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SISTEMA ENDÓCRINO

O sistema endócrino integra e regula as funções corporais, proporcionando


estabilidade ao meio ambiente interno. Os hormônios produzidos pelas glândulas
endócrinas afetam quase todos os aspectos da função humana; ativam os sistemas
enzimáticos, alteram a permeabilidade das membranas celulares, causam a contração e o
relaxamento dos músculos, estimulam a síntese de proteínas e das gorduras, iniciam a
secreção celular e aprimoram a maneira como o organismo responde ao estresse físico e
psicológico.
Os principais órgãos endócrinos, são: hipófise, tireóide, paratireóides, supra-
renais, pineal e timo. Vários outros órgãos contêm áreas circunscritas de tecido endócrino
que também produzem hormônio. Eles incluem o pâncreas, as gônadas (ovários e
testículos), o hipotálamo e as células adiposas (gorduras). O hipotálamo funciona também
como um dos principais órgãos do sistema nervoso; assim sendo, funciona como um
órgão neuroendócrino.
Novas descobertas na pesquisa sobre obesidade identificaram o hormônio
adiponectina, que eleva a sensibilidade do corpo à insulina e à resistina, que aumenta a
resistência à insulina. Essas descobertas trazem uma maior evidência da atuação
sincronizada entre o sistema nervoso e endócrino na regulação de todos os aspectos
fisiológicos humanos, desde o nascimento até a morte.
O sistema endócrino consiste em um órgão hospedeiro (glândula), minúsculas
quantidades de mensageiros químicos (hormônios) e um órgão-alvo ou receptor. As
glândulas são classificadas como endócrinas ou exócrinas, de forma que, algumas
glândulas desempenham os mesmos papéis.
As glândulas endócrinas não possuem ductos, razão pela qual elas secretam
substâncias diretamente para os espaços extracelulares ao seu redor. Os hormônios
secretados se difundem para o sangue a fim de serem transportados por todo o corpo e
desempenhar as suas funções de comunicação intercelular. Já as glândulas exócrinas,
possuem ductos secretórios que carregam substâncias diretamente para um
compartimento específico ou uma superfície, a fim de que, o sistema nervoso controla
quase todas as glândulas exócrinas.
Os hormônios são divididos em duas categorias: hormônios derivados dos
esteroides e hormônios representados por aminas e polipeptídios sintetizados a partir dos
aminoácidos. Ao contrário dos hormônios esteroides, os hormônios representados por
aminas e peptídios são solúveis no plasma, permitindo uma facilitação na captação nos
locais-alvo.
O termo meia-vida descreve o período de tempo necessário para reduzir à metade
a concentração sanguínea de um hormônio. A meia-vida de um hormônio indica a o
período de tempo durante o qual seu efeito persiste.
Os hormônios alteram as reações celulares de células-alvo específicas,
modificando o ritmo de síntese das proteínas intracelulares pela estimulação do DNA no
núcleo, modificando o ritmo de atividade enzimática, alterando o transporte pelas
membranas plasmáticas através de um segundo sistema mensageiro e induzindo a
atividade secretória.
A resposta de uma célula-alvo a um determinado hormônio depende
essencialmente da presença de receptores proteicos específicos que fixam o hormônio de
uma maneira complementar. Os receptores da célula-alvo ocorrem seja na membrana
plasmática, seja no interruptor interno da célula. Os receptores hormonais existem em
áreas localizadas específicas ou mais difusamente em todo o corpo.
A ligação hormônio-receptor é a primeira etapa que inicia a ação hormonal. O
grau de ativação de uma célula-alvo por um hormônio depende da concentração hormonal
no sangue, número de receptores na célula-alvo para o hormônio e sensibilidade ou força
da união entre o hormônio e o receptor. A regulação ascendente descreve o estado pelo
qual as células-alvo formam mais receptores em resposta aos aumentos níveis hormonais.
Em contrapartida, a exposição prolongada a altas concentrações hormonais dessensibiliza
as células-alvo de forma a reduzir a estimulação hormonal. Essa regulação descendente
envolve também uma perda de receptores destinada a evitar uma resposta excessiva das
células-alvo aos níveis hormonais persistentemente altos.
AMP CÍCLICO: O MENSAGEIRO INTRACELULAR - A ligação de um
hormônio com seu receptor específico na membrana plasmática altera a permeabilidade
da célula-alvo a uma determinada substância química ou modifica a produção pelas
