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Retiro Paroquial

OFÍCIO DA
MANHÃ
OFÍCIO DA MANHÃ
• VEM Ó DEUS DA VIDA, VEM NOS AJUDAR! (BIS)
VEM, NÃO DEMORES MAIS EM NOS LIBERTAR! (BIS)
GLÓRIA AO PAI, AO FILHO E AO SANTO ESPÍRITO! (BIS)
GLÓRIA À TRINDADE SANTA, GLÓRIA AO DEUS BENDITO. (BIS)
ALELUIA IRMÃS! ALELUIA IRMÃOS! (BIS)
NOSSO SENHOR VEM VINDO A DEUS LOUVAÇÃO! (BIS)
DE PÉ VIGILANTES LÂMPADAS NAS MÃOS! (BIS)
ELE JÁ ESTÁ BEM PERTO NOSSA SALVAÇÃO! (BIS)
RECORDAÇÃO DA VIDA
Já chegou o tempo, o Senhor vem vindo. A ele
preparemos nosso coração e entreguemos o
louvor da nossa vida, no início deste dia. O
advento é um tempo de despertar para a
possibilidade de abrir caminhos no deserto.
Coloque nas mãos de Deus o seu dia, recorde no
coração as pessoas que estão precisando de luz,
de força... Oremos de todo coração,
apresentemos a Deus o nosso louvor. Juntemos
nossa voz ao canto de todo o universo, para
cantar a Deus o nosso hino. Que venha o seu
reino!
HINO

Oh! Vem, Senhor, não tardes mais,


Vem saciar nossa sede de paz!
1. Oh! Vem, como chega a brisa do vento
Trazendo aos pobres justiça e bom tempo!
2. Oh! Vem, como chega a chuva no chão
Trazendo fartura de vida e de pão!
3. Oh! Vem, como chega a luz que faltou
Só tua palavra nos salva, Senhor!
4. Oh! Vem, como chega a carta querida
Bendito carteiro do reino da vida!
5. Oh! Vem, como chega o filho esperado
Caminha conosco, Jesus bem-amado!
6. Oh! Vem, como chega o libertador
Das mãos do inimigo, nos salva, Senhor!
SALMO 147 2. Sua Palavra envia, / corre
Vem, vou te mostrar a noiva, a esposa do veloz sua voz. / Da névoa
Cordeiro (Apocalipse 21,9).
desce o véu, / unindo a
Jerusalém, Povo de Deus, terra e o céu; / as nuvens se
Igreja santa, levanta e vai, desmancham, o vento
sobe as montanhas, ergue o
olhar: Lá no oriente sopra e avança.
desponta o sol da alegria, 3. Ao povo revelou /
que vem de Deus aos filhos palavras de amor. / A sua Lei
teus: eis o teu dia!
nos deu / e o Mandamento
1. Louva, Jerusalém, / louva seu; / com ninguém fez as
o Senhor teu Deus: / tuas
im, /amou até o fim.
portas reforçou, / e os teus
abençoou; / te cumulou de 4. Ao Deus do céu louvemos
paz, / e o trigo em flor te / e ao que vem, cantemos; /
traz! e ao Divino, então, a nossa
louvação!
Pai Nosso...
Dá, ó Senhor, às Igrejas cristãs, a
unidade visível. T: Que nós sejamos
um para que o mundo creia.
Pai nosso...

Oração

Ó Deus, promessa de paz, dá-nos


esperar solícitos a vinda de Jesus
Cristo, nosso salvador. Que ele, ao
chegar, nos encontre vigilantes na
escuta da Palavra, na oração e no
amor fraterno a serviço do teu reino.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
BÊNÇÃO

O Deus da paz nos mantenha


vigilantes em seu amor até o dia da
vinda do nosso Salvador Jesus Cristo.
Amém!
- Abençoe-nos, o Pai e o Filho e o
Espírito Santo. Amém.
- Louvado seja nosso Senhor Jesus
Cristo.
Para sempre seja louvado.
Lá vem ele, trazendo
a salvação!"

Tudo na vida requer preparo. Há


pessoas que se preparam uma vida
inteira para se casar. Outros, ainda,
se preparam, treinando arduamente
para vencer uma competição espor-
tiva. A preparação exige esforço e
mudança; além disso, é um treino
que antecipa o acontecimento. Uma
espécie de ensaio, em que já se
antevê a cena. Como alguém que já
se alegra na arrumação da casa para
a chegada de uma pessoa amada.
Toda preparação envolve uma
espera. São tantas as esperas da
vida humana! Há pessoas
esperando outras na rodoviária...
Esperando o sol para estender
roupa, esperando a chuva para
plantar. Há pessoas esperando na
fila de emprego, esperando na fila
dos hospitais, esperando tempos
melhores. Idosos esquecidos
esperam receber uma atenção
maior dos jovens. Doentes nos
hospitais esperam ficar bons logo,
para poder voltar para casa. Ricos
esperando ser felizes no sufoco da
abundância e na solidão do poder.
Está todo mundo esperando. É de
tanta esperança que se faz o
humano. Somos feitos disto:
desejo, súplica, anseio, esperança.
No fundo, no fundo, temos
uma lacuna que nos faz
gemer para o Eterno
pedido de ajuda:

"Vem, Senhor, nos salvar!


