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ISSN Eletrônico: 2525-5908 www.revistafarol.com.

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Luto: uma descrição sobre os processos de elaboração do enlutado

Camila Daniely Bodemer Silva


Luto: uma descrição sobre os processos de elaboração do enlutado
Camila Daniely Bodemer Silva 61

Luto: uma descrição sobre os processos de elaboração do enlutado*

Camila Daniely Bodemer Silva1

RESUMO: O luto é descrito como um processo pelo qual todos os indivíduos passarão à medida que se
encaminha o ciclo da vida, causando angústia dor e sofrimento. Cada indivíduo vivência o luto a sua maneira, e a
forma como se vivência e se resolve, dependerá do tipo de luto, sua intensidade e duração, bem como, o vínculo
afetivo que o enlutado possuía com a pessoa falecida, portanto, todos passaram pelo processo de elaboração.
Desta forma, a pesquisa buscou uma compreensão do luto enquanto processo em suas dimensões física,
emocional e social. Trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica, tendo por objetivo oferecer subsídios
teóricos para a compreensão do processo de elaboração do luto, descrevendo desta forma as características do
luto e apresentando as fases desse processo. Tomando como referência as contribuições teóricas de John
Bowlby, utilizando como método a análise de dados e tendo como abordagem a pesquisa qualitativa. Conclui-se
que, a morte e o sofrimento são fenômenos que fazem parte de nossa vida e ao vivenciar o luto, passa-se por
grande sofrimento e alterações psicológicas, fisiológicas, comportamentais, bem como alteração no contexto
social em que o enlutado está inserido. O mesmo passa por processos de negação, raiva, depressão,
entorpecimento e aceitação, fazendo-se necessário o apoio familiar e especializado, onde prioriza o acolhimento
e a escuta deste indivíduo. Quando por fim há o reconhecimento das fases do luto, o indivíduo encaminha para
um bom processo de restabelecimento diante das perdas sofridas.

Palavras-chave: Morte. Luto. Processo de luto.

Mourning: a description about the process of mourner elaboration

ABSTRACT: Mourning is described as a process by which all individuals will pass as the cycle of life passes
causing distress, pain and suffering. Each individual experiences mourning in his own way, and the way how
they experience and resolves, will depend on the type of mourning, its intensity and duration, as well as the
affective bond that the mourner had with the deceased person, therefore, all went through the process of
elaboration. In this way, the research sought an understanding of mourning as a process in its physical, emotional
and social dimensions. It is a bibliographical review research, aiming to offer theoretical subsidies for the
understanding of the mourning process, describing in this way the characteristics of mourning and presenting the
phases of this process. Taking as reference the theoretical contributions of John Bowlby, using as method the
data analysis and taking as approach the qualitative research. It is concluded that death and suffering are
phenomena that are part of our life and when experiencing mourning, passes through great suffering and
psychological, physiological and behavioral changes, as well as changes in the social context in which the
mourner is inserted. The same goes through processes of denial, anger, depression, numbness and acceptance,
making necessary the familiar and specialized support, where it prioritizes the reception and listening of this
individual. When finally there is the recognition of the stages of mourning, the individual leads to a good process
of recovery against the losses suffered.
.

Keywords: Death. Mourning. Process of mourning.

* Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de avaliação para
conclusão do curso de Graduação em Psicologia 2017, sob orientação da Professora Priscila Maciel Carreta. E-
mail: priscila.carreta@farol.edu.br.
1 Acadêmica do curso de Psicologia, FAROL – Faculdade de Rolim de Moura. E-mail:bodemer2@hotmail.com.