células-alvo de substâncias intracelulares, principalmente proteínas, de forma que, essas
ações acabam afetando a função celular. Para os hormônios não-esteróides adrenalina e
glucagon, o hormônio fixador atua como primeiro mensageiro para reagir com a enzima
adenilato ciclase na membrana plasmática. Isso acarreta a formação do composto AMP
cíclico a partir de uma molécula original de ATP. A seguir, o AMP cíclico atua como um
segundo mensageiro onipresente que irá ativar uma proteína cinase específica, que ativa
subsequentemente uma enzima-alvo a fim de alterar a função celular.
A sequência de reações desencadeadas pelo AMP cíclico depende do tipo de
célula-alvo, enzimas específicas contidas nas células-alvo e hormônio específico que atua
como primeiro mensageiro. Nas células tireóideas, o AMP cíclico gerado pela ligação do
hormônio tireóide-estimulante promove a síntese de tiroxina. Nas células ósseas e
musculares o AMP cíclico produzido pela fixação do hormônio do crescimento ativa as
reações anabólicas que irão transformar os aminoácidos em proteínas teciduais.
As principais ações hormonais incluem alterar a atividade enzimática e o
transporte de membrana de mediação enzimática. Além dessa alteração enzimática, os
hormônios aumentam ou inibem a captação de substâncias pelas células. A ação hormonal
pode exercer poderosos efeitos secundários, mas que costumam ser indiretos. Por
exemplo, a liberação de insulina acelera a captação de glicose pelas fibras musculares
(efeito primário), o que faz aumentar a síntese de glicogênio muscular (efeito secundário).
Esse efeito da insulina sobre a captação de glicose (e a síntese de glicogênio) mantém a
homeostasia dos combustíveis durante o exercício.
À semelhança do que ocorre com a atividade do sistema nervoso, a secreção
hormonal em geral se ajusta rapidamente para atender às demandas impostas pelas
modificações nas condições corporais. Quatro fatores determinam a concentração
plasmática de um determinado hormônio: (1) quantidade sintetizada na glândula
hospedeira, (2) ritmo de catabolismo ou de secreção para dentro do sangue, (3) quantidade
de proteínas transportadas presentes (para alguns hormônios) e (4) modificações no
volume plasmático.
O ritmo com que as glândulas endócrinas secretam os hormônios depende da
magnitude do influxo químico estimulante ou inibitório proveniente de mais de uma
fonte. Durante um período prolongado, a síntese hormonal tende a igualar a liberação de
hormônio. Por um período relativamente curto, porém, a liberação de hormônio pode
ultrapassar sua síntese. O termo quantidade secretada descreve a concentração plasmática
de um hormônio.
A concentração hormonal depende de seu ritmo de secreção e de sua penetração
na corrente sanguínea e/ou do ritmo de seu metabolismo (torna-se inativo). A inativação
hormonal ocorre ao nível ou próximo dos receptores ou então no fígado ou nos rins.
Sabendo-se que o fluxo sanguíneo para as áreas esplâncnicas e renais diminui durante o
exercício (o sangue é distribuído para os músculos ativos), o ritmo de inativação dos
hormônios diminui e a concentração plasmática do hormônio aumenta.
A quantidade e afinidade da proteína transportadora afetam a quantidade de
hormônio livre e seu efeito potencial sobre o tecido. As modificações no volume
plasmático também alteram as concentrações hormonais, independente do ritmo de
secreção do órgão hospedeiro. Por exemplo, um volume plasmático reduzido durante o
exercício prolongado eleva simultaneamente a concentração plasmática do hormônio, até
mesmo sem uma modificação absoluta na quantidade do hormônio.
Três fatores estimulam a atividade das glândulas endócrinas:
 Estimulação hormonal: Os hormônios influenciam a secreção de outros
hormônios. Os níveis sanguíneos aumentados de um hormônio produzido
pela glândula-alvo final proporcionam uma retroalimentação (feedback)
para inibir a liberação dos hormônios da hipófise anterior e, finalmente,
sua própria liberação.
 Estimulação humoral: As oscilações nos níveis de íons e nutrientes no
sangue, na bile e em outros líquidos corporais estimulam a liberação de
hormônios. A designação estímulos humorais descreve essas substâncias
químicas, para diferenciá-las dos estímulos hormonais, que também são
substâncias químicas carreadas pelos líquidos. Por exemplo, um aumento
na concentração sanguínea de açúcar (o agente humoral) induz o pâncreas
a liberar insulina. A insulina promove a entrada de glicose nas células,
