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“GENTE, SÓ É FELIZ

QUEM REALMENTE SABE, QUE A


ÁFRICA NÃO É UM PAÍS”
AS RELAÇÕES DE PODER E A HISTÓRIA AFRICANA E AFRODESCENDENTE
"
ESQUECE O QUE O LIVRO DIZ, ELE MENTE.

"
Emicida / Rapper e Poeta

Quais as relações de poder estão postas no ensino da África?


Como uma perspectiva eurocêntrica colonializa nossa compreensão sobre
os povos africanos?
Quais as possibilidades/estratégias para construir um conhecimento
“descolonizado”?
COLONIALIDADE DO SABER

• “O” conhecimento presente na totalidade europeia é, portanto, aquele que


elevaria todas as populações colonizadas, devendo estar presente não apenas nas
formas cotidianas de colonialidade do ser, mas nas estruturas das instituições
modernas, como as escolas e as universidades.

• Na perspectiva moderno colonial o conhecimento tem um fim muito claro para a


manutenção e desenvolvimento do capitalismo e para a “elevação” cultural dos
povos, conduzindo a História a uma direção unívoca, na perspectiva decolonial o
conhecimento se apresenta como meio de libertação dos povos, rompendo com as
estruturas que os inferioriza e os invisibiliza.
PERIODIZAÇÃO CLÁSSICA DA HISTÓRIA

4.000 (A.C) a 476 1453 à 1789 1789


(D.C) 476A 1453

Pré- Idade Idade


Antiguidade Contemporaneidade
História Média Moderna
Clássica
QUAL O LUGAR DA ÁFRICA NO PENSAMENTO HEGELIANO?

• Á África é em geral uma terra fechada, e conservada este caráter fundamental.


Estre os negros é realmente característico o fato de que sua consciência não
chegou ainda à intuição de nenhuma objetividade, como, por exemplo, Deus, a lei,
na qual o homem está em relação com sua vontade e tem a intuição de sua
essência... É um homem em estado bruto.
• Este modo de ser dos africanos explica o fato de eles serem tão
extraordinariamente facilmente fanatizados. O reino do Espírito entre eles é tão
pobre e o Espírito entre eles é tão intenso que basta uma representação que lhes é
inculcada para leva-la a não respeitar nada, a destroçar tudo... A África... Não tem
propriamente história (...) o que entendemos propriamente por África é algo
isolado e sem história, sumido ainda por completo no espírito natural, e que só
pode ser mencionado aqui, no umbral da história universal.

Lições sobre a filosofia da história universal


DISCURSOS RACIAIS NO BRASIL PÓS-ABOLIÇÃO
• As teorias raciais chegam tardiamente ao Brasil, 1870 a 1930, recebendo, porém,
uma entusiástica acolhida, em especial nos diversos estabelecimentos de ensino e
pesquisa, que na época congregavam boa parte da reduzida elite pensante
nacional.
• A constatação de que essa era uma nação mestiça gerava novos dilemas para os
cientistas brasileiros. Se falar na raça parecia oportuno — já que a questão
referendava-se empiricamente e permitia certa naturalização de diferenças,
sobretudo sociais —, o mesmo tema gerava paradoxos: implicava admitir a
inexistência de futuro para uma nação de raças mistas como a nossa. Isto é, o
conjunto dos modelos evolucionistas não só elogiava o progresso e a civilização,
como concluía que a mistura de raças heterogêneas era sempre um erro, e levava à
degeneração não só do indivíduo como de toda a coletividade.
DISCURSOS RACIAIS NO BRASIL PÓS-ABOLIÇÃO

• Decide-se por aceitar a ideia da diferença ontológica entre as raças sem a


condenação à hibridação — à medida em que o país, a essas alturas, encontrava-se
miscigenado.
• João Batista Lacerda, então diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na
condição de representante de "um thipico paiz miscigenado", era convidado a
participar do I Congresso International das Raças, realizado em julho de 1911,
apresentando uma tese cujo título já era em si revelador: sobre os mestiços no
Brasil. Nesse ensaio, o país não era apenas caracterizado como mestiço, como se
exaltava a mudança operante no local: o Brasil mestiço de hoje tem no
branqueamento em um século sua perspectiva, saída e solução.
A INTERCULTURALIDADE CRÍTICA

• Pensar a decolonialidade dessa matriz de pensamento está associado a escutar das


reivindições que a muito são realizadas pelos movimentos sociais negros.
• Vera Candau e Catherine Walsh são duas autoras que se destacam na construção
de um conhecimento que envolve as perspectiva africana e afrodescente como
interculturais críticas, em outras palavras, decoloniais.
• A visibilização dos conhecimentos outros não deve ser entendida como um resgate
de missão fundamentalista ou essencialista pela autenticidade cultural, mas sim
como um resgate da diferença colonial no processo de produção do conhecimento.
Não existem conhecimentos neutros, como quer o eurocentrismo, todo
conhecimento se vincula a lutas específicas e pontos de observação.
A LEI 10.639 COMO POSSIBILIDADE
INTERCULTURAL/DECOLONIAL
• O ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira deverá ocorrer por meio de
atividades em que:
[...] se explicitem, busquem compreender e interpretar, [...]
diferentes formas de expressão e de organização de
raciocínios e pensamentos de raiz da cultura africana [...]
incluindo a história dos quilombos [...] e de remanescentes
de quilombos, que têm contribuído para o
desenvolvimento de comunidades, bairros, localidades,
municípios, regiões [...] (BRASIL, 2004, p. 21).
A LEI 10.639 COMO POSSIBILIDADE
INTERCULTURAL/DECOLONIAL
• Segundo Santomé (2011), é frequente a existência de um currículo turístico, que
recorre às seguintes atitudes:
• a) trivialização: estudar os grupos sociais diferentes dos majoritários com grande
superficialidade e banalidade;
• b) como souvenir: do total de unidades didáticas a trabalhar na sala de aula, só
uma pequena parte serve de souvenir dessas diferentes culturas;
• c) desconectando as situações de diversidade da vida cotidiana na sala de aula:
uma única aula ou disciplina é voltada para a problemática, mas no restante dos
dias e disciplinas ela é ignorada e até mesmo atacada;
• d) a estereotipagem: recorre-se a explicações que justificam a situação de
marginalização por meio dos estereótipos;
REFERÊNCIAS
• BRASIL. Lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003. • SCHWARCZ, L.M. Espetáculo da Miscigenação.
Brasília: MEC; CNE, 2003. Disponível: Estudos Avançados. V. 8. 1994 .Disponível:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l1 http://www.scielo.br/pdf/ea/v8n20/v8n20a17.pd
0.639.htm> f
• RIBEIRO, D. A CONSTRUÇÃO DE • WALSH, C. Introducción. Lo pedagógico y lo
CONHECIMENTOS OUTROS E A LEI 10.639/03: decolonial: Entretejiendo caminos. In: _______.
UMA PERSPECTIVA DECOLONIAL. (Org.) Pedagogías decoloniales: prácticas
http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/23 insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir
612_11893.pdf Tomo I. Serie Pensamiento Decolonial.
Equador: AbyaYala, 2013, p. 23-68.
• SANTOMÉ, J.T. As culturas negadas e
silenciadas no currículo. In: SILVA, T.T. (Org.).
Alienígenas na sala de aula – Uma introdução
aos estudos culturais em educação. Petrópolis:
Vozes, 2011, p. 159-177.

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