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Estudos para apresentação – Alberdi – Os interesses argentinos na guerra do Paraguai

com o Brasil.
Considerações gerais sobre o texto :
Alberdi coloca a guerra do paraguai como elemento de continuidade das guerras
civis argentinas.
Há uma tendência a defesa da causa paraguaia e um interessante esboço de alguns
argumentos que serão aproveitados futuramente pelos revisionistas (ditadura
paraguaia como defesa para garantir a independência, importância da abertura a
força do comercio no rio paraguai, maquinações do brasil e da Inglaterra e etc.);
CARTA I

- Alberdi entende a Guerra do Paraguai como mais uma das fases das guerras Civis entre
as províncias e Buenos Aires. Isso se dá porque a própria existência do Paraguai, segundo
Alberdi, é resultado deste litígio com Buenos Aires, motivado principalmente pelas
rendas da aduana e a liberdade do comércio.
- Ao que parece, Alberdi tenta, nesta carta, explicar seus argumentos àqueles que o
criticaram por assumir uma postura bastante contrária à guerra e favorável à causa
paraguaia. Essa carta é, ao que parece, uma resposta direta às criticas recebidas por
ocasião da publicação de “Les dissension des republique de la plata et les machination
du Brésil”, recebido como um ato de traição ou resultado de uma “pena comprada” por
López.
- Alberdi teima em demonstrar a coerência de sua posição, dizendo que sempre foi um
antagonista da tendência centralizadora de Buenos Aires e colocando o Paraguai como
atual aliado da “resistência liberal” nessa contenda.
- Tem um grande elefante na sala! As críticas duras feitas ao sistema paraguaio e a
constituição do país em “Bases y puntos de partida”, para se livrar desse problema,
Alberdi faz um malabarismo grande e diz que “Nunca criticou diretamente ao Paraguai,
e sim sua constituição, coisa que fez também com relação à sua própria argentina”.
“Confundir a constituição de um país com o próprio país é um absurdo. O ódio a
suas leis ruins é amor ao seu engrandecimento” (p.7)
“As razões que tive para atacar a constituição do Paraguai, há doze anos, são
cabalmente as que tenho para aplaudir a política exterior em que se lança hoje
essa república, buscando uma constituição digna disso, que a colocará, sem
dúvida, em contato direto com o mundo civilizado”;

- Curiosa mudança de argumento em relação à transferência de riquezas para a Inglaterra.


Alberdi parece agora preocupado com a ação inglesa na Argentina e com uma tendência
ainda maior de transferência de recursos locais para Londres. Uma contradição em relação
ao liberalismo extremado dos seus textos antigos.
- Alberdi continua com a peroração sobre o Paraguai. Interessante perceber como ele aqui
afasta qualquer colocação de sentido racial mais profundo para o país guarani. Ele chega
a defini-lo mesmo como “povo cristão europeu de raça”;
- Outro ponto importante de crítica que Alberdi busca rebater: Como criticar a atual
aliança com o Brasil tendo sido à favor da aliança com o império para a derrubada de
Oribe e Rosas durante a Guerra Grande?
- A tríplice aliança, na visão de Alberdi, teria como objetivo:
1- Garantir a integridade de Mato grosso para o Brasil e
2- Derrotar o Presidente do Paraguai para enfraquecer aliados importantes às forças
contrárias a dominação imperial no Prata.
Carta II- (A questão da traição e do patriotismo na Argentina)
- Patriotismo e traição são, segundo alberdi, conceitos flexíveis na Argentina. Essa
flexibilidade só reforça a ideia de que, apesar de unificada, a argentina está longe de ser
um país coeso. Ela segue dividida em interesses diametralmente opostos, a pátria que se
defende em Buenos aires não é a mesma pátria das províncias, diz alberdi.
- Alberdi aposta na argumentação sobre “as duas argentinas”. Para ele: esses dois países
se dividem da seguinte forma: Na hora de produzir riquezas todos são iguais, mas na hora
de desfrutá-las não. Essa divisão cria um país soberano (Buenos aires) e outro vassalo
colonial (províncias);
- Alberdi cria aqui uma argumentação que procura criar um paralelo entre Buenos Aires
e a Espanha pré 1810. “Coloque Buenos aires no lugar da Espanha e tereis tudo arranjado
como estava antes de 1810”; (p.10)

