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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS


LEITURA DIRIGIDA EM TEORIA ECONÔMICA I
O Capital no Século XXI - resenha do capítulo 2

Aluno:​ Guilherme de Oliveira Silva


Matrícula:​ 2018058490

Ao longo do segundo capítulo de sua obra, Thomas Piketty trata


principalmente da questão do crescimento dos países, elaborando sua
argumentação a partir de uma profunda investigação histórica e estatística. A
princípio, decompondo o crescimento entre aspectos demográfico e econômico,
discorre sobre percepções distorcidas sobre estas métricas profundamente
inseridas no imaginário popular.
O autor, então, inicia a construção de um arcabouço teórico que parte da
divisão do tempo em dois grupos principais: pré e pós-Revolução Industrial,
constatando as enormes diferenças entre os diferentes momentos. Além disso,
fundamenta ainda mais esta construção apresentando a ​lei do crescimento
acumulado​, que, em síntese, afirma que pequenas taxas de crescimento anuais, se
sustentadas durante períodos longos como gerações, levam a mudanças
fundamentais nos níveis de produto. A partir dessas considerações, argumenta dois
dos pontos centrais do capítulo: em primeiro lugar, que taxas de crescimento
comumente vistas como baixas -- 1~1,5% anuais -- tornam-se insustentáveis no
longo prazo; em segundo, a lei apresentada também se aplica às consequências da
disparidade entre taxas de remuneração do capital e de crescimento, tese central do
livro, de modo que no longo prazo ocorrem grande desestabilização social e
alavancamento da desigualdade.
Nas seções que seguem, são tratadas com dados estatísticos as trajetórias
demográficas de diversos países, corroborando as proposições feitas anteriormente.
Piketty destaca a aceleração do crescimento populacional no período
pós-Revolução, e coloca em perspectiva o salto multiplicativo da população de
diversos países em poucas décadas ou séculos, com destaque para a experiência
estadunidense. Ao fim da investigação, são feitas considerações do potencial
apresentado pelo crescimento demográfico como instrumento da redução de
desigualdades.
Fundamentada a questão demográfica, parte-se, então, para o outro
componente do crescimento: o crescimento econômico. De maneira análoga à
apresentação do aspecto demográfico, o assunto é introduzido ao longo de uma
investigação histórica e estatística. Ainda são apresentados conceitos como poder
de compra e as dificuldades de análise do crescimento econômico puramente
através da ótica de dados como remuneração média anual; para o autor,
crescimento econômico apresenta avanços nos padrões de vida e disponibilidade
de bens e serviços de maneira implícita, de modo que ignorá-los torna-se
corriqueiro, mas acarretam em uma análise menos precisa e condizente com a
realidade. Em seguida, são apresentados argumentos que corroboram e reforçam a
insustentabilidade de um crescimento anual acima de 1% por longos períodos.
Finalmente, novamente utilizando-se daqueles instrumentos, apresenta um breve
panorama do cenário econômico observado no século XX -- com destaque ao
caráter nostálgico dos “Trinta Gloriosos” em países como a França -- e discutindo
perspectivas e previsões futuras acerca do tema.
O último grande tema abordado no capítulo trata da inflação e estabilidade de
moedas. Seguindo o mesmo ​modus operandi anteriormente visto, o autor discorre
sobre os impactos da inflação e sua trajetória histórica, uma vez que, como afirma, é
uma “invenção do século XX”. Sua argumentação, a partir da apresentação, se
pauta nas consequências da desestabilização monetária principalmente
econômicos, mas também citando aspectos culturais -- com destaque às obras
literárias francesas e inglesas.

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