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INTRODUÇÃO À

PEDAGOGIA

Daiane Duarte Lopes


Revisão técnica

Marcia Paul Waquil


Assistente Social
Mestre em Educação
Doutora em Educação

L732i Lima, Caroline Costa Nunes.


Introdução à pedagogia / Caroline Costa Nunes Lima,
Daiane Duarte Lopes, Alex Ribeiro Nunes ; [revisão técnica:
Marcia Paul Waquil]. – Porto Alegre: SAGAH, 2018.
207 p. : il. ; 22,5 cm

ISBN 978-85-9502-376-5

1. Pedagogia. I. Lopes, Daiane Duarte. II. Nunes, Alex


Ribeiro. III. Título.

CDU 37.01

Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147


Bases legais da profissão
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Aprender as bases legais que fundamentam a formação e a atuação


do profissional pedagogo.
„„ Identificar a Resolução CNE/CP nº 1/2006, como a lei que institui as
Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia.
„„ Reconhecer a importância da formação do pedagogo estar em con-
sonância com a Base Nacional Comum Curricular.

Introdução
A seguir, acompanharemos um panorama dos atravessamentos implica-
dos na democratização do Ensino Superior no Brasil, no qual podemos
identificar mudanças contínuas e cíclicas também conforme as transfor-
mações de toda a sociedade nos tempos atuais.
Neste capítulo, você vai aprender quais as bases legais que funda-
mentam a formação e a atuação do profissional pedagogo e também
identificar a Resolução do Conselho Nacional de Educação/Conselho
Pleno nº1, de 15 de maio de 2006, como a lei que institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais para o curso de Graduação em Pedagogia. Por
fim, irá reconhecer a importância da formação do pedagogo estar em
consonância com a Base Nacional Comum Curricular.

Formação e atuação do pedagogo: bases legais


A formação do pedagogo, desde o surgimento do curso de Pedagogia no
Brasil, em 1939, por meio do Decreto-Lei nº 1.190, de 4 de Abril de 1939, foi
exposta a consecutivas e diversificadas resoluções e pareceres em sua estrutura
curricular, revelando uma contínua ampliação com relação às peculiaridades
das teorias educacionais e dos estudos pedagógicos e descobrindo como,
2 Bases legais da profissão

