Você está na página 1de 18

Familia Romana

Pater familias (plural: patres familias) era o mais elevado estatuto familiar (status
familiae) na Roma Antiga, sempre uma posição masculina. O termo é Latim e significa,
literalmente, "pai da família". A forma é irregular e arcaica em Latim, preservando a
antiga terminação do genitivo em -as. O termo pater se refere a um território ou
jurisdição governado por um patriarca. O uso do termo no sentido de orientação
masculina da organização social aparece pela primeira vez entre os hebreus no século
IV para qualificar o líder de uma sociedade judaica; o termo seria originário do grego
helenístico para denominar um líder de comunidade. Do termo deriva-se a palavra
pátria. Pátria relaciona-se ao conceito de país, do italiano paese, por sua vez originário
do latim pagus, aldeia, donde também vem pagão. Pátria, patriarcado e pagão tem a
mesma raiz.
Segundo Joseph Campbell os hebreus foram os primeiros a usar o termo pai para
denominar o que até então era a Deusa Mãe ou Mãe Terra, a religião entre os antigos
que cultuava a mulher. Ainda segundo Campbell, a convenção do termo entre os
hebreus teria origem nas constantes perseguições religiosas e no desterramento que isso
acarretava, ocasionando a perda da identidade territorial [1][2].

Patria potestas
(estas informações não são seguras) Segundo a Lei das Doze Tábuas, o pater familias
tinha vitae necisque potestas - o "poder da vida e da morte" - sobre os seus filhos, a sua
esposa (nalguns casos apenas), e os seus escravos, todos os quais estavam sub manu,
"sobre a sua mão". Para um escravo se tornar livre (alguém com status libertatis), teria
que ser libertado "da mão" do pater familias, daí os termos manumissio e emancipatio.
Por lei, em qualquer caso, a sua palavra era absoluta e final. Se um filho não era
desejado, nos tempos da República Romana, o pater familias tinha o poder de ordenar a
morte da criança por exposição.
O pater, detinha o poder de vender os seus filhos como escravos - a lei romana
providenciava, no entanto, que se um filho ou filha fosse vendida três vezes, não mais
estaria sujeito à patria potestas. O pater familias detinha o poder de aprovar ou rejeitar
casamentos para os seus fihos e filhas, contudo um édito do Imperador César Augusto
providenciou que, em caso de negação, tal não fosse feito sem ser por fortes razões.
Deve-se notar que os filhos do pater, os filii familias, podiam ser tanto filhos biológicos,
como irmãos, sobrinhos e até filhos e filhas adoptivos. Na Roma Antiga, o agregado
familiar era concebido como uma unidade jurídica e económica subordinada a uma
única pessoa, dotada de um elevado grau de autoridade sobre todos os seus membros -
de facto, a palavra latina familia (que é a origem etimológica da palavra portuguesa
"família"), significava originalmente o conjunto dos famuli (servos e escravos) vivendo
debaixo de um mesmo tecto. E a família era considerada a unidade social básica, ainda
mais relevante que a gens (clã, casta, grupo de famílias).
Além de ser um chefe, o pater familias era a única pessoa dotada de capacidade legal,
ou sui iuris. As mulheres (embora nem sempre), os filii, escravos e estrangeiros tinham
uma capitis deminutio (literalmente, "diminuição da cabeça", significando uma
capacidade diminuída), quer dizer, não podiam celebrar contratos válidos, nem possuir
propriedade. Todos os bens e contratos eram propriedade do pater. Uma capitis
deminutio significava uma tendencial falta de personalidade jurídica, mesmo existindo
algumas restrições: leis de protecção dos escravos e outros incapazes (alguém com uma
capitis deminutio), que podiam, em certas circunstâncias, possuir uma quase
propriedade pessoal, o peculium.
Os patres familias eram, assim, as únicas pessoas jurídicas plenas, mas, devido aos seus
extensos direitos (a sua longa manus, literalmente "longa mão"), tinham igualmente
uma série de deveres extraordinários: para com as mulheres, os filii e os servus.
Somente um cidadão romano, alguém dotado de status civitatis, podia ser um pater
familias. Apenas podia existir um detentor de tal estatuto dentro de cada agregado
familiar. Mesmo os filii homens adultos permaneciam debaixo da autoridade do
paterenquanto este vivesse, e não podiam adquirir os direitos de pater familias até à sua
morte. Legalmente, toda a propriedade que os filii adquirissem era-o em nome do pater,
e era este que detinha a autoridade última sobre o seus destino. Aqueles, homens, que
vivessem já na sua domus no momento da morte do pater sucediam-no como pater
familias sui iuris sobre os seus respectivos agregados familiares. As mulheres, pelo
contrário, estavam sempre debaixo do controlo de um pater familias, fosse o seu pater
original, fosse o pater da família de seu marido depois de casada.
Com o tempo a autoridade absoluta do pater familias tendeu a enfraquecer, e os direitos
que teoricamente ainda persistiam deixaram de ser evocados e aplicados.

o ler este texto, em língua portuguesa, você já se revelando um herdeiro da antiga


civilização romana. O português, assim como o espanhol, o francês, o italiano e o
romeno são língua que se originaram do latim - a língua dos antigos romanos. Mas a
herança que Roma nos deixou vai além das línguas neolatinas. Os romanos também
transmitiram a cultura grega e oriental aos povos bárbaros e à civilização da Idade
Média, que, por sua vez, a transmitiram ao mundo moderno e contemporâneo.

Roma nos deixou ainda uma série de ensinamentos notáveis no campo da política (a
idéia de República), e do direito (o direito romano é a base da ciência jurídica da
maioria dos povos contemporâneos). Além disso, no âmbito da arquitetura e do sistema
de administração municipal, bem como a organização da Igreja católica - que modelou
o mundo medieval - existem diversos legados romanos. Desse modo, conhecer a
história de Roma é conhecer um pouco de nossa própria história.

