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AGRADECIMENTOS 3

REVISÃO: PROF. FLATÔNIO JOSÉ DA SILVA. 3

INTRODUÇÃO 4

SOBRE O JÚNIOR VIÉGAS 4


SOBRE O THIAGO VIÉGAS 8
O QUE ESPERAR? 18

COMPETÊNCIA MUSICAL 19

TEORIA MUSICAL 21
IMPORTÂNCIA DO METRÔNOMO 23
EVOLUÇÃO 25
DISCIPLINA 26

PONTUALIDADE 27

RELACIONAMENTO 29

VISIBILIDADE 30

MARKETING PESSOAL 31

NICHOS MUSICAIS 34

MÚSICO DE ESTÚDIO 35
ATIVIDADE DOCENTE 36
PRODUÇÃO 39

LIDERANÇA 42

PERSISTÊNCIA 43

CRENÇAS E SONHOS. 45

OUSADIA 47

EMPREENDEDORISMO 51

HABILIDADES 56
RENDA PASSIVA 58
GESTÃO FINANCEIRA. 62

CONCLUSÃO 67

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Agradecimentos
Agradeço ao meu irmão pela parceria e apoio nesse
livro, a minha família por sempre nos apoiar e a minha
esposa Samira pela cumplicidade de sempre.

Revisão: Prof. Flatônio José da Silva.

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Introdução
Sobre o Júnior Viégas

Antes de contar a minha história, vou falar um pouco do


meu irmão, pois acredito que ele é uma dessas pessoas que
a música transformou.
Lembro que, desde pequeno, gostei de música,
enquanto o Júnior, meu único irmão, não demonstrava
nenhum interesse.
Nossos pais sempre adoraram música e nos
incentivavam a aprender algum instrumento. Eu já tocava
por hobby fazia uns quatro anos, e nada de a música
despertar algum interesse no Júnior. Certa feita, ele estava
jogando bola no quintal e minha mãe dizia para ele ir tocar
comigo na varanda de casa, mas ele definitivamente não
estava interessado.
Meu irmão sempre foi mais calado e tímido (ah, e muito
nerd também). Sempre gostou de fazer, com disciplina e
dedicação, aquelas atividades que o atraíam.
Nas festas em casa, lembro do meu pai tocando, eu do
lado tentando tocar e o Júnior no quarto escondido, jogando
videogame ou dormindo.

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Quando todos já tínhamos desistido da ideia de que ele
tocaria algum instrumento, ele nos surpreendeu. Vou contar
como foi isso...
Houve uma época em que comecei a tocar num bar,
com um grupo de pagode que montei na escola. Acho que
meus pais começaram a ficar meio preocupados com aquele
ambiente e, como as tocatas eram nos fins de semana,
pediam que o Júnior me fizesse companhia. Já que não tinha
muita escolha, acabava indo. Certo dia, dei o ganzá para ele
tocar com a gente e percebi que ele tinha jeito. Na hora do
show, ensinei como seria a levada. Ele fez certinho e com
ritmo. Quando cheguei em casa, falei para os meus pais que
ele tinha tocado com o grupo. Minha mãe ficou toda
orgulhosa, e o Júnior, calado e carrancudo. Assim ele foi
indo.
Quando fui para a Escola de Choro Rafael Rabelo, fiz
a cabeça dele para também entrar e estudar pandeiro. Ele
já sabia fazer a levada de partido alto. Como havia um teste
prático do instrumento, ensinei-o a tocar samba, ele foi
aprovado com o professor Sandro Araújo e iniciou os
estudos de pandeiro.
Júnior aprendeu tudo muito rápido. Ele sempre foi muito
bom em matemática. Acho que, por isso, gostou da teoria
musical logo de cara.

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Sandro preparava algumas apostilas que usava nas
aulas. Assim que o Júnior aprendeu a leitura rítmica e as
levadas de pandeiro escritas na partitura, começou, por
conta própria, a estudar o restante do livro e terminou o
conteúdo muito rápido. Meu irmão aprendeu pandeiro de
couro num tempo recorde. Hoje, que somos professores,
temos consciência da rapidez com que aprendeu. Quem
diria, um garoto que nem sequer queria participar do meio
musical, agora aprendendo tudo tão depressa.
O próximo passo foi começar a substituir o professor
Sandro. Como o Júnior se destacou na turma, o professor
pedia que ele o substituísse quando tinha algum
compromisso profissional.
Cerca de dois a três anos após iniciar os estudos, o
Júnior já era professor na Escola de Choro, o que impactou
a todos da família, pois não imaginávamos que ele iria
encarar a música com tanto afinco.
Quando terminou o ensino médio, com dezessete anos,
já ingressou na faculdade. Não sei bem por que, mas ele
entrou no curso de Aviação Civil, que forma pilotos de avião.
Ele conta que, no decorrer do curso, começou a ficar
confuso a respeito de qual profissão seguir: músico ou piloto.
Gostava muito das duas, mas ambas exigiam muita
dedicação e certamente não conseguiria conciliar as duas
atividades.

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Assim que terminou a parte teórica do curso e começou
as aulas práticas de voo, surgiu a oportunidade de uma
viagem internacional para fazer alguns shows com o grande
flautista Serginho, professor da Escola de Choro. Foi aí que
a emoção pela música bateu mais forte e ele decidiu investir
na carreira e desistir do sonho de ser piloto.
Os próximos capítulos foram marcados por muitos
shows pelo Brasil e no exterior. Foram mais de oito viagens
internacionais e muita história para contar.
Para mim, meu irmão é referência na arte de juntar a
teoria com a prática musical. Não é um autodidata como eu.
Com disciplina e dedicação, soube juntar a teoria que
aprendeu na escola com a prática da rua que eu lhe
passava.
Em um dos capítulos deste texto, contarei para vocês
como o Júnior aliou a teoria musical com empreendedorismo
para escrever métodos de aprendizagem que transformaram
a vida de muitos alunos. Continue comigo, que você vai
descobrir isso.

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Sobre o Thiago Viégas

Tudo começou quando eu ainda era muito novo, creio


que por volta dos seis anos. Meu pai passava a noite
tocando na casa de familiares, em festas informais. Ele com
o violão e eu com uma raquete de frescobol passávamos a
noite toda nos divertindo.
Tenho alguns registros desses momentos, mas
confesso que não me recordo, pois era muito novo. Minha
mãe e meu pai sempre me contam os detalhes. Falam que
eu nasci com a música dentro de mim e eu acho que é
verdade.
Quando eu tinha uns nove anos, mais ou menos na
época em que fomos morar noutra cidade, demonstrei um
interesse muito grande por futebol. Eu e meu irmão
nascemos em Brasília, mas todo ano nossa família ia de
férias para Ilha de Guriri, no Espírito Santo. Adorávamos
aquela cidade. Foi então que, em 1998, nossos pais
decidiram largar tudo em Brasília e começar do zero a vida
por lá. Éramos pequenos e nossos pais não costumavam
pedir nossa opinião.
Bem, morar lá foi algo fascinante. Pense em duas
crianças na beira do mar, curtindo a praia. Bom, não é? Era
algo incrível e a gente se divertia muito, muito mesmo.