impreterivelmente, tais medidas acabaram por atingir tanto a identidade do


profissional pedagogo, como a sua atuação (BRZEZINSKI, 1996).
Inicialmente organizado em um esquema 3+1, com três anos de curso de
Bacharelado, formando os técnicos em educação, e mais um ano de Didática
formando professores, o curso de Pedagogia, desde a sua constituição, esteve
em debate com sua prática. Dessa forma, foi promovida uma interação constante
da existência de distinções, como a que há entre bacharelado e licenciatura e
entre técnico em educação e professor, implicando, dessa maneira, na separação
de teoria e prática e de conteúdo e método (BRZEZINSKI, 1996).
A Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, prevista pela Constituição
Federal de 1934 e regulamentada com a primeira versão da Lei de Diretrizes
e Bases para a Educação Nacional (LDBEN), de 1961, atribuiu a formação dos
professores para o magistério, no curso normal de nível médio, não fazendo
qualquer referência ao curso de Graduação em Pedagogia. No entanto, o
Conselho Federal de Educação (CFE) organizou o Parecer nº 251, em 1962,
estabelecendo a primeira regulamentação para o curso de Graduação em
Pedagogia, fixando um currículo com duração mínima para a formação
profissional do pedagogo, sem distinção entre bacharelado e licenciatura
(BRZEZINSKI, 2011).
Em 1968, foi criado pelo CFE o Decreto nº 62.937, no qual foi constitu-
ído o chamado Grupo de Trabalho para a reforma universitária, ainda que
resguardadas algumas contradições, entre as quais está a racionalização das
estruturas e dos recursos e a democratização do ensino, além de seguir um
modelo americano de ensino com divisões entre ensino básico e profissional,
dois níveis de pós-graduação, sistema de créditos, avaliação por menções em
vez de notas, extinção da cátedra, departamentalização, cursos de pequena
duração, adoção de formas jurídicas múltiplas, regime de tempo integral e
dedicação exclusiva, participação formalmente assegurada dos estudantes
nos grêmios universitários e a constituição dos diretórios estudantis. Além
disso, deu origem à Lei nº 5540, de 28 de novembro de 1968, a qual constituiu
a reforma universitária propriamente dita (BRZEZINSKI, 2011).
A reforma universitária de 1968 foi precedida por um cenário de muitas
lutas, haja vista a situação política e educacional do Brasil na época, diante
do Golpe Militar de 1964, e teve seu início por meio de acordos firmados
entre o Ministério da Educação (MEC) e a Agência dos Estados Unidos para
o Desenvolvimento Internacional (USAID), de 1965 a 1967, propondo um
processo de reforma com planejamento a partir de um modelo de inserção
da Universidade no projeto desenvolvimentista do país, modelo esse, que, de
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forma direta, não chegou a ser adotado, mas certamente serviu de inspiração
para as posteriores reformulações (BRZEZINSKI, 2011).
A partir desse cenário, o setor privado pôde receber apoio do Governo
Federal pelo CFE. A partir disso, surgiu então uma grande oferta de cursos
de graduação para suprir as recentes demandas de qualificação profissional
exigidas pelo novo cenário econômico que emergia no Brasil (MARTINS,
1982). Nesse sentido, a reforma estimulou a formação de um imenso número
de profissionais que antes não conseguiam frequentar o Ensino Superior por
não conseguirem conciliar as rotinas de trabalho e estudo, ocasionando o
aumento da exigência do mercado de trabalho sobre a qualificação acadêmica
dos profissionais.
Outra consideração importante ocorreu, a partir da reforma, devido ao
formato curricular dos cursos de graduação, os quais passaram a ser constitu-
ídos por disciplinas, em um sistema de créditos, sem a exigência destas serem
cursadas em um determinado período de tempo, salvo o tempo total do curso.
Dessa forma, ocorreu uma fragmentação dos grupos estudantis, ocasionando
uma acentuada despolitização das universidades (MARTINS, 1988).
Em 1969, o Conselho Federal de Educação, por meio do parecer CFE nº
252/1969 e da Resolução CFE nº 02/1969, propôs alterações para o curso de
Pedagogia, no qual, após a habilitação do Magistério nas disciplinas peda-
gógicas da escola normal, foram introduzidas habilitações a serem cursadas,
conforme a afinidade do pedagogo em formação. Dessa maneira, o curso de
graduação em Pedagogia passou a formar docentes para o ensino básico e
normal e/ou especialistas que poderiam atuar na orientação, na administração,
na supervisão e na inspeção (MARTINS, 1982).
Entre os anos de 1975 e 1976, o CFE organizou os Pareceres nº 67/75,
68/75, 70/76 e 71/76, sugerindo uma reestruturação no curso de Graduação
em Pedagogia com aderência dos egressos de Licenciatura, o que acabava por
reduzir consideravelmente o tempo da formação. No entanto, conforme uma
crescente demanda levantada por debates sobre a qualidade das formações
dos pedagogos, tais pareceres foram suspensos (BRZEZINSKI, 2011).
Essas considerações são significativas para compreendermos como a for-
mação acadêmica é vista ao longo da história. Com uma visão destacada da
realidade, a Universidade era compreendida a partir de uma visão empresarial
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de custo benefício para o governo, sendo que a educação ocupava um fator


