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Cabine Primária

Subestações de Alta Tensão de Consumidor


Benjamim Ferreira de Barros
Ricardo Luis Gedra

Cabine Primária
Subestações de Alta Tensão de Consumidor

1ª Edição

3a Reimpressão

São Paulo
2010 - Editora Érica Ltda.
Dedicatória

Às nossas esposas Lucia Veloso de Barros e Adriana Vicente Gedra, bem


como aos nossos filhos Leandro Veloso de Barros, Luciane Veloso de Barros e
Felipe Vicente Gedra.

“Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e de tudo o


que se deseja nada se pode comparar com ela."
Provérbio 8.11
Agradecimentos

Ao professor Vagner Tadeu de Souza Bueno, diretor do Senai Jorge


Mahfuz, pelo grande incentivo que sempre nos deu para escrever este livro;
Ao André Marques e ao Maurício Peres da Instronic por terem disponi-
bilizado algumas fotos que ilustram a obra;
Ao Sr. Abimae! Nogueira, diretor da empresa Abimael Disjuntores, pelo
incentivo na divulgação deste livro;
À empresa A Cabine Materiais Elétricos Ltda. e seu diretor Sr. Luciano
Camargo, pelo incentivo da divulgação do livro;
À Irene Bueno por ter contribuído com a idealização de ilustrações;
Às nossas esposas Lucia e Adriana e aos filhos que sempre nos apoia-
fam, mesmo durante os momentos de ausência dedicados à elaboração do
livro.
Prefácio

Após muitos anos de convívio no meio educacional, especificamente


no ensino profissional, não é raro ouvir de alunos que a teoria ensinada,
baseada nos materiais didáticos, como livros e apostilas, difere um pouco
da prática devido, principalmente, aos macetes da profissão ou os
chamados “pulo do gato", que às vezes são comentados, porém
superficialmente, muitas vezes não são demonstrados nos ambientes
acadêmicos e só podem ser transmitidos por quem tem a experiência do
dia a dia e recursos didáticos adequados.
Essas experiências são de fundamental importância para que os
alunos saiam da sala de aula com maior segurança para o exercício da
ocupação.
Neste sentido, este livro agrega os conhecimentos de dois
profissionais que atuam na mesma área, porém com experiências
diferenciadas-, um engenheiro elétrico e um profissional de campo.
A carência de literatura técnica a respeito desse tema e os perigos
inerentes à ocupação desencadearam a necessidade de escrever esta
obra, que apresenta de forma didática os principais tópicos relacionados
às instalações elétricas de consumidores em alta tensão.
Observa-se que os temas e conteúdos sobre as instalações elétricas
de baixa tensão são muito explorados em cursos técnicos e
profissionalizantes e até mesmo em graduação de engenharia, além de
haver muitos livros no mercado acerca do tema. Quando se trata de alta
tensão, no entanto, o cenário é bem diferente. Existem poucos cursos
específicos e nos cursos regulares (técnico e graduação) as informações
não são tratadas com profundidade.
O conteúdo apresentado tem o objetivo de subsidiar de
informações os profissionais que atuam nas atividades de projeto,
construção, manutenção e operação de subestações de alta tensão de
consumidores (cabine primária).
Para atingir essa meta, o livro está dividido em sete capítulos, sendo
o primeiro dedicado a definir a sistemática de funcionamento do sistema
elétrico do Brasil, desde a geração de energia elétrica até o consumidor
final de baixa tensão, passando pelos pontos em que podem estar
conectadas as instalações elétricas de alta tensão de consumidores.
O segundo capítulo mostra os tipos de subestações de
consumidores existentes, destacando as suas principais características.
O terceiro capítulo explica como se faz um pedido de ligação de
uma subestação de consumidor, destacando detalhes da construção,
testes e características de tarifação e cobrança da conta de energia de
alta tensão.
As características individuais dos equipamentos existentes nas subes-
tações são abordadas no capítulo 4, sendo tratado o funcionamento de cada
um, com destaque para a sua função na subestação como um todo.
O capítulo 5 apresenta a questão da proteção das instalações elétricas,
em especial as características existentes de um sistema de proteção e dos
relés.
0 capítulo 6 chama a atenção aos principais aspectos de segurança que
devem ser seguidos em qualquer atividade relacionada às instalações elétricas
de alta tensão, com destaque para os requisitos da NR-10.
A forma como devem ser realizadas a operação e a manutenção de -
uma subestação é explicada no capítulo 7, que também descreve os tipos de
operações de subestações e os procedimentos de manutenção, roteiro de
trabalho e relatórios.

Vagner Tadeu de Souza Bueno


Diretor do Centro de Treinamento
Senai "Jorge Mahfuz"
Introdução

No final do século XIX a energia elétrica começou a ser introduzida no


cotidiano das pessoas. Ano após ano a sua utilização foi expandida, novos
produtos desenvolvidos, até atingir o elevado grau de dependência que
temos hoje.
Inicialmente, a energia elétrica era produzida muito próximo dos
locais de consumo, o que facilitava a sua transmissão. Com o
desenvolvimento das cidades e o aumento da dependência de energia
elétrica, tornou-se necessário, com o tempo, aumentar a capacidade de
produção, propiciando a construção de usinas cada vez maiores e por vezes
afastadas dos locais de consumo, sendo preciso transmitir essa energia por
distâncias maiores.
Para reduzir as perdas na transmissão, a tensão elétrica começou a
ser elevada para ser transmitida, e ao chegar aos locais de consumo, foi
necessário construir uma infraestrutura capaz de reduzir essa tensão para
os níveis de utilização finai.
Na outra ponta do sistema aumentava-se cada vez mais o consumo de
energia elétrica. As indústrias, que nos séculos XVIII e XIX se
fundamentaram na máquina a vapor, passaram a ter energia elétrica à
disposição no século XX.
Desta forma, ao longo do século XX as indústrias passaram a neces-
sitar cada vez mais de energia elétrica. Com o aumento dessa necessidade
concentrada em um único ponto, em uma planta industrial, por exemplo, a
energia elétrica passou a ser entregue não mais na tensão de utilização, po-
rém em valores de tensão mais elevados, oriundos da transmissão da
energia vinda das usinas.
Para que o consumidor pudesse utilizar a energia, ele deveria ter a
tensão elétrica compatível com os seus equipamentos, e para isso era
preciso dispor de instalações elétricas com a função de rebaixar a tensão
fornecida, dando origem, assim, às cabines primárias ou subestações.
Das primeiras subestações construídas para as atuais o conceito bá-
sico permanece o mesmo; simplesmente os equipamentos evoluíram, de
forma a se tornarem mais eficientes, seguros e com mais funcionalidades
agregadas.
Atualmente, toda instalação comercial, industrial e até mesmo
residencial de médio ou grande porte recebe energia elétrica em uma
tensão elevada e precisa dispor de uma subestação para reduzi-la aos
níveis de utilização.
Com o objetivo de suprir de informações os profissionais mantenedores
dessas instalações elétricas, este livro apresenta um estudo das subestações
de energia elétrica em alta tensão.

Os autores
Sobre os autores

Benjamim Ferreira de Barros tem 36 anos de experiência, sendo 27


anos de atuação em empresas do setor elétrico, sempre na área de manu-
tenção de subestações, e nove anos como diretor da empresa L&B Energia,
prestando serviços de manutenção, construção e projeto de subestações,
atuando também como instrutor do Senai do curso de Cabine Primária, entre
outros.
Ricardo Luis Gedra é engenheiro eletricista formado na Universidade
Paulista (UNIP) com especialização em Administração pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV) e mestre em Sistemas Elétricos de Potência pela Universidade de
São Paulo (USP). Possui 16 anos de experiência no setor elétrico, atuando nas
áreas de projeto e manutenção de instalações elétricas, medição de energia
elétrica e eficiência energética.
Sobre o material disponível na Internet

O material disponível no site da Editora Érica contém PDF com as


respostas dos exercícios do livro e dois modelos com projetos de cabine pri-
mária. Para utilizar os arquivos é necessário ter instalado em sua máquina o
Adobe Acrobat 8 ou versão mais recente.

Projetos.exe - 5.360 KB
Respostas-exe - 340 KB

Procedimento para Download


Acesse o site da Editora Érica Ltda.: www.editoraerica.com.br. A
transferência do arquivo disponível pode ser feita de duas formas:
» Por meio do módulo pesquisa. Localize o livro desejado,
digitando palavras-chave (nome do livro ou do autor). Aparecem os
dados do livro e os arquivos para download. Com um clique os
arquivos executáveis são transferidos.
• Por meio do botão “Download”. Na página principal do site, cli-
que no item “Download”. É exibido um campo no qual devem ser
digitadas palavras-chave (nome do livro ou do autor). Aparecem o
nome do livro e os arquivos para download. Com um clique os
arquivos executáveis são transferidos.

Procedimento para Descompactação


Primeiro passo: após ter transferido os arquivos, verifique o diretório
em que se encontram e dê um duplo-clique neles. Aparece uma tela do
programa WINZIP SELF-EXTRACTOR que conduz ao processo de descom-
pactação. Abaixo do Unzip To Folder há um campo que indica o destino dos
arquivos que serão copiados para o disco rígido do seu computador.
C:\Cabine Primaria
Segundo passo: prossiga a instalação, clicando no botão Unzip, o qual
se encarrega de descompactar os arquivos. Logo abaixo dessa tela aparece a
barra de status que monitora o processo para que você acompanhe. Após o
término, outra tela de informação surge, indicando que os arquivos foram
descompactados com sucesso e estão no diretório criado. Para sair dessa tela,
clique no botão OK. Para finalizar o programa WINZIP SELF- -EXTRACTOR,
clique no botão Close.
1.1. Geração de energia elétrica
Para que a energia elétrica chegue até o seu destino final ela precisa
percorrer um longo caminho cheio de transformações. Afinal, um dos principais
conceitos da física determina que a energia não é criada, ela simplesmente se
transforma.
Com o intuito de obter energia elétrica é necessário transformar uma
outra fonte de energia, transformação geralmente realizada em uma usina. No
Brasil, a maior parte da energia elétrica é oriunda da energia potencial da água
acumulada em reservatórios de usinas hidroelétricas. A energia potencial da
água é obtida pela seguinte fórmula:

Sendo:

m = massa

g = gravidade
h = altura

A massa de água depende do seu volume, que em uma usina hidroelétrica


varia em função da capacidade do seu reservatório. A gravidade é praticamente
fixa na superfície da Terra e a altura é a distância vertical entre a superfície da
água e a turbina. Sendo assim, quanto mais água estiver acumulada no
reservatório e quanto maior for a altura da queda-d'água, mais energia potencial
haverá acumulada, portanto maior será o potencial de geração de energia
elétrica.
Dentro da usina hidroelétrica a energia potencial acumulada pela água se
transforma em energia cinética quando a água do reservatório percorre, com
uma determinada velocidade, uma tubulação que a conduz até a turbina. A
fórmula da energia cinética é:

Sendo:

m = massa

V = velocidade

Quando a água atinge a turbina, a energia cinética se transforma em


energia mecânica, fazendo com que a turbina entre em um movimento de
rotação. Na ponta do eixo da turbina está ligado o gerador que finalmente
transforma a energia mecânica de rotação do eixo em energia elétrica.
Além da geração da energia elétrica a partir da energia potencial acu-
mulada pela água dos reservatórios, o Brasil também gera energia elétrica, em
menor quantidade, a partir de origem térmica. As usinas termoelétricas geram
energia elétrica utilizando basicamente dois sistemas, de combustão interna ou de
combustão externa.
No sistema de combustão externa o combustível é queimado dentro de
uma caldeira, gerando calor que aquece um fluido de trabalho, geralmente água,
até se transformar em vapor. O vapor é enviado para a turbina que produz o
movimento de rotação, que faz girar o gerador de energia elétrica, que está
conectado na ponta de seu eixo.

No sistema de combustão interna a queima do combustível pode ser


realizada dentro da própria turbina. O fluido de trabalho será o conjunto de
produtos de combustão que, ao passar por seus diversos estágios, faz o seu eixo
girar, ou então pode ser utilizado um motor de combustão interna com pistões,
similar a um motor de caminhão, porém com uma capacidade maior.
A combustão interna em turbina é o processo usado principalmente nas
turbinas a gás. Por exemplo, a turbina a gás da GE série H apresentada na Figura
1.3.

Existem diversos tipos de combustível que podem ser queimados, como,


por exemplo, carvão, gás natural, derivados do petróleo como o óleo combustível,
biomassa como o bagaço de cana, biogás etc.
O calor da usina termoelétrica também pode ser obtido por meio de uma
reação nuclear de fissão de átomos que libera grande quantidade de energia. A
geração de energia elétrica por meio da fissão nuclear é realizada em usinas
nucleares. O Brasil possui duas usinas nucleares em operação e uma terceira em
construção, todas localizadas no município de Angra dos Reis no estado do Rio de
Janeiro.
A geração de energia através dos ventos, chamada de energia eólica,
também está presente no parque gerador do Brasil, porém em uma pequena
escala. O diferencial dessa tecnologia está no baixo impacto ao meio ambiente.
Existem outras formas cie geração de energia elétrica que estão em fase
de desenvolvimento tecnológico e que ainda se apresentam com custo muito
elevado de construção, quando comparado com as formas tradicionais de
geração, como, por exemplo:
• Solar fotovoltaica;
• Aproveitamento das marés;
• Ondas costeiras;
• Geotérmica.
De acordo com o Balanço Energético Nacional publicado em 2009 a partir dos
dados de 2008, 73,4% da capacidade de geração de energia elétrica no Brasil é de
fonte hidráulica, sendo 70% oriundo de grandes usinas hidroelétricas e 3,4% de
pequenas centrais hidroelétricas, conforme é possível observar na Figura 1.5.

A geração de energia elétrica no Brasil é predominantemente feita na


frequência de 60 Hz, todavia podemos destacar que existe geração de energia
elétrica no sistema elétrico brasileiro que é feita na frequência de 50 Hz. Essa
geração ocorre em parte da usina hidroelétrica de Itaipu.
A usina de Itaipu foi construída na divisa entre o Brasil e o Paraguai. Das
20 unidades geradoras existentes dez pertencem ao Brasil, que gera em 60 Hz,
e dez ao Paraguai que gera em 50 Hz. O Paraguai não utiliza toda a energia
gerada pelas suas dez unidades e o Brasil compra essa energia excedente que
não é utilizada. O próximo item aborda a questão da conexão dessa energia ao
sistema elétrico brasileiro.

1.2. Transmissão de energia elétrica


A tensão elétrica que sai das unidades geradoras normalmente varia entre
13,8 kV e 18 kV. Fogem desta faixa de tensão usinas pequenas que devem ter
uma tensão de saída do gerador mais baixa. Em função das elevadas potências
das usinas, a corrente elétrica nesse nível de tensão é muito elevada. Como a
perda de energia elétrica está diretamente relacionada à corrente elétrica,
transmitir essa elevada potência nesta faixa de tensão fatalmente incorrería em
perdas elevadas na transmissão.
Sendo:
U = tensão
I = corrente
S = potência total
Na fórmula é possível observar que a potência total "S" fornecida por
uma usina é fixa, portanto elevando a tensão, automaticamente a corrente
elétrica se reduz para uma mesma potência. Como a potência dissipada (ou
seja, potência perdida) é calculada em função do quadrado da corrente, a re-
dução da corrente automaticamente causa uma grande redução das perdas.

Sendo:
R = resistência I
= corrente
Quanto maior a extensão de uma linha de transmissão maior é a sua
resistência elétrica, porém uma vez determinado o local de construção da usina,
a sua distância até os centros consumidores de energia não se altera, portanto
o modo mais fácil de reduzir as perdas na transmissão é elevando a tensão e,
consequentemente, reduzindo a corrente.
A redução da corrente na transmissão também promove uma outra
economia, no custo da construção da linha de transmissão, devido à possibi-
lidade de redução da secção transversal (bitola) do condutor utilizado.
Em função disso, próximo às grandes usinas geradoras de energia
elétrica existem subestações elevadoras, que elevam a tensão para valores
padronizados para que possa ser transmitida. Existem diversos valores pa-
dronizados de tensão, destacando-se os seguintes:
• 69 kV
• 88 kV
• 138 kV
• 230 kV
• 345 kV
• 440 kV
• 500 kV
• 600 kV em corrente contínua
• 750 kV
O item anterior mencionou que metade da energia elétrica gerada pela
usina hidroelétrica de Itaipu pertence ao Paraguai e possui a frequência de 50
Hz. Como o Paraguai não utiliza toda essa energia, o Brasil compra o excedente,
mas não é possível conectar essa energia em 50 Hz no sistema elétrico brasileiro
de 60 Hz, portanto ela precisa ter a frequência convertida.
A conversão de frequência requer que primeiro a energia elétrica seja
retificada para corrente contínua e depois convertida na frequência que se
deseja em corrente alternada.
Em função da grande distância entre a usina hidroelétrica de Itaipu e a
região metropolitana de São Paulo, principal consumidor da energia elétrica
gerada, é vantajosa a transmissão ern corrente contínua, porque a economia na
construção da linha de transmissão, em função da quantidade menor de cabos
em relação à corrente alternada trifásica, compensa o custo de construção das
estações retificadoras e conversoras. Isso foi feito no projeto de transmissão da
energia elétrica gerada em Itaipu com a construção de uma linha de
transmissão em corrente contínua de 600 kV.
Quando a energia elétrica chega pelas linhas de transmissão próximo
aos centros consumidores, ela precisa iniciar o processo de distribuição e de
redução do nível de tensão. Essa tarefa é realizada pelas Estações Trans-
formadoras de Transmissão (ETT). Nessas estações a energia elétrica é re-
cebida em valores superiores a 230 kV e é rebaixada para 69 kV, 88 kV ou 138
kV, dependendo do valor padronizado que foi adotado pela distribuidora de
energia local.
Além de reduzir o nível de tensão, as ETTs também iniciam o processo
de distribuição da energia elétrica. Uma linha de transmissão de tensão igual ou
superior a 230 kV, que chega em uma ETT, se transforma em diversas linhas de
transmissão de 69, 88 ou 138 kV na saída dessa subestação.
A figura a seguir apresenta um diagrama esquemático do sistema de
transmissão interligando a geração até a distribuição às unidades consumi-
doras.
1.3. Distribuição de energia elétrica
As linhas de transmissão de menor tensão percorrem as cidades até
chegarem às Estações Transformadoras de Distribuição (ETD), que rebaixam o
valor de tensão para níveis capazes de serem distribuídos pelos postes exis-
tentes nas ruas. O valor de tensão de saída da ETD é definido pela distribuidora
local, dependendo das características de seu sistema elétrico. Seguem alguns
valores padronizados de tensão elétrica de saída da ETD.
• 3,8 kV
• 11,9 kV
• 13,2 kV
• 13,8 kV
• 20 kV
• 23,5 kV
• 34,5 kV
Esse nível de tensão geralmente se encontra nos cabos instalados no
ponto mais alto dos postes das ruas e a energia elétrica segue esse caminho até
encontrar os transformadores de distribuição, que rebaixam a tensão para os
valores que necessitamos nas residências.
Todos os valores de tensões apresentados são nominais, mas é claro que
existem variações em função da oscilação de carga ao longo do dia, em função
da distância da unidade consumidora até a ETD, entre outros fatores.
Os limites de variação de tensão definidos pela ANEEL estão regu-
lamentados pela resolução 505 de 26/11/01. A seguir está reproduzida a tabela
que define os limites admissíveis de variação de tensão para o fornecimento a
unidades consumidoras conectadas entre 1 kV e 69 kV.

Os limites de variação de tensão considerados adequados pela resolução


505 para fornecimento entre 1 kV e 69 kV são de até 7% para menos e até 5%
para mais. Valores medidos que extrapolem estes limites são considerados
precários ou críticos e precisam ser adequados pelas distribuidoras.
Qualquer consumidor pode solicitar uma medição do seu nível de tensão,
entretanto caso os valores medidos estejam dentro do limite considerado
adequado, a distribuidora deve cobrar esse serviço do consumidor, porém se os
valores medidos se enquadrarem nos limites considerados críticos ou precários,
a cobrança da medição não é feita e a distribuidora deve providenciar as devidas
correções em seu sistema de distribuição.
De acordo com a resolução 505, quando o consumidor solicitar a medição
da sua tensão de fornecimento, a distribuidora deve instalar um medidor capaz
de realizar as medições, devendo colher 1.008 leituras com o intervalo de dez
minutos entre cada uma. Essa quantidade de leitura corresponde a exatamente
sete dias de medição.
Caso mais de 3% dessas leituras se enquadrarem no limite precário, a
distribuidora de energia elétrica dispõe de 90 dias para realizar as devidas
adequações. Caso 0,5% das leituras ultrapasse o limite crítico, a distribuidora
deve providenciar as correções em sua rede em no máximo 15 dias.

1.4. Unidades consumidoras em alta tensão


Existem três pontos do sistema elétrico de alta tensão em que as unidades
consumidoras podem se conectar. A definição desse local depende da demanda
de energia elétrica que será requerida e da disponibilidade do sistema elétrico no
local onde está instalada a unidade consumidora.
A resolução 456 da ANEEL de 29/11/00 define que, caso a demanda da
unidade consumidora esteja no intervalo entre 75 kW e 2.500 kW, a conexão
deve ocorrer em uma tensão inferior a 69 kV, ou seja, após a ETD.
Se a demanda requerida pela unidade consumidora exceder 2.500 kW, a
conexão deve ocorrer em uma tensão superior ou igual a 69 kV. Neste caso a
conexão pode ocorrer entre a ETT e a ETD nas tensões de 69 kV, 88 kV ou 138
kV, porém se a demanda for muito alta e houver disponibilidade de linhas de
transmissão de maior tensão próximo à unidade consumidora, a conexão pode
ser feita antes da ETT na tensão de 230 kV ou superior.
Caso uma unidade consumidora possua uma demanda superior a 2.500
kW e queira se conectar em uma tensão inferior a 69 kV (após a ETD), fica a
critério da distribuidora local avaliar a disponibilidade da rede e aceitar ou não a
conexão.
Se for necessário realizar a extensão da rede elétrica ou reforçar os
condutores existentes para atender uma unidade consumidora, provavelmente o
consumidor deve pagar uma parte dos custos desse serviço.
Em qualquer um dos pontos de conexão, o responsável pela unidade
consumidora deve providenciar a construção de uma subestação capaz de
receber a energia elétrica no nível de tensão contratado e realizar todas as
transformações necessárias até a tensão de utilização.
As subestações construídas depois das ETDs, na faixa de tensão de
3,8 kV e 34,5 kV (conforme definido no item 1.3), são comumente
chamadas de “Cabine Primária”.
O glossário da NBR-14.039, que trata das instalações elétricas de 1 kV
a 36,2 kV, não possui a denominação de “Cabine Primária”, portanto este
livro trata essas instalações somente como subestação.
De acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), a faixa de tensão compreendida entre 1 kV e 36,2 kV é
chamada de Média Tensão. A Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10) do
Ministério do Trabalho e Emprego classifica como Alta Tensão todo valor
superior a 1 kV.
Com o objetivo de ficar a aderente as definições da NR-10 este livro
chama de Alta Tensão toda instalação em que a sua tensão elétrica for
acima de 1 kV.

1.5. Exercícios
1. Cite os tipos de usinas de geração de energia elétrica que você
conhece.
2. Qual é a maior forma de geração de energia elétrica no Brasil?
3. Qual é o nível de tensão em que a energia elétrica é gerada nas grandes
usinas hidroelétricas?
4. Cite três valores de tensão da saída da ETD.
5. De acordo com a Resolução 505 da ANEEL, qual o limite de va-
riação de tensão de fornecimento considerado adequado para um
cliente ligado em 13,8 kV?
2.1. Subestação primária de consumidor conectada em tensão
igual ou superior a 69 kV
Compreende instalações elétricas e civis, destinada a alojar a medição,
proteção e a transformação. Esse conjunto de componentes deve atender a
necessidade da empresa, permitindo sempre a flexibilidade (modificações do
sistema), acessibilidade, quanto à manutenção corretiva e preventiva,
confiabilidade quanto à proteção e a operação, e a segurança tanto para os
equipamentos quanto para o pessoal envolvido.

Figura 2.1: Subestação de consumidor em tensão superior a 69 kV. Fonte: Subestação didática do Senai

A proteção da entrada de energia dessa subestação deve sempre ser


realizada por meio de disjuntor e relés. Caso a subestação tenha dois circuitos de
entrada, é recomendado que exista um disjuntor para cada circuito.
Os TPs e TCs de medição são fornecidos pela distribuidora e instalados pelo
consumidor. As caixas de passagens dos cabos que interligam os TPs e TCs e o
medidor devem ser providas de dispositivo de lacração.
Na entrada da subestação deve haver um para-raios para cada fase,
especificado de acordo com a indicação da distribuidora.
O transformador da subestação pode possuir ajuste automático de tensão,
compensando as variações de tensão de fornecimento e as variações da carga ao longo do
dia, que promovem uma oscilação da tensão de saída do transformador (quanto mais
carga maior será a perda interna no transformador, promovendo uma redução da tensão
de saída).
Para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica, é comum
essas subestações possuírem dois circuitos de alimentação, entretanto os dois
alimentadores não devem ser ligados simultaneamente. O objetivo é que somente um dos
circuitos alimente a instalação e o outro seja reserva.
A mesma premissa de segurança pode ser adotada para o transformador. A
subestação pode ter dois transformadores dimensionados de tal forma que, na falha de
um transformador, o outro seja capaz de suportar toda a carga da unidade consumidora.
Em alguns casos em que a carga é muito grande, pode haver três ou mais
transformadores.
Caso haja mais do que um transformador na subestação, fica a critério do
consumidor definir se todos os transformadores ficarão ligados permanentemente em
carga ou se algum transformador ficará desligado, sendo utilizado somente em caso de
emergência.
A Figura 2.2 mostrou um diagrama com o exemplo de uma subestação típica com
dois circuitos de alimentação e dois transformadores.