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Lembro que entramos na escolinha de futebol “Nova
Geração”, do professor Pereira. Começamos a treinar sério,
nos dedicar, e ali achei que sabia o que iria fazer na minha
vida: ser jogador de futebol. Eu com 9 anos e meu irmão com
11 adorávamos aquela vida. Nossa rotina era estudar, fazer
as tarefas de casa e jogar bola. E onde entra a música nessa
história?
Lembro que na alta temporada, em julho e dezembro,
apareciam os trios elétricos, chegavam muitos turistas e tudo
ficava mais animado. Éramos carentes de novidade, pois
Guriri é uma ilha muito pequena. Foi então que comecei a
perceber que a música mexia comigo de alguma forma.
Quando as bandas começavam a se apresentar no trio
elétrico, davam uma volta de uns 4 km pela cidade, tocando
e arrastando o povo. Eu, bem pequeno, com uns 10 anos, já
saía atrás e ficava horas acompanhando o trio. Não sei bem
o que me chamava tanta atenção, só sei que eu amava
aquilo. Horas sem comer, mas nem me importava. Só queria
sentir aquele som e olhar bem de pertinho. Quando sentia
calor, corria e entrava no mar, pois o circuito do trio ficava
bem na beira da praia.
Em 1999, meus pais tiveram de voltar para Brasília, já
que os planos de morar em Guriri não estavam dando muito
certo. Eles abriram uma loja, que infelizmente não foi para
frente pelo fato de não entenderem de negócios. Meu irmão

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e eu ficamos na ilha morando com nossa avó até o final do
ano. No ano de 2000, também voltamos para Brasília. Como
não havia mais a escolinha, o sonho de ser jogador de
futebol foi se apagando e surgiu outro momento mais
importante ainda.
Meu pai começou a perceber que eu gostava de
música, porque sempre estava perto dele quando começava
a tocar. Ele me ensinou os primeiros acordes no violão e
aprendi muito rápido. Foi então que ele me colocou para
fazer aulas de violão na escola. Lembro que fiquei muito
empolgado. Chegava em casa e só queria ficar treinando os
exercícios que o professor havia passado na aula. Pronto,
quando menos imaginava, a música havia me contagiado e
preenchido o lugar do futebol.
Aos 11 anos, já tocava um pouco de violão, e meu pai
sugeriu que eu aprendesse cavaco também, instrumento
que ele achava interessante, com o que concordei
imediatamente. Minha mãe me levou para comprar um
cavaco simples, um tantan de marcação e um pandeiro para
iniciante, o essencial para os meus primeiros passos na
música.
O cavaco comecei a estudar sozinho em casa. Comprei
umas revistinhas e fui aprendendo os acordes básicos, já
que naquela época o acesso à internet era muito limitado. A
batida desenvolvi ouvindo os pagodes. Com 12 anos, montei

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o primeiro grupo de pagode, com o pessoal da escola. A
gente tocava no intervalo e no fim das aulas. Era uma alegria
só. Aprendi uma sequência de quatro acordes e tocava
qualquer música nessa harmonia. Coitado de quem entendia
de música e ficava ouvindo aquilo!
Fiquei dos 12 aos 14 tocando dessa maneira, com o
pessoal da escola e nas festinhas em casa com meu pai. Foi
então que, com 15 anos, já no primeiro ano do ensino médio,
conheci o Felipe Dariva, meu colega de sala. Ele tocava
cavaco muito bem, estudava na Escola de Música de
Brasília e estava bem mais adiantado na música do que eu.
Perguntei-lhe como fazia para estudar lá e ele me disse que
havia uma seleção que ocorria só duas vezes por ano.
Naquela hora, fiquei desanimado. Ao indagar se havia outra
opção para eu estudar cavaco, ele me falou da Escola de
Choro Raphael Rabello, que eu não sabia direito do que se
tratava. Contei a meu pai a respeito da escola e disse que
era um lugar onde eu poderia estudar cavaco mais a fundo.
Ele sugeriu que fôssemos conhecê-la.
Ao chegar, achei o ambiente um pouco estranho, pois
ficava ao lado do Centro de Convenções, num lugar meio
abandonado, mas o clima da escola e todos aqueles alunos
logo me cativaram. Vários alunos estudando música nas
salas, outros do lado de fora tocando e se divertindo. Falei

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para o meu pai que queria estudar ali. Deu tudo certo,
fizemos a matrícula e comecei logo em seguida.
Meu primeiro professor de cavaquinho foi o saudoso
Evandro Barcellos, profissional muito respeitado no meio
musical, que me ensinou os primeiros e mais importantes
detalhes. Técnicas básicas e fundamentais para tocar o
cavaco, como segurar a palheta, colocar o cavaco da forma
correta no colo, ler partitura e movimentar a mão para a
palhetada. Com certeza, ensinamentos que carrego até hoje
e passo adiante.
Algo transformador me aconteceu naquela época.
Quando estava com 16 anos e tinha cerca de um ano
estudando na escola, descobri que todos aqueles
professores viviam de música, que pagavam as contas com
o dinheiro que ganhavam na música. Achei aquilo
fascinante, porque eu ouvia muito em casa e de conhecidos
que música não era profissão, e sim apenas um hobby. Ter
aqueles mestres como referencia de sucesso na música me
deixou fascinado. Chegava em casa e comentava com meu
pai: “Evandro tem um carro legal e já viajou bastante”. Meu
pai perguntava o que ele fazia além da música, e eu
respondia que ele era músico em tempo integral, que não
tinha outra profissão. Mesmo assim meus pais continuavam
batendo na tecla de que música era só um hobby.

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Com 16 anos, montei o que considero meu primeiro
grupo de verdade, um conjunto de choro e samba chamado
“Disfarça e Chora”, com a seguinte formação: eu no cavaco-
centro, meu irmão Júnior no pandeiro, Cleandro no cavaco-
solo, Cloves no violão 6 cordas e Amílcar nas 7 cordas.
Algo muito forte dentro de mim me dizia que eu seria
músico profissional. Foi nessa época que tomei a decisão e
falava isso todo dia para meus pais. Hoje entendo o medo
deles: queriam me proteger desse mundo tão instável e
complicado da arte. Mas eu era audacioso, não tinha medo.
A vontade de viver da música era mais forte.
Aconteceu algo lá atrás que não tinha contado para
vocês. Fiquei sabendo, por meio de uma fofoca, que eu só
fazia parte de um dos meus grupos de pagode da escola
porque eu era dono do som e dos instrumentos, mas que eu
não era bom o suficiente. Aquilo mexeu muito comigo e me
deu uma garra fora do comum para estudar e provar que eu
poderia ser muito bom. É, essa garra deu resultado!
O tempo passava, minhas habilidades no cavaco foram
aumentando e surgiu o primeiro convite para a gente fazer
uma apresentação com o “Disfarça e Chora”. Lembro como
se fosse hoje: a apresentação foi no shopping Conjunto
Nacional. Tocamos uma hora e meia na praça de
alimentação e ali ganhamos nosso primeiro cachê, que, se
não me engano, foi 250 reais. Era muito dinheiro na época e

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para mim, que tinha 16 anos. Falei para o meu pai que
aquela profissão dava certo e que eu estava rico. Ele me deu
os parabéns. Meus pais ficaram muitos felizes com aquele
show. Sempre nos apoiaram e nos deram todas as
condições para estudar música, mas não acreditavam muito
que pudéssemos exercer a atividade como profissão e ser
prósperos vivendo daquilo. Hoje, adulto, entendo
perfeitamente a preocupação deles.
Minha vida foi divida em ciclos. Lembram que, no início,
achei que seria jogador de futebol? Depois veio a música,
tocando violão e depois cavaco. Eis que surge outra
surpresa: virei percussionista no meio desse caminho. Como
isso aconteceu?
Conheci uma cantora, a querida amiga Kris Maciel, que
estava montando uma banda para acompanhá-la. Entrei no
grupo tocando banjo, pois já havia outro cavaquinista. Certo
dia, como o percussionista que tocava surdo não pôde ir e
as pessoas sabiam que eu tocava informalmente o
instrumento, em casa, porque havia aprendido vendo os
companheiros tocarem, a cantora pediu que eu tocasse
surdo num show. Moleque corajoso, aceitei na hora. Fiz um
show, o segundo, o terceiro e, quando me dei conta, era o
mais novo percussionista da Kris Maciel.
Como sempre gostei de fazer tudo com esmero, resolvi
dedicar mais tempo à percussão. Comecei a estudar em

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casa, todo dia um pouquinho, surdo, tantan, pandeiro e
outros instrumentos de percussão. Nessa época, fiz também
algumas aulas de conga.
Frequentava os shows de samba e choro, prestava
atenção nos percussionistas e, sempre que possível, fazia
amizade e dava canjas. Isso foi fundamental para minha
evolução e relacionamento com o meio.
À medida que o tempo passava, tocava cada vez
melhor, ampliava meus contatos e me destacava como
percussionista em Brasília. Estava com 18 anos e
apaixonado pela percussão, que apresenta inúmeras
possibilidades de execução. Cada dia era uma descoberta.
Aprendia a tocar um instrumento diferente, um ritmo novo e
me sentia em evolução constante.
Graças à minha evolução profissional e às amizades
que fui conquistando no meio musical, o número de shows
aumentou e, em consequência, também o dinheiro que
ganhava. Já conseguia pagar minhas despesas básicas,
hobbies e necessidades. Foi nessa ocasião que meus pais
passaram a acreditar na música como atividade profissional.
Mesmo assim, cursei a faculdade de Pedagogia, mais para
satisfazer a vontade de minha mãe, que acreditava que só
com curso superior era possível vencer na vida. Hoje em dia,
as coisas mudaram e cursar faculdade não é mais garantia
de sucesso. Quer dizer que sou contra curso superior? De

