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MAIO 1981

p. 11 – Disney devia ser cidade utópica


Orlando. Sabia que o segundo parque não era pra ter sido um parque de diversões? Era
pra ter sido uma cidade. Uma cidade-modelo planejada, utópica.

p. 12 – Ditadores e artistas – modelar o mundo a sua vontade

Mas agora me perdi, qual era o ponto disso? Ah, o segundo parque. Pois então, quando
terminou o primeiro, ele não queria mais saber de parques de diversões, queria dar o passo
além: queria construir uma cidade inteira, uma sociedade planejada, a sua visão pessoal
do futuro do urbanismo. Isso é algo que eu admiro num homem, é uma coisa terrível que
só ditadores e artistas têm, de querer remodelar o mundo à sua vontade, nem que seja à
força. Os psicólogos chamam de “paracosmos”, que nada mais é do que a criação de um
universo fictício, inventado, que se pode controlar, uma vez que a realidade foge ao nosso
controle.

O Amigo Brasileiro

p. 13 – A fuga à realidade era tendência familiar.

P. 18-19 – Sonho utópico de Disney x praticidade do capitalismo


Havia vários filmes em produção, criações ambiciosas e caras; onde sobrava trabalho,
faltava dinheiro, e a perspectiva de retorno financeiro era pouca. Somado a isso, se seu
modo personalista de liderança funcionava com um grupo pequeno de artistas, era
impraticável com uma equipe que atingia agora centenas de pessoas numa produção de
escala industrial. Seu sonho quase utópico de um estúdio movido mais por boa vontade
do que por pragmatismo começou a falhar, boa vontade afinal não paga as contas, e para
cada animador bem remunerado havia uma dezena de insatisfeitos com a proporção entre
o excesso de trabalho e o contracheque.

P. 19 – Fordlância
O tempo que fiquei a mais foi para poder conhecer Fordlândia”. Referia-se à cidade
planejada por Henry Ford no meio da Floresta Amazônica trinta anos antes, hoje pouco
lembrada. Parte utopia, parte hubris, fora feita para baratear os custos de extração de
borracha, condenada ao fracasso pelo desprezo que Ford nutria pelas pesquisas em prol
de experiências práticas. Isso levou seus homens a penetrarem na selva sem conhecer
nada sobre ela ou sobre o plantio de seringueiras. Mas a ideia permaneceu lá, e quem não
garante que a loucura de Ford não foi ali transmitida para Disney?

P. 26 – Nazismo BR (origem dos inimigos do romance)


Em 1937, quando uma multidão marchou no Rio a passo de ganso, usando camisas
verdes, braçadeiras com o sigma e o braço erguido em saudação romana aos gritos de
“anauê” – variação nativa do sigheil nazista –, João estava na cidade, junto ao coro de
meninos que gritava “galinhas verdes, galinhas verdes” aos marchantes. Nazistas e
integralistas tinham cada qual sua visão autoritária de nacionalismo, mas faziam ações
políticas conjuntas, tinham sedes regionais lado a lado, e houve até o caso de um
fazendeiro integralista que, na confusão, marcava seu gado com suásticas. Convergiam
na visão de mundo totalitária, no desejo de poder e imposição da força, e no
antissemitismo: um dos maiores expoentes do integralismo, o então coronel Olympio
Mourão Filho, foi o responsável por redigir o “Plano Cohen”, um falso plano de
dominação comunista do Brasil, de conveniente nome judeu, que se usou para justificar
o Estado Novo. Ao verem que Vargas os passou para trás, os próprios integralistas
tentaram tomar o governo à força. Fracassaram, se não pela redundância diante do
autoritarismo de Vargas, pela desarticulação. Banidos, abrigaram-se em outras paragens:
a Academia Brasileira de Letras para sua ala intelectual, e o generalato no caso de Mourão
Filho – cuja participação no golpe militar de 1964 foi tão decisiva.