acarretando um declínio em seus níveis sanguíneos, encerrando assim o
estímulo humoral para a liberação de insulina.
 Estímulo neural: A atividade neural afeta a liberação de hormônios, de
forma que, o sistema nervoso pode sobrepujar o controle endócrino normal
para que seja mantida a homeostasia.
A maioria dos hormônios responde aos estímulos periféricos de acordo com as
necessidades. Outros liberam a intervalos regulares durante um ciclo de 24 horas que
recebe a designação de variação diurna. Alguns ciclos secretórios duram várias semanas,
enquanto outros obedecem a ciclos diários. Os padrões cíclicos não estão confinados a
uma única categoria de hormônios.
HORMÔNIOS DA HIPÓFISE ANTERIOR
A hipófise secreta pelo menos seis hormônios polipeptídicos especializados. O
hipotálamo age como controlador da atividade dessa glândula. Cada um dos hormônios
primários da hipófise possui seu próprio hormônio liberador hipotalâmico, denominado
fator de liberação. O influxo neural para o hipotálamo, representado por ansiedade,
estresse e atividade física, controla a produção desses fatores de liberação.
 Hormônio do Crescimento: O fator de liberação do hormônio do crescimento do
hipotálamo influencia a secreção em repouso do hormônio do crescimento (GH)
por estimular diretamente a hipófise anterior. O GH (também denominado
somatotropina) exerce uma atividade fisiológica generalizada, pois promovem a
divisão e a proliferação das células em todo o corpo. Nos adultos, o GH facilita a
síntese proteica, aumentando o transporte dos aminoácidos através da membrana
plasmática, estimulando a formação de RNA ou ativando os ribossomos celulares
que fazem aumentar a síntese proteica. O GH torna também mais lento o
fracionamento dos carboidratos e inicia a mobilização subsequente e a utilização
da gordura como fonte energética.
 GH, EXERCÍCIO E SÍNTESE TECIDUAL – Uma atividade física de curta
duração estimula uma elevação acentuada na amplitude do pulso de GH e na
quantidade de hormônio secretado em cada pulso. Talvez ainda mais importante,
o exercício estimula a liberação de isoformas do GH com meias-vidas mais
longas, prolongando assim a ação desse hormônio anabólico sobre os tecidos-
alvos. A maior liberação de GH beneficia o crescimento e a remodelagem do
músculo, do osso e do tecido conjuntivo. Aprimora também a mistura de
combustíveis durante o exercício, reduzindo principalmente a captação tecidual
de glicose, aumentando a mobilização dos ácidos graxos livres e acelerando a
gliconeogênese hepática. O efeito metabólico global da maior produção de GH
induzida pelo exercício preserva a concentração plasmática de glicose para o bom
funcionamento do sistema nervoso central e dos músculos. Muitos dos efeitos
promotores do crescimento de GH resultam das ações de mensageiros químicos
intermediários sobre diferentes tecidos-alvo, muito mais que de um efeito direto
do próprio GH. Esses mensageiros peptídicos, produzidos no fígado, são
denominados somatomedinas ou fatores do crescimento semelhante à insulina
(IGF-I e IFG-II). Uma hipótese sugere que o exercício estimula diretamente a
liberação de GH (ou a liberação de IFG-I e IFG-II pelo fígado ou pelos rins), que
por sua vez estimula os processos anabólicos. O exercício pode afetar também
indiretamente o GH por estimular as vias colinérgicas que irão desencadear a
liberação de GH. O exercício estimula a produção endógena de opiáceos que
facilitam a liberação de GH por inibirem a produção hepática de somatostina, um
hormônio que reduz a liberação de GH.
O GH modula a mistura metabólica durante o exercício por estimular a liberação
de ácidos graxos pelo tecido adiposo ao mesmo tempo em que inibe a captação
celular de glicose. Essa ação de preservação da glicose mantém a glicose
sanguínea em níveis relativamente altos, de forma a aprimorar o desempenho no
exercício prolongado. Indivíduos treinados e sedentários mostram aumentos
semelhantes na concentração de GH quando se exercitam até a exaustão. Em
contrapartida, a pessoa sedentária mantém níveis de GH mais altos por várias
horas durante a recuperação. Durante uma sessão padronizada de exercícios
submáximos, os indivíduos sedentários elaboram uma maior resposta do GH.
Como esse nível submáximo absoluto de exercício representa um maior estresse
para a pessoa menos apta, em geral a liberação de GH relaciona-se muito mais
com a dificuldade relativa do esforço físico.

