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a santidade, a sabedoria ou a misericórdia.

2 Todo o caráter e todos os atos de Deus se


distinguem pela glória. Ele é glorioso em sa­
bedoria e poder, de modo que tudo o que
G ló ria A té o F im ! ele pensa e faz é marcado pela glória. Ele
revela sua glória na criação (SI 19), em seu
1 P e d r o 1 :2-12 relacionamento com o povo de Israel e, es­
pecialmente, em seu plano para a salvação
dos pecadores perdidos.
Nosso primeiro nascimento não foi pa­
ra a glória. "Pois toda carne é como a erva,
e toda a sua glória, como a flor da erva" (1 Pe
m um dia agradável de verão, minha es­ 1:24, citando Is 40:6). Qualquer glória tê­
E posa e eu visitamos um dos cemitérios
mais famosos do mundo em Stoke Poges,
nue que o ser humano porventura expe­
rimente acaba desvanecendo, mas a glória
um vilarejo não muito longe do castelo de do Senhor é eterna. As obras que os homens
Windsor, na Inglaterra. Foi nesse local que realizam para a glória de Deus são duradou­
Thomas Cray compôs sua famosa "Elegia ras e serão recompensadas (1 Jo 2:1 7). Mas
Escrita em um Cemitério do Interior", poe­ as realizações humanas egoístas dos peca­
ma bem conhecido dos falantes de Ifngua dores desaparecerão para nunca mais serem
inglesa, que em geral o lêem em alguma vistas. Um dos objetivos das enciclopédias
ocasião de sua vida escolar. é o de ensinar sobre pessoas famosas das
Enquanto observávamos silenciosamente quais ninguém mais se lembra!
os túmulos antigos a nosso redor, lembrei- Pedro apresenta duas descrições, a fim
me de uma estrofe desse poema: de nos ajudar a compreender melhor essa
verdade maravilhosa acerca da glória.
O orgulho dos brasões, a pompa do A descrição do nascimento do cristão
poder, (vv. 2 ,3 ). Esse milagre teve início com Deus:
E toda a beleza e riqueza que nos con­ fomos escolhidos pelo Pai (Ef 1:3, 4). Isso
cederam ocorreu como parte dos desígnios mais pro­
Aguardam o momento inevitável; fundos da eternidade, dos quais passamos a
Para o túmulo os caminhos da glória nos ter conhecimento somente depois que estes
conduzem. nos foram revelados pela Palavra de Deus.
Essa eleição não se baseou em qualquer rea­
A glória humana é passageira, mas a glória lização nossa, pois sequer existíamos. Tam­
de Deus é eterna, e lhe aprouve compartilhá- bém não se baseou em coisa alguma que
la conosco! Nesta primeira seção de sua Deus tenha antevisto que seríamos ou faría­
carta, Pedro fala de quatro descobertas ma­ mos. A eleição de Deus baseou-se inteira­
ravilhosas acerca da glória de Deus. mente em sua graça e amor. Não é possível
explicá-la (Rm 11:33-36), mas é possível re­
1. O S CRISTÃOS NASCERAM PARA A gozijar-se nela.
g l ó r ia (1 Pe 1 :2 - 4 ) A "presciência" não indica que Deus
Por causa da morte e ressurreição de Jesus apenas sabia de antemão que viríamos a crer
Cristo, os cristãos foram "regenerados" para e, portanto, nos escolheu. Se fosse o caso,
uma viva esperança, e essa esperança inclui ficaria a pergunta: "Então quem ou o que
a glória de Deus. Mas a que nos referimos nos levou a crer em Cristo?" e, desse modo,
quando falamos da "glória de Deus"? tiraríamos a salvação das mãos de Deus. Na
A glória de Deus é a soma de tudo o que Bíblia, essa presciência significa "escolher e
ele é e faz. Essa "glória" não é uma caracte­ amar um indivíduo ou indivíduos de manei­
rística ou atributo separado de Deus, como ra pessoal". O termo é usado desse modo

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em Amós 3:2: "D e todas as famílias da terra, e, portanto, pode nos dar vida. Um a vez que
som ente a vós outros vos escolhi". Deus tem vida, essa esperança cresce e, com o
concedeu seu amor eletivo à nação de Is­ passar do tempo, torna-se cada vez maior e
rael. Encontramos esse mesmo sentido em mais bela. O tempo destrói a m aioria das
passagens com o Salm o 1:6; M ateus 7:23; esperanças; elas murcham e morrem. M as a
João 10:14, 27; e 1 Coríntios 8:3. passagem do tempo só torna a esperança
M as o plano da salvação não se limita do cristão cada vez mais gloriosa.
