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1.

ABETURA
1 Scene 1: A Lebre e a Tartaruga 1
Tudo escuro, a Vó Cida aparece na direita do
palco, com uma vela na mão. Um foco a 10% bem
pequeno no rosto para simular a luz da vela.
(tirar música de abertura da história).
VOVÓ CIDA:

narradora
Há muitos e muitos anos / No reino da bicharada
Vinha um lebre correndo /pelo campo em disparada
Videomapping vai abrir como um diafragma de lente
e formar um círculo que revelará um caminho de
floresta que está passando enquanto a ANINHA, a
netinha, com uma tiara de coelho e dentinhos de
plástico, finge que anda.
ANINHA:
(lebre)
Eu corro pra lá
Eu corro pra ca
Eu corro pra lá

Eu corro pra ca
Ninguém na floresta me pode vencer
Pois igual a mim ninguém pode correr.

Fecha o círculo criado pela projeção.


VOVÓ CIDA:
No entando neste momento/ Andando bem sossegada

Surgiu dona Tartaruga / Caminhando pela estrada


Durante a fala da Vovó o circulo reaparece e
passeia pelo "cenário" como se estivesse
procurando e quando acha o vovô, está no extremo
fundo do palco perto das pernas. ele rapidamente
se desfaz de algu8ma coisa, como se estivesse
fazendo algo escondido, e assume o personagem da
tartaruga, pegando uma cesta para usar de casco.

(CONTINUED)
CONTINUED: 2.

VOVÔ CACÁ:
tartaruga
Tra la la la la la
La vou eu de vagarinho

Carregando a minha Casa


Pelas curvas do caminho

VOVÓ CIDA:
Mas a lebre era matreira / Zombava da Tartaruga
Cantando desta maneira
Durante a fala da Vovó o circulo finalmente abre
inteiro e revela o cenário da floresta onde está
acontecendo a história. Aninha que é a Lebre,
entra cantando e andado em círculo em volta da
tartaruga que não para de andar fazendo mímica.
LEBRE:
La vem dona tartaruga
Vem andando pela estrada
Vou sair da frente dela

Pra não ser atropelada


VOVÓ CIDA:
Porem dona tartaruga/ não gostou da cantoria
Pois a cabeça de fora/ berrou com valentia

TARTARUGA:
Ora, deixa de ser prosa/ aposto a minha vida
como ei de vencê-la numa corrida

LEBRE:
Aceito o desfio/ amanhã bem cedinho
prometo vir encontrá-la/ na curva do caminho

VOVÓ CIDA:
E saiu em disparada / para avisar a bicharada
E assim na manhã seguinte / bem cedo ao nascer do dia
lá estavam todos os bichos/ a torcer com alegria

(CONTINUED)
CONTINUED: 3.

(TIREI TEXTO ORIGINAL)


E em meio do entusiasmo/ da alegria geral
rompeu a famosa banda / do maestro pica-pau.
E a bicharada gritava / numa incontida alegria

Quando o macaco apitou/ dando inicio a correria


A lebre saiu correndo / em tamanha disparada

E ao fim de poucos instantes / sumiu na curva da


estrada
Entretanto a tartaruga / andava tão devagar
Que os bichos em zombaria / começaram a cantar

BICHOS:
La vem dona tartaruga
Vem andando pela estrada

Vou sair da frente dela


Pra não ser atropelada
VOVÓ CIDA:
E a lebre? / Onde andará?

Ela que tanto correu / Já devia estar de volta


Que foi que lhe aconteceu?
LEBRE:
Puxa como estou cansada / Por que fui correr assim?
A tartaruga essa hora / deve estar longe de mim
Sabe o que mais? / Vou dormir enquanto espero por ela

Depois é correr um pouco e/ passar na frente dela


VOVÓ CIDA:
E a lebre adormeceu / tranquilamente a sonhar

Enquanto isso tartaruga / foi passando devagar


Toda via, horas mais tarde / a pobre lebra acordou
E vendo a noite cair / apavorada ficou

(CONTINUED)
CONTINUED: 4.

LEBRE:
Céus! já está anoitecendo? / Preciso sair correndo.
VOVÓ CIDA:
E sem pensar noutra coisa / Foi saindo em disparada

Quando ouvir soar ao longe / O canto da bicharada


BICHOS:
Salve a dona tartaruga

tartaruga destemida
deixou a lebre para trás
e venceu a corrida

Dona lebre troca o dia


pra correr o dia inteiro
porém dona tartaruga

andando chegou primeiro


VOVÓ CIDA:
E a lebre desapontada / ao final compreendeu
essa linda lição / que a tartaruga lhe deu:

Não desdenhemos dos fracos/ e as vezes é bom pensar


nem sempre quem muito corre/ é o primeiro a chegar
Termina a cena com a vovó como no início, só com
um pano na cabeça e uma vela na mão, todo o
mappinhg escuro, luz só na avó, Aninha sentada no
chão como se a história tivesse passado toda
dentro da cabeça dela. Enquanto Aninha aplaude a
Vó, a luz acende ao mesmo temp que um rádio antigo
volta a funcionar.

VOVÓ CIDA:
Bem na hora!
ANINHA:

Correndo para abraçar a avó!


Vó....Que saudade de te ouvir interpretar histórias! É
tão bom que eu me sinto lá, como se fosse um
personagem.... (vovô vem entrando já sem o adereço)
Vovô!!!! Vovô que incrível essa sua contaçâo... ou
melhor: re-contação... não sei como fala mas (citando a
(MORE)
(CONTINUED)
CONTINUED: 5.

VOVÓ CIDA: (cont’d)


história) "nem sempre quem muito corre é o primeiro a
chegar" ééééééééé demais! Nunca tinha pensado deste
jeito!

VOVÔ CACÁ:
Como diz o ditado popular: "devagar se vai ao longe"...
VOVÓ CIDA:
Ou: "a pressa é inimiga da perfeição"

VOVÔ CACÁ:
"Apressado come cru". Que bom que você gostou?
(Olha para a Vovó Cida, só com aceno de
cabeça e expressão ela faz uma pergunta
e ele responde que sim, sem deixar
Aninha perceber)

ANINHA:
Era justamente isto que eu estava falando, gostei tanto
que parece que eu via tudo: floresta, bichos.... e por
falar nisso foi muito legal o senhor fazendo a
tartaruga!

VOVÓ CIDA:
Só podia ser a tartaruga!
(faz gesto de que ele está gordinho)
ANINHA:
(recriminando a avó)
Que brincadeira mais feia, vovó!
VOVÔ CACÁ:
(enquanto vai falando, revela uma caixa
de presente que escodida atrás de sí,
tira uma echarpe e vai fazendo o elogio)
Deixa, sua avó gosta ser engraçadinha, mesmo. Deve ser
daquela época que ela fazia as plateias morrerem de rir
com suas atuações no palcos, mas também sabia fazer uma
plateia chorar como ninguém ... (alfinetando) Aliás,
drama é sua especialidade.
VOVÓ CIDA:
(revidando ao mesmo tempo super
sensibilizada com o presente)
E você, Carlos Alberto de Almeida Braga, sempre foi de
inventar histórias, não é mesmo?
VOVÔ CACÁ:
(alfinetando)
Inclusive tinha uma história.....