FATORES DO CRESCIMENTO SEMELHANTES À INSULINA (IGF)


Os IGF (insulin-like growth factors) (ou somatomedinas) medeiam muitos
dos efeitos do GH. Em resposta à estimulação de GH, as células hepáticas
sintetizam IGF-I e IFG-II, um processo que leva entre 8 e 30 horas. Os fatores que
influenciam o transporte dos IGF incluem as proteínas fixadoras dentro do
músculo, o estado nutricional e os níveis plasmáticos de insulina. O período de
tempo necessário entra a síntese de IGF e a estimulação de GH afeta qualquer
aparecimento de IGF durante ou imediatamente após o exercício. Isso sugere que
sua liberação resulta da ruptura de células que já continham IGF. Além disso, a
liberação dos IGF mediada por GH que ocorre com o exercício pode refletir uma
evolução temporal diferente daquela observada tipicamente nas condições sem
exercício.

TIREOTROPINA (TSH)
O hormônio tireóide-estimulante (TSH), controla a secreção hormonal por
parte da tireóide. O TSH mantém o crescimento e o desenvolvimento da tireóide
e aumenta o metabolismo das células tireóideas. Por causa do importante papel
dos hormônios tireóideos na regulação do metabolismo corporal total, era de se
esperar que a produção de TSH pela hipófise aumentasse durante o exercício,
porém essa resposta nem sempre ocorre.

HORMÔNIO ADRENOCCORTICOTRÓPICO (ACTH)


O ACTH, também conhecido como corticotropina, funciona como parte
do eixo hipotalâmico-hipofisário-supra-renal para regular a produção de
hormônios pelo córtex supra-renal. O ACTH age diretamente aumentando a
mobilização dos ácidos graxos a partir do tecido adiposo, aumentando a
gliconeogênese e estimulando o catabolismo proteico. As concentrações de
ACTH podem aumentar proporcionalmente com a intensidade e a duração do
exercício se essa intensidade for superior a 25% da capacidade aeróbica. O
hormônio liberador de corticotropina (CRH) e arginina vasopressina (AVP)
medeiam a liberação de ACTH. O CRH exibe um ritmo diurno incontestável, com
níveis mais altos no início da manhã logo após levantar-se. Sabendo-se que o CRH
é tanto um regulador de ACTH quanto um neurotransmissor do sistema nervoso
central, é denominado com frequência o integrador da resposta ao estresse. O
exercício de alta intensidade pode favorecer a liberação de AVP enquanto o
exercício prolongado favorece a liberação de CRH, com ambos os processos
resultando em inibição do ACTH.
PROLACTINA (PRL)
A prolactina (PRL) inicia e facilita a secreção do leite pelas glândulas
mamárias. Os níveis de PRL aumentam com as altas intensidade do exercício e
retornam ao nível basal dentro de 45 minutos durante o período de recuperação.
Em virtude de seu importante papel na função sexual feminina, a liberação
repetida de PRL induzida pelo exercício pode inibir a função ovariana e contribuir
para as alterações no ciclo menstrual quando as mulheres treinam intensamente
para uma competição atlética. Os maiores aumentos na PRL ocorre nas mulheres
que correm sem utilizar uma roupa íntima capaz de proporcionar apoio; tanto o
jejum quanto o consumo de uma dieta rica em gorduras aprimoram a liberação
desse hormônio.