PRIMEIRA PARTE – VERSÃO BRASILEIRA

Episódio 1 - 1984
Década Perdida

P. 35-36 – Carta Bomba – Morte de Dona Lydia na carta bomba enviada à OAB em 1980
(o livro não dá o ano), situa essa parte do romance na década de 1980 com o clima político
ainda tenso no Brasil. Isso é importante devido aos inimigos do livro serem os
integralistas, mas também porque dá um ar distópico àquela época, dando motivação para
a própria criação de tupinilândia como um projeto utópico.

A mesa de dona Lyda encontra-se hoje exposta no memorial da sede da OAB de Brasília,
recomposta e envolta numa faixa com as cores da bandeira nacional. O impacto que a
rachou ao meio também arrebentou os vidros da janela, derrubou pedaços de reboco do
teto, que ficaram pendurados por fios elétricos em curto-circuito, e deixou a sala
destruída. A explosão da carta-bomba em suas mãos fez com que dona Lyda tivesse o
braço arrancado, além de uma série de outros ferimentos graves, que a levaram a falecer
pouco depois, a caminho do hospital.

p. 36 – Apresenta o protagonista da primeira fase e a época deprimento de 1981 junto ao


atentado da bomba no Riocentro

Em abril de 1981, Tiago Monteiro caminhava pelas ruas do Rio de Janeiro sob o peso de
uma desilusão amorosa, uma onda de crimes assustadora, e enfrentando uma inflação de
cento e dez por cento com um salário de jornalista iniciante. Tinha vinte e quatro anos e
viera trabalhar naquela cidade movido por um relacionamento. Agora que acabara, não
havia sol ou praia que o prendesse ali, somente a inércia na vida pessoal e a falta de
vontade de regressar à cidade de onde viera, Porto Alegre.
O país se encaminhava para a abertura política. A economia, para o abismo dos
empréstimos do FMI. A saúde pública, para a epidemia da aids. E ele, para a banca de
revistas onde costumava comprar o Pasquim e o Pato Donald.
[...]
Tiago atravessou a rua e chegou em frente à banca. Estava fechada, o que era incomum
para o horário. Decidiu que iria tomar um suco e voltaria mais tarde. Mal pensou em dar
meia-volta, quando a banca explodiu.

Riocentro

p. 38 – Estabelece o ano de 1984 –


Aconteceu por acaso, ou ao menos assim pareceu a Tiago: quando saía da matinê do Cine
Baltimore, em agosto de 1984, foi abordado por um ex-colega de redação nos tempos do
Rio, chamado Alexandre Gomensoro.

p. 39 – Culpabilizar a esquerda pelo atentado.


A versão oficial dizia que as bombas foram instaladas debaixo dos bancos e os dois
tentavam desarmá-las quando explodiram, contudo havia outras três bombas e duas
granadas dentro do carro. A responsabilidade foi atribuída a um grupo armado de
esquerda, a Vanguarda Popular Revolucionária. No mesmo dia, pichações com sua marca
surgiram convenientemente nos arredores. — Exceto que a VPR já não existe há mais de
década – lembrou Alexandre.

p. 40 – Teorias da conspiração anticomunistas


— Bem, o negócio é que desde que o Geisel e o Golbery começaram com a abertura
política, ela não foi unanimidade nos quartéis – começou Alexandre. — Tem que entender
que, pro pessoal da linha dura, a violência é a razão de existir deles, a repressão é a sua
própria identidade. São uns loucos, uns tarados que não vão aceitar de bom grado serem
descartados da história, e tanto é que não estão aceitando. É só prestar atenção na ordem
das coisas: entre 76 e 77, as três maiores lideranças políticas anteriores à ditadura
morreram: o JK num acidente de carro; o Jango, que amanheceu morto de um conveniente
ataque cardíaco; e o Carlos Lacerda, que se internou numa clínica para tratar de uma gripe
e amanheceu defunto. Coincidências? Na mesma época, também começaram aquelas
bombas nas bancas que vendiam jornais de esquerda, em livrarias e nas universidades
alinhadas com a oposição. Desarmaram aquelas instaladas na CNBB, na OAB e na ABI.
Porra, você lembra que puseram bomba até na casa do Roberto Marinho, que agora eles
chamam de comunista. Já pensou? O Roberto Marinho, comunista? Pra mim, está claro
que já deixou de ser combate ao comunismo, se é que alguma vez foi, virou foi disputa
de poder. Já viu os panfletos que distribuem nos quartéis, acusando o general Golbery de
ser comunista também? Agora todo mundo que é contra eles virou comunista. E
sequestraram o bispo de Nova Iguaçu e largaram o pobre coitado pelado e amarrado no
meio da rua em Jacarepaguá, puseram bomba no hotel do Brizola. – Alexandre puxou um
bloquinho de anotações onde tinha tudo listado. — E então aquelas três bombas no Rio
em 80, uma na gráfica do Tribuna da Luta Operária, uma na Câmara Municipal que quase
matou uns seis, e aquela da sede da OAB que matou a secretária. Os militares chamavam
os guerrilheiros de terroristas, mas quem explodia gente com bombas nas ruas eram eles.

