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3° SEXO, UMA ABORDAGEM CRÍTICA AO PAPEL DA JURISDIÇÃO.

*Paulo César Rodrigues

Temos vistos acalorados discursos, a respeito de temas, emergentes como a


homoafetividade, a família isossexual, as cirurgias transexuais, enfim, vários temas, do
relacionamento humano, que seguem ou perseguem a humanidade desde os tempos
mais remotos como testemunha a história greco-romana.

Diante desta realidade como dizem alguns, por estes grupos que sempre
existiram, estarem hoje no mundo moderno, “saindo do armário”, e gritando aos quatro
ventos por sua liberdade de ser e de viver a sua plena felicidade da forma como lhe
aprouverem. A justiça, como não poderia deixar de sê-lo, também vem prestar sua
participação(boa ou ruim),neste debate. Como vemos nos textos jurisprudenciais
noticiados abaixo:

“A juíza Iasodara Fin Nishi, da Vara de Registros


Públicos de São José (SC), autorizou a mudança de
nome de um homem que fez cirurgia para mudança
de sexo. Com a decisão, Marcelo passará a se
chamar Marcela.

A cirurgia foi feita em 1994 e, até agora, constava o


nome masculino no registro do transexual. A autora
da ação ingressou com processo alegando que sofria
constrangimentos por causa da diferença entre seu
nome e sua identidade sexual, principalmente quando
era obrigada a mostrar seus documentos.

“O pedido se mostra viável e a providência é


necessária para resguardar o direito à saúde
psicológica e dignidade da requerente Marcela,
porquanto devidamente comprovada a divergência
entre o que consta em seu registro civil e a realidade
pela mesma vivenciada”, registrou a juíza.

A juíza levou em consideração o laudo de uma


psicóloga e de um médico ginecologista. Ambos
concluíram que “a autora detém predominância de
características femininas do ponto físico e psicológico,
e possui condições de manter de forma normal
relações sexuais com um homem”.

Iasodara Fin Nishi lembrou que há decisões do


mesmo sentido no Tribunal de Justiça de Santa
Catarina, que reconhecem o direito dos transexuais
operados de alterarem seus registros civis, com o
emprego de nome compatível com o novo sexo. “

“Quarta 15 Março - 16h46


Transexual ganha direito de mudar e sexo nos
documentos

Agência Estado

A Justiça de Minas Gerais autorizou um homem que


passou por uma cirurgia de mudança de sexo a alterar
seu nome e sexo no registro civil. De acordo com
informações do jornal Estado de Minas, o transexual
vive no município de Medina, no Vale do
Jequitinhonha, e desde os oito anos apresenta
características femininas, apesar de geneticamente
ser do sexo masculino. Há alguns meses, ele se
submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo, mas
ainda levava seu nome masculino nos documentos.

O juiz substituto da comarca de Medina Neanderson


Martins Ramos afirmou que apesar da Lei 6.015 de
1973 - que trata dos casos de mudança no registro
civil - não prever a alteração da identidade de
transexuais, o magistrado "não pode fechar os olhos
para as pessoas que buscam a alteração de sexo, na
tentativa de serem mais felizes". "O juiz deve se
colocar à frente do seu tempo", afirmou.

Segundo os autos do processo, o transexual sempre


apresentou traços femininos e nem precisava mudar a
voz para parecer a de uma mulher. Ele se sentia
constrangido quando as pessoas o chamavam pelo
nome de batismo e preferia ser tratado por um nome
feminino. Para superar o trauma de possuir um corpo
que não condizia com sua identidade sexual, ele
buscou tratamento psicológico. Há alguns anos,
passou por uma cirurgia de transgenitalização e,
agora, ganhou o direito de ter uma identidade civil
feminina. “
Inobstante o direito a liberdade e o desejo pessoal de cada um, que não nos
cabe aqui discorrer, entendemos que a justiça esta enveredando por um terreno muito
arenoso, ao dar sua contribuição de forma “favorável e impulsiva”, pois penso que se
está criando uma nova ficção jurídica, um terceiro sexo, até então inexistente.

Porque terceiro sexo? Ora, biologicamente só existem dois sexos, masculino e


feminino, mesmo que digam que a sexualidade reside na mente do indivíduo, então
temos no meu entendimento um sério problema, pois se o corpo humano para seu
perfeito funcionamento tem que ter todos os seus órgãos em perfeita sinergia, se um
determinado órgão está funcionando em desacordo com o resto do corpo, estamos
diante de uma patologia, se existe um corpo físico sexual, e sua mente não condiz com
este corpo físico, então trata-se de um desafio a ser tratado no ramo da psicologia, e
não do direito.

