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VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL

Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X

CARACTERIZAÇÃO DE ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES/


SUPERDOTAÇÃO ATENDIDOS EM UM MUNICÍPIO DA REGIÃO
METROPOLITANA DE CURITIBA E A ORGANIZAÇÃO DO GRUPO DE PAIS E
PROFISSIONAIS.

SCHEILLA MARIA ORLOSQUI CAVALCANTE DA SILVA 1

1. INTRODUÇÃO

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como


objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando
os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais
garantindo: a transversalidade da educação especial em todos os níveis de ensino, a oferta do
Atendimento Educacional Especializado (AEE), a continuidade da escolarização em níveis
elevados de ensino, a formação de professores para o AEE e para a inclusão escolar, a
participação da família e da comunidade, a acessibilidade e a articulação intersetorial na
implementação de políticas públicas (Brasil, 2008).
Por meio da efetivação dessa política, os sistemas de ensino passam por adequações a fim de
efetivar o atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiências, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação, bem como o atendimento aos
profissionais e familiares desses sujeitos.
Fundamentado nessa Política, os indivíduos com altas habilidades/ superdotação, que se
constituem como foco dessa pesquisa, são conceituados como:

Aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas,
isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes;
além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de
tarefas em áreas do seu interesse. (BRASIL, 2008, p.9)

Nesse contexto, entende-se que pessoas com altas habilidades/ superdotação são aquelas que
apresentam potencial elevado quando comparados com outro de sua faixa etária.
O presente artigo propõe um estudo a cerca da organização e caracterização do Grupo de Pais e
Profissionais de Estudantes com Altas Habilidades/ Superdotação e a respeito das pessoas com
altas habilidades atendidas nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) existentes em um
município da região metropolitana de Curitiba.
A pesquisa foi desenvolvida nos encontros do grupo supracitado ofertadas no primeiro semestre
de 2013 por meio de observações, questionários e análise documental dos estudantes com altas
habilidades/ superdotação dessa região. Esse trabalho buscou evidenciar dados para reflexões a
cerca do atendimento a esse público bem como para aperfeiçoar e otimizar ações que
1
Pedagoga, pós-graduada em Educação Especial com Ênfase em Inclusão e Especialista em Psicopedagogia
Clínica e Institucional. Professora dos Anos Iniciais da Prefeitura Municipal de Curitiba/PR e Araucária/PR.
Contato: scheillaorlosqui@yahoo.com.br.

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contribuam para o desenvolvimento sócio-emocional de estudantes superdotados, de seus


familiares e dos profissionais envolvidos no processo de escolarização desses indivíduos.

2. MÉTODO

A Secretaria Municipal de Educação do referido município, por meio do Departamento de


Educação Especial (DEE), organizou encontros com pais e profissionais de estudantes com
altas habilidades/ superdotação (AH/SD) com objetivo de promover momentos organizados
para trocas, busca de maiores informações sobre AH/SD e proporcionar oportunidades de
diálogos entre outros pais e profissionais que anseiam responder suas necessidades relativas às
características de seus filhos. A nomenclatura utilizada para identificação do grupo foi definida
pelos profissionais do DEE e é: Grupo de Pais e Profissionais de Estudantes com Altas
Habilidades/Superdotação (GPPEAH/SD).
De acordo com Sabatella (2007, p.148):
Os pais de crianças com altas habilidades têm uma necessidade especial de se
comunicar e trocar experiências, como uma maneira de melhor entendê-las. Isso é tão
importante como receber as informações e orientações que os capacitarão a escolher
as condutas que ampliarão – e não frustrarão – o desenvolvimento do potencial dos
seus filhos, tanto intelectual como emocionalmente.

Essa análise permite reconhecer a importância de um trabalho desenvolvido junto aos


