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Índice

Concreto armado e protendido 03


Fundações 15
Materiais de construção 19
Mecânica dos solos 26
Obras rodoviárias 40
Construção civil 62
Instalações prediais 75
Segurança do trabalho 88
Gerenciamento de obras 95
Hidrologia 103
Hidráulica 108
Saneamento 111
Irrigação 125
Orçamentação 128
DICA 01

A resistência característica do concreto à


compressão (fck) é o valor que apresenta um grau
de confiança de 95%. Isso significa que 95% dos
resultados de ensaios estatisticamente tratados
ficam acima dele e, portanto, 5% ficam abaixo.
Admitindo-se a distribuição de probabilidade
normal (curva de Gauss), a resistência corresponde
ao quantil de 5% da distribuição.
Assim:
𝑓𝑐𝑘 = 𝑓𝑐𝑚 − 1,645. 𝑠

Onde fcm é a resistência média à compressão e s é


o desvio padrão.

fck : feature compression know

4
DICA 02
De acordo com a NBR 6118, estado-limite último (ELU) é o estado-limite relacionado ao colapso, ou a qualquer
outra forma de ruína estrutural, que determine a paralisação do uso da estrutura.
Os elementos lineares sujeitos a solicitações normais têm o seu estado-limite último caracterizado quando a
disbribuição das deformações na seção transversal pertencer a um dos domínios definidos na figura seguinte.
𝜀 C2 : deformação específica de encurtamento do concreto no início do patamar plástico
𝜀 CU : deformação específica de encurtamento do concreto na ruptura

5
DICA 02 Continuação

A ruptura convencional do concreto pode ocorrer:

- por deformação plástica excessiva:


- reta a: tração uniforme
- domínio 1: tração não uniforme, sem compressão
- domínio 2: flexão simples ou composta sem ruptura à compressão do concreto (𝜀 C < 𝜀 CU)com o
máximo alongamento permitido)

- por encurtamento-limite do concreto:


- domínio 3: flexão simples (seção subarmada) ou composta com ruptura à compressão do
concreto e com escoamento do aço (𝜀 S ≥ 𝜀 yd)
- domínio 4: flexão simples (seção superarmada) ou composta com ruptura à compressão do
concreto e aço tracionado sem escoamento (𝜀 S < 𝜀 yd)
- domínio 4a: flexão composta com armaduras comprimidas
- domínio 5: compressão não uniforme, sem tração
- reta b: compressão uniforme

6
DICA 03

Denomina-se armadura passiva qualquer


armadura que não seja usada para produzir
forças de protensão, isto é, que não seja
previamente alongada.

Por outro lado, a armadura ativa é qualquer


armadura constituída por barras, fios isolados
ou cordoalhas, destinada à produção de forças
de protensão, isto é, na qual se aplica um pré-
alongamento inicial.

7
DICA 04
A norma NBR 6114:2014 prevê uma classificação de risco para estruturas de concreto armado, com base na
agressividade do ambiente em que se encontra.

Classe de Risco de
Classificação
agressividade Agressividade deterioração da
geral
ambiental estrutura
rural
I fraca insignificante
submersa
II moderada urbanaa,b pequeno
marinhaa,b
III forte grande
industriala,c
industrial
IV muito forte respingos de elevado
maré

a, b c Ver detalhes na norma NBR 6118/2014

8
DICA 05
Ainda, com base na agressividade do ambiente, a norma estabelece fatores de água/cimento máximos para o
concreto armado e protendido. Sabe-se que esse fator afeta diversas características da estrutura, dentre elas, a
resistência a compressão do concreto.

Classe de agressividade ambiental


Tipo de Estrutura Tipo
I II III IV
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
a/c
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
Classe de CA ≥ 𝐶20 ≥ 𝐶25 ≥ 𝐶30 ≥ 𝐶40
concreto CP ≥ 𝐶25 ≥ 𝐶30 ≥ 𝐶35 ≥ 𝐶40

9
DICA 06
Além do fator água/cimento, a norma recomenda outras ações para melhorar a durabilidade do concreto armado, e
prevenir o surgimento de possíveis patologias. Dentre essas ações, ressaltamos o cobrimento mínimo para o
concreto armado e protendido, que evita, por exemplo, problemas com a corrosão, protegendo a armadura do
concreto armado.
Classe de agressividade ambiental
Tipo de Componente
I II III IVc
estrutura ou elemento
Cobrimento nominal (mm)
lajeb 20 25 35 45
Concreto viga/pilar 25 30 40 50
armado em contato
30 40 50
com o solod
Concreto laje 25 30 40 50
protendidoa viga/pilar 30 35 45 55

a,b,c,d
Ver detalhes na norma 6118. Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os
cobrimentos podem ser reduzidos em até 5mm. A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado
no concreto não pode superar em 20% a espessura nominal do cobrimento.

10
DICA 07
O cálculo da resistência de dosagem do concreto depende, entre outras variáveis, das condições de preparo do
concreto. Dentre essas condições, o critério de medição dos componentes (em massa ou em volume) é uns dos
principais fatores que influenciam o parâmetro da variabilidade e, portanto, do desvio padrão utilizado 𝑠𝑑 .

Condição 𝑠𝑑 Aplicável Cimento Agregado Água


todas as massa ou volume; dispositivo
A 4,0MPa classes de massa massa dosador; corrigida pela
concreto umidade
massa e
B 5,5MPa C10 a C20 massa volume; dispositivo dosador;
volume
volume; corrigida pela
C 7,0MPa C10 e C15 massa volume
umidade (estimada)

O traço de concreto pode ser estabelecido empiricamente para o concreto das classes C10 e C15, com consumo
mínimo de 300kg de cimento por metro cúbico.

11
DICA 08
O conhecimento das configurações das principais patologias no concreto é essencial para identificar suas causas e
planejar a melhor solução para o problema. A seguir, apresentamos as principais patologias cobradas nos
concursos.

12
DICA 09
Esclerômetro de reflexão é um aparelho usado
em ensaio não destrutivo para determinação
da dureza superficial do concreto endurecido.
O método é baseado no princípio do
ricochete, em que se mede o retorno da mola
após o impacto na superfície. A precisão dos
resultados obtidos depende da uniformidade
da superfície, da condição de umidade, da
carbonatação superficial e da rigidez dos
elementos estruturais.

O método de ultrassom (não destrutivo) é utilizado para


detectar: defeitos no interior do concreto, alterações
causadas pela deterioração do concreto em um
ambiente agressivo e ciclos de gelo-degelo. Permite
também estimar a resistência a compressão do
concreto (durante e após concretagem), mas é
influenciada por diversos parâmetros.
13
DICA 09 Continuação

O ensaio de fenolftaleína é bastante utilizado para saber o


grau de carbonatação do concreto. Consiste em um ensaio
parcialmente destrutivo (necessidade de reparo após
ensaio), na qual o composto muda de cor para pH básico
(indicando que o concreto não sofreu carbonatação).
Portanto, a frente de carbonatação é indicada pela camada
incolor do ensaio.

Um dos principais ensaios realizados durante a execução da obra consiste no


ensaio de resistência a compressão do concreto, no qual corpos de prova
cilíndricos são preparados durante a concretagem para ensaio (curados por
3, 7 e 28 dias). A coleta dos corpos de prova poderá ser por amostragem
parcial ou amostragem total. A resistência a tração é obtida através de
ensaio de compressão diametral (NBR 7222) ou pelo ensaio de flexão (NBR
12142). A resistência a compressão é obtida através de ensaios de
compressão axial (NBR 5739). Na Figura, temos um exemplo de ensaio de
compressão axial (em preto).

14
DICA 10

Na execução de estaca hélica


contínua monitorada, um trado
helicoidal é introduzido no terreno
por rotação.

O concreto é injetado pela


base da haste central da trado
simultaneamente à sua retirada.

O fck do concreto empregado


é de, no mínimo, 20MPa, aos 28
dias. O consumo mínimo de cimento
é de 400kg/m³ e o fatos
água/cimento máximo é de 0,6.

A armadura é sempre
colocada imediatamente após a
concretagem da estaca.

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DICA 11 A estaca raiz é moldada in loco. A
perfuração é integralmente revestida,
em solo, por meio de segmentos de
tubos metálicos que vão sendo
rosqueados à medida que a perfuração
avança. Esse resvestimento é recuperado
após a execução da estaca.

A estaca raiz é armada em todo o seu


comprimento.

A perfuração é preenchida por uma


argamassa de cimento e areia e/ou
pedrisco.

O resistência característica da argamassa


empregada é de, no mínimo, 20MPa. O
consumo mínimo de cimento é de
600kg/m³ e o fator água/cimento deve
estar entre 0,5 e 0,6.

A armadura é colocada no furo antes do


início do lançamento da argmassa.

