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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

PROPOSTA DE UMA REDE DE DADOS DE BAIXO CUSTO VISANDO

A INCLUSÃO DIGITAL

CURITIBA

2005

EVANDRO LUZ MACHADO

JUSSARA PEDROSO

PROPOSTA DE UMA REDE DE DADOS DE BAIXO CUSTO VISANDO

A INCLUSÃO DIGITAL

Projeto Final apresentado como requisito para conclusão do Curso de Graduação em Engenharia Elétrica, do Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná.

Orientador

Mattos Mehl.

Professor

CURITIBA

2005

Dr.

Ewaldo

Luiz

de

Agradecemos

ao

Professor Ewaldo Luiz de Mattos Mehl, pela

orientação, disposição e sensibilidade que teve em todos os momentos.

aos

familiares e amigos, pelo estímulo e apoio.

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS

5

LISTA DE TABELAS

7

1. INTRODUÇÃO

8

2. A INTERNET NO BRASIL

9

2.1. A IMPORTÂNCIA DA INTERNET

11

2.2. PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL

16

3. ESTUDO DE CASO

21

3.1. SUD MENNUCCI - SP

21

3.2. PIRAÍ - RJ

23

3.3. OURO PRETO - MG

28

3.4. PINHAIS - PR

33

3.5. COMPARATIVO DOS CASOS DE ESTUDO

40

4. TECNOLOGIAS ESTUDADAS

43

4.1.

REDES CABEADAS

46

4.2.

REDES SEM FIO (WIRELESS)

52

4.2.1.

Funcionamento de uma Rede sem Fio

54

4.2.2.

Topologia de uma Rede sem Fio

55

4.2.3.

Pontos de Acesso

58

4.2.4.

Estações

59

4.2.5.

Tipos de Transmissão

61

4.2.6.

Antenas

62

4.2.7.

Redes Wi-Fi

70

4.2.8.

Redes Wi-Max

79

4.2.9.

Bluetooth

86

4.3.

COMPARATIVO ENTRE TECNOLOGIAS

88

5. PROPOSTA DA REDE DE DADOS

90

5.1.

ASPECTOS GEOGRÁFICOS E HISTÓRICOS

91

5.2.

CENÁRIO ATUAL

92

5.3.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

97

5.3.1.

Órgãos Municipais

98

5.3.2.

Desenvolvimento do Projeto

98

5.3.3.

Escolas

112

5.3.4.

População

117

iii

6.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

119

7. REFERÊNCIAS

iv

120

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Crescimento da utilização de acesso banda larga no Brasil [10]

9

Figura 2 – Comparativo mundial dos custos do acesso banda [9]

10

Figura 3 – Despesas mensais em função da renda no Brasil [10]

11

Figura 4 – Primeira topologia na cidade de Piraí [37]

26

Figura 5 – Topologia híbrida na cidade de Piraí [37]

26

Figura 6 - Vista do local onde estão instaladas antenas para atender ao projeto de Ouro Preto. [2]

29

Figura 7 – Instalação na Universidade de Ouro Preto [2]

30

Figura 8 – Rede local típica [2]

31

Figura 9 – Rede Comunitária [2]

31

Figura 10 – Cobertura da rede de dois fabricantes diferentes. [2]

32

Figura 11 – Diagrama da rede de Pinhais. [12]

35

Figura 12 – Imagem captada por câmera de segurança em laboratório de informática

da escola. [12] Figura 13 – Sistema para monitoramento das câmeras de segurança. [12]

da escola. [ 1 2 ] Figura 13 – Sistema para monitoramento das câmeras de segurança.

35

36

Figura 14 – Monitoramento das câmeras de segurança. (foto dos autores) 36

Figura 15 – Esquemático da rede de Pinhais. [12] Figura 16 - Rádio Enterasys R2 [12] Figura 17 - Rádio Enterasys AP 2000 [12] Figura 18 - Switch SSR 2000 [12] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [12] Figura 20 - Antena Omnidirecional [12]

SSR 2000 [ 1 2 ] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [ 1 2 ]
SSR 2000 [ 1 2 ] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [ 1 2 ]
SSR 2000 [ 1 2 ] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [ 1 2 ]
SSR 2000 [ 1 2 ] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [ 1 2 ]
SSR 2000 [ 1 2 ] Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [ 1 2 ]

37

37

38

38

38

39

Figura 21 - Antena direcional (foto dos autores) 39

Figura 22 - Topologia em Barramento. [19]

43

Figura 23 - Topologia em Estrela. [19]

44

Figura 24 - Topologia em Anel. [19]

44

Figura 25 - Topologia em Malha. [19]

45

Figura 26 - Classificação das redes quanto à sua extensão geográfica. [36]

45

Figura 27 - Cabo coaxial e conector em placa de rede. [1]

47

Figura 28 - Par trançado e conector RJ45 para par trançado. [1]

48

Figura 29 - Cabos de fibra óptica. [1]

49

Figura 30 - Roaming entre os Pontos de Acesso. [18]

54

Figura 31 - Instalação externa típica wireless. [24]

55

Figura 32 - Rede IBSS. [24]

56

Figura 33 - Rede BSS. [24]

57

Figura 34 - Rede ESS. [24]

57

Figura 35 - Diferentes modelos de Pontos de

59

Figura 36 - Interfaces Wireless PCI. [44]

60

Figura 37 - Cartões PCMCIA. [44]

60

Figura 38 - Interfaces wireless USB. [44]

61

Figura 39 - Ponto de acesso com as antenas padrão. [42]

64

Figura 40 - Antena Yagi. [42]

65

Figura 41 - Diagrama tridimensional de irradiação das antenas omnidirecionais. [43] .65

Figura 42 - Ganho das antenas omnidirecionais [43] Figura 43 - Antenas ominidirecionais. [42]

Figura 42 - Ganho das antenas omnidirecionais [ 4 3 ] Figura 43 - Antenas ominidirecionais.

66

66

5

Figura 44 - Antena de Grade. [42]

67

Figura 45 – Perda e ganho de sinal durante o percurso da onda

68

Figura 46 – Frequências de operação dos principais padrões 802.11

73

Figura 47 - Ilustração da canalização do padrão IEEE 802.11 no Brasil (2,4 GHz) [18]

 

74

Figura 48 – Formato dos frames 802.11. [7]

76

Figura 49 - Mecanismos de autenticação [14]

78

Figura 50 - Simbologia de warchalking. [23]

79

Figura 51 – Aplicações atendidas com o Wi-Max. [4]

80

Figura 52 – Bandas que poderão ser utilizadas pelos padrões 802.16a/d. [1]

84

Figura 53 - Topologia IEEE 802.16a. [11]

86

Figura 54 – Localização de Morretes no Estado do Paraná. [31]

91

Figura 55 – Localização de Morretes [26]

92

Figura 56 - Escola Municipal Miguel Schleder.(foto dos autores)

95

Figura 57 - Restaurante Casarão. (foto dos autores)

97

Figura 58 – Mapa com prédios atendidos pela rede sem fio

99

Figura 59 – Antena Omnidirecional

106

Figura 60 – Lóbulo de radiação vertical

107

Figura 61 – Antena Direcional

107

Figura 62 – Lóbulo de radiação horizontal

108

Figura 63 – Exemplo de um ponto de acesso sem fio

108

Figura 64 – Exemplo de placa de rede

110

Figura 65 – Mapa com as escolas municipais que poderão ser atendidas pela rede.

6

113

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Comparativo dos casos estudados

41

Tabela 2 – Alcance máximo de antennas no horizonte

68

Tabela 3 – Condições de uso das frequências de Wi-Fi

71

Tabela 4 – Características dos principais padrões 802.11. [23]

72

Tabela 5 - Canalização do padrão IEEE 802.11 no Brasil (2,4 GHz) [18]

74

Tabela 6 - Evolução das especificações do IEEE para a Wireless

82

Tabela 7 – Participantes do Wi-Max fórum

82

Tabela 8 – Algumas faixas de frequência e suas

85

Tabela 9 – Comparativo básico entre tecnologias

89

Tabela 10 – Quantidade de computadores nos diversos setores

93

Tabela 11 - Censo Escolar de Morretes realizado em 16 de Agosto de 2.005 [26]

94

Tabela 12 – Legenda da Figura 58

99

Tabela 13 - Equipamentos para a rede cabeada:

102

Tabela 14 – Equipamentos para rede sem fio, considerando tecnologia

106

Tabela 15 – Características técnicas do ponto de

109

Tabela 16 – Características Técnicas da Placa de Rede Wireless PCI

110

Tabela 17 – Legenda do mapa da figura

114

Tabela 18 – Equipamentos e custos para a segunda etapa do

116

Tabela 19 – Detalhamento do microcomputador

116

7

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo estudar e propor a melhor solução para uma rede de acesso de dados, focando o baixo custo, para uma pequena cidade de aproximadamente 18.000 habitantes, visando a inclusão digital da população. Inclusão Digital é uma forma de familiarizar não só a tecnologia, mas também a informação à sociedade com o intuito de melhorar a capacitação profissional e intelectual das pessoas estimulando suas competências e inteligências a fim de reduzir a alienação dessas em relação a diversos aspectos da vida. Formalmente a Inclusão digital deve ser tratada como “um elemento constituinte da política de governo eletrônico, para que esta possa configurar-se como política universal. Essa visão funda-se no entendimento da inclusão digital como direito de cidadania e, portanto, objeto de políticas públicas para sua promoção”. [6] Por sugestão do Professor Doutor Ewaldo L. M. Mehl, após nos repassar a reportagem “Vida sem fio muda rotina de Cidade” [33] sobre a cidade de Sud Mennucci, decidimos fazer este estudo, pois se trata de um tema em evidência, com poucos casos no Brasil e que ainda deve ser estudado para um melhor aproveitamento das tecnologias disponíveis no mercado. Desenvolvendo um trabalho como este, esperamos que, além do aprofundamento técnico, sejam absorvidos conhecimentos comerciais, políticos e sociais acerca da pesquisa e sua aplicação. O estudo também tem como objetivo aproximar a engenharia que aprendemos na faculdade com a engenharia do dia a dia, sempre buscando melhorias para a sociedade e principalmente para as parcelas excluídas o que, neste caso, se configura como sendo a população sem acesso às tecnologias digitais. Para isso, buscamos conhecimento técnico e nos aprofundamos em casos reais de inclusão digital, ganhando experiência nas áreas que complementam a engenharia, como as áreas sociais e econômicas. Por fim, estudamos o caso em uma cidade que poderá no futuro utilizar estas informações para a implantação de uma rede de dados de baixo custo tornando o trabalho uma real obra de engenharia.

8

2.

A INTERNET NO BRASIL

O Brasil é um país com enormes desigualdades sociais e culturais, onde os 10% mais ricos da população possuem a maior parte da renda brasileira, enquanto os 50% mais pobres ficam excluídos de um nível mínimo de qualidade de vida. Isso reflete diretamente em termos de acesso à tecnologia, informação, saúde, educação e desenvolvimento. Vivemos em um mundo em que, infelizmente, somente 13% da população mundial têm acesso à Internet. No Brasil temos números parecidos: somente 9,8% da população usam a Internet [10] . Se pensarmos que a tecnologia é um recurso facilitador na vida de cada um, é impensável que se constitua mais uma forma de riqueza e que, como os outros bens, somente uma parcela muito pequena da população possa ter acesso a ela. Na Figura 1 podemos verificar a evolução do acesso à Internet no Brasil. Nos últimos 2 anos as conexões banda larga cresceram 200%, representando quase 40% de todos os acessos.

200%, representando quase 40% de todos os acessos. Figura 1 – Crescimento da utilização de acesso

Figura 1 – Crescimento da utilização de acesso banda larga no Brasil [10] .

Apesar de termos números impressionantes de crescimento e desenvolvimento, como a 11ª colocação em números de web sites no mundo, a

9

frente de França e Austrália, ainda assim temos menos de 10% da população acessando a Internet, contra 53% da Holanda, por exemplo [9] . Estudos comprovam que os preços de acesso à Internet banda larga no Brasil estão entre os mais baixos do mundo, comparáveis aos menores preços vigentes em países europeus. Como mostrado no gráfico da Figura 2, o custo da banda larga no Brasil fica em torno de 19,5 Euros, muito próximo ao custo da banda larga na França, por exemplo, e bem distante dos países que têm um custo muito elevado como Irlanda e Espanha com 54,5 e 39,1 Euros respectivamente.

Irlanda e Espanha com 54,5 e 39,1 Euros respectivamente. Figura 2 – Comparativo mundial dos custos

Figura 2 – Comparativo mundial dos custos do acesso banda [9] .

Porém, como já citado, devido à baixa renda e a sua má distribuição, obtemos os resultados apresentados como a marca de 9,8% da população com acesso à Internet. Como no Brasil grande parte da população tem salários muito baixos, para esse público o acesso à Internet representa grande parte da renda mensal, mesmo com esse acesso considerado barato comparado aos países europeus. Como mostrado na Figura 3, esse acesso representa de 5% a 15% da renda mensal da maioria da população. Isso inviabiliza o serviço e, por outro lado, para a população de renda mais alta, o acesso representa de 1% a 3% da renda mensal, o que seria ideal para a maioria da população sem causar grandes impactos na renda e comparando os serviços como telefonia fixa e celular, ou seja, serviços de telecomunicações. [10]

10

Figura 3 – Despesas mensais em função da renda no Brasil [ 1 0 ]

Figura 3 – Despesas mensais em função da renda no Brasil [10] .

Seguindo esse raciocínio o acesso à Internet ainda necessita de redução de preços, o que no caso é mais viável do que grande parte da população ter sua renda aumentada, sendo assim o desafio é conciliar o acesso pleno à Internet com as limitações de renda que encontramos.

2.1. A IMPORTÂNCIA DA INTERNET

Atualmente, pessoas que utilizam ou já utilizaram a Internet não abrem mão deste “serviço”, ou melhor, deste “meio de comunicação”. Mas por que podemos considerá-la tão importante na vida das pessoas? Comecemos analisando o mais importante meio de comunicação já criado, a escrita. Todos os outros meios de comunicação de forma mais ou menos expressiva já causaram modificações na sociedade e na vida das pessoas. Basicamente todos reduziram do espaço, ou seja, contribuíram para a velocidade e eficiência da comunicação entre as pessoas. Porém o impacto da escrita na vida do homem foi tão forte que até hoje os historiadores determinam o fim da Pré-história e o início da História, ou seja, da civilização e do desenvolvimento, pela provável data da invenção da escrita.

11

A “escrita proporcionou que o conhecimento ultrapassasse a barreira do

tempo e que a mensagem pudesse existir independente de um emissor, podendo ser recebida a qualquer momento por qualquer pessoa que soubesse decifrar o

código. Permitiu também a organização linear do pensamento, base da inteligência e cultura dos séculos seguintes.” [22] . Com a escrita desenvolveu-se também a ciência, desencadeando o conhecimento científico e o desenvolvimento da civilização. Com a ciência, o espaço pôde ser reconfigurado, medido, transformado. A escrita também esteve intimamente ligada com a transmissão e desenvolvimento da cultura dos povos. E a cultura com o desenvolvimento da sociedade e da vida social. Comparada à reviravolta da escrita, podemos citar a também reviravolta dos últimos anos com o surgimento e crescimento da Internet. O meio de comunicação mais completo já criado pela tecnologia humana. O primeiro a unir duas características dos anteriores: a interatividade e a massividade. Um meio através do qual todos podem ser emissores e receptores da mensagem, onde todos podem construir, escrever, falar e serem ouvidos, lidos e vistos. Com o surgimento deste novo meio, diversos paradigmas começam a ser modificados e nossa sociedade depara-se com uma nova revolução, tanto ou mais importante do que a invenção da escrita. A informação torna-se matéria-prima de nossa sociedade, fonte principalmente de capital e de poder. E um espaço inteiramente constituído de informação, como a Internet, passa a ter um papel central nessa nova sociedade, tanto em termos de circulação de capital, como em termos de reconfiguração do espaço e das relações sociais. Este espaço, denominado por muitos como ciberespaço ou espaço virtual, é o centro da revolução desta virada de século. [3]

A Internet apresenta uma convergência de meios de comunicação. No

computador já é possível assistir televisão, ouvir rádio ou ler jornal. Todas as mídias tradicionais adicionadas de interatividade. Logo, enquanto usuário da rede, cada indivíduo é um emissor massivo em potencial. Pode difundir mensagens e idéias

através de e-mail, chats ou mesmo em listas de discussão e websites. Pode difundir sua música gravando em um formato que seja manipulável através da Internet. Pode gravar um vídeo em uma câmera digital e divulgá-lo. Enfim, as possibilidades são inúmeras. Cada indivíduo é simultaneamente um emissor e um receptor na rede.

