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Física Geral I - Mecânica

Cinemática
Aula 2

Prof. Marcelo Musci. DSc.


aula@musci.info

Set/2018
Referências de Aula

▪ Googleclassroom
◼ https://classroom.google.com
◼ Código vnq8kbk

▪ Livros texto
◼ Young, Hugh D. Física 1, Sears e Zemansky:
mecânica -14. ed. - São Paulo: Pearson Education
do Brasil, 2016.
◼ Halliday, D. Fundamentos de física, volume l :
mecânica - Rio de Janeiro : LTC, 2012.
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Física Geral I - Mecânica
▪ A Mecânica é a parte da Física que estuda o estado de
movimento dos corpos. Ela é dividida em três áreas:
▪ Cinemática: Descreve o movimento dos objetos sem se
preocupar com suas causas, abrangendo os conteúdos
de movimento retilíneo uniforme, movimento
uniformemente variado, grandezas vetoriais nos
movimentos e movimento circular.
▪ Dinâmica: É o estudo dos movimentos e suas causas. Tem
como base de seus conteúdos as Leis de Newton.
▪ Estática: Estuda o equilíbrio de um sistema sob a ação de
várias forças.

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Introdução

Movimento em duas ou três Dimensões

▪ Une a matemática vetorial com a linguagem


cinemática.
▪ Usar vetores para representar a posição e a
velocidade de um corpo em duas ou três dimensões.
▪ Resolver problemas que envolvem a trajetória em
curva percorrida por um projétil.
▪ Analisar o movimento em uma trajetória circular.

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Vetores dependentes do tempo
Na natureza há inúmeros exemplos de grandezas vetoriais que variam no tempo.
Estamos intressados na posição e deslocamento de um corpo em movimento
bidimensional ou tridimensional, e na velocidade e aceleração deste corpo.

Posição e deslocamento y

A trajetória é o lugar geométrico dos pontos do


Q
espaço ocupados pelo objeto (planeta, cometa, P 
 r 
foguete, carro etc) que se movimenta. Qualquer ponto rP rQ
da trajetória pode ser descrito pelo vetor posição que

denotamos por r (t ) .
   x
O deslocamento r entre os pontos rP e rQ é dado por:
  
r = rQ − rP


Note que r não depende da origem.
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Posição e deslocamento
O vetor posição em 2D fica definido em termos de suas
coordenadas cartesianas por:


r (t ) = x(t )iˆ + y (t ) ˆj No caso espacial, 3D, temos

r (t ) = x(t )iˆ + y (t ) ˆj + z (t ) kˆ

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Posição e deslocamento
Ex.: um ponto na trajetória de um móvel é
dado pelas equações (em unidades SI):
x(t) = 0,2t2+5,0t + 0,5
y(t) = -1,0t2+10,0t + 2,0

  
Calcular r = r (6) − r (3)

em t = 3 s : x(3) =17 m e y(3) =23 m


em t = 6 s : x(6) =38 m e y(6) =26 m
Daí: r = r (6) − r (3)  (21iˆ + 3 ˆj ) m

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Velocidade
Como no caso unidimensional, o vetor velocidade média é:
  
 r (t +t )−r (t ) r x ˆ y ˆ
vm = = = i+ j
t t t t y
trajetória
O vetor velocidade instantânea é:
  
 r (t +t )−r (t ) dr 
v = lim = (1)  r

t →0 t dt r (t ) r ( t + t )
Em termos de componentes cartesianas:
 x
 d r (t ) dx ˆ dy ˆ 
v= = i+ j ou: v = v x iˆ + v y ˆj
dt dt dt
Decorrências da definição (1):

a) v é sempre tangente à trajetória;
b) v coincide com o módulo da velocidade escalar definida
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anteriormente.
Exercício

9
+

10
Aceleração
Novamente como no caso 1D, a aceleração média é:
  
 v (t +t )−v (t ) v v x ˆ v y ˆ
am = = = i+ j
t t t t
A aceleração instantânea é:
    2
 v (t +t )−v (t ) dv  dv d r (t )
a = lim = (2) ou: a= =
t →0 t dt dt dt 2
Em termos de componentes cartesianas:
 
 d v (t ) dv x ˆ dv y ˆ
a= = i+ j ou: a = a x iˆ + a y ˆj
dt dt dt
Decorrências da definição (2):
a) a aceleração resulta de qualquer variação do vetor velocidade