17
DICA 12
Fundação Características Vantagens e Desvantagens
vantagens: pouca vibração;
equipamento leve e pequeno
perfuração do solo com uma sonda ou
piteira; revestimento total com camisa desvantagens: não deve ser usada em
Estaca Strauss metálica; lançamento do concreto e areias submersas ou argilas moles ou
retirada gradativa do revestimento com abaixo do lençol; capacidade de carga
simultâneo apiloamento do concreto pequena

vantagens: não causa vibrações (pouca


preenchida com argamassa de cimento vibração); atravessa matacões; alta
Estaca raiz e areia; perfuração rotativa ou capacidade de carga; resiste a flexão
rotopercussiva;
desvantagens: custo elevado

introduzida no terreno por meio de vantagens: equipamentos de pequeno


Estaca de reação ou macaco hidráulico; reage contra uma porte; não faz barulho;
mega estrutura já existente ou criada
especificamente para esta finalidade desvantagens: custo elevado

perfuração é executada por meio da


cravação de um tubo por meio de desvantagens: grandes vibrações;
Estaca Franki
sucessivos golpes de um pilão em uma equipamento grande e pesado
bucha de pedra e areia aderida ao tubo

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DICA 13

O consumo de cimento em kg para confecção de 1m³


de concreto e traço 1:a:b: 𝑓𝑎 𝑐 em massa é o
seguinte:
1000
𝐶=
1 𝑎 𝑏
𝜌𝑠𝑐 + 𝜌𝑠𝑎 + 𝜌𝑠𝑏 + 𝑓 𝑎 𝑐

𝜌𝑠𝑐 , 𝜌𝑠𝑎 𝑒 𝜌𝑠𝑏 : massa específica dos sólidos do


cimento, da areia e da brita, respectivamente, em
g/cm³; 𝑓 𝑎 𝑐 é o fator água-cimento. Caso o traço
não esteja em massa, é necessário converter.

20
DICA 14

Para o concreto preparado pelo construtor da obra, devem ser realizados ensaios de consistência sempre que
ocorrerem alterações na umidade dos agregados e nas seguintes situações:

a) na primeira amassada do dia;


b) ao reiniciar o preparo após uma interrupção da jornada de concretagem de pelo menos 2h;
c) na troca dos operadores;
d) cada vez que forem moldados corpos de prova.

O Slump Test é um ensaio de consistência, com


concreto ainda fresco, que permite avaliar a
trabalhabilidade do concreto. Na moldagem
utilizam-se três camadas de igual altura adensadas,
cada uma, como 25 golpes de barra de 16mm de
diâmetro.

21
DICA 15

De acordo com a medida do abatimento, em milímetros, o concreto pode ser classificado nas seguintes
consistências: seca, pouco trabalhável, normal, plásticos e fluidos. Além disso, conforme o tipo de consistência,
pode ser utilizado adensamento mecânico ou manual.

S10 S50 S100 S160 S220


Abatimento 100mm -
10mm - 50mm 50mm - 100mm 160mm - 220mm >220mm
160mm
Consistência pouco plásticos –
seca normal fluidos
trabalhável bombeamento
Adensamento mecânico mecânico
mecânico manual manual
manual manual

22
DICA 16

No caso de concreto autoadensável, realiza-


se o ensaio de espalhamento e habilidade
passante em fluxo livre. Nesse caso, pode-se
utilizar o ensaio do cone de Abrams. Neste
ensaio, realizam-se duas medidas diametrais
perpendiculares, cuja média resulta no
espalhamento. Outro parâmetro mensurado
também neste ensaio é o 𝒕𝟓𝟎𝟎 , que consiste
no intervalo de tempo entre o início e o fim
do escoamento a partir do diâmetro do
molde (200mm) até a marcação circular
constante na placa de diâmetro 500mm. O
ensaio do Anel J é utilizado para avaliar a
capacidade de o concreto fresco fluir sem
perder sua uniformidade ao atravessar
espaços confinados ou descontinuidades
geométricas.

23
DICA 17

Cimento Portland Diferencial Sigla Característica


padrão CP I padrão
Comum
com adição CP I - S padrão
escória CP II - E padrão
Composto pozolana CP II – Z padrão
filer CP II – F padrão

menor calor de hidratação;


Alto forno escória CP III
maior impermeabilidade

menor calor de hidratação;


Pozolânico pozolana CP IV
maior impermeabilidade

maior resistência nos


Alta resistência filer CP V – ARI
primeiros dias
maior resistência a água
Resistente a sulfato sulfato RS
do mar e esgoto

24
DICA 18
Consideram-se dois tipos de controle de resistência: o controle estatístico do concreto por amostragem parcial e o
controle do concreto por amostragem total. Para o controle por amostragem parcial é prevista uma forma de cálculo
do valor estimado da resistência característica, fck,est, do lote de concreto em estudo. Para o controle por
amostragem total a 100% das betonadas, a análise da conformidade deve ser realizada em cada betonada.

As amostras devem ser coletadas aleatoriamente durante a operação de concretagem. Cada exemplar deve ser
constituído por dois corpos de prova da mesma amassada, conforme a ABNT NBR 5738, para cada idade de
rompimento, moldados no mesmo ato. Toma-se como resistência do exemplar o maior dos dois valores obtidos no
ensaio de resistência à compressão.
Controle estatístico
Fck,est: valor obtido estatisticamente a do concreto
partir de ensaios para estimar a resistência
característica do concreto estabelecida no
projeto estrutural. Esse valor é calculado por Amostragem
meio de expressões matemáticas distintas Amostragem total
parcial
em função do tipo adotado de controle
estatístico da resistência do concreto
Exemplar: elemento da amostra ou da 𝑓𝑐𝑘𝑒𝑠𝑡
2≤𝑛≤5 6 ≤ 𝑛 ≤ 20 𝑛 ≥ 20
população (lote) constituído por dois corpos = 𝑓𝑐,𝑏𝑒𝑡𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎
de prova da mesma betonada, moldados no
mesmo ato, para cada idade de ensaio.
N: indica quantidade de exemplares usados 𝑓𝑐𝑘𝑒𝑠𝑡 𝑓𝑐𝑘𝑒𝑠𝑡
𝑓𝑐𝑘𝑒𝑠𝑡 = 𝜓6 𝑓1 2 𝑓1 + 𝑓2 + ⋯ + 𝑓𝑚−1
= 𝑓𝑐𝑚 − 1,65𝑆𝑑
no cálculo de Fckest. =
𝑚−1

25
DICA 19

27
DICA 20
Abaixo apresentamos um quadro resumo das principais classificações de solo, quanto a origem e formação,
utilizadas na engenharia civil (cobradas com frequência em concursos).

Tipo de solo Características


permanecem no local da rocha de origem;
transição gradual entre rocha e solo;
Residual
exemplos: lateríticos, expansivos e
colapsíveis.

ação de agentes transportadores;


texturas variam conforme agente
transportador e distância;
Sedimentar
exemplos: aluvionares (pela água), eólicos
(pelo vento), coluvionares (pela gravidade)
e glaciares (pelas geleiras)

origem essencialmente orgânica, seja


Orgânico
animal ou vegetal;

28
DICA 21
O quadro a seguir trata dos sistemas de classificação de classificação de solos utilizados, principalmente, para
projeto e execução de obras rodoviárias.
Sistema Característica
esta classificação fundamenta-se na granulometria, limite
de liquidez, índice de plasticidade e índice de grupo dos
TRB (HRB ou AASHO)
solos, sendo proposta para ser utilizada na área de
estradas.
os solos neste sistema são classificados em solos grossos,
solos finos e altamente orgânicos. cada tipo de solo terá
um símbolo e um nome. os nomes dos grupos serão
SUCS
simbolizados por um par de letras, em que o prefixo é uma
das subdivisões ligada ao tipo de solo, e o sufixo, às
características granulométricas e à plasticidade
uma classificação que separa os solos em dois grupos, um
MCT de comportamento laterítico e outro não laterítico, com
base nos resultados do ensaio de mini-mcv.
fundamenta-se no módulo de resiliência (dner-me
131/94). existem três grupos para solos granulares: grupo
a (grau de resiliência elevado), grupo b (grau de resiliência
Resiliente intermediário) e grupo c (grau de resiliência baixo).
também existem três grupos para solos finos: tipo i (bom
comportamento), tipo ii (comportamento regular) e tipo iii
(comportamento ruim)

29
DICA 22
O sistema de classificação da HRB (Highway Research Board) classifica os solos em oito grupos: solos granulares
(A‐1, A‐2, A‐3), solos finos (A‐4, A‐5, A‐6 e A‐7) e solos altamente orgânicos (A‐8).

30
DICA 23

Para o sistema de classificação Resiliente,


quanto maior o grau de resiliência, pior será o
solo (para fins de pavimentação) e quanto
menor o grau de resiliência melhor será o solo
(para fins de pavimentação). Para solos
granulares: Grupo A não deve ser empregado
em estruturas de pavimento; Grupo B pode
ser empregado para base, sub-base e reforço
do subleito; Grupo C pode ser usado em todas
as camadas do pavimento. Para solos finos:
Tipo I pode ser empregado como sub-base,
reforço do subleito e subleito; Tipo II pode ser
usado como reforço de subleito e subleito;
Tipo III: não deve usado em pavimentos.

31
DICA 24
A metodologia MCT tem como objetivo classificar os solos em duas categorias: lateríticos e não-lateríticos. Essa
classificação é utilizada principalmente em solos tropicais, por causa de suas peculiaridades, de modo que os
parâmetros tradicionais (LL, LP, IP, etc.) não são suficientes para indicar a sua aplicabilidade em termos de
pavimentação.

