potência, o
resultado é um produto com cada um dos fatores eleva- FIQUE ATENTO!
do ao expoente Por definição, 0, 1 e − 1 não são números pri-
Em resumo: (x×y)a=xa×ya mos.

Exemplos:
a) (2×3)3 = 23×33 Existem infinitos números primos, como demonstra-
b) (3×4)2 = 32×42 do por Euclides por volta de 300 a.C.. A propriedade de
c) (6×5)4= 64×54 ser um primo é chamada “primalidade”, e a palavra “pri-
mo” também são utilizadas como substantivo ou adje-
tivo. Como “dois” é o único número primo par, o termo
#FicaDica “primo ímpar” refere-se a todo primo maior do que dois.
Em alguns casos podemos ter uma multiplica- O conceito de número primo é muito importante
ção ou divisão potência que não está na mes- na teoria dos números. Um dos resultados da teoria dos
ma base (como nas propriedades 5 e 6), mas números é o Teorema Fundamental da Aritmética, que
pode ser simplificada. Por exemplo, 43×25 =(22 afirma que qualquer número natural diferente de 1 pode
)3×25= 26×25= 26+5=211 e 33:9 = 33 : 32 = 31. ser escrito de forma única (desconsiderando a ordem)
como um produto de números primos (chamados fato-
res primos): este processo se chama decomposição em
fatores primos (fatoração). É exatamente este conceito
EXERCÍCIOS COMENTADOS que utilizaremos no MDC e MMC. Para caráter de me-
morização, seguem os 100 primeiros números primos
1. (MPE-RS – 2017) A metade de 440 é igual a: positivos. Recomenda-se que memorizem ao menos os
10 primeiros para MDC e MMC:
a) 220 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43, 47, 53,
b) 239 59, 61, 67, 71, 73, 79, 83, 89, 97, 101, 103, 107, 109, 113
c) 240 , 127, 131, 137, 139, 149, 151, 157, 163, 167, 173, 179, 181,
d) 279 191, 193, 197, 199, 211, 223, 227, 229, 233, 239, 241, 251,
e) 280 257, 263, 269, 271, 277, 281, 283, 293, 307, 311, 313, 317,
331, 337, 347, 349, 353, 359, 367, 373, 379, 383, 389, 397,
Resposta: Letra D.
401, 409, 419, 421, 431, 433, 439, 443, 449, 457, 461, 463,
Para encontrar a metade de 440, basta dividirmos esse
40 467, 479, 487, 491, 499, 503, 509, 521, 523, 541
número por 2, isto é, 4 . Uma forma fácil de resolver
2 2. Múltiplos e Divisores
essa fração é escrever o numerador e denominador
dessa fração na mesma base como mostrado a seguir: Diz-se que um número natural a é múltiplo de outro
natural b, se existe um número natural k tal que:
MATEMÁTICA

440 22 40 280
= = = 280−1 = 279 𝑎 = 𝑘. 𝑏
2 2 2 .

Note que para resolver esse exercício utilizamos as Ex. 15 é múltiplo de 5, pois 15=3 x 5
propriedades 6 e 7.

11
Quando a=k.b, segue que a é múltiplo de b, mas tam- Fatorando os dois números:
bém, a é múltiplo de k, como é o caso do número 35 que
é múltiplo de 5 e de 7, pois: 35 = 7 x 5.
Quando a = k.b, então a é múltiplo de b e se conhe-
cemos b e queremos obter todos os seus múltiplos, basta
fazer k assumir todos os números naturais possíveis.
Ex. Para obter os múltiplos de dois, isto é, os números
da forma a = k x 2, k seria substituído por todos os nú-
meros naturais possíveis.

