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ao lado do monumento a Cam6es, simbolo da tradi¢ao 6pi-

I - 0 narrador em foco ca portuguesa.


"E o homem de Estado, os dois homens de religi5o, to-

1 . 0 foco narrativo pode ser definido como a posi€ao do dos tres em linha, junto as grades do monumento, goza-
narrador diante da hist6ria que constrdi. E uma posicao ao vain de cabega alta esta certeza gloriosa da grandeza do
mesmo tempo t6cnica e ideol6gica. seu pals, - ali ao p6 daquele pedestal., sob o trio olhar
Do aspecto t6cnico, o narrador de 0 crime do padre Amaro de bronze do velho poeta, ereto e nobre, com os seus lar-
tern uma posicao onisciente: possui total conhecimento de to- gos ombros de cavaleiro forte, a epop6ia sobre o coracao,
a espada firme, cercado dos cronistas e dos poetas her6i-
dos os fatos e situa€6es. Veja este paragrafo sobre o padre
cos da antiga p5tria - p5tria para sempre passada, me-
Jos6 Migueis, logo no inicio do romance:
m6ria quase perdida!" (cap. XXV)
'`Nunca fora querido das devotas; arrotava no confessio-

n5rio, e, tendo vivido sempre em freguesias da aldeia ou


da serra, nao compreendia certas sensibilidades requinta-
das da devogao: perdera por isso, logo ao principio, qua-
se todas as confessadas, que tinham passado para o poli-
do padre Gusm8o, tao cheio de labia!" (cap.I)

Por dominar a vida do personag.em no presente e no passa-


do, o narrador nao e neutro na apresentacao da hist6ria. As-
sim, ele estabelece o comportamento do paroco Jose Migueis,
como tamb6m o das devotas, que irao procurar o padre Gus-
mao. A16m disso, ele faz urn comentario sobre este tiltimo:
"tao cheio de labia!''.

Agora, faca voce uma analise semelhante sobre a onis-


ciencia do narrador no paragrafo que segue, o tiltimo do ro-
mance. Nao se esque€a de que os personagens encontram-se