De modo geral, pode-se afirmar que os solos lateríticos apresentam melhores características (por exemplo,
apresentam maiores capacidades de suporte e menor expansão) para aplicação em pavimentação do que os solos
não-lateríticos.

Fonte: Manual de pavimentação (DNIT)

32
DICA 25
Pelo de Mohr-Coulomb a ruptura de um solo se dá quando a tensão de cisalhamento no plano de ruptura
alcançar o valor de tensão cisalhante do material. Os pontos correspondestes às tensões nos planos de ruptura em
cada círculo de Mohr estão sobre a camada envoltória de resistência (ou envoltória de ruptura ou ainda de
envoltória de Mohr-Coulomb).

𝜏 = 𝒄 + 𝝈𝒆𝒇 𝒕𝒈 𝝓

𝜎𝑒𝑓 = 𝜎 − 𝜎𝑛

𝜙 = 2𝜃 − 90

Em que: 𝑐 é a resistência da coesão, 𝜎𝑒𝑓 𝑡𝑔 𝜙 é


resistência ao atrito interno; 𝜎 é a tensão total no solo,
𝜎𝑒𝑓 é a pressão efetiva, 𝜎𝑛 é a pressão neutra
(poropressão), 𝜙 é o ângulo de atrito e 𝜃 é o ângulo do
plano de ruptura.

33
DICA 26
Quando a estrutura de contenção sofre um
deslocamento de modo que o solo sofre uma
expansão, diz-se que ocorreu um empuxo
ativo. Quando a estrutura de contenção sofre
um deslocamento de modo que o solo sofre
uma compressão, diz-se que ocorreu um
empuxo passivo.

O empuxo ativo causado pelo solo pode ser


calculado pela seguinte equação:
1
𝐸𝑎 = 𝐾𝑎 𝛾ℎ²
2
1 − 𝑠𝑒𝑛𝜙
𝐾𝑎 =
1 + 𝑠𝑒𝑛𝜙
Em que 𝐸𝑎 é o empuxo ativo, 𝑘𝑎 é o
coeficiente do empuxo ativo, 𝛾 é o peso
específico, 𝜙 é o ângulo de atrito e ℎ é altura
da camada de solo.
34
DICA 27
O solo apresenta diferentes
volumes/massas específicas nas
condições de corte (natural), solto e
aterro. A conversão entre os
volumes/massas específicas podem ser
realizadas, basicamente, através da
porcentagem de empolamento e da
contração.

A Figura apresenta, em resumo, como


esses coeficientes são utilizados para
converter o volume do material nos
diferentes estados. No estado solto,
deve-se multiplicar o volume em corte
pelo inverso do fator de empolamento
𝑓𝐸 = 1/ 1 + 𝐸 . Para conversão do
volume em corte para o aterro, deve-se
multiplicar pela contração 𝐶 .

35
DICA 28

A curva de compactação é um dos principais


parâmetros obtidos para o solo. Com base
nela, podemos obter a massa específica
aparente seca máxima 𝛾𝑚𝑎𝑥 e a umidade
ótima 𝑤𝑜𝑡𝑚 . Esses dois valores são utilizados
para realizar o controle de compactação em
campo do solo, de modo a obter uma camada
final mais estável e resistente.

Para o controle de compactação da umidade,


utiliza-se o ensaio speedy, enquanto que para
o controle da massa específica utiliza-se o
ensaio de frasco de areia.

36
DICA 29

Os limites de consistência são fundamentais para caracterização dos solos, sendo utilizados, por exemplo, no
sistema de classificação TRB. Eles representam limites de valores de umidade que definem o comportamento
do solo: limite de liquidez (estado líquido), limite de plasticidade (estádo plástico), limite de contração
(estado semisólido). Após o LC, temos o estado sólido.

37
DICA 30

O limite de liquidez é determinado através do


aparelho de Casagrande. O ensaio consiste
basicamente em determinar quantos golpes
são necessários para fechar uma canelura
(ranhura) realizada no solo. Após diferentes
repetições do ensaio para diferentes teores
de umidade, determina-se a reta (em escala
logarítmica) que passa pelos pontos. O LL será
a umidade correspondente a 25 golpes.

Fonte: labgeo.ufscar.br

38
DICA 31

O limite de plasticidade (LC) é determinado


através do ensaio normatiza na NBR 7180.
Consiste basicamente em utilizar uma amostra
de solo para moldar um cilindro com 3mm de
diâmetro, repetindo esse processo até que o
cilindro se fragmente. Após diferentes ensaios
para diferentes teores de umidades. O LC será
dado pela média dos teores de umidade
obtidos.

Fonte: Molina (2017) – Comportamento do Solo em


operações Agrícolas

39
DICA 32

A linha de ótimos é obtida com base na


realização dos ensaios de compactação para
diferentes energias de compactação: normal,
intermediário e modificado.

Ao aumentar a energia de compactação, a


curva se desloca para esquerda e para cima,
aumentando seu peso específico seco
aparente máximo e diminuindo sua umidade
ótima.

41
DICA 33
Conforme metodologia adotada pelo DNIT (Manual de Implantação Básica), os materiais escavados podem ser
classificados em três categorias: 1ª categoria, 2ª categorias e 3ª categoria. A classificação se dá com base na
maior ou menor dificuldade na escavação ou na resistência ao desmanche do material, assim como os
equipamentos adequados a serem utilizados em cada tipo.

Categoria 1ª 2ª 3ª
materiais com
solos de resistência ao
solos em geral, resistência ao
desmanche inferior à
residuais ou desmonte mecânico
rocha não alterada.
sedimentares, seixos equivalente à rocha
estão incluídos blocos
rolados ou não, não alterada e blocos
Material de rocha de volume
diâmetro máximo de rocha com
inferior a 2m³ e os
inferior a 0,15m, diâmetro médio
matacões de diâmetro
qualquer que seja o superior a 1,0m ou de
médio compreendido
teor de umidade volume igual ou
entre 0,15 e 1,00m.
superior a 2,0m³
escarificação ou uso
uso contín uo de
de explosivos (não
Processo escavação simples explosivos (média e
contínuo e de baixa
alta potência)
potência)

42
DICA 34
O diagrama de massa (ou diagrama de Brucker) consiste na
curva de volumes acumulados ao longo do
estaqueamento. Através dela, podemos identificar os
trechos em corte (ascendentes) e em aterro
(descendentes). Identificamos também os pontos de cota
vermelha (máximo e mínimos locais) que representam a
passagem de corte para aterro. As linhas de compensação
(volume de corte é utilizado para aterro).

Vale ressaltar que a forma da curva não está relacionada


diretamente com a topografia final do greide de projeto.

Através do diagrama também podemos calcular as distâncias


médias de transporte 𝑑𝑀 e os momentos de transporte
𝑀𝑇 , que são utilizadas na análise do custos de transporte dos
materiais. O momento de transporte é dado pela área do
retângulo da figura ao lado, em que temos no eixo horizontal a
𝑑𝑀 e no eixo vertical o volume de transporte 𝑉.

𝑀𝑇 = 𝑉 ∙ 𝑑𝑀

Em que 𝑀𝑇 é o momento de transporte e 𝑑𝑀 é a distância


média de transporte.
43
DICA 35

O ensaio do equivalente é utilizado para


determinar a porcentagem de finos existente em
um determinado solo. Esse é um parâmetro
também importante para caracterização do solo,
tendo em visto que o entendimento da
granulometria é utilizado tanto para classificação
do solo para fins de utilização, como também na
dosagem granulométrica do mesmo. Por
exemplo, recomenda-se que o equivalente de
areia mínimo para aplicação em concreto
asfáltico seja de 55%. É dado pela relação entre a
leitura no topo da areia pela leitura no topo da
parte argilosa-siltosa.
ℎ1
𝐸𝐴 =
ℎ2

44
DICA 36

O pavimento flexível pode ser composto, de uma maneira geral,


pelas seguintes camadas: regularização do subleito, reforço do
subleito, sub-base, base e revestimento.
Esse tipo de pavimento tem como característica a distribuição dos
esforços do revestimento para as camadas inferiores.
Vantagens: baixo custo de implantação inicial
Desvantagens: afetada por produtos químicos, visibilidade reduzida
à noite, alto custo de manutenção, vida útil de no máximo 10 anos,
entre outros

O pavimento rígido pode ser composto, de uma maneira


geral, pela camada de revestimento/base (lajes de
concreto), podendo ter ou não uma sub-base
(dependendo das condições do subleito).
Esse tipo de pavimento tem como característica a elevada
rigidez da camadas de revestimento/base, portanto,
absorvendo praticamente todas as tensões, de modo
que há pouca transmissão de esforços para as camadas
abaixo.
45
DICA 36 Continuação

Vantagens: resiste a ataques químicos,


pequena necessidade de manutenção,
melhor drenagem, vida útil de no mínimo
20 anos, entre outros.
Desvantagens: alto custo implantação
inicial

46
DICA 37

Os materiais, para serem utilizados nas camadas do pavimento, devem satisfazer a uma série de critérios com base
em ensaios de controle tecnológico e classificação. Dentre eles, destacamos abaixo alguns critérios que devem ser
satisfeitos.