p. 41 – Introdução do inimigo – General Kruel.


documentos todos, tanto nos depoimentos quanto nos relatórios, havia um nome, sempre
o mesmo, aparecendo com frequência: o do general Newton Kruel, o chefe da Agência
Central do SNI. Conhece?

p. 43. Introdução de Amadeus Severo – Área de segurança nacional


Kruel vai para lá como interventor
Políticos querem afastá-lo
Se ele aceitou, é porque vê vantagem nisso (no caso pela tupinilandia, o enclave que ele
vai falar com o João Amadeus Flynguer depois).
Enfim, o fato é que o regime acabou no Riocentro em 81. E é aí que entra o velho
Flynguer, bicho. Pois o general Kruel acabou nomeado nomeado interventor num
município no interior do Pará, considerado área de segurança nacional. O nome do
município? Amadeus Severo. É uma cidade nova, criada em 1981 por decreto
governamental, uma área afastada no meio da selva amazônica, onde os Flynguer têm
uma concessão de terras enorme. Não tenho certeza do que se constrói lá, é tudo sigiloso
e secreto nessas merdas. Mas pra justificar que seja área de segurança nacional, ou é uma
barragem, ou uma hidrelétrica. Sabe o que me parece? Que não bastou jogar o general pra
reserva: enquanto durar a transição política, querem mantê-lo onde não cause problemas,
no fim do mundo das grotas do Pará. Mas se o general aceitou ir, deve haver algum
prestígio nisso. Ou, ao menos, ele pensa que há. Deve ser algo muito grande.

Fordlândia

p. 49 – teoria curioso de Joao Amadeus e Governo paranoico vendo ameaça de


comunismo a todo lado
detestava. João Amadeus Flynguer tinha a curiosa teoria de que se a capital tivesse se
mantido no Rio de Janeiro a ditadura não estaria durando tanto, pois o acúmulo de
paranoias e ideias absurdas que a formavam seria trazido à realidade na primeira conversa
de botequim. Mas o isolamento da capital alimentava a alienação do governo, que via
fantasmas e ameaças comunistas em cada sombra.

p. 49 - 51 – Fordlândia, cidade privada n tinha como dar certo


— Isso é pra ser algum lugar de verdade?
— Sim, baby, é Fordlândia, no Pará. Não como ela é de verdade, mas como deveria ter
sido.
50-51 –
— O que deu errado?
— Com quem? – Beto, confuso. — Com Fordlândia – apontou a pintura. — Ah, querido,
você deveria conversar com o papai sobre isso, ele ia adorar, falaria sobre o assunto por
horas. Eu não sei muitos detalhes. Só sei que foi uma coisa surreal, com hambúrguer no
refeitório, dança de quadrilha, lei seca e cartão de ponto, que a Ford construiu no meio da
selva. Basicamente, uma cidade privada, governada por uma empresa. Não tinha como
dar certo. Houve revoltas, não dá pra trabalhar oito horas debaixo de calor no meio da
Amazônia e esperar que se volte do mato a tempo de bater ponto. Parece que houve uma
revolta popular, ou algo assim.

