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NIDADE 1

Conceitos
Antes de iniciarmos o presente Curso de História da Igreja, faz-se necessário
elucidarmos dois conceitos – o de história e o de igreja – fundamentais para a
compreensão de nossos estudos, tanto no primeiro módulo quanto nos subsequentes.

O Conceito de História
Em nosso curso, entendemos por história um dos caminhos para a compreensão
correta do passado e do presente, ou seja, buscaremos a verdade sobre os fatos passados
– aqui entendida segundo um conceito filosófico dado por Santo Agostinho (354-430).
Seguindo filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, ele defende que o conceito de
Verdade é eterno e imutável.
Adaptando este conceito de verdade filosófica para nossos estudos históricos,
queremos esclarecer que visamos a busca pela verdade, que culminará no encontro com
a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Concluímos que o centro de nossa história é
Jesus Cristo – o que ficará mais claro quando falarmos sobre o próximo conceito.
Além disso, temos que deixar claro que a história é sempre uma combinação
entre tempo e espaço, “quando?” e “onde?”. Esse esclarecimento torna-se deveras
importante, a fim de evitarmos um dos piores erros que um historiador pode cometer, o
chamado Anacronismo. Anacronismo é o entendimento do passado a partir de conceitos
contemporâneos, ou seja, tentarmos entender o passado, seus acontecimentos e
personagens históricos, a partir de uma ótica atual e pessoal. Infelizmente, é isso o que
acontece com uma grande parcela de historiadores quando abordam os estudos sobre
Igreja.
Por fim, defendemos a história como uma articulação entre passado e presente,
conforme define o historiador March Bloch. Desse modo, nosso intuito é entender os
acontecimentos atuais, a partir da compreensão dos eventos passados. Para tanto,
buscaremos elucidar alguns aspectos como símbolos da nossa Igreja, formato da missa,
sacramentos, entre outros.
O Historiador

O historiador Leopoldo Von Ranke, conhecido como “pai da história científica”,


afirma que o historiador deve ser imparcial e não deve possuir nenhum posicionamento
ao analisar as fontes. Marc Bloch, também um expoente entre os historiadores, afirma
em seu livro O Ofício do Historiador, que esse profissional deve ser imparcial ao
analisar e interpretar a história. Ou seja, o historiador não deve escrever a história com o
objetivo de agradar algum lado ou partido, e não deve esconder a verdade de todos com
o objetivo de sanar seus desejos, mas buscar a verdade e expô-la a todos.
Contudo, o que vemos é exatamente o contrário em muitos livros de
historiadores que seguem uma tendência marxista e\ou iluminista, pois ambas
metodologias seguem uma ideia de cristianismo e espiritualidade totalmente errônea
(sendo, muitas vezes, mentirosa). Da mesma forma, enxergam a espiritualidade como
meio de submissão das massas, lançando um olhar deturpado à Igreja Católica.
Para finalizar essa parte sem isentar-me, defendo que todo historiador deve
conter em seus estudos duas virtudes: justiça e prudência. Justiça: o historiador não
pode tirar conclusões antes de investigar todas as fontes possíveis; assim, antes que se
prove o contrário, todos são inocentes e não culpados. Prudência: o historiador não
deve levantar ideias que surjam apenas de sua interpretação. Sem pesquisa, o texto de
um historiador não passa de uma literatura, como os contos de Dan Brown e George
R.R. Martin. É preciso ir às fontes históricas confiáveis! Assim, se evitam exageros e
extremismos como vemos a respeito da Idade Média e, principalmente, da Igreja
Católica.

O Conceito de Igreja

A Igreja Católica Apostólica Romana é a instituição mais antiga do mundo.


Muitos reinos, governos, ideologias e movimentos culturais passaram na história da
humanidade. Alguns contribuíram de maneira significativa para a construção cultural do
Ocidente, outros foram apenas movimentos passageiros de suas épocas. Mas nenhum
deles perdurou durante tanto tempo, e enfrentou inúmeros períodos nebulosos, como a
Igreja Católica.
A Igreja Católica, no entanto, não pode ser analisada apenas como uma
instituição humana, ou uma agremiação formada por pessoas que possuem um mesmo
objetivo. Ela é a própria encarnação de Cristo na Terra, na qual perduram os
ensinamentos deixados por Jesus. Dessa forma, a Igreja possui uma grandeza espiritual,
moral e física que podemos chamar de um mistério, uma vez que, para compreendê-la
da maneira correta, precisamos ter fé. Podemos concluir que Igreja Católica também é
um mistério. Sendo assim, se deixarmos isso de lado, teremos uma caricatura de sua
história e não o que de fato ocorreu.

Para ilustrar tal aspecto, traremos que está escrito no livro de Atos dos Apóstolos
Capítulo 9, 1-22:
"Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele
apresentou-se ao sumo sacerdote, e lhe pediu cartas de recomendação para as
sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém todos os homens
e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. Durante a viagem, quando
já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz
que vinha do céu. Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo,
Saulo, por que você me persegue?" Saulo perguntou: "Quem és tu,
Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você está
perseguindo.
Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer." Os
homens que acompanhavam Saulo ficaram cheios de espanto, porque ouviam
a voz, mas não viam ninguém. Saulo se levantou do chão e abriu os olhos,
mas não conseguia ver nada. Então o pegaram pela mão e o levaram para
Damasco. E Saulo ficou três dias sem poder ver, e não comeu nem bebeu
nada. Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o
chamou numa visão: "Ananias!" E Ananias respondeu: "Aqui estou, Senhor!"
E o Senhor disse: "Prepare-se, e vá até a rua que se chama rua Direita e
procure, na casa de Judas, um homem chamado Saulo, apelidado Saulo de
Tarso. Ele está rezando e acaba de ter uma visão. De fato, ele viu um homem
chamado Ananias impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista.
“Ananias respondeu: "Senhor, já ouvi muita gente falar desse homem e do
mal que ele fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui em Damasco ele tem
plenos poderes, que recebeu dos chefes dos sacerdotes, para prender todos os
que invocam o teu nome." Mas o Senhor disse a Ananias: "Vá, porque esse
homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos
pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve
sofrer por causa do meu nome." Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs
as mãos sobre Saulo, dizendo: "Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe
apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você
recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo." Imediatamente caiu dos
olhos de Saulo alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a vista.
Em seguida Saulo se levantou e foi batizado. Logo depois comeu e ficou
forte como antes. Saulo passou então alguns dias com os discípulos em
Damasco. E logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o
Filho de Deus. Os ouvintes ficavam impressionados e comentavam: "Não é
este o homem que descarregava em Jerusalém a sua fúria contra os que
invocam o nome de Jesus? E não é ele que veio aqui justamente para os
prender e levar aos chefes dos sacerdotes?" No entanto, Saulo se fortalecia
cada vez mais e deixava confusos os judeus que moravam em Damasco,
demonstrando que Jesus é o Messias."

