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Entrevista de emprego: perguntas e como responder

Entrevista é o momento da verdade para muitos profissionais em busca de um novo emprego, e saber como
lidar com as perguntas de entrevista mais comuns, escapando das pegadinhas e armadilhas, é uma necessidade
comum.
Não existe uma regra geral. Se o seu entrevistador não tiver preparo ou técnicas específicas, ele irá conduzir
o trabalho “de ouvido”, e avaliar você puramente de acordo com suas próprias impressões e valores. Já se for um
profissional competente e diferenciado da área de gestão de pessoas, especializado em seleção de pessoal, ele
provavelmente empregará um conjunto de técnicas e escalas múltiplas para as quais não há escapatória - ele vai
acabar construindo um raio-x completo da sua posição, da forma como a perceber, sem que você tenha qualquer
controle sobre o processo - mas isso costuma acontecer apenas em seleções para cargos de altíssimo nível.
Para a maioria dos cargos comuns, a seleção é deixada a cargo da área de pessoal da empresa, ou de uma
empresa externa contratada especialmente para isso, e eles tendem a adotar uma série de técnicas de entrevista e
redação comuns e bem conhecidas, para as quais há respostas “certas” e “erradas” também comuns e bem
conhecidas. As técnicas infelizmente incluem uma série de pegadinhas e outros expedientes que, a pretexto de excluir
candidatos despreparados, acabam dificultando a criação de um ambiente em que os candidatos estejam aptos a
oferecer respostas diretas e desarmadas.
Já apliquei a minha cota de entrevistas - nunca com pegadinhas! -, e já vi todo tipo de nível de preparo dos
candidatos, desde aqueles extremamente aptos a assumir a vaga mas incapazes de se comunicar devido ao
nervosismo, até aqueles completamente inadequados para a vaga, mas tão bons comunicadores que esperam
convencer o entrevistador de que são sua melhor escolha - sem contar os mentirosos, os lisos, os nervosos e várias
outras categorias.
Mas ao longo destas entrevistas, percebi que os candidatos experientes e traquejados se dão bem melhor que
os mais “verdes”, porque acabam percebendo o segredo do sucesso em entrevistas de emprego, que é: perceber (ou
deduzir razoavelmente) quais as qualificações necessárias para a vaga em disputa, e aí moldar as respostas sobre suas
características pessoais a ela, sempre dizendo a verdade, mas escolhendo criteriosamente quais aspectos destacar.
Como no caso de um vendedor de carros que, ao vender o seu modelo mais importante, sabe que para um
cliente deve dar destaque ao baixo consumo de gasolina, ao outro precisa chamar a atenção para o espaço interno, e
a um terceiro precisa falar especificamente sobre a potência do motor, em uma entrevista de emprego você tem de
identificar quais as suas características que a empresa está buscando, e colocá-las em destaque na vitrine, como
veremos a seguir.

Perguntas de entrevista de emprego

O que temos a seguir é um conjunto de perguntas comuns em entrevistas elaboradas por profissionais típicos.
Não existe uma única resposta certa para cada uma delas, e você deve responder sempre com naturalidade e de forma
espontânea - nada de respostas decoradas! Mas em muitas das perguntas há um teste oculto, e estes testes acabam
eliminando muitos candidatos.
Por isso, para cada pergunta foi acrescentada uma sugestão de resposta, e eventualmente um comentário
sobre qual o teste oculto. Você não deve decorar estas respostas e usá-las na próxima entrevista; a ideia é que você
as use como base para compor sua própria resposta, que deve ser sincera e espontânea. Assim, você não será pego
despreparado por nenhuma destas perguntas comuns, muitas delas difíceis de serem respondidas de improviso.
Lembre-se que o entrevistador muitas vezes tentará impor um ritmo artificial à entrevista, pressionando você,
antagonizando, questionando tudo. Faz parte da experiência, e nestes casos provavelmente ele deseja ver como você
se comporta quando pressionado. Mas a sua posição sempre é o resultado de uma escolha pessoal - você pode
antagonizá-lo de volta, mas pode escolher também manter a tranquilidade e continuar oferecendo respostas calmas
e completas.