ao am or eletivo do Pai; também inclui a obra Pedro chama essa esperança de "heran­
do Espírito de convencer o pecador e con­ ça" (1 Pe 1:4). Com o filhos do Rei, participa­
duzi-lo à fé em Cristo. O melhor com entário mos de sua herança na glória (Rm 8:17, 18;
sobre isso é 2 Tessalonicenses 2:13,14. Além Ef 1:9-12). Fomos incluídos no testamento
disso, o Filho de Deus teve de morrer na de Cristo e com partilham os sua glória (Jo
cruz por nossos pecados; do contrário, não 1 7:22-24).
haveria salvação. Fomos escolhidos pelo Pai, Convém observar a descrição dessa he­
com prados pelo Filho e separados pelo Es­ rança, pois ela é diferente de qualquer outra
pírito. Para que a salvação seja verdadei­ herança terrena. Em primeiro lugar, é "incor­
ra, as três Pessoas da Trindade devem estar ruptível", o que significa que nada pode
envolvidas. destruí-la. Um a vez que é "sem m ácula", não
N o que se refere a Deus Pai, fui salvo pode ser infamada nem vulgarizada de ma­
quando ele me escolheu em Cristo antes da neira alguma. Jam ais se desgastará, pois é
fundação do mundo. N o que se refere a eterna e, sendo im arcescível, jam ais nos
Deus Filho, fui salvo quando ele morreu por desapontará.
mim na cruz. M as no que se refere ao Espí­ Em 1 Pedro 1:5 e 9, essa herança é cha­
rito, fui salvo numa noite de maio de 1945, mada de "salvação". O cristão verdadeiro já
quando ouvi o evangelho e recebi a Cristo. foi salvo por m eio da fé em Cristo (Ef 2:8, 9),
Então, todas as partes juntaram-se, mas foi mas a conclusão de sua salvação acontece­
necessário que as três Pessoas da Trindade rá somente na volta do Salvador. Então, te­
participassem, a fim de que eu pudesse rece­ remos um novo corpo e passaremos a viver
ber a salvação. Separar esses três ministérios em um novo am biente, a cidade celestial.
é negar a soberania divina ou a responsabi­ Em 1 Pedro 1:7, Pedro chama essa esperan­
lidade humana, o que seria heresia. ça de "revelação de Jesus Cristo". Paulo a
Pedro não nega a participação do ho­ chama de "bendita esperança" (Tt 2:13).
mem no plano de Deus para a salvação dos Q u e grande em oção saber que nasce­
pecadores. Em 1 Pedro 1:23, ele enfatiza que mos para a glória! Q uando nascemos de no­
o evangelho foi pregado a essas pessoas; vo, trocamos a glória passageira dos homens
elas o ouviram e creram (ver também 1 Pe pela glória eterna de Deus!
1:12). O próprio exemplo de Pedro em Pen­
tecostes é prova de que não se deve "deixar 2. OS CRISTÃOS SÃ O G U A R D A D O S PARA A
tudo por conta de D eus" e ser remissos em (1 Pe 1:5)
g ló r ia
instar os pecadores a crer em Cristo (At 2:37­ N ão apenas a glória está sendo "reservada"
40). O mesmo Deus que determina o fim - a nós, com o nós também estamos sendo
nossa salvação - também determina os meios guardados para a glória! Em minhas viagens,
para esse fim - a pregação do evangelho da já aconteceu de chegar a um hotel e des­
graça de Deus. cobrir que minha reserva havia sido cance­
A descrição da esperança cristã (w . 3 ; lada ou que ocorrera alguma confusão. Isso
4).Em primeiro lugar, é uma viva esperança, não acontecerá conosco quando chegarmos
pois se baseia na Palavra viva de Deus (1 Pe ao céu, pois nossa herança e lar futuros são
1:23) e se tornou possível pela obra do Fi­ garantidos e estão reservados para nós.