A parte destacada em negrito no texto evidencia o momento no qual nosso


senhor Jesus Cristo se revela de uma forma totalmente eclesial para Saulo. A conversão
de Saulo, foi diferente, ele se converteu quando Jesus Cristo já havia morrido, não O
tendo visto, seguido nem perseguido. Ele perseguia os apóstolos e podemos nos
questionar o motivo pelo qual Cristo não o interrogou acerca disso. Essa parte das
Sagradas Escrituras revelam um mistério, o mistério da Igreja como corpo místico de
Cristo a Igreja é a continuação histórica da encarnação de Cristo.
Nesse sentido, propomos ainda um método seguro e correto para analisarmos a
história de nossa Igreja, baseado na vida daqueles que entregaram tudo para Cristo: os
Santos. Assim, o grande alicerce para nossos estudos, além das bibliografias, será o
aprofundamento da vida de grandes Santos – que se configuraram como membros do
corpo de Cristo (Atos 10, 12-27).

UNIDADE 2
Contextualização
Antes de adentrarmos em nossos estudos sobre a formação da Igreja Católica, é
preciso compreender o contexto no qual ela estava inserida. Para tanto, tomaremos
como primeira base de estudos o livro dos Atos dos Apóstolos. No primeiro momento,
faremos uma análise do que estava acontecendo no Império Romano durante os eventos
descritos em Atos dos Apóstolos até o fim do nosso primeiro século, ou seja, por volta
do ano 100 d.C.

A Igreja de Cristo

Nós não faremos uma análise da história de Cristo, pois esse não é o objetivo do
nosso texto e nem do nosso curso, mas iremos contextualizar o que estava acontecendo
no momento que Cristo morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus.
A morte de Cristo foi um evento que mudou toda a história da humanidade e que
marca o início da ação da Igreja. Quando Nosso Senhor morreu em uma cruz para a
nossa salvação, o imperador do Império Romano era César Augustus Tibério. O
Império Romano era dividido em várias províncias, nas quais havia representantes do
imperador que governavam o povo segundo a sua vontade. O governador da província
da Judeia era o procônsul Pôncio Pilatos.
Os romanos, quando dominavam uma nova nação, mantinham a cultura local
com o objetivo de evitar conflitos internos. Desse modo, a Judeia continuava com o seu
rei, mas que não detinha poder algum, sendo apenas um homem de família importante
colocado pelo próprio Império Romano no poder. A família escolhida pelo Império
Romano havia sido a de Herodes, o Grande, mas no tempo de Jesus Cristo o rei dos
judeus era Herodes Agrípa, neto de Herodes, o Grande.
Estima-se que o número e3 seguidores de Jesus, que o seguiam enquanto vivia,
era muito maior do que imaginamos. São Lucas, em seu evangelho, aponta que seriam
mais ou menos 120 pessoas que o seguiam fielmente como verdadeiros discípulos. Já
São Paulo, em uma de suas cartas, descreve que Jesus teria mais ou menos 500
seguidores. Enfim, não temos o número exato, mas sabemos que logo após a pregação
de São Pedro esse número chegará a mais de 5.000 pessoas.
Havia algumas características importantes de se destacar nestas comunidades
formadas por Cristo e expandidas pelos apóstolos. A primeira era o sacramento do
Batismo, que marcava não apenas a redenção dos pecados, mas também o início de uma
nova vida, da vida como um cristão. Como descreve um dos maiores historiadores da
Igreja, Daniel Rops “as primeiras Igrejas consideravam indispensável o batismo e que
todo novo adepto recebesse no momento de sua admissão”. (ROPS, 2014, p.22).
A segunda característica é a imposição das mãos. Essa pratica já era realizada
pelos judeus, no Antigo Testamento. Vemos vários exemplos de que, quando era
necessário conferir a alguém um dom sobrenatural, esta pessoa era ungida (exemplo
Gen. 48, 17). A imposição de mãos pode ser comparada ao sacramento do Crisma, no
qual acontece a transmissão direta dos dons do Espírito Santo. Rops afirma que “o
batismo abrirá aos fiéis a porta da verdade; a imposição das mãos permitia-lhes-ai
prosseguir a caminhada” (ROPS, 2014, p. 23).
A terceira característica encontrada nas primeiras comunidades é a comunhão.
Falaremos mais especificamente no livro do nosso segundo módulo, quando
abordaremos a história da missa. A partilha do pão, como gesto de união, era uma
prática comum entre os judeus. Contudo, as primeiras comunidades resinificam este
evento, pois não é apenas uma refeição, mas a celebração da própria memória de Cristo.
Essa celebração Eucarística é defendida por Daniel Rops como o meio no qual os
primeiros cristãos perceberam que eram muito mais do que uma reunião de amigos,
mais do que um grupo de religiosos, mais do que uma escola de mestres. Eles eram uma
sociedade que vivia por Cristo, com Cristo e em Cristo. Eles eram verdadeiros santos,
eles eram Igreja.
Por fim, a última característica das primeiras comunidades é o que alguns
historiadores chamam de Ágapes Fraternos, como estão descritos em (Atos 2,42 e Atos
5). Essa caraterística vede como se amam, era marca registrada das primeiras
comunidades, na qual todos os primeiros cristãos largavam suas vidas passadas,
vendiam seus bens e os entregavam para o bispo, vivendo todos juntos, de forma
igualitária, recebendo segundo a sua necessidade. Todos os primeiros cristãos viviam a
expectativa do Maran tha, a espera da segunda vinda de Cristo. Dessa forma, tornou-se
comum que todos seguissem o que Cristo havia dito para o jovem rico: “Vai, vende
tudo que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu”. (Lc 18,22). A vida fraterna
não era uma palavra vã para os primeiros cristãos, ao ponto de que ninguém quisesse
seguir o exemplo de Ananias e Safira, que mentido ter entregado tudo a Pedro, sofrem a
justiça divina. (Atos 5).

O Império Romano

Um ponto chave para entendermos os primeiros anos da Igreja é a compreensão


do Império Romano, pois ele será fundamental para expansão e propagação do
evangelho aos quatro cantos do mundo conhecido nos primeiros anos da era cristã. Será
ele também o mais terrível perseguidor que a Igreja Católica já teve. Dessa forma, nesta
parte trataremos de aprofundar tais questões.
O Império Romano foi o maior império já existente no mundo, seu surgimento
ocorreu em 753 a.c estendendo-se até 476 d.c., totalizando mais de 1200 anos de
existência. Esse período é dividido em três momentos – nos quais o Império Romano
tinha características distintas – sendo eles a Monarquia (753-509 a.C.), a República
(509-27 a.C.) e o Império de (27 a.C. -476 d.C.)

Império Romano: Monarquia (753-509 a.C.)