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forma alguma. Mas acredito que só é válido quando a
pessoa tem vocação e precisa de adquirir conhecimento
para exercer uma atividade profissional, e não para agradar
a alguém.
Considero que sou músico profissional desde meus 16
anos, quando comecei a ganhar dinheiro com a atividade.
Muita coisa nesse processo, até os dias de hoje, tive de
aprender sozinho, na rua, errando a aprendendo. Tive
poucos conselhos que me abriram os olhos. Minha evolução
profissional aconteceu de forma bem natural e, graças a
Deus, tomei decisões acertadas.
Graças à música, tive oportunidade de conhecer outros
países, além de participar da turnê nacional com o
revezamento da tocha olímpica, em 2016, que me
proporcionou a oportunidade de tocar em 320 cidades do
nosso lindo país.
Música para mim sempre foi pelo amor que tenho por
ela, nunca pelas tentações que o meio pode propiciar.
Bebidas, mulheres, drogas, nada disso nunca me chamou a
atenção.
O que queremos mostrar neste livro é o caminho que
trilhamos para nos tornarmos músicos prósperos. São dez
passos que, com certeza, irão torná-lo um músico melhor em
todos os sentidos. Experiências que vivemos na prática e
que mudaram nossa vida até aqui. Está preparado para ser

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outro músico a partir de hoje? Então, vamos juntos nesta
caminhada.

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O que esperar?

As dicas aqui apresentadas não seguem a ordem de


relevância. Todas têm a mesma importância e uma completa
a outra. Acredito que, para ser bem-sucedido na profissão,
não se pode menosprezar nenhuma delas. Vamos lá!

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Competência musical
Essa dica deve parecer bem óbvia para todos. Com
certeza é algo essencial, mas, no decorrer deste livro, vocês
vão verificar que, embora não seja a mais importante,
representa uma das “senhas para abrir o cadeado do
sucesso”.
Tocar bem exige estudo em cima das necessidades
básicas da música. O primeiro passo é a prática constante.
Se possível, tocar todo dia o instrumento que deseja
aprender ou aprimorar.
Quando comecei a tocar percussão, estudava todos os
dias um pouquinho de cada instrumento. Tudo bem que eu
era bem “fominha” e tinha tempo para isso. Ficava tocando
e experimentando coisas novas entre duas a três horas por
dia. Se você tem outro trabalho e a música é plano B, não
se preocupe, você também será capaz de se capacitar para
escolher se quer fazer da música sua profissão.
Em qualquer situação, é necessária uma rotina com o
seu instrumento. Acredito que um pouco todos os dias vale
mais do que estudar cinco horas num único dia e depois, no
decorrer da semana, não pegar mais no instrumento. Seria
o mesmo que ir à academia “puxar ferro” num dia e depois
só voltar lá na outra semana. Tocar é igual musculação: não
é a quantidade de movimentos num único dia que lhe trará

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o resultado que espera, e sim adotar a rotina de fazer um
pouco todos os dias. Portanto, se tiver que escolher tocar
cinco horas uma vez por semana, ou tocar 10 minutos por
dia, durante todos os dias da semana, prefira a segunda
opção, o que lhe garantirá a excelência de que necessita
para o sucesso profissional.

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Teoria musical

Esse ponto é algo muito questionado tanto por músicos


quanto por estudantes de música. Devo investir tempo para
aprender teoria musical, ou, se for bom na prática do meu
instrumento, já terei o sucesso assegurado? Vamos resolver
esse dilema. Sempre fui resistente ao estudo da teoria
musical, ao contrário do Júnior, que aprendeu música na
escola.
Achava que uma boa prática iria me levar ao topo. Com
o passar dos anos, vi que não era bem assim.
Comecei a estudar teoria ainda na Escola de Choro,
com meus 15 anos, mas não tinha paciência e não gostava
da didática do professor. Em resumo, só queria a prática.
Aprendi o que mais importava – a leitura de cifras na
partitura –, já que na época eu ainda era só cavaquinista, e
estudei bem pouquinho sobre leitura rítmica e melódica.
Mas Deus foi muito bom comigo, porque, se eu tivesse
começado a vida musical como percussionista,
provavelmente não teria aprendido nem o básico da teoria.
Quando adolescente, era apressado e queria tudo rápido, e
teoria é algo para aprender aos poucos, pois são vários
conteúdos para absorver.
Quando cheguei à idade adulta, tive mais consciência
da necessidade de estudar teoria musical, pois, como

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sempre gostei de praticar com metrônomo e tinha o sonho
de virar músico de estúdio (que participa de gravações de
CDs e DVDs), percebi que, se fosse bom para ler partitura,
levaria vantagem sobre outros músicos que só eram bons na
prática. Hoje procuro me aperfeiçoar na teoria musical,
sobretudo na parte de leitura rítmica, já que agora atuo
integralmente como percussionista.

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Importância do metrônomo

Nesta parte de estudos musicais, existe algo – o


metrônomo – que considero meu melhor amigo e acredito
que possa ser seu também. Vou contar uma história para
que vocês saibam como ele entrou na minha vida.
Certa vez fui fazer um show com o grande Valério
Xavier, um dos meus professores de cavaquinho. Ele no
cavaco-solo e eu no pandeiro. Fizemos o show e eu estava
feliz e emocionado com aquela oportunidade de estar
tocando ao lado dele e de outros grandes músicos. Quando
acabou, todos os músicos sentamos à mesa para jantar e
bater um papo. Conversa vai, conversa vem, ele disse o
seguinte na frente de todos:
“Thiago, você está tocando muito bem, mas por que
você corre tanto?”
Nossa, aquilo acabou com minha noite, mas hoje
considero o melhor “puxão de orelha” que poderia ter
tomado. No outro dia, comprei um metrônomo, comecei a
estudar e fiz dele o meu melhor amigo. E adivinha, foi por
intermédio do mesmo Valério que tive a minha primeira
oportunidade de gravação.
Como sabia que não podia fazer feio quando esse dia
chegasse, preparei-me com muita dedicação. Uma lição que
trago comigo é que a gente tem de estar pronto para quando

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uma boa oportunidade aparecer. E eu estava bem
preparado. Ele me convidou apenas para gravar o pandeiro,
mas, quando percebeu que eu estava tocando bem, tirando
um som bonito e, acima de tudo, com um bom andamento,
sem oscilar, foi me pedindo para gravar os demais
instrumentos da música. E assim começava uma nova fase
na minha vida, a de gravação em estúdio.
De lá para cá, procuro sempre estudar e praticar os
instrumentos com o auxílio do metrônomo. É fato que nunca
estamos perfeitos, e essa é a graça da vida. Quando você
acha que está bom demais, você para de evoluir. Por isso,
ser inquieto e insatisfeito é o que lhe possibilita a
permanente evolução.

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Evolução

Acredito que o ser humano evolui até o seu último dia


de vida, e com a música não pode ser diferente.
Quando decidimos ser bom em algo, é necessária a
consciência de que devemos estar em permanente
evolução. Tudo se modifica: o que era novidade há alguns
anos, hoje não é mais. Surgem novos instrumentos, outros
ritmos, diferentes variações, novas formas de vender seu
produto. Então, é indispensável ficar antenado às novidades
e buscar a capacitação em todas as áreas da vida
profissional como músico. Não basta tocar bem. No decorrer
deste livro, tratarei de outras habilidades importantes para
ser bem-sucedido na profissão.
Portanto, sempre que tiver oportunidade, frequente
workshops, vá a feiras de músicas, faça cursos com
professores referência no seu segmento e se conecte com
pessoas de sucesso. Afinal, somos a média das cinco
pessoas com quem mais convivemos.

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Disciplina

Certamente você já ouviu falar muito do assunto, mas


ainda não colocou em prática.
Vou ser bem objetivo. Para mim, ter disciplina significa
cumprir o que prometeu para si e para outras pessoas. Se
você, por exemplo, se propõe a estudar quinze minutos por
dia do seu instrumento, você tem de cumprir o que
prometeu. Lembre-se: você não estará enganando o outro,
mas a si mesmo. Sabe por quê? Ficará evidente se você
estudou ou não, seu desempenho profissional vai depender
de você.