lho vivo de Deus, que ressuscitou dentre os Um cristão mais tímido pode preocupar-
mortos. Um a "viva esperança" contém vida se com o fato de sermos, de fato, capazes
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de chegar ao céu. Claro que chegaremos, tudo o que está reservado para nós no céu;
pois todos os que creram estão sendo "guar­ mas de uma coisa estamos certos: a vida de
dados pelo poder de Deus". O termo tradu­ hoje é uma escola na qual Deus nos treina
zido por "guardados" é de origem militar e para o ministério futuro na eternidade. Isso
significa "defendidos, protegidos". O tempo explica a presença das tribulações: são al­
verbal indica que estamos sendo constante­ guns dos instrumentos e "livros didáticos"
mente guardados por Deus, garantindo que de Deus na escola da experiência cristã.
chegaremos em segurança ao céu. Essa Pedro usa o termo "provações" em lu­
mesma palavra é usada para descrever os gar de "tribulações" ou "perseguições", pois
soldados que guardavam Damasco quando trata dos problemas gerais que os cristãos
Paulo fugiu da cidade (2 Co 11:32; ver tam­ enfrentam quando cercados por incrédulos.
bém Jd 24, 25 e Rm 8:28-39). O apóstolo fala de vários fatos acerca das
Os cristãos não são guardados pelo pró­ provações.
prio poder, mas sim pelo poder de Deus. A As provações suprem necessidades. A
fé em Cristo une cada um ao Senhor de tal expressão "se necessário" indica que há
modo que o poder dele guarda e guia a vi­ ocasiões especiais em que Deus sabe que
da do que crê. Ninguém é guardado pela precisamos passar por provações. Por vezes,
própria força, mas pela fidelidade de Deus. as provações disciplinam quando se deso­
Até quando ele guardará os cristãos? Até que bedece à vontade de Deus (SI 119:67). Em
Jesus Cristo volte e compartilhemos da reve­ outras ocasiões, elas preparam para o cresci­
lação plena de sua maravilhosa salvação. Essa mento espiritual ou, ainda, guardam de pecar
mesma verdade é repetida em 1 Pedro 1:9. (2 Co 12:1-9). Nem sempre se sabe que ne­
É um estímulo imenso saber que somos cessidade está sendo suprida, mas é possí­
"guardados para a glória". De acordo com Ro­ vel estar certos de que Deus sabe e faz o
manos 8:30, já fomos glorificados. Estamos que é melhor.
apenas aguardando a revelação pública des­ As provações são variadas. Pedro usa o
sa glória (Rm 8:18-23). Se algum cristão se termo "várias", que significa, literalmente,
perdesse, Deus não poderia ser plenamen­ "variegadas, versicolores". Emprega a mes­
te glorificado. Deus está tão certo de nossa ma palavra para descrever a graça de Deus
presença no céu que já nos deu sua glória em 1 Pedro 4:10. Não importa a "cor" de
como garantia (Jo 17:24; Ef 1:13, 14). nosso dia - seja ele cinzento ou negro
A certeza do céu é uma grande ajuda Deus tem graça suficiente para suprir as ne­
para nós hoje. Nas palavras de James M. Cray cessidades. Não se deve imaginar que, pelo
em um dos seus cânticos: "Quem se impor­ fato de termos vencido um tipo de prova­
ta com a viagem, quando o caminho conduz ção, automaticamente venceremos todas as
ao lar?" Se o sofrimento de hoje representa provações. Elas são variadas, e Deus as ajus­
a glória de amanhã, ele se torna bênção para ta segundo nossas forças e necessidades.
nós. Os não salvos têm sua "glória" no pre­ As provações são dolorosas. Pedro não
sente, mas depois dela terão apenas o sofri­ sugere uma atitude de indiferença em rela­
mento longe da glória de Deus (2 Ts 1:3-10). ção às provações, pois isso seria falsidade.
