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EVOLUÇÃO

DA BNCC:
O QUE MUDOU DE
UMA VERSÃO PARA
OUTRA?
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO....................................................... 3

QUAIS DOCUMENTOS LEGAIS


ANTECEDERAM A BNCC?................................4

PRINCIPAIS MARCOS NA
ELABORAÇÃO DA BASE .................................. 7

O QUE MUDOU DE UMA


VERSÃO PARA OUTRA? ................................... 9
Mudanças da primeira
para a segunda versão da Base ........................ 10

Mudanças da segunda
para a terceira versão da Base.............................12

Mudanças da terceira para


a última versão da Base............................................15

CONCLUSÃO .......................................................17
INTRODUÇÃO

A criação da Base Nacional Comum Curriculares Nacionais (PCNs), além


Curricular (BNCC) foi uma conquista da própria Constituição, somente
para a Educação Básica brasileira. Após na última década o debate para a
vários anos de discussões e muitas sua construção se intensificou e
versões, o documento final da BNCC ganhou espaço. Seu desenvolvimento
para a Educação Infantil e o Ensino movimentou também a sociedade
Fundamental foi homologado em civil, que teve a oportunidade de
2017 e para o Ensino Médio em 2018, participar ativamente dos debates em
trazendo diversos avanços conceituais torno da BNCC.
que devem impactar a construção dos
Neste e-book nós vamos mostrar como
currículos escolares nos próximos anos.
a Base evoluiu desde a sua primeira
Apesar de a sua criação ter sido versão, o que mudou de uma versão
prevista em vários atos regulatórios para outra, além de delimitar os marcos
da educação, como as Leis de importantes da sua elaboração.
Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) e os Parâmetros Boa leitura!

3
Quais
documentos legais
antecederam a
BNCC?

A necessidade de se construir um
documento para nortear a construção
Art. 26. Os currículos da educação
dos currículos não é recente. Na
verdade, sua elaboração já havia sido infantil, do ensino fundamental
prevista em outros documentos legais e do ensino médio devem ter
que regulam a educação brasileira. base nacional comum, a ser
complementada, em cada sistema de
Na Constituição Federal de 1988,
ensino e em cada estabelecimento
no Art. 120, determinou-se que
escolar, por uma parte diversificada,
fossem “fixados conteúdos mínimos
exigida pelas características regionais
para o ensino fundamental, de maneira
e locais da sociedade, da cultura, da
a assegurar formação básica comum
e respeito aos valores culturais e economia e dos educandos.
artísticos, nacionais e regionais.” Com
esse artigo, abria-se espaço para
que a base fosse construída, mas era Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
preciso ser mais específico a respeito
da sua elaboração. A partir desse artigo, vieram
algumas diretrizes importantes
Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases, sobre como essa base deveria ser
em seu Art. 26, estabeleceu que era constituída. Primeiro, definiu-se
preciso adotar uma Base Nacional que os currículos precisam abranger,
Comum Curricular para a Educação de forma obrigatória, o estudo da
Básica, ampliando o alcance da Base Língua Portuguesa e da Matemática,
para além do Ensino Fundamental, o conhecimento do mundo físico
contemplando também o Ensino e natural e da realidade social e
Médio e a Educação Infantil. política, especialmente do Brasil.

4
No mesmo artigo, determinou-se Básica devem ter como referência,
que o ensino da Arte, especialmente entre outras, a orientação para o
em suas expressões regionais, deve trabalho. Na Base, essa orientação
aparecer como componente curricular aparece já na definição
obrigatório da Educação Básica, de competência:
contemplando principalmente as artes
visuais, a dança, a música e o teatro.
A Educação Física também é definida
como componente obrigatório.
Estipulou-se ainda que o ensino da Na BNCC, competência é
História do Brasil deve levar em definida como a mobilização
consideração as contribuições das de conhecimentos (conceitos
diferentes culturas e etnias para e procedimentos), habilidades
a formação do povo brasileiro, (práticas, cognitivas e
especialmente das matrizes indígena, socioemocionais), atitudes e
africana e europeia. Outra designação valores para resolver demandas
da Lei é que, no currículo do Ensino complexas da vida cotidiana, do
Fundamental, a disciplina de Língua pleno exercício da cidadania e
Inglesa torna-se obrigatória a partir do mundo do trabalho.
do sexto ano.
A lei prevê ainda que a Base aceite
projetos e pesquisas envolvendo
temas transversais para integralização
do currículo, como aqueles relativos Base Nacional Comum Curricular (página 8)