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1 INTRODUÇÃO

Falar da morte e do luto é ainda hoje, temas restritos, por serem considerados
delicados e difíceis de serem abordados. A sociedade não discute sobre o assunto, no entanto,
o que não se sabe é da importância que tem em se falar sobre a morte, o morrer e sobre o luto,
pois quando se vivência cada um desses temas, o indivíduo passa por um processo de
sofrimento que necessita ser elaborado para a retomada da vida. Desta forma, o trabalho visa
descrever sobre o luto decorrente da morte e seu processo de elaboração, processo esse que
ajudará o indivíduo a dar sentido ao que aconteceu e retomar o controle de sua vida,
reestruturando sua personalidade (que é abalada por conta da perda) e sua saúde mental.
Bousso (2011) descreve o luto como uma consequência mediante ao rompimento do
vínculo, da perda de uma relação ou até mesmo de um sonho. Trata-se de um sofrimento
emocional intenso, um processo individualizado, que necessita de elaboração, pois se trata de
uma perda significativa, perda esta que não esta ligada apenas aos casos de morte, mas a
outras situações como a separação, aposentadoria, perca do emprego, dentre outros.
O processo de luto de cada pessoa pode variar de acordo com sua personalidade, a
idade e sexo do enlutado, sua estabilidade social e psicológica, a identidade e o papel da
pessoa perdida na vida do enlutado, e como ocorreu essa perda, ou seja, a morte. “[...] a
diferença esta na maneira como as causas da vulnerabilidade são concebidas” (BOWLBY,
2004, p. 196).
O autor também descreve que o processo de luto se compõe sobre quatro fases:
entorpecimento; anseio e busca; desorganização e reorganização, no qual serão apresentadas
com mais detalhes no desenvolvimento do trabalho.
O presente artigo, pretende desta forma aguçar no leitor, uma discussão acerca do
processo de luto, e da importância do mesmo. Tendo também como intuito oferecer conteúdos
de cunho teórico-metodológico, que poderá servir tanto para o apoio a novas pesquisas, como
conteúdo informativo para a sociedade em geral.
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho descritivo, classificando-se como
qualitativa. Sendo utilizado como método a análise de conteúdo. Para elaboração utilizou-se
das plataformas Scielo – Scientific Electronic Library Oline e o Google Acadêmico, bem
como o acervo da Biblioteca Jorge Amado, localizada nas dependências da Faculdade
FAROL e na Biblioteca virtual Pearson, disponível no site da FAROL, contendo no total 14
descritores que discutem a temática, sendo 07 livros, 05 artigos publicados em revistas e 02

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encontrados na Scielo, no período de 2001 a 2016. Como critério de escolha do material,


considerou-se aqueles de grande relevância que discutem sobre o assunto, sendo utilizado
como critério de exclusão os artigos que se encontraram desatualizados, os que não se
adequaram aos objetivos do artigo e aqueles dos quais as pesquisas não foram realizadas no
Brasil.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Vínculo afetivo

Ao falar de luto, precisamos primeiramente entender a origem da dor e do sofrimento


pela perda de alguém, entendendo como se estabelece os laços afetivos, portanto Abreu
(2010) descreve que a história de relacionamentos afetivos já na vida adulta, estão
relacionados ao desenvolvimento psicológico na primeira infância, por meio do envolvimento
da criança e seu cuidador, ou seja, aspectos emocionais da vinculação já na fase adulta podem
ser considerados reflexos da infância.
Bowlby (1990 apud SOARES; MAUTONI, 2014, p. 21) considera que “a qualidade
do vínculo estabelecido primariamente determinará os vínculos futuros e os recursos
disponíveis para o enfrentamento e a elaboração dos rompimentos e perdas”.
Bowlby (2006) enfatiza a diferença dos tipos de vínculos afetivos de uma espécie para
outra, sendo que os mais comuns são: a relação entre os pais e seus filhos, e quando adultos,
entre sexos opostos. Porém o primeiro vínculo que a criança vem a ter é geralmente com sua
mãe, persistindo até a idade adulta, contudo a vinculação afetiva também pode ser
considerada a partir de resultados do comportamento social de cada indivíduo. Siqueira e
Andriatte (2001) acrescentam que se o indivíduo, ao adquirir uma boa relação no estágio
primitivo, constituirá desta forma um ponto considerado fundamental para as relações futuras
com as pessoas e seu desenvolvimento emocional como um todo.
Desta forma, Bowlby (2004) descreve que toda criança já nasce predisposta a
estabelecer fortes vínculos afetivos, no entanto, pode diminuir em decorrência de fatores
externos que irão impedir que o bebê desempenhe o vínculo afetivo com as pessoas ao seu
redor, pois a capacidade de vinculação é inata, contudo precisa ser estimulada adequadamente
para se concretizar. O autor ainda descreve que, todo processo de desenvolvimento afetivo
considerado sadio, possui comportamentos de apego que geram um desenvolvimento de laços

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afetivos ou apegos que se iniciam entre a criança e seu progenitor, geralmente com a mãe, e
mais tarde entre adultos.

2.2 Morte e luto

Taverna e Souza (2014) descrevem a morte como algo inevitável e que faz parte da
vida e do desenvolvimento humano, sendo um fato e um tema profundo que impacta muita
gente, pois causa medo e intranquilidade, por saber que a qualquer momento a vida pode ser
acometida pela morte. De forma geral, a morte normalmente é entendida como o ponto final
da vida biológica do ser humano.
Ross (1996) descreve que a morte é algo do que o homem sente muito medo, já que a
morte não é possível, quando se trata de nós mesmos. A autor coloca que a morte é algo
inconcebível pelo inconsciente, já que trata-se do fim da vida terrena. Para o inconsciente, a
morte só é possível quando somos mortos, e não quando se morre de forma natural ou por
conta da idade avançada, e por isso a morte está diretamente ligada a algo mal, medonho,
como se fosse um castigo. A autora ainda acrescenta que quanto mais a ciência evolui, mais
sentimos medo e negamos a realidade da morte.