HORMÔNIOS GONADOTRÓPICOS (FSH) e (LH)


Os hormônios gonadotrópicos estimulam os órgãos sexuais masculinos e
femininos, os quais passam a crescer e secretar seus hormônios num ritmo mais
rápido. O hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH)
são os dois hormônios gonadotrópicos. O FSH inicia o crescimento dos folículos
nos ovários e estimula esses órgãos a secretarem estrogênio, um tipo de hormônio
sexual feminino. O LH complementa a ação do FSH no sentido de causar secreção
de estrogênio e ruptura do folículo, o que permite a passagem do ovo através da
trompa de Falópio para a fertilização. No homem, o FSH estimula o crescimento
do epitélio germinativo nos testículos a fim promover a formação dos
espermatozoides. O LH estimula também os testículos a secretarem testosterona.
A concentração de LH, em geral, aumenta antes do início do exercício e alcança
um pico durante a concentração.

HORMÔNIOS DA HIPÓFISE POSTERIOR


Esse tecido, conhecido como neuro-hipófise, não sintetiza seus hormônios,
pelo contrário, o hipotálamo produz esses hormônios e os secreta a neuro-hipófise
a fim de serem liberados de acordo com as necessidades por estimulação neural.
Assim, a neuro-hipófise armazena o hormônio antidiurético (ADH) e a ocitocina.
O ADH influencia na excreção de água pelos rins. Sua ação limita a produção de
grandes volumes de urina por estimular a reabsorção de água nos túbulos renais.
A ocitocina inicia a contração muscular no útero e estimula a ejeção de leite
durante a lactação.
O exercício proporciona um poderoso estímulo para a secreção de ADH.
A maior liberação de ADH, estimulada provavelmente pela transpiração, ajuda a
conservar os líquidos corporais, particularmente durante o exercício realizado em
um clima quente e a desidratação concomitante. Esse efeito do ADH, que consiste
na conservação de água, contribui para a modulação eficiente da resposta
cardiovascular ao exercício.

HORMÔNIOS TIREÓIDEOS
A tireóide está sob influência do TSH produzido pela hipófise anterior.
Além de secretar o hormônio calcitonina responsável pela regulação do cálcio, a
tireóide secreta dois hormônios com a proteína ligada ao iodo, tiroxina (T4) e
triiodotironina (T3, a forma ativaA do hormônio tireóideo). Esses dois hormônios
são denominados com frequência os principais hormônios metabólicos. É
secretada mais T4 que T3; apesar de ser menos abundante, T3 atua com uma
rapidez muito maior que T4. A maior parte de T3 resulta da retirada do iodo
(desiodinação) de T4 nos tecidos periféricos, principalmente fígado e rim. A
maioria das células receptoras para T4 a metabolizam (transformam) para T3. A
globulina fixadora de tiroxina (glicoproteína sintetizada no fígado) funciona como
o principal transportador dos hormônios tireóideos.
Graças ao seu efeito estimulante sobre a atividade enzimática, a secreção
de T4 acelera o metabolismo de todas as células, exceto aquelas no cérebro, no
baço, nos testículos, no útero e na própria tireóide. Uma secreção anormalmente
alta de T4 eleva a taxa metabólica basal (TMB) em até quatro vezes. Uma pessoa
pode perder peso rapidamente com uma atividade anormalmente alta da tireóide.
Em contrapartida, uma produção tireóidea deprimida acarreta uma queda na TMB,
que resulta habitualmente em aumento no peso corporal e na gordura corporal.
Para a função do sistema nervoso, a liberação de T3 facilita a atividade reflexa
neural, enquanto os baixos níveis de T4 produzem um estado de lentidão. Os
hormônios tireóideos proporcionam uma regulação importante para o crescimento
e o desenvolvimento dos tecidos, a formação dos sistemas esqueléticos e nervoso
e as capacidades para o amadurecimento e a reprodução. Desempenham também
algum papel na manutenção da pressão arterial por provocarem um aumento nos
receptores adrenérgicos nos vasos sanguíneos.
O metabolismo corporal total influencia a síntese dos hormônios
tireóideos. Uma depressão da taxa metabólica até algum valor crítico estimula
diretamente a liberação hipotalâmica de TSH. Isso faz aumentar a produção por
parte da tireóide e eleva o metabolismo de repouso. Inversamente, uma elevação
crônica no metabolismo reduz a produção de TSH, tornando o metabolismo mais
lento.
Durante o exercício, os níveis sanguíneos de T4 livre aumentam em
aproximadamente 35%. Esse aumento poderia ocorrer em virtude de uma
elevação na temperatura central induzida pelo exercício, que altera a fixação
proteica de vários hormônios, incluindo T4.
Os hormônios tireóideos não são essenciais para a vida, mas afetam sua
qualidade. Nas crianças, a expressão plena do hormônio do crescimento depende
da atividade da tireóide. Os hormônios da tireóide proporcionam a estimulação
essencial para o crescimento e o desenvolvimento normais, especialmente do
sistema nervoso.