aos direitos humanos e à prevenção


A necessidade de uma Base Nacional
de todas as formas de violência
Comum Curricular é reforçada no
contra a criança e o adolescente.
artigo 14 das Diretrizes Curriculares
O texto também traz a exibição de
Nacionais. Nesse documento, a Base é
filmes nacionais como componente
definida como “conhecimentos, saberes
curricular complementar e coloca como
e valores produzidos culturalmente,
obrigatório o estudo da história e da
expressos nas políticas públicas e
cultura afro-brasileira e indígena.
gerados nas instituições produtoras do
Além dessas orientações mais conhecimento científico e tecnológico; no
específicas, a Lei traz outras diretrizes mundo do trabalho; no desenvolvimento
mais gerais que nortearam a das linguagens; nas atividades desportivas
elaboração da Base, como o inciso 3 e corporais; na produção artística; nas
do artigo 27, que determina que os formas diversas de exercício da cidadania;
conteúdos curriculares da Educação e nos movimentos sociais.”
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As diretrizes ainda indicaram A partir das Diretrizes, foram elaborados
que os componentes curriculares os Parâmetros Curriculares Nacionais
deveriam ser organizados em áreas (PCNs), com referências para cada
do conhecimento, disciplinas e disciplina do Ensino Fundamental e
eixos temáticos. Outra contribuição para o Ensino Médio. Os PCNs “foram
importante das Diretrizes para a Base elaborados procurando, de um lado, respeitar
é a orientação de que “as tecnologias diversidades regionais, culturais, políticas
de informação e comunicação perpassem existentes no país e, de outro, considerar
transversalmente a proposta curricular, a necessidade de construir referências
desde a Educação Infantil até o Ensino nacionais comuns ao processo educativo em
Médio”, tal como ficou estabelecido na todas as regiões brasileiras”, o que vai ao
versão final da BNCC. encontro dos objetivos da Base.

O último marco regulatório importante a ser destacado é o Plano Nacional de


Educação, de 2014, que definiu a BNCC como uma das estratégias para se alcançar
as metas 1, 2, 3 e 7:

Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para


as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a
Meta 1 oferta de educação infantil em creches, de forma a atender, no
mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três)
anos até o final da vigência deste PNE.

Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda


a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo
Meta 2 menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam
essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência
deste PNE.

Uiversalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a


população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até
Meta 3 o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de
matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco
por cento).

Fomentar a qualidade da educação básica em todas as


etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da
Meta 7 aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais
para o IDEB: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5
nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.

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PRINCIPAIS
MARCOS NA
ELABORAÇÃO
DA BASE

Todo o arcabouço legislativo, as A consulta pública do primeiro


orientações sobre a construção de uma documento terminou em março de
base comum curricular e a estratégia 2016 com mais de 12 milhões de
para atingimento das metas prioritárias contribuições da sociedade civil,
de acordo com o Plano Nacional de professores, escolas, organizações do
Educação deram origem às discussões terceiro setor e entidades científicas.
que culminaram na BNCC, que deveria As contribuições foram sistematizadas
ser aprovada até junho de 2016. por uma equipe da Universidade de
Brasília e uma segunda versão começou
A primeira versão da Base foi
a ser redigida.
encaminhada para consulta pública
em setembro de 2015. Para que essa A segunda versão do documento foi
versão fosse redigida, o Ministério divulgada pelo MEC em maio daquele ano.
da Educação (MEC) instituiu um Em julho, o Ministério instituiu o Comitê
grupo de redação composto por Gestor da BNCC e Reforma do Ensino
especialistas de 35 universidades em Médio, para acompanhar o processo
junho daquele ano. Um Seminário de construção da Base e encaminhar a
Internacional sobre a BNCC realizado proposta final do documento. Enquanto
em Brasília com especialistas isso, o MEC realizou, junto com algumas
nacionais e internacionais buscou organizações, seminários de discussão
compartilhar e debater experiências da Base por todo o país, preparando um
de construções curriculares. relatório com as contribuições registradas.

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A terceira versão da Base referente O documento resultante das duas
à Educação Infantil e ao Ensino primeiras etapas foi aprovado por
Fundamental foi divulgada em abril de 20 votos a 3 em 17 de dezembro de
2017 e entregue ao Conselho Nacional 2017 e homologado pelo MEC em 20
de Educação (CNE). O CNE realizou de dezembro, passando a valer para
consultas públicas em todo o país para todo o Brasil. A BNCC para o Ensino
ouvir a sociedade, inclusive por e-mail. Médio, por sua vez, foi aprovada no dia
4 de dezembro de 2018 e homologada
É importante ressaltar também que,
na semana seguinte, no dia 14.
ao longo das versões do documento,
várias influências internacionais foram
contribuindo com a Base, como os
preceitos da OCDE e da UNESCO e as
orientações do Pisa.

