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AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA- ANEEL

RESOLUÇÃO Nº DE DE DE 2000

Estabelece os procedimentos para determinação


de encargos por perda adicional de vida útil,
devida à sobrecarga, em equipamentos do sistema
de transmissão.

O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA –


ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com deliberação da Diretoria, tendo em
vista o disposto no parágrafo único do art 9º da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, nos incisos IV
e V do art. 7º do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, na Resolução ANEEL nº 247, de 13 de
agosto de 1999, o que consta do Processo nº 48500.001701/00-25, e considerando que:

existe a necessidade de regulamentar os procedimentos para determinação de


encargos por perda adicional de vida útil, devida à sobrecarga, em equipamentos dos agentes
responsáveis pelos serviços públicos de transmissão de energia elétrica, resolve:

Art. 1º Estabelecer os procedimentos e identificar, para fins de fixação dos encargos


por perda adicional de vida útil, devida à sobrecarga, os equipamentos de transmissão que fazem
parte da composição da Receita Permitida atribuída aos agentes responsáveis pelos serviços
públicos de transmissão de energia elétrica, conforme segue:

I - transformadores e autotransformadores de potência, doravante denominados


apenas transformadores;

II - equipamentos de manobra, transformadores de corrente, bobinas de bloqueio,


compensação série, barramentos e conexões, vinculados a linhas de transmissão ou
transformadores; e

III - linhas de transmissão.

§ 1º Os transformadores devem ser operados em condições de carregamento normal


de operação, quais sejam, aquelas em que a temperatura limite do topo do óleo ou a temperatura
limite do ponto mais quente do enrolamento não é excedida, mesmo que, em parte do ciclo de
carga, seja ultrapassada a potência nominal do último estágio do sistema de resfriamento, sendo a
temperatura limite igual àquela que produzisse uma perda de vida útil que não superasse a
expectativa de vida útil de quarenta anos (estabelecida a partir da “teoria de Arrhenius”) aquela
definida na NBR 5416/97. Não havendo ultrapassagem da potência nominal do equipamento,
independentemente da temperatura, não será devido encargo por perda adicional de vida útil.

(Justificativa: Considerando de maneira integral e sem adaptações a Norma Técnica


5416/97 e as práticas atuais de operação de equipamentos de transmissão em condições normais e
de sobrecarga, sugerimos que os encargos relativos à sobrecarga em equipamentos com perda
adicional de vida útil incida somente quando ocorrer a ultrapassagem da capacidade nominal do
equipamento, sendo então o encargo definido levando-se em conta as alterações propostas pela
ABRADEE para a metodologia apresentada na minuta de resolução da ANEEL. A concomitância
destas duas condições permitirá que se evite a quebra dos procedimentos e relações contratuais
estabelecidas e praticadas pelos agentes do setor)
§ 2º Os equipamentos a que se refere o inciso II devem ser operados até sua
capacidade nominal, ou, quando as condições construtivas permitirem, poderão atingir valor
superior.

§ 3º As linhas de transmissão devem ser operadas com observância das limitações


decorrentes da distância mínima do condutor ao solo, conforme as características do projeto, a
capacidade máxima de condução de corrente, os limites de estabilidade do sistema ou outras
restrições operacionais, caso ocorram.

(Fls. 2 da Resolução nº ,de de de 2000)

§ 4º Os equipamentos relacionados nos incisos II e III não serão contemplados por


encargos adicionais caso a operação dos mesmos ultrapasse os limites estabelecidos, por não
dispor-se atualmente de métodos quantificáveis que estabeleçam a perda de vida útil adicional por
sobrecarga.

§ 5º Quando por eventual necessidade operacional, tanto em período de curta


duração (não cíclica) como de longa duração (cíclico diário), será admitida sobrecarga às condições
normais de carregamento dos transformadores e estabelecida uma compensação financeira pela
utilização de um Fator de Sobrecarga “S” associado à perda de vida útil adicional do transformador
e ao aumento do risco de falha por sobrecarga, de acordo com o disposto na norma da ABNT -
NBR 5.416 , de julho de 1997.

Art. 2º Assim que for caracterizada uma condição de sobrecarga com perda adicional
de vida útil em transformadores integrantes da Rede Básica, prevista ou não, as concessionárias
proprietárias dos equipamentos deverão encaminhar relatório ao Operador Nacional do Sistema
Elétrico - ONS, para certificação, o qual permitirá a obtenção de compensação por sobrecarga
adicional, bem como subsidiará a análise e o controle desta situação especial, contemplando:

(Justificativa: entendemos que cabem ao ONS, somente as atividades referentes a


coordenação da prestação de serviços e do uso de instalações da Rede Básica.)

