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UNILOGOS

CENTRO DA FORMAÇÃO & LATO SENSU


FACMED – FACULDADE DE CIENCIAS MÉDICAS E JURIDICA
DISCIPLINA ETIOLOGIA NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

CEILA SZLACHTA

ESTUDO DE CASO
DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

JOINVILLE
2019
INTRODUÇÃO

Este trabalho contextualiza o estudo de caso de uma “paciente que relatou


sentir dores na região da articulação temporomandibular (ATM) e cervicalgia em uma
frequência de duas vezes por semana, fazendo uso de medicação analgésica para
alivio da sintomatologia de dor, cujo início ocorreu há dois meses. A paciente
apresentava dores contínuas e estalos no ouvido que desapareceram
espontaneamente. Segundo a anamnese da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a
paciente relatou preferência por calor, alimentos salgados e líquidos gelados.
Apresentava comportamento ativo, porém se sentia cansada e muito ansiosa
estando em uma fase de muito expectativa.
Diante do exposto, o caso possui relação com a Disfunção
Temporomandibular (DTM) sendo uma síndrome de patogenia endógena causada
por desordem harmônica no sistema estomatognático levando a comprometimento
muscular (dor, espasmos e tensão) e esquelético. Entre os principais sintomas,
destacam-se cefaléia, desvio e dor mandibular, limitação na abertura da boca e
tensão muscular na região cervical (RUI; MEIRELLES; SOUSA, 2011). Evidencia-se
que a presença de dor orofacial está associada com tecidos moles e mineralizados
da cabeça, face e pescoço, afetando o sistema nervoso trigeminal (PORPORATTI et
al., 2015).
O desenvolvimento desta síndrome está condicionado a aspectos
psicossociais como ansiedade e estresse que podem influenciar os hábitos
comportamentais (POZZEBON et al., 2016). A doença possui etiologia complexa e
multifatorial, sendo de origem articular ou muscular, e afetam os músculos
mastigatórios, ATM e estruturas associadas. Geralmente, as dores causam impacto
negativo na qualidade de vida da paciente, influenciando as atividades diárias, o
sono e o consumo alimentar (AMANTÉA et al., 2004; DONNARUMMA et al., 2010).
Possui elevada incidência e prevalência, principalmente, em mulheres de meia idade
AMANTÉA et al., 2004).

DESENVOLVIMENTO

O capítulo do desenvolvimento busca abordar a respeito da relevância do


Zang Fu como eixo central da MTC, e sua relação funcional com a fisiologia de
órgãos e os aspectos fisiopatológicos (PORPORATTI et al., 2015; SOARES, 2018).
No âmbito da MTC, existe uma interligação entre corpo, mente e emoções. Os
aspectos biopsicológicos do comportamento emocional influenciados por fatores
ambientais podem determinar respostas glandulares e provocar um desequilíbrio
dos Zang Fu. Sabe-se que a relação desequilibrada entre os Zang Fu e os padrões
emocionais podem se manifestar no comportamento e alterar a homeostase
orgânica impactando na qualidade de vida (PAESANO, 2017).
A ansiedade é considerada uma emoção normal e benéfica capaz de
impulsionar o indivíduo a avançar no dia a dia. Entretanto, quando aumenta a
intensidade e a duração do sentimento, ocorre também o aumento do sofrimento, da
preocupação e da irritabilidade, afetando o QI do fígado. Devido a isto, pode ocorrer
uma deficiência de sangue e aumento de yang do fígado, afetando a região do alto e
alterando a musculatura com o aumento na produção de ácido lático influenciando
até os músculos mais curtos da face e os responsáveis pela abertura e fechamento
da válvula do ouvido, podendo afetar os canais de vesícula biliar (diminuição bile,
rigidez em tendões e indecisão) e do triplo aquecedor (controle temperatura e
ansiedade nos três aquecedores). Essa condição pode ocasionar um estado crônico
de estagnação interna afetando o estomago e o baço.
O padrão pode estar associado com a elevação do Yang do fígado com vento
interno, o qual representa o órgão mais afetado pelo emocional. Para a
harmonização da paciente, os pontos de acupuntura sistêmicos a serem utilizados
são F2, R7, TA17, VB39, VB34 e VB20; e os pontos auriculares são DTM, F, IG e VB
(RUI; MEIRELLES; SOUSA, 2011). Neste sentido, alguns pontos de acupuntura
podem ser utilizados como IG4 sendo considerado o ponto de escolha para o
tratamento devido sua forte ação analgésica, anti-inflamatória e energética
(MACIOCIA, 1996; KAM; ESLICK; CAMPBELL, 2002). Outros pontos envolvem B15,
E6, E7, F3, ID19, TA17, Taiyang e Yintang considerados também de fácil acesso
promovendo a melhora da dor (PORPORATTI et al., 2015).