2.2. Subestação primária de consumidor conectada


em tensão inferior a 69 kV
É o conjunto de componentes de entrada consumidora em tensão primária de
distribuição, entre 3 kV e 69 kV, padronizada de acordo com cada distribuidora de energia
elétrica, conforme item 1.4 deste livro, compreendendo instalações elétricas e civis,
destinada a alojar medição, proteção e facultativamente transformação.
A subestação primária deve ser construída ou instalada no limite da propriedade
com a via pública, preferencialmente próximo à entrada principal da unidade consumidora
para facilitar o acesso dos representantes da distribuidora.
Todas as partes condutoras não destinadas à condução da eletricidade devem ser
equipotencializadas à Terra conforme a norma 14039 ABNT e norma de segurança NR-10
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Os materiais e equipamentos instalados devem ser padronizados pela distribuidora
e estar de acordo com as prescrições da NBR 14039 da ABNT.
As subestações primárias de consumidor conectadas em tensão inferior a 69 kV
dividem-se basicamente em dois tipos, chamadas de simplificada e convencional,
conforme apresentado a seguir.
Tipos de subestações e características Tipo construtivo Entrada
Simplificada Alvenaria Aérea ou Subt.
- Medição na baixa tensão
Blindada Subterrânea
- Proteção da alta tensão por fusível
• Somente 1 trafo de potência máxima 300kVA Poste Aérea

Alvenaria Aérea ou Subt.


Convencional
- Medição na alta tensão
- Proteção da alta tensão por disjuntor com Blindada Subterrânea
acionamento através de relé
• Sem limites de potência e de transformadores
Figura 2.3: Características das tipos de subestações conectadas em tensão inferior a 69
kV Fonte: Elaboração dos autores

A AES Eletropaulo publicou o Comunicado Técnico nº 42 em dezembro de 2009,


que eliminou o padrão do tipo poste único em sua área de concessão. Em substituição a
AES Eletropaulo criou um padrão que constitui uma excessão à regra da Figura 2.3, pois
mesmo sendo uma subestação simplificada, a medição está no lado da alta tensão,
montada dentro de um conjunto blindado.

2.2.1. Subestação simplificada


Possui um único transformador trifásico com potência máxima de 300 kVA. A
medição é efetuada na baixa tensão e a proteção geral das instalações, no lado de alta
tensão, é feita por meio de fusível sem necessidade, portanto de disjuntor e relé.
As subestações simplificadas podem ser de uso interno (abrigada, de alvenaria),
externo (ao tempo, plataforma ou poste único) ou blindado.

2.2.1.1. Subestação simplificada, instalação em poste único


A sua montagem é externa a qualquer construção e feita em poste de concreto
com os respectivos materiais necessários para sua fixação, utilizando cruzetas e
elementos de fixação para o ramal de entrada, chave fusível, para-raios, transformador de
serviço e eletrodutos para o ramal de alimentação secundário.
No nível do solo deve ficar instalada a caixa de medição e proteção, bem como o
sistema de aterramento da subestação.
No compartimento da medição devem ser fixados o medidor e os
transformadores de corrente fornecidos pela distribuidora local. No compartimento
de proteção deve ser instalado o disjuntor ou a chave com fusível e a barra de
equipotencialização terra e neutro.
Observe o projeto de referência disponibilizado pela CPLF ern seu site
www.cpfl.com.br, acessado em 12/03/10.
2.2.I.2. Subestação simplificada em alvenaria
Pode ser construída uma edificação em alvenaria específica para a
subestação, ou pode estar situada no interior de outra edificação no nível do solo.
Caso a subestação precise ser instalada um pavimento abaixo ou um pavimento
acima, é necessário apresentar uma justificativa para a distribuidora de energia.
Todo material utilizado na construção deve ser incombustível, as paredes
devem ser de alvenaria e o teto de iaje de concreto, conforme é possível observar no
projeto de referência disponibilizado pela AES Eletropaulo em seu site
www.aeseletropaulo.com.br, acessado em 09/03/10.
A área construída destinada à subestação precisa ser suficiente para
instalação dos equipamentos eletromecânicos e acessórios, bem como permitir uma
eventual remoção. Também deve ser previsto espaço suficiente para permitir a livre
circulação, com segurança, dos profissionais que tenham de executar alguma tarefa
naquele local.
A subestação simplificada de alvenaria possui um único compartimento que
deve alojar o ramal de entrada (cabo para entrada subterrânea ou bar- ramento
para entrada aérea), a proteção primária (fusível), o equipamento de seccionamento
(chave seccionadora), o transformador, os para-raios e as caixas de medição e
proteção secundária.
Os cabos secundários (saída do transformador) são instalados dentro de
eletroduto galvanizado, interligando o transformador e a caixa de proteção e
medição.
Dentro da edificação de alvenaria o transformador e os equipamentos de alta
tensão são cercados por tela removível e articulável, permitindo a sua remoção
durante o serviço de manutenção. Fora do ambiente cercado pela tela, porém dentro
da edificação de alvenaria, instala-se a caixa de medição e proteção, bem como a
barra de equipotencialização.
A caixa de medição deve abrigar o transformador de corrente e o medidor
fornecido pela distribuidora de energia elétrica, já a caixa de proteção deve alojar o
disjuntor secundário ou a chave seccionadora com fusível.
2.2.1.3. Subestação simplificada blindada
Os conjuntos blindados fabricados para utilização em entradas consumidoras
devem ter o seu projeto homologado previamente na distribuidora de energia
elétrica local.
Caracterizam-se por apresentar os equipamentos e montagens eletro-
mecânicas alojadas em cubículo construído de chapa metálica, com seu ramal de
entrada subterrâneo.
O projeto da subestação blindada analisa o dimensionamento das chapas sob
o ponto de vista do esforço mecânico sofrido em condições normais de operação e
também durante a ocorrência de curto-circuito. A subestação também deve ser
projetada para impedir o acesso de animais em seu interior.
Dentro da subestação devem existir os seguintes compartimentos:
• Compartimento de entrada (terminal do cabo (mufla), para-raios e
seccionadora);
• Compartimento de proteção primária (fusível);
• Compartimento de transformação (transformador de serviço);
• Compartimento de medição (transformadores de corrente e medidor de
energia);
• Compartimento de proteção secundária (disjuntor).
O medidor e os TCs fornecidos pela concessionária ficam instalados em uma
caixa lacrada.
A instalação da subestação blindada pode ser em recinto interno ou externo
(ao tempo). No caso de instalação ao tempo, o projeto da subestação precisa prever
uma inclinação em sua parte superior para evitar infiltração de água.
Existem também subestações blindadas que, em vez do ar, utilizam hoje o
gás SF6 para garantir a isolação entre as fases e entre as fases e a carcaça metálica.

2.2.2. Subestação convencional


A subestação convencional pode ser projetada e construída com um ou mais
transformadores trifásicos. Corno característica possui medição do lado da alta
tensão, a proteção geral é feita através de disjuntor com desligamento automático
e acionamento através de relés.
Os transformadores podem ser instalados dentro da subestação primária ou
em subestação secundária. Caso o consumidor escolha instalar o transformador na
subestação primária, pode ser previsto um cubículo especí-
fico para sua instalação, bem como de seus respectivos sistemas de proteção em
alta tensão (disjuntor ou seccionadora com fusível do tipo HH).
Se o transformador instalado for do tipo imerso em óleo isolante e possuir
uma capacidade igual ou superior a 500 kVA, a NBR-14039 determina que deve
haver um sistema de drenagem para contenção de óleo no caso de um eventual
rompimento do tanque com derrame do líquido isolante.
Quanto ao tipo construtivo, as subestações convencionais podem ser de
alvenaria ou conjunto blindado.

2.2.2.I. Subestação convencional em alvenaria


De preferência, construída no limite da propriedade do consumidor com a via
pública, em local de fácil acesso e o mais próximo possível da entrada principal.
O ramal de entrada pode ser aéreo ou subterrâneo. Caso a subestação seja
recuada em relação ao limite da propriedade, o ramal de entrada deve ser
obrigatoriamente subterrâneo. A área compreendida entre a via pública e a
subestação não pode ser utilizada para qualquer tipo de construção ou depósito de
qualquer espécie.
A subestação pode ser construída preferencialmente ao nível do solo. Caso a
subestação precise ser instalada um pavimento abaixo ou um pavimento acima, é
necessário apresentar uma justificativa para a distribuidora de energia.
A subestação convencional possui pelo menos dois compartimentos com
divisão em alvenaria em que são alojados os equipamentos e as instalações
eletromecânicas de medição e proteção. Facultativamente a subestação primária
pode possuir outros compartimentos destinados a alojar os transformadores.
Opcionalmente pode ser instalado entre a medição e a proteção um cubículo
destinado a alojar um transformador auxiliar de potência máxima de 300 kVA, que
deve suprir os dispositivos de proteção de subtensão e o sistema de bombas de
incêndio. Esse transformador deve ser protegido na alta tensão por fusível.
O primeiro compartimento denominado de cubículo de medição destina-se a
receber o ramal de entrada e as terminações (muflas), para-raios, caso necessário,
equipamento de seccionamento tripolar (chave seccionadora), transformadores de
corrente (TCs) e transformadores de potencial (TPs) fornecidos pela distribuidora.
Esse cubículo normalmente é lacrado pela distribuidora de modo a impedir acesso de
pessoas que não sejam representantes da distribuidora de energia elétrica.
O segundo compartimento, denominado cubículo de proteção, destina- -se a
alojar a seccionadora tripolar, os transformadores de corrente (TCs), os
transformadores de potencial (TPs), o disjuntor principal e, facultativamente, os
relés de proteção. Todos esses equipamentos são de responsabilidade do
consumidor. Eventualmente os relés de proteção podem ser instalados em um painel
localizado fora do cubículo de proteção, porém dentro da subestação.
Todos os compartimentos devem ser dotados de anteparos, grade ou telas
removíveis e articuláveis, com dimensões padronizadas, para impedir o contato
direto involuntário de pessoas e animais com as partes energiza- das.
As dimensões devem ter espaços suficientes para instalação dos equi-
pamentos e os materiais eletromecânicos e sua eventual remoção, assim como livre
circulação para operação e manutenção dos equipamentos, obedecendo aos
afastamentos de acordo com a recomendação da distribuidora local e também
conforme orientação na norma técnica NBR 14039 da ABNT e as normas de
segurança NR-17 (Ergonomia) e a NR-10 (Segurança em instalações e serviços em
eletricidade) do Ministério do Trabalho e Emprego.

21.2.2. Subestação convencional blindada


Os conjuntos blindados, fabricados para utilização em entradas consumidoras
convencionais, têm o seu projeto homologado previamente na distribuidora de
energia elétrica local.
Basicamente a diferença entre a subestação convencional em alvenaria e a
subestação blindada está relacionada com os equipamentos e as montagens
eletromecânicas alojadas em cubículos construídos em chapa metálica, com seu
ramal de entrada subterrâneo.
2.3. Exercícios
Assinale falso (F) ou verdadeiro (V) nas alternativas a seguir:
1. Quanto ao tipo definimos subestação primária de consumidor de
tensão inferior a 69 kV como:
( ) Subestação simplificada e convencional.
( ) Subestação automática e semiautomática.
( ) Subestação motorizada e manual.
2. Nas subestações com potência acima de 300 kVA:
( ) Pode ser instalado apenas um transformador trifásico.
( ) A medição fica no lado da alta tensão.
{ ) A proteção geral é feita por disjuntor com desligamento auto mático
e relés.
3. Nas subestações blindadas o ramal de entrada:
( ) Pode ser aéreo.
( ) Pode ser subterrâneo ou aéreo, a critério do consumidor,
( ) Somente pode ser subterrâneo.
4. Na subestação de consumidor em tensão superior a 69 kV:
( ) Os TPs e TCs da medição e da proteção são fornecidos pela
distribuidora local.
( ) Os TPs e TCs de medição são instalados pelo consumidor.
( ) Na entrada da subestação deve haver um para-raios para cada fase,
especificado de acordo com a indicação da distribuidora.
5. Na subestação de poste único:
( ) O disjuntor de alta tensão deve ter ajuste de corrente definido pela
distribuidora local.
( ) A distribuidora local deve instalar o transformador e o disjuntor de alta
tensão e o consumidor deve instalar o poste e os demais
componentes eletromecânicos.
( ) É obrigatório apenas um transformador com capacidade de até 300
kVA.
Para realizar o processo de ligação de uma subestação existem procedimentos a
serem seguidos para que sejam cumpridas todas as etapas e apresentados os
documentos solicitados pelas distribuidoras de energia elétrica.
Primeiramente o consumidor deve solicitar uma análise de viabilidade para a
distribuidora a fim de verificar se há possibilidade de a rede elétrica suportar a carga
solicitada pelo consumidor, na tensão em que foi solicitada.
Caso a distribuidora precise realizar alguma adequação em sua rede para
alimentar essa subestação, o consumidor talvez tenha de pagar parte dessa adequação.
As regras que definem a participação financeira do consumidor no custo que a
distribuidora terá para atender ao pedido de ligação estão estabelecidas pela Resolução
250/07 da ANEEL.
Se houver custo para o consumidor, ele deve realizar o pagamento e apresentar
um documento "de acordo” para a distribuidora do seu interesse na continuidade do
processo de ligação. Mesmo que não haja custo para o consumidor, há necessidade de
apresentar seu documento “de acordo”, pois a distribuidora pode ter adequações na rede
para realizar às suas expensas e não vai fazê-lo sem que o consumidor confirme que
realmente vai construir a sua subestação conforme previsto.
Ultrapassada essa etapa, o consumidor elabora o projeto e apresenta à
distribuidora, conforme abordado em detalhes no próximo capítulo.
Após aprovado o projeto, pode ser realizada a construção da subestação e,
posteriormente, o consumidor deve solicitar o pedido de inspeção. Após inspecionada e
aprovada, a subestação não é ligada automaticamente porque o consumidor pode não
querer o início do fornecimento de energia logo após o término da construção da
subestação, portanto o consumidor precisa realizar um pedido de ligação, quando a
distribuidora vai efetivamente efetuar a ligação da subestação.
Todas essas etapas estão apresentadas de forma ordenada no fluxograma
ilustrado a seguir.
Figura 3.1: Fluxograma de ligação de uma subestação.
3.1. Elaboração e apresentação do projeto da subestação
Toda subestação de consumidor deve ser projetada por um profissional
especializado com o objetivo de avaliar previamente as características construtivas para
atender à necessidade de energia elétrica do local, sempre considerando os aspectos de
segurança necessários para a operação e a manutenção da subestação.
O projeto é realizado por um profissional autorizado e habilitado, que deve
recolher uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) com o intuito de deixar
registrado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) a sua
responsabilidade pelo projeto.
A concepção do projeto deve considerar o atendimento das normas técnicas e das
especificações da distribuidora, que deve fornecer um documento com a apresentação de
seus requisitos básicos.
Esse projeto deve originar um memorial descritivo, em que o projetista terá a
oportunidade de relatar as premissas utilizadas para sua elaboração, de tal forma que
alguém que receba o projeto possa entender em detalhes as premissas adotadas na sua
concepção.
Depois de elaborado, o projeto deve ser apresentado previamente para a
distribuidora locai, que terá a atribuição de analisar quanto à conformidade aos requisitos
mínimos estabelecidos e, posteriormente, enviar uma resposta ao projetista, mencionando
se o projeto está aprovado ou se existem não conformidades que precisem ser
adequadas.
Caso existam não conformidades, são apresentadas em uma carta específica com
a relação de itens a serem corrigidos. O projetista deve promover a adequação solicitada
e, posteriormente, reapresentar o projeto.
A apresentação do projeto deve ser feita quantas vezes for necessário até a
distribuidora aprová-lo. Uma vez aprovado, a distribuidora fica com uma via do projeto
para posterior conferência.
Junto com o projeto também é entregue uma carta de solicitação de fornecimento,
contendo uma série de documentações complementares para que seja efetivado o pedido
de ligação. A carta deve conter:
• Definição do tipo de subestação (simplificada ou convencional), conforme
Capítulo 2;
• Tipo construtivo (alvenaria, blindada ou poste);
• Demanda contratada;
• Grupo tarifário;
• Carga total instalada;
• Regime de trabalho (horas e dias da semana);
• Natureza da atividade (industrial, comercial etc.);
• Endereço da sede (quando aplicável);
• Nome, RG e CPF do representante legal e da testemunha;
• Dados de contato (telefone, e-mail, fax etc.);
• Dados cadastrais do responsável pelo pagamento (matriz ou filial, quando
aplicável);
• Endereço de correspondência.
Anexa à carta de solicitação devem ser entregues também cópias dos seguintes
documentos:
• Contrato social;
• Cartão do CNPJ;
• Inscrição Estadual;
• RG e CPF do representante legal;
• Contrato de locação (quando aplicável);
• Licença de funcionamento da Companhia Ambiental do Estado (quando
aplicável);
• Relação de carga discriminada por tipo de uso final;
• Projeto em três vias;
• ART do projeto e da execução.
A relação de documentos e exigências a ser apresentada pode variar entre
distribuidoras. A relação apresentada foi extraída do Livro de Instruções Gerais (LIG) da
AES - Eletropaulo - 2004.
A CPFL possui o documento "Sistema CPFL de projetos particulares via Internet -
Fornecimento em tensão primária” que apresenta todos os requisitos necessários ao
pedido de fornecimento.
Segue o modelo de carta da CPFL para apresentação do projeto:
3.2. Construção e testes da subestação
Somente após o recebimento da aprovação do projeto por parte da distribuidora é
que pode ser iniciada a compra dos materiais para construção da subestação. Os
materiais não devem ser adquiridos antes da aprovação do projeto, porque podem ser
solicitadas alterações significativas pela distribuidora, o que promove uma alteração na
relação e/ou na especificação do que deve ser comprado.
É preciso tomar um cuidado especial quanto à especificação dos materiais para
evitar a compra de produtos de baixa qualidade. A especificação técnica utilizada para a
compra deve ser detalhada a ponto de cercar todas as variáveis daquele material ou
equipamento, de forma a não haver dúvida do que está sendo comprado.
Após a compra e o recebimento dos materiais e equipamentos, inicia- -se a
montagem da subestação. É importante que o projeto seja seguido fielmente, salvo
imprevistos não contemplados no projeto, que devem ser objeto de consulta ao projetista
e posterior as-built1.
Depois de terminada a montagem, é importante a realização de alguns testes a
fim de verificar se todos os equipamentos estão funcionando perfeitamente.
Recomenda-se a realização dos seguintes testes:
• Funcionamento dos disjuntores;
• Operação dos intertravamentos;
• Medição de resistência de isolação no disjuntor;
• Medição de resistência de isolação nas chaves seccionadoras;
• Medição de resistência de isolação nas terminações dos cabos de alta tensão;
• Medição de resistência de isolação nos transformadores;
• Medição de resistência de isolação dos barramentos;
• Análise de óleo do transformador;
• Verificação do TAP do transformador;
• Ensaio de relação de transformação do transformador;
• Ensaio de tensão aplicada no barramento;
• Medição de resistência de aterramento;
• Continuidade da fiação de comando, medição e proteção;
• Atuação dos relês.

1 - Termo em inglês que significa “como construído", ou seja, trata-se da revisão do projeto que contempla
todas as modificações realizadas durante a construção da subestação, devido a interferências ou problemas
que não haviam sido previstos no projeto.
PEDIDO DE INSPEÇÃO Data:
Interessado:
Venho pela presente solicitar a inspeção dos serviços executados na propriedade acima
Localidade:
qualificada e construídos conforme projeto vistado por essa companhia.
S.A. na ______
Telefone de informações e contatos:
E-mail: que as instalações executadas sob a responsabilidade técnica constante da
Declaro
ART na ______ encontram-se totalmente concluídas e desenergizadas, que vai ao ponto
de entrega até a medição, ou além, conforme esclarece o item 6 da Norma Técnica da
CPFL-Paulista e CPFL-Piratiniga, Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Primária 15 kV
e 25 kV - Volume 1, e verificação feita conforme roteiro de inspeção, anexo III da norma
Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Primária 15 kV e 25 kV - volume 3 - Anexos.

Responsável técnico
CREA

Caso seja encontrada alguma não conformidade nesses testes, deve ser realizada a
adequação do problema encontrado, antes de ser feito o pedido de inspeção da subestação
para a distribuidora.

3.3. Pedido de inspeção


Depois de concluídos todos os testes e adequações, a distribuidora deve ser acionada
para pedir que a subestação seja inspecionada.
Um técnico da distribuidora realiza uma visita ao local para verificar se a construção e a
montagem foram realizadas conforme o projeto aprovado. Caso seja encontrada alguma
irregularidade, a subestação pode ter a ligação adiada até a correção do problema.
Durante essa vistoria a distribuidora pode exigir alguns relatórios de testes de
comissionamento, bem como efetuar medições próprias a fim de verificar algumas informações.
Segue o modelo de carta da CPFL para realizar o pedido de inspeção da subestação.
Figura 3.5: Modelo ds carta da CPFL para pedido de inspeção da subestação.
Fonte: CPFL
3.4. Sistema de tarifação de uma ligação em alta tensão
De acordo com a Resolução 456, de 29 de novembro de 2000, da Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as unidades consumidoras são classificadas pelo
nível de tensão que a distribuidora fornece no ponto de entrega2. De acordo com o valor da
tensão o consumidor se enquadra em um determinado subgrupo tarifário.
As unidades consumidoras que recebem energia elétrica em tensão inferior a 2,3
kV são classificadas como grupo B (exceção aos clientes do sistema subterrâneo), já os
consumidores que estão ligados em uma tensão superior a 2,3 kV são classificados como
grupo A, subdivididos nos seguintes grupos:
• A1: tensão de fornecimento igual ou superior a 230 kV;
• A2: tensão de fornecimento de 88 kV a 138 kV;
• A3: tensão de fornecimento de 69 kV;
• A3a: tensão de fornecimento de 30 kV a 44 kV;
• A4: tensão de fornecimento de 2,3 kV a 25 kV;
• AS: tensão de fornecimento inferior a 2,3 kV, atendidas a partir do sistema
subterrâneo de distribuição e faturadas nesse grupo em caráter opcional.
A tarifa de energia elétrica do subgrupo Al possui um valor menor do que a tarifa
do subgrupo A2 e assim sucessivamente até o subgrupo AS. A tarifa é mais cara para o
consumidor que está conectado a uma tensão menor de fornecimento, porque para a
energia elétrica chegar até os níveis mais baixos de tensão, a distribuidora precisou
investir em uma infraestrutura maior de transmissão e transformação, que requer um custo
de construção, manutenção e operação que não existe em um consumidor do subgrupo
A1.
Entretanto, vale destacar que apesar de a tarifa ser mais barata para o
fornecimento em uma tensão mais elevada, o consumidor precisa investir na sua
infraestrutura de recebimento e transformação dessa energia, ou seja, precisa construir
uma subestação.
Para as unidades consumidoras de baixa tensão (grupo B) aplica-se uma tarifa
monômia (um único componente - energia) e para aquelas unidades pertencentes ao
grupo A (alta tensão) aplica-se uma tarifa binômia (dois componentes - energia e
demanda).
A unidade consumidora do grupo A deve contratar uma demanda, que significa a
capacidade da rede de distribuição que está disponível para sua utilização.

2 Ponto de entrega é o ponto de conexão do sistema elétrico da distribuidora com as instalações elétricas do
consumidor, sendo o limite de responsabilidade entre as partes.
Caso a demanda máxima registrada no período de faturamento fique abaixo da
demanda contratada, é cobrada a demanda contratada, porém, caso a demanda
registrada fique acima da demanda contratada, desde que não ultrapasse o limite de 10%
para fornecimento abaixo de 69 kV e 5% para fornecimento superior a 69 kV, é cobrado o
valor registrado multiplicado pela tarifa.
Exemplo A:
Demanda contratada: 100 kW
Demanda máxima registrada: 90 kW
Conta de energia elétrica: 100 x tarifa
Exemplo B:
Demanda contratada: 100 kW
Demanda máxima registrada: 104 kW
Conta de energia elétrica: 104 x tarifa
Se houver uma ultrapassagem superior aos limites estabelecidos (5% ou 10%,
dependendo da tensão de fornecimento), a demanda faturada é aquela contratada
multiplicada pela tarifa, somada ao valor da diferença entre a demanda máxima registrada
e a demanda contratada, multiplicada pela tarifa de ultrapassagem.
Exemplo C:
Demanda contratada: 100 kW
Demanda máxima registrada: 120 kW
Conta de energia elétrica: (100 x tarifa) + (20 x tarifa de ultrapassagem)
Vale destacar que a tarifa de ultrapassagem geralmente é três vezes mais
elevada do que a tarifa normal, portanto a ultrapassagem da demanda contratada acima
do percentual de tolerância pode ser entendida como uma multa, devido ao elevado valor
da tarifa de ultrapassagem. Existem ainda três tipos de tarifa que uma unidade
consumidora em alta tensão pode escolher:
» Convencional;
• Horossazonal azul;
• Horossazonal verde.
A tarifa convencional não permite que o consumidor perceba os reflexos
decorrentes do horário de utilização da energia elétrica, já que não há diferenciação de
preços segundo os horários ao longo do dia e períodos do ano.
Dentro da tarifa horossazonal podem ser escolhidas ainda duas modalidades
chamadas de tarifa azul e tarifa verde. A diferença dessa tarifa para a convencional é que
ela possui valores diferentes para os horários de ponta e fora de ponta e para os períodos
seco e úmido1.
A principal diferença entre as tarifas azul e verde está nos valores dos horários de ponta
e fora de ponta. Para a tarifa verde o valor da demanda (kW) é único independente do horário
do dia, mas a energia consumida (kWh) no horário de ponta é muito mais cara que no horário
fora de ponta. A demanda da tarifa azul no horário de ponta é mais cara que no horário fora de
ponta, porém a energia consumida no horário de ponta não é tão alta como no horário fora de
ponta em relação à tarifa verde.