Diante disso, devemos meditar sobre 2 Co- De acordo com o apóstolo, as provações
ríntios 4:7-18 e nos regozijar! nos deixam "contristados", termo que se
refere a "sentir dor ou tristeza profunda".
3. O s CRISTÃOS ESTÃO SENDO PREPARADOS A mesma palavra é usada para descrever a
PARA A GLÓRIA (1 Pe 1 :6 , 7 ) experiência de Jesus no Getsêmani (M t
É preciso sempre lembrar que tudo o que 26:37) e a tristeza dos santos com a morte
Deus planeja e realiza é uma preparação de um ente querido (1 Ts 4:13). Negar que
para o que ele tem reservado para nós no as provações são dolorosas só as torna ainda
céu. Ele nos prepara nesta vida para lhe ser­ piores. O cristão deve aceitar o fato de que
virmos na vida por vir. Ninguém sabe ainda enfrenta dificuldades na vida e não colocar
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uma fachada de coragem só para dar a im­ M t 13:1-9,18-23). Nessa parábola, o sol re­
pressão de ser "m ais espiritual". presenta "a angústia ou a perseguição". A
As provações são controladas p o r Deus. pessoa que abandona a fé quando as coisas
Ele não perm ite que durem para sempre; ficam difíceis mostra apenas que, na verda­
somos contristados "p o r um breve tem po". de, não tem fé alguma.
Quando Deus permite que seus filhos passem Jó, o patriarca, passou por muitas prova­
pela fornalha, mantém os olhos no relógio e ções dolorosas, todas elas com a aprovação
a mão no termostato. Se nos rebelarmos, ele de Deus e, no entanto, em certo sentido,
reinicia o relógio, mas se nos sujeitarmos, com preendeu essa verdade sobre o fogo do
ele não perm ite o sofrim ento um minuto refinador. "M as ele sabe o meu caminho; se
além do necessário. O que importa é apren­ ele me provasse, sairia eu com o o ouro" (Jó
der a lição que ele deseja ensinar e glorificar 23:10). E foi exatamente o que aconteceu!
somente a ele. É anim ador saber que o cristão nasce
Pedro ilustra essa verdade referindo-se ao para a glória, é guardado para a glória e está
ourives. Nenhum ourives desperdiça deli­ sendo preparado para a glória. M as a quar­
beradamente qualquer minério precioso. Ele ta descoberta que Pedro com partilha com
o coloca na fornalha ardente somente o tem­ seus feitores é a mais maravilhosa de todas.
po necessário para rem over as impurezas
sem valor; em seguida, o derrama no molde 4. O s CRISTÃOS PO D EM DESFRUTAR A
e forma uma bela peça de valor. Alguém dis­ G LÓ R IA N O PRESENTE (1 P E 1:8-12)
se que, no Oriente, o ourives deixava o metal A vida cristã não consiste somente da con­
derreter até ser capaz de ver seu rosto refle­ tem plação de um futuro distante. Antes, traz
tido nele. Da mesma forma, o Senhor nos consigo uma dinâm ica presente que pode
mantém na fornalha do sofrimento até refle­ transform ar o sofrim ento em glória hoje.
tirmos a glória e a beleza de Jesus Cristo. Pedro apresenta quatro instruções para se
É importante lembrar que essa glória só desfrutar a glória hoje, mesmo em meio às
será plenam ente revelada quando Cristo provações.
