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INSTRUÇÃO: Leia o texto de Carlos Drummond de Andrade para

responder às questões de números 41 e 42.

Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo!
Que bacana! Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira!
Que esperança! Que modos! Que noite! Que graça! Que horror!
Que doçura! Que novidade! Que susto! Que pão! Que vexame!
Que mentira! Que confusão! Que vida! Que talento! Que alívio!
Que nada...
Assim, em plena floresta de exclamações, vai-se tocando
pra frente.

41. O texto, segundo o autor, revela que a vida é

(A) estimulante, pois o ser humano mais a desfruta do que


sofre com ela.

(B) enfadonha, já que as experiências do ser humano trazem


pouca emoção ao cotidiano.

(C) complexa, já que o ser humano está exposto a experiên-


cias múltiplas.

(D) complicada, porque o ser humano não aproveita o que


ela lhe oferece.

(E) perturbadora, pois o ser humano tem dificuldade para


vivenciar as distintas situações.

42. Analise as afirmações.


I. No primeiro parágrafo, as frases são constituídas sem a
presença de verbos em sua estrutura, o que permite infe-
rir que não se pretende enfatizar ações e sim se reportar
0 0
aos elementos do cotidiano do poeta, materializados nos
substantivos dessas frases.
II. O primeiro parágrafo caracteriza-se por frases que não se
articulam sintaticamente entre si por meio de conjunções
e sim pela justaposição.
III. Na passagem Que vida!, evidencia-se uma ambiguidade,
pois se pode pensar tanto em uma referência a bons as-
pectos da existência como a aspectos negativos.
Está correto o que se afirma em

(A) I, apenas.

(B) III, apenas.

(C) I e II, apenas.

(D) II e III, apenas.

(E) I, II e III.

13 ACPM1001/01-ProvaEscolaridade-ParteI-manhã
INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números 45. Leia os quadrinhos.
43 e 44.

Se você pudesse ver seu coração, não cuidaria melhor dele?


Marília Gabriela conversa com Gabriel, o mais novo adepto
da corrente do coração. “Começou comigo, passou para o meu
filho Christiano, depois para a Julia, arquiteta do Christiano, (Folha de S.Paulo, 23.07.2010. Adaptado.)
e hoje eu estou aqui com o Gabriel, irmão de Julia.” Gabriel
A personagem utiliza a locução verbal Tenho tido para se
também incluiu Becel no seu café da manhã. E não parou por aí.
referir à dor que sente, o que sinaliza que esta é
Agora, quando vai decidir o que comer, escuta seu coração. Fo-
ram escolhas simples, mas quando se trata da saúde do coração, a. frequente nos últimos tempos.
pequenas mudanças podem fazer toda a diferença. b. continuidade de tempos passados.
“Minha Margarina? É claro que é Becel!” c. suposição e não realidade.
d. impossível de acontecer no futuro.
e. pontual em relação ao momento da enunciação.

INSTRUÇÃO: As questões de números 46 e 47 baseiam-se no texto.


Cinema – Quincas Berro D´Água, de Sérgio Machado (Brasil,
(Época, 10.07.2010.) 2010). Lançada em 1959, a novela A Morte e a Morte de Quincas
Berro d´Água está entre os grandes textos do escritor baiano Jorge
Amado (1912-2001). Dela, o diretor de Cidade Baixa preservou o
humor mórbido e o deboche. Escolheu a dedo quatro atores não
43. Observando as informações apresentadas, o meio de muito famosos para os papéis principais. Na trama, Quincas (o ex-
comuni- cação em que foram veiculadas e a periente Paulo José) morre no dia de seu 72º aniversário. Beberrão
intencionalidade do autor, conclui-se que o texto é e mulherengo, esse ex-funcionário público era símbolo da boemia
na capital baiana dos anos 50. Quatro inconformados amigos dele
a. uma propaganda, na qual se mostram os perigos
(interpretados por Irandhir Santos, Luís Miranda, Flávio Bauraqui
relacio- nados ao consumo de margarina.
e Frank Menezes) roubam o cadáver no velório para uma noitada
b. uma reportagem, na qual se analisam os de despedida pelas ladeiras do Pelourinho. Com Mariana Ximenes
benefícios de se consumir margarina. e Vladimir Brichta (104 min). 14 anos. Estreou em 21/5/2010.
(Veja São Paulo, 14.07.2010.)
c. uma notícia, na qual se aborda a importância do
consumo de margarina no café da manhã. 46. Existe continuidade de sentido quando se relacionam as
se- guintes informações textuais:
d. um anúncio, no qual se intenciona convencer o
a. Jorge Amado + Cidade Baixa.
leitor a usar a margarina.
b. Humor mórbido + roubam o cadáver no velório
e. uma entrevista, na qual se elucida a importância para uma noitada de despedida.
da mar- garina para o coração. c. Quatro atores não muito famosos + Paulo José.
d. Vladimir Brichta + morre no dia de seu 72º aniversário.

44. No contexto, a fala entre aspas do primeiro parágrafo deve e. Escritor baiano + beberrão e mulherengo.
ser atribuída
47. Analise as afirmações, que se baseiam nas informações tex-
a. a Christiano. tuais e nos contextos a que se reportam.
I. O texto é uma resenha do filme de Sérgio Machado, baseado
b. a Marília Gabriela. em uma obra do escritor baiano Jorge Amado, expressão
do regionalismo modernista da literatura brasileira.
c. a Julia. II. O filme faz uma releitura da obra de Jorge Amado, em
um viés realista e sério.
d. a Gabriel.
III. No filme de Sérgio Machado, cuja ambientação são as
e. ao redator. ladeiras do Pelourinho, em Salvador, o protagonista da
trama – a exemplo de seus amigos – é interpretado por
um ator novato e desconhecido do grande público.
Está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
ACPM1001/01-ProvaEscolaridade-ParteI-manhã 14
15 ACPM1001/01-ProvaEscolaridade-ParteI-manhã
INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números 56. Leia a charge.
53 a 55.

Cada um é suas ações, e não é outra coisa. Oh que grande


doutrina esta para o lugar em que estamos! Quando vos pergun-
tarem quem sois, não vades revolver o nobiliário* de vossos avós,
ide ver a matrícula** de vossas ações. O que fazeis, isso sois,
nada mais. Quando ao Batista lhe perguntaram quem era não
disse que se chamava João, nem que era filho de Zacarias; não
se definiu pelos pais, nem pelo apelido. Só de suas ações formou
a sua definição: Ego vox clamantis (Eu sou a voz que clama).
(Padre Antônio Vieira. Sermão da Terceira Dominga do Advento, 1655.)

* Nobiliário: livro ou registro das famílias nobres.


** Matrícula: rol.

53. O texto de Vieira exemplifica a prosa


O efeito de humor decorre
(A) renascentista, notadamente marcada pela ligação com
a religiosidade, como o comprova a referência a João (A) da confusão gerada pela expressão cheque especial, que
Batista. despertou a cobiça do assaltante.
(B) barroca, na sua vertente conceptista, marcada pelo jogo (B) da dissimulação do senhor, temendo ser assaltado, já que
de ideias na construção da argumentação, ilustrada pela o outro o interpelou armado.
passagem bíblica.
(C) da aceitação tácita do assalto pelo senhor, que preferiu
(C) neoclássica, marcada pelo uso de linguagem simples, em entregar o que tinha a pagar o cheque especial.
enunciados claros, enaltecendo-se os aspectos ligados à
religião. (D) do mal-entendido entre as falas dos personagens, que
compreendem de forma diferente o termo Isso.
(D) romântica, marcada pelo nacionalismo e a idealização
do ser humano, tendo a religião como fundamento das (E) da concordância de ideias, já que o assaltante também
relações humanas. acreditou que a alta do cheque especial era um assalto.

(E) realista, marcada por uma visão objetiva e racional,


definindo-se a necessidade de os homens explicarem a INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números
religião por meio da ciência. 57 a 60.

Entre julho e outubro de 1932, a Região Sudeste foi palco


54. De acordo com o texto, o valor de uma pessoa do maior conflito armado da história republicana brasileira. De
maneira geral, os livros didáticos reservam poucas linhas àquele
(A) pauta-se por aquilo que ela fala de si mesma.
episódio, mas, em 1997, o governo do estado de São Paulo decidiu
(B) depende de sua linhagem familiar. dedicar-lhe um feriado: o “Dia da Revolução Constitucionalista”.
Mas teria sido mesmo o anseio por uma Constituição o fator que
(C) é determinado por suas posses materiais. levou tantos homens a darem suas vidas nas trincheiras paulistas?
(D) tem relação imediata com família e dinheiro. E a vitória de São Paulo, que consequência traria?
Mário de Andrade, testemunha ocular da guerra, retratou
(E) está intrinsecamente ligado à sua conduta. nas páginas do Diário Nacional a pouca familiaridade de muitos
voluntários com a causa constitucionalista: “Na Rua das Palmei-
ras, três homens pobremente vestidos seguem num passo decidido.
55. Em 3.ª pessoa do singular, a frase – Quando vos perguntarem Dois carregam fardas e botinões de soldado. Um deles é rapaz
quem sois, não vades revolver o nobiliário de vossos avós, ide ainda. De repente, interrompe a parolagem, perguntando: ‘Mas o
ver a matrícula de vossas ações. – assume a seguinte redação: que é, direito, a Constituição?’Se percebe uma certa atrapalhação
(A) Quando o perguntarem quem és, não vás revolver o no- nos outros dois, o passo decidido em que vêm meio que tonteia”.
biliário de teus avós, vás ver a matrícula de tuas ações. (...)
Na epopeia épica Marco Zero, um dos personagens de Oswald
(B) Quando te perguntarem quem você é, não vai revolver o de Andrade exclama reveladoramente: “Adonde é a Casa do
nobiliário de seus avós, vai ver a matrícula de suas ações. Sordado? Eu me alistei por causo da boia”. A cultura política do
(C) Quando lhe perguntarem quem você é, não vá revolver o brasileiro médio não era suficientemente desenvolvida a ponto de
nobiliário de seus avós, vá ver a matrícula de suas ações. mobilizar tanta gente em torno da luta pela ordem constitucional.
(CartaCapital, 14.07.2010.)
(D) Quando lhe perguntarem quem você é, não vai revolver o
nobiliário de seus avós, vai ver a matrícula de suas ações.
(E) Quando perguntarem a você quem és, não vá revolver o
nobiliário de seus avós, vai ver a matrícula de suas ações.

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57. No primeiro parágrafo do texto, sugere-se que 61. A Marquesa de Alegros ficara viúva aos quarenta e três anos,
e passava a maior parte do ano retirada em sua quinta de
(A) almejar uma Constituição pode não ter sido o objetivo
Carcavelos. (...) As suas duas filhas, educadas no receio do
de muitos homens que participaram da Revolução Cons-
Céu e nas preocupações da Moda, eram beatas e faziam o
titucionalista.
chic falando com igual fervor da humildade cristã e do último
(B) definir um dia como feriado devido à Revolução Cons- figurino de Bruxelas. Um jornalista de então dissera delas:
titucionalista advém da sua importância enfatizada nos – Pensam todos os dias na toilette com que hão de entrar no
livros. Paraíso.
(C) haver pouco espaço para a discussão da Revolução Consti- (Eça de Queirós. O crime do padre Amaro.)
tucionalista nos livros não tira os méritos daqueles que nela O comentário do jornalista deve ser entendido por um viés
lutaram.
(D) defender a ordem constitucional implicou uma revolução (A) irônico, devido às ambiguidades flagradas na educação
para a qual São Paulo tinha plena condição de combate e nas preocupações das filhas da Marquesa.
e vitória.
(B) satírico, devido à preocupação doentia que as filhas
(E) mandar rapazes à guerra era algo que dava força ao mo- da Marquesa tinham em harmonizar a beatice com as
vimento, pois eles tinham plena consciência da ordem questões estéticas.
constitucional.
(C) pejorativo, devido às preocupações excessivas que a
Marquesa e suas filhas dispensavam à religião e à moda.
58. Analise as afirmações.
I. Em sua ficção, Mário de Andrade criou personagens pou- (D) cômico, devido ao apego excessivo à religião, o que evi-
co ligados à causa constitucionalista, o que decorre de suas dentemente afastava a Marquesa e suas filhas da moda.
existências pobres, tanto financeira como moralmente;
(E) psicológico, devido à oscilação entre o desejo das filhas
II. OswalddeAndradetraduzemseupersonagemficcional, cujo
da Marquesa de serem beatas, sem que se tornassem
registro é nitidamente da norma popular, o interesse subjetivo
chiques.
e imediato sobrepondo-se à causa constitucionalista;
III. São Paulo venceu todos os combates na Revolução Cons-
titucionalista. 62. Observe a imagem exposta no aeroporto de Brasília, em maio
Está correto o que se afirma em de 2010.

(A) I, apenas.
(B) II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

59. Em – De repente, interrompe a parolagem, perguntando... – o


termo parolagem significa
(A) confusão.
(B) marcha.
(C) contenda.
(D) balbúrdia.
(E) conversa.

60. Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho indicado


se mantém fiel ao sentido original.
(A) Mas teria sido mesmo o anseio por uma Constituição... = Em conformidade com a norma-padrão, a frase contida na
Mas teria sido o mesmo anseio por uma Constituição... foto deve ser assim redigida:

(B) Dois carregam fardas e botinões de soldado. = Dois (A) Parabéns Brasília, pelos seus 50 anos.
carregam fardas e botinões do soldado.
(B) Parabéns, Brasília pelos seus 50 anos.
(C) Um deles é rapaz ainda. = Um desses dois é rapaz ainda.
(D) Se percebe uma certa atrapalhação nos outros dois... = (C) Parabéns Brasília! pelos seus 50 anos.
Se percebe uma atrapalhação certa nos outros dois...
(D) Parabéns! Brasília! pelos seus 50 anos.
(E) “... o passo decidido em que vêm meio que tonteia”. =
“... o passo em que vêm meio que tonteia decidido”. (E) Parabéns, Brasília, pelos seus 50 anos.
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INSTRUÇÃO: As questões de números 63 e 64 baseiam-se nos textos 65. Leia o trecho do texto publicado na Folha de S.Paulo, em
a seguir. 22.07.2010.
Semanas atrás, a Folha noticiou a proposta de criar-se
TEXTO I, de Luís Vaz de Camões uma agência especial para pesquisar os supostos efeitos me-
dicinais da maconha, patrocinada pela Secretaria Nacional
Os bons vi sempre passar
Antidrogas do governo federal.
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar, Esse debate nos dias atuais, tal qual ocorreu com o
tabaco na década de 60, ilude sobretudo os adolescentes e
Os maus vi sempre nadar
aqueles que não seguem as evidências científicas sobre danos
Em mar de contentamentos.
causados pela maconha no indivíduo e na sociedade.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado, Na revisão científica feita por Robim Room e colabo-
radores (“Cannabis Policy”, Oxford University, 2010), fica
Fui mau, mas fui castigado.
claro que a maconha produz dependência, bronquite crônica,
Assim que, só para mim,
insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças car-
Anda o mundo concertado. diovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da
memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e, por
TEXTO II, de Leonardo Mota fim, um comprometimento do rendimento acadêmico ou pro-
fissional. Apesar disso, o senso comum é o de que a maconha
O mundo está de tal forma é “droga leve, natural, que não faz mal”.
Que ninguém pode entender: (Ronaldo Ramos Laranjeira e Ana Cecilia Petta Roselli Marques.)
Uns devem, porém não pagam,
Os autores do texto
Outros pagam sem dever.
(A) fizeram a revisão científica do uso medicinal da maconha.
63. A ideia comum aos dois textos é que (B) acreditam que a maconha seja uma droga leve e natural.
(A) os tormentos rondam o mundo. (C) põem em dúvida o uso da maconha na medicina.
(B) a justiça tarda, mas não falha. (D) creem que os jovens sabem usar maconha com cons-
ciência.
(C) os maus são castigados.
(E) mostram que o senso comum corrobora os estudos de
(D) o mundo está desconcertado.
Robim Room.
(E) o mundo é injusto com poucos.
INSTRUÇÃO: O texto a seguir é base para as questões de números
64. Considerando as relações entre as palavras nas frases, os dois 66 a 68.
últimos versos do Texto I, sem prejuízo à correção gramatical
e ao sentido, podem ser reescritos da seguinte forma: Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o
perfil dessa estátua de moça.
(A) Assim que só o mundo anda concertado para mim. Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados,
que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma de-
(B) Assim que o mundo anda concertado só para mim. licadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com
firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos.
(C) Assim que o mundo, anda só concertado para mim.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor
(D) Assim que o mundo só anda, concertado para mim. das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do
sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência* juvenil,
(E) Assim que, o mundo anda concertado, para mim só. e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha** de
róseo matiz. A dela era assim.
Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema
cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa
um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra.
Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela se
preparava para sua celeste ascensão.
(José de Alencar, Diva.)

* Pubescência: puberdade.
** Escumilha: borda sobre escumilha (tecido).

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66. Sobre o texto, afirma-se que 70. Leia os versos de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando
I. apresenta a mulher, objeto de adoração, idealizada e Pessoa.
descrita de forma inacessível, como sugerem os termos: Quando, Lídia, vier o nosso Outono
puro, altivez, rainha, anjo, sublime, excelso, ascensão;
Com o Inverno que há nele, reservemos
II. critica os costumes da sociedade da época, a exemplo da
Um pensamento, não para a futura
maioria dos romances românticos do século XIX;
Primavera, que é de outrem,
III. se vale de uma linguagem simples e popular, o que era
comum aos escritores do momento literário a que Alencar Nem para o estio, de quem somos mortos,
pertenceu. Senão para o que fica do que passa –
Está correto o contido em O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(A) I, apenas.
Nesses versos, as estações do ano constituem metáforas pelas
(B) III, apenas.
quais o eu lírico
(C) I e II, apenas.
(A) analisa o que viveu e lamenta que, então na velhice, não
(D) II e III, apenas. possa aproveitar a vida como na juventude.
(E) I, II e III. (B) lamenta a inevitável chegada da velhice, sugerindo que
preferia estar ainda vivendo a juventude.
67. Sobre a perspectiva de descrição da personagem, é correto (C) se mostra amedrontado com a iminente chegada da ve-
afirmar que o narrador tem um enfoque lhice que virá acompanhada pela morte.
(A) imparcial, o que pode ser constatado pela linguagem (D) revela viver intensamente o presente, sem mostrar
precisa, racional e isenta de juízos de valor. preocupações com a inexorabilidade da morte.
(B) objetivo e imparcial, ainda que, em algumas passagens, (E) reconhece a fugacidade do tempo, deixando implícita a
enalteça traços da personalidade da moça. necessidade de se aproveitar o momento presente.
(C) duplo, já que alude a aspectos comportamentais e psico-
lógicos tanto em 1.ª quanto em 3.ª pessoa.
(D) subjetivo, flagrante pela seleção vocabular, apesar de o ...
texto ser elaborado em 3.ª pessoa.
(E) parcial, marcado pelas impressões pessoais, que se evi-
denciam pelo emprego da 1.ª pessoa.

68. Assinale a alternativa em que o pronome em destaque expressa


valor de possessividade.
(A) ... que ela se preparava para sua celeste ascensão.
(B) Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte...
(C) ... e um sangue puro a escumilha...
(D) ... esculpiam-se os contornos mais graciosos...
(E) Tinha um desses talhes flexíveis...

69. Assinale a alternativa em que os termos preenchem correta-


mente as lacunas do texto:
A Lei da Ficha Limpa é uma prova da evolução do
processo democrático no país. As coisas estão andando na
direção correta e numa velocidade até razoável.
O movimento contra a corrupção tomou corpo. A Lei da
Ficha Limpa teve o apoio de 1,6 de assinaturas.
Ayres Britto, chamado de ingênuo quatro anos,
ontem comemorava: “Como disse Victor Hugo, ‘não há
nada mais poderoso do que a força de uma ideia
tempo chegou’”.
(Folha de S.Paulo, 12.06.2010. Adaptado.)