Nesse ponto, não traremos a história completa do Império Romano, mas
destacaremos aspectos importantes para a melhor compreensão da história da Igreja
Católica.
A monarquia romana surge por volta do séc. VIII a.C. O povo chamado estrucos
se instala no centro da península itálica e começa a dominar os outros grupos de
colonizadores que lá existiam. A partir desde grupo nasce a monarquia romana. Há
também a famosa lenda da origem de Roma, escrita pelo poeta Virgílio (70-19 a.C.), na
qual Roma teria sido fundada pelos irmãos Rômulo e Remo que conquistaram o trono
de Alba Longa, que havia usurpado o trono de seu avô.
Na monarquia havia o Rei, líder militar, religioso e juiz; o Senado, formado por
cidadãos antigos de famílias patrícias que aconselhavam e fiscalizavam o Rei; e a
Assembleia Curial, composta por cidadãos (soldados) que era organizada em cúrias
(conjunto de dez clãs) e convocada somente quando solicitado pelo Rei. Sua
organização social era dividida em quatro grandes grupos, os Patrícios, grandes
proprietários de terra; os Clientes, homens livres que se associavam os patrícios e lhes
prestavam serviço; os Plebeus, homens livres que se dedicavam ao trabalho manual e
ao comércio; e os Escravos, que inicialmente eram devedores que não conseguiam
pagar suas divididas e, posteriormente, com as expansões romanas, foram incluídos os
prisioneiros de guerra.
Com o passar do tempo o Rei, que ficava no trono de forma vitalícia e seguia
uma linha de sucessão familiar, não agradou mais os interesses dos patrícios – que
controlavam todo o senado. Isso fez com que eles se rebelassem contra o Rei
expulsando-o do trono e estabelecendo uma nova organização política.

Império Romano: República (509-27 a.C.)

A República é um dos períodos mais longos da história de Roma. Esse período é


marcado por vários acontecimentos que influenciarão o futuro surgimento do Império.
Esse momento é também marcado por vários conflitos, tanto externos como internos.
Os conflitos internos entre patrícios e plebeus levaram ao surgimento de várias leis
importantes para aquele período, como a Lei das Doze Tábuas e a Lei Canuléia. Os
conflitos externos marcaram a expansão de Roma para várias outras regiões, além do
continente europeu, chegando a dominar a Grécia, uma parte do norte da África e um
pouco do Oriente Médio (neste momento a Judéia é dominada pelos romanos). Destaca-
se nesse período as chamadas Guerras Púnicas e as Guerra Orientais. Assim, a
República Romana se expande tanto para o Oriente como para o Ocidente, dominando
todo o Mar Mediterrâneo, que receberá o nome de Mar Nostrum.
A organização política era marcada pelo Senado. É o Senado que organizava,
orientava e comandava toda a república até a sua queda. O Senado escolhia dois
Cônsules que governavam Roma. Abaixo do Senado estava a Magistratura, composta
por alguns membros escolhidos também pelo Senado que governavam e julgavam os
romanos. Havia também os Comícios, dirigidos por uma assembleia chamada
Centuriata, na qual os membros decidiam alguns assuntos internos. Contudo, os
membros com maior voz dentro da assembleia eram os patrícios.
As conquistas de novos povos levaram Roma a se tornar uma república
extremamente escravista, onde sua economia estava sob a posse da mão de obra
escrava. Além disso, o contato com novas culturas levou os romanos a imitarem o modo
de vida de povos dominados, principalmente os gregos. Apesar do crescimento do
império externamente, interiormente crescia o desgosto do povo romano para com seus
líderes políticos, principalmente pelo número cada vez maior de pobres e porque a
tentativa de uma reforma agrária proposta pelos irmãos Tibério e Caio (133-122 a.C.)
foi negada, agravando o confronto entre plebeus e patrícios.
A transição para o Império foi marcada pelo clima de desordem pública. Os
senadores foram perdendo o controle do poder, que acabava ficando para os mais
destacados chefes militares. O chefe militar mais influente da época é Júlio César (100 –
44 a.C.). Ele assumiu vários cargos importantes dentro da república. Depois de estar
quase se auto proclamando-se rei, foi assassinado por volta de 44 a.C., por um grupo de
senadores liderados pelo seu amigo Brutus.
Após a morte de Júlio César se instala um governo triunvirato, composto por
Marco Aurélio, Otávio e Lépito. Marco Aurélio tinha um caso com Cleópatra. Lépito
era um general de Júlio César como Marco Aurélio. Otávio era sobrinho de Júlio César.
A partir disso, sucederam-se inúmeras disputas de poderes entre ambos, principalmente
contra Otávio ou Octaviano, que saiu vitorioso das disputas tornando-se o governador
de todo o mundo conhecido da época conquistado pelos romanos, cumprindo o que está
descrito na profecia de Daniel, no capítulo 7.

Império Romano (27 a.C. – 476 d.C.)

Não abordaremos neste tópico toda a passagem do Império Romano, mas


destacaremos pontos importantes do governante Octaviano Augustos e de Tibério, pois
ambos têm ligação direta com o período de Cristo e de nascimento da Igreja.
Quando Jesus Cristo nasceu, o governante de Roma era Octaviano Augustos (27
a.C.-14 d.C.). Foi ele quem fundou o Império Romano e deixou bases que serão
seguidas por outros imperadores. O grande feito de Augustos foi a chamada Pax
Octaviana. Após ele comandar várias expedições militares, expandir o Império Romano
a um tamanho nunca visto antes e dominar todo o mundo conhecido da época, reinou
em Roma um período de quase dois séculos de paz, onde não houveram guerras
territoriais ou conflitos internos. A esse momento, damos o nome de Pax Romana ou
Octaviana. Foi durante este período que Jesus Cristo nasceu, por isso os anjos anunciam
o nascimento de Jesus Cristo aos pastores, “Glória a Deus no mais alto dos céus e na
terra paz aos homens" (Lucas 2,14). Ou seja, era um momento de paz na terra, pelo fato
de que naquele momento o mundo estava na Pax Romana.
Em 14 d.C., Octaviano morre de causas naturais e deixa o governo do Império
Romano para seu filho adotivo chamado Tibério. Esse será o Imperador de Roma
quando Nosso Senhor Jesus Cristo morreu e a Igreja Católica inicia sua missão de
evangelização através da missão dos apóstolos. Tibério é importante, pois ele não
perseguiu os primeiros cristãos deixando o espaço de mais ou menos cinco anos para o
cristianismo se propagar. Tibério era pacifista e possuía amigos judeus, sendo um deles
o embaixador de Alexandria, chamado Fílon de Alexandria. Fílon era muito próximo
dele, fazendo-o possuir um apresso aos judeus.

UNIDADE 3
Missão dos Apóstolos

Antes de adentrarmos nas primeiras missões realizadas pelos apóstolos,


precisamos construir brevemente a história dos judeus. Nosso objetivo não é levantar a
história do judaísmo, mas sim compreender melhor o que está descrito nas Sagradas
Escrituras.

