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LIMNOLOGIA - INTRODUÇÃO

Aristóteles (384-322 a.c.) à “história dos animais”, classifica os animais


das águas continentais em animais de rios, animais de lagos e animais de
pântanos.

Invenção do microscópio no séc. XVII à interesse pelo mundo microscópico

Início do séc. XX à Início da limnologia como ciência.

Forel (1901) à MANUAL DA CIÊNCIA DOS LAGOS - LIMNOLOGIA


GERAL.

Limnologia à “uma descrição de todas as observações, leis e teorias que se


referem aos lagos em geral”. Limnologia seria uma ciência irmã da
oceanografia.
LIMNOLOGIA (grego, Limné, lago) à A ciência que estuda os lagos.

1º Congresso Internacional de Limnologia (1922)


“Limnologia é o estudo ecológico de todas as massas de água continentais,
independente de sua origem, dimensão e concentração salina”.
Ex: Lagos, lagoas, salinas, açudes, rios, riachos, brejos, águas subterrâneas,
e estuários.
PAPEL DA ÁGUA NA SOCIEDADE MODERNA

Crescimento industrial e urbano à crescente necessidade de água


àdependência da água
Demanda de água per capita:
Atividade L x d-1 x ind.-1
Fisiológica 2
Doméstica 250
Industrial 1.500
Agrícola 1.000

Regiões altamente urbanizadas e industrializadas à contaminação dos


corpos d´água

Apenas 3% da água na terra é doce à Utilização racional dos recursos


hídricos

A água está distribuída de forma heterogênea na terra. Europa e Ásia que


detêm 72% da população mundial dispõem apenas de 27% de água
aproveitável.
CICLO  HIDROLÓGICO  

Antigüidade à Atribuíam os fenômenos da natureza a um desejo divino.

Acreditava-se que existia no interior da Terra grandes reservatórios de água,


sendo que os maiores formariam rios e os menores dariam origem a lagos e
córregos.

Anaxágoras (aprox. 500-428 a.C.) à Importância das chuvas no balanço


hídrico.

Aristóteles (384-322 a.C.) à Fenômenos de condensação e infiltração.


"Aquilo que envolve a Terra não é apenas ar, mas uma espécie de vapor, e
isto é que explica que ele se transforme de novo em água“.

Filósofo romano Lucrécio escreveu um poema chamado "Sobre a Natureza"


à águas salgadas do mar infiltram-se pela terra, perdem seu sal, e formam
os rios que voltam ao mar.
Como a água no interior da terra conseguiria subir até o alto da montanha
para formar uma nascente???
O ciclo hidrológico envolve uma série de transformações físicas da água.
A evaporação e precipitação são responsáveis pela contínua circulação da
água no globo
-à A radiação solar fornece a energia necessária.

Evaporação X Precipitação à Características hidrológicas e geoquímicas


dos corpos de água.
Precipitação: Água adicionada à
superfície da terra a partir da
atmosfera; pode ser líquida ou sólida

Evaporação: Processo de
transformação da água líquida para a
fase gasosa (vapor d água); A maior
parte da evaporação se dá nos
oceanos, seguida nos lagos, rios e
represas.

Transpiração: Processo de perda de vapor d’água pelas plantas, o qual se dispersa


para a atmosfera

Infiltração: Processo pela qual a água é absorvida pelo solo

Percolação: Processo pelo qual a água entra no solo e nas formações rochosas até o
nível freático

Drenagem: Movimento de deslocamento da água nas superfícies durante a precipitação


Cai chuva, molha O vapor sobe, Nuvens cinzas, E assim, num
a terra. limpinho. nuvens brancas, ciclo eterno

Águas limpas Em sujeira, nem Tempestade ou Que a natureza


ficam impuras. se pensa. chuva fina. inventou,
A água que hoje
Vem o sol, Porém, lá em É água que volta é suja,
aquece a água, cima é tão frio, à Terra!
Amanhã já se
E o vapor vai Que o vapor logo E o vaivém não limpou
para as alturas. condensa. termina.
ESTRUTURA MOLECULAR DA ÁGUA

A água é a única substância natural que pode ser encontrada, na Terra,


na sua forma gasosa (vapor de água), líquida e sólida (gelo).

A água pura mostra propriedades bastante incomuns à Arranjo de seus


átomos e como as moléculas se agrupam.

Moléculas de água constituída por dois


átomos de hidrogênio (+) e um átomo de
oxigênio (--).

O arranjo das moléculas formam ângulo


de 105° ao invés de 180° à Cargas não se
neutralizam àmolécula bipolar.
Conseqüências do arranjo molecular da água:

•  Molécula da água é um dipolo elétrico

à Moléculas formam agregados (polímeros);


• Água tem um forte poder de dissociação, estabilização e transporte de
substâncias

à Processos biológicos
• Arranjo tetraédrico

à Pontes de hidrogênio

Pontes de hidrogênio:

à  Energia de ligação cerca de 10 a 100 menor do que as ligações


iônicas e covalentes

à água é bastante flexível a mudanças nas condições químicas.