voltar para buscar a igreja. As provações en­ Am em a Cristo (v. 8). Nosso amor por
frentadas hoje são um preparo para a glória Cristo não é baseado no que podemos ver
de amanhã. Q uem tiver sido fiel em meio fisicam ente, pois ainda não o vim os. Sua
aos sofrimentos desta vida, quando encon­ base é o relacionam ento espiritual com ele
trar Jesus Cristo, lhe dará "louvor, glória e e com o que a Palavra nos ensina a seu res­
honra" (ver Rm 8:17, 18). Isso explica por peito. O Espírito Santo derramou o am or de
que Pedro relaciona o regozijo com o sofri­ Deus em nosso coração (Rm 5:5), e retri­
m ento. Apesar de não sermos capazes de buímos esse amor a ele. Estando em m eio a
nos regozijar ao olhar ao redor em meio às alguma provação e sofrimento, deve-se, mais
provações, é possível regozijar-se ao olhar que depressa, oferecer o coração a Cristo
adiante. A palavra "nisso", em 1 Pedro 1:6, com verdadeiro amor e adoração. Se o fi­
se refere à "salvação" (a volta de Cristo) men­ zermos, Cristo removerá o veneno da expe­
cionada em 1 Pedro 1:5. riência difícil e, em seu lugar, derramará seu
Assim com o o contrasteador testa o bálsamo curativo.
metal para ver se é ouro puro ou minério Satanás procura usar as provações para
sem valor, também as provações da vida tes­ fazer aflorar o que há de pior em nós, mas
tam nossa fé para provar sua sinceridade. Deus deseja fazer aflorar o que há de me­
U m a fé que não pode ser testada não é lhor em nós. Q uem amar a si mesmo mais
confiável! M uitos cristãos professos possuem do que a Cristo não experim entará glória
uma "falsa fé" que será revelada com o tal alguma agora. O fogo queim ará em vez de
pelas provações da vida. A semente que cai purificar.
em solo raso produz plantas sem raízes, plan­ Confiem em C risto (v. 8). Deve-se viver
tas que morrem quando o sol aparece (ver pela fé, não pelas aparências. Um a senhora
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caiu e quebrou a perna quando estava parti­ e Elias sobre seu sofrimento e morte iminen­
cipando de um congresso cristão. Disse ao tes (Lc 9:28-36).
pastor que a visitou: Recebam de Cristo (w . 9-12). "Crendo
- Sei que o Senhor me trouxe até este [...] obtendo" - esse é o modo de Deus su­
congresso, mas não entendo por que isso prir nossas necessidades. Quem ama a Deus
precisava acontecer! Não vejo nada de bom confia nele e se alegra nele, podendo re­
nesta situação. ceber dele tudo de que precisa para trans­
Ao que o pastor respondeu com sabe­ formar as tribulações em triunfos. Pode-se
doria: traduzir 1 Pedro 1:9 assim: "Pois estais rece­
- Romanos 8:28 não diz que vemos que bendo a consumação da vossa fé, a saber, a
todas as coisas cooperam para o nosso bem, salvação final da vossa alma". Em outras pa­
mas sim que sabemos disso. lavras, é possível experimentar hoje parte
Crer significa entregar tudo a Deus e obe­ da glória futura. Charles Spurgeon costuma­
decer à sua Palavra apesar das circunstân­ va dizer: "Um a fé pequena leva a alma ao
cias e conseqüências. O amor e a fé andam céu; mas uma grande fé traz o céu para a
juntos: quem ama alguém confia nessa pes­ alma". Não basta ansiar pelo céu durante
soa. E, juntos, a fé e o amor ajudam a forta­ tempos de sofrimento, pois qualquer um
lecer a esperança, pois onde há fé e amor, pode fazer isso. Pedro insta seus leitores a
também há segurança quanto ao futuro. exercitar o amor, a fé e a alegria de modo
De que maneira é possível crescer na fé a experimentar parte dessa glória do céu em
em tempos de provação e de sofrimento? meio ao sofrimento presente.
Da mesma forma que se cresce na fé quan­ O mais impressionante é que a "sal­
do as coisas parecem estar indo bem: ali­ vação" que aguardamos - a volta de Cristo
mentando-se da Palavra de Deus (Rm 10:17). - faz parte do plano de Deus desde a eter­
A comunhão com Cristo por meio da Pala­ nidade. Os profetas do Antigo Testamento
vra não apenas fortalece a fé como também escreveram sobre essa salvação e estudaram
aprofunda o amor. Um dos princípios da vida cuidadosamente o que Deus lhes revelou.