estratégico no processo de desenvolvimento econômico.
Pedagogos e educadores, os maiores interessados em todos esses ajustes a
serem realizados na educação brasileira, uniram-se em prol da valorização da
formação da pedagogia como espaço necessário para estudo e conhecimento
dos desafios educacionais brasileiros, propondo ainda uma problematização
sobre a realidade e a especificidade da atuação do pedagogo em coerência
com as necessidades da maioria da população.
Um processo de reestruturação curricular começou em 1978 e, a partir
da implicação de pedagogos e educadores, formou-se a Comissão Nacional
de Reformulação dos Cursos de Formação dos Educadores (CONARCFE),
a qual deu origem a uma significativa composição de conhecimentos sobre
a formação do pedagogo. Em 1990, transformou-se na Associação Nacional
pela Formação do Profissional da Educação (ANFOPE) (BRZEZINSKI, 2011).
Após esse longo período de ajustes e reajustes, atravessados pelo Governo
Militar e pela Reforma Universitária, somente nos anos 1990 pôde ser efetivada
a nova LDBEN, a Lei nº 9.394, 20 de dezembro de 1996, que determinou
a formação de professores em nível superior, como prioridade (BRASIL,
1996). Depreendendo como principal objetivo da formação dos profissionais
da educação o atendimento aos diferentes níveis e as modalidades de ensino-
-aprendizagem conforme as características de cada fase de desenvolvimento
do educando.
A LDBEN passou a orientar que o propósito primordial do profissional
pedagogo fosse criar condições e meios para se atingir os objetivos da educa-
ção básica, promovendo a associação entre teorias e práticas. Dessa maneira,
a formação e a atuação do pedagogo necessitam se adequar às constantes
mudanças nas conjunturas dos cenários atuais da educação, ou seja, aos acon-
tecimentos, às relações de força e à articulação entre os setores públicos e
privados (BRASIL, 1996).
O recente período histórico nos leva a refletir sobre os atravessamentos
implicados na democratização do Ensino Superior. Nestes, podemos iden-
tificar mudanças contínuas e cíclicas também conforme as transformações
de toda a sociedade nos tempos atuais. Desse modo, a Resolução CNE/CP
nº 01/2006 atribui uma identidade crítica ao pedagogo, tendo como missão a
busca democrática por alternativas e mecanismos institucionais que possibi-
litem a participação da sociedade no desenvolvimento, no aprimoramento e
na consolidação de uma educação nacional de qualidade.
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Como visto ao longo da recente trajetória histórica sobre a formação e a concepção da


atuação do profissional pedagogo no Brasil, faz-se urgente e indispensável a reflexão
constante do pedagogo sobre suas diretrizes teóricas e práticas, proporcionando, dessa
maneira, a formulação de estratégias que o auxiliem a desenvolver suas atividades da
melhor forma possível, tendo consciência da realidade e ampliando suas perspectivas
de educação.

Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso


de Graduação em Pedagogia
O Conselho Nacional de Educação (CNE) integra o Ministério da Educação
(MEC), sendo instituído pela Lei nº 9.131, de 25 de novembro de 1995, com
o objetivo de colaborar com a formulação da Política Nacional de Educação
(PNE), além de exercer atribuições normativas, deliberativas e de assesso-
ramento ao ministro da educação, pretendendo promover diálogo efetivo e
constante, sempre articulado e solidário com todos os sistemas de ensino,
dentro dos níveis federal, estadual e municipal, em regime de colaboração
e cooperação. Nesse sentido, a resolução CNE/CP nº 1/2006, elaborou um
marco importante à atuação do pedagogo, atribuindo-lhe uma identidade
(BRASIL, 2006).
Assim, conforme a CNE/CP nº 1/06, são instituídas as Diretrizes Cur-
riculares Nacionais (DCNs) para o curso de Graduação de Licenciatura em
Pedagogia, ao mesmo tempo em que refere ao pedagogo um campo de atuação
elaborado na concepção de educação. Alinhavado pela multiplicidade de sua
prática, em ambiente escolar ou não escolar, podendo atuar como docente,
pesquisador e gestor, de acordo com o que está previsto também no Artigo
2º da LDB nº 9. 394/96.
No Artigo 1º, a CNE/CP nº 1/06 prevê que essa resolução tem como objetivo
a definição de princípios, condições de ensino-aprendizagem, além de proce-
dimentos a serem observados em seu planejamento e em sua avaliação pelos
órgãos dos sistemas de ensino e pelas instituições de educação superior do país.
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No Artigo 2º, são estabelecidas as diretrizes curriculares para o curso