Carta III - (Sobre a noção de “lesa pátria”)


- Aqui Alberdi direciona seus ataques a Mitre e responde às acusações de “lesa pátria”
reforçando sua lealdade à Argentina (e não a Buenos Aires) e atacando a Mitre por sua
participação sob a bandeira Oriental na batalha de Monte Caceros.

Carta IV – (sobre as ideias da oposição liberal)


- Segundo Alberdi, o que Mitre define como ideias nacionalistas é, na verdade, a defesa
de sua bandeira localista que justifica o ataque a um país estrangeiro em nome de uma
incipiente “honra nacional”;
- A guerra do Paraguai cumpre a função de reforçar este localismo Buenoairense e
transformar as oposições à esta primazia em oposições à nação argentina. Mitre faz do
conflito uma forma de transformar oposição ao localismo em antinacionalismo. Para
Alberdi, a Guerra é um instrumento de consolidação do poder de Buenos Aires, a política
centralizadora de Mitre é, nesse sentido, a continuação da de Rosas, para Alberdi.
Carta V - (A oposição à Mitre e a oposição à Rosas)
- A aproximação com o Paraguai é uma tendência das posturas liberais anti-buenos aires.
Os liberais que hoje controlam o governo foram, durante o período de Rosas, aliados
ferrenhos do país guarani.
- “Assim, a velha causa do general Rosas, a do localismo de Buenos aires,
transformada e apoiada em aliança com o Brasil, os atuais patriotas argentinos
respondem com a velha causa nacional apoiada em aliança com o Paraguai, como
em 1840.” (p.13)
- Para Alberdi, um alinhamento à causa Paraguaia seria não só coerente com as posturas
históricas dos liberais, como também fundamental para a pacificação argentina. Ao logno
de todo o texto Alberdi procura desvalorizar a participação de Mitre junto ao grupo dos
opositores de Rosas. Busca sempre colocá-lo como coadjuvante no processo.

Carta VI – (As finalidades domésticas da política externa de mitre)

- Aqui Alberdi reforça seu ponto central durante todo o texto: A guerra do Paraguai não
é um conflito externo, é uma nova faceta da guerra civil que opõe Buenos aires às
províncias.
- Alberdi ressalta a participação de Solano López como negociador do pacto de San José
de Flores e a forma com a qual os liberais de então aceitaram a mediação do Paraguai na
questão com a confederação.
- A invasão paraguaia a Corrientes foi, na visão de Alberdi, uma resposta para impedir a
dominação brasileira naquela província. Mitre, ao contrário, entregou tal província para
servir de base de operações brasileira na guerra contra o país guarani.
- Destruir o Paraguai visa, portanto, desarmar um dos principais aliados das províncias
contra Buenos Aires. Essa é uma situação que não parece ter final próximo. Alberdi
aponta para a necessidade da federalização da cidade e do porto de Buenos Aires, como
única solução viável para o impasse aduaneiro.

Carta VII - (A questão de hoje e a de 1840)