A Judeia

O judaísmo nasceu quando Deus, Yahweh, se apresentou a Abraão e o conduziu


até a futura terra prometida, fazendo com que Abraão saísse da cidade de Ur e se
estabelecesse na Palestina, por volta de 2.000 a.C. Este período, escrito em Gênesis de
Abraão, Issac, Jacó e José é chamado de Governo dos Patriarca. Este período tem
como característica um momento que o povo de Israel era nômade, no qual os primeiros
judeus seguiam um Patriarca (líder político do povo hebreu, venerado como pai da
comunidade).
Após três séculos vivendo na Palestina, ocorre uma grande seca naquela região,
obrigando o povo a emigrar para o Egito, onde no futuro se tornaram escravos dos
egípcios, permanecendo lá como escravos por volta de 400 anos. Em 1250 a.C., Moisés
se levanta para guiar o povo, fugir do Egito e chegar até a “Terra Prometida”. Essa ação
ficou conhecida como Êxodo. Contudo, quando chegam à Terra Prometida, encontram
suas antigas terras dominadas por novos grupos. Esse período marcará uma nova etapa
do governo para os judeus.
O chamado Governo dos Juízes é marcado pela reconquista do povo hebreu da
antiga terra, agora ocupada pelos filisteus e cananeus. Nesse período, o governo se
encontrava em uma pessoa, exemplo Josué, que chefiava a política, os militares e era o
maior chefe religioso. Este período inicia em 1200 a.C., entendendo-se até 1010 a.C.,
quando Saul estabelece o reino judeu.
Quando, de fato, todas os povos que ocupavam a Palestina são derrotados, Saul
(1010 a.C.) centraliza o poder com o objetivo de organizar os hebreus contra os futuros
inimigos. Assim, ele cria o chamado Governo dos Reis. Seu sucessor será Davi (1006-
966 a.C.), que liderará a vitória definitiva contra o povo filisteu. Em seguida, teremos o
terceiro e último rei dos judeus, Salomão (966-926 a.C.), que concluíra a organização da
monarquia e construirá o famoso Templo de Salomão, onde os judeus poderiam realizar
dignos sacrifícios ao Senhor. As tribos do Norte entram em confronto com o Sul,
dividindo o reino em dois, sendo o Reino de Israel ao norte (capital Jerusalém) e o reino
de Judá ao sul (capital Samaria). Percebemos, portanto, que os confrontos entre judeus e
samaritanos surge no momento do nascimento da monarquia judaica. Posteriormente,
faremos uma explicação mais aprofundada desse ponto.
Neste período surge um novo grande inimigo que os judeus não conseguiram
vencer – o Império Babilônico de Nabucodonosor – que conquistará o Reino em 587
a.C. Essa ação levou os judeus ao cativeiro, fazendo com que se espalhassem por toda
aquela região do mundo conhecido da época e até mesmo para outros continentes, como
Europa e o norte da África. Esse evento é conhecido como diáspora.
Os hebreus só poderão retornar em 538 a.C. quando os persas dominarem os
babilônicos. Entretanto, não serão todos os judeus que retornarão até Israel e Judá.
Quando Jesus nasceu, havia 63 anos que os judeus estavam sobre o julgo dos romanos.
Todos esses séculos levaram os judeus a esperar ansiosamente a chegada do Messias,
Daquele que os libertaria. Isso fez surgir várias vertentes messiânicas, as duas maiores
eram:
A Corrente Messiânica do Libertador, na qual os judeus esperavam alguém da
família da descendência de Davi para formar um exército, libertar os hebreus do
cativeiro e construir novamente o Reino dos Judeus. Essa vertente estava mais ligada
aos membros da aristocracia e da elite judaica e se baseava em dois livros apócrifos, o
Livro de Enoch e os Salmos de Salomão.
A Corrente Messiânica do Salvador acreditava na vinda de um Messias que
era da linhagem de Davi e que libertaria o povo, mas não de uma forma política, e sim
espiritual. Segundo essa corrente, o povo seria redimido dos pecados cometidos
anteriormente. Essa vertente era mais forte nos setores mais pobres do judaísmo e
baseava-se nas profecias do Livro de Isaías.
Durante o período de 63 a.C. a 30 d.C., estima-se que os judeus representavam
3% da população, que vivia sob o domínio dos Romanos. Esse é um número
razoavelmente grande comparado com outros povos que viviam sob o domínio dos
romanos. Os judeus possuíam praticas que os diferenciavam diretamente dos outros
grupos.
A primeira diferença eram Os Costumes, pois todos os judeus viviam segundo as
normas dadas por Deus a Moisés. Eles seguiam fielmente cerca de 613 mandamentos,
quem envolviam todo o tipo de ordem, desde mandamentos religiosos, até como
deveriam se portar à mesa, como deveria ser o trato com os cativos, como deveriam
casar.
A segunda grande diferença dos judeus para os outros povos era a leitura do
Torah, o livro sagrado dos judeus, que pode ser comparado a nossa bíblia, mas que nele
só contém cinco livros: ‫בראשית‬, Bereshit - No princípio conhecido por nós
como Gênesis; ‫שמות‬, Shemot - Os nomes ou Êxodo; ‫ויקרא‬, Vayikrah - E chamou ou,
Levítico; ‫במדבר‬, Bamidbar- No deserto (ermo) ou Números; ‫דברים‬, Devarim -
Palavras ou Deuteronômio.
A terceira característica é o pagamento do Dracma, espécie de dízimo. Não
importava o local no qual eles vivessem, todos deveriam pagar esse dízimo mensal,
levado pelos próprios romanos até Jerusalém, onde eles usavam esse dinheiro para
custear a manutenção do Templo de Salomão.

Missão dos Apóstolos: A Igreja dos Atos dos Apóstolos

A missão dos apóstolos começou na festa de Pentecostes, também chamada de


Festa da Colheita ou Festa das Primícias (Êxodo 34, 22). Nesse dia, os apóstolos
estavam reunidos com Nossa Senhora, quando:
"De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e
encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie
de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas,
conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." (Atos 2, 2-4)

Logo após esse momento, os apóstolos, guiados pelo Espírito Santo, iniciaram a
sua missão. Naquele instante, São Pedro realizou uma grande pregação, convertendo
cerca de 3000 homens, sem contar mulheres e crianças, contabilizando no total cerca de
5000 a 6000 pessoas. Quem eram tais pessoas?
Anteriormente, vimos que os judeus foram dominados por vários povos em sua
história. O primeiro deles foi o Império Babilônico de Nabucodonosor. Neste momento
os judeus, que antes viviam todos no mesmo local, ou seja, Jerusalém, se espalharam
por todo o mundo conhecido da época, ocorrendo a primeira Diáspora – um
deslocamento forçado do povo judeu para outros lugares. Contudo, os judeus são
tradicionais e quando chegavam as datas das grandes festas eles viajavam até Jerusalém
para comemorar, como Páscoa e a festa de Pentecostes.
Estes judeus vinham de vários lugares: “E de todos os lados chegavam à Terra
Santa, nos dias das grandes festas, ‘partos, medos, elemitas, os que habitavam a
Mesopotâmia, [...] Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes
da Líbia, para as bandas de Cirene’” (Atos 2,9). Estas eram a nacionalidade dos mais de
6000 recém convertidos – que não eram pagãos, como alguns pensam, mas judeus
helenistas.
O que é um Judeu Helenista? Naquele tempo havia uma grande divisão no
judaísmo antigo, que explica o porquê um judeu de Jerusalém não tinha amizade com
um judeu da Samaria. Esta divisão era entre Judaizantes e Helenistas. Os Helenistas
eram judeus que não viviam em Jerusalém, que acreditavam no universalismo do
judaísmo, ou seja, não importava onde você vivia, o que importava era que você
cumprisse com os mandamentos do Senhor para ser um verdadeiro judeu. Os
Judaizantes acreditavam que o verdadeiro judeu não é apenas aquele que cumpre com
os mandamentos do Senhor, mas aquele que vive em Jerusalém, isto se chamava
particularismo. Essas diferenças de teorias levaram os judeus a inúmeras brigas e
divisões, principalmente pelo orgulho tradicional que os judeus de Jerusalém tinham.
Na breve expansão do cristianismo que se iniciou em Pentecostes, os cristãos se
depararam com uma primeira dificuldade, a divisão entre Judaizantes e Helenistas. Por
quê? Esta dificuldade surge, porque os primeiros cristãos convertidos eram, em usa
maioria, helenistas e os doze apóstolos eram judeus nascidos em Jerusalém, ou seja,
judaizantes. Isso fez com que estes primeiros convertidos ficassem com medo de serem
menosprezados, como no judaísmo antigo.
Para evitar que isso acontecesse e para provar que o Cristianismo era diferente
do judaísmo, os doze apóstolos tomaram uma decisão:
"Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas
dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido
negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma
reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a
palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós
sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos
quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao
ministério da palavra. Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram
Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro,
Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.
Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se
consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande
número de sacerdotes aderia à fé." (Atos 6, 1-7)