As origens mitológicas de Roma


Vamos começar nossa jornada à Roma da Antigüidade pela maneira como os próprios
romanos contavam o seu passado mais remoto: através de mitos. Segundo a mitologia,
os romanos descendem de Enéas, um herói troiano que conseguiu escapar quando os
gregos destruíram sua cidade, possivelmente no século 15 a.C. Filho de Vênus, a deusa
do amor, Enéas passou por muitas aventuras até chegar à Itália, onde seu filho Ascânio
fundaria Alba Longa, o núcleo da futura Roma, que seria fundada por seus descendentes
Rômulo e Remo, em 753 a.C.

Rômulo e Remo eram irmãos gêmeos e, após o nascimento, foram atirados ao rio Tibre
por ordem de Amúlio, usurpador do trono de Alba Longa. No entanto, conseguiram
chegar às margens no sopé do monte Palatino e sobreviveram, sendo amamentados por
uma loba. Criados por camponeses, ao chegar à idade adulta, depuseram o usurpador e
restituíram ao trono seu avô, Númitor, de quem receberam a missão de fundar uma nova
cidade na região do Lácio.

No local escolhido, o monte Palatino, às margens do Tibre, Rômulo traçou um sulco no


chão com um arado, demarcando a sua propriedade. Insatisfeito, Remo saltou essa linha
sobre a terra, desafiando o irmão, que o matou. Rômulo fundou seu povoado, onde
acolheu fugitivos de diversas partes da Itália. Sobre eles reinou durante muito tempo,
até desaparecer misteriosamente numa tempestade e se transformar no deus Quirino,
uma das principais deidades mitológicas dos romanos.

Origens históricas de Roma


A data lendária (753 a.C.) da fundação de Roma não representa o período mais antigo
de ocupação do local onde a cidade surgiu. Vestígios de povoação foram encontrados e
remontam à Idade do Bronze. É provável que a cidade tenha surgido de um forte
erguido pelos habitantes do Lácio (latinos e sabinos) para defender-se dos etruscos, que
dominavam parte da península Itálica. Roma surgiu no topo do monete Palatino e se
expandiu graudalmente pelos outros seis montes vizinhos, o Esquilino, o Célio, o
Quirinal, o Viminal, o Capitolino e o Aventino. Mas a cidade não parou de crescer ao
longo dos séculos.

Primitivamente, a economia romana era baseada em atividades agrárias e pastoris. A


propriedade de terra era a base da riqueza, o que evidencia o caráter aristocrático dessa
sociedade. Os proprietários de terra eram o grupo social dominante, sendo chamados de
patrícios. Através de laços familiares formavam clãs que compreendiam também os
parentes pobres que prestavam serviços e eram conhecidos como clientes. Finalmente,
quem não pertencesse ao clã era chamado de plebeu. Esse grupo era formado por
artesãos, comerciantes, estrangeiros e pequenos proprietários de lotes pouco férteis.

Costumes e cultura
Nesses primeiros tempos, os romanos levavam uma vida simples, trabalhando no campo
e alimtando-se de sua própria produção. A modéstia e a disciplina eram consideradas
virtudes essenciais. A família era uma instituição sagrada e seu chefe - o pater famílias -
tinha poder e direitos ilimitados sobre a mulher, os filhos, os escravos e os bens. O
velhos eram respeitados e serviam de exemplo à comunidade. A religião - baseada no
culto aos antepassados e a uma multidão de deuses - estava presente em todos os
aspectos da vida cotidiana e também tinha um caráter cívico, ou seja, estava ligada à
cidade e ao Estado romano.

De resto, com o passar dos tempos, os deuses romanos foram se identificando com os
deuses gregos, devido à grande influência que a Grécia - embora fosse dominada por
Roma - exerceria sobre ela e sua cultura. Na verdade, a arte grega foi uma das fontes
principais da arte romana. A arquitetura talvez tenha sido a única das artes de então em
que os romanos produziram inovações efetivas, em particular devido ao seu
pragmatismo. Se para os gregos as principais construções eram os templos, para os
romanos importavam os reservatórios de água, os aquedutos, os edifícios públicos,
como os tribunais, os circos e os mercados.

Cidadania e direito
Para Roma, o Estado estava acima de tudo e quem estivesse a serviço da res publica
(coisa pública) deveria respeitar os deuses, ser leal e corajoso e ambicionar a glória -
virtudes que evidenciam o caráter guerreiro que logo se manifestou entre os romanos. A
vida do cidadão era regulamentada por leis, que podiam dizer respeito aos negócios do
Estado (direito público) e às relações entre famílias e particulares (direito privado).

Vale à pena notar a importância dessa distinção, até hoje fundamental para o
funcionamento do estado de direito. No entanto, essas noções bem como as instituições
que as traduziram na prática não datam do primeiro momento da história romana, o
período monárquico, mas sim do período republicano. Isso, porém, nos obriga a deixar
de lado esse esboço das origens e da organização sócio-cultural de Roma para entrar em
sua história política - o que requer um capítulo à parte.
Feudo