CONCLUSÃO

Na MTC, o indivíduo é tratado em uma visão holística e, neste sentido, a


acupuntura pode melhorar a qualidade de vida e a harmonização do paciente. A
utilização de pontos proporciona a liberação de neurotransmissores (encefalina,
endorfina e serotonina) que auxiliam no controle das emoções (ansiedade), a
diminuição da hiperatividade muscular, o relaxamento muscular, o alivio do processo
inflamatório e a regulação do fluxo do QI dos canais afetados.
No tratamento para harmonização da paciente, a acupuntura é indicada como
abordagem terapêutica de baixo custo já utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS)
eficaz através de técnicas com propriedades antiinflamatórias e com efeitos
neurohormonais endócrinos que visam minimizar as dores musculoesqueléticas
(PORPORATTI et al., 2015).
A sugestão quanto a esse caso seria vaso maravilhoso TA5 e VB41; B15
acalma a mente ,ansiedade, lamento nutre o coração, revigora o sangue, aquieta o
SHEN E6 expele vento da face, dificuldade de abrir a boca, nevralgia do trigêmeo;
E7 dor na mandibula, nevralgia, beneficia face e ouvidos; F3 controla yang do
fígado, rigidez nas costas, preocupação, acalma a mente, suaviza o fluxo do QI,
controla yang, extingue o vento; ID19 dorou prurido no ouvido, tinido e ATM; TA17
expele vento da face e beneficia ouvidos; R7 tonifica o rim, abre a via das águas,
tinido e tontura; TA22 ATM, trismo, elimina o vento e beneficia ouvidos e olhos; VB34
suaviza o fluxo do QI do fígado e sua estagnação, rigidez muscular, remove
obstrução canal; VB39 expele vento e nutre a medula, trata rigidez e dor pescoço;
B10 extingue o vento, subjuga yang fígado, melhora sensação de peso, rigidez
cervical; DU9 regula o fígado e vesícula, sensação de peso e relaxa o diafragma;
VB43 minimiza o calor e controla o yang do fígado, dor de ouvido e otite; VB39
subjuga o yang do fígado, expele vento e possui ação no pescoço; CS6 suaviza o
fluxo do fígado, abre o tórax, move o QI e o XUE do tórax, harmoniza o estomago e
é indicado para ansiedade; F2 seda o fogo do fígado cessando o vento interior e
acalma a mente; VB20 age nos ouvidos, dor e rigidez occipital, nutre a medula e o
cérebro; TA3 remove obstrução do canal, controla o yang do fígado e ameniza o
calor na região da cabeça.

REFERÊNCIAS

AMANTÉA, Daniela Vieira et al. A importância da avaliação postural no paciente com


disfunção da articulação tempor disfunção da articulação temporomandibular. Acta
Ortopédica Brasileira, v.12, n., p.155-159, 2004.
DONNARUMMA, Mariana Del Cistia et al. Disfunções temporomandibulares: sinais,
sintomas e abordagem multidisciplinar. Revista CEFAC., v.12, n.5, p.788-794, 2010.

KAM, E.; ESLICK, G.; CAMPBELL, I. An audit of the effectiveness of acupuncture on


musculoskeletal pain in primary health care. Acupuncture in Medicine, v.20, n.1,
p.35-38, 2002.

MACIOCIA, G. Os fundamentos da medicina chinesa. São Paulo: Rocca; 1996.

PAESANO, Marina. Emoções e Medicina Tradicional Chinesa. 2017. Disponível


em: http://marinapaesano.com.br/emocoes-e-medicina-tradicional-chinesa/. Acesso
em: 06 jul. 2019.

PORPORATTI, André Luís et al. Protocolos de acupuntura para o tratamento da


disfunção temporomandibular. Rev Dor., v.16, n.1, p.53-59, 2015.

POZZEBON, Daniela et al. Disfunção temporomandibular e dor craniocervical em


profissionais da área da enfermagem sob estresse no trabalho. Revista CEFAC.,
v.18, n.2, p.439-448, 2016.

RUI, Aliete; MEIRELLES, Maria Paula Maciel Rando; SOUSA, Maria da Luz Rosário
de. Relato de caso sobre o uso da acupuntura no tratamento da dor orofacial. Arq.
Ciênc. Saúde UNIPAR, v.15, n.3, p. 287-290, 2011.

SOARES, Thales Antônio Martins. Sistema de órgãos e vísceras da MTC - Zang


Fu. 2018. Disponível em: http://www.portalunisaude.com.br/arquivos/file/ZANG
%20FU%202018.pdf. Acesso em: 03 jul. 2019.