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Empirismo – Revisão de Filosofia para o Enem

Relembre sobre os pensadores e cientistas Francis Bacon, John Locke e David

Revisão de Filosofia Enem e Vestibular. Veja o que é o Empirismo, uma linha de


pensamento que vai na direção contrária do Racionalismo. Entenda o que é o
pensamento ‘indutivo’. O debate está na origem do Método Científico.

O empirismo é uma corrente filosófica contrária ao racionalismo. Os empiristas


entendem que o conhecimento não é puro e abstrato como frequentemente defendem
os racionalistas. Os empiristas acreditam que o conhecimento só pode ser adquirido
através dos sentidos e do acumulo de experiências que experimentamos ao longo da
vida.

O conhecimento adquirido por meio de empiria é considerado “indutivo”, ou seja, ao


realizarmos uma experiência com um determinado objeto, os resultados produzidos
nela nos induzem a certas conclusões.

Já os conhecimentos advindos da
pratica racionalista seriam abstratos, portanto “dedutivos”, ou seja, os seres humanos
criariam hipóteses que são explicações abstratas e teóricas sobre um determinado
objeto.

 Gostou do assunto, e quer aprofundar?


 Veja aqui as dicas sobre O Método Científico:
 As explicações racionalistas (dedutivas) partem sempre do universal (teoria)
para o particular (o que se quer explicar).
 Já as explicações empiristas (indutivas) fazem um caminho contrário partem do
particular (o que se quer explicar) para o universal (criação da teoria que
explicara o objeto pesquisado).

Os critérios essenciais: 1 – Observação; 2 – Repetição; e, 3 – Comparação dos


Resultados

Assim, com a Observação; com a Repetição; e com a Comparação dos Resultados


são considerados três os critérios para generalização indutiva.

1. Devemos observar inúmeras vezes um fenômeno;


2. Devemos repetir as observações em diversas condições como: variar a
localização da experiência, a temporalidade e a intensidade dos testes de um
mesmo objeto;
3. Por fim, as premissas que constroem uma teoria não podem ser diferentes
daquilo que se quer provar, ou seja, os resultados obtidos em uma experiência
não podem ser diferentes do que a teoria fala.
Os grandes pensadores do Empirismo

Francis Bacon (1561-1626 / Renascimento)

Francis Bacon (que no Brasil os professores e estudantes apelidam de Chico Toicinho)


foi um filósofo renascentista que se propunha escrever um tratado filosófico que
pudesse organizar a produção do conhecimento.

De tradição empirista, Francis Bacon acreditava que o conhecimento proveniente da


Grécia Antiga e da Idade Média estava ultrapassado. Seu foco maior era superara a
filosofia aristotélica. Para isso, ele escreveu uma obra chamada “Novum organum”
(“Novo método”), publicado em 1620.

No seu entendimento, o homem deveria dominar a natureza. Este pensador percebia a


natureza como uma grande máquina e se o homem entendesse como funcionavam as
engrenagens desta grande máquina, então poderia reverter para si benefícios. Por
este motivo, afirmava Bacon: “saber é poder”.

Francis Bacon, faz a seguinte divisão para a ciência, são elas: poesia ou ciência da
imaginação; história ou ciência da memória; a filosofia ou ciência da razão. Bacon
subdividiu a história em duas: natural e civil. Já na filosofia o pensador fez uma
distinção entre: filosofia da natureza e antropologia.

Dica 2 – O Exame Nacional do Ensino Médio está chegando! Revise sobre as


principais características do Helenismo nesta aula preparatória para prova de
Filosofia Enem .

Bacon acreditava ainda que para uma produção do conhecimento correto, nós
devêssemos evitar o que ele chamava de “Ídolos”. Os Ídolos são classificados em
quatro: Idola Tribus (ídolos da tribo), são os próprios homens que criam explicações do
mundo a partir deles mesmo, ou seja, de nossa própria natureza, abastração; Idola
Specus (ídolos da caverna), corresponde a educação que pode em certo sentido
limitar o avanço do conhecimento;

Idola Fori (ídolos da vida pública do fórum ou do mercado), diz respeito ao mau uso da
linguagem, ou seja, o emprego errôneo da linguagem quanto a comunicação; Idola
Theatri (ídolos do Teatro ou da autoridade), diz respeito aos sistemas filosóficos que
se transformam em autoridades (dogmas) e que portanto são difíceis de serem
questionados.

Na tentativa de estabelecer um critério experimental para o método indutivo, Bacon


recomenda o uso de três “Tábuas”. São elas: tábua de presença, verificar a existência
do objeto investigado; tábua de ausência, investigar a ausência de fenômenos e do
próprio objeto investigado em condições diferentes; tábua de comparação, produzir
uma análise do que foi apresentado nas demais tábuas.

Bacon foi importante por estabelecer o primeiro esboço de uma técnica cientifica
moderna, mesmo assim não avanço em suas pesquisas nas ciências naturais. Está
gostando desta aula sobre o Empirismo? Veja os vídeos e os demais pensadores para
completar o seu raciocínio.

Aula gratuita sobre Francis Bacon – Vídeo do canal Poliedro.