I- simulação da sobrecarga, utilizando o conjunto de parâmetros indicados nos §§ 1º,


2º e 3º deste artigo, os quais devem constar desse relatório, em conformidade com as Tabelas A1 e
A2 do Anexo A da NBR-5.416, de 1997, e segundo metodologia que contemple a formulação
apresentada no ANEXO 1 desta Resolução, para a obtenção do Fator de Sobrecarga “S”; e

II - fatores limitantes e restrições operativas existentes nos transformadores


submetidos à sobrecarga, visando a preservar uma condição de operação segura, mediante
informações e a simulação referida no inciso I deste artigo.

§ 1º Para os transformadores de propriedade de Agentes de Transmissão e


integrantes de Contratos de Conexão, deverão ser seguidos os mesmos procedimentos descritos no
“caput” deste artigo, à exceção do encaminhamento de relatório para certificação do ONS, o qual
deverá ser remetido para cientificação dos Agentes conectados aos equipamentos em sobrecarga

(Justificativa: Entendemos que no referente aos equipamentos da Rede de Conexão o


procedimento de verificação de situações de ocorrência de sobrecarga em equipamentos deverá
ser coordenado pelos agentes acordados através do CCT.)

§ 2º As informações utilizadas na certificação constante no “caput” deste artigo


devem ser disponibilizadas aos acessantes envolvidos.
( Justificativa: Considerando a necessidade da clareza, agilidade e precisão do processo de
verificação da condição da sobrecarga dos equipamentos, sugerimos a inclusão deste parágrafo
para assegurar o direito de participação de todos os agentes envolvidos no processo de verificação
da situação de sobrecarga em equipamentos de transmissão)

§ 1 3º Os parâmetros de carregamento para utilização na simulação da sobrecarga em


transformadores e acompanhamento destas condições devem ser disponibilizados ao ONS, e
registrados em intervalos de tempo, entre registros, de, no máximo, quinze minutos para as
correntes nos terminais dos enrolamentos e de, no máximo, uma hora para a temperatura ambiente.

§ 2 3º Para a determinação da temperatura ambiente poderá ser utilizado o registro


da temperatura média do mês em análise, obtido dos relatórios do Serviço de Meteorologia do
Ministério da Agricultura, referente às ocorrências de vários anos.

(Justificativa: Considerando que as determinações desta resolução serão descritas de forma


sistemática pelo ONS na definição dos Procedimentos de Rede, sugerimos permitir a discussão da
forma de obtenção destes dados, no âmbito de trabalho do Operador Nacional do Sistema.)

§ 3º 4º Os parâmetros do transformador, para utilização na simulação da sobrecarga,


são: classe de temperatura - cinqüenta e cinco graus centígrados ou sessenta e cinco graus
centígrados; corrente nominal (último estágio do sistema de resfriamento); e designação do sistema
de resfriamento; e laudo do ensaio de elevação de temperatura.

(Justificativa: Sugerimos que seja apresentado, adicionalmente, o respectivo laudo do ensaio


de elevação de temperatura, visto que este é o parâmetro fundamental para a caracterização da
real capacidade de utilização do equipamento em condições normais, e portanto deve ser de
conhecimento de todos os acessantes para a definição dos planejamentos de operação e expansão
do mesmo.)
§ 4º 5º Para efeito do estabelecimento de limites de carregamento dos novos
transformadores, e daqueles construídos sob a norma da ABNT - NBR 5.416, de 1997, as
concessionárias de transmissão poderão deverão certificar o carregamento admissível sem perda de
vida útil, alternativamente ao disposto no inciso II, através de estudo prévio e ensaios elaborados
pelo fabricante do equipamento, quando de sua entrada em operação.

(Justificativa: Considerando o já disposto no parágrafo anterior, sugerimos a necessidade


da certificação do respectivo carregamento de que trata este parágrafo de forma a permitir a
transparência do processo e a disponibilidade real do sistema de transmissão, com suas devidas
margens.)