Vem, sem demora, nos dar
a paz!".
É assim mesmo esse tempo que se
aproxima: no Advento, uma espera,
um desejo uma abertura. Como a flor
que se abre para a visita da borboleta,
o copo na mão pedindo água, uma
jarra solitária à espera da rosa. Eis
que chega e se realiza o sonho. O sol
trouxe luz e calor, do céu desceu a
chuva para molhar a terra seca e o
silêncio tem o anuncia que tem
alguém no berço que estava vazio.
Natal se faz. E, para todos que se
achegam, curiosos com a novidade,
um anúncio. Olhos arregalados e
brilhantes falam, propagam, divulgam
essa boa notícia. Epifania: divulgação
que faz sair para aquele que está
enrolado em paninhos. Tudo para
mostrar um grande sinal, um
estrondoso acontecimento: Deus se
fez gente!
Neste Retiro do Advento,
somos convidados a
mergulhar na mística da
encarnação, pois o
nascimento de Jesus em
Belém de Judá já inaugura
a plenitude dos tempos,
em que se realiza o
mistério da Salvação
humana. Esta esperança
foi alimentada desde a
promessa de Deus a
Abraão até se completar
no mistério de sua Paixão,
Morte e Ressurreição.
Salvação que
culminará na
plenitude no céu,
quando Ele vier como
Senhor e Juiz da
história, pois “Aquele”
que assumiu a nossa
humanidade, nos fez
participantes de sua
divindade, que será
manifestada em todo
o seu esplendor no dia
final.
Assim a mística deste
tempo faz brotar um
profundo sentimento
de alegria e paz, pois
este é um tempo em
que afloram as
disposições de
reconciliação entre as
pessoas e destas com
Deus, o empenho
solidário em fazer
acontecer um mundo
novo, onde não haja
necessitados, onde a
justiça e a paz
possam se abraçar.
A origem do Natal, da
Epifania e do Advento
Tudo começou com o domingo. Os
cristãos se reuniam no dia do Senhor.
Um dia tão importante que guardava
em si (e ainda guarda!) todos os
aspectos da vida cristã. É como diz a
música: dia de reza, de festa, de ceia,
de entrega, de espera... O domingo
ficou sendo, em todos os tempos, o
dia mais importante da semana para
os cristãos. Muito tempo se passou e,
como, uma célula embrionária, dele
foram nascendo outras
comemorações, como por exemplo, a
comemoração anual da Páscoa.
Outras festas foram-se acoplando a
essa comemoração única e
compondo, num processo longo e até
complicado, o que entendemos hoje
por ano litúrgico. Dentro desse
cenário, por volta do século IV nasceu
a comemoração do Natal. Foi assim...
Uma origem pagã
O imperador de Roma, Aureliano,
lá pelo século, oficializou a festa
pagã do culto ao Sol. Era uma
maneira de combater o
cristianismo, que, como se sabe,
ainda não era bem aceito. A
grande festa desse culto pagão era
feita no dia 25 de dezembro, por
causa de um fenômeno natural
conhecido como solstício de
inverno. O que acontecia era o
seguinte: os dias ficavam curtos e
as noites, longas, e o sol quase
desaparecia no céu. Nessa data, no
entanto, o sol voltava a aparecer, e
os dias voltavam a ficar mais
longos e as noites, mais curtas. A
luz vencia as trevas. Os pagãos
davam o seguinte nome para essa
festa: Nata/is (solis) invicti, ou seja,
"O nascimento do sol invencível".
A Igreja em Roma, para afastar os
fiéis das festas pagãs, deu um
significado novo para essas
comemorações: o verdadeiro Sol
Invencível é Jesus. É ele o Sol
Nascente que veio visitar o seu
povo (Lc 1, 78). Foi ele quem
venceu a noite escura da morte
com sua ressurreição! Junte-se a
isso o fato de que, na mesma
época, a Igreja lutava contra as
falsas doutrinas sobre Jesus.
Havia pessoas dizendo que Jesus
não era Deus, ou que a natureza
divina de Jesus absorvia a
natureza humana. Outros ainda
diziam que as duas naturezas
eram confusas.
Essas falsas doutrinas
(heresias) exigiram da Igreja
formulações rápidas e precisas
sobre essa grande questão de
fé: Deus se fez humano para
nos salvar. Essa resposta veio
nos famosos Concílios de
Nicéia, Constantinopla, Éfeso e
Calcedônia, que cuidaram de
assegurar a fé na encarnação
do Verbo. A festa do Natal
também serviu de base para
difundir a verdadeira doutrina
sobre a divindade e a
humanidade de Jesus Cristo.
No Oriente foi igual, mas diferente...
No Oriente se deu um processo semelhante, mas anterior ao do Natal no
Ocidente. A festa da Epifania (palavra que quer dizer manifestação), no dia
06 de janeiro, também estava relacionada à festa pagã de adoração ao
astro solar. No entanto, com o encontro das duas festas de Natal e
Epifania, a segunda assume no Oriente um caráter mais batismal. Isso se
deu também porque entre os pagãos que cultuavam o sol, acreditava-se
no poder milagroso das águas. Por isso, em algumas Igrejas orientais, a
festa da epifania está também associada ao batismo do Senhor e ao
milagre de Caná.
Nota-se que a temática do nascimento está estreitamente
vinculada a estas festas do Natal e da Epifania. Seja o nascimento
do verdadeiro Sol Invencível, Jesus Cristo, Deus encarnado, seja o
nascimento dos cristãos pelo batismo. Com o nascimento do ano-
novo civil, as festas natalinas encontram terreno fértil para a
vivência de um tempo novo, marcado pela presença do Deus
nascido em Belém, notícia sempre nova e atual para os homens e
as mulheres de todos os tempos.
Advento: uma preparação para esses festejos