(CONTINUED)
CONTINUED: 6.

ANINHA:
Conta, conta, conta? Ajuda ele, vovó?
(os dois entreolham-se, combinam algo
sem falar, escondido de Aninha,
apontando em direção ao lugar que vimos
o vovô sendo pego de surpresa)
VOVÓ CIDA:
Está bem, mas você nos ajuda?
ANINHA:
(surpresa com o convite, balança a
cabeça que sim)
Nesta próxima cena o avô será o narrador, a avó
será a chefe das formigas e Aninha será a cigarra.

VOVÔ CACÁ:
Manhã clara de verão / Céu sem nuvens, azulado
Velha mangueira florida / e o formigueiro ao seu lado.
Saindo lá do fundo / das galerias do chão

A cantiga das formigas / mais parece um cantochão


VOVÓ CIDA:
(FORMIGA)

Um, dois, três: sacos de Farinha


Quatro, cinco, seis: sacos de feijão
Trabalhando, dona formiguinha
Vai enchendo aos poucos seu porão. (REPETE)

VOVÔ CACÁ:
Entretanto bem no alto / lá da mangueira florida
uma cigarra feliz / canta alegria da vida

ANINHA:
(CIGARRA)
La, ra, ra..... (conforma o áudio)
Enquanto canta a netinha, Cida, sem que a menina
veja, pega sacolas e transfere daquele lugar onde
estava o vovô, para o outro lado, outro cômodo da
casa
VOVÔ CACÁ:
E neste contraste assim / o verão foi se passando

(MORE)
(CONTINUED)
CONTINUED: 7.

VOVÔ CACÁ: (cont’d)


A cigarra nas cantigas / e as formigas, trabalhando
Um dia chegou o inverno / flocos de neve no chão

Deixa a formiga o trabalho / cala a cigarra a canção


A formiga precavida / recolhe-se ao formigueiro
Pois trabalhando no estio / havia enchido o celeiro

Mas a cigarra que havia / cantado todo o verão


Ficou sem roupa pro frio / e sem migalha de pão
E na sua ingenuidade / julga ter muitas amigas

desceu do ramo mais alto / foi procurar a formiga


ANINHA:
Bom dia, Dona Formiga!
VOVÓ CIDA:
Com quem falo, por favor?
ANINHA:
Uai? Eu sou a cigarra, gosto do sol do calor
Não vê que sou friorenta?

O inverno está de doer!


VOVÓ CIDA:
Fale depressa menina, não tenho tempo a perder.

ANINHA:
Eu sei que a Senhora é boa / e muito trabalhadeira
Vim lhe pedir alimento e / abrigo em sua lareira

VOVÓ CIDA:
Mas a menina o que fez durante todo o verão?
ANINHA:
Cantei, a senhora a caso/ não ouviu minha canção?

la, ra, ra.... (como áudio)


VOVÓ CIDA:
Tenho mais o que fazer / do que ouvir sua cantoria
Se cantou, agora dance! / Porém, noutra freguesia.

(CONTINUED)
CONTINUED: 8.

ANINHA:
Bem, queira me perdoar / Se acha que eu nada valho
Pensei que minha cantiga / alegra-se o seu trabalho
VOVÓ CIDA:
Ora, essa é muito boa! / Cantava para me alegrar?
As formigas também cantam / sem parar de trabalhar
ANINHA:
Perdão, mas é diferente / O seu canto é muito triste
E se eu deixar de cantar / nem a senhora resiste
VOVÓ CIDA:
Vejam só que desaforo / Formigas, venham correndo

Ouçam só o que a cigarra preguiçosa está dizendo


ANINHA:
Eu só disse que meu canto / torna o trabalho mais leve

Posso provar se quiserem.


VOVÓ CIDA:
Está bem, mas seja breve
ANINHA:
É fácil, cantem primeiro sozinhas a sua canção
VOVÓ CIDA:
Formigas! Hino a Trabalho! Voz clara e boa dicção!
Um, dois, três: sacos de Farinha

Quatro, cinco, seis: sacos de feijão


Trabalhando, dona formiguinha
Vai enchendo aos poucos seu porão.

ANINHA:
Está vendo como é triste? De cortar o coração
Vejam só a diferença, juntando a minha canção:

La, ra, ra..... (junto com)


VOVÓ CIDA:
Um, dois, três: sacos de Farinha

Quatro, cinco, seis: sacos de feijão

(CONTINUED)
CONTINUED: 9.

Trabalhando, dona formiguinha


Vai enchendo aos poucos seu porão.
Eu acho que tens razão / minha cigarra querida

Vivo juntando mil coisas / e desperdiçando a vida


Quem trabalha como nós / dia e noite, noite e dia
Precisa de vez em quando / de quem lhe traga alegria

Pode entrar, fique conosco / e assim juntemos amiga


A cantiga da cigarra / ao trabalho da formiga
ANINHA:
Sou feliz cigarra cantadeira
Canto a vida, canto a luz
Pois quem canta, canta a vida inteira

Torna os sonhos mais azuis


De que vale um tesouro
Junto as cores do arrebol

Quem quiser que junte todo ouro


Eu prefiro a luz do sol. (repete)
As formiguinha vão saindo, o cenário do
formigueiro também e aos poucos vamos vendo
novamente a casa. Aquele à direita da platéia.
neste momento da projeção irá será como um
banheiro. Ao fim da música escutaremos o som de
uma descarga, o vovô, de costas para a platéia
simula que esta fechando o ziper da calça.

VOVÓ CIDA:
Carlos Alberto de Almeida Braga!
vovô Cacá, sai do banheiro de pijama, brincando e
desfilando com o "figurino"

VOVÔ CACÁ:
Tcharam! Que tal? Ao menos agora estou combinando com o
figurino das mocinhas.

(CONTINUED)
CONTINUED: 10.

VOVÓ CIDA:
O que não está combinando mesmo é a sua falta de
educação, Carlos Alberto! Abandonar a história assim,
no meio?

VOVÔ CACÁ:
Vocês nem precisavam de mim, estavam contando a
história incrivelmente e você, menininha (dirigindo-se
para Aninha) parece qua andou aprendendo muito sobre
contar histórias.

ANINHA:
(meio triste)
Não sei se eu gostei muito do final desta história,
sabia? Se a cigarra ajudasse as formigas, talvez elas
não precisassem trabalhar tanto durante o verão! Não é
justo todo ano só um cantar e todos os outros
trabalharem. Elas poderiam fazer um acordo: no verão
seguinte só a cigarra trabalharia e as formigas
ficariam se divertindo e assim ficaria justo: uma vez
de cada.
VOVÔ CACÁ:
Bravo!!!! Muito boa observação! (bate palmas) Mas vou
te contar um segredo: as histórias nem sempre falam
daquilo que elas parecem falar, não é? (dirigindo-se à
Cida) Elas podem ser metáforas.