de Pedagogia, referindo sua aplicação à formação inicial para o exercício da
docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental,
nos cursos de Ensino Médio, na modalidade normal, e em cursos de Educação
Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas
nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.
Conceitua-se a docência, em um sentido ampliado, como ação educativa e
processo pedagógico metódico e intencional, que é construída com base em
relações sociais, étnico-raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos,
princípios e objetivos da pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre
conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a
processos de aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento,
no âmbito do diálogo, entre diferentes visões de mundo, e, ainda, reforçando
que, para uma efetiva e integral atuação do pedagogo, o curso de Pedagogia
deve conter diversas áreas de conhecimento, por meio de estudos teóricos e
práticos, construindo um olhar investigativo e com reflexão crítica, tendo em
vista que o pedagogo pode atuar em uma diversidade de ambientes, podendo
contemplar espaços escolares ou não, como as áreas empresariais, hospitalares,
agrárias, projetos sociais, entre outros (BRASIL, 2006).
No Artigo 3º da Resolução CNE/CP nº 01/2006, está previsto sobre o reper-
tório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos
teóricos e práticos que o pedagogo em formação deverá estar em contato e cuja
consolidação será proporcionada no exercício da profissão, fundamentando-se
em princípios de interdisciplinaridade, contextualização, democratização,
pertinência e relevância social, ética e de sensibilidade afetiva e estética.
O Artigo 4º estabelece que o curso de Pedagogia forme docentes para
atuarem na Educação Infantil, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, na
Educação Profissional, na área de serviços e apoio escolar, e em outras áreas
em que os conhecimentos pedagógicos sejam necessários. Assim, o pedagogo
em formação se constituirá docente e também o profissional do ato pedagógico
(BRASIL, 2006).
No Artigo 5º, é reforçada a ideia de que o pedagogo necessita concluir sua
formação no curso de Graduação em Pedagogia, estando esse profissional
preparado para atuar nos campos escolares e não escolares, com as diversidades
étnico-raciais, de gêneros, de orientações sexuais e com a inclusão social.
Nesse sentido, orienta-se sobre competências desejáveis para o egresso do
curso de Pedagogia, tais como:
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I - atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade


justa, equânime, igualitária;
II - compreender, cuidar e educar crianças de 0 a 5 anos, de forma a contribuir
para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica,
intelectual, social;
III - fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino
Fundamental, assim como daqueles que não tiveram oportunidade de esco-
larização na idade própria;
IV - trabalhar, em espaços escolares e não escolares, na promoção da apren-
dizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em
diversos níveis e modalidades do processo educativo;
V - reconhecer e respeitar manifestações e necessidades físicas, cognitivas,
emocionais, afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas;
VI - ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia,
Artes e Educação Física de forma interdisciplinar e adequada às diferentes
fases do desenvolvimento humano;
VII - relacionar as linguagens dos meios de comunicação e educação, nos
processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de
informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens
significativas;
VIII - promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa,
a família e a comunidade;
IX - identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investi-
gativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, com vistas
a contribuir para superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas,
culturais, religiosas, políticas e outras;
X - demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de
natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais,
classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras;
XI - desenvolver trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área
educacional e as demais áreas do conhecimento;
XII - participar da gestão das instituições contribuindo para elaboração, imple-
mentação, coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico;
XIII - participar da gestão das instituições planejando, executando, acom-
panhando e avaliando projetos e programas educacionais, em ambientes
escolares e não escolares;
XIV - realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros:
sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem
suas experiências não escolares; sobre processos de ensinar e de aprender, em
diferentes meios ambiental-ecológicos; sobre propostas curriculares; e sobre
organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas;
XV - utilizar, com propriedade, instrumentos próprios para construção de
conhecimentos pedagógicos e científicos;
XVI - estudar, aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras de-
terminações legais que lhe caiba implantar, executar, avaliar e encaminhar
o resultado de sua avaliação nas instâncias competentes (BRASIL, 2006,
documento on-line).
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No Artigo 6º, a CNE/CP nº1/06 traz recomendações sobre a estrutura