12

No Brasil a Internet já afeta a vida das pessoas, modificando costumes e opiniões. Uma pesquisa recente mostrou que os consumidores brasileiros são cada vez mais dependentes da Internet, e cada vez mais utilizam seus serviços para se comunicar entre amigos, para utilizar serviços bancários e buscar informações sobre lazer e entretenimento. Abaixo seguem alguns dos mais importantes resultados do primeiro Cyberstudy Internacional da America Online / Roper ASW: [29]

86% dizem que a Internet melhorou as suas vidas em algum aspecto e que ela é quase uma necessidade para mais de 70% dos consumidores online no Brasil.

Uma das perguntas avaliou a importância de vários itens na vida dos consumidores: 78% responderam que preferiam um computador com conexão à Internet, em vez de uma televisão ou telefone se estivessem naufragados numa ilha deserta.

Os serviços bancários estão entre os recursos mais utilizados na Internet brasileira. Quase 50% dos usuários residenciais no Brasil dizem que, regular ou ocasionalmente, utilizam serviços bancários online.

55% dos brasileiros conectados à Internet são grandes usuários de informações sobre lazer, incluindo críticas de restaurantes ou de cinema, - um número maior do que no Canadá ou Reino Unido - e regular ou ocasionalmente, procuram estas informações online.

Os internautas brasileiros estão dependendo cada vez mais da Internet para suprir as necessidades. Mais da metade (52%) utiliza a Internet para pesquisar os produtos que compram e 55% dependem da Internet para as notícias esportivas.

Mais de 75% dos internautas brasileiros, regular ou ocasionalmente, comunica-se com seus amigos ou parentes online.

Mais de 75% dos internautas brasileiros concordam com a afirmação de que é importante para crianças (79%) e adultos (89%) saberem navegar nos dias de hoje.

13

Carlos Trostli, Presidente de America Online Brasil, disse [29] :

"O Cyberstudy Internacional da America Online / RoperASW reflete a crescente importância da Internet como peça-chave na vida dos consumidores online no Brasil. Eles estão indicando que a Internet é quase uma necessidade e afirmam que a vida online está alterando as atividades do dia-a-dia nas comunicações com amigos e parentes, gerenciando as agendas pessoais e encontrando informações sobre entretenimento. O uso de serviços bancários online também aparece como uma das principais atividades online hoje no Brasil, o País está à frente da maioria dos outros países pesquisados neste aspecto. A confirmação destes números é a demanda fenomenal pelo serviço conjunto da America Online Brasil e Banco Itaú, proporcionando facilidade de uso e conveniência nos serviços bancários online”.

A pesquisa é importante porque é uma marca nos estudos sobre a Internet brasileira, e também reflete as semelhanças e diferenças entre o comportamento de consumidores de diversos países diante da Internet. Apesar das diferenças, é claro que a Internet está se tornando um aspecto central da vida dos internautas no Brasil e em todos os países pesquisados. Brad Fay, presidente da RoperASW, disse [29] : "Como pesquisadores, é um prazer desenvolver esse estudo inovador para a AOL. Com o crescimento da Internet no Brasil, o Cyberstudy será um guia imprescindível para examinar a interação entre os consumidores e a Internet. Será muito interessante explorar essas tendências nos próximos anos”. Analisando os comentários das pessoas diretamente envolvidas com a pesquisa e os resultados mostrados anteriormente podemos afirmar que a Internet está mudando o cotidiano dos consumidores brasileiros e da população em geral. Alguns resultados da pesquisa [29] reforçam esta afirmação:

No trabalho, os consumidores online brasileiros aproveitam a Internet para uma variedade de atividades, desde o planejamento de suas férias (50%) até a organização de eventos sociais (58%).

Mais de dois terços (69%) dos consumidores online no Brasil consideram a Internet uma boa fonte de informações sobre bens de consumo.

23% dos internautas brasileiros usam, regular ou ocasionalmente, a Internet para organizar as suas agendas familiares. Dentro do cotidiano das pessoas, um aspecto importante avaliado foi a influência da Internet nas crianças e adolescentes, e como os pais acreditam que a

14

Internet pode melhorar a vida dos seus filhos tanto no ambiente familiar como no seu desenvolvimento pessoal [29] :

52% dos pais pesquisados com um filho que usa a Internet acreditam que o acesso é uma influência positiva na qualidade dos relacionamentos da criança com outros parentes e amigos.

75% dos pais brasileiros pesquisados acessam a Internet junto com seus filhos e quase 70% disseram que a Internet teve uma influência mais positiva do que a televisão na vida dos seus filhos.

91% dos consumidores online no Brasil falam que a Internet foi positiva para o desenvolvimento de habilidades para a vida profissional dos seus filhos.

A

Internet é vista como um recurso acadêmico de muito valor - 77% dos pais

pesquisados confirmaram que a Internet melhorou a qualidade da lição de

casa dos seus filhos.

A AOL e a RoperASW ampliaram o estudo para incluir os EUA, o Canadá, o

Japão, o Reino Unido, a França e a Alemanha. Nos EUA e na Europa, uma metodologia de discagem digital aleatória entrevistou 500 internautas residenciais acima de 18 anos em cada país. O mesmo método foi utilizado para pesquisar 300 internautas residenciais no Canadá, no Japão e no Brasil. O estudo brasileiro ligou para 300 assinantes de serviços Internet, entre 18 e 65 anos de idade, nos principais

mercados do País. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O estudo japonês foi feito ligando para 300 assinantes residenciais de serviços Internet, entre 20 e 65 anos de idade, nos mercados da Grande Tókio e Grande Osaka. Todas as entrevistas foram feitas em Agosto de 2001 (exceto na Europa). A pesquisa européia foi feita em Março de 2001.

A America Online Brasil foi o primeiro serviço localizado da AOL na América

Latina, iniciado em novembro de 1999, e teve o melhor inicio de qualquer serviço

AOL no mundo. A empresa firmou acordos com mais de 95 parceiros de conteúdo e fornece seus serviços em mais que 181 cidades brasileiras. A AOL Brasil também oferece um serviço conjunto personalizado da America Online Brasil Banco Itaú. Apesar do resultado da pesquisa ser de quatro anos atrás, podemos utilizar esses dados como referência devido ao comprovado crescimento da Internet nesses

15

últimos anos, assim garantindo que os resultados obtidos têm grande probabilidade de estarem em torno ou com valores mais altos que os apresentados. Com isso, comprovamos que a Internet está influenciando a vida das pessoas e que está ajudando no desenvolvimento e no cotidiano da população que a utiliza. A Internet revolucionou o mundo com seus serviços e não podemos deixar de dar uma grande atenção a esse meio de comunicação que está evoluindo numa escala exponencial.

2.2. PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL

Um breve histórico da Política de Governo Eletrônico é apresentado a seguir:

Com início no ano 2000 o Governo Brasileiro lançou as bases para a criação de uma sociedade digital ao criar um Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de examinar e propor políticas, diretrizes e normas relacionadas com as novas formas eletrônicas de interação, através do Decreto Presidencial de 3 de abril de 2000. As ações deste Grupo de Trabalho em Tecnologia da Informação (GTTI), formalizado pela Portaria da Casa Civil número 23 de 12 de maio de 2000, andaram juntas com as metas do programa Sociedade da Informação, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Por orientação do governo, o trabalho do GTTI concentrou esforços em três das sete linhas de ação do programa Sociedade da Informação.

Universalização de serviços;

Governo ao alcance de todos;

Infra-estrutura avançada.

Em julho de 2000, o GTTI propôs uma nova política de interação eletrônica do Governo com a sociedade apresentando um relatório preliminar “GTTI-Consolidado” contendo um diagnóstico da situação da infra-estrutura e serviços do Governo Federal, as aplicações existentes e desejadas e a situação da legislação de interação eletrônica.

16

O estabelecimento do Comitê Executivo de Governo Eletrônico pode ser considerado um dos grandes marcos do compromisso do Conselho de Governo em prol da evolução da prestação de serviços e informações ao cidadão.

O Comitê Executivo de Governo Eletrônico - CEGE tem o objetivo de formular

políticas, estabelecer diretrizes, coordenar e articular as ações de implantação do Governo Eletrônico e, atendendo a um Plano de Metas, apresentou, em 20/09/2000, o documento "Política de Governo Eletrônico”. Em setembro de 2002 foi publicado um documento com o balanço das atividades desenvolvidas nos 2 anos de Governo Eletrônico, com capítulos dedicados à política de e-Gov, avaliação da implementação e dos resultados, além dos principais avanços, limitações e desafios futuros do programa. O documento foi elaborado pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, com a colaboração dos membros do Comitê Executivo e constitui uma base de informações para a continuidade do programa em 2003.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, através da Secretaria de

Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) exerce as atribuições de Secretaria- Executiva e garante o apoio técnico-administrativo necessário ao funcionamento do Comitê supervisionando seus trabalhos e interagindo com seus coordenadores. Em 29 de novembro de 2003, a Presidência da República publicou um decreto criando 8 Comitês Técnicos de Governo Eletrônico, a saber [6] :

I. Implementação do Software Livre;

II. Inclusão Digital;

III. Integração de Sistemas;

IV. Sistemas Legados e Licenças de Software;

V. Gestão de Sítios e Serviços Online;

VI. Infra-Estrutura de Rede;

VII. Governo para Governo - G2G;

VIII. Gestão de Conhecimentos e Informação Estratégica.

O governo eletrônico será implementado segundo sete princípios, que serão

adotados como referência geral para estruturar as estratégias de intervenção

17

adotadas como orientações para todas as ações de governo eletrônico, gestão do conhecimento e gestão da TI no governo federal. São elas [6] :

Promoção da cidadania como prioridade;

Indissociabilidade entre inclusão digital e o governo eletrônico;

Utilização do software livre como recurso estratégico;

Gestão do Conhecimento como instrumento estratégico de articulação e gestão das políticas públicas;

Racionalização dos recursos;

Adoção de políticas, normas e padrões comuns;

Integração com outros níveis de governo e com os demais poderes.

Cada Comitê Técnico criado possui diretrizes especificas, a seguir são listadas as diretrizes do Comitê de Inclusão Digital [6] :

Inclusão Digital como direito de cidadania

o

A infra-estrutura de acesso não pode ser apenas estatal, mas deve promover a participação dos cidadãos e das organizações da sociedade civil em sua gestão, utilizando preferencialmente o modelo de telecentros comunitários utilizando software livre;

o

Promover a inclusão digital não somente de indivíduos, mas também de organizações da sociedade civil.

Pluralidade dos modelos sob as mesmas diretrizes

o

As ações realizadas no âmbito da política de inclusão digital não serão remetidas a um modelo único de iniciativa;

o

Todas as ações deverão obedecer a princípios e diretrizes gerais válidas para todas.

Segmentação de públicos

o

Escolas e crianças são públicos prioritários e indispensáveis, mas não exclusivos;

o

As iniciativas devem enfocar o público como sujeito do processo, não apenas destinatário de serviços;

18

o A segmentação de públicos não pode impedir que as iniciativas garantam acessibilidade universal. Poderão ser desenhados programas para públicos específicos, sem levar a constituição de “guetos” e a alimentação de exclusão e discriminação pela política de inclusão digital.

Infra-estrutura

o

Os projetos de inclusão digital devem ser apropriados pela comunidade, especialmente pelo uso comunitário dos espaços e processos;

o

As iniciativas deverão privilegiar a implantação e utilização de espaços multifuncionais geridos comunitariamente;

o

A disposição de espaços de inclusão digital deve dar-se em função da cobertura territorial de forma a incluir todas as regiões do país;

o

A aplicação de recursos na inclusão digital deve privilegiar gastos com pessoas, promovendo a qualificação do público-alvo, não com equipamentos, conexão e licenças.

Comprometimento com o desenvolvimento local

o

As iniciativas de inclusão digital devem fomentar o desenvolvimento social, econômico, político, cultural e tecnológico dos espaços onde se inserem;

o

O estimulo à produção e a sistematização de conteúdo e conhecimentos locais são elementos fundamentais para a promoção da efetiva apropriação tecnológica pelas comunidades envolvidas;

o

A sustentabilidade das iniciativas se dá pelo estímulo ao uso de TIC para o desenvolvimento local.

Integração

o

A inclusão digital deve se dar de maneira Integrada à promoção do Governo Eletrônico, e suas ações devem-se integrar no âmbito federal;

o

Materializar a política de inclusão digital de nível federal em ações indutivas, normativas e financiadoras;

o

A execução da política de inclusão digital deve ser compartilhada com outros níveis de governo, setor privado e sociedade civil;

19

o

A política de inclusão digital deverá considerar a integração das diversas demandas existentes, possibilitando a otimização dos recursos para sua implantação;

o

Deve-se procurar o compartilhamento de infra-estrutura de outras iniciativas com programas de inclusão digital;

o

O desenho das ações deve incorporar possibilidades de cooperação e articulação internacional.

Avaliação

o

As ações devem ser avaliadas permanentemente;

o

A política de inclusão digital deve incluir a criação de sistema de avaliação das ações e indicadores de inclusão digital.

Utilização de Software

o

As iniciativas de inclusão digital devem privilegiar a utilização de software livre, devendo ser este utilizado como a opção tecnológica de inclusão digital do governo federal;

o

Legados de licenças existentes podem ser utilizados em iniciativas de inclusão digital, por conta da racionalização de recursos.

20

3.

ESTUDO DE CASO

Verificando a importância da Internet na vida das pessoas e o desafio de conciliar o acesso pleno à Internet com as limitações de renda que encontramos, buscamos alguns exemplos de aplicações de sucesso para o acesso da população à Internet provando que a realidade brasileira está mudando e poderá trazer bons resultados para o desenvolvimento do país.

3.1. SUD MENNUCCI - SP

Na reportagem “Vida sem fio muda rotina de Cidade” [35] , tomamos conhecimento de uma iniciativa inédita no Brasil. O governo da cidade de Sud Mennucci, que fica no noroeste do estado de São Paulo, a 614 quilômetros da capital, está ofertando sinal de Internet via rádio gratuitamente para a população. Fundada em 1959, com uma população aproximadamente de 8.200 habitantes [37] a cidade passou a ser conhecida em todo país por uma iniciativa do prefeito, o Sr. Nelson Gonçalves de Assis. Unindo a vontade de melhorar a qualidade de vida da população e o trabalho sério, a iniciativa superou expectativas e contrariou o que muitos achavam inviável ou até impossível. Em 2002, a cidade só acessava a Internet através de conexões discadas por um número interurbano. Através do pedido do prefeito ao chefe de informática da prefeitura, o Sr. Sérgio Soares foi encarregado de achar uma solução para a implantação de conexões de Internet para a prefeitura. Após uma pesquisa das tecnologias que poderiam ser utilizadas, o Sr. Sérgio Soares sugeriu a utilização da tecnologia sem fio Wi-Fi, que possuía um baixo custo e uma implantação simples. Primeiramente foram conectados os órgãos públicos que eram distantes cerca de 5 quilômetros, devido à posição estratégica dos engenhos de cana de açúcar e o centro da cidade. Atualmente toda a cidade tem acesso gratuito à banda larga wireless, fornecido pela prefeitura, e os moradores que possuem computador necessitam somente de uma placa e uma antena para a conexão que varia de R$ 150,00 a R$ 400,00. A cidade depende da cana de açúcar, seu orçamento anual é de R$ 11

21

milhões, tem duas escolas com 20 computadores cada e uma biblioteca com três computadores. Mas esse pouco desenvolvimento e a dificuldade de acesso às novas tecnologias não impediu de ser um exemplo inédito nacional.

