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DIREITO TRIBUTÁRIO

Direito Tributário Esquematizado – Ricardo Alexandre


Capítulo 1 – Noções Introdutórias
1.1 O Direito Tributário como ramo do Direito Público
Princípios Fundamentais do Regime Jurídico de Direito Público:
a) Supremacia do interesse público sobre o interesse privado
b) Indisponibilidade do interesse público
→ Verticalização na Relação Jurídica (atribuição de vantagens ao Estado): Estado acima,
particular abaixo.

1.2 Atividade Financeira do Estado

Originárias: Originam-se do patrimônio do Estado,


regime jurídico de Direito Privado, o Estado explora seu
próprio patrimônio. Ex: Aluguéis e receitas de empresas
públicas e sociedades de economia mista.
Receitas Públicas Derivadas: Originam-se do patrimônio do Particular.
Regime de Direito Público. O Estado usa o seu poder de
império e obriga o particular a contribuir. Ex: Tributos,
Multas e Reparações de Guerra.

Estado Mínimo: Receitas originárias perderam importância, concentração da arrecadação


estatal em receitas derivadas.

→ Período Clássico das Finanças Públicas: Estado Liberal, entendia-se que o Estado não deveria
intervir no domínio econômico.
→ Período Moderno: Estado do bem-estar social. → O Tributo passa a ser, sempre que
possível, graduado de acordo com a capacidade econômica do contribuinte.
→ Existem tributos cuja finalidade é fiscal, ou seja, arrecadar, carrear recursos para os cofres
públicos. Exemplo: ISS, ICMS, IR, etc.
→ Finalidade Extrafiscal: Intervir numa situação social ou econômica (IOF, IE, ITR)
O IR acaba tendo uma função extrafiscal embutida (alíquotas progressivas): Redistribuir renda.
→ A doutrina cita uma terceira finalidade, que também objetiva a arrecadação. A diferença
reside no fato de a lei tributária nomear sujeito ativo diverso da pessoa que a expediu,
atribuindo-lhe a disponibilidade dos recursos arrecadados para o implemento de seus
objetivos: Finalidade parafiscal. Na parafiscalidade, o objetivo é arrecadar para ente diverso
daquele que institui a exação.

1.3 – Definição de Tributo


A definição de Tributo tem sede legal (Art. 3º, CTN)
“Tributo é toda prestação pecuniária, em moeda ou cujo valor se possa exprimir, que não
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada.”

1.3.1 – Prestação Pecuniária, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir


É possível a extinção de crédito tributário mediante dação em pagamento de bens
imóveis.
1.3.2 – Prestação compulsória
O dever de pagar o tributo é imposto pela lei, sendo irrelevante a vontade das partes.
1.3.3 – Prestação que não constitui sanção de ato ilícito
Tributo: Não possui finalidade sancionatória, visa arrecadar e a intervir em situações
econômicas.
Multa: Sanção por ato ilícito. O ideal é que não arrecade, pois visa coibir ato ilícito.
1.3.4 – Prestação instituída em lei
Tributo só pode ser criado por lei (complementar ou ordinária) ou ato normativo de
igual força. (medida provisória)

Criar/Extinguir Tributo → Regra sem exceção


Lei ou MP

Majorar/Reduzir Tributo → Regra com exceções: Alíquotas de II, IE, IPI,


IOF, CIDE-combustíveis são alteráveis por ato do poder executivo e do ICMS-
monofásico mediante convênio.
1.3.5 – Prestação cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada

1.4 – Os Tributos em Espécie


O CTN dispõe no artigo 5º que os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.
(Tripartição das espécies tributárias).
Ao se deparar com o tema, o STF tem apontado a teoria da pentapartição.
1.4.1 – A determinação da natureza jurídica específica do tributo
A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva
obrigação. A análise do FG (fato gerador) é feita sob a ótica da classificação dos tributos como
vinculados ou não vinculados. (A atividade de cobrança é sempre vinculada)

Para classificar o tributo quanto ao FG:


→ O Estado tem de realizar alguma atividade específica ao devedor?
Não: Tributo não vinculado
Sim: Tributo vinculado

Assim, os impostos são tributos não vinculados.