(A) milhão ... há ... cujo


(B) milhões ... a ... que o
(C) milhão ... fazem ... de que o
(D) milhões ... faz ... que o
(E) milhão ... à ... cujo o

19 ACPM1001/01-ProvaEscolaridade-ParteI-manhã
INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números INSTRUÇÃO: Leia o poema para responder às questões de números
41 a 43. 44 a 48.

Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a mor- Mãos dadas


te dos livros e do hábito de ler. O avanço do cinema, da televi-
são, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Bra- Não serei o poeta de um mundo caduco.
sil da virada do século XX para o XXI, o vaticínio até parecia Também não cantarei o mundo futuro.
razoável: o sistema de ensino em franco declínio e sua tradição Estou preso à vida e olho meus companheiros.
de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
à instrução como valor fundamental e até dados muito práticos,
Entre eles, considero a enorme realidade.
como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o alto preço
dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ain- O presente é tão grande, não nos afastemos.
da) para que o contingente de brasileiros dados aos livros min- Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
guasse de maneira irremediável. Contra todas as expectativas,
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
porém, vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
país – movida, sim, por sucessos globais como as séries Harry
Potter, Crepúsculo e Percy Jackson. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
(Veja, 18.05.2011. Adaptado.)
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
41 (Carlos Drummond de Andrade. Obra completa.)
A palavra vaticínio foi empregada no texto com o sentido de
“previsão”, mas, em sentido próprio, significa
44
(A) julgamento. Analise as afirmações, referentes ao eu lírico que se manifesta
no poema.
(B) estatística.
I. Declara que no convívio social a realidade se revela nítida e
(C) profecia. inexorável.
II. Almeja alcançar o lirismo contemplativo.
(D) diagnóstico.
III. Nega-se a viver num escapismo romântico e num pessimis-
(E) declaração. mo decadentista.
IV. Conclama seus parceiros a enfrentarem a vida de forma unida.
42 Está correto apenas o que se afirma em
A função argumentativa do advérbio sim, no trecho ...movida, (A) I e IV.
sim, por sucessos globais... é a de
(B) II e III.
(A) confirmar as expectativas mencionadas anteriormente.
(C) I, II e III.
(B) introduzir uma ressalva, tendo em vista o tipo de obra citado
em seguida. (D) I, III e IV.
(C) permitir que se encerre o texto com uma exemplificação. (E) II e IV.

(D) exaltar a qualidade dos títulos preferidos dos leitores brasi-


leiros. 45
(E) servir como pausa, para que o autor possa citar títulos de Depreende-se da leitura do poema que
filmes.
(A) a realidade é insatisfatória, mas existe perspectiva de
melhora.
43
(B) o mundo está caduco, por isso é inútil discorrer sobre ele.
O conectivo porém estabelece, entre o último período do texto e
as informações precedentes, uma relação de (C) a mulher e a história não constituem assunto para poetas
sérios.
(A) ratificação.
(D) as drogas e o suicídio, por questões morais, não devem ser
(B) conclusão. tema de poesia.
(C) síntese. (E) a solidariedade no mundo de hoje é ilusória e está fadada ao
fracasso.
(D) causa.

(E) oposição.

15 PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI
46 INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números
Para o desenvolvimento formal do poema, contribui, de modo 49 a 51.
especial,
O Brasil na fossa
(A) o uso de frases nominais.
O Imperador dom Pedro II iniciou a construção de esgotos
(B) o emprego de rimas internas. no Brasil em 1857. Só a inglesa Londres e a alemã Hamburgo
dispunham, então, de sistemas de coleta de dejetos. O Rio de
(C) a utilização de elipses verbais. Janeiro, a capital imperial, tornou-se a terceira cidade do mun-
do a investir nessa infraestrutura. O pioneirismo nacional no
(D) a repetição de estruturas. quesito saneamento terminou aí. Mais de 150 anos depois, 45%
dos domicílios brasileiros ainda permanecem desconectados
(E) a inversão dos termos da oração. do sistema de escoamento. Nesses lares, 90 milhões de pessoas
usam fossas sépticas ou, pior, despejam seus excrementos em
valas a céu aberto ou diretamente nos rios e no mar.
47 (Veja, 25.05.2011.)
A exortação contida no verso Não nos afastemos muito, vamos
de mãos dadas também estaria expressa de maneira coerente e
gramaticalmente correta na seguinte frase: 49
A estratégia usada pelo redator para atrair a atenção do leitor foi
(A) Não se afastem muito, vades de mãos dadas. dar ao texto um título
(B) Não vos afastes muito, vás de mãos dadas. (A) contraditório, opondo na fossa (negativo) a fossas sépticas
(positivo).
(C) Não vos afasteis muito, ide de mãos dadas.
(B) enigmático, usando uma frase nominal, o que é incomum na
linguagem jornalística.
(D) Não se afastais muito, vais de mãos dadas.
(C) crítico, apesar de o texto conter pelo menos dois elogios ao
(E) Não se afastam muito, vão de mãos dadas. Brasil.
(D) cômico, baseado na comparação entre a capital imperial e
48 duas cidades europeias.

Esse poema pertence ao livro Sentimento do mundo, que ilus- (E) ambíguo, tendo em vista os sentidos denotativo e conotativo
tra bem uma geração de poetas, da qual também fizeram parte da expressão na fossa.
Vinícius de Moraes e Murilo Mendes, que se caracterizou, prin-
cipalmente, por ter
50
(A) aberto o caminho para que a Semana de Arte Moderna pu- Considerado o contexto, o advérbio então pode ser substituído,
desse ter ocorrido. sem prejuízo para o sentido, pela expressão

(B) rompido, na década de 1920, com os modelos da poesia par- (A) nesse caso.
nasiana e simbolista. (B) naquela época.

(C) optado por uma linguagem regional, capaz de traduzir (C) nesses lugares.
assuntos locais, em detrimento dos temas universais. (D) consequentemente.
(D) mantido, a partir de 1930, as conquistas da década anterior, (E) realmente.
porém, de forma menos demolidora.

(E) rompido, a partir de 1950, com as teses defendidas pelos 51


primeiros modernistas. Reproduz-se uma informação do texto de modo correto e coe-
rente em:
(A) A construção, no Brasil, de esgotos foram iniciados por dom
Pedro o imperador.
(B) As cidades que disporam de coleta de dejetos antes que o
Brasil fizesse foi Londres e Hamburgo.
(C) A primeira cidade a investir em sistema de coleta de esgoto,
depois de Londres e Hamburgo, foi o Rio de Janeiro.
(D) A conexão com o sistema de esgotos foi feito, em muitos
lares, através de fossas sépticas.
(E) A nível de esgoto, constitui ainda uma solução para milhões
de pessoas as chamadas valas a céu aberto.
PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI 16
INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números INSTRUÇÃO: Para responder às questões de números 55 a 57, leia
52 a 54. a estrofe, que faz parte de um poema de Camões.

Meu benzinho adorado (...) eu te peço por tudo o que há de O prado, as flores brancas e vermelhas
mais sagrado que você me escreva uma cartinha sim dizendo Está suavemente apresentando;
como é que você vai que eu não sei eu ando tão zaranza por As doces e solícitas abelhas,
causa do teu abandono eu choro e um dia pego tomo um porre Com um brando sussurro vão voando;
danado que você vai ver e aí nunca mais mesmo que você me
As mansas e pacíficas ovelhas,
quer e sabe o que eu faço eu vou-me embora para sempre e nun-
ca mais vejo esse rosto lindo que eu adoro porque você é toda Do comer esquecidas, inclinando
a minha vida e eu só escrevo por tua causa ingrata (...) do teu As cabeças estão ao som divino
definitivo e sempre amigo... Que faz, passando, o Tejo cristalino.
(Vinícius de Moraes. Antologia poética, 1981.) (Luís Vaz de Camões. Obra completa, 1988.)

52 55
Os procedimentos adotados na construção desse texto têm por A estrofe exemplifica a lírica clássica portuguesa, na qual
finalidade
(A) o mundo das realizações humanas é narrado em sua dimen-
(A) simular o tom espontâneo da língua falada, para tornar mais são ideal e grandiosa.
autêntica uma declaração de amor. (B) a natureza, pelo seu equilíbrio, deve servir como modelo
(B) imitar o português mal escrito, para expressar a submissão para o homem.
do emissor diante de sua amada. (C) o espaço natural mimetiza o conflito amoroso do poeta,
através das cantigas.
(C) contestar, por meio de uma falsa carta de amor, as normas
gramaticais da língua culta. (D) o extravasamento dos sentimentos supera, de modo exacer-
bado, o domínio da razão.
(D) expressar um sentimento que é tão sem sentido quanto a
linguagem utilizada para traduzi-lo. (E) a descrição da natureza e de tudo que lhe diz respeito é feita
de modo objetivo.
(E) ironizar as pessoas que escrevem de modo incompreensível
por desconhecimento da gramática.
56

53 Considere as seguintes explicações para o recurso da inversão


que ocorre no texto:
O substantivo porre pertence à variante popular da língua, assim I. É uma característica do Classicismo renascentista que resulta
como, tendo em vista o contexto, a forma verbal da tentativa de imitar a sintaxe do Latim clássico.
(A) peço. II. Prende-se à necessidade de preservar as rimas, revelando
uma preocupação com a perfeição formal.
(B) choro. III. Contribui de maneira decisiva para se alcançar a pretendida
regularidade rítmica.
(C) pego.
Está correto o que se afirma em
(D) faço.
(A) I, apenas.
(E) vejo.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
54
A correta pontuação de uma das frases do texto é: (D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
(A) Meu benzinho adorado, eu te peço, por tudo o que há de
mais sagrado, que você me escreva uma cartinha.

(B) Sim dizendo, como é que você vai? Que, eu não sei, eu ando 57
tão zaranza por causa do teu abandono. Um caso de posposição do sujeito em relação ao verbo ocorre
no verso
(C) Eu choro e um dia, pego: tomo um porre danado que você
vai ver e aí, nunca mais, mesmo que você me quer. (A) 1.

(D) Sabe o que eu faço? Eu vou-me embora, para sempre e nun- (B) 3.
ca mais, vejo esse rosto lindo, que eu adoro!
(C) 5.
(E) Você é toda a minha vida e eu, só escrevo por tua causa (D) 7.
ingrata.
(E) 8.

17 PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI
INSTRUÇÃO: Leia o texto, extraído de uma entrevista concedida a 60
Clarice Lispector por Lygia Fagundes Telles, para responder às O pronome relativo que exerce a função de objeto direto, e não
questões de números 58 a 60. de sujeito, apenas no trecho
– Como nasce um conto? Um romance? Qual é a raiz (A) que ouço com frequência (linha 3).
de um texto seu? (B) que nada tem de simples (linha 4).
– São perguntas que ouço com frequência. Procuro
então simplificar essa matéria que nada tem de simples. (C) que não pode ser esclarecido (linha 8).
5 Lembro que algumas ideias podem nascer de uma simples (D) que avança e recua no espaço (linha 13).
imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. A ideia
do enredo pode ainda se originar de um sonho. Tentativa (E) que não exclui a disciplina (linha 14).
vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode
ser esclarecido no ato da criação. A gente exagera (...) no INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder às questões de números
10 fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Misté- 61 a 66.
rio. O artista é um visionário. Um vidente. Tem passe livre
no tempo que ele percorre de alto a baixo em seu trapézio Inocência não aparecia.
voador que avança e recua no espaço: tanta luta, tanto em- Mal saía do quarto, pretextando recaída de sezões: entre-
penho que não exclui a disciplina. A paciência. A vontade tanto, não era seu corpo o doente, não; a sua alma, sim, essa
15 do escritor de se comunicar com o seu próximo, de seduzir sofria morte e paixão; e amargas lágrimas, sobretudo à noite,
esse público que olha e julga. Vontade de ser amado. De lhe inundavam o rosto.
permanecer. Nesse jogo ele acaba por arriscar tudo. Vale o
– Meu Deus, exclamava ela, que será de mim? Nossa Se-
risco? Vale se a vontade for cumprida com amor, é preciso
nhora da Guia me socorra. Que pode fazer uma infeliz rapariga
se apaixonar pelo ofício, ser feliz nesse ofício. Se em outros
dos sertões contra tanta desgraça? Eu vivia tão sossegada neste
20 aspectos as coisas falham (tantas falham) que ao menos fi-
retiro, amparada por meu pai... que agora tanto medo me mete...
que a alegria de criar.
Deus do céu, piedade, piedade.
(Clarice Lispector. Entrevistas, 2007.)
E de joelhos, diante do tosco oratório alumiado por esguias
velas de cera, orava com fervor, balbuciando as preces que cos-
tumava recitar antes de se deitar.
58 Uma noite, disse ela:
A pergunta feita pela entrevistadora liga-se a um aspecto da cria- – Quisera uma reza que me enchesse mais o coração... que
ção literária que pode ser expresso pela palavra mais me aliviasse o peso da agonia de hoje...
E, como levada de inspiração, prostrou-se murmurando:
(A) gratuidade. – Minha Nossa Senhora mãe da Virgem que nunca pecou,
ide adiante de Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim... que não
(B) perfeição. me deixe assim nesta dor cá dentro tão cruel. Estendei a vossa
mão sobre mim. Se é crime amar a Cirino, mandai-me a morte.
(C) efemeridade. Que culpa tenho eu do que me sucede? Rezei tanto, para não
gostar deste homem! Tudo... tudo... foi inútil! Por que então este
(D) gênese.
suplício de todos os momentos? Nem sequer tem alívio no sono?
(E) perenidade. Sempre ele... ele! (...)
Quando a lembrança de Cirino se lhe apresentava mais viva,
estorcia-se de desespero. A paixão punha-lhe o peito em fogo...
(Visconde de Taunay, Inocência.)
59
Ao usar a expressão trapézio voador para representar o ofício de 61
escritor, a entrevistada lança mão de uma figura de linguagem Sobre o texto, afirma-se:
denominada
I. A protagonista apresenta características românticas, tais
(A) personificação. como a religiosidade e a disposição para o sacrifício em
nome do amor.
(B) antítese. II. A personagem principal não consegue realizar suas aspira-
ções, tendo em vista que está submetida a um ambiente de
(C) metáfora. estrutura conservadora e patriarcalista.
III. O narrador incorpora, em seu discurso, a linguagem colo-
(D) eufemismo.
quial com que as personagens se comunicam.
(E) metonímia. Está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI 18
62 66
O pretexto que Inocência usa para não sair de seu quarto é um O verbo no tempo mais-que-perfeito do indicativo pode ser em-
problema de ordem pregado em frases optativas, isto é, que exprimem desejo. É o
que ocorre no trecho do texto:
(A) moral.
(A) essa sofria morte e paixão.
(B) familiar.
(B) Meu Deus, exclamava ela.
(C) religiosa.
(C) Quisera uma reza.
(D) física.
(D) que me enchesse mais o coração.
(E) psicológica.
(E) A paixão punha-lhe o peito em fogo.

63
O trecho do texto onde o pronome oblíquo sublinhado tem sen- INSTRUÇÃO: Leia o poema e responda às questões de números
tido de posse é: 67 a 70.

(A) e amargas lágrimas (...) lhe inundavam o rosto. Tecendo a Manhã


(B) Nossa Senhora da Guia me socorra. Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
(C) que agora tanto medo me mete.
De um que apanhe esse grito que ele
(D) Pedi-lhe que tenha pena de mim. e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
(E) estorcia-se de desespero. e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
64
para que a manhã, desde uma teia tênue,
No trecho Mal saía do quarto, pretextando recaída de sezões, o se vá tecendo, entre todos os galos.
advérbio mal foi empregado na mesma acepção que na seguinte
frase: E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
(A) Mal chegou da viagem de férias, teve de trabalhar.
se entretendendo* para todos, no toldo
(B) Como não queria parecer indiscreto, mal tocou no assunto. (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
(C) A palavra “literalmente” costuma ser mal empregada por que, tecido, se eleva por si: luz balão.
muita gente.
(João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra.)

(D) Estão caminhando mal as reformas políticas no Brasil. * neologismo criado pelo autor, por meio da junção de “entre” + “entender”.

(E) Mal refeito da gripe, entrou em campo debilitado.


67

65 Analise as afirmações:
I. O poema caracteriza-se por ser fortemente orientado, em sua
Na primeira vez em que se dirige a Nossa Senhora, a protagonis- estruturação interna, pelo fenômeno linguístico da coesão.
ta usa um tratamento e, na segunda, outro. Uma das explicações
II. A repetição sonora, principalmente a aliteração, contribui
é que, na segunda vez, ela
decisivamente para sugerir a ideia de entrelaçamento pre-
(A) usou verbos que devem ser conjugados de modo diferente sente no poema.
do verbo empregado em sua primeira fala. III. O desenvolvimento do poema se faz num crescendo, simbo-
lizando o processo da “construção” da manhã.
(B) encontrava-se agoniada, devido ao momento por que estava
Está correto o que se afirma em
passando, por isso empregou mal os verbos.
(A) I, apenas.
(C) estava repetindo uma oração que devia saber de cor, já que
era muito religiosa. (B) II, apenas.
(D) intercalou em sua oração flexões verbais típicas da lingua- (C) I e II, apenas.
gem regional.
(D) II e III, apenas.
(E) pretendeu tornar seu pedido mais convincente, dando-lhe
um tom mais solene e respeitoso. (E) I, II e III.

19 PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI
68
A locução verbal vá tecendo e os gerúndios subsequentes encor-
pando, erguendo, entretendendo indicam uma ação durativa que

(A) ocorre simultaneamente ao momento da enunciação.

(B) se realiza de maneira progressiva.

(C) transcorre de maneira intermitente, isto é, com intervalos.

(D) se desenvolve em direção ao ponto em que se encontra o


leitor.

(E) expressa uma hipótese impossível de se realizar.

69
O recurso da sinestesia (associação de palavras ou expressões
em que ocorre combinação de sensações diferentes numa só im-
pressão) pode ser identificado, de maneira mais evidente, na se-
guinte expressão:

(A) os fios de sol de seus gritos.

(B) uma teia tênue.

(C) se encorpando em tela.

(D) se erguendo tenda.

(E) toldo de um tecido tão aéreo.

70
Os recursos expressivos utilizados no poema podem ser interpre-
tados como uma metáfora da

(A) incapacidade humana de apreciar os encantos da natureza.

(B) simplicidade da vida no campo, em oposição à agitação


urbana.

(C) importância da preservação dos costumes tradicionais.

(D) competição que move as ações humanas ao longo da história.

(E) conjunção de forças visando a um mesmo propósito.

PMES1102/001-ProvaEscrita-ParteI 20
Leia o texto para responder às questões de números 31 a 36.

Os seres humanos não podem viver sem ficções – menti-


ras que parecem verdades e verdades que parecem mentiras. E,
graças a essa necessidade, existem criações maravilhosas como
as belas artes e a literatura, que tornam mais suportável a vida
das pessoas. Mas há as ficções benignas, como as que saíram
dos pincéis de um Goya ou da pena de um Cervantes, e aquelas
malignas, que negam sua natureza subjetiva, ideal e irreal e se
apresentam como descrições objetivas, científicas da realidade.
Mais recentemente, tivemos muitas oportunidades de ver os
efeitos perniciosos das ficções malignas, disseminadas por al-
guns gurus, que dizem respeito principalmente à economia como
um todo. A mais recente é a de Paul Krugman que, em sua coluna
no New York Times, anunciou o próximo “corralito” na econo-
mia espanhola, o que por acaso contribuiu para acelerar a fuga
de capitais da Espanha e deve ter deixado estupefatos muitos dos
seus admiradores que ainda não tinham percebido que também
os ganhadores do Nobel de Economia, quando se transformam
em ícones da mídia, às vezes dizem bobagens.
(Mario Vargas Llosa, “As ficções malignas”. O Estado de S.Paulo, 27.05.2012)

31
No trecho – A mais recente é a de Paul Krugman... –, o artigo a
(A) acompanha e define gênero e número do termo recente.
(B) acompanha o advérbio mais e lhe define o gênero.
(C) determina o gênero da expressão coluna no New York Times.
(D) determina a intensidade do advérbio mais.
(E) determina o gênero de uma expressão elíptica: criação fic-
cional maligna.