familiares que possa contribuir para o desenvolvimento de pessoas com altas habilidades/
superdotação (PAH/SD).
Os encontros foram organizados mensalmente e contaram com a participação de profissionais
da rede municipal de educação e convidados especializados na área para mediar conhecimentos
e oportunizar significativos momentos de aprendizagem. Os mesmos ocorreram no horário
noturno e aconteceram no Anfiteatro do Paço Municipal.
Durante a realização dos encontros foi possível observar a necessidade dos familiares em
exporem suas experiências e também suas angústias, pois muitos deles não sabem como lidar
com situações diversas.
Sabatella (2007, p.148) elucida que organizar e reunir familiares constitui uma rica fonte de
informações para todos os integrantes, e evidencia esclarecimentos de ajuda mútua e análise de
estratégias de sucesso que alguns pais tiveram com seus filhos.
Dessa forma, a organização do grupo e a continuidade dele, tornam-se fundamentais aos
familiares, bem como aos profissionais, para que possam refletir, compreender e desenvolver
práticas de inclusão adequadas às necessidades específicas de PAH/SD.
Nesse sentido, o encontro de pais apresentou resultados importantes para análise. A abordagem
metodológica utilizada foi com enfoque qualitativo e, para oferecer credibilidade à mesma,
optou-se pela triangulação de dados. Em relação aos métodos de investigação, foram utilizados:
questionário, observação participativa e análise documental estabelecendo relações e
comparações com as informações obtidas em todos os âmbitos da pesquisa.
Os sujeitos da pesquisa foram àqueles envolvidos no processo de escolarização de estudantes
com altas habilidades/ superdotação, além dos familiares, professores, pedagogos e estudantes

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com indicativos de altas habilidades/ superdotação. Para a seleção dos sujeitos, foi verificada a
participação no GPPEAH/SD e o envolvimento com o público alvo da pesquisa.
A coleta de dados inicialmente se deu na observação dos sujeitos da pesquisa durante dois
encontros do GPPEAH/SD realizados no primeiro semestre de 2013. Em seguida, optou-se pela
entrega de questionários às dez famílias participantes do grupo e aos profissionais presentes no
grupo. Durante o processo de pesquisa foi possível o acesso a documentos de escolarização dos
vinte e um estudantes com AH/SD atendidos no município.
O questionário foi organizado a fim de caracterizar-se como um instrumento de investigação
sobre dados pessoais de familiares, bem como de dados dos estudantes com AH/SD por meio
de perguntas abertas e fechadas a respeito de opiniões, dúvidas e anseios dos mesmos em
relação ao tema do estudo. Dessa forma, a análise presente nesse artigo refere-se à
caracterização dos participantes do GPPEAH/SD e do público alvo atendido nesse município.
Em um segundo momento, utilizar-se-á os questionários para análise sobre o que esses
profissionais e familiares pensam a respeito da área que se constitui como foco nessa pesquisa.

3. RESULTADOS

A análise dos dados ocorreu da seguinte forma: foram evidenciadas características dos
participantes do GPPEAH/SD totalizando trinta e duas pessoas, e dados relativos aos
atendimentos a vinte e um estudantes com Altas Habilidades/ Superdotação.
Em relação aos participantes do grupo, observa-se:

Caracterização Geral dos Caracterização Detalhada dos


Participantes do GPPEAH/SD Participantes do GPPEAH/SD
Pais
22%
Mães

Estudante com AH/SD 6%


16% 16%
62%
Irmãos 16%

Tios
Famílias 10%
27%
Profissionais da Escola Pedagogos
6%
SMED Professores 6% 10%
3%
Figuras 1A e 1B – Participantes dos encontros do GPPEAH/SD.

Foram 32 sujeitos envolvidos na categorização do Grupo de Pais e Profissionais de Estudantes


com Altas Habilidades/Superdotação (GPPEAH/SD) nessa pesquisa, sendo que, no que se
refere à caracterização desse grupo, 62% das pessoas são do contexto familiar dos estudantes
com AH/SD, 16% são profissionais da escola e 22% profissionais dos Departamentos de
Educação Especial e da Avaliação Psicoeducacional da Secretaria Municipal de Educação.

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Nessa perspectiva é possível observar a disparidade dos sujeitos envolvidos no processo de


aperfeiçoamento que se deu durante o encontro do GPPEAH/SD. Isso porque, dentre os
envolvidos a minoria é caracterizada pelo grupo escolar. De acordo com Sakaguti (2010) uma
das barreiras da inclusão do estudante com AH/SD pode estar relacionada ao despreparo do
professor para reconhecê-lo ou identifica-lo. Pimenta (1996) corrobora que:
Formação é, na verdade, autoformação, uma vez que os professores reelaboram os
saberes iniciais em confronto com suas experiências práticas, cotidianamente
vivenciadas nos contextos escolares. É nesse confronto e num processo coletivo de
troca de experiências e práticas que os professores vão constituindo seus saberes como
praticum, ou seja, aquele que constantemente reflete na e sobre a prática.