Taxas: Segundo o art. 145, II CF, para a cobrança de uma taxa, o Estado precisa exercer o poder
de polícia ou disponibilizar ao contribuinte um serviço público específico e divisível.

Contribuição de Melhoria: Depende de uma anterior atividade estatal.


1.4.2 – Os impostos
Os impostos são tributos não vinculados que incidem sobre manifestações de riqueza do
sujeito passivo. (Devedor)
Taxas e contribuições de melhoria: Caráter retributivo
Impostos: Caráter contributivo
União pode instituir, mediante LC, novos impostos, desde que não cumulativos e não tenham
fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na CF. → É a chamada competência
tributária residual.
Bitributação: Possível na competência extraordinária

Competência Tributária
1.4.2.1 – A criação dos impostos
“Não há tributo sem lei anterior que o defina.” A CF Não cria tributos, apenas atribui
competência para que os entes políticos o façam.

1.4.2.2 – Os impostos e o princípio da capacidade contributiva


De acordo com o art. 145, §1° CF Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e
serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte.

Impostos pessoais: Considera os aspectos pessoais do contribuinte (IR é “personalizado”)


Impostos reais: Não levam em consideração aspectos subjetivos, incidem sobre coisas. (IPTU,
IPVA, ITR, IPI, ICMS).

1.4.3 – As taxas
Segundo a CF, os Estados, DF e os municípios poderão instituir taxas, em razão do exercício do
poder de polícia, ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e
divisíveis, prestados ao contribuinte.
O ente competente para instituir e cobrar a taxa é aquele que presta o serviço ou exerce o
respectivo poder de polícia.
Indiretamente, a CF atribuiu a competência tributária residual para instituições de taxas aos
Estados.

1.4.3.1 – Taxas de Polícia


Fato Gerador: Exercício do poder de polícia (Atividade Administrativa)
Só se pode ser cobrada pelo efetivo exercício desse poder.
1.4.3.2 – Taxas de Serviço
1.4.3.3 A criação das taxas de serviço só é possível mediante a disponibilização de serviços
públicos que se caracterizam pela divisibilidade (é possível ao Estado identificar os
usuários do serviço) e especificidade (O contribuinte sabe por qual serviço está
pagando e quando podem ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de
utilidade ou necessidade pública).
Serviços públicos Gerais: Impostos
Serviços públicos Específicos: Taxas
Serviço de Utilização Compulsória: Recolhimento de lixo (Utilização potencial)
1.4.3.4 – A base de cálculo das taxas
A CF proíbe que as taxas tenham base de cálculo própria dos impostos, CTN dispõe que as
taxas não podem ter base de cálculo ou FG idênticos aos impostos.
Correlação razoável é necessária para não gerar enriquecimento sem causa do Estado (caráter
de contraprestação)
STF – Súmula Vinculante 29: “É constitucional a adoção no cálculo do valor de taxa de um ou
mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja
integral identidade entre uma base e outra”.

1.4.3.5 – Taxas e preços públicos: Notas distintivas


Os serviços públicos também podem ser remunerados por preços públicos (tarifas), exigem
referebilidade e possuem caráter contraprestacional. Porém existem diferenças
→ Quanto ao regime jurídico: Taxas: Receita derivada, Regime Jurídico Tributário (Direito
Público). Tarifas: Receita Originária, Regime Jurídico Contratual (Direito Privado), Prestação
pecuniária facultativa, Polo Ativo: Pessoa Jurídica de Direito Privado. Serviço de água e esgoto,
por exemplo, tem caráter de tarifa.
1.4.4 – As contribuições de melhoria
Contribuições de melhoria são tributos vinculado, uma vez que sua cobrança depende de uma
específica atuação estatal, qual seja a realização de obra pública que tenha como
consequência um incremento do valor do imóvel pertencente ao potencial contribuinte. A
valorização imobiliária é fundamental.
A contribuição é decorrente de obra pública e não para a realização de obra pública.
Excepcionalmente, o tributo poderá ser cobrado em face de realização de parte da obra, desde
que a parcela realizada tenha necessariamente resultado em valorização dos imóveis.
O FG da contribuição é a valorização imobiliária.
A existência do tributo tem fundamento no princípio da vedação ao enriquecimento sem
causa, assim, possui caráter contraprestacional.
Existe um limite total para a cobrança do tributo: O Estado não pode cobrar, a título de
contribuição de melhoria mais do que gastou com a obra. Além disso, a cobrança encontra um
limite individual, que é o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel
beneficiado.
→ Estão em vigor os limites totais e individuais, porém esses limites não estão previstos
expressamente na CF, e sim na legislação infraconstitucional.