ANINHA:
(cara de interrogação)
VOVÓ CIDA:
(toda essa explicação é como se fosse
uma alfinetada no marido)
Metáfora é quando usamos uma coisa para falar de outra:
as formigas podem representar (ações exageradas para
reforçar que era atriz, indo para cima de Cacá) todas
as pessoas que trabalham, trabalham, trabalham a vida
inteira sem parar...

ANINHA:
Igual ao meu papai?
VOVÔ CACÁ:
Isso! (se desvencilhando da acusação de Cida)

VOVÓ CIDA:
(repreendendo-o)
Carlos Alberto! (retomando) trabalham, sem parar... e
que pouco se preocupam com a diversão, com o tempo
livre para curtir a vida!

(CONTINUED)
CONTINUED: 11.

ANINHA:
É disso que a mamãe sempre reclama em casa.
VOVÔ CACÁ:
(esboça um comentário "sua avó também"
que é prontamente repreendido com uma
expressão de Cida)
VOVÓ CIDA:
E a cigarra pode significar a necessidade de juntar na
vida trabalho e diversão.

VOVÔ CACÁ:
E fazendo assim, um escritor de histórias como eu,
ajuda o mundo a enxergar a vida por outros pontos de
vista....(olha no relógio) Xiiiii, mocinha! A conversa
está boa mas está ficando muito tarde. Vamos dormir que
amanhã o dia vai ser cheio. (bocejandfo) Está tarde e
estou com muito sono.
ANINHA:
Cheio? Mas eu estou de férias.

VOVÔ CACÁ:
(tentando disfarçar)
É..... mesmo ...... é que eu sua avó......
VOVÓ CIDA:
(tirando o marido da enrascada)
São só tarefas do dia a dia ... mas como seus avós já
estão velhos, só de pensar em trabalho já ficamos
cansados. Boa noite!
ANINHA:
(despedindo-se)
Boa noite, vó! Boa noite, vô! Eu vou tomar um copo
d’água e já vou também! Tenham bons sonhos!
VOVÓ CIDA:
Você tem certeza? Não quer que a vovó...

ANINHA:
(super segura)
Não, né vovó!

Você também, Aninha! (saem)


ANINHA:
Metáfora, sei! Deve ser o que está acontecendo aqui.
Esses dois estão escondendo alguma coisa e eu vou
descobri! Agora sou que estou com a pulga atrás da
orelha.

(CONTINUED)
CONTINUED: 12.

Aninha vai dormir, projeção de cenário indica


transição de tempo, no meio da madrugada. Vô e vó
entram "de fininho" na sala, cena pantomima: vão
em direção ao quarto da neta e vêm se está
dormindo, vão em direção do lugar onde guardaram
as coisas. Vão entrar de fininho, os dois levam um
baita susto com o grito da menina. Tentam
disfarçar susto
ANINHA:
(ainda fora de cena chama alto)
Vovô!
VOVÓ CIDA E VOVÔ CACÁ:
(alternadas expressões de preocupação)
O que aconteceu?

ANINHA:
Aquele mesmo pesadelo que estou dentro de um lugar
super escuro,tipo um saco gosmento e eu quero sair,
tento e não consigo. Aí, fico agoniada e acordo.
VOVÓ CIDA:
Ah, meu amor!(compadecida) Lembra da tal da metáfora?
As vezes os sonhos também são uma espécie de metáfora.
ANINHA:
Quer dizer que estou me sentindo presa....

VOVÔ CACÁ:
Não!!!! Você ficou tão assustada que nem viu o restante
do sonho. Quem sabe se soubéssemos o final desta
história saberíamos também o que significa da sua
metáfora. Mas é assim mesmo, o desconhecido dá medo,
precisa ter coragem para embarcar numa história e não
interrompe-la. Inventar uma história e assim, como no
sonho, ela chega de repente e é preciso coragem, para
segui-la
ANINHA:
Metáfora, de novo!(olha para o lugar onde as sacolas
foram guardadas) Sei!
VOVÔ CACÁ:
(errando a idade da neta, falando como
se ela fosse mais nova)
Por que você não tenta de novo! Faz assim, pega a lupa
e o chapéu de detetive e deita na cama. Quando vc
entrar no sonho vai entrar com espirito de detetive
e...

(CONTINUED)
CONTINUED: 13.

ANINHA:
Ah, vô! (segue imitando o jeito animado do avô) Eu sei
que não nos víamos desde que eu tinha seis anos de
idade! (quebra) Mas agora eu já tenho..... 8, tá!?
VOVÔ CACÁ:
Claro, minha neta pré-adolescente, mas promete que vai
pensar no que eu te falei? (despedindo-se com beijo na
testa) Boa noite.

As duas saem e Vovô Cacá vai até o lugar onde


estão as sacolas. Ele remexe numa das sacolas,
dessas que faz muito barulho, claramente tentando
não fazer barulho. Sem querer, ao retirar alguma
coisa lá de dentro, barulho forte fazendo entrar a
avó!
VOVÓ CIDA:
(sussurrando alto)
Ela acabou de pegar no sono, quase acordou a menina de
novo.
VOVÔ CACÁ:
Você acha que ela desconfia de alguma coisa?
Esticam um varal cheio de bandeirinhas onde
podemos ler, FELIZ ANIVERSÁRIO.
VOVÓ CIDA:
Com esta esperteza toda que ela está, é bem capaz! Mas
temos um trunfo na mão... ela embarca nas histórias!
Então se você se atrapalhar de novo e ela
desconfiar.... história. E agora vamos dormir que nosso
mal é sono!
VOVÔ CACÁ:
A noite é boa conselheira!

VOVÓ CIDA:
E Deus ajuda a quem cedo madruga!
B.O. no palco. Já guardaram as coisas e saem.
Mapping segue até amanhecer. Galo canta!

2 SCENE 3: O MACAQUINHO E O TOTÓ 2


Aninha entra em cena, tentando não fazer barulho e
vai em direção ao local das sacolas mas percebemos
que ela não consegue. Enquanto isso, vovó entrou
em silêncio também e observa a neta, quando ela
não consegue, dá um susto nela, anunciando que
está presente só com uma pergunta:

(CONTINUED)
CONTINUED: 14.

VOVÓ CIDA:
Procurando alguma coisa?
ANINHA:
(leva um susto e disfarça)
Bom dia, vó! Sim, sim! Procurando onde a senhora guarda
papel... eu trouxe os lápis de cor, queria desenhar
e....
VOVÓ CIDA:
Mas era só pedir!