Há muitas razões para se fugir de encarar a morte calmamente. Uma das mais
importantes é que, hoje em dia, morrer é triste sob vários aspectos, sobretudo é
muito solitário, muito mecânico e desumano. Às vezes, é até mesmo difícil
determinar tecnicamente a hora exata em que se deu a morte (ROSS, 1996, p. 19).

O sofrimento pela morte do objeto amado é uma experiência que segundo Kovács
(2010) configura-se na vivência da morte em vida, uma morte que não é a própria, mas, no
entanto, é como se parte nossa morresse, uma parte que está ligada ao outro pelo vínculo
constituído. Contudo, segundo Taverna e Souza (2014) ao tratarmos da morte, do luto e suas
realidades humanas, voltamos o olhar para objetos que foram perdidos, seja material ou
sentimental, assim como para as pessoas em nossas vidas.
De acordo com Caterina (2008) ao romper uma relação, mediante a perda,
desencadeiam-se sentimentos e comportamentos que levam o enlutado a uma depressão e
momentos de desorganização, até que o mesmo venha a ter condições de iniciar o trabalho de
elaboração desta perda, para poder então retomar a organização de sua vida.
O luto, segundo Freud (1996) é a reação pela perda de uma pessoa querida, a perda de
uma abstração que ocupará o lugar dessa pessoa. No luto a falta de interesse e de inibição faz

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parte do processo de elaboração do mesmo, onde o ego é absorvido. Para os autores Taverna e
Souza (2014) o luto é um processo, um ferimento que necessita de cuidados, para então
reforçar suas defesas e curá-lo. A aceitação é o melhor reforço, juntamente com o apoio
externo da família, amigos e pessoas mais próximas.
Nasio (1997) conceitua o luto como a reação mediante a perda do objeto de amor, essa
reação forma-se dois grandes eixos, um que se trata do objeto do luto e o segundo, do fator
que está relacionado à natureza em que se dá a reação diante da perda. Com a morte do ente
querido perde-se a imagem que o indivíduo tem de si mesmo, que o outro lhe permitia amar,
desta forma o que se perde é o eu ideal do enlutado, o eu ideal que estava ligado à pessoa que
faleceu.
A representação do objeto perdido é o que gera a dor do luto, assim como o local
machucado do corpo na dor corporal. Em suma, a dor é uma resposta da libido que representa
psiquicamente o objeto que foi perdido ou ferido, o objeto que recebeu um superinvestimento
afetivo, um apego no interior da pessoa amada que não se encontra mais presente no exterior.
Conclui-se desta forma que a dor do enlutado não está relacionada à dor da separação, mas
sim a dor de ligação, pensar que o que machuca não é o fato de se separar, mas sim começar a
amar ainda mais aquele que se foi (NASIO, 1997).
Quando se percebe que o objeto perdido não retornará o enlutado atravessa uma
melancolia, da qual precisará de tempo para a aceitação da realidade da morte. No entanto,
cada ser experiência o processo de luto à sua maneira, quando o indivíduo lida bem com o
luto, ele passa a encarar de maneira sublime seus sofrimentos, decorrentes a perda,
consequentemente começa a evitar a dor e retornar a vida, e sempre que relembrar sua perda,
a tristeza retornará, mas não por muito tempo, logo encontrará um conforto (BOUSSO, 2011).
Segundo Bowlby (2004) adultos que consideram as lágrimas como forma de fraqueza,
são geralmente aqueles que prolongam seu sofrimento, são pessoas consideradas
autossuficientes, controladas, orgulhosas de si e de sua independência, pois após sofrerem
uma terrível perda, continuam a vida como se nada estivesse acontecido, até sente orgulho
disso, se ocupam e fazem as coisas com eficiência, demonstrando tranquilidade diante a
situação. Não gostam de condolências e nem de falar sobre o assunto, evitando qualquer coisa
que lembre a pessoa falecida. Portanto ao observar estas pessoas, nota-se o quanto estão
tensas e irritadiças, podendo até ocorrer alguns sintomas físicos como dores de cabeça,
palpitações, insônia e sonhos desagradáveis.
Durante o processo do luto o indivíduo pode vir a acarretar uma intensa regressão,

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percebendo-se desamparado, incapaz e até mesmo ter uma crise de personalidade, portanto no
decorrer desse processo, esses sentimentos negativos podem ser substituídos por outros
positivos, visto que o enlutado continua sua vida, realizando suas tarefas e encarando as
dificuldades da vida de uma nova maneira (MARINHO; MARINONIO; RODRIGUES,
2007).