1.4.4.1 – Cálculo da Contribuição de Melhoria


→ Fatores individuais de valorização
Sistemática estatuída no CTN, garante a observância do limite total, mas não garante
matematicamente a observância do limite individual.
Valor da contribuição de melhoria por imóvel = (Valorização individual x Custo da Obra) /
Somatório das valorizações
Caso o custo da obra seja muito superior ao valor total das valorizações, deve-se adotar uma
parcela da soma de tais valorizações, visando não ultrapassar o limite total.
É valido também dizer que a base de cálculo da contribuição de melhoria é a diferença entre
os valores iniciais e finais dos imóveis beneficiados.
1.4.5 – Os empréstimos compulsórios
Art 48, CF: “A união, mediante Lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:
I – Para atender despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, guerra externa
ou sua iminência.
II – No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional”.
1.4.5.1 – Competência, casos e forma de instituição
A competência para criação de empréstimos compulsórios é exclusiva da União. Somente por
LC.
1.4.5.2 – Destinação da Arrecadação
A aplicação dos recursos provenientes de empréstimos compulsórios será vinculada à despesa
que a fundamentou. Ou seja, os empréstimos compulsórios são tributos de arrecadação
vinculada.
1.4.5.3 – Restituição
O CTN, Artigo 15 exige que a lei instituidora do empréstimo compulsório fixe o prazo e as
condições do resgate. Deve ser efetuada na mesma espécie em que recolhido.
1.4.6 – As contribuições especiais
Artigo 149, CF. “Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas,
como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas...”
Porém, há exceção a isso (§1°, Artigo 149) “Os Estados, o DF e os municípios instituirão
contribuição cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime
previdenciário...”