Como podemos ver nas próprias Sagradas Escrituras, os discípulos, com o


intuito de gerar equidade entre os judeus, pois estavam crescendo em número,
ordenaram os sete primeiros diáconos, todos eles helenistas. Um deles irá exercer uma
missão importante em Jerusalém, Estevão.

Missão dos Apóstolos: Estevão, o primeiro mártir

Estevão era um judeu Helenista, alguns afirmam que ele era de Alexandria, no
Egito, pois o conhecimento de Estevão demonstrava que teria ligação direta com as
doutrinas de Fílon, que naquela época estavam em voga, sobretudo em Alexandria. É
nessa cidade na qual é escrito o livro bíblico, Sabedoria.
Estevão era “uma alma de fogo, transbordante de audácia, iniciador e modelo
dessa imensa série de homens admiráveis que o cristianismo colocará a serviço de sua
causa”. (ROPS, 2014, p. 37). Era um jovem conhecedor da filosofia grega e da doutrina
judaica, disposto a enfrentar necessárias rupturas, queria evangelizar a todos e falava
muito bem aos judeus de fora. Além disso, os prodígios e milagres realizados por ele
surpreendiam a todos.
Diferente de Pedro que pregava que Jesus era o Messias dos judeus, Estevão,
com frases como “não se deita vinho novo em odres velhos, nem se cose um remendo
novo em um pano velho”, demonstra que Jesus Cristo não veio só para os judeus, mas
para todo o mundo. Os judeus judaizantes não se engaram com ele e perceberam um
perigo, “Este homem não cessa de proferir palavras contra este lugar santo e contra Lei”
(Atos 6,13).
Por volta de 36 d.C. Estevão é levado diante dos juízes que queriam matá-lo.
Porém, como um verdadeiro santo, não se intimidou e pregou com todo o rigor, força e
inteligência, unindo os ensinamentos de Cristo às Escrituras. Terminava sua pregação
apologética com: “Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós
sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós
também! A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que
prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. Vós
que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...” (Atos 7, 51-53).
Essas palavras foram mais do que necessárias para irritar os judeus
tradicionalistas e levarem Estevão para o seu martírio heroico que, a exemplo de Jesus
Cristo, pediu para que Deus perdoasse seus acusadores e carrascos. Estevão morreu no
ano 36, porém seu testemunho de sangue e suas palavras não. A morte de Estevão dará
força para que o evangelho se propague ainda mais.
Após a morte de Estevão, iniciou-se uma grande perseguição contra os cristãos,
principalmente os helenistas, que ficaram mais visados desde o martírio de Estevão.
Isso fez com que os helenistas saíssem da Terra Santa e voltassem para as suas cidades
de origem, expandindo ainda mais o evangelho.
Nesse momento, temos a missão importante do diácono Felipe e de São Pedro na
Samaria. A Samaria é uma terra que sofrera com o paganismo, contudo, a fé do povo se
conservara na espera de um Messias. A missão de Felipe e de São Pedro não é apenas
uma evangelização, mas também de organização e solidificação da fé daquela
comunidade. Felipe desbravava novos terrenos, enquanto Pedro ensinava a doutrina e
ordenava novos sacerdotes através da imposição de mãos. Durante este período
acontece a famosa discussão entre São Pedro e Simão, o Mago (Atos 8).
Felipe segue viagem passando por outras cidades e evangelizando novos judeus,
enquanto Pedro terá uma experiência fundamental para a expansão do cristianismo a
todos os povos. Em sua passagem pela Samaria, São Pedro foi convidado por um
centurião chamado Cornélio, para comer em sua casa a mando do Senhor. Cornélio era
um homem “piedoso e temente a Deus”, ou seja, um romano prosélito de Israel.
Segundo as leis dos israelitas, um judeu nunca poderia comer algo impuro ou se
sentar à mesa com um pagão. Isso fica ainda mais claro quando lemos em (Macabeus
7,2) que os irmãos preferem morrer do que transgredir a lei. Antes do convite, Jesus
apareceu para Pedro oferecendo a ele alimentos impuros. Pedro nega três vezes e o
Senhor insiste (Atos 10). Cornélio aos olhos dos judeus era impuro, mas Deus queria
mostrar para São Pedro que Cornélio deveria ser batizado.
Ainda hesitante, São Pedro entra na casa e, nesse momento, ocorre um pequeno
Pentecoste na casa de Cornélio – com os mesmos fenômenos sobrenaturais que
acontecerá com os discípulos no Cenáculo. Esse fato foi fundamental para que Pedro
caísse em si e percebesse que a missão que Cristo o ofereceu é ainda maior do que ele
imaginava. Pedro então batiza Cornélio e toda a sua casa, deixando de lado as
observâncias judaicas. O encontro de Pedro com Cornélio será fundamental na decisão
de Pedro no “Concílio de Jerusalém”, no ano 50, quando este decidirá que o
cristianismo é para todos e não apenas para os judeus.

