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BACHARELADO EM DIREITO

PRODUÇÃO ÚNICA - ESTUDO DIRIGIDO DE CASO


PHABLO ALEXANDRE LUCAS ANGELIM
Texto dissertativo apresentado no curso de
Direito do Centro Universitário AGES, como
um dos pré-requisitos para obtenção da nota
parcial nas disciplinas de Teoria Geral do
Estado (Diogo Lemos); Produção de Textual
(Fernanda Caroline); História do Pensamento
Jurídico e Antropologia (Géssica Lorena);
Introdução ao Estudo do Direito (Larissa
Sena); Hermenêutica e Argumentação
Jurídica (Judith Jeine); Metodologia do
Trabalho Científico (Alexandra Cardoso);
Orientador(a): Esp. Maria Andresiele
Tuma: 1 semestre - Turma B
Turno: Noturno

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA PONTU PONTUAÇ


PRODUÇÃO ÚNICA AÇÃO ÃO
MÁXIM OBTIDA
A
1. ESTRUTURA 0,10
( ) Introdução
( ) Desenvolvimento
( ) Conclusão
2.CORRESPONDÊNCIA DO TEXTO COM O 0,10
CASO/PROBLEMA
3. CONTEÚDO APRESENTADO 1,0 SENDO =
3.1.Introdução 0,10
3.2.Desenvolvimento 0,80
( ) Resumo dos Problemas
( ) Fundamentação Teórica e Discussão
3.3.Conclusão 0,10
4. VOCABULÁRIO ADEQUADO E GRAMÁTICA 0,20
( ) Vocabulário (variedade e científico)
( ) Gramática (acentuação, ortografia, regência,
emprego adequado dos pronomes, conjunções,
tempos e modos verbais, preposições e pontuação)
5. COESÃO (construção de períodos – repetições de 0,20
palavras e frases incompletas)
6. COERÊNCIA (encadeamento de ideias) 0,20
7. NORMAS TÉCNICAS (ABNT) 0,20
TOTAL 2,00

Senhor do Bonfim/BA
Maio de 2019
1. INTRODUÇÃO

O caso estudado nos apresenta a situação ocorrida no município de


Pasárgada, onde o vereador Celso fora provocado por parte da população bem como
por fornecedores, a respeito de algumas transações financeiras relativas a Prefeitura
do Município.
Após tomar a devida ciência das reclamações, este convocou todos os colegas
vereadores no sentido de que estes formalizassem pedido ao Executivo para que
fossem apresentadas informações e documentos referentes a licitude de atos
praticados.
Quando o entendimento de seus pares fora divergente, este ainda abarcado
por quanto a legislação lhe dispõe de atribuições, solicitou diretamente ao Executivo
as informações que necessitava, pleito este que veio a sofrer nova negativa.
Ainda visando obter os respectivos esclarecimentos, o camarista diligenciou ao
Judiciário na tentativa de alcançar seus objetivos e dispor da documentação que
pudesse esclarecer seus questionamentos, o qual fora mais uma vez negado, tendo
o Magistrado alegado em sua fundamentação que caso julgasse procedente, o
Legislativo estaria exercendo ingerência no poder Executivo.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Resumo dos problemas

A problemática identificada seria a dificuldade Executivo Municipal em fornecer


acesso as informações geridas por ele, bem como a falha no posicionamento dos
demais vereadores, pois se colocaram contrários ao pedido do colega. Também vale
destacar o posicionamento equivocado do judiciário, na figura do Magistrado quando
este não atendeu o pleito ajuizado pelo vereador.