Desta forma, é evidente que a participação de todos os envolvidos no contexto educacional é


necessária para a reflexão acerca das práticas – e de sua efetividade - que estão sendo
desenvolvidas no interior das escolas.
O Ministério da Educação (2004), afirma que:
Para que uma escola se torne inclusiva há que se contar com a participação consciente
e responsável de todos os atores que permeiam o cenário educacional: gestores,
professores, familiares e membros da comunidade na qual cada aluno vive.

Nesse contexto, essa participação tem que ser constante em todos os momentos seja em
formações, grupos de pais, reuniões, conselhos, dentre tantas outras ações que possibilitam
discussões e análises coletivas da realidade escolar.
Em relação aos profissionais atuantes nos Departamentos da Secretaria Municipal de Educação,
a equipe da Educação Especial organizou essa formação e considera importante a participação
de todos os agentes envolvidos no cotidiano de PAH/SD nesses encontros.
O interesse na participação do grupo pela Equipe da Avaliação Psicoeducacional, partiu dos
mesmos ao evidenciar a necessidade de aprofundamento ao tema e pela parceria entre os
profissionais comprometidos com o processo de escolarização desses estudantes.
A figura 2 ilustra, de forma detalhada, a participação não somente de pais e mães de estudantes
com AH/SD, mas de tios e irmãos que se interessam pelo processo de ensino e aprendizagem
desses sujeitos.
Em relação aos profissionais das escolas 10% são professores e 6% pedagogos que
acompanharam de forma significativa a escolarização desses estudantes fora do contexto
escolar. De acordo com as Recomendações para a Construção de Escolas Inclusivas – Saberes e
Práticas da Inclusão (BRASIL, 2006):
A educação de crianças, com necessidades educacionais especiais, é uma tarefa a ser
dividida entre pais e profissionais. Uma atitude positiva da parte dos pais favorece a
integração escolar e social. Pais necessitam de um apoio para que possam assumir
seus papéis de pais de uma criança com necessidades especiais. O papel das famílias e
dos pais deverá ser aprimorado por meio da provisão de informação necessária, em
linguagem clara e simples, satisfazer suas necessidades de informação e de
capacitação no atendimento aos filhos, é uma tarefa de singular importância, em
contextos culturais, com escassa tradição de escolarização.

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Na continuidade da caracterização do grupo, evidencia-se a faixa etária dos pais participantes


nos encontros a fim de desenvolver estratégias e atendimentos de forma concreta e condizente
com suas necessidades.
0% 0%
11% Faixa Etária dos Pais de Estudantes com AH/SD
participantes do GPPEAH/SD
Até 20 anos
26%
De 21 a 30
63% De 31 a 40
De 41 a 50
Acima de 51

Figura 2A – Análise da faixa etária de 10 famílias presentes, resultando 20 participantes (somente pais e
mães).

No GPPEAH/SD, conforme demonstrado anteriormente, participaram dez famílias. Na análise


referente à faixa etária dos responsáveis que estiveram presentes, é possível notar que a maior
parte deles encontra-se numa média entre 41 a 50 anos. Percebe-se também que não existem
pais de estudantes com AH/SD neste grupo, que encontram-se na faixa etária acima de 51 anos
e nem abaixo de 20 anos.
Em relação ao público alvo da pesquisa, atendidos no município, obtivemos os seguintes dados:

Figura 2B – Análise da faixa etária de 21 estudantes atendidos nas SRM do município.

Os estudantes com AH/SD atendidos nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) do


município supracitado, encontram-se na faixa etária entre 7 e 13 anos, sendo que, a maioria
deles, ou seja, 67% estão entre a faixa etária de 8 a 10 anos.
Guenther (2012 p.66) aponta que:
A faixa etária da infância à pré-adolescência (6, 7 a 10, 11 anos) é a mais propícia
para captação de sinais de potencial elevado na escola: 1°, a criança tem pouca
experiência de vida, poucas aprendizagens permanentes e conexões formadas, o que

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realça a facilidade de aprender; 2°, o grau de espontaneidade para expressar conteúdo


interior, de maneira simples e direta, é maior do que em qualquer outra fase da vida.

Nessa perspectiva, a atenção aos estudantes e às suas capacidades é essencial e, na escola, essa
tarefa pode ser desempenhada com mais destreza desde que haja profissionais capacitados e
envolvidos no processo de identificação e desenvolvimento de ações às PAH/SD.
Em relação à análise de gênero dos estudantes com AH/SD, evidencia-se um número
significativamente maior de estudantes do sexo masculino em detrimento às estudantes do sexo
feminino.

