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Filósofos Pré-Socráticos

Se você tivesse que encontrar um elemento na natureza que fosse o princípio de


tudo, qual seria? Este foi o desafio dos primórdios da Filosofia, com os Pré-
socráticos. Vamos ver o que eles encontraram como elemento primordial?

Ao estudarmos o conceito de filosofia vimos que o primeiro filósofo foi Tales de


Mileto. Tales acreditava que a origem do Universo seria a partir da água. Vamos
entender melhor?

Pré-socráticos são aqueles filósofos que vieram antes de Sócrates. Para ser mais
preciso, alguns filósofos conhecidos como pré-socráticos nasceram depois de
Sócrates, mas são classificados neste grupo por estarem dentro desta tarefa filosófica,
isto é, Sócrates construiu uma Filosofia embasada no próprio Ser Humano enquanto
os pré-socráticos embasaram sua Filosofia na Natureza.

Você lembra como são chamados os primeiros filosófos gregos?

Os primeiros filósofos gregos são frequentemente chamados de “filósofos da physis”,


palavra de origem grega que significa fazer surgir, fazer brotar, fazer nascer, produzir,
isto é, “filósofos da natureza”, porque se interessavam, sobretudo pela natureza e
pelos processos naturais.

Eles tinham uma coisa em comum: acreditavam que determinada substância básica, a
arché, palavra grega que significa “o que está na frente, à origem, o começo”, estava
por de trás de todas as transformações da natureza.

Podemos dizer que os filósofos da natureza deram os primeiros passos na direção de


uma forma científica de pensar. Sendo que a maior parte de tudo o que os filósofos
disseram e escreveram ficou perdida para a posteridade. E a maior parte do pouco
que sabemos está nos escritos de Aristóteles, que viveu duzentos anos depois dos
primeiros filósofos.

Dica 1: Saiba o conceito de filosofia . É básico para você mandar bem no Enem.

Os principais Filósofos Pré-Socráticos:


Tales de Mileto (624 – 546 a.C.): Para ele, a água por permanecer basicamente a
mesma, apesar de assumir diferentes estados: sólido,líquido e gasoso, seria o arché,
a substância primordial, a origem de todas as coisas.

Anaximandro (610 – 546 a.C.): Para esse filósofo, o princípio primordial deveria ser
algo que transcende os limites da observação, ou seja, não podia ser uma realidade
ao alcance dos sentidos, como a água. Por isso, denominou o apeíron, termo grego
que significa “o indeterminado”, “o infinito” no tempo.

Ele achava que nosso mundo era apenas um dos muitos mundos que surgem de
alguma coisa e se dissolvem nesta alguma coisa que ele chamava de infinito
(apeíron). O infinito para Anaximandro é aquilo a partir do qual tudo surge e é
completamente diferente do que é criado.

Anaxímenes (585 – 528 a.C.): Para Anaxímenes o ar ou o sopro de ar era a


substância básica de todas as coisas. Para ele, a água era o ar condensado (de
menos volume). Podemos observar que quando chove, o ar se comprime até virar
água. Acreditava ainda que se a água fosse mais comprimida ela se transformaria em
terra.

Parmênides (515 – 445 a.C.): Parmênides acreditava que tudo o que existe sempre
existiu. Sendo que nada pode surgir do nada e nada que existe pode se transformar
em nada. Ele considerava totalmente impossível qualquer transformação real das
coisas. Nada pode se transformar em algo diferente do que já é.

A partir da premissa de que algo existe – É –, Parmênides deduziu que esse algo não
pode também não existir – NÃO É -, pois isso envolveria uma contradição lógica.
Portanto, seria impossível existir um estado do nada- NÃO HAVERIA UM VAZIO.
Assim, algo não pode vir do nada: deve sempre ter existido em alguma forma.

É claro que Parmênides sabia que das constantes transformações que ocorrem na
natureza. Mas ele não conseguia harmonizar isto com aquilo que sua razão lhe dizia.
E quando era forçado a decidir se confiava nos sentidos ou na razão, decidia-se pela
razão.

Todos nós conhecemos a frase: “Só acredito vendo”. Mas, Parmênides não acreditava
nem quando via. Ele dizia que os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do
mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.

Heráclito (535 – 475 a.C.): “Tudo flui”, dizia Heráclito. Tudo está em movimento e
nada dura para sempre. Por esta razão, “não podemos entrar duas vezes no mesmo
rio”. Isto porque quando entro pela segunda vez no rio, tanto eu quanto o rio já
mudamos.

Heráclito entendia o mundo governado por um logos divino. Às vezes interpretado


como “razão” ou “argumento”, considerava o logos uma lei universal, cósmica, de
acordo com a qual todas as coisas começam a existir e todos os elementos materiais
de universo são mantidos em equilíbrio.

Heráclito também nos chama a atenção para o fato de que o mundo está impregnado
por constante opostos – dia e noite, quente e frio, por exemplo. Se nunca ficássemos
doentes, não saberíamos o que significa saúde.

Tanto o bem quanto o mal são necessário ao todo, dizia Heráclito. Sem a constante
interação dos opostos o mundo deixaria de existir.
Empédocles (490 – 430 a.C.): Empédocles acreditava que a natureza possuía ao
todo quatro elementos básicos, também chamados “raízes”. Estes quatro elementos
era a terra, o ar, o fogo e a água.

Todas as transformações da natureza seriam resultado da combinação desses quatro


elementos, que, depois, novamente se separavam um do outro. Pois tudo consiste em
terra, ar, fogo e água, só que em diferentes proporções de mistura.

Esses elementos seriam movidos e misturados de diferentes maneiras em função de


dois princípios universais opostos:

 Amor: responsável pela força de atração e união e pelos movimentos de


crescente harmonização das coisas;
 Ódio: responsável pela força de repulsão e desagregação e pelo movimento de
decadência, dissolução e separação das coisas.

Anaxágoras (500 – 428 a.C.): Anaxágoras achava que a natureza era composta por
uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu. Tudo pode ser dividido
em partes ainda menores, mas mesmo na menor das partes existe um pouco de tudo.

Anaxágoras também imaginou um tipo de força que seria responsável, por assim
dizer, pela ordem e pela criação de homens, animais, flores e árvores. A esta força ele
deu o nome de inteligência.

Demócrito (460 – 370 a.C.): Afirmou que todas as coisas eram constituídas por uma
infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna e
imutável. A estas unidades mínimas Demócrito Deu o nome de átomos. A palavra
átomo significa “indivisível”.

Além disso, as “pedrinhas” constituintes da natureza tinham que ser eternas, pois nada
pode surgir do nada. Sendo que essas “pedrinhas”, segundo Demócrito, possuíam
formatos diferentes: alguns arredondados e lisos outros irregulares e retorcidos. E por
suas formas serem tão irregulares é que eles podiam ser combinados para dar origem
aos mais variados corpos.

Demócrito acreditava que a alma era composta por alguns átomos particularmente
arredondados e lisos, os “átomos da alma”. Quando uma pessoa morre, os átomos de
sua alma espalham-se para todas as direções e podem agregar a outra alma, no
mesmo momento em que é formada.

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Resumindo: Os filósofos pré-socráticos buscam um elemento, a arché, isto é, que é o


começo de tudo, para explicar a própria natureza, por isso ficaram conhecidos como
filósofos da physis, ou seja, filósofos da natureza.