FIQUE ATENTO!
Um número b é sempre múltiplo dele mesmo. Temos que:
a = 1 x b ↔ a = b. 300 = 22.3 .52
504 = 23.32 .7

A definição de divisor está relacionada com a de múl- O MDC será os fatores comuns com seus menores
tiplo. expoentes:
Um número natural b é divisor do número natural a, Mdc (300,504)= 22.3 = 4 .3=12
se a é múltiplo de b.
Ex. 3 é divisor de 15, pois , logo 15 é múltiplo de 3 e MMC
também é múltiplo de 5.
O mínimo múltiplo comum de dois ou mais números
é o menor número positivo que é múltiplo comum de
#FicaDica todos os números dados. Consideremos:
Ex. Encontrar o MMC entre 8 e 6
Um número natural tem uma quantidade finita Múltiplos positivos de 6: M(6) =
de divisores. Por exemplo, o número 6 poderá {6,12,18,24,30,36,42,48,54,...}
ter no máximo 6 divisores, pois trabalhando no Múltiplos positivos de 8: M(8) =
conjunto dos números naturais não podemos {8,16,24,32,40,48,56,64,...}
dividir 6 por um número maior do que ele. Os
divisores naturais de 6 são os números 1, 2, 3, Podem-se escrever, agora, os múltiplos positivos co-
6, o que significa que o número 6 tem 4 divi- muns: M(6)∩M(8) = {24,48,72,...}
sores. Observando os múltiplos comuns, pode-se identificar
o mínimo múltiplo comum dos números 6 e 8, ou seja:
Outra técnica para o cálculo do MMC:
MDC
Decomposição isolada em fatores primos: Para ob-
Agora que sabemos o que são números primos, múl- ter o MMC de dois ou mais números por esse processo,
tiplos e divisores, vamos ao MDC. O máximo divisor co- procedemos da seguinte maneira:
mum de dois ou mais números é o maior número que é - Decompomos cada número dado em fatores pri-
divisor comum de todos os números dados. mos.
Ex. Encontrar o MDC entre 18 e 24. - O MMC é o produto dos fatores comuns e não-
Divisores naturais de 18: D(18) = {1,2,3,6,9,18}. -comuns, cada um deles elevado ao seu maior ex-
Divisores naturais de 24: D(24) = {1,2,3,4,6,8,12,24}. poente.
Pode-se escrever, agora, os divisores comuns a 18 e
24: D(18)∩ D (24) = {1,2,3,6}. Ex. Achar o MMC entre 18 e 120.
Observando os divisores comuns, podemos identifi-
car o maior divisor comum dos números 18 e 24, ou seja: Fatorando os números:
MDC (18,24) = 6.
Outra técnica para o cálculo do MDC:

Decomposição em fatores primos: Para obter o


MDC de dois ou mais números por esse processo, proce-
de-se da seguinte maneira:
Decompõe-se cada número dado em fatores primos.
O MDC é o produto dos fatores comuns obtidos, cada
um deles elevado ao seu menor expoente.
MATEMÁTICA

Exemplo: Achar o MDC entre 300 e 504.