São Paulo
Referência a 1984 em uma livraria em SP –
p. 56 - Resolveu matar tempo numa livraria. Logo à entrada, porém, algum vendedor,
fosse por humor negro, pela coincidência de datas ou pelo senso de oportunidade com o
lançamento do filme, amontoara todos os livros de George Orwell num estande, com
destaque para os muitos exemplares de 1984 sob um cartaz jocoso: “O Grande Irmão zela
por ti”. Tiago achou a piada de mau gosto.

p. 57 – Motivo da contratação de Tiago – Biografia de uma ideia (tupinilandia)


— Sim, compreendo, mas… Ela largou uma pasta sobre a mesa. — Não está tudo aqui,
claro, é só a primeira parte, pra que você revise… — Um minuto. Alguém pode me
explicar antes do que se trata tudo isso? — Pensei que o Beto já tivesse lhe falado. —
Não, não falou. Eu não sei de nada, na verdade. — Ah, típico do meu irmão… bem, isso
muda um pouco a coisa. Sente, por favor – apontou a cadeira em frente à sua mesa. —
Bem, Tiago, é uma espécie de biografia, como diz o papai. De ninguém em específico, é
a biografia de uma ideia, você compreende? — Nem um pouco.
[...] — Por favor, me chame de João. Lamento que o destrambelhado do meu filho não
tenha te explicado direito, mas o que nós queremos é contratar você, meu rapaz. Eu
preciso de uma espécie de escritor residente. É algo como um cronista oficial, entende?

p. 58 – Segredo do empreendimento e desejo que ele capture a imaginação brasileira por


muitos anos
— Não sei se a minha filha ou alguém mais explicou, mas estamos construindo esse,
como vou dizer?, esse empreendimento aqui no Pará, que, eu lhe garanto, é algo que vai
capturar a imaginação desse país por muitos anos. Eu lhe peço que não comente com
ninguém sobre isso ainda, claro, estamos sendo bem cuidadosos, a nossa ideia é manter
tudo em segredo até o momento da inauguração, o momento certo e oportuno, você sabe,
pra deixar o público surpreso.

p. 59 – Tempo de esperança pela abertura política


Os tempos estão mudando, um novo começo pra este país, um começo do qual gente
como ele não faz parte, um começo pra quem vê o futuro, como nós, e não que vive no
passado.

59-60 – Papel de Tiago em relação as ideias do velho João Amadeus


tudo. A cabeça do meu pai, você vai ver, é como um redemoinho de ideias. Está sempre
operando em duas, três coisas ao mesmo tempo. Precisa fazer essa bagunça ficar mais
linear, fazer disso uma narrativa.

O pato paga

P. 61 – Função do Tiago em Tupinilândia


Lamento não poder estar presente para esta nossa reunião. Como podes ver, ainda não há
material promocional pronto, embora já tenhamos alguns personagens encaminhados e
algumas edições da nossa revistinha. Sugiro ler os quadrinhos antes. Verás que tentei
organizar os temas nas minhas anotações por cores. Seu trabalho será me ajudar a pôr
todo esse conjunto de ideias numa ordem que faça sentido.
p. 61 - Personagens de tupinilândia como os de Disney
Pegou uma das revistas em quadrinhos. Eram os dois primeiros números, com datas de
junho e julho daquele ano. Chamava-se Tupinilândia e trazia personagens novos, inéditos:
animais antropomórficos de traços arredondados e infantis como os de Disney.

p. 62 – Um personagem central e um pathos nacional

Há consenso de que precisamos de um personagem símbolo para a identidade do parque,


e não nos limitarmos a licenciar os já existentes. Mas qual? Não posso competir em
brasilidade com o Zé Carioca. É a coisa mais brasileira que um desenho pode ficar, e a
Disney já o tem.