O tempo do Advento nasce no Ocidente como uma preparação para o


Natal. Sua origem é diversificada, tendo em cada região (Espanha, França,
Itália) uma maneira própria de preparação para o Natal. No Oriente não se
observa um processo semelhante. No rito sírio, celebram-se as cinco (ou
quatro, conforme a região) semanas das anunciações e, no rito bizantino,
comemora-se a memória dos patriarcas do Antigo Testamento, no
domingo precedente ao Natal.
As primeiras noticias do Advento no Ocidente vêm da Espanha e da França
(Gália). Na Espanha, já no século IV, por influência do Oriente, o Advento aparece
com um aspecto ascético (ascese: prática relativa aos jejuns e orações) em vista
do batismo na festa da Epifania. Também na França (século V) se fala em jejum
como meio de preparação para o Natal. Isso se dava durante a quaresma de São
Martinho, que se iniciava no dia 11 de novembro. É na Itália, entretanto, que
aparece testemunhos do tempo do Advento mais ligado ao mistério do
nascimento do Senhor. Nesta tradição, oriunda de Ravena, o aspecto ascético
penitencial dá lugar ao sentido teológico e espiritual do tempo da espera, o
Advento.
Tanto o aspecto escatológico, que tem a ver com os acontecimentos
últimos e derradeiros da vida e que se refere à segunda vinda de Cristo,
quanto o aspecto histórico, da encarnação do Verbo na primeira vinda,
estão presentes em todo esse percurso histórico do Advento. A reforma
do Concílio Vaticano II tratou de considerar a ambos, associando os dois
primeiros domingos à segunda vinda, em continuidade ao ano litúrgico
que findou e os dois últimos domingos do Advento associados à primeira
vinda do Senhor, celebrada no Natal.
Introdução
A palavra “advento” quer dizer “que está para vir”. O
tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de
forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo
de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes,
preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais
próximo do dia 30 de novembro e vai até as
primeiras vésperas do Natal de Jesus, contando
quatro domingos. Esse tempo tem duas
características: as duas últimas semanas, dos dias 17
a 24 de dezembro, visam, em especial, à preparação
para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus
entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa
expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e
gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da
história, no final dos tempos. Por isso, o Tempo do
Advento é um tempo de piedosa e alegre
expectativa.
Só após a reforma litúrgica é
que o Advento passou a ser
celebrado nos seus dois
aspectos: a vinda definitiva do
Senhor e a preparação para o
Natal, mantendo a tradição das
quatro semanas. A Igreja
entendeu que não podia
celebrar a liturgia sem levar em
consideração a sua essencial
dimensão escatológica.
Sentido do Advento
Podemos tomar como ponto de
partida a palavra “advento”. Esse
termo não significa “espera”, como
poderia se supor, mas é a tradução
da palavra grega “parusia”, que
significa “presença”, ou melhor,
“chegada”, quer dizer, presença
começada. Na Antiguidade, era
usado para designar a presença de
um rei ou senhor, ou também do
deus ao qual se presta culto e que
presenteia seus fiéis no tempo de
sua “parusia”, chegada. Ou seja, o
Advento significa a presença
começada do próprio Deus.
O Advento significa a presença
começada do próprio Deus. Por isso,
recorda-nos duas coisas: primeiro, que
a presença de Deus no mundo já
começou, e que Ele já está presente;
em segundo lugar, que essa presença
de Deus acaba de começar, ainda que
não seja total, mas está em processo
de crescimento e amadurecimento.
Sua presença já começou, e somos
nós, os crentes, que, por sua vontade,
devemos fazê-lo presente no mundo. É
por meio de nossa fé, esperança e
amor que ele quer fazer brilhar a luz
continuamente na noite do mundo. A
luz de Cristo quer iluminar a noite do
mundo através da luz que somos nós;
sua presença já iniciada deve seguir
crescendo por meio de nós
A celebração do
Advento é, portanto,
um meio precioso e
indispensável para
nos ensinar sobre o
mistério da salvação
e assim termos a
Jesus como
referência e
fundamento,
dispondo-nos a
“perder” a vida em
favor do anúncio e
instalação do Reino.
Espiritualidade do Advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a
reviver alguns dos valores essenciais
cristãos, como a alegria expectante e
vigilante, a esperança, a pobreza, a
conversão. Deus é fiel a suas
promessas: o Salvador virá; daí a
alegre expectativa, que deve, neste
tempo, não só ser lembrada, mas
vivida, pois aquilo que se espera
acontecerá com certeza. Portanto, não
se está diante de algo irreal, fictício,
passado, mas diante de uma realidade
concreta e atual.
A esperança da Igreja é a esperança de
Israel já realizada em Cristo, mas que
só se consumará definitivamente na
parusia do Senhor. Por isso, o brado da
Igreja característico neste tempo é