Figura 3 – Análise de dados referente a 21 estudantes com indicativos de AH/SD.

Esse cenário também foi evidenciado em outras pesquisas, conforme destaca Paludo e Dallo
(2012) que ao refletir à cerca das questões de gênero em sua pesquisa, obtém uma diferença
pouco significativa, porém que evidencia o atendimento majoritário às pessoas do sexo
masculino. Paludo e Dallo (2012) afirmam que “entretanto, esses números são diferentes dos
encontrados em outras pesquisas (CHAGAS, 2003; MAIA-PINTO & FLEITH 2002;
SAKAGUTI, 2010) que mencionam um número significativamente maior de meninos sendo
atendidos em programas educacionais”.
Segundo Sakaguti (2010, p.53),
A diferença de número entre gêneros dos alunos identificados com AH/SD, explica-se
pela influência da cultura familiar e escolar, visto que, tanto as expectativas, quanto as
indicações de pais e professores, são maiores em relação aos meninos. Em geral, os
pais indicam dois meninos para cada menina, pelo fato de que os primeiros
correspondem melhor à imagem estereotipada de criança mais dotada.

Desta forma é importante ressaltar que para estabelecer conclusões à cerca do quantitativo de
pessoas com AH/SD em relação ao gênero, é preciso a análise de uma diversidade de fatores
que envolvem os contextos onde estão inseridos e, ainda, a necessidade de pesquisas
investigativas desses dados.

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Repetência Escolar e AH/SD


20%
Repetentes

Não repetentes

80%

Figura 4– Análise de dados referente a 10 estudantes com AH/SD – participantes do GPPEAH/SD.

Em relação à repetência escolar, a figura 4 demonstra que a maioria dos estudantes com AH/SD
desse município, durante a trajetória escolar até o momento da pesquisa, não repetiram o ano
escolar. Entretanto, isso não pode ser considerada uma constante relacionada aos indicativos de
altas habilidades em uma pessoa. Nessa análise, observamos que existe um percentual de 20%
de estudantes que repetiram o ano escolar e com base nos dados estudantis, apresentaram
dificuldades de aprendizagem na trajetória escolar.
Virgolim (2003) elucida que a concepção que o aluno superdotado tem de sempre tirar boas
notas é errônea. A autora estabelece uma problemática entre crianças que demonstram
dificuldades de aprendizagem, mas que revelam desempenho superior – muitas vezes fora da
escola- em alguma atividade particularmente motivadora e, afirma que:
Há pessoas que demonstram fortes habilidades e talentos em áreas especificas,
enquanto em outras demonstram fraquezas e deficiências, o que não as impossibilitou,
em absoluto, de alcançarem um alto grau de excelência em sua área de atuação.
(VIRGOLIM, p.23, 2003).

Essa afirmação nos permite cogitar que os sujeitos dessa pesquisa que apresentaram repetência
escolar em seus históricos, podem evidenciar excelência em áreas fora do contexto escolar.
Na abordagem referente às áreas de interesses dos estudantes com AH/SD, obtivemos dados
referentes a 10 estudantes com AH/SD visto a participação de seus familiares no grupo.

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Áreas de Interesses dos Estudantes com AH/SD


História
11% 5% 5% Geografia
6% Ciências
11% Raciocínio Lógico Matemático
Robótica
6% Artes
22% Linguagem
6%
Música
Conhecimentos Gerais
17% 11% Não identificado

Figura 7 – Foram analisados os interesses de 10 estudantes.

Nessa análise, conforme o indicativo dos pais e de alguns estudantes com AH/SD presentes no
encontro, pode-se constatar que existe uma diversidade de interesses dessas pessoas e que
muitos ainda não têm ao certo ou desconhecem a área de interesse desse sujeito. Em alguns
momentos os pais afirmavam “o (a) filho (a) gosta de tudo”, portanto relatavam o interesse dos
seus em conhecimentos gerais.
Assim, Sabatella (2005) apud Fleith (2007), enfatiza que indivíduos com a mesma capacidade
intelectual demonstram variações quanto aos interesses, habilidades e temperamento e
constituem um universo heterogêneo e complexo.
Dessa forma as áreas de interesses de PAH/SD variam e podem modificar-se de acordo com o
tempo, interesses, estímulos e curiosidade presente em cada um.