18 = 2 .32
120 = 23.3 .5

mmc (18, 120) = 23 � 32 � 5 = 8 � 9 � 5 = 360

12
1.1. Soma (Adição) de Números Racionais

EXERCÍCIOS COMENTADOS Como todo número racional é uma fração ou pode


ser escrito na forma de uma fração, definimos a adição
1. (FEPESE-2016) João trabalha 5 dias e folga 1, enquan- a c
to Maria trabalha 3 dias e folga 1. Se João e Maria folgam
entre os números racionais e , , da mesma forma que
b d
no mesmo dia, então quantos dias, no mínimo, passarão
a soma de frações, através de:
para que eles folguem no mesmo dia novamente?
a c a�d+b�c
a) 8 + =
b) 10 b d b�d
c) 12
d) 15
1.1.1. Propriedades da Adição de Números Racionais
e) 24
O conjunto é fechado para a operação de adição,
Resposta: Letra C.
isto é, a soma de dois números racionais resulta em um
O período em que João trabalha e folga corresponde
número racional.
a 6 dias enquanto o mesmo período, para Maria, cor-
- Associativa: Para todos em : a + ( b + c ) = ( a + b
responde a 4 dias. Assim, o problema consiste em en-
)+c
contrar o mmc entre 6 e 4. Logo, eles folgarão no mes-
- Comutativa: Para todos em : a + b = b + a
mo dia novamente após 12 dias pois mmc(6,4)=12.
- Elemento neutro: Existe em , que adicionado a
todo em , proporciona o próprio , isto é: q + 0 = q
Números Racionais: Frações, Números Decimais e
- Elemento oposto: Para todo q em Q, existe -q em
suas Operações
Q, tal que q + (–q) = 0
1. Números Racionais
1.2. Subtração de Números Racionais
Um número racional é o que pode ser escrito na for-
m A subtração de dois números racionais e é a própria
ma n , onde m e n são números inteiros, sendo que n operação de adição do número com o oposto de q, isto
é: p – q = p + (–q)
deve ser diferente de zero. Frequentemente usamos m
n
para significar a divisão de m por n . 1.3. Multiplicação (Produto) de Números Racio-
Como podemos observar, números racionais podem nais
ser obtidos através da razão entre dois números inteiros,
razão pela qual, o conjunto de todos os números racio- Como todo número racional é uma fração ou pode
nais é denotado por Q. Assim, é comum encontrarmos
na literatura a notação: ser escrito na forma de uma fração, definimos o produto

{ }
a c
m de dois números racionais e , da mesma forma que o
Q= : m e n em Z,n diferente de zero b d
n
produto de frações, através de:
No conjunto Q destacamos os seguintes subconjun-
tos: a c a�c
∗ � =
• 𝑄 = conjunto dos racionais não nulos;
• 𝑄+ = conjunto dos racionais não negativos;
b d b� d

• 𝑄+ = conjunto dos racionais positivos;
• 𝑄− = conjunto dos racionais não positivos; O produto dos números racionais a e b também pode
• 𝑄−∗ = conjunto dos racionais negativos. ser indicado por a × b, a.b ou ainda ab sem nenhum sinal
entre as letras.
Módulo ou valor absoluto: É a distância do ponto Para realizar a multiplicação de números racionais,
que representa esse número ao ponto de abscissa zero. devemos obedecer à mesma regra de sinais que vale em
toda a Matemática:
3 3 3 3
Exemplo: Módulo de - 2 é 2 . Indica-se − = (+1)�(+1) = (+1) – Positivo Positivo = Positivo
2 2 (+1)�(-1) = (-1) - Positivo Negativo = Negativo
Módulo de+ 3 é 3 . Indica-se 3 3 (-1)�(+1) = (-1) - Negativo Positivo = Negativo
=
2 2 2 2 (-1)� (-1) = (+1) – Negativo Negativo = Positivo
3 3
Números Opostos: Dizemos que− 2 e são núme- #FicaDica
MATEMÁTICA

2
ros racionais opostos ou simétricos e cada um deles é
O produto de dois números com o mesmo sinal
o oposto do outro. As distâncias dos pontos− 3 e 3
ao é positivo, mas o produto de dois números
2 2
ponto zero da reta são iguais. com sinais diferentes é negativo.