32
No trecho – A mais recente é a de Paul Krugman que, em sua
coluna no New York times, anunciou o próximo “corralito”... –,
o termo que relaciona-se a
(A) A mais recente, e é objeto direto do verbo ser.
(B) Paul Krugman, e é sujeito do verbo anunciou.
(C) o próximo corralito, e é sujeito do verbo anunciou.
(D) em sua coluna do New York Times, e é seu complemento.
(E) anunciou, e é seu sujeito.

33
No trecho – ... quando se transformam em ícones da mídia... –,
a expressão que substitui a destacada, causando prejuízo de sen-
tido, é
(A) no momento em que
(B) depois que
(C) logo que
(D) enquanto que
(E) assim que

PMES1203/001-AlunoOficial-PM-manhã 12
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34 Leia o texto para responder às questões de números 37 a 40.
Analise as afirmações sobre o texto.
Lamento do oficial por seu cavalo morto
I. Aponta recente coluna de Krugman como exemplo do que
denominou “peça ficcional benigna”. (Cecília Meireles)

II. Constrói uma explicação depreciativa para o destempero Nós merecemos a morte,
verbal do economista. porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos,
III. Manifesta certa condescendência para com o economista, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra,
pelo fato de este já haver merecido um prêmio Nobel. por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens
Segundo afirmações do autor sobre o texto, está correto o con- que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.
tido em
Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,
(A) I, II e III. os cálculos do gesto,
embora sabendo que somos irmãos.
(B) I e III, apenas.
Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados
(C) II, apenas. de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!
Que delírio sem Deus, nossa imaginação!
(D) II e III, apenas.
E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada,
(E) III, apenas. recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno,
ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração.
Animal encantado – melhor que nós todos!
– que tinhas tu com este mundo
35 dos homens?
Quanto às “ficções benignas”, a ideia que está por detrás do jogo
de palavras – ... mentiras que parecem verdades e verdades que Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada
parecem mentiras... –, é a de criações de situações em carne e sonho, que os teus olhos decifravam...
Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos...
(A) improváveis, sem qualquer contato com a realidade. Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!
(B) reconhecíveis, embora revestidas de aparência fantasiosa. (In: Mar Absoluto e outros poemas: Retrato Natural.
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983)
(C) enganosas, mas com final feliz e satisfatório aos desejos hu-
manos.
37
(D) baseadas em mentiras, mas que recuperam considerável va- Depreende-se do poema que, numa batalha,
lor moral em seu final.
(A) o oficial foi traído pela falência física de seu cavalo.
(E) que, apesar de trazerem entretenimento, têm como funda-
mento o enganar. (B) o cavalo batalhara até a exaustão.

(C) mesmo a tecnologia de guerra não dispensa a cavalaria.

36 (D) o animal morto pereceu em batalha, atingido por um ser hu-


mano.
Em – Mas há as ficções benignas, como as que saíram dos pin-
céis de um Goya ou da pena de um Cervantes... –, a figura de (E) a infantaria superou a cavalaria.
linguagem empregada no termo destacado é

(A) metonímia.
38
(B) ambiguidade.
O lamento do oficial pela morte do cavalo
(C) antítese.
(A) mostra seu arrependimento por maldades impingidas na
(D) anáfora. guerra.

(E) hipérbole. (B) figura como um castigo por suas ações destrutivas.

(C) manifesta sua incompreensão da natureza animal.

(D) expressa seu repúdio ao aprisionamento e submissão de


animais.

(E) mescla-se com um desgosto pelas incoerências da natureza


humana.

13 PMES1203/001-AlunoOficial-PM-manhã
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39 42
Em – (…) Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, / Os verbos que se apresentam no modo imperativo, no poema,
ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. –, há uma oposição também estariam expressos de acordo com a norma padrão na
entre os corações dos dois seres relacionados no poema – cavalo seguinte frase:
e soldado – que pode ser expressa, correta e respectivamente,
pelo par (A) Não tocais na lira, minha musa: assoprais no clarim e en-
cheis de assombro a terra!
(A) ignorante e paciente.
(B) intolerante e passivo. (B) Não toque na lira, minha musa: assoprai no clarim e encheis
de assombro a terra!
(C) indigno e inconformado.
(C) Não toqueis na lira, minha musa: assopras no clarim e en-
(D) inocente e indigno.
ches de assombro a terra!
(E) inofensivo e resignado.
(D) Não toqueis na lira, minha musa: assoprai no clarim e en-
chei de assombro a terra!
40
Sobre a primeira estrofe, pode-se afirmar que (E) Não tocais na lira, minha musa: assopres no clarim e enches
de assombro a terra!
(A) os períodos que estão na voz ativa trazem o maior impacto
quanto à ideia de “gerar a guerra”.
(B) na oração com voz passiva, o sujeito paciente é a morte.
43
(C) vários agentes da passiva se alternam, agravando as ações
de guerra. O emprego de crase em – às almas – se justifica por se tratar de
expressão em que há artigo feminino, relacionada ao verbo
(D) os sujeitos das orações referem-se sempre ao mesmo grupo
de seres. (A) “tocar”, transitivo indireto.
(E) o emprego da voz reflexiva é causador da reflexão proposta.
(B) “inspirar”, transitivo direto e indireto.

(C) “soar”, intransitivo.


Leia o texto para responder às questões de números 41 a 44.
(D) “assoprar”, transitivo direto.
Lira XI
(E) “encher”, transitivo direto.
Não toques, minha musa, não, não toques
Na sonorosa lira,
Que às almas, como a minha, namoradas
Doces canções inspira: 44
Assopra no clarim que apenas soa, A expressão sinônima de – a cujo som cantou Homero – é
Enche de assombro a terra!
Naquele, a cujo som cantou Homero, (A) Homero cantou para o som de
Cantou Virgílio a guerra.
(B) Homero cantou sobre o som de
(Tomás Antonio Gonzaga, Marília de Dirceu.
Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, s/d) (C) Homero cantou ao som de

41 (D) Homero cantou do som de

Nesse trecho de Marília de Dirceu, (E) Homero cantou pelo som de


I. a situação idílica está apenas sugerida;
II. destaca-se uma das principais características temáticas do
Arcadismo: o carpe diem;
III. são identificáveis elementos clássicos, tais como as menções
à musa, a Homero e a Virgílio;
IV. o eu lírico pede à musa que soe instrumento que incite à
guerra e não ao amor.
Está correto apenas o que se afirma em
(A) I, III e IV.
(B) I e IV.
(C) II e III.
(D) I, II e III
(E) II e IV.
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Leia o texto para responder às questões de números 45 a 50. 47
As ações da heroína, no momento em que vai dar a Fernando
Eram dez horas da noite. Aurélia, que se havia retirado acesso ao aposento da reunião, demonstram que ela
mais cedo da saleta, trocando com o marido um olhar de inteli-
gência, estava nesse momento em seu toucador, sentada em fren- (A) manifestava desinteresse pela conversa.
te à elegante escrivaninha de araribá cor-de-rosa, com relevos de
bronze dourado a fogo. (B) estava no comando da situação.
A moça trazia nessa ocasião o mesmo roupão de cetim ver-
de cerrado à cintura por um cordão de fios de ouro da noite do (C) estava certa de que ele não atenderia a seu chamado.
casamento, e que desde então ela nunca mais usara. Lembrara-se
(D) estava à mercê das exigências do marido.
de vesti-lo de novo, nessa hora na qual a crer em seus pressenti-
mentos iam decidir-se afinal o seu destino, e a sua vida. (E) previa resistência por parte do marido.
A moça reclinara a fronte sobre a sua mão direita. Estava
absorta em uma profunda cisma, da qual a arrancou o tímpano
da pêndula soando as horas.
48
Ergueu-se então, e tirou da gaveta uma chave, atravessou a
câmara nupcial, e abriu afoitamente aquela porta que havia fe- A expressão – ... trocando com o marido um olhar de inteligên-
chado onze meses antes, num ímpeto de indignação e horror. cia... – significa que
Empurrando a porta com estrépito de modo a ser ouvida no
(A) marido e mulher atribuíam um ao outro a qualidade da inte-
outro aposento, e prendendo o reposteiro para deixar franca a
ligência no olhar.
passagem, voltou rapidamente, depois de proferir estas palavras:
– Quando quiser! (B) marido e mulher trocavam olhares raivosos.
Fernando, ao penetrar nessa câmara nupcial, esqueceu um
momento a pungente recordação que ela devia avivar, e que pa- (C) marido e mulher confirmavam um acordo por meio do gesto.
recia ter-se apagado com a escuridão. O que ele sentiu foi a fra-
grância que ali recendia, e que o envolveu como a atmosfera de (D) marido e mulher olhavam para a situação de modo inteli-
um céu do qual ele era o anjo decaído. gente.
(José de Alencar, Senhora, São Paulo: Ática, 2000. Adaptado) (E) Aurélia julgava-se superior ao marido em inteligência.

45
Sobre o texto, pode-se afirmar que 49
A oração adaptada em que há inversão do sujeito é
I. o recurso da adjetivação foi empregado de modo a contribuir
na construção de certo suspense; (A) Da profunda cisma a arrancou o tímpano da pêndula.
II. a heroína figura com características tipicamente românticas,
tais como fragilidade, insegurança, ingenuidade; (B) A moça estava absorta em uma profunda cisma.
III. a tensão existente entre as personagens é perceptível e gira
em torno de uma disputa matrimonial. (C) Eram dez horas da noite.

Está correto o que se afirma apenas em (D) O roupão era o mesmo da noite do casamento.
(A) III. (E) Empurrando a porta com estrépito de modo a ser ouvida.
(B) I.
(C) II e III. 50
(D) I e III. Sobre o trecho – Ergueu-se então, e tirou da gaveta uma chave,
atravessou a câmara nupcial, e abriu afoitamente aquela por-
(E) I e II. ta... –, é possível afirmar que

(A) a predominância de orações subordinadas favorece o enca-


46 deamento das ações.
Em – Fernando, ao penetrar nessa câmara nupcial, esqueceu
um momento a pungente recordação... –, a expressão destacada (B) a composição de períodos coordenados e subordinados traz
é antônima a inconclusão às ações.

(A) cruciante. (C) a ocorrência de apenas uma oração coordenada gerou o efei-
to de uma pausa sensível entre as ações.
(B) comovente.
(D) o excesso de subordinações imprime certa prorrogação das
(C) cáustica.
ações.
(D) aguda.
(E) a predominância de orações coordenadas imprime nitidez às
(E) superficial. ações do trecho.

15 PMES1203/001-AlunoOficial-PM-manhã
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Leia o texto para responder às questões de números 51 a 54. 54
Em – Não posso auxiliar a nossa polícia legal, porquanto desde
Tenho em grande conta a eficácia das medidas legislativas, muito que não vou a cinematógrafos... –, a conjunção destacada
administrativas e policiais que diretamente e indiretamente ten- pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por
dem a civilizar a sociedade. Estas reflexões tendem unicamente a
mostrar que a ação da polícia é sempre eficaz para a moralização (A) no entanto
dos costumes. (B) enquanto
Até agora ela não se tinha voltado para os cinemas.
(C) uma vez que
Não posso auxiliar a nossa polícia legal, porquanto desde
muito que não vou a cinematógrafos, mas todas essas fitas ame- (D) por conseguinte
ricanas são brutas histórias de raptos, com salteadores. Apesar (E) embora
disso tudo, é na assistência delas que nasce muito amor conde-
nado. O cadastro policial registra isso com muita fidelidade e
Leia o texto para responder às questões de números 55 a 57.
frequência. “Foi”, diz uma raptada, “no Cinema X que conheci
F. Ele me acompanhou, até.” Quero eu na maneira de um provençal
O amor, ao que parece, é como o mundo, nasce das trevas; e fazer agora um cantar de amor
o cinema não funciona à luz do sol, nem à da eletricidade, nem à e quererei muito aí louvar minha senhora,
da lua que, no velho romantismo das falecidas Elviras, Grazielas a quem boas qualidades e formosura não faltam,
e outras, lhe era tão favorável.
nem bondade, e ainda vos direi isto:
(Lima Barreto, “Amor, cinema e telefone”. Crônicas. Cia. das Letras) tanto a fez Deus perfeita de bem
que mais que todas as do mundo vale.
(Dom Diniz. In: Poesia e prosa medievais. Lisboa: Ulisseia, s/d)
51
Em – Apesar disso tudo –, é na assistência delas que nasce mui- 55
to amor condenado. –, a expressão destacada pode ser substituí- A alternativa em que todas as características referem-se ao poema é
da, sem prejuízo de sentido, por
(A) cantiga de amor, louvação da mulher amada, métrica irregular.
(A) Não obstante isso tudo (B) cantiga de amigo, proximidade entre os amantes, rimas al-
(B) Em detrimento disso tudo ternadas.
(C) cantiga trovadoresca, vassalagem amorosa, versos decassí-
(C) Conforme isso tudo
labos.
(D) De acordo com isso tudo
(D) cantiga de escárnio, coita de amor, redondilha menor.
(E) Por conseguinte a isso tudo (E) cantiga de amor cortês, vassalagem amorosa, redondilha
maior.

52 56
O verso que vincula o eu lírico à origem do trovadorismo é
Em relação à ação da polícia, a expressão que indica finalidade é
(A) tanto a fez Deus perfeita de bem
(A) unicamente (1.º parágrafo).
(B) e quererei muito aí louvar minha senhora,
(B) sempre eficaz (1.º parágrafo).
(C) fazer agora um cantar de amor
(C) diretamente (1.º parágrafo).
(D) a quem boas qualidades e formosura não faltam,
(D) para a moralização (1.º parágrafo).
(E) Quero eu na maneira de um provençal
(E) até agora (2.º parágrafo).
57
Sobre o amor cortês no Trovadorismo, afirma-se que era
53 I. um código amoroso composto de regras;
Na expressão – ... lhe era tão favorável. –, o pronome em desta- II. idealizado, e a dama constituía um ser inalcançável;
que indica que a luz da lua era favorável III. manifestado por um vassalo que submetia a dama a seus ca-
prichos.
(A) ao cinema
Está correto o que se afirma em
(B) ao amor
(A) I, apenas.
(C) às falecidas
(B) I e II, apenas.
(D) ao mundo
(C) II, apenas.
(E) à eletricidade (D) III, apenas.
(E) I, II e III.
PMES1203/001-AlunoOficial-PM-manhã 16
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31 33

Leia a tira. O eu-lírico deixa claro que

(A) dissemina traições e enganos.


Tontom, você Claro que É ler um livro
sabe o que sei! de novo!!
é uma (B) teme viver sem um amor.
releitura?

(C) sofre por não ser admirado.

(D) rechaça os falsos e bajuladores.


(Folha de S.Paulo, 23.04.2013)
(E) vive aflito com seu destino.
O efeito de humor da tira decorre do fato de que “ler um livro
de novo” não corresponde à ideia de releitura esperada como
resposta. A expressão “releitura” significa
34
(A) criação de uma obra.
No verso – Se sou pobre pastor, se não governo – a conjunção,
(B) ocultação de sentidos de uma obra.
que se repete, estabelece relação de
(C) reinterpretação de uma obra.
(A) condição.
(D) memorização da história de uma obra.
(B) concessão.
(E) negação dos sentidos de uma obra.
(C) finalidade.

Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder às (D) causa.


questões de números 32 a 35.
(E) proporção.

Se sou pobre pastor, se não governo


Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes 35
Passo o verão, outono, estio, inverno;
Considerando-se o contexto em que está inserido o verso – Nem
Nem por isso trocara o abrigo terno por isso trocara o abrigo terno –, a forma verbal destacada po-
Desta choça, em que vivo, coas enchentes deria ser substituída, sem prejuízo de sentido e em conformidade
Dessa grande fortuna: assaz presentes com a norma-padrão da língua portuguesa, por
Tenho as paixões desse tormento eterno.
Adorar as traições, amar o engano, (A) troquei.
Ouvir dos lastimosos o gemido, (B) trocava.
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;
Seja embora prazer; que a meu ouvido (C) trocasse.
Soa melhor a voz do desengano,
(D) troque.
Que da torpe lisonja o infame ruído.
(Biblioteca Virtual de Literatura. Em: www.biblio.com.br) (E) trocaria.

32
A característica árcade que norteia o estabelecimento de sentidos
no poema é:
(A) inutilia truncat, ou cortar o que seja inútil, propondo que
as paixões pessoais devem sobrepor-se às paixões coletivas.
(B) aurea mediocritas, ou equilíbrio do ouro, propondo que a
simplicidade deve sobrepor-se ao luxo e à ostentação.
(C) fugere urbem, ou fugir da cidade, propondo que a vida no
campo pode ser tão mais atrativa e rica que a do meio urbano.
(D) locus amoenus, ou lugar ameno/agradável, propondo que o
verdadeiro líder governa do campo, longe das atribulações.
(E) carpe diem, ou aproveitar o presente, propondo que os pra-
zeres mundanos devem ser explorados intensamente.

 PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã
Leia o texto para responder às questões de números 36 a 43. 37

Para o autor, “Surfaces and Essences” deveria ser uma obra mais
Fronteiras do pensamento
(A) completa.
SÃO PAULO – O livro é um catatau de quase 600 páginas
e traz só uma ideia. Ainda assim, “Surfaces and Essences” (su- (B) coerente.
perfícies e essências), do físico convertido em cientista cogniti-
vo Douglas Hofstadter e do psicólogo Emmanuel Sander, é uma (C) concisa.
obra importante. Os autores apresentam uma tese que é a um (D) acadêmica.
só tempo capital e contraintuitiva – a de que as analogias que
fazemos constituem a matéria-prima do pensamento – e se põem (E) interessante.
a demonstrá-la.
Para fazê-lo, eles se valem de um pouco de tudo. A argu-
38
mentação opera nas fronteiras entre a linguística, a filosofia, a
matemática e a física, com incursões pela literatura, o estudo Na passagem do terceiro parágrafo – ... mas estão na origem de
comparativo dos provérbios e a enologia, para enumerar algu- todas as nossas falas, raciocínios, cálculos e atos falhos – mes-
mas poucas das muitas áreas em que os autores se arriscam. mo que não nos demos conta disso. – a expressão em destaque
A ideia básica é que o cérebro pensa através de analogias. pode ser substituída, sem prejuízo de sentido ao texto, por
Elas podem ser infantis (“mamãe, eu desvesti a banana”), ba-
nais (termos como “e” e “mas” sempre introduzem comparações (A) inclusive que.
mentais) ou brilhantes (Galileu revolucionou a astronomia “ven- (B) até que.
do” os satélites de Júpiter como luas), mas estão na origem de
todas as nossas falas, raciocínios, cálculos e atos falhos – mesmo (C) por mais que.
que não nos demos conta disso.
(D) se bem que.
Hofstadter e Sander sustentam que o processo de categoriza-
ção, que muitos especialistas consideram a base do pensamento, (E) ainda que.
não envolve nada mais do que fazer analogias.
Para não falar apenas de flores (mais uma analogia), o livro
ganharia bastante se tivesse passado por um bom editor disposto 39
a cortar pelo menos uns 30% de gorduras. Algumas das digres-
No trecho do terceiro parágrafo – Elas podem ser infantis (“ma-
sões dos autores são francamente dispensáveis e eles poderiam
mãe, eu desvesti a banana”), banais (termos como “e” e “mas”
ter sido mais contidos nos exemplos, que se contam às centenas,
sempre introduzem comparações mentais) ou brilhantes (Galileu
estendendo-se por páginas e mais páginas, quando meia dúzia
revolucionou a astronomia “vendo” os satélites de Júpiter como
teriam sido suficientes.
luas)... – as informações organizam-se de tal forma que acabam
A prolixidade e o exagero, porém, não bastam para apagar o por constituir, quanto ao seu sentido global, uma relação de
brilho da obra, que definitivamente muda nossa forma de pensar
o pensamento. (A) contradição.
(Hélio Schwartsman, Fronteiras do pensamento. (B) gradação.
Folha de S.Paulo, 19.05.2013. Adaptado)
(C) causa e efeito.