cristã é dedicar muito tempo à Palavra quan­ Viram os sofrimentos do Messias e também
do Deus nos prova e Satanás nos tenta. a glória subseqüente, mas não compreen­
Alegrem-se em Cristo (v. 8). Talvez não deram plenamente a ligação entre ambos.
sejamos capazes de nos alegrar com as cir­ De fato, em algumas das profecias acerca
cunstâncias, mas é possível alegrar-se nelas do Messias, os sofrimentos e a glória encon­
voltando todo o coração e a mente para Je­ tram-se combinados em um só versículo ou
sus Cristo. Cada experiência de provação parágrafo.
ensina algo novo e maravilhoso sobre o Sal­ Quando Jesus veio à Terra, os mestres
vador. Abraão descobriu novas verdades a judeus aguardavam um Messias que derro­
respeito do Senhor quando colocou seu fi­ taria os inimigos de Israel e estabeleceria o
lho no altar (Gn 22). Os três rapazes hebreus reino glorioso prometido a Davi. Até mes­
descobriram como Deus estava próximo mo os próprios discípulos não entenderam
quando passaram pela fornalha de fogo (Dn exatamente a necessidade de Cristo morrer
3). Paulo descobriu a suficiência da graça na cruz (M t 16:13-28). Mesmo depois da
de Deus quando sofreu com um espinho na ressurreição, ainda lhe perguntaram sobre o
carne (2 Co 12). reino judeu (At 1:1-8). Se os discípulos não
É importante observar que a alegria que entenderam claramente os planos de Deus,
Cristo produz é "indizível e cheia de glória". sem dúvida os profetas do Antigo Testamen­
Trata-se de um gozo tão profundo e mara­ to não devem ser criticados!
vilhoso que sequer podemos expressá-lo. Deus disse aos profetas que eles esta­
Faltam-nos as palavras! Pedro havia contem­ vam ministrando a uma geração futura. En­
plado parte dessa glória no monte da Trans­ tre o sofrimento do Messias e sua volta em
figuração, onde Jesus conversou com Moisés glória, temos o que chamamos de "era da

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1 PEDRO 1:2-12 509

Igreja". A verdade sobre a Igreja era um "mis­ escreveu a Palavra de Deus, pode nos ensi­
tério" oculto no período do Antigo Tes­ nar as verdades dessas Escrituras (Jo 16:12-15).
tamento (Ef 3:1-13). Os santos do Antigo Além disso, é possível aprender tais ver­
Testamento olharam adiante pela fé e viram dades tanto por meio do Antigo Testamen­
dois montes, por assim dizer: o Calvário, to quanto do Novo Testamento. É possível
onde o Messias sofreu e morreu (Is 53), e o encontrar Cristo em todas as partes das Es­
monte das Oliveiras, onde ele voltará em crituras do Antigo Testamento (Lc 24:25-27).
glória (Zc 14:4). Não viram, porém, o "vale” Como é maravilhoso ver Cristo na Lei do
entre os dois: a era presente em que a Igre­ Antigo Testamento, em seus tipos, nos Sal­
ja se encontra. mos e nos escritos dos profetas! Em tempos
Até mesmo os anjos têm interesse em de provação, é possível voltar-se para a Bí­
saber o que Deus está fazendo na Igreja e blia inteira e encontrar tudo o que é neces­
por meio dela! Leia 1 Coríntios 4:9 e Efésios sário para ser encorajado e esclarecido.
3:10 para mais informações sobre como Sem dúvida, o cristão experimenta a
Deus "instrui" os anjos por meio da Igreja, glória ao longo de toda a jornada! Ao crer
Se os profetas do Antigo Testamento em Cristo, nasce para a glória. Então, é guar­
buscaram com tanta diligência a verdade dado para a glória. Ao obedecer a Deus e
acerca da salvação com o pouco que lhes experimentar provações, é preparado para
foi relevado, quanto mais nós devemos pers­ a glória. Ao amar a Cristo, confiar nele e
crutar tais coisas, agora que temos a Palavra se alegrar nele, experimenta a glória aqui
completa de Deus! O mesmo Espírito Santo e agora.
que ensinou os profetas e, por meio deles, Alegria indizível e cheia de glória!

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