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16/09/2016 Imprima

A escola que ensina a todos
Flexibilizar o espaço, o tempo, os recursos e o conteúdo é o
caminho para a aprendizagem
Gustavo Heidrich

FLEXIBILIZAR
RECURSOS A busca de
novos materiais didáticos
facilita a aprendizagem de
toda a turma
Foto: Marcelo Min

Mais sobre inclusão na escola

Reportagens

As leis sobre a
diversidade
Teste: inclusão, você
está preparado?
Cada um aprende de um
jeito
Tudo sobre inclusão

Ao longo da história da Educação, as escolas trataram as crianças com deficiência como
incapazes, necessitando de tratamento médico, não de ensino. Essa perspectiva começou a mudar
a partir de 1948, com a Declaração Universal de Direitos Humanos, que garantiu o direito de
todos à Educação. Demorou algumas décadas para, a partir dos anos 1990, a visão assistencialista
ser deixada de lado e dar lugar ao conceito de inclusão, que ganhou um papel central em
documentos internacionais, como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a
Declaração de Salamanca (1994). 

Por muito tempo, vigoravam no Brasil políticas que segregavam os que tinham necessidades

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especiais ou condicionavam a participação deles em classes convencionais à capacidade de
"acompanhar os alunos ditos normais", como cita a Política Nacional de Educação Especial de
1994. A ideia de que a escola precisava se adaptar às necessidades das crianças ficou clara
somente com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de
2008, que define: todas as crianças e jovens com necessidades especiais devem estudar na escola
regular. 

Contudo, para que o aluno aprenda, não basta que ele esteja matriculado. É primordial que a
escola, as salas de aula e os profissionais que ali trabalham sejam preparados para que o ensino
aconteça. "Quando a perspectiva ainda era a da segregação, o foco estava nas dificuldades das
crianças. Os professores queriam checar o que elas não sabiam. Hoje se sabe que o primeiro passo
é descobrir o que cada um conhece para criar situações de aprendizagem em que todos podem
contribuir", explica a psicopedagoga Daniela Alonso, consultora da área de inclusão e
selecionadora do Prêmio Victor Civita ­ Educador Nota 10. 

Dessa forma, a tendência é o desaparecimento das escolas e turmas especiais. Os profissionais e
as instituições especializadas passam assim a dar apoio às escolas regulares, orientando gestores,
coordenadores pedagógicos e professores nas adaptações no currículo, na aquisição de recursos
didáticos específicos e na busca de parcerias externas. 

Desde que os estudos sobre a psicogênese da língua escrita, como os da pesquisadora argentina
Emilia Ferreiro, foram divulgados no Brasil, na década de 1980, há a clareza de que as crianças
não aprendem no mesmo ritmo nem da mesma forma. Essa premissa ­ que vale para qualquer
turma ­ é crucial quando se trabalha com crianças que têm necessidades especiais. O caminho
apontado é o da flexibilização. "É preciso elaborar um plano educacional para cada estudante",
recomenda Maria Teresa Mantoan, especialista em inclusão e professora da Universidade
Estadual de Campinas. Existem vários tipos de flexibilização (e esse é o tema da edição especial
Inclusão, de NOVA ESCOLA, que já está nas bancas). Ela precisa acontecer na escola em quatro
frentes principais: 

­ Espaço Adaptar o ambiente para que todos tenham acesso às dependências escolares. Isso
inclui, além das mudanças essenciais ­ como a construção de rampas e a instalação de elevadores
­, a sinalização de degraus, vãos e obstáculos, a reorganização da sala de aula, a identificação em
braile dos materiais para os deficientes visuais e o treinamento dos funcionários para que
acompanhem os deficientes físicos na locomoção. 

­ Tempo Determinar períodos maiores para que os estudantes com necessidades especiais
realizem tarefas mais complexas, aprendam os conteúdos, entreguem trabalhos e façam provas.
Os estudantes com perda auditiva, por exemplo, precisam de mais tempo para se alfabetizar. 

­ Conteúdo Adequar o currículo, o projeto pedagógico e o planejamento das aulas. Com isso, os
alunos têm a oportunidade de aprender cada um dentro das suas possibilidades. Alguém com
síndrome de Down, por exemplo, talvez não consiga fazer cálculos complexos, mas pode
aprender a fazer contas simples. 

­ Recursos Buscar materiais didáticos e novas estratégias de ensino. O uso de recursos como
ilustrações e modelos em 3D facilita não só a aprendizagem dos alunos com deficiência, como da
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turma toda. 

Ao atuar nessas quatro frentes, os gestores tornam a escola melhor para os estudantes com
necessidades especiais e para todos que ali estão para aprender. "Pensar nas diferenças implica
fazer muitas e variadas intervenções. Os caminhos da inclusão para atender a diversidade
costumam sempre beneficiar o coletivo e melhorar a qualidade do ensino", finaliza Daniela
Alonso.

Conteúdos indispensáveis

Veja abaixo os outros destaques do especial Inclusão, de NOVA ESCOLA, e da edição de agosto
da revista.

Especial Inclusão 
­ Tema Igual, Aula Diferente mostra a importância de adaptar os conteúdos curriculares para as
necessidades dos alunos com deficiência. 
­ A importância de introduzir novos materiais e recursos na prática pedagógica em Toda Novidade
É Bem­Vinda. 
­ Uma Escola Sem Barreiras traz soluções para adaptar o espaço para a inclusão.

Nova Escola 
­ Fabricar materiais para as aulas aponta possibilidades artísticas e ajuda as crianças a descobrir
formas de criar as próprias pinturas. Leia em Meu Pincel, Minha Tinta. 
­ Em Tirando de Letra, como introduzir conceitos de álgebra com base em questionamentos sobre
os conhecimentos aritméticos dos alunos.

 
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das duas melhores revistas de Educação do país.

Publicado em GESTAO ESCOLAR, Edição 003, Agosto/Setembro 2009.
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