No feudalismo, um feudo é a terra outorgada por um suserano ao vassalo, em troca de


fidelidade e ajuda militar. Essa prática desenvolveu-se na Idade Média, após o colapso
do Império Romano e foi a base para o estabelecimento de uma aristocracia fundiária.
A palavra "feudo", de origem germânica (do germânico vieh, pelo frâncico fëhu,
significando gado, posse, ou propriedade, pelo b.-lat. feudu[1]), foi latinizada e no fim do
século IX aparece na região do Midi (sul da França) como fevum, talvez por confusão
com a palavra fiscum, que designava, à época carolíngia, os grandes domínios reais - e
com uma ligação com beneficium, o que evocaria a origem pública do feudo no sul da
Europa (o beneficium designa a concessão de uma terra por um agente público, em troca
de serviços públicos). o feudalismo era a base rural desenvolvida na idade média. No
castelo do senhor feudal havia um forno que para ser ultilizado os servos tinham de
pagar impostos.
Do feudo nasceu o chamado feudalismo, que consistia numa organição política e social
que se baseava na relação entre suseranos e vassalos. No feudo se produzia apenas o que
seria consumido nele mesmo. Nele estavam:
• Manso Senhorial - terras de domínio do senhor feudal;
• Manso Servil - área de produção de subsistência dos camponeses (servos);
• Manso Comum - terras de uso coletivo.
Nos feudos, os camponeses que trabalhavam para o suserano tinham de pagar vários
impostos a ele, entre eles:
• Corveia - Trabalhar de graça por alguns dias da semana.
• Banalidade - Uso de propriedades, moinho, forno, prensas.
• Talha - entregar ao senhor parte do que produzia
Além disso os camponeses pagavam o dízimo à Igreja, que equivalia a 10% de seu
salário.
O feudalismo foi um modo de organização social e político baseado nas relações servo-
contratuais (servis). Tem suas origens na decadência do Império Romano. Predominou
na Europa durante a Idade Média.
Segundo o teórico escocês do Iluminismo, Lord Kames, o feudalismo é geralmente
precedido pelo nomadismo e sucedido pelo capitalismo em certas regiões da Europa. Os
senhores feudais conseguiam as terras porque o rei lhas dava. Os camponeses cuidavam
da agropecuária dos feudos e, em troca, recebiam o direito a uma gleba de terra para
morar, além da proteção contra ataques bárbaros. Quando os servos iam para o manso
senhorial, atravessando a ponte, tinham que pagar um pedágio, exceto quando para lá se
dirigiam a fim de cuidar das terras do Senhor Feudal.
Características
O feudalismo tem suas origens no século IV a partir das invasões germânica (bárbaras)
ao Império Romano do Ocidente (Europa).
As características gerais do feudalismo são: poder descentralizado, economia baseada
na agricultura de subsistência, trabalho servil e economia amonetária e sem comércio,
onde predomina a troca (Escambo).
Tudo isso só será modificado com os primeiros indícios das Revoluções Burguesas.

Origem do Feudalismo
Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente, por volta do século
V d.C. (de 401 a 500), em decorrência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das
péssimas políticas econômicas dos imperadores romanos, várias regiões da Europa
passaram a apresentar baixa densidade populacional e ínfimo desenvolvimento urbano.
A partir do século V d.C., entra-se na chamada Idade Média, mas o sistema feudal
(Feudalismo) começa na França e passa somente a vigorar em alguns países da Europa
Ocidental a partir do século IX d.C., aproximadamente.
O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras, ocorridas em
diversas regiões da Europa, favoreceram, sensivelmente, as mudanças econômicas e
sociais que vão sendo introduzidas e que alteraram completamente o sistema de
propriedade e de produção característicos da Antiguidade principalmente na Europa
Ocidental. Essas mudanças acabam revelando um novo sistema econômico, político e
social que veio a se chamar Feudalismo. O Feudalismo não coincide com o início da
Idade Média (século V d.C.), porque esse sistema começa a ser delineado alguns séculos
antes do início dessa etapa histórica (mais precisamente, durante o início do século IV),
consolidando-se definitivamente ao término do Império Carolíngio, no século IX d.C.
Em suma, com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras, os nobres
romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo
de serem saqueados ou escravizados). Já na Idade Média, com vários povos bárbaros
dominando a Europa Medieval, foi impossível unirem-se entre si e entre os
descendentes de nobres romanos, que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. E
com as reformas culturais ocorridas nesse meio-tempo, começou a surgir a idéia de uma
nova economia: o feudalismo.

Sociedade
A sociedade feudal era composta por três estamentos (três grupos sociais com status
fixo): os Nobres (guerreiros), o Clero (religiosos), e os servos (mão de obra). O que
determinava o status social era o nascimento. Havia também a relação de suserania entre
os Nobres, onde um nobre (suserano) doa um feudo para um outro nobre (vassalo).
Apresentava pouca ascensão social e quase não existia mobilidade social (a Igreja foi
uma forma de promoção, de mobilidade).
• O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder
político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação
entre a religião e a política era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade
evitando, por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas, revoltas e
contratações camponesas.
• A nobreza (também chamados de senhores feudais) tinha como principal função
a de guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais
classes. O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de
suserania e vassalagem).
• Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa: estavam
presos à terra, sofriam intensa exploração, eram obrigados a prestarem serviços à
nobreza e a pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e
de proteção militar. Embora geralmente se considere que a vida dos camponeses
fosse miserável, a palavra "escravo" seria imprópria. Para receberem direito à
moradia nas terras de seus senhores, juravam-lhe fidelidade e trabalho. Por sua
vez, os nobres, para obterem a posse do feudo faziam o mesmo juramento aos
reis.
• Os Vassalos oferecem ao senhor ou suserano, fidelidade e trabalho em troca de
proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem estendiam-
se por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.