Órgão sexual, até que me provem os especialistas em contrário são: Pênis e


Vagina, com toda a sua bioestrutura, internas e externas, a forma sexual feita em outros
moldes, pode ser chamado de tudo, “até de atentado violento ao pudor”, como bem
reza o nosso Código Penal Pátrio, exceto de sexo, em sentido estrito da palavra, pois a
função de cada órgão é definido na biologia e na medicina, muito claramente com seus
respectivos papéis, sendo o ânus, órgão parte (terminal) do aparelho excretor, e por
mais que uns e outros digam que não, esta é uma condição inarredável, do ponto de
vista biológico e humano.

Assim se para atender aos anseios da “mente”, seus desejos mais íntimos, ou
sua própria opção de vida, alguns procuram mudar de sexo, exercendo em absoluto o
seu direito à liberdade e o seu verdadeiro livre arbítrio, não cabe a ninguém de forma
alguma interferir, ao menos diretamente, mas não quer dizer que devemos “tolerar”
passivamente, a “degradação” da família, temos sim o dever de criticar o “instituto”,
homoafetivo, mas jamais negar o direito ao indivíduo, esta é inclusive uma atitude
altruística, “devemos amar o criminoso, contudo odiar o crime”, Assim devemos também
analogicamente, “amar e respeitar o homossexual, enquanto pessoa, ser humano e
cidadão digno de respeito e sujeito de direito, mas devemos” criticar a qualquer
tentativa de instituição de uma família “homoafetiva”, ou da possibilidade jurídica de se
criar um terceiro sexo. A natureza, com toda a sua sabedoria é quem cria os sexos,
“masculino e feminino”, salvo raríssimas exceções, algumas “aberrações” são relatadas
pela medicina como os casos de hermafroditismo; Se, contudo a legislação algum dia
permitir que se mude de sexo, como já vem demonstrando os acenos do judiciário,
teremos uma ingerência da lei na ordem natural das coisas, criando uma ficção um
sexo andrógeno, contrapostos as leis naturais.

Preocupa-me com o avanço da medicina e da cirurgia estética, de tal forma, que


hoje até os mais “detalhistas” já estão confundindo as pessoas. E aí se ontem um
indivíduo que se chamava “v.g. Pedro”, estudava em um determinado colégio,
participava do único clube social de uma cidade qualquer, alguns anos depois, muda
seu biotipo externo, e até mesmo “maquia” cirurgicamente um órgão sexual, uma
pseudovagina, que dado ao progresso da cirurgia plástica, daqui uns anos, não muito
longínquos, estes indivíduos serão aos olhos, perfeitas mulheres, aí me vem a seguinte
pergunta.

_ A justiça tem se preocupado em dar uma identidade civil, uma sexualidade,


condizente com a opção atual da pessoa, e se esta pessoa, cidadão transexual, agora
feminina, se casa no interior com um indivíduo em que, este, desconhece
completamente sua condição pregressa, ora se tem uma identidade feminina, quer dizer
no meu entendimento que se descobriu uma saída para um casamento, homoafetivo
lícito, e em se tratando de “erro em relação à pessoa”, na primeira conjunção carnal o
pretenso esposo, se não souber da condição de sua “parceira”, ou se utilizar este
subterfúgio para fugir a uma realidade em que se arrependera, como ficará então este
tipo fictício familiar? Anularia o casamento? Por erro em relação à pessoa. E a
segurança jurídica, não estaria comprometida? Hoje, pela manhã, você trata com um
determinado indivíduo de um sexo, e de uma forma biológica, amanhã no apagar das
luzes, este indivíduo transforma-se num outro cidadão, com novo sexo, novo corpo,
nova identidade civil e novas possibilidades de ocultar seu passado em um presente e
futuro, feito em uma clínica de cirurgia plástica e endossada pela justiça? Não me
venham os mais “otimistas” dizer que isto não pode jamais acontecer que não existem
mais pessoas tão simplórias que não se ateriam a um detalhe destes cometendo um
erro tamanho, em até se casar com um transexual, a “priori” enganado, ai respondo
vivemos em um país, onde há vários “Brasis” dentro deste Brasil, e ainda existem
muitas pessoas por estes rincões afora, e pasmem até nas periferias das grandes
cidades, incautas e de simplicidade singular, que deixariam serem facilmente
enganadas por seus olhos.

Entendemos, por conseguinte, que a possibilidade jurídica de um indivíduo


mudar de identidade civil, quanto a seu nome e sua sexualidade, um perigoso
precedente para o futuro. Hoje são casos isolados, mas amanhã com o aumento desta
possibilidade, com o avanço cada vez mais célere e ultra moderno das técnicas de
cirurgia plástica, estaremos então diante de um verdadeiro Terceiro Sexo? E aí não
seria um caso destes um problema para a segurança jurídica? E a família
tradicionalmente falando como fica. A educação dos filhos. E o Instituto da Adoção,
como passará a figurar? Não estaria o judiciário com suas concessões, contribuindo
para a falência da família?

Com a palavra os doutores da lei.

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Paulo César Rodrigues, é contabilista e bacharelando em direito_ 7° período pela


FAMINAS-Faculdade de Minas, campus Muriaé/MG.