Na sua casa, a cabeleireira, Elvira instalou uma antena para receber o sinal de Internet via rádio emitido pela prefeitura gratuitamente. Equipado com uma placa Wi-Fi, o computador de mesa da família Martelo fica 24 horas conectado à Internet, para que todos usufruam a tecnologia. Alguns clientes de Elvira agendam horário por e-mail ou MSN Messenger. A Internet também é útil para que a cabeleireira se atualize profissionalmente. “Aprendo novas técnicas visitando sites especializados”, disse. Como diversão, Elvira gosta de entrar em salas de bate-papo e confessa que já varou noites online. “Adoro fazer amigos virtuais da minha idade”. “Conheço gente até de Portugal." Apesar de liberar o uso ilimitado da Internet pelos filhos, Elvira fica atenta à filha mais nova, Thays, que mantém um blog. "Fiscalizo, chego até a fuçar o histórico", diz a mãe. Mas o mais plugado dos três filhos de Elvira é o técnico em informática Luiz Carlos da Silva Martelo Júnior. Sempre de olho nos produtos à venda no site Mercado Livre, ele sugeriu à mãe comprar um telefone portátil. Ela adorou a idéia e liberou o dinheiro, pois jamais encontraria produto semelhante em Sud Mennucci. "Como o telefone é pequeno e tem microfone e fone de ouvido, posso atender as ligações sem deixar de atender as clientes do salão", disse. Pela Internet, Júnior costuma adquirir componentes para o computador, como discos rígidos e módulos de memória. Mas sua grande sacada foi passar a comprar antenas receptoras e placas Wi-Fi, para revender na cidade, onde não há nenhuma loja especializada em equipamentos de informática. Sozinho, já vendeu 30 kits Wi-Fi para micros de mesa. Usuário do Skype, software para comunicação por voz pela Internet, Júnior conversa com amigos de outras cidades sem gastar nada. “Falo até com um amigo que está no Japão.” [35]

Em visita à Futurecom 2005, realizada de 24 a 27 de outubro, o Professor Doutor Ewaldo L. M. Mehl teve a oportunidade de entrevistar o prefeito de Sud Mennucci. Previamente elaboramos algumas perguntas para a entrevista a fim de obtermos algumas opiniões especificas a respeito do projeto. Para o Sr. Celso Torquato Junqueira Franco a população está com uma ótima aceitação do serviço fornecido pela prefeitura. A cidade está se desenvolvendo bem e as pessoas estão aprendendo a usufruir das novas tecnologias que a Internet oferece, como VoIP e o comércio eletrônico, mesmo com o projeto sendo simples e

22

de não haver estudos mais profundos como desenvolvimento de treinamentos e otimização da rede.

O desenvolvimento pode ser visto na prática, três grupos de estudantes da

cidade participaram no dia 29/10/2005, em São Paulo, da final brasileira do torneio “Bancos em Ação”. É o maior número de equipes de um mesmo município classificadas na disputa. A reportagem vinculada no site Folha Online [33] comenta:

O torneio acontece em vários países e é promovido pelo Citibank em parceria com a ONG americana Junior Achievement. Os jovens simulam atuação no mercado financeiro. Cada equipe cuida de um "banco", o que inclui lidar com juros de curto e longo prazo em operações de captação e empréstimos, administrar custos operacionais, promover ações de marketing para aumentar e manter a base de clientes, investimento em pesquisa e outros. A cidade classificou seis equipes na fase semifinal de um torneio no qual participaram alunos do Brasil todo, inclusive de escolas particulares. O Rio de Janeiro, por exemplo, contava com apenas quatro grupos nessa etapa.

Na reportagem o Sr. Celso Torquato Junqueira Franco ainda comenta: "Se políticas como essa não forem consideradas prioritárias, há risco de o Brasil excluir socialmente mais uma geração. Serão os analfabetos digitais", provando que o governo deve tomar iniciativas inteligentes e buscar soluções inovadoras para essa situação.

3.2. PIRAÍ - RJ

Piraí é um pequeno município do Estado do Rio de Janeiro com cerca de 23,7 mil habitantes, dos quais 25% residem na área rural [37] . Situa-se no Vale do Paraíba, no sul do Estado, numa área de 505 quilômetros quadrados. Desde 1996 está sendo realizado um esforço para facilitar e popularizar o acesso às tecnologias de informatização e comunicação, com base numa ampla rede de transmissão de voz e dados sem fio, que viabiliza o acesso à Internet em banda larga.

A história desse caso de sucesso se deu com o programa Município Digital,

que tem seu desenho construído no interior do programa de desenvolvimento local

de Piraí. Em meados da década de 90, o município sofreu um impacto social e

23

econômico com a privatização da Light (empresa que fornece energia no Rio de Janeiro). Cerca de 1.200 pessoas foram demitidas e o distrito onde moravam transformou-se numa cidade fantasma. Em um Município com 23,7 mil habitantes este número de desempregados pode ser considerado uma catástrofe social, que exigiria a decretação de um estado de emergência. Por iniciativa da Prefeitura, estruturou-se um programa de desenvolvimento local gerando, em quatro anos, um número de postos de trabalho equivalente ao de desempregados a partir do processo de privatização da Light. Através do condomínio industrial, da formação do pólo de piscicultura e de cooperativas, o município deu a volta por cima. Dar a volta por cima foi o título do estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Com base neste estudo, a Prefeitura ganhou em 2001 o Prêmio Gestão Pública e Cidadania da Fundação FORD e FGV-SP. Este prêmio, uma iniciativa conjunta da FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS e da FUNDAÇÃO FORD, reconhece e dissemina inovações na administração e prestação de serviços públicos por governos municipais, estaduais e por organizações próprias dos povos indígenas. Este programa foi desenhado de forma integrada, identificando quatro frentes:

governo, educação, comunidades e empresas. Como objetivo principal, o programa visa à democratização do acesso aos meios de informação e comunicação, gerando oportunidades de desenvolvimento econômico e social e ampliando os horizontes da cidade. Além disso, foram traçados objetivos mais específicos como:

Democratizar e otimizar o uso dos recursos tecnológicos da informação e da comunicação para colaborar na produção e socialização do conhecimento;

Modernizar e racionalizar a administração pública;

Disseminar uma sociedade da informação e do conhecimento e impulsionar atividades que possibilitem à comunidade uma incorporação mais ágil deste novo conceito, de modo que:

o

Viabilize o desenvolvimento social e facilite o acesso à formação e à informação para todos;

o

Assegure a disponibilidade e o acesso às novas tecnologias;

24

o Elimine as barreiras físicas do acesso à informação

Garantir a coordenação e regulamentação dos esforços para criar uma estrutura física de acesso lógico e alto desempenho a ser utilizada também pelas ações de Inclusão Digital.

O projeto de inclusão digital de Piraí conta com um sistema híbrido SHSW (Sistema Híbrido com suporte Wireless) desenvolvido pelos próprios técnicos que trabalham no projeto. A rede SHSW cobre todo o município de Piraí, com 39 edifícios públicos com

144 computadores, mais de 20 estabelecimentos de ensino com Internet rápida, num total de 6.300 alunos e 188 computadores (33 alunos por computador).

O acesso à rede SHSW também contempla 20 edifícios com 66

computadores, cobrindo quatro bibliotecas, uma Casa da Criança, uma APAE, uma

Creche, quatro Telecentros e nove Quiosques. Isso representa um universo de 398 computadores à disposição não só dos alunos, mas de toda a comunidade.

Os Telecentros já atendem 220 pessoas por dia (alunos, donas de casa,

professores e universitários), para fins como receitas, contas bancárias, pesquisas e entretenimento.

Os projetos são: as instalações da Estação Futuro que, além de Telecentro,

servirá para o desenvolvimento de cursos como empreendedorismo, artesanato, entre outros; expansão de projetos de conteúdos digitais, como o sistema de gestão

em rede (educação, saúde, segurança), ouvidoria municipal, laboratório de desenvolvimento e multimídia de software e expansão da rede SHSW para domicílios e empresas privadas do Município de Piraí.

Os programas dos computadores são desenvolvidos em software livre, o que

permite elevada economia de gastos.

Na Figura 4 apresentamos a primeira topologia da rede que estava somente

com a tecnologia wireless e, com o aumento gradativo desta rede, teve seu custo

elevado.

25

Figura 4 – Primeira topologia na cidade de Piraí [ 3 7 ] . Com

Figura 4 – Primeira topologia na cidade de Piraí [37] .

Com os estudos dos técnicos envolvidos no projeto, desenvolveu-se a tecnologia híbrida SHSW, mostrada na Figura 5, adaptando a rede na topologia desejada para a cidade identificando os melhores tipos de conexão e reduzindo custos em equipamentos.

tipos de conexão e reduzindo custos em equipamentos. Figura 5 – Topologia híbrida na cidade de

Figura 5 – Topologia híbrida na cidade de Piraí [37] .

Para viabilizar financeiramente o projeto, o município utilizou parte dos recursos do Programa de Modernização da Administração Tributária (PMAT) para interligar escolas e terminais públicos. Recebeu também o apoio de uma empresa de telecomunicações especializada em Internet sem fio (Taho). A conexão e

26

manutenção da rede foram assumidas pela Rede Rio, que é uma rede de computadores, integrada por universidades e centros de pesquisa localizados no Estado do Rio de Janeiro. Outras empresas, como Schweitzer, Itautec, Banco Real e Sebrae bancaram equipamentos (computadores e acessórios de informática em geral) para escolas, bibliotecas, telecentros, postos de saúde, assim como laboratórios para distritos, e quiosques para acesso a Internet de forma gratuita em diversos pontos da cidade. Como comentado o município utilizou parte do PMAT para viabilizar financeiramente o projeto, conforme consultado no site do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [30] :

O Programa de Modernização da Administração Tributária e Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT) destina-se à modernização da administração tributária e à melhoria da qualidade do gasto público dentro de uma perspectiva de desenvolvimento local sustentado, visando proporcionar aos municípios brasileiros possibilidades de atuar na obtenção de mais recursos estáveis e não inflacionários e na melhoria da qualidade e redução do custo praticado na prestação de serviços nas áreas de administração geral, assistência à criança e jovens, saúde, educação e de geração de oportunidades de trabalho e renda.

Ou seja, de um modo geral, objetiva o fortalecimento das administrações municipais através das seguintes ações:

Aproveitamento do potencial de arrecadação tributária;

Geração de recursos para os investimentos sociais;

Capacitação gerencial, normativa e operacional;

Acesso às novas tecnologias de informação e comunicação.

Algumas condições para acesso ao programa são impostas ao município:

Limite de R$ 30 milhões ou R$ 18,00 por habitante ou 7% da receita liquida (o que for menor);

Taxa de juros a longo prazo + Remuneração do BNDES de 2,5% ao ano + remuneração da instituição financeira credenciada a ser negociado;

27

Prazo de até 8 anos, incluindo o prazo máximo de carência de 24 meses.

Através do PMAT é possível financiar alguns itens como tecnologias de informação e equipamentos de informática, capacitações para recursos humanos, equipamentos de apoio à operação e fiscalização dentre outras possibilidades sempre atendendo como requisito básico o desenvolvimento das administrações municipais. Verificamos que o projeto de inclusão digital de Piraí causou grande impacto e desenvolvimento na qualidade de vida dos cidadãos através de soluções inovadoras, planejamento estratégico e parcerias entre governo e empresas privadas. Destacamos alguns fatores que causaram o sucesso do projeto:

Pesquisas para obter a melhor tecnologia (SHSW) e um baixo custo;

Visão integrada entre governo, economia e sociedade;

Uso racional e criativo dos recursos disponíveis, recorrendo a sobras do PMAT, assim como a realização de parcerias com empresas;

Participação na construção e implementação da proposta, obtendo-se maior apoio e legitimidade do processo;

Liderança governamental do município;

Garantia do acesso e inclusão digital para todos, sem distinção de classe ou qualquer outra forma de discriminação social.

3.3. OURO PRETO - MG

Ouro Preto, cidade com aproximadamente 66.280 habitantes [39] , considerada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, é sede de um dos projetos de inclusão digital no Brasil: “Ouro Preto – Cidade Digital”. Projeto esse que colocou a cidade como uma das pioneiras do assunto no país, coordenado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Ouro Preto e a Prefeitura Municipal da cidade. Com parceria com a INTEL, o Ministério de Educação (MEC), apoio da Anatel e da Rede Nacional de Pesquisa

28

(RPN), o projeto piloto utiliza a tecnologia Wi-Max de comunicação sem fio por rádio freqüência para cobrir grandes distâncias em banda larga.

A coordenação executiva do projeto ficou a cargo do professor Américo

Tristão Bernardes, do Departamento de Física da UFOP que gentilmente, em

encontro com o professor Doutor Ewaldo L. M. Mehl durante a Futurecom 2005, cedeu alguns documentos e fotos para estudos do projeto Ouro Preto – Cidade Digital.

A inclusão digital na cidade começou pelas escolas municipais e estaduais

para reforçar a educação como prática social transformadora. Também foram instaladas, em diversos locais, doze antenas para operação, além de duas bases, erguidas na UFOP para dar suporte à cobertura. Estão foram conectadas três escolas públicas estaduais e duas municipais, a Biblioteca Pública Municipal de Ouro Preto, as secretarias municipais de Planejamento e de Saúde, e o Laboratório de Redes de Computadores do Departamento de Computação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Posteriormente, serão ligadas mais três escolas municipais e duas estaduais, utilizando Wi-Fi ligado à rede Wi-Max. O sistema atinge toda a sede do município e funciona de maneira semelhante à telefonia celular. As instalações na UFOP estão mostradas nas Figura 6 e Figura 7.

nas F i g u r a 6 e F i g u r a 7

Figura 6 - Vista do local onde estão instaladas antenas para atender ao projeto de Ouro Preto. [2]

29

Figura 7 – Instalação na Universidade de Ouro Preto [ 2 ] Os equipamentos foram

Figura 7 – Instalação na Universidade de Ouro Preto [2]

Os equipamentos foram instalados na cidade em março de 2005. Algumas razões justificaram a escolha do local: por Ouro Preto ser um patrimônio histórico brasileiro, existe uma série de normas que restringem a intervenção local, dificultando a instalação de fibras subterrâneas. A topografia acidentada da cidade, construída em cima de morros, dificulta a comunicação por meio de antenas que necessitem de visada. Com isso, Ouro Preto não possui conexões de banda larga em grande escala. O objetivo do projeto, além da inclusão digital, foi criar o piloto de uma rede comunitária, para testar a viabilidade da tecnologia e ser replicada em escala maior. Segundo o prof. Américo, “a implantação no meio comercial servirá para criar um modelo de negócios para a criação de redes comunitárias, com a possibilidade de o projeto ser desenvolvido pela incubadora de empresas da UFOP”. Uma rede comunitária difere de uma rede local no que se refere ao modelo. Em uma rede local (LAN), usa-se um provedor para acesso à Internet, não há conexão direta entre os usuários, somente através da Internet. Também é necessário utilizar um meio físico para a conexão geralmente feita por uma empresa de telecomunicações, assim o usuário contrata o serviço do provedor e da empresa de telecomunicações para estar conectado à Internet, como pode ser visto na Figura

8.

