Você está na página 1de 2

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS


Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas

Disciplina de Fundamento:
Alfabetização e Letramento

Docente responsável:
Profª Drª Maria Inês Batista Campos

Viviane Mendes Leite (nº USP: 10849833)

BORTONI-RICARDO, Stella Maris; OLIVEIRA, Tatiana. Corrigir ou não variantes não padrão na
fala do aluno? In: Os doze trabalhos de Hércules: do oral para o escrito. São Paulo: Parábola,
2013. (p.46-62)

No capítulo 9, as autoras Stella Maris Bortoni-Ricardo e Tatiana de Oliveira propõem o


ensino da língua sob a perspectiva da sociolinguística. O texto está dividido em duas seções: I. O
que dizem os especialistas; II. Chegando à sala de aula.

As autoras introduzem o texto com abordagem histórica da sociolinguística cujo surgimento


aconteceu, nos Estados Unidos, pela preocupação com o baixo desempenho dos alunos. Observou-
se que alunos não entendiam a fala utilizada na escola e esta, por sua vez, ignorava a fala dos
alunos, devido a esse desentendimento, levantou-se a hipótese de mudar a ortografia, para que essa
se aproximasse da fala, porém sem sucesso, já que a pronúncia inglesa é diferente da grafia.
Abordam a expansão da sociolinguística para o Brasil, com uma abordagem mais específica, pois a
linguagem é, segundo especialistas, pautada pelas condições socioeconômicas. Os erros não são de
natureza linguística, mas variantes da norma de prestígio.

Bortoni-Ricardo e Oliveira destacam a pesquisa, realizada na UnB, intitulada “Leitura e


mediação pedagógica” cujo resultado mostra que os alunos não entendem os enunciados nos livros
didáticos por não possuírem acesso ao mundo letrado e não por simples incompreensão linguística.
Bortoni-Ricardo ressalta que, comunidades que possuem grande variedade regional tendem a
preterir as variantes que fogem do padrão, ocasionando uma valorização da variedade padrão, vista
como mais bonita.

As autoras destacam que, para a sociolinguística, não há erro e sim inadequação que
acontece quando a linguagem não é condizente com o contexto. Convocam Roncorati (2008) que
discorre sobre o fato das variedades estarem diretamente ligadas às questões sociais, este fator pode
fazer com que surjam variantes diferentes da padrão que, apenas serão vistas como erradas, quando
forem amplamente corrigidas, ou seja, sistematizadas. Ressaltam que no Brasil, devido à
colonização, a norma padrão aproximou-se do português europeu e com o desenvolvimento
surgiram, por meio dos falantes, outras variedades consideradas de menor prestígio. Associam o
erro com o nível social, ou seja, quanto menor o nível social, maior a ocorrência de “erros”,
corroboram o argumento citando Bagno (2003).

Discorrem sobre a aceitabilidade das teorias sociolinguísticas no Brasil, porém ponderam


que leituras deturpadas fizeram com que professores deixassem de corrigir “erros” dos alunos, sob o
argumento de que as variedades deviam ser respeitadas, tal atitude é repudiada pelas autoras.
Salientam que a educação no Brasil prioriza o ensino da gramática, com a falsa ideia de que
aprender a língua é memorizar regras e terminologias. Em contraposição, Bortoni-Ricardo e
Oliveira elucidam que os professores precisam propiciar o ensino de diferentes variantes para que
os alunos saibam usá-las, dentro do contexto adequado. Destacam que os alunos precisam ser
“bidialetais” ou multidialetais” na língua portuguesa, por isso o conhecimento aprofundado da
sociolinguística é tão importante para a prática docente.

As autoras diferenciam o “erro” oral do escrito, sendo este último “fixo”, pois há regras que
regem a escrita, já o oral apresenta maior flexibilidade, por ocorrer de diversas maneiras e
circunstâncias. Discorrem que o erro escrito deve ser corrigido pelo professor e pode ser consultado,
por exemplo, em dicionário pelos alunos, dado seu caráter invariável, de maneira diferente, a
oralidade possui flexibilidade e deve ser orientada, na escola, para adequação de seu uso
dependendo do contexto.

Na segunda seção, apresentam uma pesquisa de campo realizada na Escola Classe Dom
Bosco para: “Analisar a postura de professores e alunos diante da variação linguística nas relações
de transição de oralidade e escrita no contexto da sala de aula”, presente na dissertação de mestrado
de Tatiana de Oliveira (2011).

Concluem que todos têm capacidade de ampliar o conhecimento dentro de sua própria
língua, cabe ao professor conhecer o contexto social de seus alunos para mostrar diferentes
variações e formas de usá-las em cada situação comunicativa, com isso, proporcionar a proficiência
na língua materna.