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August Schleicher (1821-1867)- Adota a idéia naturalista aos estudos históricos-

comparativos (Língüística comparativa). Com a hipótese genética ou genealógica. Ele


considerava as línguas como organismos vivos. Destacou-se por ter sido o primeiro a
estudar uma língua indo-européia a partir da fala e não da escrita. Esse passo foi muito
importante para os estudos lingüísticos. A sua pesquisa resulta na definição de dois
grandes ramos lingüísticos: o ocidental e o oriental.
Os neogramáticos surgem no século XIX e adotam como data inicial para seus
trabalhos o ano de 1878. Entre os principais representantes neogramáticos estão
Hermann Osthoff (1847-1909), Karl Brugmann (1849-1919) e Hermann Paul (1846-1921).
Em 1878 é publicado o primeiro exemplar da revista Morphologischen
Untersuchungen (Investigações Morfológicas) e o prefácio assinado por Osthoff e
Brugmann é tido como o manifesto neogramático. Nele, eles defendem que a língua não
pode ser estudada em separado da fala, mais ligada ao indivíduo falante.
Osthoff e Brugmann diziam que estudando as línguas vivas atuais, apreenderiam a
natureza das mudanças e era isso que os interessava. Eles também acreditavam que
toda mudança sonora, na medida em que ocorre mecanicamente, realiza-se de acordo
com leis que não reconhecem excessões. Daí surge as leis fonéticas, que são as
mudanças regulares que se observam na evolução de todas as línguas, motivadas pela
configuração fonética das palavras.
Em 1880 Hermann Paul, publica seu livro Prinzipien der Sprachgeschichte que
serviu como manual para a formação de vários lingüistas nas primeiras décadas do
século XX. Paul acreditava que os fundamentos da mudança lingüística poderiam ser
encontrados em duas ciências a psicologia e a fisiologia.
Segundo Paul: “o fundamento da cultura era o elemento psíquico, que a psicologia
era a base de todas as ciências culturais, e que só havia uma psicologia individual”
Ele tinha duas teses: a primeira era de que o indivíduo falante era o responsável
por toda mudança lingüística e a segunda era a de que toda a mudança lingüística
originava-se no processo de aquisição da língua.
Os neogramáticos eram muito rigorosos ao enfrentar os problemas com a história
da língua, essa rigorosidade foi muito importante para o desenvolvimento da lingüística
histórica. Em decorrência dos estudos empíricos, passa-se a entender a lei fonética como
uma fórmula de correspondência entre sistemas fonéticos de uma mesma língua em seus
diversos períodos. Eles destacavam a questão do processo da mudança sonora. Os
neogramáticos acreditavam que as irregularidades deveriam ser analisadas e não
permitiam que elas fossem vistas como desvios ou ocorrências casuais, acidentais. Os
neogramáticos acreditavam na complexidade da história das línguas e a analogia trazia a
eles conceitos vagos.
Segundo Bloomfield (1887-1949), a grande polêmica girava em torno de que o
termo lei não poderia ser visto como absoluto por estarem tratando de fenômenos
históricos; os neogramáticos formularam que as “leis” não permitiam exceções, esse
pensamento era incorreto de dizer que fatores não-fonéticos, como a freqüência ou o
significado das palavras, não interferiam na mudança sonora.
Por isso, vários lingüístas criticavam as formulações dos neogramáticos. Eles não
aceitavam que as mudanças lingüísticas se espalhassem por toda a comunidade
uniformemente.
A analogia era vista com bastante cautela, porque não levava em consideração, na
compreensão dos fenômenos da história, as relações que existem entre língua e
sociedade que a sociolingüística tem mostrado ser relevante para entender a mudança
lingüística.

O mais importante lingüísta que participou da crítica aos neogramáticos, foi Hugo
Schuchardt (1842-1927). Ele chama a atenção para todas as variedades de fala que
existe em uma comunidade. Essa variedade deve-se a fatores como o gênero, a idade e o
nível de escolaridade do indivíduo falante. Considerando esse quadro heterogêneo,
Schuchardt busca compreender o processo da mudança lingüística. Ao questionar os
fenômenos da mudança, ele vai introduzindo, ao decorrer do século XX, um tratamento
em que o contexto sócio-cultural da língua é visto como um condicionante da variação
eda mudança. É o caminho de uma lingüística sociológica ou sociolingüística.