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ALEGAÇÕES FINAIS

NOVO CPC
SUMÁRIO
Introdução
Conceito
Conteúdo das alegações finais
Momento de apresentação
Modelos
Orais
Memoriais
Remissivas
Conclusão

2
INTRODUÇÃO
Pergunta-se: qual a importância das últimas palavras? No processo, comum previsto do novo CPC, o fim pode
Por que os seres humanos, por exemplo, preocupam-se chegar em diversos momentos. Desconsiderando as
com as últimas falas daqueles que já se foram? As res- etapas recursais, pode terminar logo no início, com a
postas obtidas podem variar de explicações neurológi- inépcia da inicial. Ou pode terminar após audiências,
cas ou afetivas. No entanto, é notável que o que finaliza coleta de provas e oitivas de testemunhas. E pode ser
uma jornada impacta. A etapa antecedente ao final pode que o tempo e os fatos tornem um momento de última
provocar grandes mudanças nos resultados. No univer- fala algo essencial.
so jurídico, esta é a importância das alegações finais.
As alegações finais são, assim, a última etapa do pro-
E se em um processo houvesse a chance de ressaltar cesso de rito comum antes da sentença. Representam
os principais pontos a fim construir uma imagem mais a oportunidade de ressaltar, escrita ou oralmente, os
favorável aos interesses daquele que argumenta? principais pontos de argumentação para o deferimen-
to ou indeferimento de um pedido. É a oportunidade
O jurista Luis Alberto Warat já dizia que a atividade co- de reunir todos os elementos surgidos dentro da lide,
tidiana dos profissionais de direito é baseada na argu- como provas, incoerências ou evidências na tentativa
mentação. Segundo o autor “a interpretação do direito de convencer o juízo sem a necessidade de recursos e
positivo que os mesmos realizam através de múltiplas a postergação do processo.
atividades [...] procuram tornar-se verossímeis recor-
rendo a processos determinados de persuasão”1. O novo CPC, o primeiro publicado em regime democrá-
tico trouxe inovações a essa previsão legal. Não tanto
O que todo litigante deseja é chegar ao fim de seu pro- aos moldes das alegações; mas, às etapas anteceden-
cesso e ter seus objetivos atingidos. Ainda que não haja tes e aos prazos.
conflito de interesses em toda lide, todos os processos
visam a solução de uma crise jurídica. No entanto, o Portanto, apresenta-se aqui um panorama dessa possi-
processo corre em uma linha do tempo e impõe etapas bilidade concedida aos advogados.
às suas partes. Muitas vezes, é desgastante, emocional
e profissionalmente, para as partes e advogados, que
buscam sua conclusão.

1 WARAT, Luis Alberto. Mitos e teorias na interpretação da lei. São Paulo: Síntese, [1979], p. 113. 3
CONCEITO CONTEÚDO DAS ALEGAÇÕES FINAIS
As alegações finais ou razões finais, como chamadas Como última fase de argumentação, o advogado preci-
no Novo Código de Processo Civil, constituem a última sa reunir nas alegações finais os principais pontos de
etapa de argumentação das partes no procedimento sua defesa, em busca do convencimento do juízo a fa-
comum. É neste momento que o advogado tem a opor- vor da procedência ou improcedência da ação.
tunidade de realizar uma nova análise do processo.
Para isso, precisa incluir alguns pontos em sua fala ou
Art. 364. Finda a instrução, o juiz dará a palavra ao peça:
advogado do autor e do réu, bem como ao membro
do Ministério Público, se for o caso de sua interven- 1. Motivações da ação - abordam-se as causas que
ção, sucessivamente, pelo prazo de 20 (vinte) minu- culminaram na lide, tal como um dano para uma
tos para cada um, prorrogável por 10 (dez) minutos, ação indenizatória;
a critério do juiz. 2. Resumo dos procedimentos anteriores - relatam-
-se as etapas anteriores do processo como au-
§ 1o Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, diências e peças apresentadas;
o prazo, que formará com o da prorrogação um só 3. Detalhes das alegações já realizadas - apontam-
todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não -se os principais argumentos já alegados em cur-
convencionarem de modo diverso. so do processo;
§ 2o Quando a causa apresentar questões comple- 4. Detalhes da audiência de instrução - resume-se
xas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser o transcurso da audiência, com referência às oiti-
substituído por razões finais escritas, que serão vas testemunhais e periciais;
apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo 5. Exposição dos fatos e fundamentos - expõem-se
Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, os principais fatos a favor ou contra o deferimen-
em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegu- to do pedido, com referência aos instituto legais,
rada vista dos autos. em última argumentação propriamente dita.