30

Figura 8 – Rede local típica [ 2 ] Já em uma “rede comunitária”, mostrada

Figura 8 – Rede local típica [2]

Já em uma “rede comunitária”, mostrada na Figura 9, os usuários formam a rede, todos interconectados e paralelamente compartilham a mesma conexão para a Internet, geralmente direcionada para pequenos e médios municípios. Segundo o prof. Américo “a rede comunitária deve ser um patrimônio local, gerido com interesses da comunidade”. Esse modelo de rede traz vantagens como serviços focados em interesses locais com uma qualidade melhor e um custo menor para a comunidade além de possuir um modelo econômico sustentável com parcerias público / privadas.

econômico sustentável com parcerias público / privadas. Figura 9 – Rede Comunitária [ 2 ] A

Figura 9 – Rede Comunitária [2]

A fase experimental do projeto encerrou-se em Outubro de 2005, foram utilizados equipamentos das empresas Aperto e Alvarion, operando em freqüência de 3,5 GHz graças a uma concessão da Anatel que se encerrou junto com a fase experimental. A partir de Outubro de 2005 a rede Wi-Max de Ouro Preto deixa de ser

31

um projeto e passa e ser uma rede normal funcionando na freqüência pública de 5,8 GHz.

Na Figura 10 é apresentado o mapa com as conexões utilizando equipamentos das duas empresas – Aperto e Alvarion.

m C Legenda: e 1 km ESCALA 1 : 10.000
m
C
Legenda:
e
1 km
ESCALA
1 : 10.000

Instalação de CPE (rede 1) Conexão via Wi-Fi Linha de conexão Wi-Fi área de cobertura da BSU-1 (Aperto) Instalação de CPE (rede 2) área de cobertura da BSU-2 (Alvarion)

Figura 10 – Cobertura da rede de dois fabricantes diferentes. [2]

A banda passante dos equipamentos é de aproximadamente 14 Mbps sendo que a banda nominal é de 20 Mbps, não há interoperabilidade entre os equipamentos da Aperto e da Alvarion devido a tecnologia Wi-Max estar em fase de estudos e padronização (IEEE 802.16). Na outra ponta a empresa Telemar emprestou um link de 2 Mbps para o acesso comercial, a Rede Nacional de pesquisa – RNP aumentou seu link para os estudos e cedeu temporariamente alguns equipamentos faltantes. Assim verificamos mais um caso no qual a parceria público / privada foi essencial para o desenvolvimento do projeto, bem como a participação da UFOP

32

que disponibilizando recursos humanos técnicos só têm a ganhar para a formação dos futuros alunos.

3.4. PINHAIS - PR

O menor município do Paraná, com 60,92 quilômetros quadrados, com uma população de aproximadamente 103.000 habitantes, em 20 de março de 1992 Pinhais foi elevado à condição de Município, sendo emancipado de Piraquara [39] .

Situado a apenas 7 quilômetros do centro de Curitiba, com a base da economia industrial, Pinhais se destaca no cenário nacional. Devido à curta distância que separa a cidade da capital e o acesso fácil a outras regiões pelo farto escoamento rodoviário, Pinhais tem atraído um grande número de empresas de diversos ramos para realizarem seus investimentos. Com aproximadamente 3.000 empresas a cidade tem uma arrecadação anual em torno de R$ 90 milhões, o que torna o acesso aos investimentos facilitado. Com investimentos planejados e uma administração organizada, Pinhais é referência nacional em gestão pública no país. Na área de telecomunicações a cidade necessitava de comunicação entre as secretarias Municipais, o que instigou o processo de modernização e atualização tecnológica da prefeitura. A partir desse momento iniciaram-se a instalação da solução de comunicação de dados e informação no prédio da administração, educação, escolas e creches, seguindo para as secretarias de Ação Social e Secretaria de Saúde com seus respectivos postos. O projeto começou em 2001 com a ligação por fibra óptica de dois prédios da prefeitura e atualmente o município tem

54 prédios interligados via rádio trafegando dados, imagem e voz.

Pinhais tem cerca de 800 computadores distribuídos entre seus 1500 funcionários, sendo que 350 desses computadores são para escolas. Foram feitos treinamentos especializados para os professores das escolas municipais, com o objetivo do uso dos computadores para o ensino. [21]

Segundo o Coordenador de Tecnologia da Informação de Pinhais, o Sr. João Luiz Marques Guimarães após estudos detectou-se que para densidades acima de

15 computadores em uma construção a melhor alternativa é a ligação por cabos.

Com isso 6 secretarias se enquadraram nesse perfil sendo interligadas por fibra

33

óptica com a prefeitura que tem seu próprio provedor de acesso à Internet. São 7 servidores sendo que 4 com processadores duplos para o atendimento dos 800 computadores. A rede possui 1000 sensores combinados com 66 câmeras de vídeo IP e mais 34 câmeras de vídeo analógicas fazendo a segurança dos órgãos públicos, escolas e bens patrimoniais. Combinando rondas ostensivas nas praças e parques municipais e o atendimento 24 horas às ocorrências detectadas pela sala de monitoramento, houve uma diminuição de 98% dos roubos de equipamentos de alto valor.

No ano de 2005 foram investidos R$300.000 em infra-estrutura e equipamentos para telefonia via Internet – VoIP com 6 centrais totalizando uma capacidade de 600 ramais. Estima-se que o retorno do investimento se dê em 2 anos.

Na Figura 11 apresentamos o mapa de conectividade da rede de Pinhais com as ligações em fibra óptica (IEEE 802.3u) entre os prédios do governo e o restante das interligações via rádio (IEEE 802.11b, IEEE 802.11g). Verificamos que a solução via rádio tem melhor desempenho ao cobrir grandes áreas com densidades pequenas e médias de computadores, diferente da solução cabeada que, para áreas de cobertura grandes, tem seu custo muito elevado, porém apresentam uma viabilidade econômica quando estamos diante de uma grande densidade de computadores em pequenas áreas. Por conseqüência, podemos observar que uma solução hibrida também foi utilizada em Pinhais reforçando a idéia exposta no caso de Piraí. Esta rede de Pinhais é comparada a uma estrutura de rede de empresas de médio porte, com o uso de tecnologias de empresas de grande porte devido ao seu planejamento, a sua topologia e aos equipamentos utilizados.

34

Figura 11 – Diagrama da rede de Pinhais. [ 1 2 ] A seguir estão

Figura 11 – Diagrama da rede de Pinhais. [12]

A seguir estão alguns exemplos do desenvolvimento de pinhais, a Figura 12 e a Figura 13 mostram imagens das câmeras de segurança nas escolas, e na Figura 14 podemos ver como é feito o monitoramento instantâneo dessas câmeras.

como é feito o monitoramento instantâneo dessas câmeras. Figura 12 – Imagem captada por câmera de

Figura 12 – Imagem captada por câmera de segurança em laboratório de informática da escola. [12]

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Figura 13 – Sistema para monitoramento das câmeras de segurança. [ 1 2 ] Figura

Figura 13 – Sistema para monitoramento das câmeras de segurança. [12]

para monitoramento das câmeras de segurança. [ 1 2 ] Figura 14 – Monitoramento das câmeras

Figura 14 – Monitoramento das câmeras de segurança. (foto dos autores)

Com uma Coordenadoria de Tecnologia da Informação a Prefeitura de Pinhais tem uma rede completa contando com antivírus coorporativo para aproximadamente 600 computadores, garantindo a segurança e integridade dos dados. A rede é segmentada por Redes Virtuais (VLANs), possui um Firewall, uma Zona Desmilitarizada (DMZ) e várias políticas de segurança, conforme mostrado na

Figura 15.

36

Figura 15 – Esquemático da rede de Pinhais. [ 1 2 ] A rede conta

Figura 15 – Esquemático da rede de Pinhais. [12]

A rede conta com equipamentos de ótima qualidade, entre switches, roteadores, antenas de rádio e pontos de acesso de rádio. Fazem parte da rede equipamentos como:

Rádio Enterasys R2 – Suporta cartões de até 54 Mbps (Wi-Fi 802.11g) e tem 10 unidades em funcionamento. O Rádio Enterasys R2 está mostrado na

Figura 16.

O Rádio Enterasys R2 está mostrado na Figura 16 . Figura 16 - Rádio Enterasys R2

Figura 16 - Rádio Enterasys R2 [12]

Rádio Enterasys AP 2000 – Suporta cartão de 11 Mbps (Wi-Fi 802.11b) e tem 28 unidades em funcionamento. Mostrado na Figura 17.

37

Figura 17 - Rádio Enterasys AP 2000 [ 1 2 ] • Switch SSR 2000

Figura 17 - Rádio Enterasys AP 2000 [12]

Switch SSR 2000 – Suporta criação de Redes Virtuais (VLAN) e regras de administração para as suas portas. Mostrado na Figura 18.

para as suas portas. Mostrado na Figura 18 . Figura 18 - Switch SSR 2000 [

Figura 18 - Switch SSR 2000 [12]

Digital Vídeo Receiver (DVR) – Equipamento para captura de vídeo com imagens de alta resolução. Mostrado na Figura 19.

de alta resolução. Mostrado na F i g u r a 19 . Figura 19 -

Figura 19 - Digital Vídeo Receiver [12]

Antena Omnidirecional – Antena que envia sinal para vários clientes. Mostrada na Figura 20.

38

Figura 20 - Antena Omnidirecional [ 1 2 ] • Antena Direcional – Antena que

Figura 20 - Antena Omnidirecional [12]

Antena Direcional – Antena que envia sinal somente para um cliente. Mostrada na Figura 21.

sinal somente para um cliente. Mostrada na Figura 21 . Figura 21 - Antena direcional (foto

Figura 21 - Antena direcional (foto dos autores)

A rede da prefeitura de Pinhais tem um link fornecido pela empresa Brasil Telecom com capacidade de 1 Mbps e planos para ampliação desse link para 2 Mbps. São previstos para a rede a implantação de serviços de acesso à Internet para a população em quiosques públicos, serviço da prefeitura via Internet como o pagamento de IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano, a instalação de câmeras

39

de vídeo nas principais ruas da cidade a fim de diminuir o índice de criminalidade e a implantação de telefonia via Internet - VoIP - entre os órgãos públicos. O sucesso do projeto deve-se ao planejamento a longo prazo, foram quatro anos investindo em infra-estrutura, estudando tecnologias e adaptando as melhores soluções para o que a prefeitura e o Município de Pinhais necessitavam. O retorno do investimento é visto com facilidade no aumento da segurança, na melhoria da educação e no aumento da agilidade no gerenciamento das informações devido a implantações de softwares específicos e a interligação dos órgãos públicos. Acompanhados pelos professores Ewaldo L. M. Mehl e Tibiriçá K. Moreira, visitamos a prefeitura de Pinhais no dia 10/11/2005, onde conseguimos as informações necessárias para este projeto. O coordenador de Tecnologia da Informação, o Sr. João Luiz Guimarães, e o vice-prefeito de Pinhais, o Sr. Mário Bonaldo, que receberam o grupo de forma bastante atenciosa, não mediram esforços para nos colocar a par das inovações implantadas.

3.5. COMPARATIVO DOS CASOS DE ESTUDO

Para facilitar o estudo montamos um quadro, na Tabela 1, comparativo entre as cidades estudadas com suas características gerais relacionadas à implantação de redes de dados. Observamos que as cidades estudadas têm populações variadas, sempre de pequeno e médio porte. No caso de Pinhais - PR, apesar de apresentar a maior população do estudo, sua área territorial é a menor do Paraná, com 60,92 quilômetros quadrados. Isto torna a região um município de pequeno porte com uma alta densidade demográfica. Com isso, verificamos que a implantação de projetos de inclusão digital fica facilitada devido ao tamanho do município, tornando-o atrativo, pois normalmente pequenos municípios têm maior dificuldade em ter acesso às inovações tecnológicas que estão nas cidades de grande porte.

40

Tabela 1 - Comparativo dos casos estudados.

 

Sud Mennucci

Piraí

Ouro-Preto

Pinhais

Internet Disponível para TODA a população

Sim

Não (estudos sendo feitos para futura implantação)

Não

Não (estudos sendo feitos para futura implantação)

Internet Disponível em escolas e Telecentros

Sim

Sim

Sim

Sim

Tecnologias e

Protocolos

WiFi - 802.11b

WiFi - 802.11b; Fast Ethernet

WiMax - 802.16

WiFi 802.11b,

802.11g; Fast

802.3u

Ethernet 802.3u

Banda fornecida aos usuários

Banda Larga limitada em 64 kbps

 

Banda Larga com até 14Mbps

 
 

R$17.000,00

Não informou - Utilização de verba pública (PMAT), apoio técnico e financeiro de empresas privadas (Taho, Itautec, Banco Real e Sebrae)

Não informou - Patrocínio de empresas privadas (Intel, Telemar), parcerias com Universidades e órgãos públicos (Anatel, RNP)

 

Investimento da

Prefeitura

(Equipamentos e infraestrutura) +

R$ 650.000 (Rede) + R$ 300.000

R$3.200,00/mês

(2005-VoIP)

 

para aluguel do link

 

R$150,00 a R$ 400,00 para instalação e compra do equipamento

Nenhum, para

Nenhum, para

Nenhum, para

Investimento do

acesso em

acesso em

acesso em

Usuário

telecentros e

telecentros e

telecentros e

escolas.

escolas.

escolas.

Telefonia via Internet

Utilização do Skype pelos usuários

Não informado

Não informado

Sim, entre órgãos públicos.

   

6.300 alunos + 220

Alunos das escolas e Universidades (5 escolas, 1 biblioteca, 2 secretarias municipais e 1 Laboratório na UFOP)

8500 alunos nas escolas municipais; 54 prédios (escolas, secretarias, postos de saúde)

Número aprox. de usuários

200

pessoas por dia em telecentros

População da Cidade

8.200

23.700

66.280

103.000

Quanto menor a população mais fácil fica o controle de acesso e mais simples é a instalação dos equipamentos, como no caso de Sud Mennucci - SP. Por conseqüência, devemos aliar ao tamanho do município e à sua densidade demográfica um estudo utilizando ferramentas de Tecnologia da Informação, a fim de abranger as diferentes áreas de cobertura e quantidade de pessoas das regiões estudadas. Como todos os projetos citados partem da iniciativa do governo e de órgãos públicos (Universidades), a verba inicial deve ser muito bem controlada e

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economizada, sendo assim vários estudos foram feitos para contornar esse problema detectando-se na tecnologia wireless a melhor relação custo benefício. Com isso, percebemos a tendência da rede sem fio ser economicamente mais viável quando abrange uma maior área de cobertura. Verificamos que, em um futuro próximo, poderão surgir serviços de dados ofertados pelo governo com baixo custo ou gratuitamente. Esse cenário fica claro quando observamos que a maioria dos municípios oferta serviços de Internet em telecentros para a população e afirmam ter estudos e intenções de ampliar o serviço para as residências da região.

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4.

TECNOLOGIAS ESTUDADAS

Nesta seção iremos descrever brevemente algumas tecnologias utilizadas em soluções para redes de dados, a fim de utilizarmos a tecnologia que melhor se enquadra no estudo. Primeiramente, a fim de um melhor entendimento de redes de computadores, iremos citar brevemente algumas topologias. A topologia refere-se ao “layout físico” e ao meio de conexão dos dispositivos na rede, ou seja, como estes estão conectados. Os pontos no meio onde são conectados recebem a denominação de nós, sendo que estes nós sempre estão associados a um endereço, para que possam ser reconhecidos pela rede. São várias as topologias existentes, porém, as variações sempre derivam de três topologias básicas, que são as mais frequentemente empregadas: Barramento, Estrela e Anel. Ainda descreveremos as redes em Malha e topologias híbridas.