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Pontualidade
Esse é outro ponto que até hoje nos coloca – a mim e
a meu irmão – à frente de vários colegas talentosos. Acredito
que ser pontual em seus compromissos é o começo de tudo.
Como infelizmente vejo muitos músicos negligenciando
nesse aspecto, vou falar um pouco sobre o tema.
Ser pontual é respeitar o próximo. O músico não pode
atrasar para o ensaio só porque pensa que o colega também
vai atrasar. “Vou chegar atrasado à passagem de som, pois,
com certeza, nada estará montado ainda, sei como essas
coisas atrasam”. Não faça isso jamais. Estará cavando a
própria cova.
O compromisso tem de ser com você e com os colegas.
Foi combinado um horário, cumpra. Isso vai mostrar aos
outros que você os respeita e que é uma pessoa de valor.
Conheço músicos que usam o casamento, esposa ou
filhos como desculpa pelos atrasos. Ninguém tem nada a ver
com a sua vida pessoal. Todos temos nossa família e nossos
compromissos. A partir do momento que você assumiu um
compromisso e empenhou sua palavra, precisa chegar na
hora acordada e pronto para executar o seu trabalho.
Sempre programo meu dia seguinte na noite anterior.
Se tenho ensaio às dez horas, acordo com antecedência
para tomar café da manhã, escolher a roupa e ajeitar os

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instrumentos no carro. Lembro que, dependendo de onde for
o compromisso, vou enfrentar engarrafamentos e, por isso,
saio com bastante antecedência de casa. Você precisa estar
preparado para as adversidades que podem surgir no meio
do caminho. Lembre-se: você só pode controlar o
controlável. O que está nas suas mãos é se programar para
sair de casa com antecedência. Faça com perfeição o que
está sob seu controle.

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Relacionamento
Após mais de doze anos como músico profissional,
tenho a certeza de que ter bom relacionamento com pessoas
que nos rodeiam é muito importante.
O ser humano é gregário, vive em sociedade. Ninguém
consegue viver sozinho, isolado, sem se comunicar com seu
semelhante.
Na música, sempre foi muito claro para mim que quem
se relacionava melhor estava nos melhores gigs (formação
de músico que montamos para algum show específico), e
desde o começo me preocupei bastante com isso.
É claro que ninguém gosta de conviver com pessoa
inconveniente, maçante, que adora reclamar de tudo.
Queremos a companhia de pessoas inteligentes, proativas,
boas de papo e com energia positiva.
Dica valiosa para ser bem-sucedido na música: faça
bons contatos, procure o convívio de pessoas éticas, de boa
índole, e leve para o mundo o que você tem de melhor. Às
vezes não estamos no nosso melhor dia, mas, sempre que
possível, esforce-se para ser uma pessoa agradável.

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Visibilidade
Eis um conselho que sempre ouvi do meu pai: “Meu
filho, quem não é visto não é lembrado”. Quando estava com
meus 16 anos, começando a tocar profissionalmente, meu
pai me aconselhava a frequentar rodas de samba para
conhecer pessoas, fazer amizades e dar canjas. Meu irmão
e eu saíamos muito para curtir boa música e fazer contatos.
Adorávamos assistir à galera da nossa cidade tocar, e,
naquele momento, era a nossa referência mais próxima, pois
ainda não havia na internet tantos vídeos de músicos do
segmento do samba como nos dias de hoje.
As pessoas nos viam e nos chamavam para dar canjas
e assim as coisas foram acontecendo.
Às vezes o samba estava acabando, alguém chegava
e perguntava o que eu ir fazer na semana seguinte. Se não
tivesse compromisso, já aparecia um convite para tocar.
Foi desta maneira que comecei a fazer os primeiros
shows e aumentar meus contatos: presenciando as tocatas
dos amigos e substituindo-os quando não podiam tocar.
Faça contatos, faça contatos.

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Marketing pessoal
Demorei para entender, mas quando aprendi que o
marketing era fundamental, minha vida mudou.
Nesses anos pude perceber que esse tema assusta os
músicos. O artista costuma viver num mundo à parte, onde
só quer tocar e não se preocupa com mais nada de sua
carreira. Aprendi que temos de ser responsáveis pelo nosso
marketing. É necessário saber cuidar da própria carreira.
Música é um produto como qualquer outro e existe um
público potencial para consumi-la. Para vender seu produto,
o músico precisa conhecer bem seu público e quais suas
expectativas e seus sonhos.
Tratando-se de marketing pessoal, vou focalizar alguns
pontos necessários e básicos para alavancar seu sucesso.
Tenha redes sociais ativas! O que é isso? Você precisa
estar conectado nas redes sociais e interagir com as
pessoas. Não basta criar uma conta no facebook ou no
Instagram e deixá-la parada para o resto da vida, no máximo
adicionando as pessoas. Você tem de fazer postagens de
valor, passar dicas sobre seu instrumento, publicar fotos de
algum show interessante, comunicar-se e estar presente na
vida das pessoas. Mais uma vez: “quem não é visto não é
lembrado”. Hoje em dia estar ativo nas redes sociais
constitui uma das maneiras mais eficazes de ter visibilidade.

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A tecnologia veio para nos ajudar. Mesmo que você não
tenha muito tempo para sair e participar das rodas, você
deve se comunicar com as pessoas através da internet.
Outro ponto importantíssimo e que poucos músicos
valorizam é a aparência pessoal. Você deve se vestir bem e
ter boa apresentação. Lembre que “a primeira impressão é
a que fica”. Não basta cuidar da aparência e estar bem
trajado apenas para festas importantes ou grandes shows,
mas também no dia a dia, quando sair de casa para
encontrar pessoas. A maioria dos músicos só se preocupa
em tocar bem e se esquece de cuidar de outros aspectos,
também da maior relevância. Continue comigo até o fim, que
entenderá.
Nos últimos anos venho me destacando, porque, além
de tocar bem, que é uma das obrigações básicas, cuido da
minha aparência. Tenho preocupação com a vestimenta,
com o corte de cabelo. Procuro me apresentar cheiroso, com
roupas e calçados limpos.
Outro ponto de grande importância é a postura no
palco. Se você é linha de frente do seu trabalho, nem preciso
falar sobre isso, você já deve estar ciente. Agora, se você,
assim como eu, costuma acompanhar artistas, integrar a
banda de alguém, é necessário que tome cuidado.
O artista quer que você some com ele, que você
interaja com todos os músicos e com o público. Você não

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pode ficar igual a uma estátua que toca. Você tem de sorrir,
passar tranquilidade para o cantor, que muitas vezes está
tenso, e um sorriso seu pode ajudá-lo a relaxar e fazer um
show melhor. Tome cuidado, porém, com o excesso. Nada
de ficar fazendo piadinhas, gritando no palco e
desrespeitando o show. Isso não o levará a lugar algum.

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Nichos musicais
Isso é algo que fui entendendo aos poucos também e
procuro aperfeiçoar cada dia mais.
A música contempla várias possibilidades. Além de ser
um bom músico que acompanha um cantor ou integra
alguma banda, você pode se especializar para tornar-se
professor, músico de estúdio, produtor, enfim, uma
influência no seu meio.
Quanto mais você dominar os diferentes nichos da
música, maior a chance de sempre ter trabalho e de ser
bem-sucedido.
Quando era mais novo, só gostava de palco, só queria
tocar. Depois, de forma intuitiva, comecei a atentar para
outras possibilidades de atuação no ambiente musical.

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Músico de estúdio

Como já disse aqui, tinha o sonho de virar músico de


estúdio e estudei muito para alcançá-lo. Foi algo
maravilhoso, que permitiu registrar meu som em diversos
CDS e alguns DVDs, além de aumentar minha renda. No
estúdio, você chega e grava um CD inteiro em alguns dias,
muitas vezes em menos de uma semana, e sai de lá com
uma grana boa, que levaria mais de uma semana para
ganhar, com vários shows. Portanto, ter competência para
atuar em gravação lhe garantirá um bom retorno financeiro.
Como se tornar um músico de estúdio? O que fiz, desde
o começo, foi estudar muito com o metrônomo. Meu
conselho: faça isso todos os dias.
Três pilares fundamentais para virar um músico de
gravações: tirar um som bonito dos instrumentos, saber ler
partitura e ter domínio do metrônomo, tocando em cima dele
suingando. Dominando esses três pilares, você estará
pronto para entrar no estúdio e fazer bonito.