ANINHA:
É que eu achei que vocês estavam dormindo e resolvi....
(vai mexer)
VOVÓ CIDA:
Achou que estávamos dormindo? Por acaso você esqueceu
de olhar o relógio? Já são meio dia! E esqueceu que eu
poderia não gostar de te ver mexendo nas coisas aqui
Nãaaaaaao! (interrompendo a acão de Aninha) Ficar
mexendo nas coisas das pessoas. Não é muito educado.
Como diz do ditado A Cesar o que é de Cesar.
VOVÔ CACÁ:
(voz em off)
Cada macaco no seu galho

ANINHA:
Cada um no seu quadrado. (ri, muda, insight) Macaco!
Galho! Cipó! (chama) Vovó, acho que vai acontecer...
sabe o que você falou do desconhecido, seguir, invertar
histórias..... acho que esta acontecendo:

Aninha, dirige-se ao centro da cena. Fecha os


olhos e parece que faz força para imaginar. Alguma
sonoplastia e muda cenário, video mapping. entram
os macacos acróbatas que farão uma cena no gride!
Aninha acompanha, agora olhando, a evolução dos
macacos. Entram as crianças.
ANINHA:
Todos os dias os macaquinhos/ do macaco Pimpalhão

pendurados no cipó/ faziam bambalão


VOVÓ CIDA:
Bambalalão/ Senhor capitão
Espada na cinta / ginete na mão

(MORE)
(CONTINUED)
CONTINUED: 15.

VOVÓ CIDA: (cont’d)


Bambalalão/ Senhor capitão
Pingo de vinho/pedaço de pão

La vai a senhora madeira


Sentada na sua cadeira
espiando seu algodão

pelas barbas do capitão


capitão não está em casa
atiremos come ela no chão

ANINHA:
E alegres os macaquinhos / soltando um grande assobio
Pulavam noutro cipó/ lá do outro lado do rio
VOVÓ CIDA:
Bambalalão/ Senhor capitão
Espada na cinta / ginete na mão
Bambalalão/ Senhor capitão

Pingo de vinho/pedaço de pão


ANINHA:
E os macaquinhos passavam assim / a manhã inteira

pulando pra lá pra cá / na gostosa brincadeira


VOVÓ CIDA:
La vai a senhora madeira
Sentada na sua cadeira

espiando seu algodão


pelas barbas do capitão
capitão não está em casa

atiremos come ela no chão. Oba!


ANINHA:
Mas um dia o macaquinho / errando o pulo o coitado

caiu no meio do rio/ quase morrendo afogado.

(CONTINUED)
CONTINUED: 16.

Fez como todo o macaco / que nunca aprende a nadar


pois a mão na cabecinha / e começou a gritar.
O mico da cara preta/ vendo aquela confusão

pulando de galho em galho / foi chamar o Pimpalhão.


Começou a correria / todos querendo ajudar
Mas nenhum pulava n’água/ nenhum sabia nadar

E o pobre do macaquinho, sem socorro, sem defesa


lá ia de rio abaixo, levado na correnteza.
De repente que alegria / um milagre vejam só

surgiu na beira do rio / o cachorrinho Totó


VOVÓ CIDA:
Viva o cachorrinho chamado Totó

Ele é malhadinho de uma banda só


Viva o cachorrinho chamado Totó
Ele é malhadinho de uma banda só

Vem depressa Totozinho


Você tem bom coração
Salve, salve o macaquinho

Do macaco Pimpalhão
Viva o cachorrinho chamado Totó
Ele é malhadnho de uma banda só

Viva o cachorrinho chamado Totó


Ele é malhadnho de uma banda só
ANINHA:
Quando o totó percebeu/ que precisava ajudar

Deu um pulo denrtro d’água/ e começou a nadar


Foi nadando, foi nadando / ligeiro como um peixinho

arriscou a própria vida / mas salvou o macaquinho

(CONTINUED)
CONTINUED: 17.

Pimapalhão e Pimpalhona / deram pulos de alegria


E o resto da macacada / começou a cantoria
VOVÓ CIDA E VOVÔ CACÁ:
Viva o Totozinho

Viva o campeão
Viva o cachorrinho de bom coração

Viva o Totozinho
Viva o campeão
Viva o cachorrinho de bom coração

Termina com Aninha exausta sentada na poltrona e


de um lado avó, do outro o avô.
ANINHA:
Uau!

VOVÓ CIDA:
Você foi muito corajosa!
VOVÔ CACÁ
Acho que hoje a noite alguém vai dormir tranquila,
tranquila. (imitando tom de detetive) Será que hoje a
noite, quando menos se esperar, descobriremos qual será
a sua metáfora.....
Toca o telefone. Cacá atravessa o palco e vai
atender do lado oposto onde ficaram Cida e Aninha.
A avó, continua ajudando a menina a se recuperar.

ANINHA:
(Não muito segura e ainda atordoada pela
epifania)
É... Acho que sim!

VOVÔ CACÁ:
Alô? Rubens? Tudo bem?

ANINHA:
É o papi?
Cacá vira com um sorriso no rosto e gesticulando
que é sim com a cabeça e Cida, exagerando nos
movimentos, Cida tenta avisar Cacá para não

(CONTINUED)
CONTINUED: 18.

deixá-la saber da conversa! Clássica gag: Aninha


olha para a avó e esta para numa pose esdrúxula e
Aninha olha de novo para Cacá que visivelmente
desnorteado chacoalha negativamente a cabeça. A
expressão varia de alegre para sério.

VOVÔ CACÁ:
Diga! (pausa) Sei, sei! (pausa) Que horas? (pausa) Tá!
Conseguimos sim! Quase tudo terminado..... É.... Claro!
Beijo, Tchau... (a conversa vai chegando ao fim, Cacá,
vai relaxando e deixa escapar) ... até a festa!
(percebe que revelou)
ANINHA:
Festa? Mas ninguém me falou nada de festa! Você estava
falando com meu pai, não estava?

VOVÔ CACÁ:
Não (pensando uma desculpa)... É o Rubens lá
gravadora.... É que eu aceitei fazer um trabalho: vamos
gravar um releitura da Festa (achando a desculpa)
Festa no Céu, uma engraçada história do Folclore
Brasileiro. A história é assim:

Em certa manhã de junho / em tempos que já se vão


junto a lagoa dos sapos / lá no meio do sertão.
Mestre Sapo numa pedra / redondo como uma bola,

ensinava tabuada / aos sapinhos lá da escola:


ANINHA:
(imitando os sapinhos da escola)
Quatro vezes quatro, quatro,

com mais quatro, quatro.


VOVÔ CACÁ:
(fazendo a voz do sapo)
Tá errado.
(voltando voz narrador)
Só se ouvia a voz dos sapos lá na lagoa parada, quando
voz mais estridente fez parar a tabuada:
VOVÓ CIDA:
(assumindo o personagem de denoa
araponga, pega um boa que estava
pendurado no mancebo)
São Pedro manda avisar / aos bichos deste sertão,

a grande festa no céu / na noite de São João!

(CONTINUED)
CONTINUED: 19.

