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Balança Comercial

O primeiro trimestre de 2010 mostrou-se um fraco crescimento em relação ao


primeiro trimestre de 2009. O superávit do período foi de US$ 896 milhões, menos de
um terço do ano anterior (US$ 3,020 bilhões). Tal resultado se deve ao aquecimento da
economia acompanhado do dólar barato neste período.

Comparando as correntes de comércio de ambos os trimestres, podemos notar


que, apesar do desempenho inferior em 2010, neste ano há uma corrente
consideravelmente maior, mostrando uma atividade da economia com o exterior mais
intensa em relação a 2009. Em média, no primeiro quarto de 2010, houve um aumento
de 30,67%.

Corrente de Comércio Total


Exportaç Importaç Corrente de Δ%
mês ões ões Comércio 2010/09
jan/0
9 9788 10306 20094 -
fev/0
9 9588 7821 17409 -
mar/0
9 11809 10038 21847 -
jan/1
0 11305 11471 22776 13%
fev/1
0 12197 11803 24000 38%
mar/1
0 15727 15059 30786 41%

Exportações
A pauta exportadora seguiu com aumento nos principais produtos
comercializados. Entre os principais, estão o petróleo e combustíveis (em 1º lugar, com
participação de US$ 5,455 bilhões), Materiais de transporte (2ª lugar, com US$ 4,035
bilhões) e minérios (3º lugar, com US$ 3,949 bilhões), acompanhados de perto da
comercialização de minérios, produtos químicos e carnes. Os bens intermediários são os
mais demandados pelo estrangeiro, corresponde a quase metade (48,2%) da demanda
total, tendo os bens de capital em segundo lugar (21,6%), vindo logo após bens de
consumo (17%) e petróleo e combustíveis (13,2%). Segue tabela com a participação dos
principais produtos exportados pelo Brasil.

Pauta Exportadora Brasileira


Janeiro-Março/2010 – US$ Milhões
Δ%
Valor 2010/ Part %
09
1 – Petróleo e Combustíveis 5455 166,4 13,9
2 – Material de Transporte 4305 23,3 11
3 – Minérios 3949 11,5 10,1
4 – Químicos 3086 38 7,9
5 – Carnes 2895 19,8 7,4
6 – Produtos Metalúrgicos 2855 4,4 7,3
7 – Complexo Soja 2521 0,6 6,4
8 – Açúcar e Etanol 2282 39,9 5,8
9 – Máqs. e Equipamentos 1713 14,4 4,4
10 – Papel e Celulose 1619 41,3 4,1
11 – Complexo Café 1155 16,3 2,9
12 – Equipamentos Elétricos 1000 -9,7 2,5
13 – Calçados e Couro 879 32 2,2
14 – Metais e Pedras
521 21,7 1,3
Preciosas
15 – Têxteis 445 -2,6 1,1

Os produtos manufaturados seguem na dianteira das exportações do primeiro


trimestre de 2010, representando 44% de participação no período. Isso também se deve
às tradicionais vendas externas relativamente mais baixas dos produtos básicos (39%)
nesta época do ano, devido aos embarques da safra brasileira ainda não começarem com
intensidade. Em 3º lugar, seguem-se as exportações de semi-manufaturados (14%),
acompanhado por 3% de operações especiais (bens que se incluem na balança
comercial, mas nem sempre é possível identificá-los com maior grau de detalhamento
da classificação de mercadorias).
Exportações por Fatores Agregados - Janeiro-Março 2010 (por %)

Quanto à pauta exportadora brasileira, União Européia, Ásia e América Latina e


Caribe correspondem aos comércios que mais absorvem os produtos exportados,
possuindo 71,4% da participação total. Oriente Médio e Europa Oriental, apesar da
menor participação, estão entre os mercados que mais cresceram quando comparamos
ao primeiro trimestre de 2009, com variação positiva de 39,7% e 55,9%. Dentre os
principais países onde há grande fluxo dos produtos brasileiros, estão China, Estados
Unidos e Argentina.

Destino dos Principais Produtos


Brasileiros Exportados
Por Mercado (Janeiro-Março/2010 – US$
Milhões)
Part. Δ%
Valor 2010/
%
09
América Latina e
9.874 25,2 42,7
Caribe
-Mercosul 4.398 11,2 55,7
-Demais da AL e
5.476 14 33,7
Caribe
Ásia 9.372 23,9 31,6
União Européia 8.756 22,3 16,7
Estados Unidos 4.257 10,9 18,7
Oriente Médio 1.896 4,8 39,7
África 1.803 4,6 -8,2
Europa Oriental 990 2,5 55,9

Destino dos Principais Produtos


Brasileiros Exportados
Por Países (Janeiro-Março/2010 – US$
Milhões)
Valor Part. %
1 – China 4.649 11,9
2 – Estados
4.257 10,9
Unidos
3 – Argentina 3.543 9
4 – Países
2.198 5,6
Baixos
5 – Alemanha 1.622 4,1
6 – Japão 1.259 3,2
7 – Reino
934 2,4
Unido
8 – Índia 908 2,3
9 – Rússia 869 2,2
10 – Itália 828 2,1

Importações

Durante o período estudado, o nível de importação também aumentou. Os


produtos importados cresceram em torno de 36,1%. Em ordem, encontramos como os
principais produtos estrangeiros demandados pelos brasileiros os combustíveis e
lubrificantes (total de US$ 6,284 bilhões), Equipamentos mecânicos (US$ 5,847
bilhões), equipamentos elétricos e eletrônicos (US$ 4,633 bilhões) e veículos
automotivos, ou partes, (US$ 3,456 bilhões). Os bens intermediários são os mais
importados (48,2% do total), ficando em 2º, 3º e 4º lugar, respectivamente, os bens de
capital (21,6%), bens de consumo (17%) e petróleo e combustíveis (13,2%).