O pessoal também pensou em super-herói, mas descartei. Super-heróis e caubóis são


gêneros norte-americanos por excelência, um tipo específico de individualismo e
exercício de força que não me interessa, qualquer coisa que se faça irá parecer sempre um
pastiche ou paródia. Precisamos encontrar um páthos nacional. Um personagem que seja
como os samurais são para os japoneses, ou como Asterix é para os franceses.

p. 62 – Problema da diversidade na identidade brasileira


Hoje me apresentaram ideias. Bandeirante. Descartei. O que ele vai fazer de heroico?
Caçar escravos e estuprar índias? Os paulistas da equipe se ofenderam, mas expliquei que
é o mesmo motivo pelo qual não quero personagem gaúcho ou cangaceiro, que
degoladores e assaltantes não são heróis bons para crianças. Pronto, agora ofendi os
gaúchos e os pernambucanos da equipe. Mas existe uma razão para Getúlio ter abolido as
bandeiras estaduais: se estimularmos o individualismo regional, não estamos pregando a
união. O problema é que um país como o Brasil tem ao menos umas dez identidades
diferentes. Não, nada de heróis, nada muito específico. Precisamos de um personagem
infantil carismático, que possa gerar identificação de norte a sul. Eu digo à equipe:
pensem em Disney. Mickey é um rato, Donald é um pato, o resto são cães, vacas e cavalos,
animais domésticos, animais de fazenda, coisa com que toda criança se identifica, não um
bicho exótico do meio do mato, até porque os melhores o Ziraldo já pegou.

p. 63 – escolha da Arara
31 de outubro, 1983: A equipe me trouxe uma arara. Uma arara de verdade, viva. Falei
que não queria outro Zé Carioca! Mas me convenceram de que arara não é papagaio, as
cores são diferentes, amarelo e azul têm bom contraste, e além disso não podemos usar
um animal doméstico como símbolo nacional. Temos que pensar como se fossem
Olimpíadas: os ursos tiveram seu Misha, os americanos terão em breve sua águia Sam.
Concordei, nem que fosse só para tirar aquela arara da sala antes que alguém venha nos
multar.

p. 63 – Tem que ser algo divertido e não figuras de autoridade

Temos que pensar com responsabilidade, mas sem sermos excessivamente lúdicos, ou a
coisa toda vai ficar com retrogosto de lição de casa, e aí a criançada não quer. É por isso
que todos gostam mais do Pato Donald que do Mickey. Até os quadrinhos do Donald são
melhores. Enfim, pedi que me trouxessem algo divertido. E pelo amor de Deus, que não
seja policial, soldado ou qualquer figura de autoridade. Nenhuma criança gosta de figuras
que lhe deem ordens, elas já passam o dia escutando dos adultos, vejo isso pelos meus
três netos. E há que se levar o momento político em conta, ninguém mais gosta do governo
ou dos militares. Nosso personagem deve ser alguém que ergue o braço para estender a
mão, não para apontar o dedo. (E ele acaba apontando o dedo quando os militares o
absorvem)

p. 64-65 – Introduz as personagens de tupinilândia


Pegou o primeiro número de Tupinilândia e folheou. A revista era toda em cores, papel
poroso comum de gibi, capa em cuchê lustroso. A primeira história, “O fiscal”,
apresentava a arara Artur, que recebe a visita do Xereta, cão fiscal da prefeitura, que
vem ver sua casa para dizer o que pode e o que não pode, inventando um novo imposto
para cada coisa que encontra. Mas Artur vê chegar seu amigo Cauã, o Pato-do-Mato, um
tipo meio matuto, que contra-ataca pedindo uma série de credenciais do fiscal, até
confundi-lo e espantá-lo. A segunda história, “O golpe do Sobrecoxa”, não era muito
diferente, estabelecendo Artur como crédulo e um pouco ingênuo, dotado de infinita boa
vontade e que precisa com frequência ser salvo por amigos, como a cosmopolita marreca
Andaraí ou o sábio professor Tukano, de oportunistas como o frango vigarista Sinval
Sobrecoxa, sempre endividado e buscando uma forma fácil de tirar dinheiro dos outros.

p. 65 – Fordlândia era pra ser a cidade americana perfeita mas tudo deu errado

Você já ouviu falar da cidade de Fordlândia, no Pará? Construída pelo empresário Henry
Ford nos anos 20, foi feita para extrair látex direto da floresta para as fábricas de
automóveis da Ford, para que não dependessem mais de fornecedores. Mas, apesar de
planejada para ser uma cidade americana perfeita, com cercados de madeira, bailes de
quadrilha e muito hambúrguer com batata frita no refeitório, tudo deu errado.
SNI