Missão dos Apóstolos: Os primeiros Apóstolos mortos


A partir do ano 41, a perseguição contra os cristãos aumenta. Herodes Agripa I é
o rei dos judeus neste período e é ele que, por sua vontade, intensificará os ataques a
nova fé. Herodes era um verdadeiro louco, neto de Herodes, o Grande (este é o Herodes
do tempo do nascimento de Jesus Cristo, que manda matar todas as crianças até os dois
anos de vida). Herodes foi educado na corte de Tibério, aprendeu a ser sanguinário e a
viver na libertinagem a partir deles.
Quando seu amigo Calígula se tornou imperador (37-41) fez de Herodes rei do
antigo reino herodiano. Calígula e Herodes Agripa I eram amigos e colegas em Roma,
parceiros em várias orgias, de acordo com os biógrafos. Por tais motivos, Herodes se
tornou um tirano cruel, impiedoso e perverso. Flávio Josefo nos relata que logo quando
Herodes entrou na cidade “imolou vítimas em ação de graças”, o que ocorreu também
com os cristãos, iniciando uma perseguição sistemática em Jerusalém.
Por volta de 42-44 d.c São Tiago, Maior, irmão de São João, foi decapitado por
Herodes e pela primeira vez um dos Doze Apóstolos havia dado seu testemunho de
sangue (Atos 12, 1-2). Neste mesmo período São Pedro é preso, contudo, na noite antes
de seu julgamento, um anjo do Senhor apareceu e libertou Pedro da prisão.
Herodes Agripa I quando ficou sabendo da fuga de São Pedro, mandou matar os
guardas que tinham a incumbência de evitar o ocorrido. Em seguida, Herodes Agripa I
sentou em seu trono real, vestido como um verdadeiro rei e neste momento o anjo lhe
fere, fazendo com que ele sinta fortes dores na barriga até morrer – e seu corpo é
totalmente ruído por vermes.
No ano de 62 o sumo sacerdote Anás, filho daquele que mandou matar Jesus,
iniciou mais uma forte perseguição aos cristãos na Judéia. Anás prendeu São Tiago,
Menor, que era bispo de Jerusalém à época. São Tiago foi levado até o pináculo do
Templo e forçado a renegar o Cristo. Não renegando e fazendo das palavras de Estevão
as suas, foi levado para fora da cidade e apedrejado ilegalmente. Esta acusação ilegal de
Anás fez com que ele perdesse o seu governo.
Após esses fatos, Jerusalém é assolada por inúmeros males, cumprindo o que
Jesus havia prometido. No ano 36 Pilatos se suicidou, desestabilizando o governo da
Judeia. Durante o governo do Imperador Claudio, Eusébio de Cesária nos narra que uma
grande fome assolou toda a Judeia, fazendo com que inúmeras pessoas morressem de
fome. E por fim, no ano 70, após uma rebelião dos judeus contra o Império Romano, os
judeus foram atacados severamente, sendo novamente expulsos de suas terras – a
segunda diáspora – além do Império Romano destruir o Antigo Templo de Salomão.

Missão dos Apóstolos – São João

São João nasceu na Betsaida. Filho de Zebedeu e irmão de Tiago Maior, era um
pescador como Pedro e André. O nome de João significa “Deus é misericordioso”. Ele
foi um dos apóstolos mais importantes e é uma das colunas da Igreja.
Até a assunção de Nossa Senhora, João permaneceu em Jerusalém. Depois, foi
para Éfeso, se tornando bispo da Igreja da Ásia Menor. Durante o governo do Imperador
Domiciano (81-96) – um dos imperadores que mais perseguiu os cristãos – São João foi
preso e levado para Roma, onde permaneceu até o ano 96. Nesse período, São João
escreveu o livro de Apocalipse.
Depois de seu cativeiro voltou para Éfeso onde novamente permaneceu como
bispo da Ásia Menor. Durante esse período, São João visualizou o início de várias
heresias, como o agnosticismo. Nesse sentido, por volta do ano 100, escreveu o seu
evangelho e três cartas às comunidades da Ásia Menor.
É interessante destacar que São João foi o único apóstolo que não foi
martirizado. Deus o concedeu esta missão, para que ele pudesse testemunhar a Verdade
diante de um novo inimigo, as heresias. Não temos a data certa da morte de São João,
mas sabemos que foi no início do século II, durante o governo de Trajano (98-117).

Missão dos Apóstolos – Santo André

Santo André nasceu em Betsaida e é conhecido como o “protocleto”, ou seja,


aquele que foi chamado por primeiro. Depois de Pentecostes, ele teria ido evangelizar a
Capadócia, Bitinia, Galácia e Grécia. Foi ele o discípulo que buscou jumentinho que
Jesus Cristo pediu. Ele também é conhecido como a “ponte do salvador”, pois sempre
esteve entre Jesus e os gentios e entre Jesus e o milagre da multiplicação dos pães.
Em meio a sua missão, fundando comunidades e ensinando a Doutrina de Cristo,
quando estava na Acaia foi preso e martirizado durante o governo do Imperador Nero
(37-68). Antes de ser crucificado em uma cruz em forma de “X”, abraçou a cruz e disse:
“Salve Santa Cruz, tão desejada, tão amada. Tira-me do meio dos homens e entrega-me
ao meu Mestre e Senhor, para que eu de ti receba o que por ti me salvou”. (BENTO
XVI, 2006.

Missão dos Apóstolos – São Tomé


Segundo a Tradição, São Tomé, depois de Pentecostes, teria se dirigido para
Índia, China e Tibet, fundando comunidades por todas aquelas regiões. Foi morto
transpassado por uma lança, na cidade de Maleapor, na Índia. Morto por hindus
irritados com a sua missão, a data provável de sua morte é no ano 72.
A uma lenda narra que São Tomé teria estado na América, muito antes dos
europeus chegarem, no séc. XV. As fontes que trazem essa afirmação são algumas
notícias do jornal A nova Gazeta do Brasil, do ano de 1514. Nesse ano, a revista trouxe
algumas matérias levantando a hipótese de que São Tomé teria estado na Bahia,
segundo os índios, pois foram encontradas “cruzes” em algumas tribos e marcas de
pegadas em pedras do litoral baiano, na qual os índios defendem ter pertencido a um
homem “barbudo” no qual eles chamavam de Zumé.
Em 1549, o famoso padre Manoel de Nóbrega envia uma carta para Portugal
contando uma história parecida:
“Dizem os índios que São Tomé passou por aqui e isto lhes foi dito por seus
antepassados e que suas pisadas estão sinaladas junto de um rio, as quais eu fui ver,
por mais certeza da verdade, e vi com os próprios olhos quatro pisadas sinaladas com
seus dedos. Dizem que quando deixou estas pisadas ia fugindo dos índios que o
queriam flechar, e chegando ali se abrira o rio e passara por meio dele a outra parte
sem se molhar. Contam que, quando queriam o flechar os índios, as flechas se
tornavam para eles e os matos lhe faziam caminho para onde passasse”.
No Paraguai, em 1639, o padre jesuíta Antônio Ruiz de Montoya também
testemunha a presença de cruzes em tribos, os quais relataram que São Tomé veio até
eles e disse: “A doutrina que eu agora vos prego, perdê-la-eis com o tempo. Mas,
quando depois de muito tempo, vierem uns sacerdotes sucessores meus, que trouxerem
cruzes como eu trago, ouvirão os vossos descendentes esta mesma doutrina que vos
ensino”.