2.3 Luto normal e luto complicado

Ao vivenciar o luto, o indivíduo pode tornar seu processo tanto normal quanto
complicado, são classificações que possibilitam o enfrentamento do luto, que varia da forma
com que o enlutado encontra para superar sua dor (RODRIGUES, 2016).
Cada indivíduo vivência o luto à sua maneira, Bowlby (2004) descreve que o processo
de luto de cada pessoa pode variar de acordo com sua personalidade, a idade e sexo do
enlutado, sua estabilidade social e psicológica, a identidade e o papel da pessoa perdida na
vida do enlutado, e como ocorreu essa perda, ou seja, a morte. Dentre elas a variável que mais
tende a influenciar no processo é a personalidade do enlutado, a maneira como está
estruturado seu comportamento de apego e o modo como esse indivíduo reage em situações
estressantes. “[...] a diferença está na maneira como as causas da vulnerabilidade são
concebidas” (BOWLBY, 2004, p. 196).
Todas as outras variáveis, de acordo com Bowlby (2004), estão relacionadas à
interação com a estrutura de personalidade do enlutado. Essas variáveis podem influenciar
grandemente em como ocorrerá o processo de luto, seja para facilitar, tendo como
consequência o luto sadio ou levar ao luto complicado.
Pincus (1989, apud TAVERNA; SOUZA, 2014) conceituou o luto normal, como
aquele que não provoca trauma ou gere consequências ao indivíduo enlutado, consequências
essas que pode afetar tanto a integridade física ou psicológica da pessoa. Já o luto complicado
referência as ações das pessoas enlutadas, que além do sofrimento, pode vir a desencadear
algumas patologias como violência, negação da morte, raiva e até colapsos físicos.
No luto normal o indivíduo tem consciência da perda, este fator auxilia para uma
elaboração bem sucedida, mesmo com toda a dor e sofrimento presente neste processo. Já o
luto complicado, pode ser definido como a reação de fuga do processo de elaboração, pois
desta forma o indivíduo está negando sua dor. A depressão, dentre outras sintomatologias,
pode ocorrer como consequência desta fuga, que podem ser considerado sintomas
patológicos. “O luto, apesar de ser uma situação de crise, pode acarretar aos enlutados

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manifestações patológicas de forma somática e psíquica” (CATERINA, 2008, p. 17).


De acordo como o DSM-5 (2014), o luto complicado é diagnosticado somente dozes
meses após a morte de alguém que se ama. Esse intervalo de tempo discrimina o luto normal
do luto complicado. Para tanto, o enlutado deve apresentar, uma saudade persistente do
falecido, associada a choros frequentes, preocupação com o mesmo e com a forma que
ocorreu a morte, dificuldade acentuada de aceitar a morte (como por exemplo, preparar
refeições para o falecido), passam a ver o falecido, a ter queixar somáticas como dor, fadiga
etc., a ter lembranças angustiantes, raiva, evitação excessiva de lembranças da perda, relatos
de desejo morrer para ficar junto ao falecido, falta de confiança no outro, se sentir isolado,
crença que a vida não tem sentido ou propósito sem o falecido, experimentar um senso
diminuído de identidade no qual sentem que uma parte de si morreu ou foi perdida, ter
dificuldade em se engajar em atividades e até mesmo buscar relações ou planejar o futuro.

O transtorno do luto complexo persistente requer sofrimento clinicamente


significativo ou prejuízo no funcionamento psicossocial (Critério D). A natureza e a
gravidade do luto devem estar além das normas esperadas para o contexto cultural
relevante, grupo religioso ou estágio Condições para Estudos Posteriores 791 do
desenvolvimento (Critério E). Embora haja variações em como o luto pode se
manifestar, os sintomas do transtorno do luto complexo persistente ocorrem em
ambos os gêneros e em grupos sociais e culturais diversos (DMS-5, 2014, p. 790).

A identidade e o papel da pessoa perdida na vida do enlutado é de suma importância


para determinar um luto normal ou complicado, tudo dependerá do significado que o objeto
perdido tinha para o enlutado. Na maioria dos casos registrados de luto complicado, foi
devido a perca de um parente próximo, principalmente quando se trata dos pais, filhos,
cônjuge, e em alguns casos de irmão ou avós. “[...] o luto perturbado é mais provável em
consequência da perda de alguém com quem se teve, até a ocorrência da perda, uma relação
íntima, na qual as vidas estão profundamente interligadas, do que da perda de alguém com
quem se teve uma relação menos íntima” (BOWLBY, 2004, p. 199).
As causas e circunstâncias em que ocorre a perda, pode tanto facilitar no luto normal
ou torna-lo muito difícil. Quando se trata de uma morte súbita, inesperada ou violenta pode
acarretar um choque inicial maior do que quando já se sabe que a morte do outro está prevista
(BOWLBY, 2004).
A também outras causas que podem dificultar o processo do luto normal, como a
morte devido a uma doença incapacitante e prolongada, onde exige um longo período de
assistência ao enlutado, pois acaba-se vivenciando o luto duas vezes, quando está cuidando e