Seja através de uma peça escrita ou da oralidade, é


esta a chance de ressaltar ao juízo os pontos de rele-
vância para o alcance do seus interesses, ressalvadas
as hipóteses recursais.
4
MOMENTO DE APRESENTAÇÃO
O novo CPC trouxe algumas inovações nos procedimentos. Enquanto o antigo código
diferenciava os processos de rito ordinário dos de rito sumário sumaríssimo, o novo
código reúne todos os procedimento em um: o procedimento comum.

ORAL
ALEGAÇÕES FINAIS
art. 364, caput
art. 364

MEMORIAIS
art. 364, §2º
SENTENÇA
art. 366

REMISSIVA
Por outro lado, não houve grande modificação nas dis- Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao
posições acerca das alegações finais. E o mesmo se réu deduzir novas alegações quando:
pode afirmar do momento de sua apresentação, ainda I - relativas a direito ou a fato superveniente;
que se tenham modificado as etapas precedentes. II - competir ao juiz conhecer delas de ofício;
III - por expressa autorização legal, puderem
É importante, assim, que o advogado esteja atento ao ser formuladas em qualquer tempo e grau de
momento destinado à sua argumentação e preparado jurisdição.
para as possibilidades!
Findada a fase de contestação, o juiz procederá à fase
No procedimento comum previsto no Novo Código de de saneamento e providências preliminares. Com base
Processo Civil, a primeira tentativa de resolução da lide nos fatos apresentados, determinará, então, a produ-
é a audiência de conciliação ou de mediação, confor- ção das provas necessárias à condução do processo.
me previsão do art. 334, do Novo CPC. A novidade foi Caso o processo não preencha os requisitos para sua
introduzida como uma tentativa de aceleração do pro- extinção e para o julgamento antecipado da lide, o juiz
cesso por meio do acordo entre as partes. Assim, evi- prosseguirá com a fase de saneamento e esclarecimen-
tar-se-ia, a morosidade judicial ocasionada pelo segui- to das alegações, nos moldes do artigo 357, Novo CPC.
mento do processo.
Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóte-
Em seguida à audiência de conciliação ou de mediação, ses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão
é facultado ao réu a apresentação de contestação, de de saneamento e de organização do processo:
acordo com o art. 335, do Novo CPC, sob risco de re- I - resolver as questões processuais penden-
velia. Em caso de revelia, não se tratando das exceções tes, se houver;
previstas no art. 345, Novo CPC, “presumir-se-ão ver- II - delimitar as questões de fato sobre as
dadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor”, quais recairá a atividade probatória, especifi-
como disposto no art. 344, Novo CPC. cando os meios de prova admitidos;
III - definir a distribuição do ônus da prova,
Após a contestação, o réu somente poderá realizar observado o art. 373;
novas alegações nas hipóteses previstas no art. 342, IV - delimitar as questões de direito relevantes
Novo CPC. para a decisão do mérito;
V - designar, se necessário, audiência de ins-
trução e julgamento.
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§ 1o Realizado o saneamento, as partes têm o direi- Diante da necessidade de produção de provas orais,
to de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no estabelece o art. 357, inciso V, Novo CPC, que o juiz
prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a deci- poderá determinar a realização de audiência de instru-
são se torna estável. ção e julgamento. Incluem-se, nesta etapa, as provas
§ 2o As partes podem apresentar ao juiz, para ho- periciais e testemunhais, bem como a oitiva das partes.
mologação, delimitação consensual das questões Desse modo, é um procedimento comumente seguido
de fato e de direito a que se referem os incisos II e diante da lide.
IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz.
§ 3o Se a causa apresentar complexidade em ma- Este, então, é o momento para as alegações finais. O
téria de fato ou de direito, deverá o juiz designar art. 364 do Novo CPC dispõe que, após a audiência,
audiência para que o saneamento seja feito em será concedido prazo para que as partes ofereçam
cooperação com as partes, oportunidade em que suas últimas palavras. Segue o mesmo molde do artigo
o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar 453 do CPC de 1973, mas apresenta diferenças na es-
ou esclarecer suas alegações. pecificação do prazo processual e de sua natureza, a
§ 4o Caso tenha sido determinada a produção de depender do modelo de alegações determinado.
prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não
superior a 15 (quinze) dias para que as partes apre-
sentem rol de testemunhas.
§ 5o Na hipótese do § 3o, as partes devem levar, para ATENÇÃO!
a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas.
§ 6o O número de testemunhas arroladas não pode A audiência de instrução e julgamento pode não ser
ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, realizada se houver acordo dos litigantes. No entanto, a
para a prova de cada fato. sua não realização é passível de recurso, uma vez que
§ 7o O juiz poderá limitar o número de testemunhas pode implicar em prejuízo a uma das partes. Afinal, é
levando em conta a complexidade da causa e dos este o momento para que os advogados reforcem seus
fatos individualmente considerados. pontos de vista e apontem detalhes do processo aos
§ 8o Caso tenha sido determinada a produção de quais o juízo talvez não tenha se atentado, como provas
prova pericial, o juiz deve observar o disposto no apresentadas, incoerências argumentativas ou even-
art. 465 e, se possível, estabelecer, desde logo, ca- tuais confissões.
lendário para sua realização.
§ 9o As pautas deverão ser preparadas com inter-
valo mínimo de 1 (uma) hora entre as audiências. 7
Observe-se a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Antes da audiência de instrução, é preciso que o ad-
Grande do Sul em Apelação Cível: vogado tenha preparado preliminarmente o molde pelo
qual optará ou se não o fará. Afinal, cada um possui
PROMESSA DE COMPRA E VENDA. APELAÇÕES uma especificidade e prazos distintos. Mesmo que os
CÍVEIS. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. APRE- fatos decorrentes da audiência não modifiquem a sua
SENTAÇÃO DE MEMORIAIS. NÃO OPORTUNIZAÇÃO. estratégia, é importante estar preparado e munido de
FORMALIDADE ESSENCIAL DO PROCESSO. INTE- argumentos. Pode ser um procedimento significativo e
LIGÊNCIA DO ART. 364, § 2º, DO NCPC. NULIDADE estratégico para o sucesso da causa.
DA SENTENÇA. Deve ser anulada a sentença profe-
rida antes de ser oportunizada às partes a apresen-
tação de memoriais, na forma do art. 364, § 2º, do 5.1. Alegações Orais
NCPC, caracterizando cerceamento de defesa, em
face do prejuízo manifesto às partes, no caso a ré. Pelo Novo Código de Processo Civil, este é o modelo
Apelação da ré provida para desconstituir sentença. padrão. O caput do art. 364 prevê que cada parte terá
Prejudicado o recurso do autor. 20 minutos, imediatamente após a audiência de ins-
(TJ-RS - AC: 70076427236 RS, Relator: Voltaire de trução e julgamento, para a exposição de suas razões.
Lima Moraes, Data de Julgamento: 12/04/2018, Dé- O tempo poderá ser prorrogado por mais 10 minutos
cima Nona Câmara Cível, Data de Publicação: Diário a critério do juiz. E em caso de litisconsórcio, o prazo
da Justiça do dia 17/04/2018). será de 30 minutos. Contudo, o tempo disponível deve-
rá ser dividido entre os litisconsortes, conforme o pará-
grafo 1º do artigo.

MODELOS § 1o Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente,


o prazo, que formará com o da prorrogação um só
Apesar do uso genérico de memoriais como sinônimo todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não
de alegações finais, este é apenas uma das possibilida- convencionarem de modo diverso.
des de realizá-las. As razões podem, na verdade, seguir
três modelos: O benefício dessa forma está na celeridade dos proce-
dimentos, sem perda do direito de argumentação final.
1. Oral; Apresentadas as razões oralmente, o juiz terá até 30 dias
2. Escrito através de memoriais. para proferir a sentença, na hipótese de não proferi-la na
3. Remissivo; audiência, em conformidade ao artigo 366 do Novo CPC. 8
Em caso de escolha por memoriais, deve-se conside- 5.2. Memoriais
rar que será acrescido ao tempo de curso do processo
mais 15 dias sucessivos para cada uma das partes e Como apontado, é comum a confusão entre alegações
para o Ministério Público, em casos de intervenção. finais e memoriais como institutos sinônimos. Isto, por-
que a forma escrita de alegações finais é a forma mais
Art. 366. Encerrado o debate ou oferecidas as ra- visível. Todavia, memoriais são apenas um dos modelos
zões finais, o juiz proferirá sentença em audiência de razões finais. E pela opção desse molde, as partes
ou no prazo de 30 (trinta) dias. devem protocolar uma peça escrita com seus últimos
argumentos no prazo previsto.