do curso de Pedagogia, respeitando a diversidade nacional e a autonomia
pedagógica das instituições, com núcleos para estudos básicos, sem perder de
vista a diversidade e a multiculturalidade da sociedade brasileira, por meio do
estudo acurado da literatura pertinente e de realidades educacionais, por meio
de reflexão e ações críticas, além de núcleos de estudos integradores que têm
como pretensão proporcionar enriquecimento curricular (BRASIL, 2006).
O Artigo 7º refere sobre a carga horária mínima de 3.200 horas de efetivo
trabalho acadêmico para o curso de Pedagogia, utilizando 300 horas para a
realização do Estágio Supervisionado, conforme os seguintes incisos:

I - 2.800 horas dedicadas às atividades formativas, como assistência a aulas,


realização de seminários, participação na realização de pesquisas, consultas
a bibliotecas e centros de documentação, visitas a instituições educacionais
e culturais, atividades práticas de diferente natureza, participação em grupos
cooperativos de estudos;
II - 300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em
Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, contemplando
também outras áreas específicas, se for o caso, conforme o projeto pedagógico
da instituição;
III - 100 horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas
específicas de interesse dos alunos, por meio da iniciação científica, da ex-
tensão e da monitoria. (BRASIL, 2006, documento on-line).

No Artigo 8º, é salientada a importância da integralização de estudos,


devendo contemplar as singularidades de cada região e ainda se estruturar a
partir de uma composição diversificada de recursos para a fluidez do processo
de ensino-aprendizagem de cada pedagogo em formação (BRASIL, 2006).
O Artigo 9º determina a resolução CNE/CP nº 1/06 como base para a
estruturação da criação dos cursos de Pedagogia em instituições de Educação
Superior, com ou sem autonomia universitária e que visem à licenciatura para
a docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental,
nos cursos de Ensino Médio, na modalidade normal, de Educação Profissional
na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos
conhecimentos pedagógicos. O Artigo 10º se refere ao regime de extinção
das habilitações em cursos de pedagogia existentes. Anteriormente, a data da
Resolução CNE/CP nº 1 foi publicada em 15 de maio de 2006 (BRASIL, 2006).
Nesse sentido, o Artigo 11º prevê que as instituições de educação superior
que mantêm cursos autorizados como normal superior, que pretenderem a
sua transformação em curso de Pedagogia e as instituições que já ofereciam
o curso, anteriormente a data da Resolução CNE/CP nº 1/06, deverão elaborar
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novo projeto pedagógico, obedecendo às orientações contida nessa resolução.


Assim, o Artigo 12º orienta que os concluintes do curso de Pedagogia ou
normal superior que, no regime das normas anteriores, tenham cursado uma
das habilitações, seja em Educação Infantil, seja nos anos iniciais do Ensino
Fundamental, e que pretendam complementar seus estudos na área não cursada,
poderão fazê-lo (BRASIL, 2006).
Por fim, os Artigos 13º e 14º orientam sobre a avaliação de órgãos compe-
tentes na implantação e na execução das diretrizes curriculares previstas na
Resolução CNE/CP nº 1/06 e em conformidade com os termos dos pareceres
CNE/CP nº 5/2005 e nº 3/2006, assegurando a formação de profissionais da
educação prevista na LDB – Lei nº 9.394/96.