(quer seja do módulo, da direção ou do sentido de v );
b) O vetor aceleração está sempre voltado para o “interior” da
trajetória.
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Aceleração
Voltando ao exemplo do móvel, as componentes do vetor
velocidade são:
dx d
vx = = (0,2t 2 + 5,0t + 0,5) = 0,4t + 5,0
dt dt
dy d
v y = = ( −1,0t 2 + 10t + 2,0) = − 2,0t + 10
dt dt
Em t =3 s:
dx
= 6,2 m / s
dt 
dy v = (6,2iˆ + 4,0 ˆj ) m/ s
= 4,0 m / s
dt
As componentes do vetor aceleração são:
dv d Ângulo:
a x = x = (0,4t + 5)=0,4m/ s 2 
dt dt a =(0,4iˆ − 2,0 ˆj ) m/ s 2 ay − 2,0
dv y d tg  = = = − 5,0
a y= = (− 2,0t +10)= − 2,0m/ s 2 ax 0,4
dt dt
   − 79o
12 Módulo: a = a = a x 2 + a y 2  4,2 = 2,0 m / s 2
Aceleração

O problema inverso

Conhecida a aceleração a (t ) ,
podemos integrá-la e obter a velocidade:
t
  
v (t ) − v0 =  a (t ) dt 
t0

que, se integrada, nos fornece o deslocamento:


t
  
r (t ) − r0 =  v (t ) dt 
t0

Este processo deve ser efetuado para cada componente cartesiana


do vetor considerado.
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Aceleração

Aceleração constante → teremos um movimento no plano


definido pelos vetores velocidade inicial e aceleraçao:
Movimento 2D
Vamos escolher os eixos de tal forma que o movimento se
dê no plano xy.

Aceleração constante no plano xy: ax e ay constantes


ou seja: 2 problemas 1D independentes

Teremos um MRUA na direção x e outro na direção y.


Movimento Retilíneo Uniformemente Acelerado
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Aceleração
  ˆ ˆ
 d v (t ) dv x ˆ dv y ˆ
a= = i+ j  a =a xi + a y j
dt dt dt

 1 2
componente x de r x = x0 + v0 x t + a x t
2

componente x de v v x = v0 x + a x t
 1 2
componente y de r y = y0 + v0 y t + a y t
2

componente y de v v y = v0 y + a y t

Basta trocar x por y nas equações do MRUA


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Aceleração

Caso Particular: Aceleração da gravidade

Nesse caso ay = -g e ax= 0. Na direção x, vx é constante!



ax= 0 componente x de r x = x0 + v0 x t

ax= 0 componente x de v v x = v0 x = constante
 1 2
componente y de r y = y 0 + v0 y t − gt
 2
componente y de v v y = v0 y − gt

r0 = x0iˆ + y0 ˆj
Em t = 0:   ˆ
v0 = v0 x i + v0 y ˆj

16 Nota: r0 e v0 são as condições iniciais do movimento.


Aceleração da gravidade
Exemplo: Bola sai do penhasco com v = 10 m/s na horizontal.
a) descreva o movimento, ou seja, ache vx(t), vy(t), x(t) e y(t).
Condições iniciais: v0x = 10 m/s ; v0y = 0
Sinal de g incluído nas x0 = 0 ; y0 = 0 ;
fórmulas! g = 9,8 m/s2 
r
As componentes da velocidade são:
vx = v0x = 10 m/s
vy = v0y – gt = (-9,8 t) m/s
As componentes do vetor posição são:
x = x0 + v0x =10t m
y = y0+ v0yt – ½ gt2 = (-4,9 t2) m
 𝑦 −4,9.1
b) ache os ângulos  e   de r e 𝑡𝑔𝜃 = 𝑥
= 10.1
= −0,49 ⇒ 𝜃 = −26,1°
 