Arranjo tetraédrico à malha mais aberta que ligações moleculares.

Moléculas de água formam agregados de 1, 2, 4 ou 8 moléculas.

Altas temperaturas à agregados com 1 ou 2 moléculas dominam;

Água congela à Moléculas formam tetraedros à diminuição da densidade

Fase sólida da água é mais leve que a fase líquida à o gelo flutua
AMBIENTES AQUÁTICOS CONTINENTAIS

Os ambientes aquáticos continentais podem ser classificados em:

ü  Lótico: Fluxo unidirecional devido a um gradiente gravitacional

ü  Lêntico: Corpos de água fechado. Lenta taxa de renovação. Alto

período de residência da água.


1 - AMBIENTES LÊNTICOS

- Corpos de água fechados sem comunicação direta com o mar;


- Geralmente baixa concentração de íons dissolvidos;
- Não são elementos permanentes, possuindo curta durabilidade na escala
geológica;
- Lagos ≠ lagoas à profundidade da bacia lacustre e de penetração de luz.
à Lagoa a luz alcança o fundo.
- A grande maioria dos lagos ocorrem no HN à fortes glaciações no
pleistoceno.

Ø Grandes lagos à MARES. Ex.: mar Cáspio, mar Morto e Mar Aral;
Mar Negro
Mar Cáspio
Mar Negro
Praia no mar Cáspio, Irã
Lagos profundos à origem tectônica.
Ex.: Baikal, na Ásia (1.620 m), e Tanganyka, na África (1.400 m).
Lago Área (Km2) Prof. Máx. (m)
Mar Cáspio 436.400 1.000
Vitória 68.800 80
Tanganica 35.000 1.435
Baical 33.000 1.620

Lago Baical
1.1 - Sistemas lacustres brasileiros:
- Predominância numérica de sistemas fluviais.
- Ecossistemas pequenos e com pouca profundidade
- Maioria dos lagos brasileiros são lagoas!!

•  Lagos amazônicos;
•  Lagos do pantanal mato-grossense: Lagos de água
doce e os lagos de água salobra (salinas) à diferem na
comunicação com rio durante cheias;

•  Lagos e lagunas costeiros:


Ex.: Lagoas Mundaú-Manguaba, Saquarema, Patos, Mirim;
•  Lagos formados ao longo de rios de médio e grande porte;
•  Lagos artificiais.
Origem dos lagos:
- Fenômenos endógenos à movimentos tectônicos e vulcânicos;
- Fenômenos exógenos à glaciação, sedimentação e erosão;

Desaparecimento (colmatação):
Acúmulo de sedimentos
Posterior eutrofização
1.3 - Gênese dos ambientes lênticos brasileiros:

a) Lagos formados pela atividade dos rios:

•  Lagos de barragens:
Sedimento transportado pelo rio e depositado no seu leito causando o
represamento dos afluentes.
Ex.: Lagos do médio Rio Doce (+ 100 lagos, pleistoceno), lagos de terra
firme da Amazônia (lagos Piorini e Erepecu).
Lagoas do Parque Estadual do Rio Doce
Lagos de ferradura ou meandros:

- Rios maduros à meandros (curso sinuoso)


- Lagos mais freqüentes no Brasil (pantanal de Matogrosso e na Amazônia).
b) Lagos formados pela atividade dos ventos:
Represamento de córregos por areia (dunas) transportadas por ventos
(alísios). Ex: lagoa do Abaeté.
c) Lagoas costeiras:

- Isolamento de enseadas marinhas ou braços de mar, através de cordões


de areia:
Ex.: laguna dos Patos e a lagoa Mirin, lagoas de Araruama e saquarema.

Resultado final à isolamento de uma


enseada :

-  laguna (permanece ligada ao mar por


fluxo e refluxo)
-  lagoa (isolada do mar).
Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim
- Fechamento da desembocadura de rios por sedimentos marinhos:
Ex.: Lagoa Mundaú-Manguaba.

Lagoa Manguaba
- Fechamento da desembocadura de rios por recifes de corais:

Ex.: Lagoa da Roteira, represamento do Rio São Miguel.


d) Lagos artificiais:

Formados para geração de energia elétrica e armazenamento de água.


Formados pelo represamento de rios ou escavados.
e) Outras gêneses de lagos:

- Lagos formados por movimentos diferenciais da crosta terrestre:


•  Movimentos epirogenéticos: Movimentos da crosta terrestre
Ex.: Mar Cáspio e Aral (URSS)
•  Falhas tectônicas: Resultantes do movimento tectônico durante o terciário
(12 milhões de anos)
Ex.: Lago Baical (URSS)
Lagos glaciais:
- Durante a última glaciação
- Maioria dos lagos do HN
SISTEMA LÓTICO

DIMENSÕES DO SISTEMA LÓTICO

1) A dimensão longitudinal:

ü Rios possuem um fluxo unidirecional


ü Referência física à extensão da nascente até a foz
Transporte de energia e matéria à processos biológicos
Transporte da água à força gravitacional. O volume de água
transportado é maior nas regiões mais baixas
ü Formação de gradientes ou setores de rios à conceito de continuidade
2) A dimensão lateral:
- Relação entre o canal fluvial e seu entorno
- Componentes funcionais à área de inundação e as matas ciliares
- Área de inundação à Zona de extravasamento da águas à Conectividade
com meio terrestre
- Áreas alagáveis à troca entre os sistemas. Caracteriza-se como um
ecótono.