Não deve faltar a mesma / nenhum bicho voador,


do mosquito a borboleta / do colibri ao condor,
e para bicho sem asa / não fazer vestido à toa,

manda frisar que a festança / é só pra bicho que voa


VOVÔ CACÁ:
(fazendo a voz do sapo)
Como é que eu vou a festa sem ter asas para voar?
(voz de narrador)
Já estava desanim ando, mas achou a solução: quando o
Doutor Urubu cantou com o seu violão! Quando o Urubu
terminou, o Sapo fez um escarcéu e saiu gritando:
(voz de sapo)
Achei! Eu vou a festa do céu! Vou tirar minha casaca lá
do fundo do baú, já resolvi, vou à festa no violão do
Urubu.
(voz de narrador)
Mestre Sapo deu um pulo e rápido num momento, afastou
algumas cordas e penetrou no instrumento. E escutou de
lá de dentro o Urubu dizer de fora:
VOVÓ CIDA:
(assumindo o urubu que será um guarda
chuva preto longo)
Valha-me, São Benedito, que quase que eu perco a hora!

VOVÔ CACÁ:
O Urubu pegou no pinho, bateu asas e voou. Mas
estranhando o seu peso, pelo buraco espiou.
VOVÓ CIDA:
(fazendo o urubu)
- Sai daí Sapo danado, Sapo velho cururu. Sapo não
vai para o céu na viola de Urubu. Vou jogar você
lá em baixo.

VOVÔ CACÁ:
(imitando o sapo)
Tá errado "Seu" Doutor!
VOVÓ CIDA:
(urubu)

- Dessa vez eu te esborracho!


VOVÔ CACÁ
(sapo)

- Tá errado sim Senhor!

(CONTINUED)
CONTINUED: 20.

VOVÓ CIDA:
(urubu)
- Mas agora eu te perdoo, bicho feio da lagoa, só pra
ver no fim da festa como é que Sapo voa! Só pra ver no
fim da festa como é que Sapo voa!
VOVÔ CACÁ:
(narrador)
Quando chegaram ao céu a festa estava animada e já de
longe se ouvia o canto da bicharada.
A marchinha era um sucesso, a orquestra era um colosso,
mosquitos cantando fininho, besouros cantando grosso.
ANINHA:
(cantando)
Sobe, sobe, balãozinho,
balãozinho multicor.
Vai ser mais uma estrelinha

pra louvar nosso Senhor!


VOVÔ CACÁ:
Assim que o Urubu chegou e entrou no grande salão,
mestre Sapo foi saltando de dentro do violão. Foi
saltando e foi tirando a Garça para dançar, porém, a
Garça orgulhosa, nem parou para conversar. Foi tirar a
Juriti, quase levou um "supapo", do Gavião que
exclamou:
Durante a fala anterior, o sapo que será um
bolinha de tênis, ou uma bola verde, será levado
para o meio da festa dos passarinho. O vô manipula
a bola tenntando interagir comas as crianças no
meio do palco.

VOVÓ CIDA:
(fazendo o Gavião)
Pomba não dança com Sapo!
VOVÔ CACÁ:
(narrador)
Abandonado por todos, cansado de tudo enfim, mestre
Sapo adormeceu, no balanço do jardim.
ANINHA:
Bem-te-vi, bem-te-vi, vejo aqui, vejo ali, ninguém faz
coisa má, que eu não veja daqui!
Menino comportado, poderá brincar aqui, mas fazendo
travessura, "..." Bem-te-vi!

(CONTINUED)
CONTINUED: 21.

Bem-te-vi, bem-te-vi, vejo aqui, vejo ali, ninguém faz


coisa má, que eu não veja daqui!
VOVÔ CACÁ:
(narrador)
Quando acordou, exclamou:
(voz de sapo)
"Valha-me" Nossa Senhora! A festa já se acabou, Urubu
já foi-se embora!
(narrador)
E começou a pular. Já estava quase maluco, quando
avistou lá num canto, o trombone do Macuco. Mestre Sapo
suspirou, deu um salto, e entrou de cara pelo bocal
reluzente do tal trombone de vara. Mestre Sapo ia
feliz, lá no trombone sentado, quando o maestro cismou
de executar um dobrado. Mas no solo do trombone, a
coisa desafinou, mestre Macuco soprou, mas o solo não
saiu.E soprou com tanta força, da bochecha e do pulmão,
que o sapo saiu de dentro como um tiro de canhão.
(voz do sapo)
Afasta a pedra senão te esborracho (5x)
Mas por mais que ele gritasse a pedra não se afastou,
pedra não ouve nem anda, e o sapo se esborrachou, não
morreu, mas ficou feio, seu corpo ficou disforme, os
olhos se esbugalharam, a boca ficou enorme.
E os sapos que eram redondos, muito bonitos outrora,
ficaram assim tão feios e são tão chatos agora. Escutem
meus amiguinhos, este conselho acertado, ir a festas
sem convite? Escutem bem:
(voz sapo)
- Tá errado!

VOVÓ CIDA:
Assim como criança ficar ouvindo conversa de adulto ao
telefone: tá errado! Minha neta, vai lá fora brincar um
pouco... você agora mora na cidade grande não tem mas
chance de brincar solto como pode aqui... aproveita.

ANINHA:
Mas onde estão os meus amigos????? Parece que ninguém
mais mora aqui também!
VOVÓ CIDA:
É que eles também estão de férias..... Eles também
foram viajar. Isso é que dá fazer aniversário na época
das férias. Vai lá, seu avô reinstalou o balanço, você
não quer aproveitar?
Sai Aninha

(CONTINUED)
CONTINUED: 22.

VOVÓ CIDA:
(dando uma bronca)
Eu que sou surda e você que não presta atenção, quase
que você pões nossa história inteira a perder.

VOVÔ CACÁ:
Foi sem querer...
VOVÓ CIDA:
Tá! E você já conseguiu falar com todas as crianças?
Aninha vai ficar tão contente em rever todos os amigos
dela!
VOVÔ CACÁ:
Na mesma proporção que ficou triste quando teve que ir
embora. Lembra? Foi de partir o coração. Quando
colocamos as coisas no carro....

Segue improvisando enquanto a luz vai apagando.


Black out. A luz acende com Aninha chamando
novamente
ANINHA:
Vó, vô!
Todos entram em cena e encontram-se no palco que é
a sala da casa.
VOVÓ CIDA:
(preocupada)
Que foi? Tá tudo bem? Aquele sonho novamente!?
VOVÔ CACÁ:
(animado)
E aí.... Você conseguiu ver o final do sonho?

ANINHA:
(assustada)
Quase! Eu estava naquele mesmo lugar... e me dei conta
de que estava sonhando. Pensei: vou ser corajosa e
continuei ali, no escuro me debatendo, daqui a pouco
parece que eu saí de dentro daquele saco, meio
desnorteada e então uma luz muito forte invadiu meu
olho e.... acordei! (decepcionada consigo própria) Foi
mais forte que eu, vovô.