Participação na Efetivação do Contribuições dos Profissionais


Questionário pelas famílias do da Escola
0% GPPEAH/SD

Respondidos 20% Realizadas

Não Não
respondidos 80% realizadas
100%

Figura 5A – Foram entregues 10 questionários, sendo 1 por família/ Figura 5B – Participaram 5


profissionais de escolas.

Na observação em relação à participação dos sujeitos da pesquisa foram organizados dois


gráficos dispostos lado a lado a fim de estabelecer uma comparação entre os indivíduos
contribuintes para a mesma. Verifica-se na figura 5A que as 10 famílias, totalizando um
percentual de 100%, entregaram os questionários contribuindo para a análise a cerca da
realidade que os cerca. Visualizando a figura 5B, é possível perceber que dentre os cinco
profissionais participantes da pesquisa, apenas 1 – na representatividade de 20% - contribuiu de

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forma significativa para a reflexão à cerca do trabalho com estudantes com AH/SD que, por sua
vez, trouxe uma contextualização a cerca da dificuldade de professores e pedagogos em
trabalharem com PAH/SD e enfatizando a importância da criação do GPPEAH/SD como uma
forma de ‘poder ajudar a todos’. Nesse contexto, é possível estabelecer uma nova problemática
a cerca de quais os motivos que levaram aos demais profissionais das escolas a não opinarem
e/ou acrescentarem dúvidas e informações a respeito de fatores que envolvem o processo de
escolarização e desenvolvimento do estudante com AH/SD.

Famílias Participantes no GPPEAH/SD

48%
Participantes Não participantes
52%

Figura 6 – São 21 famílias atendidas no município de estudantes com indicativos de AH/SD.

Na apreciação dos resultados referente à participação dos pais no GPPEAH/SD, é possível


verificar que 48% das famílias buscam informações e apoio nos encontros organizados pela
Secretaria Municipal de Educação.
Freeman e Guenther (2000, p.159) apud Sakaguti & Bolsanello, (2012, p.232) reforçam que:
A parceria de pais, professores e das próprias crianças é essencial para forçar
mudanças de políticas administrativas, bem como para a realização dessas políticas
em ação concreta. Muitas associações têm surgido, em vários países, algumas com
notável influência na formação de opinião e incorporação de políticas educacionais de
atendimento aos bem-dotados e talentosos.

Dessa forma, é fundamental que haja o incentivo aos pais, profissionais e estudiosos na
participação e disseminação de conhecimentos sobre a área, conforme elucida Sakaguti (2012).
Ainda nesse contexto, Sakaguti e Bolsanello (2012, p.232) assegura que:
Comprova-se o valor das famílias como mentoras do desenvolvimento dos filhos
superdotados, constituindo-se num dos importantes pilares no reconhecimento,
atendimento e valorização dos potenciais das crianças e adolescentes com altas
habilidades/superdotação. Conhecer o modo de pensar, os sentimentos e as
expectativas dos pais em relação à superdotação do filho, pode contribuir para a
compreensão das diferentes, diversificadas e singulares características desta criança
especial.

Desta forma, é importante evidenciar que são necessárias ações incentivadoras por parte da
Secretaria Municipal de Educação e das Unidades Educacionais para o resgate e o

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envolvimento das famílias que não participam do GPPEAH/SD, de forma a elevar o percentual
de participações nos encontros.

Escolaridade dos Pais de Estudantes com AH/SD participantes do


GPPEAH/SD
5% 10%
20% Ensino Fundamental
Ensino Médio
15%
Ensino Superior
Pós Graduação
50% Não respondeu

Figura 8 – Total de participantes: 20 pessoas.

Na investigação referente à escolaridade dos pais dos estudantes com AH/SD que participaram
do GPPEAH/SD, verifica-se que 50% possuem Ensino Médio e a outra metade, estão
distribuídos nos demais níveis de ensino. 10% dos pais optaram por não responder a este
questionamento.
No município de desenvolvimento da pesquisa, existem 37 escolas municipais de educação
básica e duas escolas municipais de educação especial. É importante ressaltar que os estudantes
com AH/SD atendidos nas SRM estão presentes em 14 escolas municipais, sendo que em uma
única escola há sete estudantes com indicativos de AH/SD, em duas delas há três estudantes
com indicativos de AH/SD em cada uma e os demais estão matriculados no restante das
escolas, sendo um estudante por escola. É interessante notar que em algumas escolas existem
números significativos de PAH/SD em relação às demais e nessa análise é interessante repensar
os fatores associados a esses números.
Com os elementos evidenciados na figura 9, é possível constatar uma problemática em relação
à participação de profissionais envolvidos no processo de escolarização desses estudantes e que
participam ou não, do GPPEAH/SD. Assim, podemos considerar o número de escolas que esses
estudantes estão matriculados e ressaltar que existe uma disparidade entre esse número e o
número de participantes nos encontros do GPPEAH/SD, pois, apenas os profissionais de uma
escola municipal participaram dos encontros. Das profissionais do Atendimento Educacional
Especializado que atuam com os estudantes com AH/SD nas duas Salas de Recursos
Multifuncionais, ambas as professoras participaram dos encontros.