Tabela 3.1: Cobrança de energia e demanda das tarifas disponíveis para


consumidores do grupo A. Fonte: Elaboração própria, adaptado da Resolução
456/2000 da AIIEEL

1 Período úmido: meses compreendidos entre dezembro e abril. Período seco: meses compreendidos entre maio
e novembro.
Para ilustrar as diferenças de tarifas entre as três modalidades existentes, estão
representados a seguir os valores praticados pela AES - Eletropaulo no segundo semestre de
2009 para o subgrupo A4. Esses valores são diferentes para cada distribuidora e reajustados
anualmente.
Demanda Energia

(RS/kW) (RS/MWh)

Convencional 22,26 179,35

Horossazonal azul

Ponta seca 31,13 260,76

Ponta úmida 31,13 235,68


Fora de ponta seca 7.35 161,99
7.35 147,43
Fora de ponta úmida Ultrapassagern

Ponta seca ou úmida 93,40


Fora de porita seca ou úmida 22,05

Horossazonal verde

Ponta seca 7,35 983,71

Ponta úmida 7.35 958,63


Fora de ponta seca 7,35 161,99
7?35 147,43
Fora de ponta úmida Ultrapassagern

Seco ou úmido 22,05

Vale destacar que as unidades consumidoras com demanda contratada inferior a 300
kW podem escolher qualquer uma das três modalidades de tarifa, porém se a demanda
contratada for igual ou superior a 300 kW, somente é possível escolher uma das tarifas
horossazonais (azul ou verde).
Esta regra vale para as unidades consumidoras que possuem uma tensão de
fornecimento inferior a 69 kV, pois caso a tensão seja igual ou superior a esse valor,
compulsoriamente essa unidade consumidora será cobrada pela tarifa horossazonal azul.
A Resolução 456 da ANEEL determina que o horário de ponta compreende um período
de três horas consecutivas do dia definido pela distribuidora, exceção feita aos sábados,
domingos e feriados nacionais. São apresentados a seguir os horários de ponta de algumas
das principais distribuidoras:
• Eletropaulo: 17h30 às 20h30
• Bandeirante: 18 às 21 horas
• CPFL: 18 às 21 horas
• Elektro: 17h30 às 20h30
• Copei: 18 às 21 horas
• Light: 17h30 às 20h30
• Ampla: 18 às 21 horas
3.5. Exercícios
1. Desenhe o fluxograma de ligação de uma subestação.
2. Relacione os documentos que devem ser entregues no projeto para a distribuidora.
3. Cite cinco testes que devem ser realizados após o término da construção da
subestação.
4. Uma unidade consumidora do grupo A paga uma tarifa binômia. O que isso
significa?
5. Quais são os três tipos de tarifa existentes para as unidades consumidoras do
grupo A?
Este capítulo tem como objetivo definir a função, as características, a forma de
acionamento e os tipos de equipamentos utilizados nas subestações de consumidores de
alta tensão. Não há o propósito de abordar os aspectos de cálculo de corrente, tensão ou
tempo de atuação deles. Os procedimentos de ensaio dos equipamentos apresentados
serão abordados no Capítulo 7.

4.1. Ramal de ligação


É o conjunto de condutores, com respectivos materiais necessários a sua fixação,
que interliga o ponto de entrega da distribuidora aos terminais de entrada da subestação do
consumidor.
O ramal de ligação pode ser definido diferentemente em função do tipo de entrada de
energia.
Entrada aérea
É aquele constituído de condutores nus, suspensos em estruturas, podendo ser de
cobre ou alumínio.
Entrada subterrânea
É aquele constituído de condutores isolados, instalados dentro de ele- troduto,
diretamente enterrado no solo.
Nas subestações de tensão inferior a 69 kV, normalmente se utiliza um único ramal
de ligação. Dependendo da característica do consumidor e da disponibilidade da
distribuidora, pode-se fornecer dois ramais. Somente um ramal deve alimentar a unidade
consumidora de energia elétrica, ficando o segundo como reserva para utilização somente
no caso de falta de energia no ramal principal.
Em subestações de tensão superior a 69 kV, é comum a distribuidora disponibilizar
dois ramais de ligação. Da mesma forma, somente um ramal deve suprir a unidade
consumidora, ficando o segundo ramal como reserva.
O ramal de ligação é composto de três condutores, sendo um para cada fase, mais
um condutor para o neutro com o objetivo de promover a equipotencialização entre o neutro
da distribuidora com o terra e com o neutro da unidade consumidora.
No caso de entrada subterrânea podem ser utilizados três cabos singelos ou um
cabo trifásico. É recomendável que seja instalado um cabo reserva que ficará ligado em uma
fase no poste da distribuidora e isolado dentro da subestação do consumidor. O cabo reserva
apresenta a vantagem de fácil e rápido restabelecimento do fornecimento de energia no caso
de queima de um cabo da unidade consumidora, pois simplesmente é necessário
desconectar o cabo danificado e conectar o cabo reserva.
O dimensionamento dos condutores deve levar em consideração a carga prevista de
ser instalada na unidade consumidora, bem como deve ser atendido o padrão da
distribuidora.

4.2. Cabo de alta tensão


Os cabos de alta tensão têm características diferentes dos cabos de baixa tensão.
Além do condutor de cobre ou alumínio ao centro do cabo, ele ainda possui outras camadas
ao seu redor.
Logo ao redor do condutor central existe uma camada de fita semi- condutora,
depois está presente a isolação propriamente dita que pode ser de diversos materiais, como,
por exemplo, PVC (cloreto de polivinila), XLPE (polietileno) ou EPR (etileno propileno). Ao
redor da isolação existe outra camada de fita semicondutora, depois está instalada a
blindagem ou malha de aterramento e a última camada é uma proteção de borracha.

1 Condutor
2 Semicondutor
3 Isolação
4 Semicondutor
5 Blindagem
6 Cobertura externa

As fitas semicondutoras possuem a função de filtrar e uniformizar as diversas linhas de


Figura 4.1: Camadas de um cabo de alta tensão.
campo magnético formadas pelos vários condutores que compõem o condutor central.
A blindagem deve sempre ser aterrada para garantir que, na ocorrência de uma falha na
isolação, a região ao redor do cabo não fique energizada. Envolta de todas essas camadas
existe uma cobertura externa que possui a função de proteger mecanicamente o cabo.
Existe também um cabo que possui na sua isolação um tipo de papel impregnado com
óleo isolante. O óleo é mantido sob pressão e monitorado constantemente para assegurar que
um vazamento não elimine a camada isolante, vindo a danificar o cabo.
A isolação do cabo de alta tensão é determinada por dois valores. O primeiro
corresponde à isolação do cabo entre fase e terra e o segundo, ao valor de tensão suportável
entre fase-fase. Por exemplo, o cabo 8,7/15 kV suporta até esses valores de tensão, quando
aplicado da seguinte forma:

Figura 4.2: Isolação suportável entre fases e entre fase e terra em um cabo de alta tensão.

Um cabo de alta tensão não pode ser conectado em sua extremidade da mesma forma
que um cabo de baixa tensão, pois a decapagem de sua extremidade deixaria muito próximo a
parte central do cabo, que está energi- zada, da blindagem que está aterrada, provocando um
curto-circuito.
Para resolver esta questão é necessário fazer uma terminação, também conhecida
como mufla, na extremidade dos cabos de alta tensão. Basicamente existem quatro tipos de
terminação:
• Termocontrátil;
• Retrátil a frio;
• Porcelana;
• Enfaixada.
Os três primeiros tipos podem ser utilizados tanto para uso interno como externo e
recomenda-se que a terminação enfaixada seja utilizada somente em aplicações internas.
Todos esses tipos de terminação são vendidos na forma de um kit, que contém
praticamente todos os recursos necessários para realizar a terminação e também as instruções
para confeccioná-la.
Para a confecção das terminações, além do material fornecido no kit, é necessário dispor
de ferramentas para decapagem do cabo, e também se deve providenciar o terminal correto a
ser instalado na ponta do cabo.
Figura 4.3: Terminação retrátil a frio. Fonte: 3M

O processo de decapagem dos quatro tipos de terminação é muito similar. A principal


diferença está na capa externa da terminação. No caso da terminação termocontrátil a camada já
vem expandida e, após posicionada, deve ser aquecida com um soprador térmico, que faz com
que o material se contraia, "abraçando" o cabo.
No sistema retrátil a frio a capa externa é mantida expandida por meio de um anel interno
de fio de náilon, que quando tem sua extremidade puxada, se desenrola, permitindo que a capa
externa se contraia, finalizando a confecção da terminação.
A terminação em porcelana, como o próprio nome já diz, é composta de uma peça de
porcelana cheia de silicone por dentro para garantir a vedação. Após decapado, o cabo é
colocado no seu interior e fixado por parafusos apropriados.
O tipo mais simples de terminação é a enfaixada, formada somente por fitas enroladas
em sua extremidade.
Os kits de todos os tipos de terminação acompanham um manual que apresenta o roteiro
passo a passo de como confeccionar a terminação, desde a decapagem até o acabamento.

4.3. Para-raios
Os para-raios são destinados a proteger os equipamentos de um circuito contra surto de
tensão transitório de origem externa provocado por descargas elétricas atmosféricas e/ou
anomalias de origem interna (como manobras ou chaveamentos). Esses eventos provocam
sobretensão nas instalações, podendo ocasionar a queima de equipamentos.
Nas subestações podem ser encontrados os seguintes tipos de para-
-raios:

• Cabo para-raios;
• Para-raios do tipo haste reta (Franklin, gaiola de Faraday);
• Para-raios do tipo válvula.
4.3.1. Cabo para-raios
Situado acima dos condutores de uma linha de transmissão aérea, o cabo para-raios tem
a finalidade de protegê-la contra descargas atmosféricas diretas e atenuar a indutância da linha.
4.3.2. Para-raios do tipo haste reta
Instalado nas partes mais altas das construções, o para-raios do tipo haste reta é
constituído de uma haste metálica mais o captor, ou pelo princípio de gaiola de Faraday, que
possui a função de proteger a instalação civil contra descargas elétricas atmosféricas.

4.3.3. Para-raios do tipo válvula


O para-raios do tipo válvula é conectado na fase em seu lado superior e no aterramento
no seu lado inferior. Os para-raios são monofásicos, portanto é preciso instalar um em cada fase,
ficando ligados em paralelo com a instalação elétrica. Os para-raios do tipo válvula são utilizados
nas subestações com objetivo de proteger os equipamentos elétricos do circuito.
No formato de um tubo isolante, que internamente possui elementos de proteção
fabricados de óxido de zinco, o para-raios mantém a isolação entre o seu lado superior e o lado
inferior até que seja submetido a uma tensão superior à sua tensão nominal. Ao receber um valor
de tensão superior ao projetado, provocado por descarga elétrica atmosférica ou eventual
anomalia, o para-raios forma um caminho de baixa impedância a terra, descarregando a
sobretensão existente, protegendo os equipamentos do circuito.
Figura 4.5: Para-raios do tipo válvula.

4.4. Disjuntores
São equipamentos destinados a interromper a corrente elétrica de um circuito em
condições normais ou anormais, como em um curto-circuito ou em eventuais anomalias.
Como o disjuntor possui a função de extinguir o arco elétrico, vamos analisar as
características desse fenômeno. Ao interromper a corrente elétrica em um circuito, há
formação do arco elétrico que é definido pela passagem da corrente elétrica através do ar
ou do seu meio isolante. Como o ar ou o meio isolante mantêm uma rigidez dielétrica maior
que a do condutor, essa passagem da corrente elétrica provoca uma elevada temperatura,
da ordem de milhares de graus Celsius, no caminho que ela percorre.
A formação do arco elétrico possui características de uma explosão, com elevada
energia térmica e acústica emitida. O calor intenso pode provocar a queima dos materiais
que estejam nas proximidades. A intensidade do arco elétrico depende da corrente que
esteja percorrendo o circuito no momento de sua interrupção e do tempo da abertura do
circuito.
O momento mais crítico de operação do disjuntor ocorre no processo de sua
abertura. Durante a abertura ocorre a ionização do meio isolante entre o contato móvel e o
contato fixo, formando um gás eletricamente condutor, queimando o meio isolante e
deteriorando os contatos.
Para evitar que a cada abertura os contatos se danifiquem, os disjuntores possuem
um sistema de extinção do arco elétrico. A tecnologia empregada para efetuar a extinção do
arco é exatamente o modelo que define o tipo do disjuntor. Os tipos de disjuntor de alta
tensão mais comuns são:
• Grande volume de óleo (GVO);
• Pequeno volume de óleo (PVO);
• Sopro magnético;
• Ar comprimido;
« Vácuo;
• Gás.

4.4.1. Disjuntor a óleo


São disjuntores que utilizam óleo isolante como elemento de extinção do arco elétrico.
Existem dois tipos de disjuntor a óleo, sendo grande volume de óleo (GVO) e pequeno volume de
óleo (PVO). O que os diferencia é a quantidade de óleo utilizada, tamanho físico e alguns
detalhes construtivos.

1 - Cabeçote metálico
2 - Contato fixo
3 - Câmara de extinção
4 - Contato móvel
5 - Bucha isolante
6 - Alavanca de ligar e desligar
7 - Varão de acoplamento
8 - Compartimento de sustentação
9 - Óleo isolante
Figura 4.6: Características internas de um polo de disjuntor a pequeno volume de óleo.
Por ter boa característica dielétrica de extinção e resfriamento, o óleo mineral isolante
sempre foi utilizado como meio de extinção do arco elétrico desde os disjuntores mais antigos.
No momento da abertura e do fechamento do disjuntor, o arco elétrico provoca uma elevada
temperatura dentro da câmara de extinção, provocando decomposição do óleo e desgaste dos
contatos.
A decomposição do óleo forma vários gases, entre eles o hidrogênio que é considerado
um bom condutor térmico, mantendo essa temperatura elevada no caminho do arco elétrico.
O arco elétrico é extinto quando o óleo é injetado com uma temperatura menor e com a
rigidez dielétrica maior, diretamente no ponto onde está formado o arco elétrico.
Esse movimento do óleo ocorre da seguinte forma: o polo do disjuntor está cheio de óleo
e quando o disjuntor está fechado, o contato móvel está na parte superior do polo acoplado ao
contato fixo. Durante a abertura do disjuntor o contato móvel é projetado para a parte de baixo do
polo, tomando espaço de uma parte do óleo que ali se encontra. O único lugar para onde esse
óleo pode ir é a parte superior do polo.
Quando o óleo sobe, a câmera de extinção direciona o óleo que está subindo para a
parte central do polo, que é justamente onde está se formando o arco elétrico, que é extinto.

Figura 4.7: Processo de abertura de um disjuntor a pequeno volume de oleo.


4.4.2. Disjuntor a ar comprimido

Trata-se de disjuntores que utilizam o ar comprimido para realizar a extinção do arco


elétrico formado durante a sua abertura. A sua aplicação é restrita às subestações de
tensão superior a 69 kV.
Além de promover a extinção do arco elétrico, o ar comprimido também é
responsável por gerar o movimento mecânico que faz o acionamento do disjuntor.
Durante o acionamento o compressor do mecanismo do disjuntor fornece ar
comprimido na quantidade e pressão necessárias para extinção do arco elétrico. Esse
procedimento consiste em criar um fluxo de ar sobre o arco, provocado por um diferencial de
pressão, quase sempre descarregando o ar comprimido para a atmosfera.
Existem dois sistemas de extinção do arco elétrico com a utilização do ar
comprimido: sistema unidirecional e sistema bidirecional:
• Sistema de sopro unidirecional (mono blast): nesse sistema o ar comprimido
flui por dentro do contato fixo até o ponto onde está sendo formado o arco
elétrico, promovendo a sua extinção.
• Sistema de sopro bidirecional (dual blast): nesse sistema o ar comprimido flui
tanto por dentro do contato fixo como por dentro do contato móvel, atingindo o
ponto onde está sendo formado o arco elétrico, promovendo a sua extinção.
Para garantir o bom funcionamento do disjuntor, extinguindo o arco de forma rápida
e eficiente, o ar comprimido utilizado deve ser limpo, isento de impurezas e sem umidade.
Esse tipo de disjuntor possui como suas principais vantagens:
• Rapidez de operação;
• Meio de extinção (ar) não inflamável;
• Boa capacidade de extinção do arco elétrico;
• Fácil captação do meio de extinção (ar) em relação a outros disjuntores.
Entretanto, esse tipo de disjuntor possui algumas desvantagens,
como:
• Elevado nível de ruído durante a sua operação e durante a reposição do ar
comprimido;
• Custo de manutenção elevado;
• Necessidade de muito espaço físico para sua instalação.
4.4.3. Disjuntor a sopro magnético

Os disjuntores a sopro magnético utilizam um campo magnético e o ar comprimido


para a extinção do arco elétrico. Durante a abertura do disjuntor o percurso da corrente
elétrica é direcionado a passar por uma bobina que limita a intensidade da corrente elétrica.
Concomitantemente à abertura do disjuntor, um sopro de ar direciona o arco elétrico
que estava se formando para a parte superior do disjuntor onde se encontra a câmara de
extinção formada por placas de amianto, promovendo o fracionamento e a extinção do arco
elétrico.

Figura 4.3: Funcionamento de urn disjuntor a sopro magnético.


Esse tipo de disjuntor foi comercializado até o final da década de 1980 e a sua
principal aplicação ocorreu nas distribuidoras de energia. Não é comum encontrar esse
disjuntor nas subestações de consumidores.

4.4.4. Disjuntor a vácuo


São disjuntores que utilizam o vácuo para a extinção do arco elétrico. Podemos dizer
que esse sistema é um dos mais eficientes para extinção do arco, pois no vácuo não há
decomposição de gases, e as câmaras her- meticamente fechadas sobre pressão eliminam o
efeito do meio ambiente, mantendo um dielétrico permanente. Sem a queima e sem as
oxidações dos contatos, a ampola a vácuo garante uma resistência de contato baixa, pro-
longando a vida útil do equipamento.
A câmara de extinção é um recipiente vedado de porcelana ou vidro vitrificado, com
dois contatos internos que, ao serem acionados, fecham-se, auxiliados por dois foies
metálicos.
Caso a ampola a vácuo apresente defeito, ela precisa ser substituída, pois devido à
sua característica construtiva e ao alto vácuo existente em seu interior, não é possível
realizar manutenção em seus contatos internos, entretanto a sua vida útil é muito longa.
Alguns fabricantes chegam a prever que o equipamento pode suportar até trinta mil
operações.

1 - Contato fixo
2 - Terminação
3 - Isolador (cerâmica)
4 - Câmara de comutação
5 - Fole metálico
6 - Mancal/guia
7 - Contato móvel
8 - Acionamentos

Figura 4.9: Ampola de um


disjuntor a vácuo.

O disjuntor a vácuo começou a ser comercializado na década de 1970 e, atualmente, é o


mais utilizado para a faixa de tensão de 13,8 kV a 34,5 kV pelas distribuidoras de energia.
Nas subestações de consumidores não é tão comum o emprego do disjuntor a vácuo,
porque o seu preço é mais elevado em relação ao disjuntor de pequeno volume de óleo, porém a
sua confiabilidade é bem maior e o seu custo de manutenção é muito pequeno.

4.4.5. Disjuntor a gás


Esse disjuntor utiliza o gás hexafluoreto de enxofre (SF6) para extinção de arco elétrico.
O SF6, quando em condições normais, é altamente dielétri- co, não inflamável, não tóxico,
inodoro e inerte até cerca de 5.00CFC. Seu peso específico é de 6,14 g/l, correspondente a
cinco vezes o peso do ar. Sua estrutura molecular simétrica e estável torna-o um gás nobre.
O gás SF6 pode ser utilizado como isolante em disjuntores de 13,8 kV até 500 kV de
tensão. As suas câmaras são fechadas com o gás injetado sobre pressão.
Durante o movimento de abertura e fechamento, o gás está presente entre os contatos
fixo e móvel, devido ao próprio movimento do disjuntor ou através de válvula interna na câmara
de extinção, que resulta uma eficaz extinção do arco elétrico, acarretando desgaste muito
pequeno dos contatos, diminuindo, assim, os custos com manutenção.

4.4.6. Mecanismo dos disjuntores


O mecanismo do disjuntor é o responsável por impulsionar o contato móvel dos polos,
promovendo a sua abertura e o seu fechamento. Esse movimento precisa ser rápido e constante
tanto na abertura quanto no fechamento.
Nos disjuntores de alta tensão, o sistema mais utilizado, que atende à necessidade de
rapidez no acionamento, emprega molas que são carregadas manualmente ou por intermédio de
um motor.
Os disjuntores possuem duas molas, urna com a função de ligar o disjuntor e outra que o
desliga. Eventualmente, alguns modelos de disjuntor possuem duas molas para efetuar a
mesma função (ligar ou desligar). Isso ocorre porque o projeto do disjuntor previu que, para obter
a força mecânica requerida para efetuar a operação, seriam necessárias duas molas, entretanto
sempre haverá molas específicas para cada função de ligar e desligar.
Nesse sistema existe uma manivela, alavanca ou motor, que se encarrega de carregar a
mola de ligar, deixando o disjuntor em condições de ser ligado, pelo comando elétrico ou pelo
comando manual.
Ao fechar o disjuntor, a mola de ligar descarrega, fechando-o e carregando a mola de
desligar, deixando-a tencionada e em condições de desligar o disjuntor.
Dentro do mecanismo as molas são mantidas carregadas por uma trava conhecida
como "bico de papagaio". Ao efetuar um comando de acionamento, essa trava libera a mola
que se descarrega, promovendo a abertura ou o fechamento do disjuntor.
Vale destacar que o carregamento manual ou motorizado sempre é feito na mola de
ligar, pois a mola de desligar é carregada no momento em que o disjuntor está sendo
fechado.

4.4.7. Acionamento dos disjuntores


Conforme estudado no capítulo anterior, o disjuntor atua mediante o acionamento de
molas e o disparo delas ocorre somente após o recebimento de um comando.
Existem três tipos de comando que podem acionar os disjuntores:
• Comando manual;
• Comando elétrico;
• Comando automático.

4.4.7.1. Comando manual


É realizado no próprio disjuntor pelos botões de ligar e de desligar que existem na
parte frontal do disjuntor. Quando acionado, tanto os botões de ligar como de desligar
liberam a trava de sustentação da respectiva mola, promovendo a abertura ou o fechamento
do disjuntor.
Esse comando deve ser evitado quando possível, pois para pressionar o botão, o
profissional deve estar muito próximo ao disjuntor e caso venha a ocorrer algum problema
na instalação durante a operação, o risco de um acidente é maior do que se o profissional
estivesse mais afastado.

4.4.7.2. Comando elétrico


O comando elétrico é realizado através de manopla ou botoeiras fixadas em um
painel de comando. Esse painel pode ser instalado próximo ao: disjuntor ou em alguma local
dentro da subestação e até mesmo fora dela.
Para efetuar esse tipo de comando, o disjuntor deve ser provido de bobina de ligar e
bobina de desligar. As bobinas fazem a função do comando manual, pois quando
acionadas, o seu êmbolo atua sobre a trava de sustentação das molas de ligar ou desligar,
promovendo a abertura ou o fechamento do disjuntor.
4.4.7.3. Comando automático
É realizado por meio dos relés de proteção. Trata-se de uma operação automática
porque, depois de instalados e parametrizados, os relés atuam independentemente de qualquer
intervenção de um profissional.
Quando o relé é acionado, devido a alguma anomalia ocorrida na subestação, ele pode
atuar enviando um comando elétrico para as bobinas de ligar e desligar ou então através de uma
barra de acionamento que transmite o movimento mecânico do relé diretamente para a trava da
mola do disjuntor.
Figura 4.10: Painel de acionamento de um disjuntor com relé para comando automático e botoeiras
para comando elétrico.

4.3. Chaves seccionadoras


São dispositivos destinados a realizar manobras de abertura e fechamento de um
circuito elétrico sem carga. Em condições normais e com seus contatos fechados, as chaves
seccionadoras devem ser capazes de manter a condução de sua corrente nominal, inclusive em
condições de curto-circuito, sem sobreaquecimento.
Geralmente, as chaves seccionadoras são trifásícas com acionamento simultâneo
das três fases por intermédio de um comando único. Cada fase é munida de isolador para a
sustentação do contato fixo e outro isolador para sustentação do contato móvel. O contato
móvel está ligado em um eixo rotativo que pode ser acionado por um bastão de manobra ou
por intermédio de uma manopla.
Figura 4.11: Chave seccionadora tripolar com acionamento por manopla.

Em subestações de tensão superior a 69 kV podem ser encontradas chaves


seccionadoras com abertura central e lateral por meio de contatos simples ou duplos e o seu
acionamento pode ser manual ou motorizado, acionado por intermédio de um comando
elétrico com botoeiras.
Apesar de as chaves seccionadoras serem projetadas para não realizarem nenhuma
operação de abertura ou fechamento sob carga, existe um tipo de chave que permité a
operação quando há carga no circuito, porém é importante destacar que a chave não pode
operar quando por ela percorrer a sua corrente nominal suportável, tampouco operar em
situação de curto- -circuito.
A abertura ou o fechamento dessa chave somente pode ocorrer quando estiver
percorrendo uma corrente elétrica limitada pelo circuito. Por exemplo, a chave seccionadora
modelo HDB do fabricante Beghim possui a corrente nominal de 400 A ou 630 A, porém o
sistema de extinção de arco existente somente pode interromper uma corrente de 90 A,
considerando um fator de potência de 0,85.
Figura 4.12: Chave seccionadora tripolar com dispositivo de
abertura sob carga.