Economia e prosperidade
A produção feudal própria do Ocidente europeu tinha por base a economia agrária, de
escassa circulação monetária, auto-suficiente. A propriedade feudal pertencia a uma
camada privilegiada, composta pelos senhores feudais, altos dignitários da Igreja (o
clero) e longínquos descendentes dos chefes tribais germânicos. As estimativas de renda
per capita da europa feudal a colocam em um nível muito próximo ao minímo de
subsistência.
A principal unidade econômica de produção era o feudo, que se dividia-se em três
partes distintas: a propriedade individual do senhor, chamada manso senhorial ou
domínio, em cujo interior se erigia um castelo fortificado; o manso servil, que
correspondia à porção de terras arrendadas aos camponeses e era dividido em lotes
denominados tenências; e ainda o manso comunal, constituído por terras coletivas -
pastos e bosques - , usadas tanto pelo senhor quanto pelos servos.
Devido ao caráter expropriador do sistema feudal, o servo não se sentia estimulado a
aumentar a produção com inovações tecnológicas, uma vez que tudo que produzia de
excedente era tomado pelo senhor. Por isso, o desenvolvimento técnico foi pequeno,
limitando aumentos de produtividade. A principal técnica adaptada foi a de rotação
trienal de culturas, que evitava o esgotamento do solo, mantendo a fertilidade da terra.
Para o economista anarco-capitalista Hans Hermann Hoppe, como os feudos são
supostamente propriedade do Estado (neste caso, representado pelos senhores feudais),
o feudalismo é, conseqüentemente, considerado por ele como sendo uma forma de
manisfestação socialista - o socialismo aristocrático (servismo).

Tributos e impostos da época


As principais obrigações dos servos consistiam em:
• Corvéia: trabalho compulsório nas terras do senhor em alguns dias da semana;
• Talha: Parte da produção do servo que deveria ser entregue ao nobre
• Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o
moinho, o forno, o celeiro, as pontes;
• Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);
• Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja,
utilizado para a manutenção da capela local;
• Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro,
para a nobreza;
• Taxa de Justiça: os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados no
tribunal do nobre;
• Formariage: quando o nobre resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar
uma taxa para ajudar no casamento. Era também válida para quando um parente
do nobre iria casar.
• Mão Morta: Era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família
servil, em caso do falecimento do pai ou da família.
• Albermagem: Obrigação do servo em hospedar o senhor feudal.
Muitas cidades européias da Idade Média tornaram-se livres das relações servis e do
predomínio dos nobres. Essas cidades chamavam-se burgos. Por motivos políticos, os
"burgueses" (habitantes dos burgos) recebiam freqüentemente o apoio dos reis que,
muitas vezes, estavam em conflito com os nobres. Na língua alemã, o ditado Stadtluft
macht frei ("O ar da cidade liberta") ilustra este fenômeno. Em Bruges, por exemplo,
conta-se que certa vez um servo escapou da comitiva do conde de Flandres e fugiu por
entre a multidão. Ao tentar reagir, ordenando que perseguissem o fugitivo, o conde foi
vaiado pelos "burgueses" e obrigado a sair da cidade. Desta maneira, o servo em
questão tornou-se livre.
SERVO X ESCRAVO
A escravidão era uma situação aceita e logo tornou-se essencial para a economia e para
a sociedade de todas as civilizações antigas, embora fosse um tipo de organização muito
pouco produtivo. A Mesopotâmia, a Índia, a China e os antigos egípcios e hebreus
utilizaram escravos.
Na civilização grega o trabalho escravo acontecia na mais variada sorte de funções, os
escravos podiam ser domésticos, podiam trabalhar no campo, nas minas, na força
policial de arqueiros da cidade, podiam ser ourives, remadores de barco, artesãos etc.
Para os gregos, tanto as mulheres como os escravos não possuíam direito de
voto.Muitos dos soldados do antigo império romano eram ex-escravos.
No Império Romano o aumento de riqueza realizava-se mediante a conquista de novos
territórios, capazes de fornecer escravos em maior número e mais impostos ao fisco.
Contudo arruinavam os pequenos proprietários livres que, mobilizados pelo serviço
militar obrigatório, eram obrigados a abandonar as suas terras, das quais acabavam por
ser expulsos por dívidas, indo elas engrossar as grandes propriedades cultivadas por
mão-de-obra escrava.
As novas conquistas e os novos escravos que elas propiciavam começaram a ser
insuficientes para manter de pé o pesado corpo da administração romana. os conflitos
no seio das classes de homens livres começam a abalar as estruturas da sociedade
romana, com as lutas entre os patrícios e a plebe, entre latifundiários e comerciantes,
entre colectores de impostos e agricultores arruinados, aliados aos proletarii das
cidades. Ao mesmo tempo começa a manifestar-se o movimento de revolta dos escravos
contra os seus senhores e contra o sistema esclavagista, movimento que atingiu o ponto
mais alto com a revolta de Espártaco (73-71 a.C.). Desde o século II a necessidade de
ter receitas leva Roma a organizar grandes explorações de terra e a encorajar a
concentração das propriedades agrícolas, desenvolvendo o tipo de exploração
esclavagista.
Generaliza-se o pagamento em espécie aos funcionários com Diocleciano, utilizando o
Estado directamente os produtos da terra, sem os deixar passar pelo mercado, cuja
importância diminui, justificando a tendência dos grandes proprietários para se
constituírem em economias fechadas, de dimensões cada vez maiores, colocando-se os
pequenos proprietários sob a asa dos grandes. Em troca da fidelidade e da entrega dos
seus bens, os camponeses mais pobres passavam a fazer parte da família dos grandes
donos que se obrigavam a protegê-los e a sustentá-los. deste modo, de camponeses
livres transformavam-se em servos, começando a delinear-se assim os domínios
senhoriais característicos da Idade Média.
A escravidão na Antiga Roma implicava uma quase absoluta redução nos direitos
daqueles que ostentavam essa condição, convertidos em simples propriedades dos seus
donos.
Com o passar do tempo, os direitos dos escravos aumentaram. Contudo, mesmo depois
da manumissão ("manumissio"), um escravo liberto não possuía muitos dos direitos e
privilégios dos cidadãos romanos.
Estima-se que mais de 30% da população da Roma Antiga eram escravos.[1][2
As revoltas de escravos, tal como a de fim da década de 70 a.C foram duramente
reprimidas.
Em latim, o escravo era denominado servus ou ancillus (este último termo era aplicado
mais particularmente ao escravo que servia no lar).
Normalmente, as pessoas reduzidas à escravidão ou mantidas nesta condição provinham
de povos conquistados, o que se manifestava com frequência numa cor de pele ou
língua diferentes das dos amos.
Os romanos consideravam a escravidão como infame, e um soldado romano preferia
suicidar-se antes de cair escravo de um povo bárbaro, ou seja, não romano.
Durante o feudalismo, servos eram a maior parte da população camponesa. Eram presos
à terra e sofriam intensa exploração,sendo obrigados a prestarem serviços à nobreza e a
pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar
As principais obrigações dos servos consistiam em:
Corvéia: trabalho compulsório nas terras do senhor em alguns dias da semana;
Talha: Parte da produção do servo deveria ser entregue ao nobre
Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o
moinho, o forno, o celeiro, as pontes.
Era uma espécie de escravo que como pagamento do seu incessante trabalho recebia um
pedaço de terras e o que precisava para sobreviver. Era explorado com os mais
diversificados impostos or isso nunca poderia sair das terras do senhor Feudal. Pois não
teria dinheiro para saldar sua dívida.
DIREITO CANONICO