Camada CBR Expansão I.G L.L


Corpo do aterro ≥ 2% < 4% - -
Camada final do - -
≥ 6% ≤ 2%
aterro
superior ao do - -
Reforço ≤1
subleito
Sub-base ≥ 20% ≤ 1% 0 -
≥ 60% (N < 5  10⁶)* 0 ≤ 25%
Base ≤ 0,5%
≥ 80% (N ≥ 5  10⁶)*
* em que N é o número de solicitações por eixo padrão na rodovias

47
DICA 38

O ensaio de penetração consiste


basicamente em determinar a
profundidade, em décimo de
milímetros, que uma agulha penetra
em uma amostra de CAP. Ele é
utilizado para determinar a
consistência do concreto asfáltico.
Parâmetros do ensaio: agulha com
peso de 100 gramas, CAP a
temperatura de 25 °C e a
penetração com duração de 5
segundos.

48
DICA 39

A abrasão indica a capacidade de um


agregado em resistir a quebras, degradação e
desintegração pela ação do meio ambiente,
do manuseio, operação e do tráfego de
veículos. O ensaio de abrasão Los Angeles
consiste em submeter uma amostra de
agregado a uma carga abrasiva em rotação e
medir a quantidade de material que sofreu o
processo abrasivo em relação ao total da
amostra.
𝑚𝑖 − 𝑚𝑓
𝐿𝐴 = ∙ 100%
𝑚𝑖

Em que 𝑚𝑖 é a massa inicial e 𝑚𝑓 é a massa


final

49
DICA 40

O ponto de amolecimento é um parâmetro


utilizado para determinar a temperatura a qual
o asfalto atinge a condição de escoamento.
Para determiná-lo, utiliza-se o ensaio do anel-
bola que consiste em colocar uma amostra de
asfalto em um anel metálico e uma bola no
centro da amostra. Após o aquecimento lento
da ordem de 5°C/min, em uma determinada
temperatura, o asfalto não suportará mais o
peso da bola e será deslocado para o fundo do
béquer. A temperatura é marcada no instante
em que a mistura amolecida toca o fundo.

Fonte: Bernucci et al – Pavimentação asfáltica

50
DICA 41

O ligante asfáltico sofre


envelhecimento/endurecimento
durante sua vida útil, devido
principalmente aos processos de
oxidação e evaporação. Esse
envelhecimento pode se dar a curto
prazo, durante o processo de
estocagem e manuseio, e também a
longo prazo, devido aos processos de
reação com o meio ambiente.

51
DICA 42

O estudo da composição granulometria dos


agregados/solo é fundamental para sua
correta aplicação nos diversos tipos de
pavimento.
Na Figura ao lado, temos as seguintes curvas
granulométricas, conforme a distribuição dos
agregados em cada uma delas: bem
graduada (contínua), densa, uniforme,
aberta e com degrau.

52
DICA 43
Concreto Asfáltico (CA): mistura, de agregados e cimento
asfáltico, usinado a quente (também denominado concreto
betuminoso usinado a quente – CBUQ), com granulometria
contínua e bem graduada (graduação densa).

Camada Porosa de Atrito (CPA): mistura, de agregados e


cimento asfáltico, usinada a quente, com granulometria
uniforme e insuficiência de finos, com elevado volume de
vazios e maior capacidade drenante (graduação aberta).

SMA (Stone Matrix Asphalt): mistura, de agregados e


cimento asfáltico, usinada a quente, com graduação
descontínua, tendo maior quantidade de grãos maiores
em relação aos intermediários, com maior resistência a
deformação permanente.
53
DICA 44
O tratamento superficial consiste na aplicação de ligante asfáltico e agregado, sem mistura prévia, na pista, com
posterior compactação que promove o recobrimento parcial e adesão entre agregados e ligantes. Tem como
objetivos: proporcionar camada superficial de pequena espessura e alta resistência, impermeabilizar o pavimento,
proporcionar camada antiderrapante e alta flexibilidade a camada de revestimento.

Tratamento Superficial Simples (TSS) -penetração invertida:


aplica-se primeiramente a camada de ligante, em seguida a
camada de agregado. Após isso, promove-se a compactação das
camadas, de modo que os agregados penetrem no ligante
(promovendo adesão).

Tratamento Superficial Duplo (TSD)-penetração


invertida: 1º aplica-se a camada de ligante, 2º uma
camada de agregado de maior dimensão, 3º outra
camada de ligante, 4º uma camada de agregado miúdo.
Finalmente, promove-se a compactação

54
DICA 45

Para obtenção de concreto asfáltico os agregados


miúdos (areia, pó de pedra ou uma mistura de
ambos) devem atender alguns requisitos. Dentre
eles, destacamos os seguintes:
- o equivalente de areia deve ser igual ou superior a
55%;
- as impurezas orgânicas devem ser menores que
300 p.p.m;
- não pode ser utilizada areia proveniente de
depósitos em barrancas de rios.

Fonte: portalcastilho.com.br

55
DICA 46

Ângulo central (grau da curva): ângulo formado pelas retas perpendiculares ao Ponto da Curva (PC) e Ponto
de Tangente (PT). Tem valor igual ao ângulo de deflexão (Δ);
Ângulo de deflexão: ângulo formado entre o prolongamento de uma Tangente com a outra Tangente. Tem
valor igual ao ângulo central (Δ);
Tangentes 𝑇 : são os trehos de reta que vão de PC (ponto da curva) até PI (ponto de interseção) ou de PT
(ponto de tangente) até PI;
Desenvolvimento da curva 𝐷 : comprimento do arco do círculo de concordância que vai de PC até PT;
Raio da curva 𝑅 : raio do círculo empregado na concordância;

56
DICA 47

Importante ressaltar que a ordem de estaqueamento e medição se dá do Ponto de Interseção para o


Ponto da Curva; e do Ponto da Curva para o Ponto de Tangência. Portanto, seria errado dizer que o
primeiro ponto a se determinar seria PC, pois, primeiramente obtém-se à estaca PI para, em seguida,
obter-se à estaca PC e finalmente obter PT.
Como o valor do Desenvolvimento e da estaca PC determinados previamente, é possível simplesmente
somar os valores para obter a estaca PT. É necessário que os elementos estejam na mesma unidade.

𝐸𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎 𝑃𝑇 𝑆𝐼 = 𝐸𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎 𝑃𝐶𝐷 𝑆𝐼 +𝐷

57
DICA 48

O grau da curva é função do comprimento da corda ao longo do desenvolvimento da curva. Portanto,


não se deve relacionar esse elemento com o ângulo de deflexão.
A deflexão da corda será igual a metade do grau da curva. Além disso, temos também a relação entre a
deflexão por metro (e não por corda) e a deflexão por corda, bastando dividir pelo comprimento da
corda:
𝑑𝑐 𝐺𝑐
𝑑𝑚 = =
𝐿𝑐 2𝐿𝑐

58
DICA 49
Em síntese, o projeto geométrico de uma estrada contempla os elementos geométricos das Figuras abaixo. Na
implantação de uma estrada, o perfil longitudinal do terreno é alterado para atender às condicionantes exigidas
para o tráfego veicular (limitação de rampas e curvas). São promovidos ajustes de declividade, além de curvas
horizontais e verticais.

Tangentes
Planimétricos
Curvas Horizontais
Axiais
Greides Retos
Altimétricos
Elementos
Curvas Verticais
Geométricos
Seções em aterro

Transversais Seções mistas

Seções em corte

59
DICA 49 Continuação

Rampas

Retos Nível

Contrarampa
Greides Simples
Curvas Convexas
Composta
Curvos
Simples
Curvas Côncavas
Composta

60
DICA 50
A remoção de solo mole e substituição por material granular só deve ser considerada para depósitos pouco
extensos, comprimento inferior a 200 m e para a espessura de solo mole inferior a 3 m. Além disso, só deve ser
considerada quando a camada for totalmente substituída.

61
DICA 51

As emendas das mantas asfálticas devem ser


transpassadas pelo menos 10cm para garantir a
estanqueidade.
A inclinação do substrato das áreas horizontais
deve ser definida após estudos de escoamento,
sendo no mínimo de 1% em direção aos coletores
de água. Para calhas e áreas internas é permitido
o mínimo de 0,5%.
Deve ser previsto nos planos verticais encaixe para
embutir a impermeabilização, para o sistema que
assim o exigir, a uma altura mínima de 20cm acima
do nível do piso acabado ou 10cm do nível máximo
que a água pode atingir.

63
DICA 52
Sistemas Flexíveis: aplicáveis a estruturas sujeitas a
variações térmicas diferenciadas e/ou grandes
vibrações, cargas dinâmicas, recalques e/ou forte
exposição solar, exemplos: asfálticos (em geral) e
poliméricos (em geral).

Sistemas Rígidos: aplicáveis a estruturas sujeitas a mínimas


variações térmicas, pequenas vibrações e/ou exposição
solar, exemplos: cimentícios (em geral) e membrana
epoxídica.

64
DICA 53

Os sistemas de impermeabilização podem ainda ser classificados de acordo com o local em que são feitos: in loco
ou pré-fabricados.