VOVÔ CACÁ:
Oh, minha neta! Não tem problema! Demos mais um passo,
não demos? Até o fim da suas férias vamos descobrir o
que está acontecendo!

(CONTINUED)
CONTINUED: 23.

VOVÓ CIDA:
Vamos que eu te ponho pra dormim!
Saem as duas
VOVÔ CACÁ:
(fica em cena e olha celular e manda
mensagem)
VOVÓ CIDA:
(volta)
Pronto! Já dormiu! O que você acha que pode estar
acontecendo? Coitada todos os dias com esses sonhos...
VOVÔ CACÁ:
Meu amor, crescer não é fácil. Nós adultos esquecemos
como para as crianças acontecimentos corriqueiros
ganham outras proporções!
VOVÓ CIDA:
Será que ele está desconfiada da festa? Ontem eu peguei
ela mexendo bem aqui onde guardamos os enfeites!

Aparece cabeça de Aninha escutando


VOVÔ CACÁ:
Acho que não! E por falar em festa a Angela mandou uma
mensagem dizendo que amanhã vai chegar "vocês sabem o
que?". Você sabe? Eu não estou sabendo de nada.

VOVÓ CIDA:
Pode deixar que eu sei, depois te explico. Vamos, que
precisaremos acordar cedo... eu acho que Aninha já está
desconfiando de alguma coisa, precisamos ficar atentos.

Saem os dois e entra Aninha


ANINHA:
Sabia! Esses dois acham que me enganam, eles é que
estão muito enganados. Vou descobrir o que eles estão
tramando! Ah, se vou!
Sai. Black Out.
3 CENA 3 3
Cida reaparece enxugando a mão em seu avental. Vai
até o canto onde fica a poltrona e arruma algum
adereço que tenha ficado no meio do caminho.
Aproveita para mexer no celular e começa responder
e leva um susto...

(CONTINUED)
CONTINUED: 24.

ANINHA:
Bom dia, vovó! Tudo bem? A senhora se assustou?
VOVÓ CIDA:
Eu estava aqui entretida com meu grupo de amigas do
whatsapp, estamos combinando um chá das 5... Não é
porque a vovó é mais velha que ela não gosta de se
divertir com as amigas.
ANINHA:
(tom de quem não comprou a desculpa)
Claro!!! E o vovô!? O que ele está fazendo?
VOVÓ CIDA:
(um pouco desesperada)
Lá fora! Ele está lá na garagem.... fazendo uns...

VOVÔ CACÁ:
(aparecendo)
Mexendo no carro que resolveu parar... Sabe que carro
quando a gente usa pouco dá esse tipo de problema... E
você mocinha, dormiu bem?

ANINHA:
Dormi bem sim, vovô! Sabe que, agora que você falou,
logo que eu fechei os olhos e comecei a pegar no sono,
aquele sonho voltou... mas engraçadamente eu não
acordei... mas também não lembro de mais nada.

VOVÔ CACÁ:
As vezes lembramos do sonho durante o dia! Sabe,
daquele jeito que você teve a ideia para a história do
macaquinho e o cachorro? Então... do nada um assunto
vem e PUM! Faz a gente lembrar de todo o sonho!
Tenhamos calma...
Toca a campainha
ANINHA:
Quem será?

Aninha tenta ir em direção à porta, sua vó a


segura em uma abraço.
VOVÓ CIDA:
(tentando arruma uma desculpa)
Você nem deu um abraço de bom dia para sua avó! Deve
ser .... o..... moço que..... concerta máquina de
lavar... e eu chamei ele logo cedo. Carlos Alberto,
você pode acompanhá-lo até a lavanderia?
Cacá sai.

(CONTINUED)
CONTINUED: 25.

ANINHA:
Vovó, me desculpe... mas está acontecendo alguma coisa?
Estou sentindo a senhora um pouco nervosa!
VOVÓ CIDA:
Eu? Não! Não é nada! A vovó parou tudo para dar atenção
quando você chegou e agora preciso retomar meus
afazeres... estou me sentindo um pouco perdida! É só
isso!
ANINHA:
Então, acho que descobri a metáfora da minha vida: ser
um saco pesado pra todo mundo carregar... (começa a
chorar) Por isso passei um tempo aqui com vocês, depois
voltei a morar com meus pais e agora me mandaram de
novo pra cá.... mesmo sabendo que é a época do meu
aniversário e que meus amigos novos estão todos lá.

VOVÓ CIDA:
Você não é um saco pesado, meu amorzinho! É que nem
sempre, nós adultos, conseguimos resolver as coisas da
melhor maneira possível e até parece que não nos
importamos mas, pode ter certeza, que estamos sempre
planejando o melhor para você, viu?
Cacá, no final do texto de Cida, entra com caixas
de salgados e doces para a festa. Ela olha e manda
ele sair, tentando não serem percebidos por
Aninha.

VOVÓ CIDA:
(pega um boné preto e transforma-o em
rato, novamente disfarçando)
O ratinho só conseguia percebe a sua fome... ou melhor
sua gulodice e nem ligava para o que poderia acontecer!
ANINHA:
Ahñ?
VOVÓ CIDA:
Lá vai a Sinhá Marreca apressada, ligeirinha,
carregando um samburá pro Palácio da Rainha.
Lá vai a Sinhá Marreca, com seu samburá na mão.
Lá vai a Sinhá Marreca, com seu samburá na mão.

Ela diz que vem vendendo empadinhas de camarão.


Ela diz que vem vendendo empadinhas de camarão!
Sinhá marreca quando anda, olhem só o jeito dela, vai
depressa, ligeirinha e o Ratinho atrás dela.

(CONTINUED)
CONTINUED: 26.

(voz de Ratinho)
Oba, oba, que beleza, "está" pra mim. Ôh lá, lá! vou
tirar uma empadinha, do fundo do samburá! -
(voz de Narradora)
E, assim, fez o ratinho. Tirou uma, tirou duas, tirou
quatro, cinco e seis, acabou levando todas, umas dez de
cada vez. Sinhá Marreca nem viu nada mas quando a
pobre coitada, foi abrir o samburá...
(voz de Sinha Marreca)
AAAIII, as minhas empadinhas! Ôh, isso não pode ser!
Meu samburá está vazio! E agora o que eu vou fazer no
Palácio da Rainha?
(voz narradora)
E chorava a Sinhá Marreca! Não adianta chorar, pois
quem fez uma faz três. Vamos fazer empadinhas, umas cem
de cada vez.

ANINHA E VÓ CIDA:
A Vaquinha deu o leite
e a manteiga bem fresquinha
A Galinha pois os ovos

E o Burro trouxe a farinha


E onde está o camarão?
No fundo do ribeirão!

Sinhá Marreca já foi lá,


para encher o samburá.
Bota lenha acende o fogo,

bota a lenha no fogão,


pra fazer as empadinhas,
empadinhas de camarão

VOVÓ CIDA:
(voz Sinha Marreca)
- Ora vivas já estão prontas, quem quiser pode provar!
- Sinhá Marreca.