Esse tipo de chave seccionadora dispõe de um sistema de molas e contatos


auxiliares que possuem a seguinte função: durante o movimento de abertura, os contatos
principais iniciam o seu movimento, mas os contatos auxiliares permanecem fechados
dentro da câmara de extinção; simultaneamente a esse movimento uma mola é carregada.
Quando os contatos principais já estão quase totalmente abertos, essa mola é disparada,
promovendo a rápida abertura dos contatos auxiliares. Esse movimento rápido associado à
câmara de extinção existente impede a formação de um arco elétrico danoso ao
equipamento.

4.4. Chave fusível


Também conhecida como chave matthews, a chave fusível executa tanto a função
normal de seccionador de circuito sem carga quanto de proteção perante um curto-circuito
ou sobrecorrente pela queima do seu elo fusível interno, que em condições normais também
faz a vez de contato móvel.
Essa chave é acionada por meio de um bastão de manobra e pode ser instalada com
fusíveis de diversos valores de corrente elétrica, dependendo da necessidade do local onde
ela é utilizada.
Não é comum encontrar essa chave dentro das subestações de consumidores,
porém, geralmente, a distribuidora de energia a instala no seu poste diretamente no ramal
que é derivado para alimentar a subestação do consumidor, funcionando como uma
retaguarda de proteção do disjuntor geral da subestação, caso ele não atue na ocorrência
de um curto-circuito interno.
Figura 4.13: Chave fusível.

4.7. Transformador
É uma máquina elétrica estática que, por meio de indução eletromagnética,
transfere energia elétrica de um circuito (primário) para outros circuitos (secundário e/ou
terciário), mantendo a mesma frequência, mas geralmente com valores de tensão e
corrente diferentes.
Os principais componentes do transformador são as bobinas e o núcleo. Um
transformador elementar monofásico possui uma bobina ligada no lado da alimentação
elétrica, chamada de primária, e outra bobina na saída do transformador, chamada de
secundária. Entre essas bobinas existe um núcleo construído com liga de ferro com silício e
formado por chapas empilhadas isoladas entre si.
A razão entre o número de espiras da bobina primária e o número de espiras da
bobina secundária determina a relação de transformação, que define o quanto será
transformado de tensão e corrente de entrada em relação à tensão e corrente de saída do
transformador.
Figura 4.14: Princípio de funcionamento de um transformador elementar.

Um transformador de subestação de consumidor geralmente funciona como


rebaixador de tensão, porém os transformadores podem ser alimentados de qualquer lado,
que farão a transformação.
A transformação da corrente elétrica é inversamente proporcional à transformação
da tensão. No caso do transformador que rebaixa a tensão de saída em relação à tensão de
entrada, a sua corrente elétrica é elevada na saída em relação à corrente de entrada, na
mesma proporção da tensão.
Sendo assim, a equação a seguir representa a fórmula que associa a relação de
transformação com a razão entre o número de espiras primária e secundária, bem como as
tensões e correntes de entrada e saída.

Sendo:
a = relação de transformação
N1 = número de espiras primárias
N2 - número de espiras secundárias
V1 = tensão nominal primária
V2 = tensão nominal secundária
I1 = corrente nominal primária
11 = corrente nominal secundária
Os transformadores das subestações de consumidores geralmente são trifásicos e o
seu funcionamento é similar ao do transformador elementar monofásico, porém com três
bobinas primárias e três bobinas secundárias.
Construtivamente, em geral as bobinas de alta tensão ficam montadas dentro das
bobinas de baixa tensão e o núcleo fica montado por dentro das bobinas de alta tensão,
conforme é possível observar na Figura 4.15.

Bobina de baixa

Sobina de alta
tensão da fase R
t
ensão da fase T

Figura 4.15: Aspectos construtivos do núcleo e das bobinas de um transformador trifásico.

Como cada bobina possui duas extremidades (início e fim) e geralmente os


transformadores das subestações de consumidor são trifásicos, ou seja, três bobinas para o
primário e três para o secundário, tanto na alta como na baixa tensão do transformador existem
seis extremidades de bobinas.
Apesar dessas seis extremidades, o sistema elétrico possui somente três fases, portanto é
necessário realizar o fechamento de alguns terminais para que seja possível conectá-los à rede
elétrica e energizar as bobinas.
O fechamento das extremidades das bobinas de um transformador é similar ao dos
terminais de um motor; comumente o fechamento pode ser em triângulo no enrolamento de alta
tensão e estrela no enrolamento de baixa tensão. Veja a simulação de um transformador com o
fechamento da alta tensão em triângulo e o fechamento da baixa tensão em estrela na Figura 4.16,
em que os terminais de alta tensão são identificados pela letra H, sucedida do número que
representa a fase em que está conectado. No lado da baixa tensão a letra representativa dos
terminais é o X, também sucedido do número representativo da fase.
No ponto em que estão interconectadas as três extremidades das bobinas de baixa tensão
é derivado mais um terminal denominado XO, que deve ser aterrado, e desse ponto se inicia o
neutro da instalação elétrica.
Conforme havia sido apresentado anteriormente, a relação de transformação é
determinada pela relação entre o número de espiras existentes no primário e no secundário. Como
a tensão pode sofrer variações dependendo do ponto do sistema elétrico onde esse transformador
está conectado, existe um recurso que permite que o transformador mude a sua relação de
transformação para compensar diferentes valores de tensão. Esse recurso é conhecido como
TAP.
O TAP consiste em derivações das espiras do enrolamento primário ou secundário que,
quando conectadas, eliminam da bobina algumas espiras, alterando a relação de transformação.
Em transformadores de subestação de consumidor geralmente os TAPs atuam sobre as
bobinas de alta tensão. É importante que em um transformador trifásico sempre os TAPs das
bobinas das três fases estejam na mesma posição, para evitar desequilíbrio da tensão de saída.
Tanto para identificar o tipo de fechamento de um transformador (triângulo ou estrela)
como para identificar a quantidade e os valores dos TAPs existentes é necessário observar a placa
do transformador que é analisado.
Para realizar a mudança do TAP os transformadores são providos de seletor que pode ser
manual ou automático. O seletor automático é comumente empregado em transformadores de
tensão superior a 69 kV.

4.7.1. Tipos de transformador


Existem basicamente dois tipos construtivos de transformador aplicáveis às subestações
de consumidores, sendo a óleo e a seco.
No transformador a óleo esse líquido possui a função de isolá-lo e refrigerá-lo. No caso do
transformador a seco as suas bobinas são revestidas de uma resina em epóxi que possui a função
de isolamento e a refrigeração é feita por meio do ar que circula por essas bobinas.
Figura 4.17: Transformador a seco.

4.7.2. Bobinas
As bobinas são formadas por um conjunto de espiras enroladas de forma ordenada por
condutores isoiados e possuem a função de induzir a energia elétrica entre a entrada e a saída do
transformador (primário e secundário).
Construtivamente, as bobinas podem ser feitas de condutores de cobre de secção circular
ou retangular isolados com verniz ou com papel.
4.7.3. Núcleo
A importância do núcleo no transformador é grande, pois é através dele que flui o fluxo
magnético do enrolamento primário para o secundário. O núcleo é composto de chapas de
ferrossilício isoladas e sobrepostas, formando um bloco de ferro concentrado. Tanto as bobinas
como o núcleo devem estar isolados entre si. Para isso são empregados papel, papelão e verniz e
para sua sustentação, madeira. Esse material deve estar bem fixo e prensado para evitar ruídos e
vibração.

4.7,4. Óleo isolante


Os componentes internos dos transformadores a óleo ficam totalmente imersos no óleo
isolante, que possui as finalidades de isolar as partes energizadas e refrigerar o transformador,
transferindo calor do núcleo para o exterior do tanque.
Os tipos mais comuns de óleo isolante utilizados nos transformadores são os minerais e os
sintéticos. Os óleos minerais podem ser parafínicos ou naftênicos e os óleos sintéticos
encontrados nos transformadores são de silicone ou ascarel, também conhecido como PCB.
Devido aos efeitos danosos que o ascarel provoca no homem e no meio ambiente, a sua
aplicação em equipamentos novos está proibida desde 1981, quando foi publicada a Portaria
Interministerial número 19 que determina:

II - Ficam proibidos, em todo o Território Nacional, o uso e a comercialização de bifenii policlorados -


PCB's, em todo o estado, puro ou em mistura, em qualquer concentração ou estado físico, nos casos
e prazos relacionados abaixo: a) como fluido dielétrico nos transformadores novos, encomendados
depois de 06 (seis) meses da data da publicação da presente Portaria.
Para os equipamentos que na época já estavam instalados e utilizando o óleo ascarel, a
portaria permite o seu funcionamento até que seja necessária a retirada desse óleo, conforme
indicado a seguir. A íntegra dessa portaria está reproduzida no Apêndice B.

III - Os equipamentos de sistema elétrico, em operação, que usam bifenii policlorados - PCB’s, como
fluido dielétrico, poderão continuar com este dielétrico, até que seja necessário o seu esvaziamento,
após o que somente poderão ser preenchidos com outro que não contenha PCB'$.
Para que o óleo isolante desempenhe o seu papel de forma apropriada, ele deve possuir
algumas características básicas:
• Elevada rigidez dielétrica;
• Alta capacidade de dissipação de calor;
• Nâo deve atacar a isolação sólida do transformador;
• Baixo ponto de combustão;
• Baixa capacidade de solubilização de gases e umidade;
• Viscosidade apropriada que permita circular e transferir calor;
• Alta resistência à oxidação.
Devido ao funcionamento do transformador o óleo isolante está sujeito a deterioração,
pois está submetido a reações de oxidação devido à presença de oxigênio, água e metais, e estes
últimos agem como catalisadores. O acompanhamento e a manutenção da qualidade do óleo
isolante são etapas essenciais para assegurar uma operação confiável dos transformadores.
Para acompanhamento das condições de operação do transformador é fundamental
analisar periodicamente o óleo, realizando dois grupos de testes, o físico-químico e o
cromatográfico. 0 teste conhecido como croma- tografia, na verdade, faz uma análise dos gases
dissolvidos no óleo por meio de uma análise cromatográfica.
Para cada um dos testes há uma norma da ABNT que determina os critérios para sua
realização, bem como os parâmetros de aprovação. Seguem os principais testes realizados dentro
do grupo físico-químico, com as respectivas normas de referência:
• Rigidez dielétrica - NBR-6.869;
• Cor-NBR-14.483;
• índice de neutralização - NBR-14.248;
• Tensão interfacial - NBR-6.234;
• Fator de potência - NBR-12.133;
• Teor de água - NBR-10.710;
• Densidade - NBR-7.148;
• Teor de PCB - NBR-13.882.
O teste de rigidez dielétrica apresenta a capacidade do óleo em suportar uma tensão
elétrica sem romper a isolação. Comumente, um baixo valor de rigidez dielétrica indica que há
presença de contaminantes condutivos como água, sujeiras ou partículas.
A identificação da cor do óleo tem como base uma cor padrão, que em comparação com
outras cores expressa a característica do óleo. Esse teste analisa de forma indireta o grau de
oxidação do óleo.
Quando realizado o teste de índice de neutralização, também conhecido como teste de
acidez, também é apresentado de forma indireta o grau de envelhecimento do óleo. Esse ensaio é
muito importante porque se o óleo estiver muito ácido, ele pode atacar a isolação sólida do
transformador, provocando uma falha em seu funcionamento.
Outro teste que também avalia o grau de envelhecimento do óleo iso- lante é o de tensão
interfacial. Ele analisa os compostos polares existentes no óleo que indicam uma etapa
intermediária de envelhecimento.
O teste de fator de potência é complementar aos demais para auxiliar na determinação do
grau de envelhecimento de óleo isolante, indicando a presença de contaminantes solúveis.
Um ensaio de grande importância avalia o teor de água presente no óleo. Além de indicar a
concentração de água diluída no óleo, o resultado desse ensaio pode indicar se está ocorrendo
infiltração de água no transformador devido a algum defeito. O baixo teor de água propicia vida útil
prolongada do transformador.
Quando se mede a densidade, é possível identificar se o óleo é para- fínico ou naftênico.
Esse índice também é importante para avaliar se o óleo está permitindo uma transferência
adequada de calor da sua parte interna para os radiadores.
O teste de teor de PCB mede a concentração de ascarel no óleo do transformador. Apesar
de o ascarel não ser um óleo utilizado atualmente, mesmo pequenas quantidades de PCB
existentes no óleo do transformador podem considerá-lo contaminado.
Os gases formados pela decomposição dos materiais isolantes são total ou parcialmente
dissolvidos no óleo. O teste dos gases dissolvidos no óleo identifica por meio de uma análise
cromatográfica o volume de cada tipo de gás existente na amostra de óleo coletada. Os gases
analisados por esse teste são:
• Monóxido de carbono (CO);
• Hidrogênio (H2);
• Metano (CH4);
• Etano (C2H6);
• Etileno (C2H4);
• Acetileno (C2H2);
• Oxigênio (02);
• Nitrogênio (N2);
• Dióxido de carbono (C02).
A norma NBR-7070 determina os critérios para realização desses ensaios. Pela análise
dos gases dissolvidos no óleo é possível identificar as condições de funcionamento e detectar
defeitos existentes, sem a necessidade de retirar o transformador de operação e levar para uma
oficina.
Tão importante como a análise momentânea desses gases é a comparação da situação
atual com os valores obtidos nas últimas análises, para avaliar como está a evolução dos
indicadores medidos.

4.7.5. Tanque principal


É através do tanque que se libera o calor transferido do núcleo e do enrolamento através
do óleo isolante. Os tanques são confeccionados em chapas de aço reforçada, já que sua função
também é a sustentação da parte ativa4 do transformador.
Os radiadores podem ser fixados na parte externa do tanque, e têm como finalidade ajudar
na refrigeração do óleo isolante, transferindo o calor para fora do tanque. Os radiadores são
confeccionados em chapas, com aletas abertas em suas extremidades, o que possibilita o
movimento do óleo em seu interior, recebendo o óleo com temperatura mais elevada na parte
superior, e retornando o óleo com temperatura menor pela parte inferior.

4.7.6. Tanque de expansão (balonete)


O tanque de expansão é utilizado para compensar as variações do volume do óleo no
tanque, em decorrência da mudança de temperatura no interior do transformador devido às
variações de carga e da temperatura ambiente.
Instalado na parte externa e no ponto mais alto do transformador, o tanque de expansão
recebe o volume de óleo após sua dilatação e o libera após sua contração, ajudado pelo
deslocamento do óleo para o tanque através de gravidade (geralmente o volume do óleo no tanque
de expansão deve ficar em torno de 25 a 50% de sua capacidade).

A parte ativa do transformador é composta pelo núcleo e pelos enrolamentos. Chama-se parte ativa porque os componentes dos
transformadores é que permanecem energizados, efetuando a transformação da energia elétrica.

4.7.7. Indicador do nível de óleo


Sua finalidade é indicar o volume de óleo existente no interior do tanque. Ele pode ser
instalado na extremidade do tanque de expansão ou no próprio tanque principal (quando o
transformador não possuir o tanque de expansão).
Em transformadores com tanque de expansão, o indicador do nível de óleo pode dispor de
um contato (do tipo microchave), com a finalidade de sinalizar com alarme, caso o volume do óleo
atinja um ponto critico para a operação do transformador. Esse alarme pode ser somente sonoro
ou de sinalização no painel de controle, podendo até mesmo estar conectado a um disjuntor que
venha a desligar o transformador, Figura 4.19.
4.7.8. Secador de ar (tubo de sílica-gel)
O secador de ar é um tubo que chega até a parte superior do tanque de expansão e possui
uma quantidade de cristais de sílica-gel com a propriedade de absorver a umidade do ar. O ar que
entra e sai do tanque de expansão, acompanhando as variações do volume de óleo, passa pelo
secador de ar, deixando nele a umidade. O ar que entra vem do meio ambiente, trazendo consigo
umidade e sujeira, impurezas que não devem chegar até o óleo para não contaminá-lo, vindo a
diminuir sua propriedade dielétrica.
Quando em condições normais, a sílica-gel é de cor azul. Após sua saturação, pela
absorção da umidade, ela muda de cor, adquirindo a tonalidade rosa, podendo ser recuperada
após ser aquecida em estufa.
Alguns fabricantes podem utilizar sílica-gel que apresenta cores diferentes nos estados
seco e úmido, portanto é importante verificar as características específicas da sílica-gel utilizada.
A sujeira carregada pelo ar é retida em outro recipiente com óleo localizado na parte
inferior do tubo secador de ar, onde as impurezas aderem ao óleo que, assim, filtra as partículas
sólidas que estejam em suspensão, Figura 4.20.

Figura 4.19: Indicador do nível de óleo. Figura 4.20: Tubo de sílica-gel.


4.7.9. Termômetro do óleo
O transformador tende a sofrer aquecimento durante seu funcionamento. Essa
temperatura deve ser acompanhada e controlada para não provocar uma deterioração maior nas
partes internas dele.
Como o óleo é um elemento de transmissão de calor, a sua temperatura deve ser
controlada pelo termômetro de óleo, que consiste em termopares ou bulbo contendo um elemento
bimetálico, que ao sofrer aquecimento, se expande através de um tubo capilar, pressionando os
ponteiros que registram a temperatura.
Normalmente, no termômetro de
temperatura do óleo existe um ponteiro para registrar
a temperatura e mais um ou dois ponteiros com
contatos para acionar os ventiladores (caso o
transformador disponha do sistema de refrigeração
com ventilação forçada).
O acionamento do ventilador geralmente liga
com 65'JC e desliga próximo de 55T. O alarme atua
próximo a 72DC e o desligamento do disjuntor que
alimenta o transformador ocorre entre 85 e 95“C. Um
outro ponteiro (de arraste) tem a finalidade de
registrar a temperatura máxima atingida pelo óleo
em um determinado momento.

Figura 4.21: Termômetro do oleo.

4.7.10. Imagem térmica (termômetro do enrolamento)


Trata-se da proteção contra alta temperatura ocorrida nos enrolamen- tos do
transformador. Como é no enrolamento que o processo de transformação da tensão e da corrente
acontece, também este é o ponto mais quente do equipamento e o que mais rapidamente aquece
(essa temperatura está relacionada à carga do transformador).
O controle dessa temperatura é fundamental, já que quando ela atinge valores elevados,
ocorre a deterioração do material isolante. O termômetro, assim como o bulbo e o tubo capilar, é
idêntico ao de óleo. A diferença fundamental está no processo de medição dessa temperatura.
Como o custo da leitura direta é alto, opinou-se pela leitura indireta por meio da relação carga/
temperatura.
É instalado um transformador de corrente (TC) em série com o enrola- mento principal do
transformador, e seus terminais secundários estão ligados também em série com uma resistência.
A resistência fica dentro de uma cuba com óleo. Com o aumento de carga no transformador, a
corrente elétrica que circula no enrolamento tende a aumentar, aumentando também no TC, que
aquece a resistência e o óleo da cuba, dilatando o mercúrio do tubo capilar, provocando, portanto,
o deslocamento do ponteiro no termômetro.

Quando essa temperatura atinge valores elevados, um contato é acionado, emitindo


alarmes. Caso a temperatura persista em aumentar, o transformador é desligado por outro
contato, que aciona o sistema de proteção, desligando o disjuntor e isolando o transformador.
Normalmente, o alarme atua a uma temperatura em torno de 95°C e aciona o desligamento do
disjuntor que alimenta o transformador em torno de 105CC.
Quanto ao transformador a seco, no interior dos seus três enrolamen- tos são instalados
sensores PT-100 que medem a temperatura do transformador. Essas informações da temperatura
dos enrolamentos chegam ao relé de temperatura que as monitora. Quando a temperatura do
transformador aumenta, sua primeira função é alertar. Se a temperatura continuar subindo, o relé
tem a segunda função de promover o desligamento do disjuntor, protegendo o transformador.
4.7.11. Tubo de explosão e válvula de alívio
O tubo de explosão protege o transformador contra pressões excessivas que possam
ocorrer no seu interior devido à formação de um arco elétrico ou outro tipo de sobreaquecimento.
Consiste em um tubo curvado, montado na tampa superior do transformador, que ao sofrer
uma sobrepressão interna, rompe uma membrana de vidro existente em sua extremidade, vindo a
despressurizar o tanque.
Atualmente, nos transformadores de alta tensão esses tubos estão sendo substituídos por
válvula de alívio (válvula de segurança) com mola provida de sistema de atuação instantânea que,
ao sofrer uma pressão acima do valor predeterminado, vence a força da mola, deslocando um eixo
e liberando essa pressão, fechando logo em seguida.
Vale destacar que, se a válvula de alívio ou tubo de explosão atuar, é porque outras
proteções do transformador não atuaram, permitindo que um defeito interno causasse
sobrepressão.
Nestes casos, após a atuação desses dispositivos o transformador não pode voltar a
operação, devendo passar por uma inspeção e, possivelmente, por uma reforma.

Figura 4.23: Válvula de alivio.

Figura 4.24: Tubo de explosão. Fonte: Senai

4.7.12. Relé de gás (relé Buchhoiz)


O relé de gás, também conhecido como relé Buchhoiz, é um dispositivo que possui a
finalidade de proteger os transformadores imersos em óleo e que possuem tanque de expansão.
Protege o transformador contra defeitos internos que se fazem sentir por movimento brusco do
óleo ou curto-circuito que também resultem em formação de gás.
Figura 4.25: Relé de gâ$.
Na ocorrência de um curto-circuito dentro do transformador haverá uma queima do
material isolante, gerando bolhas de gases (algumas vezes inflamáveis). Essas bolhas de gases,
formadas dentro do óleo isolante, tendem a ir para a parte mais alta do transformador, como
qualquer bolha de um gás existente dentro de um recipiente com qualquer tipo de líquido. A parte
mais alta do transformador é o tanque de expansão e no caminho até ele está instalado o relé de
gás.
Quando o volume de gás, formado pelo curto-circuito e acumulado dentro desse relé,
atingir um valor predeterminado, uma das duas boias (ba- lancim) do relé vai atuar, disparando um
alarme sonoro ou luminoso.
Esse relé também pode atuar na ocorrência de um grande curto-circuito dentro do
transformador, provocando um rápido aquecimento e, consequentemente, uma rápida dilatação
do óleo, que faz com que ele rapidamente suba para o tanque de expansão. Esse movimento
rápido do óleo faz atuar a sua segunda boia do relé de gás, que promove o desligamento do
disjuntor que alimenta o transformador.
Figura 4.2G: Localização do relé de gás no transformador.
4.7.13. Buchas e isoladores
A função básica das buchas ou isoladores nos equipamentos elétricos é proporcionar um
isolamento elétrico entre o condutor energizado e a carcaça do equipamento. Os materiais mais
empregados na sua construção são porcelana e vidro. Quanto às características, podem ser
rígidos e de suspensão. Quanto à forma, são isolador de pino, pedestal, suporte e de passagem.

4.7.14. Sistema de refrigeração


Para evitar que a temperatura nos transformadores atinja valores perigosos aos
isolamentos, utilizam-se processos de resfriamento, tais como;
• Refrigeração natural (ONAN);
• Ventilação forçada (ONAF);
• Circulação forçada do óleo (OFAF);
• Refrigeração à água (OFWF).
Nos transformadores de subestação de consumidor, um dos sistemas mais utilizados
emprega a refrigeração natural, feita pela circulação do óleo pelo radiador de forma natural,
retirando o calor do conjunto núcleo-bobina somente pelo processo de convecção.
O processo de convecção dentro do transformador ocorre porque o óleo que está no
radiador se resfria por estar afastado da fonte de calor (as bobinas e o núcleo) e também porque
no radiador circula ar que retira o calor existente nas aletas do radiador.
Com o resfriamento do óleo, ele fica mais denso, tendendo a ir para a parte mais baixa do
radiador onde existe uma passagem para o tanque principal e empurrando o óleo do tanque
principal para cima, que também está aquecendo. Consequentemente, fica menos denso, e por si
só já teria uma tendência a subir. Desta forma, naturalmente o óleo circula entre o radiador e o
tanque principal, conforme a Figura 4.27.
O outro sistema também comumente encontrado nas subestações de consumidores é o
de ventilação forçada. Nestes casos, existem ventiladores fixos nos radiadores com a finalidade de
aumentar a circulação do ar nos radiadores, aumentando a transferência do calor do óleo para o
exterior do tanque.
Nesse sistema o processo de convecção funciona da mesma forma, porém de modo
acelerado porque a ventilação aumenta a velocidade de resfriamento do óleo no radiador,
promovendo uma circulação mais rápida do óleo, aumentando a capacidade de refrigeração do
transformador, conforme a Figura 4.28.
Figura 4.28: Sistema de refrigeração do transformador com ventilação forçada.
O terceiro sistema de refrigeração do transformador é a circulação forçada, em que o óleo
não depende da convecção para circular, mas sim de bombas instaladas na entrada e na saída do
tanque principal, forçando o óleo a circular pelo radiador que fica instalado afastado do
transformador. Esse sistema geralmente é utilizado em transformadores de elevadas potências.

O último sistema de refrigeração existente emprega a água para promover a redução de


temperatura no transformador. Nesse sistema tubos de cobre formam uma espécie de serpentina
dentro do tanque do transformador, por onde circula a água que refrigera o óleo. Atualmente o
sistema de refrigeração a água não é comumente utilizado nas subestações de consumidores
devido ao risco de vazamento de água pela serpentina, que pode contaminar o óleo do
transformador.