(Fls. 3 da Resolução nº , de de de 2000)

§ 5º 6º Para efeito do estabelecimento de limites de carregamento dos demais


transformadores em operação, as concessionárias de transmissão ou de distribuição
poderão certificar o carregamento admissível sem perda de vida útil, alternativamente ao disposto
no inciso II, através de estudo prévio elaborado por fabricante ou empresa especializada.
Ressalvando que não incidirão encargos por carregamentos dentro dos valores nominais atuais, caso
seja identificada redução da capacidade do mesmo, até que sejam tomadas providências para a
reequiparação dos mesmos valores.
(Justificativa: Entendemos que é justo o pagamento sobre a violação de limites que
sejam impostas por ações de responsabilidade do acessante. Entretanto a possível redução da
capacidade de um equipamento, implica no não atendimento das necessidades acordadas nos
devidos contratos, sendo portanto sugerido que enquanto não houver a equiparação da capacidade
do equipamento aos valores atualmente praticados, não incidirá encargos por sobrecarga com
perda de vida útil.)

§ 6º 7º As simulações a que se refere o inciso I do caput deste artigo deverão


compreender o período integral mensal anual, considerando o ano civil em que está ocorrendo a
sobrecarga.

(Justificativa: Entendemos que a vida útil de um equipamento depende de um processo cumulativo


da utilização do mesmo. De tal forma que a análise de carregamento no período de um mês oferece
uma visão demasiadamente curta para avaliação de perda de vida útil, assim como um período de
análise ao longo de toda a vida útil do equipamento é impraticável, portanto, sugerimos o período
de análise de um ano.)

Art. 3º Os dados de medição dos equipamentos passíveis de operação em sobrecarga


e conexões, devem ser disponibilizados ao(s) acessante(s) em tempo real, permitindo medidas
preventivas para evitar a perda de vida útil desses equipamentos.

(Justificativa: Esta proposta visa o estabelecimento de mecanismos de controle para minimizar os


riscos de sobrecarregamento.)

Art. 3 4º Os períodos em que os transformadores forem submetidos à sobrecarga


serão compensados com receita adicional, utilizando o Fator de Sobrecarga “S” multiplicado pela
Receita Permitida praticada no ano de operação, ajustados por um Fator de Penalidade “P f ” e
calculados em intervalos de quinze minutos a cada mês calendário, sendo os valores debitados ao(s)
usuário(s) responsável(eis) no mês subseqüente.

§ 1º Em qualquer mês, o valor total de receita para o equipamento em sobrecarga


será no máximo o dobro da receita auferida em condições normais de operação.

§ 2º Para auferir esta receita adicional adicional relativa aos equipamentos


integrantes da Rede Básica, as concessionárias proprietárias dos equipamentos diretamente
envolvidas deverão demonstrar ao ONS, mediante relatório previamente certificado, conforme
disposto no art. 2º, a condição de sobrecarga com perda adicional de vida útil, devendo o ONS
calcular este encargo, atribuindo o ônus de acordo com as seguintes condições:

I) à concessionária de distribuição ao acessante, quando a sobrecarga for originada


por crescimento do mercado acima do informado nos estudos de planejamento ou por qualquer ação
de responsabilidade da concessionária de distribuição desse acessante; e

(Justificativa: Considerando a igualdade de condições entre os acessantes do sistema de


transmissão, a necessidade da identificação do responsável por sobrecarga, e que a expansão do
sistema de transmissão é definida por planejamentos determinativos elaborados e de
responsabilidade das entidades ANEEL, CCPE e ONS com base no mercado informado pelas
concessionárias de Distribuição, sugerimos que a responsabilidade possa ser verificada e aplicada
a qualquer acessante do sistema de transmissão, desde que, se ocasionada por atendimento ao
crescimento do mercado acima do informado ou por ação de responsabilidade do acessante)

II) a todos os usuários da Rede Básica, quando a sobrecarga for originada por
necessidade sistêmica, decorrente de despachos de carga determinados pelo ONS para fins de
otimização eletroenergética.

III) a todos os usuários da Rede Básica, quando a sobrecarga for originada por
atrasos relativos ao Planejamento e Autorização de obras, sob responsabilidade do CCPE/ONS e da
ANEEL, sendo, neste último caso, repassado aos agentes como custo não gerenciável.
(Justificativa: Entendemos que apenas os atrasos originados no âmbito do CCPE e ONS,
devam ser de responsabilidade da parcela gerenciada pelos usuários da Rede Básica.)