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O QUE MUDOU DE
UMA VERSÃO PARA
OUTRA?
As contribuições das consultas públicas e dos seminários que ocorreram ao longo da
construção da Base acarretaram em diversas mudanças de uma versão para outra.
Da primeira para a segunda versão, mais de 12 milhões de contribuições foram
registradas, analisadas e consideradas para a melhoria do documento. Da segunda
para a terceira versão, os ciclos de seminário ajudaram a constituir a Base final, com
alguns ajustes importantes.

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Mudanças da primeira para a segunda
versão da Base

Para a segunda versão do Na segunda versão os direitos de


documento foram consideradas aprendizagem, princípio fundamental
as conquistas que já constavam da Base, foram definidos de forma
em outras regulamentações mais clara. Os direitos passaram
curriculares no país, como as a ser claramente identificados e
temáticas étnico-racial, educação organizados em relação aos três
inclusiva, questão de gênero e princípios formativos já presentes nos
culturas africanas e indígenas, PCNs: os princípios éticos, políticos e
que na primeira versão constavam estéticos. Desses direitos derivam os
apenas como tema integrador. quatro eixos de formação para o Ensino
Fundamental e para o Ensino Médio.

Eixos de formação para o Eixos de formação para


Ensino Fundamental o Ensino Médio

• Letramentos e capacidade
• Letramentos e capacidade de aprender;
de aprender; • Solidariedade e sociabilidade;
• Leitura do mundo natural e social; • Pensamento crítico e projeto
• Ética e pensamento crítico; de vida;
• Solidariedade e sociabilidade. • Intervenção no mundo
natural e social.

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A segunda versão da BNCC passou ainda na nova versão foram organizados
a citar as modalidades da Educação conforme a faixa etária dos
Básica de forma clara para especificar estudantes.
que os objetivos de aprendizagem das
Para o Ensino Médio, a principal
áreas devem levar em conta todas as
mudança está relacionada à
suas temáticas pertinentes: Educação
divisão do conteúdo por unidades
de Jovens e Adultos, educação especial
curriculares, para garantir mais
na perspectiva inclusiva, educação do
flexibilidades na construção dos
campo, educação indígena, educação
currículos e ainda uma maior
quilombola, educação para relações
integração com o Ensino Técnico.
étnico-raciais, educação ambiental e
educação em Direitos Humanos. Em Em relação ao conteúdo, o debate
virtude dessa orientação, grande parte girou em torno das lacunas
dos objetivos de aprendizagem foram deixadas nos componentes
reelaborados em praticamente todas as curriculares, como em História, no
etapas e áreas. qual não constavam as Revoluções
Industrial e Francesa e a história das
Outra mudança fundamental refere-se
civilizações grega e egípcia, e em
à inclusão da questão de gênero em
Literatura, em que não apareciam
diversos momentos do documento,
temas da literatura portuguesa.
nas três etapas de escolarização e
nos enunciados de vários objetivos de Em entrevista ao Portal G1, o
aprendizagem de praticamente todas professor da PUC Rio e assessor
as áreas. da BNCC para a área de Ciências
Humanas Marcelo Burgos afirmou
Na segunda versão houve também
haver uma maior integração entre
mudanças importantes no que se
as disciplinas de Geografia e
refere às habilidades, em especial
História nos anos iniciais do Ensino
nas disciplinas de História e Língua
Fundamental e, nos finais, uma ênfase
Portuguesa, com novos conteúdos
maior às informações socioculturais e
acrescentados e uma melhor
territoriais do Brasil.
definição do que se espera que o
aluno aprenda em cada etapa. Outras contribuições apontaram
a falta de conteúdos de
Para a Educação Infantil, a principal
gramática, na área de Linguagens
mudança refere-se à redefinição
e suas Tecnologias, e uma melhor
da forma como eram estabelecidos
articulação entre a escrita, a leitura,
os objetivos de aprendizagem, que
a oralidade e a língua culta.