4.8. Transformadores para instrumentos


Os instrumentos de medição e proteção não podem ser conectados diretamente em um
circuito de alta tensão, pois não são providos de isolação para essa aplicação. Para que eles
possam executar a sua função, precisam de um equipamento auxiliar conectado entre eles e a
instalação elétrica, o transformador para instrumento.
Esse transformador tem a função de reduzir os valores de tensão e corrente elétrica para
valores padronizados que podem ser conectados nos medidores e nos relés de proteção.
Os transformadores para instrumentos podem ser divididos em dois
tipos:
• Transformador de Corrente (TC);
• Transformador de Potencial (TP);
Cada um desses transformadores pode ser aplicado na medição ou na proteção.
Dependendo da aplicação, o transformador deve possuir características específicas e distintas,
Figura 4.30.
Todo transformador para instrumento possui um enrolamento primário, que está
conectado ao sistema elétrico, e um enrolamento secundário, em que está conectado o relé de
proteção ou o medidor. A identificação dos terminais de conexão dos TPs e TCs está representada
na Figura 4.31.
Figura 4.30; Transformador de corrente. Figura 4.31: Identificação dos terminais dos TPs e TCs.

Os transformadores de potencial possuem valores nominais de tensão no enrolamento


primário e no enrolamento secundário. Os transformadores de corrente são semelhantes, porém
com valores nominais de corrente.
A divisão entre o valor nominal primário e o valor nominal secundário determina a relação
de transformação. A relação de transformação de cada transformador é o fator que estabelece-a
relação entre a corrente ou a tensão que está passando pelo primário e o valor que está saindo do
secundário.
Os valores nominais de saída no secundário dos TPs e dos TCs são padronizados. A
corrente nominal secundária de um TC é 5 A e a tensão secundária nominal de um TP pode ser
115 V, ou 115/3 V, ou 115/V3 V. Essa padronização de valores está determinada pelas normas
NBRs 6855 para os transformadores de potencial e 6856 para os transformadores de corrente. A
seguir estão apresentados os valores nominais primários determinados por essas normas:
Destaca-se que os valores de saída de um transformador para instrumento não são fixos,
mas variam em função do valor que percorre o circuito primário, que está conectado na rede
elétrica, sendo o valor de saída no seu circuito secundário proporcional à relação de
transformação.

Exemplo Qual a relação de um transformador de corrente primária nominal de 200 A e corrente


secundária nominal de 5 A? Qual a corrente secundária que sai do TC quando
uma corrente de 100 A percorre seu circuito primário?
Resposta Relação de transformação = 200/5 = 40:1 ou, simplesmente, 40 Corrente secundária =
100/40 = 2,5 A
Os transformadores para instrumento são projetados para suportar valores de
tensão e corrente superiores aos seus valores nominais. Os TPs são projetados para
suportar até 10% de sobretensão em regime permanente e o TC possui uma
característica chamada fator térmico, que multiplicado pela sua corrente primária nominal,
determina a corrente primária máxima que o TC pode suportar.
Deve-se levar em consideração que há um erro no valor de saída dos
transformadores para instrumentos em relação ao valor que deveria ser transformado que
foi calculado pela relação de transformação. Esse erro deve sempre estar dentro do limite
permissível pela classe de exatidão do equipamento.
Um transformador de potencial de medição possui três classes de exatidão
determinadas pela NBR 6855, 0,3, 0,6 e 1,2. Esses valores correspondem ao percentual
de erro na transformação que o transformador para instrumento pode apresentar. No caso
dos transformadores de potencial de proteção, as classes de exatidão apresentam valores
admissíveis de erro mais elevados, são eles 3 e 6.
A NBR 6856 determina a classe de exatidão dos transformadores de corrente de
medição iguais aos valores dos TPs de medição, ou seja, 0,3, 0,6 e 1,2. Para os
transformadores de corrente de proteção as classes de exatidão são 5 ou 10.
Os transformadores de potencial possuem uma característica importante para as
subestações, que é a sua potência térmica. Ela determina a carga em VA que pode ser
conectada no secundário do transformador. Essa característica é importante porque é
comum que a iluminação interna na subestação seja alimentada pelo TP. Neste caso, se a
carga de iluminação for maior do que o TP suporta, ele pode vir a danificar-se.
Na ligação de mais do que um instrumento no secundário dos transformadores
para instrumento, deve ser respeitada uma regra importante de ligação: os instrumentos
conectados no secundário do transformador de potencial devem sempre ser ligados em
paralelo e os instrumentos conectados no secundário do transformador de corrente
devem sempre ser ligados em série.
Uma atenção especial deve ser direcionada para a ligação do transformador de
corrente. Em nenhuma hipótese os terminais secundários do TC devem permanecer
abertos, ou seja, desconectados, porque caso um TC seja energizado com os seus
terminais secundários abertos, pode ocorrer a indução de uma tensão muito elevada
nesses terminais, causando curto-circuito de grandes proporções.
Por este motivo, quando se compra um transformador de corrente, é comum que
os seus terminais secundários venham interligados, e assim devem ser mantidos até a
conexão dos cabos que estão ligando os relés ou os medidores.
4.9. Exercícios
1. Os três tipos de para-raios existentes são:
( ) Para-raios com decida, para-raios com chapa, para-raios com cabo.
( ) Cabo para-raios, para-raios do tipo haste reta ou gaiola, para- -raios do
tipo válvula.
( ) Para-raios automático, para-raios mecânico, para-raios de gaiola.
2. Definimos o disjuntor em alta tensão pelo seu meio de extinção de
arco elétrico. São eles:
( ) Grande volume de óleo (GVO), pequeno volume de óleo (PVO), sopro
magnético, ar comprimido, vácuo, gás.
{ ) Óleo, motorizado, comando local, comando remoto, termo magnético.
( ) Automática de mola, de manivela.
3. As chaves seccionadoras:
( ) São dispositivos destinados a realizar manobras de abertura e fechamento
de um circuito elétrico com carga.
( ) São dispositivos destinados a realizar manobras de abertura e fechamento
de um circuito elétrico durante um curto-circuito.
( ) São dispositivos destinados a realizar manobras de abertura e fechamento
de um circuito elétrico sem carga.
4. Sobre o transformador:
( ) Na subestação primária os transformadores podem ser mo- nofásicos ou
trifásicos, dependendo da necessidade do consumidor.
( ) A principal função do óleo no transformador é refrigerar e isolar.
( ) Os sistemas de refrigeração nos transformadores são refrigeração natural
(ONAN), ventilação forçada (ONAF), circulação forçada do óleo
(OFAF), refrigeração à água (OFWF).
5. Transformadores para instrumentos:
( ) Têm a finalidade de proteger as instalações elétricas.
( ) Têm a finalidade de reduzir a tensão e a corrente para alimentar a proteção
e a medição.
( ) Têm a finalidade de elevar a tensão e a corrente para alimentar a proteção
e a medição.
As instalações elétricas de alta tensão são projetadas e construídas para
promover a distribuição e a transformação da energia elétrica, suprindo determinada
instalação. Eventualmente ocorrem algumas anomalias que interferem em seu
funcionamento normal, as quais não podem causar nenhum dano aos equipamentos da
subestação, e também não podem oferecer nenhum risco à integridade dos profissionais
que estão atuando com a subestação, por este motivo existe o sistema de proteção.

5.1. Características da proteção


O objetivo básico do sistema de proteção nos equipamentos elétricos é detectar a
ocorrência de alguma anomalia e isolá-la o mais rápido possível.
Para que o sistema de proteção cumpra a sua função, ele deve possuir algumas
características que são fundamentais:
• Seletividade;
• Rapidez;
• Confiabilidade;
• Exatidão;
• Sensibilidade.

51.1. Seletividade de operação


A seletividade de um sistema de proteção é importante para fazer com que
somente o dispositivo de proteção que esteja mais próximo a montante1 da anomalia
atue, evitando desligamentos desnecessários de circuitos do sistema elétrico que
poderiam permanecer energizados.

Exemplo No caso da ocorrência de uma anomalia indicada na Figura 5.1, a seletividade


da proteção faz com que somente o disjuntor do circuito da administração
desligue e não o disjuntor geral.
Caso ocorresse o contrário, poderia se afirmar que a seletividade da
proteção não está correta, pois o desligamento do disjuntor geral iria
desabastecer de energia elétrica os circuitos da fábrica e dos fornos, que
não apresentam nenhum defeito.

1 Um ponto a montante significa que esse local antecede um determinado ponto que está sendo utilizado como referência.
Por exemplo; a represa está a montante da usina.
Figura 5.1: Diagrama unifilar do trecho de uma instalação elétrica com
indicação de uma falha no circuito da Administração.

5.1.2. Rapidez de operação


Quando da ocorrência de uma anomalia, o sistema de proteção deve operar o
mais rapidamente possível, de modo a diminuir os danos que são causados pela
permanência da anomalia no sistema elétrico.

5.1.3. Confiabilidade
Durante a operação normal das instalações elétricas, o sistema de proteção
permanece despercebido, porém na ocorrência de uma anomalia ele deve atuar e neste
momento é que o sistema precisa se apresentar confiável e seguro.
O longo período em que o sistema de proteção permanece sem atuar, devido a
não ocorrência de uma anomalia na rede elétrica, exige que todos os componentes do
sistema sejam simples, robustos e testados periodicamente, para garantir que na
ocorrência de uma anomalia a proteção atue perfeitamente.

5.1.4. Exatidão na operação


No exemplo apresentado na Figura 5.1 a anomalia ocorrida no circuito da
administração deve promover o desligamento do disjuntor que protege esse circuito e não
o disjuntor da fábrica ou dos fornos.
Apesar de parecer óbvio, quando se trata de instalações elétricas de alta
tensão, a questão requer atenção, pois os sistemas de proteção são dotados de
dispositivos externos aos disjuntores e se o seu circuito de comando não estiver
ligado no disjuntor correto, pode haver uma atuação no circuito errado.
5.1.5. Sensibilidade de operação
O sistema de proteção deve conseguir distinguir uma anomalia de uma
oscilação normal dos parâmetros da rede elétrica e também deve ser sensível o
suficiente para identificar pequenas transgressões dos parâmetros de mo-
nitoramento, de forma a atuar quando se caracterizar a ocorrência de uma
pequena anomalia que, eventual mente, poderia passar despercebida.

5.2. Dispositivos de proteção


Para que a proteção cumpra a sua função, são empregados alguns
dispositivos no sistema elétrico que precisam atuar de forma coordenada, como,
por exemplo:
• Transformadores para instrumentos;
• Disjuntores;
• Relés;
• Fusíveis.

5.2.1. Transformadores para instrumentos


Os transformadores para instrumentos empregados em um sistema de
proteção atuam de forma integrada aos relés e aos disjuntores. Sua função é
monitorar permanentemente as informações de tensão e corrente do sistema
elétrico, conforme apresentado no Capítulo 4 no item 4.8.
Como o próprio nome já diz, o Transformador de Corrente (TC) reduz os
valores de corrente que percorrem os circuitos de alta tensão para valores mais
reduzidos. Como os relés não poderíam ser conectados em alta tensão, o TC
também promove a isolação elétrica entre o circuito de alta tensão e o próprio
relé.
O Transformador de Potencial (TP) reduz o valor de tensão para valores
mais baixos de tal forma que seja possível a conexão ao relé.
Também existem TPs e TCs específicos para serem empregados na
medição de energia elétrica. Uma das principais diferenças dos transforma-
dores de proteção para os transformadores de medição é que os de proteção precisam
suportar os elevados valores de tensão e corrente que ocorrem nas anomalias e enviar
essas informações para os relés.
Nos transformadores de medição, quando ocorre um valor elevado, seja de tensão
ou de corrente, ele satura, porque o medidor de energia não precisa registrar o que ocorre
durante uma anomalia em um curto intervalo de tempo. Se não ocorrer essa saturação, o
medidor ligado da saída do transformador pode inclusive queimar, pois ele é muito mais
sensível do que o relé.

Exemplo Um TC de medição e um TC de proteção de mesmos valores nominais de


corrente, 50:5, estão conectados em um circuito por onde percorre uma
corrente nominal de 30 A. O TC de medição satura com uma corrente de
duas vezes a sua corrente nominal e o TC de proteção satura com uma
corrente de vinte vezes a sua corrente nominal, Na ocorrência de um
curto-circuito, em um determinado instante a corrente chega a atingir 400 A.
Qual a corrente que circula no secundário dos dois TCs na condição normal
de operação e no momento do curto-circuito?

Resposta A relação de transformação de ambos os TCs é de 50:5, ou seja, dividindo 50


por 5, obtemos uma relação de 10:1.
Dividindo os 30 A que percorre o circuito primário pela relação de
transformação (10:1) temos a corrente do secundário de 3 A para os dois
TCs na condição normal de operação.
Na ocorrência do curto-circuito, ambos os TCs possuem comportamentos
diferentes.
O TC de proteção satura com vinte vezes a corrente nominal, o que
corresponde a uma corrente primária de 1.000 A (20 x 50). Como a corrente
do curto-circuito foi inferior à corrente de saturação, a corrente no circuito
secundário do TC de proteção será proporcional a sua relação de
transformação, ou seja, dividindo os 400 A da corrente de curto-circuito pela
relação de transformação de 10:1, teremos uma corrente secundária de 40
A no instante do curto-circuito.
O TC de medição satura com duas vezes a corrente nominal, ou seja, 100 A
(2 x 50). Neste caso a corrente de saída do TC durante o curto- -circuito
será de apenas 10 A devido à sua saturação.

5.2.2. Disjuntores
Os disjuntores estão apresentados com mais detalhes no Capítulo 4 no item 4.4,
entretanto podemos destacar neste capítulo algumas características dos disjuntores que
são importantes em um sistema de proteção.
Uma vez recebido o cornando de abertura, seja manual ou por intermédio do
relé, o disjuntor deve promover a interrupção do circuito de um modo muito rápido.
Caso a abertura do disjuntor tenha sido comandada por um relé, em função da
ocorrência de um curto-circuito, a demora na interrupção do circuito pelo disjuntor
ocasiona um aumento do dano na instalação elétrica devido à anomalia ocorrida.
Quando o disjuntor é especificado para ser instalado em determinado ponto
do circuito, além da corrente nominal também é necessário definir a corrente de
curto-circuito calculada no ponto onde o disjuntor será instalado. A corrente de
curto-circuito é definida pela fórmula a seguir:

Sendo:

Icc - corrente de curto-circuito


U - tensão
Z - impedância
Portanto, a corrente de curto-circuito depende da tensão e da impedância. A
impedância é a composição da resistência e da reatância, que são parâmetros que
se alteram de acordo com a sua posição ao longo do circuito elétrico.
Quanto mais perto da fonte de alimentação (no caso de uma subestação seria
no ponto de entrega da energia pela distribuidora) menor será a impedância,
portanto maior a corrente de curto-circuito, e quanto mais afastado da fonte de
alimentação, ou seja, mais próximo da carga, maior será a impedância em função
dos cabos e dispositivos elétricos existentes, portanto menor será a corrente de
curto-circuito.
Definida a corrente de curto-circuito, pode-se especificar o disjuntor para essa
necessidade. Caso o disjuntor tenha que efetuar a interrupção de um curto-circuito
de uma corrente superior ao que ele suporta, pode ocorrer de o equipamento não
operar corretamente e vir a se danificar.
Vale destacar que a operação durante um curto-circuito prejudica a vida útil do
disjuntor, uma vez que é uma condição severa de funcionamento, portanto, caso o
disjuntor venha a realizar várias interrupções em curto- -circuito, ele deve passar por
uma manutenção preventiva em um intervalo de tempo menor do que o normal, para
avaliar as suas condições e permitir que ele continue operando normalmente.
5.2.3. Relé
Os relés são equipamentos que desempenham um papel fundamental na
proteção de um sistema elétrico. A proteção principal de uma instalação elétrica
de alta tensão geralmente é realizada por meio dos relés que atuam de forma
integrada com os transformadores para instrumentos e com os disjuntores.
Comumente os relés possuem três elementos internos que regem a sua
operação:
• Elemento sensor;
• Elemento comparador;
• Elemento de atuação.

A informação recebida dos transformadores para instrumentos é moni-


torada a todo momento pelo elemento sensor, que envia essa informação ao
elemento comparador que compara a informação recebida dos transformadores
para instrumentos com os valores programados nos relés. Caso ocorra a
ultrapassagem de algum parâmetro, é enviada uma informação para o elemento
de atuação que emite um comando para operação do disjuntor.
Existem diversas funções para os relés. Para cada função são definidos os
parâmetros que determinam a ocorrência de uma anomalia, quando
ultrapassados.
As funções dos relés são identificadas por números que estão apresen-
tados no Apêndice A. Compete à distribuidora de energia elétrica local determinar
as funções básicas dos relés de proteção que devem ser instalados. O projetista
da subestação pode determinar a necessidade de instalação de mais funções de
proteção, entretanto no mínimo as funções indicadas pela distribuidora devem ser
empregadas. Seguem as principais funções exigidas pelas distribuidoras.
• 27 - Relé de subtensão: atua quando a tensão de entrada é menor do que
um valor predeterminado.
• 47 - Sequência de fase: relé que atua para um valor predeterminado de
tensão polifásica na sequência de fase estabelecida.
• 50 - Relé de sobrecorrente instantâneo: atua instantaneamente por valor
de corrente superior a um limite predeterminado.
• 51 - Relé de sobrecorrente temporizado em circuito de CA: atua com
retardo intencional de tempo, quando a corrente de entrada excede um
valor predeterminado, e no qual a corrente de entrada e o tempo de
operação são relacionados de modo definido ou inverso.
• 59 - Relé de sobretensão: atua quando a tensão de entrada for maior do
que um valor predeterminado.
Nas subestações que possuem transformadores de potências elevadas,
comumente superior a 500 kVA, é comum a instalação de outros relés com mais
funções para oferecer maior segurança na operação da subestação.
Não há restrição para instalação desses relés adicionais em transformadores
de menor capacidade, entretanto nestes casos, como o valor do transformador não é
tão elevado, a instalação desses dispositivos pode ser considerada economicamente
inviável, sendo muito caro quando comparado com o valor do equipamento.
A seguir estão indicadas as funções de proteção adicionais que podem ser
instaladas nos transformadores.
• 49 - Relé térmico para máquina ou transformador: age quando a
temperatura de um equipamento excede um valor predeterminado.
• 63 - Relé de pressão de líquido, gás ou vácuo: atua por um valor
predeterminado de pressão, ou por uma dada taxa de sua variação.
Exemplo: relé Buchholz ou relé de gás.
• 71 - Relé de nível de gás ou líquido: trabalha por valores ou por taxas de
variação de nível predeterminados. Exemplo: nível de óleo do
transformador.
• 87 - Relé diferencial: atua por diferença de percentual entre duas ou mais
grandezas elétricas. Exemplo: opera em função das diferenças
provenientes do desequilíbrio existente entre as correntes de entrada e
saída do transformador.
• 26 - Relé térmico do equipamento: age quando a temperatura de um
equipamento ou parte dele ultrapassa os limites predeterminados.
Algumas subestações podem ainda contar com algumas funções adicionais
que podem ser úteis, dependendo de suas características. Vale destacar que a
instalação dessas funções somente podem ser realizadas se permitida pela
distribuidora de energia elétrica.
• 79 - Relé de religamento automático: controla o religamento e o bloqueio
automático de um disjuntor de CA. Opera enviando um comando ao
disjuntor para ligar após a ocorrência do seu desligamento.
• 83 - Relé de controle seletivo/transferência automática: opera para
selecionar automaticamente uma entre várias fontes ou condições em um
equipamento e permite realizar uma operação de transferência. Exemplo:
quando uma subestação possui dois circuitos de entrada e ocorre a falta de
tensão do seu circuito principal, essa função realiza a manobra para transferir
a carga da subestação para o outro circuito.
Atualmente os relés mais apropriados para serem instalados para a proteção de
instalações elétricas de alta tensão são os microprocessados, mas também existem relés
eletromecânicos e estáticos, também chamados de analógicos. A seguir são
apresentadas algumas vantagens dos relés microprocessados em relação aos demais.

• Permite comunicação remota;


• Maior precisão;
• Pode possuir várias funções agregadas em um único relé;
• Pode ser provido de uma rotina de identificação de falha em seu
funcionamento;
• Permite o registro do histórico de atuações.

5.3. Exercícios
1. Quais são as características principais de um sistema de proteção?
2. Qual a diferença entre um TC de medição e um TC de proteção?
3. Por que é importante preocupar-se com a corrente de curto-circuito de um
disjuntor de subestação?
4. Quais são os três elementos de um relé?
5. Quais são as funções básicas de proteção que toda subestação deve ter?
Todo trabalho que envolve eletricidade deve ser cercado de todos os aspectos de
segurança possíveis para minimizar o risco de ocorrer um acidente.
Existem aspectos de segurança específicos que devem ser atendidos; para as
atividades em subestações que serão abordados nos itens a seguir.

6.1. Aplicações da NR-10 em subestações


Quando se trata de segurança em instalações elétricas, independente da tarefa que
está sendo executada, é necessário que a Norma Regulamentadora número 10 do Ministério
do Trabalho e Emprego seja atendida.
A norma possui um capítulo destinado exclusivamente ao trabalho executado em
alta tensão, destacando que a NR-10 considera alta tensão como sendo toda tensão superior
a 1.000 V em corrente alternada e 1.500 V em corrente contínua entre fase e fase e entre fase
e neutro.
O Capítulo 7 da NR-10, que trata dos “Trabalhos envolvendo alta tensão (AT)”, está
reproduzido a seguir com o destaque para cada parágrafo, ilustrando o que deve ser feito nas
subestações de consumidores para o seu atendimento.

10.7.1 Os trabalhadores que intervenham em instalações elétricas energiza- das


com alta tensão, que exerçam suas atividades dentro dos limites estabelecidos
como zonas controladas e de risco, conforme Anexo I, devem atender ao disposto
no item 10.8 desta NR.

Primeiramente é necessário identificar a zona controlada e a zona de risco. O Anexo I


da NR-10 determina essas regiões.

Figura 6.1: Identificação da zona de risco e da


zona controlada a partir de um ponto energizado
em alta tensão. Fonte: Norma Regulamentadora
número 10 do Ministério do Trabalho e Emprego
figura 6.2: Distâncias da zona de risco e da zona controlada a partir de um ponto energizado em alta tensão, fonte:
Norma Regulanientadoia número 10 do Ministério do Trabalho e Emprego

Com o objetivo de exemplificar a distância de segurança, vamos analisar uma


subestação de consumidor com a tensão elétrica de 13,8 kV. Neste caso a zona de risco
compreende um afastamento a partir do ponto energizado até a distância de 0,38 m ou 38
cm, O afastamento que compreende a zona controlada inicia a partir da distância de 0,38 m
do ponto energizado e se projeta até 1,38 m.
Caso seja invadida a zona de risco, o profissional estará sujeito aos efeitos do
campo eletromagnético. Essa atividade é considerada de trabalho em linha viva, que em
subestações de tensão inferior a 69 kV não é executada em função das pequenas
distâncias existentes entre as fases e entre fase e terra. Nestes casos os profissionais
somente trabalham afastados do ponto energizado.
O item 10.7.1 da NR-10 se aplica aos profissionais que efetuam qualquer atividade
nas subestações dos consumidores que estejam energizadas, como, por exemplo, uma
manobra de religamento. Esta afirmação deve-se ao fato de que pode ocorrer de o
profissional ficar a uma distância do barramento, ou de uma parte energizada de um
equipamento, correspondente à zona controlada.
Sendo assim, esse item determina que os profissionais que atuam com instalações
elétricas energizadas em alta tensão devem atender ao disposto
no item 10.8 da NR-10, que determina o perfil de um trabalhador da área elétrica que esteja
habilitado, qualificado, capacitado e autorizado.
Ou seja, para atuar em uma subestação energizada de acordo com o item 10.7.1 da
NR-10, o profissional deve atender a pelo menos uma das classificações profissionais
determinadas no item 10.8.
A Figura 6.3 apresenta um resumo das classificações dos profissionais determinadas pelo
item 10.8 da NR-10.

Figura 6.3: Requisitos para determinação da classificação dos profissionais de acordo com a NR-10.
Fonte: Elaboração própria; adaptado da Norma Regulamentadora
número 10 do Ministério do Trabalho e Emprego

10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de


segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas
proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações
estabelecidas no Anexo II desta NR.

Os profissionais que executem atividades nas subestações energizadas devem realizar o


curso complementar da NR-10, também conhecido como curso do SER Para realizá-lo, é
pré-requisito ter frequentado o curso básico de NR-10. A seguir está reproduzido o conteúdo
programático do curso do SER
2. CURSO COMPLEMENTAR - SEGURANÇA NO SISTEMA
ELÉTRICO DE POTÊNCIA (SEP) E EM SUAS PROXIMIDADES.

É pré-requisito para frequentar esse curso complementar ter participado, com aproveitamento satisfatório. do curso
básico definido anteriormente.