Barramento (Bus): Esta topologia é caracterizada por uma linha única de dados, finalizada por dois terminadores, conforme Figura 22. Toda mensagem enviada por uma estação pode ser “ouvida” pelas demais estações, sendo reconhecida somente por aquela que é o destino. Nas redes baseadas nesta topologia não existe um elemento central, todos os pontos atuam de maneira igual, algumas vezes assumindo um papel ativo outras vezes assumindo um papel passivo. Essa é a topologia utilizada nas redes locais Ethernet ponto a ponto, que também será descrita no decorrer do trabalho.

ponto a ponto, que também será descrita no decorrer do trabalho. Figura 22 - Topologia em

Figura 22 - Topologia em Barramento. [19]

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Estrela (Star): A topologia estrela é caracterizada por um elemento central que "gerencia" o fluxo de dados da rede, estando diretamente conectado a cada nó, conforme Figura 23. Toda informação enviada de um nó para outro deverá obrigatoriamente passar pelo ponto central, ou concentrador, tornando o processo mais eficaz, já que os dados não irão passar por todas as estações. O concentrador encarrega-se de rotear o sinal para as estações solicitadas, economizando tempo. As redes cliente-servidor segue a topologia estrela.

tempo. As redes cliente-servidor segue a topologia estrela. Figura 23 - Topologia em Estrela. [ 1

Figura 23 - Topologia em Estrela. [19]

Anel (Ring) - Uma topologia em anel é constituída de um circuito fechado, conforme Figura 24. Quando uma mensagem é enviada por um nó, ela entra no anel e circula até ser retirada pelo nó de destino, ou então até voltar ao nó fonte, dependendo do protocolo empregado. A implementação mais comum da topologia estrela são as redes Token-Ring / IEEE 802.5, que será explicada no decorrer do trabalho.

Token-Ring / IEEE 802.5, que será explicada no decorrer do trabalho. Figura 24 - Topologia em

Figura 24 - Topologia em Anel. [19]

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Malha (mesh) - Nesta topologia todos os nós estão atados a todos os outros nós, como se estivessem entrelaçados, conforme Figura 25. Para as redes cabeadas existe um problema ao usar essa topologia, pois para cada segmento de rede seria necessário instalar, em uma mesma estação, um número equivalente de placas de rede.

mesma estação, um número equivalente de placas de rede. Figura 25 - Topologia em Malha. [

Figura 25 - Topologia em Malha. [19]

Se utilizarmos uma combinação de mais de uma topologia, a rede é chamada de Híbrida. As redes híbridas normalmente surgem da fusão de duas ou mais redes locais, ou de redes locais com redes metropolitanas. As redes públicas são exemplos de redes híbridas. Neste momento do trabalho vale a pena explicar a classificação das redes dependendo de sua extensão geográfica, as seguintes classificações são mostradas

na Figura 26:

as seguintes classificações são mostradas na Figura 26 : Figura 26 - Classificação das redes quanto

Figura 26 - Classificação das redes quanto à sua extensão geográfica. [36]

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PAN (Personal Area Network ou Rede de Área Pessoal): Rede de computadores pessoais, formadas por nós muito próximos ao usuário (geralmente em distâncias de poucos metros). Estes dispositivos podem ser pertencentes ao usuário ou não. Tecnologicamente é a mesma coisa que uma LAN, diferindo-se desta apenas pela pouca possibilidade de crescimento e pela utilização doméstica. [34]

LAN (Local Area Network ou Rede de Área Local): Rede que interliga computadores em uma área de alcance bastante restrita. Em geral limita-se a prédios, ou até mesmo prédios próximos. [34]

CAN (Campus Area Network ou Rede de Campus): Rede que se distribui por um campus universitário ou planta industrial numa área com aproximadamente 5 km de raio. [16]

MAN (Metropolitan Area Network ou Rede de Área Metropolitana): É um conjunto de duas ou mais redes locais que se distribuem por uma área ou espaço geográfico amplo, que pode englobar toda uma cidade ou grupo de cidades próximas. O uso de pontes e roteadores é obrigatório. [16]

WAN (Wide Area Network ou Rede de Longa Distância): Conjunto de várias redes locais que se distribuem por uma área ou espaço geográfico irrestrito, que pode englobar vários estados ou vários países. A interligação se faz por meio de pontes e roteadores, porém estes devem ser dimensionados prevendo-se, por exemplo, o fluxo de dados, rotas alternativas e suporte a múltiplos protocolos. [16]

4.1. REDES CABEADAS

Os meios de transmissão que estaremos abordando para a rede cabeada serão cabo coaxial - mostrado na Figura 27; cabo de par trançado – mostrado na Figura 28; e cabo de fibra óptica – mostrado na Figura 29:

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Cabo Coaxial:

• Cabo Coaxial: Figura 27 - Cabo coaxial e conector em placa de rede. [ 1

Figura 27 - Cabo coaxial e conector em placa de rede. [1]

O cabo coaxial é constituído de dois condutores dispostos axialmente (na forma de eixo), separados entre si e envoltos por material isolante. O condutor interno, mais rígido, é feito de cobre e pode ser torcido ou sólido (o condutor sólido é mais indicado em redes locais, já que os dados fluem com mais facilidade num meio homogêneo). O condutor externo é uma malha metálica que, além de atuar como a segunda metade do circuito elétrico, também protege o condutor interno contra interferências externas. Quando esta malha externa é feita de alumínio o cabo coaxial é dito cabo coaxial grosso (especificação RG-213 A/U), ou de banda larga, pois possui uma resistência de 75 ohms, transmitindo dados numa velocidade de até 10 Mbps a freqüência de 10 GHz. Os cabos coaxiais de banda larga obedecem ao padrão 10Base5, e são muito utilizados em circuitos internos de TV. Este tipo de cabo é indicado para instalações externas. Se a malha externa for de cobre a resistência obtida é de 50 ohms, o que permite a transmissão de dados à velocidade de 10 Mbps a uma freqüência de 2 GHz. Este cabo é chamado de cabo coaxial fino (especificação RG-58 A/U), ou cabo coaxial de banda base. Este tipo de cabo obedece ao padrão 10Base2, sendo utilizado em redes padrão Ethernet com baixo escopo de atuação. Os cabos coaxiais, se forem instalados adequadamente, oferecem uma boa resistência contra interferências externas, ou ruídos. O seu processo de instalação tem custo elevado.

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Cabo Par Trançado:

• Cabo Par Trançado: Figura 28 - Par trançado e conector RJ45 para par trançado. [

Figura 28 - Par trançado e conector RJ45 para par trançado. [1]

O cabo par trançado é formado de pares de fios entrelaçados, separados por

material isolante, que normalmente são recobertos por uma proteção de PVC (Poly Vinyl Chloride). Cada par constitui um condutor positivo e outro negativo, que ao serem dispostos entrelaçados formam um campo eletromagnético, que faz o papel de barreira contra interferências externas, reduzindo a diafonia, que são os ruídos provocados pelos sinais elétricos que trafegam em sentidos opostos. Muitos tipos de cabo de par trançado, como os cabos telefônicos, não são protegidos por uma blindagem externa. Esses cabos são chamados de Cabos Par Trançado Sem Blindagem (UTP - Unshielded Twisted Pair), mas não devem ser utilizados em redes de computadores. A maioria dos Cabos Par Trançado Blindado (STP - Shielded Twisted Pair) utilizam um encapsulamento de PVC, conforme citado anteriormente. Em redes de computadores encontramos três tipos de cabos par trançado, que são classificados quanto à sua amperagem:

Nível ou categoria 3: para redes de até 10 Mbps, padrão 10BaseT para redes

Ethernet;

Nível ou categoria 4: para redes até 16 Mbps, padrão 16BaseT, esse nível é pouco utilizado;

Nível ou categoria 5: 100 Mbps, padrão 100BaseT.

O cabo par trançado é economicamente mais viável do que o cabo coaxial, e

sua instalação também é mais fácil. Essas vantagens associadas a sua predisposição contra ruídos internos e/ou externos foi o que fez com o que os cabos

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de par trancado tomassem o lugar dos cabos coaxiais nas redes locais, principalmente em redes padrão Ethernet.

Cabo de Fibra Óptica:

em redes padrão Ethernet. • Cabo de Fibra Óptica: Figura 29 - Cabos de fibra óptica.

Figura 29 - Cabos de fibra óptica. [1]

O cabo de fibra óptica possui um filamento condutor interno feito de substância derivada de material vítreo ou plástico, revestida por um material com baixo índice refratário, normalmente silicone ou acrilato. Podemos ter um agrupamento de fibras envoltas por gel, encapsuladas num revestimento secundário de náilon e, finalmente, uma capa externa de PVC. A tecnologia aplicada na fabricação dos cabos de fibra óptica é mais complicada se comparada à utilizada nos cabos par trançado ou coaxial, isso torna seu custo de produção e instalação mais elevado do que as outras tecnologias. Por isso, a fibra óptica não é tão empregada em redes locais como o cabo par trançado. A conexão com a fibra óptica é ponto-a-ponto, não podemos "espetar" um novo segmento de rede à um que já existe, como se faz com cabos coaxiais; o cabo de fibra óptica também não pode apresentar uma curvatura intensa pois ele quebra com facilidade e o sinal emitido poderia chocar-se com a superfície do revestimento e ser refletido, interferindo na transmissão. Os dados trafegam pela fibra óptica na forma de sinais luminosos que são gerados ou por tecnologia laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) ou por um diodo emissor de luz (LED - Light Emissor Diode). A velocidade de transmissão é muito mais elevada em comparação às demais tecnologias, conseguimos taxas de até 16 Tbps (terabits por segundo, ou 16 trilhões de bits por segundo), operando à freqüências de até 800 terahertz. Outra vantagem

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é a economia de espaço, um cabo de um centímetro de diâmetro pode comportar

144 fibras, possibilitando até oito mil conversações simultâneas em ambos os sentidos de transmissão. Além disso, fibra óptica é totalmente imune às variações

eletromagnéticas externas, o que torna a transmissão mais confiável. Ambientes sujeitos a uma variação extrema de ruídos Eletromagnéticos ou Radiofrequência requerem a implementação de redes de computadores baseadas em fibra óptica. Existem basicamente dois tipos de fibras: multimodo e monomodo. Fibras multimodo são tipos de fibras ópticas com dimensões de núcleo relativamente grandes, permitem a incidência de raios de luz em vários ângulos. Já nas fibras monomodo o diâmetro do núcleo é pequeno, não possibilitando mais de um modo

de propagação, fazendo com que a luz se propague em linha reta ao longo do cabo,

a largura de banda utilizável é maior do que a das fibras multimodo.

A tecnologia de redes cabeadas é bastante utilizada em soluções LAN, e apresenta diversas variações para diferentes padrões e diferentes métodos de acesso, esses padrões são estabelecidos pelo IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers). A cada tecnologia é criado um novo sub-comitê para que seja feita a padronização, seguem os principais comitês e uma breve descrição de cada um:

- Ethernet (IEEE 802.3): A norma IEEE 802.3 refere-se a uma família de redes locais baseadas no protocolo de acesso ao meio CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access with Collision Detection), que sugere uma forma para permitir a comunicação de várias estações através do mesmo meio físico, utilizando um canal broadcast, quando uma estação quer transmitir ela deve ouvir o meio, assim, ela só transmite se estiver livre, evitando colisões. Se duas estações iniciam uma transmissão ao mesmo tempo, isso é percebido, pois uma não deixa de “escutar” a outra, mesmo quando transmitindo, então ambas cessam a transmissão. A norma 802.3 especifica uma família inteira de sistemas CSMA/CD, rodando a velocidades que variam de 1 a 10 Mbps em vários meios físicos. O protocolo Ethernet é uma das possíveis implementações da norma 802.3. as redes Ethernet de 10Mbpss, sejam elas par trançado, coaxial e fibra ótica, e utilizam a codificação Manchester para fazer a

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transmissão das mensagens. Este protocolo envia a sincronização dos bits juntamente com o sinal, facilitando sua recuperação.

- Fast Ethernet (IEEE 802.3u): permite transmissões de até 100 Mbps,

geralmente utilizada em sistema de backbone. O Fast Ethernet foi definido em 1995, estendendo a capacidade do Ethernet para 100Mbps, mas preservando a especificação original de formato do quadro de dados. Tal especificação abandonou

a utilização de cabo coaxial, sendo padronizada apenas em par trançado e fibra óptica.

- Gigabit Ethernet (IEEE 802.3ab): O padrão surgiu em 1998 e define uma

largura de banda de até 1000 Mbps (1 Gbps). É compatível com os padrões Ethernet

e Fast Ethernet, pois usa os mesmos protocolos. Seu uso é essencialmente entre

roteadores, switches e hubs, mas também pode ser usado para conectar servidores e estações de trabalho.

- 10 Gigabit Ethernet (IEEE 802.3ae): Padrão de redes Ethernet de 10 Gbps,

desenvolvido pelo IEEE em parceria com uma associação de mais de 70 membros da indústria. A primeira reunião aconteceu em 2000 e a aprovação veio somente em 2002. O padrão 10 Gigabit Ethernet suporta apenas fibras ópticas, com dois padrões

para fibras multimodo, com alcance de 100 e 300 metros e mais três padrões para fibras monomodo, com alcance de 2, 10 ou 40 quilômetros, dependendo da qualidade dos cabos utilizados.

- Ethernet First Mile (IEEE 802.3ah): A conexão entre usuário final e o

provedor é conhecida como “primeira milha” (first mile). Com o estabelecimento do padrão IEEE 802.3ah, disponibiliza-se três topologias para a primeira milha, utilizando-se cobre ou fibra óptica. Para cobre, o padrão oferece acesso ponto-a-

ponto sobre pares de cobre do tipo usado em telefonia, com velocidades típicas de 10 Mbps para uma distância de até 750 m entre o assinante e o provedor, ou 2 Mbps

a uma distância máxima de 2,7 km entre assinante e provedor. Para fibra ótica, há a possibilidade de fibras monomodo ou multimodo, usando uma ou duas fibras.

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Velocidades nesta topologia vão de 100 Mbps a 1 Gbps para distâncias na ordem de 10 km para fibras monomodo ou 550 m para fibras multimodo. Na arquitetura ponto- a-multiponto usa-se fibras monomodo com velocidade de 1 Gbps para até 10 km ou 20 km.

4.2. REDES SEM FIO (WIRELESS)

Wireless caracteriza qualquer tipo de conexão para transmissão de informação sem a utilização de fios ou cabos. Uma rede sem fio é um conjunto de sistemas conectados por tecnologia de rádio através do ar. Os benefícios que as redes sem fio trazem são inúmeros, entre eles: mobilidade, escalabilidade e instalação rápida, simples, flexível e com redução de custo, quando comparada à instalação das redes cabeadas. As tecnologias de comunicação wireless seguem os

padrões técnicos internacionais estabelecidos pelo IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers), que definiu as especificações para a interconexão de equipamentos (computadores, impressoras, etc.) e demais aplicações através do conceito "over-the-air", ou seja, proporciona o estabelecimento de redes e comunicações entre um aparelho cliente e uma estação ou ponto de acesso, através

do uso de freqüências de rádio.

Dentro do modelo wireless de comunicação existem vários tipos de tecnologia, como Bluetooth, Infravermelho, Wi-Fi (Wireless Fidelity) e Wi-Max (Interoperability for Microwave Access). Além disso, esta categoria de redes pode ser dividida em vários tipos, que são: Redes Locais sem Fio ou WLAN (Wireless

Local Area Network), Redes Metropolitanas sem Fio ou WMAN (Wireless Metropolitan Area Network), Redes de Longa Distância sem Fio ou WWAN (Wireless Wide Area Network), redes WLL (Wireless Local Loop) e o novo conceito de Redes Pessoais Sem Fio ou WPAN (Wireless Personal Area Network). A comunicação de dados sem fio foi utilizada pela primeira vez no Havaí com

a intenção de contornar as dificuldades de cabeamentos das diversas ilhas

existentes no arquipélago havaiano. Os cientistas e pesquisadores que lá trabalhavam, utilizavam uma rede interligada através de cabos telefônicos; porém, a rede não supria as demandas e havia uma necessidade constante de expansão.

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Como as ilhas do arquipélago ficavam relativamente distantes umas das outras e devido às dificuldades de interligação física (via mar e terra), eles desenvolveram um sistema de transmissão que não necessitava de cabos de interligação, que foi chamado de rede wireless. Mas somente com a liberação para exploração comercial e a normalização das redes locais sem fio ou WLAN, foi que se iniciou o crescimento dessa tecnologia. Abaixo temos um pequeno histórico:

Tudo começou em 1971 na Universidade do Havaí com um projeto de pesquisa chamado AlohaNet, que permitia a comunicação dos computadores situados em sete campus espalhados por 4 ilhas com um computador central através de uma rede sem fio, usando radio difusão. A comunicação era bidirecional em uma topologia em estrela.