IV) ao responsável por atraso na execução de obras, quando a sobrecarga for


originada por esse atraso,

V) à concessionária de transmissão, quando a sobrecarga for originada pela


indisponibilidade de equipamentos ou qualquer ação de responsabilidade dessa concessionária de
transmissão.

(Justificativa: sugerimos a inclusão destes incisos como forma de evitar que acessantes
sejam onerados por ações fora de suas responsabilidades e perfeitamente identificadas.)

§ 3º Para auferir esta receita adicional relativa aos equipamentos integrantes da Rede
de Conexão, as concessionárias proprietárias dos equipamentos, diretamente envolvidas, deverão
demonstrar aos Usuários conectados, mediante relatório previamente apresentado aos mesmos,
conforme disposto no art. 2º, a condição de sobrecarga com perda adicional de vida útil em
TRANSFORMADORES de sua propriedade e integrantes de Contratos de Conexão, devendo o
Agente de Transmissão calcular este encargo, de acordo com os parâmetros técnicos e rateio de uso
dos equipamentos estabelecidos nos respectivos Contratos de Conexão e de acordo com as
determinações desta resolução,
(Justificativa: Entendemos que as questões relativas a sobrecarga em equipamentos da Rede
de Conexão devem ser tratadas diretamente entre os agentes signatários do respectivo Contrato de
Conexão, segundo os dispositivos existentes no mesmo.)
Art. 4 5º Para qualquer equipamento citado no inciso I do art. 1º, que seja um fator
limitante para a função transmissão ou transformação, será atribuída uma redução proporcional à
respectiva remuneração da linha de transmissão ou transformador associado, até que cesse esta
limitação.

(Fls. 4 da Resolução nº , de de de 2000)

Parágrafo único. Para os transformadores, esta redução será proporcional à limitação


existente, seja referente aos estágios de resfriamento em operação ou qualquer outra restrição
interna apresentada pela concessionária responsável por estes equipamentos.

Art. 5 6º Quando da elaboração dos Procedimentos de Rede pelo ONS, relativos à


sistemática de determinação da sobrecarga em transformadores e dos encargos decorrentes, estes
deverão ser descritos em consonância com esta Resolução e disciplinar as relações entre os
Agentes.

Parágrafo único. Nos Procedimentos de Rede devem estar definidos os métodos de


medição e os critérios de precisão, certificação e aferição dos equipamentos de medição
compatíveis com os critérios existentes para medição de faturamento.

(Justificativa: Considerando a necessidade da reprodução, através de simulação do evento


de sobrecarga a partir dos registros obtidos do equipamento sujeito à sobrecarga e o conseqüente
encargo, sugerimos a exigibilidade, quando da elaboração dos Procedimentos de Rede pelo ONS,
da definição de metodologia de obtenção dos dados, bem como de critérios que certifiquem a
qualidade e confiabilidade dos dados adquiridos a fim dar transparência e agilidade a todo o
processo de verificação e cálculo de encargos adicionais de sobrecarga em equipamentos com
perda adicional de vida útil.)
Art. 6 7º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, com aplicação,
para os TRANSFORMADORES DE REDE BÁSICA, a partir da data de homologação, pela
ANEEL, dos Procedimentos de Rede citados no art. 6o desta Resolução, bem como da declaração,
pelo Agente de Transmissão ao ONS, dos parâmetros nominais de cada TRANSFORMADOR
necessários ao cálculo da sobrecarga, conforme estabelecido nos Procedimentos de Rede.

Parágrafo único. Para os TRANSFORMADORES DE CONEXÃO, aplica-se esta


Resolução a partir da data em que as partes celebrantes dos Contratos de Conexão ao Sistema de
Transmissão acordarem a respeito dos parâmetros nominais dos equipamentos, necessários ao
cálculo da sobrecarga e da definição dos encargos por indisponibilidades de equipamentos de
conexão.

(Justificativa: Em relação aos TRANSFORMADORES integrantes da REDE BÁSICA, a


operacionalização dos processos definidos pela resolução será suportada pelos Módulos 10 e 15
dos Procedimentos de Rede, que tratam da Coordenação da Operação e Administração de
Encargos e Serviços de Transmissão, respectivamente.
Desta forma, é necessário estabelecer a data de aplicação desta Resolução a partir da
homologação dos referidos módulos dos Procedimentos de Rede.)

JOSÉ MÁRIO MIRANDA ABDO


Anexo 1 - Fator de Sobrecarga S

1. Geral

Este Anexo apresenta o cálculo do fator de compensação por sobrecarga “S” associado aos
aspectos de perda de vida adicional do transformador e ao aumento do risco de falha.