36 (D) redundância.
(E) equivalência.
Para o autor do texto, a obra de Douglas Hofstadter e Emmanuel
Sander – “Surfaces and Essences” (superfícies e essências) – é
(A) relevante para a análise do pensamento humano, uma 40
vez que lança novas perspectivas para estudá-lo.
Na frase que inicia o segundo parágrafo – Para fazê-lo, eles se
(B) importante para a análise do pensamento humano, uma valem de um pouco de tudo. – o pronome “-lo” recupera a se-
vez que o desvincula da relação com analogias elementares. guinte informação:
(C) indiferente para a análise do pensamento humano, uma vez (A) pensar por analogia.
que se vale de várias áreas do conhecimento para estudá-lo.
(B) escrever o livro.
(D) inovadora para a análise do pensamento humano, uma vez
(C) formular a ideia.
que comprova que este se dá sem formas de categorização.
(D) demonstrar a tese.
(E) prescindível para a análise do pensamento humano, uma vez
que não traz estudos expressivos para explicá-lo. (E) estudar o pensamento.

PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã 
41 Leia o texto para responder às questões de números 44 a 55.

Sobre o trecho do penúltimo parágrafo – Para não falar apenas


de flores (mais uma analogia), o livro ganharia bastante se ti- A seca
vesse passado por um bom editor disposto a cortar pelo menos De repente, uma variante trágica.
uns 30% de gorduras. –, é correto afirmar que a expressão Aproxima-se a seca.
(A) “falar apenas de flores”, no contexto em que está em- O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular
pregada, pode ser entendida como “questões superficiais”. com que se desencadeia o flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e
(B) “mais uma analogia” ratifica o postulado pelos autores pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
de “Surfaces and Essences” de que o cérebro pensa através
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não
de analogias.
afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o ro-
(C) “ganharia bastante” significa que o livro venderia mais deiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o pe-
se os autores fizessem uma versão mais comercial da obra. ruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado
pelas vibrações da terra.
(D) “se tivesse passado por um bom editor” sinaliza que o Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apa-
livro apresenta sérios problemas de tradução que compro- vora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a
metem o entendimento. em cenários tremendos. Enfrenta-a, estoico. Apesar das doloro-
(E) “30% de gorduras” revela que as ideias essenciais do livro sas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis
estão concentradas em 30% das suas 600 páginas. episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência
impossível.
Com os escassos recursos das próprias observações e das
42 dos seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a
extravagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o
Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa e conhecer, suportar e suplantar. Aparelha-se com singular sereni-
mantendo-se a coesão textual, a oração do segundo parágrafo – dade para a luta. Dois ou três meses antes do solstício de verão,
... em que os autores se arriscam. – está corretamente reescrita especa e fortalece os muros dos açudes, ou limpa as cacimbas.
em: Faz os roçados e arregoa as estreitas faixas de solo arável à orla
(A) ... cujos os autores se arriscam. dos ribeirões. Está preparado para as plantações ligeiras à vinda
das primeiras chuvas.
(B) ... aonde os autores se arriscam. Procura em seguida desvendar o futuro. Volve o olhar para
(C) ... nas quais os autores se arriscam. as alturas; atenta longamente nos quadrantes; e perquire os tra-
ços mais fugitivos das paisagens...
(D) ... que os autores se arriscam. Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados
(E) ... às quais os autores se arriscam. em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos
de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. Pas-
sam as “chuvas do caju” em outubro, rápidas, em chuvisqueiros
43 prestes delidos nos ares ardentes, sem deixarem traços; e pin-
tam as caatingas, aqui, ali, por toda a parte, mosqueadas de tu-
Assinale a alternativa correta quanto à norma-padrão e em con- fos pardos de árvores marcescentes, cada vez mais numerosos e
formidade com o sentido do texto. maiores, lembrando cinzeiros de uma combustão abafada, sem
chamas; e greta-se o chão; e abaixa-se vagarosamente o nível das
(A) Para apagar o brilho da obra, não basta, pois, a prolixi-
cacimbas... Do mesmo passo nota que os dias, estuando logo ao
dade e o exagero.
alvorecer, transcorrem abrasantes, à medida que as noites se vão
(B) Não bastam, portanto, a prolixidade e o exagero para tornando cada vez mais frias. A atmosfera absorve-lhe, com avi-
apagar o brilho da obra. dez de esponja, o suor na fronte, enquanto a armadura de couro,
sem mais a flexibilidade primitiva, se lhe endurece aos ombros,
(C) Para apagar o brilho da obra, no entanto, a prolixidade esturrada, rígida, feito uma couraça de bronze. E ao descer das
e o exagero não basta. tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entriste-
(D) Enquanto não bastam para apagar o brilho da obra a cido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, trans-
prolixidade e o exagero. voando a outros climas...
É o prelúdio da sua desgraça.
(E) Todavia, não basta a prolixidade e o exagero para apagar o
(Euclides da Cunha, Os Sertões.
brilho da obra. Em: Massaud Moisés, A literatura brasileira através dos tempos, 2004.)

 PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã
44 47

No texto, o narrador apresenta Na frase do último parágrafo – É o prelúdio da sua desgraça. – o


termo em destaque significa
(A) o pavor do sertanejo diante da seca, da qual foge tão logo
ela se anuncia. (A) fim.
(B) a fragilidade do sertanejo, ante a ação do meio à qual este (B) sinal.
não tem como resistir.
(C) retorno.
(C) a inadaptação do sertanejo ao meio em que vive, face às con-
tínuas calamidades. (D) espetáculo.

(D) a gênese do sertanejo, em função do seu condicionamento ao (E) arrefecimento.


meio em que vive.
(E) o desinteresse do sertanejo pelo meio em que vive, que faz 48
suas energias e sua existência minguarem.
Na frase – Aproxima-se a seca. –, a expressão “a seca” tem a
mesma função na sintaxe da oração que a destacada em:
45 (A) ... com que se desencadeia o flagelo.
Considere os enunciados: (B) ... de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades na-
– O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular turais que o rodeiam.
com que se desencadeia o flagelo. (C) Aparelha-se com singular serenidade para a luta.
– Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra.
– ... tem procurado estudar o mal, para o conhecer, suportar e (D) ... sucedendo-se inflexíveis...
suplantar. (E) ... as noites se vão tornando cada vez mais frias.
Com essas informações, o narrador afirma, respectivamente, que
o sertanejo
49
(A) desdenha a possível chegada da seca; reconhece as suas pró-
prias limitações; estuda o mal para conhecê-lo, suportá-lo e Assinale a alternativa em que o termo em destaque pode ser
dominá-lo. substituído por pronome possessivo.

(B) julga a chegada da seca um mistério insondável; comporta- (A) O sertanejo adivinha-a...
-se como os vizinhos peruanos; estuda o mal para conhecê- (B) ... assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o ho-
-lo, suportá-lo e administrá-lo. mem...
(C) tem dificuldade para reconhecer os sinais objetivos da seca; (C) Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então...
é alimentado pelo flagelo; estuda o mal para conhecê-lo,
suportá-lo e controlá-lo. (D) ... à medida que as noites se vão tornando cada vez mais
frias.
(D) reconhece a seca pelos seus sinais cíclicos; está afeiçoado às
calamidades naturais; estuda o mal para conhecê-lo, supor- (E) A atmosfera absorve-lhe, com avidez de esponja, o suor na
tá-lo e superá-lo. fronte...
(E) sabe da chegada da seca pelos seus sinais inequívocos; teme
os episódios terríveis como qualquer homem; estuda o mal 50
para conhecê-lo, suportá-lo e vencê-lo.
Assinale a alternativa em que a frase do texto reescrita mantém a
correta relação entre as palavras, em conformidade com a norma
46 culta e sem alteração do sentido original.
No penúltimo parágrafo do texto (Os sintomas do flagelo des- (A) O sertanejo adivinha-a e prefixa-a devido o ritmo singular
pontam-lhe (...) a outros climas...), há com que se desencadeia o flagelo.
(A) um relato sobre situações em que o flagelo se dissipa da (B) Entretanto não foge logo, abandonando a terra muito pouco
realidade do sertanejo. invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
(B) uma crítica ao comportamento das pessoas, notadamente (C) Povo algum tem mais pavor aos terremotos que o peruano,
quando querem resistir ao flagelo. e lá as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas
vibrações da terra.
(C) uma análise subjetiva do flagelo, mostrando que sua chega-
da é pouco notada pelas pessoas. (D) Está o homem sertanejo ligeiramente preparado para as
plantações à vinda das primeiras chuvas.
(D) uma descrição da disseminação dos efeitos do flagelo no co-
tidiano das pessoas. (E) A armadura de couro, sem mais a flexibilidade do passado,
endurece os ombros do sertanejo, esturrada, rígida, pois é
(E) uma observação jocosa em relação ao comportamento das feita de bronze.
pessoas vitimadas pelo flagelo.
PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã 16
51 Leia a letra da canção do cantor cearense Falcão para responder
às questões de números 54 a 58.
Observe os trechos do texto.
– Com os escassos recursos das próprias observações e das dos Guerra de Facão
seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a ex-
travagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o A dor do cocho é não ter ração pro gado
conhecer, suportar e suplantar. A dor do gado é não achar capim no pasto
– Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em A dor do pasto é não ver chuva há tanto tempo
série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de A dor do tempo é correr junto da morte
uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. A dor da morte é não acabar com os nordestinos
– ... as primeiras aves emigrantes, transvoando a outros climas... A dor dos nordestinos é ter as penas exageradas
No contexto em que estão empregadas, a preposição “Com”, no E a viola por desculpa pra quem lhe pisou no lombo
primeiro trecho; a conjunção “como”, no segundo; e a prepo- e lhe lascou no cucurute vinte quilos de lajedo.
sição “a”, no terceiro, estabelecem nos enunciados, respectiva- Em vez de achatar pra caixa-prego o vagabundo,
mente, sentido de que se deitou no trono e acordou num pau-de-sebo.
(A) modo, comparação e movimento. Eh eh eh boi, eh boiada, eh eh boi
A dor do jegue, tadin, nasceu sem chifre
(B) meio, conformidade e finalidade. A dor do chifre é não nascer em certa gente
(C) modo, causa e lugar. A dor de gente é confiar demais nos outros
A dor dos outros é que nem todo mundo é besta
(D) meio, conformidade e comparação. A dor da besta é não parir pra ter seu filho
(E) modo, comparação e tempo. A dor pior de um filho é chorar e mãe não ver.
Tá chegando o fim das épocas, vai pegar fogo no mundo,
e o pior, que os vagabundos toca música estrangeira
52
em vez de aproveitar o que é da gente do Nordeste.
Do ponto de vista da literatura, é correto afirmar que o texto Vou chamar de mentiroso quem dizer que é cabra da peste.
trata de (Falcão, Guerra de Facão. Em: http://letras.mus.br. Adaptado)

(A) uma apologia à seca, havendo na argumentação do autor a


defesa em favor da terra, normalmente judiada pelo serta- 54
nejo.
O tema comum ao texto de Euclides da Cunha e à letra da canção
(B) um relato pessoal, havendo na abordagem da psicologia do éa
sertanejo uma forma de denunciar as desigualdades sociais.
(A) fome.
(C) uma denúncia política, havendo mescla do cientificismo em
moda e do subjetivismo herdado dos escritores românticos. (B) resignação.

(D) um manifesto, havendo nas considerações do autor um claro (C) música.


apego à terra descrita e aos sertanejos que nela vivem.
(D) seca.
(E) uma problemática social, havendo no enfoque científico do
(E) migração.
autor um expediente para evitar o subjetivismo exagerado.

55
53
Na canção, o verso – A dor da morte é não acabar com os nor-
Observe os parágrafos iniciais do texto.
destinos – tem sentido bastante próximo da seguinte passagem
De repente, uma variante trágica. do texto de Euclides da Cunha:
Aproxima-se a seca.
(A) O sertanejo adivinha-a e prefixa-a...
O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular
com que se desencadeia o flagelo. (B) ... se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e que o rodeiam.
pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
(C) Enfrenta-a, estoico.
Esses parágrafos permitem afirmar que o estilo do autor é
(D) Procura em seguida desvendar o futuro.
(A) impreciso, subjetivo e conciso.
(E) ... considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras
(B) incisivo, preciso e despojado. aves emigrantes...

(C) objetivo, claro e prolixo.


(D) ameno, sugestivo e empolado.
(E) contundente, paradoxal e rebuscado.

 PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã
56 Para responder às questões de números 59 e 60, leia o poema de
Camilo Pessanha.
Considerando o gênero textual, um dos recursos de composição
presente na letra da canção é o emprego
Água morrente
(A) de linguagem popular, marcada por termos obscenos.
Meus olhos apagados,
(B) de palavras arcaicas, indicativas de linguagem formal. Vede a água cair.
(C) de termos ambíguos e infrequentes na linguagem cotidiana. Das beiras dos telhados,
Cair, sempre cair.
(D) da repetição de termos, notadamente no início de cada verso. Das beiras dos telhados,
(E) da rima alternada em todos os versos. Cair, quase morrer...
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.
57 Meus olhos, afogai-vos
Observe o trecho da canção: Tá chegando o fim das épocas, vai Na vã tristeza ambiente.
pegar fogo no mundo,/ e o pior, que os vagabundos toca música Caí e derramai-vos
estrangeira / em vez de aproveitar o que é da gente do Nordeste. Como a água morrente.
/ Vou chamar de mentiroso quem dizer que é cabra da peste. (Camilo Pessanha, Clepsidra)
Nessa passagem, o autor vale-se de registros coloquiais, em con-
formidade com suas intenções comunicativas, em função do gê-
nero textual utilizado. Isso se comprova com as expressões: 59

(A) fim das épocas, vai pegar, e o pior. Levando em conta as informações textuais, é correto afirmar que
está presente no poema
(B) Tá, toca, dizer.
(A) o pessimismo, por meio do qual o eu-lírico expressa a
(C) toca, o que é, Vou chamar. sua desintegração interior.
(D) e o pior, música estrangeira, cabra da peste. (B) a idealização da existência, por meio da qual o eu-lírico
(E) pegar fogo, os vagabundos, da gente. afasta o medo da morte.
(C) a indiferença, por meio da qual o eu-lírico expressa o
marasmo de sua existência.
58
(D) o encantamento amoroso, por meio do qual o eu-lírico
No verso – A dor pior de um filho é chorar e mãe não ver. –, a reconhece o valor da vida.
conjunção “e” articula duas orações, encerrando entre elas sen-
tido de (E) a desilusão amorosa, por meio da qual o eu-lírico se desen-
cantou pela própria vida.
(A) alternância.
(B) causa.
60
(C) oposição.
No verso – Na vã tristeza ambiente. –, o adjetivo em destaque
(D) consequência. significa
(E) finalidade. (A) imperceptível.
(B) desejável.
(C) opulenta.
(D) comum.
(E) vazia.

PMES1302/001-Aluno-Oficial-PM-manhã 18
31

A leitura da tira permite concluir que a diferença a que alude a


personagem no terceiro quadrinho diz respeito
(A) à parte humana que os constitui.
(B) ao fato de um ser humano e o outro não.
(C) à metade animal de seus corpos.
(D) ao fato de um deles não amar o outro.
(E) à falta de sensibilidade de sua amada.

32

No último quadrinho, a forma como se grafa o advérbio muito


(muuuito) indica que a personagem pretende
(A) atenuar a graça contida na palavra.
(B) aduzir sentido pejorativo à palavra.
(C) marcar a ambiguidade na palavra.
(D) ironizar o sentido da palavra.
(E) intensificar o sentido da palavra.

33

Considerando os sentidos expressos nas falas das personagens,


assinale a alternativa correta quanto à concordância.
(A) Ela é meia humana e meia zebra, diferente dele.
(B) Humano e cavalo são duas metade que me compõe.
(C) Existe muitas diferenças entre nós.
(D) O meu amor e o seu sofre com nossas diferenças.
(E) É impossível os nossos sentimentos de amor.

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS


34
LÍNGUA PORTUGUESA Daqui 30 anos, quando o Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP completar seu primeiro
Leia a tira para responder às questões de números 31 a 33. centenário, o cenário da saúde pública terá certamente
, seguindo o dinamismo inerente ao SUS
(Sistema Único de Saúde). O hospital, que completa 70 anos de
existência no próximo 19 de abril, é procurado por pacientes de
todo o Brasil sua qualidade e excelência assisten-
cial. Trata-se de uma população que conhece e, principalmente,
confia no hospital. Muitas vezes, só nele.
(Giovanni Guido Cerri, Um hospital de superlativos.
Folha de S.Paulo, 16.04.2014. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas


do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
(A) há … se transformado … devido a
(B) há … transformado-se … devido
(C) à … se transformado … devido à
(D) a … se transformado … em razão de
(E) a … transformado-se … por causa de

(Fernando Gonsales, Folha de S.Paulo, 05.08.2013)

11 PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I
Leia dois trechos do conto O Pároco da Aldeia, de Alexandre 38
Herculano, para responder às questões de números 35 a 38.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é indicativa
de modo.
I. A árvore da ciência, transplantada do Éden, trouxe consi-
go a dor, a condenação e a morte; mas a sua pior peçonha (A) A árvore da ciência, transplantada do Éden…
guardou-se para o presente: foi o ceticismo.
II. Feliz a inteligência vulgar e rude, que segue os caminhos (B) … mas a sua pior peçonha guardou-se para o presente …
da vida com os olhos fitos na luz e na esperança postas pela
(C) … que segue os caminhos da vida com os olhos fitos na
religião além da morte, sem que um momento vacile, sem que
luz …
um momento a luz se apague ou a esperança se desvaneça!
(Extraído de Massaud Moisés, A literatura portuguesa) (D) … e na esperança postas pela religião além da morte …

(E) … sem que um momento a luz se apague…

35

A leitura dos trechos I e II permite concluir que o narrador Leia os versos das Liras, de Tomás Antônio Gonzaga, para
responder às questões de números 39 a 43.
(A) condena a inteligência vulgar e rude, símbolo da condenação
e da morte, pois se afasta da verdade, difundida pela árvore
da ciência. Os teus olhos espalham luz divina,
a quem a luz do sol em vão se atreve;
(B) apresenta a ciência como um problema para a vida humana, papoila ou rosa delicada e fina
pois trouxe consigo o ceticismo, o que se opõe aos ensina-
mentos da religião. te cobre as faces, que são cor da neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
(C) exalta a árvore da ciência e tenta conciliar os seus funda- teu lindo corpo bálsamo vapora.
mentos com os da religião, de modo a garantir uma vida de
luz e esperança ao homem. Ah! não, não fez o céu, gentil pastora,
para a glória de amor igual tesouro!
(D) explora as contradições naturais entre as ideias da ciência
Graças, Marília bela,
e as da religião, buscando isentar-se de um ponto de vista
favorável a uma ou a outra. graças à minha estrela!
(Tomás Antônio Gonzaga, Obras Completas)
(E) reconhece os preceitos que fundamentam o pensamento da
ciência, razão pela qual acredita que esta possa explicar a
religião.
39

Nos versos, o eu lírico retrata a mulher amada de forma


36
(A) negativa, estando o lado físico a suplantar o lado espiritual.
No trecho I, o termo peçonha significa metaforicamente
(B) depreciativa, retirando da Natureza elementos que a erotizam.
(A) consequência.
(C) graciosa, pintando-a como um ser simples, mas sensual.
(B) maldade.
(D) ambígua, sendo divina e, mesmo assim, atraente.
(C) inclinação moral.
(E) idealizada, buscando na Natureza as cores para pintá-la.
(D) qualidade.

(E) substância venenosa.


40

Analisando os elementos empregados pelo eu lírico para a


37 descrição da mulher amada, conclui-se que ele

Nas passagens – …mas a sua pior peçonha guardou-se para o (A) recorre a padrões estéticos de origem europeia.
presente… – e – … ou a esperança se desvaneça! –, os termos
em destaquem expressam, respectivamente, sentidos de (B) recobre os valores europeus com a cor local.

(A) causa e de consequência. (C) utiliza estritamente os elementos nacionais.