HORMÔNIOS PARATIREÓIDEOS
O hormônio paratireóideos (PTH) controla o equilíbrio do cálcio no
sangue. O principal efeito do PTH consiste em aumentos nos níveis de cálcio
iônico por estimular três órgãos-alvo – osso, rins e intestino delgado.
A homeostasia dos íons cálcio no plasma modula a condução dos impulsos
nervosos, a contração muscular e a coagulação do sangue. A liberação de PTH e
a mobilização do cálcio podem proporcionar o material osteogênico bruto que
permite às forças mecânicas do exercício afetar positivamente a massa e a
densidade esqueléticas.
HORMÔNIOS SUPRA-RENAIS
As glândulas supra-renais estão localizadas imediatamente acima de cada
rim. Essas glândulas possuem duas partes distintas: a medula (porção interna) e o
córtex (porção externa). Cada parte secreta diferentes tipos de hormônios.

HORMÔNIOS DA MEDULA SUPRA-RENAL


A medula supra-renal faz parte do sistema nervoso simpático. Atua
prolongando e aumento os efeitos simpáticos por secretar dois hormônios,
adrenalina e noradrenalina (epinefrina e norepinefrina), denominados
coletivamente catecolaminas. A noradrenalina, que é um hormônio autêntico,
funciona como precursor da adrenalina. Atua também como neurotransmissor
quando liberada pelas terminações nervosas simpáticas. A função primária da
adrenalina no metabolismo energético estimula a glicogenólise (no fígado e nos
músculos ativos) e a lipólise (no tecido adiposo e nos músculos ativos); a
noradrenalina proporciona uma poderosa estimulação lipolítica no tecido adiposo.
As terminações nervosas simpáticas (incluindo aquelas que se dirigem para a
glândula supra-renal) secretam tanto adrenalina quanto noradrenalina. A resposta
simpatoadrenal ao exercício relaciona-se mais intimamente à intensidade relativa
que à intensidade absoluta do exercício.
A noradrenalina aumenta acentuadamente com intensidades acima de 50%
do VO2 máx, enquanto os níveis de adrenalina não se modificam até que a
intensidade do exercício seja superior a aproximadamente 60% do VO2 máx. Com
o esforço máximo, observa-se um aumento aproximado de 2 a 6 vezes na liberação
de noradrenalina. É mais do que provável que a secreção aumentada ocorra a partir
das terminações nervosas pós-ganglionares sinápticas e se relacione aos ajustes
cardiovasculares e metabólicos nos tecidos ativos. O exercício induz também uma
maior produção de adrenalina por parte da medula supra-renal com a magnitude
do aumento estando relacionada diretamente com a intensidade e a duração do
esforço. Os efeitos da maior atividade da medula supra-renal sobre a distribuição
do fluxo sanguíneo, a contratilidade cardíaca e a mobilização dos substratos
beneficiam todos a resposta ao exercício.