O direito canônico é o conjunto das normas que regulam a vida na comunidade eclesial.
Diferentemente do direito romano, que disciplinava as relações no Império romano, já
extinto; o direito canônico está diretamente relacionado ao dia-a-dia de mais de um mil
milhões de católicos no orbe terrestre. Por exemplo, quando se deseja discutir a validade
de um casamento (nulidade de matrimônio) realizado na Igreja, recorre-se à corte
canônica ou tribunal eclesiástico.
O direito canônico está praticamente todo condensado no Código de Direito Canônico.
Neste diploma legal, encontram-se regras de direito material e de direito processual bem
como de direito penal canônico, direito administrativo canônico e direito patrimonial
canônico, dentre outros.
O atual Código de Direito Canônico (Codex Iuris Canonici — C.I.C.), para a Igreja
Latina, foi promulgado pelo papa João Paulo II em 25 de janeiro de 1983 (entrou em
vigor em 27 de novembro de 1983), por meio da Constituição Apostólica Sacrae
Disciplinae Leges[1] abrogando, isto é, substituindo o anterior código, então promulgado
em 27 de maio de 1917 (entrou em vigor em 19 de maio de 1918) pelo Papa Bento XV,
por meio da Constituição Apostólica Providentissima Mater Ecclesia.
Para as Igrejas Orientais (católicas), João Paulo II promulgou um novo código,
designado por Código dos Cânones das Igrejas Orientais (Codex Canonum Ecclesiarum
Orientalium), em 18 de outubro de 1990 (entrou em vigor em 1 de outubro de 1991),
por meio da Constituição Apostólica Sacri Canones.[2]
A pessoa humana, cada uma delas, não é um ser solitário, mas vive em sociedade, se
comunica com as demais com maior ou menor intimidade, dependendo do caso e na
verdade, necessita dos demais para viver essa vida humana, e precisa da sociedade para
realizar seus objetivos, atingir suas metas que são inatingíveis para um indivíduo só.
Assim, o Direito se faz necessário e presente para regular e auxiliar nas relações
humanas, na vida em sociedade, procurando estabelecer uma ordem que se aproxime o
máximo possível das exigências de justiça dos homens. O Direito em parte é criação
humana, surge naturalmente das necessidades das relações humanas, e em parte
antecede verdadeiramente qualquer ordenamento jurídico positivo.
A Igreja é essencialmente um mistério sobrenatural, de fé, mas constituída neste mundo,
visível no tempo, formada por pessoas humanas. A Igreja é ao mesmo tempo
sobrenatural e terrestre, é a Igreja de Cristo, é o Povo de Deus em marcha. É uma
realidade social e por isso mesmo, nela também existe o Direito, só que com uma
dimensão a ela peculiar.
Definindo de uma forma muito simplista, o Direito Canônico é o Direito da Igreja, a
gama de normas que regem, amparam, determinam direitos, deveres, ritos, formas,
normas a serem seguidas para que a Igreja cresça organizadamente e cumpra a sua
finalidade nesta terra que é a salvação de todas as almas.
O Direito Canônico tem fontes divinas e positivas, ou seja, aquelas derivadas
diretamente da Revelação e da vontade expressa de Cristo fundador da Igreja, as de
criação humana inspiradas pelo Espírito Santo e também aquelas derivadas de
ordenamentos jurídicos considerados profanos, do chamado direito natural. Mas o
Direito Canônico não é só um conjunto de normas, é todo um sistema de relações
jurídicas, um complexo de vínculos que unem os fiéis e os situam dentro do corpo
social da Igreja em suas ordens e fins, criam relações, organizam hierarquias, regulam
condutas.
Ao contrário do que geralmente se pensa, o Direito Canônico não é dirigido somente ao
clero ou aos religiosos, mas a todos os fiéis, inclusive os leigos que deveriam ter maior
acesso e conhecimento da legislação da Igreja que abraçam, amam e respeitam, para
saberem corretamente os direitos e deveres de sua condição de cristãos.
O Direito Canônikco é fundamentalmente pastoral e evangelizador, já que tais ações
não podem se desenvolver de forma arbitrária e anárquica, mas só produzirão algum
resultado se realizadas de forma ordenada e justa, já que a Igreja nos ensina também o
respeito ao próximo e a liberdade legítima dos filhos de Deus.
O Concílio Vaticano II promulgou como seu último documento, o Código de Direito
Canônico atualmente vigente, cuja finalidade principal é promover a restauração da
unidade entre todos os cristãos. Não se esqueceu, todavia, das Igrejas Orientais, para as
quais foi promulgado um Código de Cânones das Igrejas Orientais, mais adaptado a tal
rito.
O Código de Direito Canônico, na realidade, regula toda a matéria referente e derivada
dos Sacramentos criados por Jesus Cristo e, ao contrário do que alguns pensam, o
Direito Canônico não serve apenas para regular os processos de Declaração de Nulidade
Matrimonial, como também, a legislação da Igreja é tão extensa que não está totalmente
contida no Código, mas é completada por leis esparsas, específicas a determinados
casos.
O Direito Canônico é uma disciplina bela e muito necessária à nossa Igreja, já que a
finalidade dele não é punir, condenar, excluir, mas orientar, proteger, tutelar e, como
bem dispõe a última parte do c. 1752 do CIC/83 - o último cânon do Código de Direito
Canônico:...."et prae oculis habita salute anikmarum, quae in Ecclesia suprema semper
lex esse debet", ou seja, tendo-se diante dos olhos a salvação das almas que, na Igreja,
deve ser sempre a lei suprema.