13
1.3.1. Propriedades da Multiplicação de Números - Toda potência com expoente 1 é igual à própria base.
Racionais
1
 9 9
O conjunto Q é fechado para a multiplicação, isto é, −  =−
o produto de dois números racionais resultaem um nú-  4 4
mero racional.
- Associativa: Para todos a,b,c em Q: a ∙ ( b ∙ c ) = ( a - Toda potência com expoente negativo de um núme-
∙b)∙c ro racional diferente de zero é igual a outra potência que
- Comutativa: Para todos a,b em Q: a ∙ b = b ∙ a tem a base igual ao inverso da base anterior e o expoente
- Elemento neutro: Existe 1 em Q, que multiplicado igual ao oposto do expoente anterior.
por todo q em Q, proporciona o próprio q, isto é:
q∙1=q −2
25 2
 3  5
a b −  = −  =
- Elemento inverso: Para todo q=
b em Q,
q−1 =
a di-  5  3 9
ferente de zero, existe em Q: q � q −1
= 1, ou seja,
a b
- Toda potência com expoente ímpar tem o mesmo
×a =1 sinal da base.
b
- Distributiva: Para todos a,b,c em Q: a ∙ ( b + c ) = ( a 3
8
∙ b ) + ( a∙ c )
2 2 2 2
  =   .  .   =
 3   3   3   3  27
1.4. Divisão de Números Racionais
- Toda potência com expoente par é um número positivo.
A divisão de dois números racionais p e q é a própria
operação de multiplicação do número p pelo inverso de 2
 1  1  1 1
q, isto é: p ÷ q = p × q-1 −  = −  .−  =
De maneira prática costuma-se dizer que em uma di-  5   5   5  25
visão de duas frações, conserva-se a primeira fração e
multiplica-se pelo inverso da segunda:
a
Observação: É possível encontrar divisão de frações - Produto de potências de mesma base. Para redu-
c.
da seguinte forma: b . O procedimento de cálculo é o zir um produto de potências de mesma base a uma só
mesmo. potência, conservamos a base e somamos os expoentes.
d
1.5. Potenciação de Números Racionais 2 3 2+3 5
 2  2  2 2 2 2 2  2 2
𝐧   .   =  . . . .  =   = 
A potência q do número racional é um produto  5  5 5 55 5 5 5 5
de fatores iguais. O número é denominado a base e o
número é o expoente. - Quociente de potências de mesma base. Para redu-
n zir um quociente de potências de mesma base a uma só
q = q � q � q � q � . . .� q, (q aparece n vezes) potência, conservamos a base e subtraímos os expoentes.

Exs: 3 3 3 3 3
5 2 . . . . 5− 2 3
a)  2  =  2  .  2  .  2  =
3
8 3 3
    2 2 2 2 2 3 3
  :  = =  = 
5 3 5     5 5 125
2 2 3 3 2 2
b)  − 1  =  − 1  .  − 1  .  − 1  = 1
.
  − 2 2
 2  2  2  2 8
c) (– 5)² = (– 5) � ( – 5) = 25 - Potência de Potência. Para reduzir uma potência de
potência a uma potência de um só expoente, conserva-
d) (+5)² = (+5) � (+5) = 25 mos a base e multiplicamos os expoentes.

3
1.5.1. Propriedades da Potenciação aplicadas a nú-  1  2  2 2
1 1 1
2
1
2+ 2+ 2
1
3+ 2
1
6

   =   .  .  =   =  = 
meros racionais  2   2 2 2 2 2 2

Toda potência com expoente 0 é igual a 1.


1.6. Radiciação de Números Racionais
MATEMÁTICA

0
 2
+  = 1 Se um número representa um produto de dois ou
 5 mais fatores iguais, então cada fator é chamado raiz do
número. Vejamos alguns exemplos:

14
Ex:
4 Representa o produto 2. 2 ou 22. Logo, 2 é a raiz quadrada de 4. Indica-se 4 = 2.
Ex:

2
1 1 1 1 1 1 1 1
Representa o produto . ou   .Logo, é a raiz quadrada de .Indica-se =
9 3 3 3 3 9 9 3
Ex: 3
0,216 Representa o produto 0,6 � 0,6 � 0,6 ou (0,6)3 . Logo, 0,6 é a raiz cúbica de 0,216. Indica-se 0,216 = 0,6 .

Assim, podemos construir o diagrama:

FIQUE ATENTO!
Um número racional, quando elevado ao quadrado, dá o número zero ou um número racional po-
sitivo. Logo, os números racionais negativos não têm raiz quadrada em Q.