(B) oposição e de causa. (D) mescla elementos nacionais, populares e eruditos.

(C) conclusão e de causa. (E) usa elementos não nacionais de forma caricata.

(D) oposição e de alternância.

(E) conclusão e de alternância.

PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I 12
41 44

Os versos mostram que a poética de Gonzaga explora Leia a charge.


(A) os novos sonhos do homem burguês, com os quais nega o
sentimentalismo. A
IGNORÂNCIA
(B) o amor como um sentimento a ser tratado desarticulado da DESSES ALUNOS
vida cotidiana. ME
DESMORALIZA
MAIS DO QUE
(C) a oposição entre corpo e espírito para analisar as contradi- AS AÇÕES
ções do amor. DELES!

t
(D) a ideia de uma literatura livre de padrões estéticos, portanto
realista.
(E) a expressão livre do sentimento amoroso, com a manifesta-
ção da emoção.

(Genildo, www.acharge.com.br. Adaptado)


42
Analisando a fala da professora, conclui-se que o que mais a
Em outros versos das Liras, o poeta diz sobre Marília: incomoda é

Vasta campina, (A) a falta de moral que leva os alunos a praticar atos pouco
amistosos.
de trigo cheia,
quando na sesta (B) o desconhecimento que os alunos têm da própria língua.
co vento ondeia,
(C) o abuso de alguns alunos que promovem a violência.
ao seu cabelo,
quando flutua, (D) o fato de desconhecer o autor da brincadeira para repreendê-lo.
não é igual. (E) a ignorância dela mesma que incita os alunos às brincadeiras.
Tem a cor negra,
mas quanto val!

45
Comparando estes versos aos já transcritos, fica evidente que o
eu lírico Observe a frase do técnico Diego Simeone, do clube Atlético
de Madrid, que eliminou o Barcelona na Liga dos Campeões da
(A) se contradiz com a descrição da amada Marília. Europa:
(B) nega aqui a beleza sem limites lá descrita.
Nem sempre ganha o melhor, mas quem está mais confiante.
(C) reforça a ideia de que a beleza é efêmera. (Época, 14.04.2014)

(D) procura renegar a paixão de outrora.


De acordo com a frase de Simeone, é correto afirmar que
(E) reforça a ideia de sensualidade de Marília.
(A) o Barcelona estava menos preparado que o Atlético de
Madrid.

43 (B) o Atlético de Madrid ganhou porque não era o melhor time.


Em ordem sintática direta, os versos – Ah! não, não fez o céu, (C) o Barcelona perdeu porque estava confiante demais na vitória.
gentil pastora, / para a glória de amor igual tesouro! – assumem
a seguinte redação: (D) o Atlético de Madrid disputou a decisão com confiança na
vitória.
(A) Ah! para a glória de amor igual o céu não fez tesouro, pas-
tora gentil! (E) o Barcelona deixou de lado o preparo técnico e a confiança.

(B) Ah! não fez o céu, gentil pastora, igual tesouro para a
glória de amor!
(C) Ah! pastora gentil, o céu não fez tesouro igual para a glória
de amor!
(D) Ah! o céu não fez, gentil pastora, tesouro para a glória de
igual amor!
(E) Ah! igual tesouro não fez o céu, para a glória de amor, gentil
pastora!

13 PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I
Leia o texto para responder às questões de números 46 a 50. 49

Os leitores da revista podem achar estranhos os nomes Analisando-se a reação de Nicolás Maduro em relação aos
Jorchual, Carkelys, Marvinia e Lourds. Mas todos eles são de protestos, conclui-se que o presidente venezuelano
pessoas que poderiam perfeitamente ter nascido no Brasil. São (A) incitou sua continuidade.
estudantes esforçados que sonham em seguir uma boa carreira.
Donas de casa preocupadas com o bem-estar dos filhos. Pro- (B) procurou coibi-los.
fissionais liberais com garra para trabalhar. Por terem nascido
(C) abriu-se ao diálogo.
e viverem na Venezuela, porém, mesmo para as coisas mais
elementares, como comprar carne em um açougue ou expres- (D) evitou o uso da força física.
sar sua opinião pessoal, eles precisam batalhar. Desde feve-
reiro, centenas de milhares de venezuelanos como eles foram (E) proibiu os embates diretos.
às ruas protestar, na maioria das vezes pacificamente, contra o
governo. O presidente Nicolás Maduro reagiu colocando todas
as forças de segurança do Estado, além de milícias paramili- 50
tares, para reprimir as manifestações e espalhar o terror entre Na última oração do texto – … para lutar por seus direitos. –, o
os cidadãos que ousam se organizar para lutar por seus direitos. pronomes seus refere-se
(Veja, 16.04.2014. Adaptado)
(A) ao governo venezuelano.
(B) às milícias paramilitares.
46
(C) ao Estado venezuelano.
No contexto em que as informações estão organizadas, o
pronome vocês poderia substituir, sem prejuízo de sentido ao (D) aos cidadãos venezuelanos.
texto, a passagem destacada em: (E) ao presidente venezuelano.
(A) Os leitores da revista podem achar…
(B) Mas todos eles são de pessoas que … Leia o poema para responder às questões de números 51 a 54.
(C) São estudantes esforçados que …
Pálida à luz da lâmpada sombria,
(D) … venezuelanos como eles foram às ruas protestar … Sobre o leito de flores reclinada,
(E) … e espalhar o terror entre os cidadãos que … Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

47 Era a virgem do mar, na escuma fria


Pela maré das águas embalada!
De acordo com o texto, aqueles que precisam batalhar em seu
cotidiano são Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
(A) brasileiros, moram no Brasil e se opõem ao governo de
Maduro. Era mais bela! o seio palpitando
(B) brasileiros, moram na Venezuela e se opõem ao governo de Negros olhos as pálpebras abrindo
Maduro. Formas nuas no leito resvalando
(C) venezuelanos que, mesmo no Brasil, sofrem perseguição do Não te rias de mim, meu anjo lindo!
governo de Maduro. Por ti – as noites eu velei chorando,
(D) brasileiros que resolveram apoiar os venezuelanos contra o Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
governo de Maduro. (Álvares de Azevedo, Poesias Completas)
(E) venezuelanos, perseguidos por serem contrários ao governo
de Maduro.
51

Conforme apresentado no poema, o retrato da mulher amada


48
(A) fundamenta-se na visão enamorada e subjetiva do eu lírico.
A passagem do texto que expressa sentido de causa é:
(B) traduz a ideia de perfeição, sem que existam traços de sen-
(A) … poderiam perfeitamente ter nascido no Brasil. sualidade.
(B) … que sonham em seguir uma boa carreira. (C) traz consigo a harmonização entre o amor físico e o espiritual.
(C) Por terem nascido e viverem na Venezuela … (D) contesta o ideal de fragilidade e pureza do gênero feminino.
(D) … como comprar carne em um açougue… (E) retrata com ironia a ideia de perfeição e sensibilidade femi-
(E) … ou expressar sua opinião pessoal… nina.

PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I 14
52 Leia o texto para responder às questões de números 56 a 60.

Entre os temas do Romantismo, estão presentes no poema O tio Sabino, paramentado de rico, fez ainda sair da maleta
(A) a religiosidade e o pessimismo. de couro uma espécie de saco de lona com fechos de correias.
Debaixo da cama, por esquecimento, tinham ficado as alpargatas
(B) a morte e o subjetivismo. do Carvalhosa. O tio Sabino calçou-as, as suas narinas palpita-
(C) o ilogismo e a religiosidade. vam. Correu o fecho da porta cautelosamente, foi até ao escri-
tório do Carvalhosa e sacou da gaveta do contador uns rolinhos
(D) a morte e o racionalismo. de libras; de passagem pelo toilette arrecadou o cofre de joias,
(E) o egocentrismo e a crítica social. os anéis e a caixa de pó de arroz; de cima da banquinha de noite
desapareceu a palmatória de prata dourada e tudo foi arrecadado
no saco.
53 Fechou destramente o saco, tendo-lhe metido primeiro
a camisa de chita que despira, a fim de não tinirem dentro os
Assinale a alternativa em que se indica corretamente a relação metais. E de chapéu à banda e cachimbo na boca saiu, o saco
estabelecida entre os versos transcritos. pendente, fechando a porta e tirando-lhe a chave. Ninguém
(A) Gradação: Pálida à luz da lâmpada sombria, / Sobre o leito estava no corredor; Maria do Resgate engomava na saleta; as
de flores reclinada. crianças na cozinha cortavam papagaios, chilreando.
– Até logo, minha sobrinha, até logo.
(B) Intensidade: Como a lua por noite embalsamada, / Entre as
nuvens do amor ela dormia! Ela veio correndo, com o seu riso afetuoso.
– O jantar é às cinco, sim? Mas, querendo, dá-se ordem para
(C) Causa: Era um anjo entre nuvens d’alvorada / Que em
mais tarde.
sonhos se banhava e se esquecia!
– Qual! Não temos precisão de incômodos. Às quatro e
(D) Comparação: Era mais bela! o seio palpitando / Negros meia estou.
olhos as pálpebras abrindo. E com a mala pendente, o lenço escarlate fora do bolso do
(E) Antítese: Por ti – as noites eu velei chorando, / Por ti – nos fraque e bengala debaixo do braço, desceu a escada cantarolando.
sonhos morrerei sorrindo! Eram seis horas da tarde e nada do tio Sabino.
Sete horas, e Maria do Resgate acaba de notar a porta da
alcova fechada. Diabo...
54
No dia seguinte a polícia andava em campo para descobrir o
Se o eu lírico se dirigisse à mulher amada como Você, o verso larápio, que com tamanha pilhéria roubara a família Carvalhosa.
– Não te rias de mim, meu anjo lindo! – assumiria, em norma- (Fialho de Oliveira, O Tio da América. Em: Contos. Adaptado)
-padrão da língua portuguesa, a seguinte redação:
(A) Não se rie de mim, meu anjo lindo!
56
(B) Não se ri de mim, meu anjo lindo!
Carvalhosa e Maria do Resgate recebem em Portugal o tio Sabino,
(C) Não te ria de mim, meu anjo lindo! morador do Pará, no Brasil. Este, estando fora da atenção da
(D) Não se ria de mim, meu anjo lindo! sobrinha e das crianças,

(E) Não te ri de mim, meu anjo lindo! (A) vestiu-se com rigor e saiu a roubar pela cidade.
(B) resolveu guardar os seus bens e fugir da casa.
55 (C) foi chamar a polícia para prenderem o ladrão.
Em relação a um post publicado – Celebridades mais inteligentes (D) aproveitou para roubar a casa dos sobrinhos.
que você –, dois leitores enviaram os seguintes comentários à
revista em que ele circulou: (E) retirou-se da casa, onde fora mal recebido.

I. Vocês sabem meu QI pra dizer que eles são mais inteligentes
que eu?
57
II. Por trás de mim, tem o sistema educacional público brasileiro.
Daí já viu, né? No penúltimo parágrafo, a frase – Diabo … – indica que Maria
(Superinteressante, abril de 2014) do Resgate
(A) notou que havia alguém escondido na alcova.
Os comentários deixam evidente que
(A) os dois leitores se consideram pouco inteligentes. (B) pensou que a porta da alcova fora trocada.

(B) o leitor I concorda com as considerações da revista. (C) percebeu que havia algo de errado acontecendo.

(C) os dois leitores apresentaram diferentes opiniões. (D) esqueceu o tio Sabino trancado na alcova.

(D) o leitor II se acha mais inteligente que as celebridades. (E) pensou que uma das crianças estava na alcova.

(E) os dois leitores contestam o conteúdo do post.

15 PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I
58

O texto mostra que tio Sabino agiu de forma

(A) humilde, o que se pode comprovar pelo modo como ele se


veste antes de sair de casa.

(B) dissimulada, o que se pode comprovar pela maneira como


ele guarda a camisa de chita no saco.

(C) previsível, o que se pode comprovar pelo modo como ele


conversa com a sobrinha antes de sair.

(D) ingênua, o que se pode comprovar pela maneira como ele


cantarola e sorri com afeto para a sobrinha.

(E) fanfarrona, o que se pode comprovar pelo modo como ele


guarda os objetos no interior do saco.

59

A leitura do texto revela uma narrativa em que

(A) a natureza humana é retratada de modo mais realista.

(B) os laços familiares são permeados de uma aura romântica.

(C) o caráter é posto como qualidade maior do ser humano.

(D) as contradições humanas são amenizadas pelos vínculos.

(E) o homem é apresentado como um ser pouco racional.

60

No contexto em que estão empregados os pronomes, destaca-


dos nas passagens do segundo parágrafo – Fechou destramente
o saco, tendo-lhe metido primeiro a camisa de chita que
despira … – e – … fechando a porta e tirando-lhe a chave. –,
eles podem ser substituídos, respectivamente, de acordo com a
norma-padrão, por:

(A) sua e nela.

(B) seu e nela.

(C) dele e dela.

(D) nele e nela.

(E) nele e dela.

PMES1306 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I 16
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Leia o texto para responder às questões de números 29 a 34.

Número de armas
LÍNGUA PORTUGUESA
Em boa hora uma pesquisa realizada pelo Ministério
Público de São Paulo e pelo instituto Sou da Paz vem solapar
ao menos dois argumentos tão incorretos quanto frequentes
Leia os quadrinhos para responder às questões de números nas discussões relativas à área da segurança pública.
27 e 28. Primeiro, a maior parte das armas com as quais se pra-
ticam crimes em território paulista não tem sua origem no
exterior, mas na própria indústria brasileira.
De acordo com o levantamento, consideradas 10 666
armas de fogo apreendidas em 2011 e 2012, nada menos que
78% delas tinham fabricação nacional – proporção que sobe
para 82% quando se levam em conta somente artefatos con-
fiscados vinculados a roubos e 87% no caso de homicídios.
O segundo argumento atingido pelo relatório costuma ser
usado por quem apregoa a facilitação do comércio de armas
sustentando que as restrições afetam só o “cidadão de bem”,
deixando-o indefeso diante de bandidos armados.
Ocorre que, se os artefatos utilizados nos crimes são
nacionais, isso significa que um dia eles foram vendidos
legalmente no país.
Ou seja, se há muitos criminosos armados, isso se deve,
(Folha de S.Paulo, 18.06.2015. Adaptado) em larga medida, ao comércio legal de armas, que abastece
o mercado ilegal; obstruir esse duto resulta num benefício à
27 população, e não o contrário.
Daí a importância de campanhas como a “DNA das
Analisando o sentido dos quadrinhos, é correto relacioná-los Armas”, promovida pelo Ministério Público e pelo Sou da
ao seguinte dito popular: Paz a fim de implantar, no Brasil, um sistema de marcação
indelével dos artefatos de fogo.
(A) Nem tudo que reluz é ouro.
(Folha de S.Paulo, 05.06.2015. Adaptado)
(B) Quem espera sempre alcança.

(C) Quem tem boca vai a Roma. 29

(D) Falar é prata, calar é ouro. O objetivo do texto é

(E) Devagar se vai ao longe. (A) mostrar a estagnação da violência, constatada pela pes-
quisa realizada pelo Ministério Público de São Paulo e
pelo instituto Sou da Paz.

28 (B) questionar os resultados da pesquisa relativa à segu-


rança pública realizada pelo Ministério Público de São
No contexto em que estão empregadas, as locuções verbais Paulo e pelo instituto Sou da Paz.
“Vai carpir” e “Vai grafitar” sugerem atitudes de
(C) utilizar os resultados da pesquisa realizada pelo Minis-
(A) intolerância. tério Público de São Paulo e pelo instituto Sou da Paz
para mostrar o recrudescimento da violência no Brasil.
(B) resignação.
(D) propor o uso livre de armas de fogo, com base na pes-
(C) dissimulação.
quisa realizada pelo Ministério Público de São Paulo e
(D) polidez. pelo instituto Sou da Paz.

(E) disciplina. (E) discutir questões relativas à segurança pública à vista de


uma pesquisa realizada pelo Ministério Público de São
Paulo e pelo instituto Sou da Paz.

PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 
30 34

De acordo com o texto, os dois argumentos incorretos e Assinale a alternativa em que a reescrita do texto está
frequentes nas discussões relativas à área da segurança coerente com seu sentido original e em conformidade com a
pública são: norma-padrão.
(A) os artefatos de fogo abastecem o comércio legal e o (A) ... a maior parte das armas com as quais se praticam
ilegal, e apenas o segundo tipo de comércio tem relação crimes em território paulista... (segundo parágrafo)
com os crimes. = ... a maior parte do material bélico com o qual se pratica
(B) a produção de armas é baixa e não há relação evidente crimes em território paulista...
entre o comércio legal de armas e o ilegal. (B) ... proporção que sobe para 82% quando se levam em
(C) a maior parte das armas usadas nos crimes vem do exte- conta somente artefatos confiscados... (terceiro parágrafo)
rior e procede de comercialização ilegal. = ... valores que sobe para 82% quando se levam em
conta somente o material confiscado...
(D) os homicídios, em geral, são praticados com armas
nacionais e estas foram adquiridas por meio de comércio (C) ... costuma ser usado por quem apregoa a facilitação do
ilegal. comércio de armas... (quarto parágrafo)
= ... costuma ser usado por aqueles que apregoam a
(E) os cidadãos de bem usam a maior parte das armas legais
facilitação do comércio de armas...
e elas acabam caindo no comércio ilegal.
(D) ... isso significa que um dia eles foram vendidos legal-
31 mente no país. (quinto parágrafo)
= ... isso significa que um dia legalmente se vendeu
Nas passagens “... vem solapar ao menos dois argumen- esses artefatos no país.
tos...” (primeiro parágrafo) e “... um sistema de marcação
indelével dos artefatos de fogo.” (último parágrafo), os (E) Ou seja, se há muitos criminosos armados, isso se deve,
termos em destaque significam, respectivamente, em larga medida... (sexto parágrafo)
= Ou seja, se existe muitos criminosos armados, isso se
(A) confirmar e indestrutível. deve, em larga medida...
(B) enfraquecer e inapagável.
(C) abalar e extinguível. Leia o trecho do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos,
(D) questionar e suprimível. heterônimo de Fernando Pessoa, para responder às ques-
tões de números 35 a 40.
(E) impor e durável.

Tabacaria
32
Não sou nada.
No trecho do sexto parágrafo “... obstruir esse duto resulta Nunca serei nada.
num benefício à população, e não o contrário.”, a expressão Não posso querer ser nada.
em destaque refere-se
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(A) ao comércio legal de armas.
Janelas do meu quarto,
(B) à facilitação do comércio de armas.
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que nin-
(C) à prisão dos criminosos armados. [guém sabe quem é
(D) à importação de armas de fogo. (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
(E) ao uso restrito de armas por cidadãos de bem. Dais para o mistério de uma rua cruzada constante-
[mente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
33
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente
Assinale a alternativa em que o termo destacado estabelece [certa,
uma relação de oposição entre as informações. Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos
(A) ... tão incorretos quanto frequentes nas discussões relati- [seres,
vas à área da segurança pública. (primeiro parágrafo) Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos
(B) ... não tem sua origem no exterior, mas na própria indús- [brancos nos homens,
tria brasileira. (segundo parágrafo) Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada
[de nada.
(C) ... sobe para 82% quando se levam em conta somente
artefatos confiscados vinculados a roubos... (terceiro (Fernando Pessoa, Obra Poética)

parágrafo)
(D) ... sustentando que as restrições afetam só o “cidadão
de bem”... (quarto parágrafo)
(E) ... se há muitos criminosos armados, isso se deve, em larga
medida, ao comércio legal de armas... (sexto parágrafo)
 PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
35 37

Leia os quadrinhos e compare seu conteúdo ao poema Nos três primeiros versos do poema (“Não sou nada. / Nunca
Tabacaria. serei nada. / Não posso querer ser nada.”), a gradação pre-
sente assinala

(A) a negação de um estado que, na verdade, pouco interessa


ao eu lírico.

(B) o empreendimento que o eu lírico faz para se descobrir


por completo.

(C) o desalento do eu lírico ao constatar a dificuldade de


se reconhecer.