Contribuições especiais – Classificação

1.4.6.1 – Contribuições Sociais


É subespécie de contribuição especial utilizada pela União.
1.4.6.2 – Contribuições de Seguridade Social e outras Contribuições Sociais
É possível dizer que a União possui duas espécies de competência residual:
a) Instituir novos impostos
b) Instituir novas contribuições sociais de financiamento da seguridade social
Em ambos os casos, são necessárias a instituição via lei complementar, obediência a não
cumulatividade e a inovação quanto as bases de cálculo e fato gerador.
Se a constituição federal já previu a base econômica sob a qual vai incidir determinada
contribuição, esta pode ser criada mediante lei ordinária. Se não, a criação só pode ser feita
por lei complementar.
1.4.6.3 – Contribuições Sociais Gerais
Segundo o STF, são contribuições sociais gerais aquelas destinadas a outras atuações da União
na área social, como o salário educação. Os chamados serviços sociais autônomos (SESI, SESC,
SENAI) são pessoas jurídicas de direito privado, não integrantes da administração pública, mas
que realizam atividades de interesse público. Contribuições destinadas ao SESC/SENAC devem
ser cobradas de estabelecimentos comerciais.
1.4.6.4 – CIDE
Instituição via lei ordinária ou medida provisória. São tributos extrafiscais → Finalidade de
intervir numa situação social ou econômica.
Nas CIDE, a intervenção ocorre pela destinação do produto da arrecadação a uma determinada
atividade, que, justamente por conta desse reforço orçamentário, tem-se por incentivada.
A União tem autonomia relativamente grande para instituir as CIDE, pois a liberdade para
criação é muito grande.
1.4.6.5 – Contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas –
Contribuições corporativas
Criadas pela União com o objetivo parafiscal de obter recursos destinados a financiar
atividades de interesse de instituições representativas ou fiscalizatórias de categorias
profissionais ou econômicas (corporações).
1.4.6.5.1 – Contribuição Sindical
CF, Artigo 8°, IV prevê: “Contribuição fixada pela assembleia-geral para o custeio do sistema
confederativo do respectivo sindicato (voluntária) → Ausência de natureza tributária.
Contribuição fixada em lei, cobrada de todos os trabalhadores → Tributo
1.4.6.5.2 – Contribuições corporativas para o custeio de entidades de fiscalização do
exercício de profissões regulamentadas
→ Típica utilização do tributo com finalidade parafiscal. Exemplo de entidades/conselhos de
fiscalização: CREA, CRC, CRM, OAB.
→ Em concursos, adotar o entendimento do STJ.
1.4.6.6 Contribuição de Iluminação Pública
Competência atribuída a municípios e DF de instituir contribuição para o custeio do serviço de
iluminação pública. A arrecadação da contribuição é vinculada ao custeio do serviço de
iluminação pública. Tributo sui generis.
1.5 – Classificações Doutrinárias dos Tributos
1.5.1 – Quanto a discriminação das rendas por competência: Federais, Estaduais ou
Municipais.
→ Relaciona-se a tributação constitucional de competência para a instituição do tributo
→ Competência do DF é cumulativa.
1.5.2 – Quanto ao exercício da competência impositiva: Privativos, Comuns e Residuais
Tributos Privativos: Competência exclusiva de ente político, não delegável.
a) Impostos (Federais, Estatais, Municipais, Distritais)
b) Empréstimos Compulsórios (Federais)
c) Contribuições Especiais (Federais)
d) COSIP (Municipal e Distrital)
Tributos Comuns: Competência deferida a todos os entes políticos.
Tributos Residuais: Novos Impostos → CF, Artigo 154, I.
1.5.3 – Quanto as finalidades: Fiscais, parafiscais e extrafiscais.
Finalidade fiscal: Arrecadar recursos para os cofres públicos: Exemplo: ISS, ICMS, IR.
Finalidade extrafiscal: Intervir numa situação econômica ou social. Exemplo: II, IE...
Finalidade parafiscal: Quando a lei tributária nomeia sujeito ativo diverso da pessoa que a lei
expediu, atribuindo-lhe a disponibilidade dos recursos arrecadados para o implemento de seus
objetivos. → Contribuições previdenciárias
1.5.4 – Quanto a hipótese de incidência: Vinculados e não vinculados
Vinculados (retributivos) → São os tributos que, para justificar a cobrança, o sujeito ativo
realiza uma atividade específica relativa ao sujeito passivo. → Taxas e contribuições de
melhoria
Não vinculados (contributivos) → São tributos em que não é necessário qualquer atividade
específica. → Impostos
Não há definição constitucional ou legal que imponha que os fatos geradores dos empréstimos
compulsórios ou das contribuições especiais sejam vinculados ou não vinculados.
1.5.5 – Quanto ao destino da arrecadação: Da arrecadação vinculada e da não vinculada
Arrecadação vinculada: Receita obtida deve ser destinada exclusivamente a determinadas
atividades. → COFINS
Arrecadação não vinculada: O Estado tem a liberdade para aplicar suas receitas em qualquer
despesa autorizada no orçamento. → Impostos
1.5.6 – Quanto a possibilidade de repercussão do encargo econômico-financeiro: Diretos e
indiretos
Indiretos: Permitem translação do seu encargo para uma pessoa diferente daquele definido
em lei como sujeito passivo. → ICMS
Diretos: Não permitem tal translação → IR
1.5.7 Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos das hipóteses de incidência: Reais e
pessoais
Reais: Sobre a “coisa” → Tributos que não levam em consideração aspectos pessoais,
subjetivos. → IPVA
Pessoais: Sobre a “pessoa” → Incidem de forma subjetiva (Imposto de Renda)
1.5.8 – Quanto as bases econômicas de incidência: Classificação do CTN
De acordo com o CTN, os impostos podem ser:
a) Sobre o comércio exterior: II e IE
b) Sobre o patrimônio e a renda: IR, ITR, IGF, IPVA, ITCMD, IPTU, ITBI
c) Produção e circulação: IPI, ICMS, IOF, ISS
d) Extraordinários: IEG.