O Novo CPC prevê a hipótese escrita quando a causa


ATENÇÃO! apresentar questões complexas de fato ou de direito. A
sua indisponibilidade, mesmo quando preenchido o re-
É essencial que o advogado esteja preparado para ar- quisito do § 2º do artigo 364, Novo CPC. pode configurar
gumentar oralmente. E técnicas de oratória podem cerceamento de defesa. Observe-se a decisão do Tribu-
ser um diferencial. Aconselha-se organizar um roteiro, nal de Justiça do Rio Grande do Sul em Apelação Cível:
com histórico, dados e principais alegações da causa,
à semelhança dos elementos essenciais de uma peça APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍ-
escrita. Não obstante, é interessante que esteja aten- PIO DE TENENTE PORTELA. APOSENTADORIA.
to à própria audiência de instrução. Nela podem surgir REVISÃO DE PROVENTOS. AUSÊNCIA DE OPOR-
elementos importantes para a argumentação. Por fim, é TUNIDADE PARA APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS
imprescindível reiterar os pedidos da lide. Deve-se lem- ART. 364 DO CPC DE 2015. SENTENÇA DE PRO-
brar o juízo de que o principal objetivo é a procedência CEDÊNCIA. PREJUÍZO CONFIGURADO. CERCEA-
ou a improcedência da ação! MENTO DE DEFESA EVIDENCIADO ART. 5º, LV, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Nos termos do art. 364,
§ 2º, do CPC de 2015, finda a instrução e oportuni-
zada a oitiva das partes, caberá ao juiz a prolação
da sentença, salvo nos casos relativos a questões
complexas de fato e de direito, facultado a subs-
tituição do debate oral por razões finais escritas.
Nesse sentido, o julgamento de procedência dos
pedidos iniciais, sem a oportunidade para debate 9
oral ou apresentação de memoriais, a configurar Agora, observe-se a letra do § 2º do artigo 364,
o prejuízo à defesa art. 5º, LV, da Constituição da CPC/215:
República. Precedentes deste TJRS. Apelação pro-
vida. Sentença desconstituída. (Apelação Cível Nº § 2o Quando a causa apresentar questões comple-
70074096744, Terceira Câmara Cível, Tribunal de xas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser
Justiça do RS, Relator: Eduardo Delgado, Julgado substituído por razões finais escritas, que serão
em 18/06/2018). apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo
Ministério Público, se for o caso de sua interven-
Apesar do caráter de exceção, verifica-se que a apre- ção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, as-
sentação de memoriais é um procedimento comum na segurada vista dos autos.
prática jurídica. Daniel Amorim Assumpção Neves2 des-
taca que, ainda que os requisitos do artigo 364, § 2º, Comparando-se os dois parágrafos, percebe-se que a
Novo CPC, não estejam presentes, costuma-se con- primeira modificação refere-se ao tempo. Enquanto o
verter as alegações orais em memoriais. No entanto, Código Civil de 1973 deixava a critério do juízo o prazo
como destaca o autor, pode-se interpretar como uma para apresentação das razões após a audiência de ins-
ofensa ao princípio da oralidade presente na elabora- trução e julgamento, o Código Civil de 2015 determina
ção do instituto da audiência de instrução e julgamento que o prazo será de 15 dias.
e na previsão da oportunidade de fala imediata.
A segunda modificação remete ao caráter sucessivo do
O Novo CPC trouxe duas importantes modificações prazos, agora expresso na legislação. O entendimento
quanto ao prazo para memoriais. Analise-se o § 3º do doutrinário e jurisprudencial, já aplicado à prática fo-
artigo 454, CPC/1973: rense, foi, então, absorvido pelo novo código. Portanto,
findada a fase de instrução, o autor terá 15 dias para
§ 3o Quando a causa apresentar questões comple- apresentar suas razões. Decorrido o prazo, o réu terá
xas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser mais 15 dias para as suas alegações. E, na necessidade
substituído por memoriais, caso em que o juiz de- de intervenção do Ministério Público, também lhe serão
signará dia e hora para o seu oferecimento. concedidos 15 dias para manifestação. Ressalta-se que,
nesse prazo, é assegurada vista dos autos.