Em 1980 existia um projeto de pesquisa entre os EUA e o Canadá patrocinado pela Conferência de Redes de Computadores, que trabalhavam no desenvolvimento e experimentos de novas tecnologias de redes sem fio. Foi criado um FORUM para o desenvolvimento das Wireless LAN’s

1985 a FCC (Federal Communications Commission) impulsionou o desenvolvimento comercial de componentes LAN baseados em radio difusão, por ter autorizado o uso público das bandas ISM (Industrial, Scientific, and Medical).

Depois da liberação das bandas ISM, as indústrias de equipamentos wireless começaram a desenvolver tecnologias de rádios proprietárias.

Para evitar a falta de interoperabilidade entre as novas tecnologias que estavam surgindo, em 1980 o grupo de trabalho do IEEE do 802, responsável pelos padrões de redes locais, começaram a projetar e desenvolver padrões para a rede sem fio.

Hoje em dia, as WLAN’s têm sido muito usadas em campus de instituições de ensino, prédios comerciais, resorts, aeroportos, condomínios residenciais, medicina móvel no atendimento aos pacientes, transações comerciais e bancárias. Além disso, as WLAN’s também são empregadas onde não é possível atravessar cabos, como por exemplo, em construções antigas ou tombadas pelo patrimônio histórico.

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Esses exemplos foram conferidos na seção anterior, onde as cidades, por vários desses motivos, adotaram as redes sem fio.

4.2.1. Funcionamento de uma Rede sem Fio

Através da utilização de portadoras de rádio ou infravermelho, as WLAN’s estabelecem a comunicação de dados entre os pontos da rede. Os dados são modulados na portadora de rádio e transmitidos através de ondas eletromagnéticas. Múltiplas portadoras de rádio podem coexistir num mesmo meio, sem que uma interfira na outra. Para extrair os dados, o receptor sintoniza numa freqüência específica e rejeita as outras portadoras de freqüências diferentes. Num ambiente típico, o dispositivo transceptor (transmissor/receptor) ou ponto de acesso (access point) é conectado a uma rede local Ethernet convencional, ou seja, com fio. Os pontos de acesso não apenas fornecem a comunicação com a rede convencional, como também intermediam o tráfego com os pontos de acesso vizinhos, num esquema de micro células com roaming (quando uma estação cliente associa-se a outro ponto de acesso) semelhante a um sistema de telefonia celular, como pode ser visto na Figura 30. A placa de rede é a responsável pela escolha do melhor ponto de acesso a ser utilizado, para isso é levado em conta o nível do sinal e a taxa de utilização da rede, se o nível de sinal diminui, por exemplo, a placa de rede busca outro ponto de acesso.

por exemplo, a placa de rede busca outro ponto de acesso. Figura 30 - Roaming entre

Figura 30 - Roaming entre os Pontos de Acesso. [18]

54

4.2.2. Topologia de uma Rede sem Fio

As redes sem fio são implementadas com dois tipos básicos de componentes. São eles: os adaptadores de redes, que são interfaces eletrônicas nos computadores dos clientes, e os Pontos de Acesso, que provêem os serviços às estações associadas. A Figura 21 seguinte mostra uma instalação típica externa de uma rede sem

fio.

mostra uma instalação típica externa de uma rede sem fio. Figura 31 - Instalação externa típica

Figura 31 - Instalação externa típica wireless. [24]

Os elementos que compõem a arquitetura sem fio, no padrão IEEE 802.11 estão descritos abaixo:

BSA (Basic Service Area) - Conhecidas também como células. O tamanho da BSA depende das características do ambiente e da potência dos transmissores/receptores usados nas estações;

BSS (Basic Service Set) – representa um grupo de estações comunicando-se por radiodifusão ou infravermelho em uma BSA;

AP (Access Point) ou Ponto de Acesso – são estações especiais responsáveis pela captura das transmissões realizadas pelas estações de sua BSA, destinadas a estações localizadas em outras BSA’s, retransmitindo-as, usando um sistema de distribuição. Uma das funções do ponto de acesso é implementar uma ponte entre a rede wireless e a rede física;

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DS (Distribution System) – representa uma infraestrutura de comunicação que interliga múltiplas BSA’s para permitir a construção de redes cobrindo áreas maiores que uma célula;

ESA (Extended Service Area) – representa a interligação de vários BSA’s pelo sistema de distribuição através dos pontos de acesso;

ESS (Extended Service Set) - Conjunto de estações formado pela união de vários BSS’s conectados por um sistema de distribuição.

O padrão 802.11 estabelece três topologias básicas:

Redes Ad Hoc ou IBSS (Independent Basic Service Set): é a composição de uma rede sem fio onde as estações comunicam-se mutuamente sem a necessidade de um ponto de acesso, como pode ser visto na Figura 32. Este tipo de rede se caracteriza pela topologia altamente variável, existência por um período de tempo determinado e baixa abrangência. Os clientes da rede devem possuir o mesmo SSID (Service Set Identifier).

rede devem possuir o mesmo SSID ( Service Set Identifier ). Figura 32 - Rede IBSS.

Figura 32 - Rede IBSS. [24]

Redes de Infra-estrutura básica ou BSS (Basic Service Set): Corresponde a uma célula de comunicação da rede sem fio, é um conjunto de estações controladas por um único ponto de acesso, a estrutura dessa rede é mostrada na Figura 33. Todas as mensagens são enviadas ao ponto de acesso, que as repassa aos destinatários. Dessa forma, o ponto de acesso funciona com o mesmo princípio de um hub para ambientes sem fio e como uma ponte entre

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o ambiente sem fio e a rede fixa. É identificado por um único identificador alfanumérico SSID.

por um único identificador alfanumérico SSID. Figura 33 - Rede BSS. [ 2 4 ] •

Figura 33 - Rede BSS. [24]

Redes de infra-estrutura ou ESS (Extended Service Set): é um conjunto de um ou mais BSS’s interconectados, integrado as redes locais. Estes aparentam ser um único BSS para a camada de enlace de dados de qualquer estação associada a qualquer BSS. A estrutura deste tipo de rede é composta por um conjunto de pontos de acesso interconectados, permitindo que um dispositivo migre entre dois pontos de acesso da rede. Sua estrutura é mostrada através da Figura 34. Não requer o mesmo SSID em todos os BSS.

da Figura 34 . Não requer o mesmo SSID em todos os BSS. Figura 34 -

Figura 34 - Rede ESS. [24]

Existem duas formas de entrar nos BSS: através de escaneamento ativo, quando o cliente envia quadros de pesquisa, procurando um BSS que deseja; ou o

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escaneamento passivo, quando o cliente apenas escuta o meio em busca de quadros do BSS que deseja. Depois de feita a busca pelo BSS desejado é necessária a conexão do cliente na rede. Este processo consiste de dois passos: a autenticação e associação. Primeiro faz-se a autenticação e a rede verifica a identidade do cliente que deseja se conectar. Em seguida, é feita a associação, e então se permite que o cliente envie dados através do ponto de acesso.

4.2.3. Pontos de Acesso

Os pontos de acesso são dispositivos de acesso half-duplex que provêem um ponto de entrada de estações clientes na rede. Conforme já citado, funciona como uma ponte de comunicação entre a rede sem fio e a rede convencional, é equivalente em funcionalidade a um switch das redes Ethernet. Pontos de acesso podem funcionar de três formas diferentes. No modo raiz, o ponto de acesso é conectado a uma rede cabeada. Assim os Pontos de Acesso conectados à rede de cabos podem comunicar-se entre si para coordenar funcionalidades, como o roaming e a transmissão de dados a outras estações ligadas a um Ponto de Acesso diferente. O modo bridge, funcionalidade opcional dos pontos de acesso, é usado para ligar dois pontos distantes e não permite a associação de clientes. Outro modo opcional e não recomendado de funcionamento dos pontos de acesso é o modo repetidor, que serve como extensor no alcance da rede.

Os pontos de acesso, mostrados na Figura 35, têm muitas opções, como antenas fixas ou destacáveis, capacidade de filtros (endereço MAC, protocolo, portas), cartões PCMCIA de transmissão removíveis, variação no sinal de saída e diferentes tipos de conectores para a rede de fios. Todas essas opções não são regidas pela norma da IEEE. As formas de controle e configuração também podem variar de acordo com o fabricante. Existe hardware que oferece possibilidade de uso de console, telnet ou páginas HTML, para acesso às suas configurações, além da facilidade do USB para conexão com um computador, permitindo a rápida configuração inicial do dispositivo.

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Sobre configurações de software pode haver tabelas de associação, protocolos de autenticação, como o RADIUS (Remote Authentication Dial In User Service), VPN (Virtual Private Network), funções de roteador, e protocolos de gerenciamento como o SMNP (Simple Network Management Protocol).

como o SMNP ( Simple Network Management Protocol ). Figura 35 - Diferentes modelos de Pontos

Figura 35 - Diferentes modelos de Pontos de Acesso.

4.2.4. Estações

São os dispositivos reconhecidos como clientes nas redes que usam pontos de acesso. Todos os fabricantes de rádios fazem clientes principalmente no formato de cartões PCMCIA (PC Card) ou compact flash (CF), que podem ser usados neste formato ou então conectados a adaptadores USB, ISA, PCI. Existe também uma enorme variedade de antenas e conectores. Antenas compactas como no caso dos cartões CF ou PCcard, ou antenas direcionais ou omni-direcionias. Em relação ao software, variam muito as funcionalidades encontradas em cada produto. Existem funcionalidades comuns a todos os fabricantes, como operação nos modos de infra-estrutura e ad-hoc, obtenção do identificador da rede (SSID), chave WEP, e ferramentas de autenticação. E há também softwares que auxiliam na conexão, como ferramentas de pesquisa de sinal, monitores de velocidade, espectro, e potência do sinal, específicos de cada fabricante.

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Cartões PCI: São instalados internamente no microcomputador. Esse tipo de interface é mostrado na Figura 36.

tipo de interface é mostrado na F i g u r a 36 . Figura 36

Figura 36 - Interfaces Wireless PCI. [44]

Cartões PCMCIA: utilizados nos computadores portáteis, alguns roteadores duais podem funcionar como roteadores padrão e acrescentar capacidade sem fio mediante um ponto de acesso PCMCIA. Cartões PCMCIA estão mostrados na Figura 37.

PCMCIA estão mostrados na F i g u r a 37 . Figura 37 - Cartões

Figura 37 - Cartões PCMCIA. [44]

Cartões USB: São conectados a porta USB do microcomputador. Em exemplo de cartão com interface USB é mostrado na Figura 38.

60

Figura 38 - Interfaces wireless USB. [ 4 4 ] 4.2.5. Tipos de Transmissão Há

Figura 38 - Interfaces wireless USB. [44]

4.2.5. Tipos de Transmissão

Há várias tecnologias envolvidas nas redes locais sem fio e cada uma tem suas particularidades, suas limitações e suas vantagens. A seguir, são apresentadas algumas das mais empregadas.

Sistemas Narrowband: Os sistemas narrowband, ou banda estreita, operam numa freqüência de rádio específica, mantendo o sinal de rádio o mais estreito possível, o suficiente para passar as informações. O crosstalk, indesejável entre os vários canais de comunicação pode ser evitado coordenando cuidadosamente os diferentes usuários nos diferentes canais de freqüência.

Spread Spectrum: É uma técnica de rádio freqüência desenvolvida pelo exército e utilizada em sistemas de comunicação de missão crítica, garantindo segurança e rentabilidade. O Spread Spectrum é o mais utilizado atualmente. Utiliza a técnica de espalhamento espectral com sinais de rádio freqüência de banda larga, foi desenvolvida para dar segurança, integridade e confiabilidade deixando de lado a eficiência no uso da largura de banda. Em outras palavras, maior largura de banda é consumida que no caso de transmissão narrowband, mas deixar de lado este aspecto produz um sinal que é, com efeito, muito mais ruidoso e assim mais fácil de detectar, proporcionando aos receptores conhecer os parâmetros do sinal spread spectrum via broadcast. Se um receptor não é sintonizado na freqüência correta, um sinal spread spectrum inspeciona o ruído de fundo. Existem duas alternativas principais:

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Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS) e Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS).

o

Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS): Gera um bit-code (também chamado de chip ou chipping code) redundante para cada bit transmitido. Quanto maior o chip, maior será a probabilidade de recuperação da informação original. Contudo, uma maior banda é requerida. Mesmo que um ou mais bits no chip sejam danificados durante a transmissão, técnicas estatísticas embutidas no rádio são capazes de recuperar os dados originais sem a necessidade de retransmissão. A maioria dos fabricantes de produtos para Wireless LAN tem adotado a tecnologia DSSS depois de considerar os benefícios versus os custos, e o benefício que se obtém com ela.

o

Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS): Utiliza um sinal portador que troca de freqüência no padrão que é conhecido pelo transmissor e receptor. Devidamente sincronizada, a rede efetua esta troca para manter um único canal analógico de operação.

4.2.6. Antenas

Uma antena faz transmissão da energia do RF ao meio aéreo. Um transmissor dentro da placa de rede ou de um ponto de acesso emite um sinal de RF à antena, que age como um radiador e propaga o sinal através do ar. A antena opera também no sentido inverso capturando sinais de RF do ar e fazendo os disponíveis ao receptor. Uma das funções da antena é direcionar a intensidade de radiação em uma determinada direção na qual se deseja transmitir o sinal, como é o caso de ligação ponto a ponto de um enlace de microondas e comunicação via satélite. As seguintes características devem ser observadas nas antenas para a instalação de um sistema wireless:

62

- Freqüência: Para rede wireless, a antena deve ser ajustada para 2,4 GHz

ou 5 GHz, dependendo do padrão utilizado. Uma antena funcionará eficientemente somente se a freqüência da antena e do rádio coincidirem.

- Potência: As antenas podem tratar uma quantidade específica de potência

emitida pelo transmissor. No caso do 802.11, a ser visto mais adiante, a antena será geralmente superior a 1 watt a fim segurar o pico máximo de potência de transmissão da placa ou do ponto de acesso.

- Padrão de Radiação: O padrão de radiação define a propagação da onda de

rádio da antena. O padrão de radiação mais básico é isotrópico, que significa que a antena transmite as ondas de rádio em todos os sentidos igualmente.

- Ganho: O ganho de uma antena representa quão bem ela aumenta a

potência do sinal, com o decibel (dB) como unidade de medida. O número do dB é 10 vezes o logaritmo da potência da saída dividido pela potência de entrada. A maioria de fabricantes da antena especificam o ganho como o dBi, que é o ganho relativo a uma fonte isotrópica. Ou seja, o dBi é quanto a antena aumenta a potência

do transmissor comparado a usar uma antena isotrópica fictícia. O dBi representa o ganho real que a antena fornece à saída do transmissor. O sinal recebido difere do sinal transmitido devido a vários empecilhos na transmissão. Para transmissão em visada direta, também chamada de transmissão LOS (Line of Sight), sem fio, os principais empecilhos são: atenuação, perda de espaço livre, ruído, absorção atmosférica, multipath, refração. A distância que o sinal é capaz de percorrer depende também da qualidade da antena usada. As antenas padrão utilizadas nos pontos de acesso, geralmente de 2 dBi são pequenas e práticas, além de relativamente baratas, mas existe a opção de utilizar antenas mais sofisticadas para aumentar o alcance da rede. Um ponto de acesso com antenas padrão é mostrado na Figura 39.