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Mudanças da segunda para a terceira
versão da Base

A terceira versão da Base, entregue Foi também retirado do documento


em abril de 2017, veio bastante o Ensino Religioso, sob a alegação
sucinta e descritiva, apresentando do MEC de que era preciso respeitar
de forma objetiva seus propósitos a lei que determina que o tema
e princípios pedagógicos. Uma seja optativo, apontando como
das causas dessa diminuição do responsabilidade dos sistemas de
tamanho do documento foi a ensino estadual e municipal definir
retirada das orientações para o como incluí-lo no currículo.
Ensino Médio.
Em relação ao conteúdo, houve
Com a reforma do Ensino Médio mudanças na disciplina de História,
anunciada em 2016, o documento em que os conteúdos passaram a ser
da Base foi “fatiado” em duas organizados segundo a cronologia
partes, uma para a Educação dos fatos. Em Linguagens, a principal
Infantil e Ensino Fundamental e mudança se referiu ao ensino da Língua
outra para o Ensino Médio, pois era Inglesa: a terceira versão determinava
necessário redefinir as diretrizes que esse idioma deveria ser ensinado
curriculares desta última etapa da obrigatoriamente, enquanto a versão
Educação Básica. anterior deixava a escolha da língua a
cargo das redes de ensino.

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As pressões de alguns setores da A partir disso foram definidas
sociedade levaram a uma mudança dez competências gerais e,
na terceira e na última versão da com base nelas, os direitos de
Base, homologada em dezembro: a aprendizagem e desenvolvimento
diminuição significativa de referências da Educação Infantil, bem como as
a questões de gênero e retirada da competências específicas de cada
expressão “orientação sexual”, que área e componente curricular do
era mencionada em grande parte dos Ensino Fundamental. Tem-se, ainda,
objetivos de aprendizagem. os objetivos de aprendizagem e
desenvolvimento para os primeiros
O texto da terceira versão também
anos da Educação Básica e as
explicitou seus princípios norteadores
unidades temáticas para o Ensino
alinhados às proposições da OCDE e
Fundamental, que se desdobram
da UNESCO, uma vez que, no capítulo
em objetos do conhecimento (que
a respeito da estrutura do documento,
substituem os objetivos da versão
é encontrado vocabulário relacionado
passada) e habilidades.
às competências.

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Houve ainda uma antecipação do e das redes de ensino determinar
momento em que os alunos deverão quais habilidades serão trabalhadas
ser alfabetizados, do 3º para o em cada disciplina. Na segunda versão,
2º ano do Ensino Fundamental. Neste a Base apresentava os componentes
ano também deverão entender os curriculares separadamente, sendo
primeiros conceitos de estatística e de que História e Geografia não foram
probabilidade, conforme a nova versão contemplados.
do documento.
A versão para o Ensino Médio
Após a aprovação da Base para determina que as aprendizagens
a Educação Infantil e o Ensino apontadas pela Base devem compor
Fundamental no final de 2017, 60% do currículo escolar, de forma que
a discussão a respeito da BNCC os demais 40% devem corresponder
para o Ensino Médio continuou. A aos itinerários formativos, que podem
terceira versão do documento para focar em qualquer uma das áreas do
a última etapa da Educação Básica conhecimento ou em formação técnica
foi entregue pelo MEC ao CNE em e profissional, conforme oferta da
abril de 2018. Conforme previam as escola e o interesse dos alunos.
mudanças adotadas pelo Governo
Nessa versão, a área de Linguagens
para o Ensino Médio, o texto da BNCC
e suas Tecnologias trouxe sete
trouxe uma estrutura diferente da que
competências específicas de área e
havia sido apresentada na segunda
27 habilidades, articuladas a temas
versão, com a separação por áreas
relacionados à Arte, Educação Física
do conhecimento (Linguagens e
e Língua Inglesa. Já o componente
suas Tecnologias, Matemática e suas
curricular Língua Portuguesa traz
Tecnologias, Ciências da Natureza e
outras 53 habilidades. Por sua
suas Tecnologias e Ciências Humanas e
vez, Matemática apresenta cinco
Sociais Aplicadas).
competências específicas e
Com essa divisão, o MEC propôs 63 habilidades a serem desenvolvidas.
que as habilidades de cada área
Na área de Ciências da Natureza e
fossem desenvolvidas de forma
suas Tecnologias, os estudantes devem
interdisciplinar, de forma que apenas
desenvolver três competências específicas
Língua Portuguesa e Matemática
e 23 habilidades, atreladas à Biologia, à
permaneceram como componentes
Física e à Química. Em Ciências Humanas
curriculares obrigatórios para todo
e Sociais Aplicadas, seis competências
o segmento, com competências
específicas e 31 habilidades relacionadas
específicas e habilidades designadas
às disciplinas de História, Geografia,
para cada ano. A partir dessa proposta,
Filosofia e Sociologia.
fica sob a responsabilidade das escolas