“Marana tha”!
Vem Senhor Jesus!
O tempo de Cristo é o tempo da
salvação.
O Advento apresenta-nos a figura
de Cristo na perspectiva da
história da salvação, anterior e
posterior à Encarnação:

"Ele veio realizar o eterno


desígnio do vosso amor e abrir-
nos o caminho da salvação; de
novo há-de vir, no esplendor da
sua glória" (Pref. I Adv.).
O tempo de Cristo é o tempo dos
que Deus associou a Cristo na
esperança da sua vinda e no
acolhimento à sua humanidade.
O Advento recorda e faz
memória de todas essas figuras
proféticas para aprofundar o
mistério de Cristo na mensagem
e na vida daqueles que
prepararam Israel para a vinda de
Cristo e agora preparam a Igreja
para o encontro definitivo com
Cristo.
As figuras do Advento
Isaías – É o profeta que, durante os
tempos difíceis do exílio do povo
eleito, levava a consolação e a
esperança. Na segunda parte do seu
livro, dos capítulos 40-55 (Livro da
Consolação), anuncia a libertação,
fala de um novo e glorioso êxodo e
da criação de uma nova Jerusalém,
reanimando assim, os exilados. As
principais passagens deste livro são
proclamadas durante o tempo do
Advento num anúncio perene de
esperança para os homens de todos
os tempos.
João Batista – É o último dos profetas
e segundo o próprio Jesus, “mais que
um profeta”, “o maior entre os que
nasceram de mulher”, o mensageiro
que veio diante d’Ele a fim de lhe
preparar o caminho, anunciando a sua
vinda (cf. Lc 7,26-28), pregando aos
povos a conversão, pelo
conhecimento da salvação e perdão
dos pecados (Lc 1,76s).
A figura de João Batista ao ser o
precursor do Senhor e apontá-lo como
presença já estabelecida no meio do
povo, encarna todo o espírito do
Advento; por isso ele ocupa um
grande espaço na liturgia desse
tempo, em especial no segundo e no
terceiro domingo. João Batista é o
modelo dos que são consagrados a
Deus e que, no mundo de hoje, são
chamados a também serem profetas e
profecias do reino, vozes no deserto e
caminho que sinaliza para o Senhor,
permitindo, na própria vida, o
crescimento de Jesus e a diminuição
de si mesmo, levando, por sua vez os
homens a despertarem do torpor do
pecado.
Maria – Não há melhor maneira de se
viver o Advento que se unindo a Maria
como mãe, grávida de Jesus, esperando
o seu nascimento. Assim como Deus
precisou do sim de Maria, hoje, Ele
também precisa do nosso sim para
poder nascer e se manifestar no
mundo; assim como Maria se
“preparou” para o nascimento de Jesus,
a começar pela renúncia e mudança de
seus planos pessoais para sua vida
inteira, nós precisamos nos preparar
para vivenciar o Seu nascimento em nós
mesmos e no mundo, também numa
disposição de “Faça-se em mim
segundo sua Palavra” (Lc 1,38),
permitindo uma conversão do nosso
modo de pensar, da nossa mentalidade,
no nosso modo de viver, agir, etc.
Em Maria encontramos se
realizando, a expectativa
messiânica de todo o Antigo
Testamento.
José – Nos textos bíblicos do
Advento, se destaca José, esposo de
Maria, o homem justo e humilde que
aceita a missão de ser o pai adotivo
de Jesus. Ao ser da descendência de
Davi e pai legal de Jesus, José tem
um lugar especial na encarnação,
permitindo que se cumpra em Jesus
o título messiânico de “Filho de
Davi”.
José é justo por causa de sua fé,
modelo de fé dos que querem entrar
em diálogo e comunhão com Deus.
A liturgia destaca
algumas pessoas
pelo lugar que
ocupam na vida de
Cristo: Zacarias,
Isabel, João
Baptista, José e
Maria. Eles
tornaram presente
a Igreja na fé e no
amor para com o
mistério da
condescendência
de Deus feito
Homem.
O tempo de Cristo é o tempo
da longa espera de Israel,
figura da espera da Igreja no
retorno de Cristo.
O Advento é um tempo
suficientemente longo para
reviver a esperança de Israel e
celebrar os mistérios da fé
que são objeto da esperança
cristã
Como Israel, esperamos, e como
Igreja, celebramos o "já " presente na
história e no sacramento e o "ainda
não" vindo de novo.
O Advento é o tempo de Cristo
constituído por Deus:
• Sabedoria do Altíssimo (cf. Ant.
Magnif. 17 Dez.)
• Chefe da Casa da Israel (cf. Ant.
Magnif. 18 Dez)
• Rebento da Raiz de Jessé (cf. Ant.
Magnif. 19 Dez)
• Chave da Casa de David (cf. Ant.
Magnif. 20 Dez)
• Sol Nascente (cf. Ant. Magnif. 21
Dez)
• Rei das nações e Pedra angular (cf.
Ant. Magnif. 22 Dez)
• Emanuel (cf. Ant. Magnif. 23 Dez)
O tempo de Cristo é o
tempo da humanização
de Deus e da
divinização do homem
realizadas em Cristo,
Deus eterno e Homem
novo.
A liturgia do Advento
celebra este mistério,
particularmente na
Missa que o torna
presente e na Liturgia
das Horas que o evoca e
contempla.
O ADVENTO, TEMPO
DO ESPÍRITO SANTO