100
O número − não tem raiz quadrada em Q, pois tanto − 10 como + 10 , quando elevados ao quadrado, dão 100 .
9 3 3 9
Um número racional positivo só tem raiz quadrada no conjunto dos números racionais se ele for um quadrado
perfeito.

O número 2 não tem raiz quadrada em Q, pois não existe número racional que elevado ao quadrado dê 2 .
3 3

Frações
x
Frações são representações de partes iguais de um todo. São expressas como um quociente de dois números ,
sendo x o numerador e y o denominador da fração, com y ≠ 0 . y

1. Frações Equivalentes

São frações que, embora diferentes, representam a mesma parte do mesmo todo. Uma fração é equivalente a outra
quando pode ser obtida multiplicando o numerador e o denominador da primeira fração pelo mesmo número.

Ex: 3 e 6 .
5 10
A segunda fração pode ser obtida multiplicando o numerador e denominador de 3 por 2:
5
3�2 6
=
5 � 2 10

6
Assim, diz-se que é uma fração equivalente a 3
10 5
MATEMÁTICA

15
2. Operações com Frações
#FicaDica
2.1. Adição e Subtração
Na adição e subtração de duas ou mais frações
2.1.1. Frações com denominadores iguais: que têm os denominadores diferentes, reduzi-
mos inicialmente as frações ao menor denomi-
Ex: nador comum, após o que procedemos como
Jorge comeu 3 de um tablete de chocolate e Miguel no primeiro caso.
8
5
desse mesmo tablete. Qual a fração do tablete de cho-
8
colate que Jorge e Miguel comeram juntos? 2.2. Multiplicação

A figura abaixo representa o tablete de chocolate. Ex:


Nela também estão representadas as frações do tablete De uma caixa de frutas, 4 são bananas. Do total de
2
que Jorge e Miguel comeram: bananas, estão estragadas.
5 Qual é a fração de frutas
3 estão estragadas?
da caixa que

3 2 5
Observe que = =
8 8 8 Representa 4/5 do conteúdo da caixa
5
Portanto, Jorge e Miguel comeram juntos do table-
8
te de chocolate.

Na adição e subtração de duas ou mais frações que


têm denominadores iguais, conservamos o denominador
comum e somamos ou subtraímos os numeradores.

Outro Exemplo: Representa 2/3 de 4/5 do conteúdo da caixa.

3 5 7 3+5−7 1 Repare que o problema proposto consiste em calcular


+ − = = 2
2 2 2 2 2 o valor de de 4 que, de acordo com a figura, equivale
3 5
2.1.2. Frações com denominadores diferentes: a 8 do total de frutas. De acordo com a tabela acima, 2
15 3
3 5 2 4
Calcular o valor de + Inicialmente, devemos re- de 4 equivale a � . Assim sendo:
duzir as frações ao mesmo8 6denominador comum. Para 5 3 5
isso, encontramos o mínimo múltiplo comum (MMC) en-
tre os dois (ou mais, se houver) denominadores e, em se- 2 4 8
� =
guida, encontramos as frações equivalentes com o novo 3 5 15
denominador: Ou seja:
2 de 4 2 4 2�4 8
3 5 9 20 = � = =
mmc (8,6) = 24 = = = 3 5 3 5 3�5 15
8 6 24 24 O produto de duas ou mais frações é uma fração cujo
numerador é o produto dos numeradores e cujo deno-
24 ∶ 8 � 3 = 9 minador é o produto dos denominadores das frações
24 ∶ 6 � 5 = 20 dadas.
2 4 7 2�4�7 56
Outro exemplo: � � = =
Devemos proceder, agora, como no primeiro caso, 3 5 9 3 � 5 � 9 135
simplificando o resultado, quando possível:

9 20 29
+ =
MATEMÁTICA

24 24 24

3 5 9 20 29
Portanto: + = + =
8 6 24 24 24

16
#FicaDica
Sempre que possível, antes de efetuar a multiplicação, podemos simplificar as frações entre si, dividindo
os numeradores e os denominadores por um fator comum. Esse processo de simplificação recebe o
nome de cancelamento.