Conceito de Direito Canônico:


"O Direito Canônico poderia ser conceituado como o conjunto de leis
propostas, elaboradas ou canonizadas pela Igreja, numa determinada
época[Cf. Raoul NAZ et alii. Traité de Droit Canonique. Paris, Letouzey et Ané,
1954, p. 14]. Ou, numa definição mais completa: conjunto de normas
jurídicas, de origem divina ou humana, reconhecidas ou promulgadas
pela autoridade competente da Igreja Católica, que determinam a
organização e atuação da própria Igreja e de seus fiéis, em relação aos
fins que lhe são próprios [cf. Rafael LLANO CIFUENTES. Curso de Direito
Canônico. São Paulo, Saraiva, 1971, p. 10.].
Pode-se, na verdade, distinguir três grupos de elementos no Direito Canônico.
Uns vêm de Deus, e são somente propostos pela Igreja: trata-se de prescrições
de direito natural (descobertas na natureza humana), ou de direito divino
positivo (formuladas verbalmente na Bíblia; por exemplo, os dez
mandamentos). Outros são elaborados pelos dirigentes da Igreja, em virtude do
poder legislativo de que dispõem. Outros, por fim, são apenas aprovados, são
como que emprestados aos ordenamentos jurídicos estatais, e como tais
canonizados [Cf. C. 22, 110, 1290.] ou sancionados pela Igreja (exemplo:
adoção, contratos)"[ Texto de Alexandre Henrique GRUSZYNSKI — professor
de Direito Eclesiástico na Faculdade de Direito da PUC-RS, sócio-fundador da
Sociedade Brasileira de canonistas, diácono permanente desde 1968, juiz do
tribunal Eclesiástico regional de Porto Alegre desde 1987, também é membro
da Société Internationale de Droit Canonique et de Législations Religieuses
Compárées, com sede em Paris — Direito eclesiástico. Porto alegre, palloti,
19966, p. 17.].
CORPUS JURIS CIVILIS