Missão dos Apóstolos – São Bartolomeu


São Bartolomeu é natural de Canaã da Galiléia. Ele também é chamado de
Natanael (Dom de Deus). É um dos discípulos que, antes de iniciar a missão com
Cristo, foi casado.
“Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: "Encontramos aquele de quem
Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de
José". Natanael disse: Rei de Israel". Jesus disse: "Tu crês porque te disse: Eu
te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!" E Jesus continuou:
"Em verdade, em verdade eu vos digo: De Nazaré pode sair coisa boa?"
Filipe respondeu: "Vem ver!" Jesus viu Natanael que vinha para ele e
comentou: "Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade".
Natanael perguntou: "De onde me conheces?" Jesus respondeu: "Antes que
Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi". Natanael
respondeu: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Vereis o céu aberto e os
anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (João 1, 45-51)

Depois de Pentecostes, São Bartolomeu foi evangelizar toda a Arábia


Meridional, chegando à Índia. Segundo a Tradição da Igreja, foi martirizado na Arábia,
sendo esfolado vivo e depois crucificado de cabeça para baixo. Deu um testemunho com
palavras e com sangue, auxiliando na formação de inúmeras comunidades.
Missão dos Apóstolos – São Matheus

São Matheus é um dos discípulos mais conhecidos da Igreja. Antes de ser


chamado por Cristo, São Matheus era um cobrador de impostos, mas depois de ter seu
encontro com Jesus, largou a vida de riquezas e iniciou uma vida de pobreza.
Após pentecostes, sua missão foi importantíssima para toda a Igreja. Por volta de
65-70, escreveu o evangelho dirigido aos judeus, visando mostrar que, de fato, Jesus
Cristo era o Messias tão esperado por eles. Também foi um grande missionário,
passando pela Judeia, Etiópia e Perséia, ensinando o evangelho e formando
comunidades.

Há várias versões de sua morte:


“Uma tradição antiga recorda que Mateus, como chefe missionário, não teria
comparecido diante dos juízes para dar testemunho. Outras fontes, ao invés,
menos verídicas, difundem-se na narração dos sofrimentos e do martírio de
Mateus, apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias
do santo teriam sido transportadas, primeiro para Paestum, no Golfo de
Salerno, e no século X para Salerno, onde até hoje são honradas.
(SGARBOSSA; GIOVANNINI; 1970).

Missão dos Apóstolos – São Felipe

Felipe nasceu na Betsaida. Apesar de ser um judeu, seu nome vem do grego
“Felipe”. Em todas as listas de apóstolos descritos nos quatro evangelhos, ele se
encontra no quinto lugar, ou seja, um dos apóstolos importantes para a Igreja. Bento
XVI nos narra muito bem como ele foi chamado:

“O quarto Evangelho conta que, depois de ter sido chamado por Jesus, Felipe
se encontra com Natanael e lhe diz: «Esse do qual escreveu Moisés na Lei, e
também os profetas, nós o encontramos: Jesus, o filho de José, o de Nazaré»
(João 1, 45). Ante a resposta mais cética de Natanael -- «De Nazaré pode sair
coisa boa?» --, Felipe não se rende e responde com decisão: «Vem e vê»
(João, 1, 46). Com esta resposta, seca mas clara, Felipe demonstra as
características da autêntica testemunha: não se contenta em apresentar o
anúncio como uma teoria, mas interpela diretamente o interlocutor,
sugerindo-lhe que ele mesmo faça a experiência pessoal do anunciado. Jesus
utiliza esses dois mesmos verbos quando dois discípulos de João Batista se
aproximam d’Ele para perguntar-lhe onde vive: Jesus respondeu: «Vinde e
vede» (cf. João 1, 38-39)”. (BENTO XVI, 2006).
Segundo a Tradição, ele foi pregar na Frígia e na Grécia junto com suas filhas.
Felipe também era casado, como São Pedro e São Bartolomeu. Morreu crucificado de
cabeça para baixo na cidade de Hierápolis, na Grécia, junto com suas filhas que também
foram martirizadas com ele.

Missão dos Apóstolos – São Judas Tadeu

Segundo a tradição, é filho de Alfeu (cléofas), irmão de São José. Sendo assim,
São Judas Tadeu também era primo de Jesus.
A Tradição também afirma que São Judas Tadeu era muito parecido com Jesus
Cristo fisicamente, por isso, suas imagens são semelhantes ao rosto de Jesus. O fogo
sobre a sua cabeça representa a ação do Espírito Santo na sua vida, que iniciou em
Pentecostes.
Não se sabe muito da missão depois de Pentecostes, porém, a maioria dos
historiadores afirmam que São Judas Tadeu teria evangelizado junto com São Simão, o
Zelote. Pregando o evangelho na Pérsia, Mesopotâmia, Arábia, Edessa e Síria. Foi
martirizado junto com São Simão a machadadas. O seu corpo se encontra na Basílica de
São Pedro em Roma. Antes de morrer, teria visto Jesus Cristo o chamando para ir ao
céu, junto com Ele.

Missão dos Apóstolos – São Simão, o Zelote

São Simão, o Zelote, era um rebelde, mas um dos apóstolos mais íntimos de
Jesus, depois de São João. Depois de Pentecostes, teria viajado com Felipe para a
Espanha e a Bretanha. Por fim, teria seguido junto de São Judas Tadeu para a Ásia. O
cronista cristão Hegésipo afirma que “Simon possuía santa obediência no cumprimento
dos preceitos; tristeza em compaixão para com os aflitos; zelo constantemente
trabalhando ardentemente a salvação das almas”. (BENTO XVI, 2006).
Há várias teorias de sua morte. Uma diz que ele teria sido crucificado. Outra,
que ele teria sido queimado vivo. Mas a Igreja afirma que ele teria sido martirizado
junto com São Judas Tadeu, sendo serrado ao meio. Seu corpo também é encontrado em
um altar na Basílica de São Pedro, Roma.

Missão dos Apóstolos – São Matias


Segundo alguns cronistas da época, São Matias era um dos pastores que
testemunhou a Natividade de Cristo, no entanto, não podemos afirmar com certeza.
Sabemos, entretanto, que ele seguiu Jesus desde seu batizado por São João Batista. Ele
foi o apóstolo que ocupou o lugar de Judas Iscariotes, o traidor (Atos 1, 15-26).
Segundo a Tradição, teria evangelizado o Egito, a Etiópia e a Capadócia. Sua
missão foi muito eficaz, convertendo centenas de pessoas e formando inúmeras
comunidades naquela região. Por isso, foi muito perseguido e decapitado na Etiópia.
Suas Relíquias estão na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e em Treves, na
Alemanha, pois a cidade alega ter sido evangelizada por ele.

Missão dos Apóstolos – São Paulo

São Paulo é um dos apóstolos mais importantes da história da Igreja Católica.