2. Fator de Sobrecarga “S”

Este fator é suportado pelo modelo simplificado de reação química baseado no desenvolvimento
da teoria completa realizada por Arrhenius, conforme disposto na norma da ABNT - NBR 5.416,
de 1997. O fator “S” resulta da média ponderada do produto dos fatores “Vs” (perda de vida
adicional do transformador) e “Vf” (aumento do risco de falha) nos intervalos de tempo em que
o ciclo de carga de interesse é estratificado, dentro do mês da ocorrência de sobrecarga.

Isto é:

n n

∑Vsi ⋅ Vfi ⋅ ∆ti ∑ S ⋅ ∆t i i


S= i =1
n
= i=1 n [ pu ] (E1)
∑ ∆t i ∑ ∆t i
i =1 i =1

onde:

S: fator multiplicador associado a um ciclo de carga

Vs i : fator multiplicador associado à perda de vida adicional, em cada um


dos intervalos de tempo ∆ti no qual o período do ciclo de carga é
estratificado;

Vfi : fator multiplicador associado ao risco adicional de falha, em cada um


dos intervalos de tempo ∆ti no qual o período do ciclo de carga é
estratificado;

∆ti : intervalos de tempo, no máximo 15 minutos, no qual o período do ciclo de


carga é estratificado; e

n: número de intervalos de tempo ∆ti nos quais seja registrado o carregamento,


durante o ciclo de carga.

2.1. Fator Multiplicador “Vs”

O fator multiplicador “Vs” é determinado, em um intervalo de tempo do ciclo de carga, pela


relação entre a perda de vida da isolação do transformador na condição de carga atual e a perda
de vida útil normal para uma expectativa de vida de 40 anos para o transformador conforme
item 4.1.3 da NBR 5416 – Júlio/97. As perdas de vida são calculadas conforme a Teoria de
Arrhenius. Este fator, com característica exponencial, é dependente da temperatura (absoluta) do
ponto mais quente, da elevação da temperatura do ponto quente em relação à sua temperatura
limite e das constantes A e B associadas à expectativa de vida da isolação de celulose.

Isto é: Corrigir
• Perda de Vida Normal (Expectativa de vida de 40 anos Conforme item 4.1.3 da
NBR 5416-Julho/97):

−  + A 
B

PVn% =10  273+ Θen 


⋅ ∆t i ⋅ 100 [% ] (E2)

• Perda de Vida em um Intervalo do Ciclo de Carga:

 B 
− +A
PVs %=10  273 + Θes 
⋅ ∆ti ⋅ 100 [%] (E3)

a) dividindo-se (E3) por (E2) resulta: Corrigir

 1 1 
B⋅ − 
Vs=10  Ten Tes 
(E4)

onde:
Vs: fator multiplicador associado à perda de vida;
A: constante da curva de expectativa de vida da isolação de papel
para transformador de classe 55ºC: A=-14,133 pu
para transformador de classe 65ºC: A=-13,391 pu
B: constante da curva de expectativa de vida da isolação de papel
B=6972.15ºK; e
Θes: temperatura (ºC) do ponto mais quente dos enrolamentos
do transformador no intervalo de tempo do ciclo de carga.

( Justificativa: a perda de vida em condições normais assumida nesta minuta para o cálculo
do fator Vs, corresponde a uma elevação média da temperatura do enrolamento de 41,32º C sobre
a temperatura ambiente, isto implica numa redução da potência nominal de transformadores
especificados com base nas norma vigentes, assumindo como carregamento limite a faixa 86% da
capacidade nominal atual. De modo que sugerimos que para o cálculo do fator Vs deva ser
utilizada a equação E7 em substituição a equação E2, de forma que a equação que determina o
fator Vs (E4) seja semelhante à equação E11.)

2.2. Fator Multiplicador “Vf”

O fator multiplicador “Vf”, associado ao aumento do risco de falha de um transformador


operando em sobrecarga, é derivado da análise de confiabilidade do transformador. A taxa de
falha em sobrecarga é estimada à partir da taxa de falhas típicas, corrigida com o fator
multiplicador de sobrecarga “Vfs” obtido à partir da “teoria de Arrhenius”.