O Corpus Iuris Civilis (em português Corpo de direito civil) é uma obra jurídica
fundamental, publicada entre os anos 529 e 534 por ordens do imperador bizantino
Justiniano I.
Em 527 d.C., sobe ao trono em Constantinopla, Justiniano, que inicia ampla obra militar
e legislativa.
Pouco depois de assumir o poder, Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a
herança representada pelo direito romano e, em 528, nomeou uma comissão de dez
membros (entre os quais Triboniano, ministro do imperador e jurisconsulto de grande
mérito) para compilar as constituições imperiais vigentes (leis emanadas dos
imperadores desde o governo do imperador Adriano). Triboniano, principal
colaborador, era professor de direito da escola de Constantinopla. Ele cercou-se de
juristas, professores e advogados, com os quais inicia enorme trabalho de compilação.
Foi eficazmente auxiliado nessa missão por Teófilo, outro professor da mesma escola.
A missão dos compiladores completou-se em dois anos. O Código era destinado a
substituir o Gregoriano, o Hermogeniano, as constituições particulares e o Código
Teodosiano de 438. Em 7 de abril de 529, com a constituição Summa rei publicae, o
imperador publica o código, intitulado Nouus Iustinianus Codex (Código Novo de
Justiniano), e estabelece que entraria em vigor em 16 de abril daquele ano. Essa
primeira obra não chegou até nós pois foi substituída por outra, já em 534. Assim, ficou
conhecido por Código Velho, em contraposição ao de 534, chamado, este sim, de
Código Novo.
O Digesto, conhecido igualmente pelo nome grego Pandectas, é uma compilação de
fragmentos de jurisconsultos clássicos. É obra mais completa que o Código tem e
ofereceu maiores dificuldades em sua elaboração. Digesto vem do latim digerere - pôr
em ordem.
Realizada a compilação das leges (constituições imperiais), era necessário resolver um
problema com relação aos iura (direito contido nas obras dos jurisconsultos clássicos),
que não tinham sido ainda compilados. Havia entre os jurisconsultos antigos uma série
de controvérsias a solucionar. Para isso, Justiniano expediu 50 constituições (as
Quinquaginata Decisiones). É provável que durante a elaboração delas surgisse a idéia
da compilação dos iura.
Na constituição Deo auctore de conceptione Digestorum, de 15/12/530, o imperador
expôs seu programa referente à obra. Nos fins de 530, Justiniano encarrega Triboniano
de organizar comissão de 16 membros destinada a compilar os iura. Coube a
Triboniano escolher seus colaboradores. Foram escolhidos Constantino, além de Teófilo
e Crátino, de Constantinopla, Doroteu, Isidoro, da Universidade de Berito, mais onze
advogados que trabalhavam junto à alta magistratura. A comissão era encarregada da
seleção da matéria, bem como de dirimir dúvidas e decidir em caso de diferenças de
opinião.
O Digesto diferenciava-se do Código por não ter havido anteriormente trabalho do
mesmo gênero. A massa da jurisprudência era enorme, freqüentemente difícil de ser
encontrada. Havia muitos autores, com pontos de vista diversos, por vezes antagônicos.
A tarefa parecia ciclópica, e era temerário juntar todo esse amálgama de opiniões num
trabalho homogêneo. Para o término desse projeto grandioso, previu Justiniano prazo
mínimo de dez anos. No entanto, sob a presidência de Triboniano, a comissão de 16
membros, depois de compulsar quase dois mil livros (com três milhões de linhas),
extratando 39 jurisconsultos, concluiu o trabalho em apenas três anos. Era o Código de
doutrinas seletas, Codex enucleati iuris, oficialmente denominado Digesto (Digesta) ou
Pandectas (Pandectae), o qual foi promulgado em 15 de dezembro de 533, para entrar
em vigor daí a 15 dias. A obra é composta de 50 livros, subdivididos em
aproximadamente 1.500 títulos, segundo ao assunto. Sob cada um dos títulos figuram
fragmentos de obras de mais de quarenta jurisconsultos romanos do período clássico, de
Quinto Múcio Cévola, que morreu no ano 82, a Hermogeniano e Carísio (dos séculos III
e IV).
Os dezesseis codificadores tiveram autorização de alterar os textos escolhidos, para
harmonizá-los com os novos princípios vigentes. Essas alterações tiveram o nome de
emblemata Triboniani e hoje são chamadas interpolações. A descoberta de tais
interpolações e a restituição do texto original clássico é uma das preocupações da
ciência romanística contemporânea.
As Pandectas constituíam uma suma do direito romano, em que inovações úteis se
misturavam a decisões clássicas. Restritas, na prática, ao império bizantino, só no
século XI foram descobertas pelo Ocidente. A comparação dos manuscritos existentes
no Código de Justiniano foi o primeiro passo para o renascimento do direito, que teve
como centro a Universidade de Bolonha. Quase todos os direitos modernos decorrem do
direito romano e das Pandectas.
Terminada a elaboração do Digesto, mas antes de sua promulgação, Justiniano escolheu
três dos compiladores - Triboniano, Doroteu e Teófilo (estes últimos professores das
escolas de Constantinopla e de Bento) - para a organização de um manual escolar que
servisse aos estudantes como introdução ao direito compendiado no Digesto. Os
redatores foram fiéis ao plano das Institutas de Gaio (do século II a.C.), tendo-se
servido de muitas passagens desse antigo jurista. No entanto, há inovações introduzidas
de acordo com o direito vigente no Baixo-Império.
A essa comissão elaborou as Institutiones (institutas), que foi publicada em 21 de
novembro de 533, um mês antes do Digesto. Foi aprovada em 22 de dezembro, pela
Constituição Tanta, e entrou em vigor como manual de estudo no mesmo dia do
Digesto, 30 de dezembro de 533. Por ser mais simples que o Digesto, alcançou enorme
difusão; prova disso são os inúmeros manuscritos que nos chegaram.
Como uma obra de professores, destinada ao ensino, as Institutas são mais simples e
mais teóricas que o Digesto. São expostas noções gerais, definições e classificações. Há
controvérsias por serem excelente campo de estudo. Esse trabalho teve a mesma divisão
das Institutas, de Gaio: pessoas, coisas e ações. Contudo, os livros dividem-se em
títulos. Foram utilizadas na elaboração a res cotidianae, também de Gaio, as Institutas,
de Florentino, de Ulpiano e de Marciano, e os VII libri regularum, de Ulpiano.
A publicação de novas constituições e o fato de, com a elaboração do Digesto, ter
surgido contradições entre o Nouus Iustianianus Codex e as Pandectas tornou necessária
uma segunda edição do Codex. Por isso, Justiniano nomeou comissão de cinco
membros para atualizá-lo. O Codex repetitae praelectionis, o Código revisado, cujo
conteúdo foi harmonizado com as novas normas expedidas no curso dos trabalhos, foi
publicado em 16 de novembro de 534, para entrar em vigor no dia 29 de dezembro do
mesmo ano. Essa obra chegou até nós. Como a primeira edição do código (elaborada
em 528) foi revogada por esta segunda, e, portanto, deixou de ser utilizada, dela
possuímos apenas pequeno fragmento do índice, constante de papiro encontrado no
Egito no início do seculo XX. Esse papiro arrola as constituições contidas nos títulos 11
a 16 do livro I, e mostra que é muito pequena a correspondência da ordem das
constituições aí referidas e as que se encontram nos mesmos títulos da nova edição do
Código Justinianeu, que é a que chegou até nós.
O Código redigido de acordo com o sistema das compilações anteriores é dividido em
12 livros, subdivididos em títulos. As constituições estão ordenadas em cada título por
ordem cronológica, como nos códigos anteriores. O Código começa por uma invocação
a Cristo, em que se afirma a fé de Justiniano. Os outros títulos do Livro I são
consagrados às fontes do direito, ao direito de asilo e às funções dos diversos agentes
imperiais. O Livro II trata principalmente do processo. Os Livros III a VIII tratam do
direito privado, o Livro IX do direito penal, os Livros X a XII foram consagrados ao
direito administrativo e fiscal. Como nos códigos anteriores, encontra-se nos títulos
mais que nos livros uma unidade de matéria. A técnica, porém, ainda é antiga, pois os
títulos são muito numerosos e não se exclui a interpolação de certos textos (adaptações
feitas pelos compiladores). O mérito da compilação, colocando todas as constituições no
Código, é torná-lo obrigatório como lei do Império.
As Institutas, o Digesto (Pandectas) e o Código foram as compilações feitas por ordem
de Justiniano. Depois de terminada a codificação, a qual, especialmente o Código,
continha a proibição de se invocar qualquer regra que nela não estivesse prevista,
Justiniano reservou-se a faculdade de baixar novas leis. A segunda edição do Codex
(534) não paralisou a atividade legiferante de Justiniano, que continuou a editar outras
constituições importantes (em número de 177, da data da promulgação do Código
Novo, em 535, até sua morte, em 565), introduzindo um grande número de
modificações na legislação. Essas novas constituições (Nouellae constitutiones) são
conhecidas por Novelas (Nouellae), Autênticas ou Plácida. A maioria foi editada em
língua grega e contém reformas fundamentais, como no direito hereditário e no direito
matrimonial.
Justiniano pretendia reunir as Novelas num corpo único. Sua morte, porém, não lhe
permitiu realizar o intento, o que foi feito posteriormente, por particulares. A coleção
das Novelas constitui o quarto volume da codificação justinianéia.