(D) o medo do eu lírico proveniente da busca de sua verda-


deira identidade.

(E) a euforia flagrante do eu lírico ao constatar que desco-


nhece a si mesmo.

38

Conforme os versos mostram, o heterônimo Álvaro de Cam-


pos caracteriza-se por ser

(A) racional, com pensamento claro e inequívoco.

(B) humanista, preocupado em aproveitar a vida.

(Custódio. http://www.releituras.com) (C) simples, vivendo alheio a questões dialéticas.


Em uma análise comparativa, compreende-se que os quadri- (D) contestador, ainda que pensar o faça sofrer.
nhos pretendem
(E) omisso, optando por viver a vida calmamente.
(A) tratar com humor os versos do poeta português, sendo-
-lhes fiel aos sentidos e tendo no plano visual a chave
para a graça e o riso. 39

(B) ironizar os versos do poeta português, já que existe De acordo com o Dicionário Houaiss, a antítese corresponde
um duplo sentido e um viés pejorativo no nome “Ferrato a uma “figura pela qual se opõem, numa mesma frase, duas
Pessoa”. palavras ou dois pensamentos de sentido contrário”. Essa
definição pode ser aplicada ao seguinte verso do poema:
(C) satirizar a poesia do poeta português, valendo-se para
isso da imagem de uma personagem portuguesa. (A) À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(D) criticar a criação dos heterônimos, como “Álvaro de Cam- (B) (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
pos”, que, como mostra o diálogo, são difíceis de serem (C) Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
identificados.
(D) Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos
(E) criar o efeito de humor, a partir de versos do poeta portu- seres,
guês, valendo-se da ambiguidade do substantivo “sonhos”.
(E) Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada
de nada.
36

O poema revela 40

(A) a forma otimista como o eu lírico supera seus desencan- No verso “À parte isso, tenho em mim todos os sonhos
tos, enfrentando as dificuldades. do mundo.”, a expressão “do mundo” estabelece com o termo
antecedente o mesmo tipo de relação que se identifica na
(B) o sofrimento do eu lírico quando reconhece o verdadeiro
expressão destacada em:
sentido de sua vida.
(A) O desenho da estrada mostrava um caminho de curvas.
(C) a sublimação das dificuldades do eu lírico firmada numa
vida de reclusão. (B) Vislumbro esta estrada que leva ao centro da cidade.
(D) a inquietude metafísica e existencial do eu lírico, marcada (C) Ele estava exausto, saiu da estrada e resolveu descansar.
pela desesperança.
(D) Ele andava pela estrada absorto em seus pensamentos.
(E) o reconhecimento que o eu lírico faz da realidade, vendo-a
como agradável. (E) O jeito era pegar a estrada e chegar logo à casa paterna.

PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 
41 42

Leia a charge. O orador interpela Deus para

(A) asseverar o avanço dos holandeses em terras brasilei-


ras, considerado por ele como justo, ainda que não pro-
fessem a fé católica.

(B) reconhecer a justiça divina, tendo os portugueses conse-


guido vencer os holandeses e a eles tendo imposto a fé
católica.

(C) lamentar a perda do território brasileiro para os holan-


deses e, principalmente, a ascensão dos luteranos e cal-
vinistas.
(emtempo.com.br, 06.04.2015)
(D) sugerir que os invasores holandeses sejam perdoados e
Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, que haja tolerância entre a religião dos católicos, lutera-
a lacuna na fala da personagem deve ser preenchida com: nos e calvinistas.
(A) a quatro meses (E) expressar sua indignação, pois lhe parece que houve
(B) há quatro meses ajuda divina para o sucesso da invasão holandesa, acom-
panhada de fé não católica.
(C) à quatro meses

(D) fazem quatro meses


43
(E) tem quatro meses
No contexto da narrativa, os convidados pelo Senhor foram os

(A) holandeses.
Leia o texto para responder às questões de números 42 a 47.
(B) índios.
Bem vejo que me podeis dizer, Senhor, que a propaga- (C) portugueses.
ção de vossa Fé e as obras de vossa glória não dependem
de nós, nem de ninguém, e que sois poderoso, quando faltem (D) hereges.
homens, para fazer das pedras filhos de Abraão. Mas tam-
bém a vossa sabedoria e a experiência de todos os séculos (E) nobres.
nos têm ensinado que depois de Adão não criastes homens
de novo, que vos servis dos que tendes neste Mundo, e que
nunca admitis os menos bons, senão em falta dos melhores.
Assim o fizestes na parábola do banquete. Mandastes cha- 44
mar os convidados que tínheis escolhido, e porque eles se
Quanto à ideia que encerra, a passagem “Quando em tudo o
escusaram e não quiseram vir, então admitistes os cegos e
mais foram eles tão bons como nós, ou nós tão maus como
mancos, e os introduzistes em seu lugar: Caecos et claudos
eles, por que nos não há-de valer pelo menos o privilégio
introduc huc. E se esta é, Deus meu, a regular disposição de
e prerrogativa da Fé? Em tudo parece, Senhor, que trocais
vossa providência divina, como a vemos agora tão trocada
os estilos de vossa providência e mudais as leis de vossa
em nós e tão diferente conosco? Quais foram estes convi-
justiça conosco.” pode ser associada aos seguintes versos
dados e quais são estes cegos e mancos? Os convidados
de Camões:
fomos nós, a quem primeiro chamastes para estas terras, e
nelas nos pusestes a mesa, tão franca e abundante, como de (A) Tanto de meu estado me acho incerto, / Que em vivo
vossa grandeza se podia esperar. Os cegos e mancos são os ardor tremendo estou de frio; / Sem causa, juntamente
luteranos e calvinistas, cegos sem fé e mancos sem obras, choro e rio; / O mundo todo abarco e nada aperto.
na reprovação das quais consiste o principal erro da sua
heresia. Pois se nós, que fomos os convidados, não nos (B) Julga-me a gente toda por perdido / Vendo-me tão entre-
escusamos nem duvidamos de vir, antes rompemos por mui- gue a meu cuidado / Andar sempre dos homens apartado /
tos inconvenientes em que pudéramos duvidar; se viemos e E dos tratos humanos esquecido.
nos assentamos à mesa, como nos excluís agora e lançais (C) Julga-me a gente toda por perdido, / Vendo-me tão entre-
fora dela e introduzis violentamente os cegos e mancos, e gue a meu cuidado, / Andar sempre dos homens apar-
dais os nossos lugares aos hereges? Quando em tudo o tado / E dos tratos humanos esquecido.
mais foram eles tão bons como nós, ou nós tão maus como
eles, por que nos não há-de valer pelo menos o privilégio e (D) Os bons vi sempre passar / No Mundo graves tormentos; /
prerrogativa da Fé? Em tudo parece, Senhor, que trocais os E para mais me espantar, / Os maus vi sempre nadar / Em
estilos de vossa providência e mudais as leis de vossa justiça mar de contentamentos.
conosco.
(E) Erros meus, má fortuna, amor ardente / Em minha per-
(Padre Antonio Vieira, Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal dição se conjuraram; / Os erros e a fortuna sobejaram, /
Contra as de Holanda)
Que para mim bastava amor somente.
Caecos et claudos introduc huc. = Traze para aqui os cegos e os coxos.

 PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
45 47

A prosa religiosa de Padre Vieira caracteriza-se pelo estilo Assinale a alternativa em que a reescrita do texto mantém o
sentido original e a correção gramatical.
(A) conceptista, no qual se pressupõe convencer o interlocu-
tor por meio do raciocínio lógico. (A) ... e que sois poderoso, quando faltem homens, para
fazer das pedras filhos de Abraão.
(B) cultista, no qual se exploram intensamente as figuras de = ... e que sois poderoso, conquanto faltem homens, para
linguagem para a descrição do mundo. fazer das pedras filhos de Abraão.

(C) conceptista, no qual o exagero e a exuberância da lingua- (B) ... nos têm ensinado que depois de Adão não criastes
gem cria um discurso de difícil entendimento. homens de novo...
= ... nos têm ensinado aonde depois de Adão não crias-
(D) cultista, no qual a simplicidade dos recursos linguísticos tes homens de novo...
denota a clareza do raciocínio do orador.
(C) Mandastes chamar os convidados que tínheis escolhido,
(E) conceptista, no qual a construção do pensamento se dá e porque eles se escusaram...
em argumentos frágeis e pouco lógicos. = Mandastes chamar os convidados que tínheis escolhido,
e como eles se escusaram...

(D) E se esta é (...) a regular disposição de vossa providência


divina, como a vemos agora...
46
= E se esta é (...) a regular disposição de vossa providên-
Tratando o interlocutor como Você e passando os verbos cia divina, pois a vemos agora...
para o futuro, a passagem “... se viemos e nos assentamos à (E) Pois se nós, que fomos os convidados, não nos escusa-
mesa, como nos excluís agora e lançais fora dela e introduzis mos nem duvidamos de vir...
violentamente os cegos e mancos, e dais os nossos lugares = Embora nós, que fomos os convidados, não nos escu-
aos hereges?” assume a seguinte redação: samos nem duvidamos de vir…
(A) ... se virmos e nos assentarmos à mesa, como nos exclui
então e lança fora dela e introduz violentamente os cegos Leia a charge para responder às questões de números
e mancos, e dá os nossos lugares aos hereges? 48 e 49.
(B) ... se viermos e nos assentarmos à mesa, como nos
excluirá então e lançará fora dela e introduzirá violenta-
mente os cegos e mancos, e dará os nossos lugares aos
hereges?

(C) ... se viremos e nos assentemos à mesa, como nos


exclua então e lançarás fora dela e introduzirás violen-
tamente os cegos e mancos, e darás os nossos lugares
aos hereges?

(D) ... se vimos e nos assentamos à mesa, como nos excluíra


então e lançara fora dela e introduzira violentamente os
(www.gazetadopovo.com.br, 21.06.2015)
cegos e mancos, e dera os nossos lugares aos hereges?
Algaravia: linguagem muito confusa, incompreensível.
(E) ... se viermos e nos assentaremos à mesa, como nos
vai excluir então e lançar fora dela e introduzirá violenta-
mente os cegos e mancos, e dá os nossos lugares aos 48
hereges?
A fala da personagem permite concluir que

(A) os dias de hoje são mais tranquilos.

(B) aves e cães produzem sons desagradáveis.

(C) a melodia das aves é enfadonha.

(D) o tempo passa, mas os incômodos não.

(E) os sons dos cachorros incomodam.

PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 
49 Leia o texto para responder às questões de números 52 a 54.

A expressão “... com a sinfonia dos pardais.” estabelece na Quem se lembra ainda de Victor Hugo: “Rápidos voam
oração relação cujo sentido é de os tempos, nascem muitos poetas todos os dias”. Não são
poetas apenas que nascem, mas romancistas, críticos, e
(A) condição. ninguém quer saber mais do que passou: todos querem ser
atuais, atualíssimos, numa febre de futuro que tem o erro de
(B) consequência.
proporção das visões de todas as febres: pois, ai de nós!,
(C) intensidade. o futuro de hoje é o passado de amanhã e, quando já não
estivermos vivos, para defender com unhas e dentes as
(D) causa. nossas obras, elas terão de comparecer sozinhas diante do
tribunal do mundo.
(E) comparação. Rápidos voam os tempos, e não podemos dispor dos
lazeres dos nossos avós, que não liam tanto, mas liam cer-
tamente melhor. Boa gente, que podia acompanhar folhetins,
Leia o poema para responder às questões de números letra por letra, embora na atualidade ainda haja quem acom-
50 e 51. panhe novelas de rádios (não tão boas), suspiro por suspiro
e lágrima por lágrima...
That is the question (Cecília Meireles, Escolha o seu sonho. Adaptado)
Dois e dois são quatro.
Nasci cresci 52
para me converter em retrato?
em fonema? Em morfema? A autora discorre sobre
(A) a rapidez do tempo moderno e critica quem o despreza.
Aceito
(B) a celeridade do tempo e critica o desprezo pelo passado.
ou detono o poema?
(Ferreira Gullar, Muitas vozes) (C) a importância do tempo passado e critica quem não se
atualiza.
That is the question = Eis a questão
(D) a necessidade de cada um rever seu tempo e critica os
acomodados.
50
(E) a fugacidade do tempo e critica os que cultuam o passado.
O poema é inquestionavelmente metalinguístico, pois o eu
lírico
53
(A) ignora questões formais para expressar sua condição.
Nas passagens “... todos querem ser atuais, atualíssimos...”
e “... pois, ai de nós!, o futuro de hoje é o passado de ama-
(B) questiona a própria criação artística para tratar de sua
nhã...”, as expressões em destaque remetem, respectiva-
condição.
mente, para o sentido de
(C) usa uma linguagem objetiva para expressar sua condição. (A) intensidade e lamento.

(D) ironiza a linguagem de sua vida e a sua própria condição. (B) ironia e esperança.
(C) afetividade e dúvida.
(E) deixa a arte de lado e expressa com sentimentos sua
condição. (D) intensidade e alegria.
(E) afetividade e tristeza.

51 54
No contexto, os dois últimos versos do poema são entendi- O texto retrata uma modernidade que não corresponde à do
dos como século XXI. Isso se comprova com o trecho:
(A) a possibilidade de contestação. (A) “Rápidos voam os tempos, nascem muitos poetas todos
os dias”. (primeiro parágrafo)
(B) a manutenção da situação vivida.
(B) ... ninguém quer saber mais do que passou... (primeiro
(C) o descaso com o tempo futuro. parágrafo)
(C) ... todos querem ser atuais, atualíssimos... (primeiro pa-
(D) o medo da transformação. rágrafo)
(E) a indiferença diante dos problemas. (D) ...numa febre de futuro... (primeiro parágrafo)
(E) ... ainda haja quem acompanhe novelas de rádios...
(segundo parágrafo)

 PMES1502 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

LÍNGUA PORTUGUESA

27

Leia a tira.

(Folha de S.Paulo, 28.09.2016. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser


preenchidas, respectivamente, com:
(A) canalisar ... transformar esta
(B) canalizar ... transformá-la
(C) canalisar ... transformar-na
(D) canalizar ... transformar-lhe
(E) canalisar ... transformar ela

Leia o texto para responder às questões de números 28 a 31.

Seleção artificial

As guerras não ajudam muito a remediar o que se deno-


mina (bombasticamente) de explosão demográfica: os que fi-
cam em casa aproveitam a deixa para multiplicar-se. E como
os que partem são agora escolhidos entre os mais aptos de
físico e de espírito, imagine o pobre leitor o que não será isso
para a evolução do Homo sapiens...
(Mário Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)

28

De acordo com o narrador, as guerras não ajudam a remediar


a explosão demográfica, porque
(A) os guerreiros são fracos física e mentalmente.
(B) elas deveriam envolver os mais aptos fisicamente.
(C) os homens perdem o controle da situação.
(D) a escolha dos que vão combater é feita aleatoriamente.
(E) os seres humanos não deixam de se multiplicar.

29

Com o enunciado final do texto – ... imagine o pobre leitor o


que não será isso para a evolução do Homo sapiens... –, o
narrador sugere que
(A) as gerações futuras serão melhores que a atual.
(B) as guerras determinam um aprimoramento da espécie.
(C) a evolução do Homo sapiens poderá estar comprometida.
(D) a evolução do Homo sapiens se dará com o fim das guerras.
(E) as guerras cooperam com a evolução do Homo sapiens.

11 PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
30 32

O artigo definido serve para particularizar uma informação, Ao descrever a hora da refeição, o eu lírico reconhece
especificando-a, conforme corretamente indicado em:
(A) incômodo com as moscas que o impedem de se dedicar à
(A) As guerras não ajudam muito a remediar... degustação plena da carne.

(B) ... os que ficam em casa aproveitam... (B) impaciência com aquelas pessoas que preferem se ali-
mentar sem consumir carne.
(C) E como os que partem são agora escolhidos...
(C) semelhança entre a sua carne e a da comida preparada,
(D) ... imagine o pobre leitor... o que lhe causa repugnância.

(E) ... o que não será isso para a evolução do Homo sapiens... (D) alívio ao pensar que comer carne é um crime menor,
comparado a outros mais graves.
(E) sensação de saciedade e bem-estar, após sentar-se à
31
mesa para ingerir porções de carne.
Eliminando-se o sinal de dois-pontos em – As guerras não
ajudam muito a remediar o que se denomina de explosão
demográfica: os que ficam em casa aproveitam a deixa para 33
multiplicar-se. –, o trecho permanece correto, quanto à pon- Observe como o poema inicia cada uma das estrofes: “Cedo
tuação e ao sentido, em:
à sofreguidão do estômago.” e “Como porções de carne
(A) As guerras não ajudam muito a remediar o que se de- morta...”. O fato de se omitir o agente das orações faz com
nomina de explosão demográfica, pois os que ficam em que os enunciados
casa aproveitam a deixa para multiplicar-se. (A) redundem ao mostrar a ação do eu lírico, que a aceita
sem perplexidade.
(B) As guerras não ajudam muito a remediar o que se de-
nomina de explosão demográfica conclusão os que (B) mostrem que não existe, na realidade, a crueldade ima-
ficam em casa aproveitam a deixa para multiplicar-se. ginada na ação.
(C) As guerras não ajudam muito a remediar o que se deno- (C) subestimem a potência do eu lírico e o inabilitem para
mina de explosão demográfica, entretanto os que ficam concretizar essa ação.
em casa aproveitam a deixa para multiplicar-se.
(D) enfatizem a própria ação, centro das contradições vividas
(D) As guerras não ajudam muito a remediar o que se de- pelo eu lírico.
nomina de explosão demográfica caso os que ficam em
(E) considerem a ação como uma verdade absoluta, portanto
casa aproveitem a deixa para multiplicar-se.
inquestionável.
(E) As guerras não ajudam muito a remediar o que se de-
nomina de explosão demográfica. Enquanto os que
ficam em casa aproveitam a deixa para multiplicar-se. 34

Afirma-se que a poesia de Augusto dos Anjos é marcada pela


melancolia e pelo negativismo. No poema lido, isso se com-
Leia o poema de Augusto dos Anjos para responder às ques- prova com
tões de números 32 a 35.
(A) a ideia de morte e decomposição da matéria orgânica.
À mesa (B) a busca pela espiritualidade e pela paz interior.

Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora (C) a aceitação da morte como modo de dar sentido à vida.
De comer. Coisa hedionda! Corro. E agora,
(D) o bom humor com que o eu lírico alude à comida.
Antegozando a ensanguentada presa,
Rodeada pelas moscas repugnantes, (E) a idealização da morte para amenizar o sofrimento.
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!
35
Como porções de carne morta... Ai! Como Na segunda estrofe, as formas verbais “têm” e “tem”, em des-
Os que, como eu, têm carne, com esse assomo taque, referem-se, correta e respectivamente, a
Que a espécie humana em comer carne tem!...
(A) “carne” e “esse assomo”.
Como! E pois que a Razão me não reprime,
Possa a terra vingar-se do meu crime (B) “porções de carne morta” e “carne”.
Comendo-me também.
(C) “eu” e “esse assomo”.
(Augusto dos Anjos. Eu e outras poesias, 2011) (D) “que” e “Que”.

(E) “os” e “a espécie humana”.

PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 12
Leia o texto para responder às questões de números 36 a 42. 37

Nas passagens do primeiro parágrafo – Manipular esse


Dados pessoais, uma questão política aparelho tão prático é algo de tal forma óbvio… – e –
Localização, histórico da atividade on-line, contatos etc. são
No mundo, foram vendidos 1,424 bilhão de smartphones coletados sem pudor… –, os termos em destaque significam,
em 2015; 200 milhões a mais que no ano anterior. Um terço respectivamente,
da humanidade carrega um computador no bolso. Manipular
(A) controlar e autorização.
esse aparelho tão prático é algo de tal forma óbvio que quase
nos faz esquecer o que ele nos impõe em troca e sobre o (B) utilizar e intenção.
que repousa toda a economia digital: as empresas do Vale do (C) adulterar e interesse.
Silício oferecem aplicativos a usuários que, em contrapartida,
(D) manusear e constrangimento.
lhes entregam seus dados pessoais. Localização, histórico
da atividade on-line, contatos etc. são coletados sem pudor, (E) acionar e controle.
analisados e revendidos a anunciantes publicitários felizes
em mirar as “pessoas certas, transmitindo-lhes sua mensa-
gem certa no momento certo”, como alardeia a direção do 38
Facebook. “Se é gratuito, então você é o produto”, já anuncia-
De acordo com o texto, o que se expressa em – O labor não
va um slogan dos anos 1970.
pago do internauta se mostra mais ativo do que o do espec-
Enquanto as controvérsias sobre vigilância se multiplicam tador. (3o parágrafo) – ocorre porque
desde as revelações de Edward Snowden em 2013, a extor-
são de dados com objetivos comerciais quase não é perce- (A) a internet propicia uma maior interação ao usuário da
bida como uma questão política, ou seja, ligada às escolhas rede.
comuns e podendo se tornar objeto de uma deliberação cole- (B) a televisão comercializa produtos que o espectador não
tiva. Fora das associações especializadas, ela praticamente deseja.
não mobiliza ninguém. Talvez porque é pouco conhecida.
(C) o internauta tem uma visão mais crítica do papel de con-
Nos anos 1970, o economista norte-americano Dallas sumidor.
Smythe avisava que qualquer pessoa arriada diante de uma
tela é um trabalhador que ignora a si próprio. A televisão, (D) o espectador responde mais rápido ao apelo comercial.
explica, produz uma mercadoria, a audiência, composta da (E) o comércio pela internet atende melhor ao perfil do con-
atenção dos telespectadores, que as redes vendem para os sumidor.
anunciantes. “Você contribui com seu tempo de trabalho não
remunerado e, em troca, recebe os programas e a publicida-
de”. O labor não pago do internauta se mostra mais ativo do 39
que o do espectador. Nas redes sociais, nós mesmos con-
Na frase – as empresas do Vale do Silício oferecem aplica-
vertemos nossas amizades, emoções, desejos e cólera em
tivos a usuários que, em contrapartida, lhes entregam seus
dados que podem ser explorados por algoritmos. Cada perfil,
dados pessoais. (1o parágrafo) –, os pronomes em destaque
cada “curtir”, cada tweet, cada solicitação, cada clique derra-
referem-se, correta e respectivamente, a
ma uma gota de informação de valor no oceano dos servido-
res refrigerados instalados pela Amazon, pelo Google e pela (A) empresas e aplicativos.
Microsoft em todos os continentes. (B) usuários e leitores.
(Pierre Rimbert. Le Monde Diplomatique Brasil, setembro de 2016) (C) empresas e usuários.
(D) aplicativos e leitores.
36 (E) usuários e aplicativos.

A intenção do autor do texto é


(A) convencer os internautas a adquirirem novos produ- 40
tos, ocasionando aumento significativo nas vendas de
No texto, emprega-se a linguagem figurada com o propósito
smartphones.
de intensificar o sentido de uma informação em:
(B) promover uma crítica quanto à manipulação dos dados
pessoais dos internautas, para fins de publicidade e co- (A) No mundo, foram vendidos 1,424 bilhão de smartphones
em 2015; 200 milhões a mais que no ano anterior.
mércio digital.
(B) ... felizes em mirar as “pessoas certas, transmitindo-lhes
(C) estabelecer um enfrentamento direto em relação
sua mensagem certa no momento certo”...
à ação de associações especializadas que coíbem o
comércio digital. (C) ... a extorsão de dados com objetivos comerciais quase
(D) mostrar o quanto são improdutivas para os internau- não é percebida como uma questão política...
tas as controvérsias quanto ao uso de informações (D) ... oferecem aplicativos a usuários que, em contrapartida,
sigilosas na internet. lhes entregam seus dados pessoais.
(E) enfatizar a importância do comércio digital a partir do (E) ... cada clique derrama uma gota de informação de valor
aumento de publicidade na internet como deliberação no oceano dos servidores refrigerados...
coletiva.

13 PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
41 Leia o texto para responder às questões de números 43 a 50.

Chama-se conversão – ou derivação imprópria – o empre-


go de uma palavra fora de sua classe gramatical normal. O presbítero Eurico era o pastor da pobre paróquia
Na passagem – Cada perfil, cada “curtir”, cada tweet, cada de Carteia. Descendente de uma antiga família bárbara,
solicitação, cada clique derrama uma gota de informação de gardingo1 na corte de Vítiza, depois de ter sido tiufado2
valor... (3o parágrafo) –, o termo que exemplifica esse proces- ou milenário3 do exército visigótico vivera os ligeiros dias
so de derivação é: da mocidade no meio dos deleites da opulenta Toletum.
Rico, poderoso, gentil, o amor viera, apesar disso, que-
(A) perfil. brar a cadeia brilhante da sua felicidade. Namorado de
(B) “curtir”. Hermengarda, filha de Favila, duque de Cantábria, e irmã
do valoroso e depois tão célebre Pelágio, o seu amor fora
(C) tweet. infeliz. O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre
gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. Depois
(D) solicitação. de mil provas de um afeto imenso, de uma paixão ardente,
o moço guerreiro vira submergir todas as suas esperan-
(E) clique.
ças. Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia
a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas,
porque não é para o mundo entendê-las. Desventurado, o
42 seu coração de fogo queimou-lhe o viço da existência ao
despertar dos sonhos do amor que o tinham embalado.
Leia a charge. A ingratidão de Hermengarda, que parecera ceder sem
resistência à vontade de seu pai, e o orgulho insultuoso
do velho prócer4 deram em terra com aquele ânimo, que
o aspecto da morte não seria capaz de abater. A melan-
colia que o devorava, consumindo-lhe as forças, fê-lo cair
em longa e perigosa enfermidade, e, quando a energia de
uma constituição vigorosa o arrancou das bordas do túmulo,
semelhante ao anjo rebelde, os toques belos e puros do seu
gesto formoso e varonil transpareciam-lhe a custo através
do véu de muda tristeza que lhe entenebrecia a fronte. O
cedro pendia fulminado pelo fogo do céu.
Educado na crença viva daqueles tempos; naturalmente
(Gazeta do Povo, 23.08.2016. Adaptado) religioso porque poeta, foi procurar abrigo e consolações aos
pés d’Aquele cujos braços estão sempre abertos para rece-
Fazendo uma leitura comparativa entre a charge e o texto ber o desgraçado que neles vai buscar o derradeiro refúgio.
Dados pessoais, uma questão política, conclui-se que Ao cabo das grandezas cortesãs, o pobre gardingo encon-
trara a morte do espírito, o desengano do mundo. A cabo da
(A) os dois insistem em ponderar que a utilização dos estreita senda da cruz, acharia ele, porventura, a vida e o
smartphones deveria ter uma regulação política. repouso íntimos?
(B) a charge diferencia-se do texto, porque este se limita a O moço presbítero, legando à catedral uma porção dos
discutir a questão do roubo de informações pessoais. senhorios que herdara juntamente com a espada conquista-
dora de seus avós, havia reservado apenas uma parte das
(C) os dois trazem uma advertência quanto ao uso excessivo próprias riquezas. Era esta a herança dos miseráveis, que ele
dos smartphones e seus prejuízos à vida pessoal. sabia não escassearem na quase solitária e meia arruinada
Carteia.
(D) o texto é menos incisivo do que a charge no que diz
(Alexandre Herculano. Eurico, o presbítero, 1988)
respeito à dependência das pessoas aos smartphones.
1
(E) os dois têm em comum a ideia de que o uso do gardingo: nobre visigodo que exercia altas funções na corte dos prín-
smartphone está regulado por questões de ordem cipes
2
econômica. tiufado: o comandante de uma tropa de mil soldados, no exército godo
3
milenário: seguidor da crença de que a segunda vinda de Cristo se
daria no ano 1000
4
prócer: indivíduo importante, influente; magnata

PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 14
43 46

O que levou Eurico a dedicar-se ao sacerdócio foi um expe- A expressão destacada em – Namorado de Hermengarda, filha
diente para de Favila, duque de Cantábria, e irmã do valoroso e depois tão
célebre Pelágio, o seu amor fora infeliz. (1o parágrafo) –, está
(A) ajudar na expansão da fé cristã em época em que falta- entre vírgulas, regra de pontuação que se repete em:
vam sacerdotes.
(A) Venha logo, querida Romilda, assistir comigo a esse
(B) curar a ferida deixada pelo amor impossível por Hermen- lindo pôr-do-sol nesta praia.
garda.
(B) Ana era míope, ou seja, não enxergava muito bem,
(C) atender a um pedido de Favila, a quem devia inúmeros sobretudo pessoas inconvenientes.
favores. (C) Foi na primavera, estação das flores, que conheci a
beleza das músicas do Japão.
(D) enriquecer rapidamente, já que as igrejas dispunham de
riquezas. (D) Há objeções a sua candidatura, a saber, seu mau humor,
sua antipatia e sua indiferença.
(E) atender aos desejos de sua família, que condenava o na-
moro do jovem. (E) Aconteceu que, durante a partida de futebol, o jogador
passou mal e deixou o jogo.

44 47

A ideia de que Eurico descende de uma família de guerreiros No trecho – A ingratidão de Hermengarda, que parecera
está corretamente expressa em: ceder sem resistência à vontade de seu pai... (1o parágrafo) –,
mantém-se a expressão em destaque inalterada, com o uso do
(A) ... que herdara juntamente com a espada conquistadora
acento indicativo da crase, se o verbo “ceder” for substituído por
de seus avós...
(A) atender.
(B) ... vivera os ligeiros dias da mocidade no meio dos deleites
da opulenta Toletum. (B) concordar.

(C) Educado na crença viva daqueles tempos; naturalmente (C) discordar.


religioso porque poeta... (D) afastar-se.
(D) ... ele sabia não escassearem na quase solitária e meia (E) contestar.
arruinada Carteia.

(E) Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a 48


que o mundo deu o nome de imaginações desregradas...
A ideia contida em – ... [Eurico era] naturalmente religioso
porque poeta... (2o parágrafo) – pode ser expressa da
seguinte forma:
45
(A) Eurico era poeta, mas era naturalmente religioso.
A perífrase é uma figura de linguagem por meio da qual se
cria um torneio de palavras a fim de expressar uma ideia. (B) Embora Eurico fosse poeta, era naturalmente religioso.
Essa figura está presente em:
(C) Como Eurico era poeta, era também naturalmente
(A) O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre religioso.
gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. (D) Quanto mais era poeta, mais naturalmente Eurico era
religioso.
(B) Depois de mil provas de um afeto imenso, de uma paixão
ardente, o moço guerreiro vira submergir todas as suas (E) Desde que fosse poeta, Eurico era naturalmente religioso.
esperanças.

(C) Desventurado, o seu coração de fogo queimou-lhe o viço 49


da existência ao despertar dos sonhos do amor que o
tinham embalado. No trecho – A melancolia que o devorava, consumindo-lhe
as forças, fê-lo cair em longa e perigosa enfermidade...
(D) ... foi procurar abrigo e consolações aos pés d’Aquele (1o parágrafo) –, as informações em destaque expressam
cujos braços estão sempre abertos para receber o des-
graçado que neles vai buscar o derradeiro refúgio. (A) hipótese.

(E) Era esta a herança dos miseráveis, que ele sabia não es- (B) consequência.
cassearem na quase solitária e meia arruinada Carteia. (C) contradição.
(D) oposição.
(E) finalidade.

15 PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã
50 53

No que diz respeito à colocação das palavras na oração, O combate à corrupção entrou na agenda pública ocupando
chama-se de ordem inversa aquela que sai do esquema boa parte dos noticiários e das discussões políticas nas redes
sujeito-verbo-complemento, conforme exemplifica a seguinte sociais. , porém, é a relação entre acesso
passagem do texto: à informação pública e o papel da participação direta dos
e cidadãs na gestão pública para moni-
(A) O presbítero Eurico era o pastor da pobre paróquia de
torar os gastos de dinheiro público, orientar investimentos,
Carteia.
definir políticas , entre outros. As novas
(B) ... o moço guerreiro vira submergir todas as suas espe- tecnologias têm um papel crucial na agenda anticorrupção e
ranças. na promoção da transparência e participação.
(C) Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia... (http://politica.estadao.com.br. Adaptado)

(D) O cedro pendia fulminado pelo fogo do céu. De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem
(E) A cabo da estreita senda da cruz, acharia ele, porventura, ser preenchidas, respectivamente, com:
a vida e o repouso íntimos?
(A) Menos discutida ... cidadões ... prioritários

(B) Menas discutida ... cidadães ... prioritário


Leia o poema de Oswald de Andrade para responder às
questões de números 51 e 52. (C) Menos discutido ... cidadões ... prioritária

(D) Menas discutido ... cidadãos ... prioritárias


Erro de português
(E) Menos discutida ... cidadãos ... prioritárias
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! 54
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido Leia a charge.
O português.
(www.jornaldepoesia.jor.br)

51

De acordo com o sentido do poema, entende-se que o título


(A) condena a empreitada de colonização e a falta de pudor
dos indígenas.
(B) sugere a ignorância dos nativos do Brasil, pois desconhe-
ciam o português.
(Gazeta do Povo, 09.08.2016. Adaptado)
(C) enaltece a institucionalização dos costumes europeus
no Brasil. Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da fala da
(D) ironiza a situação de descoberta do Brasil e os costumes personagem devem ser preenchidas, respectivamente, com:
portugueses.
(A) As ... à ... atrás
(E) critica o fato de os portugueses pretenderem viver sem
roupas como os índios. (B) Às ... à ... atraz

(C) As ... a ... atráz

52 (D) Às ... à ... atrás

De acordo com o poema, há equivalência de sentido substi- (E) As ... a ... atras
tuindo-se
(A) “Quando o português chegou” por “Se o português
chegasse”.
(B) “Debaixo de uma bruta chuva” por “Debaixo de uma forte
chuva”.
(C) “Vestiu o índio” por “Despiu o índio”.
(D) “Que pena!” por “Penosamente!”.
(E) “Fosse uma manhã de sol” por “Como era uma manhã
de sol”.

PMES1601 | 001-PrEscrita-Objetiva-Parte-I-Manhã 16
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

LÍNGUA PORTUGUESA

Leia a tira para responder às questões de números 27 e 28.

(Adão Iturrusgarai. A vida como ela yeah. Folha de S.Paulo, 23.09.2017)

27 Leia o texto para responder às questões de números 29 a 31.


Entre os fatores determinantes do humor da tira, está
A tensão com a violência na disputa entre grupos de
(A) a crítica ao descaso dos presos, quando a personagem traficantes e em meio a uma megaoperação de segurança
usa sua esperteza para viver o sentido pleno da palavra na favela da Rocinha (zona sul do Rio) e arredores, neste
“liberdade”. sábado [23.09.2017], teve um saldo de três suspeitos mortos,
uma criança ferida e nove homens presos no Rio de Janeiro.
(B) a impossibilidade de a personagem conseguir fugir e, Houve intensa troca de tiros no início da tarde, depois de
assim, dar o real sentido ao título da tira. registro de tiros durante a madrugada.
(C) a oposição entre a ideia transmitida pela palavra “levar” e O tiroteio do início da tarde, que aparentemente ocorria
a atitude da personagem ao final da história. na parte alta da comunidade, durou cerca de dez minutos, por
volta das 13h, e obrigou militares e jornalistas a se abrigarem
(D) a quebra da expectativa ao final da história, consideran- na 11a DP, que fica no pé da favela. Ainda não há informações
do-se o sentido ambíguo presente no título da tira. sobre o que teria desencadeado o tiroteio.
(E) o entendimento da palavra “conhecimento”, como equi- A Polícia Militar trocou tiros com suspeitos em pontos do
valente à ideia de privação de liberdade. Alto da Boa Vista, da Tijuca e de Santa Teresa. Nos dois pri-
meiros casos, a Polícia Civil confirmou a suspeita de vínculo
com os conflitos na Rocinha.
28 (UOL. https://noticias.uol.com.br. 23.09.17. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a frase está correta quanto à


regência, de acordo com a norma-padrão. 29
(A) O preso aspira pela liberdade e está convicto que lhe De acordo com o texto, a tensão vivida na favela da Rocinha
alcançará. ocorreu devido à
(B) O preso anseia pela liberdade e está convicto de que a (A) disputa de poder na parte alta da comunidade, rapida-
alcançará. mente controlada pela ação da Polícia Militar no local e
(C) O preso deseja a liberdade e está convicto que lhe em outros pontos da cidade.
alcançará. (B) troca de tiros entre a Polícia Militar e suspeitos em pontos
(D) O preso quer à liberdade e está convicto que a alcançará. do Alto da Boa Vista e da Tijuca, pondo em risco militares
e jornalistas.
(E) O preso busca pela liberdade e está convicto de que lhe
alcançará. (C) ação dos militares que deixou como saldo três suspeitos
mortos, uma criança ferida e nove homens presos no Rio
de Janeiro.

(D) suspeita de vínculos entre os conflitos dessa favela com


outros, envolvendo a Polícia Militar em pontos do Alto da
Boa Vista e da Tijuca.

(E) disputa entre grupos de traficantes e tornou-se ainda


mais dramática em razão da megaoperação de segu-
rança.
11 PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã
30 Leia o soneto para responder às questões de números 32 a 36.

Na passagem “…e obrigou militares e jornalistas a se abriga- Disse ao meu coração: Olha por quantos
rem na 11a DP, que fica no pé da favela.” (2o parágrafo), a Caminhos vãos andamos! Considera
oração em destaque traduz sentido de
Agora, d’esta altura fria e austera,
(A) restrição, na qual a expressão “no pé da favela” consiste Os ermos que regaram nossos prantos…
numa metáfora, ou seja, uma forma de relação de seme- Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
lhança entre termos.
E noite, onde foi luz de primavera!
(B) conclusão, na qual a expressão “no pé da favela” consis- Olha a teus pés o mundo e desespera,
te numa metonímia, ou seja, uma forma de substituir um Semeador de sombras e quebrantos!
termo ou locução.
Porém o coração, feito valente
(C) explicação, na qual a expressão “no pé da favela” con- Na escola da tortura repetida,
siste numa catacrese, ou seja, uma forma cristalizada de E no uso do penar tornado crente,
linguagem metafórica.
Respondeu: D’esta altura vejo o Amor!
(D) adição, na qual a expressão “no pé da favela” consiste Viver não foi em vão, se é isto a vida,
numa sinestesia, ou seja, uma forma de linguagem a par- Nem foi demais o desengano e a dor.
tir de diferenças sensoriais. (Antero de Quental, Antologia)

(E) consequência, na qual a expressão “no pé da favela”


consiste numa ironia, ou seja, uma alusão crítica ao local 32
descrito no texto.
O sentido do poema é perpassado pelo

(A) pessimismo, que se manifesta na dualidade do eu lírico


31 marcada na análise melancólica que faz da vida.

No texto, em relação aos termos traficantes (1o parágrafo) (B) idealismo, que reporta os sentimentos do eu lírico a uma
e aparentemente (2o parágrafo), é correto afirmar que o pri- dimensão de perfeição.
meiro deriva por
(C) transcendentalismo, que faz com que o eu lírico tenha
(A) sufixação, sendo que “-nte” forma nome de agente; e o uma visão entusiasmada da vida e do amor.
segundo, por sufixação, com “-mente” agregando valor
de modo ao vocábulo. (D) desencanto, que sugere o eu lírico fraco e hesitante em
relação às suas experiências de vida.
(B) parassíntese, sendo a palavra formada um adjetivo; e o
segundo, por prefixação, com “a-” assumindo valor de (E) estoicismo, que revela o eu lírico resignado diante das
negação no vocábulo. experiências negativas que marcaram sua vida.

(C) sufixação, sendo que “-nte” forma nome derivado de ver-


bo; e o segundo, por parassíntese, sendo a palavra for-
mada indicativa de causa. 33

(D) parassíntese, sendo que “-nte” expressa sentido de abun- Entende-se a resposta do coração ao eu lírico como uma
dância; e o segundo, por prefixação, com “a-” assumindo
valor de movimento. (A) confirmação de que sua vida foi de fato só sofrimento.