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após a morte; quando a morte ocasiona deformação ou mutilação do corpo; como a pessoa
enlutada recebe a notícia da morte; como estava a relação entre as duas partes antes do
acontecimento da morte, pode se considerar semanas ou dias; e por fim, quando a casos de
atribuir a alguém a reponsabilidade pela morte. Portanto, nenhuma dessas causas pode ser
comparada ao impacto tamanho que a morte súbita e precoce pode ocasionar (BOWLBY,
2004).
A psicoterapia do luto vem como forma de tratamento, para ajudar o enlutado a aliviar
os sintomas, diminuir o sofrimento, a se adaptar a nova vida, que muda como consequência da
morte, conscientiza o indivíduo de sua dor psíquica, auxilia o mesmo na recuperação de sua
autoestima e na formulação de novos projetos para o futuro. Contribuindo com uma melhor
compreensão dos processos de luto, onde o indivíduo tomará consciência da perda,
acarretando ao desenvolvimento normal do processo de luto (CATERINA, 2008).

2.3 O processo de luto e as fases de elaboração

Todas as perdas vivenciadas causam impacto em nossas vidas, e quando se vivencia


essas perdas, entramos em processo de luto. “Todas as perdas são dolorosas, mas algumas nos
afetarão mais do que outras. No caso de grandes perdas, as pessoas podem levar até anos para
se recuperar e, no entanto, isso não as impedirá de enfrentar outras perdas” (SOARES;
MAUTONI, 2013, p. 21).

[...] Quando perdemos alguém, sobretudo quando tivemos muito pouco tempo para
nos preparar, ficamos com raiva, zangados, desesperados; deveriam deixar que
extravasássemos estas sensações. Em geral, os familiares preerem ficar sozinhos
logo que dão permissão para fazer autópsia. Amagos, sentido ou apenas sedados,
andam pelos corredores do hospital, incapazes, muitas vezes, de enfrentar a brutal
realidade [...] (ROSS, 1996, p. 191).

Ross (1996) ainda descreve que os primeiros dias de luto, acabam sendo preenchidos
com ocupações e organizações do enterro, visitas de parentes e amigos, no entanto logo após
o funeral é que o enlutado passa sentir um vazio, pois todos retornam para suas casas, por isto,
se faz necessário que alguém para que o mesmo possa conversar, especialmente se for alguém
que também teve contato com o falecido nos seus últimos dias, para trazer assim, boas
lembranças, preparando-o assim, para a aceitação.

Muitos parentes se preocupam com memórias e ficam ruminando fantasias,


chegando, muitas vezes a falar com o falecido como se este ainda estivesse vivo.
Além de se isolar dos vivos, tornam mais difícil encarar a realidade da morte da

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pessoa. Entretanto, para alguns, esta é a única forma de aceitar a perda, e seria cruel
demais censurá-los ou colocá-los frente a frente todo dia com a inaceitável realidade.
Seria mais válido compreender esta necessidade e ajuda-los a quebrar os grilhões,
afastando-os aos poucos deste isolamento (ROSS, 1996, p. 191).