Anti-semitismo
O código Justiniano degradou os judeus a cidadãos de segunda classe. A partir daqui a
religião judaica deixaria de ser legítima. Alguns exemplos:
• Relações sexuais entre judeus e cristãos eram proibidas, sob pena de castigo
severo;
• Judeus deixaram de poder obter cargos públicos;
• Alguém que ousasse construir uma sinagoga perderia os seus bens e seria punido
com a morte.
Para que os iura e as leges constantes no Corpus Iuris Civiles pudessem ter aplicação na
prática, foi preciso, muitas vezes, que os compiladores fizessem substituições,
supressões ou acréscimos nos fragmentos dos jurisconsultos clássicos ou nas
constituições imperiais antigas. Essas alterações denominam-se interpolações ou
tribonianismos.
Das interpolações distinguem-se os glosemas, denominação dada, em geral, aos erros
dos copistas ou, então, às alterações introduzidas, antes da época de Justiniano, nas
obras de juristas clássicos por particulares ou comissões legislativas como a que
organizou o Código Teodosiano.
Tendo chegado até nós apenas parte diminuta da literatura jurídica do período clássico,
para que conheçamos o direito romano dessa época é indispensável que determinemos,
aproximadamente, as interpolações nos textos que compõe o Digesto e o Código, pois,
assim, conseguiremos restaurar, até certo ponto, o seu primitivo teor.
O estudo das interpolações só foi iniciado realmente, na Renascença, quando os
jurisconsultos da Escola Culta procuraram, com a identificação das substituições,
supressões e acréscimos introduzidos nos textos que integram o Corpus Iuris Civiles,
restaurar o direito clássico romano em sua pureza. Nos séculos XVI e XVII, muito se
trabalhou nessa pesquisa, destacando-se romanistas do porte de Cujácio e Antônio
Frave. Posteriormente, o estudo das interpolações quase foi deixado de lado. Apenas no
final do século XIX, com a publicação, em 1887, da célebre obra Gradenwitz,
Interpolationem in den Pandekten - onde se sistematizam os métodos de busca às
interpolações -, é que essa pesquisa ressurgiu com grande intensidade. No início do
século XX, de tal modo se dedicaram os romanistas à caça das interpolações que se
chegou ao exagero. Presentemente, processa-se movimento de revisão crítica com
referência às passagens interpoladas.
Para a identificação das interpolações, há vários métodos. Alguns demonstram, com
segurança, a existência delas; outros não, mas servem, utilizados em conjunto, para
evidenciá-los. Entre os métodos existentes destacam-se:
1. o textual - a interpolação pode ser demonstrada quando o mesmo texto clássico
chegou até nós, com redações diferentes, no Corpus Iuris Civiles e em fonte
pré-justinianéia; ou então, quando há repetição, com alterações, do mesmo texto
na própria codificação de Justiniano;
2. o histórico - anacronismo em texto do período clássico constante do Corpus
Iuris Civiles revela a existência de interpolações;
3. o lógico - ilogismo entre as diferentes partes de um texto - e a lógica era uma das
características dos jurisconsultos clássicos - é indício de que ele foi interpolado;
4. o filológico - o vocabulário, a gramática e o estilo dos jurisconsultos clássicos e
dos bizantinos diferem acentuadamente; daí, pelo estudo desses elementos ser
possível a identificação de interpolações.
Para ilustração, um exemplo de interpolação revelada pelo método histórico. No
Digesto XXX, 1 (fragmento atribuído a Ulpiano), declara-se:
"Per omnia exaequata sunt legata e fideicomissis" (em tudo são iguais legados e
fideicomissos).
Ora, por outras fontes sabemos que a fusão dos legados e fideicomissos só foi feita no
tempo de Justiniano; portanto, Ulpiano, que viveu séculos antes, quando havia
diferenças entre legados e fideicomissos, não poderia ter feito essa afirmação: trata-se,
pois, de um texto interpolado.
É a base da jurisprudência latina (incluindo o direito canónico eclesiástico: ecclesia
vivit lege romana) e é também um documento único sobre a vida no Império Romano
no seu tempo. É uma coleção que reúne muitas fontes nas quais as leges (leis) e outras
regras eram expressas ou publicadas: leis propriamente ditas, consultas senatoriais
(senatus consulta), decretos imperiais, lei das sentenças e opiniões e interpretações dos
juristas (responsa prudentum). Foi mérito dessa codificação a preservação do direito
romano para a posteridade.
O Corpus representou uma revolução jurídica, organizando o direito romano numa
forma conveniente e sob um esquema orgânico, que se tornou a base do moderno
Direito Civil.