O Advento é tempo do
Espírito Santo. A liturgia
celebra e evoca a vinda do
Espírito Santo sobre Maria e
sobre a Igreja.
O Advento de Cristo é
precedido pelo advento
do Espírito: aos dois
adventos de Cristo, na
primeira e na segunda
vinda, correspondem
outros dois adventos do
Espírito.
O mesmo Espírito que
precedeu a primeira
vinda e esteve na origem
da Encarnação, precede
igualmente a segunda
vinda e está na origem
dos sacramentos da
humanização de Deus e
da divinização do
homem. A liturgia do
Advento é à maneira do
Espírito Santo:
"Pela Anunciação do
Anjo quisestes que a
Virgem Imaculada Se
tornasse Mãe do vosso
Verbo, e, envolvida na
luz do Espírito Santo,
fosse consagrada templo
da divindade " (Col. 20
Dez).

"Estes dons colocados sobre


o vosso altar sejam
santificados pelo mesmo
Espírito que fecundou
com sua virtude o seio da
Bem-aventurada Virgem
Maria" (Sob. IV Dom.
Adv).
A estrutura do Advento
na sua dupla
característica de preparar
o Natal em ordem à
segunda vinda,
corresponde ao tempo da
ação do Espírito Santo
que preparou em Maria
um lugar para Deus
encarnar e continua a
preparar na Igreja um
espaço para a divinização
do homem, até se
completar a obra da
redenção.
A liturgia do Advento
harmoniza, desde o
primeiro ao último dia, as
diferentes atividades do
Espírito Santo na história
e nos sacramentos, na
vida de Cristo e na vida
da Igreja
Assim, o Espírito Santo é
apresentado pela liturgia do
Advento como o verdadeiro
e o grande Precursor de
Cristo na primeira e na
segunda vinda. Veio adiante
na Encarnação, descendo
sobre Maria para gerar a
Deus segundo a carne, vem
adiante nos sacramentos da
Igreja, descendo sobre
quem é invocado para fazer
nascer Deus nas pessoas e
nas coisas consagradas, e
vem adiante na presença
contínua nos fiéis que sob a
moção do mesmo Espírito
Santo clamam: Vinde,
Senhor Jesus.
PRIMEIRA
CONTEMPLAÇÃO
O ADVENTO, TEMPO
MARIANO

O Advento é o tempo
mariano por excelência,
no decurso do ano
litúrgico. A memória
litúrgica mais antiga da
Virgem Maria nasceu com
a leitura do Evangelho da
Anunciação no Domingo
anterior ao Natal, que deu
origem à denominação de
domingo mariano pré-
natalício.
Desde o início do Advento,
sobretudo na Liturgia das Horas, a
Igreja evoca a memória da Virgem
Maria que acolheu o mistério de
Deus:

• acreditando,
• concebendo,
• esperando e
• dando à luz.
8 DE DEZEMBRO

SOLENIDADE
DA
IMACULADA Mas, é, sobretudo na solenidade da
Imaculada Conceição, a 8 de Dezembro,
CONCEIÇÃO nos dias 17 a 24 e no domingo que
precede o Natal, que os elementos
marianos presentes na liturgia fazem do
Advento um tempo mariano. A
Imaculada Conceição remonta aos
séculos VII-VIII, tem o seu lugar próprio
no Advento de preparação para o Natal.
A Virgem Maria: é o
lugar e o tempo do
advento de Cristo na
sua primeira vinda,
visita e estadia entre
os homens.
Imaculada Conceição
da Virgem Maria,
Deus preservou-A de
toda a mancha em
atenção aos méritos
futuros da morte de
Cristo (cf. Col. 8 Dez).
"‘No seio da Bem-aventurada
Virgem Maria quisestes
realizar o grande mistério da
Encarnação do Verbo" (Col. 17
Dez).
"Pela Anunciação do Anjo quisestes
que a Virgem Imaculada se
tornasse Mãe do vosso Verbo, e,
envolvida na luz do Espírito Santo,
fosse consagrada templo da
divindade, ajudai-nos a ser
humildes como Ela" (Col. 20 Dez).
"Ao aproximar-se o nascimento de
vosso Filho em nossa carne
mortal, fazei-nos sentir a
abundância da vossa
misericórdia, que O fez encarnar
no seio da Virgem Maria e habitar
entre nós" (Col. 23 Dez).
"Pela Anunciação do Anjo
conhecemos a Encarnação de
Cristo, pela sua Paixão e morte
na Cruz alcancemos a glória
da Ressurreição" (Col. IV Dom.
Adv.).
E o mais típico texto mariano-
eucarístico:
"Estes dons colocados sobre o
vosso altar sejam santificados
pelo mesmo Espírito que
fecundou com sua virtude o
seio da Bem-aventurada
Virgem Maria" (Sob. IV Dom.
Adv).
O IV Domingo do Advento é o
domingo mais mariano de todo
o ano litúrgico. Maria ocupa na
liturgia o lugar que Deus lhe
reservou na história da
salvação e no mistério de
Cristo que a Igreja vai
celebrando. A liturgia dirige-se
para Cristo e sua Encarnação,
mas tudo passa por Maria, que
Deus concedeu por Mãe ao seu
Filho e à Igreja. A presença de
Maria neste domingo é
descrita, sobretudo, nas
leituras bíblicas e nas orações:
A liturgia do Advento
apresenta a figura de Maria
com os títulos bíblicos que são
dom de Deus à Igreja:
• Cheia de graça e bendita
entre as mulheres
• Virgem e esposa de José
• Serva do Senhor
• Mulher nova e nova Eva
• Filha de Sião
• Virgem do sim, da
fecundidade, da escuta e do
acolhimento.
Na sua exemplaridade para a
Igreja, Maria é plenamente a
Virgem do Advento na dupla
dimensão que a liturgia tem
sempre na sua memória:
presença e exemplaridade.
Presença litúrgica na palavra e
na oração, para uma memória
grata d’Aquela que transformou
a espera em presença, a
promessa em dom. Memória de
exemplaridade para uma Igreja
que quer viver como Maria a
nova presença de Cristo, com o
Advento e o Natal no mundo de
hoje.
Na feliz subordinação de Maria a
Cristo e na necessária união com o
mistério da Igreja, Advento é o
tempo da Filha de Sião, Virgem da
espera que no "fiat" antecipa o
Marana-thá da Esposa; como Mãe
do Verbo Encarnado, humanidade
cúmplice de Deus, tornou possível
o seu ingresso definitivo, no mundo
e na história do homem.
A atitude de Maria perante a
primeira vinda torna-se
modelo da atitude da Igreja
perante a segunda vinda:

• "Eis a serva do Senhor, faça-


se em Mim segunda a tua
palavra" (Lc 1,38).
• "vigilantes na fé, ousamos
esperar" (Pref. I Adv.); e
• "vigilantes na oração e
celebrando os seus louvores"
(Pref. II Adv.).
SEGUNDA CONTEMPLAÇÃO
ADVENTO, TEMPO DA
IGREJA MISSIONÁRIA E
PEREGRINA

A liturgia do Advento
coloca a Igreja num
tempo de características
expressões espirituais:
• de espera,
• de esperança e
• de oração pela salvação
de todos os homens.
A preparação para o Natal
passa: pela escuta dos
profetas, que anunciaram a
vinda do Messias, e pela
vida e oração dos que
esperaram essa vinda.
O Advento da Igreja é um
verdadeiro tempo de
advento bíblico, porque as
profecias ainda se
encontram em realização.
As esperanças de Israel
realizaram-se na primeira
vinda, mas as promessas
feitas por ocasião da primeira
vinda, e que estão na origem
da esperança da Igreja, só
estarão acabadas por ocasião
da segunda vinda.
O atual advento serve para
colocar a Igreja numa atitude
de espera em relação aos
benefícios do segundo
advento, mas gozando já dos
benefícios do primeiro.
No Advento a Igreja
aprofunda a sua missão de
anunciadora do Messias a
todos os povos. A Igreja deve
anunciar a Boa Nova da
salvação e celebrar os
mistérios do advento do
único salvador dos homens.
No Advento a Igreja exercita
a sua missão e a sua vocação
de peregrina a caminho dum
mundo novo.
A Igreja, mediante a
atividade própria do Advento
torna-se sacramento de Deus
para os homens e advento de
Cristo a conduzir os homens
para Deus. Isto, que é próprio
do Advento, acontece em
cada celebração eucarística,
quando a Igreja se coloca em
atitude de advento
"aguardando, em jubilosa
esperança, a última vinda de
Cristo Salvador" (Oração que
segue o Pai Nosso na Missa).
O Advento surgiu na Igreja como
uma necessidade pastoral de
evangelização e de celebração do
advento de Cristo. O primeiro
advento foi precedido duma intensa
atividade profética e litúrgica na
pregação e no batismo de
penitência administrados por João
Batista.
A última vinda de Cristo e a
celebração anual do seu Natal
devem ser precedidas duma intensa
atividade eclesial. A Igreja
desempenha a missão de
precursora do Messias que Deus
enviou aos homens e que estes
procuram sem O conhecer.
O Advento anuncia o advento do
reino de Deus e mostra-O já
presente nas celebrações e na
vida.
A ação profética da Igreja
contrasta com a cultura, a
política e a própria religião e é
incômoda para as instituições
humanas que carecem daquela
conversão de vida que o
Advento reclama.
No Advento devemos
valorizar:

• o dinamismo profético
das celebrações,
• o carácter jubiloso da
primeira e segunda vinda
de Cristo e
• a tensão dos
sacramentos da Igreja
para o fim dos tempos .
Todos os sacramentos
celebrados no tempo
do Advento devem
estar marcados pela
espiritualidade do
Advento. Este
introduz os fiéis no
mistério da
Encarnação mediante
celebrações que
humanizam a Deus e
divinizam os homens.
O poder econômico
pretende transformar o
Advento num período de
louco consumismo e grave
atentado à dignidade da
pessoa humana que Cristo
veio salvar e que o Natal
proclama.
Os fiéis são convidados a uma sobriedade de vida de acordo
com a fé na Encarnação e com as implicações da mesma na vida
humana.
O tempo do Advento é tempo de esperança, porque Cristo é a
nossa esperança (1Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as
coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na
vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das
dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc
O Advento também é tempo propício à
conversão. Sem um retorno de todo o ser
a Cristo, não há como viver a alegria e a
esperança na expectativa da sua vinda. É
necessário que “preparemos o caminho
do Senhor” nas nossas próprias vidas,
“lutando até o sangue” contra o pecado,
por meio de uma maior disposição para a
oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos
questionar e aprofundar a
vivência da pobreza. Não
pobreza econômica, mas
principalmente aquela que
leva a confiar, abandonar-se e
depender inteiramente de
Deus (e não dos bens
terrenos), que tem n’Ele a
única riqueza, a única
esperança e que conduz à
verdadeira humildade,
mansidão e posse do Reino
Advento é tempo de voltar-nos para o Deus que nos ama e
que está bem perto de nós. É tempo da fé nas coisas novas,
no novo céu e nova terra onde habita a justiça e a paz. É
tempo de limpeza e arrependimento, de opção por uma vida
saudável em que sobra espaço para a solidariedade, a
verdade, a paz e a comunhão. É tempo da construção da
esperança e da vida comunitária que rompem os nossos
limites e entendimento. É tempo de alegria, de festejar o
amor de Deus por nós.
A liturgia do advento, com o
seu realismo e os seus
conteúdos, põe a Igreja num
tempo de características e
expressões espirituais: a
espera, a esperança, a oração
pela salvação universal.
Preparando-nos para a festa de Natal,
pensamos nos justos do AT que
esperaram a primeira vinda do
Messias. Lemos os oráculos dos seus
profetas, cantamos seus salmos e
recitamos suas orações. Mas não
fazemos isto pondo-nos em seu lugar
como se o Messias ainda não tivesse
vindo, mas para apreciar melhor o
dom da salvação que nos trouxe. O
Advento para nós é um tempo real.
Podemos recitar com toda verdade a
oração dos justos do AT e esperar o
cumprimento das profecias porque
estas ainda não se realizaram
plenamente; cumprir-se-ão com a
segunda vinda do Senhor. Devemos
esperar e preparar esta última vinda.
No realismo do Advento podemos
recolher algumas atualizações para
a oração litúrgica e participação da
comunidade:

– A Igreja ora por um Advento


pleno e definitivo, por uma vinda
de Cristo para todos os povos da
terra que ainda não conheceram o
Messias ou não reconhecem ainda
o único Salvador.
– A Igreja recupera no Advento a
sua missão de anúncio do Messias
a todas as gentes e a consciência
de ser "reserva de esperança" para
toda a humanidade, com a
afirmação de que a salvação
definitiva do mundo deve vir de
Cristo com a sua definitiva
presença escatológica.
– Num mundo marcado por guerras
e contrastes, as experiências do
povo de Israel e as esperas
messiânicas, as imagens utópicas
da paz e da concórdia, tornam-se
reais na história da Igreja de hoje
que possui a atual "profecia" do
Messias Libertador.
– Na renovada consciência de que
Deus não desdiz as suas promessas
– confirma-o o Natal! – a Igreja
através do Advento renova a sua
missão escatológica para o mundo,
exercita a sua esperança, projeta
todos os homens um futuro
messiânico do qual o Natal é
primícia e confirmação preciosa.

