Você está na página 1de 1

Infância, 1452–1468

Pouco se sabe da infância de Leonardo. Provavelmente passou os seus primeiros quatro ou


cinco anos no vilarejo de Anchiano, e depois do casamento de sua mãe com um lavrador de
nome Accattabriga di Piero del Vaca, mudou-se para a casa da família de seu pai então casado
com uma jovem de dezesseis anos chamada Albiera di Giovanni Amadori,[16] com a qual
Leonardo tinha uma boa relação, a quem chamava de madrinha, em companhia de seu avô,
Antonio, e tio, Francesco, na paróquia de Santa Croce em Vinci, em um ambiente bucólico
aconchegante, o que é significativo na personalidade de um Leonardo ligado a natureza.[nb
11] Albiera morreu muito cedo sem filhos . A morte do seu avô Antonio a quem muito
estimava deu-se logo após em 1468,[2][24] e Leonardo apesar de ilegítimo continuara filho
único no segundo casamento do seu pai Piero, com Francesca di Giuliano Lanfredini;
testemunharia a mais dois casamentos deste, até que em 1476, quando viviam em Florença,
Piero teve o tão esperado filho legítimo.[25] Em sua vida adulta, Leonardo só se recordaria de
dois incidentes de sua infância, um deles, tinha como presságio:

Parece-me que sempre fui destinado a me interessar muito profundamente por falcões, pois
lembro-me como uma de minhas primeiras recordações que, quando estava no berço, um
falcão desceu sobre mim e abriu-me a boca com a cauda, e me bateu muitas vezes entre os
lábios com ela.[16][24]

O segundo ocorreu enquanto ele brincava nas montanhas da região, e depois de vagar por
alguma distância entre as rochas projetadas acima, cheguei à boca de uma imensa caverna,
diante da qual me quedei por algum tempo estupefato, pois ignorava a sua existência (…) e
após ficar ali algum tempo, de repente despertaram dentro de mim duas emoções — medo e
desejo — medo da escura e ameaçadora caverna, desejo de ver se haveria alguma coisa
maravilhosa lá dentro.[16][24]

A infância e a juventude de Leonardo foram tema de diversas conjunturas históricas.[26]


Giorgio Vasari, biógrafo do século XVI que escreveu sobre os pintores do Renascimento, conta
como um camponês local teria pedido a Ser Piero que mandasse seu filho pintar um quadro
numa placa redonda ou escudo. Leonardo respondeu com uma pintura de serpentes soltando
fogo — ou mesmo um dragão — tão terrível e mesmo assim tão surpreendente que Ser Piero
decidiu vender a um negociante de arte florentino que, por sua vez, a vendeu ao Duque de
Milão. Enquanto isso, com parte do lucro da venda, Ser Piero comprou uma placa, decorada
com um coração penetrado por uma flecha, que ele deu ao camponês.[27] Leonardo tornou-se
um jovem instruído e sempre referido pelos estudiosos como dono de uma bela aparência de
fartos cabelos louros e olhos claros, além de uma personalidade afável com o trato das
pessoas.[28]