63

Figura 39 - Ponto de acesso com as antenas padrão. [ 4 2 ] Algumas

Figura 39 - Ponto de acesso com as antenas padrão. [42]

Algumas placas de rede e pontos de acesso trazem antenas integradas, alguns computadores portáteis também trazem a antena integrada dentro da tampa, de forma a não poder ser substituída pelo usuário. Outros dispositivos wireless têm antenas destacáveis. Isso garante mais flexibilidade permitindo a seleção de uma antena com características mais apropriadas à aplicação. A distância máxima, a qualidade do sinal e a velocidade de transmissão podem variar bastante de um modelo de ponto de acesso para outro, de acordo com a qualidade do transmissor e da antena usada pelo fabricante. Existem basicamente três tipos de antenas que podem ser utilizadas nas redes sem fio:

Antenas Yagi:

Antena de grande potência, que pode ser usada tanto para transmitir sinais por distâncias relativamente grandes, quanto captar sinais fracos, que antenas menores não seriam capazes de captar. As antenas Yagi medem cerca de 50 centímetros e custam cerca de 200 dólares, e são usadas em algumas tecnologias de rede sem fio, algumas das quais permitem conexões a distâncias de até 2 quilômetros. [41] Um exemplo de antena Yagi pode é mostrado na Figura 40. As antenas Yagi são antenas direcionais, essas antenas são mais úteis para cobrir alguma área específica, longe do ponto de acesso, ou então para um usuário em trânsito, que precisa se conectar a rede. As antenas de ganho mais elevado terão uma menor largura do feixe, que limita a cobertura nos lados das antenas. As antenas direcionais têm ganho muito maior do que as omnidirecionais.

64

As antenas de alto ganho funcionam melhor em grandes distâncias, com cobertura estreita, ou como ponte entre edifícios.

com cobertura estreita, ou como ponte entre edifícios. Figura 40 - Antena Yagi. [ 4 2

Figura 40 - Antena Yagi. [42]

Antenas Ominidirecionais Assim como as antenas padrão dos pontos de acesso, cobrem uma área circular ou esférica, conforme mostrado no diagrama da Figura 41, caso o ponto de acesso esteja instalado acima do solo, em torno da antena.

acesso esteja instalado acima do solo, em torno da antena. Figura 41 - Diagrama tridimensional de

Figura 41 - Diagrama tridimensional de irradiação das antenas omnidirecionais. [43]

A vantagem é a possibilidade de utilizar uma antena com uma maior potência, existem modelos de antenas ominidirecionais de 3 dBi, 5 dBi, 10 dBi e 15 dBi, que apresentam maior potência do que as antenas dos pontos de acesso. O ganho das antenas omnidirecionais está relacionado com o seu n;úmero de dipolos, como mostrado na Figura 42.

65

Figura 42 - Ganho das antenas omnidirecionais [ 4 3 ] Assim como as Yagi,

Figura 42 - Ganho das antenas omnidirecionais [43]

Assim como as Yagi, as antenas ominidirecionais, como a mostrada na Figura 43, podem ser usadas tanto para aumentar a área de cobertura do ponto de acesso, quanto serem instaladas numa interface de rede, em substituição à antena que a acompanha, permitindo captar o sinal do ponto de acesso de uma distância maior. As antenas omnidirecionais aplicam-se à maioria das aplicações em ambientes internos. Elas fornecem a cobertura mais ampla, tornando possível formar círculos de cobertura que se sobrepõem a partir de múltiplos pontos de acesso distribuídos.

a partir de múltiplos pontos de acesso distribuídos. Figura 43 - Antenas ominidirecionais. [ 4 2

Figura 43 - Antenas ominidirecionais. [42]

Mini-parabólicas: antenas do tipo direcional, ou seja, captam o sinal em apenas uma direção, como as Yagi, mas podem ter uma potência maior,

66

dependendo do modelo usado. Um modelo desse tipo de antena é mostrado

na Figura 44.

Um modelo desse tipo de antena é mostrado na Figura 44 . Figura 44 - Antena

Figura 44 - Antena de Grade. [42]

Neste ponto iremos expor alguns conceitos básicos sobre a radiopropagação,

uma vez que o objetivo deste trabalho é o estudo de diferentes soluções de redes,

esses conceitos serão importantes para o entendimento da aplicação da solução

wireless.

Altura da Antena:

O link de rádio deve ser feito, de preferência, em locais onde há visada

entre as antenas. A altura das antenas deve ser observada a fim de evitarmos

obstáculos, outro fator a ser considerado é a curvatura terrestre, que para grandes

distâncias, passa a ser significativo. Quando se leva em conta a curvatura da

Terra, grandes distâncias passam a não ser alcançadas por esse motivo. A

fórmula para cálculo da distância do horizonte é a mostrada na Eq.01:

da distância do horizonte é a mostrada na Eq.01 : DH - distância do horizonte (km)

DH - distância do horizonte (km) h - altura da antena (m)

67

(Eq.01)

A Tabela 2 relaciona a algumas alturas de antena com o alcance máximo:

Tabela 2 – Alcance máximo de antennas no horizonte.

Altura da antena (m)

Distância do horizonte (km)

3

6,9

4

8

5

8,9

6

9,8

7

10,6

8

11,3

9

12,0

10

12,6

Para a implementação do sistema wireless não podemos esquecer das formas de perdas do sinal. Devemos considerar parâmetros de elementos geradores de perdas tais como protetor de surtos, amplificador e o cabo que vai até a antena. O ganho de potência de sinal da antena também é considerado para a avaliação da potência recebida. A Figura 45 mostra as perdas durante o percurso da onda eletromagnética no meio.

perdas durante o percurso da onda eletromagnética no meio. Figura 45 – Perda e ganho de

Figura 45 – Perda e ganho de sinal durante o percurso da onda eletromagnética.

O sistema wireless apresenta diversas formas de atenuação do sinal, temos as perdas por atenuação no espaço livre somadas às perdas nos cabos da antena e

68

conectores. Os ganhos do sistema são os ganhos das antenas, na recepção e

transmissão do sinal.

Atenuação em espaço livre:

Define a relação, em dB, entre a potência do sinal eletromagnético na saída da

antena transmissora e a potência disponível para ser captada em um determinado

ponto de recepção no espaço. Este cálculo não leva em consideração obstáculos. A

atenuação em espaço livre é definida pela Eq.02:

Ao = 28,1 + 20log d (km) + 20log f (MHz)

Ao = atenuação no espaço livre, em dB.

d = distância que deve ser colocada em Km.

(Eq.02)

f = freqüência que deve ser colocada em MHz.

Potência Efetivamente Recebida:

Considerando-se espaço livre, citaremos algumas fórmulas para se chegar ao

valor da potência efetivamente recebida pela antena receptora. Encontramos a

potência efetivamente recebida multiplicando a área efetiva da antena com a sua

densidade de potência. Então, um dos conceitos importantes é o de área efetiva de

recepção de uma antena, definido pela Eq.03:

efetiva de recepção de uma antena, definido pela Eq.03 : ( Eq.03) A e - Área

(Eq.03)

A e - Área efetiva da antena

λ = 3x10 8 [m/s] / f [Hz] - comprimento de onda

G R - ganho máximo da antena receptora

Conhecendo-se a densidade de potência na recepção, a potência recebida é

encontrada através do produto entre a densidade de potência e a área efetiva de

recepção da antena. A relação entre densidade de potência e o campo elétrico

recebido é estabelecida, em campo distante, por:

elétrico recebido é estabelecida, em campo distante, por: s - densidade de potência [W/m2] E -

s

- densidade de potência [W/m2]

E

- módulo do campo elétrico [V/m]

69

(Eq.04)

η - impedância intrínseca do meio []; no espaço livre : η = 120π ≅ 377

A densidade de potência a uma distância d, para uma antena isotrópica é dada pela Eq.05:

d , para uma antena isotrópica é dada pela Eq.05 : P T - potência transmitida

P T - potência transmitida

(Eq.05)

Para uma antena de ganho G T , o ganho multiplica a expressão de densidade de potência, gerando:

multiplica a expressão de densidade de potência, gerando: ( Eq.06) Igualando as expressões de densidade de

(Eq.06)

Igualando as expressões de densidade de potência chegamos, no espaço livre, ao módulo do campo elétrico, que também será utilizado para chegarmos ao valor da potência efetivamente recebida, mostrado na Eq.07:

da potência efetivamente recebida, mostrado na Eq.07 : ( Eq.07) Então, a potência efetivamente recebida será

(Eq.07)

Então, a potência efetivamente recebida será a definida na Eq. 08: [40]

recebida será a definida na Eq. 08: [ 4 0 ] 4.2.7. Redes Wi-Fi ( Eq.08)

4.2.7. Redes Wi-Fi

(Eq.08)

No padrão IEEE 802.11, é especificada a forma de ligação física e de enlace de redes locais sem fio, com o objetivo de fornecer uma alternativa às conexões utilizando cabos. As redes sem fio 802.11 utilizam ondas de rádio para propagação de dados através do ar, nas freqüências de 2.4 GHz ou 5.8 GHz, chamadas de bandas ISM (Industrial, Scientific and Medical), livre para uso sem licença governamental. As condições de uso dessas frequências estão descritas na Tabela 3. Para evitar conflitos no uso das freqüências, existem acordos governamentais

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sobre o direito de uso das freqüências de transmissão. Uma agência da ITU-R (International Telecommunication Union – Radio Communication Sector) é responsável por coordenar essa alocação para que possam ser fabricados dispositivos que funcionem mundialmente. No Brasil, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) é o órgão regulador das freqüências de transmissões. Os padrões que recebem mais atenção ultimamente correspondem a essa família de especificações 802.11, conhecidas como Wireless Local Area Networks. A família de padrões IEEE 802.11 foi apelidada de Wi-Fi, abreviatura de Wireless Fidelity (fidelidade sem fios), marca registrada pertencente à WECA (Wireless Ethernet Compatibility Alliance), uma organização sem fins lucrativos criada em 1999 para garantir os padrões de interoperabilidade dos produtos Wi-Fi.

Tabela 3 – Condições de uso das frequências de Wi-Fi

Frequências

 

(MHz)

Condições de uso no Brasil

 

Destinadas no Brasil, em caráter secundário, a Equipamentos de Radiocomunicação Restrita como redes Wi-Fi e Rádio Spread Spectrum.

2400-2483

A faixa de 2400 MHz é utilizada no Brasil em caráter primário pelo Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos (SARC) e de Repetição de TV.

5725-5850

A

Anatel estabeleceu que sistemas (2400 MHz) em localidades com população

superior a 500 mil habitantes e com potência (eirp) superior a 400 mW não podem operar sem autorização da Anatel.

5150-5350

Sistemas de Acesso sem Fio em Banda Larga para Redes Locais.

5470-5725

A

faixa de 5150-5350 MHz pode ser utilizada em ambientes internos (indoor) e a de

5470-5725 MHz em ambientes externos e internos.

As redes Wi-Fi utilizam frequências que não precisam de autorização para ser utilizadas. As condições de uso destas frequências no Brasil estão estabelecidas pelo Regulamento sobre Equipamentos de Radiocomunicação de Radiação Restrita. (seções IX e X), reeditado pela resolução 365 de 10/05/04 da Anatel.

Podemos acompanhar um breve histórico do padrão IEEE 802.11 a seguir:

71

1990 – O grupo de trabalho do IEEE para desenvolvimento do protocolo 802.11 foi criado. O objetivo era criar um padrão para redes locais sem fio. O padrão foi especificado para operar na frequência de 2.4GHz.

1997 - O grupo aprovou o padrão IEEE 802.11 como o primeiro padrão mundial para redes WLAN’s. Um dos fatores que influenciou na demora de sua aprovação foi a baixa taxa de transferência inicial, em torno de Kbps.

1998 – Surgem os primeiros produtos no mercado.

1999 – Ratificação da IEEE, nessa revisão surgiu duas novas extensões do IEEE 802.11: o 802.11a e o 802.11b. Produtos baseados em 802.11b começam a ser produzidos.

Atualmente, podemos encontrar no mercado várias especificações na família 802.11, entre eles: 802.11, 802.11a, 802.11b e 802.11g, as características básicas de cada um dos padrões são mostradas na Tabela 4 e Figura 46. O padrão mais popular é o 802.11b. Por seu baixo custo em relação a outros padrões, está presente em 90% da base de equipamentos instalada no mundo. O padrão mais recente, o 802.11g, funciona na mesma faixa de 2,4GHz do 802.11b e utiliza uma tecnologia de modulação mais avançada, o que propicia melhora significativa na qualidade dos sinais. Esse padrão cobre a mesma área do 802.11b, mas oferece uma largura de banda cinco vezes maior, até 54Mbps.

Tabela 4 – Características dos principais padrões 802.11. [23]

de banda cinco vezes maior, até 54Mbps. Tabela 4 – Características dos principais padrões 802.11. [

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Figura 46 – Frequências de operação dos principais padrões 802.11 • 802.11a Por causa da

Figura 46 – Frequências de operação dos principais padrões 802.11

802.11a

Por causa da grande procura de mais largura de banda, e o número crescente de tecnologias a trabalhar na banda 2,4GHz, foi criado o 802.11a para WLAN, a ser utilizado nos Estados Unidos. Este padrão utiliza a freqüência de 5GHz, onde a interferência não é problema. Graças à freqüência mais alta, o padrão também é quase cinco vezes mais rápido, atingindo até 54 Mbps. Esta é a velocidade de transmissão nominal, que inclui todos os sinais de modulação, cabeçalhos de pacotes e correção de erros, a velocidade real das redes 802.11a é de 24 a 27Mbps, pouco mais de 4 vezes mais rápido que no 802.11b. Outra vantagem é que o 802.11a permite um total de 8 canais simultâneos, contra apenas 3 canais no 802.11b. Isso permite que mais pontos de acesso sejam utilizados no mesmo ambiente, sem que haja perda de desempenho. O problema é que o padrão é mais caro, e os transmissores 8021.11a também possuem um alcance mais curto, teoricamente metade do alcance dos transmissores 802.11b, o que torna necessário usar mais pontos de acesso para cobrir a mesma área, e contribui para aumentar ainda mais os custos.

802.11b

É do padrão de rede sem fio 802.11b que surgiu o nome comercial Wi-Fi. O padrão 802.11b utiliza frequências entre 2.4000 e 2.4835GHz, com um total de 11

73

canais disponíveis: 2.412, 2.417, 2.422, 2.427, 2.432, 2.437, 2.442, 2.447, 2.452, 2.457 e 2.462 GHz. Essa canalização é mostrada na Figura 5.

Tabela 5 - Canalização do padrão IEEE 802.11 no Brasil (2,4 GHz) [18]

Canal

Frequência Central (MHz)

1

2412

2

2417

3

2422

4

2427

5

2432

6

2437

7

2442

8

2447

9

2452

10

2457

11

2462

Os transmissores podem utilizar qualquer uma das faixas em busca da banda mais limpa, o que já garante alguma flexibilidade contra interferências. Mas existe um porém, dos 11canais, apenas 3 podem ser utilizados simultaneamente, pois os transmissores precisam de uma faixa de 22 MHz para operar, como pode ser visto na Figura 47. Portanto, se existirem até 3 transmissores na mesma área, não haverá problemas, pois cada um poderá utilizar um canal diferente. Com 4 ou mais pontos de acesso teremos perda de desempenho sempre que dois tentarem transmitir dados simultaneamente.

sempre que dois tentarem transmitir dados simultaneamente. Figura 47 - Ilustração da canalização do padrão IEEE

Figura 47 - Ilustração da canalização do padrão IEEE 802.11 no Brasil (2,4 GHz) [18]

A camada física do 802.11b utiliza espalhamento espectral por seqüência direta (DSSS – Direct Sequence Spread Spectrum) em ambientes abertos ou

74

fechados. A taxa de frequência pode ser reduzida a 5.5 Mbps ou até menos, dependendo das condições do ambiente no qual as ondas estão se propagando (por exemplo paredes ou interferências). As redes 802.11b estão sujeitas as interferências dos transmissores bluetooth, dos telefones sem fio, dos aparelhos de microondas e outros pontos de acesso 802.11b próximos. Nessa topologia de rede o equipamento central é o ponto de acesso, que retransmite os pacotes de dados de forma que todas as estações da rede os recebam.

