Você está na página 1de 1

1.2.

A ESCASSEZ E A ESCOLHA
A microeconomia é o estudo de como as pessoas fazem opções sob condições de escassez. Não
devemos dar uma interpretação restritiva à escassez porque mesmo quando os recursos materiais
são abundantes outros recursos importantes não o serão.
Ex. O dinheiro é um recurso escasso, mas para um magnata que contraia uma doença mortal a
escassez não reside no dinheiro, mas sim no tempo, na energia e na mobilidade física necessária
ao
desempenho das suas actividades normais.
O tempo e o dinheiro não são os únicos recursos escassos. Toda a escolha envolve
considerações importantes de escassez. Conviver com a escassez é a essência da condição
humana. Na verdade, se não fosse o problema da escassez, a vida ficava desprovida de muito do
seu sentido e dificilmente qualquer decisão teria importância para alguém com um tempo de vida
infinito e recursos materiais inesgotáveis.
De facto, toda a nossa vida é um complexo problema de múltipla escolha. Simultaneamente, os
indivíduos e as empresas tem inúmeras escolhas e decisões a tomar (quando e como aumentar o
output, produzir o output interna ou externamente; etc.), e nem todas podem revestir a
característica económica (apesar de existir sempre uma possível explicação). Na nossa análise
preocupar-nos-e-mos com as escolhas económicas mais convencionas, envolvendo a alocação de
recursos escassos de forma eficiente.
Os recursos produtivos são usualmente classificados nas seguintes categorias:
- Recursos naturais: terra, água, ar, minerais e florestais;
- Recursos humanos: trabalho especializado e não especializado;
- Recursos de capital: máquinas, equipamentos, edificações;
- Recursos organizacionais: uma categoria especial que deriva da combinação e potenciação dos
recursos da instituição. Consiste na combinação dos três recursos anteriores para produção de um
output. Esta acção envolve riscos, cabendo ao empresário a responsabilidade organizativa.
No futuro falaremos de recursos produtivos com factores de produção e estudaremos a forma
como
as empresas combinarão os recursos escassos na produção de bens e serviços. Bens e serviços
que
também serão escassos para o consumidor, sendo as suas alocações feita (em sistema capitalista)
através dos mercados. Aqui os consumidores terão que decidir, tendo em atenção que o seu
poder
de compra é limitado (escasso) e deve ser alocado pelos diferentes tipos de bens e serviços, que
constituem o seu cabaz de compras.
O nosso objecto de estudo centrar-se-á nas decisões individuais feitas pelos consumidores,
empresas e governo (que de uma forma menos extensa afecta a última alocação dos recursos
escassos da sociedade).