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PROCESSO Nº TST-Ag-E-ED-RR-662-78.2011.5.02.

0007

A C Ó R D Ã O
(SDI-1)
GMWOC/accd/mp/db
AGRAVO EM EMBARGOS EM EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO EM RECURSO DE REVISTA.
REGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA ANTERIORMENTE AJUIZADA
POR ASSOCIAÇÃO DE CLASSE. PRESCRIÇÃO.
INTERRUPÇÃO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE
ENTRE OS PEDIDOS.
O cabimento de recurso de embargos
contra acórdão de Turma se restringe
às hipóteses previstas no art. 894,
II, da CLT, não se considerando aptos
ao cotejo arestos sem o requisito da
identidade fática previsto na Súmula
nº 296, I, do TST. Não há
contrariedade à Súmula nº 268 do TST,
porquanto registrada no acórdão
embargado a ausência de pedidos
idênticos entre a ação coletiva e a
ação individual.
Agravo a que se nega provimento.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Agravo em Embargos em Embargos de Declaração em Recurso de Revista
n° TST-Ag-E-ED-RR-662-78.2011.5.02.0007, em que é Agravante ELZA
LEICA OBI e Agravada CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF.

Trata-se de agravo interposto pela reclamante


(fls. 726-805) contra a decisão do Presidente da Sexta Turma, que
negou seguimento ao recurso de embargos (fls. 723-724).
Não foram apresentadas contrarrazões ao agravo,
nem impugnação aos embargos, conforme certidão (fl. 809).
É o relatório.

V O T O

1. CONHECIMENTO

Satisfeitos os pressupostos legais de


admissibilidade recursal, pertinentes à tempestividade (fls. 725 e
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MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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807) e à representação processual (fls. 23 e 614), CONHEÇO do


agravo.
2. MÉRITO

AÇÃO CIVIL PÚBLICA ANTERIORMENTE AJUIZADA POR


ASSOCIAÇÃO DE CLASSE. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AUSÊNCIA DE
IDENTIDADE ENTRE OS PEDIDOS

A Presidência da Sexta Turma denegou seguimento ao


recurso de embargos interposto pela reclamante, mediante os
seguintes fundamentos (fls. 723-724), in litteris:

INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO.
A c. 6ª Turma negou conhecimento a Recurso de Revista, conforme
os fundamentos expostos na seguinte ementa:
INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. 1 – O Tribunal
Regional constatou que no caso dos autos não há pedidos
idênticos entre a ação coletiva e a ação individual, por isso
concluiu que não há interrupção da prescrição. Ilesos os
dispositivo alegado como violados. Os arestos colacionados não
inespecíficos nos termos da Súmula nº 296, I, do TST. 2 –
Recurso de revista de que não se conhece.
Alegações recursais: A Reclamante opôs Embargos à SBDI-1,
alegando que a ação civil coletiva anteriormente ajuizada teria pedidos
idênticos ao da presente demanda, de modo que se justificaria a interrupção
da prescrição. Indica contrariedade à Súmula nº 268 do TST.
Traz arestos para comprovação de divergência jurisprudencial.
Exame dos arestos colacionados: Os arestos colacionados não
autorizam o seguimento dos Embargos, pois, em desatenção ao disciplinado
no inciso II do artigo 894 da CLT e no item I da Súmula nº 296 do TST, não
se verifica a similitude dos casos confrontados, uma vez que não se
demonstra que o quadro fático examinado nos casos confrontados fosse
semelhante, especialmente para a descrição dos pedidos contempladas em
cada demanda e que o presente caso estivesse abarcado pela ação proposta
pela APCEF e não por sindicato como referido pelo acórdão do Regional.

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Exame da contrariedade à Súmula do TST. Não se verifica


contrariedade à Súmula nº 268 do TST, pois o quadro fático exposto à
Turma não revela a repetição de pedidos idênticos, o que seria condição
apta à incidência do entendimento expresso na Súmula nº 268 do TST.
Nego seguimento aos Embargos, nos termos do artigo 93, VIII, do
Regimento Interno do TST.

Pelas razões de agravo, a reclamante postula o


reconhecimento da interrupção da prescrição. Sustenta que a eg.
Sexta Turma interpretou equivocadamente a decisão regional na qual
não há registro de diferença entre todos os pedidos. Alega que o
Tribunal Regional consignou que a ação coletiva não era
absolutamente idêntica à ação individual, o que significa que há
identidade parcial de pedidos. Requer a interrupção do prazo
prescricional quanto aos pedidos idênticos. Aduz que resulta
incontroversa nos autos a identidade entre os pedidos da ação
coletiva e da ação individual, especialmente em face da arguição de
litispendência pela reclamada em contestação. Reitera a indicação de
contrariedade às Súmulas nos 126 e 268 desta Corte Superior e de
arestos ao confronto de teses.
Razão não lhe assiste.
De plano, cumpre anotar que a indicação de arestos
oriundos do Tribunal Regional do Trabalho não se enquadra nas
hipóteses de admissibilidade dos embargos previstas no art. 894, II,
da CLT.
Não se pode, em regra, conhecer do recurso de
embargos por contrariedade à Súmula nº 126 do TST, porquanto, na lei
em regência, a SBDI-1 passou a ter função exclusivamente
uniformizadora, de forma que não cabe a admissibilidade mediante
contrariedade à súmula de natureza processual, salvo se o conteúdo
da própria decisão embargada contemplar afirmação divergente do teor
do Verbete jurisprudencial indicado pela parte como contrariado, o
que não ocorreu na hipótese.
Com efeito, a eg. Sexta Turma não conheceu do
recurso de revista interposto pela reclamante, invocando o óbice
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previsto na Súmula nº 296, I, do TST, bem como reputando ilesos os


dispositivos legais indicados, sob o fundamento de que "o Tribunal
Regional constatou que, no caso dos autos, não há pedidos idênticos
entre a ação coletiva e a ação individual, por isso concluiu que não
há interrupção da prescrição" (fl. 554 – grifos apostos).
Instada a se manifestar por meio dos embargos de
declaração sobre a existência de identidade de pedidos, consignou
que "é nítida a intenção da embargante de rediscutir matéria
devidamente analisada e decidida, pois o que se verifica é inovação,
na medida em que a reclamante, quando apresentou suas razões de
recurso de revista, nada mencionou sobre a necessidade de
manifestação sobre os aspectos ora mencionados" (fl. 634 – grifos
apostos).
Nesses limites estritos, conforme a decisão
agravada, não há contrariedade à Súmula nº 268 do TST, cujo teor
versa sobre a interrupção da prescrição em relação aos pedidos
idênticos. Em verdade, a tese erigida pela Turma converge com o
disposto no referido Verbete.
Por sua vez, todos os paradigmas reiterados pela
reclamante partem da premissa de que havia identidade de pedidos
entre a ação coletiva e a ação individual, elemento concreto não
registrado no acórdão embargado.
Assim, os arestos carecem da necessária identidade
fática, o que atrai o óbice da Súmula nº 296, I, do TST e
inviabiliza o conhecimento dos embargos, à míngua de satisfação do
requisito previsto no art. 894, II, da CLT.
Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Subseção I Especializada


em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, por
unanimidade, conhecer do agravo e, no mérito, negar-lhe provimento.
Brasília, 09 de agosto de 2018.

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WALMIR OLIVEIRA DA COSTA
Ministro Relator

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