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Atividade docente

Não imaginava que tivesse habilidade para lecionar


música. Como sempre fui estudioso, inquieto e curioso,
alguns músicos amigos me pediam conselhos e dicas de
levadas. Eu lhes ensinava com satisfação, sem cobrar nada,
mas sem muita didática. Não entendia bem o que estava
fazendo, porém dava certo e eles entendiam a mensagem.
Entrei na faculdade de pedagogia quando tinha 17
anos. Não conseguia avaliar o que aquilo acrescentaria na
minha vida, já que eu só queria ser músico. No decorrer do
curso, estudei psicologia e didática, disciplinas que, de
alguma forma, começaram a abrir meus olhos para a
educação. Passei a entender o quanto essa missão era linda
e importante.
Com 26 anos, o Júnior já estava dando bastantes aulas.
Na época, eu, com 24 anos, fiquei interessado em também
dar aulas de música de forma profissional.
O início foi na Escola de Choro, como substituto do
Júnior nos seus impedimentos, e aos poucos me tornei
professor particular e de outras escolas. Foi uma das
melhores coisas que fiz.
Quando você ensina algo a alguém, automaticamente
você também aprende.

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Um dos melhores professores que conheci até hoje é
meu irmão. O Júnior sabe dar aula como ninguém: tem muita
paciência e sabe passar o conteúdo com calma e habilidade.
Não conheço nenhuma pessoa que tenha feito aula com ele
que não tenha saído tocando alguma coisa.
Ele sempre me dava dicas sobre ter paciência com os
alunos, passar o conteúdo com calma e entender que cada
aluno tem seu tempo.
Dar aula é bem diferente de saber tocar. Nem sempre
um ótimo músico será um bom professor. Para ser bem-
sucedido, o professor precisa conhecer seu aluno, suas
necessidades e aspirações. Muitos alunos não querem se
tornar músicos profissionais, e sim aprender música como
hobby.
Vale a pena estudar e se preparar para ser um bom
professor. Por que deveria dar aulas? Bem, vamos lá!
O músico, normalmente, não trabalha todo dia e não
tem show o tempo todo, a não ser que esteja em turnê com
algum cantor ou banda. Fora isso, trabalha mais nos fins de
semana e, portanto, tem horas vagas na agenda. Dar aulas
significa adicionar outra importante fonte de renda. Quanto
mais opções de renda você tiver, maior serão suas chances
de ser bem-sucedido. Quando alguma área estiver fraca de
trabalho, você compensará em outra. Seja versátil! Seja bom
no maior número possível de áreas que conseguir!

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Como se tornar um professor de música? Existem duas
formas: ou você cursa licenciatura em música numa
faculdade e aprende os fundamentos de didática, ou começa
dando aula de maneira informal para amigos e familiares.
Indague de seus alunos se estão gostando das aulas que
está ministrando, porque eles serão o termômetro para o seu
sucesso.

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Produção

A produção é outra atividade interessante da qual você


pode fazer parte. Nela, existem vários tipos, mas vou me ater
a dois deles: a produção musical e a produção executiva.
O produtor musical se encarrega de ajudar o artista a
entender em que direção ele vai concentrar energia, para
onde ele irá. A direção certa é sempre mais importante do
que a velocidade. Não adianta ir a mil por hora para o
caminho errado. Por isso, sempre corra na direção certa.
Esse produtor tem que ter uma visão de fora. É como
se ele estivesse dentro do trabalho, mas conseguisse
enxergá-lo de fora, como um telespectador. Compreende?
Ele consegue ajustar as velas. Organiza a banda, contrata o
show, ajuda o cantor a se programar melhor, a ter uma
performance mais profissional. Bem, ele é a pessoa que
pode alavancar seu trabalho ou afundá-lo. Escolha muito
bem quem fará isso no seu projeto. Tenha sempre boas
indicações.
Observação importante: às vezes, vejo artista
escolhendo o produtor pelo instrumento que ele toca. Ah,
fulano é violonista da banda e faz os arranjos, então vamos
colocá-lo como produtor. Não cometa esse erro se você for
linha de frente do seu trabalho. Nem sempre o músico que
faz os arranjos e toca um instrumento saberá produzir seu

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trabalho. São atividades totalmente diferentes. Pode ser que
esse violonista e arranjador seja um ótimo produtor, mas
também pode ser que seja um fiasco. Mais uma vez, fique
de olhos abertos.
Como se tornar um bom produtor musical?
Tem a ver com todas as outras virtudes. Ser pontual,
bom músico, relacionar-se bem, ouvir o que o outro tem a
dizer e, sobretudo, estar sempre antenado com as
novidades que estão surgindo. O produtor precisa identificar
qual a demanda do público consumidor para poder
direcionar o artista no caminho certo. Afinal, não adianta
oferecer a melhor picanha do mundo para um vegetariano,
porque ele não compra!

Vamos tratar agora da produção executiva. Esse tipo


de produção é uma das últimas habilidades citadas neste
livro que exerci e que, claro, procuro aperfeiçoar de modo
permanente.
O produtor executivo é o profissional que tem a visão
das inúmeras necessidades, além da música, para que o
espetáculo se concretize.
É ele que se encarrega de lidar com a banda, com a
estrutura física necessária para o dia do evento, com o local
onde será o show e com toda a burocracia necessária para
que o espetáculo seja bem-sucedido.

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Gosto muito de executar esse função. Não enfrento
grandes dificuldades com o artista com quem atualmente
trabalho, pois somos uma equipe pequena, composta por
quatro músicos, um roadie e um técnico de som. Então, é
uma tarefa relativamente fácil de coordenar.
Minha função é responder aos interessados em
contratar shows, enviar orçamentos, marcar reuniões e
fechar contratos. Antes do evento, alugar sistema de som,
palco, iluminação e checar com a banda a disponibilidade de
todos. São muitas providências a adotar, mas, com o passar
do tempo, vai se adquirindo experiência e o trabalho flui com
mais facilidade.
Qual a grande vantagem de ter competência para
desempenhar esses dois tipos de produção acima
comentados? Se você trabalha mais, ganha mais. E, como
venho falando desde o começo, quanto mais versátil você
for, quanto mais atividades souber exercer no meio musical,
maior a possibilidade de melhorar a remuneração. Por isso,
vale a pena ser competente em várias áreas.

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Liderança
Chega um momento na carreira que você vira uma
autoridade no seu segmento. As pessoas passam a admirá-
lo pela postura, inteligência e pelo o que agrega na vida de
outras pessoas.
Não é você que se intitula um influenciador, são as
pessoas que passam a enxergar isso em você graças a seu
comportamento e comprometimento com o próximo.
Para ser um influenciador na área musical você precisa
de todas essas habilidades que estamos elencando ao longo
deste livro.
Seja bom no máximo de atividades que puder, porque
isso o colocará à frente dos demais e o tornará uma
autoridade dentro do seu nicho.
Seja sempre íntegro, autêntico e verdadeiro na
mensagem que passar. Afinal, ninguém gosta de seguir uma
personagem.

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Persistência
Virtude essencial para alguém que queira alcançar o
sucesso. Não existem histórias de sucesso sem fracassos e
muita persistência.
Precisa ficar bem claro que não será na primeira
tentativa de fazer algo novo que tudo dará certo e você terá
êxito total. Tudo que é novo estranha, incomoda, e a
tendência natural é a gente recuar e desistir. Condicionado
a ter o mínimo de esforço possível, nosso cérebro nos leva
a tomar decisões mais fáceis, que evitem esforço físico e
mental. Portanto, abandonar projetos e voltar à zona de
conforto é um comportamento natural do ser humano.
Nessa hora, a gente precisa lembrar por que começou
a desenvolver aquele projeto, quais as razões o levaram a
tomar a decisão. Certamente você tem um sonho de ser
bem-sucedido e viver de música, para divulgar sua arte e
também assegurar uma vida digna para sua família. Lembre-
se sempre dos motivos que o impulsionaram para a
realização do seu sonho e isso seguramente lhe dará forças
para perseverar.
Trabalho com música há mais de 12 anos e nunca foi
fácil. Tive de conquistar o respeito de familiares e amigos.
Meu irmão e eu ouvimos diversas vezes que era impossível
viver da música. Corremos atrás do nosso sonho, lutamos,

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fracassamos algumas vezes, mas não desanimamos e hoje
podemos afirmar que não só é possível viver da atividade
musical como é possível viver bem, confortavelmente. Para
vencer na música, como em qualquer profissão, é
indispensável muito estudo, preparo e dedicação, para se
diferenciar dos demais, oferecer algo além do normal. É
preciso, enfim, acordar mais cedo e dormir mais tarde.
O sucesso só vem antes do trabalho nos dicionários.
Não tem mistério: para ser bem-sucedido na profissão, é
necessário suor e trabalho duro.
Acredite no seu sonho, não desista nunca e seja um
vencedor.