O MEC organizou as DCNs criadas pela Câmara de Educação Básica do Conselho


Nacional de Educação (CEBCE), propondo sua utilização coletiva, com vistas ao apoio
para a criação dos importantes projetos político pedagógicos (PPPs), que são os
documentos da identidade comunitária e escolar, com valor indispensável para a
apropriação do currículo e seu desenvolvimento.
Consulte os detalhes no link a seguir:

https://goo.gl/PxKHSh

A formação do pedagogo e a Base Nacional


Comum Curricular
A formação do pedagogo pretende constituir um profissional mediador no
encontro com os objetos de conhecimento. Assim, o pedagogo em formação
necessita compreender seu papel enquanto tradutor e facilitador dos processos
de aprendizagem, auxiliando no desenvolvimento da ampliação crítica reflexiva
do pensamento, bem como das habilidades e das atitudes dos educandos.
Dessa forma, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) contribui como
norteadora para o estabelecimento de metas e objetivos a serem seguidos para
o desenvolvimento integral dos sujeitos que aprendem, além de ser orientadora
para os percursos a serem seguidos nos processos de ensino.
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A BNCC está prevista desde a Constituição Federal de 1988, na Lei de


Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) — Lei nº 9.394/96, bem como no
PNE de 2014. A BNCC foi pensada coletivamente com a participação de es-
pecialistas de diversas áreas do conhecimento e também com uma importante
e significativa participação crítica de profissionais do ensino, bem como de
toda a sociedade civil. Nesse sentido, em 2017, o MEC, embasado também
com as versões anteriores da BNCC, concluiu a sistematização e encaminhou
a última versão ao CNE, recebendo, a partir de então, novos ajustes, por meio
de audiências públicas realizadas nas cinco regiões do país, e uma valiosa
contribuição da sociedade (BRASIL, 2017).
A BNCC se constituiu em conformidade com a pluralidade vivida na atua-
lidade, como um documento que pretende refletir a escuta da realidade educa-
cional, pretendendo estabelecer, com clareza, um conjunto de aprendizagens,
imaginadas como essenciais e indispensáveis, que todos os estudantes, todas
as crianças e todos os jovens e adultos têm direito. Dessa maneira, atuando
como intérpretes, para uma grande transformação na educação brasileira, as
instituições escolares, as redes de ensino e os professores (BRASIL, 2017).
Orientada por princípios éticos, políticos e estéticos, objetivando a forma-
ção humana integral, bem como a construção de uma sociedade mais justa,
democrática e inclusiva, como orientado pelas DCNs, a BNCC estabelece o
conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais comuns a todos no
percurso das etapas e das modalidades da Educação Básica, como preceituam
o PNE e a LDB — Lei nº 9.394/96 (BRASIL, 2017).
Assim, a BNCC integra a PNE, ao mesmo tempo que contribui para o
alinhamento de demais políticas e ações em todos os âmbitos (federal, estadual
e municipal), no que se refere à formação de professores, à avaliação, à elabo-
ração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura
adequada para o pleno desenvolvimento da educação. Nesse sentido, a BNCC
atuará na equalização das políticas educacionais, fortalecendo o regime de
colaboração entre todas as esferas do governo, atuando como balizadora da
qualidade da educação, pretendendo, dessa forma, garantir um nível comum
de aprendizagem (BRASIL, 2017).
A BNCC orienta para o desenvolvimento de 10 competências gerais, as
quais consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e
desenvolvimento, reconhecendo a educação como potencializadora de valores
e ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais
humana, socialmente justa e consciente sobre o meio ambiente e a importância
Bases legais da profissão 11