Segundo Silva e Alves (2012), o trabalho do luto, inclui falar sobre o objeto perdido,
chorar sua morte, expressar a tristeza e a saudade pelo morto e até recordar o acontecimento
da morte, ou seja, as circunstâncias da morte, desta forma o enlutado aos poucos perderá os
laços com as pessoas falecidas, como por exemplo, as memórias.
Deve deixar que os enlutados falem, chorem ou até gritem, se assim sentirem
necessidade. O mesmo precisa participar de todo processo de enterro e conversar, pois é longo
o período de luto que terá que enfrentar. “Se tolerarmos a raiva deles, quer seja dirigida a nós
ou ao falecido, ou contra Deus, teremos ajudado a darem passos largos na aceitação sem
culpa”. Visto que se tais pensamentos forem reprimidos, muitas vezes por incriminações das
pessoas, o luto poderá se prolongar e a vergonha e a culpa, podem acabar refletindo em abalo
da saúde física e emocional (ROSS, 1996, p. 194).
Bowlby (2004) em sua obra destaca quatro fases para a elaboração do luto
(entorpecimento, anseio e busca, desorganização e desespero e reorganização), as fases
podem oscilar entre si, no entanto, a primeira e a última sempre permaneceram a mesma.
Fase do entorpecimento: nesta fase o enlutado sente-se chocado, passa a negar a
morte, tanto que continua sua vida normalmente, apresentando gestos e comportamento
automatizados. No entanto, essa reação pode ser interrompida por momentos de raiva e
desespero. Essa fase pode durar horas ou algumas semanas (BOWLBY, 2004).
Fase de anseio e busca: nesta fase o enlutado já aceita a morte, no entanto há uma
busca incessante pela pessoa perdida, uma grande inquietação, agitação psíquica, sendo uma
fase onde as emoções estão fortes. O indivíduo protesta a separação, por isso possui
sentimentos de sua presença concreta, confundem pessoas desconhecidas com o falecido,
tendem a ter sonhos muito reais com ele, ficando desoladas ao acordarem e se deparar com a
realidade. Outra característica é o sentimento de raiva de si, pois na maioria dos casos sente-se
culpado por não ter conseguido evitar a morte, e raiva do morto por tê-lo deixado, pois se
frustra toda vez que busca e não o encontra. Esta fase pode durar alguns meses (BOWLBY,
2004).
Fase de desorganização e desespero: nesta fase o enlutado deixa de procurar pela
pessoa perdida reconhecendo que não irá mais voltar, portanto é uma fase difícil, o indivíduo

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se isola e sente-se deprimido. Sente raiva de qualquer pessoa que possa ter sido o responsável
pela morte, até mesmo do morto. Nesta fase a pessoa enlutada percebe que novos padrões de
vida serão necessários, portanto é normal que o indivíduo se sinta desesperado por não poder
salvar nada, ficando deprimido e apático (BOWLBY, 2004).
Se nessa fase o luto percorrer normalmente o indivíduo começara a se alternar entre o
desespero, e a avaliação da situação em que se encontra, tentando obter maneiras de enfrentá-
la. Torna-se uma fase mais difícil justamente pelo fato do indivíduo ter que abrir mão de suas
fantasias, de recuperar a pessoa perdida e aceitar a morte como irreversível. O indivíduo tende
a perder a concentração em tarefas do dia-a-dia, o interesse por qualquer atividade, passa a se
isolar socialmente em algumas ocasiões, apresentando alguns sintomas somáticos como, dores
de cabeça e no corpo. Esta fase pode durar alguns meses (BOWLBY, 2004).
Fase de reorganização: essa fase se torna possível quando o enlutado já consegue
lembrar-se do falecido com saudades, seu sofrimento torna-se mais positivo e menos
devastador, o indivíduo passa a permitir novas relações, e a socialização, investindo em novos
projetos e aceitando mais facilmente as mudanças necessárias. Os sintomas podem voltar,
portanto logo passam, sendo normal, pois a fase de reorganização ainda está em andamento.
Tais sintomas costumam aparecer em datas específicas, como aniversário do enlutado,
aniversário de casamento, de morte, natal, ano novo, dentre outras. Essa fase se estende até a
elaboração completa do luto (BOWLBY, 2004).
No decorrer do processo de luto, os enlutados passam por algumas reações comuns,
como as reações físicas (respiração curta, boca seca, dor física, alteração do sono, perca da
força física), reações emocionais (choque, negação, desespero, tristeza, sente-se perdido,
confusão, culpa, raiva, não possui esperança), reações comportamentais (busca pelo falecido,
não consegue se concentrar, desorientação, preocupação, choro), reações sociais (isolamento
social, não consegue interagir, não tem interesse pelas coisas do mundo externo) e reações
espirituais (perca da fé ou maior aproximação de Deus). Todas essas reações são consideradas
normais no processo de luto, sendo que cada um vivência a dor à sua maneira (SOARES;
MAUTONI, 2014).
Parkes (1998, apud SOARES; MAUTONI, 2014) considera que todos reagimos de
maneira diferente ao vivenciar o luto, pois irá depender do significado que esta perda tem
sobre a vida do enlutado, podendo variar sua intensidade e grau, algumas podem afetar e
outras não suas relações sociais e pessoais. Superar a dor é um processo, em sua maioria,
longo, por isso necessita-se de equilíbrio e paciência.