Carga horária minima - 40h I - Programação mínima:


]. Organização do Sistema Elétrico de Potência (SEP).
2. Organização do trabalho:
a} programação e planejamento dos serviços;
b) trabalho em equipe;
c) prontuário e cadastro das instalações;
d) métodos de trabalho; e
e) comunicação.
3. Aspectos comportamenlais.
4. Condições impeditivas para serviços,
5. Riscos típicos no SEP e sua prevenção (*):
a) proximidade e contatos com partes energizadas; b}
indução;
c} descargas atmosféricas;
d) estática;
e) campos elétricos e magnéticos;
f) comunicação e identificação; e
g) trabalhos em altura, máquinas e equipamentos especiais.
6. Técnicas ce análise de Risco no SEP (*)
7. Procedimentos de trabalho - análise e discussão. {*)
8. Técnicas de trabalho sob tensão: (*>
a) em linha viva;
b) ao potencial;
c) em áreas internas;
d) trabalho a distância;
e) trabalhes noturnos; e
f) ambientes subterrâneos.
9. Equipamentos e ferramentas de trabalho {escolha, uso, conservação, verificação, ensaios) (x).
10. Sistemas de proteção coletiva (*).
11. Equipamentos de proteção individual (*).
12. Posturas e vestuários de trabalho (*).
13. Segurança com veículos e transporte de pessoas, materiais e equipamentos (*).
14. Sinalização e isolamento de áreas de trabalho {*).
15. Liberação de instalação para serviço e para operação e uso {*).
16. Treinamento em técnicas de remoção, atendimento, transporte de acidentados (*}.
17. Acidentes típicos (*) - análise, discussão, medidas de proteção.
18. Responsabilidades {*). _____________________________________________________________________ _
É possível notar no conteúdo do curso que a maior parte do estudo é dirigido aos
aspectos de segurança da atividade que o profissional exerce em alta tensão. Esse
direcionamento é apontado pelo asterisco existente ao final de cada tópico que significa:

(*) Esses tópicos devem sei desenvolvidos e dirigidos especificamente para as


condições de trabalho características de cada ramo, padrão de operação, de
nível de tensão e de outras peculiaridades específicas ao tipo ou condição es-
pecial de atividade, sendo obedecida a hierarquia no aperfeiçoamento técnico do
trabalhador.

Por exemplo, se o profissional atuar com linhas de transmissão de alta tensão, o


curso complementar deve ser direcionado para os aspectos de segurança na execução de
atividades nas linhas de transmissão.
Da mesma forma, o curso deve ser direcionado no caso dos profissionais que
executem atividades em outras instalações de alta tensão, como linhas de distribuição aérea,
cabos de distribuição subterrânea, grandes motores elétricos alimentados com alta tensão,
subestações conforme abordado neste livro, entre outros.
O item 10.7.3 determina que não é permitida a execução de nenhum trabalho em
uma instalação elétrica energizada em alta tensão de forma individual.

10.7.1 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência (SEP), não podem ser
realizados individualmente.

As atividades que podem ser desenvolvidas nas subestações de consumidores


geralmente são manutenção ou manobra (desligamento e religa- mento).
A realização de uma manutenção geralmente requer uma grande quantidade de
pessoas em função do volume de serviço que deve ser realizado em um curto espaço de
tempo, portanto um serviço de manutenção geralmente já é realizado por mais de uma
pessoa.
O religamento de uma subestação de consumidor é uma atividade relativamente
comum e que em muitas empresas é realizada deforma individual por um profissional
responsável por essa tarefa. Sendo assim, esta é uma das atividades em que mais se aplica
esse item da NR-10.
Em determinado momento da operação de desligamento ou religamento de uma
subestação de consumidor, a instalação elétrica está energizada com alta tensão, portanto o
item 10.7.3 da NR-10 é aplicável para estes casos.
A norma não determina o perfil da outra pessoa que esteja acompanhando o
profissional na realização de sua atividade. Considerando que a outra pessoa que
acompanha o profissional responsável pelo religamento (somente para que ele não esteja
sozinho) também estará na zona controlada, esse profissional também deve ser autorizado
de acordo como determina o item 10.8 da NR-10.
Utilizando a forma mais prudente de análise, pode-se considerar que o mais
apropriado é que a outra pessoa que acompanha o profissional que fará o religamento,
somente para que este não esteja sozinho, deve ter as mesmas qualificações. Afinal, ele
também estará dentro de uma subestação, portanto precisa conhecer os riscos existentes no
local.

10.7.4 Todo trabalho em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aquelas que interajam com o SEFj somente pode ser realizado mediante ordem
de serviço específica para data e local, assinada por superior responsável pela
área.

De acordo com o item 10.7.4, todo trabalho em subestações somente pode ser
realizado após a emissão de uma ordem de serviço. Muitas empresas já possuem a
sistemática de utilização de ordens de serviço para as suas atividades rotineiras.
Costumeiramente o setor de manutenção trabalha desta forma, porém as atividades em
subestações eventualmente não passam por essa rotina, entretanto, de acordo com este
item da NR-10, essas atividades também devem ser contempladas pelas ordens.
A empresa deve possuir um plano de emergência (conforme item 10.12 da NR-10)
que preveja, por exemplo, um incêndio nas instalações onde se faz necessário o
desligamento da subestação. Outra situação de emergência também pode ser um
desligamento da subestação durante o horário de expediente, sendo necessário o
religamento rápido para não interferir demasiadamente na rotina da empresa, ou ainda um
desligamento fora do horário de expediente, onde não está presente um líder que possa
assinar a ordem de serviço.
Nestes casos cabe uma interpretação da norma porque não é possível que uma
empresa fique, por exemplo, todo o final de semana sem energia em função de um
desligamento na sexta-feira à noite, visto que somente na segunda-feira de manhã chegará o
supervisor da manutenção, que é quem possui delegação para assinar a ordem de serviço.
Nestes casos o plano de emergência pode prever uma sistemática onde o serviço é
executado e posteriormente deve ser realizado o registro da ocorrência, destacando a
urgência da execução da tarefa.

10.7.5 Antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em AT, o superior


imediato e a equipe, responsáveis pela execução do serviço, devem realizar uma
avaliação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas
de forma a atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de
segurança em eletricidade aplicáveis ao serviço.
A atividade apresentada no item 10.7.5 na norma já é realizada em muitas empresas
com o nome de análise preliminar de risco ou simplesmente análise de risco.
Essa análise deve ser feita antes da execução de cada tarefa, sendo uma
emergência ou não, onde os profissionais envolvidos planejam as suas ações, identificam
onde estão localizados os riscos envolvidos e determinam as medidas de controle para
mitigar esses riscos.

10.7.2 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT somente po-


dem ser realizados quando houver procedimentos específicos, detalhados e
assinados por profissional autorizado.

O item 10.7.5 determina que toda tarefa executada em uma subestação deve ter um
procedimento de trabalho. Esse procedimento deve conter a descrição das tarefas que serão
executadas passo a passo, indicando os profissionais que devem executá-las, os riscos
envolvidos e as medidas de controle.
É comum encontrar em subestações de consumidores o procedimento de
religamento da subestação fixado na parede, porém existem outras tarefas como a
manutenção, que também devem ser contempladas no procedimento.

10.7.3 A intervenção em instalações elétricas energizadas em AT dentro dos


limites estabelecidos como zona de risco, conforme Anexo I desta NR, somente
pode ser realizada mediante a desativação, também conhecida como bloqueio,
dos conjuntos e dispositivos de religamento automático do circuito, sistema ou
equipamento.

Este item é direcionado às distribuidoras de energia elétrica, porque não é usual uma
subestação de consumidor ser provida de um dispositivo de religamento automático.
Logo após a ocorrência de um curto-circuito, que venha a promover o desligamento
de um disjuntor da subestação da distribuidora, o relé de religamento envia um comando
para que o disjuntor seja religado automaticamente.
Caso esteja sendo executado algum serviço com o circuito energizado, o
desligamento do disjuntor pode, eventualmente, ter sido ocasionado por um choque elétrico.
Neste caso o religamento faz com que o choque elétrico persista, aumentando o dano
causado no acidente. Em virtude dessa característica, a execução de uma tarefa em um
circuito energizado, em que o seu disjuntor possua dispositivo de religamento, requer que
seja realizada a desativação dessa função durante a realização do serviço.
Algumas distribuidoras permitem que as subestações de consumidor possuam
rearme automático, que, diferente do religamento, somente faz com que o disjuntor seja
fechado de forma automática se a sua abertura foi provocada pela falta de tensão e não por
outros motivos, como, por exemplo, se a abertura do disjuntor foi provocada por um
curto-circuito.
O Comunicado Técnico número 32 da Eletropaulo emitido em junho de 2009,
permite, por exemplo, que o rearme ocorra após o retorno da tensão na rede de distribuição e
após o intervalo de tempo de no mínimo dois minutos.

10.7.7.1 Os equipamentos e dispositivos desativados devem ser sinalizados com


identificação da condição de desativação, conforme procedimento de trabalho
específico padronizado.

Dentro do mesmo subitem simplesmente é preciso observar que essa desativação


deve ser sinalizada claramente, para evitar que inadvertidamen- te alguém venha a colocar o
dispositivo de religamento em operação antes do término da atividade.

10.7.4 Os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou equipados


com materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta tensão, devem ser
submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecen-
do-se às especificações do fabricante, aos procedimentos da empresa e na
ausência desses, anualmente.
As distribuidoras de energia elétrica utilizam muitos equipamentos e dispositivos
isolantes, entretanto nas subestações de consumidores e em suas atividades são poucos os
itens que se enquadram rio Capítulo 10.7.8 da NR-10. Podemos considerar que toda
subestação de consumidor precisa ter no mínimo os seguintes itens com isolação elétrica:
• Luva de borracha;
• Bastão de manobra;
• Tapete de borracha;
• Capacete de segurança;
• Manga de borracha.
Sendo assim, estes itens devem ser submetidos a testes para verificar a sua
condição de isolação elétrica. Para realizar a verificação, deve ser utilizado o ensaio de
tensão aplicada, entretanto podem ser realizados outros testes, como, por exemplo, o teste
de estanqueidade da luva isolante para verificação se não há nenhum furo. Havendo a
reprovação da luva, não há conserto e ela precisa ser substituída.

Figura 6.4: Luvas isolantes de borracha para alta


tensão. Fonte: Orion

Algumas empresas não estão habituadas a realizar os ensaios de isoía- ção elétrica
nos outros equipamentos além da luva, porém se considerarmos que eles são dispositivos
isolantes que garantem a segurança dos profissionais que atuam na subestação, a
realização do seu ensaio é necessária de acordo com o item 10,7.8 da NR-10.

10.7.5 Todo trabalhador em instalações elétricas energizadas em AT, bem


como aqueles envolvidos em atividades no SER devem dispor de equipamento
que permita a comunicação permanente com os demais membros da equipe ou
com o centra de operação durante a realização do serviço.

No último item do capítulo de alta tensão, a NR-10 simplesmente pede que os


profissionais que estejam atuando em uma instalação elétrica de alta tensão, no caso do foco
deste livro estamos falando das subestações de consumidores, devem possuir um
dispositivo de comunicação. A norma não especifica detalhes desse dispositivo, portanto
pode ser celular, rádio ou algum outro sistema que permita a comunicação permanente.
Tratando de unidades consumidoras, geralmente não há um centro de operações
para o pessoal da manutenção. Essa denominação é comumente aplicada às distribuidoras
de energia elétrica, portanto esse dispositivo de comunicação deve permitir, o contato com os
demais membros da equipe.

6.1. Desenergização de subestações


As atividades em instalações elétricas podem ser realizadas com o circuito
energizado ou desenergizado. Em subestações de consumidores, poucos serviços podem
ser executados com o circuito energizado, como o desligamento ou o religamento da
subestação, ou então a realização do ensaio de termovisão, que identifica pontos de
sobreaquecimento em função de algum defeito em um equipamento ou em uma conexão do
barramento.
As atividades de manutenção geralmente são realizadas com o circuito
desenergizado. Existem seis etapas que devem ser cumpridas para que se possa considerar
o circuito denesergizado. São elas:
• Desligar;
• Isolar;
• Bloquear;
• Testar;
• Aterrar;
• Sinalizar.
Somente após realizadas as seis etapas é que se pode considerar que a subestação
está desenergizada e o trabalho pode ser realizado com maior segurança.
Caso alguma das seis etapas apresentadas não seja executada por qualquer
motivo, a subestação não deve ser considerada desenergizada, portanto devem ser tomadas
todas as precauções e utilizados todos os EPIs, como se a subestação estivesse energizada,
mesmo que ela já esteja desligada.
Vamos realizar uma análise para entender melhor a diferença entre desligado e
desenergizado. Desligar refere-se à simplesmente promover a abertura da alimentação do
circuito, ou seja, abrir o disjuntor ou a chave seccionadora. O desligamento é somente a
primeira das seis etapas da de- senergização. O isolamento refere-se ao desligamento de
outros dispositivos que isolem fisicamente o trecho da instalação elétrica onde será realizado
o serviço.
A figura a seguir exemplifica as duas situações. Neste caso pretende-se realizar a
manutenção no transformador. Quando o disjuntor de alta tensão é aberto, ocorre o
desligamento do transformador, logo em seguida é realizada a abertura do disjuntor de
baixa tensão. A partir desse momento o transformador está isolado.
Na terceira etapa todos os dispositivos que foram abertos (disjuntores, chaves etc.)
devem ser bloqueados de forma a impedir que uma pessoa inadvertida religue os
dispositivos, conforme a Figura 6.5.
Figura 6.5: Diagrama unifilar de
uina subestação de
consumidor.

Um modo apropriado de bloqueio utiliza o emprego de cadeado, em que somente a


pessoa que realmente fez o desligamento é quem pode religar o dispositivo.
O teste é necessário para ter a certeza de que foi desligado o dispositivo correto e de
que as três fases foram interrompidas. A verificação de tensão em uma subestação deve ser
realizada com a utilização de um dispositivo conhecido como detector de tensão.

Figura 6.6: Detector de alta tensão.


Esse dispositivo deve ser colocado na ponta do bastão de manobra e o teste deve
sempre ser realizado nas três fases, pois pode ocorrer, por exemplo, de um disjuntor ter uma
barra de tração quebrada e interromper somente duas fases, mantendo a terceira
energizada.
A quinta etapa é muito importante, pois inicialmente o aterramento promove a
descarga de energia estática ou de energia armazenada que possa existir na subestação, e
durante a realização do serviço o aterramento garante que uma energização acidental não
venha a provocar nenhum acidente.
Entretanto, para cumprir o seu papel, o aterramento deve ser instalado nos lugares
corretos e de forma apropriada.
São instalados no mínimo dois pontos de aterramento temporários para garantir que
as pessoas envolvidas no serviço estejam sempre trabalhando dentro da região formada
pelos conjuntos de aterramentos.

Figura 8.7: Exemplos dos pontos de instalação do conjunto de aterramento temporário.

O chamado conjunto de aterramento temporário possui quatro conectores


interligados entre si. Primeiramente um conector deve ser ligado no aterramento, o ponto do
aterramento escolhido deve sempre ser o mais próximo possível da malha de aterramento da
subestação, sendo sempre ligado em um cabo de elevada bitola, e obviamente conectado
diretamente no cabo nu (se o cabo estiver pintado, sujo ou encapado, é preciso fazer a
limpeza do ponto antes de ligar o conector).
Depois de conectado no ponto de aterramento, realiza-se a ligação nas fases,
sempre garantindo que o conector esteja firme e não haja possibilidade de se soltar na
ocorrência de urna energização.
Figura 6.8: Conjunto de aterramento temporário.

Vale destacar que é de suma importância que primeiro deve ser instalado o conector
no aterramento e depois nas fases. Durante a retirada, do conjunto de aterramento
temporário o procedimento a ser adotado é o inverso, ou seja, primeiro retiram-se os
conectores das fases a por último do aterramento.
Por fim, a garantia de que todos os aspectos de segurança foram atendidos é feita
com a sinalização dos dispositivos que foram desligados. Também deve ser sinalizada a área
onde será realizado o serviço, a fim de evitar que pessoas inadvertidas invadam o local.

6.2. Exercícios
1. Que capítulo da NR-10 determina as premissas para a realização de trabalho em
alta tensão?
2. Qual a distância de risco e a distância controlada a partir de um
ponto energizado em 13,8 kV?
3. Em que condição um profissional precisa fazer o curso complementar de NR-10?
4. Qual a diferença entre um equipamento desligado e isolado?
5. Qual ferramenta é utilizada para verificar a ausência de tensão em
uma subestação?
O principal objetivo deste capítulo é apresentar os conceitos básicos de
planejamento e execução das tarefas de operação e manutenção de uma subestação,
visando garantir a segurança dos equipamentos e dos profissionais envolvidos.

7.1. Procedimento de operação de subestações


De acordo com a NR-10, a operação e a manutenção de subestação devem ser
efetuadas por pessoas qualificadas e autorizadas, conforme estudado no Capítulo 6 deste
livro, com treinamento prévio de NR-10 e que estejam familiarizados com o sistema elétrico.
Por se tratar de uma instalação de alta tensão, além do curso básico da NR-10, o
profissional também deve ter realizado o curso complementar, chamado de curso do SER
Conforme apontado no Capítulo 6, a NR-10 determina que o profissional que está
executando a operação na subestação não pode estar sozinho.
Não se deve realizar manobras em subestações sem o equipamento de proteção
(luvas, bastões isolantes e tapetes de borracha etc.). Todos esses equipamentos devem ter
resistência dielétrica conforme a classe de tensão e estar de acordo com a NR-6 do
Ministério do Trabalho e Emprego. As luvas de segurança devem estar protegidas pelas
luvas de proteção mecânica e acondicionadas em local apropriado.
Existem dois tipos de operação de subestações:
• Operação programada;
• Operação de emergência.

7.1.1. Operação programada de subestações


Em todos os serviços executados dentro da subestação é essencial que seja feita
uma programação prévia e uma lista de procedimentos a serem executados, para assegurar
que a atividade seja feita corretamente.
A norma de segurança NR-10 determina nos itens 10.7.4, 10.7.5 e 10.7.6 que a
operação da subestação deve dispor de uma ordem de serviço, de um procedimento de
trabalho e realizar um planejamento prévio antes de executar a atividade. Veja mais detalhes
no Capítulo 6.
O item 10.11, da NR-10 determina que o procedimento de trabalho deve ser assinado
por um profissional legalmente habilitado e elaborado com a participação do serviço
especializado de engenharia segurança do trabalho (SESMT).
10.11.1 Os serviços em instalações elétricas devem ser planejados e realizados
em conformidade com procedimentos de trabalho específicos, padronizados, com
descrição detalhada de cada tarefa, passo a passo, assinados por profissional que
atenda ao que estabelece o item 10.8 desta NR.
10.11.2 Os serviços em instalações elétricas devem ser precedidos de ordens de
serviço especificas, aprovadas por trabalhador autorizado, contendo, no mínimo, o
tipo, a data, o local e as referências aos procedimentos de trabalho a serem
adotados.
10.11.3 Os procedimentos de trabalho devem conter, no mínimo, objetivo,
campo de aplicação, base técnica, competências e responsabilidades, disposições
gerais, medidas de controle e orientações finais.
10.11.4 Os procedimentos de trabalho, o treinamento de segurança e saúde e a
autorização de que trata o item 10.8 devem ter a participação em todo processo de
desenvolvimento do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina
do Trabalho - SESMT, quando houver.

A ordem de serviço determina a realização da operação, também chamada de


manobra, de uma subestação e deve conter:
■ Motivo da manobra;
• Horário de início da manobra;
• Se há interrupção;
• Se a interrupção é total ou parcial;
• Quais os setores afetados-,
• Os componentes (equipamentos) e sequência que serão manobrados;
• Condições operativas dos equipamentos que serão manobrados;
• Os EPIs e EPCs que serão usados;
■ Tempo total de duração;
• Solicitante da manobra;
• Responsável(is) pela(s) manobra(s) (operador);
• Em caso de entrega para manutenção, os profissionais da manutenção que vão
trabalhar;
• Data e horário em que o circuito será devolvido para religamento;
• Responsável que vai liberar o circuito;
• Os diagramas a serem consultados para manobra.
Quando houver a necessidade de realizar uma operação de emergência, não há
tempo hábil de providenciar uma ordem de serviço e colher as devidas assinaturas antes de
realizar a operação.
Nestes casos, a operação é feita conforme procedimento pré-elaborado e,
posteriormente, deve ser emitida a ordem de serviço com todas as operações já
realizadas e o motivo da operação. No caso de curto-circuito é preciso indicar o local em
que aconteceu e as medidas adotadas.

71.1.1. Exemplo prático


Observando o diagrama unifilar do Apêndice D de uma subestação que
transforma 88 kV em 13,8 kV, é possível identificar dois transformadores e dois ramais de
entrada que se encontram na seguinte situação:
• Ramal 1 e 2 de 88 kV energizado;
• Disjuntor n2 1 de 88 kV fechado;
• Disjuntor n2 2 de 88 kV aberto;
• Os disjuntores de 13,8 kV, números 3 e 4, do secundário do transformador 1 e do
secundário do transformador 2 estão fechados;
• Todas seccionadoras de 88 kV estão fechadas;
• A seccionadora de interligação de barra de 13,8 kV está aberta;
• Os transformadores 1 e 2 estão em carga, cada um alimentando 50% da
empresa.
Sequência de operação para um desligamento completo de uma subestação com
segurança:
1. Planejar;
2. Conferir condições de operação dos equipamentos a serem manobrados:
a. meio de extinção dos disjuntores;
b. tensão;
c. carga;
d. meio de acionamento.
3. Bloquear a transferência automática de 88 kV;
4. Desligar disjuntor nº 3 secundário do transformador nº 1 de 13,8 kV pelo
acionamento elétrico no painel de comando e, na falta, acionamento
mecânico;
5. Verificar a ausência de corrente do disjuntor nº 3 e extraí-lo;
6. Desligar disjuntor nº 4 secundário do transformador nº 2 de 13,8 kV pelo
acionamento elétrico no painel de comando e, na falta, acionamento
mecânico;
7. Verificar a ausência de corrente do disjuntor nº 4 e extraí-lo;
8. Desligar disjuntor nº 1 de 88 kV pelo acionamento elétrico no painel de
comando e, na falta, acionamento mecânico;
9. Conferir ausência de tensão da saída dos disjuntores dos ramais 1 e 2 de 88
kV;
10. Abrir seccionador na 7405 e travar na posição desligada;
11. Abrir seccionador na 7403 e travar na posição desligada;
12. Abrir seccionador na 7406 e travar na posição desligada;
13. Abrir seccionador na 7404 e travar na posição desligada;
14. Verificar equipamentos;
15. Sinalizar (placas, avisos, barreiras etc.);
16. Elaborar relatório.
Caso o desligamento tenha sido executado para manutenção, deve-se:
a. executar teste de tensão usando o detector de tensão;
b. bloquear com bloqueio padronizado os equipamentos desligados;
c. executar aterramento temporário;
d. isolar a área na qual vai ser executada a manutenção.
Observação Desligar os circuitos de alta e baixa tensões sempre pelos disjuntores e nunca
pelas seccionadoras, pois os disjuntores são feitos para suportar a
interrupção de elevadas correntes elétricas, portanto é elemento responsável
pelo perfeito desligamento ou religamento de toda carga da subestação.

Quando há diversos disjuntores de alta tensão, os disjuntores secundários devem


preferencialmente ser desligados primeiro e por último o principal.
Sequência de operação para um religamento completo de uma subestação com
segurança:
No religamento completo programado, as operações devem ser inversas ao
desligamento e seguidas passo a passo. Caso o desligamento seja para manutenção,
deve-se verificar se:
a. todas as ferramentas, equipamentos e pessoal não envolvidos na manobra
foram retirados do local;
b. o aterramento temporário foi retirado;
c. os equipamentos e o sistema de proteção estão em ordem;
d. as telas de proteção ou todas as portas estão no local e fechadas.
Execução da operação de religamento:
1. Planejar;
2. Conferir condições de operação dos equipamentos a serem manobrados:
a. meio de extinção dos disjuntores;
b. tensão no ramal de entrada.
3. Retirar sinalização de “desligado”;
4. Retirar bloqueio dos equipamentos bloqueados;
5. Fechar o seccionador n2 7404 e travar na posição ligada;
6. Fechar o seccionador n2 7406 e travar na posição ligada;
7. Fechar o seccionador ns 7403 e travar na posição ligada;
8. Fechar o seccionador ns 7405 e travar na posição ligada;
9. Ligar disjuntor nfi 1 de 88 kV pelo acionamento elétrico no painel de comando e,
na falta, acionamento mecânico;
10. Verificar presença de tensão da saída do disjuntor;
11. Inserir e ligar disjuntor nº 3 secundário do transformador nº 1 de
13.8 kV pelo acionamento elétrico no painel de comando e, na falta,
acionamento mecânico;
12. Verificar a presença de corrente;
13. Inserir e ligar disjuntor nº 4 secundário do transformador nº 2 de
13.8 kV pelo acionamento elétrico no painel de comando e, na falta,
acionamento mecânico;
14. Verificar presença de corrente;
15. Habilitar transferência automática;
16. Conferir equipamento;
17. Elaborar relatório.

7.1.2. Operação de emergência de subestações


Nas subestações pode ocorrer desligamentos automáticos por diversos motivos,
como segue:
1. Falta de fase no circuito de alimentação da distribuidora;
2. Interrupção total do circuito de alimentação da distribuidora;
3. Sobrecorrente na subestação;
4. Curto-circuito na subestação;
5. Aquecimento do transformador;
6. Falta de óleo no transformador;
7. Gás inflamável no transformador.
Qualquer religamento que for realizado devido a um desligamento dessa natureza é
considerado operação de emergência. O religamento pode ser feito, desde que os seguintes
pontos sejam verificados:
1. Motivo de desligamento;
2. Condições dos equipamentos;
3. A subestação deve oferecer condições técnicas de segurança para o
profissional que esteja executando a tarefa;
4. Existência dos equipamentos auxiliares da manobra.
Realizada a operação de religamento de emergência, deve ser elaborado um
relatório contendo:
• motivo do desligamento;
• o relé que atuou;
• providências que devem ser tomadas.