2.3. Divisão

Duas frações são inversas ou recíprocas quando o numerador de uma é o denominador da outra e vice-versa.

Exemplo
2 é a fração inversa de 3
3 2
5 ou 5 é a fração inversa de 1
1 5

Considere a seguinte situação:

Lúcia recebeu de seu pai os 4 dos chocolates contidos em uma caixa. Do total de chocolates recebidos, Lúcia deu a
5
terça parte para o seu namorado. Que fração dos chocolates contidos na caixa recebeu o namorado de Lúcia?

A solução do problema consiste em dividir o total de chocolates que Lúcia recebeu de seu pai por 3, ou seja, 4
:3
5

Por outro lado, dividir algo por 3 significa calcular 1 desse algo.
3
4 1
Portanto: : 3 = de 4
5 3 5

1 4 1 4 4 1 4 4 3 4 1
Como de 5= 3 � 5 = 5 � 3 , resulta que : 3 = : = �
3 5 5 1 5 3

3 1
Observando que as frações e são frações inversas, podemos afirmar que:
1 3
Para dividir uma fração por outra, multiplicamos a primeira pelo inverso da segunda.
4 4 3 4 1 4
Portanto 5 : 3 = 5 ∶ 1 = 5 � 3 = 15
4
Ou seja, o namorado de Lúcia recebeu do total de chocolates contidos na caixa.
15
1
4 8 4 5 5
Outro exemplo: : = . =
3 5 3 82 6

Observação:

Note a expressão: . Ela é equivalente à expressão 3 1


:
2 5

Portanto
MATEMÁTICA

17
Números Decimais

De maneira direta, números decimais são números que possuem vírgula. Alguns exemplos: 1,47; 2,1; 4,9587; 0,004;
etc.

1. Operações com Números Decimais

1.1. Adição e Subtração

Vamos calcular o valor da seguinte soma:


5,32 + 12,5 + 0, 034

Transformaremos, inicialmente, os números decimais em frações decimais:

532 125 34 5320 12500 34 17854


5,32 + 12,5 + 0,034 = + + = + + = = 17,854
100 10 1000 1000 1000 1000 1000

Portanto: 5,32 + 12,5 + 0, 034 = 17, 854

Na prática, a adição e a subtração de números decimais são obtidas de acordo com a seguinte regra:

- Igualamos o número de casas decimais, acrescentando zeros.


- Colocamos os números um abaixo do outro, deixando vírgula embaixo de vírgula.
- Somamos ou subtraímos os números decimais como se eles fossem números naturais.
- Na resposta colocamos a vírgula alinhada com a vírgula dos números dados.

Exemplo

2,35 + 14,3 + 0, 0075 + 5

Disposição prática:
2,3500
14,3000
+ 0,0075
5,0000
21,6575

1.2. Multiplicação

Vamos calcular o valor do seguinte produto: 2,58 � 3,4 .


Transformaremos, inicialmente, os números decimais em frações decimais:

258 34 8772
2,58 � 3,4 = � = = 8,772
100 100 1000
Portanto 2,58 � 3,4 = 8,772

#FicaDica
Na prática, a multiplicação de números decimais é obtida de acordo com as seguintes regras:
- Multiplicamos os números decimais como se eles fossem números naturais.
MATEMÁTICA

- No resultado, colocamos tantas casas decimais quantas forem as do primeiro fator somadas às do
segundo fator.

18
Exemplo:

Disposição prática:

652,2  1 casa decimal

X 2,03  2 casas decimais


19 566

1 304 4

1 323,966  1 + 2 = 3 casas decimais

1.3. Divisão

Vamos, por exemplo, efetuar a seguinte divisão: 24 ∶ 0,5

Inicialmente, multiplicaremos o dividendo e o divisor da divisão dada por 10.