-Defender o Paraguai hoje é defender a república Argentina. Caso o Brasil saia vitorioso
dessa guerra, em conjunto com Buenos Aires, a república argentina será mantida sob
júdice do governo centralista por mais tempo. Isso explica porque Corrientes e Entre Rios
parecem inclinar-se a apoiar os paraguaios.
- A pecha aplicada ao governo do Paraguai é resultado das maquinações inglesas para
garantir seus interesses na região, a saber, a liberdade dos afluentes do prata e a
independência oriental. (Princípio de um revisionismo?)
- Creio que essa seja uma das partes centrais do texto, vejo um início de argumento sobre
a ingerência das potencias europeias e seus interesses na guerra. Ainda que estejamos
longe do que o revisionismo posterior defenderá, há aqui sim uma tentativa de expor a
ação contra o Paraguai como benéfica para a Inglaterra.
Carta VIII- O que Buenos aires ganha com a guerra.
- Aqui o autor busca rebater as acusações de isolamento feitas ao Paraguai. Para o autor,
houve diversas tentativas de aproximação entre Francia e a Inglaterra, contudo, sempre
encontrou empecilhos em Buenos Aires. Alberdi diz não querer absolver Francia, mas
aponta que sua ditadura não foi causa e sim consequência das ações da ditadura de Rosas.
Hoje, novamente, uma ditadura procura assenhorar-se do Paraguai, essa ditadura está nas
mãos do império (p.20);
- Esse Paraguai belicoso e voltado para o conflito é resultado direto das políticas
Argentinas para a região.
“O paraguai convertido em soldado, seu solo em cidadela, as costas de seus
rios em baterias inexpugnáveis, não pensando em nada que não seja a
guerra, nem sabendo fazer outra coisa que brigar heroicamente, é o
resultado lógico da política que de 1810 até 1865, tem sido um protesto e
uma ameaça constante contra a independência dessa república e seu direito
natural de se comunicar com o mundo.” (p.21)

Carta IX (Opiniões contrárias a Buenos aires)


- Aqui o autor faz um apanhado de textos em prol do Paraguai, utilizando-se de
apologistas que, em geral, escreviam ainda no governo Rosas, para defender a
independência Guarani.
- Alberdi se apoia nos textos de Florencio Varela, escritor e jornalista argentino, formado
na UBA em 1827. Fundador do jornal “Comercio del plata” foi assassinado em 1848 por
ordem de Oribe e Rosas.
- Alberdi procura traçar paralelos entre a luta paraguaia pelo reconhecimento de sua
independência diante do governo rosas e a atual contenda com Mitre e o Brasil.
- Visto de um certo ponto, a situação de provisoriedade de Rosas era até melhor, uma
vez que a constituição atual converteu em permanente a dominação centralista da capital
sobre o tesouro.
Carta X (personalidades)
- Aqui Alberdi tenta responder aos críticos que afirmam que sua defesa do Paraguai se
trata, na verdade, do resultado de um patrocínio do governo de López. Após expor a
pretensa coerência de sua posição, Alberdi afirma que não se venderia a um governo
estrangeiro. Continua defendendo-se, citando ofertas de postos que havia recusado
(inclusive a de ministro da fazenda) para reforçar sua falta de interesse pessoal na defesa
das suas ideias.
- ele conclui sua “carta” apontando que a Argentina estava sendo utilizada como
instrumento para a confirmação de uma política que só interessaria ao Brasil. É preciso
verter sangue argentino para que o brasil reivindique sua província de Mato Grosso.

Carta XI (Causas da Guerra e as raízes da paz)


- Não haveria guerra se a unificação Argentina tivesse sido concluída com êxito. Essa
guerra é justamente feita para evitar a união, ou melhor, reforçar a primazia de Buenos
Aires sobre o resto do país. A única união verdadeira capaz de ser duradora é a divisão
equânime dos lucros aferidos por Buenos Aires, qualquer coisa diferente disso levará a
desmembração da nação e, por conseguinte, a guerra.
- Nenhuma guerra externa, nesse estado de coisas, é realmente uma guerra externa. São
sempre instrumentos utilizados por uma facção ou outra para agir na luta civil interna. A
guerra do Paraguai não é diferente,
-PONTO INTERESSANTE, ELE COLOCA A GUERRA COMO PARTE
CONSEQUENTE DA FARROUPILHA, APONTANDO A “EX REPÚBLICA DE RIO-
GRANDE” COMO PRINCIPAL INIMIGO BRASILEIRO. (P.29)
- O principal problema argentino é econômico, de rendas e tesouro. A questão principal
não é a localização da capital somente, e sim a de sua aduana. Esse problema continua
sem solução visível.
Cabichuí. 16 de dezembro de 1867