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Crenças e sonhos.
A crença é aquilo que não sabemos explicar direito o
que é, mas que nos move e nos tira do lugar com uma força
imensa.
Independentemente da sua religião, daquilo em que
você acredita, é preciso ter crença em você e nos seus
sonhos. Infelizmente, somos treinados a não sonhar.
Você se lembra de quando era pequeno e sonhava
muito? Você queria ser um super-herói, um policial, viajar
pelo mundo, salvar pessoas. Pois é, aquele seu sonho tinha
sentido, por detrás dele com certeza havia uma profissão
digna que você poderia ter abraçado e dela viver para o resto
da vida. Infelizmente, muitos fatores, entre eles um sistema
educacional arcaico e conservador, fizeram-no desistir dos
seus sonhos.
Fico muito triste com o nosso sistema educacional, que
infelizmente aliena as pessoas. Não sei nas escolas onde
vocês estudaram, mas na rede pública, onde estudei boa
parte da minha vida, não havia espaço para a arte em geral
(música, teatro, dança, etc.), não havia espaço para sonhar.
Nunca devemos generalizar nada, sei que existem escolas
e professores exemplares, mas a minha realidade foi essa.
Tudo o que se falava era: estude, tire boas notas, arrume um
emprego, se aposente e seja feliz! Como ser feliz sem fazer

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aquilo de que gosta? Quem disse que apenas um bom
emprego é que vai fazer uma pessoa feliz e realizada? Pode
ser que sim. Há muita gente que se realiza com um emprego
estável, de carteira assinada e boa remuneração, mas é
fundamental saber que também existem outros caminhos.
Uma pessoa pode, sim, viver de arte e ser feliz, desde que
goste do que faz e seja competente no seu ofício.
Empreender pode ser uma ótima opção profissional.
“Ah, mas é muito arriscado”, dirão alguns. Tudo na vida tem
riscos, e fazer algo de que não goste e com que não se
identifique pode significar o risco de ficar doente da alma,
que é a pior doença que pode existir.
Este o ponto a que quero chegar: a gente precisa
trabalhar naquilo que dê alegria e satisfação, que faça os
olhos brilharem. Não existe nada melhor do que, em plena
segunda-feira, em vez de reclamar, festejar o início de mais
uma semana e agradecer pela felicidade que conquistou.
Seja grato, sempre. O universo costuma devolver
gratidão aos gratos. É incrível, quanto mais você agradece,
mais o universo vai retornar. Faça este teste: Acorde e
agradeça. Você verá que seu dia e sua semana serão cada
vez melhor.

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Ousadia
Com certeza você já ouviu este ditado: “Quem não
arrisca não petisca”. Pois é, isso eu tenho levado para a vida.
Mas, confesso, nem sempre foi assim.
Eu era uma pessoa que morria de medo de sair da zona
de conforto. Só de pensar em algo novo, ficava apavorado.
Mas, aos poucos, fui testando coisas novas e vendo que o
medo era a falta do conhecimento, apenas isso. À medida
que ia desbravando as novidades, o medo ia acabando.
Dica: sempre que tiver medo, aprenda o máximo que puder
sobre o assunto. Esse medo vai sumir num passe de
mágica.
Tocar é algo que faço desde criança; então, nunca que
tive medo de subir no palco, tocar um instrumento, etc.
Agora, sempre que eu ia começar uma nova atividade,
ficava com medo. Foi assim com as aulas. Quando fui dar
minha primeira aula numa turma, substituindo meu irmão,
fiquei muito nervoso. Primeiro, era uma responsabilidade
substituir um grande professor como ele. Segundo, era algo
novo e o novo provoca medo. É preciso ter consciência
disso. Quando temos consciência de alguma coisa,
passamos a ter o controle sobre ela.
Você acha que minha primeira aula naquela turma foi
perfeita? Claro que não. Pelo contrário, foi ruim. Mas eu

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sabia que, se continuasse e me aperfeiçoasse, o sucesso
viria. Foi assim que fiz naquela época, e é assim que faço
quando decido começar uma atividade que desconheço.
Lembre-se: “Feito é melhor que perfeito”. Se for esperar as
condições ideais para começar algo novo, nunca começará.
Essa é a grande verdade.
Arriscar faz parte do processo de evolução. Você
precisa passar por isso.
Lembro que eu já trabalhava com um cantor havia uns
cinco anos, tínhamos um bom relacionamento, porém eu era
apenas músico e não me envolvia com nada da produção.
Chegava, montava meus instrumentos no palco, tocava e ia
embora. Éramos um trio no palco. O outro colega, além de
tocar, era dono do som e, por isso, ganhava mais do que eu
nos shows. Ele e o cantor ganhavam sempre mais do que
eu porque eram donos do som, produziam e fechavam os
detalhes da apresentação. A divisão era feita às claras, não
havia segredo.
Depois de um tempo, eles me convidaram a fazer parte
dessa linha de frente, pois éramos um trio e só eu não
produzia. Adivinha qual foi minha primeira reação? Disse
não. Aleguei que não teria tempo e que preferia apenas
tocar, por mais que isso me rendesse um cachê menor.
Sabe por que eu resistia? Meu cérebro me mandava esta
mensagem: “Relaxa, Thiago, do jeito que você está é

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melhor. Você ganha menos, mas não corre o risco de, por
exemplo, ser fechado um show e o contratante não pagar.
Você não vai precisar investir no som e tampouco responder
mensagens e cuidar de outras providências”. É, todos temos
essa voz no cérebro que muitas vezes nos impede de
crescer.
Isso me bloqueou durante um tempo, mas a
necessidade me obrigou a passar para o lado dos que se
arriscam.
Explico: os trabalhos diminuíram um pouco por conta
da crise no país, parei de tocar em todos os bares com a
mesma frequência e fui obrigado a ganhar mais trabalhando
menos. Entendi que o segredo é ter mais tempo, liberdade e
ganhar mais. Essa foi a melhor escolha que fiz.
Parei de ter medo e tratei de aprender o que precisa
saber para ter sucesso produzindo e tocando. E aprendo a
cada dia desempenhar melhor essas funções.
Quer saber como ficou meu cachê depois que assumi
o risco de ser linha de frente? Bem, quando fechamos um
contrato com valor menor, no mínimo recebo 40% a mais do
que ganhava quando era apenas um músico que chegava,
tocava e ia embora. Há contratos em que ganho até o triplo
do meu antigo cachê.
Um conselho: não deixe de vivenciar novas
experiências profissionais por medo. Arrisque-se, aprenda,

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cresça. Se o esforço despendido não lhe render os frutos
que esperava, com certeza, lhe renderá aprendizado. E
ninguém nos rouba aprendizado e conhecimento. Isso é o
que levamos da vida. Arrisque-se!