HORMÔNIOS ADRENOCORTICAIS
O córtex supra-renal, estimulado pela corticotropina da hipófise anterior,
secreta os hormônios adrenocorticais. Esses hormônios corticoesteróides se
enquadram funcionalmente em 1 de 3 grupos: mineralocorticoides,
glicocorticoides e androgênio.
MINERALOCORTICÓIDES – Os mineralocorticoides regulam os sais
minerais sódio e potássio no líquido extracelular. A aldosterona, fisiologicamente
o mais importante dos três mineralocorticoides, representa quase 95% de todos os
mineralocorticoides produzidos.
A secreção de aldosterona controla a concentração total de sódio e o
volume extracelular. Estimula a reabsorção do íon sódio (juntamente com
líquido). Consequentemente, será eliminado pouco sódio e líquido na urina. A
aldosterona ajuda também a estabilizar o potássio sérico e o pH, pois os rins
permutam seja um íon K+, seja um íon H+, para cada Na+ reabsorvido. O
equilíbrio mineral apropriado mantém a transmissão nervosa e a função muscular.
A atividade neuromuscular cessa sem uma regulação efetiva de permuta de sódio
de potássio.
Mecanismo Renina-Angiotensina – A maior atividade do sistema
nervosos simpático durante o exercício produz constrição dos vasos sanguíneos
que se dirigem aos rins. O fluxo sanguíneo renal reduzido estimula os rins a
liberarem a enzima renina e a lança-la na corrente sanguínea. A maior
concentração de renina ativa a produção de dois hormônios renais, angiotensina
II e angiotensina III. Esses hormônios estimulam a constrição arterial e a secreção
adrenocortical de aldosterona, que faz os rins reterem o sódio e excretarem
potássio. A excreção renal de sódio causa também conservação de água,
acarretando uma expansão do volume plasmático e uma elevação da pressão
arterial.
Uma redução crônica no fluxo sanguíneo renal em repouso, talvez em
virtude da estimulação simpática anormal, ativa o sistema renina-angiotensina.
Uma resposta exagerada e prolonga desse mecanismo, com um excesso resultante
na produção de aldosterona, causa hipertensão.
GLICOCORTICÓIDES – As situações com uma alta carga emocional ou
o estressa da atividade física estimulam o hipotálamo a secretar o fator liberador
de corticotropina que induz a hipófise anterior a liberar ACTH. Por sua vez, o
ACTH promove a liberação de glicocorticoides pelo córtex supra-renal. O
cortisol, o principal glicocorticoide do córtex supra-renal, afeta o metabolismo da
glicose, das proteínas e dos ácidos graxos livres, da seguinte maneira:
 Promove o fracionamento da prteína para aminoácidos em todas as
células, com exceção do fígado; a circulação leva esses
aminoácidos até o fígado para serem transformados em glicose
através da gliconeogênese.
 Facilita a ação de outros hormônios, principalmente glucagon e
GH, no processo de gliconeogênese.
 Funciona como antagonista da insulina, por inibir a captação e a
oxidação da glicose.
 Promove o fracionamento do triacilglicerol no tecido adiposo para
glicerol e ácidos graxos.
 Suprime a função do sistema imune
 Produz um equilíbrio do cálcio negativo.
O cortisol é secretado com um poderoso ritmo diurno; normalmente, a
secreção alcança um pico pela manhã e diminui de noite. A secreção de cortisol
aumenta com o estresse; assim sendo, às vezes é denominado o hormônio do
estresse. Apesar de ser considerado um hormônio catabólico, o efeito mais
importante do cortisol se opõe à hipoglicemia e, assim sendo, é essencial para a
vida. O cortisol, indispensável para a atividade plena do glucagon e das
catecolaminas, exerce um efeito permissivo sobre esses hormônios.
Os níveis séricos cronicamente altos de cortisol iniciam o fracionamento
excessivo das proteínas, o desgaste tecidual e o equilíbrio nitrogenado negativo.
A secreção de cortisol acelera também a mobilização das gorduras para a obtenção
de energia durante a inanição e o exercício intenso e prolongado. Com aumentos
rápidos e significativos na produção de cortisol, o fígado fraciona a gordura