Sistema Flexível - In Loco Sistema Flexível – Pré-fabricado

emulsões asfálticas mantas asfálticas


soluções asfálticas mantas elastoméricas
emulsões acrílicas mantas poliméricas (pvc)

65
DICA 54

Os elementos que compõem a cobertura


típica com estrutura de madeira são
bastante cobrados em provas de
concursos. Saber tanto a nomenclatura,
quanto identificar, na geometria, cada um
dos elementos é fundamental para as
provas que cobram esse assunto.
O elemento estrutural do telhado é
chamado de tesoura, sendo formado por:
(8), (9), (10) e (11).

66
DICA 55

Durante a execução da alvenaria podem ser utilizados diversos tipos de juntas para alvenarias, de acordo com a
geometria dos blocos e posição das juntas em relação a eles. Caso o objetivo seja obter um melhor travamento da
alvenaria, recomenda a execução de juntas amarradas (a), nas quais o alinhamento vertical encontra-se defasado
(o mais utilizado normalmente). Contudo, também pode ser utilizada as juntas em prumo, principalmente, para
promover uma melhor estética para a alvenaria (b).

(a) Juntas amarradas (b) Juntas em prumo

67
DICA 56
As juntas são espaços regulares entre certos elementos da construção e podem ser classificadas, conforme sua
finalidade, em: junta de assentamento, junta de movimentação, junta de dessolidarização e junta estrutural.

Junta de assentamento: Espaço regular entre duas placas


cerâmicas adjacentes, tendo como função absorver parte
das deformações do revestimento cerâmico e corrigir
diferenças dimensionais.

Junta de movimentação: Espaço regular cuja


função é subdividir o revestimento do piso,
aliviando tensões provocadas pela movimentação
da base ou do próprio revestimento.

68
DICA 56 Continuação

Junta de dessolidarização: Espaço regular cuja função é


separar o revestimento do piso, para aliviar tensões
provocadas pela movimentação da base ou do próprio
revestimento. Isso é necessário também tendo em vista
as diferenças de movimentação que podem existir entre
os elementos do piso e da parede.

Junta estrutural: Espaço regular cuja função é


aliviar tensões provocadas pela movimentação da
estrutura do concreto. Veja que essa junta
“atravessa” todos elementos, inclusive a própria
estrutura.

69
DICA 57

Coxins de concreto são elementos utilizados,


em conjunto com a alvenaria, para propiciar a
distribuição de cargas concentradas. Dessa
forma, quando necessário, vigas não devem ser
apoiadas diretamente na alvenaria, mas através
do Coxim de concreto.

70
DICA 58
Encunhamento é o elemento que visa promover a ligação entre a alvenaria e a viga/laje de concreto que se
localizar acima da parede. Tem como função absorver as deformações das lajes/vigas, sem transmitir tensões
excessivas para a alvenaria. Podem ser executadas basicamente com os seguintes elementos: argamassa com
expansor, concreto pré-fabricado e tijolo maciços inclinados.

(a) – Argamassa com expansor (b) – Cunhas de concreto pré-fabricado

( c ) – Tijolos maciços inclinados


71
DICA 59
A união entre a alvenaria e demais elementos da construção (como pilares) é fundamental para evitar problemas
relacionados com as diferenças nos materiais e deformações sofridas, podendo causar o aparecimento de trincas
na alvenaria. Para isso, executa-se a amarração entre os elementos. Na ligação entre alvenaria e pilar, recomenda-
se a utilização de armadura (podendo ser também telas de aço ou grampos) espaçadas regularmente.

Amarração entre alvenaria e pilar de concreto

72
DICA 60
O processo de perfuração por circulação de água, associado aos ensaios penetrométricos, deve ser utilizado até
onde se obtiver, nesses ensaios, uma das seguintes condições:

Avanço (m) sucessivo Quantidade de golpes: Penetração (cm) do amostrador:


3m 30 15 cm iniciais
4m 50 30 cm iniciais
5m 50 45 cm

Dependendo do tipo de obra, das cargas a serem transmitidas às fundações e da natureza do subsolo, admite-se a
paralisação da sondagem em solos de menor resistência à penetração, desde que haja uma justificativa geotécnica
ou solicitação do cliente.
SPT (standard penetration test): Abreviatura do nome do ensaio pelo qual se determina o índice de resistência à
penetração (N).
N: Abreviatura do índice de resistência à penetração do SPT, cuja determinação se dá pelo número de golpes
correspondente à cravação de 30 cm do amostrador-padrão, após a cravação inicial de 15 cm, utilizando-se corda
de sisal para levantamento do martelo padronizado.

73
DICA 61

74
DICA 62
A norma NBR 5626 faz importantes considerações para o projeto e execução das instalações prediais de água fria.
Resumimos no quadro abaixo, as principais considerações cobradas em concursos sobre o tema.

As tubulações devem ser dimensionadas de


modo que a velocidade da água, em qualquer
trecho de tubulação, não atinja valores
superiores a 3m/s.

Em qualquer caso, a pressão não deve ser inferior a 10kPa,


com exceção do ponto da caixa de descarga onde a pressão
pode ser menor do que este valor, até um mínimo de 5kPa, e
do ponto da válvula de descarga para bacia sanitária onde a
pressão não deve ser inferior a 15kPa.

Em qualquer ponto da rede predial de distribuição, a


pressão da água em condições dinâmicas (com
escoamento) não deve ser inferior a 5kPa.

76
DICA 62 Continuação

Em condições estáticas (sem escoamento), a pressão da


água em qualquer ponto de utilização da rede predial de
distribuição não deve ser superior a 400 kPa. Caso seja
necessário, é possível utilizar válvulas redutoras de
pressão ou caixa de quebra de pressão.

A norma também estabeleceu um limite


para a sobrepressão gerada em transientes
hidráulicos como no máximo 200 kPa. Um
transiente hidráulico normalmente é
associado a mudanças bruscas na geometria
(mudança da vertical para horizontal) ou no
fornecimento da água (fechamento de
válvula ou falha em bombas).

77
DICA 63
Abaixo resumos esses critérios da norma NBR 5626 em uma tabela e mapa mental para facilitar a revisão e
memorização dessas condições.

Condição Valor Tipo


Estática 400kPa (ou 40m.c.a) pressão máxima

5kPa pressão mínima – rede


10kPa (com as exceções pressão mínima -
Dinâmica abaixo) pontos de utilização
pressão mínima - caixa
5kPa
de descarga
pressão mínima -
15kPa
válvula de descarga
Dinâmica 200kPa sobrepressão

78
DICA 63 Continuação

79
DICA 64
A instalação predial de águas pluviais se
destina exclusivamente ao recolhimento e
condução das águas pluviais, não se
admitindo quaisquer interligações com outras
instalações prediais.

Fonte: Apostila UFRJ – Água pluviais

O dimensionamento dos condutores horizontais


de seção circular deve ser feito para escoamento
com lâmina de altura igual a 2/3 do diâmetro
interno (D) do tubo.

80
DICA 65

No projeto de tubulações de esgoto recomendam-se as


seguintes declividades mínimas:
a) 2% para tubulações com diâmetro nominal igual
ou inferior a 75;
b) 1% para tubulações com diâmetro nominal igual
ou superior a 100.

Fonte: Copasa – Ligação de esgoto

As mudanças de direção nos trechos horizontais devem


ser feitas com peças com ângulo central igual ou inferior
a 45°.
As mudanças de direção (horizontal para vertical e vice-
versa) podem ser executadas com peças com ângulo
central igual ou inferior a 90°.
81
DICA 66
Para garantir a acessibilidade aos elementos do sistema de esgoto, devem ser respeitadas no mínimo as seguintes
condições:

a) a distância entre dois dispositivos de


inspeção não deve ser superior a 25,00m;

b) a distância entre a ligação do coletor


predial com o público e o dispositivo de
inspeção mais próximo não deve ser
superior a 15,00m; e

c) os comprimentos dos trechos dos ramais de


descarga e de esgoto de bacias sanitárias,
caixas de gordura e caixas sifonadas, medidos
entre os mesmos e os dispositivos de
inspeção, não devem ser superiores a 10,00m.

82
DICA 67

Todo desconector deve satisfazer às seguintes condições:


a) ter fecho hídrico com altura mínima de 0,05m;
b) apresentar orifício de saída com diâmetro igual
ou superior ao do ramal de descarga a ele conectado.

83
DICA 68

Prolongação do tubo de ventilação primário

As tubulações de ventilação
devem ser estendidas acima da
cobertura. Para cobertura em
telhado ou laje de concreto,
recomenda-se que seja
prolongado 0,3m. Para terraços,
recomenda-se que sejam
estendidos pelo menos 2,0m.

84
DICA 69
Existem diversos sistemas instalações de incêndio, cada um adequado para combater certo tipo de incêndio. Os
incêndios podem ser divididos em três classes (Classe A, Classe B e Classe C), conforme a características dos
materiais e processos que causam o incêndio. Da mesma forma, existem extintores apropriados para cada classe de
incêndio.
Classe de incêndio Materiais Exemplos Extintor

materiais madeira, papel,


Classe A: água ou Espuma
sólidos fibrosos tecido

líquidos e gases gasolina, GLP, gás carbônico, Pó


Classe B:
inflamáveis parafina químico, Espuma

equipamentos motores,
gás carbônico, Pó
Classe C: elétricos geradores,
Químico
energizados cabos

magnésio,
verificada
metais titânio, zircônio,
Classe D: compatibilidade
combustíveis sódio, potássio e
para cada metal
lítio

85
DICA 70

A norma NBR 5410 estabelece importantes considerações para o projeto e dimensionamento de instalações
elétricas. Dentre outros parâmetros, temos que considerar cargas de iluminações mínimas para cada ambiente
(calculadas com base na área).