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Empreendedorismo
O que é empreender? É criar a solução para algum
problema, é ajudar a melhorar a vida das pessoas. Quero
relatar uma história muito interessante, a respeito de como
o Júnior e eu começamos a gravar os vídeos do
“Aprendendo Percussão”.
Há três anos, eu estava muito conectado ao Youtube,
seguindo canais de que gostava. Na época, estava muito
focado em dieta e treinamentos para aprimorar o físico e a
saúde.
Seguia diversos canais e assistia àqueles conteúdos
todos os dias, antes de malhar, ao voltar da academia e
antes da refeição daquela dieta. Aquilo me motivava e
gerava os conhecimentos necessários para continuar
interessado.
Motivado pelo grande número de conteúdos de
qualidade sobre musculação, percebi que na internet não
havia nada parecido na área musical, sobretudo na
percussão, segmento em que atuamos.
O Júnior preparava alguns vídeos, de forma bem
amadora, em que passava conteúdo de grande valor, mas
não mostrava o rosto e muitas vezes gravava até de pijama.
Ele pegava uma levada interessante para o pandeiro,
colocava o metrônomo, a partitura na tela e ensinava de

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forma lenta e bem didática, mas sem muita qualidade e
produção.
Confesso que fiquei mais de um ano pensando como
poderíamos começar a gravar algo que gerasse valor na
vida das pessoas.
Quem me conhece sabe que sou horrível com
tecnologia. Até hoje não sei editar nada. No máximo, consigo
dar o rec na câmera. Mas eu sabia que o Júnior entendia do
assunto, pois sempre foi muito estudioso e gostava de
novidades. Sabia que, se o convencesse a entrar de cabeça
nisso comigo, ele se aperfeiçoaria e seria peça fundamental
para pôr em prática o que estava pensando.
Comecei a falar por alto com ele a respeito do projeto,
mas, como vivia ocupado, não tinha tempo para se dedicar
àquilo, ou pelo menos achava que não tinha. Uma dica:
temos 24h e o tempo é igual para todos. Por isso, eleja o que
é prioridade para você e coloque à frente das demais coisas.
Como sempre falava com ele de forma amadora sobre
minha ideia, ele me respondia da mesma forma.
Foi então que, em janeiro de 2016, convidei-o para uma
reunião na minha casa.
Preparei alguns vídeos como exemplo, pensei bem a
respeito de como poderia transmitir meu pensamento, mas,
já que se tratava de meu irmão, fui direto ao ponto e mostrei-
lhe que havia um nicho carente de informação e que poderia

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ser explorado. Expliquei-lhe que, com nossos
conhecimentos, poderíamos mudar o olhar das pessoas no
mundo todo a respeito da percussão. Afinal, música é uma
linguagem universal.
Não sei o que aconteceu na cabeça dele, mas depois
daquele dia ele topou a empreitada. Não fizemos grandes
investimentos e nos organizamos com o que tínhamos à
mão para começar. Lembre-se: “Feito é melhor que perfeito”.
Entramos num pequeno quarto na casa da nossa mãe e
começamos a gravar o conteúdo que possuíamos. Nossa, a
gente não tinha experiência alguma em falar para a câmera.
Toda vez que entro no Youtube e revejo nossos vídeos
antigos, morro de rir do quanto éramos amadores e sem
jeito. Mas não desistimos. A gente sabia que, de tanto
repetir, uma hora ficaria bom. Até hoje não alcançamos o
ponto ideal, até porque a vida é uma permanente evolução.
Mas, com certeza, está bem melhor do que há dois anos.
Quando dispúnhamos de alguns vídeos gravados,
editados e prestes a lançar o primeiro, surgiu um convite
para uma turnê pelo Brasil que nos obrigava a ficar três
meses fora de casa. Como iríamos fazer para continuar
gravando, editando e carregando esses vídeos para o
Youtube, na estrada e sem internet à mão? Diante desses
questionamentos do meu irmão, mais uma vez argumentei e
o convenci de que não podíamos deixar de começar por

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conta da turnê e que daríamos um jeito de postar os vídeos
semanalmente.
Chegamos à conclusão de que deveríamos deixar todo
o conteúdo filmado e, se possível, editado antes de começar
a viagem. Corremos e filmamos tudo que era possível. Não
conseguimos, todavia, editar tudo, porque a tarefa exige
muito tempo e só soubemos da viagem um mês antes do
embarque. Então, tivemos de correr muito para gravar o
material que seria exibido nos próximos três meses.
Nossa, foi uma correria louca e muita dificuldade no
meio do processo. Certa feita chegamos ao hotel e deixamos
o computador a madrugada toda carregando o vídeo para o
Youtube. Lembro do Júnior editando vídeo entre um show e
outro. Foi muita correria, mas valeu a pena. Mostramos para
nós mesmos que éramos maiores do que a nossa melhor
desculpa. Este é o objetivo: seja maior do que sua melhor
desculpa.
Por isso, comece. Mesmo que não se sinta preparado,
mesmo que não seja o momento mais propício e ideal,
comece. Você pode transformar a vida de alguém.
Hoje recebemos inúmeros comentários elogiosos pelo
trabalho que realizamos. Conseguimos somar na vida das
pessoas que gostam de música e em especial de percussão.
Empreender é isso, é encontrar um modo de ajudar as
pessoas.

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Sabíamos que existia, na internet, uma lacuna a ser
preenchida sobre percussão. Sabíamos que havia milhares
de pessoas que nunca puderam frequentar uma escola de
música por dificuldade financeira ou por falta de tempo. É aí
que a gente entra. Transmitimos conteúdos que estão ao
alcance de todos que possuem internet e um aparelho.
Hoje tenho a certeza de que empreender transforma.
Empreender salva. Empreender faz toda a diferença na vida
do próximo.
Agradecemos ao marketing de relacionamento muito
dessa visão que meu irmão e eu temos, pois, esse tipo de
trabalho que também desenvolvemos foi essencial para abrir
ainda mais nossos olhos a respeito de transformar a vida das
pessoas.

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Habilidades

Aprender habilidades diversas é algo que considero


importante e que poderá lhe ser útil, pois permite ter um
olhar de fora sobre as coisas. É como se você estivesse no
campo de futebol, jogando uma partida, mas a sensação é
que você está na arquibancada assistindo de cima, com
vista privilegiada do desenvolvimento do jogo.
Quando eu tinha 21 anos, li o livro “A faculdade da
vida”, de James Bach, que mudou minha vida e abriu minha
mente. Nele, o autor relata o sucesso que alcançou na Apple
mesmo sem ter tido nenhum estudo formal sobre
computadores. Segundo ele, tudo o que aprendeu foi lendo
e buscando informação por conta própria. Com 20 anos e
apenas com o diploma de 8ª série, tornou-se o gerente mais
novo da Apple.
Aprendi naquele livro que, quanto mais informações eu
tivesse sobre assuntos diversos, maior seria minha
habilidade para solucionar problemas.
Estou vivendo isso agora. Sempre gostei muito de ler e
não sabia bem o motivo, pois em casa meus pais não liam
tanto. Mas nunca imaginei sentar e escrever alguma coisa,
muito menos um guia com dicas de música e de como ser
bem-sucedido na profissão. Hoje consigo avaliar o quanto
minhas leituras ao longo da vida me ajudaram, pois agora

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consigo sentar, concentrar-me e escrever sobre esses
assuntos.
Então, é importante entender que, por mais irrelevante
que determinado assunto possa parecer, estude e o aprenda
da melhor maneira possível, pois a qualquer hora, quando
você menos esperar, ele poderá representar a solução para
alguma dificuldade que esteja enfrentando.

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Renda passiva

E agora, o que vem a ser renda passiva? De repente,


você está se fazendo essa pergunta. Vamos lá.
Renda passiva é algo no qual você investe algum tipo
de esforço, ou dinheiro, durante um período, e que se
transforma em renda para você ao longo de sua vida toda.

O rendimento obtido, para o resto da vida, com o


aluguel de um imóvel de sua propriedade é um exemplo
típico de renda passiva. Outro exemplo é a renda mensal
que você recebe pela aplicação do dinheiro economizado
em algum fundo de investimento.
Por que separei esse tópico? Todos devemos ter em
mente conseguir uma renda passiva, porque, com o passar
do tempo, a gente não terá o mesmo vigor. Certamente
ficará mais difícil fazer quatro shows no fim de semana. Se
for percussionista, ou baterista, vai aguentar montar e
desmontar o seu instrumento o tempo todo? Acho que não.
Por isso, é importante construir uma renda passiva que lhe
assegure uma boa “aposentadoria”. Confesso que não sou
a favor de depender da irrisória aposentadoria oficial (do
INSS), que piora a cada dia. Não me parece justo, de forma
alguma, contribuir por 40 anos, para se aposentar bem
velhinho e com um salário mínimo. Não acho errada essa

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contribuição, mas é aconselhável garantir outra renda
passiva por fora.
Agora que já entenderam do que se trata, como trazer
isso para o meio da música?
Vou contar como meu irmão, sem conhecer ainda muito
bem esse conceito, acabou criando um tipo de renda
passiva.
O Júnior, quando conheceu as partituras e as escritas
voltadas para a percussão, ficou encantado com a facilidade
que aquele recurso trazia para o músico. Quem sabe ler e
escrever não precisa decorar tudo. Como nossos conteúdos
são infinitos, saber transpô-los para o papel significa uma
enorme economia de tempo.
Pensando nisso, ele se dedicou à leitura e escrita
musical e começou a duplicar esse conceito para os alunos,
sempre enfatizando a importância de juntar a prática à
teoria.
Para facilitar a vida dos alunos, o Júnior criou um
blogue que exibia os conteúdos de vídeos e partituras que
tinha ensinado nas aulas. Dessa forma, sempre que o aluno
tivesse dúvida ou esquecesse o que tinha sido ministrado na
aula, ele poderia entrar no blogue e rever os conteúdos.
Depois de certo tempo, ele descobriu que poderia, com
recursos de propaganda, ganhar algum dinheiro com o
blogue, o que começou a gerar um tipo de renda passiva.