7.2. Procedimento de manutenção de subestações


Na execução de trabalhos de manutenção de subestações os profissionais devem
ser qualificados e autorizados para a tarefa, bem como dispor dos equipamentos de proteção
coletiva (EPC) e equipamentos de proteção individual (EPI) necessários.
Os profissionais também devem ter recebido treinamentos técnicos sobre a tarefa
que vão executar e treinamento da norma de segurança NR-10 do Ministério do Trabalho e
Emprego. As vestimentas dos profissionais devem ser adequadas, bem como não devem
portar relógio, anéis, pulseira ou qualquer outro adorno pessoal, conforme determina a
NR-10.
10.2.9.2 As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades, de-
vendo contemplar a condutibílidade, inflamabilidade e influências eletromagnéticas.
10.2.9.3 É vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos com instalações
elétricas ou em suas proximidades.
Conforme estudado no item 6.2 deste livro, todo equipamento seccio- nado dentro de
uma subestação somente é considerado desenergizado, para efeito de manutenção, quando
estiver:
1. desligado;
2. isolado;
3. bloqueado;
4. testado;

5. aterrado;
6. sinalizado.
Essa sequência de operações está defina no Capítulo 5.1 da NR-10, conforme
reproduzido a seguir. O estado da instalação desenergizada deve ser mantido até a
autorização de nova energização.

10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas


liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a
sequência abaixo: a) seccionamento; b) impedimento de reenergizaçâo; c)
constatação da ausência de tensão; d) instalação de aterramento temporário com
equipotencialização dos condutores dos circuitos; e) proteção dos elementos
energizados existentes na zona controlada (Anexo I); f) instalação da sinalização de
impedimento de reenergização.

Durante a manutenção a subestação deve estar desobstruída de peças, materiais e


equipamentos alheios ao serviço e devem ser verificados os seguintes itens:
• Disponibilidade dos EPIs e EPCs;
• As portas de emergências e ou de acessos devem estar livres;
• Os extintores de incêndio (C02 ou pó químico) devem estar carregados e dentro
do período de validade.
Após receber a comunicação da conclusão da manobra pelo operador, o responsável
pelo serviço de manutenção deve conferir a manobra com todos os membros da equipe,
verificando se os equipamentos sob sua responsabilidade estão isolados, sinalizados,
bloqueados elétrica e mecanicamente e, se necessário, afastados (essa conferência deve
ser acompanhada do diagrama da subestação).
Em subestação com circuitos internos e diversos postos de transformação, ou com
geradores particulares, devem ser adotados cuidados especiais contra risco de acidentes de
corrente de retorno.
Após o desligamento total de subestações providas de capacitares é necessário
esperar a descarga das correntes capacitivas antes de realizar o aterramento temporário.
Antes de iniciar a manutenção é necessário realizar um planejamento. Entende-se
por planejar o ato de preparar antecipadamente a execução dos serviços a serem realizados,
definindo um plano ou roteiro das diversas etapas, para ter conhecimento claro do que fazer,
por que fazer, como fazer, quando fazer e quem deve fazer.
Cabe ao responsável do serviço a ser executado distribuir as tarefas, analisando
sempre a necessidade do serviço, bem como o número de profissionais necessários.
O responsável também deve verificar o uso e as condições dos EPIs, certificando-se
de que toda equipe está ciente do que fazer, para que fazer e de que maneira fazer.
Vale lembrar que a execução de um mesmo serviço nem sempre é a mesma, e que
as tarefas fora de rotina devem ter atenção especial.
As ferramentas a serem usadas devem ser adequadas às tarefas e estarem em
condições de uso, o local deve estar limpo e com ventilação e iluminação adequada.
A manutenção em equipamentos desligados apresenta-se, à primeira vista, como
uma condição aparentemente segura para os trabalhos a serem realizados. Entretanto,
esses equipamentos podem ser energizados indevidamente por diversos fatores, tais como
tensões estáticas, indutivas e ca- pacitivas, erro na manobra, contato acidental com outro
ponto energizado, descargas atmosféricas e religamento acidental.
Nestes casos, o aterramento temporário constitui a principal proteção das pessoas
envolvidas na manutenção. Essa proteção é oferecida pelo conjunto de aterramento que, ao
ser instalado de forma adequada com especificações e a sequência correta, protege os
profissionais contra os fatores citados, desviando a corrente elétrica por um caminho de
resistência ôhmica menor que a do ser humano.

Observação Antes do aterramento deve-se fazer o teste de tensão usando o detector de tensão.
7.2.1. Tipos de manutenção de subestações
Nos equipamentos elétricos se faz necessária a manutenção para que eles
possam estar sempre disponíveis, prolongando sua vida útil. Essa manutenção deve
obedecer a:
• critérios preestabelecidos pelo fabricante dos equipamentos;
• normas técnicas;
• setor de engenharia da empresa.
Nesses critérios deve-se considerar o local de instalação dos equipamentos, a
quantidade de operação, periodicidade de manutenção, condições físico-químicas,
tensão e carga dos equipamentos.
A manutenção caracteriza-se como todo serviço de controle, conservação e
restauração de um item ou instalação com objetivo de mantê-lo em condições
satisfatórias de uso e prevenir anomalias, tornando-o indisponível. A manutenção pode
ser preventiva, corretiva ou preditiva.
Manutenção preventiva é todo controle, conservação e restauração em um item
programado seguindo os critérios preestabelecidos e com a finalidade de mantê-lo em
condições satisfatórias de operações e protegê-lo contra ocorrências que possam
aumentar sua indisponibilidade.
Manutenção corretiva em um item indisponível ou não, com ou sem restrição,
visa reparar falha ou defeito. A manutenção corretiva pode ser:
• Manutenção corretiva de emergência: intervenção de um item com a
finalidade de corrigir de imediato as condições normais de operação.
• Manutenção corretiva de urgência: intervenção de um item com a
finalidade de corrigir falhas ou defeitos o mais breve possível, retomando as
condições normais de operação.
• Manutenção corretiva programada: intervenção de um item com a
finalidade de corrigir falhas ou defeitos a qualquer tempo, voltando às
condições normais de operação.
Manutenção preditiva consiste no controle e na verificação realizados com o
objetivo de verificar as condições de operação das instalações e equipamentos.
Caso seja identificada alguma anomalia na manutenção preditiva, pode-se
programar a realização de uma manutenção corretiva ou aumentar a frequência de
monitoramento até a manutenção preventiva.
Em todas as manutenções deve ser constituído um relatório, analisando o estado
dos equipamentos e os valores de ensaios, as alterações
detectadas em relação aos relatórios anteriores, devem ser analisadas se estão dentro dos
valores preestabelecidos. Esse relatório deve fazer parte do prontuário da instalação conforme
determinação da NR-10.

10.2.3 As empresas estão obrigadas a manter esquemas unifilares atualizados das


instalações elétricas dos seus estabelecimentos com as especificações do sistema de
aterra mento e demais equipamentos e dispositivos de proteção.
10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW devem constituir
e manter o “Prontuário de Instalações Elétricas”, contendo além do disposto no item
10.2.3 no mínimo;
a) conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de segurança e
saúde, implantadas e relacionadas a esta NR e descrição das medidas de controle
existentes;
b} documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas
atmosféricas e aterramentos elétricos;
c) especificação dos “Equipamentos de Proteção Coletiva" e individual e o
ferramentalr aplicáveis, conforme determina esta NR;
d) documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação, au-
torização dos trabalhadores e dos treinamentos realizados;
e) resultados dos testes de “Isolação Elétrica" realizados em equipamentos de
proteção individual e coletiva;
f) certificações dos equipamentos e materiais elétricos aplicados em "áreas
classificadas"; e
g) relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cronogramas de
adequações, contemplando as alíneas de "a" a "f".
10.2.5 As empresas que operam em instalações ou equipamentos integrantes do
“Sistema Elétrico dc Potência" devem constituir prontuário com o conteúdo do item
10.2.4 e acrescentar os documentos listados a seguir:
a) descrição dos procedimentos para emergências;
b) certificações dos equipamentos de proteção coletiva e individual;
10.2.5.1 As empresas que realizam trabalhos em proximidade do Sistema Elétrico de
Potência deve constituir prontuário contemplando as alíneas “a", "c", “d” e V\ do item
10.2.4 e alíneas "a" e “b” do item 10.2.5.
10.2.6 0 Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido
atualizado peio empregador ou pessoa formalmente designada pela empresa, devendo
permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e serviços em
eletricidade.
10.2.7 Os documentos técnicos previstos no Prontuário de instalações Elétricas
devem ser elaborados por profissional legalmente habilitado.

7.2.2. Requisitos para manutenção


Cada fabricante de equipamento pode ter um procedimento de manutenção
diferenciado. O que se apresenta são os procedimentos, verificações, ensaios e sequência
básica, podendo ser usados para todos os equipamentos.
Para realização do serviço de manutenção da subestação devem ser providenciados
alguns documentos, conforme relação a seguir.
• ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) preenchida e recolhida por um
profissional legalmente habilitado;
• Manual dos fabricantes dos equipamentos;
• Formulário de relatórios técnicos dos ensaios e verificações dos equipamentos;
• Folha de registro do relatório da manutenção anterior;
• Procedimento de trabalho padronizado conforme item 10.11 da NR-10;
• Documento da autorização comprobatória dos profissionais, conforme item 10.8 da
NR-10.
Os EPCs normalmente utilizados para realização das atividades de manutenção em
subestações são:
• Fita de sinalização padronizada (de acordo com a NR-26);
• Bandeirola ou placa de sinalização (de acordo com a NR-26);
• Sistema de bloqueio padronizado (cartão);
• Detector de tensão;
• Conjunto de aterramento temporário;
• Bastão isolante com cabeçote para fixação do aterramento temporário;
• Cones de sinalização.
Os EPIs normalmente utilizados para realização das atividades de manutenção em
subestações são:
• Calçado de segurança para trabalho com eletricidade;
• Luva de borracha com classe de tensão apropriada protegida por luva de couro;
• Óculos de segurança com proteção de impacto e brilho;
• Luva de vaqueta;
• Capacete classe “B" para trabalho em eletricidade;
• Cinto de segurança, caso tenha atividade acima de dois metros;
• Uniforme adequado com característica de acordo com NR-10.
Segue a relação de materiais e ferramentas básicas para a realização do serviço de
manutenção em subestações. Vale destacar que essa relação pode ser alterada de acordo com
as necessidades do serviço e as características dos equipamentos.
• Gerador, extensão e iluminação;
• Kit para coleta de amostra de óleo do transformador;
• Instrumentos de ensaio (conforme item 7.2.3);
• Matérias de limpeza: solvente, pano para limpeza, sacos para recolher lixo,
recipientes para materiais recicláveis;
• Conjunto de chaves fixa e ajustável;
• Alicate universal e de corte;
• Grifo;
• Arco de serra com a lâmina;
• Conjunto chave de fenda;
• Martelo;
• Bandeja para lavagem de peças;
• Escada;
• Bancada.

7.2.3. Instrumentos de ensaios


Na manutenção dos equipamentos da subestação é importante ter um diagnóstico mais
apurado das condições dos equipamentos instalados. Os ensaios elétricos apresentam a
situação do equipamento, avaliando a sua atual condição, identificando uma anomalia que
eventualmente deixe o equipamento indisponível. A seguir são apresentados os principais
instrumentos de ensaio utilizados na manutenção de uma subestação.

7.2.3.1. Megôhmetro
O megôhmetro é o instrumento usado para medir resistência de isola- ção, permitindo
detectar e diagnosticar falhas nos equipamentos elétricos. Seu princípio de funcionamento tem
como base que, aplicando-se uma tensão de corrente continua a um isolante, a corrente que
circula através dele tem três componentes distintas:
• Corrente de carga de capacitância, natural do material sob ensaio;
• Corrente de absorção dielétrica, que circula através do corpo do material;
• Corrente de fuga através do isolante, a qual tem dois componentes importantes, um
significando fuga através da superfície do material e o outro do próprio isolante.
Com base nesses fatores o megôhmetro traz uma leitura precisa dos valores de
resistência dielétrica do material isolante. Esse equipamento possui três bornes em que são
conectados os cabos de mesma cor com as seguintes características:
• Um borne normalmente de cor vermelha, chamado de linha (LINE), tem a função de
enviar tensão para o equipamento sob ensaio.
• Outro borne de cor preta chamado de terra (EARTH), negativo ou retorno, possui a
função de retomar para o instrumento o resultado dos valores de corrente de fuga do
equipamento sobre ensaio.
• O terceiro borne, normalmente de cor verde, chamado de GUARD, permite eliminar
correntes indesejáveis àquela leitura, como correntes parasitas e indutivas que
interferem nas medições.
Figura 7.1: Megôhmetro analógico 15 kV. Fonte-, Instronic
Instrumento de Teste Ltda.

7.2.3.2. Instrumento de ensaio de tensão aplicada (Hipot)


O Hipot é um instrumento usado para medir a isolação elétrica em aparelhos e
equipamentos. O nome Hipot é a abreviação de elevado potencial em inglês, já que no seu ensaio
utiliza-se uma tensão elevada.
Em condições normais, qualquer dispositivo elétrico vai produzir uma quantidade mínima
de corrente de fuga, conforme a classe de tensão e rigidez dielétrica do material. Esse fenômeno
trata-se de uma condição natural dos materiais, observado em sua fabricação.
No entanto, devido a problemas como absorção de umidade, acúmulo de sujeira, entre
outros, a fuga de corrente pode se tornar excessiva. Essa circunstância pode causar falha na
operação do equipamento, podendo danificá-lo e ainda provocar um choque elétrico em pessoas
que possam entrar em contato com o equipamento defeituoso.
O teste consiste em aplicar uma elevada tensão elétrica no equipamento durante um
minuto, e não pode haver o rompimento da isolação dielétrica do equipamento sob ensaio.
Durante a realização do ensaio, caso ocorra a falha da isolação do equipamento sob ensaio, o
Hipot deve identificar essa corrente de fuga e vir a desligar, e neste caso o equipamento está
reprovado.
Eventualmente, pode ocorrer de o equipamento sob ensaio apresentar falha na isolação
e o Hipot não desligar, vindo a manter a elevada tensão aplicada e danificando o equipamento
sob ensaio.
O instrumento vem acompanhado de um cabo para aplicação de tensão e outro para
retorno, caso o equipamento sob ensaio não suporte a tensão aplicada. Normalmente, o Hipot é
utilizado para ensaio em cabos de alta tensão.
Figura 7.2: Hipot analógico 15 W Fonte: Instronic
Instrumento de Teste Ltda.

7.2.3.3. Microhmímetro
É um instrumento utilizado para medir, com alta precisão, baixa resistência de contato em
disjuntores e chaves seccionadoras. Também pode ser utilizado para medir a resistência ôhmica
do enrolamento dos transformadores. Norma Imente, a corrente utilizada para teste varia entre 1
mA e 100 A.
Durante o ensaio é aplicada uma corrente elétrica que, ao percorrer o equipamento
sob ensaio, promove uma queda de tensão. De acordo com a primeira lei de Ohm, ao dividir
a tensão medida pela corrente elétrica aplicada, obtém-se a resistência elétrica.

Figura 7.3: Microhmimetro analógico 100 A. Fonte: Instronic Instrumento de Teste Ltda.

7.2.3A Medidor de relação de espiras TTR


TTR é o instrumento utilizado para medir com precisão a relação entre espiras de um
transformador. Sendo o transformador uma máquina magnética que trabalha com uma
proporção entre enrolamentos, pela medição da relação entre eles podemos avaliar a
situação dos enrolamentos, quanto à relação de transformação e também quanto à
continuidade.
O instrumento mede a relação de espira, a comutação de fase e a polaridade nos
transformadores de força, nos transformadores de potencial (TP) e de corrente (TC).
Quatro cabos acompanham o instrumento, dois comumente chamados H1 e H2, com
a função de excitar a bobina de maior tensão (conecta-se no primário do transformador sob
ensaio), e os cabos XI e X2t com função de medir a corrente na bobina de menor tensão do
transformador.
Na medição é importante buscar a informação do tipo de ligação primária e
secundária do transformador sob ensaio, assim como a sua tensão de operação no primário
e no secundário.
O medidor de relação de espiras pode ser digital (TTR eletrônico) ou analógico (TTR
de manivela).

Figura 7.4: Teste de relação de transformação (TTR). Fonte-.


Instronic Instrumento de Teste Ltda.

7.2.3.5. Teste de rigidez dielétrica (teste de óleo)


O instrumento possui uma cuba na qual é despejado o óleo sob ensaio. Dentro da
cuba existem dois eletrodos que possuem um determinado afastamento entre si. O
instrumento de teste promove a elevação da tensão entre os dois eletrodos de forma gradual,
até que ocorra o rompimento da isolação elétrica.
Figura 7.5
Fonte: Instronic Instrumento de Teste Ltda.
A tensão em que ocorrer esse rompimento da isolação elétrica corresponde ao valor
em kV da rigidez dielétrica do óleo. Para garantir maior confiabilidade do resultado,
costuma-se repetir o procedimento de ensaio cinco vezes, com intervalo de um minuto,
sendo o resultado a média dos valores obtidos nas cinco leituras.

7.2.4. Manutenção de equipamentos

7.2.4.1. Para-raios
Na manutenção preventiva dos para-raios do tipo válvula recomenda- -se realizar as
seguintes tarefas:
• Verificar as condições dos isoladores, se não existem trincas ou rachaduras;
• Conectores de fase e terra devem ser reapertados, evitando aquecimento;
• Deve-se limpar o corpo do para-raios.
Também deve ser realizado o ensaio de resistência de isolação, usando o
megôhmetro, para analisar se há fuga de corrente através do corpo do para-raios. Esse
ensaio é realizado com a entrada do para-raios desconecta- do do barra mento.
Na parte superior do para-raios deve-se conectar o cabo de linha (UNE) do
megôhmetro e o cabo de terra (EARTH), negativo, é conectado na parte inferior do
para-raios. Os resultados da verificação e dos ensaios devem ser lançados na folha de
inspeção, conforme Apêndice C.

Observação O cuidado deve ser redobrado caso o para-raios esteja próximo do cabo de entrada,
pois ele pode estar energizado.
Figura 7.6: Ensaio de resistência de isolação do para-raios.
7.2.4,2. Chave seccionadora
Na manutenção preventiva das chaves seccionadoras é recomendado realizar as
seguintes tarefas:
• Verificar a simultaneidade da abertura e do fechamento das fases;
• Verificar o estado dos contatos fixo e móvel, que devem ser limpos, reapertados e
lubrificados;
• Deve-se reapertar, limpar e lubrificar as articulações, varão e partes rotativas;
• Nos isoladores, verificar se não existe trinca ou rachadura, e eles devem ser limpos e
bem fixados.
Caso a chave seccionadora existente seja motorizada, deve-se também:
• limpar a caixa de comando;
• lubrificar as engrenagens;
• reapertar os parafusos dos bornes;
• verificar o funcionamento das chaves fim de curso.
Para verificar o funcionamento apropriado das chaves seccionadoras devem ser
realizados ensaios mecânicos e elétricos. Os ensaios mecânicos consistem basicamente em
verificar a abertura e o fechamento da chave seccionadora. Os ensaios elétricos apresentam um
diagnóstico mais apropriado acerca das condições elétricas do equipamento, e se recomenda a
realização do ensaio de resistência de isolação e resistência de contato.
Para o ensaio de resistência de isolação o instrumento utilizado é o megôhmetro. Nesse
ensaio é verificado se há fuga de corrente nos bastões de acionamento e isoladores em relação à
massa {carcaça do equipamento).
Esse ensaio é realizado com a chave seccionadora fechada. Deve-se conectar o cabo de
linha (LINE) do megôhmetro aos contatos da chave seccionadora e o cabo de terra (EARTH), do
megôhmetro à massa. Esse procedimento deve ser repetido nas três fases da chave.
O ensaio de resistência de contato é realizado com a utilização do microhmímetro.
Também com a chave seccionadora fechada conectam-se os cabos do microhmímetro na
entrada e na saída de cada fase da chave seccionadora e aplica-se uma corrente de 100 A. O
instrumento apresenta a medição do valor da resistência de contato de cada fase.
Figura 7.7: Ensaio de resistência de isoiação da chave seccionadora.

Figura 7.8: Ensaio de resistência de contato da chave seccionadora.

7.2.4.3. Disjuntor
No mecanismo de acionamento do disjuntor deve-se verificar o estado geral das
molas, travas, motor, engrenagem, articulações, dispositivo de carregamento de mola,
indicadores de posição, contador de operação, bobina de ligar, desligar e de mínima tensão,
blocos de terminais, o estado da fiação e dos isoladores e contatos de rolete. O mecanismo
deve ser limpo e lubrificado, tomando cuidado com a lubrificação para não haver excesso.
Nas câmaras de extinção é necessário verificar se existem trincas ou rachaduras.
Nos casos em que é feita a abertura dos polos, deve-se conferir o estado dos contatos, os
quais devem ser limpos. No caso de disjuntor a óleo deve ser realizada a substituição do
óleo isolante, verificar as condições do respiro e do indicador de nível de óleo.
Os ensaios mecânicos consistem basicamente na abertura e no fechamento
mecânico, elétrico, local e remoto do disjuntor (eventualmente, alguns disjuntores podem
não ser providos de acionamento elétrico e remoto).
Assim como na chave seccionadora, os ensaios elétricos apresentam um
diagnóstico mais apropriado acerca das condições elétricas do equipamento, e se
recomenda a realização do ensaio de resistência de isolação e resistência de contato.
Para a realização do ensaio de resistência de isolação deve ser utilizado o
megôhmetro. Esse ensaio verifica a situação dos bastões de acionamento e isoladores de
entrada e saída de cada fase. Também é avaliada nesse ensaio a condição de isolação de
cada polo do disjuntor entre a sua entrada e a saída.
Estando com o disjuntor aberto, conecta-se o cabo de linha (LINE) do megôhmetro
ao terminal de saída de uma fase do disjuntor e o cabo de terra (EARTH) do megôhmetro ao
respectivo terminal de entrada do disjuntor. O cabo GUARD deve ser conectado à massa do
disjuntor e o ensaio é realizado. Esse procedimento deve ser repetido nos três polos (fases)
do disjuntor, Figura 7.9.

Disjuntor aberto
Figura 7.9: Ensaio de resistência de isolaçào do polo do disjuntor.
Posteriormente, com o disjuntor fechado conecta-se o cabo de linha (LINE) do
megôhmetro aos terminas de saída do disjuntor, o cabo de terra (EARTH) deve ser conectado à
sua massa e o ensaio é realizado, Figura 7.10.

Figura 7.10: Ensaio de resistência de isolaçao dos iscladcres do disjuntor


O ensaio de resistência de contato apresenta a condição dos contatos móveis e fixos do
disjuntor por intermédio do mícrohmímetro. Com o disjuntor fechado conecta-se um cabo do
microhmímetro no terminal de entrada de um polo e o outro cabo do microhmímetro deve ser
conectado ao respectivo terminal de saída, conforme a Figura 7.11, e aplica-se uma corrente de
100 A. Esse procedimento deve ser repetido em cada uma das três fases.

Figura 7.11: Ensaio de resistência de contato do polo do disjuntor.


1.2AA. Transformador
Durante a manutenção preventiva dos transformadores é recomendado realizar as
seguintes tarefas:
• Verificar a existência de vazamentos nos radiadores, balonete, registro etc.;
■ Conferir o nível do óleo;
• Avaliar as condições da sílica-gel (caso esteja saturada, substituir);
• Realizar testes de funcionamento dos ventiladores (para transformadores com
ventilação forçada);
• Ver se não existem trincas nos isoladores (buchas);
• Verificar as condições das ligações a terra na bucha XO e tanque;
• Na caixa de fiação é necessário limpar e reapertar os blocos de fiação, chaves
térmicas e contadores.

Termômetro do óleo
O ensaio do termômetro do óleo consiste em aquecer o seu bulbo, juntamente com
um termômetro padrão, mergulhado em óleo com agitação constante. A elevação da
temperatura deve ser gradual.
O desvio máximo aceitável entre o termômetro sob ensaio e o termômetro padrão
de referência é de três graus.
Durante esse teste também pode ser verificada a atuação dos contatos do
termômetro, nas temperaturas em que eles estão ajustados, através de um multímetro
ligado aos seus terminais.
Conjuntamente é verificado também o automatismo dos ventiladores (quando o
transformador dispuser de ventilação forçada), bem como o alarme de temperatura e o
desligamento do disjuntor.
Pode ser analisado ainda se há infiltração na caixa de ligação, a condição da
isolação e a continuidade da fiação.

Termômetro de enrolamento (imagem térmica)


O ensaio do termômetro de enrolamento é similar ao ensaio do termômetro do óleo.
A imagem térmica consiste em um valor de temperatura indicado pela soma do
aquecimento do bulbo mais o aquecimento provocado por uma corrente que circula pelo
resistor de imagem térmica do termômetro.
Para esse ensaio é necessário conhecer o gradiente de temperatura do transformador.
Esse valor é fornecido pelo fabricante e obtido no ensaio de aquecimento feito em fábrica. O
gradiente de temperatura refere-se à diferença entre a temperatura do enrolamento e a do óleo.
A realização desse teste ocorre nesta sequência.-
1. Anotar a temperatura do termômetro do óleo no instante do teste.
2. Aplicar uma corrente no resistor da imagem térmica, proporcional à corrente nominal
do transformador, que circularia no secundário do TC da imagem térmica.
3. Aguardar a estabilização da indicação do termômetro e anotar o valor lido.
4. O termômetro deve indicar a soma da temperatura inicial, indicada no termômetro
antes do teste, somado ao valor do gradiente de temperatura do transformador.
5. Caso não esteja correto o valor encontrado, deve-se efetuar a correção ajustando o
resistor da imagem térmica.
A orientação para a verificação visual do termômetro de enrolamento é a seguinte:
• A indicação deve estar cerca de 15°C acima da temperatura do óleo e 40°C acima da
temperatura ambiente, para a corrente nominal.
• A diferença de temperatura do óleo em relação à do enrolamento depende dos
resultados do ensaio de aquecimento na fábrica, e fica na faixa de 5 a 20°C.
• Para carga de 50% do nominal, o valor esperado é de cerca de 7,5 ºC acima da
temperatura do óleo.
• Verificar a indicação da temperatura conforme o padrão de ajuste de temperatura do
óleo, fazendo a aferição necessária. A tolerância para o ajuste é de,
aproximadamente, 4ºC.
• Injetar corrente nominal para verificação dos resistores de ajuste de corrente. O
acréscimo de temperatura deve estar conforme ensaio de aquecimento (At cobre -
óleo).
• Conferir os ajustes dos contatos e em caso de necessidade, devem ser ajustados
para os valores de temperaturas predeterminadas. Caso esses valores não estejam
disponíveis, medir a resistência ôhmica do resistor de ajuste da imagem térmica.
Durante esse teste também pode ser verificada a atuação dos contatos do termômetro,
nas temperaturas em que eles estão ajustados, através de um multímetro ligado aos seus
terminais.
Conjuntamente é verificado o automatismo dos ventiladores (quando o transformador
dispuser de ventilação forçada), bem como o alarme de temperatura e o desligamento do
disjuntor.
Pode ser analisado também se há infiltração na caixa de ligação, se o vidro frontal não
está danificado, a condição do óleo da cuba, a condição da isolação e a continuidade da fiação.