De qualquer maneira, quanto mais preparado você estiver, mais apto estará a se sair bem mesmo que seja
colocado contra a parede e levado a responder tudo sem tempo para pensar.
Uma dica é essencial: sempre que for possível, tente fazer com que a entrevista seja uma conversação
bidirecional, e não apenas um questionário. Já no início, após a apresentação inicial por parte do entrevistador, faça
alguma pergunta inteligente sobre algum aspecto da vaga ou do processo seletivo. Se ele responder, você terá não
apenas um ambiente mais favorável, mas também alguma informação adicional que poderá ser útil durante a própria
entrevista. Ou seja: nos primeiros minutos, momento em que o candidato típico está procurando falar sobre si às
cegas, você já terá conseguido criar um clima favorável e obtido informações sobre o que o entrevistador está
procurando, para saber o que oferecer a ele.
Vamos às perguntas e respostas:
Sobre você. Fale sobre você. Isto não é propriamente uma pergunta, mas frequentemente as entrevistas começam
assim, e o candidato desata a falar sem parar, e o avaliador presta atenção à sua capacidade de se concentrar nas
prioridades, encadear ideias, e comunicar-se livremente.
Se você não sabe o que é um “discurso do elevador”, imagine que você encontrou no elevador o responsável pela
seleção da vaga dos seus sonhos, e tem apenas o tempo do trajeto entre 10 andares para fazê-lo se interessar em
selecioná-lo para a vaga. O que você diria? Estas 2 ou 3 frases, que você deve desenvolver, memorizar e ensaiar com
antecedência, são importantíssimas, e este é um bom momento para usá-las.
Quais os seus interesses pessoais? Aqui o entrevistador quer saber se você não é o que ele classificaria como um
desajustado, uma pessoa problemática, ou então alguém tão ligado a seus interesses externos que não teria energia
suficiente para cuidar do seu trabalho. Pode ser uma boa oportunidade de quebrar preconceitos e estereótipos; se
você for mais velho que a média do mercado, destaque atividades que demonstrem atualização, vigor físico e energia.
Se for muito jovem, destaque algo que indique ponderação e oportunidades adicionais de ter adquirido experiência
útil para a vaga, como algum cargo na diretoria de uma ONG, por exemplo.
Que bons livros (ou bons filmes) você tem lido (ou assistido) ultimamente? Seu avaliador não está apenas querendo
puxar papo. Ele quer saber algo sobre o seu nível cultural, e também se você é um mentiroso quando sob pressão
(caso não tenha lido nenhum livro que possa mencionar, e aí invente que leu algum). Não importa qual livro você
indique, ele vai lhe fazer perguntas sobre ele. Portanto, fica a dica: se você está procurando emprego, é bom ler algum
bom livro sobre o qual você fique à vontade para discorrer em uma entrevista. De preferência, um livro que vá
interessar ao seu entrevistador, e que seja recente o suficiente para ele não poder pensar que você não lê um livro há
4 anos!
Qual seu ponto forte? Escolha previamente, e esteja preparado para exemplificar e detalhar, sem mentir. Eis uma lista
de atributos estritamente pessoais mas que costumam ser valorizados pelos entrevistadores. Identifique quais deles
você tem em maior grau, e passe esta ideia (ou afirme diretamente) em seu texto ou na entrevista: Motivado; Racional;
Energético (atenção: não é a mesma coisa que enérgico. Tem relação com a disposição para realizar trabalho);
Dedicado (veste a camisa); Honesto; Capaz de liderar; Com iniciativa; Com objetivos; Com visão; Com empatia;
Persistente; Bom comunicador; Bom técnico.
Qual seu maior ponto negativo? Cuidado! A maioria das pessoas que já leu dicas de entrevista acha que deve escolher
algo que não seja tão negativo assim, como “ser muito perfeccionista”, ou “exigir demais de si mesmo”. Na minha
opinião, quando eu mesmo entrevisto, essas respostas prontas que disfarçam um ponto positivo como se fosse
negativo passam uma ideia de artificialidade, e de ausência de respeito pelo interlocutor e pela empresa. Diga que
não consegue lembrar de uma característica profissional que possa comprometer seu desempenho no cargo para o
qual está sendo considerado, e aí acrescente um ponto negativo real (no qual você pensou com antecedência), que
faça sentido no contexto da empresa, mas que não vá comprometer suas chances de aprovação. Se possível, equilibre-
o explicando a forma como você lida com este ponto negativo, e mencione um ponto positivo forte já em seguida.