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25
20 Profissionais na Escolas
Regulares
15
10
Participantes do GPPEAH/SD
5
0
Professores das SRM Professores do Pedagogos do
Ensino Regular Ensino Regular

Figura 9 - Gráfico comparativo de profissionais presentes nas escolas regulares e participantes do


GPPEAH/SD.

Desta forma, verifica-se a necessidade da Secretaria Municipal de Educação enfatizar os


convites aos profissionais para os demais encontros e estabelecer uma parceria concreta com as
professoras atuantes nas SRM por meio de mediações in loco, contatos telefônicos, ofícios,
dentre outros meios de divulgação. Entretanto, há a necessidade de maior envolvimento dos
profissionais presentes nas instituições visto que, todos eles receberam convites e informações
referentes ao desenvolvimento do GPPEAH/SD e foram realizadas mediações in loco nas
unidades educacionais.

4. DISCUSSÃO

Por meio dessa pesquisa foi possível conhecer, analisar e refletir a cerca dos atendimentos que
esse município da região metropolitana de Curitiba, vem desenvolvendo junto aos estudantes
com AH/SD. Todavia, esse estudo caracterizou-se também, como um instrumento para
avaliação e reorganização do trabalho no contexto educativo junto aos familiares, profissionais
da educação e PAH/SD de forma que, as ações desenvolvidas posteriormente junto ao público
alvo supracitado, tornem-se mais eficazes e possam contribuir para o melhor desenvolvimento
dessas pessoas.
Quanto à organização do GPPEAH/SD, foram observadas respostas de profissionais e
familiares que consideram importante a realização desses momentos que, por sua vez,
caracterizam-se como forma de interação e busca de superação de dificuldades perante o
desenvolvimento de PAH/SD.
Cabe ressaltar que perante as dificuldades evidenciadas tais como a defasagem na participação
do GPPEAH/SD por parte dos profissionais da educação e pelos familiares dos demais
estudantes com AH/SD, faz-se necessário o desenvolvimento de ações conjuntas entre
Secretaria Municipal de Educação, Unidades Educacionais e Comunidade Escolar de forma a
salientar a necessidade de envolvimento e aperfeiçoamento a respeito das especificidades do
individuo superdotado.

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5. CONCLUSÕES

Os resultados da pesquisa apontam que os encontros do Grupo de Pais e Profissionais de


Estudantes com Altas Habilidades/ Superdotação evidenciam sua importância ao compreender
que é necessário o envolvimento de todos os sujeitos dentro e fora do contexto escolar para
pensar e repensar em práticas de ações de inclusão adequadas às necessidades sócio-
educacionais e emocionais de indivíduos com AH/SD. Dessa forma, o Grupo possibilita
momentos de interação, diálogos, pesquisas e apoio necessários para a compreensão das
características do superdotado.
Cabe salientar que a reflexão sobre o atendimento aos estudantes, familiares e profissionais
envolvidos com pessoas com altas habilidades/ superdotação, despertou nos envolvidos a
necessidade de refletir sobre ações e repensar estratégias qualificadas que levem a melhoria das
práticas inclusivas dentro e fora do âmbito escolar.
Dessa forma, percebe-se a necessidade de estender os encontros para discussões a cerca das
altas habilidades, não somente às famílias, mas a todas as pessoas que fazem parte desse mundo
cheio de peculiaridades e desafios.
Assim, acredita-se que, por meio da reorganização do trabalho nas Unidades Escolares em
parceria com a Secretaria Municipal de Educação e com a Comunidade Escolar, é possível
conscientizar todas as pessoas que lidam com superdotados, para a participação, pesquisas,
debates e estudos que venham contribuir com as práticas cotidianas desenvolvidas junto a esses
sujeitos.

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