24 ∶ 0,5 = (24 � 10) ∶ (0,5 � 10) = 240 ∶ 5

A vantagem de tal procedimento foi a de transformarmos em número natural o número decimal que aparecia na
divisão. Com isso, a divisão entre números decimais se transforma numa equivalente com números naturais.

Portanto: 24 ∶ 0,5 = 240 ∶ 5 = 48

#FicaDica
Na prática, a divisão entre números decimais é obtida de acordo com as seguintes regras:
- Igualamos o número de casas decimais do dividendo e do divisor.
- Cortamos as vírgulas e efetuamos a divisão como se os números fossem naturais.

Ex: 24 ∶ 0,5 = 240 ∶ 5 = 48

Disposição prática:

Nesse caso, o resto da divisão é igual à zero. Assim sendo, a divisão é chamada de divisão exata e o quociente é
exato.
MATEMÁTICA

Ex: 9,775 ∶ 4,25

19
Disposição prática: 2º) O numeral decimal obtido possui, após a vírgula,
infinitos algarismos (nem todos nulos), repetindo-se pe-
riodicamente. Decimais Periódicos ou Dízimas Periódicas:
1
= 0,333 …
3
Nesse caso, o resto da divisão é diferente de zero.
Assim sendo, a divisão é chamada de divisão aproximada 1
e o quociente é aproximado. = 0,04545 …
22
Se quisermos continuar uma divisão aproximada, de-
167
vemos acrescentar zeros aos restos e prosseguir dividin- = 2,53030 …
do cada número obtido pelo divisor. Ao mesmo tempo 66
em que colocamos o primeiro zero no primeiro resto,
colocamos uma vírgula no quociente.
FIQUE ATENTO!
Se após as vírgulas os algarismos não são pe-
riódicos, então esse número decimal não está
contido no conjunto dos números racionais.

3.Representação Fracionária dos Números Deci-


mais

Ex: 0,14 ∶ 28 Trata-se do problema inverso: estando o número ra-


cional escrito na forma decimal, procuremos escrevê-lo
na forma de fração. Temos dois casos:

1º) Transformamos o número em uma fração cujo


numerador é o número decimal sem a vírgula e o deno-
Ex: 2 ∶ 16 minador é composto pelo numeral 1, seguido de tantos
zeros quantas forem as casas decimais do número deci-
mal dado:

9
0,9 =
10

2. Representação Decimal das Frações


57
p
Tomemos um número racional q tal que não seja
5,7 =
10
múltiplo de . Para escrevê-lo na forma decimal, basta efe-
tuar a divisão do numerador pelo denominador.
76
Nessa divisão podem ocorrer dois casos:
0,76 =
100
1º) O numeral decimal obtido possui, após a vírgula,
um número finito de algarismos. Decimais Exatos: 348
3,48 =
100
2
= 0,4
5
1 5 1
= 0,25 0,005 = =
4 1000 200
35
= 8,75
4 2º) Devemos achar a fração geratriz da dízima dada;
MATEMÁTICA

153 para tanto, vamos apresentar o procedimento através de


= 3,06 alguns exemplos:
50

Ex:
Seja a dízima 0,333...

20
Façamos e multipliquemos ambos os membros por 10:
10x = 0,333

Subtraindo, membro a membro, a primeira igualdade da segunda:


3
10x – x = 3,333 … – 0,333. . . 9x = 3 x =
9
3
Assim, a geratriz de 0,333... é a fração .
Ex: 9
Seja a dízima 5,1717...

Façamos x = 5,1717. . . e 100x = 517,1717. . .

Subtraindo membro a membro, temos:

99x = 512 x = 512⁄99


512
Assim, a geratriz de 5,1717... é a fração .
99
Ex:
Seja a dízima 1,23434...

Façamos x