802.11g

Traz basicamente uma diferença do protocolo 802.11b, sua velocidade alcança 54 Mbps contra os 11 Mbps do 802.11b. Ou seja, temos uma velocidade três ou quatro vezes maior num mesmo raio de alcance. A freqüência e número de canais são exatamente iguais aos do 802.11b, ou seja, 2.4GHz com 11 canais. Essa tecnologia mantém total compatibilidade com dispositivos 802.11b, e que tudo o que é suportado hoje nas redes cabeadas com relação à segurança também pode ser aplicado a este padrão. O ponto de acesso irá utilizar a menor velocidade como regra para manter a compatibilidade entre todos os dispositivos conectados.

Alguns grupos iniciaram recentemente estudos de variações do padrão, citaremos alguns deles a seguir:

802.11n

Foi submetido para aprovação recentemente, esse novo protocolo promete velocidades de transmissão de até 100 Mbps. O sistema vai empregar ao invés de uma antena para enviar e receber, uma antena para receber e uma para enviar.

802.11s

O padrão 801.11s foi proposto recentemente pela Intel, a novidade no 802.11s inclui a tecnologia que permite que pontos de acesso comuniquem-se entre si, sendo o sistema auto-configurável. Assim, uma área maior pode ser coberta e o usuário sempre estará usando a melhor rota para comunicação de dados. A grande

75

aplicação para este protocolo será principalmente a cobertura de grandes áreas com um grande número de usuários simultâneos, como redes que cobrem cidades inteiras. O formato dos frames utilizados nas redes 802.11x, mostrado na Figura 48, é um pouco diferente dos frames de outros tipos de redes. Isso pode acarretar problemas de segurança dentro destas redes. Cada frame consiste de três componentes básicos:

- Cabeçalho MAC (MAC header) que inclui informações sobre o frame control (frame

de controle), duration (duração), address (endereço) e sequence control (controle de seqüência).

- Frame body (corpo de frame), o qual representa as informações carregadas por cada tipo específico de frame.

- FCS (frame check sequence – seqüência de checagem do frame), que contém um código de redundância cíclica.

do frame), que contém um código de redundância cíclica. Figura 48 – Formato dos frames 802.11.

Figura 48 – Formato dos frames 802.11. [7]

A seguir uma breve descrição dos campos:

Frame Control (frame de controle), com vários subcampos que visam à especificação das diversas características do frame a ser enviado.

Duration/ID (Duração/ID), cujo comprimento é 16 bits, carrega a identificação de associação da estação que transmitiu o quadro, além do valor de duração definido para cada tipo de frame.

Os quatro campos Address (Endereço), usados para indicar o SSID, são os endereços de origem e de destino, os endereços da estação transmissora e da receptora. Contêm 48 bits para cada endereço e podem ser de dois tipos:

endereço individual ou de grupo.

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Sequence Control (Controle de Seqüência) é utilizado na manutenção dos frames em fluxo, possui 16 bits de comprimento e consiste dos subcampos Sequence Number (Número de Seqüência), de 12 bits e Fragment Number (Número do Fragmento), de 4 bits. Ambos permanecem constantes em caso de retransmissão.

Frame Body (Corpo do Quadro) é de comprimento variável (0 a 2312 octetos) e contém informações acerca do tipo e subtipo dos frames, além dos dados enviados e/ou recebidos.

FCS – Frame Check Sequence, com 32 bits, esse é o campo utilizado para detectar erros nos frames, assim que eles chegam ao destino. [7]

São necessários cuidados com relação à segurança das redes wireless em geral, apresentaremos algumas soluções adotadas para segurança dessas redes. O padrão IEEE 802.11 fornece o serviço de segurança dos dados através de dois métodos: autenticação e criptografia, neste processo existe a troca de chaves e senhas. Autenticação é o serviço que verifica se uma estação está autorizada a se comunicar com outra estação em uma dada área de cobertura. O método de criptografia se destina a fornecer às redes sem fio o mesmo nível de segurança das redes convencionais. O IEEE 802.11 provê dois mecanismos de autenticação: Sistema Aberto (Open System) e Chave Compartilhada (Shared Key Authentication). A autenticação por sistema aberto simplesmente provê uma forma para que duas entidades concordem em trocar dados sem os benefícios de segurança. Este tipo de autenticação permite que qualquer dispositivo que saiba qual o SSID da WLAN em questão possa se associar. A autenticação por chave compartilhada, detalhada pela Figura 49, requer que as duas entidades compartilhem uma mesma chave. Esta chave é utilizada para garantir que ambos os lados sejam autenticados umas pelas outras.

77

Figura 49 - Mecanismos de autenticação [ 1 4 ] Os métodos de criptografia disponíveis

Figura 49 - Mecanismos de autenticação [14]

Os métodos de criptografia disponíveis atualmente são conhecidos por WEP (Wireless Equivalent Privacy), WPA (Wi-Fi Protected Access) e WPA2. A base do método WEP é uma senha conhecida pelos participantes da rede. O mesmo princípio de senha compartilhada é usado em um dos modos de operação do WPA, com a vantagem de usar mecanismos mais resistentes a ataques do que o WEP. Um outro modo de operação do WPA é o WPA2, que exige uma infra-estrutura mais complexa, incluindo servidor de autenticação, que pode ainda se reportar a outros servidores, como controladores de domínio, e bancos de dados contendo base de usuários. A especificação do IEEE 802.11b aborda vários serviços para levar segurança ao ambiente operacional. A maior parte da segurança é colocada no protocolo WEP para proteger a camada de enlace de dados durante a transmissão de um cliente com os pontos de acesso. Ou seja, o WEP só controla a parte sem fio da rede, logo a parte cabeada terá sua segurança feita por outros meios. Segundo pesquisas recentes, o Brasil é líder em hackers nas redes sem fio. Os hackers brasileiros são especialistas em algumas práticas típicas das redes wireless:

Wardriving - Atividade de dirigir um automóvel à procura de redes sem fio abertas, passíveis de invasão. Para efetuar a prática do wardriving é necessário um automóvel, um computador, uma placa Ethernet configurada no modo "promíscuo" (o dispositivo efetua a interceptação e leitura dos pacotes de comunicação de maneira completa), e um tipo de antena, que pode ser posicionada dentro ou fora do veículo;

Warchalking - Prática de escrever símbolos indicando a existência de redes wireless e informando sobre suas configurações. As marcas

78

usualmente feitas em giz em calçadas indicam a posição de redes sem fio, facilitando a localização para uso de conexões alheias.

facilitando a localização para uso de conexões alheias. Figura 50 - Simbologia de warchalking. [ 2

Figura 50 - Simbologia de warchalking. [23]

Na Figura 50, Open Node significa que a rede é vulnerável, Closed Node serve para indicar uma rede fechada e a letra W dentro do círculo informa que a rede utiliza o padrão de segurança WEP, com presença de criptografia. Em cima de cada símbolo aparece o SSID, que funciona como uma senha para o login na rede, obtidos através de softwares próprios conhecidos como sniffers e, em baixo, a taxa de transmissão da rede. Para se proteger de acessos indesejados existe a possibilidade de implementação de sistemas de segurança, além das ações que podem ser tomadas, como isolamento de tráfego da rede com a utilização de firewall e a criptografia em nível de aplicação com software VPN (Virtual Private Network), o que aumenta a proteção da rede.

4.2.8. Redes Wi-Max

Wi-Max é uma sigla para Worldwide Interoperability for Microwave Access (Interoperabilidade Mundial para Acesso por Microondas). Trata-se de uma tecnologia de banda larga sem-fio, capaz de atuar como alternativa a tecnologias

79

como cabo e DSL na construção de redes comunitárias e provimento de acesso de primeira milha. Trata-se de uma tecnologia de rede metropolitana sem fio, com suporte a cobertura na ordem de quilômetros e taxas de transmissão de até 74 Mbps, além de qualidade de serviço (QoS) e interfaces para redes IP, ATM, E1/T1 e Ethernet. Em teoria, espera-se que os equipamentos Wi-Max tenham alcance de até 50 km, na prática, alcance e banda dependerão do equipamento e da freqüência usados, bem como da existência ou não de visada. O Wi-Max irá facilitar o desenvolvimento de uma série de aplicações de Banda Larga Sem Fio (Wireless Broadband), exemplos são mostrados na Figura 51.

), exemplos são mostrados na F i g u r a 51 . Figura 51 –

Figura 51 – Aplicações atendidas com o Wi-Max. [4]

Estas aplicações são possíveis porque o Wi-Max possui as seguintes características:

Fornecimento de link de dados de n x E1 (com garantia de banda).

Fornecimento de link de dados de fração de E1 (com garantia de banda).

Fornecimento de link de dados em um padrão equivalente ao ADSL / Cable Modem.

80

Portabilidade, isto é, o usuário pode transportar sua CPE (customer premise equipment) e utilizar o serviço em local diferente do usual.

Instalação da CPE no modo plug and play.

Cobertura sem linha de visada.

A tecnologia foi desenvolvida por várias empresas, lideradas pela Intel e pela

Nokia, com base na norma 802.16 da IEEE (Internet Engeneering Task Force), estabelecida pelo grupo de trabalho em padrões de acesso sem-fio de banda larga (Working Group on Broadband Wireless Access Standards). Além de operar em uma ampla faixa de freqüência – de 2 a 66 GHz – as principais vantagens estão no tripé banda larga, longo alcance e dispensa de visada, o que não ocorre com outras tecnologias sem-fio. O Wi-Fi, por exemplo, foi desenvolvido para funcionar em redes locais, tendo, portanto, menor alcance. Oposto do Wi-Max, que foi desenvolvido para funcionar em redes metropolitanas (MAN). Em muitos casos, como está sendo demonstrado no projeto Ouro Preto: Cidade Digital, as duas tecnologias atuam de forma complementar.

A primeira versão do padrão 802.16, que foi ratificado em dezembro de 2001,

após 2 anos do início do desenvolvimento da norma, estava focando basicamente as faixas de freqüências situadas entre 10 GHz e 66 GHz, e só operaria em linha de visada. A versão 802.16a, que foi concluída em 2003, foi projetada para sistemas operando em bandas de frequência entre 2 GHz e 11 GHz, e passou a focar as aplicações sem linha de visada, dentro das faixas de freqüência entre 2 GHz e 11 GHz, considerando também os aspectos de interoperabilidade entre diferentes fabricantes. A evolução das especificações pode ser acompanhada através da Tabela 6. A maior diferença entre essas duas bandas de freqüência está na capacidade de suportar a falta de visada direta nas freqüências mais baixas (2 -10 GHz), algo que não é possível nas bandas de freqüência mais elevadas (10 - 66 GHz). Além disso, o padrão original permite a operação apenas em bandas de freqüência licenciadas, já a variação do padrão permite tanto a operação em bandas licenciadas quanto em bandas não licenciadas.

81

Tabela 6 - Evolução das especificações do IEEE para a Wireless MAN.

IEEE 802.16

Dezembro de

2001

IEEE 802.16c

Dezembro de

2002

IEEE 802.16a

Janeiro de

2003

IEEE 802.16d

1o Trimestre de

2004

Wi-Max

IEEE 802.16e

4o Trimestre de

2004

10-66 GHz Linha de visada Até 34 Mbps (canalização de 28 MHz)

Interoperabilidade

2-11 GHZ Sem linha de visada Até 75Mbps (canalização de 20 MHz)

Modificações na

802.16a e

interoperabilidade

Mobilidade

Nomândica

802.11/16

Até o momento, existem três variações principais do padrão: 802.16a (fixed wireless access), 802.16d (fixed wireless access) e o 802.16e (mobile wireless access). Os padrões estão sendo desenvolvidos por empresas participantes do Wi- Max Fórum. A versão 802.16e deve viabilizar o desenvolvimento dos primeiros processadores para computadores com Wi-Max embutidos, com previsão de chegada no mercado no início de 2007. O Wi-Max Fórum é uma organização sem fins lucrativos, formada por empresas fabricantes de equipamentos e de componentes – listados na Tabela 7 - e tem por objetivo promover em larga escala a utilização de redes ponto multiponto, operando em freqüências entre 2 GHz e 11 GHz, alavancando a padronização IEEE 802.16 e garantindo a compatibilidade e interoperabilidade dos equipamentos que adotarem este padrão. O Wi-Max Fórum é o equivalente, ao Wi-Fi Alliance, responsável pelo grande desenvolvimento e sucesso do Wi-Fi em todo o mundo. O Wi-Max é constituído pelas indústrias líderes do setor, que estão comprometidas com as interfaces abertas e com a interoperabilidade entre os diversos produtos utilizados no Acesso Banda Larga Wireless. Os participantes do Wi-Max Fórum estão listados abaixo:

Tabela 7 – Participantes do Wi-Max fórum

Advantech AMT

KarlNet

AirXstream

L3 PrimeWave

Analog Devices

Micom Labs

Arris

MTI

AT&T

M-Web

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Axxcelera Broadband Wireless

NextWave Telecom

Bandai Wireless

NextNet Wirelss

BeamReach Networks

Nozema

Comtech AHA

Orthogon Systems

Covad

Pronto Networks

CTS Communications Components

PCCW

Cushcraft Corporation

picoChip

Daintree Networks Inc.

Radwin

Elcotez

Remec

Engim

SGS

Filtronics

Siemens Mobile

First Avenue Networks

Unwired Australia

Gradiente Electronica S.A.

Vcom

Inphi Corporation

Vyyo

Intracom

ZTE Corporation

K&L Microwave

 

Com o esquema de modulação robusto, o Wi-Max entrega elevadas taxas de throughput (quantidade de dados transmitidos em uma unidade de tempo) com longo alcance e uma grande eficiência espectral e que é também tolerante às reflexões de sinais. A velocidade de transmissão dos dados varia entre 1 Mbps e 75 Mbps, dependendo das condições de propagação, sendo que raio típico de uma célula Wi-Max é de 6 km a 9 km. Uma modulação dinâmica adaptativa permite que uma estação rádio base negocie o throughput e o alcance do sinal. Por exemplo, se a estação rádio base não pode estabelecer um link robusto com um assinante localizado a uma grande distância, utilizando o esquema de modulação de maior ordem, 64 QAM (Quadrature Amplitude Modulation), a modulação é reduzida para 16 QAM ou QPSK (Quadrature Phase Shift Keying), o que reduz o throughput, porém aumenta o alcance do sinal. Para acomodar o planejamento da célula Wi-Max, tanto nas faixas licenciadas quanto nas não licenciadas, o 802.16a/d suporta diversas larguras de banda. Por exemplo, se temos disponível 20 MHz de espectro, podemos dividí-lo em dois setores de 10 MHz ou 4 setores de 5 MHz cada. O operador pode crescer a

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quantidade de usuários mantendo um bom alcance do sinal e um bom throughput. Também podemos reusar o mesmo espectro em dois ou mais setores, criando uma isolação entre as antenas da estação radio base. O padrão 802.16 apresenta qualidade de serviço que permite a transmissão de voz e vídeo, que requerem redes de baixa latência. O MAC (Media Access Control) do 802.16 provê níveis de serviço "Premium" para clientes corporativos, assim como um alto volume de serviços em um padrão equivalente aos serviços hoje oferecidos pelos serviços de ADSL e de Cable Modem, tudo dentro da mesma estação radio base. Características de privacidade e criptografia estão previstos no padrão 802.16 permitindo transmissões seguras incluindo os procedimentos de autenticação. Oficialmente o padrão 802.16a/d está sendo estabelecido para faixa de freqüências entre 2 GHz e 11 GHz, porém existe interesse de utilizá-lo também em bandas inferiores a 2 GHz. Na Figura 52 são relacionadas algumas das bandas, conforme definido pelo FCC (Federal Communications Commission) dos Estados Unidos, que poderão ser utilizadas pelo padrão 802.16a/d.

Unidos, que poderão ser utilizadas pelo padrão 802.16a/d. Figura 52 – Bandas que poderão ser utilizadas

Figura 52 – Bandas que poderão ser utilizadas pelos padrões 802.16a/d. [1]

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Tabela 8 – Algumas faixas de frequência e suas aplicações.

UHF

0,75 - 0,8 GHZ

-

ISM