ANINHA E VÓ CIDA:
Empadinhas gostosas de camarão,
você sabe fazer?

(CONTINUED)
CONTINUED: 27.

ANINHA:
Oh, eu não sei não.
ANINHA E VÓ CIDA:

Empadinhas gostosas de camarão,


é com Sinhá Marreca lá no ribeirão!
VOVÓ CIDA:
(voz de Sinha Marreca)
- Já tenho mil empadinhas dentro do meu samburá. E
agora pessoal, vamos todos ligeirinho para o
Palácio Real!

ANINHA E VÓ CIDA:
Lá vem a Sinhá Marreca, com seu samburá na mão.
Lá vem a Sinhá Marreca, com seu samburá na mão.

Ela diz que vem vendendo empadinhas de camarão.


Ela diz que vem vendendo empadinhas de camarão!
VOVÓ CIDA:
(voz narradora)
E depois, lá no Palácio, a rainha comprou tudo e pagou
um dinheirão, Sinhá Marreca ficou rica, com cem moedas
na mão. E depois, mas que alegria, voltaram todos pra
casa. Mas, no meio do caminho, olhem só é o Ratinho!
(voz de ratinho)
Aí, ai, aí eu não aguento, vejam só que confusão, comi
todas as empadas e tive uma indigestão! - Macaquinho.
(voz de Sinha Marreca)
Que lhe sirva de lição! E que aprenda muito bem, nunca
se deve tirar nada, nada de ninguém!
(voz de narradora)
Sinhá marreca deu remédio, ficou bom o macaquinho e
foram todos pra casa, cantando pelo caminho:
ANINHA E VÓ CIDA:
Empadinhas gostosas de camarão, você quer Ratinho?

VOVÓ CIDA:
(voz de Ratinho)
Eu não quero, não!
E, na casa da floresta vejam só, que linda festa:

(CONTINUED)
CONTINUED: 28.

Segue a música e todas as Sinhás Marrecas e


Ratinhos saem dançando e cantando. Cenário vai
voltando. E nisso Cacá, que esteve todo
atrapalhado, tentando passar escondido algumas
vezes durante a história no final cai e no final
derruba as última caixa cheia de empadas.
ANINHA:
Ah, ha!
VOVÓ CIDA:
(muito brava)
Carlos Alberto, não acredido!
ANINHA:
Vovó! Porque toda essa irritação? E por que parece que
ele estava tentando esconder essas empadas? Ah! Eu
sabia vocês estão me escondendo alguma coisa e
VOVÓ CIDA:
Não! Lembra do chá com minhas amigas? Então eu mandei
encomendar essas empadas seu avô estragou tudo!

VOVÔ CACÁ:
Calma! Me desculpe! Foi sem querer (tentando se
desculpar acaba se complicando). Nem tudo está perdido
os brigadeiros estão guarda......
ANINHA:
Brigadeiro? Chá das 5? A faça me o favor, né vovó? Você
acha que me engana?
VOVÓ CIDA:
Não! Eu sabia que você estava desconfiada. Mas seu
avô... nem pra pedir desculpas...
VOVÔ CACÁ:
Mas eu pedi!
VOVÓ CIDA:
Não pediu!
ANINHA:
Ele pediu, mas você não ouviu! O vovô é meio
atrapalhado, todo mundo sabe disso, mas você também as
vezes.... não ouve direito, né? Não vejo ele
reclamando, ou falando mal do sua baixa audição. Por
isso esse monte de histórias? E tudo para que eu não
percebesse? Tudo bem, eu até entendo mas tratar o vovô
assim...Por isso esse monte de histórias? E tudo para
que eu não percebesse? Percebesse o que?

(CONTINUED)
CONTINUED: 29.

VOVÓ CIDA E VOVÔ CACÁ:


Sua festa de aniversário surpresa. (desanimados) Tcha-
rã.
ANINHA:
(olha para um lado, olha para o outro.
pausa)
Cadê? Na verdade agora que eu sei... vou fingir que não
sei de nada, tá bom! Mas eu acho que quem tem uma
história para contar agora sou eu e vocês dois prestem
atenção.

Lá vem Mestre Papagaio, devagar, de pé no chão, muito


contente da vida, cantando a sua canção:
(fazendo o papagaio)
Curupaco-papaco quem passa?

É o rei que vai a caça.


Curupaco-papaco quem passa?
É o rei que vai a caça.

Papagaio Louro vale um tesouro,


Papagaio Real toca o berimbau,
toca a violinha, toca o violão.

Oi dá o pé?
Oi eu não dou não!
Oi dá o pé?

Oi eu não dou não!


Oi dá o pé?
Oi eu não dou não!
(narradora)
E lá ia ele feliz, cantando pelo caminho. Quando
encontrou o gatinho, o cabrito e o cachorrinho.
(papagaio)
Bom dia senhor Gatinho.

VOVÓ CIDA:
Miau!
ANINHA:
Bom dia senhor cabritinho.

(CONTINUED)
CONTINUED: 30.

VOVÓ CIDA:
Mééé
ANINHA:
Bom dia, dona galinha!

VOVÓ CIDA:
Có, có, có.
ANINHA:
Ora essa que roubada, não tenho nenhum amigo, ninguém
pra conversar, ninguém pra falar comigo. Mas isso vai
acabar, vou fazer uma escolinha, onde todos os
bichinhos, vão aprender a falar.
Vamos todos estudar, na escola do papagaio, as aulas
vão começar.

Vamos todos estudar, na escola do papagaio, as aulas


vão começar.
Aqui ninguém late, ninguém berra, ninguém mia.
Cantando e brincando com muita alegria.

Na escola do papagaio, as aulas vão começar.


(narrador)
E a aula começou:
(papagaio)
Amigos, chegou a hora! Vamos todos devagar, cada um com
sua vez, vai aprender a falar. Digam comigo, bom dia:
(Som dos animais revezados por Cida e Cacá. Aninha
volta com a narração)
E era isso que se ouvia na escola da bicharada, todos
queriam falar, mas ninguém dizia nada!

(Som dos animais)


E depois meu amiguinho, pra aumentar a confusão, chegou
a vez do Cachorro! O cachorrinho animado queria dizer
bom dia, mas sua voz não saia.

VOVÔ CACÁ:
(vovô latido forte)
ANINHA:
(papagaio)
Vamos, vamos, devagar. Com mais um pouco de força, você
vai poder falar!
(narrador)
E o cachorro encheu o peito, suou, soprou e bufou,
abriu uma boca enorme, mas coitado, não falou. Soltou
um latido tão forte, soltou um latido tremendo, que os
bichinhos assustados, saíram todos correndo!

(CONTINUED)
CONTINUED: 31.