mobilizada em seus componentes cetoácidos mais simples. As concentrações
excessivas de cetoácidos no líquido extracelular podem resultar na condição
potencialmente perigosa de cetose (uma forma de acidose).
Existe considerável variabilidade na renovação do cortisol com o exercício,
dependendo de intensidade e duração, nível de aptidão, estado nutricional e até
mesmo o ritmo circadiano. A maior parte da pesquisa indica que a produção de
cortisol aumenta com a intensidade do exercício; isso acelera a lipólise, a
cetogênese e a proteólise. Os níveis de cortisol permanecem elevados também por
até 2 horas após o exercício, sugerindo que o cortisol desempenha algum papel na
recuperação e no reparo dos tecidos. Diferentemente do efeito metabólico ativo
direto da adrenalina e do glucagon sobre a homeostasia energética durante o
exercício, o cortisol exerce um efeito mais facilitador sobre a utilização dos
substratos.
HORMÔNIOS GONÁDICOS
Os testículos no homem e os ovários na mulher são as glândulas
reprodutoras. Essas glândulas endócrinas produzem os hormônios que promovem
as características físicas sexo-específicas e desencadeiam e mantêm a função
reprodutora. Não existem hormônios incontestavelmente “masculinos” ou
“femininos”, mas apenas diferenças gerais nas concentrações hormonais entre os
sexos. A testosterona é androgênio mais importante secretado pelas células
intersticiais dos testículos. A testosterona inicia a produção de espermatozoides e
estimula o desenvolvimento das características sexuais masculinas secundárias.
Além disso, o papel anabólico ou de elaboração tecidual da testosterona contribui
para as diferenças entre homens e mulheres na massa e força musculares que se
manifestam por ocasião do início da puberdade. A conversão da testosterona para
estrogênio nos tecidos periféricos, controlada pela enzima aromatase, proporciona
ao homem uma proteção significativa na manutenção vitalícia da estrutura óssea.
Os ovários representam a fonte primária dos estrogênios, particularmente
estradiol e progesterona. Os estrogênios regulam a ovulação, a menstruação e os
ajustes fisiológicos durante a gravidez. Os estrogênios, tanto circulantes na
corrente sanguínea quanto aqueles gerados localmente nos tecidos periféricos,
exercem também efeitos sobre os vasos sanguíneos, o osso, os pulmões, o fígado,
os intestinos, a próstata e os testículo por sua ação sobre as proteínas receptoras
alfa e beta. A progesterona contribui com um influxo regulador específico para o
ciclo reprodutivo feminino, a contração do músculo liso uterino e a lactação. O
estradiol-17beta (estrogênio biologicamente ativo sintetizado a partir do
colesterol) acelera a mobilização dos ácidos graxos livres a partir do tecido
adiposo e inibe a captação da glicose pelos tecidos periféricos.
TESTOSTERONA – A concentração plasmática de testosterona funciona
comumente como um marcador fisiológico do estado anabólico. Além de seus
efeitos diretos sobre a síntese do tecido muscular, a testosterona afeta
indiretamente o conteúdo proteico das fibras musculares por promover a liberação
de GH, que acarreta a síntese e a liberação de IGF pelo fígado. A testosterona
interage também com receptores neurais para aumentar a liberação de
neurotransmissores e iniciar as alterações nas proteínas estruturais que irão
modificar o tamanho da junção neuromuscular. Esses efeitos neurais aprimoram
as capacidades produtoras de força do músculo esquelético.
A concentração plasmática de testosterona em mulheres, apesar de
corresponder apenas a um décimo daquela dos homens, aumenta com o exercício.
O exercício eleva também os níveis de estradiol e de progesterona. Nos homens
destreinados, tanto o exercício de resistência quanto o exercício aeróbico
moderado elevam os níveis de testosterona sérica e livre após 15 a 20 minutos.

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