John Locke (1632-1704 / Iluminismo)

O filósofo John Locke tem uma significativa contribuição na política. Porém, neste
momento vamos estudar suas orientações quanto à questão do método indutivo.
Locke acreditava que a mente humana seria como uma “folha em branco”.

John Locke.

Desde que nascemos vivenciamos experiências que são percebidas pelos nossos
sentidos. Deste modo o pensador acreditava que ao nascermos não haveria ideias
inatas em nossa mente. Todo o conhecimento seria adquirido pelas frequentes
experiências que somamos ao longo de nossas vidas.

Para confirmar tal hipótese, o filósofo tenta responder a duas questões centrais quanto
ao método indutivo. São elas: De onde se originam os pensamentos e as noções que
os seres humanos produzem acerca do mundo exterior? Podemos confiar nas
informações que percebemos através de nossos sentidos?

Dica 3 – Pronto para gabaritar no Exame Nacional do Ensino Médio? Estude para
prova de Filosofia Enem com esta aula de revisão sobre Aristóteles

O melhor exemplo é uma criança. Ao nascer, a criança seria apresentada a um mundo


ao qual ela ainda não conhece, portanto não faz ideia do que ele representa e de
quais riscos ele oferece. Locke diz que as primeiras experiências vividas por nós são
entendidas como “ideias sensoriais simples”. Locke também acredita que ao
vivenciarmos as experiências nossa mente conseguiria produzir uma reflexão sobre o
que os sentidos estão percebendo e a isto os chama de “ideias de reflexão”. Deste
modo Locke busca estabelecer uma diferenciação entre “sensação” e “reflexão”.

Para isso Locke estabelece que através das experiências a mente humana registraria
a ideia das coisas. Deste modo o nosso cérebro seria capaz de dar sentido ao que nós
vivenciamos. Bom, para Locke, o nosso cérebro faria uma classificação do que seriam
as “qualidades sensoriais primarias” e “qualidades sensoriais secundárias” das coisas
que experimentamos.

As “qualidades sensoriais primárias” são entendidas por Locke como sendo: o peso, a
forma, movimento e número das coisas, ou seja, os objetos em si mesmos; Já as
“qualidades sensoriais secundárias”, dizem respeito aos efeitos que os objetos
produzem em nós ao experimentá-los como: calor, frio, doce, salgado, claro, escuro,
ou seja, são as sensações que os objetos nos passam em uma experiência. Neste
sentido as sensações são as impressões que temos dos objetos.

David Hume (1711-1776 / Iluminismo)

David Hume é o maior expoente da teoria empirista, foi com ele que o método indutivo
chegou ao auge. Sua proposta quanto ao método indutivo era a de afirmar que: os
nossos sentidos apesar de nos fornecerem impressões, estas, as impressões, não são
iguais as nossas ideias. Hume interpreta que as ideias são mais fracas que as
impressões. A partir dos nossos sentidos nossa mente faria associações diversas que
somadas produziriam o que chamamos de ideias.
Deste modo por “impressão”, Hume entende a percepção, a experiência vivida no ato
do acontecimento. Por “ideia”, ele entende a lembrança ou a imaginação de uma
impressão. Por exemplo: um dia você já deve ter caído de algum modo e se
machucado. O ato de cair e de sentir a dor, no momento em que acontece é o que
Hume chama de “impressão”.

Depois de passado algum tempo, quando você se lembra do tombo, Hume diz que
você faz uma “ideia” do ocorrido. Do mesmo modo, quando um colega seu diz que
caiu, podemos dizer que ele teve a impressão. Depois do ocorrido quando ele conta
para você sobre o tombo tanto ele como você fazem uma ideia do que aconteceu.

Ele faz a ideia porque lembra como tudo aconteceu e você também, isso porque
provavelmente você já caiu e essa experiência ficou gravada em sua mente, daí sua
capacidade de ter ideia do que aconteceu com seu amigo.

Esta interpretação de “ideia” e “impressão” fazem com que Hume ache pouco provável
que o homem possa ser capaz de criar algo realmente novo. Para ele, no máximo, os
seres humanos conseguiriam fazer meras associações, ou seja, não seriamos
criativos. Ex: unicórnios, extra-terrestres, lobisomem, sereias etc.

Seguindo este principio da associação, Hume polemiza quanto a ideia de causa e


efeito, chamando de “causalidade”. A teoria da causalidade defende que há um habito
humano de perceber similaridade em fenômenos que ocorrem cotidianamente,
produzindo em nós uma crença para determinado acontecimento.

Para Hume esta percepção não é um evento racional e sim psicológico. Portanto para
Hume a causalidade (causa e efeito) não existiria no mundo natural. Isso abre espaço
para a incerteza do mundo que nos rodeia de modo que conseguiríamos apenas nos
aproximar sobre realmente o que pesquisamos.

Uma vez deflagrada a possibilidade da incerteza, ou seja, de não termos a certeza de


que as coisas realmente podem acontecer, Hume aplica à teoria indutivista o emprego
da matemática a partir de cálculos de probabilidade. Deste modo o pensador entende
que não podemos ter certeza se um fenômeno qualquer vai acontecer ou não, mas
podemos pelo menos calcular as chances em que um fenômeno pode acontecer.