(E) regressão, sendo que “-nte” forma nome de agente; e o (B) constatação de que sua vida tenha sido só sofrimento.
segundo, por sufixação, com “-mente” assumindo valor
(C) ressalva de que sua vida poderia ter sido só sofrimento.
de intensidade no vocábulo.
(D) refutação de que sua vida tenha sido só sofrimento.

(E) hipótese de que sua vida poderia ter sido só sofrimento.

PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã 
34 Leia o texto para responder às questões de números 37 a 39.

Considerando o contexto em que estão empregados na pri-


meira estrofe do poema “Disse ao meu coração: Olha por
quantos / Caminhos vãos andamos! Considera / Agora,
d’esta altura fria e austera, / Os ermos que regaram nos-
sos prantos…”, os termos destacados remetem, respectiva-
mente, aos sentidos de

(A) ríspidos; sombria; banharam.

(B) presunçosos; tênue; trataram.

(C) fúteis; rigorosa; umedeceram.

(D) infrutíferos; branda; secaram. A Globo encerrou nesta segunda-feira [25.09.2017] a


sua novela das seis, “Novo Mundo”. Aplaudida pelo público
(E) vazios; tenra; amenizaram. e crítica – merecidamente –, a produção teve média final no
Ibope da Grande SP de 24 pontos. Seu sucesso é medido
pelos números de audiência e também pela repercussão: foi
uma novela comentada, que gerou buchicho.
35
Os puristas que clamaram por fatos históricos reprodu-
Nos versos “Porém o coração, feito valente / Na escola da zidos ipsis litteris* esquecem que essa nunca foi a proposta
tortura repetida, / E no uso do penar tornado crente, / Res- da novela. Afinal, tratava-se de uma obra baseada em fatos
pondeu...”, o termo em destaque estabelece relação coesiva, reais, logo a liberdade de criação estava assegurada. Sem a
cujo sentido é de pretensão de ser uma “aula de História”, “Novo Mundo”, além
de entreter, despertou no público o interesse pela História do
(A) condição, sendo possível substituí-lo por “Desde que”. Brasil, o que, por si só, já foi um mérito e tanto.
*ipsis litteris: tal como está escrito
(B) conclusão, sendo possível substituí-lo por “Portanto”.
(Blog do Nilson Xavier.
https://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br. 25.09.2017. Adaptado)
(C) explicação, sendo possível substituí-lo por “Pois”.

(D) causa, sendo possível substituí-lo por “Porque”. 37

(E) oposição, sendo possível substituí-lo por “Todavia”. No texto, a opinião do autor está explícita na passagem:
(A) A Globo encerrou nesta segunda-feira [25.09.2017] a sua
novela das seis…
36 (B) Aplaudida pelo público e crítica – merecidamente…

Assinale a alternativa em que a reescrita de passagem do (C) … a produção teve média final no Ibope da Grande SP
poema está em conformidade com a norma-padrão. de 24 pontos.
(D) Seu sucesso é medido pelos números de audiência…
(A) Olha o mundo, coração, que aos pés de ti estão e deses-
(E) Os puristas que clamaram por fatos históricos reproduzi-
pera…
dos ipsis litteris…
(B) O coração respondeu que o desengano e a dor nem
foram demais. 38

(C) Onde flor e encantos frutificou, hoje há pó e cinzas! De acordo com o texto, os puristas desejavam que
(A) os fatos históricos fossem banidos da novela, razão pela
(D) Coração, veja por quantos caminhos vãos andamos tu
qual clamaram por uma obra em que a liberdade de cria-
e eu!
ção dos autores fosse plena.
(E) Esta altura fria e austera permitem ver os ermos que re- (B) a proposta inicial da novela fosse alterada, de tal sorte
garam nossos prantos… que os fatos históricos fossem relegados a um plano
secundário na narrativa.
(C) a História do Brasil fosse retratada de forma idealizada, o
que poderia engrandecer os fatos históricos reproduzidos
na novela.
(D) a realidade e a ficção fossem equilibradas, de tal forma
que o público pudesse entender a proposta didática a
que a novela se propôs.
(E) a novela retratasse os fatos históricos como realmente
aconteceram, o que comprometeria a liberdade de cria-
ção dos autores.
 PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã
39 Leia o texto para responder às questões de números 41 a 45.

De acordo com a norma-padrão e com o sentido do texto AUTOR – Eu sou o autor de uma mulher que inventei e
original, a passagem “Sem a pretensão de ser uma ‘aula a quem dei o nome de Ângela Pralini. Eu vivia bem com ela.
de História’, ‘Novo Mundo’, além de entreter, despertou no Mas ela começou a me inquietar e vi que eu tinha de novo
público o interesse pela História do Brasil…” está correta- que assumir o papel de escritor para colocar Ângela em pala-
mente reescrita em: vras porque só então posso me comunicar com ela.
Eu escrevo um livro e Ângela outro: tirei de ambos o
(A) Sem a pretensão de ser uma “aula de História”, “Novo
supérfluo.
Mundo” entreteve o público e despertou-lhe o interesse
pela História do Brasil… Eu escrevo à meia-noite porque sou escuro. Ângela
escreve de dia porque é quase sempre luz alegre.
(B) Embora sem a pretensão de ser uma “aula de História”, Este é um livro de não memórias. Passa-se agora mes-
“Novo Mundo” entreteu o público, mas despertou nele o mo, não importa quando foi ou é ou será esse agora mesmo.
interesse pela História do Brasil… (…)
ÂNGELA – Viver me deixa trêmula.
(C) Sem a pretensão de ser uma “aula de História”, “Novo
AUTOR – A mim também a vida me faz estremecer.
Mundo” entretinha o público e o despertou o interesse
ÂNGELA – Estou ansiosa e aflita.
pela História do Brasil…
AUTOR – Vejo que Ângela não sabe como começar.
(D) Enquanto sem a pretensão de ser uma “aula de História”, Nascer é difícil. Aconselho-a a falar mais facilmente sobre
“Novo Mundo” entreteve ao público, porque nele desper- fatos? Vou ensiná-la a começar pelo meio. Ela tem que dei-
tou o interesse pela História do Brasil… xar de ser tão hesitante porque senão vai ser um livro todo
trêmulo, uma gota d’água pendurada quase a cair e quando
(E) Sem a pretensão de ser uma “aula de História”, “Novo cai divide-se em estilhaços de pequenas gotas espalhadas.
Mundo” entretivera o público e, inclusive, despertou ele Coragem, Ângela, comece sem ligar para nada.
para o interesse pela História do Brasil… (Clarice Lispector. Um sopro de vida)

40 41
Leia a tira. A leitura do texto permite concluir que se trata de uma

(A) exposição objetiva, ou seja, aquela em que o narrador


deixa prevalecer a racionalidade, sem mostrar-se subje-
tivamente.

(B) autobiografia, ou seja, aquela em que o narrador revela


momentos de sua vida e os analisa com imparcialidade.

(C) reminiscência, ou seja, aquela lembrança vaga que des-


perta sentimentos do narrador, até então desconhecidos.

(D) metanarrativa, ou seja, aquela em que o narrador explici-


ta e questiona o próprio processo de criação do enredo.

(E) narração impressionista, ou seja, aquela que carrega


elementos objetivos sem intenção de explorar possíveis
sentimentos das personagens.

(CJ. Politicopatas. Folha de S.Paulo, 31.08.2017. Adaptado)

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas nas falas


das personagens devem ser preenchidas, respectivamente,
com:

(A) suspensão … têm … Porque

(B) suspenção … tem … Por que

(C) suspensão … tem … Por quê

(D) suspenssão … tem … Porquê

(E) suspenção … têm … Por quê

PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã 
42 45

Na construção da narrativa, revela-se que Autor e Ângela têm Em relação aos períodos “Viver me deixa trêmula.” e “Vejo
algumas preferências que Ângela não sabe como começar.”, é corretor afirmar que

(A) opostas e estabelecem entre si uma relação de interde- (A) ambos são simples, com verbos de mesma regência.
pendência, por meio da qual se evidenciam seus questio-
namentos íntimos. (B) o primeiro é simples; e o segundo, composto de orações
subordinadas.
(B) contraditórias e são naturalmente indecisos e apegados
às memórias, reforçando a ideia de introspecção psico- (C) ambos são compostos por subordinação com orações
lógica. substantivas.

(C) comuns, notadamente aquelas alinhadas à tranquilidade (D) as orações do primeiro são coordenadas; e as do segun-
de suas índoles, o que revela comportamentos previsíveis. do, subordinadas.

(D) excêntricas, e isso se deve à forma pouco entusiasmada (E) o primeiro é simples; e o segundo, formado de orações
como veem a vida, o que permite vislumbrar sem encan- coordenadas.
tamento suas intimidades.

(E) ambíguas, fruto de uma concepção de vida pautada no 46


medo de serem autênticos, o que destoa do caráter inti-
Faz três semanas que o secretário-geral da OEA espe-
mista da narrativa.
ra que o Conselho Permanente da entidade se reúna para
adotar uma posição mais dura em relação à crise na Vene-
zuela. Cabe ao diplomata brasileiro a tarefa de convocar os
43 representantes dos 34 países-membros. Não se sabe se por
alguma orientação do Itamaraty, mas o fato é que até agora o
Na frase “AUTOR – A mim também a vida me faz estre- embaixador segue na dele.
mecer.”, a expressão em destaque está empregada
(IstoÉ, 16.08.2017. Adaptado)
(A) para dar ênfase à situação do autor, e nela falta o acento
Com a frase final do texto – … até agora o embaixador segue
indicativo da crase.
na dele. –, o autor
(B) como um pleonasmo, proporcionando possíveis ambigui-
(A) mostra, explicitamente, o receio que o diplomata brasilei-
dades no enunciado do autor.
ro tem de atender ao pedido do secretário da OEA.
(C) de forma redundante, com a clara intenção de dar desta-
(B) pondera, com humor, que o diplomata brasileiro enfrenta
que ao sentimento do autor.
o Itamaraty quando o assunto é a crise na Venezuela.
(D) para atenuar o sentimento do autor, funcionando como
(C) critica, com graça, a falta de iniciativa do diplomata brasi-
uma espécie de eufemismo.
leiro em relação à crise na Venezuela.
(E) em sentido figurado, por meio da qual o autor compara a
(D) reitera, com desânimo, a negligência do diplomata bra-
sua situação à de Ângela.
sileiro e dos países-membros da OEA quanto à crise na
Venezuela.

44 (E) comenta, com euforia, a dinâmica com que o diplomata


brasileiro avalia a crise na Venezuela.
Com a frase “Ela tem que deixar de ser tão hesitante porque
senão vai ser um livro todo trêmulo…”, entende-se que o
Autor decide ensinar Ângela a começar o livro pelo meio para
evitar que

(A) o leitor entre em contradição.

(B) a leitura seja automatizada.

(C) a fruição da leitura aconteça.

(D) os sentidos se dispersem.

(E) ela tenha uma diretriz na escrita.

 PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã
Leia o texto para responder às questões de números 47 a 51. 48

– Bem dizia eu, que aquela janela… Com a passagem “Ainda assim, belas e amáveis leitoras,
– É a janela dos rouxinóis. entendamo-nos…”, o narrador faz
– Que lá estão a cantar. (A) uma advertência de que sua narrativa fugirá dos padrões
– Então, esses lá estão ainda como há dez anos – os vigentes, ideia sintetizada na frase “é uma história sim-
mesmos ou outros – mas a menina dos rouxinóis foi-se e não ples e singela, sinceramente contada e sem pretensão”.
voltou.
– A menina dos rouxinóis? Que história é essa? Pois (B) uma interação controlada para expor a história a ser
deveras tem uma história aquela janela? narrada sem “situações e incidentes raros”, mas ainda
assim nos moldes dos franceses, nos quais “há outro
– É um romance todo inteiro, todo feito, como dizem os
não sei quê”.
franceses, e conta-se em duas palavras.
– Vamos a ele. A menina dos rouxinóis, menina com olhos (C) uma crítica às suas leitoras, ao afirmar que se trata de
verdes! Deve ser interessantíssimo. Vamos à história já. “damas que estão mal informadas”, por isso propõe a
– Pois vamos. Apeiemos e descansemos um bocado. elas “uma história simples e singela”.
Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos
nossos companheiros de viagem. Apeamo-nos, com efeito; (D) uma concessão às leitoras, atendendo-lhes o gosto lite-
sentamo-nos; e eis aqui a história da menina dos rouxinóis rário, propondo, portanto, algo que “não é um romance,
como ela se contou. não tem aventuras enredadas”.
É o primeiro episódio da minha odisseia: estou com medo (E) uma exposição da sua limitação criativa, fruto da impo-
de entrar nele porque dizem as damas e os elegantes da nos- sição de valores da cultura francesa, o que compromete
sa terra que o português não é bom para isto, que em francês sua arte: “estou com medo de entrar nele”.
que há outro não sei quê…
Eu creio que as damas que estão mal informadas, e
sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho
49
meu receio, porque, enfim, deles me rio eu; mas poesia ou
romance, música ou drama de que as mulheres não gostem Na passagem – … mas a menina dos rouxinóis foi-se e não
é porque não presta. voltou. –, o pronome em destaque está empregado com valor
Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos: enfático. Assinale a alternativa em que há emprego seme-
o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras lhante.
enredadas, peripécias, situações e incidentes raros; é uma
história simples e singela, sinceramente contada e sem pre- (A) É um romance todo inteiro, todo feito […], e conta-se em
tensão. duas palavras.
Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a maté- (B) Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos
ria do meu conto para o seguinte. nossos companheiros de viagem.
(Almeida Garrett. Viagens na Minha Terra)
(C) Apeamo-nos, com efeito; sentamo-nos; e eis aqui a his-
tória…
47
(D) … e eis aqui a história da menina dos rouxinóis como ela
Na passagem lida, o narrador faz referência ao primeiro epi- se contou.
sódio de sua odisseia, o qual corresponde
(E) … mas sempre tenho meu receio, porque, enfim, deles
(A) ao diálogo entre ele e um dos companheiros de viagem. me rio eu…

(B) a uma conversa sobre belas e amáveis leitoras.


50
(C) a um conto narrado à moda francesa.
Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal.
(D) a um drama de que as mulheres não gostam.
(A) Dizem as damas e os elegantes da nossa terra que a
(E) à história da menina dos rouxinóis. língua portuguesa não é bom para isto.

(B) O que vou contar não tem bastantes aventuras enreda-


das, peripécias, situações e incidentes raros.

(C) As mulheres não gostam de poesia, romance, música ou


drama más, e isso é sinal de que são ruim.

(D) Eu creio que haja má informações circulando entre as


mulheres e os tolos de nossa terra.

(E) As damas e os elegantes acreditam que as narrativas em


francês são melhor do que as em português.

PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã 16
51 52

Observe as frases: O poema de Drummond é exemplo de poesia


‡ &KHJDPRV fim do capítulo em forma de (A) existencialista, centralizando a atenção na passagem do
, com a matéria do meu conto para o seguinte. tempo, sem que haja problemas que afetem o eu lírico.
‡ 'LVFRUGR certas damas e certos tolos, que
preferem para se contar uma história. (B) intimista, explorando a relação do eu lírico com a passa-
gem do tempo, marcada pela indiferença.
De acordo com a norma-padrão e os sentidos do texto, as
lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com: (C) lírica, analisando a influência que o eu lírico recebe do
tempo, que o resguarda de experiências cruéis.
(A) ao … apresentação … a … o português mais que o francês
(D) metafísica, abordando o tempo e suas contradições na
(B) no … conclusão … com … o francês do que o português existência humana, prendendo o homem e libertando-o.

(C) ao … introdução … de … o francês ao português (E) filosófica, negando a importância do tempo e pontuando
a morte como opressão natural ao ser humano.
(D) no … síntese … com … mais o português ao francês

(E) ao … prefácio … de … mais o francês do que o português


53

Na passagem “A alma sorri, já bem perto / da raiz mesma


Leia o poema para responder às questões de números do ser.”, entende-se que a expressão em destaque aponta
52 a 54. no ser humano

Duração (A) a sua essência.

O tempo era bom? Não era (B) o seu corpo.


O tempo é, para sempre.
A hera da antiga era (C) a sua razão.
roreja* incansavelmente. (D) a sua crença.
Aconteceu há mil anos?
(E) o seu poder.
Continua acontecendo.
Nos mais desbotados panos
estou me lendo e relendo.
54
Tudo morto, na distância
que vai de alguém a si mesmo? Nos versos “A hera da antiga era” e “de ferros forjados no ar”,
Vive tudo, mas sem ânsia as figuras de linguagem presentes são, correta e respectiva-
de estar amando e estar preso. mente,

Pois tudo enfim se liberta (A) hipérbole e personificação.


de ferros forjados no ar.
A alma sorri, já bem perto (B) hipérbole e onomatopeia.
da raiz mesma do ser. (C) paronomásia e gradação.
(Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco)
(D) metáfora e assonância.
* brota gota a gota: orvalho, suor, lágrima

(E) paronomásia e aliteração.

 PMES1702 | 001-PrObjetiva-Parte-I-Manhã
GABARITOS
2010: 41-C, 42-E, 43-D, 44-B, 45-A, 46-B, 47-A, 48-C, 49-D, 50-E, 51-A, 52-D, 53-B, 54-E, 55-C,
56-D, 57-A, 58-B, 59-E, 60-C, 61-A, 62-E, 63-D, 64-B, 65-C, 66-A, 67-D, 68-B, 69-A, 70-E

2011: 41-C, 42-B, 43-E, 44-D, 45-A, 46-D, 47-C, 48-D, 49-E, 50-B, 51-C, 52-A, 53-C, 54-A, 55-B,
56-E, 57-E, 58-D, 59-C, 60-A, 61-B, 62-D, 63-A, 64-B, 65-E, 66-C, 67-E, 68-B, 69-A, 70-E

2012: 31-E, 32-B, 33-D, 34-C, 35-B, 36-A, 37-D, 38-E, 39-D, 40-C, 41-A, 42-D, 43-B, 44-C, 45-D,
46-E, 47-B, 48-C, 49-A, 50-E, 51-A, 52-D, 53-B, 54-C, 55-A, 56-E, 57-B, 58-A, 59-C, 60-E

2013: 31 - C - 32 - B - 33 - D - 34 - A - 35 - E - 36 - A - 37 - C - 38 - E - 39 - B - 40 - D 41 - B - 42 -
C - 43 - E - 44 - D - 45 - D - 46 - D - 47 - B - 48 - A - 49 - E - 50 - C 51 - A - 52 - E - 53 - B - 54 - D -
55 - C - 56 - D - 57 - B - 58 - C - 59 - A - 60 - E

2014: 31 – C 32 – E 33 – A 34 – D 35 – B 36 – B 37 – D 38 – C 39 – E 40 – A 41 – E 42 – A 43 – C
44 – B 45 – D 46 – A 47 – E 48 – C 49 – B 50 – D 51 – A 52 – B 53 – E 54 – D 55 – C 56 – D 57 – C
58 – B 59 – A 60 – E

2015: 27 - D 28 - A 29 - E 30 - C 31 - B 32 - A 33 - B 34 - C 35 - E 36 - D 37 - C 38 - D 39 - E 40 - A
41 - B 42 - E 43 - C 44 - D 45 - A 46 - B 47 - C 48 - E 49 - D 50 - B 51 - A 52 - B 53 - A 54 - E

2016: 27 - B 28 - E 29 - C 30 - D 31 - A 32 - C 33 - D 34 - A 35 - E 36 - B 37 - D 38 - A 39 - C 40 - E
41 - B 42 - E 43 - B 44 - A 45 - D 46 - C 47 - A 48 - C 49 - B 50 - E 51 - D 52 - B 53 - E 54 - D

2017: 27 - D 28 - B 29 - E 30 - C 31 - A 32 - A 33 - D 34 - C 35 - E 36 - B 37 - B 38 - E 39 - A 40 - C
41 - D 42 - A 43 - C 44 - D 45 - B 46 - C 47 - E 48 - A 49 - E 50 - B 51 - C 52 - D 53 - A 54 - E

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