2 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 10
ATENÇÃO! 5.3. Alegações Remissivas

Costuma-se contar o prazo para apresentação de ra- Durante a audiência de instrução e julgamento, o juiz
zões finais a partir da audiência de instrução e julga- deve oferecer às partes a oportunidade de realizar, oral-
mento, na qual as partes são intimadas a apresentá- mente, as razões finais. Ou, de acordo com a comple-
-las. A ausência em audiência ou a perda do prazo pela xidade do fato discutido, determinar a apresentação de
parte intimada não constituem cerceamento de defesa, memoriais. No entanto, é interessante que o advogado
desde que lhe tenham sido facultadas as oportunida- esteja atento para a possibilidade de ter que pedí-las.
des. Observe-se decisão neste sentido do Tribunal de Alguns juízes entendem que o interesse de prazo para
Justiça da Bahia: argumentação oral ou por memoriais deve ser explícito.

APELAÇÃO CÍVEL. RECONHECIMENTO UNIÃO ES- No caso de negativa pelo direito de razões finais, diz-
TÁVEL POST MORTEM. CERCEAMENTO DE DEFE- -se que estas foram remissivas. Isto é, remetem às pe-
SA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA AUDIÊNCIA ças e procedimentos anteriores. Desse modo, com base
DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO E APRESENTA- nas alegações anteriores da petição inicial e da contes-
ÇÃO DAS ALEGAÇÕES FINAIS. NÃO OCORRÊN- tação, o juiz poderá proferir a sentença.
CIA. OPORTUNIDADE DE DEFESA. AUSÊNCIA DE
PREJUÍZO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IM- É uma opção para aqueles que não veem necessidade
PROVIDO. A ausência da parte e seu patrono em em ressaltar argumentos ou não se sentem preparados
audiência de instrução e julgamento, bem como para uma sustentação oral. Entretanto, mesmo que o
a não apresentação das alegações finais, tendo advogado decida, de antemão, pelas alegações remis-
sido regularmente intimado para tanto, sendo-lhe sivas, é aconselhado que prepare um roteiro para a op-
facultada a manifestação em sua defesa, em di- ção oral. Os fatos da audiência de instrução podem ser
versas oportunidades, não enseja cerceamento de significativos.
defesa, sendo inviável a nulidade do feito sem efe-
tiva demonstração de prejuízo. (Apelação Cível nº
0097035-64.2008.8.05.0001, Primeira Câmara Cível,
Tribunal de Justiça da Bahia, Relatora Silvia Carnei-
ro Santos Zarif, publicado em: 24/05/2016)

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CONCLUSÃO
No procedimento comum, as alegações finais não são
previsão obrigatória. Isto não significa que não sejam de
suma importância. Pelo contrário, representam para o ad-
vogado uma última chance de realizar o principal de sua
atividade laboral: argumentar. Detalhes podem passar
despercebidos ao longo do processo, e este é o momen-
to de evidenciá-los ao juízo para convencê-lo da causa.

Desde o Código de Processo Civil de 1973, as razões


finais sucedem a audiência de instrução e julgamento.
No entanto, o Novo CPC realizou modificações que po-
dem impactar a vida do profissional jurídico. Na hipó-
tese de alegações finais orais, realizadas logo após a
audiência, o tempo permanece de 20 minutos, podendo
ser prorrogado por até 10 minutos. Já na hipótese de
alegações finais por memoriais, o prazo, antes a critério
do juiz, passa a ser de 15 dias sucessivos.

É importante lembrar que as modificações introduzidas


repercutem também em outros ramos do Direito. Não
raramente, encontra-se jurisprudência de processos
trabalhistas e administrativos com remissão ao instituto
do Novo CPC. Afinal, os ramos do Direito não são esfe-
ras isoladas, mas elementos componentes de um orde-
namento jurídico em constante diálogo e transformação.

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