Nível de óleo
Em função da diversidade de fabricante e de sua forma construtiva, por mais simples que
seja, não há uma regra prática para definir o ensaio do nível de óleo. Entretanto, vale destacar a
sua importância, pois com ele se pode detectar problema de falta de óleo no transformador.
Geralmente, os indicadores de nível de óleo são compostos de uma boia e uma
microchave. O teste pode tentar simular o fechamento da micro- chave e verificar se foi emitido o
alarme.

Relé Buchhoiz
Em uma manutenção preventiva não se realiza a detecção de gases inflamáveis, uma vez
que, se ela é preventiva, imagina-se que o transformador esteja funcionando corretamente, sem
gerar gases.
Entretanto, é possível fazer a verificação da atuação das duas boias (balancim de alarme
e de desligamento) durante a manutenção preventiva. Esse ensaio é realizado no esvaziamento
do óleo no relé que pode ser conseguido pelo bombeamento de ar no rubinete superior (o mesmo
utilizado para retirar amostra de gases para ensaios), utilizando injeção de nitrogênio sobre
pressão ou de forma artesanal, com uma bomba manual (como aquela usada para encher pneu
de bicicleta).
Após o esvaziamento de uma parte do óleo no relé, o alarme é acionado, em seguida
deve ocorrer o desligamento do disjuntor. Antes de efetuar qualquer ensaio de relé Buchhoiz,
deve-se tomar precaução de verificar se a atuação do relé não vai ocasionar o desligamento de
outros equipamentos em serviço na subestação.
Caso haja a necessidade de desmontar o relé, é preciso obedecer ao procedimento
descrito a seguir.
Verificar o estado das boias e de seus bulbos de mercúrio com contatos quanto aos
seguintes itens:
♦ Conferir se não há penetração de óleo no interior da boia. Caso a boia esteja furada,
deve ser substituída por outra do mesmo tipo.
• Verificar se o bulbo de vidro não está trincado ou quebrado e caso esteja, deve ser
substituído.
• Analisar a fixação do bulbo à boia, observando se o acoplamento está em ordem.
• Avaliar se os fios flexíveis dos contatos dos bulbos estão normais e ligados
firmemente à parte interna dos terminais das buchas de passagem da caixa de
ligações.
• Substituir a guarnição da tampa superior.
• Verificar a caixa de ligações quanto a infiltrações, se a presença de óleo é devido à
má vedação das buchas de passagem e se houver presença de água, verificar a
origem.
• Conferir o estado da fiação da caixa de ligações. Caso o isolante esteja ressecado ou
danificado, a fiação deve ser substituída. Se os terminais estiverem soltos, devem
ser reapertados.
• Verificar a estanqueidade dos plugues e registros de óleo quanto a vazamentos.
Substituir a guarnição em caso de necessidade.
• Verificar a instalação e a fixação dos flanges quanto a vazamento, reparando e
reapertando ou substituindo juntas em caso de necessidade.
• Pela simulação analisar a operação dos contatos de alarme (ls grau) e desligamento
(2° grau).
• Executar devidamente a sangria do ar através do plugue (parafuso de saída de ar)
existente no relé de gás.

Observação Antes de colocar o relé novamente em serviço deve-se ter a certeza de que todo o ar do relé
foi drenado.

Ensaio de resistência de isolação


Apesar de existirem transformadores com mais de dois enrolamentos, nas subestações
de consumidores comumente são encontrados transformadores que possuem somente dois
enrolamentos.
Para medição da resistência de isolação em transformadores de dois enrolamentos, com
classe de tensão igual ou superior a 15 kV, utiliza-se uma tensão de ensaio de 5 kVcc ou 10 kVcc,
dependendo do megôhmetro utilizado. Vale destacar que quando o ensaio for realizado na baixa
tensão do transformador, deve-se aplicar a tensão de 500 V.
Segue o desenho esquemático com as medições de isolação realizadas nos
transformadores.

Figura 7.12

Sendo:
• Ra = isolação entre o enrolamento de alta tensão e a carcaça
• Rb = isolação entre o enrolamento de baixa tensão e a carcaça
• Rab - Rba = isolação entre os enrolamentos de alta e baixa tensão.
Para realização desse ensaio todos os cabos e barramentos de alta e baixa tensão, que
estão conectados aos terminais das buchas do transformador sob ensaio, devem ser
desconectados e afastados.
Os cabos de aterramento temporário das fases devem ser retirados para a realização do
ensaio, bem como deve ser desconectado o cabo de terra do XO.
Todos os terminais do enrolamento primário (H1, H2 e H3) e do enrolamento secundário
(XO, X1, X2 e X3) devem ser curto-circuitados.
Ensaio 1 - Medição da resistência de isolação do enrolamento de
alta tensão contra a carcaça
• Conectar o cabo de ensaio LINE ao enrolamento de alta tensão do transformador.
• Conectar o cabo de ensaio GUARD ao enrolamento de baixa tensão do
transformador.
• Conectar o cabo de ensaio EARTH à carcaça do transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, como mostra a figura, obtendo as leituras.

Figura 7.13

Ensaio 2 - Medição da resistência de isoiação do enroiamento de


aita tensão contra o enroiamento de baixa tensão
• Conectar o cabo de ensaio de LINE ao enroiamento de alta tensão do transformador.
• Conectar o cabo de ensaio GUARD à carcaça do transformador.
Figura 7.14
• Conectar o cabo de ensaio EARTH ao enrolamento de baixa tensão do
transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, como mostrou a Figura 7.14, obtendo as leituras.

Ensaio 3 - Medição da resistência de isolação do enrolamento de


baixa tensão contra a carcaça
• Conectar o cabo de ensaio de LINE ao enrolamento de baixa tensão do
transformador.
■ Conectar o cabo de ensaio GUARD ao enrolamento de alta tensão do transformador.
• Conectar o cabo de ensaio EARTH à carcaça do transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, como mostra a Figura 7.15, obtendo as leituras.

Figura 7.15
Resumo
A tabela a seguir resume os procedimentos dos ensaios.

Observação Por ocasião das conexões dos cabos (LINE, EARTH, GUARD), tomar cuidado para que
eles não toquem outras partes do equipamento e evitar o contato dos cabos entre
si para que não seja alterado o valor da isolação.

Recomenda-se que os resultados obtidos nos ensaios de resistência de isolação estejam


acima dos valores apresentados na tabela a seguir.

índice de absorção e polarização


Nos primeiros minutos de realização do ensaio com o megôhmetro, o valor de resistência
de isolação se altera, e geralmente após três ou quatro minutos o valor se mantém ou passa a
sofrer alterações muito pequenas.
Devem ser anotados os valores nos primeiros 30 segundos e depois a cada minuto a
contar do início do ensaio.
O índice de absorção é a razão de leitura de um minuto pela leitura de 30 segundos.
índice de polarização é a razão da leitura após a estabilização do ponteiro pela leitura há
um minuto.
Nos ensaios em que o megôhmetro demorar a estabilizar, deve ser anotada a leitura
quando completar dez minutos do ensaio.
As condições da isolação mostradas pelos índices de absorção e polarização estão
apresentadas na tabela a seguir:

Se o índice de polarização estiver muito elevado, em alguns casos pode ser indício de
isolamento muito ressecado, necessitando de tratamento para restabelecimento do isolamento.

Ensaio de relação de transformação


Este ensaio avalia como está a relação de transformação entre o lado da alta tensão e o
lado da baixa tensão do transformador. É realizado em uma fase de cada vez, avaliando a relação
de transformação entre o enrolamento primário de uma fase e o enrolamento secundário da
mesma fase.
Com o ensaio é possível identificar se há fuga de corrente entre as espiras
(curto-circuito), espiras abertas nas boinas, se o posicionamento do seletor de TAP do
transformador está correto e ainda determinar ou conferir a polaridade do transformador.
Para realização do ensaio o transformador deve estar totalrnente dese- nergizado e o
cabo do XO estar desconectado da terra.
Antes de executar o ensaio, é importante buscar algumas informações do transformador
sob ensaio na placa do equipamento, como tensão primária e secundária, tipo de ligação da
bobina primária e secundária, potência, data de fabricação etc. Esses dados devem fazer parte
da folha de inspeção.
O resultado apresentado pelo TTR é um valor de relação de transformação que deve ser
comparado com o valor teórico calculado. Esse valor teórico é calculado a partir de uma-fórmula
que depende do tipo de fechamento das bobinas do enrolamento primário e secundário. O
Apêndice E apresenta todas as fórmulas.
Figura 7.17: Ensaie rie relação de transformação da fase 2 do transformador.

Figura 7.18: Ensaio de relação de transformação da fase 3 do transformador.

Ensaio de resistência ôhmica dos enrolamentos


Em transformadores de força usa-se o método de queda de tensão para medição de
resistência dos enrolamentos. Esse método consiste em aplicar uma corrente de valor
conhecido e medir a queda de tensão em cima do enrolamento. Pela lei de Ohm obtém-se o
resultado da resistência

Nos transformadores de múltiplo TAPs deve ser medida a resistência em todas as


posições.
Ensaio do óleo
O procedimento de retirada do óleo do transformador deve ser feito com muito
cuidado para evitar a contaminação da amostra. Preferencialmente, a amostra de óleo
deve ser retirada com o transformador desligado. Somente em casos em que seja
possível garantir a total segurança e integridade do profissional é que pode ser realizada
a coleta da amostra do óleo com o transformador ligado. Nestes casos, recomenda-se o
acompanhamento e a orientação de algum profissional especializado em segurança do
trabalho.
Para realizar essa coleta é necessário dispor dos seguintes materiais e
instrumentos:
• Bandeja plástica ou metálica;
• Material de limpeza (pano);
• Chave ajustável (grifo);
• Frasco de vidro, de preferência transparente com capacidade de um litro para
o ensaio físico-químico;
• Seringa de vidro transparente para o ensaio de cromatografia;
• Kit com adaptadores metálicos ou PVC e redutor com vários diâmetros;
• Recipiente para material de descartável.
A retirada da amostra do óleo é realizada de acordo com o seguinte
procedimento:
• A coleta do óleo deve ser efetuada em dia seco com temperatura acima de
20ºC e umidade relativa abaixo de 72%.
• A seringa, o frasco e o kit devem estar limpos e lavados com sabão neutro,
secados em estufa a 110°C. Esse procedimento deve ser feito em
laboratório.
• A saída do registro no transformador deve estar limpa.
• Antes de colher o óleo para a amostra, deve-se deixar drenar um pouco de
óleo para retirar resíduos da tubulação de saída, a fim de não interferir no
resultado do ensaio.
• Após a drenagem conectar o kit ao registro e deixar escorrer uma quantidade
suficiente para lavagem do kit.
• Conectar o kit ao frasco, abrir o registro e deixar encher, de preferência, de
baixo para cima até transbordar, não deixando bolha de ar dentro do frasco
e/ou seringa.
• Após a retirada da amostra, acondicionar a seringa e o frasco em ambiente
apropriado, evitando contaminação, contato com luz solar e umidade.
• O ensaio do óleo deve ser feito o mais rápido possível a fim de não
comprometer a amostra.
Processos de tratamento e recuperação de óieo mineral isolante
Dependendo das condições e do estado em que se encontra o óieo isolante, pode ser
necessário algum tratamento de recuperação. Existem dois tipos de tratamento de recuperação
aplicáveis ao óleo isolante, sendo o re- condicionarnento e a regeneração.
O recondicionamento é feito por meio de processos físicos aplicados a óleos que
estejam contaminados por umidade, partículas em suspensão ou agentes externos dissolvidos,
excluindo os produtos de sua degradação.
A regeneração é feita por meio de processos químicos aplicados a óleos que sofreram
deterioração, contendo assim ácidos orgânicos, sedimentos ou borra solúvel e insolúvel.

Processo de recondicionamento
• Filtragem por filtro-prensa: esse processo é utilizado para remoção de partículas
em suspensão, borra e pouca quantidade de água. A operação é feita em
filtro-prensa, cujo elemento fundamental é o papei-filtro (absorvente). Esse
processo é muito utilizado durante o transporte de óleos entre tanques e na
drenagem de óleos de transformadores que necessitam ser abertos.
• Centrifugação: é um método de separação de contaminantes livres em
suspensão, tais como borra e água em emulsão, sendo bem mais rápido que a
filtração. Entretanto, não pode remover certos contaminantes livres de maneira tão
eficiente como o filtro-prensa.
• Secagem por termovácuo: é um processo eficaz na remoção de umidade, gases
e substâncias voláteis presentes no óleo isolante. Com a aplicação do vácuo,
reduz-se a temperatura de ebulição da água, que é removida na fase de vapor pela
câmara de vácuo. Na secagem, aplicando vácuo a 1 torr (1 mmHG), facilmente se
obtêm baixas concentrações de água como resultado final, consequentemente há
um aumento significativo da rigidez dielétrica do óleo isolante.

Processos de regeneração
Existem vários processos de regeneração de óleo isolante, dentre os quais podemos
citar:
• Percolação em leito de bauxita ativada
• Absorção por contato com bauxita ativada
• Regeneração com ácido sulfúrico
• Regeneração com metassilicato de sódio
Comutador
Transformadores de menor potência, geralmente os que estão instalados em
subestação de potência inferior a 69 kV, possuem comutador de derivação manual em vazio.
Transformadores de maior potência, geralmente os que estão instalados em
subestação de tensão superior a 69 kV, possuem comutador de derivação em carga. Nesse tipo
de comutador devem ser realizadas as seguintes tarefas de manutenção preventiva:
• Verificar e executar a lubrificação das articulações, eixos e engrenagem;
• Verificar se os pinos e travas estão em ordem. Caso estejam soltos,
oxidados, corroídos ou quebrados, devem ser substituídos;
• Na caixa de comando deve-se executar as seguintes tarefas:
- Verificar o seu estado de conservação e executar limpeza e pintura, caso
sejam necessários;
- Verificar a guarnição da porta. Caso esteja deteriorada, deve ser substituída;
- Verificar o visor, os trincos e maçanetas, substituindo aqueles que estiverem
danificados;
Efetuar vedação para evitar o fluxo da troca de calor entre ca- naleta e caixa.
• Na parte elétrica do mecanismo de acionamento é preciso executar
as seguintes tarefas:
- Verificar o funcionamento da resistência de aquecimento. Se estiver
danificada, deve ser substituída. No caso de ela não existir, providenciar a sua
instalação;
- Verificar o funcionamento da iluminação interna, substituindo a lâmpada, caso
seja necessário;
- Verificar botoeiras e contatores. Se estiverem com os contatos oxidados,
executar limpeza e se estiverem com os contatos desgastados/queimados,
devem ser substituídos. Nos casos de contatores com elemento térmico de
proteção de motor verificar o seu ajuste e atuação;
- Avaliar o funcionamento do motor, fazendo um acionamento elétrico;
- Verificar o fim do curso elétrico, comutando cada uma das posições (TAP)
extremas e fazendo nova tentativa de comutação no mesmo sentido, o que
não deve acontecer;
- Analisar a atuação da chave de bloqueio elétrico com a introdução e o
acoplamento da manivela de acionamento manual, fazendo uma tentativa de
acionar eletricamente, que não deve acontecer;
- Verificar se o indicador da posição remota está funcionando corretamente;
caso contrário, deve ser reparado ou substituído conforme necessidade;
- Quando existir correia no motor, verificar o seu estado e a tensão de
esticamento.
Conferir o engate da manivela e fazer revoluções para elevar/dimi- nuir as
comutações de taps;
Verificar o funcionamento do contador de operações;
Analisar o funcionamento do indicador de operações;
Verificar o estado, a cor e o nível do óleo lubrificante, substituir ou completar
conforme a necessidade;
Caso haja necessidade de trocar o óleo lubrificante, efetuar a lavagem com óleo
isolante, que deve ser identificado como óleo do comutador;
Verificar ocorrência de vazamento no eixo de acionamento da manivela;
No relé de fluxo de óleo ou sobre pressão do comutador, executar as seguintes
tarefas;
- Verificar o seu funcionamento pela movimentação manual da boia ou do
ponteiro, observando os fechamentos dos contatos para o nível máximo ou
mínimo e se também não há nenhuma restrição da movimentação de sua
boia;
- Verificar o estado da fiação. Caso o isolante esteja ressecado, deve ser
substituído e se os seus terminais estiverem soltos, devem ser reapertados;
- Realizar ensaios de trip e sinalização pela simulação nos relés de fluxo e
injeção de nitrogênio (recomenda-se uma pressão de 0,1 kgf/cm2), nos relés
de sobrepressão;
- Conferir o estado do tanque de expansão do comutador, quando este for
separado do tanque de expansão do transformador ou do regulador de
tensão. Caso esteja oxidado, fazer o tratamento anticorrosivo e pintura.
No indicador de nível de óleo do tanque de expansão do comutador executar as
seguintes tarefas:
- Verificar o seu funcionamento pela movimentação manual da boia ou do
ponteiro, observando os fechamentos dos contatos
para o nível máximo ou mínimo, e se não há nenhuma restrição da
movimentação de sua boia;
- Reparar nas sinalizações acústica e luminosa;
- Avaliar o estado da fiação. Caso o isolante esteja ressecado, deve ser
substituído e se os terminais estiverem soltos, devem ser reapertados;
- Verificar a sua fixação, observando se não há vazamentos ou infiltração na
tampa frontal devido a juntas danificadas e/ou vidro trincado/quebrado,
substituindo-os em caso de necessidade;
- Verificar as tubulações e registros do tanque de expansão do comutador
quanto a vazamentos, reparando ou substituindo quando necessário;
- Nos comutadores com tanque de óleo separado do tanque principal do
transformador, verificar se não há vazamento na tampa do tanque. Se
necessário, deve-se substituir as guarnições;
- Verificar o estado de conservação do dispositivo secador de ar e no caso de o
recipiente estar trincado ou quebrado, deve ser substituído;
- Conferir o estado do sílica-gel. Caso esteja saturada, deve ser providenciada a
sua substituição.

7.2.4.5. Transformadores de instrumentos


Deve ser realizada uma verificação das condições gerais dos transformadores para
instrumentos a fim de avaliar se não estão trincados ou com indícios de vazamentos (no caso
de transformadores a óleo).
Também deve ser analisado se os terminais primários, secundários e terra estão bem
fixos ao barramento e se a própria estrutura do transformador está fixada apropriadamente na
estrutura.
O ensaio realizado nos transformadores de instrumentos é o de resistência de isolação.
A seguir são apresentados os procedimentos para sua realização.
O ensaio de resistência de isolação utiliza o megôhmetro. Para transformadores de
classe de tensão igual ou superior a 15 kV deve ser aplicada a tensão de 5 kVcc ou 10 kVcc
para realizar o ensaio, dependendo do megôhmetro, quando aplicada a tensão no enrolamento
primário. Quando a tensão for aplicada no enrolamento secundário, deve ser utilizado o valor de
500 V.
Segue o desenho esquemático com as medições de isolação realizadas nos
transformadores.

Figura 7.19
Sendo:
• Ra = isolação entre o enrolamento de alta tensão e a carcaça
• Rb = isolação entre o enrolamento de baixa tensão e a carcaça
• Rab - Rba = isolação entre os enrolamentos de alta e baixa tensão
Para realização do ensaio é preciso desconectar os cabos de ater- ramento temporário
de cada enrolamento e curto-circuitar todos os terminais do enrolamento primário e do
enrolamento secundário. Em seguida conectam-se os cabos do instrumento de ensaio ao
transformador.

Ensaio 1 - Medição da resistência de isolamento do


enrolamento de alta tensão contra a carcaça
• Conectar o cabo de ensaio de LINE ao enrolamento de alta tensão do
transformador.
• Conectar o cabo de ensaio GUARD ao enrolamento de baixa tensão do
transformador.
• Conectar o cabo de ensaio EARTH à carcaça do transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, como mostra a Figura 7.20, obtendo as leituras.

Figura 7.20

Ensaio 2 - Medição da resistência de isolamento do enrolamento de


alta tensão contra o enrolamento de baixa tensão
• Conectar o cabo de ensaio de LINE ao enrolamento de alta tensão do
transformador.
• Conectar o cabo de ensaio GUARD à carcaça do transformador.
• Conectar o cabo de ensaio EARTH ao enrolamento de baixa tensão do
transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, como mostra a Figura 7.21, obtendo as leituras.
Figura 7.21

Ensaio 3 - Medição da resistência de isolamento do


enroiamento de baixa tensão contra a carcaça
• Conectar o cabo de ensaio de LI NE ao enroiamento de baixa tensão do
transformador..
♦ Copectar o cabo de ensaio GUARD ao enroiamento de alta tensão do
transformador.
♦ Conectar o cabo de ensaio EARTH à carcaça do transformador.
• Ligar o instrumento de ensaio, obtendo as leituras, como mostra a Figura 7.22.

figura 7.22

Resumo
A tabela a seguir resume os procedimentos dos ensaios:
Enrolamento conectado ao cabo
Ensaio Isolação medida
LINE GUARD EARTH

1 Alta Baixa Carcaça Ra

2 Alta Carcaça Baixa Rab

3 Baixa Alta Carcaça Rb

Por ocasião das conexões dos cabos (LINE, EARTH, GUARD), deve-se tomar cuidado
para que eles não toquem outras partes do equipamento e evitar o contato dos cabos entre si,
para que não seja alterada a isolação a ser ensaiada.
A tabela seguinte apresenta valores apenas orientativos de níveis mínimos de
isolamento considerados aceitáveis.

7.2.4.6. Cabos de alimentação


Cs cabos de alta tensão devem ser inspecionados a fim de identificar indícios de
aquecimento. Deve-se verificar também as condições da isolação e das terminações.
O ensaio realizado no cabo é de resistência de isolação. Neste ensaio aplica-se a
tensão no condutor e o cabo GUARD do megôhmetro é ligado à blindagem do cabo.

7.2.4.7. Cubículo
Durante a manutenção preventiva dos cubículos é necessário verificar os seguintes
itens:
• Resistência de aquecimento (somente para cubículo blindado);
• Lâmpadas de sinalização;
• Estado geral da pintura (corrosão);
• Relés e contatares;
• Fusível e chaves termomagnéticas;
• Ligações a terra;
• Blocos de ligações;.
• Instrumentos de medição;
• Plugue de controle.
Eles devem ser limpos, reapertados e substituídos quando necessário. Nos
barramentos deve-se verificar a isolação, se não existem indícios de aquecimentos e
corrosões, se necessário fazer ensaio de resistência de isolação.
Caso o disjuntor seja extraível, verificar se o mecanismo de inserção e extração está
fechando e abrindo corretamente.

7.2.4 8. Verificações finais


Deve-se verificar se todos os pontos desconectados foram conectados, retirar o
aterramento temporário, as ferramentas, instrumentos de ensaios, sujeiras, resto de materiais e
de peças, as grades de proteção e tampas dos cubículos devem estar fixas, conectadas ao
aterramento e bem ajustadas, evitando vibrações.
As pessoas não envolvidas na manobra de religamento devem ser retiradas do local. O
operador deve fazer sempre uma inspeção visual antes da manobra que precisa ser feita de
forma inversa ao desligamento,

7.3. Exercícios
1. Assinale verdadeiro ou falso:
De acordo com o item 10.5 da NR-10, somente é considerado desenergizado um
equipamento elétrico, liberado para trabalho, mediante os procedimentos
apropriados, obedecendo à sequência descrita em seguida.
a. Desligado
b. Isolado

c. Bloqueado
d. Testado

e. Aterrado
f. Sinalizado
2. Quais as principais funções dos instrumentos relacionados a seguir?
a. Megôhmetro
b. Medidor de relação de transformação TTR
c. Microhmímetro
d. Tensão aplicada Hipot
e. Teste de rigidez dielétrica do óleo TRDO
3. Mencione os três ensaios de resistência de isolação que devem ser realizados em
um transformador.
4. Para medição da relação de transformação, considere um transformador cujo
fechamento do enrolamento de alta tensão seja triângulo e o fechamento do
enrolamento da baixa tensão seja estrela, a tensão primária do transformador seja
de 13.800 V e a tensão secundária de 220 V. Qual o valor de relação de
transformação usado?
- Relação de transformação calculada
- Valor de tolerância máximo
- Valor de tolerância mínimo
5. Observando o diagrama seguinte, elabore um procedimento de manobra para
desligar e isolar o disjuntor principal de 13,8 kV com segurança, considerando todas
as seccionadoras e disjuntores fechados.