de sua preservação. Dessa maneira, tem, em sua estrutura, previsões específicas


para cada etapa do desenvolvimento e da faixa etária.
Na Educação Infantil, a BNCC visa a contemplar os objetivos de apren-
dizagem e desenvolvimento para sujeitos de 18 meses a 5 anos e 11 meses de
vida, preservando os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de conviver,
brincar, participar, explorar, expressar e se conhecer por meio de campos de
experiência que contemplem a ampliação dos conhecimentos dos sujeitos sobre
si, sobre o outro e sobre o coletivo, com experimentações sobre seu corpo,
seus gestos e seus movimentos, sobre os traços, os sons, as cores e as formas,
sobre a oralidade e a escrita e sobre os espaços, os tempos, as quantidades, as
relações e as transformações.
No Ensino Fundamental, a BNCC organiza competências específicas a
serem promovidas nessa etapa da escolarização para quatro áreas do conheci-
mento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas),
explicitando como as 10 competências gerais da Educação Básica se expressam
em cada uma dessas áreas, sendo que, para o desenvolvimento das competências
específicas, existem componentes curriculares que apresentam um conjunto de
habilidades, as quais estão relacionadas a diferentes objetos de conhecimento,
como conteúdos, conceitos e processos organizados em unidades temáticas.
A BNCC se alinhou, em 2017, em conformidade com a alteração da LDB,
por força da Lei nº 13.415, 16 de fevereiro de 2017, na qual são estabelecidas
novas diretrizes para a definição de direitos e objetivos de aprendizagem no
Ensino Médio, em um ensino organizado por áreas de conhecimento, afina-
dos com as demandas dessa etapa do desenvolvimento humano e com vistas
para o futuro profissional de cada sujeito. Tais aspectos referentes à BNCC
contribuem significativamente para a formação, pois incluem, no processo
de ensino, tanto os saberes, quanto a capacidade de mobilizá-los e aplicá-los.

Leia a BNCC e conheça mais sobre suas orientações no link a seguir.

https://goo.gl/2dnT8j
12 Bases legais da profissão

A formação de pedagogos será impactada pela BNCC, tendo em vista


o momento de mudanças e urgências na necessidade de atualização sobre
as novas maneiras de interagir com as informações dos tempos atuais. A
proposta de desfragmentação dos conhecimentos, bem como o tratamento
interdisciplinar dos saberes, passará, inevitavelmente, a ser adicionada às
políticas de formação dos pedagogos, conforme os preceitos de integralização
e mobilização para a ampliação e a efetivação dos conhecimentos, aliando,
dessa forma, impreterivelmente, a prática à teoria.
As instituições formadoras de profissionais pedagogos passaram a adotar
a ampliação da formação do pedagogo para uma concepção de integração
transversal interdisciplinar do currículo, considerando a BNCC como parte
integradora para a reflexão sobre os procedimentos que devem ser adotados na
gestão dos programas de ensino, planejamento e processos de avaliação, entre
outros aspectos. Nesse sentido, concebendo a construção de uma formação dos
profissionais pedagogos a partir de uma reflexão crítica e construtiva para a
estruturação de um campo educacional que contemple a realidade brasileira
com suas peculiaridades e potencialidades.

O conhecimento e a apropriação sobre a BNCC estimulará os pedagogos em formação


a questionar se o currículo de sua instituição de ensino contempla o que está previsto,
como metas para o alcance das competências previstas, da mesma forma que um
pedagogo, mesmo já formado, naturalmente buscará sua atualização, seja por cursos
de formação, seja por especializações.
A pedagogia, para além de pedagogos, forma agentes críticos e investigativos
sobre seu fazer e sobre as melhores maneiras de contribuir para a educação de toda
a sociedade.
Bases legais da profissão 13