Apesar de não fazer parte dos 12 apóstolos, sua missão, seus escritos e os ensinamentos
que ficaram registrados em suas cartas marcam um novo momento na Igreja Católica,
pois fornece as bases de nossa doutrina e da união entre a filosofia antiga grega e o
cristianismo.
São Paulo era conhecido como Saulo de Tarso. A cidade de Tarso, localizada ao
sul da Turquia, próximo da atual Síria, era uma cidade conhecida pela sua tradição e
pelos seus estudiosos. Tarso era uma cidade importante para os gregos. Foi uma das
grandes cidades do período helênico grego, uma cidade portuária e de tamanha
importância ao ponto que, meio século antes de Saulo nascer, nela desembarcou a
jovem Cleópatra.
Segundo o estudo de São Jerônimo, Homens Ilusrtes, São Paulo deriva das
antigas tribos dos Benjamins, uma das 12 tribos (Gn 29-30) divididas por Josué (Josué
13). Era um hebreu de sangue, um judeu-universalista, pois em Tarso havia uma grande
população de judeus, que viviam em bairros “guetos”. Além disso, Saulo também era
um romano, devido ao título jus civitatis, provavelmente comprado pela família de
Saulo. Tais títulos eram fornecidos raramente a pessoas de províncias importantes do
Império Romano ou que eram seus protegidos. Esse direito lhe dava vários privilégios,
como veremos mais adiante, São Paulo se aproveitou desse privilégio. O livro apócrifo,
Atos de Paulo1, nos descreve um pouco como era a fisionomia de São Paulo. Um
homem de “estatura média, baixo, rechonchudo, com pernas tortas, a cabeça calva, as
sobrancelhas espessas e muito juntas, o nariz quadrado”.
São Paulo desde cedo tinha sua vida voltada para os estudos. Queria ser rabino,
por isso vai para Jerusalém em busca deste desejo, já que a maior escola de rabinos
estava na Judeia. Além disso, ele teve contato com a filosofia grega e seguiu dois
filósofos plantonistas, Aretha e Epemênides, conforme cita a obra de Epemênides,
Cretica, na cara de Tito 1, 2.
Porém no ano 36, um evento muda sua vida e aquilo que ele queria ser. Paulo
sofre uma metanoeité, uma conversão, (Atos 9). Essa conversão muda sua história, mas
também muda a história da Igreja e a nossa história como católicos, pois a partir desse
momento, Saulo se tornará Paulo e será o grande arauto do Evangelho, como o chama o
historiador Daniel Rops.
Logo após sua conversão e seu batismo por Ananias, Saulo inicia em Damasco a
sua missão. Com muita humildade, o antigo perseguidor torna-se um evangelizador,
porém muitos cristãos ainda ficam desconfiados de suas palavras, não dando
importância para sua conversão. Além disso, de perseguidor ele se torna perseguido
pelos judeus que ali estavam e esperavam pelo Saulo perseguidor e não pelo Saulo
apaixonado por Cristo. Então Saulo é colocado em um cesto e jogado para o outro lado
da muralha pelos cristãos, pois se Saulo saísse pelos portões da cidade ele seria pego
pelos judeus, que queriam matá-lo.
Saulo fica 40 dias em um retiro no deserto da Arábia, meditando sobre seu novo
chamado. Nesse momento ele muda o seu nome para Paulo e inicia um novo momento
em sua vida. Depois desses 40 dias, Paulo retorna para Damasco e vai para Jerusalém,
onde é apresentado para os 12 Apóstolos. Pedro o acolhe na comunidade cristã e o envia
para missão. Paulo não consegue ficar muito tempo em Jerusalém, pois os fariseus e o
sumo-sacerdote queriam matá-lo.
Saulo foge de Jerusalém para Tarso, onde fica por mais ou menos dois anos,
estudando e meditando o que aconteceu com ele. Por volta do ano 40, Paulo vai para
sua primeira missão, na cidade de Antioquia, onde permanece por dois anos. Nessa
missão, Barnabé será o seu grande irmão, acompanhando-o. Em Antioquia, havia uma

1
Falaremos mais sobre isso, nas aulas sobre o surgimento das Sagradas Escrituras. Mas os livros
apócrifos são condenados peal sua teologia herética contida em muitos deles, mas alguns revelam dados
históricos confirmados pela Tradição da Igreja.
colônia judaica muito grande e, ali, Saulo converterá a grande maioria dos judeus e não
judeus da cidade. Ordenará inúmeros sacerdotes e enviará muitos para missão, como
Simão o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém.
Antioquia com a missão de São Paulo se tornará a segunda grande Igreja2 da
época, ficando atrás apenas de Roma. Depois de quatro anos de missão em Antioquia,
Paulo inicia o que a hagiografia3 chamará de as três grandes viagens missionárias de
São Paulo.

As três grandes viagens missionárias de São Paulo.


Primeira Viagem

2
Igreja aqui significa diocese. Chamamos de Igreja, as Igrejas de Jerusalém, Antioquia, Roma, entre
outras, pois o nome “diocese” não foi atribuído para este fim geográfico dentro da Igreja Católica
Primitiva neste período.
3
Termo historiográfico, usado para estudos de santos.
Segunda Viagem

Terceira Viagem
Em sua última viagem, São Paulo vai para Jerusalém pregar o evangelho nos
lugares públicos judaicos e acaba sendo preso e levado à Roma, por volta do ano 61-62.
Em Roma permaneceu retido em uma prisão domiciliar até o ano 64, quando foi
libertado por um tribunal romano pelo seu título de jus civitatis.
Contudo, no ano 67, acaba sendo preso novamente e, nesse período, quem
comandava o Império Romano e que estava perseguindo fortemente os cristãos era
Nero. Nesse mesmo ano, Paulo é decapitado, se tornando mais um mártir para Cristo.
“Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (II Tm 4, 7).

Missão dos Apóstolos – São Pedro

São Pedro, como lemos anteriormente, logo após o evento de Pentecostes, foi
para a Samaria com Felipe. Depois, seguiu para Antioquia, onde auxiliou na formação
da grande comunidade local. Em seguida, passou rapidamente pelo Pondo, Capadócia,
Bitínia e Macedônia, chegando até seu grande objetivo que era Roma.
De Roma, Pedro saiu poucas vezes, uma delas foi no ano 50 para a reunião dos
apóstolos, na qual decidiram evangelizar todos os povos sem distinção. Essa reunião
ficou conhecida como Concílio de Jerusalém.
Segundo a Tradição da Igreja Católica, São Pedro permaneceu em Roma por
volta de 20 anos. E no ano 67, junto de São Paulo, foi preso por Nero e morto, sendo
crucificado de cabeça para baixo. Sua morte ocorreu no Circo de Nero, atualmente
localizado no Vaticano.

Resultados da Missão dos Apóstolos, segundo a Acta Potificium:

• Europa:
• A Itália – Igreja de Roma, Óstia, Putéoli, Napoles, Ravena, Milão,
Verona e Aquiléia
• As Galias – França. Quem teria Evangelizado – Lázaro, Maria Madalena
e Marta ou Crescente discípulo de Paulo (Tm 4,10). Havia 54 Bispos
• Espanha. 19 Bispos e 34 prespitérios
• Gêrmanicas – Colônia, Treves e Mogúncia, próximos aos rios Reno e
Danúbio, quem evangelizou foi Tito.
• Britânia – York, Londres e Lincoln.
• África:
• Havia mais de 90 bispos no Norte da África, segundo Tertuliano
• Egito - Igrejas em Alexandria, Tebaita e Líbia

• Ásia:
• Palestina: Jerusalém e Cesárea.
• Arábia: Evangelizada por São Paulo e depois Panteno. No ano 240 já
estava totalmente organizada
• Índia: Evangelizada por São Tomé e Panteno, vai ser uma comunidade
pequena
• Síria: a Igreja da Antioquia
• Ásia Menor: Capital era Éfaso, depois o Ponto – Comunidades fundadas
por São Paulo.
• Armênia: Evangelizada por Dionísio, converte o rei Tiridates no ano 322
• Mesopotâmia: Havia 17 bispos
• Pérsia: Evangelizada por São Tomé, dados históricos do século VI

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