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Mudanças da terceira para a última
versão da Base

A intenção do MEC em abril de 2017 o MEC, a intenção da mudança era


era que aquela terceira versão fosse a deixar a progressão da Educação
última. Entretanto, após a divulgação Infantil para o Ensino Fundamental
do texto, vários questionamentos mais clara.
surgiram sobre pontos importantes da
Em questão de estrutura e de
Base e ela passou por mais mudanças
conteúdo do documento, Renata
até ser homologada em dezembro
Siqueira, Assessora Pedagógica da
daquele ano.
SOMOS Educação, destaca que houve
Na Educação Infantil, o título de um ainda mudanças na descrição das
dos campos de experiência mudou, competências específicas de algumas
passando de “Oralidade e escrita” áreas no Ensino Fundamental. Na área
para “Escuta, fala, pensamento de Linguagens, por exemplo, as oito
e imaginação”. Da terceira para competências específicas da terceira
a última versão da BNCC, houve versão passaram a ser apenas seis na
alterações também no capítulo sobre versão homologada, com redações
a Alfabetização. Enquanto na versão diferentes. Dentro dessa área,
anterior havia cinco eixos, na nova houve mudanças nas descrições das
redação eles foram reorganizados competências específicas de algumas
formando quatro vertentes. Segundo disciplinas, como Língua Portuguesa.

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Ainda na disciplina de Língua Na versão final, o MEC incluiu a
Portuguesa, outra mudança discussão de gênero e orientação sexual
interessante é que, enquanto a terceira como uma das habilidades a serem
versão trazia unidades temáticas e desenvolvidas em Ensino Religioso,
habilidades para cada ano dos anos que novamente foi incluído na versão
iniciais do Ensino Fundamental, na final da Base após decisão do Supremo
versão final elas foram agrupadas em Tribunal Federal (STF) que permitiu o
uma categoria incluindo unidades ensino confessional nas escolas.
temáticas que devem ser desenvolvidas
Outras mudanças aconteceram devido
do 1º ao 5º ano, do 1º ao 2º ano e do
às alterações no tratamento do tema
3º ao 5º ano. O mesmo aconteceu nas
“gênero”, como na área de Linguagens
descrições das unidades temáticas dos
(com pelo menos cinco modificações em
anos finais, saindo de descrições por
relação à última versão), em Geografia,
ano para categorias do 6º ao 9º ano, do
História e Ciências.
6º ao 7º ano e do 8º ao 9º ano.
O MEC também detalhou mais o
Revisões na descrição de competências
que é esperado que os estudantes
específicas foram feitas também nas
aprendam ao longo da trajetória
disciplinas de Arte, Educação Física e
escolar, mantendo a orientação de que
Matemática, bem como nas áreas de
é necessário alfabetizá-los até o 2º ano
Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
do Ensino Fundamental.
Já o documento final com as diretrizes
para o Ensino Médio foi aprovado
apenas em dezembro de 2018 após
algumas audiências públicas. A última
versão manteve as quatro áreas do
conhecimento e os cinco itinerários
formativos.
Na época, em entrevista, Eduardo
Deschamps, o então presidente da
comissão da BNCC no CNE, explicou:
“Em vez de estudar especificamente uma
disciplina de física ou química, eu posso
tratar de um problema de matemática e
meio ambiente, aplicar os conhecimentos
conjugados. A organização [curricular]
deixa de ser estanque e passa a ser mais
focada no cotidiano”.

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CONCLUSÃO

A BNCC nasceu de uma necessidade contribuições importantes para


já manifestada desde a apresentação que pudesse haver equilíbrio entre
da Constituição Federal de 1988 e o que deveria ser obrigatório para
que foi ressaltada em vários atos uma base comum curricular e o que
regulatórios e orientadores da deveria ser flexível para garantir
Educação Básica no Brasil. que as identidades escolares fossem
representadas nos currículos.
No entanto, a Base apenas saiu do
papel em 2015, após aparecer Após várias contribuições ao
como estratégia fundamental para longo de dois anos, a versão final
o atingimento de algumas metas trouxe um conteúdo mais objetivo
prioritárias do Plano Nacional de e descritivo, construída a partir da
Educação, sancionado em 2014. visão de especialistas, da sociedade
civil e das influências dos marcos
Até o documento final da Educação
regulatórios nacionais da educação
Infantil e do Ensino Fundamental ser
e das políticas educacionais
homologado, em 2017, e do Ensino
internacionais.
Médio, em 2018, a Base teve três
versões, sendo que cada uma teve

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