Principais Produtos Importados (em US$ milhões)


Janeiro - Março 2010
Val Part
Δ%
or %
2010/
09
1 – Combustíveis e Lubrificantes 6.2 61,5 16,4
84
5.8
2 – Equip. Mecânicos 12,5 15,3
47
3 – Equip. Elétricos e 4.6
45,3 12,1
Eletrônicos 33
3.4
4 – Automóveis e partes 68,9 9
56
5 – Químicos Orgân. e 2.1
6,5 5,7
Inorgânicos 67
1.7
6 – Farmacêuticos 75,9 4,7
96
1.6
7 – Ferro, Aço e Obras 22,8 4,2
29
1.4
8 – Plásticos e Obras 33 3,7
31
1.4
9 – Instr. Ótica e Precisão 36,9 3,7
03
10 – Borracha e obras 832 42,5 2,2
11 – Fertilizantes 761 164,2 2
12 – Cereais e Prods. Moagem 710 4 1,9
13 – Cobre e suas obras 554 124,3 1,4
14 – Aeronaves e Peças 451 -41,7 1,2
15 – Filamen. e Fibras, Sintét. e
416 60,6 1,1
Artif.

Em alguns segmentos do comércio, como é o caso do automobilístico, houve


uma substituição dos insumos nacionais pelos insumos comprados no exterior.
Segundo o MDIC, a importação de partes e peças de veículos, automóveis e tratores
aumentou 67,4% neste trimestre, comparando-se ao mesmo de 2009. A Importação de
bens intermediários segue em 1º lugar, com 48% de participação, seguido dos bens de
capital (22%), bens de consumo (17%) e potróleo e combustíveis (13%). Apesar da
crise econômica operante, há uma tendência de seguir um ritmo forte de importações de
bens intermediários e bens de consumo.

Importações por Categoria de Uso - Janeiro-Março 2010 (por %)


A pauta importadora brasileira é formada em sua maior parte pelo mercado
europeu, asiático e latino americano e caribenho, somando 69,6% do produto total
importado. Porém, vale ressaltar que houve um grande crescimento dos 3 mercados de
menor participação: no primeiro trimestre de 2010, houve um crescimento dos produtos
importados do Oriente Médio (70,6%), África (92,1%) e Europa Oriental (105,6%)
comparando com o primeiro trimestre de 2009.

Origem dos Principais Produtos


Brasileiros Importados
Por Mercado (Janeiro-Março/2010 – US$
Milhões)
Δ%
Valor 2010/ Part %
09
11.67
Ásia 3 42 30,5
América Latina e
Caribe 6.654 40,9 17,4
- Mercosul 3.633 41,5 9,5
- Demais da AL e
Caribe 3.021 40,2 7,9
União Européia 8.319 32,5 21,7
Estados Unidos 5.707 6,3 14,9
África 2.642 92,1 6,9
Oriente Médio 921 70,6 2,4
Europa Oriental 510 105,6 1,3
Origem dos Principais Produtos
Brasileiros Importados
Por Países (Janeiro-Março/2010 – US$
Milhões)
Valor Part. %
1 – Estados
Unidos 5.707 14,9
2 – China 5.256 13,7
3 – Argentina 3.107 8,1
4 – Alemanha 2.266 5,9
5 – Coréia do
Sul 1.713 4,5
6 – Japão 1.562 4,1
7 – Nigéria 1.228 3,2
8 – França 1.147 3
9 – Itália 1.051 2,7
10 – Chile 946 2,5

Os principais países fornecedores ao Brasil são os Estados Unidos, China e


Argentina. Com o mesmo grau de importância, esses 3 países são os que possuem maior
corrente de comércio com o Brasil. China e EUA apresentam em 2010 corrente de
comércio bem próximas, (R$ 9,905 bilhões e R$ 9,964 bilhões, respectivamente).
Argentina apresenta maior crescimento de corrente de comércio (50,28%), seguida da
China (40,83%) e bem atrás dos EUA (11,29%).

Corrente de
Comércio
2009 2010 Δ%
11,29
1) EUA 8.953 9.964
%
40,83
2) China 7.033 9.905
%
50,28
3) Argentina 4.425 6.650
%

Podemos notar que o expressivo aumento da corrente de comércio da China com


o Brasil, resultado bem próximo dos Estados Unidos neste trimestre. A crise mundial
que ocorreu no ano passado teve efeito mais profundo na Europa e nos EUA, reduzindo
o volume de compras internacionais. A China durante este período cresceu e até
aumentou o nível de importações para o Brasil. Por sua vez, o Brasil também se
beneficiou nesta dinâmica com as exportações para a China, comercializando não
apenas commodities, mas também produtos manufaturados.