Cargas de iluminação: 𝐴 ≤ 6𝑚² deve ter carga mínima de 100 VA; 𝐴 > 6𝑚² carga mínima de 100VA, acrescido de
60VA para cada aumento de 4m² inteiros.

86
DICA 71

Além disso, temos que observar a quantidade mínima de tomadas para cada ambiente (com base no tipo de
ambiente e perímetro dele).

Pontos de Tomada
Banheiro 1 ponto
Cozinha, áreas de serviço e
1 ponto/3,5m (ou fração) de perímetro
similares
Varanda 1 ponto

Salas e dormitórios 1 ponto/5m (ou fração) de perímetro

1 ponto se 𝐴 ≤ 2,25𝑚²

1 ponto se 𝐴 > 2,25𝑚² 𝑒 𝐴 ≤ 6𝑚²


Demais cômodos
1 ponto/5m (ou fração) de perímetro se
𝐴 > 6𝑚²

87
DICA 72
A NR-18 estabelece que em todo o perímetro de construção de edifícios com mais de 4 pavimentos (ou altura
equivalente) seja instalada plataforma principal de proteção na altura da primeira laje que esteja, no mínimo, um
pé-direito acima do nível do terreno.

Essa plataforma tem, pelo menos, 2,50m de projeção horizontal da


face externa da construção, além de um complemento de 0,80m de
extensão com inclinação de 45o, a partir de sua extremidade.

A plataforma principal é instalada logo após a concretagem da laje


de mesmo nível. A sua retirada é feita somente quando o
revestimento externo do prédio acima da plataforma estiver
concluído.

Foto: Anísio Meneses

89
DICA 73
Estabelece ainda NR-18 que acima e a partir da plataforma principal de proteção, de 3 em 3 lajes, devem ser
instaladas as plataformas secundárias de proteção.

As plataformas secundárias de proteção têm,


pelo menos, 1,40m de balanço, além de um
complemento de 0,80m com inclinação de 45o,
a partir de sua extremidade.

A instalação de cada uma dessas plataformas é


logo após a concretagem da laje de mesmo
nível. Sua retirada é somente quando estiver
concluída a vedação da periferia até a
plataforma imediatamente acima.

90
DICA 74
O equipamento de proteção individual, de fabricação
nacional ou importado, só poderá ser posto à venda ou
utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação - CA,
expedido pelo órgão nacional competente em matéria de
segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e
Emprego.

A empresa é obrigada a fornecer aos empregados,


gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito
estado de conservação e funcionamento, nas seguintes
circunstâncias:
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam
completa proteção contra os riscos de acidentes do
trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem
sendo implantadas; e,
c) para atender a situações de emergência.

91
DICA 74 Continuação

São obrigatórios a elaboração e o cumprimento do


PCMAT nos estabelecimentos com 20
trabalhadores ou mais, contemplando os aspectos
desta NR e outros dispositivos complementares de
segurança.

92
DICA 75
A NR-18 estabelece um conjunto de obrigações, responsabilidades e deveres, tanto para o empregador, quanto ao
empregado.

Cabe ao empregador Cabe ao empregado


usar, utilizando-o apenas para a finalidade a
adquirir o adequado ao risco de cada atividade
que se destina
orientar e treinar o trabalhador sobre o uso responsabilizar-se pela guarda e
adequado, guarda e conservação conservação
responsabilizar-se pela higienização e cumprir as determinações do empregador
manutenção periódica sobre o uso adequado
comunicar ao MTE qualquer irregularidade comunicar ao empregador qualquer
observada alteração que o torne impróprio para uso
substituir imediatamente, quando danificado ou
extraviado
fornecer ao trabalhador somente o aprovado
pelo órgão nacional(...)
exigir seu uso

93
DICA 76

A instalação sanitária deve ser


constituída de lavatório, vaso
sanitário e mictório, na proporção
de 1 conjunto para cada grupo de 20
trabalhadores ou fração, bem como
de chuveiro, na proporção de 1
unidade para cada grupo de 10
trabalhadores ou fração.

94
DICA 77

Valor presente líquido: consiste em trazer, para valor presente, os benefícios futuros esperados para o
empreendimento. Um valor presente positivo indica que o empreendimento pode ser viável, e os benefícios
futuros superam os gastos; negativo indica que o empreendimento não seria viável, com os benefícios futuros
inferiores aos gastos; nulo, indicaria um ponto de igualdade entre os benefícios e gastos.

Taxa interna de retorno: é valor da taxa de desconto que, quando aplicada na análise de valor presente líquido, faz
com que o valor presente líquido (VPL) seja igual a zero.

Payback: indicador utilizado para identificar quanto tempo é necessário para o que investimento realizado seja
recuperado (período de retorno de investimento de um projeto).

96
DICA 78
Diagrama de Gantt (clássico): permite a montagem
preliminar, programação e controle. Contudo, não
permite retratar a interdependência entre atividades.

PERT (técnica de avaliação e revisão) - CPM (método do


caminho crítico): aplicação de grafos para planejar e
coordenar as atividades. Permite a identificação das
interdependências. Caminho Crítico: sequência de atividades
que apresenta maior duração entre o evento inicial e o
evento final do projeto. Nesse caminho não há tempo de
folga. Pode existir mais de um caminho crítico. O diagrama
pode ser representação pelo método americano/setas/ADM
(da figura ao lado) ou pelo método francês/blocos/PDM.

Histograma de mão de obra: quantidade de trabalhadores em


cada unidade de tempo durante o prazo de execução. Linha de
balanço: programação de projetos repetitivos na construção
civil. Curva S: permite comparar o valor acumulado dos
desembolsos realizados com os orçados.

97
DICA 78 Continuação

Linha de balanço: programação de projetos com


atividades repetitivas ao longo da execução da obra.
Consiste na programação e alocação de tempo e recursos
para obter o melhor desempenho na execução dessas
atividades. São exemplos de aplicações: estradas, pontes,
conjuntos habitacionais, etc.

Curva S: permite comparar o valor acumulado dos


desembolsos realizados com os orçados. A curva possui
esse formato pelo fato que no início da obra,
normalmente, os desembolsos são menores, em torno de
sua metade alcança o máximo de gastos e ao final tem-se
uma estabilização com gastos menores. A curva S
represente os valores acumulados ao longo do tempo
desses gastos. Comparando a curva dos desembolsos
realizados com aqueles esperados (orçados) permite
avaliar como está o avanço da obra e corrigir possíveis
desvios.

98
DICA 78 Continuação

Um cronograma físico-financeiro é um cronograma


que, além de possuir detalhamento dos tempos de
cada atividade, possui os custos envolvidos em cada
uma delas. É obtido a partir da rede geral do projeto e
do orçamento, é elaborado com base na estrutura
analítica do projeto (EAP).

A estrutura análitica de projeto (EAP) consiste na


subdivisão das etapas de contrução ou processos
construtivos em componentes e subcomponentes,
até um nível de detalhamento que seja mais
facilmente gerenciável, permitindo a execução dos
controles e correções com maior praticidade.
Normalmente é apresentado na forma de estrutura
em árvore.

99
DICA 78 Continuação

A curva ABC, que tem como base o princípio de


pareto, classifica os insumos (mão de obra,
equipamentos,etc), em ordem descrescente de
importância no custo, em três classes: classe A
(em torno de 20% dos insumos (mão de obra,
equipamentos,etc) de maior importância relativa
– em torno de 70% a 80%), classe B (em torno de
30% dos insumos de média importância – 20% a
10%) e classe C (em torno de 50% dos insumos
de baixa importância – em torno de 10% a 5%).
Lembrando que o princípio de pareto diz que
20% dos itens corresponde a 80% dos
resultados/custos/problemas, etc (equivalente
aproximadamente a classe A). Pode ser utilizada
para determinar quais itens devem ter maior
atenção e cuidado durante a auditoria (classe A).

100
DICA 79

A análise do valor agregado é uma das principais análises para verificação do andamento de uma obra. Através
dela podemos comparar o custo orçado do trabalho planejado, com o custo orçado do trabalho realizado e o custo
efetivo. Também podemos verificar se a obra está atrasada através do índice de desempenho de prazo, assim
como se está gastando mais que deveria através do índice de desempenho de custo. Essa análise deve ser
realizada de forma integrada com os diversos critérios, de modo a chegar a uma conclusão em relação ao prazo e
custo da obra.

O índice de variação de prazo (IP) indica se obra está adiantada, em dia ou atrasada. Um índice maior que 1, indica
que a obra está adianta, igual à obra está em dia e menor que um a obra está atrasada.