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Num segundo momento, percebeu que os alunos
queriam consultar o material que ele produzia. Foi quando
teve a ideia de escrever alguns métodos de percussão,
transformá-los em apostila e vender para os alunos. O
primeiro método ensinava mais de trinta levadas para
pandeiro de couro; depois, escreveu um de percussão de
samba; mais tarde, outro, de percussão nordestina e cajón.
Com esses métodos prontos, começou a vendê-los e a
ganhar um bom dinheiro. Para tanto, investiu tempo para
escrever os métodos, mas não despendeu quase nada em
termos financeiros e até hoje vende bastante essas
apostilas.
O melhor de tudo não é apenas o dinheiro que entra, e
sim a transformação que esses métodos provocam na vida
das pessoas. Hoje, muitas pessoas estudam pelas apostilas,
já que não teriam como fazer aula presencial, seja pela
distância da escola, seja por falta de dinheiro para pagar.
Então, com isso, o Júnior consegue espalhar seus
conhecimentos, tornando o ensino da música mais
democrático e acessível a todos.
Esse é apenas um exemplo de como gerar renda
passiva por meio da música. Outra maneira é com a edição
de vídeos para o Youtube, cursos online e por aí afora. Use
sua imaginação para mudar a vida das pessoas. Quando

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você transforma a vida de alguém, naturalmente a sua
também se transforma.

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Gestão financeira.

Eis um assunto de que meu irmão e eu gostamos muito,


mas que infelizmente é pouco comentado e desconhecido
de muita gente.
O sistema financeiro não quer que você saiba usar
racionalmente seu dinheiro. Ao contrário, quanto mais
alienado você for, melhor. Sabe por quê? Porque você vai
sair fazendo cartões de crédito e gastando um dinheiro que
acha que tem.
Caso esteja entre aqueles que desconhecem o tema,
acreditamos que, depois de ler esse tópico, você ficará mais
atento e preparado para fazer bom uso do seu dinheiro.
Nossos pais sempre se preocuparam com o nosso
futuro por medo da instabilidade na música. Por isso, desde
pequeno, nos acostumamos a ouvir nossa mãe ponderar
sobre a importância de controlar o dinheiro que ganhávamos
e de gastá-lo de forma responsável. Ela aconselhava
prudência e lembrava que a contratação de um bom plano
de assistência médico-hospitalar deveria ser prioridade, já
que em nosso país a saúde pública é um verdadeiro caos.
Por isso, tenho meu plano desde os 16 anos.
Também sempre me preocupei com a qualidade de
vida, razão por que nunca abri mão de pagar por uma
alimentação saudável e de praticar atividade física

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diariamente numa boa academia. Ou você paga para treinar,
ou você compra remédio no futuro.
A gente sabe que existem gastos básicos necessários
e indispensáveis. Como fazer então para ter mais dinheiro?
Aprenda a poupar! Isso é essencial.
Independentemente do quanto ganhar, você deve gastar
menos do que ganha.
Sempre fui meio avesso a ter conta em banco, sei lá
por quê. Hoje não sou mais, ao contrário da época de
moleque.
Quando comecei a ganhar os primeiros cachês,
comprei um cofre, que uso até hoje. À medida que recebia
meu dinheiro, pagava as contas essenciais, comprava
alguns instrumentos de trabalho e o que sobrava ia para o
cofre. Afinal, nossa profissão é de certa forma instável. Todo
autônomo enfrenta essa incerteza. Por esse motivo, acho
muito importante investir aos poucos em rendas passivas.
Como eu não sabia o dia de amanhã, havia duas opções:
gastava todo o dinheiro que ganhava, ou poupava um
pouquinho e me precavia para o futuro. E foi o que fiz.
Sempre guardei dinheiro, o que me permitiu ter controle
financeiro e liberdade. Hoje, quando quero viajar em férias
com minha esposa, por mais que a época não esteja
financeiramente tão boa, tenho dinheiro para pagar a viagem

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à vista. Sabe por quê? Porque, desde os 16 anos, aprendi a
economizar para ocasiões importantes.
O mal do ser humano é a falta de paciência. Muitas
vezes, a gente quer um celular novo e, em vez de juntar o
dinheiro aos poucos para comprá-lo à vista, vai a uma loja,
compra a prazo, contrai uma dívida, parcela em 12
prestações, pagando juros elevados. Quase sempre, antes
de quitar a dívida, já perdeu o celular ou deseja adquirir um
modelo mais novo.
Dou-lhe uma dica preciosa: sempre que puder, compre
à vista. A vantagem é que, além de não contrair dívida, você
não se perde no seu orçamento. Costumamos pensar da
seguinte forma: como a parcela é sem juros, não há
problema em dividir. Engana-se quem pensa assim. O
problema é que a pessoa vai dividindo o valor de muitas
compras e, quando soma todas as parcelas, verifica que sua
renda não é suficiente e começa a se endividar.
Meu irmão, que nesse aspecto é mais organizado do
que eu, pode servir de exemplo, pois administra com
disciplina e competência sua vida financeira. Vou contar a
experiência dele e tenho certeza de que isso poderá ser útil.
Desde muito cedo, o Júnior entendeu a importância de
poupar parte do que ganhava. E foi além.
Assim que começou a ter a música como profissão,
abriu uma conta num banco privado, por entender que, para

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a nossa categoria, de trabalhador autônomo, que não tem
contracheque, seria melhor do que ter conta em banco
público, já que o banco privado define seu crédito pelo valor
movimentado na conta corrente, enquanto o banco público
exige comprovação de renda. Como o Júnior não sabia se,
no futuro, iria financiar uma casa ou outro bem, preferiu
movimentar o dinheiro dele nesse banco privado, que hoje
lhe disponibiliza um crédito de valor bem alto.
Portanto, se você é músico, ou autônomo de modo
geral, e pensa no futuro contrair empréstimo para financiar
algo que não tenha como pagar à vista, o melhor mesmo é
abrir conta num banco privado e nele concentrar sua
movimentação financeira, o que vai lhe garantir um
confortável limite de crédito.
Meu irmão sempre controlou o dinheiro dele. Enquanto
eu juntava sempre e guardava, o Júnior avançava na
disciplina financeira.
Tempos atrás, ele tinha uma planilha em que registrava
tudo que recebia e pagava, além de consignar tanto os
pagamentos que tinha para receber como em que gastava
seu dinheiro. Até lembretes para cobrar de quem lhe devia
cachê constavam da planilha. Enfim, ele tinha total controle
do quanto recebia e do quanto estava gastando. Esse é um
exemplo que, acredito, merece ser imitado. Para evitar

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dissabores, a gente precisa ter disciplina e controle na
administração da nossa vida financeira.
Com a chegada dos smartphones e da tecnologia, o
Júnior passou a usar aplicativos que executam esses
controles de forma mais prática.
Um conselho: antes de comprar algo, pense se
realmente aquilo é necessário ou se está comprando apenas
por impulso.
Existe um livro que recomendo com entusiasmo a quem
deseja se aprofundar no assunto: “Segredos da mente
milionária”. É um livro fantástico, que ensina com detalhes
tudo o que foi aqui comentado.

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Conclusão
Esse material é um relato da nossa vida. São mais de
doze anos de exercício profissional da música, com muito
amor e afinco.
Procuramos passar para vocês dicas que são
preciosas e fundamentais para qualquer músico alcançar o
sucesso nessa profissão maravilhosa e instigante.
Leia e releia quantas vezes achar necessário. É um
material resumido, porém de muito valor, que, com certeza,
poderá lhe ser útil no dia a dia.
A partir de agora, esse é o seu guia. Você deve tê-lo
nas mãos, na sua atitude e no seu coração.
Força e foco na sua missão. Estamos juntos para o que
der e vier.
Abraços dos amigos Thiago Viégas e Júnior Viégas.

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