1. Após a Lei nº 4.024/1961 atribuir e) Projetos de participação popular.


a formação dos professores para 3. O objetivo central da Resolução
o magistério no curso normal de CNE/CP nº 1 consiste em:
nível médio, não fazendo qualquer a) regulamentar as exigências
referência ao curso de graduação do governador vigente.
em Pedagogia, o CFE, por meio b) organizar as determinações
do Parecer nº 251, no ano de 1962, do ministro da educação.
organizou qual determinação? c) na definição de princípios
a) A primeira regulamentação e condições de ensino-
para o curso de graduação aprendizagem.
em Pedagogia, fixando um d) articular os sistemas de saúde,
currículo com duração mínima segurança e educação.
para a formação profissional do e) estabelecer o cumprimento
pedagogo, sem distinção entre das metas anuais.
bacharelado e licenciatura. 4. No Artigo 3º da Resolução CNE/
b) Uma regulamentação para CP nº 01/2006, está previsto sobre
organizar os conselhos regionais. o repertório de informações
c) O fato de que não é necessário e habilidades composto por
ter concluído o ensino médio quais requisitos desejáveis à
para ingressar no curso superior. formação do pedagogo?
d) Uma data comemorativa a) Organização e pontualidade.
para o dia do pedagogo. b) Desejo de trabalhar.
e) A determinação referente à c) Foco e assiduidade.
exclusividade do pedagogo em d) Pluralidade de conhecimentos
atuar em ambiente escolar. teóricos e práticos.
2. A CNE/CP nº 1 institui as DCNs para o e) Condições de investir em
curso de Graduação de Licenciatura cursos de formação.
em Pedagogia, ao mesmo tempo 5. A BNCC se orienta por
em que refere o que ao pedagogo? quais princípios?
a) Um Código Civil a ser seguido. a) Integralidade e sistematização.
b) Um campo de atuação elaborado b) Informatização dos dados.
na concepção de educação. c) Princípios internacionais.
c) Relatórios a serem preenchidos d) Princípios determinados pelos
trimestralmente. PPPs de cada região do país.
d) Normas a serem contempladas e) Éticos, políticos e estéticos.
semestralmente.
14 Bases legais da profissão

BRZEZINSKI, I. Pedagogia, pedagogos e formação de professores: busca e movimento.


Campinas, SP: Papirus, 1996.
BRZEZINSKI, I. As políticas de formação de professores e a identidade unitas multiplex
do pedagogo: professor-pesquisador-gestor. In: SILVA, M. A.; BRZEZINSKI, I. Formar
professores-pesquisadores: construir identidades. Goiânia: Ed. da PUC-GO, 2011. p. 15-50.
BRASIL. Resolução CNE/CP n. 01, de 16 de maio, 2006. Institui Diretrizes Curriculares
Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/
rcp01_06.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2018.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
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BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Fundamentos pe-
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mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=56621-bncc-
apresentacao-fundamentos-pedagogicos-estrutura-pdf&category_slug=janeiro-
2017-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 27 mar. 2018.
BRASIL. Lei nº 13.145, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis nºs 9.394, de 20 de dezem-
bro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de
20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de
1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de
5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas
de Ensino Médio em Tempo Integral. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm> Acesso em: 27 mar. 2018.
MARTINS, C. B. (Org.). Ensino superior brasileiro: transformações e perspectivas. São
Paulo: Brasiliense, 1982.
MARTINS, C. B. (Org.). Ensino pago: um retrato sem retoques. São Paulo: Cortez, 1988.
(Coleção Teses – Educação, 2).

Leituras recomendadas
AGUIAR, E. C. P. et al. A formação do pedagogo para espaços não-escolares: uma análise
dos currículos do curso de pedagogia da UFPE para atuação na área de recursos
humanos. 2010. Disponível em: <https://www3.ufpe.br/ce/images/Graduacao_pe-
dagogia/pdf/2010.1/a%20formao%20do%20pedagogo%20para%20espaos%20no-
escolares%20uma%20anlis.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2017.
Bases legais da profissão 15

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base nacional comum


curricular. [2016?]. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br>. Acesso
em: 27 mar. 2018.
COSTA, A. B. Lei nº 5.540/68: a reforma do ensino superior: um projeto de hegemonia.
Sequência: Estudos Jurídicos e Políticos, v. 12, n. 23, p. 85-96, jan. 1991. Disponível em:
<https://periodicos.ufsc.br/index.php/sequencia/article/view/16156/14708>. Acesso
em: 08 mar. 2018.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: MF
Livros, 2008.
PRANDI, R. Os favoritos degradados. São Paulo: Loyola, 1989.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.