(Urro do Leão)
(Som dos animais assustados)
(narrador)
A escola ficou vazia e o louro coitadinho, ficou
falando sozinho:
(papagaio)
- Curupaco-paco, que tristeza, não tenho nenhum amigo,
ninguém pra conversar, ninguém pra falar comigo.
(narrador)
Já estava quase chorando, quando ouviu alguém cantar,
quem estaria cantando?
VOVÓ CIDA:
(vovó papagaio)
Curupaco-papaco quem passa?

É o rei que vai a caça.


Curupaco-papaco quem passa?
É o rei que vai a caça.

Papagaio Louro vale um tesouro, Papagaio Real toca o


berimbau, toca a violinha, toca o violão.
Oi dá o pé?
Oi eu não dou não!

Oi dá o pé?
Oi eu não dou não!
Oi dá o pé?

Oi eu não dou não!


VOVÓ CIDA:
(vovó papagaio)
É verdade meu netinho, nós viemos pra ficar!

ANINHA:
(papagaio)
Vieram pra ficar? Que beleza, que alegria! Já tenho com
quem falar, eu já tenho companhia.

VOVÓ CIDA:
(vovó papagaio)
- Preste atenção meu netinho, hoje você aprendeu, cada
qual tem que falar, com a voz que Deus lhe deu!

(CONTINUED)
CONTINUED: 32.

ANINHA:
Antes de mais nada, meu presente de aniversário é vocês
dois, meus avós mais queridos do mundo, sem ficarem de
briguinhas!

OS TRÊS:
(dividem a música)
Queria ser leão
Pra ter aquela juba

Queria ser baleia


Daquelas barrigudas
Queria ser formiga

Minhoca, besouro
Quem sabe
Uma lagartixa?

Queria
Ser um urso
Dormir o dia inteiro

Queria ser macaco


Pulando bem ligeiro
Queria ser

Golfinho, peixinho
Cavalo marinho
Quem sabe um tubarão

Nadar lá no fundão?
Só pra ser mais leve
Pensei num passarinho

Só pra ser mais leve


Pensando bem
Cágado anda devagarinho

(MORE)
(CONTINUED)
CONTINUED: 33.

OS TRÊS: (cont’d)
Imagine a borboleta
De asinhas coloridas

Pensei em ser cachorro


De orelhas bem compridas
Queria ser uma gata

Um sapo, um rato
Quem sabe um dragão?
Quando a música acaba as crianças, saem de cena. O
avô e a avó, abaixam para dar um beijo. Aninha
cantarola a música que acabaram de cantar...
ANINHA:
Imagine uma borboleta de asinhas colo.... JÁ SEI!
Black out. Atores saem. No fundo do palco será
projetado o filme feito com as crianças enquanto
um locução abaixo acompanha o vídeo. Durante o
vídeo uma contorcionista começa seu número de
lagarta que se transforma em borboleta. Acaba o
vídeo junto com a performa-se. A cortina fecha. A
locução estende-se além do vídeo. Continua a
encenação. Os dois avós trazem Aninha para o
proscênio. Ela está de olhos vendados e enquanto
um verifica se o olho está fechado mesmo o outro
espia dentro da cortina. A cortina abre e estão
todas as crianças e o pessoal do circo-show
posicinados.
VOVÓ CIDA E VOVÔ CACÁ:
Um, dois, três e já
TODOS NO PALCO:
SURPRESA!!!!!
(esboço/parte da locução)
...ninguem estava escondendo nada de mim... eu esmo
estava procurando alguma coisa.... que dizer, estavam
escondendo sim.... mas não o que de verdade eu estava
procurando.... Este sonho me acompanha a vida inteira,
eu presa dentro de um saco gosmento, tentando sair e,
ainda tenho medo mas espero pois sei que o que está por
vir é melhor, a melhor sensação do mundo: uma cegueira
de luz antes dos olhos se acostumarem, desajeitadamente
um par de liberdade sacolejam-me até se acostumarem a
sincronizar as asas e eu, borboleta sobrevôo a minha
(MORE)
(CONTINUED)
CONTINUED: 34.

TODOS NO PALCO: (cont’d)


vida lá em baixo. Transformar, renascer. Deixar a casca
pra traz e mergulhar nas flores....

EPILOGO
Que felicidade a minha! Minha infância foi recheada de
imaginações, tive uma avó que me ajudou a inventar tudo
o que minha imaginação pedia!
hoje faz 10 anos que vovô cacá subiu para o céu com seu
balãolinho multicor. e deve ter acontecido outra festa
no céu.
ele foi encontrar com seu amigos do bando dos tangarás
e junto de São Pedro olhar lá de cimas por nós.

Na minha memória o tempo se misturou inteiro.... e essa


infância é como se eu tivesse vivido uma única e longa
férias la no sítio do meu avô.
A vida é cheia de mistérios... como a lagarta que vira
uma borboleta

claro que tudo não aconteceu em apenas um dia... mas


nas minhas memórias tudo se junta num dia só
Aquelas histórias clássicas, cheias de ensinamento,
parece que eu não percebia o que estava de fato sendo
contado.... medo de dormir, acontecimentos do dias tudo
trazia uma história, e uma história outra história...
podíamos escrever as nossas próprias mil e uma noites
ou os nossos mil e um pores do sol, naqueles dias de
férias com meus avós.

Andamos nos preocupando tanto com os fins que


esquecemos que os meios são justificáveis. Aprendi
tanto e me diverti muito mais. Meus avós estavam a
frente de seu tempo.... assim como são os avós: só se
importam com o que realmente importa

e a cada história uma lição de vida


Aquele foi o aniversário que eu guardo na memória com
mais carinho
Não virei escritora nem atriz, mas quem disse que
imaginação na faz parte do mundo dos cientistas!
meu avó acreditava no poder das histórias e contando
mais uma história me dizia que algumas resistem ao
passar dos anosa, ao amarelat das folhas, ào rendar das
traças. E se sobrevivem é porque ainda ficam gravadas
nos corações.
alegre-se foi assim que me contaram e quem quizer que
conte outra

(CONTINUED)
CONTINUED: 35.

Aquele sonho era prefácio que versejava em mim.


Poesia de transformação.
ninguem estava esconadendo nada de mim... eu esmo estava
procurando aguma coisa.... que dizer, estavam escondendo
sim.... mas não o que de verdade eu estava procurando....
Este sonho me acompanha a vida inteira, eu presa dentro de
um saco gosmento, tentando sair e, ainda tenho medo mas
espero pois sei que o que está por vir é melhor, a melhor
sensação do mundo: uma cegueira de luz antes dos olhos se
acostumarem, desajeitadamente um par de liberdade
sacolejam-me até se acostumarem a sincronizar as asas e eu,
borboleta sobrevôo a minha vida lá em baixo. Transformar,
renascer. Deixar a casca pra traz e mergulhar nas flores....
as coisas estavam difíceis por aquela época, coisas de
adultos que só hoje eu entendo... mas mesmo sem entender eu
sentia e doia, como doia.