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Soares e Mautoni (2014) acentuam que se deve atentar-se ao uso de medicamentos em


pessoas enlutadas. Sendo recomendado somente em casos de situações de riscos, como
suicídio, depressão ou transtorno de ansiedade, pois medicar o enlutado sem necessidade pode
adiar o processo de luto.
Não há uma precisão exata de termino do processo de luto, portanto encontra-se nas
literaturas um período de seis meses a dois anos, contudo as variáveis (abordadas no decorrer
do trabalho) podem influenciar em todo o processo e sua duração, em alguns casos de luto
complicado, por exemplo, este processo pode se estender a vários anos, se não trabalhado
adequadamente. Portanto, há algumas características que facilitam essa identificação, como a
fala da perda sem emoções exageradas, fala-se do falecido sem mágoa, lembra-se dele com
saudade, mas sem dor, o indivíduo sente-se em paz e com vontade de reconstruir a vida,
construindo novos projetos (SOARES; MAUTONI, 2014).
O processo de luto é considerado indispensável para sua elaboração, pois desencadeia
sentimentos e comportamento de sofrimento, é um processo delicado que necessita de
acompanhamento e manejo de um profissional específico, que fornecerá desta forma suporte
para o processo de elaboração (RODRIGUES, 2016).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao analisar os dados da pesquisa, e tendo como princípio norteador o tema sobre


morte, luto e seu processo de elaboração, deve-se destacar a dificuldade que as pessoas
sentem em falar sobre o tema. Soares, Mautone (2014), Taverna e Souza (2014) e Caterina
(2008) discutem sobre a forma que as pessoas lidam com a morte, muitas vezes esquecem-se
desse fator, ou fazem de conta que esqueceram, pois tem medo não só da própria morte, mas
também da morte daquele que se ama. No entanto, se esquecem de que faz parte do ciclo
natural da vida, e que é necessário falar sobre o assunto. Os autores supracitados descrevem
que a morte é algo natural, e o não falar sobre, pode ser considerado uma das medidas
tomadas para evitar ou até mesmo tentar impedir que a morte aconteça.
No entanto, quando se descreve sobre o referente tema, deve se destacar a questão do
vínculo e sua importância neste processo. Bowlby (2006) e Abreu (2010) pontuam que o
estabelecimento de vínculos saudáveis no futuro dependerá da qualidade do vínculo
estabelecido na infância, visto que é a partir desta qualidade ou não vincular, o modo como
foi estabelecido e a formação e rompimentos de vínculos na infância, que determinará como

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que o indivíduo enlutado enfrentará essa perda, se de forma natural ou complicada.


Frente às reflexões sobre a morte e o luto, pode-se entender que a perda de alguém
amado, vivencia-se a morte em vida, visto que o enlutado perde algo ou alguém que era parte
de si, parte importante do qual mantinha um vínculo, que era parte de sua vida e
sobrevivência. Deste modo, o indivíduo passa por um sofrimento tão intenso que muda seus
comportamentos e modo de vida, o enlutado passa por um período depressivo, e de
desorganização, sente um vazio, muitas vezes saindo fora de si e de sua realidade (KOVÁCS,
2010; CATERINA, 2008).
Compreende-se assim que com a perda de alguém amado, perde-se também a imagem
de si próprio, perde-se aquela pessoa da qual o enlutado investiu muito afeto, e que agora não
se encontra mais presente fisicamente, visto que o sofrimento maior não está na separação e
sim no fator afetivo e de ligação, pois o enlutado passa a amar ainda mais aquele que se foi. O
rompimento do vínculo causa tamanho sofrimento que o enlutado pode vir a perder a noção
de si, de sua vida (NÁSIO, 1997).
Consequentemente, a morte gera sofrimentos capazes de mudar a vida dos enlutados, e
para isso este indivíduo necessita passar pelo luto, consequentemente, pelo processo do luto.
O indivíduo precisa sofrer, chorar, aceitar a morte, para depois poder seguir a diante, em sua
maioria, não da mesma forma que se vivia antes da morte do ente querido, mas sim com
novos planos e expectativas para o futuro. No entanto, sabe-se que cada um vivencia o luto de
maneira individualizada, visto que alguns conseguirão lidar de forma mais tranquila, e logo
retoma sua vida, e outros demoram um pouco mais para aceitarem a morte do outro, e para
reorganizar sua vida (BOUSSO, 2011).
Caterina (2008) e Bowlby (2004) pontuam em suas obras que, aqueles que conseguem
aceitar o luto e vivenciar seu sofrimento, passam por um processo de luto natural, não tendo
consequências que podem acarretar sintomas físicos e psicológicos. Já aqueles que negam a
morte, ou tendem a enfrentar a dor e o sofrimento de forma severa, não se permitindo chorar,
sofrer ou falar sobre seus sentimentos, enfrentam o luto de forma complicada, visto que o
embotamento do sofrimento pode ocasionar sintomas patológicos, sejam eles somáticos ou
psíquicos.
Algumas variáveis também são consideradas condições que podem acarretar a um luto
normal ou complicado, sendo elas, a personalidade, idade e sexo do enlutado, sua estabilidade
emocional, as circunstâncias da morte e o papel do falecido na vida do enlutado (CATERINA,
2008; BOWLBY 2004).