Mas não exagere escolhendo algo que possa soar pior do que é na realidade.
Qual seu maior arrependimento? Como no caso do “maior ponto negativo”, aqui o entrevistador não espera que você
realmente confesse algo, mas ele quer saber como você lida com esse tipo de situação. Confessar um arrependimento
verdadeiro em geral não é positivo para a sua pontuação, mesmo que seja algo inocente. E tentar mascarar uma vitória
como se fosse arrependimento também é um truque manjado. Eu diria que não tenho arrependimentos, e que tenho
um princípio, que também aplico na vida profissional, de agir de acordo com a minha consciência, e de sempre decidir
de forma equilibrada, o que me permite prosseguir sem deixar espaço para arrependimento ou para o desejo de que
eu tivesse decidido de forma diferente.
Você aceitaria mudar algum aspecto importante da sua vida (por exemplo, mudar de cidade)? Não feche portas já
na entrevista, mas ao mesmo tempo não mostre ser irrefletido ou desesperado por uma vaga. Diga que estudaria com
prazer uma proposta, que decidirá quando souber dos detalhes, mas que não vê nenhum problema grave que o impeça
de tomar esta decisão, se for a correta.
Qual sua pretensão salarial? Raramente a empresa pergunta isso para lhe oferecer o que você está pedindo, caso
ache que você está à altura - a entrevista de seleção raramente inclui negociação salarial, que ocorre em uma fase
posterior, apenas com os aprovados. Aqui você está apenas sendo avaliado, e perde ponto quem se valoriza demais,
ou de menos, em relação à estimativa do avaliador. Se você estiver empregado, pode dizer quanto ganha hoje, e que
sua intenção é progredir, mas que aguarda para saber mais sobre as condições da vaga para a qual está sendo
selecionado. Se não estiver trabalhando, ou estiver em situação instável, simplesmente diga que você é flexível e tem
interesse em ganhar de acordo com o mercado, e que não tem dúvida de que o plano de cargos e salários da empresa
é adequado. Se julgar relevante, pode mencionar quanto ganhava no emprego anterior.
Qual seu objetivo de longo prazo? O entrevistador quer saber seu objetivo pessoal em um contexto profissional, e
dentro da empresa. Não há problema em ser bastante objetivo e dizer simplesmente que deseja vir a ser o diretor
operacional, ou o responsável pela sucursal do Centro-Oeste. Mas se você conhecer bem a empresa, pode ser mais
amplo, dizendo por exemplo que deseja conhecer bem a realidade de todas as regiões em que a empresa atua, porque
sua intenção é vir a ser o responsável pela logística. Não diga que quer ter um salário compatível, um bom plano de
aposentadoria, ou outro objetivo que seja vantajoso apenas para você, e não para a empresa, mesmo que seja
decorrência da vaga que você pleiteia.
Quais suas metas de curto prazo? lembre-se de que metas são mais precisas, e que incluem datas, ou mesmo
quantificações, quando for o caso. O entrevistador quer saber suas metas pessoais em um contexto profissional, e
dentro da empresa. O ideal é poder dizer que quer chegar a ser gerente de uma filial já no ano que vem, ou que
pretende conhecer a fundo o processo produtivo nos próximos 2 anos, para embasar uma carreira executiva na área
de gestão fabril.
Suas qualificações não são excessivas para esta vaga? Nenhum empregador gosta de contratar uma pessoa que logo
vá ficar descontente com um trabalho que pode ser visto como abaixo do seu potencial, e acabe saindo da empresa
logo após ter sido contratado. Se suas qualificações forem mesmo acima do que a vaga exige, esclareça as razões pelas
quais a vaga é exatamente o que você deseja agora, que tem certeza de que a médio prazo surgirão oportunidades de
prosseguir sua carreira dentro da própria empresa, e que as qualificações que você tem em excesso são do interesse
da empresa.