O índice de variação de custo (IC) índica se está sendo gasto mais, igual ou menor que o planejado. Um índice
maior que 1 indica que o gasto realizado é menor do que o previsto, igual indica que está conforme planejado e
menor indica que o gasto realizado é maior que o previsto.

101
DICA 79 Continuação

102
DICA 80

Os elementos básicos de uma bacia hidrográfica são o


divisor d’água, a rede de drenagem e a seção exutória.

Para a maioria das aplicações relacionadas ao


escoamento superficial, a delimitação de uma bacia
hidrográfica está baseada em critérios topográficos. O
traçado do divisor d’água se inicia na seção exutória e
contorna toda a sua rede de drenagem.

Toda a água que sai da bacia por escoamento superficial passa, necessariamente, pela seção exutória.
A um exutório corresponde uma única bacia. A uma bacia corresponde uma única seção exutória.
Cada bacia compreende diversas sub-bacias no seu interior. A identificação da seção exutória depende
do propósito do estudo.
Tipicamente, a bacia hidrográfica constitui a unidade de gestão dos recursos hídricos.

104
DICA 81

Para a estimativa da vazão máxima do escoamento superficial numa pequena bacia hidrográfica (com área de até
4km²), pode ser empregado o método racional. A sua expressão é:

𝑄 = 𝐶. 𝑖. 𝐴

Onde: Q é a vazão máxima (em m³/s) decorrente da precipitação de intensidade i (em m/s) com duração igual ao
tempo de concentração da bacia, uniformemente distribuída sobre toda a área de drenagem A (em m²); C é o
coeficiente de runoff, definido como a razão entre o volume escoado e o volume precipitado.

105
DICA 82
O projeto clássico de drenagem urbana tinha como objetivo principal a capitação, condução e descargas das
águas. Essa técnica, embora amenize a situação a montante da área atingida, acaba intensificando os efeitos das
inundações a jusante, pois o escoamento da água se dá de maneira acelerada.
A tendência atual na drenagem urbana é a utilização de técnicas compensatórias, através de elementos que
promovem o armazenamento da água ou sua infiltração no solo. São exemplos desses elementos: reservatórios
de detenção, reservatórios de retenção, pavimentos permeáveis, valas de infiltração, trincheiras de infiltração e
telhados verdes.
Além de promoverem a atenuação das cheias urbanas a jusante, esses dispositivos, quando adequadamente
projetados, promovem integração entre os elementos urbanos e meio ambiente dentro das cidades.

Medidas de armazenamento: são reservatórios que armazenam a


água da chuva, amortecendo o hidrograma resultante da chuva,
sendo esvaziado de forma controlada posteriormente. Exemplos
de dispositivos: reservatório de detenção, reservatório de
retenção (promovem um tratamento da água)

Fonte: Drenagem urbana: do projeto tradicional à


sustentabilidade (Miguez, Marcelo)

106
DICA 82 Continuação

Medidas de infiltração: medidas que


favorecem a permeabilidade do solo ou a
utilização que aumentam a infiltração através
do pavimento. São exemplos: pavimento
permeável, manutenção periódica, para evitar
a deposição de grande quantidade de
sedimentos.

Fonte: Drenagem urbana: do projeto tradicional à


sustentabilidade (Miguez, Marcelo)

107
DICA 83

Para a determinação da potência


(P) de uma bomba hidráulica de
elevação, usamos a expressão:

𝛾. 𝐻𝑚 . 𝑄
𝑃=
𝜂

Onde: g é o peso específico da


água (10kN/m³); Hm , a altura
manométrica; Q, a vazão; h, o
rendimento da bomba

109
DICA 84

A expressão de Manning pode ser


empregada para estimar a
velocidade (v) e a vazão (Q) de
escoamento em condutos livres (não
forçados).
1 2/3
𝑣 = 𝑛 . 𝑅𝐻 . 𝐼1/2
𝑏 + 𝑐 .ℎ
1 2/3 𝐴=
𝑄 = . 𝑅𝐻 . 𝐼1/2 . 𝐴 2
𝑛
𝐴
𝑅𝐻 =
Onde: RH é o raio hidráulico; I, a 2. 𝑎 + 𝑏
inclinação do canal; A, a área da
seção molhada.
Essa fórmula tem caráter empírico e
decorre da expressão de Chézy. Ela
se aplica a escoamento permanete
uniforme.

110
DICA 85

Vazão na captação:

𝑄𝐴 = 𝑘1 ∙ 𝑃 ∙ 𝑞 + 𝑄𝑒𝑠𝑝 𝐶𝐸𝑇𝐴

Vazão entre a ETA e o Reservatório:

𝑄𝐵 = 𝑘1 ∙ 𝑃 ∙ 𝑞 + 𝑄𝑒𝑠𝑝

Vazão do reservatório até a rede de distribuição:

𝑄𝐶 = 𝑘1 ∙ 𝑘2 ∙ 𝑃 ∙ 𝑞 + 𝑄𝑒𝑠𝑝

Em que: 𝑃 é a população, 𝑞 é o consumo médio per capita (L/dia), 𝑄𝑒𝑠𝑝 é a vazão específica (por exemplo,
uma indústria, se houver); 𝐶𝐸𝑇𝐴 é um fator que leva em contato o consumo na ETA.

112
DICA 86
Os sistemas de tratamento de esgoto são essenciais para garantir que, antes que o esgoto seja jogado nos
efluentes, estejam de acordo com os parâmetros aceitáveis pela legislação, de modo que não causem prejuízos
ambientais. Para isso, existem diversos sistemas de tratamento, podendo ser classificados em: preliminar, primário,
secundário e terciário.

Tratamento preliminar: primeira etapa do tratamento de


esgoto, tendo como objetivo a remoção de sólidos
grosseiros e areia. Os mecanismos de remoção são de
ordem física, como utilização de grades e desarenadores.

Tratamento primário: segunda etapa do tratamento, tem


como objetivo a remoção de sólidos sedimentáveis e
sólidos flutuantes. Consiste basicamente em sistema
decantadores, de modo que a velocidade reduzida da água
permite que os sólidos se depositem no fundo.

113
DICA 86 Continuação

Tratamento secundário: terceira etapa do tratamento, é


baseada em processos biológicos na qual ocorre a
decomposição da matéria orgânica através de
microrganismos. O processo pode ser aeróbico,
anaeróbico ou misto, a depender das características
geométricas e da maneira como é realizada a
decomposição.

Tratamento terciário: última etapa do tratamento,


consiste em utilizadas processos físico-químicos ou
biológicos para remoção de poluentes específicos ou
organismos patogênicos que não foram retirados pelos
processos anteriores.

114
DICA 87
As lagoas de estabilização consistem em sistemas de tratamento secundário, podendo o processo de tratamento
ser anaeróbico, aeróbico ou misto.
 Lagoa de maturação: possui pouca profundidade (0,8 a 1,5m), com
atividades predominantemente aeróbica.
 Lagoa anaeróbica: possui profundidade entre 3,0m a 5,0m, com
atividade predominantemente anaeróbica.
 Lago facultativa: possui profundidade entre 1,5m a 3,0m; ocorrem dois
processos distintos: aeróbico na superfície e anaeróbico no fundo.

Nas lagoas facultativas, as bactérias aeróbias degradam a matéria orgânica a partir do consumo do oxigênio livre
na água, liberando gás carbônico e nutrientes, ao passo que as algas consomem gás carbônico e nutrientes,
liberando oxigênio.
115
DICA 88
O tratamento da água bruta (a princípio imprópria para o consumo humano) tem como finalidade transformá-la
em água potável (adequada para o consumo humano). Os tipos de tratamento aplicados dependerão, dentro
outros fatores, da qualidade da água do manancial (fonte de onde é retirada a água bruta).

ETA (Estação
Água Bruta de Água Potável
Tratamento)

Busca-se, com os procedimentos no tratamento, a remoção e inativação de organismos patogênicos e


substâncias químicas prejudiciais à saúde, assim como o melhoramento estético (como remoção de turbidez) e
sensorial (como cor, gosto e odor).

Em sentido amplo, o tratamento tem como objetivos:

Atender ao padrão de potabilidade exigido pelo Ministério da Saúde;


Prevenir a cárie dentária, por meio da fluoretação;
Proteger o sistema de abastecimento dos efeitos da corrosão e da deposição/incrustação;

116
DICA 88 Continuação

Padrão de
potabilidade

Proteger
contra Previne cárie
corrosão

117
DICA 89
A água do manancial é dita potabilizável se pode ser transformada em água potável por meio de processos de
tratamento viável do ponto de vista técnico-econômico. Dependo das características dessa água, escolhem-se os
métodos mais adequados para seu tratamento. Existem, basicamente, dois grupos de tratamento: os que utilizam a
filtração rápida e os que utilizam a filtração lenta. O primeiro grupo apresenta a coagulação química e a filtração
rápida como etapas fundamentais para a clarificação da água, ao passo que, no segundo grupo, a etapa básica é a
filtração lenta e é dispensável o uso de coagulantes. Em ambos os grupos, a filtração pode ou não ser precedida
por outros processos de clarificação
Coagulação
(obrigatório)
Filtração
rápida
Filtração
rápida
Tratamento
de água bruta
Dispensável
Coagulantes
Filtração lenta
Filtração lenta

118
DICA 90
Independentemente da qualidade da água bruta, conforme Portaria MS nº 518/2014, pelo menos os seguintes
procedimentos devem ser aplicados:

“Art. 22. Toda água fornecida coletivamente deve ser submetida a processo de desinfecção, concebido e operado de
forma a garantir o atendimento ao padrão microbiológico.