À luz do mistério de Maria, a


Virgem do Advento, a Igreja vive
neste tempo litúrgico a experiência
de ser agora "como uma Maria
histórica" que possui e dá aos
homens a presença e a graça do
Salvador.
A espiritualidade do Advento
resulta assim uma espiritualidade
comprometida, um esforço feito
pela comunidade para recuperar a
consciência de ser Igreja para o
mundo, reserva de esperança e de
gozo. Mais ainda, de ser Igreja para
Cristo, Esposa vigilante na oração e
exultante no louvor do Senhor que
vem.
TERCEIRA
CONTEMPLAÇÃO
Esquema da liturgia do
Advento
O Advento deve ser
celebrado com sobriedade e
com discreta alegria. Não se
canta o Glória, para que, na
festa do Natal, nós nos
unamos aos anjos e
entoemos esse hino como
algo novo, dando glória a
Deus pela salvação que
realiza no meio de nós. Pelo
mesmo motivo, o Diretório
Litúrgico da CNBB orienta
que flores e instrumentos
sejam usados com
moderação, para que não
seja antecipada a plena
alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula,
estola, etc.) são de cor roxa,
bem como o pano que recobre
o ambão, como sinal de
conversão em preparação para
a festa do Natal, com exceção
do terceiro domingo do
Advento, o “Domingo da
Alegria”, cuja cor
tradicionalmente usada é a
rósea, em substituição ao
roxo, para revelar a alegria da
vinda do libertador que está
bem próxima e se refere à
segunda leitura que diz:
“Alegrai-vos sempre no
Senhor. Repito, alegrai-vos,
pois o Senhor está perto” (Fl
4,4).
O Advento começa com
as vésperas do domingo
mais próximo ao 30 de
novembro e termina
antes das vésperas do
Natal. Os domingos desse
tempo se chamam 1º, 2º,
3º e 4º do Advento. Os
dias 16 a 24 de dezembro
(novena de Natal)
tendem a preparar mais
especificamente para as
festas do Natal. Podemos
distinguir dois períodos:
No primeiro deles, que
se estende do primeiro
domingo do Advento até
o dia 16 de dezembro,
aparece com maior
relevo o aspecto
escatológico e nos é
orientado à espera da
vinda gloriosa de Cristo.
As leituras da Missa
convidam a viver a
esperança na vinda do
Senhor em todos os seus
aspectos: sua vinda ao
fim dos tempos, sua
vinda agora, cada dia.
No segundo período, que vai de
17 até 24 de dezembro, que se
orienta mais diretamente à
preparação do Natal. Somos
convidados a viver com mais
alegria, porque estamos próximos
do cumprimento do que Deus
prometera. Os evangelhos desses
dias nos preparam diretamente
para o nascimento de Jesus. Com a
intenção de fazer sensível essa
dupla preparação de espera, a
liturgia suprime, durante o
Advento, uma série de elementos
festivos. Desta forma, na missa, já
não rezamos o Glória. Reduz-se a
música com instrumentos, os
enfeites festivos, as vestes são de
cor roxa, a decoração da Igreja é
mais sóbria, etc.
Todas essas coisas são
uma maneira de
expressar tangivelmente
que, enquanto dura
nosso peregrinar, falta-
nos algo para que nosso
gozo seja completo. E
quem espera é porque
lhe falta algo. Quando o
Senhor se fizer presente
no meio do seu povo,
haverá chegado a Igreja à
sua festa completa,
significada pela
Solenidade do Natal.
Temos quatro semanas nas quais,
de domingo a domingo, vamos nos
preparando para a vinda do
Senhor.
A primeira semana do Advento
está centralizada na vinda do
Senhor ao final dos tempos. A
liturgia nos convida a estar em
vigilância, mantendo uma especial
atitude de conversão.
A segunda semana nos convida,
por meio de João Batista, a
“preparar os caminhos do
Senhor”; isto é, a manter uma
atitude de permanente conversão.
Jesus segue nos chamando, pois a
conversão é um caminho que se
percorre durante toda a vida.
A terceira semana
prenuncia já a alegria
messiânica, pois já está
cada vez mais próximo
o dia da vinda do
Senhor.
A quarta semana,
finalmente, fala-nos do
advento do Filho de
Deus ao mundo. Maria
é figura central, e sua
espera é modelo e
estímulo da nossa
espera.
Quanto às leituras das missas
dominicais, as primeiras são tomadas
de Isaías e dos demais profetas que
anunciam a reconciliação de Deus e a
vinda do Messias. Nos três primeiros
domingos, recolhem-se as grandes
esperanças de Israel e, no quarto, as
promessas mais diretas do nascimento
de Deus. Os salmos responsoriais
cantam a salvação de Deus que vem;
são orações pedindo sua vinda e sua
graça. As segundas leituras são textos
de São Paulo ou das demais cartas
apostólicas, que exortam a viver em
espera da vinda do Senhor.
São quatro os temas que se
apresentam durante o Advento:
São quatro os temas que se apresentam durante o
Advento:

I Domingo: a vigilância
A vigilância na espera da vinda do Senhor.
Durante essa primeira semana, as leituras bíblicas
e a prédica são um convite com as palavras do
Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois
não sabem quando chegará o momento”. É
importante que, como uma família, tenhamos um
propósito que nos permita avançar no caminho ao
Natal; por exemplo, revisando nossas relações
familiares. Como resultado, deveremos buscar o
perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos
tem ofendido para começar o Advento, vivendo
em um ambiente de harmonia e amor familiar.
Desde então, isso deverá ser extensivo também
aos demais grupos de pessoas com as quais nos
relacionamos diariamente, como o colégio, o
trabalho, os vizinhos, etc. Essa semana, em
família, da mesma forma que em
cada comunidade paroquial.
II Domingo: a conversão
Podemos destacar, de forma predominante, a
pregação de João Batista. Durante a segunda
semana, a liturgia nos convida a refletir com a
exortação do profeta João Batista: “Preparem o
caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor
maneira de preparar esse caminho que busca a
reconciliação com Deus? Na semana anterior, nós
nos reconciliamos com as pessoas que nos
rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos
convida a acudir ao sacramento da reconciliação
(confissão), que nos devolve a amizade com Deus
que havíamos perdido pelo pecado. Acenderemos
a segunda vela roxa da coroa do Advento, como
sinal do processo de conversão que estamos
vivendo. Durante essa semana poderíamos buscar,
nas diferentes igrejas mais próximas, os horários
de confissões disponíveis, para, quando chegar o
Natal, estejamos bem preparados interiormente,
unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia.
III Domingo: o testemunho, de Maria

A liturgia do Advento nos convida a recordar a


figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de
Jesus e que, além disso, está disposta a ajudar e a
servir a todos os que necessitam. O evangelho nos
relata a visita da Virgem à sua prima Isabel, e nos
convida a repetir como ela: “Quem sou eu para
que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me?”.
Sabemos que Maria está sempre acompanhando
os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a
viver essa terceira semana do Advento, meditando
sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou.
Propomos que fomentar a devoção à Maria,
rezando, em família, o terço.
IV Domingo: o anúncio do nascimento de Jesus

As leituras bíblicas e a prédica dirigem seu olhar à


disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do
nascimento do Filho dela, e nos convidam a
“aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz
do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nós
nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos;
agora nos resta somente esperar a grande festa.
Como família, devemos viver a harmonia, a
fraternidade e a alegria que essa celebração
próxima representa. Todos os preparativos para a
festa deverão viver-se nesse ambiente, com o
firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as
famílias e as comunidades.

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