2.2. Fundamentação teórica e discussão

A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 31, versa que "A fiscalização do
município será exercida pelo Poder Legislativo municipal, mediante controle externo,
e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo municipal, na forma da Lei."
Sendo assim, é cristalino que Celso desempenhava suas atribuições quando buscou
vias de obter as informações e documentos respectivos as denuncias as quais
recebeu.
Explicita também é a lei da Transparência (131/2009), a qual altera a LRF
(101/2000), e inova ao determinar que as informações sobre a execução orçamentária
devem estar disponíveis de forma pormenorizadas e em tempo real. De mesmo modo,
a Lei de Acesso a Informação (12.527/2011), no parágrafo único do Art. 2º traz que “A
publicidade a que estão submetidas as entidades citadas no caput refere-se à parcela
dos recursos públicos recebidos e à sua destinação, sem prejuízo das prestações de
contas a que estejam legalmente obrigadas.”
Nesse sentido, vemos que a legislação brasileira é indubitável, ao se posicionar
que cabe aos gestores públicos proceder de forma transparente quanto aos recursos
públicos, dando acesso a qualquer momento as informações referentes a estes
recursos, de que forma foram aplicados, em que locais, quais valores, etc.
É interessante ainda trazer à baila que o STF, em julgamento de recurso
extraordinário de repercussão geral reconhecida (RE 865.401) entendeu o seguinte:
Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de
Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado: MANDADO DE
SEGURANÇA. NEGATIVA DO PREFEITO MUNICIPAL DE PRESTAR
INFORMAÇÕES SOLICITADAS, INDIVIDUALMENTE, POR VEREADORES.
POSTURA ADEQUADA. ART. 31 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
ATRIBUIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL. RECURSO PROVIDO PARA
DENEGAR A ORDEM. O denominado pedido de informação é
prerrogativa que foi conferida pela Constituição Federal não ao parlamentar,
enquanto tal, mas à própria Casa Legislativa ou a uma de suas comissões
(Constituição Federal, art. 71, VII) (STF MS n. 22.471, Min. Gilmar Mendes;
STJ, MS n. 5.896, Min. Demócrito Reinaldo) (ACMS n. 2007.054094-5, Des.
Newton Trisotto). (AC em MS n. 2010.010509-5, de Imaruí, rel. Des. Luiz
Cézar Medeiros, Terceira Câmara de Direito Público, j. 25-8-2010). O
Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 865.401-RG, sob a relatoria do
Min. Dias Toffoli, concluiu pela presença da repercussão geral da questão
constitucional ora discutida. Confira-se a ementa do julgado: Direito
constitucional. Direito fundamental de acesso à informação de interesse
coletivo ou geral. Recurso extraordinário que se funda na violação do art. 5º,
inciso XXXIII, da Constituição Federal. Pedido de vereador, como
parlamentar e cidadão, formulado diretamente ao chefe do Poder Executivo,
solicitando informações e documentos sobre a gestão municipal. Pleito que
foi indeferido. Invocação do direito fundamental de acesso à informação, do
dever do poder público à transparência e dos princípios republicano e da
publicidade. Tese da municipalidade fundada na ingerência indevida, na
separação de poderes e na diferença entre prerrogativas da casa legislativa
e dos parlamentares. Repercussão geral reconhecida. Diante do exposto,
com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos
autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543-B
do CPC. Publique-se. Brasília, 10 de dezembro de 2015. Ministro Luís
Roberto Barroso Relator
Assim verificamos que de forma unânime o nosso órgão julgador maior
reconheceu que um parlamentar, na condição de cidadão, pode pedir informações ao
Poder Executivo, exercendo o direito de acesso à informação individual e diretamente,
estabelecendo a tese aprovada que ““o parlamentar, na condição de cidadão, pode
exercer plenamente seu direito fundamental de acesso à informação, de interesse
pessoal ou coletivo, nos termos do artigo 5º da Constituição Federal, e das normas de
regência desse direito”.

3. CONCLUSÃO

Uma vez que a nossa Carta Magna vigente traz em seu art. 31, que cabe ao
Poder Legislativo efetuar a fiscalização do município mediante o controle externo e
através dos sistemas de controle interno, é inequívoca a compreensão de que o
Magistrado apresenta deslize no quanto fundamentado em sua decisão, uma vez que
o vereador estaria respaldado pela legislação pertinente, visto que, conforme
explicitado, a Constituição Federal ampara a sua conduta.
Caberia ao vereador então quais soluções na resolução desse conflito? A
primeira seria pensar formas de pressão para que os vereadores revissem seu
posicionamento no sentido de redigirem o requerimento formal ao chefe do executivo
municipal e a partir dai fossem solicitadas as informações inerentes pelo Legislativo.
Tal atuação de pressão popular e nas mídias também poderia apresentar efeito
positivo no sentido que o próprio executivo ofertasse essas informações de forma
pacifica, no sentido de responder o requerimento direto endereço a este, por parte do
vereador.
Outra solução seria em sede de recurso a decisão do magistrado, apresentar o
remédio constitucional no sentido de rever a decisão do magistrado, que caso tenha
sido liminarmente, deveria ser através de um agravo de regimento, e se tenha sido
por decisão sentencial, por via de uma apelação de sentença. Sendo que estes
remédios constitucionais seriam apresentados em segunda estância, no Tribunal de
Justiça do Estado.
REFERÊNCIAS

BRAZ, Petrônio. O vereador: Atribuições, direitos e deveres. 2° Edição. Rio de Janeiro:


Editora Servanda, 2013.

STOCO, Rui. Responsabilidade dos prefeitos e vereadores. 1° Edição. São Paulo:


Editora Revista dos Tribunais, 2017.

ANTENOR, Batista. Corrupção: o 5° poder? Repensando o Brasil. 1° Edição São


Paulo: Editora Edipro, 2018.

LUIZ, Silvio. A. Sartre: Direito e política. 1° Edição. São Paulo: Editora Boitempo, 2016.

MARTINS, Roberto. R. O prefeito. 1° Edição. São Paulo: Editora chiado Brasil, 2018.

(STF - RE: 656612 SC - SANTA CATARINA, Relator: Min. ROBERTO BARROSO,


Data de Julgamento: 10/12/2015, Data de Publicação: DJe-251 15/12/2015)