Vegetação ripária circunda os corpos de água à reduz o escoamento,


estabilização de margens, estrada de matéria orgânica, retenção de poluentes.
3) Dimensão vertical:

- Dinâmica do lençol freático à reservatório


- Condições geológicas e geomorfológicas à exportação e importação para o
lençol freático
- Zona hiporrêica à abaixo da interface água-sedimento

4) Dimensão conceitual:

- Concepção humana à embasa em aspectos culturais


“São conjunturas atuais que determinarão as nossas definições de aceitável
ou não ambientalmente”
REDES E BACIAS HIDROGRÁFICAS

ü É o conjunto de meios hídricos cujos cursos (ou leitos) se interligam.


ü É um conjunto de terras banhadas por um rio principal e seus tributários.
ü É uma unidade de relevo à contribui (drenagem) para um único coletor de
águas pluviais.
ü É uma área geográfica à Km2
ü Desníveis do terreno direcionam os cursos de água. Relevo e gravidade
orientam o fluxo de água à drenagem
A bacia hidrográfica ou bacia de drenagem define a área topograficamente
drenada por um curso de água ou por um sistema interligado de cursos de
água de tal forma que todos os caudais efluentes sejam descarregados
através de uma única saída
O contorno de uma bacia hidrográfica é definido pela linha de separação
de águas que divide as precipitações que caem na bacia das que caem
em bacias vizinhas, e que encaminha o escoamento superficial resultante
para um ou outro sistema fluvial.
A linha de separação de águas segue pelas linhas de cumeada em torno
da bacia, passa pelos pontos de máxima cota (mais elevados) entre
bacias.  
Formação dos rios / Redes de drenagem:
à Depende do relevo, das características geomorfológicas da região e
da ação da gravidade

- Superfície da terra formada por placas inclinadas


- Placas opostas conectadas por baixo à canais
- Placas opostas conectadas por cima à divisores de águas
- Água da chuva: Acumulada, infiltrar ou escoar

- Drenagem por sistemas de canais conectados à redes de drenagem


à Concentram em filetes que descem as encostas, cavando
canalículos
- Encostas coletoras de água
- Área de coleta for grande à curso de água permanente
Padrões de drenagem (descrição textural da paisagem):

•  Dendrítico: (tree-like) ocorrem em terras altas nas quais o regolito e a


rocha mãe oferecem uma resistência relativamente uniforme à erosão. As
encostas não tem orientação dominante.
•  Retangular: padrões de áreas de falhas onde os cursos seguem as linhas
de falha
•  Treliça: em áreas onde rochas de resistência desigual estão dispostas em
dobras ou colinas longas ou em áreas de topografia pouco acentuada e
resistência relativamente uniforme (planícies costeiras).
•  Radial: associado a vulcões.
Sistemas de drenagem:
A proporção de águas superficiais e subsuperficiais que alimentam
um curso de água depende do clima, tipo de solo, rocha de embasamento,
encosta, vegetação, etc.
A resistência relativa das rochas determina o padrão de drenagem
e arranjo das encostas e vales, mas os processos geomorfológicos
freqüentemente alteram a configuração da rocha mãe abaixo da superfície.
O sistema de drenagem funciona como os ramos de uma árvore. Os cursos sem
ramificação são os de 1a ordem; cursos que recebem apenas outros de 1ª ordem são
os de 2a ordem, e assim por diante ...
Classificação:

• Exorréicas: águas drenam direto para o mar;

• Endorréicas: águas caem em um lago ou mar fechado;

• Arréicas: águas se escoam alimentando os lençóis freáticos;

• Criptorréica: rio se infiltra no solo sem alimentar lençóis freáticos ou

evapora;
Centros dispersores da rede hidrográfica brasileira
a) Cordilheira dos Andes à formadores do rio Amazonas;
b) Planalto das Guianas à rios da margem esquerda da bacia Amazônica;
c) Planalto Central Brasileiro à Amazônica (margem direita), Platina, e São
Francisco.
Os  rios  que  partem  das  chapadas  do  Planalto  Central  e  que  seguem  a  direção  das  setas  
indicadas  e  enumeradas  contribuem  na  formação  e  no  abastecimento  das  seguintes  bacias  
respecAvamente:  1-­‐Amazônica  ;  2-­‐do  TocanAns-­‐Araguaia;  3-­‐do  São  Francisco;  4-­‐PlaAna