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Pode-se compreender até então, a importância do processo de luto na vida daquele que
perdeu alguém que se ama. No decorrer da pesquisa realizada, houve uma dificuldade em
encontrar autores que debatem de forma original sobre os passos para este processo. Todos os
artigos encontrados, que discutiam sobre o tema, citavam o mesmo autor ao colocar as fases
deste processo, sendo este, John Bowlby. De todas as obras encontradas dele, a mais atual é a
de 2004, onde descreve as fases de elaboração do luto. Este processo é dividido pelo autor em
quatro fases, sendo primeira a do entorpecimento, a segunda o anseio e busca, a terceira
desorganização e desespero e a quarta reorganização. Lembrando que as fases podem oscilar
no decorrer do processo, no entanto, a primeira e a última permaneceram sempre as mesmas.
Sendo assim, percebe-se a importância do processo de elaboração do luto, pois ao
elaborá-lo de forma natural, o indivíduo, após o período necessário para este processo (que
pode variar de 06 meses a 02 anos), conseguirá seguir com sua vida, reorganizá-la e se
adaptar à nova fase, a qual não inclui mais a presença do falecido. Deste modo, ao passar por
este processo, não significará que o enlutado não sofrerá mais a morte do ente querido, mas já
conseguirá lembrar-se do mesmo, de forma saudável, sem um sofrimento intenso e
devastador, apenas com saudades. Os sintomas de sofrimentos intensos podem voltar, mas
será algo repentino, e dar-se-á, em sua maior, em ocasiões propulsoras, como data de
falecimento, aniversário dentre outras (BOWLBY, 2004).
Em todo decorrer deste processo, o enlutado passa por variados tipos de reações, do
tipo, física, emocional, comportamental, social e espiritual, ambas consideradas normais neste
processo. Por isso, muitas vezes utilizam-se de medicamento, porém só é recomendado em
casos de suicídio, depressão, transtorno de ansiedade, visto que a medicação sem ser
necessária, pode retardar o processo de luto. E por se tratar de um processo delicado, que gera
sentimentos e comportamentos de sofrimento, se faz necessário um acompanhamento
profissional que lhe servirá de suporte (SOARES; MAUTONI, 2014).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Frente ao estudo exposto neste artigo, sobre morte, luto e seu processo de elaboração,
pode-se concluir que, a morte e o sofrimento são fenômenos que fazem parte de nossas vidas
e que não estão distantes de nossa realidade. Com a morte de um ente querido, o enlutado
passa pelo luto que gera grande sofrimento e alterações psicológicas, fisiológicas,
comportamentais, assim como alteração no contexto social em que o enlutado está inserido. O

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mesmo passa por diversos processos, como de negação, raiva, depressão, entorpecimento e
aceitação. Visto que tais sintomas vão se amenizando conforme vai ocorrendo a aceitação da
perda, quando não há tal aceitação o indivíduo passa por um processo de luto
patológico/complicado, que resulta em sintomas físicos e psíquicos.
Tal processo de luto causa grande sofrimento, fazendo-se necessário o apoio tanto
familiar como especializado, onde prioriza o acolhimento e a escuta deste indivíduo. E a partir
do momento em que se reconhece as fases do luto, se encaminha para um bom processo de
restabelecimento diante das perdas sofridas. Sendo assim, é importante que as pessoas
enlutadas expressem seus sentimentos de maneira que a dor seja partilhada e assim consiga
retomar e organizar sua vida.
O luto não é um tema muito abordado dentro da faculdade, visto que tal interesse pelo
tema surgiu após a realização de um curso intensivo sobre apego, luto e separação, que serviu
como base para a escolha pelo tema. Ao iniciar o projeto pode-se perceber que falar sobre o
luto, e escrever sobre o mesmo, seria um tanto difícil, já que não é um assunto muito
abordado, seja na faculdade ou até mesmo entre as pessoas. Dentro da literatura, encontram-se
livros de um ou outro autor que focam neste estudo e os artigos encontrados dentro da
temática, acabavam citando os mesmos autores. Sendo assim, pode-se perceber uma falta de
estudos recentes sobre um tema importante que se faz presente na vida de todos.
Desta forma, o estudo teve por objetivo, proporcionar ao leitor alguns pontos
relevantes sobre o luto e a importância em falar sobre o mesmo, bem como, discorrer sobre o
que de fato é o luto na vida de uma pessoa e como lidar com tal sofrimento, que são as fases
de elaboração do luto e sua importância.

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Revista FAROL – Rolim de Moura – RO, v. 6, n. 6, p. 76-48, jan./2018


Luto: uma descrição sobre os processos de elaboração do enlutado
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Recebido para publicação em janeiro de 2018


Aprovado para publicação em janeiro de 2018

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