Art. 23. Toda água para consumo humano suprida por manancial superficial e distribuída por meio de canalização
deve incluir tratamento por filtração”

Portanto, no mínimo, segundo essa legislação, devemos ter os processos de filtração e desinfecção no tratamento
da água. Veja que há uma diferença entre essa recomendação e a NBR 12216:92, já a filtração somente começar a
ser prevista para águas para abastecimento classificada como tipo B (sendo ainda opcional). Contudo, devemos
considerar a legislação mais atual, com maior segurança para o abastecimento, que seria a da Portaria de 2014.

As etapas de um tratamento convencional ou completo são apresentadas a seguir:

Floculação
(lenta)/ Sedimentação Água
Água Bruta Coagulação Filtração Desinfecção
/ Flotação Tratada
Mistura rápida

119
DICA 90 Continuação

Fonte: COPASA;

120
DICA 91

Importante ressaltar que no Brasil utiliza-se o sistema de rede esgoto chamado de separador absoluto, no qual as
redes de esgoto são independentes das redes de águas pluviais. Portanto, não é permitido que ocorram ligações
entre esses sistemas. O sistema de esgoto, é constituído, basicamente, de coletores secundários (que recebem o
esgoto diretamente), coletores primários (que recebem o esgoto dos secundários) e interceptores (que recebem
os coletores primários e enviam para a ETE). Por sua vez, o esgoto é direcionado para uma estação de tratamento
de esgoto (ETE), antes do destino final (corpo coletor).

121
DICA 92

Rede de distribuição de água é a parte do sistema de abastecimento de água, formada por tubulações e
dispositivos acessórios, que tem como finalidade disponibilizar água potável para a população de forma contínua e
em quantidade, qualidade e pressão adequadas. Nesse sistema é possível identificar dois tipos de canalizações:
principal (tem por finalidade distribuir a água para tubulações secundárias) e secundária (tem por finalidade
abastecer diretamente os pontos de consumo). Já em relação a disposição das tubulações e o sentido do
escoamento, as redes são classificadas em: ramificada, malhada e mista.
A rede é dita ramificada quando a tubulação principal (alimentada por um reservatório) abastece a tubulação
secundária (que diretamente abastece os pontos de consumo), de modo que o sentido do escoamento é
conhecido em qualquer trecho. Tem como desvantagem o fato que a interrupção em um ponto da rede, faz com
que todos os pontos a jusante dela sejam interrompidos.
A rede é dita malhada quando as tubulações principais formam anéis ou blocos, de modo que é possível realizar o
abastecimento do ponto de consumo por mais de caminho. A vantagem é que permite maior flexibilidade em
satisfazer a demanda e manutenção, com mínimo de interrupção.
A rede é dita mista quando utilizado os dois tipos acima para abastecimento dos pontos de consumo, sendo uma
parte abastecida por rede malhada e outra parte ou pontos abastecidos pela rede ramificada.

122
DICA 92 Continuação

(a) – Rede ramificada

(b) – Rede malhada

123
DICA 93
A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é a quantidade de
oxigênio molecular necessária para estabilizar (oxidar) a
matéria orgânica biodegradável.
A DBO constitui o parâmetro mais adotado para medir a
poluição de um efluente de esgoto ou de corpo hídrico. Assim,
quanto mais matéria orgânica decomponível aerobicamente na
água, tanto maior a DBO.
A demanda química de oxigênio (DQO), por sua vez, é a
quantidade de oxigênio molecular necessária para estabilizar
quimicamente a matéria orgânica.
A DQO é sempre maior do que a DBO, tendo em vista a oxidação química referente à decomposição da matéria
orgânica não biodegradável.
A decomposição da matéria orgânica inclui:
• Decomposição da matéria carbonácea (fração não biodegradável e fração biodegradável)
o A decomposição aeróbia produz CO2 e H2O
o A decomposição anaeróbica produz CO2, H2, CH4, dentre outros compostos
• Decomposição da matéria nitrogenada
o Nitrificação: conversão da amônia (NH4) em nitrito (NO2—) e a conversão de nitrito em nitrato (NO3—)
o A decomposição aeróbia produz NO3—, CO2, H2O, SO4——

A decomposição anaeróbia produz marcaptanas, H2O, dentre outros compostos


124
DICA 94
Irrigação por aspersão: a aplicação da água ao solo
resulta da subdivisão de um jato d’água lançado sob
pressão no ar atmosférico, através de simples orifícios ou
de bocais de aspersores.

Microirrigação, ou irrigação localizada: a aplicação da


água é feita por emissores que operam sob pressão e
localizam o volume de água necessário nas áreas de
interesse. Pode ser classificada em: microaspersão
(possuem elemento para distribuir ou puverizar a água e
gotejamento (aplicam uniformimento pequenas vazões
na forma de gotas)

126
DICA 94 Continuação

Irrigação por superfície: utilizam a superfície do solo


para conduzir a água que deve ser aplicada à área a
ser irrigada. Tem como principal característica
distribuir a água utilizando a superfície do solo para
o escoamento gravitacional. Depende de fatores
como infiltração do solo , desclividade do terreno,
rugosidade do solo, entre outros.

Irrigação subterrânea: consiste na aplicação de água ao


subsolo pela formação de um lençol freático de água
artificial ou pelo controle de um lençol freático natural,
mantendo-o a uma profundidade conveniente, capaz de
proporcionar um fluxo satisfatório de água à zona
radicular da cultura, satisfazendo as suas necessidades
no processo de evapotranspiração.

127
DICA 95
Todo orçamento, público ou privado, possui, pelo menos, os seguintes atributos: especificidade, temporalidade e
aproximação.
A especificidade está relacionada com as questões locais de cada obra, por exemplo, a execução de uma mesma
construção em regiões distintas podem requerer orçamentos diferentes. A temporalidade está relacionada com o
fato que o dinheiro possui valor no tempo, portanto, com o passar do tempo, um determinado orçamento torna-se
naturalmente defasado. Já a aproximação está relacionada com o fato de que o orçamento é um instrumento de
estimativas, mas, ao mesmo tempo, deve ser o mais preciso (e não necessariamente exato) possível.

129
DICA 96
De fundamental importância o conhecimento da definição de custo direto e indireto, assim como dos elementos
que compõem o custo direto e o custo indireto.
O custo direto é o resultado da soma de todos os custos dos serviços necessários para a execução física da obra,
obtidos pelo produto das quantidades de insumos empregados nos serviços, associados às respectivas unidades e
coeficientes de consumo, pelos seus correspondentes preços de mercado. Nestes custos estão os materiais,
equipamentos e mão de obra – acrescida dos Encargos Sociais aplicáveis, equipamentos e os Encargos
Complementares: EPI’s, transporte, alimentação, ferramentas, exames médicos obrigatórios e seguros de vida em
grupo.

130
DICA 97

Temos também os custos indiretos, que são aqueles que, embora não possam ser diretamente a execução das
obras/serviço, são necessários para que o empreendimento seja realizado. São, em essência, serviços de apoio a
obra, mas que não guardam proporcionalidade com a produção da obra.

131
DICA 98

Já a despesa indireta é aquela decorrente de atividade empresarial, incidindo de forma percentual sobre os custos
(diretos e indiretos) das obras. Basicamente é constituída dos seguintes elementos: administração central, tributos,
riscos, seguros e garantias e despesas financeiras.

132
DICA 99

Lucro ou bonificação é parcela destinada à remuneração da empresa pelo desenvolvimento de sua atividade
econômica. Em conjunto com as Despesas Indiretas formam o BDI.

133
DICA 100
Abaixo, segue um quadro resumo com as principais classificações e seus elementos, conforme consta no SINAPI. O
preço é o valor final pago pelo comprador, incluído todos os custos (diretos e indiretos), despesas indiretas e
lucro/bonificação da empresa.
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎 𝑖𝑛𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑎 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜
𝑃𝑉 = 𝐶𝐷 + 𝐶𝐼 + 𝐷𝐼 + 𝐿
𝐵𝐷𝐼

Fonte: SINAPI

Ressalta-se que o Tribunal de Contas da União tem a seguinte orientação, com base no Acordão 325/2007, que:
“9.1.2. os itens Administração Local, Instalação de Canteiro e Acampamento e Mobilização e Desmobilização,
visando a maior transparência, devem constar na planilha orçamentária (custo direto) e não no LDI;”

134
DICA 101
Os Encargos sociais são custos incidentes sobre a folha de pagamentos (insumos classificados como mão de obra
assalariada). Esses encargos são agrupados em quatro grupos distintos: grupo A, grupo B, grupo C e grupo D.
Conforme o SINAPI, a apropriação dos percentuais varia conforme regime de contratação do emprega (horista ou
mensalista) e a localidade em que é realizada a obra, devido a diversos fatores externos (como rotatividade de mão
de obra, quantidade média de dias de chuva, acordos coletivos locais e incidência de feriados).

135