Isto é:
• Probabilidade de Um Transformador Falhar em um Período de Tempo

 
 TXf 
∆T ⋅ln  1 −
F =100 ⋅  1 − e  100   [%]
  (E5)
 
onde:

F: probabilidade [%] do transformador falhar no período ∆T considerado.

∆T: período de tempo [anos] de expectativa de vida útil.

TXf: taxa de falhas [%/(transf. x ano)] típica de transformador de potência


do Sistema Elétrico Brasileiro.

Assim, é considerado o período de ∆T (anos) para a expectativa de vida normal de um


transformador e a taxa de falha em condição de sobrecarga proporcional ao fator multiplicador
de sobrecarga “Vfs”, para a determinação do fator multiplicador “Vf” de aumento de risco de
falha do transformador.

Isto é:

 Vfs ⋅ TXf 
∆ T ⋅ ln  1 − 
1− e  100 
Vf = [ pu ] (E6)
∆ T ⋅ ln  1 − 
TXf

1− e  100 

onde:

Vfs : fator multiplicador associado à perda de vida adicional c/ sobrecarga

∆T: período de tempo [anos] de expectativa de vida útil

TXf: taxa de falhas [%/(transf. x ano)] típica de transformador de potência


do Sistema Elétrico Brasileiro.

O fator multiplicador Vfs é determinado, em um intervalo de tempo do ciclo de carga, pela


relação entre a perda de vida da isolação do transformador na condição de carga atual e a perda
de vida verificada na condição de carga com temperatura limite do ponto mais quente do
enrolamento.

Isto é:
• Perda de Vida na temperatura Limite:
 B 
− +A 
PVn% =10  273+ Θen 
⋅ ∆t i ⋅ 100 [% ] (E7)

• Perda de Vida em um Intervalo do Ciclo de Carga:


 B 
− +A 
PVs% =10  273+ Θes 
⋅ ∆t i ⋅ 100 [% ] (E8)

sendo as temperaturas absolutas limite e em carga dadas, respectivamente,


por:
Ten= 273 + Θen [º K ] (E9)
Tes =273 + Θes [º K ] (E10)

Dividindo-se (E8) por (E7) e introduzindo (E9) e (E10) resulta:

 1 1 
B⋅ − 
Vfs=10  Ten Tes 
(E11)

onde:
Vfs fator multiplicador associado à perda de vida adicional;

B: constante da curva de expectativa de vida da isolação de papel


B=6972.15 o K; (retirar Grau. K é valor absoluto)

Θen temperatura (ºC) limite do ponto mais quente dos enrolamentos


do transformador (conforme Tabela 8 da NBR 5416, considerando-se a
temperatura ambiente de 30 ºC):
para transformador de classe 55ºC: Θen = 30+55+10=95ºC
para transformador de classe 65ºC: Θen = 30+65+15=110ºC
Θes: temperatura (ºC) do ponto mais quente dos enrolamentos
do transformador no intervalo de tempo do ciclo de carga

2.3. Fator de Penalidade “Pf”

Este fator multiplicador permite o ajuste para a penalização estabelecida, isto é, uma vez
estabelecido o valor de S para cada ciclo diário de carga dentro do mês em que é constatada a
sobrecarga, este valor é multiplicado pela receita permitida de cada ciclo, resultando um valor de
Receita Total no mês. Este valor, diminuído da Receita Permitida Básica do mês, resulta um valor
de Receita adicional que será multiplicado por Pf.

Obs.: Caso a diferença entre a Receita Total e a Receita Permitida Básica do mês for menor ou
igual a 0 (zero), Pf deverá ser igual a 0 (zero).

2.4. Para fins desta Resolução fica estabelecido que:

b) A taxa de falhas típica de transformadores do Sistema Elétrico Brasileiro operando sob


condições normais, admitida sem sobrecarga, corresponde ao valor TXf=1,73%
[%/(transf. x ano)], conforme Relatório Técnico do GCOI “ RT.SCM.CDE.026 - Análise
Estatística de Desempenho de Transformadores - 1998”.

c) O período de tempo da expectativa de vida útil considerada ∆T , é de quarenta (40) anos,


conforme Resolução da ANEEL nº 044 de 17 de março de 1999.

d) Para o ajuste da penalização estabelecida, o fator multiplicador é Pf = 2

OBS.: A Nota Técnica nº 007/2000-SRT/ANEEL, com informações pertinentes, que acompanha o


Processo Nº 48500.001701/00-25, está disponível para consulta nesta Agência.