v com a horizontal em t =1,0 s v = (10iˆ − 9,8t ˆj ) m / s
 ˆ − 4,9t 2 ˆj ) m
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r = (10t i 𝑡𝑔𝜃′ =
𝑣𝑦
=
−9,8.1
= −0,98 ⇒ 𝜃 = −44,4°
𝑣𝑥 10.1
Aceleração da gravidade
Se tomamos x0 = y0 = 0 (saindo da origem):
de x = v0xt temos: t = x/v0x
Substituindo na equação para y
encontramos a equação da trajetória:
v0 y 1 g 2
y= x− 2
x (Equação de uma parábola !)
v0 x 2 v0 x y = bx + ax2
Fotografia estroboscópica
do movimento parabólico
x y
0,0 0,0
0,5 0,5
1,0 0,9
g = 9,8 m/s2 2,0 1,6
3,0 2,1
v0 = (7,07î +7,07𝑗)Ƹ m/s 4,0 2,4
x0 = 0 5,0 2,6
6,0 2,5
y0 = 0 7,0 2,2
ϴ0 = 45° 8,0 1,7
9,0 1,1
10,0 0,2
18
10,2 0,0
Aceleração da gravidade

A chave para analisar o movimento de um projétil é


tratar as coordenadas x e y separadamente.

Na figura ao lado, duas bolas são jogadas sob a ação


da gravidade. A vermelha é solta (v0y= 0) e a amarela tem
velocidade inicial horizontal v0x.

O movimento horizontal do projétil da direita não tem


efeito sobre seu movimento vertical.

Em cada instante elas têm a mesma altura!

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Movimento de um projétil
Se desprezarmos a resistência do ar, a trajetória de um projétil é uma combinação
do movimento horizontal com a velocidade constante e do movimento vertical com
a aceleração constante:

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Movimento de um projétil

Objeto lançado com velocidade v0 ( v0 x  0, v0 y  0) , formando
um ângulo  0 com a horizontal.
v x = v0 x = v0 cos  0 = constante
v y = v0 y − gt = v0 sen  0 − gt
Tempo para atingir altura
máxima h (quando v y = 0):
v0 y v0 sin  0
th = =
g g
Altura máxima h :
1 2 (v0 sin  0 )
2

h = v0 sin  0th − gt h =
2 2g
Note que o movimento é simétrico: o corpo leva um tempo th
para subir e o mesmo tempo th para voltar ao mesmo nível.
Movimento de um projétil

Alcance: distância horizontal percorrida até o objeto voltar à


th th
altura inicial :
Onde th é o tempo
x = x0 + vox t ➔ R = v0 cosϴi 2th que o projétil alcança
𝑣0𝑦 𝑣0 𝑠𝑖𝑛𝜃𝑖 altura máx.
𝑡ℎ = =
𝑔 𝑔
2𝑣0 𝑠𝑖𝑛𝜃𝑖 𝑣02
𝑅 = 𝑣0 cos 𝜃𝑖 = 𝑠𝑖𝑛2𝜃𝑖
𝑔 𝑔
sen (2ϴ) = 2 . sen (ϴ) . cos (ϴ)

Para um dado módulo da


velocidade inicial, o alcance será
máximo para:
20 =  / 2  0 = 45 o
v 20
Então: Rmax =
g
Movimento de um projétil

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Exemplo
Uma bola de beisebol deixa o bastão do batedor com uma velocidade inicial v0 =
37,0 m/s com um ângulo inicial a0 = 53,1º.
(a) Ache a posição da bola e o módulo, a direção e o sentido de sua velocidade
para t = 2,00 s. (b) Calcule o tempo que a bola leva para atingir a altura máxima
de sua trajetória e ache a altura h nesse instante. (c) Ache o alcance horizontal R
- ou seja, a distância entre o ponto inicial e o ponto onde a bola atinge o solo - e
a velocidade da bola imediatamente antes de alcançar o solo.
A bola de beisebol é batida cerca de um metro acima do solo, mas desprezamos
essa distância e supomos que o movimento se inicia no nível do solo (y0 = 0).

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Exemplo

25
Exemplo

26
Exemplo
𝑣02 372
Alcance: 𝑅= 𝑠𝑖𝑛2𝜃𝑖 = sin 2.53,1 ≈ 134m
𝑔 9,8

27
Exercício

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